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• Carboidratos são moléculas de carbono ricas em OH e
um aldeido ou cetona, podendo apresentar diversas
funções:
✓ Estrutural
✓ Energética
✓ Anticoagulante
✓ Lubrificante
✓ Cicatrizante
✓ Antigênica
• Monossacarídeos:
✓ Açúcares mais simples, tais como aldeídos e
cetonas.
✓ Solúveis em água e insolúveis em solventes
apolares.
✓ Glicose, frutose e galactose são os representantes
mais famosos desse grupo.
✓ O monossacarídeo é uma aldose quando o grupo
carbonila está na extremidade da cadeia, o
monossacarídeo é uma cetose quando o grupo
carbonila está em qualquer outra posição que não
seja a extremidade.
✓ Ciclizam na água, apresentando OH livre no
carbono redutor.
✓ Não sofrem hidrólise
• Oligossacarídeos:
✓ União de monossacarídeos através de ligações
glicosídicas.
✓ Os mais abundantes são os dissacarídeos que
possuem duas unidades de monossacarídeos,
como a sacarose, maltose e lactose.
✓ Os oligossacarídeos com 3 ou mais unidades
geralmente, não são moléculas livres nas células e
formam glicoconjugados com outras moléculas
(lipídeos e proteínas).
• Polissacarídeos:
✓ Polímeros de açúcar com mais de 20 unidades de
monossacarídeos, tais como amido e
glicogênio que são formas de armazenamento
energético na célula, e; celulose e quitina que
possuem funções estruturais.
• A glicose é um monossacarídeo de suma importância
pois é essencial para o processo de respiração celular,
ou seja, é imprescindível para a liberação de energia
que permite a realização das reações químicas, e
garantir, assim, o funcionamento adequado do
metabolismo. Quando há falhas no processo de
obtenção da glicose tanto pelo excesso quanto pela
falta dessa molécula, o organismo não funciona
corretamente, como acontece na diabetes e traz
diversas consequências para o organismo, por exemplo
cegueira, amputação de membros inferiores, doenças
cardíacas e renais.
(glicolise)
• Uma molécula de glicose é degradada em uma série
de reações catalisadas por enzimas, tendo o piruvato
como produto final. Assim, parte da energia é
conservada na forma de ATP e NADH.
• Via central quase universal do catabolismo da glicose.
• Ocorre em 10 etapas, sendo as 5 primeiras partes da
fase preparatória/investimento, e as 5 últimas
correspondentes à fase de pagamento.
• 3 tipos de transformações químicas podem ser
observadas:
✓ Degradação do esqueleto de carbono da glicose
para produzir piruvato.
✓ Fosforilação de ADP a ATP pelos compostos com
alto potencial de transferência de grupos
fosforila.
✓ Transferência de um íon hidreto para o NAD+,
formando NADH.
• O piruvato formado pode entrar no ciclo do ácido
cítrico, ser reduzido a lactato ou produzir etanol. Ele
também pode ter destinos anabólicos, como na síntese
de alanina ou de ácidos graxos.
• Equação geral:
Glicose + 2NAD+ + 2ADP + 2Pi → 2 piruvato + 2NADH + 2H+ + 2ATP + 2H2O
• Processo essencialmente irreversível.
• Libera apenas uma pequena fração da energia total
disponível na glicose.
• Cada um dos nove intermediários apresenta fosfato
ligado. Esse grupo tem 3 funções:
✓ Impedir a saída da glicose da célula, já que a
membrana celular não possui transportadores
para açúcares fosforilados.
✓ Conservação enzimática da energia metabólica.
✓ A energia de ligação resultante do acoplamento
de grupos fosfato ao sítio ativo de enzimas reduz
a energia de ativação e aumenta a especificidade
das reações enzimáticas.
• A cadeia da hexose é clivada em duas trioses-fosfato.
1. Fosforilação da glicose
✓ Formação da glicose-6-fosfato, a partir da ação da
hexocinase.
✓ Reação irreversível.
✓ Desfosforilação do ATP com d-glicose como
aceptor.
{Metabolismo de Carboidratos}
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✓ A hexoquinase requer Mg²+ para ter atividade, já
que o seu já que o verdadeiro substrato da enzima
não é ATP4- , mas sim o complexo MgATP2-. O
Mg2+ protege as cargas negativas dos grupos
fosforila do ATP, tornando o átomo de fósforo
terminal um alvo mais fácil para o ataque
nucleofílico por um grupo - OH da glicose.
2. Conversão de glicose-6-fosfato em frutose-6-fosfato
✓ Ação da enzima fosfo-hexose-isomerase
(fosfoglicose-isomerase).
✓ Isomerização reversível da glicose-6-fosfato a
frutose-6-fosfato. → Aldose em cetose.
✓ Envolve intermediário enediol.
3. Fosforilação da frutose-6-fosfato a frutose-1,6-
bifosfato
✓ Enzima fosfofutocinase 1 (PFK-1).
✓ Transferência de um grupo fosforila de um ATP
para a frutose-6-fosfato.
✓ Reação irreversível em condições celulares,
sendo a primeira etapa comprometida da via
glicolítica.
