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1 República do Café II Aula 17 5C História Como foi o governo Rodrigues Alves (1902-1906)? Rodrigues Alves, paulista e representante dos interesses dos cafeicultores, assumiu a presidência com a “casa” em or- dem. As finanças estavam equilibradas, graças aos esforços de Campos Sales, e a máquina política devidamente azeita- da, em face dos arranjos da Política dos Governadores. Uma das maiores preocupações do novo presidente era restaurar a Capital da República, o Rio de Janeiro. Era preciso transformar a capital em um cartão postal do país, dando-lhe um revestimento à altura dos novos tempos, ou seja, europeizando-a. O Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX era como um bolo ao qual se adicionara fer- mento demais: crescera para todos os lados, desor- denadamente. E, nesta balbúrdia, sofriam todos. Os mais prejudicados, no entanto, eram os pobres trabalhadores. Com um sistema de transporte pre- cário, a solução mais comum para não perder as poucas oportunidades de trabalho, quase todas concentradas nas áreas centrais da cidade, era pro- curar habitação ao longo das ruas do coração da cidade. Ali, milhares e milhares de homens e mu- lheres disputavam, ombro a ombro, a parca, min- guada oportunidade de continuar vivendo. MEDEIROS, Daniel H. de. História e interação. Curitiba: Módulo, 1999. v. 4, p. 34 Cortiços onde se espremiam milhares de pessoas no centro do Rio. Ar qu iv o Ge ra l d a Ci da de d o Ri o de Ja ne iro , R io d e Ja ne iro As doenças, como varíola, peste bubônica e febre amarela, deixavam um rastro de morte que ia à casa dos milhares. As condições higiênicas da cidade eram precárias. Entre os imigrantes chegados ao Rio, calcula- -se que quatro quintos em pouco tempo sucum- biram à febre amarela. (...) E se no verão o porto e a cidade eram assolados pela febre amarela, no inverno havia a varíola (3 566 mortes em 1904). E ainda mais: além da cólera, a multiplicação de ratos ameaçava frequentemente com surtos de peste bubônica. COLEÇÃO Nosso Século. São Paulo: Abril Cultural, 1985. v. VI, p. 42 As doenças assolavam a capital do país. F un da çã o O sw al do C ru z/ Ca sa d e O sw al do C ru z, Ri o de Ja ne iro O Presidente entregou a tarefa da reurbanização ao prefeito Pereira Passos. O saneamento ficou por conta do sanitarista Osvaldo Cruz. Pereira Passos promoveu uma verdadeira “revolução” no centro da cidade, derrubando centenas de prédios e abrindo largas e arejadas avenidas. Além disso, foram 2 Extensivo Terceirão baixadas rigorosas normas de trânsito e de comércio no novo centro da cidade. Também o porto foi ampliado, devolvendo ao Rio a condição de porta de entrada e cartão de visitas do país. Elite e setores da classe média exultaram. Nem todos, porém, festejaram essas mudanças. A população pobre, que se viu forçosamente deslocada para a periferia, longe do trabalho, alijada da “nova cidade”, não demonstrou tanto entusiasmo. Não se pode esquecer que a política econômica de recuperação das finanças de Cam- pos Sales passava por atitudes que atingiam diretamente o dia a dia do trabalhador, ampliando o descontentamento. O Rio de Janeiro ficou lindo. Ar qu iv o Ge or ge E rm ak of f, Ri o de Ja ne iro Inauguração da fonte do Jardim da Glória, 1906. Ar qu iv o Ge ra l d a Ci da de d o Ri o de Ja ne iro , R io d e Ja ne iro Saiba também que não haviam ainda sido paci- ficadas todas as divergências políticas da Repúbli- ca: florianistas – conhecidos como jacobinos – e monarquistas aproveitaram-se de todo e qualquer tumulto para tentar desestabilizar o governo, aju- dando assim a aumentar a tensão na cidade. Enfim, a “cidade maravilhosa” escondia, por trás de suas realizações majestosas, um quadro de crise que esperava apenas um bom motivo para se manifestar com toda a força. O motivo foi a Campanha da Vacinação Obrigatória, realizada por Osvaldo Cruz para acabar com mais um surto de varíola na cidade. Por mais que a vacinação fosse conhecida no Brasil e tivesse dado resultados em outros países, a truculência com que o projeto foi executado, sem uma maior campanha de esclarecimento público, gerou uma revolta que balançou os alicerces do governo. No dia 10 de novembro, o descontentamento popular explodiu numa revolução. Por mais de uma semana, as ruas centrais da Capital Federal encheram-se de barricadas. Bondes foram incen- diados, lojas foram depredadas e saqueadas e postes de iluminação foram destruídos. E a Esco- la Militar da Praia Vermelha aliou-se ao povo (...) Os alunos saíram à rua, enquanto o prédio [da escola Militar] era bombardeado por navios fiéis ao governo. Morreram centenas de pessoas (...) COLEÇÃO Nosso Século. São Paulo: Abril Cultural, 1985. v. II, p. 54. Milhares de pessoas foram presas e tantas outras de- portadas para o Acre. A intervenção “feroz” do governo conteve a manifestação, mas não mudou a lição mais importante da Revolta da Vacina: a existência clara de dois Brasis, um de costas para o outro. Fu nd aç ão C as a de R ui B ar bo sa , R io d e Ja ne iro Charges da época revelam a oposição a Osvaldo Cruz. Ac er vo Ic on og ra ph ia Charge de Osvaldo Cruz Aula 17 3História 5C Raul Pederneiras. O Malho. 28.05.1904. Charge de 1904 mostra uma família desalojada pela “moderni- zação” do Rio. Dois outros importantes fatos marcaram o governo Rodrigues Alves: • A Questão Diplomática do Acre Com seus 143 mil quilômetros quadrados, o atual estado do Acre fazia parte do território boliviano, em- bora suas fronteiras com o Brasil nunca tivessem sido rigorosamente estabelecidas. A disputa pela região, no entanto, não envolveu ape- nas o “apetite” territorial do governo brasileiro. No final do século XIX, ocorreu, na região, o “boom” da borracha. A descoberta do processo de vulcanização do látex e a expansão da indústria automobilística tornaram este produto, abundante no Vale Amazônico, fonte de riquezas e disputas. Houve, em face disso, uma forte migração para o lugar, particularmente de cearenses fugidos das fortes secas. © Sh ut te rs to ck /F ili pe F ra za o Produção de borracha natural Em 1900, o governo americano firmou um acordo de exploração da borracha com a Bolívia, e uma empresa anglo-americana – a Bolivian Sindicate – recebeu uma concessão para se instalar no Acre. O governo boliviano pressionou os brasileiros que estavam alojados na região a abandonarem o território. Houve resistência. Os migrantes, sob a liderança do gaúcho Plácido de Castro, levantaram-se em armas e, adotando táticas de guerrilha, colocaram em xeque a dominação boliviana. Enquanto a luta prosseguia, o Barão do Rio Branco procurava resolver a questão diplomaticamente. Em 1903, foi acertado um acordo, por meio do Trata- do de Petrópolis. Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 8ª. edição. Rio de Janeiro, 2018. Adaptação. Ta lit a Ka th y Bo ra Questão do Acre M oz ar t. 20 08 . D ig ita l. O Barão do Rio Branco foi o mais longe- vo Ministro das Relações Exteriores da República e figura central na solução de importantes questões diplomáticas. Por este tratado, o Brasil se comprometia a pagar a quantia de 2 milhões de libras esterlinas pelo território do Acre, além de construir a estrada de ferro Madeira- -Mamoré. A companhia americana Bolivian Sindicate foi também indenizada. A construção da Madeira-Mamoré foi levada a cabo por uma empresa norte-americana. Os ata- ques dos índios e principalmente as doenças tropi- cais ceifaram a vida de milhares de trabalhadores. Inaugurada em 1911, a “estrada da morte”, como fi- cou conhecida, perdeu importância com o declínio da borracha – preterida pela produção da Malásia e do Ceilão –, já na segunda década do nosso século. 4 Extensivo Terceirão • O Convênio de Taubaté No final do seu governo, Rodrigues Alves enfrentou a primeira crise de superprodução de café. Alarmadoscom a situação, os produtores de São Paulo, Rio de Janei- ro e Minas Gerais reuniram-se em Taubaté, para discutir o que fazer. O preço do café caía à medida que sua produ- ção aumentava. Entre 1891 e 1900, a exportação de cerca de 74 milhões de sacas gerou uma receita de mais de 4,5 milhões de contos de réis. Já entre 1901 e 1910, embora a exportação fosse de mais de 130 milhões de sacas, a receita não ultrapas- sou os 4,2 milhões de contos de réis! MEDEIROS, Daniel H. de. História e interação. Curitiba: Módulo, 1999. v. 2, p. 145. Decidiram os cafeicultores que os governos estaduais interessados deveriam contrair empréstimos no exterior para adquirir parte da produção que excedia o consumo do mercado internacional. Desta forma, a oferta ficaria regulada e o preço poderia se manter. O governo federal garantia os empréstimos e seriam formados estoques de café com o excedente. Não é necessário dizer quem arcou com o ônus des- se aumento de despesas. Os jornais da época ironizaram o acordo com a seguinte expressão: A socialização dos prejuízos! Em 1906, seguindo o acordo da política do café com leite, foi eleito o mineiro Afonso Pena. Que fatos marcaram o governo de Afonso Pena (1906-1909)? Procurando fortalecer o poder central e diminuir a influência das oligarquias estaduais, Afonso Pena orga- nizou um ministério formado por jovens políticos, de- nominado de Jardim de Infância. Também no Congresso buscou aliar-se às novas lideranças, como o jovem Carlos Peixoto, de apenas 24 anos, que se tornou presidente da Câmara. Seu governo foi marcado por medidas de proteção ao café, estímulo à imigração, melhoria da rede ferroviária e apoio às forças armadas, que procurou moderni- zar e aparelhar, reorganizando os batalhões que existiam no país e incrementando o ensino militar. Em 1906, em Paris, Santos Dumont encantou o mun- do com o seu 14-Bis. Iniciava-se a era do “mais pesado que o ar”. © W ik im ed ia C om m on s 14 BIS Em 1907, Rui Barbosa participou da Conferência de Paz em Haia, com grande destaque, fato que o lançou novamente no “mapa” político nacional. Em 1909, Afonso Pena morreu. Assumiu o vice, o carioca Nilo Peçanha. Como foi a crise sucessória que marcou o governo Nilo Peçanha (1909-1910)? O curto governo de Nilo Peçanha não permitiu maiores ações administrativas. Ressalte-se, no entanto, a criação do Ministério da Agricultura e do Serviço de Proteção ao Índio, pelo então tenente-coronel Cândido Rondon, responsável por incorporar por meio de linhas telegráficas a vastidão amazônica ao resto do país. O principal aspecto do curto governo de Nilo Peçanha foi a crise política. Afonso Pena havia se envolvido em uma tumultuada tentativa de escolha de um candidato para a sua sucessão. Lançara inicialmente o nome do mineiro João Pinheiro, mas ele veio a falecer. Apresentou então o nome de seu ministro da Fazenda, David Capistrano, mas importantes líderes de Minas Gerais se opuseram a ele. Em uma manobra de bastidores bastante ousada, o poderoso senador gaúcho Pinheiro Machado, presidente da Comissão Verificadora de Poderes, lançou a candida- tura do militar gaúcho Hermes da Fonseca, Ministro da Guerra de Afonso Pena. Hermes era sobrinho do primeiro presidente do Brasil, Deodoro, e era visto pelos militares e setores da classe média como um novo Floriano Peixoto, único capaz de moralizar o país. Santos Dumont M us eu C as a de S an to s D um m on t/ Fo tó gr af o de sc on he ci do Aula 17 5História 5C Fu nd aç ão B ib lio te ca N ac io na l, Ri o de Ja ne iro Ac er vo Ic on og ra ph ia Pinheiro Machado e Hermes da Fonseca Curioso é que, apesar dessa imagem que inspirava enlevos moralizadores, o marechal era apoiado pelo que havia de mais conservador e elitista: os fazendeiros mineiros, várias oligarquias do Norte e Nordeste e ainda o chefe da máquina eleitoral, Pinheiro Machado. Afonso Pena se opôs a essa candidatura, mas ficou isolado. Deprimido, faleceu pouco tempo depois. O vice, Nilo Peçanha, tornou Her- mes da Fonseca candidato oficial. Insatisfeito com o rumo dos acontecimentos e alegando o acentuado teor militarista da campanha de Hermes, Rui Barbosa lançou a própria candidatura e iniciou a chamada Campanha Civilista. São Paulo, que havia fi- cado isolado no processo, apoiou a candidatura Rui e buscou garantir seu espaço político. Mas o apoio não foi consensual. Rompeu-se, pela primeira vez, a política do café com leite. As no- vas candidaturas, no entanto, não propuseram, em suas plataformas, mudanças muito substanciais, apesar de Rui Barbosa, ao buscar o apoio dos setores médios urbanos, ter proferido discursos pregando a moralização política e a reforma eleitoral, com a inclusão do voto secreto. Na hora da decisão, porém, valeram as forças dos arranjos eleitorais tradicionais. Venceu o candidato que controlava a maior parte da máquina, ou seja, Hermes da Fonseca. Em 1910, foi empossado o novo governo. Fu nd aç ão C as a de R ui B ar bo sa , R io d e Ja ne iro Rui Barbosa 6 Extensivo Terceirão Testes Assimilação 17.01. (FUVEST – SP) – Décio Villares, A República (Museu Republicano, RJ, ca 1900) Produzida no contexto da implantação da ordem republicana no Brasil, esta imagem a) caracteriza representação cívica inspirada na Revolução Francesa, adequada ao projeto democrático estabelecido pelos republicanos brasileiros. b) faz uso alegórico de um tema clássico para expressar o repúdio à exclusão da participação feminina nas institui- ções políticas do Império. c) é uma alegoria da liberdade, da pátria e da nação, que con- trasta com os limites da cidadania na nova ordem brasileira. d) emprega símbolo católico como estratégia para obter a adesão da Igreja e diminuir a animosidade dos movimen- tos messiânicos. e) é expressão artística do projeto positivista de divulgar uma concepção da sociedade brasileira sintonizada com os ideais de eugenia. 17.02. (UECE) – Durante o período da República Velha no Brasil (1889-1930), uma prática que garantia os resultados eleitorais favoráveis aos candidatos que contavam com o apoio dos governantes era conhecida como a) Comissão de Verificação de Poderes, que garantia a eleição dos candidatos apoiados pela política dos governadores, através da ‘degola’ dos políticos opositores. b) Embargo de Candidatura, processo movido nos Tribunais Regionais Eleitorais que impedia a inscrição de chapas formadas por adversários políticos do governo. c) Voto de Cabresto, que era o domínio do voto dos operários e trabalhadores urbanos em geral através do controle das forças sindicais pelo Estado. d) Bipartidarismo, sistema que admitia apenas a existência de dois partidos políticos, um representante do governo, a ARENA e outro a oposição permitida, o MDB. 17.03. (UDESC) – Assinale (V) para as proposições que apresentam práticas políticas que caracterizaram o início da república, no Brasil, e (F) para as que não apresentam tais práticas. ( ) Coronelismo: sistema político baseado em acordos, em troca de favores e reconhecimentos. ( ) Mandonismo: consolidação do poder nas mãos das elites, que governavam graças às riquezas as quais controlavam. ( ) Clientelismo: Estratégia de cooptação de determina- dos segmentos sociais por meio da utilização de recur- sos pertencentes ao Estado. Assinale a alternativa correta, de cima para baixo. a) V – F – F d) F – V – F b) F – F – F e) F – F – V c) V – V – V 17.04. (UNESP – SP) – Entre as manifestações místicas presentes no Nordeste brasileiro no final do Império e nas primeiras décadas da República, identificam-se a) as pregações do Padre Ibiapina, relacionadas à defesa do protestantismo calvinista, e a literatura de cordel, que cantava os mitos e as lendas da região. b) o cangaço, que realizava saques a armazéns para roubar alimentos e distribuí-los aos famintos, e o coronelismo, com suaspráticas assistencialistas. c) a liderança do Padre Cícero, vinculada à dinâmica política tradicional da região, e o movimento de Canudos, com características de contestação social. d) a peregrinação de multidões a Juazeiro do Norte, para pedir graças aos padres milagreiros, e a liderança mes- siânica do fazendeiro pernambucano Delmiro Gouveia. e) a ação catequizadora de padres e bispos ligados à Igreja católica e a atuação do líder José Maria, que comandou a resistência na região do Contestado. Aperfeiçoamento 17.05. (UECE) – Iniciada em 3 de outubro de 1930, a chamada Revolução de 1930 transformaria o Brasil a partir dessa data. Sobre esse movimento, fundamental para que se tenha uma melhor compreensão do Brasil no século XX, é correto afirmar que a) se deu como uma ruptura do acordo das oligarquias de São Paulo e Rio Grande do Sul, chamado política do café com leite; a partir daí, o governador gaúcho Getúlio Vargas liderou a tomada de poder contra o governo do paulista Washington Luís. b) a indicação de João Pessoa para ser candidato a presiden- te, apoiado pelos paulistas, levou à ruptura do acordo das oligarquias e lançou gaúchos, mineiros e paraibanos em luta armada contra o governo de Washington Luís. Aula 17 7História 5C c) além da ruptura entre paulistas e mineiros, devido à indicação de Júlio Prestes pelos paulistas e sua vitória na campanha presidencial, havia insatisfação com o governo por parte dos tenentes e da população empobrecida pelos efeitos econômicos da crise de 1929. d) apesar de a Revolução de 1930 ter marcado a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, esse governo durou pouco tem- po, pois, não resistindo às pressões do cargo, o presidente cometeu suicídio após três anos e sete meses de governo. 17.06. (MACK – SP) – Cabo de enxada engrossa as mãos... Caneta e lápis são ferramentas muito delicadas(...). Ler o quê? Escrever o quê? Mas agora é preciso, a elei- ção vem aí e o alistamento rende a estima do patrão e a gente vira pessoa. Mário Palmério – Vila dos Confins O texto lembra o contexto político característico da República Velha, cujas origens, em parte, podem ser atribuídas, a) ao sistema eleitoral, baseado no voto censitário, usual- mente praticado desde os tempos do Império; b) ao domínio político das oligarquias e ao controle que elas exerciam sobre as massas rurais e urbanas que delas dependiam economicamente; c) ao Tenentismo, que apoiava o fisiologismo e a política de troca de favores instalada pelo regime oligárquico; d) a uma política sempre pacífica praticada pelos coronéis, que angariavam sólido apoio nas massas rurais; e) ao caráter não elitista do processo político, que atendia às reivindicações populares, ampliando a organização e a mobilização que elas tinham. 17.07. (IFPE) – TEXTO 1 LEI Nº 1.261, DE 31 DE OUTUBRO DE 1904 O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil: Faço saber que o Congresso Nacional decretou e eu sancciono a lei seguinte: Art. 1º. A vaccinação e revaccinação contra a vario- la são obrigatorias em toda a Republica. [...] Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1900-1909/ lei-1261-31-outubro-1904-584180-publicacaooriginal-106938-pl.html>. Acesso em: 08 maio 2019 (ortografia original). TEXTO 2 [...] “O sr. dr. Oswaldo Cruz, director da Saúde Pública, ordenou que fossem submetidos a vaccinação todos os empregados da Saúde Pública, em número de trezentos. Parte dos empregados assumiu attitude hostil, declarando não se submetter à vaccinação. À vista disso, o dr. Oswaldo Cruz pediu providências à polícia, que logo compareceu ao local. A maioria dos empregados já se havia retirado, quando chegou a for- ça. Poucos se submetteram à vaccinação.” [...] Disponível em: <https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,estadao-mos- trou-disputas-politicas-que-insuflaram-a-revolta-da-vacina,12690,0.htm>. Acesso em: 08 maio 2019 (ortografia original). Os eventos descritos nos textos 1 e 2 culminaram com a chama- da Revolta da Vacina, ocorrida no Rio Janeiro, quando ainda era capital do Brasil, no início do século XX. A lei imposta pelo gover- no, contida no texto 1, e as atitudes tomadas pelos empregados da Saúde Pública, presentes no texto 2, são, respectivamente, a) um ato constitucional e uma guerrilha urbana. b) uma obra civilizatória e uma revolta confessional. c) uma ação higienista e uma prática de desobediência civil. d) uma política modernizadora e uma luta por direitos trabalhistas. e) uma atuação sanitária e uma organização de represen- tação classista. 17.08. (CEFET – MG) – Nas três primeiras décadas da república, o Brasil era um país tipicamente agrário. Calcula-se que cerca de 70% da população habitava o campo nesse período. A maioria dos trabalhadores não era proprietária de terra ou vivia da pequena lavoura de subsistência, não tendo acesso à assistência médica e à educação. Esse cenário desfavorável contribuiu de for- ma significativa para a eclosão de agitações sociais que ocorreram na zona rural durante a Primeira República. (BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo: Moderna, 2013. V. 3: Do avanço imperialista no século XIX aos dias atuais, cap.2: O Brasil na Primeira República, p. 29.) São exemplos de movimentos sociais rurais no período citado: a) Guerra de Canudos e Cangaço. b) Revolta Federalista e Revolta da Vacina. c) Ligas Camponesas e Revolta da Armada. d) Guerra do Contestado e Revolta da Chibata. 17.09. (PUC – RJ) – “Em que pese os centralistas, o ver- dadeiro público que forma a opinião e imprime direção ao sentimento nacional é o que está nos Estados. É de lá que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam, agitadas, as ruas da Capital Federal.” CAMPOS SALLES, Manuel Ferraz de. Da propaganda à presidência. Brasília: UNB, 1983, p. 127. Nessa passagem, o presidente Campos Salles (1898-1902) sintetiza a estrutura de funcionamento político formulada em seu governo para a Primeira República brasileira. Sobre essa estrutura, assinale a alternativa correta: a) O comando da política republicana estava exclusivamente nas mãos dos coronéis que controlavam os municípios de acordo com seus interesses particulares. b) A despeito dos acordos políticos inerentes ao pacto oli- gárquico, o livre exercício do voto e a participação eleitoral possibilitavam a constante alternância de poder. c) Os últimos anos foram marcados por diversas tensões e sérios conflitos como a Revolta da Armada e a Revolução Federalista ocorrida no Rio Grande do Sul. d) Os debates e as articulações políticas na Capital Federal foram incentivados, valorizando-se, assim, um dos prin- cípios republicanos fundamentais. e) A concessão de verbas somada às interferências no pro- cesso eleitoral garantiam a perpetuação das oligarquias estaduais e seu apoio à política do governo federal. 8 Extensivo Terceirão 17.10. (UFU – MG) – “Por volta de 1880, os padrões de Haus- smann foram universalmente aclamados como verdadeiro modelo do urbanismo moderno. Como tal, logo passou a ser reproduzido em cidades de crescimento emergente, em todas as partes do mundo, de Santiago a Saigon.” BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: a aventura da moder- nidade. São Paulo: Brasiliense, 1990, p.147. As reformas urbanas foram inspiradas no modelo parisiense a partir de fins do século XIX, influenciando, por exemplo, a inter- venção urbanística do prefeito Pereira Passos no Rio de Janeiro. Sobre tais reformas, é INCORRETO afirmar que a) as intervenções buscavam higienizar as cidades com a instalação de redes de esgoto e de água com o objetivo de prevenir epidemias. b) as ações urbanísticas modernizantes tinham por objetivo deslocar as massas incivilizadas para as periferias citadinas. c) o traçado sinuoso das antigas ruas e avenidas era mantido, visando à preservação das construções de valor histórico. d) o alargamento dasruas e das avenidas buscava ampliar a mobilidade e o controle policialesco, agilizando o des- locamento de tropas. Aprofundamento 17.11. (UFG – GO) – Leia o trecho do romance de Aluízio Azevedo, escrito em 1890. O zumzum chegava ao seu apogeu. A fábrica de massas italianas ali da vizinhança começou a traba- lhar, engrossando o barulho com seu arfar monótono de máquina a vapor. Rompiam das gargantas os fados portugueses e as modinhas brasileiras. “O CORTIÇO”. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004. p. 43. [Adaptado]. O autor consagrou uma visão da cidade do Rio de Janeiro, no momento em que se iniciava o governo republicano. Na Primeira República, o cortiço, como experiência urbana, indicava, a) o afastamento das moradias populares do centro da cidade, projeto das oligarquias republicanas; b) a difusão de valores presentes no mundo da fábrica, como disciplina e solidariedade; c) a ausência de privacidade, aproximando de forma intensa e conflituosa imigrantes e nacionais; d) a valorização das práticas sociais e culturais fundadas no associativismo; e) o abrandamento das tensões raciais entre aqueles que partilhavam o espaço de moradia. 17.12. (MACK – SP) – “Cabo de enxada engrossa as mãos – o laço de couro cru, machado e foice também. Caneta e lápis são ferramentas muito delicadas. A lida é outra: labuta pe- sada, de sol a sol, nos campos e nos currais (...) Ler o quê? Escrever o quê? Mas agora é preciso: a eleição vem aí e o alistamento rende a estima do patrão, a gente vira pessoa”. PALMÉRIO, Mário. Vila dos Confins. Rio de Janeiro: José Olympio Ed., 1989. De acordo com a leitura do texto acima, considere as assertivas a seguir a respeito dos aspectos da República Velha no Brasil. I. O predomínio oligárquico, baseado na troca de favores entre as diversas instâncias do poder, visava, sobretudo, combater os focos de tensão social e oposição política, representados nas diversas formas de organização dos trabalhadores rurais nesse momento. II. A campanha eleitoral, empreendida pelos chefes políticos locais, pretendia atingir, principalmente, os trabalhadores urbanos já alfabetizados e menos embrutecidos pela “la- buta pesada”, uma vez que os da zona rural, intimidados pela violência física, acabavam por votar de acordo com a vontade dos “coronéis”. III. A transformação operada no trabalhador rural, na época das eleições, representava a marca de um sistema político baseado na força dos chefes locais sobre seus subordi- nados, impondo-lhes seus candidatos e dispensando-os, somente nessa ocasião, dos trabalhos que “engrossavam as mãos”. Assinale a assertiva correta. a) I está correta, apenas. b) II está correta, apenas. c) III está correta, apenas. d) I e II estão corretas, apenas. e) I e III estão corretas, apenas. 17.13. (PUC – RJ) – “Tudo delira e todos nós estamos atacados de megalomania. De quando em quando, dá- -nos essa moléstia e nós esquecemos de obras vistas, de utilidade geral e social, para pensar só nesses arremedos parisienses, nessas fachadas e ilusões cenográficas. Não há casas, entretanto, queremos arrasar o morro do Cas- telo, tirando habitação de alguns milhares de pessoas.” “Megalomania”, Lima Barreto De acordo com essa crônica de 1920 sobre o projeto do prefeito Carlos Sampaio para a cidade do Rio de Janeiro, é INCORRETO afirmar que o autor: a) questiona no projeto elementos antidemocráticos e contrários ao princípio da igualdade social, os quais não correspondiam à concepção de República das elites da época. b) critica projetos de reforma urbana que não atendem aos interesses reais da maioria da população e promovem obras de caráter superficial no espaço. c) contesta a pretendida remodelação espacial, dentre outros motivos, pelo aumento da crise habitacional de- corrente da demolição de casas populares. d) combate o arrasamento do morro do Castelo, obra que continuava o processo de expulsão dos trabalhadores do Centro, observado na Reforma Passos. e) discorda da ideia de que o Rio de Janeiro deveria ser uma espécie de Paris tropical – observando-se que, na época, a capital francesa era um centro irradiador de novidades. Aula 17 9História 5C 17.14. (PUCCAMP – SP) – A composição da obra de Gra- ciliano Ramos resulta de um processo rigorosamente seletivo e subordinado essencialmente aos limites da experiência pessoal, notadamente sertaneja. Nos limites da paisagem rural, de estrutura bem característica, o fazendeiro é poderoso e único, por vezes o “coronel”, até que se enfraquece em consequência da desarticu- lação de todo um sistema de mandonismo tradicional, ou consequência de um drama pessoal, que nos parece ainda condicionado de qualquer forma pelo sentimento fatalista do homem regional. Adaptado de: CANDIDO, Antonio e CASTELLO, José Aderaldo. Presença da Lite- ratura Brasileira – Modernismo. 6. ed. Rio de Janeiro-São Paulo: Difel, 1977, p. 290. Durante a Primeira República, era chamado de “coronel”, em geral, o a) proprietário de terras que exercia forte poder local, con- trolando as eleições por meio de estratégias como fraudes e o chamado voto de cabresto. b) mandatário local que chefiava milícias armadas e agia politicamente segundo os interesses republicanos que configuravam a política do café com leite. c) fazendeiro que recebia essa patente dos marechais que se sucederam no poder, Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, incumbido de garantir a ordem social na inexis- tência de uma Guarda Nacional. d) oligarca assim nomeado de acordo com a política dos gover- nadores, cuja função era o apadrinhamento de candidatos para garantir a vitória eleitoral do tenentismo no Sudeste. e) dono de terras situado no sertão nordestino ou no interior do Brasil, regiões então afetadas por intensos conflitos sociais, como o Cangaço e a Farroupilha. 17.15. (PUC – RJ) – Anda o povo acelerado Com horror à palmatória. Por causa dessa lambança da vacina obrigatória (...) Eu não vou nesse arrastão. Sem fazer o meu barulho Os doutores da Ciência Terão mesmo que ir no embrulho. Não embarco na canoa Que a vacina me persegue Vão meter ferro no boi. Ou no diabo que os carregue. “A Vacina Obrigatória”. In “Memória da Pharmácia”, disco Odeon Os versos apresentados se referem ao episódio conhecido como a Revolta da Vacina (Rio de Janeiro, 1904). Sobre este acontecimento, assinale a única afirmativa correta. a) O desconhecimento popular sobre os efeitos da vacina antivariólica, somado à imposição ilegal de sua obriga- toriedade, estimulou a insubordinação de vários grupos sociais, como militares e agentes sanitários. b) A revolta popular correspondeu a uma reação à lei de vacinação obrigatória contra a varíola, decretada pelo governo federal nos quadros da reforma urbana e sani- tária, que então ocorria na capital da República, a cidade do Rio de Janeiro. c) A população carioca rebelou-se contra o médico res- ponsável pela campanha sanitarista, Dr. Oswaldo Cruz, que realizou, além da vacinação obrigatória, a destruição de domicílios populares considerados insalubres – os cortiços. d) Grupos monarquistas contrários à modernização instau- rada pelo governo republicano, na qual se incluíam ações de saneamento da capital federal, iniciaram uma revolta militar, recebendo o apoio de segmentos populares. e) A abertura da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, ocasionou a demolição de diversas moradias populares, estimulando saques e motins e uma revolta de traba- lhadores urbanos que almejava derrubar o governo republicano. 17.16. (CESGRANRIO – RJ) – O governo Rodrigues Alves (1902 - 1906) foi responsável pelos processos de moder- nização e urbanização da Capital Federal – Rio de Janeiro. Coube ao prefeito Pereira Passos a urbanização da cidade e ao Dr. Oswaldo Cruz o saneamento, visando a combater principalmente a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Essa política de urbanização e saneamento público, apesar de necessária e modernizante, encontrouforte oposição junto à população pobre da cidade e à opinião pública porque: a) mudava o perfil da cidade e acabava com os altos índices de mortalidade infantil entre a população pobre; b) transformava o centro da cidade em área exclusivamente comercial e financeira e acabava com os infectos quios- ques; c) desabrigava milhares de famílias, em virtude da desa- propriação de suas residências, e obrigava a vacinação antivariólica; d) provocava o surgimento de novos bairros que receberiam, desde o início, energia elétrica e saneamento básico; e) implantava uma política habitacional e de saúde para as novas áreas de expansão urbana, em harmonia com o programa de ampliação dos transportes coletivos. 17.17. (UEL – PR) – Leia os textos I e II e responda à questão TEXTO I É preciso compreender que a vacinação é um objeto de difícil apreensão. Constituindo-se, na realidade, em um fenômeno de grande complexidade onde se associam e se entrecho- cam crenças e concepções políticas, científicas e cul- turais as mais variadas. A vacinação é também, pelas implicações socioculturais e morais que envolve, a re- sultante de processos históricos nos quais são tecidas múltiplas interações e onde concorrem representações antagônicas sobre o direito coletivo e o direito indivi- dual, sobre as relações entre Estado, sociedade, indiví- duos, empresas e países, sobre o direito à informação, sobre a ética e principalmente sobre a vida e a morte. Adaptado de: PORTO, A.; PONTE, C. F. Vacinas e campanhas: imagens de uma história a ser contada. História, Ciências, Saúde. Manguinhos, vol. 10 (suplemento 2). p. 725-742. 2003. 10 Extensivo Terceirão TEXTO II O Malho. Revista 126. Rio de janeiro, 11 fev. 1905. No Brasil a vacina esteve no centro de um grande embate social no início do século XX, denominado Revolta da Vacina, ilustrado na charge acima. Sobre a Revolta da Vacina, é correto afirmar que foi: a) um movimento cuja base social eram os trabalhadores imigrantes pobres não reconhecidos pelo Estado bra- sileiro como portadores de direitos sociais e, portanto, excluídos da campanha de vacinação em massa proposta por Oswaldo Cruz; b) uma mobilização popular que reivindicava ao governo Rodrigues Alves políticas de saúde pública, em particular o combate a doenças como febre amarela, peste bubônica e varíola; c) deflagrada em razão dos altos custos financeiros dos medicamentos e das vacinas contra a varíola e a febre amarela, então acessíveis apenas às camadas sociais médias urbanas e às elites rurais; d) uma reação das classes populares a um conjunto de medidas sanitárias, entre as quais uma reforma urbana (eliminação de cortiços, construção de ruas e avenidas largas), realizada com truculência por funcionários do governo federal; e) uma iniciativa dos intelectuais positivistas brasileiros para os quais aquelas medidas de saúde pública, voltadas às camadas pobres da população, deveriam ser obrigatórias. 17.18. (UNICAMP – SP) – Em novembro de 1904, data da revolta, o trabalho de demolição das casas para abrir a avenida Central, executado por cerca de 1800 operários, terminara e 16 dos novos edifícios estavam sendo construídos. O eixo central da avenida fora inaugurado em 7 de setembro em meio a grandes festas, já com serviços de bondes e iluminação elétrica. A derrubada de cerca de 640 prédios rasgara, através da parte mais habitada da cidade, um corredor que ia da Prainha ao Passeio Público. Era como abrir o ventre da velha cidade. José Murilo de Carvalho, “Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi”. São Paulo, Companhia das Letras, 1987, p. 93. a) Que revolta, ocorrida no Rio de Janeiro, está mencionada no texto? b) Cite duas razões para a eclosão dessa revolta. c) Quais foram os objetivos da reforma urbana a que o texto se refere? Desafio 17.19. (ALBERT EINSTEIN – SP) – SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Oswaldo Cruz e o sanitarismo. Charge publicada na França em 1911. Disponível em: <http:// observatoriodasauderj.com.br/wp-content/uploads/2016/03/ oswaldo-cruz-x-febrte-amarela-charge.jpg. Acesso: 22/11/2017. Aula 17 11História 5C “Parece propósito firme do governo violentar a população desta capital por todos os meios e modos. Como não bastasse [...]a vacinação obrigatória, entendeu provocar essas arruaças que, há dois dias já, trazem em so- bressalto o povo. Desde ante-ontem que a polícia, numa ridícula exibição de força, provoca os transeuntes, ora os desafiando diretamente, ora agredindo-os, desde logo, com o chanfalho e com a pata de cavalo, ora, enfim, levantando proibições sobre determinadas pontos da cidade.” Correio da Manhã, 12 de novembro de 1904. Disponível em: http://www1.uol.com.br/rionosjornais/rj10.htm Disponível em: <http://portaldasaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/leia-mais-o-ministerio/427-secretaria-svs/ vigilancia-de-a-a-z/febre-amarela/l1-febre-amarela/10771-vacinacao-febre-amarela>. Acesso: 07/11/2017. “Diante de antigas e novas emergências sanitárias, como febre amarela, dengue, zika e chikungunya, é inevitá- vel se questionar por que o Brasil parece patinar no combate ao Aedes aegypti e a doenças por ele transmitidas, a despeito dos êxitos obtidos pelos seus cientistas no início do século passado e dos avanços científicos e tecnoló- gicos que se sucederam desde então. Oswaldo Cruz morreu em 11 de fevereiro de 1917 sem testemunhar o surto [febre amarela] que se abateu sobre a cidade já em 1928. De lá para cá, a história tomou rumos que o sanitarista dificilmente suporia: cem anos após a sua morte, o Rio de Janeiro, já não mais sede do governo federal, vive novamente a apreensão de ter a febre amarela batendo a suas portas. Os paralelos com o passado indicam que o país parece ter ignorado algumas lições que poderia ter aprendido ao longo de sua história.” (FIOCRUZ, Legado, https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/legado, acesso em 15/11/2017 A partir dos textos e das imagens, situe os dois momentos e as respectivas políticas de saúde pública, tendo em vista a relação entre os poderes públicos e a população. 