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1 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
 
 
 
 
Princípios da farmacologia 
É o estudo interdisciplinar (depende da química, genética, 
biologia celular e molecular, fisiologia, botânica) dos efeitos 
das substâncias químicas sobre a função dos sistemas 
biológicos. Seu objeto de estudo são os fármacos, que 
promovem modificações no nosso sistema fisiológico. 
Conceitos importantes: 
• Droga: qualquer substância que produz uma 
mudança nos processos biológicos através de suas 
ações químicas (interage espacialmente com 
estruturas nas nossas células, os receptores, 
conseguindo mudar o funcionamento das células, 
tecidos e organismo como um todo); 
• Fármaco: é qualquer substância que produz uma 
mudança nos processos biológicos através de suas 
ações químicas e que possui finalidade profilática, 
curativa, paliativa ou diagnóstica (contraste usado 
em exames de imagem e dipiridamol usado em 
teste de esforço com cintilografia. O dipiridamol é 
um vasodilatador das coronárias, que tem mais 
efeito em indivíduos saudáveis. Esse fármaco não 
pode ser usado em casos de pacientes com 
angina por isquemia coronariana, provocando 
síndrome do roubo coronariano); 
• Medicamento: é qualquer substância, ou 
associação de substâncias, que produz uma 
mudança nos processos biológicos através de suas 
ações químicas e que possui finalidade profilática, 
curativa, paliativa ou diagnóstica. Possui formulação 
farmacêutica; 
• Forma farmacêutica: é a apresentação final do 
medicamento (comprimido, pomada, xarope, etc...); 
• Efeito placebo: é o efeito psicológico, 
psicofisiológico ou fisiológico de qualquer 
medicamento que não é devido a sua atividade 
farmacológica. É medido em ensaios clínicos duplo- 
 
 
 
 
 
 
 
 
cegos controlados. As explicações para esse efeito 
são o fato de a doença ser autolimitada e sugestão 
(se pessoa acredita muito que vai 
acontecer)/efeito comportamental; 
• Efeito nocebo: ocorre quando os pacientes 
conhecem os efeitos adversos de um 
fármaco e desenvolvem essas condições. 
 
A farmacologia apresenta duas áreas principais: 
Farmacocinética: as propriedades farmacocinéticas 
determinam a movimentação da droga (fármaco) no 
organismo: a absorção, a distribuição, a biotransformação 
e a eliminação das substâncias. Essas propriedades auxiliam 
em diversas escolhas: da dose, da via de administração, do 
intervalo entre as doses, etc. Está relacionada às ações do 
corpo sobre a droga. Janela terapêutica é a janela entre a 
concentração mínima e a concentração máxima tolerável 
do fármaco. 
Farmacodinâmica: as propriedades farmacodinâmicas 
determinam o grupo no qual a substância é classificada e 
quando este grupo é apropriado para o tratamento de 
determinado sintoma ou doença. Está relacionada às ações 
da droga sobre o corpo. 
Toxicologia: é o ramo da farmacologia que lida com os 
efeitos indesejáveis dos produtos químicos nos sistemas 
vivos. 
 
2 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
DESENVOLVIMENTO E DESCOBERTA DOS FÁRMACOS 
1. Estudos in vitro obtém, através de produtos 
biológicos ou de síntese clínica, um composto 
líder; 
2. Por meio de testes em animais são avaliados a 
eficácia (se funciona ou não), a seletividade e o 
mecanismo (farmacodinâmica) desse composto; 
3. Após a fase de testes em animais, esse composto 
é classificado como IND (“investigational new drug”) 
e passa para os testes clínicos em humanos; 
4. Na fase 1 dos testes clínicos em humanos, utiliza-
se o fármaco em pacientes refratários e avalia-se 
a segurança e a farmacocinética. Na fase 2 é 
avaliado se o fármaco funciona nos pacientes e na 
fase 3 são feitos testes duplo-cegos (analisando 
metabolismo do fármaco e sua segurança); 
5. Após os testes clínicos em humanos, o fármaco é 
classificado como NDA (“new drug application”) e 
passa para a fase de comercialização; 
6. Na fase de comercialização continua ocorrendo a 
vigilância para observação de possíveis efeitos não 
vistos antes. 
 
 
 
TIPOS DE FÁRMACOS COMERCIALIZADOS 
• Referência (ou de marca): é o produto inovador, 
cuja eficácia, segurança e qualidade foram 
comprovadas através de estudos clínicos por 
ocasião do registro. Exemplo: Aspirina (Bayer); 
• Genérico: é um remédio idêntico ao fármaco de 
referência sem nome comercial. Para obter o 
registro junto à ANVISA, precisa apresentar testes 
de bioequivalência. Exemplo: Ácido acetilsalicílico 
(EMS); 
• Similar: contém o mesmo princípio ativo, a mesma 
concentração, forma farmacêutica, via de 
administração, posologia e indicação terapêutica 
do fármaco de referência, podendo diferir 
somente em características relativas ao tamanho 
e forma do produto, prazo de validade, 
embalagem, rotulagem, excipientes e veículo. Até 
2003*, a ANVISA não exigia a apresentação dos 
testes de bioequivalência para registrá-lo. Possui 
nome comercial. Exemplo: AAS (Sanofi-Aventis); 
• Diferenças de eficácia entre os tipos podem 
ocorrer, entre outros motivos, por falhas no 
controle de qualidade, a ideia é que fossem iguais. 
Classificação de fármacos 
Sistemas diferentes são mais ou menos úteis para cada 
tipo de profissional envolvido: clínicos, pesquisadores, 
profissionais da indústria, profissionais da vigilância 
sanitária/epidemiológica, etc. Não existe um sistema 
perfeito (ao mesmo tempo simples e livre de 
ambiguidades, infalível.). Existem vários sistemas de 
classificação (devido, em parte, às diferentes necessidades, 
mas também devido às dificuldades inerentes à tarefa): 
• Quanto à origem; 
• Quanto ao modo de ação; 
• Quanto à natureza da enfermidade em que são 
utilizados; 
• Quanto à estrutura química. 
ORIGEM 
• Naturais: 
o Inorgânicos: enxofre, iodo, fosfato, cálcio, 
magnésio, carbonato de lítio; 
 
3 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Animais: hormônios (insulina porcina), óleo 
de fígado de peixe, vitaminas A e E, 
alguns corticoides; 
o Vegetais: alcaloides, glicosídeos 
cardiotônicos, algumas drogas 
anticancerígenas como o taxol. São o 
grupo mais numeroso; 
o Digoxina: usada para tratar insuficiência 
cardíaca. Inibe bomba de sódio e potássio. 
+ Na intracelular = + Ca = + força de 
contração; 
• Sintéticos: fornecem análogos sintéticos, 
eventualmente melhorados ou simplificados, cuja 
produção não depende de fornecimentos 
botânicos ou animais, algo imprevisível; 
• Intermediários: produtos da fermentação e outros 
(p. ex., vitaminas, antibióticos, aminoácidos) e os 
resultantes de engenharia genética (p. ex., insulina 
recombinante). 
MODO DE AÇÃO 
• Fármacos que tratam a causa de uma doença – 
fármacos etiológicos. São os medicamentos 
“verdadeiros”; 
• Fármacos que compensam a deficiência de uma 
substância. São os fármacos de substituição, como 
a insulina; 
• Fármacos que aliviam os sintomas da doença. São 
os fármacos sintomáticos. 
Etiológicos: Os fármacos etiológicos pertencem quase 
todos à classe dos agentes quimioterapêuticos, usados para 
tratar doenças infecciosas (agentes antibacterianos, 
antifúngicos e antivirais) e doenças provocadas por 
parasitas. Princípio de ação: toxicidade seletiva (destruição 
do invasor sem destruição do hospedeiro). Pertencem a 
este grupo substâncias usadas por pessoas saudáveis a 
título de quimioprevenção (vacinoterapia, aspirina para 
prevenir infartos cardíacos, vitaminas e antioxidantes contra 
doenças neurodegenerativas). Também podem ser 
considerados neste grupo agentes que alteram 
temporariamente um processo fisiológico (p. ex., 
contraceptivos esteroidais - ACO). 
Substituição: os fármacos de substituição tomam o lugar 
de uma substância em falta. A deficiência pode dever-se a 
dietas pobres (p. ex.: deficiências vitamínicas) ou a uma 
perturbação fisiológica (p. ex.: insulina na diabetes, 
estrogênios na menopausa). O tratamento de substituição 
pode ser temporário (p.ex.: reidratação intravenosa em 
casos de hemorragia ou diarreia) oupermanente (p. ex.: 
tratamento hormonal na doença de Addison). 
Sintomáticos: os tratamentos sintomáticos são utilizados 
para atenuar ou neutralizar perturbações resultantes de 
um estado patológico. Eliminam sintomas gerais (p. ex., 
febre, dor, insônias). A sua atividade pode ser dirigida para 
sistemas particulares (ex., cardiovascular, neuropsiquiátrico, 
respiratório, digestivo). Em regra, o tratamento sintomático 
não cura o doente – apenas torna a vida mais confortável 
e prolonga a vida. 
Deve-se notar que a distinção entre as várias classes é 
tênue – p. ex., os agentes anti-hipertensivos diminuem os 
sintomas associados à hipertensão arterial, mas também 
previnem contra complicações cardiovasculares associadas 
à hipertensão. 
NATUREZA 
A classificação 
fisiológica foi 
adotada pela 
Organização 
Mundial de 
Saúde em 1968. 
Classifica os 
fármacos pelo 
sistema do 
organismo 
sobre o qual 
atuam (p. ex., 
drogas que 
afetam o 
sistema 
nervoso central, o trato genitourinário, etc.). As 
enfermidades são classificadas de acordo com um 
esquema constante do Manual of the International Statistical 
Classification of Diseases (OMS, 1977). Há 17 categorias 
principais de fármacos e cada doença individual é 
representada por um número com 3 dígitos (ex., a cólera 
é a 001; a perturbações mentais encontram-se nas entradas 
295 a 299). 
ESTRUTURA QUÍMICA 
De interesse para os profissionais envolvidos em 
investigação farmacêutica. Permite uma triagem de 
 
4 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
fármacos análogos, derivados de um mesmo composto-
guia e facilita o estabelecimento de correlações estrutura-
atividade. 
CLASSIFICAÇÕES DE ORDEM PRÁTICA 
Um sistema de classificação de fármacos muito poderoso 
e útil é o Sistema ATC (Anatômico – Terapêutico – 
Químico). Divide os fármacos em 14 grupos, consoante o 
sistema sobre o qual atuam: A (alimentar), B (sangue e 
órgãos produtores de sangue, etc.). 
 
 
NA PRÁTICA 
O Padrão ATC (Anatomical Therapeutic Chemical Code 
ou Sistema de Classificação Anatômico Terapêutico 
Químico) é uma das classificações mais utilizadas 
internacional mente para classificar moléculas com ação 
terapêutica. É o padrão adotado pela OMS (Organização 
Mundial de Saúde), organizado de acordo com grupos 
terapêuticos. O código inclui o sistema do órgão em que 
atua, os efeitos farmacológicos, indicações terapêuticas e 
da estrutura química da droga. 
Estrutura da ATC (um exemplo): 
• A: Trato Alimentar e Metabolismo; 
o 1º nível: anatômico; 
• A10: Medicamentos utilizados no Diabetes; 
o 2º nível: subgrupo terapêutico; 
• A10B: Redutores da glicose sanguínea; 
o 3º nível: subgrupo farmacológico; 
• A10BA: Biguanidinas; 
o 4º nível: subgrupo químico; 
• A10BA02: Metformina; 
o 5º nível: substância química. 
OUTRAS CLASSIFICAÇÕES 
Uma alternativa mais simples é a que distingue entre 4 
classes principais de fármacos, como segue... Antevendo: é 
bem simples, os nomes podem causar um pouco de 
confusão, de utilidade bastante questionável 
 
 
 
 
O que é mais comum? De fato, é o uso de denominações 
mais ou menos abertas para agrupar fármacos no 
contexto da sua utilidade terapêutica, como segue: 
• Analgésicos são medicamentos empregados para 
aliviar a dor, sem causar a perda da consciência; 
• Antipirético, Antifebril ou Febrífugo são 
medicamentos utilizados para diminuir a 
temperatura corporal, aliviando os estados febris, 
que podem ser causados por inflamações, 
desidratações e moléstias infecciosas; 
• Anti-inflamatórios são medicamentos utilizados 
para amenizar sintomas como febre, dores e 
 
5 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
edemas decorrentes de uma agressão ao 
organismo; 
o A inflamação é uma resposta do nosso 
corpo a uma agressão sofrida. Ela faz 
parte da nossa resposta imune. Toda vez 
que alguma área do nosso organismo 
sofre uma agressão, existe um 
recrutamento das células de defesa para 
o local; 
o São as reações químicas deste processo 
que levam a inflamação, caracterizada na 
clínica pelos seguintes sinais e sintomas: 
calor, rubor, dor e inchaço (edema); 
o Apresentam 3 efeitos básicos: antipirético 
(diminui a febre), analgésico (reduz a dor) 
e anti-inflamatório; 
• Antigripais – tratamento sintomático da Gripe; 
o São combinações de vários 
medicamentos com ação analgésica, 
antipirética, descongestionante nasal, anti-
histamínica e antitussígena, que aliviam 
temporariamente os sintomas dos 
resfriados e gripes, enquanto o organismo 
combate a infecção; 
o Geralmente associados a: analgésicos, 
antipiréticos, anti-histamínicos, vitamina C 
e descongestionantes nasais.; 
o Ex: Coristina D, Apracur e Cheracap. 
CLASSIFICAÇÕES DAS SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS 
É tarefa difícil desenvolver um sistema de classificação para 
as milhares de drogas psicoativas. 
• Sistemas baseados na estrutura fracassaram, pois 
fármacos com estruturas semelhantes podem 
desenvolver efeitos diversos (e vice-versa).; 
• Esquemas de classificação com base em 
receptores cerebrais também, pois as drogas 
costumam agir em mais de um receptor; 
• Idem para sistemas baseados nos 
neurotransmissores afetados; 
• Podem ser divididos em ansiolíticos (barbitúricos e 
benzodiazepinas), agentes antipsicóticos, 
antidepressivos, estabilizadores de humor (sais de 
lítio e alguns anticonvulsionantes), analgésicos 
narcóticos (morfina, codeína), estimulantes 
psicomotores (cocaína, anfetamina, cafeína) e 
alucinógenos; 
• Fármacos de atuação primordial no SNC podem 
ser divididos em não-seletivos, que também 
afetam a musculatura esquelética, (excitantes 
gerais e depressores gerais) e seletivos (fármacos 
de uso médico, de uso não médico exclusivo e 
outros). 
 
 
 
 
6 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Conclui-se que a classificação dos fármacos é arbitrária, 
nenhum fármaco tem atividade biológica única. 
Comunidades diferentes têm necessidades de 
classificações diferentes (exemplo: química X médica). 
Farmacocinética 
As propriedades farmacocinéticas determinam a 
movimentação da droga (fármaco) no organismo: a 
absorção, a distribuição, a biotransformação e a eliminação 
das substâncias. Essas propriedades auxiliam em diversas 
escolhas: da dose, da via de administração, do intervalo 
entre as doses, etc. Está relacionada às ações do corpo 
sobre a droga. 
Processos farmacocinéticos: 
1. Absorção (entrada do 
fármaco no organismo); 
2. Distribuição (ex: droga 
altamente lipossolúvel deve ser 
administrada em maior dose 
em pacientes obesos); 
3. Biotransformação 
(metabolização é feita de 
maneira diferente por cada 
indivíduo); 
4. Eliminação (para 
excreção é preciso deixar a 
substância menos tóxica, tornando-a mais polar). 
Estudo da Translocação (previamente ao da absorção ou 
da eliminação). Processos que afetam a translocação: 
1. Movimento das substâncias através das barreiras 
celulares; 
2. Ligação dos fármacos às proteínas plasmáticas 
(que podem fazer com que moléculas não 
estejam livres para a translocação); 
3. Partição nos tecidos. 
Para que possam atuar, as substâncias precisam atingir uma 
concentração adequada nos tecidos-alvos. Os dois 
processos fundamentais que determinam a concentração 
de uma substância a qualquer momento e em qualquer 
região do corpo são: 
• Translocação das moléculas de fármaco (forma 
como as substâncias passam pelas membranas); 
• Translocação química (quando essas moléculas se 
transformaram). 
MOVIMENTO ATRAVÉS DAS MEMBRANAS CELULARES 
Para atravessar as barreiras celulares (por exemplo: 
mucosa gastrointestinal, túbulo renal, barreira 
hematoencefálica, placenta) é necessário que as 
substâncias atravessem membranas lipídicas. As 
substâncias atravessam as membranas lipídicas mais por 
transferência através de difusão passiva do que por 
transferência mediada por transportadores. 
TRANSLOCAÇÃO DAS MOLÉCULAS DOS FÁRMACOSManeiras de atravessar membranas lipídicas: difusão - é o 
mais comum- (lipídeios), difusão por meio de aquaporinas 
(proteínas especiais) e transportador (mecanismo de 
transporte de substâncias polares). 
TRANSFERÊNCIA ATRAVÉS DE DIFUSÃO PASSIVA 
• Principal fator: lipossolubilidade da molécula; 
• Fator menos importante: o peso molecular. 
 
O principal fator para transferência de moléculas por 
difusão passiva é a sua lipossolubilidade e, depois, seu peso 
molecular Ex: Quilomícrons carregam lipídios (ácidos 
graxos de cadeia longa) no meio aquoso. Ácidos Graxos de 
cadeia curta, por causa do menor peso molecular, 
atravessam diretamente a mucosa do TGI. 
 
7 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
DIFUSÃO ATRAVÉS DOS LIPÍDIOS 
Quando uma substância é altamente lipossolúvel (A) ela se 
dissolve muito na membrana celular, de tal forma que 
ocorre uma diferença de concentração entre o meio 
intramembranso e o meio intracelular (ΔCm), assim, a 
substância entra na célula, sofrendo rapidamente difusão. 
Por outro lado, quando a substância possui baixa 
lipossolubilidade ela não consegue essa diferença de 
concentração entre o meio intramembranoso e o 
intracelular, por isso ela demora mais para sofrer difusão. 
 
EFEITO DA IONIZAÇÃO ATRAVÉS DA ABSORÇÃO 
O estado de ionização de uma substância afeta a sua 
lipossolubilidade e, portanto, o transporte através das 
membranas celulares. Muitas substâncias são ácidos fracos 
ou bases fracas, cujo estado de ionização varia com o pH, 
de acordo com a equação de Handerson-Hasselbach (ela 
nos dá uma proporção entre a quantidade de moléculas 
no estado ionizado, que nos ácidos é a forma de sal 
conjugado e nas bases é a forma protonada). 
 
 
• Substâncias protonadas: se for ácido protonado, 
passa pela membrana por difusão facilitada (não é 
íon, é mais lipossolúvel); se for base protonada, 
não passa por difusão pela membrana (íon); 
• Partição molecular em compartimentos segundo 
pH: substâncias ácidas serão melhor absorvidas 
em ambientes ácidos, e substâncias básicas serão 
melhor absorvidas em ambientes básicos 
(alcalinos) Ex: O pH no estômago permite a 
absorção passiva de ácidos fracos, mas não tanto 
de bases fracas. O pH no intestino delgado permite 
a absorção passiva de bases fracas, mas não tanto 
de ácidos fracos. 
 
 
 
 
 
 
 
8 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
PARTIÇÃO MOLECULAR EM DIVERSOS COMPARTIMENTOS 
SEGUNDO O PH 
 
• Ácidos: quanto maior o pH, mais moléculas 
ionizadas, maior dificuldade de atravessar 
membranas = são mais eliminadas; 
• Bases: quanto menor o pH, mais moléculas 
ionizadas, maior dificuldade de atravessar 
membranas = são mais eliminadas. 
Exemplos: 
• Aspirina (ácido acetilsalicílico) = ácido fraco. No 
suco gástrico, pH ácido, a absorção é facilitada, 
pois o ácido encontra-se na forma “AH”, 
atravessando facilmente a membrana. No plasma, 
pH neutro, é possível calcular a diferença entre a 
quantidade de moléculas na forma “HA” e a 
quantidade de moléculas dissociadas (“A-”). Na 
urina, meio alcalino, ocorre a maior proporção de 
moléculas na forma ionizada (“A-”), as quais não 
conseguiram atravessar a membrana e serão 
eliminadas. 
• Petidina = base fraca. No suco gástrico, pH ácido, 
não ocorre significativa absorção da substância, 
porque ela se encontra principalmente na forma 
protonada (BH+), não conseguindo atravessar a 
membrana. Por outro lado, na urina, pH alcalino, 
ocorre a menor ionização da base, dessa forma, 
pouca quantidade de base protonada será 
eliminada. 
TRANSPORTE MEDIADO POR TRANSPORTADORES 
• Mecanismos especializados; 
• Em geral, através de proteínas especializadas; 
• Pode ser passivo, isto é, sem gasto de energia 
(difusão facilitada); 
• Pode ser ativo, usando o gradiente de Na+ e, 
indiretamente, consumindo energia; 
• É importante para substâncias quimicamente 
relacionadas a substâncias endógenas; 
• Principalmente nos seguintes locais: 
o O túbulo renal (recaptar aminoácidos); 
o O trato biliar (importante porque, em 
geral, acumulamos substâncias contra 
gradiente na bile); 
o A barreira hematoencefálica (BHE – há 
necessidade de nutrir o cérebro com 
açúcar, glicose e aminoácidos e algumas 
substâncias podem usar esses 
transportadores também); 
o O trato gastrointestinal (TGI – vou 
absorver nutrientes e algumas drogas vão 
usar os mesmos transportadores). 
 
TRANSPORTE POR ENDOCITOSE 
 
Pode ocorrer para transporte de fármacos/substâncias 
maiores 
LIGAÇÃO DOS FÁRMACOS ÀS PROTEÍNAS CELULARES 
 
 
9 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
A substância livre é a forma ativa da droga (se liga no 
receptor e promove a mudança no seu comportamento). 
O complexo tem importância farmacológica porque ele 
atua como reservatório da droga. 
• A principal proteína do plasma que é alvo de 
ligação de drogas é a albumina (tem função 
fundamental de manter o volume do líquido 
circulante no compartimento vascular). Várias 
drogas ácidas se ligam a ela: varfarina, anti-
inflamatórios não-esteroides (AINEs), sulfonamidas; 
• Outras proteínas, como a beta-globulina e a 
glicoproteína ácida ligam melhor drogas básicas: 
antidepressivos tricíclicos (ADT), clorpromazina. 
A concentração de uma droga aumenta de forma mais ou 
menos linear até a saturação do sítio de ligação. A partir 
desse momento, a ligação com característica de saturação 
resulta, em alguns casos, uma relação não linear entre a 
dose e a concentração da substância livre (ativa). 
 
Pode haver competição entre diferentes substâncias pelo 
mesmo sítio de ligação, levando a maior concentração de 
substância livre. Concentração da forma livre não aumenta 
de forma linear (por isso, as vezes doses de remédios tem 
que ser administradas de forma cuidadosa para evitar que 
fração livre suba demais). A extensa ligação a proteínas 
torna a eliminação da substância lenta 
(metabolismo/excreção por filtração glomerular). 
 
PARTIÇÃO TECIDUAL DOS FÁRMACOS 
• Lipossolubilidade favorece a sua ligação à 
gordura corporal; 
• Tropismo específico por algum tecido (ex: iodo 
radioativo – tropismo pela tireoide = tratamento 
de hipertireoidismo); 
• Substâncias que apresentam lipossolubilidade 
muito baixa, incluindo ácidos e bases fortes, 
geralmente sofrem pouca absorção pelo 
intestino, sendo assim, drogas candidatas a serem 
absorvidas por outras vias; 
o Ex 1: anestésico em pessoas obesas 
precisam de maior dose de ataque, 
recuperação anestésica é mais 
demorada; 
o Ex 2: substâncias psicoativas, como 
canabinoides, possuem tropismo pela 
gordura, podendo causar efeito pela 
liberação dessa substância do tecido 
adiposo a longo prazo. Pode ser 
detectada em testes até uma semana 
após seu uso. 
 
 
 
 
 
 
 
10 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
PROCESSAMENTO MOVIMENTO DOS FÁRMACOS 
 
 
• Via oral é mais cômoda/conveniente; 
• Forma intravenosa é a mais eficaz de administrar 
um fármaco porque não há perdas por outras vias 
e tem início de ação mais rápido; 
• Via oral e intravenosa são sistêmicas: o fármaco 
chega no sangue e é disponibilizado para todo o 
organismo; 
• Intramuscular é uma via de depósito e tem a 
vantagem de o uso do fármaco ser feito 
eventualmente, porém pode promover reação 
local, toxicidade local, lipodistrofia.; 
• Inalação tem absorção local, praticamente uma via 
tópica/localizada; 
• Uma fração do fármaco (livre) chega ao local de 
ação desejado e uma fração pode chegar 
também a locais não desejados, causando efeitos 
colaterais; 
• A natureza física (tamanho e peso molecular) e 
química (grau de ionização, polaridade...) dos 
fármacos determina a via de administração; 
• Absorção de um fármaco é influenciada pelo pH, 
pelo fluxo sanguíneo no local de absorção, pela 
área/superfície disponível para absorção, pelo 
tempo de contato com a superfície de absorção, 
pela expressão da glicoproteína-P. 
ABSORÇÃO 
• Quandoos fármacos penetram no corpo em 
locais distantes do tecido-alvo, devem ser 
transportados pela circulação para o local de ação 
indicado; 
• Para entrar na corrente sanguínea, um fármaco 
deve ser absorvido a partir do seu local de 
administração.; 
• É um fator determinante na escolha das vias de 
administração. 
 
Melhor com ácidos fracos e com bases fracas. 
Fatores que influenciam: 
1. Efeito do pH; 
2. Fluxo de sangue no local de absorção; 
3. Área ou superfície disponível para a absorção; 
4. Tempo de contato com a superfície de absorção; 
5. Expressão da glicoproteína-P. 
Glicoproteína - P: 
 
 
 
 
 
 
 
11 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
 
 
NATUREZA FÍSICA E QUÍMICA DOS FÁRMACOS 
Determina a via de administração. 
• Natureza química: íons inorgânicos, moléculas 
orgânicas não peptídicas, pequenos peptídeos e 
proteínas, ácidos nucleicos, lipídeos e carboidratos; 
• Tamanho e peso molecular; 
• Grau de ionização e a polaridade da molécula 
interferem na hidrossolubilidade e lipossolubilidade. 
 
BIODISPONIBILIDADE 
É fração da dose administrada de um fármaco capaz de 
alcançar a circulação sistêmica e potencialmente, e, então, 
exercer ação terapêutica. Ex 1: 100 moléculas via 
intravenosa = 100% de biodisponibilidade. Ex 2: 100 
moléculas via oral: algumas são degradadas no suco 
gástrico, outras se ligam ao alimento e saem no bolo fecal..., 
se apenas 50 moléculas chegam na circulação sistêmica = 
biodisponibilidade de 50%. 
• Por que é um parâmetro importante? É 
importante para saber efetivamente quanto das 
moléculas administradas vão chegar à circulação e 
para escolher a melhor via de administração; 
• Poque é interessante que fármacos de 
fornecedores diferentes tenham “bioequivalência”? 
Bioequivalência de fármacos de fornecedores 
diferentes inclui ter biodisponibilidade similar, a fim 
de que possam ser intercambiáveis (considera a 
janela biológica). 
A biodisponibilidade é 
calculada comparando as 
concentrações plasmáticas 
do fármaco via oral, por 
exemplo, em relação a via 
intravenosa (padrão-ouro), 
ou seja, quantidade 
ingerida e quantidade que 
chegou à circulação. Ela 
pode ser baixa devido à 
absorção incompleta ou ao 
metabolismo da substância 
antes de alcançar a circulação sistêmica. 
No exemplo, 4 
formas diferentes 
do medicamento 
acabaram levando 
a uma 
disponibilização de 
uma quantidade de 
moléculas muito 
diferente umas das 
outras. Isso pode 
gerar problemas, 
especialmente 
para fármacos com janela terapêutica muito estreita. A 
partir disso, houve uma tendência de padronização entre 
os medicamentos para gerar uma maior confiabilidade em 
relação ao tratamento prescrito. 
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 
Vias enterais: usam o trato 
gastrointestinal. 
• Via oral: a administração oral é 
definida pela deglutição do fármaco e 
sua absorção a partir do lúmen do 
sistema gastro-intestinal; 
o Quando o fármaco é administrado 
por via oral, ele pode passar pelo fígado 
antes de entrar na circulação sistêmica 
→ o fígado pode, então, transformar o 
fármaco em uma forma inativa antes dele 
chegar à circulação sistêmica. Esse efeito 
 
12 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
do fígado sobre a administração oral de 
um fármaco é conhecido como efeito de 
primeira passagem (ou metabolismo de 
primeira passagem); 
• Via sublingual: sofre absorção local, sem 
metabolismo de primeira passagem, menor dose 
do medicamento; 
• Via retal: sofre absorção pelos vasos mesentéricos 
inferiores, chegando na circulação sistêmica 
primeiro; 
Vias parenterais: estão ao lado das vias enterais; as vias 
parenterais evitam o efeito de primeira passagem; 
• Inalação: início rápido, disponibilização de fármaco 
através de ventilação; 
• Via transdérmica: disponibilização de fármaco 
através da pele, geralmente muito lenta, mas com 
ação prolongada do fármaco, de forma que o 
fármaco se difunda do reservatório para os tecidos 
subcutâneos; 
• Via subcutânea: requer volumes menores do que 
a intramuscular, mas pode ser dolorosa - Agulha 
entra inclinada para chegar abaixo da derme, mas 
acima da camada muscular; 
• Via intravenosa: início rápido com alta 
biodisponibilidade; 
• Via intramuscular: lenta, as vezes erradica, sem 
metabolismo de primeira passagem, pode 
requerer grandes volumes; 
o Agulha entra em 90° (no glúteo, 
quadrante súpero-lateral); 
o Pode haver complicações. 
 
 
 
 
 
 
13 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
 
 
COMPLICAÇÕES: VIA INTRAMUSCULAR 
• A.M.P.G., 30 anos, 
sexo feminino, 
chegou ao Pronto 
Socorro, com queixa 
de dor, febre, e saída 
de secreção 
purulenta em glúteo 
esquerdo. Refere ter 
recebido, neste local, 
uma ampola intramuscular de Voltaren® há cerca 
de um mês, tendo evoluído com intensa dor local, 
hiperemia, seguida de aparecimento de bolhas. Ao 
exame físico observava-se extensa área necrótica 
de 12 cm de diâmetro em nádega. Foi inicialmente 
submetida a desbridamento cirúrgico e após cinco 
dias foi realizado avanço de retalho de vizinhança 
e fechamento primário. Evoluiu bem, sem déficits 
motores. 
DISTRIBUIÇÃO 
• A maioria dos fármacos deve ir do local de 
administração para o tecido-alvo. Esse movimento 
do fármaco pelo corpo é chamado de distribuição; 
• Alguns fármacos circulam na corrente sanguínea 
ligados reversivelmente às proteínas plasmáticas 
(transporte ocorre de forma mais lenta): 
o Albumina: carreadora dos fármacos 
ácidos; 
o Glicoproteína ácida e beta-globulina: 
principais carreadoras dos fármacos 
básicos; 
• Para que um fármaco seja distribuído ele deve ser 
capaz de se deslocar através de barreiras (como 
as paredes dos capilares e as membranas 
celulares). 
 
