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Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) INTRODUÇÃO À ESPECTROMETRIA É de conhecimento comum que muitas substâncias absorvem ou emitem radiação eletromagnética (LUZ). Podemos, então, fazer uso desta propriedade (ABS ou emissão) para fazer análises (qualitativas ou quantitativas), através dos MÉTODOS denominados ESPECTROSCÓPICOS. ESPECTROMETRIA / ESPECTROSCOPIA / ESPECTROFOTOMETRIA: São métodos que se baseiam na quantidade de radiação emitida ou absorvida pelas moléculas ou espécies atômicas de interesse. Sabemos que a luz, descrita como onda ou como partícula, possui energia proporcional à sua frequência: 𝑬 = 𝒉𝒗 = 𝒉 𝒄 𝝀 = 𝒉𝒄 𝟏 𝝀 = 𝒉𝒄�̃� , onde h = constante de Planck = 6,626 x 10–34 j.s e �̃� = número de onda (�̃� = 𝟏 𝝀 ). Adaptado de ©Thomson Higher Education 𝒄 = 𝝂 𝝀 ; �̅� = 𝟏 𝝀 c = 3,0 x 10+8 m/s Adaptado de ©Thomson Higher Education 𝑬 = 𝒉 𝝂 ; 𝑬 = 𝒉𝒄 𝝀 h = 6,626 x 10–34 j.s Podemos observar no espectro eletromagnético abaixo, diferentes denominações, caracterizadas por frequências distintas. Nesse sentido, podemos dizer que essas diferentes regiões são caracterizadas por uma faixa de comprimentos de onda (λ), número de onda (�̃�) ou energia (E ou E*). Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) EXEMPLO 1: Complete a tabela abaixo: Região do espectro eletromagnético λ(nm) 𝒗(Hz) �̃� (cm-1) E Rádio 1012 Microondas 107 Infravermelho 104 Visível 103 Ultravioleta 101 Raios-X 10–1 Gama 10–12 RESPOSTAS: Região do espectro eletromagnético λ(nm) 𝒗(Hz) �̃� (cm-1) E (j) Rádio 1012 3,0 x 105 3,3 x 10–6 1,99 x 10–28 Microondas 107 3,0 x 1010 3,3 x 10–11 1,99 x 10–23 Infravermelho 104 3,0 x 1013 3,3 x 10–14 1,99 x 10–20 Visível 103 3,0 x 1014 3,3 x 10–15 1,99 x 10–19 Ultravioleta 101 3,0 x 1016 3,3 x 10–17 1,99 x 10–17 Raios-X 10–1 3,0 x 1018 3,3 x 10–19 1,99 x 10–15 Gama 10–12 3,0 x 1029 3,3 x 10–30 1,99 x 10–4 Portanto, podemos esperar que a interação de cada tipo radiação, representada por cada região do espectro eletromagnético, com a matéria, aconteça de maneira diferenciada. O tipo de interação comumente interessada nos MÉTODOS ESPECTROSCÓPICOS envolve transições entre diferentes níveis energéticos das espécies químicas. Nos atentaremos às seguintes regiões do espectro eletromagnético: ULTRAVIOLETA, VISÍVEL e INFRAVERMELHO. Os métodos espectroscópicos que utilizam essas regiões são denominados MÉTODOS ÓPTICOS. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) MÉTODOS ÓPTICOS: Métodos espectroscópicos baseados na radiação ultravioleta, visível e infravermelha. As técnicas analíticas mais comuns, que empregam radiação ultravioleta, visível e infravermelha são: (i) Espectrofotometria UV-VIS, (ii) Espectrometria de Luminescência Molecular, (iii) Espectrometria no Infravermelho, (iv) Espectrometria de Massas, (v) Espectrometria de Absorção Atômica com Chama, (vi) Espectrometria de Absorção Atômica com Forno de Grafite, (vii) Espectrometria de Emissão Óptica com Plasma Indutivamente Acoplado, (viii) Espectrometria de Massas com Plasma Indutivamente Acoplado e (ix) Fotometria de Chama. As técnicas i a iv são técnicas de espectrometria molecular. Ou seja, são técnicas analíticas que fazem uso de propriedades da radiação eletromagnética que possibilitam a análise de moléculas. Estudaremos nesse curso somente as técnicas i e iv. Já as técnicas v a ix são técnicas de espectrometria atômica. Ou seja, são técnicas analíticas que fazem uso de propriedades da radiação eletromagnética que possibilitam a análise de espécies atômicas. Daremos maior ênfase nesse curso nas técnicas v, vi e