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Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
Hematologia ClíniCa: Série VermelHa
Elaboração
Eliseu Frank de Araújo
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO ................................................................................................. 9
CAPÍTULO 1
ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS ....................................................................................................... 9
CAPÍTULO 2
RECONHECIMENTO DAS CÉLULAS DA SÉRIE ERITROCITÁRIA E DA SÉRIE PLAQUETÁRIA .............. 23
UNIDADE II
ANEMIAS ............................................................................................................................................. 60
CAPÍTULO 1
CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS .............................................................................................. 60
CAPÍTULO 2
ANEMIAS MICROCÍTICAS ........................................................................................................ 65
CAPÍTULO 3
ANEMIAS MACROCÍTICAS ...................................................................................................... 83
PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 92
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 93
4
Apresentação
Caro aluno,
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno de 
Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para 
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
6
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
A ciência da hematologia está passando por um intenso avanço tecnológico, 
implicando uma necessidade constante de atualização, assim, o Caderno de 
Estudos e Pesquisa “Hematologia Clínica – Série Vermelha” foi elaborado com o 
objetivo de proporcionar ao aluno um melhor entendimento na área de hematologia 
clínica, possibilitando a identificação, a correlação clínica e a interpretação dos 
resultados das principais patologias hematológicas. 
O conhecimento e a utilização das ferramentas necessárias para a identificação 
das desordens hematológicas, por meio da realização dos cálculos hematimétricos, 
os valores de referência, leitura de lâminas, os quais permitirão identificar 
as alterações eritrocitárias e patologias associadas, como as alterações no 
tamanho (anisocitose), forma (poiquilocitose) e concentração de hemoglobina 
(anisocromia), irão preparar os futuros profissionais para o mercado de trabalho, 
além de despertar o poder crítico e criativo dos mesmos. 
A automação dentro dos laboratórios é outro fator de fundamental 
importância, requerendo uma dinâmica de atualização do profissional, 
mediante constante reciclagem. Sob esta visão, fica clara a necessidade de 
se desenvolver práticas laboratoriais modernas e atualizadas, para tanto, 
a necessidade de um profissional embasado nos conceitos básicos em 
hematologia, é primordial para o desempenho de técnicas mais sofisticadas. 
Ao longo da disciplina, o aluno será avaliado mediante as tarefas propostas na 
plataforma, levando em consideração fatores técnicos, poder de decisão e análise 
do contexto individual para cada evento aprendido no decorrer das aulas.
Objetivos
 » Definir os índices hematimétricos, a saber: VCM (volume corpuscular 
médio), HCM (hemoglobina corpuscular média), CHCM (concentração 
da hemoglobina corpuscular média).
 » Apresentar os valores normais e anormais, cálculos, valores de 
referência e interpretação dos resultados do VCM, HCM e CHCM.
 » Reconhecer as células da série Eritrocitária e da série Plaquetária.
8
 » Apresentar a Eritrogênese e divisão do processo de maturação e sua 
relação com as alterações encontradas (microcitose, hipocromia e 
macrocitose).
 » Discutir as alterações eritrocitárias e patologias associadas, como 
alterações de: tamanho (macrócito, micrócito), forma (eliptócito, 
esferócito, drepanócito, leptócito, esquisócito, acantócito, estomatócito, 
hemácias em alvo), concentração e distribuição de hemoglobina 
(hipo e hipercrômicas), propriedades tintoriais (policromasia), 
distribuição dos eritrócitos (rouleaux, policitemia), inclusões (núcleo, 
corpúsculos de Howell-Joly, anéis de cabot, granulações azurófilas, 
ponteado basófilo, corpúsculos de pappenheimer, parasitas [malária], 
corpúsculos de Heinz) e artefatos.
 » Ensinar sobre a Plaquetogênese e características de cada célula desse 
processo.
 » Discutir sobre a classificação hematimétrica das anemias: 
anemias macrocíticas, microcíticas hipocrômicas, normocíticas e 
normocrômicas.
 » Apresentar a classificação laboratorial das anemias: conforme valores 
de referência de VCM, HCM de cada laboratório.
 » Apresentar as causas das anemias, assim como sua classificação 
etiológica.
 » Discutir as patogenias das anemias relacionadas àdeficiência de ferro.
9
UNIDADE IHEMATOLOGIA CLÍNICA: 
INTRODUÇÃO
Sintetizando e enriquecendo nossas 
informações
Por definição, a hematologia é o estudo das células do sangue, incluindo as 
características morfológicas, fisiológicas e biológicas das células do sangue, além 
dos fatores de coagulação. Engloba também, o estudo dos seus precursores na 
medula óssea; constituintes químicos do plasma ou soro intimamente ligados à 
estrutura e função das células sanguíneas, e a função das plaquetas e proteínas 
envolvidas na coagulação sanguínea.
CAPÍTULO 1
Índices hematimétricos
Índices hematimétricos
O hemograma constitui o meio mais direto e mais prático para estudar 
os elementos figurados do sangue periférico – os glóbulos vermelhos, os 
glóbulos brancos e as plaquetas. A contagem dos eritrócitos normalmente é 
feita pelo método eletrônico, o que diminui as fontes de erro nos resultados 
obtidos. A faixa normal para o homem adulto é de 4,5 a 6,1 milhões por 
mm3, e de 4,0 a 5,4 milhões por mm3 para a mulher adulta. Na criança, por 
ocasião do nascimento o número de eritrócitos é de 5,2 milhões, e de 1 a 15 
anos é de 4,1 a 5,1 milhões por mm3. (Tabela 1).
A hemoglobina (Hb) e o hematócrito (Ht), como os eritrócitos também variam 
conforme a idade, sexo, altitude do local etc. 
10
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
A hemoglobina é a medida em gramas por decilitro (g/dl) e representa a 
quantidade da proteína por unidade de volume do sangue. O hematócrito 
representa a porção dos eritrócitos no total do sangue. É medido em 
porcentagem (%). 
Com o resultado obtido do número de eritrócitos, da hemoglobina e 
do hematócrito, pode-se calcular outras medidas ou índices, chamados 
hematimétricos, como o volume corpuscular médio (VCM), hemoglobina 
corpuscular média (HCM) e a concentração da hemoglobina corpuscular 
média (CHCM). Os índices hematimétricos apresentam grande importância 
no estudo hematológico das anemias: fornecem dados úteis para o seu 
diagnóstico e tratamento, além de servirem de base para a classificação 
morfológica das anemias. Os valores de referência do eritrograma para 
diferentes idades (faixas etárias) e por sexo, em adultos estão na seguinte 
tabela. 
Tabela 1. Valores de referência do eritrograma para diferentes idades (faixas etárias) e por sexo, em adultos.
Eritrograma 15 dias 1 a 11 
meses
1 a 2 
anos
3 a 10 
anos
10 a 15 
anos
adulto masculino adulto feminino
Eritrócitos 5.2 4.1-4.9 4.1-5.1 4.1-5.1 4.1-5.1 4.5-6.1 4.0-5.4
Hemoglobina 17.0 10.3-12.7 10.6-13.0 11.1-13.5 11.5-14.5 12.8-17.8 11.3-16.3
Hematócrito 52.0 33-41 33-41 34-42 34-42 40-54 36-48
HCM 27-31 25-29 25-29 25-29 26-29 27-29 27-29
VCM 80-100 75-90 75-90 77-90 77-90 77-92 77-92
CHCM 30-35 30-35 30-35 30-35 30-35 30-35 30-35
Fonte: Naoum (2008).
Determinações absolutas
Conhecendo-se o número de eritrócitos por mililitro cúbico de sangue, a taxa 
de hemoglobina em gramas por dl e a porcentagem do valor do hematócrito, 
pode-se obter certos valores absolutos, em relação ao sangue do próprio 
paciente, sem referência aos padrões normais fixos exigidos para o cálculo 
dos índices. As determinações absolutas são as seguintes:
 » O Volume Corpuscular Médio é a relação que existe entre o 
volume globular obtido (hematócrito) e o número de eritrócitos. O 
resultado é expresso em micra cúbicos (µm3) ou fentolitros (fl):
Htc x 10
Hem
VCM = = valores em fl ou µm³
11
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Exemplo:
Valor hematócrito - 31%
Eritrócitos - 4.300.000 por mm3
31 x 10
4,3
VCM = = 72µm³ 
 » A Hemoglobina Corpuscular Média é dada pela relação entre o 
valor da hemoglobina obtida em gramas por 100dl e a contagem dos 
eritrócitos. O resultado é em picogramas (pg) ou microgramas (µg):
Hgb x 10
Hem
HCM = = valores em pg
Exemplo: 
Hb - 12 g/dl
Eritrócitos - 4.500.000 por mm3
12 x 10
4,5
HCM = = 26,6 pg
 » A Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média é 
calculada pela relação entre a hemoglobina obtida em g/100dl e o 
volume globular. O resultado obtido é dado em porcentagem (%):
CHCM = Hgb x 100 = valores em % 
Hem 
Determinações relativas dos índices hematimétricos 
(segundo Haden)
A fim de facilitar a interpretação clínica, os resultados devem ser fornecidos 
sempre na unidade de percentagem do normal, no laboratório que é feito o exame. 
Deste modo, a porcentagem de um sangue desconhecido é a mesma em todos os 
laboratórios, embora possam variar as cifras absolutas.
Conforme recomenda Haden, deve-se determinar, em todo laboratório, a taxa de 
hemoglobina em g/dl e a porcentagem do valor do hematócrito a serem tomados 
como 100% do normal. Realizam-se, satisfatoriamente tais determinações, 
12
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
executando-se com rigor, a contagem dos eritrócitos, a dosagem do conteúdo 
da hemoglobina e a avaliação do valor do hematócrito, em 10 ou mais adultos 
normais, tirando-se a média. É conveniente determinar a média separadamente, 
segundo o sexo e a idade, a fim de que sejam obtidos resultados comparáveis. 
Quanto maior o número das determinações, menor o erro. 
Calcula-se a média de acordo com os exemplos de Haden (Tabela 2).
Tabela 2. Determinação dos valores baseados na média de 10 adultos normais. 