A fase de distribuição é mais rápida, e a de eliminação é 
mais lenta 
BARREIRA PLACENTÁRIA 
 
Serve para evitar passagem de célula entre mãe e feto 
(mas macro e micronutrientes precisam passar). O 
 
14 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
problema é que ela não é seletiva, deixando o feto exposto 
a fármacos utilizados pela mãe. 
• Até a década de 60, acreditava-se que a barreira 
placentária era impermeável aos fármacos 
administrados à gestante; 
• A talidomida foi sintetizada em 1958 e tornou-se 
popular como sedativo prescrito para o combate 
do enjoo matinal associado à gravidez; 
o A talidomida é teratogênica, podendo 
provocar polidactilia (alteração numérica 
dos dedos), sindactilia (fusão dos dedos) e 
prejuízo no desenvolvimento dos ossos 
longos (fêmur e rádio) do feto. 
 
CÉLULAS ENDOTELIAIS NO FÍGADO E CAPILAR CEREBRAL 
• Células endoteliais no fígado: 
o Capilares fenestrados: grandes aberturas 
permitem ampla passagem do fármaco 
entre o sangue e o interstício hepático; 
• Capilar cerebral: existem junções estreitadas, 
alguns fármacos lipossolúveis e alguns mediados 
por transportadores são capazes de passar essa 
barreira, mas fármacos ionizados não. 
 
 
BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA 
• Doença de Parkinson: 
ocorre a diminuição da 
dopamina no SNC. No 
tratamento, a dopamina não 
pode ser administrada 
diretamente porque não 
atravessa a BHE, como 
alternativa é utilizada a L-
dopa (precursora da 
dopamina) capaz de chegar ao SNC, por meio de 
transportadores de aminoácidos, onde será 
convertida em dopamina pela enzima dopa-
descarboxilase. Para evitar que a l-dopa seja 
metabolizada antes de entrar nos neurônios, é 
administrado também um inibidor da enzima dopa-
descarboxilase periférica (carmidopa), o qual não 
consegue atravessar a BHE.; 
• Meningite: quando a meninge está inflamada e 
permeável, a BHE também sofre consequência 
desse processo inflamatório e torna-se mais 
permeável. Assim, medicamentos que 
normalmente não seriam úteis para tratar uma 
infecção no SNC, conseguem atravessar a BHE e 
tratar a infecção. 
Alguns antibióticos não 
conseguem atravessar a 
BHE, numa situação de 
normalidade,não 
conseguiriam tratar, por 
exemplo, uma meningite. 
Mas, na verdade, quando a 
meninge inflama, a BHE 
também fica inflamada, se 
tornando mais permeável e 
permitindo a passagem de 
medicamentos que não 
conseguiriam passar em um 
quadro normal. 
 
15 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
PRINCIPAIS COMPARTIMENTOS CORPORAIS 
 
Plasma, líquido intersticial, líquido intracelular, líquido 
transcelular e gordura (compartimento lipofílico). 
 
CONCEITOS 
VOLUME DE DISTRIBUIÇÃO 
É uma medida da maneira como 
ocorre a acumulação do fármaco no 
corpo. Pode ser expresso como a 
relação entre a quantidade de fármaco 
no corpo e a sua concentração no 
sangue. Volume de distribuição = 
quantidade do fármaco no 
corpo/concentração no sangue. 
• É um volume arbitrário (pode 
ultrapassar o volume corporal total) que 
aparece nas equações utilizadas pra 
descrever os modelos farmacocinéticos; 
• É uma medida da maneira como o fármaco se 
acumula no corpo; 
• Utilizado para saber se o fármaco é mais ou 
menos lipossolúvel; 
• Alto volume de distribuição = substâncias 
lipossolúveis; 
• Baixo volume de distribuição = substâncias 
hidrossolúveis; 
• Pode ser expresso como a relação entre a 
quantidade de fármaco no corpo (o total 
administrado) e a sua concentração no sangue 
(apenas substâncias solúveis, não leva em 
consideração a quantidade de fármaco alocado na 
gordura, por exemplo); 
• Ex 1: 5mg de fármaco em 5L do compartimento 
intravascular (1mg/L) tem volume de distribuição 
igual a 5L. Quando o volume de distribuição é igual 
ao volume plasmático quer dizer que o fármaco 
não se ligou a gordura (está 100% no plasma); 
o Ex 2: 5mg de fármaco, sendo 4mg na 
gordura e 1mg no sangue. A concentração 
do fármaco no sangue é de 1mg em 5L, 
ou seja, 0,2 mg/L. Portanto, o volume de 
distribuição é 5mg/0,2mg/L = 25L., isso 
significa que precisaria de 25L de plasma 
para conseguir a quantidade de droga 
presente no corpo (5mg) na 
concentração que a droga está no plasma 
(0,2mg/L); 
• Quando o volume de distribuição for maior que o 
volume plasmático significa que a droga ficou 
alocada em outros tecidos. 
 
 
 
 
16 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
DEPURAÇÃO (CLEARANCE) 
Medida da capacidade do organismo de eliminar o fármaco. 
 
• É a soma da metabolização e da eliminação; 
• É a velocidade que o fármaco deixa a 
concentração plasmática; 
• Quando o fármaco é administrado via oral, 
dependerá da constante e da meia-vida de 
absorção; 
• Vias de excreção: renal (principal), hepática, 
gastrintestinal e pulmonar; 
• Ácidos fracos são excretados mais rapidamente 
em urina alcalina, da mesma forma que bases 
fracas serão excretadas mais rapidamente em 
urina ácida (partição do pH). 
MEIA – VIDA 
Tempo necessário para que a concentração plasmática do 
fármaco seja reduzida à metade. Expressa a taxa de 
remoção do fármaco do organismo. 
BIOTRANSFORMAÇÃO 
• A biotransformação é um 
mecanismo metabólico usado para 
reduzir a atividade de compostos 
químicos exógenos e endógenos; 
• Mecanismo metabólico 
usado para reduzir a atividade de 
compostos químicos exógenos e 
endógenos, por meio da 
modificação da molécula; 
• Usada tanto para eliminar 
substâncias potencialmente tóxicas/ xenobióticas, 
quanto para transformar substâncias endógenas. 
• Os produtos da biotransformação são chamados 
de metabólitos; 
• Órgãos onde ocorre: 
o Fígado (principal); 
o Rins. 
• Efeito da concentração do fármaco na velocidade 
de sua biotransformação: 
o Eliminação de primeira ordem: velocidade 
de metabolização é proporcional a 
concentração do fármaco; 
o Metabolização de ordem zero/cinética de 
saturação: a concentração do fármaco é 
muito maior que o Km da enzima = 
saturação da enzima - velocidade de 
metabolização é a máxima possível. Obs: 
menor Km = maior afinidade. Fármacos 
de ordem zero, como etanol e ácido 
acetilsalicílico, tendem a se acumular e 
facilmente causam intoxicação; 
As reações químicas envolvidas no processo de 
biotransformação podem ser classificadas em dois grandes 
grupos: as reações de fase I e as reações de fase II. 
• As reações de fase I convertem a droga original 
em um metabólito mais polar para facilitar 
excreção ao introduzir um grupo funcional (- OH, 
-NH2, -SH). Se o metabólito de fase I for polar o 
suficiente, ele pode ser facilmente excretado. 
Envolvem oxidação, redução e hidrólise - maior 
reatividade química, mas normalmente menor 
atividade farmacológica.; 
o A maior parte 
das reações da fase 
I são promovidas 
pelas enzimas do 
sistema de 
citocromos P450 
(CYP). Cada família 
de citocromos vai 
realizar a metabolização de um 
tipo de fármaco, podendo, 
eventualmente, ter interações, 
por exemplo, uma droga 
interferir no metabolismo de 
outra. NADPH, a partir da via 
das pentoses, fornece elétrons 
que permitem a oxidação do 
substrato. ***Clínica: 
contribuição relativa de várias 
 
17 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
isoformas de citocromos P450 na 
biotransformação de fármacos. 
• Entretanto, muitos produtos de fase I não são 
rapidamente eliminados e sofrem uma reação 
subsequente (reação de fase II) em que um 
substrato endógeno se combina com o grupo 
funcional recém incorporado formando um 
conjugado altamente polar que pode ser 
facilmente eliminado. Ex: Glicuronidação. Enzima 
UDP-glicuronil transferase transfere glicuronil para 
UDP-α-glicuronídio, transformando-a em 
glicuronídio, que será conjugado à substância, 
tornando-a mais polar para ser excretada. 
 
Ex: CIP2E1 = citocromo que metaboliza o álcool e agentes 
anestésicos (enflurano e halotano) Pessoa que consome 
álcool regularmente induz a síntese do citocromo CIP2E1, 
hepatócito com aumento do retículo endoplasmatico onde 
esses citocromos estão expressados = indução do 
metabolismo pelo uso de etanol. Paciente alcoolista não é 
possível usar esses tipos de anestésicos adequadamente. 
Por causa da indução que o paciente provocou do CIP2E1, 
o organismo vai metabolizar os agentes anestésicos muito 
rápido e, por isso, não terão efeito. 
 
 
 
 
 
 
 
18 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
ELIMINAÇÃO 
• Além da dose, a velocidade de eliminação 
determina a duração da ação da maioria dos 
fármacos; 
• A eliminação resulta no desaparecimento do 
composto biologicamente ativo do corpo pelo 
metabolismo e excreção; 
• As principais vias das quais as substâncias e seus 
metabólitos são removidos do corpo são: 
o Renal (principal); 
o Hepática; 
o Gastro-intestinal; 
o Pulmonar; 
• A maioria das substâncias, exceto quando ligadas 
às proteínas plasmáticas, atravessam livremente o 
filtro glomerular; 
• Substâncias lipossolúveis são reabsorvidas por 
difusão passiva; 
• Algumas substâncias são excretadas na sua forma 
inalterada na urina, por exemplo: digoxina e 
furosemida; 
• Após as reações de fase I e II, o fármaco fica mais 
polar, sendo facilmente eliminado; 
• Ácidos são bem eliminados em urina alcalina – 
pode-se usar citrato de potássio para alcalinizar a 
urina; 
• Bases são bem eliminadas em urina ácida – pode-
se usar ácido ascórbico (vitamina C) ou fosfato de 
potássio para acidificar a urina Ex: Ser humano 
infectado por anfetamina (base fraca). Quando a 
urina é alcalina, a droga fica mais concentrada no 
plasma, porque não é eliminada e, 
consequentemente, a resposta psicológica 
permanece aumentada. Quando a urina é ácida, a 
excreção urinária é mais rápida, os níveis 
plasmáticos diminuem e a resposta psicológica é 
menor. 
 
 = já estão em 
estrutura molecular que permite sua excreção. 
EFEITO DA IONIZAÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO URINÁRIA 
• Ácidos são bem 
eliminados na urina 
alcalinizada (citrato de 
potássio pode ser 
usado para alcalinizar a 
urina.); 
• Bases são bem 
eliminadas com a 
acidificação da urina. 
(ácido ascórbico pode 
ser usado para acidificar a urina.).19 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
Quando fármaco passa pelas reações da fase 1 e fase 2, 
ele vai ficando cada vez mais polar; sendo polar ele acaba 
sendo excretado. 
 
MODELOS FARMACOCINÉTICOS 
MODELO DO COMPARTIMENTO ÚNICO 
• Toda a 
droga está no 
plasma (Vd = 
100%). Leva em 
consideração a 
absorção, a 
excreção e o 
metabolismo ao 
longo do tempo; 
• Absorção vai variando com tempo. 
 
Quanto maior a meia-vida de um fármaco, menor a 
velocidade que ele vai ser eliminado; 
Quando se 
aumenta o 
número de 
doses 
durante o dia, 
mantendo a 
dose total, 
ganha-se 
estabilidade, porque vai oscilar menos a concentração 
plasmática, assim, tem menos chance de sair da janela 
terapêutica. A situação ideal seria o gotejamento constante 
(o que está entrando é igual ao que está saindo). É melhor 
100 µmol 2x ao dia, do que 200 µmol 1x ao dia. A 
desvantagem é que é menos cômodo. 
Quanto 
maior a 
dose, 
mais alta 
vai ser a 
concentração plasmática na região de equilíbrio. 
Depois de 
4 ou 5 
meia-vidas 
de 
absorção 
é possível 
chegar a 
um estado de concentração plasmática estável (equivale a 
mais ou menos 2 ou 3 dias de tratamento). 
 
20 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
 
Efeito da absorção lenta de uma substância sobre sua 
concentração plasmática: quando o fármaco não é 
administrado via intravenosa, deve-se levar em 
consideração a meia-vida de absorção, por isso terá 
absorção mais lenta. Com a liberação prolongada, o efeito 
da medicação dura mais tempo. Ponto de equilíbrio: quanto 
maior a velocidade de infusão/dose, maior a concentração 
plasmática do fármaco no equilíbrio. 
MODELO DE 2 COMPARTIMENTOS 
• Fármacos mais 
lipossolúveis. 
• Constantes de 
distribuição e de 
redistribuição além 
do compartimento 
único (absorção, 
excreção e 
metabolismo); 
• Representa o processo de transferência entre o 
plasma e os tecidos; 
• Equilíbrio dinâmico entre o compartimento central 
e o compartimento periférico; 
 
 
Ex: Diazepam – grande 
volume de distribuição, 
ou seja, se acumula na 
gordura corporal. A 
concentração plasmática 
no compartimento 
vascular cai rapidamente 
(as taxas de excreção, 
metabolização e de 
distribuição são maiores 
de início) e, depois, mais 
lentamente (excreção e 
metabolização 
continuam, mas 
distribuição e redistribuição entram em equilíbrio). 
 
 
• Na cinética de saturação, o aumento da 
concentração plasmática da droga não altera a 
velocidade de metabolização (enzima não 
consegue saturar mais – o que entra aumenta, 
mas o que sai não muda). Assim, ocorre uma 
tendência ao acúmulo e à toxicidade; 
• Dose de ataque: em emergências, se inicia o 
tratamento com uma dose elevada para chegar 
mais rápido na região de estabilização e na janela 
 
21 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
terapêutica. Problema é que pode gerar efeitos 
adversos; 
• Ex: Carnaval. Ingestão de álcool em grande 
quantidade várias vezes ao dia, ocorre acúmulo e 
leva ao coma. alcoólico; 
• Na cinética normal, quanto maior a dose, maior o 
nível em que o equilíbrio vai ser atingido no ponto 
de saturação, podendo também haver intoxicação 
por ficar acima da janela terapêutica. 
 
 = dose maior no inicio e 
depois vai equilibrando, chega antes na janela terapêutica. 
 
RESUMO 
 
Farmacodinâmica 
Um fármaco é uma substância química que afeta a função 
fisiológica de modo específico. Tipos de alvos para a ação 
de fármacos: 
A. Receptores e canais iônicos; 
B. Enzimas; 
C. Moléculas transportadoras. 
• A especificidade é recíproca: classes individuais de 
substâncias (classes de fármacos) se ligam apenas 
a determinados alvos, e alvos individuais só 
reconhecem determinadas classes de fármacos 
(como modelo chave-fechadura); 
• Encaixe mais plástico = induzido. Uma molécula 
acaba induzindo mudanças conformacionais na 
outra; 
• Nenhum fármaco é totalmente específico nas suas 
ações. Em muitos casos, o aumento na sua dose 
(aumento na concentração plasmática ou no 
tecido alvo) resulta na ligação desse fármaco a 
outros sítios, que não o principal, afetando outros 
alvos diferentes do alvo principal, podendo resultar 
em efeitos colaterais; 
• Em doses mais baixas do fármaco, a especificidade 
e afinidade de ligação são maiores por 
determinada estrutura (receptor). Com o aumento 
da dose, algumas estruturas vão se ligar, com 
menor afinidade, a sítios de ligação diferentes do 
normal. 
 
22 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
Abolição da resposta molecular pode ser justamente a 
resposta farmacológica (exemplo Beta bloqueadores, que 
não deixam a adrenalina agir por ocupar receptor). 
LIGAÇÃO DO FÁRMACO AOS RECEPTORES 
A ligação de fármacos aos receptores obedece, 
necessariamente, à Lei de Atração das Massas. Em 
equilíbrio, a ocupação do receptor está relacionada à 
concentração do fármaco através da equação de Hill-
Langmuir. 
 
 
• Quanto maior a afinidade do fármaco pelo 
receptor, menor a concentração em que produz 
determinado nível de ocupação; 
• Os mesmos princípios são aplicados quando duas 
ou mais substâncias competem pelos mesmos 
receptores; cada uma tem o efeito de reduzir a 
afinidade aparente para a outra (Ex: inibidor 
competitivo reduz afinidade aparente de uma 
enzima pelo seu substrato); 
• No equilíbrio as duas velocidades (associação e 
dissociação) são iguais, quando as equações são 
igualadas, leva em consideração a proporção de 
receptores ocupados, a qual varia de acordo com 
a concentração da substância; 
• Ka é a constante de afinidade que denota a 
concentração de droga que produz metade da 
ocupação dos receptores → Quanto menor Ka = 
maior afinidade, ou seja, com menos agentes já é 
possível ocupar metade dos receptores. 
AGONISTAS 
• Uma droga agonista, ao se ligar no receptor, 
provoca uma mudança conformacional (física) e, 
consequentemente, uma alteração 
comportamental (alteração na função celular), 
produzindo vários tipos e efeitos e resultando uma 
resposta farmacodinâmica; 
• A potência de um agonista depende da afinidade 
(tendência a se ligar ao receptor = Ka) e da 
eficácia (capacidade da substância, uma vez ligada, 
de induzir alterações que produzem efeitos) - 
Agonistas totais produzem efeitos máximos (alta 
eficácia); 
• Agonistas parciais produzem efeitos submáximos 
(eficácia intermediária), produz mais alterações 
que um antagonista, mas menos alterações do que 
um agonista. Se não tem ação, o agonista parcial 
funciona como agonista provocando mudança 
fisiológica. Porém, se já tem uma substância 
endógena que tem mais afinidade que o agonista 
parcial administrado, eles vão competir, podendo 
ocorrer inibição do efeito do agonista endógeno, 
assimilando-se a um antagonista; 
• Os agonistas exibem seletividade (preferem) o 
estado ativado, enquanto os antagonistas não têm 
seletividade (preferem estado inativado). 
 
23 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
ANTAGONISTAS 
Para os antagonistas, a eficácia é zero, ou seja, não produz 
mudanças moleculares, mas também tem alta afinidade. 
Não produzir resposta farmacodinâmica não significa 
ausência de resposta farmacológica. O fato de não haver 
alteração farmacodinâmica pode ser resultado da ação de 
uma droga para um tratamento, resultando em efeitos 
farmacológicos, resposta clínica. Ex: Adrenalina = mediador 
endógeno simpaticomimético/prósimpático se liga a um 
receptor adrenérgico. Antagonista adrenérgico impede 
ação da Adr (não desencadeia resposta molecular), mas 
muda fisiologia. Em pacientes com pressão alta, utiliza-se 
antagonistas adrenérgicos no tratamento (resposta 
farmacológica). Os antagonistas podem ser: 
• Químicos: interação em solução. Reação entre 
substâncias que altera disponibilidade delas; 
• Farmacocinéticos: substância que afeta absorção, 
metabolismo ou excreção de outra, ou seja, 
substância que afeta a disponibilidade de outra 
afetandopropriedades farmacocinéticas; 
• Competitivos: ambas as substâncias podem se 
ligar ao mesmo receptor, podendo ser reversível 
ou irreversível. O antagonista é uma molécula que, 
ao se ligar ao receptor, produz nenhuma resposta 
farmacodinâmica; 
• Não competitivos: o antagonista interrompe a 
ligação receptor-efetor. Interrompe a efetividade 
da ligação substrato-receptor. Não é superável 
pelo aumento do agonista; 
• Fisiológicos: dois agentes produzem efeitos 
fisiológicos opostos. Ligam em receptores 
diferentes e produzem efeitos fisiológicos 
diferentes. Ambas são agonistas nos seus 
receptores. 
o Ex: uma droga se liga a um receptor e 
faz midríase, outra droga se liga a outro 
receptor e faz miose. 
ANTAGONISMO COMPETITIVO REVERSÍVEL 
• Mais comum e mais importante; 
• Desloca parte de moléculas agonistas dos seus 
sítios de ligação; 
• É reversível pelo aumento de substâncias 
agonistas; 
• Se a curva for deslocada para a direita, mantendo 
seu nível máximo de ocupação e sua curvatura, o 
antagonismo é competitivo e reversível. O quanto 
a curva é deslocada depende da quantidade de 
agente antagonista. Aumentando a concentração 
do agente, é possível superar o efeito do 
antagonista = a relação da dose aumenta de modo 
linear com a concentração do antagonista (10 de 
antagonista, será preciso 10 de agonista para 
superar). A inclinação da linha é uma medida da 
afinidade do antagonista pelo receptor = a 
afinidade intrínseca não muda, mas a aparente 
aumenta; 
• A afinidade do antagonista, medida dessa maneira, 
é amplamente utilizada como base para a 
classificação dos receptores. 
 
ANTAGONISMO COMPETITIVO IRREVERSÍVEL 
• Diminui a população total de receptores. Não se 
tem mais o efeito máximo. Não é superado, não 
se pode superar o efeito do antagonista apenas 
aumentando a concentração do agente. O 
antagonista se liga e nunca mais desliga; 
• O nível de ocupação máximo diminui, perde-se 
sítios de ocupação. Quanto menos sítios 
disponíveis, maior será o efeito máximo possível. 
 
AGONISTAS INVERSOS 
Apresenta seletividade pelo receptor do estado de 
repouso, o que possui significado apenas em situações 
incomuns em que os receptores demonstram atividade 
constitutiva. Ex: canais iônicos. Se um agente aumenta o 
 
24 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
diâmetro do canal, aumenta a permeabilidade, é um agente 
agonista. Se um agente diminui o diâmetro do canal, diminui 
a permeabilidade, é um agonista inverso = liga no receptor, 
mas provoca mudança conformacional contrária ao agente 
agonista, diminuindo o nível basal de atividade. Um 
antagonista também desloca a curva para a direita de um 
agonista inverso. 
 
DESSENSIBILIZAÇÃO E TAQUIFILAXIA 
Descrevem a perda do efeito de uma substância, 
comumente observada quando administrada de modo 
contínuo ou repetido. 
• A tolerância e a refratariedade também podem 
estar envolvidas na perda de sensibilidade ou ao 
rápido desenvolvimento de uma insensibilidade 
com o fármaco; 
• Se o fármaco for suspenso, haverá o retorno da 
sensibilidade, mas pode demorar segundos, dias ou 
semanas; 
• Existem muitos mecanismos diferentes envolvidos 
na recuperação da sensibilidade, como alterações 
nos receptores (up/down regulation), exaustão de 
mediadores, aumento do metabolismo da 
substância, mecanismos fisiológicos 
compensatórios, extrusão das substâncias das 
células (responsável pela resistência a agentes 
quimioterápicos). 
 
• Os receptores de membrana têm meia-vida. A 
célula controla a quantidade desses receptores por 
estimulação ou inibição da síntese deles; 
• Nem todos os agentes e nem todas as células são 
capazes de sofrer up/down regulation. 
ALVOS PARA A AÇÃO DE FÁRMACOS (BASES 
MOLECULARES) 
Os fármacos podem atuar em receptores, canais iônicos, 
enzimas e em moléculas transportadoras. Geralmente, 
receptores, canais iônicos e enzimas são tratados em 
conjunto como “receptores”. 
RECEPTORES 
 
• Agonistas: a partir da ligação com o receptor, 
essas substâncias podem ter efeito direto 
(abertura/fechamento dos canais iônicos) ou 
mecanismos de transdução (ativação/inibição de 
enzimas, modulação dos canais iônicos, transcrição 
do DNA). Ligam-se ao receptor ativando o efeito 
fisiológico do mesmo. Exemplo: codeína (Tylex) é 
um agonista dos receptores opioides. Ação 
analgésica; 
• Antagonistas: não provocam mecanismos de 
transdução, apenas bloqueiam os mediadores 
endógenos. Ligam-se ao receptor bloqueando o 
efeito fisiológico do mesmo. Exemplo: 
escopolamina/hioscina (Buscopan) é um 
antagonista de receptor colinérgico muscarínico. 
Ação antiespasmódica. 
 
25 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
Tipos de receptores: 
Canais iônicos regulados por ligantes (receptores 
ionotrópicos): 
• Estão envolvidos principalmente na transmissão 
sináptica rápida, promovendo despolarização ou 
hiperpolarização; 
• Após a ligação do ligante, ocorre a abertura do 
canal em milissegundos; 
• Existem várias famílias estruturais, sendo a mais 
comum representada por organizações 
heteroméricas de 4/5 subunidades, com hélices 
transmembrana dispostas em torno de um canal 
central aquoso (poro pequeno); 
• Estrutura: domínio de ligação extracelular, 
estrutura transmembrana que reveste o canal e 
podem ter um sítio intracelular; 
• Ex: receptor nicotínico de Ach, de ácido gama-
aminobutírico tipo A e de 5-hidroxitriptamina tipo 
3. 
 
 
 
Receptores acoplados à proteína G (receptores 
metabotrópicos: 
• Estrutura: 7 domínios transmembrana com sítios 
de ligação intra e extra celulares; 
• Uma das alças intracelulares é maior do que as 
outras e interage com a proteína G; 
• A proteína G é uma proteína acoplada a um 
receptor de membrana constituída de três 
subunidades (𝞪ßγ), em que a subunidade alfa 
possui atividade de GTPase; 
• A subunidade alfa dissocia-se e fica livre para ativar 
um efetor (uma enzima na membrana ou um 
canal iônico); 
• A ativação do efetor termina quando ocorre 
hidrólise da molécula de GTP em GDP e fosfato 
(logo só funciona quando o GTP está ali)= 
processo de dessensibilização por ligação 
covalente. Isso permite a recombinação da 
subunidade 𝞪 com ßγ; 
• Os receptores acoplados à proteína G são 
responsáveis pela transdução de sinal (transformar 
o sinal extracelular, primeiro mensageiro, em 
intracelular, segundo mensageiro); 
• Duas vias-chave controladas pela proteína G: 
adenilato ciclase (AMPc promove cascata de 
quinases, ativa proteína quinase A, que induzem a 
fosforilação de enzimas, por exemplo) e 
fosfolipase C (trifosfato de inositol, aumenta cálcio 
intracelular livre, e diacilglicerol, ativa proteína 
quinase C); 
 
• Primeiro mensageiro = extracelular (hormônio, 
neurotransmissor ou o fármaco). Segundo 
mensageiro = intracelular, parte do mecanismo de 
transdução; 
• Ex: receptor muscarínico de Ach, receptores 
adrenérgicos e os receptores de neuropeptídeos. 
 
26 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
 
Receptor de trombina pode ser previamente ativado: está 
inativo até que trombina quebre esse sítio, ele precisa de 
uma clivagem, e permita ação do agonista. Depois de um 
tempo, ele perde seu efeito (cascata de coagulação não 
pode seguir ininterruptamente) e tem uma 
dessensibilização por fosforilação. 
 
 
Exemplos: 
• AMPc como segundo mensageiro: 
 
 
• IP3 e DAG: 
 
 
27 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
 
 
Além de todas essas funções, as proteínas G ligadas a 
receptores também controlam: 
• A fosfolipase A (e, portanto, a formação do ácido 
araquidônico e de eicosanóides); 
• Os canais iônicos (por exemplo, canais de potássio 
e de cálcio, afetando a excitabilidade da membrana, 
a liberação de transmissores, a contratilidade). 
Receptores ligados à quinase: 
• Estrutura: cada domínio é uma hélice 
transmembrana única; 
• Os receptores de vários hormônios (como a 
insulina) e fatores decrescimento incorporam a 
tirosinoquinase em seu domínio intracelular; 
• Os receptores de citosinas apresentam um 
domínio intracelular que se liga a quinases 
citosólicas e os ativa quando o receptor está 
ocupado; 
• Em geral a transdução de sinais envolve 
dimerização dos receptores, seguida de auto 
fosforilação dos resíduos de tirosina; 
• Os resíduos de fosfotirosina atuam como 
aceptores para os domínios de SH2 de uma 
variedade de proteínas intracelulares, permitindo, 
assim, o controle de numerosas funções celulares; 
• Em geral, estão envolvidos em eventos que 
controlam o crescimento e a diferenciação celular; 
atuam também, indiretamente, ao regular a 
transcrição de genes; 
• Duas vias importantes: Ras (importante na divisão, 
no crescimento e diferenciação celulares - área 
oncológica) e Jak/Stat (é ativada por muitas 
citocinas e controla a síntese e a liberação me 
mediadores de inflamação); 
• Ex: receptor de insulina, do fator de crescimento 
e de citocinas. 
 
Receptores nucleares/intracelulares: 
• Os receptores são proteínas intracelulares (os 
ligantes devem primeiro entrar na célula); 
 
28 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Promove/reprime síntese específica, são de início 
lento; 
• Estrutura: sítio de ligação para o receptor e 
domínio de ligação para o DNA; 
• Ex: receptores de hormônios esteróides, 
hormônio tireóideo, vitamina D, ácido retinóico; 
• Os receptores consistem num domínio de ligação 
do DNA conservado, fixado a domínios de ligação 
do ligante e de controle de transcrição; 
• O domínio de ligação do DNA reconhece 
sequências de bases específicas, promovendo ou 
reprimindo, assim, genes particulares; 
• O padrão de ativação de genes depende tanto do 
tipo celular quanto da natureza do ligante, de modo 
que os efeitos são extremamente divesos; 
 
Observações: 
• Os receptores ionotrópicos, metabotrópicos e 
ligados à quinase são de membrana celular, por 
isso, são utilizados por substâncias hidrossolúveis, 
que não conseguem atravessar a membrana 
plasmática; 
• Os receptores intracelulares são utilizados por 
substâncias lipossolúveis, capazes de atravessar a 
membrana; 
• Mecanismo de cascata de quinases leva à 
amplificação dos eventos mediados por 
receptores; 
• Existem muitas quinases com diferentes 
especificidades de substrato, permitindo a 
especificidade nas vias ativadas por diferentes 
hormônios; 
• As fosfatases atuam para reverter os efeitos das 
quinases; 
• Fosforilação e defosforilação geram gasto de 
energia 
 
ENZIMAS 
 
Muitos fármacos têm como alvo as enzimas. Com 
frequência o fármaco é uma molécula análoga ao substrato 
da enzima. Exemplo: Aspirina que inibe a ciclooxigenase 
(COX). 
 
