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Psicologia em Situações de Emergência Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Ksdy Maiara Moura Sousa Prof.ª Dr.ª Larisse Helena Gomes Macêdo Barbosa Revisão Textual: Prof.ª Me. Sandra Regina Fonseca Moreira Revisão Técnica: Prof.ª Me. Cássia Souza Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano • Abordar questões importantes sobre o papel do profissional da saúde mental, especifica- mente do psicólogo, frente ao contexto das emergências, bem como o preparo técnico; • Contextualização do setting terapêutico (clínico x emergencial), além de compreender o comportamento humano frente a situações de desastres. OBJETIVOS DE APRENDIZADO • Introdução; • Saúde Mental Frente ao Contexto das Emergências; • O Atendimento Psicológico em Emergências e os Vários Tipos de Settings; • O Comportamento Humano e Resposta ao Estresse. UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano Introdução Iremos apresentar a você quais as possibilidades de atuação do profissional de saúde mental frente ao contexto de situações de emergência. Para isso, é importante iniciar alguns conceitos básicos sobre o que é saúde mental e como se pode preser- vá-la diante de situações com elevado nível de estresse e sofrimento. Posteriormente, serão apresentadas as habilidades técnicas do profissional de saúde mental, bem como o atendimento psicológico e o setting terapêutico. Já sabemos definir e compreender as diferenças entre emergências, desastres e catástrofes, mas podemos dizer que, independentemente dessas definições, todas trazem em seu contexto aspectos que podem levar a algum sofrimento, perdas, luto, dor, e acima de tudo muito estresse, podendo esses eventos muitas vezes levar ao desenvolvimento de transtornos emocionais. Para compreendermos melhor o papel do psicólogo na saúde mental das pessoas vítimas de desastres, é fundamental explorarmos três pontos importantes: • O que é saúde mental? • O contexto das emergências; • Quais as habilidades e preparos técnicos do profissional psicólogo para atuar em emergências e desastres. Saúde Mental Frente ao Contexto das Emergências Sabemos que muitas vezes situações de desastres e catástrofes são capazes de gerar um profundo impacto na saúde mental das pessoas vítimas desses eventos, e até mesmo em pessoas que vivenciam de forma indiretas tais condições, devido à divulgação em mídias, pelos familiares e colegas etc. Essas situações podem variar desde a violência gerada nas cidades até fenômenos catastróficos de origens ambien- tais e naturais, muitas vezes sem a ação direta do homem. No entanto, situações como essas podem nos levar a uma sensação de perigo iminente ou que ameaça a nossa integridade física, social, econômica e emocional, podendo gerar muito medo, ansiedade, tristeza, depressão, ou qualquer outro desa- juste ou desequilíbrio emocional. Por esse fato, a atenção psicológica e social é fundamental, e preferencialmente deve ser iniciada imediatamente após o evento ou desastre, ou seja, quanto mais precoce for a intervenção psicológica, melhores serão os efeitos em longo prazo (falaremos mais especificamente sobre o manejo nas próximas unidades). 8 9 Entretanto, mesmo sabendo da importância indispensável da atenção psicosso- cial em situações de emergência, apenas nos últimos anos é que se começou a prestar atenção a este tipo de intervenção, englobando ações não só para enfrentar o quadro físico, mas também as questões psíquicas e emocionais nesses contextos. (SÁ; WERLANG; PARANHOS et al., 2008) Vamos Falar de Saúde Mental? Quando se fala em saúde mental, muitas vezes atribui-se um significado um tanto estereotipado, associado à doença mental, ou psiquiátrica, no entanto tal percepção pode estar equivocada, como apontam Amarante (2013) e Foucault (2012) apud Gaino et al. (2018). Definições de saúde mental são objetos de diversos saberes, porém, pre- valece um discurso psiquiátrico que a entende como oposta à loucura, denotando que pessoas com diagnósticos de transtornos mentais não po- dem ter nenhum grau de saúde mental, bem-estar ou qualidade de vida, como se suas crises ou sintomas fossem contínuos. (AMARANTE, 2013; FOUCAULT, 2012 apud GAINO et al., 2018 p. 112) De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Tal definição também parece não contemplar, em sua essência, o conceito em si, pois, segundo Gama, Torres e Ferres (2014), defini-la desta forma faz dela algo ide-al, inatingível, favorecendo muitas vezes a medicalização da existência humana). Tal conceito propõe “um significado irreal, em que as limitações humanas e ambientais fariam