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A reforma psiquiátrica no Brasil Política de Saúde Mental do SUS

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Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
 
 
 
 
 
1. A reforma psiquiátrica no Brasil Po-
lítica de Saúde Mental do SUS 
 O processo de reforma psiquiátrica 
 
A reforma é compreendida como um conjunto de transfor-
mações de práticas, saberes, valores culturais e sociais. 
Ela tem início nos anos 70, na mesma época da reforma sa-
nitária (movimento sanitário) em favor da mudança dos modelos de 
atenção e gestão nas práticas de saúde, defesa da saúde coletiva, 
equidade na oferta dos serviços, e protagonismo dos trabalhadores 
e usuários dos serviços de saúde nos processos de gestão e pro-
dução de tecnologias de cuidado. 
 Crise do modelo de assistência centrado 
 no hospital psiquiátrico 
Dois pontos chave: 
 Eclosão dos esforços dos movimentos 
 sociais pelos direitos dos pacientes 
 psiquiátricos 
 Histórico da Reforma 
 I- Crítica do modelo hospitalocêntrico (1978-1991) 
 
1) 1978 
• Início efetivo do movimento social pelos direitos dos paci-
entes psiquiátricos no país. 
• Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) 
surge esse movimento protagoniza e ajuda nas de-
núncias da violência dos manicômios, da mercantilização 
da loucura, da hegemonia de uma rede privada de assis-
tência e a construir uma crítica ao saber psiquiátrico e 
ao modelo hospitalocêntrico. 
 
2) 1987 
• O II Congresso Nacional do MTSM adota o lema “Por uma 
sociedade sem manicômios” 
• É realizado a I Conferência Nacional de Saúde Mental 
• Surgimento do primeiro CAPS na cidade de São Paulo 
 
3) 1988 
• Criação do SUS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4) 1989 
• Início de um processo de intervenção da Secretaria Mu-
nicipal de Saúde de Santos (SP) em um hospital psiquiá-
trico – Casa de Saúde Anchieta – onde era local de 
maus-tratos e mortes de pacientes 
• Implementação em Santos do Núcleo de Atenção Psicos-
social (NAPS) 
• Santos passa a ser um marco no processo de Reforma 
Psiquiátrica Brasileira 
• Projeto de lei do deputado Paulo Delgado (PT/MG) para 
regulamentação dos direitos da pessoa com transtorno 
mental e a extinção progressiva dos manicômios. 
 
 II - Começa a implantação da rede extra-hospi-
talar (1992-2000) 
 
1) 1992 
• Movimentos sociais inspirados no projeto de lei de Paulo 
Delgado conseguem aprovar as primeiras leis que deter-
minam a substituição dos leitos psiquiátricos por uma 
rede integrada de atenção à saúde mental 
 Compromisso firmado pelo Brasil na assinatura da 
 Declaração de Caracas 
Década de 90 
 II Conferência Nacional de Saúde Mental 
 Marcam o firmamento das primeiras normas federais, 
regulamentando a implantação de serviços de atenção, 
fundadas nas experiências dos primeiros CAPS e NAPS, 
e primeiras normas para fiscalização e classificação dos 
hospitais psiquiátricos 
Apesar de, no final desse período, o país conter 208 CAPS, 
o Ministério da Saúde não tinha uma linha especifica de financia-
mento aos CAPS e NAPS, destinando cerca de 93% dos seus re-
cursos aos hospitais psiquiátricos. 
 
 A reforma psiquiátrica depois da lei nacional 
(2001 - 2005) 
 
1) 2001 - 2003 
Em 2001 a Lei Paulo Delgado (Lei Federal 10.2016) é aprovada, 
com algumas modificações do projeto de lei original: 
1. Manteve: Redirecionamento da assistência em saúde 
mental, privilegiando o oferecimento de tratamento em 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
serviços de base comunitária, e dispondo sobre a prote-
ção e os direitos das pessoas com transtornos mentais. 
2. Modificou: Não instituiu mecanismos claros sobre extin-
ção dos manicômios. 
 
- Promulgação da Lei 10.2016 A política de saúde mental do 
- III Conferência Nacional de governo federal, alinhado com 
Saúde Mental (2001) diretrizes da Reforma passa a se 
 consolidar 
 
• O Ministério da Saúde cria linhas de financiamento para 
os serviços abertos e substitutivos ao hospital psiquiá-
trico 
• Mecanismos de fiscalização, gestão e redução de leitos 
psiquiátricos são criados 
• É instaurado o processo de desinstitucionalização de pes-
soas longamente internadas com a criação do programa 
“De volta para casa” 
• Construída uma política de recursos humanos e traçado 
uma política de álcool e drogas com a estratégia da re-
dução de danos 
 
2) 2004 
• Primeiro Congresso Brasileiro de Centros de Atenção Psi-
cossocial em São Paulo. 
Ações dos governos federal, estadual e municipal e dos movi-
mentos sociais para efetivar a construção da transição de um mo-
delo de assistência centrado no hospital psiquiátrico, para um mo-
delo de atenção comunitário, caracterizado assim em razão de: 
1. Construção de uma rede de atenção à saúde mental 
substitutiva ao modelo centrado na internação hospitalar 
2. Fiscalização e redução progressiva e programada dos lei-
tos psiquiátricos existentes. 
 Nesse período a Reforma Psiquiátrica se consolida como po-
lítica oficial do governo federal e no final do ano os gastos com 
hospitais psiquiátricos representam cerca 64% dos recursos do 
Ministério da Saúde para a saúde mental. 
 