 
29 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Alguns fármacos são administrados sob a forma de pró-
fármacos requerendo a ação de enzimas endógenas para 
sua conversão em uma forma ativa. Exemplo: clorazepato 
(pró-farmaco inativo)/metildiazepam (metabólito ativo). 
 
MOLÉCULAS TRANSPORTADORAS 
 
• O transporte de íons e de pequenas moléculas 
orgânicas através das membranas celulares 
geralmente exige uma proteína transportadora, 
visto que tais moléculas são, com frequência, 
muito polares (insuficientemente lipossolúveis) para 
penetrar por si próprias nas membranas lipídicas; 
• As proteínas transportadoras possuem um sítio de 
reconhecimento que as torna específicas para 
determinada substância. Esses sítios de 
reconhecimento são alvos para fármacos que 
bloqueiam o transporte da substância. 
Interações farmacológicas 
A administração concomitante de: fármaco + fármaco; 
fármaco + fitoterápico; fármaco + alimento, pode alterar a 
biodisponibilidade destas substâncias. 
 
MECANISMOS PELOS QUAIS AS SUBSTÂNCIAS PODEM 
INTERAGIR 
• Interações farmacocinéticas: 
o Absorção, 
o Distribuição, 
o Biotransformação, 
o Excreção.; 
• Interações farmacodinâmicas; 
• Interações combinadas (envolvendo dois ou mais 
mecanismos) → são as mais comuns. 
ABSORÇÃO 
• Agentes que apresentam grande área de 
superfície sobre a qual o fármaco pode ser 
adsorvido. Acontece tipicamente com fibras com 
moléculas que podem se ligar a elas (como aveia 
na tentativa de diminuir absorção de colesterol, 
ácidos e sais biliares também – ficam ligados na 
fibra da aveia, parte fibrosa carrega moléculas no 
bolo fecal; carvão ativado é usado em alguns casos 
de envenenamento, é uma espécie de fibra com 
poros que pode ligar a essas substâncias que 
causariam problemas); 
• Agente com capacidade de ligação ou quelação: 
ligação de algum elemento químico, geralmente 
cálcio, capaz de formar íons com o fármaco, 
dificultando sua passagem pelas membranas 
celulares, e, consequentemente, dificultando sua 
absorção; 
• Agentes que alteram o pH gastro-intestinal: ao 
mudar o pH, mudamos a partição do pH, muda a 
proporção de moléculas que se encontra ionizada 
em relação a parcela que não se encontra; 
• Agentes que alteram a motilidade intestinal: 
aumento do peristaltismo = diminuição do tempo 
de trânsito intestinal do fármaco = menor 
absorção. Agentes que diminuem a motilidade 
intestinal podem aumentar tempo de trânsito e 
aumento da absorção de fármacos; 
• Agentes que afetam as proteínas de transporte: 
fármacos similares a aminoácidos que podem 
competir com os aminoácidos provenientes das 
proteínas da dieta. 
 
 
30 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
DISTRIBUIÇÃO 
• Competição pela ligação às proteínas de 
transporte plasmáticas (por exemplo, albumina) - 
droga que também se liga à albumina, desloca uma 
droga que já estava ligada, aumentando sua forma 
livre/ativa. Exemplo: Icterícia fisiológica: devemos 
evitar usar drogas que deslocam a bilirrubina da 
albumina (como sulfas e alguns antibióticos), 
agravando a situação; 
• Competição pela ligação às proteínas de 
transporte nas barreiras teciduais (por exemplo, 
glicoproteína-P no intestino e barreira 
hematoencefálica). 
BIOTRANSFORMAÇÃO 
• Indução enzimática: processo que leva de médio 
a longo prazo. a presença do substrato aumenta a 
atividade enzimática, pelo aumento da quantidade 
de sítios ativos disponíveis. Uso crônico de uma 
substância provoca indução enzimática para 
melhor metabolização; porém, se o fármaco não 
for mais utilizado continuamente, ele vai ter o seu 
efeito diminuído, porque sua concentração 
plasmática vai diminuir. Diminui o efeito do fármaco 
que sofre a indução do metabolismo. Exemplo: 
anestésico que não funciona bem em paciente 
alcoolista; 
• Inibição enzimática: processo mais agudo, ocorre, 
geralmente, por competição por sítio de 
metabolização da enzima. A presença do substrato 
diminui a atividade enzimática, menos moléculas 
vão ser metabolizadas (pode acumular, entra mais 
do que sai), aumentando o efeito do fármaco que 
sofre a inibição do metabolismo. 
 
 
EXCREÇÃO RENAL 
Fármacos que afetam o pH urinário podem interferir na 
excreção de outros fármacos que são bases fracas ou 
ácidos fracos. 
• pH urinário mais ácido favorece excreção de 
bases; 
• pH urinário mais alcalino favorece excreção de 
ácidos. 
INTERAÇÕES FARMACODINÂMICAS 
 
• Resposta sinérgica: vasodilatador + diurético = 
diminui pressão arterial; 
• Resposta antagônica: 
 
• Toxicidade combinada: quando dois fármacos 
apresentam a mesma toxicidade, podendo ser 
aditiva ou multiplicativa. Exemplo: Digoxina (utilizada 
para aumentar a força de contração na 
 
31 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
insuficiência cardíaca) + diurético (pode induzir 
hipocalemia, ou seja uma diminuição da [K+] no 
sangue, que, combinada com a ação da digoxina 
pode desencadear um efeito tóxico) = arritmia 
cardíaca; 
ÁLCOOL E MEDICAMENTOS 
Uso farmacológico do álcool 
• Antisséptico (como álcool gel); 
• Veículo para fármacos (xaropes e licores); 
• Tratamento da intoxicação por metanol (álcool 
inibe metabolismo do metanol, logo dá tempode 
excretar ele na urina, no suor, no hálito, sem que 
ele seja metabolizado) e etileno glicol. 
USO RECREACIONAL DO ÁLCOOL 
 
EFEITOS DO ÁLCOOL 
1. Potencialização do efeito depressor sobre o 
sistema nervoso central; 
2. Potencialização da hepatotoxicidade; 
3. Potencialização da hipoglicemia; 
4. Aumento do risco de irritação e sangramento 
digestivo; 
5. Redução da absorção de vitaminas; 
6. Pode ocorrer reação do tipo “dissulfiram” na 
presença de certos fármacos; 
7. Teratogenicidade. 
Potencialização do efeito depressor sobre o sistema 
nervoso central: 
Ocorre com o uso conjunto de álcool e: 
• Anestésicos gerais; 
• Analgésicos opióides (por exemplo, codeína); 
• Anticonvulsivantes; 
• Antidepressivos; 
• Antipsicóticos; 
• Anti-histamínicos de primeira geração; 
• Barbitúricos (sedativo-hipnótico); 
• Benzodiazepínicos (sedativo-hipnótico). 
Potencialização da hepatotoxicidade: 
Vias de destoxificação do acetaminofen (paracetamol) no 
fígado. 
 
• Pessoas que usam álcool com frequência induzem 
a enzima CIP2E1, responsável pela produção de 
metabólitos tóxicos; a utilização de paracetamol 
(acetaminofeno) por pessoas que tem essa 
enzima induzida, aumenta a formação de 
metabólitos tóxicos (NAPQI). O metabólito provoca 
danos à proteínas celulares, ele é hepatotóxico. A 
neutralização desses metabólitos pela glutationa é 
reduzida em pacientes alcoolistas; 
• Em pouca quantidade é metabolizado nas 
mitocôndrias, gerando radicais livres; 
• Em maior quantidade é metabolizado também no 
sistema microssomal que gera ainda mais radicais 
livre. 
Potencialização da hipoglicemia: 
Isso ocorre pelo acúmulo de NADH, deslocando as reações 
metabólicas (desloca piruvato em direção a lactato e 
oxalacetato em direção a malato, dificultando o acesso a 
 
32 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
carbonos para formação de glicose) = o etanol inibe a 
gliconeogênese. É mais comum em pacientes que utilizam: 
• Insulina; 
• Hipoglicemiantes orais. 
 
Afeta também o pâncreas: pancreatite alcoólica. 
Aumento do Risco de Irritação e Sangramento Digestivo: 
• Efeito tóxico do álcool sobre a mucosa; 
• Hepatopatia 
• Mais frequente em pacientes que utilizam: 
o Anticoagulantes; 
o Anti-inflamatórios não-esteróides 
o Motivo: diminui síntese de prostaglandina 
E2, que ajuda na produção do muco e 
proteção da mucosa gástrica. 
Redução da absorção de vitaminas: 
• Ácido fólico → provoca anemias; 
• Tiamina (B1) → Síndrome de Wernicke-Korsakoff 
(a tiamina é um cofator da enzima piruvato 
desidrogenase); 
o Características: 
o Oftalmoplegia (paralisia dos músculos dos 
olhos); 
o Ataxia (falta de coordenação dos 
movimentos); 
o Confusão mental; 
o Amnésia (anterógrada e retrógrada); 
o Confabulação. 
Reação do Tipo Dissulfiram: 
 
• O dissulfiram (Antabuse) inibe a enzima aldeído-
desidrogenase, provocando um acúmulo de 
acetaldeído no organismo que, por sua vez, 
provoca efeitos desagradáveis no paciente, como 
rubor, taquicardia, náuseas e vômitos; 
• Alguns fármacos podem induzir uma reação do 
tipo dissulfiram, pois induzem um acúmulo de 
acetaldeído no organismo; 
• Exemplos: 
o Cefalosporinas (antibióticos); 
o Sulfoniluréias (hipoglicemiante oral). 
Teratogenicidade: 
Síndrome Alcoólica Fetal: afeta o desenvolvimento do SNC. 
 
O etanol pode causar efeitos adversos sobre o feto em 
todos os trimestres da gestação. 
 
Uso do etanol no tratamento de intoxicação: 
O etanol pode ser utilizado no tratamento da intoxicação 
por metanol e etileno glicol. O metanol é encontrado em 
solventes orgânicos e o etileno glicol em fluidos 
anticongelantes. 
 
33 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
A enzima álcool-desidrogenase possui uma afinidade maior 
pelo etanol do que pelo metanol. Por isso, o etanol pode 
ser utilizado para saturar a enzima e impedi-la de converter 
o metanol em seus metabólitos tóxicos. 
O fomepizol, um inibidor competitivo da enzima álcool-
desidrogenase, é utilizado sozinho ou em associação à 
hemodiálise para tratar intoxicações por metanol e etileno 
glicol. 
 
INTERAÇÕES FÁRMACOS-FITOTERÁPICOS 
EXEMPLOS DE INTERAÇÃO QUE MODIFICA A ABSORÇÃO 
DO FÁRMACO 
 
O chá-verde tem sido utilizado para auxiliar no 
emagrecimento. O uso simultâneo do chá com o fármaco 
diminui a absorção do fármaco. 
EXEMPLO DE INTERAÇÃO QUE MODIFICA A 
BIOTRANSFORMAÇÃO DO FÁRMACO 
 
O ginseng é utilizado para melhorar a concentração e a 
memória e combater os efeitos do estresse. O fitoterápico 
diminui a velocidade de biotransformação dos fármacos 
inibidores da monoamino oxidase (MAO). 
 
A Erva de São João é utilizada como antidepressivo e 
calmante. O fitoterápico aumenta a velocidade de 
biotransformação do anticoncepcional, reduzindo seus 
efeitos. 
EXEMPLO DE INTERAÇÃO QUE MODIFICA A EXCREÇÃO 
DO FITOTERÁPICO/SUPLEMENTO ALIMENTAR 
 
O chá-verde tem sido utilizado para auxiliar no 
emagrecimento. O uso simultâneo do chá com o fármaco 
diminui a depuração da cafeína, induzindo um aumento do 
risco de manifestação de efeitos adversos da cafeína. 
EXEMPLO DE SINERGISMO COM EFEITOS INDESEJÁVEIS 
 
O óleo de alho é utilizado como coadjuvante no tratamento 
de hipertensão arterial leve, auxilia na redução dos níveis 
de colesterol e na prevenção das doenças ateroscleróticas, 
mas seu uso combinado com ácido acetilsalicílico (anti-
agregante plaquetário) aumenta o risco de hemorragias. 
 
 
34 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
EXEMPLO DE ANTAGONISMO COM EFEITOS 
INDESEJÁVEIS 
 
A cafeína, presente no fitoterápico, é um antagonista 
competitivo dos receptores de adenosina → diminuição 
dos efeitos do fármaco. 
 
INTERAÇÕES FÁRMACOS-NUTRIENTES 
A maior parte dos fármacos são administrados por via oral 
juntamente com algum tipo de alimento. As interações 
entre fármacos e nutrientes podem alterar a 
biodisponibilidade de uma destas substâncias ou de ambas. 
RAZÕES PARA ADMINISTRAR MEDICAMENTOS JUNTO 
COM AS REFEIÇÕES: 
1. Possibilidade de aumento da absorção; 
2. Redução do efeito irritante sobre a mucosa 
gastrointestinal (alimento serve de protetor); 
3. Auxiliar na aderência do tratamento (associar a 
ingestão do fármaco a uma atividade fixa como as 
principais refeições). 
Exemplo de nutrientes que influenciam na absorção do 
fármaco: 
• A levodopa (usada no tratamento da doença de 
Parkinson) tem a ação terapêutica inibida por dieta 
hiperproteica; entretanto, uma dieta hipoproteica 
potencializa e estabiliza esse efeito.; 
o Esse efeito está relacionado com o fato 
de os aminoácidos competirem com a 
levodopa tanto pela absorção intestinal 
quanto pela penetração no cérebro; 
 
o O transportador 
que transporta a L-
dopa do sangue para 
dentro do SNC através 
da barreira 
hematoencefálica é o 
mesmo que transporta 
aminoácidos; 
 
 
• Os íons presentes no leite (Ca+2, Mg+2, Fe+2) 
são capazes de formar quelatos não absorvíveis 
com as tetraciclinas (antibióticos), ocasionando 
eliminação fecal dos minerais, bem como do 
fármaco; 
 
• Dietas ricas em gorduras aumentam a absorção 
de retinóides (usados para o tratamento da acne). 
Exemplo de fármaco que afeta a absorção do nutriente: 
O uso de laxativos (como o bisacodil) induz o aumento da 
velocidade do trânsito intestinal e consequentemente 
reduz a absorção das vitaminas A, D e K. 
Exemplo de nutriente que afeta a biotransformação do 
fármaco: 
Os nutrientes podem influenciar o metabolismo dos 
fármacos mediando pelo sistema citocromo P450 (CYPs) 
aumentando ou reduzindo a meia-vida plasmática de 
fármacos. 
• Diminuição da meia-vida: o etanol acelera o 
metabolismo do paracetamol acarretando um 
aumento da produção de um metabólito tóxico 
 
35 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
(reações de fase I) sem que ocorra um aumento 
proporcional nas reações de fase II → 
hepatotoxicidade. 
 
• Aumento da meia-vida: o suco de toranja 
(grapefruit)desacelera o metabolismo da varfarina 
(anticoagulante) aumentando a meia-vida do 
fármaco → risco de hemorragias.; 
 
Exemplo de fármaco que afeta o metabolismo do 
nutriente: 
• A tiramina é um aminoácido que provoca um 
aumento da pressão arterial. Normalmente, ela é 
metabolizada pela MAO; 
• Se o paciente estiver utilizando um antidepressivo 
inibidor da MAO, pode ocorrer um acúmulo de 
tiramina no organismo; 
• Por isso, pacientes que utilizam inibidores da MAO, 
precisam evitar alimentos ricos em tiramina; 
• Os cuidados com a dieta devem ser mantidos por 
15 dias após a interrupção do tratamento com 
IMAOs, pois a inibição da MAO continua por 15 dias. 
Após este período, a dieta está liberada; 
• Alimentos Ricos em Tiramina: 
o Queijos maturados; 
o Carnes: embutidos, carne de sol.; 
o Vinho; 
o Cerveja; 
o Uva passa; 
o Molho de soja (shoyu). 
Exemplo de nutriente que afeta a excreção do fármaco: 
• Aumento da concentração plasmática do fármaco: 
alimentos que tornam o pH da urina mais básico 
(carboidratos), podem aumentar a reabsorção de 
fármacos básicos, como as anfetaminas.; 
• Diminuição da concentração plasmática do 
fármaco: alimentos que tornam o pH da urina mais 
ácido (proteínas), podem aumentar a excreção 
renal de fármacos básicos, como as anfetaminas 
; 
• Dietas ricas em carboidratos:  o pH urinário 
(tornam o pH mais alcalino); 
• Dietas ricas em proteínas:  o pH urinário (tornam 
o pH mais ácido); 
 
• Aumento na excreção de 
minerais (K+, Mg+2, Zn+2 e Ca+2) 
ocorre com o uso prolongado de 
diuréticos como a furosemida (diurético 
de alça). 
Exemplo de nutriente que interfere na ação do fármaco: 
• Aumento de vitamina K (presente nas folhas 
verde-escuras): diminui o efeito anticoagulante da 
varfarina aumentando o risco de formação de 
coágulos; 
• Diminuição de vitamina K: aumenta o efeito 
anticoagulante da varfarina aumentando o risco de 
hemorragias; 
 
o Vitamina K = é um cofator nas 
reações enzimáticas que promovem a 
carboxilação dos fatores de coagulação 
II, VII, IX e X (passos importantes na 
cascata de coagulação); 
o Varfarina (antagonista da vitamina 
K) = inibe a carboxilação dos fatores de 
coagulação II, VII, IX e X. 
 
 
36 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Efeitos adversos 
 
• Um fármaco produz efeitos desejáveis e não 
desejáveis (deletérios ou não); 
• Os efeitos indesejáveis deletérios são tóxicos, 
podendo ser farmacológicos, patológicos ou 
genotóxicos; 
• Índice terapêutico e margem de segurança são 
aproximações, porque levam em consideração 
uma porcentagem de indivíduos que morrem, 
logo são difíceis de serem mensurados. São dados 
extrapolados obtidos a partir de estudos com 
roedores. 
 
Índice terapêutico: 
• Relação entre a dose de um fármaco que mataria 
metade da população (dose letal) e a dose que 
consegue ter o efeito terapêutico desejado na 
metade da população (dose efetiva); 
• Quanto mais afastadas as curvas, maior o índice 
terapêutico, o que dá uma ideia da segurança 
(dose que mata é maior que a dose que trata); 
• Quanto maior o índice terapêutico, maior a 
segurança; 
• Pode haver sobreposição entre as curvas: para ter 
efeito na população precisa-se de uma dose muito 
alta do fármaco, mas essa dose já é letal em 
algumas pessoas da população = não tem 
margem de segurança. 
Margem de segurança: 
• O ideal é quando a dose letal é muito baixa e a 
dose efetiva é muito alta; 
• Se a margem de segurança é 1, quer dizer que a 
dose que mata 1% da população é a mesma que 
trata 99% da população; 
• As margens de segurança aceitáveis são números 
maiores que 1 (2, 10...); 
• Fármacos com boa margem de segurança, 
costumam ter bom índice terapêutico. Se isso não 
acontecer, deve-se priorizar a margem de 
segurança. 
Padrão de resposta em “U” (sino invertido): 
• Acontece com uma minoria de fármacos; 
• Podem ter efeitos mais fortes em doses baixas; 
• Em doses médias podem ter menor efeito, 
porque entram numa região de homeostasia do 
organismo; 
• Em doses altas, sai da região de homeostasia e 
começa a ter efeito (organismo não consegue 
compensar); 
• Podem ocorrer efeitos adversos tanto em doses 
baixas como em doses mais altas. 
REAÇÕES ADVERSAS 
 
 
37 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
EFEITOS COLATERAIS 
• Efeitos do fármaco em outros tecidos; 
• Exemplo: anti-histamínicos utilizados para o 
tratamento de alergias (periféricas) podem causar 
sonolência se penetrarem no sistema nervoso 
central. 
ALERGIAS 
São respostas “exageradas” do sistema imune a uma 
determinada substância. 
 
Sintomas do choque anafilático (reação do tipo I): erupções, 
edema dos tecidos moles, broncoconstrição e hipotensão. 
Problematic Drug Classes 
• Antibióticos da classe dos -lactâmicos; 
• Antibióticos da classe das sulfonamidas; 
• AINES (Aspirina® em especial); 
• Agentes de contraste; 
• Quimioterapia do câncer; 
• Insulina; 
• Anticonvulsivantes. 
 
 
 
IDIOSSINCRASIA 
• Resposta anormal, inesperada, paradoxal; 
• Geralmente iniciadas por um metabólito químico 
ativo e não pelo fármaco de origem. 
 
Deveriam acalmar, acabam causando agitação. 
 
 
38 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
DEPENDÊNCIA 
• Dependência física: efeitos orgânicos causados 
pela retirada brusca do medicamento (provoca 
síndrome de abstinência); 
o Exemplo: opióides (dores físicas intensas 
após retirada); 
• Dependência psíquica: efeitos psicológicos 
causados pela retirada do medicamento. 
Fatores Fisiológicos Envolvidos na Dependência de 
Fármacos: 
 
Fatores Psicológicos Envolvidos na Dependência de 
Fármacos: 
 
 
 
Variação Individual e Interação 
entre Fármacos 
 
Variações individuais e entre indivíduos podem ser 
causadas por: 
• Concentrações diferentes nos locais de ação do 
fármaco (indivíduos tomam a mesma dose, mas 
têm concentrações diferentes no tecido-alvo) = 
variação farmacocinética. Pode ocorrer por causa 
das diferenças na absorção, distribuição, 
metabolização ou excreção; 
• Diferentes respostas à mesma concentração do 
fármaco = variação farmacodinâmica. Ocorre 
principalmente por variação genética 
(polimorfismo de receptores); 
o A variação é quantitativa (o fármaco 
produz maior/menor efeito ou atua por 
mais/menos tempo), enquanto o fármaco 
exerce qualitativamente o mesmo efeito. 
Nas reações idiossincrásicas, a ação do 
fármaco é qualitativamente diferente.; 
o Reações idiossincrásicas: resposta 
diferente de um indivíduo a uma classe ou 
a determinado fármaco, frequentemente 
causada por diferenças genéticas ou 
imunológicas entre os indivíduos; 
o Se a variabilidade não for levada em conta 
ela pode resultar em saída da janela 
terapêutica (variação quantitativa): para 
baixo (falta de eficácia do fármaco) ou 
para cima (efeitos colaterais inesperados); 
o As principais causas de variabilidade são: 
idade, fatores genéticos, fatores 
imunológicos, estados patológicos (como 
 
39 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
doença renal ou hepática) e interações 
entre fármacos. 
EFEITOS DA IDADE 
• A eliminação é menos eficiente em recém-
nascidos e idosos. Têm propensão a acumular o 
fármaco, porque eliminam menos (excreção renal 
e metabolismo hepático são menores); 
• Variabilidade na sensibilidade farmacodinâmica. O 
número de alguns receptores pode variar ao 
longo da vida.; 
• Proporção de gordura corporal aumenta com a 
idade, diminuindo a proporção de massa muscular; 
• Idosos, em geral, usam mais medicamentos; 
EFEITOS DA IDADE SOBRE EXCREÇÃO RENAL DE 
FÁRMACOS 
• A taxa de filtração glomerular (GFR), que leva em 
consideração a superfície corporal, no RN é 20% 
da do adulto → em uma semana é semelhante à 
do adulto → em 6 meses vale o dobro → depois, 
a partir dos 20 anos de idade, ocorre declínio (de 
20 a 80 anos de idade cai pela metade); 
• Em prematuros, é necessário diminuir e/ou 
espaçar as dosesde muitos fármacos para evitar 
a sua toxicidade (o fármaco entra e “não sai”, 
demora muito para ser eliminado). 
 
 
 
• Ex: Diazepam. Meia-vida em RN é 25-100, em 
adultos de meia idade é 15-25 e em idosos é 50-
150. Utilização crônica da mesma dose: não tem 
mais efeito (tolerância) e ocorre aumento da meia-
vida (tóxico); 
• A depuração de 
creatinina (função 
renal) é útil para 
estabelecer a 
depuração de outras 
drogas que são 
eliminadas pelo rim. 
Apesar da taxa de 
filtração glomerular 
(GFR) cair com a 
idade, o nível de creatinina não aumenta no 
sangue, pois, com o avanço da idade diminui a sua 
produção (produz menos, mas elimina menos). 
Assim, creatinina normal não significa que não há 
diminuição da capacidade renal com o 
envelhecimento → deve-se diminuir as doses, 
mesmo assim. 
EFEITO DA IDADE SOBRE O METABOLISMO DE FÁRMACOS 
• Várias enzimas têm baixa atividade em 
prematuros e recém-nascidos (como enzimas de 
fase II); 
• Ex: morfina não é usada como analgésico no 
trabalho de parto, pois passaria para o RN e, como 
ele tem dificuldade de metabolização, poderia 
provocar depressão respiratória prolongada - com 
o envelhecimento pode ocorrer a diminuição do 
metabolismo de fármacos, principalmente 
metabolismo hepático; 
• A diminuição da metabolização e da excreção de 
fármacos com a idade contribuem para o 
aumento da meia-vida plasmática de fármacos. 
 
40 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
EFEITOS DA GRAVIDEZ 
• Estado de hemodiluição: diminuição da 
concentração de albumina na gestante, levando ao 
aumento da fração da droga livre (deve-se 
diminuir a dose dos medicamentos); 
• O aumento do débito cardíaco (por conta de um 
aumento de líquidos), leva ao aumento da taxa de 
filtração glomerular (GRF). Fármacos que são 
eliminados por excreção renal, podem ser 
eliminados em maior quantidade na gestação; 
• A eliminação renal no feto é muito pequena 
porque o líquido amniótico, que é 
fundamentalmente a urina do feto, é deglutido de 
novo por ele. Portanto o que o feto elimina na 
urina, ele acaba deglutindo de novo (rota de 
salvamento). Muito da droga fica no feto; 
• As drogas que passam a barreira placentária são 
dificilmente eliminadas pelo feto. 
FATORES GENÉTICOS 
• Variação genética é uma fonte importante de 
variabilidade farmacocinética; 
• Ex: acetiladores lentos/rápidos (hidralazina, 
procainamida, isoniazida), variantes da colinesterase 
plasmática (suxametônio), polimorfismo da 
hidroxilase (debrisoquina); 
• No futuro, o perfil de um DNA individual para 
polimorfismos de nucleotídeos isolados (SNPs) 
pode fornecer um caminho para antecipar a 
responsividade ao fármaco = medicina 
individualizada. 
 
REAÇÕES IDIOSSINCRÁTICAS 
• São relativamente raras e não previsíveis; 
• Nocivas, algumas fatais, que ocorrem em uma 
pequena minoria de indivíduos; 
• Podem ocorrer com baixas doses, não dependem 
da dose; 
• Fatores genéticos podem ser responsáveis (como 
hipertermia maligna - mutação na proteína que 
funciona como receptor de rianodina no retículo 
sarcoplasmático - e sensibilidade à primaquina), 
embora com frequência a causa seja mal 
compreendida (como depressão da medula óssea 
com cloranfenicol); 
• Fatores imunológicos também são importantes. 
VARIAÇÕES DEVIDO A DOENÇAS 
 
INTERAÇÕES ENTRE FÁRMACOS 
• Há muitas e são variáveis; 
• Interações podem ser farmacodinâmicas 
(frequentemente previsíveis a partir das ações dos 
fármacos que interagem) ou farmacocinéticas 
(podem envolver efeitos sobre absorção, 
distribuição - competição pela ligação à proteína-, 
metabolismo - indução/inibição- e excreção renal); 
• Ex: fármacos, como Ciprofloxacina, que inibem a 
ação enzimática afetam o metabolismo de outros 
fármacos, nesse caso da Teofilina; 
• Ex: fármacos que induzem ação enzimática. Uso 
de Carbamazepina (anti-convulsionante) pode 
 
41 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
aumentar o metabolismo de outros fármacos, 
como contraceptivos orais, que podem não ter 
efeito. 
 
 
 
 
 
Efeitos Nocivos dos Fármacos 
EFEITOS ADVERSOS 
RELACIONADOS COM A AÇÃO FARMACOLÓGICA 
PRINCIPAL DO FÁRMACO 
• Reações adversas do tipo A, de “Aumentadas”. Ex: 
o Hipotensão postural com bloqueadores 
alfaadrenérgicos = Adrenalina, tônus 
simpático, nos receptores alfa mantém a 
pressão arterial, quando bloqueia essa 
ação, com agentes hipotensores, a 
apresentação de hipotensão postural é 
um efeito aumentado, previsível; 
o Sangramento com anticoagulantes = 
anticoagulantes diminuem a capacidade de 
formação do tampão hemostático 
(trombo), se essa ação é impedida, tem 
mais chance de sangramento; 
o Arritmias cardíacas com glicosídeos = 
digoxina, espera-se que mexa na força de 
contração, mexe na quantidade de cálcio, 
pode servir para corrigir algumas arritmias 
e causar outras; 
o Sedação com ansiolíticos = agentes que 
diminuem a ansiedade (depressores do 
SNC), se houver aumento da dose pode 
ocorrer sedação, sonolência. Quando é o 
efeito desejado (por exemplo, quando se 
usa ansiolíticas com o objetivo de 
sedação) não é considerado um efeito 
adverso. 
 
