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Profa. Mariana C. Artilheiro Neuropatias e Distrofias Sistema Nervoso Periférico Nervos: 12 cranianos 31 espinais Gânglios: Dorsais (espinhais) – sensitivos Viscerais – motores (SNA) Terminações nervosas: Aferentes (sensitivas) - receptores Eferentes (motoras) – junção neuroefetora Somáticas: Placas Motoras/ JNM Viscerais (SNA) – glândulas, m. liso e m. cardíaco Receptores Classificação fisiológica • quimiorreceptores, fotorreceptores, termorreceptores, nociceptores, mecanoceptores Classificação topográfica • exteroceptores (superfície) • proprioceptores – músculos, tendões, ligamentos, cápsulas articulares • interoceptores (visceroceptores) – vísceras e vasos Receptores Nervos espinais Raiz dorsal - sensitiva Raiz ventral - motora Tronco do nervo espinhal – misto • Originam-se na medula: corpos celulares dos neurônios que constituem os nervos Ex: Corno anterior da medula ou gânglio da raiz posterior Nervos espinais Nervos espinais Impulsos nervosos sensitivos são conduzidos da periferia para o centro (gânglio da raiz posterior) Nervos espinais Impulsos nervosos motores do corpo celular para o efetuador (músculo) Lesão de corpo celular NMI x lesão periférica Velocidade de condução nervosa • Varia de 1 a 120 m/s • Depende do calibre da fibra (neurônio motor tônico x neurônio motor fásico) • Depende da quantidade de mielina Nervos espinais – trajeto Mm e região da pele posterior de pescoço e tronco Nervos espinais - trajeto Nervos espinais - trajeto Dermátomo Território cutâneo inervado por fibras de uma única raiz dorsal Nervos espinais - trajeto Miótomo Campo radicular motor Território inervado por uma única raiz ventral Músculos-chave C5: flexores de cotovelo (bíceps braquial) C6: extensores de punho (ext lg e curto do carpo) C7: ext. cotovelo (tríceps braquial) C8: flex dedos (flex prof. 3 dedo) T1: abdutor do dedo mínimo L2: flexor quadril (iliopsoas) L3: extensores de joelho (quadríceps) L4: dorsiflexores de tornozelo (tibial anterior) L5: extensores de dedos (ext. lg dos dedos) S1: flexor plantar de tornozelo ( tríceps sural) PLEXO CERVICAL (C1 – C4) PLEXO CERVICAL (C1 – C4) PLEXO BRAQUIAL (C5 – T1) PLEXO BRAQUIAL (C5 – T1) PLEXO LOMBAR (L1 – L4) PLEXO LOMBAR (L1 – L4) PLEXO SACRAL PLEXO SACRAL Nervos espinais Nervos espinais 1. Lesão primeiro grau Neuropraxia Bloqueio temporário Continuidade axonal Bainhas intactas Classificação das lesões nervosas periféricas (Sunderland, 1950) 2. Lesão segundo grau Dano axonal Endoneuro intacto Recuperação total ege Degeneração Walleriana: supressão distal de material nutritivo importante para o funcionamento do nervo *Distal à lesão *Inicia em 12h Classificação das lesões nervosas periféricas (Sunderland, 1950) 3. Lesão terceiro grau Axônio + endoneuro Perda de continuidade das fibras Células da glia tentam conter inflamação, mas formam tecido cicatricial - fibrose Degeneração Walleriana Regeneração axonal insignificante (1 a 4 mm/ dia) Classificação das lesões nervosas periféricas (Sunderland, 1950) 4. Lesão quarto grau Axônio, endo e perineuro Destruição do fascículo Degeneração Walleriana Crescimento axonal bloqueado por tecido fibroso e cicatricial Classificação das lesões nervosas periféricas *Recuperação depende de excisão do segmento lesado e reparo do nervo (Sunderland, 1950) 5. Lesão quinto grau: Neurotmese Perda completa de continuidade do tronco nervoso Classificação das lesões nervosas periféricas (Sunderland, 1950) Neuropatias Lesão no nervo periférico SINAIS: • Fraqueza muscular ou paralisia • Hipotonia ou atonia • Hiporreflexia ou arreflexia • Hipoestesia ou anestesia • Hipotrofia ou atrofia Guillain-barré Início agudo de disfunção de raizes dos nervos e dos nervos periféricos e cranianos • Neuropatia motora e paralisia flácida AGUDA • Incidência : 0,6 a 2 casos por 100 mil habitantes (EUA) • Faixa etária: 16 a 