Adulto normal Eritrócitos por mm2 Valor Hematócrito % Hemoglobina em g/dl
1 5,02 45,0 15,5
2 4,00 37,0 12,6
3 4,65 42,0 14,9
4 5,50 50,0 16,8
5 4,78 44,0 15,0
6 4,57 43,5 14,2
7 4,25 38,5 13,5
8 5,31 47,5 16,5
9 5,80 53,0 16,9
10 4,92 44,5 15,1
Média 4,88 43,7 15,1
Fonte: Métodos de laboratório aplicados à clínica (OLIVEIRA LIMA, 2011).
Os índices hematimétricos são determinações relativas que se obtêm 
estabelecendo-se as relações que guardam entre si o número de eritrócitos, 
a taxa da hemoglobina e o valor do hematócrito. Os índices mais importantes 
são os três seguintes: a) índice volumétrico; b) índice colorimétrico e, c) 
índice de saturação, os quais revelam, respectivamente, o tamanho dos 
eritrócitos, o conteúdo e a saturação hemoglobínica destes. 
Índice volumétrico (IV)
O índice volumétrico (IV) expressa o volume médio de um eritrócito em relação 
ao volume médio normal. É obtido dividindo-se o valor do hematócrito pelo 
número dos eritrócitos, ambos referidos em porcentagem do normal, segundo 
a fórmula seguinte:
Valor hematócrito encontrado x 10
Valor hematócrito normal 
Número de eritrócitos encontrados x 100
Número normal de eritrócitos
IV =
O IV normal é a unidade, com oscilações fisiológicas entre 0,9 e 1,1
13
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Exemplos: 
1. IV normal (encontrado normalmente e nas anemias normocíticas):
Eritrócitos - 5.000.000 por mm3 de sangue
Valor hematócrito - 45% 
45 x 100
45
5.000.000 x 100
5.000.000
IV = = 1
2. IV baixo (encontrado nas anemias microcíticas)
Eritrócitos - 4.350.000 por mm3 de sangue
Valor hematócrito - 28% 
28 x 100
45
4.350.000 x 100
5.000.000
IV = = 0,71
3. IV alto (encontrado nas anemias macrocíticas)
Eritrócitos - 1.300.000 por mm3 de sangue
Valor hematócrito - 16% 
16 x 100
45
1.300.000 x 100
5.000.000
IV = = 1,45
Índice colorimétrico (IC)
O índice colorimétrico (IC), ou valor globular, expressa o conteúdo médio da 
hemoglobina de um eritrócito em relação ao conteúdo médio normal. É obtido 
dividindo-se a taxa da hemoglobina (em g/dl ou em percentagem) pelo número 
de eritrócitos, ambos referidos em percentagem do normal, de acordo com a 
fórmula seguinte: 
Número de g/dl ou percentagem de Hb encontrada x 100 
IC =
Número de g/dl ou percentagem de Hb normal
Número de eritrócitos encontrados x 100
Número normal de eritrócitos
14
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
O IC normal é a unidade, variando fisiologicamente entre 0,9 e 1,1.
Exemplos:
1. IC normal (encontrado normalmente e nas anemias normocíticas):
Eritrócitos - 5.000.000 por mm3 de sangue
Hemoglobina - 15,4 g/dl 
15,4 x 100
15,4
5.000.000 x 100
5.000.000
IC = = 1
2. IC baixo (observadoem anemias hipocrômicas):
Eritrócitos - 3.880.000 por mm3 de sangue
Hemoglobina - 7 g/dl 
7 x 100
15,4
3.880.000 x 100
5.000.000
IC = = 0,58
3. IC alto (encontrado nas anemias hipercrômicas):
Eritrócitos - 2.570.000 por mm3 de sangue
Hemoglobina - 10,5 g/dl 
10,5 x 100
15,4
2.570.000 x 100
5.000.000
IC = = 1,32
Índice de Saturação (IS)
O (IS) expressa a concentração média da hemoglobina dos eritrócitos por 
unidade de volume, em relação à concentração média normal; estabelece, 
portanto, a relação entre o conteúdo hemoglobínico e o tamanho dos eritrócitos. 
É obtido dividindo-se o conteúdo hemoglobínico (em g/dl ou em percentagem) 
pelo valor hematócrito, referidos em percentagem do normal, segundo a fórmula 
que se segue: 
15
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Número de g/dl ou percentagem de Hb encontrada x 100 
IS =
Número de g/dl ou percentagem de Hb normal
Valor hematócrito encontrado x 100
Valor hematócrito normal
O índice de saturação pode também ser obtido dividindo-se o índice colorimétrico 
pelo índice volumétrico:
IC
IV
IS = IS =
0,8
1
= 0,8
Normalmente o IS é a unidade, variando entre 0,8 e 1,2.
Exemplos: 
1. IS normal (encontrado normalmente e nas anemias normossaturadas):
Hemoglobina (Hb) - 15,4 g/dl
Valor hematócrito - 45% 
15,4 x 100
15,4
45 x 100
45
IS = = 1
2. IS baixo (encontrado nas anemias hipossaturadas):
Hemoglobina (Hb) - 6,5 g/dl
Valor hematócrito - 28% 
6,5 x 100
15,4
28 x 100
45
IS = = 0,67
3. IS alto (não ocorre na prática, porque, normalmente os eritrócitos 
estão saturados de hemoglobina, ao máximo)
Interpretação
1. O índice volumétrico (IV) revela o tamanho dos eritrócitos, superior 
aos métodos de mensuração direta e diafratométricos.
16
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
O IV pode apresentar-se: 
a. Normal – 0,9 a 1,1: normocitose. Ocorre normalmente ou nas 
anemias secundárias (anemias normocíticas).
b. Baixo – menor que 0,9: microcitose. Encontrado nas anemias 
secundárias (anemias microcíticas). Indicação de ferroterapia.
c. Alto – maior que 1,1: macrocitose. Observa-se principalmente na 
anemia de Addison-Biermer (anemias macrocíticas). Indicação 
terapêutica: vitamina B12 e ácido fólico. 
Na anemia ou icterícia hemolítica constitucional (microsferocitose 
hereditária), o IV é igual ou superior ao normal, enquanto a medida do 
diâmetro médio dos eritrócitos acusa microcitose. Isso porque os eritrócitos 
desta anemia ou icterícia hemolítica são biconvexos, em vez de bicôncavos; daí o 
nome microsferócitos.
2. O Índice Colorimétrico (IC) ou valor globular indica a riqueza dos 
eritrócitos em hemoglobina.
O índice colorimétrico pode apresentar-se:
a. Normal – 0,9 a 1,1: normocromia. Ocorre normalmente ou nas 
anemias secundárias (anemias normocrômicas).
b. Baixo – menor que 0,9: hipocromia. Nas anemias secundárias 
(anemias hipocrômicas). Indicação de ferroterapia. 
c. Alto – maior que 1,1: hipercormia. Encontrado principalmente na 
anemia de Addison-Biermer (anemias hipercrômicas). Indicação 
de vitamina B12 e ácido fólico. 
As anemias hipercrômicas são sempre macrocíticas, ao passo que as hipocrômicas 
podem ser normo-, micro-, ou macrocíticas. 
3. O Índice de Saturação (IS) revela a concentração da hemoglobina 
nos eritrócitos por unidade de volume.
O IS pode apresentar-se:
a. Normal – 0,8 a 1,2: normossaturação; normalmente ou nas anemias 
secundárias (anemias saturadas).
17
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
b. Baixo – menor do que 0,8: hipossaturação. Ocorre principalmente 
na anemia hipocrômica idiopática e nas anemias pós-hemorrágicas 
crônicas (anemias não-saturadas). Indicação de ferroterapia. 
c. Alto – maior do que 1,2: hipersaturação: raro.
Nas anemias macrocíticas, o IS é, em geral, normal; quando se apresenta baixo, 
demonstra a existência de fator anemizante, exigindo, portanto, a ferroterapia, ao 
lado da vitamina B12 e ácido fólico. 
FOSSAT, C.; DAVID, M.; HARLE, JR et al. New parameters in erythrocyte 
counting: value of histograms. Arch. Pathol. Lab. Med. v. 111, no 1.pp. 150-
54, 1987. 
MOHANDAS, N.; CHASIS, J.A. Red blood cell deformability, membrane 
material properties and shape: regulation by trans membrane, skeletal and 
cytosolic proteins and lipids. Sem. Hematol. v. 30, pp. 171-92, 1993. 
WILLIANS, W.; BEUTLER, E.; ERLEV, A.J.; LICHTMAN, M.A. Hematology. New 
York: McGraw-Hill, 257-405, 1983. 
http://www.youtube.com/user/academiadeciencia.
http://www.slideshare.net/.
http://hemo-blog.blogspot.com.br.
Avaliação qualitativa – esfregaço sanguíneo 
A avaliação hematológica do esfregaço sanguíneo auxilia na credibilidade 
da informação, e é dependente do exame sistemático de esfregaços bem 
confeccionados e corados. Se possível, os esfregaços sanguíneos devem ser 
preparados imediatamente. Pode-se afirmar que 90% das conclusões que se tiram 
do exame citológico são fornecidas pelo estudo dos esfregaços corados. 
Técnica (figura 1)
O exame do sangue distendido ou esfregaço sanguíneo deve ser feito do 
material logo após a coleta e, se possível, sem ação de qualquer anticoagulante. 
Os materiais de vidro lâmina e lamínulas devem ser quimicamente limpos e 
desengordurados.
18
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
O esfregaço deve ser fino e regular para se ter boa distribuição das células. 
Pode-se usar lamínulas, que permitem melhor distribuição celular, porém o seu 
uso requer mais habilidade. 
Metodologia:
1. Com o auxílio de um capilar, coloque uma pequena gota de sangue na 
extremidade da lâmina.
2. Coloca-se a lâmina a qual será feito o esfregaço em um ângulo de 45º 
sobre a lâmina a ser estendido o sangue.
3. Assim que a lâmina encostar a gota de sangue, fazer um ligeiro 
movimento para traz, permitindo que a gota se distribua uniformemente 
por capilaridade.
4. Deslizar a lâmina para frente, estendendo-se desta forma a gota de 
sangue sobre a lâmina, formando uma camada delgada e uniforme. 
5. Secar o esfregaço naturalmente ao ar, ou com auxílio de um 
ventilador.
Figura 1. Confecção do esfregaço sanguíneo.
Fonte: https://analisesclínicascom.blogspot.com/2018/09/como-preparar-um-bom-esfregaco.html. Acesso em: 10 jan. 2020. 