a condição de “completo bem-estar” impossível de ser atingida”. Já o con- ceito de saúde mental, de acordo com a OMS, seria “um estado de bem-estar no qual um indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses cotidianos, pode trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para sua comuni- dade (HUNTER et al., 2013; FRANK et al., 2014 apud GAINO et al., 2018 p. 110). Diante desse cenário, nota-se que tal conceito ainda se faz complexo na literatura psiquiátrica e das ciências psicológicas. • Assim, qual seria a melhor forma de trazer esse conceito, para que a partir dele pudéssemos estabelecer práticas eficientes que corroborassem para a real promoção da saúde mental no contexto das emergências e desastres? • As situações de emergências e desastres por si só já são carregadas de profundo sofrimento e dor, dessa forma, por que estamos falando de saúde mental nesse contexto? Pois bem, aqui se instala um grande desafio, principalmente quando falamos de saúde mental frente a eventos que podemos imaginar serem impossíveis de se alcan- çar uma saúde emocional ou mental adequada. Se considerarmos que viver ou existir é estar inserido em emoções e sensações diversas e antagônicas, e que a estabilidade emocional é uma utopia, talvez seja normal haver oscilações e contradições diárias na 9 UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano vida. Os autores Gama, Torres e Ferres (2014) trazem uma discussão muito pertinente, que nos permite refletir principalmente nos cenários de desastres e emergências: A existência de uma pessoa inclui os erros, os fracassos, as privações, as opções de vida, os desejos, as angústias existenciais, os desafios e as con- tradições. Quando criamos um conceito de saúde que impede uma conexão com a vida cotidiana, que exclui as oscilações, as possíveis aventuras e as es- colhas singulares, relacionando qualquer afastamento da regra a uma espé- cie de crime e merecedor de um determinado castigo, estamos, ao contrário de produzir saúde, normatizando o comportamento. (FERRES, 2014, p. 72) Dessa forma, segundo esses autores, a definição de saúde mental estaria atri- buindo, ou incluindo, os paradoxos e sofrimentos encontrados em nosso dia-a-dia. Assim, análise poderia ficar mais centrada na capacidade de enfrentamento dos problemas. No entanto, parece pertinente falar que saúde mental é a busca pelo bem-estar emocional e psíquico, incluindo a capacidade em lidar com as emoções positivas ou negativas. Saúde mental pode ser considerada também a forma como reagimos e o signifi- cado que damos às situações, mudanças, exigências e aos desafios da vida, podendo até mesmo ser tida como a habilidade em manejar de forma positiva ou realista as adversidades e conflitos, reconhecendo e respeitando os limites e deficiências. É bus- car sempre respeitar os próprios limites, sensações e reações. Pode-se dizer que o conceito de saúde mental passa automaticamente por um conceito de autocuidado, autocompaixão e aceitação. Vive-se em uma sociedade onde a dor e o sofrimentosão vistos como patológicos e na qual o “normal” seria o contentamento e equilíbrio constantes. Dessa forma, ao sujeito não foi permitido ou ensinado lidar com as emoções negativas, ou com os seus medos, tristezas, angustias, ansiedade, raiva, e, automati- camente, nos julgamos e tentamos a todo custo buscar sair desses sentimentos, sem compreendê-los, sem dar a real atenção a eles ou sem acolhê-los. Muitas vezes tais sentimentos são negados, negligenciados, o que pode vir a gerar uma enorme dor emocional, muitas vezes irreparável. Entende-se que no campo das emergências e desastres o sofrimento e a dor são inevitáveis, e muitas vezes tais reações são coerentes e compatíveis com a situação vivenciada. No entanto, ressignificar e dar lugar à dor pode ser uma estratégia de enfrentamento importante dentro do campo da psicologia das emergências. Existem várias abordagens psicológicas que buscam olhar para o sofrimento e para a dor, não como um problema, mas como uma resposta para nossas percepções e cren- ças disfuncionais. A terapia cognitiva comportamental (TCC) é uma delas, e segundo essa abordagem, não é a situação em si que gera sofrimento ou dor, mas a maneira como o sujeito atribui significados e percebe tais situações. Falaremos mais profunda- mente dessa abordagem e de outras da terceira geração da TCC (terapia da Aceitação e compromisso, terapia comportamental dialética e outras abordagens contextuais). 