Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
Hematologia ClíniCa: 
Série BranCa
Elaboração
Claudia Feriotti
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4
ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7
UNIDADE I
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO ................................................................................................. 9
CAPÍTULO 1
RECONHECIMENTO DOS GLÓBULOS BRANCOS DO SANGUE PERIFÉRICO ................................. 9
CAPÍTULO 2
LEUCOGRAMA ....................................................................................................................... 41
UNIDADE II
LEUCEMIAS ......................................................................................................................................... 56
CAPÍTULO 1
TIPOS DE LEUCEMIAS .............................................................................................................. 56
CAPÍTULO 2
HEMOSTASIA E COAGULAÇÃO ............................................................................................... 79
PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 96
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 97
4
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém 
ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a 
evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
5
Organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para 
aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos 
Cadernos de Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
6
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
7
Introdução
A ciência da hematologia vem passando por um intenso avanço tecnológico, 
implicando em uma necessidade constante de atualização. Assim, o Caderno 
de Estudos e Pesquisa “Hematologia Clínica: Série Branca” foi elaborado 
com o objetivo de proporcionar ao aluno um melhor entendimento, na área 
de hematologia clínica, possibilitando a identificação, correlação clínica, e 
interpretação dos resultados das principais patologias hematológicas. 
O conhecimento e a utilização das ferramentas necessárias, para a identificação 
das desordens hematológicas, pela realização e interpretação do hemograma, 
bem como a identificação dos componentes celulares da série branca, suas 
funções, características morfológicas, fisiológicas e as alterações patológicas 
desencadeadoras de diversas condições patológicas, irão preparar os futuros 
profissionais para o mercado de trabalho, além de despertar o poder crítico 
e criativo. 
A automação dentro dos laboratórios é outro fator de fundamental importância, 
requerendo uma dinâmica de atualização do profissional, por meio de 
constante reciclagem. Sob essa visão, fica clara a necessidade de se desenvolver 
práticas laboratoriais modernas e atualizadas, para tanto, a necessidade de 
um profissional embasado nos conceitos básicos em hematologia é primordial, 
para o desempenho de técnicas mais sofisticadas. 
Ao final do curso, o aluno será avaliado, mediante aos exercícios propostos, 
levando em consideração fatores técnicos, poder de decisão, e análise do 
contexto individual, para cada evento aprendido no decorrer das aulas.
Objetivos
 » Reconhecer os glóbulos brancos do sangue periférico: funções e 
características normais dos neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos 
e monócitos.
 » Ensinar a leucopoiese: precursores hematopoiéticos e fatores de 
crescimento; ontogenia das séries: granulocítica, monocítica e linfocítica.
 » Compreender a diferenciação e maturação neutrofílica, eosinofílica, 
basofílica, monocítica e linfocítica.
8
 » Interpretar o leucograma: valores de referência e alterações; desvio 
à esquerda, à direita e alterações tóxico-degenerativas.
 » Reconhecer a distribuição e o processamento dos linfócitos, nos 
órgãos linfoides centrais, e periféricos.
 » Caracterizar as anomalias leucocitárias, e alterações tóxico-
degenerativas.
 » Reconhecer e classificar as leucemias: leucemia linfoide aguda, 
leucemia linfoide crônica, leucemia mieloide aguda, leucemia 
mieloide crônica, e síndromes mielodisplásicas.
 » Definir as características e funções das plaquetas, os fatores 
plaquetários, bem como o papel das plaquetas na coagulação.
 » Definir os mecanismos e as etapas da hemostasia e coagulação 
sanguínea.
 » Caracterizar os inibidores da coagulação e os processos fibrinolíticos.
9
UNIDADE I
HEMATOLOGIA 
CLÍNICA: 
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO 1
Reconhecimento dos glóbulos brancos 
do sangue periférico
Leucopoiese
As stem-cells pluripotentes (células-mãe pluripotentes ou células-tronco) são 
células pequenas, mononucleares, indiferenciadas, e capazes de se diferenciar 
para quaisquer das linhagens sanguíneas. São, também, denominadas unidades 
formadoras de colônias esplênicas (baço = spleen – CFU-S), pois foram 
caracterizadas em experimentos com baço de camundongo. Ontogenicamente, 
originaram-se em diferentes locais de hematopoiese: no saco vitelino (período 
embrionário), no fígado-baço,e na medula óssea (período fetal e adulto). 
Podem ser identificadas por estudo imunológico, utilizando anticorpos monoclonais, e 
se caracterizam, por serem CD34+ e CD38-. 
Ao se diferenciarem (comprometimento ou comissionamento), em unidades 
formadoras de colônias mieloides (CFU-GEMM), ou linfoides (CFU-L), as células-
mãe pluripotentes passam a ser denominadas stem-cells multipotentes, ou células-
mãe multipotentes (células-mãe mieloides ou linfoides), ainda não totalmente 
diferenciadas. É nessa fase que começam a expressar CD38+, e os antígenos 
(marcadores de superfície) mieloides, ou linfoides específicos. 
As células-mãe mieloides permanecem na medula óssea, na qual se diferenciam 
em unidades formadoras de colônias granulocíticas (CFU-G), monocíticas 
(CFU-M), eritroides (CFU-E) e megacariocíticas (CFU-Meg), que darão origem 
a granulócitos, monócitos, eritrócitos e plaquetas, respectivamente. 
10
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
As células-mãe linfoides pró-T migram para o timo, e as pró-B ficam na medula. Há 
evidências indiretas de que as células-mãe linfoides (CFU-L) originam os linfócitos 
B, T e NK. Os linfócitos se diferenciam em progenitor B específico, ou em progenitor 
comum T-NK, o qual se diferencia, posteriormente, em progenitores específicos para a 
linhagem T ou NK.
O desenvolvimento dos linfócitos B e T ocorrem em duas fases distintas, e 
sequenciadas: antígeno-independente (linfopoiese) e antígeno-dependente 
(imunopoiese). A primeira é coordenada geneticamente, e requer interações 
hormonais e microambientais, na medula óssea para células B, e no timo 
para as células T. O desenvolvimento das células NK permanece obscuro. A 
fase maturativa antígeno-dependente envolve a exposição das células B e T, e 
a partículas estranhas (não próprias), resultando na expressão de receptores 
de superfície específicos para tais partículas; ocorre nos órgãos linfoides 
secundários. 
O início do processo de linfopoiese ocorre por volta da sétima semana 
gestacional, quando as células progenitoras migram para os órgãos linfoides 
primários, nos quais passam por um processo altamente regulado de 
diferenciação e maturação. As células pró-T, no timo, e as pró-B, na medula 
óssea, passam por estágios de seleção, de modo que as células defeituosas, ou 
autorreativas (reagem com os próprios antígenos – self), entram em morte 
celular programada (apoptose). Apenas linfócitos equipados adequadamente, 
para reconhecerem antígenos estranhos (not self), sobrevivem e se tornam 
imunologicamente maduros, porém, virgens, ainda sem contato com antígenos 
não próprios. Esses linfócitos B e T maduros saem da medula óssea e timo, 
respectivamente, e passam a circular na corrente sanguínea, na linfa, e nos 
tecidos linfoides periféricos (órgãos linfoides secundários), em que tomam 
contato com antígenos não próprios (imunopoiese), e passam a desempenhar 
suas funções no sistema imune. As células B e T que, em poucos dias, não têm 
contato com antígenos, entram em processo de morte programada. 
A Figura 1 mostra o controle da hematopoiese, em todas as suas fases, 
incluindo a nomenclatura dos precursores hematopoiéticos, e fatores 
estimuladores.
11
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 1. Fases da hematopoiese nomenclatura dos precursores hematopoiéticos e fatores estimuladores.
 
 
IL-1, IL-3, IL-6, 
SCF, G-CSF 
IL-1, IL-3, IL-6, 
SCF, FLT-3L 
GM-CSF 
 IL-3 
‘CFU-Mega 
a 
IL-3 
a IL-3 IL-11 
a 
GM-CSF 
IL-3 
a 
GM-CSF 
IL-3 
a 
GM-CSF 
IL-3 
a 
IL-3 
a 
Pró-eritroblasto Megacariócito Monoblasto Mieloblasto Mieloblasto basofílico 
Mieloblasto eosinosofílico 
EPO TPO GM-CSF 
M-CSF GM-CSF G-CSF GM-CSF IL-5 
IL-3 
IL-4 
a 
Hemácia Plaquetas Monócito Neutrófilo Eosinófilo Basófilo Linfócito B Linfócito T 
Linfoblasto T Linfoblasto B 
Antígeno
-Dirigida 
Células Pré B 
IL-5 
IL-6 
a 
IL-1 
IL-2 
IL-4 
IL-2 
IL-4 
a 
Pró-Timócito 
Célula-tronco 
Mieloide 
BFU-E 
Célula 
 tronco 
pluripotente 
Célula- Tronco 
 Linfoide 
‘CFU-GM a 
Fonte: http://www.medicinanet.com.br/m/conteudos/acp-medicine/7607/abordagem_aos_pacientes_com_disturbios_
hematologicos_benignos.htm. Acesso em: 22/01/2020
A Tabela 1 mostra a nomenclatura dos precursores hematopoiéticos e fatores 
estimuladores. 
Tabela 1. Precursores hematopoiéticos e fatores estimuladores.
CFU-S Célula pluripotente. Chamada de colony forming unit. Por ter sido descrita no baço, recebeu a denominação S (spleen).
CFU-GEMM 
(CFU-C)
Unidade ou célula formadora de precursores das linhagens granulocítica, eritroblástica, monocitária e megacariocitária.
CFU-GM Unidade ou célula formadora de colônias de neutrófilos e monócitos
CFU-Eos Unidade ou célula formadora de colônias de eosinófilos
CFU-Bas Unidade ou célula formadora de colônias de basófilos. Admite-se que delas se originam os mastócitos (? ).
CFU-Meg Unidade ou célula formadora de colônias de megacariócitos (e plaquetas)
BFU-E Fator estimulador de progenitores eritroblásticos
CFU-E Unidade ou célula formadora de eritroblastos
EPO-(Ep) Eritropoetina. Estimula a diferenciação dos progenitores eritroblásticos
GM-CSF Fator estimulador de colônias granulocíticas (G) e monocitárias (M)
G-CSF Fator estimulador de colônias granulocíticas
M-CSF Fator estimulador de colônias monocitárias
 
Fonte: Atlas de Hematologia Clínica Hematológica. Lorenzi, F. T. Ed. Guanabara Koogan- Rio de Janeiro, p. 5, 2006.
http://www.medicinanet.com.br/m/conteudos/acp-medicine/7607/abordagem_aos_pacientes_com_disturbios_hematologicos_benignos.htm
http://www.medicinanet.com.br/m/conteudos/acp-medicine/7607/abordagem_aos_pacientes_com_disturbios_hematologicos_benignos.htm
12
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Ontogenia da série granulomonocítica
Os estímulos para a diferenciação das células pluripotentes são específicos para 
cada linhagem hemopoética. As hemorragias, por exemplo, atuam estimulando a 
eritrocitogênese, assim como a plaquetogênese, no nível da medula óssea. Ambientes 
com baixa pressão de oxigênio levam ao aumento de eritrócitos na circulação, e à 
hiperplasia de eritroblastos, na medula óssea. 
Com relação aos granulócitos, são vários e complexos os mecanismos reguladores da 
produção dessas células na medula, e da sua emissão para a corrente sanguínea. 
Os dados sobre a cinética dizem respeito, quase que exclusivamente, aos granulócitos 
neutrófilos. São essas as células que estão em maior número na medula óssea e no 
sangue, e se prestam aos estudos sobre cinética leucocitária. Alguns desses dados 
são bem definidos, enquanto outros são duvidosos, principalmente pela variedade 
medular encontrada na medula óssea. 
Com finalidade didática, costuma-se dividir as células granulocíticas 
(especialmente, os neutrófilos) em vários compartimentos.
 » Compartimento medular: compreende as células pluripotentes 
indiferenciadas, aquelas que já estão em divisão e diferenciação, e os 
elementos maduros que ficam retidos durante algum tempo, na medula 
óssea. 
 » Compartimento circulante: corresponde às células maduras da 
circulação. A ele pertencem as células circulantes da corrente 
sanguínea e, também, certa quantidade de granulócitos neutrófilos, 
que fica aderida ao endotélio dos vasos, em situação marginalizada.
 » Costuma-se denominar tais células de compartimento de reserva, ou 
marginalizado. Em condições normais, não há necessidade de que essas 
células circulem, porque a medula óssea produz um excesso de elementos 
de defesa. Elas só passam a ser circulantes, quando há solicitação maior. 
 » Compartimento tissular: engloba todas as células granulocíticas, que 
deixaram a circulação e se dirigiram para os tecidos. Os neutrófilos, 
como os demais granulócitos, não têm capacidade de voltar à corrente 
circulatória, depois que atravessam a parede dos capilares. Nos tecidos, 
eles exercem a função de fagocitose, sofrem várias alterações estruturais 
e, depois, morrem, sendo, então, fagocitados por células maiores – os 
macrófagos.13
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
No compartimento medular, acontece a divisão celular, por meio da qual o tecido 
hemopoético se expande. As células que se dividem vão, também, se diferenciando, 
originando outras células, cada vez mais maduras. 
A partir da célula indiferenciada, origina-se a primeira célula, reconhecidamente 
granulocítica – o mieloblasto (Mb). Esta, por sua vez, dá origem ao promielócito (Pmc), 
dando, essa, origem ao mielócito (Mc), do qual derivam o metamielócito (Mm), o 
bastonete (Bt), e o segmentado (Sg).
Na fase de Mb, ocorre uma divisão celular. Em média, o Pmc divide-se três vezes, 
e o Mc uma vez. Com isso, há produção de um excesso de mielócitos.
Entretanto, nesse nível há, também, morte de um número razoável de células, o 
que se denomina granulocitopoese ineficiente, isto é, não há amadurecimento 
posterior de todos os granulócitos, até então formados.
As células medulares parecem trabalhar aquém de sua capacidade total. Quando 
há necessidade de maior número de granulócitos na circulação, o número de 
divisões celulares, nessas fases, pode aumentar. Outro fato que deve ocorrer, 
quando a demanda aumenta na periferia, é a redução granulocitopoese ineficiente. 
A partir dos Mm, não ocorre mais divisão celular. Essas células pertencem ao 
que se denomina compartimento pós-mitótico. 
Denominam-se fatores estimuladores e inibidores da granulocitopoese aqueles 
que estimulam, ou inibem a expansão normal do parênquima hemoformador, 
bem como a maturação ou diferenciação deste. 
Esses fatores atuam em pontos diferentes do processo proliferativo-maturativo 
dos granulócitos. Genericamente, são chamados de granulocitopoetinas. Quando 
há solicitação, para maior afluxo de granulócitos na periferia, a cinética normal 
se altera, ocorrendo o descrito a seguir. 
 » Maior afluxo de células pluripotentes para a granulocitopoese.
 » Aumento do número de mitoses, nesse compartimento. Parece que 
há diminuição da granulocitopoese ineficiente, com a morte de menor 
número de mielócitos. 
 » Diminuição do tempo de trânsito das células, no compartimento pós-
mitótico. Os metamielócitos, células que não mais se dividem, são 
lançados precocemente na circulação. 
14
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Alguns experimentos têm mostrado que os metamielócitos, em alguns casos de 
inflamação induzida, podem aumentar o seu teor de DNA e de RNA. Isso sugere que, 
talvez, essas células sejam possíveis de readquirir a capacidade de divisão, como 
resposta à maior solicitação.
Fatores estimuladores da granulocitopoese
Sempre houve interesse, pelos pesquisadores, em se definir uma 
granulocitopoetina, isto é, um fator que atuasse sobre a granulocitopoese, de 
forma análoga à eritropoetina, que estimula a eritropoese medular. 
O termo CSF ou CSA (colony-stimulating factor e colony-stimulating-activity) 
foi bastante usado, para definir a ação dessa substância, até então quimicamente 
mal definida. Existe uma vasta literatura nesse campo de estudos, que se baseiam 
na técnica de cultura de células medulares. 
Os fatores estimuladores da granulocitopoese atuam em harmonia com outras 
substâncias de ação oposta – os fatores inibidores. A ação dessas poetinas se faz 
por via humoral, pela corrente sanguínea, ou numa relação de célula a célula. O 
estímulo à proliferação de granulócitos tem origem nas células mononucleadas do 
sangue – linfócitos e monócitos. Os linfócitos e os monócitos produzem fatores 
estimuladores de crescimento de colônias dessas células in vitro. Por isso, são 
utilizados como fontes de produção do chamado meio condicionador, para a 
produção de colônias granulocíticas em culturas. Os fatores produzidos, por tais 
células, recebem o nome genérico de linfocinas e monocinas de efeito estimulante 
da granulocitopoese. Outro termo usado, para definir o fator que estimula o 
crescimento das colônias mistas, aquelas que são formadas por granulócitos, 
eritroblastos, monócitos e megacariócitos (CFU-GEMM), é a pluripoetina.
Observou-se que a pluripoetina, ou GM-CSF, mantém-se por mais tempo à 
proliferação das colônias. Outra ação dessa linfocina é a de estimular a quimiotaxia 
dos neutrófilos, bem como a diferenciação das células jovens, em direção a 
neutrófilos maduros. 
Existem outros fatores reguladores de linhagens específicas, que recebem as 
seguintes denominações: 
 » M-CSF-1: estimula o crescimento de colônias de monócitos.
 » GM-CSF: estimula o crescimento de colônias de neutrófilos. 
 » Eos-CSF: estimula o crescimento de colônias de eosinófilos. 
 » Bas-CSF: estimula o crescimento de colônias de basófilos e mastócitos.
15
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
A ação dos fatores de crescimento (CSFs) e das interleucinas (ILs) não se faz 
isoladamente. Ao contrário, há superposição desses vários fatores, alguns 
atuando preferentemente sobre precursores menos diferenciados, enquanto 
outros atuam em precursores mais maduros. 
Alguns pesquisadores agrupam tais fatores em: (1) aqueles que atuam nas 
fases iniciais de diferenciação (por exemplo, SF, G-CSF, IL-6, IL-11, IL-12); 
(2) aqueles que atuam nas fases intermediárias de diferenciação (por exemplo, 
IL-3, IL-4, GM-CSF); (3) aqueles que atuam nas fases finais de diferenciação 
(por exemplo, M-CSF, G-CSF, EPO). 
Os estágios da maturação granulocítica, morfologicamente reconhecíveis em um 
esfregaço corado de medula óssea, foram definidos, conforme a seguir.
 » Mieloblasto: é o membro identificável mais precocemente da série 
granulocítica. Tem um núcleo grande redondo, contendo cromatina fina 
pontilhada, e um ou mais nucléolos. Seu citoplasma é azul, e não tem 
grânulos (Figura 2 a). 
 » Promielócito: a cromatina nuclear está começando a condensar, mas 
ainda se veem os nucléolos. O citoplasma ainda é azul, no entanto, 
grânulos primários, que se coram, como grânulos azurófilos, estão 
presentes agora (Figura 2 b). 
 » Mielócito: o núcleo ainda é redondo, mas os nucléolos não estão mais 
visíveis, e a cromatina está mais condensada. A cor azul do citoplasma 
da célula imatura está dando lugar à cor rosa amarelada da célula 
madura. Os grânulos azurófilos podem ser ainda visíveis, mas são menos 
proeminentes. Grânulos secundários, isso é, grânulos finos neutrofílicos, 
também estão presentes (Figura 2 c). 
 » Metamielócito: o núcleo se tornou denteado, e sua cromatina está 
bem condensada. O citoplasma é uniformemente rosa-amarelado, e 
preenchido com grânulos secundários. Embora ainda presentes, os 
grânulos primários não são mais visíveis (Figura 2 d). 
 » Bastonete: o núcleo se tornou tão denteado, que assumiu a forma 
crescente. Com a maturação posterior, aparecem constrições no núcleo 
(Figura 2 e). 
16
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
 » Granulócito segmentado: é o granulócito maduro. As constrições do 
núcleo do bastonete estreitaram-se em finos filamentos de cromatina, 
que separam o núcleo de dois a quatro lobos (Figura 2 f). 
Figura 2. Estágios da maturação granulocítica 
a) mieloblasto; b) promielócito; c) mielócito; d) metamielócito; e) bastonete; f) granulócito segmentado.
 
 
a b c
d e f
Fonte: https://docplayer.com.br/6380266-Alteracoes-leucocitarias-nas-doencas.html. Acesso em: 23/01/2020.
Diferenciação e maturação neutrófila
A Figura 3 mostra os estágios de maturação da linhagem neutrofílica.
Mieloblasto → promielócito neutrófilo → mielócito neutrófilo → metamielócito 
neutrófilo → bastão neutrófilo → segmentado neutrófilo.
Figura 3. Estágios de maturação da linhagem neutrofílica. 
 
 
MIELOBLASTO PROMIELÓCITO MIELÓCITO METAMIELÓCITO BASTONETE SEGMENTADOS 
 Fonte: https://www.biomedicinapadrao.com.br/2014/03/como-identificar-metamielocitos-na.html. Acesso em: 23/01/2020
A Figura 4 mostra a análise dos estágios de maturação da linhagem neutrofílica, por 
citometria de fluxo. As linhagens de mieloblasto, promielócito e mielócito são positivas 
para os marcadores de receptores de superfície celular (CD3+).As linhagens de 
metamielócitos, neutrófilos em bastão e maduros, são positivas para (CD3+ e CD11b+). 
https://docplayer.com.br/6380266-Alteracoes-leucocitarias-nas-doencas.html
https://www.biomedicinapadrao.com.br/2014/03/como-identificar-metamielocitos-na.html
17
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 4. Estágios de maturação da linhagem neutrofílica: Mieloblasto (verde claro, CD34+); Promielócito (rosa); 
Mielócito e Metamielócitos (verde)) Neutrófilos em bastão e maduros (amarelo).
 
 
Legenda: 
Verde Claro – Estadio I – Mieoloblastos CD34+; 
Rosa – Estadio II – Promielócitos 
Verde – Estadio III – Mielócitos e Metamielócitos; 
Amarelo – Estadio IV – Bandas e Neutrófilos 
Fonte: https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16406/1/tese%20Mestrado%20-%20Estela.pdf. Acesso em: 
23/01/2020
A Figura 5 mostra as populações celulares, correspondentes ao gráfico 
anterior (Figura 4), e estão representadas em marcadores proeminentes 
nestas populações da linhagem neutrofílica. 
https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16406/1/tese%20Mestrado%20-%20Estela.pdf
18
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Figura 5. Marcadores celulares de expressão, presentes nas populações da linhagem neutrofílica. Porcentagem 
do conteúdo de DNA das populações celulares, que estão em fase de maturação (processo de divisão celular), 
representadas nos histogramas: (I) mieloblastos; (II) promielócitos; (III) mielócitos; (IV) Metamielócitos Bastão; (V) 
neutrófilos.
Fonte: http://www.sbpc.org.br/upload/congressos/2_Aplicacoes_da_citometria_de_fluxo_no_diagnostico_onco-hematologico.
pdf. Acesso em: 23/01/2020
Diferenciação e maturação eosinófila
Mieloblasto → promielócito eosinófilo → mielócito eosinófilo → metamielócito 
eosinófilo → bastonete eosinófilo → segmentado eosinófilo (Figura 6). 
Figura 6. Estágios de maturação da linhagem eosinofílica.
 
 
MIELÓCITO METAMIELÓCITO BASTONETE SEGMENTADOS 
EOSINÓFILO EOSINÓFILO EOSINÓFILO EOSINÓFILOS 
 
Fonte: https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/mielopoiese.html. Acesso em: 23/01/2020
Diferenciação e maturação basófila
Mieloblasto → promielócito basófilo → mielócito basófilo → metamielócito basófilo → 
bastonete basófilo → segmentado basófilo (Figura7).
http://www.sbpc.org.br/upload/congressos/2_Aplicacoes_da_citometria_de_fluxo_no_diagnostico_onco-hematologico.pdf
http://www.sbpc.org.br/upload/congressos/2_Aplicacoes_da_citometria_de_fluxo_no_diagnostico_onco-hematologico.pdf
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/mielopoiese.html
19
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 7. Estágios de maturação da linhagem basofílica.
 
 
 MIELÓCITO METAMIELÓCITO BASTONETE SEGMENTADO 
BASÓFILO BASÓFILO BASÓFILO BASÓFILO 
 
Fonte: https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/mielopoiese. Acesso em: 23/01/2020
Diferenciação e maturação monocítica
Monoblasto → promonócito → monócito (Figura 8).
Figura 8. Estágios de maturação da linhagem monocítica.
 
