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Guia de Lombalgia Crônica 02 DIRETORIA 2023 Presidente João Antônio Matheus Guimaraes (RJ) 1 Vice-Presidente Fernando Baldy dos Reis (SP) 2 Vice-Presidente Paulo Lobo Junior (DF) Secretário-geral Alexandre Fogaça Cristante (SP) 1 Secretário Paulo Silva (GO) 2 Secretário Tiago de Morais Gomes (CE) 1 Tesoureiro João Baptista Gomes dos Santos (SP) 2 Tesoureiro André Kuhn (RS) Diretor de Comunicação e Marketing Francisco Carlos Salles Nogueira (MG) Diretor de Regionais Jamil Faissal Soni (PR) Diretor de Comitês Miguel Akkari (SP) Comitê de Dor SBOT 2023-2024 Presidente André Wan Wen Tsai Vice-Presidente José Eduardo Nogueira Forni 1 Secretário André Cicone Liggieri 2 Secretário Ibrahim Afrânio Willi Liu 1 Tesoureiro Márcio Fim 2 Tesoureiro Sérgio Mendonça Melo Júnior Diretor Científico Rosana Fontana APOIO INSTITUCIONAL “A SBOT e a ABDOR agradecem ao inestimável apoio de seu parceiro para a viabilização desta obra e declara inexistência de conflitos de interesse e/ou interferência na elaboração do conteúdo”. CORPO EDITORIAL Amir Salomão Gebrin CRM-SP 93.825| RQE 26.406 – Mestre em Neurociências pela USP (Universidade de São Paulo), Membro SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), SBC (Sociedade Brasileira de Coluna), SBED (Sociedade Brasileira de Estudos da Dor), ABDOR (Sociedade Brasileira de Dor Ortopédica), INS (Interna- tional Neuromodulation Society). Área de Atuação em Dor AMB (Associação Médica Brasileira). Gilberto Yoshinobu Nakama CRM-SP 104857 | RQE 97.448 – Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Associação Médica Brasileira. Especialista em Medicina Esportiva pela Associação Médica Brasileira. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Membro do Comitê de Dor da SBOT (ABDOR). Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ). Mestre e Doutor pela Universidade Federal de São Paulo. Rosana Fontana CRM-RS 21.723 | RQE 16.658 | RQE 38.579 – Médica Ortopedista e Traumatologista com área de atuação em dor. Membro da Plural Clínica da Dor em Novo Hamburgo-RS. Diretora do Comitê de Dor da SBOT (2023-2024). Diretora da SBRET. Tomás Mosaner de Souza Moraes CRM-SP 108.365 | RQE 10.849 Médico Ortopedista e Traumatologista pela Faculdade de Medicina da USP, com atuação em dor pela Associação Médica Brasileira (AMB). Especialista em Medicina do Esporte. Pós-graduado em acupuntura e termografia e especialização em medicina regenerativa e metabolismo. Membro do Comitê de Dor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e diretor geral da Orthoregen, Pós-Graduação em Medicina Regenerativa e Dor. Thiago Setti CRM-SC 17.599 | RQE-SC 12.606 | TEOT 14.483 – Residência Médica em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Marieta Konder Bornhausen, Itajaí/ SC. Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Subespecialização em cirurgia da Coluna Vertebral pelo Núcleo Especializado em Ortopedia, Chapeco/SC. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Formação em Medicina Intervencionista da Dor pela Clínica Singular, Campinas/SP. Formação em medicina regenerativa Orthoregen, Indaiatuba/SP. Pós Graduação em Dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo/SP. Fellow of Interventional Pain Practice pela World Institute of Pain (FIPP/WIP). Certificação pela American Bord of Regenerative Medicine (ABRM) Coordenador da pós graduação em dor orthoregen (PAINREGEN). Projeto gráfico e diagramação Alexandre Figueira de Almeida Coordenação Fernanda Sodré Revisão Laura Arrienti EDITORA contato@alefdesign.com.br 11 96859-2642 Prezado colega, Com o objetivo de promover o estudo da dor, o Co- mitê de Dor da SBOT, juntamente com a própria SBOT, inicia este projeto de livretos divulgando informações práticas, atualizadas e relevantes aos temas específicos. Desta maneira, esperamos ajudá-los a compreender, diagnosticar e tratar cada vez melhor nossos pacientes portadores das mais diversas condições dolorosas. Desejamos a todos uma excelente leitura. Diretoria da ABDOR 2023-24 APRESENTAÇÃO SUMÁRIO Lombalgia crônica Amir Salomão Gebrin Semiologia da coluna lombar Gilberto Yoshinobu Nakama Tratamento clínico Tomás Mosaner de Souza Moraes Tratamento cirúrgico: abordagens terapêuticas avançadas para lombalgia crônica Thiago Setti 8 13 24 33 8 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 9 Lombalgia crônica Amir Salomão Gebrin Definição Dor é o principal motivo de procura médica, onde lombalgia e cefaleia são as mais prevalentes1,2. Lombalgia refere-se a toda dor posterior abaixo das costelas e acima da prega glútea incluindo, portanto, a região lombar e as nádegas (Figura 1)3,4. A dor lombar persistente por mais de três meses (com ou sem irradiação para membros inferiores) é definida como lom- balgia crônica3,5. Figura 1. Definição da área anatômica da lombalgia Classificação Há muitas classificações de lombalgia crônica6,7, mas a mais racional divide a etiologia da