10 11 Saúde Mental x Contexto das Emergências Entende-se que diante de uma situação de catástrofes e desastres, o trauma é um sintoma ou uma consequência psíquica importante que merece a atenção dos profis- sionais de saúde mental. Segundo Shapiro (1997) apud Weintraub et al. (2015), existem duas correntes de pensamento e intervenção que atribuem ao trauma o resultado principal do desastre, fazendo com que a intervenção muitas vezes ocorra apenas a nível individual ou em grupo, excluindo, por consequência, a intervenção nos fatores mais sociais e comu- nitários. Por outro lado, segundo os autores, existem outras correntes que buscam valorizar justamente estes dois fatores (social e comunitário) reservando a noção de “trauma” para situações mais específicas, por sua menor incidência, embora não sejam menos importantes. Nota-se, portanto, que o processo de promoção de saúde não deve acontecer apenas na esfera individual ou grupal, mas é necessário considerar todo o contexto em que as vítimas estão envolvidas. Segundo Mattedi (2008) apud Alves, Lacerda e Legal (2015), a psicologia, no contexto das emergências e desastres, deve ultrapassar as ações voltadas apenas para os efeitos na condição mental dos indivíduos. É necessário, portanto, que esses profissionais compreendam também o caráter dinâmico das redes sociotécnicas das quais o indivíduo faz parte. Dessa forma, a psicologia nesse campo permite a cons- truir comunidades mais autônomas e seguras e que sejam capazes de estabelecer criar redes de suporte para enfrentar os eventos catastróficos de origens naturais. Ainda assim, a preocupação e o acompanhamento da saúde mental em contex- tos de desastres tiveram início somente no final do século XX, com o amadureci- mento da percepção do processo saúde/doença, quando equipes internacionais de intervenção emergencial passam a incorporar, em seus trabalhos, o eixo da saúde mental (FASSIN et al., 2007, apud WEINTRAUB et al., 2015). No Brasil, sobretudo na última década, começou-se a considerar a saúde mental como ação crucial nas respostas para desastres (VALENCIO et al., 2011 apud WEINTRAUB et al., 2015). A psicologia brasileira tem reunido esforços para refletir sobre o tema, como, por exemplo: com a realização do 1º e 2º seminários Nacionais de Psicologia das Emergências e dos Desastres em 2006 e 2012; a cria- ção da Associação Brasileira de Psicologia de Emergências e Desastres (ABRAPED) em 2012, e diferentes encontros organizados pelo sistema Conselhos de Psicologia desde 2010. (WEINTRAUB, 2011) Dessa forma, é importante dizer que, em situações de emergência, são esperadas reações emocionais muito intensas, sendo a grande maioria dessas manifestações considerada compatível com o momento vivenciado. Contudo, a abordagem precoce de qualquer problema de saúde mental é a maneira mais efetiva de prevenção de transtornos mais sérios que costumam aparecer, em médio e longo prazo, após o evento traumático (SÁ; WERLANG; PARANHOS et al., 2008). 11 UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano Segundo Cesar et al. (2015), a saúde mental dos atingidos pelos desastres costuma apresentar-se de forma estigmatizada, gerando preconceito e exercendo assim um poder patologizante sobre as vítimas, sendo essas muitas vezes consideradas incapa- zes de reconstruírem suas vidas a partir dos eventos traumáticos. Para isso, segundo o autor, é de fundamental importância que haja um processo de psicoeducação dos agentes e autoridades envolvidas nas tomadas de decisões que envolvem as ações e intervenções nos contextos emergentes. O Atendimento Psicológico em Emergências e os Vários Tipos de Settings A psicologia das emergências é uma nova especialidade da psicologia que exige habilidades e conhecimentos técnicos específicos, além de competências socioemo- cionais importantes, dentre elas, a regulação emocional do profissional, bem como o diálogo com a equipe multidisciplinar. O que é a psicologia das emergências? É uma área da psicologia que estuda o comportamento humano diante da ocor- rência de desastres, acidentes, catástrofes, que podem ser causadas pelo homem ou pela natureza. Tal atuação se dá desde uma ação preventiva até o pós-trauma, bem como promove intervenções de acolhimento, compreensão, apoio e superação do trauma às vítimas e socorristas (BRUCK, 2007). Figura 1 Fonte: Getty Images Outra definição importante se dá por Lorente (2003, p. 564) apud Paranhos e Werlang (2015), em que a Psicologia das emergências é um campo que “compreende 12 13 a circunstância (a própria emergência atendida), o curso temporal (antes, durante e depois do evento) e os sujeitos implicados (as vítimas, os intervencionistas e as orga- nizações que se inserem). Habilidades, Preparo Técnico e o Papel do Profissional Psicólogo para Atuar