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HISTÓRICO ORIGEM DOS EQUINOS O cavalo, como todos os seres vivos, passaram por uma evolução ao longo dos tempos. Originário da América do Norte (há 50 milhões de anos), o Eohippus apresentava o tamanho de um cão. Figura: Gênero Eohippus PRIMEIRA EVOLUÇÃO Há 28 milhões de anos ocorreu à primeira evolução, sendo então denominado Miohippus, este era maior e tridáctilo. Figura: Gênero Miohippus O Miohippus migrou ao sul da Argentina, indo para o sentido Sul e, para o file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br Norte, atravessou o Estreito de Bering, chegando à Ásia, Europa e África, com exceção da Austrália e Ilhas Nipônicas, consistindo esta na primeira migração dos antepassados do cavalo atual. Figura: Representação de Pintura Rupestre SEGUNDA EVOLUÇÃO A segunda evolução ocorreu após cruzarem o Estreito de Bering, quando perderam mais 02 (dois) dedos, se transformaram em monodáctilos, aumentando o tamanho e chegando enfim ao cavalo atual. Figura: Gênero Equus EXTINÇÃO No final do Plioceno, o Gênero Equus extinguiu-se das Américas, ficando apenas os que migraram para a Eurásia, de onde derivam os Equinos atuais (Equus caballus). file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br Figura: Equus caballus. Garanhão árabe DOMESTICAÇÃO Os equinos foram domesticados pelo homem há pelo menos 3000 anos antes de Cristo. Os cavalos foram domesticados mais tarde do que outras espécies, inclusive após a domesticação do jumento. Antes da domesticação dos equinos, este era usado como alimento e, posteriormente como tração e carga. A equitação começou a evoluir após a descoberta da liga de bronze, com a fabricação das embocaduras (freios e bridões). Após a invenção do estribo é que a equitação evoluiu ainda mais e o cavalo começou a ser usado como arma de guerra, pois seu uso permitiu maior estabilidade podendo o cavaleiro empunhar armas em uma das mãos. Figura Cavalo na Antiguidade em batalha. Obra de Alexander Defeats King Darius. Fonte Scala/Epa, Inc. Os “hititas” foram o povo que primeiro usou o cavalo para conquistar vitórias em guerras e a partir daí influenciaram outros povos. Os cavalos eram venerados file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br como animais nobres, sendo assim, os encarregados de cuidar dos cavalos assumiam notoriedade na sociedade hitita. Dos hititas por intermédio dos egípcios (por eles dominados) é que chegou a paixão por cavalos aos romanos e gregos, que no ano de 700 A.C. instituíram a corrida de cavalos nos Jogos Olímpicos. Figura: Hititas; batalhas a cavalo. Fonte: Carlos Leite Ribeiro A partir da descoberta e difusão do ferro e da invenção das armaduras utilizadas para batalhas, à equitação ficou estacionada, tendo retomada a sua evolução no final Idade Média. MANEJO DE EQUINOS CONTENÇÃO Uma contenção correta se faz necessária para se manejar os cavalos, realizarem exames clínicos e aplicar a terapêutica indicada. Visando sempre a nossa segurança, assim como a do animal ao qual estamos manejando. Contenção Física de Potros Os potros podem ser bastante difíceis e até perigosos de controlar antes de tornarem- se acostumados com o manejo. Isso porque são muito pequenos, não são familiarizados com a contenção e apresentam movimentos muito rápidos. Embora não sejam tão ameaçadores quanto um cavalo adulto, ainda assim eles podem morder e coicear perigosamente. Quando o potro está em estação, o melhor método para a contenção consiste em parar (em pé) ao seu lado com uma mão ao redor do peito e file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br a outra por trás dos músculos da coxa, e em alguns potros mais rebeldes, pode ser necessário segurar a base da cauda e elevá-la para obter um controle extra. Dessa maneira, consegue-se um método de contenção fácil e seguro, pois o potro não consegue mover-se. Como os potros ainda não foram treinados a serem conduzidos tanto por rédea como por cabresto, devem ser conduzidos por uma laçada feita com uma corda e colocados sobre sua garupa. Assim o condutor, em pé, ao lado do potro, segura a extremidade livre da corda e puxa outro modo, se é puxado por uma corda-guia ou rédea, o potro resiste, recuando no sentido contrário à pressão. É importante ressaltar que quem está conduzindo o animal deve ter cuidado para que se o potro recuar, não puxar o cavalo no sentido contrário, pois pode entrar em um “cabo de guerra” com o animal e isso fará com que ele tenda a sentar, podendo na queda