 A III Conferência Nacional de Saúde Mental e a 
participação de usuários e familiares 
É realizada no ano de 2001 após a promulgação da lei 10.2016 
(Paulo Delgado) e, durante toda a conferência, é notório o consenso 
em torno das propostas da Reforma Psiquiátrica, são pactuados 
os princípios, diretrizes e estratégias para a mudança da atenção 
em saúde mental no Brasil, fornecendo os substratos políticos e 
teóricos para a política de saúde mental. Suas principais contribui-
ções são: 
• Consolida a Reforma Psiquiátrica como política de governo 
• Confere ao CAPS valor estratégico para mudança no mo-
delo de assistência 
• Defende a construção de uma política de saúde mental 
para usuários de drogas e álcool 
• Estabelece o controle social como garantia do avanço da 
Reforma no Brasil. 
 
2. O processo de desinstitucionaliza-
ção 
 
 Redução de leitos 
 Marcos políticos e histórico dos leitos 
O processo de redução dos leitos e de desinstitucionalização 
das pessoas com longo histórico de internação se torna política 
pública nos anos 90 e ganha impulso em 2002 com normatizações 
do Ministério da Saúde. Para avaliar o ritmo da redução é neces-
sário antes olhar o histórico da implantação dos hospitais psiquiá-
tricos nos estados e o processo de entrada das diretrizes da Re-
forma em cada região, pois esse processo demanda uma mudança 
cultural e subjetiva e depende da atuação federal, estadual e mu-
nicipal em conjunto. 
Concentrados historicamente nos centros de maior desenvol-
vimento econômico do país: 
- Bahia e Pernambuco (Nordeste) 
- Goiás (Centro-Oeste) 
- Paraná (Sul) 
- São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais (Sudeste) –> sedi-
ando cerca de 60% dos leitos, até o ano de 2005, por ser a região 
com maior centro histórico de desenvolvimento. 
 
 Programas que ajudaram na redução dos leitos 
• Programa Nacional de Avaliação do Sistema Hospita-
lar/Psiquiatria (PNASH/Psiquiatria) 
• Programa Anual de Reestruturação da Assistência Hos-
pitalar Psiquiátrica no SUS (PRH) 
• Programa de Volta pra Casa 
• Centros de Atenção Psicossocial 
• Residências Terapêuticas 
 
 PNASH (Avaliação anual dos hospitais) 
 O que faz? 
O Programa Nacional de Avaliação do Sistema Hospitalar/Psi-
quiatria (PNASH) foi instituído em 2002 e é um instrumento de 
avaliação que: 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
• Serve para averiguar a qualidade da assistência dos hos-
pitais psiquiátricos conveniados e públicos existentes na 
sua rede de saúde; 
• Indica aos prestadores critérios para uma assistência 
compatível com as normas do SUS;• Descredencia hospitais que não possuem assistência de 
qualidade 
A partir desse instrumento é que essa avaliação passa a ser 
sistemática e anual. 
 
 Quem faz? 
Técnicos dos três campos complementares: técnico-clínico, vi-
gilância sanitária e controle normativo. 
 
 Como faz? 
Ele avalia: 
• Estrutura física do hospital 
• Dinâmica de funcionamento dos fluxos hospitalares 
• Processos e recursos terapêuticos da instituição 
• Adequação e inserção dos hospitais à rede de atenção 
em saúde mental em seu território e às normas técnicas 
do SUS 
Essa avaliação é feita através de uma “entrevista de satisfa-
ção” com pacientes longamente internados e pacientes às véspe-
ras de receber alta hospitalar. Ele gera uma pontuação que classi-
fica os hospitais em: 
• Boa qualidade de assistência 
• Qualidade insuficiente 
• Precisam de adequações e devem sofrer revistoria 
• Baixa qualidade 
• Encaminhados para descredenciamento 
 A política de desinstitucionalização teve um forte impulso a 
partir desse programa e ele se mostrou ser um instrumento fun-
damental para a melhoria da qualidade assistencial dos hospitais 
psiquiátricos. 
 