em Emergências e Desastres Antes de seguirmos nesse assunto, pense em quais habilidades e preparo técnico o pro- fissional psicólogo precisa apresentar para atuar no contexto de emergências e desastres. Vamos lá? A psicologia das emergências e desastres ainda é uma área de atuação recente na psicologia brasileira e também para todo o contexto envolvendo as emergências, por isso há poucos estudos e pesquisas nessa área. Além disso, a escassez de material também se dá pelo fato de as repercussões serem direcionadas especificamente para questões de saúde física, aspectos sanitários, sociais e econômicos (ALBUQUERQUE, 1997, apud BRUCK, 2007), estando o suporte emocional às vítimas sendo acionado ainda de maneira restrita e precária. Mas mesmo diante da falta de qualificação na área de desastres, é necessário que o psicólogo que atue nesse cenário seja capaz de compreender e adquirir habilidades básicas tais como: • Habilidade para trabalhar em equipe: a prática do psicólogo de emergências e desastres é essencialmente o trabalho em equipe multidisciplinar e interdisci- plinar. Vários são os profissionais envolvidos nesse cenário, desde socorristas, assistentes sociais, médicos, servidores públicos, defesa civil, técnicos de saúde, dentre outros. Saber transitar e promover uma comunicação assertiva com esses profissionais é um caminho estritamente necessário para uma abordagem abran- gente e eficaz; • Conhecimentos específicos em outras áreas da psicologia: Psicologia da Saúde, Psicologia Clínica, Psicologia Positiva, Psicologia Contextuais (Aceitação e Compromisso, Comportamental Dialética), Psicologia Social e comunitária, Psicologia Institucional,Psicofisiologia, Psicologia Ambiental, Desenvolvimento Humano e Psicopatologia; • Conhecimentos específicos em áreas como: políticas públicas relacionadas à defesa civil, visão sistêmica, ou seja, o psicólogo deve ser capaz de analisar a realidade como um todo; • Conhecimento sobre os órgãos públicos de assistência à população, pois o pro- fissional precisa desempenhar ações contínuas com a comunidade, promovendo reflexão e criação de projetos de promoção à saúde compatíveis com a realidade local (CARVALHO; BORGES, 2009 apud ALVES et al. 2015). 13 UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano Figura 2 Fonte: Getty Images Nota-se que o psicólogo que atuará em situações de emergência necessita de uma formação generalista, para ser capaz de promover o diálogo com todos os órgãos e pessoas envolvidas em todas as etapas do processo do desastre, bem como é in- dispensável que tal profissional tenha boas habilidades sociais como: comunicação, relacionamentos interpessoais, assertividade, empatia, civilidade, entre outras. A atuação do psicólogo em um cenário de emergência não se dá apenas no mo- mento do evento traumático, mas em todas as fases que envolvem o evento. Essas áreas são: • A Fase de prevenção: tem como objetivo evitar e prevenir a ocorrência de um desastre. Nessa fase, o psicólogo atuará na prevenção; atuará com capacitação comunitária para a percepção de riscos, em projetos educativos, no desenvolvi- mento de projetos para a minimização de vulnerabilidades sociais, e no mapea- mento de áreas de risco; • A Fase de preparação: visa melhorar, preparar e capacitar uma comunidade para atuar em caso de eventos adversos, promovendo planos de contingências e psicoeducação; • A Fase de resposta: é durante a ocorrência do evento, e, nessa fase, o psicólogo tem por finalidade socorrer e dar suporte e auxilio às pessoas atingidas, buscan- do assim reduzir os prejuízos e consequências do desastre naquela comunidade; • A Fase de reconstrução: na qual o profissional irá dar o suporte necessário para que a comunidade retorne ao seu funcionamento normal, bem como administrar e dar suporte às pessoas em abrigos provisórios, atuando também na elaboração de planos de reconstrução voltados às necessidades da popula- ção, sempre levando em conta a redução ou minimização de outros eventos (BRASIL, 2007; BRASIL, 2010); Conselho Federal de Psicologia: A atuação da Psicologia na gestão integral de riscos e desastres. Disponível em: https://youtu.be/G_tN6ZuNAzo 14 15 É possível perceber que a presença do psicólogo nas várias fases de um processo de desastre envolve habilidades distintas e técnicas específicas. Segundo Greenstone (2008) apud César et al. (2015), existem outras habilidades fundamentais que devem ser executadas pelos profissionais de saúde mental, sendo necessário muito treina- mento e atualização. Portanto, cabe ao psicólogo das emergências: • Treinamento para intervenção em crises geradas pelos