25 e 45 a 65 anos (gênero masculino) (Handsaker et al, 2015) Guillain-barré Lesões iniciais nas raízes nervosas que se estendem para os nervos periféricos Patologia nas raízes mais proeminente do que nos nervos periféricos (Handsaker et al, 2015) Guillain-barré Até 10 dias depois do início é observado no exame eletrofisiológico: resposta motora tardia ou atrasada que aponta para alteração proximal (tronco ou raíz nervosa) *alterações inflamatórias predominam nas raízes nervosas da coluna vertebral ou em ramos ventrais dos nervos espinhais (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré ETIOLOGIA: • Auto-imune • Infecções (infecções respiratórias) • doença gastrointestinal (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré FISIOPATOLOGIA: Ativação do sistema imunológico em resposta à moléculas estranhas bacterianas ou virais. Ataque errôneo contra tecidos do hospedeiro que apresentam características semelhantes Infiltração celular inflamatória nos nn. cranianos e ao longo de todo o comprimento dos nn. periféricos (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré FISIOPATOLOGIA: • Degeneração axonal variável • 2-3 semanas remielinização (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré SINAIS E SINTOMAS: • Fraqueza simétrica dos membros – Ascendente – Início: fraqueza distal Fraqueza suave da musculatura distal de MMII paralisia total da musculatura periférica, axial, facial e extra-ocular. (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré SINAIS E SINTOMAS: • 50% dos pacientes apresentam paralisia facial, disfagia e disartria • Reflexos profundos abolidos • Ventilação mecânica • Dor (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré SINAIS E SINTOMAS: • Alterações sensitivas variáveis – hiperestesias distais, parestesias – redução da sensibilidade profunda ataxia sensitiva – superficial (dor e temperatura) – distribuição em “meia e luva” (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré EVOLUÇÃO: • Sintomas mais graves dentro de uma semana do início • Recuperação lenta e incompleta por meses • Morte rara (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré PROGNÓSTICO • Recuperação varia de semanas a meses • Regeneração pode exigir de 6 a 18 meses ou mais • Após 2 anos: pouca ou nenhuma melhora pode ser esperada (Gallardo E et al, 2015) Guillain-barré PROGNÓSTICO • Seqüelas motoras mais comuns: fraqueza do TA, Q, Gl e intrínsecos das mãos e pés • Paresia facial • Hiporreflexia residual (Gallardo E et al, 2015) NEUROPATIA HEREDITÁRIA mais prevalente. 10 pacientes a cada 100.000 habitantes (EUA). A doença de CMT representa uma das principais etiologias dentre todas possíveis para as polineuropatias periféricas (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth EPIDEMIOLOGIA Freqüência de acometimento semelhante entre o sexo masculino e o feminino. As formas AUTOSSÔMICAS DOMINANTES são as mais freqüentes (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth QUADRO CLÍNICO • Variação quanto a severidade não apenas entre famílias diferentes, mas também entre membros da mesma família e até gêmeos idênticos. • Progressão lenta (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth QUADRO CLÍNICO Início dos sinais e sintomas: primeira ou segunda década de vida Comprometimento da marcha, do equilíbrioe a fraqueza muscular são as manifestações mais freqüentes da doença (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth QUADRO CLÍNICO a fraqueza e a atrofia muscular predominam nos pés, na porção extensora dos MMII, progredindo de forma ascendente e acometendo numa proporção menor também os MMSS e mais raramente os músculos proximais cãibras após atividades extenuantes (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth QUADRO CLÍNICO Discreto comprometimento sensitivo (mais evidente em MMII) Dores nos MMII: associadas às deformidades dos pés e calosidades A