causar sérias lesões. Contenção Química do Potro As diferenças essenciais entre adultos e potros são que potros têm um volume menor de distribuição às drogas, uma menor proporção de gordura corporal, menos albumina para ligação com as drogas e mecanismos hepáticos e renais de eliminação menos desenvolvidos. Uma vez que esses aspectos sejam mantidos em mente, a maioria das drogas usadas para adultos pode ser usada para potros, respeitando as dosagens recomendadas. A xilazina, na dose de 1,1 mg/kg, é particularmente útil, pois age rápida e confiavelmente, possui um período de ação curto e pode ser combinada com butorfanol para fornecer uma combinação confiável, usada em procedimentos diagnósticos dolorosos como coleta de líquido sinovial ou líquido cefalorraquidiano. Se o Médico Veterinário não deseja decúbito do animal, deve atentar para as doses utilizadas e para a associação entre fármacos. Contenção Física do Cavalo Adulto Para conter um cavalo adulto, primeiro devemos buscá-lo no potreiro, estábulo ou ainda a campo. O tratador ou Médico Veterinário que irá trazê-lo para exame clínico deve manter o cabresto e a corda escondidos, e, quando possível, carregar uma gulodice na forma de pasto ou feno se necessário, o cavalo pode ser tocado para um file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br pequeno piquete ou canto de cerca. Deve-se sempre abordar um cavalo pelo seu lado esquerdo, pois a maioria deles é treinada para aceitar a abordagem, aplicação de equipamentos (arreios, etc.) e também a monta pelo cavaleiro por esse lado. Deve-se passar o braço esquerdo por baixo e, em seguida, ao redor do pescoço, antes de colocar uma corda em volta do pescoço ou aplicar um bucal, cabresto, ou testeira, assim, uma vez feito o contato passando-se o braço ao redor do pescoço, a maioria dos cavalos cede ao seu treinamento e não tentará escapar. A maioria dos cavalos permitirá uma abordagem pela cabeça, mas, se o animal estranhar esse procedimento, afastando-se bruscamente a cabeça, perde-se a oportunidade de pegá-lo. Se o cavalo está em um estábulo ou num pequeno piquete, a captura é, teoricamente, mais fácil, porque ele não pode fugir. No entanto, o confinamento também torna mais difícil e perigosa a saída do Médico Veterinário, caso o cavalo entre em pânico ou torne-se agressivo. Éguas com potrinhos e garanhões tendem a serem mais agressivos. É importante que a porta não esteja completamente fechada, de modo que o Médico Veterinário possa se necessário, sair facilmente. Como ocorre em todos os aspectos do manejo de equinos, lentamente, a experiência fornece uma percepção extra sobre qual cavalo irá apresentar problema e qual a melhor maneira de evitar ou controlar a situação. Em todos os casos, recomenda-se uma atitude sensata, não-heroica, que assegure uma carreira profissional relativamente livre de lesões, dessa forma esforços impensados ou heroicos em controlar cavalos resultam, cedo ou tarde, em lesões que, na melhor das hipóteses, podem causar o afastamento do trabalho por alguns dias, mas que, na pior das hipóteses, podem ser fatais. Ao retornar um cavalo ao estábulo ou piquete, a porta ouportão devem estar totalmente abertos, o cavalo deve ser conduzido completamente até a entrada e então se deve volteá-lo, de maneira que a pessoa que o conduz fique mais perto da porta ou portão. Não se deve soltar o cavalo antes de se ter certeza de que é possível fechar a porta ou portão antes que o cavalo possa correr de volta pela abertura. Contenção Química do Cavalo Adulto A contenção química do cavalo adulto se faz necessária para realização de alguns procedimentos mais invasivos do exame clínico e também no caso de certos file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br cavalos rebeldes. Para o exame clínico normal, é melhor que o cavalo não esteja sob influência de qualquer medicação que possa deprimir o Sistema Nervoso Central (SNC), porque o estado mental do paciente e sua resposta a vários estímulos constituem uma parte importante na avaliação clínica. Quando a contenção química se faz necessária, deve- se ter em mente as ações farmacológicas das drogas usadas e se elas podem ou não interferir com a função dos órgãos que estão sendo examinados (por exemplo, a administração de xilazina antes da auscultação abdominal, para avaliar a função dos intestinos, ou da auscultação cardíaca, para avaliar os sons cardíacos). Drogas usadas para contenção química produzem vários graus de depressão do SNC e analgesia. Essas drogas