 Residências terapêuticas 
 O que são 
Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) ou residências te-
rapêuticas, surgem como políticas do Ministério da Saúde para aju-
dar na superação do modelo de hospitais psiquiátricos. São casas 
estrategicamente localizadas nas cidades que respondem às ne-
cessidades de moradia de pessoas portadoras de transtornos 
mentais graves, egressas de hospitais psiquiátricos ou não, ou que 
em algum momento necessitam de outra solução de moradia. 
Devem estar vinculadas a um Centro de Atenção Psicossocial 
(CAPS) e operando junto à rede de atenção à saúde mental dentro 
da lógica do território, e devem ser capazes de garantir o direito 
à moradia das pessoas egressas de hospitais e de auxiliar no pro-
cesso de reintegração na comunidade, garantindo os direitos de 
morar e circular nos espaços da cidade. 
 
 Como funcionam 
Sendo residências, as casas devem respeitar as necessida-
des, gostos, hábitos e dinâmicas dos seus moradores. Ela deve aco-
lher, no máximo, até 8 moradores e um cuidador é designado para 
apoiá-los nas tarefas, dilemas e conflitos do cotidiano, sempre bus-
cando a autonomia do usuário. 
É de fundamental importância o respeito por cada caso e ao 
ritmo de cada usuário por sua readaptação na vida em sociedade, 
para que assim a expansão desses serviços acompanhe de forma 
gradativa o processo de desativação dos leitos de hospitais psiqui-
átricos. 
 
 Programa de Volta para Casa 
 O que é 
Um programa que institui um auxilio-reabilitação para pessoas 
com longo histórico de hospitalização. É um dos instrumentos mais 
efetivos para reintegração social dessas pessoas e uma das es-
tratégias mais potencializadoras para redução de leitos. 
Foi criado pela Lei Federal 10.708, encaminhada por Lula, e 
sancionada em 2003 e é uma concretização de reivindicações his-
tóricas do movimento da Reforma Psiquiátrica no Brasil, tendo sido 
formulado como proposta já na época da II Conferência Nacional 
de Saúde Mental, em 1992. 
 
 Objetivos 
Contribuir de forma efetiva para o processo de inserção so-
cial das pessoas com longo histórico de internações em hospitais 
psiquiátricos através de um pagamento mensal de um auxilio no 
valor de R$240,00 aos beneficiários. 
 
 Critérios 
Para receber a pessoa deve ser egressa de Hospital Psiquiá-
trico ou Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (hospitais 
geridos por órgãos da justiça e não pelo SUS), e ter indicação para 
inclusão em programa municipal de reintegração social. 
 
 Como funciona 
O pagamento é formulado através de um convênio entre o 
Ministério da Saúde e a Caixa Econômica Federal e é feito direto 
ao beneficiário, através de um cartão magnético onde o mesmo 
pode sacar e movimentar mensalmente o dinheiro, contribuindo, 
assim, para sua autonomia e o exercício de seus direitos civis, 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
políticos e de cidadania. O programa também possibilita a ampliação 
das redes de relação dos usuários e assegura seu bem estar global. 
Para que isso ocorra, o município de residência do beneficiário 
deverá estar habilitado ao programa e ter assegurado uma estra-
tégia de acompanhamento de todos os beneficiários, além de uma 
rede de atenção à saúde mental capaz de dar uma resposta efe-
tiva às demandas de saúde mental. 
 
 Dificuldades do programa 
Um grande paradigma existente dentro do programa é que, a 
maioria desses esses beneficiários, sendo eles egressos de longos 
períodos de internação em hospitais psiquiátricos, não possuem 
documentação pessoal mínima para o efetivo cadastro no pro-
grama, pois muito deles não possuem certidão de nascimento ou 
carteira de identidade. 
 
 Estratégia de redução progressiva a partir dos 
hospitais de grande porte 
 Objetivos 
Essa estratégia é feita a partir do Programa Anual de Rees-
truturação da Assistência Hospitalar no SUS (PRH), que foi apro-
vado pelo Ministério da Saúde em 2004, e promove a redução 
progressiva e pactuada dos leitos a partir dos macro-hospitais 
(acima de 600 leitos) e hospitais de grande porte (240 a 600 
leitos) sem garantir a desassistência aos usuários. 
 