Coloração
A coloração citoquímica pode ser vista como o estudo dos constituintes 
químicos presentes nas células por meio de produtos corados, que podem 
ser observados à luz da microscopia. São de grande importância para a 
19
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
identificação de tipos celulares e estabelecimento de critérios diagnósticos de 
algumas doenças hematológicas. Sob o aspecto prático para a hematologia, as 
provas citoquímicas são especialmente importantes para a caracterização e 
identificação de granulócitos e monócitos, bem como para as características 
morfológicas e o conteúdo de hemoglobina dos eritrócitos. 
Os corantes químicos apresentam determinados radicais ácidos ou básicos que 
apresentam afinidade para certas estruturas ácidas ou básicas dos tecidos. Estes 
radicais possuem cor que permite a identificação de determinadas estruturas 
celulares. Os corantes usados em hematologia são compostos principalmente 
de: hematoxilina, corante básico que tem afinidade aos radicais ácidos presentes 
nos tecidos, são também chamados de acidófilos; eosina, corante ácido que tem 
afinidade por radicais básicos dos tecidos, são também chamados basófilos. O 
núcleo das células, os quais contêm DNA (substâncias ácidas), são basofílicos, 
e, portanto, coram-se pela hematoxilina (de cor roxa); e o citoplasma, onde as 
substâncias são básicas, é acidófilo, e cora-se pela eosina (de cor rosa).
As colorações mais usadas em hematologia são as colorações panóticas, ou 
colorações segundo Romanowsky: Giemsa, Wright, May Grunwald, May 
Grunwald-Giensa, Wright-Giemsa, Leishman. As colorações de Romanowsky 
basicamente contêm azul de metileno (ou produtos de oxidação, como Azure 
B) e eosina B ou eosina Y. Eles são considerados corantes policromáticos, ou seja, 
apresentam múltiplascores quando aplicados aos elementos celulares.
Contagem global dos eritrócitos
As células sanguíneas podem ser contadas manualmente, em hemocitômetro, ou 
por instrumentos automáticos. A contagem manual, consiste na determinação 
do número de eritrócitos por mm3 (ou µL) de sangue, após diluição da amostra 
de sangue total com solução isotônica, que evite processo de lise dos eritrócitos. 
A contagem é feita nos cinco quadrados do quadrante central da câmara de 
Neubauer, e o resultado em mm3 é dado após ajuste dos cálculos para o grau de 
diluição e local de contagem no hemocitômetro.
Procedimento: 
1. Pipetar 4 mL de solução diluidora para um frasco tipo penicilina. 
2. Homogeneizar a amostra e aspirar 20 µL (0,02 mL) com auxílio de 
uma pipeta. 
3. 0Limpar cuidadosamente a parte externa da ponteira com papel 
absorvente, evitando, porém, que esse procedimento retire qualquer 
quantidade de amostra aspirada. 
20
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
4. Transferir a amostra para o frasco com o líquido diluidor, tendo o 
cuidado de fazer a lavagem do interior da ponteira (por sucessivas 
aspiração e expulsão da amostra) até que não fique nenhum resquício 
de amostra no seu interior. 
5. Agitar levemente. 
6. Desse modo, a diluição será de 1:200. 
7. Encher a câmara de Neubauer e proceder à contagem, em aumento de 
400x (ocular de 10x e objetiva 40x), com condensador baixo.
8. Somar o número total de eritrócitos encontrados em cada um dos 
cinco quadrados do quadrante central da câmara, ou seja, H1 + 
H2, + H3 + H4 + H5. 
9. Cada um dos nove quadrantes da câmara tem capacidade de conter 
o volume de 0,1 mm3 (1mm x 1mm x 0,1 mm); como todo quadrado 
central, contém um volume de 0,1 mm3 = 1/10 mm3; um quinto desse 
quadrado central = 1/10 x 1/5 = 1/50 mm3. 
10. Diluição = 1/200; como 1/50 x 1/200 = 1/ 10.000, o fator de correção 
para transformar 1/ 10.000 do mm3 em 1 mm3 será o próprio 
10.000. Desse modo, número de eritrócitos/mm3 = somatório 
dos cinco quadrados do quadrante central x 10.000.
11. Sistematizar a contagem segundo a Figura 2. 
Figura 2. Contagem global dos eritrócitos em câmara de Neubauer.
 
 
Áreas onde se contam os leucócitos 
Áreas onde se contam os eritrócitos 
Fonte: https://zunigamartinez.blogspot.com/2011/05/camara-de-neubauer_09.html; https://zunigamartinez.blogspot.
com/2011/05/camara-de-neubauer_09.html. Acesso em: 10 jan. 2020.
21
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Para conhecer melhor as técnicas de colorações, consultar: 
 » Técnicas médicas de hematologia e imuno-hematologia. 7. ed. 
Belo Horizonte: COOPMED, 1999.
 » Clínica e laboratório – intervenção clínica das provas 
laboratoriais. 4. ed. São Paulo: Sarvier, 1990. 
 » Um atlas colorido de citologia hematológica. Hayhoe e Flemans. 
São Paulo: Artes Médicas.
 » OLIVEIRA, R.A.G. Hemograma: como fazer e interpretar. 1. ed. São 
Paulo - LMP, 2007. 
Dosagem de hemoglobina (método manual)
É a determinação mais importante do eritrograma, constituindo um 
verdadeiro parâmetro para o diagnóstico de uma anemia. A concentração de 
Hb é diretamente proporcional ao conteúdo e coloração do eritrócito. 
Método da cianometahemoglobina 
Princípio
Tem por princípio básico a oxidação do íon ferroso (divalente), da 
hemoglobina, oxiemoglobina e carboxiemoglobina a ferro férrico 
(trivalente), pelo ferricianeto, com formação de metemoglobina.
Esta combina-se com o cianeto de potássio para produzir cianometemoglobina 
(cor vermelho-alaranjada), que é medida fotocolorimetricamente em 540 
nm ou em filtro verde. 
A solução diluidora padrão usada é o líquido de Drabkin:
Preparo do líquido de Drabkin:
Bicarbonato de Sódio ............................................ 1,0g
Cianeto de Potássio ................................................52,0mg
Ferrocianeto de Potássio .......................................198,0mg
22
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Água destilada ...................................................... 1000,0ml 
Pipetar 5,0 ml do reagente de cor para tubo de ensaio médio; pipetar 
colocar 20µl de sangue total (homogeinizado). 
Aguardar pelo menos 5 minutos e determinar a absorbância em 
espectofotômetro em 540 nm, acertando o branco com a própria solução de 
Drabkin.
Cálculo
Para cálculo da amostra: [Hb amostra] = DO amostra x Fator de correção. A DO 
(densidade ótica) encontrada do padrão irá ser o controle para comparação com as 
amostras testes, com mesmo reagente.
Portanto: F = [P]/[DO] P = 5,10 ou 15 mg/dL
Valores de referência: 
Homens: de 14 a 18 g/dl 
Mulheres: de 12 a 16 g/dl 
Crianças até um ano:11 a 12 g/dl 
Recém-Nascido: de 14 a 19 g/dl 
23
CAPÍTULO 2
Reconhecimento das células da série 
eritrocitária e da série plaquetária
Eritrogênese ou eritropoiese 
O termo eritropoiese (eritro = RBC, e poiese = fazer) é usado para descrever 
o processo de formação e produção dos eritrócitos. No humano adulto, os 
eritrócitos, grande número de leucócitos e as plaquetas são formados na medula 
óssea. No feto, as células sanguíneas também são formadas no fígado e no baço, 
e, nos adultos, pode ocorrer em doenças nas quais a medula óssea é destruída ou 
sofre fibrose. Nas crianças, as células sanguíneas são ativamente produzidas das 
cavidades medulares de todos os ossos.
Eritropoiese: fisiologia
A cada segundo, o corpo humano gera 2 milhões de glóbulos vermelhos, por meio 
do processo de eritropoiese. A eritropoiese humana é um processo complexo, com 
várias etapas, da célula-tronco hematopoiética multipotente (HSC) ao eritrócito 
maduro (ORKIN, 2000). Os primeiros passos da diferenciação eritroide envolvem 
uma fase de envolvimento, na qual os HSCs se diferenciam em progenitores 
eritroides mais comprometidos, de um progenitor mieloide comum, o progenitor 
megacariocítico-eritroide e, finalmente, a unidade eritroide formadora de 
massiva disseminação (burst-forming unit – erythroid – BFU-E). BFU-Es são as 
primeiras células progenitoras comprometidas apenas com a linhagem eritroide 
(GREGORY; EAVES, 1977). Esses BFU-Es se diferenciam ainda mais na unidade 
eritroide formadora de colônia (CFU-E), após a qual ocorre diferenciação terminal 
(ZIVOT et al., 2018).
A segunda fase da maturação eritroide envolve a diferenciação dos precursores 
nucleados de pró-eritroblastos para eritroblastos basofílicos, policromatofílicos e 
ortocromáticos. Essa fase é caracterizada pelo acúmulo gradual de hemoglobina, 
diminuição progressiva do tamanho das células e condensação nuclear, resultando 
finalmente em enucleação (GRANICK; LEVERE, 1964).
A fase final do desenvolvimento eritroide envolve a maturação do reticulócito 
em eritrócitos. É nesta fase que o eritrócito adquire a sua forma bicôncava 
24
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
através de uma extensa remodelação da membrana e circula na corrente 
sanguínea até ser removido pelos macrófagos no sistema retículo-endotelial 
(GIFFORD et al., 2006).
A diferenciação eritroide terminal ocorre em nichos anatômicos conhecidos 
como ilhas eritroblásticas. As ilhas eritroblásticas são únicas na eritropoiese 
de mamíferos e consistem em um macrófago central cercado por até 30 
células eritroides em graus variados de maturação dos eritrócitos (LEE et 
al. 1988). Os macrófagos nas ilhas eritroblásticas também ajudam a regular 
a taxa de eritropoiese por meio de mecanismos de feedback positivo e 
negativo. Os macrófagos secretam citocinas, como o fator de crescimento 
semelhante à insulina-1, que promove a proliferação e maturação eritroide 
(KURTZ et al., 1985).