dor lombar crônica em específica (fratura, inflamação, infecção tumor, compressão nervosa etc) e não específica (~85%), onde a dor axial é doença sem cau- sa anatomopatológica definida (Figura 2a)8,9,10,11 Outra forma de classificação, muito usada, é em pela intensidade da dor: leve, moderada e severa ou incapacitante (Figura 2b)12,13 Lombalgias Crônicas • Específicas (~15%): fratura, inflamação, infecção, tumor, compressão nervosa • Não Específicas (~85%): sem causa definida Lombalgia crônica Leve, sem limitações Lombalgia crônica Moderada, com limitações difuncionais Lombalgia crônica Severa / Incapacitante Figura 2. Classificação das lombalgias crônicas pela etiologia (a) e pela intensidade (b). Epidemiologia Apesar da lombalgia aguda ser bastante comum (80% dos adultos já sentiram dor lombar), entre 5-10% evoluem para lom- balgia crônica14,15, das quais 1/3 é moderada ou incapacitante16. 10 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 11 A lombalgia crônica é mais prevalente em mulheres, aumenta com a idade (três a quatro vezes mais após os 50 anos)13 e é mais prevalente quanto menor nível sócio-cultural17 É a princi- pal causa de anos vividos com incapacidade e de afastamento profissional hoje no mundo18,19. História Natural O conceito biopsicossocial prevalece na expectativa de evolu- ção da dor lombar crônica. Diferenças entre países, sociocultu- rais ou de personalidade levam a manifestações bem distintas em casos muito semelhantes20,21,22. Deve-se evitar a cronificação da dor lombar, pois mesmo com os mais diversos tratamentos existentes há uma grande por- centagem de insucesso no controle lombalgia crônica23. Fatores de Risco: Toda dor crônica começou como aguda24. Assim, há neces- sidade tanto em controlar a crise aguda de lombalgia quanto identificar fatores de risco de cronificação25,26,27. Os escores de suscetibilidade variam na literatura, mas dor intensa, depressão, fragilidade social e distúrbios de sono são indicadores constantes no surgimento da lombalgia crônica. Estes fatores devem ser identificados precocemente e tratados, antes mesmo da busca por etiologia específica28,29. Ortopedistas são os primeiros médicos procurados no Brasil para o tratamento de dores crônicas, e por isso é tão impor- tante educação continuada direcionada a esta especialidade30. Fatores de Risco de Cronificação da Lombalgia • Dor Intensa • Distúrbios de Sono • Suporte Sociocultural Desfavorável • Psiquismo Alterado: depressão, raiva, ansiedade, catastrofismo e estresse Referências bibliográficas 1. 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Semiologia da coluna lombar Gilberto Yoshinobu Nakama Introdução A lombalgia inespecífica crônica é uma dor lombar com uma etiologia de difícil identificação e duração maior que 12 sema- nas, sem sinais de uma patologia grave (como síndrome da cau- da equina, câncer ou infecção), radiculopatia, estenose lombar ou outra doença específica acometendo a coluna lombar (como a fratura ou espondilite anquilosante)8. Para a elaboração da hipótese diagnóstica da dor lombar, a semiologia é realizada sequencialmente através da observação clínica, do exame físico e da análise de exames complementares (a serem solicitados, se necessário), figura 1. Observação clínica Exame físico Exames complementares Figura 1. Sequência semiológica da investigação da dor lombar 14 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 15 Observação clínica A observação clínica envolve a identificação do paciente, anamnese, interrogatório dos diversos aparelhos, e anteceden- tes pessoais e familiares2,3. Na identificação do paciente é importante se atentar à da- dos como idade e profissão. Pacientes com idade avançada tendem a possuir patologias degenerativas ou tumorais. Pro- fissões com atividade física intensa possuem risco aumentado de dor lombar. Na anamnese obtemos informações sobre as características da dor como localização, tipo (pontada, queimação), irradia- ção, fenômenos concomitantes, fatores de piora e melhora, horário de aparecimento, contexto de início (associado à trau- ma ou não) e duração. A dor irradiada para o membro inferior sugere comprometimento radicular, geralmente acometendo o dermátomo correspondente, frequentemente associada à déficit sensitivo ou motor. Fenômenos concomitantes como disfunção vesical e intestinal necessitam de investigação ime- diata para exclusão da síndrome da cauda equina. Pacientes com dor da articulação zigapofisária (articulação entre faceta articular superior e inferior de vértebras adjacentes) podem apresentar piora da dor com a extensão da coluna lombar e melhora da dor ao se sentar em assentos firmes, enquanto que a dor indiferente aos movimentos pode estar relaciona- da à patologias viscerais (cálculo renal, aneurisma de aorta). A dor noturna que não cede deve ser investigada por exemplo para tumores e infecção. Pacientes com quadro clínico atípi- co ou dramatização da dor devem ser investigados