 Como funciona 
São componentes fundamentais do programa de redução de 
leitos: 
• Programa de redução do peso assistencial dos hospitais 
psiquiátricos de maior porte aqueles hospitais que 
efetivam a redução de leitos, reduzindo seu porte, e qua-
lificam o atendimento prestado verificado pelo 
PNASH/Psiquiatria, recebem incentivos financeiros atra-
vés de novos valores de diárias hospitalares; 
• Pactuação entre gestores do SUS (municipais, estaduais 
e federais), prestadores de serviços e controle social 
para garantir a não desassistência esse pacto vai 
garantir que os recursos, antes destinados aos hospitais, 
sejam direcionados aos equipamentos da Reforma Psiqui-
átrica, como os CAPS, Residências Terapêuticas, ambula-
tórios, atenção básica entre outros, fomentando a rein-
serção social das pessoas com longa história de interna-
ção e a implementação de ações especificas para essa 
clientela. 
Os leitos são desativados seguindo os seguintes critérios, se-
guindo um limite máximo e mínimo de redução anual de leitos para 
cada classe de hospital: 
• Hospitais com mais de 200 leitos: até 40 leitos anuais; 
• Hospitais entre 320 e 440 leitos: até 80 leitos anuais; 
• Hospitais com mais de 440 leitos: até 120 leitos anuais. 
Para que o hospital sofra essa redução sem provocar a de-
sassistência da população onde o mesmo ainda possui um grande 
peso na assistência das pessoas com transtornos mentais, os ges-
tores devem incluir o aumento progressivo de equipamentos volta-
dos a desinstitucionalização, como os CAPS, Residências Terapêuti-
cas, Centros de Convivência e o cadastro do município ao Programa 
de Volta para Casa. 
 
 Manicômios judiciários: um desafio para a re-
forma 
Esses hospitais não são geridos pelos SUS, portanto não são 
submetidos às normas gerais de funcionamento do SUS, ao 
PNASH/Psiquiatria ou ao PRH e, assim, são locais onde há frequen-
tes denúncias de maus tratos e óbitos. 
 
 Como funcionam 
No ordenamento jurídico brasileiro, pessoas com transtornos 
mentais que cometem algum tipo de delito são classificadas como 
inimputáveis, ou seja, são isentas de penas. Sendo assim, essas 
pessoas são submetidas pela justiça a uma espécie de tratamento 
compulsório como medida de segurança, ficando isoladas e, tendo 
como consequência, uma segregação perpetua ou por um longo 
período. 
 
 Como pode ocorrer a mudança 
Através de uma reavaliação dos conceitos de inimputabilidade, 
medida de segurança e periculosidade e a busca da superação do 
modelo de tratamento/custódia por meio de uma articulação entre 
osatores da saúde e da justiça. O Ministério da Saúde vem apoi-
ando experiências que buscam tratar essas pessoas fora desses 
manicômios, na rede SUS extra-hospitalar, especialmente nos 
CAPS. 
 
 Desafio 
Os Hospitais de Custódia e Tratamento, ou Manicômios Judiciários, 
são hospitais geridos pela esfera estadual para atender pessoas com 
algum transtorno mental que cometem algum tipo de delito (crime ou 
infração) e ficam sob custódia do Estado. 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
Os maiores desafios da superação dessa prática estão na 
própria rede de atenção extra-hospital, nas comunidades de ori-
gem do paciente e nos órgãos de justiça que, quase sempre, insis-
tem na reinternação do paciente mesmo não havendo um novo 
delito. 
 
3. A rede de cuidados na comunidade 
O princípio de controle social do SUS promove o protagonismo 
e a autonomia do usuário dos serviços na gestão dos processos de 
trabalho no campo da saúde pública e os Conselhos e Conferências 
desempenham um papel fundamental na conformação do SUS, no 
ordenamento dos serviços e ações no direcionamento dos recur-
sos, tendo as Conferências Nacionais de Saúde Mental, em especial 
III Conferência Nacional de Saúde Mental de 2001, um papel fun-
damental na consolidação da Reforma Psiquiátrica como política do 
SUS e na conformação de uma rede articulada e comunitária para 
pessoas com transtornos mentais. 
Podemos “dividir” em: 
CAPS, Residências terapêuticas, Centros de convivência, Am-
bulatórios de Saúde Mental e Hospitais gerais. 
 Essencialmente públicos, de base municipal 
Conselhos municipais, estaduais e nacionais de saúde e confe-
rências de saúde mental 
 Tem participação dos trabalhadores, usuários de saúde 
mental e seus familiares nos processos de gestão do SUS 
 
 Rede e território 
A rede de atenção à saúde mental do SUS define-se como de 
base comunitária, e uma rede comunitária de cuidados é funda-
mental para a consolidação da Reforma Psiquiátrica. Então, é im-
portante para a construção dessa rede a presença de um movi-
mento permanente, voltado para outros espaços da cidade (ou 
seja, uma articulação entre diversos equipamentos da cidade e não 
apenas equipamentos de saúde) para buscar a emancipação, auto-
nomia e cidadania das pessoas com transtornos mentais. 
Para a organização dessa rede, é utilizada como norte a noção 
e o conceito de território, pois trabalhar no território significa res-
gatar todos os saberes e potencialidades dos recursos da comuni-
dade, construindo coletivamente as soluções, a multiplicidade de 
trocas entre as pessoas e os cuidados em saúde mental. 
É a ideia do território, como organizador da rede de atenção 
à saúde mental, que deve orientar as ações de todos os seus equi-
pamentos. 
 
