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PROFESSORA: Dra. Ana Carolina Fragoso Motta MESTRANDA: Tábata Larissa Santos Pólvora - Diagnóstico Bucal/FOUSP Ribeirão Preto -SP Abril /2017 COAGULOGRAMA E HEMOSTASIA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE RIBEIRÃO PRETO DISCIPLINA DE SEMIOLOGIA DEPARTAMENTO DE ESTOMATOLOGIA, SAÚDE COLETIVA E ODONTOLOGIA LEGAL COAGULOGRAMA Parâmetro hemostático frequentemente usado para avaliação laboratorial inicial de pacientes com distúrbios hemorrágicos e para avaliação da hemostasia pré-operatória. FINALIDADE Avaliar hemostasia Detectar deficiências de plaquetas Distúrbios vasculares Distúrbios dos fatores de coagulação Presença de inibidores da coagulação COAGULOGRAMA EX A M ES H EM A TO LÓ G IC O S Tempo de Sangramento Tempo de Coagulação Contagem de Plaquetas Tempo de Protrombina Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada Prova do Laço INR PLAQUETAS Conhecidas como trombócitos, fragmentos citoplasmáticos anucleados presentes no sangue. Função: As plaquetas têm como função principal participar do processo de coagulação do sangue, ou seja, a formação de coágulos. Características principais das plaquetas: Não possuem núcleo. - São derivadas de fragmentos do citoplasma dos megacariócitos. - Possuem a forma de discos achatados (quando circulam pelo sangue). CASCATA DE COAGULAÇÃO Coagulograma Finalidade: Índice quantitativo da capacidade do paciente coagular; Chamado de plaquetograma ou trombocitograma; Não é incluída no hemograma, é um exame pago separado Valores: 150.000 a 450.000 mm³ Interpretação: • Trombocitose ou plaquetose: • Anemias ferroprivas, doenças inflamatórias crônicas, pós- operatórios, após traumatismos, esplenectomia e síndromes mieloproliferativas. • Trombocitopenia ou plaquetopenia: • Doenças trombocitopênicas imunológicas, transfusões sanguíneas, viroses, neoplasias medulares, leucemia e gravidez. CONTAGEM DE PLAQUETAS Finalidade: Analisa a via extrínseca e comum da coagulação Avalia a função hepática Monitora a resposta terapêutica anticoagulante (AC) Valores: 10 a 14 segundos Interpretação: • Valores Reduzidos: Uso de suplementos com vitamina K; Consumo excessivo de alimentos com vitamina K, uso de comprimidos com estrogênio, como pílula anticoncepcional. • Valores aumentados: AC, alteração da microbiota intestinal, doenças hepáticas, má alimentação, deficiência de vitamina K e hemofilia. TEMPO DE PROTROMBINA (TP) Finalidade: Avaliar deficiências congênitas do sistema intrínseco Avaliar hemofilia A e B Monitorar heparina Avaliar defeitos de inibidores de coagulação Consegue informar atividades de todos os fatores de coagulação, exceto VII e XIII. Valores: 35 segundos Interpretação: • Valores prolongados: Deficiência dos fatores: VII, X,XI e XII Aumentado na terapia com heparina • Valores Normais: trombocitopenia, disfunção plaquetária, doença de von Willebrand e defeitos isolados do fator VII. TEMPO DE TROMBOPLASTINA PARCIAL ATIVADA (TTPA) Finalidade: Varia de 5 a 10 minutos. Mensura a capacidade da fibrina a formar o coágulo inicial; Indica estados dos fatores plasmáticos ativos no mecanismos de coagulação; Valores: Varia de 5 a 10 minutos Interpretação: • Aumentado: • Hemofilia A e B, deficiência de vitamina k, choque anafilático e uso de AC. TEMPO DE COAGULAÇÃO (TC) Finalidade: Avalia as alterações plaquetárias, quantitativas, qualitativas e vasculares. Exame feito diretamente no paciente Mensurado desde o instante da incisão, até a ausência do sangramento. Valores: Varia de 2 a 5 minutos Interpretação: • Aumentado: • Plaquetopenias, trombastenias, insuficiência hepática grave e afibrogenemia. TEMPO DE SANGRAMENTO Finalidade: Também chamado de: Teste de fragilidade capilar ou teste de Rumpel-Leede; Avalia a integridade das parades vasculares após obstrução do fluxo venoso; Avalia defeito qualitativo e quantitativo de plaquetas Exame de dengue Valores: Anormal: produção de petéquias em grande número. Normal: 10 petéquias PROVA DO LAÇO Modelos de requisição Vou inserir modelo USP Nome: José da Silva Data de nascimento: 28.03.1980 Data