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DORDORPerguntas
 c
h
av
e 
em
D
O
R
COORDENADORES:
DURVAL CAMPOS KRAYCHETE
JOSÉ TADEU TESSEROLI DE SIQUEIRA
ALEXANDRE ANNES HENRIQUES
Perguntas chave em
www.permanyer.com
PERMANYER BRASIL
www.dor.org.br • dor@.org.br
FERNANDO CO TAIT MALUF
C OORDENADOR:
www.permanyer.com
PERMANYER BRASIL
Perguntas chave em
C O O R D E N A D O R E S :
J O S É TA D E U T E S S E R O L I D E S I Q U E I R A
A L E X A N D R E A N N E S H E N R I Q U E S
D U R VA L C A M P O S K R AY C H E T E
DOR
© 2014 Permanyer Brasil Publicações, Ltda.
Avenida Eng. Luiz Carlos Berrini, 1461, 4.o Andar 
CEP 04571-011 São Paulo, Brasil
brasil@permanyer.com
Edição impressa em Brasil
© 2014 P. Permanyer
Mallorca, 310 - 08037 Barcelona (Catalunha). Espanha
Tel.: +34 93 207 59 20 Fax: +34 93 457 66 42
ISBN da colecção: XXXXXXXXX
ISBN: XXXXXXXXX
Ref.: 1409AR131
Impresso em papel totalmente livre de cloro
Este papel cumpre os requisitos de ANSI/NISO
Z39-48-1992 (R 1997) (Papel Estável)
Reservados todos os direitos 
Sem prévio consentimento da editora, não se poderá reproduzir nem armazenar em um suporte recuperável ou 
transmissível nenhuma parte desta publicação, seja de forma eletrônica, mecânica, fotocopiada, gravada ou por qualquer 
outro método. Todos os comentários e opiniões publicados são da responsabilidade exclusiva dos seus autores.
www.permanyer.com
PERMANYER BRASIL
100 perguntas chave em Dor III
Autores
Alana Menêses Santos 
CRM: 147100 – SP
Serviço de Dor e Doenças Osteoarticulares 
da Disciplina de Geriatria 
e Gerontologia – DIGG 
Universidade Federal de São Paulo 
São Paulo – SP
Alexandre Annes Henriques 
CRM: 26146 – RS
Serviço de Dor e Medicina Paliativa
Hospital de Clínicas de Porto Alegre 
Porto Alegre – RS
Antônio Carlos de Camargo 
Andrade Filho 
CRM: 37824 – SP
Fundador do Serviço de Terapia 
da Dor e Medicina Paliativa 
da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Membro Fundador e Presidente da Sociedade 
Brasileira para o Estudo da Dor (1994–1995)
Coordenador responsável pela Rede 
de Reabilitação Lucy Montoro unidade Jaú 
São Paulo – SP
Cristina Frange 
CREFITO: 139958F – SP
Disciplina de Medicina e Biologia do Sono 
Departamento de Psicobiologia
UNIFESP
São Paulo – SP
Daniel Ciampi 
CRM: 108232 – SP
Supervisor 
do Programa de Residência Médica de Neurologia 
Área de Atuação em Dor 
Faculdade de Medicina 
Universidade de São Paulo
Professor Colaborador 
Departamento de Neurologia 
Faculdade de Medicina 
Universidade de São Paulo
Neurologista 
Centro de Dor do Instituto do Câncer 
do Estado de São Paulo Octávio Frias de Oliveira
Coordenador da Liga de Dor 
Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina 
e da Escola de Enfermagem da USP 
São Paulo – SP
Durval Campos Kraychete 
CRM: 10486 – BA
Médico Anestesiologista 
Área de atuação em Dor
Professor Doutor 
da Universidade Federal da Bahia
Vice-Presidente da Sociedade Brasileira 
para o Estudo da Dor (SBED)
Salvador – BA
Eduardo Grossmann 
CRM: 7247 – RS
Centro de Dor e Deformidade Orofacial 
(CENDDOR-RS)
Disciplina de Dor Craniofacial aplicada à 
Odontologia 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
Porto Alegre – RS
Fabiola Peixoto Minson 
CRM: 90398 – SP
Médico Anestesiologista
Área de Atuação em Dor AMB 
(Associação Médica Brasileira) 
Coordenadora do Centro Integrado 
de Tratamento de Dor São Paulo
Médica da Equipe de Tratamento da Dor 
do Hospital Albert Einstein São Paulo
São Paulo – SP
Fania Cristina dos Santos 
CRM: 70907 – SP
Serviço de Dor e Doenças Osteoarticulares da 
Disciplina de Geriatria e Gerontologia (DIGG)
Universidade Federal de São Paulo
São Paulo – SP
Autores
IV 100 perguntas chave em Dor
Josimari Melo De Santana 
CREFITO 7: 53209-F – SE
Chefe do Grupo de Pesquisa Dor e Motricidade 
Departamento de Fisioterapia 
Hospital Universitário 
Universidade Federal de Sergipe
Aracaju – SE
Levy Higino Jales Neto 
CRM: 117903 – SP
Médico reumatologista 
Hospital São Camilo Santana
São Paulo – SP
Lin Tchia Yeng 
CRM: 58089 – SP
Responsável pelo grupo de Dor 
Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT)
Hospital das Clínicas da Faculdade 
de Medicina da USP (HC-FMUSP)
São Paulo – SP
Luiz Biela do Vale 
CRM: 70093 – SP
Professor Adjunto de Farmacologia 
do Instituto de Ciências Biomédicas 
da Universidade de São Paulo – ICB/USP
São Paulo – SP
Manoel Jacobsen Teixeira 
CRM: 17968 – SP 
Prof Titular de Neurocirurgia 
Faculdade de Medicina da Universidade 
de São Paulo
Fundador e Supervisor do Centro de Dor 
Faculdade de Medicina da Universidade 
de São Paulo (FMUSP)
Fundador e Supervisor da Liga de Dor 
do Centro Acadêmico 
da Faculdade de Medicina da Universidade de São 
Paulo (FMUSP) 
São Paulo – SP
Mario Luiz Giublin 
CRM: 6112 – PR
Clínica de Dor do Hospital de Clínicas 
Universidade Federal do Paraná
Curitiba – PR
Mirlane Guimarães de Melo Cardoso 
CRM: 2028 – AM
Responsável pelo Serviço de Terapia da Dor 
e Cuidados Paliativos da Fundação 
Centro de Controle de Oncologia do Amazonas 
STDCP/FCECON
Amazonas – AM
Monica Levy Andersen 
CRBM: 5712 – SP
Disciplina de Medicina e Biologia do Sono 
Departamento de Psicobiologia, UNIFESP
São Paulo – SP
Irimar de Paula Posso 
CRM: 12934 – SP
Professor Associado Aposentado de Anestesiologia 
Departamento de Cirurgia 
Faculdade de Medicina da USP
Professor Titular Aposentado de Farmacologia 
Anestesiologia e Terapêutica da Dor 
Universidade de Taubaté 
São Paulo – SP
Jamir João Sardã Jr. 
CRP: 12/1554 – SC
Espaço da ATM
Centro da Dor Baía Sul
Florianópolis – SC
Janaína Vall 
COREN: 97020 – CE
Enfermeira 
Doutora em Ciências Médicas
Professora Adjunta da Universidade Federal 
do Ceará
Diretora Científica da Sociedade Cearense 
para o Estudo da Dor (SOCED) 
Ceará – CE
João Batista Garcia 
CRM: 2603 – MA
Prof. Doutor da Disciplina de Anestesiologia 
Dor e Cuidados Paliativos 
Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Responsável pelo Serviço de Dor 
e Cuidados Paliativos 
Hospital Universitário da UFMA 
Instituto Maranhense de Oncologia
Maranhão – MA
José G. Speciali 
Disciplina de Neurologia 
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto 
Ribeirão Preto – SP
José Oswaldo de Oliveira Jr 
CRM: 31963 – SP
Titular e Diretor 
do Departamento de Terapia Antálgica 
Cirurgia Funcional e Cuidados Paliativos 
da Escola de Cancerologia Celestino Bourroul 
da Fundação Antônio Prudente de São Paulo
São Paulo – SP
José Tadeu Tesseroli de Siqueira 
CRO: 14.645 – SP
Presidente da Sociedade Brasileira 
para o Estudo da Dor – SBED 
Coordenador do Curso de Residência em 
Odontologia Hospitalar 
Área de Dor Orofacial do Hospital 
das Clínicas da Faculdade de Medicina da 
Universidade de São Paulo 
São Paulo – SP
Autores
100 perguntas chave em Dor V
Norma R.P. Fleming
Disciplina de Neurologia 
Universidade Federal Fluminense
Niterói – RJ
Onofre Alves Neto 
CRM: 4193 – GO
Médico Anestesiologista, Área de Atuação em Dor
Doutor em Medicina 
Professor Associado de Anestesiologia 
Universidade Federal de Goiás
Chefe do Serviço de Anestesiologia 
Universidade Federal de Goiás 
Presidente em 2006/2008 da Sociedade Brasileira 
para o Estudo da Dor (SBED) 
Goiás – GO
Osvaldo J.M. Nascimento 
CRM: 52167823 – RJ
Professor Titular de Neurologia da Universidade
Federal Fluminense
Rio de Janeiro – RJ
Patrick R.N.A.G. Stump 
CRM: 28451 – SP
Grupo de Dor 
Departamento de Neurologia Hospital das Clínicas 
Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP)
Instituto de Ortopedia e Traumatologia 
do HC-FMUSP 
Divisão de Reabilitação 
do Instituto Lauro de Souza Lima 
Bauru – SP
Ricardo Galhardoni 
ABG: 177 – SP
GerontólogoPesquisador do Centro de Dor HC-FMUSP
Doutorando do Departamento de Neurologia FMUSP 
São Paulo – SP
Ricardo Kobayashi 
CRM: 130678 – SP
Pesquisador do grupo de Dor 
Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT)
Hospital das Clínicas da Faculdade 
de Medicina da USP (HC-FMUSP)
São Paulo – SP
Roberto Awade 
CRM: 25464 – SP
Membro da Equipe de Controle da Dor 
Divisão de Anestesia 
Hospital das Clínicas da Faculdade 
de Medicina da USP
Titulo Superior em Anestesiologia da Sociedade 
Brasileira de Anestesiologia 
Instrutor Corresponsável 
Centro de Ensino e Treinamento 
da Divisão de Anestesia do Hospital das Clínicas
Faculdade de Medicina da USP 
São Paulo – SP
Roberto Monclùs Romanek 
CRM: 69576 – SP
Titulo Superior em Anestesiologia 
da Sociedade Brasileira de Anestesiologia 
Certificado de Atuação em Terapêutica 
da Dor emitido pela Sociedade Brasileira 
de Anestesiologia
Instrutor Corresponsável 
Centro de Ensino e Treinamento 
Faculdade de Medicina do ABC 
São Paulo – SP
Sílvia Maria de Macedo Barbosa 
CRM: 62559 – SP
Médica Pediatra 
Chefe da Unidade de Dor 
e Cuidados Paliativos do Instituto da Criança 
do Hospital das Clinicas da HC/FMUSP
Coordenadora do Comité de Dor em Pediatria da 
Sociedade Brasileira Para o Estudo da Dor (SBED)
Presidente do departamento de Cuidados Paliativos 
e da Dor da Sociedade Paulista de Pediatria 
São Paulo – SP
Sílvia Regina Dowgan Tesseroli 
de Siqueira 
CRM: 70022 – SP
Curso de Gerontologia 
Escola de Artes, Ciências e Humanidades 
Universidade de São Paulo (USP)
São Paulo – SP
Departamento de Neurologia
Faculdade de Medicina da Universidade 
de São Paulomés (FMUSP)
Pacaembú – SP
Telma Regina Mariotto Zakka 
CRM: 33741 – SP
Ambulatório de dor abdominal 
Pélvica e perineal não visceral 
Centro Interdisciplinar de Dor 
Hospital das Clínicas 
Faculdade de Medicina 
Universidade de São Paulo
São Paulo – SP
Thiago Mattar Cunha
Departamento de Farmacologia 
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto 
Universidade de São Paulo 
Ribeirão Preto – SP
100 perguntas chave em Dor VI
Abreviaturas
AINEs anti-inflamatórios não esteroides
AMPP Estudo Americano da Prevalência e 
Prevenção da Migrânea
ATM articulação temporomandibular
ATP trifosfato de adenosina
CATM cirurgia da articulação temporomandibular
CC cefaleia crônica
CCD cefaleia crônica diária
CEM cefaleia por uso excessivo de medicação
CGRP peptídeo relacionado ao gene da 
calcitonina
CID-10 Classificação Internacional das Doenças
COX cicloxigenase
COX-2 cicloxigenase 2
CPs cuidados paliativos
CTT cefaleia do tipo tensional
CTTC cefaleia tipo tensional crônica
DN dor neuropática
DNP DN periférica
DN4 Douleur Neuropathique 4 Questions
DTM disfunção temporomandibular
EAD escada analgésica de dor
EEG eletroencefalograma
EEME estimulação elétrica da medula espinhal
EMADOR Escala Multidimensional de Dor
EFNS European Federation of Neurological 
Societies
FAN fator anti-núcleo
FDA Food and Drug Administration
G-CSF fator estimulante de colônias de 
granulócitos
GRD gânglio da raiz dorsal
HIV virus da imunodeficiência humana
HTLV virus linfotrópico da célula humana
IASP Associação Internacional para o Estudo da Dor
IL interleucina
LANSS Leeds Assessment of Neuropathic 
Symptoms and Signs Pain Scale
LC lombalgia crônica
MC migrânea crônica
MCC microscopia confocal de córnea
MMII membros inferiores
NFF neuropatia de fibras finas
NIT neuralgia idiopática do trigêmeo
NPD neuropatia periférica dolorosa diabética
NPH neuralgia pós-herpética
NPT neuropatia pós-traumática
NMDA N-metil-D-aspartato
NNT número necessário para tratar
NS nociceptivos específicos
OMS Organização Mundial de Saúde
PAINAD Pain Assessment in Advanced Dementia
PACSLAC Pain Assessment Checklist for Seniors with 
Limited Ability to Communicate
PATCOA Pain Assessement tool in confused older 
adults
PIC pressão intra-craniana
PEM potencial evocado motor
PG ponto-gatilho
PGM pontos-gatilho miofasciais
PS ponto sensível
PPS Palliative Performance Scale
QST teste sensitivo quantitativo
QV qualidade de vida
SAB síndrome da ardência bucal
SBED Sociedade Brasileira para Estudo da Dor
SCDR Síndrome Complexa Dolorosa Regional
SCP substância cinzenta periaquedutal
SDM síndrome dolorosa miofascial
SDPL síndrome dolorosa pós-laminectomia
SNC sistema nervoso central
SP sunstância P
TSH hormonio estimulante da tireoide
VI via intravenosa
VO via oral
WDR amplo espectro dinâmico de resposta
100 perguntas chave em Dor VII
Índice
Apresentação IX
J. Tadeu Tesseroli de Siqueira
Capítulo 1
Enfim, o que é dor e quais são seus mecanismos? 1
T. Mattar Cunha, M.L. Giublin, A.C. de Camargo Andrade Filho e J.T. Tesseroli de Siqueira
Capítulo 2
Avaliação e tratamento da dor – Parte 1 9
O. Alves Neto, J. Vall e D. Campos Kraychete
Capítulo 3
Câncer e dor 15
J.B. Garcia, M. Guimarães de Melo Cardoso, D. Ciampi e M.J. Teixeira
Capítulo 4
Cefaleia e dor orofacial 23
J.G. Speciali, N.R.P. Fleming, E. Grossmann e S.R. Dowgan Tesseroli de Siqueira
Capítulo 5
Dor aguda em traumatismos e após cirurgias 31
I.P. Posso, R.M. Romanek e R. Awade
Capítulo 6
Dor na criança, na mulher e no idoso 37
T.R. Mariotto Zakka, S.M. de Macedo Barbosa, A. Menêses Santos e F.C. dos Santos
Capítulo 7
Dor musculoesquelética 47
P.R.N.A.G. Stump, L. Tchia Yeng, J. Melo de Santana, L.H. Jales Neto, R. Kobayashi e R. Galhardoni
Capítulo 8
Dor neuropática 55
O.J.M. Nascimento, M. Jacobsen Teixeira e D. Campos Kraychete 
Capítulo 9
Dor, saúde mental e sono 63
A.A. Henriques, J.J. Sardá Jr., C. Frange e M. Levy Andersen
Capítulo 10
Tratamento da dor – Parte 2 71
J.O. de Oliveira Jr, F. Peixoto Minson e L. Biela do Vale
100 perguntas chave em Dor IX
Será que 100 perguntas dão a resposta a um tema tão complexo e caro à existência hu-
mana como a dor? Penso que não, porém, como o próprio título do livro sugere, podem 
auxiliar a abrir a porta de entrada do vasto e misterioso universo da dor humana, de modo 
a ajudar na reflexão de situações cotidianas da prática clínica, o que já seria um grande feito.
O leitor poderá vislumbrar nas questões apresentadas esse vasto universo: são 10 capí-
tulos e 100 perguntas sobre mais de 18 tópicos referentes à dor, escritos por 36 especialis-
tas brasileiros de diferentes profissões e especialidades.
Por isso, organizar um livro deste porte, contando com tantas pessoas ilustres que se 
dedicam ao tema no Brasil, certamente é um desafio. A Sociedade Brasileira para o Estudo 
da Dor (SBED) orgulha-se de tê-lo enfrentado. Ressalte-se que, além do conhecimento cien-
tífico indispensável, base da construção deste livro coletivo, contamos com a paciência e a 
dedicação por parte de todos, sem os quais ele não seria facilmente finalizado.
Integrar educando é também um desafio da SBED, que, com este livro, espera colaborar 
com todos aqueles que buscam conhecimento e atualização, sejam jovens estudantes das 
áreas da saúde, profissionais da saúde em formação na área de dor, clínicos já experientes 
e até gestores da saúde. É a união em prol daquele ao qual, no final, tudo é dedicado: o 
paciente. E paciente, em algum momento das nossas vidas, poderemos ser cada um de nós. 
Todos trabalhando por todos, literalmente.
A participação dos coautores foi espontânea e voluntária. Por isso, em nome da SBED, 
deixo meu imenso e terno agradecimento a cada um. Agradecimento extensivo ao Labora-
tório Mundipharma pelo apoio indispensável e à editora Permanyer, pelo valoroso esforço 
realizado. Não poderia esquecer a participação da secretaria da SBED neste trabalho.
Boa leitura!
José Tadeu Tesseroli de Siqueira CRO: 14.645 – SP
Presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor – SBED 
Coordenador do Curso de Residência em Odontologia Hospitalar 
Área de DorOrofacial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo 
São Paulo – SP
Apresentação
100 perguntas chave em Dor 1
QUAL A DEFINIÇÃO DE DOR 
MAIS ACEITA ATUALMENTE?
Durante o processo evolutivo, os seres 
vivos desenvolveram inúmeros processos fi-
siológicos que permitiram sua sobrevivência. 
Entre esses processos certamente podemos 
incluir a dor, já que ela faz com que o indi-
víduo tenha consciência de que sua integri-
dade está sendo ameaçada ou que ocorre 
alguma disfunção em seu organismo.
Etimologicamente, a palavra dor provém 
do latim dolore e significa sofrimento físico 
ou moral, pena, desgosto, tormento, aflição 
e tristeza. Vários indivíduos tentaram definir 
a dor. Homero, por exemplo, acreditava que 
ela era resultado de “flechadas atiradas por 
deuses”, revoltados com os humanos. Para 
Aristóteles, quem descreveu pela primeira 
vez as cinco modalidades sensoriais (visão, 
gustação, olfação, audição e tato), a dor era 
uma “paixão da alma” (ou padecimento), 
sendo considerada uma experiência oposta 
ao prazer. Já Platão considerava que a dor 
originava se não somente da estimulação 
periférica, mas também da experiência emo-
cional originada no espírito, uma ideia que 
vai além da concepção de distúrbio mera-
mente localizado no organismo e que, tal-
vez, tenha deixado indícios para o conceito 
de dor como experiência emocional. Por fim, 
Descartes propôs que a dor resultava da de-
sarmonia entre o sistema nervoso periférico 
Enfim, o que é dor e quais 
são seus mecanismos? 
T. Mattar Cunha, M.L. Giublin, A.C. de Camargo Andrade Filho 
e J.T. Tesseroli de Siqueira 
e o encéfalo, sendo a percepção pela alma 
da ação de objetos externos sobre o corpo 
ou no seu interior.
A definição mais aceita atualmente para 
descrever foi elaborada pelo grupo de taxo-
nomia da Associação Internacional para o 
Estudo da Dor (IASP)1 e consiste em “expe-
riência sensitiva e emocional desagradável 
associada a uma lesão tecidual real ou po-
tencial”. Portanto, a dor envolve a percep-
ção dos estímulos nocivos pelo sistema ner-
voso central (SNC) quando receptores 
sensoriais especializados (neurônios nocicep-
tivos periféricos) são ativados, ou seja, da 
mesma forma que a visão e a audição, a dor 
tem um sistema neuronal próprio, denomi-
nado sistema nociceptivo. Adicionalmente, a 
dor apresenta um componente afetivo-mo-
tivacional, incluindo atenção, estado emo-
cional e aprendizagem. Simplificadamente, 
poderíamos definir a dor como a “percepção 
desagradável de uma sensação nociceptiva”. 
Este conceito também envolve dois compo-
nentes da dor, a nocicepção (sensação) e a 
sua percepção. A nocicepção (do latim no-
cere, “ferir”), ou sensação nociceptiva, re-
sulta da detecção seletiva de estímulos ca-
pazes de comprometer a integridade física 
de um organismo. A percepção é uma fun-
ção integrativa modulada por condições 
emocionais, motivacionais e psicológicas, 
bem como experiências de vida de cada 
pessoa.
Capítulo 1
T. Mattar, et al.
2 100 perguntas chave em Dor
QUAIS SÃO OS “CAMINHOS” 
DA DOR? 
Os estímulos nocivos (ou nociceptivos), 
sejam eles físicos (mecânicos ou térmicos) ou 
químicos (bradicinina, capsaicina, serotoni-
na, prótons etc.), são detectados pelas ter-
minações nervosas livres (nociceptores) de 
fibras sensórias periféricas presentes nos di-
ferentes tecidos. Os neurônios nociceptivos 
periféricos são neurônios pseudounipolares 
possuindo um ramo axonal distal, que se di-
rige à periferia, e outro ramo axonal proximal, 
que se dirige ao corno dorsal da medula 
espinal ou ao tronco cerebral. Eles inervam 
amplamente pele, mucosas, músculos, arti-
culações e vísceras. Os nociceptores que 
inervam a cabeça e o pescoço vão compor 
os nervos cranianos e possuem seus cor-
pos celulares, principalmente, no gânglio 
trigeminal. Já os corpos celulares das fibras 
que inervam tronco e membros estão nos 
gânglios da raiz dorsal (GRDs) dos nervos es-
pinais2. 
Baseado em critérios morfológicos, as fi-
bras nociceptivas podem ser classificadas em 
fibras de pequeno e médio diâmetro. As fi-
bras de médio diâmetro, também denomi-
nadas fibras A δ, são finamente mielinizadas 
e possuem velocidades de condução entre 
2 e 30 m/s. Elas correspondem a 20% das 
fibras que conduzem a informação nocicep-
tiva e são responsáveis pela dor de curta 
duração, aguda e lancinante, sentida após 
uma estimulação nociva. As fibras de peque-
no diâmetro, também denominadas fibras C, 
não são mielinizadas e por isso possuem 
velocidade de condução baixa (0,5 a 2 m/s), 
sendo responsáveis pela dor de longa dura-
ção e difusa2. Elas correspondem a 80% das 
fibras condutoras da informação nocicepti-
va. Também existem diferenças quanto ao 
tipo de estímulo nociceptivo capaz de ativar 
essas fibras. Enquanto as fibras A δ respon-
dem, principalmente, a estímulos mecânicos 
e térmicos, as fibras C são ditas polimodais 
e respondem a estímulos mecânicos, térmi-
cos e químicos2. As fibras C também têm 
sido implicadas na transmissão de estímulos 
responsáveis pelo prurido. 
Convém ressaltar que, durante processos 
patológicos (por exemplo, neuropatias), nos 
quais ocorre uma plasticidade neuronal 
central, as fibras A b, de largo diâmetro e 
altamente mielinizadas, responsáveis pela 
detecção de estímulos inócuos (por exem-
plo, táteis), podem passar a responder como 
nociceptores. Nestas condições, estímulos 
táteis inócuos, detectados por estas fibras, 
são interpretados como nociceptivos, dando 
origem ao fenômeno de alodinia.
Temporalmente e de forma simplificada, 
pode-se dizer que, na periferia, a informação 
nociceptiva (ou seja, um estímulo nocicepti-
vo) é reconhecida por moléculas sinalizado-
ras específicas (por exemplo, TRPV1, TRPA1, 
TRPM8, etc.) presentes nos nociceptores 
(fibras A δ e C), convertida em impulsos 
elétricos e transmitida pelos nervos espinais 
e cranianos aos neurônios de segunda e ter-
ceira ordem no SNC. Os nociceptores que 
transmitem a informação nociceptiva de es-
truturas cranianas contraem sinapses direta-
mente com neurônios de segunda ordem, 
em núcleos no tronco cerebral. Já os presen-
tes nos membros e tronco conduzem a in-
formação nociceptiva para o SNC através da 
raiz dorsal da medula espinal, onde contra-
em sinapses com neurônios de segunda or-
dem. Estas sinapses ocorrem no corno dorsal 
da medula espinal na substância cinzenta, 
que foi dividida com base citoarquitetônica 
por REXED (1954)3 em 10 lâminas, sendo a 
lâmina I a mais superficial, a partir da região 
dorsal. A maioria dos nociceptores termina 
nas lâminas mais superficiais, sendo que as 
fibras A δ contraem sinapse com neurônios 
secundários presentes nas lâminas I, II e tam-
bém na V, e as fibras C, principalmente, com 
neurônios da lâmina II, também conhecida 
como substância gelatinosa. É importante 
mencionar, ainda, que as fibras A b terminam 
Enfim, o que é dor e quais são seus mecanismos? 
100 perguntas chave em Dor 3
principalmente nas lâminas III, IV e V. A co-
municação entre os neurônios nociceptivos 
periféricos e de segunda ordem depende da 
liberação de vários neurotransmissores, sen-
do que o mais estudado é o glutamato. Ou-
tros neurotransmissores, como substância P 
(SP) e peptídeo relacionado ao gene da cal-
citonina (CGRP), parecem estar envolvidos 
na modulação da transmissão espinal. 
A propriedade funcional dos neurônios de 
segunda ordem dentro de cada lâmina da me-
dula espinal tende a ser um reflexo da distri-
buição das terminações dos neurônios aferen-
tes primários. Por exemplo, as lâminas I e II 
contêm, principalmente, neurônios que pos-
suem alto limiar de excitabilidade, os quais 
respondem, exclusivamente, à estimulação 
cutânea nociva. Estes neurônios secundá-
rios são denominados nociceptivos especí-ficos ou NS, do inglês nociceptive specific. 
Por outro lado, a maioria dos neurônios pre-
sentes nas lâminas IV e V respondem à estimu-
lação tátil. Há ainda um grupo de neurônios de 
segunda ordem presentes, principalmente, na 
lâmina V, que respondem tanto a estímulos 
de baixa quanto de alta intensidade, provindos 
tanto de fibras de grande quanto de pequeno 
diâmetro. Esses são denominados neurônios 
de amplo espectro dinâmico de resposta 
(WDR) ou neurônios multirreceptivos.
A magnitude das respostas dos neurônios 
no corno dorsal da medula espinal não ocorre 
simplesmente em função da natureza e in-
tensidade da informação nociceptiva aferente. 
Ela é também resultado de uma série de 
sistemas neuroniais distintos, que funcionam 
modulando os eventos, os quais ocorrem 
durante o processamento da informação no-
ciceptiva em nível espinal. Por exemplo, na 
lâmina II, ou substância gelatinosa, existem 
vários interneurônios inibitórios que se pro-
jetam para outras regiões do corno dorsal, 
constituindo um importante mecanismo de 
regulação da transmissão nociceptiva. Além 
disso, existem várias evidências de que es-
truturas no tronco cerebral enviam projeções 
neuronais até a medula espinal, as quais, pela 
liberação de diferentes neurotransmissores 
(serotonina, noradrenalina, etc.), são capazes 
de modular tanto positivamente quanto ne-
gativamente a passagem do estímulo noci-
ceptivo. Esses fenômenos são denominados 
controle descendente facilitatório e inibitório 
da dor, respectivamente4.
Após a informação nociceptiva ser passada 
dos neurônios primários para os secundários 
e sofrer todas essas modulações, ela ascende 
através de diferentes tratos nervosos especí-
ficos até a convergência com populações de 
neurônios no núcleo posterior ventral do tála-
mo. Essa informação neural se projeta, então, 
do tálamo para áreas sensoriais do córtex 
cerebral, região onde as várias submodalida-
des, como qualidade, intensidade e localização 
são integrados na experiência da percepção. 
É importante mencionar, que a informação 
nociceptiva poderá ainda atingir outros núcleos 
centrais (ex. sistema límbico, amídala, etc.) 
que definirão a tonalidade afetiva da dor. 
QUAIS AS DIFERENÇAS 
ENTRE DOR AGUDA E CRÔNICA? 
De maneira simplista, poderíamos dizer 
que temos duas categorias de dor, depen-
dendo do tempo de sua permanência. A dor 
aguda, que dura segundos, dias ou semanas, 
que informa rapidamente que os estímulos 
do meio ambiente agridem ou colocam em 
perigo a integridade física do individuo. Entre 
as causas da dor aguda podemos apontar 
cirurgias, traumatismos, queimaduras, infla-
mação aguda ou infecção. 
A dor aguda não tratada adequadamen-
te leva à dor crônica e se torna a própria 
doença do paciente. Atualmente, a dor crô-
nica é um dos principais problemas de nossa 
sociedade. Além de gerar estresses físicos e 
emocionais para os pacientes, ela traz alto 
custo financeiro e social, uma vez que leva 
a uma breve ou, até mesmo, permanente 
incapacitação de milhões de pessoas. Para 
T. Mattar, et al.
4 100 perguntas chave em Dor
que a dor seja considerada crônica, ela deve 
durar, no mínimo, de 3 a 6 meses, podendo 
acometer o indivíduo por muito anos. A dor 
tornar-se crônica, em condições patológicas, 
resultando em um estado de má adaptação 
do sistema nociceptivo, que ocorre por uma 
combinação de alterações nos eventos básicos 
da nocicepção, associado a disfunções de 
origem física, emocional, psicológica e so-
cial. Portanto, trata-se de uma síndrome que 
compromete de maneira transitória ou per-
manente, a qualidade de vida, assim como 
a capacidade de trabalho de seus portado-
res. Dentre os tipos de dores crônicas, pode-
mos destacar as dores nas costas, alguns 
tipos de cefaleias, fibromialgia, dor oncoló-
gica5. As síndromes dolorosas crônicas resul-
tantes de lesões primárias ou doença de 
estruturas do sistema nervoso periférico ou 
central, as quais podem acometer raízes e 
nervos periféricos, nervos cranianos, medula 
espinhal ou cérebro, são classificadas como 
“dores neuropáticas”. 
QUAIS AS DIFERENÇAS 
ENTRE DOR NOCICEPTIVA 
E DOR NEUROPÁTICA? 
Simplificadamente, o termo dor nocicep-
tiva é descrito como sendo a dor gerada por 
uma lesão tecidual real ou potencial devido 
à ativação de neurônios nociceptivos perifé-
ricos. Em outras palavras, este termo é usa-
do para descrever a dor que ocorre em situ-
ações nas quais o sistema nociceptivo está 
intacto, como, por exemplo, a dor que 
acompanha encostar a mão em uma chapa 
quente ou mesmo aquela decorrente de um 
beliscão. Também descrita como a dor fisio-
lógica, ela é fundamental para a sobrevivên-
cia dos indivíduos. Pessoas que não são ca-
pazes de responder a estímulos nociceptivos, 
como, por exemplo, o que acontece em 
certas doenças congênitas, a expectativa dos 
indivíduos é bem baixa, comparado à popu-
lação em geral. 