desastres; • Psicoeducar sobre repostas a desastres para membros da equipe; • Triagem e entrevista psicossocial; • Interrogar a equipe; • Treinamento em primeiros socorros (ressuscitação cardiopulmonar). O trabalho do profissional psicólogo que atua em situações de emergências não se limita apenas ao acolhimento e suporte às questões emocionais e psíquicas dos envolvidos nesses eventos (CÉSAR et al., 2015), mas em toda a rede envolvida. A práxis da psicologia das emergências vai se construindo no seu próprio fazer, na sua própria atuação e demanda, e em cada cenário, comunidade, e grupos so- ciais. É uma prática que, apesar da técnica, sua aplicabilidade e ação podem se dife- renciar e se moldar de acordo com a situação de desastre, características e demanda da comunidade atingida. (CÉSAR et al., 2015). A Escuta Psicológica e os Settings Terapêuticos A escuta psicológica e o acolhimento são grandes instrumentos e ferramentas utilizadas pelo profissional, sendo tal prática fundamental em cada fase que envolve o evento estressor. As técnicas de intervenção psicológicas muitas vezes precisam ser adaptadas para o contexto das emergências e, por consequência, o ambiente ou o setting de intervenção também. Figura 3 Fonte: Getty Images 15 UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano Dessa forma, a práxis do psicólogo ultrapassa as barreiras do consultório, sendo caracterizada pelos contextos e pelos cenários diversos. Segundo César et al. (2015), as técnicas de psicoterapia breve são frequentemente utilizadas nesse contexto, mas requerem estudos e adaptações para diversos cenários e situações de emergências. Ressaltam também a necessidade e importância de uma postura ética e política nor- teada por valores profissionais em favor daqueles que necessitam de suporte e apoio. Os autores destacam ainda que, muitas vezes, o atendimento em grupo é mais uti- lizado do que o atendimento individual, pois permite o uso mais eficiente dos recur- sos daquela comunidade, bem como melhora a relação com os serviços prestados, reduzindo também o estigma associado à saúde mental e assistência psicossocial. A escuta psicológica não se dá apenas às vítimas dos eventos, mas primeiramente aos profissionais envolvidos no processo, incluindo os próprios psicólogos. Dar as- sistência e suporte à equipe em primeiro lugar parece ser fundamental, pois seus integrantes estão na linha de frente, e, dessa forma, eles podem assegurar e dar à população maior apoio, segurança e acessibilidade. Segundo Cesar et al. (2015), cuidar da equipe de resgate, e promover o autocuidado dos mesmos, é fundamental para a promoção de saúde, não só no preparo dessa equipe, mas no decorrer da atuação. Os autores apontam que o cuidar de si e da equipe são fundamentais, para que possam dar suporte e cuidados adequados às vítimas. Por esse contexto, nos é apresentado que os sujeitos envolvidos no processo de atendimento psicossocial são diversos, e, igualmente, o setting também se faz diferente. Quando falamos de setting, estamos falando do ambiente no qual esse acolhimento e escuta são realizados, buscando preservar a ética, a integridade, o sigilo e a dor dos sujeitos envolvidos. Migliavacca (2008, p. 222) define o setting da seguinte maneira. O setting contempla arranjos práticos para a realização do trabalho, mas é também um conceito psicológico que inclui uma visão do que acontece dentro dele – da moldura – de modo diferente do que acontece fora. A par disso, mas não de menor importância, o setting se constitui como um objeto internalizado, estreitamente ligado ao vértice e à função analí- tica. O esclarecimento necessário dos arranjos práticos é um dos pilares da moldura dentro da qual se desenhará em infinitas direções, o encontro de duas mentes, a do profissional e a de seu paciente, em busca de realização. Magliavacca (2008, p. 222) denomina o setting como uma moldura, sendo essa “suficientemente clara, firme, consistente, rigorosa e flexível ao mesmo tempo, den- tro da qual os conteúdos psíquicos possam encontrar a possibilidade de se manifes- tarem com suficiente liberdade para serem examinados”. Franco (2012, p. 56) aponta que: Visitar o local do desastre (em condições de segurança), receber informa- ções corretas e participar de celebrações são ações terapêuticas seme- lhantes às tradicionalmente obtidas em setting clínico, mas ressaltam a im- portância de se construir um novo setting a cada desastre. Atendimentos 16 17 grupais ou individuais podem ser efetuados, desde que se tenha clareza do que mantém o grupo e do que se coloca como individual. Muitas vezes, esses lugares de acolhimento