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CAVALOS NA SAÚDE E NA
DOENÇA
~
CAVALOS NA SA UD E
E NA DOENÇA
)AMES L. NAVIAUX
~ RDCA
~
PREFACIO
o meu propósito, ao escrever este livro, foi o de ajudar o cava-
leiro, o estudante, e o amante de cavalos, inexperientes, a torna-
rem-se mais familiarizados com as necessidades e problemas de
rotina do cavalo. Se o leitor tiver a felicidade de possuir um,
ele estará mais apto para desfrutar de seu cavalo e cuidar para
que ele se mantenha saudável.
Escrever este livro foi um trabalho de amor, e necessitou de
inúmeras horas no campo e na minha escrivaninha, durante vários
anos. Os resultados, em termos de gratidão pessoal e apreciação,
expressadas por tantos entusiastas do cavalo, fizeram o esforço
mais que válido.
O principal objetivo no estilo do texto foi o de, assim espero,
transformar material desnecessariamente complicado em informa-
ções úteis, fáceis de serem obtidas e entendidas. Eu, intencio-
nalmente, evitei usar terminologia médica, tentando escrever infor-
mações num texto organizado, e enriquecendo o material, aqui
e ali, com alguns comentários pessoais. Não tentei descrever todas
as doenças da espécie eqüina, mas limitei-me à discussão das condi-
ções comumente observadas por um veterinário.
Espero que esse livro corresponda a alguns de seus desejos de
saber mais sobre a saúde e os cuidados com o cavalo, e que você
também possa experimentar o amor e o prazer que eu encontrei
na minha associação com a mais nobre criatura criada por Deus.
Walnut Creek, Califómia jAMES L. NAVIAux,D.Y.M.
;1'
lnd1ce
Parte I - Considerações Gerais
1. O Cavalo """"""""""""""""""""""""""
História.....................................................................................................................
Características do cavalo.....................................................................................
Raças atuais de cavalo...........................................................................................
Pôneis comuns hoje em dia.................................................................................
2. Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo................................................
Responsabilidade do proprietário do cavalo..........................................................
Precauções de segurança...............................................................................................
Dicas de tratamento.........................................................................................................
Adquirindo um cavalo.....................................................................................................
Determinando a idade de um cavalo.........................................................................
3. Enfennidades.....................................................................................................................
Manqueira "................................................................................................
Localização específica das enfermidades.................................................................
Enfermidades gerais.........................................................................................................
Defeitos comuns e condições anormais..........................................................
Vícios comuns "................................................................
4. Cuidados Geraís :.....................................................................
Escovação "..............................................................................................
Banho....................................................................................................................................
Capas.....................................................................................................................................
Tosa........................................................................................................................................
Cuidados com os cascos " "...
Cuidados dentários..........................................................................................................
Transportando cavalos ,,"...................
3
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x Índice
Parte 11- Nutrição e Reprodução
5. Nutrição Eqüina................................................................................................................
Considerações rápidas sobre alguns alimentos comuns....................................
Vitaminas.............................................................................................................................
Minerais................................................................................................................................
Característica de alguns alimentos comuns............................................................
Comparando alimentos comerciais (rações ).........................................................
Desequilíbrio cálcio-fósforo.........................................................................................
Alimentos granulados......................................................................................................
Antibióticos na ração.......................................................................................................
Energia e necessidade de grão para o trabalho.......................................................
Programas de trabalho usuais e necessidades de grão.................................
Jornadas de resistência.........................................................................................
Programas de alimentação recomendados.............................................................
Alimentação e cuidados com os cavalos no inverno............................................
Notas gerais sobre a alimentação................................................................................
Máximas de alimentação................................................................................................
6. Reprodução dos Cavalos................................................................................................
Fisiologia básica.................................................................................................................
Possuir um garanhão no haras......................................................................................
Infertilidade na égua........................................................................................................
Infertilidade no garanhão...............................................................................................
7. A Égua Prenhe....................................................................................................................
Prenhez.................................................................................................................................
Nascimento do potro......................................................................................................
Quando auxiliar a égua...................................................................................................
A placenta............................................................................................................................
Cólicas uterinas pós-parto.............................................................................................
Sangramento intra-abdominal pós-parto..................................................................
8. Cuidados com o Potro e com aÉguano Pós-Parto...............................................
Primeiros cuidados com o potro recém-nascido..................................................
O colostro............................................................................................................................
Auxiliando a primeira mamada....................................................................................Leite insuficiente...............................................................................................................
A necessidade do suplemento de leite para o potro.............................................
Doenças no potro recém-nascido...............................................................................
Soltando éguas com potros no pasto..........................................................................
Montando a égua em lactação......................................................................................
Desmamando o potro......................................................................................................
Secando o leite da égua...................................................................................................
Parte m - Problemas de Saúde
9. Problemas Geraisde Saúde...........................................................................................
Sinais de um cavalo com boa saúde............................................................................
Quando chamar um veterinário..................................................................................
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Índice XI
10. Parasitas """""""""""""""""""""""""""""""""" 182
Parasitas internos 182
Controle dos parasitas internos """"""""""""'" 193
Programa de vermifugação 194
Parasitas externos 194
Medidassanitárias 202
Controle químico 203
11. Doenças Infecciosas 205
O complexo respiratório dos eqüinos 205
12. Doenças Não-Infecciosas 223
Distúrbios Lttternos 223
Problemas de pele comuns 234
13. Ferimentos e Tratamentos 252
Inflamação 253
Feridas """"""""""""""""""""""""""""'" 256
Parte IV- Apêndice
Apêndice A - Perguntase Respostas 273
Apêndice B-SinaiseSintomas 280
BibliograJia 284
PARTE
I
Considerações Gerais
Testa
Narinas
Boca
Queixo .
MandíbÚlas
t
Ganacha
Espádua
Nádegas
,-Perna
joelho
Canela
Machinho
jarrete
( Curvi1hão
ou curveão)
Canela
Figura 1.1 -Partes do cavalo. (Desenhado por )eannine Quilici).
1
o Cavalo
ClASSIFICAÇÃO: Reino -Animal; Filo - Chordata. Classe - Mammalia; Ordem
-Pcrissodactila; Familia -Equiduc; Gênero e espécie -Equus caballus.
mSTÓRIA
o Cavalo Primitivo
O cavalo desenvolveu-se, até a sua forma atual, durante um período de
S8 milhões de anos. O primitivo Eohippus "dawn-horse". era um animal polidác-
tilo com 30 a 3S cm de altura que vivia nos pântanos. Quando começou
a se adaptar às florestas e campos, cresceu desenvolvendo maior capacidade
pulmonar e O dedo único, que lhe deram velocidade e capacidade de ir cada
vez mais longe da água. A capacidade de escapar rapidamente do perigo tem
sido diretamente responsável pela sobrevivência do cavalo por um período
. de tempo tão longo.
Os cientistas acreditam que os primeiros ancestrais do cavalo se originaram
na América do Norte e Europa, mas a evolução no hemisfério oriental terminou
em rápida extinção. Dessa forma, a evolução do cavalo moderno ocorreu nas
Américas, como foi provado por fósseis. Até a Era Glacial, há aproximadamente
um milhão de anos atrás, o cavalo havia se desenvolvido para o seu tamanho
e forma atuais e migrado para todos os continentes exceto a Austrália.Acredita-se
que nessa época o cavalo extinguiu-se nas Américas por razões desconhecidas.
Somente por volta do século XVI o cavalo foi reintroduzido nessa parte do
mundo pelos espanhóis. Os cavalos selvagens (mustangs), do oeste dos Estados
Unidos, são descendentes dos cavalos que escaparam dos primeiros explora-
dores e colonizadores espanhóis.
A origem exata das raças de cavalo atuais não é conhecida, mas três grupos
ancestrais são considerados os antecedentes do cavalo dos nossos dias: o Libanês
(Norte da África), o Árabe (Arábia), e o cavalo Flamengo (Europa Central).
.N. do T. -Traduzido literalmente: "cavalo da alvorada".
4 Considerações Gerais
Os cavalos de ossatura bem proporcionada e "sangue quente" são descendentes
das raças Árabes e Libanesas, e os cavalos de tiro, mais pesados e de "sangue
frio", são descendentes do cavalo Flamengo que também deu origem ao pônei
Celta (Irlanda), do qual os nossos pôneis atuais são derivados.
o Homem e o Cavalo
o homem primitivo provavelmente caçava o cavalo para alimentação. A
domesticação do cavalo, assim como todos os nossos outros animais domésticos,
ocorreu em tempos pré-históricos. A história da relação entre o homem primi-
tivo e o cavalo nos foi deixada por gravuras e pinturas em paredes de cavernas.
Nesse tipo de achados, no sudeste da Ásia, desenhos mostram que o homem
já montava o cavalo há mais de 5000 anos atrás. É sabido que os Assírios
caçavam com cavalos por volta de 800 ac. Os persas, que eram excelentes
cavaleiros, usavam cavalos para caçadas, esportes e guerra.
Carruagens puxadas por cavalos eram usadas na Grécia 1000 anos ac. Corridas
de cavalos foram instituídas nos Jogos Olímpicos em 648 ac. O interesse e
respeito dos gregos pelos cavalos é mostrado na crença de que o deus Sol,
ApoIo, dirigia uma carruagem de quatro cavalos através do céu todos os dias.
A crença no Pégaso, o cavalo voador, também é testemunha do apreço grego
por esse animal maravilhoso. Muitas moedas gregas antigas (anteriores a 300
aC) tinham um cavalo ou carruagem puxada por cavalos gravados nelas.
Os macedônios foram os primeiros a desenvolver completamente o uso
do cavalo na guerra. Desde esse tempo até a primeira guerra mundial, a cavalaria
teve um papel importante em todos os exércitQs. Raças de tiro foram desenvol-
vidas para carregar cavaleiros e guerreiros com pesadas armaduras. Depois
que a pólvora passou a ser usada, por volta de 1300, cavalos mais leves e
rápidos foram procurados para substituir as raças de tiro. Um dos resultados
dessa mudança de atitude militar são as atuais raças de cavalos leves. Acredita-se
que os normandos, na Inglaterra, foram os primeiros a arar com cavalos, ao
invés de bois. O uso dos cavalos teve ainda grande influência na história recente
dos índios norte-americanos e na colonização do oeste dos Estados Unidos.
A INDÚSTRIA DO CAVALO NOS ESTADOS UNIDOS HOJE
Foi estimado que existem aproximadamente 8,4 milhões de cavalos nos
Estados Unidos (1983) e por volta de 3,2 milhões de proprietários de cavalos.
Cerca de 80% desses cavalos são destinados a um uso não profissional. Historica-
mente, a população eqüina esteve em crescimento até 1915, quando atingiu
o número recorde de 21 431 000, quase 3 vezes a população eqüina atual.
Então, começou a diminuir. Por outro lado, a população de mulas cresceu
até 1925, quando atingiu 5918000 muares. Os cavalos atingiram o mais baixo
nível populacional recentemente, 1960, quando a população total de muares
e cavalos somou 3 089 000 animais. No ano de 1968, a população eqüina
havia subido para 6 675000. Entre 1960 e 1982, o número de potros registrados
cresceu de 72 853 para 310 178.
o Cavalo 5
Hoje em dia existem mais de 150 jornais e revistas que tratam especificamente
de cavalos.
Os proprietários de cavalos gastam 7,9 bilhões de dólares anualmente em
alimentos, equipamentos, drogas, serviços <;ítens relacionados aos cavalos. Mais
de 8,3 bilhões de dólares são investidos em cavalos e recursos a eles relacio-
nados; 2 bilhões são investidos em terras e construções. Existem mais de 200 000
criadores de cavalos registrados; mais de 7,300 exposições nacionalmente san-
donadas são realizadas anualmente. Os acontecimentos relacionados ao cavalo
atraíram aproximadamente 110 milliões de espectadores em 1975. Os cavalos
consomem mais de 2 milhões de toneladas de alimentos formulados (rações)
e 4 milhões de toneladas de feno por ano. As corridas de cavalo têm sido
o esporte número um em espectadores por mais de 30 anos consecutivos,
atraindo por volta de 77 milhões de pessoas anualmente. Durante 1982-83;
as exportações de cavalos excederam as importações em 149 milhões de dólares.
Apesar dapopulação eqüina ter tido um crescimento firme e contínuo por
mais de 30 anos, muitas cidades estão experimentando algumas mudanças,
com antigos pastos e áreas de montaria sendo t~sformados em locações
para condominios e casas particulares. Também os custos de alimentação e
os relacionados com a posse de um cavalo aumentaram vertiginosamente, o
que está afetando drasticamente o número de pequenos proprietários.
CARA CTE RÍS TI CAS DOCA VAL O
Cores
Corno sabemos os cavalos têm cores diferentes e diferentes quantidades
de branco nos seus corpos. Esse fato provavelmente deu origem ao velho
0--
Aumento na população eqüina de 1971 a 19
nos dez estados com oíais caValos (Estádos Uni os)
1971 USDA' 1983AHc-
Estimativa Estimativa % Crescimento
1. Califórnia 406.000 850.000 52
2. Texas 625.000 780.000 20
3. Oklahoma 230.000 300.000 23
4. Montana 250.000 250.000 O
5.0hio 205.000 248.000 17
6. Missouri 188.000 242.000 17
7. Michigan 169.000 222.000 24
8. Kentucky 170.000 220.000 22
9. Colocado 125.000 219.000 43
10.Tennessee 180.000 219.000 18
6 Considerações Gerais
dito popular americano: "um cavalo de cor diferente".. As cores abaixo são
as cores normais das pelagens dos cavalos:
1.Baio - A coloração dos cavalos baios varia de um amarelo claro até a
cor do mogno (baio sangue). O cavalo baio possui crina e cauda pretas
e, na maioria das vezes, preto nas pernas. A cor amarelada, com crina
e cauda pretas e listra-de-burro, uma listra escura que vai da cernelha
à cauda, nos Estados Unidos chama-se Buckskin, mas no Brasil é um tipo
de baio.
2.Preto -Um cavalo preto deve ser completamente negro incluindo o focinho
e fiancos. (Clareamento dos pêlos pelo sol, o que é normalmente causado
por deficiência de vitamina A, não deve evitar o reconhecimento de uma
pelagem negra. Cavalos pretos são pouco comuns, e raros na raça Árabe).
3. Castanho - Um cavalo que freqüentem ente parece ser preto, mas que
tem pêlos castanhos no focinho e fiancos (é uma cor relativamente rara,
sendo mais comum no puro sangue inglês).
4. Alazão - Cavalos alazões são coloridos em tonalidades de vermelho, com
crina e a cauda normalmente da mesma cor do corpo. A pelagem pode
ser um dourado (alazão claro ), avermelhada, ou um vermelho bem escuro
(alazão figado). A crina e a cauda algumas vezes são prateadas, mas um
cavalo alazão nunc... tem crina e cauda pretas.
5. Tordillio - Tordilho é uma cor comum entre muitas raças, especialmente
Árabe e Lippizans. Esses cavalos possuem pele preta. Todos os cavalos-
que se tomam eventualmente tordilhos nascem negros, mas mostram evi-
dência da mudança quando começam trocar a pelagem, dos 2 aos 3 meses
de idade. Os cavalos tordilhos tendem a clarear com a idade. Muitos cavalos
jovens, quando em boas condições de saúde, desenvolvem um pêlo cinza
lustroso com manchas mais escuras, que é chamado de "tordilho rodado".
6. Rosilho - Cavalos que possuem pêlos brancos e vermelhos, criando uma
tonalidade rosada, são chamados rosilhos, e, como os tordilhos, tendem
a clarear com a idade. Um rosilho ou tordilho escuro, com pequenas
manchas de pêlo esbranquiçado sobre o corpo, é chamado de "flea bitten
gray" (tordilho mordido por pulga).
7. Branco - Cavalos brancos nascem com pelagem branca e são brancos
por toda a vida. A pele é rosada e os olhos castanhos ou, por vezes,
azuis. Muitos cavalos brancos são chamados de "albinos", mas não são
verdadeiros albinos. Um verdadeiro albino não tem pigmentação no corpo
e possui olhos cor-de-rosa. Albinismo verdadeiro em cavalos não é um
fenômeno reconhecido, e se fosse, seria (como em outros animais) um
"infortúnio" genético ou um mutante.
8. Palomino - A coloração palomino é uma coloração dourada com tons'
variando do ouro claro ao escuro. Cavalos palomino têm a crina e a cauda
prateadas.
9.Amarmo - O cavalo amarillo possui uma coloração amarelada por todo
o corpo, crina e cauda n.
. N.do T. . A expressão "um cavalo de cor diferente (em inglês: "a horse of a different color")
equivale a "isto é outra estória" ou "isto são outros quinhentos".
.. N.do T. O amarillo é considerado por alguns uma variedade do alazão.
o Cavalo 7
10. Ruão - O cavalo mão possui uma combinação de pêlos brancos, negros
e vermelhos. Existe o mão claro (predominância do branco ), mão verme-
lho (predominância do vermelho) e mão escuro (predominância do pre-
to).
11.Appaloosa - O cavalo appaloosa possui muitas variedades e combinações
de tipos de pelagens, com manchas coloridas. Um cavalo com uma cor
predominante de pelagem na cabeça e parte anterior do corpo, e várias
manchas brancas nos quartos traseiros é chamado appaloosa. Muitos cava-
los têm uma pelagem base branca e uniforme com várias malhas por
todo o corpo; esses são chamados "appaloosa-Ieopardo". Uma pele man-
chada de branco (pintalgada) em tomo da boca, reto e áreas genitais
é característica dos appaloosas, assim como cascos listrados. Alguns potros
nascem com uma cor única e tomam-se appaloosa ao atingir os 12 ou
18 meses de idade. A coloração appaloosa tem a tendência de clarear
com a idade.
12. Pampa - A pelagem rampa possui grandes áreas irregulares de branco
e outra cor qualquer, freqüentemente preto, castanho ou palomino.
13.Rato - Essa é uma cor de pelagem relativamente rara, consistindo de
pêlo uniformemente cinza sobre todo o corpo (é vista com mais freqüência
no Quarto-de-milha).
Alazão, baio e tordilho são as cores mais comuns entre todos os cavalos
que possuem uma cor predominante. Alazão é a mais comum de todas.
8 Considerações Gerais
Sinais Particulares
Cabeça
Estrela ou Flor - Qualquer marca branca
na fronte. Pode ser descrita como grande
luzeiro, pequena, irregular ou apagada.
listra ou Cordão - Uma listra branca e
estreita, normalmente descendo pelo centro
da face, do nível dos olhos até as narinas.
Frente Aberta - Uma listra branca, larga
que desce pela face, normalmente envol-
vendo toda a largura dos ossos nasais até
as narinas. São freqüentemente irregulares
e fora de centro.
o Cavalo 9
Reta - Uma marca branca entre as narinas.
Estrela, Listra e Reta - Inclui todas as três.
Basicamente, parece uma listra longa.
Mala Cara - A cara é branca da fronte
ao focinho, incluindo um ou os dois olhos.
O olho incluído, freqüentemente tem falta
de pigmento na íris e é chamado de "olho
de vidro". Essa condição não afeta a visão
do cavalo.
10 Considerações Gerais
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Membros
Talões Brancos - Uma faixa branca em torno da coroa, que
fica logo sobre o casco.
Calçado de Quartela - O branco vai da
coroa até logo abaixo do machinbo.
Calçado Acima do Boleta - O branco vai até a base da canela.
Calçado à Meia Cana ou Médio Calçado
- O branco vai da coroa até o meio
da canela.
Alto Calçado - O branco vai da coroa ao joelho ou jarrete,
incluindo-os ou não.
o Cavalo 11
RAÇAS ATUAIS DE CAVALO
Árabe
De todas as raças de cavalo do mundo, a Árábe é considerada não sô a
mais antiga, mas também a mais bela. As linhagens atuais parecem vir desde
100-600 dC, quando suas características distintas foram estabelecidas na Arábia.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,47 a 1,57 m. Cores: alazão, baio, tordilho, ou castanho (sinais particu-
lares são comuns). Peso: 386-454 kg.
APARÊNCIA
Cabeça: pequena face côncava e abaulada com um perfil que vai se afilando
até um pequeno e bem delineado focinho. Olhos: bem grandes, circulares,
bem espaçados e baixos no crânio. Narinas: grandes e flexíveis. Mandíbula:
bem larga e profunda. Orelhas: pequenas, com a curvatura característica, e
as pontas apontadas para dentro. Peito: largo. Corpo: curto, com garupa plana,
inserção alta da cauda, e posição "alegre" de cauda-; a cauda freqüentemente
curva-se sobre a garupa do cavalo quando está trotando com uma andadura
"flutuante". O Árabe é bem conhecido pela sua resistência e fácil manejo
(requer pouco alimento). A maior parte dos Árabes gosta de gente e de estar
em sua companhia.
UTIliDADE
O Árabe é usado principalmente para diversão, exposições, competições
de resistência e hipismo rural. São usadostanto para equitação no estilo westem
quanto no estilo inglês, salto e em corridas.
Puro-Sangue Inglês (PSI)
O cavalo de corridas Puro-Sangue Inglês é a raça britânica mais conhecida.
Sua origem vem do século XVII.
- N. do T. - Chama-se essa posição de "cauda embandeirada",
12 Considerações Gerais
CARACTERÍSTICAS
o refrnamento de .todo o corpo é característico. Altura: 1,57 a 1,73 m.
Peso: 454-590 kg. Cores: alazão, baio, preto, tordilho e mão (sinais particulares
são comuns).
APARÊNCIA
Cabeça: fina. Pescoço: ligeiramente arqueado e elegante. Cernelha: pronun-
ciada. Espáduas: bem oblíquas. Pernas: com ossos atilados e quartelas longas.
Os Puros-Sangues Ingleses são mais conhecidos por sua habilidade em correr,
mas não por serem de fácil manejo.
UTIliDADE
As corridas de Puro-Sangue Inglês são extremamente importantes e famosáS
em vários paises do mundo. Nos Estados Unidos é o esporte que tem o maior
número de espectadores, atraindo o dobro dos fãs do futebol americano, o
segundo em número de espectadores. O Puro-Sangue Inglês é também muito
usado para equitação, salto, caça, adestramento, pólo e corrida com obstáculos,
apesar de ser crescente a preocupação com o abuso dos cavalos de dois anos
de idade em corridas e corridas com obstáculos. Juntamente com os Árabes,
os Puros-Sangues Ingleses, merecidamente, são continuamente vendidos por
altas quantias.
Amerlcan Saddle Horse
O American Saddle Horse (Cavalo de Sela Americano) foi desenvolvido no
Kentucky, Tennessee, Virgínia e West Virgínia, onde era desejado um cavalo
com um passo fácil e confortável para montar nas plantações e durante longas
jornadas. Isso foi feito principalmente entre 1840 e 1890, usando linhagens
secundárias de Puro-Sangue Inglês e animais que originaram das raças Morgan
e Standardbred. Teve também grande influência no inicio da raça um cavalo
canadense, conhecido como Canadian Pacer (Canadense Marchador).
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,52 a 1,63 m. Cores: alazão,baio, castanho, preto, tordilho ou dourado.
Peso: 454-545 kg.
APlliNCIA
Cabeça: postura alerta. Pescoço: longo e gracioso. Corpo: curto e roliço,
com garupa plana e inserção de cauda alta. É conhecido como um animal
esperto.
o Cavalo 13
UTIliDADE
o American Saddle Horse é usado, hoje em dia, quase que exclusivamente
como um animal de três ou cinco andaduras para adestramento ou exposição.
Ele proporciona um montar confortável com grande estilo e animação. Um
park hack* pode ter três andaduras (passo, trote, meio galope) ou cinco andadu-
ras (com o acréscimo da marcha picada e uma marcha fox trot ou marcha
lenta). É comumente exposto com um arreio fino, assim como com uma sela
simples, sendo, deste modo, um cavalo muito versátil.
Standardbred (Trotador Americano ou Americano de Trote)
Standardbred é o nome oficial do famoso cavalo americano de trote ou
andadura que foi originalmente criado no leste dos Estados Unidos como um
cavalo de viagem. A'raça foi desenvolvida a partir do Puro-Sangue Inglês, Hack-
ney, Árabe, Morgan e certos marchadores mestiços. Isso ocorreu principalmente
entre 1800 e 1875. O nome Standardbred" veio do requerimento original
de registro, que começou em 1879. O cavalo para ser registrado deveria ser
capaz de trotar uma milha (1,6 km) em 2:30h ou marchar a mesma distância
em 2:25h. Isso não é mais considerado como fator de registro. Hoje o animal
só precisa ser produto de um garanhão e de uma égua, registrados.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,52 m a 1,63 m. Cores: baio, alazão, castanho e preto são as mais
comuns, mas tordilho, mão e amarmo são também encontradas. Peso: 385-544
kg, normalmente entre 408 kg e 454 kg, se for um cavalo de corrida.
APARÊNCIA
Em geral, o Standardbred é menor, com o corpo mais longo, membros mais
pesados, além de possuir menos refinamento que o Puro-Sangue Inglês; mas
normalmente possui boa resistência, freqüentemente correndo milha após milha
em velocidade máxima.
UTIliDADE
Apesar do Standardbred ser usado principalmente para corrida de trote,
é também comum ente usado como um cavalo de lazer e salto, sendo freqüen-
temente exibido com uma charrete leve*" nas apresentações.
. N. do T. - Park hack pode ser entendido como sendo um cavalo completo,
.. N.do T. -Standardbred, numa tradução literal, significa raça-padrão,
*.. N. do T. - O veículo leve tracionado pelo animal na corrida de trote é conhecido, aqui
no Brasil como "aranha".
14 Considerações Gerais
Tennessee WaIking Horse
o Tennessee Walking Horse foi desenvolvido para a raça americana atual,
na bacia média do Tennessee - principalmente entre 1890 e 1935. Também
conhecido como o "Plantation Walking Horse" (Cavalo Andador da Plantação),
foi criado seletivamente para seu passo incomum, naturalmente flutuante, ou
andadura suave, que o toma um prazer montá-lo nos estados sulinos. Foi também
usado, no princípio, como um cavalo de trabalho nos campos. Suas linhagens
originais parecem incluir o Puro-Sangue Inglês, Standardbred, Morgan, American
Saddle Horse e outros cavalos nativos.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,52 m a 1,63 m. Cores: baio, alazão, preto, castanho, mão, tordilho,
rosilho, branco e dourado (Sinais particulares são comuns). Peso: 454 kg -
545 kg.
APARÊNCIA
Quando comparado ao American Saddle Horse, o Tennessee Walking Horse
é maior, mais musculoso, e mais rústico. Tem uma cabeça mais simples, pescoço
mais curto, inserção mais baixa da cabeça e, é, no todo, menos elegante, porém,
mais dócil que o American Saddle Horse.
UTIUDADE
o Tennessee Walking Horse é comumente usado para o adestramento, mas
é também freqüentemente visto no picadeiro demonstrando suas três andaduras
naturais - a marcha, marcha trotada e o meio galope, com ênfase particular
para a marcha trotada, que é uma marcha acelerada com movimentos dos
membros diagonalmente opostos. Conforme a marcha é acelerada os membros
posteriores freqüentemente ultrapassam os rastros dos anteriores em até 1,82
m. Esse movimento resulta em um passo macio ("montado em uma nuvem"),
que deu origem ao dito: "Monte um hoje e você terá um amanhã".
Quarto-De-Milha
Essa raça de cavalos foi desenvolvida pelos primeiros colonizadores da Virgí-
nia devido ao seu interesse em corridas de cavalo. Como não havia grandes
pistas disponíveis, eles abriram "pistas", que tinham normalmente um quarto
de milha de extensão, nas áreas despovoadas. Assim,o cavalo que esses coloniza-
dores criavam para essas pistas era chamado "Quarto-de-milha". O interesse
nas corridas desse cavalo se propagou à Maryland e às Carolinas - do Norte
e do Sul-, e então, às outras colônias. Quando o oeste tomou-se mais povoado
e a indústria do gado cresceu, esse cavalo, que era muito forte, musculoso
o Cavalo 15
e ágil, tornou-se uma montaria muito usada pelos cowboys, especialmente
no Texas. Com o tempo e desenvolvimento posterior do oeste, a popularidade
do Quarto-de-milha também aumentou, e continua a aumentar até hoje, Apesar
das linhagens primitivas serem de éguas nativas com antepassados espanhóis
sem influência do Puro-Sangue Inglês, por volta de 176O,o Puro-Sangue Inglês
foi introduzido, o que ajudou muito na sua habilidade de arrancar rápido e
na poderosa musculatura dos quartos posteriores. O registro oficial do Quarto-
de-milha americano começou em 1940.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,47 a 1,57 m. Cores: alazão, baío, são as mais comuns, mas palomino,
preto, mão, tordilho e rato também ocorrem. Peso: 454 - 567 Kg.
APARÊNCIA
Existem dois tipos distintos de Quarto-de-milha. O tipo clássico é um cavalo
bem niusculado por inteiro, tipo bull-dog, peito largo, grande e antebraço, pesco-
ço e corpo bem desenvolvidos, e quartos .posteriores poderosos. Cabeça com
orelhas relativamente pequenas e alertas; ganacha e mandíbulas musculosas.
Esse tipo é usado, comumente, como animal de lida e rodeio, e para equitação
no estilo westem. O tipo mais refinado e normalmente mais alto, tipo Puro-Sangue
Inglês, é um Quarto-de-milha de corrida. Esses cavalos têm, freqüentemente,
uma grande linhagem de Puro-sangue Inglês nos seus pedigrees,o que contri-
buiu muito para as mais altas velocidades atingidas pelos Quartos-de-milha
atuais. Muitos desses cavalos não são usados 1?omentepara corridas, mas também
para salto e equitação. No geral, o Quarto-de-milha desfruta de uma ampla
reputação de possuir uma disposição boa, calma e ajuizada, mas como em
todas as raças e generalizações, há exceções.
Morgan
Essa raça americana de cavalos leves provém das crias de um pequeno gara-
nhão baio,]ustin Morgan, que nasceu em 1793 no território de Green Mountain
em Vermont. Pouco é conhecido da origem desse cavalo, exceto 9ue seus
ancestrais devem ter sido, principalmente, Puros-sangues Ingleses ou Acabes.
Por um golpe de sorte, seu proprietário, Thomas Justin Morgan, impressio-
nado com a aparência do garanhão, decidiu experimentá-Io no stud (criação );
os resultados foram surpreendentes. Apesar de ter sido cruzado com éguas
comuns, ele produziu réplicas quase exatas de si mesmo. Sua fama se espalhou;
ele foi posteriormente comprado pelo exército americano por uma grande
soma e mudou-se para um stud em Woodstock, Vermont. Ele viveu 32 anos.
Além de ser o garanhão que originou a raça Morgan, também contribuiu para
Oinício de outras raças americanas em desenvolvimento, como o Standardbred,
o American Saddle Horse e o Tennessee Walking Horse.
16 Considerações Gerais
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,47 a 1,63 m. Peso: 363 - 544 Kg. Cores: baio, alazão, castanho
e negro (Grandes sinais particulares são incomuns). O Morgan tem um corpo
compacto e solidamente construído, com espáduas musculosas e poderosas,
e um pescoço grosso. A crina e a cauda são normalmente densas. É conhecido
pelo seu estilo, fácil manutenção, vigor e resistência.
UTIUDADE
O Morgan é usado, principalmente, para montaria em geral e lida, mas é
considerado um cavalo muito versátil.
Cavalo e Pônei Hackney
O Hackney é um cavalo pesado,' de tiro ou tração, que se originou em
Norfolk e provincias próximas, na costa leste da Inglaterra. Na primeira metade
do século XVIII, nos Estados Unidos, um cavalo tipo trote, que fosse rápido
e pudesse percorrer grandes distânc.ias foi desenvolvido e ficou conhecido
como Norfolk Trottef (Trotador de Norfolk). Foram desses cavalos nativos
com infusão de Puro-Sangue Inglês que o Hackney foi depois derivado. Também
na sua linhagem está o imortal Darley Arabian.. No século XVIII, os coches
Hackney britânicos foram desenvolvidos e o cavalo Hackney passou a ser espe-
cialmente treinado para puxá-Ios. O próprio nome Hackney e seu derivativo
"Hack"" sugerem o tipo de trabalho que a raça deveria exercer.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,22 a 1,63 m. Já o pequeno pônei Hackney tem menos que 1,47
m e é registrado no mesmo stud book. Peso: 272-544 kg. Cores: alazão, baio
e castanho são as cores mais comuns, apesar de mães e negros também serem
vistos (sinais particulares são comuns e considerados desejáveis).
APARÊNCIA
Tem as pernas relativamente curtas, sendo um cavalo pesado em relação
á sua altura. Sua forma é curva, com simetria e equilíbrio, e mantém sua cabeça
de maneira alerta. Passos na,turalmente altos são, prm;avelmente, sua caracte-
rística mais famosa.
.N. do T. . Famoso garanhão da raça Árabe.
.. N. do T. - "Hack", em inglês, significa cavalo ou carro (coche) de aluguel.
o Cavalo 17
UTIUDADE
o Hackney é um excelente cavalo de tração. Ele está quase que exclusiva-
mente confmado ao recinto de exposições, hoje em dia. Muitos pôneis Hackney
são usados como "montarias inglesas" por jovens cavaleiros. Muitos cavalos
de caça e salto são meio-sangue Hackney, e foram criados até o tamanho
desejado a partir dessa raça.
Appaloosa
Esses "cavalos pintados" parecem ter tido suas primeiras aparições há aproxi-
madamente 2400 anos, na Ásia Central. Eles eram os cavalos do paraíso do
Imperador Wu Ti, na China. O atual Appaloosa americano foi introduzido pelos
primeiros exploradores espanhóis, o que é verdadeiro para todos os atuais
cavalos do hemisfério oeste. Ao que parece, esses cavalos tomaram-se muito
queridos pelos índios Nez Perce, em Idaho, Washington e Oregon, por volta
de 1730; eles foram seletivamente criados e desenvolvidos até números signifi-
cantes. O nome Appaloosa parece ter surgido depois que alguns desses cavalos
viveram nas margens do Rio Palouse, no Idaho e foram chamados cavalos
"Palouse". Um cavalo passou a ser "um Palouse"., o que posteriormente passou
a um "Appaloosa". Depois das guerras com os índios, no fim da década
de 1870, muitos desses cavalos se espalharam pelo Oeste. O registro no "Appa-
loosa Horse Club" começou em 1938.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,47 a 1,63m. Peso: 408 - 544 Kg. Cores: muitas variações, com
padrões de manchas, pintas e malhas em várias cores-base. Um cavalo com
manchas no lombo e nas ancas é chamado de "coberto"; um cavalo com man-
chas regulares sobre todo o corpo é chamado de "leopardo", Um cavalo
Appaloosa também tem seus olhos circundados de branco; sua pele é manchada,
especialmente em tomo do focinho e na área genital; seus cascos são listrados
verticalmente em branco e preto.
APARÊNCIA
Araça é reconhecida pelo padrão de pelagem. Individualmente a conformação
geral varia muito. Muito esforço está sendo empregado a fim de desenvolver
cabeças mais refmadas e atraentes para a raça; alguns programas de criação
são também voltados para o desenvolvimento de cavalos mais rápidos para
corridas.
.N. do T. - "Um Palouse", em inglês, é dito "A Palouse",
18 Considerações Gerais
UTIUDADE
o Appaloosa é muito usado para equitação de lazer, paradas, lida e corridas.
Pinto
o primeiro cavalo Pinto, que é uma raça selecionada a partir da cor, foi
trazido para a América pelos conquistadores espanhóis, por volta de 1530.
Ele era muito popular entre os índios das planícies e ficou conhecido como
"Põnei Índio". Ele teve um papel importante, afetando o estilo de vida desses
índios, permitindo que se tornassem caçadores de búfalos e guerreiros mais
eficientes.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,45 a 1,68 m. Peso: 340 - 590. Kg. Cor: variável; prefere-se
que a pelagem seja metade colorida e metade branca, com as várias malhas
de cor por todo o corpo separadas pelo branco. As combinações de cores
mais comuns são:preto e branco, castanho e branco, alazão e branco, e palomino
e branco.* Dois tipos distintos de sinais são reconhecidos: overo, no qual
as áreas brancas se estendem para cima, a partir da barriga; e tobiana, no
qual as áreas brancas se estendem para baixo a partir do dorso.
APARÊNCIA
Muitos cavalos Pinto são criados para ter uma aparência geral refmada de
cavalo de lazer, isto é, algo entre a altura e musculatura suave do Puro-Sangue
Inglês e a corpulência do Quarto-de-milha.
UTIUDADE
o cavalo Pinto é usado para equitação de lazer em geral, tanto no estilo
westem como no inglês; e exposições. É especialmente popular nas paradas.
PÔNEIS COMUNS HOJE EM DIA
Falando de um modo geral, qualquer cavalo com menos de 1,47 m é classifi-
cado como um põnei. O pequeno tamanho, por si só, não constitui um típico
pônei. Existem três tipos distintos de põneis, que são: as miniaturas do cavalo
de tração, do pesado cavalo de tiro e do cavalo de sela. Cada um tem sua
utilidade específica.
.N. do T. - No Brasil, essas pelagens são conhecidas como "pampa", dizendo-se "cavalo pampa";
porém, não constituem uma raça.
o Cavalo 19
PôneiShetIand
o pônei Shetland veio das Ilhas Shetland, que estão localizadas a aproxima-
damente 320km da Escócia. Essas ilhas têm um terreno acidentado e pedregoso,
e um clima inclemente a maior parte do tempo. Esse meio produziu um põnei
pequeno e rústico que é muito fácil de criar. Os ancestrais desse põnei atual
são incertos, mas acredita-se ter origem num pequeno número de pôneis que
foram encontrados nos países adjacentes da Islândia, Escandinávia, Irlanda e
País de Gales.
CARACTERÍSTICAS
Em vários aspectos, o Shetland lembra um cavalo de tração em miniatura,
mas muito refinamento é visto em várias linhagens atuais. Altura: 0,91 a 1,17
m. Cores: baio, negro, castanho, alazão, tordilho, mãoe pintado (variegado
ou malhado). Peso: 136-181 Kg. O Shetland "antigo" tem cabeça e pescoço
de certa forma retos e uma linha de dorso desigual da cernelha à cauda.
Tem sido sempre uma raça dócil, gentil e afável.
UTIliDADE
O põnei Shetland é usado principalmente como um animal de lazer para
crianças, mas é visto também em muitas exposições como montaria e puxando
uma charrete. Como todos os animais, é importante que seja treinado adequada-
mente para aumentar substancialmente seu uso como montaria de lazer para
crianças.
Pônei Welsh*
O pônei Welsh é nativo do acidentado e montanhoso País de Gales. É uma
raça muito antiga, tendo existido por muitos séculos, provavelmente desde
os tempos saxóes, na Inglaterra.
Conta-se que por volta de 1825, um garanhão Puro-Sangue Inglês foi solto
entre as manadas de éguas Welsh que corriam selvagens nas áreas mais remotas
do País de Gales. Essa influência de Puro-Sangue Inglês, deixou traços no pônei
Welsh atual.
CARACTERÍSTICAS
Altura: 1,00 a 1,42 m. Cores: normalmente tordilho, mão, negro, castanho
ou alazão, apesar de creme, amarillo e branco também são encontradas. Na
verdade, qualquer cor que não seja pampa pode ser registrada. Sinaisparticulares
.N.do T. -Welsh, em inglês, significa galês (nativo do País de Gales).
20 Considerações Gerais
não são comuns. O pônei Welsh atu.al pode ser descrito como um cavalo
de coche em miniatura. É criado para ter uma boa cabeça e pescoço, articulações
curtas, bastante músculo e ossatura consistente. Também deve ter velocidade,
força no trote e boa resistência.
UTIUDADE
A rusticidade e agilidade do pônei Welsh o tornou útil como montaria de
crianças, cavalo "estradeiro", cavalo de tiro para exposições, pônei de corridas,
pônei de trilhas e de paradas. É também usado para lida e caçadas.
Pônei das Américas
O pônei das Américas é, como o nome indica, uma raça de pôneis que
se originou na América. O registro foi formado em 1954. Os animais originais
vieram principalmente do cruzamento do cavalo Appaloosa com opônei Welsh.
Uma alegre média em miniatura do Árabe e do Quarto-de-milha era desejada,
e foi desenvolvida com a cor do Appaloosa.
CARACTERÍSTICA
Altura: 1,17 a 1,37 m. Se um animal não se enquadra nesse padrão de tamanho
até os seis anos, está desqualificado para registro. Pôneis que não têm a coloração
Appaloosa também são desqualificados.
UTIUDADE
O pônei das Américas é um pônei de lazer polivalente, que foi criado para
'iatisfazer as necessidades de jovens cavaleiros que já cresceram muito para
os pôneis Shetland, mas não estão prontos para cavalos.
2
Considerações Básicasno
Cuidado com o Cavalo
RESPONSABILIDADE DO PROPRIETÁRIO DO CAVALO
Possuir um cavalo pode ser uma experiência maravilhosa, podendo abrir
as portas para inúmeras horas de prazer. Pode oferecer às crianças a oportu-
nidade de aprender a ter responsabilidades, de entrar no mundo da competição;
de ser introduzido à história da reprodução e de desfrutar de uma "íntima"
e afetuosa ligação com seu cavalo. Adultos também podem aproveit~ muitas
dessas experiências e descobrir um mundo completamente à parte daquele
atarefado dia-a-dia. Todos nós deveríamos achar fugas temporárias para poder-
mos apreciar melhor as coisas maravilhosas de nossas vidas - a beleza das
árvores; o céu ao entardecer.
Entretanto, com a posse de um cavalo surgem certas responsabilidades em
relação aos cuidados com o animal. Estas envolvem a obtenção de conheci-
mentos básicos sobre a natureza fiSicado cavalo. Cabe a todos os bons cavaleiros
não somente montar bem, mas também ser bom tratador. Um proprietário
de cavalo responsável tem a obrigação de fazer o seguinte:
1.Familiarizar-se com a natureza eqüina e, portanto, entender as regras básicas
de segurança tanto para O cavalo como para si mesmo.
2. Aprender termos usuais para ser capaz de "falar a língua" do mundo eqüino.
3. Entender as necessidades nutricionais eqüinas de modo a proporciqnar
um programa de alimentação adequado, baseado nas exigências individuais
do animal.
4. Fornecer bons cuidados para as patas e escovação adequada.
5. Saber quando um cavalo está bem de saúde e quando está em más condições.
(Figuras 2.1 e 2.2).
6. Obter um conhecimento sobre as doenças mais comuns, as maneiras de
preveni-Ias, primeiros socorros, e assistência.
7. 'Entender os cuidados a ferimentos e primeiros socorros adequados.
8. Estar especialmente familiarizado com o problema dos parasitas e cuidados
dentais rotineiros.
22 Considerações Gerais
Figura 2.1 -Cavalos com boa saúde têm a pelagem brilhante c::aparência robusta.
~
'1/1
Figura 2.2 - Cavalo em m~" condições: costelas à mostra, sem gordura sobre a cejnelha
ou ancas.
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 23
9. Estar familiarizado com os tipos habituais de defeitos e enfermidades, suas
causas e prevenções.
10.Ter conhecimentos dos cuidados de garanhões, éguas e potros, assim como
da fisiologia da criação, se o proprietário está envolvido nessa parte.
11.Aprender quando chamar um veterinário.
12. Seguir uma lista (como a apresentada abaixo) para bons cuidados com
o cavalo:
Proprietários deveriam fornecer:
1.Abrigo, cercas e arredores bons e seguros.
2. Um programa de alimentação bom e balanceado.
3. Água limpa em abundância.
4. Cama limpa e em grande quantidade, se o cavalo é mantido em cocheiras.
5. Celeiro, currais ou piquetes, limpos.
6. Bons cuidados com as patas.
7. Vacinas, tratamentos de verminoses e tratamento dentário de rotina.
8. Limpeza e escovação freqüentes. .
9. Atenção para não trabalhar demais ou estressar um animal sem condições.
10. Interesse sincero e compaixão pelo bem-estar do cavalo e olhos atentos
para evitar situações que possam resultar em problemas.
PRECAUÇÕES DE SEGURANÇA
Quando lidando com um cavalo, você deve estar ciente das seguintes impor-
tantes precauções de segurança:
1.Sempre avise o cavalo de sua presença, com uma voz calma, quando se
aproximar dele por detrás.
2. Trabalhe perto do cavalo. Isto fará com que seja impossível você receher
a força total de um coice. Um lugar perto da espádua (a esquerda, de
preferência), é a área mais segura para se situar quando trabalhando com
O animal. Evite trabalhar diretamente à frente ou atrás do cavalo.
3. Nunca enrole uma guia em volta de sua mão.
4. Tome cuidados extras para não assustarum garanhão.
S. Esteja bastante alerta e precavido com um cavalo em dias de ventania,
ou quando for usá-Ia depois que ele esteve confinado à cocheira ou área
limitada, por longo período de tempo.
6. Evite alimentar um cavalo com a sua mão. Isso favorece cabeçadas e mordi-
das. Dê "petiscos" em um balde.
As seguintes precauções de segurança devem ser tomadas para prevenir
que um cavalo se machuque:
1.Providencie estabulagem segura. É preferível ter uma área para abrigo com
pelo menos três paredes para que os cavalos procurem proteção do meio;
a área deve ter também pelo menos 3,65m x 3,65m para um único animal
e, duas vezes isso, ou mais, se mais de dois animais estiverem juntos. Isso
evita que o animal fique encurralado (deitado muito perto das paredes
para poder levantar-se sozinho) ou muito próximo uns dos outros, o que
pode ocasionar brigas. Evite quinas pontiagudas nos cachos e recipientes
de água. Evite também, saliências baixas, pregos e parafusos saltados, (Figura
2.3). Mantenha lixo e entulho longe do cavalo. Tenha tramelas seguras,
preferivelmente acorrentadas para manter os cavalos fora das estradas.
~ - -~ - ~ ~ -~--- ---~---~-
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~A~ ~ ~~ ::~~~.Y- ~~§,~<,:::;'~:c~~""~,,~~ '#~~:c~~4i:~~~:: ~~W ~~~* ~~~~~->.0?:Ç:<!~-,?~~ ~?~" ,
--
24 Considerações Gerais
Figura 2.3 -Feridas causadas por pregos protuberantes em um estábulo.
2. Mantenha o grão seguramente trancado e longe dos cavalos. Se tiverem
oportunidade, os cavalos comem grão demais. Quantidades de 11 Kg ou
mais, de uma só vez, podem causar indigestão aguda, cólica, e até morte.
Aguamento (laminite), que pode causar manqueira séria, pode ser uma
conseqüência.
3. Providencie cercas seguras. Elimine todas as cercas de arame farpado, se
possível. Elas acabam sendo, freqüentemente, o tipo mais caro de cerca
quando causam ferimentos sérios em um animal (Figs. 2.4 e 2.5). Uma
boa cerca de madeira é, normalmente, a mais prática, apesar de requerer
manutenção freqüente (Fig.2.6). Uma cerca feita de correntes ligadas entre
si deve ser enterrada aproximadamente 15 em, ou deixada 15 em acima
do solo para evitar que os cavalos enrosquem uma pata neles. Boas cercas
de canos são, talvez, as melhores, mas também as que exigem um investi-
mento mais significante. Mourões de aço para cercas de arame farpado
são perigosos e, se usados, devem ser encapados. É conveniente cercar
os cantos dos currais quando cavalos que costumam brigar estão juntos.
4. Sempre amarre um cavalo em objeto bem seguro. Nunca amarre um cavalo
em um mourão de aço que está somente fincado no solo, ou em um mourão
ftágil. Se o cavalo se assustar, ele pode puxar o mourão para fora do solo,
correr, e empalar-se no mourão.
5. Sempre amarre um cavalo na altura da espádua ou mais alto, não mais
de 45 cm a 60 cm de folga na corda. Se a corda estiver comprida o suficiente
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 25
Figura 2.4 . Cercas de arame farpado causam muitos ferimentos sérios aos cavalos
e, freqüentemente, tomam-se a cerca mais cara devido aos danos que causam.
para a cabeça do animal tocar o solo, ele pode facilmente enroscar uma
pata e, conseqüentemente, arranjar uma grave ferida ou queimadura de
corda (Figs. 2.7 e 2.8). Amarrar cavalos para pastar é um procedimento
bastante questionáve1. Tais animais, freqüentemente, acabam se ferindo ou
escapam e vão para as estradas. Muitos cavalos ficam apavorados quando
sentem uma corda enroscada em suas patas, embora alguns animais possam
resistir durante horas quando emaranhados em uma corda ou arame.
6.Nunca amarre um cavalo.pelo "estilo filme de cowboy", ou seja, pelas rédeas.
Se ele as puxar, o freio pode causar ferimentos em sua boca, e a rédea,
provavelmente, arrebentará. Sempre carregue com você, um cabresto e
uma guia para amarrar o animal.
7. Nunca amarre um cavalo com um laço em torno do pescoço, não importa
quão delicado ele lhe pareça. Asfixia pode causar danos ao cérebro.
8..Quando for retirar uma sela com duas barrigueiras, sempre remova, primeiro,
a barrigueira de trás. Se não for feito deste modo, o cavalo pode assustar-se
quando a sela está tirada somente pela metade e esta escorregará para
a barriga do cavalo. Isso fará com que o cavalo entre em pânico, corra,
e geralmente, se machuque (além de danificar a sela).
26 Considerações Gerais
Figura 2.5 -Arame farpado cravado em uma pata.
Figura 2.6 - Uma cerca de madeira é, freqüentemente, muito satisfatória.
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 27
Figura 2.7 - Nunca amarre um cavalo com uma corda longa de modo que ele possa
prender suaspatas na corda.
Figura 2.8 - Se um cavalo necessitar ser amarrado, é melhor passar a corda ou corrente
por dentro de uma mangueira de jardim para previnir sérias queimaduras de corda.
28 Considerações Gerais
DICAS DE TRATAMENTO
1.Escove bem o cavalo antes de montá-Io, limpando bem, especialmente,
o dorso e os pés. Isso ajuda a evitar irritação na área sob a sela e a prevenir
machucaduras por pedras nos pés.
2. Dê chance do cavalo se aquecer antes de sujeitá-Io a um galope ou corrida.
3. Quando parado para o almoço ou qualquer parada prolongada, afrouxe
a barrigueira e verifique os pés do animal novamente.
4. Traga o cavalo de volta "frio", andando a última parte do passeio. Sempre
seque o animal e "esfrie-o" antes de soltá-Io após um passeio longo ou
trabalho duro. Nunca dê grão (cereais) a um animal que esteja "quente"
ou exausto, ou permita que beba à vontade. Permita apenas que beba
pouco e periodicamente, enquanto estiver "esfriando". Grandes quantidades
de água dadas a um animal "quente" podem predispô-Io a um aguamento;
uma alimentação baseada somente em grãos pode causar indigestão séria,
uma possível inchação aguda no estômago (dilatação gástrica) e cólica,
que pode ser fatal. Feno bom e limpo é sempre seguro. Animais com o
pêlo longo que trabalham duro e suam bastante levam um longo tempo
para "esfriar". É prática comum tosar a área do corpo (os membros e
área da sela não são tosados) para possibilitar um "esfriamento"mais rápido
desses animais. Um animal tosado deve ter um bom abrigo e deve ser coberto
à noite para protegê-Io do tempo frio e resfriamentos nas madrugadas.
5. Nunca tente manter o seu equilíbrio se segurando nas rédeas. É melhor
agarrar a sela ou a crina. Esse tipo de abuso da boca do cavalo pode causar
ferimentos ou fazer com que o cavalo balance a cabeça verticalmente (esca-
becear). Puxões constantes no freio do cavalo tendem a deixá-Io "boca-
dura", e progressivamente mais dificil de guiar. Deve-se observar que os
dentes caninos (pequenos dentes pré-molares localizados logo à frente dos
primeiros molares) são uma causa comum do escabeceamento. Nem todos
os cavalos os possuem e, portanto, eles devem ser procurados por um
veterinário. Se o escabeceamento for um problema causado pelos caninos,
freqüentemente, precisarão ser removidos.
6. Reescove o animal após montá-lo, tendo novamente especial cuidado na
limpeza dos pés.
ADQUIRINDO UM CAVALO
Quando uma família decide comprar um cavalo, é muito importante que
o cavalo escolhido seja o "cavalo certo". Cavalos vivem por um longo tempo
e, fi:eqüentemente, se tornam importantes membros de uma família. Adquirir
um cavalo inadequado ou em más condições pode resultar em muitos infortú-
nios e, geralmente, em uma perda financeira significativa. A ftnl de evitar situa-
ções como essas, os procedimentos e instruções a seguir podem ser úteis.
O comprador, quando for adquirir um animal, não deve estar muitO ansioso.