Por outro lado, a dor neuropática é des-
crita como sendo aquela dor que decorre de 
lesão ou doença do sistema somatossenso-
rial, que leva a anormalidades do sistema 
nociceptivo. Desse modo, esta nova denomi-
nação para dor neuropática atualizada pela 
última vez pela IASP, em 2012, traz informa-
ções importantes. Ou seja, para ser classifi-
cada com dor neuropática, é necessária a 
demonstração de uma lesão real, bem como 
uma doença do sistema sensitivo que satis-
faça critérios neurológicos de diagnósticos 
bem estabelecidos. Quando se fala em lesão, 
necessita-se da confirmação por métodos 
diagnósticos (imagem, neurofisiológico, etc.) 
de que a uma anormalidade neural ou um 
trauma mensurável. Além disso, a doença do 
sistema somatossensorial é devidamente uti-
lizada quando a causa da lesão é conhecida. 
Entre os diferentes fatores que podem lesio-
nar o sistema nervoso e resultar no apareci-
mento da dor neuropática encontram-se a 
compressão mecânica de nervos, (neuralgia 
do trigêmio), doenças metabólicas (diabetes), 
infecções virais (herpes-Zóster, AIDS), neuro-
toxicidade pelo uso crônico de drogas, do-
enças autoimunes (esclerose múltipla) e cân-
cer. Apesar das diferentes etiologias, todas 
essas síndromes que levam ao surgimento 
da dor neuropática compartilham uma ca-
racterística comum: afetam diretamente as 
vias nociceptivas. Nessas condições, a dor 
caracteriza-se por percepções sensoriais 
anormais. Um sintoma característico da dor 
neuropática é a hipersensibilidade dolorosa 
para estímulos normalmente inócuos, fenô-
meno conhecido como “alodinia tátil”6. No 
entanto, é importante ressaltar que a alodi-
nia per se não define a classificação em dor 
neuropática.
Existem diversas evidências de que a le-
são ou doença do sistema somatossensorial 
promove mudanças funcionais, estruturais e 
bioquímicas ao longo de todo o circuito no-
ciceptivo. Como resultado, diversas altera-
ções neuroplásticas podem ser observadas 
Enfim, o que é dor e quais são seus mecanismos? 
100 perguntas chave em Dor 5
perifericamente (no sítio e em outras regiões 
do nervo afetado) e/ou centralmente (na 
medula espinhal e no SNC), contribuindo de 
forma evidente para o desenvolvimento e 
manutenção da dor neuropática.
COMO EXPLICAR OS MECANISMOS 
DA DOR NEUROPÁTICA POR LESÃO 
DE NERVO?
A lesão de nervos periféricos frequente-
mente leva à formação de um neuroma, 
uma estrutura que desenvolve mudanças em 
sua excitabilidade, as quais são suficientes 
para gerar potencias de ação espontânea, e 
conduzir o influxo sensorial independente de 
qualquer estimulação periférica5,6. Em adi-
ção ao neuroma, fibras adjacentes ao nervo 
lesado também podem constituir focos de 
hiperexcitabilidade ectópica. De qualquer ma-
neira, a hiperexcitabilidade neuronal pode ser 
decorrente do aumento da expressão de ca-
nais de sódio e diminuição da expressão de 
canais de potássio,acarretando o apareci-
mento de fenômenos como dor espontânea 
e a sensibilização de neurônios do sistema 
nervoso periférico e central5,6.
Assim, a partir das mudanças na perife-
ria, ocorre facilitação central ao nível do 
corno posterior e tálamo. O componente 
central reflete a facilitação da transmissão 
sináptica, em especial no corno posterior7. 
Nesse sentido, após a lesão de nervos, des-
cargas ectópicas periféricas repetitivas pro-
movem a liberação de neurotransmissores 
excitatórios que sensibilizam os neurônios 
secundários medulares, sendo importantes na 
amplificação e persistência de quadros hipe-
ralgésicos6,7. 
Além disso, sabe-se que os processos 
neuronais que controlam a intensidade do-
lorosa, passam a agir de forma desequilibra-
da. Assim, a lesão do nervo periférico pode 
reduzir o controle inibitório, ou aumentar o 
controle excitatório, ou seja, ocorre uma desi-
nibição dos neurônios do corno dorsal através 
de vários mecanismos6,7. Portanto, na pre-
sença de desequilíbrio nas vias endógenas 
que controlam a dor, há um aumento na 
probabilidade de um neurônio do corno dor-
sal disparar espontaneamente ou de forma 
exagerada em resposta à entrada de um 
pequeno estímulo proveniente dos aferentes 
primários. 
Considerando a complexa relação exis-
tente entre a lesão e o aparecimento da dor, 
não é surpreendente que o controle farma-
cológico efetivo da dor neuropática ainda 
constitua um grande desafio para a comu-
nidade médico-científica, pois ela mostra-se 
resistente a uma série de fármacos com pro-
priedades analgésicas. Entre as opções de 
tratamento disponíveis encontram-se os 
analgésicos tradicionais (opioides e anti-infla-
matórios não esteroides [AINEs]), tratamen-
tos tópicos, com adesivos de lidocaína a 5% 
e capsaicina, além de fármacos que não fo-
ram originalmente desenvolvidos para o tra-
tamento de dor, como anticonvulsivantes e 
antidepressivos tricíclicos.
O QUE É SENSIBILIZAÇÃO 
PERIFÉRICA?
Em situações normais, a dor resulta de 
impulsos nociceptivos ativados por estímulos 
mecânicos, térmicos ou químicos. Estas in-
formações são carreadas ao SNC pelas fibras C 
e A δ. Quando há um processo inflamatório 
intenso e persistente com concentrações ele-
vadas locais de mediadores inflamatórios 
(bradicinina, prostaglandina, histamina, in-
terleucinas, leucotrienos, fator de necrose 
tumoral, fator de crescimento neural, entre 
outros) ou quando ocorre estimulação noci-
va intensa, repetida e prolongada que po-
dem durar horas ou dias, ocorre o fenômeno 
de sensibilização periférica7. Os nociceptores 
quando se encontram sensibilizados tem o 
limiar reduzido para ativação apresentando 
capacidade de gerar estímulos com uma fre-
quência aumentada e com maior facilidade. 
T. Mattar, et al.
6 100 perguntas chave em Dor
O QUE É SENSIBILIZAÇÃO 
CENTRAL?
Como consequência da sensibilização 
periférica, surgem alterações na sensibilida-
de das fibras nervosas com aumento da 
atividade espontânea neuronal, diminuição 
do limiar necessário para ativação dos no-
ciceptores e aumento da resposta aos estí-
mulos.
Com a continuação deste impulso afe-
rente através da estimulação periférica in-
tensa e crescente provenientes das fibras C 
ou de fibras nervosas lesadas diretamente, 
aumenta a liberação de neurotransmissores, 
e se ativam as cascatas de sinalização nos 
neurônios pós-sinápticos. Ocorre a ativação 
do N-metil-D-aspartato (NMDA), liberação de 
substância P e a hiperexcitabilidade de neu-
rônios do corno posterior da medula espi-
nhal que passam a responder a qualquer 
estímulo ou até espontaneamente, transmi-
tindo informação nociceptiva aos centros 
neurológicos superiores de forma ampliada 
determinando a sensibilização central8,9.
QUAIS SÃO AS IMPLICAÇÕES 
CLÍNICAS DA SENSIBILIZAÇÃO 
CENTRAL?
A sensibilização central é responsável por 
muitas alterações funcionais e espaciais na 
sensibilidade à dor aguda e crônica, exem-
plificadas pela geração de um sinal de dor 
do SNC e hiperalgesia secundária.
Quando ocorre o fenômeno de sensibili-
zação central há uma alteração nos meca-
nismos tanto para diminuir ou para aumentar 
a transmissão da dor e, consequentemente, 
o surgimento da dor espontânea, da redu-
ção do limar da dor, aumentando a duração 
e intensidade do seu sinal e permitindo que 
estímulos geralmente inócuos também ge-
rem dor.
A maior parte das manifestações dolorosas, 
como dor referida, dor do tipo inflamatória 
e sensibilidade dolorosa, resulta da sensibili-
zação periférica e central. 
Existem diversas síndromes de sensibiliza-
ção central, como fibromialgia, lombalgia 
crônica, enxaqueca, osteoartrite, síndrome 
do cólon irritável, síndrome das pernas in-
quietas, dor miofascial, cistite intersticial, dor 
neuropática diabética, entre outras9.
QUAL A DIFERENÇA 
ENTRE HIPERALGESIA, 
ALODINIA E HIPERESTESIA?
O termo hiperalgesia é utilizado quando 
uma pessoa com estímulos nociceptivos 
apresenta uma percepção dolorosa maior e 
desproporcional ao estímulo. Pode ser clas-
sificada como primária a que ocorre quando 
a área de hiperalgesia corresponde à área de 
lesão, sendo consequência direta da sensibi-
lização periférica, e secundária quando a 
área com hiperalgesia não está relacionada 
com a lesão inicial, sendo uma manifestação 
da sensibilização central. O termo alodinia 
refere-se a estímulos não nociceptivos que 
são sentidos como dolorosos, ou seja, dor 
ao estímulo que normalmente não provoca 
dor. Ela possui uma característica fundamen-
tal que é induzir também uma mudança 
qualitativa na percepção da sensação espe-
rada com base nas características do estímu-
lo aplicado, ou seja, ocorre uma perda da 
especificidade da modalidade sensorial, por 
exemplo, um estímulo tátil provoca uma dor 
desproporcional. O termo hiperestesia é usa-
do para descrever um distúrbio neurológico 
caracterizado por um aumento significativo 
de sensibilidade de um sentido ou órgão a 
qualquer estímulo. Resumidamente é o au-
mento da intensidade das sensações.
POR QUE A DOR CRÔNICA RECEBE 
O STATUS DE DOENÇA EM SI?
Essa é uma questão controversa, pois 
dor sempre foi considerado um sintoma 
Enfim, o que é dor e quais são seus mecanismos? 
100 perguntas chave em Dor 7
significativo de inúmeras doenças. Entre-
tanto, quando persiste e torna-se crônica é 
associada a outros problemas, como imobi-
lismo, distúrbios do sono, procura maior por 
medicamentos, médicos, profissionais da 
saúde e centros de saúde ou hospitais, alte-
rações de humor, depressão e angústia10. 
Além disso, como já foi apresentado ante-
riormente, são inúmeras as alterações neu-
roplásticas no cérebro dos pacientes com dor 
crônica, algumas morfológicas5. Nesse con-
texto, ela assemelha-se a uma doença. Em-
bora existam controvérsias na literatura 
científica sobre essa questão, sob pontos 
de vista clínico, educacional e de gestão de 
saúde, é necessária essa abordagem da dor 
crônica, pois seu diagnóstico e tratamento 
são diferentes daqueles sugeridos para a dor 
aguda, além de ser em geral multidisciplinar 
e de custo mais elevado. No Brasil, na Uni-
dade Básica de Saúde, a frequência de dor 
crônica chega a 30%, o que indica necessi-
dade de preparo dos médicos envolvidos11. 
O que dificulta mais ainda o tratamento da 
dor é a demora no seu diagnóstico, e na 
dor neuropática isso pode ocorrer com mais 
frequência.
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2012;28(7):1221-9.
100 perguntas chave em Dor 9
COMO AVALIAR UM PACIENTE 
COM DOR CRÔNICA?
Na avaliação de um paciente com dor crô-
nica, a primeira análise do clínico é classificar 
sua dor como neuropática (iniciada ou causada 
por uma lesão primária ou doença do sistema 
nervoso somatossensitivo) ou como nociceptiva 
(somática ou visceral) – resultado da ativação de 
receptores nervosos periféricos. É importan-
te estar atento ao conceito de dor neuropá-
tica, pois é possível que a dor de outra etio-
logia presente nos pacientes seja atribuída à 
dor neuropática e tratada de forma incorreta1-4.
O diagnóstico clínico de pacientes com 
suspeita de dor nociceptiva ou neuropática 
inclui a história detalhada da doença, o in-
terrogatório sistemático e o exame físico 
segmentar e neurológico. A história médica 
deve fornecer o início, a localização, a irra-
diação e o antecedente de trauma. Na iden-
tificação da localização do sintoma, deve-se 
estar atento à distribuição da dor em trajeto 
da raiz nervosa; múltiplos nervos; região ex-
tensa ou ambos os lados do corpo.
Descritores auxiliam a avaliar a qualidade 
da dor (choque, pulsátil, lancinante, etc.) e as 
anormalidades sensitivas na área do nervo 
lesado. A dor por lesão de nervo pode-se 
manifestar com sinais negativos (perda sensi-
tiva) ou positivos (parestesia, hiperalgesia)5-7.
A avaliação inadequada da dor, possivel-
mente, é decorrente das dificuldades impostas 
Avaliação e tratamento da dor 
– Parte 1
O. Alves Neto, J. Vall e D. Campos Kraychete
pelo sujeito ou pelo sistema de saúde (au-
sência de protocolos específicos) e devido às 
experiências prévias e diferenças culturais 
entre os membros da equipe de saúde. A 
avaliação correta do sintoma identifica os 
fatores que contribuem para a experiência 
dolorosa e para detectar as repercussões da 
dor no indivíduo, selecionar o tratamento e 
aferir a eficácia terapêutica. A mensuração 
da dor requer o emprego de escalas que 
apresentam vantagens e limitações.
As três escalas utilizadas na clínica são de 
categoria com descritores verbais (leve, mo-
derada, intensa, excruciante) ou visuais (ex-
pressão facial) e também são úteis na ava-
liação de crianças, idosos e indivíduos com 
limitação de linguagem, fluência verbal ou 
baixo grau de escolaridade, tendo classifica-
ção numérica (0 a 10), em que zero repre-
senta ausência de dor e 10 a pior dor ima-
ginável e analógica visual (linha de 10 cm) 
para o paciente marcar a dor8,9. 
A escala de avaliação multidimensional 
(McGill Pain Questionnaire) é validada no 
Brasil e analisa aspectos sensitivos, motiva-
cionais e cognitivos da dor. Outras escalas 
estudam a qualidade de vida diária (ativida-
de geral, humor, habilidade para deambular, 
capacidade para o trabalho, relações com 
outras pessoas, sono e prazer de estar vivo) 
e a função e a capacidade do aparelho lo-
comotor, incluindo o impacto físico, social e 
psíquico decorrentes da dor7,9. 
Capítulo 2
O. Alves, et al.
10 100 perguntas chave em Dor
Na abordagem inicial do paciente com 
dor crônica, o sintoma dor deve significar dor 
física e dor psíquica como componentes de 
um único relato sintomático.
QUAL A FINALIDADE DOS 
QUESTIONÁRIOS DE DOR 
NA AVALIAÇÃO DO PACIENTE?
Os questionários são importantes para o 
diagnóstico mais preciso da doença em 
questão e do impacto que a dor crônica 
pode causar na vida de um sujeito. Qualquer 
instrumento de medida deve ser válido e 
confiável. Válido significa que avalia o que 
pretende avaliar, isto é, avalia todo o fenô-
meno, objeto de estudo, e não parte dele 
ou outro fenômeno. Confiável significa que 
avalia com precisão, e os resultados obtidos 
são estáveis, se a situação é estável e repro-
duzível. Por exemplo, o relato da dor neuro-
pática é acompanhado, frequentemente, de 
palavras como choque, queimor e formiga-
mento, entre outras. Pesquisadores na área 
desenvolveram instrumentos de autorrelato 
contendo esses descritores, associados ou 
não a testes sensitivos, visando contribuir 
para a identificação da dor neuropática. Os 
instrumentos estabelecem faixas de corte ou 
escores a partir do qual se define um diag-
nóstico, além de apresentar propriedades 
psicométricas capazes de diferenciar um tipo 
de dor de outra. A existência de instrumen-
tos específicos para a avaliação da dor neu-
ropática em língua portuguesa, como o Le-
eds Assessment of Neuropathic Symptoms 
and Signs Pain Scale (LANSS) e o Douleur 
Neuropathique 4 Questions (DN4) devem ser 
empregados sempre que possível, visto que 
são questionários confiáveis, sensíveis e es-
pecíficos no diagnóstico dessa síndrome. Ou-
tros questionários que avaliam a qualidade 
de vida e a presença de ansiedade e depres-
são são úteis para dimensionar o impacto 
que a dor crônica causa no sujeito e auxiliam 
na escuta e no tratamento da doença, prin-
cipalmente com medidas de reabilitação10. 
QUE EXAMES DEVO 
SOLICITAR PARA PACIENTES 
COM DOR CRÔNICA?
Além da história e do exame físico, os 
exames complementares auxiliam na pesqui-
sa de lesões traumáticas, compressivas, in-
flamatórias, expansivas ou degenerativas e 
devem ser verificados ou solicitados de acor-
do com a suspeita diagnóstica. Isso inclui os 
exames de sangue, urina, fezes, imagem 
(raidiografias, ultrassonografia, tomografia 
computadorizada, ressonância magnética), 
endoscópicos e angiográficos e os estudos 
anatomopatológicos (biópsias de nervo, de 
pele, da área lesada)10-12. 
Na dor neuropática, além do exame neu-
rológico a beira do leito, exames complemen-
tares mais específicos podem ser solicitados, 
como a eletroneuromiografia. É uma das téc-
nicas mais recomendadas para quantificar a 
neurofisiologia da neuropatia periférica de 
fibras grossas e avaliar a velocidade da con-
dução nervosa e a amplitude do potencial de 
ação; teste sensitivo quantitativo (QST) para 
avaliação de fibras finas e grossas quanto à 
pesquisa de alodinia e hiperalgesia térmica e 
mecânica, além da vibração e de alterações 
neurovegetativas; teste quantitativo do refle-
xo axônico sudomotor, que estuda a resposta 
da glândula sudorípara à estimulação; termo-
grafia, que analisa as diferenças da tempera-
tura corporal e é muito útil na detecção de 
áreas de redução de fluxo de sanguíneo, típi-
co da síndrome de dor complexa regional; 
estudo do líquor, que avalia a presença de 
processo inflamatório ou infeccioso; Laser 
Evoked Potentials (LEPs) e Compounds Heat 
Evoked Potentials (CHEPS) para avaliação de 
fibras nervosas finas, o segundo evita quei-
maduras; microscopia confocal de córnea, 
que permite a visualização de perda e ou 
regeneração de fibras amielínicas, reveladora 
do comprometimento de fibras finas13,14. 
A avaliação especializada psicológica e 
psiquiátricaé necessária quando o paciente 
Avaliação e tratamento da dor – Parte 1
100 perguntas chave em Dor 11
apresenta sintoma ou queixa de incapacidade 
funcional que seja desproporcional ao achado 
clínico, para aqueles que fazem uso exagera-
do do serviço de saúde ou indevido de drogas 
lícitas ou ilícitas. É importante lembrar que a 
abordagem da dor requer a ação interdiscipli-
nar, em um sistema coordenado e cooperan-
te, para beneficiar principalmente o sujeito
COMO CLASSIFICAR OS 
PACIENTES COM DOR?
Depois de examinar um paciente com dor, 
deve-se classificá-lo, principalmente quem pen-
sa em conduzir pesquisas, prescrever medica-
mentos e avaliar a eficácia de tratamentos. A 
Associação Internacional para o Estudo da Dor 
(International Association for the Study of Pain 
– IASP) sugere uma “Taxonomia da dor”, en-
contrada em todos os livros sobre o assunto15. 
Por exemplo, quanto à origem a dor, essa pode 
ser classificada em oncológica, não oncológica; 
quanto à evolução, aguda ou crônica; quanto 
ao mecanismo, somática, visceral e neuropática. 
Várias são as classificações propostas na lite-
ratura. Talvez a maneira mais comum de clas-
sificar a dor seja com base no diagnóstico 
médico, por exemplo, cefaleia vs. dor lombar. 
Na Classificação Internacional das Doen-
ças (CID-10), a classificação é baseada na 
causa da doença (infecção, tumor, etc.), no 
sistema orgânico (gastrintestinal, genituriná-
rio, etc.), no tipo de sintoma (migrânia, ce-
faleia do tipo tensional ou cervicogênica, etc.). 
Uma classificação baseada na categoria da dor 
e do possível mecanismo de sua origem, como 
dor transitória (mecanismo: sensibilização de 
nociceptor); dor por lesão tecidual (mecanis-
mo: sensibilização, recrutamento de nocicep-
tores silentes, alteração no fenótipo, somatiza-
ção, amplificação, etc.); dor relacionada à 
lesão nervosa (mecanismos: por lesão de afe-
rentes primários ou mediada pelo sistema ner-
voso central) também tem sido sugeridos16.
Estas classificações são apenas alguns exem-
plos das existentes. Não existe nenhum sistema 
de classificação universalmente utilizado por 
clínicos e pesquisadores, mas alguns itens 
são comuns a todos: a idade, a causa, a 
localização ou a duração da dor. A comple-
xidade da dor é reconhecida por todos, e 
isso provavelmente impede uma classificação 
homogênea e universalmente aceita. Particu-
larmente em casos de dor crônica, o médico 
deve não olhar apenas a possível causa da dor, 
mas se preocupar globalmente com o pacien-
te, avaliando o seu humor, medos, expectati-
vas e recursos para possíveis tentativas tera-
pêuticas, assim como sua qualidade de vida 
de maneira geral. Deve-se avaliar não só a dor 
do paciente, mas o paciente como um todo.
QUAL A RELAÇÃO ENTRE 
QUALIDADE DE VIDA E DOR?
Especialmente os portadores de dor crôni-
ca sofrem modificações no seu estilo de vida, 
resultado de sofrimento permanente, incapa-
cidades resultantes, dependência medica-
mentosa, efeitos colaterais, complicações da 
doença e do próprio tratamento, frustrações, 
exames poucos esclarecedores, afastamento do 
trabalho, inatividade, atrofias, etc, fazendo 
com que sua qualidade de vida se deteriore 
progressivamente. Lyndon Johnson, em 1964, 
então presidente dos Estados Unidos, decla-
rou que “os objetivos não podem ser medi-
dos através do balanço dos bancos. Eles só 
podem ser medidos através da qualidade de 
vida que proporcionam às pessoas”6. 
Estudos sobre Qualidade de Vida (QV) 
resgataram a preocupação com o bem-estar 
das pessoas e o questionamento sobre tra-
tamentos agressivos e inúteis são atualmen-
te discutidos. O conceito de QV é complexo, 
pois envolve fatores subjetivos não mensu-
ráveis, como o bem-estar das pessoas. Nunca 
é demais se lembrar do conceito global de 
saúde, pela Organização Mundial da Saúde 
(OMS), de que “saúde é o completo bem-
-estar físico, mental e social, e não mera-
mente a ausência de enfermidades”.
O grupo de estudo da OMS, chamado de 
WHOQOL, propôs que qualidade de vida é a 
O. Alves, et al.
12 100 perguntas chave em Dor
percepção do indivíduo sobre a sua posição 
na vida, no contexto da cultura e dos sistemas 
de valores nos quais vive, e em relação aos 
seus objetivos, expectativas, padrões e preo-
cupações. A partir desse conceito, foram 
construídos instrumentos para avaliar quali-
dade de vida, contendo alguns fatores: domí-
nio físico, domínio psicológico, nível de inde-
pendência, relações sociais, meio ambiente e 
espiritualidade, religião e crenças pessoais6.
Diferente dos casos agudos de dor, que 
necessitam de atitudes rápidas e precisas com 
a intenção de eliminar o fator causal, nos casos 
de dor crônica frequentemente o objetivo não 
é a cura da enfermidade, mas a melhora fun-
cional e o alívio dos sintomas, limitando a sua 
progressão, ou seja, melhorando a QV do pa-
ciente. Tratamentos inúteis e dispendiosos de-
vem levar o médico à reflexão sobre sua 
prescrição, lembrando-se o contexto da bio-
ética sobre “futilidade terapêutica”.
Em um paciente com dor crônica, parâ-
metros de avaliação da terapêutica devem 
ser feitos não só pela análise de um questio-
nário, mas também com aspectos como ca-
pacidade de retorno ao trabalho, participa-
ção em atividades recreacionais, motivação 
familiar do paciente. 
O QUE É E COMO UTILIZAR O 
QUESTIONÁRIO MCGILL DE DOR?
O Questionário de Dor McGill17,18 é um 
dos instrumentos de autodescrição para ava-
liação da dor mais utilizado em todo o mun-
do. Foi idealizado para avaliar os três com-
ponentes da dor baseado na teoria do 
portão, contendo várias partes, como ques-
tões quanto ao problema da dor em si, ava-
liação da intensidade baseada numa escala 
de seis pontos, seguido de 20 subclasses de 
descritores da dor. Os pacientes devem esco-
lher apenas uma palavra dentro do subgrupo 
para caracterizar sua dor. Dez subgrupos re-
presentam a dimensão sensitiva, 5 avaliam 
aspectos afetivos, 1 subgrupo representa o 
componente avaliativo e 4 avaliam uma 
miscelânea de informações. Versões adapta-
das para crianças e resumidas existem.
O questionário de McGill tem sido utilizado 
como forma de avaliação experimental para 
análise de efeitos de vários procedimentos e/ou 
técnicas de manipulação e alívio da dor, devido 
ao grau de concordância que existe entre os 
diferentes descritores de dor utilizados. 
Um dos problemas frequentemente levan-
tados sobre o Questionário McGill, é que o 
mesmo não contem muitos dos descritores 
que são comumente relatados por pacientes 
com dor neuropática. Pensando nisto, outros 
questionários derivados do original foram de-
senvolvidos e sugeridos outros mais específi-
cos para portadores de dor neuropática. Se é 
muito utilizado em avaliação de pacientes de 
língua inglesa, a sua tradução para outras 
línguas tem encontrado dificuldades na cla-
reza da utilização de palavras que descre-
vam, exatamente, o que o original pensou.
O QUE SÃO E COMO UTILIZAR 
OS “DIÁRIOS DE DOR”?
Os “Diários de Dor” são úteis na avaliação 
das flutuações constantes de dor pelos pa-
cientes, sendo muito utilizados em clínicas de 
dor, especialmente as que atendem dor crô-
nica. Existem vários modelos com a finalidade 
de avaliar um problema específico, algum 
tipo de tratamento ou um tipo de paciente 
em tratamento. Usualmente, os pacientes 
descrevem o seu diário a cada hora, ao final 
do dia ou três vezes ao dia. São avaliadas a 
intensidade da dor, a duração e a interferên-
cia das atividades diárias na dor, como uso de 
medicação, humor, eventos estressantes19,20.
No rigor de avaliação de pesquisadores, 
discute-se a observação de que pacientes 
descrevem mais dor quando focam especifi-
camente na descrição de um diário. Não 
existem evidências nem experimentais nem 
clínicas que comprovem essa ideia. 
Um modelo“simples” de Diário da Dor 
que pode ajudar o paciente e, principalmen-
te, o seu médico assistente a avaliar resultados 
Avaliação e tratamento da dor – Parte 1
100 perguntas chave em Dor 13
de tratamento, deve incluir: nome do paciente, 
data, períodos do dia (manhã, tarde, noite), 
localização da dor, qualidade, intensidade, du-
ração, fatores de melhora e piora, uso de me-
dicação (qual o resultado obtido), humor (an-
tes, durante e depois da dor), atividades (antes, 
durante e depois da dor) e pensamento (an-
tes, durante e depois da dor).
COMO AVALIAR A DOR NOS 
PACIENTES QUE PROCURAM 
UM PRONTO-SOCORRO? 
A dor é a maior causa de procura por 
atendimentos de emergência ou ambulato-
riais, sendo sempre o maior sintoma. Geral-
mente, as dores mais comuns são decorren-
tes de lombalgias, fraturas e migrâneas. Em 
todos os casos é importante realizar uma 
anamnese para que se possa encontrar a 
causa da dor. Deve-se questionar a localiza-
ção, a intensidade, a qualidade (tipo) de dor, 
frequência e duração dos sintomas, desde 
quando começou, se já usou ou está usando 
alguma medicação, fatores desencadeante e 
que aliviam os sintomas, interferência nas 
atividades do dia a dia e no trabalho. Escalas 
e exames complementares de imagem tam-
bém podem ser necessários em alguns ca-
sos. Um exemplo de escala prática e muito 
usada em situações como esta é a Escala 
Multidimensional de Dor (EMADOR), que 
mede a intensidade da dor, sua qualidade e 
localização. Alguns pacientes com proble-
mas de sáude mais sérios cursam com dor 
intensa e muitas vezes por estarem incons-
cientes não podem descreve-la. São exem-
plos dessas situações a pancreatite, nefroli-
tíase, aneurisma da aorta abdominal ou 
doenças sistêmicas (endocardites e síndro-
mes virais). O importante em todos os casos 
citados é que os pacientes tenham sua dor 
aliviada e devidamente tratada, mesmo sem 
ter ainda o diagnóstico definitivo, pois sem o 
tratamento adequado, o quadro do paciente 
tende a agravar cada vez mais. Em 2011, o 
alívio da dor entrou para a lista dos direitos 
humanos básicos, e isso vale para os casos 
de emergência. Nos EUA, a classe de medi-
cação mais utilizada nas emergências e 
prontos atendimentos são os opioides20,21.
COMO AVALIAR E TRATAR 
A DOR NO PACIENTE QUEIMADO? 
A queimadura é considerada uma das 
mais dolorosas situações humanas, e a troca 
de curativos é o pior momento para o pa-
ciente. Isso sem contar com os demais pro-
cedimentos de fisioterapia e terapia ventila-
tória. Essa rotina exige uma avaliação 
contínua da dor do paciente, pois pode se 
alterar em minutos. O paciente queimado 
também pode sentir dor aguda ou crônica. 
A classificação das queimaduras é feita por 
porcentagem de área corporal e segundo a 
profundidade. Para avaliação da dor do pa-
ciente queimado, escalas unidimensionais 
não bastam. É preciso utilizar escalas multi-
dimensionais que avaliem desde os aspectos 
sensitivos da dor até os aspectos emocioais 
e psicológicos. Um bom exemplo é o Inven-
tário Breve de Dor e o Questionário de Dor 
de McGill. Para descobrir se há o componen-
te neuropático, pode ser usado o questioná-
rio para avaliação de dor neuropática DN4. 
Para a dor aguda, o tratamento medicamen-
toso envolve ansiolíticos, anti-inflamatórios 
não hormonais, opioides, anestésicos (o 
mais usado é a quetamina), anti-histamíni-
cos, clonidina, anestesia regional, anestesia 
geral e anticonvulsivantes. Já para a dor crô-
nica, são usados antidepressivos tricíclicos, an-
ticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina), 
opioides e agentes tópicos (lidocaína a 5%). 
No entanto, só as medicações não são sufi-
cientes, é preciso uma abordagem interpro-
fissional, para que o paciente possa ter uma 
recuperação saudável desde o início da lesão 
até sua alta hospitalar e o período após a 
alta. Isso porque se sabe do estigma que 
uma pessoa queimada carrega quando sai 
de casa. Uma terapia cognitivo-comporta-
mental desde o início da lesão, por exemplo, 
O. Alves, et al.
14 100 perguntas chave em Dor
pode ser um suporte muito importante para 
quando esse momento chegar22,23.
QUAIS AS ESCALAS DE MEDIDA 
DA INTENSIDADE DA DOR MAIS 
UTILIZADAS?
Por ser uma experiência subjetiva, a dor 
não pode ser determinada por instrumentos 
físicos que usualmente mensuram o peso, a 
temperatura e os demais sinais vitais. Mesmo 
assim, é muito importante sua avaliação para 
que se possa intervir com um controle adequa-
do para a dor do paciente. A avaliação é a 
pedra fundamental para o tratamento ade-
quado da dor. Existem escalas unidimensio-
nais, que avaliam apenas um aspecto da dor 
e existem as multidimensionais que, como o 
próprio nome diz, avaliam várias dimensões 
envolvidas no processo doloroso. Não existe 
uma escala melhor que outra, apenas escalas 
melhores para determinadas situações. Para 
utilizar no pós-operatório, por exemplo, as uni-
dimensionais são as mais indicadas, pois é pre-
ciso apenas saber a intensidade da dor para 
tomar a conduta necessária para seu alívio. 
Normalmente, as escalas unidimensionais men-
suram a intensidade da dor, de 0 a 10, sendo 
0 ausência de dor, 1 a 3 dor fraca, 4 a 6 dor 
moderada, 7 a 9 dor intensa e 10 dor insupor-
tável. As escalas mais utilizadas mundialmente 
seguem estes critérios de avaliação, apenas 
com mudanças em seu formado. A Escala de 
Categoria Numérica, por exemplo, mostra os 
números aos pacientes, já a Escala Analógica 
Visual, tem a mesma interpretação, mas sem 
a numeração e a Escala de Faces, também 
com a mesma interpretação, é usada para 
crianças, idosos ou pessoas com alterações cog-
nitivas que não compreendam os números22-29.