poderão ser em abrigos comunitários, escolas, igrejas e acampamentos de apoio. Aquele cenário do consultório individual e sigiloso parece não ser uma realidade nessas situações, o que não quer dizer que o psicólogo não deva manter a cautela, o respeito e a éticanesse contexto, permitindo sempre um espaço de diálogo e encontros. Psicólogos atuando com os familiares das vítimas da boate Kiss em Santa Maria. Disponível em: https://bit.ly/2GgbkqZ Normalmente, a definição sobre o setting ou espaços para realizar os atendi- mentos/acolhimentos individuais ou grupais, é baseada na utilização de protocolos e instrumentos para levantamento de dados, como o protocolo de Dodge (2006) apud Torlai et al. (2015). Essa ferramenta tem por finalidade levantar informações necessárias para a elaboração de planejamento em relação às intervenções a serem realizadas, bem como abranger os diversos níveis de assistências demandados pela situação de desastres. Com esse protocolo, também são levantadas informações sobre os locais e suas estruturas para acompanhamento das vítimas e envolvidos no processo (FRANCO, 2013). No entanto, mesmo que haja um mapeamento prévio, durante e após os desas- tres, o contexto e prática do psicólogo vai se estabelecendo ao longo do processo e dos acontecimentos decorrentes do evento. Quando falamos da prática psicológica, estamos nos atentando para tudo aquilo que nos remete a esse fazer, a começar pelo enquadre e o cenário terapêutico. Um estudo realizado por Vasconcelos e Cury (2017) investigou o parecer dos psicólogos em situações de emergências. Nesse estudo, realizaram-se encontros in- dividuais com nove psicólogos brasileiros no período de abril a setembro de 2013. O critério de inclusão consistiu em escolher aqueles que tivessem participado de pelo menos uma ocorrência extrema. Uma das questões levantadas pelos participantes foi em relação ao enquadre e setting terapêutico. Segundo eles, ao se depararem com os desafios da prática psicológica em situações de emergências, há uma necessidade de estruturar de alguma forma a atenção psicológica. Eles descrevem isso como o estabelecimento do setting terapêutico. “Corresponde a uma estratégia que acompa- nha as demandas que surgem da situação. Há necessidade de estruturar o enquadre como um modo de adaptar-se ao contexto e, a partir dele, traçar estratégias e rotinas de atuação” (VASCONCELOS; CURY, 2017, p. 482). Dessa forma, nota-se a importância desse aspecto para a construção e o fazer da prática psicológica em cenários de desastres e catástrofes, que se estabelece de forma flexível e dinâmica, pautada no contexto, na ação e intervenção contínua do psicólogo. 17 UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano O Comportamento Humano e Resposta ao Estresse Abordamos até o momento aspectos que norteiam a prática do psicólogo em situações de emergências e desastres, bem como a construção de uma práxis que se estrutura no seu próprio fazer contínuo e diário. As mudanças nas intervenções realizadas por psicólogos nessas situações decorrem do cenário e demanda em que o desastre ocorre. No entanto, outro elemento se faz importante para a construção dessa prática, que é a compreensão do comportamento humano e como esse se dá em situações de emergências. Falar sobre o comportamento humano em situações de emergência nos leva a pensar em outros mecanismos e estruturas biológicas que nos fazem reagir a situa- ções de perigo e que modulam nossas emoções. O nosso cérebro! Ou seja, como ele reage e como ele percebe uma situação de estresse? Quais mecanismos ele aciona? Quais substâncias ele libera e por quê? Falar de comportamento humano em situ- ações como essas é compreender nosso mecanismo fisiológico frente ao estresse. Antes de tudo, é importante definir a diferença e, ao mesmo tempo, a relação entre ansiedade e medo. As respostas emocionais mais comuns em situações de desastre são medo, ansiedade, estresse, podendo esses levar ao quadro de estres- se pós-traumático (falaremos mais à frente), pois a característica de um desastre representa uma ameaça real à integridade e a vida das pessoas envolvidas, levan- do ao desenvolvimento de consequências emocionais e psicológicas inevitáveis (CFP, 2005, apud MELO; SANTOS, 2011). Dessa forma a ansiedade e medo são consequências dessa sensação de ameaça integridade dos indivíduos envolvidos nessas situações. Ou seja, essas reações são mecanismos de defesa do organismo, sendo reações esperadas e compatíveis com a situação. No caso dos transtornos de ansiedade, esses derivam de uma reação exagerada ou catastróficas, não ne- cessariamente compatível com