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Psico Emergência II

Unidade sobre Psicologia das Emergências: aborda o papel do psicólogo em emergências, preparo técnico, setting clínico x emergencial, comportamento humano e resposta ao estresse; traz introdução, objetivos de aprendizagem e discussão sobre saúde mental pós-desastres.

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Psicologia em 
Situações de 
Emergência
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Ksdy Maiara Moura Sousa
Prof.ª Dr.ª Larisse Helena Gomes Macêdo Barbosa
Revisão Textual:
Prof.ª Me. Sandra Regina Fonseca Moreira
Revisão Técnica:
Prof.ª Me. Cássia Souza
Psicologia das Emergências: Do Preparo Técnico 
à Compreensão do Comportamento Humano
Psicologia das Emergências: Do 
Preparo Técnico à Compreensão do 
Comportamento Humano
 
 
• Abordar questões importantes sobre o papel do profissional da saúde mental, especifica-
mente do psicólogo, frente ao contexto das emergências, bem como o preparo técnico;
• Contextualização do setting terapêutico (clínico x emergencial), além de compreender o
comportamento humano frente a situações de desastres.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução;
• Saúde Mental Frente ao Contexto das Emergências;
• O Atendimento Psicológico em 
Emergências e os Vários Tipos de Settings;
• O Comportamento Humano e Resposta ao Estresse.
UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo 
Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
Introdução
Iremos apresentar a você quais as possibilidades de atuação do profissional de 
saúde mental frente ao contexto de situações de emergência. Para isso, é importante 
iniciar alguns conceitos básicos sobre o que é saúde mental e como se pode preser-
vá-la diante de situações com elevado nível de estresse e sofrimento. Posteriormente, 
serão apresentadas as habilidades técnicas do profissional de saúde mental, bem 
como o atendimento psicológico e o setting terapêutico. 
Já sabemos definir e compreender as diferenças entre emergências, desastres e 
catástrofes, mas podemos dizer que, independentemente dessas definições, todas 
trazem em seu contexto aspectos que podem levar a algum sofrimento, perdas, luto, 
dor, e acima de tudo muito estresse, podendo esses eventos muitas vezes levar ao 
desenvolvimento de transtornos emocionais. 
Para compreendermos melhor o papel do psicólogo na saúde mental das pessoas 
vítimas de desastres, é fundamental explorarmos três pontos importantes:
• O que é saúde mental?
• O contexto das emergências;
• Quais as habilidades e preparos técnicos do profissional psicólogo para atuar em 
emergências e desastres.
Saúde Mental Frente ao 
Contexto das Emergências
Sabemos que muitas vezes situações de desastres e catástrofes são capazes de 
gerar um profundo impacto na saúde mental das pessoas vítimas desses eventos, e 
até mesmo em pessoas que vivenciam de forma indiretas tais condições, devido à 
divulgação em mídias, pelos familiares e colegas etc. Essas situações podem variar 
desde a violência gerada nas cidades até fenômenos catastróficos de origens ambien-
tais e naturais, muitas vezes sem a ação direta do homem. 
No entanto, situações como essas podem nos levar a uma sensação de perigo 
iminente ou que ameaça a nossa integridade física, social, econômica e emocional, 
podendo gerar muito medo, ansiedade, tristeza, depressão, ou qualquer outro desa-
juste ou desequilíbrio emocional. 
Por esse fato, a atenção psicológica e social é fundamental, e preferencialmente 
deve ser iniciada imediatamente após o evento ou desastre, ou seja, quanto mais 
precoce for a intervenção psicológica, melhores serão os efeitos em longo prazo 
(falaremos mais especificamente sobre o manejo nas próximas unidades).
8
9
Entretanto, mesmo sabendo da importância indispensável da atenção psicosso-
cial em situações de emergência, apenas nos últimos anos é que se começou a 
prestar atenção a este tipo de intervenção, englobando ações não só para enfrentar 
o quadro físico, mas também as questões psíquicas e emocionais nesses contextos.
(SÁ; WERLANG; PARANHOS et al., 2008)
Vamos Falar de Saúde Mental?
Quando se fala em saúde mental, muitas vezes atribui-se um significado um tanto 
estereotipado, associado à doença mental, ou psiquiátrica, no entanto tal percepção 
pode estar equivocada, como apontam Amarante (2013) e Foucault (2012) apud
Gaino et al. (2018).
Definições de saúde mental são objetos de diversos saberes, porém, pre-
valece um discurso psiquiátrico que a entende como oposta à loucura, 
denotando que pessoas com diagnósticos de transtornos mentais não po-
dem ter nenhum grau de saúde mental, bem-estar ou qualidade de vida, 
como se suas crises ou sintomas fossem contínuos. (AMARANTE, 2013; 
FOUCAULT, 2012 apud GAINO et al., 2018 p. 112)
De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), saúde é “um estado de 
completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. 