✓ A enzima está sujeita a reação alostérica, com
aumento na atividade quando houver pouco ATP
na célula ou houver muito AMP (ADP se converte
em AMP + ATP). Ela é inibida quando a célula tem
muito ATP e estiver suprida por outro
combustível, como ácidos graxos.
✓ A frutose-2,6-bifosfato é também um potente
ativador alostérico.
4. Clivagem da frutose-1,6-bifosfato
✓ Enzima aldolase (frutose-1,6-bifosfato-aldolase).
✓ Reação reversível.
✓ Forma 2 triose-fosfato diferentes: aldose
gliceraldeído-3-fosfato e a cetose di-
hidroxiacetona-fosfato.
5. Interconversão das triose-fosfato
✓ Apenas o gliceraldeído-3-fosfato pode ser
degradado nas etapas subsequentes, assim, o di-
hidroxiacetona-fosfato é convertida nele.
✓ Enzima triose-fosfato-isomerase.
• Produz ATP e NADH
6. Oxidação do gliceraldeído-3-fosfato a 1,3-
bifosfoglicerato
✓ Enzima gliceraldeído-3-fosfato-desidrogenase.
✓ Grupo aldeído é oxidado em um anidrido de ácido
carboxílico com ácido fosfórico, o acil-fosfato.
✓ A maior parte da energia livre de oxidação do
grupo aldeído do gliceraldeído-3-fosfato é
conservada pela formação do acil-fosfato no C1
do 1,3-bifosfoglicerato.
✓ O gliceraldeído-3-fosfato é covalentemente ligado
à desidrogenase durante a reação.
7. Transferência de uma fosforila do 1,3-bifosfoglicerato
para o ADP
✓ Enzima fosfoglicerato-cinase
✓ Formação de ATP.
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✓ Obs: como uma glicose gera 2 piruvatos, o saldo
energético é em dobro!
Obs: As fases 6 e 7 constituem um processo de acoplamento
de energia, em que 1,3-bifosfoglicerato é o intermediário
comum, formado na primeira reação. Assim, seu grupo acil-
fosfato é transferido para o ADP na segunda reação, de certo
que um fosfato inorgânico não reagiria com o ADP e por isso
há a necessidade de sua saída de uma molécula orgânica.
8. Conversão do 3-fosfoglicerato em 2-fosfoglicerato
✓ Enzima fosfoglicerato-mutase.
✓ Deslocamento reversível do grupo fosforila entre
C2 e C3 do glicerato, com participação de Mg2+.
✓ Ocorre em 2 etapas
9. Desidratação do 2-fosfoglicerato produzindo
fosfoenolpiruvato
✓ Enzima enolase
✓ Reação reversível
✓ Envolve intermediário enólico estabilizado por
Mg2+.
10. Transferência do grupo fosforila do fosfoenilpiruvato
para o ADP
✓ Enzima piruvato-cinase
✓ Exige K+ e Mg2+ ou Mn2+.
✓ Piruvato aparece em sua fotma enólica e depois
tautomeriza a sua forma cetônica, que predomina
em pH 7.
• O fluxo de glicose na via glicolítica é regulado para
manter os níveis de ATP constante. O ajuste necessário
na velocidade da glicólise é alcançado pela interação
complexa entre o consumo de ATP, a regeneração de
NADH e a regulação alostérica de algumas enzimas –
exocinase, PFK-1 e piruvato-cinase. Também é regulada
pela ação do glucagon, adrenalina e insulina, além de
expressão de genes.
• A captação da glicose do sangue é mediada pela família
GLUT de transportadores de glicose. Os
transportadores nos hepatócitos (GLUTl, GLUT2) e nos
neurônios encefálicos(GLUT3) estão sempre presentes
nas membranas plasmáticas. Por outro lado, o principal
transportador de glicose nas células do músculo
esquelético, do músculo cardíaco e do tecido adiposo
(GLUT4) está armazenado em pequenas vesículas
intracelulares e se desloca para a membrana
plasmática apenas em resposta a um sinal de insulina.
• Os indivíduos com diabetes melito tipo 1 (dependente
de insulina) têm poucas células β e são incapazes de
liberar insulina suficiente para desencadear a captação
de glicose pelas células do músculo esquelético, do
coração ou do tecido adiposo. Assim, após uma
refeição contendo carboidratos, a glicose acumula-se a
níveis anormalmente altos no sangue, condição
conhecida como hiperglicemia. Incapazes de captar
glicose, o músculo e o tecido adiposo utilizam os ácidos
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graxos armazenados nos triacilgliceróis como seu
principal combustível. No fígado, a acetil-CoA derivada
da degradação desses ácidos graxos é convertida nos
"corpos cetônicos" - acetoacetato e /β-hidroxibutirato
-, que são exportados e levados a outros tecidos para
serem utilizados como combustível. Esses compostos
são especialmente cruciais para o encéfalo, que utiliza
os corpos cetônicos como combustível alternativo
quando a glicose não estiver disponível. (Os ácidos
graxos não conseguem atravessar a barreira
hematencefálica). Em pacientes com diabetes melito
tipo 1 não tratado, a superprodução de acetoacetato e
/β-hidroxibutirato leva a seu acúmulo no sangue, e a
consequente redução do pH sanguíneo leva à
cetoacidose, uma condição potencialmente letal. A
administração de insulina reverte esta sequência de
eventos: o GLUT4 desloca-se para a membrana
plasmática dos adipócitos e das células musculares, a
glicose é captada e fosforilada por essas células, e o
nível de glicose no sangue.