42 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
NÃO RELACIONADOS COM A AÇÃO FARMACOLÓGICA 
PRINCIPAL DO FÁRMACO 
Em geral são causados por metabólitos reativos e/ou 
reações imunológicas. 
• Em dose excessiva: 
o Toxicidade com paracetamol; 
o Zumbido com aspirina; 
o Ototoxicidade com aminoglicosídeos; 
o Teratogenicidade com a talidomida; 
Algumas reações adversas não estão relacionadas com a 
ação farmacológica principal, nem com a dose do fármaco. 
• Reações idiossincrásicas do tipo B, de “bizarras” 
o Podem não aparecer nos testes clínicos 
iniciais; 
o Podem ser iniciadas pela ação de um 
metabólito mais reativo, por efeito direto 
ou por reação imunológica; 
o Algumas reações adversas que ocorrem 
com dose terapêutica comum são 
imprevisíveis, sérias e raras (como 
agranulocitose com o carbimazol). Tais 
reações idiossincráticas são quase que 
inevitáveis, somente detectadas após uso 
amplo de um novo fármaco 
TIPOS DE TOXICIDADE DOS FÁRMACOS 
 
TESTE DA TOXICIDADE 
• Realizado em novos fármacos; 
• Modelos animais (cujo metabolismo e sensibilidade 
podem ser diferentes do que ocorre em 
humanos); 
• Usualmente empregam doses bem acima da dose 
terapêutica para testar toxicidade; 
• O conceito de segurança (oposto ao de 
toxicidade) só pode ser estabelecido em humanos 
com o uso da substância. Tem segurança quando 
não é observado toxicidade, porém, isso não 
significa que não existe toxicidade (a ausência de 
uma evidência não é prova de que ela não existe). 
MECANISMOS GERAIS DA LESÃO E MORTE CELULAR 
A lesão/morte celular induzida por fármacos é geralmente 
causada pelos metabólitos reativos do fármaco, envolvendo 
interações covalentes e/ou não covalentes com as 
moléculas-alvo. Após reação de fase I, geralmente, o 
metabólito tem maior reatividade química e menor 
farmacológica. A morte celular em geral é “auto aplicada” 
por meio de disparos de apoptose, em vez de causada 
pela necrose aguda. 
INTERAÇÕES 
Interações não-covalentes: 
• Peroxidação lipídica = ataque de membranas 
lipídicas com espécies reativas de oxigênio. Radicais 
gerados a partir dos lipídeos de membrana, que 
vão fazendo uma ampla destruição da bicamada 
lipídica: peroxirradicais produzem hidroperóxidos 
que, a seguir, produzem peroxirradicais, e assim 
por diante (são reações em cadeia); 
• Geração de radicais citotóxicos de oxigênio 
presentes no meio; 
• Reações que causam depleção da glutationa, 
resultando em “estresse oxidativo”; 
• Modificação de grupos sulfidrilas em enzimas 
importantes, que podem promover pontes 
dissulfeto e desnaturação de proteínas (por 
exemplo, alteração na Ca2+ -ATPase, na 
glutationa dissulfeto redutase) e proteínas 
estruturais. 
Interações covalentes: 
• Formação de aductos entre metabólitose alguma 
outra estrutura que são macromoléculas celulares 
(proteínas, enzimas); 
o Ex: formação de aductos entre o 
metabólito do paracetamol (NAPBQI = N-
acetil-pbenzoquinona imina) e 
macromoléculas celulares, modificando a 
homeostase celular; 
 
43 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• A ligação covalente à proteína pode produzir um 
imunogênico; 
• A ligação ao DNA pode causar carcinogênese e 
teratogênese. 
HEPATOTOXICADE 
• Quando fármacos podem causar danos ao fígado; 
• Os hepatócitos estão expostos aos metabólitos 
reativos dos fármacos, que são formados pelas 
enzimas P-450; 
• A lesão hepática pode ser produzida pelos 
mecanismos gerais da lesão celular (paracetamol 
exemplifica muitos destes); 
• Alguns fármacos (como clorpromazina) podem 
causar icterícia colestática reversível = ocorre 
edemaciamento do parênquima hepático, o fígado 
fica túrgido e, com isso, acaba fazendo colestase, 
não deixando a bile fluir; 
• Mecanismos imunológicos estão algumas vezes 
implicados (como por exemplo toxicidade do 
halotano) 
• Dose tóxica do paracetamol gera metabólito 
NAPBQI, o qual vai acionar múltiplos mecanismos 
de toxicidade, que acabam culminando em morte 
celular. 
1. NAPBQI pode 
formar aductos com 
a glutationa reduzida 
e com as enzimas → 
leva a uma 
diminuição da 
glutationa reduzida 
pelos aductos e por 
mexer no sistema da 
glutationa 
peroxidase/glutationa redutase → estresse 
oxidativo → morte celular; 
2. NAPBQI pode formar aductos com outras 
proteínas, o que compromete o funcionamento 
celular e pode acabar desencadeando apoptose; 
3. NAPBQI ataca os lipídeos de membrana, fazendo 
peroxidação lipídica e promovendo uma cascata 
de eventos de toxicidade: estresse oxidativo por 
formação de radicais livres de membrana e 
aumento da permeabilidade da membrana, 
levando a morte celular; 
4. NAPBQI promove oxidação das sulfidrilas nas Ca2+ 
ATPases, aumentando a concentração de cálcio 
intracelular, o qual ativa enzimas degradativas, 
promovendo morte celular. 
NEFROTOXIDADE 
• O rim está exposto a altas concentrações dos 
fármacos e aos metabólitos destes quando a urina 
está concentrada, o que o torna vulnerável; 
• Lesão renal pode ser produzida pelos mecanismos 
gerais de lesão celular, que podem causar necrose 
papilar e/ou tubular; 
• Redução nas prostaglandinas vasodilatadoras 
compensadoras pode resultar em resistência 
vascular renal aumentada e função renal diminuída; 
• Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs ou NSAID) 
e os inibidores da conversão da angiotensina (IECA 
ou ACEI) estão atualmente entre as causas mais 
comuns de falência renal aguda.; 
• Os AINEs bloqueiam a síntese de prostaglandinas 
(PGs) que auxiliam a manter a perfusão renal em 
pacientes com doença cardíaca ou vascular 
aterosclerótica.; 
• Em pacientes com estenose bilateral das artérias 
renais, a taxa de filtração glomerular (TFG) 
depende da vasoconstrição da artéria aferente, a 
qual é mediada por angiotensina II, o que é 
prejudicado pelos IECA; 
• Pode haver, também: nefrite intersticial alérgica e 
nefropatia por analgésicos (através de 
mecanismos ainda pouco elucidados); 
• Captopril e outros fármacos que possuem grupos 
sulfidrila tem sido implicados em lesão glomerular; 
• Ciclosporina pode causar lesão renal por 
vasoconstrição; 
• Paracetamol pode causam necrose das células 
tubulares pelos mesmos mecanismos que causam 
lesão hepática. 
 
 
44 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
MUTAGÊNESE E CARCIONOGÊNESE 
• Mutagênese envolve alteração do genótipo de 
uma célula por modificação do DNA. Se envolve 
mutação nas células germinativas, normalmente, é 
transmitida para a prole; 
• Carcinogênese envolve alteração dos proto-
oncogenes ou dos genes supressores de tumor 
por mutação, geralmente é necessária mais de 
uma mutação; 
• Fármacos são relativamente causas incomuns 
(mas não menos importantes) de defeitos de 
nascimento e cânceres, os quais são causados 
mais comumente por exposição a poluentes e 
toxinas do ambiente; 
• Mutagênese → carcinogênese; 
• Mutações em proto-oncogenes (que regulam o 
crescimento celular); 
• Mutações em genes supressores de tumor 
(codificam produtos que inibem a transcrição dos 
oncogenes); 
• Alguns oncogenes codificam fatores de 
crescimento, ou seus receptores, ou ainda, 
elementos do mecanismo celular de transdução, 
pelos quais esses fatores agem. 
Mecanismos da mutagênese: 
• Modificação de bases do DNA.; 
• Maior suscetibilidade durante replicação.; 
• O feto em desenvolvimento é muito suscetível e 
agentes mutagênicos frequentemente também 
são teratogênicos (o mesmo vale para as células 
germinativas); 
• Alguns dos principais agentes mutagênicos já 
identificados são os poluentes e aditivos 
alimentares; o papel dos fármacos precisa ser 
melhor compreendido. 
 
 
 
 
 
 
Carcinogênese: 
 
 
• Novos fármacos são testados para mutagênese e 
carcinogênese; 
• O principal teste para a mutagenicidade mede a 
mutação reversa: em um meio livre de histidina, 
de uma mutante de Salmonella typhimurium (que 
não pode crescer sem histidina) na presença da 
substância química a ser testada e de uma 
preparação enzimática microssomal hepática para 
gerar os metabólitos reativos. Se houver 
crescimento da colônia indica que a mutagênese 
ocorreu; 
• Testagem da carcinogenicidade envolve a 
dosagem crônica de grupos de animais, é caro e 
consome tempo e não há realmente teste 
disponível para os carcinogênicos epigenéticos 
 
 
45 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Álcool é um carcinogênico secundário. 
Dependendo da quantidade de enzimas no 
estômago e da quantidade de álcool ingerida, há 
uma chance de formar metabólitos reativos, que 
podem induzir a câncer (por exemplo, câncer 
gástrico); 
• Agentes co-carcinogênios potencializam o efeito 
de carcinogênicos primário e secundário levando 
a uma alteração do DNA; 
• Agentes promotores fazem “feedback positivo”, 
levando a expressão do oncogene. 
TERATOGÊNESE 
• Produção de 
malformações 
estruturais grosseiras 
no feto, como 
ausência de membros 
após a talidomida. 
Lesões menos 
abrangentes podem 
ser produzidas por 
muitos outros 
fármacos; 
• Malformações 
grosseiras são produzidas somente se os 
teratogênicos atuarem durante a organogênese 
(após a formação do blastocisto durante os 3 
primeiros meses de gravidez); 
• Existem muito mais malformações estruturais 
grosseiras causadas por poluentes, produtos de 
limpeza, cosméticos, aditivos alimentares do que 
por fármacos; 
• Durantes a formação do blastocisto pode ocorrer 
síndrome alcoólica fetal e após os 3 primeiros 
meses pode ocorrer inibição da enzima 
conversora de angiotensina e estartans (drogas 
que diminuem a pressão), outras lesões nesses 
períodos são raras; 
• O mecanismo de ação dos teratogênicos não está 
claramente compreendido, embora a lesão do 
DNA seja um fator em muitos casos; 
• Diversos fármacos são relatados como tendo 
efeitos adversos sobre o desenvolvimento fetal 
(talidomida, anticonvulsionantes, álcool...); 
• A natureza dos efeitos dos fármacos sobre o 
desenvolvimento fetal depende do estágio da 
gestação: 
o Formação do blastocisto, nas primeiras 
duas semanas; 
o divisão celular pode ser afetada por 
fármacos citotóxicos e álcool; 
o Organogênese, da terceira semana ao fim 
do segundo mês - divisão, migração, 
diferenciação e morte celulares podem 
ser afetados por agentes teratogênicos; 
o Histogênese e maturação funcional, 
segundo e terceiro trimestres; 
o todos os processos podem ser afetados 
por fármacos variados, como álcool, 
nicotina, drogas antitireoidianas, hormônios 
esteróides. 
 
 
 
 
46 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
REAÇÕES ALÉRGICAS AOS FÁRMACOS 
• Os fármacos ou 
os seus metabólitos 
reativos podem se ligar 
covalentemente às 
proteínas para formares 
imunogênicos. A 
penicilina,que também 
pode ser imunogênica 
para formar polímeros 
(várias moléculas de 
penicilina), é um exemplo 
importante; 
• As reações 
alérgicas (hipersensibilidade) induzidas pelos 
fármacos podem ser mediadas por anticorpos 
(tipo I, II, III) ou mediados por células (tipo IV); 
• Manifestações clínicas importantes incluem: 
o Choque anafiláticos (tipo I): reação rápida. 
Põe em risco a vida, por obstruir a 
respiração. Muitos fármacos podem 
causar essa condição. A maioria das 
mortes são causadas pela penicilina; 
o Reações hematológicas (tipos II, III ou IV): 
anemia hemolítica (sulfonamidas, 
metildopa), agranulocitose (que pode ser 
irreversível - sulfonamidas, cloranfenicol, 
carbimazol) e trombocitopenia (quinina, 
heparina e diuréticos tiazídicos). Podem 
acabar afetando hemácias, granulócitos 
(leucócitos) e plaquetas; 
o Lesão hepática alérgica (tipos II, III): por 
exemplo, o metabólito reativo do halotano 
acopla-se às proteínas plasmáticas, 
formando o imunogênico (pode levar à 
hepatite fulminante); 
o Erupções cutâneas (tipos I, IV): ocorrem 
com muitos fármacos, são geralmente do 
tipo IV e moderadas, embora algumas 
possam pôr em risco a vida; 
o Lúpus eritematoso sistêmico induzido por 
fármacos (principalmente do tipo II): 
envolve anticorpos contra o material 
nuclear. 
Princípios do Tratamento 
Antimicrobiano 
• Quimioterápico e antimicrobiano referem-se a: 
antibacterianos, antifúngicos, anti-helmínticos, 
antiprotozoários, antivirais = toxicidade seletiva, 
voltada para o metabolismo e características 
dessas espécies e vírus; 
• Quimioterápico ainda se refere também a 
antineoplásicos (agentes citotóxicos contra células 
do nosso organismo); 
• O termo antibiótico refere-se a substâncias 
produzidas por microrganismos que matam outros 
microrganismos ou que inibem o seu crescimento; 
• Muitos antimicrobianos se originam da propriedade 
antibiótica de alguma moléculas. É sabido que 
fungos competem com bactérias pelo mesmo 
ambiente e, muitas vezes, tem a capacidade de 
fabricar substâncias que combatem as bactérias - 
antibióticos extraídos de fungos que fornecem 
substâncias antimicrobianas que vão funcionar 
como medicamento; 
• Comunicação intercelular (entre células): talvez os 
antibióticos tenham sido as primeiras moléculas 
dessa comunicação. 
 
 
 
47 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
A associação de febre com outros sinais que indiquem uma 
infecção não é uma indicação plausível para uso de 
agentes antimicrobianos do tipo antibacterianos. Muitas das 
infecções são virais, em que não se tem indicação de uso 
de antiviral específico. O uso de antibacteriano em excesso 
tem paraefeitos, riscos, efeitos adversos significativos e 
deve-se ser evitado. 
• Quimioterápicos abordam os tratamentos das 
infecções bacterianas, das infecções fúngicas, das 
parasitoses por helmintos, das infecções por 
protozoários (como tratamento da malária), das 
infecções virais, das infecções oportunistas que 
ocorrem no caso de imunodepressão (como na 
AIDS) e das neoplasias; 
• O tratamento antimicrobiano aproveita diferenças 
entre o metabolismo humano e o de micro-
organismos: seletividade (causam morte ou 
disfunção aos patógenos e não às nossas células) 
e toxicidade seletiva (é, na prática, relativa); deve-
se chegar na janela terapêutica; 
• Existe uma normativa da ANVISA que exige que 
os antimicrobianos devem ser vendidos nas 
farmácias com apresentação de duas vias de 
receita médica (uma delas ficará retida no 
estabelecimento e outra com o consumidor). É 
importante, porque os antimicrobianos são uma 
classe que, quando usados de forma inadequada, e 
em excesso vão causar efeitos adversos e levam 
à resistência bacteriana 
ESCOLHA DO ANTIMICROBIANO 
Requer: 
1) Identificação do microrganismo; 
2) Determinação da suscetibilidade desse organismo 
a um ou mais fármacos; 
3) Local da Infecção; 
4) Considerar características dos pacientes; 
5) Considerar a segurança do fármaco; 
6) Ponderar o custo do tratamento. 
Ainda assim, alguns pacientes não poderão esperar, dada 
a gravidade de sua doença, e precisarão começar 
tratamento empírico 
IDENTIFICAÇÃO DO MICRORGANISMO 
• É decisiva para o êxito do tratamento; 
• Informação rápida por 
visualização no microscópio pode 
ser realizada pela coloração de 
Gram em microorganismos 
identificados em líquidos corporais 
que normalmente são estéreis, 
como sangue, urina, líquor, nos 
líquidos sinovial, peritoneal e pleural; 
• Em geral, é necessário cultivar o 
germe com sua identificação 
(detecção de antígenos 
microbianos, detecção do DNA ou 
RNA microbiano e vírus e detecção de resposta 
imune do hospedeiro - imunoglobulinas). 
 
 
 
 
 
48 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• É essencial obter amostras para cultivo antes de 
iniciar qualquer tratamento empírico, já que ele 
pode influenciar no resultado; 
• Exames coletados depois podem ser negativos, 
por ausência de germes ou por inibição de 
crescimento provocado pelo antimicrobiano 
utilizado 
Tratamento empírico antes da identificação do micro-
organismo: 
• O ideal é identificar o germe e começar o 
tratamento, quando não for possível, coletam-se 
as amostras e inicia-se o tratamento; 
• Quando começar? Pacientes gravemente 
doentes, com infecção de origem desconhecida, 
como paciente neutropênico (ocorre diminuição 
da quantidade de neutrófilos, o que diminui a sua 
competência imunológica) e em casos de 
meningite (pode evoluir rapidamente); 
• Escolha do fármaco: local (anatômico) da infecção 
e anamnese (infecções prévias, idade, relato de 
uso prévio de antimicrobianos, relato de viagens 
recentes, estado imune, tipo de infecção - 
comunitária, a qual responde melhor ao 
tratamento, ou nosocomial, que os germes são 
mais difíceis de tratar) são fatores que 
condicionam a escolha. 
DETERMINAÇÃO DA SUSCETIBILIDADE DESSE 
ORGANISMO A UM OU MAIS FÁRMACOS (ANTIBIOGRAMA) 
• Saber qual é o fármaco que é capaz de tratar 
aquele micro-organismo, daquela espécie 
patogênica, retirada do fluido do paciente; 
• Após o cultivo do patógeno é possível realizar 
testas para determinar a sua suscetibilidade, 
determinando a concentração inibitória mínima 
(CIM), é a concentração de antibiótico no meio 
que consegue inibir o crescimento bacteriano in 
vitro, e a concentração bactericida mínima (CBM), 
que é a concentração de antibiótico capaz de 
matar 99,9% das bactérias num teste ao longo da 
noite; 
• Se faz um arranjo com vários tubos de ensaio: 
colocando uma concentração de antibiótico 
conhecida e vai se diluindo. Tubos contendo 
variadas concentrações de antibiótico são 
inoculados com o microrganismo em teste; 
• Depois de 24h de incubação, nota-se que nas 
concentrações baixas teve crescimento 
bacteriano e nas altas não. A CIM é a menor 
concentração do antibiótico que inibe o 
crescimento bacteriano; 
• Esse material é colocado em incubação durante 
toda a noite para observar qual é a concentração 
de antibiótico que vai matar as bactérias que 
estavam ali presentes. A concentração mínima 
que inibiu o crescimento bacteriano é a CBM. 
 
Fármacos bacteriostáticos versus bactericidas: 
• Bacteriostáticos → 
inibem a proliferação; 
o Dependem muito da 
ação do sistema imunológico; 
o Ao impedir a proliferação, 
o próprio sistema imune do 
paciente (neutrófilos, linfócitos...) 
é responsável por matar o 
agente patogênico; 
• Bactericida → matam o patógeno; 
o Podem ser preferidos em situações mais 
graves e/ou em pacientes 
imunocomprometidos. 
Um mesmo fármaco pode ser bacteriostático e bactericida 
dependendo da concentração que ele fica no meio, como 
a combinação bactrim ou clotrimazol (sulfametoxazol + 
trimetoprima), que é uma associação de fármacos que 
inibe o metabolismo de bactérias (a síntese do folato 
bacteriano). É bacteriostática para a concentração 
plasmática,mas na urina ela fica 50 vezes mais 
concentrada, tornando-se bactericida. 
LOCAL DE INFECÇÃO 
• Os fármacos não chegam todos aos mesmos 
locais do corpo, com a mesma facilidade, leva-se 
em consideração a farmacocinética = como os 
 
49 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
fármacos podem chegar ao sítio em que a gente 
deseja obter efeito; 
• Existem barreiras naturais nos 
capilares ou no acesso a diversos 
tecidos, por exemplo no encéfalo, na 
próstata e no humor vítreo; 
• A barreira hematoencefálica é de 
particular interesse, pois possui alta 
seletividade; 
• Ex: líquido sinovial das articulações 
normalmente é estéril. Pode ocorrer 
algum trauma ou patologia que deixe 
a cápsula articular mais porosa, 
permitindo a entrada de germes. É 
mais difícil a entrada de antibióticos na cápsula 
articular, não é qualquer um que chega no local de 
ação. 
 
Fatores que influenciam a penetração e a concentração 
de uma droga no líquido cerebrospinal: 
• Lipossolubilidade do fármaco: Cloranfenicol e 
metronidazol são lipossolúveis e penetram, ou 
seja, poderiam ser usados para tratar 
infecções no SNC. Beta-lactâmicos, como as 
penicilinas ficam ionizadas e não passam a 
BHE; 
• Massa molecular do fármaco: os de elevado 
peso molecular, como a vancomicina, não 
passam; 
• Ligação dos fármacos às proteínas 
plasmáticas: é a quantidade de fármaco livre 
que pode penetrar; se a taxa de ligação for 
muito grande, haverá dificuldade em penetrar 
a BHE. 
 
 
CONSIDERAR CARACTERÍSTICAS DOS PACIENTES 
• Sistema imune: o sistema de defesa precisa 
eliminar os germes (com a ajuda de antibióticos). 
AIDS, alcoolismo, disfunções nutricionais, diabetes 
mellitus, doenças autoimunes, gestação ou idade 
avançada são fatores que podem comprometer a 
imunidade. Dosagens maiores que as habituais e/ou 
tempos de tratamento mais longos podem ser 
requeridos 
• Disfunção renal: perda da função renal 
compromete a depuração, dessa forma, os 
fármacos tendem a se acumular no organismo. 
Quanto maior a disfunção/perda da função renal, 
menor a dose do fármaco a ser utilizada (maior o 
ajuste, no sentido de oferecer menos fármaco); 
o Função normal = 50% da depuração 
renal preservada; disfunção leve = 10 -
50% da função renal/capacidade de 
depuração de creatinina; disfunção renal 
mais pronunciada quando fica abaixo de 
10%; 
o As perdas de função renal podem ser 
crônicas ou agudas (necrose tubular 
aguda); 
o É comum o uso do valor de creatinina 
sérica como uma estimativa da função 
renal (algo que deveria estar sendo 
excretado na urina, está ficando no 
sangue e, se isso está acontecendo, é 
possível que haja uma disfunção renal); 
o Para ajuste de dose, o ideal é determinar 
o nível sérico dos fármacos; 
o Ex: Amicacina = 1000 mg 1x dia em 
pacientes normais; em pacientes com 
disfunção renal leve 500 mg a cada 24h; 
maior disfunção usa-se 500 mg a cada 
dois dias; 
 
 
50 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Disfunção hepática: deve-se ter cautela para os 
fármacos que são depurados pelo fígado ou que 
se acumulam nele, causando toxicidade adicional; 
• Má perfusão: pouca disponibilidade de 
antimicrobianos em regiões com déficit 
perfusional, como em úlceras e pés diabéticos. Por 
vezes, exige o desbridamento da região, ou 
mesmo cirurgia de revascularização, não sendo 
rara a necessidade de amputação; 
• Idade: a eliminação renal e a depuração hepática 
podem ser limitadas em recém-nascidos. São 
vulneráveis aos efeitos do cloranfenicol e das 
sulfonamidas. Tetraciclinas e quinolonas também 
devem ser evitadas por interferirem no 
desenvolvimento ósseo, sobretudo o dentário. 
Aumento da idade causa perda da função renal e 
hepática; 
• Gestação: vários antibióticos atravessam a 
placenta; efeitos adversos são raros, exceto 
displasia óssea e dentária com tetraciclina e 
ototoxicidade com aminoglicosídeos. Anti-
helmínticos são embriotóxicos e teratogênicos, 
podendo provocar malformações e aborto. 
Categorias dos antimicrobianos: 
o A (nenhum risco letal ou possibilidade 
remota de lesão fetal); 
o B (sem estudos controlados mostrando 
risco em humanos); 
o C (demonstra toxicidade fetal em animais; 
risco humano indefinido); 
o D (risco fetal humano presente, mas os 
benefícios superam o risco) e X (risco 
fetal humano presente não é superado 
pelos benefícios; contraindicado na 
gestação); 
 
• Lactação: fármacos podem ser secretados no 
leite. Em geral, os antimicrobianos aparecem em 
pequena concentração, mas podem causar 
paraefeito no lactente. 
CONSIDERAR A SEGURANÇA DO FÁRMACO 
A maioria dos antibióticos está entre os fármacos menos 
tóxicos por ele próprio, dada a toxicidade seletiva (feito 
para causar toxicidade em outros organismos, não no 
paciente), ainda assim, podem causar alergias, síndrome de 
Steven-Johnson, reações anafiláticas, etc. 
CUSTO DO TRATAMENTO 
Precisa ser levado em conta. 
 
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 
• Via oral: 
o Preferida para tratamento ambulatorial 
o Menor custo; 
• Via parenteral: 
o Pode ser exigida pela natureza da 
infecção ou do fármaco; 
o Alguns fármacos não conseguem ser 
bem absorvidos por VO (vancomicina, 
aminoglicosídeos e anfotericina B); 
o Sempre que possível os pacientes que 
iniciarem tratamento IV passam para VO. 
DETERMINANTES DA DOSAGEM RACIONAL 
• Leva em conta a farmacocinética de cada espécie 
farmacológica (absorção, distribuição, ligação a 
proteínas plasmáticas e eliminação); 
• Três propriedades são muito importantes: 
o Efeito bactericida dosagem-dependente; 
o Efeito bactericida tempo-dependente; 
o Efeito pós-antibiótico. 
EFEITO BACTERICIDA DOSE-DEPENDENTE: 
Os antimicrobianos que apresentem esse efeito podem ser 
utilizados com êxito em regimes posológicos do tipo in 
bolus, isto é, com a injeção de uma grande quantidade de 
fármaco de uma só vez, geralmente uma vez ao dia. Deve-
se atingir altas concentrações periodicamente para 
provocar morte dos patógenos. São mais eficazes quando 
 
51 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
as concentrações sanguíneas são mantidas acima da CIM 
periodicamente (picos). Ex: metronidazol e fluorquinolonas. 
 
EFEITO BACTERICIDA TEMPO-DEPENDENTE: 
Também é conhecido como concentração-independente. 
É o caso de betalactâmicos, glicopeptídeos, macrolídeos, 
clindamicina e linezolida → o aumento da concentração 
para múltiplas CIM não melhora a eficácia. A eficácia 
depende de se manter o paciente em concentrações 
maiores que a CIM a maior parte do tempo (de 60 a 70% 
do tempo, pelo menos). A concentração constante de 
fármaco por certo período de tempo. São mais eficazes 
quando as concentrações sanguíneas são mantidas acima 
da CIM pelo maior período de tempo possível. Ex: beta-
lactâmicos e vancomicina. 
EFEITO PÓS ANTIBIÓTICO: 
Corresponde à supressão persistente do crescimento 
bacteriano depois que os níveis de antibiótico caem abaixo 
da CIM. Corresponde ao tempo necessário para que um 
cultivo de microrganismos alcance a fase logarítmica de 
proliferação. Inibição de crescimento bacteriano, até 
mesmo da microbiota endógena, depois de interrompido o 
uso de antibacterianos 
PRINCÍPIOS DA DOSAGEM DOS ANTIBACTERIANOS: 
 
 
FÁRMACOS USADOS EM INFECÇÕES BACTERIANAS 
• São muitos os fármacos úteis; 
• Seguiremos a classificação sugerida por Clark et. 
Al de dividi-los em 7 grupos: penicilinas, 
cefalosporinas, tetraciclinas, aminoglicosídeos, 
macrolídeos, fluoroquinolonas e outros. 
 
ESPECTRO QUIMIOTERAPÊUTICO 
 
• Antibióticos de espectro estreito: atuam em 
somente grupo único ou limitado de micro-
organismos. Ex: Isoniazida só atua em 
micobactérias; 
 
 
52 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Antibióticos de espectro estendido: funcionam 
contra bactérias Gram positivas e também 
algumas Gram negativas. Ex: Ampicilina; 
 
• Antibióticos de amplo espectro: fármacos como as 
tetraciclinas e o cloranfenicol,os quais atuam 
contra uma grande variedade de patógenos. 
 
ASSOCIAÇÃO DE ANTIMICROBIANOS 
No início usa-se fármaco único, pois reduz a possibilidade 
de superinfecção, de riscos (efeitos adversos), diminui o 
aparecimento de resistência e minimiza a toxicidade. 
Em algumas situações, a monoterapia é ineficaz, 
necessitando usar associação de fármacos 
 
RESISTÊNCIA AOS FÁRMACOS 
• Se o crescimento de bactérias não for inibido por 
concentrações menores do que as que são 
toleradas pelo hospedeiro, estamos em presença 
de uma situação em que pode estar ocorrendo 
resistência bacteriana (e que pode resultar em 
situação favorável a essa insurgência) = fármaco 
não está funcionando; 
• Alterações genéticas que geram resistência aos 
fármacos: mutação espontânea do DNA, podendo 
ocorrer mutação espontânea selecionada pelo 
ambiente (como a emergência de Mycobacterium 
tuberculosis resistente à rifampicina, quando usada 
em regime único) e transferência da resistência 
pelo DNA (ocorre de uma bactéria para outra 
mediada por plasmídeos); 
 
• Expressão alterada das proteínas na resistência 
dos micro-organismos aos fármacos: mediada por 
uma variedade de mecanismos como modificação 
dos alvos de ligação (por exemplo, mutações nas 
proteínas ligadoras de penicilina), diminuição do 
acúmulo (por exemplo, bactérias Gram negativas 
podem limitar a entrada de fármacos através de 
mutações nas proteínas que codificam canais) e 
inativação enzimática = uma enzima vai inativar o 
antibiótico (beta-lactamases/penicilinas inativam 
beta-lactâmicos, acetiltransferases inativam 
cloranfenicol ou aminoglicosídeos e estearases 
hidrolizam, inativando, os macrolídeos). 
 