Tal definição também parece não contemplar, em sua essência, o conceito em si, 
pois, segundo Gama, Torres e Ferres (2014), defini-la desta forma faz dela algo ide-al, 
inatingível, favorecendo muitas vezes a medicalização da existência humana). Tal 
conceito propõe “um significado irreal, em que as limitações humanas e ambientais 
fariam a condição de “completo bem-estar” impossível de ser atingida”. Já o con-
ceito de saúde mental, de acordo com a OMS, seria “um estado de bem-estar no 
qual um indivíduo percebe suas próprias habilidades, pode lidar com os estresses 
cotidianos, pode trabalhar produtivamente e é capaz de contribuir para sua comuni-
dade (HUNTER et al., 2013; FRANK et al., 2014 apud GAINO et al., 2018 p. 110).
Diante desse cenário, nota-se que tal conceito ainda se faz complexo na literatura 
psiquiátrica e das ciências psicológicas.
• Assim, qual seria a melhor forma de trazer esse conceito, para que a partir dele pudéssemos 
estabelecer práticas eficientes que corroborassem para a real promoção da saúde mental
no contexto das emergências e desastres? 
• As situações de emergências e desastres por si só já são carregadas de profundo sofrimento 
e dor, dessa forma, por que estamos falando de saúde mental nesse contexto?
Pois bem, aqui se instala um grande desafio, principalmente quando falamos de 
saúde mental frente a eventos que podemos imaginar serem impossíveis de se alcan-
çar uma saúde emocional ou mental adequada. Se considerarmos que viver ou existir 
é estar inserido em emoções e sensações diversas e antagônicas, e que a estabilidade 
emocional é uma utopia, talvez seja normal haver oscilações e contradições diárias na 
9
UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo 
Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
vida. Os autores Gama, Torres e Ferres (2014) trazem uma discussão muito pertinente, 
que nos permite refletir principalmente nos cenários de desastres e emergências:
A existência de uma pessoa inclui os erros, os fracassos, as privações, as 
opções de vida, os desejos, as angústias existenciais, os desafios e as con-
tradições. Quando criamos um conceito de saúde que impede uma conexão 
com a vida cotidiana, que exclui as oscilações, as possíveis aventuras e as es-
colhas singulares, relacionando qualquer afastamento da regra a uma espé-
cie de crime e merecedor de um determinado castigo, estamos, ao contrário 
de produzir saúde, normatizando o comportamento. (FERRES, 2014, p. 72) 
Dessa forma, segundo esses autores, a definição de saúde mental estaria atri-
buindo, ou incluindo, os paradoxos e sofrimentos encontrados em nosso dia-a-dia. 
Assim, análise poderia ficar mais centrada na capacidade de enfrentamento dos 
problemas. No entanto, parece pertinente falar que saúde mental é a busca pelo 
bem-estar emocional e psíquico, incluindo a capacidade em lidar com as emoções 
positivas ou negativas. 
Saúde mental pode ser considerada também a forma como reagimos e o signifi-
cado que damos às situações, mudanças, exigências e aos desafios da vida, podendo 
até mesmo ser tida como a habilidade em manejar de forma positiva ou realista as 
adversidades e conflitos, reconhecendo e respeitando os limites e deficiências. É bus-
car sempre respeitar os próprios limites, sensações e reações. 
Pode-se dizer que o conceito de saúde mental passa automaticamente por um 
conceito de autocuidado, autocompaixão e aceitação. Vive-se em uma sociedade 
onde a dor e o sofrimentosão vistos como patológicos e na qual o “normal” seria o 
contentamento e equilíbrio constantes. 
Dessa forma, ao sujeito não foi permitido ou ensinado lidar com as emoções 
negativas, ou com os seus medos, tristezas, angustias, ansiedade, raiva, e, automati-
camente, nos julgamos e tentamos a todo custo buscar sair desses sentimentos, sem 
compreendê-los, sem dar a real atenção a eles ou sem acolhê-los. Muitas vezes tais 
sentimentos são negados, negligenciados, o que pode vir a gerar uma enorme dor 
emocional, muitas vezes irreparável. 
Entende-se que no campo das emergências e desastres o sofrimento e a dor são 
inevitáveis, e muitas vezes tais reações são coerentes e compatíveis com a situação 
vivenciada. No entanto, ressignificar e dar lugar à dor pode ser uma estratégia de 
enfrentamento importante dentro do campo da psicologia das emergências.
Existem várias abordagens psicológicas que buscam olhar para o sofrimento e para a 
dor, não como um problema, mas como uma resposta para nossas percepções e cren-
ças disfuncionais. A terapia cognitiva comportamental (TCC) é uma delas, e segundo 
essa abordagem, não é a situação em si que gera sofrimento ou dor, mas a maneira 
como o sujeito atribui significados e percebe tais situações. Falaremos mais profunda-
mente dessa abordagem e de outras da terceira geração da TCC (terapia da Aceitação 
e compromisso, terapia comportamental dialética e outras abordagens contextuais).