Os quatro passos que se seguem devem constituir o plano geral de compra:
1. pesquise o mercado; 2. separe as possíveis possibilidades; 3. faça com que
o animal seja examinado por um veterinário; 4. efetue a compra.
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 29
o Mercado
Cavalos podem ser adquiridos em leilões, diretamente de criadores, nego-
ciantes de cavalos, ou particulares.
Leilões são geralmente excelentes fontes de compra de animais de qualidade.
Para garantir a saúde desses cavalos, amaioria dos grandes leilões têm seus
animais examinados por um veterinário, antes das vendas. Por outro lado,
leilões abertos de cavalos e leilões de planteI são lugares arriscados para se
. adquirir um cavalo. É através desses leilões que muitos indivíduos e negociantes
"se livram" de seus refugos e animais em más condições. Como a lei diz:
"Caveat emptor" (Compradores cuidado!), o comprador, normalmente; não
pode dispor de recursos, caso o cavalo adquirido esteja enfermo.
Criadores são uma boa fonte para a compra de um tipo específico de cavalo.
É interessante tomar-se familiarizado com as diferentes raças de cavalos e
suas inúmeras qualidades. Na Biblioteca Pública, provavelmente, encontram-se
livros que abordam o assunto, e contêm os endereços das associações nacionais
de criadores das diferentes raças. Através dessas associações, é possível obter
os endereços dos criadores locais. Lojas de alimentos e de -ferragens podem
também fornecer informações desse tipo.
Negociantes de cavalos podem ser também uma boa fonte de compra, porém,
o interessado deve fazer muitas indagações a respeito da reputação do nego-
ciante antes de tratar algo com ele.
Particulares são as fontes mais corimns de aquisição de cavalos de lazer.
Muitos cavalos são anunciados nos jornais locais, em revistas sobre cavalos,
nos quadros de avisos de lojas de alimentos e selarias. Outras dicas podem
ser obtidas nos hipódromos locais, haras, hípicas e com treinadores.
Estudando as Possibilidades
Há duas coisas importantes a considerar quando se escolhe um cavalo: preço
e conveniência.
PREço
O animal está na tàixa de preço correta? Como na maioria das aquisições,
o comprador adquire algo de acordo com a quantia paga. O valor exato de
um cavalo geralmente é dificil de determinar; como diz o ditado: "Um cavalo
vale quanto se deseja pagar por ele." As seguintes generalidades podem dar
uma ampla visão dos preços de cavalos.: o cavalo de sela comum está atualmente
sendo vendido entre 500 e 1 000 dólares. Quando um cavalo é vendido por
250 dólares ou menos, geralmente existe uma razão para isso. Cavalos regis-
trados e aqueles com beleza excepcional ou treinamento têm seus preços
variados entre 1 500 e 5 000 dólares, ou até mais. A faixa de preço habitual
.N. do T. - Nos Estados Unidos 1985.
30 Considerações Gerais
para um bom cavalo tipo inglês está entre 1 500 e 10 000 dólares. Tradicio-
nalmente, Puros-Sangues Ingleses e Árabes possuem preços altos. Alguns cavalos,
em particular, já foram vendidos por mais de 1 milhão de dólares.
CONVENIÊNCIA
É esse o cavalo que você deseja possuir? Para chegar a uma decisão é neces-
sário considerar: aparência e tipo; temperamento; treinamento; idade e saúde.
Aparência. o animal lhe agrada? Ele é do tipo no qual você está
interessado? Embora beleza não seja um requisito para um bom cavalo de
lazer ou de competição, pode ser uma importante característica de um cavalo
de exposição. Sevocê está escolhendo um cavalo para criação ou para exposição,
é aconselhável que se torne familiarizado com os padrões de criação e exposição
no que diz respeito a tipo e conformação.
Em geral, animais do tipo Quarto-de-Milha são mais usados para equitação
estilo western. Cavalos do tipo Puro-sangue Inglês são geralmente usados para
equitação estilo inglês, caçadas, salto e adestramento. Muitos animais podem
ser usados para qualquer estilo de equitação. O tamanho do animal também
pode afetar sua apropriabilidade. É sempre desaconselhável adquirir um animal
de pequeno porte para certos cavaleiros. Pequenos pôneis, bem mansos, podem
ser muito apropriados para pequenos cavaleiros, mas é freqüentementt neces-
sária a supervisão de um adulto para lembrar esses pequenos cavaleiros de
suas responsabilidades.
TemperafDento. Talvez esta seja a mais importante característica a
ser considerada, depoís da saúde do animal. Não importa quão bonito ou saudá-
velo cavalo seja, se ele é arisco, possui vícios e é imprevisível, não vale
a pena tê-Io como animal de lazer. Isso é especialmente válido para o jovem
ou inexperiente cavaleiro. Nunca é demais enfatizar a importância de se obter
um cavalo manso, com bons hábitos para o cavaleiro novato. Se uma criança
sentir medo em suas primeiras experiências de montaria, ela pode perder comple-
tamente o interesse, os muitos anos de prazer e a sensação de conquista,
conhecidos por um bom cavaleiro. Infelizmente, é quase impossível mudar
o temperamento de um cavalo, embora seja verdade que um cavalo nervoso
possa ter um bom desempenho se tiver desenvolvido confiança e segurança
em seu dono.
Aseguir estão alguns testes de temperamento que podem fornecer um critério
para um determinado animal:
Desmontado
1.O cavalo é dificil de ser pego?
2. Ele aparenta ficar nervoso quando alguém se aproxima?
3. Ele resfolega ou tenta empinar quando alguém anda à sua volta?
4. Ele resiste em ter suas patas erguidas - dianteiras ou traseiras?
5. Ele murcha as orelhas ou mostra algum desejo de morder ou escoicear?
Montado (É aconselhável que um cavaleiro experiente o monte para checagem)
1. O animal se mantém calmo, ou tenta empinar?
2. Você sente que ele está sob controle, tanto no curral como em espaço
aberto?
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 31
3. Ele se intimida facilmente? (Dias de ventania fazem com que os cavalos
fiquem nervosos).
4. Como o animal responde aos comandos de rédeas e ajudas?
Trein31llento. É sempre desaconselhável adquirir um cavalo chucro para
um cavaleiro inexperiente e "deixar que eles aprendam juntos". Isso geralmente
resulta no desencorajamento do novato, além de também poder resultar em
acidente se o tal cavalo é, além disso, fogoso. O animal deve ter treinamento
básico e deve responder ao freio.
O treinamento pode ser feito por um cavaleiro inexperiente com a ajuda
de um bom livro-texto. Isso pode ser bem divertido, mas é importante que
a natureza do cavalo seja entendida. Um cavalo precisa entender claramente
o que se espera dele para que seja capaz de fazê-Io. Um cavalo bem treinado
é o resultado de muita paciência, além de ser também um verdadeiro prazer
em se possuir.
Muitos cavalos necessitam de um treinador profissional. Resultados impressio-
nantes podem ser conseguidos por um bom treinador; mas, infelizmente, um
mau temperamento não pode ser eliminado de um dado animal através do
treinamento.
Idade. A idade de um cavalo não precisa ser o maior fator limitante na
hora da compra, a menos que se pretenda algo muito especial do animal.
As seguintes observações são generalidades referentes à idade dos eqüinos.
A expectativa de vida média para cavalos está entre 2S e 30 anos, embora
alguns tenham vivido por mais de 3S anos. Um ano da vida de um cavalo
equivale a cerca de 3 anos de vida de um ser humano. Por razões não compreen-
didas, problemas geriátricos não são comuns. Muitos cavalos continuam a agir
como jovens até seus últimos dias, enquanto que outros realmente mostram
sinais de velhice. Doenças crônicas são relativamente raras, exceto artrite.
CAVALO E SEUS USOS EM DIFERENTESIDADES. 1 semana a 18 meses. Neste
ponto, primeiros contatos, colocação do cabresto e treinamento são muitos'
benéficos. Estudos feitos em cachorros e seres humanos têm indicado que a
personalidade básica e segurança são estabecidas nas primeiras 6 semanas de
vida. Se o potro desenvolve um senso prematuro de segurança com o homem,
ele, mais tarde se mostrará mais fácil de tratar e mais confiável. Como os
potros geralmente pegam as atitudes da égua em relação ao homem, pode,
ser bom separar, logo cedo, Opotro de uma égua nervosa e com mau tempera-
mento; entretanto, as evidências indicam que mau temperamento é geralmente,
herdado. A maioria dos potros é castrado entre 8 e 18 meses, mas isso pode
ser feito mais tarde se o potro não for muito rebelde.
18 meses a 3 anos. o treinamento básico é dado nessa idade. Se o
animal é bem desenvolvido, muito desse treinamento pode ser feito na sela.
Corridas de animais de 2 anos são uma prática comum, mas devido à sua imaturi-dade, 60% desses cavalos'não resistem à pista. É muito importante não apressar
esses jovens animais com trabalhos pesados. Geralmente é melhor esperar
até que os animais completem 3 anos de idade antes de serem usados para
reprodução. Um bom programa de alimentação e limpeza garante um bom
retorno, particularmente nessa,faixa etária.
32 Considerações Gerais
3 a 5 anos. Cavalos geralmente chegam ao seu tamanho adulto aos
4 anos de idade, porém, alguns de seus ossos não se fundem (discos epifisiais
fechados) até que eles tenham aproximadamente 7 anos. Deste modo, não
é aconselhável saltar com esses jovens animais, embora eles possam ser usados
quase que livremente como cavalos de lazer. Poucos cavalos de corrida compe-
tem depois que passam essa faixa etária.
6 a 12 anos. Cavalos nessa idade estão no seu apogeu e podem, com
treinamento e condicionamento adequados,ser usadospara qualquer atividade
eqüina normal.
12 a 20 anos. Como os problemas de velhice são relativamente incomuns,
cavalos nessa faixa etária raramente estão limitados em suas atividades normais.
Deve ser salientado e enfatizado que os cavalos não estão "acabados" e prontos
para a fábrica de cola. aos 15 anos. É uma regra e não uma exceção que esses
animais têm 10 anos ou mais de serviços para dar.
20 a 25 anos. Esses animais são freqüentem ente muito úteis como monta-
rias para crianças e não estão necessariamente limitados em sua utilização,
devido à sua idade. Eles freqüentemente amadureceram à maneira dos homens
e são muito confiáveis. Infelizmente nem sempre é esse o caso. Um cavalo
bom e confiável pode fazer maravilhas no desenvolvimento da confiança de
um cavaleiro jovem. Não é incomum para um cavalo desta idade ainda estar
ganhando prêmios.
25 a 30 anos. Apesar de ser verdade que muitos cavalos agem como
se tivessem 10 anos de idade até seus últimos dias, deve-se notar que problemas
dentários, digestivos, tumores e artrites não são incomuns nessa faixa etária."
Apesar deles continuarem mantendo uma atitude jovem, é mais sábio mostrar
respeito pelos animais idosos. Esses animais normalmente necessitam de cuida-
dos adicionais e não devem ser apenas "soltos no pasto" para morrerem. Muito
freqüentemente isso significa 40 acres de terra para eles se virarem como
puderem. Isso é cruel e desumano, e deve-se providenciar para que suas necessi-
dades (alimento mais facilmente digerível, proteção, cuidados dentários, etc.)
sejam satisfeitas. Apesar desses cavalos freqüentemente serem "boasmontarias
para crianças a experiência emocional de se perder esse animal de estimação
num futuro não muito distante deve ser levada em consideração.
Exame Veterinário
Após ter encontrado um animal que pareça conveniente sob todos os aspectos,
é aconselhável que um veterinário o examine e avalie seu estado geral. O
cavalo é examinado quanto à sua saúde geral e condições do coração, pulmões,
olhos e membros. Os defeitos são notados, se houver algum, e o animal é
examinado em busca de qualquer sinal de manqueira. Aidade do cavalo também
é determinada. Apartir de seus achados e sua experiência e, notando o tempera-
.N. do T. -Para o matadouro
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 33
mento do animal, o veterinário dará uma opinião profissional sobre as condições,
estado de saúde e conveniência do animal para quem intenciona montá-Io ou
para o uso que se pretende dar ao cavalo. O uso de radiografias, num exame
anterior à compra, é de muito valor se se pretende usar o animal extensivamente
para salto. Pode ser possível detectar os primeiros sintomas de artrite que,
de outra forma, não seriam aparentes. Os achados clínicos, por ocasião do
exame, dão a melhor indicação do estado de saúde e condições que o animal
apresenta.
Exames veterinários anteriores à compra são um procedimento comum e
aceito por todos que estão ligados aos cavalos. Eles não são um sinal de descon-
fiança entre o comprador e o vendedor. A maior parte dos vendedores encoraja
esse exame porque ele decide a questão da aptidão do animal no momento
da venda. É sábio acautelar-se no caso de haver pressão para uma venda rápida,
sem tempo para um exame. Se o vendedor é de boa fé e quer apressar a
venda, ele aceitará um cheque de boa qualidade endossado: "Por
animal, com a condição de ser considerado apto por um exame veterinário."
Regra geral: é melhor realizar o exame na propriedade do vendedor, antes
do animal ser transportado. Isso eliminará qualquer dúvida sobre o estado
do animal antes de ter sido transportado. Deve-se observar que o exame veteri-
nário é um serviço contratado pelo comprador potencial, portanto, ele deve
contratar o veterinário diretamente, assim como pagar o serviço. Esse serviço
pode ser imprescindível para evitar muita tristeza, desapontamento e prejuízo
financeiro. Esteja sempre bem aconselhado e não muito ansioso antes de efetuar
uma compra. Cavalos vivem por longo tempo, portanto, faça uma boa e cuida-
dosa escolha.
Efetue a Compra
Quando finalmente, for decidido que um dado animal é "o cavalo certo",
a compra deve ser concluída de um modo metódico e eficiente, sem deixar
mal-entendidos. Pelo preço comQinado, quando todo pago, o comprador deve
receber uma nota de venda (ou recibo) onde conste o nome do comprador,
uma descrição do animal e os termos da compra (preço ); esta deve ser assinada
pelo vendedor. Se o animal for comprado em pagamentos parcelados, os termos
do acordo devem ser redigidos e assinados por ambas as partes; o comprador
e o vendedor devem ter uma cópia. Se o cavalo for registrado, e o preço
baseado nesse registro, esses papéis devem ser transferidos no momento que
Oanimal for completamente pago. Seos papéis não se encontram imediatamente
disponíveis, é aconselhável segurar parte do pagamento até que eles se achem
disponiveis. A validade e o valor dos papéis de registro devem ser determinados
antes de se pagar um preço alto pelo animal.
Seguro de Saúde Eqüina *
A maioria das apólices de seguros são escritas para proteger o investimento
do proprietário em caso de morte por qualquer causa não excluída na apólice.
.N. do T.. No Brasil, costuma-se Jazer uso somente do seguro de vida.
34 Considerações Gerais
Elas também admitem destruição voluntária por razões humanas (sacrifícios).
Essas apólices são, na verdade seguros de vida para animais valiosos. É pena
que a maioria das apólices é escrita de maneira que, no caso de um ferimento
sério, o animal precisa ser sacrificado para o proprietário receber o prêmio
do seguro. Elas não providenciam compensação por uma redução no valor
do animal no caso do animal receber tratamento e se recuperar, mas não
voltar à sua condição de uso original.
Existe um seguro cirúrgico disponível para cobrir casos em que o cavalo
precise de uma grande cirurgia de emergência (por exemplo: para uma cólica).
Como cirurgias abdominais bem-sucedidas, apesar de caras, são comuns hoje
em dia, esse tipo de apólice deve ser seriamente considerada para valiosos
puros-sangues ou animais de competição, assim como para montarias de estima-
ção. Apesar dos seguros de saúde eqüina que cobrem tratamento de doenças
terem estado disponíveis há algum tempo, o autor não sabe se ainda o estão,
nem quão práticas essas apólices são.
O melhor seguro de saúde eqüino que um proprietário de cavalo pode
obter, na opinião do .autor, é uma boa relação pessoal com o veterinário de
eqüinos local. Os proprietários devem chamar o veterinário para serviços de
rotina como vacinação, cuidados dentários e controle parasitário. Isso permite
que o veterinário se familiarize com o(s) seu(s) cavalo(s) e que o proprietário
saiba como melhor localizar o veterinário em uma emergência. Esse conheci-
mento ajuda o veterinário a prestar serviço de emergência mais eficiente,
o que pode ser a diferença entre uma recuperação sem surpresas e uma tragédia.
Fazer esse esforço para conhecer seu veterinário de eqüinos local é o mais
barato seguro de saúde eqüina para o proprietário.
DETERMINANDO A IDADE DE UM CAVALO
Os dentes do cavalo (Fig. 2.9)crescem continuamente por toda a sua vida
e se desgastam de forma característica. Por causa disto, seus dentes da frente
( incisivos) são calendários sempre disponíveis que atestam a idade do animal.
Com experiência e prática, é possível determinar a idade do cavalo até os
30 anos, com erro de um ou dois anos. Felizmente, as mudanças ocorrem
de uma maneira fácil de memorizar e que pode ser aprendida sem muita
dificuldade.
A técnica de se conhecer a idade de um cavalo é baseada em três grupos
de mudanças, dentárias: 1. erupção (nascimento) dos incisivos definítivos, 2.
desaparecimento da cavidade dentária externa (ou arrasamento), 3. o desenvol-
vimento e desaparição do sulco de Galvayne.
Erupção dos Incisivos Definitivos
Existem três pares de incisivos inferiores e superiores. Eles são chamados
de centrais, médios e cantos ou extremos, da linha média para fora. Os incisivos
de leite, que possuem uma base estreita na linha da gengiva e são branco-pérola
(Fig. 2.10), são substituídos pelos incisivos definitivos (Fig. 2.11), que são
maiores, mais escuros e possuem base mais larga, na seguinte ordem:
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 35
Figura 2.9 - Pontas afiadas podem cortar a língua ou as bochechas.
Figura 2.10 - Dentes incisivos de leite são branco-pérola e menores que os incisivos
definitivos.
36 Considerações Gerais
Irrupção (nascimento )dos Incisivos Definitivos
Pinças
.. I Médias: ri Cantos[
\ /-3] 1:.' r\ . .\ . r-i. (Extremos)I /2,5 \ 3,5 \! 4,5\
j l \'.l:anos j! .anos \ i anos \-- - L-JLJ
O[J~-J!\g}\~9
Arrasamento
r'\ ('-\ (-~\!{~-\~ !~~_Jl.__Jc_,J; :o~J~:.J (::~J
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I
I
MAXILAR SUPERIOR
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l 8 anos I
/MAXILAR INFERIOR\.
3 anos
DEFINITIVOS
Base larga
Amarelados
EXEMPLOS DE DESGASTE
~ 1:C~O'.' " . ~-'- .., '."'.'/J.."; .:",.. /, Nenhum~ -- desgaste
\ -, dosincisivos
.. doscantos
ih.2~, Ib ',- _..' . mostrando
contato
e desgaste
Esquema 2.1 -Determinando a idade dos cavalos, (Desenhos de )eannine Quilid)
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo
4 ANOS
/
Dentes de leite Definitivos
12 anos
Maxilar Inferior
todos os dentes liSOS,/
12 anos
Sulco de Galvayne
~~
""'"
"""
" ' ~
,Pc:' mkrlM
7 anos /\ arrasamento das /pinçase médios(
37
Maxilar Superior
10 anos
arrasamento das
~pinças e médios "li
Sulco de Galvayne
Começa aos 10 anos
Ocupa meio dente
aos 15 anos
Toda a extensão
aos 20 anos
Começa a desaparecer
a partir da linha
da gengiva aos 20 anos
Metade se foi aos 25 anos
Completamente ausente
aos 30 anos
38 Considerações Gerais
Mudanças de Confonnação na Mesa Oentária dos Incisivos Inferiores
v~ --'ro_~~16mm
Incisivos médios triangulares aos 17 anos
Incisivos dos cantos triangulares aos 18 anos
I
I
I
í~\( \
~
J- \ 16-1, \ 1;-l\,ls'\ ' \ I I. . '\ ) \ ) \ , \anos "Jlanos! i.an, "'i'
"- "-/ '-- I \.__J <J \ .J
I
2 anos e meio centrais (superiores e inferiores)
3 anos e meio médios (superiores e inferiores)
4 anose meio , cantos (superiores e inferiores)
5 anos " caninos (apenas nes machos) .
Desaparecimento da Cavidade Dentária Externa
A mesa dentária (Arrasamento) superficie mastigadora dos incisivos mostra
cavidades dentárias externas (buracos negros) até se desgastarem, nivelando-se
.N.do T. . Algumas éguas também possuem caninos, mas geralmente, de tamanho
menor ou vestigiais.
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 39
Figura 2.11 -Esse cavalo tem quatro anos de idade. Os incisivos dos cantos ainda
não nasceram;issoacontece somente aos quatros anos e meio.
(Fig. 2.12). Muito convenientemente essas cavidades desaparecem, de maneira
ordenada, como se segue: .
6 anos centrais inferiores
7 anos médios inferiores
8 anos cantos inferiores
9 anos """"""""""'-""""""""""""""""" centrais superiores
10 anos médios superiores
11 anos """""""""""" cantos superiores
Desta forma, um animal de 11 anos tem a boca toda nivelada.
Sulco de Galvayne
É um sulco que ocorre somente nos incisivos dos cantos superiores. Aparece
primeiramente na linha da gengiva, aos 10 anos de idade. Parece, então, descer
4() Considerações Gerais
í
'" ... ~
'~
Figura 2.12 . Cavidade dentária externa ainda presente nos centrais; o cavalo tem,
portanto, seis anos.
pelo dente conforme esse se desgasta. Aos 20 anos, o sulco de Galvayne se
estende por todo o comprimento do dente. Quando está a meio caminho,
o animal tem 15 anos, e a partir daí pode-se julgar as variações oAos 20 anos,
o sulco começa a desaparecer na linha da gengiva e some completamente
aos 300Quando apenas a metade inferior do dente apresenta o sulco, o animal
tem 25 anos (Fig. 2.13)0 Portanto, as variações no comprimento do sulco'
que resta indicam a idade do animaloDeve-se notar que pode haver, ocasional-
mente, uma pequena diferença no comprimento do sulco do lado direito da
boca, para o esquerdoo Umaidade intermediária será a melhor estimativao
Um animal de 2 anos pode ser distinguido de 1 ano pelo desgaste mostrado
nos incisivosde leite dos cantoso Nos animaisde 1 ano esses dentes superiores
e inferiores ainda não se encontraramo
A mesa dentária dos incisivos inferiores toma a forma triangular nas seguintes
idades (Figo2014)0
16 anos """"""0""'0""0""""""'0..0"""00""000""""00"'0""""""""0'0""'0'"centrais triangulares
17 anos ..0 0..000...000..0000 000000..0"...00..00 00'0000..0..'0000'0...00000'0000""0..00' médios triangulares
18 anos ""'0..0'0..0"00"'00000"00..0""'0000""0000"""'00 0...0"0""""""""'0.. cantos triangulares
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 41
Figura 2.13 -Sulco de Galvayne presente em quase toda a extensão do incisivo superior
do canto, portanto, o cavalo tem aproximadamentedezenove anos.
..
Figura 2.14 - Todos os incisivosinferiores têm forma triangular,portanto, o cavalo
tem dewito anos ou mais.
42 Considerações Gerais
Figura 2.15 - Um cavalo incomum que possui as cavidades dentárias externas dos
sete anos,maso Sulcode Galvaynedos doze anos.O sulco é maispreciso.
"" '"
.. --..
Figura 2.16 - Proruberâncias ósseas na mandíbula, associadas com o nascimento dos
dentes definitivos.
Considerações Básicas no Cuidado com o Cavalo 43
Mais de 90% dos cavalos mostram de forma consistente essas mudanças
dentárias gerais. A variação mais comum é a retenção das cavidades dentárias
externas, que parece depender da alimentação recebida. Um animal em parti-
cular pode mostrar as cavidades dos 8 anos de idade, mas ter um sulco de
Galvayne que indica uma idade de 14 anos. Mudanças no sulco parecem mais
consistentes, mas uma estimativa mais complexa, levando em conta todas as
mudanças dentárias (Figs. 2.15 e 2.16), pode ser necessária.
3
Enfermi dad es
Um cavalo é considerado saudável quando não apresenta nenhum problema
que interfira com o uso a que se destina. Uma condição anormal que interfira
com a capacidade de trabalho do animal é chamada de enfermidade. Deve-se
ressaltar que o estado saudável não é constante. Muitos ferimentos podem causar
enfermidades temporárias que podem ser apenas preocupações menores. Por
outro lado, muitos problemas podem deixar o animal permanentemente incapaz
para certos tipos de uso. O veterinário é quem pode melhor avaliar a gravidade
e o prognóstico dos diferentes tipos de enfermidades. Como uma regra geral,
é sempre mau negócio adquirir um cavalo enfermo, mesmo que a doença
possa aparecer temporária. Muito freqüentemente uma condição que parece
temporária pode ser séria ou mascarar um problema mais grave.
Apesar de muitos ferimentos resultarem em defeitos que não interferem
com o uso do cavalo, certos vícios, ou maus hábitos, podem definitivamente
tornar o animal indesejável, perigoso, e possuí-Io não proporcionará nenhum
prazer. Esses vícios são tão importantes quanto ao estado fisico do cavalo,
se o proprietário quiser ter alguma satisfação com ele.
MAN QUEIRA
Manqueira é a maior causa daincapacidade do cavalo. O velho ditado, "sem
patas, sem cavalo", é tão verdadeiro hoje como sempre foi. A manqueira é
uma perda da andadura normal càusada por uma doença ou ferimento. É o
sintoma de um problema. Apesar da dor ser a causa de 90% dos sinais de
manqueira, algumas modificações anatômicas que não causam dor podem resul-
tar em uma "manqueira mecânica". Essa condição não é fisicamente atlitiva
para o animal. A manqueira dolorosa é mais pronunciada após um exercício,
seja imediatamente ou no dia seguinte. Devido à maioria das manqueiras serem
resultado de dor, é dificil justificar o uso de um cavalo manco para o trabalho
Enfermidades 45
ou lazer. Freqüentemente, isso é feito porque o cavalo não emite nenhum
som para indicar a dor que sofre.
Os sintomas da manqueira variam conforme a severidade da natureza do
problema. Mancar é o sintoma da manqueira, e uma afirmação do tipo: "Ele
só está mancando um pouco; não é realmente manco", é contraditória. O
trote é o melhor passo para se detectar uma manqueira. Ele causa uma concussão
maior nas pernas. Trotar o cavalo num círculo relativamente pequeno (9 a
12 m de diâmetro) auxilia bastante a detecção de uma manqueira e a identi-
ficação de que a pata ou a perna está afetada. O membro afetado normalmente
vai dar um passo mais curto acompanhando por um esforço rápido de retirar
O peso da pata. O balanço da cabeça é sintoma de manqueira em um membro
dianteiro ( a cabeça sobe no momento em que a pata manca atinge o solo),
e um abaixamento da anca é um sintoma de manqueira em um membro traseiro.
Apontar é a ação de um animal, quando parado, estender um membro dian-
teiro à frente do outro, o que indica que o mesmo é doloroso para ele (Fig.
3.1). Apesar de ser normal o cavalo alternar o apoio dos membros traseiros,
essa ação dos dianteiros é anormal e indica um problema.
O enrijecimento dos membros dianteiros torna-se evidente quando o cavalo
mostra relutância em se mover livremente quando trotado. Se ambos os mem-
bros dianteiros estiverem muito doloridos, o cavalo vai, freqüentemente, ficar
com os membros traseiros bem sob o corpo e os dianteiros tão para frente
quanto possível. Isso é bem característico nos animais com laminite (agua-
mento). O enrijecimento nos cavalos mais velhos é devido, freqüentemente,
à artrite. Existem somente dois problemas comuns que causam manqueira
nos dois membros anteriores ao mesmo tempo: doença do navicular e laminite.
Apontar é mais observado na doença do navicular, e o doloroso andar "pisando
Figura 3.1 - Um cavalo "apontado".
46 Considerações Gerais
em ovos" é normalmente característico de laminite. Um pulso digital muito
forte em ambas as patas dianteiras é encontrado na laminite, mas não na doença
do navicular. O pulso digital é sentido logo abaixo da articulação do machinho,
profundamente nos sulcos entre os ossos na quartela e os tendões tlexores
que se localizam atrás da quartela. O pulso é sentido pressionando-se firmemente
os sulcos internos e externos usando o polegar e o dedo médio de uma mão,
ao mesmo tempo. Normalmente, o pulso digital é quase imperceptível. Qualquer
inflamação aguda no casco causa um pulso digital muito forte. Quando um
pulso forte é encontrado em ambas as patas, o cavalo, muito provavelmente,
tem laminite. Sesomente uma pata tem pulso forte acompanhado por manqueira
na mesma pata, a manqueira pode ser atribuída à uma inflamação naquele
casco. Picadas de cravos, infecção local, feridas profundas ou machucaduras
causadas por pedras são causas comuns de uma pata com o pulso digital forte
e unilateral (somente uma pata dianteira). Deve-se ter em mente que 80%
das manqueiras se originam no casco, apesar de aparentarem, para o cavaleiro
inexperiente, originarem-se na espádua. Manqueira da espádua é muito rara.
Causas da Manqueira
As causas da manqueira são várias. Apesar de muitas manqueiras serem resul-
tados de ferimentos acidentais, existem muitos fatores que predispõe um cavalo
à manqueira. Esses fatores incluem os seguintes: imaturidade para trabalhos
pesados (por exemplo: correr animais de 2 anos de idade), falhade conformação,
condição geral ou condicionamento ruins, nutrição deficiente ou mal balan.
ceada, fadiga, Cerraçãoinadequada, falta de atenção dispensada às patas e infec-
ções locais nos membros.
É interessante notar que 60% dos animais que correm com 2 anos de idade
não resistem. Esses animais jovens não têm nem 50/50 de chance de sobrevi-
verem aos rigores dos estresses e esforços de correr - tudo para a glória
e o bolso de seu proprietário. Existem muitas evidências que se a corrida
pudesse ser adiada até os cavalos completarem 30 meses de idade, a maioria
dessas perdas poderia ser eliminada.
No cavalo de lazer as causas imediatas mais comuns da manqueira incluem
machucaduras causadas por pedras, ferimentos de cravo nos cascos, outros
ferimentos nos cascos e membros, torções, doença do navicular, tendinite
(causada por estiramento dos tendões), laminite, patas sensíveis por terem
os cascos aparados demais e infecções. Causas menos freqüentes, mas não
tão incomuns, incluem sobre osso, tendões arqueados, afecções da patela e
fraturas.
Cavalos de corrida são mais comumente afetados por problemas tais como:
sólas contundidas, tendinites, canelas proeminentes, exostoses, carpites (com
ou sem fragmentos de osso), fratura do osso sesamóide no machinho e outras
fraturas.
MACHUCADURAS POR PEDRAS
Uma contusão causada por pedras na sola do casco é uma das causas mais
comuns da manqueira nos cavalos de lazer. Correr com o cavalo pelos cantos
Enfennidades 47
das estradas asfaltadas, de cascalho ou sobre terreno pedregoso, predispõe
o animal a esse problema. A manqueira vai, quase sempre ter um começo
súbito. O grau da manque ira vai variar de acordo com a severidade da contusão.
Um puJsodigital fOrte,juntamente com uma área sensível detectada com uma pinça
de cascos são sintomas característicos. Normalmente, não há inchaço no mem-
bro. O tratamento de primeiros socorros de mergulhar a pata em um balde
de água gelada ou colocar o cavalo parado na lama, é indicado. A possibilidade
de perfuração no casco ou ferimento mais profundo deve ser eliminada antes
de se usar o tratamento da lama. A água gelada é segura em todos os casos.
O uso da aspirina na alimentação de grãos também ajuda a diminuir a inflamação
local (50% no grão, duas vezes ao dia). É aconselhável, especialmente se a
manqueira é grave, que um veterinário faça o diagnóstico apropriado de modo
que um programa de tratamento específico e efetivo possa ser iniciado. O
uso de drogas anti-intlamatórias é muito útil no tratamento de contusões por
pedras. O seu uso pode encurtar bastante o período de recuperação e resultar
em um dano menor à pata.
FERIMENTOS PERFURANTES NO CASCO
A seriedade desse problema pode variar muito, dependendo das estruturas
específicas afetadas no casco, do grau do dano e da presença de infecção.
Sintomas. Manqueira aguda quase sempre acompanha uma perfuração
no casco, se o ferimento for na parte sensível do casco. Um pulso digital
posterior marcante vai estar presente. Freqüentemente, o prego ou outro objeto
está presente quando a pata é examinada. Do contrário, pode-se, normalmente,
encontrar a entrada da perfuração, ou rachadura da ranilha, cortando-se o
casco até uma sola limpa com uma faca de cascos, e procurando-se um buraco
preto para ser seguido. Uma pinça de cascos é, freqüentemente, útil para indicar
com precisão um local sensível. Se a perfuração for na parte mole da ranilha,
na maioria das vezes não vai se encontrar o buraco, poís, os buracos da .ranilha
tendem a se fechar rapidamente, como um furo de prego em um pneu. Se
o ferimento for antigo, e uma infecção se instalou no casco, uma descarga
preta e purulenta será alcançada se o furo for seguido até a infecção interior
sob a sola, e aberto para permitir uma drenagem.
Procedimento. Um cavalo com uma ferida perfurante deve receber
proteção antitetânica. Antibióticos devem ser ministrados para prevenir ou
combater uminfecção. Se um prego ou outro objeto for removido, o local
pode ser tratado com ungüento ~tibiótico. Kopertox. ou tintura de iodo.
Essa é uma das poucas situações na qual se pode usar um curativo tipo adstrin-
gente em uma ferida profunda. O uso de aspirina é recomendado para minimizar
a inflamação e a dor. Se o estado piorar ou não apresentar m~lhora nas 24
a 48 horas após o início do tratamento, então, mergulhar a pata em uma
salmoura quente, pode ser necessário para auxiliar o estabelecimento de uma
.N.do T. -Medicamento americano.
48 Considerações Gerais
drenagem da infecção. O autor prefere não abrir a sola se não for realmente
necessário, pois, a sola leva algum tempo para crescer novamente. Infecções
persistentes devem ser tratadas diligentimente com grandes doses de antibióticos.
BROCA
Diz-se que um cavalo tem "broca" quando uma infecção se instalou, vinda
da sola, na junção da mesma com a parede do casco. Isso resulta em uma
manqueira grave. É uma das causas comuns da manqueira. O tratamento é
dirigido para a tentativa de estabelecer uma drenagem, o uso de antibióticos
e uma proteção antitetânica. Um abscesso localizado sob a sola pode ser mecani-
camente drenado, cortando-se até a área afetada com uma faca de cascos.
Adrenagem désse abscesso é caracteristicamente escura, e a abertura do mesmo
dá um alívio imediato na pressão interna, melhorando essa condição muito
dolorosa. Ocasionalmente, a infecção pode subir e drenar pela coroa do casco.
O problema pode ser inicialmente diagnosticado notando-se uma manqueira
aguda na parte afetada, um pulso digital forte, dor intensa ao se usar a pinça
de cascos sobre a área afetada e uma pequena rachadura preta que, nota-se,
continua para o interior do casco quando a área é cortada com uma faca
de cascos. Na maioria das vezes, há uma recuperação completa após o problema
ter recebido o tratamento, o qual é necessário para limitar a infecção.
DOENÇA DO NAVICULAR
A doença do navicular é uma causa comum da manqueira nos eqüinos.
Essa condição pode afetar ambas as patas dianteiras, ao mesmo tempo. Começa
como uma bursite do tecido macio na bolsa navicular, localizada profundamente
no casco sob a ranilha. Com o tempo se desenvolve para uma artrite degene-
rativa. Até mesmo cavalos jovens, de 4 anos, podem ser afetados, mas a moléstia
é mais comum em cavalos com mais de 7 anos de idade.
A causa exata é desconhecida, mas discutç:~e continuamente os fatores possí-
veis: superficies muito duras; quartelas de conformação muito vertical, o que
pode ser hereditário; e aparação dos cascos ou calçamento inadequados, o
que não permite pressão normal na ranilha e, dessa forma, uma circulação
normal. Uma circulação normal é necessária para manter uma boa elasticidade
do casco que, por sua vez, é necessária para uma boa absorção de choques
pelo mesmo. Sem essa absorção, a ranilha e estruturas profundas sob a mesma
recebem solavancos contínuos quando o animal é trabalhado. Isso pode ser
especialmente importante para cavalos de salto.
Sintomas. A maioria dos cavalos com doença do navicular apresenta
um comportamento característico antes de uma manque ira persistente se insta-
lar. O começo é traiçoeiro, ou seja, a doença progride lentamente e não é
caracterizada por uma manqueira repentina. Os proprietários podem notar,
primeiro, que o animal tropeça sem motivo aparente, ou pode parecer enrije-
cer-se nas descidas. Isso pode desaparecer por um tempo, mas freqüentemente,
reaparece. O animal pode, então, ficar manco por períodos curtos e depois
Enfennidades 49
recuperar-se. Podem se passar semanas antes de qualquer outro sintoma ser
notado. Essa manque ira inicial pode aparecer como um enrijecimento das
patas dianteiras ou como uma manqueira propriamente dita, em uma pata.
A manqueira pode, ocasionalmente, mudar de uma pata para outra. Com o
tempo, talvez meses, a manqueira progride até o animal se apresentar manco
o tempo todo. Nos estágios iniciais, o exercício pode fazer com que o animal
se aqueça, eleminando a manque ira, mas o animal normalmente está mais
enrijecido no dia seguinte.
Diagnóstico. Devido à doença afetar inicialmente os tecidos moles, as
radiografias são inúteis nos casos iniciais, mas são úteis para confirmar o diagnós-
tico nos casos crônicos.
A maneira mais eficiente de diagnosticar a doença do navicular é usar um
anestésico local injetado sobre os nervos que vão para a área do navicular.
Esse método é chamado pelos veterinários. de diagnóstico por bloqueio bilateral
no nervo digital posterior. Isso bloqueia somente os sentidos do terço posterior
da pata, eliminando qualquer dor proviniente da área do navicular. O bloqueio
. nervoso é feito nas duas patas dianteiras. Se a manque ira parece muito evidente
.em somente uma pata, o bloqueio nervoso dessa pata vai apenas mudar a man-
queira para a outra pata. Isso acontece porque em alguns casos uma pata
dói mais do que a outra, mas logo que a dor for eliminada dessa pata, o
animal vai apresentar manqueira na outra, O bloqueio nervoso é utilizado
porque é impossível saber exatamente onde o cavalo sente dor. Se o cavalo
tiver doença do navicular, vai parar de mancar ou de apresentar enrijecimento
e mover-se livremente em 5 ou 10 minutos. A eliminação da dor dura somente
por volta de 4 horas, após o que a manqueira volta, pois o bloqueio nervoso
se dissipou.
Tratamento. Não foi encontrada nenhuma maneira de curar a doença
do navicular. Terapia com drogas e ferraduras corretivas apenas oferece um
alívio temporário. Atualmente, o tratamento mais eficiente para a doença do
navicular é a cirurgia (Fig. 3.2). Felizmente, a anatomia da inervação da área
do navicular torna possível cortar esses caminhos nervosos da dor para o
cérebro sem comprometer a função mecânica, saúde ou outras estruturas impor-
tantes no casco. A técnica cirúrgica envolve a remoção de um segmento dos
nervos (existem dois grandes troncos nervosos em cada pata) que inervam
a área doente. Isto é feito logo abaixo do machinho. Pequenas ramificações
dos nervos são também removidas, se estiverem presentes (estão presentes
em aproximadamente 70% dos cavalos). A cirurgia é eficaz em aproxima-
damente 80% dos casos. A razão desse procedimento não ser eficiente em
100% não está clara.
Quando a cirurgia é completamente eficaz, o animal, normalmente, está
livre da manqueira causada pela doença do navicular para o resto da vida.
Esses cavalos neurectomizados não estão de modo algum limitados, Eles podem
ser usados seguramente para corridas, salto, trabalho ou montaria de lazer.
Como a cirurgia é a única terapia para uma condição que causa uma manqueira
dolorosa e permanente se não for tratada, esse procedimento é uma prática
comum e, por si só, não causa nenhum dano, porém ferraduras corretivas
devem ser tentadas primeiro.
50 Considerações Gerais
Figura 3.2 -Uma cirurgia para doença do navicular sendo realizada. Essa cirurgia
é bem-sucedida em aproximadamente 80% dos casos é o melhor método para se
conseguir um resultado duradouro para essa doença.
TENDINITE
Um estiramento exagerado dos tendões flexores de uma ou ambas as patas
dianteiras podem causar dano ou ruptura das fibras dos tendões e veias locais.
Isso causa uma inflamação aguda nos tecidos. O grau de inflamação está direta-
mente relacionado com o tamanho do dano ocorrido. Danos severos aos tecidos
resultam em uma grande reação dos tecidos locais, formação de tecido fibroso
e adesões.
Os fatores predisponentes comuns são: esforço exagerado sem~ o condicio-
namento flSicoadequado, trabalho forte em animais muito jovens, fadiga, traba-
lho continuado após os primeiros sinais de dor nos tendões terem aparecido,
trabalho em superficies muito duras ou trabalho forte em lama profunda, cascos
muito grandes e conformação inadequada (quartelas muito longas).
Sintomas. O cavalo fica gravemente manco de repente e tenta manter
a parte posterior do casco longe do chão. Os tendões localizados atrás do
Enkrmidades 51
osso da canela estão quentes, inchados e sensíveis à pressãolocal. Casos crônicos
apresentam tecido fibroso, o que o torna os tendões mais grossos e parecendo
"curvados" para fora do membro. Nos casos antigos, em que essa condição
"se ajustou" ou se acalmou completamente e curou-se razoavelmente bem,
nenhuma manqueira é observada. O tendão danificado, que nunca vai ser forte
como antes da doença, raramente resiste a um trabalho muito vigoroso. Muitos
dos cavalos podem resistir a atividades de caça e salto, saltando cerCas de 1 m
de altura sem causar novo dano às patas: porém isso não ocorre em todos
os casos, e cuidados especiais são sempre necessários.
Tratamento. A tendinite é mais efetivamente tratada nos estágios iniciais,
antes que muito tecido cicatricial (conjuntivo fibroso) tenha tido chance de
se desenvolver. É esse tecido que causa o posterior enfi-aquecimento e limitação
do tendão devido às adesões. Bolsas de gelo devem ser aplicadas tão rápido
quanto possível por 20 a 30 minutos como medida de primeiros socorros.
A pata deve, então, ser acolchoada e envolvida seguramente com uma liga
até que um veterinário possa ser chamado para tratar do caso.
O veterinário aplica um gesso ou uma tala (gesso flexível) para imobilizar
a área danificada o mais rápido possível. Se o dano for extenso, ele pode
injetar corticóides diretamente na área lesada, assim como na corrente sangüí-
nea, para uma ação sistêmica. É muito importante minimizar a inflamação no
tendão para reduzir a possível formação de tecido cicatricial que é tão preju-
dicial. O uso de DMSO. pode ser um auxilio.
Após o gesso ou tala flexível ser removido, o animal deve ter pelo menos
mais 4 a 6 semanas para descansar, com apenas exercícios leves. Ligas podem
ser necessárias nesse período de recuperação.
Casos antigos que já se acalmaram, mas ainda apresenta manqueira, podem
ser candidatos à cirurgia de separação do tendão, que freqüentemente permite
movimento mais livre e promove ação normal dos tendões. Esses tendões
lesados nunca readquirem sua elasticidade original e resistência às tensões.
Pontas de fogo e queimaduras são métodos de tratamento que raramente benefi-
ciam (se é que alguma vez o fazem) um caso e podem causar mais danos
aos tecidos. As pontas de fogo não soldam os tecidos de volta nem os tomam
mais fortes que os tendões normais.
LOCALIZAÇÃOESPECÍFICA DAS ENFERMIDADES (Fig. 3.3)
Cabeça
Olhos defeituosos, como cegueira, cicatrizes extensas na cómea ou tumores,
podem afetar a confiabilidade e utilidade de um cavalo.
Mal da nuca é uma infecção séria (bursite) da bolsa sinovial da nuca e
é quase impossível de se curar. Felizmente é uma condição rara.
.N. do T. -DMSO (Dimetilsulfóxido), substância que causa injúria química suave, com aumento
de fluxo lintatico e queda da concentração protéica, sem necrose celular.
52 Considerações Gerais
Mal da nuca
LOCALIZAÇÃODAS
ENFERMIDADES E DEFEITOS
LEGENDA:
DEFEITOS.
ENFERMIDADES TEMPORÁRIAS .
HEREDITÁRIOS *
Mal da cemelha
Temperamento ruim *
Asma
Miosite lombar
(irrltação do dorso) .
Criptorquidismo *
(testículo escondido)
Tendinite- Bursíte no baleIo .
',~Exostose da Exostose
terceira falange interfalangeana,
Fendas nos cascos
Figura 3.3-Localização das enfermidades e defeitos. (Desenhado por ]eannine Quilici.)
Cemelha e Espáduas
Mal de cemelha (Fig. 3.4) é uma infecção séria da bolsa sobre a cernelha,
Como o mal da nuca, é quase incurável. Cirurgia radical é, às vezes, eficaz.
Atrotia do músculo da espádua (Fig. 3.5) é uma depressão acima da espádua
devido à atrofia muscular causada por lesão nervosa na ponta da espádua.
Só é considerada enfermidade se causar manqueira.
Membros e Cascos Anterior<;s
Tendinite é um engrossamento dos tendões flexores localizados atrás da canela
causado por um estiramento exagerado ou rompimento dos tendões ou bainhas
tendíneas. Pode ocorrer em uma ou em ambas as patas dianteiras e, ocasionalmente,
ocorre nas patas traseiras. É a causa mais comum da aposentadoria permanente
dos cavalos de corrida.
Uma vez que esses tendões se "ajustem", freqüentem ente levando mais de
um ano, e não havendo mais manque ira presente, muitos desses animais podem
se manter saudáveis para vários usos. Trabalho muito duro, como hipismo
QUADRO 3.1. Enfermidades e Defeitos
~
- x - Devido à conformação, criptorquidismo e exostoses são hereditários.
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o ..
g. 'G, o
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g. 'IJ:a "E'i :av 5 .. :s 'IJo oS ... zQ u =-=
Mal da Nuca x x x
@ 1.1..Qa Cegueira x x x
1.1os Mal da Cernelhal x x xOS::J
@
ss;. Atrofia do Músculo
da Espádua x x x :t
Tumor do Codilho x x x
'"
Sobrecanas x x x x
'§
Tendinite x x x x
@
e
..Q Bursite no Boleto x x x
Exostose
lnterfalangeana x x x x -x- x
Exostose da
Terceira Falange x x x -x- x
8
Aguamento x x x x x
@
â Doença do
Navicular x x x x -x- x
Ova :t x x X
'§
Esparavão Duro x x x x x
'"
@ Vessigão x x x'"e
..Q
Curvaça x x x -x-
Harpejamento x x x x
Asma x x x x
Ronco x x x
([J
.
Hérnia :t x :t Xb
Irritação do Dorso :t x :t X x
Temperamento x x x x xRuim
54 Considerações Gerais
,
Figura3.4 . Mal da cernelha.
..
Figura 3.5 - Atrofia do músculo da espádua. (Cortesia do Dr. Pierre Lieux, Riverside,
Califórnia).
Enfennidades 55
rural ou corrida com obstáculos vai, provavelmente, causar novo dano e man-
queira
Aguamento (Laminite) é uma inflamação na camada laminar logo abaixo
da parede dos cascos. Como a parede do casco não se expande, o tecido
inflamado fica sob grande pressão. Isso resulta em uma situação muito dolorosa.
O aguamento é comum, e animais que já sofreram com o problema são mais
suscetíveis a uma recaída. Porém, o grau de suscetibilidade depende da causa
inicial.
Doença no navicular é uma inflamação no pequeno osso sesamóide navicular
e na bolsa sinovial das patas di:.t1teiras. É uma causa comum de manqueira
e se desenvolve para uma artrite progressiva (veja discussão anterior).
Exostose interfalangeana (Ringbone) é um depósito de cálcio que freqüen-
temente circunda a quartela das patas dianteiras. Podem afetar as patas traseiras,
nas quais é normalmente resultado de dano direto. Quartelas curtas e verticais,
e trabalhar em superficies duras predispõe o cavalo a essa doença comum
( e muito séria). O uso de corticóides injetados diretamente no engrossamento
é, às vezes, proveitoso. A exostose interfalangeana é uma causa comum de
manqueira permanente (Figs. 3.6 e 3.7).
Exostose da terceira faJange(Sidebones) é a calcificação das cartilagens late-
rais das patas dianteiras (Fig. 3.8). Essas estruturas estão normalmente envol-
vidas com a função de absorção de choques do casco. É causada por trabalho
em superficie duras. Normalmente não causa manqueira. Ferraduras especiais
Figura 3.6 - Exostose interfulangeana. A área da quartela aumentada (depósito de cálcio)
é característica.
56 Considerações Gerais
Figura 3.7 -Radiografia de um casco de exostose interfalangeana. Os tendões, ao
se atritarem contra os depósitos de cálcio, causam dor e manqueira.
Figura 3.8 . Radiografia de uma exostose da terceira fulange.
Enfermidades 57
são freqüentemente usadas para tratar essas exostoses, e ranhuras nas laterais
dos cascos são também, ocasionalmente, eficazes.
Membros e Cascos Posteriores
Deslocamento da Soldra é a condição na qual a soldra (patela) fica presa
sob um de seus ligamentos. Isso faz com que o animal puxe sua pata traseira
apoiando-se em pinça, porque é incapaz de avançá-Ia normalmente. Se o animal
for forçado a dar marcha à ré, a soldra vai voltar ao seu lugar. O cavalo pode,
então, andar normalmente. Descanso forçado, na cocheira, por 7 a 10 dias
com o uso de aspirina duas vezes ao dia, no grão, é proveitoso. Se o problema
constantemente retorna, uma cirurgia pode corrigi-Io. É comum em pôneis,
e é predisposto por articulações de soldra verticais. A injeção de um agente
endurecedor sobre o ligamento afetado é, às vezes, benéfica.
Esparavão duro é um engrossamento do osso (depósito de cálcio) embaixo
e no interior do jarrete (Fig. 3.9). Normalmente não causa manqueira perma-
nente,mas pode acontecer.
Harpejamento é uma elevação peculiar das patas traseiras no passo ou trote.
A causa é desconhecida, mas pode ser degeneração nervosa. Cirurgia freqüen-
temente ajuda.
Figura 3.9 . O esparavão duro é um aumento na decomposição de cálcio na parte
de baixo interna do jarrete.
58 Considerações Gerais
ENFERMIDADES GERAIS
Asma (enfisema) é uma condição permanente resultante de uma degeneração
do tecido pulmonar. Chiado e dificuldade respiratória são os sintomas usuais.
É, na maioria dos casos, resultado de uma tosse crônica prolongada não tratada.
Certas alergias podem acentuar os sintomas. Devido à capacidade pulmonar
reduzida, o animal necessita usar mais os seus músculos abdominais para respi-
rar. O constante uso dos músculos abdominais resulta em um sulco muscular
visível nos flancos do animal que é chamado "linha de asma". Animais afetados
têm pouca energia e não são úteis para montaria.
Deve-se notar que os cavalos são, às vezes, afetados por ataques agudos
de "febre do feno" (congestão respiratória alérgica), que podem progredir
para uma asma séria (Fig. 3.10). Esses cavalos podem, no princípio, aparentar
sofrerem de uma condição mais permanente de enfisema. Os ataques de asma
resultam em uma congestão extensiva dos pulmões, que causa respiração muito
trabalhosa, chiado e freqüentemente anoxia (falta de oxigênio). Esses casos
precisam de atenção médica imediata e são normalmente tratados com sucesso
com corticosteróides ou anti-histamínicos. Animais não tratados podem morrer.
Exercício forçado durante um ataque agudo de asma pode facilmente causar
a morte. Os que se recuperam o fazem tão bem que podem não ser afetados
novamente por meses ou anos.
Figura 3.10 - Cavalo durante um ataque agudo de asma. Tratamento imediato é indicado.
Enknnidades 59
Ronco é uma enfermidade que causa um som anormal quando o animal
expira. É resultado de uma paralisia nervosa do sáculo laríngeo na laringe,
sem a inervação normal, o sáculo perde sua tensão normal e vibra quando
o ar sai dos pulmões, causando o "ronco" característico. Isso reduz a eficiência
respiratória e o vigor do animal. Uma cirurgia pode corrigir esse problema.