12 Extensivo Terceirão Gabarito 17.01. c 17.02. a 17.03. c 17.04. c 17.05. c 17.06. b 17.07. c 17.08. a 17.09. e 17.10. c 17.11. a 17.12. c 17.13. a 17.14. a 17.15. b 17.16. c 17.17. d 17.18. a) A Revolta da Vacina contra a vacina- ção obrigatória contra a varíola, insti- tuída por Osvaldo Cruz em 1904. b) A ignorância de boa parte da popu- lação quanto aos efeitos da vacina e a insatisfação popular em relação às políticas do governo federal, sobretu- do no Rio de Janeiro. c) A reurbanização e o saneamento da cidade do Rio de Janeiro. 17.19. Em 1905 ocorreu a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro. O presidente Rodrigues Alves, 1902-1906, o prefeito da cida- de do Rio de Janeiro Pereira Passos e o médico sanitarista Oswaldo Cruz foram os responsáveis pela modernização e hi- gienização da capital do Brasil, o Rio de Janeiro. O governo pagava a população para dizimar os ratos, transmissores de doenças, foi instituída a vacina obrigató- ria contra a varíola, uma vez que havia uma epidemia de várias doenças como febre amarela, peste negra, tuberculose, malária, etc. A população ficou indigna- da com a truculência praticada pelos agentes públicos de saúde. Em 1917, o Brasil viveu uma intensa epidemia de febre amarela e o governo lançou uma campanha de vacinação contra a do- ença. O Rio de Janeiro foi o 20º estado da União a receber as doses da vacina contra a febre amarela, epidemia que foi mais intensa nos estados litorâneos. 13História 5C História 5C República do Café III Aula 18 Quais os principais fatos que marcaram o governo Hermes da Fonseca (1910-1914)? Ar qu iv o Ge or ge E rm ak of f, Ri o de Ja ne iro João Cândido, à direita, lê o decreto de anistia. Rio de Janeiro, novembro de 1910. Diante da situação, o Congresso reuniu-se, concedendo uma anistia geral e extinguindo de vez as penas desumanas. Mas nem tudo foramrosas. A anistia durou pouco e vários líderes acabaram presos. Pouco depois, outra revolta na Ilha das Cobras foi duramente reprimida e, desta vez, muitos marinheiros foram fuzilados, enquanto outros pereceram asfixia- dos com cal virgem, jogada na água das masmorras da Ilha das Cobras. João Cândido, que a memória popular guardou como o Almirante Negro, acabou sobrevivendo a esses perigos e castigos, tornando-se um exemplo vivo e atuante das lutas e do descaso das autoridades do período. Revolta da Chibata O Rio de Janeiro foi palco de uma nova revolta que eclodiu na primeira semana do governo do novo presidente: a Revolta da Chibata. Passados mais de 20 anos após o fim da escravidão, os marinheiros bra- sileiros ainda viviam sujeitos a uma pena que havia sido símbolo daqueles tristes tempos: o açoite. Somem-se a isso as péssimas condições de trabalho e de alimentação, o que tornava essa profissão insuportável. Todo esse quadro de maus-tratos e repressão transformou-se em revolta, que eclodiu no dia 22 de novembro de 1910. Cerca de 2 400 marinheiros dos navios Minas Gerais, São Paulo, Barroso e Bahia, liderados pelo cabo João Cândido, ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro, caso o Congresso não aprovasse uma lei abolindo a chibata. © W ik im ed ia C om m on s Revolta da Chibata. Marinheiros do navio Minas Gerais. Ao centro, João Cândido, ao lado de um jornalista. Rio de Janeiro, novembro de 1910. Dizia o manifesto dos rebeldes: Nós, marinheiros cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão da Marinha brasileira (...). Achando-se todos os navios em nosso poder (...) mandamos esta honrada mensagem para que V. Ex a. faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilitam (...) Reformar o código imoral e vergonhoso que nos rege, a fim de que desapareça a chibata, o bolo e outros castigos semelhantes; aumentar o nosso soldo (...) Tem V. Ex a. o prazo de 12 horas para mandar-nos resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada. 14 Extensivo Terceirão Início da Guerra do Contestado Na região contestada pelos estados do Paraná e de Santa Catarina, ocorreu, entre 1912 e 1916, um violento conflito camponês. O palco dessa luta compreendeu uma área de 48 mil quilômetros quadrados, rica em ervais na- tivos, e chamada de “área contestada”, pois era disputada na justiça pelos governos paranaense e catarinense. As razões do conflito ali desenrolado têm grandes semelhanças com a epopeia de Canudos: concentração de terras, miséria, presença de forte religiosidade, vio- lência, repressão. M ar ia ne F él ix R oc ha Contestado (1912 – 1916) Fonte: WACHOWICZ, Ruy C. História do Paraná. 6 ed. Curitiba: Vicentina, 1988. Adaptado. A área mais escura no mapa era disputada pelos governos para- naense e catarinense. Além dos latifúndios – havia pouca gente com muita terra e muita gente sem terra nenhuma –, a presença de companhias estrangeiras na região agravou ainda mais a situação de penúria dos camponeses. Extensas áreas devolutas (pertencentes ao governo) foram cedidas ao americano Percival Farquhar, proprietário da companhia responsável pela construção da estrada de ferro São Paulo – Rio Grande. “Dono” das terras, Percival Farquhar expulsou os camponeses da região. Terminada a estrada de ferro, demitiu os operários que a construíram – cerca de oito mil – e estes ficaram sem ter como retornar aos seus locais de origem. De quebra, Percival adquiriu 180 mil hectares de terras em Santa Catarina, desalojou os sertanejos e cons- truiu uma enorme serraria, comprometendo o trabalho de centenas de pequenos e médios madeireiros, que não podiam concorrer com a empresa. E havia ainda os imigrantes, alojados pelo governo, que lhes cedeu terras, enquanto os sertanejos não tinham onde cair mortos! Sem expectativas e fortemente religiosos, os cam- poneses se agarravam a líderes místicos que, com suas pregações do fim do mundo e com suas promessas de salvação das almas, amealhavam multidões. Existiram vários desses líderes “milenaristas e mes- siânicos”. Foi José Maria D’Agostini, porém, na verdade Miguel Lucena Boaventura (um ex-soldado paranaense) quem atuou como principal agente catalisador do des- contentamento camponês. Em 1912, ocorreu o primeiro confronto entre os camponeses seguidores de José Maria e as tropas do governo. No conflito, morreram José Maria e o chefe das tropas do estado do Paraná, João Gualberto. A notícia chocou as “pessoas de bem” da capital paranaense. A luta contra os camponeses tornou-se, rapidamente, uma ação da “ordem e da civilização” contra “aquele bando de fanáticos e jagunços”. Co le çã o Pa ul o M or et ti Bando de jagunços e fanáticos em demonstração de poder ar- mado e animado por uma dupla de músicos. Nota-se a mistura étnica do grupo. Por sua vez, os camponeses passaram a acreditar na ressurreição de José Maria e, num clima de grande efervescência mística, criaram redutos e passaram a desafiar, com a sua presença próxima às fazendas, os latifundiários e as “autoridades”. O conflito assim se espalhou e se radicalizou. Adotando táticas de guerrilhas e guiados por um in- tenso fervor religioso, os pelados – como passaram a ser denominados os sertanejos – chegaram a controlar uma área de 28 mil quilômetros quadrados. O governo, por sua vez, mobilizou o Exército e até aviões foram usados para tentar localizar os redutos. Hermes da Fonseca decretou estado de sítio para tentar controlar a situação, no entanto o conflito só foi “pacificado” em 1916. Milhares de sertanejos morreram. Aula 18 15História 5C Política das Salvações Como Hermes da Fonseca foi eleito em face de uma cisão da política do café com leite e, portanto, não tinha intimidade com a estrutura que sustentava o andamento político do país, o general-presidente buscou criar, para si, uma base de apoio que viabilizasse o seu governo. Buscou então formar uma aliança com os militares seus amigos, com a população urbana e mesmo com as oligarquias menores. Além de diminuir a influência das oligarquias tradi- cionais, Hermes da Fonseca pretendia também anular a pressão exercida pelo padrinho da sua candidatura, o senador Pinheiro Machado, chefe do Partido Republica- no Conservador. D ED O C, E di to ra A br il, S ão P au lo Inoportuno e perigoso, Pinheiro Machado acabou sendo assassina- do, provavelmente a mando do pre- sidente Venceslau Brás, em 1915. O que o presidente fez foi o seguinte: promoveu intervenções federais em vários estados do Norte e do Nordeste, alegando a prática de corrupção nestes locais, controlados pelos “coronéis”. Foi o que se chamou de Política das Salvações. Tal salvacionismo defenestrou do poder oligarquias, como os Accioli, do Ceará, os Rosa e Silva, de Pernambuco, e os Malta, de Alagoas. A onda de revolta dos “coronéis” foi estupenda. E o governo Hermes acabou balançando, incapaz de segurar a força da reação conservadora. O enfrentamento mais intenso ocorreu no Ceará. Os grupos que apoiavam a família Accioli, liderados por Floro Bartolomeu e pelo chefe religioso Padre Cícero, orga- nizaram uma reação que ficou conhecida como a Sedição de Juazeiro. Essa revolta mobi- lizou milhares de sertanejos, fiéis a Padre Cícero, que os estimulou a avançarem contra as tropas do governo. A fúria dos sertanejos os levou às portas da capital e obrigou a fuga do interventor, o militar Franco Rabelo. Muitos sertanejos encontravam na função de jagunços a maneira de escapar da fome e da miséria. Os jagunços compunham o exército dos “coronéis”, garantindo a estes poder frente aos outros fazendeiros e servindo como elemento de “convencimento” perante as populações do interior. Nem todos os jagunços estavam vinculados diretamente a um coronel. Muitos formavam bandos independentes que aterrorizavam as cidades do interior do Nordeste. Eram os cangaceiros, cujos primeirosbandos surgiram no fim do século XIX. O maior nome do cangaço foi Lampião, que percorreu os sertões entre 1918 e 1938, quando foi morto em uma emboscada. Uma trovinha popular dá o tom adequado ao pensa- mento dos sertanejos em relação a Lampião: Ac er vo A ba fil m Lampião e Maria Bonita Era brabo, era malvado Virgulino, o Lampião Mas era, pra que negá, Nas fibras do coração O mais perfeito retrato Das caatingas do sertão. Em 1914, assume o mineiro Wenceslau Brás. Como foi seu governo? O principal fato que marcou o período de governo de Wenceslau Brás foi a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Na verdade, o Brasil manteve-se neutro neste conflito até 1917, quando, então, em face do afundamento do navio mercante brasileiro Paraná, rompeu relações diplomáticas com o Império Alemão. Em outubro de 1917, o Congresso Nacional declarou guerra aos alemães. © W ik im ed ia C om m on s Padre Cícero 16 Extensivo Terceirão Isto não quer dizer que o Brasil tenha mandado tropas para o front. A participação brasileira consistiu em operações de patrulhamento das águas africanas. Além disso, foi enviada à Europa uma missão mé- dica para contribuir no esforço de guerra e houve o alistamento volun- tário de muitos militares brasileiros que integraram as forças aliadas. A principal consequência desse conflito para o Brasil foi econômica. Em face da interrupção das impor- tações – principalmente inglesas –, por causa do conflito que se desen- rolava furiosamente na Europa, a indústria local precisou compensar essa interrupção no fluxo das im- portações. O resultado foi um novo surto industrial no Brasil, com o crescimento, principalmente, da indústria têxtil e alimentícia. O Estado, preocupado com a manutenção dos privilégios do setor agrário-exportador, não ajudou na consolidação do processo de industrialização, embora muitos cafeicultores tivessem investido no surto industrial com os lucros prove- nientes da venda de suas safras de café. Assim, apesar do im- pulso ocorrido, não podemos dizer que a industrialização do Brasil começou “para valer” nesse período. A presença da atividade indus- trial – apesar dos altos e baixos – já era uma realidade no Brasil desde a segunda metade do século passa- do. O desenvolvimento capitalista melhorou a infraestrutura das ci- dades, ampliou a população urba- na e incrementou um movimento operário. Disseminados por uma grande quantidade de pequenas fábricas, os operários brasileiros das primeiras décadas do século XX sofreram forte influência das ideias anarquistas, trazidas pelos imigrantes italianos e espanhóis: Aí está a origem do movimento operário no país. A mesma massa de imigrantes que trouxe consigo a experiência das fábricas trouxe, também, a memória das lutas sindicais e das ideologias, como o anar- cossindicalismo, que vai influenciar o movimento operário, pelo me- nos até a década de 20. Forjaram-se lideranças, jornais, agremiações, articularam-se greves, ativistas praticaram atos terroristas. A classe operária foi à luta. MEDEIROS, Daniel H. História e interação. Curitiba: Módulo, 1999, v. 2. p. 173. Matarazzo. Fábrica de óleo “Sol Levante” In dú st ria s R eu ni da s F ra nc isc o M at ar az zo , S ão P au lo Em 1906, foi criada a Confederação Operária Brasileira (COB). Em 1912, essa entidade já congregava quase 50 mil associados. Comício na praça da Sé durante a greve geral de 1917, SP. Ac er vo jo rn al A P le be Em 1917, reivindicando melhores condições de trabalho e aumento salarial – e influenciados pelas notícias da Revolução Russa – milhares de trabalhadores em São Paulo, e depois por várias capitais, entraram em greve. Apesar da violenta repressão policial, os grevistas sustentaram o movimento e conseguiram o atendimento de algumas de suas reivindicações: Aula 18 17História 5C O presidente do Estado e o prefeito de São Paulo prometeram, da parte do governo, fis- calizar as condições de trabalho de mulheres e menores, o preço e a qualidade dos gêneros ali- mentícios e libertar os operários presos. Os em- presários concederam 20% de aumento salarial e a promessa de não dispensar grevistas. No dia 15 de julho, em grandes comícios operários no Brás, Lapa e Ipiranga, a massa grevista aceitou o compromisso patronal, a partir da proposta de volta ao trabalho levada pelo Comitê de Defesa Proletária. HARDMAN, Foot; LEONARDI, Victor. História da indústria e do trabalho no Brasil. São Paulo: Ática, 1991. p. 281. Em 1917, foi homologada a chapa Rodrigues Alves – Delfim Moreira, que venceu facilmente a eleição. A política do café com leite mostrava sua força mais uma vez. Porém, a disseminação da gripe espanhola – que vitimou milhões de pessoas em todo o mundo e dezenas de milhares no Brasil – atingiu também o velho político paulista e pela segunda vez eleito presidente que, em janeiro de 1919, faleceu sem assumir o comando do país. Como determinava a Constituição, o vice, Delfim Moreira, marcou novas eleições. Ocorreu então o que ficou conhecido como a Questão Sucessória. Foi o seguinte: Nilo Peçanha, go- vernador do Rio de Janeiro, lançou a candidatura de Rui Barbosa e recebeu considerável apoio. Por sua vez, os oligarcas de São Paulo e Minas não se entenderam sobre o melhor nome para suceder Rodrigues Alves. Estava criado então o cenário para mais uma disputa, como a que se deu entre Hermes da Fonseca e o próprio Rui, em 1910. Desta vez, porém, paulistas e mi- neiros não chegaram a romper. Para evitar uma nova crise na política do café com leite, foi lan- çada a candidatura de consenso do paraibano Epitácio Pessoa. Então, percebam: apesar de paraibano, Epitácio foi o candidato oficial de São Paulo e Minas Gerais. A máquina eleitoral funcionou e Rui Barbosa, mais uma vez, amargou a derrota. Testes Assimilação 18.01. (UECE) – Relacione, corretamente, os movimentos sociais da Primeira República com suas respectivas descrições, nume- rando os parênteses abaixo de acordo com a seguinte indicação: 1. Cangaço 2. Canudos 3. Contestado 4. Revolta da Chibata ( ) Ocorrido no sertão da Bahia, sob liderança de um bea- to cearense, a comunidade por ele organizada foi des- truída após ser atacada pela quarta expedição militar que contava com cerca de 7 mil soldados. ( ) Iniciado no século XIX, esse movimento que durou até a década de 1940 era formado por homens arma- dos que agiam principalmente no nordeste brasileiro; alguns grupos atuavam sob mando dos poderosos e outros eram independentes. ( ) Rebelião dos marinheiros, em sua maioria negros e mestiços, contra os castigos corporais a que eram sub- metidos pelos oficiais, também reivindicavam melho- res salários e folgas semanais. ( ) Movimento liderado por beatos, ocorrido na região Sul do Brasil, e que teve como pano de fundo a disputa por território entre dois estados, o interesse de grandes companhias e o fanatismo religioso. A sequência correta, de cima para baixo, é: a) 3, 1, 2, 4. c) 2, 1, 4, 3. b) 1, 3, 4, 2. d) 4, 3, 1, 2. 18.02. (FMP – RJ) – A respeito das propostas de regulamen- tação sobre o mercado de trabalho, no contexto da Primeira República, o historiador Luiz Werneck Vianna escreveu: Mais tarde, em 1917, quando o parlamento dis- cutir o projeto de Código do Trabalho proposto por Maurício Lacerda, retoma-se a linguagem da ortodo- xia, como no seguinte voto vencedor de Borges de Medeiros: “limitar as horas de trabalho diário de ho- mens e mulheres e vedar a labuta noturna de adultos do sexo feminino é regulamentar o exercício de pro- fissões e violar o artigo 72, parágrafo 24, da Consti- tuição Federal”. VIANNA, L. W. Liberalismo e sindicato no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989, p. 48. De acordo com o texto, a ortodoxia é uma referência à(ao) a) anarcossindicalismo b) liberalismo econômico c) herança escravista d) política desenvolvimentista e) ideologia trabalhista Epitácio Pessoa. Museu da República,GB. M us eu d a Re pú bl ic a/ Fo tó gr af o de sc on he ci do 18 Extensivo Terceirão 18.03. (ESPM – SP) – Cidade de fronteiras abertas. Assim se configurou São Paulo no início deste século: palco que se preparava para ser território sob domínio do capital. Em menos de 30 anos, São Paulo passa de cidade/entreposto comercial de pouca importância no país escravocrata para cidade-vanguarda da produção industrial. De 30 mil habitantes em 1870, São Paulo passará a abrigar em 1907, uma população de 286 mil habitantes. Por outro lado, esta explosão populacional foi acompanhada por enorme crescimento industrial. (Lúcio Kowarick. São Paulo Passado e Presente: as lutas sociais e a cidade) O enorme crescimento industrial mencionado no texto ocor- reu graças a estabelecimentos industriais, em sua maioria: a) navais, metalúrgicos, siderúrgicos e têxteis; b) têxteis, alimentícios, serrarias e cerâmicas; c) bélicos, alimentícios, metalúrgicos e siderúrgicos; d) automobilísticos, metalúrgicos, siderúrgicos e cerâmicas; e) serrarias, cerâmicas, automobilísticos, navais. 