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PEDICULOSE E ESCABIOSE ESCABIOSE É a conhecida sarna. É uma ectoparisitose muito comum, principalmente nos países tropicais por conta do clima, além da maioria ser subdesenvolvida, o que influencia na saúde pública. A sarna acontece muito mais nos animais do que nos humanos, mas ainda assim é bastante comum nos humanos, só é uma manifestação menos gritante em pessoas imunocompetentes. Sarnas de animais podem infectar os seres humanos, mas a maioria da variedade de sarnas de animais não consegue pegar o ser humano. A variedade do ser humano é a Sarcoptes scabiei hominis, que se instala na superfície da pele e causa todo um processo inflamatório, com consequências de infecções bacterianas associadas e pioras no caso de pacientes com sobrecarga imunológica/imunodeprimidos. Geralmente, as manifestações são leves, mas podem ser moderadas e graves em lugares com muita pobreza, carência de infraestrutura, locais como presídios, asilos e quarteis. A sarna ou escabiose é uma doença parasitária contagiosa da pele que ocorre em humanos e em animais (transmite por contato com a pele, compartilhar ambientes com pessoas infectadas). É causada por uma variedade de organismos (ácaros), alguns deles envolvidos na transmissão de agentes microbianos de doenças, outros responsáveis diretamente pela produção de dermatoses e alergias respiratórias. Os ácaros precisam do hospedeiro para sobreviver, então não conseguem ficar muito tempo “soltos”. Esse ectoparasitismo é restrito à pele, esses ácaros não aprofundam. É considerada uma dermatozoonose. A escabiose é uma doença de ampla distribuição geográfica, endêmica em regiões tropicais, causada pelo ácaro ectoparasito obrigatório Sarcoptes scabiei. As epidemias estão associadas a pessoas institucionalizadas em abrigos, quarteis, prisões, creches ou hospitais. Os pacientes imunossuprimidos podem apresentar as formas mais graves. Fatores que influencia infestação: pobreza, baixa higiene pessoal, má nutrição e promiscuidade sexual. Os ácaros são extremamente pequenos e arredondados, sendo a fêmea maior. Eles são do grupo dos carrapatos (primos), da subclasse Acari, subordem Sarcoptiformes, família Sarcoptidae (ácaros escavadores), gênero Sarcoptes, e variedades podem ser: hominis, suis e bovis. Esses ácaros perfuram a pele e formam galerias na superfície. A fêmea vai deixando rastros de ovos nessas galerias, e a família vai nascendo e crescendo nesse túnel feito pela fêmea. Conforme vão crescendo, os ácaros vão fazendo seus próprios túneis e problema vai aumentando. Isso causa a principal manifestação clínica da doença, que é o prurido. O Sarcoptes scabiei é o agente etiológico da escabiose ou sarna sarcóptica, uma doença contagiosa de homens e animais. Animais domésticos infectados podem transmitir para os humanos. Os ácaros adultos perfuram túneis ou galerias na epiderme, principalmente nas mãos, punhos, cotovelos, axilas e virilha. As fêmeas que já copularam penetram na epiderme e começam a fazer os túneis e vão deixando para trás um rastro de ovos. A transmissão é realizada pelo contato direto, até mesmo sexual. Pode ainda ocorrer por contato com animais infectados. Após a fecundação, o ácaro fêmea penetra na epiderme íntegra do hospedeiro e forma túneis, iniciando a postura dos ovos. De 2 a 3 ovos são liberados por dia, originando as ninfas. Esses ácaros não sobrevivem menos de 3 dias longe da pele do hospedeiro. Áreas mais afetadas: região interdigital, região genital, cotovelos, joelhos e região anterior das axilas e tronco. O ácaro condicionado na epiderme apresenta um infiltrado inflamatório ao seu redor, constituído de eosinófilos, linfócitos e macrófagos. Sintomas: intenso prurido após uma semana ou mais do contágio. As lesões são caracterizadas por pápulas, escoriações, vesículas e pústulas. Pode