vii. Iniciaremos o estudo com a utilização da radiação eletromagnética para análises qualitativas e quantitativas de espécies moleculares. O termo empregado para estes métodos é ESPECTROFOTOMETRIA ou ESPECTROFOTOMETRIA UV-VIS, e o equipamento empregado para condução dessas análises é o ESPECTROFOTÔMETRO, cuja que mede a luz transmitida. Em outras palavras, a propriedade física medida por esses equipamentos é a quantidade de luz absorvida e transmitida. ESPECTROFOTOMETRIA DE ABSORÇÃO MOLECULAR – ESPECTROFOTOMETRIA UV-VIS Adaptado de ©Thomson Higher Education Adaptado de ©Thomson Higher Education Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) Um feixe de luz, com potência (P0) e frequência conhecidas, é incidida sobre uma amostra. Parte da radiação incidida é absorvida pela matéria, enquanto o restante da radiação (P) simplesmente emerge. Nesse sentido, P ≤ P0. Observe que o equipamento mede a radiação que não foi absorvida. Ou seja, a luz transmitida. Essa fração é denominada TRANSMITÂNCIA. TRANSMITÂNCIA (T): É a fração de luz incidente que passa através da solução que contem a amostra. A transmitância é calculada da seguinte maneira: 𝑻 = 𝑷 𝑷𝟎 . Uma vez que há uma fração da luz incidente que é transmitida, há também outra fração da luz incidente é absorvida. Essa fração é a ABSORBÂNCIA (ou ABSORVÂNCIA). ABSORVÂNCIA (A ou ABS): É a fração de luz incidente que não passa através da solução que contem a amostra. Em outras palavras, é a fração da luz incidente que é absorvida em solução. A absorvância é calculada da seguinte maneira: 𝑨 = 𝒍𝒐𝒈 𝑷𝟎 𝑷 = − 𝐥𝐨𝐠 𝑻 EXEMPLO 2: Calcule a absorvância para as seguintes %’s de transmitância: a) 10% b) 90% c) 0% d) 100% RESPOSTAS a) ABS = 1 b) ABS = 0,046 c) ABS = ∞ d) ABS = 0 Observe que, quanto maior a transmitância, menor é a absorvância. A reciprocidade é verdadeira: quanto maior a absorvância, menor é a transmitância. EXEMPLO 3: Complete a tabela abaixo: A 0,545 0,630 T 0,62 0,31 %T 34 17 Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) RESPOSTAS A 0,545 0,208 0,468 0,509 0,630 0,770 T 0,285 0,62 0,34 0,31 0,23 0,17 %T 28,5 62 34 31 23 17 Sabemos que todas as moléculas possuem uma quantidade de energia, que é a soma das energias eletrônica (Eeletr), vibracional (Evib) e rotacional (Erot), onde Eeletr > Evib > Erot. Sabemos ainda que, de acordo com o espectro eletromagnético apresentado no início desse material, a região do ultravioleta compreende uma faixa entre 200 e 400 nm, enquanto a região do visível compreende uma faixa ente 400 e 800 nm. Nesse sentido, a região do ultravioleta possui uma energia em torno de 150 a 72 Kcal/mol, enquanto a região do visível possui uma energia em torno de 72 a 36 Kcal/mol. Assim, a absorção de energia correspondente à região do UV ou do VIS, produz transições eletrônicas do estado fundamental para o estado excitado das moléculas. NOTA 1: Alguns autores consideram que a região do ultravioleta visível compreende uma faixa de 180 a 780 nm. (SKOOG – Princípios de Análise Instrumental). NOTA 2: Atualmente (incluindo o laboratório da UFSJ/CCO) os espectrofotômetros trabalham na faixa de 190 a 1100 nm. Nesse sentido, considera-se que o ultravioleta compreende a faixa de 190 a 310 nm e o visível compreende a faixa de 310 a 1100 nm.De acordo com a TOM, os níveis de energia de uma molécula orgânica são representados pelo diagrama abaixo. Essas transições seguem a seguinte escala de energia: 𝒏 → 𝝅∗ < 𝝅 → 𝝅∗ < 𝒏 → 𝝈∗ ≪ 𝝈 → 𝝈∗. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) A maioria das aplicações espectrofotométricas acontecem na região do “visível” (UV-VIS), compreendido entre 200 a 700 nm (≠ 190 a 1100 nm). Para que uma molécula absorva nesta região, é necessário que as mesmas apresentem grupo funcional insaturado, ou seja, que possuam orbitais “pi” (𝜋 ). Moléculas que possuem estes orbitais (pi) que são capazes de absorver radiação UV-VIS, são chamadas de CROMÓFOROS. O comprimento de onda máximo que uma molécula apresenta é diretamente influenciado pelo solvente. O solvente deve ser transparente e seu LIMITE DE COMPRIMENTO INFERIOR deve ser levado em consideração. Os COMPRIMENTO INFERIOR (λinferiores) são chamados de COMPRIMENTO DE ONDA DE CORTE e não se deve fazer medidas abaixo destes. Solvente Limite do λ inferior (nm) Solvente Limite do λ inferior (nm) Água 180 Éter Dietílico 210 Etanol 220 Acetona 330 Hexano 200 Dioxano 320 Cicloexano 200 Cellosolve (etoxietanol) 320 Tetracloreto de Carbono 260 Os solventes polares agem eletrostaticamente com os cromóforos polares, tendendo suprimir as estruturas espectrais finas resultantes dos efeitos vibracionais. Consequentemente, as absorções 𝒏 → 𝝅∗ se deslocam para λ mais curtos (EFEITO HIPSOCRÔMICO) e 𝝅 → 𝝅∗ para λ maiores (EFEITO BATOCRÔMICO). Algumas espécies químicas, que não absorvem em comprimentos de onda superiores a 200 nm, quando em contato com cromóforos, podem afetar sua absortividade molar. Essas espécies são denominadas AUXOCROMOS. A absortividade molar pode ser aumentada (EFEITO HIPERCRÔMICO) ou diminuída (EFEITO HIPOCRÔMICO). Voltando novamente ao equipamento, conforme vimos acima, as medidas são realizadas em um ESPECTROFOTÔMETRO. O recipiente onde a amostra (analito) está contido, é denominado CÉLULA, que também é chamada de CUBETA. As mais comuns são: Plástico e vidros de silicatos: Absorvem radiação ultravioleta e a visível. Logo, só podem ser utilizadas para medidas nos λ do visível. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) Quartzo ou Sílica Fundida (vidro feito com SiO2): São necessárias para medidas no ultravioleta (abaixo de 310 nm). Essas substâncias são transparentes nas regiões visível e infravermelho. As cubetas mais comuns possuem CAMINHO ÓPTICO (b) de 0,5 a 10 cm, sendo a cubeta de 1,0 cm a mais comum. Essas vidrarias nunca devem ser secadas em estufa ou sob aquecimento. Além disso, as cubetas de quartzo nunca devem ser sonicadas, pois o material vibra na mesma frequência das ondas ultrassônicas. Adaptado de ©Thomson Higher Education Adaptado de ©Thomson Higher Education Adaptado de ©Thomson Higher Education A absorvância é proporcional à concentração de moléculas absorvedoras de luz na amostra, bem como ao caminho óptico (Lei de Lambert-Beer ou Lei de Beer: 𝑨 = 𝜺𝒃𝒄). LEI DE LAMBERT-BEER: 𝑨 = 𝜺𝒃𝒄 ou 𝑨𝝀 = 𝜺𝝀𝒃𝒄 , onde “A” = Absorvância ; “b” = Caminho óptico , “c” = concentração molar da espécie de interesse e “ε” = Absortividade molar. A absortividade molar é uma característica de cada substância. Esta propriedade indica a quantidade de luz que é absorvida num determinado λ. Devemos nos atentar que esta propriedade é dependente do solvente. Devemos nos atentar que a Lei de Lambert-Beer (𝑨 = 𝜺𝒃𝒄) pode ser escrita da seguinte maneira: A = abc , onde “A” = Absorvância ; “b” = Caminho óptico , “c” = concentração (diferente da molar) da espécie de interesse e “a” = Absortividade molar. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) EXEMPLO 4 (Adaptado de Harris): A absorvância de uma solução 2,31 x 10–5 M é 0,822 em um comprimento de onda de 266 nm, em uma cubeta de 1,00 cm. Calcule a absortividade molar nesse comprimento de onda. RESPOSTA: 𝜀 = 3,56 x 104 M–1 cm–1 ou 𝜀 = 3,56 x 104 L mol–1 cm–1 EXEMPLO 5 (Adaptado de Harris): O ozônio gasoso apresenta uma absortividade molar de 2700 M–1cm–1 no pico de absorção próximo a 260 nm. Determine a concentração molar do ozônio em uma amostra de ar que possui uma absorvância de 0,230 em uma célula de 10 cm. Considere que a absorvância do ar seja desprezível a 260 nm. RESPOSTA: c = 8,52 x 10–6 M ou c = 8,52 x 10–6 mol L–1 EXEMPLO 6: a) Uma solução 3,96 x 10–4 M de um composto A apresentou uma ABS de 0,624 em 238 nm numa cubeta de 1,0 cm de caminho óptico. Uma solução em branco, contendo apenas o solvente apresentou uma ABS de 0,029 no mesmo λ. Determine a absortividade molar do composto A. RESPOSTA: 𝜀 = 1503 M–1 cm–1 ou 𝜀 = 1,50 x 103 M–1 cm–1 b) A ABScorrigida de uma solução de concentração desconhecida do composto A, no mesmo solvente, sendo a mesma cubeta, é de 0,375 em 238 nm. Determina a concentração de A na solução desconhecida. RESPOSTA: 𝜀 = 1503 M–1 cm–1 ou 𝜀 = 1,50 x 103 M–1 cm–1 c) Uma solução concentrada do composto A, no mesmo solvente, foi diluída a partir de um volume inicial de 2,0 mL para um volume final de 25 mL. Em seguida, mediu-se a ABS da solução e obteve-se 0,773. Qual é a concentração de A na solução concentrada? RESPOSTA: 𝜀 = 1503 M–1 cm–1 ou 𝜀 = 1,50 x 103 M–1 cm–1 EXEMPLO 7: a) Uma solução 7,25 x 10–5 M de KMnO4 apresenta T = 44,1% quando medida em uma célula de 2,10 cm, no λ = 525 nm. Calcule a absortividade molar do KMnO4. RESPOSTA: 𝜀 = 2338 M–1 cm–1 ou 𝜀 = 2,34 x 103 M–1 cm–1 b) Qual seria a A e a T se a solução fosse diluída 2 vezes. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) RESPOSTA: A = 0,178 e T = 0,664 ou 66,4% c) Qual seria % de T se b fosse duas vezes maior? RESPOSTA: T = 19,4% EXEMPLO 8 (Prova aplicada no segundo semestre de 2016): 2 – Um grupo de pesquisadores da Universidade de Minia, Egito, desenvolveu um método analítico para a determinação de amlodipina por UV-VIS em formulações farmacêuticas. Para tal, os pesquisadores promoveram a reação dessa espécie com a Eosina Y, para formação de um complexo colorido. Os espectros da amlodipina, bem como do complexante e do complexo formado são mostrados abaixo. Fonte: J. A. Pharm. Sci. 02(06) (2017) 84-89. 25 mg da amlodipina (AML ; MM = 408,9 g/mol) foi solubilizada em 15 mL de etanol e, após sonização por 5 minutos, o volume foi ajustado para 25 mL com água destilada. Uma solução 0,020% m/v de eosina Y (MM = 691,8 g/mol) foi preparada, empregado água destilada. Em seguida, os pesquisadores promoveram a reação entre o fármaco e o complexante, da seguinte maneira: transferiram 1,0 mL da solução de AML para um balão volumétrico de 10,0 mL, adicionaram 0,5 mL de um surfactante; 0,5 mL de tampão pH 3,50; 0,5 mL da solução de eosina Y e ajustaram o volume com água destilada. Os pesquisadores obtiveram os espectros acima. Após obtenção dos λmáximos, os pesquisadores construíram uma curva analítica (ABS versus concentração, em µg/mL) com a seguinte equação de regressão: Y = 0,0144 X + 0,0548. Em seguida, os pesquisadores empregaram o método desenvolvido para quantificar o princípioativo em amostras comerciais de 10 mg. Eles procederam a análise da seguinte maneira: solubilizaram um comprimido em 15 mL de metanol e, após 5 minutos de sonicação, ajustaram o volume em 25 mL com água destilada. Em seguida, transferiram 1,0 mL da solução para um balão volumétrico de 10,0 mL, adicionaram 0,5 mL de um surfactante; 0,5 mL de tampão pH 3,50; 1,0 mL da solução de eosina Y e ajustaram o volume com água destilada. A análise da solução, bem como a obtenção dos espectros, foi conduzida num espectrofotômetro, em 549 nm, empregando uma cubeta com caminho óptico de 1,0 cm. A solução apresentou uma ABS = 0,724. Baseado nessas informações, faça o que se pede: DADOS: 𝑨 = 𝜺𝒃𝒄 ; A = abc ; 𝑨 = −𝒍𝒐𝒈 𝑻 ; µg = 10–3 mg ; mg = 10–3 g ; % m/v = massa (em gramas), presentes em 100 mL de solução. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) a) Calcule a absortividade e a absortividade molar da amlodipina, no λ destacado no espectro. Expressar as respectivas unidades. RESPOSTA: 𝑎 = 0,0128 mL µg–1 cm–1 ou 𝜀 = 5,25 x 103 L mol–1 cm–1 b) Qual seria o valor da absortividade molar da eosina, no λ destacado no espectro, se fosse empregada uma cubeta de 0,5 mL. Expressar a resposta com a respectiva unidade. RESPOSTA: 𝜀 = 3,98 x 103 L mol–1 cm–1 c) Calcule a quantidade de princípio ativo no medicamento e diga se o teor encontrado condiz com o valor do rótulo. Considere um intervalo de 80 a 120%. RESPOSTA: Teor = 116,2%. d) Qual seria o valor da % de transmitância obtida para o complexo, se o balão de 10 mL fosse substituído por um balão de 50 cm? RESPOSTA: T = 76,6%. e) Avalie as afirmativas abaixo e diga QUANTAS estão corretas: Se a análise fosse conduzida em 560 nm, os limites de quantificação seriam maiores. Em 350 nm, a absortividade molar da AML é menor que a absortividade molar calculada na “letra a”. Se os autores conduzissem a análise da AML, sem promover a reação com a EOSINA, o método seria mais sensível. Se fosse empregada uma cubeta de 2,0 cm para obtenção dos espectros, a eosina apresentaria uma absortividade de 57,5 v cm–1 %–1 m–1. Se fosse empregada uma cubeta de 2,0 cm para obtenção dos espectros, a eosina apresentaria uma absortividade de 57,5 mL cm–1 g–1. RESPOSTA: V V V V V Também são componentes importantes de um espectrofotômetro as fontes e os seletores de comprimentos de onda. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) A fonte mais empregada na região do visível é a LÂMPADA DE FILAMENTO DE TUNGSTÊNIO, que emite uma radiação entre 325 a 2500 nm. Na região do ultravioleta, a fonte mais empregada é a LÂMPADA DE DEUTÉRIO, que emite uma radiação entre 185 e 375 nm. Uma vez que essas fontes emitem radiação contínua, faz-se necessário o emprego de seletores de comprimentos de onda. Os seletores podem ser filtros ópticos, redes de difração ou monocromadores. Os MONOCROMADORES, que são os mais empregados atualmente, consistem de um conjunto de lentes e espelhos que circundam um elemento de dispersão, com o objetivo de promover a resolução de uma faixa espectral estreita. Material 2 – Introdução aos Métodos Espectrométricos – Espectrofotometria. Professor Frank Pereira de Andrade Universidade Federal de São João Del Rei Campus Centro Oeste Dona Lindu (CCO/UFSJ) Após selecionar o comprimento de onda, ou a faixa desejada, a radiação incidente atinge a cubeta contendo a solução a ser analisada e, parte da radiação é absorvida. A fração não absorvida chega aos detectores, que geram o sinal analítico. Os mais comuns são: célula fotovoltaica, fototubo e fotomultiplicadora. Os detectores convertem a radiação eletromagnética em unidades de corrente, resistência ou potencial. REFERÊNCIAS 1. Holler, F. J., Skoog, D. A., Stanley, R. C.. Princípios de Análise Instrumental. 6ª ed. Bookman, Porto Alegre, 2009. 2. Harris, D. C. Explorando a Química Analítica. 4ª ed. LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora, Rio de Janeiro, 2011. 3. Harris, D. C. Análise Química Quantitativa. 6ª ed. LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora, Rio de Janeiro, 2005. 4. Skoog, D. A.; West, D. M.; Holler, F. J.; Crouch, S. R. Fundamentos de Química Analítica. 8ª ed. Pioneira Thomson Learning, São Paulo, 2006.