18.04. (UERJ) – memoria.bn.br No início da noite de 26 de janeiro de 1893, por ordem do prefeito do Distrito Federal, Cândido Barata Ribeiro, a polícia ocupou o mais célebre dos cortiços cariocas, conhecido como Cabeça de Porco, no centro da cidade. A estalagem, conjunto de casinhas onde viviam de 400 a 2000 pessoas, foi em seguida desocu- pada, sem que se desse aos moradores o tempo neces- sário para recolherem suas coisas. Em poucas horas, foi demolida. Não tardou para que a expressão “cabe- ça de porco” se impusesse como sinônimo de cortiço. Adaptado de projetomemoria.art.br. A ordem de desocupação e demolição do famoso cortiço em 1893, ironizada em capa de revista da época, represen- tou mudanças na ação do então prefeito com relação aos problemas sociais da cidade do Rio de Janeiro. Um desses problemas sociais e o objetivo dessa demolição estão indicados, respectivamente, em: a) deficit escolar – planificação da expansão urbana b) fluxo migratório – integração de novos logradouros c) criminalidade elevada – reordenação da ação repressora d) crescimento demográfico – erradicação de habitações populares Aperfeiçoamento 18.05. (UERJ) – Analise os textos a seguir. Miséria em revolta. Movimento grevista assu- me cada vez maiores proporções. Apresenta-se com aspecto cada vez mais alarman- te o movimento que começou no Cotonifício Crespi e se propagou a outras fábricas em número avultado. Não há como negar a justiça do movimento grevista. São suas causas inegáveis: salários baixos e vida carís- sima. Com elas coincide a época de ouro da indústria, que trabalha como nunca e tem lucros como jamais. Censuram-se as violências dos grevistas. Entretanto, no fundo, não se encontraria uma justificação para essa atitude? Pais de família que vivem sendo explorados pelos patrões, que veem os industriais fazendo-se mi- lionários à custa de seu suor e de sua miséria. Esses pais não podem ter a calma precisa para reclamar dentro de uma lei que não os protege, antes permite que o seu sangue seja sugado por vampiros insaciáveis. O Combate, 12/07/1917. Adaptado de memoria.bn.br. De greve em greve Ao longo da história republicana, vários movimen- tos sociais preferiram interpretação própria da mo- dernização, como expansão de direitos. E agiram para converter ideia em fato. São Paulo viu isso em 1917, quando assistiu a sua primeira greve geral. A cidade parou. Aderiram categorias em cascata, demandantes de melhoras salariais e de condições de trabalho. Ma- nifestantes daquele tempo se parecem mais com os de hoje do que se possa imaginar. A resposta das autori- dades de então também segue a moda. Em 1917, um jovem sapateiro espanhol foi baleado no estômago. Em 2017, um estudante teve a cabeça golpeada com um cassetete. O enterro do sapateiro virou a maior manifestação de protesto que os paulistanos tinham visto até então. Já na greve geral de abril de 2017, 35 milhões de pessoas pararam, segundo os sindicatos. Angela Alonso Adaptado de Folha de São Paulo, 07/05/2017. Aula 18 19História 5C As matérias jornalísticas referem-se a movimentos grevistas ocorridos no Brasil nos anos de 1917 e 2017, apresentando contextos diretamente associados aos conflitos entre capital e trabalho em área urbana. Tendo como base essas matérias, as principais semelhanças entre os dois contextos mencionados se relacionam aos seguintes fatores: a) precarização salarial e ampliação da regulação estatal b) aumento do desemprego e revisão de leis trabalhistas c) repressão policial e relevância das reivindicações popu- lares d) ilegalidade da ação sindical e desqualificação da mão de obra 18.06. (UDESC) – “Na Bruzundanga, como no Brasil, todos os representantes do povo, desde o vereador até o Presi- dente da República, eram eleitos por sufrágio universal, e, lá, como aqui, de há muito que os políticos práticos tinham conseguido quase totalmente eliminar do aparelho eleito- ral esse elemento perturbador – o voto”. (Lima Barreto, Os bruzundangas.) Escrito em 1917, o livro Os bruzundangas corresponde a uma forte sátira da sociedade brasileira. Em relação ao trecho citado, é correto afirmar que Lima Barreto, por meio da ficção, refere-se: a) às lutas populares pelo direito ao voto. b) aos processos políticos que levaram ao fim do Império. c) à participação das mulheres nos processos políticos nacionais. d) às práticas políticas da Primeira República. e) à suspensão das eleições diretas para presidente da Re- pública durante o governo militar. 18.07. (IFBA) – Entre os anos de 1917 e 1919, trabalhadores urbanos de algumas cidades do Brasil proclamaram greves gerais, paralisando boa parte dos trabalhos urbanos. Esses eventos ficaram conhecidos como greves gerais de 1917. Sobre as greves gerais do início da República, podemos dizer que foi: a) Uma reação contra a desregulamentação do trabalho no pós-escravidão. b) A tentativa de partidos políticos, infiltrados entre os tra- balhadores e sindicatos, fazerem uma revolução social. c) Uma luta de influência anarcossindicalistas que, através de bandeiras econômicas e corporativas, evidenciou os limites da resolução das “questões sociais” no Brasil, tor- nando a greve uma insurreição mais do que econômica, corporativa. d) Um ato de solidariedade à Revolução Russa. e) Uma luta de imigrantes italianos, que trouxeram o anar- quismo para o Brasil no pós-Primeira Guerra Mundial, pela cidadania brasileira. 18.08. (FPP – PR) – Nas primeiras décadas do século XX, a utilização da dupla “higiene-eugenia” como promotora da saúde no Brasil foi recorrente no discurso de médicos e educadores. O novo panorama urbano dos grandes centros brasileiros, marcados nesse início de século pelo rápido crescimento e aumento populacional notável, criou uma demanda por soluções de caráter higiênico que permitissem um novo encaminhamento para as questões urbanas e sociais. JANZ JR., Dones Cláudio. O valor da eugenia: eugenia e higienismo no discurso médico curitibano no início do século XX. No início do século XX, no Brasil, a “demanda por soluções de caráter higiênico que permitissem um novo encaminha- mento para as questões urbanas e sociais” foi colocada em prática pelo governo federal em ações como a) a reurbanização da capital nacional com o melhoramento de medidas sanitárias, demolição de cortiços e desloca- mento de trabalhadores para vilas operárias. b) a demolição de cortiços e de alguns morros na cidade do Rio de Janeiro, além de campanhas de conscientização e de vacinação voluntária. c) a reforma da cidade do Rio de Janeiro inspirada em Paris, com o alargamento de ruas e aprimoramento do forne- cimento de água e esgoto. d) a obrigatoriedade da coleta de lixo pública, a vacinação opcional e a expansão da iluminação pública nas grandes cidades. e) o início do ensino de medidas sanitárias nas escolas públicas,a fiscalização das casas e dos cortiços na capital federal e multas para aqueles que não se enquadrassem na nova legislação. 18.09. (UFRGS) – Considerando a história social do Brasil durante a Primeira República, assinale a alternativa correta. a) A obrigatoriedade da vacinação contra a febre amarela foi o principal motivo para a deflagração do conflito entre as forças republicanas e os sertanejos que habitavam o arraial de Canudos, no interior da Bahia. b) O processo de modernização e de higienização dos espaços públicos da capital da República levou a um deslocamento das elites econômicas para os morros, zonas consideradas mais saudáveis e com vista privilegiada da cidade. c) A criação dos primeiros clubes de futebol caracterizou um importante movimento de integração social e racial no país, uma vez que todas as equipes eram formadas predominantemente pela população pobre e negra das periferias urbanas. d) A imigração europeia no Rio Grande do Sul e em São Paulo favoreceu a difusão de ideais políticos que marcaram o desenvolvimento do movimento operário brasileiro. e) O modernismo brasileiro caracterizou-se pelo afasta- mento da temática nacional, copiando valores sociais e estéticos europeus. 20 Extensivo Terceirão 18.10. (FATEC – SP) – Leia o texto. Assistimos ontem à entrada de cerca de 60 me- nores às 19 horas, na sua fábrica da Mooca. Essas crianças, entrando àquela hora, saem às 6 horas. Tra- balham, pois, 11 horas a fio, em serviço noturno, ape- nas com um descanso de 20 minutos, à meia-noite! O pior é que elas se queixam de que são espancadas pelo mestre de fiação. [...] Uma há com as orelhas feridas por continuados e violentos puxões. Trata-se de crianças de 12, 13 e 14 anos. Jornal O Combate, São Paulo, 4/09/1917. Apud CENPEC; Ensinar e aprender História. V.3: ficha 10, 1998. Considerando o contexto da industrialização de São Paulo, no início da Primeira República, assinale a alternativa correta. a) A legislação republicana estabeleceu a obrigatoriedade do trabalho infantil como forma de disciplinar e educar as crianças das famílias de baixa renda envolvidas em pequenos delitos. b) A participação do Brasil na Guerra Franco-Prussiana e a convocação militar dos homens obrigaram mulheres e crianças a ocupar seus postos de trabalho e a participar dos esforços de guerra. c) A Consolidação das Leis Trabalhistas, conjunto de leis de inspiração fascista promulgadas após a abolição da escravidão, preconizava o trabalho infantil como parte do programa de qualificação profissional. d) Os baixos salários pagos aos homens tornavam necessário o trabalho de mulheres e crianças das famílias operárias que, embora tivessem as mesmas obrigações que os homens, recebiam salários menores. e) Os sindicatos anarquistas, fundados por operários italianos recém-chegados ao Brasil, incentivavam a participação de crianças no mercado de trabalho com o objetivo de garantir a adesão precoce aos seus ideais. Aprofundamento 18.11. (UNICAMP – SP) – Em julho de 1917, convocou- -se, em São Paulo, uma greve geral, com adesão de 45.000 trabalhadores, para pedir aumento salarial. A greve se estendeu ao Rio de Janeiro e levou o governo a reforçar o aparato repressivo e decretar estado de sítio em 1918. Nos anos de 1917-1919, o Chile registrou o recrudescimento da agitação sindical. Mobilizavam-se com facilidade 100.000 trabalhadores, como durante as manifestações contra o custo dos alimentos em 1918 e 1919. A Argentina foi outro país que teve um movimento sindical poderoso. Entre 1917 e 1921, o movimento sindical conheceu seu apogeu. Apenas durante o ano de 1919, registraram-se 367 greves na capital Buenos Aires. (Adaptado de Olivier Dabène, América Latina no século XX. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003, p. 64-65.) Considerando o texto acima e seus conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa correta. a) Os movimentos grevistas foram espontâneos e apartidá- rios nos anos de 1910, rejeitando a infiltração ideológica das lideranças sindicais, de maioria marxista e comunista, pouco mobilizadoras no período. b) Os movimentos sindicais estavam em processo de fortale- cimento, entre outras razões, pela intensa ruralização dos países latino-americanos na década de 1900. c) O processo de fortalecimento dos movimentos sindicais enfrentou um forte aparato repressivo, nos anos de 1920, marcado pela colaboração entre os Estados latino- -americanos. d) Os movimentos sindicais latino-americanos apresenta- vam, em 1917, especificidades em relação aos da Europa quanto às pautas reivindicatórias dos trabalhadores. 18.12. (FAMERP – SP) – De 1889/1890, começo da Repú- blica, até 1930-1940 mais ou menos, a indústria e as cidades apresentaram determinadas características. A atividade industrial, sempre crescente, era con- duzida fundamentalmente no interior de empresas de pequeno e médio porte, ainda que as grandes fábricas existentes concentrassem o maior número de operá- rios e a maior quantidade de capital, sendo responsá- veis também pela maior parte da produção industrial. [...] Apenas a partir das décadas de 1940 e 1950 as indústrias de bens de consumo duráveis e bens de ca- pital desenvolveram-se de modo significativo. (Maria Auxiliadora Guzzo de Decca. Indústria e trabalho no Brasil, 1991.) O texto divide a industrialização brasileira em dois ciclos distintos. O primeiro deles caracteriza-se a) pelo esforço de atendimento à demanda externa provo- cada pela desindustrialização norte-americana durante a Primeira Guerra Mundial. b) pelo avanço maior da industrialização no Sudeste e no Nordeste, que dependeu de capitais deslocados da pro- dução de café e de cana. c) pela valorização da livre iniciativa empresarial, estimulada pelas campanhas industrialistas e de renúncia fiscal do governo brasileiro. d) pelo investimento prioritário na produção de aço, com o desenvolvimento de uma tecnologia industrial autônoma. e) pelo desenvolvimento maior das indústrias têxtil e alimen- tícia, com o prevalecimento de capital nacional. 18.13. (UDESC) – “A carestia do indispensável à sub- sistência do povo trabalhador tinha como aliada a insuficiência dos ganhos; a possibilidade normal de legítimas reivindicações de indispensáveis melhorias de situação esbarrava com a sistemática reação policial; as organizações dos trabalhadores eram constantemente assaltadas e impedidas de funcionar; os postos policiais superlotavam-se de operários, cujas residências eram invadidas e devassadas, qualquer tentativa de reunião de trabalhadores provocava a intervenção brutal da polícia Aula 18 21História 5C (...) O ambiente operário era de incertezas, de sobres- saltos e angústias. A situação tornava-se insustentável.” A citação é um relato de Edgar Leuenroth no jornal Estado de São Paulo, justificando a sua participação no movimento grevista de 1917. Conforme descreve Leuenroth, a condição operária gerou uma série de greves e mobilizações durante a primeira república. Sobre as reivindicações da classe operária, na segunda me- tade da década de 1910, analise as proposições. I. O operariado reivindicava a jornada de 8 horas de tra- balho. II. O operariado reivindicava o direito ao repouso semanal de 36 horas. III. O operariado reivindicava a proibição do trabalho de menores de 14 anos. IV. O operariado reivindicava a igualdade salarial para ho- mens e mulheres. a) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 18.14. (MACK – SP) – “Neutro durante boa parte dos três primeiros anos do conflito, uma posição alinhada com a do governo dos Estados Unidos, o Brasil entrou na guerra em 1917, usando como justificativa oficial os ataques de submarinos alemães a navios mercantes brasileiros”. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141110_brasil_guerra_fd. Acesso em 30.08.17 Sobre os efeitos da participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), analise as assertivas a seguir. I. Até então agroexportadora e dependente do mercado europeu, a economia brasileira foi diretamente afetada pelo conflito. Com a queda nas receitas da exportação de café, as elites agrárias perderam prestígio e legitimidade, em um lento processo que culminou com o golpe de Vargas, em 1930. II. A queda no poder de compra e o aumento do custo de vida aumentaram a insatisfação popular e fomentaram o fortalecimento da classe trabalhadora, incluindo o crescimento de movimentos sindicais. Como resultado, surgiram as primeiras grandes greves em 1917 e 1918. III. Houve, apesar das crises, alguns ganhos econômicos. Os distúrbios provocados pela guerra no mercado inter- nacional obrigaram o Brasil a prestar mais atenção à sua indústria, com destaque para a produção de substituição de importações. Entre 1912 e 1920, o número de traba- lhadores na indústria brasileira praticamente dobrou. É correto o que se afirma em a) I, apenas. c) I, II e III. e) II, apenas. b) I e II, apenas. d) II e III, apenas. 18.15. (UEPG – PR) – A industrialização no Brasil ocorreu tardiamente quando comparada ao mesmo processo na Europa. Por aqui, as primeiras indústrias vão aparecer a partir da metade do século XIX. Consequentemente, a formação de uma classe operária brasileira também foi um fenômeno tardio. A respeito desse tema, assinale o que for correto. 01) Até as décadas iniciais do século XX, a maior parte do operariado brasileiro era formado por imigrantes euro- peus, em especial italianos, ficando a maioria dos ne- gros saídos da escravidão à margem desse processo. 02) Sobretudo em São Paulo, foi muito comum a constru- ção de vilas operárias em áreas próximas as fábricas. Essa prática minimizava custos com relação ao trans- porte, mas, ao mesmo tempo, facilitava o controle dos patrões sobre os trabalhadores. 04) Durante os primeiros anos do século XX, foi muito co- mum os operários brasileiros formarem associações de trabalhadores, clubes, teatros, jornais, bandas e outras instituições e manifestações que os unificavam e os identificavam enquanto classe. 08) Diferente do que ocorreu no processo de formação da classe operária na Europa, no caso brasileiro, o nasci- mento do operariado veio acompanhado de uma am- pla legislação social que protegia, especialmente, mu- lheres e crianças das longas jornadas de trabalho. 16) A primeira greve geral dos trabalhadores no Brasil ocorreu ainda no século XIX e teve nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo o seu núcleo de irradiação. Influenciados pelo anarquismo, os grevistas pediam o fim da República e a instauração de uma nova ordem dominada pela classe operária. 18.16. (UEPG – PR) – País que manteve o regime de escra- vidão por quase quatro séculos, o Brasil viveu um acelerado processo de formação de uma classe operária entre o fim do século XIX e o início do século XX. Nesse contexto, a greve geral de 1917 foi um episódio de grande repercussão social e política e marcou a história da Primeira República brasileira. Sobre esse tema, assinale o que for correto. 01) A greve teve início em São Paulo e se espalhou por ou- tros estados como Rio de Janeiro e Paraná. 02) Proibição ao trabalho infantil, jornada de 8 horas diárias e aumento salarial foram algumas das pautas da greve de 1917. 04) A direção da greve contou com lideranças que defen- diam filosofias como o anarquismo e o socialismo, mui- tos eram imigrantes europeus. 