Em torno dos 20 anos de idade, a medula óssea das cavidades e dos ossos 
longos, à exceção da porção superior do úmero e do fêmur, torna-se inativa. A 
medula celular ativa é denominada medula vermelha, enquanto a medula inativa 
infiltrada por gordura é denominada medula amarela. A medula óssea é na 
realidade, um dos maiores órgãos do corpo, e seus tamanho e peso aproximam-se 
dos do fígado. Trata-se também de um dos órgãosmais ativos. 
Em condições normais, 75% das células presentes na medula óssea pertencem 
à série mieloide de células produtoras de leucócitos, e apenas 25% consistem 
em eritrócitos em processo de maturação, apesar de existirem 500 vezes mais 
eritrócitos do que leucócitos na circulação. Essa diferença na medula reflete o fato 
de que o tempo médio de vida dos leucócitos é curto, quando comparado ao dos 
eritrócitos, considerado longo.
O órgão responsável pela sobrevida dos eritrócitos é o rim. Os rins podem 
detectar baixas quantidades de oxigênio no sangue. Quando isto ocorre, os 
rins respondem pela liberação de um hormônio chamado eritropoietina, que 
atua na medula óssea vermelha para estimular a produção de mais eritrócitos.
Os fatores estimulantes para a formação de colônias eritroides (a 
eritropoietina – EPO), é um dos fatores nutrientes para a proliferação, 
diferenciação e amadurecimento dos precursores em eritrócitos e formação 
de todos os seus constituintes, principalmente a hemoglobina. Portanto, a 
síntese da EPO está condicionada a um mecanismo autorregulatório cuja 
causa principal é a hipóxia. Dessa forma, juntamente com o estímulo da 
interleucina 3 (IL-3) e do GM-CSF, principalmente, haverá formação das 
BFU-E (unidades formadoras de explosão eritroide), com capacidade 
25
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
mitótica (proliferação) muito grande. Estas BFU-E, sob o estímulo da EPO, 
diferenciam-se em CFU-E (unidades formadoras de colônias eritroides), 
também denominadas células comprometidas da linhagem eritroide, que 
se diferenciarão em proeritroblastos (PE, primeiras células da linhagem 
eritroide). 
Uma vez que a eritropoietina estimula a medula óssea para a produção 
dos eritrócitos, uma série de eventos ocorre. Na medula óssea há muitas 
células-tronco (stem cells) capazes de produzir todos os tipos de células 
sanguíneas. Diferenciam em células progenitoras, que por sua vez darão 
origem aos vários tipos diferenciados de células sanguíneas, incluindo os 
eritrócitos. 
Quando as células que darão origem aos eritrócitos estão maduras, elas perdem 
seus núcleos e ficam cheias de hemoglobina, se tornando em reticulócitos 
prontos para sair da medula óssea, atravessar os capilares sanguíneos e caírem 
na circulação corpórea. Nas amostras de sangue, os reticulócitos podem ser 
diferenciados dos eritrócitos porque eles ainda contêm resíduos de seus 
núcleos. Dentro de poucos dias, os reticulócitos perdem completamente 
todo o seu material nuclear e se torna um eritrócito, o qual está pronto para 
transportar o oxigênio que o corpo necessita. Após três ou quatro meses, os 
eritrócitos começam a enfraquecer, as membranas começam a se fragilizar 
e podem sofrer rupturas durante a passagem pelos pequenos canais na 
circulação. 
Estas “células velhas” são sequestradas pelo baço e, em geral, perdem muitos 
de seus componentes, em especial o ferro, que é o principal componente da 
hemoglobina, eles serão reciclados e formarão novos eritrócitos. 
Todos os dias são produzidos novos eritrócitos para substituir os velhos, ou 
aqueles que tiverem sofrido danos ou morrerem. O corpo também aumenta 
a produção de eritrócitos conforme a demanda de oxigênio, por exemplo, 
quando uma pessoa está em altas altitudes, onde a quantidade de oxigênio 
no ar está drasticamente diminuída, insuficiente quantidade de oxigênio 
é transportada para os tecidos, e as células vermelhas são produzidas tão 
rapidamente que o número de eritrócitos no sangue encontra-se aumentado. 
Da mesma forma, se o suprimento de oxigênio é maior do que o corpo 
demanda, poucos eritrócitos serão produzidos, funcionando, portanto, como 
um mecanismo de feedback. 
26
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Para que a eritropoiese ocorra, é essencial a aquisição de proteínas, 
carboidratos, sais minerais e vitaminas. O ferro, ácido fólico e vitamina B12 são 
os elementos essenciais, além da piridoxina e ácido ascórbico, considerados 
também essenciais. Para eficiente absorção do ferro, é necessário também ácido 
hipoclorídrico e ácido ascórbico, e é dependente de uma proteína denominada 
transferrina, que irá transportar o ferro da medula óssea para o fígado e outros 
órgãos responsáveis pelo estoque do ferro. Dessa forma se faz necessário uma 
breve explicação de alguns destes elementos catalizadores da eritropoiese 
descritos acima.
As vitaminas do complexo B, em destaque as vitaminas B6 (Piridoxina), B9 
(Ácido Fólico) e B12 (Cobalamina) assumem papéis relevantes no processo 
eritrocitário. Vitaminas do complexo B são vitaminas extremamente solúveis em 
meio aquoso tornando-as envolvidas em várias funções celulares consideradas 
normais como por exemplo o fornecimento de resíduos de carbono para a 
purina e síntese de pirimidina, a síntese de nucleoproteínas e especificamente 
para nosso tema em questão, a manutenção contínua da eritropoiese (CAPELLI 
et al., 2019).
A piridoxina (vitamina B6) é uma nomenclatura que inclui piridoxina, piridoxal 
e piridoxamina, todos subprodutos da piridina. A diferença entre estes grupos 
se concentra na natureza do grupo funcional ligado ao anel. Na verdade, os 
três compostos são considerados como precursores do piridoxal fosfato, a 
coenzima biologicamente ativa. Este composto, por sua vez, atua uma coenzima 
para um número expressivo de enzimas, especificamente aquelas que catalisam 
reações com aminoácidos (CHAMPE et al, 2006). Um ponto muito importante 
para relatarmos aqui é que todas as formas da vitamina B6 conseguem 
atravessar as barreiras da mucosa do intestino e serem absorvidas (BAYNES; 
DOMINICZAK, 2010). Outra função conhecida da vitamina B6, a piridoxina 
envolve sua participação direta na síntese dos neurotransmissores serotonina 
e noradrenalina, além de, para nosso caso aqui ser estritamente necessária na 
formação do grupo heme, ou seja, no processo de eritropoiese como um todo 
(BAYNES; DOMINICZAK, 2010).
Já a vitamina B9, mais conhecida como ácido fólico ou folato, tem sua origem 
em grupos poliglutamatos que por sua vez no intestino são convertidos em 
porções menores, chamadas de monoglutamatos, facilitando seu transporte 
pela mucosa intestinal por algum carreador específico (CAPELLI et al., 2019). 
O ácido fólico é necessário no apoio ao processo e síntese de proliferação e 
maturação das células de perfil eritroblástico. A vitamina B9 necessariamente 
27
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
deve estar em quantidades consideradas adequadas para realizar as sínteses 
padrões de metionina e timidalatos, presentes na replicação de DNA e também 
na divisão das progênies celulares (NAOUM, 2008). Assim, células em rápido 
processo de divisão têm maior demanda por folato, para cumprir sua função 
na síntese de timina das purinas e pirimidinas, e consequente síntese de DNA 
(BAYNES; DOMINICZAK, 2010). Como ponto interessante da importância 
dessa vitamina B9 tomamos por base a toxicidade seletiva que acontece em 
células de crescimento acelerado, como as células bacterianas e células tumorais 
levando à criação de análogos estruturais de folato (chamados de antagonistas 
do ácido fólico), muito aplicados funcionalmente como antibióticos e agentes 
antitumorais (BAYNES; DOMINICZAK, 2010).
A vitamina B12 (cobalamina) também tem participação efetiva em processos 
proliferativos e de maturação das células eritroblásticas. Ela é necessária ainda 
para duas reações enzimáticas essenciais e consideradas importantes como a 
síntese de metionina e a isomerização da metilmalonil-CoA, nos processos de 
degradação de alguns aminoácidos e de ácidos graxos com número ímpar de 
átomos de carbono (CHAMPE et al., 2006). Outro ponto de destaque para a 
vitamina B12 está no fato de apresentar uma estrutura em forma de anel muito 
parecido ao anel de porfirina do grupamento heme, porém, com mais átomos 
de hidrogênio. No centro da estrutura temos o íon cobalto (CO3+) no lugar 
do ferro, sendo esta a única participação funcionalconhecida do cobalto em 
nosso organismo (BAYNES; DOMINICZAK, 2010). A vitamina B12 é sintetizada 
somente por microrganismos, destacadamente naqueles presentes no sistema 
digestivo de herbívoros além de ser a vitamina requerida em menor quantidade 
diária, devido ao acúmulo no fígado e músculos (VIEIRA, 2003).
Para a absorção da vitamina B12, é necessária a participação do fator 
intrínseco, uma substância secretada pelas células parietais da mucosa 
gástrica. Para tanto, é necessário funcionamento normal da mucosa gástrica 
para estes elementos serem absorvidos. 
Em situações de deficiência desses elementos no organismo, o ferro, o ácido 
fólico e a vitamina B12, estocados no fígado, são requisitados para suprirem esta 
carência. 
A seguinte figura mostra o desenvolvimento dos precursores celulares 
a partir da célula progenitora indiferenciada “stem cell”.
28
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Figura 3. Eritropoiese.
 
 
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Precursor Eritrocítico/Megacariocítico 
Precursor Eritrocítico 
Hemácias 
Eritropoiese 
Fonte: https://www.slideshare.net/areadasaude/03-sangue-e-hematopoese. Acesso em: 10 jan. 2020.
Fases de desenvolvimento das células eritrocitárias
As células sanguíneas são produzidas a partir de uma célula-tronco mieloide 
(Stem cell), a qual é transformada em proeritroblasto, que dará origem aos 
eritroblastos basofílicos os quais produzem grandes quantidades de ribossomos. 
Durante estas primeiras duas fases, as células se dividem muitas vezes. Desde a 
fase do eritroblasto precoce até a fase do eritroblasto tardio, já ocorre a síntese 
de hemoglobina e o estoque de ferro. A cor do citoplasma celular muda de azul 
característico dos ribossomos e se torna cor-de-rosa devido à hemoglobina. 