Hérnia é uma protrusão de tecido por uma abertura abdominal. Duas hérnias
comuns ocorrem no cavalo: umbilical e escrotal. Ambas são hereditárias. Hérnias
escrotais ocorrem dentro da bolsa escrotal, e são ocasionalmente vistas no
nascimento de potro, mas raramente são grandes o suficientes para requerer
reparo cirúrgico. Às vezes, a reintrodução fisica do tecido através do anel
ingüinal, é necessária. Esse procedimento pode ter que ser repetido várias
vezes durante os primeiros dias de vida, após o que a condição é, freqüente-
mente, autocorrigida.
Hérnia umbilical na área do umbigo são muito mais comuns e ocorrem
em ambos os sexos (Fig. 3.11). A maioria se autocorrige até o animal atingir
um ano de idade. Raramente é feita uma cirurgia antes dessa idade, a m~nos
que a hérnia seja grande e haja chance significante de tecido (que pode incluir
uma alça intestinal, em uma hérnia grande) ficar estrangulado. Quando uma
alça de intestino está no saco hernial e fica estrangulada, pode causar parada
intestinal e morte. Uma égua mostrando essas condições, ou garanhão com'
essas características não devem ser usados para criação.
Criptorquidismo é a condição em que um ou ambos os testículos não desce-
ram para o escroto. Esses garanhões requerem uma cirurgia abdominal para
castração; não é recomendado que esses animais sejam utilizados para criação.
Miosite lombar é manifestada por uma sensibilidade no dorso. O problema
pode ser causado por uma quebra no balanço cálcio-fósforo, uma sela mal
ajustada, necessidade de mais vitamina B, inflamação dos tecidos moles das
patas traseiras e possivelmente outros fatores desconhecidos. A sensibilidade
pode ser tão extensa a ponto de interferir com o uso do animal. Se o animal
responder ao tratamento, a enfermidade vai ser de natureza temporária. Infeliz-
mente alguns animais parecem ter um problema constante, apesar dos trata-
mentos atuais.
Figura 3.11 - Hérniaumbilical.
60 Considerações Gerais
DEFEITOS COMUNS E CONDIÇÕES ANORMAIS
As condições a seguir não devem ser consideradas enfermidades, normal-
mente, devido a não interferirem com o uso arúmal.
Cicatrizes são defeitos apenas quando interferem mecanicamente com a ativi-
dade normal do cavalo.
Hidroma do codilho (codilheira) é uma inchação do tecido macio sobre
a ponta do codilho (Fig. 3.12). É um edema (bolsa de água) que resultou
de uma contusão na área. Na maioria das vezes, é causado por uma "cama"
muito fina ou ausente. Quando o animal tenta se levantar do chão duro, o
codilho entra em contato com a superficie dura e resulta em um edema. As
ferraduras podem também causar esse problema quando o arúmal se levanta.
Tumor do codilho é uma infecção na ponta do codilho. Pode ser resultado
de uma segunda contusão em um hidroma do codilho, causada por pressão
no solo ou por uma ferradura. O problema é tratado como uma ferida aberta.
Deve-se providenciar "cama" farta e limpa.
Sobrecanas são engrossamentos no osso (depósito de cálcio), normalmente
localizados no lado interno da parte de cima das canelas. Ocasionalmente
ocorrem no lado externo das canelas e nas patas traseiras. São o resultado
do rompimento de pequenos ligamentos que unem os ossos estilóides ao osso
da canela. Esse rompimento causa uma pequena hemorragia na área onde
o sangue coagula e freqüentemente forma-se um depósito de cálcio. As sobre-
canas raramente causam manqueira. Umas poucas causam sensibilidade tempo-
rária, por ocasião do rompimento inicial dos ligamentos. Alguns depósitos
de cálcio grandes e bem em cima da parte interna da canela podem invadir
a articulação e causar manqueira. O uso de bolsas de gelo e aspirina, no início,
Figura 3.12 -Hidroma do codilho.
Enfennidades 61
é benéfico. Injeções locais de corticosteróides diretamente no depósito em
desenvolvimento, freqüentemente param seu crescimento e estimulam alguma
reabsorção. O autor se opõe ao uso da ponta de fogo para esse problema
ou qualquer outro. DMSO é benéfico. A maioria desaparece com o tempo.
Bursites no boleto são engrossamentos macios logo acima do machinho
(Fig. 3.13).. São inchações causadas por aumento de fluido nas bainhas tendineas.
Canelas longas, deixar o casco crescer demais e trabalho forte em superficies
duras podem predispor o cavalo a esse problema. Raramente causam manqueira,
exceto por uns poucos que desenvolvem uma pressão interna extrema. Esses
casos quase sempre são causados por uma torção. Algumas vezes, drená-Ias
e injetar corticóides ajuda, mas elas têm tendência a voltar, apesar do tratamento.
São apenas um defeito sem gravidade.
Ova (Alifafe) é a inchação da cápsula articular do jarrete (Fig. 3.14). Apesar
de que um conformação vertical do jarrete pode predispor o animal a esse
problema, a causa mais comum parece ser um esforço grande. Caracteristi-
camente há três inchações na cápsula articular: uma de cada lado da parte
posterior do jarrete, e a terceira e maior ocorre no lado de dentro da parte
frontal da articulação. O problema é mais comum em cavalos jovens, de até
dois anos, mas pode ocorrer em animais adultos. Raramente causa manqueira;.
portanto, é normalmente apenas um defeito sem gravidade. Drená-Ias, injetar
corticosteróides e descanso confinado, com ou sem liga, freqüentemente são
Figura 3.13 -Bursite no boleto.
62 Considerações Gerais
Figura 3.14 - Ova.
tratamentos eficazes, apesar do problema tender a voltar. As ovas normalmente
desaparecem por si só, conforme o cavalo continua a crescer. O autor se
opõe fortemente a abrir qualquer articulação se não for absolutamente neces-
sários.
Esparavãoduro é o aumento do osso (depósito de cálcio) embaixo no interior
do jarrete. Conformação deficiente do jarrete e concussão excessiva podem
causar o problema. Uma manqueira temporária ocorre freqüentem ente no co-
meço do desenvolvimento de esparavão. O cavalo pode eliminar tempora-
riamente'essa manqueira se aquecendo com um pouco de exercício, mas o
enrijecimento da articulação reaparece após o descanso. A injeção de corticos-
teróides diretamente sobre O aumento do osso, com ou sem o uso inicial
de bolsas de gelo, e 2 a 3 meses de descanso são freqüentemente eficazes
para o esparavão se "ajustar", após o quê não causa mais manqueiri!. O descanso
pode, por si só, ser eficaz, mas uma cirurgia pode ser indicada nos casos
de manqueira crônica. O DMSOpode ser útil.
O teste de esparavão é útil para ajudar a diagnosticar o problema. O membro
afetado é seguro flexionado fortemente de encontro ao corpo por alguns minu-
tos. O membro é então solto e o cavalo é rapidamente trotado para longe
Enfennidades 63
do examinador. Se a manqueira for mais acentuada nos primeiros passos após
ser solta da pata, o teste é positivo. Uma queimadura de corda, uma ferida
atrás da quartela ou um machinho ferido podem dar resultado falso-positivo
no teste.
Vessigão é uma inchação macia (higroma) no tecido externo do jarrete.
Raramente causa qualquer problema e é normalmente um defeito leve.
Curvaça é um aumento ósseo na superfície posterior do membro, abaixo
da ponta do jarrete, resultado de uma inflamação no ligamento dessa área.
Jarretes em forma de foice predispõe a esse problema. Quando a curvaça
aparece, pode ocorrer apenas uma manqueira temporária. O probe1ma não
é considerado grave.
Tumores calosos no jarrete (Fig. 3.15) são aumentos macios e tlácidos na
pele sobre a ponta do jarrete. São causados por uma injúria direta, como
um coice dado dentro de seu trailer. Airritação causa um aumento da quantidade
de fluido no interior da bolsa sobre o jarrete. No início, são tratados com
Figura3.15 -Tumor caloso na ponta do jarrete.
64 Considerações Gerais
mais eficácia com corticosteróides e drenagem, se a bolsa de líquido está
bem estabelecida. Bolsas de gelo ou banhos de água fria são úteis. O DMSO
é útil e eficaz.
Após poucos dias, um tecido cicatricial fibroso se desenvolve na área e
é muito dificil tratá-Io de modo eficaz. Esses jarretes não causam problema,
mas podem representar um defeito antiestético.
VÍCIOS COMUNS
Apesar da gravidade de um vício específico variar, ele diminui o prazer
pontencial de se possuir um dado animal. Um temperamento muito ruim deve
ser classificado como uma enfermidade: ele pode, definitivamente, afetar a
utilização do cavalo e ser perigoso para o cavaleiro.
Vícios de personalidade são os que refletem um temperamento e atitude
específicos do animal. Incluem os seguintes: morder, escoicear, dar manotadas,
refugar, andar para trás, incensar, estirar, fugir e bater com o rabo. Alguns
cavalos com vícios de personalidade são dificeis de pegar, dificeis de levantar
uma pata, dificeis de transportar, ou empinam constantemente quando selados.
Todas estas atitudes são características de um temperamento ruim, e possuir
esses animais é, freqüentemente, perigoso. Infelizmente, o temperamento de
um cavalo está bem estabelecido ao nascer, se não antes, e é quase impossível
mudá-Io. Apesar da paciência fazer maravilhas com muitos animais, a maioria
dos cavalos de temperamento ruim não valem o esforço. "A vida é muito
curta para brigar com cavalos".
Vícios de cocheira são aqueles que um cavalo exibe em um estábulo ou
perto de outros cavalos. Aerofagia envolve um cavalo mordendo uma cerca
ou outro objeto sólido e engolindo ar. Isso pode predispor o animal a digestão
imprópria e a se tornar de dificil manejo. Uma "coleira". ajuda a eliminar
,esse vício. Raramente esse hábito causa efeitos nocivos, mas freqüentemente
incomoda o proprietário. Se for usada uma coleira, ela não deve ser colocada,
no cavalo, muito justa de forma a causar desconforto ou interferir com a
respiração. Dispositivos que causam dor não devem ser usados porque são
desumanos e seu uso não pode ser justificado. Mascar madeira é comum e,
na maioria das vezes, é resultado de. tédio. Tanto atividade de larvas de mos-
cas como nutrição imprópria podem ser fatores para esse vício. É impor-
tante notar que o uso de pneus velhos para "proteger" os cochos pode ser
potencialmente perigoso. Se o cavalo comer parte desses pneus, isso pode
causar graves complicações intestinais.
Agressividade para com outros cavalos é um vício muito grave porque esses
cavalos podem ferir permanentemente outros animais.
.N.do T. -Tira de couro colocada na altura da garganta do animal.
4
Cuidados Gerais
ESCOV AÇÃO
Escovação regular limpa o pêlo e diminui a probabilidade de doenças de
pele e parasitas. É um momento conveniente para se examinar todo o cavalo,
procurando ferimentos, ovos de parasitas, ou problemas na pele. Com a prática,
a escovação pode ser feita com rapidez e perfeição. É aconselhável escovar
o cavalo diariamente. Aqueles que são trabalhados ou exercitados devem ser
escovados antes de saírem, e imediatamente após retornarem ao estábulo. Cava-
los soltos no pasto geralmente não são escovados diariamente, mas é sempre
aconselhável limpar seus cascos freqüentemente.
O procedimento de escovação usual envolve passar a raspadeira e escovar
a pelagem do cavalo, escovar ou pentear a crina e a. cauda, limpar os olhos,
se necessário, limpar as narinas e a área sob a cauda, e limpar os cascos.
Cavalos "quentes", úmidos ou animais que estão suando devem ser "esfriados"
antes de serem escovados. A escovação deve ser feita imediatamente ao retomar
do exercício ou trabalho (isto é, logo que se tenha passado um pano nos
arreios e os guardados). .
Remova o excesso de água ou suor com uma raspadeira e esfregue vigorosa-
mente o cavalo com uma toalha para secar parcialmente a pelagem. Ele deve
ser coberto e deve-se andar com ele até que "esfrie", permitindo apenas uns
poucos goles de água, de tempos em tempos, enquanto estiver "esfriando".
É sempre perigoso dar acesso livre à água para um cavalo "quente".
Equipamento de Escovação
O equipamento geral de escovação consiste de raspadeira (de borracha ou
metal), escova para o pêlo, escova dura,limpa-cascos, flanela, toalha, barbeador,
raspadeira de suor e esponja (Fig. 4.1).
66 Considerações Gerais
Figura 4.1 - Equipamento básico de escovação.
RAsPADEIRA
É mais comumente usada para escovar animais que possuem pelagem densa
e remover lama seca, descamação da pele, sujeira do pêlo, e pêlos soltos durante
os períodos de muda. Deve ser usada gentilmente, mas com firmeza, em peque-
nos círculos, e não deve ser usada nunca abaixo dos joelhos ou jarretes, ou
na área da cabeça.
EsCOVA PARAo PÊLo
r
É uma escova leve e macia, e é a principal ferramenta na escovação. Pode
ser usada para escovar todo o corpo. Um uso vigoroso não só remove a sujeira,
mas também massageia a pele e aumenta o brilho da pelagem.
EscOVA DURA
É uma escova grossa usada principalmente na parte inferior dos membros
para remover a lama. Também é usada para escovar a crina e a cauda, apesar
Cuidados Gerais 67
de condicionadores de cabelos serem úteis para tirarem os nós e prevenir
quebras excessivas quando se deseja manter uma crina e cauda tão longas
quanto possível. Um rasqueador de metal ou uma escova grande de plástico
freqüentem ente funciona bem para pentear a crina e a cauda.
lIMPA-CASCOS
Esse deve ser o elemento do equipamento de escovação mais freqüentemente
usado. Muitos tipos comerciais estão disponíveis, mas, se necessário, uma chave~
de fenda ou até um prego podem ser usados. A parte importante é a limpeza
completa do fundo da depressão entre a ranilha e as barras, onde normalmente
se localizam as infecções. Trabalhe os talões para frente. Uma lavagem
completa da superfície inferior do casco, com água, uma vez por semana,
é aconselhável. Se os cascos se tomarem secos, racharem ou lascarem com
facilidade, devem também ser untados, quando necessário, com um preparado
adequado, lanolina, ou qualquer outra forma absorvível de óleo animal.
FLANELA
É usada para remover a sujeira e a poeira das pontas dos pêlos, limpar
a cabeça, limpar a parte interna da cauda. e lustrar toda a pelagem. Cobertores
outoalhas velhas cortadas em quadrados de 60 cm servem para esse propósito.
TOALHA
É usada para secar o suor ou para massagear a pele. Sacos de estopa ou
toalhas cortadas funcionam muito bem.. Um punhado compacto de palha ou
"cama" pode ser usado como substitutivo.
BARBEADOR
É usado para remover ovos de bernes dos pêlos dos membros, pescoço
e cabeça.
RAsPADEIRA DE SUOR
Uma faixa flexível de metal ou pedaço não flexível é o melhor material
para essa útil ferramenta. É usada para remover a umidade excessiva de animais
suados ou lavados recentemente. Com o uso dessa raspadeira não é necessário
fazer o animal andar muito para secar.
EsPONJA
É usada para lavar os cavalos, aplicar certos inseticidas, repelentes ou condi-
cionadores no pêlo. Uma esponja úmida é rotineiramente usada para limpar
a cara e a parte interna da cauda.
68 Considerações Gerais
LAVANDO O EQUIPAMENTO DE ESCOVAÇÃO
o equipamento de escovação, assim como os arreios, deve ser freqüen-
temente limpo e desinfetado como precaução contra doenças de pele. O melhor
é possuir um equipamento individual para cada cavalo. Amway's Germicidal,
Novalsan*, ou qualquer outro bom desinfetante que seja também fungicida
deve ser usado. Para endurecer as cerdas das escovas após desinfetá-Ias, mergu-
lhe-as por aproximadamente 10 minutos em uma solução salina concentrada
(adicione sal à água até que não se dissolva mais), e ponha-as com as cerdas
para baixo para secar.
Métodos de Escovação
A escovação deve ser feita de um modo rotineiro. Primeiro as quatro patas
devem ser completamente limpas. Em seguida o corpo é bem escovado, traba-
lhando-se do pescoço para trás. A cabeça, crina e cauda são, então, escovadas.
Finalmente, com a flanela, a face, olhos, narinas e a parte interna da cauda
são limpos. Dá-se, então, um lustro final na pelagem. Se o tempo está frio
ou se o animal está sendo preparado ou mantido para exposição, uma capa
deve ser colocada no mesmo, logo que se complete a escovação. Deve ser
ajustada cuidadosamente para que não force o pêlo na direção errada.
Ripando a Crinae a Cauda
Alguns pêlos da crina e cauda de um cavalo são freqüentem ente arrancados
para dar-lhes uma aparência fina e homogênea. Isso é normalmente feito confor-
me o padrão de aparência de uma raça. Pega-se alguns pêlos de cada vez,
escorrega-se a mão até junto às raízes e dá-se, então, um rápido puxão. Os
pêlos mais longos no lado de baixo são trabalhados primeiro. As caudas são
freqüentemente encurtadas até aproximadamente 10 cm abaixo do jarrete,
tesouras ou tosadores nunca são usados para dar forma à cauda, apesar de
algumas vezes a crina ser tosada de forma a ficar de pé, como no Quarto-de-milha
de trabalho.
Umpando O Prepúcio
O prepúcio é a pele que forma uma bolsa ao redor do pênis e o contém
(Fig. 4.2). Ele coleta secreções e células mortas que descamam da superfície
da pele, o que é chamado de esmegma. Esse material coletado é malcheiroso
e pode se acumular no interior do prepúcio, tornando-se uma fonte de irritação
para o cavalo. Não é incomum que esse esmegma gorduroso se acumule em
formato de bola na pequena reentrância localizada logo acima da abertura
* N. do T. -Produtos americanos.
Cuidados Gerais 69
'nal
"""" \"" '\ - . ~. ~-==: .;;,.,
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Abertura externa
do prepúcio
Pênis
Figura 4.2 -Anatomia do prepúcio.
uretral na ponta do pênis. Essa bola de esmegma é chamada de "feijão". Ocasio-
nalmente, esse "feijão" fica tão grande que 'interfere na micção normal.
Esfregar a cauda é um sintoma comum de que um cavalo está irritado por
um prepúcio sujo. Todos os garanhões ou animais castrados devem ter seu
prepúcio limpo pelo menos a cada 6 meses e com maior freqüência, se neces-
sário. Um cavalo com a área genital branca, como um Appaloosa ou Pampa,
tem tendência a acumular esmegma mais rapidamente e deve ter seu prepúcio
limpo com mais freqüência.
A técnica de limpeza do prepúcio não é dificil e a maioria dos cavalos
não se opõe se você proceder calma. e delicadamente. Em animais muito nervo-
sos pode-se aplicar um cachimbo (veja Capítulo 6, item Contenção). O cavalo
é amarrado ou seguro junto a uma parede ou cerca para que não possa se
mover em círculos. Um ajudante deve estar disponível para firmar a cabeça
do animal, segurando a guia próximo do cabresto. É melhor não amarrar um
cavalo nervoso para esse procedimento.
O material necessário é: um balde de plástico, água morna, um rolo de
algodão e um sabão suave como LOC ou sabão neutro, A maior parte dos
sabões líquidos suaves de lavar louça são satisfatórios, se a área for bem enxa-
guada quando terminar a limpeza. O procedimento é o seguinte:
1. Ponha uma boa quantidade de algodão em um balde com água morna.
2. Pegue um punhado pequeno de algodão molhado e ponha o sabão líquido
nele (Fig. 4.3).
3. Posicionando-se, calmamente, próximo ao lado esquerdo do animal, intro-
duza devagar o algodão profundamente no prepúcio (Figs. 4.4 e 4.5).
4. Toda a área do prepúcio e o pênis são ensaboados e limpos. Quando
um pedaço de algodão sujo é trazido para fora e abandonado, outro pedaço
ensaboado é usado para completar a limpeza. O pênis pode ser completa-
mente limpo no interior do prepúcio; não precisa forçosamente ser puxado
para fora. Enquanto se limpa o pênis, a reentrância localizada logo acima
da abertura uretral, na ponta do pênis, deve ser explorada com o dedo
70 Considerações Gerais
Figura 4.3. O sabão é colocado no algodão úmido (Pat Schwarz).
para detectar e remover qualquer "feijão" que se t~nha formado (Fig.
4.6).
S.Após todo o esmegma ter sido removido, um algodão novo e úmido,
sem sabão, é usado para enxaguar completamente o prepúcio. Tanto algo-
dão úmido quanto necessário deve ser usado para enxaguar todo o sabão
da área. Resíduos de sabão no interior do prepúcio podem ser irritantes.
Em um dia quente, com um cavalo calmo, uma mangueira de jardim pode
ser usada para o enxagüe.
Examinar periodicamente, com cuidado, a cabeça do pênis para notar qual-
quer possível crescimento de tecido, é uma boa prática. Esse tecido é freqüen-
temente canceroso (um carcinoma de descamação). Detecção e tratamento
precoces são importantes, pois pode se tomar necessário amputar o pênis
pàra evitar que o câncer se espalhe internamente e cause morte.
BANHO
Uma limpeza completa freqüentemente requer um banho com água e sabão
para livrar a pelagem do suor velho, caspa e sujeira. (Amway's Loe soap.
. N.do T. - Sabão neutro americano.
Cuidados Gerais 71
:....
Figura 4.4 -Algodão úmido e ensaboado é introduzido no prepúcio. A maioria dos
. cavalosnão se opõe.
é um bom sabão para lavar cavalos em geral ). Banhos freqüentes e desnecessários
devem ser evitados em tempo frio. A friagem diminui a resistência do animal
a doenças e freqüentemente o predispõe a infecções respiratórias. Secagem
completa do pêlo e pele, para prevenir um resfriamento, pode ser conseguida
r~ovendo-se o excesso de água com uma raspadeira de suor e usando-se
vigorosamente a toalha. O cavalo é, então, andado com uma capa ou cobertor
até secar.
CAPAS
Capas de vários tipos são usadas para os seguintes propósitos:
1. Proteção contra o frio e a chuva.
2. Para "esfriar" animais "quentes" ou molhados.
3.Melhorara pelagempara exposições. .
4. Proteger animais sensíveis contra moscas.
5. Como proteção contra friagem, no caso de animais doentes.
Muitos tipos de capas estão disponíveis comercialmente, de tecidos leves
de algodão até pesados acolchoados. Capas grossas usadas em cavalos estabu-
lados em tempo frio são desejáveis e apreciadas.
72 Considerações Gerais
Figura 4.5-O pênis não precisa ser trazido para fora para que o prepúcio seja completa-
mente limpo.
Uma capa deve ser ajustada e presa de modo apropriado para evitar que
escorregue, assustando o animal ou se estragando. Deve ser mantida limpa
e em boas condições. Uma capa usada em um animal que sofre de uma doença
contagiosa deve sercompletamente desinfetada antes de ser usada em outro
animal. É melhor ter capas específicas para cada cavalo para prevenir a trans-
missão de doenças de pele e parasitas. Àsvezes, é necessário amarrar ou colocar
uma tro~beta em um animal que morde a sua capa. Pode ser perigoso soltar
um cavalo que esteja usando uma capa. Uma capa não impermeável não deve
ser usada por um cavalo que está na chuva.
TOSA
Como regra geral, tosar um cavalo ou põnei não é recomendado a não
ser que seja muito trabalhado ou esteja sendo preparado para uma exposição.
Cuidados Gerais 73
Figura 4.6-Um "feijão" removido da cavidade na ponta do pênis.
A tosa pode ser aconselhável, dependendo de muitos fatores como: a natureza
da pelagem, condições climáticas, a quantidade e tipo de trabalho a ser realizado
pelo animal. e proteção oferecida pelas condições de estabulagem.
A tosa tem as desvantagens de causar desconforto ao cavalo em tempo frio
e baixar sua resistência a doenças. Todavia, animais tosados que trabalham
pesado são menos facilmente "superaquecidos", apresentam mais resistência
e levam menos tempo para "esfriar". (A tosa, todavia, nunca deve ser usada
como substituto para uma boa escovação!)
Quando o animal vai trabalhar selado, por um tempo considerável, é aconse-
lhável deixar a área da sela sem tosar, no formato do baixeiro. Durante o
tempo frio não é aconselhável tosar os membros. Animais tosados não devem
ser expostos a temperaturas baixas em currais ou pastos, e devem ser sempre
encocheirados e cobertos durante os meses de inverno. Lâmpadas de aqueci-
mento também são úteis.
CUIDADOS COM OS CASCOS
o casco é feito de três estruturas distintas: a parede; a sola e a ranilha.
A cada nove meses um casco completamente novo cresce. Devido a esse cresci-
mento contínuo, a parede fica longa e precisa ser aparada. A espessura da
sola aumenta e normalmente há uma descamação esbranquiçada conforme
ela cresce. A ranilha também cresce, fica mais larga, e necessita de aparação,
74 Considerações Gerais
regularmente. Se a ranillia crescer descontroladamente, ela vai cobrir os sulcos
ou ranhuras que a separam da sola, formando um ambiente úmido, nesses
sulcos, que permite o desenvolvimento de uma infecção (Fig. 4.8) A aparação
rotineira da ranilha abre esses sulcos para o ar e preserva as condições normais
necessárias para uma ranilha e casco saudáveis.
A sola não foi feita para ser uma estrutura que suporta peso. O peso do
cavalo deve ser suportado pela parede do casco. Se um cavalo não vai ser
ferrado, a sola deve ser aparada em um formato côncavo para minimizar qualquer
peso e a possibilidade de machucaduras por pedras. Se um cavalo não vai
ser ferrado, a sola deve ser aparada em um formato côncavo para minimizar
qualquer peso ea possibilidade de machucaduras por pedras.
Um cuidado adequado com os cascos deve ser uma das principais preocu-
pações do cavaleiro para o bem-estar do cavalo e para ajudar a assegurar
a sua utilização. Se o cavalo é mantido ferrado, as ferraduras devem ser trocadas
ou recolocadas a cada 4 ou 6 semaI13S.Cavalos,éguas de cria e potros que
não sãoferradosdevem ter seus cascos aparadospelo menos acada8 semanas!
Mesmo se um cavalo não está trabalhando, as ferraduras não devem ser deixadas
nele todo o inverno. Se forem deixadas tanto tempo, os cascos tomam-se
muito longos, causando tensão excessiva nos tendões e até manqueira (Fig.
4.9). Também um tempo muito longo na lama ou solo úmido, sem limpeza.
freqüente dos cascos, pode resultar numa infecção. Essa condição pode minar
toda a ranilha, resultando numa infecção profunda do casco e, manqueira.
limpeza de rotina e aparação regular dos cascos podem ajudar a minimizar
esse problema. A aplicação, duas vezes por semana, de um preparado chamado
Kopertox pode prevenir esse problema. Isso é válido mesmo no meio do
inverno, quando os animais estão soltos em ambiente úmido por semanas.
O Kopertox tem uma base insolúvel à água, e deixa uma camada como se
fosse uma bandagem.
O uso de banhos de lama, óleos, ou preparados para cascos é um auxílio
no tratamento e prevenção de cascos excessivamente secos no verão. Deixar
o cacho de água transbordar é uma técnica simples para deixar os cavalos
terem acesso à lama.
Os cascos de um potro devem ser aparados começando na idade de 1 ou
2 meses, quando somente uma grosa é necessária para dar forma ao casco.
Atenção precoce pode ajudar a corrigir problemas de aprumos, como pés
arqueados ou cambaios. Membros e tendões anormais são problemas que devem
ser mostrados ao veterinário em um estágio inicial de desenvolvimento.
A melhor indicação da saúde do casco é a condição da ranilha. Se a ranilha
está excessivamente seca e dura, ou ressecada, isso indica que não está em'
contato apropriado com o solo e que, conseqüentemente, a circulação do
casco é pobre. Isso leva a um ressecamento excessivo do casco e a paredes
secas e quebradiças. Como resultado há pouca capacidade de absorver choques.
Isso, por sua vez, leva a pata a suportar mais trancos ou concussão violenta
que normalmente suportaria, o que predispõe o animal à exostose interfalan.
geana, exostose da terceira faIange ou doença do navicular.
As chaves para cascos bons e saudáveis são umidade e elasticidade normais.
Os fatores mais importantes para a saúde do casco são as contrações e expansões
.N. do T. . Produto americano.
Cuidados Gerais 75
Osso da canela
Machinho
Segunda falange
Casco
Osso sesamóide- navicular
Coxim digital
Camada laminar,
Parede do casco
Barras
Bulbo do casco
/
/Sola
Sulco central da ranilha
- Ranilha
Sulco da
-- ranilha
Sola
Parede
Figuras 4.7 - Estruturas da pata e do casco. (Desenho de Jeannine Qulici.)
76 Considerações Gerais
Figura 4.8 . Infecção com a característica descarga preta e maIcheirosa, ao longo
dos sulcos da ranilha.
apropriadas. O casco deve ser aparado e ferrado de modo que a pata atinja
o solo de forma plana, nivelada, reta e em perfeito equilíbrio - com pressão
na ranilha. A ranilha é importante na estimulação de uma circulação apropriada
no caso quando entra em contato com o solo (criando, assim, uma ação bombea-
dora). Por isso, é desejável manter uma ranilha boa e saudável, usando-se
freqüentemente o limpa-cascos, aparando-se os cascos e ferrando-se o animal
apropriaclfunente..
Mesmo a melhor ferração não é boa para o casco. Se for necessário, como
comumente é, proteger um casco, corrigir uma andadura çu falha conforma-
donal, a ferração deve ser feita com ferraduras o mais leve possível, causando
o menor desvio do eixo normal e do equilíbrio do membro. Criadores que
.Quando a parede do casco cresce, ela segue a ferradura. Se for desejado reduzir a largura
de um casco chato ou excessivamente grande, uma ferradura um pouquinho menor é usada.
Quando tenta-se alargar ou aumentar um casco pequeno, uma ferradura um pouquinho maior
que a necessária é usada.
Cuidados Gerais 77
Figura 4.9 - Deixar os cascos crescerem demais pode causar sérios danos às patas
e cascos, por exemplo, tendinites, calosidades, infecções profundas e infecções nos
cascosdevido a machucaduraspor pedras.
continuamente sobrecarregam seus pobres cavalos com ferraduraS impiedo-
samente pesadas (Fig. 4.10 A, B, C) criam problemas nos membros e cascos,
e estresse substancialmente excessivo.
Se os cavalos não tiverem seus cascos aparados e referrados em intervalos
freqüentes e regulares, o resultado pode ser ranilhas secas, contraídas, não
saudáveis e, dessa forma, problemas potenciais no casco..
Se os cascos de um cavalo forem aparados a cada duas semanas, ele provavel-
mente nunca precisará de ferraduras.
Ferraduras Corretivas Comumente Usadas
FERRADURAS FECHADAS E ACOLCHOADAS
Essas ferraduras possuem uma barra na parte traseira, formando um anel
~~~ ~~~~ ~~~-~.~,." . -~~~. ~ ~ "
(de couro, plástico macio ou borracha). São usadas na doença do navicular
p;cr;rdnrr;r ~o d6 nmiHl.« e do doIdOd(/ td"'(V (».det'Ítlt' tio CNCtJ,/MI1l!
.Oitenta por cento das manqueiras dos cavalos se originam nos cascos.
78 ConsideraçõesGerais
A
B c
Figura 4.10 - A, B, C -Ferraduras anormalmente pesadas interferem na circulação
apropriada dos cascos, causam fadiga e concussão excessiva nos cascos e membros.
Comumente causam dor e alterações ósseas. Podem ser questionadas do ponto de
vista humanitário.
. Cuidados Gerais 79
como no aguamento crônico durante o período de recuperação, para proteger
solas muito sensíveis e minimizar as contrações e expansões, muito dolorosas,
do casco. O aplainamento dos cascos permite que os passsos do animal sejam
mais suaves, resultando em menos trauma para as patas.
FERRADURAS NoRMAIS COM "ALMOFADAS" INTEIRAS Ou EM ANEL
Uso: Essas ferraduras são usadas para tratar machucaduras por pedras, para
evitar concussão excessiva em casos iniciais de exostose interfalangeana, para
minorar os riscos de exostose da terceira falange e para proteger os cascos
de cavalos de parada ou de carros de aluguel, usados em superfícies duras,
nas ruas..
CUIDADOS DENTÁRIOS
Os dentes do cavalo crescem por toda a sua vida. Como foi discutido anterior-
mente, é devido a esse fato que os dentes podem ser usados para determinar
a idade de um cavalo, pois se desgastam de forma característica. Apesar de
problemas ocasionais surgirem com a erupção irregular dos incisivos, são os
dentes mastigadores, no fundo - os pré-molares -, que requerem tratamento
rotineiro.
Pré-Molares Vestigiais
Esses pequenos pré-molares vestigiais não ocorrem em todos os cavalos (Fig.
4.11 ). Quando ocorrem, aparecem logo à frente dos primeiros dentes mastiga-
dores superiores - em ambos os sexos. Parece que os cavalos estão passando
por um processo de evolução, livrando-se desses dentes, assim como o homem
está se livrando dos dentes do siso. Talvez menos de 40% dos cavalos possuam
esses dentes. Um cavalo pode ter dois ou somente um. Os dentes podem
ser pequenos, com uma raiz pequena e podem estar localizados somente dentro
da gengiva, ou podem ser bem grandes, com uma raiz bem desenvolvida.
Às vezes, eles não rompem a gengiva, mas crescem horizontalmente sob a
mesma. São esses pré-molares vestigiais que crescem sob a gengiva e os que
têm as raizes muito pouco desenvolvidas que causam problemas (Fig. 4.12).
SINTOMA
Cavalos com pré-molares vestigiais sensíveis são carcateristicamente difíceis
de colocar o 1Teioou "incensam" quando usando um bridão. Esses sintomas
não ocorrem quando um hackamore ou cabresto é usado.
'.o uso constante dessas "aimofadas" pode resultar em solas excessivamente moles ou finas.
Não devem ser usadas, no inverno, quando umidade e, às vezes, lama ficam presas sob a "almofada"
e uma infecção se instala. É aconselhável alternar as "almofadas" inteiras com as em anel nos
cavalos que necessitam dessa proteção.
8() Considerações Gerais
Figura 4.11 . Pré-molares vestigiais que freqüentem ente causam o hábito de incensar.
Figura 4.12 - Pré-molar vestigial que não rompeu a gengiva causando muita dor quando
atingido pelo freio.
Cuidados Gerais 81
PROCEDIMENTO
Se um cavalo tem pré-molares vestigiais e está mostrando os sintomas caracte-
rísticos, eles devem ser removidos. É melhor fazer isso sob anestesia geral
ou sedação, de modo que urna remoção cuidadosa possa ser efetuada. Tentar
fazer isso com o cavalo em pé é, freqüentemente, perigoso para o veterinário
e pode resultar em quebra da raiz dentro da gengiva, o que pode causar urna
ferida por um tempo prolongado, um abatimento, menor interesse pela comida,
e evacuação de pequenas bolas de esterco. Com o tempo, o animal retoma
gradualmente ao normal, mas pode necessitar de atenção do veterinário. Extra-
ções normais apenas deixam a boca sensível por poucos dias e o hábito de
"incensar" normalmente desaparece em 2 semanas.
Pontas Afiadas nos Dentes
Conforme os dentes mastigadores do fundo continuam a crescer, os superio-
res e inferiores gastam-se de modo a formar pontas afiadas nas beiradas dos
dentes. Corno os superiores ultrapassam os dentes inferiores no lado interno,
vão aparecer feridas no lado interno da bochecha e nas laterais da língua.
A dor causada por esses pontos desencoraja o cavalo a mastigar bem e faz
com que ele leve muito tempo para comer. Achar que esse é um problema
de cavalos velhos é um engano cometido por vários cavaleiros. Não é incomum
que cavalos de 18 meses já precisem ter seus dentes nivelados (limados).
A mordida individual, ou a posição dos dentes herdada, podem influenciar
a freqüência ou a idade na qual os dentes vão precisar de atenção. Urna boca
ondulada é um problema que pode surgir em cavalos mais velhos, mas, às
vezes, é visto em cavalos com menos de 10 anos. A superficie mastigadora
dos molares do fundo gastam irregularmente, dando a eles urna superficie
ondulada. Esses dentes, na maioria das vezes, precisam de atenção a cada 6
meses.
SINTOMA
Comer devagar ou manter a comida muito tempo na boca, com ou sem
salivação excessiva, são sintomas comuns. Porque os cavalos, assim corno os
outros animais, não têm enzimas digestivas para digerir a película externa
do feno - um carboidrato complexo chamado lignina - eles dependem
de boa mastigação para ajudar em urna melhor utilização do alimento. Pontas
afiadas nos dentes freqüentemente contribuem para que um cavalo seja de
dificil manejo.
PROCEDIMENTO
Os dentes devem. ser examinados rotineiramente todos os anos, ou a cada
6 meses em alguns cavalos, para determinar se há qualquer evidência de desen-
volvimento dessas pontas. Esse exame é melhor realizado usando-se um calço
dentário de metal para permitir um exame completo dos dentes do fundo
82 Considerações Gerais
com perigo mínimo para o examinador. Freqüentemente, lacerações profundas
ou sulco são observadas no interior das bochechas e ao longo da língua. As
pontas cortantes são niveladas usando-se limas dentárias. Esse nivelamento
dos dentes pode dar grande alívio aos cavalos afetados e pode melhorar muito
a utilização do alimento, diminuindo o tempo gasto comendo. A maioria dos
cavalos desenvolve pontas substanciais em 12 meses.
Molares e Pré.Molares Problemáticos
Esses problemas são comuns em cavalos mais velhos. Apesar dos cavalos.
raramente terem problemas de "cáries", gengivas doentes e raizes infeccionadas
são freqüentemente encontradas em cavalos velhos, especialmente nos com
mais de 20 anos de idade..
SINTOMA
Mastigação dificil e prolongada (freqüentemente com saJivação excessiva),
e um hálito de odor desagradável são sintomas comuns. Quando os dentes
do fundo são examinados, os que apresentam problema freqüentemente estão
desalinhados em relação aos outros, e as bordas da gengiva estão afastadas
.das raízes. Os dentes estão também soltos quando manuseados. Esses cavalos
são de dificil manejo, e podem ser apáticos e vagarosos, além de serem propensos
a constipação e cólica.
PROCEDIMENTO
Remoção sob anestesia geral é indicada, seguida do uso de antibióticos para
eliminar infecções bucais locais. Em raras ocasiões, é necessário "puncionar"
um dente doente através de uma abertura cirúrgica no seio sobre o dente.
Quando muitos dentes foram perdidos, é necessário dar a esses cavalos dietas
especiais que requerem menos mastigação, de forma a mantê.los em boa condi-
ção fisica.
TRANSPORTANDO CAVALOS
Embarcar um cavalo em um trailer pode, freqüentem ente, ser um procedi-
mento dificil, se o animal não está bem treinado ou acostumado com isso.
Tranqüilizantes são freqüentem ente benéficos para um animal nervoso. As três
técnicas a seguir podem ser úteis quando lidando com um "passageiro" relu-
tante:
. Cuidados dentários de rotina podem acrescentar muito ao estado de saúde geral e bem-estar
de um cavalo, e devem ser parte do programa rotineiro de cuidados médicos do cavalo. Apesar
de ser verdade que muitos cavalos selvagens têm vidas longas, a sua expectativa de vida é geralmente
bem menor que a dos nossos bem tratados cavalos domésticos; esses últimos desftutam de um
estado de saúde geral mell1or.
Cuidados Gerais 83
1.Atraia-o para dentro com ração e feche o portão por trás dele.
2. Coloque uma guia compridado cabresto do animal até o amarrador do
trailer e puxe para trazer sua cabeça para dentro; amarre pés-de-amigo
em ambas as laterais do trailer para ajudar a dirigir o animal; traga, então,
calmamente, essas cordas em tomo do animal, por trás, para ajudar a
guiá-Io para dentro. Se ele continuar a refugar, o terceiro procedimento
pode ser tentado.
3. Amarre o cavalo como descrito no segundo procedimento. Como poucos
cavalos escoiceiam nesse ponto, é freqüentemente possível que dois ho-
mens passem seus braços por trás da garupa do animal para forçá-Io para
dentro. Isso deve ser feito com cautela. Geralmente é possível levantar
seus quartos traseiros para pô-Io para dentro, mais isso somente deve
ser tentado por um cavaleiro experiente.
É sempre melhor dirigir suavemente, com paradas e arrancadas tranqüilas,
quando levando um cavalo em um trailer. Evite curvas fechadas e rápidas.
Em geral, é bom descansar os animais após cada 4 horas no trailer.
Quando transportando éguas com potros muito jovens, é uma boa idéia
separá-Ios por uma divisória completa, para prevenir que a égua acidentalmente
Figura 4.13 . Um "protetor de cabeça" é uma boa proteção para um animal que
tem a tendência de refugar num trailer coberto.
84 Considerações Gerais
pise no potro. Feche o espaço sobre a porta traseira cuidadosamente para
prevenir que o potro tente pular para fora. Nunca amarre potros jovens.
Sempre amarre o cavalo seguramente no traiJer,na argola localizada próxima
ao cacho. Use o nó de laço comum, fácil de ser desatado caso o cavalo caia
no trailer.
Quase todos os animais podem ser colocados em um traiJer, após terem
sido tratados por um veterinário, com sedativos e tranqüilizantes. Como os
cavalos podem ser "acordados" do efeito de um tranqüilizante, eles freqüen-
temente precisam também de um sedativo para eliminar a sua persistente
relutância em entrar em um traiJer.A dosagem apropriada pode ser estabelecida
pelo veterinário presente. O Rompum funciona muito bem para esse propósito.
Após o uso dessa droga, qualquer cavalo pode ser colocado em um trailer
em 10 ou 15 minutos (o autor não conhece nenhuma exceção). É também
aconselhável colocar um "protetor de cabeça" (um alcochoado sobre a nuca
do cavalo) em cavalos relutantes, que têm tendência a refugar no trailer (Fig.
4.13 ).
PARTE
11
Nutrição e Reprodução
5
Nutrição Eqüina
A alimentação correta dos cavalos requer mais conhecimento, experiência
e bom senso que qualquer outro tipo de criação. Infelizmente, os cavalos
são, em geral, os que recebem a pior alimentação (Fig. 5.1 e 5.2). Isso é
devido, principalmente a uma grande falta de informação sobre nutrição eqüina
por parte dos proprietários de cavalos e dos nutricionistas. Mais pesquisas
serão necessárias para resolver muitas dúvidas não respondidas. Infelizmente,
a alimentação adequada não é apenas jogar um pouco de feno para o cavalo.
Basicamente, os cavalos, como outros animais, digerem e utilizam o alimento
sob a forma de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais. A neces-
sidade específica desses nutrientes depende da quantidade de traballio ou produ-
ção exigida do cavalo. A partir de experiências e estudos sobre alimentação,
a maior parte com outros animais, não com cavalos, as exigências específicas
dos cavalos foram calculadas e recomendadas pelo "Conselho Nacional de
Pesquisa" ("National Research Council" -NRC), em Washington, D.e.
Para podermos discutir nutrição dos cavalos, precisamos discutir as fontes
comuns de nutrientes para eles. Torna-se, então, necessário possuirmos certos
parâmetros pelos quais possamos comparar os alimentos para melhorenten-
dermos seus valores nutricionais relativos. Apesar de haver diversas maneiras
de se comparar alimentos, essa discussão é limitada a fatores conhecidos, como:
total de nutrientes digeríveis, proteína digerível e razão cálcio-fósforo, que
são os mais importantes. Essa limitação pode tornar o assunto um pouco menos
confuso. As características fisicas importantes dos alimentos, como: serem lim-
pos, saborosos, livres de bolor, não muito pesados ou volumosos, muito laxantes
ou causadores de prisão de ventre, e a necessidade da ração total ser balanceada
também são discutidas aqui.
O total de nutrientes digeríveis (TND) é o valor de um alimento que repre-
senta a sua porcentagem de alimento digerível e utilizável pelo animal. Em
geral, alimentos com mais fibras possuem valores mais baixos de TND. Os
fenos (forragens) são aproximadamente 50% digeríveis e têm, portanto, um
TND de 50%. Grãos (concentrados) têm menos fibras e são aproximadamente
88 Nutrição e Reprodução
~, ""<, I!!!!!, . ..
Figura5.1-Um cavalo mal nutrido e em más condições gerais.
75% digeríveis, possuindo um TND de aproximadamente 75%. Silagem e arma-
zenamentoinadequadospodem baixar os valores de TND do alimento.
Os valores de proteína digerível (prot. Dig.) são também importantes porque
as proteínas são elementos de construção indispensáveis às células do corpo.
Em geral, quanto maior a Prot. Dig., maior o valor geral ( e custo) do alimento.
Quando os alimentos são analisados quimicamente, os valores de proteína
bruta são fornecidos. Esses também representam alguns compostos não protéi-
coso Por isso os valores de proteína bruta de um alimento são mais altos que
seu valor real de Prato Dig. A Prato Dig. para grãos ( concentrados) é aproxima-
damente 80% do valor de proteína bruta. Portanto, a Prato Dig. de um grão
pode facilmente ser calculada. Por exemplo: a aveia tem um valor de proteína
bruta de 9%, e esse valor multiplicado por 0,8 (80%) dá 7,2% Prot. Dig.
Na verdade a Prot. Dig. considerada para a aveia é de 7,0%. A Prot. Dig.
dos fenos (forragens) é aproximadamente 60% do valor da proteína bruta.
Por exemplo: a proteína bruta do feno de aveia é de 8,2%. Isso multiplicado
por 0,6 (60% ) dá 4,92%. O valor conhecido de Prot. Dig. do feno de aveia
é de 4,9%. Essa relação varia mais para forragens do que para grãos.
A razão cálcio-fósforo (Ca:P) é uma preocupação muito importante ao se
alimentar cavalos. Ela representa a ingestão de cálcio em relação a de fósforo.
A razão Ca:P ideal para a ração diária total de um cavalo deve ser 1:1 ou
2:1. Cada 1 ou 2 partes de cálcio ingerida dever ser acompanhada de 1 parte
de fósforo. Quando a Ca:P está desbalanceada, muitos problemas nos músculos
e ossos podem ocorrer. Na maioria das vezes, os problemas ocorrem mais
por excesso de fósforo do que por muito cálcio, como em razões de 1:5
Nutrição Eqiüna 89
Figura 5.2 -O mesmo cavalo após ter sido vermifugado, ter seus dentes limados,
e colocado num bom programa alimentar por 4 semanas.
ou 1:6 e, ocasionalmente, quando a razão está tão próxima como 1:1,4. O
autor não se deparou com problemas por excesso de cálcio na dieta.
COSIDERAÇÕES RÁPIDAS SOBRE ALGUNS
ALIMENTOS COMUNS
Forragens
FENO DE AuAFA
É econômico e inteiramente seguro quando apropriadamente ministrado
(Fig. 5.3). Pode ser o único feno dado, o que vem sendo feito por vários
haras. Se for cortado antes da floração plena, é freqüentemente laxante. Ele
estimula o metabolismo e é muito saboroso, embora a ingestão de feno (forra-
gens) em excesso nunca seja um problema. Alfafa é boa para o crescimento
e produção de leite, sendo também rica em vitamina A, D, 82 e niacina. Tem
.90 Nutrição e Reprodução
Figura 5.3 -Nem toda a alfafa é de boa qualidade. Se for deixada oxidar, descorar
ou embolorar, seu valor nutricional é consideravelmente reduzido. Feno embolorado
é sempre potencialmente perigoso para os cavalos.
proteínas de boa qualidade e é recomendada para constituir, pelo menos, metade
da dieta de feno, para compensar as deficiências dos outros fenos.
TND Prot. Dig. Ca:P
50,3 10,5 7:1
FENO DE AVEIA
o feno de aveia é satisfatório como único feno para cavalos maduros e
inativos. Porém, é pobre em proteínas, sendo aconselliáve1 adicionar uma suple-
mentação que as contenha. É também pobre em cálcio. É importante que
o feno de aveia seja cortado e silado apropriadamente, retendo algumacor
e muitos grãos. Para qualquer tipo de produção ou para animais jovens em
crescimento, suplementos adicionais são necessários.
TND
47,3
Prot. Dig. Ca:P
4,9 1:1
Nutrição Eqüína 91
FENO DE CAPIM RABO-DE-RATO.
A popularidade desse feno é devido à facilidade com que cresce e é transfor-
mado num feno claro, livre de pó ou mofo. É pobre em proteínas, mas bom
para animais maduros de tralho, se for propriamente suplementado. É definiti-
vamente insuficiente para produção de leite ou para potros em crescimento.
TND
48,9
Prot. Dig. Ca:P
2,9 1:1
FENO DE CEVADA
Esse feno é de certo modo similar, em valor, ao feno de aveia, exceto por
ser mais pobre em proteínas e freqÜentemente causar ferimentos na boca.
TND
212.
Prot. Dig. Ca:P
4,0 1:1
FENO MESCLADO
o feno mesclado é usualmente pobre em proteínas e possui grande conteúdo
fibroso, sendo dessa forma, um alimento, em geral, pobre. Freqüentemente
causa muitos ferimentos na boca, abscessos e irritação devido ao capim rabo-de-
raposa" Feno mesclado não é recomendado como uma ração padrão para
cavalos, especialmente se trabalham ou são utilizados para criação. Feno com
capim cauda-de-raposa e cevada com farpas não deve ser dado aos cavalos
(Figs.5.4, 5.5, 5.6 e 5.7).
TND
46,7
Prot. Dig. Ca:P
0,6 3:1
PASTAGEM VERDE
Um capim bom e verde parece ter algo bem superior em valor nutritivo.
Cavalos em um pasto bom e viçoso atingem sua plenitude fisica e ganham
peso. Um bom pasto não é superado por qualquer outra forragem em conteúdo
.N. do T. - o feno de Capim Rabo-de-Rato também é chamado de Capim-de-Manada ou Capim-de-
Rebanho (Phleum pratense).
.. N. do T. - Alo percurus pratensis
92 Nutriç30 e Reproduç;io
Figura 5.4. Feno mesclado de bai,xaqualidade. Normalmente tem um valor nutricional
muito baixo e geralmente tem muito capim rabo-de-raposa, que causa dano à boca
dos cavalos.
Figura 5.5 - Ferimentos na boca causados por capim rabo-de-raposa no feno de baixa
qualidade.
Nutrição Eqüina 93
Figura 5.6 -Infecções causadas por capim rabo-de-raposa saindo através dos tecidos.
vitamínico, assim como em sabor. Normalmente, o pasto verde tem em tomo
de 15% TND; todavia, conforme o capim amadurece, o conteúdo vitamÍnico,
assim como o sabor, diminuem. Pasto jovem é também muito mais rico em
proteínas e mais digerível. A rotação de pastagens deve ser feita, se possível,
para evitar problemas de parasitas. Cavalos com hipotiroidismo devem ser
mantidos longe dos pastos para evitar aguamento.
TND
14,9
Prot. Dig. Ca:P
3,7 2:1
Veja na Figura 5.8, um gráfico sobre as tendências sazonais em conteúdo
nutritivo das forragens.
94 Nutrição e Reprodução
Figura 5.7 - Infecções causadas por capim rabo-de-raposa saindo através dos tecidos.
Concentrados
AVEIA MOÍDA OU AMAsSADA
A Prot. Dig. da aveia moída ou amassada é alta o suficiente para equilibrar
as deficiências dos fenos de capim. Tem, porém, um TND relativamente baixo.
Aveia é o grão mais seguro, e é o alimento padrão para os cavalos. Rações
de grão de aveia pura, cevada, milho e cevada, farelo, ou misturas das mesmas
têm desequilíbrio na razão Ca:P. Uma fonte adicional de cálcio, como feno
de alfafa,é necessária.
TND
72,2
Prot. Dig. Ca:P
7,0 1:3
Nutrição Eqüína 95
--- Arbustos
- Capim
Iu
=
(IJ
u
~
!Capins perderam:85% do caroteno75% da proteína
65% do fósforo Fósforo-,.
Proteína,
Caroteno
Abr. )un. Ago. . Out. Dez. Fev.
Figura 5.8 - Variações sazonais no conteúdo de proteínas, fósforo e caroteno de forragens
do pasto.
CEVADA MOÍDA
A cevada moída tem um bom TND, mas é pobre em proteínas. Os cavalos
não mastigam bem a cevada inteira. A cevada é muito mais pesada do que
a aveia, e por isso pode causar cólica, se não for misturada com alimentos
mais volumosos, como a aveia. Nutricionalmente, é quase igual à aveia, porém,
mais rica em fósforo.
TND
78,7
Prot. Dig. Ca:P
6,9 1:6
MIlHO QUEBRADO (QulRERA)
O milho quebrado é muito saboroso, rico em vitamina A e gordura, mas
pobre em proteína e cálcio (apenas 180 g de cálcio em uma tonelada). É
pesado e muito concentrado. Tome cuidado quando alimentar em grandes
quantidades. O milho tem valor nutricional 15% inferior ao da aveia, para
cavalos que estão trabalhando.