 
MONOBLASTO PROMONÓCITO MONÓCITO 
 
Fonte: https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/linfopoiese-e-monopoiese.html. Acesso em: 23/01/2020
Abbas AK, Lichtman A.
H, Pober JS. Imunologia celular e molecular. 4 ed., Rio de Janeiro, 
Revinter, 2003.
Amarante-Mendes GP, Green DR. The regulation of apoptotic cells 
death . Braz. J. Med. Biol. Res. 1999; 32:1.053-61.
Bagby Jr. GC, Heinrich MC. Growth factors, cytokines and the control of 
hematopoiesis . In : Hoffman R. et al . (eds.). Hematolgy: basic principles 
and practice. 3 ed., New York: Churcill Livingstone, 2000: 154-244.
Borregaard N. The human neutrophil: function and dysfunction . Eur. J. 
Hematl. 1988; 41:401-13.
Cline MJ. The white cell . Cambridge (Mass). Harvard University Press, 
1975.
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/mielopoiese
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/linfopoiese-e-monopoiese.html
20
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Daniel PT. Dissecting the pathways to death . Leukemia, 2000; 14:2.035-
44.
Hayhoe FGJ. Quaglino D. Haematological cytochemistry. Edinburgh: Churchill 
Livingstone, 1980.
http://www.biomedcentral.com.
http://www.springeropen.com.
http://www.chemistrycentral.com.
http://www.angelfire.com/journal/imuno/imuno8.htm.
http://www.nupeb.ufop.br/lip/pdf/imunidadeinata.pdf.
http://www.ciencianews.com.br/revistavirtual/artapfadel.pdf.
http://www.slideshare.net.
http://www.jcheminf.com.
Ontogenia da série linfocítica – Linfocitogênese 
Os linfócitos e os plasmócitos se originam de células indiferenciadas da medula 
óssea, passando por poucas fases intermediárias, até a célula madura. São 
encontrados em número apreciável, no sangue periférico, sendo mais raros nos 
esfregaços de medula óssea. Constituem mais de 90% das células nos linfonodos 
do baço, e de outros órgãos linfoides, como as tonsilas. São reconhecidos os 
seguintes tipos de células linfoides:
Estágios de maturação linfocítica
 » Linfoblasto: é a forma mais jovem, contendo nucléolos mais ou menos 
marcados. Apresenta tamanho de 15 a 20µ, núcleo redondo, com 
cromatina frouxa, com algumas condensações, e que ocupa toda a célula. 
O citoplasma é escasso, levemente basófilo, não há granulações, ou estão 
em pequeno número e dispostas em áreas localizadas. 
 » Prólinfocito: costuma ser pouco maior do que o linfócito maduro 
circulante, com 10 a 15µ de diâmetro. A estrutura cromatínica 
não é tão frouxa como a do linfoblasto, levemente basófilo, e pode 
ter granulações. Essa célula também tende a adquirir formas 
21
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
diferentes, especialmente, nos casos de resposta linfocitária a 
agentes infecciosos virais. Nesses casos, aparecem linfócitos 
atípicos, isto é, células linfoides grandes, devido ao aumento do 
volume citoplasmático. Outras vezes, há células com citoplasma 
muito basófilo e com microvacuolizações. São denominadas, às 
vezes, linfócitos plasmocitoides, ou células linfoplasmocitárias. 
Nesses casos, algumas células têm núcleos frouxos e com nucléolos, 
enquanto outras mantêm os núcleos, com cromatina condensada.
 » Linfócito maduro: possui de 7 a 10µ de diâmetro. O núcleo é muito 
grande, em relação ao tamanho das células (relação N/C grande). 
A cromatina nuclear é disposta em porções, classicamente 
descrita como semelhantes a côdeas de pão. Não são observados 
nucléolos, nem granulações citoplasmáticas, na maioria das 
células. Para se ter boa noção da morfologia celular, é preciso 
que os esfregaços tenham sido corados com cuidado, porque os 
linfócitos supercorados ficam extremamente retraídos. Assim, 
as células blásticas, como linfoblastos leucêmicos, podem passar 
despercebidas, ou não reconhecidas, ao exame de sangue.
A Figura 9 mostra os estágios de maturação dos linfócitos (linfocitopoese).
Figura 9. Estágios de maturação dos linfócitos.
 
 
LINFOBLASTO PROLINFÓCITO LINFÓCITO MÉDIO LINFÓCITO PEQUENO PLASMÓCITO 
 
Fonte: https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/linfopoiese-e-monopoiese.html. Acesso em: 23/01/2020
Linfócitos atípicos
São células que se distinguem dos pequenos, ou médios, linfócitos comuns normais 
circulantes, por aumento de tamanho, variação na forma, contorno nuclear, relação 
núcleo-citoplasma, basofilia citoplasmática, e textura cromatínica. São células, 
geralmente, em estado proliferativo, com aumento na síntese de DNA e RNA. 
Estão presentes em bom número de condições associadas a estímulos antigênicos, 
como em certas infecções, imunizações, reações a drogas, rejeição a transplantes 
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/linfopoiese-e-monopoiese.html
22
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
e doenças autoimunes. Estima-se que mais de 10%dos linfócitos, associados a 
essas condições, estejam em fase S, do ciclo celular, e tenham como denominador 
comum a ativação por estímulos antigênicos. Foram descritos, inicialmente, por 
Turk, em 1907, e têm sido bastante associados à mononucleose infecciosa. 
As alterações morfológicas dos linfócitos podem estar associadas a estados 
neoplásicos malignos, ou reacionais benignos. Nos primeiros, são denominadas 
células atípicas anômalas. Quando associadas a estados reacionais benignos, 
são mais comumente denominadas virócitos (atipias reacionais). Desse modo, 
ao serem notados no hemograma, devem ter suas características morfológicas 
descritas minuciosamente. 
Subdivisão prática dos linfócitos atípicos
 » Linfócitos atípicos reacionais ou viróticos: são linfócitos ativados por 
estímulos antigênicos, presentes em grande variedade de processos 
benignos de natureza policlonal, cuja proliferação e diferenciação 
ocorrem de modo controlado. Em geral, desaparecem após a fase 
aguda do processo infeccioso. Caracterizam-se, morfologicamente, pelo 
aumento de seu volume, cromatina nuclear de padrão mais heterogêneo, 
citoplasma mais volumoso e bem basofílico. Em alguns estados benignos, 
como na mononucleose infecciosa, seu padrão cromatínico pode ser de 
aspecto imaturo e, por vezes, com nucléolos, entretanto, ainda distinto 
dos linfoblastos neoplásicos das leucemias agudas. 
 » Linfócitos atípicos anômalos: são de natureza clonal e neoplásica. Estão 
presentes no sangue periférico, de pacientes com linfomas, em fase 
circulante e/ou leucemias crônicas. Caracterizam-se, morfologicamente, 
pela presença de nucléolos e/ou cromatina de padrão imaturo e/ou 
vilosidades citoplasmáticas e/ou morfologia plasmocitoide.
A Figura 10 mostra linfócitos atípicos, de paciente com mononucleose infecciosa. 
Coloração May-Grunwald. 
23
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 10. Linfócitos atípicos, de paciente com mononucleose infecciosa.
Fonte: Anemias e Leucemias – conceitos básicos e diagnóstico por técnicas laboratoriais. Oliveira, R.A.G; Neto A.P. Roca. 
2004.
Os linfócitos são células quase que desprovidas de granulações citoplasmáticas e, 
por isso, recebem o nome de agranulócitos. As células maduras são encontradas 
no sangue circulante, em porcentagem que varia em condições fisiológicas (idade, 
sexo) ou patológicas (estímulo antigênico, proliferações benignas e malignas). 
Essas células são mais numerosas, nos chamados órgãos linfoides primários e 
secundários. 
 » Órgãos linfoides primários: são a medula óssea e o timo. Nesses 
locais, ocorre a linfocitopoese, isso é, as células hemopoéticas 
pluripotentes encontram condições próprias, para fixação e 
proliferação. As aves possuem órgão linfoide primário – Bursa 
de Fabricius – que não existe no homem. Neste, é a medula que 
desempenha o papel de produção de linfócitos, além do timo. 
Enquanto os linfócitos B amadurecem completamente na medula 
óssea, os linfócitos T devem migrar para o timo, onde completam 
seu desenvolvimento. Nos órgãos linfoides primários, há 
produção constante de células linfoides, que servem para suprir 
as necessidades dos órgãos linfoides secundários. 
 » Órgãos linfoides secundários: são representados pelos gânglios 
linfáticos, ou linfonodos, pelo baço, e por outros agrupamentos 
linfoides (placas de Peyer, amígdalas). Ao nascimento, esses 
órgãos linfoides secundários são pouco desenvolvidos. À medida 
que o organismo entra em contato com antígenos diversos, ocorre 
resposta, ou reação, desses órgãos linfoides. Pode-se, então, 
24
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
observar a hipertrofia de formações, denominadas folículos 
linfoides.
A linfocitogênese apresenta uma dicotomia. As células que se formam, no 
timo, passam à circulação, e vão se fixar em locais preferenciais dos órgãos 
linfoides secundários (zona paracortical dos linfonodos e polpa branca do 
baço). As células derivadas da medula óssea (ou estruturas Bursa-símile) vão 
povoar e manter a população dos folículos linfoides dos gânglios linfáticos e 
do baço, assim como a porção medular dos gânglios. 
Os linfócitos, presentes nessas diversas regiões, são morfologicamente 
semelhantes, mas diferem funcionalmente. Os linfócitos, que se desenvolvem 
no timo, são denominados timo-dependentes, ou linfócitos T. Os linfócitos, 
originados na bursa de Fabricius, ou órgãos bursa-símile, são chamados de 
linfócitos bursa-dependentes, ou linfócitos B. 
Os linfócitos T estão encarregados das funções de imunidade celular , 
enquanto os linfócitos B se encarregam da imunidade humoral , ou seja, 
a produção de anticorpos. 
As células medulares pluripotentes (stem-cells, células tronco ou células CD34+) são 
capazes de originar células precursoras linfoides, que podem seguir a diferenciação 
para as linhagens T ou B. 
A diferenciação dos precursores linfoides T, que se faz no timo, segue o sentido 
da cortical, para a medular do órgão, iniciando-se já por volta da sétima semana 
de gestação. Essa diferenciação envolve mecanismo complexo de rearranjos 
genéticos, de forma a aparecerem, na membrana celular, receptores específicos de 
células T, denominados TCR (Tcell receptors). Esses receptores têm capacidade 
de reconhecer pontos específicos de antígenos, que invadem nosso organismo, 
como bactérias, macromoléculas etc., denominados determinantes antigênicos 
ou epítopos. Os genes, que codificam tais receptores, sofrem rearranjos durante 
a diferenciação celular dos segmentos V, D e J (variable, diversity and joining), 
a fim de ser obtida grande diversidade de receptores. Os primeiros TCR 
identificados foram os chamados heterodímeros, tipos alfa e beta TCRα e TCRβ, 
expressos pela maioria das células maduras. 
Os TCR, que aparecem nas células em diferenciação, são os heterodímeros 
gama e delta, TCRɣ e TCRδ. Tais receptores devem reconhecer como próprios, 
ou self, os antígenos do complexo maior de histocompatibilidade (MHC). Os 
clones celulares, que não são reconhecidos, devem ser eliminados.
25
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Os TCR ɣ e δ sofrem rearranjos precoces nas células, que já apresentam o antígeno de 
diferenciação CD7, considerado o primeiro antígeno marcador da linhagem linfocitária. 
Como consequência da grande variação de TCR das células T, ocorre a produção de 
grande diversidade de anticorpos, produzidos pelos linfócitos B. 
Os linfócitos T são encarregados da imunidade celular e, como primeira resposta à 
presença de um antígeno, são capazes de se multiplicar. É uma resposta imune inicial 
ou primária. Os linfócitos, que responderam ao antígeno inicial, são capazes de 
reconhecê-lo, toda vez que ocorrer nova exposição. A cada antígeno, corresponde um 
clone linfocitário capaz de distingui-lo, havendo, portanto, um número muito grande 
de especificidades desses clones. 
Denomina-se reação secundária aquela que ocorre depois da primeira reação. 
Um maior número de linfócitos é estimulado, expandindo-se mais o clone 
específico. Muitos desses linfócitos estimulados morrem por apoptose, mas outros 
permanecem vivos, após a reação, caracterizando os linfócitos de memória. Tanto 
os linfócitos T, quanto os linfócitos B, podem reconhecer antígenos, entretanto, 
apenas estes últimos fabricam anticorpos. 
A resposta imune acompanha-se de alterações morfológicas, nos linfócitos T e B, 
e podem ser visualizadas nas preparações coradas, por corantes panópticos. As 
células aumentam de tamanho, o núcleo se torna volumoso, exibindo nucléolo, e o 
citoplasma se torna mais basófilo, azulado. Há transformação do aspecto maduro 
em imaturo, formando-se linfoblastos de tipo T ou B. 
Os linfócitos B transformam-se em plasmoblastos, que dão origem aos 
plasmócitos. Essa linhagem é produtora de imunoglobulinas de vários tipos. 
Uma porcentagem dos linfócitos B volta ao aspecto anterior, tornando-se 
células de memória, enquanto outros caminham para a apoptose. 
Os linfócitos T estimulados, também se expandem,e se transformam em linfoblastos 
T, que, posteriormente, transformam-se em células efetoras. Estas são de dois 
tipos: 1 – células produtoras de citocinas, que atuam sobre os linfócitos T e B e 
sobre macrófagos; e 2 – células (linfócitos) citolíticas ou citotóxicas, capazes de 
lisar as células infectadas, por vários antígenos. 
Alguns linfócitos T são especializados em matar, diretamente, células infectadas por 
vírus, ou células tumorais. São chamados linfócitos T natural killers ou NK.
A resposta imune é muito mais complexa, envolvendo a participação de outras 
células, denominadas acessórias. Estas são os monócitos/macrófagos, e as 
células dendríticas. 
26
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Glóbulos brancos e suas funções 
O sistema imune é um complexo e dinâmico sistema orgânico, que promove a 
defesa contra infecções por bactérias, vírus (ou células por ele infectadas), fungos, 
protozoários e outros parasitas, bem como contra células neoplásicas e tumores, ou a 
rejeição às células, aos tecidos, ou aos órgãos transplantados, que sejam incompatíveis, 
independentemente das consequências fisiopatológicas dessa resposta desencadeada. 
Às estruturas capazes de desencadear resposta imune, dá-se o nome 
de antígeno (partícula estranha). O determinante antigênico (epítopo) 
corresponde à parte específica do antígeno, responsável pela resposta imune. 
Após o reconhecimento de um agente estranho, o sistema imune promove, o 
mais rápido possível, sua destruição, evitando a ação e disseminação desse 
agente.
Os leucócitos (glóbulos brancos) são as principais células do sistema imune. 
São os responsáveis pela eliminação dos agentes infecciosos, pela inativação 
das partículas estranhas, e pelo reconhecimento e ataque a células neoplásicas, 
células infectadas por vírus, ou transplantes incompatíveis. Dependendo do 
agente infeccioso, um determinado tipo de leucócito será mais importante do 
que o outro, na resposta imune. 
No combate a helmintos, por exemplo, por serem células capazes de lançar 
seu poderoso conteúdo lítico bem próximo do verme (envolto por IgE), os 
eosinófilos são mais importantes do que os macrófagos, que só conseguem 
destruir partículas que possam ser englobadas, o que seria inviável, em razão 
do grande tamanho do parasita. 
Por outro lado, parasitas intracelulares obrigatórios, como os vírus, devem ser 
combatidos, por meio da destruição da célula hospedeira. Nesse caso, a citotoxicidade 
celular, medida por linfócitos T auxiliares, e efetivada por linfócitos T citotóxicos, é 
mais importante. As bactérias, em geral, que possuem trânsito extracelular, são 
combatidas por fagócitos (destroem a bactéria no interior do fagolisossoma), e pelos 
anticorpos produzidos por plasmócitos (células B diferenciadas), para promover prévia 
opsonização (interação das imunoglobulinas à membrana do antígeno, o que facilita o 
reconhecimento e a fagocitose pelos neutrófilos e monócitos – macrófagos). 
Desse modo, a análise do leucograma deve relacionar, qual o tipo de leucócito 
é mais eficiente para eliminar um determinado agente agressor. Assim, fica 
fácil o entendimento de uma eosinofilia, diante de uma parasitose, uma 
27
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
linfocitose, perante uma virose é uma neutrofilia, para infecções bacterianas 
agudas, como apendicite, pneumonia etc. 
Funções e características normais dos neutrófilos, 
eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos
Os leucócitos do sangue (glóbulos brancos), normalmente, consistem em granulócitos, 
linfócitos e monócitos. Eles são reconhecidos, em um esfregaço de sangue periférico, 
corado pelo Wright, pelas seguintes características morfológicas.
Os granulócitos têm um único núcleo, segmentado com cromatina densa e 
apertada. O citoplasma contém grânulos, que são finos, de um amarelo róseo 
no granulócito neutrofílico (neutrófilo), grandes, e cor laranja brilhante, no 
granulócito eosinofílico (eosinófilo), e grandes, de cor preta purpúrea, no 
granulócito basofílico (basófilo). Como a maior parte dos granulócitos são 
granulócitos neutrofílicos, frequentemente, usa-se o termo “granulócito”, 
como sinônimo de neutrófilo, e os termos “eosinófilo” e “basófilo”, para outros 
granulócitos. 
A maior parte dos linfócitos são células pequenas quiescentes, com um núcleo 
redondo, que contém uma cromatina parcialmente condensada, que parece 
“manchada”, e quantidades limitadas de citoplasma, que se cora em azul 
claro. Alguns linfócitos maiores têm núcleo de forma irregular, ou denteada, 
e quantidade aumentada de citoplasma, contendo áreas que se coram em azul 
mais profundo. Estes são os linfócitos estimulados circulantes, geralmente, 
linfócitos T ativados. Um linfócito grande, visto com menor frequência, e com 
citoplasma azul claro e grânulos azurófilos proeminentes (grande linfócito 
granular), é uma célula assassina natural “natural killer”.
Monócitos são células grandes, com núcleo oval, denteado ou “pregueado”, 
possuindo uma cromatina rendilhada ou marginal, e com citoplasma azul 
acinzentado, carregado, contendo grânulos azurófilos finos.
No adulto normal, de 50 a 75% dos leucócitos circulantes são neutrófilos, de 20 a 45% 
são linfócitos, e os restantes, de 5 a 10%, são monócitos e eosinófilos. Os basófilos são 
infrequentes. Os granulócitos e monócitos fluem em apenas uma direção. As novas 
células são produzidas na medula óssea, e liberadas no sangue circulante, depois de 
um breve estágio no sangue, passam para os tecidos. Uma vez nos tecidos, eles não 
voltam mais para o sangue. Os linfócitos, ao contrário, particularmente os linfócitos T, 
constantemente se movem para dentro e para fora do sangue circulante e dos tecidos 
linfoides periféricos. 
28
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Os granulócitos são necessários para fagocitar e matar muitos tipos de micro-
organismos, e para a reação tecidual inflamatória associada. Os linfócitos 
são necessários às respostas imunes humorais e celulares do organismo a 
antígenos, isto é, substâncias que não são reconhecidas como próprias “self”. 
Os monócitos participam da fagocitose e destruição de certos tipos de micro-
organismos, e nas respostas imunes.
Granulócitos neutrófilos 
São as células mais numerosas, no sangue circulante dos adultos normais (45% a 70%), 
em que predomina a forma de segmentado neutrófilo. Possuem função prioritária de 
fagocitar bactérias. Na criança pequena, predominam os linfócitos maduros, pois está 
ocorrendo o desenvolvimento da defesa imunológica (reconhecimento de antígenos). 
Há grandes variações quantitativas dos neutrófilos, de acordo com a idade, 
principalmente, nos primeiros anos de vida. Ao nascimento, observa-se predomínio 
de polimorfonucleares. No final da primeira semana de vida, há um equilíbrio 
entre estes e os linfócitos. A partir de então, há um gradual aumento do número de 
linfócitos, ao longo dos primeiros quatro anos de vida. Por volta dos oito anos de 
idade, os neutrófilos voltam a predominar. Aos 15, atingem valores semelhantes 
aos dos adultos. 
Os neutrófilos são formados, a partir da maturação mieloide (mieloblastos → 
promielócitos → mielócitos), passam pelo compartimento de reserva neutrofílico 
medular (composto por metamielócitos, bastonetes e segmentados), onde podem 
ficar por um tempo variável, até que haja um estímulo que provoque sua saída 
para o sangue circulante, causando aumento dos leucócitos (leucocitose) à custa 
do aumento de neutrófilos (neutrofilia). No sangue periférico, 50% dos neutrófilos 
ficam sob marginação (aderidos ao endotélio vascular), e apenas 50% é que 
realmente circulam. Os neutrófilos marginados devem voltar a circular, ou sofrer 
diapedese (quando saem do vaso para os tecidos). 
O aumento dos neutrófilos, acima de 7.400 células / mm3 (neutrofilia), 
com ou sem presença de formas imaturas, como bastonetes (mais de 
4%), metamielócitos, mielócitos ou promielócitos, em sangue periférico, 
o chamado desvio à esquerda, ou a diminuiçãodessas células do sangue 
periférico, deve-se a três mecanismos básicos: 
 » Produção medular ou necessidade da liberação do pool de reserva 
medular neutrofílico (segmentados, bastonetes é metamielócitos), ou até 
mielócitos é promielócitos (pool mitótico).
29
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
 » Alteração da relação entre células circulantes (pool de circulação) e 
células aderidas ao endotélio vascular (pool marginal).
 » Quantidade de neutrófilos que saem do sangue para os tecidos (diapedese), 
para combater infecções.
A capacidade maturativa (produção) de saída para o sangue depende do 
número de precursores na medula óssea, e da ótima modulação por citocinas 
e fatores estimuladores de crescimento de granulócitos (IL-1, C-CSF é GM-
CSF).
Normalmente, as células mais imaturas ficam aderidas à matriz extracelular 
da medula óssea, mantendo uma hierarquia na liberação dos neutrófilos mais 
maduros, para o sangue. Dessa forma, indivíduos normais não apresentam 
formas além de segmentados ou, no máximo, alguns raros bastonetes no sangue 
e, em processos reacionais (benignos) mais agudos, mesmo que possa haver 
desvio à esquerda, essa hierarquia é mantida (desvio à esquerda escalonado), 
ou seja, o número de segmentados é maior do que o de bastonetes, que é maior 
do que o de metamielócitos, e assim por diante. Em suma, a produção medular 
é o trânsito neutrofílico da medula óssea para o sangue, e deste para os tecidos 
determinam a quantidade de tais células mensuradas no leucograma. 
Conteúdo dos neutrófilos
Grânulos primários (inespecíficos – azurófilos) – 0,2 a 1 µm de diâmetro:
 » Mieloperoxidase: potencializa a ação do HOCI na lise bacteriana.
 » Lisozima: hidrolisa membranas mucopeptídicas microbianas.
 » Colagenase não específica e proteínas básicas antimicrobianas.
 » Hidrolases e fosfatases ácidas: digestão microbicida nos fagossomas.
 » Proteases neutras: destruição de proteínas microbicidas.
 » Proteína catiônica bactericida: altera a permeabilidade da membrana 
microbiana.
Grânulos secundários (específicos-neutrofílicos) – 0,1 a 0,3 µm de diâmetro:
 » Lactoferrina: proteína ligante do ferro, que inibe o crescimento 
bacteriano.
30
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
 » Proteínas de ligação à vitamina B12; β-glicerofosfatase.
 » Muramidase: ataque à membrana bacteriana.
 » Colagenase: dissolve membranas tissulares à base de colágeno.
 » Fosfatase alcalina: digestão microbicida.
Membrana plasmática:
 » NADPH oxidase: geração de ânion superóxido.
Citoplasma:
 » Catalase: destrói peróxidos de hidrogênio citoplasmáticos.
 » Superóxido dismutase: converte superóxido em peróxido de 
hidrogênio.
Receptores na superfície de membrana dos neutrófilos: para componentes 
do sistema complemento (C3 é C5a), regiões Fc de IgG, peptídeos inflamatórios e 
citocinas. Por meio de estímulos via receptores, que promovem a adesão dessas 
proteínas e outras moléculas, os neutrófilos desempenham suas funções, o que 
demonstra a importância dos estímulos inflamatórios e/ou do microambiente, para 
que ocorra a resposta neutrofílica. 
Quimioatraentes dos neutrófilos: frações C5a a C3 do complemento; produtos 
metabólicos do ácido araquidônico; leucotrieno B4; linfocinas; secreções de 
mastócitos ativados. Produtos de macrófagos, monócitos e outros neutrófilos; 
lipopolissacarídeos bacterianos.
Fatores que aumentam a adesão dos neutrófilos: leucotrieno B4; tromboxano 
A2; fibronectina; lactoferrina; serotonina; fração C5a.
Fatores que diminuem a adesão dos neutrófilos: prostaciclinas; corticoides; 
agentes antiinflamatórios; anestésicos locais.
Granulócitos eosinófilos
São células de menor poder fagocítico, menor mobilidade, porém, de potente 
ação lítica. Estão presentes no sangue periférico, em valores de 2% a 5%. 
Possuem grânulos secundários mais grosseiros do que os dos neutrófilos, 
e de cor alaranjada (eosinofílica ou acidófila ou oxífila). São distintos da 
31
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
coloração de Romanowsky, a partir da fase promielócitos, sendo mais 
facilmente visualizados de mielócitos em diante.
Acumulam-se em vários tecidos, especialmente, nos pulmões e no intestino. São células 
de limitada capacidade fagocítica, cuja principal função está relacionada à exocitose, de 
seu poderoso conteúdo granular.
Sua produção medular, e seu número na circulação, estão diminuídos pela presença 
de ACTH (adrenocorticoides), como na síndrome de Cushing. Os esteroides também 
inibem sua liberação, da medula para o sangue.
Eosinopenia (diminuição na circulação) acompanha reações bacterianas 
agudas, pela liberação de esteroides, e recrutamento dos eosinófilos para áreas 
inflamatórias. 
Fazem parte da primeira linha de defesa contra parasitas. Possuem grande poder 
de destruição de vermes (metazoários), a partir da aderência de imunoglobulinas 
IgE e IgG, ou fatores ativadores do complemento a esses parasitas. A partir desse 
reconhecimento, os eosinófilos liberam o conteúdo lítico, produzindo lesões na 
membrana parasitária, o que facilita sua entrada, juntamente com neutrófilos e 
macrófagos (invasão ao parasita), que termina com a morte parasitária.
Modulam reações de hipersensibilidade, uma vez que seu conteúdo granular tem 
a capacidade de neutralizar a histamina, e inibir a degranulação de mastócitos. 
Estão ligados a respostas alérgicas, com liberação de histaminas. Participam 
das respostas de hipersensibilidade, envolvendo basófilos e mastócitos. Estão 
sujeitos a variações diurnas, com pico máximo à noite. 
Após a produção medular, e liberação para o sangue circulante, no qual ficam por 
12 horas, os eosinófilos migram para os tecidos da pele, dos pulmões e do trato 
gastrointestinal, onde desempenham suas funções. 
Conteúdo eosinofílico: composto por proteína lítica eosinofílica (proteína básica 
maior): tóxica para parasitas e tecidos do hospedeiro. Corresponde a cerca de 50% 
do conteúdo dos grânulos eosinofílicos. É o mediador de morte para helmintos e 
Trypanosoma cruzi. 
 » Outras moléculas: histaminases (neutralizam ação da histamina); 
enzimas hidrolíticas; proteína catiônica eosinofílica; proteínas 
ligantes de vitamina B12; arilsulfatase B (neutraliza substâncias 
produzidas por mastócitos, mediadora de reações anafiláticas); 
hidrolases ácidas; fosfolipase D (inativa fatores ativadores de 
32
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
plaquetas); substâncias pró-coagulantes (tromboplastina tissular-
like); profibrinolisinas (ação plasminogênio-like); peroxidase 
eosinofílica; fosfatase ácida; ribonucleases e catepsinas.
Receptores de membrana dos eosinófilos: receptores H1 e H2 para 
histaminas; receptores Fc para IgE (reações alérgicas), IgG e IgM. Os receptores 
ɛ (épsilon) para Fc promovem adesão e morte dos protozoários Shistosoma 
mansoni, na presença de IgE. Os receptores ɣ para Fc são diferentes daqueles 
presentes nos neutrófilos, e participam de processos alérgicos. Por meio de 
estímulos via receptores para C4, C3b e C3d, os eosinófilos participam do 
processo fagocítico. 
Granulócitos basófilos e mastócitos
Os basófilos são os menores e mais escassos granulócitos do sangue periférico de 
indivíduos normais. Seus valores de referência são na ordem de 0 a 2%. Os basófilos 
permanecem no sangue, durante algumas horas, apenas; sua duração nos tecidos 
é desconhecida. Os tecidos contêm números abundantes de células, chamadas 
mastócitos, que lembram basófilos, por possuir grânulos que se coram em preto 
azulado, com a coloração de Wright, mas que diferem, por ter um núcleo redondo, 
em vez de segmentado. Embora os basófilos do sangue não sejam os precursores 
dos mastócitos dos tecidos, ambos se originam, aparentemente, de uma célula 
precursora comum da medula.
Os mastócitos dos tecidos evoluíram com células especializadas, no combate à 
invasão tissular de parasitas e fungos. Antígenos desses organismos, frequentemente, 
estimulam a síntese de anticorpos da classe IgE. Os mastócitos dos tecidospossuem 
receptores de membrana da superfície para o fragmento Fc da IgE, e isso fornece um 
mecanismo para concentrar a IgE nos tecidos, e nas superfícies de mastócitos, com os 
sítios de ligação antigênica da imunoglobulina, livres para reagir com antígenos desses 
organismos. Uma consequência dessas reações antígeno-anticorpo é a degranulação 
pelos eosinófilos de proteína básica principal, que pode lesar os organismos invasores. 
Os grânulos dos basófilos e mastócitos são ricos em heparina e histamina. Em pacientes 
alérgicos, outros antígenos (como polens, antígenos de alimentos, por exemplo) 
podem, também, induzir à síntese de moléculas de IgE, que se ligam a basófilos e 
mastócitos dos tecidos, por seu fragmento Fc. A liberação do conteúdo granular, depois 
da combinação do antígeno, com os sítios de ligação antigênica desta IgE ligada, pode 
provocar uma reação de hipersensibilidade imediata (um ataque asmático agudo, 
urticaria generalizada). A degranulação dessas células, em resposta anafilática às 
33
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
toxinas, resulta em resposta hiperimune anafilática, vasodilatação, e broncoconstrição. 
É quimioatraente para eosinófilos (que tem a finalidade de neutralizar a liberação de 
histamina, e inibir mediadores da reação anafilática).
Conteúdo basofílico: as granulações basófilas são grandes, pouco 
numerosas, e tem afinidade por corantes básicos, graças à sua riqueza em 
mucopolissacarídeos ácidos, por isso, a denominação de basófilos. A microscopia 
eletrônica mostra que esses grãos têm um arranjo praticamente cristaloide, e 
se diferenciam em duas formas: maduros e imaturos. As granulações maiores 
são peroxidase-positivas, e não contêm fosfatase ácida. As granulações 
basófilas são metacromáticas. Metacromasia é a prioridade especial, pela 
qual uma estrutura fixa determinado corante, mas exibe cor diferente da cor 
desse corante. Assim, os grãos basófilos coram-se em vermelho, pelo azul-de-
toluidina. Essa propriedade de metacromasia serve como coloração marcadora 
dos basófilos. 
Monócitos e macrófagos
Compõem o sistema monocítico-macrofágico (antigo sistema reticuloendotelial). 
Suas principais funções são a fagocitose, a apresentação de antígenos, e a secreção de 
citocinas. 
São formados na medula óssea, a partir da diferenciação das células bipotenciais 
CFU-GM. Estas, uma vez diferenciadas em CFU-M, transformam-se nos 
precursores monoblásticos, que maturam para promonócitos e monócitos. 
Vão para a circulação e distribuem-se nos diferentes tecidos, por meio da 
diapedese, onde se tornam fixos e ativados, na forma de macrófagos. Macrófagos 
especializados estão presentes em vários tecidos, como medula óssea (célula do 
estroma medular), linfonodos, baço, fígado, timo, membrana dos alvéolos, pele, 
pulmão, cérebro e rim, recebendo denominações próprias, em cada um desses 
órgãos. Nos tecidos, podem permanecer semanas ou meses, e recebem nomes 
específicos, como: células de Kupfer, no fígado; osteoclastos, nos ossos; células 
de Langerhans, na epiderme; macrófago alveolar, no pulmão etc.
Os monócitos constituem de 3 a 10% das células maduras circulantes, no adulto normal. 
Sua função está ligada à fagocitose, similar à dos neutrófilos, porém com capacidade de 
fagocitar partículas maiores. 
Para destruir um determinado agente pela fagocitose, há a necessidade 
de adesão macrófago-agente. Isto ocorre por intermédio de receptores 
34
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
especializados, presentes nos macrófagos. A fagocitose da partícula 
estranha, pelos fagócitos (monócitos-macrófagos e neutrófilos), inicia-se 
pela migração dessas células ao foco de emissão do (s) quimioatraentes 
(s), tais como componentes do sistema complemento, lipopolissacarídeos 
bacterianos, ou substâncias liberadas, a partir da interação entre moléculas 
de adesão de leucócitos e ligantes do tecido lesado. Ao chegar ao local da lesão, 
o reconhecimento do antígeno a ser fagocitado é facilitado pela opsonização 
dessa partícula, por imunoglobulinas ou frações do sistema complemento 
via receptores, para a porção Fc das IgG, e fração C3b do complemento. Após 
formação do fagossoma, ocorre a liberação do conteúdo lítico, e digestão do 
antígeno, o qual é processado e seu determinante antigênico apresentado 
aos linfócitos T auxiliares (CD4+), por meio do MHC classe II. 
Receptores de membrana dos macrófagos: os macrófagos possuem, em sua 
superfície, receptores para moléculas IgG (CD64, CD32 e CD16), para fração C3b do 
complemento, para o CD35, e para fatores estimulantes de linfócitos com IL-2 e IFN-ɣ. 
Alguns monócitos-macrófagos expressam proteínas de classe II, do MHC, as quais são 
importantes, na apresentação dos antígenos para as células T auxiliares (CD4+).
Secreção de citocinas pelos macrófagos: além da fagocitose e apresentação 
de antígenos, os macrófagos também possuem a importante função de secretar 
citocinas (IL-1, IL-3, interferons e TNF-α) e fatores de crescimento (GM-CSF, 
G-CSF, M-CSF). A liberação dessas substâncias produz efeitos na resposta imune, 
na ativação das células de defesa envolvidas no processo inflamatório, e no aumento 
da produção de células fagocíticas (neutrófilos e monócitos), na medula óssea. Eles 
interagem com os linfócitos, por meio da digestão, da degradação, e do transporte de 
partícula invasora para os linfonodos, onde fazem a apresentação do determinante 
antigênico dessa partícula, por meio da ligação a marcadores específicos presentes, 
principalmente, nas células auxiliares (CD4+), mas também nas células T citotóxicas 
(CD8+) e células B. Essa interação é mediada pela liberação de interleucina 1 (IL-1). 
Linfócitos
São células morfologicamente simples, mas com funções bastante complexas. 
Interagem com moléculas e superfícies celulares, determinando se essas 
estruturas fazem (próprias – self), ou não (não próprias – not self), parte 
do organismo hospedeiro e, caso haja necessidade, desencadeiam resposta 
imune de defesa. Em adultos normais, variam de 20 a 50% dos leucócitos, em 
sangue periférico (1.000 a 4.000/mm3).
35
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Quando maduros, podem se especializar na produção de imunoglobulinas (anticorpos), 
na defesa humoral. Por outro lado, podem interagir, diretamente, com a atividade de 
outras células do sistema imune, na resposta imune mediada por células.
Depois de estimuladas (ativadas), as células B se expandem (proliferam), e se 
diferenciam em plasmócitos secretores de imunoglobulinas específicas, para 
determinado antígeno. Esse processo acontece nos tecidos linfoides periféricos 
(secundários), onde as células B são ativadas e transformadas em imunoblastos 
– plasmoblastos (blastogênese), os quais se diferenciam, em células produtoras 
de anticorpos. A ativação das células B pode ser feita, a partir da sinalização 
antigênica, via células T auxiliares ou, mais raramente, pela apresentação do 
antígeno, diretamente, por macrófagos. 
A reposta imune celular ocorre por interação de diferentes tipos de linfócitos, e 
entre linfócitos e outros leucócitos. Tem como principais mediadores as células 
T. As células T auxiliares (CD3+/CD4+/CD8+) são apresentadas ao antígeno pelo 
macrófago e, em seguida, induzem transformação das células B (CD19+ e CD20+), 
em plasmócitos (CD38++), que produzem imunoglobulinas. As células T citotóxicas 
(CD3+/CD4-/CD8+) recebem informação específica (diretamente do macrófago ou via 
células T auxiliares) e são capazes de destruir, diretamente, células infectadas com 
antígenos intracelulares, ou células neoplásicas. As células T supressoras modulam 
negativamente a proliferação de linfócitos na resposta imune.
As células NK assassinas naturais – natural killers – são uma terceira classe 
de linfócitos identificada. Elas divergem das células T, em estágio inicial; não 
necessitam de condicionamento tímico; e diferem, funcionalmente, da célula 
T, porque atacam certos tipos de células-alvo, sem sensibilizaçãoanterior por 
antígeno da célula-alvo. 
Distribuição dos linfócitos – tecido linfoide central e 
tecidos linfoides periféricos 
O tecido linfoide central tem dois componentes: 
 » o timo, onde precursores são processados em células T, imunologicamente 
competentes;
 » a medula óssea, onde os precursores são processados em células B, 
imunologicamente competentes.
36
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Os tecidos linfoides periféricos, que são os locais para os quais as células T e B, 
imunologicamente competentes, são distribuídas, incluem os seguintes componentes:
a. os linfonodos; 
b. o baço;
c. os tecidos tonsilares da orofaringe (anel de Waldeyer);
d. os acúmulos submucosos de linfócitos no intestino, nos tratos 
respiratório e urinário;
e. a medula óssea, que também contém linfócitos, imunologicamente 
competentes, primariamente células B, mas também algumas 
células T. 
A Figura 11 mostra a distribuição dos linfócitos, nos órgãos linfoides central e 
periférico. 
Figura 11. Distribuição dos linfócitos nos órgãos linfoides central e periférico. 
 