da requisição: 28.03.2017 Prontuário: 00000 Solicitação de Exames SOLICITO: HEMOGRAMA E PLAQUETOGRAMA OU HEMOGRAMA COMPLETO Indicação Clínica: investigação de distúrbios de coagulação __________________________________ Assinatura Professor/CRO/CARIMBO INR ou RNI • Exame de monitorização de anomalias da coagulação, ou de medicamentos que interfiram nas vias extrínsecas e intrínsecas; INR é feito com base no TP e TTP O que é? • INR ou RNI mede a velocidade de uma via particular de coagulação, comparando-a com a velocidade normal; • Usados diferentes tipos de fator tissular na obtenção do TP; • Organização Mundial de Saúde preconizou o uso do índice internacional normalizado (INR ou IIN) para padronizar mundialmente o resultado obtido durante o teste; • O INR nada mais é do que o TP corrigido a padrões mundiais; • O uso de anticoagulantes orais é avaliado somente pelo INR. Significado: Relação Normatizada Internacional • Muito importante no planejamento de tratamento invasivos em pessoas com problemas hepáticos (geralmente através de transfusão com plasma sanguíneo contendo os fatores deficiência, já que elas poderiam sangrar excessivamente. Finalidade INR 1-2 INR 3 INR > 5 • Coagulação normal • Pacientes com algum distúrbio de coagulação; estado que reduz o risco de trombose sem causar anticoagulação perigosa. • Anticoagulação excessiva, quanto mais alto for o INR, maior o risco de sangramentos espontâneos, inclusive de AVE hemorrágico. INR: VALORES Caso clínico 1 Paciente E.M.S., mulher, 22 anos de idade, natural de Ribeirão Preto. Identificação Discussão de caso clínico Anamnese QP: “ Quero remover meu siso” HDA: Paciente com necessidade de extração do terceiro molar (38) História Médica: paciente relata história de equimoses fáceis, sangramento menstrual intenso. Há cerca de 2 anos, realizou exodontia de pré-molar superior, onde descreve histórico de sangramento excessivo e retorno ao dentista para realização de sutura. Faz uso de aspirina, duas a três vezes ao mês Queixa principal, história da doença atual e história médica Caso 1 FOAR - UNESP Discussão de caso clínico FOAR - UNESP Discussão de caso clínico ATIVIDADE PROTROMBINA Resultado Valores Normais Tempo de Protrombina 24,4 11-14 Segundos Tempo de coagulação 15 minutos 05 a 10 minutos Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado 40 segundos 35 segundos INR 2,0 1,2 Plaquetas 110.000mm³ 150.000 a 450.000mm³ Caso 1 Conduta Antes da remoção de dentes inclusos deve-se determinar o TP, TTP, contagem de plaquetas, tempo de sangramento; Valores Normais paciente de baixo risco; Valores alterados, sugere distúrbio hemorrágico. Como é procedimento eletivo, podemos encaminhar para avaliação médica, mas se fosse urgência, poderíamos fazer o procedimento com segurança usando os métodos locais de hemostasia. Caso clínico 2 Paciente, mulher, 45 anos de idade, natural de Ribeirão Preto. Identificação Discussão de caso clínico Anamnese QP: “Sinto incomodo na minha gengiva” HDA: Paciente com doença periodontal avançada e com necessidade de extrações dentárias. História Médica: Paciente, relata histórico de artrite reumatoide, doença cardiovascular e uso contínuo de varfarina.Além disso, toma atualmente 100mg de AAS/dia. Queixa principal, história da doença atual e história médica Caso 1 FOAR - UNESP Discussão de caso clínico FOAR - UNESP Discussão de caso clínico ATIVIDADE PROTROMBINA Resultado Valores Normais Tempo de Protrombina 36 11-14 segundos Tempo de coagulação 20 minutos 05 a 10 minutos Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado 60 segundos 35 segundos INR 3,0 1,2 Plaquetas 100.000 mm³ 150.000 a 450.000 mm³ Caso 2 Conduta Paciente possui um risco moderado para complicações hemorrágicas, devido ao tratamento com varfarina. Fazer avaliação de TP e INR no dia ou até 24 horas antes do procedimento. Se nestes limites laboratoriais, pode realizar o procedimento. Realizar protocolo de redução de estresse, se necessário. Fracionar etapas do procedimento cirúrgico; observar hemostasia e recuperação pós-operatória. ANTICOAGULANTES ANTICOAGULANTES DEFINIÇÃO • Substâncias que impedem a formação de coágulos no sangue (trombos), inibindo a síntese dos fatores de coagulação. INDICAÇÕES • Síndromes coronárias agudas. • Tromboembolismo venoso • Tromboembolismo pulmonar • Profilaxia de eventos trombóticos J Bras Pneumol. 