Neste estágio, e posteriormente quando a célula se torna normoblasto, a 
concentração de hemoglobina na célula chega a cerca de 34%, muitas de suas 
organelas são ejetadas bem como o núcleo. Isto fará com que a célula tome 
um formato bicôncavo, tornando-se então um reticulócito, estes reticulócitos 
são considerados eritrócitos jovens porque contém ainda ribossomas. 
Então, os reticulócitos completos pela hemoglobina, irão entrar na corrente 
sanguínea para o transporte de oxigênio. Normalmente os reticulócitos 
se tornam em eritrócitos maduros dentro de dois dias, período em que os 
ribossomas serão degradados pelas enzimas intracelulares.
29
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 4. Fases de desenvolvimento das células eritrocitárias.
 
 
Maturação de Precursores Eritrocíticos 
 
Proeritroblasto 
Eritroblasto basófilo 
Eritroblasto policromatófilo 
Eritroblasto ortocromático 
reticulócito 
eritrócito 
Medula óssea 
Sangue periférico 
Fonte: https://pt.slideshare.net/Natalianeto/tec-sanguineo-1458306. Acesso em: 10 jan. 2020.
Precursores dos eritrócitos
Os precursores dos eritrócitos, assim como suas características principais, são:
a. Proeritroblasto: é o maior dos precursores eritroides, o 
núcleo apresenta um padrão de cromatina fina e uniforme. A 
membrana nuclear é evidente, estão presentes um ou mais nucléolos 
proeminentes. O citoplasma possui uma qualidade heterogênea, 
ocorrendo em quantidade moderada e sendo normalmente 
basofílico; não há grânulos presentes. O proeritroblasto sofre 
mitose e forma dois eritroblastos basofílicos.
b. Eritroblasto basofílico: possui uma cromatina ligeiramente 
mais grosseira, que se cora com intensidade, a cromatina pode 
estar parcialmente aglutinada e o padrão pode sugerir uma roda de 
carroça, de grossos aros. A paracromatina (a parte não cromatínica 
do núcleo) está diferenciada, e se cora em rosa. Há nucléolos 
presentes, mas nem sempre podem ser visualizados. A relação 
nuclear/citoplasmática (N/C) é moderada; cerca de um quarto da 
área celular total parece ser constituído de citoplasma. O citoplasma 
é intensamente basofílico, graças à abundância de RNA; nos estudos 
de microscopia eletrônica, boa parte dessa molécula fica evidenciada 
na forma de polirribossomos. As bordas celulares dos eritroblastos 
primitivos frequentemente são irregulares graças à ocorrência de 
30
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
pseudopodos. Depois da mitose o eritrobasto basofílico passa a dar 
origem aos eritroblastos policromatofílicos (Figura 5b).
c. Eritroblasto policromatofílico: é ligeiramente menor que o 
eritroblasto basofílico. O núcleo ocupa cerca da metade da área 
da célula, cora-se intensamente, e apresenta uma cromatina 
moderadamente condensada, nitidamente distinta da paracromatina 
cor-de-rosa. O eritroblasto policromatofílico passa por uma ou duas 
divisões mitóticas. Depois da última mitose, o núcleo torna-se pequeno 
e denso (picnótico), sendo então atingindo o estágio de eritroblasto 
ortocromático (Figura 5c).
d. Eritroblasto ortocromático: a célula é menor que o eritroblasto 
policromatofílico e apresenta-se com menor relação N/C. O 
citoplasma contém hemoglobina mais abundante e menor número de 
polirribossomos, permanecendo ligeiramente policromatofílica. 
Não é mais possível a ocorrência da mitose. Acompanhado por 
contrações e ondulações citoplasmáticas, o núcleo e uma pequena 
parte da porção citoplasmática são ejetados do eritroblasto 
ortocromático, formando o reticulócito (Figura 5d).
e. Reticulócito: o reticulócito é policromatofílico em decorrência 
da retenção do RNA. Como o núcleo não está mais presente no 
reticulócito cessa a síntese do RNA, ainda assim, o RNA presente 
permanece durante alguns dias, e a síntese de proteínas e do grupo 
heme continuam no reticulócito até que a célula perca seu RNA e 
mitocôndrias (Figura 5e).
f. Eritrócito: tem o tamanho de 6 a 8 µm, o citoplasma é rosa, os 
eritrócitos maduros são anucleados, com formato bicôncavo. Este 
formato ocorre devido as interações entre os elementos proteicos 
situados na membrana eritrocitária. As proteínas denominadas 
banda 3 e glicoforina compõem a camada dupla lipoproteica da 
membrana do eritrócito, e as proteínas espectrina, anquirina e 
proteína compõem a região mais interna, junto ao citoplasma. A 
morfologia e a função dos eritrócitos podem ficar comprometidas 
em casos de defeitos destas proteínas.
31
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 5. Precursores dos eritrócitos.
 
 
a b c 
d e f 
Fontes: https://docplayer.com.br/58278280-Prof-dr-adilson-donizeti-damasceno-professor-adjunto-i-dmv-ev-ufg.html; http://
atlas.gechem.org/es/component/k2/itemlist/category/10-1-1-1-serie-eritroblastica; http://www.hemoglobinopatias.com.br/d-
falciforme/diagnostico.htm. Acesso em: 10 jan. 2020.
Sintetizando e enriquecendo nossas informações
Os elementos citológicos do sangue derivam de uma célula primitiva 
ou célula-mãe (célula mesenquimal indiferenciada), na qual, por 
diferenciação, se originam as células progenitoras das células adultas que 
se encontram no sangue. As células progenitoras ou células “blastos” são 
o: eritroblasto, que origina os eritrócitos; o mieloblasto, que dá origem aos 
granulócitos; o linfoblasto, aos linfócitos; o normoblasto, aos monócitos; 
e o megacariocito, às plaquetas ou trombócitos. A célula mesenquimal 
primitiva, segundo o setor hematopoiético em que se encontra, dá 
origem sempre às mesmas células blastos. Assim, a célula mesenquimal 
do sistema mieloide dá origem aos eritroblastos, aos mieloblastos 
e aos megacarioblastos; a do sistema linfoide, aos linfoblastos; e 
a do sistema reticuloendotelial, aos monoblastos. 
Teorias da Hematogênese: há divergências quando se trata de estabelecer 
quais as células que se interpõem entre a célula mesenquimal primitiva e 
as células diferenciadas, ou células blastos. Há, portanto duas teorias: a 
teoria monofilética, admitindo que todos os elementos morfológicos do 
sangue provêm de uma célula ancestral comum a todos; e a outra teoria 
polifilética, partidária de que cada célula sanguíneatem seu precursor 
individual. Muitos autores tendem a adotar a teoria polifilética, em que 
32
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
cada célula sanguínea tem seu precursor individual. De acordo com vários 
trabalhos, os fatores hormonais participam nos mecanismos de formação 
das células precursoras, assim, formação dos eritrócitos acha-se subordinada 
a eritropoietina, um hormônio produzido pelo rim, que tem a propriedade 
de estimular a maturação do hemocitoblasto mieloide, diferenciando-o 
e transformando-o em proeritroblasto e, assim sucessivamente, até o 
eritrócito maduro. A produção das plaquetas por sua vez, é regulada pela 
trombopoetina, e a leucopoetina está envolvida na regulação da formação 
dos leucócitos. 
Alterações morfológicas dos eritrócitos
Os eritrócitos podem sofrer alterações morfológicas, as quais podem ser 
classificadas conforme as variações no tamanho (anisocitose), na cor 
(anisocromia) e na forma (poiquilocitose).
Anisocitose
O diâmetro normal dos eritrócitos varia entre 6,5 – 8,5 µm (média 7,5 µm). Os 
eritrócitos de tamanho normal são também chamados de normócitos. 
Quando alterados em relação ao tamanho são denominados:
 » Macrócito: possui diâmetro maior, cerca de 8,5–10 µm, é originado 
de macroeritroblastos. A macrocitose é decorrente da deficiência de 
vitamina B12 e de ácido fólico (Figura 6a). 
 » Micrócito: possui diâmetro menor do que o normal, inferior a 6 µm, 
é originado de microeritroblastos. A microcitose ocorre nos casos de 
deficiências de ferro e nas talassemias (Figura 6b).
 » Megalócito: possui diâmetro bem maior do que o normal, acima 
de 10 µm, é originado de megaloblastos. A megalocitose ocorre nos 
casos de anemias megaloblásticas (Figura 6c).
Anisocromia
O termo anisocromia é designado para denominar a variação do conteúdo de 
hemoglobina dos eritrócitos. A anisocromia ocorre quando na presença de ambos, 
eritrócitos normocrômicos e hipocrômicos no sangue. Na anemia sideroblástica, 
33
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
em que os eritrócitos normocrômicos e hipocrômicos são encontrados, indicam a 
produção destas células pela medula óssea. Em outros casos, como nas transfusões 
sanguíneas de pacientes que possuem anemia hipocrômica e recebem sangue 
com eritrócitos normais; ou ainda, as hemácias normais quando coradas com 
corante panóptico, podem apresentar um halo central mais claro após a coloração, 
indicando uma análise falso-positiva. 
Quanto às alterações de cor, as hemácias podem ser:
 » Hemácia hipocrômica: possui um halo central maior, cerca de 
1/3 do diâmetro celular, contém maior concentração de hemoglobina 
devido à morfologia achatada da célula. A hemácia hipocrômica, 
normalmente é também microcítica, e ocorre nos casos de anemias 
ferroprivas, nas talassemias e outras causas (Figura 6d). 
 » Hemácia Hipercrômica: quando a hemácia normal está saturada 
com hemoglobina, a coloração apresenta-se mais intensa, como 
exemplo os esferócitos que apresentam uma aparência densa ou 
“hipercrômica”. No entanto, os valores de HCM não se alteram, exceto 
em condições em que a síntese de hemoglobina está gravemente 
afetada. Assim, a contagem eletrônica do HCM serve apenas para 
confirmar o VCM medido diretamente. Nos macrócitos e megalócitos, 
ocorre a hipercromia, no entanto, o valor da HCM não ultrapassa 
ao normal, indicando que a hemácia não transporta hemoglobina 
excedente, ou seja, além da sua capacidade de saturação (Figura 6e).