10
11
Saúde Mental x Contexto das Emergências
Entende-se que diante de uma situação de catástrofes e desastres, o trauma é um 
sintoma ou uma consequência psíquica importante que merece a atenção dos profis-
sionais de saúde mental. 
Segundo Shapiro (1997) apud Weintraub et al. (2015), existem duas correntes de 
pensamento e intervenção que atribuem ao trauma o resultado principal do desastre, 
fazendo com que a intervenção muitas vezes ocorra apenas a nível individual ou em 
grupo, excluindo, por consequência, a intervenção nos fatores mais sociais e comu-
nitários. Por outro lado, segundo os autores, existem outras correntes que buscam 
valorizar justamente estes dois fatores (social e comunitário) reservando a noção de 
 “trauma” para situações mais específicas, por sua menor incidência, embora não 
sejam menos importantes.
Nota-se, portanto, que o processo de promoção de saúde não deve acontecer 
apenas na esfera individual ou grupal, mas é necessário considerar todo o contexto 
em que as vítimas estão envolvidas. 
Segundo Mattedi (2008) apud Alves, Lacerda e Legal (2015), a psicologia, no 
contexto das emergências e desastres, deve ultrapassar as ações voltadas apenas 
para os efeitos na condição mental dos indivíduos. É necessário, portanto, que esses 
profissionais compreendam também o caráter dinâmico das redes sociotécnicas das 
quais o indivíduo faz parte. Dessa forma, a psicologia nesse campo permite a cons-
truir comunidades mais autônomas e seguras e que sejam capazes de estabelecer 
criar redes de suporte para enfrentar os eventos catastróficos de origens naturais.
Ainda assim, a preocupação e o acompanhamento da saúde mental em contex-
tos de desastres tiveram início somente no final do século XX, com o amadureci-
mento da percepção do processo saúde/doença, quando equipes internacionais de 
intervenção emergencial passam a incorporar, em seus trabalhos, o eixo da saúde 
mental (FASSIN et al., 2007, apud WEINTRAUB et al., 2015). No Brasil, sobretudo 
na última década, começou-se a considerar a saúde mental como ação crucial nas 
respostas para desastres (VALENCIO et al., 2011 apud WEINTRAUB et al., 2015).
A psicologia brasileira tem reunido esforços para refletir sobre o tema, 
como, por exemplo: com a realização do 1º e 2º seminários Nacionais 
de Psicologia das Emergências e dos Desastres em 2006 e 2012; a cria-
ção da Associação Brasileira de Psicologia de Emergências e Desastres 
(ABRAPED) em 2012, e diferentes encontros organizados pelo sistema 
Conselhos de Psicologia desde 2010. (WEINTRAUB, 2011) 
Dessa forma, é importante dizer que, em situações de emergência, são esperadas 
reações emocionais muito intensas, sendo a grande maioria dessas manifestações 
considerada compatível com o momento vivenciado. Contudo, a abordagem precoce 
de qualquer problema de saúde mental é a maneira mais efetiva de prevenção de 
transtornos mais sérios que costumam aparecer, em médio e longo prazo, após o 
evento traumático (SÁ; WERLANG; PARANHOS et al., 2008).
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UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo 
Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
Segundo Cesar et al. (2015), a saúde mental dos atingidos pelos desastres costuma 
apresentar-se de forma estigmatizada, gerando preconceito e exercendo assim um 
poder patologizante sobre as vítimas, sendo essas muitas vezes consideradas incapa-
zes de reconstruírem suas vidas a partir dos eventos traumáticos. Para isso, segundo 
o autor, é de fundamental importância que haja um processo de psicoeducação dos 
agentes e autoridades envolvidas nas tomadas de decisões que envolvem as ações e 
intervenções nos contextos emergentes.
O Atendimento Psicológico em Emergências 
e os Vários Tipos de Settings 
A psicologia das emergências é uma nova especialidade da psicologia que exige 
habilidades e conhecimentos técnicos específicos, além de competências socioemo-
cionais importantes, dentre elas, a regulação emocional do profissional, bem como 
o diálogo com a equipe multidisciplinar.
O que é a psicologia das emergências?
É uma área da psicologia que estuda o comportamento humano diante da ocor-
rência de desastres, acidentes, catástrofes, que podem ser causadas pelo homem ou 
pela natureza. Tal atuação se dá desde uma ação preventiva até o pós-trauma, bem 
como promove intervenções de acolhimento, compreensão, apoio e superação do 
trauma às vítimas e socorristas (BRUCK, 2007).