para dor psicossomática. Também devemos arguir sobre fatores que podem contribuir para o desencadeamento e cronificação da dor como hábitos posturais, tabagismo, atividade física, hu- mor (ansiedade/depressão), qualidade do sono e questões laborais. No interrogatório dos diversos aparelhos, sintomas como fe- bre e perda de peso não intencional auxiliam no diagnóstico de tumores e processos infecciosos. Em antecedentes pessoais e familiares, o histórico de osteo- porose favorece o diagnóstico de fratura, assim como o históri- co de cirurgia para hérnia discal pode auxiliar no diagnóstico de uma recidiva da hérniadiscal ou fibrose cicatricial. Exame físico O exame físico é composto pela inspeção, palpação, movi- mentos ativos, exame neurológico e testes especiais. Na inspeção podem ser observados a marcha do paciente, a presença de cicatriz por cirurgia prévia da coluna, e alterações no alinhamento frontal ou sagital por processos dolorosos da coluna. Na palpação deve se procurar por pontos dolorosos nos pro- cessos espinhosos e na musculatura. Em pacientes com síndro- me miofascial, a palpação de um ponto-gatilho localizado em uma banda muscular tensa causa dor referida. Através dos movimentos ativos do paciente observa se a fle- xão, extensão, inclinação lateral e rotação da coluna lombar. No exame neurológico faz se a avaliação da sensibilidade, da motricidade e dos reflexos. Testes especiais são realizados para investigar dores de ori- gem radicular ou sacroilíaca. Na dor de origem radicular, um dos testes realizados é o Teste de elevação do membro inferior que reproduz os sintomas relatados pelo paciente ao se ele- var passivamente o membro inferior com extensão do joelho em uma angulação de 35 a 70 graus de flexão do quadril com o paciente na posição supina (Figura 2). No teste de Patrick ou FABERE provoca se a dor na sacroilíaca, com o paciente na po- sição supina, através de uma pressão na crista ilíaca ipsilateral 16 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 17 à sacroilíaca a ser testada, simultaneamente à uma pressão no membro inferior contralateral que se encontra com flexão dos joelhos e quadril, abdução e rotação externa do quadril, de modo que o pé contralateral se encontra apoiado sobre o joelho ipsilateral (Figura 3). Figura 2. Teste de elevação do membro inferior Figura 3. Teste de Patrick ou FABERE EXAMES COMPLEMENTARES 18 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 19 A maioria das diretrizes internacionais recomenda que exa- mes complementares como ressonância magnética ou tomo- grafia computadorizada sejam indicados para pacientes que apresentam red flags, ou quando há consideração de um pro- cedimento invasivo, ou quando o exame complementar pode resultar em uma mudança de tratamento. A maioria das dire- trizes internacionais não recomenda exames de imagem de ro- tina, pois a dissociação clínico-radiológica é frequente e pode levar a diagnósticos incorretos, tratamentos desnecessários e cronificação da dor8. A eletroneuromiografia não é um exame de rotina a ser utili- zado, e está bem indicado em pacientes com sinais e sintomas neurológicos em um membro sem um estudo de imagem que justifique o quadro do paciente9. Processo de elaboração da hipótese diagnóstica Durante a avaliação do paciente com dor lombar, é impor- tante investigar sinais de alarme (red flags) que podem identifi- car patologias graves que necessitam de tratamento específico com brevidade, como infecção, câncer, fratura, síndrome da cauda equina ou lesão medular (Tabela 1)2,4,6. Assim que patologias identificáveis pelos red flags são afasta- das, devemos excluir patologias específicas como a espondilite anquilosante ou patologias que potencialmente podem neces- sitar de intervenção cirúrgica como radiculopatia, hérnia discal lombar sintomática ou estenose lombar (Tabela 2)5,7,10. A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória que comumente acomete pacientes jovens e se apresenta como lombalgia crônica associada à rigidez matinal. Além de exames de imagem, testes sanguíneos como a detecção do antígeno leucocitário humano B27 (HLA-B27) podem ajudar no diagnós- tico desta patologia. Red flag Patologia Parestesia em sela Síndrome da cauda equina ou lesão medular Distúrbio neurológico progressivo Síndrome da cauda equina ou lesão medular Disfunção esfincteriana Síndrome da cauda equina ou lesão medular Histórico de câncer Câncer Perda ponderal sem motivo aparente Câncer ou infecção Dor > 1 mês, mesmo com tratamento adequado Câncer Dor que não cede com repouso Câncer ou infecção Tabagismo Câncer Idade > 50 anos Câncer e/ou fratura História de trauma Fratura Osteoporose ou osteopenia Fratura Uso sistêmico de esteróides Fratura ou infecção Febre Infecção ou câncer Imunossupressão Infecção Exposição à tuberculose Infecção Uso intravascular de drogas ilícitas Infecção Diabetes Mellitus Infecção Histórico de infecção (ex: HIV, infecção do trato urinário) Infecção Tabela 1. Patologias associadas aos red flags na lombalgia. 