o evento estressor. (BELZUNG; GRIEBEL, 2011; ROSEN; SCHULKIN, 1988, apud BIANCO; CANTO DE SOUSA, 2018). Entende-se por ansiedade a antecipação de uma situação acompanhada por sensa- ção de medo, risco, ameaça iminente, associados à baixa sensação de controle ou do- mínio da situação temida. Quando apresentados a situações ambíguas ou neutras, os indivíduos ansiosos tendem a perceber as situações como ameaçadoras, enquanto os indivíduos não ansiosos as consideram não ameaçadoras (EYSENCK; MOGG; MAY; RICHARDS; MATTHEWS, 1991 apud GAZZANIGA et al. 2018 p. 614), assim, a ansiedade é um estado de apreensão e excitação física em que o indivíduo acredita que não pode controlar ou prever eventos futuros potencialmente aversivos. O fato de não ter controle sobre o que irá acontecer faz o cérebro se sentir em perigo, dessa forma, ele manda respostas para o corpo como se algo estivesse acontecendo de ruim, tais como, disparo do coração, sudorese, tremores, respiração ofegante, entre outras, que são reações que o corpo manda para que possamos fugir 18 19 da ameaça que criamos. Segundo Brunoni (2008), os sintomas de ansiedade podem ter características tanto a nível cognitivo ( percepções de ameaça, perigo), bem como características físicas/ somáticas (como taquicardia, falta de ar, sudorese fria, dor abdominal, entre outros). Mas, muitas vezes, certo de nível de ansiedade é fundamental para que possamos nos preparar para a situação, motiva-nos a caminhar, bem como nos prepara para reagir a determinada situação para nos proteger, dessa forma ela funciona como uma alerta sobre a possibilidade da ocorrência de danos físicos e ameaça a nossa integridade ( BRANDÃO, 2004). O medo é um sentimento primário que todos nós temos quando estamos diante de uma situação real de ameaça, enquanto que na ansiedade, muitas vezes anteci- pamos essa ameaça, e isso é o suficiente para o cérebro reconhecer que existe um perigo, mesmo ele não sendo real. Daí ele funciona como se algo ruim estivesse acontecendo, mas não está, formando um medo recorrente em situações cotidianas. A pessoa fica sempre em estado de alerta, como se o pior fosse acontecer a qualquer momento. O medo nos ajuda a criar estratégias de lutar e fugir, o medo pode ser protetor, pois isso faz com que tomemos decisões que irão preservar nossa vida. Mas o que realmente acontece? Segundo Brandão (2004), quando a ameaça parte de um estimulo distante, ou ainda é uma ameaça potencial, o nosso sistema nervoso autônomo ativa estruturas como a amídala (responsável pelas emoções), hipotálamo, hipocampo (responsável pela memória) e córtex pré-frontal (responsável pela regulação do estresse) resultando em respostas de medo e ansiedade, enquanto que a resposta a estímulos reais, aver- sivos e que ameaçam a vida, ativam estruturas mais caudais mesencefálicas, como a substancia cinzenta periaquedutal (PAG), resultando em respostas de pânico e ataque defensivo. O sistema nervoso simpático e o eixo (HPA) hipotálamo-pituitária-adrenal são acionados pelo hipotálamo. Este eixo exerce um papel fundamental na resposta aos estímulos externos e internos, incluindo os estressores psicológicos (JURUENA MF et al., 2004). Todas essas estruturas são responsáveis por regular nossa reação ao medo, que conhecemos como a reação de luta e fuga. As estruturas cerebrais também envolvidas nesse processo são a hipófise, pituitária e a amígdala. Essas estruturas são inicialmente responsáveis pela nossa resposta ao medo e ao estresse. Segundo Bear et al. (2006) apud Magrinele (2014,p. 23): O hipotálamo possui um papel central em orquestrar uma resposta hu- moral, visceromotora e somático-motora apropriada. Esta resposta é re- gulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). O hormônio cortisol é liberado pela glândula adrenal em resposta a um aumento nos níveis sanguíneos do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), liberado pela hi- pófise anterior devido ao estímulo do hormônio liberador de corticotrofi- na (CRH) do hipotálamo. Os neurônios hipotalâmicos que secretam CRH são regulados pela amígdala e pelo hipocampo. Quando o núcleo central da amígdala é ativado, interfere no eixo HPA e a resposta ao estresse é 19 UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano emitida, sendo que a ativação inapropriada tem sido relacionada com os transtornos de ansiedade. Veja o quadro abaixo: Ativação do sistema nervoso simpático Ativação do eixo HPA Reação do estresse Amigdala Substância cinzenta Comportamento de esquiva Sistemas modulatórios difusos Aumento do estado de alerta Hipotálamo Figura 4 Fonte: Adaptada de MARK, 2017 Quando