 
 
Monócito 
Medula óssea 
Timo 
Célula 
 dendrítica 
Baço e linfonodos 
Primed lymphocytes 
Tecidos 
Linfócitos 
 virgens 
Célula 
T Célula T 
Célula 
T 
Célula 
T 
Célula 
B 
Célula 
B 
Célula 
B 
Célula 
B 
APC 
Amigdalas 
Timo 
Gânglios linfáticos 
Vasos linfáticos 
Baço 
Placas de Peyer do 
intestino delgado 
Apêndice 
Medula óssea 
Fontes: https://reniellyfisio.blogspot.com/2011/02/representar-funcaodos-orgaos-linfocitos.html; http://isoldamodestobio.
blogspot.com/2011/03/. Acesso em: 23/01/2020.
http://isoldamodestobio.blogspot.com/2011/03/
http://isoldamodestobio.blogspot.com/2011/03/
37
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
As células T e B são distribuídas, diferentemente, no tecido linfoide periférico. As células 
B são encontradas como agregados, chamados folículos no córtex dos linfonodos, na 
polpa branca do baço (Figura 12), e na submucosa do intestino e trato respiratório. 
Como já foi mencionada, a maioria dos linfócitos pequenos, da medula óssea, 
também são células B. As células T ocupam as áreas paracorticais dos linfonodos, 
e as áreas interfoliculares, dos acúmulos de linfócitos, na submucosa do intestino, 
tratos respiratório e urinário. As células T também formam uma densa bainha, em 
torno das arteríolas centrais da polpa branca do baço.
As células T se movem dos tecidos para o sangue, e vice-versa; isso fornece um 
mecanismo para um controle contínuo das células T dos antígenos, em todo o corpo. 
Normalmente, as células T constituem, aproximadamente, 70% dos linfócitos do 
sangue. As células B, que constituem 10% a 15% dos linfócitos circulantes, também se 
movem nos dois sentidos, entre sangue e tecidos, mas em menor extensão do que as 
células T.
Deve-se notar que os linfócitos e granulócitos diferem, fundamentalmente, em seu 
ciclo de vida. Os granulócitos não podem se dividir, apresentam uma sobrevida 
curta nos tecidos, e devem ser repostos continuamente, por novos granulócitos da 
medula óssea. 
Os linfócitos liberados pelo tecido linfoide central para o tecido linfoide 
periférico, particularmente, as células T, podem sobreviver como células 
imunocompetentes quiescentes, durante longos períodos de tempo. No 
entanto, quando expostos a um determinante imunológico, ao qual está 
programado para responder, o linfócito quiescente sofre ativação e se 
divide. À medida que o processo continua um clone expandido de linfócitos, 
responsivo àquele determinante imunológico é formado.
Processamento das células T: o processamento das células T ocorre no timo (Figura 
12), os precursores das células T migram a partir da medula óssea para o córtex do 
timo. Aqui, as células se dividem rápida e repetidamente, mas, a maior parte das novas 
células formadas, morre. Essa perda celular resulta de mecanismos de tentativa e erro, 
pelos quais as células T combinam segmentos da linha germinativa de DNA, em genes 
funcionais, para as cadeias polipeptídicas de um receptor da membrana superficial, o 
receptor antigênico das células T. A estrutura dessas cadeias de polipeptídeos lembra 
muito a estrutura das cadeias polipeptídicas das moléculas de imunoglobulina (descrito 
em processamento da célula B). As diferenças, na forma pela qual a linha germinativa 
de DNA é rearranjada, resultam em diferenças nas sequências de aminoácidos de 
38
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
segmentos das cadeias polipeptídicas, que conferem seletividade do reconhecimento 
do antígeno pelo receptor. 
Os linfócitos, que sobrevivem no córtex, migram, então, para a medular da glândula, 
onde continuam a diferenciação, mas não a divisão celular. Quando o processamento 
está completo, o linfócito T possui um receptor de antígeno, na membrana superficial, 
que pode agir das seguintes formas:
1. Responder seletivamente a sequências imunogênicas específicas de 
determinantes antigênicos estranhos.
2. Distinguir entre determinantes de membrana superficial de 
histocompatibilidade “self” e “not self”.
As células T imunocompetentes são liberadas, a partir da medular para os 
tecidos linfoides periféricos. Eles circulam livremente, em todos os tecidos 
linfoides periféricos, mas nunca voltam ao timo. O timo sintetiza substâncias 
solúveis (timosina, por exemplo), que exercem um efeito hormonal de suporte 
sobre a função da célula T, nos tecidos linfoides periféricos. O processamento 
de precursores de célula T, no timo, começa na vida fetal, e continua durante 
toda a infância. Isto dá origem a um repertório de linfócitos T, de vida longa, 
nos tecidos linfoides periféricos, programados para responder seletivamente a 
diferentes antígenos. 
O processamento de novas células T, então, declina. O timo, que pesa 70g, no final 
da fase de lactente, definha depois da puberdade e, no idoso, pesa, apenas, 3g. A 
involução da glândula – com incapacidade para processar novas células T, e uma 
diminuição do suporte hormonal tímico para as células T já existentes – prejudica 
o vigor das respostas imunes, nos indivíduos mais idosos (Figura 12). 
39
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 12. Distribuição dos linfócitos B, no tecido linfoide periférico (baço); e dos linfócitos T, no tecido linfoide 
central (timo).
 
 
 
Corte transversal 
do Baço 
Nódulos linfáticos 
lin 
Polpa esplênica 
Cápsula do baço 
veias artérias 
Fontes: http://bellllcriss.blogspot.com.br> https://www.uv.es/histomed/medicinaEsp/02/timo-4x.jpg. Acesso em: 23/01/2020
Subgrupos de células T: as células T imunocompetentes, liberadas pelo timo, são 
programadas para realizar diferentes funções. Foram reconhecidas duas subpopulações 
principais.
1. Os linfócitos T que, após a exposição a antígeno estranho nas células 
(por exemplo, antígeno viral, na superfície de células infectadas), em 
conjunção com determinantes de histocompatibilidade, tornam-se 
células citotóxicas, que podem lisar as células-alvo.
2. Células T que, após exposição a antígeno, em conjunção com determinantes 
de histocompatibilidade, agem como célula T imunorreguladoras, com 
funções auxiliadoras. Essas funções auxiliadoras mantêm: 
 › o desenvolvimento das células T citotóxicas;
 › a aquisição de propriedades microbicidas pelos macrófagos; 
 › a secreção de anticorpos pelas células B.
Outras células imunorreguladoras apresentam funções supressoras que diminuem 
e, assim, evitam respostas imunes excessivas.
https://www.uv.es/histomed/medicinaEsp/02/timo-4x.jpg
40
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Há dois tipos de determinantes de histocompatibilidade – determinantes da Classe 
I, e da Classe II. As células T são programadas para reconhecer uma ou outra. As 
células T, que reconhecem determinantes da Classe I, têm um antígeno na membrana 
superficial, que reage com um anticorpo monoclonal chamado CD8 (T8). As células 
T, que reconhecem determinantes da Classe II, têm um antígeno da membrana de 
superfície, que reagecom um anticorpo monoclonal chamado CD4 (T4). As células CD* 
são células citotóxicas, ou supressoras. A maioria, mas não todas as células CD4, tem 
funções auxiliadoras. 
Processamento das células B: as células B são processadas na medula óssea, 
que, como a córtex do timo, contém uma fração de linfócitos sofrendo rápida divisão 
celular, e uma alta taxa de morte celular. Durante o processamento, cada precursor de 
uma célula B tenta combinar segmentos de linhagem germinativa de DNA, em genes 
funcionais rearranjados, mantendo a síntese, primeiro da cadeia pesada, e, depois, da 
cadeia leve, de uma molécula de imunoglobulina única, para aquela célula que está 
sendo processada, mas uma dos literalmente milhões de especificidades antigênicas 
possíveis. À medida que esses rearranjos genéticos se processam, são formadas muitas 
células, com rearranjos aberrantes de DNA, ou com rearranjos de DNA que codificam 
imunoglobulinas, que reagem contra antígenos reconhecidos como próprios ou “self”. 
Essas células morrem, e são responsáveis pelas grandes perdas das células. 
A demonstração, por análise de DNA, do início do rearranjo da linha germinativa 
do DNA, para as cadeias pesada e leve de IgM, fornece evidência mais precoce do 
que uma célula pertence à linhagem de células B. No próximo estágio, é formada 
uma célula pré-B, que contém cadeias µ no seu citoplasma, como evidência de que 
a célula se destina à síntese de imunoglobulina. Depois, as cadeias desaparecem 
do citoplasma, e são substituídas por moléculas completas de IgM, inseridas na 
membrana da superfície da célula B, em amadurecimento. Esta IgM, ligada à superfície, 
serve como o sítio inicial de reconhecimento antigênico da célula, isto é, um sítio de 
reconhecimento superficial, para o determinante haptênico específico contra a qual 
a célula, por meio dos rearranjos da linha germinativa de seu DNA, ficou destinada a 
produzir anticorpos. Nesse estágio, se o determinante haptênico é reconhecido como 
próprio “self”, a célula é eliminada. À medida que prossegue o desenvolvimento, uma 
segunda imunoglobulina, a IgD, também fica inserida na superfície da célula.
Com essas duas classes de sítios de reconhecimento antigênico em seus lugares, a 
célula B já está programada para funcionar como célula imunocompetente. Ela, então, 
se junta ao “pool” de células B, do tecido linfoide periférico, pronta a responder aos 
antígenos estranhos, aos quais o organismo pode ser exposto. Esse “pool” de células 
B maduras, mas “virgens”, isto é, ainda não expostas ao antígeno, presumivelmente 
41
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
muda continuamente, durante toda a vida da pessoa, à medida que novas células B são 
processadas, para substituir as células senis. 
Há cinco tipos principais de cadeias polipeptídicas pesadas, reconhecidas, 
inicialmente, por causa das diferenças antigênicas, em suas regiões 
constantes. Elas receberam os nomes de letras gregas ɣ (gama), α (alfa), 
µ (mu), δ (delta) e ɛ (épsilon).
As imunoglobulinas são divididas em classes, com base no tipo de cadeia 
pesada que possuem. Cada classe de imunoglobulinas contém moléculas, ou de 
cadeias leves ĸ, ou de cadeias leves λ lambda, mas com a mesma classe única de 
cadeia pesada. É usada uma nomenclatura padronizada, em que o símbolo Ig 
(para imunoglobulina) é seguido por uma letra, e denota a classe, por exemplo, 
IgG, para a classe que contém cadeias pesadas ɣ, IgA, para a classe que contém 
a cadeias pesadas α, IgE, para a classe que contém cadeias pesadas ɛ, IgM, para 
a classe que contém cadeias pesadas µ, IgD, para a classe que contém cadeias 
pesadas δ. 
O gene da linha germinativa, para a cadeia pesada, difere dos genes de linha 
germinativa, para as cadeias leves. Além dos múltiplos segmentos de DNA 
alternativos, para as diferentes porções da região variável, um gene da linha 
germinativa, para cadeia pesada, também contém uma série de segmentos de 
DNA de cadeia constante – um para cada uma das classes de cadeia pesada. 
Durante os diferentes estágios de processamento e diferenciação das células 
B, cadeias pesadas são formadas onde a região variável se combina com 
regiões constantes de classes diferentes, por meio de complexos mecanismos, 
envolvendo união de RNA, para algumas ligações, e de DNA, para outras. 
A célula B madura possui outros componentes, na superfície celular, além dos 
receptores antigênicos, que são as imunoglobulinas inseridas. Estes incluem 
determinantes de histocompatibilidade da Classe II, receptores para o Fc das 
imunoglobulinas, e receptores para fragmentos (C3b e C3bi) do componente 
C3 do complemento.
42
CAPÍTULO 2
Leucograma
O leucograma é o conjunto de determinações laboratoriais que, associadas, 
determinam o perfil hematológico dos glóbulos brancos (leucócitos) circulantes 
de um indivíduo, no exato momento da coleta de sangue. É constituído pelas 
contagens global e diferencial (incluindo a análise das alterações morfológicas) 
dos leucócitos, que são expressas por meio da fórmula leucocitária (com valores 
absolutos e relativos de cada tipo de leucócito). 
 » Contagem global dos leucócitos: consiste na determinação do total de 
leucócitos por mm3 de sangue, após lise dos eritrócitos, em uma câmara 
de contagem, ou por meio de um contador eletrônico.
 » Contagem diferencial dos leucócitos: é a contagem percentual de cada 
tipo leucocitário, realizada em esfregaços sanguíneos corados. Estabelece 
a quantidade de cada tipo de célula, encontrada no final da contagem de 
100 leucócitos. 
Contagem global pelo método manual 
Material
 » Amostra: sangue total em EDTA.
 » Câmara de Neubauer; líquido diluidor de Turk; tubos de hemólise 
(Kahn); micropipeta de 20µL.
 » Pipetas de 1 ml graduadas ao décimo; lenço de papel ou gaze; 
microscópio.
Líquido de Turk
 » Ácido acético glacial.........40 ml
 » Violeta genciana a 1%.......40 gotas (4 gotas para cada 100 ml)
 » Água destilada qsp.............1L
Procedimento
43
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
 » Pipetar 0,4 ml (400µL) do líquido diluidor para um tubo de hemólise.
 » Aspirar 0,02 ml (20µL) de sangue total, limpar a parte externa da 
ponteira, transferir os 20µL para um tubo de hemólise, com líquido 
diluidor, tendo o cuidado de lavar o interior da ponteira, por aspiração 
e expulsão. A diluição será de 1:20.
 » Agitar suavemente, aguardar por dois minutos. Para, depois, proceder ao 
enchimento da câmara e contagem em microscópio óptico comum, em 
objetiva de 10x, com condensador baixo.
Contagem
 » É feita nos quatro quadrados grandes laterais (L1, L2, L3, L4) da câmara 
de Neubauer (Figura 13). 
Cálculo
 » Contagem por mm3 (ou µL) de sangue. 
 » Cada quadrado lateral secundário tem capacidade para um volume 0,1 
mm3, ou seja, 1/10 mm3.
 » N = número total de leucócitos lidos, nos quatro quadrados.
 » 10 = ajuste para mm3.
 » 20 = ajuste do grau de diluição.
 » 4 = ajuste para o número de quadrados lidos.
 » Leucócitos/mm3 = N x 10 x 20/4 → leucócitos/mm3 = N x 50.
44
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Figura 13. Contagem global dos leucócitos, em câmara de Neubauer.
 