 O papel estratégico do CAPS 
 Funções do CAPS 
Eles têm um valor estratégico na Reforma Psiquiátrica pois é 
o surgimento desses serviços que passam a demonstrar a possi-
bilidade de uma rede SUBSTITUTIVA (e não complementar) ao Hos-
pital Psiquiátrico. 
Cabe ao CAPS o acolhimento e a atenção às pessoas com 
transtornos mentais graves e persistentes, procurando preser-
var e fortalecer os laços socias do usuário em seu território. Sendo 
assim, é função do CAPS: 
• Prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, 
evitando internações em hospitais; 
• Promover a inserção social das pessoas com transtornos 
mentais através do acesso ao trabalho, lazer, exercícios 
dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e 
comunitários; 
• Regular a porta de entrada da rede de assistência à sa-
úde mental na rede básica; 
• Organizar a rede de atenção às pessoas com transtor-
nos mentais no município o CAPS é o articulador es-
tratégico dessa rede e da política de saúde mental num 
determinado território. 
São princípios do SUS: 
- Acesso universal público e gratuito às ações e serviços de saúde; 
- Integralidade das ações, num conjunto articulado e continuo em 
todos os níveis de complexidade do sistema; 
- Equidade da oferta de serviços, sem preconceitos ou privilégios 
de qualquer espécie; 
- Descentralização político-administrativa, com direção única do 
sistema em cada esfera de governo; 
- Controle social das ações, exercido por Conselhos Municipais, Es-
taduais e Nacional de saúde. 
Uma rede se conforma na medida em que são permanentemente 
articuladas outras instituições, associações, cooperativas e variados 
espaços das cidades. 
Território é a designação não apenas de uma área geográfica, mas 
das pessoas, das instituições, das redes e dos cenários nos quais 
se dão a vida comunitária. 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
 Tipos de CAPS 
 
O perfil populacional dos municípios é um dos principais crité-
rios para o planejamento da rede de atenção à saúde mental nas 
cidades e para a implementação do CAPS, porém, o critério popu-
lacional deve ser compreendido apenas como um orientador. 
A posição estratégica dos CAPS como articuladores de rede 
é fundada na promoção da autonomia, já que ela vai articular os 
recursos existentes de variadas redes: sócio sanitárias, jurídicas, 
sociais e educacionais, entre outras. 
 
 Saúde mental na atenção primária: articulação 
com o programa de saúde da família 
 
O Programa Saúde da Família (PSF) foi criado na década de 90 para 
 
 
investir na promoção de saúde da população e na prevenção de 
doenças, e alcançou resultados importantes para saúde coletiva. O 
campo de intervenção de cada equipe da atenção básica é com-
posto pelas pessoas, famílias e suas relações com a comunidade e 
o meio ambiente, e cada equipe do PSF (médico, enfermeiro, auxiliar 
de enfermagem, agente comunitário de saúde) é encarregada pela 
cobertura de até 1.000 famílias, ou cerca de 3.400 pessoas de 
um município ou bairro. 
 A partir dessa proximidade as equipes se apresentam 
como recurso estratégico para enfretamento de pro-
blemas de saúde pública, como agravantes de uso abusivo 
de álcool, drogas e outras formas de sofrimento psíquico. 
TIPO PORTE POPULAÇÃO PROFISSIONAIS CLIENTELA/ ATENDI-
MENTO 
FUNCIONAMENTO ACOMPANHA-
MENTO 
CAPS I Menor porte Municípios entre 
20.000 e 50.000 habi-
tantes 
Equipe mínima de 
9 profissionais (ní-
vel médio e supe-
rior) 
Adultos com transtor-
nos mentais severos e 
persistentes e trans-
tornos decorrentes do 
uso de álcool e outras 
drogas 
5 dias úteis na se-
mana 
Cerca de 240 
pessoas por mês 
CAPS II Médio porte Municípios com mais de 
50.000 habitantes 
Equipe mínima de 
12 profissionais 
(nível médio e su-
perior) 
Adultos com transtor-
nos mentais severos e 
persistentes 
5 dias úteis na se-
mana 
Cerca de 360 
pessoas por mês 
CAPS III Maior porte Municípios com mais de 
200.000 habitantes – 
também presentes nas 
metrópoles (municípios 
com mais de 500.000 
habitantes) 
Equipe mínima de 
16 profissionais 
(nível médio e su-
perior) e equipe 
noturna e de final 
de semana 
Possui no máximo cinco 
leitos para atender a 
população que precise 
de acolhimento noturno 
(internações curtas de 
algumas horas ou no 
máximo 7 dias) 
24 horas todos os 
dias na semana e 
em feriados – ca-
racteriza-se como 
serviços de 
grande complexi-
dade 
Cerca de 450 
pessoas por mês 
CAPSi – Municípios com mais de 
200.000 habitantes 
Equipe mínima de 
11 profissionais (ní-
vel médio e supe-
rior) 
Atendimento de crian-
ças e adolescentes 
com transtornos men-
tais 
5 dias úteis na se-
mana 
Cerca de 180 cri-
anças e adoles-
centes por mês. 
CAPSad – Municípios com mais de 
200.000 habitantes, 
localizados em regiões 
de fronteira ou parte 
da rota de tráfico de 
drogas, ou cenários 
epidemiológicos impor-
tantes 
Equipe mínima de 
13 profissionais 
(nível médio e su-
perior) 
Atendimento de pes-
soas que fazem uso 
prejudicial de álcool e 
outras drogas 
5 dias úteis na se-
manaCerca de 240 
pessoas por mês 
A distribuição espacial do CAPS ainda reflete as desigualdades estruturais entre as regiões brasileiras. Eles vão se diferenciam pelo 
porte, capacidade de atendimento, clientela atendida e se organizam no país de acordo com o perfil populacional dos municípios brasileiros, e 
se diferenciam em: 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
Levando em consideração que toda doença interfere, de 
certa forma, na saúde mental, e que grande parte da população 
com transtornos mentais leves ou severos são atendidos pela 
atenção básica, o Ministério da Saúde vem articulando diretrizes 
que incluam a dimensão subjetiva dos usuários e os problemas mais 
frequentes de saúde mental e construindo nos últimos anos dire-
trizes para que municípios com menos de 20.000 habitantes a 
rede de cuidados em saúde mental estruture-se a partir da aten-
ção básica. 
Nesses municípios, pequenas equipes de saúde mental, que 
podem estar lotadas em ambulatórios ou CAPS de municípios vizi-
nhos, passam a dar apoio matricial às equipes de Atenção Básica. 
Ter uma responsabilidade compartilhada dos casos excluí a lo-
gica dos encaminhamentos pois visa a resolução dos problemas por 
parte da equipe local. Municípios onde existem um CAPS, a logica 
segue a mesma: a equipe do CAPS, junto com membros das equipes 
de outros equipamentos, apoia as equipes da Atenção Básica atra-
vés de ações de supervisão, atendimento em conjunto e especifico 
e capacitação. 
Sempre as equipes matriciais de saúde mental e da atenção 
básica irão compartilhar casos e construir coletivamente estraté-
gias para abordagens de problemas vinculados à violência, abuso de 
álcool e outras drogas, estratégias de redução de danos, fomento 
de ações para diminuição da segregação pela loucura e combate ao 
estigma, e desenvolvimento de ações de mobilização dos recursos 
comunitários para a reabilitação psicossocial. 
 