TND
80,1
Prot. Dig. Ca:P
6,6 1:13
96 Nutrição e Reprodução
FARELO DE TRIGO
o fareIo de trigo é constituído principalmente pelos envoltórios externos
do grão de trigo. É muito saboroso e levemente laxante. É duas vezes mais
volumoso do que a aveia, e rico em gordura. É também muito rico em fósforo
e tem sido associado ao cálculo urinário dos eqüinos (pedras na bexiga). Pod('
ser uma causa importante de desequilíbrio Ca:P.
TND
67,2
Prot. Dig. Ca:P
13,7 1:9
FARELO DE LINHAÇA
o fareIo de linhaça é muito saboroso e um pouco laxante. Tem um efeito
condicionador. Cavalos alimentados com farelo de linhaça mudam o pêlo mais
cedo e ficam lustrosos. É uma fonte de proteínas excelente e bom para ser
dado quando se usar feno de má qualidade. Não use mais do que 450 g a
680 g por dia, ou 1 parte para 16 partes de milho e aveia. O aparecimento
de uma urticária temporária ("caroços de comida") não é incomum quando
se usa o fareIo de linhaça. Para alguns cavalos é, às vezes, muito laxante.
TND
77,2
Prot. Dig. Ca:P
30,8 1:3
FARELO DE CAROÇO DE ALGODÃO
Esse fareIo é muito rico em fósforo. É pobre em vitamina A e D (como
outros produtos de sementes), mas possui um conteúdo razoável de vitamina
B. Ele produz gordura sólida e tem uma leve ação de prender o intestino.
É uma alimentação pesada e, em excesso, pode causar cólica. É possível dar
de 450 g a 680 g por dia, mas 113 g diários, é mais seguro. Possui proteína
de muito boa qualidade e dá bastante vigor ao cavalo.
TND
78,4
Prot. Dig. Ca:P
36,4 1:4
FARELO DE SoJA
O fareIo de soja é um dos melhores suplementos de proteína. Não possui
vitamina A e D, mas tem quantidade suficiente de vitamina B1 e niacina. Não
dê mais do que 450 g por dia; é um alimento pesado e não deve compor
Nutrição Eqüína 97
mais do que um terço da mistura total. Tem menos fósforo que o fareio de
algodão, linhaça ou trigo. Dá bastante vigor fisico ao cavalo.
TND
78,6
POlPA DE BETERRABA
Prot. Dig. Ca:P
37,5 1:2
A polpa de beterraba é rica em fibra, porém, é bem digerida. É rica em
cálcio, mas pobre em fósforo. Não tem vitamina A e D, mas é volumosa e
razoavelmente saborosa. É rica em carboidratos e energia, mas relativamente
pobre em proteína. É freqüentemente usada para balancear a razão Ca:P.
TND
67,8
MELAÇO
Prot. Dig. Ca:P
4,3 6:1
o melaço é um suplemento comum. para os cavalos. Ele aumenta o valor
nutritivo, melhorando o sabor de outros alimentos e diminuindo, dessa forma,
os gastos. Dê no máximo de 450 g a 900 g por dia. Quantidades superiores
a isso podem ser muito laxantes e também causar aumento na sudorese e
inabilidade para trabalho pesado no verão. É uma boa fonte de carboidratos,
ferro e cálcio.
TND
54,0
Prot. Dig. Ca:P
o 9:1
FARELO DE AuAFA COM MELAÇO
o farelo de a1fafacom melaço nutricionalmente não é muito melhor que
o feno de a1fafapuro, mas pode estimular os cavalos jovens a comer mais,
além de ser um bom suplemento para cavalos mais velhos com dentes ruins.
É uma boa fonte de ferro e energia, assim como um excelente suplemento
alimentar quando se tenta engordar um animal. Pode ser dado à vontade,
sem perigo de causar cólica.
TND
50,6
Prot. Dig. Ca:P
9,0 4:1
98 Nutrição e Reprodução
lBrEDURA
É uma excelente fonte de complexo B. Se iguala ao farelo de linhaça como
fonte de proteína, mas é muito rica em fósforo. Sua proteína é uma das melhores
proteínas vegetais e parece ter um efeito tonificante devido a algum fator
desconhecido que contém. Duas colheres das de sopa cheias, por dia, são
uma quantidade eficaz. Quatro colheres das de sopa cheias, por dia, podem
fuzer milagres para acalmar cavalos nervosos e auxiliar a repelir insetos hemató-
Cagose parasitas externos.
TND
70,5
Prot. Dig. Ca:P
47,4 1:6
SAL
Os alimentos de origem vegetal são pobres em sal. Um cavalo necessita,
pelo menos,de 62 g por dia, ou 450 g por semana, dependendo do clima
e da quantidade de trabalho que realiza. Deficiências podem se desenvolver
facilmente, causando pouco crescimento, apetite anormal (como o dos que
comem madeira), músculos enrijecidos, pelagem ruim e suscetibilidade aumen-
tada ao calor. Dê sal com minerais à vontade. Não force a alimentação.
VITAMINAS
Vitaminas são substâncias orgânicas necessárias para as funções normais do
corpo. Deficiências podem causar incapacidade de crescer, reproduzir-se e
manter boa saúde. As deficiências subclínicas causam as maiores perdas econô-
micas devido à falta de síntomas óbvios.
No cavalo, nós observamos com mais freqüência os sintomas de deficiência
de vitamina A e complexo B, apesar de muitas outras vitaminas também serem
essenciais na dieta.
As deficiências freqüentem ente ocorrem sob as seguintes condições: armaze-
nagem prolongada dos alimentos; alimentos de baixa qualidade; alimentação
forçada e prolongada; longos períodos de seca; parasitismo excessivo e proble-
mas dentários.
Vitamina A
É provável que a vitamina A, clinicamente, seja a deficiência vitamínica mais
comum na ração dos cavalos.
FUNÇÕES
1.Saúde de todos tecidos epiteliais, como os que revestem os tratos digestivo,
respiratório e reprodutivo, assim como os tecidos da pele e córneas dos
olhos.
Nutrição Eqüina 99
2. Crescimento ósseo. (Pouco crescimento ósseo pode resultar em pressão
nos nervos, o que pode causar falta de coordenação, espasmos e manqueira.)
3. Prevenção de cegueira noturna.
SINTOMAS
Os sintomas mais óbvios são os que afetam a pele e pêlo (Fig. 5.9). A pele
torna-se muito seca e apresenta descamação. Cavalos negros freqüentemente
ficam com a pelagem amarronzada pelo sol. Os Palominos, geralmente, ficam
muito pálidos. Corrimento nos olhos pode ser um sintoma (Fig. 5.10). Os
cascos podem ficar muito secos e escamosos (Fig. 5.lOA). Há também uma
queda na resistência às infecções respiratórias, estresse e diarréias.
Crescimento insuficiente, curvatura do machinho, aumento nas articulações,
membros fracos e tortos podem ser observados em potros (Fig. 5.11). Animais
de reprodução podem se tomar menos férteis.
Figura 5.9 -Pelagem descorada pelo sol devido à deficiência de vitamina A.
100 Nutrição e Reprodução
."
Figura 5.10 . Corrimento no olho causado por deficiência de vitamina A.
DISCUSSÃO
Pasto verde e feno de leguminosas são, provavelmente, as melhores fontes
naturais de vitamina A.Avitamina A se oxida rapidamente no ar. Mesmo quando
o feno é bem armazenado num bom celeiro, 80% éJperdido em 6 meses.
Se o feno se aquece ou embolora muito na silagem ou armazenagem, pratica-
mente toda a vitamina A é perdida.
Como os animais jovens nascem com pouca reserva de vitamina A, e como
as deficiências ocorrem tão freqüentemente é boa política proporcionar um
suplemento de vitamina A, . especialmente para éguas prenhas e potros em
crescimento. Uma forma "aquosa" de vitamina A pode ser injetada para obter-
mos uma reserva no figado, em 24 horas, enquanto uma dieta prolongada
deficiente em vitamina Apode requerer muitos meses de grande suplementação
oral para se conseguir uma reserva no fígado.
Nutrição Eqüina 101
Figura 5.10 A . Deficiência de vitamina A comumente causa cascos secos que racham
facilmente. A fotografia mostra um quarto partido.
Figura 5.11 - Potro que nasceu com membros fracos e pelagem ruim porque sua
mãe não ingeriuvitaminaA suficientedurante a prenhez.
102 Nutrição e Reprodução
Complexo B
As deficiências de complexo B não são incomuns nos cavalos e podem
predispor o animal à vários sintomas.
FuNçõES
Essas vitaminas estão envolvidas com as coenzimas do metabolismo dos
carboidratos, proteínas e gorduras. Asaúde e o funcionamento do tecido nervoso
dependem do complexo B, especialmente da vitamina BJ (tiamina). O cresci-
mento, apetite, formação das células do sangue e o bem estar geral são afetados
adversamente pelas deficiências.
Parece que os cavalos freqüentemente manifestam uma necessidade maior
de vitamina B durante os meses frios do inverno e quando em treinamento.
O estresse faz com que o organismo utilize mais energia, que é derivada do
metabolismo dos carboidratos, proteinas e gorduras, utilizando, assim, mais
vitamina B.
SINTOMAS
. Nervosismo excessivo, irritabilidade, aumento na sensibilidade da pele e
edema nos membros são sintomas comuns. Sensibilidade no dorso e arrastar
os membros posteriores são freqüentemente observados, mas podem ser relacio-
nados com desequilíbrio Ca:P. Pouco apetite, anemia e fraqueza são outros
sintomas.
PREvENÇÃO E TRATAMENTO
Bons pastos verdes e fenos de leguminosas são fontes naturais, mas a levedura
oferece um suplemento muito bom de complexo B. Quatro collieres das de
sopa cheias são dadas, por dia, na primeira semana; então, a dosagem é reduzida
para duas collieres das de sopa cheias, por dia. Essa suplementação de levedura
é continuada pelo tempo necessário para prevenir os sintomas de deficiência
de vitamina B.Também se mostra útil para tomar os cavalos menos "saborosos"
para os insetos, carrapatos e piollios.
Vitamina D
A vitamina D é muito importante para auxiliar na absorção de cálcio no
trato gastrointestinal. As deficiências causam ossos fracos e raquitismo. Luz
solar e feno de alfaia são fontes excelentes., Cavalos de corrida e outros cavalos
mantidos em cocheiras por longos periados de tempo, sem acesso à luz solar,
são os mais afetados. Suplementação excessiva de vitamina D deve ser evitada
.N. do T. . A luz solar não pode ser considerada uma fonte de vitamina D, mas é essencial
para sua fixação pelo organismo.
Nutrição Eqüína 103
porque muita vitamina D pode ser tóxica e pode causar depósitos de cálcio
anormais nos tecidos moles ou ósseos, o que pode ser uma causa fundamental
de problemas como exostose interfalangeana, exostose da terceira falange e
esparavões.
Vitamina E
A vitamina E, descoberta em 1922, tem passado por muitos debates sobre
o seu valor e necessidade como suplemento na dieta. Como seu uso suplementar
não foi claramente comprovado como tendo valor em qualquer área de atividade
eqüina (incluindo a reprodução), e como o autor não está convencido do
seu efeito terapêutico em doenças dos eqüinos, nenhuma recomendação especí-
fica para seu uso ou suplementação é feita aqui. Essa situação pode mudar
no futuro, quando soubermos mais a respeito.
Suplementos Vitamínicos
Na discu:.são geral sobre vitaminas, foi apontado que as deficiências vitamí-
nicas mais importantes no cavalo são as de vitamina A e complexo B. Isso
não quer dizer que as outras vitaminas conhecidas não são importantes para
o cavalo, mas não é certo que as suas deficiências sejam um problema. Apesar
do grande número de preparados vitamínícos comerciais para cavalos, no merca-
do, o autor não conhece nenhum produto que possua, sozinho, altos níveis
de todas as vitaminas particulares usadas terapeuticamente e para manutenção
dos níveis. Na maioria das vezes, quando for necessário um suplemento de
complexo B, deve ser dada a levedura. Quando comprado um preparado
vitamínico geral, deve-se dar atenção especial para o conteúdo de vitamina
A por 1/2 kg. Deve-se compará-Io com outros produtos com base na quantidade
de vitamina A por 1/2 kg e na confiabilidade do fabricante. Possuir multivita-
mínicos adicionais pode oferecer um "seguro nutricional".
MINERAIS
Os minerais são elementos inorgânicos que têm papel importante na química
do organismo. São essenciais na formação do esqueleto, dentes e células sangüí-
neas. São elementos constituintes necessários de muitas atividades bioquímicas
complicadas, do metabolismo normal do corpo. Os minerais têm papéis impor-
tantes no equilíbrio dos fluidos dos tecidos do corpo e na circulação de oxigênio
na corrente sangüinea. Também são essenciais na formação das células sangüí-
neas, atividade normal da tireóide e metabolismo muscular. Dos catorze minerais
essenciais conhecidos, somente nove têm interesse prático para cavalos: cálcio,
fósforo, sódio, cloreto,iodo, cobalto, cobre, ferro e magnésio. Deficiência de
ferro e magnésio pode ser um problema nos potros em amamentação.
SINTOMAS
Os efeitos das deficiências de minerais são normalmente subclinicos, e não
~ãoreconhecidos ou atribuídos a deficiências específicas de minerais. Condições
104 Nucrição e Reprodução
anormais, como anemia ou osteomalacia são associadas a desequilíbrios Ca:P.
A deficiência de cálcio é rara no cavalo, porém, fenos plantados em solos
pobres em fósforo podem não fornecer fósforo suficiente para as atividades
normais do corpo. Quase todos os programas de suplementação de grãos previ-
nem a ocorrência desse quadro. Uma ddiciência de fósforo longa e contínua
pode causar enrijecimento das articulações, ossos fragéis, abortos, potros Ú'acos,
fertilidade reduzida, apetite reduzido e menor eficiência na digestão.
Deficiência de sal pode causar fadiga, baixo rendimento, pelagem ruim, perda
de peso e produção, olhos baços, potros ú'acos e apetite anormal (por coisas
estranhas como madeira, terra ou esterco). Problemas secundários na digestão
podem ocorrer. O hábito de mascar madeira também está associado com tédio
e irritação na boca causada por migração de larvas de mosca nos tecidos
das bochechas e língua. Esses sintomas freqüentemente desaparecem com
rapidez, assim que o sal é posto à disposição. Um cavalo normalmente necessita
de 60 g a 90 g de sal por dia. As quantidades maiores são necessárias durante
os meses mais quentes. Como regra geral, é melhor ter sempre sal à disposição
do cavalo. Apesar de um pouco de sal poder melhorar o sabor do alimento,
muito sal pode piorá-lo. Sal grosso para os cavalos é desejável, mas blocos
de sal são satisfatórios. Blocos de sal com minerais estão disponíveis no mercado,
mas são somente necessários em áreas com solos deficientes em minerais.
O proprietário de cavalos deve sempre pedir ao veterinário local ou zootecnista
recomendações específicas.
Suplementos Minerais Comerciais
Tomou-se popular, em algumas áreas, dar suplementos minerais ou vitamini
co-minerais muito divulgados. Há não muito temPo, muitos compostos minerais
comercializados para criações eram mal balanceados e causavam, por si só,
muitos problemas, mas informações mais modernas corrigiram muitas dessas
situações. Apesar dos suplementos vitaminicos serem definitivamente reco-
mendados, suplementos minerais, que não uma fonte equilibrada de Ca:Pquando
necessária, e um bloco de sal com minerais, são provavelmente desnecessários,
exceto em áreas-problema. Deve-se notar que muitos rótulos de compostos
comerciais Ú'eqüentemente têm longas listas de substâncias e vários ingredientes
que são, na maioria das vezes, incluídos apenas para impressionar um provável
comprador. São conhecidos no ramo como "lavagem visual". Peça novamente
ao veterinário local ou zootecnista recotttendações específicas. Suplementos
de ferro com vitamina B12e outras vitaminas do complexo Bsão ft'eqüentemente
dados aos cavalos em treinamento devido à sua capacidade de "melhorar o
sangue". Esses produtos têm, geralmente, seu valor.
CARACTERÍSTICA DE ALGUNS ALIMENTOS COMUNS
AuMENTOS COM MUITA ENERGIA
Esses alimentos (farelo de linhaça, farelo de alfafa,milho, melaço) são especial-
mente úteis durante tempo mo e para ganhar peso. Não são recomendados
em grandes quantidades para cavalos que trabalham duro.
Nutrição Eqüina 105
SUPLEMENTO DE PROTEÍNA
Esses alimentos (farelo de caroço de algodão, farelo de linhaça, farelo de
soja) são necessários para o crescimento, produção de leite e para balancear
rações com fenos de baixa qualidade.
AuMENTOS PEsADOS
Uma ração de grão muito pesada pode causar problemas digestivos. Alimentos
pesados são melhores quando dados junto com alimentos mais volumosos.
Milho, cevada, farelo de caroço de algodão, farelo de linhaça e farelo de soja
são alimentos pesados.
AuMENTOS VOLUMOSOS
Esses são úteis para serem usados com concentrados pesados. Aveia, polpa
de beterraba e forragens são alimentos volumosos.
AuMENTOS lAxANTES
Os alimentos laxantes são úteis para éguas próximas do parto, logo após
o parto, para prisão leve dos intestinos e para cavalos propensos a retenção
de fezes. Trigo, farelo de linhaça, melaço e, às vezes, alfafasão alimentos laxantes.
AuMENTOS QUE PRENDEM o INTEsTINO
Esses alimentos podem ser úteis para os cavalos propensos à diarréia. Farelo
de caroço de algodão e, às vezes, feno de aveia têm esse efeito.
AuMENTOS COM DESEQUlÚBRIO CA: P
Os alimentos comumente usados com desequilíbrio Ca:Psão: aveia, 1:3 (pode
ser importante); cevada, 1:6 (pode ser importante); milho, 1:13 (pobre em
ambos, não é provável que seja importante); trigo, 1:9 (pode ser muito impor-
tante, se for usada grande quantidade); farelo de caroço de algodão, 1:4 (pode
ser muito importante porque contém muito fósforo ).
FONTES DE CÁLCIO
Esses alimentos são normalmente necessários para compensar grande ingestão
de fósforo em rações com muito grão. A razão Ca:P de várias fontes de cálcio
106 Nutrição t: Reprodução
é: feno de alfafu, 7:1; polpa de beterraba, 6:1; melaço, 9:1; farinha de osso,
2:1; farinha de conchas, 2:1.
BOAS FONTES DE VITAMINAS
Boas fontes de vitamina A e complexo B são: milho, cenoura, feno de alfaia,
pastos verdes (vitamina A); levedura, pastos verdes e grãos (complexo B).
É mellior suplementar a dieta com preparados comerciais para garantir ingestão
adequada dessas vitaminas.
COMPARANDO ALIMENTOS COMERCIAIS (RAÇÕES)
Tem se tomado comum comprar alimentos comerciais pré-preparados ou
mi,sturados. Como as fórmulas exatas não são reveladas, o proprietário tem
somente o rótulo do alimento para julgar seu valor relativo. É preciso crer
que as companhias produzem um alimento nutricionalmente equilibrado. Os
rótulos precisam ter o valor do conteúdo de proteína bruta, gordura bruta,
fibra bruta, cinzas e minerais.
O valor de proteína bruta é a mellior indicação do valor relativo do alimento.
Seu custo por quilo deve ser usado para determinar se uma ração deve ser
comprada ou não. Deve-se frisar que grãos embolorados ou defeituosos, e
fenos embolorados ou com ervas daninhas, podendo conter capim rabo-de-
raposa, não são boas compras por nenhum preço.
Alimentos com valor de fibra bruta de 25% ou mais são forragens e devem
ser comparados com outras forragens para determinar seu valor relativo com
base na proteína bruta por quilo. Alimentos com um valor de fibra bruta de
10% ou menos são concentrados. As Tabelas 5.1 e 5.2 mostram comparações
entre vários alimentos.
Comparando Compostos Vitamínicos
Como quase todos os compostos vitamínicos comerciais para cavalos não
são bons suplementos de complexo B, seus valores relativos são baseados,
mais eficientemente, no seu conteúdo de vitamina A (Tabela 5.3).
Pode-se verificar prontamente na Tabela 5.3 que a Mistura 4 é, de longe,
a mellior compra com base no conteúdo de vitamina A.
Necessidades Alimentares dos Cavalos
A ração é a quantidade total de alimentos ingerida por dia. O "Consellio
Nacional de Pesquisa" estabeleceu as necessidades nutricionais dos cavalos
para diferentes graus de atividade. As necessidades mudam dependendo de
quais nutrientes adicionais são necessários para o organismo realizar as ativida-
des dele exigidas. É muito importante que todas as necessidades nutricionais
sejam preenchidas de modo a não causar perda de condição fisica ou possível
Nutrição Eqiiin3 107
anormalidade. Se todas essas necessidades forem supridas a ração é considerada
uma ração balanceada (Fig'!. 5.12, 5.13 e 5.14).
A Tabela 5.5 é um quadro das necessidades importantes para um cavalo
de 450 kg.
Calculando a Ração
Como pode ser notado, os cavalos são usados para propósitos diversos, neces-
sitando de diferentes quantidades de nutrientes de diversas qualidades (Fig'!.
5.12,5.13 e 5.14). Usando-se:
1. o quadro de "Necessidades" (Tabela 5.5) baseado nas recomendações
do "Conselho Nacional de Pesquisa", 2. o quadro de "Linhas gerais" (Tabela
5.11) 9ue reflete essas necessidades, e 3. o quadro "Valor dos alimentos"(Tabela
5.4). E possível calcular com acerto o valor nutritivo de uma dada ração,
e criar, por tentativa e erro, uma ração que preencha as necessidades de cavalos
usados para as várias atividades.
ExEMPLO
Usando as tabelas, podemos determinar a ração para um cavalo maduro,
inativo, pesando 450 kg. Consultando a Tabela 5.11, descobrimos que esse
cavalo deve apenas necessitar de aproximadamente 6,8 kg de feno bom. Consul-
til)
~
~
~ 6,8
,~
~-
Q
'IJ
QJ
=
QJ
1i
::I 4,5
Z
QJ
~
g
~
~ 2
220 Kg Cavalo Égua no fim Cavalo de Cavalo Égua em
desmamado inativo da prenhez 450 kg 450 kg lactação
trabalho trabalho 7 2
leve médio '
. Baseadoem 6,8 kg de feno
Figura 5.12 -Necessidades nutricionais dos eqüinos quanto ao TND.
4,5
3,6 3,6
Alfafa.
3,2 AveJa.
I"Mesclado.
(Capim.
108 Nutrição e Reprodução
Cavalo Cavalo de
inativo 450 kg
trabalho
leve
220 kg Cavalo de Égua no Égua em
desmamado 450 kg fim da lactação
trabalho prenhez
médio
0,7
:
5
~
111
.~ 0,4
111
:ã
~
.S
!!e
CIo 0,2.
1.'3
Q
~
. Baseado em 6,Skg de feno
Figura 5.13 . Necessidades nutricionais de Prot. Dig. dos eqüinos.
220 kg. Cavalo Égua no
desmamado inativo fim da
Cavalo de Cavalo de Égua em
450 kg 450 kg lactação
6,S
11,3
:
!-
111
,~
~ 9,1
:a
i
~.
~
Q
~
i .Baseado em 6,Skg de feno
Figura 5.14 . Necessidades nutricionais de Energia Dig. dos eqüinos.
I Alfafa.
0,6
0,59 ..r-
0,5-
0,43
0,4 ---I
r Aveia.0,6
r.Mesclado. -
.:L Capim.
- -L--
prenhez o 12,7
1-
.3
7,S 7,9
6,9
6,4 I'" AIfafa.
ÇMesclado.
It" Aveia.
t..Capim
Nutrição Eqüína 109
tando a Tabela 5.5, achamos que os valores são: 1ND 3-4; Prot. Dig. 0,27-0,36;
DM 6-8; Ca 0,015 e P 0,015 (Ca:P 1:1).
Vamos ver se apenas 6,8 kg de feno de aveia vão suprir essas necessidades.
Podemos notar que essa ração é talvez apenas um pouco baixa em TND
ou fósforo, mas não é provável que isso seja significativo. Se o feno fosse
de muito baixa qualidade, suplementos adicionais seriam, então, necessários.
O método de cálculo é O seguinte: como os valores do alimento estão em
porcentagens, eles são transformados para sua forma decimal (por exemplo,
1ND 50,3% = 0,503). Esse número decimal multiplicado pela quantidade
de alimento usado (em quilos) dá a quantidade de nutrientes na ração.
Se fossemos dar uma ração de feno de alfafa e feno de aveia, meio a meio,
o cálculo seria o seguinte:
1ND 0,463 x 6,8 = 3,184
1ND = 3,18
Prot. Dig. 0,045 x 6,8 = 0,306
Prot. Dig. = 0,31
DM 0,881 x 6,8 = 5,99
DM = 6,0
Ca 0,0022 x 6,8 = 0,01496
Ca = 0,015
P 0,0017 x 6,8 =0,01l56
P = 0,012
Ca:P 0,015 -;-0,012 = 1,25
Ca:P = 1,3:1
Valores nutrientes do feno de aveia: TND 46,3; Prot. Dig. 4,5; DM 88,1; Ca 0,22; P 0,17
TND Prat. Dig. DM Ca P Ca:P
Necessidades
3-4 0,27-0,36 6-8 0,015 0,015 1:1
Quantidade
ernkg Alimento
6,8 Feno de
aveia 3,18 0,31 6,0 0,015 0,012 1,3:1
Feno de alfu& -1ND 50,3; Prot. Dig. 10,6; DM 90,5; Ca 1,43; P 0,21
Feno de aveia -TND 46,3; Prot. Dig. 4,5; DM 88,1; Ca 0,22; P 0,17
TND Prat. Dig. DM Ca P Ca:P
Necessidades
3-4 0,27-0,36 6-8 0,015 0,015 1:1
Quantidade
ernkg Alimento
3,4 Feno de
altafa 1,7 0,36 3,1 0,05 0,007 6,9:1
3,4 Feno de
aveia 1,6 0,15 3,0 0,008 0,006 1,3:1
Q,8 Total 3,3 0,51 6,1 0,058 0,013 4,4:1
110 Nutrição e Reprcxlução
Feno de alJilJá
1ND 9,503x 3,4 = 1,71116
1ND = 1,7
Prat. Dig. 0,106 x 3,4 = 0,3606
Prat. Dig. = 0,36
DM 0,905 x 3,4 = 3,078
DM'= 3,1
Ca 0,0143 x 3,4 = 0,0486
Ca = 0,05
P 0,0021 x 3,4 = 0,00714
P = 0,007
Ca:P 0,05 + 0,007 = 6,942
Ca;P = 6,9:1
Feno de aveia
TND 0,463 x 3,4 = 1,575
1ND = 1,6
Prat. Dig. 0,045 x 3,4 =0,153
Prat. Dig. = 0,15
DM 0,881 x 3,4 = 2,997
DM = 3,0
Ca 0,0022 x 3,4 = 0,00748
Ca = 0,008
PO,0017x 3,4 = 0,00578
P = 0,006
Ca:P 0,008 + 0,006 = 1,33...
Ca:P = 1,3:1
DESEQUILÍBRIO CÁLCIO-FÓSFORO
Alguns dos problemas nutricionais mais comumente reconhecidos são os
causados por desequilíbrio Ca:P. A razão da ingestão de cálcio em relação
à de fósforo é especialmente crítica no cavalo. Idealmente, essa razão deveria
ser de 1 ou 2 partes de cálcio para uma de fósforo (por exemplo: 1:1 ou
2:1). A maioria dos problemas parecem ocorrer quando há um excesso de
fósforo e não um excesso de cálcio. Os estudos têm indicado que problemas
clínicos podem ocorrer com um desequilíbrio tão pequeno quanto 1:1,4 e
que 1:1,6 faz com que problemas ocorram rapidamente. Apesar dos cavalos
poderem tolerar bem uma grande ingestão de cálcio com uma Ca:P de 4:1
ou mais, altos níveis de quantidade de ambos, cálcio e fósforo, podem ser
nocivos. Um ingestão de altos níveis de cálcio e fósforo num estudo realizado
com éguas prenhas resultou num aumento da taxa de abortos, redução do
peso dos potros ao nascer e aumento da incidência de desenvolvimento ósseo
anormal nos potros.
SINTOMAS
Alterações Ósseas. Os potros são especialmente afetados porque 90%
do seu esqueleto ósseo é composto de cálcio e fósforo. Os desequilíbrios
resultam em juntas aumentadas, inflamação do centro de crescimento dos
ossos (epifisite), articulações doloridas, membros tortos e, ocasionalmente,
uma fratura nas epífises enfraquecidas. Excesso de fósforo na dieta de éguas
prenhes pode causar danos ao potro, que não podem ser corrigidos após o
nascimento. Esses potros nunca amadurecem normalmente. Cavalos adultos
podem desenvolver uma desmineralização ou amolecimento dos ossos (osteo-
matacia). Uma condição conhecida como "cara inchada" pode ocorrer, mas
é incomum.. Razões Ca:P anormais podem estar envolvidas com depósitos
.N. do T. - Pode ocorrer em cavalos qQe se alimentam somente de Brachiária humidícula.
Nutrição Eqüina 111
de cálcio anormais resultando em problemas como exostose interfalangeana,
exostose da terceira falange e espavarão duro. Artrite degenerativa, ataxia dos
posteriores e doença do navicular podem ser predispostas por esse desequilíbrio
nutricional.
Problemas Musculares. A história completa das "irritações no dorso"
ou miosites lombares não é entendida claramente. As irritações no dorso são
evidentes quando se põe a sela no animal e ele recua e se encolhe, abaixando-se.
Casos menos óbvios podem ser detectados aplicando-se uma pressão razoável
quando correndo o polegar e o indicador ao longo do dorso, sobre a área
do lombo. Os músculos vão tremer e o cavalo vai ter uma tendência a se
abaixar. Sensibilidade em toda a pele quando escovado freqüentemente acom-
panha esse problema. Essa condição pode facilmente ser produzida dando-se
ao cavalo uma ração de feno de capim de baixa qualidade ou feno de grão,
acompanhada por ração substancial de aveia, cevada, milho, trigo ou combi-
nações desses grãos. Essa dieta tem uma razão Ca:P muito ruim, pois, é bem
alta em fósforo e pobre em cálcio. A despeito do nosso conhecimento básico
desse problema, muito freqüentem ente observamos cavalos com sensibilidade
no dorso e que recebem a ração mais balanceada que somos capazes de produzir.
Se isso for um problema persistente em um dado animal, representa uma enfer-
midade que vai interferir com a utilização do animal.
A Tabela 5.7 mostra misturas de grãos típicas que possuem desequilíbrio
na razão Ca:P e as Tabelas 5.8 a 5.10 mostram rações de grãos balanceadas
para cavalos em várias condições de uso e clima.
ALIMENTOS GRANULADOS
A granulação de alimentos para todos os tipos de criação tem se tornado
popular nos últimos anos. Os prós e contras dos alimentos granulados para
cavalos são os seguintes:
VANTAGENS
I. Facilidade de armazenar e manusear
2. Fazem menos pó
3. Facilidade em incorporar suplemento vitamínico
4. Menos desperdício
DESVANTAGENS
1.Relativamente mais caros
2. Predispõe os cavalos a mascar madeira
3. Pedaços muito pequenos ( I cm ou menos) freqüentemente causam engasgos
4. Não se pode julgar a qualidade do alimento que foi granulado
112 Nutrição e Reprodução
Deve-se pesar essas características para determinar se os alimentos granulados
podem se encaixar num programa alimentar específico..
ANTIBIÓTICOS NA RAÇÃO
o uso de baixos níveis de antibióticos na ração de porcos e aves domésticas
tem freqüentemente resultadoem aumento no ganho de peso. Resultados simi-
lares têm sido conseguidos, com fregüência, com bezerros. Isso é devido prova-
velmente ao efeito dos antibióticos, que previnem pequenas infecções. Esses
resultados não foram observados ao dar-se quantidades diárias de até 200 mg
de cloridrato de oxitetraciclina (Henricson, H., 1960). Mais importante ainda
são as descobertas dos pesquisadores britânicos liderados pelo professor M.
M.Swann (The Swann Report, 1971) na Inglaterra, que descobriram que dando
baixos níveis de antibióticos às criações pode, na realidade, criar um problema
de saúde pública, causando o desenvolvimento de bactérias resistentes que
podem ser patogênicas para o homem. Esses pesquisadores demonstraram que
pode ser possível que cepas resistentes não patogênicas mutem para patogênicas
altamente perigosas. Devido a esses achados e à falta de evidência que dar
antibióticos na alimentação dos cavalos tem qualquer efeito benéfico, o seu
uso não é recomendado e deve ser desencorajado. O autor também obteve
baixa resposta terapêutica ao uso de oxitetraciclina em cavalos com infecções
respiratórias graves que haviam sido alimentados com ração contendo baixos
níveis desse antibiótico.
ENERGIA E NECESSIDADES DE GRÃo PARA O TRABALHO
Como um automóvel precisa de gasolina para funcionar, o cavalo precisa
de combustível para trabalhar. O tipo de trabalho exigido do animal tem um
efeito geral na sua longevidade. Quanto mais duro for o trabalho que ele
realiza, maiores serão suas necessidades alimentares. Foram estabelecidas pelas
pesquisas, as quantidades de energia usadas durante vários tipos de atividades
dos cavalos. Expressamos essas necessidades em termos de megacalorias por
hora por quilo (Mcal!hlkg). Fica mais fácil de se discutir e entender quando
convertemos isso por quilos aproximados de grão necessários por hora de
atividade. A Tabela 5.13 indica a quantidade aproximada de grão balanceado
necessário para suplementar uma boa ração de feno para suprir as necessidades
energéticas para essas atividades.
Apesar dos valores da Tabela 5.13 representarem uma relação entre energia
usada e quantidade de grão utilizado por hora de trabalho, o total final de
grão necessário para um dia de trabalho ou período de treinamento não pode
ser calculado com base na soma total das quantidades de tempo gastas em
cada andadura. Alguns cavalos estão em melhor condição que outros, e portanto,
usam sua energia com mais eficiência. A quantidade final de grão necessária
Os waJ"en (cubos) de feno de alfaia parecem muito bolÚtos e possuem todas as vantagens
descritas para os granulados, apesar de alguns serem dificeis de partir. São freqüentemente um
problema para cavalos mais velhos com problemas dentários. O autor acha que as desvantagens
são maiores que as vantagens.
Nutrição Eqüina 113
para um período de trabalho deve ser baseada numa classificação estimada
e arbitrária do período total de trabalho, como leve, médio, pesado ou vigoroso.
A Tabela 5.14 é um quadro que dá recomendações gerais. Essas são linhas
gerais que ajudam os proprietários a não subalimentarem animais que trabalham.
Cavalos magros, esgotados e descarnados não devem ser confundidos com
animais "em forma".
PROGRAMAS DE TRABALHO USUAIS E NECESSIDADES DE
GRÃo
Cavalode Equitação - Shows
Trabalho de pista inclui trabalhar em cada andadura a fim de aperfeiçoá-Ias
para shows ou competições; inclui, também, trabalhar as mudanças de uma
andadura para outra.
Trabalho individual compreende oito de conta, trabalhar trocas de pé simples,
mudanças de pé ao tempo, mudanças de pé numa linha reta pelo centro do
picadeiro, e assim por diante.
Trabalho leve - 30 minutos
Trabalho de pista - 15 minutos
5 minutos -passo
5 minutos -trote
5 minutos -meio galope
Trabalho individual - 15 minutos
5 minutos -passo
5 minutos - trote
5 minutos -meio galope
Total de grão - 30 minutos de trabalho leve: 450 g
Trabalho médio - 60 minutos
Trabalho de pista - 30 minutos
10 minutos -passo
10 minutos -trote
10 minutos -meio galope
Trabalho individual -30 minutos
10 minutos -passo
10 minutos - trote
10 minutos -meio galope
Total de grão para 60 minutos de trabalho médio: 1,4kg
Salto
o aquecimento deve compreender trote e meio galope.
Os exercícios incluem: alto, espádua a dentro, recuar, saltar cavaletes a trote
e a galope; a altura máxima para exercícios é de 1 metro.
Trabalho leve - 30 minutos
15 minutos de aquecimento
114 Nutrição e Reprodução
10 minutos -trote
5 minutos -meio galope
15 minutos de exercícios
5 minutos -passo
5 minutos -trote
5 minutos -meio galope
Total de grão: 450 g
Excercício médio - 45 minutos
15 minutos de aquecimento
10 minutos - trote
5 minutos -meio galope
30 minutos de exercício
5 minutos -passo
15 minutos -trote
10 minutos -meio galope
Total de grão: 900 g
Trabalho pesado - 60 minutos
15 minutos de aquecimento
10 minutos -trote.
5 minutos -meio galope
45 minutos de exercício
10 minutos -passo
20 minutos - trote
15 minutos -meio galope
Total de grão: 3,6 kg
Condicionamento para Provas de Três Dias
Trabalholeve - 20 minutos
10 minutos - trote
5 minutos - meio galope
5 minutos - trote
Totalde grão: 230 g
Trabalho médio - 30 minutos
10 minutos -trote
5 minutos -meio galope
10 minutos -trote
5 minutos -meio galope
Total de grão: 900 g
Trabalho pesado - 60 minutos
10 minutos -trote
10 minutos -meio galope
5 minutos - passo
10 minutos -trote
10 minutos -meio galope
Nutrição Eqüina 115
5 minutos - passo
10 minutos - trote
Total de grão: 3,6 kg
Adestramento
o aquecimento deve incluir trote e meio galope.
O trabalho consiste em alongar o passo, espádua a dentro, altos, recuar,
círculos,meiaspiruetas, e assimpor diante.
ABAIXO DO TERCEIRO NÍVEL
Trabalho leve - 30 minutos
10 minutos de aquecimento
5 minutos -trote
5 minutos -meio galope
20 minutos de adestramento
5 minutos -passo
10 minutos -trote
5 minutos -meio galope
Total de grão: 450 g
Trabalho médio - 45 minutos
15 minutos de aquecimento
10 minutos - trote
5 minutos -meio galope
30 minutos de adestramento
5 minutos -passo
15 minutos -trote
10 minutos -meio galope
Total de grão:900 g
Trabalho pesado - 60 minutos
15 minutos de aquecimento
10 minutos -trote
5 minutos -meio galope
45 minutos de adestramento
10 minutos -passo
20 minutos - trote
15 minutos -meio galope
Total de grão: 3,6 kg
NÍVEL TIffis E ACIMA
Trabalho leve - 20 minutos
5 minutos de aquecimento
116 Nutrição e Reprodução
3 minutos -trote
2 minutos-meio galope
15 minutos de adestramento
5 minutos -passo
5 minutos -trote
5 minutos -meio galope
Total de grão: 450 g
Trabalho médio - 30 minutos
10 minutos de aquecimento
5 minutos -trote
5 minutos -meio galope
20 minutos de adestramento
5 minutos -passo
10 minutos -trote
5 minutos -meio galope
Total de grão: 900 g
Trabalho pesado - 45 minutos
15 minutos de aquecimento
10 minutos -trote
5 minutos -meio galope
30 minutos de adestramento
5 minutos -passo
15 minutos - trote
10 minutos - meio galope
Total de grão: 2,7 kg
JORNADAS DE RESISTÊNCIA
Condicionamento
Não há um único método de condicionamento apropriado, mas deve ser
levado um período de, pelo menos, 8 a 12 semanas na preparação para uma
jornada de resistência. Todos os animais devem ter, pelo menos, 5 anos de
idade. O passo é uma andadura muito boa para o condicionamento, e deve
constituir a maior parte de um programa de condicionamento. Os cavalos são
freqüentemente trabalhados, no fm do programa, na areia da praia, para "melho-
rar as pernas". Muitos também "nadam" para auxiliar o condicionamento dos
músculos. Fazer com que os cavalos nadem é uma prática comum de condicio-
namento.
Uma fórmula geral de treinamento, como a seguinte, é comum ente usada,
mas deve-se notar que variações no programa de treinamento ajudarão a man-
tê-Io mais interessante para o cavalo e cavaleiro.
Passo - 15 minutos
Trote - 10 minutos
Meio-galope - 5 minutos
A duração do período de condicionamento é gradualmente aumentada. A
Tabela 5.15 é um programa típico.
Nutrição Eqüina117
É sempre aconselhável fazer o cavalo passar por um exame fisico geral de
um veterinário, antes de qualquer programa sério de treinamento. Controle
parasitário apropriado, cuidados dentários e nutrição são especialmente impor-
tantes para animais de resistência.
Equilibrio Aquoso
o requisito mais importante para um esforço físico prolongado é a manu-
tenção de um equilíbrio aquoso apropriado no corpo. Apesar de um cavalo
poder perder toda sua gordura e metade de sua proteína corporal a perda
de apenas 12 a 15% do seu total de água corporal pode ser fatal. Para prevenir
isso, durante um perí9do prolongado de atividade física, o cavalo deve ser
encorajado a beber freqüentem ente toda a água que quiser. Após atividade
vigorosa, pode-se pennitir que o cavalo coma feno, porém, deve ser "esfriado"
(deixado descansar por 60 a 90 minutos) antes de se pennitir que beba água
fria à vontade. Pennitir que um cavalo "quente" beba uma quantidade ilimitada
de água fria pode causar. aguamento (laminite) e, possivelmente, cólica. Se
os bebedouros de uma jornada de resistência estão a mais de 2 horas de
distância um do outro, especialmente se o tempo está quente, é aconselhável
carregar de 4 a 8 litros de água com você e um balde dobrável para pennitir
que o animal beba entre em um bebedouro e outro.
Eletrólitos
Durante atividade física vigorosa, os sais ou eletrólitos do corpo são perdidos
no suor e na urina. Esses incluem quatro elementos importantes: sódio, potássio,
cloreto e cálcio. A perda dos primeiros três desses elementos causa fraqueza
muscular,. fadiga e um decréscimo no interesse por beber água. Durante uma
jornada de resistência há um perda rotineira de eletrólitos, e ocorre uma desidra-
tação. Para prevenir os efeitos nocivos que isso causa, eletrólitos devem ser
fornecidos, e água oferecida freqüentemente.
A quantidade de eletrólitos perdida varia sob diferentes condições e entre
diferentes cavalos em condições similares. Como trabalho prolongado e vigo-
roso resulta em perda de eletrólitos e dar eletrólitos não faz mal enquanto
houver água disponível, é aconselhável dar eletrólitos a todos os cavalos que
participam da jornada de resistência.
Uma mistura de eletrólitos barata é a seguinte: três colheres de sopa de
sal "Lite" e uma colher de sopa de pedra calcária em 4 litros de água. O
sal "Lite" é um sal com pouco sódio que pode ser comprado nos armazéns
( americanos) e a pedra calcária é carbonato de cálcio e pode ser comprada
na maioria das lojas de alimentos. Sessenta gramas dessa mistura podem ser
adicionados à mesma quantidade de água, melaço ou xarope de maçã e coloca-
dos no fundo ~a boca do animal, ou podem ser adicionados a um pouco
de grão. Não ponha na água de beber porque isso pode reduzir seu consumo:
Pode ser dado antes de cada jornada, a cada bebida de água e após a jornada.
Apesar de ser aconselhável dar-se eletrólitos, a ingestão adequada de água
é muito mais importante.
118 Nutrição e Reprodução
v~
Outro problema que pode resultar na perda de eletrólitos são as chamadas
"palpitações". Resulta do decréscimo do cálcio e/ou potássio plasmáticos. Isso
causa um espasmo sincronizado do diafragma (Synchronized Diaphragmatic
flutter - SDF).O cavalorepentinamente tem movimentos rítmicos dos tlancos
e, às vezes, de uma pata traseira a cada batida do coração. Acredita-se que
o nervo frênico, que vai para o diafragma, é irritado quando passa sobre o
coração, resultando nesses espasmos. Essacondição freqüentemente acompanha
outros sintomas de exaustãoj cuidados veterinários são indicados.
Treinamento de Cavalos de Um Ano de Idade
No mundo das corridas, a distância é mais comumente usada como unidade
de trabalho que o tempo. Regra geral, leva aproximadamente 3 meses de treina-
mento básico fundamental ("doma") antes que um animal de um ano esteja
pronto para os primeiros trabalhos na pista. Andar muito a passo é comumente
usado no treinamento inicial e o animal normalmente anda de 3,2 a 4,8 km
diariamente. Os galopes ou "corridas" lentas vão começar com 200 metros.
Conforme o treinador decide que os cavalos jovens estão progredindo, os
galopes vão se estender para distâncias maiores a cada 3 ou 4 dias. Um galope
de 1600 m é feito diariamente.
Os primeiros trabalhos de mais de 200 m vão durar aproximadamente 14
ou 15 s. Os animais sempre devem partir devagar. Esse passo se estende para
800 m e, então, gradualmente, a cada 3 ou 4 dias, até 1600 m. Os cavalos
jovens devem ser constantemente examinados de perto em busca de qualquer
evidência de manqueira ou machucaduras. A seguir vêm os trabalhos de 400
m em 25 ou 26 s com os 200-400 m seguintes mais lentos. Gradualmente"
tempos menores para as mesmas distâncias são buscados.
Treinando Cavalos de 2 Anos de Idade
Cavalos jovens de 2 anos de idade são galopados por 800 m em 50 s
para dar ao treinador uma chance de avaliar o animal. As primeiras corridas
devem ter de 600 a 1100 m de distância. No fim do outono, um potro geralmente
é corrido por uma distância de 1700 m.
O animal é usualmente apenas trabalhado a todo galope até 7 ou 10 dias
antes da corrida. Um ou dois dias antes da corrida, deixa-se o animal dar
mais um rápido galope de 600 m. Cavalos mais velhos podem correr de 600
a 800 m, um ou dois dias antes da corrida para se manterem em forma. As
quantidades de grão necessárias para essas atividades podem ser estimadas
pelo quadro trabalho-grão, baseando-se as estimativas na intensidade do trabalho
nos diferentes estágios de treinamento.
Nutrição Eqüina 119
PROGRAMAS DE ALIMENTAÇÃO RECOMENDADOS
Potro Recém-Nascido até a Desmama - 5 ou 6 Meses
Nos primeiros seis. meses de vida, o potro cresce até 77% de sua altura
e 44% de seu peso de adulto. Quando tiver 1 ano, deve ter alcançado 90%
da sua altura e 60% do seu peso de adulto. Pode-se notar quão importante
é esse período para um potro em crescimento. Em nenhuma outra época
ele terá esse potencial de crescimento, e os estudos indicam que se esse poten-
cial for inibido significativamente nessa época, ele nunca se desenvolverá com-
pletamente (Figs. 5.15,5.16 e 5.17).
Esse potencial de crescimento não pode ser suprido nem mesmo por uma
égua que produza muito leite. O leite é pobre em ferro e em certos aminoácidos
que são necessários para o crescimento. Quando o potro tiver apenas 3 semanas
de idade, uma área onde ele possa comer à vontade, longe da mãe, deve
estar disponível. Uma mistura bem equilibrada de grãos ricos em proteína
(18 a 20% de proteína bruta) deve ser dada. Foi mostrado que rações de
grão com menos de 16% de proteína bruta limitam o crescimento máximo.
Como regra geral, o potro deve consumir 450 g de grão por mês de vida
(por exemplo, um potro de 2 meses deve comer 900 g de grão). Essa ração
de grão deve continuar a aumentar até que o potro esteja recebendo de 2,7
a 3,6 kg de grão por dia. É nivelada nessa quantidade, e a alimentação é mantida
assim até a idade de 2 anos. Ajustes podem ser feitos dependendo de como
o potro parece se desenvolver. Se um potro está em bom estado de saúde,
não está anêmico ou muito parasitado, não deve ter problemas consumindo.
Percentual da altura, medida da circunferência e peso do coração do adulto.
Percentual do peso corporal do adulto
1 ano 2 anos
6 12 18 24
3 anos
-+-
36
4 anos
~
48
5 anos-I
60
IDADE EM MESES
Figura 5.15 . Taxa de crescimento dos.eqüinos.
100%
90
180
8 -1-70
+60
ffi -1-50
I
40
Necessidades de
proteína do potro
3 4
IDADE DO POTRO EM MESES
5 6
Figura 5.16 . Proteína digerívelnecessáriapara o potro e quantidade fomecida pelo
leite de égua.
MEGA CAL./DIA
9
Energia fumecida
pelo leite da égua
17
15
13
li
7
5
3
1.
2 3 4 5
IDADE DO POTRO EM MESES
(,
Figura 5.17 . Energia degerível necessária para o potro e quantidade fomecida pelo
leite da égua.
120 Nutrição e Reprodução
GRAMAS LB.I
DIA DIA
500 1,10
400 0,88
300+0,66
200 +0,44
100+0,22
I I
2
Nutrição Eqüina 121
essa quantidade de grão. Após a idade de 2 anos, uma mistura de grãos com
de 12 a 14% de proteína brutapode ser usada satisfatoriamente.
O potro deve ter feno de alfafa e mistura de farelo de alfafa e melaço à
vontade no seu cocho, juntamente com um suplemento de vitaminas. Um
potro de 4 meses de idade deve receber, pelo menos 40000 unidades interna-
cionais (DI) de vitamina A diariamente. A mistura de feno de alfafa e melaço
possui alguns ingredientes não identificados que ajudam muito no crescimento
e ganho de peso. A quantidade usual consumida por um potro de 4 meses
de idade é de 1,4 a 2,3 kg.
Em geral, como os cavalos são animais monogástricos, é melhor dividir a
alimentação em duas ou três porções diárias; os cavalos fazem melhor uso
do alimento dessa forma. Sal, água limpa e fresca, e minerais - quando neces-
sários - d.evem estar sempre disponíveis à vontade. Blocos de sal com minerais
são normalmente satisfatórios para esse uso.
Uma área de alimentação para somente um potro deve ter, pelo menos,
3 x 3 m e ser muito maior se vários potros vão usá-Ia. Um método simples
consiste em colocar uma tábua baixa na entrada de uma cocheiraO. Um canto
de curral pode ser usado construindo-se duas cercas que quase se encontram,
deixando uma passagem de aproximadamente 4S cm para a área de alimentação.
Essa entrada torna impossível para a égua entrar e comer a comida dos potros.
O cocho dessa área de alimentação deve ser colocado num canto que não
permita ou encoraje a égua a tentar alcançá-Io por sobre ou sob a cerca.
Se a comida parecer alcançável, muitas éguas irão agachar-se ou esticar-se
sobre a cerca num esforço para alcançá-Ia.
o Potro Órfão
O primeiro leite da égua, o colostro, é rico em anticorpos e muito benéfico
para dar resistência ao potro contra infecções bacterianas comuns. Se esse
leite estiver disponível, deve ser dado, mas após 24 horas, como qualquer
outro leite, ele tem somente valor nutricional.
Uma fórmula de leite comum para potros órfãos é: 600 g de leite de vaca,
370 g de água (água de cal é desejável, pois, torna o leite de vaca mais facilmente
digerível por potros jovens), e 4 colheres de sopa de xarope de milho (Karo ).
Essa fórmula deve ser aquecida até a temperatura corpórea.
O Foal-Iac" da Borden é um excelente substituto para o leite. O leite de
cabra puro também pode ser usado satisfatoriamente. Uma égua mãe adotiva
tornaria o problema de criar um potro órfão muito mais fácil.
Comece a alimentar o potro com 6 a 8 horas, usando um bico de mamadeira
numa garrafa de refrigerante ou recipiente similar. Deve-se tomar cuidado
para não abrir um buraco muito grande no bico, o que deixaria o leite sair
mais rápido que o potro poderia beber. Alimente o potro apenas enquanto
ele estiver de pé ou deitado sobre o peito. Nunca o alimente enquanto ele
estiver deitado de lado, posição em que tem dificuldade para engolir apropria-
.N.do R. . De forma que o potro consiga passar por baixo da tábua e a égua não.
..N. do T. - Produto americano.
122 Nutrição e Reprodução
damente (isso evita a possibilidade do leite ir para os pulmões). Alimente-o
em intervalos de uma hora nos três primeiros dias (não alimentá-Io das 23:00
h às 6:00 h não lhe fará mal). O mais importante durante esse período noturno
é manter o potro aquecido numa cocheira ou recinto apropriado com um
aquecedor ou outras fontes de calor. Friagens, especialmente devido a ventos
trios, são muito estressantes para qualquer animal recém-nascido.
Após os três primeiros dias, o intervalo entre as mamadas pode ser de 2
horas durante o dia e gradualmente se limitar a 4 mamadas por dia quando
o potro tiver 1 mês de idade. Em média um potro precisa de 105 ml de
leite por quilo de peso por dia (por exemplo, um potro de 40 kg deve receber
4,2 litros diariamente). Alguns potros consomem consideravelmente mais que
isso. O potro deve ser ensinado a beber no balde o mais rápido possível.