20 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 21 Etiologia Sintomas e exame físico Exames de imagem Outros exames Radiculopatia Sintomas e sinais neurológi- cos progressi- vos, incluindo dor neuropática irradiada Tomografia com- putadorizada ou ressonância nuclear mag- nética Eletroneuromio- grafia Hérnia discal lombar sinto- mática Lombalgia com dor em membro inferior na área correspondente à raiz nervosa. Teste de eleva- ção do membro inferior. Dor radicular por mais de 1 mês Tomografia com- putadorizada ou ressonância nuclear mag- nética Eletroneuromio- grafi a Estenose lombar Paciente idoso, que pode apresentar dor à extensão da coluna lombar e alívio com a flexão e ao sentar Tomografia com- putadorizada ou ressonância nuclear mag- nética Espondilite anquilosante Paciente jovem, rigidez matinal, melhora com atividade física, e dor noturna Radiografia ou tomografia com- putadorizada HLA-B27, VHS, PCR Tabela 2. Diagnóstico diferencial da lombalgia não específica. Antígeno leucocitário humano B27 (HLA-B27), velocidade de hemossedimentação das hemácias (VHS), proteína C reativa (PCR) A radiculopatia é uma afecção nervosa tipicamente unilate- ral, comumente causada por uma compressão por herniação discal, ou estreitamento foraminal degenerativo, mas também pode ser causada por infecção, inflamação ou tumor, podendo se manifestar como dor neuropática irradiada, alterações de sensibilidade, reflexo e motricidade9. A dor do paciente com estenose lombar possui uma apre- sentação insidiosa. Comumente apresentam dor lombar difusa associada à adormecimento das pernas que ocorre após mar- cha na posição ereta ou extensão da coluna lombar, sendo que estes sintomas melhoram em repouso, na posição sentada e com a flexão da coluna lombar após 5 a 20 minutos. Estes sin- tomas de claudicação neurogênica, são diferenciados dos sin- tomas da claudicação vascular que também se manifestam na deambulação, costumam estar associados com cãibra e dor na panturrilha, mas melhoram na posição ereta após 1 a 3 minutos de interrupção da marcha2,7. A lombalgia inespecífica é um sintoma que não somos capa- zes identificar a etiologia de um modo confiável, porém a causa pode vir do disco intervertebral, articulação facetária, articula- ção sacroilíaca e de partes moles (Tabela 3)1,7,8. A dor discogênica é uma dor causada por uma lesão interna do disco vertebral sem herniação. Na histologia desta lesão é possível encontrar a formação de um tecido de granulação vas- cularizado com extensa inervação. A dor da articulação zigapofisária (dor facetária, síndrome fa- cetária) provém da articulação formada pelas facetas dos pro- cessos articulares superior e inferior das vértebras adjacentes. A dor desta articulação pode ser decorrente de lesões repetitivas e degeneração articular. Pacientes com artrose facetária apresen- tam uma dor que pode piorar com a extensão da coluna lombar. A dor da articulação sacroilíaca pode ser causada por dege- neração articular, doença inflamatória e infecção. 22 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 23 Sintomas e exame físico Exame complementar Disco vertebral Dificuldade para per- manecer sentado Ressonância nuclear magnética ou disco- grafia Articulação zigapofisária Dor à extensão da coluna lombar Radiografia, tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética ou infiltração diagnóstica Articulação sacroilíaca Dor à palpação Teste de Patrick(Fabere) Radiografia, tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética ou infiltração diagnóstica Partes moles (ligamen- tos e músculos) Dor à palpação Tabela 3. Possíveis origens da dor lombar não específica As dores derivadas de partes moles como ligamentos e mús- culos podem ser decorrentes de desequilíbrio muscular, fra- queza muscular ou contratura muscular. Em resumo, para o diagnóstico e tratamento adequado da lombalgia crônica, é essencial que o médico realize uma anam- nese completa, um exame físico detalhado e, se necessário, exames complementares. Isso pode ajudar a identificar a cau- sa da dor lombar e orientar o tratamento mais adequado para cada paciente. Referências bibliográficas 1. Balagué F, Mannion AF, Pellisé F, Cedraschi C. Non-specific low back pain. Lancet. 2012 Feb 4;379(9814):482-91. doi: 10.1016/S0140-6736(11)60610-7. Epub 2011 Oct 6. PMID: 21982256. 2. Barros Filho TEP de, Lech O, Cristante AF. Exame físico em ortopedia. 2017 ;[citado 2023 mar. 13 3. 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Zylbersztejn, Sérgio; Spinelli, Leandro de Freitas; Rodrigues, Nilson Rodinei; Werlang, Pablo Mariotti; Kisaki, Yorito; Rios, Aldemar Roberto Mieres; Bello, Cesar Dall Estenose degenerativa da coluna lombar Rev. bras. ortop. 