 
Áreas onde se contam os leucócitos 
 
Áreas onde se contam os eritrócitos 
 
Fonte: https://zunigamartinez.blogspot.com/2011/05/camara-de-neubauer_09.html. Acesso em: 23/01/2020
Para pacientes normais, o grau de diluição é de 1/20. Para casos de leucopenia, é 
preferível fazer diluição 1/10. Nesse caso, o cálculo seria o seguinte:
 » Leucócitos/mm3 = N x 10 x 10/4 → Leucócitos/mm3 = N x 25
 » Para casos de hiperleucocitoses, poderão ser utilizadas diluições bem 
mais elevadas, 1/100 ou 1/200, por exemplo, conforme a necessidade, 
ajustando sempre o cálculo, de acordo com a respectiva diluição. 
Contagem diferencial pelo método manual 
É a contagem percentual de cada tipo de leucocitário, realizada em esfregaços 
sanguíneos corados. Estabelece a quantidade de cada tipo de célula, encontrada 
ao final da contagem de 100 leucócitos. 
Material» Amostra: sangue recém-colhido, com ou sem anticoagulante (de 
preferência).
 » Lâminas, corante, microscópio, óleo de imersão, contador diferencial.
Procedimento
 » Identificar, morfologicamente, 100 leucócitos em região, e de modo 
apropriado, no esfregaço, em objetiva de imersão. Deve-se caminhar no 
sentido vertical da extensão do sangue, na lâmina, até a borda superior. 
Ao atingir a borda superior, caminhar um pouco pela borda, na extensão, 
e voltar em sentido vertical contrário, atravessando toda a extensão, até 
https://zunigamartinez.blogspot.com/2011/05/camara-de-neubauer_09.html
45
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
a borda oposta, onde, da mesma forma, deverá caminhar-se um pouco. 
Repetir esse procedimento até que seja diferenciado um total exato de 
100 leucócitos. 
Fórmula leucocitária
 » É o modelo que traduz o percentual relativo, e o valor absoluto, de cada 
tipo leucocitário, obtidos, respectivamente, pela contagem diferencial, 
e por cálculo indireto (a partir da contagem global dos leucócitos, e do 
percentual de cada tipo celular).
Cálculos 
 » Valor absoluto = % relativo x contagem global/100
 › Exemplo: contagem global = 6.000 leucócitos/mm3. Ao final da 
contagem diferencial, foram observados 61 segmentados, 1 bastão, 3 
monócitos, 31 linfócitos, 3 eosinófilos, e 1 basófilo.
 » Contagem diferencial, ou específica (percentual relativo).
 » Neutrófilos ............................................62%
 » Segmentados .......................................61%
 » Bastonetes.............................................1%
 » Metamielócitos ...................................... -
 » Mielócitos.............................................. -
 » Monócitos................................................3%
 » Linfócitos ...............................................31%
 » Eosinófilos ..............................................3%
 » Basófilos .................................................1%
 » Valor absoluto de neutrófilos = 62 x 6.000/100 = 3.720/mm3
 » Valor absoluto de segmentados = 61 x 6.000/100 = 3.660/mm3
 » Valor absoluto de bastonetes = 1 x 6.000/100 = 60/mm3
 » Valor absoluto de monócitos = 3 x 6.000/100 = 180/mm3
46
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
 » Valor absoluto de linfócitos = 31 x 6.000/100 = 1.860/mm3
 » Valor absoluto de eosinófilos = 3 x 6.000/100 = 180/mm3
 » Valor absoluto de basófilos = 1 x 6.000/100 = 60/mm3
Durante a contagem diferencial da série branca, deve ser obtida não só a diferenciação 
morfológica dos diversos tipos de leucócitos, ao final da contagem de 100 células, mas, 
além disso, é nesse momento que, simultaneamente, deverão ser procedidas todas as 
correlações quantitativas, com as determinações globais (tanto de leucócitos quanto de 
plaquetas), e qualitativas, como a análise morfológica eritrocitária, análise do tamanho 
das plaquetas, presença ou não de aglutinação plaquetária, leuco, ou eritrocitária, 
satelismo, entre outros. 
Tendo-se um esfregaço bem seco e corado, após percurso uniforme de bordos e 
centro, a partir do local onde os eritrócitos começam a se soltar uns dos outros, 
não chegando, porém, até o final da lâmina, uma boa análise morfológica de 
todas as células sanguíneas poderá ser feita.
Interpretação do leucograma
Avaliação da contagem global (Tabela 2)
 » Leucócitos: 4.000 a 11.000/ mm3 (adultos)
 » Leucocitose: leucócitos > 11.000/ mm3
 » Leucopenia: leucócitos < 4.000/ mm3
Tabela 2. Valores de referência dos leucócitos do sangue de um adulto normal.
Leucócitos Por µL ou mm3 %
Neutrófilos 1550 ~ 6800 40 ~ 70
Linfócitos 1000 ~3800 20 ~ 50
Monócitos 100 ~800 2 ~10
Eosinófilos 50 ~400 1 ~7
Basófilos 0 ~200 0 ~ 3
Leucócitos 3600 ~ 11000 100
 
Fonte: https://www.slideshare.net/JoaoMaarcos/hemograma-em-idosos-pacientes-geritricos. Acesso em: 23/01/2020
https://www.slideshare.net/JoaoMaarcos/hemograma-em-idosos-pacientes-geritricos
47
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Avaliação de perfil de cada subtipo leucocitário
 » Neutrofilia: total de neutrófilos (segmentados + bastão + meta + mielo + 
promielócitos) maior que 7.400/ mm3.
 » Causas reacionais (não neoplásicas) e reações leucemoides – principais 
características:
 » Leucocitose: geralmente leve e moderada (< 25.000/ mm3), raramente 
superior a 50.000/ mm3; não ultrapassam 80.000/ mm3.
 » Casos mais graves, em que há maior aumento na contagem dos leucócitos. 
e das células precursoras, são, muitas vezes, confundidos com processos 
leucêmicos (neoplásicos). São as chamadas reações leucemoides, de 
caráter eminentemente benigno e reacional.
Principais características das reações leucemoides
 » Desvio à esquerda: diretamente proporcional à gravidade do processo.
 » Guarda hierarquia maturativa (escalonamento).
 » Geralmente, com bastões, metamielócitos, até mielócitos.
 » Em casos mais graves, há maior quantidade de mielócitos e, às vezes, 
promielócitos.
 » Mieloblastos, geralmente, não são observados (exceto em raros casos, 
como, por exemplo, na sepse neonatal).
 » Granulações tóxicas: presentes, principalmente, nos casos graves. 
 » Microvacúolos citoplasmáticos: presentes nas sepses ou bacteremias.
 » Aspectos displásicos: sempre ausentes.
 » Aspectos degenerativos: presentes nos casos mais graves com sepse.
 » Fosfatase alcalina nos neutrófilos: elevada atividade.
 » Outras: geralmente acompanhada com monocitose, eosinopenia e 
bastopenia.
48
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
 » Eritroblastos, geralmente ausentes, exceto nas hemorragias e hemólises 
graves.
 » Clínica: com febre.
 » Cariótipo: ausência do Ph, o cromossomo Filadélfia.
Exemplos de reações leucemoides: infecções bacterianas primárias; algumas infecções 
virais; micobactérias; leptospirose; toxoplasmose; tratamento por G-CSF, GM-CSF; 
destruição tissular e/ou necrose (grandes queimados, politraumatizados, gangrena, 
câncer); doenças inflamatórias (artrite reumatoide, vasculites, febre reumática, 
tireidites etc.); fisiológicas (estresse físico ou mental, medo, pânico, choro, gravidez, 
recém-nascidos, exercícios físicos); hematológicas (hemorragias agudas, estados 
hemolíticos, esplenectomia); medicamentos (epinefrina, corticosteroides); eclampsia; 
uremia etc.
 » Neutropenia: total de neutrófilos menor que 1.600/mm3, em brancos, e 
menor que 1.200/mm3, em negros.
 › Exemplos de principais mecanismos: aumento do consumo nos 
tecidos e esgotamento na produção medular, nos processos infecciosos 
graves, e de mau prognóstico (são os estados terminais de pacientes 
anteriormente neutrofílicos); infecções virais (hepatite, influenza, 
mononucleose, dengue etc.); febre tifoide, paratifoide, rickettsioses, 
sobrevida diminuída, em estados infecciosos, ou imunológicos 
com anticorpos antineutrófilos (por exemplo, lúpus); desordens 
constitucionais (geralmente, em crianças); defeito de produção 
hematopoiética, nas reações idiossincrásicas a drogas (cloranfenicol, 
clorpromazina, rifampicina, antibióticos etc.); doenças hematológicas 
(bloqueio da maturação granulocítica na medula, em leucemias 
mieloides agudas, anemia aplástica, mielodisplasias, anemias 
megaloblásticas, leucemias linfoides agudas, leucemias linfoides 
crônicas, e linfomas leucemizados); infiltração medular por tumores 
metastáticos; esplenomegalia (hiperesplenismo, doença de Gaucher); 
terapias citorredutoras; imunossuprimidos etc. 
 » Eosinofilia: total de eosinófilos maior que 500/mm3. 
 › Exemplos de casos, em que ocorre a eosinofilia: desordens 
alérgicas (asma, reação a drogas, alérgenos em geral); parasitoses 
(esquistossomose, estrongiloidíase, cisticercose, equinococose, 
49
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
ascaridíase, tricuríase, ancilostomíase etc.); infecções fúngicas; câncer 
(colo uterino, ovário, pulmão); doenças hematológicas (leucemia 
mieloide crônica, leucemia eosinofílica, doença de Hodgkin, alguns 
linfomas não Hodgkin) doenças de pele (eczema, psoríase, urticária, 
dermatites); doençasvasculares do colágeno (lúpus eritematoso, 
poliartrite nodosa, vasculites); colite ulcerativa; doença de Chron; 
síndromes hipereosinofílicas (Loefler, pneumonia eosinofílica crônica) 
etc. 
 » Eosinopenia: total de eosinófilos menor que 40/mm3. Só confiável por 
automação, em que são contados em valor absoluto direto, para só, 
então, ser calculado o valor percentual. A ausência total de eosinófilos é 
um dado exclusivo da tecnologia automatizada. 
 › A determinação manual indireta do número absoluto de 
eosinófilos, a partir do valor percentual obtido na contagem 
diferencial x contagem global de leucócitos, não é um dado 
acurado e preciso. Para esses casos, é aconselhável a contagem 
em valor manual direto (câmara de Fuchs-Rosenthal) ou, pelo 
menos, proceder à contagem diferencial manual, em 200 células. 
Esse problema também ocorre nas monocitopenias. 
 › O mecanismo da eosinopenia está associado à diminuição da 
liberação na medula óssea e/ou pela marginalização dessas células, no 
compartimento vascular. 
 › Exemplos: a grande maioria dos casos está associada a processos 
bacterianos agudos com neutrofilia. Também pode estar presente, 
durante a administração de ACTH (hormônio adrenocorticotrófico), 
prostaglandinas, epinefrina ou glicocorticoides.
 » Basofilia: total de basófilos superior a 200/mm3. Causas relacionadas 
benignas: associada à hipersensibilidade mediada por IgE; em processos 
inflamatórios crônicos, como a artrite reumatoide e colite ulcerativa; em 
algumas infecções virais; após radiação; sarcoidose; sífilis; tuberculose; 
rickettsioses etc.
 » Neoplasias: dado de valor prognóstico, na leucemia mieloide crônica; 
também ocorrem nas demais desordens mieloproliferativas, leucemia 
basofílica, e doença de Hodgkin.
50
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
 » Basopenia: total de basófilos abaixo de 10/mm3. Apesar de controversa, 
tem sido descrita em condições associadas à eosinopenias, e ao tratamento 
esteroide. 
 » Monocitose: total de monócitos maior que 880/mm3. Associada 
à tuberculose (infecção micobacteriana); a infecções agudas com 
neutrofilia; a doenças autoimunes; à mononucleose infecciosa; à malária; 
a certas viroses; a parasitoses; a rickettsioses; a inflamações; a doenças 
secundárias, a cânceres em geral etc. Doenças hematológicas: leucemia 
mielomonocítica crônica (LMMC); leucemia monocítica aguda (LMA 
M5b); leucemia mielomonocítica juvenil (LMMJ); secundária a alguns 
linfomas e mielomas.
 » Monocitopenia: total de monócitos inferior a 80/mm3. É descrita em 
doenças autoimunes, como lúpus eritematoso, leucemia de células 
“cabeludas” (tricoleucemia), ou após administração de corticoides, ou 
pós-quimioterapias. 
 » Linfocitose: total de linfócitos maior que 4.000/mm3, em adultos, 
e maior que 8.000/mm3, em crianças. Infecções virais reacionais 
(citomegalovírus, linfocitose infecciosa, herpes, influenza, mononucleose 
infecciosa, hepatite, rubéola, caxumba, adenovírus, HIV etc.); fumo; 
reacionais a drogas; transitória por estresse; hematológicas neoplásicas 
(leucemias linfocíticas crônicas, linfomas não Hodgkin leucemizados, 
secundárias ao mieloma múltiplo); púrpura trombocitopênica idiopática; 
infecções bacterianas (crônicas, toxoplasmose, secundaria a sífilis, febre 
tifoide, tuberculose etc.); doenças inflamatórias (colite ulcerativa); 
doenças endócrinas (hipertireoidismo, hipofunção adrenal) etc.
 » Linfopenia: total de linfócitos menor que 1.000/mm3, em adultos, e 
menor que 4.000/mm3, em crianças. Estados infecciosos bacterianos 
agudos associados à neutrofilia; à má nutrição proteico-calórica; 
à síndrome de Cushing; a corticosteroides; à imunossuprimidos; 
a estados de imunodeficiência; ao câncer; à falência renal; ao 
alcoolismo; à destruição aumentada (lúpus eritematoso, perda 
pelos linfáticos intestinais, globulina antilinfocítica, HIV, terapia 
radioativa, quimioterapia antineoplásica, síndrome de Wiskott-
Aldrich); à anestesia; a processos cirúrgicos; à sarcoidoses; à 
tuberculose; à influenza; à doença de Hodgkin; à miastenia grave etc. 
51
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Desvio à esquerda 
Desvio à esquerda é o aumento do número de bastonetes (acima do normal), acompanhado, 
ou não, dos neutrófilos mais imaturos (promielócitos, mielócitos, metamielócitos). 
Sua principal causa é o processo infeccioso bacteriano. Também pode ocorrer no 
período de cura da agranulocitose, tratamento por G-CSF, GM-CSF, gravidez, grandes 
queimados, politraumatizados etc. Nesses casos mais graves, na maioria das vezes, o 
desvio é acompanhado pela presença de grânulos tóxicos nos neutrófilos. Nos casos de 
septicemia, ou bacteremia, podem ser vistas microvacuolizações citoplasmáticas. Os 
corpúsculos de Döhle são um raro achado dos processos infecciosos graves.
Nos processos reacionais benignos, uma vez que a medula óssea é normal, estando 
apenas com hiperprodução transitória, as células lançadas na circulação guardam 
uma hierarquia maturativa (há uma tendência dos mais maduros estarem em maior 
proporção do que os mais imaturos). É o chamado desvio à esquerda escalonado. Nas 
leucemias (medula óssea neoplásica), o desvio não guarda, necessariamente, essa 
hierarquia. 
As leucemias mieloides agudas, com leucocitose, apresentam desvio de até 
blastos e, dependendo do subtipo, com ou sem (hiato leucêmico) formas 
intermediárias imaturas (meta, bastão etc.). Na leucemia mieloide crônica, toda 
a linhagem maturativa mieloide está presente, entretanto, não necessariamente 
de modo escalonado. 
A Figura 15 mostra as células imaturas (metamielócitos e bastões), características de 
um desvio à esquerda, e segmentadas (célula madura). 
Figura 15. Células imaturas (metamielócito e bastão) encontradas em desvio à esquerda, e 
segmentado maduro.
 
 
Metamielócito Bastonete Segmentados 
 
Fonte: https://deskgram.co/p/2170116239471610621_1729473184. Acesso em: 23/01/2020
https://deskgram.co/p/2170116239471610621_1729473184
52
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Desvio à direita
O desvio à direita é caracterizado pelo aumento de formas polisegmentadas (> 
que 3%) dos neutrófilos do sangue periférico. Tem correlação diagnóstica com os 
processos bacterianos crônicos. Ocorrem nos casos de deficiência de vitamina B12 
e ácido fólico, doenças crônicas (rins e fígado), uremia e drogas citotóxicas.
A Figura 16 apresenta as formas polisegmentadas dos neutrófilos, característicos de 
desvio à direita.
Figura 16. Neutrófilos polissegmentados, característicos de desvio à direita.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anemia_megalobl%C3%A1stica. Acesso em: 23/01/2020
A Figura 17 esquematiza o conceito de desvio à esquerda, e desvio à direita. 
Observamos células imaturas (mieloblastos, mielócitos e bastonetes) localizadas à 
esquerda, enquanto que as células maduras e hipersegmentadas estão localizadas 
à direita.
Figura 17. Esquematização de desvio à esquerda, e desvio à direita.
 
 
Esquerda Direita Desvios 
Mielócitos 
Metamielócitos 
1 ou + células 
Neutrófilo 
Bastonete 
>300 células/µl 
Neutrófilo 
Segmentado 
de 2-5 
segmentos 
Neutrófilo 
hipersegmentado com 6 ou 
mais segmentos 
Fonte: https://deskgram.co/p/2146863722706420151_14450420197. Acesso em: 23/01/2020.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anemia_megalobl%C3%A1stica
https://deskgram.co/p/2146863722706420151_14450420197
53
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Anomalias leucocitárias e alterações tóxico-
degenerativas
Denominam-se anomalias leucocitárias as alterações de forma, e de função, dos 
leucócitos em geral. Algumas dessas anomalias são típicas dos granulócitos, outras se 
manifestam, também, nos mononucleares (monócitos e linfócitos). Quando há alteração 
da forma normal dos leucócitos, em geral, existe, também, alteração da função, embora 
isso não ocorra obrigatoriamente.
As anomalias leucocitárias têm caráter hereditário, podendo ser transmitidas como 
doenças autossômicas recessivas ou dominantes.As alterações leucocitárias autossômicas são as seguintes:
Anomalia de Pelger-Huët: é uma anomalia da forma do núcleo dos segmentados 
neutrófilos, relativamente frequente. Existe falta de segmentação dos núcleos, de 
modo que há um aparente assincronismo de maturação. Enquanto o citoplasma das 
células neutrófilas apresenta coloração típica, com granulações secundárias normais, 
finas e ausência de basofilia, os núcleos são arredondados, em bastão, ou exibem, 
no máximo, um esboço de segmentação. Aparecem formas típicas, que lembram o 
aspecto de duas lentes de óculos, ligadas por uma ponte de material cromatínico. Nessa 
anomalia, parece ocorrer, realmente, um assincronismo de maturação do núcleo, em 
relação ao citoplasma celular. Ocorrem formas heterozigóticas e homozigóticas, não 
havendo quadro clínico de deficiência funcional de neutrófilos. Na leucemia mieloide 
crônica, e na síndrome mielodisplásica, aparece um grande número de células com 
morfologia desse tipo, por isso a denominação pseudo-Pelger-Huët (Figura 18). 
Figura 18. Anomalia de Pelger-Huët. 
Fonte: https://imagebank.hematology.org/image/17390/pseudo-pelgerhut-anomaly; https://twitter.com/farmaceutica/
status/735256437128081408. Acesso em: 23/01/2020.
https://twitter.com/farmaceutica/status/735256437128081408
https://twitter.com/farmaceutica/status/735256437128081408
54
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Anomalia de May-Hegglin: é uma alteração do citoplasma de granulócitos e 
monócitos, caracterizadas pela presença de granulações grandes e acinzentadas, após 
coloração panóptica. Esses grãos contêm material de ácido ribonucleico (pironinófilo). 
Além dessas alterações, faz parte do quadro a presença de plaquetas gigantes, deficientes 
em fator 3 plaquetário, por isso, a possibilidade de haver certa tendência hemorrágica 
nos pacientes portadores. As plaquetas podem ser alteradas em número e forma 
(gigantismo), sendo a causa de retração do coágulo deficiente (Figura 19). 
Figura 19. Anomalia de May-Hegglin.
Fonte: https://emedicine.medscape.com/article/956447-overview. Acesso em: 23/01/2020.
Anomalia de Alder-Reilly: trata-se de anomalia dos grânulos dos neutrófilos (tipo 
neutrofílico), dos monócitos (tipo monocítico) ou dos linfócitos (tipo linfocítico). Essa 
alteração é vista em algumas mucopolissacaridoses, como as síndromes de Hurler 
e Hunter. Nessas síndromes, há um erro metabólico, que altera o metabolismo das 
granulações lisossomais das células, de tal forma que se acumulam grãos muito finos 
no citoplasma. Não há alteração na função das células, mas existe quadro clínico 
variável, com lesões oculares, ósseas, cardíacas e neurológicas, em decorrência do erro 
metabólico geral (Figura 20).
https://emedicine.medscape.com/article/956447-overview
55
HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO │ UNIDADE I
Figura 20. Anomalia de Alder-Reilly.
Fonte: https://imagebank.hematology.org/image/17022/alderreilly-anomaly. Acesso em: 23/01/2020.
Anomalia de Chédiak-Higashi-Steinbrinck: é uma anomalia rara, mas 
facilmente diagnosticada, quando se observam leucócitos de esfregaços de 
sangue, ou de medula óssea, corados por Leishman, ou outro corante panóptico. 
O diagnóstico é sempre feito em crianças pequenas, uma vez que há quadro clínico 
grave, especialmente, na forma homozigótica. Praticamente, esta é incompatível com 
a sobrevida, devido à grande suscetibilidade dos pacientes às infecções bacterianas. 
Na forma heterozigótica, o quadro clínico é mais brando, e o diagnóstico é feito 
pelo achado das granulações anômalas, e pela história clínica, em que, com muita 
frequência, encontra-se consanguinidade entre os pais do paciente. 
As granulações de Chédiak-Higashi-Steinbrinck correspondem a lisossomas das células, 
que adquirem um aspecto gigante, e são relativamente menos numerosos do que os 
lisossomas normais, nos segmentados neutrófilos. Nos linfócitos, essas granulações são 
quase sempre únicas e, nos monócitos, podem ser múltiplas. Tais grânulos se formam 
por associação de lisossomas, ou granulações primárias (azurófilas) dos leucócitos, em 
decorrência de defeito genético da membrana lisossomal. A coloração citoquímica da 
peroxidase põe em evidência esses grânulos gigantes.
As granulações secundárias dos neutrófilos são normais, mas, ainda assim, há menor 
defesa contra infecções. Ao defeito lisossomal, acrescenta-se a deficiente capacidade 
quimiotática dos neutrófilos. Fazem parte do quadro clínico dessa doença o albinismo 
parcial ou total, adenoepatoesplenomegalia, e manifestações neurológicas diversas 
(Figura 21).
https://imagebank.hematology.org/image/17022/alderreilly-anomaly
56
UNIDADE I │ HEMATOLOGIA CLÍNICA: INTRODUÇÃO
Figura 21. Anomalia de Chédiak-Higashi-Steinbrinck.
Fonte: http://pt.medicalmeds.eu/show_img.php-img=665.htm. Acesso em: 23/01/2020.
Diagnóstico laboratorial: baseia-se, na maioria das vezes, no exame morfológico 
de esfregaços de sangue, corados pelos métodos de rotina. A reação citoquímica da 
peroxidase, ou a reação de imunoperoxidase, é usada no diagnóstico da doença de 
Chédiak, com bons resultados. A Tabela 3 mostra as alterações granulocíticas adquiridas. 
Tabela 3. Alterações granulocíticas adquiridas. 
Tipo de alteração Significado
Granulações tóxicas
Aumento de granulações azurófilas, nos 
segmentados neutrófilos.
Origem: lisossômica (peroxidase positiva)
Resposta medular acelerada a uma infecção, inflamação, 
queimadura etc., com provável redução do número de mitoses nas 
células jovens 
Corpúsculos de Döhle
Granulação grosseira, basófila, na borda do 
citoplasma dos segmentados neutrófilos.
Origem: RE rugoso (RNA) não lisossômico 
(peroxidase negativa)
Incerto. Comum em infecções graves (escarlatina), queimaduras, e 
após uso de citotóxicos 
Pseudo-Pelger-Huet
Núcleo não segmentado, ou com apenas 
dois lobos
Assincronismo de maturação núcleo/citoplasma. Comum em 
leucemias, após uso de quimioterápicos e mixedema
Vacuolização tóxica
Vacúolos citoplasmáticos 
Origem: fagolisossomas
Fagocitose de bactérias, com grande atividade lisossômica 
Hipersegmentação e gigantismo 
celular
Núcleo com mais de quatro lobos e células 
de grande tamanho
Alteração na maturação celular por várias causas, deficiência 
de vitamina B
12
, de ácido fólico, ou após uso de citotóxicos que 
interferem na síntese de DNA
 