• O glicogênio e o amido endógenos, as formas de
armazenamento da glicose, entram na glicólise em um
processo de duas etapas. A clivagem por fosforólise de
um resíduo de glicose de uma extremidade do
polímero, formando glicose-1-fosfato, é catalisada pela
glicogênio-fosforilase ou pela amido-fosforilase. A
fosfoglicomutase, então, converte a glicose-1-fosfato
em glicose-6-fosfato, que pode entrar na glicólise.
• Os polissacarídeos e os dissacarídeos ingeridos são
convertidos em monossacarídeos por enzimas
hidrolíticas intestinais, e os monossacarídeos, então,
entram nas células intestinais e são transportados para
o fígado ou para outros tecidos. Várias D-hexases,
incluindo a frutose, a galactose e a manose, podem
entrar na glicólise. Cada uma delas é fosforilada e
convertida em glicose-6-fosfato, frutose-6--fosfato ou
frutose-1-fosfato.
(ciclo de krebs)
• Antes de entrarem no ciclo do ácido cítrico, o piruvato
precisa ser transformado em acetil-coA. Essa reação
ocorre no interior da mitocôndria, após a entrada da
molécula.
✓ Carreador mitocondrial de piruvato (MPC).
• O piruvato é oxidado na matriz mitocondrial a acetil-
coA e CO2
✓ Ação do complexo piruvato-desidrogenase
(PDH).
Piruvato-desidrogenase – ligada a TPP.
Di-hidrolipoil-transacetilase
Di-hidrolipoil-desidrogenase – ligada ao FAD.
2 proteínas reguladores também fazem parte:
uma cinase e uma fosfoproteína-fosfatase.
✓ 5 cofatores, sendo 4 derivados de vitaminas,
participam do mecanismo da reação.
Pirofosfato de tiamina – TPP ➔ B1
Dinucleotídeo de flavina-adenina – FAD ➔
Riboflavina (B2)
Coenzima A ➔ Panteonato (B5)
Dinucleotídeo de nicotinamida-adenina – NAD+
➔ Niacina (B3)
Lipoato - transportador de elétrons e acilas.
✓ Descarboxilação oxidativa → processo
irreversível que remove a carboxila na forma de
CO2 e converte a estrutura restante em acetil-
CoA.
✓ Processo de acoplamento. → A saída do CO2
fornece a energia necessária para a entrada da
coA. → Forma de conservação de energia.
✓ Desidrogenação → Formação de NADH.
✓ São 5 reações, sendo a primeira responsável pela
limitação da velocidade global
O beribéri, resultante da deficiência de tiamina, caracteriza-
se pela perda da função neural em decorrência da oxidação
reduzida do piruvato.
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• Nesse ciclo, o oxaloacetato é reciclado, podendo
participar infinitas vezes.
• Metade das etapas são oxidações, resultando na
conservação de energia sob a forma de NADH e FADH2.
1. Acetil-coA doa seu grupo acetila ao oxaloacetato,
formando citrato.
✓ Enzima citrato-sintase
✓ Intermediário – citroil-coA.
2. Formação do isocitrato via aconitato
✓ Enzima aconitase (aconitase-hidratase).
Contém um centro ferro-enxofre, que atua tanto
na ligação do substrato ativo quanto na adição ou
remoção da molécula de água.
✓ Reação reversível
✓ Citrato desidrata formando aconitato. Esse
aconitato é hidratado e forma o isocitrato.
3. Oxidação do citrato a α-cetoglutarato e CO2
✓ Enzima isocitrato-desidrogenase
2 tipos – um que requer NAD+ e outra que requer
NADP+.
✓ Descarboxilação oxidativa do citrato
✓ Participação de Mn2+
4. Oxidação do α-cetoglutarato a succinil-coA e CO2
✓ Complexo α-cetoglutarato-desidrogenase
Incorpora enzimas homólogas às do complexo
PDH, contendo TPP, lipoato, FAD, NAD+ e coA.
✓ Outra descarboxilação oxidativa
✓ O NAD+ é o aceptor de elétrons.
✓ A coA atua como transportadora do grupo
succinila.
✓ A energis oxidativa é conservada pela formação
de uma ligação tio éster.
5. Conversão do succinil-coA em succinato
✓ Enzima succinil-coA-sintetase ou succinato-
tiocinase
✓ A energia liberada com a quebra da ligação leva à
formação direta de ATP, ou formação de GTP com
posterior transformação de ADP em ATP.
6. Oxidação do succinato a fumarato
✓ Enzima succinato-desidrogenase →
Flavoproteína ligada à membrana mitocondrial
interna.
Contém 3 grupos ferro-enxofre e uma molécula
de FAD.
✓ Os elétrons do succinato passam pelo FAD e pelos
centros ferro-enxofre anteriormente à sua
entrada na cadeia transportadora.