47 (3) - 2012 https://doi.org/10.1590/S0102-36162012000300002 24 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 25 Tratamento clínico Tomás Mosaner de Souza Moraes Introdução O manejo da dor lombar varia de paciente para paciente, pois nem todos as pessoas respondem à mesma abordagem de tratamento e, geralmente, nenhuma intervenção única é com- pletamente eficaz para todos os pacientes. A dor, de qualquer natureza, é constituída pelo componente físico, psíquico, social e espiritual. Desta forma, os cuidados utilizados incluem trata- mentos farmacológicos, psicológicos, físicos e de reabilitação, bem como abordagens de medicina complementar e procedi- mentos percutâneos minimamente invasivos1. O cuidado dos pacientes crônicos envolve a elucidação diag- nóstica, afastando o comprometimento das estruturas ósseas, articulares, nervosas e ligamentares locais, bem como as pato- logias sistêmicas que comprometem o segmento lombar. É fundamental que o médico não reforce os sintomas de inca- pacidade e de sofrimento do paciente. O objetivo nessa fase é a recuperação progressiva da capacidade funcional2. As diretrizes clínicas para o tratamento da dor lombar crônica avançaram para o modelo biopsicossocial, que pode fornecer aos médicos alguns insights sobre abordagens adicionais que devem ser considerados para seus pacientes (Figura 1)3,4,5. A considerar que o fenômeno da dor lombar crônica repercute em vários contextos do indivíduo e do ambiente, o gerencia- mento destes contextos pode ser mais eficaz do que focar so- mente em reduzir a intensidade da dor. Figura 1. Modelo Biopsicossocial A seguir, estão listados os tratamentos possíveis e recomen- dados, de acordo com a literatura. Tratamentos farmacológicos Os tratamentos farmacológicos são ferramentas úteis, porém devem ser considerados como adjuvantes no tratamento da dor lombar crônica e não como abordagem principal. 26 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 27 Analgésicos simples Em relação à dor lombar crônica o Paracetamol, nas doses de até 4 g/dia é ligeiramente inferior aos AINEs para alívio da dor6. Os benefícios do paracetamol incluem perfil de segurança fa- vorável, respeitando a dose de 4g/dia, bem como baixo custo9. AINEs Os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) também são usa- dos para dor lombar aguda e crônica. Tanto os AINEs não se- letivos e seletivos para COX-2 demonstraram ser superiores ao placebo, sem diferença clara na eficácia entre os AINEs7,8. O uso de AINEs é advertido em relação aos efeitos colaterais sistêmicos renais, cardiovasculares e gastrointestinais, e recomenda-se o uso da menor dose efetiva pelo menor tempo possível7,9. Relaxantes musculares Os relaxantes musculares demonstraram ser eficazes para dor lombar aguda, porém o seu papel no tratamento da dor lombar crônica está incerto. Há algumas evidências que de- monstram que seu uso em comparação com o controle não mostrou nenhum benefício para melhora da dor, incapacidade e aceitabilidade. Os principais efeitos colaterais associados ao uso de relaxantes musculares são a sedação do sistema nervo- so central (SNC) e o risco de quedas6. Opióides Tramadol e opióides mais potentes devem ser considerados criteriosamente e apenas para dor grave e incapacitante que não pode ser controlada com as opções acima mencionadas9. A prescrição racional desses medicamentos é de suma importân- cia, devendo ser usados por um período de tempo limitado com reavaliação frequente da eficácia analgésica, melhora da função, efeitos adversos e comportamento aberrante9. Cuidado adicio- nal deve ser tomado em pacientes com risco de dependência ou comportamento aberrante (história pessoal ou familiar de dependência, comorbidade psicológica mal controlada, história de abuso sexual, jovenspara o tratamento da dor lombar11,6,9. Os ADTs funcio- nam exercendo analgesia principalmente por meio da inibição da recaptação de serotonina e norepinefrina, bloqueio do canal de sódio e antagonismo de receptores NMDA6. Os efeitos colaterais comumente exibidos incluem boca seca/prisão de ventre (ação anticolinérgica) e tontura/sonolência (ação anti-histamínica). Além disso, os inibidores da recaptação de serotonina e no- repinefrina (IRSNs) também são utilizados no tratamento farma- cológico da dor lombar crônica6. A eficácia foi estabelecida para duloxetina e venlafaxina, sendo a primeira melhor tolerada6. Os IRSNs funcionam exercendo analgesia por meio da inibição da recaptação de serotonina e norepinefrina atuando no sistema inibitório descendente da dor. Os efeitos colaterais mais co- muns incluem boca seca, náusea autolimitada, tontura, dor de cabeça e insônia. Por fim, o tratamento farmacológico da lombalgia inclui antie- pilépticos. Embora a gabapentina tenha demonstrado eficácia 28 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 29 analgésica para lombalgia crônica com radiculopatia9, apenas o topiramato foi estudado para lombalgia crônica axial com evi- dência de analgesia e melhora da qualidade de vida12. O topira- mato tem como efeito colateral vantajoso a perda de peso, mas também está