Fonte: Manual de Hematologia Propedêutica e Clínica. 4. ed. Therezinha F. Lorenzi p. 303. 2006.
http://pt.medicalmeds.eu/show_img.php-img=665.htm
57
UNIDADE IILEUCEMIAS
CAPÍTULO 1
Tipos de leucemias
As leucemias são um grupo de doenças neoplásicas, caracterizadas por proliferação 
clonal de células hematopoiéticas mieloides, ou linfoides, as quais sofreram 
anormalidades genéticas. São doenças bastante heterogêneas, quanto à patogenia 
(mecanismo leucomogênico), à etiologia, ao prognóstico, e à resposta ao tratamento. 
Desse modo, devem ser separadas em entidades biológicas distintas. 
Nas leucemias agudas, a célula que origina o clone neoplásico é um precursor, cuja 
alteração mutacional causa perda da capacidade maturativa, com consequente acúmulo 
na medula óssea e no sangue periférico de células imaturas, denominadas blastos. 
Nas leucemias crônicas, a biologia da célula, iniciadora do processo leucemogênico, 
mantém a capacidade de diferenciação/maturação, havendo um característico aumento 
de células maduras, na medula óssea e no sangue periférico. 
O termo clonal diz respeito à origem, em uma única célula. Em geral, é referido 
aos processos neoplásicos, relacionados à expansão monoclonal. Quando um 
tecido responde apropriadamente a um estímulo exógeno, com aumento na 
produção de células, usualmente, resulta em uma expansão policlonal (o 
estímulo age sobre várias células – vários clones), como ocorre, naturalmente, 
nas granulocitoses ou linfocitoses, em resposta a infecções; eritrocitose 
secundária à hipóxia. Na prática, esses casos são ditos reacionais, não sendo 
referidos como clonais. Por outro lado, quando uma célulaganha vantagem, em 
relação às suas equivalentes, com aumento da capacidade proliferativa, perda 
de dependência, em relação aos fatores de crescimento, ou fuga do controle 
regulatório do ciclo celular, ou da apoptose, pode desenvolver um clone. 
Sabendo-se que uma leucemia pode emergir em qualquer estágio de uma célula 
sanguínea em desenvolvimento, o ponto ao longo da via de diferenciação, no qual tem 
58
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
início o processo, bem como a extensão da capacidade de maturação da célula, são 
determinantes significativos, no comportamento e entendimento da evolução clínica 
de cada subtipo de leucemia. 
A transformação leucêmica pode ocorrer em um precursor linfoide, num precursor 
mieloide, ou numa célula progenitora com capacidade pluripotente (stem-cell 
pluripotente – CFU-S) e potencial de diferenciação, tanto para a linhagem mieloide 
quanto linfoide. 
Particularmente, as leucemias mieloides agudas podem surgir em uma célula de 
linhagem única (CFU-E; CFU-meg; CFU-G; CFU-M), ou numa célula mieloide 
pluripotente (CFU-GEMM, stem-cell mieloide), com capacidade de diferenciação 
eritroide, granulocítica, monocítica e megacariocítica. 
Apesar de bastante heterogênea e incerta, a etiologia das leucemias parece estar 
ligada a fatores ambientais, como radiações; infecções virais (vírus Epstein-
Barr, HTLV1); substâncias tóxicas, como benzeno e solventes orgânicos; fatores 
genéticos (maior predisposição em indivíduos com anemia de Fanconi, síndrome 
de Down); e fatores individuais, como fumo, estresse, imunodeficiências. A grande 
consequência dos diferentes agentes desencadeadores da expressão inapropriada de 
oncogêneses, e da perda da função dos genes supressores de tumor, é o descontrole 
no mecanismo regulador do crescimento celular ou de apoptose. 
Sob o ponto de vista cinético, à proporção que vão povoando a medula óssea, as 
células leucêmicas passam para o sangue periférico, no qual podem ser observadas 
não só com relação à alteração de seu número, mas também ao seu aspecto 
qualitativo. Suas aberrantes alterações citomorfológicas e, em muitos casos, sua 
disponibilidade em estudo de esfregaço sanguíneo são, também, importantes.
Além da medula óssea, e do sangue periférico, pode-se, ainda, observar infiltração 
das células neoplásicas em outros órgãos, como baço, fígado e sistema nervoso 
central (compreendendo as infiltrações leucêmicas de meninges, encéfalo, raízes 
nervosas, nervos periféricos e articulações). 
Do ponto de vista citológico, observam-se dois principais grupos: as leucemias 
mieloides agudas, ou não linfoides (incluindo subtipos mais raros, como as 
leucemias minimamente diferenciadas; leucemias eosinofilicas e basofílicas 
agudas) e as leucemias linfoides agudas, ou linfoblasticas. Há, também, as 
leucemias de células indiferenciadas, e leucemias bifenotípicas, as quais são 
colocadas num grupo à parte das leucemias mieloides agudas, ou leucemias 
linfoides agudas. Juntamente com as minimamente diferenciadas, além da 
59
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
análise morfológico-citoquímica, essas entidades necessitam, obrigatoriamente, 
de estudos imunofenotípicos, para o seu diagnóstico. 
Leucemias linfoides
As leucemias linfoides merecem ser diferenciadas dos linfomas, que também 
são proliferações neoplásicas das células de origem linfoide. De modo geral, as 
leucemias têm suas manifestações clínicas associadas a alterações no sangue e 
na medula óssea. 
Os linfomas têm suas manifestações primariamente, e de modo predominante, 
nos linfonodos, ou em outros órgãos linfoides. São entidades cujas células 
linfomatosas podem vir a infiltrar a medula óssea, e invadir o sangue periférico, 
tornando-se um linfoma leucemizado (fase leucêmica). 
Leucemia linfoide aguda
As leucemias linfoides agudas (LLA) são neoplasias resultantes da proliferação 
anormal de células linfoides imaturas, que perderam sua capacidade maturativa, 
os linfoblastos. Essas células têm sua origem nos progenitores linfoides da 
medula óssea, ou do timo, e caracterizam os estágios iniciais de diferenciação 
dos linfócitos B e T, respectivamente. 
Assim, acumulam-se os linfoblastos, ou células jovens, em grande número, e em etapas 
diferentes de maturação. Essa parada de maturação pode ser detectada, por meio 
de anticorpos monoclonais, capazes de demonstrar os antígenos de diferenciação 
linfocitários. Os marcadores das células leucêmicas diferem conforme o tipo 
de linfócito proliferante. A pesquisa desses marcadores imunológicos é muito 
importante na prática, pois orienta a terapêutica e, até certo ponto, determina o 
prognóstico.
As LLA são as doenças neoplásicas mais comuns da infância. Constituem cerca 
de 80% das leucemias que acometem indivíduos até os 15 anos de idade. Cerca de 
70% dos casos de LLA ocorrem em pacientes com menos de 15 anos de idade. São 
pouco comuns em indivíduos acima dessa idade, sendo responsáveis por apenas 
15 a 20% dos casos de leucemias agudas. Sua incidência é maior em brancos do 
que em negros. 
A anormalidade primária está correlacionada a células precursoras linfoides, desde 
a stem-cell linfoide, ainda não diferenciada para a linhagem B ou T, até os blastos 
60
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
linfoides B ou T mais diferenciados. Cerca de 85% das LLA possuem blastos que 
expressam marcadores de células B, 15% dos casos são de células T. O padrão de 
expressão antigênica varia de caso a caso. Em uma minoria dos pacientes, os blastos 
LLA podem coexpressar antígenos mieloides; esses casos sugerem que o defeito de 
proliferação/diferenciação se inicie em nível de uma célula precursora hematopoiética 
mais indiferenciada, ou seja, com expressão de antígenos não específicos de maturação.
Os elementos clínicos das LLA são semelhantes aos de uma leucemia aguda em geral, 
tais como mal-estar, febre, palidez (quando estado anêmico acentuado), depressão das 
funções da medula óssea, sangramentos (em decorrência de trombocitopenia), infecções, 
dores ósseas (consequente à infiltração dos ossos), adenomegalia (hipertrofia dos 
linfonodos, pouco comum nas mieloides), hepatoesplenomegalia, cefaleia, convulsões, 
e coma (resultado da infiltração do SNC por blastos).
Para fins de diagnósticos, as LLA são classificadas, basicamente, sob critérios 
morfológico-citoquímicos, segundo a classificação FAB (French-American-British), 
para as leucemias nos subtipos L1, L2 e L3; por critérios imunológicos, em leucemias 
linfoblásticas tipo B ou tipo T. As alterações citogenéticas são de grande valor 
prognóstico, sendo levadas em consideração as classificações MIC (classificação 
morfológica, imunológica e citogenética) e WHO (World Health Organization – OMS) 
(Tabelas 4, 5 e 6).
Além de alterações cariotípicas (cromossômicas) específicas, o prognóstico é ruim, 
quando são encontrados leucócitos acima de 100.000/mm3, hepatoesplenomegalia 
acentuada, idade menor que 1 ano, ou acima de 10 anos, pacientes da raça negra, 
infiltração blástica no sistema nervoso central, UgG ou IgA diminuídas, e quando são 
do tipo L2 ou L3 (classificação FAB) (Tabela 7). 
Dos subtipos FAB, a LLA-L3 é o mais raro e, mesmo tendo obtido grandes avanços 
com protocolos mais agressivos, ainda é de prognóstico desfavorável.
À luz dos critérios morfológicos, imunológicos e citogenéticos, as LLA foram divididas 
pela classificação MIC, conforme as Tabelas 4, 5. 
De acordo com a classificação WHO, as denominações FAB L1, L2 e L3, para as 
LLA, não são de grande relevância, uma vez que os tipos L1 e L2 não predizem 
o imunofenótipo (se tipo B ou T), tampouco as anormalidades citogenético-
moleculares. 
A LLA-L3, entretanto, equivale à célula B do linfoma de Burkit. Para a WHO, 
deixaram de existir as denominações FAB, e a LLA passaria a ser denominada 
como leucemia de células de Brukitt (Tabela 6). 
61
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Além disso, as neoplasias de células precursoras, apresentando tumores sólidos, 
e aquelas com envolvimento primário da medula óssea e sangue periférico, sãoapenas diferentes estágios de doenças, de um mesmo tipo celular, de relevância 
apenas prognóstica, e não de classificação. Desse modo, o termo LLA deve 
ser mantido para neoplasias linfoides de células precursoras primariamente 
leucêmicas, e para os linfomas de células precursoras B ou T (linfomas 
linfoblásticos), ou suas fases leucêmicas. 
Diagnóstico clínico: o quadro clínico não permite o diagnóstico diferencial 
entre LLA e LMA (leucemia mieloide aguda), pois, em ambas, há queixas de 
fraqueza, palidez progressiva, hemorragias, e quadro infeccioso. Na LLA, é 
mais frequente o crescimento de tecidos linfoides, provocando a adenomegalia 
e esplenomegalia. Fenômenos compressivos decorrentes do crescimento de 
gânglios linfáticos (mediastino, timo etc.), embora raros, podem ser encontrados. 
A infiltração do SNC, que resulta em quadro semelhante ao da meningite, 
com a paralisia de nervos cranianos, pode estar presente, caracterizando a 
neuroleucemia. Esse quadro também ocorre na LMA. 
Quando o crescimento de órgãos linfoides é mais de tipo tumoral, acentuado, suspeita-
se de leucemização de um linfoma maligno (não Hodgkin). Tais casos recebem, também, 
a designação de leucossarcoma, ou leucemia de células linfomatosas.
Alguns casos de LLA correspondem à fase de agudização da LMC (leucemia mieloide 
crônica), aparecendo a alteração citogenética clássica desta: o cromossomo Ph1. Este é 
mais frequente na LLA do adulto, e indica sempre o pior diagnóstico.
Certas viroses da infância costumam causar reação linfocitária intensa, aparecimento 
de pequena porcentagem de linfócitos jovens circulantes (linfoblastos e prolinfócitos) 
e atipias celulares, que levam a suspeita de LLA. Quando a adenomegalia for 
muito acentuada, e houver baço grande, palpável, associado a quadro purpúrico 
(plaquetopenia), está indicado o mielograma, para o diagnóstico diferencial entre 
reação linfocitária e LLA.
Diagnóstico laboratorial: baseia-se no exame morfológico de esfregaços de 
sangue e de medula óssea, sendo encontrada alta porcentagem de linfoblastos, mais 
ou menos anômalos. Esse exame sempre deve ser complementado com observação 
das células, por meio de testes citoquímicos e imunofenotipagem. 
Hemograma: encontram-se quase sempre no sangue anemia e plaquetopenia, 
com blastos linfoides, em proporção alta e leucocitose variável.
62
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
O grupo FAB classifica a LLA em três tipos morfológicos (L1, L2 e L3). As 
características, de cada um desses grupos, estão descritas a seguir:
 » LLA tipo L1 – leucemia linfoide de blastos pequenos e homogêneos, 
com relação nucleocitoplasmática alta. Os nucléolos são conspícuos, 
dificultando a observação dos nucléolos. 
 » LLA tipo L2 – leucemia linfoide de blastos de tamanho variável, 
heterogêneos. Relação nucleocitoplasmática pequena, nucléolos grandes, 
e bem visíveis. Pode ser confundida com a LMA tipo M7 (com blastos 
pequenos).
 » LLA tipo L3 – leucemia linfoide de blastos grandes, com citoplasma 
abundante, basófilo e vacuolizado, tipo Burkitt. Forma grave e com pior 
prognóstico.
Apenas a classificação FAB não é suficiente para distinguir os tipos de LLA. 
Assim como para as LMA, utiliza-se uma classificação mais abrangente, 
que leva em consideração as anomalias citogenéticas, a citoquímica e os 
marcadores de diferenciação das células envolvidas, por meio de anticorpos 
monoclonais (Tabelas 4, 5, 6 e Quadro 1).
A finalidade última das classificações, até agora usadas, é a de separar as 
leucemias linfoides das mieloides, principalmente, quando os blastos são muito 
indiferenciados. Essa separação orienta a terapêutica a ser instituída e, até certo 
ponto, determina o prognóstico. 
Mielograma: costuma revelar hipercelularidade acentuada, com substituição 
quase total das células normais por linfoblastos leucêmicos. Muitas vezes, a 
morfologia dessas células é mais marcada nos esfregaços de material medular, 
facilitando a classificação dos vários tipos (L1, L2 ou L3).
63
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Tabela 4. Classificação morfológica, imunológica e citogenética (MIC) das LLA, para a linhagem B. 
Categoria e cariótipo
Marcadores celulares
CD19 TdT 1a CD10 (cALLA) Citlg mlg Tipo FAB
Precursor-B LLA (pró-B)*
 » LLA pró-B, t(4;11)
 » LLA pró-B, t(9;22)**
+ + + - - - L1, L2
LLA B comum (pré-pré-B)
 » LLA comum, 6q-
 » LLA comum, quase haploide 
 » LLA comum, t ou t Del (12p)
 » LLA comum, t(9;22) 
+ + + + - - L1, L2
LLA pré-B
 » LLA pré-B, t(1;19)
 » LLA pré-B, t(9;22)
+ + + +*** - - L1
LLA B maduras
 » LLA B maduras t(8;14)
 » LLA B maduras t(2;8)
 » LLA B maduras t(8;22)
 » LLA B maduras 6q-
+ - + +/- +/- +**** L3
* anteriormente chamada de null-LLA
** t(9,22) é, também, raramente visto nas LLA linhagem T
*** muito raramente, o antígeno cALLA pode estar ausente
**** cadeia leve única; + = no mínimo >10% das células são positivas acima do controle 
Fonte: Anemias e Leucemias – Conceitos Básicos e Diagnósticos por Técnicas Laboratoriais. Oliveira R.A.G; Neto A.P, pp. 117. 
2004.
Tabela 5. Classificação morfológica, imunológica e citogenética (MIC) das LLA, para a linhagem T.
Marcadores celulares*
Categoria e cariótipo CD7 CD2 TdT Tipo FAB
Precursor-T LLA 
 » LLA Precursor-T ou del (9p)
+ + + L1, L2
LLA células T**
 » LLA células T, t (11; 14)
– LLA células T, 6q-
+ + + L1, L2
* uma minoria dos casos (6 a 10%) pode expressar cALLA
** alguns casos são positivos também para CD1
 
Fonte: Anemias e Leucemias – Conceitos Básicos e Diagnósticos por Técnicas Laboratoriais. Oliveira R.A.G; Neto A.P, pp. 117. 
2004.
64
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
Quadro 1. Proposta WHO, para a classificação das leucemias linfoides agudas LLA. 
Leucemia linfoblástica aguda de células B precursoras (alterações citogenéticas):
 › t(9;22) (q34;q11); brc/abl;
 › anormalidade 11q23 (rearranjo MLL);
 › t(1;19) (q23;p13) E2A/PBX1;
 › t(12;21) (p12;q22) ETV/CBF-α
Leucemia linfoblástica aguda de células T precursoras;
Leucemia de células de Burkitt
 
Fonte: Anemias e Leucemias – Conceitos Básicos e Diagnósticos por Técnicas Laboratoriais. Oliveira R.A.G; Neto A.P, p. 118. 
2004.
Tabela 6. Principais fatores de prognóstico para as LLA. Classificação FAB.
Variáveis Favoráveis Desfavoráveis
Leucócitos ao diagnóstico 
Imunofenótipo 
< 50.000/mm3
Pré-pré B (cALLA)
T (tímica)
>50.000/mm3
Pré B; B-maduro
Pré T
Coexpressão de Ag mieloides 
Tempo para remissão
Organomegalia
Massa mediastinal
Recidiva
Infiltração do SNC
Morfologia* 
Plaquetas ao diagnóstico*
Hemoglobina ao diagnóstico*
Citogenética 
Ausente 
MO livre de doença, em 14 dias 
Ausente 
Ausente
Ausente
Ausente
L1*
>100.000/mm3
< 10g/dl
t(12;21), 6q-
hiperploidia (>50 cromos.)
Presente 
Doença residual > 28 dias
Presente
Presente
Presente 
Presente
L2*, L3**
<100.000/mm3
>10 g/dl
t(9;22)
t(8;14) t(8;22) t(2;8)
t(4;11) t(1;19)
Pseudoploidia
LLA especificamente em crianças:
CD10
CD24
Idade
Gene TEL
Índice DNA
 
Presente 
Presente
1-9 anos
Presente 
>1,16
 
Ausente
Ausente
<1 e >10 anos
Ausente
<1,16
 
Fonte: Anemias e Leucemias – Conceitos Básicos e Diagnósticos por Técnicas Laboratoriais. Oliveira R.A.G; Neto A.P, p. 125. 
2004.
Leucemia linfoide crônica
Esta doença linfoproliferativa é, relativamente, rara em nosso meio, 
caracterizando-se por quadro clínico benigno, evolução lenta, e grande 
65
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
leucocitose no sangue. A leucocitose é causada por aumento acentuado de 
linfócitos de tipo maduro, com raras formas blásticas (linfoblastos), e formas 
intermediárias (prolinfócitos) circulantes. 
Alguns casos de LLC são diagnosticados quase que por acaso, após realização de um 
exame hematológico, sem que haja sintomatologia clínica alguma. Outras vezes, o 
quadro clínico é severo, ocorrendo anemia grave, icterícia, hepatoesplenomegalia e 
adenomegalia generalizada. A doença tem caráter lento e progressivo, podendo ser 
detectada em várias fases de sua evolução natural. 
A LLC apresenta quadroclínico e características muito próximas do linfoma 
maligno tipo linfocítico e, em muitos casos, o diagnóstico diferencial entre ambos 
é difícil de ser estabelecido. Isso deve ao fato de o linfoma tipo linfocítico costumar 
evoluir para a fase de disseminação leucêmica. Nesses casos, a conduta terapêutica 
é semelhante, ficando o diagnóstico diferencial, com valor apenas acadêmico.
A doença origina-se da proliferação neoplásica de uma célula indiferenciada, que 
é responsável pelo aparecimento do clone leucêmico. Em mais de 90% dos casos, 
a LLC é do tipo B e, em raríssimos casos, é de tipo T. No sangue periférico, assim 
como nos esfregaços de medula óssea, há aumento de linfócitos de tipo maduro, 
raros prolinfócitos e blastos. 
A alteração inicial, que origina a LLC, não está definitivamente esclarecida. O fato 
das células leucêmicas apresentarem baixo índice mitótico impediu, até certo 
ponto, o progresso dos estudos citogenéticos. A partir da década de 90, surgiram 
novos conhecimentos sobre os rearranjos genéticos, mais frequentemente 
encontrados na LLC.
As anomalias cromossômicas detectadas incluem: (1) trissomia do 12 (+12q), 
presente em cerca de 50 % dos casos, dependendo das séries estudadas, é 
reconhecida mais facilmente pela técnica FISH, ou citogenética de interfase; (2) 
deleção do 13 (-13q14), considerada, por alguns, como a anomalia mais frequente; 
(3) deleção do 11 (-11q22); (4) deleção do 6 (-6q21-23); (5) deleção do 17 (17p13), 
com mutação do gene p53 (supressor tumoral).
Vários genes são candidatos a apresentar alterações, em decorrência dessas 
anormalidades cromossômicas. Outras alterações genéticas, menos frequentes, 
incluem: (1) trissomia do 8 (+8q); (2) t(11;14); trissomia do 3 (+3q).
A LLC tipo T tem incidência relativamente elevada, em portadores de ataxia 
teleangiectasia, doença imunológica de caráter hereditário. É encontrada incidência 
66
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
elevada de anomalias citogenéticas nesses casos, como: (1) quebras de cromossomos, 
(2) translocações e (3) inversões.
Entre as translocações, a t(11;14) pode afetar o gene atm, alterado na telangiectasia. 
Como acontece com outros tipos de leucemia, e com as neoplasias em geral, tem-se 
procurado correlacionar a origem da LLC com a ação de agentes do meio, com os 
quais os pacientes tenham entrado em contato.
Entre esses agentes, alguns parecem atuar positivamente na origem da doença, de 
acordo com substâncias químicas usadas, como pesticidas (organofosforados) na 
zona rural.
Diversos outros itens têm entrado nessas pesquisas epidemiológicas, cujos 
resultados não são bem definidos, entre eles: solventes químicos, derivados do 
petróleo, substâncias químicas, de várias naturezas, utilizadas em indústrias de 
plástico, agentes físicos, como exposição a campos elétricos e magnéticos.
Certas doenças hereditárias, com alterações cromossômicas (mutações etc.), e 
doenças autoimunes, parecem atuar positivamente ao aparecimento da LLC.
Há muito tempo, a incidência de linfoproliferações malignas tem chamado a 
atenção, em mais de um membro da mesma família. Entre estas, a LLC familial 
é encontrada com certa frequência. Alguns trabalhos têm procurado explicar a 
ocorrência da LLC familial, por meio de estudos genéticos e de análise molecular, 
em especial, nos casos em que ocorrem as mutações genéticas relacionadas aos 
genes das imunoglobulinas. É aceita a existência de grupamentos familiares da 
doença, e um ponto chama a atenção nesses casos: a ocorrência antecipada da 
doença, ou seja, o início da LLC se dá nos descendentes dos pacientes leucêmicos. 
Além disso, a incidência de LLC familial parece ser maior, quando há trissomia do 
cromossomo 12. Considera-se que, ao lado das anomalias genéticas herdadas dos 
ancestrais, as mutações devem estar relacionadas, também, à ação de fatores ambientais. 
Na LLC, ocorrem alterações imunológicas importantes, que resultam do processo 
linfoproliferativo. Inversamente, alterações imunológicas, que aparecem em várias 
doenças, podem levar ao desencadeamento de uma linfoproliferação maligna, entre 
elas, a LLC ou linfoma. 
Estudos sobre a função de linfócitos T têm demonstrado que há desequilíbrio 
na relação T auxiliares/T supressores (CD4/CD8) nessas linfoproliferações, 
causando excesso de atividade supressora. Numa primeira fase, há estímulo 
67
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
aumentado para a proliferação de linfócitos B, tipo policlonal. Quando se 
instala a LLC, a proliferação passa a ser do tipo monoclonal.
Na LLC, é relativamente alta a incidência de anticorpos antieritrocitários, antileucocitários 
ou antiplaquetários. De início, os anticorpos se originam da proliferação policlonal dos 
linfócitos B. Essa proliferação costuma estar relacionada a uma infecção virótica (tipo 
EB vírus). Numa etapa seguinte, a expansão das células B passa a ser monoclonal, 
caracterizando-se a LCC. Geralmente, a proliferação monoclonal das células 
B vem acompanhada de hipogamaglobulinemia, com produção de excesso de 
cadeias leves (kappa ou lambda), em relação às cadeias pesadas.
A anemia hemolítica, assim como a plaquetopenia, que ocorre em casos da 
doença é explicada pela presença de autoanticorpos. Há dúvidas quanto ao tipo 
de células produtoras desses anticorpos. Seriam os linfócitos B proliferantes da 
LCC (CD5+), uma linhagem anormal de linfócitos T, ou linfócitos B normais que 
não pertencem ao clone leucêmico? 
As características imunofenotípicas dos linfócitos da LLC são interessantes. Eles 
expressam antígenos da linhagem B madura (CD19, CD20, CD23), são CD10 
negativos, e são CD5+.
Considera-se típico da LLC o achado de células B CD5+, CD23+, com traços 
de Ig de superfície. Os marcadores CD79b e FMC79 têm baixa positividade. O 
antígeno CD20 é expresso no citoplasma celular, e está ausente, ou fracamente 
positivo, na membrana. As células exibem cadeias leves de imunoglobulinas tipo 
kappa ou lambda, monoclonais. 
Os linfócitos leucêmicos da LLC têm pequeno índice de proliferação, acumulando, 
na circulação ou nos órgãos, linfoides na fase G0 do ciclo celular. O acúmulo de 
células está relacionado à inibição do fenômeno da apoptose, ou morte programada, 
que ocorre nessas células. 
A LLC é considerada uma linfoproliferação, com características próprias, na qual 
o aumento progressivo de linfócitos, em circulação, não ocorre por excesso de 
proliferação, mas, sim, por acúmulo dessas células. Elas têm sobrevida aumentada, 
em virtude de defeito no mecanismo de apoptose, ou seja, de perda da capacidade 
de caminhar para a morte. 
Utiliza-se a classificação de Raí (1975), como referência para a classificação do 
estado evolutivo da doença.
68
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
 » Estágio 0: a doença é um achado do exame de sangue, pois há linfocitose 
absoluta (≥ 15.000 linfócitos/mm3). Na medula óssea, os linfócitos 
maduros estão em porcentagem ≥ 40%.
 » Estágio I: há linfocitose e aumento de linfonodos.
 » Estágio II: há linfocitose, ou aumento do fígado, ou, ainda, de ambos. Os 
linfonodos podem estar ou não aumentados.
 » Estágio III: presença de linfocitose e anemia (hemoglobina < 11g/100 mL 
ou hematócrito < 33%). Os linfonodos, o baço e o fígado estão, ou não, 
aumentados de volume. A anemia pode ser de qualquer tipo, inclusive, 
anemia hemolítica.
 » Estágio IV: linfocitose e plaquetopenia (plaquetas < 100.000/mm3). 
Anemia e organomegalia podem estar, ou não, presentes.
Leucemia Mieloide aguda
É uma doença de natureza maligna, caracterizada pela proliferação anômala 
dos precursores granulocíticos da medula óssea. No processo de diferenciação 
das células pluripotentes (stem-cells), da medula óssea, ocorre parada, ou 
dificuldade de maturação, de modo que se acumulam células jovens, que 
nunca chegam ao amadurecimento completo. Como a parada de maturação 
pode ocorrer em qualquer etapa da granulocitogênese, as células resultantes 
podem ter aspectos variados, desde forma muito diferenciadas (blastos), até 
aspecto bem mais diferenciado.Essa variação serve de base para a classificação 
morfológica dos vários tipos de LMA. 
Os blastos encontrados na LMA correspondem a células incapazes de evoluir até 
o estágio de maturação completa. O processo de multiplicação, e diferenciação 
normal, está alterado, em virtude da falha no mecanismo genético regulador 
do ciclo celular. Os genes responsáveis pela síntese dos fatores de crescimento, 
e de seus receptores celulares (proto-oncogenes), podem sofrer mutações, e 
isso vai afetar os sinais que devem ser transmitidos ao DNA dos precursores 
medulares.
O crescimento desordenado das células malignas do câncer, e das leucemias, 
traduz o desequilíbrio entre a proliferação e diferenciação.
69
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Genes encarregados da síntese dos vários fatores de crescimento, da série 
granulocítica, e de seus receptores celulares, podem sofrer mutações que resultam em 
leucemia. 
As alterações cromossômicas tipos translocações também podem resultar numa 
proliferação leucêmica, em decorrência dos chamados fatores de translocação. 
A leucemia pode, ainda, resultar de mutação, presente em genes supressores do 
crescimento celular. 
O WT-1, ou gene supressor de Wilms, por exemplo, é expresso em células-tronco 
CD34+ e, normalmente, está associado à diferenciação celular. Sua expressão 
aumentada é encontrada na LMA, e traduz diminuição da diferenciação na 
proliferação dos precursores. 
O p53 é outro gene supressor associado à incidência de câncer e de leucemia, 
quando sofre mutação. Está relacionado ao prognóstico pior, e alto risco da 
doença. 
Alguns casos de LMA aparecem depois do tratamento quimioterápico, utilizado 
para vários tipos de câncer ou de linfomas, tanto em indivíduos adultos, quanto 
em crianças. São casos de LMA secundária, que também estão associados a 
alterações genéticas. 
Dois tipos de quimioterápicos são responsáveis pelas LMA secundárias: (1) os 
agentes alquilantes e (2) os inibidores da enzima topoisomerase II. São exemplos 
de agentes alquilantes os derivados da mostarda nitrogenada, tais como 
ciclofosfamida, melfalan, clorambucil etc., e de inibidores da topoisomerase II, 
as epipodofilotoxinas, antraciclinas, mitoxantrone etc. 
Além desses quimioterápicos, a radioterapia, especialmente quando se associa 
ao uso de agentes alquilantes, é responsável pela origem de uma segunda neoplasia 
de tipo LMA. 
As LMA são subdivididas, sob critérios morfológicos e citoquímicos, pelo grupo 
FAB, em leucemias mieloides agudas dos tipos M0, M1, M2, M3, M4, M5 (M5a 
e M5b), M6 e M7 (Tabela 8).
Alguns tipos citogenéticos são associados a subtipos FAB, de apresentação clínico-
patológica específica. A t(8;21) é uma entidade clínica, relativamente homogênea, 
que, em mais de 90% dos casos, está associada ao subtipo FAB M2, de ocorrência 
em adultos jovens, caracterizada por mieloblastos com corpos de Auer, maturação 
granulocítica e prognóstico favorável. Entretanto, o raciocínio invertido não é 
70
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
totalmente válido. Desse modo, isoladamente, os subtipos FAB M2 não são entidades 
clinicamente homogêneas, e nem sempre apresentam t(8;21).
A translocação t(15,17), exclusivamente em subtipos FAB M3 e M3v, a inv(16) e/ou 
deleção (16q22), nas FAB M4 variante, eosinofílica e a t(9;11), nas M5, são alguns outros 
exemplos. 
Tomando por base alterações cariotípicas (segundo o 4o workshop Internacional 
das Alterações Cromossômicas nas Leucemias, 1984, e Heim et.al), as LMA 
poderiam ser divididas em dois grandes grupos:
1. Associadas a alterações citogenéticas típicas das LMA “de novo”, em 
crianças e adultos, incluindo t(15;17), t(8;21), inv(16), t(16;16), t(9;11), 
t(1;22), e t(8;16).
2. Anormalidades associadas a síndromes mielodisplásicas, incluindo 
ganho ou perda de segmentos cromossômicos, tais como -7, 7q-, -5, 5q-, 
+8, +9, -11, 11q-, 12p-, -18, +19, 20q-, +21, e, menos frequentemente, 
translocações t(2;11), t(1;7), as quais não respondem, satisfatoriamente, 
às quimioterapias LMA-associadas, apresentando baixos índices de 
remissão.
As leucemias agudas, classificadas como não linfocíticas, constituem um grupo 
com considerável heterogenicidade morfológica: leucemia meroblástica aguda, 
incluindo a promielocítica, mielomonocítica aguda, monocítica e, também, a 
eritroleucemia. 
O fato de granulócitos, monócitos e megacariócitos, apresentarem alguma 
anormalidade. Juntamente com o comprometimento das células eritroides, 
sugere a existência de comprometimento, no nível de uma célula primordial 
mais indiferenciada. 
Os subgrupos, anteriormente citados, com exceção da eritroleucemia, são 
considerados leucemias granulocíticas agudas. 
Para a diferenciação diagnóstica entre as leucemias mieloides agudas, pode-se, 
também, lançar mão da avaliação do grau de maturação dos subtipos M1, M2, 
M3, M5a e M5b, utilizando, para isso, o cálculo do índice de maturação (IM) 
para leucemias monocíticas e granulocíticas, proposto por Van Rhenen et. al. 
(Quadro 2).
71
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Características biológicas específicas podem distinguir as LMA secundárias à 
SMD (síndromes mielodisplásicas), das LMA verdadeiramente primárias (“de 
novo”). 
A subdivisão das LMA em entidades (LMA-MDR), leucemias multirresistentes 
a drogas, que incluiriam as leucemias secundárias à SMD, leucemia em idosos, 
ou como complicação de doenças, como a anemia de Fanconi, e LMA “de novo”, poderia 
ser de maior aplicação para as decisões clínicas e o tratamento. 
As LMA-MDR estariam ligadas a alterações genéticas comuns às displasias 
multilinhagens, à hematopoiese clonal, e à baixa resposta ao tratamento com 
quimioterapia citotóxica. 
As LMA “de novo” incluíram as LMA, com translocações características, vistas em 
crianças ou adultos jovens. Nesse grupo, não existiriam fatores prévios para mutações, 
não haveria alterações displásicas multilinhagem, e elas teriam boa resposta a 
tratamentos citostáticos.
As displasias multilinhagem, definidas pela presença de sinais displásicos, em duas 
ou mais linhagens, juntamente com as LMA originárias de pacientes com SMD 
prévia, estão associadas a prognóstico ruim. Da mesma forma, LMA secundárias a 
terapias com agentes alquilantes são biologicamente distintas das LMA “de novo”. 
Elas estão associadas a alterações citogenéticas, características como: 3q-, -5, 5q-, 
-7, 7q-, -8, -9, 11q-, 12p-, -18, -19, 20q-, -21, t(1;7), t(2;11) e cariótipos complexos 
e péssimo prognóstico. São precedidas por um estado hipoproliferativo, com 
displasia multilinhagem, como nas SMD. Semelhantes alterações citogenéticas, não 
associadas à terapia prévia, são comuns nas LMA “de novo”, em idosos.
Por outro lado, a terapia com inibidores da topoisomerase II, apesar de 
estar associada a leucemias secundárias, geralmente, mieloides, mostra 
anormalidades citogenéticas similares às da LMA “de novo”, de bom 
prognóstico e, desse modo, devem ser classificadas como entidades distintas 
das LMA secundárias a agentes alquilantes (Tabela 9).
72
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
Tabela 8. Classificação das leucemias mieloides agudas, segundo FAB.
SUBTIPOS DE LMA, SEGUNDO A CLASSIFICAÇÃO DA FAB (FRENCH-AMERICAN-BRITISH
M1 LMA sem maturação (mais de 90% de blastos mieloides, com menos de 10% de elementos mieloides maturando);
M2 LMA com maturação (mais de 30% de blastos, até 89%, com mais de 10% das células anormais, sendo de promielócitos a células mais 
maduras);
M3 Leucemia promielocítica aguda;
M4 Leucemia mielomonocítica aguda (os blastos mieloides devem exceder a 30% das células medulares nucleadas não eritroides, sendo 20 a 80% 
de monoblastos);
M5 Leucemia monocítica aguda (mais de 30% das células medulares nucleadas não eritroides são blastos, sendo mais de 80% precursores de 
monócitos);
M6 Eritroleucemia aguda, ou síndrome de Di Guglielmo (mais de 50% dos elementos nucleados da medula devem ser eritroblastos, e mais de 30% 
dos elementos não eritroides devem ser blastos mieloides);
M7 Leucemia megacariocítica aguda.
* percentualentre as LMA 
dos adultos
 