7. Hidratação do fumarato a malato
✓ Enzima fumarase
✓ Processo reversível
✓ Possui um carbânion como estado de transição.
8. Oxidação do malato a oxaloacetato
✓ Enzima L-malato desidrogenasa
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✓ Essa oxidação é acoplada à redução de NAD+ a
NADH.
• Produtos de uma rodada do ciclo → Lembrando que
para cada molécula de glicose ocorrem 2 ciclos.
• Intermediários do ciclo são desviados como
precursores de muitas vias biossintéticas.
• A regulação ocorre em 3 níveis:
✓ Transportador mitocondrial do piruvato (MPC)
✓ Conversão do piruvato em acetil-coA
✓ Entrada de acetil-coA no ciclo
• Também ocorre pelas reações dacitrato sintase,
isocitrato-desidrogenase e da α-cetoglutatato-
desidrogenase.
✓ Fluxos determinados pelas concentrações dos
substratos (estimuladores) e dos produtos ATP e
NADH como inibidores.
(fosforilacao oxidativa)
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• Ápice do catabolismo em organismos aeróbicos
• Todos os passos oxidativos na degradação de
carboidratos, gorduras e aminoácidos convergem para
esse estágio final da respiração celular, no qual a
energia oxidativa gera a síntese de ATP.
• Ocorre na mitocôndria e envolve complexos proteicos
encontrados em sua membrana.
• Teoria quimiossintética
✓ Fornece visão dos processos de fosforilação
oxidativa e de fotofosforilação.
✓ A fosforilação oxidativa apresenta 3
componentes:
Fluxo de elétrons a partir de doadores
oxidáveis através de uma cadeia de
carreadores ligados à membrana até um
aceptor final de elétrons com um grande
potencial redutor– O2.
A energia livre se torna disponível pelo fluxo
de elétricos exergônico ser acoplado ao
transporte de prótons por uma membrana
impermeável a eles, conservando a energia
livre da oxidação do combustível na forma
de um potencial eletroquímico.
O fluxo transmembrana de retorno dos
prótons a favor do seu gradiente de
concentração por canais proteicos
específicos fornece a energia para a síntese
de ATP, catalisada por um complexo
proteico presente na membrana, a ATP-
sintase, que acopla o fluo de prótons à
fosforilação do ADP.
• As mitocôndrias têm duas membranas. A externa é
prontamente permeável a moléculas pequenas e a
íons, que se movem livremente por canais
transmembrana formados por uma família de
proteínas integrais de membrana, chamadas de
porinas. A interna é impermeável à maioria das
moléculas pequenas e dos íons, incluindo prótons (H+);
as únicas espécies que cruzam essa membrana o fazem
por meio de transportadores específicos. A membrana
interna aloja os componentes da cadeia respiratória e
a ATP-sintase.
• A matriz mitocondrial, delimitada pela membrana
interna, contém o complexo da piruvato-
desidrogenase e as enzimas do ciclo do ácido cítrico, a
via de β-oxidação de ácidos graxos e as vias de oxidação
de aminoácidos - todas as vias de oxidação de
combustível, exceto a glicólise, que ocorre no citosol.
• Transportadores específicos carregam piruvato, ácidos
graxos e aminoácidos ou seus derivados para dentro da
matriz, para acesso à maquinaria do ciclo de Krebs. ADP
e Pi são transportados para a matriz quando ATP
recém-sintetizado é transportado para fora.
• Esse processo tem inicio com a entrada de elétrons em
uma série de transportadores. A maioria deles surge da
ação de desidrogenases, que os coletam das vias
catabólicas e os canalizam para receptores, como o
NAD.
• A maioria das desidrogenases é específica para NAD+.
Elas removem dois átomos de hidrogênio do substrato
e um é transferido como hidreto para o NAD+,
enquanto o outro é liberado no meio. Devido ao seu
caráter polar, esse transportador se associa
reversivelmente com as desidrogenases. O NADH
carrega elétrons das reações catabólicas até seu ponto
de entrada na cadeia respiratória. Ele não pode entrar
na membrana interna, mas seus elétrons são lançados
através dela indiretamente.
• A cadeia respiratória mitocondrial consiste em uma
série de carreadores que agem sequencialmente,
sendo a maioria deles proteínas integrais com grupos
prostéticos capazes de aceitar e doar um ou dois
elétrons.
• Ocorrem três tipos de transferência de elétrons na
fosforilação oxidativa:
✓ Transferência direta de elétrons, como na redução
de Fe3+a Fe2+
✓ Transferência na forma de um átomo de H+ e e-.
✓ Transferência como um íon hidreto, que tem dois
elétrons.
• Além do NAD e das flavoproteínas, outros três tipos de
moléculas carreadoras de elétrons funcionam na
cadeia respiratória: uma quinona hidrofóbica
(ubiquinona) e dois tipos diferentes de proteínas que
contêm ferro (citocromos e proteínas ferro-enxofre).
• A ubiquinona (coenzima Q) pode aceitar um elétron
para se tornar o radical semiquinona (•QH) ou dois
elétrons para formar ubiquinol (QH2), sendo capaz de
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atuar na junção entre um doador de dois elétrons e um
aceptor de um elétron. Como ela é pequena e
hidrofóbica, acaba sendo livremente difusível dentro
da membrana mitocondrial interna e capaz de
movimentar equivalentes redutores entre outros
carreadores de elétrons menos móveis na membrana.