Figura 1
Fonte: Getty Images
Outra definição importante se dá por Lorente (2003, p. 564) apud Paranhos e 
Werlang (2015), em que a Psicologia das emergências é um campo que “compreende 
12
13
a circunstância (a própria emergência atendida), o curso temporal (antes, durante e 
depois do evento) e os sujeitos implicados (as vítimas, os intervencionistas e as orga-
nizações que se inserem).
Habilidades, Preparo Técnico e o Papel do Profissional Psicólogo 
para Atuar em Emergências e Desastres
 Antes de seguirmos nesse assunto, pense em quais habilidades e preparo técnico o pro-
fissional psicólogo precisa apresentar para atuar no contexto de emergências e desastres. 
Vamos lá?
 A psicologia das emergências e desastres ainda é uma área de atuação recente na 
psicologia brasileira e também para todo o contexto envolvendo as emergências, por 
isso há poucos estudos e pesquisas nessa área. Além disso, a escassez de material 
também se dá pelo fato de as repercussões serem direcionadas especificamente para 
questões de saúde física, aspectos sanitários, sociais e econômicos (ALBUQUERQUE, 
1997, apud BRUCK, 2007), estando o suporte emocional às vítimas sendo acionado 
ainda de maneira restrita e precária.
Mas mesmo diante da falta de qualificação na área de desastres, é necessário que 
o psicólogo que atue nesse cenário seja capaz de compreender e adquirir habilidades 
básicas tais como:
• Habilidade para trabalhar em equipe: a prática do psicólogo de emergências 
e desastres é essencialmente o trabalho em equipe multidisciplinar e interdisci-
plinar. Vários são os profissionais envolvidos nesse cenário, desde socorristas, 
assistentes sociais, médicos, servidores públicos, defesa civil, técnicos de saúde, 
dentre outros. Saber transitar e promover uma comunicação assertiva com esses 
profissionais é um caminho estritamente necessário para uma abordagem abran-
gente e eficaz;
• Conhecimentos específicos em outras áreas da psicologia: Psicologia da 
Saúde, Psicologia Clínica, Psicologia Positiva, Psicologia Contextuais (Aceitação 
e Compromisso, Comportamental Dialética), Psicologia Social e comunitária, 
Psicologia Institucional,Psicofisiologia, Psicologia Ambiental, Desenvolvimento 
Humano e Psicopatologia;
• Conhecimentos específicos em áreas como: políticas públicas relacionadas 
à defesa civil, visão sistêmica, ou seja, o psicólogo deve ser capaz de analisar a 
realidade como um todo;
• Conhecimento sobre os órgãos públicos de assistência à população, pois o pro-
fissional precisa desempenhar ações contínuas com a comunidade, promovendo 
reflexão e criação de projetos de promoção à saúde compatíveis com a realidade 
local (CARVALHO; BORGES, 2009 apud ALVES et al. 2015).
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UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo 
Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
Figura 2
Fonte: Getty Images
Nota-se que o psicólogo que atuará em situações de emergência necessita de uma 
formação generalista, para ser capaz de promover o diálogo com todos os órgãos 
e pessoas envolvidas em todas as etapas do processo do desastre, bem como é in-
dispensável que tal profissional tenha boas habilidades sociais como: comunicação, 
relacionamentos interpessoais, assertividade, empatia, civilidade, entre outras. 
A atuação do psicólogo em um cenário de emergência não se dá apenas no mo-
mento do evento traumático, mas em todas as fases que envolvem o evento. Essas 
áreas são: 
• A Fase de prevenção: tem como objetivo evitar e prevenir a ocorrência de um 
desastre. Nessa fase, o psicólogo atuará na prevenção; atuará com capacitação 
comunitária para a percepção de riscos, em projetos educativos, no desenvolvi-
mento de projetos para a minimização de vulnerabilidades sociais, e no mapea-
mento de áreas de risco;
• A Fase de preparação: visa melhorar, preparar e capacitar uma comunidade 
para atuar em caso de eventos adversos, promovendo planos de contingências 
e psicoeducação;
• A Fase de resposta: é durante a ocorrência do evento, e, nessa fase, o psicólogo 
tem por finalidade socorrer e dar suporte e auxilio às pessoas atingidas, buscan-
do assim reduzir os prejuízos e consequências do desastre naquela comunidade;
• A Fase de reconstrução: na qual o profissional irá dar o suporte necessário 
para que a comunidade retorne ao seu funcionamento normal, bem como 
administrar e dar suporte às pessoas em abrigos provisórios, atuando também 
na elaboração de planos de reconstrução voltados às necessidades da popula-
ção, sempre levando em conta a redução ou minimização de outros eventos 
(BRASIL, 2007; BRASIL, 2010);
Conselho Federal de Psicologia: A atuação da Psicologia na gestão integral de riscos e desastres. 