são classificadas como tranquilizantes, sedativo- hipnóticas e opiáceas. A diferença básica entre tranquilizantes e as outras (sedativo-hipnóticas e opiáceas) é que tranquilizantes produzem depressão no SNC sem analgesia ou anestesia, enquanto que as outras, além de depressão do SNC, causam vários graus de anestesia e analgesia. Até recentemente, a acetilpromazina, um derivado da fenotiazina, era o tranquilizante mais usado em medicina equina. Atualmente já dispomos de uma gama de fármacos, como os alfa-2 agonistas e os opiáceos. A acetilpromazina produz bloqueio alfa-1 e tem um suave efeito tranquilizante que é maximizado se o cavalo for mantido quieto após a injeção, e os cavalos recuperam-se facilmente do seu efeito, e a droga não faz efeito em cavalos já excitados. Produzindo hipotensão, como resultado da perda do tônus vasomotor, essa hipotensão, que geralmente é bem tolerada, pode ser perigosa se o cavalo for excitado ou hipovolêmico. A droga baixa o limiar dos ataques nervosos e, portanto, não deve ser administrada a cavalos com hipersensibilidade do SNC, pois não há antagonista específico. Deve-se ter sempre cuidado ao usá-la em cavalos machos, principalmente garanhões, devido à possibilidade de paralisia do pênis. A tranquilização em cavalos machos é acompanhada de prolapso do pênis, que dura de 1 a 2 horas, e em cada cavalo deve- se verificar se a função peniana foi recuperada e se houve retração do pênis para o interior do prepúcio. Se a retração não ocorrer, torna-se edematoso, desenvolve paralisia permanente e fica exposto a traumatismos físicos que podem levar a necessidade de amputação. O grupo de drogas alfa-2 agonistas – xilazina, detomidina e romifidina – inclui file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br as drogas sedativo-hipnóticas mais usadas no cavalo em estação, sendo que a romifidina é mais potente e tem efeito mais prolongado. São usadas para produzir sedação, analgesia e relaxamento rápidos e confiáveis. Em todas as drogas, a ação manifesta-se rapidamente, 1 a 5 minutos após injeções intravenosas e intramusculares respectivamente. A duração do efeito varia de 30 a 60 minutos para a xilazina e de 2 a 4 horas para a romifidina. A duração do tempo de analgesia é cerca da metade do da sedação. A romifidina tem menos tendência a causar ataxia que as outras. Alfa-2 antagonistas como a ioimbina (0,04-0,08 mg/Kg IV) podem ser usados para reverter seus efeitos. Os principais efeitos colaterais dos alfa-2 agonistas que têm relevância aqui são bradicardia, bloqueio cardíaco de primeiro ou segundo graus, hipertensão passageira seguida de hipotensão e diminuição da atividade gastrintestinal de propulsão, podendo assim levar à cólica. Os opiáceos são usados primariamente para fornecer analgesia quando o estímulo doloroso esperado é significativo, também produzem tranquilidade e euforia. Os agonistas opioides (morfina, oximorfina, meperidina) estimulam receptores mu- opioides, agonistas- antagonistas opioides (pentazocina, butorfanol) e possuem afinidade para receptores mu e kappa-opioides, com tendência a bloquear os primeiros, enquanto os antagonistas opioides (naloxona, naltrexona) bloqueiam a atividade de ambos. O uso dessas drogas é limitado pela imprevisibilidade da estimulação do SNC que elas, muitas vezes, provocam. Elas são, por isso, usadas mais frequentemente com outras drogas ou após o uso de outras drogas que previnem o excitamento, assim os opioides têm um efeito mínimo no sistema cardiovascular, mas também diminuem a atividade gastrintestinal propulsiva. O naloxone é um antagonista efetivo que, em razão a curta duração de seu efeito, pode necessitar redosagem. Dentre esse grupo de drogas, o tartrato de butorfanol é usado mais comumente como tranquilizante para realização de exames e/ou pequenos procedimentos cirúrgicos. Nenhuma droga individualmente dará a contenção ideal do cavalo em estação em todas as circunstâncias, dando lugar a uma grande escolha de drogas e combinação destas, necessitando sempre de uma boa contenção física. Métodos Auxiliares de Contenção file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br Cachimbo O cachimbo é uma peça essencial de equipamento para qualquer pessoa que maneje cavalos. A estrutura do cachimbo consiste numa laçada de corda ou corrente presa a um cabo. O princípio é que a laçada é colocada no focinho do cavalo e apertada, torcendo-se o cabo. Dessa forma, o cavalo é distraído, permitindo que se prossiga com o tratamento ou exame. Há diferentes