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100 perguntas chave em Dor 15
QUAL A DIFERENÇA ENTRE 
A DOR NO CÂNCER E A DOR 
NÃO ONCOLÓGICA?
A dor que afeta o paciente com câncer é 
causada pelo próprio tumor, por suas metás-
tases ou pela terapia antineoplásica, que inclui 
quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Pode 
ser classificada como aguda (tem duração pre-
visível, autolimitada e facilmente diagnostica-
da) ou crônica (duração indeterminada, não é 
autolimitada e normalmente decorrente de 
efeito direto do tumor); dor localizada ou 
dor que acomete vários segmentos corpo-
rais, superficial, profunda, irradiada, referida, 
constante, intermitente, intensa, moderada 
ou fraca. Do ponto de vista fisiopatológico, 
pode ser de qualquer um dos tipos: nocicep-
tiva, neuropática ou mista. Ainda, pacientes 
com câncer podem sofrer de dores ocasiona-
das por fatores diferentes de sua enfermidade, 
caracterizando dores não oncológicas, como a 
neuropatia diabética e a migrânea. Diante 
disto, pode-se concluir que este tipo de dor 
não tem apenas a característica fundamental 
de estar relacionada ao câncer, mas também 
tem semelhanças com a dor não oncológica1.
QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS 
MECANISMOS DA DOR NO 
CÂNCER?
A dor no câncer pode envolver meca-
nismos variados que a caracterizam como 
Câncer e dor
J.B. Garcia, M. Guimarães de Melo Cardoso, D. Ciampi e M.J. Teixeira
dor por nocicepção, dor neuropática ou 
mista2.
As dores nociceptivas são desencadeadas 
quando há um dano tecidual, associado à 
lesão de vísceras e/ou somática, que ativam 
de maneira direta os nociceptores seja por 
compressão, tração, infiltração ou alterações 
metabólicas e químicas. As células tumorais 
secretam substâncias que podem estimular 
de maneira direta ou sensibilizar os nocicep-
tores. Entre elas, podem ser citadas as pros-
taglandinas, endotelinas e interleucinas. O 
tipo de dor que apresenta alta prevalência 
nos pacientes com câncer e é o mais comum 
é o de dor musculoesquelética3.
A dor neuropática surge como consequ-
ência direta de lesões que afetam o sistema 
somatossensitivo. Vários mecanismos ten-
tam explicar sua origem: atividade autôno-
ma de fibras nervosas lesadas, que funcio-
nam como marca-passos ectópicos por 
expressão aumentada de novos canais de 
sódio, a hiperexcitabilidade de fibras nervo-
sas íntegras por sensibilização periférica ou 
por reorganização dos terminais no corno 
posterior da medula ou ainda alterações 
no sistema modulador endógeno. Uma vez 
que a maioria dos tumores tem uma inerva-
ção importante por neurônios sensitivos e 
simpáticos, estes podem sofrer compressão, 
lesão mecânica, isquemia ou lise de suas 
proteínas, com consequente geração de dor. 
A dor neuropática pode estar relacionada à 
Capítulo 3
J.B. Garcia, et al.
16 100 perguntas chave em Dor
administração de fármacos durante o trata-
mento, pois vários agentes quimioterápicos 
são neurotóxicos e à radioterapia, que pode 
produzir lesões diretas a axônios e plexos, com 
a produção de microenfartos neurais nos vasa 
nervorum. Alguns tumores ósseos podem cau-
sar dor neuropática porque, ao crescerem 
dentro destas estruturas, lesam e destroem 
os terminais de fibras sensoriais que inervam 
o osso. A dor neuropática costuma ser a de 
controle mais difícil4.
O mecanismo fisiopatológico mais co-
mum na dor no câncer é o misto, em que 
se destacam as dores ósseas e viscerais. Nes-
te caso, uma superposição de mecanismos 
nociceptivos e neuropáticos estão presentes 
caracterizando a dor.
COMO TRATAR A DOR 
NO CÂNCER DE MANEIRA GERAL?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) 
criou, na década de 1980, a Escada Analgé-
sica, como uma proposta de padronização 
de tratamento analgésico, que divide a tera-
pia em três degraus de acordo com a inten-
sidade da dor que o paciente apresenta. O 
primeiro degrau recomenda o uso de medica-
mentos anti-inflamatórios para dores fracas. 
O segundo degrau sugere opioides fracos, 
que podem ser associados aos anti-inflama-
tóios do primeiro degrau, para dores mode-
radas. O terceiro degrau consta de opioides 
fortes, associados ou não aos anti-inflama-
tórios, para dores fortes. Os adjuvantes po-
dem ser usados nos três degraus da escada5.
A escada de três degraus indica classes 
de medicamentos e não fármacos específi-
cos, proporcionando ao médico flexibilidade 
e possibilidade de adaptação de acordo com 
as particularidades de seu paciente e com 
disponibilidade no seu país. A Escada Anal-
gésica da OMS é um método simples, rela-
tivamente barato e eficaz em 70 a 90% das 
dores decorrentes de neoplasias malignas. 
Entretanto, mais recentemente, tem sido 
questionado um possível aperfeiçoamento. 
As novas sugestões de mudanças seriam nos 
casos de dores moderadas ou fortes, espe-
cialmente em pacientes com doença avan-
çada, quando se pode já indicar os opioides 
fortes em uma primeira avaliação. Além dis-
so, há uma tendência forte de se associar 
procedimentos intervencionistas minima-
mente invasivos em qualquer momento do 
tratamento, não apenas em um hipotético 
quarto degrau da escada6-8.
Alguns princípios devem ser seguidos du-
rante o tratamento da dor no câncer e são 
fundamentais. A saber.
Deve-se tentar sempre 
usar a escada
Inicia-se pelo primeiro degrau para dores 
fracas, quando não ocorre alívio da dor, adicio-
na-se um opioide fraco e, quando esta combi-
nação é insuficiente, deve-se substituir este 
opioide fraco por um forte. Somente um medi-
camento de cada categoria deve ser usado por 
vez. Os medicamentos adjuvantes devem ser 
associados em todos os degraus da escada, 
de acordo com as indicações específicas (an-
tidepressivos, anticonvulsivantes, corticosteroi-
des, neurolépticos, bifosfonados, entre outros). 
Valorizar a via oral
Os analgésicos devem ser administrados 
pela via oral e a vias de administração alter-
nativas como retal, transdérmica ou paren-
teral podem ser úteisem pacientes com di-
ficuldade de deglutição, vômitos frequentes 
ou obstrução intestinal. 
Usar intervalos fixos
Os medicamentos devem ser administra-
dos em intervalos regulares de tempo, de tal 
forma que a dose subsequente seja adminis-
trada antes que o efeito da dose anterior 
tenha terminado5,8. 
Câncer e dor
100 perguntas chave em Dor 17
O uso da morfina é fundamental no tra-
tamento da dor intensa e não se deve espe-
rar os últimos dias de vida do paciente para 
administrá-la apenas pelo risco de dependên-
cia psíquica, efeito raro em doentes com dor. 
Deve ser usada a cada 4h e, caso haja dor 
nos intervalos da medicação, doses de resga-
te podem ser utilizadas. Após administração 
oral, o pico de concentração plasmática é 
atingido em aproximadamente 60min5,8. 
Os opioides permanecem como os fár-
macos mais efetivos e mais comumente uti-
lizados no tratamento da dor moderada a 
intensa no paciente com câncer, de prefe-
rência em uma abordagem multimodal, em 
que outros fármacos possam ser associados 
para se obter efeito aditivo ou sinérgico.
A MEDICINA FÍSICA E 
REABILITAÇÃO SÃO INDICADAS NO 
TRATAMENTO DA DOR NO CÂNCER?
A medicina física proporciona conforto, 
corrige as disfunções físicas, normaliza as 
propriedades fisiológicas e reduz a evitação 
associada à mobilização ou à imobilização 
dos segmentos do corpo. Entre os procedi-
mentos fisiátricos, destacam-se os meios fí-
sicos (termoterapia, massoterapia), os exer-
cícios, a imobilização, a eletroanalgesia e a 
acupuntura. Os exercícios passivos, ativos 
assistidos e ativos resistidos melhoram a for-
ça e o trofismo9. As massagens e os exercí-
cios são utilizados para aliviar a dor e alon-
gar e resgatar o comprimento muscular e 
tendíneo. O frio é indicado para reduzir a 
resposta tecidual aguda traumática. O calor 
superficial é contraindicado na fase aguda 
de processos inflamatórios, traumáticos ou 
hemorrágicos, discrasias sanguíneas, isque-
mias teciduais e em doentes com hipoestesia 
regional e com anormalidades cognitivas que 
dificultem o relato da ocorrência de queima-
duras. O ultrassom é eficaz no tratamento da 
dor após procedimentos cirúrgicos e reabili-
tacionais, especialmente os ortopédicos; seu 
uso é controverso no doente com câncer. 
Acupuntura e eletroacupuntura proporcio-
nam analgesia durante o período pós-ope-
ratório e no tratamento da dor decorrente 
de afecções músculo-esqueléticas, da dor 
causada por traumatismos das partes moles 
e da síndrome complexa de dor regional. As 
infiltrações dos pontos-gatilhos e o alonga-
mento são úteis para o tratamento da sín-
drome dolorosa miofascial, frequentes em 
doentes com dor relacionada ao câncer10.
QUAL A IMPORTÂNCIA DE 
INTERVENÇÕES PSICOSSOCIAIS?
A prevenção da ansiedade, e adoção de 
atitudes encorajadoras e a exposição clara, 
mas polida, das situações clínicas, propostas 
terapêuticas reduzem as incertezas e permi-
tem melhor aderência ao tratamento e maior 
confiança nas atitudes terapêuticas. A orien-
tação sobre as estratégias físicas e o encora-
jamento reduzem a ansiedade, o consumo de 
analgésicos e o período de tratamento e me-
lhoram a capacidade de o doente enfrentar 
a dor. A psicoterapia de apoio individual ou 
em grupo, técnicas de relaxamento, biofeed-
back, hipnose e estratégias cognitivas são 
também eficazes no tratamento da dor11.
É POSSÍVEL USAR RADIOISÓTOPOS 
PARA O CONTROLE DA DOR?
O uso terapêutico de radioisótopos pro-
porciona melhora em cerca de 60% dos do-
entes, com dor metastática óssea a resposta 
é radiologicamente completa em 33% dos 
casos. O samário89 e samário153 são os mais 
utilizados e indicados em casos de acometi-
mento ósseo difuso, situação em que radio-
terapia e bisfosfonados são também efica-
zes. Radioterapia analgésica em dose única 
pode ser utilizada para tratar metástases ós-
seas, fraturas patológicas e acometimento 
medular. Também pode ser utilizada em casos 
de doença extensa desde que se considere 
J.B. Garcia, et al.
18 100 perguntas chave em Dor
o potencial da ocorrência de efeitos adversos 
em tecidos sãos adjacentes12.
QUAIS OS PROCEDIMENTOS 
NEUROCIRÚRGICOS PARA DOR 
E QUANDO INDICÁ-LOS?
Os procedimentos neurocirúrgicos antiál-
gicos estão indicados em casos em que os 
procedimentos não invasivos não proporcio-
naram melhora sintomática satisfatória ou 
causam adversidades13,14. A interrupção dos 
aferentes primários deve ser prescrita para o 
tratamento da dor por nocicepção, as inter-
venções neurocirúrgica psiquiátricas quando 
há anormalidades psíquicas (depressão, an-
siedade), a estimulação elétrica do sistema 
supressor em casos de dor neuropática e o 
implante de dispositivos para infusão de 
opioides com adjuvantes no compartimento 
liquórico quando ocorrem efeitos colaterais 
com a terapia sistêmica.
Procedimentos neuroablativos
A neurotomia do nervo pudendo é eficaz 
para o tratamento da dor perineal, a neuro-
tomia dos nervos occipitais é útil para a dor 
na região occipital, a do nervo gênito-femo-
ral está indicada em casos de neuralgia do 
nervo gênito-femoral, a do femorocutâneo 
em casos de meralgia parestésica, a do ner-
vo ciático menor em casos de neuralgia des-
ta estrutura e a dos nervos recorrentes pos-
teriores para tratamento da lombalgia, 
cervicalgia e dorsalgia15.
Simpatectomias
Estão indicadas para o tratamento da dor 
visceral da cavidade abdominal, pélvica ou to-
rácica. A neurectomia do nervo hipogástrico 
inferior visa ao tratamento da dor visceral pél-
vica, a neurólise do plexo celíaco é eficaz para 
o tratamento da dor visceral do abdome ros-
tral (pancreática, gástrica, hepática, esofágica 
caudal, duodenal e pelve renal, glândula 
suprarrenal e estruturas retroperitoniais). 
Rizotomias
São indicadas nos casos de dor em áreas 
restritas especialmente as localizadas na 
face, crânio, região cervical, torácica e perine-
al. A rizotomia percutânea por radiofrequência 
do nervo trigêmeo ou do glossofaríngeo é 
eficaz para o tratamento respectivamente da 
dor na face, faringe, loja amigdaliana, base 
da língua e orelha externa. A rizotomia cer-
vical, torácica ou sacral são indicadas para 
dores restritas às regiões superficiais do cor-
po e a poucos dermatômeros.
Lesão do trato de Lissauer e do 
corno posterior da medula espinal
É indicada no tratamento das síndromes 
álgicas neuropáticas (dor no membro fantas-
ma, a dor resultante de neuropatias plexulares 
actínicas, oncológicas ou traumáticas, neuro-
patias por herpes-zóster, dor mielopática). 
Cordotomias
Indicados para o tratamento da dor on-
cológica que acomete unilateralmente os 
membros inferiores, hemiperíneo, hemiab-
dôme, hemitórax e membros superiores. A 
cordotomia cervical deve ser evitada em do-
entes com insuficiência respiratória. É reco-
mendado quando há indicação de cordoto-
mia bilateral, intervalo de, pelo menos três 
semanas, entre ambos os procedimentos16.
Hipofisectomia
Proporciona alívio da dor de doentes com 
dor causada por neoplasias dependentes de 
hormônio (mama, próstata, endométrio), 
como também em casos de neoplasias não 
dependentes da atividade hormonal ou neu-
ropática17.
Câncer e dor
100 perguntas chave em Dor 19
Dispositivos para a administração 
de fármacos analgésicos no sistema 
nervoso central
O implante de câmaras carregáveis com 
agentes analgésicos e conectados por cate-
teres ao compartimento peridural ou suba-
racnoideo espinal ou ventricular encefálico é 
indicada quando a dor torna-se refratária à 
administração sistêmica de opióides, resul-
tou em desenvolvimento de tolerância, per-
da de eficácia ou na ocorrência de efeitos 
colaterais incontroláveis. O sulfato ou clori-
drato de morfina, o tramadol, a fentanila, a 
buprenorfina, a clonidina, a somatostatina, 
a calcitonina, o baclofenoe a ziconotida são 
os agentes mais utilizados. A infusão espinal 
é ideal para o tratamento da dor no tronco, 
membros inferiores e períneo e a intraven-
tricular quando a de dor localiza-se nos seg-
mento craniano, cervical ou braquia18.
QUAIS SÃO OS CUIDADOS 
PALIATIVOS PARA PACIENTES 
COM CÂNCER?
Os cuidados paliativos (CPs) não são in-
dicados pelo diagnóstico, mas pela evolução 
da doença e necessidades do doente, tendo 
como base para tomada de decisões, a ava-
liação de desempenho funcional por meio da 
Palliative Performance Scale (PPS) (Tabela 1). 
Estudos demonstraram que 90% dos pa-
cientes com PPS igual a 50% não têm so-
brevida superior a 6 meses, estando, nestes 
casos, indicado o acompanhamento ativo des-
ses pacientes por equipe de CP. A fase final 
da vida coincide com PPS em torno de 20%19. 
No entanto, as doenças que mais frequen-
temente necessitam de CP são oncológicas, 
a AIDS, doenças cardiovasculares, neurológi-
cas e outras insuficiências terminais de ór-
gãos, rapidamente progressivas. As caracte-
rísticas próprias destas doenças tornam mais 
frequente a existência de sintomas, como 
dor, astenia, anorexia, náuseas, dispneia, 
confusão/delírio e depressão. Nos pacientes 
com câncer, a intensidade, a complexidade, a 
mutabilidade dos sintomas e o impacto indi-
vidual e familiar gerado são de difícil resolu-
ção se não houver intervenção especializada. 
Neste sentido, os CPs representam um 
modelo de assistência, definido pela OMS 
como uma abordagem que promove a qua-
lidade de vida dos pacientes e seus familia-
res, que enfrentam doenças que ameaçam a 
continuidade da vida, através da prevenção 
e o alívio do sofrimento. Pela primeira vez, 
uma abordagem inclui a espiritualidade e a 
família na dimensão do cuidado, que deve 
ser iniciado desde o diagnóstico do câncer, 
se estendendo após a morte do paciente, no 
período do luto. Em 2002, a OMS reafirmou 
os princípios que regem a atuação da equipe 
multiprofissional nos CPs: promover o alívio 
da dor e de outros sintomas desagradáveis; 
afirmar a vida e considerar a morte como 
um processo normal da vida; não acelerar 
nem adiar a morte; integrar os aspectos psi-
cológicos e espirituais no cuidado; oferecer 
suporte que possibilite o paciente viver tão 
ativamente quando possível, até sua morte; 
oferecer suporte para auxiliar os familiares 
durante a doença e o enfrentamento do luto; 
melhorar a qualidade de vida influenciando 
positivamente o curso da doença, devendo 
ser iniciado o mais precocemente possível20. 
Portanto, os tratamentos curativos e palia-
tivos não são excludentes, podendo-se ofere-
cer ao paciente com câncer uma melhor qua-
lidade de atenção desde o início da doença e 
contribuindo significativamente para reduzir a 
morbidade e a mortalidade no câncer21.
A “DOR TOTAL” DO PACIENTE 
ONCOLÓGICO É UM CUIDADO 
PALIATIVO ESPECIALIZADO?
Segundo Dame Cicely Saunders, funda-
dora do movimento Hospice, o CP é dirigido 
ao alívio do sofrimento e da “dor total”. Ter-
mo por ela introduzido na década de 1970, 
J.B. Garcia, et al.
20 100 perguntas chave em Dor
Tabela 1. Palliative Performance Scale (PPS)
% Deambulação Atividade e evidência da doença Autocuidado Ingesta Nível de 
consciência
100 Completa Atividade normal;
sem evidência 
Completo Normal Completa
90 Completa Atividade normal; alguma 
evidência 
Completo Normal ou 
reduzida
Completa
80 Completa Atividade normal com esforço;
alguma evidência 
Completo Normal ou 
reduzida
Completa
70 Reduzida Incapaz para trabalho. 
Doença significativa
Completo Normal ou 
reduzida
Completa
60 Reduzida Incapaz para hobbies e trabalho 
doméstico. 
Doença significativa
Assistência 
ocasional
Normal ou 
reduzida
Completa ou 
períodos de 
confusão
50 Maior tempo 
sentado ou 
deitado
Incapacitado para qualquer 
trabalho. Doença extensa
Assistência 
considerável
Normal ou 
reduzida
Completa ou 
períodos de 
confusão
40 Maior parte do 
tempo acamado
Incapaz para maioria das 
atividades. Doença extensa
Assistência 
quase 
completa
Normal ou 
reduzida
Completa/ 
sonolência ± 
confusão
30 Totalmente 
acamado
Incapaz para qualquer atividade. 
Doença extensa
Dependência 
completa
Normal ou 
reduzida
Completa/ 
sonolência ± 
confusão
20 Totalmente 
acamado
Incapaz para qualquer atividade. 
Doença extensa
Dependência 
completa
Mínima a 
pequenos 
goles
Completa/ 
sonolência ± 
confusão
10 Totalmente 
acamado
Incapaz para qualquer atividade. 
Doença extensa
Dependência 
completa
Cuidados 
com a 
boca
Confuso ou 
coma ± 
confusão
0 Morte – – – –
Adaptado de Victoria Hospice Society4
descrevendo todos os aspectos que rodeiam 
a dor no paciente com câncer, sintoma que 
significativamente afeta a qualidade de vida 
na terminalidade, constituindo um fator im-
portante do sofrimento relacionado com a 
doença, mesmo quando comparado à ex-
pectativa de morte22. Saunders estabeleceu 
três princípios essenciais para atingir os ob-
jetivos dos CPs nestes pacientes, que são 
controle dos sintomas, destacando-se a dor 
total; apoio psicossocial e espiritual, além da 
comunicação contínua com doente e sua 
família, considerando o paciente e não o 
câncer como o verdadeiro centro da aten-
ção, trabalhando com uma equipe multipro-
fissional e interdisciplinar, oferecendo uma 
resposta rápida e efetiva23.
COMO CONTROLAR AS MUCOSITES 
DECORRENTES DO TRATAMENTO 
DO CÂNCER? 
A mucosite é considerada a complicação 
não hematológica mais frequente e dose-
Câncer e dor
100 perguntas chave em Dor 21
-limitante do tratamento antitumoral. Carac-
terizada por eritema, ulcerações dolorosas 
frequentemente na mucosa bucal, que inter-
fere no estado nutricional e na qualidade de 
vida dos pacientes, além de representar um 
fator de risco para infecções sistêmicas em 
pacientes mielossuprimidos, podendo até 
mesmo, limitar ou interromper a quimiotera-
pia e ou a radioterapia da maioria dos pa-
cientes com câncer de cabeça e pescoço24.
Em 2011, foi publicado uma metanálise 
demonstrando evidência estatisticamente 
significativa de dez intervenções benéficas 
para prevenção ou redução da severidade da 
mucosite, em comparação com um placebo 
ou nenhum tratamento, são elas aloe vera, 
amifostina, crioterapia, fator estimulante de 
colônias de granulócitos (G-CSF), glutamina 
intravenosa, o mel, o fator de crescimento 
de queratinócitos, laser, antifúngico/antibió-
tico e sucralfato25. Um fator bem definido 
no controle da mucosite é a inclusão desses 
pacientes em um programa de assistência 
odontológica antes, durante e depois do tra-
tamento antitumoral, visando basicamente a 
manutenção da higiene, o controle da xeros-
tomia e conduta nas infecções oportunistas. 
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100 perguntas chave em Dor 23
EPIDEMIOLOGIA DAS CEFALEIAS
Cefaleia é o sintoma neurológico mais 
prevalente e ocorre em quase todas as pes-
soas durante suas vidas. Na maioria das vezes 
ela não é uma ameaça à vida, mas leva à 
perda da qualidade de vida. Assim são as 
cefaleias primarias como a migrânea e a cefa-
leia do tipo tensional (CTT), porém as cefaleias 
podem ser secundárias a doença graves que 
ameaçam a vida, como as que acompanham 
os tumores cerebrais, meningites e aneuris-
mas, etc. As cefaleias primárias são muito 
prevalentes nas populações.
A migrânea é a nona doença neurológica 
que mais custos traz aos seus sofredores, 
familiares e sociedade. Considerando o sexo 
feminino, ela é a terceira.
A CTT é a cefaleia primária mais preva-
lente. A migrânea é a segunda cefaleia mais 
prevalente; no entanto, é a mais incapaci-
tante por causa da intensidade da dor e da 
presença dos sintomas associados. A CTT, 
pela sua elevada prevalência, é a de maior 
ônus para uma população, de acordo com a 
Organização Mundial da Saúde (OMS).
A prevalência global das cefaleias é esti-
mada em 47%, a da migrânea 10% e a da 
CTT é 38%. A prevalência das cefaleias diá-
rias ou quase diárias (cefaleia crônica diária 
[CCD]) é estimada em 3%. Parte das CCDs 
é primária e parte é cefaleia secundária ao 
abuso de analgésicos. Se considerarmos a 
Cefaleia e dor orofacial
J.G. Speciali, N.R.P. Fleming, E. Grossmann e S.R. Dowgan Tesseroli de 
Siqueira
prevalência das cefaleias ao longo da vida, 
ela sobe para 66%, a da migrânea para 14%, 
a da CTT para 46% e da CCD para 4%. 
A migrânea é mais prevalente na Europa e 
na América do Norte do que na África (Fig. 1), 
enquanto que a prevalência da CTT parece 
ser mais prevalente na Europa (80%) do que 
na Ásia e nas Américas (20 a 30%). A maior 
prevalência de CTT foi encontrada na Dina-
marca, 86%, mas em 56% deles, a cefaleia 
é infrequente, sem grandes prejuízos para 
suas vidas e sem a necessidade de acompa-
nhamento médico.
Dados populacionais sobre as CCDs não 
são encontrados com facilidade na literatu-
ra. Presença de cefaleia diária sempre levan-
ta a suspeita de cefaleias secundárias, espe-
cialmente por uso abusivo de analgésicos, 
particularmente, triptanas, ergóticos e opio-
ides. Ela é mais comum na América Central 
e na América do Sul e menos comum na 
África (5, 5 e 1,7% respectivamente).
A proporção de homens para mulheres 
para a migrânea varia de acordo com a faixa 
etária considerada, de 1:2 à 1:3. Nas crianças 
menores, há mais meninos com migrânea do 
que meninas, e essa proporção se inverte a 
partir da pré-puberdade.
Para a CTT, a proporção de homens para 
mulheres é de 4:5. Para ambos os sexos, o 
pico de prevalência da CTT está entre os 30 e 
39 anos. A prevalência de todas as cefaleias 
diminui com a idade a partir dos 40 anos.
Capítulo 4
J.G. Speciali, et al.
24 100 perguntas chave em Dor
22,335 8,436
5,934
7,733
9,032
10,129
9,628
16,727
10,237
24,624
14,325
8,57
8,516
13,529
10,07
11,613
14,015
11,714
14,71012,212 13,3
11
12,67
16,37
5,077,320
5,318
8,27
9,37
23,225
10,026
11,622
13,223
 3,032 
 5,031 
Figura 1. Prevalência mundial das migrâneas (adaptado de Jensen, 20081).
A prevalência da migrânea no Brasil2 é de 
15,2%; da CTT, 13,0%, e de CCD, 6,9%. 
Migrânea é 2,2 vezes mais prevalente em 
mulheres e 1,5 vez mais prevalente nas pes-
soas com mais de 11 anos de escolaridade. 
Sua prevalência é 1,59 vez maior nos indiví-
duos com renda familiar menor que cinco 
salários mínimos e 1,43 vez maior em pesso-
as que não fazem exercícios físicos regulares. 
A prevalência da CTT no Brasil2 é 1,62 vez 
maior nos homens do que nas mulheres; 
portanto, contraria estatísticas globais. É 
1,54 vez maior em indivíduos com mais de 
11 anos de escolaridade. 
A CCD no Brasil2 é 2,4 vezes mais preva-
lente em mulheres, 1,72 vez maior em de-
sempregados, 1,63 vez maior em indivíduos 
com renda familiar ≥ 10 salários mínimos e 
2 vezes maior em pessoas que não fazem 
exercícios físicos regulares.
FISIOPATOLOGIA E CLÍNICA 
DA MIGRÂNEA 
Migrânea é uma desordem neurovascular 
incapacitante caracterizada principalmente 
por cefaleia pulsátil unilateral e por uma sé-
rie de sintomas neurológicos, incluindo hi-
persensibilidade a luz, som e odor; náusea e 
uma variedade de distúrbios autonômicos, 
cognitivos, emocionais e motores. Embora o 
início da crise de migrânea esteja frequente-
mente associado à ampla variedade de gati-
lhos externos e internos,tais como estresse, 
flutuação hormonal, distúrbio do sono, pular 
refeição e sobrecarga sensorial, seus meca-
nismos neurais e vasculares ainda permane-
cem sem elucidação. Evidências científicas 
suportam que a fisiopatologia da migrânea 
envolve alterações genéticas da excitabilida-
de neuronal, dilatação arterial intracraniana, 
Cefaleia e dor orofacial
100 perguntas chave em Dor 25
ativação recorrente e sensibilização da via 
trigeminovascular. Consequentemente, have-
ria alterações estruturais e funcionais nos in-
divíduos geneticamente suscetíveis. As evi-
dências da alteração na excitabilidade cerebral 
provêm de investigações clínicas e pré-clínicas 
de auras sensitivas, hipersensibilidade ictal e 
interictal à estimulação visual, auditiva e olfa-
tiva, além da ativação reduzida das vias inibi-
tórias descentes de dor. Os dados que supor-
tam a ativação e a sensibilização do sistema 
trigeminovascular incluem o desenvolvimen-
to progressivo da alodinia cutânea cefálica e 
em todo o corpo durante a crise de migrânea. 
Além disso, as alterações estruturais e fun-
cionais incluem lesões na substância branca 
subcortical, afinamento de áreas corticais 
envolvendo o processamento da informação 
sensitiva e alterações neuroplásticas corticais 
induzidas pela depressão alastrante cortical. 
Há dados anatômicos recentes sobre a via 
trigeminovascular e sua ativação pela depres-
são alastrante, um novo conhecimento do 
substrato neural da fotofobia da migrânea e 
da modulação da via trigeminovascular pelo 
tronco cerebral, hipotálamo e córtex3.
Sob o ponto de vista clínico, segundo os 
critérios da International Headache Society 
(IHS) 2013 – versão b (ICHD-3 b)4, a migrânea 
pode ser dividida em dois subtipos principais: 
migrânea sem aura e com aura. A migrânea 
sem aura tem como critérios diagnósticos a 
ocorrência de cinco ataques prévios de dor, 
com duração de 4 a 72h e com pelo menos 
duas das seguintes características: localização 
unilateral, qualidade pulsátil, intensidade 
moderada a forte e com agravamento por 
atividade física rotineira. Associada a um ou 
mais dos seguintes sintomas: náuseas ou vô-
mitos e/ou fotofobia e fonofobia.
A aura é caracterizada primariamente por 
sintomas neurológicos focais transitórios que 
usualmente precedem ou, algumas vezes, 
acompanham a cefaleia. A aura típica tem 
como critério a ocorrência de pelo menos 
duas crises com um ou mais dos seguintes 
sintomas e totalmente reversíveis: visual, 
sensitivo, fala e ou linguagem. A aura visual 
é a mais comum ocorrendo em mais de 90% 
dos pacientes, com a característica de espec-
tro de fortificação: figura em zig zag próxi-
mo a um ponto ou fixo que pode espraiar 
gradualmente para a direita ou para a es-
querda, assumindo uma forma convexa late-
ral com borda angulada cintilante, levando 
a grau absoluto ou variável de escotoma em 
seu rastro4. Seu desenvolvimento é gradual, 
e a duração de cada sintoma não é maior do 
que 1h, misturando características positivas 
e negativas e completamente reversíveis.
Seguir tais critérios é fundamental e básico 
para diagnosticar a síndrome álgica cefálica do 
indivíduo e dessa forma tratá-la corretamente.
O QUE É CEFALEIA CRÔNICA? 
Cefaleia crônica (CC) é aquela que ocorre 
em 15 ou mais dias por mês e por mais do que 
3 meses4. Com essa frequência encontramos 
a migrânea crônica (MC), cefaleia tipo ten-
sional crônica (CTTC), hemicrania contínua, 
cefaleia persistente diária desde o início e 
cefaleia por uso excessivo de medicação 
(CEM), ICHD-3 b. Segundo Scher, 20085, os 
subtipos mais comuns são: MC e CTTC. Em 
relação à frequência da dor, temos a seguin-
te distribuição: frequente, mas não diária em 
68% dos pacientes com CC, diária em 15% 
e contínua em 17% Essa cefaleia contínua 
ocorre mais em idosos e naqueles que têm 
CC há mais tempo e geralmente são cefaleias 
que não preenchem critérios diagnósticos de 
cada tipo supracitado5.
CRONIFICAÇÃO DA MIGRÂNEA 
Haveria uma progressão da migrânea6 des-
de sem migrânea, passando para episódica 
com baixa frequência, seguindo-se de migrâ-
nea episódica com alta frequência evoluindo 
até a MC. Essa transformação é geralmente 
gradual, em vários meses ou anos, pode ser 
J.G. Speciali, et al.
26 100 perguntas chave em Dor
amenizada e não é irreversível. As remissões 
espontâneas ou induzidas são possíveis e 
comuns. A transformação ocorre em alguns, 
mas não em todos os pacientes com migrâ-
nea episódica (aproximadamente em 3% 
desses pacientes). 