Disponível em: https://youtu.be/G_tN6ZuNAzo
14
15
É possível perceber que a presença do psicólogo nas várias fases de um processo 
de desastre envolve habilidades distintas e técnicas específicas. Segundo Greenstone 
(2008) apud César et al. (2015), existem outras habilidades fundamentais que devem 
ser executadas pelos profissionais de saúde mental, sendo necessário muito treina-
mento e atualização. Portanto, cabe ao psicólogo das emergências:
• Treinamento para intervenção em crises geradas pelos desastres;
• Psicoeducar sobre repostas a desastres para membros da equipe;
• Triagem e entrevista psicossocial;
• Interrogar a equipe;
• Treinamento em primeiros socorros (ressuscitação cardiopulmonar).
O trabalho do profissional psicólogo que atua em situações de emergências não 
se limita apenas ao acolhimento e suporte às questões emocionais e psíquicas dos 
envolvidos nesses eventos (CÉSAR et al., 2015), mas em toda a rede envolvida. 
A práxis da psicologia das emergências vai se construindo no seu próprio fazer, 
na sua própria atuação e demanda, e em cada cenário, comunidade, e grupos so-
ciais. É uma prática que, apesar da técnica, sua aplicabilidade e ação podem se dife-
renciar e se moldar de acordo com a situação de desastre, características e demanda 
da comunidade atingida. (CÉSAR et al., 2015).
A Escuta Psicológica e os Settings Terapêuticos
A escuta psicológica e o acolhimento são grandes instrumentos e ferramentas 
utilizadas pelo profissional, sendo tal prática fundamental em cada fase que envolve 
o evento estressor. As técnicas de intervenção psicológicas muitas vezes precisam 
ser adaptadas para o contexto das emergências e, por consequência, o ambiente ou 
o setting de intervenção também. 
Figura 3
Fonte: Getty Images
15
UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo 
Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
Dessa forma, a práxis do psicólogo ultrapassa as barreiras do consultório, sendo 
caracterizada pelos contextos e pelos cenários diversos. Segundo César et al. (2015), 
as técnicas de psicoterapia breve são frequentemente utilizadas nesse contexto, mas 
requerem estudos e adaptações para diversos cenários e situações de emergências. 
Ressaltam também a necessidade e importância de uma postura ética e política nor-
teada por valores profissionais em favor daqueles que necessitam de suporte e apoio. 
Os autores destacam ainda que, muitas vezes, o atendimento em grupo é mais uti-
lizado do que o atendimento individual, pois permite o uso mais eficiente dos recur-
sos daquela comunidade, bem como melhora a relação com os serviços prestados, 
reduzindo também o estigma associado à saúde mental e assistência psicossocial.
A escuta psicológica não se dá apenas às vítimas dos eventos, mas primeiramente 
aos profissionais envolvidos no processo, incluindo os próprios psicólogos. Dar as-
sistência e suporte à equipe em primeiro lugar parece ser fundamental, pois seus 
integrantes estão na linha de frente, e, dessa forma, eles podem assegurar e dar à 
população maior apoio, segurança e acessibilidade. Segundo Cesar et al. (2015), 
cuidar da equipe de resgate, e promover o autocuidado dos mesmos, é fundamental 
para a promoção de saúde, não só no preparo dessa equipe, mas no decorrer da 
atuação. Os autores apontam que o cuidar de si e da equipe são fundamentais, para 
que possam dar suporte e cuidados adequados às vítimas.
Por esse contexto, nos é apresentado que os sujeitos envolvidos no processo 
de atendimento psicossocial são diversos, e, igualmente, o setting também se faz 
diferente. Quando falamos de setting, estamos falando do ambiente no qual esse 
acolhimento e escuta são realizados, buscando preservar a ética, a integridade, o 
sigilo e a dor dos sujeitos envolvidos. Migliavacca (2008, p. 222) define o setting da 
seguinte maneira.
O setting contempla arranjos práticos para a realização do trabalho, mas 
é também um conceito psicológico que inclui uma visão do que acontece 
dentro dele – da moldura – de modo diferente do que acontece fora. 
A par disso, mas não de menor importância, o setting se constitui como 
um objeto internalizado, estreitamente ligado ao vértice e à função analí-
tica. O esclarecimento necessário dos arranjos práticos é um dos pilares da 
moldura dentro da qual se desenhará em infinitas direções, o encontro de 
duas mentes, a do profissional e a de seu paciente, em busca de realização.
 Magliavacca (2008, p. 222) denomina o setting como uma moldura, sendo essa 
“suficientemente clara, firme, consistente, rigorosa e flexível ao mesmo tempo, den-
tro da qual os conteúdos psíquicos possam encontrar a possibilidade de se manifes-
tarem com suficiente liberdade para serem examinados”.