associado a tontura, sonolência e mais raramente nefrolitíase12. Intervenções psicológicas têm sido estudadas para dor lom- bar crônica. Tipos de tratamentos psicológicos incluem terapia cognitivo-comportamental (TCC), relaxamento progressivo e biofeedback. A TCC é uma abordagem que tem como objetivo combater pensamentos desadaptativos e desenvolver estraté- gias de enfrentamento para mudar o comportamento e melho- rar o humor. As evidências apontam para melhora a curto prazo na intensidade da dor e incapacidade6. Além disso, o relaxamento progressivo consiste na técnica de redução da tensão muscular por meio de flexão sistemática e relaxamento de músculos específicos, com o objetivo de al- cançar um relaxamento profundo9. Isso proporciona melhora a curto prazo na dor e na função. Em terceiro lugar, o Biofeedback é uma abordagem de re- laxamento que utiliza feedback auditivo e visual da atividade muscular para reduzir a tensão muscular. No entanto, estu- dos mostram dados variados para redução da intensidade da dor13. As evidências de estudos randomizados mostram que a prescrição de repouso é prejudicial para lombalgia inespecífica, tanto aguda como crônica15,16. No entanto, se a dor for muito intensa e o repouso propiciar alívio temporário da dor, é reco- mendável permanecer na posição de semi-Fowler, deitado em decúbito dorsal, com os joelhos e quadris levemente fletidos2. O paciente deve ser orientado a evitar as posições que au- mentem as pressões intradiscais lombares. Assim, os movimen- tos torcionais e de flexão anterior devem ser evitados2. Os tratamentos físicos e de reabilitação são métodos para au- mentar a funcionalidade e o controle da dor e podem ser utiliza- dos juntamente com outros métodos. A terapia por exercícios é definida como uma série de movimentos específicos com o objetivo de treinar o corpo para promover uma boa saúde físi- ca11,9. A atividade ou o exercício terapêutico não devem causar desconforto ou dor, exceto aquele produzido pelo alongamen- to ou estiramento muscular2. A redução a curto prazo da intensidade da dor e da incapa- cidade foi demonstrada na lombalgia crônica quando compa- rada aos cuidados habituais6. Dentro desse tipo de terapia, os exercícios de alongamento são os mais associados à redução da dor, enquanto o fortalecimento proporciona maiores ganhos funcionais. Programas multidisciplinares de reabilitação funcio- nal também têm sido eficazes para alívio da dor, diminuição da incapacidade e melhora do humor14. Há evidências científicas moderadas sugerindo que as escolas de coluna, quando realizadas no ambiente de trabalho, reduzem a dor, melhoram a função e aceleram o retorno ao trabalho, tan- to no seguimento de curto como no de longo prazo2,17. Outras modalidades de fisioterapia ou reabilitação requerem mais pesquisa e avaliação antes da implementação, pois ca- recem de suporte de estudos, entre elas estão: uso de órtese lombar para suporte, massagem, tração, aplicação superficial de calor ou frio e estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS). A acupuntura é um tipo de intervenção que utiliza pontos anatômicos específicos ao longo dos meridianos clássicos, ge- ralmente com o uso de pequenas agulhas que são manipuladas ou estimuladas eletricamente para obter efeito. Meta-análise de ensaios clínicos randomizados com foco na dor lombar crô- nica revelou intensidade de dor reduzida e função melhorada imediatamente após a intervenção em comparação com place- bo, AINEs ou relaxantes musculares6. 30 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 31 Com relação ao tratamento osteopático ou quiroprático, que consiste em manipulação da coluna vertebral com o objetivo de restaurar o alinhamento da coluna vertebral e melhorar a am- plitude de movimento, uma meta-análise demonstrou que sua eficácia é igual aos cuidados do clínico geral, analgésicos, fisio- terapia e terapia de exercícios6. Por fim, a melhora da qualidade do sono é uma questão de suma importância. O paciente deve ser orientado em relação à higiene do sono. Com relação ao colchão, colchões de firmeza média parecem reduzir os níveis de dor durante o dia, a noite e ao levantar da cama em relação ao colchão firme9. Concluindo, o principal objetivo do tratamento da lombalgia crônica é o retorno ao trabalho e às atividades usuais. A abor- dagem multidisciplinar e multisegmentar com a associação das diversas opções terapêuticas para promover o alívio sintomáti- co da dor podem facilitar esse processo2. Referências bibliográficas: 1. Urits, Ivan, et al. “Low back pain, a comprehensive review: pathophysiology, diagnosis, and treatment.” Current pain and headache reports 23 (2019): 1-10. 2. Alves Neto O, Costa CMC, Siqueira JTT, Teixeira MJ, Dor: princípios e prática, São Paulo, Artmed, 2009: 571-574. 3. Tagliaferri, Scott D., et al. “Domains of chronic low back pain and assessing treatment effectiveness: a clinical perspective.” Pain Practice 20.2 (2020): 211-225. 