Fonte: http://anatpat.unicamp.br/taleucemias.html. Acesso em: 23/01/2020.
Leucemia linfoide crônica 
Quadro 2. Índice de maturação (IM), para classificação das LMA, proposto por Van Rhenen.
Leucemias Mielocíticas agudas (M1, M2 e M3): 
IM = promielócitos x 100 / (blastos + promielócitos)
 » LMA M1 : IM ≤ 4%
 » LMA M2 : IM de 4 a 85%
 » LMA M3 : IM > 85%
Leucemias Monocíticas agudas (M5a M5b) 
IM = promonócitos x 100 / (blastos + promonócitos)
 » LMA M5a : IM ≤ 4%
 » LMA M5b : IM > 4% 
 
Fonte: Anemias e Leucemias - Conceitos Básicos e Diagnósticos por Técnicas Laboratoriais. Oliveira R.A.G; 
Neto A.P, p. 126. 2004.
Tabela 9. Principais caracteres diferenciais entre LMA-MDR e LMA “de novo”. 
Variáveis LMA-MDR LMA “de novo”
História clínica
Idade 
Citogenética 
Mielodisplasias; 
agentes alquilantes ou 
quimioterapia
> 50 anos
 -7, 7q-, -5, 5q-, +8, 
20q-, +9, 11q-, 12p-, 
-18, +19, +21, t(1;7), 
3q21-26, t(2;11)
Sem antecedentes 
< 50 anos 
t(8;21), t(15;17), 
t(9;11), inv(16), 
t(11;17), t(6;9), 
t(16;16), t(8;16)
Morfologia Displasias multilinhagem 
Fenótipos mais maduros 
dos tipos M2, M4, M3, 
M5; sem displasias 
multilinhagens 
http://anatpat.unicamp.br/taleucemias.html
73
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Hematopoiese
Resposta e tratamento 
Stem-cell multipotencial 
mieloide
Baixa resposta a 
quimioterápicos, doenças 
resistentes, rápidas 
recidivas, impedimento 
de reserva medular, 
expressão de MDR 1 à 
apresentação 
Stem-cell linhagem 
restrita 
Boa resposta 
a tratamento 
quimioterápico 
apropriado, sem 
expressão de MDR 1 à 
apresentação 
Remissão 
Modelo iatrogênico 
Pode reverter para ou 
de SMD 
LMA pós-alquilantes ou 
quimioterápicos 
Remissões completas 
com quimioterapia
LMA pós-
epipondofilotoxinas 
ou combinações 
terapêuticas complexas 
 
Fonte: Anemias e Leucemias - Conceitos Básicos e Diagnósticos por Técnicas Laboratoriais. Oliveira R.A.G; 
Neto A.P, p. 127. 2004.
Leucemia Mieloide crônica 
Caracteriza-se como uma proliferação de células mieloides granulocíticas, que mantêm 
sua capacidade de diferenciação. É uma doença de origem clonal, surgindo em 
decorrência de anomalia da célula primordial, ou indiferenciada (stem-cell), da medula 
óssea. O clone anômalo, originado dessa célula, expande-se e infiltra o parênquima 
medular, de modo lento, mas progressivo, em detrimento da proliferação das células 
normais.
Considera-se que a causa primária da LMC seja o aumento de células indiferenciadas 
comprometidas com a granulocitopoese. Várias condições foram propostas, para 
explicar o porquê desse aumento, entre elas, a falha na resposta dessas células jovens 
aos fatores reguladores (estimuladores e inibidores) da granulocitogênese. 
O achado da anomalia cromossômica, denominada translocação t(9;22), presente em 
mais de 90% de casos de LMC típica, sugeriu que essa pudesse ser a origem da doença.
Várias situações poderiam levar a essa alteração cromossômica, como: (1) 
radiações (raios X, radiação atômica), (2) intoxicações por drogas (benzeno), e 
(3) infecção virótica. 
Com o progresso da biologia molecular, chegou-se à demonstração de que a 
translocação entre partes dos cromossomos 9 e 22, as chamadas bandas q34.1 e 
q11.21, respectivamente, resulta na t(9;22) (q34.1; q11.21).
Isso dá origem a um cromossomo 9 atípico, denominado 9q+, e a um 
cromossomo 22, também atípico, 22-q, denominado cromossomo Ph 1, 
presente em mais de 90% das LMC. 
74
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
Estudos, sobre localização de oncogenes nos cromossomos de animais e humanos, 
demonstram que, na banda q34 do cromossomo 9, está presente o oncogene c-abl, 
enquanto que na região entre as bandas q12.3 e q13.1, do cromossomo 22, situa-se o 
oncogene c-sis. Com a t(9;22), ocorre, então, a translocação recíproca dos genes c-abl, 
do cromossomo 9, para 22, e do c-sis deste, para o cromossomo 9. 
Na grande maioria dos casos de LMC, o local de quebra (breakpoint) do cromossomo 22 
se dá na região denominada breakpoint cluster region, ou bcr. Essa translocação causa 
um rearranjo genético, considerado típico da LMC, com Ph1 positivo. A translocação 
do gene c-abl, para o cromossomo 22 alterado (22q- ou cromossomo Ph1), determina o 
aparecimento de uma proteína, com atividade de tirosinoquinase tipo P210, diferente 
daquele produto resultante de um gene normal. 
Assim, os pacientes com LMC PH1 mostram evidências de um rearranjo de DNA, na 
região bcr. Tanto essa região, quanto o novo gene resultante da translocação, recebe o 
nome de bcr. 
O rearranjo genético bcr (ou gene bcr) estaria ligado à maior capacidade proliferativa 
dos granulócitos da LMC. Os estudos, sobre cinética celular desses casos, demonstram 
que os defeitos de proliferação dessa leucemia são mais complexos, podendo ser 
resumidos nos seguintes itens:
 » As células indiferenciadas não apresentam proliferação aumentada, ao 
contrário, grande número delas permanece em fase G0, não proliferante.
 » As células indiferenciadas mostram capacidade de amadurecerem, 
sendo, então, responsáveis aos fatores estimuladores da diferenciação. 
Tais células alcançam a fase de precursores mais diferenciados, e estes 
são os que, na verdade, apresentam maior capacidade proliferativa. 
Esta se manifesta por aumento do número de mitoses, resultando na 
expressão do parênquima granulocítico da medula óssea.
 » As células granulocíticas maduras têm sobrevida mais longa, e esse fato, 
associado ao aumento dos precursores diferenciados, leva ao acúmulo de 
granulócitos no sangue, na medula óssea, e em outros órgãos. 
Esses fatos processam-se de modo lento, sendo necessários, em geral, vários 
anos para se instalar um quadro típico da LMC. Durante esse tempo, os clones de 
células normais da medula óssea persistem na sua diferenciação normal, mas, em 
determinada fase, eles são suplantados pelas células leucêmicas.
75
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
O diagnóstico da LMC, em fase precoce, é muito difícil de ser feito, pois a morfologia 
das células normais, e das leucemias (Ph1 positivas), é praticamente a mesma.
Existe um assincronismo de maturação nas células do sangue e/ou da medula óssea. 
Tais células exibem citoplasma maduro, porém, os núcleos permanecem jovens, com 
nucléolos marcados.
O cromossomo Ph1 não é encontrado numa pequena porcentagem dos casos, 
denominados LMC Ph1 negativos. Estes têm evolução clínica diferente, menos favorável.
Os achados, sobre a biologia molecular desses casos, mostram que o rearranjo 
genético bcr pode estar, ou não, presente. De fato, a LMC Ph1- pode ter quadro 
clínico e hematológico semelhante ao da LMC Ph1+, ou pode apresentar-se clínica 
e laboratorialmente diferente. Alteração genética próxima à do gene bcr tem sido 
detectada, em leucemia linfoide aguda. 
A LMC incide, preferencialmente, na quarta e quinta décadas de vida, 
predominando, ligeiramente, no sexo masculino. É muito mais frequente nos 
indivíduos brancos. A LMC, raramente, incide antes dos 20 anos de idade. Na 
infância e na adolescência, a doença tem evolução clínica mais severa, cursando 
com quadro de hemorragias, o que é muito raro na forma do adulto. Esses casos 
de LMC costumam ser Ph1 negativos. 
As características de evolução crônica da LMC costumam persistir, por tempo 
médio de três a cinco anos. A doença evolui, sistematicamente, para uma fase de 
agravamento, e termina por se transformar numa forma de leucemia mieloide 
aguda. Descrevem-se, então, três fases da LMC: fase crônica, fase de aceleração, e 
fase de agudização.
 » Fase Acelerada da LMC: corresponde a uma fase em que a doença 
se torna refratária à terapêutica, e há aumento de precursores 
granulocíticos, no sangue e na medula óssea. A hepato, e a 
esplenomegalia, que haviam desaparecido com a terapêutica 
apropriada, na fase crônica, voltam a se instalar, intensificando-se 
a trombocitopenia ou a trombocitose. Esta fase precede a fase de 
agudização, que surge após um período de tempo variável.
 » Fase de Agudizaçãoou Crise Blástica: a anemia intensifica-se, 
há quadro hemorrágico variável em gravidade, febre e queda do 
estado geral. Os blastos aparecem em grande número no sangue e 
76
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
na medula óssea. A evolução costuma ser rapidamente fatal, com 
pouco sucesso terapêutico.
 » Fase Blástica: a leucemia pode continuar a apresentar células mieloides 
jovens, ou aparecem blastos de tipo linfoide (forma linfoide da 
transformação blástica). 
Diagnóstico laboratorial
Hemograma: mostra leucocitose variável, característica da LMC. A maior 
porcentagem das células granulocíticas é de tipo maduro (bastonetes e 
segmentados). Há desvio à esquerda, até mieloblastos, de modo não escalonado. 
O desvio à esquerda, com escalonamento, é encontrado nas reações leucemoides 
granulocíticas, nas quais são encontradas formas precursoras, no sangue periférico, 
mas sempre com predomínio das células progressivamente mais maduras. Na 
LMC, pode haver, por exemplo, maior porcentagem de mielócitos (20%) do que 
de metamielócitos, ou de bastonetes. Raramente as células blásticas estão em 
porcentagem alta (>10%).
A anemia pode ser discreta, ou acentuada, dependendo do tempo de evolução da 
doença. As plaquetas estão, geralmente, em número normal ou aumentado (plaquetose 
ou trombocitose). A plaquetopenia é rara, e traduz pior prognóstico.
Dado importante, na fórmula leucocitária, é a presença de basofilia e de eosinofilia. 
Mielograma: mostra a hipercelularidade acentuada, com aumento dos 
precursores granulocíticos. Os precursores eritroblásticos estão relativamente 
diminuídos, e há aumento da série megacariocítica, com plaquetogênese marcada. 
Na fase acelerada, nota-se parada de maturação. Na série branca, e na fase blástica, 
há infiltração maior ou menor, por blastos muito atípicos, de tipo mieloide, e, 
raramente, de tipo linfoide.
Síndromes mielodisplásicas
As síndromes mielodisplásicas (SMD) constituem grupo heterogêneo de doenças 
clonais da medula óssea, decorrentes da expansão de uma stem-cell multipotente que, 
sofreu alterações no seu genoma, que resulta em dismielopoiese.
São caracterizadas por citopenias periféricas, e hipercelularidade medular, o 
que define hematopoiese ineficaz. Há grande displasia celular, em uma ou mais 
linhagens celulares, podendo, ou não, ter aumento de blastos, instabilidade genética, 
77
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
e progressão (clínica, morfológica e cariotípica) a subtipos mais avançados de SMD, 
ou a leucemias mieloides agudas. 
Ocorrem, geralmente, em indivíduos idosos, que apresentam anemia refratária a 
tratamento. Além de anemia, esses pacientes, muitas vezes, apresentam neutropenia 
e/ou trombocitopenia persistentes. São consideradas como quadros pré-leucêmicos. 
Raramente, pode haver casos com medula hipocelular ou hiperfibrótica. 
Cerca de 50% dos casos “de novo”, e mais de 80% das SMD secundárias, 
possuem alterações citogenéticas (cariótipo alterado: deleções, inversões, 
translocações) à apresentação, que aumentam em frequência, com a progressão 
da doença. Essas alterações, na maioria das vezes, incluem perda ou ganho de 
segmentos cromossômicos. 
As síndromes mielodisplásicas foram classificadas, pelo Grupo Cooperativo 
Franco-Americano-Britânico (FAB), em cinco subgrupos, baseando-se na avaliação 
morfológica do aspirado de medula óssea, e do sangue periférico. Atualmente, 
o limite de corte do número de blastos, para as divisões dos diversos grupos e, 
principalmente, o seu significado para o tratamento, tem sido bastante debatido. 
(Tabelas 10 e 11).
Principais características dos subtipos FAB de 
mielodisplasias
 » Anemia refratária (RA): é frequente acima dos 50 anos de idade. Cursa 
com a anemia e, raramente, há neutropenia e plaquetopenia, sem que 
exista anemia. Há hiperplasia de eritroblastos e diseritropoese, na 
medula óssea e no sangue periférico. Ausência de blastos no sangue 
(até 1%), ou pequeno aumento de blastos na medula óssea (até 5%). 
Ausência de disgranulocitopoese e dismegacariocitopoese (plaquetas 
atípicas) medular.
 » Anemia refratária com sideroblastos em anel (anemia sideroblástica 
adquirida – ARSA): distingue-se da anterior, pela presença de sideroblastos 
em anel, na medula óssea (mais de 15% das células nucleadas da medula 
óssea). Esses sideroblastos, conforme foi mencionado, são eritroblastos, 
que têm uma coroa de grãos de ferro, circundando o núcleo, observados 
após a coloração de Perls. 
 » Anemia refratária, com excesso de blastos (RAEB): há um número maior 
de blastos no sangue periférico (<5%), enquanto a medula óssea mostra-se 
78
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
hiperplásica, nos setores eritroblástico e granulocítico. Há diseritropoese, 
disgranulocitopoese e dismegacariocitopoese, com certa porcentagem 
de sideroblastos em anel. O número de blastos, na medula óssea, fica 
entre 5% e 20%, havendo sinais de maturação na série granulocítica até 
promielócitos, ou além destes.
 » Leucemia mielomonocítica crônica (CMML): o aspecto mais 
característico é o aumento de monócitos no sangue periférico; na medula 
óssea, há, também, monocitose com células maduras e precursores 
(raros monoblastos e aumento de promonócitos). Ocorre, com 
frequência, aumento de outros granulócitos, e há sinais evidentes de 
disgranulocitopoese medular.
 » Anemia refratária, com excesso de blastos (AREBt), em 
transformação: diferencia-se das formas anteriores, por haver mais 
de 5% de blastos no sangue periférico; há aumento de blastos na 
medula óssea, não ultrapassando os 30%. Nessas células jovens, 
podem ser encontrados bastonetes de Auer. Apesar de o quadro ser 
muito sugestivo de leucemia, há leucopenia isolada, ou associada 
à anemia e plaquetopenia. Essa condição pode ser encontrada em 
pessoas de qualquer idade.
Tabela 10. Classificação WHO, ou OMS, das síndromes mielodisplásicas (SMD).
Tipo Sangue Periférico Medula Óssea
Anemia Refratária (RA) Anemia Blastos raros, ou ausentes Displasia linhagem eritroide, <5% blastos
Anemia Refratária, com sideroblastos em anel (ARSA) Anemia Blastos ausentes
Displasia linhagem eritroide, 15% sideroblastos em anel, 
<5% blastos
Citopenia refrataria, com displasia multilinear (CRMD) Bi ou pancitopenia Blastos <1% Displasia em 2/3 linhagens <5% blastos
Citopenia refrataria, com displasia multilinear e 
sideroblastos em anel (CRDMSA)
Bi ou pancito <1% blastos 
Displasia em 2/3 linhagens <5% blastos >15% 
sideroblastos em anel
Anemia refrataria, com excesso de blastos-1 (AREB-
1)
Bi ou pancito Blastos <5 <1 x 109/L 
monócitos
Displasia uni ou multilinhagem 5-9% blastos
Anemia refrataria, com excesso de blastos-2 (AREB-
2)
Bi ou pancito 5-19% blastos <1 x 
109/L monócitos
Displasia uni ou multilinhagem 10-19% blastos
SMS, inclassificável Citopenias variáveis Displasia unilinhagem <5% blastos
SMD – 5q-
Anemia plaq nl ou elevadas <5% 
blastos
Megas, em número normal ou elevado, com núcleos 
unilobulados <5% blastos del (5q)
 
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842006000300008. Acesso em: 23/01/2020
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842006000300008
79
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Tabela 11. Classificação FAB, para as Síndromes Mielodisplásicas (SMD).
Subtipos Sangue 
periférico 
(blastos)
Medula 
óssea 
(blastos)
Sideroblastos 
(medula 
óssea)
Anemia refratária 
(AR)
< 1% Citopenia 
(s)
<5% <15%
Anemia refratária, 
com sideroblastos 
em anel (ARSA)
< 1% Anemia <5% >15%
Anemia refratária, 
com excesso de 
blastos (RAEB)
<5% 
Pancitopenia
5 a 20% < 1%
Anemia refratária, 
com excesso de 
blastos (AREBt) 
em transformação
>5% 
Pancitopenia
21 a 30% 
Bastões de Auer
< 1%
Leucemia 
mielomonocítica 
crônica (CMML)
<5% 5 a 20% < 1%
 
Fonte: Anemias e Leucemias - conceitos básicos e diagnóstico por técnicas laboratoriais. Oliveira, R.A.G; Neto, 
 P.A. Ed Roca. p. 167. 2004. 
80
CAPÍTULO 2
Hemostasia e coagulação
Mecanismos de hemostasia 
Hemostasia é o fenômeno fisiológico, dinâmico, queprocura manter o sangue 
fluido, no interior dos vasos, bem como impedir a sua saída para os tecidos 
vizinhos. Esses dois fatos evitam a trombose e a hemorragia. A hemostasia 
normal depende do equilíbrio entre vários fatores, como: vasculares, 
plaquetários, coagulantes, anticoagulantes, fibrinolíticos, bem como da 
pressão e velocidade do fluxo sanguíneo, no interior dos vasos. 
Para compreender melhor esse fenômeno fisiológico, costuma-se considerar várias 
fases, ou etapas, na hemostasia normal, embora sabendo que não existe um limite 
nítido entre elas, pois essas fases sucedem-se sem interrupção. 
Etapas da hemostasia
Os processos hemostáticos podem ser divididos em três passos:
1. Formação de rolhas hemostáticas primárias e plaquetas: são massas de 
plaquetas, que se acumulam no local onde houve lesão, na parede do 
vaso, como resultado da aderência das plaquetas. Ocorre primeiro com 
o colágeno, no tecido endotelial exposto (adesão), e, depois, entre si 
(coesão ou agregação). O colágeno, e os primeiros traços de trombina 
que se formam no local da lesão, estimulam as respostas plaquetárias, 
que levam à coesão. As rolhas primárias são instáveis, e facilmente 
dissolvidas. 
2. Conversão das rolhas primárias, em rolhas estáveis permanentes 
reforçadas por uma rede de fibrina como suporte: à medida que 
aumenta a concentração de trombina, no local da lesão, as plaquetas, 
frouxamente aderidas das primárias, são consolidadas em rolhas 
estáveis. Uma contração em direção central da massa de plaquetas 
faz com que fiquem compactas, parecendo perder suas bordas 
distintas. Os grânulos plaquetários desaparecem, à medida que 
seu conteúdo é secretado. Forma-se fibrina, primeiro na superfície 
das plaquetas agregadas e, depois, como uma rede, que se espalha 
81
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
para fora, que reforça as rolhas, e contribui para a massa do selo 
hemostático. Esses eventos necessitam da produção de quantidades 
efetivas de trombina, nas reações de coagulação do sangue. 
3. Lise de fibrina: à medida que o trombo de fibrina cresce, são 
desencadeadas reações, para dissolver a fibrina, e restringir o trombo 
à área lesada da parede vascular. Nessas reações fibrinolíticas, a 
proenzima plasmática, o plasminogênio, liga-se à fibrina e, depois, é 
ativada a plasmina, por um ativador liberado pelas células endoteliais. 
Quando a hemostasia é deficiente, o paciente pode começar a sangrar novamente, de 
7 a 10 dias, depois de um procedimento como uma extração dentária. A administração 
de um antifibrinolítico pode evitar esse sangramento tardio. Deduz-se, portanto, 
que a deposição e a lise equilibradas da fibrina, normalmente, continuam durante, 
aproximadamente, 10 dias após uma lesão na parede vascular – mantendo e remoldando 
o selo hemostático, enquanto a parede do vaso cicatriza. A Figura 22 mostra as fases da 
hemostasia.
Figura 22. Fases da coagulação. 
 