08) A força policial paulista aderiu ao movimento grevista, fato que contribuiu para o seu fortalecimento, além de dificultar a sua repressão por parte do governo. 16) Não há registros sobre a participação de mulheres na greve. Tal fato se explica porque até esse momento as mulheres não eram contratadas para trabalhar nas in- dústrias brasileiras. 22 Extensivo Terceirão 18.17. (UEPG – PR) – Os dois maiores conflitos rurais da Primeira República, as Guerras de Canudos e do Contestado possuem várias semelhanças. Combatidas duramente pelo governo republicano, ambas acabaram com um saldo trági- co: a morte de aproximadamente 10 mil brasileiros. A respeito desse tema, assinale o que for correto. 01) Chamados de jagunços pelo escritor Euclides da Cunha, os seguidores de Antonio Conselheiro eram majoritariamen- te negros, mestiços, indígenas. Despossuídos, atingidos pela seca e submetidos ao poder do latifúndio e do coro- nelismo, viam no Conselheiro uma figura capaz de ofere- cer uma realidade melhor daquela a que estavam sujeitos. 02) Belo Monte, o maior dos arraiais em que se concentra- vam os sertanejos de Canudos, foi duramente atacado pelo Exército republicano. Em um desses ataques tom- bou morto Antonio Conselheiro. Mesmo assim, a resis- tência continuou até, praticamente, a morte de todos os habitantes do lugar. 04) No caso do Contestado, além da existência de um forte clamor religioso, é preciso considerar que a região era palco de uma disputa política entre Paraná e Santa Ca- tarina e de que haviam interesses econômicos por conta da existência de uma valiosa floresta de araucária nativa. 08) A Lumber Company, madeireira ligada ao mesmo grupo que construiu a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, era uma das maiores interessadas na expulsão dos camponeses da região do Contestado. O objetivo da madeireira era agilizar ao máximo o corte e o em- barque da madeira existente na região. 16) Figuras do catolicismo popular como os beatos, os monges, as virgens e os conselheiros eram comuns no interior do Brasil desde o período colonial. Tanto em Ca- nudos quanto no Contestado é possível encontrar tais personagens atuando de modo destacado nos conflitos. 18.18. (UFPR) – Considere a seguinte imagem: (Fotografia P&B. Domingo de julho de 1917. Operários em frente à Sociedade Protetora dos Operários. Acervo Casa da Memória, Curitiba.) Sobre a questão operária e a Greve Geral de 1917, mostrada na imagem, assinale a alternativa correta. a) O operariado brasileiro era composto majoritariamente por homens maiores de 21 anos, uma vez que o trabalho infantil e o feminino haviam sido abolidos após os confli- tos da Revolta da Vacina. b) As greves gerais no Brasil tiveram relativa aderência popular, uma vez que o povo brasileiro primava por manter a ordem e evitar o que os governantes chamavam de “excessos”. c) Durante a Primeira República, a frase “a questão social é um caso de polícia” tornou-se um mote da ação do gover- no; afinal, ela resumia a preocupação das elites políticas com o descaso com que eram tratados os trabalhadores. d) Existem diversos debates na História que discutem as tendências políticas dos participantes e, principalmente, das lideranças da greve de 1917, mas é comum defini-la como uma greve de tendências anarcossindicais. e) A participação do Partido Comunista brasileiro foi fun- damental na articulação dos trabalhadores no ano de 1917. Sem essa instituição, não seria possível organizar um movimento em nível nacional. Desafio 18.19. (UFSC) – Nós somos a geração do deserto! Como a nação dos judeus nós estamos neste deserto, em busca da Terra Prometida. Faz quase quatro anos que nós declara- mos a Guerra Santa e estamos lutando para conquistar a nossa terra. Muita gente tem morrido, e os seus ossos estão apodrecendo nos descampados. Mas a Guerra Santa tem que continuar, porque nós somos a geração do deserto, os que devem ser sacrificados. A nossa geração tem que vencer esta guerra, nem que todos tenham que morrer. No tempo de Moisés ele também guiou o povo pelo deserto, e toda a geração velha morreu. Mas os que nasceram no deserto chegaram à Terra de Canaã, prometida por Deus. São José Maria também prometeu que o nosso povo ia ter uma terra. Este Contestado é um país enorme, do qual todos terão o seu pedaço. Mas para isso temos que lutar! SASSI, Guido Wilmar.Geração do deserto. 5. ed. Porto Alegre: Movimento, 2012. p. 116-117. Considerando o trecho acima e a história do Movimento do Con- testado (1912-1916), assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S). 01) O monge José Maria ainda hoje é venerado por des- cendentes caboclos da região do sul do país onde ocor- reu a Guerra do Contestado. 02) Conduzido principalmente pela população de origem cabocla, o Contestado pode ser reconhecido como um movimento messiânico de luta pela terra numa região disputada pelos estados de Santa Catarina e Paraná. 04) A extração de erva-mate e de madeira estava entre as principais atividades dos sertanejos do Contestado an- tes da construção da ferrovia São Paulo–Rio Grande do Sul pela companhia Brazil Railway. 08) Ao representar uma alternativa ao poder dos “coronéis”, o Movimento do Contestado era visto como um perigo que, segundo as elites, deveria ser eliminado. 16) Assim como ocorreu anos antes em Canudos (1893- 1896), a Guerra do Contestado colocou em lados opos- tos a Igreja Católica e o governo brasileiro, razão pela qual muitos padres das mais diversas paróquias da região se armaram contra o exército republicano em defesa do re- torno da família real brasileira ao comando do país. 32) A vitória dos seguidores do monge José Maria contra as tropas republicanas na Guerra do Contestado determi- nou a fragmentação dos grandes latifúndios da região do Contestado em pequenas propriedades, que ainda caracterizam o meio rural catarinense. Aula 18 23História 5C 18.20. (UFJF – MG) – Analise a letra da seguinte canção. “Capitão de Indústria” Eu às vezes fico a pensar Em outra vida ou lugar Estou cansado demais Eu não tenho tempo de ter Tempo livre de ser De nada ter que fazer É quando eu me encontro perdido Nas coisas que eu criei E eu não sei Eu não vejo além da fumaça O amor e as coisas livres, coloridas Nada poluídas Eu acordo pra trabalhar Eu durmo pra trabalhar Eu corro pra trabalhar Eu não tenho tempo de ter Tempo livre de ser De nada ter que fazer Eu não vejo além da fumaça que passa E polui o ar Eu nada sei Eu não vejo além disso tudo O amor e as coisas livres, coloridas Nada poluídas A música acima é de autoria de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle. Chama-se “Capitão de Indústria” e foi composta em1972. Uma versão mais recente foi divulgada pelos Paralamas do Sucesso. Após observar sua letra, responda ao que se pede. a) Ao longo da história do Brasil republicano, destaque duas das principais estratégias de luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. b) Aponte duas conquistas importantes que tenham resultado dessa luta, localizando-as no tempo. Gabarito 18.01. c 18.02. b 18.03. b 18.04. d 18.05. c 18.06. d 18.07. c 18.08. c 18.09. d 18.10. d 18.11. d 18.12. e 18.13. e 18.14. c 18.15. 07 (01 + 02 + 04) 18.16. 07 (01 + 02 + 04) 18.17. 31 (01 + 02 + 04 + 08 + 16) 18.18. d 18.19. 15 (01 + 02 + 04 + 08 ) 18.20. a) O aluno pode citar a origem do movimento operário brasileiro durante a primeira República. A grande greve de 1917, a forma- ção do COB (Confederação Operária), o surgimento dos sindica- tos, etc. b) A libertação de operários grevistas presos e o aumento de salá- rios (20%) no contexto da greve de 1917. Mas o aluno também pode citar conquistas posteriores, por ocasião das leis trabalhis- tas da Constituição de 1934 durante a Era Vargas como salário mínimo, descanso semanal, jornada máxima, etc. 24 Extensivo Terceirão Fundadores do PCB, 1922 Ac er vo D io ny sa B ra nd ão R oc ha , R io d e Ja ne iro História República do Café IV 5CAula 19 O que caracterizou o governo Epitácio Pessoa (1919-1922)? O paraibano Epitácio Pessoa procurou compor seu ministério com técnicos de reconhecida capacidade, indicando inclusive dois civis para as pastas militares – Pandiá Calógeras para a Guerra e Raul Soares para a Marinha –, o que ampliou a insatisfação entre os militares, que, de resto, já não era pequena. Epitácio realizou um significativo esforço administrativo, sendo responsável, entre outras coisas: • pela execução de um gigantesco programa de obras contra as secas; • pelo incentivo à construção de ferrovias; • na área de ensino, pela criação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1921, preocupado com os rumos do movimento operário, o presi- dente criou a Lei de Repressão ao Anarquismo, responsável pela prisão e deportação de importantes líderes operários, que eram quase todos imigran- tes. Foi o ano de 1922, porém, que marcou o governo Epitácio e também a República Velha. Ocorre a irrupção de várias manifestações contra o domínio das oligarquias, entre elas: • O movimento operá- rio, com a fundação do PCB, em março de 1922, sofre influência das ideias socialistas, no rastro do sucesso da Revolução Russa. O aprimoramento da organização operária tornou-se um en- trave a mais para as oligarquias. Logo detectado pela elite como um foco perigoso, o PCB é jogado na ilegalidade. Para manter a possibilidade de contato com os trabalhadores e continuar atuando na luta para formar uma frente operária, foi criado o Bloco Operário Camponês, que teve significativa atuação nas mobilizações populares e nas reivindicações de melhores condições de vida. • Em fevereiro, ocorreu a Semana de Arte Moderna, que manifestou a insatisfação da classe artística com a mesmice estética vigente e seu desejo de rompê-la: Nada de postiço, meloso, arti- ficial, arrevesado, precioso: que- remos escrever com sangue – que é humanidade; com eletricidade – que é movimento, expressão di- nâmica do século; violência – que é energia bandeirante. Assim nas- cerá uma arte genuinamente bra- sileira, filha do céu e da terra, do Homem e do mistério. Fragmento do discurso de Menochi del Picchia, na noite de apresentação da Semana de Arte Moderna. Capa do catálogo da Exposição durante a Semana de Arte Moderna. São Paulo, 1922 Ac er vo d o In st itu to d e Es tu do s B ra sil ei ro s, Ar qu iv o An ita M al fa tt i Aula 19 25História 5C • Mas foi o Movimento Tenentista que provocou maior apreensão nos donos do poder. Movimento liderado por jovens militares do exército, insatisfeitos com a ordem estabelecida e desejosos de moralizar a vida política nacional, o tenentismo representava o fim da paciência da classe média urbana, através dos seus representantes fardados. Os tenentes possuíam uma diversidade ideológica que impede classificá-los. Uns pendiam para a esquerda, outros para a direita, outros tantos para o centro. Isso é mais fácil de perceber quando buscamos saber o que aconteceu posteriormente com estes jovens. Alguns ingressaram no Partido Socialista; outros, no Partido Comunista; outros, ainda, viraram políticos conspiradores e alguns, inclusive, fizeram acordos com as elites que criticavam e passaram a agir tal e qual. Apesar desse pensamento difuso, o grupo tinha um corpo de reivindicações básicas que podemos identificar como “pensamento tenentista”: moralização política, com o fim das fraudes, reforma do Estado, com a instituição do voto secreto e, ainda, reformas sociais. O primeiro movimento tenentista ocorreu no dia 5 de julho de 1922 e ficou conhecido como o Levante do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. Liderado pe- los jovens oficiais Eduardo Gomes e Siqueira Campos, os militares pretendiam impedir a posse do presidente eleito pelas oligarquias cafeeiras, o mineiro Artur Bernardes. Os tenentes acusavam Artur Bernardes da autoria de duas cartas difamatórias contra Hermes da Fonseca, então presidente do Clube Militar. As cartas eram falsas, mas a intenção de derrubar o governo era verdadeira. E os jovens oficiais levaram ao extremo seu desejo de manifestar sua revolta e indignação: saindo do Forte de Copacabana, um punhado de militares enfrentou as tropas leais ao governo nas areias da praia carioca. Depois de minutos de tiroteio, o movimento estava vencido.Eduardo Gomes e Siqueira Campos, sobreviventes do episódio N os so S éc ul o, 1 91 0- 19 30 (I I), A br il S. A. C ul tu ra l 18 do Forte. A linha de frente dos revoltosos do Forte de Co- pacabana caminha pela Avenida Atlântica. Em primeiro plano, da esquerda para a direita: Eduardo Gomes, Mário Carpenter, Newton Prado, o civil Otávio Correia e o soldado Pedro Ferreira de Melo. Rio de Janeiro, 5 de julho de 1922 © W ik im ed ia C om m on s Artur Bernardes assumiu, iniciando, mais uma vez, o rodízio entre mineiros e paulistas. Mas as coisas não seriam mais tão fáceis para a oligarquia. O ano de 1922 foi o que podemos chamar de “o início do fim”. Como você pode perceber, a década de 20 mos- trava claramente as contradições que provocaram a crise das oligarquias cafeeiras no poder. A insatis- fação atingia não só o operariado, como também a classe média urbana, boa parcela dos militares e as pequenas oligarquias. Até mesmo entre os cafei- cultores paulistas, um grupo mais esclarecido con- denava o imobilismo do governo em face das pres- sões por mudanças. Esse grupo formou o Partido Democrático, abrindo uma brecha na própria li- nha de defesa da oligarquia. Ar qu iv o do P ar tid o D em oc rá tic o Cartaz de propaganda do Partido Democrático denunciando o “voto de cabresto” O Brasil, enfim, tornava-se mais complexo, mais denso e por isso era mais difícil conter as pressões por mudanças que contemplassem os interesses desses novos grupos. E essa pressão acabou desencadeando mudanças que foram chamadas de revolução. 26 Extensivo Terceirão Quais os principais fatos que marcaram o governo Artur Bernardes (1922-1926)? O mineiro Artur Bernardes assumiu em meio a uma turbulenta crise, com o país sob estado de sítio. Além do que você aprendeu no item anterior, acrescenta-se que a eleição de Bernardes, em março de 1922, foi marcada por mais uma oposição inesperada, capitaneada pelo Rio de Janeiro e pela Bahia, que lançaram a candidatura de Nilo Peçanha e que contou com o apoio entusiasma- do de diversos segmentos da sociedade. Foi o que ficou conhecido como a Reação Republicana. Agora no poder, Artur Bernardes tinha que enfrentar todas estas oposições e ainda os cada vez mais organi- zados levantes dos tenentes. Em 5 de julho de 1924, irrompeu o Levante de São Paulo, liderado pelos irmãos Joaquim e Juarez Távora e pelo general Isidoro Dias Lopes. Durante todo o mês, o movimento se desenrolou na cidade de São Paulo, com muita violência. Acossado pelo governo e temendo pela vida dos civis, visto que Artur Bernardes autorizou o bom- bardeio da cidade, no dia 27 Isidoro Dias Lopes transferiu a luta para o interior. A revolta tenentista espalhou-se por outras regiões. Em outubro, eclodiu no Rio Grande do Sul sob a lideran- ça do capitão do exército Luís Carlos Prestes. Depois de iniciar o movimento rebelde, a partir de Santo Ângelo, Prestes partiu com seus companheiros em direção ao Paraná, fugindo da perseguição realizada pelas tropas governistas. No sudoeste do Paraná, as duas colunas – a gaúcha e a paulista – se encontram. A luta dos tenentes entrava em nova fase. Nascia desse encontro a legendária Coluna Prestes, comandada por Miguel Costa e Luís Carlos Prestes. Em uma jornada de mais de 25 mil quilômetros, passando por vários estados brasileiros, a Coluna enfrentou forças regulares, polícias estaduais, milícias várias e até mesmo cangaceiros a soldo, sem nunca ser derrotada. M us eu d a Re pú bl ic a, R io d e Ja ne iro Fonte: ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. Atlas histórico esccolar. Rio de Janeiro: FAE, 1988. Adaptação. Brasil-Coluna Prestes Ta lit a Ka th y Bo ra Como disse o próprio Luís Carlos Prestes: O objetivo era levar a revolução ao maior nú- mero de estados e durar o maior tempo possível em armas, provando-se, com isso, a incompetên- cia do governo, por um lado, e, por outro lado, o que poderia fazer o povo, em seu próprio benefí- cio, se resolvesse se organizar. Em fevereiro de 1927, enfraquecidos pelas batalhas, os tenentes internaram-se na Bolívia. Já estávamos no governo Washington Luís, o último da República Velha. Como nos ensina o historiador Caio Prado Júnior: Quando a Coluna Prestes depuser armas e encerrar sua grandiosa trajetória, o País estará maduro para o ato final da derrocada de suas decrépitas instituições. Seguir-se-á a trégua do quatriênio Washington Luís que, aproveitando-se de um momento de euforia econômica internacional, refletida no Brasil, tentará galvanizar a decadente República Velha. No estrangeiro, os exilados da Coluna Prestes conservam intacto o espírito revolu- cionário; e dentro do país, em sua grande parte devido à sua ação e ao seu exemplo, a agitação continuava a fermentar surdamente. Apesar da suspensão temporária de hostilidades abertas, a revolução brasileira marchava para adiante. A questão da sucessão presidencial de 1929 - 1930 a desencadeará. E, à frente do movimento armado que dará por terra com o último governo da Re- pública Velha, marcharão os tenentes da Coluna Prestes. KRONSTAND. Arthur Bernardes. Museu da República, Rio de Janeiro Aula 19 27História 5C Alto comando da Coluna Prestes: 1) Miguel Costa; 2) Luís Carlos Prestes; 3) Juarez Távora; 4) João Alberto; 5) Siqueira Campos; 6) Djalma Dutra; 7) Cordeiro de Farias; 8) José Pinheiro Machado; 9) Atanagildo França; 10) Emídio da Costa Miranda; 11) João Pedro; 12) Paulo Kruger da Cunha Cruz; 13) Ari Salgado Freire; 14) Nélson Machado; 15) Manuel Lima Nascimento; 16) Sadi Vale Machado; 17) André Trifino Correia; 18) Ítalo Landucci. Porto Nacional –– Goiás, outubro de 1925 Fu nd aç ão G et ul io V ar ga s, CP D O C Testes Assimilação 19.01. O movimento artístico-cultural, conhecido como A Semana de Arte Moderna de 1922, tinha como principal objetivo: a) reconhecer e consolidar a maior importância da literatura sobre as outras artes; b) difundir a homogeneização dos modelos artísticos, pa- dronizando a cultura nacional; c) promover a difusão dos modelos artísticos nacionais; d) diminuir a veiculação da arte popular nos meios de co- municação de massa; e) popularizar a cultura e a ciência, rompendo com a eliti- zação cultural predominante no país. 19.02. (FURG – RS) – O ano de 1922 foi repleto de aconteci- mentos que, de forma direta e/ou indireta, contribuíram para a deflagração do processo que levaria ao derruir da República Oligárquica, questionando, criticando ou atacando algumas das tradicionais estruturas vigentes. Dentre os fatos ocorridos nesse ano estiveram: I. a Semana de Arte Moderna; II. a criação do PCB; III. a Revolta do Forte de Copacabana; IV. a Campanha da Reação Republicana. Estão corretas: a) I, II e III b) I, III e IV c) II, III e IV d) I, II e IV e) I, II, III e IV 19.03. (UNESP – SP) – A Coluna Prestes, que percorreu cerca de 25 mil quilômetros no interior do Brasil entre 1924 e 1927, associa-se: a) ao florianismo, do qual se originou, e ao repúdio às fraudes eleitorais da Primeira República; b) à tentativa de implantação de um poder popular, expressa na defesa de pressupostos marxistas; c) ao movimento tenentista, do qual foi oriunda, e à tentativa de derrubar o presidente Artur Bernardes; d) à crítica ao caráter oligárquico da Primeira República e ao apoio à candidatura presidencial de Getúlio Vargas; e) ao esforço de implantação de um regime militar e à pri- meira mobilização política de massas na história brasileira. 