ANTIBIÓTICOS PROFILÁTICOS 
• São utilizados para prevenir infecções, quando os 
benefícios superam os riscos; 
• Há necessidade de controlar o tempo de uso e a 
dose para monitorizar a exposição; 
o Ex 1: O pré-tratamento pode prevenir 
infecções por estreptococos em 
pacientes com história de doença 
reumática cardíaca. Os pacientes podem 
necessitar de anos de tratamento; 
o Ex 2: Em pacientes portadores de 
implantes protéticos, como válvula 
cardíaca, e que se submetem à extração 
dentária, o pré-tratamento previne a 
 
53 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
colonização da prótese por micro-
organismos; 
o Ex 3: O pré-tratamento pode prevenir 
tubérculos ou meningite entre indivíduos 
que estão em contato próximo com 
pacientes infectados; 
o Ex 4: O tratamento prévio à maioria dos 
procedimentos cirúrgicos pode diminuir a 
incidência de infecções posteriores. A 
profilaxia eficaz é dirigida contra os micro-
organismos mais prováveis e não à 
erradicação de todos os patógenos 
potenciais; 
o Ex 5: Tratamento da mãe com zidovudina 
para proteger o feto no caso de uma 
gestação infectada com AIDS. 
COMPLICAÇÕES DA ANTIBIOTICOTERAPIA 
• Hipersensibilidade: podendo causar alergia e, em 
casos mais graves, em que não pode haver 
reexposição (não usar novamente o fármaco), 
Síndrome de Stevens-Johnson e necrólise 
epidermal tóxica; 
• Toxicidade direta, por exemplo, aminoglicosídeos 
são ototóxicos por interferir com as células ciliadas 
do órgão de Corti; 
• Superinfecção: desequilíbrio da microbiota, com 
infecções oportunistas (como superinfecção por 
Clostridium difficile que pode acometer o intestino). 
PRINCIPAIS EFEITOS ADVERSOS DOS ANTIBACTERIANOS 
• Teratogenicidade; 
• Mania induzida por antibióticos (alterações do 
humor); 
• Síndrome do intervalo QT longo (alteração na 
atividade elétrica do miocárdio, podendo resultar 
em arritmia grave); 
• Diminuição do efeito dos contraceptivos orais 
devido ao aumento da eliminação pelas fezes 
(dirreia), ao aumento do metabolismo hepático, ao 
deslocamento do receptor, à redução da 
absorção gastrointestina, à redução da circulação 
enterohepoática = Quando ocorre lise das 
bactérias intersticiais, acontece liberação de sulfato 
e ácido glicurônico que acabam se ligando aos 
contraceptivos orais (moléculas de etinilestradiol)) 
e impedem sua absorção. Principais grupos de 
antibióticos que causam esse efeito: penicilinas, 
tetraciclinas, metronidazol, eritromicina e 
cefalosporinas; 
 
• Agranulocitose; 
• Fotossensibilidade; 
• Alteração da microbiota e superinfecção; 
• Diarreia e colite pseudomembranosa. 
LOCAL DE AÇÃO DOS ANTIMICROBIANOS 
 
• Inibidores de metabolismo (sulfonamidas, 
trimetoprima); 
• Inibidores da síntese da parede celular (beta-
lactâmicos, vancomicina); 
• Inibidores da síntese de proteínas (tetraciclinas, 
aminoglicosídeos, macrolídeos, clindamicina, 
cloranfenicol); 
• Inibidores da função ou da síntese dos ácidos 
nucleicos (fluorquinolonas, rifampicina); 
• Inibidores das funções da membrana celular 
(isoniazida, anfotericina B). 
ANTIMICROBIANOS QUE ATUAM NA PAREDE CELULAR 
• Seletividade pela estrutura da parede celular (a 
qual não existe nos mamíferos); 
• Parede celular feita com ligações cruzadas de 
peptídeoglicanos; 
• Para maior eficiência é necessário que o 
organismo esteja em replicação. A maior parte dos 
 
54 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
fármacos agem durante a replicação da parede 
celular; 
• Nesta classe encontramos os beta-lactâmicos e a 
vancomicina; 
• Ácido clavulânico: inibe as bacterias produtoras de 
penicilinases – quando usado com penicilinas 
potencializam a ação antimicrobiana. 
 
 
PENINCILINAS 
• Foram inicialmente isoladas a partir do fungo 
Penicillium; 
• Estão entre os fármacos mais eficazes e menos 
tóxicos; 
• Porém, o aumento da resistência tem limitado o 
seu uso. 
Estrutura dos beta-lactâmicos: 
• Possuem um anel beta-
lactâmico, que é o local de 
hidrólise pela penicilinase 
bacteriana ou por ácido; 
• Suco gástrico (ácido) 
inviabiliza as moléculas de 
penicilina; 
• Fenoximetilpenicilina é 
relativamente resistente ao 
suco gástrico, mas é pouco absorvida por VO, tem 
baixa biodisponibilidade; 
• A natureza da cadeia lateral dos beta-lactêmicos 
determina a estabilidade do fármaco à hidrolise 
enzimática ou ácida e afeta o espectro 
antibacteriano = afeta o espectro de ação, os 
efeitos adversos (reações cruzadas), a 
suscetibilidade às beta-lactamases bacterianas e a 
estabilidade no suco gástrico. 
Mecanismos de ação das penicilinas 
• Interferem na última etapa da síntese da parede 
celular bacteriana, que são as formações de 
ligações cruzadas por transpeptidação → 
tornando as membranas menos osmoticamente 
estáveis (bactérias têm concentração intracelular 
maior que o meio extracelular) → ação 
bactericida; 
• Os beta-lactâmicos são inativos contra 
microrganismos que não possuam parede celular; 
• A ação pode decorrer de: 
1. Interferência nas proteínas ligadoras de penicilina - 
Numerosas proteínas são inativadas pela penicilina, 
diminuindo a homeostase da parede bacteriana - 
Aparentemente a resistência pode surgir em 
função de adaptações por parte do 
microrganismo (Staphylococcus aureus meticilina 
resistente, por exemplo.); 
2. Inibição da transpeptidase 
- Na última fase da síntese da 
parede celular das bactérias, 
ocorre ligação cruzada de 
peptideosglicanos – esse 
processo é bloqueado pelas 
penicilinas - É o mecanismo 
central de ação das penicilinas; 
3. Produção de autolisinas - Pode acabar degradando 
paredes celulares já formadas, não agindo apenas 
durante a replicação - Mais importante contra 
cocos Gram(+). 
Espectro antibacteriano: 
• Considera que tipos de germes são atingidos com 
esse antibiótico; 
• É influenciado pela capacidade do fármaco de 
atravessar a parede celular e alcançar as PLPs no 
espaço periplasmático; 
• Tamanho, carga, hidrofobicidade; 
 
55 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Os germes Gram(-) possuem uma membrana de 
polissacarídeos (envelope) recobrindo a parede e 
dificultando a ação dos betalactâmicos; mas 
possuem as porinas, por onde pode ocorrer o 
acessodo antibacteriano; 
• Obs: a Pseudomonas aeroginosa (causadora de 
infecções pulmonares) não possui as porinas, 
tornando o tratamento mais difícil. 
Penicilinas naturais: 
• Inclui as penicilinasproduzidas a partir da 
fermentação pelo fungo Penicillium chrysogenum; 
• Benzilpenicilina (penicilina G) e fenoximetilpenicilina 
(penicilina V) - e outras, semissintéticas, como a 
amoxicilina e a ampicilina; 
• A benzilpenicilina G é o tratamento padrão para 
infecções causadas por inúmeros cocos Gram(+) 
e Gram(-), bacilos Gram(+) e espiroquetas. É uma 
forma suscetível às betalactamases. Não é 
absorvida por VO, pois sofre hidrolise ácida no 
suco gástrico; 
• A fenoximetilpenicilina (Penicilina V) tem espectro 
similar e é mais estável ao suco gástrico (é 
absorvida por VO, mas pouco, por isso não é 
usada em bacteremias - não atinge concentrações 
séricas elevadas). 
 
Penicilinas antiestafilocócicas: 
• Meticilina, nafcilina, oxacilina e dicloxacilina são 
penicilinase-resistentes, em tese, mesmo que o 
germe (frequentemente estafilococos) produza as 
beta-lactamases, essas moléculas resistem melhor; 
• Carecem de ação contra Gram(-); 
• Uso restrito aos estafilococos produtores de 
penicilinases, como o S. aureus sensível à meticilina 
(SASM), pois a meticilina é bastante nefrotóxica - 
na prática deixou de ser usadas nos EUA; 
• O S. aureus resistente à meticilina é um problema 
em infecções nosocomiais (hospitalares) → usa-se 
a vancomicina (utilizado como fármaco de 
“socorro”, é a última tentativa de tratamento). 
Penicilinas de espectro estendido: 
• Ampicilina e amoxicilina 
têm espectro similar ao da 
benzilpenicilina, mas agem 
também contra alguns bacilos 
Gram(-) - por isso são 
tratamentos muito útilizados 
pelos clínicos; 
• São o tratamento de 
primeira escolha contra 
Listeria monocytogenes (Gram+) e enterococos 
susceptíveis; 
• Muito usadas para tratar infecções de vias aéreas 
superiores e na profilaxia de procedimentos 
dentários (prevenindo endocardite bacteriana); 
• Problema atual: resistência através de penicilinases 
transmitidas por plasmídeo (E. coli, Haemophilus 
influenzia) → Daí a associação com clavulanato 
(ácido clavulânico) ou sulbactam, que são inibidores 
da lactamase. 
Penicilinas antipseudomonas: 
• Atividade particular contra a 
Pseudomonas aeroginosa; 
• Disponíveis apenas por via 
parenteral; 
• A piperaciclina é a mais potente; 
• Ativas contra vários Gram(-), mas 
não contra Klebsiella (a menos que se use ácido 
clavulânico ou tazobactam, para inibir a 
betalactamase). 
 
 
 
 
56 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Penicilinas e aminoglicosídeos 
• Efeitos sinérgicos desejáveis; 
• O aumento da permeabilidade a outros fármacos, 
o qual é provocado pela penicilina, potencializa a 
ação antimicrobiana = penicilina afeta 
permeabilidade da bactéria, tornando-a mais 
sensível aos aminoglicosídeos; 
• Apesar da utilidade clínica, esses fármacos NÃO 
PODEM ser colocados em um mesmo frasco, pois 
haveria perda da eficácia por complexação pelas 
cargas: Penicilinas (carga -), Aminoglicosídeos 
(carga +) – um grudaria no outro e não 
funcionaria. 
Resistência: 
• Falta de sensibilidade natural ocorre em 
microrganismos que não possuem parede celular 
(por exemplo., micoplasma) ou que têm paredes 
impermeáveis a esses fármacos = resistência 
natural; 
• A resistência adquirida e, muitas vezes, transmitida 
por plasmídeo deve-se à: 
1. Atividade beta-lactamásica: 
o Enzimas produzidas pelos micro-
organismo que destroem a integridade do 
anel beta-lactâmico, impedindo a ação do 
antibiótico; 
o Gram(+): secreção das lactamases para o 
espaço extracelular; 
o Gram(-): fazem a inativação no espaço 
periplasmático; 
2. Diminuição da permeabilidade ao antibiótico; 
o Diminuição da concentração do fármaco 
no ambiente interno da bactéria; 
o Pode haver também bomba de efluxo = 
uma das razões da resistência da Klebsiella 
pneumoniae a muitos dos antibióticos 
beta-lactâmicos; 
3. PLPs (proteínas de ligação de penicilina) alteradas 
- MRSAs (Staphylococcus aureus resistente a 
meticilina) são resistentes à maioria dos beta-
lactâmicos pelo desenvolvimento de PLPs 
alteradas. 
Farmacocinética: 
1. Vias de administração: 
o Determinada pela absorção/estabilidade 
no TGI = é preciso que o antibiótico seja 
bem absorvido e que tenha estabilidade 
ao suco gástrico para ser usado VO. 
Também é determinada pela gravidade 
da infecção; 
o Ticarcilina, piperacilina, 
ampicilina/sulbactam, ticarcilina/clavulanato 
e piperacilina/tazobactam → só por IV ou 
IM; 
o Fenoximetilpenicilina e 
amoxicilina/clavulanato só por VO; 
o Penicilina procaína e benzilpenicilina 
benzatina→ IM; 
2. Formas de depósito: 
o Benzilpenicilina (procaína e benzatina) são 
administradas por via IM (quandrante 
supero-lateral glúteo) e servem como 
formas de depósito; 
o São absorvidas lentamente, mantendo 
níveis persistentes na corrente sanguínea; 
o Sua ação persiste ao longo do tempo, em 
níveis relativamente baixos; 
3. Absorção: 
o A maioria persiste no intestino, a 
amoxicilina, contudo, é quase 
completamente absorvida e não pode ser 
usada para tratar infecções do próprio 
intestino, como as causadas por Shigella 
ou Salmonella; 
o As penicilinas penicilinase-resistentes 
usadas por via oral, precisam ser usadas 
de 30 a 60 minutos antes da alimentação 
ou 2 a 3 horas após, pois os alimentos 
interferem na sua absorção; as demais 
não exigem esse cuidado; na prática, é 
mais fácil indicar “uso em jejum”; 
4. Distribuição: 
o Passam a barreira placentária e não se 
demonstraram teratogênicas; 
o Não chegam bem aos ossos, próstata e 
líquor; 
o Passam a BHE apenas quando houver 
inflamação no local; 
o Na meningite, as meninges inflamadas são 
mais permeáveis às penicilinas, o que 
permite a penetração no líquido 
 
57 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
cerebroespinal. À medida que ocorre o 
tratamento, as penicilinas chegam menos 
e dexam de atravessar a BHE; 
 
5. Biotransformação: 
o A metabolização pelo hospedeiro é, 
geralmente, desprezível; 
6. Excreção: 
o Principalmente excreção renal com o 
fármaco inalterado; 
o Filtração glomerular e secreção tubular; 
o Na insuficiência renal há necessidade de 
ajuste da dose, para que ela não se 
acumule; 
o Potencializar o efeito do fármaco (utilizar 
menor quantidade de droga e atingir 
níveis séricos maiores) = Associação com 
probenecida (não é um antibiótico, mas 
aumenta o poder antibiótico das 
penicilinas), que inibe a secreção tubular 
das penicilinas, competindo pela excreção 
e pode aumentar o seu nível sérico. 
Assim, a probenecida é eliminada, e a 
penicilina não; 
o Nafcilina, dicloxina e oxacilina não são 
eliminadas pelo rim → Saem na bile (são 
exceção à regra, metabolizadas pelo 
fígado); 
o Penicilinas também aparecem no leite. 
Reações adversas: 
As penicilinas estão entre os fármacos mais seguros, não 
necessitando de controle do nível sérico; no entanto, o 
risco de reações como o choque anafilático exige cuidado. 
Pode ocorrer: 
1. Hipersensibilidade: 
o A reação de hipersensibilidade é a mais 
importante, costuma ser mediada por um 
metabólito, o ácido peniciloico; 
o Ocorre em até 5% dos pacientes 
(variando de urticária a angioedema e 
choque anafilático), podendo chegar a 
100% nos casos de pacientes com 
mononucleose infecciosa; 
o Pode haver reações cruzadas com outros 
beta-lactâmicos (alguém que tenha alergia 
a penicilina, pode vir a mostrar alergia a 
cefalosporinas, por exemplo); 
2. Diarreia: 
o Problema comum, geralmente 
decorrente do desequilíbrio da microbiota 
intestinal; 
o Mais comum quando o fármaco tem 
absorção incompleta e/ou espectro 
estendido; 
o Pode ocorrer colite pseudomembranosa 
por Clostridium difficile (difícil tratamento); 
3. Nefrite: 
o Todas as penicilinas,principalmente a 
meticilina, têm chance de provocar nefrite 
intersticial aguda; 
o Por isso, na prática, a meticilina não tem 
mais sido indicada, 
4. Neurotoxicidade: 
o Ocorre quando a penicilina chega em alta 
concentração no tecido nervoso; 
o Podem provocar convulsões se 
chegarem ao tecido nervoso (na 
administração intratecal, por exemplo); 
o Pode ocorrer inibição gabaérgica - GABA 
é o principal neurotransmissor inibitório = 
maior excitabilidade (risco maior em 
pacientes epilépticos); 
5. Toxicidade hematológica: 
o Diminuição da coagulação com 
sangramento pode ocorrer em pacientes 
vulneráveis (preocupação nos urêmicos 
ou nos que recebam anticoagulante, e 
paciente com falta de microbiota para 
absorção de vitamina K).; 
o Paciente com uremia = insuficiência 
hepática → dificuldade de produzir ou 
ativar os fatores de coagulação; 
 
58 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Pode ocorrer citopenias em tratamentos 
de mais de 2 semanas → hemograma 
semanal para controlar; 
o Eosinofilia como reação adversa; 
6. Toxicidade catiônica: 
o Interação da penicilina (+) com íons, 
causando desequilíbrio eletrolítico; 
o Situação mais importante in vitro; 
o Usos clínicos: 
o → Meningite bacteriana (Neisseria 
meningitidis, Streptococcus pneumoniae); 
o → Infecções de ossos e articulações (S. 
aureus); 
o → Infecções de pele e tecidos moles (S. 
aureus e Streptococcus pyrogenes); 
o → Faringite (Streptococcus pyrogenes); 
o → Bronquite; 
o → Pneumonia; 
o → Infecções do trato urinário (E. coli); 
o → Gonorreia (amoxicilina + probenecida); 
o → Sífilis; 
o → Endocardite (Streptococcus viridans, 
Enterococcus faecalis). 
 
CEFALOSPORINAS 
• Foram inicialmente isoladas a partir do fungo 
Cephasloporium; 
• Da primeira geração até a quarta houve aumento 
do efeito contra Gram (+) para Gram (-), 
ampliando o espectro; 
• São estruturalmente semelhantes às penicilinas; 
• São semissintéticas (por acréscimo de cadeias 
laterais); 
• Operam pelos mesmos mecanismos e estão 
sujeitas aos mesmos problemas que as penicilinas, 
mas podem ser mais resistentes às 
betalactamases; 
• São ineficazes contra staphylococcus aureus 
meticilina resistente (SAMR), L. monocytogenes, 
Clostridium difficile e enterococos. 
Mecanismo de ação 
Inibição da síntese da parede bacteriana = bactericida. 
Espectro antibacteriano: 
 
1. Primeira geração: 
o Atuam como substitutas da 
Benzilpenicilina; 
o São penicilinase resistentes; 
o Atuam contra: Proteus mirabilis, E. coli, 
Klebsiella pneumoniae; 
o Mneumônico: PEcK; 
2. Segunda geração: 
o Estendem espectro para três outros 
germes, Gram(-): H. influenzia, 
Enterobacter aerogines, Neisseria 
(algumas); 
o Acrônimo: HENPEcK; 
3. Terceira geração: 
o Inferiores às de primeira geração contra 
SAMR; 
o Atividade aumentada contra bacilos 
Gram(-); 
o Ceftriaxona e cefotaxima são primeira 
escolha para meningite; 
o Ceftazidima tem atividade contra 
Pseudomonas aerog.; 
o Podem causar aumento da resistência por 
outros germes → “lesão colateral”; 
4. Quarta geração: 
o Cefepima; 
o Usada por via parenteral; 
o Espectro bastante amplo (com atividade 
contra estreptococos e estafilococos – 
mas apenas os suscetíveis à meticilina – 
e contra Gram(-) como Enterobacter, E. 
coli, K. pneumoniae, P. mirabilis e P. 
aeroginosa; 
5. Geração avançada: 
o Ceftarolina é o exemplar; 
o Administrada IV, como pró-fármaco; 
 
59 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o É o único antimicrobano comercialmente 
disponível que é ativo contra MRSA 
(infecções complicadas de pele e 
pneumonias comunitárias); 
o Tem amplo espectro contra Gram(+) 
somado ao espectro contra Gram(-) da 
ceftriaxona e das cefalosporinas de 3ª 
geração; 
o Não cobre: P. aeroginosa, 
Enterobacteraceae produtoras de 
betalactamase de epectro extendido (β-
LEE), nem Acinetobacter baumannii; 
o Necessita uso duas vezes ao dia IV = 
internação hospitalar. 
Resistência 
• Ocorrem os mesmos mecanismos de resistência 
já descritos para as penicilinas; 
• Podem ser degradadas por beta-lactamases. 
Farmacocinética 
1. Administração: 
o Várias cefalosporinas precisam ser 
administradas por IM ou IV; 
o A maioria das cefalosporinas não penetra 
o líquido cerebroespinhal; as de 3ª 
geração alcançam níveis terapêuticos no 
líquido cerebroespinal; 
o Na urina aparece principalmente fármaco 
alterado - exceção: Ceftriaxona é 
metabolizada no fígado, aparecendo na 
bile. Exceções: 
 
2. Distribuição: 
o Todas se distribuem na maioria dos 
líquidos corporais, exceto no líquor (mas 
ceftriaxona e cefotaxima podem ser 
usadas para tratar meningite por H. 
influenza); 
o Pouca penetração na próstata, olhos e 
SNC. Entretanto, na presença de 
inflamação das meninges, as 
concentrações são adequadas para tratar 
meningite bacteriana (3ª e 4ª gerações); 
o A cefazolina tem meia vida de 1,8 horas e 
atividade contra S. aureus → profilaxia 
cirúrgica (vantagem: penetra nos ossos); 
o Todas atravessam a placenta; 
3. Eliminação: 
o Pouca biotransformação; 
o Exceção: ceftriaxone é metabolizada no 
fígado e excretada na bile e pelas fezes 
= pode ser usada em pacientes com 
insuficiência renal. 
o A maioria é eliminada por secreção 
tubular e/ou filtração glomerular; 
o Necessidade de ajuste na insuficiência 
renal; 
Reações adversas: 
• Manifestações alérgicas (reações de 
hipersensibilidade), distúrbios gastorintestinais, 
efeito dissulfiram (se administrado com etanol); 
 
• É importante considerar o risco de reação 
cruzada com as penicilinas; 
• Em tese, esse risco não impede o uso para 
reações de hipersensibilidade leves (como 
urticária); 
• No caso de alergia à penicilina, a chance de nova 
reação alérgica é da ordem de 8%. Uso com 
cautela. Maior risco com as de primeira geração; 
• Pacientes que já tenham apresentado choque 
anafilático, Síndrome de Stevens-Johnson ou 
necrose epidérmica tóxica com o uso de 
penicilinas não devem receber cefalosporinas. 
 
60 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
Usos clínicos: 
• Sepse; 
• Pneumonia; 
• Meningite; 
• Infecção do trato biliar – especialmente 
ceftriaxona; 
• Infecções do trato urinário (durante a gravidez); 
• Sinusite. 
OUTROS ANTIBIÓTICOS BETA-LACTÂMICOS 
Carbapenens 
São beta-lactâmicos sintéticos, estruturalmente diferentes 
das penicilinas → Compreendem: Imipeném (em 
associação com a cilastatina, para evitar a biotransformação 
renal), Meropeném, Doripeném e Ertapeném → Foram 
inicialmente desenvolvidas para combater micro-
organismos resistentes às penicilinas. 
 
Mecanismo de ação: 
• Inibição da síntese da parede bacteriana = 
bactericida 
Espectro antibacteriano: 
• Amplo → papel importante no tratamento 
empírico; 
• O imipeném resiste à hidrólise pela maioria das 
betalactamases, mas não pelas metalobeta-
lactamases; 
• Possui papel no tratamento empírico devido à sua 
atividade contra microrganismos produtores de 
lactamase gram(+) e gram (-), anaeróbicos e P. 
aeruginosa (meropeném e doripeném também, 
mas ertapeném, não). 
Resistência: 
Alguns já podem ser degradados por beta-lactamases. 
Farmacocinética 
• Imipeném/cilastatina e meropeném → por via IV 
e penetram bem os tecidos e líquidos corporais, 
incluindo a BHE na meningite; 
• Ertapeném: usado IM ou IV; 
• Boa penetração na maior parte dos tecidos; 
• São excretados por filtração glomerular. 
Efeitos adversos: 
• Distúrbios gastrointestinais; 
• Convulsões: com imipeném, principalmente. Mais 
comuns em pacientes com meningite e/ou 
comprometimento renal; 
• Hipersensibilidade: em pacientes com 
hipersensibilidade à penicilina, a incidência é de 
50%. 
 
Usos clínicos: 
• Os mesmos dos demais beta-lactâmicos; 
• Reservados para situações clínicas associadas com 
organismos altamente resistentes, para as quais 
existem poucas opções. 
Monobactamos 
• Agemna parede celular; 
• O único comercialmente 
disponível é o aztreonam; 
• Age contra gram(-), incluindo 
Enterobacteriacea e P. aeruginosa; 
• Não tem atividade contra Gram(+) e anaeróbicos; 
 
61 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Baixo potencial imunogênico → opção para os 
alérgicos a penicilinas e/ou cefalosporinas. 
Inibidores da beta-lactamase 
• São muito utilizados na clínica; 
• Inibem significativamente a 
atividade da enzima bacteriana 
(potencializam a ação de 
antimicrobianos), mas isoladamente 
quase não possuem atividade 
antimicrobiana: ácido clavulânico, 
sulbactam, tazobactam 
 
 
Vancomicina 
• É um glicopeptídeo que possui ação contra os 
MRSA, MRSE (estafilococos epidermidis resistente 
à meticilina) e enterococos; 
• Indicada pra Gram (+); 
• A preocupação atual é com o aparecimento de 
enterococos resistentes à vancomicina (ERV) e 
com o aumento da concentração inibitória mínima 
(CIM) nos SAMR (resistência aparecendo) → Obs: 
a bacitracina é um glicopeptídeo que usado apenas 
de forma tópica (pomada), dado o grande risco de 
nefrotoxicidade por via sistêmica. 
Mecanismo de ação: 
• Inibição da síntese de fosfolipídeos da parede 
celular bacteriana = bactericida; 
• Impede a polimerização dos peptideoglicanos que 
formam a parede; 
• Obs: Não é absorvida por VO, seu uso VO é 
reservado para o tratamento de infecções no 
trato gastrintestinal (infecção luminal) de colite 
grave causada por C. difficile, por exemplo. 
 
Espectro antibacteriano: 
• Eficaz contra Gram(+); 
• Tem sido a salvação para: SAMR, Enterococos, 
Staphylococcus epidermidis meticilina-resistentes 
(SEMR); 
• Para evitar o aparecimento de resistência o uso 
de vancomicina tem sido limitado à situações 
ameaçadores à vida, como colite por Clostridium 
difficile e infecção por estafilococos associados à 
antibioticoterapia Resistência; 
• Mediada por plasmídeos; 
• Em caso de resistência à vancomicina, as opções 
são: Daptomicina, Quinopristina/dafopristina e 
Linezolida. 
Farmacocinética: 
• Infusão lenta (60 a 90 min) - para evitar reação 
alérgica “síndrome do homem vermelho” - pode 
ser empregada no tratamento de infeções 
sistêmicas ou mesmo na profilaxia; 
• Não é absorvida por VO → uso restrito ao 
tratmento da colite por Clostridium difficile; 
• Na meningite precisa ser associado a uma 
cefalosporina, por exemplo, a ceftriazona; 
• Necessidade de ajuste para a função renal (meia 
vida de 6 a 10 h pode chegar a 200 horas na IR) = 
paciente com insuficiência renal deve receber 
menor dose; 
• Boa penetração na maior parte dos tecidos. Pouca 
penetração no sistema nervoso central. 
Entretanto, na presença de inflamação nas 
meninges, as concentrações são adequadas para 
tratar meningites bacterianas. 
Efeitos adversos: 
• Febre, calafrios, flebite; 
• Ruborização – a síndrome do “homem vermelho”, 
decorrente da liberação de histamina: requer 
diminuição da velocidade de infusão e anti-
histamínico e esteroides; 
• Pode haver otoxicidade (junto com 
aminoglicosídeos mais provavelmente). 
Usos clínicos: 
• Colite pseudomembranosa; 
 
62 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Infecções estafilocócicas resistentes a múltiplos 
fármacos; 
• Pacientes com alergia a penicilinas e 
cefalosporinas; 
• Endocardite. 
 
 
Daptomicina 
• Antibiótico lipopeptídico cíclico; 
• Alternativa para as infecções causadas por SAMR 
e EVR Mecanismo de ação; 
• Induz rápida despolarização da membrana ao ligar 
nela, desorganizando a célula e inibindo a síntese 
de DNA, RNA e proteínas; 
• É bactericida e concentração-dependente (dose 
aguda para chegar num pico de concentração 
rapidamente). 
Espectro antibacteriano: 
• Limitado a Gram(+); 
• Útil nos casos de resistência a vancomicina; 
• Usada em infeções de pele por estafilococos e na 
endocardite bacteriana; 
• Como é inativada pelo surfactante pulmonar, não 
serve para o tratamento de pneumonias → nunca 
usar nesse caso. 
Farmacocinética: 
• Liga-se em 90-95% às proteínas plasmáticas; 
• Pouca ou nenhuma metabolização hepática; 
• É excretada pelo rim; 
• Precisa ajuste na insuficiência renal. 
Efeitos adversos: 
• Na prática limitam muito o uso do fármaco; 
• Constipação, náuseas, cefaleia, insônia, mialgia, 
potencial toxicidade muscular aditiva com estatinas 
(para diminuição do nível de colesterol), as quais 
recomenda-se sejam interrompidas. 
Telavancina 
• Antibiótico lipopeptídico semissintético derivado da 
vancomicina; 
• Outra alternativa em casos de resistência com 
vancomicina. 
Mecanismo de ação: 
• Similar ao da vancomicina + disfunção da 
membrana pela cadeia lateral lipofílica (similar ao da 
daptomicina). 
Espectro antibacteriano: 
• Bactericida contra: 
o SAMR; 
o Streptococcus pyognes; 
o Streptococcus agalactie; 
o Streptococcus pneumonie penicilina-
resistente; 
o Streptococcus angiosus; 
o Enterococcus faecalis sensíveis à 
vancomicina. 
Farmacocinética: 
• Usada via IV lenta; 
• Eliminada por via renal com biotransforação 
mínima. 
Efeitos adversos: 
• Gosto meálico na boca, cefaleia, náuseas e 
vômitos, urina espumante, insônia, não 
recomendada durante a gestação; 
 
63 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• A telavancina pode interferir nos testes de 
coagulação → por isso, a coleta deve ser feita 
imediatamente antes de uma dose do fármaco. 
Fosfomicina 
• É um bactericida sintético, derivado do ácido 
fosfônico; 
• Bloqueia a síntese da parede celular, inibindo a 
enzima UDP-Nacetilglicosamina 
enolpiruviltransferase, a qual participa da primeira 
etapa da síntese de peptideoglicano; 
• Usada e, infecções urinárias por E. coli e E. faecalis; 
• É improvável que haja resistência cruzada; 
• É excretada de forma ativa na urina e nas fezes; 
• Efeitos adversos brandos. 
Polimixinas 
• São polipetdídeos catiônicos que se ligam aos 
fosfolipídeos na membrana bacteriana dos germes 
Gram(+); 
• Têm efeito detergente (interagem com os 
peptídeos da membrana), rompendo a integridade 
da membrana celular, levando a vazamento de 
componentes intracelulares e à morte do agente 
infeccioso; 
• São bactericidas concentração-dependentes, com 
atividade contra Gram(-), incluindo P. aeruginosa, E. 
coli, K. pneumoniae, espécies de Acinetobacter e 
de Enterobacter; 
• Há resistência por alteração dos polissacarídeos de 
membrana; 
• São usadas duas formas: polimixina B e colistina 
(polimixina E); 
• Uso limitado pelo risco de nefrotoxicidade e de 
neurotoxicidade (uso restringe-se a “tratamento 
de salvação”, quando há resistência importante). 
 
 
ANTIMICROBIANOS INIBIDORES DA SÍNTESE PROTEICA 
• São fármacos que vão impedir processos 
relacionados à síntese de proteínas, a qual é 
fundamental para a manutenção e replicação das 
bactérias; 
• Fármacos que podem ter ação bacteriostática ou 
bactericida; 
• São antimicrobianos que agem sobre o ribossomo 
bacteriano (interações com uma das subunidades 
do ribossomo bacteriano), inibindo a síntese de 
proteínas 
• Em geral, o ribossomo bacteriano (70S – 
subunidades 50S e 30S) é menor do que o de 
mamíferos (80S, subunidades 60S e 40S) - 
mecanismo relativamente seletivo; 
• Os ribossomos das mitocôndrias são, por sua vez 
parecidos com os das bactérias → chance de 
interferência no seu metabolismo (cloranfenicol e 
tetraciclinas, por exemplo). 
 