2016;42(2):146-154 ANTICOAGULANTES CLASSIFICAÇÃO ANTAGONISTAS DIRETO DE TROMBINA: AAS * Dabigratana Clopidogrel INIBIDOR DA VITAMINA K: Varfarina INIBIDORES DO FATOR XA *Rivaroxabana *Apixabana Edoxabana AÇÃO DIRETA Heparina *Novos Coagulantes Orais - NOACS J Bras Pneumol. 2016;42(2):146-154 VARFARINA • Anticoagulante oral mais utilizado no Brasil; • Interfere na síntese da vitamina K, evitando a formação de trombina; • Droga de escolha em pacientes com distúrbios cardiovasculares; • Indicações: trombose venosa pulmonar, após colocação de Stent, tratamento da doença arterial; • Interação medicamentosa e dietéticas: AINES e Antibióticos; • Nomes comerciais: Coumadin ®, Marevan ® ou Varfine ®. Little JW. New oral anticoagulants: will they replace warfarin? Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 2012;113(5):575-80. Google Imagens ANTICOAGULANTE IDEAL • Administração via oral; • Rápido início de ação; • Curta meia-vida; • Larga margem terapêutica; • Efeito terapêutico previsto com dose fixa ou baseado no peso corpóreo; • Baixa interação medicamentosa; • Monitorização não exigida (mas possível, caso desejada); Google Imagens Little JW. New oral anticoagulants: will they replace warfarin? Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 2012;113(5):575-80. ANTICOAGULANTE IDEAL • Farmacocinética bem estabelecida na presença de insuficiência renal ou hepática; • Efeito facilmente reversível na presença de sangramento e custo- efetividade. Google Imagens Little JW. New oral anticoagulants: will they replace warfarin? Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 2012;113(5):575-80. SUBSTITUTOS DA VARFARINA • NOACS: Novos Anticoagulantes Orais • Dabigatrana (Pradaxa ®): inibidor da trombina • Rivaroxabana (Xarelto®) e Apixabana (Eliquis ®): inibidor do fator XA; • Aprovados pela ANVISA; • Indicações: reduzir o risco de AVC em pacientes com fibrilação atrial e tratar o tromboembolismo venoso. Little JW. New oral anticoagulants: will they replace warfarin? Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol 2012;113(5):575-80. Google Imagens NOACS X VARFARINA J Bras Pneumol. 2016;42(2):146-154 NOACS X VARFARINA •- Níveis terapêuticos rápidos; •- Não necessita de monitoramento; •- Age apenas em um fator de coagulação (trombina ou fator XA); •- Interação menor com alimentos e medicações; • Desvantagens: •-Acompanhamento da função renal •- Custo - Ação lenta; - Necessita de monitoração; - Interfere na síntese de vários outros fatores de coagulação (II, VII, IX, X, proteína C e S); - Interação alta com medicamentos e alimentos; N O A C S V A R FA R IN A Alun Scott, John Gibson, Alexander Crighton. The Management Of Dental Patients Taking New Generation Oral Anticoagulants. Prim Dent J. 2014; 3(4):54-59 MECANISMOS DE AÇÃO Anticoagulante Mecanismo de Ação Exame AAS Inibe a enzima cicloxigenase (COX), diminuindo a produção de tromboxano nas plaquetas. - Contagem de plaquetas - Tempo de coagulação Dabigatrana Inibidor direto da trombina, principal princípio ativo no plasma, prevenindo o desenvolvimento do trombo. - Não necessita exames de sangue de rotina para controle. - Prolonga: TTPa (tempo de tromboplastina parcial ativada), ECT (tempo de coagulação de ecarina) e TT (tempo de trombina). Clopidogrel Inibidor da agregação plaquetária - Contagem de plaquetas - Tempo de coagulação Varfarina Inibição da formação dos fatores de coagulação II, VII, IX e X. - Tempo de Protrombina (TP) - Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada ( TTPa) - RNI Rivaroxabana Apixabana Inibindo a ação do fator de coagulação Xa - Não necessita de exames de monitorização Heparina Efeito anticoagulante é exercido por intermédio da antitrombina III que, como cofator, neutraliza vários fatores ativados da coagulação (calicreína XIIa, XIa, IXa, Xa e trombina). - Tempo Parcial da