escoliose pode ocorrer em consequência dos desvios posturais (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth QUADRO CLÍNICO • Perda sensorial grave: visão e audição • Ortostatismo: oscilação ântero-posterior • Espasmos dolorosos e parestesias • Tardiamente acomete intrínsecos da mão e Diafragma • Fadiga geral (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth Algumas variações nesse quadro clínico: As formas autossômicas recessivas possuem maior gravidade do que as formas autossômica dominantes precocidade do início dos sintomas atraso do desenvolvimento motor evolução mais rápida maior incidência e gravidade da escoliose comprometimento sensitivo (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth DIAGNÓSTICO Biópsia: Redução do número de fibras Desmielinização e remielinização: formação de bulbos de cebola (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth DIAGNÓSTICO • Avaliação clínica • ENMG (4 membros) (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth ELETRONEUROMIOGRAFIA Os critérios neurofisiológicos para o diagnóstico de doença uniformidade da diminuição da velocidade de condução nervosa ao longo de segmentos semelhantes em diferentes nervos, assim como diferentes segmentos do mesmo nervo ausência de bloqueios da condução nervosa, velocidade de condução nervosa motora do nervo mediano inferior à 38 m/s. (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth TIPOS CMT – Tipo 1 mielinopatia • Forma mais comum • Neuropatia desmielinizante hipertrófica (Vel de condução nervosa motora menor que 25 m/s) • Evidência histológica de desmielinização e remielinização • Transmissão hereditária autossômica dominante 1A = cromossomo 17 (duplicação) 1B = cromossomo 1 1C = cromossomo 10 (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth CMT – Tipo 3 (Doença de Dejerine-Sottas) • Forma mais grave • Início geralmente precoce na infância • Incapacidade extrema • Distúrbio desmielinizante hipertrófico (Vel de condução nervosa motora menor que 10 m/s) • Autossômica dominante (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth EVOLUÇÃO/ PROGNÓSTICO • Evolução lenta e progressiva • Maioria consegue deambular com auxiliares de marcha • Óbito apenas por complicações (Emery AE, 1991) Charcot-Marie-Tooth Distrofias Lesão da fibra muscular SINAIS: • Fraqueza muscular ou paralisia • Hipotonia ou atonia • Hiporreflexia ou arreflexia • Hipotrofia ou atrofia Distrofias Musculares • Conjunto de doenças genéticas que se caracterizam por degeneração progressiva do tecido muscular. • Miopatias primárias geneticamente determinadas, identificadas clinicamente por grande variabilidade do fenótipo e de gravidade Perda de massa muscular, fraqueza e degeneração da fibra muscular • A maioria dos defeitos genéticos envolve a disfunção do complexo distrofina- glicoproteínas associadas, que permite estabilização e reforço da membrana da fibra muscular. • O déficit parcial ou total das proteínas estruturais resultará em fenótipos variados e características clínicas específicas a cada tipo de Distrofia PROTEÍNAS DE MEMBRANA LIGAM A MATRIZ EXTRACELULAR À ACTINA CONFEREM ESTABILIDADE À MEMBRANA MUSCULAR Facioescapuloumeral (FSH) • Tipo IA: alteração comprovada no cromossomo 4 (4q35) • Tipo IB: cromossomo 4 (outra região) • Doença autossômica dominante (1 gene é suficiente para a pessoa portar e manifestar a doença) • Heterogeneidade de casos clínicos: 2 irmãos podem ter quadros clínicos diferentes • Sintomas podem ser bem leves Facioescapuloumeral (FSH) QUADRO CLÍNICO • Sintomas no final da adolescência (17 a 25 anos) • Hipotrofia da mm. periocular e peribucal • Fraqueza escapular muito evidente • Fraqueza de MMII de proximal para distal Facioescapuloumeral (FSH) QUADRO CLÍNICO • Deformidades da coluna e hiperextensão dos joelhos • Podem ser deambuladores ou cadeirantes • Não conseguem utilizar dispositivos auxiliares