 
 
64 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
TETRACICLINAS 
• Compostos com quatro anéis fusionados com 
pequenas diferenças nos grupos ligantes 
Mecanismo de ação: 
• Após entrar na célula por difusão 
passiva e por um transportador 
exclusivamente encontrado nas 
membranas internas de bactérias. O 
fármaco liga-se à subunidade 30S, 
bloqueando o acesso do RNAt ao 
complexo RNAm-ribossomo, 
inativando a síntese bacteriana de proteínas. 
Espectro antibacteriano: 
• As tetraciclinas são antimicrobianos 
bacteriostáticos; 
• Amploespectro de ação; 
• Para bacilo Gram(-) e cocos e bacilos Gram(+), 
protozoários, espiroquetas, micobactérias e 
espécies atípicas; 
• Podem ser usadas para tratamento da acne e de 
infecções por Chlamydia (infecções de trato genital 
e doença inflamatória pélvica - usa-se doxiciclina). 
 
Resistência: 
• Existe grande resistência; 
• O fator “R” de resistência natural (insensibilidade do 
germe ao antimicrobiano) é comum e impede o 
organismo de acumular o fármaco: opera por 
bomba de efluxo (tiram o fármaco do ambiente 
intracelular); 
• Outros mecanismos: inativação enzimática, 
proteínas que protegem o ribossomo da ligação 
pela tetraciclina; 
• OBS: a resistência a uma tetraciclina não confere 
necessariamente resistência a todas elas 
(resistência mais específica para um dos fármacos 
da classe). 
Farmacocinética: 
Absorção: 
• Pode ser usada VO, IV ou 
IM; 
• Pode ser prejudicada por 
quelatos com cálcio, se ingerido 
junto ao leite e derivados ou com 
antiácidos com alumínio e 
magnésio ou suplementos com 
ferro. 
Distribuição: 
• Se concentram na bile, no fígado, rins e baço e 
juntos aos tecidos em calcificação; 
• Problema de impregnação em dentes e ossos em 
desenvolvimento = dentes nascem acinzentados; 
• Doxiciclina e minociclina alcançam concentrações 
terapêuticas no líquor. 
 
65 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Eliminação: 
• Biotransformadas por 
conjugação hepática e secreção 
biliar, com posterior eliminação 
renal; 
• Sofre circulação entero-
hepática, mas a maioria das 
tetraciclinas é reabsorvida da bile, 
biotransformada em glicuronídeos 
e excretada na urina; 
• O metabólito de reação de fase II (Glicorunídeo de 
doxiciclina) é excretado pela bile; 
• Doença obstrutiva biliar pode aumentar a sua 
meia-vida. 
Reações adversas: 
1. Desconforto gastrointestinal - Irritação da mucosa 
(azia, esofagite). A ingestão de alimentos (sem 
cálcio) minimiza os sintomas, mas as tetraciclinas 
precisam ser utilizadas em jejum (evitar quelação 
e dificuldade de absorção); 
2. Efeitos nos tecidos calcificados: 
o Coloração e hipoplasia dos dentes; 
o Uso limitado em pediatria e em gestantes; 
3. Hepatotoxicidade fatal - rara, mas é mais comum 
em gestantes ou em pacientes com insuficiência 
hepática pré-existente; 
4. Fototoxicidade cutânea - na exposição à radiação 
UV (luz solar ou outra); 
o Lesões de pele; 
o Mais comum com demetociclina e com 
tetraciclina; 
o Deve-se usar proteção solar adequada 
(protetor solar, boné, óculos escuros); 
5. Problemas vestibulares: 
o Tonturas (pessoa tende a balançar para 
os lados), vertigens (pessoa tende a ver 
as coisas girando) e zumbidos; 
o Mais comum com a minociclina; 
6. Pseudo tumor cerebral: 
o Hipertensão intracraniana benigna (edema 
de papila no exame de fundo de olho); 
o Cefaleia e visão embaçada (rara em 
adultos); 
7. Superinfecções - Colite por Clostridium difficile e 
candidíase; 
8. Contraindicações - na insuficiência renal, na 
gestação e em crianças menores de 8 anos. 
GLICILCICLINAS 
• São estruturalmente relacionadas às tetraciclinas, 
derivados da minociclina; 
• O primeiro fármaco disponível foi a tigeciclina, 
indicada para infecções complicadas de pele e 
tecidos moles e para infecções intra-abdominais 
complicadas. 
Mecanismo de ação: similar ao das teraciclinas = inibe a 
subunidade ribossômica 30S e, portanto, a síntese de 
proteínas. 
Espectro antibacteriano: 
• Espectro estendido, que inclui: MRSA, 
Streptococcus pneumonie multirresistente, EVR, 
Bactérias Gram (-) produtoras de lactamase, 
Acinetobacter baumanni, vários anaeróbios; 
• Obs: não é ativa contra Morganella, Proteus, 
Providencia ou Pseudomonas. 
Resistência: 
• A tigeciclina foi desenvolvida para vencer o 
mecanismo de efluxo que acomete as tetraciclinas 
e para proteção ribosomal; 
• Contudo observa-se resistência, por 
superexpressão das bombas de efluxo (germes 
fabricam mais dessas bombas de efluxo, 
diminuindo a quantidade de fármaco intracelular). 
Farmacocinética: 
Não deve ser usada para tratar bacteremia (infecções com 
circulação sistêmica de bactérias), pois se distribui 
rapidamente aos tecidos, não possuindo níveis séricos 
suficientes para tratar a bacteremia. Não requer ajuste na 
insuficiência renal, mas requer cuidado na insuficiência 
hepática grave. 
Efeitos adversos: 
• Náuseas e vômitos; 
• Pancreatite aguda.; 
• Elevação das aminotransferases; 
• Outros efeitos, similarmente às tetraciclinas. 
 
66 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Interações farmacológicas: 
• Não costuma haver metabolização hepática, 
então, fármacos que induzem o P450 não 
costumam ser problemáticos. Não há risco de 
interação no metabolismo; 
• Exige-se cuidado na anticoagulação com varfarina 
(a qual aumenta sua meia-vida na presença do 
antibiótico, podendo aumentar o tempo de 
protrombina = pode diminuir a capacidade de 
coagulação, potenciando o risco de 
sangramentos); 
• Diminuem a eficácia de anticoncepcionais orais, 
exigindo métodos adicionais. 
AMINOGLICOSÍDEOS 
• São bastante úteis em infecções graves por 
Gram(-) aeróbicos; 
• Como são potencialmente tóxicos, na prática 
costumam ser preteridos (colocados de lado) em 
face das cefalosporinas de 3ª e 4ª gerações, das 
quinolonas e dos carbapenemos; 
• Derivados de Streptomyces → sufixo mycin; 
• Derivados de Micromonospora → sufixo micin. 
Mecanismo de ação: 
• São policátions e não 
atravessam bem a membrana 
celular, precisam difundir-se 
usando canais de porinas; 
• Distorcem a subunidade 
30s, que não consegue ler o 
código genético e não 
consegue montar a proteína; 
• São bactericidas; 
• Efeito concentração-dependente (precisa-se de 
níveis altos do fármaco); 
• Também exibem efeito pós-antimicrobiano; 
• Em função disso, é mais comum usar doses 
relativamente grandes, mas uma única vez ao dia; 
• Isso também diminui risco de nefropatia e aumenta 
a aderência ao tratamento. 
Espectro antibacteriano: 
• Gram (-) incluindo Pseudomonas aeroginosa, 
Klebsiella pneumoniae e Enterobacter sp; 
• Com frequência são associados a betalactâmicos 
(por sinergia e aumento de espectro); 
• São bactericidas, diferindo dos demais antibióticos 
que afetam a síntese de proteínas. Não se 
conhece a razão disso; 
• Só funcionam para os germes aeróbicos (os 
anaeróbios não têm o mecanismo para o 
transporte = não têm as porinas que permitam a 
entrada dos aminoglicosídeos). 
 
Resistência: 
Causada por: bomba de efluxo, diminuição da captação do 
fármaco, síntese de enzimas transmitida por plasmídeo 
que modificam e inativam o aminoglicosídeo 
Farmacocinética: 
• Administração: 
o Todos, exceto a neomicina, 
precisam ser utilizados por via 
parenteral (IV), pois policátions não são 
absorvidos; 
o A neomicina só é utilizada por via 
tópica (pele ou via oral para a 
preparação do intestino par cirurgia 
colorretal = diminuir o risco de infecções 
secundárias); 
o Não é usada por via parenteral, pois causa 
nefrotoxicidade grave; 
• Distribuição: 
o Não passam bem a BHE, mas passam a 
barreira placentária; 
• Metabolização: 
 
67 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Não são biotransformados; 
• Excreção: 
o São eliminados por via renal (filtração 
glomerular). 
Reações adversas: 
• É importante monitorar os níveis plasmáticos 
desses fármacos; 
• Idosos são particularmente vulneráveis; 
• Ototoxicidade (vestibular e coclear): 
o Surdez parcialmente reversível; 
o Cuidar uso de outros fármacos como 
cisplatina, furosemida; 
• Nefrotoxicidade - desorganiza os processos 
mediados por cálcio e provoca necrose tubular 
aguda; 
• Paralisia neuromuscular: 
o Transitória; 
o Ocorre diminuição da liberação de ACh; 
• Reações alérgicas - É comum ocorrer dermatite 
de contato com a neomicina. 
MACROLÍDEOS E CETOLÍDEOS 
• Os macrolídeos são um grupo de antibióticos com 
uma estruturalactona macrocíclica à qual um ou 
mais açúcares desoxi estão ligados; 
• A eritromicina foi o primeiro da classe (era a opção 
para os alérgicos à penicilina); 
• Formas mais novas incluem a claritromicina e a 
azitromicina (eritromicina causava muita diarreia e 
precisava ser usada várias vezes por dia durante 
semanas); 
• Atualmente existem modificações classificadas 
como cetolídeos (a telitromicina) que são um 
pouco mais ativas contra os Gram(+) resistentes 
aos macrolídeos, mas com espectro muito similar 
aos macrolídeos. 
Mecanismo de ação: 
• Ligam-se irreversivelmente à 
subunidade 50S do ribossomo 
bacteriano, inibindo a síntese de 
proteínas, afetando as etapas da 
translocação; 
 
• Também interferem na transpeptização - São 
considerados bacteriostáticos, mas podem ser 
bactericidas em dosagens elevadas (quando 
atingem altos níveis plasmáticos). 
Espectro antibacteriano: 
• Eritromicina → similar ao da penicilina; 
• Claritromicina → similar ao da eritromicina, mas 
inclui Haemophius influenzae e funciona um pouco 
mais contra patógenos intracelulares; 
• Azitromicina → Menos ativa contra estrepto e 
estafilococos; mais ativa contra as infecções 
respiratórias por H. influenzae e Moraxella 
catarrhalis. É preferida no tratamento de uretrites 
por Clamydia trachomatis. Seu amplo uso começa 
a evidenciar resistência (pelo Streptococcus 
pneumoniae); 
• Talitromicina → Espectro similar ao da 
azitromicina, mas costuma driblar a resistência 
mediada por efluxo ou metilases (enzimas de 
inativação). 
 
Resistência: 
• A maioria das cepas isoladas em hospital hoje é 
resistente à eritromicina (pneumonias ou 
infecções nosocomiais não são tratáveis com 
eritromicina); 
• Mecanismos: 
o Baixos níveis intracelulares, por 
incapacidade de o antibiótico penetrar no 
microrganismo e/ou pela presença de 
bomba de efluxo (não deixa entrar e 
força a saída do fármaco); 
o A diminuição da afinidade pela subunidade 
50S (germe modifica essa subunidade, 
impedindo a ligação dos macrolídeos); 
 
68 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Presença de estearase associada a 
plasmídeo (inativa a estrutura do 
macrolídeo). 
Farmacocinética: 
Administração: 
• Para evitar a destruição pelo suco gástrico, usa-se 
revestimento e formas estereficadas para a 
eritromicina; 
• Azitromicina, claritromicina e telitromicina são 
estáveis. 
Distribuição: 
• Boa, exceto no líquido cerebrospinal (BHE) - não 
são bons para tratar infecções no SNC; 
• A eritromicina consegue chegar ao líquido 
prostático e se acumula em macrófagos; 
• A azitromicina se concentra em fibroblastos, em 
neutrófilos e macrófagos, possuindo maior meia-
vida e maior volume de distribuição. 
Biotransformação: 
• A eritromicina e a telitromicina interferem na 
oxidação de inúmeros outros fármacos (teofilina, 
carbamazepina), inibindo o P450 (a azitromicina 
não faz isso). 
Excreção: 
A eritromicina e a azitromicina saem inalteradas na bile; 
claritromicina e seus metabólitos são liberadas pela urina 
(exige ajuste de dose na insuficiência renal). 
 
Reações adversas: 
• Desconforto epigástrico; 
• Icterícia colestática - associada à forma estolato de 
eritromicina; 
• Ototoxicicidade - surdez transitória; 
Contraindicações: 
• Disfunção hepática; 
• Intervalo de condução QT longo (com a 
telitromicina), podendo causar arritmia. 
Interações farmacológicas: 
• Eritromicina, clritromicina 
e telitromicina inibem o sistema 
P450, inibindo a metabolização de 
outros fármacos e levando ao 
acúmulo deles (efeitos adversos 
do tipo A – dependem da dose). 
Ex.: acúmulo de varfarina pode 
causar sangramento; 
• Pode ocorrer interação 
com a digoxina (possui potencial arritmogênico e 
é inativada por germes da microbiota intestinal). Se 
os germes da microbiota morrerem por conta do 
uso do antimicrobiano, ocorre menor 
metabolização da digoxina, a qual é reabsorvida 
(sofre circulação êntero-hepática) e pode dar 
sinais de intoxicação; 
• OBS: a azitromicina apresenta pouca ou nenhuma 
interação através do citocromo P450. 
FIDAXOMICINA 
Mecanismo de ação: 
Atua na subunidade sigma da RNA polimerase, 
interrompendo a transcrição bacteriana, terminando a 
síntese proteica e resultando em morte celular dos 
organismos suscetíveis. 
Espectro de ação: 
• Estreito (limitado aos aeróbicos e aos anaeróbicos 
Gram+); 
• É mais utilizada pela sua atividade bactericida 
contra o Clostridium difficile; 
• Não se verificou resistência cruzada com outros 
antimicrobianos; 
• Baixa ocorrência de efeitos adversos, mas 
ocorrem reações de hipersensibilidade (alergia). 
CLORANFENICOL 
• É bastante ativo contra ampla variedade de 
germes; 
• Sua toxicidade limita um uso mais extenso; 
 
69 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• É restrito a infecções de alto risco, para as quais 
não existe alternativa. 
Mecanismo de ação: 
• Liga-se irreversivelmente à 
subunidade 50S do ribossomo 
bacteriano, inibindo a 
peptidiltransferase e causando inibição 
da síntese proteica; 
• Como os ribossomos 
mitocondriais de mamíferos são 
semelhantes, pode haver inibição, 
produzindo toxicidade na medula 
óssea. 
Espectro antibacteriano: 
• Amplo; 
• Ativo contra bactérias e contra outros 
microrganismos como as riquétsias; 
• Tem excelente atividade contra anaeróbios; 
• Pode ser bactericida ou bacteriostático 
(dependendo do organismo); 
• Contudo, não possui ação contra Pseudomonas 
aeroginosa, nem contra clamídia. 
Resistência: 
• Presença de um fator R que codifica uma 
acetilcoenzima-A transferase, a qual inativa o 
cloranfenicol; 
• Dificuldade de penetrar no microrganismo. 
Farmacocinética: 
• Administração: pode ser usado por VO ou IM; 
• Absorção e distribuição: completamente 
absorvido e distribuído, incluindo a passagem pela 
BHE; 
• Metabolização: costuma sofrer conjugação 
hepática 
Reações adversas: 
• Anemias: 
o Pode ocorrer anemia hemolítica nos 
pacientes com deficiência da G6PD 
(enzima marcapasso da via das pentoses); 
o Pode ocorrer anemia reversível dose-
dependente; 
o Raras vezes, ocorre uma anemia aplástica 
fatal (a qual é independente da dose = 
efeito adverso tipo B, imprevisível); 
• Síndrome do bebê cinzento: 
o Ocorre em neonatos quando o ajuste de 
dose não foi adequado; 
o Com baixa capacidade de glicuronização 
hepática e com função renal pequena os 
RN têm baixa capacidade de eliminação 
(metabolização e excreção), assim o 
fármaco se acumula, ocorrendo 
interferência na função mitocondrial; 
o Observa-se dificuldades na alimentação, 
depressão ventilatória e colapso 
cardiovascular, com cianose e morte - 
Pode ocorrer em adultos, com doses 
muito elevadas. 
Interações farmacológicas: 
Inibição do P450, inibindo a 
metabolização, de forma a 
aumentar a concentração 
sérica e potencializar a ação 
de diversos fármacos (como 
clorpropamida, fenitoína, 
tolbutamida e varfarina). 
 
CLINDAMICINA 
Usada para o tratamento de infecções por anaeróbios 
como o Bacteroides fragilis (comum em infecções 
abdominais secundárias a traumatismos) → Pode ser ativa 
contra SAMR 
Mecanismo de ação: Similar ao da eritromicina. 
Farmacocinética: 
• Administração - Usada por VO ou IV; 
• Distribuição - Se distribui bem, exceto no líquor. 
Não penetra nem mesmo a meninge inflamada - 
Boa penetração nos ossos; 
• Excreção - Os metabólitos da clindamicina são 
excretados na bile e na urina. Apesar de excretado 
na urina, as concentrações ali atingidas são 
 
70 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
insuficientes para o tratamento de infecções de 
trato urinário. 
Resistência: 
• Ocorre resistência pelos mecanismos que ocorre 
na eritromicina; 
• O Clostridium é resistente. 
Efeitos adversos: 
Os mais comuns são a reação urticariforme e a diarreia, 
mas o mais grave é a colite por Clostridium difficile. 
QUINUPRISTINA/DALFOPRISTINA 
• Mistura dasduas estreptograminas na proporção 
de 30/70; 
• Obtidas do estreptomiceto e modificadas 
sinteticamente; 
• Em geral é uma associação reservada para 
infecções por Enterococcus faecium vancomicina-
resistentes (EVR). 
Mecanismo de ação: 
• Cada componente liga-se a um local diferente da 
subunidade ribossomal 50S; 
• Assim, interrompem, sinergicamente, a síntese de 
proteínas; 
• A associação é bactericida e tem um longo efeito 
pós-antibiótico. 
Resistência: ocorre por enzimas que metilam o local de 
ligação no RNA ribossomal 23S da subunidade 30 e 
interferem na ligação da quinupristina e por uma 
acetiltransferase (de plasmídeo) que inativa a dalfopristina. 
Além disso, ocorre bomba de efluxo. 
Espectro antibacteriano: 
• Efeito bactericida contra cocos Gram(+); 
• O efeito se estende a algumas cepas 
multirresistentes; 
• Uso primário contra EVR (com efeito 
bacteriostático). 
Farmacocinética: 
• Administração: 
o Usadas IV e IM: 
o Em solução de dextrose a 5%; 
• Distribuição: 
o Penetram macrófagos e 
polimorfonucleares; 
o Importante, pois os EVR são intracelulares; 
o Penetram pouco no líquor; 
• Metabolização - Metabólitos da quinupristina são 
menos ativos; 
• Excreção - A excreção via biliar é mais 
importante, a renal é secundária. 
Efeitos adversos: 
• Irritação venosa - Mais com o uso de vasos 
periféricos ao invés de um acesso central; 
• Artralgia e mialgia - Em doses mais altas; 
• Hiperbilirrubinemia: 
o Em 25% dos pacientes; 
o Por competição com os antimicrobianos 
na excreção do metabolito da bilirrubina. 
Interações: 
• Por inibição do P450 
(CYP3A4); 
• Por mecanismo 
semelhante ao da eritromicina pra 
a digoxina (mata germes que 
fariam a metabolização da 
digoxina, causando seu acúmulo). 
 
LINEZOLIDA 
É uma oxazolidinona sintética → Introduzida recentemente 
para combater microrganismos Gram(+) como os 
Staphylococcus aureus vancomicina e meticilina-resistentes, 
Enterococcus faecium e Enterococcus faecalis 
vancomicina-resistentes e estreptococos penicilina-
resistentes. 
Mecanismo de ação: 
Inibe a formação do complexo de 
iniciação com a subunidade 70S 
(conjunto), ligando-se à subunidade 
50S, proximamente à 30S. 
 
 
71 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Espectro antibacteriano: 
• Contra Gram(+): 
Estreptococos, estafilococos, 
enterococos; 
• Contra Corynebacterium 
e Listeria monocytogenes; 
• Moderadamente ativa 
contra Mycobacterium 
tuberculosis; 
• Bacteriostática, 
geralmente; bactericida 
contra estreptococos e 
Clostridium perfringens; 
• Considerada equivalente 
à vancomicina para pneumonia por SAMS, mas 
não deve ser utilizada na bacteremia por SAMS. 
Resistência: 
• Ocorre por diminuição da capacidade de ligação; 
• Não costuma haver resistência cruzada com 
outros antibióticos. 
Farmacocinética: 
• Absorção - Completamente absorvida por VO - 
Disponível forma IV; 
• Distribuição - Amplo volume de distribuição; 
• Metabolização - Pouco ou nada metabolizada pelo 
P450; 
• Excreção - Excretada por via renal. 
Efeitos adversos: 
• É geralmente bem tolerada, porém tem-se; 
o Registro de distúrbios gastrointestinais, 
náuseas/vômitos, diarreia, cefaleia, 
urticária; 
o Registro de trombocitopenia, de 
neuropatia periférica reversível e de 
neurite óptica (cegueira) no uso 
prolongado; 
• Pode causar síndrome do queijo, acontece por 
hiperatividade simpática quando uma substância é 
usada com a ingestão de alimentos ricos em 
tiramina, por inibição da MAO. 
 
Quinolonas, antagonistas do 
ácido fólico e antissépticos do 
trato urinário 
 
FLUOROQUINOLONAS 
• O ácido nalidíxico é o predecessor de todas as 
fluoroquinolonas; 
• Existem hoje mais de 10.000 análogos de 
fluoroquinolonas por modificações estruturais; 
• Costumam apresentar, especialmente as drogas 
mais novas, um espectro de ação amplo; no 
entanto, o uso excessivo tem levado ao 
desenvolvimento de grande resistência, limitando 
o seu potencial; 
o Esse efeito é chamado de “dano colateral” 
= a resistência adquirida por germes a 
determinado fármaco devido à sua ampla 
utilização. 
MECANISMO DE AÇÃO 
• Entram por difusão passiva por 
canais (porinas); 
• Inibem a replicação do DNA 
bacteriano interferindo na ação da 
DNA-girase (topoisomerase II) e da 
topoisomerase IV. 
 
 
ESPECTRO ANTIMICROBIANO 
• São bactericidas que exibem efeito dose-
dependente (ASC/CIM) → mais acentuada 
quando a concentração sérica é 30 vezes ou mais 
a CIM; 
• As fluoroquinolonas são eficazes contra Gram(-) 
como a Enterobactereacea, algumas 
 
72 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Pseudomonas, Haemophylus influenza, Moraxella 
catarrhalis, Legionellacea, clamídia, micoplasma e 
algums micobactérias; 
• Eram eficazes no tratamento da gonorreia (agora 
começa a haver resistência); 
• Não são eficazes no tratamento da sífilis; 
• As mais novas também agem contra alguns 
Gram(+) como o Streptococcus pneumonie, mas 
a ação principal é contra germes Gram (-); 
• O moxifloxacino age contra vários anaeróbios; 
• Usadas profilaticamente antes de cirurgias do trato 
urinário, para reduzir risco de infecção de trato 
urinário; 
• A classificação em gerações conforme o seu 
espectro tem sido sugerida: 
 
EXEMPLOS DE FLUROQUINOLONAS CLINICAMENTE ÚTEIS 
• Norfloxacino: 
o Eficaz em ITU complicadas e não 
complicadas, na prostatite e na diarreia do 
viajante, mas não possui efeito nas 
infecções sistêmicas; 
o Pouco absorvido por VO; 
• Ciprofloxacino: 
o Os níveis séricos alcançados são eficazes 
contra várias infecções sistêmicas, mas 
não contra SAMR, estreptococos e 
pneumococos; 
o Útil para tratar a diarreia do viajante (E. 
coli); 
o É a mais potente das fluoroquinolonas 
contra Pseudomonas aeroginosa e por 
isso usada para tratar infecções na fibrose 
cística; 
• Levofloxacino: 
o Pode ser utilizado em ampla gama de 
infecções de pele, sinusite aguda, 
prostatite, exacerbação da bronquite 
crônica, pneumonias comunitárias e 
nosocomiais; 
o É um tratamento alternativo para a 
gonorreia (perdendo eficácia atualmente); 
o Funciona bem em pneumonias 
estreptocócicas; 
• Moxifloxacino: 
o Boa atividade contra micro-organismos 
anaeróbios e contra Gram (+); 
o Não se concentra na urina, não sendo 
indicado em ITU 
 
Diarreia, em princípio, é um mecanismo de defesa do 
organismo e não é tratada (está colocando o patógeno 
para fora). Entretanto, se começar a se estender (por 
muitos dias ou semanas) e for muito grave (com perda de 
sangue, por exemplo), tem risco de levar a distúrbios 
eletrolíticos, desidratação e atrofia das vilosidades intestinais, 
devendo ser tratada com ciprofloxacina, por exemplo. 
RESISTÊNCIA 
• Quando foram introduzidas, havia grande 
esperança de que não apresentassem resistência 
com facilidade; 
• Embora não se conheça resistência mediada por 
plasmídeo, se desenvolveu resistência 
cromossômica afetando SAMR, pseudomonas, 
estafilococos coagulase negativos e enterococos; 
• Os mecanismos envolvem: → Alteração do local 
de ligação: mutações da DNA girase bacteriana e 
da topoisomerase IV → Diminuição do acúmulo: 
por diminuição do número de porinas, diminuindo 
a entrada de fármaco e por um sistema de efluxo. 
FARMACOCINÉTICA 
• Absorção: 
 
73 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Norfloxacino tem uma absorção razoável 
(35-70%); e outras quinolonas possuem 
absorção ainda melhor (85-99%); 
o Ciprofloxacina, levofloxacino, 
moxifloxacino, Norfloxacino e ofloxacino 
são disponíveis VO; 
o Existe formulação IV de ciprofloxacino, 
levofloxacino e moxifloxacino; 
o As quinolonas com meia-vida mais longa 
permitem administração uma única vez a 
dia; 
o A ingestão de quinolonas com sucralfato 
(droga utilizada para revestir a mucosa 
gástrica) e antiácidos contendo íons de 
alumínio e magnésio ou complementos, 
com íons de ferro ou zinco, interfere na 
absorção porquelação; 
o Cálcio e outros cátions 
divalentes também 
interferem na absorção. Se 
essas substâncias interferem 
na absorção do fármaco, ele 
pode não estar em níveis 
plasmáticos adequados. 
Como ele é dose-
dependente, pode impedir 
que se atinja uma concentração 
plasmática suficiente para o efeito 
antimicrobiano 
• Distribuição: 
o Ligam-se a proteínas plasmáticas (10-
40%) → o nível de norfloxacino livre no 
plasma não é suficiente para combater 
infecções sistêmicas; 
o Distribuem-se bem em todos os tecidos 
incluindo rins e próstata; nos pulmões a 
concentração é maior do que no sangue 
e no líquor é mais baixa (exceto para o 
caso do ofloxacino, onde é significativa); 
o São eficazes contra patógeno 
intracelulares, pois acumulam-se em 
macrófagos e polimorfonucleares; 
• Eliminação - As quinolonas são excretadas 
predominantemente pelo rim, necessitando ajuste 
de dose na insuficiência renal, exceto o 
moxifloxacino que é excretado por via biliar (por 
isso não é muito bom para tratar infecções de 
trato urinário). Os metabólitos aparecem na urina. 
REAÇÕES ADVERSAS: 
• Gastrointestinal - Náuseas, êmese e diarreia; 
• Problemas no SNC - Cefaleia, tontura e vertigens, 
neuropatia periférica; 
• Fototoxicidade - Evitar a luz excessiva e usar 
protetor solar; 
• Problemas no tecido conectivo - Podem causar 
erosão da cartilagem articular → artropatia 
(devem ser evitados na gestação, na lactação e 
em crianças e adolescentes de até 18 anos); 
o Risco de ruptura de tendões (Aquiles é o 
mais comum); 
o Efeito pode ocorrer meses após o final do 
tratamento; 
o Risco maior em idosos, na fibrose cística e 
nos transplantados. 
CONTRAINDICAÇÕES 
Podem aumentar o intervalo QT. 
INTERAÇÕES FARMACOLÓGICAS 
Interferência com cátions na dieta ou fármacos 
concomitantes. Também ocorre inibição do P450 e 
acúmulo de outros fármacos (como, teofilina, varfarina e 
ciclosporina = aumento da concentração sérica e 
toxicidade). 
 