• Os citocromos são proteínas com absorção
caracteristicamente forte de luz visível, devida aos seus
grupos prostéticos heme contendo ferro. As
mitocôndrias têm três classes de citocromos,
designadas a, b e c, distinguidas por diferenças em seus
espectros de absorção de luz.
• Nas proteínas ferro-enxofre, o ferro está presente, não
o grupo heme, mas em associação com enxofre
inorgânico ou com enxofre do resíduo de cisteina na
proteína.
• Na reação global catalisada pela cadeia respiratória
mitocondrial, os elétrons movem-se do NADH, do
succinato ou de outro doador primário de elétrons, por
flavoproteínas, ubiquinona, proteínas ferro-enxofre e
citocromos e, finalmente, chegam ao O2.
• Complexo I: NADH e Ubiquina
✓ Ubiquinona-oxirredutase ou NADH-desidrogenase.
✓ Catalisa dois processos simultâneos e acoplados:
Transferência exergônica de um íon hidreto do
NADH e de um próton da matriz para a
ubiquina .
Transferência endergônica de 4 protons da
matriz para o espaço intermembrana.
Os prótons são movidos contra um gradiente
de concentração.
✓ Bomba de prótons que utiliza a energia da
transferência de elétrons.
✓ Esse complexo catalisa a transferência de um ion
hidreto do NADH ao FMN, de onde dois eletros
passam de uma serie de centros de Fe-S para o
centro Fe-S N-2. A transferência de elétrons de N-2
para a ubiquinona forma QH2, que se difunde na
bicamada lipídica. Essa transferência expulsa
quatro prótons para cada par de elétrons, gerando
um potencial eletroquímico através da membrana
mitocondrial interna.
✓ Amital, rotenona e piericidina A inibem o fluxo de
elétrons dos centros de ferro-enxofre do complexo
I para a ubiquinona e, portanto, bloqueiam o
processo global da fosforilação oxidativa.
• Complexo II: succinato e Ubiquinona
✓ Enzima succinato-desidrogenase.
✓ Acopla a oxidação do succinato em um sítio com a
redução da ubiquinona em outro.
✓ Embora menor e mais simples do que o complexo I,
ele contém cinco grupos prostéticos de dois tipos e
quatro subunidades proteicas diferentes.
Os elétrons movem-se do succinato ao FAD (setas azuis) e
posteriormente através de centros de Fe-S para a ubiquinona.
O heme B protege contra a formação de EROS.
✓ As subunidades C e D são proteínas integrais de
membrana, cada uma com três hélices
transmembrana. Elas contêm um grupo heme,
heme b, e um sítio de ligação para a ubiquinona, o
aceptor final de elétrons na reação catalisada pelo
complexo II. As subunidades A e B estendem-se
para a matriz; elas contêm três centros 2Fe-2S, FAD
ligado e um sítio de ligação para o substrato, o
succinato.
✓ A transferência de elétrons no complexo II não é
acompanhada por bombeamento de prótons
através da membrana interna, embora a QH2
produzida pela oxidação do succinato seja usada
pelo complexo III para impulsionar a transferência
de prótons.
✓ O heme b do complexo II pode servir para reduzir a
frequência com que elétrons “vazam” para fora do
sistema, movendo-se do succinato ao oxigênio
molecular para produzir as espécies reativas de
oxigênio (ERO) peróxido de hidrogênio (H2O2 ) e o
radical superóxido (•O2-). Alguns indivíduos com
mutações pontuais em subunidades do complexo II
próximas ao heme b ou ao sítio de ligação da
ubiquinona sofrem de paraganglioma hereditário,
que se caracteriza por tumores benignos na cabeça
e no pescoço.
• Complexo III: Ubiquinona e citocromo c
✓ Os elétrons da ubiquinona reduzida (ubiquinol,
QH2) passam através de mais dois grandes
complexos proteicos na membrana mitocondrial
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interna antes de alcançarem o aceptor final de
elétrons, O2.
✓ Também chamado de complexo de citocromo bc1
ou ubiquinona-citocromo c-oxidorredutase acopla
a transferência de elétrons do ubiquinol (QH2) para
o citocromo c com o transporte de prótons da
matriz para o espaço intermembrana.
• Complexo IV: citocromo c para o O2
✓ Na etapa final da cadeia respiratória, o complexo IV,
também chamado de citocromo-oxidase, carrega
elétrons do citocromo c para o oxigênio molecular,
reduzindo-o a H2O.
✓ É uma enzima dimérica grande da membrana
mitocondrial interna.
✓ A subunidade II do complexoIV contém dois íons
cobre complexados com os grupos ¬SH de dois
resíduos de Cys em um centro binuclear.
✓ A subunidade I contém dois grupos heme,
designados a e a3 outro íon cobre (CuB). Heme a3, e
um e CuB formam um segundo centro binuclear que
aceita elétrons de heme a e os transfere ao O2
ligado ao heme a3.