Após três semanas, o xarope de milho pode ser retirado da fórmula do leite.
Se ocorrer diarréia, reduza o consumo de leite e use leite sem gordura
na fórmula. A administração de 62,2 gramas de Koalinpectate, 3 vezes ao
dia pode ser necessária por 1 ou 2 dias. Diarréia aquosa aguda acompanhada
por perda do apetite deve receber atenção imediata do veterinário.
Ao atingir 8 semanas, o leite líquido pode ser abandonado e uma quantidade
equivalente de leite em pó pode ser adicionada ao grão. Dê bom feno de
alfafa à vontade com mistura de farelo de alfaia e melaço. Um grão balanceado
com 18 a 20% de proteína bruta deve ser dado tão cedo quanto possível,
na quantidade de 450 g por mês de vida, como é feito com os outros potros.
A lisina, um aminoácido essencial encontrado no leite, é necessária para um
crescimento máximo; dessa forma, o leite em pó no grão pode ser muito
útil.
Como com todos os potros, um bom programa de vermifugação deve ser
indicado na idade de 8 semanas e continuando como descrito na discussão
sobre programa de controle parasitário.
Éguas Prenhes
Estudos recentes indicam que uma ração bem balanceada é muito importante
no início da prenhez, porém, a quantidade total de comida:não aumenta significa-
tivamente acima do necessário para um cavalo adulto inativo. Durante o último
quarto da prenhez, o potro realiza 75% do seu crescimento. Uma fonte adequada
de vitaminas (especialmente vitamina A - 35.000 a 50.000 UI/dia) é necessária
para um crescimento adequado dos tendões e ossos do potro. Ração com
excesso de fósforo pode causar efeitos nocivos nos ossos que podem fazer
com que o potro nunca atinja maturidade apropriada. Como o conteúdo de
vitamina A de um dado alimento não é confiável porque ela oxida rapidamente
quando armazenada, é sempre inteligente dar um suplemento vitamínico no
grão.
Uma ração de 6,8kg de feno de boa qualidade (pelo menos metade de alfaia,
é recomendada) com 0,9 a 1,8kg de grão de 12 a 14% de proteína bruta
é normalmente adequada para suprir as necessidades nutricionais de uma égua
prenhe.
.N. do T. . Produto americano.
Nutrição Eqüína 123
Um programa de vermifugação conscencioso deve ser parte dos cuidados
básicos com uma égua prenhe, especialmente durante as 4 ou 6 semanas que
antecedem o parto. Todos os potros comem esterco da égua, e tendo-se a
égua tão livre de parasitas quanto possível, o potro tem melhores chances
de se desenvolver, e pode-se prevenir casos precoces de diarréia no mesmo.
Também é bom nivelar os dentes da égua e tê-Ia nas melhores condições
possíveis na época do parto para ajudá-Ia a ter chances de produzir um potro
saudável e um suprimento de leite adequado. Apesar de não ser aconselhável
que a égua esteja excessivamente gorda na época do parto, isso raramente
causa problemas.
Cavalos Adultos Inativos
o grão não é, na realidade, necessário para a maioria dos cavalos que são
usados menos que uma hora por dia, porém, de 450 a 900 g de grão por
dia lhes dá algo pelo que esperar. Dê aproximadamente 6,8 kg (dois cubos
de 10 cm) de feno de boa qualidade por dia. O feno de alfafa é excelente
para os cavalos, e é comumente usado como único feno. Alimentação com
alfafa freqüentemente corrige os desequilíbrios de muitas rações de grão. Uma
alimentação com alfafa e outra com aveia ou feno de boa qualidade acrescenta
variedade à dieta do cavalo. Apesar de muitas áreas possuírem bom pasto
que pode sustentar o cavalo muito bem, deve-se notar que quando o pasto
se toma maduro e muito seco, seu valor nutricional (especialmente vitaminas
e conteúdo protéico) é muito reduzido. Nesse época, a dieta do cavalo deve
ser suplementada com alimento de boa qualidade. Mesmo que muitos animais
se apresentem gordos quando se alimentando de pasto maduro e seco, isso
não indica que estão bem nutridos. Estes pastos somente têm valor de carboi-
drato. Muitos cavalos pioram rapidamente sua condição fisica quando passam
todo o inverno nesses pastos. Esses animais estão em regime cte fome.
Cavalos de Trabalho Leve a Vigoroso
Esses cavalos devem receber de 1,8 a 5,4 kg de grão diariamente, mais
6,8 kg de feno. Feno meio alfafa, meio aveia, ou qualquer feno similar, é sufi-
ciente. Alguns cavalos são mais dificeisde se manter que os outros e devem,
portanto, ser alimentados de acordo. Veja Tabelas 5.13 e 5.14 para estimar
as necessidades para várias quantidades de trabalho. Os garanhões são alimen-
tados como os outros cavalos de trabalho. As quantidades totais variam de
acordo com a freqüência do seu uso.
Éguas em Lactação
Muitas éguas boas em lactação vão produzir 18 kg (18,92 litros) de leite
por dia - o mesmo que uma boa vaca leiteira. Muitos proprietários demasiado
freqüentemente desconhecem as altas necessidades nutricionais que são indis-
pensáveis para manter essa alta taxa de produção. Por isso, muitas éguas em
124 Nutrição e Reprodução
lactação são muito subalimentadas e perdem muito peso e condição física.
A ração de feno deve ser um fardo (com 1O a 13 cm de espessura) de fe-
no de alfafa, duas vezes ao dia. Uma ração com metade de feno de aveia
vai dar variedade à dieta e é satisfatória. Como há um aumento gradual na
produção de leite que coincide com o crescimento do potro, a ração de grão
é aumentada de acordo. Um programa adequado é o seguinte:
Do parto às 4 primeiras semanas pós parto 0,9 -1,8 kg de grão por dia
2 meses após o parto 1,8 -2,7 kg de grão por dia
3 meses após o parto 2,7 -3,6 kg de grão por dia
4 meses após o parto 3,6 -4,5 kg de grão por dia
5 meses após o parto até a desmama 4,5 -5,4 kg de grão por dia
Após a desmama, a égua é alimentada de acordo com as suas necessidades
nessa época. Isso depende das suas atividades e da sua condição geral.
Cavalos Abaixo do Peso
Há um engano geral comum de se acreditar que muitos cavalos "são difíceis
de manter" e nunca podem ser engordados. Isso é um caso muito raro, exceto
por certos cavalos doentes. Quase todos os cavalos, apesar de sua idade, podem
ser mantidos em boas condições. Não se engane, novamente, com um cavalo
"barrigudo". Cavalos magros têm, caracteristicamente, pouca ou nenhuma gor-
dura sobre a cernelha, costelas ou sobre a garupa (pelve). Esses animais normal-
mente têm uma pelagem longa e seca, gordurosa na sua base. Essa pelagem
longa pode cobrir as costelas tomando difícil notar-se quão magro o cavalo
realmente é. Esse animal decididamente precisa de ajuda, e uma dieta de engorda
específica é necessária para que ele retome à sua condição geral apropriada
num período de tempo razoavelmente curto. Primeiro, é necessário que o
animal seja tratado para eliminar seus parasitas internos e externos. O cavalo
deve também ter seus dentes nivelados.
Uma dieta de engorda comum é:
1.Um fardo (de 10 cm de espessura, aproximadamente 3,6 kg) de alfaia,
duas vezes ao dia. (Feno de aveia de boa qualidade, uma das vezes, é
aceitável).
2. De 1,5 a 2,0 kg de uma mistura bem balanceada de grãos.
3. Um balde (12 litros) de farelo de alfaia e melaço, uma ou duas vezes
ao dia.
4. Um bom suplemento vitamínico, uma vez ao dia.
Com essa dieta, quase todos os cavalos vão engordar e recuperar uma condi-
ção geral boa em 6 ou 8 semanas. A dieta pode, então, ser consideravelmente
reduzida para ir de encontro às novas necessidades de manutenção e trabalho
do cavalo. Deve-se enfatizar que, para prevenir problemas digestivos, uma mu-
dança no programa alimentar deve ser feita ao longo de um período de 4
a 7 dias.
Uma dieta de engorda alternativa muito satisfatória e segura é a mesma
ração de feno mencionada na dieta anterior, porém, com terço ou metade
do grão sugerido e farelo de alfaia com melaço à vontade (isto é, coloque
um tambor grande cheio de farelo de alfaia com melaço com o cavalo, deixan-
do-o, deste modo, comer o quanto quiser). Como isso é somente feno regado
com me'\aço, é seguro dá-10dessa maneira.. Cavalos magros normalmente co-
Nutrição Eqüína 125
mem em tomo de 45 kg nos primeiros 3 dias e começam, então, a normalizar
a quantidade que comem. Não é preciso dizer que cavalos em qualquer dessas
dietas especiais precisam ser alimentados sozinhos. Uma razão comum para
cavalos magros, além de não receberem alimento suficiente, é a presença de
cavalos mais agressivos, no mesmo pasto, que o impedem de ganhar sua ração
diária.
Cavalos nessa dieta ganham vigor muito rapidamente e, freqüentemente estão
de novo em boas condições em apenas 3 semanas. Muitos cavalos velhos com
dentes ruins são mantidos nessa ração o tempo todo. Deve-se notar que essa
dieta de engorda alternativa é melhor utilizada para aqueles cavalos que se
tomam muito inquietos e nervosos em rações com muito grão.
Deve-se frisar novamente que apenas alimento de boa qualidade deve ser
dado aos cavalos; alimentos estragados podem causar problemas digestivos
agudos e cólica grave (Fig. 5.17A).
Cavalos com Excesso de Peso
Cavalos excessivamente gordos são geralmente problema mais dificil de
lidar. Alguns cavalos, especialmente põneis árabes e morgans são muito fáceis
de manter e freqüentem ente parece que é necessário quase matá-Ios de fome
para que atinjam um peso "normal". Muitos cavalos têm realmente hipotireoi-
dismo, sendo aconselhável que um veterinário os examine se houver suspeita
Figuras 5.17A - A alimentação incorreta dos cavalos causa indigestão aguda e cólica,
se não causar também aguamento.
.É claro que o grão nunca pode ser dado à vontade para os cavalos.
126 Nutrição e Reprodução
disso. Clinicamente, animais com hipotireoidismo, desenvolvem crinas grandes
e firmes (no pescoço) e têm depósitos de gorduras sobre as espáduas e dorso.
Esses animais têm tendência a aguamento - especialmente no capim da prima-
vera - e as éguas são diticeis de emprenhar. "Aguamento de pasto" parece
ocorrer apenas em animais em hipotireoidismo.
Uma ração de boa qualidade de aveia, capim-rabo-de-rato, ou outro feno
similar que seja volumoso, porém, mais baixo em TND, é indicado. Dê 4,5
a 6,8 kg por dia, dependendo dos resultados. Quatrocentos e cinqüenta gramas
de grão podem ser dados, pois, nessa quantidade nunca é mais que um petisco,
e é um meio de se acrescentar vitaminas necessárias à dieta. O veterinário
pode dar recomendações específicas.
o Cavalo Idoso
o cavalo idoso geralmente não requer um tipo especial de alimentação,
a não ser que esteja apresentando dificuldade em manter seu peso. Isso normal-
mente é resultado de problemas dentários. Depois que um cavalo tem 20
anos de idade, é especialmente importante que seus dentes sejam examinados
freqüentem ente, e tratados. Muitos desses animais precisam ter seus dentes
nivelados a intervalos de 6 meses, o que pode também ser o caso de animais
muito mais jovens. Quando o animal perde os dentes ou desenvolve superficies
mastigadoras muito irregulares, a mastigação se toma diticil. Como resultado,
muito do valor nutritivo dos alimentos é perdido porque depende da mastigação
completa para uma digestão eficiente dos nutrientes.
Duas indicações comuns que os dentes de um cavalo não vão bem são:
excesso de comida caindo da boca enquanto o cavalo come e a história de
um cavalo que fica muito gordo que fica no pasto verde, mas emagrece muito
quando alimentadQ com comida seca. Lentidão para comer é outro sintoma,
com ou sem salivação excessiva.
Para compensar esses problemas, damos uma dieta composta, na sua maioria,
por fenos moídos (de 6,8 a 8,1 kg por dia) juntamente com a quantidade
necessária de grão bem balanceado para manter seu peso (normalmente de
3,6 a 4,5 kg por dia). Farelo de alfafa e melaço é uma forragem conveniente
e pode constituir a maior parte da dieta do cavalo idoso.
Se o animal está abaixo do peso desejado, é melhor seguir as sugestões
gerais para um cavalo magro, mas dar uma quantidade maior de farelo de
alfafa e melaço, ao invés do feno (de 4,5 a 6,8kg por dia). Com a idade,
os cavalos geralmente perdem a elasticidade no trato intestinal. Isso, juntamente
com dentes ruins, predispõe o animal à prisão de ventre ou fecalomas. Um
mingau de farelo de trigo, uma ou duas vezes por semana, é benéfico para
esses animais.
Sem dúvida, um dos atos mais desumanos que as pessoas comumente fazem
aos cavalos idosos é "soltá-Ios no pasto". Isso normalmente significa que são
soltos em 40 acres de terra comquase nenhum dente de sobra em suas bocas
e espera-se que eles "se virem"; esses cavalos são somente soltos para morrer,
e normalmente morrem de fome. Cavalos idosos, assim como as pessoas idosas,
normalmente necessitam atenção extra; a menos que esses cavalos sejam aposen-
tados num pasto verde e viçoso, esses atos de "boa vontade" devem ser reava-
liados.
Nutrição EqüJna 127
ALIMENTAÇÃO E CUIDADOS COM OS CAVALOSNO INVERNO
A alimentação e manutenção apropriada dos cavalos no inverno requer uma
compreensão completa das condições especiais verificadas nessa época do
ano. Essas condições afetam consideravelmente o bem estar geral dos cavalos
e, dessa forma, o procedimento necessário deve ser instituído para preencher
suas necessidades especiais e mantê-Ios em boa saúde. Esses fatores incluem:
1.Durante o tempo frio, as necessidades de alimento para a manutenção
do cavalo aumentam para manter sua temperatura corporal.
2. Parasitas externos (carrapatos e piolhos) atingem seu pico populacional
anual intlingindo, assim, estresse grave em animais parasitados, causando
perda de sangue acentuada, fraqueza e queda-da resistência.
3. Pastos de inverno de restolhos de capim seco e capim muito novo têm
pouco, se é que algum, valor nutricional. Conforme o capim das pastagens
amadurece e seca, perde quase todo seu valor protéico e vitamínico. Repre-
senta apenas uma fonte de carboidratos. Ao contrário do gado, que possui
uma "cuba" de bactérias ativas (o rumio), na qual comida de baixa quali-
dade pode ser transformada em comida de boa qualidade, os cavalos preci-
sam receber um suprimento contínuo de alimento bom para suprir suas
necessidades basais. Os primeiros brotos de capim do inverno são mais
para ganhar "força". No norte da Califórnia, os pastos são consideravelmente
deficientes em nutrientes básicos para as necessidades dos cavalos, de
aproximadamente do meio de agosto ao meio de fevereiro. Se os cavalos
forem soltos nesses pastos, estão literalmente num regime de fome. Gran-
des quantidades de restolho seco permitem que muitos cavalos mante-
nham seu peso, mas esses animais estão num estado de subnutrição. Os
cavalos devem ser suplementados no inverno (alimentados como se esti-
vessem no curral), e desculpas como "são cavalos de pasto" para explicar
porque não são alimentados, não são aceitáveis. Proprietários de cavalos
que os "soltam durante o iÍlVerno" estão, na realidade, abandonando suas
responsabilidades para com o cuidado apropriado de seus animais e devem
ser sujeitados às leis que proibem tratamento desumano dos animais.
Apesar de ser verdade que muitos animais selvagens precisam sobreviver
nessas condições, isso não justifica que o homem inflinja essa situação
aos animais domésticos. .
4. Cavalos idosos especialmente com dentes ruins, precisam ter dietas espe-
ciais de alimentos facilmente digeríveis, por todo o ano. Esses animais
são os especialmente notados por emagrecer muito quando forçados a
ter os pastos de inverno como única fonte de nutrientes.
5.Éguas prenhes precisam ser alimentadas apropriadamente com uma ração
balanceada e suplemento vitamínico para garantir o nascimento de um
potro saudável e bem desenvolvido.
6. Os cascos dos cavalos continuam a crescer ao longo do inverno como
eles fazem ao longo do resto do ano, e continuam a precisar de cuidados
de rotina (aparação, pelo menos, a cada 8 semanas, e alguns tão freqüen-
temente quanto a cada 6 semanas). Mesmo que as ferraduras de um cavalo
sejam retiradas e que se deixe o animal desferrado por todo o inverno,
a aparação de rotina dos cascos ainda é necessária para evitar que os
128 Nutrição e Reprodução
cascos arachem, adquiriram infecções profundas ou que forcem muito
os tendões. Cavalos que são forçados a ficar em lama profunda por longos
períodos de tempo (geralmente por semanas) são muito suscetíveis às
infecções nos cascos, a um problema na parte posterior dos cascos, que
se afina e descama, e a uma dermatite infecciosa da pele da parte inferior
dos membros. Esses problemas devem ser prevenidos providenciando-se
para todos os cavalos uma área bem drenada ou fora da lama onde possam
ficar para que suas patas se sequem.
Se um cavalo tiver que ser mantido num pasto ou curral sem abrigo,
uma área grande (que permita um espaço de, pelo menos, 4,5 x 4,5 m
para cada cavalo) ou plataforma deve ser construída para esse propósito.
Esta plataforma pode ser feita construindo-se uma "moldura" com postes
de 10 x 10 cm e enchendo-se a mesma com seixos ou cascalho. Deixe
bastante espaço entre os cochos dos cavalos para evitar brigas e ferimentos.
7.Um abrigo de algum tipo é muito recomendado para os cavalos, especial-
mente no inverno. Apesar de um estábÍ1lo ou celeiro fechado serem reco-
mendados, até um abrigo com apenas três paredes pode oferecer conforto
e proteção do vento e da chuva. Apesar do fato de muitos cavalos poderem
sobreviver expostos ao tempo, isso não nega o valor de se providenciar
um abrigo. Ele deve ter um espaço mínimo de 3,6 x 3,6 m e, preferivel-
mente, 4,2 x 4,2 m. Um celeiro ou estábulo pode ser uma necessidade
para os cavalos doentes ou que estão se recuperando de um ferimento.
Aquecedores ou capas podem oferecer muito conforto para os cavalos
durante o inverno. Sempre limpe o estábulo diariamente e mantenha-o
com boa cama.
8. Tremores (veja página 251 ).
9. Os cavalos estão mais suscetíveis às infecções respiratórias e aos efeitos
dos parasitas internos e externos. Dar cuidados apropriados aos cavalos
durante esses meses é imperativo para mantê-Ios em boa saúde.
Como pode ser visto nessa discussão sobre as condições especiais que ocor-
rem durante o inverno, os cavalos devem receber muita atenção para seus
problemas e necessidades para que possam ser mantidos em boa saúde e aprovei-
tados por todo o ano.
NOTAS GERAIS SOBRE ALIMENTAÇÃO
1. Os cavalos têm apenas um estômago, e fazem melhor uso de refeições
fteqüentes. Aração diária deve ser dividida em, pelo menos, duas refeições.
2. Os cavalos dependem em parte das bactérias do trato digestivo para
auxiliá-Io na digestão. Essas bactérias têm que se adaptar às mudanças
na alimentação. Mudanças súbitas na ração podem causar indigestão e
cólica. Sempre introduza mudanças na dieta gradualmente, levando um
período de 4 a 7 dias.
3. Seja capaz de reconhecer um cavalo em más condições fisicas pela perda
de musculatura nos lados da cernelha e sobre a garupa. Esses cavalos
normalmente têm costelas proeminentes, mas uma pelagem longa e áspera
pode tomá-Ias menos evidentes. Não confunda um cavalo com uma "bar-
riga de feno", com um cavalo gordo.
Nutrição Eqüina 129
4. Uma dieta de grandes quantidades de feno de baixa qualidade pode ser
pesada no trato digestivo e pressionar o diafragma. Isso reduz a eficiência
respiratória do cavalo, causando respiração dificil e cansaço rápido.
5. As causas comuns de uma "barriga grande" ou "costelas saltadas" são:
a) grande ingestão de fenos ou pastos de boa qualidade; b) proteína
insuficiente na ração; c) parasitismo; e d) uma combinação desses fatores.
6. Falta de volume no alimento ou muito grão podem causar cólicas de
indigestão e retenção de fezes, levando o animal a mascar madeira.
7. Excesso de alimentação de grão predispõe ao aguamento. Feno ou farelo
de alfafacom melaço à vontade não causam problemas.
8. Feno de alfafa não ataca os rins, apesar de estimular a micção. Não
é um alimento muito "quente" nem irá "esgotar" o cavalo. Não causa
especificamente sudorese excessiva, a menos que o cavalo tenha se toma-
do muito gordo por comê-Io demais e esteja fora de forma. Se for cortado
muito cedo, pode causar diarréia. Alguns cavalqs em particular são alérgi-
cos a feno de alfafae devem ser alimentados com outra boa forragem.
9. Alimentos estragados (embolorados, poeirentos, úmidos, cheios de ca-
pim-rabo-de-raposa ou cevada farpada e com ervas daninhas) não devem
ser dados aos cavalos, pois, podem causar cólica grave ou ferimentos
na boca. Se um punhado de feno não pode ser esmagado sem causar
dor ou ferira mão, é muito duro e áspero para ser usado. Quando se
está considerando a possibilidade de um alimento estar estragado, é sábio
seguir a regra: "Se há dúvida, jogue fora".
10. Armazenar alimentos com muita umidade pode causar uma oxidação
prematura dos ingredientes, baixando, assim, seu valor nutricional, e nor-
malmente criando bolor. Os fenos podem passar por um emboloramento
muito rápido e esses fardos podem gerar muito calor e, ocasionalmente,
causar um incêndio. Se esses fardos quentes forem imediatamente abertos
e jogar-se sal grosso nos mesmos, o feno talvez seja salvo. Fardos que
passaram por esse emboloramento são normalmente muito pesados, não
pulam quando caem, são de um marrom desbotado, muito poeirentos
e úmidos devido a esporos de bolor. A qualidade geral do feno é julgada
pela sua cor, espessura das hastes, quaotidade de folhas ou grãos que
contém, quantidade de material estranho e ausência de pó.
MÁXIMAS DE ALIMENTAÇÃO
1.Alimente os cavalos de acordo com suas necessidades, que dependem
do seu crescimento, produção ou performance no trabalho. Reduza as
rações quando o trabalho. Reduza as rações quando o trabalho for redu-
zido.
2. Nunca deixe de observar a condição fisica do animal. Se um cavalo está
muito magro, corrija as causas e alimente-o mais. Se um animal está
muito gordo, reduza sua alimentação de acordo com a orientação do
veterinário.
3. Alimente-o, pelo menos, duas vezes ao dia. Isso aumenta a utilização
do alimento pelo cavalo.
4. Mantenha horários regulares de alimentação.
130 Nutrição e Reprodução
5. Providencie água boa e fresca à vontade, a não ser que o animal esteja
muito quente.
6. Providencie condições higiênicas de alimentação e água.
7. Água, feno e grão podem ser dados em qualquer ordem. Água, antes
ou após a comida, não interfere com a digestão de grão ou feno.
8. Evite mudanças súbitas no programa de alimentação. Adote as mudanças
na dieta gradualmente, ao longo de um período de 4 a 7 dias.
9. Espere uma hora ou mais após a alimentação para exigir trabalho forte
do cavalo.
10. Não dê grão a cavalos quentes ou cansados, ou permita que beba à
vontade. Feno, por outro lado, não lhes fará mal.
11. Não permità que outros cavalos impeçam um, em particular, de receber
sua ração completa.
12. Nunca dê a um cavalo alimento embolorado, estragado ou questionável.
TABELA5.1 - Comparando concentrados (menos de 12% de fibra bruta)
AlImento
Mistura
comercial n?1
Mistura
comercial n?2
Aveia
amassada
Mistura n? 1 Custa $18,50/saco de 45kg, que contém 14% ou 6,3kg de proteína
bruta.portanto, $18,50 7 6,3 = $2,93Ikg de proteína bruta.
Custa $17,50/saco de 45kg, que contém 12% ou 5,4kg de proteína
bruta. Portanto, $17,50 7 5,4 = $3,20Ikg de proteína bruta.
Custa $14,66/saco de 45kg, que contém 8,7% ou 3,95kg de proteína
bruta. Portanto, $14,66 73,95 = $3,70Ikg de proteína bruta.
A mistura n? 1 é a melhor compra baseada na proteína bruta, apesar
de custar mais por 45kg é a diferença entre custo e valor.
Apesar do custo da proteína ser importante, mais importante é que
a mistura possua uma razão cálcio-fósforo balanceach. Se não possuir,
pode causar problemas ósseos e musculares. Também, se a mistura
contiver um suplemento vitamínico-míneral, isso aumenta substan-
cialmente seu valor.
Mistura n? 2
Aveia amassada
Resultado:
Nota:
. N.doT.. Custo em dólares.
Proteína Custolkg de
btUta, % Custo/saco. Custo/4SKg. proteína btUta
14 $9,25/22,7kg $18,50 $2,93
12 8,75/22kg 17,50 3,20
8,7 11,0/34,Okg 14,66 3,70
Nutrição Eqülmi 131
TABELA5.2 - Comparando forragens (mais de 25% de fibra bruta)
Mistura comercial: Custa SI4,50/45kg com 5,44kg (12% ) proteína bruta. SI4,50 """5,44
= $2,66lkg de proteína bruta. Feno de alfafa: Custa $7,95/45kg com
7,94kg (17,5%) de proteína bruta. $7,95 """7,94 = SI,oolkg de proteína
bruta.
Feno de alfafa em cubos: Custa $11,36 com 7,94kg (17,5%) de proteína bruta. $11,36 """7,94
= SI,431kg de proteína bruta.
Feno de aveia: Custa $ 6,00/45kg com 3,40kg (7,5%) de proteína bruta, $6,00 """3,40
= 1,76lkg de proteína bruta.
Fardo de alIàfa com melaço: Custa SI 3,90 com 6,8kg (15%) de proteína bruta. SI3,90 """6,8
= 2,041kg de proteína bruta.
Baseando-se na proteína bruta, o feno de alfafa é, de longe, a melhor
compra.
O custo de proteína bruta do feno de aveia é quase o dobro do
custo de proteína bruta do feno de alfafa, apesar do custo por tonelada
de feno de aveia ser menor.
Resultado:
Nota:
" N. do T. -Custos em dólares.
TABELA5.3 - Comparando o conteúdo de vitamina A dos preparados
vitaminicos comerciais
Preparado n? 1
Preparado n? 2
Preparado n? 3
Preparado n? 4
Preparado n? 1
Preparado n? 2
Preparado n? 3
Preparado n? 4
Resultado:
Vitamina A
Ulkg Custo/U " Custolkg "
48502 $43,95/10kg $4,39
88 185 35,95/23kg 1,58
242 509 25,85/11,3kg 2,28
1 322780 27,95/11,3kg 2,46
custa $4,39 por 22oo0U. Portanto: 1O0000U custam
S4,39 """0,22 = S20,00.
custa SI,58 por 40OO0U.Portanto: loooo0U custam
SI,58 """0,4 = $3,95.
custa $2,28 por llOOoou. Portanto: 100000 custam
2,28 """1,1 = S2,07.
custa $2,46 por 6Ooooou.Portanto: 1O0000U custam
S2,46 """6,0 = SO,41.
Como pode-se notar, há uma grande variação no custo. Para merecer
essa diferença de custo, um produto deve ter amplas evidências clínicas
da sua superioridade sobre os outros produtos disponíveis, e não só
uma boa campanha publicitária.
Custo
100000 U "
S20,00
3,95
2,07
0,41
" N. do T. -Custos em dólares.
Proteína Custolkg de
Alimento bruta,% Custo Unidade" Custo/4Skg" Proteína bruta "
Mistura comercial: 12 SI4,50/45kg SI4,50 $2,66
Feno e granulado juntos
Feno de alfafa: 17,5 159,00/ton 7,95 1,00
Feno de alfafa em cubos: 17,5 7,95/31,75kg 11,36 1,43
Feno de aveia: 7,5 120,00/ton 6,00 1,76
Feno de alfafa
com melaço: 15,0 6,9512,27kg 13,90 2,04
132 Nutrição e Reprodução
.Poneis e cavalos de trabalho devem ser alimentados de acordo com seu peso corporal relativo, usando
as recomendações desta tabela como linbas gerais.
TABELA5,6 - Comparação dos Valores Alimentares dos Fenos Comuns
TND Prot. Dig DM Ca P Ca:P
Concentrados: % % % % % (aprox.)
Aveia 72,2 7,0 91,2 0,09 0,34 1:3,5
Cevada 78,7 6,9 89,8 0,06 0,37 1:6
Milho 80,1 6,6 85,2 0,02 0,27 1:11
Farelo de linhaça 77,2 30,8 91,0 0,33 0,86 1:2,5
Fardo de caroço de algodão 78,4 36,4 92,7 0,23 1,12 1:5
Farelo de soja 78,6 37,5 90,9 0,30 0,67 1:2
Trigo 67,2 13,7 90,1 0,14 1,29 1:9
Melaço 54,0 O 74,0 0,74 0,08 9:1
Forragens:
Feno de alfafa 50,3 10,6 90,5 1,43 0,21, 7:1
Feno de aveia 46,3 4,5 88,1 0,22 0,17 1:1
Feno de capim rabo-de-rato 46,9 2,9 89,0 0,27 0,16 2:1
Feno de cevada 51,9 4,0 90,8 0,26 0,23 1:1
Feno de trigo 46,5 3,2 90,4 0,18 0,21 1:1
Feno de capim sudanês 48,5 4,3 89,3 0,446 0,036 10:1
Feno mesclado maduro 49,2 2,6 90,0 0,40 0,10 4:1
Pasto de capim maduro 41,0 0,2 90,0 0,30 0,08 4:1
Farelo de alfaIa 53,6 11,8 92,7 1,32 0,19 6:1
Palha de aveia 44,1 0,9 89,7 0,36 0,13 3:1
. N.doT.-Asinformações contidas foram obtidas principalmente de Morríson's Feed and Feedíng,
The Morríson Publíshíng Co, (Ithaca, New York, 1957).
TABELA 5.5 -Necessidades Alimentares do Cavalo'
TND, kg Prot, Dig,
kg DM,kg Ca P Ca:P
Inativo 3-4 0,27-0,36 6-8 0,015 0,015 1:1
Trabalho leve 4-5 0,36-0,45 7-8 0,015 0,015 1:1
Trabalho médio 5-6 0.45-0,54 7-8 0,015 0,015 1:1
Trabalho pesado 6-8 0,54-0,63 8-10 0,015 0,015 1:1
Último quarto da prenhez 3-4 0,54-0,63 7-8 0,016 0,015 1:1
Égua em lactação 6-8 0,54-0,68 8.10 0,034 0,029 1:1
Potro de 230kg 3-3,6 0,41-0,45 4,5-6 0,040 0,029 1:1
Quantidade/kg Feno TND Prot. Dig. DM Ca P Ca:P
6,8 Alfafa 3,4 0,72 6,17 0,10 0,016 6:1
6,8 Aveia 3,2 0,31 6,00 0,015 0,012 1:1
6,8 Capim rabo-de-rato 3,2 0,19 6,00 0,018 0,011 2:1
6,8 Mesclado maduro 3,4 0,18 6,12 0,027 0,007 4:1
Nutrição Eqüína 133
TABELA5.7 - Misturas de Grão Tipicas com Desequilíbrio Ca:P
Mistura de grão n~ 1
Ração total.não balanceada
Quantldade/1cg TND, Prot. Dig,
Alimento Kg Kg Ca P Ca:P
18 Aveia 13,06 1,27 0,016 0,062 1:3,5
18 Cevada 14,24 1,27 0,010 0,067 1:6
9 Milho 7,44 0,60 0,002 0,0024 1:11
45 Mistura 34,74 3,140,028 0,153 1:53
Mistura de grão n 2
Quantldadelkg TND, Prot. Dig,
Alimento Kg Kg Ca P Ca:P
18 Aveia 13,06 1,27 0,016 0,062 1:3,5
18 Cevada 14,24 1,27 0,010 0,067 1:6
9 Trigo 6,12 1,22 0,012 0,117 1:9
45 Mistura 33,42 3,76 0,038 0,246 1:62
Mistura de grão n 3
Quantldade/1cg TND, Prot. Dig,
Alimento Kg Kg Ca P Ca:P
15,9 Aveia 11,38 1,13 0,014 0,054 1:3,5
15,9 Cevada 12,34 1,13 0,009 0,059 1:6
9 Trigo 6,12 1,31 0,013 0,117 1:9
4,5 Fare10de
linhaça 3,49 1,40 0,015 0,039 1:25
45 Mistura 33,33 4,97 0,051 0,269 1:6
6,8 Feno de
aveia 3,17 0,31 0,015 0,012 1:1
2,3 Grão
Mistura n? 3 1,68 0,25 0,003 0,014 1:6
9,1 Ração 4,85 0,56 0,018 0,026 1:1,43
6,8 Feno de
capim rabo-
de-rato 3,17 0,19 0,016 0,011 2:1
2,7 Grão
Mistura n? 2 1,99 0,23 0,024 0,015 1:6,2
9,5 Ração 5,16 0,42 0,040 0,026 1:1,63
134 Nutrição e Reprodução
TABELA5.8 - Ração de Grão Balanceada para Cavalos de Trabalho
no Verão -9,4% de Proteína Bruta.
TABELA5.9 - Ração de Grão Balanceada para Cavalos de Trabalho no Inverno -9,4%
de Proteína Bruta.
TABELA5.10 - Ração de Grão Balanceada para Potros em Crescimento, Éguas em
Amamentação e Cavalos de Shows - 15% de Proteína Bruta.
Proteína bruta = 15% Proteína digerível = 12% Ca:P = 1:1,3
Uma xícara/dia de leite em pó na ração de grão dos potros em crescimento é aconselhável
para prover a lisina necessária.
QuantidadeJkg AUmento
TND, Prot. Dig.
kg kg kg Ca P
22,7 Aveia 16,4 1,58 20,68 0,020 0,077
1l,3 Cevada 8,9 0,77 10,16 0,007 0,042
4,5 Milho 3,6 0,32 3,85 0,009 0,009
6,8 Farelo de alfafa
com melaço 3,6 0,72 6,17 0,086 0,012
45,3 Mistura 32,5 3,39 40,86 0,122 0,140
Proteína bruta =9,4% Proteína digerível = 7,5% Ca:P = 1:1,2 Uma mistura de grão geralmente
adequada, exceto para cavalos que necessitam de uma ração rica em proteína.
Quan tidadelkg AUmento
TND, Prot. Dig.
kg kg kg Ca P
20,4 Aveia 14,7 1,45 18,50 0,018 0,069
9 Cevada 7,1 0,63 8,16 0,005 0,034
9 Milho 7,3 0,63 7,71 0,002 0,024
6,8 Farelo de alfafa
com melaço 3,6 0,73 6,17 0,086 0,012
45,2 Mistura 32,7 3,44 40,64 0,111 0,139
Proteína bruta =9,5% Proteína digerível = 7,6% Ca:P = 1:1,2.
Quantidadelkg AUmento TND, Prot. Dig.
kg kg kg Ca P
18,1 Aveia 13,1 1,27 16,56 0,016 0,062
9,1 Cevada 7,1 0,63 8,16 0,005 0,034
4,5 Milho 0,32 3,85 0,001 0,012 0,024
3,6 Farelo de soja 2,9 1,36 3,31 0,012 0,031
3,6 Farelo de linhaça 2,8 1,13 3,31 0,012 0,031
6,3 Farelo de alfafa
com melaço 3,6 0,73 6,17 0,086 0,012
45,2 Mistura 33,2 5,44 41,36 0,132 0,182
Nutrição Eqüína 135
TABELA5.11 - Linhas Gerais para Alimentar Cavalos
(Quantidade Diária Recomendada para um Cavalo de 450Kg*)
Potro de 2 semanas a 5 meses:
Da desmama aos 2 anos:
Cavalo adulto inativo:
(trabalhando menos que lhldia)
Cavalo em trabalho leve:
(1 a 3h1dia)
Cavalo em trabalho médio:
(3 a 5h1dia)
Cavalo em trabalho pesado:
(5 a 8h1dia)
Feno: Feno de alfufa e fareIo de alfafa à vontade com ofertas
de bom feno de aveia
Grão: de 0,9 a 2,3kg (18% de proteína bruta)
Feno: de alfafa 4,5 - 6,8kg, com ofertas de fareIo de alfafa
com melaço e feno bom de aveia
Grãos: 1,8 a 3,6kg (18% de proteína bruta)
Feno: Feno de alfufa com metade aveia, para dar variedade,
total 6,8kg
Grão: Não é necessário, mas dar de 450 a 900 gramas (10 a
12% de proteína bruta) é um petisco que proporciona uma
maneira de dar um suplemento vitamínico
Feno: meio alfafa meio aveia. Total de 6,8 a 8,2kg
Grão: 1,8 a 2,7kg. (10-12% de proteína bruta)
Feno: meio alfufa meio aveia. Total de 6,8 a 8,2kg
Grão: 2,7 a 4,lkg(12% de proteína bruta)
Feno: meio alfaia meio aveia. Total de 8,2, a 9,lkg
Grão: 4,1 a 5,4kg (12% de proteína bruta)
Égua no último quarto da prenhez: Feno: meio alfufa meio aveia. Total de 6,8 a 8,2kg. Tudo de
alfufa
Grão: 0,9 a 1,8kg (12 a 14% de proteína bruta)
Égua em lactação:
Garanhão reprodutor:
Feno: meio alfafa meio aveia. Total de 8,2 a 9,lkg. Tudo alfafa
Grão: 3,6 a 5,4kg (12 a 14% de proteína bruta)
Feno: meio alfufa meio aveia. Total de 6,8 a 8,2kg
Grão: 2,7 a 4,5kg (12 a 14% de proteína bruta)
* 1. Uma suplementação geral de vitaminas é recomendada para todos os cavalos. A vitamina
A é especialmente importante para éguas prenhes e potros em crescimento. A vitamina E é
recomendada para todos os cavalos de trabalho e reprodução, mas ainda causa controvérsia;
2. Farelo de alfafa e melaço é um bom suplemento para engorda; 3. Todos os programas de
alimentação devem ser ajustados para um cavalo e suas necessidades individuais. Se o animal
está abaixo do peso, aumente sua comida, providencie cuidados dentários e controle parasitário.
Se o animal está acima do peso, alimente-o de acordo, com atenção apropriada às necessidades
corpóreas mínimas. Peça ao seu veterinário recomendações específicas para programas de controle
de peso.
136 Nutrição e Reprodução
TABELA5.12 - Ingestão Diária Sugerida de Vitamina A, D e para Cavalos (Cunha, 1966).
TABELA5.13 - Grão Necessário para Suprir as Necessidades de Energia.'
Classificação do trabalho Quantidade de Energia necessária
grãolh Kg,Mca1.. além da usada para
andar
Muito leve (andar)
Leve (trote lento, pouco meio galope)
Médio (trote rápido, meio galope, um pouco de salto)
Pesado (meio galope, galope, salto)
Vigoroso (corridas, jogo de pólo)
0,33
3,31
7,16
16,53
27,01
10
25
47
77
.As quantidades sugeridas de mistura de grão balanceadas são acima de qualquer necessidade
para manutenção normal.
.. 1 Mcal (Megacalotia) = 1.000 Kcal: I Kcal = 1.000 cal.
TABELA5.14- Quadro Trabalho- Grão- Quantidadede Grão (em kg)
Necessária para Várias Quantidades de Trabalho'
TABELA5.15 - Programa de Condicionamento.
Semana Tempo Quantidade de grão,
kg
0,91~
2~
3~
4~
5~
6~
7~
até 3~minutos
30-60 minutos 0,9 a 1,4
60-90 minutos 1,4 a 2,3
2a3horas
8~
10'.
ll~
12~
3a5horas
2,3 a 3,6
3,6 a 4,5
5 a8horas 4,5 a 6,3
Vitamina A Vitamina D Vitamina E
Potros:
até 2 meses 5.000 750 10
2 a 5 meses 10.000 1.500 20
5 a 18 meses 20.000 3.000 40
18 meses a adulto 40.000 6.000 80
Cavalo adulto 40.000 6.000 80
Égua vazia 60.000 9.000 120
Garanhão reprodutor 60.000 9.000 120
Tempo, Trabalho
mio Leve Médio Pesado Vigoroso
15 0,151 0,454 0,907 1,361
30 0,340 0,680 1,814 2,721
45 0,454 0,907 2,721 4,082
60 0,680 1,361 3,402 5,443
. O grão deve ser consideravelmente reduzido durante os dias de descanso.
6
Reprodução dos Cavalos
FISIOLOGIA BÁSICA
As éguas são "poliéstricas estacionais". Isso significa que as éguas têm "ciclos"
normais apenas durante parte do ano, normalmente do começo da primavera
ao fim do outono. Em climas quentes, as éguas podem ter ciclos relativamente
normais durante a maior parte do ano. A cada 21 ou 22 dias a égua desenvolve
e libera (ovula) um óvulo em um dos seus dois ovários. O óvulo desce pelo
contorno do útero até o corpo do mesmo. Se a fecundação não ocorrer, com
o encontro do esperma do garanhão com o óvulo no como, o óvulo morre
e a égua vai produzir outro óvulo em 21 dias. Isso é chamado de "ciclo estral".
Externamente o ciclo estral é caracterizado por duas fases. Uma fase é o
período do "cio" ou "estro", durante o qual a égua vai aceitar o garanhão
para a cobertura. A égua vai indicar sua receptividade ao garanhão urinando
com freqüência e "piscando" a vulva quando está próxima dele. Esse período
normalmente dura de 5 a 6 dias. A segunda fase do ciclo estral é quando
a égua não está no cio e não é receptiva ao garanhão. Nessa época, a égua
normalmente vai "murchar" as orelhas, relinchar e escoicear o garanhão. Esse
período normalmente dura 16 dias e representa o tempo entre os períodos
de cio. Na maioria das vezes, a égua não vai mostrar o seu período de cio,
a menos que esteja próxima de um garanhão ou rufião que a "excite" se
mostrando interessado.
Se ocorrer a fertilização após a égua ser coberta pelo garanhão, não deve
haver mais cios evidentes até após o nascimento do potro.
Após cada ovulação, o "buraco" que é deixado no ovário é preenchido
por um tecido especial produtor de hormônio formando o corpo lúteo. Esse
tecido produz um hormônio chamado progesterona, que impede o desenvol-vimento de outro óvulo nos ovários, e diminui as contrações uterinas normais,
em preparação para a prenhez. Se a égua não for coberta, ou não ficar prenhe,
o tecido do corpo lúteo toma-se inativo e desaparece. Isso permite, então,
a produção de estrógeno (o principal hormônio feminino), pelos ovários, para
138 Nutrição e Reprodução
Tabela 6.1 - Quadro de Notas sobre Reprodução *
Fisiologia da Égua
Início da maturidade sexual (puberdade)
Idade média recomendada para primeira
cobertura
Duração média do ciclo estral
Duração média do cio
Duração do intervalo entre os cios
Época da ovulação
Época mais fértil para cobertura
Época aconselhável para nova cobertura
após o parto
Período de vida do óvulo após
deixar o ovário
Estação de monta
Fisiologiado Garanhão
Início da maturidade sexual
Idade média recomendada para
primeira cobertura
Período de vida do espermatozóide no trato
reprodutivo feminino
10 a 24 meses (18 meses)
2 a 3 anos, dependendo do
desenvolvimento
19 a 23 dias (21 dias)
4,5 a 6,5 dias (5,5 dias)
13 a 18 dias (15 dias)
1 a 2 dias antes do fim do
cio
2?ou 3?dia do cio ou 3 dias
antes do fim do cio
2?cio (25 a.35 dias)
2 a 6 horas
Fevereiro a agosto
( dependendo da latitude)
10 a 24 meses (18 meses)
2 a 3 anos, dependendo do
desenvolvimento; machos
jovens devem ser usados
moderadamente
2 a 4 dias.
Número de éguas Por estação (Stud bookings)
2 anos de idade 10 a 15 (2 a 3 semana se tanto)
3 anos de idade 15 a 20 (espaçadas, com períodos de descanso)
4 anos de idade 20 a 30 (evite duas por dia,"duplas")
Adulto 30 a 40 (2 ou 3 "duplas" por semana são possíveis)
18 a 25 10 a 20
(" Tabela cortesia do Dr. S. J. Roberts, Ithaca, NY).
Alguns garanhões já cobriram 100 éguas em uma estação de monta.
produzir outro óvulo para o próximo ciclo estrato Se a égua ficar prenhe,
a produção de progesterona, primeiro pelo corpo lúteo e, mais tarde, pela
placenta, evita que a égua tenha outro "cio" até aproximadamente de 7 a
10 dias após o parto. Esse é chamado de "cio do potro". A duração média
da prenhez (período de gestação) é de 345 dias. Algumas éguas (aproxima-
damente 17%) vão apresentar cios falsos durante a prenhez. Quando isso ocorre,
Reprodução dos Cavalos 139
durá normalmente apenas 24 horas e raramente a égua permite que o garanhão
realmente a cubra nesse período. Uma cobertura forçada nessa situação pode
induzir um aborto. Fisicamente, esses cios falsos não se distinguem dos verda-
deiros.
POSSUIR UM GARANHÃO NO HARAS
Manter um garanhão para cobertura não é uma atividade recomendada para
os cavaleiros novatos. Isso é devido às seguintes razões: a) a maioria dos gara-
nhões é imprevisível e sempre potencialmente perigosa (há muitas exceções
a essa generalização); b) os garanhões devem ter uma infra-estrutura especial,
um abrigo adequado, uma cerca forte (um arame eletrificado no interior da
cerca é freqüentemente desejável., uma área de exercícios de 9 x 15m deve
ser considerada o minimo, com uma área muito maior, de um quarto de acre
ou mais, sendo melhor); c) infra-estrutura adequada é essencial para as éguas
que chegam, e cuidar delas é uma responsabilidade considerável; d) uma com-
preensão completa da fisiologia e higiene da cobertura, rufiação e problemas
comuns é essencial para uma atividade bem-sucedida e produtiva.
Émelhor para todos os envolvidos - os cavalos e as pessoas - que possuírem
um garanhão no haras, seja uma atividade para cavaleiros experientes.
Procedimento de Cobertura
RUFIAÇÃO
Para determinar em que fase do ciclo estral está uma égua, ela é "rufiada"
permitindo-se que um garanhão se aproxime dela. Nesse momento ela indicará
sua receptividade ou rejeição. Como é necessário cobrir a égua na época
correta do seu ciclo estral, o sucesso de um programa de cobertura pode
depender de um programa de rufiação realizado cuidadosamente.
1. Éguas virgens e "vazias" (as que não estão p'renhes) devem ser rufiadas,
pelo menos, 30 dias antes da estação de monta; o ciclo individual de cada
égua deve ser anotado. Essas éguas devem ser rufiadas dia sim, dia não, até
que os sinais de cio sejam detectados. Nesse momento, deve ser feita rufiação
diária e continuada por 2 ou 3 dias após o fim do cio. Novamente é feita
a rufiação dia sim, dia não, até o próximo cio, quando deve ser coberta. Essas
anotações de rufiação podem ser de grande valia para determinar o momento
apropriado para a cobertura ou para ajudar a reconhecer os problemas, quando
ocorrem.
2. As éguas que foram cobertas são rufiadas novamente para se notar se
a égua mostra qualquer sinal de volta ao cio. Essas éguas são geralmente rufiadas
a cada 2 ou 3 dias após o ciclo estral que foram cobertas, mas são cuidadosamente
rufiadas todos os dias durante um período de 7 dias, que começa no décimo-
. N.do R. - Como os cavalos são animais muito sensíveis a choques elétricos, a utilização de
cercas eletrificadas deve ser feita com muito cuidado.
140 Nutrição e Reprodução
sexto dia após a égua ter saído do cio. Se a égua não emprenhar deve entrar
no cio no décimo-oitavo dia após ter saído do cio (veja Quadro 6.1).
3. Após o parto, as éguas devem ser rufiadas diariamente, começando-se
no quarto dia, se a cobertura no nono dia for desejada. As éguas nunca devem
ser cruzadas antes do nono dia e não devem ser absolutamente cruzadas nesse
cio, a menos que a égua esteja normal em todos os aspectos - sem machucaduras
internas, sem corrimento e com exame bacteriológico negativo, realizado por
um veterinário. É melhor esperar o próximo ciclo para cobri-Ia novamente.
A égua deve ser rufiada dia sim, dia não, a partir do vigésimo dia, e diariamentt:
a partir do vigésimo-quinto dia até o trigésimo-quinto. A maioria das éguas
vai entrar em cio no trigésimo dia.
PADRÃo DE COBERTURA
Se uma égua é normal e saudável, e seu ciclo estral foi bem estabelecido
por um programa de rufiação cuidadoso, cobri-Ia três dias antes do que ela
deve sair do cio é provável que resulte em prenhez. Esse é normalmente
o terceiro dia de cio. Os estudos indicaram que cobrir uma égua 2 vezes
ou mais durante o cio só aumenta em 3% a taxa de prenhez, e aumenta
a oportunidade de uma infecção se instalar.
Muitas vezes não é possível ter o ciclo de uma égua preestabelecido, portanto,
é prática comum cobri-Ia no segundo e no quarto dia do cio e novamente
3 dias depois, se ela ainda estiver em cio forte. Sea égua está num cio prolongado,
de 10 dias ou mais, é melhor parar as coberturas até que ela tenha voltado
aos ciclos normais, o que normalmente ocorre no fim de março*. A cobertura
diária não é um procedimento recomendado. Isso geralmente desgasta muito
o garanhão e aumenta as chances de se estabelecer uma infecção na égua.
HIGIENE DA COBERTIJRA
Para ajudar a evitar a possibilidade de se estabelecerem infecções no trato
reprodutivo da égua, boas técnicas de higiene da cobertura devem ser usadas.
Isso inclui os seguintes procedimentos:
1. Enfaixe a cauda da égua - pelo menos, os 30 a 45cm superiores, para
manter os pêlos longe da vulva. Isso também evita a possibilidade desses pêlos
cortarem o pênis do garanhão na hora da cobertura.
2. Lave a vulva e os quartos traseiros da égua, que podem entrar em contato
com o pênis do garanhão. Use um sabão suave (Amway's Loe ou um sabão
neutro) e enxagüe bem.
3. Lave o pênis do garanhão antes e depois da cobertura.
*N. do R. . A estação de monta nos Estados Unidos vai aproximadamente de fevereiro a agosto
(primavera-verão ).
Reprodução dos Cavalos 141
QUADRO 6.1 - Quadro de rufiação e cobertura.
REGISTRO DE RUFIAÇÃO E COBERTURA DOS EQÜINOS
CRIADOR: RODAm -J. RANCH- PLEASANTRIU, CA.
MÊS: ABRIL PROPRYJTÁRIO: RODABI -J. RANCH
Legenda: O -Fora o cio; i Entrando no cio; 1- No ciO; ! Saindo do cio; B - Cobertura; T . Tratada
Égua
"Rena"
1234
O O O i
O O T O
i 1 8 1
5 6 7 8 9 1011121314151617181920212223242526272829130131
118181!000 O O O O O 000010
00000001118181181!000 10 O
811!000 O O O O 000111181811
"Calie"
"Suesy"
PROGRAMA DE RUFlAÇÃO E COBERTURA
ÉGUASVAZIASNÃOCOBERTAS
(a) Rufiardia sim, dia não, não até os sintomas de cio serem detectados.
(b) Rufiar diariamente durante o cio e continuar por 2 a 3 dias após os últimos sinais de ter
saído do cio.
( c) Cobrir no 2? e 4? dias do cio e novamente apenas no 6? dia, se a égua ainda mostrar sinais
de cio forte.
Nota: Se estiver num cio prolongado de 10 dias ou mais, suspenda as coberturas até que ela
volte aos períodos de cio com duração normal ( 5-7 dias), ou seja examinada por um veterinário.
ÉGUAS COBERTAS QUESERÃO "RUFlADASNOVAMENTE"
(a) Rufiar a cada 2 ou 3 dias por um período de 14 dias após a última cobertura; rufiar, então,
diariamente nos próximos 10 dias. Se não for detectado nenhum cio durante esse período, é
uma boa indicação de que a égua emprenhou.