4. Meacham K, Shepherd A, Mohapatra DP, Haroutounian S. Neuropathic pain: central vs. peripheral mechanisms. Curr Pain Headache Rep. 2017;21:28. 5. Hashmi JA, Baliki MN, Huang L, et al. 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PhD, DO§; Waddell, Gordon DSc, MD, FRCS∥.Clinical Guidelines for the Management of Low Back Pain in Primary Care: An International Comparison. Spine 26(22):p 2504-2513, November 15, 2001. 16. Gil, João António Neves, Jan Cabri, and Pedro Lopes Ferreira. “Efectividade dos cuidados de fisioterapia em doentes ambulatórios com problemas lombares não específicos.” Revista Portuguesa de Saúde Pública 8 (2009): 35-50. 17. Heymans, M. W., et al. “Back schools for nonspecific low back pain: a systematic review within the framework of the Cochrane Collaboration Back Review Group.” Spine 30.19 (2005): 2153-2163.Tabela 1. Evidência das várias terapias usadas para tratamento da lombalgia aguda e crônica. 32 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 33 18. Robert Buynak, Douglas Y Shapiro, Akiko Okamoto, Ilse Van Hove, Christine Rauschkolb, Achim Steup, Bernd Lange, Claudia Lange & Mila Etropolski (2010) Efficacy and safety of tapentadol extended relea- se for the management of chronic low back pain: results of a prospective, randomized, double-blind, placebo- and active-controlled Phase III study, Expert Opinion on Pharmacotherapy,11:11, 1787-1804, DOI: 10.1517/14656566.2010.497720 Tratamento cirúrgico: abordagens terapêuticas avançadas para lombalgia crônica Thiago Setti Introdução A lombalgia crônica, caracterizada por dor persistente na re- gião lombar, é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. Embora a maioria dos casos de lombalgia possa ser tratada com terapias conservadoras, como medicamentos e fisioterapia, alguns pacientes não obtêm alívio adequado e podem necessitar de abordagens terapêuticas avançadas. Este capítulo aborda técnicas de intervenção em dor, medicina rege- nerativa e tratamento cirúrgico da lombalgia crônica1. Técnicas de Intervenção em Dor Antes de considerar a cirurgia, pode ser benéfico explorar técnicas de intervenção em dor. Estas técnicas têm como ob- jetivo controlar a dor e melhorar a funcionalidade do paciente. Algumas das técnicas de intervenção em dor incluem2: 34 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 35 1. Injeções epidurais de corticosteroides: a injeção de corticos- teroides no espaço epidural pode reduzir a inflamação e ali- viar a dor causada pela compressão das raízes nervosas. 2. Bloqueios de nervos facetários: a injeção de anestésicos lo- cais e corticosteroides nas articulações facetárias pode aju- dar a aliviar a dor causada por artrite facetária ou outras con- dições. 3. Radiofrequência ablativa: a aplicação de energia de radiofre- quência para aquecer e destruir tecido nervoso específico pode interromper a transmissão de sinais de dor. 4. Estimulação da medula espinhal: a implantação de um dispo- sitivo que emite impulsos elétricos leves na medula espinhal pode ajudar a bloquear a percepção da dor. Técnicas de Medicina Regenerativa A medicina regenerativa visa tratar as causas subjacentes da lombalgia crônica, promovendo a cura e a regeneração de teci- dos danificados. Algumas das técnicas de medicina regenerati- va incluem3: 1. Terapia com células-tronco: a injeção de células-tronco me- senquimais, obtidas do tecido adiposo do paciente ou da medula óssea, pode ter efeitos anti-inflamatórios, imunomo- duladores e regenerativos, contribuindo para a reparação de tecidos danificados na coluna vertebral. 2. Plasma rico em plaquetas (PRP): a injeção de uma concen- tração de plaquetas do próprio paciente, obtida a partir do sangue, pode promover a cicatrização e a regeneração de te- cidos, graças às proteínas e fatores de crescimento presentes nas plaquetas. 3. Terapia de proloterapia: a injeção de uma solução irritante (geralmente uma solução de dextrose) nos tecidos danifica- dos pode estimular a resposta inflamatória do corpo e pro- mover a cura e a regeneração de ligamentos, tendões e ar- ticulações. Indicações para tratamento cirúrgico4 1. A cirurgia deve ser considerada quando O paciente apre- senta dor lombar refratária às terapias conservadoras, in- tervenção em dor e medicina regenerativa por pelo menos seis meses. 2. Existe evidência radiológica de anormalidades estruturais causadoras de dor, como hérnia de disco, estenose espinhal ou espondilolistese. 3. A dor é claramente localizada e pode ser atribuída a uma es- trutura específica. 4. A incapacidade funcional é significativa, e a qualidade de vida do paciente é seriamente comprometida. Procedimentos cirúrgicos Existem várias opções cirúrgicas para o tratamento da lom- balgia crônica, dependendo da causa subjacente. Algumas das opções mais comuns incluem5: 1. Discectomia: remoção parcial ou total de um disco interverte- bral herniado ou degenerado, para aliviar a pressão sobre as raízes nervosas adjacentes. 