Franco (2012, p. 56) aponta que:
Visitar o local do desastre (em condições de segurança), receber informa-
ções corretas e participar de celebrações são ações terapêuticas seme-
lhantes às tradicionalmente obtidas em setting clínico, mas ressaltam a im-
portância de se construir um novo setting a cada desastre. Atendimentos 
16
17
grupais ou individuais podem ser efetuados, desde que se tenha clareza do 
que mantém o grupo e do que se coloca como individual.
Muitas vezes, esses lugares de acolhimento poderão ser em abrigos comunitários, 
escolas, igrejas e acampamentos de apoio. Aquele cenário do consultório individual 
e sigiloso parece não ser uma realidade nessas situações, o que não quer dizer que o 
psicólogo não deva manter a cautela, o respeito e a éticanesse contexto, permitindo 
sempre um espaço de diálogo e encontros.
Psicólogos atuando com os familiares das vítimas da boate Kiss em Santa Maria. 
Disponível em: https://bit.ly/2GgbkqZ
Normalmente, a definição sobre o setting ou espaços para realizar os atendi-
mentos/acolhimentos individuais ou grupais, é baseada na utilização de protocolos 
e instrumentos para levantamento de dados, como o protocolo de Dodge (2006) 
apud Torlai et al. (2015). Essa ferramenta tem por finalidade levantar informações 
necessárias para a elaboração de planejamento em relação às intervenções a serem 
realizadas, bem como abranger os diversos níveis de assistências demandados pela 
situação de desastres. Com esse protocolo, também são levantadas informações 
sobre os locais e suas estruturas para acompanhamento das vítimas e envolvidos no 
processo (FRANCO, 2013).
No entanto, mesmo que haja um mapeamento prévio, durante e após os desas-
tres, o contexto e prática do psicólogo vai se estabelecendo ao longo do processo e 
dos acontecimentos decorrentes do evento. Quando falamos da prática psicológica, 
estamos nos atentando para tudo aquilo que nos remete a esse fazer, a começar pelo 
enquadre e o cenário terapêutico.
Um estudo realizado por Vasconcelos e Cury (2017) investigou o parecer dos 
psicólogos em situações de emergências. Nesse estudo, realizaram-se encontros in-
dividuais com nove psicólogos brasileiros no período de abril a setembro de 2013. 
O critério de inclusão consistiu em escolher aqueles que tivessem participado de pelo 
menos uma ocorrência extrema. Uma das questões levantadas pelos participantes foi 
em relação ao enquadre e setting terapêutico. Segundo eles, ao se depararem com 
os desafios da prática psicológica em situações de emergências, há uma necessidade 
de estruturar de alguma forma a atenção psicológica. Eles descrevem isso como o 
estabelecimento do setting terapêutico. “Corresponde a uma estratégia que acompa-
nha as demandas que surgem da situação. Há necessidade de estruturar o enquadre 
como um modo de adaptar-se ao contexto e, a partir dele, traçar estratégias e rotinas 
de atuação” (VASCONCELOS; CURY, 2017, p. 482).
Dessa forma, nota-se a importância desse aspecto para a construção e o fazer da 
prática psicológica em cenários de desastres e catástrofes, que se estabelece de forma 
flexível e dinâmica, pautada no contexto, na ação e intervenção contínua do psicólogo. 
17
UNIDADE Psicologia das Emergências: Do Preparo 
Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
O Comportamento Humano 
e Resposta ao Estresse
Abordamos até o momento aspectos que norteiam a prática do psicólogo em 
situações de emergências e desastres, bem como a construção de uma práxis que 
se estrutura no seu próprio fazer contínuo e diário. As mudanças nas intervenções 
realizadas por psicólogos nessas situações decorrem do cenário e demanda em que 
o desastre ocorre. No entanto, outro elemento se faz importante para a construção
dessa prática, que é a compreensão do comportamento humano e como esse se dá
em situações de emergências.
Falar sobre o comportamento humano em situações de emergência nos leva a 
pensar em outros mecanismos e estruturas biológicas que nos fazem reagir a situa-
ções de perigo e que modulam nossas emoções. O nosso cérebro! Ou seja, como ele 
reage e como ele percebe uma situação de estresse? Quais mecanismos ele aciona? 
Quais substâncias ele libera e por quê? Falar de comportamento humano em situ-
ações como essas é compreender nosso mecanismo fisiológico frente ao estresse.