Os fatores de risco para cronificação po-
dem ser não modificáveis, tais como a idade, 
sendo mais comum em adultos, gênero fe-
minino (2:1), ter baixo nível socioeconômico 
e estado civil, em que os casados teriam 
menor risco. Já como fatores de risco para 
cronificação modificáveis há o abuso de 
analgésicos (CEM)7, distúrbio do sono (ronco 
e apneia do sono), transtornos psiquiátricos 
(depressão maior, transtorno do pânico, an-
siedade e fobia social), obesidade, outras 
dores musculoesqueléticas, trauma cervical 
ou craniano e uso de cafeína5.
A CEM é uma interação entre um agente 
terapêutico usado de maneira excessiva e 
um paciente suscetível. O uso excessivo é 
definido em termos de dias de tratamento 
por mês. Segundo a ICHD-3 b4, o número 
de dias necessários para induzir esta cefaleia 
seria de ≥ 10 dias por mês de forma regular 
por ≥ 3 meses para ergotamina, triptanos, 
opioides, combinação de medicamentos (anal-
gésicos + opioides, butalbital e/ou cafeína); 
≥ 15 dias por mês de forma regular por ≥ 3 
meses para analgésicos; uso de forma regular 
por ≥ 3 meses para outras medicações.
Como parte do Estudo Americano da 
Prevalência e Prevenção da Migrânea (AMPP), 
os autores concluíram que pacientes com 
migrânea episódica evoluem para CC após 
o ajuste das covariáveis com qualquer uso 
de barbitúricos e opiáceos, enquanto com os 
triptanos não o foram. Os anti-inflamatórios 
não esteroides (AINEs) foram protetores ou 
indutores dependendo da frequência da ce-
faleia8. O atraso entre a primeira tomada do 
remédio e o desenvolvimento da cefaleia é 
menor para os triptanos (1-7 anos), maior 
para ergotamina (2-7 anos) e ainda maior 
para os analgésicos (4-8 anos)9. Somente os 
pacientes com cefaleia primaria, especialmen-
te migrânea, desenvolvem CC com o uso 
regular de medicação analgésica A CC não 
é somente mais uma cefaleia; é diferente. 
Haveria sensibilização dos neurônios noci-
ceptivos centrais na via trigeminal, além das 
células da substância cinzenta periaquedutal 
(SCP). Nos pacientes com CC, o uso exces-
sivo de fármaco está associado significativa-
mente a polimorfismo funcional específico 
no receptor D4 de dopamina e nos genes 
que decodificam o transportador da dopa-
mina, sugerindo que os CEM carregam uma 
predisposição genética substancial7.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
ENTRE ODONTALGIA TÍPICA, 
ODONTALGIA ATÍPICA E DOR 
FACIAL ATÍPICA: PAPEL DA DOR 
DE DENTE REFERIDA
A dor de dente pode ser caracterizada 
como a dor que emana dos dentes e suas 
estruturas de suporte. É resultado de doen-
ças como cárie dentária, trauma ou doença 
periodontal e é considerada a principal causa 
de cefaleia secundária de origem orofacial10. 
A etiologia é em geral infecciosa e inflamatória 
e causa intensa sensibilização secundária11. 
Apresenta característica visceral, sendo, por-
tanto, frequentemente difusa e causa de dor 
referida, o que a inclui nos diagnósticos di-
ferenciais de diversas cefaleias. Dor na face 
e nos dentes pode não ser odontogênica e 
caracterizar odontalgia atípica e dor facial 
atípica, destacando-se o caráter neuropáti-
co. Dores dentárias odontogênicas podem 
associar-se a estes diagnósticos e devem ser 
identificadas12. Seu tratamento inclui proce-
dimentos operatórios da prática odontológi-
ca. Dores dentáriasnão odontogênicas 
(odontalgia atípica e dor facial atípica) são 
classificadas como dor facial idiopática per-
sistente e são identificadas como condições 
de exclusão4. Seu tratamento inclui fármacos 
(antidepressivos tricíclicos, neurolépticos, etc.), 
Cefaleia e dor orofacial
100 perguntas chave em Dor 27
laser de baixa potência, acupuntura, estimu-
lação magnética transcraniana e cirurgia em 
casos específicos. Cuidados orais são neces-
sários, especialmente pelos efeitos colaterais 
dos medicamentos na boca, o que pode 
agravar a dor e faz necessário o acompanha-
mento odontológico13. 
NEURALGIA DO TRIGÊMEO 
É UMA DOENÇA PARA A VIDA 
TODA? COMO TRATÁ-LA?
A neuralgia do trigêmeo é a neuralgia 
facial mais comum e uma das causas mais 
frequentes de dor facial recorrente. Sua pre-
valência é de 155/1.000.000. Relação mulher/
homem 1,6:1. Ocorre especialmente entre a 
sexta e sétima décadas de vida. A história 
natural da neuralgia do trigêmeo é variável. 
Remissões permanentes são raras, mas a 
maioria dos pacientes experimenta períodos 
assintomáticos que podem durar seis meses 
ou mais. Pensamos que essa frase responde 
uma parte da questão proposta no título 
acima.
A neuralgia trigeminal é um distúrbio 
unilateral doloroso da face, caracterizado 
por crise de dor forte, do tipo choque, lan-
cinante, em punhalada ou em queimação, 
limitada à distribuição de uma ou mais divi-
sões do nervo trigêmeo. A dor é geralmente 
desencadeada por estímulos triviais, como 
lavar-se, barbear-se, fumar, falar e escovar os 
dentes (zonas de gatilho), mas a dor tam-
bém pode ocorrer espontaneamente. Logo 
após um ataque, existe um período refra-
tário – estímulos não desencadeiam crise. 
Os ataques duram menos de dois minutos, 
embora possam ocorrer em rápida sucessão, 
por horas.
Afeta mais frequentemente os ramos 
maxilar e mandibular. O primeiro ramo (of-
tálmico) é raramente acometido (cerca de 
4%) e o envolvimento dos três ramos ao 
mesmo tempo ocorre em apenas 1% dos 
pacientes. Raramente são bilaterais14-16. 
A exploração da fossa posterior na ne-
vralgia do trigêmeo tem demonstrado que 
muitos pacientes, possivelmente a maioria 
deles, apresentam compressão da raiz trige-
minal por vasos tortuosos ou aberrantes.
O diagnóstico se baseia, essencialmente, 
nas características clínicas, pois os exames 
clínico e neurológico são invariavelmente 
normais, podendo haver hiperestesia local 
no ramo acometido. 
A neuralgia do trigêmeo pode ser sintomá-
tica. Se alguma anormalidade no exame for 
encontrada (hipoestesia na face ou diminuição/
abolição do reflexo corneano, por exemplo), 
devem-se considerar diagnósticos subjacentes, 
tais como tumor de fossa posterior, esclerose 
múltipla, neuralgia pós-herpética, neuralgia 
do glossofaríngeo. Exames de neuroimagem 
devem ser solicitados nesses casos. Disfunções 
da articulação temporomandibular e dor facial 
atípica podem produzir um padrão de dor mui-
to parecido com a neuralgia do trigêmeo17.
O tratamento farmacológico é a primeira 
abordagem e apresenta uma boa eficácia em 
cerca de 80% dos pacientes. Essa eficácia 
inicial, no entanto, diminui cerca de 50% em 
3 a 5 anos. Uma vez obtido o controle da 
dor, deve-se iniciar a diminuição gradativa 
da medicação, retornando-se à dose anterior 
se a dor reaparecer. Alguns pacientes só me-
lhoram com associação de fármacos.
A carbamazepina/oxcarbazepina são fár-
macos de primeira escolha. Quando há me-
lhora do quadro clínico, confirma-se o diag-
nóstico. Apresenta eficácia inicial de até 90% 
com a maioria dos pacientes. A dose diária 
inicial é de 400 a 600 mg, podendo chegar 
a 1.200 mg. A eficácia inicial, no entanto, 
cai para 30 a 40% em 5 anos. Outras medi-
cações incluem clonazepam (1,5 a 8 mg/dia), 
gabapentina (até 3.600 mg/dia) e pregaba-
lina (até 600 mg/dia)14-16. 
Se o tratamento farmacológico não con-
trola os sintomas adequadamente, devem ser 
considerados os procedimentos cirúrgicos, 
percutâneos ou abertos.
J.G. Speciali, et al.
28 100 perguntas chave em Dor
As intervenções percutâneas, apesar de 
apresentarem um maior risco de disestesia 
facial, se associam a uma menor morbidade 
e mortalidade e têm um custo menor que os 
procedimentos cirúrgicos abertos. A gangli-
ólise percutânea por radiofrequência, inje-
ção de glicerol ou compressão por balão 
apresenta uma eficácia inicial próxima de 
100%, que cai a 50 a 70% em 5 anos. As 
complicações mais frequentes são parestesia 
(15-50%); anestesia dolorosa (2-3%); anes-
tesia da córnea com risco de ceratite (1-8%) 
e paresia do masseter15,16. 
Os procedimentos cirúrgicos abertos in-
cluem a descompressão microvascular. Mais 
recentemente, a radiocirurgia com gammak-
nife tem sido empregada com sucesso para 
o tratamento da neuralgia do trigêmeo. 
Tem a vantagem de ser uma técnica não 
invasiva18.
Em todos os procedimentos cirúrgicos, a 
recidiva pode ocorrer exigindo uma nova in-
tervenção.
O QUE É SÍNDROME 
DA ARDÊNCIA BUCAL?
Síndrome da ardência bucal (SAB) é a 
queixa de queimação ou ardor bucal, geral-
mente constante, na ausência de causas pri-
márias que justifiquem o desconforto19. Sua 
prevalência é de 0,7 a 18% da população 
adulta, sendo que os indivíduos mais afeta-
dos são mulheres na pós-menopausa, com 
idade entre 45 e 60 anos. As causas primá-
rias de ardor bucal incluem diabetes, infec-
ções orais, deficiências vitamínicas e doenças 
reumatológicas, entre outras. A SAB é idio-
pática e é atualmente classificada como neu-
ropática10. Seu tratamento apresenta como 
medicação de escolha o clonazepam. Diversas 
medicações tópicas podem ser utilizadas, po-
rém os cuidados locais e o acompanhamento 
odontológico são essenciais para o controle 
de morbidades associadas, que comprome-
tem a eficácia terapêutica em geral13. 
DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR: 
CONJUNTO DE DOENÇAS?
Dentre as cefaleias secundárias orofa-
ciais, as disfunções temporomandibulares 
(DTM) são o segundo grupo mais prevalen-
te20. Trata-se de um conjunto de condições 
relacionadas a vários problemas clínicos en-
volvendo a musculatura mastigatória, a arti-
culação temporomandibular ou ambas as 
estruturas20. As DTM raramente apresen-
tam-se como entidade única; frequente-
mente há superposição de sintomas e as 
etiologias são multifatoriais. Elas, em grande 
parte das vezes, encontram-se associadas a 
outras síndromes álgicas faciais, inclusive de 
origem neuropática21. Entre essas, a neural-
gia idiopática do trigêmeo (NIT), neuralgia 
pós-herpética (NPH), SAB e as neuropatias 
pós-traumáticas (NPT), entre outras, são fre-
quentemente diagnosticadas. O tratamento 
das DTM inclui fármacos, fisioterapia, dispo-
sitivos interoclusais, estimulação elétrica 
transcutânea, acupuntura e cirurgias nos 
casos bem indicados.
O QUE CARACTERIZA A SÍNDROME 
DE DOR E A DISFUNÇÃO 
MIOFASCIAL E QUAIS SÃO AS 
ABORDAGENS EMPREGADAS?
Caracteriza-se pela presença de pontos-
-gatilho miofasciais (PGM) que são áreas 
sensíveis que se localizam em qualquer mús-
culo esquelético do corpo. Esses são capazes 
de determinar uma dor local, ou referida. 
Dividem-se em três tipos básicos: latentes, 
ativos e satélites O primeiro só é dolorido à 
palpação e produz dor local. Os outros dois 
tipos reproduzem uma dor referida esponta-
neamente, ou à palpação, além de poderem 
produzir um quadro clínico de disautonomia. 
O último PGM encontra-se localizado, nor-
malmente, na área de dor referida, o que gera 
dificuldades no seu diagnóstico e tratamen-
to. Quanto à etiologia, essa é multifatorial22. 
Cefaleia e dor orofacial
100 perguntas chave em Dor 29
O exato mecanismo envolvido na formação 
de um PGM não está totalmente compreen-
dido. Esse decorre, possivelmente, de uma 
disfunção neuromuscular envolvendo anor-
malidades sensoriais e motoras,acometendo 
tanto o sistemas nervoso central quanto o 
periférico23. Postula-se que o PGM decorre 
de um trauma no retículo sarcoplasmático, 
resultando na liberação de íons de cálcio. Na 
presença de trifosfato de adenosina (ATP), o 
cálcio livre poderá ativar o mecanismo de 
contratibilidade do complexo actina-miosi-
na, levando a uma mudança no comprimen-
to do sarcômero e, consequentemente, a um 
encurtamento muscular seguido por uma 
hipertonia muscular localizada, resultando 
em um PGM24. O meio de identificação mais 
frequente é a palpação mono ou bidigital, 
além do uso de termografia25, de imagem 
por ultrassom com ou sem elastografia e 
ressonância magnética elastográfica26. Não 
há consenso na literatura de qual é a melhor 
forma de tratamento para a síndrome de dor 
e disfunção miofascial, e diferentes terapêu-
ticas têm sido sugeridas. Pode-se empregar 
calor profundo, como ultrassom, laser, spray 
vapocolante à base fluorclorometano, cor-
rentes elétricas, acupuntura, agulhamento 
seco, laserterapia, dispositivos interoclusais, 
infiltração anestésica sozinha ou combinada 
com compressão isquêmica e infiltração com 
toxina botulínica-A22,26,27.
QUAIS AS INDICAÇÕES PARA 
A CIRURGIA DA ARTICULAÇÃO 
TEMPOROMANDIBULAR 
E AS TÉCNICAS EMPREGADAS 
NA ATUALIDADE?
A cirurgia da articulação temporomandi-
bular (CATM) é um procedimento de exce-
ção e não de eleição nas DTM. Deve ser 
empregada em casos muito bem seleciona-
dos, devido às possíveis complicações poten-
ciais, além de fatores contribuintes compor-
tamentais e psicossociais que podem estar 
presentes nesses pacientes. A decisão de-
pende do correto diagnóstico, do insucesso 
da resposta clínica inicial, do tipo de patolo-
gia associada, de exames laboratoriais e de 
imagem, quando bem indicados, como to-
mografia computadorizada e ressonância 
magnética nuclear e do grau de limitação 
que esse problema gera no indivíduo. Con-
traindica-se a CATM em casos de pressão ou 
bruxismo noturno incontrolável, em pacien-
tes com processo legal em andamento, em 
casos em que não se consigam controlar 
adequadamente os fatores musculares e por 
razões preventivas. As técnicas empregadas 
podem ser minimante invasivas, como a de 
viscossuplementação com hialuronato de só-
dio28, artrocentese com uma ou mais agu-
lhas ou com o emprego de cânulas. As mais 
invasivas incluem artroscopia com ou sem 
ancoragem do disco, ancoragem do disco, 
com âncoras metálicas ou reabsorvíveis, dis-
cectomia, condilectomias alta ou baixa e 
prótese de ATM. As condições primárias que 
impõem um procedimento cirúrgico são os 
casos de neoplasia benigna ou maligna que 
produzem dor e/ou limitação da abertura e 
de lateralidade da mandíbula, além de assi-
metria esqueléticas e/ou dentárias, ou que 
possam levar a óbito; presença de corpo 
estranho intra-articular29; anquilose óssea, 
ou fibrosa e deslocamento do disco sem re-
dução com adesividades. Secundariamente, 
pode-se também indicar a cirurgia nos casos 
de condições inflamatórias que afetam as 
ATMs, artrites, em fraturas do processo con-
dilar, agenesia da cabeça mandibular e nos 
casos de deslocamento mandibular crônico. 
É vital compreender não apenas quando a 
cirurgia é ou não é indicada para o manejo 
de certas disfunções da ATM, mas também 
qual é o melhor procedimento para tratar um 
determinado paciente em particular. Infeliz-
mente, ainda não existem estudos na litera-
tura bem desenhados e randomizados para 
as diferentes abordagens cirúrgicas da ATM. 
Em vista disso, deve-se agir com cautela, 
J.G. Speciali, et al.
30 100 perguntas chave em Dor
preferindo-se técnicas mais conservadoras, 
minimamente invasivas, até que haja melho-
res evidências para optar por uma ou mais 
abordagens cirúrgicas em detrimento de 
outra(s)22,30.
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100 perguntas chave em Dor 31
O QUE É DOR AGUDA? 
Dor aguda é uma dor de curta duração 
que dura desde alguns segundos até sema-
nas e se caracteriza por um caráter de alerta 
e proteção, de início súbito, de fácil locali-
zação e duração previsível1-3.
POR QUE A DOR DEVE SER 
CONSIDERADA O 5.º SINAL VITAL?
A avaliação da dor como 5.º sinal vital é 
descrita pela agência Americana de Pesquisa 
e Qualidade em Saúde Pública e a Sociedade 
Americana de Dor, devendo ser registrada ao 
mesmo tempo com os outros sinais vitais. 
A dor deve ser avaliada juntamente com 
os outros quatro sinais vitais, sendo anotada 
na ficha de evolução do paciente, em inter-
valos regulares, geralmente a cada 6h.
Considerar a dor como 5.º sinal vital é uma 
maneira de melhorar a qualidade do atendi-
mento do paciente, facilitando a avaliação da 
mesma e o seu controle mais adequado, pois 
se a dor for avaliada rotineiramente, com 
certeza seu tratamento será otimizado1,2.
É POSSÍVEL PREVENIR A 
CRONIFICAÇÃO DA DOR PÓS-
OPERATÓRIA?
Sim, é possível prevenir a cronificação 
da dor após muitas das operações com o 
Dor aguda em traumatismos 
e após cirurgias
I.P. Posso, R.M. Romanek e R. Awade
tratamento adequado da dor aguda pós-
-operatória3,4.
O QUE É ANALGESIA MULTIMODAL 
E COMO ELA DEVE SER USADA 
NO TRATAMENTO DA DOR AGUDA?
A terapia antálgica deve ser sempre mul-
timodal, com a associação de dois ou mais 
agentes ou técnicas analgésicas periféricas 
ou centrais, incluindo os métodos não far-
macológicos, pois o sinergismo existente 
entre os fármacos e as técnicas analgésicas 
permite usar menor quantidade de fárma-
cos, minimizando seus efeitos adversos e 
aumentando a sua atividade analgésica.
Sempre que for possível e necessário, os 
fármacos e as técnicas que tenham efeito 
sinérgico farmacocinético ou farmacodinâ-
mico no alívio da dor pós-operatória devem 
ser associados, permitindo o uso mais racio-
nal, com menores doses dos fármacos e me-
nos efeitos adversos. 
A analgesia multimodal pode ser realiza-
da em qualquer parte da via dolorosa: na 
periferia, com o uso de coxibes, de anti-in-
flamatórios não esteroides (AINEs) e de anes-
tésicos locais, que vão reduzir a intensidade 
da inflamação e da sensibilização periférica; 
na via de condução, com o uso de anestésicos 
locais, que vão bloquear o influxo de estímu-
los ao sistema nervoso central; na medula, 
com o uso de opioides espinhais, anestésicos 
Capítulo 5
I.P. Posso, et al.
32 100 perguntas chave em Dor
locais, clonidina e cetamina, que vão modular 
a entrada do estímulo, e finalmente nos cen-
tros superiores, com o uso de coxibes, AINEs, 
opioides, cetamina e clonidina por via sistê-
mica.
Quando se considera o uso dos opioides 
no alívio da dor, deve-se sempre lembrar que 
eles produzem diversos efeitos indesejáveis. 
O tratamento multimodal permite o uso de 
doses de opioides menores com diminuição 
da incidência de efeitos indesejáveis. A anal-
gesia regional apresenta o melhor efeito em 
termos de redução do consumo de opioides 
e recuperação precoce, sendo boa prática no 
controle da dor a associação de alguma téc-
nica regional, quando possível.
O tratamento multimodal é importante 
para acelerar a recuperação do paciente que 
sofre dor de moderada ou grande intensida-
de. Deve ser realizado tratamento analgésico 
efetivo, visando principalmente o alívio da dor 
dinâmica, para permitir breve retorno da fun-
ção normal. Devem ser usadas técnicas de 
bloqueio neural, com anestésicos locais, 
para reduzir as respostas ao estresse, a des-
saturação episódica noturna, as náuseas, 
vômitos e íleo paralítico, sendo feito o uso adi-
cional de antieméticos e a redução do uso de 
opioides e benzodiazepínicos1,5,6.
COMO UTILIZAR A ESCADA 
ANALGÉSICA DA ORGANIZAÇÃO 
MUNDIAL DA SAÚDE NO 
TRATAMENTO DA DOR AGUDA?
A escada analgésica foi descrita pela Or-
ganização Mundial da Saúde (OMS) para o 
tratamento medicamentoso da dor do cân-
cer, porém deve ser usada no tratamento da 
dor aguda.
No primeiro degrau estão os analgésicos 
não opioides e os adjuvantes. No segundo 
degrau, se acrescentam aos analgésicos 
não opioides e adjuvantes os opioides fra-
cos. No terceiro degrau, os opioides fracos 
são substituídos pelos opioides fortes. No 
quarto degrau estão os métodos minima-
mente invasivos, como os bloqueios regionais. 
A dor aguda desce a escada analgésica, de-
vendo o tratamento iniciar no terceiro ou no 
quarto degrau da escada com técnicas e fár-
macos mais potentes. Com o passar dos dias, 
diminui a intensidade da dor, então se deve 
descer a escada passando a usar fármacos 
menos potentes e, finalmente, quando a dor 
estiver com pouca intensidade usar os fármacos 
indicados no primeiro degrau da escada1,2.
COMO USAR OS ANALGÉSICOS 
NÃO OPIOIDES NO TRATAMENTO 
DA DOR AGUDA?
O paracetamol e a dipirona praticamen-
te não apresentam atividade anti-inflama-
tória, não sendo classificados como AINEs, 
sendo, por muitos autores, classificados 
como analgésicos não opioides, nome rela-
tivamente vago, mas que ganhou um certo 
destaque na literatura.
A dipirona é um analgésico relacionado 
aos AINEs, de ação periférica e central, tam-
bém utilizado por via parenteral, enquanto 
que em nosso país o paracetamol é apresen-
tado apenas para uso oral ou retal.
Os AINEs formam um grupo de analgési-
cos constituído pelos fármacos que inibem a 
cicloxigenase 2 (COX-2) impedindo a síntese 
das prostaglandinas induzidas que são res-
ponsáveis pelo processo inflamatório e dor. 
A classe é constituída pelos inibidores da COX-
2, também chamados de coxibes, que têm 
ação seletiva inibindo a COX-2, e pelos AINEs 
clássicos que inibem a COX-1 e a COX-2. 
A inibição da COX-1 é responsável pelos 
efeitos adversos decorrentes da inibição da 
COX sobre a mucosa gástrica, a coagulação, 
a função renal e o sistema cardiocirculatório. 
Os coxibes não causam efeitos adversos so-
bre a mucosa gástrica e a coagulação.
Como princípios básicos a serem segui-
dos para o emprego desses fármacos e para 
aperfeiçoar a analgesia pós-operatória, os 
Dor aguda em traumatismos e após cirurgias
100 perguntas chave em Dor 33
mesmos devem ser prescritos em intervalos 
regulares, mantendo o esquema horário, evi-
tando a analgesia de demanda, ou seja, evi-
tar administrar o analgésico apenas quando 
o paciente referir dor, preferir a administra-
ção por via venosa, por não ser dolorosa e 
determinando níveis plasmáticos imediatos 
e regulares e utilizar analgesia balanceada 
ou multimodal.
O inibidor da COX-2 parecoxibe e os AI-
NEs clássicos ou tradicionais ocupam hoje 
lugar de destaque no tratamento da dor 
pós-operatória, associados ou não a outros 
fármacos usados por métodos sistêmicos ou 
regionais. Quando usados como fármaco 
único para o alívio da dor pós-operatória são 
efetivos para tratar dores de leve a média 
intensidade. Apresentam os seguintes bene-
fícios e limitações:
– Efeito poupador de opioides, pois possi-
bilitamusar menores doses de opioides, 
sejam esses fracos ou fortes, com a redu-
ção dos efeitos adversos atribuíveis a esse 
outro grupo de fármacos, notadamente 
náuseas, vômitos e depressão respiratória.
– Efeito-teto para a analgesia, pois apre-
sentam eficácia limitada como agentes 
únicos para tratar a dor decorrente de 
procedimentos cirúrgicos maiores. Neste 
caso, o aumento da dose do coxibe ou do 
AINE clássico não se correlaciona com au-
mento da analgesia, mas sim com o au-
mento da incidência de efeitos adversos.
– Presença de efeitos adversos decorrentes 
da inibição da COX-1 sobre a mucosa 
gástrica e a coagulação e da inibição da 
COX-1 e 2 sobre a função renal e o sis-
tema cardiocirculatório.
Em relação ao sistema urinário, reduzem 
a síntese de prostaglandinas que têm impor-
tante papel no controle do fluxo sanguíneo 
renal, ritmo de filtração glomerular e libera-
ção da renina, entre outros. A seleção crite-
riosa de pacientes para receber esses fárma-
cos é de fundamental importância, no 
sentido da prevenção da necrose tubular 
aguda, devendo ser evitada a administração 
em pacientes que apresentaram sangramen-
to intenso durante o período intraoperató-
rio, pacientes hipovolêmicos, pacientes com 
comprometimento renal prévio ou que te-
nham o sistema renina-angiotensina-aldos-
terona ativado previamente, como os hepa-
topatas e cardiopatas. Nos idosos a dose e 
o período de administração devem ser dimi-
nuídos.
Quando usados como fármaco único 
para o alívio da dor pós-operatória, os AINEs 
são efetivos para tratar dores de leve a mé-
dia intensidade1,6-8.
COMO USAR OS ANALGÉSICOS 
OPIOIDES NO TRATAMENTO 
DA DOR AGUDA?
Os analgésicos opioides permanecem 
como o esteio do tratamento da dor aguda 
de moderada a forte intensidade. Devido à 
sua janela terapêutica relativamente estreita, 
pois variações moderadas de dose podem 
resultar em efeitos adversos e ao temor de 
induzir depressão respiratória ou adição, os 
opioides têm sido empregados em subdoses 
analgésicas ou em intervalos muito longos, 
ou seja, em posologia inadequada, determi-
nando um subtratamento da dor.
Na prática clínica, são classificados em 
opioides fracos a codeína, o tramadol e a 
nalbufina, como opioides fortes a morfina, 
o fentanil, a metadona e a oxicodona. Nas 
dores agudas torácicas, a despeito da conhe-
cida variação individual em termos de de-
manda analgésica, a grande maioria dos 
pacientes necessita de um opioide forte nas 
primeiras 48-72h, necessidade que pode se 
prolongar caso sejam mantidos por mais 
tempo os drenos tubulares torácicos. Após 
a retirada desses drenos, grande parte dos 
doentes tem a dor controlada com o empre-
go de um opioide fraco acrescido de analgé-
sicos não opioides em posologia horária. Al-
guns pacientes podem prescindir do opioide 
I.P. Posso, et al.
34 100 perguntas chave em Dor
fraco e a dor pode ser controlada apenas 
com o emprego de analgésicos não opioides 
regularmente.
São princípios básicos a serem seguidos 
para se auferir o melhor resultado com os 
opioides:
– Não associar dois opioides fracos na mes-
ma prescrição, pois não haverá acréscimo 
de analgesia, mas poderá haver aumento 
da incidência de efeitos adversos.
– Não associar um opioide fraco e um 
opioide forte, se houver necessidade de 
se prescrever um fármaco de maior po-
tência, utilizar apenas esse fármaco e 
suspender a anterior.
– Não associar dois opioides por diferentes 
vias de administração, como a peridural 
e a muscular ou venosa devido ao au-
mento do risco de depressão respiratória.
– Não associar agonistas-antagonistas, como 
a nalbufina, ou agonistas parciais, como a 
buprenorfina, com os agonistas opioides, 
devido à imprevisibilidade de resposta e 
comprometimento da analgesia1,6-8.
COMO USAR OS ADJUVANTES NO 
TRATAMENTO DA DOR AGUDA?
Adjuvantes são fármacos que, embora 
não sejam farmacologicamente classificados 
como analgésicos, têm efeito analgésico im-
portante, como os antidepressivos, anticon-
vulsivantes, neurolépticos, bloqueadores de 
receptores de N-metil-D-aspartato (NMDA) 
ou os α-2-agonistas.
Alguns adjuvantes podem ser usados por 
via parenteral, porém outros são usados so-
mente por via enteral, por não existir apre-
sentação para uso parenteral.
A cetamina é um anestésico geral utiliza-
do há mais de três décadas. A descoberta 
do envolvimento dos receptores de NMDA 
no processamento da informação nocicepti-
va e o conhecimento recente de se constituir 
este fármaco num antagonista não compe-
titivo desses receptores levaram ao interesse 
clínico em utilizá-lo para o tratamento da 
dor aguda e crônica.
A clonidina é um fármaco agonista de 
receptores α-2-adrenérgicos que pode ser 
usada como adjuvante da anestesia geral 
ou espinhal, pois apresenta atividade anal-
gésica sem provocar alteração da sensibili-
dade ou da motricidade. Pode causar dimi-
nuição da pressão arterial, sedação e diminuição 
da ansiedade. 
Os anticonvulsivantes gabapentina e pre-
gabalina, por reduzirem a hiperexcitabilidade 
dos neurônios do corno dorsal induzida pela 
lesão tecidual são úteis no tratamento da dor 
aguda. 
Como a gabapentina e a pregabalina 
apresentam efeito ansiolítico, só podem ser 
usadas por via oral.
A gabapentina e a pregabalina podem 
diminuir a cronificação da dor aguda, modu-
lando a sensibilização de neurônios do corno 
dorsal da medula espinhal.
A gabapentina é um aminoácido com a 
estrutura do neurotransmissor GABA, mas 
não interage de modo significativo com esse 
ou outro neurotransmissor. O mecanismo de 
ação da gabapentina consiste na redução da 
hiperexcitabilidade dos neurônios do cor-
no dorsal da medula espinal induzida pela 
lesão, que é responsável pela sensibiliza-
ção central e parece que ocorre por liga-
ção pós-sináptica da gabapentina à subunidade 
α-2-δ de canais de cálcio dependente da volta-
gem nos neurônios do corno dorsal da medula 
espinal, diminuindo a entrada de cálcio nas 
terminações nervosas e reduzindo a libera-
ção de neurotransmissores. 
A pregabalina é uma molécula sintética 
com estrutura derivada do neurotransmissor 
inibitório ácido γ-aminobutíríco. O mecanis-
mo de ação exato da pregabalina ainda não 
foi plenamente elucidado, mas o fármaco 
interage com o mesmo sítio de ligação e tem 
um perfil farmacológico similar ao da gaba-
pentina. É um ligante da subunidade α-2-δ 
do canal de cálcio com atividade analgésica, 
Dor aguda em traumatismos e após cirurgias
100 perguntas chave em Dor 35
anticonvulsivante, ansiolítica e moduladora 
do sono. 
Os antidepressivos tricíclicos talvez sejam 
os fármacos adjuvantes mais usados no tra-
tamento da dor crônica, porém têm sido 
usados na dor aguda. Fármacos como a ami-
triptilina e a nortriptilina, em doses baixas, 
reconhecidamente exercem efeito analgési-
co, além de potencializarem a analgesia dos 
AINEs e dos opioides5-8.
COMO TRATAR 
A DOR AGUDA PÓS-OPERATÓRIA?
O controle da dor pós-operatória deve 
ser iniciado antes do início da própria ope-
ração, através da utilização de técnicas de 
analgesia preventiva, que consiste em admi-
nistrar fármacos e/ou usar técnicas analgési-
cas antes da incisão.
A criteriosa indicação da anestesia pode 
propiciar início do controle da dor pelo uso 
de anestésicos locais para a infiltração do 
local da incisão ou para anestesia regional, 
impedindo a gênese e/ou condução dos es-
tímulos até o sistema nervoso central, impe-
dindo assim a sensibilização medular, dimi-
nuindo a dor no período pós-operatório.
A analgesia pós-operatória, no entanto, 
deve ser adequada aos diversos tipos de 
operações, sendo mais difícil o tratamento das 
dores após operações na região torácica e ab-
dominal alta do que a realizada na face e 
nas extremidades.