 » Hemácia Policromática: apresenta basofilia em algumas 
colorações, como os panópticos, em função da presença de RNA 
ribossômico, apresenta também acidofilia em função da presença 
de hemoglobina, e mistas – uma coloração ligeiramente azulada 
ou acinzentada. Pode ocorrer naquelas células que perderam seus 
núcleos, antes de completar a hemoglobinização no citoplasma 
celular, mas que ainda não perderam os ribossomas. As hemácias 
policromáticas podem aparecer nos casos de anemias hemolíticas 
(Figura 6f).
Hemácias com inclusões: 
 » Hemácia com Pontilhado Basófilo: apresenta granulações 
basofílicas nas colorações vitais, os grânulos variam de tamanho 
e são geralmente puntiformes, compostos de RNA ribossômico e 
34
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
mitocondrial. Podem ocorrer nas intoxicações por chumbo, nas 
talassemias, secundariamente às leucemias, nas anemias ferroprivas 
e outras (Figura 6g).
 » Hemácia com Corpúsculos de Howell-Jolly: fragmento 
cromossômico pequeno, denso, basofílico, em formato 
arredondado, geralmente único, que se desprendeu do restante da 
cromatina nuclear. Em geral, aparecem 1 a 2 corpúsculos esféricos 
na hemácia, com diâmetro de cerca de 0,5 µm, compostos por DNA. 
Os corpúsculos de Howell-Jolly podem ser ainda provenientes 
da cariorrexis, na fase terminal da maturação, antes da expulsão 
completa do núcleo. Podem aparecer em hemácias, reticulócitos e 
eritroblastos; após uma esplenectomia, nas anemias hemolíticas, 
nas anemias megaloblásticas, secundariamente às leucemias, e 
outras (Figura 6h).
 » Hemácia com Anel de Cabot: a célula apresenta uma cor 
lilás-azulada em forma de anel ou “em oito”, como remanescentes 
nucleares do final do fuso mitótico. Ocorre nas anemias 
megaloblásticas, leucemias, mielodisplasias, talassemias, 
intoxicação por chumbo etc. (Figura 6i).
 » Hemácia com Corpúsculos de Heinz: é caracterizada pela 
presença de inclusões citoplasmáticas nas hemácias, apresentam 
formato ovalado, arredondado ou angular (0,3 a 2µ de diâmetro); 
em geral, são únicas e pouco evidenciadas na Coloração Panótica, 
mas sim na Vital. São formadas por hemoglobina desnaturada 
dos tipos: Alfa 2, Beta 4, Gama 4 e Delta 4. São decorrentes da 
deficiência da Glicose-6-fosfato-desifrogenase, e ainda aparecem 
também nas intoxicações pelo chumbo, Fenil-hidrazina 
e outros (Figura 6j).
 » Hemácia com Corpúsculos de Pappenheimer: também 
denominado siderócito, que significa depósito de ferro nos 
eritrócitos. Podem aparecer como um único grânulo, ou múltiplos 
grânulos azuis, quando corados pelo corante Azul da Prússia. Na 
medula óssea, os siderócitos podem aparecer como uma forma 
em anel em volta do núcleo dos sideroblastos. Quando em casos 
patológicos, é possível ver os grânulos pela coloração usual 
Panóptica. Ocorrem nos casos de esplenectomia, talassemias etc. 
(Figura 6k).
35
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
 » Hemoglobina H – Hb H: a precipitação intraeritrocitária 
de corpúsculos de Hb H ocorre devido à disfunção da síntese 
da globina alfa (que estão diminuídas) e de globinas beta (que 
estão normais). As globinas beta se tetramerizam em complexos 
de globina b4, formando moléculas instáveis de hemoglobinas 
conhecidas por Hb H. Portanto, a ocorrência de Hb H pode ser 
indicativa de talassemia alfa. A precipitação de Hb H, se caracteriza 
por múltiplos corpúsculos homogeneamente distribuídos nos 
eritrócitos. (Figura 6l).
Figura 6. Alterações morfológicas dos eritrócitos: a-c) Anisocitose; d-f) Anisocromia; g-l) Hemácias com inclusões 
citoplasmáticas.
Fonte: http://www.ciencianews.com.br/arquivos/ACET/IMAGENS/livros/acesso_gratuito/Livro_completo%20-%20Hematologia%20
Eritrocitos.pdf. Acesso em: 10 jan. 2020.
Poiquilocitose
A morfologia do eritrócito é bicôncava. Uma região central mais clara (halo) do 
que a da zona periférica pode ser vista, quando de frente, ao microscópio. Isto é 
decorrente da distribuição da hemoglobina da parte bicôncava da hemácia. 
36
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Quanto às alterações de forma, as hemácias podem ser: 
 » Hemácia em Alvo: (“target cell”), codócito ou leptócito: são 
eritrócitos que na circulação se apresentam em forma de sino 
(codócitos). Possuem excesso de lipídios na membrana, região 
intermediária mais delgada (passagem de luz), e região central densa, 
de onde se tem o aspecto de alvo. Exemplos: hemoglobinopatias C, 
S e E (em homo ou heterozigose); talassemias; interações MbS — 
talassemias; hepatopatias,pós-esplenectomia; deficiência de LCAT; 
anemia ferropriva etc. (Figura 7a).
 » Hemácia Esferocítica: são eritrócitos pequenos e de formato 
esférico, ocorre uma alteração na proteína da membrana, de 
forma que a célula perde a biconcavidade. Pode haver diminuição 
de espectrinas, de anquirina, entre outras, na membrana destas 
hemácias. A célula apresenta-se hipercorada (de hemoglobina). 
Exemplos: anemias hemolíticas autoimunes, esferocíticas, 
hereditárias e adquiridas (Figura 7b).
 » Hemácia Ovalocítica e Eliptocítica: são eritrócitos alongados 
em forma oval ou elíptica. São decorrentes de defeitos nas 
proteínas de membrana eritrocitária (eliptocitose) ou como forma 
alongada, consequente à falta de conteúdo por defeito maturativo 
de hemoglobinização. Exemplos: eliptocitose hereditária; anemia 
ferropriva (eliptócitos hipocrômicos – células alongadas em forma 
de lápis ou charuto); anemias megaloblásticas; mielofribose com 
metaplasia mieloide. As formas aparentemente elípticas da anemia 
falciforme, fase anterior à formação da célula em foice desoxigenada, 
não são nem devem ser referenciadas como eliptócitos. Pode ocorrer 
por diminuição de espectrina, glicoforina C etc. (Figura 7c). 
 » Hemácia Falciforme: são eritrócitos em que 50% ou mais do total 
de hemoglobina são MbS. Quando desoxigenadas na circulação, 
adquirindo forma de foice e são denominados drepanócitos. Não 
esquecer que as formas não totalmente desoxigenadas assemelham-
se (apenas morfologicamente) aos eliptícitos. Entretanto, não 
devem ser referidos como tais células, pois de forma alguma trata-se 
de eritrócitos com defeitos nas proteínas de membrana (cauda da 
eliptocitose), mas na verdade, defeito na molécula de hemoglobina. 
Exemplos: doenças falciformes, como a anemia falciforme (SS); 
37
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
doença SC; interações MbS-talassemias; MbS-persistência de Hb 
fetal; SD; SE; etc. (Figura 7d). 
 » Hemácia Estomatocítica: são eritrócitos com halo central em 
forma de fenda, semelhante a uma “boca”; há grande permeabilidade 
da membrana a cátions monovalentes. Muitas vezes, esta forma 
de hemácia pode ser encontrada como decorrência de artefato de 
técnica. Exemplos: doenças hepáticas; recém-nascidos; tratamento 
com asparaginase; estomacitose hereditária. (Figura 7e).
 » Esquizócitos ou hemácias fantasmas: são pedaços distorcidos, 
restos ou fragmentos de eritrócitos sem forma definida. São 
decorrentes de várias etiologias, geralmente por trauma mecânico, 
na vasculatura por filamentos de fibrina ou por próteses cardíacas. 
Exemplos: anemias microangiopáticas (coagulação intravascular 
disseminada – CIVD); púrpura trombocitopênica trombótica 
(PTT); síndrome-hemolítico-urêmica SHU; lúpus eritematoso, 
glomerulonefrites agudas; hipertensão maligna; eclâmpsia; 
hemangiomas; amiloidose, pacientes com válvulas cardíacas; 
talassemia maior, anemia hemolítica por drogas; anemia hemolítica 
por queimaduras; anemia por traumas mecânicos; na poiquilocitose 
hereditária etc. (Figura 7f). 
 » Hemácias em Roleaux: empilhamento dos eritrócitos por 
neutralização da repulsão natural entre eles. É causado pela presença 
de macroglobulinas plasmáticas. São frequentes nos casos de mieloma 
múltiplo e macroglobulinemia. (Figura 7g) 
 » Hemácia Acantocítica (akantha= espinho): apresenta forma 
geralmente arredondada, com proeminências pontiagudas, em 
pequeno número e que se dispõem de modo não simétrico na 
superfície celular. É caracterizada pela alteração no metabolismo dos 
fosfolípides, resultante de beta-lipoproteínas. Exemplos: hepatopatias 
graves; insuficiência renal; acantocitose hereditária; prematuros; 
esplenectomizados; uremia; alcoolismo; etc. (Figura 7h). 
 » Dacriócitos: são eritrócitos em forma de lágrima ou gota. De 
tamanho variável, os dacriócitos podem ser normocrômico ou 
hipocrômico. São observados nas mieloproliferações, principalmente 
na mielofibrose com metaplasia mieloide; talasemias; anemias 
megaloblásticas; etc. (Figura 7i). 
38
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Figura 7. Alterações de forma as hemácias.
Fonte: http://www.ciencianews.com.br/arquivos/ACET/IMAGENS/livros/acesso_gratuito/Livro_completo%20-%20Hematologia%20
Eritrocitos.pdf. Acesso em: 10 jan. 2020.
Enquanto se examina a morfologia das hemácias, devem-se levantar as 
seguintes questões: 
1. Como a aparência das hemácias no esfregaço amplia a informação 
sobre o seu tamanho obtido pelo VCM?