 A rede de saúde mental para a infância e ado-
lescência 
A partir de 2003 o Ministério da Saúde passou a orientar a 
construção de uma rede destinada a esse público com as diretrizes 
da reforma psiquiátrica. Foi criado o Fórum Nacional de Saúde Men-
tal de Crianças e Adolescentes, que foi um importante instrumento 
para possibilitar a participação da sociedade nas propostas para 
esse campo e na consolidação de políticas para esse público. 
O Fórum é baseado no ECA e, em 2005, ele divulga as pri-
meiras diretrizes para a desinstitucionalização de crianças e ado-
lescentes. Além disso, ele também é eficaz na articulação entre 
outros campos como o CAPSi, que vai ser fundamental para a mu-
dança nos paradigmas de assistência à infância e adolescência. 
 
 
 
4. Saúde Mental e Inclusão Social 
 Programa de inclusão social pelo trabalho 
 Economia Solidaria 
É uma política oficial do Ministério do Trabalho e Emprego con-
tra a exclusão social e econômica direcionada a pessoas por gê-
nero, raça, idade, estilo de vida e instrução e etc. 
No contexto da saúde mental ela surge como aliada na poten-
cialização do trabalho como instrumento de inclusão social a partir 
de 2004 quando se encontra com a Reforma Psiquiátrica. A partir 
deste ano eles passam a se encontrar e dialogar, tendo como de-
safio a reinserção dos egressos de manicômios no mercado de 
trabalho. É a partir desse diálogo permanente que o Programa de 
Inclusão Social pelo Trabalho, direcionado especificamente a pes-
soas com transtornos mentais e transtornos decorrentes do uso 
de álcool e outras drogas, começa a ser delineado 
 
 Programa de Inclusão Social pelo Trabalho 
Em 2004 houve a primeira Oficina Nacional de Experiências 
de Geração de Renda de Usuários de Saúde Mental, que possibilitou 
o primeiro contato com iniciativas de geração de renda em todo o 
país, e a construção das bases para um diálogo produtivo entre as 
políticas de saúde mental e economia solidaria. 
Em 2005 o Ministério da Saúde implementa uma linha espe-
cifica para incentivo financeiro para municípios que desenvolves-
sem atividades de inclusão social pelo trabalho para pessoas com 
transtornos mentais ou transtornos decorrentes de álcool ou ou-
tras drogas. 
É a partir disso que o Programa passa a articular definitiva-
mente a saúde mental e a economia solidaria na discussão sobre a 
inclusão social das pessoas com transtornos mentais. 
 