Existem diversas maneiras para o trata-mento da dor pós-operatória; entretanto, a 
sua não avaliação com regularidade pode 
comprometer o tratamento mais adequado. 
No entanto, nem sempre a avaliação é fácil, 
e frequentemente o alívio da dor é inadequa-
do por ter sido avaliada de modo impróprio.
A avaliação tem como objetivo identificar 
se existe dor, estimar seu impacto no indiví-
duo e verificar a eficácia do tratamento. Para 
que a terapêutica seja adequada, o diagnós-
tico deve ser correto e o paciente deve ser 
informado sobre as etapas da avaliação e do 
tratamento, pois a sua colaboração é essencial.
As técnicas habitualmente aceitas para a 
modulação da dor pós-operatória in-
cluem:
– Uso de analgésicos sistêmicos em horá-
rios regulares.
– Infusão contínua de analgésicos.
– Analgesia controlada pelo paciente.
– Analgesia regional segmentar.
– Analgesia intraperitonial, interpleural ou 
intra-articular.
– Uso de fármacos no espaço peridural.
– Uso dos agentes adjuvantes, como a ce-
tamina, a clonidina, os antidepressivos 
tricíclicos e os neurolépticos.
Algumas das regras práticas devem ser 
consideradas para que seja obtida adequada 
analgesia incluem:
– Planejar a analgesia.
– Acreditar no paciente, pois é ele quem 
sofre a dor.
– Não permitir que o paciente sinta dor 
moderada ou forte.
– Fazer combinação racional dos analgési-
cos.
– As doses dos analgésicos devem ser indi-
vidualizadas.
– O tratamento da dor só é eficaz se sua 
avaliação for frequente.
– Lembrar que os analgésicos são apenas 
parte do tratamento.
– Lembrar que o tratamento da dor pós-
-operatória desce a escada analgésica da 
OMS, devendo o tratamento iniciar com 
técnicas e fármacos mais potentes, pas-
sando a seguir para os mais fracos1,2,6,9.
COMO TRATAR A DOR AGUDA NO 
PACIENTE COM TRAUMATISMOS 
SEM FRATURAS E COM FRATURAS 
MÚLTIPLAS?
O tratamento da dor após politraumatis-
mos acompanhados ou não de fraturas não 
é substancialmente diferente do tratamento 
I.P. Posso, et al.
36 100 perguntas chave em Dor
da dor aguda pós-operatória, a não ser pelo 
fato de que não se pode usar nesse tipo de 
dor aguda a analgesia preventiva, uma vez 
que de modo diverso da dor pós-operatória, 
que tem hora marcada para iniciar, a dor do 
politraumatizado ocorre de modo inespera-
do, e transcorre um período variável, muitas 
vezes longo, entre o trauma responsável 
pela dor e o inicio do tratamento analgésico.
A analgesia tem características próprias 
nos traumas torácicos, pois a dor geralmen-
te é forte e deve ser levada em consideração 
a limitação imposta pela respiração, bem 
como a dificuldade de mobilização devida 
aos drenos e a necessidade da fisioterapia 
respiratória.
A analgesia também tem características 
especiais nos traumatismos dos membros e 
da coluna. A intensidade da dor difere se a 
operação é no membro superior, inferior ou 
na coluna. A dor também tem intensidade 
diferente se existe a possibilidade de imobi-
lizar a região onde ocorreu a fratura ou se é 
fundamental para a recuperação da função 
a movimentação do membro, como nos 
traumas envolvendo articulações.
A constatação de que certas respostas 
fisiológicas que ocorrem após o trauma in-
terferem negativamente no prognóstico do 
paciente, especialmente no caso de traumas 
mais extensos acompanhados de fraturas, 
fornece suporte para o conceito de que a 
diminuição do estresse reduz a morbidade 
associada a esse período. A analgesia com 
opioides por via sistêmica reduz a morbimor-
talidade, porém o alívio da dor propriamen-
te dito parece ser apenas parcialmente res-
ponsável por essa resposta. A administração 
de anestésicos locais por via espinhal reduz 
a resposta inflamatória e sensibilização cen-
tral decorrente de traumas com fraturas no 
tórax. A analgesia regional é indicada nos 
traumas dos membros especialmente quan-
do existem fraturas4,6-8,10.
BIBLIOGRAFIA
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da dor aguda pós-operatória e na assistência de enferma-
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SAERJ, 2003.
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Anestesiologia SAESP. 7° ed. Ed. Atheneu, 2011.
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of chronic pain of predominantly neuropathic origin. Results 
from a general population survey. J Pain. 2006;7:281-9.
100 perguntas chave em Dor 37
DOR CRÔNICA NA CRIANÇA
Existe dor crônica em crianças? 
Qual a prevalência?
Pesquisadores fizeram muitas descober-
tas a respeito das causas, mecanismos e tra-
tamento da dor. Desde então, demonstrou-se 
que mesmo o recém-nascido1,2 mais prema-
turo pode necessitar de analgesia. A atu-
alidade mostra uma melhoria na qualida-
de do tratamento da dor e a criação de 
serviços especializados no controle da dor 
na criança.
Do ponto de vista epidemiológico, pouco 
se sabe sobre a prevalência da dor crônica 
em crianças e adolescentes. Em estudo rea-
lizado em 2006 por Zapata, et al. mostrou 
que a dor musculoesquelética foi reportada 
por 40% da população estudada (n = 833) 
com uma média de idade de 14,2 anos3. 
Entre pacientes referendados para um 
programa interdisciplinar para o controle da 
dor, porque não obtiveram o adequado alí-
vio da dor no atendimento pediátrico usual, 
um total de 100 pacientes tiveram a seguinte 
distribuição no que se refere à dor: dor ab-
dominal 18%, dor lombar 14%, fibromialgia 
14%, cefaleia 12%, síndrome de dor com-
plexa regional 11%, dor torácica e nas cos-
telas 6%. Estes pacientes eram em sua maio-
ria mulheres (73%) com sintomas associados 
de ansiedade (63%) e depressão (84%)4.
Dor na criança, na mulher 
e no idoso
T.R. Mariotto Zakka, S.M. de Macedo Barbosa, A. Menêses Santos 
e F.C. dos Santos
A existência da dor crônica em pediatria é 
inequívoca. Geralmente é descrita como uma 
dor constante ou que persiste além de um 
período de três meses ou mais. É importante 
distinguir a dor crônica da dor recorrente, 
cujo episódio doloroso se alterna com inter-
valos sem dor. A dor pode persistir ou recor-
rer por varias razões e pode estar associada 
a processos patológicos crônicos. Não costu-
mam ocorrer respostas neuro-vegetativas 
associadas à dor, sendo que a ansiedade e a 
depressão são respostas emocionais fre-
quentemente associadas ao quadro5,6. A dor 
neuropática também ocorre em pediatria e 
pode também ocorrer secundariamente a 
uma lesão em andamento proveniente de 
estímulos total das vias do sistema nervoso 
periférico ou central6.
Embora algumas crianças e adolescentes 
tenham dor crônica persistente severa, a dor 
recorrente é muito mais comum. Alguns ti-
pos de dor recorrente, incluindo dor de ca-
beça, abdominal e torácica, podem ocorrer 
em 5 a 10% das crianças sadias. Um consi-
derável número de crianças com dor recor-
rente pode não apresentar evidências fisio-
lógicas ou mesmo sinais específicos de 
doença6.
A dor crônica e recorrente em crianças 
tem um enorme número de pacientes emsofrimento, levando, muitas vezes, ao au-
mento do absenteísmo escolar e ao compro-
metimento da qualidade de vida.
Capítulo 6
T.R. Mariotto, et al.
38 100 perguntas chave em Dor
Qual a diferença entre 
a dor na criança e no adulto?
Há cerca de 27 anos, iniciaram-se as pes-
quisas que evidenciaram que a criança, prin-
cipalmente o neonato, tem condições ana-
tômicas, neuroquímicas e funcionais para a 
percepção, integração e resposta aos impul-
sos dolorosos.
A dor que não se trata no período neo-
natal tem o potencial de contribuir para o 
surgimento de respostas exacerbadas a estí-
mulos dolorosos, com a diminuição do limiar 
de dor no período da lactância e na fase 
pré-escolar. Alterações comportamentais 
como hiperatividade e a dor crônica futura 
podem ocorrer.
Nos dias de hoje, o conhecimento sobre 
a segurança e efetividade do controle da dor 
em neonatos, crianças e adolescentes aumen-
tou em grande proporção, porém ainda é mui-
to difícil a transferência deste conhecimento 
para a prática clínica diária, diferentemente 
da população adulta. É necessário implemen-
tar a formação médica pediátrica sobre as 
diversas causas, a prevenção e os efeitos a 
curto e longo prazo dos estímulos dolorosos.
Diferentemente dos adultos, há muitos 
fatores que dificultam a percepção e a avalia-
ção da dor em crianças, como as dificuldades 
de comunicação, atrasos de desenvolvimen-
to neuropsicomotor acabam por ser fatores 
de agravo no cuidado da dor pediátrica. 
A dor em pediatria ainda é subvalorizada 
e subtratada, diferentemente da população 
adulta. Cabe ainda ressaltar que em relação 
aos fármacos para dor, poucos são os estu-
dos realizados em pediatria, havendo com 
isso, muitas vezes, uma limitação de fárma-
cos disponíveis para o uso pediátrico4.
Quais os cuidados com medicação 
em crianças?
O tratamento farmacológico em pediatria 
deve respeitar as peculiaridades da faixa etária 
como as questões absortivas, de distribui-
ção, metabolização e excreção que, no início 
da vida, diferem da população adulta. As 
doses costumam ser prescritas em gotas por 
quilo, mg por quilo e mcg por quilo. Na 
dependência da farmacologia do fármaco, o 
intervalo entre as diversas doses diferem.
Uma sequência de metas devem ser leva-
das em consideração como tentar aumentar 
o tempo de sono livre da dor, aliviando a dor 
também no repouso. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) 
recomenda um método para o tratamento 
da dor (Fig. 1).
O primeiro degrau, assim como na popu-
lação adulta, implica no uso de um analgé-
sico não opioide e dos adjuvantes. Se a dor 
persiste, um opioide deve ser associado6. 
Em pediatria, assim como na população 
adulta, no segundo degrau com dor mode-
rada, utilizava-se a codeína e o tramadol, 
que são opioides fracos. A codeína porem 
apresentar problemas de eficácia relaciona-
dos à farmacogenética na sua biotransfor-
mação6, resultando em ineficiência do me-
dicamento em grande número de pacientes, 
incluindo crianças ou os pacientes estão em 
risco de grave toxicidade opioide, dada a 
elevada e descontrolada taxa de conversão 
de codeína em morfina6..
Opioide forte
+ não opioide + adjuvante
opioide fraco
+ não opioide + adjuvante
não opioide
+ adjuvante
Figura 1. A OMS preconiza o uso sequencial de 
fármacos para analgesia segundo o esquema da 
escada com dois degraus. 
Dor na criança, na mulher e no idoso
100 perguntas chave em Dor 39
O tramadol, também considerado fraco, 
é utilizado para o controle da dor moderada 
em adultos. Em pediatria, há falta de evidên-
cia disponível para a sua comparativa eficácia 
e segurança em crianças, sendo necessárias 
pesquisas sobre tramadol e outros opioides 
de potência intermediária na faixa etária pe-
diátrica.
A recomendação atual da OMS é a intro-
dução de morfina no segundo degrau na dose 
equivalente a biotransformação da codeína 
em morfina. Ou seja, a dose de codeína em 
pediatria é de 0,5 mg/kg/dose a 1 mg/kg/dose 
via oral. 
A OMS sugere que, no segundo degrau, se 
introduza a morfina na dose de 0,05 mg/kg/
dose via oral a 0,1 mg/kg/dose via oral, eli-
minando com isso a biotransformação. Ofe-
rece-se ao paciente a mesma analgesia que 
se obteria com o uso da codeína6. Se a dor 
for classificada como intensa, o tratamento 
deve-se iniciar pelo terceiro degrau. Desde o 
primeiro degrau, o uso de medicamentos 
adjuvantes acompanha o tratamento da dor 
crônica.
Devemos ainda oferecer os medicamen-
tos para analgesia: de horário6,, pela rota 
apropriada6, individualmente6 e com aten-
ção aos detalhes6.
É necessário administrar os medicamen-
tos para dor regularmente, respeitando o 
horário.
A avaliação constante da resposta à tera-
pêutica é essencial para garantir o melhor 
resultado com o mínimo de efeitos colaterais. 
DOR CRÔNICA NA MULHER
Existe diferença na percepção 
de dor entre os gêneros?
Sexo e gênero são fatores que influenciam 
na percepção e na resposta dolorosa, ou seja, 
homens e mulheres experimentam processos 
dolorosos e respondem a alguns analgésicos 
de diferentes formas7. As diferenças entre 
os fatores sociais, étnicos, culturais e bioló-
gicos associados às influências do meio so-
ciocultural e emocional estabelecem grandes 
dificuldades na avaliação dos processos do-
lorosos entre os gêneros. Entre os fatores 
biológicos, destacam-se os efeitos dos hor-
mônios gonadais, as variações hormonais 
durante o ciclo menstrual e a presença da 
testosterona8, responsáveis, provavelmen-
te, pela maior frequência com que as mu-
lheres procuram auxílio médico e usam mais 
analgésicos9 e mais analgésicos opioides do 
que os homens10. Desta forma, o desenvol-
vimento de ensaios clínicos entre os sexos é 
essencial para a individualização das doses, 
o estabelecimento dos intervalos entre elas 
ou mesmo a utilização de fármacos diferen-
tes para obter-se o mesmo efeito analgési-
co. Esta variabilidade farmacocinética entre 
os sexos decorre da composição corpórea, 
do tempo de esvaziamento gástrico, da ati-
vidade enzimática e da eliminação dos fár-
macos10,11.
Quais as dores mais frequentes 
entre as mulheres?
A dor crônica é mais prevalente em mu-
lheres e ocorre em aproximadamente 3,8% 
da população feminina mundial11. As dife-
renças na composição corporal, ou seja, no 
tecido adiposo, na massa muscular, nas va-
riações hormonais, entre outras, predispõem 
a maior incidência de dores musculoesque-
léticas na mulher; a prevalência de fibromial-
gia, por exemplo, é de 3,4% para as mulhe-
res e 0,5% para homens.
As mulheres têm maior prevalência dos 
seguintes quadros dolorosos: fibromialgia12, 
síndrome do cólon irritável13; dor pélvica crô-
nica13; cistite intersticial13; cefaleias; dor da 
articulação temporomandibular14 e dores 
por quadros autoimunes, como artrite reu-
matoide e lúpus eritematoso sistêmico14.
História e exame clínicos cuidadosos 
mostram que pacientes com dor crônica 
T.R. Mariotto, et al.
40 100 perguntas chave em Dor
Tabela 1. Classificação do risco dos fármacos na gestação 
A Estudos controlados não mostram risco 0,7%
B Não há evidência de risco no ser humano 19,0%
C O risco não pode ser afastado; incluem-se os fármacos recentemente lançados no 
mercado e/ou ainda os não estudados 66,0%
D Há evidência positiva de risco 7,0%
X Contraindicados 7,0%
Adaptado de J Yankowitz e JR Nieby.
muitas vezes sofrem de “mais de uma dor”. 
Por exemplo, a dismenorreia primária afeta 
90% das adolescentes e 50% das mulheres 
adultas, sendo que 10 a 20% delas quei-
xam-se de dor de forte intensidade que in-
terfere na vida diária15. A migrânea relaciona-
-se à menstruação entre 60 a 70% dos casos. 
A dismenorreia pode ocorrer associada a vá-
rias condições de dor crônica, como endome-
triose, síndrome do intestino irritável,dor 
lombar, cistite intersticial (síndrome da bexi-
ga dolorosa), dor musculoesquelética pélvica 
e abdominal crônica, vulvodinia, fibromial-
gia, dor de cabeça crônica, disfunção tem-
poromandibular, síndrome da fadiga crônica 
e dor associada com calculose ureteral16. 
Como tratar a dor durante a 
gestação?
As mudanças anatômicas e funcionais, 
durante o período gestacional podem modi-
ficar a expressão das afecções dolorosas, 
especialmente as musculoesqueléticas, por-
tanto, mulheres com quadros dolorosos crô-
nicos apresentam piora ou perpetuação dos 
seus sintomas associados aos desconfortos 
inerentes ao período. Desta forma, o plane-
jamento adequado na escolha das interven-
ções terapêuticas oferece analgesia com 
menor risco para a gestante e feto. 
A Food and Drug Administration (FDA) 
desenvolveu uma classificação de risco base-
ada no potencial do medicamento em causar 
malformações fetais para orientar a prescri-
ção durante a gestação17 (Tabela 1).
Ao escolher o fármaco, é necessário co-
nhecer seu perfil de segurança nas diversas 
fases da gestação e amamentação; o grau 
de ligação proteica, solubilidade lipídica, 
peso molecular e as características metabó-
licas maternas que influenciam a transferên-
cia materno-fetal dos medicamentos. Com 
exceção das moléculas polares grandes, a 
maioria das medicações atravessa a placenta 
e alcança o feto17. 
Para o tratamento farmacológico criterio-
so é importante considerar a idade gestacio-
nal e os três compartimentos: organismo 
materno, placenta e feto, cada um com ca-
racterísticas próprias. No organismo mater-
no, as modificações gravídicas influem na 
absorção, distribuição, metabolismo e excre-
ção dos fármacos. A placenta tem mecanis-
mos de transferência bem definidos e siste-
mas enzimáticos ativos, que interferem no 
comportamento dos fármacos que vão para 
o feto e dos metabólitos que retornam para 
a mãe. Quanto ao compartimento fetal, sa-
be-se que a exposição a certos fármacos antes 
da quarta semana de gestação pode causar a 
perda do concepto, por lesão do blastócito, 
ou anormalidades, devido à totipotencialidade 
das células embrionárias. O período da or-
ganogênese entre o 18.º ao 55.º dia após 
a concepção é o período mais crítico para a 
exposição medicamentosa, pois podem cau-
sar malformações irreparáveis. Tardiamente, 
Dor na criança, na mulher e no idoso
100 perguntas chave em Dor 41
na gestação, os medicamentos podem in-
fluenciar o crescimento ou a função fisioló-
gica fetal17-19 (Tabela 2). 
Os anti-inflamatórios não hormonais (AI-
NEs) devem ser evitados a partir do terceiro 
trimestre, pois inibem a síntese de prosta-
glandinas prolongando a gestação, podem 
determinar o fechamento precoce do ducto 
arterioso e hipertensão pulmonar neonatal, 
oligúria fetal, oligoâmnio, dimorfoses faciais, 
distúrbios da homeostase fetal e contratura 
muscular17,19. 
Entre os analgésicos não opioides utiliza-
dos durante a gestação e a amamentação 
estão o acetaminofeno e a dipirona. O ace-
taminofeno, em doses elevadas por tempo 
prolongado, pode determinar lesões hepáticas 
e renais no organismo materno e fetal17,19.
O tramadol, a metadona, a morfina, a 
oxicodona e o fentanil podem ser utilizados 
durante o primeiro e segundo trimestres. No 
terceiro trimestre, próximo ao termo, podem 
induzir hipoventilação, depressão respirató-
ria e síndrome de privação fetal17-19. 
Neurolépticos, como a clorpromazina e a 
levomepromazina, devem ser evitados próxi-
mo ao termo por determinar hipotensão, 
letargia e dificuldade de sucção no recém-
-nascido17-19. 
Os anestésicos locais como a lidocaína e 
a bupivacaína não exercem efeitos adversos 
ao feto17,19.
Os antidepressivos utilizados em muitas 
condições dolorosas parecem ser seguros 
durante a gestação, visto que supostas as-
sociações teratogênicas em recém-nasci-
dos expostos a vários antidepressivos tricí-
clicos e a fluoxetina não são convincentes17-19.
Os anticonvulsivantes, como a carbama-
zepina, a fenitoína e o ácido valproico, po-
dem aumentar em até duas vezes o risco de 
malformações durante a gestação, como 
defeitos do tubo neural e alterações cardía-
cas. O uso, quando possível, deve ser descon-
tinuado, especialmente no primeiro trimestre. 
Quando não for possível, é aconselhável a 
suplementação com ácido fólico e a dosa-
gem de alfafetoproteína, para detectar mal-
formações no tubo neural17-19.
Os meios físicos e a acupuntura comple-
mentam o tratamento medicamentoso e, 
muitas vezes, são a primeira escolha no 
alivio e no controle das dores de origem 
musculoesqueléticas. Praticamente destitu-
ídos de efeitos colaterais são inócuos para 
o feto. 
Como tratar a dor durante 
a lactação? 
Na amamentação, muitos fármacos são 
excretados no leite materno e consistem 
numa fonte potencial de toxicidade para o 
lactente. A ligação dos fármacos às prote-
ínas plasmáticas do leite materno relacio-
na-se com a fração que permanece na 
Tabela 2. Fármacos na gestação
Classificação FDA Fármacos
Categoria B – Acetaminofeno/paracetamol
– Dipirona
– Lidocaína-bupivacaína
– Maprotilina
Categoria B/D – Acido mefenâmico
– Ibuprofeno-diclofenaco
– Naproxeno-indometacina, 
meloxican
– Meloxicam
– Morfina-oxicodona
– Metadona-fentanil
Categoria C/D – Clorpromazina
– Levomepromazina
– Tramadol
– Gabapentina-lamotrigina-
topiramato
Categoria C – Venlafaxina-duloxetina
– Carisoprodol
– Baclofeno
– Amitriptilina-nortriptilina
Categoria D – Imipramina
– Carbamazepina
– Acido valproico
T.R. Mariotto, et al.
42 100 perguntas chave em Dor
circulação materna e com a fração livre 
transferida para o leite. Os fármacos que 
apresentam uma elevada taxa de ligação à 
proteína são excretados em pequenas 
quantidades no leite e reduzem a exposição 
do lactante17-19. 
A concentração dos fármacos no leite 
materno varia de acordo com o período da 
lactação. O colostro possui uma concen-
tração relativamente menor de gorduras e 
açúcares e o conteúdo lipídico do leite 
também difere entre cada amamentação, 
de tal forma que como as primeiras fra-
ções contem menos gorduras que as fra-
ções finais os fármacos mais lipossolúveis 
se transferem mais rapidamente, e em 
maiores quantidades, para o leite materno 
do que os menos lipossolúveis. Dessa for-
ma, os medicamentos com baixa liposso-
lubilidade e aqueles que são hidrossolúveis 
difundem-se lentamente para o leite ma-
terno e devem ser preferidos para as mulhe-
res que amamentam. A variação na compo-
sição do leite materno afeta a passagem dos 
medicamentos, uma vez que as proprieda-
des físico-químicas dos fármacos, como o 
pH, o peso molecular, a meia-vida biológi-
ca e o meio biológico no qual se encon-
tram, são determinantes da quantidade de 
substância que será excretada no leite ma-
terno17-19.
Na amamentação, os AINEs, como o áci-
do mefenâmico, o cetoprofeno, o diclofe-
naco, o ibuprofeno e o meloxicam, são 
compatíveis nas doses habituais. Os analgé-
sicos opioides, os neurolépticos, os antide-
pressivos e os anticonvulsivantes devem ser 
evitados durante a amamentação e, quan-
do não for possível, deve-se monitorar o 
lactente. 
Muitos antidepressivos são secretados no 
leite materno em quantidades variadas e 
sua segurança para os lactentes não está 
estabelecida. Entre os anticonvulsivantes, a 
carbamazepina é compatível com a ama-
mentação17-19. 
DOR CRÔNICA NO IDOSO
Qual a prevalência e as principais 
consequências da dor crônica 
no idoso?
Estima-se que 20 a 50% dos idosos pro-
venientes da comunidade têm importantes 
problemas dolorosos, esse número aumenta 
para 45 a 80% em pacientes institucionali-
zados, podendo ser ainda maior nos hospi-
talizados, com a dor sendo subtratada na 
maioria dos casos20. Outros trabalhos mos-
tram prevalênciaacima de 60%21.
A dor tem consequências mais graves no 
idoso, já que a reserva fisiológica daqueles 
indivíduos é menor, com limitação da capaci-
dade de compensação frente ao stress causa-
do pela dor. A resposta fisiológica à dor não 
tratada pode conduzir à falência cardiocircu-
latória, ao desequilíbrio metabólico, à des-
compensação ventilatória e à falência renal.
Idosos com dor crônica estão mais pro-
pensos a desenvolver depressão20, ansieda-
de, isolamento social, distúrbio do sono, 
incapacidade funcional, alteração da mar-
cha, risco de queda, prejuízo na auto-avalia-
ção da saúde 22, aumento da necessidade de 
gastos na saúde, polifarmácia, iatrogenia23, 
atividade sexual24, alterações na dinâmica 
familiar, desequilíbrio econômico, desespe-
rança, sentimento de morte e outros25. 
Qual a diferença entre dor crônica 
em idosos e não idosos? E como 
isso pode afetar o tratamento 
farmacológico na população idosa?
Inúmeros estudos têm sugerido que o 
envelhecimento exerce importantes altera-
ções nas estruturas envolvidas no processa-
mento e modulação da dor26. 
No sistema nervoso periférico, ocorrem 
alterações, como redução do número de fibras 
nervosas mielinizadas e amielinizadas, diminui-
ção da velocidade de condução nervosa e do 
Dor na criança, na mulher e no idoso
100 perguntas chave em Dor 43
fluxo sanguíneo endoneural, regeneração 
anormal do nervos após agravos, menor nú-
mero de sinapses colaterais e maior número 
de fibras com danos e degenerações. A me-
dula sofre progressivamente perda de neu-
rônios noradrenérgicos e serotoninérgicos na 
lâmina superficial do corno posterior da me-
dula, podendo levar a prejuízos nos meca-
nismos endógenos de supressão da dor. O 
cérebro pode sofrer redução no volume, 
perda de neurônios e sofrer acúmulo de pla-
cas neuríticas e emaranhados neurofibrila-
res. Morte neuronal e gliose de áreas ricas 
em receptores opioides poderiam afetar di-
retamente os mecanismos de inibição des-
cendente da dor. Ocorre também redução 
na quantidade de neurotransmissores. Em 
outras palavras, a neuroquímica necessária 
para a modulação da dor pode não estar 
totalmente disponível nos idosos26-28.
Além das alterações anatômicas que 
ocorrem no sistema nervoso central e peri-
férico, outras alterações fisiológicas que 
ocorrem com o envelhecimento podem mu-
dar a absorção, a metabolização, a distribui-
ção e a excreção dos fármacos, o que pode 
tornar o idoso especialmente mais suscetível 
ao surgimento de efeitos colaterais e a rea-
ções adversas aos fármacos. Esse tipo de 
reação costuma ser mais comum e mais gra-
ve na população idosa, sendo frequente cau-
sa de hospitalização29. 
Como diagnosticar e tratar 
o paciente demenciado idoso 
com suspeita de dor?
Como os pacientes demenciados perdem 
a capacidade de expressar e de interpretar 
adequadamente as sensações dolorosas, a 
dor pode ser ainda mais subdiagnosticada e 
subtratada neste grupo.
A Sociedade Americana de Manejo de 
Dor sugere cinco princípios para guiar na 
avaliação de pacientes com dificuldade de 
comunicação verbal30:
– Obter autorrelato de dor sempre que 
possível. Questionar objetivamente.
– Investigar possíveis patologias que podem 
estar causando dor. São condições dolo-
rosas comuns osteoartrite, fratura prévia, 
osteoporose, úlcera por pressão, contra-
turas, neuropatias periféricas, constipa-
ção, quedas e instabilidade na marcha31.
– Observar comportamentos que podem 
sugerir dor, tais como expressões faciais 
(franzir a testa, caretas), gemidos, gritos, 
rigidez corporal, agressividade, piora da 
agitação, mudanças no padrão de ativi-
dade física, irritabilidade31 etc.
– Solicitar surrogate report, que é o relato 
do familiar ou do cuidador.
– Tratamento analgésico empírico.
Num estudo randomizado, que avaliou a 
eficácia do tratamento da dor em reduzir 
distúrbios comportamentais em pacientes 
com demência, foi evidenciado que a admi-
nistração de medicamentos para a dor redu-
ziu significativamente sintomas de agitação e 
comportamento agressivo e que o uso apro-
priado de analgésicos pode reduzir o uso des-
necessário de antipsicóticos em casas de 
repouso32. Entretanto, uma revisão sistemá-
tica, que avaliou o tratamento da dor em 
relação a transtornos comportamentais e 
agitação em pacientes com demência mode-
rada a severa, não evidenciou mudanças na 
agitação com o tratamento da dor. Nesta 
revisão foram vistos três estudos33. O primei-
ro estudo analisado nesta revisão utilizou 
opioides de longa duração em doses baixas 
evidenciando menor agitação apenas nos 
pacientes muito idosos (> 84 anos) mesmo 
sem sedação, porém não identificou efeitos 
em pacientes mais jovens34. O outro estudo, 
do tipo randomizado duplo cego e placebo 
controlado, utilizou acetaminofeno 1 g, três 
vezes ao dia, comparado com placebo, e 
evidenciou maior interação social e ativida-
des em geral, porém sem efeito na agitação 
ou na necessidade de uso de medicações 
psicotrópicas35. E no último estudo avaliado, 
T.R. Mariotto, et al.
44 100 perguntas chave em Dor
foram utilizadas diversas estratégias, sendo 
o uso de analgésicos apenas uma delas, o 
que tornou muito difícil distinguir e interpre-
tar o efeito dos analgésicos distribuídos em 
uma amostra pequena36. Se, com as abor-
dagens terapêuticas analgésicas, os indica-
dores de dor que mudam de comportamen-
to persistirem, outras condições devem ser 
pesquisadas, incluindo efeitos colaterais das 
medicações utilizadas37.
Alguns instrumentos observacionais po-
dem ser usados para identificar a dor nesse 
grupo de pacientes. Uma revisão da literatu-
ra sobre escalas de heteroavaliação da dor 
para uso em pessoas não comunicantes 
identificou 12 escalas. Da sua análise psico-
métrica, concluiu-se que a maioria apresen-
tava fragilidades na sua validade, confiabili-
dade e utilidade clínica. No entanto, a Pain 
Assessment in Advanced Dementia (PAI-
NAD), a Pain Assessment Checklist for Se-
niors with Limited Ability to Communicate 
(PACSLAC) e a DOLOPLUS-2 mostraram qua-
lidades promissoras38.
– PACSLAC: é composta de 60 itens obser-
vacionais divididos em quatro subescalas: 
atividade corporal expressões faciais social/
personalidade/humor e “outros”, que in-
clui mudanças psicológicas, mudanças em 
comer e dormir e mudanças no comporta-
mento vocal. A escala é simples e de rá-
pida aplicação, levando-se cerca de cinco 
minutos para completá-la. Já foi traduzi-
da e adaptada para a cultura do Brasil39. 
– PAINAD: esta escala foi validada em pes-
soas idosas sob cuidados agudos e de 
longa duração40. A PNAID-B foi traduzida 
e adaptada culturalmente para língua 
portuguesa do Brasil, apresentando con-
sistência interna aceitável, concordância 
apurada entre avaliadores e boa reprodu-
tibilidade. A versão brasileira da escala 
PANAID revelou na sua estrutura fatorial 
um fator que explica quase metade da 
variância da dor. Um resultado semelhan-
te foi encontrado na escala original41. 
– Pain Assessement tool in confused older 
adults (PATCOA): esse instrumento foi 
desenvolvido nos EUA com o objetivo de 
avaliar a dor em idosos confuso. Em 
comparação com outros instrumentos 
para a avaliação da dor, acredita-se que 
a PATCOA responda as questões relativas 
à mensuração deste fenômeno, de acor-
do com os resultados encontrados no 
estudo original. Quanto às questões rela-
tivas à aplicabilidade, este instrumento 
demonstra ser de fácil compreensão e 
operacionalização, por se tratar de uma 
escala com apenas nove indicadores que, 
diante de testes estatísticos, mostraram 
confiáveis e com boa consistência inter-
na42. Esta escala já foi traduzida e adap-
tada para a língua portuguesa43.
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100 perguntas chave em Dor 47
COMO É DIAGNOSTICADA 
A LOMBALGIA CRÔNICA?
A lombalgia crônica (LC) pode ter várias 
etiologias, o diagnóstico depende da história 
clínica adequada, do exame físico completo 
e de exames complementares. Apenas 15% 
das lombalgias crônicas apresentam diag-
nóstico específico (hérnias discais, estenose 
lombar, espondiloartrites, etc.), as demais 
são consideradas lombalgias inespecíficas. A 
dor irradiada para o membro inferior pode 
ser dor radicular ou dor referida1.