2. O que significa o achado de macrócitos policromatofílicos em 
um esfregaço? Caso haja pequenos números de macrófagos 
policromatófilos acompanhados por números proporcionalmente 
altos de hemácias nucleadas, qual seria a hipótese diagnóstica?
3. As alterações morfológicas são sugestivas de distúrbio na produção 
de hemácias ou de uma hemoglobinopatia? Por exemplo:
 » Células ovais ou em forma de lágrima, que são vistas na anemia 
megaloblástica e na mielofibrose com metaplasia mieloide 
extramedular.
 » Siderócitos, que são células contendo ferro não ligado à 
hemoglobina na forma de grânulos agrupados de ferritina 
e que podem indicar síntese de hemoglobina prejudicada, 
não devido à deficiência de ferro. 
39
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
 » Células em alvo, que são células cujas membranas são muitos 
grandes para as células e que são encontradas em pacientes com 
doença hepática, com hemoglobina C, E, ou S e nas síndromes 
talassêmicas. 
 » Pontilhado basófilo, que resulta na precipitação de DNA dos 
ribossomos. As quantidades de RNA aumentadas em macrócitos 
policromatófilos ocasionalmente precipitam quando se cora o 
esfregaço com corante de Wright. Isto leva à formação de um 
pontilhado basófilo fino, um achado que não tem significado 
além daquele do macrócito policromatófilo em si. No entanto, em 
certos distúrbios da eritropoiese, como o envenenamento por 
chumbo e talassemia, as hemácias podem conter agregados 
residuais anormais de material ribossômico que precipitam quando 
se coram na forma de um pontilhado basófilo grosseiro. 
Série plaquetária
As plaquetas se originam de megacariócitos poliploides, as maiores dentre 
todas as células hematopoiéticas, e que representam menos de 1% do total 
das células nucleadas da medula óssea. Os megacariócitos originam-se da 
célula-tronco hematopoiética multipotencial, e em seguida de uma célula 
progenitora comprometida. Com base em estudos in vitro e in vivo, é provável 
que a proliferação dos megacariócitos seja regulada por pelo menos dois fatores 
humorais: um fator (Meg-CSF) que induz a proliferação dos CFU-Megs, e um 
fator similar à trombopoietina, que promove diferenciação e maturação dos 
megacariócitos. 
O desenvolvimento dos megacariócitos está caracterizado por endomitose, a 
divisão nuclear sem divisão citoplasmática, que resulta em ploidias que variam 
de 2N a 64N. A maioria é dos tipos 8N e 16N, com números menores a cada 
lado. Os lobos nucleares não se correlacionam precisamente com a ploidia. 
O tempo de maturação para os megacariócitos na medula é de cerca de 5 
dias nos seres humanos. As plaquetas são liberadas nos seios medulares ao 
longo de um período de várias horas, e os núcleos dos megacariócitos sofrem 
fagocitose pelos macrófagos. As plaquetas recém-liberadas parecem maiores, 
de metabolismo mais ativo e mais efetivas na homeostasia. 
40
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
As plaquetas circulam numa concentração estável, na média de 275x109/L. Em 
qualquer momento, cerca de dois terços das plaquetas totais estão circulando, 
por outro lado, em pacientes com doenças caracterizadas por esplenomegalia, 
80 a 90% das plaquetas podem estar sequestradas no baço, resultando numa 
diminuição da concentração das plaquetas circulantes (trombocitopenia), em 
função dessa alteração da distribuição.
As plaquetas sobrevivem por 8 a 11 dias na circulação. Algumas plaquetas 
são provavelmente utilizadas na manutenção da integridade vasculare no 
tamponamento de pequenas lesões vasculares (perda aleatória), e outras 
provavelmente são removidas pelo sistema fagocitário mononuclear, ao entrarem 
na senescência.
Normalmente as plaquetas mantém a integridade (estado de vedação) dos vasos 
sanguíneos, e formam rolhas hemostáticas para a interrupção da perda do 
sangue por vasos lesionados e, no processo, promovem a coagulação dos fatores 
plasmáticos. 
Fases da maturação das plaquetas: 
 » Megacarioblasto: mais primitivo identificável, apresenta lobos 
nucleares superpostos e pequena quantidade de um citoplasma 
basofílico e sem granulações. Este elemento pode ser encontrado no 
sangue circulante somente em pequenos fragmentos nucleares, porque 
as porções maiores ficam retidas nos capilares. 
 » Promegacariócito: os lobos nucleares aumentam e expandem-se, e 
grânulos vermelhos-róseos passam a ser visualizados, primeiramente 
no centro da célula. 
 » Megacariócito granular: é caracterizado por um alastramento 
difuso dos grânulos vermelho-róseos através da maior parte do 
citoplasma e por mais crescimento e expansão dos lobos nucleares. 
 » Megacariócito maduro: o núcleo é mais compacto, a basofilia 
desapareceu, e os grânulos estão reunidos em pequenos agregados. 
Estruturalmente, este aspecto é produzido por membranas 
superficiais invaginadas que separam o citoplasma em plaquetas 
individualizadas. Finalmente, as plaquetas são expelidas como 
fragmentos citoplasmáticos pela fusão das membranas de demarcação. 
Na medula óssea os megacariócitos situam-se adjacentes às 
paredes dos seios e as plaquetas são liberadas no lúmen sinusal. 
41
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
 » Plaquetas: de tamanho variando de 2 a 5µm, são porções de citoplasma, 
contendo granulações no seu interior. Não apresentam núcleo ou 
nucléolos. 
Nos esfregaços corados pelo método panóptico, distinguem-se duas partes das 
plaquetas: 
1. Uma é periférica, hialina, acromófila ou levemente basófila (coloração 
ligeiramente azulada) – zona hialômera. 
2. Outra é central, com finas granulações azurófilas, corando-se de 
violeta-púrpura – zona cromômera. 
Nos esfregaços sem coloração, aparecem como corpúsculos de cor cinza, com 
tendência a formar agregação amorfa, a que se aderem os primeiros filamentos de 
fibrina, quando se inicia a coagulação. Nas preparações a fresco, distinguem-se, 
também uma zona periférica, hialina transparente, e outra central, granulosa. A 
zona central, granulosa, cromófila tem sido considerada de origem nuclear, o que 
é inteiramente errôneo, pois não dá as reações específicas da cromatina nuclear. 
São apenas substâncias cromatófilas.
Em condições patológicas as plaquetas sofrem as seguintes alterações:
1. Alterações do tamanho ou anisocitose plaquetária: observam-se 
plaquetas pequenas, médias ou grandes (plaquetas gigantes).
2. Alterações da forma ou pecilocitose trombocítica: as plaquetas 
podem assumir diferentes aspectos.
3. Alterações da coloração ou anisocromia trombocítica: 
apresentam-se patologicamente, com zona periférica basófila, 
anormalmente intensa, com agrupamento das granulações em 
blocos, ou com repartição anormal das granulações, com tamanho 
anormal das granulações, vacuolização patológica e falta de 
agregação (trombastenia). Estas alterações são encontradas, 
principalmente, nos casos de hiperatividade das células gigantes da 
medula óssea, como ocorre na mielose e em certas anemias, ou na 
disfunção e destruição progressiva dos megacariócitos na anemia 
perniciosa, na anemia aplástica, nas leucemias nos estados 
hemorrágicos. 
42
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Figura 8. Ilustração das fases de maturação das plaquetas.
 
 
Megacarioblasto Promegacariócito 
Megacariócito 
granular 
Megacariócit
o liberador de 
plaquetas 
PLAQUETAS 
Fonte: http://trombopoyesistm25.blogspot.com/2013/06/maduracion-plaquetaria.html. Acesso em: 10 jan. 2020.
Figura 9. Detalhes das fases de maturação das plaquetas: a) Megacarioblasto; b) Promegacariócito; c) 
Megacariócito granular; d) Megacariócito maduro; e) Plaquetas; f) Anisocitose plaquetária.
 
 
a b 
c d 
e f 
Fonte: http://jpffhematologiafichero.blogspot.com/2014/10/megacarioblasto.html; http://jpffhematologiafichero.blogspot.
com/2014/10/promegacariocito.html; https://educalingo.com/pt/dic-pt/megacariocito; http://mcvcorpohumano.blogspot.
com/p/sistema-circulatorio_08.html; https://pt.medic-life.com/what-is-anisocytosis-16319. Acesso em: 10 jan. 2020.
43
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Contagem manual de plaquetas
Determinação direta das plaquetas em hemocitômetro de Neubauer, após diluição 
do sangue total em uma solução hipotônica lisante dos eritrócitos, de modo a obter o 
número de plaquetas por mm3 de sangue. 
Um método direto bastante usado e aconselhado é o método de Rees-Ecker.
Método de Rees-Ecker:
Material
1. material para punção digital ou venosa;
2. micropipeta de 0,02 ml;
3. câmara de Neubauer;
4. papel de filtro ou algodão;
5. placa de Petri.
Solução diluidora:
Citrato de Sódio.................................................................3,8 g
Formol a 40%.....................................................................2,0 ml
Azul de cresil brilhante......................................................0,05 g
Água destilada..................................................................100,0 ml
Procedimento:
1. em um tubo de ensaio médio, pipete 4,0 ml da solução diluidora;
2. adicionar 0,02 ml (20 µL) de sangue em EDTA ao líquido diluidor; 
limpar a ponteira com gaze ou papel, lavando a ponteira dentro do 
líquido;
3. agitar por inversão 2 minutos no mínimo;
4. encher os retículos da câmara de Neubauer;
5. deixar a preparação em repouso por 15 minutos; 
44
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
6. realizar a contagem em microscópio óptico em aumento de 400 x 
em 1/5 de mm2, conforme indicado para as hemácias. É necessária 
experiência e atenção para distinguir as plaquetas de sujidades. As 
plaquetas aparecem como corpos ovais ou alongados, altamente 
refringentes, com 1 a 5 mícron de diâmetro. 
Cálculos:
Valores normais: 140.000 - 440.000/ mm3
Contar as plaquetas contidas nos 25 quadrados do retículo central da câmara de 
Neubauer, o fator de diluição será de 2.000, e aplicar a fórmula geral para obter o 
número de plaquetas (Pc) por mm3:
Número de plaquetas contadas (Pc) x 10 x 200, ou seja, o valor obtido das Pc 
contadas em 1/5 de mm2 x 10.000 será igual ao valor das Pc.