19.04. (UNIFESP) – Em tempos de forte turbulência repu- blicana, o ano de 1922 converteu-se em marco simbólico de grandes rupturas e da vontade de mudança. Eventos como a Semana de Arte Moderna, o levante tenentista, a criação do Partido Comunista e ainda a conturbada eleição presidencial sepultaram simbolicamente a Velha República e inauguraram uma nova época. Aspácia Camargo, “Federalismo e Identidade Nacional, Brasil, um século de transformações. 2001.Pode-se afirmar que a situação descrita decorre, sobretudo, a) Do forte crescimento urbano e das classes médias. b) Do descontentamento generalizado dos oficiais do exército. c) Da postura progressiva das elites carioca e paulista. d) Do crescimento vertiginoso da industrialização e da classe operária. e) Da influência das vanguardas artísticas europeias e norte- -americanas. 28 Extensivo Terceirão Aperfeiçoamento 19.05. (UERJ) – Samba, de Di Cavalcanti. Óleo sobre tela, 1927. plastico. blogfolha.uol.com.br Abaporu, de Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 1928. pt.wikipedia.org As telas retratadas acima foram reunidas pela primeira vez no país em 2016 para a exposição “A Cor do Brasil”, realizada no Museu de Arte do Rio (MAR). Ambas fazem parte de um inovador movimento cultural que, dentre outros aspectos, rediscutiu a identidade nacional. A partir da análise das telas, uma proposta desse movimento foi: a) glorificar a pobreza b) naturalizar o exotismo c) exaltar a deformidade d) valorizar a miscigenação 19.06. (ALBERT EINSTEIN – SP) – Em 1919, o presidente eleito Rodrigues Alves foi uma das vítimas da epidemia que matou por volta de 35 mil pessoas no Brasil e cerca de 50 milhões, entre 1918 e 1920, em todo o mundo. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a doença mortal e seus impactos na cidade do Rio de Janeiro: a) A peste bubônica, que se alastrou entre os combatentes da Primeira Guerra Mundial, atingiu os grupos de brasileiros ligados ao exército e à política na capital do país, o que implicou o isolamento de partes da cidade para impedir a disseminação. b) O sarampo, uma doença comum entre as crianças, tornou-se mortal entre os adultos, mesmo com o fechamento das esco- las da capital e o rápido atendimento das crianças, o que a médio prazo erradicou a doença infectocontagiosa da cidade. c) A tuberculose, conhecida como o “mal do século”, alastrou-se no Rio de Janeiro em função das más condições de alimentação e pobreza da população, e foi enfrentada pelos governantes com a quarentena dos infectados em cidades como Petrópolis. d) A gripe espanhola, doença que assolou os países europeus durante a Primeira Guerra, atingiu também a população brasileira, levando o governo da capital a contratar um grupo de higienistas para combater a disseminação da doença. 19.07. (FGV – SP) – 7 de julho [1922] – Com um saldo de 17 mortos, todos entre os rebeldes, tropas leais ao presidente Epitácio Pessoa sufocaram hoje uma revolta de oficiais que há dois dias haviam tomado o Forte de Copacabana. Eles protestavam contra o fechamento do Clube Militar e a prisão de seu presidente (e também ex- -presidente da República) Hermes da Fonseca. Jayme Brener, “Jornal do século XX” Sobre o tenentismo, é correto afirmar que: a) apesar das divergências ideológicas em relação às correntes revolucionárias – como o anarquismo, o movimento dos oficiais fez uma série de alianças com o movimento operário, como na greve geral de 1917. b) esse movimento não tinha uma clara proposta de reformulação política e defendia um poder centralizado e a purificação das instituições republicanas, além da diminuição do poder das oligarquias regionais. c) foi um movimento inspirado no nazifascismo, que defendia o fortalecimento das instituições liberais-democráticas, como as eleições gerais e diretas, ao mesmo tempo em que apoiavam o federalismo. d) teve como principal liderança em São Paulo o capitão Luís Carlos Prestes, mais tarde organizador da Ação Integralista Brasileira – AIB, defensor de uma ordem centralizada e de uma economia internacionalizada. e) a ação de julho de 1922 foi contida com facilidade pelas tropas leais ao governo federal e se constituiu na única ação importante relacionada com os militares rebeldes, que passaram a apoiar uma saída negociada para a crise. Aula 19 29História 5C 19.08. (PUCCAMP – SP) –Nordeste, terra de São Sol! Irmã enchente, vamos dar graças a Nosso Senhor, que a minha madrasta Seca torrou seus anjinhos para os comer. (...) Terra de Deus! Terra da minha bisavó que dançou uma valsa com D. Pedro II. São Tomé passou por aqui? Tranca a porta, gente, Cabeleira aí vem! Sertão! Pedra Bonita! Tragam uma virgem para D. Lampião! (LIMA, Jorge de. Antologia poética. São Paulo: Cosac Naify, 2014. p. 93) Nos versos transcritos, o poeta alagoano Jorge de Lima, a) em conformidade com o ideário regionalista do Mo- dernismo de 22, exalta o civismo e a bravura da gente nordestina. b) explorando sua característica veia cômica, retoma um tema caro à sátira de Gregório de Matos, de quem tam- bém imita o estilo. c) na contramão dos princípios modernistas, propõe uma retomada do tom épico na recuperação dos grandes feitos de nossa História. d) impressionado com os escândalos da época, investe contra os hábitos nefastos da cultura retrógrada herdada dos antigos coronéis. e) ressoando alguma influência do Modernismo de 22, vale- -se de dura ironia e provocadora paródia de elementos da nossa realidade e da nossa história. 19.09. (FAMERP – SP) – Observe o cartaz de propaganda do Partido Democrático de São Paulo para as eleições legislativas de 1927. (http://bernardoshimidt.blogpost.com.br Considerando a imagem e os conhecimentos sobre a história política da época, pode-se concluir que esse Partido a) expunha a facilidade de manipulação de analfabetos pela classe política dominante. b) denunciava o controle político dos votantes favorecido pelo voto a descoberto. c) condenava as eleições regulares de representantes polí- ticos na Primeira República. d) criticava o domínio do poder federal por políticos de São Paulo e de Minas Gerais. e) reivindicava a liberdade de imprensa como condição necessária à democracia. 19.10. (UDESC) – Leia o excerto abaixo: “Na década de vinte, o tenentismo é o centro mais importante de ataque ao predomínio da burguesia ca- feeira, revelando traços específicos, que não podem ser reduzidos simplesmente ao protesto das classes médias. Se sua contestação tem um conteúdo moder- no, expresso em um tímido programa modernizador, a tática posta em prática é radical e altera as regras do jogo, com a tentativa aberta de assumir o poder pelo caminho das armas.” FAUSTO, Boris. A Revolução de 1930: historiografia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 113. A partir das considerações de Boris Fausto a respeito do tenentismo na história do Brasil, analise as proposições. I. Surgido no interior das forças armadas, o movimento tenentista foi um dos fatores de instabilidade política e militar na década de 20. II. As rebeliões militares, que marcaram a década de 20, evidenciam tanto a insatisfação de parte das camadas urbanas com o regime oligárquico quanto a própria situação dos militares que recebiam baixos salários e ocupavam posição inferior no Estado. III. Na década de 20, uma série de ações de protestos de jovens oficiais, tenentes e capitães que pregavam maior moralidade política e administrativa, no governo repu- blicano, ficou conhecida como tenentismo. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa I é verdadeira. b) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. Aprofundamento 19.11. (UEM – PR) – No Brasil, o período compreendido entre os anos de 1894 e 1930 ficou conhecido como o perí- odo da República Oligárquica. Sobre esse período, assinale o que for correto. 01) Tanto o presidente Marechal Hermes da Fonseca quan- to os demais presidentes civis do período receberam apoio majoritário das oligarquias dos estados que ti- nham poder econômico no País. 02) O encilhamento, nome conferido à política de valorização da economia agropecuária, passou por intenso desenvol- vimento nos estados de Pernambuco e de Alagoas. 04) A Ação Integralista Brasileira atuou como defensora dos estados que não participavam do podernesse período e propôs a integração nacional a partir do estado do Rio Grande do Sul. 08) A denominação “política do café com leite” foi atribuída ao período em função da aliança formada entre as eli- tes políticas de São Paulo (grandes produtores de café) e Minas Gerais (grandes produtores de leite) que repre- sentavam os dois maiores colégios eleitorais do País. 30 Extensivo Terceirão 16) As alianças estabelecidas entre o presidente e os políticos locais, geralmente grandes proprietários de terras, mani- pularam e controlaram os votos daqueles que viviam em suas áreas, processo conhecido como voto de cabresto. 19.12. (UFSC ) – Manifesto antropofágico Só a antropofaia nos une. Socialmente. Economi- camente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de to- dos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupy or not tupy that is the question. Revista de Antropologia. São Paulo, n. 1, a. 1, maio 1928. Disponível em: <www.mac.usp.br>. Acesso em: 12 ago. 2012. Sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 e seu contexto, é CORRETO afirmar que: 01) o evento teve consenso em sua aceitação e foi muito bem recebido pelo público, que rapidamente adotou as novas tendências artísticas apresentadas. 02) a Semana de Arte Moderna teve impacto restrito sobre alguns poucos artistas plásticos paulistas. 04) a Semana de Arte Moderna quase não ocorreu, pois o então presidente, Getúlio Vargas, opunha-se a qualquer manifestação cultural que não tivesse sido organizada pelo governo. 08) o movimento antropofágico aceitava a cultura euro- peia desde que reelaborada e transformada em um produto nacional. 16) os modernistas rejeitavam as tendências artísticas do século XIX, principalmente o romantismo e o parnasia- nismo. 19.13. (FUVEST – SP) – Durante os primeiros tempos de sua existência, o PCB prosseguiu em seu processo de diferen- ciação ideológica com o anarquismo, de onde provinha parte significativa de sua liderança e de sua militância. Nesse curso, foi necessário, no que se refere à questão parlamentar, também proceder a uma homogeneização de sua própria militância. Houve algumas tentativas de parti- cipação em eleições e de formulação de propostas a serem apresentadas à sociedade que se revelaram infrutíferas por questões conjunturais. A primeira vez em que isso ocorreu foi, em 1925, no município portuário paulista de Santos, onde os comunistas locais, apresentando-se pela legenda da Coligação Operária, tiveram um resultado pífio. No entanto, como todos os atos pioneiros, essa participação deixou uma importante herança: a presença na cena po- lítica brasileira dos trabalhadores e suas reivindicações. Estas, em particular, expressavam um acúmulo de anos de lutas do movimento operário brasileiro. Dainis Karepovs. A classe operária vai ao Parlamento. São Paulo: Alameda, 2006, p.169. A partir do texto, pode-se afirmar corretamente que a) as eleições de representantes parlamentares advindos de grupos comunistas e anarquistas foram frequentes, desde a Proclamação da República, e provocaram, inclusive, a chamada Revolução de 1930. b) comunistas, anarquistas e outros grupos de represen- tantes de trabalhadores eram formalmente proibidos de participar de eleições no Brasil desde a proclamação da República, cenário que só se modificaria com a Consti- tuição de 1988. c) as primeiras décadas do século XX representam um período de grande diversidade político-partidária no Brasil, o que favoreceu a emergência de variados grupos de esquerda, cuja excessiva divisão os impediu de obter resultados eleitorais expressivos. d) as experiências parlamentares envolvendo operários e camponeses, no Brasil da década de 1920, resultaram em sua presença dominante no cenário político nacio- nal, após o colapso do primeiro regime encabeçado por Getúlio Vargas. e) as primeiras participações eleitorais de candidatos tra- balhadores ganharam importância histórica, uma vez que a política partidária brasileira da chamada Primeira República era dominada por grupos oriundos de grandes elites econômicas. 19.14. (IFSC) – O ano de 1922 foi marcado por importantes acontecimentos políticos no cenário nacional, como a pri- meira revolta dos tenentes e a fundação do Partido Comunis- ta Brasileiro. Esse espírito de contestação e mudança atingiu também o universo cultural com o movimento modernista. Sobre o movimento modernista, marcado pela Semana de Arte Moderna de 1922, assinale no cartão-resposta a soma da(s) proposição(ões) CORRETA(S). 01) Os artistas brasileiros das diversas áreas culturais ti- nham como objetivo modernizar as artes, abandonan- do o nativismo herdado da Velha República e se aproxi- mando da produção francesa, em evidência no mundo. 02) No início do século XX, como a cultura francesa domi- nava os meios artísticos e intelectuais, brasileiros viaja- vam constantemente a Paris para buscar inspiração ou realizar seus trabalhos. 04) A Semana de Arte Moderna queria chamar a atenção para o sentimento de inferioridade dos brasileiros em relação aos europeus e também fazer uma crítica à do- minação cultural e política do Brasil pelos estrangeiros. 08) O episódio histórico que inspirou a utilização do termo antropofagia foi a deglutição do bispo Sardinha (cultu- ra estrangeira), em 1556, pelos índios brasileiros caetés (cultura nacional). 16) A Semana de Arte Moderna deu início a uma série de revoltas de cunho políticomilitar na década de 1920, passando pelo movimento tenentista e culminando com a crise de 1920. Aula 19 31História 5C 19.15. (FEMPAR – PR) – Com base nos textos a seguir e em conhecimentos de História, julgue as afirmativas. A jovem oficialidade, adversária do domínio da oligarquia cafeeira, passou a conspirar contra a can- didatura de Bernardes, que governou o País em per- manente estado de sítio. A sociedade tornara-se mais complexa, mas as oligarquias continuavam a agir sem considerar essas transformações. [...] Os tenentes lançaram-se à luta [...] Bernardes recorria à repressão indiscriminada: estado de sítio, censura à imprensa, cassação de mandatos, perseguição e prisão de líderes políticos, sindicais e de oficiais rebeldes. Adaptado de: KUPPER, Agnaldo; CHENSO. Paulo André. História crítica do Brasil. São Paulo: FTD, 1998, p. 224. A operação Lava Jato é mais Obra dos procurado- res da República do que do Juiz Sérgio Moro. Este foi apenas o julgador, mas todo o edifício da Lava Jato foi erguido pelo Ministério Público Federal (MPF). Nesse sentido, a Lava Jato pode ser definida como uma rebe- lião “procuradorista” – uma rebelião do Estado contra o governo político Procuradores, Polícia Federal e ju- ízes, que constituem as equipes das diversas investi- gações, são agentes do Estado. Seus alvos são agentes políticos, operadores de esquemas de lavagem de di- nheiro que fazem mediações entre agentes corruptos do Estado e executivos corruptos de empresas. Nessa rebelião do Estado contra o governo político existem similitudes e diferenças entre a rebelião procuradoris- ta e as rebeliões tenentistas das décadas de 20 e 30. FORNAZIERI, Aldo. Tenentismo de toga. Disponível em: <http://waItersorrenti- nocom_br/2017/01/24>. Acesso em: 23 fev. 2017. ( ) O movimento tenentista, armado, teve sua primeira fase em julho de 1922, com a Revolta do Forte de Copaca- bana, que culminou no confronto entre os “18 do Forte” e tropas fiéis a Epitácio Pessoa, cujo governo terminava. ( ) Os tenentes da década de 20, assim como os procura- dores da Lava Jato, simbolizam o combate à corrupção na administração pública e no sistema eleitoral: naque- la época era o “voto de cabresto”, os “currais eleitorais”; hoje é a captação fácil de votos das classes mais caren- tes com assistencialismo, de que é exemplo comum o Bolsa Família. ( ) Como resultado da marcha da Coluna Prestes, as po- pulações rurais, antes passivas e amedrontadas ante o poder dos “coronéis”,reagiram em apoio aos tenentes, abrindo caminho para a posterior queda da República Velha, em 1930. ( ) Tanto o movimento tenentista como os “tenentes de toga” que integram a equipe da Lava Jato em Curitiba evidenciam nítidas preferências pelo ideal socialista, como meio capaz de moralizar as estruturas do Estado e promover a justiça social. ( ) Militarmente, o movimento tenentista, representado em sua terceira fase pela Coluna Prestes, terminou com o exílio de seus combatentes na Bolívia e no Paraguai, mas várias figuras da rebelião acabaram sendo absor- vidas nos quadros do governo provisório de Getúlio Vargas, com o fim da República Velha. 19.16. (UFSC) – Na década de 1920, eclode no Brasil um descontentamento de um setor militar, o qual ficou conhe- cido como “tenentismo”. Em relação a este assunto, é correto afirmar que 01) o movimento tenentista pregava a moralização da vida pública e a defesa dos interesses nacionais. 02) dentre sua liderança destacou-se Luís Carlos Prestes, que liderou a “Coluna Prestes” e percorreu mais de 24 000 km pelo interior do Brasil. Seu maior objetivo era depor o governo de Getúlio Vargas. 04) a “Coluna Prestes” propunha a destituição do presiden- te Artur Bernardes e da República Oligárquica. 08) o movimento tenentista foi fortalecido no sertão nor- destino com o apoio decisivo de “Lampião”, líder dos cangaceiros. 16) a “Coluna Prestes” não foi diretamente derrotada pelas tropas do exército. No entanto, internou-se na Bolívia onde se dispersou em 1927. Seu líder maior, Luís Carlos Prestes, ficou conhecido como “Cavaleiro da Esperança”. 