ANTAGONISTAS DO FOLATO 
• Na falta de folato as células não conseguem 
crescer e se dividir, várias enzimas são 
dependentes do THF; 
• Humanos obtém folato da dieta; bactérias 
precisam sintetizá-lo de novo; 
 
74 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• As sulfonamidas são inibidores da síntese do folato; 
• A trimetoprima impede a conversão do ácido 
fólico em THF, com efeito mínimo nas células 
humanas; 
• A associação sinérgica dessas duas drogas é 
conhecida pelo nome de cotrimoxazol, sendo 
eficaz para o tratamento de diversas infecções. 
SULFONAMIDAS 
• Raramente são usadas como fármacos únicos; 
quase sempre são usadas como cotrimoxazol 
(associação com a trimetoprima); 
• Diferem entre si em suas propriedades físicas e 
químicas e na farmacocinética. 
Mecanismo de ação: 
 
Espectro antibacteriano: 
São ativas contra enterobactérias, algumas bactérias do 
trato urinário e Nocardia. Além disso, a sulfadiazina, 
combinada com o inibidor da di-hidrofolato redutase, 
pirimetamina, é a primeira escolha para o tratamento da 
toxoplasmose. A sulfadoxina associada com pirimetamina é 
usada como antimalárico. 
Resistência: 
• Bactérias que conseguem obter folato a partir do 
ambiente são naturalmente resistentes; 
• Resistência adquirida = por plasmídeos ou por 
mutações aleatórias: 
o Alteração da di-hidropteroato sintetase; 
o Diminuição da permeabilidade celular às 
sulfonamidas (impedir a entrada no 
ambiente intracelular); 
o Aumento da produção do substrato 
PABA (aumento do intermediário). 
Farmacocinética: 
• Administração - A maioria é bem absorvida por 
VO; 
• A sulfassalazina não é bem absorvida por VO → 
daí, seu uso na doença inflamatória intestinal 
crônica, onde a microbiota forma ácido 5-
aminosalicílico e sulfapirina, tendo ação anti-
inflamatória; 
o Não são aplicadas topicamente (risco de 
sensibilização), exceto em queimaduras 
(sulfadiazina de prata), em que são 
eficazes em prevenir a colonização por 
bactérias; 
• Distribuição - Ligam-se à albumina Bilirrubina-
glicorunil-transferase é uma enzima que faz a 
conjugação da bilirrubina para metabolismo e 
excreção pela bile. Em recém-nascidos, essa 
enzima não funciona tão bem e eles têm 
dificuldade em conjugar a bilirrubina, a qual fica 
ligada à albumina. Ao administrar um fármaco que 
vai competir pela ligação com a albumina, ocorre 
aumento dos níveis de bilirrubina, causando 
toxicidade, como impregnação dos núcleos da 
base do cérebro por bilirrubina (Kernicterus). Por 
isso, não se usa sulfas em RN; 
o Boa distribuição na água corporal, 
incluindo líquor (atravessam a barreira 
hematoencefálica); 
o Passam a barreira placentária; 
• Biotransformação - Acetilação hepática; 
o Metabólito é isento de atividade 
antimicrobiana, mas tóxico (pode 
precipitar em pH neutro ou ácido 
(cristalúria); 
• Excreção - Por filtração glomerular e secreção 
(exige ajuste na IR) 
Efeitos adversos: 
• Cristalúria: 
o Com nefrotoxicidade; 
o Prevenida com hidratação adequada e 
alcalinização da urina; 
o O sulfametoxazol é mais solúvel em água, 
com risco menor; 
• Hipersensibilidade - Urticária, angioedema e 
síndrome de Stevens-Johnson; 
• Distúrbios hematopoiéticos: 
 
75 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Anemia hemolítica em pacientes com 
deficiência da G6PD; 
o Granulocitopenia e trombocitopenia; 
• Icterícia nuclear (kernicterus) - Por deslocamento 
da bilirrubina ligada à albumina em recém-nascidos; 
• Potencialização de fármacos - Potencialização 
temporária dos efeitos anticoagulantes da 
varfarina; 
Contraindicações: 
• Evitar em RN e crianças com menos de 2 meses, 
bem como em gestantes a termo; 
• Não podem ser utilizadas em pacientes que 
receberam metenamina para ITU (por 
condensarem-se com formaldeídos). 
TRIMETOPRIMA 
• É um potente inibidor da di-hidrofolato redutase 
bacteriana (segundo passo da síntese do THF); 
• É mais específica para enzima bacteriana do que 
humana; 
• Usado em associação como o sulfametoxazol, no 
clotrimoxazol; 
Mecanismo de ação: 
Inibe a formação do THF bacteriano (maior afinidade pela 
enzima dos microrganismos), a qual é necessária para a 
síntese de: purinas, pirimidinas e aminoácidos; 
 
• Outros fármacos que compartilham esse 
mecanismo são: 
o Pirimetamina (usada com sulfonamidas 
para o tratamento de infecções 
parasitárias, como toxoplasmose); 
o Metotrexato – tem afinidade pela enzima 
humana (usado no tratamento do câncer 
da artrite e da psoríase). 
 
 
Espectro antibacteriano: 
É similar ao do sulfametoxazol, mas é cerca de 20 a 50% 
mais potente que as sulfonamidas. Pode ser usada 
isoladamente no tratamento de algumas ITU agudas e no 
tratamento da prostatite bacteriana (embora as quinolonas 
sejam a primeira opção) e no tratamento de vaginites. 
Resistência: 
• Alteração na di-hidrofolato redutase com menor 
afinidade pela trimetoprima (em Gram -); 
• Superprodução da enzima; 
• Bombas de efluxo e diminuição da permeabilidade 
ao fármaco podem ter participação. 
Farmacocinética: 
• Distribuição - Como o fármaco é mais alcalino do 
que as sulfas, consegue-se obter concentrações 
mais altas nos líquidos prostáticos e vaginais, que 
são relativamente ácidos; 
o Penetra no líquido cerebrospinal; 
• Metabolização - Sofre O-desmetilação; 
• Eliminação - É excretado predominantemente 
(60-80%) de forma inalterada nos rins. 
Reações adversas: 
• Pode produzir os efeitos da deficiência do ácido 
fólico, incluindo: anemia megaloblástica (hemácias 
grandes), leucopenia e granulocitopenia 
(especialmente em gestantes ou em subnutridos); 
• Podem ser atenuados com a administração 
concomitante de ácido folínico, o qual não penetra 
nas bactérias. Com mais ácido folínico, é possível 
o paciente combater o efeito da trimetoprima, e 
as bactérias continuam sensíveis ao fármaco. 
COTRIMOXAZOL 
• Associação sinérgica do 
sulfametoxazol e da trimetoprima,com atividade maior do que a de 
qualquer um deles isoladamente; 
• Ambos possuem 
meiavida similar. 
 
 
 
76 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Mecanismo de ação: 
 
Espectro antibacteriano: 
• Mais amplo do que os das sulfonamidas; 
• Eficaz no tratamento de: ITU, IVAS, pneumonia 
por Pneumocystis jiroveci, Infecções sistêmicas 
por Salmonella resistentes à ampicilina e ao 
cloranfenicol, útil em infecções de pele causadas 
por SAMR, fármaco de escolha contra espécies 
suscetíveis de Nocardia e de Stenotrophamonas 
maltophilia. 
 
Resistência: 
A resistência à associação é menos frequente do que a 
resistência a cada um dos fármacos isoladamente. 
Farmacocinética: 
• Administração - Em geral é usada por VO; em 
casos em que há pneumonia ou infecção 
sistêmica ou indisponibilidade da via oral, pode -se 
usar IV; 
o A administração de 1 parte de 
trimetoprima para 5 partes de 
sulfametoxazol produz uma relação de, 
respectivamente, 1:20 no plasma, a qual é 
ideal para o efeito antimicrobiano (Ex: 
Bactrim 800/160 mg); 
• Distribuição - A trimetoprima é mais lipossolúvel e 
tem maior volume de distribuição que o 
sulfametoxazol; 
o Atravessa a barreira hematoencefálica 
muito lentamente. 
Reações adversas: 
• Dermatológicas - São comuns e podem ser 
graves em idosos; 
• Gastrointestinais - N/V, glossite e estomatite; 
• Hematólogicas - Anemia megaloblástica (pode ser 
prevenida com ácido folínico); 
o Anemia hemolítica na deficiência de 
G6PD; 
• Pacientes imunodeprimidos com pancitopenia (por 
exemplo, infectados com o HIV); 
o Febre, urticária e diarreia são mais 
comuns; 
• Interação de fármacos - Aumento do tempo de 
protrombina (do INR) na coadministração com a 
varfarina; 
o Pode causar intoxicação por fenitoína (por 
aumento da meia-vida plasmática). 
ANTISSÉPTICOS DO TRATO URINÁRIO/ANTIMICROBIANOS 
• Infecções do trato urinário (cistite e pielonefrite 
agudas) em mulheres jovens e em idosas são 
problemas muito comuns encontrados por 
médicos que atuam em cuidados primários; 
• O patógeno mais comum é E. coli (80% dos 
casos), o segundo é o Staphylococcus 
saprophyticum, seguido de Klebsiella pneumonie e 
Proteus mirabilis; 
• Essas infecções podem ser tratadas com qualquer 
dos fármacos denominados antissépticos do trato 
urinário: Metenamina, Nitrofurantoína e Ácido 
nalidíxico (uma quinolona); 
• São ideais, pois se acumulam na urina, alcançando 
níveis altos. 
METANAMINA 
Mecanismo de ação: 
• Se decompõe em ambiente ácido (menor do que 
5,5) produzindo formaldeído, o qual é tóxico para 
a maioria das bactérias; 
• O ácido ascórbico ou o suco de cranberry podem 
ser usados para acidificar a urina; 
 
77 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Os antiácidos devem ser evitados, assim como o 
bicarbonato de potássio. 
 
Espectro antibacteriano: 
• A metenamina é usada para o tratamento 
supressivo crônico, especialmente útil para evitar 
E. coli - Bactérias que degradam ureia e alcalinizam 
a urina costumam ser resistentes, como Proteus; 
• A metenamina pode ser utilizada para tratar ITU 
inferior, mas não ITU superior (por exemplo, 
pielonefrite). 
Farmacocinética: 
• Distribuição - Se distribui em todos os tecidos, mas 
não ocorre decomposição em pH 7,4 (sangue) o 
que previne a toxicidade sistêmica, sendo o 
fármaco eliminado na urina (toxicidade 
relativamente seletiva); 
• Contraindicação - Como a metenamina produz íon 
amônio (NH4 +) na bexiga, está contraindicada em 
pacientes com insuficiência hepática. 
Efeitos adversos: 
• Alterações gastrointestinais; 
• Em doses mais altas: albuminúria, hematúria e 
urticária; 
• O mandelato de metenamina é contraindicado em 
pacientes com insuficiência renal, pois o mandelato 
pode precipitar; 
• Sulfonamidas, como o cotrimoxazol, não podem 
ser usadas concomitantemente com a 
metenamina; 
• Elas reagem com o formaldeído, aumentando o 
risco de cristalúria e de nefrotoxicidade. 
 
NITROFURANTOÍNA 
• As bactérias sensíveis reduzem o fármaco a um 
intermediário altamente tóxico, o qual inibe várias 
enzimas e danifica o DNA; 
• A atividade é maior na urina ácida; 
• Também pode provocar anemia hemolítica em 
pacientes com deficiência da G6PD; 
• Há registro de pneumonite aguda, distúrbios 
gastrointestinais, problemas neurológicos e fibrose 
pulmonar intersticial (o que preocupa no uso 
crônico e em idosos); 
• Contraindicações: anúria, oligúria, 
comprometimento da depuração renal e gestação 
a termo. 
Fármacos antimicobacterianos 
• As micobactérias são bacilos aeróbicos, finas e 
com formato de bastonete; 
• As micobacterias possuem uma parede que se cora 
fracamente por Gram, a qual contém ácidos 
micólicos, mas não se descolore facilmente, são 
“ácido-resistentes”; 
• A infecção mais comum é a tuberculose, que é a 
principal causa de mortes por infecção no mundo; 
• Os membros do grupo Mycobacterium também 
causam hanseníase (lepra); 
• São germes intracelulares, que produzem lesões 
granulomatosas de crescimento lento (lesões 
caseosas – aspecto de queijo, tecido necrótico); 
• A Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch) 
pode causar infecção tuberculosa latente (ITBL) e 
a doença ativa conhecida como tuberculose (TB); 
• Estão se tornando mais frequente as doenças 
causadas por micobactérias não-tuberculosas 
(MNTs): incluindo M. aviumintracellulare, M. 
chelonae, M. kansasii e M. Fortuitum; 
• M. leprae causa hanseniase; 
• O diagnóstico da tuberculose pode ser realizado 
com: 
o Teste cutâneo com a tuberculina padrão, 
que um derivado proteico purificado 
(DPP): é mais barato, mas ocorrem falsos 
+ por vacinação com BCG e por outras 
infecções do mesmo grupo; 
 
78 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Por um teste de sangue que mede a 
liberação do interferon gama (LIG): mais 
caro, mas mais específico (aprovado pelo 
FDA em 2005); 
• O tratamento da TB, em geral, inclui quatro 
fármacos de primeira linha, os quais são usados 
em conjunto para evitar a resistência bacteriana; 
• Os fármacos de segunda linha são, em geral, 
menos eficazes e mais tóxicos. São úteis nos 
pacientes que não toleram os de primeira linha ou 
são resistentes a eles. 
 
QUIMIOTERAPIA CONTRA TUBERCULOSE 
• O Mycobacterium tuberculosis pode provocar 
graves infecções nos pulmões, ossos, trato 
genitourinário e meninges; 
• É um problema terapêutico; 
• O tratamento precisa durar de 6 meses a 2 anos; 
• A resistência é muito comum; 
• Estima-se que 1/3 da população mundial esteja 
infectada e que cerca de 30 milhões de pessoas 
tenham a doença ativa (2 milhões morrem por 
ano); 
• A tuberculose tem se tornado mais prevalente e 
de tratamento mais difícil, depois do surgimento da 
AIDS; 
• A ITBL, forma latente, pode ser tratada por 9 
meses com monoterapia por isoniazida ou com 12 
doses (uma por semana) de isoniazida (900mg) e 
rifapentina (900mg); 
• A TB ativa precisa ser tratada com vários 
fármacos (politerapia): por no mínimo 6 meses, se 
TB suscetível ou por 2 anos, se TB 
multirresistente (TBMR); 
ESTRATÉGIAS PARA RETARDAR A RESISTÊNCIA A 
FÁRMACOS 
• Evitar o tratamento com fármaco único na forma 
ativa e até mesmo na forma latente; 
 
• Usa-se um esquema de fármacos múltiplos, em 
geral, quatro fármacos: isoniazida, rifampicina (ou 
outra rifamicina), etambutol e pirazinamida; 
• Mesmo que haja boa resposta clínica inicial, o 
tratamento deve ser mantido por tempo 
prolongado para eliminar os microrganismos 
persistentes e prevenir recaídas no paciente e 
transmissão de germes resistentes. 
 
ISONIAZIDA 
• É considerado o mais potente dos fármacos 
antituberculose, mas nunca deve ser usado 
isoladamente no tratamento da doença ativa; 
• É uma hidrazida do ácido nicotínico, um análogo 
sintético da piridoxina. 
MECANISMO DE AÇÃO 
• A isoniazida (INH) é um pró-fármaco, ativado pela 
enzima catalase-peroxidase micobacteriana no 
bacilo (KatG)= vai ser modificada para que o 
metabólito possa atuar; 
• Identificaram-se dois alvos enzimáticos para a 
isoniazida no sistema sintetase de ácido graxo tipo 
II singular envolvido na produção de ácido micólico 
(um ácido graxo hidroxilado, muito longo, 
importante para a formação das paredes das 
micobactérias): 
o A proteína transportadora enoilacil-
redutase (lnhA); 
o A β-cetoacil-ACP-sintetase (KasA). 
 
79 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
ESPECTRO ANTIMICROBACTERIANO 
• Age em bacilos em fase estacionária = é 
bacteriostática; 
• Age em bacilos em replicação = é bactericida; 
• Age sobre microrganismos intracelulares, 
especificamente sobre os Mycobacterium, mas a 
maioria da MNT são resistentes à isoniazida. 
• Resistência: 
• Está associada a várias mutações cromossômicas 
diferentes que resultam em: 
• Apagamento da β-cetoacil-ACP-sintetase (KatG), 
por mutação; 
• Mutações variantes das acil-proteínas 
transportadoras; 
• Superexpressão da proteína transportadora 
enoilacil-redutase (lnhA); 
• Pode ocorrer resistência cruzada com etionamida 
(até há pouco, dizia-se que não). 
FARMACOCINÉTICA: 
• Absorção: boa absorção por via oral, mas pode 
ser comprometida se houver ingestão de 
alimentos ricos em gordura; 
• Distribuição: Difunde bem nos líquidos corporais, 
nas células e no material caseoso; 
o Penetra a barreira hematoencefálica; 
• Metabolização: A metabolização é por acetilação 
hepática; 
o Polimorfismo na população (variação 
interindividual): existem acetiladores 
rápidos (meia - vida de 90 min) e lentos 
(meia -vida de 3 a 4 horas); 
o É necessário ajuste de dose na doença 
hepática crônica, que podem mudar o 
perfil de acetilação; 
• Eliminação; 
o A excreção ocorre por filtração 
glomerular e secreção; 
o Os metabólitos aparecem na urina; 
• Na insuficiência renal pode haver acúmulo do 
fármaco. 
REAÇÕES ADVERSAS 
• Neurite periférica; 
• Parestesias (perda de sensibilidade/formigamento) 
nas mãos e nos pés; 
• Provavelmente decorre de privação de piridoxina; 
• Reverte com a administração de 25 a 50 mg/dia 
de piridoxina (vitamina B6) 
• 
• Hepatite e hepatotoxicidade idiossincrásica; 
• Pode ser fatal, sendo o efeito mais grave associado 
à droga; 
• O risco é maior com a idade e com uso de bebidas 
alcoólicas. 
INTERAÇÕES FARMACOLÓGICAS 
• Inibe a metabolização de fenitoína e da 
carbamazepina e pode agravar seus efeitos 
adversos (nistagmo, ataxia); 
• Os acetiladores lentos são mais suscetíveis; 
• Isso ocorre quando o metabolismo dessas outras 
drogas é inibido, o qual vai ser mais/menos inibido 
com relação a quantidade de isoniazida disponível. 
Em acetiladores lentos, ocorre maior 
concentração plasmática de isoniazida por mais 
tempo, levando a maior inibição do metabolismo 
dos outros fármacos, que também vão aumentar 
suas concentrações, levando a efeitos adversos. 
EFEITOS ADVERSOS 
• Alterações mentais, convulsões, neurite óptica, 
reações de hipersensibilidade (não dose-
dependente, efeito idiossincrásico tipo B), urticária 
e febre. 
A fim de prevenir a neurite periférica e outras consequências 
de deficiência de piridoxina, recomenda-se a suplementação 
com vitamina B6 durante tratamento com isoniazida (profilaxia 
com vitamina). Como são fármacos análogos, acredita-se que 
a isoniazida é um competidor com a piridoxina pela sua 
absorção, devendo-se utilizar de uma quantidade maior de 
piridoxina para que ela possa também ser absorvida. 
 
80 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
RIFAMICINAS: RIFAMPICINA, RIFABUTINA E RIFAPENTINA 
• Um grupo de antibióticos macrolídeos 
estruturalmente similares entre si e que são 
fármacos de primeira escolha para o tratamento 
da tuberculose; 
• Sempre usados em conjunto com outras drogas. 
RIFAMPICINA 
• É derivada do fungo Streptomyces; 
• É de mais amplo espectro que a isoniazida; 
• Ocorre resistência com grande velocidade, por 
isso nunca é usada em monoterapia. 
Mecanismo de ação: 
• Bloqueio da transcrição, interagindo com a 
subunidade β da RNA-polimerase DNA-
dependente bacteriana, mas não com a humana 
(mecanismo relativamente seletivo); 
• Inibe, portanto, a síntese do RNAm, suprimindo a 
etapa inicial da síntese de proteínas nas bactérias. 
Espectro antimicrobiano: 
• Bactericida contra micobactérias intra e 
extracelulares = tratamento de tuberculose ativa; 
• Também é usada profilaticamente em indivíduos 
contactantes (familiares, agentes de saúde) 
expostos à meningite causada por meningococos 
ou por Haemophylus influenzae; 
• É o fármaco anti-hanseníase (contra o M. leprae) 
mais ativo atualmente. 
Resistência: 
• Pode ser causada por mutação na afinidade da 
RNA-polimerase DNA-dependente bacteriana = 
diminui afinidade da enzima pelo fármaco, ou seja, 
diminui a inibição causada pela rifampicina. 
Farmacocinética: 
• Absorção - absorção adequada após 
administração oral; 
• Distribuição - distribui-se por todos os órgãos e 
tecidos; 
o Passa a barreira hematoencefálica; 
o É captada pelo fígado e sofre circulação 
êntero-hepática; 
• Metabolização: 
o Interage com o sistema P450, induzindo 
inúmeras enzimas; 
o Além disso, sofre autoindução do 
metabolismo = à medida que se prolonga 
seu tempo de uso, seus níveis séricos 
podem cair; 
• Eliminação: 
o As secreções adquirem coloração 
alaranjada: urina, fezes e outras; 
o Metabólitos aparecem na bile; 
o Um terço da dose aparece na urina. 
Reações adversas: 
Em geral é bem tolerada, mas pode ocorrer: náuseas e 
vômitos, urticária, hepatite (cuidado em idosos e em 
alcoolistas), síndrome gripal com febre, calafrios e mialgias, 
insuficiência renal aguda, anemia hemolítica e choque. 
Interações farmacológicas: 
Ao induzir o P-450 (aumenta a 
metabolização), acaba reduzindo a 
meia-vida de diversos fármacos 
(como, contraceptivos orais, 
inibidores de proteases HIV, 
metadona, prednisona, propranolol, 
quinidina, sulfonilureias, varfarina, 
voriconazol), o que pode exigir a 
dosagem deles e ajuste de dose. 
RIFABUTINA 
• É um derivado da rifampicina.; 
• É um indutor menos potente do P450 = usado 
em pacientes com HIV+ que utilizam 
simultaneamente inibidor da protease (para não 
ocorer diminuição dos eu efeito) ou inibidor da 
transcriptase reversa nãonucleosídeo; 
• Efeitos adversos são similares, mas incluem 
também uveíte, hiperpigmentação cutânea e 
neutropenia. 
RIFAPENTINA 
• Atividade maior que a da rifampicina, mas meia-
vida mais longa, possibilitando uso semanal; 
 
81 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Na fase intensiva, contudo, se usa 2 x por semana 
(dois primeiros meses). Nos outros 4 meses, usa-
se 1 x por semana; 
• Desvantagem em questão de custo e 
disponibilidade do fármaco. 
PIRAZINAMIDA 
• É um bactericida antituberculose sintético; 
• É ativa contra microrganismos em divisão, mas 
seu mecanismo de ação é desconhecido; 
• É hidrolisada enzimaticamente até ácido 
pirazinóico, sua forma ativa. Portanto, a 
pirazinamida é um prófármaco.; 
• Algumas cepas resistentes não têm a 
pirazinamidase, assim, não transformam o pró-
fármaco em fármaco e não sofrem efeito do 
fármaco ativo; 
• Distribui-se amplamente nos tecidos corporais; 
• Pode ocorrer disfunção hepática e crises de gota 
ETAMBUTOL 
• É bacteriostático para a maioria das cepas de M. 
tuberculosis e M. kansaii; 
• Inibe a arabinosiltransferase = essa enzima é 
importante para a síntese do arabinogalactano, que 
participa na formação da parede celular da 
micobacteria; 
• Usado em combinação com outras drogas; 
• Bem distribuído, alcança o líquor; 
• Excretado por filtração glomerular e secreção 
tubular; 
• Efeito adverso mais importante é a neurite óptica 
(em geral, reversível), resultando em perda da 
acuidade visual e dificuldade de discriminar o verde 
do vermelho (lembra o daltonismo clássico, em 
geral, é reversível); 
• Pode ocorrer crises de gota.FÁRMACOS ALTERNATIVOS DE SEGUNDA LINHA 
ESTREPTOMICINA 
• Foi discutida com os aminoglicosídeos; 
• Maior ação contra germes extracelulares; 
• Os germes resistentes ainda podem ser tratados 
com canamicina ou amicacina. 
ÁCIDO PARAMINOSSALICÍL ICO 
• Foi atualmente substituído pelo etambutol; 
• Era tratamento padrão até a década de 60; 
• Permanece importante em alguns regimes para 
TBMR. 
CAPREOMICINA 
• Peptídeo que inibe a síntese proteica; 
• Administrada por via parenteral, o que dificulta seu 
uso; 
• Reservada para o tratamento da tuberculose 
multirresistente. 
CICLOSSERINA 
• Tuberculostático eficaz por VO; 
• Parece antagonizar as etapas da síntese da parede 
bacteriana envolvendo D-alanina; 
• Efeitos adversos: convulsões e neuropatia 
periférica (a qual responde à piridoxina). 
ETIONAMIDA 
• Análogo estrutural da isoniazida; 
• Também interrompe a síntese do ácido micólico; 
• Parece atuar por algum outro mecanismo 
desconhecido (diferente do mecanismo da 
isoniazida); 
• Efeitos adversos: irritação gástrica, 
hepatotoxicidade, neuropatia periférica e neurite 
óptica. 
FLUROQUINOLONAS 
• Ciprofloxacino, moxifloxacino e levofloxacino 
foram discutidos na aula anterior; 
• São ativos contra algumas cepas atípicas. 
 
 
82 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
MACROLÍDEOS 
• Azitromicina e claritromicina são parte do 
esquema que inclui etambutol e rifabutina para o 
tratamento de infecção pelo complexo M. avium-
intracellulare; 
• Prefere-se a azitromicina em paciente HIV+ por 
interferir menos com os antiretrovirais e outros 
fármacos. 
BEDAQUILINA 
• É um inibidor da ATP-sintase é o primeiro de uma 
nova classe de fármacos aprovados para o 
tratamento da TBMR; 
• É ativa, por VO, contra vários tipos de 
micobactérias; 
• Pode causar aumento do QT; 
• É substrato do CYP3A4 (risco de interações). 
 
QUIMIOTERAPIA CONTRA A HANSENÍASE 
• A hanseníase 
está se tornando mais 
rara; no entanto, ainda é 
um problema grave em 
algumas regiões do 
mundo, como a Índia; 
• Os bacilos das 
lesões cutâneas ou da 
secreção nasal penetram pela pele abrasada ou 
pelo epitélio respiratório; 
• A OMS recomenda o tratamento com regime 
tríplice que inclui a dapsona, a clofazimina e a 
rifampicina, por 6 a 24 meses. 
 
DAPSONA 
• É estruturalmente relacionada com as 
sulfonamidas e também inibe a síntese do folato, 
inibindo a dihidropteroato sintetase; 
• É bacteriostática contra o M. leprae; 
• Também é empregada na pneumonia por 
Pneumocystis jiroveci; 
• É bem absorvida por VO; 
• Sofre acetilação hepática e é eliminada pela bile; 
• Reações adversas: hemólise (deficiência de G6PD), 
metaemoglobinemia (alteração no estado de 
oxidação do ferro da hemoglobina), neuropatia 
periférica e possibilidade de desenvolver “eritema 
nodosum leprosum” (nódulo eritematoso 
característico da hanseníase), o qual é uma 
complicação que precisa ser tratada com 
talidomida e corticosteroides. 
Pneumocistose: 
• A Pneumocistose é uma infecção oportunista 
causada pelo fungo unicelular Pneumocystis 
jirovecii (antes referido como Pneumocystis carinii). 
Apesar de ter ocorrido grande diminuição de 
pneumonia por Pneumocystis jirovecii com o 
advento da terapia antirretroviral (TARV), o 
Pneumocystis continua sendo o agente isolado 
mais comum de pneumonia em pacientes 
infectados pelo HIV, numa taxa de 2-3 casos por 
100 pacientes-ano. O contato primordial com o 
Pneumocystis jirovecii ocorre geralmente na 
infância. Assim, pode resultar tanto de uma nova 
infecção, quanto da reativação de uma infecção 
latente. Fatores de risco: pacientes com episódios 
prévios ou contagem CD4; 
• Sinais e sintomas: inicia um quadro insidioso com 
dificuldade respiratória, tosse seca, desconforto 
torácico e febre, persistindo, em geral, por 
 
83 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
semanas ou até mesmo por alguns meses antes 
que o diagnóstico seja consolidado. Destaca-se a 
presença de uma importante hipoxemia. O exame 
físico não costuma auxiliar muito o diagnóstico e 
até mesmo a radiografia de tórax pode não 
revelar anormalidades; 
• Com a evolução da doença, o exame radiológico 
revelará um infiltrado pulmonar difuso e bilateral, 
mais evidente na região peri-hilar que avança para 
as bases. Este quadro radiológico é menos comum 
em pacientes com AIDS já estabelecida. Em geral 
os ápices pulmonares são poupados. Já a 
Tomografia Computadorizada costuma revelar 
comprometimento difuso e nodular, em padrão de 
vidro fosco, do parênquima pulmonar acometido. 
Diagnóstico: com a suspeita clínica, poucos são os 
achados laboratoriais de importância para definição 
diagnóstica. Costuma chamar a atenção a 
importante hipoxemia, em geral grave e muitas 
vezes desproporcional à intensidade da dispneia. 
Verifica-se também um aumento do LDH; 
• O diagnóstico definitivo requer o isolamento do 
Pneumocystis jirovecii em tecidos e fluidos. A 
expectoração costuma ser a primeira abordagem 
para o diagnóstico. Pode ser realizado, ainda, o 
lavado broncoalveolar, a biópsia transbrônquica ou 
a biópsia pulmonar aberta. 
CLOFAZIMINA 
• É um corante fenazina que se liga ao DNA e evita 
que sirva de modelo para futuras replicações; 
• Forma radicais livres que também são tóxicos para 
as bactérias; 
• É bactericida contra o M. leprae e possui alguma 
atividade contra M. avium-intracellulare; 
• Se acumula nos tecidos, mas não passa a BHE; 
• Os pacientes podem desenvolver uma coloração 
vermelho-amarronada na pele; 
• Acredita-se que, por possuir alguma atividade 
antiinflamatória, esse fármaco não permita 
desenvolver o eritema nodosum. 
Fármacos anti-helmínticos 
• As infecções são causadas por três grupos 
principais de vermes: nematódios, trematódios e 
cestódios; 
• Os anti-helmínticos são dirigidos para alvos 
metabólicos presentes nos parasitas, com relativa 
seletividade; 
 
• A incidência relativa de helmintos na população 
mundial é relativamente grande, sendo os 
nematódeos os mais frequentes 
FÁRMACOS CONTRA NEMATÓDEOS 
• São vermes arredondados e alongados que 
possuem um sistema digestivo completo, incluindo 
boca e ânus. Existe dimorfismo sexual para a 
maioria deles (fêmea geralmente é maior); 
• Causam infecções no intestino, no sangue e nos 
tecidos. 
 
MEBENDAZOL 
• É um benzimidazólico sintético, eficaz contra um 
amplo espectro de nematódeos; 
• É o fármaco de escolha contra: Trichuris trichiura 
(tricuris), Enterobios vermicularis, Necatur 
americanus, Ancylostoma duodenale e Ascaris 
lumbricoides (lombriga); 
• Atua ligando-se aos microtúbulos e interferindo na 
sua montagem, bem como diminuindo a captação 
de glicose (dextrose, de fato é a forma D-glicose); 
• Os parasitas atingidos são expelidos através das 
fezes; 
 
84 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Pouco absorvido por VO, exceto se ingerido com 
comida gordurosa; 
• Sofre metabolismo de primeira passagem 
formando compostos inativos – diminui a eficiência 
do fármaco; 
• Relativamente livre de efeitos adversos, embora 
possa haver sintomas gastrointestinais, mas 
contraindicado em gestantes. 
PALMOATO DE PIRANTEL 
• É um fármaco ativo contra Ascaris lumbricoides 
(lombriga), Enterobios vermicularis, Necatur 
americanus e Ancylostoma duodenale; 
• Pouco absorvido por VO, atua no trato 
gastrintestinal; 
• É bloqueador neuromuscular, despolarizante, 
causando ativação persistente dos receptores 
nicotínicos nos parasitas, tanto por liberação de 
acetilcolina quanto por inibição da colinesterase 
TIABENDAZOL 
• É eficaz contra: Strongiloides stercoralis, Larva 
migrans cutânea e nos estágios iniciais da 
triquinose (Trichinella spiralis); 
• Afeta a agregação microtubular; 
• Facilmente absorvido por VO; 
• Sofre hidroxilação hepática e eliminação renal; 
• Pode ocorrer Síndrome de Stevens-Johnson e 
eritema multiforme; 
• É contraindicado na gestação;• Seu uso atual, de fato, restringe-se ao tratamento 
tópico da larva migrans cutânea; nas outras 
aplicações foi substituído por fármacos alternativos 
mais seguros. 
IVERMECTINA 
• É o fármaco de escolha para o tratamento da 
oncocercose (Onchocerca volvulus), contra a larva 
migrans cutânea; 
• Atua nos receptores de cloro ativados por 
glutamato, ocorrendo hiperpolarização e paralisia 
do verme; 
• Usado por VO, não costuma passar a barreira 
hematoencefálica, a não ser na meningite, quando 
está contraindicado; 
• A morte das microfilárias pode causar a perigosa 
reação de Mazzotti: 
o Febre, cefaleia, tontura, sonolência e 
hipotensão; 
o Quanto maior a carga parasitária, maior a 
reação; 
o Pode-se utilizar anti-histamínicos e 
coticosteroides para atenuar a reação. 
DIETILCARBAZINA 
• Usada no tratamento da filariose, devido a sua 
propriedade de imobilizar as filárias e torná-las 
suscetíveis às defesas do hospedeiro; 
• Associada ao albendazol é eficaz contra a 
Wuchereria bancrofti e Brugia malayi; 
• Alcalose urinária e insuficiência renal podem exigir 
a diminuição da dose para evitar intoxicação; 
• Os sintomas adversos são decorrentes de reações 
do hospedeiro aos parasitas mortos: febre, mal-
estar, mialgia, urticária, artralgia e cefaleia; 
• Pode acelerar a cegueira e causar reação de 
Mazzotti em pacientes com oncocercose, 
devendo ser evitada nesse tipo de infecção. 
Albendazol, Ivermectina, Mebendazol e Tiabendazol devem 
ser evitados durante a gestação. 
 