Tromboplastina Ativada ( TTPA) - Tempo de Coagulação LITERATURA CIENTÍFICA A literatura científica já dispõe de artigos recentes com recomendações acerca do manejo cirúrgico odontológico de pacientes fazendo uso destes novos anticoagulantes. Apesar disso, até o presente momento, não há consenso entre os Conselhos de Medicina e Odontologia sobre protocolos para o atendimento dos usuários destes medicamentos em relação aos procedimentos odontológicos invasivos. TRATAMENTOS ODONTOLÓGICOS - Tratamento periodontal invasivo; •- Extrações dentárias; •- Cirurgias orais extensas. - Tratamento protético; • - Tratamentos estéticos; • - Administração de anestésicos locais. RISCOS Alun Scott, John Gibson, Alexander Crighton. The Management Of Dental Patients Taking New Generation Oral Anticoagulants. Prim Dent J. 2014; 3(4):54-59 CONDUTA CLÍNICA Anticoagulantes X Odontologia Como proceder diante de procedimentos invasivos? Como controlar a hemorragia? Há necessidade de suspensão da medicação? PLANEJAMENTO INICIAL Na anamnese; informações sobre a saúde geral do paciente, avaliar a presença de doença hepática ou renal, desordens da medula óssea etc. Informações com o médico é imprescindível RNI ESTÁVEL Avaliada 24 horas antes das cirurgias bucais. Caso contrário, no mesmo dia da intervenção. RNI < 3,5 Não é necessário alterar a dose ou suspender o uso da Varfarina, em caso de procedimentos cirúrgicos. RNI > 3,5 Em procedimento cirúrgico mais complexo, ou nas urgências odontológicas, quando a expectativa é de que a intervenção possa gerar sangramento excessivo, deve-se considerar o atendimento em ambiente hospitalar, após avaliação médica. van Diermen DE, Aartman IH, Baart JA, Hoogstraten J, van der Waal I. Dental management of patients using antithrombotic drugs: critical appraisal of existing guidelines. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2009;107(5):616-24. Soares EC et al. Postoperative hemostatic efficacy of gauze soaked in tranexamic acid, fibrin sponge, and dry gauze compression following dental extractions in anticoagulated patients with cardiovascular disease: a prospective, randomized study. Oral Maxillofac Surg 2015;19(2):209-16. MEDIDAS PRÉ-OPERATÓRIAS 1. Por se tratar de pacientes de risco para eventos cardiovasculares, considerar o uso de um benzodiazepínico (midazolam 7,5 mg ou alprazolam 0,5 mg), em dose única, 30 minutos antes do início do procedimento. Nos idosos, optar pelo lorazepam 1 mg, duas horas antes da consulta, pela menor incidência de efeitos paradoxais. 2. Para prevenir a hiperalgesia e controlar o edema, prescreverdexametasona (dose única de 4 a 8 mg), uma hora antes do procedimento. 3. Após a antissepsia extrabucal, fazer bochecho com 15 ml de uma solução de digluconato de clorexidina 0,12%, durante um minuto. 4. Empregar pequenos volumes de uma solução anestésica local com epinefrina, concentrações de 1:100.000 ou 1:200.000. 5. Evitar bloqueios anestésicos regionais. O protocolo apresentado a segue as recomendações do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP/Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo, com as devidas adaptações para a clínica odontológica. MEDIDAS PRÉ-OPERATÓRIAS 6. Na mandíbula: técnica infiltrativa ou intraligamentar, uso da articaína 4% (com epinefrina 1:100.000 ou 1:200.000). 7. Evitar traumatismos físicos desnecessários. 8. Quando houver indicação de inserção de implantes múltiplos ou extrações seriadas, agendar um maior número de sessões. 9. Em caso de sangramento aumentado, o tamponamento com gaze geralmente é suficiente o bastante para contê-lo. Considerar o uso de esponja hemostática de gelatina liofilizada (Gelfoam, Hemospon). 