Metabolismo do eritrócito
A atividade enzimática deficiente no eritrócito pode resultar em anormalidades 
que levam a uma destruição prematura e anemia hemolítica; estas desordens 
usualmente são herdadas. No entanto, mesmo em indivíduos que tenham 
eritrócitos normais, a interferência com estresse oxidativo no metabolismo do 
eritrócito, algumas vezes pode resultar em hemólise. 
Como a hemácia madura não possui mitocôndria, as vias de fosforilação oxidativa 
e do ciclo de Krebs não ocorrem. A via glicolítica é responsável por 90% da 
produção de energia, e, é decorrente da via Embden-Meyerhof; com glicólise 
sendo metabolizada a ácido lático com produção final de dois moles de adenosina 
trifosfato (ATP). Este último, o ATP, é utilizado nas reações que em que ocorre gasto 
energético da célula, alterações na polarização de membrana (transporte ativo de 
cátions), para manutenção da deformidade da membrana e para preservação do 
formato bicôncavo da célula. 
A maior parte da hemoglobina (metemoglobina) produzida na célula normal 
(cerca de 3% do total por dia) é reduzida pelo dinucleotídeo nicotinamida 
adenina (NAD) ligado à redutase Met-Hb. A via da pentose fosfato (shunt 
hexose monofosfato) gera dinucleotídeo nicotinamida adenina fosfato 
45
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
(NADPH) nos primeiros dois passos, por meio das enzimas glicose-6-
fosfato-desidrogenase (G6PD) e 6-fosfogluconato. A produção de NADPH é 
ligada à reduçãode glutationa e, por meio deste mecanismo, à preservação 
das enzimas vitais e da hemoglobina contra a oxidação. Pequenas 
quantidades de hemoglobina oxidada (metemoglobina) são reduzidas pela 
glutationa (GSH). A atividade da via da pentose fosfato aumenta quando a 
célula é exposta a uma droga antioxidante, provavelmente como resultado 
da produção aumentada de NADP. Se uma enzima nesta via não possuir 
atividade, a GSH não pode ser produzida e a hemoglobina será oxidada 
pelo estresse oxidante. 
O processo oxidativo nas hemácias requer o emprego de compostos de alta 
energia derivada do oxigênio, designados coletivamente como oxigênio 
ativado. A Hb oxidada desnatura e se precipita como corpúsculos de 
Heinz, os quais aderem à membrana, induzindo rigidez e tendência à lise. 
Deficiências enzimáticas moderadas nesta via (por ex.: na G6PD) podem não 
estar associadas à anemia em condições normais; no entanto, um episódio 
hemolítico agudo pode ocorrer se as células forem submetidas a um estresse 
oxidativo (droga, infecção). 
Deficiências na via Embden-Meyrhof resultam em uma produção prejudicada 
de ATP e em anemia hemolítica crônica. Ainda não está bem esclarecido o 
processo de destruição das hemácias neste caso. Os corpúsculos de Heinz não 
são formados. Parece que a falta da deformidade e deficiência na bomba de 
cátions pode ser importante no processo hemolítico. 
O shunt de Rapoport-Luebering é responsável pela conversão de 
1,3-difisfoglicerato (1,3-DPG) para 2,3-difosfoglicerato (2,3DPG) ao invés de 
diretamente a 3-fosfoglicerato (3-PG). Se este shunt estiver ativo, a geração de 2 
moles de ATP (por mol de glicose) é ignorada; como resultado, não há produção 
energética na glicólise. No entanto, a 2,3 DPG se combina com a cadeia da 
hemoglobina e diminui a afinidade da hemoglobina pelo oxigênio. 
A uma dada pressão parcial de oxigênio, portanto, uma 2,3 DPG aumentada 
permite que mais oxigênio deixe a hemoglobina e vá para os tecidos; a curva de 
dissociação do oxigênio é desviada para a direita. Atividade aumentada deste 
shunt é aparentemente estimulada por hipóxia. 
46
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Figura 10. Vias metabólicas do eritrócito. NAD: nicotinamida adenina dinucleotídeo; NADH: forma reduzida 
do NAD; NADP: nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato; NADPH: forma reduzida do NADP; 2,3 DPG: 
2,3-difosfoglicerato; GSH: glutationa reduzida; GSSG: glutationa oxidada.
 
 
Via glicolítica de 
Embden-Meyerhoff 
I 
II 
III 
glicose-6-fosfato 
frutose-6P 
gliceraldeído 
1,3-difosfoglicerato 
3P-glicerato 
fosfoenol 
piruvato 
NAD 
NADH 
ADP 
ATP 
ADP 
ATP 
6-P-gluconato 
ribulose 5-P 
GSH 
NADP 
GSSG 
NADPH 
glicose-6-fosfato 
desidrogenase 
Via de desvio pentose-fosfato 
estresse 
oxidante 
frutose 1,6 diP 
2-P-glicerato 
II 
I 
piruvato cinase 
III 
lactato 
Fonte: http://www.ciencianews.com.br/arquivos/ACET/IMAGENS/doenca_dos_eritrocitos/doenca_dos_eritrocitos_o_eritrocito.pdf. 
Acesso em: 10 jan. 2020.
A membrana eritrocitária 
A membrana do eritrócito contém aproximadamente quantidades iguais de 
lipídios e proteínas. Os lipídeos são fosfolipídios ou lipídeos neutros, e grande 
parte de colesterol não esterificado, os quais desempenham função importante 
na manutenção da flexibilidade e da deformabilidade celular.
A bicamada lipídica atua como uma barreira para a retenção de cátions e ânions 
nas células vermelhas, enquanto permite que as moléculas de água passem 
livremente. Os eritrócitos humanos têm alto conteúdo de K + intracelular e 
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HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
baixo teor de Na + intracelular quando comparados com as concentrações 
de íons correspondentes no plasma. A manutenção desse gradiente de cátion 
entre a célula e seu ambiente envolve um movimento passivo para fora do K 
+, que é bombeado de volta pela ação de uma bomba Na +/K + dependente de 
ATP em troca de íons Na +. Esta proteína pertence a uma classe de proteínas 
transmembranares com uma função de transporte (ANDOLFO et al, 2016).
As proteínas que compõem a membrana eritrocitária podem ser divididas 
em duas porções: aquelas que atravessam a bicamada lipídica, chamadas de 
proteínas transmembrana, e as proteínas situadas na base da bicamada lipídica. 
As principais proteínas transmembranosas são a glicoforina A e a proteína 
banda 3. A primeira (glicoforina A) é composta por carboidratos situados 
na região externa da molécula, estas proteínas irão gerar carga negativa aos 
eritrócitos, impedindo sua aglutinação. As glicoforinas (GP) estão relacionadas 
com os antígenos eritrocitários. 
A proteína que exerce papel como canal transportador de ânions e água para a 
célula é a proteína banda 3, localizada no interior da bicamada lipídica. A banda 
3 se liga com as outras proteínas ankirina e espectrina, localizadas na região 
periférica, que serve para fixar a membrana ao citoesqueleto. As proteínas 
associadas ao citoesqueleto são denominadas de periféricas. Dentre elas estão 
a espectrina, a actina, a ankirina, banda 3, glicofolinas. 
Alterações nos componentes da membrana, lipídeos ou proteínas, podem resultar 
em mudanças na forma com consequente diminuição da resistência aos insultos 
metabólicos e mecânicos que estas células sofrem constantemente na circulação e 
aumento da destruição destas células (anemia hemolítica).
Figura 11. Diagrama de uma membrana eritrocitária com uma bicamada lipídica transfixada por proteínas 
integrais e sustentada por uma malha de espectrinas.
 
 
Banda 3 
Resíduos de carboidratos 
Banda 4.2 
Glicoforina C 
Bicamada 
lipídica Ankirina 
Banda 4.1 
Banda 4.9 
Cadeia alfa Cadeia beta 
Tropomodulina 
Tropomiosina 
Actina Aducina 
Fonte: http://scielo.sld.cu/img/revistas/hih/v21n3/f0101305.jpg. Acesso em: 10 jan. 2020.
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UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Transporte de moléculas 
Uma vez que a bicamada lipídica da membrana eritrocitária é impermeável a 
uma grande parte de moléculas, consequentemente, vários sistemas de proteínas 
transportadoras de membrana são utilizados nos processos transporte de 
moléculas para dentro ou fora da célula. A proteína Banda-3 parece funcionar 
como um poro transportador, permitindo o transporte de ânions como água, 
cloreto e bicarbonato, e também alguns cátions. 
CAPPELLINI, M. D.; FIORELLI, G. Glucose-6-phosphate dehydrogenase 
deficiency. Lancet. 371(9606):64-74, 2008. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/.
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deficiency in triplets of African-American descent. J. Perinatol. 2006; 
26(3):201-3. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/.
BASKURT, O.K.; MEISELMAN, H.J. Erythrocyte aggregation: basic aspects and 
clínical importance. Clin Hemorheol Microcirc. 2012 http://www.ncbi.nlm.nih.
gov/.
Hemoglobina
A hemoglobina é uma proteína conjugada, e o componente de maior 
importância aos eritrócitos. Serve de veículo para o transporte de oxigênio, 
e dióxido de carbono (CO2). Quando completamente saturado, cada grama 
de hemoglobina contém cerca de 1,34 ml de oxigênio. A massa sanguínea 
total do adulto normalmente contém 600 g de hemoglobina capazes de 
transportar 800 ml de oxigênio. Seu peso molecular é de 64,458 kD, e 
contém ferro o qual reage com uma molécula de oxigênio por equivalente. 
Cada molécula de hemoglobina compõe-se de quatro grupos heme, de estrutura 
porfirínica. Cada um contém um átomo de íon ferroso, ligado à parte proteica 
da molécula, a globina, constituída de quatro cadeias polipeptídicas. As cadeias 
polipeptídicas são dispostas aos pares, consistindo em ácidos aminados, 
ligados uns aos outros em sequência característica, formando longa cadeia. A 
molécula tem a forma de elipse helicoide, localizando-se cada grupo heme em 
sua superfície, em uma bolsa ou dobra de uma das cadeias polipeptídicas, onde 
funciona combinando reversivelmente com o oxigênio e o dióxido de carbono. 
A fração heme é a parte corada da molécula responsável

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