 
Fibrinólise 
Parede do vaso 
lesada 
Sangue fluido, vaso recuperado 
Agregação de plaquetas e requerimento de 
fatores de coagulação 
Formação do plug hemostático 
11 
 
2 
31 
 
41 
 
51 
 
Fonte: https://pt.slideshare.net/mariareginaazevedo/hemostasia-27544655. Acesso em: 23/01/2020
3 Supressão da hemostasia pelo endotélio normal 
Embora essenciais para interromper o sangramento, após uma lesão na 
parede vascular, as reações hemostáticas são prejudiciais, quando ocorrem no 
intravascular, para formar um trombo, que bloqueia o fluxo de sangue, a partir 
de, ou para um tecido. As células endoteliais, que revestem o lúmen dos vasos 
https://pt.slideshare.net/mariareginaazevedo/hemostasia-27544655
82
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
sanguíneos, suprimem as reações hemostáticas, na ausência de lesão na parede 
vascular por:
1. Separar fisicamente o sangue de substâncias da parede vascular 
subjacente, que podem ativar plaquetas e desencadear a coagulação 
sanguínea.
2. Sintetizar e liberar prostaciclina (PGI2), uma prostaglandina que 
diminui a resposta plaquetária a estímulos ativadores.
3. Fornecer sítios de ligação na superfície, essenciais para reações que 
interrompem a coagulação do sangue. Esses sítios da superfície incluem:
Trombomodulina: um sítio de ligação, com alta afinidade por trombina. A ligação com 
a trombomodulina altera a especificidade enzimática da trombina, de forma que ela 
adquire a capacidade de ativar um fator hemostático, dependente de vitamina K, a 
proteína C, que tem uma função anticoagulante fundamental.
Sítios de ligação para a antitrombina III: foram identificadas, na superfície 
luminar das células endoteliais, dois tipos de proteoglicans (proteínas que contêm 
longas cadeias de polissacarídes, chamadas de glicosaminoglicans). As cadeias 
de glicosaminoglicans, em uma dessas proteínas, comportam-se como heparina, 
no sentido em que contêm de quatro a oito tetrassacárides (uma sequência de 
quatro açúcares), por cadeia, possuindo um arranjo crítico de grupos sulfato, 
que permite a ligação com antitrombina III. A ligação da antitrombina III, com 
esses sítios, aumenta enzimas da coagulação sanguínea.
Características das plaquetas 
As plaquetas, ou trombócitos, são elementos sanguíneos circulantes, provenientes 
do citoplasma dos megacariócitos, formados no sistema hematopoiético da 
medula óssea, a partir da célula primitiva stem-cell comprometida (UFB-Meg).
Essa célula, sob o estímulo da trombopoetina ou da plaquetopoetina, 
transforma-se em megacarioblasto, o qual se desenvolve, apresentando 
endomitoses, e adquirindo grande tamanho, o megacariócito. Do seu 
citoplasma, desprendem-se fragmentos, que passam para a circulação 
como pequenos discos, com 3 a 5µ de diâmetro, e 5 a 7µ3 de volume. Cada 
megacariócito pode formar de 2 a 3 mil plaquetas. As plaquetas circulantes 
constituem dois terços do número total, sendo que um terço é sequestrado 
pelo baço. 
83
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
A plaqueta apresenta uma vida média de sete a dez dias, sendo retiradas da 
circulação, pelo sistema fagocitário, principalmente, do baço.
O tamanho pequeno da plaqueta (3 a 5µ de diâmetro) não permite a visualização 
de sua estrutura na microscopia ótica. Na ultramicroscopia, podem-se distinguir 
três zonas importantes nas plaquetas:
Zona Periférica: é a região que recebe e transmite os estímulos para as funções 
de aderência e agregação. Nela, encontram-se antígenos, glicoproteínas e vários 
tipos de enzimas. Por meio dessa zona, a plaqueta interage com outras células, 
e com a parede dos vasos. Muitas proteínas plasmáticas, e muitos fatores da 
coagulação (V, XI e fibrinogênio), ficam firmemente ligados a essa superfície, 
denominada, também, atmosfera plaquetária. A membrana da plaqueta é 
trilaminar, formada por proteínas (as laterais) e lípides (a central). 
Abaixo da membrana, localiza-se uma camada (submembrana) com microtúbulos 
e/ou microfilamentos, que constituem o “esqueleto” da plaqueta. Os filamentos 
são os responsáveis pela forma discoide da plaqueta, e pela formação dos 
pseudópodos. 
A membrana plaquetária é formada de proteínas, de lípides e, em menor 
proporção, de carboidratos (57, 35, e 8%, respectivamente). Essa membrana 
está organizada como outras membranas celulares, isso é, há uma camada 
dupla de fosfolípides, que representam 70% do total dos lípides, e mais o 
colesterol e os glicolípides. O colesterol e as proteínas ficam intercalados, 
entre fosfolípides da membrana. Quase que em sua totalidade, as proteínas 
da membrana são glicoproteínas. Elas estão colocadas de permeio à dupla 
camada lipídica, ficando a sua porção hidrofílica livre, na zona periférica. Há 
vários tipos de glicoproteínas, denominadas GPI, II, III e IV (Tabela 12). 
Algumas proteínas têm função de receptores específicos, para determinados fatores 
da coagulação, como o GPIb, que atua como receptor para a trombina, e o fator von 
Willebrand (vWF). 
As glicoproteínas IIb e IIIa formam um complexo (GPIIb-IIIa), que é receptor para 
o fibrinogênio. Desse modo, essas glicoproteínas atuam nasfunções plaquetárias de 
adesão e agregação.
84
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
Tabela 12. Principais glicoproteínas da membrana plaquetária e suas funções.
GPIa Reage com o colágeno, na fase inicial da adesão das plaquetas ao endotélio 
GPIb Receptor para o vWF. Atua na fixação da plaqueta ao endotélio vasular 
GPIIb-IIIa Atua na agregação plaquetária. Liga-se ao fibrinogênio, fibronectina, e vWF 
GPIV Receptor para tromboplastina. Atua nas interações da superfície de contato 
 
Fonte: Manual de Hematologia. Lorenzi, T. 4. ed. p. 152. Roca. 2006.
Zona Sol-Gel ou Citosol: contém proteínas, arranjadas abaixo da região 
submembranosa, denominadas microtúbulos, formando uma zona anular, que 
contorna a grande circunferência plaquetária. Esses microtúbulos conectam-se 
aos microfilamentos, formando o esqueleto da plaqueta, que serve para orientar 
os movimentos da célula, e a eliminação de produtos secretados, para retração 
do coágulo. Logo, os microtúbulos constituem um aparelho de contração. São 
compostos de uma proteína – tubulina – que se apresenta sob forma de subunidades 
polimerizadas e despolimerizadas, conforme o estado funcional da plaqueta. 
Na plaqueta em repouso, a quase totalidade da tubulina se encontra sob a forma 
polimerizada. Quando há ativação, ocorre a despolimerização e, logo a seguir, a 
repolimerização. Os microtúbulos podem ser vistos nos pseudópodos, emitidos 
pelas plaquetas estimuladas. 
Os microfilamentos são formados pela actina, proteína que adquire a forma de 
G-actina (não polimerizada), e a forma filamentosa ou F-actina (polimerizada), 
e, ainda, por menor quantidade de miosina.
Essas proteínas contráteis atuam em processos vitais importantes, como a 
trombocitopoese, e, também, nas funções plaquetárias, tais como a emissão de 
pseudópodos, após a ativação, contração interna da plaqueta, eliminação e secreção 
de grânulos plaquetários, e na retração do coágulo. Há várias outras proteínas que 
interferem no sistema contrátil actina-miosina da plaqueta. 
A contração dessas proteínas é responsável pela mudança de forma da plaqueta, 
ocasião em que há movimento das organelas, para a zona central, e liberação 
de material dos grânulos. É, ainda, responsável pela retração do coágulo. Essa 
contração exige o dispêndio de energia, e requer cálcio. Durante o processo de 
secreção, e liberação de material dos corpos densos, dos grânulos alfa e dos 
lisossomos, há, também, consumo de energia, com participação do cálcio e dos 
nucleotídeos cíclicos (c-AMP e c-GMP) da célula. 
Zona de organelas: nesta zona, são encontrados vários tipos de estruturas; (1) 
corpos densos; (2) grânulos; (3) lisossomas; (4) mitocôndrias; (5) partículas 
85
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
de glicogênio; (6) aparelho de Golgi; (7) sistema tubular denso; (8) sistema de 
canalículos abertos. 
Corpos densos: são estruturas densas, graças ao seu conteúdo em cálcio. Contêm 
65% do total de ADP (adenosina-difosfato) e ATP (adenosina-trifosfato) das 
plaquetas. Contêm, também, bastante serotonina, pirofosfato e, provavelmente, 
antiplasmina. Quando esses corpos densos estão diminuídos, há alteração da 
propriedade de agregação das plaquetas. 
Grânulos alfa: contêm vários tipos de substâncias, tais como (1) fatores de 
crescimento (PDGF = fator de crescimento derivado de plaquetas; fator plaquetário 
4; TGF-β = fator transformador de crescimento β); (2) fatores da coagulação (fator 
V; fibrinogênio; fator VIII R: Ag = fator VIII – related antigen; proteína S); (3) 
proteínas de adesão (fibronectina; trombospondina; vWF = fator von Willebrand; 
vitronectina).
Lisossomas: contêm as enzimas fosfatase ácida; glucosaminidase; 
galactosidase. A catalase é uma enzima, presente em grânulos denominados 
peroxissomas. 
Mitocôndrias: atuam na síntese de ATP, que é essencial para que a plaqueta 
funcione normalmente. Na plaqueta estimulada, há aumento de consumo de 
oxigênio, que promove a oxigenação do ácido aracdônico.
Glicogênio: no endoplasma plaquetário, há numerosas partículas de 
glicogênio, que constituem material de reserva, ou fonte de energia da célula. 
Sistemas de membrana interna: compreende o sistema tubular denso (STD), e o 
sistema de canalículos abertos (SCA). Os dois sistemas interagem amplamente, 
quando a plaqueta é ativada. O STD é o local de síntese de prostaglandina e do 
tromboxane, parecendo ser equivalente aos sarcotúbulos das fibras musculares, 
que retêm e eliminam íons de cálcio, para controlar as suas contrações. Os SCA 
correspondem a verdadeiras invaginações da membrana celular e, por eles, o 
endoplasma se comunica com o meio externo. Admite-se que substâncias secretadas 
passem para o meio externo, por meio desse sistema, e que os estímulos para a 
ativação celular sejam, também, transmitidos por essa via, em sentido inverso. O 
aparelho de Golgi também faz parte do sistema de membranas da plaqueta. 
86
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
Funções das plaquetas
As plaquetas são elementos importantes na hemostasia, principalmente, na 
fase inicial, graças às funções de aderência ao colágeno e agregação entre 
si, para formar o botão, ou tampão hemostático, no local da lesão vascular. 
A aderência ao tecido conjuntivo do subendotélio estimula a plaqueta, que 
inicia o seu mecanismo de secreção e de liberação de substâncias, como o 
ADP e a tromboxane A2, ambos os fatores agregantes facilitam a agregação 
de novas plaquetas, que, também estimuladas, liberam mais substâncias 
agregantes, aumentando o botão plaquetário que tampona o local lesado. 
O ADP l iberado é regulado pelas prostaglandinas, pela tromboxane 
A2 (da plaqueta) e pela prostacic l ina (PGI2, da parede vascular) , 
com efe i tos opostos . A tromboxane A2 aumenta o ADP, enquanto a 
protacic l ina diminui a l iberação do ADP. 
A agregação plaquetária também pode se fazer, por meio do fator ativador das 
plaquetas (PAF), substância liberada por várias células (basófilos, neutrófilos, 
plaquetas e monócitos), após sua estimulação. 
Na fase da coagulação, a plaqueta tem papel importante, com seu fator plaquetário 
3, fosfolípide, que facilita a interação dos fatores coagulantes IX e VIII, bem como 
X e V, e do II e I, nas reações em que há participação do cálcio.
Papel das plaquetas na coagulação
As plaquetas atuam na hemostasia primária e na coagulação. Algumas 
proteínas da coagulação estão presentes nas plaquetas, como o fator Va, 
que é liberado pelos grânulos alfa. Esse fator Va serve de receptor da 
membrana para o fator Xa.
Forma-se, assim, um complexo – VaXa – na membrana plaquetária, que vai ativar a 
protrombina (fator II), transformando-a em trombina. Com a formação da trombina, 
há maior estímulo à conversão do fator V em Va, com geração de maior quantidade de 
trombina no local.
A ativação do fator Xa, na membrana das plaquetas, é importante etapa no início da 
coagulação, que exige, ainda, a ação dos fatores IXa, fator VIIIa e dos íons Ca++. 
87
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
O fator von Willebrand (vWF) está presente nos grânulos alfa, que são 
liberados quando a plaqueta é estimulada. A ação do vWF se dá na fase de 
adesão plaquetária ao endotélio vascular.
As plaquetas atuam, também, na fase contato da coagulação. Com a liberação de ADP, 
ocorre ativação do fator XII (fator contato), em presença de fator XI. 
Na chamada fase de estabilização do coágulo, também há participação das 
plaquetas, mediante a presença do fator XIII (fator estabilizador de fibrina) 
nelas. Esse fator contribui para a formação de uma rede de fibrina estável, após a 
formação do plug ou tampão plaquetário. 
O fibrinogênio (também denominado fator plaquetário 5) é encontrado nos grânulos 
alfa. Esse fibrinogênio parece ser estruturalmente diferente daquele que está no plasma. 
Entretanto, o fibrinogênio plasmático também é encontrado, adsorvido à membrana 
plaquetária. A atuação do fibrinogênio acontece na fase de agregação das plaquetas, 
para a formação do plug plaquetário.
Fatores plaquetários: é uma denominaçãoantiga, de algumas substâncias 
contidas no citoplasma plaquetário, ou adsorvidas à sua membrana. Recebem a 
designação de fator plaquetário, seguido de um algarismo arábico, reconhecendo-
se os fatores de número 1 a 10. As denominações mais usadas são as seguintes:
 » Fator Plaquetário 1: tem atividade do fator V, encontrando-se adsorvido 
à superfície da membrana, assim como nos grânulos alfa.
 » Fator Plaquetário 2: é também denominado de fator ativador do 
fibrinogênio. Parece intensificar a reação entre a trombuna e o 
fibrinogênio, e induz a agregação plaquetária.
 » Fator Plaquetário 3: é referido como a capacidade das plaquetas de 
acelerar o consumo da protrombina, a formação da trombina, e a 
formação de fibrina. Tem papel importante na coagulação, tornando-
se ativo apenas depois da estimulação plaquetária.
 » Fator Plaquetário 4: é, também, chamado de fator anti-heparina, 
sendo encontrado nos grânulos alfa. Tem papel importante na 
fisiopatologia da coagulação intravascular, podendo estar, aqui, 
aumentado. 
 » Fator Plaquetário 5: é encontrado nos grânulos alfa, e na membrana, 
tendo atividade de fibrinogênio. 
88
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
 » Fator Plaquetário 6: é, também, denominado antiplasmina plaquetária.
 » Fator Plaquetário 7: ainda conhecido como cotromboplatina plaquetária.
Mecanismo da coagulação 
A coagulação do sangue é um processo dinâmico, de reações bioquímicas e 
enzimáticas, envolvendo proteínas plasmáticas, lípides e íons, que transformam 
o sangue circulante, fluido, em um gel insolúvel, pela conversão do fibrinogênio 
em fibrina. 
A fibrina forma uma rede que contém, em suas malhas, os glóbulos vermelhos 
(trombo vermelho), e envolve o trombo plaquetário (trombo branco), formado, 
inicialmente, estabilizando o tampão hemostático. O processo da coagulação se 
inicia com a ativação do fator chamado contato (fator XII), e segue uma sequência 
de ativação de proteínas precursoras, ou proenzimas, num mecanismo de 
multiplicação, chamado cascata, ou reação em cascata. 
Inicialmente, pensou-se que a coagulação fosse devida à interação de quatro fatores: 
uma enzima originada nos tecidos (tromboplastina ou tromboquinase) que ativaria 
uma proenzima plasmática (protrombina), na presença de íons cálcio, formando 
uma enzima proteolítica (trombina), que, por sua vez, agiria sobre o fibrinogênio, 
proteína plasmática, e o converteria em fibrina. Atualmente, muitos fatores são 
conhecidos e, para ordenar a terminologia, um comitê internacional estabeleceu 
a nomenclatura, baseada em números romanos, usando como critério a data do 
descobrimento de cada fator. Os numerais indicam os fatores não ativados, que 
existem no plasma. São exceções o fator III, que é encontrado nos tecidos e na 
superfície da membrana da plaqueta (fosfolípide), o fator IV, que é o íon cálcio, e 
o fator VI, que, mais tarde, foi reconhecido como produto intermediário, e não um 
fator coagulante dito.
O fator VIII é uma molécula de grande tamanho, e compreende dois fatores: o fator 
coagulante (VIII:C), e o fator von Willebrand (VIII:vW), ambos com participação 
em locais diferentes, no mecanismo homeostático. O primeiro participa do 
mecanismo em cascata, enquanto o segundo é importante na fase inicial de hemostasia, 
facilitando a agregação plaquetária. Mais recentemente, outros fatores foram descritos, 
e não receberam, ainda, a numeração romana. São conhecidos como precalicreína, 
cininogênio de elevado peso molecular, proteína C, e proteína S.
89
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Fatores de coagulação
Os fatores da coagulação são serina proteases, que circulam no plasma, na forma 
inativa. Podem ser agrupados segundo a função e as propriedades bioquímicas. 
São considerados três grupos, ou sistemas de fatores, segundo a função. O sistema 
da via intrínseca inclui fatores XII, XI, IX, VIII, precalicreína e cininogênio de 
alto peso molecular.
No sistema da via extrínseca, está o fator VII e, na via comum, os fatores, V, X, II e 
I. Conforme o comportamento bioquímico, os fatores são separados em três grupos. 
O grupo I, ou grupo do fibrinogênio, compreende os fatores I, V, VIII e XIII, todos 
com elevado peso molecular (em geral, maior do que 250.000 kDa). Esses fatores 
são consumidos durante a coagulação, aumentam na inflamação aguda, e não são 
alertados pelos anticoagulantes orais, bem como não são vitaminas K dependentes. 
No laboratório, alguns apresentam termolabilidade (I, V e VIII), enquanto outros 
perdem atividade no armazenamento (V e VIII). Esses fatores não são absorvidos pelo 
sulfato de bário, ou pelo hidróxido de alumínio. O grupo II, ou grupo protrombínico, 
tem a participação dos fatores II, VII, IX, X, e proteínas C e S. Apresentam peso 
molecular baixo, entre 55.000 e 70.000 kDa. São vitamina K dependentes, e sofrem 
ação dos anticoagulantes orais. Não são consumidos completamente, durante a 
coagulação, sendo encontrados, em pequenas quantidades, no soro. Com exceção 
do fator II, esses fatores são termolábeis. São mais estáveis ao armazenamento do 
que os anteriores, e são precipitados com sulfato de bário e hidróxido de alumínio. 
O grupo III, também conhecido como sistema de ativação por contato, inclui os 
fatores XII e XI, o cininogênio de elevado peso molecular, e precalicreína. São fatores 
que, se ativados, permanecem no soro, mesmo após a coagulação. Apresentam 
peso molecular entre 80.000 e 200.00 kDa e, no laboratório, são precipitados pelo 
sulfato de bário, hidróxido de alumínio e caolim.
Na Tabela 13, estão representadas algumas características dos fatores de 
coagulação.
90
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
Tabela 13. Nomenclatura dos fatores de coagulação. 
Fator Sistema Outras Designações
I IN Fibrinogênio
II E, IN Protrombina
III IN Tromboplastina, suco tissular
IV E, IN Cálcio
V E, IN Proacelerina, AC-globulina plasmática, fator lábil
VII E Proxonvertina, fator estável, acelerador da conversão da protrombina
VIII IN Fator anti-hemofílico (AHF), globulina anti-hemofílica
IX IN Componente tromboplastínico do plasma (PTA), fator Christmas
X E, IN Fator Stuart-Prower
XI IN Antecedente tromboplastínico do plasma (PTA); fator anti-hemofílico C
XII IN Fator Hageman; fator vidro
XIII Fator estabilizante da fibrina
 
Fonte: http://www.infoescola.com/sangue/tromboplastina. Acesso em: 23/01/2020.
Via intrínseca
A via intrínseca da coagulação se inicia com a ativação do fator plasmático, fator 
XII, ou fator de contato pelo colágeno do subendotélio, ou quando o plasma entra 
em contato com materiais carregados? negativamente, como o vidro, o caolim, o 
celite, os tecidos conjuntivos, ou as preparações de colágeno, cristais de pirofosfato 
ou urato, endotoxinas etc.
O fator XII, uma vez ativado (XIIa), ativa o fator XI (XIa), que, por sua vez, ativa o 
fator IX (IXa). O fator XIIa também é capaz de ativar a formação das cininas e, com 
elas, o sistema complementa, bem como ativa, o plasminogênio e a conversão do 
fator VII, em fator VIIa (da via extrínseca da coagulação). 
O fator IXa forma, com o fator VIII, íons Ca e fosfolípide da plaqueta, um complexo que 
ativa o fator X (Xa).
Na sequência seguinte, o fator Xa liga-se ao fator V, ao cálcio, e à fosfolípide da 
plaqueta, formando um segundo complexo, que ativa o fator II (IIa), o qual converte 
o fibrinogênio em fibrina. Esse é o produto final da coagulação. A fibrina formada é 
instável e, pela ação do fator XIII (fator estabilizador da fibrina), transforma-se em 
fibrina estável e insolúvel, a qual mantém um coágulo resistente.
Via extrínseca 
A via extrínseca da coagulação é o meio alternativo para ativar o fator X, sem a 
participação dos fatores XII, XI, IX e VIII. O fator liberado dos tecidos lesados se liga 
http://www.infoescola.com/sangue/tromboplastina
91
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
ao cálcio (Ca++), e ao fator VII, e, assim, ativam o fator X (Xa). Daí segue a via comum 
já descrita. 
As vias intrínseca e extrínseca se complementam. A via extrínseca possui um 
mecanismo rápido, paraa produção de pequenas quantidades de trombina, a qual age 
sobre os fatores V e VIII, tornando-os formas mais ativas e, portanto, acelerando a 
via intrínseca. O fator XIIa também age sobre o fator VII, tornando-o mais reativo. 
Ambos os sistemas são importantes para a coagulação in vivo. A Figura 23 apresenta o 
esquema da coagulação.
Figura 23. Cascata da coagulação e representação das vias intrínseca e extrínseca.
 