métodos de aplicar e segurar o cachimbo, mas como ele é potencialmente perigoso tanto para o cavalo como para a pessoa que o aplica, é um procedimento que deve ser feito com segurança. Se há uma pessoa competente segurando a cabeça do cavalo, o veterinário pode usar ambas as mãos para aplicar o cachimbo. A sequência é a seguinte: a) o cabo do cachimbo é segurado na mão direita; b) os dedos da mão esquerda são parcialmente introduzidos pela laçada e usados para segurar e elevar o beiço superior do cavalo; c) faz-se a laçada deslizar pelos dedos até o beiço superior; d) a mão direita aperta a laçada torcendo o cabo do cachimbo. Quando não encontra uma assistência competente, o clínico precisa, ao mesmo tempo, segurar o cavalo e aplicar o cachimbo: a) A preparação é feita colocando a laçada do cachimbo parcialmente sobre os dedos da mão esquerda; b) O cabo é torcido de maneira que a laçada tenha o diâmetro suficiente para acomodar o beiço; c) O cabo é transferido para a mão esquerda, em que é mantido entre a palma e o terceiro e quarto dedos; d) A mão direita segura o buçal, enquanto os dedos da mão esquerda são usados para segurar o beiço; e) Nesse momento, o clínico pode usar a mão direita para torcer o cabo do cachimbo ou, alternativamente, isso pode ser feito por um auxiliar se o clínico não puder soltar o buçal. Existem vários modelos de cachimbo. Alguns podem ter a laçada feita de material macio, como corda, ou consistir em uma corrente, e o cabo pode ser longo ou curto, feito de madeira ou borracha. O cachimbo não deve ser aplicado muito file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br apertado, porque pode machucar o focinho e porque o cavalo pode ressentir-se e tornar-se extremamente violento pela predominância da dor e também não é recomendado que seja usado por longos períodos. O objetivo é aplicar o cachimbo de modo firme,aumentar a pressão imediatamente antes de realizar o procedimento clínico invasivo ou doloroso e, então, reduzir a pressão. Como regra geral, a pessoa segurando o cachimbo e o examinador deve ficar no mesmo lado do cavalo. Assim, se o cavalo se afasta ou escapa, existe uma rota de fuga livre para ele. O cachimbo deve estar sempre sob controle manual, de modo que possa ser afrouxado ou apertado, se necessário. Não é demais insistir que a tensão na laçada deve estar sob permanente controle, sendo ajustada segundo as necessidades do momento, e que a pessoa que segura o cachimbo não deve se distrair. Com alguns cavalos, o mesmo efeito pode ser obtido simplesmente segurando e apertando o focinho com a mão. Figura: Cachimbo. Apertão no pescoço Utiliza-se como uma forma de contenção, distrair o cavalo agarrando com uma ou as duas mãos, uma prega da pele do pescoço e aplica-se firmemente um movimento de rotação, de maneira a colocar tensão sobre a pele. Isso pode ser difícil de fazer em cavalos muito fortes ou de pele grossa, ou se o examinador não é muito forte; no entanto, é um método que dispensa equipamentos e pode ser aplicado rápida e seguramente. file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br Figura: Apertão no pescoço. Segurar e torcer orelha Outro método de contenção da cabeça do cavalo é segurar e torcer a orelha. Para fazer isso com segurança, o examinador pode permanecer ao lado do cavalo e deslizar a mão direita pescoço acima, até que a orelha possa ser agarrada, fazendo em um só movimento coordenado. Quando o cavalo está acostumado a esse procedimento, ele deve ser feito muito rapidamente, caso contrário, ele levantará rapidamente a cabeça para longe do alcance do examinador. O examinador deve manter o controle da cabeça do cavalo, apoiando o antebraço entra o pescoço do animal. Isso é muito importante, porque, se o cavalo retrai a cabeça ou tenta recuar, o examinador pode ser puxado para baixo das patas dianteiras e machucar-se. A vantagem mecânica é também incrementada segurando-se o cabresto com a mão esquerda, assegurando-se de que a cabeça do cavalo é puxada para o lado esquerdo. Esse método tem especial valor para a contenção rápida e para estabilizar a cabeça, enquanto o cachimbo é aplicado ou uma sonda gástrica, ou endoscópio são passados pelas fossas nasais. O cachimbo pode ser também aplicado na orelha, mas isso não é recomendado em razão à possibilidade de lesão na cartilagem aural. file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br Figura Segurar orelha para conter cabeça do animal. file:///D:/Meus%20Negocios/Pensar%20Cursos/www.pensarcursos.com.br