A história deve avaliar a lombalgia mecâ-
nica (piora com movimento) e a não mecâ-
nica (presente no repouso),pesquisar quei-
xas sistêmicas e definir o tipo de dor: 
– nociceptiva (peso, pontada, aperto, pres-
são, dolorida);
– neuropática (formigamento, dormência, 
choque, agulhada, queimação, coceira);
– mista (associação dos outros tipos).
Os fatores predisponentes e perpetuan-
tes da lombalgia (fumo, excesso de peso, 
sedentarismo, posturas inadequadas, sono 
não reparador, travesseiro e colchão, ativida-
des esportivas, perfil psicológico, etc.) auxi-
liam a identificação dos possíveis diagnósti-
cos. O exame físico deve incluir inspeção 
estática e dinâmica, marcha, palpação de 
partes ósseas, partes moles e pontos-gatilho 
miofasciais (90% das lombalgias inespecíficas 
apresentam síndrome dolorosa miofascial), 
Dor musculoesquelética
P.R.N.A.G. Stump, L. Tchia Yeng, J. Melo de Santana, L.H. Jales Neto, 
R. Kobayashi e R. Galhardoni
além dos testes especiais. O exame neuroló-
gico deve avaliar sensibilidade, reflexos e 
motricidade (força muscular de 0 a 5)1. 
As alterações nos exames de imagem 
nem sempre estão relacionadas com as reais 
causas de dor, pois alterações degenerativas 
são comuns mesmo em pacientes assinto-
máticos, porém, devem ser valorizadas se 
compatíveis com o quadro clínico2. Os exa-
mes de imagem têm como objetivo impor-
tante excluir doenças graves como fratura, 
tumor, infecção, doença inflamatória e sín-
drome da cauda equina3.
O QUE É A SÍNDROME 
DOLOROSA MIOFASCIAL?
A síndrome dolorosa miofascial (SDM) é 
uma das causas mais comuns de dor muscu-
loesquelética, acomete músculos, tecido co-
nectivo e fáscias. É caracterizada pela presen-
ça de bandas musculares tensas palpáveis, nas 
quais identificam-se os pontos-gatilho (PGs). 
Os PGs, quando estimulados por palpação 
digital ou por agulhamento seco, ocasionam 
dor similar à queixa referida pelo paciente 
no local do estímulo ou referida à distância4.
A prevalência da SDM varia entre 21 a 
93% dos pacientes com dor regionalizada, 
essa variação ocorre pois o diagnóstico de-
pende do achado de PGs e de bandas de 
tensão, sendo necessário que o profissional 
seja treinado para identificá-los1. 
Capítulo 7
P.R.N.A.G. Stump
48 100 perguntas chave em Dor
Pode ser decorrente de sobrecargas 
dinâmicas (traumatismos, excesso de uso) 
ou estáticas (sobrecargas posturais), ocor-
ridas durante atividades diárias, estresse 
emocional, secundária as doenças inflama-
tórias, hormonais, neuropáticas, viscerais, 
disfunção de sono, entre outras causas. A 
manutenção de contração muscular localiza-
da ocasiona um ciclo vicioso de contração 
muscular-isquemia-dor-contração muscular1. 
Nos PGs, e mesmo a distância, há alterações 
de pH, concentração de peptídeos e subs-
tâncias relacionadas à inflamação neurogê-
nica (como substância P, bradicinina, hista-
mina, cinina, prostaglandinas, fator de 
necrose tumoral-α [TNF-α], interleucina [IL] 
1b, IL-6, etc.)5.
O diagnóstico da SDM depende exclusi-
vamente da história e do exame físico. A 
queixa pode ser de queimor, peso, dolori-
mento, tensão muscular, câimbra e o doen-
te pode referir fadiga ou fraqueza na área 
acometida. O padrão da dor referida é rela-
tivamente constante e similar para cada 
músculo e não segue o padrão dermatomé-
rico ou radicular1.
No tratamento da SDM, é necessária a 
correção de fatores desencadeantes e ou 
perpetuantes e a inativação dos PGs. Os 
exercícios de relaxamento muscular e condi-
cionamento físico são importantes para se 
prevenir recorrência. Uso de antidepressivos 
tricíclicos ou duais, anticonvulsivantes (gapa-
bentinoides), analgésicos simples e derivados 
de opioides podem auxiliar no tratamento 
clínico1. 
QUAL A DIFERENÇA 
ENTRE TRIGGER POINT 
E TENDER POINT? 
Trigger point, ponto gatilho
Os PGs são definidos como sítios de pon-
tos musculares desencadeantes de dor local 
ou regional4.
Sintomas e sinais 
que caracterizam os pontos gatilho
Os PGs estão localizados em nódulos 
palpáveis presentes em bandas musculares 
tensas geralmente no ventre muscular, são 
frequentemente isolados. A presença de alo-
dinia e hiperalgesia referida no PG contrasta 
com a sensibilidade dolorosa normal nas áre-
as contíguas. Quando palpado, apresenta a 
resposta twich (sinal do pulo). No material 
de biópsia encontram-se contraturas das 
miofibrilas6. O quadro de múltiplos PGs de-
fine a SDM.
Tender point, ponto sensível
Em 1990, o Colégio Americano de Reu-
matologia, ao definir os critérios diagnósti-
cos da síndrome fibromiálgica, caracteri-
zou-a como dor generalizada crônica, com 
mais de três meses, associada à presença de 
dor a palpação de 11 pontos, ou mais em 
18 predeterminados. Esses pontos dolorosos 
hipersensíveis em músculos, fáscias ou ten-
dões que desencadeiam dor a compressão 
mecânica inferior a 4 kg/cm² foram chama-
dos de PS7.
Sintomas e sinais que caracterizam 
os pontos sensíveis 
Diferentemente dos PGs, não há nódulos 
na palpação, estão frequentemente localiza-
dos perto das inserções musculares, são múl-
tiplos por definição, a alodínea e a hiperal-
gesia está presente fora da área do PS, a dor 
aumenta em períodos de estresse, os acha-
dos histológicos a biópsia são inespecíficos, 
o mecanismo provável é devido à sensibili-
zação do sistema nervoso central (SNC)6. 
Conclusão
As inúmeras diferenças clínicas falam 
contra a etiologia e a fisiopatologia comum. 
Dor musculoesquelética
100 perguntas chave em Dor 49
Várias publicações descrevem doentes porta-
dores de síndrome fibromiálgica com a pre-
sença concomitante de PG e os, sendo um 
desafio o tratamento dos mesmos.
A FIBROMIALGIA É UMA DOENÇA 
DO CORPO OU DA CABEÇA?
A fibromialgia não é uma doença pura-
mente somatiforme, visto que há comprova-
ção de diversos fatores biológicos na sua 
patogênese, como a deficiência de subs-
tâncias que bloqueiam o estímulo doloro-
so: serotonina, noradrenalina e endorfinas; 
aumento de substâncias que estimulam o 
estímulo doloroso como a substância P. 
Um modelo biopsicossocial de interagir fa-
tores biológicos e psicossociais na predis-
posição, no aparecimento e manutenção 
dos sintomas da fibromialgia seria mais 
apropriado8.
OSTEOARTRITE DE JOELHO: 
QUAL A PREVALÊNCIA, 
CARACTARÍSTICAS CLÍNICAS 
E TRATAMENTOS DISPONÍVEIS?
A osteoartrite de joelho é uma doença 
degenerativa, que vem aumentando a pre-
valência devido ao aumento da população 
idosa, sendo mais comum em pessoas com 
mais de 65 anos. Estima-se que 1/5 da 
população mundial apresenta essa doença, 
sendo a maioria oligossintomática. Estudo 
epidemiológico realizado na Coreia, em 
2010, mostrou uma prevalência de 38% 
em indivíduos acima de 65 anos de idade. 
Dado semelhante foi observado na Inglater-
ra (40%) nesta mesma faixa etária9.
As características clínicas são de artralgia 
ao correr, caminhar, levantar, subir e descer 
escadas, rigidez articular de curta dura-
ção, crepitação ou estalidos articulares, 
deformidades articulares (aumento do vo-
lume do joelho, joelho valgo ou varo). Em 
algumas situações, pode apresentar artrite 
(calor, rubor, eritema ou edema articular) e 
derrame articular10. 
Dispomos de tratamento não medica-
mentoso como fortalecimento do músculo 
quadríceps para ganho de massa muscular, 
exercícios aeróbicos para condicionamento 
físico e alongamento muscular para aumen-
to de flexibilidade (cinesioterapia). Órteses e 
equipamentos de auxílio à marcha também 
podem ser indicados quando há necessidade 
de melhorar, auxiliar ou substituir uma fun-
ção. A estabilização medial da patela, através 
de goteiras elásticas, é efetiva no tratamento 
da sintomatologia dolorosa da osteoartrite 
fêmuro-patelar. Palmilhas antivaro, associa-
das à estabilização do tornozelo, são eficien-
tes na melhora da dor e função na osteoar-
trite do compartimento medial do joelho11 .
Em relaçãoà terapia medicamentosa, dis-
pomos de analgésicos e anti-inflamatórios 
não hormonais (AINHs) para o controle da 
dor (paracetamol, dipirona, ibuprofeno, ce-
toprofeno, diclofenaco, meloxican, naproxe-
no, entre outros), anti-inflamatório não hor-
monal tópico, como cetoprofeno, ibuprofeno, 
diclofenaco e piroxicam, tem um efeito sig-
nificativo no tratamento sintomático da dor 
aguda ou crônica. São considerados fárma-
cos de ação duradoura aquelas que têm 
ação prolongada na melhora da dor e cujo 
efeito terapêutico persiste mesmo após a 
sua suspensão. Estes fármacos vêm-se fir-
mando na literatura como boas opções te-
rapêuticas no tratamento sintomático da 
osteoartrite. Os fármacos disponíveis no 
mercado brasileiro são sulfato de glicosami-
na, diacereína e extratos não saponificáveis 
de soja e abacate. O sulfato de glicosamina 
para o tratamento sintomático da osteoartri-
te de joelhos é usado na dose de 1,5 g/dia. 
A cloroquina vem sendo utilizada em vários 
serviços brasileiros, com base na experiência 
pessoal dos especialistas, mostrando bons 
resultados11.
Terapia intra-articular, como a infiltração 
intra-articular com triancinolona hexacetonida, 
P.R.N.A.G. Stump
50 100 perguntas chave em Dor
também pode apresentar controle da dor e 
da inflamação em casos com quadro infla-
matório evidente. Uso intra-articular do áci-
do hialurônico está indicado para o trata-
mento da osteoartrite do joelho grau II e III 
as fases aguda e crónica11.
Os pacientes com osteoartrite grau II e III, 
com comprometimento progressivo das ati-
vidades de vida diária e falha do tratamento 
conservador devem ser encaminhados para 
o ortopedista, que fará a indicação do tra-
tamento cirúrgico. As cirurgias indicadas são 
desbridamento artroscópico, osteotomias e 
artroplastias11.
QUAIS AS DOENÇAS 
REUMATOLÓGICAS MAIS 
FREQUENTES QUE CAUSAM DOR?
As principais doenças reumatológicas as-
sociadas à dor são a osteoatrite, artrite reu-
matoide, lúpus eritematoso sistêmico, sín-
drome de Sjogren, derrnatopolimiosite, 
esclerose sistêmica, síndrome antifosfolípide, 
artrite psoriásica, artrite reativa, espondilite 
anquilosante e vasculites primárias. Essas do-
enças podem causar sintomas dolorosos va-
riados, como artralgia, artrite, mialgia, neu-
ropatias, cefaleia, lesões isquêmicas, lesões 
oftálmicas, dermatites, úlceras, condrites, 
parotidites, pneumonites e pericardites.
QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS 
FARMACOLÓGICOS MAIS 
FREQUENTES PARA A DOR 
MUSCULOESQUELÉTICA CRÔNICA? 
Analgésicos simples
Dipirona 1-2 g 6/6h e paracetamol 750 mg 
6/6h, são muito utilizados para tratamento 
sintomáticos de dor de intensidade leve a 
moderada em associação com outros anal-
gésicos para dores fortes. Tem mecanismo 
de ação central no hipotálamo, controlando 
a dor e a hipertermia. São analgésicos fracos, 
mas possuem poucos efeitos adversos e boa 
tolerabilidade12. 
Analgésicos AINHs
Esses fármacos possuem mecanismos de 
ação comum, caracterizado pela inibição da 
cicloxigenase (COX), com consequente inibi-
ção de prostaglandinas nos tecidos periféri-
cos e SNC. Possuem efeito analgésico mo-
derado. Geralmente são utilizados por via 
oral como primeira linha de tratamento para 
dores crônicas inflamatórias osteomuscula-
res. Apresentam efeitos adversos no trato 
gastrointestinal, renal e cardiovascular que 
limitam seu uso por tempo prologando12,13. 
Exemplos: ibuprofeno, naproxeno, cetopro-
feno, diclofenaco, meloxicam, lornoxicam, 
tenoxicam, celecoxibe 
Corticoides
Têm mecanismo de ação bloqueando a 
formação e a liberação de citocinas e dos 
derivados de fosfolipídeos, são muito efica-
zes no tratamento de dor inflamatória. Po-
dem ser utilizados por via oral, intramuscular, 
endovenosa e intra-articular para tratamen-
to das dores osteomusculares refratárias 
aos AINHs ou de etiologia autoimune13. 
Exemplos: predinisona, predinosolona, de-
flazacort, metilpredinisolona, betametazo-
na, triancinolona.
Analgésicos tópicos
Capsaicina (bloqueia a substância P) e 
AINHs tópicos têm ação adjuvantes no con-
trole da dor osteomuscular, com poucos 
efeitos adversos. Indicados no tratamento de 
tendinites e bursites persistentes14.
Relaxantes musculares
Importantes para casos com contraturas 
musculares ou espasmos musculares. Utilizados 
Dor musculoesquelética
100 perguntas chave em Dor 51
como adjuvantes aos AINHs para dores crô-
nicas osteomusculares, como dor miofascial, 
fibromialgia e osteoartrite15. Exemplos: ciclo-
benzaprina, tizanidina, carisoprodol, baclo-
feno, clonzepam, diazepam.
Antidepressivos
Os antidepressivos tricíclicos são os fár-
macos adjuvantes mais utilizados no trata-
mento da dor crônica. Atuam fortalecendo 
o sistema inibidor analgésico central, au-
mentando os níveis de serotonina e noradre-
nalina, tendo efeito analgésico e potenciali-
zando os AINHs e opioides. Apresentam 
latência de 3 a 5 dias para início da ação. 
Muito utilizados em LC e fibromialgia15. 
Exemplos: amitriptilina, nortiptilina, duloxe-
tina, venlafaxina.
Antirreumáticos
São imunossupressores utilizados para 
tratamento de doenças autoimunes, como a 
artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistê-
mico, esclerose sistêmica, síndrome de Sjo-
gren, miosites, vasculites primárias e outras 
colagenoses. Exemplo: metotrexato, cloro-
quina, azatioprina, leflunomida, anti-TNF, 
anti-IL6, anti-linfócitos B. Essas medicações 
modificam o curso das doenças e devem ser 
conduzidas por um reumatologista16. 
Analgésicos opioides
São analgésicos potentes de ação prima-
riamente central, ativando receptores µ e k. 
Devido a seus efeitos adversos frequentes, 
como constipação, náuseas e vômitos, po-
tencial efeito depressor central (SNC e respi-
ratório) e risco de dependência, são utiliza-
dos como terapia para dores refratárias. 
Existem opioides fracos e fortes, sendo mais 
utilizados os fracos, como tramadol e code-
ína. Em casos neoplásicos ou de forte inten-
sidade de dor, como lombalgia, pode ser 
necessária a prescrição da morfina, de forma 
criteriosa17. 
QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS 
NÃO FARMACOLÓGICOS MAIS 
FREQUENTES PARA A DOR 
MUSCULOESQUELÉTICA CRÔNICA?
Estimulação elétrica (TENS18, interferencial19, 
transcraniana20), exercício físico21-26, terapia 
manual26,28,29.
QUAIS SÃO AS INDICAÇÕES 
DE EXERCÍCIOS E OUTRAS 
MEDIDAS FÍSICAS PARA 
LOMBALGIA CRÔNICA?
Exercícios
A cinesioterapia tem exercido importante 
papel no tratamento da LC, embora não haja 
consenso sobre o melhor tipo de exercício26. 
O Pilates é uma modalidade de exercícios 
mente-corpo que foca em fortalecimento, 
estabilidade, flexibilidade, controle muscular 
e respiração, sendo a postura o maior foco 
para pacientes com LC24. Em uma revisão 
sistemática, não foi possível concluir a eficá-
cia do Pilates para redução da dor e melho-
ra da função25. Em um ensaio clínico, após 
18 sessões, os exercícios de estabilização 
foram mais eficazes para melhorar a dor e a 
função motora e aumentar a espessura mus-
cular que o método McKenzie22. Já a cami-
nhada apresenta baixa a moderada evidência 
como estratégia eficaz para redução da LC24. 
A hidroterapia também promove analgesia 
e melhora a funcionalidade de pacientes 
com LC23.
Parâmetros de exercícios, como intensi-
dade, frequência e duração de sessões, mais 
efetivos para LC ainda são inconclusivos. 
Poucos estudos têm examinado a dose-res-
posta, e a grande diversidade de programas 
de exercícios utilizados em ensaios clínicos 
randomizados impede ampla e criteriosa 
P.R.N.A.G. Stump
52 100 perguntas chave em Dor
análise de dados obtidos, por exemplo, em 
metanálises.
Educação do paciente 
Existe moderada evidência de que inter-
venções educacionais breves que encorajam 
o retorno às atividades são melhores que o 
cuidado usual para aumentaro retorno ao 
trabalho e reduzir as incapacidades, a médio 
prazo, porém não a dor. Entretanto, ainda 
não se sabe o método (exemplo, educação 
individual, em grupo, discussão, pessoal-
mente, por internet) mais adequado para 
promover educação sobre dor. Crenças indi-
viduais e habilidades de comunicação do 
profissional, como relacionados ao manejo 
ativo, influenciam a credibilidade e a eficácia 
da intervenção. Embora seja difícil definir a 
intensidade ou a extensão desse tipo de in-
tervenção, uma abordagem gradual pode 
oferecer excelentes resultados27. Inicialmen-
te, é oferecida uma intervenção mínima para 
resolver as suas maiores preocupações, o 
que se faz suficiente para uma parte dos 
pacientes. No entanto, os que exibem limi-
tações de atividade física e funcional conti-
nuam a receber intervenções mais intensivas. 
Escola de Posturas 
Em geral, resumir as evidências para a 
eficácia das escolas de postura é difícil, por-
que estas escolas são, geralmente, muito 
heterogêneas em seu conteúdo e, muitas 
vezes, mostram uma grande quantidade de 
sobreposição com outras intervenções, como 
a recuperação funcional, reabilitação multi-
disciplinar e exercícios físicos. As escolas de 
postura podem ser consideradas efetivas 
para alívio da dor e melhora do estado fun-
cional a curto prazo (menos que 6 semanas), 
não sendo recomendadas como um trata-
mento para a lombalgia crônica quando se 
pretende alcançar efeitos a longo prazo (aci-
ma de 12 meses)26.
Terapia manual 
(manipulação e mobilização) 
A maioria das revisões sistemáticas sobre 
a eficácia da terapia manual inclui ensaios 
clínicos randomizados sobre manipulação ou 
mobilização da coluna vertebral. Pouco se 
sabe sobre o efeito da mobilização articular 
periférica.
Técnicas de manipulação da coluna ver-
tebral podem ser consideradas uma opção 
eficaz de tratamento da LC, uma vez que 
proporciona eficiente redução da dor e me-
lhora da funcionalidade e igualmente efi-
ciente a analgésicos e exercícios físicos26. 
Essa intervenção tem sido administrada duas 
vezes por semana (1 a 7 vezes por semana), 
em média, por um período de 2 a 3 semanas 
(2 a 9 semanas). Na tentativa de identificar 
pacientes que melhor respondem a técnicas 
de manipulação, estudos mostraram que os 
pacientes que cumprem uma série de crité-
rios na avaliação clínica28 ou apresentam 
hipomobilidade segmentar29 exibem resulta-
dos consideravelmente melhores com a ma-
nipulação quando comparados a outros tra-
tamentos.
Massoterapia 
A massoterapia não tem sido recomen-
dada para administração unimodal no tra-
tamento de lombalgia crônica, com base 
no número insuficiente de estudos que 
investigam o efeito da massagem, como 
terapia isolada comparada ao controle ou 
a outras terapias estabelecidas. Entretanto, 
quando adicionada em terapia multimodal 
combinada a intervenções ativas, é possí-
vel obter melhores resultados30. Dessa for-
ma, a massagem deve ser utilizada como 
suporte a uma programação bem-sucedida 
de exercícios físicos, para estimular e aque-
cer a musculatura a ser ativada ou para pro-
mover alívio de tensão muscular após exer-
cícios.
Dor musculoesquelética
100 perguntas chave em Dor 53
MEDIDAS FÍSICAS PRODUZEM 
ALTERAÇÕES NO CÉREBRO 
DE PACIENTES COM DOR 
MUSCULOESQUELÉTICA CRÔNICA?
Medida física é todo procedimento que 
é capaz de modificar a biologia dos tecidos 
por mecanismos diretos ou reflexos que con-
tribuem para o retorno da homeostase. São 
exemplos de medidas físicas o frio, calor, 
eletricidade. A plasticidade cortical tem efei-
tos positivos ou negativos sobre os indivídu-
os, sabe-se que ela ocorre em todos os níveis 
do sistema nervoso, ou seja, do córtex até a 
medula espinal, quando há uma lesão no 
córtex – por exemplo – a substância cinzen-
ta circundante assume a função da área da-
nificada.
A reorganização cortical ocorre principal-
mente no córtex motor primário e no soma-
tossensorial, normalmente acontecendo em 
paralelo, mas nem sempre são iguais. Em 
pacientes amputados submetidos à sessão 
de estimulação magnética transcraniana 
(EMT) em S1 contralateral, eles relatavam ter 
a sensações provocadas relacionadas ao 
membro amputado, já a estimulação de M1 
gerava resposta nos músculos próximos à le-
são e não movimentos do membro fantasma. 
Mercier, et al.31 relata que as áreas lesa-
das são ocupadas por outras áreas, em pa-
cientes com lesões em membros superiores 
geralmente há uma reorganização com 
ocupação da face. A excitabilidade cortical 
està aumentada do lado contralateral à le-
são, e o limiar motor de repouso é maior 
do lado lesado em relação ao lado intacto. 
Uma explicação para isso é que na área le-
sada ocorra uma reinervação e haja mais 
motoneurônios presentes, diminuindo assim 
o limiar motor. 
Giacobbe, et al.32, para verificar a rever-
são da contração induzida pelo EMT através 
do potencial evocado motor (PEM), verificou 
para qual lado o paciente girava seu braço 
e em seguida solicitou que os sujeitos reali-
zassem movimentos opostos por cinco mi-
nutos, o PEM foi medido no basal e dez 
minutos após o treino. Verificou que apenas 
com uma sessão de treino, foi suficiente 
para diminuir a amplitude do PEM no mús-
culo antagonista ao músculo treinado e au-
mentar a amplitude do PEM do músculo 
treinado, o efeito do treino se manteve por 
dez minutos. 
Mhalla, et al.33, também utilizando a ex-
citabilidade cortical verificou que mulheres 
fibromiálgicas apresentavam uma facilitação 
cortical e a inibição diminuída. Após cinco 
dias de tratamento com EMT, esses valores 
foram corrigidos e apresentavam-se pareci-
dos com os dos voluntários saudáveis do 
grupo controle.
Conclui-se, assim, que medidas físicas 
alteram a plasticidade neuronal e que, ade-
quadamente administradas, auxiliam na me-
lhora dos quadros dolorosos crônicos.
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 33. Mhalla A, de Andrade DC, Baudic S, Perrot S, Bouhassira D. 
Alteration of cortical excitability in patients with fibromy-
algia. Pain. 2010;149(3):495-500.
100 perguntas chave em Dor 55
DOR NEUROPÁTICA RESULTA 
DO COMPROMETIMENTO 
DE FIBRAS NERVOSAS FINAS, 
QUAIS OS EXAMES QUE PODEM 
INDICAR COMPROMETIMENTO 
DESSAS FIBRAS?
Neuropatia de fibras finas (NFF) é o termo 
utilizado para denominar o acometimento 
primariamente, ou exclusivamente, de fibras 
de pequeno calibre: fibras C amielínicas e 
fibras A δ pouco mielinizadas. Estas são res-
ponsáveis por transmitirem sensibilidade ter-
moalgésica e função autonômica ao sistema 
nervoso central (SNC) através do corno dor-
sal da medula. Estão diretamente envolvidas 
no processo da dor neuropática (DN), apre-
sentando-se clinicamente por dor em quei-
mação e disestesias, sendo por vezes, incapa-
citantes. Quando apenas essas fibras estão 
envolvidas, frequentemente se vê nos pacien-
tes com dor neuropática que a força muscu-
lar e a sensibilidade tátil e vibratória perma-
necem inalteradas, já que essas modalidades 
sensitivas são carreadas por fibras de grosso 
calibre. A NFF e, consequentemente, a DN 
constituem desafio diagnóstico, mesmo para 
especialistas: a identificação ao exame neu-
rológico e aos métodos diagnósticos dispo-
níveis representa um desafio. Estima-se que, 
nos EUA, mais de 20 milhões de pessoas 
acima dos 40 anos apresentem neuropatia 
de fibras finas, portanto, dor neuropática.
Dor neuropática
O.J.M. Nascimento, M. Jacobsen Teixeira e D. Campos Kraychete 
O QUE HÁ DE CONVENCIONAL 
NA INVESTIGAÇÃO CLÍNICO-
LABORATORIAL?
A investigação clínica de NFF/DN requer 
a obtenção de cuidadosa história clínica, in-
cluindo, modo de início, tempo de evolução, 
fatores de risco, história familiar, exposição 
a substâncias ou fármacos neurotóxicas, 
traumas, história fisiológica, incluindo hábi-
tos, tentativas de tratamento prévios, etc. O 
exame neurológico detalhado deve ser rea-
lizado a fim de identificar sinais de compro-
metimento de fibras finas1-4. Importante 
ressaltar que mesmo na ausência de altera-
ções ao exame físico, a NFF pode estar pre-
sente. Por isso, novas técnicas de investiga-
ção complementar têm sido desenvolvidas a 
fim de identificar com mais precisão o aco-
metimento dessas fibras. Dentre elas, desta-
cam-se os métodos neurofisiológicos, mor-
fológicos e testes autonômicos.
O estudo da neurocondução e da eletro-
miografia (eletroneuromiografia) deve ser so-
licitado apenas com o objetivo de descartar 
possível acometimento subclínico de fibras de 
grosso calibre, pois carecem de sensibilidade 
para indicar ou aferir lesão ou disfunção de 
fibras finas (dor neuropática), a exceção da 
técnica near-nerve, na qual uma agulha é 
justaposta ao nervo sensitivo. A micrografia é 
outra técnica que avalia a condução de fibras 
sensitivas de pequeno calibre, utilizada para 
Capítulo 8
O.J.M. Nascimento, et al.
56 100 perguntas chave em Dor
fins de pesquisa. Ambas são técnicas de difí-
cil realização, invasivas, promovem dor ou 
exacerbação dos sintomas dolorosos e reque-
rem neurofisiologistas altamente especializa-
dos, voltados para a pesquisa da dor.
Testes quantitativos de sensibilidade 
(QST) são aplicados já há algum tempo, sen-
do os aparelhos computadorizados os mais 
utilizados no momento. Utilizamos o TSA 
(Medoc), que oferece boa reprodutibilidade 
e fácil realização, embora demande tempo. 
A desvantagem desse tipo de instrumento é 
que a análise, embora computadorizada, de-
pende da informação do paciente, portanto, 
contamina-se pela subjetividade.
O QUE HÁ DE NOVO NA 
INVESTIGAÇÃO CLÍNICO-
LABORATORIAL DAS NEUROPATIAS 
DE FIBRAS FINAS/DOR 
NEUROPÁTICA?
Potencial evocado identifica acometi-
mento de fibras finas - repostas tardias. Tem 
o potencial evocado por laser (laser evoked 
potentials - LEPS) e o por contato ao calor 
(Contact Heat-Evoked Potential Stimulator - 
CHEPS). A desvantagem do primeiro é produzir 
queimaduras nos pontos de aplicação.Limita 
seu uso na face. Já o CHEPS não tem esse 
efeito. Ambos permitem a obtenção de po-
tenciais com ótima reprodutibilidade; são 
capazes de avaliar objetivamente o compro-
metimento de fibras finas (Fig. 1). O com-
prometimento de NFF/DN pode ser bem es-
tudado por esse método5. Finalizamos 
estudo da eficácia de tratamentos para dor 
neuropática na hanseníase aplicando o 
CHEPS, antes e após o término do ensaio 
clínico. Estudo internacional de normatiza-
ção encontra-se em fase final.
Densidade de fibras nervosas intraepidér-
micas, através de biópsias de pele dos seg-
mentos envolvidos auxiliam no diagnóstico6. 
Fragmentos dos segmentos distal e proximal 
são comparados. O marcador histoquímico 
utilizado nesta técnica é o PGP 9,5; a micros-
copia confocal para leitura6. É técnica dis-
pendiosa, invasiva, deixa pequenas cicatri-
zes, sendo contraindicada no território do 
nervo trigêmio. Ao contrário, técnica de fácil 
realização e que introduzimos em nosso 
meio, para estudos de neuropatias periféri-
cas de fibras finas e dor neuropática, é a 
microscopia confocal de córnea (MCC)7. A 
MCC é de fácil realização (dura cerca de oito 
minutos) e reprodutibilidade, sendo método 
promissor, não invasivo. Utiliza-se o micros-
Figura 1. CHEPS no território do V nervo: observar redução da amplitude dos potenciais e aumento da latência na 
face direita, onde o paciente referia dor em queimação, não paroxística em V2 e V3 (adaptado de Nascimento, et al8).
Dor neuropática
100 perguntas chave em Dor 57
cópio confocal, permitindo diretamente vi-
sualizar a inervação por sistema computado-
rizado (Fig. 2). Pode-se observar o plexo 
sub-basal da córnea, a densidade de fibras 
nervosas, seus diâmetros, tortuosidades, nú-
mero de células de Langhans, etc. Os acha-
dos da MCC e do CHEPS são estreitamente 
relacionados aqueles obtidos na biópsia de 
pele quanto a densidade de fibras finas. Re-
centemente, sugerimos a inclusão desses 
dois métodos nas recomendações para diag-
nóstico de NFF/DN da European Federation 
of Neurological Societies (EFNS)8.
A biópsia de nervos sensitivos superficiais 
(sural, ramo dorsal do nervo ulnar, radial, 
fibular superficial), particularmente quando 
são retirados apenas alguns fascículos (bióp-
sia fascicular) e processada por técnicas es-
peciais, incluindo cortes semifinos, pode 
também ser, em casos específicos, útil no 
diagnóstico de NFF/DN. Vasculites, microvas-
culites, amiloidose, processos inflamatórios, 
incluindo a hanseníase (particularmente na 
forma neural pura), desmielinização ativa, 
dentre outras condições, podem ser diag-
nosticadas por esse método4.
A avaliação autonômica pode ser realiza-
da por vários testes desde simples, por exa-
me clínico, aos mais sensíveis, incluindo-se o 
de inclinação passiva (tilt-test), entre outros9.
Apesar das técnicas relacionadas, o pa-
drão ouro para o diagnóstico de NFF/DN 
continua sendo a boa anamnese e cuidado-
so exame à beira do leito10. Na investigação 
etiológica laboratorial incluir exames tais 
como a glicose de jejum, teste oral de tole-
rância a glicose, hemoglobina glicada, hor-
monio estimulante da tireoide (TSH) e T4 
livre, dosagem de vitamina B12, hemograma 
completo, velocidade de hemossedimenta-
ção, fator anti-núcleo (FAN), enzima conver-
sora de angiotensina, teste de imunofixação, 
sorologias para virus da imunodeficiência 
humana (HIV), virus linfotrópico da célula 
humana (HTLV), hepatites B e C, dentre ou-
tros. Caso haja história familiar, testes gené-
ticos devem ser considerados.
O QUE É “SÍNDROME COMPLEXA 
REGIONAL”?