A subunidade III (azul claro) é essencial para o rápido movimento
de prótons pela subunidade II.
✓ A transferência de elétrons pelo complexo IV dá-se
do citocromo c para o centro de CuA, para o heme
a, para o centro de heme a3-CuB e, finalmente, para
o O2.
✓ Para cada dois elétrons que passam pelo complexo,
a enzima consome 2 H+ da matriz (lado n) na
conversão de 1/2O2 a H2O.
✓ Ela também usa a energia dessa reação redox para
bombear dois prótons para fora em direção ao
espaço intermembrana (lado p) para cada par de
elétrons que passa, contribuindo para o potencial
eletroquímico produzido pelo transporte de
prótons possibilitado pela energia dessas reações
redox pelos complexos I e III.
✓ Esta redução com dois elétrons de 1⁄2O2 de QH2,
que, por sua vez, requer a oxidação de NADH ou de
succinato.
✓ No complexo IV, o O2. é reduzido em centros redox
que requer a oxidação transportam apenas um
elétron por vez. Normalmente, os intermediários
de oxigênio não completamente reduzidos
permanecem fortemente ligados ao complexo, até
serem completamente convertidos em água,
porém uma pequena fração de intermediários de
oxigênio escapa. Esses intermediários são espécies
reativas de oxigênio que podem danificar
componentes celulares, a menos que sejam
eliminados por mecanismos de defesa.
• Os complexos respiratórios se associam firmemente
uns com os outros na membrana interna, formando
respirassomos, combinações funcionais de dois ou
mais complexos de transferência de elétrons
diferentes.
• Várias outras reações de transferência de elétrons
podem reduzir a ubiquinona na membrana
mitocondrial interna. O primeiro passo na β-oxidação
da acil-CoA dos ácidos graxos, catalisada pela
flavoproteína acil-CoA-desidrogenase, envolve a
transferência de elétrons do substrato para o FAD da
desidrogenase e, então, para a flavoproteína
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transferidora de elétrons (FTE). A FTE, por sua vez,
passa seus elétrons à FTE:ubiquinona-oxidorredutase,
que reduz Q, na membrana mitocondrial interna, a
QH2. O glicerol-3-fosfato, formado a partir do glicerol
liberado pela quebra de triacilgliceróis ou pela redução
da di-hidroxiacetona-fosfato da glicólise, é oxidado
pela glicerol-3-fosfato-desidro-genase, uma
flavoproteína localizada na face externa da membrana
mitocondrial interna. O aceptor de elétrons nesta
reação é a Q; a QH2 produzida entra o conjunto de QH2
na membrana.
• A molécula de NADH transfere um par de elétrons. Para
cada par de elétrons transferido para o oxigênio,
quatro prótons são bombeados para fora pelo
complexo I, quatro pelo complexo III e dois pelo
complexo IV. A energia eletroquímica inerente a essa
diferença na concentração de prótons e à separação de
cargas representa uma conservação temporária de
grande parte da energia da transferência de elétrons. A
energia estocada nesse gradiente, chamada de força
próton-motriz, tem dois componentes: a energia
potencial química e a energia potencial elétrica, que
resulta da separação de cargas. Quando os prótons
fluem espontaneamente a favor do seu gradiente
eletroquímico, energia torna-se disponível para a
realização de trabalho.
• A passagem de elétrons de QH2 ao complexo III e a
passagem de elétrons dos complexos I e II ao QH2,
envolvem um radical que pode gerar radicais livres.
Essa formação é favorecida quando as mitocôndrias
não estão produzindo ATP e, portanto, têm grande
força próton-motriz e quando há uma alta razão de
NADH/NAD+ na matriz. Ambas as situações
exemplificam o estresse oxidativo – há mais elétrons
disponíveis para entrar na cadeia respiratória do que o
numero que pode ser passado para o oxigênio. Baixos
níveis de ERO podem ser usados pela célula como um
sinal que reflete o suprimento insuficiente de oxigênio
(hipoxia), desencadeando ajustes metabólicos. Para
impedir dano oxidativo, as células possuem a enzima
superóxido-dismutase, que converte os radicais em
peroxido de hidrogênio, que torna-se inofensivo pela
ação da glutationa-peroxidase.
• Modelo quimiosmótico
✓ A energia eletroquímica inerente à diferença de
concentração de prótons e à separação de cargas
entre os dois lados da membrana mitocondrial
interna – a força próton-motriz – impulsiona a
síntese de ATP, à medida em que os prótons fluem
passivamente de volta à matriz, ante poros na ATP-
sintase.
• O complexo enzimático da membrana mitocondrial
interna catalisa a formação de ATP, impulsionada pelo
fluxo de prótons. A ATP-sintase (complexo V) tem 2
complexos distintos, sendo uma proteína periférica de
membrana e um integral.
• Embora a ATP-sintase equilibre o ATP, na ausência de
um gradiente prótons, o ATP recém-sintetizado não
deixa a superfície da enzima. É o gradiente de prótons
que faz a enzima liberar o ATP formado em sua
superfície.