 
Fator XIII 
Superfície nega- 
tivamente carregada Fator XII 
Ativado Fator XII 
Calicreína 
Ceninogênio 
Fator XI Fator XI 
Ativado 
Fator IX 
Fator VIII 
Cálcio 
Fator IX 
Ativado 
Fator VIII 
Ativado 
Cálcio 
Fosfolipídeo 
Fator X 
Fator V 
Fator X 
Ativado 
Fator X 
Ativado 
Cálcio 
Fosfolipídeo 
Tromboplastina tecidual 
(fator tecidual) 
 
Fator VII 
 
Cálcio 
Protrombina Trombina 
Fibrinogênio Monômeros de Fibrina Solúvel 
Trombina 
Cálcio 
Fator XIII 
Ativado 
Polímero de Fibrina Insolúvel 
VIA EXTRÍNSICA 
VIA INTRÍNSICA 
Fator XIII 
Fonte: https://diagnosticobucal.com.br/adesivo-fibrinico-proposta-terapeutica-para-hemostasia/. Acesso em: 23/01/2020.
A visão clássica da cascata da coagulação, como a descrita anteriormente, 
é a de maior utilidade, do ponto de vista clínico. No entanto, certas 
constatações obtidas de pacientes, como aqueles deficientes em fator XII, 
que não têm hemorragias, de que pacientes deficientes em fator XI levam a 
uma heterogeneidade de sintomas hemorrágicos, além daqueles pacientes 
deficientes dos fatores VIII (Hemofilia A), ou IX (Hemofilia B), produzirem 
hemorragias graves, conduziram a uma reformulação da hipótese clássica 
do processo de coagulação (FERREIRA et. al., 2010). Na nova hipótese da 
https://diagnosticobucal.com.br/adesivo-fibrinico-proposta-terapeutica-para-hemostasia/
92
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
coagulação sanguínea, começa a ser, cada vez mais evidente, a existência 
de apenas uma via, em que todos os fatores interagem, e em que a fase de 
contato tem cada vez menor importância. Essas diferenças, em relação à 
hipótese clássica, estão descritas a seguir:
1. A iniciação da coagulação sanguínea se faz pelo sistema extrínseco. 
2. A formação inicial dos fatores IXa e Xa, por ação do complexo FVIIa/
FT, é insuficiente, para uma hemostasia normal, porque a atividade 
catalítica desse complexo é inibida, à medida que o processo da 
coagulação progride. 
3. O FXIa é importante, como fator amplificador, e não como iniciador 
da coagulação sanguínea. 
4. O FX requer uma ativação dupla, uma vez que é ativado, diretamente, 
pelo complexo FVIIa/FT, e indiretamente, pelo complexo FIXa/FVIIIa/
fosfolipídeos. 
5. O fator inibidor da via do fator tecidual (TFPI) se liga ao FXa, e o 
complexo resultante (TFPI/FXa) inativa o complexo FVIIa/FT. Esse 
mecanismo inibidor explica, provavelmente, por que razão os 
hemofílicos têm hemorragias. 
6. A formação de trombina não é apenas o passo que antecede a 
formação do coágulo de fibrina, mas, também, um passo intermédio 
necessário, para desencadear mecanismos de amplificação e, assim, 
consolidar o estímulo pró-coagulante, iniciado pelo complexo FVIIa/
Fator Tecidual. A trombina 10 tem, como principal função, a conversão 
do fibrinogênio em fibrina, mas também ativa os fatores XI, IX, VIII, X 
e XIII, estimula a agregação e secreção plaquetárias, e promove vários 
efeitos celulares, como quimiotaxia, proliferação, renovação da matriz 
extracelular e libertação de citocinas. 
Desse modo, o processo de coagulação sanguínea deve ser encarado 
não como uma simples cascata de fatores, mas como um mecanismo 
de sinalização celular, que participa em todos os processos de resposta 
inflamatória do hospedeiro. 
93
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Inibidores da coagulação 
Sempre que um excesso de trombina é formado, durante o fenômeno da coagulação, 
existe tendência para o aparecimento de quantidade exagerada de coágulos. Daí 
poderá resultar um quadro de trombose. 
O organismo conta com mecanismos que regulam a quantidade de trombina formada, 
após a ativação das plaquetas, e o estímulo das enzimas que atuam na coagulação. 
Exatamente para evitar que a trombose se generalize, esses mecanismos são 
acionados, ao mesmo tempo em que a coagulação é ativada.
Os fenômenos que ocorrem, simultaneamente, à coagulação do sangue, e que são 
responsáveis pelo controle de uma situação, em que haveria excesso de coágulos, 
podem ser resumidos nos seguintes:
 » Diluição dos fatores da coagulação, na corrente sanguínea. Quando o 
sangue flui normalmente, sem estase, a tendência é de que os fatores 
ativados sejam diluídos e, ao atravessarem o parênquima hepático, sejam 
metabolizados pelas células. 
 » Os fatores ativados se ligam a substâncias, também presentes na 
corrente sanguínea, as quais têm ação inibidora específica contra 
esses fatores. Formam-se, então, os complexos entre os fatores da 
coagulação, e seus inibidores naturais. 
 » Os inibidores naturais da coagulação podem ser classificados em dois 
grupos:
 » Inibidores das serina-proteases, ou antitrombinas. Esses inibidores 
podem ser heparina-dependentes (antitrombina e heparina-cofator 
II), ou ser independentes da heparina (alfa 2-macroglobulina e alfa 
1-antitripsina).
 » Inibidores de cofatores ativados (fatores Va e VIIIa). Incluem-se, aqui, a 
proteína C e a proteína S.
Antitrombinas
As mais importantes são a antitrombina (AT), alfa 2-macrobulina, e a alfa 
1-antitripsina, sendo que a primeira desperta maior interesse. Trata-se de uma 
glicoproteína de peso molecular de 58.000 kDa, produzida pelo fígado, que forma, 
94
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
com a trombina, e com outras serina-proteases ativas (fatores XIIa, XIa, Xa, IXa e 
IIa), um complexo estequiométrico, por meio de suas ligações de arginina. 
Com a formação desse complexo, essas enzimas tornam-se inativas. O fator VIIa é a 
única serina-protease, que não se inativa com AT.
A heparina é um mucoplossacarídeo ácido, que interfere na função da AT, 
aumentando a reação que se dá entre ela e as serina-proteases. Logo, trata-se de 
uma substância com efeito anticoagulante. Sabe-se que a heparina forma, com 
a AT, um complexo denominado AT + heparina, com capacidade de aumentar 
muito a ação anticoagulante da AT. Esse efeito potencializador da heparina 
não é observado em relação aos outros inibidores. 
Além de inibir as serina-proteases mencionadas, a AT também inibe a plasmina, a 
calicreína, e a fração C1 do complemento. 
Os níveis de AT do adulto estão em torno de 0,2 mg/ml de plasma. Nas crianças, 
até o sexto mês de vida, esse valor está reduzido à metade. Nas mulheres em 
idade madura, e na velhice, os níveis podem cair, aparecendo, consequentemente, 
maior tendência para o desenvolvimento de tromboses. 
A ação anticoagulante da heparina, nos casos de trombose, só pode ser conseguida 
naqueles indivíduos que têm nível normal de AT. 
TPFPI – Inibidor da Via Extrínseca da Coagulação: atua sobre a ligação FT/
FVIIa (fator tissular/fator VII ativado).
Heparina – Cofator II: é um inibidor da trombina diferente da AT, porque, enquanto 
inibe várias serina-proteases, a heparina-cofator II parece inibir, de modo seletivo, 
apenas a trombina.
Proteína C: é uma glicoproteína dependente de vitamina K, considerada importante 
regulador fisiológico da quantidade de trombina, que se forma no organismo. 
Encontra-se in vivo, sob a forma inativa, podendo ser ativada por várias enzimas, 
entre elas a trombina. Para que a proteína C atue, há a necessidade de intervenção 
de um cofator, presente nas células endoteliais, denominado trombomodulina.
A formação de um complexo trombina-trombomodulina, no endotélio, é capaz 
de ativar a proteína C, originando a proteína ativada (Ca). Esta tem a função de 
cindir as moléculas dos fatores V e VIII ativados. Desse modo, a proteína Ca regula 
a formação de mais trombina, que promoveria a ativação de maiores quantidades 
daqueles fatores, impedindo, assim, um excesso de coagulação.95
LEUCEMIAS │ UNIDADE II
Existe um inibidor fisiológico da proteína C, que impede o excesso da ação anticoagulante 
desse fator. Por outro lado, a proteína S atua como cofator, acelerando a atividade 
anticoagulante da Ca. 
A proteína Ca só é capaz de inativar os fatores Va e VIII:Ca (fator VIII coagulante 
ativado), quando os mesmos estão livres. Quando o fator Va está ligado ao fator Xa, a 
proteína Ca não apresenta mais atividade inibidora.
Existem várias substâncias que também têm efeito controlador da coagulação, e da 
fibrinólise, cuja estrutura química é muito próxima da antitrombina. Entre elas, está a 
antiplasmina, o inibidor da ativação do plasminogênio (PAI), o inibidor da fração C1 do 
complemento, e a antiquimiotripsina. 
Fibrinólise 
Consiste no mecanismo de dissolução enzimática do coagulo, que se forma após a 
lesão do endotélio vascular, sobre a qual se deposita a rede de fibrina. A fibrinólise 
permite a recanalização do vaso lesado e tamponado, a fim de que o fluxo sanguíneo 
seja restabelecido.
A enzima responsável pela lise do coágulo é a plasmina, que se forma a partir de um 
precursor – o plasminogênio. 
Existem substâncias que são ativadoras do plasminogênio, e outras que são 
inibidoras, de modo que, como acontece com a coagulação, na fibrinólise também 
deve haver um equilíbrio entre esses dois tipos de substâncias. Ocorre fibrinólise 
fisiológica sempre que, na circulação, houver formação de coágulo. 
O sistema fibrinolítico tem um esquema parecido ao da coagulação, havendo, também, 
uma via intrínseca, e uma extrínseca de ativação do plasminogênio.
O plasminogênio é ativado em plasmina, na via intrínseca (intravascular), 
pelo fator XIIa (o mesmo que inicia a via intrínseca da coagulação). Na via 
extrínseca (extravascular), o plasminogênio sofre ação dos ativadores do 
tecido, de modo semelhante ao da ativação do fator VII, pelo fosfolípide dos 
tecidos, na via extrínseca da coagulação. 
A plasmina formada quer pela via intrínseca ou extrínseca, cinde a fibrina 
e, também, o fibrinogênio, em pequenos fragmentos, chamados produtos de 
degradação da fibrina (PDF). Esses fragmentos são pequenos peptídeos, que devem 
ser removidos da circulação, pelo sistema reticuloendotelial, especialmente, pelas 
células de Kupfer, no fígado. Se não forem removidos, ficando em alta concentração 
96
UNIDADE II │ LEUCEMIAS
no sangue, podem agir como potentes inibidores da formação do coágulo. Altas 
concentrações dos produtos de degradação da fibrina também podem alterar a 
função plaquetária. A Figura 24 mostra o processo fibrinolítico. 
Figura 24. Esquema das fases do processo fibrinolítico.
 
 
Fibrina ➔➔ PDF 
PLASMINOGÊNIO 
PLASMINA 
t-PA 
u-PA 
PAI-1 
α2-AP 
Fonte: http://revista.fmrp.usp.br/2001/vol34n3e4/fisiologia_coagulacao.pdf.
Ashby B, Daniel JL, Smith JB. Mechanisms of platelet activation and inhibition. 
Hematol Oncol Clin N Amer. 1999; 4(1):1-26.
Celi A, Lorenzet R, Furie B, Furie BC. Platelet – leucocyte – endothelial cell 
interaction on the blood vessel wall. Sem Hematol. 1997, 34:327-35.
Colman RW. Platelet receptors. Hematol Oncol Clin N Amer. 1990; 4(1):27-42.
Kottke-marchant K. Laboratory diagnosis of hemorrhagic and thrombotic 
disorders. Hematol Oncol Clin N Amer. 1994; 8:809-53. 
Mosesson MW. The roles of fibrinogen and fibrin in hemostasis and 
thrombosis. Sem Hematol. 1992; 29\;177-88.
Davie EW; Ratnoff OD. Waterfall sequence for intrinsic blood clotting. Science 
145: 1310-1312, 1964.
Macfarlane RG. An enzyme cascade in the blood clotting mechanism, and its 
function as a biochemical amplifier. 1964. Nature 202:498-499
97
Para (não) Finalizar
O estudo da disciplina Hematologia Clínica, apresentado neste caderno, é de grande 
importância, não só para o aluno, mas também para os professores que estiveram 
empenhados neste trabalho. Todo o educador tem a curiosidade pela busca do novo, 
quer aprimorar e enriquecer seus conhecimentos, e, desta forma, ambos, professor 
e aluno, são beneficiados. Neste momento de formação, a capacidade autônoma é de 
grande relevância, considerando as habilidades crítica e criativa, desenvolvidas durante 
este período de aprendizado.
O exame hematológico mais solicitado é o hemograma, e essa preferência 
universal exprime a necessidade do hemograma no diagnóstico, e no 
controle evolutivo das doenças infecciosas, das doenças crônicas em geral, 
das emergências médicas, cirúrgicas e traumatológicas. O hemograma está 
suportado na quantificação e observação morfológica das células sanguíneas. 
Por isso, o estudo da morfologia das células sanguíneas, as quais podem ser 
observadas, por meio da leitura de lâminas hematológicas, retrata todos os 
aspectos laboratoriais e clínicos, na hematologia clínica, e representam uma 
ferramenta poderosa, que pode ajudar nos exames de rotina laboratorial, bem 
como na correlação com outros exames laboratoriais.
As doenças hematológicas constituem um grande problema de saúde pública. As 
hemoglobinopatias, mais conhecidas como anemias hereditárias, como a anemia 
falciforme, e as síndromes talassêmicas, são oriundas de movimentos migratórios, 
que ocorreram durante a ocupação dos europeus, em diversos estados do Brasil, no 
final do século XIX, e início do século XX; as anemias carenciais são decorrentes 
da falta de nutrientes, pela alimentação inadequada, presente, principalmente, 
nas classes menos favorecidas. Todos esses fatores enfatizam a importância de 
profissionais qualificados, que possam atuar, efetivamente, na identificação 
laboratorial das desordens hematológicas.
Portanto, fica claro o objetivo deste Caderno de Estudos, no sentido de aprimorar e 
consolidar os conhecimentos em hematologia, e auxiliar, também, nas boas práticas de 
rotina laboratorial hematológica.
98
Referências
BAIN, J. B. Células sanguíneas. 4. ed. São Paulo: Artes Médicas, 1997. 
BERNE, R. M.; LEVY, M. N. Fisiologia, 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2000. 
BERNARD, J. J. Manual de hematologia. 3. ed. São Paulo: Masson do Brasil,1986.
BORGES-OSÓRIO, M. R; ROBINSON, W. M. Genética humana. 2. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2001. 
BROW, BA. Hematology. 5th ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 1993.
CARVALHO, W. F. C. Técnicas médicas de hematologia e imunohematologia. 
8. ed. Belo Horizonte: Cooperativa Editora e de Cultura Médica, 1994.
CHARLES, A.; JANEWAY, J.R; TRAVERS, P. Imunobiologia. 7. ed. Artes Médicas, 
Porto Alegre, 1997.
COSTANZO, L. S. Fisiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 
COTRAN, R. S.; KUMAR, V.; COLLINS, T., Pathologic basis of disease. W. B. 
Saunders Co., Philadelphia, 1999.
DACIE, J. V.; LEWIS, S. M., Practical Haematology, 8th ed. Churchill Levingstone, 
Ed. Edinburgh, 1995.
DENNIS, C.; GALLAGHER, R.; WATSON, J. D. The human genome, Nature 
Publishing Group, 2001.
FAILACE, R. Hemograma: manual de interpretação. 5. ed. Porto Alegre: Artes 
Médicas, 1995.
FERREIRA CN; SOUSA MO; DUSSE LMS; CARVALHO MG. O novo modelo 
da cascata de coagulação baseado nas superfícies celulares e suas 
implicações. Rev. Bras. Hematol. Hemoter, v. 32 n. 5. São Paulo, 2010.
GIGLIO, A. D.; KALIKS, R. Princípios de hematologia clínica. 1. ed. São Paulo: 
Manole, 2006. 
HAMERSCHLAK, N. Manual de Hematologia. 1. ed. São Paulo: Manole, 2009.
99
REFERÊNCIAS
HAYHOE, F. G. J.; FLEMANS, R. J. Atlas colorido de citologia hematológica. 
Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
HENRY, J. Diagnósticos clínicos e tratamento por métodos laboratoriais. 
19. ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 1999.
HILMAN, R. S.; FINCH, C.A. Red cell manual. 7th ed., F. A. Davis Co., Philadelphia, 
1996.
HOFFBRAND, A. V.; LEWIS, S. M.; TUDDENHAM, E. G. D. Hematology. 5th ed., 
Oxford, 1999.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H.; PETTIT, J. E. Fundamentos em 
Hematologia. 5. ed. São Paulo: Artmed 400 p., 2007.
HUGHES-JONES, N.C.; WICKRAMASINGHE, S.N., Lecture notes on 
Haematology. 5th ed. Blackwell Scientific Publication, Oxford, 1993.
LEE GR. Wintrobe hematologia clínica. 2. ed.São Paulo: Manole, 2004. 
LIMA, O. et. al. Métodos de laboratórios aplicados à clínica. 7. ed. São Paulo: 
Guanabara Koogan, 1992.
LOEFFLER, H.; RASTELTER, J. Atlas of Clinical Haematology. 5th ed., 
Springer, Berlin, 1999.
LORENZI, T. Manual de hematologia: propedêutica e clínica. 4. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
LORENZI, T. F. Atlas de hematologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
MEHTA, A.; HOFFBRAND, V. Haematology at a glance., Blackwell Science 
Publ., Oxford, 2000.
MOURA, R. A. Técnicas de Laboratório. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 1994.
MOURA, R. A. Colheita de material para exames de laboratório. 3. ed. São 
Paulo: Atheneu, 1998.
NAOUM, P. C. et al. Hemoglobinas anormais no Brasil. Prevalência e distribuição 
geográfica. Revista Brasileira de Patologia Clínica. 23: 68-79, 1987;
NAOUM, P. C. Hemoglobinopatias e talassemias. São Paulo: Editora Sarvier, 
1997.
100
REFERÊNCIAS
NAOUM, P. C. Interferentes eritrocitários e ambientais na anemia falciforme. Revista 
Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. 22: 05-22, 2000;
NAOUM, P. C.; NAOUM, F. A. Doença das células falciformes. São Paulo: Sarvier, 
2004.
OLIVEIRA, R. A. G. Is automated platelet counting still a problem in 
thrombocytopenic blood? Hematology Laboratory. Sao Paulo Med J/Rev Paul Med 
121(1): 19-23, 2003.
OLIVEIRA, R. A. G. Anemias e leucemias. 3. ed. São Paulo: Roca, 2004.
PROVAN, D.; HENSON, A. ABC of Clinical Hematology, BMJ Publ. Group., 
London, 1998.
PROVAN, D.; GRIBBEN, J. Molecular haematology. Blackell Science, Oxford, 
2000.
RAPAPORT, S. I. Hematologia: introdução. 2. ed. São Paulo: Roca, 1990.
ROWAN, R. M., ASSENDELFT, O.; PRESTON, E. F. Advanced laboratory 
methods in haematology. Arnold Group Publ., London, 2002.
SILVA, P. H. Hematologia laboratorial. 1. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2008.
STIENE-MARTIN, E. A.; STEININGER C.A.L.; KOEPKE, J. A. Clinical Hematology, 
2nd ed. Philadelphia, 1998.
TEIXEIRA, J. E. C. Diagnóstico Laboratorial em Hematologia. 1. ed. São Paulo: 
Roca, 2006.
VERRASTRO, T; LORENZI, T. F. Hematologia e hemoterapia. 1. ed. São Paulo: 
Atheneu, 1996.
WILLIAMS W. J.; MARSHALL A. L. Hematologia. 6. ed. São Paulo: Guanabara 
Koogan, 1976.
WILLIAMS; WILKINS. Wintrobe’s Clinical Hematology. Philadelphia 
Lea&Febiger, 2009.
WOOD, M. E.; BUNN, P. A., Segredos em hematologia e oncologia. Porto Alegre: 
Artes Médicas, 1996.
101
REFERÊNCIAS
ZAGO, M. A. et al. Hematologia: fundamentos e prática. Ed. rev. e atual. São Paulo: 
Atheneu, 2004. 
Sites
http://www.us.elsevierhealth.com. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://www.elsevier.com/journals. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://www.biomedcentral.com. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://www.chemistrycentral.com. Acesso em: 23 jan. 2020.http://www.springeropen.
com. Acesso em: 23 jan. 2020.http://www.jcheminf.com. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://www.medicinanet.com.br/m/conteudos/acp-medicine/7607/abordagem_
aos_pacientes_com_disturbios_hematologicos_benignos.htm. Acesso em: 23 jan. 
2020.https://docplayer.com.br/6380266-Alteracoes-leucocitarias-nas-doencas.html. 
Acesso em: 23 jan. 2020.
https://www.biomedicinapadrao.com.br/2014/03/como-identificar-metamielocitos-
na.html. Acesso em: 23 jan. 2020.
https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16406/1/tese%20Mestrado%20-%20
Estela.pdf. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://www.sbpc.org.br/upload/congressos/2_Aplicacoes_da_citometria_de_fluxo_
no_diagnostico_onco-hematologico.pdf. Acesso em: 23 jan. 2020.
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/mielopoiese.html. Acesso em: 23 
jan. 2020.
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/linfopoiese-e-monopoiese.html. 
Acesso em: 23 jan. 2020.
https://reniellyfisio.blogspot.com/2011/02/representar-funcaodos-orgaos-linfocitos.
html. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://isoldamodestobio.blogspot.com/2011/03/. Acesso em: 23 jan. 2020.
https://www.uv.es/histomed/medicinaEsp/02/timo-4x.jpg. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://www.us.elsevierhealth.com
http://www.ncbi.nlm.nih.gov
http://www.elsevier.com/journals
http://www.biomedcentral.com
http://www.chemistrycentral.com
http://www.springeropen.com
http://www.springeropen.com
http://www.jcheminf.com
http://www.medicinanet.com.br/m/conteudos/acp-medicine/7607/abordagem_aos_pacientes_com_disturbios_hematologicos_benignos.htm
http://www.medicinanet.com.br/m/conteudos/acp-medicine/7607/abordagem_aos_pacientes_com_disturbios_hematologicos_benignos.htm
https://docplayer.com.br/6380266-Alteracoes-leucocitarias-nas-doencas.html
https://www.biomedicinapadrao.com.br/2014/03/como-identificar-metamielocitos-na.html
https://www.biomedicinapadrao.com.br/2014/03/como-identificar-metamielocitos-na.html
https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16406/1/tese%20Mestrado%20-%20Estela.pdf
https://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/16406/1/tese%20Mestrado%20-%20Estela.pdf
http://www.sbpc.org.br/upload/congressos/2_Aplicacoes_da_citometria_de_fluxo_no_diagnostico_onco-hematologico.pdf
http://www.sbpc.org.br/upload/congressos/2_Aplicacoes_da_citometria_de_fluxo_no_diagnostico_onco-hematologico.pdf
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/mielopoiese.html
https://cadernodefarmacia.blogspot.com/2012/11/linfopoiese-e-monopoiese.html
https://reniellyfisio.blogspot.com/2011/02/representar-funcaodos-orgaos-linfocitos.html
https://reniellyfisio.blogspot.com/2011/02/representar-funcaodos-orgaos-linfocitos.html
http://isoldamodestobio.blogspot.com/2011/03/
https://www.uv.es/histomed/medicinaEsp/02/timo-4x.jpg
102
REFERÊNCIAS
https://zunigamartinez.blogspot.com/2011/05/camara-de-neubauer_09.html. Acesso 
em: 23 jan. 2020.
https://www.slideshare.net/JoaoMaarcos/hemograma-em-idosos-pacientes-
geritricos. Acesso em: 23 jan. 2020.
https://deskgram.co/p/2170116239471610621_1729473184. Acesso em: 23 jan. 2020.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anemia_megalobl%C3%A1stica. Acesso em: 23 jan. 
2020.
https://deskgram.co/p/2146863722706420151_14450420197. Acesso em: 23 jan. 
2020.
https://twitter.com/farmaceutica/status/735256437128081408. Acesso em: 23 jan. 
2020.
https://emedicine.medscape.com/article/956447-overview. Acesso em: 23 jan. 2020.
https://imagebank.hematology.org/image/17022/alderreilly-anomaly. Acesso em: 23 
jan. 2020.
http://pt.medicalmeds.eu/show_img.php-img=665.htm. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://anatpat.unicamp.br/taleucemias.html. Acesso em: 23 jan. 2020.
h t t p : / / w w w . s c i e l o . b r / s c i e l o . p h p ? s c r i p t = s c i _ a r t t e x t & p i d
=S1516-84842006000300008. Acesso em: 23 jan. 2020.
https://pt.slideshare.net/mariareginaazevedo/hemostasia-27544655. Acesso em: 23 
jan. 2020.
https://diagnosticobucal.com.br/adesivo-fibrinico-proposta-terapeutica-para-
hemostasia/. Acesso em: 23 jan. 2020.
http://revista.fmrp.usp.br/2001/vol34n3e4/fisiologia_coagulacao.pdf. Acesso em: 23 
jan. 2020.
https://zunigamartinez.blogspot.com/2011/05/camara-de-neubauer_09.html
https://www.slideshare.net/JoaoMaarcos/hemograma-em-idosos-pacientes-geritricos
https://www.slideshare.net/JoaoMaarcos/hemograma-em-idosos-pacientes-geritricos
https://deskgram.co/p/2170116239471610621_1729473184
https://pt.wikipedia.org/wiki/Anemia_megalobl%C3%A1stica
https://deskgram.co/p/2146863722706420151_14450420197
https://twitter.com/farmaceutica/status/735256437128081408
https://emedicine.medscape.com/article/956447-overview
https://imagebank.hematology.org/image/17022/alderreilly-anomaly
http://pt.medicalmeds.eu/show_img.php-img=665.htm
http://anatpat.unicamp.br/taleucemias.html
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842006000300008
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842006000300008
https://pt.slideshare.net/mariareginaazevedo/hemostasia-27544655
https://diagnosticobucal.com.br/adesivo-fibrinico-proposta-terapeutica-para-hemostasia/
https://diagnosticobucal.com.br/adesivo-fibrinico-proposta-terapeutica-para-hemostasia/
http://revista.fmrp.usp.br/2001/vol34n3e4/fisiologia_coagulacao.pdfApresentação
	Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa
	Introdução
	Unidade I
	Hematologia clínica: introdução
	Capítulo 1
	Reconhecimento dos glóbulos brancos do sangue periférico
	Capítulo 2
	Leucograma
	Unidade II
	Leucemias
	Capítulo 1
	Tipos de leucemias
	Capítulo 2
	Hemostasia e coagulação
	Para (não) Finalizar
	Referências

Mais conteúdos dessa disciplina