para a marcha Facioescapuloumeral (FSH) EXAMES: CPK – normal ou pouco elevada BIÓPSIA – atrofia das fibras musculares Facioescapuloumeral (FSH) TRATAMENTO: - Não existem drogas específicas - Não se sabe a proteína atingida - Artrodese escápulo-torácica: FM 3 de deltóide; testar se há mov na glenoumeral com escápula estabilizada (80 graus de ombro) Miotônica tipo I ou Doença de Steinert • A mais comum das do adulto • herança autossômica dominante • acomete 1/8000 indivíduos, crianças e/ou adultos de ambos os gêneros. • Alteração no cromossomo 19 – expansão do trinucleotídeo CTG locus 19q13 Miotônica tipo I ou Doença de Steinert QUADRO CLÍNICO - Fraqueza dos músculos faciais, principalmente temporais, masseter, esternocleidomastóideo e musculaturas distais do membro - Fenômeno miotônico (espontâneo ou provocado) - dificuldade do relaxamento dos músculos após contração - Alterações sistêmicas: catarata, alterações cognitivas, distúrbios hormonais, cardiomiopatia e calvice Miotônica tipo I ou Doença de Steinert QUADRO CLÍNICO - Forma congênita apresenta maior gravidade - Heterogêneo entre mesma família e entre famílias diferentes - Alterações da marcha - Face inexpressiva: perde mímica - Acometimento de musculatura respiratória Miotônica tipo I ou Doença de Steinert EXAMES EMG: padrão pobre de recrutamento muscular Biópsia: alteração leve e inespecífica CPK: nl ou pouco aumentada TRATAMENTO Tratamento das doenças sistêmicas Distrofia do tipo cintura membros • É um grupo de doenças geneticamente determinadas • 1/15000 indivíduos – ambos sexos • Dominante (tipo I) 10% - mutação do gene da proteína laminina, da caveolina • Recessiva (tipo II) 90% - mutações nos genes que codificam as proteínas calpaína, a disferina, a alfa distroglicana, a teletonina, a fukutina e alguns tipos de proteínas sarcoglicanas QUADRO CLÍNICO • Fraqueza muscular proximal progressiva nos cíngulos escapular e pélvico • Anteversão pélvica e retificação torácica • Comprometimento cardíaco • Mais comum da infância para a adolescência • Início precoce – progressão rápida\ início tardio – lenta Distrofia do tipo cintura membros QUADRO CLÍNICO • Dificuldade em subir escadas, agaichar, levantar da cadeira, flexionar ou abduzir braços acima da cabeça. • Acometimento cardíaco EXAMES - EMG: músculo fraco e atrofiado - Biópsia: nenhum achado específico - CPK: pequeno aumento Distrofia do tipo cintura membros - A mais comum das Distrofias Musculares - 1\ 3600-6000 nascidos vivos do sexo masculino. - Herança recessiva - Proteína: distrofina (ausente) - Cromossomo Xp21 - BECKER: distrofina em níveis baixos e alteração cardíaca importante. * Início tardio e curso mais suave Distrofia Muscular de Duchenne Mutação do gene que codifica a proteína distrofina no braço curto do cromossomo X (Xp21) do nosso DNA Distrofia Muscular de Duchenne Qual a função da DISTROFINA??? Proteína de membrana que liga a matriz extracelular à actina Confere estabilidadeà membrana muscular Protege a membrana do estresse das contrações repetidas Deleções (65%)/ Duplicações (10%)/ Mutações (25%) Perda da integridade da membrana Aumento do cálcio intracitoplasmático Lesão da fibra - aumento da susceptibilidade da fibra a danos contínuos por contrações musculares Destruição da fibra muscular Infiltração de tecido adiposo Necrose Fraqueza muscular DIAGNÓSTICO CLÍNICO Marcha em flexão plantar Pseudohipertrofia de panturrilha Sinal de Gowers Distrofia Muscular de Duchenne Alterações cardíacas Ausência da distrofina no miocárdio Lesão e morte celular Diminuição da função Cardiomiopatia Ou Miocardiopatia dilatada Alterações respiratórias Sindrome restritiva – redução de volumes e capacidades pulmonares Falência muscular – ventilação inadequada e dificuldade na remoção de secreções Musculatura inspiratória enfraquecida – redução da complacência – hipoventilação Corticóides Ataluren Exon Skipping Tratamento