19.17. (UEPG – PR) – A Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922, marcou o ápice do movimento mo- dernista brasileiro e expressou novas percepções sobre arte, estética, nação e cultura. A respeito desse tema, assinale o que for correto. 01) Monteiro Lobato, um dos maiores nomes da literatura brasileira do começo do século XX, foi um dos princi- pais críticos da Semana de Arte Moderna. Para Lobato, a arte brasileira deveria se manter vinculada aos pa- drões europeus de produção. 02) Desde a década de 1910, ocorreram manifestações modernistas no Brasil. Lasar Segall e Anita Malfatti são exemplos de modernistas que realizaram mostras e ex- posições no Brasil antes da Semana de 1922. 04) O Manifesto Antropofágico, um dos grandes documentos modernistas brasileiros, foi escrito e lançado por Oswald de Andrade no encerramento da Semana de 1922. 08) Entre as correntes estéticas combatidas pelos moder- nistas estavam o futurismo e o cubismo. A proposta modernista era a de superação de tais movimentos e a adoção de uma estética genuinamente nacional. 16) A Semana de 1922 expressou o desejo de uma intelec- tualidade que discordava frontalmente de antigos con- ceitos que predominavam nas artes brasileiras e que tinham nas matrizes clássicas europeias as suas raízes. 32 Extensivo Terceirão 19.18. (UEPG – PR) – A década de 1920 no Brasil foi marcada por vários movimentos de contestação à República Velha. Militares, operários, feministas e intelectuais foram às ruas, orga- nizaram greves, protestos e manifestações de diversas naturezas contra o modelo de república em curso no país. Artistas e intelec- tuais reuniram-se em torno do chamado Movimento Modernista e promoveram, em 1922, a Semana de Arte Moderna. A respeito desse episódio, assinale o que for correto. 01) A Semana de Arte Moderna foi realizada no Teatro Mu- nicipal de São Paulo. Durante sete dias o local foi palco de uma exposição de quadros, apresentações teatrais e musicais e também de palestras sobre a modernidade. 02) Os integrantes do Movimento Modernista defendiam o apego aos antigos ideais estéticos do século XIX e comba- tiam duramente as experiências artísticas, arquitetônicas e estéticas que ocorriam na Europa no início do século XX. 04) Entre os modernistas destacam-se figuras como Anita Malfatti, Victor Brecheret, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia e Di Cavalcanti. 08) Heitor Vila-Lobos, então um jovem músico brasileiro, tornou-se um dos maiores representantes do Movi- mento Modernista. Compositor clássico, rejeitou qual- quer aproximação com o maxixe, o samba e o chorinho, por compreender que tais ritmos não representavam a identidade nacional brasileira. Desafio 19.19. (UDESC) – Analise as proposições a respeito da participação de militares em movimentos políticos no Brasil republicano. I. O único registro de participação efetiva de militares na vida política nacional ocorreu entre 1964 e 1985, durante o período da ditadura militar. II. O envolvimento de militares com a política nacional pode ser observado em diferentes momentos, dentre eles citam-se a Proclamação da República, o Movimento Tenentista e o Golpe de 1964. III. Em 1964, a instauração do governo militar deu-se, demo- craticamente, por meio de uma ampla votação. IV. Durante o período da ditadura militar assistiu-se a um aumento das diferenças sociais no Brasil, resultante, entre outras coisas, da intervenção direta do governo na política de reajustes salariais. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. c) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. d) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. e) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. 19.20. (FGV – SP) – Abaporu, Tarsila do Amaral. IN. artedescrita.blogspot.com.br/2012/08/abaporu-de-tarsila-do-amaral.html. a) Comente e explique o significado das imagens do qua- dro Abaporu. Aula 19 33História 5C b) O quadro é representativo de qual movimento artístico? Quais elementos presentes na obra justificam esta classificação? Gabarito 19.01. c 19.02. e 19.03. c 19.04. a 19.05. d 19.06. d 19.07. b 19.08. e 19.09. b 19.10. e 19.11. 25 (01 + 08 + 16) 19.12. 24 (08 + 16) 19.13. e 19.14. 14 (02 + 04 + 08) 19.15. V – V – F – F – V 19.16. 21 (01 + 04 + 16) 19.17. 18 (02 + 16) 19.18. 05 (01 + 04) 19.19. d 19.20. a) Abaporu é o nome de um quadro de Tarsila do Amaral, pinto- ra modernista brasileira. Abaporu é de 1928 e quer dizer “ho- mem que come” ou “homem que come gente”, expressão do tupi-guarani. O movimento modernista é um movimento cul- tural do século XX que, no Brasil, pretendeu trazer as inovações das vanguardas europeias tendo como pano de fundo a reali- dade brasileira – um país que iniciava sua industrialização com o movimento operário pautado pelo anarquismo trazido pelos imigrantes, as cidades, a fusão dos modos de pensar, sentir e agir nativos com a cultura dos recém- chegados –, a arte europeia e o caldo cultural brasileiro, principalmente no que se refere à expressão popular. O significado do quadro pode ser assim ex- posto. A tela apresenta um gigante solitário com pés monstruo- sos, sentado em um terreno verde; o braço dobrado num joelho sustentando o peso da cabeça minúscula. Em sua frente uma flor/sol saindo de um cacto. O corpo grande significa a valori- zação do trabalho braçal em detrimento do trabalho mental re- presentado pela cabeça pequena. Os pés grandes enfocam uma intensa relação com a terra; as cores da tela são as da bandeira brasileira. O quadro foi dado de presente a Oswald de Andrade, que, junto com a pintora (sua mulher à época) e Raul Bopp, deu o nome à tela. Esta tela inspirou o movimento antropofágico de Oswald, representando que a cultura brasileira poderia absorver a cultura europeia; trata-se de um certo nacionalismo nas artes. b) A tela pertence ao movimento modernista brasileiro. As pala- vras-chave para a resposta completa são: valorização da cultura brasileira; cunho político social; surrealismo; formas geométri- cas; cores fortes; movimento antropofágico; desproporção das partes do corpo. Deve haver um texto coerente e coeso, apre- sentando basicamente estas palavras. 34 Extensivo Terceirão A Revolução de 30 Aula 20 5C História Aula 20 5C Como foi o governode Washington Luís (1926-1930)? Apesar de todo o clima de agitação e oposição política à oligarquia cafeeira, a política do café com leite funcionou mais uma vez, e o político paulista Washington Luís foi eleito. Tentando diminuir os efeitos da oposição, o novo presidente inovou ao apresentar um programa de obras e até um slogan: Governar é abrir estradas. negociação. No entanto, a prepotência das oligarquias encontrava na reação da sociedade o seu limite. Mas a “questão social” não era o único “problema” do governo. Os Estados Unidos, então já a maior potência econômica do planeta, “prepararam” uma indigesta surpresa para o mundo: a Crise de 29. De 1922 a 1929, os Estados Unidos experimenta- ram um período de extrema fartura e prosperidade. Essa prosperidade havia sido estimulada pelos altos preços da fase da Primeira Guerra, porém os pontos de apoio da economia eram bastante frágeis. Mui- tos agricultores compraram áreas de terra, na espe- rança da estabilidade de preços, o que não ocorreu. Abriram-se muito mais minas de carvão e indústrias do que as exigidas pela procura, porém a recupera- ção – mesmo que lenta – das economias europeias refreou a expansão econômica americana. Além dis- so, a concentração interna de riquezas nas mãos de um reduzido grupo de megaempresários e corpo- rações impedia que o mercado consumidor interno suprisse essa diminuição da procura. Em outubro de 1929, começou a venda desenfreada de títulos na Bolsa de Nova Iorque. No dia 24, o nível de vendas atingiu o ápice. Faliram bancos, fecharam-se inúmeras indústrias. Quatro anos depois, 17 milhões de operários ainda estavam desempregados. A crise atingiu praticamente o mundo todo. No Bra- sil, a principal “vítima” foi o café. O mercado americano absorvia 70% do café brasileiro. Multidão dos depositantes do lado de fora do Banco dos Esta- dos Unidos depois da falência. 1931 Bi bl io te ca d o Co ng re ss o do s E st ad os U ni do s ©Wikimedia Com m ons/Biblioteca da Presidência da República Na verdade, o “paulista” Washington Luís nasceu em Macaé, RJ. Ao mesmo tempo, determinou o fim do estado de sítio, acenando com pacificação e mudanças. Negou-se, porém, a conceder anistia aos tenentes presos e pressionou o Con- gresso a aprovar a lei celerada, que cerceava a liberdade de imprensa e permitia a aplicação de penas aos acusados de delito ideológico. As apreensões e atitudes de Washington Luís tinham fundamento. As forças de oposição articulavam-se intensamente, particularmente os setores populares. Em 1929, por exemplo, os comunistas criaram a Confe- deração Geral dos Trabalhadores, que chegou a reunir 60 mil operários. Pouco antes, em 1927, foi fundado o Bloco Operá- rio e Camponês – BOC. Ao contrário da ideia de uma luta contra os capitalistas, sob a direção dos operários, propunha uma revolução democrático-burguesa, anun- ciando sua luta contra a oligarquia e o imperialismo: A leitura de revolução do BOC possibilitou a qua- lificação da luta antioligárquica como luta contra o domínio dos grandes proprietários de terra, satisfa- zendo nessa medida amplos setores da sociedade... DECCA, Edgar Salvadori de. O silêncio dos vencidos. São Paulo: Brasiliense, 1984, p. 103. Washington Luís considerava, taxativamente, que a questão social era um caso de polícia. Não admitia Em carta, Antônio Carlos anuncia ao presiden- te sua decisão de rompimento: “Tenho o pesar de comunicar a Vossa Excelência que, diante da ati- tude intransigente que Vossa Excelência assume, relativamente a essa candidatura, alegando não poder sobre a mesma abrir discussão porque im- portaria dispersar forças reunidas para sustentá- -la (...) estou impossibilitado de concordar com a candidatura do Dr. Júlio Prestes, sem embargo das boas relações pessoais que sempre mantive e mantenho com o ilustre compatriota (...)” MEDEIROS, Daniel H. 1930: A revolução disfarçada. São Paulo: Editora do Brasil, 1989. p. 28. Os mineiros compuseram uma chapa de oposição com a Paraíba, governada por João Pessoa, e o Rio Grande do Sul, de Getúlio Vargas. Juntos formaram a Aliança Liberal. Getúlio foi o candidato a presidente; João Pessoa, a vice. Antônio Carlos pagava para ver a derrocada dos paulistas... Diversos setores da sociedade apoiaram a nova chapa. Reforçaram este apoio os tenentes, com exceção de Luís Carlos Prestes, que, do exílio na Argentina, anun- ciou sua adesão ao comunismo e acusou a candidatura aliancista de continuísmo. Cartaz com a propaganda do candidato Getúlio Vargas Ac er vo R ev ist a da S em an a Aula 20 35História 5C Entre 1921 e 1923, o número de pés de café girava em torno de 2 bilhões. Em 1929, este número ultra- passou 2,5 bilhões. As sacas estocadas aumentaram de 7 milhões e 300 mil, em 1927, para 18 milhões e 800 mil em 1929. Por sua vez, a participação do café brasileiro no mercado mundial diminuiu de 67% para 61,8%, entre 1926 e 1929. MEDEIROS, Daniel H. op. cit. p. 185. Em 1929, o desequilíbrio atingiu o máximo. Enquanto a produção foi de cerca de 29 milhões de sacas, as expor- tações chegavam apenas a 14 281 000. Os preços caíram drasticamente. Com a crise da Bolsa de Nova Iorque, a situação tornou-se desesperadora: • os Estados Unidos e outras nações atingidas pela crise paralisaram as importações de café; • o crédito externo foi suspenso; • os débitos foram cobrados imediatamente. Para piorar, em meio a essa crise, deu-se a sucessão presidencial. E, ao conflito econômico, seguiu-se a divi- são política. Irrompiam, por todos os lados, os frutos da discórdia. A sucessão presidencial Campanha da Aliança Liberal, Rio de Janeiro, setembro de 1929 De acordo com a política do café com leite, o pró- ximo presidente deveria ser mineiro. E seu nome já era praticamente um consenso em Minas: era o governador Antônio Carlos de Andrade. Porém, pressionado pelos cafeicultores, Washington Luís indicou outro paulista, o governador de São Paulo, Júlio Prestes. Esta atitude levou a oligarquia mineira a romper com São Paulo, e Antônio Carlos saiu em busca de novos aliados. Fu nd aç ão G et ul io V ar ga s, CP D O C 36 Extensivo Terceirão Realizadas as eleições, em março de 1930, os candi- datos governistas triunfaram com facilidade. O controle da máquina eleitoral e o apoio dos coronéis foi decisivo. As fraudes foram escandalosas. A população urbana não se conformou e acusou – com razão – os vícios do pleito. O povo estava descontente e não desejava apenas a mudança de governo, mas, sim, mudanças sociais profundas. A revolução social, pelo rumor das massas, parecia estar em marcha. A ideia de uma revolução operário-camponesa, para fazer frente à oligarquia em desarticulação, inspirou a célebre frase de Antônio Carlos de Andrade, após a eleição: Façamos a Revolução antes que o povo a faça! A “Revolução” O assassinato de João Pessoa, em 26 de julho de 1930, foi o estopim para que começasse a Revolução. Embora a morte do governador tivesse sido provocada por razões pessoais, a repercussão dos acontecimentos acabou envolvendo a figura de Washington Luís e levan- tou os ânimos da oposição. Manchete do assassinato de João Pessoa É importante que você saiba que, nessa época, a eleição para presidente se dava em março, mas o eleito só tomava posse em 15 de novembro. Assim, o eleito Júlio Prestes ainda não havia tomado posse quando João Pessoa foi assassinado. O presidente continuava sendo Washington Luís. Em 3 de outubro de 1930, Osvaldo Aranha e Flores da Cunha deram início ao movimento, tomando um quartel em Porto Alegre. Ao mesmo tempo, eclodia a revolução em Minas e na Paraíba. Em pouco tempo, o Norte e o Nordeste estavam nas mãos dos revoltosos, liderados por Juarez Távora. No Sul, os rebeldes marcharam em direção a Santa Catarina e ao Paraná. Curitiba foi ocupada no dia 10 de outubro. Fu nd aç ão G et ul io V ar ga s, CP D O C Em Itararé, São Paulo, os legalistasconcentraram suas últimas forças. Os paulistas preparavam-se para resistir. Antes, porém, do confronto com os rebeldes, uma Junta Pacificadora – formada pelos ministros militares – depôs Washington Luís. Diante do fato, os paulistas depuseram armas e Itararé ficou conhecida como o palco da “bata- lha que não houve”. No dia 3 de novembro, Getúlio Vargas chegou ao Rio de Janeiro e se tornou presidente provisório, abrindo caminho para a ascensão de novas forças sociais, como a classe média e a burguesia industrial, rompendo assim o monopólio das oligarquias. No trem da vitória: da esquerda para a direita, Miguel Costa, Gois Monteiro, Getúlio Vargas e Francisco Morato, outubro de 1930 Nem tudo, porém, foi festa no novo governo: Produto de uma aliança heterogênea (Aliança Liberal e tenentismo) e com interesses particula- res determinando as atuações dentro de cada um dos blocos participantes, a Revolução de 30 teria que ter, como teve, um caráter inacabado(...) se é fato que a Revolução de 30 foi o marco de tran- sição do Brasil arcaico para o Brasil moderno, é também verdade que a contraditória multiplici- dade dos interesses vitoriosos fez com que sérias dificuldades surgissem posteriormente, quando chegou a hora das grandes opções para resolver os grandes impasses nacionais. LOPES, Luís Roberto. História do Brasil contemporâneo. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986. p. 41. Tudo isso é o que veremos nas próximas aulas! Ac er vo Ic on og ra ph ia Aula 20 37História 5C Testes Assimilação 20.01. (UNIFENAS – MG) – Na década de 20, o “tenentismo” foi um movimento contestador da ordem política, social e econômica. Assinale a alternativa correta: a) Os tenentistas expressavam o pensamento das Forças Armadas como um todo. b) A ideologia tenentista contestava todo o sistema capi- talista. c) A ideologia tenentista contestava o socialismo cubano. d) O tenentismo contestava a burguesia vinculada à indústria automobilística. e) Os tenentistas representavam o pensamento dos escalões médios do oficialato das Forças Armadas. 20.02. (PUCPR) – O governo de Washington Luís, entre várias dificuldades, teve também de enfrentar os efeitos a) da campanha contra seu ministro Oswaldo Cruz a respeito da obrigatoriedade da vacina contra a varíola; b) da inflação provocada pela política do Encilhamento; c) das restrições às importações provocadas pela Primeira Guerra Mundial; d) da crise de 1929 com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque; e) das revoluções em São Paulo e Minas Gerais que reivin- dicavam melhores salários mínimos. 20.03. No processo denominado Revolução de 30 a Aliança Liberal utilizou um pretexto para desencadear o golpe que levou Getúlio Vargas a presidência. Assinale a afirmação que apresenta corretamente esse pretexto. a) a ação dos militares que impediu a posse de Getúlio Vargas, devido às fraudes políticas. b) o assassinato do candidato à vice-presidência, o paraibano João Pessoa nas eleições de 1930. c) a vitória de Getúlio Vargas nas eleições, resultado que não foi reconhecido pelo governo federal. d) a decretação do estado de sítio pelo presidente Júlio Prestes, ao tomar posse no Palácio do Catete, em 1929. e) o “crash” da bolsa de valores de Nova York em 1929 que obrigou o presidente Washington Luís a abandonar a política liberal, base da economia cafeeira. 