falamos do comportamento humano frente a situações de desastre, tor- na-se fundamental compreendermos a relação do nosso cérebro mediante uma situ- ação de perigo. Podemos dizer que não existe um único sistema responsável pelas nossas emo- ções, mas já se sabe que o sistema límbico é um deles (MARK, 2017), que a ínsula e a amígdala são as estruturas mais importantes desse sistema que contribui para o processamento emocional, apesar de haver outras (GAZZANIGA et al., 2018). A ínsula pode ser ativada em uma variedade de emoções como raiva, culpa e an- siedade (CHANG; YARKONI; KHAW; SANFEY, 2013 apud GAZZANIGA et al., 2018). Já a “amígdala processa o significado emocional dos estímulos e produz rea- ções emocionais e comportamentais imediatas” (PHELPS, 2006 apud GAZZANIGA et al., 2018, p. 4074). O processamento das emoções na amígdala é um circuito que se desenvolveu ao longo do curso da evolução para proteger os animais do perigo”. (LEDOUX, 2007 apud GAZZANIGA et al., 2018, p. 407) Quando somos submetidos a uma situação de estresse, o organismo “reage ime- diatamente, disparando uma série de reações via sistema nervoso, sistema endócrino e sistema imunológico, através da estimulação do hipotálamo e do sistema límbico” (ARALDI-FAVASSA et al., 2005 p. 88). Ainda que muitas vezes essas reações pode- rão ser influenciadas ou sofrer interferências das nossas percepções. A resposta ao estresse depende, em grande medida, da forma como o indivíduo filtra e processa a informação e sua avaliação sobre as situações ou estímulos a serem considerados como relevantes, agradáveis, aterro- rizantes, etc. Esta avaliação determina o modo de responder diante da situação estressora e a forma como o mesmo será afetado pelo estresse. (MARGIS et al., 2003, p. 66) O nosso cérebro reponde a estímulos imaginários ou reais, que podem estar atribuídos às percepções de perigo e medo. Essas respostas fisiológicas do nosso organismo, associadas ao medo, muitas vezes pode ajudar a nos proteger dos peri- gos eminentemente reais, no entanto, o estresse, em doses crônicas e recorrentes, pode ser prejudicial e danoso para o nosso corpo. 20 21 Bases Neurobiológicas da Ansiedade – por Ariadne Belavenutti Magrinelli – extraído do livro “Tópicos em Neurociência Clínica” – Elisabete Castelon Konkiewitz – editora UFGD-2009. Disponível em https://bit.ly/3jgltSK O transtorno de estresse pós-traumático e até mesmo o transtorno de pânico ou crises intensas de ansiedade podem ocorrer após uma situação de desastre, bem como muitas outras reações, que podem acontecer durante o evento, como: ne- gação, agressividade, paralisação, enfrentamento. Todas essas reações podem ser consideradas normais e esperadas mediante tal situação. 21 UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico à Compreensão do Comportamento Humano Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos Atuação dos psicólogos nas emergências e desastres – a experiência de Santa Maria https://youtu.be/2qKMAZFq8gQ Leitura A psicologia das emergências: um estudo sobre angústia pública e o dramático cotidiano do trauma BRUCK, N. R. V. et al. A psicologia das emergências: um estudo sobre angústia pública e o dramático cotidiano do trauma. 2007. Psicologia: Ciência e Profissão PARANHOS, M. E.; WERLANG, B. S. G. Psicologia nas emergências: uma nova prática a ser discutida. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 35, n. 2, p. 557-571, 2015. A Intervenção psicológica em emergências: fundamentos para a prática TORLAI, V. C. et al. A Intervenção psicológica em emergências: fundamentos para a prática. Summus Editorial, 2015. 22 23 Referências ALVES, R. B.; LACERDA, M. A. de C.; LEGAL, E. J. A atuação do psicólogo diante dos desastres naturais: uma revisão. Psicologia em estudo, v. 17, n. 2, p. 307-315, 2012. ARALDI-FAVASSA, C. T.; ARMILIATO, N.; IOURI, K. Aspectos fisiológicos e psi- cológicos do estresse. Revista de psicologia da UnC, 2(2), 84-92. 2005. BIANCO, M. B.; CANTO-DE-SOUZA, A. L. M. Ansiedade, memória e o transtorno de estresse pós-traumático. Rev. CES Psico, 11(2), 53-65. 2018 BRANDÃO, M. L. As bases biológicas do comportamento. São Paulo: EPU, 2004. BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Defesa Civil. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Universitário de Estudos e Pesqui- sas sobre Desastres. Gestão de riscos e de desastres: Contribuições da Psicologia. CEPED, 2010. ________. Secretaria Nacional de Defesa Civil. Brasília, 2007. Política Nacional de Defesa Civil. Disponível em: <http://www.defesacivil.gov.br/publicacoes/>. BRUCK, N. 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