• Na catálise rotacional os três sítios ativos da ATP-
sintase se revezam catalisando a síntese de ATP. Uma
dada subunidade β começa na conformação β-ADP,
que liga ADP e Pi do meio circundante. A subunidade
agora muda de conformação, assumindo a forma β-
ATP, que se liga firmemente e estabiliza o ATP, gerando
o pronto equilíbrio de ADP + Pi com ATP na superfície
da enzima. Finalmente, a subunidade muda para a
conformação β-vazio, que tem baixa afinidade por ATP,
e o ATP recém-sintetizado deixa a superfície da enzima.
Outra rodada de catálise começa quando essa
subunidade novamente assume a forma β-ADP e liga
ADP e Pi. As mudanças conformacionais importantes
nesse me-canismo são desencadeadas pela passagem
de prótons pela ATP-sintase. As três subunidades β
interagem, de modo que, quando uma assume a
conformação β-vazio, sua vizinha em um dos lados
precisa assumir a forma β-ADP e a outra vizinha a
forma β-ATP. Assim, uma rotação completa da
subunidade γ faz cada subunidade β passar por suas
três conformações possíveis e, para cada rotação, três
ATP são sintetizados e liberados da superfície da
enzima.
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• Embora o papel primário do gradiente de prótons nas
mitocôndrias seja fornecer energia para a síntese de
ATP, a força próton-motriz também impulsiona vários
processos de transporte essenciais à fosforilação
oxidativa.
• A NADH-desidrogenase da membrana mitocondrial
interna pode aceitar elétrons somente do NADH na
matriz. Assim, sistemas especiais de lançadeiras
carregam equivalentes redutores do NADH citosólico
para as mitocôndrias por uma via indireta. A lançadeira
de NADH mais conhecida, que funciona em
mitocôndrias de fígado, rim e coração, é a lançadeira
do malato-aspartato. Os equivalentes redutores do
NADH citosólico são primeiro transferidos ao
oxalacetato citosólico para produzir malato, em uma
reação catalisada pela malato-desidrogenase
citosólica. O malato então formado passa através da
membrana interna pelo transportador de malato-α-
cetoglutarato. Dentro da matriz, os equivalentes
redutores são passados ao NAD+ pela ação da malato-
desidrogenase da matriz, formando NADH; esse NADH
pode passar elétrons diretamente à cadeia respiratória.
Cerca de 2,5 moléculas de ATP são geradas à medida
que esse par de elétrons passa para o O2. O oxalacetato
citosólico precisa ser regenerado por reações de
transaminação e atividade de transportadores de
membrana para iniciar outro ciclo da lançadeira.
• O músculo esquelético e o encéfalo usam uma
lançadeira de NADH diferente, a lançadeira do glicerol-
3-fosfato.Ela difere da lançadeira do malato-aspartato
por entregar os equivalentes redutores do NADH via
FAD (na reação da glicerol-3-fosfato-desidrogenase)
para a ubiquinona e, então, para o complexo III, não o
complexo I, proporcionando energia suficiente para
sintetizar apenas 1,5 molécula de ATP por par de
elétrons.
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• A fosforilação oxidativa produz a maior parte do ATP
produzido em células aeróbicas. A oxidação completa
de uma molécula de glicose produz de 30 a 32
moléculas de ATP.
• A taxa de respiração nas mitocôndrias é fortemente
regulada, sendo limitada pela disponibilidade de ADP
como substrato para a fosforilação.
• Quando uma célula está hipóxica (des-provida de
oxigênio), como em um infarto do miocárdio ou
acidente vascular cerebral, a transferência de elétrons
para o oxigênio fica mais lenta, da mesma forma que o
bombeamento de prótons. A força próton-motriz em
seguida colapsa. Nessas condições, a ATP-sintase
poderia operar ao contrário, hidrolisando o ATP
produzido pela glicólise para bombear prótons para
fora e causando uma queda desastrosa nos níveis de
ATP. Isso é impedido por um inibidor proteico pequeno,
o IF1, que se liga simultaneamente a duas moléculas de
ATP-sintase e inibe sua atividade.
• Em células hipóxicas, existe um desequilíbrio entre a
chegada de elétrons a partir da oxidação de
combustíveis celulares na matriz mitocondrial e a
transferência de elétrons para o oxigênio molecular,
levando a uma maior formação de espécies reativas de
oxigênio. Além do sistema da glutationa-peroxidase, as
células têm outras duas linhas de defesa contra as ERO.
Uma é a regulação da piruvato-desidrogenase (PDH), a
enzima que fornece acetil-CoA ao ciclo do ácido cítrico.
Sob condições hipóxicas, a PDH-cinase fosforila a PDH
mitocondrial, inativando-a e reduzindo o fornecimento
de FADH2 e NADH do ciclo do ácido cítrico para a cadeia
respiratória. A segunda maneira de impedir a formação
de ERO é a substituição de uma subunidade do
complexo IV, conhecida como COX4-1, por outra
subunidade, COX4-2, que é mais bem ajustada a
condições hipóxicas. Com COX4-1, as propriedades
catalíticas do complexo IV são ótimas para a respiração
em concentrações normais de oxigênio; com COX4-2, o
complexo IV é otimizado para operar sob condições
hipóxicas. As mudanças na atividade da PDH e no
conteúdo de COX4-2 do complexo IV são ambas
mediadas por HIF-1, o fator induzível por hipoxia.