(b) Após terem se passado 22 dias, rufiar a cada 3 ou 4 dias até terem se passado 38 dias
após última cobertura; rufie, então, por 7 a 10 dias, diariamente.
( c) Se a égua voltar ao cio, comece o programa de coberturas no seu 3? dia de cio, para evitar
cobertura forçada durante um "cio falso".
CONTENÇÃO
É sempre uma boa prática usar contenção apropriada na égua durante a
cobertura. Apesar da cobertura no pasto resultar numa taxa de prenhez muito
142 Nutrição e Reprodução
mais alta, a "cobertura controlada" é uma prática comum para evitar ferimento
no garanhão. Para assegurar essa proteção, a égua deve ser contida para evitar
que escoiceie o garanhão durante a cobertura. Um "cachimbo" e um pé-de-
amigo são normalmente suficientes para essa contenção (Fig. 6.1). Alguns cria-
dores preferem usar peias de cobertura ao invés do pé-de-3.\lligo. O cachimbo
deve ser usado rotineiramente, a menos que uma égua, em particular, não
o tolere e cruze bem sem cachimbo. Esse procedimento é um perigo potencial
para o garanhão. O cachimbo (uma corda ou corrente paSsada ao redor do
focinho e apertada) deve ser sempre aplicado primeiro, antes que qualquer
corda ou peia seja colocada. O cachimbo deve ser a última coisa removida
após a coberturà ter-se completado. Isso é uma preocupação importante para
evitar que as éguas que não toleram cordas, se machuquem. Um pé-de-amigo
consiste de uma corda que vai de uma outra corda circular em tomo do
pescoço até logo abaixo do machinho esquerdo, circulando-o, e de volta ao
pescoço. É ajustado de forma que a égua não possa escoicear, mas permite
que se mantenha em pé sem perder o equilíbrio. O pé-de-amigo é amarrado
com um nó fácil de desatar. Muitas peias de cobertura diferentes estão disponí-
veis. A menos complicada é a melhor.
PROCEDIMENTO DE COBERTURA CONTROLADA
1.Traga a égua para fora ou coloque-a numa rampa de cobertura segura
e bem construída, se uma for usada.
2. Enfaixe sua cauda e lave-a preparando-a para a cobertura.
Figura 6.1 - "Pé-de-amigo" e cachimbo usados na contenção da égua para cobertura,
para evitar ferimentos no garanhão (pat Schwarz).
Reprodução dos Cavalos 143
3. Traga o garanhão e permita que se aproxime da égua o suficiente para
ficar interessado e expor seu pênis. Nesse momento, o garanhão é levado
para o lado - contra uma parede ou cerca segura, para lavar seu pênis.
4. Coloque o cachimbo e, então, o pé-de-amigo ou as peias de cobertura
na égua. (Prender ou amarrar uma das patas dianteiras para cima é, geralmente,
um procedimento muito perigoso e não recomendado.)
5. Pode-se, então, permitir que o garanhão se aproxime da parte traseira
da égua, pela esquerda, mantido sob controle por um peão competente. É
uma prática aconselhável ter uma corrente passando pelo lado esquerdo do
cabresto, sobre o focinho do garanhão, até o outro lado do cabresto, para
controlá-Io melhor. Também é aconselhável ter à mão um chicote de aproxima-
damente 1 m de comprimento para o caso de se tornar necessário usá-Io para
controlar o procedimento de cobertura.
6. Se a égua e o garanhão estão sob controle e o garanhão apresenta uma
ereção, permite-se que ele monte a égua e complete a cobertura. Se o garanhão
tem tendência a morder a égua na hora da cobertUra, deve ser colocada uma
proteção sobre o pescoço e a cernelha da égua. O abanar da cauda (em movi-
mento para cima e para baixo) do garanhão, indica que houve uma ejaculação
normal.
7. Quando o garanhão deseja desmontar (normalmente após aproximada-
mente um minuto), permite-se que o faça, e uma tentativa de lavar seu pênis
deve ser feita. Isso é geralmente muito dificil de se fazer, mas não é tão impor-
tante quanto a preparação anterior à cobertura. O garanhão é colocado, então,
de volta à sua cocheira ou piquete.
8. As cordas são, então, removidas da égua e o cachimbo é finalmente retirado.
Nesse momento faz-se com que ela ande calmamente por alguns minutos,
a bandagem da cauda é removida e ela é, também, levada de volta à sua cocheira
ou piquete. A prática de se jogar água fria na égua após a cobertura, numa
tentativa de impedi-Ia de "devolver" um pouco do sêmen, não é eficaz, não
sendo um procedimento recomendado.
COBERTURA NO CIO DO POTRO
É a cobertura da égua no primeiro cio após o parto, normalmente em torno
do nono dia. Os prós e contras dessa prática são o seguinte:
Vantagens
1.Se uma égua é coberta nessa época, há uma chance de prenhez.
2. Se uma égua emprenhar com essa cobertura, ela vai parir três semanas
mais cedo no ano seguinte. Isso pode ser importante para os interessados
em corridas ou exposições que querem ter potros maiores para a competição.
3. Uma pequena porcentagem das éguas vai apresentar um cio do potro
forte, mas não entrará novamente em cio durante a estação de monta.
144 Nutrição e Reprodução
Desvantagens
1.Os estudos têm indicado que a taxa de prenhez normal dessas coberturas
no nono dia é de apenas 25 a 43% contra os 56 a 65% conseguidos quando
as éguas são cobertas no seu segundo cio, aproximadamente 30 dias após
o parto.
2. As taxas de aborto são de aproximadamente 13% contra os 4% conside-
rados normais.
3. A taxa de potros mortos ou doentes é de 7% contra menos de 1% que
é o normal.
4. As éguas estão mais suscetíveis às infecções uterinas nas 2 primeiras sema-
nas após o parto do que em qualquer outra época.
5. Há uma incidência maior de retenção de placenta e infecções uterinas
após o parto.
Devido às várias desvantagens associadas à cobertura no cio do potro, ela
não deve ser prática de rotina e deve ser considerada somente se a égua
foi examinada e não apresenta machucaduras na cérvix e na vagina, e sua
cultura cervical é considerada "negativa" pelo veterinário. Muitos criadores
exigem um exame veterinário pré-cobertura e uma cultura de muco cervical
em todas as éguas trazidas para cobertura. Isso geralmente evita muitos pro-
blemas.
INFERTILIDADE NA ÉGUA
Quando revemos a fisiologia básica da égua, notamos que durante o ciclo
estral ocorrem muitas mudanças fisiológicas e fisicas. Para os propósitos de
cobertura, quatro atividades principais precisam acontecer, todas no tempo
apropriado para assegurar a prenhez. Elas incluem:
1.A égua precisa mostrar um cio aparente, de modo que esteja aceitando
o garanhão para cobertura.
2. Deve produzir um óvulo e desenvolvê-Io completamente.
3. Deve ovular no momento apropriado durante o cio.
4. Sua cérvix precisa estar relaxada e aberta na época do cio para permitir
a passagem do sêmen no momento da cobertura.
Infertilidade Fisiológica
Há muitas variações ou desvios do padrão fisiológico normal que resultam
na infertilidade da égua. Esses problemas parecem ser as causas predominantes
de infertilidade nas éguas de todas as idades, mas especialmente em éguas
mais velhas e nas que estão reprodutivamente inativas por 2 anos ou mais.
1.Cios irregulares podem variar do anestro completo (ausência de cio) a
um período de cio excessivamente prolongado. Freqüentemente, as éguas que
não apresentam cios aparentes estão, na realidade, tendo "cios silenciosos".
Reprodução dos Cavalos 145
Esses podem ser detectados por um exame veterinário da cérvix. Cios prolon-
gados, na maioria das vezes, ocorrem no início da estação de monta (de janeiro
a março.) e normalmente se corrigem sozinhos.Isso, às vezes, é devido a
doenças nos ovários.
2. Ovulação irregular pode ocorrer, podendo resultar na liberação dos óvulos
alguns dias após o cio e após a morte de qualquer esperma que possa ter
sido introduzido. Às vezes, não haverá ovulação, e isso é resultado de um
desenvolvimento e amadurecimento incompleto do folículo. Isso, e também
um tumor no ovário podem causar um cio prolongado. Esses dois últimos
problemas são mais comuns em éguas idosas.
3.Abertura incompleta da cérvix é, na maioria das vezes, resultado de uma
atividade homonal reduzida ou de cicatrizes cervicais pós-parto.
4. Abortos crônicos ocorrem em éguas que habitualmente abortam suas crias
com aproximadamente 60 dias. Essa é a época que o ovário passa sua responsa-
bilidade de produzir progesterona (um hormônio necessário à manutenção
da prenhez) para a placenta. Quando essa transferência não é feita com sucesso,
ocorre o aborto. Como o feto é muito pequeno nessa época, não há evidência
que ocorreu um aborto, exceto que a égua entra novamente em cio. Se uma
égua foi diagnosticada prenhe, pelo menos, 3 vezes aos 40 dias, e volta a
apresentar cio após 60 a 90 dias, pode-se presumir que ela tem abortos crônicos.
O tratamento hormonal desse problema deve começar logo que a prenhez
for detectada, e continuar até o último mês de prenhez.
5. lnfertilidade temporária enquanto em lactação ocorre com algumas éguas,
assim como muitas mulheres. Quando essa condição é detectada em uma égua
em particular, tratamento de rotina deve ser administrado antes do seu cio
de 30 dias após o parto, para assegurar que esse cio será forte e normal.
Isso envolve o uso de uma injeção de prostaglandina ou infusão uterina.
6. Falsaprenhez ou prenhez psicológica é resultado de um problema hormo-
nal, e faz com que a égua aja e pareça, em todos os aspectos, prenhe. Os
cios param, tanto fisica quanto fisiologicamente. Isso é normalmente devido
a corpo lúteo que não desapareceu como é normal. Se a égua mantiver essa
prenhez pelo tempo certo, pode apresentar um grande abdome e produzir
leite. Essa condição é muito mais comum na cadela do que na égua. Ocasional-
mente, a égua pode passar pelos movimentos do trabalho de parto, mas, é
claro, não produz um potro. Na maioria das vezes, essas éguas começam a
ter, novamente, ciclos normais. O melhor é perceber essa condição logo, e
trazer a égua de volta aos ciclos normais através de um tratamento, para evitar
a perda de todo um ano de criação.
Felizmente, muitas dessas causas fisiológicas de infertilidade na égua repon-
dem razoavelmente bem ao tratamento. Muitas éguas com atividade hormonal
insuficiente podem ser estimuladas com o uso de prostaglandinas ou infusões
uterinas. Prostaglandina é uma substância que dissolve o corpo lúteo, normal-
mente fazendo com que a égua volte ao cio em 10 dias; também faz com
que a égua prenhe aborte. As prostaglandinas são comumente usadas para encur-
tar o período entre os cios das éguas. A gonadotrofina coriônica é comumente
usada para ajudar no desenvolvimento dos folículos, assim como para auxiliar
na ovulação. Cada caso em particular deve ser avaliado por um exame veteri-
.N.do R. . No Brasil, o início é em agosto/setembro.
146 Nutrição e Reprodução
nário. É importante que todas as éguas estejam em boas condições fisicas
para reprodução.
7.Hipotireoidismo no cavalo não é incomum, sendo causado por baixa ativi-
dade da glândula tireóide. É uma condição que em geral não é diagnosticada
clinicamente. As éguas afetadas vão ter, tipicamente, excesso de peso, uma
crina grande e pesada, e vão engordar com facilidade. Essas éguas têm tendência
ao aguamento, mesmo se alimentando de capim. A administração de tiroxina
é freqüentemente necessária para melhorar suas chances de emprenhar.
Infertilidade Física
1.Infecções que se estabelecem no útero da égua quase sempre a deixam
incapaz de emprenhar ou produzir um potro normal e saudável. Essas infecções
em geral são causadas por bactérias normalmente encontradas no ambiente
externo, mas se associam com o trato reprodutivo por contaminação. Essas
infecções não são doenças venéreas propriamente ditas, pois as bactérias que
as causam são apenas "oportunistas" e não necessitam dos tecidos do trato
genital para sobreviver.
Os estudos mostram que quase 100% das éguas pegam uma infecção no
trato genital após o parto. Bactérias do meio ambiente são freqüentemente
sugadas para o interior da vagina e útero pela pressão negativa criada no momen-
to da expulsão do potro. A maioria das éguas livra-se dessa infecção em 7
a 14 dias. A resistência natural do tecido é surpreendentemente eficaz em
evitar o estabelecimento da infecção, se o dano ao tecido não foi extenso,
e os processos de cura normais ocorrem sem interferência.
2.Metrite contagiosa eqüina (MCE) é uma doença vent:rea dos cavalos alta-
mente contagiosa, que causa uma infecção purulenta (que causa pus) aguda
no útero da égua. É uma doença relativamente nova, identificada pela primeira
vez na Inglaterra em 1977. A doença já foi encontrada na Irlanda, Austrália,
França e Estados Unidos (Kentucky) e tem restringido o movimento dos cavalos
entre esses países. Essa é uma das únicas doenças dos cavalos que são conside-
radas doenças venéreas. A outra é o exantema coital dos eqüinos, uma doença
esporádica causada por um herpes vírus que provoca o aparecimento de peque-
nas vesículas (bolhaS') que saram em 7 a 10 dias sem complicações.
A bactéria que causa MCE é, na maioria das vezes, introduzida na égua
no momento da cobertura, mas pode ser propagada pelos humanos. Apesar
do garanhão tornar-se infectado, não apresenta sintomas clínicos, porém fre-
qüentemente age como transmissor da doença. Algumas éguas, sem sintomas,
podem tomar-se transmissoras crônicas.
Quando a bactéria infecta o revestimento do útero, um corrimento denso
e, às vezes, profuso é observado, vindo do útero. Algumas infecções podem
se limitar à volva, e não se notará corrimento. A duração da doença é, normal-
mente, de 10 a 14 dias em éguas tratadas e não tratadas, mas as não tratadas
freqüentemente se tomam transmissoras. Apesar da bactéria ser sensível a vários
antibióticos diferentes e, apesar da doença ser facilmente tratada no garanhão,
o tratamento das éguas é menos confiável. Testes laboratoriais são usados
para confirmar o diagnóstico. Os casos de MCE devem ser comunicados às
autoridades estaduais e federais apropriadas.
ReprodUção dos Cavalos 147
3. Uma retenção de placenta e cobrir a égua no cio do potro são os dois
fatores que mais predispõe o estabelecimento de uma infecção uterina após
o parto. A retenção de placenta é geralmente devido a uma infecção pequena,
anterior ao parto. Nutrição imprópria pode também ser um fator. O potro
pode ou não estar doente ao nascer. Quando a placenta é retida por mais
de 8 horas, deve-se procurar o veterinário. Ela deve ser removida em 24 horas
e tratamento apropriado é essencial para prevenir o estabelecimento de uma
infecção e até a possível morte da égua. Mortes após complicações de retenção
de placenta são acontecimentos freqüentes todos os anos.
4. Pneumovagina nas éguas é outro fator que predispõe a infecções. A condi-
ção resulta de um afundamento do ânus que faz com que a vulva seja protegida,
permitindo que o ar seja sugado pela vagina. Isso pode ser devido à má confor-
mação ou às más condições. É muito comum no Puro-Sangue Inglês. A irritação
constante que ocorre supera a resistência dos tecidos e abre caminho para
as infecções. Essa irritação pode também produzir uma reação química desfavo-
rável com os fluidos do trato genital, encurtando, assim, a vida dos esperma-
tozóides. A inseminação artificial é benéfica em algumas dessas éguas, pois,
permite ultrapassar o local do distúrbio químico, se uma infecção ainda não
se instalou no útero. Isso é especialmente verdadeiro para as éguas que sugam
ar somente quando estão no cio. Uma cirurgia razoavelmente simples vai,
normalmente, evitar a pneumovagina e pode acrescentar anos de produtividade
às éguas afetadas.Essa cirurgia é a "operação de Caslick", que consiste em
fechar o terço superior da vulva com suturas.
5. O garanhão também pode ser um fator na passagem de infecções de uma
égua para outra. Isso acontece normalmente apenas por meios mecânicos.
Para ocorrer esse contágio, geralmente é necessário que o garanhão cubra
primeiro uma égua infectada, e então dentro de 24 horas, cubra outra égua,
introduzindo nela essa infecção. O garanhão raramente desenvolve a infecção,
apesar de ser possível. Garanhões adultos (com mais de 5 anos de idade)
parecem bem resistentes a infecções, mas os jovens, de 2 anos de idade, parecem
mais suscetíveis. Se um garanhão possui uma infecção ativa, freqüentemente
não a passa para as éguas, mas isso também é possível. Quando ele tem uma
infecção, raramente consegue emprenhar uma égua.
Algumas das outras fontes comuns de contaminação mecãoica que levam
a infecção são: pouca higiene na cobertura, técnicas de coleta de material
anti-higiênicas, o uso de instrumentos vaginais contaminados, e procedimento
ultrapassado de alguns "cavaleiros" de "abrir" uma égua.
Deve-se ter em mente que nem todas as infecções são óbvias, e o corrimento
vaginal nem sempre acompanha uma infecção. O ciclo estral de uma égua
infectada é geralmente bem regular, mas ela não emprenha após repetidas
coberturas. Abortos precoces (60 a 120 dias) podem ocorrer numa égua que
subitamente volta ao cio, após 2 ou 4 meses de anestro (ausência de cio).
Freqüentemente a cria abortada não é encontrada e nenhum corrimento é
notado.
Apesar das infecções geralmente impedirem a prenhez, em alguns casos,
ela é levada a termo, apenas para dar a luz um potro morto ou gravemente"
doente. A cobertura é raramente, se é que alguma vez o é, recomendada no
caso de uma infecção conhecida.
Uma cultura cervical ou uterina é a única técnica para se diagnosticar uma
infecção. Algumas éguas podem apresentar um corrimento acentuado que pode
148 Nutrição e Reprodução
ser apenas inflamatório, sem bactérias presentes. Por outro lado, éguas que
podem parecer "limpas" podem apresentar uma infecção extensa. O procedi-
mento da cultura envolve tirar uma amostra estéril da cérvix ou útero da
égua quando está em pleno cio, e semear num meio de cultura. Se houver
bactérias presentes, o diagnóstico pode ser confirmado, e os antibióticos mais
eficazes podem ser selecionados por um antibiograma. Atualmente, os veteri-
nários estão revendo a importância desses achados de cultura.
MINIMIZANDO INFECÇÕES UTERINAS
1.Utilize boa higiene de cobertura.
2. Evite a cobertura no cio do potro. Em nenhuma outra época a resistência
da égua está tão baixa quanto nessa. Freqüentemente leva de 10 a 14 dias
para uma égua se livrar de sua infecção leve pós-parto. O útero realiza muitas
contrações nessa época. Se a cobertura no cio do potro for necessária por
causa do fator tempo, peça a um veterinário de eqüinos um exame pré-cobertura
e uma cultura.
3. Antes da cobertura, faça cultura de todas as éguas que retiveram a placenta
por mais de 8 horas, tiveram qualquer corrimento vaginal, foram cobertas
em um ou mais cios normais, mas não emprenharam (mesmo éguas virgens
podem estar infectadas) que são estranhas ou de outro estábulo. Faça cultura
de todas as éguas de fora.
Deve-se frisar que as infecções são dificeis de eliminar, mesmo com trata-
mento extensivo e persistente, e tornam-se mais dificeis quanto mais se demorar
a tratá-Ias.O criador deve estar ciente desse problema e fazer todos os esforços
para prevenir sua ocorrência, através de um manejo apropriado, boa higiene
de cobertura, e assistência veterinária de rotina.
Útero in/àntil é o resultado de uma insuficiência glandular. Os ovários são
geralmente pequenos e o útero tem apenas uma fração do seu tamanho normal.
Esses animais ocasionalmente vão ter desenvolvimento ovariano suficiente para
terem ciclos estrais, mas não vão conceber. Essa é uma causa de esterilidade
permanente, com poucas exceções. O problema é diagnosticado em um exame
fisico realizado pelo veterinário.
Restrição cervical pode ser resultado de cicatrizes e adesões que, na maioria
das vezes, ocorrem após um parto dificil. Essa condição é dificil de tratar
efetivamente e, com freqüência, resulta em esterilidade permanente.
INFERTILIDADE NO GARANHÃo
Como regra geral, a infertilidade no garanhão torna-se um problema evidente
quando todas ou a maioria das éguas cobertas voltam ao cio e não estão prenhas.
Isso não é tão evidente quando o garanhão está cobrindo apenas poucas éguas.
Causas
1.Más condições gerais devido à nutrição inadequada, parasitismo e doenças
podem prejudicar a fertilidade. Também exaustio f\S\c<le me\\u\, devido ~
Reprodução dos Cavalos 149
preocupação com cobertura e uso excessivo como rufião podem resultar em
baixa qualidade de esperma.
2. Falta de desenvolvimento testicular é geralmente um problema congênito,
mas pode ser o resultado de deficiências nutricionais precoces ou doenças
com febre alta. Ocasionalmente, o tratamento hormonal é eficaz.
3. Degeneração testicular pode resultar de injúrias diretas ou infecções locais.
Tratamento para infecções pode ser eficaz se o dano nos testículos não é
extenso.
4. Masturbação é um hábito que o garanhão pode desenvolver, sendo uma
causa comum para a diminuição da fertilidade. Ele faz isso esfregando o pênis
contra o abdome, resultando numa ejaculação. Freqüentemente, essa atividade
é praticada à noite e não é observada pelo proprietário. Exercício insuficiente
pode predispor à masturbação. Essa condição é melhor tratada usando um
anel de plástico no pênis do garanhão. O anel é colocado no pênis relaxado,
ajustando-se bem, mas não muito apertado. O exame e cuidados freqüentes
com o anel são necessários para evitar causar danos ao pênis.
5. Ejaculação inadequada é uma causa comum de infertilidade. É um problema
que ocorre quando o garanhão faz uma cobertura normal, mas não ejacula,
e geralmente não é observada a cauda "abanando". A melhor maneira de se
determinar se isso está ocorrendo é examinar microscopicamente um pouco
dos fluidos que são coletados do pênis do garanhão, após a cobertura, quando
ele desmonta. Se não houver espermatozóides presentes nesse fluido, é impro-
vável que o garanhão tenha uma ejaculação normal. Se isso for verdade,' o
animal estará pronto para realizar outra cobertura em apenas poucos minutos.
Ocasionalmente, um garanhão, em particular, pode fazer três coberturas antes
que ocorra uma ejaculação normal. Quando essa condição é reconhecida, um
exame do fluido após a cobertura deve ser realizado rotineiramente, e as éguas
cobertas novamente, se necessário. Isso normalmente melhora a taxa de concep-
ção do garanhão imediatamente.
O estudo do sêmen pode indicar a fertilidade do garanhão, sendo usado
para determinar as causas da baixa fertilidade e esterilidade. As características
notadas no sêmen são a cor, densidade, motilidade, número e a forma dos
espermatozóides, e contagem vivos/mortos. O fluido também é examinado
em busca de células de pus. Pode-se, ainda, fazer uma cultura com o sêmen
para determinar se há uma infecção bacteriana. Muitos haras fazem estudos
de sêmen, rotineiros, nos seus garanhões, no início da estação de monta, e
checagens rápidas, periódicas durante a estação. Os estudos mostram que a
contagem de espermatozóides normal dos garanhões, no inverno, é aproxima-
damente a metade da contagem durante os meses de primavera e verão.
7
"
A Egua Prenhe
PRENHEZ
o período médio de gestação da égua é de 345 dias. Um método fácil
e razoavelmente preciso para se estimar a data de nascimento do potro, é
subtrair um mês da data de cobertura e somar 10 dias (por exemplo, se a
data da cobertura é 15 de maio, a data do nascimento será 15 de abril mais
10 dias, o que será 25 de abril). Um potro nascido 3 semanas da data prevista,
normalmente mostrará sinais de prematurid:Jde. Não é incomum que éguas
esperem potros normais por 13 meses.
Montando a Égua Prenhe
Urna égua normal e saudável pode ser usada para a maioria dasatividades
eqüinas regulares até por volta das últimas 8 a 10 semanas. Passadas esta época,
a maioria das éguas se cansam facilmente. Muita atividade pode causar um
estresse significante. Saltar, correr e cavalgadas vigorosas devem ser suspensas
quando a égua ainda tem 4 meses pela frente. O potro está bem protegido
dentro da égua, sendo muito dificil causar um aborto por alguma força externa,
corno um chute. Isso é especialmente verdadeiro durante os primeiros meses.
Éguas que têm repentinamente perdido seus potros durante a prenhez, não
devem ser submetidas a atividades que exigem força, especialmente entre
SOe 70 dias. Esse é, geralmente, um período crítico porque a responsabilidade
hormonal de manter a prenhez é transferida do ovário para a placenta, no
útero. Não exercitar demais ou estressar uma égua prenhe é somente urna
questão de bom senso.
Sintomas de Prenhez
Éguas prenhes geralmente não entram novamente no cio, embora estudos
tenham descoberto que cerca de 17% das éguas prenhes mostram sinais de
A Égua Prenhe 151
cio. Isso é mais comum em éguas esperando seu primeiro potro. Geralmente,
esse "falso cio" será um período anormal, não durando mais que 24 horas.
Seuma cobertura for tentada, a égua, na maioria das vezes, se mostrará receptiva
até o último momento, e então, resistirá vigorosamente. Se a cobertura for
forçada nessa época, é possível causar um aborto. É aconselhável ter certeza
de que a égua está tendo um cio aparentemente normal, esperando por, pelo
menos, 3 dias de cio antes de cobri-Ia novamente. *
Testes de Prenhez
Embora existam testes laboratoriais para ajudar a diagnosticar a prenhez
da égua, um exame retal realizado por um veterinário de eqüinos, experiente,
não é somente mais seguro, mas também pode ser feito mais cedo e, em
geral, com mais precisão, além de ser mais barato. Isso pode ser feito qualquer
época passados 35 dias da cobertura.
ULTRA-SOM
A prenhez pode ser detectada na égua, por volta de 18 a 20 dias, usando-se
ultra-som. Gêmeos podem ser detectados e abortados, usando-se prostaglandina.
A incidência normal de gêmeos é de cerca de 8%. Esse equipamento é muito
caro e limitado principalmente à prática de grandes haras.
TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÃO
Em gado é possível fazer com que uma vaca produza vários ovos férteis
que podem ser implantados em outros animais, possibilitando, assim, conse-
guir-se várias crias de touros e vacas muito desejáveis em dado ano. Atualmente,
os registros de criação permitem apenas um registro por égua, cada ano; dessa
forma, o interesse atual em transferência de embrião está limitado. Apesar
disso, temos o nascimento de um potro Puro-Sangue Inglês, saudável, de uma
mula que substituiu a mãe, registrado.
Sintomas do Meio da Gravidez
Quando a égua está aproximadamente no 7? mês de prenhez, O potro pode
começar a "descer", fazendo com que o baixo ventre tome uma aparência
.O primeiro "cio falso" ocorre no tempo normal, previsto para o próximo cio - aproximadamente
16 ou 18 dias depois. É impossível determinar fisicamente que é um cio falso no curto período
que a égua está "entrando no cio". Quando examinada por um veterinário, ela pode mostrar
todas as evidências de estar em um cio verdadeiro, com a cérvix relaxada e até um folículo
se desenvolvendo no ovário, e ainda assim, estar prenhe. Como é necessário que a égua esteja
aproximadamente no 35? dia da prenhez antes que um exame reta! por um veterinário possa
determinar prenhez positiva, é sensato não ficar ansioso demais para cruzá-lo novamente no
início desse período. Novas técnicas de determinar prenhez, mais cedo, na égua podem mudar
essa situação.
152 Nutrição e Reprodução
aumentada e achatada (Fig. 7.1). A partir dessa época, coices ou movimentos
do potro podem, às vezes, ser observados na parede abdominal. Geralmente,
isso é mais evidente quando a égua acabou de beber água fria. Deve-se notar
que não é incomum que algumaséguas não mostrem sintomas externos de gravidez
antes do parto, enquanto outras podem parecer muito pesadas com a cria
e, na realidade, não estão prenhes. Essa última condição é característica de
éguas em uma falsa prenhez (ou prenhez psicológica).
Sintomas Aparentes que o Parto está Próximo
Durante as últimas seis semanas, a maioria das éguas mostra evidências de
estar "mojando". Algumas éguas podem não mostrar evidências de desenvol-
vimento do úbere até logo antes e, ocasionalmente, até logo após o parto.
Os dois sintomas mais consistentes para indicar que o parto está próximo
são os seguintes:
1. "Descer o leite" é quando a secreção do primeiro leite é observada nas
pontas das tetas (Fig. 7.2). Como regra geral, é observada inicialmente com
uma cor esbranquiçada ou opaca em 24 horas antes do parto. Nas últimas
12 horas, torna-se mais clara, cor de mel, e pode esguichar. Apesar dessa
ser seqüência normal para a maioria das éguas, algumas podem "descer o
leite" 3 ou 4 semanas antes do parto e até pingar leite, mas "secar" novamente.
Outras, normalmente na primeira cria, podem não mostrar sinais de leite antes
do parto.
2. O "relaxamento da vulva" não ocorre de forma notável até as últimas
12 a 18 horas. A vulva apresenta-se, então, muito relaxada e alongada. Esse
é, provavelmente, o sintoma mais consistente que o parto está próximo.
Figura 7.1- Vinte e quatro horas antes do parto. Note a aparência aumentada e achatada
do abdome.
A Égua Prenhe 153
Figura 7.2 -Égua "pingando leite" apenas 24 horas antes do parto.
Preparando-se para o Parto
Deve ser preocupação e dever de todo proprietário de uma égua prenhe
providenciar um local seguro onde ela possa dar a cria.
É melhor colocar a égua que vai parir numa área afastada dos outros cavalos.
Muito freqüentemente, outras éguas vão tentar roubar o novo potro da mãe,
o que pode resultar em muito aborrecimento para a mãe, e possíveis ferimentos
no potro recém-nascido. Não é incomum outros cavalos atacarem um potro
recém-nascido e matá-Ia, se a mãe não for capaz de protegê-Io (Fig. 7.3).
Isso pode tornar muito dificil e até impossível, se mais de um cavalo está
tentando alcançar o potro. Após o potro ter nascido -longe dos outros cavalos
- não é boa política tentar colocar a égua e o potro com os outros cavalos
até que ele tenha, pelo menos, 2 ou 3 semanas de idade. É melhor, então,
deixar os cavalos conhecerem o recém-chegado por sobre uma cerca. Permitir
que as éguas dêem cria no pasto, junto com outras éguas prenhes, é uma
prática comum, mas supervisão cuidadosa deve ser uma regra.
Na área destinada ao parto deve ser segura. Se a égua vai dar cria no pasto,
não deve haver colinas íngremes, ravinas ou riachos com barrancos nas margens.
Muitos potros recém-nascidos morrem por causa de quedas em áreas de parto
irregulares e inseguras.
A cerca em torno dessa área deve ser segura e baixa. Arame farpado nunca
é seguro, especialmente em torno de potros recém-nascidos. A cerca não deve
ter um grande espaço embaixo. Se houver, esse espaço deve ser fechado com
154 Nutrição e Reprodução
Figura 7.3 . Potro recém-nascido que foi atacado e morto por outros cavalos, no
pasto com a égua mãe.As éguasdevem sempre dar cria separadasdos outros cavalos.
uma tela de arame ou tábua próxima ao solo. Isso é necessário para evitar
que o potro role por baixo da cerca e entre uma área com outros cavalos,
ou caia numa área onde possa machucar. Se o potro entrar numa área com
outros cavalos, pode muito bem tentar mamar em qualquer um deles, incluindo
qualquer animal castrado que possa estar lá. Isso acontece porque normalmente
leva muitos dias para que ele tenha certeza de quem é sua mãe. Muito freqüente-
mente, outros cavalo~ 'vão usar essa oportunidade para atacar o potro, e os
resultados são, geralmente, desastrosos.
Provavelmente, a melhor área para o parto é ~m pasto verde, limpo e bem
cercado, mas também aqui, as éguas devem ser observadas de perto durante
o trabalho de parto para que os problemas possam ser evitados ou resolvidos
prontamente, se ocorrerem.
Parir em uma cocheira tem duas grandes vantagens:protege contra mau
tempo e outros animais, e toma possível uma supervisão próxima, permitindo
socorro imediato, se necessário. Felizmente, a maioria das éguas não tem proble-
mas ou complicações no parto, mas é melhor estar preparado no caso de
auxílio ser necessário. Uma cocheira para o parto deve ser grande - pelo
menos 3,7x3,7m para cavalos pequenos, mas 4,3x4,3m ou maior é melhor.
Uma coche ira dupla é ideal. Se não há cocheira disponível, então um piquete
ou curral limpo de pelo menos 9x9m deve ser providenciado. Esse espaço
todo é necessário para permitir que a égua proteja seu potro dos outros cavalos
debruçados sobre a cerca.
A cama da cocheira deve ser boa, de palha limpa e deve ser ligeiramente
umedecida se estiver poeirenta. Cama grossa é recomendada. Palha de madeira
(serragem) e qualquer outra cama poeirenta deve ser evitada para ,prevenir
A Égua Prenhe 155
uma possível introdução de infecção na égua, logo após o parto. Imediatamente
após a expulsão forçosa do potro, há um instante de pressão negativa que
pode sugar poeira e bactérias dos arredores. Também, as membranas pós-parto,
que ainda estão saindo da volva, freqüentemente se contaminam, levando infec-
ção quando voltam para o interior da volva.
Suprimentos
Éaconselhável ter os seguintes materiais prontamente disponíveis no estábulo
do parto: água morna, sabão, rolo de algodão, baldes limpos, bandagem limpa
para a cauda (por exemplo, rolo de gaze de 1Ocm), toalhas limpas, tintura
de iodo ou outro antisséptico para o umbigo, fita umbilical ou fio médio,
um par de tesouras, aspirina, material para um "mingau" de farelo de trigo,
um balde ou outro recipiente para a placenta, e um frasco de lavagem intestinal
com uma mangueira de borracha macia para o potro.
Se a água indica claramente que está bem próxima do parto, é aconselhável
enfaixar sua cauda e lavar a volva e nádegas. O úbere também deve ser lavado
e seco, prestando-se atenção à limpeza do material acumulado entre as tetas.
É melhor, então, deixá-Ia só, ficando fora da cocheira e mantendo-a sob cuida-
dosa observação.
Cólica Pré-Parto
Não é incomum que uma égua apresente sintomas de incômodo abdominal,
como suar, olhar para o próprio abdome, parecendo sentir dor. Isso pode
ocorrer tão cedo quanto 6 semanas antes do parto ou em qualquer época
até o parto. Contrações uterinas iniciais, preparando o processo de parto, são
consideradas como sendo a causa. Drogas antiespasmódicas e analgésicas (para
dor) específicas vão aliviar esses sintomas. Mingau de farelo de trigo quente
com aspirina é também freqüentemente eficaz. O início de um aborto deve
ser considerado como outra causa possível para esses sintomas, mas deitar-se
e fazer força como em trabalho de parto são sinais específicos de um aborto
iminente.
NASCIMENTO DO POTRO
Aproximadamente 90% das vezes, as éguas dão cria à noite. O processo
de parto leva somente em torno de 15 a 30 minutos porque as éguas têm
músculos abdominais muito fortes. Se uma égua está em trabalho de parto
intenso (fazendo força para baixo e obviamente pressionando para dar cria),
por mais de 30 minutos é necessário auxílio profissional, ou experiente, imedia-
to. Não apresse a égua. Deixe que leve o tempo necessário para um parto
sem assistência, se tudo parece ocorrer bem. Normalmente, logo antes de
iniciar o trabalho de parto, a égua parecerá nervosa, comendo pequenas quanti-
dades de comida e, 91tão, andando em círculos. Pisotear um pouco o solo,
chutes leves no abdome, defecação freqüente de pequenas quantidades de
156 Nutrição e Reprodução
esterco, deitar-se e levantar-se a intervalos curtos são sinais comuns de que
a hora do parto está próxima.
Logo após o "rompimento da bolsa d'água" em torno do potro, inicia-se
o trabalho de parto e uma "bolha" aparece atráves da vulva (Fig. 7.4). A
maioria das éguas dá cria deitada. A apresentação normal do potro é com
as duas patas dianteiras aparecendo razoavelmente juntas, seguidas logo pelo
focinho e cabeça, logo atrás dos joelhos. Logo que as patas dianteiras e a
cabeça estão fora, o potro é normalmente expelido rapidamente, com muita
força.
QUANDO AUXILIAR A ÉGUA
A maioria das éguas normais requer pouco ou nenhum auxílio. Partos difíceis
são normalmente devido a potros fracos, doentes ou mortos, que não estão
na posição normal para nascer (Fig. 7.5). Como o tempo de nascimento normal
é tão curto ocorre sob grande pressão, é aconselhável que o proprietário
ou peão estejam familiarizados com o método e procedimento de corrigir
situações que requerem atenção imediata. Auxílio profissional deve sempre
ser buscado para casos em que o trabalho de parto se estenda por mais de
30 minutos. Nos casos de trabalho de parto prolongado sem aparecimento
do potro, ou quando é evidente que o problema é uma apresentação considera-
velmente anormal, deve-se fazer a égua andar vagarosamente até que o veteri-
nário chegue. Isso desencoraja a égua a fazer força e diminui as chances de
ferimento nela ou no potro.
Todos os procedimentos ao se auxiliar uma égua parindo devem ser realizados
com mãos limpas e sob condições o mais antissépticas possível. A cauda deve
ser enfaixada e a área genital lavada.
Os tipos mais comuns de apresentação anormal do potro que resultam em
partos difíceis (distocias) serão comentados a seguir. Suas descrições e procedi-
mentos indicados devem familiarizar o proprietário com esses problemas, para
que possa ajudar a égua, quando necessário. Alguns procedimentos são simples,
enquanto outros são mais complicados. Deve-se enfatizar que esses procedi-
mentos mais complexos apenas devem ser tentados em casos de ermegências
reais ou quando auxílio profISsional não está prontamente disponível.
A ÉGUA TENTA DAR CRIA DE PÉ
Sintomas. A égua vai começar a expulsar o potro de pé e então a
andar com o potro parcialmente de fora.
Procedimento. Como nada pode induzir uma égua a deitar-se, é melhor
controlar sua cabeça com um cabresto e não permitir que se esfregue contra
a parede da cocheira, ou encoste de propósito, pressionando o potro. Logo
que o potro esteja prestes a acabar de nascer, deve ser colocado no chão,
sem deixá-Io cair.
CORDILHO PREso NA BORDA DA PELVE DA ÉGUA
Sintomas. As patas dianteiras não vão aparecer juntas, uma delas estando
um pouco mais para trás, dentro da vulva.
A Égua Prenhe 157
Figura 7.4 - Nascimento do potro. Oones, W. E.: Genetics and Horse Breeding. Lea
& Febiger, Philadelphia, 1982).
Procedimento. A mão é inserida no interior da vagina, onde a pata
é segura e puxada gentilmente para uma posição junto da outra. Não são
usadas cordas ou correntes. Puxar ligeiramente as patas dianteiras do potro
num arco descendente pode auxiliar a égua no fim do parto, mas isso normal-
mente não é necessário.
UMA PATA DIANTEIRA PARA TRÁS
Sintomas. Apenas um casco e membro dianteiro aparecem seguidos
pelo focinho ~potro saindo ligeiramente da vulva.
158 Nutrição e Reprodução
APRESENTAÇÃO NORMAL
CODILHO PRESO NA BORDA DA PELVE DA ÉGUA
TRAÇÃO NAS PATAS DIANTEIRAS
Figura7.5 -Quando auxiliar a égua
A Égua Prenhe 159
UMA PATA DIANTEIRA PARA TRÁS
COM O CASCO DIRIGIDO PARA CIMA.
CABEÇA PARA TRÁS
TRASEIRA NORMAL
Figura 7.6 -Continuação.
160 Nutrição e Reprodução
Procedimento. A cabeça e, conseqüentemente, o corpo são empurrados
de volta, para dentro do útero, para dar espaço, de modo que uma mão e
braço passem pela vagina. A ponta do casco é buscada, trazida para a posição
normal e puxada para junto do outro casco. A ponta do casco é coberta com
a mão para trazê-Ia à posição normal, de modo a evitar ferir a parede do
útero. Um parto normal deve ocorrer em seguida.
UMA PATA DIANTEIRA PREsA COM o CASCO PARA CrMA
Sintomas. Externamente, parece apenas que uma pata está para trás
ou que o codilho está, possivelmente, preso na borda da pelve da égua. Uma
pequena protrusão do ânus e tecido que o rodeia nos períodos de contração
da égua nos dá uma pista desse problema. Fica-se ciente da situação logo
que a pata é procurada na vagina. Quando há suspeita desse problema,ação
imediata é indicada.
Procedimento. o mesmo que para uma pata dianteira para trás (isto
é, proteja a ponta do casco com a mão e traga a pata de volta à posição
normal )..
CABEÇA PARA TRÁS
Sintomas. Ambas as patas dianteiras bem estendidas para fora através
da volva, sem a cabeça aparecendo logo após os joelhos, como seria normal.
Procedimento. o corpo é empurrado de volta para o interior do
útero, enquanto é feita uma tentativa de passar a mão sobre o focinho do
potro e puxar sua cabeça para a posição normal. A descrição é bem mais
fácil que o procedimento. Paciência e cuidado são necessários para o sucesso
sem ferir a égua. Seja sempre fume, mas delicado. Uma vez que a cabeça
é trazida para fora, deve se seguir o parto normal.
ANCA PREsA
Sintomas. A égua parece ter dificuldade depois que a cabeça e as
espáduas do potro aparecem.
Procedimento. As patas dianteiras são seguras com as mãos e o potro
é virado gentilmente, quase 180°, enquanto é suavemente puxado para baixo
na direção dos jarretes da égua. O potro é, então virado de volta, os quase
I~O°,puxando-o na mesma direção. Isso vai ajudar a "desparafusar" as ancas
do potro, através da pelve da égua. O princípio é similar ao de passar uma
cadeira numa porta estreita.
.Se esse problema não for descoberto rapidamente e corrigido, a forte pressão das contrações
do parto forçam a pata para cima através da parede superior da vagina para o interior do reto,
e para fora, pelo ânus. Essa laceração grave permite, então, que caia esterco na cavidade vaginaL
Uma cirurgia externa é necessária para resolver esse problema, e o uso potencial da égua para
futura reprodução pode ser permànentemente afetado.
A Égua Prenhe 161
TRASEIRA NORMAL - PATAS TRASEIRAS PRIMEIRO
Sintomas. Quando as patas saem da volva, nota-se que as solas dos
cascos estão para cima e não para baixo, como é normal. Para investigar a
situação, uma mão é introduzida no interior da vagina, e primeira articulação
a partir do machinho é apalpada para determinar se é jarrete ou um joelho.
O jarrete é muito pontiagudo; a curva do jarrete é proeminente e quando
a articulação é dobrada (tlexionada) as pontas dos cascos movem-se na direção
da tlexão.
Procedimento. As patas são seguras com as mãos, com ou sem uma
toalha, e uma pressão flI'me, suave, é exercida, puxando-as uniformemente
em direção aos jarretes da égua. Essa ajuda deve ser coordenada com os esforços
da égua de empurrar o potro. Não é necessário virar o potro ao contrário
antes do parto. Um parto breve é importante, pois uma apresentação de traseira
pode resultar num rompimento do cordão umbilical no interior da via de
nascimento, causando um corte no suprimento de oxigênio para o potro. O
potro recém-nascido deve ser massageado vigorosamente enquanto é seco,
para encorajar uma respiração normal, o mais rápido possível.
A PLACENTA
Após o potro ter nascido, a placenta é normalmente eliminada em poucos
minutos, mas pode ser retida por muitas horas. Se não for expulsa, um nó
amarrado a ela (gaze ou faixa de pano é útil para fazer um nó) lhe dará mais
peso, o que pode auxiliar sua expulsão. Não tente puxá-Ia com força, isso
pode fazer com que se rasgue no interior do útero, ou fazer com que todo
o útero prolapse (vire do avesso). Qualquer uma dessas condições pode causar
complicações graves, como infecção uterina aguda, aguamento ou até a morte.
Se a placenta não for expulsa em 8 horas, um veterinário deve ser chamado
para que ela possa ser definitivamente removida em 24 horas.
CÓLICAS UTERINAS PÓS. PARTO
Não é incomum éguas mostrarem evidências de sentirem dores de cólica
logo após o nascimento do potro. Isso é ainda mais comum nas éguas que
não expulsaram logo a placenta.
A égua vai, freqüentem ente, permanecer deitada e pode olhar para seus
tlancos. Um suor frio e tremores são sintomas comuns. Depois que ela levanta,
ainda parece pouco à vontade, e pode relinchar se o potro tentar mamar.
Esses sintomas geralmente duram de 10 a 30 minutos e, normalmente passam
sem tratamento específico. Oferecer imediatamente um mingau quente de
fareIo de trigo com 10 aspirinas dissolvidas (324mg) vai proporcionar alguma
distração ou alívio. Ocasionalmente, um antiespasmódico e analgésico especí-
fico são usados por um veterinário para aliviar essa condição. Essas dores
podem atrasar o interesse da égua pelo potro, e talvez fazer com que ela
o negligencie quando ele pode precisar de sua atenção (por exemplo, para
remover membranas persistentes da face do potro ).
162 Nutrição e Reprodução
SANGRAMENTO INlRA-ABDOMINAL PÓS-PARTO
Essa não é uma complicação incomum após o que apareceu ser um parto
normal ou nascimento dificil.O problema, na maioria das vezes, resulta do rompi-
mento de grandes veias sangiiíneas no interior do ligamento grande (o ligamento
uterino médio) que suporta o útero. No início, o sangramento é restrito e retido
nos tecidos de ligamento. Se um rompimento maior desse ligamento não ocor-
rer, a égua sobreviverá. Na maioria das vezes, em questão de horas ou até
2 a 3 dias após o parto, os tecidos do ligamento se rompem libertando o
sangue previamente restrito. O sangramento maciço que resulta, causa a morte
da égua. Esse problema pode ocorrer com éguas de qualquer idade.
A égua pode ou não mostrar algum sintoma antes de entrar em choque
súbito e morrer. Se os sintomas ocorrerem imediatamente, ela pode permanecer
deitada após o parto, e esfriar em todo o corpo, incluindo as orelhas. Ela
pode mostrar sinais faciais de ansiedade. Podem haver sintomas de cólica agudá,
que são logo seguidos pela morte. Orelhas frias são a indicação mais comum.
e esse problema está presente, quando acompanhadas pelos outros sinais des-
critos. '
Não há tratamento eficaz para esse problema porque o dano às vezes é
muito grande para se tratar antes que o sangramento excessivo cause a morte
do animal. Sese acredita que esse problema ocorreu numa égua que sobreviveu,
um exame cuidadoso pode verificar isso, porém um descanso de 4 semanas
na cocheira é, provavelmente, o melhor tratamento (sem o exame).
I
II
8
Cuidados com o Potro e com
/' /'
Egua no Pos-parto
a
PRIMEIROS CUIDADOS COM O POTRO RECÉM-NASCIDO
Uma vez que o potro tenha nascido, é importante que comece a respirar
prontamente. Se necessário, qualquer membrana ou fluidos devem ser remo-
vidos das narinas do potro com uma toalha. Massagens rápidas e vigorosas
no peito e corpo, com uma toalha, estimulam a respiração normal. Se uma
grande quantidade de fluidos parece estar impedindo a respiração, o potro
pode ser levantado pelas patas traseiras e balançado em pêndulo, o que permite
que os fluidos saiam das vias respiratórias. Apesar disso exigir um grande esforço
com potros grandes, é válido para limpar o trato respiratório e estimular a
respiração normal. Poucos potros necessitam qualquer auxílio, mas ação rápida
pode salvar a vida de um potro que precisa dessa ajuda.
A atenção é, então, dirigida para o cordão umbilical. Se o cordão não romper
imediatamente, permita que se mantenha intacto por até 5 minutos, ou até.
que pare de pulsar. O potro pode receber uma quantidade significativa de
sangue extra da égua, nesse momento. Nunca somente corte o cordão, pois
isso pode causar sangramento excessivo. Seo cordão não se partir normalmente
porque parece muito duro e fibroso, amarre-o na área denteada, aproxima-
damente 3 a 5cm do corpo do potro, usando uma ligadura desinfetada (barbante
embebido em tintura de iodo). Corte então o cordão. Sempre embeba o coto
do cordão umbilical do potro recém-nascido em um desinfetante adequado
(tintura de iodo é comumente usada), o mais rápido possível. Esse procedimento
evita a entrada de bactérias e infecções sérias no corpo do potro pelo cordão
umbilical.
Além do tratamento do cordão umbilical, foi demonstrado que a adminis-
tração de antibióticos nas primeiras 24 a 48 horas após o nascimento reduziu
90% dos casos de mal de umbigo (onfaloflebite) e outras infecções sérias
dos potros recém-nascidos. Esse procedimento - juntamente com a adminis-tração de soro antitetânico, vitamina A, D e complexo B, numa injeção -
164 Nutrição e Reprodução
é agora rotina, sendo altamente recomendado como parte das Técnicas de
Medicina Preventiva dos Eqüinos.
o COLOSTRO
Durante as primeiras 24 horas após o nascimento, o potro recém-nascido
é capaz de absorver proteínas inteiras no seu trato digestivo. (Estudos recentes
indicamque issopode ser verdade apenasnas primeiras 12 horas). Isso torna possível
que ele absorva anticorpos do primeiro leite da égua, chamando colostro.
Esses anticorpos dão ao potro um alto grau de imunidade contra muitas infec-
ções bacterianas. É, portanto, muito importante que um potro recém-nascido
receba o colostro.
AUXILIANDO A PRIMEIRA MAMADA
Aprimeira mamada vai ocorrer, normalmente, em um período de 15 minutos
a 2 horas após o nascimento. Se o potro não se levantou e tentou mamar
até esse momento, é aconselhável ajudá-Io a encontrar as tetas e tomar seu
colostro. A necessidade desse auxílio pode ser devido a uma das várias razões:
fraqueza causada por parto prematuro ou doença; ferimento precoce pós-parto;
ou uma mãe relutante, que não permite que o potro mame.
Procedimento
1.Um assistente deve colocar o cabresto e segurar a cabeça da égua. A
primeira mamada é uma experiência dolorosa para a égua porque o mesmo
hormônio que faz com que o leite "desça" também estimula o útero a se
contrair, começando, assim, a retomar ao seu tamanho e estado de saúde
normal. Como o útero e vias de nascimento acabaram de passar por uma
boa distensão e trauma, essas contrações são dolorosas. *
2. O úbere deve ser lavado e seco; o material acumulado entre as tetas
deve ser limpo.
3. O potro é, então, dirigido à área do flanco. O úbere é gentilmente massa-
geado por um ou dois minutos e um pouco de leite é espremido para fora
de cada teta para estimular a "descida do leite".
. Para aliviar a dor normal da égua, logo após o parto. e para tornar menos dolorosa a defecação,
um mingau de farelo de trigo com 10 aspirinas é oferecido logo após o processo de parto
se completar, ou no horário normal de alimentação da égua. O uso de um cachimbo e/ou um
tranqüilizante pode ser necessário em éguas que estão relutantes em aceitar seu potro. Isso
é comum em éguas na primeira cria. Colocar o cachimbo na égua e forçá-Ia a permitir que
o potro mame, pode ser necessário, várias vezes, no primeiro dia. Conforme a dor da mamada
desparece e a égua se acostuma mais com seu potro, ela, normalmente, aceita bem suas responsa-
bilidades materiais.
Cuidados com o Potro e com a Égua no Pós.Parto 165
4. Com um pouco de colostro, que é muito doce e grudento nas mãos
e dedos, permite-se que o potro mame um dedo, guiando-o, assim, para as
tetas. É normal que o potro queira dar marradas para sentir pressão na cabeça,
enquanto procura as tetas. Enquanto uma mão dirige o potro para as tetas,
a outra é colocada sobre sua testa para que sinta uma pressão na cabeça.
Isso ajuda a manter sua atenção por mais tempo durante seus esforços para
achar sua primeira refeição.
5. Se o potro já tem mais que 5 horas de vida e não aprendeu a mamar,
é aconselhável que tentativas contínuas de ajudá-Io sejam feitas a cada 30
a 60 minutos, até que ele aprenda.
LEITE INSUFICIENTE
Muitas vezes, as éguas vão parir com pouco ou nenhum "mojo", e parece
que o potro mama continuadamente num esforço de matar a fome. Geralmente,
esse estímulo, por si só, vai fazer com que a égua produza leite, em um ou
dois dias, para suprir as necessidades do potro. Ocasionalmente, hormônios
são úteis para isso. Um tranqüilizante é muito útil para aumentar a produção
de leite em éguas nervosas. Como é normal que o potro mame com freqüência
(aproximadamente a cada 10 a 15 minutos), vai manter o úbere vazio. Um
modo de se ter uma idéia da produção do leite da égua é impedir que o
potro mame por aproximadamente 2 horas e observar o quanto o úbere se
enche e aumenta.