 Centros de convivência e cultura 
São dispositivos públicos que compõem a rede de atenção 
substitutiva em saúde mental e que oferecem as pessoas com 
transtornos mentais espaços de sociabilidade, produção cultural e 
intervenção na cidade, eles vão ajudar na construção de laços so-
ciais e na inclusão das pessoas com transtornos mentais através 
do oferecimento de espaços que possibilitem a articulação com a 
vida cotidiana e a cultura. Sendo assim, não são equipamentos as-
sistenciais e nem oferecem atendimento médico ou terapêutico. 
Por essas características, a implementação destes centros 
costuma ocorrer somente naqueles municípios que já foram capa-
zes de construir uma resposta pública efetiva para os transtornos 
mentais severos e persistentes, ou seja, ela só faz sentido naque-
las localidades onde a rede SUS substitutiva de atenção à saúde 
mental possui uma cobertura adequada, especialmente nos CAPS. 
 
Matriciamento ou apoio matricial é um novo modo de produzir saúde em que duas ou mais 
equipes, num processo de construção compartilhada criam uma proposta de intervenção 
pedagógico-terapêutica. Essa proposta visa integrar os profissionais da equipe de saúde da 
família com profissionais especialistas de forma que os primeiros tenham um suporte para a 
discussão de casos e intervenções terapêuticas. 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
No atual governo (2018-2022) a estratégia da redução de danos foi 
substituída pela abstinência total de álcool e outras drogas. 
 A participação dos familiares e usuários dos ser-
viços e seu protagonismo 
O processo da Reforma Psiquiátrica é um projeto de hori-
zonte democrático e participativo, então ela tem como protagonis-
tas: gestores do SUS, trabalhadores em saúde e, principalmente, 
usuários e familiares dos CAPS e outros serviços substitutivos. 
Nos anos 90 os usuários e familiares passaram a organizar-
se em associações e passaram a relatar suas vivencias, discutindo 
com equipamentos de saúde e projetando uma discussão no campo 
da Reforma Psiquiátrica, assim eles passam para além do campo 
técnico e adentram também no debate político. A II Conferência 
Nacional de Saúde Mental, realizada em 1992, marca a participação 
expressiva, pela primeira vez, de usuários dos serviços de saúde 
mental e seus familiares. 
Essa participação se dá também no cotidiano dos serviços da 
rede de atenção à saúde mental e militância, nos movimentos so-
cias, na luta por uma sociedade sem manicômios e assim vão ga-
rantindo seus direitos e provocando mudanças nas políticas públi-
cas. 
 
5. A política de álcool e outras drogas 
 Antecedentes: a omissão histórica da saúde pu-
blica 
A saúde pública brasileira não vinha se ocupado devidamente 
ao grave problema associado a prevenção e tratamento de trans-
tornos associados ao consumo de álcool e outras drogas, deixando 
essa questão para instituições de justiça, segurança pública e as-
sociações religiosas. A complexidade do problema contribuiu para a 
ausência do Estado e para alternativas de atenção baseadas no 
modelo medico/psiquiátrico, ou de cunho religioso, que focava ape-
nas na abstinência. As poucas iniciativas governamentais restrin-
giam-se a ambulatórios ou hospitais, em geral vinculados a progra-
mas universitários, ou seja, não havia uma política de alcance naci-
onal. 
As dimensões sociais, psicológicas, econômicas e políticas 
dessa questão não eram consideradas na compreensão global do 
problema e isso acabou na disseminação de uma cultura que associa 
o uso dedrogas à criminalidade, relegando aquele que as usa em 
um plano menos importante. 
Em 2002, em concordância com a III Conferência Nacional de 
Saúde Mental, o Ministério da Saúde implementou o Programa Na-
cional de Atenção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e 
outras Drogas, reconhecendo o problema do uso prejudicial de 
substâncias como importante problema da saúde pública e cons-
truindo uma política pública especifica para a atenção às pessoas 
que fazem uso de álcool ou outras drogas, situada no campo da 
saúde mental, e tendo como estratégia a ampliação do acesso ao 
tratamento, a compreensão integral e dinâmica do problema, a 
promoção dos direitos e a abordagem de redução de danos. 
 
 Organização da rede de atenção 
A necessidade de definições de estratégias específicas fez o 
Ministério da Saúde instituir no SUS o Programa Nacional de Aten-
ção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e Outras Drogas 
em 2002. 
O principal componente dessa rede é o CAPSad e foram ins-
talados em grandes regiões metropolitanas e municípios de fron-
teira, com indicadores epidemiológicos relevantes. Ele é caracteri-
zado por utilizar dos conceitos de território e rede e usa a lógica 
da redução de danos, procurando fazer uma busca ativa e siste-
mática das necessidades a serem atendidas interligando-se, de 
acordo com os princípios da Reforma Psiquiátrica, com o meio cul-
tural e à comunidade. 
Através desse programa, outros componentes da rede são 
incentivados. Assim, são incentivadas ações na atenção primária, 
fazendo articulações com o suporte social (grupos de ajuda e en-
tidades filantrópicas) e uma estrutura de atendimento hospitalar 
de urgência e emergência destinada a usuários de álcool e outras 
drogas. 
 