• Quando esses mecanismos para lidar com as ERO são
insuficientes, devido a mutações genéticas que afetam
uma dessas proteínas protetoras ou sob condições de
taxas muito altas de produção de ERO, a função
mitocondrial fica comprometida. Acredita-se que o
dano mitocondrial esteja envolvido no
envelhecimento, no colapso cardíaco, em certos casos
raros de diabetes e em várias doenças genéticas de
herança materna que afetam o sistema nervoso.
• As concentrações relativas de ATP e ADP controlam não
somente as taxas de transferência de elétrons e a
fosforilação oxidativa, mas também as velocidades do
ciclo do ácido cítrico, da oxidação do piruvato e da
glicólise. Sempre que o consumo de ATP aumenta, as
velocidades da cadeia de transporte de elétrons e da
fosforilação oxidativa aumentam. De modo
simultâneo, a velocidade de oxidação do piruvato pelo
ciclo do ácido cítrico aumenta, elevando o fluxo de
elétrons na cadeia respiratória. Esses eventos podem,
por sua vez, evocar um aumento na velocidade da
glicólise, aumentando a velocidade de formação de
piruvato. Quando a conversão de ADP em ATP reduz a
concentração de ADP, o controle pelo aceptor diminui
a transferência de elétrons e, assim, a fosforilação
oxidativa. A glicólise e o ciclo do ácido cítrico também
têm sua velocidade reduzida, uma vez que o ATP é um
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inibidor alostérico da enzima glicolítica
fosfofrutocinase 1 e da piruvato-desidrogenase.
• A fosfofrutocinase 1 também é inibida pelo citrato,
primeiro produto do ciclo de Krebs.
• Outras funções que, em tecidos específicos ou sob
condições específicas, também são essenciais. No
tecido adiposo, as mitocôndrias geram calor para
proteger órgãos vitais da baixa temperatura do
ambiente. Nas glândulas suprarrenais e nas gônadas, as
mitocôndrias são o local de síntese de hormônios
esteroides. Além disso, na maioria dos tecidos elas são
participantes-chave na apoptose.
• No tecido adiposo marrom a oxidação de combustível
serve não para produzir ATP, mas para gerar calor para
manter o recém-nascido aquecido. Esse tecido adiposo
especializado é marrom devido à presença de um
grande número de mitocôndrias e, portanto, de uma
alta concentração de citocromos, com grupos heme
que são fortes absorvedores de luz visível. As
mitocôndrias dos adipócitos marrons são muito
semelhantes às de outras células de mamíferos, exceto
por terem uma proteína singular na membrana interna.
A proteína desacopladora 1 (UCP1), fornece uma via
para os prótons retornarem à matriz sem passarem
pelo complexo F0F1. Como resultado, a energia de
oxidação não é conservada pela formação de ATP, mas
dissipada como calor, mantendo a temperatura
corporal.
• As mitocôndrias são o sítio das reações biossintéticas
que produzem os hormônios esteroides, incluindo os
hormônios sexuais, os glicocorticoides, os
mineralocorticoides e o hor-mônio vitamina D. Esses
compostos são sintetizados a partir do colesterol ou de
um esterol relacionado, em uma série de hidroxilações
catalisadas por enzimas da família citocromo P-450.
Nas reações de hidroxilação, um átomo do oxigênio
molecular é incorporado ao substrato e o segundo é
reduzido a H2O. Nessa reação, duas espécies são
oxidadas: NADPH e R¬H. As mitocôndrias geralmente
são maiores do que aquelas em outros tecidos e têm
membranas internas mais extensas e altamente
enroladas sobre si mesmas. A via do fluxo de elétrons
no sistema P-450 mitocondrial é complexa, envolvendo
uma flavoproteína e uma proteína ferro-enxofre, que
carregam elétrons do NADPH ao heme P-450. Todas as
enzimas P-450 têm um heme que interage com o O2
trato que confere especificidade.
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• As mitocôndrias desempenham um papel fundamental
em desencadear a apoptose. Quando um estressor
fornece o sinal para a morte da célula, a consequência
inicial é um aumento na permeabilidade da membrana
mitocondrial externa, permitindo que o citocromo c
escape do espaço in-termembrana para o citosol. O
aumento da permeabilidade é devido à abertura do
complexo do poro de transição de permeabilidade
(CPTP), proteína de múltiplas subunidades na
membrana externa; sua abertura e seu fechamento são
afetados por várias proteínas que estimulam ou
suprimem a apoptose. Quando liberado no citosol, o
citocromo c interage com monômeros da proteína
protease fator 1 de ativação de apoptose (Apaf-1),
causando a formação de um apoptossomo composto
por sete moléculas de Apaf-1 e sete moléculas de
citocromo c. O apoptossomo proporciona a plataforma
sobre a qual a pró-enzima procaspase 9 é ativada a
caspase 9, membro de uma família de proteases
altamente específicas, as caspases, envolvidas na
apoptose. A caspase 9 ativada inicia uma cascata de
ativa-ções proteolíticas, com uma caspase ativando
uma segunda, que, por sua vez, ativa uma terceira, e
assim por diante.