A Síndrome Complexa Dolorosa Regional 
(SCDR) é uma síndrome dolorosa mista com 
cerca de 65% dos casos relacionados a trau-
ma. Sua localização é regional, predominan-
temente distal, podendo ser dividida em tipo 
I e tipo II. No tipo I ocorrem alterações au-
tonômicas, motoras e sensitivas não restritas 
à área de determinado nervo, enquanto a do 
tipo II se diferencia da anterior devido à pre-
sença de lesão nervosa11,12.
QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS 
DIAGNÓSTICOS DA “SÍNDROME 
COMPLEXA REGIONAL”?
Os critérios diagnósticos da Associação In-
ternacional para o Estudo da Dor (IASP)13 
incluem presença de evento nocivo/causa da 
imobilização; dor contínua, alodínia ou 
Figura 2. Microscopia confocal de córnea. Densidade 
de fibras nervosas reduzida, com segmentos de 
regeneração e presença de células de Langehans, em 
caso de NFF associada a síndrome de Sjögren. Córnea 
direita, 44 mm (adaptado de Nascimento, et al.8).
O.J.M. Nascimento, et al.
58 100 perguntas chave em Dor
hiperalgesia desproporcional à lesão; evidência 
de edema, alteração do fluxo sanguíneo ou da 
sudorese na região da dor e ausência de outras 
condições que possam explicar a doença. O 
diagnóstico é feito através da história e do 
exame físico do paciente. Esses critérios, entre-
tanto, possuem baixa especificidade e consis-
tência diagnóstica. Desse modo, desde 2003, 
foi adotado um novo critério diagnóstico de 
alta especificidade denominado “Critério de 
Budapeste”. O paciente deve apresentar dor 
contínua desproporcional ao evento que a 
provocou e relato mínimo de um sintoma 
entre quatro categorias: sensitivo (hipereste-
sia); vasomotor (assimetria de temperatura ou 
de cor da pele); sudomotor (sudorese) e ede-
ma ou motor e trófico (redução do arco do 
movimento, fraqueza, tremor, distonia e alte-
rações tróficas de pelo, unha ou pele); além 
de um sinal em duas ou mais categorias (hipe-
ralgesia, alodinia, evidência de alteração de 
temperatura, de cor da pele, edema, sudorese).
Eletroneuromiografia, termografia e cintilo-
grafia óssea trifásica podem mostrar alterações.
A incidência da SCDR é de 10 a 30%, 
sendo maior no tipo I. O pico máximo é ao 
redor da quarta década de vida, predomina 
o sexo feminino – 2.3:1 – principalmente em 
uma das extremidades.
A SCDR tem três fases: aguda, com dor, 
edema e aumento de temperatura da pele; 
distrófica, com pele fria e alterações tróficas; 
e atrófica, com atrofias musculares, desmi-
neralização óssea e contratura articular.
O tratamento não é consensual, desta-
cando-se o uso de antidepressivos tricíclicos, 
anticonvulsivantes, opioides, bifosfonatos, 
bloqueio simpático nervoso, tratamento psi-
cológico e recursos físicos.
QUAIS SÃO OS MEDICAMENTOS 
INDICADOS PARA TRATAR A DOR 
NEUROPÁTICA (DN)?
Antidepressivos e anticonvulsivantes são 
medicamentos de primeira linha no tratamento 
da DN14. Opioides, antagonistas de recepto-
res N-metil-D-aspartato (NMDA), anestésicos 
locais, toxina botulínica, analgésicos tópicos 
também são utilizados. Os antidepressivos são 
efetivos no controle da DN, contudo, antide-
pressivos triciclicos (ADT), provocam adicionar 
os triciclicos colaterais (retenção urinária, boca 
seca, sonolência, taquicardia, constipação, hi-
potensão ortostática, visão borrada e disfun-
ção sexual) que limitam o uso ou adesão do 
paciente. Devem ser titulados progressiva-
mente, não ultrapassando 75 a 100 mg/dia. 
Os inibidores de recaptação mistos, como a 
duloxetina e a venlafaxina podem ser utiliza-
dos. Ocorre menor efeito anticolinérgico e 
risco cardiovascular. A duloxetina está con-
traindicada na insuficiência renal ou hepáti-
ca. Há relato de sonolência, náusea, tontura, 
fadiga, insônia, dor de cabeça e disfunção 
sexual. O antidepressivo pode ser usado na 
insuficiência renal (sem excreção renal). Para 
idosos, usar nortriptilina e desipramina con-
siderando as contraindicações.
Os anticonvulsivantes bloqueiam os ca-
nais de sódio/cálcio, aumentando a trans-
missão gabaérgica. A carbamazepina é indi-
cada em dores na cabeça ou pescoço; 
juntamente com gabapentina e pregabalina, 
são fármacos de primeira linha. A pregabali-
na é 2,5 vezes mais potente que a gabapen-
tina, tem boa farmacocinética efarmacodi-
nâmica, é mais fácil de usar e o paciente 
adere melhor ao tratamento. Cautela na 
insuficiência renal. Esperar de 2 a 8 semanas 
para efeito; havendo dor intensa, o opioide 
pode ser utilizado por 1 a 2 semanas. A 
oxicodona e o tramadol podem ser utiliza-
dos, com atenção ao risco de tolerância, 
adição e abuso. 
A lamotrigina e a Oxcarbazepina são al-
ternativa quando há intolerância às anterio-
res. A lamotrigina produz analgesia na neu-
ralgia pós-herpética (NPH) e na dor central; já 
a Oxcarbazepina em diversos tipos de DN. O 
topiramato é eficaz na profilaxia da migrânea, 
mas os resultados em DN são controversos. 
Dor neuropática
100 perguntas chave em Dor 59
Ácido valproico, hidantoína e mexiletina são 
pouco utilizados. O maior problema, contu-
do, é a tolerabilidade dos anticonvulsivantes, 
que provocam sonolência, tontura, ataxia, 
distúrbios gastrintestinais, fadiga, anorexia, 
náuseas, vômitos, alterações cutâneas, dis-
função cognitiva, hepática, cardíaca, renal e 
hematológica.
A lamotrigina, a oxcarbazepina, o topira-
mato, o valproato, a bupropriona, o citalo-
pram, a paroxetina, os antagonistas de re-
ceptor NMDA, a mexiletina e a capsaicina 
tópica têm uso clínico limitado por falta de 
evidências científicas.
O adesivo transdérmico de lidocaína a 
5% é eficaz e sua tolerabilidade é excelente 
quando há alodinia e na NPH ou em DN 
periférica (DNP).
A toxina botulínica (Botox) mostrou-se 
eficaz no tratamento da dor aguda e crônica 
de diversas etiologias, incluindo a neuropá-
tica. O efeito analgésico independe do rela-
xante muscular e envolve a redução da libe-
ração de neuromediadores excitatórios e a 
modulação das vias nociceptivas.
A aplicação do adesivo de capsaicina em 
alta concentração em doentes com DN é 
segura e tolerada; os eventos adversos limi-
tados às elevações transitórias do medica-
mento, como o eritema.
COMO AVALIAR A EFICÁCIA 
CLÍNICA DA TERAPÊUTICA 
FARMACOLÓGICA EM DOR 
NEUROPÁTICA?
O número necessário para tratar (NNT) 
indica a eficácia medicamentosa, a qual é 
inversamente proporcional ao NNT. Os anti-
depressivos tricíclicos têm baixo NNT, segui-
do, em ordem crescente, por gabapentina, 
carbamazepina, tramadol, capsaicina ou 
anestésicos locais. Neuropatia periférica do-
lorosa diabética (NPD) e NPH são a base 
desses estudos, havendo escassez de estu-
dos em outras doenças ou dor neuropática. 
Assim, generaliza-se o tratamento da dor 
neuropática enquanto síndrome, abrangen-
do todas as situações clínicas.
QUAIS SÃO AS INDICAÇÕES 
PARA DESCOMPRESSÃO 
DE ESTRUTURAS NERVOSAS 
E NEURORRESTAURAÇÃO DO 
SISTEMA NERVOSOS PERIFÉRICO?
– Nervos periféricos e plexos nervosos. A 
eliminação da compressão dos nervos pe-
riféricos em consequência da instabilida-
de e das deformações causadas por fra-
turas, luxações, anormalidades ósseas, 
cicatrizes decorrentes de hemorragias, 
doenças inflamatórias, idiossincrasias ou 
iatrogenias (radioterapia), tumores ban-
das fibrosas ou distopias musculares de-
correntes de afecções constitucionais ou 
adquiridas (síndrome do túnel do carpo, 
do tarso, do canal de Guyon, do interós-
seo anterior ou do piriforme ou com neu-
ropatia do nervo safeno interno, ciático 
menor, etc.) ou a transposição nervosa 
são eficazes no tratamento da neuropatia 
e da dor, na dependência na gravidade 
da lesão15-19.
– Lesões radiculares e da medula espinal. 
Alívio das raízes nervosas ou da medula 
espinal por meio da exérese de hérnias 
discais, osteófitos ou tumores, correção 
das deformidades ou instabilidades ver-
tebrais decorrentes de afecções degene-
rativas, congênitas, traumáticas ou neo-
plásicas pode resultar em melhora da 
função e da dor neuropática periférica ou 
mielopática e prevenir as repercussões 
diretas ou indiretas da neuropatia15-19.
– Neuromas de amputação. A ressecação 
cirúrgica ou a neurólise química dos neu-
romas não aliviam a dor no órgão fantas-
ma, no coto de amputação ou em conti-
nuidade.
– Neurorrestauração. A restauração ana-
tômica dos nervos periféricos e plexos 
O.J.M. Nascimento, et al.
60 100 perguntas chave em Dor
nervosos alivia a dor decorrente de trau-
matismo nervoso15-19.
QUAIS SÃO OS PROCEDIMENTOS 
NEUROCIRÚRGICOS FUNCIONAIS?
– Simpatectomias: proporcionam melhora 
inicial, geralmente de curta duração em 
doentes com síndrome complexa de dor 
regional ou com dor em queimor por 
compressões nervosas, traumatismos e 
ou vasculopatias. Ineficaz nas parestesias, 
dor no coto de amputação, mielopática, 
decorrente de lesão da cauda equina, 
avulsão de raízes nervosas ou NPH15-19.
– Neurotomia dos nervos somáticos. As 
neurotomias dos ramos sensitivos do ner-
vo trigêmeo, dos nervos occipitais são 
pouco indicadas, pois sua eficácia geral-
mente é de curta duração e a ocorrência 
de dor pós-operatória por desaferenta-
ção é muito comum.
– Rizotomias. São indicadas para tratar a 
dor neuropática paroxística em áreas res-
tritas do corpo, especialmente as locali-
zadas. As rizotomias percutâneas dos 
nervos trigêmeo, glossofaríngeo e inter-
mediário são eficazes em casos de neu-
ralgias essenciais da face.
– Lesão do trato de Lissauer e do corno 
posterior da medula espinal. É indicada 
para o tratamento da dor no membro 
fantasma, dor resultante de neuropatias 
plexulares actínicas e oncopáticas, trau-
máticas, NPH, dor mielopática segmentar 
ou decorrente de lesão da cauda equina 
ou da espasticidade, dor facial atípica, 
anestesia dolorosa da face, etc.
– Cordotomias. São contraindicadas para o 
tratamento da dor neuropática, exceção 
feita aos doentes com dor nociceptiva e 
neuropática decorrente do câncer.
– Mielotomia extraleminiscal cervical. É efi-
caz para o tratamento da dor mielopáti-
ca, dor decorrente de avulsão do plexo 
braquial e da NPH.
– Talamotomia e mesencefalotomia. A ta-
lamotomia dos núcleos inespecíficos do 
télamo alivia inicialmente a dor neuropá-
tica em até 70% dos doentes com neu-
ropatia periférica, mielopatia ou encefa-
lopatia. Resultados insatisfatórios em 
longo prazo. Sua associação parece me-
lhorar o rendimento do tratamento.
– Cirurgias psiquiátricas. A hipotalamoto-
mia, a cingulotomia, a tratotomia sub-
caudata e a capsulotomia anterior são 
indicadas no tratamento de doentes em 
que a dor é gravada devido a comporta-
mentos ansiosos, depressivos e obsessi-
vos não controlados com medicação psi-
cotrópica, psicoterapia e ou eletrochoque.
– Hipofisectomia. É indicada para o trata-
mento da dor neuropática central.
O QUE SABEMOS SOBRE A 
ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA DO 
SISTEMA NERVOSO E SOBRE 
DISPOSITIVOS PARA 
ADMINISTRAÇÃO DE 
MEDICAMENTOS?
Em geral temos15-19:
– Estimulação da medula espinal. A estimu-
lação elétrica da medula espinal é pouco 
eficaz em casos comprometimento inten-
so e amplo da sensibilidade. É eficaz no 
tratamento da síndrome dolorosa pós-
-laminectomia, da síndrome complexa de 
dor regional, da dor mielopática quando 
há preservação, pelo menos parcial da 
sensibilidade, da NPH, das monorradicu-
lopatias dolorosas, da dor no coto de 
amputação.
– Estimulação encefálica profunda. A esti-
mulação de estruturas do tronco encefá-
lico e encefálicas profundas revelou-se 
insatisfatória no tratamento da dor.
– Estimulação do córtex cerebral. A estimu-
lação do giro pré-central proporciona 
melhora imediata em considerável de 
doentes com dor central encefálica, dor 
Dor neuropática
100 perguntas chave em Dor 61
neuropática facial, dor no órgão fantas-
ma, síndrome complexa de dor regional, 
dor decorrente de avulsão de raízes do 
plexo braquial.
Administração 
de fármacos analgésicos 
no sistema nervoso central
O implante de cateteres visando à admi-
nistração prolongada de analgésicos e adju-
vantes (opioides, clonidina, somatostatina, 
calcitonina,midazolam, baclofeno, ziconoti-
da) no compartimento liquórico espinal ou 
ventricular é útil para tratar a dor gerada por 
neuropatias dolorosas não paroxísticas, tais 
como as causadas por mono ou polineuro-
patias periféricas, síndrome pós-laminecto-
mias, mielopatias, etc.2,5.
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100 perguntas chave em Dor 63
COMO O MODELO 
BIOPSICOSSOCIAL 
É APLICADO À DOR?
O modelo biopsicossocial de saúde foi 
proposto, em 1977, por Engel, psiquiatra 
inglês, com o intuito de explicar melhor a 
etiologia das doenças mentais. Este modelo 
foi aplicado na compreensão de diversas do-
enças, incluindo as dores crônicas (DC). Mo-
delos biopsicossociais de dor propõem que 
aspectos biológicos podem iniciar, manter 
ou modular alterações físicas; porém, fatores 
psicológicos influenciam na avaliação e per-
cepção de sinais fisiológicos, e fatores sociais 
mediam as respostas comportamentais do 
paciente à percepção de suas alterações fí-
sicas1,2. A figura ao lado ilustra as interações 
entre os aspectos biopsicossociais (Fig. 1).
Este modelo pode ser aplicado tanto a 
dores crônicas como agudas. Por exemplo, 
quando uma pessoa vai ao dentista para 
realizar um procedimento simples, como 
uma obturação, ela sofrerá um estímulo me-
cânico, a vibração da agulha contra o dente, 
que provocará uma sensação desagradável à 
maior parte das pessoas. A percepção deste 
estímulo potencialmente doloroso varia de 
pessoa para pessoa segundo seu estado 
emocional (ex: ansiedade), e das experiên-
cias dolorosas prévias que esta pessoa teve. 
Diante disso, esta pessoa emitirá um com-
portamento de dor (ex: se contorcer), este 
Dor, saúde mental e sono
A.A. Henriques, J.J. Sardá Jr., C. Frange e M. Levy Andersen
Capítulo 9
Ambiente
Comportamento [adoecer]
Sofrimento
Percepção da dor
Nocicepção
Figura 1. Modelo biopsicossocial da dor (adaptado 
de Flor1).
comportamento será reforçado pelo dentista 
parando de usar a broca ou continuando, e 
explicando que usará anestesia e que o pro-
cedimento irá ser concluído em breve. No 
caso das DCs, essas interações são mais 
complexas, envolvendo, por exemplo, ques-
tões de gênero, nível educacional, ambiente 
de trabalho e aspectos culturais, além dos 
aspectos já descritos anteriormente.
Os modelos biopsicossociais possuem di-
versas evidências científicas que os supor-
tam1-3, e permitem compreender a dor em 
suas diversas dimensões: biológicas, cultu-
rais, sociais, afetivas, cognitivas, econômicas 
A.A. Henriques, et al.
64 100 perguntas chave em Dor
e espirituais. Abordar a dor considerando 
essas dimensões permite uma melhor com-
preensão deste fenômeno, bem como uma 
maior eficácia em seu tratamento.
POR QUE CONSULTAR 
UM PSICÓLOGO EM CASOS 
DE DOR CRÔNICA?
A DC pode afetar diversas dimensões na 
vida das pessoas. Pacientes com DC podem 
apresentar ansiedade, depressão, estresse, 
estratégias inadequadas para lidar com a 
dor, crenças disfuncionais (ex: pensamentos 
catastróficos), problemas familiares, finan-
ceiros, redução de contato social, problemas 
no ambiente de trabalho e redução da qua-
lidade de vida1-3. Estes aspectos, muitas ve-
zes, são decorrentes da dor, mas também 
podem contribuir para o aumento desta, 
bem como incapacidade física e sofrimento 
psicológico. Quando esses elementos estão 
presentes, é importante que o profissional 
de saúde encaminhe o paciente a um psicó-
logo ou que o próprio paciente o procure 
(Fig. 2). 
Frequentemente, as pessoas têm dificul-
dades em lidar com o fato de terem uma 
DC, uma vez que esta, em geral, tem um 
impacto em diversas dimensões da vida. 
Desta forma, o papel do psicólogo é auxiliar 
a pessoa com DC a lidar de forma mais 
adequada e efetiva com esta condição, bem 
como trabalhar os aspectos que por ventura 
estão contribuindo para o agravamento des-
ta situação. É importante lembrar que o psi-
cólogo é um profissional da saúde mental 
importante no tratamento da dor, e que este 
não trata apenas de pessoas com doenças 
mentais, mas também de pessoas que estão 
tendo dificuldades em lidar com esta situa-
ção.
QUEM É ANSIOSO SENTIRÁ 
MAIS DOR?
Em geral, sim. Diversos estudos demons-
tram que a ansiedade contribui para o au-
mento da hipervigilância4, o que faz com 
que a atenção a estímulos potencialmente 
dolorosos aumente. Além disso, a ansiedade 
pode contribuir para o estresse. A resposta 
de estresse consiste em diversas alterações 
metabólicas em nosso organismo (ex: au-
mento da tônus muscular). Nestas situações, 
são liberados diversos neurotransmissorese 
hormônios que, a longo prazo, contribuem 
para a imunossupressão e uma pior resposta 
a processos inflamatórios. A ansiedade tam-
bém pode contribuir para interpretações e 
atribuições de significado distorcidas a uma 
situação (ex: interpretar um sintoma leve 
como algo importante, ou imaginar que algo 
errado vai acontecer). Isto contribui para que 
muitas vezes uma pessoa com DC evite ati-
vidades com medo de sentir dor.
A curto prazo, medicações podem ser 
usadas e, em geral, apresentam bons resul-
tados, mas é importante trabalhar os aspec-
tos que contribuem para a ansiedade, e isso 
pode ser facilmente realizado com o auxílio 
de um psicólogo ou psiquiatra.
Di�culdade de
concentração
Problema
do sono
Baixa
produtividade
Depressão
DOR
Cinesiofobia
Inatividade
Ansiedade
Figura 2. Ciclo da dor.
Dor, saúde mental e sono
100 perguntas chave em Dor 65
O QUE SÃO OS PENSAMENTOS 
CATASTRÓFICOS E COMO ELES 
ESTÃO RELACIONADOS À DOR?
Pensamentos catastróficos podem ser de-
finidos como processos mentais com uma 
perspectiva exageradamente negativa com 
relação a um estímulo5, ou ainda, como 
crenças de que o pior desfecho ocorrerá em 
uma dada situação. Pensamentos catastrófi-
cos contribuem para o aumento da intensi-
dade da dor, incapacidade física e depres-
são5. A figura acima ilustra como este ciclo 
funciona (Fig. 3). 
Segundo este modelo, a crença de que o 
pior desfecho poderá ocorrer em uma dada 
situação (ex: aumento da dor) contribui para 
que a pessoa interprete essa situação como 
ameaçadora, o que gera sentimentos nega-
tivos e medo, com o consequente desenvol-
vimento de uma hipervigilância e aumento 
da atenção à dor ou a outros estímulos. Isso 
faz com que a pessoa evite esta atividade, 
interpretada por ela como passível de ser 
nociva e causar dor, o que leva à redução de 
atividades, ocasionando, assim, incapacida-
de e depressão. Entre os diversos fatores 
complicadores nos quadros de dor, as cren-
ças catastróficas têm-se mostrado como um 
dos aspectos mais importantes, dada sua 
importante contribuição para o aumento da 
dor, da incapacidade física e da depressão.
COMO A TERAPIA COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL PODE 
AUXILIAR NO TRATAMENTO DA 
DOR CRÔNICA?
Mesmo nos estudos que relatam uma re-
dução da dor, esta melhora nem sempre é 
acompanhada de uma melhora no funciona-
mento físico, psíquico e social do paciente. 
A associação de um tratamento psicoterápi-
co no Plano Terapêutico Multidisciplinar do 
paciente com DC costuma ser benéfica, des-
de que corretamente indicada, aplicada e 
integrada às demais intervenções terapêuti-
cas. 
A terapia cognitivo-comportamental 
(TCC) é um modelo teórico-prático usado na 
Lesão
Recuperação
Confrontação
Ausência de medo
Experiência
dolorosa
Evitação
Hipervigilância
Medo relacionado a dor
Catastro�zação da dor
Afetividade negativa
Informação ameaçadora de doença
Evitação
Confrontação
Desuso
depressão
Incapacidade
Figura 3. Modelo medo – evitação (adaptado de Sullivan MJ6).
A.A. Henriques, et al.
66 100 perguntas chave em Dor
compreensão e no tratamento de diversos 
transtornos psiquiátricos. É focada em obje-
tivos claros, estabelecidos pelo paciente e 
terapeuta, visando ajudar o paciente a efe-
tuar mudanças em sua vida. É de base em-
pírica. Paciente e terapeuta têm papel ativo 
na solução dos problemas e nos resultados 
do tratamento.
Há três fundamentos na TCC: a atividade 
cognitiva (pensamento) influencia o compor-
tamento; a atividade cognitiva pode ser mu-
dada e alterada; e o comportamento pode 
ser modificado mediante mudança cogniti-
va. É o modo como uma pessoa interpreta 
eventos que determina como se sentirá e se 
comportará. A TCC é a modalidade psicote-
rápica com melhores resultados nos pacien-
tes com DC7. Ela atua em como o indivíduo 
avalia, interpreta e reage em relação à sín-
drome dolorosa e aos fatores associados. O 
objetivo é ajudar o paciente a identificar e 
modificar cognições e comportamentos ina-
dequados no enfrentamento da dor. A TCC 
mostrou-se efetiva na diminuição dos níveis 
de dor, melhora da qualidade de vida, na 
reabilitação, no humor e diminuição de cus-
tos7. Revisões metanalíticas7 indicam a sua 
efetividade na abordagem individual ou gru-
pal, com aplicação em DC lombar, DC pélvi-
ca, dor em câncer de mama, disfunção tem-
poromandibular, fibromialgia e cefaleia 
crônica, entre outros.
É recomendada quando: a dor do pacien-
te se torna crônica; a dor se torna fora de 
manejo; a dor afeta o funcionamento psico-
lógico ou o estresse emocional exacerba a 
dor; o paciente tem dificuldade em aderir 
aos tratamentos; o paciente vivencia um es-
tresse psicossocial significativo (desgaste 
com familiares ou amigos; limitações físicas; 
perda de emprego; dificuldades financeiras 
etc.). Algumas das técnicas que compõem o 
protocolo de TCC em DC são psicoeduca-
ção, relaxamento muscular progressivo e 
respiração, distração, reestruturação cogniti-
va (técnica mais efetiva na catastrofização), 
comunicação assertiva, escrita expressiva, 
resolução de problemas e prevenção de re-
caída. 
Se há comorbidade entre DC e transtor-
nos psiquiátricos (depressão, ansiedade, de-
pendência química etc.), o emprego de psi-
coterapia será necessário8. Nesses casos, ela 
mostra-se uma modalidade psicoterápica 
útil, com protocolos de tratamento bem es-
truturados e efetivos para tais transtornos. 
Submeter-se à TCC para DC não significa 
que o paciente tenha, obrigatoriamente, al-
gum transtorno mental. Entretanto, a ocor-
rência crônica de dor altera negativamente 
os processos das atividades cognitiva, emo-
cional e comportamental. E a TCC mostra-se 
um método efetivo em acessar e readaptar 
essas dimensões.
DOR CRÔNICA E DEPRESSÃO 
ESTÃO SEMPRE JUNTAS?
A dor apresenta um componente afetivo/
emocional, podendo incluir diversos tipos de 
sentimentos, usualmente, de qualidade ne-
gativa. A relação entre dor e depressão é um 
dos assuntos mais pesquisados e presentes 
no atendimento de pacientes com dor. Tris-
teza é a queixa de humor mais frequente 
nesse contexto.
Deve-se diferenciar o sintoma humor de-
pressivo (HD) do transtorno depressivo maior 
(TDM). O primeiro é um sentimento de tris-
teza, que ocorre em diferentes situações de 
vida, associado a perdas reais ou imaginá-
rias. Apresentar uma doença pode estar 
acompanhado desse sentimento. Até certo 
ponto, esse sentimento é normal, ou seja, 
“adequado”. Já o TDM, ou “depressão”, é 
um tipo de transtorno psiquiátrico e uma 
situação clínica que exige tratamento, afe-
tando de 10 a 20% da população. Há a 
presença9 por, no mínimo, 2 semanas segui-
das de HD ou de falta de interesse ou prazer 
com a maioria das atividades que a pessoa 
realiza. Em crianças e adolescentes, ao invés 
Dor, saúde mental e sono
100 perguntas chave em Dor 67
de HD, pode haver irritabilidade. Além disso, 
ao menos quatro dos sintomas devem ocor-
rer nesse período:
– Diminuição ou aumento de apetite.
– Insônia ou hipersonia (dormir demais).
– Agitação ou lentificação psicomotora.
– Fadiga ou perda de energia.
– Sentimento de inutilidade ou culpa ex-
cessiva.
– Capacidade diminuída de pensar (dificul-
dade de concentração/memória).
– Pensamentos de morte ou suicídio.
Entre pacientes com DC, 30 a 60%9 
apresentam concomitantemente o TDM. É a 
comorbidade psiquiátrica mais frequente em 
DC. É bidirecional: a depressão exacerba a 
dor, e vice-versa. As síndromes dolorosas 
mais associadas ao TDM são fibromialgia, 
cefaleia tensional, DC pélvica e DC em ex-
tremidade dos membros superiores. Na 
atenção primária, pacientes com DC apre-
sentam quatro vezes mais chance de ter de-
pressão do que pacientes sem DC12. Em 
pacientes com câncer, a presença de TDM 
também é mais frequente,principalmente em 
cânceres de orofaringe, pâncreas, mama e 
pulmão. Mais avançado o câncer, maior chan-
ce de apresentar TDM. A prevalência de TDM 
em pacientes com dor oncológica é 36,5%9.
Para aumentar a especificidade do diag-
nóstico de TDM, deve-se identificar sintomas 
cognitivos e de humor (dificuldade de con-
centração, baixa auto-estima, indecisão, tris-
teza, choro, culpa, desesperança e ideação 
suicida); investigar história familiar e investi-
gar a apresentação longitudinal e fatores 
associados às duas síndromes. O TDM pode 
ser letal, sendo a causa mais frequente de 
suicídio. Pessoas com DC, mesmo sem de-
pressão, apresentam uma chance duas a três 
vezes maior de cometer suicídio. Para pa-
cientes com DC abdominal, dor neuropática, 
intensidade elevada da dor, insônia, história 
familiar de suicídio, desesperança em rela-
ção ao tratamento da dor e litígio trabalhis-
ta, a chance é maior ainda. 
A depressão piora a qualidade de vida, a 
resposta e a adesão aos tratamentos, preju-
dica o funcionamento sócio-ocupacional, 
dificulta as relações matrimoniais e amplifica 
a intensidade da dor, aumentando a neces-
sidade de analgésicos. A relação mais aceita 
é que a depressão seja consequência da DC 
de longa duração, sob uma múltipla influên-
cia de co-fatores genéticos, neurobiológicos, 
cognitivos e ambientais. Pesquisas em ima-
gem indicam que há áreas similares do cé-
rebro que estão afetadas tanto na depressão 
quanto na DC, com um desequilíbrio dos 
mesmos neurotransmissores (serotonina/no-
radrenalina), em nível central e periférico. 
Sempre que a dor se tornar crônica e inca-
pacitante, a presença de TDM deve ser in-
vestigada. Se diagnosticado, há tratamentos 
específicos, como psicofármacos (antide-
pressivos tricíclicos e duais) e psicoterapias 
(em especial, a TCC). O objetivo do trata-
mento do TDM é sempre a remissão com-
pleta dos sintomas, e a presença de dor não 
muda esse objetivo. As duas situações de-
vem ser tratadas conjuntamente. Na depres-
são de intensidade leve ou moderada, a DC 
e a depressão são tratadas concomitante-
mente; na depressão grave, o foco prioritá-
rio é o TDM.
As pessoas que aceitam sua condição de 
DC e, apesar dela, continuam suas ativida-
des, mantendo o controle da situação, têm 
menos chance de desenvolver TDM. A co-
morbidade entre depressão e dor sempre 
deverá ser investigada e tratada sem restri-
ções pela equipe multidisciplinar.
OS OPIÓIDES GERAM 
DEPENDÊNCIA? QUAL O RISCO 
E COMO PREVENIR?
Os opióides são tanto utilizados em ex-
cesso quanto subutilizados. A neurotrans-
missão opioidérgica é essencial para a inte-
gridade biológica do sistema nervoso, em 
que os opióides endógenos (b-endorfinas, 
A.A. Henriques, et al.
68 100 perguntas chave em Dor
etc.) interagem com múltiplos receptores. A 
ativação dos receptores mu media as pro-
priedades analgésicas dos opióides. Quando 
há interação desses receptores com o siste-
ma dopaminérgico de recompensa, o abuso 
e a dependência podem desenvolver10. Essa 
ativação de processos cerebrais, indepen-
dentemente da dor, motiva o uso dessas 
medicações por prazer (ou alívio de descon-
fortos físicos e/ou psíquicos). Abstinência, 
abuso e dependência são manifestações de 
modificações cerebrais, resultantes do uso 
crônico dessas substâncias.
A dependência é um conjunto de sintomas 
cognitivos, comportamentais e psicológicos 
que indicam que um indivíduo continua a 
usar uma substância, apesar dos problemas 
significativos decorrentes desse uso. Pacientes 
com DC que não apresentam dependência 
atual/passada a outras substâncias, em uso 
continuado de opióides, apresentam incidên-
cia de dependência opióides (DO) de 0,5%10. 
Já a prevalência de DO em pacientes com DC 
não oncológica é em torno de 4,5%; e a de 
abuso de opióides, 10%.
São fatores de risco para abuso e DO: ser 
homem; jovem ou de meia-idade; história de 
abuso/dependência atual/passada (incluindo 
nicotina); comorbidade de transtornos psi-
quiátricos atuais/passados; dor em múltiplos 
locais; história familiar de dependência quí-
mica; história de abuso físico/sexual; altos 
níveis de dor; dor após acidente automobi-
lístico e presença de emoções negativas. O 
abuso de opióides pode ser uma tentativa 
de automedicação. 
Há duas expressões comumente empre-
gadas: opiofobia – crença de profissionais da 
saúde de que quase toda prescrição de opi-
óide levará à DO, podendo assumir formas 
mais sutis (superestimação de efeitos colate-
rais ou subdosagem da medicação). A outra 
expressão é pseudodependência: síndrome 
iatrogênica em que o paciente mimetiza um 
quadro de DO, com comportamentos exa-
cerbados de busca por medicações analgé-
sicas. Ela ocorre devido ao manejo inadequa-
do e/ou ao subtratamento da síndrome 
dolorosa. Quando o manejo da dor se torna 
adequado, ela desaparece. Também é deno-
minada de pseudoadição.