2. Laminectomia: remoção da lâmina de uma ou mais vértebras para alargar o canal espinhal e aliviar a compressão das raí- zes nervosas. 3. Foraminotomia: alargamento do forame intervertebral para liberar a pressão sobre as raízes nervosas. 4. Artrodese (fusão espinhal): imobilização de duas ou mais vér- tebras adjacentes através de enxertos ósseos e dispositivos de fixação, como parafusos e hastes, para estabilizar a coluna e reduzir a dor. 36 | Guia de Lombalgia Crônica Guia de Lombalgia Crônica | 37 Técnicas cirúrgicas A escolha da técnica cirúrgica dependerá da causa subjacen- te da lombalgia, bem como da experiência e preferência do ci- rurgião. As técnicas incluem6: 1. Cirurgia aberta: abordagem tradicional que envolve a exposi- ção direta da coluna vertebral através de uma incisão maior na pele e músculos. 2. Cirurgia minimamente invasiva: abordagem que utiliza inci- sões menores e técnicas especiais, como endoscopia ou mi- crodiscectomia, para minimizar danos aos tecidos circundan- tes e acelerar a recuperação. 3. Cirurgia assistida por robótica: uma abordagem em que o cirurgião utiliza um sistema robótico para realizar o procedi- mento com maior precisão e controle. Cuidados pós-operatórios Após a cirurgia, os pacientes geralmente são monitorados no hospital por um curto período de tempo para garantir que não ocorram complicações e para controlar a dor. A fisioterapia e a reabilitação são componentes essenciais do cuidado pós-ope- ratório, visando restaurar a função e a mobilidade da coluna vertebral. Os pacientes devem seguir as instruções do médico e do fisioterapeuta e participar ativamente do programa de reabi- litação para maximizar os resultados cirúrgicos7. Conclusão O manejo da lombalgia crônica requer uma abordagem multi- disciplinar, envolvendo a colaboração de médicos, fisioterapeu- tas, psicólogos e outros profissionais de saúde. As técnicas de intervenção em dor e medicina regenerativa devem ser explo- radas antes de considerar a cirurgia, pois podem oferecer alívio e melhorar a funcionalidade do paciente sem a necessidade de uma intervenção mais invasiva. No entanto, em casos refratá- rios a essas abordagens, a cirurgia pode ser a melhor opção para tratar a lombalgia crônica e melhorar a qualidade de vida do paciente. A escolha do procedimento e da técnica cirúrgica dependerá da causa subjacente da lombalgia, bem como da avaliação e experiência do cirurgião. O tratamento cirúrgico deve ser cuida- dosamente planejado e adaptado às necessidades individuais do paciente. Os cuidados pós-operatórios, incluindo a fisioterapia e a rea- bilitação, são fundamentais para garantir a recuperação bem- -sucedida do paciente e a restauração da função e mobilidade da coluna vertebral. A adesão do paciente ao programa de rea- bilitação e acooperação com a equipe médica são essenciais para alcançar os melhores resultados possíveis8. Em última análise, o objetivo do tratamento é reduzir a dor, melhorar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente e, sempre que possível, evitar a necessidade de intervenções cirúrgicas mais invasivas. Ao considerar todas as opções tera- pêuticas disponíveis e trabalhar em conjunto com o paciente e a equipe multidisciplinar de profissionais de saúde, os médicos podem desenvolver um plano de tratamento abrangente e efi- caz para abordar a lombalgia crônica. Referências bibliográficas 1. Hartvigsen, J., Hancock, M. J., Kongsted, A., Louw, Q., Ferreira, M. L., Genevay, S., ... & Koes, B. W. (2018). What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet, 391(10137), 2356-2367. 2. Manchikanti, L., & Hirsch, J. A. (2016). Interventional Pain Management: Principles and Practice. Ameri- can Society of Interventional Pain Physicians. 3. Centeno, C., & Freeman, M. (2020). Regenerative Medicine for Spine and Joint Pain. Regenexx, LLC. 4. Deyo, R. A., Mirza, S. K., & Martin, B. I. (2006). Back pain prevalence and visit rates: Estimates from US national surveys, 2002. Spine, 31(23), 2724-2727. 38 | Guia de Lombalgia Crônica 5. Weinstein, J. N., Lurie, J. D., Tosteson, T. D., Skinner, J. S., Hanscom, B., Tosteson, A. N., ... & Abdu, W. A. (2006). Surgical vs nonoperative treatment for lumbar disk herniation: the Spine Patient Outcomes Research Trial (SPORT) observational cohort. Jama, 296(20), 2451-2459. 6. Phan, K., & Mobbs, R. J. (2015). Minimally invasive versus open laminectomy for lumbar stenosis: a systematic review and meta-analysis. The Spine Journal, 15(2), 302-314. 7. Archer, K. R., Coronado, R. A., Haug, C. M., Vanston, S. W., Devin, C. J., Fonnesbeck, C. J., & Aaronson, O. S. (2016). A comparative effectiveness trial of postoperative management for lumbar spine surgery: changing behavior through physical therapy (CBPT) study protocol. BMC musculoskeletal disorders, 17(1), 1-11. 8. Maher, C., Underwood, M., & Buchbinder, R. (2017). Non-specific low back pain. The Lancet, 389(10070), 736-747. EDITORA