 Estratégias para redução de danos e riscos as-
sociados ao consumo prejudicial 
 
A redução de danos vai focar na estratégia de diminuir os 
danos causados pelo abuso de álcool e drogas através do resgate 
do usuário para sua auto-regulação, sem precisar da abstinência 
completa imediata. Ela reconhece cada usuário em suas singulari-
dades, traçando com ele estratégias que são voltadas para defesa 
da sua vida. 
São estratégias da redução de danos: 
• Ampliação aos serviços de saúde, especialmente para 
aqueles que não tem contato com o serviço, por meio de 
trabalho de campo; 
• Distribuição de seringas, agulhas, cachimbos e etc afim 
de prevenir infecções como Hepatite B e C e HIV entre 
usuários; 
• Elaboração e distribuição de materiais educativos para 
usuários, afim de informar sobre formas mais seguras 
do uso de álcool e drogas, além das consequências nega-
tivas do uso de substâncias psicoativas; 
• Programas de prevenção de acidentes e violências asso-
ciados ao consumo; 
• Ampliação do número de unidades de tratamento para o 
uso nocivo de álcool e outras drogas. 
Alicia Vitória | Graduanda em Psicologia | @aliciavit_ 
 
6. Principais desafios da Reforma 
Psiquiátrica 
 Acessibilidade e equidade 
Além de ser desafios da reforma, são também do SUS: 
• A quantidade de pessoas que necessita de cuidados con-
tínuos em saúde mental, principalmente transtornos se-
veros e persistentes, faz com que se exija uma rede de 
cuidados densa, diversificada e efetiva; 
• Boa parte da população não sofre de transtornos, po-
rém precisa de outros tipos de cuidado em saúde mental 
(como consulta médico-psicológica, aconselhamento, gru-
pos de orientação e etc); 
• O modelo hospitalocêntrico, por concentrar recursos e 
ter baixa cobertura, é incompatível com a garantia de 
acessibilidade, sendo assim, sem a potencialização da 
rede básica ou atenção primária, respostas efetivas 
para questão da acessibilidade não são desenhadas; 
• Transtornos graves associados ao consumo de álcool e 
outras drogas atingem pelo menos 12%* da população 
acima de 12 anos e a criminalização do consumo agrava 
a vulnerabilidade dos usuários. É necessária uma articula-
ção efetiva entre setores da rede de cuidados, justiça, 
segurança pública, trabalho, educação e ação social. Sem 
essa articulação não é possível um acesso efetivo a pre-
venção e tratamento; 
• A qualidade do atendimento deve ser garantida em todas 
as regiões do país, inclusive aquelas de difícil localidade e 
ela pode ser assegurada através do investimento em 
programas de capacitação, supervisão e formação de 
profissionais. No entanto, o distanciamento entre as ins-
tituições formadoras e saúde pública agrava a carência 
de formação e qualificação dos profissionais. 
 
*até o ano de 2005 
 
 Formação de recursos humanos 
Um dos principais desafios é a superação do paradigma social 
da tutela do louco e da loucura. O processo da Reforma exige for-
mação técnica e teórica dos profissionais, sendo que, muitas vezes, 
eles são desmotivados por baixas remunerações ou contratos de 
trabalho precário, além da dificuldade para o recrutamento de pro-
fissionais para determinadas categorias. 
Para isso o Ministério da Saúde criou em 2002 o Programa 
Permanente de Formação de Recursos Humanos para a Reforma 
Psiquiátrica, que vai incentivar, financiar e apoiar a implantação de 
núcleos de formação em saúde mental para a Reforma através 
de parcerias entre universidades, estado e município. 
 Debate cultural 
O processo da Reforma, principalmente a partir dos anos 
90, foi muito falado e difundido através de intensos debates entre 
especialistas, escolas profissionais e teóricas, familiares, usuários, 
formadores de opinião, meios de comunicação de massa e a popu-
lação em geral. 
Alguns avanços no combate ao estigma foram alcançados 
através dos programas que promovem a inclusão social, a exemplo 
das residências terapêuticas, projetos de geração de renda e ati-
vidades culturais. Além de várias outras atividades vem sendo de-
senvolvidas como teatro, música, artes plásticas, rádio comunitária, 
TV experimental, folclore, literatura e etc. 
 
 Debate cientifico 
A exigência da cientificidade vinda de associações familiares 
fez o Ministério da Saúde associa-se ao CNPq para que centros 
brasileiros de pesquisa tomassem a tarefa de produzir analises 
sobre os novos serviços e novo modelo de atenção.

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