A tabela 1 lista as orientações na prescri-
ção de opióides. Quando a presença de um 
transtorno por uso de substância for detec-
tada em um paciente com DC, o tratamento 
deve ser concomitante, idealmente, no mesmo 
centro assistencial. Raramente (menos de 1%), 
um paciente sob uso de opióides, sem his-
tória de problemas por uso de substâncias, 
desenvolverá DO, ou seja, a grande maioria 
dos pacientes poderá se beneficiar dessas 
medicações, desde que adequadamente in-
dicada. 
O SONO INFLUENCIA NA DOR?
O sono é um fenômeno biológico essen-
cial, um estado de intensa atividade cerebral 
Tabela 1. Precauções para prevenir DO
– Otimize todas as outras alternativas terapêuticas. 
– Avalie o risco de transtornos de substâncias.
– O uso de opióides deve ser adjuntivo às outras medicações e modalidades terapêuticas.
– Estabeleça limites e objetivos claros no tratamento, revise-os periodicamente e, se não forem alcançados, 
suspenda a medicação.
– Utilize medicações com meia-vida prolongada, de longa ação.
– Monitore o uso de opióides.
– Centralize a prescrição de opióide em um único médico.
– Solicite a presença de familiares periodicamente.
– Mantenha uma boa documentação da evolução e das condutas empregadas.
Dor, saúde mental e sono
100 perguntas chave em Dor 69
e uma de suas funções é manter a homeos-
tase do organismo. A falta de sono (privação) 
provoca diversas alterações fisiológicas e com-
portamentais em animais e em humanos. 
Estudos demonstram que o sono insuficien-
te, seja em quantidade e/ou em qualidade, 
pode levar a disfunção metabólica, hiperten-
são, acidente vascular encefálico, diabetes e 
doenças cardíacas, aumentando a mortalida-
de. Os distúrbios de sono são vários: apneia 
obstrutiva do sono, insônia, sono não repa-
rador, despertares noturnos frequentes, dis-
túrbios de movimento, dentre outros.
Evidências apontam para o fato de que 
os distúrbios de sono estão relacionados 
etiologicamente com a dor crônica11. A neu-
robiologia e os mecanismos das vias noci-
ceptivas envolvidos com quantidade insufi-
ciente de sono ou com baixa qualidade de 
sono ainda não foram completamente escla-
recidos. No entanto, há alguns indícios des-
sa relação entre dor e sono12: restrição de 
sono Rapid Eye Movement (REM) diminui a 
atividade colinérgica, e, portanto, sua fun-
ção analgésica; a privação de sono REM di-
minui níveis de serotonina; deficiências sero-
toninérgicas podem gerar problemas de 
sono, uma vez que a serotonina tem parti-
cipação fundamental na promoção do sono 
e da analgesia; níveis elevados de substância 
P estimulam a hipersensibilidade à dor e dis-
túrbios de sono e a privação de sono pode 
predispor à sensibilidade à dor e elevar os 
níveis de glutamato no encéfalo, facilitando, 
assim, a transmissão de sinais nociceptivos. 
A privação de sono total ou seletiva de 
um estágio específico de sono leva à hipe-
ralgesia (sensibilidade exageradaà dor)13,14. 
Assim, a modulação da dor e a regulação do 
ciclo vigília-sono têm sistemas neurobiológi-
cos em comum, o que justifica a relação 
entre o sono e a dor, uma vez que os distúr-
bios, a má qualidade ou ainda a falta de 
sono são capazes de desencadear ou agravar 
quadros de dor15. Por outro lado, a dor du-
rante o sono ou que antecede o sono pode 
levar a um sono não restaurador e/ou frag-
mentado, influenciando o padrão de sono. 
Os tratamentos farmacológicos e as condi-
ções clínicas que reduzem o tempo de sono 
podem aumentar ou desencadear a dor; 
portanto, devemos estar atentos para uma 
investigação clínica adequada desta associa-
ção tão frequente nos consultórios.
O QUE É A HIGIENE DO SONO 
E COMO POSSO APLICÁ-LA?
A higiene do sono são hábitos rotineiros 
que representam uma intervenção compor-
tamental, destinada a promover o sono, me-
lhorando sua qualidade e quantidade. As 
recomendações da higiene do sono16 são 
estabelecer uma rotina regular para deitar-se 
e levantar-se; tornar o ambiente de dormir 
agradável com uma cama confortável, sem 
ruídos e barulhos, temperatura agradável e 
usar o quarto apenas para dormir (evitar 
conversas desagradáveis antes de dormir, a 
ideia é não levar os problemas para a cama); 
associar a cama ao sono (não a usando para 
ler, assistir televisão, ouvir rádio, etc.); dimi-
nuir o tempo desperto na cama (caso não 
seja possível adormecer, deve-se sair da 
cama, caminhar pela casa, ler um livro, etc., 
e, após, tentar dormir novamente); evitar 
cochilos diurnos (cochilo rápido após o al-
moço está liberado em alguns casos); prati-
car exercícios físicos; evitar o uso de medi-
camentos para dormir (exceto por prescrição 
médica); à noite, realizar apenas refeições 
leves e não ir para a cama com fome ou 
sede; evitar cafeína e álcool ou outras bebi-
das e alimentos estimulantes; e antes de 
deitar-se limitar a ingestão de líquidos e re-
alizar atividades relaxantes como banho 
quente, por exemplo. 
A higiene do sono é de extrema importân-
cia para todos, desde a infância até a idade 
adulta mais avançada e, para aplicá-la na roti-
na, é importante conhecer seus hábitos, não 
esquecendo de que alguns comportamentos 
A.A. Henriques, et al.
70 100 perguntas chave em Dor
são difíceis de serem modificados, por isso 
é preciso ter persistência, incorporando 
gradativamente cada mudança em seu co-
tidiano.
COMO RESPONDER A ESTA 
QUESTÃO: SINTO-ME 
ENVERGONHADO E 
CONSTRANGIDO POR NÃO 
CONSEGUIR MAIS TRABALHAR 
POR CAUSA DA DOR? O QUE 
FAZER PARA LIDAR COM ISSO?
Este é um sentimento frequente para 
pessoas que têm DC, uma vez que, em di-
versos casos, há uma redução da capacidade 
laboral associada à DC. Isto pode ocorrer 
pela perda da capacidade funcional ou mes-
mo pela inadequação do ambiente de traba-
lho17. Ajustar o ambiente de trabalho de 
forma que este não seja nocivo à saúde é o 
primeiro passo. Uma outra alternativa é en-
contrar novas funções que não comprome-
tam a saúde do trabalhador com DC. Quan-
do isto não é possível, ou quando existem 
importantes limitações físicas que impeçam 
a pessoa de trabalhar, é essencial que a pes-
soa receba o benefício auxílio-doença ou 
acidente de trabalho, concedido pelo Siste-
ma Previdenciário, seu direito de trabalha-
dor. Por outro lado, a incapacidade para o 
trabalho pode contribuir para o aparecimen-
to de TDM, baixa autoestima, sentimentos 
de ressentimento e culpa, dentre outros. 
Quando isso ocorre, é importante ter o 
apoio de um profissional da saúde mental. 
A pessoa com dor não deve se culpar por 
estar nessa condição que a impede de exer-
cer sua atividade laboral. A reabilitação ple-
na para o trabalho costuma ser um processo 
gradual que, envolve uma abordagem mul-
tidimensional.
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100 perguntas chave em Dor 71
QUAIS AS ORIENTAÇÕES DA 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE 
PARA O TRATAMENTO DA DOR?
A Organização Mundial de Saúde (OMS) 
propôs a escada analgésica de dor (EAD) em 
19861, método para alívio da dor oncológica. 
Esta deve ser organizada e padronizada com 
base em uma escada de três degraus de 
acordo com a intensidade de dor relatada 
pelo paciente. O primeiro degrau recomen-
da o uso de medicamentos anti-inflamató-
rios não esteroides (AINEs) para dores fracas; 
o segundo sugere opioides fracos, que po-
dem ser associados aos AINEs, para dores 
moderadas, e o terceiro indica opioides for-
tes, associados ou não aos AINEs, para dores 
fortes. Os medicamentos adjuvantes devem 
ser usados nos três degraus da escada. Essa 
escada sugere classes de medicamentos, 
proporcionando ao médico flexibilidade e 
possibilidade de adaptação de acordo com 
as particularidades do paciente e a disponi-
bilidade no seu país.
Os princípios da farmacoterapia propos-
tos pela OMS podemser resumidos em cin-
co tópicos.
Pela Escada
Inicia-se pelo primeiro degrau para dores 
fracas, que consiste de AINEs. Quando não 
há alívio da dor, adiciona-se opioide fraco 
Tratamento da dor – Parte 2
J.O. de Oliveira Jr, F. Peixoto Minson e L. Biela do Vale
para dor leve a moderada. Quando esta 
combinação é insuficiente. Substitui-se o 
opioide fraco por um forte. Somente um me-
dicamento de cada categoria deve ser usado 
por vez. Os adjuvantes podem ser associados 
em todos os degraus da escada, de acordo 
com as indicações específicas (antidepressi-
vos, anticonvulsivantes, neurolépticos, bifos-
fonados, corticosteroides, etc.). 
Via Oral
Os analgésicos devem ser administrados 
pela via oral (VO). Vias de administração alter-
nativas como retal, transdérmica ou parenteral 
podem ser úteis em pacientes com disfagia, 
vômitos incoercíveis ou obstrução intestinal.
Intervalos Fixos
Os analgésicos devem ser administrados 
a intervalos regulares de tempo. A dose sub-
sequente precisa ser administrada antes que o 
efeito da dose anterior cesse. A dose do anal-
gésico precisa ser condicionada à dor do 
paciente, ou seja, inicia-se com doses peque-
nas, sendo progressivamente aumentada até 
o alívio completo.
Individualização
A dose correta dos opioides alivia a dor 
com o mínimo de efeitos adversos. Se a 
Capítulo 10
J.O. de Oliveira, et al.
72 100 perguntas chave em Dor
analgesia é insuficiente, o paciente deve ser 
reavaliado e deve-se subir um degrau da es-
cada analgésica e não prescrever similar da 
mesma categoria.
Atenção aos detalhes
Explicar detalhadamente os horários dos 
medicamentos e antecipar as possíveis com-
plicações e efeitos adversos, tratando-as 
profilaticamente. O paciente que usa opioide 
de forma crônica deve receber orientações 
sobre laxativos. 
Observações
Após mais de 25 anos de uso da EAD, 
questiona-se se ela deve ou não ser descon-
tinuada. Acredita-se atualmente que ela 
mantém sua função educativa, mas poderia 
ser modificada e aperfeiçoada. 
Novos algoritmos foram propostos; en-
tretanto, a escada da OMS permanece como 
orientação para o tratamento farmacológico 
da dor. 
COMO PRESCREVER DOSES 
DE RESGATE EM DOR?
Tradicionalmente utiliza-se 18% da dose 
total diária de morfina ou 15 a 50 % da 
dose de horário, que não devem ser repeti-
das com intervalo inferior a 1h para VO, 
30min para a via subcutânea e 10min para 
a via intravenosa (VI)2. As doses de resgate são 
indicadas para a dor do tipo breakthough3, 
ou seja, para a dor de ruptura que é defini-
da como uma exacerbação transitória da dor 
ou um escape de dor em pacientes com dor 
basal já sendo tratada e adequadamente 
controlada.
Devemos avaliar e tratar também a dor 
de base, identificar em cada paciente a causa 
mais frequente de dor do tipo breakthrough, 
avaliá-la rotineiramente e usar a morfina de 
acordo com as recomendações acima, já que 
não dispomos de outras formulações ade-
quadas para o resgate. 
O QUE SÃO OS BLOQUEIOS 
PERIFÉRICOS E QUAL SUA 
INDICAÇÃO?
São bloqueios reversíveis dos impulsos 
neurais; englobam uma série de técnicas 
anestésicas diagnósticas e terapêuticas, tan-
to na execução quanto na indicação4. 
A terapia intervencionista é um termo 
mais amplo e atual e baseia-se no conceito 
de que para determinado tipo de dor existe 
uma base estrutural anatômica. O bloqueio 
neural altera ou interrompe o estímulo no-
ciceptivo proveniente de tal estrutural. O 
tratamento intervencionista da dor é defini-
do como sendo a disciplina médica voltada 
ao diagnóstico e tratamento de doenças re-
lacionadas à dor, principalmente com a apli-
cação de técnicas intervencionistas, para o 
controle de dores subagudas, crônicas, per-
sistentes ou intratáveis, independentemente 
ou em conjunto com outras modalidades de 
tratamento.
Os procedimentos são realizados de pre-
ferência sob orientação radiológica ou de 
ultrassom. Isto visa aumentar a segurança e 
eficácia, diminuindo de forma considerável 
a sua morbidade.
A seleção dos pacientes que serão sub-
metidos ao tratamento intervencionista da 
dor deve obedecer aos seguintes critérios: 
falha nos tratamentos conservadores; dados 
objetivos do exame físico e da doença cau-
sadora da dor e ausência de contraindica-
ções gerais.
Exemplos e indicações de bloqueios: gân-
glio estrelado (dor cefálica e no membro 
superior); gânglio trigeminal (neuralgia do 
trigêmeo); plexo celíaco (dor visceral abdo-
minal superior –câncer pancreático); simpá-
tico lombar (dor em membro inferior); plexo 
hipogástrico (dor de visceral pélvica); gânglio 
ímpar (dor perineal); intercostal (metástases 
Tratamento da dor – Parte 2
100 perguntas chave em Dor 73
em costela, síndrome pós-toracotomia); fe-
moral (dor em coxa e joelho); supraescapular 
(dor em ombro); obturador (dor coxofemu-
ral); ilioinguinal e iliohipogástrico (região in-
guinal).
QUAIS SÃO OS DIFERENTES TIPOS 
DE MEDICAÇÕES QUE AJUDAM NA 
DOR CRÔNICA?
A dor não é um evento isolado, é sim 
uma sucessão de eventos de modo linear e 
não linear, síncrono e não síncrono, que leva 
a um estado de hiperatividade defensiva, 
aumentando a chance de detecção de novos 
estímulos e otimizando o sistema de defesa. 
O conceito de sensibilização central compre-
ende um aumento da função neuronal indi-
vidual (celular) e de circuitos nociceptivos 
(multicelular) causados por incremento da 
excitabilidade da membrana e da eficácia 
sináptica, e também por uma redução da 
inibição e da plasticidade do sistema nervo-
so somatossensitivo em resposta a uma in-
flamação periférica, atividade anormal ou 
lesão nervosa. Costuma ocorrer depois de 
um estímulo nociceptivo intenso ou repetiti-
vo. Em ausência de lesão tecidual, o estado 
de alerta, de limiar diminuído à dor, retorna, 
com o tempo, ao seu estado inicial menos 
ativado. O sistema pode retornar a um esta-
do superalerta em condições nas quais o 
risco de uma nova lesão se torna elevado, 
como no caso da detecção de novos estímu-
los nociceptivos intensos, repetidos e ainda 
persistentes5.
A sensibilização central é expressão da 
plasticidade sináptica que ocorre no sistema 
nervoso central deflagrada por estímulos no-
ciceptivos persistentes. Há um estado de 
facilitação, potenciação, aumento e/ou am-
plificação. Há redução de influências inibitó-
rias nos neurônios sensitivos do corno dorsal 
e alterações sinápticas e intracelulares que 
culminam com a produção permanente de 
sinalização de presença de estímulos dolorosos 
na via, mesmo na ausência de verdadeira 
estimulação periférica, isto é, de modo es-
pontâneo. 
As peculiaridades da dor crônica a tor-
nam refratária à abordagem medicamentosa 
tradicional, uma vez que além da redução 
da detecção e da transmissão dos estímulos 
dolorosos em vigência, há também necessi-
dade de intervir no estado de hiperatividade 
neuronal decorrente da sensibilização.
Assim, além dos fármacos de uso consa-
grado para alívio da dor aguda, como os 
anti-inflamatórios e dos opioides, na dor crô-
nica, são prescritos anticonvulsivantes, antide-
pressivos, fenotiazínicos, α-2-adrenérgicos, 
entre outros. São medicamentos que vão ten-
tar normalizar o comportamento neuronal, 
reduzir a sensibilização celular, e, também 
reduzir o sofrimento relacionado à dor6-10. 
Muitos fármacos classificados e indicados 
inicialmente como antipsicóticos ou como 
anticonvulsivantes são prescritos como anal-
gésicos e são necessárias explicações para 
que o doente não considere um equívoco, 
uma falta de atenção ou uma falta grosseira 
de conhecimentos médicos. Grande parte da 
atividade dos médicos que se dedicam ao 
estudo e ao tratamento da dor crônica é 
tomada por orientações e esclarecimentos. 
Esta tarefa didática não é restrita aos alvos 
mais óbvios: os doentese seus cuidadores; 
e, contempla outros colegas e outros profis-
sionais da área da saúde.
EXISTE ALGUMA CIRURGIA 
PARA DOR CRÔNICA?
As dores refratárias aos tratamentos con-
servadores, etiológico e sintomático, podem 
receber a indicação de métodos analgésicos 
intervencionistas (cirúrgicos) que não preser-
vam o sistema nervoso (ablativos) ou que pre-
servam o sistema nervoso (não ablativos)11,12.
Os ablativos resultam em respostas anal-
gésicas mais duradouras, porém, se associam 
a maiores riscos, entre os quais se encontra a 
J.O. de Oliveira, et al.
74 100 perguntas chave em Dor
dor neuropática iatrogênica, secundária a le-
são produzida. As deficiências motoras ou 
sensitivas decorrentes costumam ser mais 
persistentes.
Os não ablativos são representados pelos 
bloqueios anestésicos, pela infusão de fár-
macos analgésicos espinais extra ou intrate-
cais, em bolos ou contínuos, em sistemas 
temporários ou definitivos, parcial ou total-
mente implantados, pela aplicação de radio-
frequência pulsada, e, pela estimulação elé-
trica de nervo periférico, medular, cerebral 
profunda e de cortiça cerebral. São mais 
seguros e se associam com menores taxas 
de complicações. Na maioria das vezes, o 
método não ablativo depende de soluções 
tecnológicas mais recentes e agregadas a 
um maior valor financeiro.
O QUE É UM NEUROESTIMULADOR 
MEDULAR? E QUAIS SÃO SUAS 
INDICAÇÕES? 
O neuroestimulador medular, tecnica-
mente, é o gerador de pulsos elétricos, im-
plantado no subcutâneo, que alimenta, por 
intermédio de cabos, eletrodos implantados 
em contato com a face externa da dura-
-máter que cobre a face posterior da medu-
la espinal. A estimulação elétrica da medula 
espinhal (EEME) consiste na inserção desses 
eletrodos referidos no espaço epidural pos-
terior da coluna torácica ou cervical ipsilate-
ral à dor (se unilateral) no nível medular 
correspondente ao dermátomo acometido 
para evocar a topograficamente sensações 
de parestesia na mesma região. 
Classificada como método não ablativo, 
a estimulação neural elétrica invasiva é uma 
das mais importantes técnicas utilizadas para 
a obtenção de analgesia, não destrutiva, 
cujos eventuais efeitos colaterais, podem ser 
abolidos por redução ou suspensão da esti-
mulação. Sua eficácia está diretamente rela-
cionada com a seleção dos doentes, dos 
materiais empregados, e das técnicas adotadas. 
O método é empregado para controlar a dor 
crônica intratável principalmente de origem 
neuropática e oferece alternativa importante 
às cirurgias ablativas ou ao uso de sistemas 
implantáveis de liberação intratecal de fár-
macos analgésicos. A simplicidade, a melho-
ra das baterias, a progressiva miniaturização, 
e a possibilidade de opções diversas de esti-
mulação, trouxeram maior conforto e eficá-
cia à neuroestimulação13-16. 
A teoria da comporta foi inicialmente o 
alicerce científico da EEME; no entanto, pes-
quisas posteriores excluíram este mecanismo 
de ação analgésica, fortalecendo o envolvi-
mento da EEME em mudanças de concen-
trações nos neurotransmissores inibitórios e 
modulatórios na porção posterior da subs-
tância cinzenta medular, além de mobiliza-
ção das vias ascendentes da coluna posterior 
até os centros encefálicos inibidores de dor. 
Há também efeitos descritos de controle da 
alodínea (dor a partir de estímulos sabida-
mente não dolorosos), efeitos contra a is-
quemia por melhora da perfusão arterial 
(tanto periférica como cardíaca) e efeitos em 
doenças que se relacionam ao sistema ner-
voso neurovegetativo como a síndrome 
complexa dolorosa regional (SCDR). O bom 
efeito analgésico parece relacionado com a 
integridade da coluna dorsal ascendente da 
medula, mas não da inervação periférica. 
As recentes revisões sistemáticas e os es-
tudos com casuísticas próprias, classificam a 
estimulação elétrica como de evidência cien-
tífica classe II. A maioria desses estudos ver-
sou sobre as duas indicações mais numero-
sas para a EEME, a síndrome do insucesso 
da cirurgia espinal, conhecida no Brasil como 
síndrome dolorosa pós-laminectomia (SDPL) 
e SCDR, sendo observada melhora significa-
tiva na capacidade funcional e nas medidas 
de qualidade de vida. A análise de seguran-
ça mostrou disfunções relacionadas com a 
migração (13,2%) ou quebra de eletródios 
(9,1%). Complicações clínicas foram raras e 
sem gravidade, geralmente resolvidas com 
Tratamento da dor – Parte 2
100 perguntas chave em Dor 75
remoção dos materiais implantados. A taxa 
geral de infecção foi de 3,4%.
O efeito da EEME também foi estudado 
em vários outros diagnósticos; no entanto, 
todos os relatórios, quando não contraditó-
rios, são de classe IV, evitando assim conclu-
sões definitivas. A EEME é o método de neu-
romodulação mais estudado na atualidade e 
o que apresenta evidências mais relevantes de 
ensaios clínicos comparativos na literatura.
O QUE DEVO SABER ABSORÇÃO 
DE MEDICAMENTOS?
A via de administração oral, quando o 
medicamento permite, é mais fácil, econô-
mica e segura; requer cooperação do pa-
ciente. A absorção por esta via é retardada; 
comprimidos e cápsulas sofrem processos de 
desintegração e dissolução antes da absorção. 
A VI é segura; indicada para fármacos com 
estreita margem de segurança, quando se de-
seja efeito imediato. Nesta via não há absor-
ção e estão proibidas soluções oleosas e inso-
lúveis. A via intramuscular, absorção variável, 
permite veículos oleosos e volumes moderá-
veis. A via enteral subcutânea não apresenta 
absorção lenta, comporta pequenos volumes 
e não permite soluções irritantes17,18. 
Aspecto importante na escolha da via de 
administração (exceto a intravenosa) é a bio-
disponibilidade sistêmica, definida pela 
quantidade do fármaco administrado que 
alcança a circulação sistêmica na forma in-
tacta e pelo tempo que dura esse processo. 
A biodisponibilidade para a morfina VO é de 
24%, a de codeína é 50%, a de metadona 
90% e a de naloxona 2%.
QUAIS OS PRINCIPAIS EFEITOS 
COLATERAIS DOS OPIOIDES NOS 
SISTEMAS CARDIOVASCULAR, 
PULMONAR E GASTROINTESTINAL?
Os efeitos são diversos e de origem mul-
tifatorial: idade, doenças prévias, variabilidade 
no desenvolvimento de tolerância, dose e 
estrutura química, etc19.
A broncoconstrição, mais observada com a 
morfina, devido em parte ao efeito liberador 
de histamina do mastócito pulmonar. O efeito 
é revertido pela naloxona, antihistamínicos H1, 
broncodilatadores e corticosteroides.
A morfina induz hipertensão postural (va-
sodilatação venosa e arteriolar) e inibição do 
reflexo barorreceptor. Precaução com poli-
traumatizados ou disfunção cardíaca. Morfina 
e opioides devem ser usados criteriosamente 
em pacientes com pressão intra-craniana, (PIC) 
elevada, pois causam depressão respiratória, 
retenção de CO2, vasodilatação cerebral e 
aumento maior da PIC. 
Na depressão respiratória, manter o pa-
ciente desperto, estimulando-o a respirar, 
pois a tolerância é reversível. A dor é um 
analéptico respiratório, e a administração de 
O2 pode causar apneia. Quando necessário, 
usar agonista-antagonista como a nalbufrina. 
Em geral é rara para doses habituais de mor-
fina e na ausência de disfunção pulmonar, 
entretanto pode ser potenciada por álcool ou 
benzodiazepínicos. Intubação, ventilação e 
desmame posterior podem ser necessárias.
Náusea e vômito são eventos comuns no 
início do tratamento, dose pedendentes e de 
rápida tolerância. A deambulação após uso 
de hidromorfona aumenta o aparecimento 
do quadro. O tratamento consiste na admi-
nistração de naloxona, benzodiazepínicos 
(hipnóticos-sedativos), antiserotímicos, ani-
tihistamínicos (prometazina), etc, especial-
mente em eventos pós-deambulação. Man-
ter o paciente em posição recumbente por 
algum tempo após o opioide.
A constipação é comum com o emprego 
prolongadode opioides. Descreve-se a sín-
drome do intestino narcótico (vômito, cons-
tipação, obstrução abdominal e funcional do 
cólon). O tratamento é à base de metilnal-
trexona (com reversão da analgesia) e de 
outros medicamentos, tais como catárticos 
(hidróxido de magnésio, sulfato de magnésio), 
J.O. de Oliveira, et al.
76 100 perguntas chave em Dor
supositório de glicerina, enema, óleo mineral 
de uso controlado. É dose dependente e não 
desenvolve tolerância.
Os opioides têm ação constritora e au-
mentam o tônus do ducto biliar e do esfínc-
ter de Oddi (cólica biliar, aumento da pres-
são nos vasos biliares e aumento do nível 
plasmático da amilase e da lipase). Reco-
menda-se cuidado no tratamento da dor em 
pacientes com pancreatite e ou insuficiência 
hepática. Nestas condições tenta-se o blo-
queio do neuro-eixo. A naloxona pode re-
verter o efeito opioide sobre o trato biliar. 
Extase gástrica pode manifestar-se por redu-
ção da motricidade do estômago, prolonga-
mento do tempo de esvaziamento, sensação de 
plenitude epigrástrica, esofagite, soluço e ano-
rexia. Estes efeitos surgem mesmo com peque-
nas doses de morfina. A sondagem intestinal é 
dificultada. Sugere-se a rotação de opioides.
Xerostomia, devido ao efeito autonômico 
da morfina e similares pode ocorrer causan-
do cárie dentária, lesões gengivais, halitose, 
dificuldade de deglutição e dicção. Saliva 
artificial, alimentação fracionada, ingesta de 
água auxiliam. Evitar antissialogogos.
A retenção urinária, devido ao aumento 
do tônus do esfíncter e da musculatura da 
bexiga é comum após administração de 
opioide no neuroeixo. Inibe o reflexo de mic-
ção, causa tenesmo e urgência urinária. A 
condição é contornada pelo uso de cateter 
na via urinária. Há tolerância a estes efeitos.
QUAIS OS PRINCIPAIS EFEITOS 
COLATERAIS DOS OPIOIDES NO 
ÚTERO E SISTEMA NERVOSO 
CENTRAL?
Útero: os opioides cruzam a barreira pla-
centária. A morfina até 4h antes do parto 
provoca depressão respiratória no recém-
-nascido. O emprego cuidadoso de nalbufina 
e naloxona pode reverter esse efeito.
O prurido é efeito colateral desagradável 
dos opioides, principalmente no neuroeixo, 
corno dorsal da medula espinhal (CDME), VI. 
Alguns liberam histamina (o que não ocorre 
com fármacos sintéticos, como o fentanil), 
via receptor histamínico H1 em mastócitos, 
principalmente das regiões da face e pesco-
ço. Esse prurido pode ser revertido por na-
loxona e AINEs. 
Sedação ocorre por redução dos movimen-
tos voluntários, acalmia e moderação da exci-
tação; pode tornar-se inconveniente e persis-
tente. O tratamento consiste na redução da 
dose do opioide ou usar o metilfenidato. Rigi-
dez, mioclonia e convulsão podem ocorrer por 
uso crônico de opioides ou após administração 
VI rápida. Pacientes epilépticos, com limiar 
convulsivo baixo são mais sensíveis. Altas do-
ses de morfina (2 mg/kg) infundidas a veloci-
dade de 10 mg/min e outros opioides podem 
causar rigidez muscular abdominal e redução 
da complacência torácica. Doses menores 
provocam sensação de tensão muscular (pes-
coço, pernas e tórax). A mioclonia pode asse-
melhar-se a convulsões sem evidências no ele-
troencefalograma (EEG). O evento é mais 
comum em pacientes com déficits cognitivos 
e distúrbios neuropsiquiátricos submetidos a 
altas doses de opioides (fentanil). O opioide 
atuaria em receptores de interneurônios cor-
ticais gabaérgicos bloqueando a liberação de 
GABA. O tratamento pode ser feito com 
naloxona e fármacos que facilitam a ativida-
de gabaérgica (clonazepan, tiopental).
Distúrbios cognitivos: delirium pode ser 
acompanhado de distúrbios do sono, altera-
ções do nível de consciência e perturbações 
psicomotoras. Outros efeitos incluem eufo-
ria. Rotação de opioide e correção de dose 
podem resolver. 
COMO ENTENDER HIPERALGESIA, 
TOLERÂNCIA E DEPENDÊNCIA À 
MORFINA?
Hiperalgesia à morfina: condição de hi-
perexcitabilidade que inclui espasmos mus-
culares e abdominais, abalos simétricos nos 
Tratamento da dor – Parte 2
100 perguntas chave em Dor 77
membros inferiores (MMII), alodinia mecâni-
ca em todo o corpo, hiperalgesia em todo o 
corpo e dolorimento intenso da pele e mús-
culos. Chamada dor paradoxal ou síndrome 
dolorosa insuportável. Caso ocorra, substi-
tuir a morfina.
Tolerância: necessidade de doses crescen-
tes para obtenção do mesmo efeito farma-
cológico. O processo pode ser reversível e ter 
duração variável. Prevenção pode ser obtida 
por: administração de agonista opioide + anta-
gonista não competitivo do receptor N-metil-D-
-aspartato (NMDA), cetamina; substituição da 
morfina pelo opioide antagonista do receptor 
NMDA (metadona); infusão do agonista (mor-
fina) + antagonista opioide em baixa concen-
tração ou rotação sequencial de opiodes18,19. 
Dependência: conjunto de alterações na 
homeostase devido ao uso crônico de opio-
ide; cuja interrupção muda o ajuste das fun-
ções orgânicas. A síndrome de abstinência 
pode instalar-se, seja pela suspensão ou por 
administração de antagonistas. A retirada 
gradual do opioide, em cerca de 30% da 
dose diária ou substituição por opioide de 
ação prolongada, tipo metadona, pode con-
tornar o problema. Dependência psíquica 
(adição) caracteriza-se pelo desejo ardente, 
busca e uso compulsivo da droga. Traz sérios 
prejuízos à sociedade e exige serviço médico 
especializado para o tratamento18,19.
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	Tratamento da dor – Parte 2
	J.O. de Oliveira Jr, F. Peixoto Minson e L. Biela do Vale
	Dor, saúde mental e sono
	A.A. Henriques, J.J. Sardá Jr., C. Frange e M. Levy Andersen
	Capítulo 10
	Dor neuropática
	O.J.M. Nascimento, M. Jacobsen Teixeira e D. Campos Kraychete 
	Capítulo 9
	Dor musculoesquelética
	P.R.N.A.G. Stump, L. Tchia Yeng, J. Melo de Santana, L.H. Jales Neto, R. Kobayashi e R. Galhardoni
	Capítulo 8
	Dor na criança, na mulher
e no idoso
	T.R. Mariotto Zakka, S.M. de Macedo Barbosa, A. Menêses Santos 
e F.C. dos Santos
	Capítulo 7
	Dor aguda em traumatismos
e após cirurgias
	I.P. Posso, R.M. Romanek e R. Awade
	Capítulo 6
	Cefaleia e dor orofacial
	J.G. Speciali, N.R.P. Fleming, E. Grossmann e S.R. Dowgan Tesseroli de Siqueira
	Capítulo 5
	Câncer e dor
	J.B. Garcia, M. Guimarães de Melo Cardoso, D. Ciampi e M.J. Teixeira
	Capítulo 4
	Avaliação e tratamento da dor – Parte 1
	O. Alves Neto, J. Vall e D. Campos Kraychete
	Capítulo 3
	Enfim, o que é dor e quais 
são seus mecanismos? 
	Capítulo 2
	Apresentação
	Capítulo 1

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