Antes de tudo, é importante definir a diferença e, ao mesmo tempo, a relação 
entre ansiedade e medo. As respostas emocionais mais comuns em situações de 
desastre são medo, ansiedade, estresse, podendo esses levar ao quadro de estres-
se pós-traumático (falaremos mais à frente), pois a característica de um desastre 
representa uma ameaça real à integridade e a vida das pessoas envolvidas, levan-
do ao desenvolvimento de consequências emocionais e psicológicas inevitáveis 
(CFP, 2005, apud MELO; SANTOS, 2011). Dessa forma a ansiedade e medo são 
consequências dessa sensação de ameaça integridade dos indivíduos envolvidos 
nessas situações. Ou seja, essas reações são mecanismos de defesa do organismo, 
sendo reações esperadas e compatíveis com a situação. No caso dos transtornos 
de ansiedade, esses derivam de uma reação exagerada ou catastróficas, não ne-
cessariamente compatível com o evento estressor. (BELZUNG; GRIEBEL, 2011; 
ROSEN; SCHULKIN, 1988, apud BIANCO; CANTO DE SOUSA, 2018).
Entende-se por ansiedade a antecipação de uma situação acompanhada por sensa-
ção de medo, risco, ameaça iminente, associados à baixa sensação de controle ou do-
mínio da situação temida. Quando apresentados a situações ambíguas ou neutras, os 
indivíduos ansiosos tendem a perceber as situações como ameaçadoras, enquanto os 
indivíduos não ansiosos as consideram não ameaçadoras (EYSENCK; MOGG; MAY; 
RICHARDS; MATTHEWS, 1991 apud GAZZANIGA et al. 2018 p. 614), assim, 
a ansiedade é um estado de apreensão e excitação física em que o indivíduo acredita 
que não pode controlar ou prever eventos futuros potencialmente aversivos.
O fato de não ter controle sobre o que irá acontecer faz o cérebro se sentir em 
perigo, dessa forma, ele manda respostas para o corpo como se algo estivesse 
acontecendo de ruim, tais como, disparo do coração, sudorese, tremores, respiração 
ofegante, entre outras, que são reações que o corpo manda para que possamos fugir 
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da ameaça que criamos. Segundo Brunoni (2008), os sintomas de ansiedade podem 
ter características tanto a nível cognitivo ( percepções de ameaça, perigo), bem 
como características físicas/ somáticas (como taquicardia, falta de ar, sudorese fria, 
dor abdominal, entre outros).
Mas, muitas vezes, certo de nível de ansiedade é fundamental para que possamos 
nos preparar para a situação, motiva-nos a caminhar, bem como nos prepara para 
reagir a determinada situação para nos proteger, dessa forma ela funciona como 
uma alerta sobre a possibilidade da ocorrência de danos físicos e ameaça a nossa 
integridade ( BRANDÃO, 2004).
O medo é um sentimento primário que todos nós temos quando estamos diante 
de uma situação real de ameaça, enquanto que na ansiedade, muitas vezes anteci-
pamos essa ameaça, e isso é o suficiente para o cérebro reconhecer que existe um 
perigo, mesmo ele não sendo real. Daí ele funciona como se algo ruim estivesse 
acontecendo, mas não está, formando um medo recorrente em situações cotidianas. 
A pessoa fica sempre em estado de alerta, como se o pior fosse acontecer a qualquer 
momento. O medo nos ajuda a criar estratégias de lutar e fugir, o medo pode ser 
protetor, pois isso faz com que tomemos decisões que irão preservar nossa vida. Mas 
o que realmente acontece?
Segundo Brandão (2004), quando a ameaça parte de um estimulo distante, ou
ainda é uma ameaça potencial, o nosso sistema nervoso autônomo ativa estruturas 
como a amídala (responsável pelas emoções), hipotálamo, hipocampo (responsável 
pela memória) e córtex pré-frontal (responsável pela regulação do estresse) resultando 
em respostas de medo e ansiedade, enquanto que a resposta a estímulos reais, aver-
sivos e que ameaçam a vida, ativam estruturas mais caudais mesencefálicas, como 
a substancia cinzenta periaquedutal (PAG), resultando em respostas de pânico e 
ataque defensivo.
O sistema nervoso simpático e o eixo (HPA) hipotálamo-pituitária-adrenal são 
acionados pelo hipotálamo. Este eixo exerce um papel fundamental na resposta 
aos estímulos externos e internos, incluindo os estressores psicológicos (JURUENA 
MF et al., 2004). Todas essas estruturas são responsáveis por regular nossa reação 
ao medo, que conhecemos como a reação de luta e fuga. As estruturas cerebrais 
também envolvidas nesse processo são a hipófise, pituitária e a amígdala. Essas 
estruturas são inicialmente responsáveis pela nossa resposta ao medo e ao estresse. 