 
85 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
FÁRMACOS USADOS CONTRA OS TREMATÓDEOS 
 
• São vermes achatados, com formato de folha, 
que, geralmente, são caracterizados pelo tecido 
que infectam, por exemplo, fascíolas hepáticas, 
pulmonares, intestinais ou do sangue; 
• Classe trematoda: platelmintos ectoparasitas e 
endoparasistas. 
PRAZIQUANTEL; 
• As infecções por trematódios geralmente são 
combatidas com praziquantel; 
• É o fármaco de escolha para o tratamento de 
todas as formas de esquistossomíase, outras 
infecções por trematódios e infecções por 
cestódios, como a cisticercose; 
• O praziquantel aumenta a permeabilidade da 
membrana ao cálcio, aumentando a contratura e 
causando paralisia do parasita; 
• Rapidamente absorvido por VO, chega ao líquor e 
concentra-se na bile; 
• Metabolizado no fígado, tem meia-vida curta; 
• Os metabólitos inativos são excretados na urina e 
na bile; 
• Efeitos adversos: tontura, sonolência, mal-estar e 
anorexia; 
• Contraindicados para gestantes ou lactantes; 
• O praziquantel é contraindicado na cisticercose 
ocular, pois a destruição do parasita no olho pode 
causar lesão, sendo utilizado apenas quando não 
há acometimento oftálmico. Deve-se primeiro 
fazer uma cirurgia oftálmica para retirar o parasita; 
• Ocorrem múltiplas interações via P450. 
 
FÁRMACOS USADOS CONTRA OS CESTÓDIOS/TÊNIAS 
• Os cestódios, ou tênias, 
têm o corpo achatado e 
segmentado, fixando-se no 
intestino do hospedeiro; 
• As tênias têm o corpo 
dividido em cabeça/escolex, pescoço e 
corpo/estróbilo (proglótides); ausência de tubo 
digestivo e são hemafroditas (autofecundação). 
NICLOSAMIDA 
• É uma alternativa ao praziquantel contra a maioria 
dos cestódios (tênias); 
• Inibe a fosforilação mitocondrial do ADP no parasita 
(inibe ATP sintase); 
• Também pode haver inibição do metabolismo 
anaeróbio no parasita; 
• É letal para o escólex e os segmentos dos 
cestódios, mas não pra os ovos; 
• Usa-se um laxante antes da administração do 
fármaco por VO, com a finalidade de eliminar do 
intestino os parasitas mortos e evitar a sua 
digestão com absorção de ovos, que poderia levar 
à cisticercose; 
• Deve-se evitar o uso de álcool dentro de um dia 
do uso da niclosamida. 
ALBENDAZOL 
• Benzimidazólico que inibe a síntese dos 
microtúbulos e a captação de glicose também nos 
nematódeos; 
 
86 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• Sua aplicação primária, contudo, é sobre os 
cestódios, como a cisticercose (causada pelas 
larvas da Taenia solium) e a hidatidose (por 
Echinococcus granulosus); 
• Por curto prazo, apresenta sintomas adversos 
leves; em longo prazo (por exemplo, três meses 
para o tratamento da hidatidose) pode ocorrer 
hepatotoxicidade e, mais raramente, 
agranulocitose ou pancitopenia; 
• O tratamento da neurocisticercose pode estar 
associado a sintomas decorrentes da resposta 
inflamatória aos parasitas mortos no SNC (cefaleia, 
êmese, hipertermia, convulsões e alterações 
mentais); 
• Não deve ser utilizado em gestantes ou crianças 
menores de 2 anos. 
 
Fármacos antiprotozoários 
• As infecções por protozoários são mais comuns 
em regiões com condições precárias de 
saneamento e higiene; 
• Com o aumento da mobilidade (viagens), infecções 
como malária, amebíases, leishmaniose, 
tripanossomíase, tricomoníase e giardíase não 
estão mais confinadas a limites geográficos 
estreitos; 
• Como são eucariotos (unicelulares), os parasitas 
apresentam processos metabólicos mais 
semelhantes aos nossos do que as bactérias 
procariotas, causando certa toxicidade cruzada 
(menor toxicidade seletiva); 
• As doenças causadas por protozoários são, 
portanto, em geral, mais difíceis de tratar; 
• Os fármacos possuem toxicidade também ao 
nosso organismo e apresentam muitos 
paraefeitos, especialmente para as células que 
apresentam atividade metabólica elevada; 
• Em geral, são contraindicados às gestantes. 
 
QUIMIOTERAPIA CONTRA AMEBÍASE 
• A amebíase (disenteria por amebas) é causada 
pela Entamoeba histolytica; 
• Disenteria é uma diarreia, que, me geral, acomete 
a integridade da mucosa intestinal e costua ser 
mucosanguinolenta; 
• Pode ser uma doença aguda ou crônica (com 
diarreia variável, de leve a fulminante); 
• Diagnóstico por isolamento das amebas em fezes 
frescas; 
• O parasita pode permanecer latente. 
CICLO DE VIDA DA E. H ISTOLYTICA 
• Cistos (contaminação): podem permanecer vivos 
fora do organismo; 
• Trofozoítos (desenvolvimento da doença): mais 
invasivos, mas lábeis, não persistem fora do 
organismo; 
• A contaminação ocorre por cistos, a infestação 
por trofozoítos promove a infecção (fase de 
virulência, de replicação do organismo), invadindo 
e ulcerando mucosas, onde se alimentam das 
bactérias da microbiota; 
• Tetraciclina pode ser usada como uma estratégia 
para acabar com microbiota e dificultar a ação dos 
trofozoítos; 
• Pode haver invasão sistêmica, se houver grande 
número de trofozoítos na mucosa. 
 
87 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS FÁRMACOS AMEBICIDAS 
 
FÁRMACOS MISTOS 
METRONIDAZOL 
• É o amebicida misto de escolha para o tratamento 
de infecções por E. hystolitica; 
• Também é eficaz contra Giardia lamblia, 
Trichomonas vaginalis, cocos anaerobios e bacilos 
anaeróbios Gram(-), como os bacteroides; 
• É o fármaco de escolha para o tratamento da 
colite ulcerativa ou de abcessos cerebrais 
causados pelo Clostridium difficile – um bacilo 
anaeróbio Gram (+). 
Mecanismo de ação: 
• O grupo nitro do metronidazol age como aceptor 
de elétrons, formando compostos citotóxicos 
reduzidos que se ligam às proteínas e ao DNA, 
resultando em morte celular dos parasitas; 
• Os parasitas possuem proteínas de transporte de 
elétrons com potencial redox baixo, como a 
ferridoxina, assim, eles acabam não dando conta 
de recuperar esses compostos reduzidos. Isto 
resulta na morte da forma trofozoíta da E. 
histolytica. 
Farmacocinética 
• Absorção - Rápida e completa absorção por VO; 
o Em geral é usado com iodoquinol ou 
paromomicina (amebicidas luminais) para o 
tratamento de amebíases → eleva a taxa 
de cura para 90%; 
• Distribuição - Boa distribuição: incluindo líquido 
seminal, vaginal, líquor, saliva e leite; 
• Metabolização - A metabolização exige 
glicuronização (após a fase I), podendo sofrer 
indução, na concomitância de fármacos comoo 
fenobarbital; 
o Outros fármacos podem inibir a 
metabolização do metronidazol, como a 
cimetidina, que ao acumular metronidazol 
pode causar toxicidade; 
o Acumula em pacientes com insuficiência 
hepática grave; 
• Eliminação - Excreção (do próprio fármaco e dos 
seus metabólitos) na urina. 
Efeitos adversos: 
• Distúrbios do TGI - Gosto metálico - Predisposição 
a infecções como Monilíase oral (por Candida); 
• Raramente, problemas neurológicos, como 
zumbido, vertigem, torpor e parestesias; 
• Efeito dissulfiram (com álcool) = inibição da enzima 
aldeído desidrogenase, causando acúmulo de 
acetaldeído, que é muito tóxico *** Não pode ser 
utilizado com álcool. 
Resistência: existem variedades de Trichomonas 
resistentes, mas, em geral, não se trata de problema 
terapêutico significativo na amebíase. 
TINIDAZOL 
• É um nitroimidazol de segunda geração com 
características (absorção, espectro, efeitos 
adversos e interações) similares às do 
metronidazol; 
• É tão eficaz quanto, mas é mais caro; 
• A vantagem é que o curso de tratamento é um 
pouco mais curto; 
• Deve-se evitar o consumo de álcool. 
FÁRMACOS LUMINAIS 
• São usados para eliminar estados de colonização 
assintomáticos, após o uso de amebicidas 
sistêmicos; 
• Incluem: 
 
88 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
o Iodoquinol; 
o Furoato de diloxanida; 
o Paromomicina. 
IODOQUINOL 
• É amebicida contra E. hystolitica (eficaz contra 
trofozoítas luminais e formas encistadas); 
• Efeitos adversos: diarreia e neuropatia periférica 
dose-dependente, incluindo neurite óptica; 
• Deve-se evitar o uso por período prologado. 
PAROMOMICINA 
• É um antibiótico aminoglicosídico; 
• Eficaz contra as formas luminais da E. hystolitica 
(não é absorvido = não é eficaz contra infecções 
sistêmicas); 
• É uma alternativa para o tratamento da 
criptosporidíase e de giardíase; 
• É um amebicida direto, por efeitos sobre a 
membrana do parasita, causando vazamentos, 
perda de componentes intracelulares e morte; 
• Efeitos adversos gastrointestinais. 
AMEBICIDAS SISTÊMICOS 
CLOROQUINA 
• Usado em associação com metronidazol e 
diloxanida para o tratamento e a prevenção de 
abcessos hepáticos por amebas; 
• Elimina os trofozoítas presentes no abcesso 
hepático; 
• Não possui ação luminal; 
• Também é usada no tratamento da malária. 
EMETINA E DESIDROEMETINA 
• São fármacos alternativos para o tratamento da 
amebíase - Inibem a síntese proteica bloqueando 
o prolongamento da cadeia; 
• Usa-se preferencialmente por via IM; 
• Pode acumular (metabolizada lentamente); 
• É um derivado de ipeca, tóxico, não devendo ser 
utilizados por mais de 5 dias. 
 
QUIMIOTERAPIA CONTRA A MALÁRIA 
• É uma doença infecciosa aguda, causada por 4 
espécies de Plasmodium: falciparum (doença mais 
grave), malarie, vivax (forma mais branda da 
doença) e ovale (raro); 
• O vetor é o mosquito Anopheles fêmea; 
• A infecção pelo P. falciparum pode levar a uma 
obstrução capilar aguda e morte se não houver 
tratamento imediato; 
• A doença aguda se caracteriza por ser 
rapidamente fulminante, com febre elevada 
persistente, hipotensão ortostática e eritrose 
massiva (um aumento anormal no número de 
eritócitos, acompanhado de pernas avermelhadas 
e inchadas), podendo haver obstrução capilar e 
morte. 
CICLO DE VIDA DO PARASITA DA MALÁRIA 
• O mosquito infectado pica e injeta esporozoítos, 
que migram para o fígado e formam cistos 
contendo milhares de merozoítos; 
• Os merozoítos são liberados e invadem os 
eritrócitos, evoluindo para trofozoítos que usam a 
hemoglobina como nutriente e evoluem para 
merozoítos, os quais podem infectar novas células 
quando houver hemólise. 
 
89 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
PRIMAQUINA (UM ESQUIZONTICIDA TISSULAR) 
• De uso oral, erradica as formas exoeritrocíticas 
primárias do P. falciparum e P. vivax e as formas 
esporocíticas recorrentes (P. vivax e P. ovale); 
• É o único fármaco que pode levar à cura radical 
da malária por P. vivax e P. ovale, os quais podem 
ficar no fígado depois que as formas eritrocitárias 
sejam eliminadas; 
• As formas sexuadas (gametocíticas) dos quatro 
plasmódios são destruídas, interrompendo a 
transmissão da doença; 
• Como ela não é eficaz contra forma eritrocítica 
precisa ser usada com um esquizonticida 
(cloroquina, quinina, mefloquina ou pirimetamina) = 
deve-se também matar o que está dentro dos 
eritrócitos 
Mecanismo de ação: 
Acredita-se que os metabólitos da primaquina atuem como 
oxidantes responsáveis pela ação esquizonticida, bem 
como pela hemólise e pela meta-emoglobinemia 
(hemoglobina em que o ferro alterou seu grau de 
oxirredução = de ferroso para férrico) é verificada como 
toxicidade. 
Farmacocinética: 
• Absorção - Bem absorvida VO; 
• Distribuição - Não se concentra nos tecidos; 
• Metabolização - Rapidamente oxidada; 
• Eliminação - Os metabólitos aparecem na urina; 
o Não se sabe quais deles apresentam 
maior atividade. 
 
Efeitos adversos: 
• Baixa incidência de efeitos adversos, exceto a 
anemia hemolítica em pacientes com deficiência 
da G6PD; 
 
• Desconforto abdominal; 
• Ocasionalmente metemoglobinemia; 
• Pacientes com lupus ou artrite podem 
desenvolver granulocitose e granulocitopenia; 
• A primaquina é contraindicada na gestação; 
• Pode haver desenvolvimento de resistência. 
CLOROQUINA (ESQUIZONTIC IDA NO SANGUE) 
• A cloroquina é a base do tratamento antimalárico 
e é o fármaco de escolha para o tratamento da 
malária eritrocítica por P. falciparum, exceto as 
cepas resistentes; 
• É menos eficaz na malária vivax; 
• É eficaz no tratamento da amebíase 
extraintestinal; 
• Também possui ação anti-inflamatória útil no 
tratamento da artrite reumatoide e do lupus 
eritematoso discoide. 
Mecanismo de ação: 
• O mecanismo não está completamente eluicidado; 
• Sabe-se que o parasita ao digerir a hemoglobina 
no seu vacúolo alimentar produz heme solúvel 
(ferriprotoporfirina IX), o qual é tóxico; 
• O parasita faz a polimerização da 
ferriprotoporfirina IX para não sofrer toxicidade 
causada pelo grupo heme; 
• A cloroquina liga-se especificamente ao grupo 
heme, impedindo a sua polimerização, causando, 
assim, toxicidade para o parasita; 
• O aumento do pH e o acúmulo de heme 
provocam a lise da hemácia e do parasita. 
 
90 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
 
Farmacocinética: 
• Absorção - Bem absorvida por VO; 
o Em geral, 4 dias de tratamento são 
suficientes; 
• Distribuição - V d grande, concentra-se em 
eritrócitos, fígado, baço, rins, pulmões, tecidos que 
contém melanina e leucócitos; 
o Penetra o SNC e a placenta; 
• Metabolização - Metabolizada por desalquilação 
hepática; 
• Eliminação - A velocidade de excreção aumenta 
com a acidificação da urina; 
o O fármaco e os metabólitos aparecem na 
urina; 
Efeitos adversos: 
• São mínimos em doses profiláticas (baixas); 
• Em doses altas pode ocorrer visão borrada, 
distúrbios do trato gastrintestinal, prurido e cefaleia; 
• Deve -se ter cuidado em pacientes com disfunção 
hepática grave, problemas neurológicos ou 
hematológicos; 
• Pacientes com psoríase ou porfiria não devem 
usar cloroquina, pois podem ocorrer crises; 
o Hemólise → necessidade de síntese de 
novo grupo heme → desrreprime via de 
síntese do grupo heme da hemoglobina 
→ aumenta a quantidade de 
intermediários tóxicos; 
o Porfiria: é uma doença que tem uma 
barreira = erro no metabolismo em que 
uma das enzimas funciona menos, 
acumulando intermediários que podem 
ser tóxicos. 
 
 
 
Resistência: 
• Hoje é um problema grave, especialmente para o 
P. falciparum (África, Ásia, América Central e do 
Sul); 
• Para os organismos cloroquina-resistentes o 
tratamento inclui uma combinação, por VO, de 
quinina, pirimetamina e uma sulfonamida como a 
sulfadoxina 
ATOVAQUONA + PROGUANIL 
• É uma associação usada na prevençãoe no 
tratamento da malária (eficaz contra P. falciparum 
resistente à cloroquina); 
• A atovaquona inibe processos mitocondriais (o 
transporte de elétrons e a síntese de ATP); 
• O metabólito ativo da proguanil, a cicloguanil, inibe 
a di-hidrofolato redutase do plasmódio, impedindo 
a síntese de DNA (fármaco anti-folato); 
• O proguanil é metabolizado pela via CYP2C19 (com 
muito polimorfismo), cujo metabolismo é lento 
para alguns pacientes; 
• A associação deve ser tomada com alimento ou 
leite para aumentar a absorção; 
• Efeitos adversos: náuseas/vômitos, dor abdominal, 
cefaleia, diarreia, tonturas e anorexia. 
MEFLOQUINA (ESQUIZONTIC IDA NO SANGUE) 
• Geralmente eficaz como droga única para o 
Plasmodium falciparum multirresistente 
(tratamento e profilaxia); 
• Mecanismo ainda indeterminado, mas parece lesar 
as membranas do parasita, assim como a quinina; 
• Bem absorvida por VO, concentra-se no fígado e 
nos pulmões; 
• Efeitos adversos incluem depressão e alucinações 
(SNC) e alterações da condução cardíaca, 
especialmente em conjunto à quinina ou à 
quinidina. 
QUININA E QUINIDINA (ESQUIZONTICIDAS NO SANGUE) 
• A quinina (isolada da casca da planta chinchona) 
interfere na polimerização do heme, resultando na 
morte da forma eritrocitária do plasmódio; 
• Reservada para as formas graves ou resistentes à 
cloroquina; 
 
91 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
• A alcalinização da urina diminui sua excreção; 
• O principal efeito adverso da quinina é o 
cinchonismo (síndrome com náuseas, êmese, 
zumbido e vertigens, efeitos que são reversíveis 
com a retirada da medicação); 
• O tratamento com quinina deve ser suspenso se 
ocorrer Coombs(+) para anemia hemolítica; 
• Pode ocorrer potencialização de bloqueadores 
musculares e elevação dos níveis de digoxina; 
• Risco de arritmia quando associada a outras drogas 
que aumentam o QT; 
• A quinina é fetotóxica = não deve ser utilizada na 
gestação. 
ARTEMISINA (ESQUIZONTICIDA NO SANGUE) 
• A artemisina deriva de uma planta usada há mais 
de 2 mil anos pelos chineses para o tratamento da 
malária (a qinghaosu, sweet wormwood); 
• A artemisina e seus derivados são recomendados 
para o tratamento de pacientes com malária 
falcípara multirresistente; 
• Não deve ser usada isoladamente, para evitar 
desenvolvimento de resistência (é comumente 
usada com lumefantrina, de ação similar à quinina); 
• O efeito decorre da produção de radicais livres 
dentro do vacúolo do plasmódio e por dano a 
proteínas plasmáticas específicas no parasita; 
• Existe VO, retal e IV; 
• Como a meia-vida é curta não, está indicada para 
profilaxia; 
• É relativamente segura, mas dosagens 
extremamente altas podem provocar 
neurotoxicidade e prolongamento do intervalo QT. 
PIRIMETAMINA (ESQUIZONTICIDA NO SANGUE E 
ESPORONTICIDA) 
• É um fármaco antifolato; 
• Inibe a di-hidrofolato redutase do plasmódio em 
concentrações muito mais baixas do que as que 
inibem a enzima em mamíferos; 
• A anemia megaloblástica, se ocorrer, pode ser 
revertida com ácido folínico; 
• A pirimetamina isoladamente, ou em associação 
com a sulfadoxina, é usada contra P. falciparum 
(mas apareceu resistência, seu uso mais frequente 
agora é em conjunto com derivados da 
artemisina); 
• Associada à sulfadiazina é eficaz contra o 
Toxoplasma gondii. 
 
QUIMIOTERAPIA CONTRA A TRIPANOSSOMÍASE 
Refere-se às formas: 
• Africana (Trypanosoma brucei gambiense e 
Trypanosoma brucei rhodiense) → os parasitas 
vivem e crescem no sangue e depois invadem o 
SNC, causando inflamação associada à sonolência 
e à letargia (doença do sono); 
• Americana (Trypanosoma cruzi) → a Doença de 
Chagas. 
 
PENTAMIDINA ISOTIONATO 
• Pode ser utilizado contra as variantes africanas, 
mas o T. cruzi é resistente; 
• Também é eficaz no tratamento da blastomicose 
sistêmica (causada pelo fungo Blastomyces 
dermatitidis) e no tratamento da pneumocistose 
→ sendo o fármaco alternativo em pneumonias 
causadas pelo P. jivoveci e que não respondam ou 
são intolerantes ao clotrimoxazol; 
• Também é uma alternativa (ao estibogliconato) 
para o tratamento da leishmaniose. 
 
92 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
Mecanismo de ação: 
• Há evidências que o fármaco se ligue ao DNA do 
parasita e interfira na síntese de RNA, DNA e 
proteínas; 
• Antes o fármaco precisa ser concentrado o 
interior do parasita através de captação ativa, a 
qual, se diminuir, pode levar à resistência. 
Farmacocinética: 
• Administração: 
o Usado por via IM ou IV (existe também 
aerossol, usada no tratamento da 
pneumonia); 
o Cuidado com a via IV (por risco de causar 
queda da pressão arterial e taquicardia); 
• Distribuição: 
o Sofre concentração e armazenamento 
hepático e renal, por longo período; 
o Não entra no LCR; 
• Eliminação: 
o É excretado na urina; 
o Tempo de meia-vida = 5 dias. 
Efeitos adversos: 
• Pode ocorrer insuficiência renal grave (mas 
reversível); 
• Hipotensão; 
• Tontura; 
• Urticária; 
• Toxicidade pancreática (incluindo diabetes). 
SURAMINA 
• Utilizada no tratamento precoce e na profilaxia das 
formas africanas; 
• É um fármaco muito reativo, inibindo várias 
enzimas no metabolismo energético; 
• O fármaco precisa ser utilizado por via IV; 
• Efeitos adversos: náuseas/vômitos, choque, 
urticárias, distúrbios no SNC, fototoxicidade, edema 
palpebral e hiperestesias de mãos e pés, 
insuficiência renal e reações de hipersensibilidade; 
• Pode ocorrer hematúria e albuminúria; 
• Se ocorrer cilindrúria, o tratamento deve ser 
suspenso. 
MELARSOPROL 
• É um derivado arsenical que é letal para os 
parasitas; 
• É o único fármaco disponível para a 
tripanossomíase em segundo estágio por T. 
brucei rodhesiense. 
Mecanismo de ação: 
• Reage com o grupo sulfidrila de várias substâncias, 
incluindo enzimas do hospedeiro e do parasita 
(mais sensíveis); 
• Há evidências de que as células de mamíferos 
sejam menos permeáveis ao fármaco; 
• A resistência ao fármaco poderia ocorrer por 
diminuição da permeabilidade nos parasitas. 
Farmacocinética: 
• Absorção - Administrado IV, por agulha fina, 
lentamente; 
• Distribuição - Chega ao SNC - É o fármaco de 
escolha para os tipos rhodiense e gambiense (o 
qual causa uma meningoencefalite); 
• Eliminação - Com meia -vida curta é rapidamente 
excretado na urina. 
Efeitos adversos: 
• Toxicidade ao SNC (encefalopatia reversível); 
• Reações de hipersensibilidade; 
• Febre após a injeção; 
• Distúrbio gastrointestinal; 
• É contraindicado na vigência de gripe; 
• Pode ocorrer anemia hemolítica na deficiência de 
G6PD. 
EFLORNITINA 
• É um inibidor irreversível da ornitina-descaboxilase, 
interrompendo a produção de poliaminas no 
parasita e fazendo cessar a divisão celular; 
• A formulação IV é o tratamento de primeira linha 
para a tripanossomíase em segundo estágio pelo 
T. brucei gambiense; 
• A forma tópica é usada no tratamento de pelos 
faciais indesejáveis por mulheres; 
• É menos tóxica que o melarsoprol, mas associada 
a anemia, convulsões e surdez temporária. 
 
93 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
NIFURTIMOX 
• É útil em 
infecções agudas por T. 
cruzi; 
• O tratamento do 
estágio crônico apresenta 
resposta altamente 
variável; 
• Gera radicais livres altamente tóxicos, como o 
superóxido e o peróxido, os quais atacam o 
parasita, que não possui a catalase; 
• É administrado por VO e os metabólitos são 
identificados na urina; 
• Pode ocorrer toxicidade imediata, com anafilaxia, 
ou tardia, com dermatite e icterícia, problemas no 
trato gastrintestinal, com perda de peso, 
neurotoxicidade e pode suprimir a resposta imune 
celular em alguns casos; 
• O nifurtimox gera ânion superóxido, radical hidroxil 
e peróxido de hidrogênio. Esses intermediários 
reativos do oxigênio levam a morte celular no 
parasita. Humanos possuem enzimas que 
detoxificam essas espéciestóxicas: superóxidos 
dismutase (combate o ânion superóxido), catalase 
(combate o peróxido de hidrogênio) e a glutationa 
redutase que combate mais de uma dessas 
espécies transformando-as em água. 
BENZNIDAZOL 
• É um derivado nitroimidazol que inibe a síntese 
proteica e de RNA de células de T. cruzi; 
• É um tratamento alternativo para as fases agudas, 
mas não apresenta muitas vantagens em relação 
ao nifurtimox (é mais bem tolerado); 
• Efeitos adversos: perda da massa corporal, 
neuropatia periférica, dermatite, insônia e anorexia. 
QUIMIOTERAPIA CONTRA A LEISHMANIOSE 
• Existem três tipos: cutânea, mucocutânea e 
visceral (acomete fígado e baço, e o parasita 
encontra-se no sangue, podendo ser bastante 
grave); 
• O tratamento é difícil, falta toxicidade seletiva: o 
estibogliconato é o fármaco de escolha; 
• Pentamidina e anfotericina B são alternativas e o 
alopurinol talvez seja útil; 
• Mais recentemente, temos a miltefosina 
CICLO DE VIDA DO MICRORGANISMO CAUSADOR 
• Espécies de Leishmania; 
• Formas pró-mastigotas flageladas são introduzidas 
pela picadura de um flebótomo, as quais são 
englobadas pelos macrófagos; 
• Nos macrófagos se alteram para amastigotos não 
flagelados e se multiplicam, os quais são liberados 
e fagocitados novamente, continuando o ciclo de 
infecção. 
ESTIBOGLICONATO DE SÓDIO 
• Mecanismo indeterminado; 
• Apresenta ação in vivo, mas não in vitro; 
• Ocorre inibição da glicólise no parasita; 
• Como não é absorvido por VO, deve ser utilizado 
por via parenteral, sofre mínima biotransformação, 
sendo excretado na urina; 
• Correm: dor no local da injeção, indisposição 
gastrintestinal, artralgias, mialgias, aumento das 
aminotransferases e arritmias. 
MILTEFOSINA 
• É o primeiro fármaco ativo, usado por via oral, 
contra a leishmaniose visceral; 
• Tem alguma atividade contra as formas cutânea e 
mucocutânea; 
• Mecanismo ação: ainda desconhecido; 
• Parece interferir com os fosfolipídios de 
membrana no parasita, induzindo apoptose; 
• É teratogênico; 
• Efeitos adversos: náuseas e vômitos. 
QUIMIOTERAPIA CONTRA A TOXOPLASMOSE 
• Causada pelo Toxoplasma gondii, transmitido pelo 
consumo de carne crua, malpassada, por saladas 
ou pelas fezes de gatos; 
• O tratamento de escolha é a associação 
sulfadizina/pirimetamina, sendo coadministrado 
ácido folínico para evitar a deficiência de folato no 
paciente; 
• Outros inibidores do folato, como o clotrimoxazol, 
são ineficazes - OBS: ao primeiro sinal de urticária, 
 
94 Anna Luiza Ferreira – ATM 25 
a pirimetamina deve ser suspensa, pois a reação 
de hipersensibilidade é grave! 
QUIMIOTERAPIA CONTRA GIARDÍASE 
• Giardia lamblia apresenta 
um ciclo com dois estágios: 
um trofozoíto binucledo com 
quatro flagelos e um cisto 
fármacoresistente com quatro 
núcleos; 
• A contaminação costuma 
ocorrer por água 
contaminada; 
• O tratamento de escolha 
é o metronidazol por 5 dias; 
• O tinidazol pode ser 
utilizado em dose única de 2g; 
• Nitazoxanida pode ser 
utilizada em regime de três dias Ciclo de vida da 
G. lamblia; 
• Tanto os cistos quanto os trofozoítos podem ser 
encontrados nas fezes. A infecção ocorre pela 
ingestão dos cistos em água ou alimento 
contaminados ou pela via fecal-oral (mãos ou 
fômites); 
• No intestino delgado, o desencistamento libera os 
trofozoítos. Os trofozoítos se multiplicam no lúmen 
do intestino delgado proximal, de onde podem ser 
liberados ou ligados à mucosa por discos de 
sucção; 
• O encistamento ocorre enquanto o parasita 
transita em direção ao colo do intestino. 
NITAZOXANIDA 
• Também pode ser usada contra a criptosporidiose 
(doença diarreica comum em 
imunocomprometidos); 
• Contra a giardíase, a nitazoxanida é administrada 
em curso de 3 dias de tratamento oral; 
• Além disso, o anti-helmíntico albendazol também 
pode ser útil contra a giardíase e a paromomicina, 
é por vezes, usada no tratamento em gestantes.

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