ocorrer associação com infecções bacterianas secundárias causadas por Estafilococos aureus. ATENÇÃO: a presença de escabiose pode indicar maus tratos de crianças, adolescentes e idosos! Vale salientar que o aspecto psicológico influencia muito na evolução da doença. Pessoas deprimidas tendem a apresentar um quadro mais grave. Diagnóstico: clínico e epidemiológico. A confirmação se dá por diagnóstico laboratorial por meio de uma fita gomada e raspagem direta da área infectada para observação em microscópio óptico. A profilaxia é feita por desinfestação de roupas e lençóis e tratamento precoce de pacientes e familiares, se necessário. O tratamento pode ser tópico, como permetrina a 5% (creme), benzoato de benzila a 10-25% (aplicado na pele e repetido 1 semana após) e enxofre em petrolatum. Esses medicamentes têm muita ação contra adultos e ninfas, mas não atingem larvas dentro dos ovos. O tratamento sistêmico é feito com ivermectina em dose única, mas também pode ser necessário usar ATBs para tratar infecções secundárias. O tratamento sistêmico é feito em casos de infecção ampla, com muitas áreas afetadas. O uso de anti-histamínicos é recomendado para controlar o prurido intenso. PEDICULOSE São os famigerados piolhos. São ectoparasitas que apresentam uma especificidade para seus hospedeiros, ou seja, piolho de ser humano só infecta seres humanos. Os piolhos são da ordem Anoplura, que são insetos ápteros (não voam), de corpo achatado dorsoventralmente e hematófagos. São sensíveis a queda de temperatura, não sobrevivendo muito tempo fora do hospedeiro. As populações mais periféricas tendem a ser mais acometidas por esse parasito, e algumas vezes acontecem complicações graves e até mesmo morte causadas pelo piolho. Principais espécies: 1. Pediculus capitis: é o piolho da cabeça, parasita do homem. Causador de pediculose, caracteriza-se por prurido intenso, irritação do couro cabeludo, infecções bacterianas secundárias e queda de cabelo. Os fatores responsáveis pela elevada taxa de infestação são a resistência aos inseticidas, aumento da população humana e fatores de agregação humana. O ovo, conhecido com lêndea, fica aderido ao fio de cabelo. A transmissão é feita pelo contato 2. Pediculus humanus: é o piolho do corpo. Infesta principalmente adultos de faixas populacionais marginalizadas (barba, axilas...). Esse organismo pode transmitir o tifo exantemático (Rickettsia prowazeki), febre das trincheiras (Rochalimaea quintana) e a febre recorrente (Borrelia recurrentis) 3. Phtirus pubis: é conhecido vulgarmente como chato, é parasita da região pubiana do homem. Causa a parasitose denominada ftiríase, e também pode parasitar o bigode e a barba. Causa um prurido intenso e a transmissão é por contato direto, principalmente sexual. Ele é bem menor que os outros tipos de piolhos de humano As medidas de controle dessa pediculose são: uso de produtos químicos como xampus à base de piretroides contra piolhos, evitar contato íntimo entre portadores e pessoas sadias, lavar as roupas com água quente, cortar o cabelo rente ao couro cabeludo e escovar o cabelo com pente fino para soltar as lêndeas. Sintomatologia: prurido, irritação do couro cabeludo, da pele do tronco ou da região genital, desenvolvimento de infecção bacteriana ou fúngica. Pediculose de longa duração leva ao escurecimento e espessamento da pele, condição denominada moléstia dos vagabundos. Na pediculose não tratada, os fios de cabelo ficam grudados pelo exsudato liberado das lesões, com estabelecimento de fungos e odor fétido. Manifestações clínicas: dermatite atópica, linfadenopatia e alopecia. Em crianças com deficiência nutricional, pode levar à anemia ferropriva. Tratamento: loção (xampu) ou creme de permetrina a 1%, xampu de deltametrina 0,02%, loção de malation 0,5%, xampu à base de benzoado de benzila 25% e ivermectina.