10. As suturas devem ser oclusivas. EVITAR INTERVAÇÕES NO PICO DA ATIVIDADE DA MEDICAÇÃO (AC) , AGUARDAR DE 2H A 4H APÓS A SUA ADMINISTRAÇÃO O protocolo apresentado a segue as recomendações do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP/Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo, com as devidas adaptações para a clínica odontológica. CUIDADOS PÓS-OPERATÓRIOS - Higienização bucal cuidadosa (mas eficiente), evitar (exercícios e sol), alimentação líquida ou pastosa (hiperproteica). - Para o controle da dor pós-operatória: optar pela dipirona sódica, paracetamol (NOAC) ou tramadol. - Remover as suturas após sete dias. - Não prescrever ou aplicar medicamentos via intramuscular: risco de hemorragia e formação de equimoses. - Em caso de sangramento excessivo, em ambiente domiciliar, orientar tamponamento com gaze estéril, se não houver resultado, prescrever uma solução de ácido tranexâmico 4,8% (Transamin, Hemoblock), para a realização de bochechos, durante um período de 48 horas. O protocolo apresentado a segue as recomendações do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP/Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo, com as devidas adaptações para a clínica odontológica. CONCLUSÃO : ANTICOAGULANTES Dois novos grupos de fármacos anticoagulantes estão recentemente disponíveis - o inibidor direto da trombina Dabigatran e os que se baseiam na inibição do factor X activado (Rivaroxaban e Apixaban). Estas drogas são susceptíveis de se tornar mais amplamente prescritos devido à sua facilidade de uso em relação à Varfarina. É essencial que os DENTISTAS tenham conhecimento do tratamento odontológico de pacientes que tomam estes fármaco,s e os problemas específicos que apresentam. Não é aconselhado a interrupção dos uso de anticoagulantes, para cirurgias dentárias. HEMOSTASIA CONCEITO Parada do sangramento ou hemorragia HEMOSTASIA HEMOSTASIA: CONTROLE Pressão com gaze Sutura Pinças hemostáticas Gelatina absorvível Eletrocoagulação Eletrocoagulação HEMOSTASIA: DOENÇAS Trombocitopenia Insuficiência da medula óssea Trombocitopatia Alterações Hereditárias Fármacos Uremia Doenças mieloproliferativas AIDS Hemofilia Doença hepática Má absorção vitamina K Heparina Caso clínico 3 Paciente, homem, 54 anos de idade, natural de Ribeirão Preto. Identificação Discussão de caso clínico Anamnese QP: “ Quero implantar meu dente” HDA: Necessidade reabilitação com com implante dentário anterior História Médica: paciente relata crise de tromboflebite venosa profunda, envolvendo a perna esquerda há 4 meses, faz uso de varfarina 7,5mg diariamente. Faz exames de sangue todos os meses e não alterou sua medicação regular. Queixa principal, história da doença atual e história médica Caso 3 FOAR - UNESP Discussão de caso clínico FOAR - UNESP Discussão de caso clínico ATIVIDADE PROTROMBINA Resultado Valores Normais Tempo de Protrombina 45 12,2 Segundos Tempo de coagulação 20 minutos 05 a 10 minutos Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado 50 segundos 35 segundos Plaquetas 120.000 mm³ 150.000 a 450.000 mm³ INR 3,6 1,2 Caso 2 Conduta Moderado risco de complicações hemorrágicas; Solicitar ao médico preparo do paciente para alcançar níveis de INR até 3,0 no dia da cirurgia bucal. Deve-se evitar a cirurgia, após 3 horas o uso da medicação. Evitar prescrição de aspirinas e anti-inflamatório não-esteroidais. Caso clínico 4 Paciente, homem, 24 anos de idade, natural de Ribeirão Preto. Identificação Discussão de caso clínico Anamnese QP: “ Minha gengiva sangra e dói” HDA: Paciente apresenta gengivite e acúmulo de cálculo dentário História Médica: paciente relata hemofilia A e que realiza, quando necessário, transfusões sanguíneas. Queixa principal, história da doença atual e história médica Caso 4 FOAR - UNESP Discussão de caso clínico FOAR - UNESP Discussão de caso clínico Exames Resultado Valores Normais Fator VIII < 1% 100% do valor de referência do laboratório Tempo de protrombina 45 11-14 Segundos Tempo de coagulação 30 minutos 05 a 10 minutos Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado 70 segundos 35 segundos Plaquetas 100.000 mm³ 150.000 a 450.000 mm³ Caso 2 Conduta Paciente com deficiência de fator VIII, alto risco de complicações hemorrágicas. Deve-se consultar o médico para avaliar condição geral e solicitar a suplementação do fator VIII antes do procedimento odontológico. Em caso de cirurgias extensas: deve receber crioprecipitados (plasma congelado fresco) antes do tratamento; QUEM AMA O QUE FAZ, NUNCA TRABALHA...