20.04. (UFRJ) – Segundo Anita Prestes, “o tenentismo vinha preencher o vazio deixado pela falta de lideranças civis aptas a conduzirem o processo revolucionário brasileiro que começava a sacudir as já caducas insti- tuições políticas da República Velha”. PRESTES, Anita. A Coluna Prestes, São Paulo: Brasiliense, 1995. p. 73. De acordo com o texto, é correto afirmar que: a) os “tenentes” queriam moralizar a vida política nacional, propondo uma ampla aliança de esquerda; b) os “tenentes” queriam deixar de ser meros “jagunços” nas mãos das oligarquias estaduais, amparados por um programa democrático; c) os “tenentes” queriam pôr fim à política democrática instaurada com a República Velha e promover um regime ditatorial, único capaz de finalizar o atraso econômico representado pelas antigas oligarquias cafeeiras; d) os “tenentes” apresentaram-se como substitutos dos frágeis partidos políticos de oposição aos regimes oligár- quicos e à desorganização da sociedade; e) o Tenentismo representou um movimento que buscava romper com a tradição de intervenção militar na política, presente desde a Proclamação da República. Aperfeiçoamento 20.05. (CEFET – MG) – Bopp registrou o seguinte comen- tário “num de seus caderninhos pretos” a respeito do senhor e da senhora Andrade: “Brasileiros. Paulistas. Foram reis do café. Não são mais. Perderam boa parte de suas fortunas com a crise. Costumavam viajar só na primeira classe, mas agora tiveram que se contentar com a categoria turística. Sen- tem-se deslocados. Nas tardes ensolaradas, a senhora Andrade gosta de pintar ao ar livre. O senhor Andrade faz versos. Ele queria que servissem rãs todos os dias no almoço, mas o cozinheiro não atende a seu pedido.” STTIGER, Veronica. Opisanie Œwiata. São Paulo, Sesi, 2018, p. 72). Sobre a crise de 1929, à qual o trecho acima se refere, afirma- -se que: I. Afetou diferentes mercados, pois a economia capitalista já havia se mundializado. II. Incentivou as elites econômicas brasileiras a adotarem hábi- tos alimentares alternativos, devido à escassez de alimentos. III. Gerou um movimento de reavaliação da cultura e das artes, incentivando a produção a partir de temáticas brasileiras. IV. Derrubou o preço de gêneros primários no mercado mundial, alterando a situação das oligarquias latifundiá- rias brasileiras. V. Levou ao esgotamento do acordo político brasileiro, colocando em risco a proteção econômica aos produtos de exportação. Estão corretas apenas as afirmativas a) I, II, III. c) II, III, IV. b) I, IV, V. d) II, IV, V. 38 Extensivo Terceirão 20.06. (ESPCEX – SP) – O início do período republicano no Brasil foi marcado por uma série de conflitos que culminaram com a Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Abaixo estão listados atos e fatos relacionados a nossa história. I. Modelo econômico agroexportador. II. Comissão Verificadora de Poderes. III. Possibilidade de o Presidente nomear Interventores estaduais. IV. Criação da Consolidação das Leis Trabalhistas. Assinale a opção que apresenta elementos relacionados à Primeira República. a) I e II d) II e IV b) I e III e) III e IV c) II e III 20.07. (MACK – SP) – “Getúlio Vargas que estais no Rio Grande do Sul, glorificada seja a vossa luta. Venha a nós a vossa força, seja vitoriosa a vossa causa assim no sul como no norte. Perdoai as nossas covardias, assim como nós perdoamos aos legalistas. Não nos deixai cair em poder de Washington Luís e livrai-nos de Júlio Prestes. Amém” O Padre Nosso do Revolucionário A causa revolucionária em 1930 estava vinculada a) ao fato dos aliancistas não aceitarem a derrota nas urnas e defenderem abertamente a revolução, liderados por Antônio Carlos. b) à prisão de João Pessoa por agentes do governo federal. c) à vitória aliancista nas eleições, gerando a retaliação da oligarquia cafeeira paulista. d) ao rompimento do pacto entre oligarquia cafeeira e militares tenentistas. e) à eleição do candidato oficial Júlio Prestes, acusado de fraude e às perseguições políticas lideradas por Washing- ton Luís contra os aliancistas. 20.08. (UFRGS) – Sobre a Aliança Liberal, formada no decor- rer do processo de sucessão ao Governo Washington Luís, é correto afirmar que: a) visava alterar a estrutura da economia brasileira, através de um novo processo de redistribuição de terras. b) pretendia combater o sistema capitalista, estabelecendo uma política de compromisso com os trabalhadores. c) defendia o fim da propriedade privada e de qualquer forma de governo, sendo influenciada pelas ideias de liberdade e igualdade. d) incentivava a saídado Estado como agente interventor nas relações econômicas, abrindo espaço para a livre competição e modernização. e) anunciava o rompimento da política do café com leite, mar- cando o fim do antigo pacto das oligarquias dominantes. 20.09. (UEL – PR) – A Revolução de 1930 é considerada um marco dos mais importantes da história do Brasil. Assinale a alternativa correta sobre esse acontecimento. a) A Revolução de 30 assinala a ascensão da burguesia cafeeira paulista na política nacional. b) A causa imediata da Revolução de 30 foram as manifesta- ções indignadas da população brasileira contra a política de Washington Luís, para quem o problema social era apenas uma “questão de polícia”, isto é, que se resolveria com repressão policial. c) No aspecto político, a revolução de 30 pôs fim à chamada “política do café com leite”, por meio da qual represen- tantes dos estados de São Paulo e de Minas Gerais se alternavam na presidência da República. d) A Revolução de 30 foi desencadeada para garantir a posse de Getúlio Vargas, cuja vitória na eleição para a presidência da República estava sendo contestada pela oligarquia agrária de São Paulo e de Minas Gerais. e) O assassinato do jornalista Líbero Badaró, da Paraíba, um crítico implacável da oligarquia que controlava a Repú- blica Velha, provocou profunda indignação e contribuiu para odesencadeamento da Revolução de 1930. 20.10. (FMJ – SP) – Leia as afirmativas a seguir. I. O período da República Velha no Brasil (1889-1930) foi marcado pela criação de um sistema chamado de “café com leite” em que representantes dos estados de São Paulo – o mais rico – e Minas Gerais – o mais populoso – se alternavam na presidência da república. II. As críticas e manifestações contra esse sistema se avolu- maram na década de 1920, quando ocorreu uma série de tentativas de golpes de estado lideradas pela classe média urbana de São Paulo com a adesão dos altos oficiais do exército. III. A quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, lançou o mundo numa crise e afetou profundamente a econo- mia brasileira pela brusca queda do preço do café no mercado internacional, atingindo a base financeira da República Velha. IV. Mais do que a transferência de poder político, a Re- volução de 30 deu início à transição de um modelo econômico agro-exportador para outro, baseado na indústria. Estão corretas apenas as afirmativas a) I e II. b) I, II e III. c) I, III e IV. d) II e IV. e) III e IV. Aprofundamento 20.11. (ACAFE – SC) – Os antecedentes da subida de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, estão ligados à crise política que indicaria o candidato do governo federal para as eleições presidenciais de 1930. As desavenças entre o PRP - Partido Republicano Paulista e o PRM - Partido Republicano Mineiro, levaram o presidente Washington Luís a indicar Júlio Prestes para concorrer à presidência da república. Aula 20 39História 5C Nesse contexto é correto afirmar, exceto: a) O assassinato por motivos pessoais de João Pessoa – po- lítico da Paraíba e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas – também contribuiu para o clima de revolta que levou Getúlio Vargas ao poder. b) Líderes da Aliança Liberal não aceitavam o resultado das eleições. Alegavam fraude no sistema eleitoral. c) Os políticos de Minas Gerais, que apoiavam Washington Luís, seguiram o líder político Antônio Carlos e com a formação da Aliança Liberal passaram a compor o grupo de apoio a Getúlio Vargas. d) Na disputa com Júlio Prestes, Getúlio Vargas mostrou a força da Aliança Liberal e foi eleito presidente da república, sendo empossado ainda em 1930. 20.12. (FURG – RS) – Os dois últimos anos da década de vin- te, marcados fundamentalmente pela Crise Mundial de 1929, são caracterizados por vários fatores que levaram à derrocada do modelo oligárquico típico da República Velha no Brasil. Dentre esses fatores podem-se citar: I. ruptura oligárquica entre paulistas e mineiros; II. formação de uma dissidência no seio da oligarquia pau- lista representada pelo Partido Democrático; III. busca por uma ampliação de participação política das chamadas oligarquias periféricas; IV. consolidação dos princípios do liberalismo clássico como única alternativa aos fenômenos advindos da citada crise econômica e social; V. formação de uma candidatura oposicionista representada pela Aliança Democrática Nacional. Estão corretas: a) I, II e III. d) II, III e IV. b) I, III e V. e) I, III e IV. c) III, IV e V. 20.13. (UFG – GO) – Leia o documento a seguir. 1°.) O candidato Getúlio Vargas não sairá do seu Esta- do para fazer propaganda, nem para ler sua plataforma; 2°.) se for vencido, na eleição, conformar-se-á com o re- sultado das urnas, dando por terminado o dissídio e pas- sando a apoiar o governo constituído; 3°.) o presidente da República e o candidato Júlio Prestes comprometem- -se: a não apoiar elementos divergentes da situação do Rio Grande […]; a reconhecer na apuração das eleições de representantes ao Congresso Federal os candida- tos diplomados; passada a eleição, as relações entre o governo da República e o do Rio Grande do Sul serão restabelecidas nos mesmos termos anteriores à divergên- cia sobre a sucessão presidencial […]; d) se for eleito o presidente do Rio Grande do Sul, o atual presidente da República não combaterá o seu reconhecimento e o Dr. Getúlio Vargas assumirá para com São Paulo compro- misso idêntico ao proposto aos Srs. Washington Luís e Júlio Prestes, em relação ao Rio Grande. FONTOURA, J. N. Memórias. Apud FAUSTO, Boris. A revolução de 1930. In: MOTA, Carlos Guilherme (Org.) Brasil em perspectiva. Rio de Janeiro: Difel, 1977. p. 236. [Adaptado]. Produzido em 1929, esse documento refere-se ao processo político-eleitoral na Primeira República. De acordo com sua leitura, verifica-se a) a aliança entre os estados mais representativos da fede- ração, estabelecida por meio da política conhecida como “café com leite”. b) a complexidade da distribuição de forças políticas, ob- servada na relevância dos estados de menor representa- tividade nos pleitos. c) o desacordo da Aliança Liberal em relação às orientações para o processo eleitoral acordadas entre os estados. d) a importância do voto popular nas eleições em função das diferentes dimensões dos colégios eleitorais nos estados. e) o respeito aos princípios republicanos, traduzidos na posição de árbitro assumida pelo então presidente Wa- shington Luís. 20.14. (CESGRANRIO – RJ) – A crise social e política que aba- lou a estabilidade da República Velha (1889 - 1930) quebrou a hegemonia das oligarquias no poder e preparou o terreno para a Revolução de 1930 foi motivada pelo(a): a) aprofundamento das cisões oligárquicas, pelas rebeliões tenentistas, pela insatisfação das classes médias urbanas excluídas da representação política e pela pressão reivin- dicatória das classes operárias; b) aliança política entre a burguesia industrial, as classes médias urbanas e o operariado fabril contra o sistema liberal e democrático da República Velha, controlado pelas oligarquias agrárias; c) quebra do compromisso político entre as oligarquias agrárias e os trabalhadores rurais, o que, durante toda a República Velha, impediu o desenvolvimento dos setores industriais e a organização do movimento operário; d) fortalecimento da união entre as oligarquias paulistas e mineiras na indicação de Júlio Prestes à sucessão presidencial em 1930, o que desagradou as oposições constituídas pelas classes médias urbanas e operariado, defensores de Getúlio Vargas; e) descontentamento da burguesia industrial com o trata- mento dado pelas oligarquias ao movimento operário – “caso de polícia” – e sua decisão de apoiar a Revolução de 30 e a legislação trabalhista. 20.15. (UFRGS) – Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir, referentes à Revolução de 30. ( ) A Revolução de 30 resultou no alijamento da tradicio- nal oligarquia paulista do centro do poder. ( )A Aliança Liberal, representada por Getúlio Vargas, contou com apoio dos tenentes, de setores médios e populares urbanos e de oligarquias dissidentes. ( ) A Revolução de 30 insere-se na onda de acontecimen- tos políticos resultantes da crise estrutural do capitalis- mo nos anos 20. ( ) A irrupção do Partido Comunista e a influência cres- cente da Revolução Soviética estão na origem da su- peração da política do café com leite. 40 Extensivo Terceirão A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) V – V – V – F c) F – V – V – V e) F – F – F – V b) V – F – V – F d) F – V – F – V 20.16. (UFPE) – Leia as afirmativas abaixo, referentes aos anos vinte do século passado, no Brasil. 1. Os anos vinte reforçaram o poder das oligarquias e não envolveram lutas por reivindicações políticas democráticas. 2. O movimento tenentista expressava as insatisfações políticas do momento apenas do ponto de vista da estratégia militar. 3. O movimento modernista significou, entre outras coisas, uma reflexão sobre a identidade cultural brasileira, apesar das influências europeias modernistas. 4. Apesar da importância da cultura do café, já existiam, nos anos 20, investimentos em diversos setores da economia brasileira. 5. Os anos 20 representaram a ascensão dos comunistas dentro do movimento operário da Primeira República. Estão corretas apenas: a) 1 – 2 e 4 c) 1 e 3 e) 1 e 5 b) 2 – 3 e 4 d) 3 – 4 e 5 20.17. (FURG – RS) – Sobre a expressão “República das Oligarquias” no Brasil, é correto afirmar: I. Oligarquia foi um tipo de governo grego que era exercido pelo povo; II. Foi uma fase da República Brasileira, na qual as elites proprietárias de terras exerciam o poder político em níveis locais, regionais e nacionais, chegando até a se revezarem nos cargos tanto do executivo, quanto do legislativo; III. Durante a República Oligárquica, São Paulo e Minas Gerais revezaram-se no poder Federal e deram origem ao que se chamou de política café com leite; IV. Essa fase foi marcada pela democracia e pelo fim das corrupções na estrutura político-administrativa do país; V. Washington Luís foi o último presidente eleito dentro do pacto oligárquico, na chamada República Velha; depois dele veio a Revolução de 1930 e foi instaurada a Era Vargas; VI. Foi uma fase da República Brasileira, na qual o proleta- riado exercia o poder político em níveis locais, regionais e nacionais, chegando até a se revezar nos cargos tanto do executivo, quanto do legislativo e até do judiciário. Leia atentamente e assinale a alternativa que apresenta todas as afirmativas corretas: a) As alternativas II, III e V estão corretas; b) Somente a V está correta; c) A I e a II estão erradas; d) A I, a III e a V estão corretas; e) Todas as alternativas estão erradas. 20.18. (UEM – PR) – O período da História do Brasil com- preendido entre os anos de 1889 e 1930, chamado de “República Velha”, foi caracterizado politicamente pela he- gemonia das oligarquias. Sobre a República Velha, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) Nesse período, embora a economia apresentasse um crescimento, o Brasil continuava a ser essencialmente agrícola, com destaque para a produção cafeeira. 02) Na cultura, o grande destaque foi a realização da Sema- na de Arte Moderna de 1922. 04) Neste período se desenvolveu o Tenentismo, movi- mento comunista que surgiu nas fábricas de São Paulo e que teve grande repercussão no exército brasileiro. 08) Durante esse período, a hegemonia política exercida pelas oligarquias paulista e mineira foi, ironicamente, chamada de política do café com leite. 16) Ao longo da República Velha, o crescimento urbano levou o presidente Getúlio Vargas a instituir uma legislação que restringia a jornada de trabalho, o direito à aposentadoria e proibia os trabalhos infantil e feminino nas fábricas. Desafio 20.19. Sobre acontecimentos que marcaram a vida política e cultural brasileira, na terceira década do século XX, analise as afirmativas abaixo e assinale a(s) correta(s). 01) Fundação, em 1922, do Partido Comunista Brasileiro, cujo conteúdo programático previa, entre outros as- pectos, o reconhecimento diplomático da União Sovi- ética, o combate ao imperialismo, a reforma agrária e a derrubada das oligarquias. 02) Eclosão da chamada Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha e que constituiu um movimento rela- cionado às rupturas políticas internas das grandes oli- garquias e à insatisfação das camadas médias urbanas com as práticas políticas até então vigentes. 04) Implantação do Estado Novo que, através de uma dita- dura militar personificada na figura de Getúlio Vargas, eliminou definitivamente da cena política nacional a hegemonia das oligarquias cafeeiras de São Paulo e es- tancieiras do Rio Grande do Sul. 08) Emergência, em 1922, do movimento tenentista que, entre outras medidas, pregava a moralização da vida pública, através da implantação da ditadura do pro- letariado, o fim do latifúndio, através de uma reforma agrária radical, a defesa do capital nacional e a adoção do voto secreto. 16) Ocorrência da Semana de Arte Moderna de 1922, even- to que teve, entre seus expoentes, os escritores Mario de Andrade e Osvald de Andrade, a pintora Tarsila do Amaral e o compositor Heitor Villa-Lobos, os quais con- denavam a simples ingestão de modismos estrangei- ros, em detrimento de uma assimilação antropofágica das estéticas internacionais a serem mescladas aos elementos da cultura nacional, para originar uma arte vinculada à realidade brasileira. Aula 20 41História 5C 20.20. (FUVEST – SP) – O conceito de revolução, aplicado ao movimento de 1930 no Brasil, é alvo de polêmica entre histo- riadores. Independentemente da controvérsia, não há como negar que houve mudanças importantes, nessa década, com relação às diretrizes da política econômica e à questão social. Explique as mudanças no que se refere à a) política econômica. b) questão social. Gabarito 20.01. e 20.02. d 20.03. b 20.04. d 20.05. b 20.06. a 20.07. e 20.08. e 20.09. c 20.10. c 20.11. d 20.12. a 20.13. b 20.14. a 20.15. a 20.16. d 20.17. a 20.18. 11 (01 + 02 + 08) 20.19. 19 (01 + 02 + 16) 20.20. a) O período entre 1930 e 1945, conhecido como Era Vargas, fi- cou marcado pelo avanço do processo de industrialização im- pulsionado pela política intervencionista do regime getulista. Amparado na simultânea defesa do setor cafeeiro, o governo incentivou a criação de indústrias de base, ampliou a geração de empregos e pode controlar a inflação, criando a situação estável com que o Brasil enfrentou os efeitos da grande depres- são pós-1929. b) O regime imposto por Vargas adotou uma política trabalhista como pilar central do populismo, vigente até 1964. Além dos direitos garantidos aos trabalhadores urbanos pelo conjunto de leis reunidas na Consolidação das Leis do Trabalho (1943), programas assistencialistas, a criação de sindicatos atrelados ao governo e a glorificação do 1o. de Maio compuseram as mu- danças que demoliram a visão coronelista da República Velha acerca da questão social e valeram a Getúlio Vargas a alcunha de “Pai dos Pobres”. 42 Extensivo Terceirão Anotações