A NECESSIDADE DO SUPLEMENTO DE LEITE PARA O POTRO
Suplementar o leite recebido por uma amamentação normal pode ser indicado
se: o potro tenta constantemente mamar, mas parece engolir muito pouco,
quando engole; o potro não aparenta engordar após poucos dias: ou o úbere
da égua não se enche consideravelmente quando o potro é impedido de mamar
por 1 ou 2 horas.
Se um suplemento de leite for dado, uma garrafa de refrigerante ou uma
mamadeira usada para carneiros, com o respectivo bico, são recipientes apro-
priados para esse propósito. Um substituto morno do leite como Foal Lac
(da Borden), Suckle (da Albers)* ou a seguinte fórmula para potros órfãos:
6O0g de leite de vaca, 370g de água (370ml), e 4 colheres de sopa de xarope
Karo, vai funcionar bem. Quando se for alimentar o potro com uma "mamadeira",
é importante que ele esteja de pé ou deitado sobre o peito. O leite que é
forçado para baixo pode entrar nos pulmões, especialmente se o potro estiver
deitado de lado. Esses potros devem ser ensinados a beber no balde e comer
grão tão rápido quanto possível.
* N. do T. - Produtos americanos.
166 Nutrição e Reprodução
DOENÇAS NO POTRO RECÉM-NASCIDO
COMPACTAÇÃO DO MECÔNIO
Retenção de mecônio não é um problema incomum no recém-nascido. No
nascimento, é normal que o trato digestivo do potro contenha um material
fecal, normalmente firme e preto, chamado mecônio. Ocasionalmente, as primei-
ras fezes são muito duras para serem eliminadas.
Sintomas. O potro vai mostrar sintomas de compactação, levantando fre-
qüentemente a cauda e fazendo força. Essa força é geralmente seguida de
um vigoroso abanar de cauda. Uma vez que o potro teve chance de mamar
na égua, o esterco resultante pode ser identificado por ser de cor amarelada
e mais macio.
Procedimento. Para aliviar a compactação, um enema (lavagem intestinal)
suave é indicado. Podem ser administrados de meio a um litro de água morna
com sabão, através de um frasco de enema ou funil e uma mangueira de
borracha macia, colocada de 5 a 10 centímetros no interior do reto. Nunca
introduza uma seringa com ponta de metal, no reto, para ess~ propósito (há
perigo de penetração acidental na parede intestinal). Permita que a água do
enema desça por gravidade, e não a force por pressão. A compactação é geral-
mente causada por um bloqueio logo antes do ânus. Essa massa compactada
pode ser removida com um dedo, com cuidado. Cuidado extremo deve ser
uma regra, para se evitar danos ao tecido retal. Um enema apropriadamente
realizado é o procedimento mais seguro. Enemas rápidos são eficazes e conve-
nientes.
FECALOMA DE MECÔNIO
Ocasionalmente, uma grande bola de mecônio vai ficar retida em alguma
parte do trato intestinal, muito longe para ser alcançada por um enema.
Sintomas. O potro pode aparentar ter uma compactação, mas sintomas
de cólica aguda (levantar-se e deitar-se, rolar e suar) vão acompanhar o levantar
e fuzerforçaparadefecar,periódica. .
Trataolento. Esses casos devem receber atenção do veterinário o mais
rápido possível. Freqüentemente é necessário administrar um sedativo e analgé-
sico efetivo para evitar que o potro se machuque. Essa medicação, juntamente
com uma dose razoavelmente grande 370 a 500rnl de leite de magnésia ou
outro purgante apropriado dado por sonda gástrica, vai geralmente aliviar esse
problema. Fluidos e antibióticos podem ter que ser dados para tratamento
do choque secundário e estresse.
DIARRÉIA
Sintomas. A diarréia no potro pode ser resultado de muitas causas
d.iferentes, que incluem: 1. produção excessiva de leite pela égua; 2. doenças
generalizadas; 3. inflamações locais intestinais (enterites), que podem resultar
Cuidados com o Potro e com a Égua no Pós-Parto 167
do potro comer esterco da mãe; e 4. possíveis parasitas intestinais que já
foram pegos nesses poucos dias de vida.
A "diarréia do nono dia" no potro é comumente notada quando a égua
entra no primeiro cio após o parto. Pensava-se que os hormônios da égua
afetavam seu leite, o que, por sua vez, causava diarréia no potro, mas as pesquisas
indicam que pode ser uma manifestação muito precoce por estrôngilos. Maistrabalhos precisam ser realizados para substanciar esses achados.
Procedimento. Se a diarréia é relativamente suave, o potro vai freqüen-
temente se recuperar sozinho, sem tratamento, em 1 ou 2 dias. Éguas que
produzem muito leite devem ter seu grão diminuído até que o potro não
apresente mais diarréia. A administração de Kaolin-Pectate (30 a 60 ml), duas
vezes ao dia, por 1 ou 2 dias é, geralmente, eficaz. Isso pode ser dado com
uma seringa descartável grande (35mI), uma bisnaga de confeiteiro ou uma
colher de sopa (duas colheres de sopa equivalem a, mais ou menos, 30mI)
colocados no canto da boca do potro enquanto está encurralado em um canto.
Se a diarréia é muito aquosa ou líquida, ou há qualquer evidência de que
ela está fazendo' com que o potro pare de comer (o úbere da égua vai estar
cheio e possivelmente pingando leite ), ou se o potro parece doente e deprimido,
. atenção veterinária imediata deve ser procurada. Antibióticos de largo espectro,
esteróides e tluidoterapia são freqüentemente necessário para salvar esses po-
tros. (Oxitetraciclina EVfunciona muito bem.)
ONFALOFLEBITE (MAL DE UMBIGO)
Onfalotlebite é geralmente uma doença fatal nos potros recém-nascidos. É
causa por uma infecção bacteriana contraída através de contaminação do cordão
umbilical, logo após o nascimento e, às vezes, antes do parto, de um útero
infectado. Há várias bactérias diferentes envolvidas nessa doença grave. Comu-
mente, a infecção. entra na corrente sangüínea através do cordão umbilical
e se espalha para o figado, articulações e todo o corpo, causando uma infecção
generalizada (septicemia) e morte.
Sintomas. No início, o potro parece deprimido, fraco e não mama. A
melhor indicação de que o potro não está se alimentando é o inchaço do
úbere da égua, que pinga leite. A morte pode ocorrer em 24 horas, ou o
potro pode parecer perfeitamente normal nos primeiros 12 a 14 dias, mas
desenvolver, então, o "mal das juntas." (Fig. 8.1). Enrijecimento, articulações
aumentadas e incapacidade de andar ou ficar em pé são sintomas de envolvi-
mento das articulações. O animal pode sucumbir logo após ao aparecimento
dos sintomas, ou pode durar por até três semanas. Os animais que se recuperam
raramente ficam completamente normais novamente.
Procedimento. Como o tratamento médico, na maioria das vezes, não
tem sucesso, a prevenção é importante. Isso envolve, principalmente, um bom
. N. do R. - Poliartrite dos potros,
168 Nutrição e Reprodução
"
tJ'r ti'
f .. .'Ç,
Figura 8.1 - Potro Puro-Sangue Inglês com "mal das juntas", O preço da cobertura foi
5,()()(),OOdólares e o potro morreu devido à infecção. Uso rotineiro de antibióticos em
potros recém-nascidos vai, quase sempre, evitar esse problema.
manejo, que inclui: providenciar um ambiente higiênico para o parto, aplicar
um desinfetante adequado (como a tintura de iodo) no umbigo, logo após
o nascimento do potro, e a administração de rotina de antibióticos ao potro
recém-nascido, de 24 a 48 horas após o parto, Atenção do veterinário nessa
época também é útil para prevenir outras doenças pós-parto.
RuPTIJRA DA BEXIGA
Não é incomum que um potro nasça com a bexiga rompida, A causa exata
não é conhecida, mas, muito provavelmente, é resultado da pressão exercida
sobre ele quando passa pelas vias de nascimento, no parto. Se o potro está
com a bexiga cheia nesse momento e se ela é muito grande ou recebeu pressão
excessiva da égua, é admissível que essa ruptura possa ocorrer, Esse problema
parece ocorrer com mais fteqüência nos potros machos que nas potrancas,
Sintomas. No nascimento, o potro geralmente parece razoavelmente nor-
mal, Após aproximadamente 12 horas, pode-se notar que ele está menos alerta
e parece um pouco entorpecido, Ele pode mostrar evidências de constipação,
mas o sintoma de estar menos alerta não desaparece depois que ele defeca,
Cuidados com o Potro e com a Égua no Pós-Parto 169
Fazer força para urinar, com eliminação de pouca ou nenhuma urina, pode
ser uma pista muito significativa para o problema. Deve-se notar que, se a
ruptura na bexiga é pequena e no alto da parede da bexiga, é possível que
o potro elimine um pouco de urina quando tenta fazê-Io. Não elimine a possibi-
lidade de uma ruptura na bexiga se um pouco de urina parece ser eliminada
normalmente em tomo do terceiro dia, o abdome vai começar a aumentar,
como se o potro estivesse inchado. Nessa época, ele se toma muito intoxicado,
letárgico, e fica deitado mais que o normal, perdendo o interesse em mamar
(Fig. 8.2). O úbere da égua pode estar distendido e pingando leite, o que
seria uma evidência de que o potro não está se alimentando. Os proprietários
devem sempre notar esse sintoma ao cuidar de um potro novo. Sintomas de
cólica suave, ligeiros chutes no abdome e inquietude podem também ser
observados.
O veterinário suspeita do diagnóstico assim que vê o potro com seu abdome
distendido e o histórico dos outros sintomas é apenas discutido. O diagnóstico
é feito quando ele perfura a parede abdominal com uma agulha de grande
calibre e há um fluxo livre de urina vinda da cavidade abdominal. Diagnóstico
precoce é essencial para o sucesso do tratamento.
Procedimento. Uma cirurgia imediata para reparar a bexiga é necessária,
juntamente com uma boa terapia de suporte com fluidos e antibióticos. Se
a ruptura ocorreu no interior da pelve óssea, a cirurgia é impossível e o potro
deve ser sacrificado pois sua morte é certa.
PNEUMONIA
A pneumonia em animais jovens é uma doença ~ave, mas é ainda mais
grave em potros com menos de 30 dias de vida. E, na maioria das vezes,
Figura 8.2 -Potro com ruptura da bexiga. O potro torna-se letárgico e desenvolve
um abdome distendido nos primeiros 2 a 3 dias de vida.
170 Nutrição e Reprodução
uma complicação das vias aéreas superiores que não é tratada ou é tratada
de modo ineficaz. Apesar de ser geralmente causada por estreptococos, mais
recentemente as corinebactérias têm causado grandes endemias em alguns
haras. Essa é a mesma bactéria que causa o abscesso crônico nos cavalos.
A pneumonia causada por essa bactéria, na maioria das vezes, tem um resultado
fatal. Pneumonia é o problema mais comum que resulta em morte aos potros
Árabes nascidos com imunodeficiência combinada (CIO-).
Sintomas. O potro pode apresentar uma tosse e ter um corrimento no
nariz. Atemperatura vai se elevar, normalmente, para de 39,4°Ca 41OCoRedução
considerável do apetite é notada e observa-se que o potro começa a ter dificul-
dade em respirar. Esse é um forte argumento contra tentar-se que as éguas
tenham crias em janeiro, a menos que se esteja bem equipado para cuidar
apropriadamente desses animais sob condições de inverno.
Procedimento. Um programa de antibioticoterapia muito diligente deve
ser iniciado. Esse programa deve se estender por um período minimo de
10 a 14 dias. Se um tratamento a\eatório for dado ou se o tratamento for
suspenso muito cedo, o potro tem uma grande tendência a ter uma recaída
e ficar bem pior, e menos capaz de responder favoravelmente. Não se deve
administrar fluidos por via intravenosa porque eles têm tendência a agravar
e piorar a congestão dos pulmões. Boa amamentação é indicada (por exemplo,
mantenha-o numa coche ira quente, sem COrrentes de ar, use aquecedores e
tente encorajar um bom apetite, tratando o potro com aspirina e desconges-
tionante, para que se sinta melhor). Os proprietários devem seguir precisamente
as instruções do veterinário responsável. Pneumonia é um problema muito
grave e esses casos devem sempre estar sob os cuidados de um veterinário.
IMUNODEFICIÊNCIA COMBINADA (CIO)
É um problema genético que ocorre nos potros da raça Árabe, nos quais
há uma falta de dois tipos importantes de células sangüíneas (linfócitos T
e B) que os protegem de infecções. Essa doença é caracterizada por sintomas
de pneumonia, febre intermitente, diarréia e um resultado fatal ( 100% ).
Causa. A CID é uma característica recessiva que precisa ser transmitida
pelo garanhão e pela égua. Se pais portadores forem cruzados, há somente
uma chance em quatrode produzir um potro com CID, duas chances em
quatro de produzir um portador e uma chance em quatro de produzir um
potro normal. Não há teste para identificar os portadores. Amoléstia foi diagnos-
ticada em cavalos não puros-sangues, mas todos têm sangue Árabe. Essa doença
não foi observada em nenhuma outra raça. Baseado em levantamentos realizados
no Colorado e na Austrália, o número de potros afetados parece estar entre
2% e 3%. Acredita-se que a doença é atualmente carregada por 26% das
éguas e garanhões Árabes. Há uma doença semelhante que afeta os bebês
.N. do T. -CIO: Combined Imunodeficiency.
Cuidados com o Potro e com a Égua no Pós-Parto 171
humanos.Não há nenhuma relação com a doença conhecida como AIOS(Síndro-
me da Imunodeficiência Adquirida) que foi recentemente registrada em núme-
ros epidêmicos nos Estados Unidos e outros países.
A ausência de linfócitos torna os potros altamente suscetíveis às infecções
secundárias, como broncopneumonia por adenovírus e agentes causadores de
diarréia.
Sintomas. Um corrimento nasal e ocular denso é notado primeiro. Isso
é seguido por tosse e dificuldade respiratória, conforme a pneumonia progride.
A temperatura do corpo pode variar de normal a 41°c. Os sintomas podem
ocorrer tão cedo quanto 2 semanas de vida ou tão tarde quanto 5 meses.
A maioria dos potros afetados apresenta sintomas antes de terem 8 semanas
de idade e morrem inevitavelmente.
Diagnóstico. Os sintomas podem ser similares aos vistos em potros de
qualquer raça que não receberam imunidade passiva suficiente pelo colostro.
Achados laboratoriais podem ser usados para fazer o diagnóstico da CIO. Potros
com contagem de linfócitos menor que 1000 mm3 de sangue devem ser conSide-
rados suspeitos.
Se houver um interesse real em reduzir a incidência dessa doença, deve-se
evitar cruzar portadores conhecidos *.
Cuidados e Primeiros Socorros. Potros doentes com infecções
no trato respiratório são tratados com antibióticos, medicação para tosse e
abrigados longe de correntes de ar. Aquecedores também são benéficos. Apesar
de transplantes de medula óssea terem sidos efic:rzes em bebês humanos, não
foram encontrados doadores compatíveis, adequados para os cavalos. A doença
é 100% fatal.
PATAS FRACAS ou TORTAS NO POTRO RECÉM-NASCIDO
o nascimento de potros. com tendões fracos, tendões contraídos ou patas
tortas, como "cambaio", "transcurvo" (curvado para trás), "emboletado" e "jar-
retes cambaleantes" (Figs. 8.3 e 8.4) não são incomuns.
Causa. As causas exatas dessas condições não foram claramente estabele-
cidas. É uma doença comum que nutrição imprópria da égua prenhe e fatores
genéticos são causas possíveis.
Tratamento. o tratamento específico vai variar de acordo com a condi-
ção e sua gravidade. Deve-se dizer que o autor acha que, com muita freqüência,
essas condições são tratadas exageradamente. Ele tem observado que muitos
potros parecem "pretze1s"" ao nascer, endireitam-se miraculosamente em 10
o N. do R. . A única maneira de se saber que um dado animal é portador é quando tem um
filho com CIO.
OoN. do T. - O autor está fazendo uma comparação de um potro recém-nascido com um tipo
de salgadinho todo retorcido.
172 Nutrição e Reprodução
Figura 8.3 . Potro com tendões fracos. Foram usadas talas para apoiá-lo. Muitos potros
nascem com os membros fracos que depois se corrigem ~inhos nos primeiros sete
a quatorze dias de vida.
a 21 dias, sem tratamento. O autor dá crédito a injeções de vitamina A para
melhora dessas condições, especialmente no caso da contratura dos tendões.
Deve-se manter em mente que a pele das patas dos potros jovens é muito
frágil, sendo facilmente afetada por necroses por pressão (ferimentos por pres-
são de ligas ou faixas). As feridas resultantes. geralmente deixam cicatrizes
permanentes. Por isso, o autor acredita que deve-se ser bem moderado ao decidir
aplicar ligas o.u bandagens às patas desses potros. As indicações principais
para o uso de bandagens são quando o potro é incapaz de se levantar e mamar
sem elas e quando está esfolando a frente de uma quartela ou tornozelo muito
flexionado.
Potros com os chamados "joelhos cambaios" podem ser tratados com o
uso de um rolo de sacos de estopa preso entre as patas dianteiras (Fig. 8.5).
Casos mais sérios podem exigir tratamentos como prender a epíflSe com gram-
pos para endireitar as patas. Consulte seu veterinário para conselhos e trata-
mento específicos.
Um pequt"no procedimento cirúrgico, recentemente desenvolvido, tem se
provado muito eficaz na correção de algumas deformidades angulares congê-
nitas. O procedimento é chamado "transecção periostal". A técnica é usada
para estimular o crescimento ósseo do lado côncavo da deformidade. Tem
várias vantagens sobre prender-se a epífise com grampos ou sobre os parafusos
e arames que antigamente eram usados para controlar o crescimento ósseo.
Cuidados com o Potro e com a Égua no Pó.~-p;u-w /""3
Figura 8.4 - Potro que nasceu com os "joelhos
cambaios" .
SOLTANDO ÉGUAS COM POTROS NO PASTO
É melhor manter a égua e o potro encocheirados pelas primeiras 12 a 24
horas, para permitir que o potro aprenda a mamar e se acostume com sua
mãe. Normalmente, passam-se vários dias até que o potro aprenda quem é
sua mãe. Esse período é, às vezes, necessário para que a égua supere suas
dores iniciais e ressentimento para com o potro, antes que seus instintos prote-
tores tomem lugar. As condições do tempo devem sempre ser consideradas
antes que os potros novos sejam expostos ao mundo externo. Algum abrigo
é sempre aconselhável.
Éguas com potros novos devem ser deixadas separadas por aproximadamente
3 semanas num piquete ou pasto, antes que sejam colocadas com os outros
cavalos. Também é melhor permitir que os outros cavalos conheçam e se
familiarizem com o recém-chegado, por sobre uma cerca, por, pelo menos,
1a 3 semanas antes que sejam colocados juntos. Sepotros muito novos precisam
ficar fora, com outros cavalos, uma área grande deve ser providenciada e super-
visão constante é essencial para evitar que cavalos agressivos causem injúrias
a ele.
174 Nutrição e Reprodução
l
Figura 8.5 - Rolo de sacos de estopa usado para forçar os joelhos para fora enquanto
o potro estava crescendo.
ExerCÍcioprecoce fora da cocheira vai auxiliar a involução (volta ao normal)
do útero. Éguas que têm problemas ou que não parecem normais não devem
ser colocadas para fora apressadamente. Também é importante que o potro
esteja forte e mamando bem antes de ser solto. Esse exerCÍcio vai ajudar a
égua se livrar dos fragmentos acumulados no útero. Deve-se notar que é normal
que as éguas eliminem uma grande quantidade de um corrimento pós-parto,
cor de chocolate, no quinto ou sexto dia, aproximadamente. ele normalmente
é eliminado num curto período de tempo e deixa o trato genital limpo e
com aparência saudável. É um processo higiênico normal. Um corrimento
vaginal denso e persistente deve ser mostrado ao veterinário (pode indicar
uma infecção).
MONTANDO A ÉGUA EM LACTAÇÃO
Como regra geral, é melhor não começar a montar a égua nas primeiras
3 semanas após o parto. Ela deve ter tempo para se acostumar a tomar conta
Cuidados com o Potro e com a Égua no Pós-Parto 175
do potro. Após essa época, a égua pode ser usada para períodos curtos, de
10 a 15 minutos, de trabalho leve. As primeiras vezes que a égua for tirada
de perto do seu potro devem ser por períodos bem curtos (5 a 10 minutos).
É importante que o potro esteja seguro atrás de uma boa cerca, nessas horas.
Esses períodos podem ser aumentados gradualmente de forma que, quando
o potro tiver de 6 a 8 semanas de vida, os períodos de montaria possam
ser aumentados para meia hora. Períodos de montaria prolongados, de 2 horas
ou mais, não são recomendados até que o potro tenha, pelo menos, 4 a 5
meses. Muitas éguas vão, normalmente, começar a diminuir sua produção de
leite perto do quinto mês de lactação, quando períodos mais longos longe
do potro não são tão estressantes e dolorosos. Montar uma égua com um
úbere cheio no pico de sua produçãode leite pode ser muito doloroso para
aégua, podendo reduzir sua produção de leite. *
Uma égua que apresenta um úbere muito congestionado após uma cavalgada
pode ser tratada com 3,24g de aspirina no seu grão. Isso vai ajudar muito
a reduzir o inchaço e desconforto.
DESMAMANDO O POTRO
Em média, a maioria dos potros é desmamada entre os 5 e 6 meses de
idade. Potros em boas condições, ou potros mamando em égua que está emagre-
cendo podem ser desmamados com 4 meses de idade, sem efeitos nocivos.
Isso é especialmente verdadeiro se o potro já está comendo bem, feno e grão,
e está num programa de vermifugação conscencioso.
Freqüentemente se exagera a necessidade de que a égua e o potro não
se enxerguem e não se ouçam. Isso é essencial e o autor acha que essa separação
completa até aumenta o estresse da situação. Os potros podem ser desmamados
com muito sucesso apenas separando-os da mãe com uma boa cerca. É impor-
tante que a cerca seja boa e segura; uma cerca alta ligada com correntes
ou uma boa cerca de madeira eletrificada podem ser satisfatórias. Os potros
parecem menos preocupados com suas mães do outro lado da cerca do que
quando elas desaparecem por completo.
Ésempre boa idéia cortar quase completamente o grão da égua por aproxima-
damente 5 dias antes que o desmame comece. Num dado dia, as éguas e
potros são separados por uma cerca. É sempre melhor mudar a égua para
o novo local. Também é uma boa prática fazer com que os potros jovens
se acostumem e estejam junto com garanhões mansos ou éguas não cruzadas
antes do desmame. Eles dão boas babás quando chega o dia em que as mães
não estão prontamente disponíveis. Os potros geralmente precisam ficar separa-
dos de suas mães por 6 semanas para um desmame completo. Mesmo que
tentem mamar, passando esse tempo, raramente isso fará com que a égua
produza algum leite, ou causará qualquer problema. Algumas éguas vão ter
uma secreção que pode ser "ordenhada" de seus úberes por meses ou até
anos, após terem parado a sua produção de leite normal. Esse achado não
representa problema ou anormalidade.
. É a pressão nas glãndulas que produzem o leite que fuz com que pare a sua produção.
176 Nutrição e Reprodução
SECANDO O LEITE DA ÉGUA
Deve ser lembrado que é a pressão do leite acumulado que pára a produção.
O procedimento recomendado é de ordenhar uma pequena quantidade de
leite da égua apenas na primeira noite após ter se separado do potro. Isso
é feito para aliviar um pouco da pressão que vai ser desconfortável para ela.
Depois disso, não é feita mais nenhuma ordenha. Ordenhas posteriores iriam
somente estimular mais produção de leite. A aplicação de um creme facial
suave ou loção para as mãos pode ajudar a evitar o ressecamento excessivo
da pele, devido à congestão normal que vai ocorrer. Novamente o uso de
aspirina (3,24g duas vezes ao dia, em um pouquinho de grão) vai ajudar muito
a minimizar essa congestão do úbere. Nenhum outro tratamento é normalmente
necessário. Em geral, a maior parte da congestão, inchaço e desconforto vai
ter desaparecido no sétimo dia.
PARTE
III
Problemas de Saúde
9
Problemas Gerais de Saúde
o cavalo é comumentc afetado por condições anormais que influenciam
sua saúde geral. O criador do ditado "saudável como um cavalo" não era,
obviamente, um proprietário de cavalo. Proprietários de cavalos podem reduzir
ou minimizar consideravelmente os efeitos dessas condições, tendo conheci-
mentos sobre as mesmas e utilizando boas técnicas de medicina preventiva.
Quando somos consensiosos, normalmente podemos manter nossos cavalos
em bom estado de saúde, e ter muitas horas de prazer e divertimento. A
maior parte das condições que se encaixam nas seguintes categorias são evitá-
veis: parasitas, doenças infecciosas e não infecciosas, e ferimentos. O mal dos
cavalos, mais comum no mundo são os parasitas internos - vermes. Todos
os cavalos possuem algum grau de infestação e devem ser tratados rotineira-
mente. Ferimentos perdem somente para os parasitas como causas de condições
anormais no cavalo.
Em geral, cavalos são muito propensos a acidentes, e os proprietários precisam
tomar todas as precauções necessárias para eliminar as possíveis fontes de
ferimentos. A causa mais comum de doenças no cavalo é uma infecção na
parte superior do trato respiratório, um resfriado. Os cavalos são muito susce-
tíveis a essas infecções e o grau de seriedade varia dependendo da causa e
da resistência geral do cavalo. Existem vacinas que protegem contra algumas
dessas infecções.
Afim de que os proprietários de cavalos novatos sejam capazes de reconhecer
problemas comuns, a seguir está uma descrição de um cavalo em bom estado
de saúde.
SINAIS DE UM CAVALO COM BOA SAÚDE
GERAIS.Um cavalo com boa saúde deve parecer alerta, com os olhos
limpos e orelhas eretas e ativas. O cavalo deve se apoiar no chão com as
patas bem aprumadas e firmes. Descansar alternando as patas traseiras é normal,
180 Problemas de Saúde
porém descansar (apontar) uma das patas dianteiras é uma indicação de um
problema, um cavalo quase sempre aceita comida.
Pelagem. A pelagem deve ser lisa, macia, lustrosa e curta durante os
meses de verão. Durante o inverno, a pelagem normalmente é mais grossa
e mais comprida, porém uniforme no comprimento, além de mostrar algum
brilho quando escovada. A pelagem não deve ser oleosa na base, e a pele
não deve apresentar descamação.
Cascos. As paredes dos cascos devem ser lisas e flexíveis. Elas devem
ser arredondadas, mas não são achatadas, disformes ou rachadas. As ranilhas
devem ser bem proporcionadas, elásticas, além de tocar o chão. Não deve
haver nenhum corrimento denso, e escuro e com mal cheiro (infecção) ao
longo dos sulcos da ranilha. O pulso digital, o qual é sentido logo abaixo
do machinho no sulco entre os tendões e o osso da quartela, é quase imperceptível
numa pata normal. Um pulso digital forte indica inflamação na pata.
Temperatura. A temperatura do cavalo tem uma amplitude normal
de 37,2"Cpela manhã a 38,6°Cao entardecer. Exercício excessivo, especialmente
em dias quentes, podem elevar a temperatura para 39,4°C ou mais. Uma tempe-
ratura de 39,4°C ou mais em um cavalo em descanso geralmente indica a
presença de uma infecção.
Ritmo Cardíaco. O ritmo cardíaco normal de um cavalo deve estar
entre 28 e 52 batimentos por minuto. Batimentos irregulares não são incomuns
e geralmente não indicam um problema de doença. Um ritmo mantido acima
de 80 batimentos indica estresse grave. Os batimentos cardíacos podem ser
sentidos ou ouvidos através da caixa torácica, através do cotovelo esquerdo.
Ritmo Respiratório. A respiração, observada a nível dos movimentos
de flanco ou costela, deve ser sem barulho e sem esforço. O ritmo respiratório
normal está entre 8 e 16 respirações por minuto, mas aumenta com exercício.
Um ritmo mantido de 100 ou mais respirações é uma indicação de' grave
estresse.
Defecação. Um cavalo normalmente defeca diversas vezes ao dia. O
esterco deve ser bem formado, mas não excessivamente duro ou coberto por
muco. A cor vai variar de um amarelo levemente amarronzado até um verde-
escuro, dependendo da dieta do animal. Intestino solto por tempo prolongado
(mais de 3 dias) ou constipação deve receber atenção. Ruídos emitidos durante
a defecação não são incomuns.
Micção. Os cavalos urinam 1,IO litros ou mais, diversas vezes ao dia.
A urina é normalmente densa e amarelada. Micção fi"eqüente e forçada, ou
eliminar somente pequenas quantidades de urina é anormal.
QUANDO CHAMAR UM VETERINÁRIO
1. O cavalo se recusa a comer terminantemente.
2. O cavalo mostra depressão considerável.
Problemas Gerais de Saúde 181
3. Há um corrimento nasal grosso e excessivo, ou qualquer corrimento anor-
mal. .
4. O cavalo apresenta uma tosse forte, freqüente e "explosiva", ou uma tosse
crônica.
5.A temperatura corporal está acima de 39,4°c. A temperatura pode ser
tirada com qualquer termômetro retal de humanos.
6. Há evidência de cólica, como o animal levantando e deitando, rolando,
chutando ou mordendo o flanco, além de suar.7. Há manqueira considerável ou uma manqueira leve que persiste por mais
de uma semana.
8. Comportamento anormal ou incomum é freqüente e observado.
9. O tratamento de ferimentos graves.
10. Cuidados de rotina, como: controle parasitário, cuidados dentários, vacina-
ções, conselhos de nutrição, problemas sobre criação e preocupações gerais
com o manejo dos cavalos.
10
Parasitas
PARASITAS INTERNOS
Existem mais de 150 tipos diferentes de parasitas internos do cavalo conhe-
cidos no momento. A maioria dos cavalos hospeda alguns deSses parasitas em
graus diferentes de infestação. Apesar de somente poucos desses parasitas causa-
rem danos sérios, eles freqüentemente causam debilidade geral, pouco aprovei-
tamento dos alimentos e cólica, resultando, às vezes, em morte súbita. Na
maioria das vezes, os efeitos dos parasitas vêm de modo lento e progressivo,
e não são reconhecidos como a causa do dano. Indicações de parasitismo são:
fraqueza geral, má aparência (geralmente "barrigudos"), pelagem áspera, pouco
crescimento, cólica e, às vezes, diarréia (Figs. 10.1, 10.2 e 10.3). Muito freqüen-
temente, apenas os sintomas extremos são reconhecidos pelos proprietários
dos cavalos. Deve-se notar que nem todos os cavalos são afetados igualmente
pelos parasitas, mas não é incomum ver cavalos gordos aparentemente saudáveis
infestados por parasitas internos (Fig. 10.4).
O dano mais sério é causado pela migração desses parasitas através dos
tecidos do corpo. É durante essa migração que os tecidos são danificados
e criam-se caminhos para invasões bacterianas que resultam em mais danos
nos tecidos e, ocasionalmente, uma infecção generalizada. As excreções das
larvas em migração muitas vezes têm efeitos tóxicos. Grandes populações
de parasitas internos no interior do trato intestinal podem causar um dano
tão grande às paredes do intestino que interferem com a absorção apropriada
dos nutrientes, resultando em pouco aproveitamento do alimento.
Estrôngilos
Estrõngilos são os parasitas mais significativamente encontrados afetando
cavalos através do mundo. É muito improvável que qualquer cavalo passa toda
a sua vida sem hosoedar esses vermes. Mais de 90% dos cavalos que são
Parasitas 183
Figura 10.1 . Égua altamente parasitada, com pelagem ruim, magra e inchada ao longo
da parede abdominal, devido à anemia e à falta de proteinas no sangue.
autopsiados no "Departamento de Patologia da Universidade da Califórnia"
("University of California Pathology Departament") mostram danos nos vasos
sangüíneos causados por esse grupo de vermes. Algumas formas são muito
destrutivas e são causa comum de cólicas fatais devido à interferência mecânica
no suprimento de sangue para o intestino. As larvas dos grandes estrôngilos
comumente danificam o revestimento da artéria mesentérica cranial, que é maior
fonte de sangue para os instestinos. As larvas causam um enfraquecimento
das paredes do vaso, e tomam o revestimento interno mais áspero. Isso resulta
numa dilatação anormal do vaso, que é chamada de aneurisma (Fig. 10.5).
.Conforme o sangue passa por esse revestimento mais áspero do vaso, COágldos
tendem a se formar. Esses coágulos são levados pelo sangue e bloqueiam os
capilares menores dos tecidos do intestino. Esses coágulos são chamados êmbo-
los. O bloqueio do suprimento de sangue ao tecido dos intestinos causa gangrena
nas paredes intestinais, que não funcionam mais de modo apropriado. A cólica
que resulta é chamada de cólica tromboembólica, e geralmente fatal (Fig.
10.6). Como um grupo os estrôngilos são hematófagos, alimentam-se do sangue
e podem produzir uma toxina que mata as células sangüineas. Emaciação, anemia,
fezes moles e mal cheirosas, diminuição do apetite, exaustão, pe1agem ruim,
pisotear, cólica, diarréia ocasional e manqueira intermitente, são todos os sinto-
mas causados por esses vermes.
Existem dois grandes grupos de estrôngilos: grandes e pequenos. Em geral,
os pequenos estrôngilos (mais de 60 espécies) não migram através dos tecidos
do corpo e ficam confinados ao trato gastrintestinal. Os grandes estrôngilos
são mais destrutivos devido às suas migrações através dos tecidos do corpo.
184 Problemas de Saúde
Figuras 10.2 e 10.3 -Dois potros de seis meses, um em boa saúde e o outro altamente
parasitado.
Parasitas 185
'"
Figura 10.4 . Um cavalo "gordo"em boas condições fisicas, tendo uma cólica fatal
causada por estrõngilos.
Figura 10.5 . "Aneurisma" no principal vaso sangüíneo para os intestinos, causado
por estrõngilos. (Cortesia do Dr.). H. Drudge, Lexington, KY.).
186 Problemas de Saúde
Figura 10.6 - Alça intestinal danificadapor estrôngilos causou a morte do animal
(cólica tromboembólica).(Cortesia do Dr.lobo Hughes,U.C. Davis,CA.).
Os estrôngilos são muito prolíficos, e não é incomum encontrar de até 1.000
a 2.000 ovos por grama de esterco. A grosso modo, isso significa que um
cavalo vai eliminar de 20 a 30 milhões de ovos por dia no seu esterco.
Dependendo das condições do tempo, após de 8 a 14 dias, os ovos vão se
transformar em larvas infestantes. As larvas infestantes têm vida livre e sobem
nas folhas do capim, onde são ingeridas pelos cavalos pastando. Essas larvas
são muito resistentes ao ressecamento e à baixa temperatura, sendo conhecidas
por sobreviverem muitos anos nos pastos ou no solo. Todavia, "descansar"
um pasto, por apenas 2 meses, reduz significativamente o número de larvas
infestantes. Quando ingeridas, as larvas permanecem no instestino por aproxima-
damente 2 semanas, após o quê penetram na parede do intestino. Algumas
caem na circulação e são levadas aos órgãos, outras migram através da cavidade
abdominal para alcançar diferentes estruturas, como o figado e pâncreas' (Fig.
10.17). Algumas larvas acabam nos grandes vasos sangüíneos que irrigam o
intestino e patas traseiras. Isso pode ocorrer em eqüinos de todas as idades
e freqüentemente causa morte. Por alguma rota desconhecida, as larvas retomam
ao ceco e ao colo, onde tornam-se adultas e completam seu ciclo de vida.
Esse processo pode levar de 3 a 12 meses, após o quê esses adultos, em
particular, produzem ovos novamente.
O controle dos estrôngilos está baseado em boas condições sanitárias e
um programa rotineiro de vermifugação.
Parasitas 187
Figura 10.7 . Fígado danificado por estrôngilos migrantes. (Cortesia do Dr. J. H.
Drudge, Lexington, KY.).
Áscarls
Os grandes vermes cilíndricos dos cavalos são os parasitas mais importantes
dos cavalos jovens, em crescimento (Fig. 10.8). Esse é um parasita contra
qual os cavalos desenvolvem uma imunidade, sendo muito incomum encontrar
áscaris em cavalos com mais de 5 anos de idade. Os vermes cilíndricos são
particularmente nocivos por causa da destruição que as larvas migrantes infligem
ao figado e pulmões. Excreções das larvas em imigração são geralmente bem
tóxicas para seu hospedeiro e, devido ao grande tamanho e número desses
vermes, ocasionalmente causam obstrução intestinal parcial ou completa (Fig.
10.9). Não é conhecido do que os vermes adultos se alimentam, mas durante
sua presença ocorre grande dano aos tecidos. Esses, mais que qualquer outro
parasita, são a causa de potros barrigudos, com pelagem ruim e raquíticos.
Os ovos são eliminados no esterco e tornam-se infestantes em 10 a 15 dias.
São muito resistentes e podem sobreviver até 5 anos no solo, apesar de necessi-
tarem de alguma umidade. Eles morrerão em poucas semanas se forem expostos
ao calor e ressecamento. As larvas infestantes são apanhadas com comida
ou água contaminada e engolidas. Pequenas larvas penetram na parede do
intestino e vão para o figado, pulmões ou outros órgãos, por migração direta
ou pela corrente sangüínea. Dos pulmões eles são tossidos, reengolidos e voltam
aos intestinos, onde se desenvolvem em vermes adultos. A imigração dos áscaris
através dos tecidos leva de 21 a 30 dias, antes que retomem ao trato gastrin-
testinal' e muitos danos ocorrem nesse período. É principalmente por causa
desse verme que devemos seguir conscenciosamente um vigoroso programa
de vermifugação para todosos cavalos jovens, começando com 8 semanas
188 Problemas de Saúde
-1
I
L- -- J
Figura 10.8 -Áscacis de um potro. (Conesia do Dr. Jobo Hughes, U. e. Davis, CA.).
Figura 10.9 . Intestino bloqueado por áscaris sendo aliviado cirurgicamente. (Conesia
do Dr. John Hughes, U.e. Davis, CA.)
Parasitas 189
de idade. Esse parasita comumente causa uma tosse curta e seca nos cavalos
jovens.
Gasterófllas
São moscas que causam danos principalmente nas suas formas larvais que
se prendem ao revestimento interno do estômago do cavalo (Fig. 10.10). Elas
permanecem aí de 9 a 12 meses, sugando o sangue freqüentem ente interferindo
com a digestão normal. Quando as larvas são eliminadas no esterco, durante
o verão, elas pupam em 2 a 4 dias. As moscas adultas vivem apenas 5 dias,
sem comer, vivendo somente para reproduzirem-se. Apesar de não picarem,
o seu zumbido é bem incômodo para os cavalos qu'1-ndodepositam seus ovos
(500 a 1.000) nos pêlos dos membros, pescoço e lábios (Fig. 10.11).
Os ovos são estimulados a eclodir pelo calor, umidade e fricção do focinho
do cavalo. Com esses estímulos, eles eclodem em 6 a 10 dias e entram na
boca, onde migram através dos tecidos das bochechas, língua e faringe (parte
Figura 10.10 . Larvas de gasterófila presas às paredes do estômago de um cavalo.
190 Problemas de Saúde
Figura 10.11- Ovos de gasterófilanos
pêlos das pernas ( Cortesia do Dr.]obn
Hughes, U. C. Davis, CA.).
posterior da garganta), levando aproximadamente 3 a 4 semanas para alcançar
o estômago. Freqüentemente, a irritação desses parasitas na boca promove salivação
excessiva, faz com que os cavalos engulam ar e, ocasionalmente, os
toma até dificeis de pôr freio. Há um aumento na mastigação de cercas durante
os meses de outubro e novembro, quando a atividade das "moscas" está no
seu pico.
As moscas adultas não entram em prédios, não voam sobre a água e não
voam à noite. Números maciços de larvas (o que não é muito raro), grudadas
nas paredes do estômago, causam problemas digestivos e cólicas freqüentes,
queda da vitalidade devido à má digestão, vômito ocasional, e debilidade geral
resultante da toxemia.
As larvas são melhor controladas usando-se um barbeador para remover
ovos, duas vezes por semana, dos pêlos onde foram depositados, e por uma
vermifugação duas vezes ao ano.
Oxiúros
Esses pequenos vermes brancos são muito comuns e causam a maior parte
de seu dano incomodando os cavalos, quando põem seus ovos (Fig. 10.2).
Essa irritação Jaz com que o animal esfregue sua cauda, fique inquieto, não
Parasitas 191
Figura 10.12 . Oxiúros adultos (Cortesia do Dr. J. H. Drudge, Lexington, KY.).
coma direito, emagreça e tenha pelagem ruim. Os vermes adultos vivem no
intestino grosso onde se acasalam, mas a fêmea vai para o reto na época de
pôr ovos. Ela põe sua cauda para fora do ânus e deposita cachos de ovos
cor de creme na pele adjacente. Quando termina sua tarefa de pôr os ovos,
ela morre. Os ovos caem no solo em 3 dias e eclodem em 5 dias. Os ovos
infestantes são ingeridos pelos cavalos com comida ou água contaminada. Os
oxiúros adultos vivem na matéria vegetal do conteúdo intestinal, mas as larvas
se alimentam do revestimento do intestino. Esse parasita migra pelos tecidos
do corpo. O controle é baseado em higiene apropriada e um programa regular
de vermifugação. *
Habronema
Esse é um verme singular dos cavalos, pois precisa da mosca doméstica
comum como hospedeiro intermediário para completar seu ciclo de vida. Os
vermes adultos vivem no estômago onde se acasalam e põem ovos. Esses ovos
são eliminados no esterco. As larvas da mosca doméstica ingerem esses ovos,
e quando se transformam em adultos carregam no seu corpo e probóscide,
as larvas infestantes do habronema. Os cavalos são geralmente reinfesta~os
.Os oxiúros dos cavalos não são transmissiveis para as crianças ou vice-versa.
192 Problemas de Saúde
quando engolem acidentalmente essas moscas mortas ou quando as larvas
infestantes são depositadas nos seus lábios pelas moscas.
Apesar de ser possível que essas larvas ocorram em grande número no cavalo
e causem úlcera estomacal e más condições gerais, isso não é comum. Esses
parasitas tomam-se mais importantes para o cavalo que tem suas feridas aciden-
talmente infestadas por larvas depositadas por moscas. Essas "larvas deslocadas"
migram através do tecido e tomam a ferida difícil de curar. Essas lesões são
chamadas de "feridas de verão" (Figs. 10.13 e 10.14).
Oncocerca
Esse é um parasita de cavalos cu ja importância foi reconhecida apenas recente-
mente. Esses vermes com aparência de fios de cabelo vive no tecido conjuntivo
do pescoço. Os adultos produzem uma larva chamada microfilária, que migra
através do tecido conjuntivo e se aloja principalmente na parte inferior do
corpo, ao longo da linha média, do peito à área inguinal. Lesões úmidas de
-
..
Figura 10.13 - "Feridas de verão" causadas pelo parasita habronema depositado nas
feridas pelas moscas.
Parasitas 193
Figura 10.14 - "Feridas de verão" causadas pelo parasita habronema depositado nas
feridas pelas moscas.
pele geralmente resultam disso, e é através dessas áreas lesadas que os insetos
adquirem as microfilárias e são capazes de passá-Ias aos outros cavalos. Uma
condição muito irritante generalizada da pele, caracterizada por manchas, pode
resultar dessa infestação.
Recentemente foi descoberto que esse parasita freqüentemente penetra no
olho durante a sua imigração. Quando ele morre no interior do olho, sintomas
de oftalmia periódica podem aparecer. Estudos indicam que esse parasita pode
ser a causa mais comum dessa moléstia, mas outras causas podem ainda estar
envolvidas.
CONTROLE DOS PARASITAS INTERNOS
Manejo
1.Providencie condições sanitárias de alimentação e água para prevenir conta-
minação pelo esterco.
194 Problemas de Saúde
2. Remova o esterco diariamente das cocheiras e, pelo menos, semanalmente
dos piquetes.
3. Permita períodos de descanso periódicos de 2 meses para o pastos perma-
nentes, reduzindo efetivamente as larvas infestantes de parasitas.
4. Evite colocar muitos animais juntos, para reduzir a exposição aos parasitas.
5.Nunca espalhe esterco de cavalo fresco nos pastos. Esterco que foi guardado
por 2 semanas ou mais é seguro.
6. Vermifugue todos os cavalos antes de colocá-Ios num pasto novo.
7. Sigaconsistentemente um programa de vermifugação eficaz.
Terapia
Após rever os ciclos de vida dos parasitas internos dos cavalos, torna-se
aparente que, no passado, devido às migrações larvais internas, nenhum trata-
mento em particular era capaz de eliminar todos esses parasitas. Essa situação
parece ter mudado com os novos vermífugos sistêmicos. O controle efetivo
é baseado num bom manejo e vermifugação de rotina. Como os vermífugos
não são todos igualmente eficazes, um veterinário deve ser consultado para
recomendações específicas. Deve-se notar que alho e tabaco não têm valor
como anti-helmíticos.
PROGRAMA DE VERMIFUGAÇÃO
É aconselhável rotineiramente todos os cavalos, duas vezes por ano, contra
todos os quatro grandes grupos de parasitas internos (gasterófilas, estrõngilos,
áscaris e oxiúros). Isso é geralmente feito na primavera e no outono, mas
não há necessidade real de ajustar a época com a primeira esfriada ou com
um mês específico. A verrnifugação da primavera é freqüentemente coordenada
com a vacinação de primavera. Devido ao freqüente e rápido crescimento
das populações de estrõngilos e áscaris, é aconselhável vermifugar novamente
contra esses parasitas a intervalos de 8 a 12 semanas. Os potros são vermifugados
pela primeira vez com 8 semanas de vida, mas não são verrnifugados especifica-
mente contra gasterófilas até seu primeiro outono ou inverno. Éguas prenhes,
garanhões em serviço, e cavalos de trabalho devem ser mantidos nesse programa
com medicação apropriada. Verrnífugação freqüente de potros em crescimento
é especialmente importante. Como todos os potros comem esterco, é aconse-
lhável vermifugar éguas prenhes no fim da gestação (30 a 40 dias antes do
parto) para ter seuesterco tão livre de parasitas quanto possível. Em fazendas
onde os cavalos têm sido mantidos por anos verrnifugação mensal, especial-
mente para animais jovens, é prática de. rotina. Consulte seu veterinário para um
programa de vermifugação específico.
PARASITAS EXTERNOS
Como acontece com o parasitismo interno, os parasitas externos são um
problema do rebanho e não de animais em particular. Animais saudáveis, apro-
Parasitas 195
priamente alimentados, sob bom manejo têm elevada resistência contra invasão
e estabelecimento de parasitas. Alimentação e pastagens impróprias, excesso
de animais no pasto, condições pouco sanitárias e pouca atenção às doenças
nos seus estágios iniciais favorecem o parasitismo.
Piolhos
Os piolhos dos cavalos sugam sangue e causam irritação intensa, inquietude,
emagrecimento, pelagem áspera, perda de pêlos, coceira acentuada e anemia.
Localizações comuns são a raiz da cauda, o lado interno das coxas, e ao longo
do pescoço e espáduas. Acredita-se que as garras dos piolhos e a natureza
da sua saliva causam o desconforto agudo e fazem com que o cavalo se esfregue,
quando infestado por piolhos (Fig. 10.5). Cavalos afetados por piolhos geral-
mente têm aparência de "comidos por traças" freqüentemente com muitas
áreas úmidas sobre tlancos, onde o cavalo esteve mordendo. Muitas áreas gran-
des de perda total de pêlo são comumente observadas.
Os piolhos passam seu ciclo de vida inteiro no corpo do seu hospedeiro.
Os ovos, ou lêndeas, são presos ao pêlo, próximos da pele, onde eclodem
em aproximadamente 2 semanas. Duas semanas após a eclosão, as fêmeas jovens
começam a pôr ovos novamente, após o que morrem. Os piolhos não vivem
mais que poucos dias fora do hospedeiro, e a transmissão é por contato direto
ou por arreios contaminados.
Figura 10.15 . Piolhos causam inquietude, coceira intensa, queda de partes do pêlo
e, às vezes, diarréia. Pequenas áreas úmidas são freqüentemente observadas, causadas
pelo cavalo se coçando com a boca e se mordendo.
196 Problemas de Saúde
Os piolhos são também específicos quanto ao seu hospedeiro desejado; isto
é, piolho de cavalos não vai estabelecer no gado, galinhas ou qualquer outro
animal e vice-versa.
Os piolhos dos cavalos são muito pequenos e, portanto, muito di1Íceisde enxer-
gar (Fig. 10.16). Se os cavalos apresentam coceira e se esfregam excessivamente
em várias partes do corpo, não menospreze a possibilidade de piolhos. O controle
é melhor conseguido com um tratamento do rebanho (banhos) com um inseti-
cida eficaz. O tratamento deve ser repetido em 3 semanas para destruir os
piolhos que não foram afetados pelo primeiro tratamento, pois estavam sob
a forma de lêndeas. Um pó para piolhos pode dar alívio temporário em tempo
frio.
Carrapatos
Os carrapatos, em grande número, são capazes de causar anemia grave e
até morte; mas mesmo em pequeno número podem ser importantes como
causa de irritação, inquietude e espalhar doenças (Fig. 10.17). Carrapatos po-
dem ser vetores de doença do sono, piroplasmose e anemia infecciosa eqüina..
Uma espécie de carrapato é invasora freqüente das orelhas dos cavalos e,
por causa da irritação extrema, geralmente os deixa dificeis de por o bridão,
"negando orelha", com orelhas caídas. Os carrapatos, como os mosquitos, comu-
mente causam caroços na pele devido a reações alérgicas locais a uma toxina
da sua saliva.
Os carrapatos, em geral, não são muito específicos quanto a qualquer hospe-
deiro em particular. Parecem estar tão satisfeitos jantando num alce quanto
num cavalo ou vaca, e são encontrados com mais freqüência em pequenas
colinas ou áreas de mato. A experiência do autor é que tanto carrapatos quanto
piolhos são um problema principalmente durante os meses de inverno. Isso
é provavelmente conseqüência da queda da resistência dos cavalos devido
ao estresse causado pelo tempo frio.
As fêmeas adultas põem ovos (até 18.000) no solo e então morrem. Os
ovos desenvolvem-se em larvas que sobem nos capins e arbustos de onde
se prendem a um hospedeiro que passa. Conforme se desenvolvem em ninfas,
sugam sangue. Os adultos podem se acasalar no hospedeiro ou fora dele, sendo
Figura 10.16 - Os piolhos podem ser vistos, mas
são pequenos e de cor creme, e freqüentemente
não são notados quando os procuramos.
.N. do R. -Além dessas moléstias, também transmitem a babesiose (ou nutaliose).
Parasit:IS 197
Figura 10.17 -Os carrapatos podem transmitir
doenças e causar grande perda de sangue.
que os carrapatos podem freqüentemente sobreviver por longos períodos fora
dos hospedeiros - às vezes, até 5 anos (adultos) 6 a 12 meses (formas
imaturas ).
As medidas de controle são dificeis. A remoção das ervas baixas nas pastagens
ajuda, mas a medida de controle mais útil e conveniente é o tratamento dos
cavalos e outros animais domésticos afetados, que pastam juntos, com banhos
de inseticidas adequados (carrapaticidas). Isso não só reduz os efeitos dos
carrapatos, como também diminui o número de fêmeas com potencial para
pôr ovos e, se continuar, reduz permanentemente a população de carrapatos.
Uma boa drenagem reduz a umidade do solo, da qual os carrapatos dependem.
Se eles predominam na área das cocheiras, pode ser necessário borrifar o
prédio com inseticida. Há algumas evidências clínicas de que dar 2 colheres
de sopa de levedura diariamente no grão torna os cavalos menos saborosos
para carrapatos e piolhos.
CARRAPATOS DA ORELHA
o carrapato da orelha tem forma larval que penetra nas orelhas dos cavalos,
gado, animais selvagens, carneiros e cães, e passa de 1 a 7 meses desenvol-
vendo-se no estágio de ninfa. Eles caem, então, das orelhas e sobem nas cercas,
estábulos, cochos e árvores para mudar em adultos, acasalarem-se e depositarem
novos ovos. Enquanto estão nas orelhas dos cavalos, causam muito desconforto
e comumente fazem com que o cavalo ande com as orelhas para os lados,
freqüentemente fazendo com que neguem orelha e tornem-se dificeis de por
O bridão ou cabresto. Consulte um veterinário para tratamentos específicos.