Segundo Bear et al. (2006) apud Magrinele (2014,p. 23):
O hipotálamo possui um papel central em orquestrar uma resposta hu-
moral, visceromotora e somático-motora apropriada. Esta resposta é re-
gulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA). O hormônio cortisol 
é liberado pela glândula adrenal em resposta a um aumento nos níveis 
sanguíneos do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), liberado pela hi-
pófise anterior devido ao estímulo do hormônio liberador de corticotrofi-
na (CRH) do hipotálamo. Os neurônios hipotalâmicos que secretam CRH 
são regulados pela amígdala e pelo hipocampo. Quando o núcleo central 
da amígdala é ativado, interfere no eixo HPA e a resposta ao estresse é 
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Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
emitida, sendo que a ativação inapropriada tem sido relacionada com os 
transtornos de ansiedade.
Veja o quadro abaixo:
Ativação do sistema nervoso simpático
Ativação do eixo HPA
Reação do estresse
Amigdala Substância cinzenta Comportamento de esquiva
Sistemas modulatórios difusos Aumento do estado de alerta
Hipotálamo
Figura 4
Fonte: Adaptada de MARK, 2017
Quando falamos do comportamento humano frente a situações de desastre, tor-
na-se fundamental compreendermos a relação do nosso cérebro mediante uma situ-
ação de perigo. 
Podemos dizer que não existe um único sistema responsável pelas nossas emo-
ções, mas já se sabe que o sistema límbico é um deles (MARK, 2017), que a ínsula 
e a amígdala são as estruturas mais importantes desse sistema que contribui para 
o processamento emocional, apesar de haver outras (GAZZANIGA et al., 2018). 
A ínsula pode ser ativada em uma variedade de emoções como raiva, culpa e an-
siedade (CHANG; YARKONI; KHAW; SANFEY, 2013 apud GAZZANIGA et al., 
2018). Já a “amígdala processa o significado emocional dos estímulos e produz rea-
ções emocionais e comportamentais imediatas” (PHELPS, 2006 apud GAZZANIGA 
et al., 2018, p. 4074). O processamento das emoções na amígdala é um circuito que 
se desenvolveu ao longo do curso da evolução para proteger os animais do perigo”. 
(LEDOUX, 2007 apud GAZZANIGA et al., 2018, p. 407)
Quando somos submetidos a uma situação de estresse, o organismo “reage ime-
diatamente, disparando uma série de reações via sistema nervoso, sistema endócrino 
e sistema imunológico, através da estimulação do hipotálamo e do sistema límbico” 
(ARALDI-FAVASSA et al., 2005 p. 88). Ainda que muitas vezes essas reações pode-
rão ser influenciadas ou sofrer interferências das nossas percepções.
A resposta ao estresse depende, em grande medida, da forma como o 
indivíduo filtra e processa a informação e sua avaliação sobre as situações 
ou estímulos a serem considerados como relevantes, agradáveis, aterro-
rizantes, etc. Esta avaliação determina o modo de responder diante da 
situação estressora e a forma como o mesmo será afetado pelo estresse. 
(MARGIS et al., 2003, p. 66)
O nosso cérebro reponde a estímulos imaginários ou reais, que podem estar 
atribuídos às percepções de perigo e medo. Essas respostas fisiológicas do nosso 
organismo, associadas ao medo, muitas vezes pode ajudar a nos proteger dos peri-
gos eminentemente reais, no entanto, o estresse, em doses crônicas e recorrentes, 
pode ser prejudicial e danoso para o nosso corpo. 
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Bases Neurobiológicas da Ansiedade – por Ariadne Belavenutti Magrinelli – extraído do 
livro “Tópicos em Neurociência Clínica” – Elisabete Castelon Konkiewitz – editora UFGD-2009. 
Disponível em https://bit.ly/3jgltSK
 O transtorno de estresse pós-traumático e até mesmo o transtorno de pânico 
ou crises intensas de ansiedade podem ocorrer após uma situação de desastre, bem 
como muitas outras reações, que podem acontecer durante o evento, como: ne-
gação, agressividade, paralisação, enfrentamento. Todas essas reações podem ser 
consideradas normais e esperadas mediante tal situação. 
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Técnico à Compreensão do Comportamento Humano
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Atuação dos psicólogos nas emergências e desastres – a experiência de Santa Maria
https://youtu.be/2qKMAZFq8gQ
 Leitura
A psicologia das emergências: um estudo sobre angústia pública e o dramático cotidiano do trauma
BRUCK, N. R. V. et al. A psicologia das emergências: um estudo sobre angústia 
pública e o dramático cotidiano do trauma. 2007.
Psicologia: Ciência e Profissão
PARANHOS, M. E.; WERLANG, B. S. G. Psicologia nas emergências: uma nova 
prática a ser discutida. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 35, n. 2, p. 557-571, 2015.
A Intervenção psicológica em emergências: fundamentos para a prática
TORLAI, V. C. et al. A Intervenção psicológica em emergências: fundamentos 
para a prática. Summus Editorial, 2015.
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Referências
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BRANDÃO, M. L. As bases biológicas do comportamento. São Paulo: EPU, 
2004. 
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