Deve-se notar que uma medicação para ácaros de orelha de pequenos animais
é freqüentemente eficaz.
Tinhas (ou Dermatomicoses)
As tinhas são causadas por um fungo vegetativo na natureza, reproduzindo-se
por esporos assexuados. As tinhas invadem o pêlo e, com freqüência, as camadas
198 Problemas de Saúde
superficiais da pele, normalmente sendo introduzidas através de um arranhão
que entra em contato com os esporos. As lesões, então, se desenvolvem do
seguinte modo: primeiro, o pêlo fica seco, escamoso e encrustado; depois
os pêlos infectados quebram-se e a pele fica coberta de crostas e, às vezes,
ferida e sangrando. Nesse momento, a crosta precisa ser removida. As áreas
mais comum entes afetadas são: a pele ao redor dos olhos, o focinho, o pescoço,
-a área da sela e da cilha, e a raiz da cauda. As áreas não tratadas geralmente
crescem, e uma coceira suave normalmente acompanha a doença.
Asmedidas de controle envolvem tratamento e isolamento do animal afetado,
a desinfecção, com um fungicida adequado, de tudo que entrou em contato
com ele, como o equipamento de escovação, arreios e cercas.
Demes
Esse é, principalmente, um parasita de gado que, às vezes, acidentalmente
afeta os cavalos. O efeito nocivo dos bernes no cavalo é a erupção das larvas
no dorso do animal, geralmente resultando em feridas muito sensíveis e lentas
na sua cura, que interferem na utilização do cavalo de sela.
Os bernes são larvas da mosca varejeira *, e os adultos voam rápido, sendo
raramente vistos. Seus ovos, que são presos aos pêlos das patas e do corpo,
ec1odem em pequenas larvas, que entram na pele e migram através do tecido
conjuntivo dos órgãos internos, cavidades do corpo e do estômago onde perma-
necem até o fim do inverno, migrando depois para a pele do dorso. Na pele
são formados cistos em tomo de cada larva e um orificio de respiração é
estabelecido. Nos cavalos, essas larvas freqüentemente morrem, e nunca se
desenvolvem além do estágio de cisto. Por isso elas geralmente precisam ser
removidascirurgicamente para que possa haver cura (Fig. 10.18). Não há
medidas preventivas específicas, apesar de que a aplicação freqüente de repe-
lentes de moscas é útil. O uso do Invermectin está se provando eficaz.
Figura 10.18 . Um berne sendo removido da
área de cemelha de um cavalo.
. N. do R. - Dermatobia hominis
Parasitas 199
Mosquitos
Os ferimentos infligidos pelos mosquitos consistem num incômodo grave,
perda de sangue, irritação cutânea local (caroços) e, ocasionalmente, reações
alérgicas sistêmicas generalizadas. Eles transmitem a doença do sono. O controle
local é o mesmo usado para as moscas, mas o controle regional é um procedi-
mento especializado e deve estar nas mãos de' agências oficiais.
Moscas
Em geral, mosças podem causar muito incômodo e desconforto ao cavalo,
a ponto de fazer com que eles (especialmente os jovens) corram e, às vezes,
se machuquem. Algumas espécies hematófagas (sugadoras de sangue) têm sido
relacionadas com a propagação de certas moléstias, como o carbúnculo hemá-
tico, anemia infecciosa eqüina, doença do sono e abscesso crônico. Quando
as moscas estão presentes em grande número, podem realmente causar uma
perda significativa de sangue.
Mutucas, moscas .dos estábulos, moscas dos chifres e mosca da face são
as espécies comuns que afetam os cavalos e sugam sangue. O ciclo de vida
vai de adulto a ovo, larva, pupa e adulto. O tempo necessário para esse ciclo
depende da espécie e das condições climáticas. Alguns ciclos podem ser tão
curtos quanto 10 dias. As moscas sobrevivem ao inverno, principalmente na
forma larval.
Mutucas
Em geral, atacam os cavalos individualmente. Apenas raramente aparecem
em grande número, mas deste modo podem causar uma perda de sangue
considerável. Já foram vistas até 200 mutucas num cavalo ou alce, e elas seriam
capazes de causar uma perda de sangue de 100ml ou 90g por dia.
MOSCAS DOS ESTÁBULOS
Enquanto as larvas das mutucas são altamente aquáticas, as larvas das moscas
dos estábulos se desenvolvem em matéria vegetal úmida em fermentação e
não necessitam de esterco. Sua mordida é mais dolorosa para a criação que
a maioria das moscas hematófagas, e causa um fluxo livre de sangue. As moscas
dos estábulos freqüentemente ocorrem em grande número; e morte de animais
devido à infestação maciça, já foram relatadas. Como as moscas dos estábulos
visitam o seu hospedeiro com pouca freqüência e por períodos curtos, são
melhor controladas eliminando-se suas áreas de procriação e borrifando seus
lugares de descanso (lado externo dos estábulos, mourões de cerca, cercas
de madeira e troncos de árvores).
zoo Problemas de Saúde
MOSCAS DOS CHIFRES (HORN FUES)
As moscas dos chifres do gado são uma peste muito comum dos cavalos
e, talvez, a mais incômoda, devido ao fato de que elas, ao contrário da maioria
das outras moscas, passam a maior parte de suas vidas no hospedeiro. Elas
o deixam apenas para depositar seus ovos em esterco fresco. As moscas dos
chifres se parecem muito com as moscas dos estábulos, mas têm apenas a
metade do tamanho.
O ciclo de vida das moscas dos estábulos, como o da mosca doméstica,
está entre os menores conhecidos para as moscas. Seus ovos podem eclodir
em menos de 24 horas, seu estágio larval pode se completar em 3 dias, e
o período pupal em 6 dias, perfazendo um total de 10 dias. As moscas dos
chifres geralmente ocorre em grande número no hospedeiro - 5.000a 10.000
foram observadas num único animal - e se alimentam duas vezes ao dia.
Devido aos hábitos hematófagos da mosca e porque ocorrem em números
tão grandes em todos os Estados Unidos., é provavelmente a culpada pelas
maiores perdas na produção da criação causadas por moscas hematófagas. O
controle nos cavalos depende basicamente da disposição do esterco e aplicação
dê repelentes locais nos animais.
MOSCAS DA FACE (FACE FuES)
A mosca da face é provavelmente a praga de insetos mais importante que
invadiu o continente norte-americano nos últimos anos. Essa praga importada
fez sua primeira aparição importante na Nova Scotia, em 1951. De 1951 a
1958, tomou-se predominante em áreas do Canadá. Desde 1959, a mosca
da face se espalhou pela maior parte dos Estados Unidos, chegando na Califórnia
no final dos anos 60. .
Asmoscas da face têm um nome apropriado, pois enxameiam ou se congregam
em grandes números na face, especialmente em tomo dos olhos dos animais
de criação. O gado parece ser o hospedeiro preferido, mas os cavalos são
muito comumente aceitos como hospedeiros alternativos.
As moscas têm um aparelho bucal esponjoso e se alimentam dos fluidos
excretados dos olhos e narinas. A alimentação e permanência constante em
tomo dos olhos dos animais causa irritação e muito provavelmente transmite
conjuntivite entre o gado e os cavalos. Antes de 1970, o autor nunca havia
observado uma conjuntivite contagiosa "pinkeye" de cavalos em muitos anos
de prática com eqüinos no norte da Califómia (Fig. 10.19). Acondição tomou-se
muito comum naquele verão e ocorreu em magnitudes epizoóticas. A condição,
agora, está se tomando um problema comum, mesmo nos primeiros meses
de verão.
O ciclo de vida da mosca da face é similar ao da mosca dos chifres. As
moscas adultas passam muito do seu tempo se alimentando ou descansando
no animal, e as moscas fêmeas depositam seus ovos no esterco fresco. Após
.N. do R. . Essa mosca penetrou recentemente no Brasil pelo none do país, e tem se espalhado
rapidamente.
Parasit3S 201
Figura 10.19 . As moscas da face causam muito desconforto aos cavalos e podem
transmitir infecções oculares contagiosas.
edosão, as larvas se alimentam do esterco por muitos dias antes de mudarem
para o estágiode pupas. Aspupas são de cor laranja-c1arolesemelliantesem tamanho
às pupas da mosca doméstica comum. O período de tempo gasto no estágio
pupal pode variar com a temperatura. Tempo quente e úmido é o mais propício
para uma maturação rápida. As moscas começam a se alimentarem logo após
a edosão das pupas, e o acasalamento ocorre em seguida. Quando não estão
pousadas ou se alimentando dos animais, as moscas podem ser encontradas
em postes, edificações, árvores ou outros objetos próximos dos animais. Du-
rante os meses de inverno, elas invadem as edificações ou preferem hibernar
em sótãos quentes.
Controlar as moscas da face dos animais é extremamente dificil. A aplicação
diária de inseticida na face dos animais é eficaz e útil, porém, a maioria dos
inseticidas dura apenas poucas horas. O uso de teste iras de pano ou couro
com faixa de 15cm penduradas sobre a face é geralmente bem tolerado pelos
cavalos e ajuda a desencorajar o acúmulo de moscas em torno dos olhos.
O uso de máscaras de tela também pode ser benéfico. Se forem usadas, devem
servir bem e não estarem muito justas para não roçarem nos olhos dos cavalos.
Apesar de muitos cavalos as tolerarem bem, muitos não o fazem, e logo as tiram,
esfregando-se. A administração de uma mistura de inseticida .e sal ao gado
tem se provado eficaz em evitar o desenvolvimento das larvas de mosca
202 Problemas de Saúde
no esterco, mas essa prática somente é eficaz quando a mistura sal-inseticida
é usada numa área grande porque as moscas podem migrar longas distâncias.
Borrifar os locais de descanso com inseticida pode reduzir a sua população.
O autor se opõe a dar uma mistura de sal-inseticida aos cavalos se a dosagem
é difícil de ser controlada.
MOSCA DOMÉSTICA
Apesar da mosca doméstica não ser um parasita de cavalos, é uma praga
importante para o homem e os animais. Como a mosca é atraída pelos excre-
mentos dos animais para procriar, é importante que os cavaleiros trabalhem
juntamente com os seus vizinhos e o "Departamento de Saúde Pública" ("Public
Health Department") para minimizar o problema.
A mosca doméstica tem um ciclo de vida muito curto. Em condições de
clima quente, é completado em apenas 10 dias. Uma única fêmea põe de
5 a 6 grupos de 100 a 150 ovos, logo abaixo da superfície dos depósitos
orgânicos. Eles eclodem em 8 a 14 horas. As larvas desenvolvem-se em 4 a
8 dias para o estágio de pupas. Em4 a 5 dias, a mosca adulta emerge, e
amadurece sexualmente em 2 a 12 dias. Materiais atraentes para depósito
de ovos de mosca são: lixo, grama cortada, frutas e vegetais em decomposição,
produtos animais, carne e derivados e fezes de animais.
MÉTODOS GERAIS DE CONTROLE DE MOSCAS
O controle efetivo de moscas depende de dois aspectos básicos: ( 1) condições
sanitárias para reduzir a procriação a um mínimo e (2) controle químiCo para
eliminar as moscas que se desenvolvem. Nenhum dos aspectos é satisfatório
sem o outro, e ambos exigem vigilância contínua.
MEDIDAS SANITÁRIAS
1.Remova o esterco diariamente dos estábulos.
2. Remova o esterco dos piquetes e pastos, semanalmente.
3. Armazene o esterco ou espalhe-o bem para secar. Se você o espalhar
em finas camadas, faça-o fora dos currais ou pastos para reduzir a exposição
dos cavalos aos ovos de parasitas. Se você o armazenar, faça-o num recipiente
à prova de mosca, sob uma lona plástica ou tampa de tela, por 2 a 4 semanas.
Armazená-lo por 2 semanas mata todos os ovos de parasitas e o torna utilizável
como fertilizante para o pasto dos cavalos.
4. Armazene também aparas de grama, fezes de cachorro e material similar,
ou espalhe-o para secarem.
Para tornar o armazenamento do esterco conveniente, é sugerido que uma
caixa de esterco apropriada seja colocada próxima ao estábulo ou em cada
piquete. Uma caixa de 2 x 3, 7 x 1,2 m feita de tábuas de 0,6 x 3,7 m, com uma
divisão no meio, é satisfatória; a frente deve ser feita com tábuas removíveis
Parasitas 203
até a metade. Deve possuir uma tampa de tela ou ser mantida coberta com
uma lona plástica. É aconselhável cercar essa caixa, separando-a da área de
atividade do cavalo.
CONTROLE QUÍMICO
Produtos químicos para controle de moscas podem ser usados como sprays
residuais, iscas, sprays ambientais e larvicidas, assim como para a aplicação
direta nos animais.
SPRAYS REsIDl1AIS
Borrife as superficies dos locais de descanso favoritos das moscas no lado
interno e externo do estábulo e cerca do curral - com o spray residual.
Uma bomba de flit simples é satisfatória. Misturar açúcar no spray é eficaz,
principalmente contra a mosca doméstica comum. Precauções: como os inseti-
cidas são tóxicos para os humanos e animais, siga as instruções do fabricante
corretamente. Use luvas e lave-se bem após aplicar inseticidas. Não borrife
o feno, outros alimentos ou cochos e não contamine o suprimento de água.
Remova os animais do estábulo ou curral antes de borrifá-Io e não os traga
de volta para essas áreas até que o spray tenha secado.
ISCAS
Usadas sozinhas, as iscas não controlam adequadamente uma grande popu-
lação de moscas. Use semanalmente. Coloque as iscas num local ou recipiente
seguro onde crianças ou animais não as possam acidentalmente pegar. Uma
caixa de tela grossa é satisfatória.
Spray Ambiental
Usado para repelir e matar moscas em estábulos ou onde elas são numerosas.
Nenhum efeito residual é conseguido. Esses sprays funcionam melhor quando
aplicados como uma fma nuvem.
WVlCIDAS
Usados para controle de emergência da procriação em áreas como ester-
queiras e latas de lixo; a ação é relativamente curta.
204 Problemas de Saúde
APliCAÇÃO DIRETA EM .ANIMAIS
Borrife-os ou passe o produto com uma esponja. Siga cuidadosamente as
instruções quanto à diluição a aplicação, pois soluções muito concentradas
podem causar reações tóxicas e reações de pele. Sprays solúveis em água
causam menos reação de pele que os com base de óleo.
Infelizmente, não há repelente de moscas para cavalos que pareça eficaz
por mais que umas poucas horas, mas qualquer repelente é válido quando
é aplicado localmente para um alívio temporário.
Como os novos inseticidas estão constantemente tomando-se disponíveis no
mercado, é aconselhável obter recomendações específicas com o seu veteri-
nário, zootecnista ou com uma firma de pesticidas.
Nota: O autor tem visto muitos cavalos terem reações de pele aos inseticidas
que têm base de óleo, usados para "pegar os carrapatos também". Esses prepa-
rados devem ser usados muito cautelosamente, ou não usados.
11
Doen ças Infecciosas
o COMPLEXORESPIRATÓRIODOS EQÜINOS
Doenças respiratórias são as doenças infecciosas mais comuns nos cavalos
(Fig. 11.1). São superadas apenas pelo parasitismo como um problema universal
nas espécies eqüinas. A gravidade dos sintomas vai variar de um corrimento
nasal suave a sintomas consideráveis de corrimento nasal intenso, tosse forte,
congestão pulmonar e febre alta, dependendo da causa e das complicações.
CAUSA
Somos capazes de conhecer clinicamente três doenças respiratórias causadas
por virus e uma causada por uma bactéria específica. Essas moléstias são conhe-
cidas pelos seguintes nomes: ( 1) rinopneumonia viral eqüina, (2) arterite viral
eqüina, (3) intluenza eqüina e (4) garrotilho. Recentemente, novos vírus de
paraintluenza e rinovírus dos eqüinos foram isolados, porém não podem ser
distinguidos clinicamente das outras infecções respiratórias. Animais debilitados
e excessivamente estressados são os animais suscetíveis a essas infecções.
PREvENÇÃO
Todas as infecções respiratórias acima são potencialmente contagiosas. A
transmissão é normalmente feita por contato direto com animais infectados,
esfregando os focinhos ou, indiretamente, por secreções no ar ou cochos de
água contaminados. Os animais afetados devem ser isolados, se possível,
por 2 a 3 semanas. Recipientes de água e comida individuais devem ser usados.
Evite causar condições de estresse indevido, fazendo o seguinte:
1. Providencie um abrigo livre de correntes de ar durante o mau tempo.
2. Evite estábulos frios e úmidos.
206 Problemas de Saúde
Figura 11.1 - As doenças respiratórias são as doenças infecciosasmais comuns nos
cavalos.
3. Tente manter os animais em boa condição fisica, peso adequado, e em
um bom programa de controle parasitário.
4. Não permita que cavalos exaustos e muito "quentes", ou debilitados se
resfriem soltando-os "quentes"; não dê banho nos animais em dias frios e
com vento, e não os transporte em trailers desprotegidos do vento.
Deve-se notar que um mingau de fareIo de trigo e o uso de antibióticos
antes do transporte, aumenta a resistência do animal às infecções respiratórias.
Doenças Inrecciosas 207
CUIDADOS E PRIMEIROS SOCORROS
. 1.Permita repouso completo durante a doença e um período adicional de
7 a 10 dias para evitar graves recaídas e complicações.
2. Providencie abrigo protegido do vento frio.
3. Mantenha o animal aquecido com capas, faixas nas pernas e aquecedores
quando o tempo assim exigir.
4. Umedeça o feno e o grão para assentar a poeira, que irrita os tecidos
já inflamados das narinas e gargantas. Não utilize o feno pendurado.
TRATAMENTO
o tratamento apropriado deve ser administrado por um veterinário. Antibió-
ticos e antitussígenos são freqüentem ente necessários. Quando apresenta uma
temperatura alta, a aspirina ( 10 tabletes de 324mg por 450Kg de peso) dissolvida
em água e misturada ao grão é muito útil para reduzir a inflamação e diminuir
o mal-estar do cavalo.
Rinopneumonia Eqüina
Essa é uma doença viral contagiosa que causa uma infecção respiratória
superior suave, similar ao resfriado comum no homem, porém pode causar
aborto em éguas.
CAUSA
Essa doença é causada por um vírus que é transmitido por contato direto
ou secreções respiratórias suspensas no ar. Freqüentemente a fonte inicial
da infecção é desconhecida. Um surto pode envolver um grande número de
animais, porém normalmente afeta apenas de 10 a 25% dos cavalos expostos.
SiN\OMA.
A maioria dos animais afetados apresenta um ligeiro corrimento nasal aquoso,
com uma temperatura elevada de 39 a 40,5°c. A tosse não é um sintoma
predominante. A recuperação pode ser completa em 2 a 7 dias se não houver
complicações. Corrimento nasal denso, tosse profunda e perda do apetite
são sintomas de complicações, e um tratamento apropriado é indicado.
Esse vírus pode causar aborto nas éguas e pode causar "surtos de abortos"
num grupo de éguas em reprodução. Essa formada doença é conhecida como
"aborto eqüino a vírus". Apesar da rinopneumonia ser comum no oeste dos
Estados Unidos, abortos causados por vírus são relativamente incomuns nessa
região.
208 Problemas de Saúde
PREvENÇÃo
Uma vacina boa e segura contra essa doença se encontra disponível no
mercado.
Arterite Viral Eqüina
Essa é uma doença contagiosa aguda dos cavalos, caracterizada por um corri-
mento nasal liquido, pálpebras inflamadas, e freqüentemente membros e abdo-
me ventral inchados.
CAUSA
A artrite VITaleqüina é causada por um virus contagioso que é capaz de
causar muitos danos aos tecidos. Os sintomas normalmente ocorrem de 2
a 6 dias após a exposição. De 10 a 50% dos cavalos expostos ao virus desen-
volvem a moléstia. A doença geralmente termina sua passagem por um grupo
de animais em 3 ou 4 semanas.
SINTOMA
Os cavalos afetados geralmente ficam muito doentes, com uma febre entre
39,5 e 41"c. O inchaço das pálpebras e, freqüentem ente, dos membros ajudam
a distinguir essa doença das outras infecções respiratórias. Um corrimento
nasal, que pode se tornar denso, é freqüentemente acompanhado de tosse
profunda. Os sintomas normalmente cessam logo após a febre, mas podem
persistir por 10 a 14 dias. Pneumonia ou uma tosse crônica podem complicar
a doença.
Essa moléstia tem sido geralmente associada ao transporte de cavalos, e
tem sido chamada de "febre de transporte". Animais debilitados, altamente
parasitados e mal nutridos são afetados com mais gravidade. O virus pode
causar aborto nas éguas. Tratamento medicinal apropriado é indicado.
Influenza Eqüina
Essa é uma doença respiratória aguda nos cavalos, altamente contagiosa,
caracterizada por uma tosse curta e seca, afetando quase todos os animais
suscetíveis, expostos.
CAUSA
É causada por um virus que apareceu nos Estados Unidos, em 1963. Atual-
mente, é encontrado na maioria dos países. A maior parte das infecções ocorre
no inverno e na primavera.
Doenças Infecciosas 209
SINTOMA
Os animais afetados apresentam uma tosse curta e seca e, geralmente, febre
de 39,5 a 41"C, por 2 a 5 dias. Um corrimento nasal normalmente ocorre
após o início dos sintomas de tosse. A maioria dos animais afetados mostra
sintomas em até 4 dias após a exposição. A percentagem muito alta de cavalos
afetados por um surto é característica. Enquanto alguns cavalos apenas mani-
festam efeitos leves, outros podem ficar muito doentes. Descanso forçado por
2 a 3 semanas após a doença é essencial para evitar complicações sérias.
PREVENÇÃO
Uma vacina muito eficaz está pisponível para ser usada contra essa doença.
Seu uso é altamente recomendado, especialmente para cavalos que estão em
contatos com muitos outros, como os cavalos de corrida, exposição e os manti-
dos em estábulos públicos. Um veterinário pode dar recomendações específicas.
Garrotilho
Essa é uma doença respiratória aguda dos cavalos, caracterizada por um
corrimento nasal denso e a formação de um abscesso no gânglio linfático
mandibular, sob a mandíbula (Figs. 11.2 e 11.3).
CAUSA
O garrotilho é causado por uma bactéria específica, o Streptococcus equi.
Abactéria é encontrada no corrimento nasal e no pus do abscesso, os animais
jovens são mais suscetíveis e freqüentemente adquirem imunidade por toda
vida após se recuperarem da doença. Na maioria das vezes, a fonte da doença,
num surto, não é determinada. Cochos d'água são meios ideais de transmitir
a doença, especialmente quando são usados por um cavalo com um abscesso
drenado.
SINTOMA
A maioria dos animais afetados apresenta primeiro um, corrimento nasal
líquido; o corrimento torna-se, então, denso e o desenvolvimento do abscesso
do gânglio linfático mandibular, sob a mandíbula, é notado. Uma febre de
40 a 41DCacompanha os primeiros sintomas. Apesar de alguns cavalos ficarem
muito doentes, deprimidos e não se alimentarem, outros não mostram nenhum
sinal óbvio de doença, mesmo que um abscesso mandibular se desenvolva
e rompa por si mesmo.
Os sintomas normalmente ocorrem de 4 a 10 dias após a exposição. O
curso da doença em um grupo de cavalos é totalmente imprevisível. Algumas
210 Problemas de Saúde
1 ,. ,
I
~
~
~
Figuras 11.2 e 11.3 -Abscessos sob a mandíbula característicos de garrotilho.
Doenças Infecciosas 211
vezes, apenas um ou dois cavalos apresentam a doença; por outras, a doença
pode, lentamente, passar pelo grupo, afetando quase todos os animais num
período de 3 meses. Os animais afetados normalmente se recuperam em um
período de 2 semanas a não ser que ocorram complicações. A bactéria pode
se instalar no gânglio linfático localizado profundamente na garganta, causando
um "estrangulamento". Esses animais devem ser tratados por um veterinário,
pois o abscesso deve ser cuidadosamente drenado sem que se cortem os
vasos sangüíneos vitais dessa área. Abscessos internos, ocasionalmente, se desen-
volvem e se rompem, causando a morte.
PREVENÇÃO
Há uma vacina disponível para ser usada contra essa doença. Como a doença
ocorre esporadicamente, o uso da vacina é determinado pelas indicações no
local; alguns haras e estábulos públicos têm histórias de surtos periódicos
da moléstia. Contrata-se veterinário para recomendações específicas.
Púrpura Hemorrágica
É um distúrbio do sistema circulatório caracterizado por um edema genera-
lizado que causa, mais notadamente, inchaço severo dos quatro membros.
CAUSA
Acredita-se que a doença é causada por uma reação alérgica resultante de
uma infecção por estreptococos, como garrotilho. Infecções virais respiratórias
não são conhecidas como causa, mas podem baixar a resistência do cavalo
às infecções por estreptococos. Essa não é uma doença comum.
SINTOMA
O início é normalmente observado 2 a 4 semanas após o garrotilho ou
outra doença respiratória ter resultado em uma infecção bacteriana secundária.
Nos casos iniciais, na maioria das vezes, o animal mantém um bom apetite,
permanece alerta, e tem uma temperatura normal. Conforme o inchaço torna-se
extenso, o animal fica muito enrijecido e todos os quatro membros ficam
muito aumentados (Fig. 11.4). Geralmente, pequenas manchas de cor púrpura
(hemorragias petequiais .) vão ser observadas sob a língua ou nas mucosas
do interior dos lábios. Se a moléstia não for tratada e prosseguir, a cabeça.
torna-se-á inchada e a respiração será obstruída. A taxa média de mortalidade
é de 50%.
.N. do R. - Essas hemorragias petequiais justificam o antigo nome de "febre petequiaI".
212 Problemas de Saúde
2
r-
I
~
Figura 11.4 -Inchaços dos tecidos dos membros e ao longo do abdome são sintomas
comuns de púrpura hemorrágica.
o curso da doença pode variar de apenas 4 a 10 dias nos casos agudos,
ou se estender, como é normal, por um período de 2 a 4 semanas. Os casos
graves podem exigir de 2 a 3 meses de convalescença.
PREVENÇÃO
Como a doença é considerada uma reação alérgica de um indivíduo não
são conhecidas medidas preventivas específicas - exceto pelo possível uso
de uma vacina contra o garrotilho. A púrpura hemorrágica não é, por si só,
contagiosa.
CUIDADOS E PRIMEIROS SoCORROS
O tratamento apropriado por um veterinário é importante, pois a taxa de
mortalidade é alta. O uso prolongado de antibióticos e cortisona é indicado,
pois a doença é resultado de uma infecção profunda. Os cuidados usuais com
Doenças Infecciosas 213
os cavalos doentes devem ser seguidos (veja Capítulo 13, Ferimentos e Trata-
mentos). O uso de aspirina ajuda a diminuir o inchaço dos tecidos.
Tétano
Essaé uma doença infecciosa dos mamíferos, causada pelas toxinas da bactéria
Clostridium tetani, caracterizada por uma excitabilidade reflexa aumentada
dos centros nervosos motores, resultando em contrações espasmódicas de
todos os músculos estriados e normalmente morte.
CAUSA
O Clostridium tetani é uma bactéria que predomina no solo e freqüentemente
no trato digestivo do homem ou animais, especialmente cavalos. Os esporos
são muito resistentes a qualquer tipo de tempo, por vários anos. Apesar do
tétano ocorrer com mais freqüência nos países quentes, é considerado cosmo-polita em sua distribuição. Algumas fazendas e áreas estão altamente contami-
nadas. Os esporos entram através de feridas, apesar de precisarem de um ambiente
anaeróbio (sem oxigênio) para multiplicarem-se antes que possa ser produzida
toxina em quantidade suficiente para causar sintomas. Freqüentemente, todavia,
cavalos sofrendo dessa doença não monstram feridas aparentes para entrada
de esporos. Apesar das perfurações profundas serem o tipo de ferida ideal
para a bactéria, todas as feridas. devem ser consideradas como possíveis fontes
dessa doença. Os animais jovens são mais suscetíveis, e a doença ocorre com
mais freqüência durante os meses chuvosos da primavera e do outono, quando
os esporos são lavados para a superflcie do solo.
SINTOMA
O período de incubação é de 5 a 10 dias, mas pode ser de 60 dias ou
mais. O primeiro sintoma no cavalo é muito característico e básico para o
diagnóstico. É o aparecimento da terceira pálpebra nos cantos internos de
ambos os olhos cobrindo aproximadamente de um terço a metade dos olhos
(Fig. 11.5). Qualquer excitamento ou movimento súbito causa espasmos nos
músculos das terceiras pálpebras e as fazem "subir" e tomarem-se muito aparen-
tes, cobrindo os cantos internos dos olhos. Quando o animal relaxa, a terceira
pálpebra se torna, temporariamente, menos aparente. Conforme a doença progri-
de, o aninal apresenta uma rigidez geral, devido à contração de todos os múscu-
los, causada pela toxina tetânica. Andar, virar-se e andar para trás toma-se
dificil. O animal pode assumir uma posição de um "cavalo de balanço". Espasmos
nos músculos da cabeça tomam a mastigação dificil, e podem resultar numa
"mandíbula travada". As orelhas ficam eretas e a cauda dura. Ruídos externos
podem fazer com que o animal tenha espasmos "tetânicos". A morte normal-
mente resulta de asfIXiadevido à persistente contração dos músculos respira-
tórios quando o animal está deitado, suando, e tendo u~a convulsão terminal.
214 Problemas de Saúde
Figura 11.5 - A protrusão de ambas terceiras pálpebras é sintoma claro de tétano.
A taxa de mortalidade é alta. Prevenção por vacinação deve ser rotina para todos
os cavalos.
PREvENÇÃO
Além da vacinação, bom manejo pode ser o meio mais eficiente de prevenção.
Apanhe os pregos, latas, ferramentas velhas e lixo das áreas onde os cavalos
são mantidos. Boa umidade a essa doença pode ser conseguida, usando-se
a vacina toxóide tetânica. Devido à alta suscetibilidade dos cavalos e do homem
a essa doença, é aconselhável que cavalos e cavaleiros recebam vacinação
antitetânica rotineira. Consulte um veterinário e um médico para recomen-
dações. A antitoxina tetânica deve ser usada em caso de ferimento em cavalos
não imunizados. Esse produto dá proteção imediata, mas dura apenas duas
semanas. As primeiras vacinas antitetânica e a antitoxina tetânica podem ser
dadas juntas.
CUIDADOS E PRIMEIROS SOCORROS
o animal afetado deve ser colocado em uma cocheira quieta e escura. Coloque
os recipientes de comida e água altos o suficiente para que o cavalo
possa usá-Ios sem ter que abaixar a cabeça. Evite movimentos ou ruídos súbitos
que possam fazer com que o animal tenha espasmos. Tratamento medicinal
apropriado, pelo seu veterinário, é indicado. O uso de doses maciças de penici-
lina ou antibióticos de largo espectro, grandes doses de antitoxina tetânica,
Doenças Ink:cciosas 215
tranqüilizantes e relaxantes musculares têm se provado eficazes em muitos casos.
Se os sintomas aparecem lentamente (num período de 4 a 7 dias), as chances
do cavalo sobreviver são melhores. A taxa média de mortalidade nos casos
não tratados é de 80%.
Doença do Sono (Encefalomielite eqüina)
Essa é uma doença viral aguda dos cavalos que pode também afetar o homem,
outros mamíferos, aves e répteis. É caracterizada por distúrbios no sistema
nervoso central.
CAUSA
Há atualmente cinco vírus conhecidos que podem causar encefalomielite
nos cavalos através do mundo. As doenças são chamadas encefalomielite Leste,
Oeste, Venezuelano, japonesa e de SI. Louis.
ENCEFALOMIEUTE LEsTE E OESTE
Os vírus tipo Leste e tipo Oeste são os causadores principais da doença
nos Estados Unidos. O vírus Venezuelano foi identificado no Texas. A encefalo-
mielite Japonesa é uma doença asiática. O vírus de St. Louis ocorre por todo
os Estados Unidos, mas parece não causar sintomas..
A transmissão da doença é feita principalmente por mosquistos, nos quais
o vírus é capaz de se multiplicar. Ele permanece nas glândulas salivares dos
mosquitos. Os pássaros afetados, que podem não apresentar sintomas, agem
como reservatórios de vírus na natureza. Os pássaros suscetíveis incluem faisões,
galinhas, patos, perus, codornas, pássaros pretos e muitos outros. Os cavalos
afetados com vírus tipo Oeste não desenvolvem o estágio no qual o vírus
é encontrado na corrente sangüínea, sendo considerados, assim, últimos hospe-
deiros, e não podem passar a doença adiante através de mosquitos hematófagos.
Os cavalos com o vírus tipo Leste podem ter um pequeno período onde são
fOnte de infecção, quando o vírus está circulando no sangue (viremia), mas isso
ocorre antes do cavalo mostrar qualquer sintoma. O vírus Venezuelano, diferen-
temente dos tipos Leste e Oeste, produz um longo estágio de viremia e pode
ser. transmitido por contato direto.
Sintomas. Os animais afetados vão inicialmente apresentar uma febre
de 39,5 a 41,7"C. Há redução no apetite, acompanhadft por sinais de dificuldade
de mastigar e engolir. O animal pode afundar' toda a cabeça quando tentar
beber água'-Bocejos freqüentes, ranger de dentes, andar em círculos e tropeçar
. N. do R. - No Brasil praticamente ocorre somente encefalomielite Leste, embora já tenha
sido isolado um caso de doença provocado por vírus tipo Oeste.
216 Problemas de Saúde
são sintomas comuns (Figs. 11.6 e 11.7). Visão prejudicada, depressão e incoor-
denação são sinais de maior envolvimento do cérebro. Incapacidade de se
levantar e paralisia são sintomas terminais. A taxa de mortalidade está entre
20 e 90%, dependendo do vírus em particular que está causando o surto.
O vírus se localiza no cérebro e destrói as células nervosas.
Prevenção. Vacinações atuais na primavera são recomendadas nas
áreas onde essa moléstia predomina. O controle dos mosquitos ajuda.
Cuidados e Primeiros Socorros. Bons cuidados, aspirina e trata-
mento de apoio por um veterinário freqüentemente ajudam na recuperação
dos casos leves, mas os animais que se recuperam, geralmente exibem sinais
permanentes de danos ao cérebro.
ENCEFALOMIEUTE EQÜINA VENEZUELANA
Essa doença foi relatada pela primeira vez como uma doença reconhecível
dos cavalos nos Estados Unidos, no Texas, dia I? de julho de 1971. Resultou
em 1500 mortes em 6 semanas. Antes de 1970, a moléstia havia se restringido
principalmente à América do Sul e América Central, mas a doença subiu para
o México em 1970, matando muitos milhares de cavalos naquele ano. O surto
de 1971, no Texas, fez com que o governo instituísse programas de vacinação
obrigatórios em muitos estados, para proteger os cavalos dos Estados UnIdos.
O vírus afeta principalmente cavalos e humanos. Apesar da taxa de morta-
lidade nos cavalos ser de 90% ou mais, a doença é geralmente suave nos
humanos, causando sinais que parecem os de uma gripe - ligeiro mal-estar
geral, febre e músculos e articulações doloridas. O vírus é capaz de progredir
para uma encefalite, sendo mais comum em crianças e pessoas idosas.
A trasmissão é feita principalmente por mosquitos. Roedores e outros peque-
nos animais podem ser reservatórios para o vírus. Os pássaros não são tão
importantes como fonte desse vírus, como são para as variedades Leste e Oeste.
Sintomas. Os cavalos afetados podem mostrar sinais da doença, 1 ou
2 dias após a exposição ao vírus. O vírus pode durar de 1 a 6 dias na corrente
sangüínea do cavalo doente, o qual, durante esse período, é uma fonte a partir
da qual o vírus pode ser transmitido para outros animais. Alguns cavalos podem
se infectar e desenvolver uma imunidade sem mostrar sintomasclínicos. Os
primeiros sintomas são febre, depressão, perda do apetite e, ocasionalmente,
desconforto abdominal e diarréia. Conforme a doença progride, o reflexo
de "sacudir" a pele desaparece, os lábios caem e as pupilas podem se contrair.
O animal pode aparecer cego, ter convulsões e pendurar sua cabeça ou pressio-
ná-Ia de encontro a uma parede, mourão. ou outro objeto imóvel. Tropeçar,
andar em círculos e "andar dormindo" são os últimos sintomas. Eventualmente,
o cavalo cai e não consegue se levantar. A morte nonnalmente acontece 3
dias após os primeiros sintomas.
Prevenção. Controle dos mosquitos e vacinação são os métodos que
estão sendo usados. As vacinas contr:l os vírus tipo Leste e Oeste não conferem
imunidade contra a encefalomielite eqüina Venezuelana. Consulte o veterinário
local para conselhos específicos.
Doenças Infecciosas 217
t
j
Figuras 11.6 e 11.7 . Doença do sono, caracterizada por incoordenação, andar em
círculos e empurrar objetos sólidos.
218 Problemas de Saúde
Abscesso Crônico
Essa é uma doença bacteriana dos cavalos, caracterizada por grandes obsces-
sos no peito, parede abdominal inferior elou prepúcio ou área mamária. Essa
doença é chamada, em algumas regiões, de "febre de pombo" ("pigeon fever").
Essaterminologia muito provavelmente surgiu devido à área do peito aumentada
por causa dos abscessos em desenvolvimento, que parece lembrar o peito
de um pombo. A doença não tem ligações conhecidas com os pombos e essa
terminologia deve ser desencorajada.
CAUSA
A bactéria causadora específica é a Corynebacterium pseudotuberculosis,
apesar de que em algumas áreas os estafilococos tenham sido incriminados.
Essacorinebactéria é conhecida há muito tempo como causadora -de abscessos
em ovelhas, no Hemisfério Ocidental, mas apenas nas últimas duas décadas
tomou-se causa comum de abscessos nos cavalos no Oeste dos Estados Unidos.
Os meios exatos de transmissão da infecção não são claramente entendidos,
mas acredita-se que as moscas são os vetores principais. A doença predomina
principalmente no final do verão e do outono, correspondendo com o pico
da estação das moscas. A área na parede abdominal inferior, que freqüentemente
fica ferida devido à irritação das moscas, é tida como possível entrada de bac-
térias.
SINTOMA
Na maioria das vezes, um grande inchaço (abscesso) vai se desenvolver
em cada lado dos músculos do peito (Fig. 11.8). Algumas vezes, eles se desen-
volvem em apenas poucos dias, enquanto que em outras, podem levar semanas
para incharem, amolecerem e estarem prontos para se romperem. O conteúdo
do abscesso é um material tipicamente denso e amarelado. A doença pode tomar
a forma de muitos pequenos abscessos no peito ou grandes abscessos ao longo
da parede abdominal inferior, no prepúcio ou na área mamária ou, menos
fteqüentemente, em tomo da vulva ou membros traseiros (Figs. 11.9 e 11.10).
Ocasionalmente, abscessos internos se desenvolvem resultando na morte do
animal. O curso da doença em um único animal ou em um grupo de animais
é totalmente imprevisível. Na maioria das vezes, um cavalo em particular vai
ser afetado por 4 a 6 semanas, mas esse período de tempo varia muito.
PREvENÇÃO
Nenhuma vacina comercial está atualmente disponível para ser usada contra
essa doença. O uso freqüente de repelentes de moscas pode ajudar. Também
é útil borrifar qualquer área úmida ao longo da parede abdominal inferior
com um produto em pó para mantê-Ios secos e não atraentes para as moscas.
O isolamento do animal afetado pode ser de algum valor, mas não é um procedi-
Doenças Infecciosas 219
"
~
Figura 11.8 - Os abscessos crônicos são um problema comum no final do verão,
na Califómia. Aqui se vê um abscesso no peito.
mento rotineiramente recomendado (os cavalos não são considerados fontes
diretas de contágio).
CUIDADOS E PRIMEIROS SOCORROS
Quanto mais rápido os abscessos amadurecerem e drenarem, mais curto
será o período de recuperação. O uso precoce de antibióticos pode ser benéfico,
mas alguns veterinários acham que seu uso precoce pode prolongar o curso
da doença. O procedimento de tratamento deve ficar a critério do seu veteri-
nário. O autor acredita que os antibióticos podem ajudar a evitar que a infecção
se espalhe mais profundamente pelo corpo, e, portanto, são indicados. Aplicar
água quente ( 49"C) na área, ajuda. A aplicação de toalhas quentes embebidas
em solução de sais de Epsom (2 xícaras cheias para 8,3 litros de água) na
área por um período de 15 a 20 minutos por dia, também ajuda. Um cataplasma
de linhaça pode ser usado e é feito fervendo-se 2 xícaras cheias de linhaças
em 3 xícaraS de água. Isso é fervido até adquirir uma consistência pastosa.
zzo Problemas de Saúde
.
"
Figura 11.9 -Abscesso crônico ao longo da parede abdominal.
Enquanto estiver esfriando, adicione I colher de chá de bicarbonato de sódio
e mexa bem. Esse material é, então, espalhado entre dois panos de prato ou
pedaços de papel de alumínio, e seguro sobre o abscesso. Quando o abscesso
se rompe, a cavidade pode ser lavada com um desinfetante apropriado. O
uso de vaselina sob o abscesso drenado ajuda a proteger a pele da irritação.
As bordas da ferida devem ser tratadas com um repelente de moscas.
Anemia Infecciosa Eqüina (Febre do Pantanal)
Essa doença é causada por um virus, sendo caracterizada por febre intermi-
tente, depressão, fraqueza progressiva, perda de peso, edema nos membros
e anemia (Fig. 11.11). É encontrada na maioria dos países do mundo.
CAUSA
o vírus é, na maioria das vezes, introduzido no cavalo por mosquitos ou
outros insetos hematófagos. O uso de agulhas hipodérmicas. ou instrumentos
Doenças Infecciosas 221
Figura 11.10 . Abscesso crônico na área de prepúcio.
cirúrgicos contaminados pode ser uma causa. A doença, em geral, demora
a se espalhar e casos individuais são observados esporadicamente. Uma vez
que um animal se infecta, ele normalmente passa a ser um portador do vírus
pelo resto de sua vida. O vírus tem sido encontrado no sangue, secreções
nasais, urina, leite e sêmen dos animais infectados. Devido ao problema de
transmitirem o vírus, os animais sabidamente infectados devem ser sacrificados.
A doença predomina em áreas onde os mosquitos abundam. Adoença é relativa-
mente rara na Califórnia.
SINTOMA
Normalmente, leva de 1 a 3 semanas da introdução do vírus no cavalo,
ao aparecimento dos primeiros sintomas. A doença pode ser muito leve ou
muito aguda, causando a morte em menos de 7 dias. Em geral o animal vai
desenvolver edema ou inchaço em todos os quatro membros. Há, quase sempre,
um aumento ondulante na temperatura. O animal perde o apetite e perde peso
rapidamente. A anemia causa mucosas pálidas e fraqueza generalizada. Muitos
casos têm um período prolongado de doença, durando por muitas semanas.
A taxa média de mortalidade varia de 30 a 70%. Há um exame de sangue
que foi desenvolvido para diagnosticar essa doença, e muitos países estão,
agora, examinando os cavalos antes de permitirem que adentrem suas fronteiras.
PREVENÇÃO
Não há nenhum método conhecido. No caso de animais doentes são usados
procedimentos de tratamento sintomático e bons cuidados. Há uma prova
222 Problemas de SaÚde -
,
I
0'"
Figura 11.11 -Cavalos com anemia infecciosa eqüina (AlE) freqüentemente parecem
com a "púrpura", mas o exame de sangue dá o diagnóstico diferencial.
laboratorial chamada de "prova de Coggins". que pode identificar os animais
afetados pela doença ou os portadores. Muitos Estados agora exigem essa prova
antes que permitam que cavalos de fora adentrem suas fronteiras. Como nenhum
procedimento foi preestabelecido para lidar-se com os resultados positivos,
o uso desse teste é muito controvertido entre os veterinários. Os animais
que tiveram resultado positivo são protegidos contra picadas de insetos, o
melhor possível, para evitar uma provável transmissão para outros animais...
. N. do T. - A prova de Coggins é um teste de imunodifusão em ge1 de Ágar..N. do R. -De acordo com a legislação brasileira de saúde animal, a Anemia Infecciosa Eqüinaé uma doença de notificação obrigatória. O médico veterinário deve comunicar, ao órgão local
do Ministério da Agricultura, os casos de doença e proceder ao sacrificio dos animais que reagirem
à prova de Coggins.
12
Doenças Não-Infecciosas
DISTÚRBIOS INTERNOS
CóHca
Cólica é um termo geral usado para indicar dor na cavidade abdominal.
Há muitas causas de cólica, a maior causadora de morte nos cavalos. Todas
as causas de cólica devem ser consideradas sérias.
Clinicamente, as cólicas se enquadram em dois grandes grupos: (a) atividade
intestinal excessiva (hiperperistaltismo), que é caracterizada por muitos sons
altos ouvidos colocando-se a orelha próxima ao abdome do cavalo, e (b)
atividade intestinal reduzida (hipoperistaltismo ou aperistaltismo ), que é carac-
terizada por poucos ou nenhum som intestinal ouvido através da parede intes-
tinàJ..O primeiro tipo tem sido descrito classicamente como cólica espasmódica.
O segundo tem sido chamado de flatulência ou cólica gasosa porque o gás
geralmente se acumula no trato intestinal quando este pára de funcionar normal-
mente. Isso ocorre no caso de um fecaloma. "Inchação" ou distensão abdominal
é, na maioria das vezes, sintoma avançado de um fecaloma, normalmente de
24 horas de duração ou mais.
As causas de ambas as formas de cólica são similares, mas sua gravidade
é consideravelmente diferente.
CAUSA
1. Parasitas podem causar irritação no trato intestinal, provocando espasmos.
Podem também bloquear o suprimento de sangue do intestino e causar morte.
2. Alimentos embolorados ou estragados são sempre uma causa potencial
de irritação intestinal aguda e cólica grave. Podem ser venenosos para o cavalo
e, normalmente, causam espasmos intestinais agudos.
224 Problemas de Saúde
3. Mudanças súbitas na alimentação, ingestão de corpos estranhos, excessos
de ingestão de grão, comer grão quando está exausto, beber muita água quando
está "quente" e comer em terreno arenoso são causas comuns de cólica gasosa.
4. Os dentes dos cavalos crescem por toda a vida e normalmente precisam
ter suas pontas afiadas, niveladas (limadas) uma vez por ano para assegurar
mastigação adequada dos alimentos, evitando fecalomas e melhorando a diges-
tão. Dentes com bordas afiadas ou pontas longas causam dor ao cavalo quando
ele mastiga e, conseqüentemente, ele não mastiga bem a comida antes de
engoli-Ia.Esse feno mal mastigado predispõe o animal a uma obstrução intestinal.
Cavalos idosos com esse problema e com um trato digestivo menos elástico
e ativo (freqüentemente, sem exercício adequado) são mais propensos a obstru-
ções intestinais. Dentes ruins e acúmulo de areia no trato intestinal são as causas
mais comuns de cólicas periódicas. Outra causa comum de cólicas periódicas
são intestinos danificados por vermes.
SINTOMA
lnquietude, pisotear, olhar para os flancos, chutar o abdome, suar, levantar
e deitar, rolar, ficar em posições estranhas, como apoiando-se nas coxas ou
no dorso, são sintomas comuns (Figs. 12.1 e 12.2). Pálpebras com o interior
altamente congestionado ( de um vermelho vivo a um vermelho tijolo ), acompa-
nhadas por um ritmo cardíaco elevado de 80 a 100 batimentos por minuto,
-----
Figura 12.1 . Olhar e chutar os flancos são sintomas comuns de cólica, assim como
levantar e deitar, pisotear e rolar.
Doenças Não-Infecciosas 225
Figura 12.2 -Cavalo rolando por causa da dor de uma cólica terminal grave, causada
por parasitas.
ou mais, juntamente com a falta dos sons abdominais normais, são sinais de
um mau prognóstico e, geralmente, de um resultado terminal.
PREVENÇÃO
Tornar-se familiarizado com as causas comuns de cólicas, e tomar medidas
para evitar essas condições. Nunca ofereça um alimento que possa estar estra.
gado. "Se houver dúvida, jogue fora". Esse pode se tornar o alimento mais
caro que você já deu.
CUIDADOS E PRIMEIROS SOCORROS
Se o animal está defecando e/ou muito ruído intestinal pode ser ouvido
através da parede abdominal, ele muito provavelmente está tendo uma cólica
espasmódica. Os sintomas podem ser agudos, mas o prognóstico geralmente
é bom, a menos que apresente diarréia aguda e sintomas de choque. O animal
deve ser mantido quieto, se possível, e deve-se evitar que ele se machuque.
Fazê-Io andar calmamente por 10 a 15 minutos, a cada hora, pode ajudar
a distrair o animal da dor, mas ele não deve ser montado e forçado a se
exercitar; isso causa um estresse excessivo e pode apressar um desenlace fatal.
Se o cavalo quiser se deitar entre os períodos em que é forçado a andar
226 Problemas de Saúde
calmamente, pode-se perfeitamente permitir isso; ele pode ser capaz de descan-
sar ou achar uma posição mais confortável. Há muito pouco perigo que, rolando,
o cavalo possa causar uma torção nos intestinos. O cavalo pode, realmente,
ser capaz de aliviar o acúmulo de gás. Não deve haver uma regra rígida e
inflexível de não se deixar um cavalo com cólica deitar-se e rolar, se o animal
não está desesperado e se machucando. Oferecer um mingau de farelo de
trigo. com aspirina, nos casos iniciais de cólica espasmódica, geralmente faz
com que o animal supere o problema com uma recuperação sem incidentes.
Se o animal não estiver definitivamente melhorando, em 30 minutos após
o oferecimento do mingau de farelo de trigo deve-se procurar auxilio profIS-
sional.
Se o animal recusar o mingau de farelo, a aspirina ainda será útil. Esmague
as 10 aspirinas, misture-as com uma pequena quantidade de mel, e coloque
a mistura no canto da boca do cavalo.
Se o animal não está defecando, não são ouvidos sons abdominais com ou
sem sinais de inchaço, e os sintomas de dor são agudos, auxílio profissional
deve ser obtido e mais rápido possível. Esses são sintomas de um trato intestinal
afuncionante, o que é sempre grave. Fazê-Io andar calmamente por 15 minutos
a cada hora é indicado como medida de primeiros socorros. Andar demais
pode causar estresse adicional ao animal, mas esse exerCÍcio é freqüentemente
útil para estimular a atividade normal do trato digestivo. O uso de fluidos
endovenosos, analgésicos (para controlar a dor), esteróides e antibióticos, pelo
veterinário, pode ajudar muito, dando suporte fISiológico para o animal com-
bater o estresse da situação. Esses animais estão normalmente sentindo muito
incômodo e nenhuma tentativa deve ser feita para "tirar a cólica deles" montan-
do-os. Não ponha objetos irritantes no interior do reto.
Se cuidados veterinários não estão disponíveis em um período relativamente
curto (de 4 a 8 horas), a administração cuidadosa de leite de magnésia (500
ml) com uma bisnaga de confeiteiro é indicada. Isso pode ser feito segurando-se
a cabeça do cavalo ligeiramente elevada (com o animal em pé). O conteúdo
da bisnaga é lentamente espremido no interior da boca, no canto dos lábios.
Permita que o cavalo engula voluntariamente. Não tente dar esse medicamento
com o cavalo deitado. Deve-se notar que dar óleo mineral, forçando-o para
dentro da boca é muito perigoso, pois pode facilmente ir para os pulmões.
Infelizmente, muitos casos de cólicas são tratados excessivamente, O que é
freqüentemente a causa direta da morte. Um enema suave e não profundo,
de água morna com sabão (3,8 a 7,6 litros) pode ser útil para fecalomas baixos.
Os tecidos retais são facilmente danificados; deve-se sempre ter cuidado quando
essa área é examinada ou recebe medicação.
Detecção e tratamento precoces de um ferimento grave ou outro problema
intestinal sério, pelo seu veterinário, pode aumentar muito as chances de sobre-
vivência do cavalo. Técnicas de diagnóstico recentemente desenvolvida podem
ajudar um veterinário a reconhecer os casos de cólica que necessitam de
.Mingau de meio de trigo: coloque 250g de meio de trigo em um balde. Adicione água bem
quente para deixar bem molhado e mole. Adicione, então. a ração de grão habitual - aveia
ou mistura de grão - até que a mistura não esteja mais mole, mas sim quente e úmida. Adicione
a isso 2 colheres de sopa de bicarbonato de sódio e 10 aspirinas ( dissolvidas ).
Doenças Não-Infecciosas 227