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Grupo Pigmentos fotossintetizantes Substância de reserva Euglenófitas Clorofilas a e b; carotenoides Paramilo (semelhante ao amido) Dinoflagelados Clorofilas a e c; carotenoides, como a peridinina (cor avermelhada) Óleo e amido Diatomáceas Clorofilas a e c; carotenoides, como a fucoxantina (pigmento marrom) Crisolaminarina Feofíceas ou algas pardas Clorofilas a e c; carotenoides, como a fucoxantina Laminarina e manitol Rodofíceas ou algas vermelhas Clorofilas a e d; carotenoides; ficoeritrina (cor vermelha) Amido das florídeas Clorofíceas ou algas verdes Clorofilas a e b; carotenoides Amido Bipartição em euglena Esquema de Euglena de água doce (mede cerca de 80 µm de comprimento). Próximo à região basal do flagelo, há o estigma, estrutura que participa dos mecanismos fotorreceptores da euglena, detectando a intensidade e a direção da luz. Esquema de bipartição em euglena. Note que a divisão da célula ocorre no sentido longitudinal. 4 Algas A presença dos pigmentos relacionados com a captação de luz na fotossíntese (pigmentos fotossintetizantes) e o tipo de substância orgânica armazenada como reserva são os principais critérios usados para distribuir as algas em diferentes gru- pos, dos quais vamos considerar os seguintes: 4.1 Euglenófitas As euglenófitas são representadas principalmente pelo gênero Euglena, muito comum em águas para- das ou pouco movimentadas. Há espécies de água doce e espécies marinhas. Esses organismos possuem cloroplastos, núcleo e dois flagelos, dos quais um é mais longo e evidente ao mi- croscópio, e exerce função locomotora, semelhante ao que você já conheceu nos protozoários flagelados. As euglenófitas de água doce possuem vacúolo contrátil. A reprodução assexuada da euglena ocorre por bipartição no sentido longitudinal da célula, como podemos observar no esquema abaixo. segundo flagelo não emergentenúcleo estigma flagelo locomotor vacúolo contrátil cloroplastos membrana celular Euglena Lu is M ou ra /A rq ui vo d a ed ito ra Lu is M ou ra /A rq ui vo d a ed ito ra 64 capítulo 4 D IV U LG A Ç Ã O P N LD CURIOSIDADE Os dinoflagelados são também conhecidos como pirrófitas. As algas uni- celulares já foram classificadas como plantas e, por isso, receberam o sufixo fita, que significa “planta”. Pirrófita significa “planta de fogo”, devido ao pigmento vermelho. Embora não seja uma planta, o nome do grupo foi mantido. Hoje, devemos adaptar a etimologia para “algas de fogo”. Maré vermelha, fotografada em 2006 no litoral oeste dos Estados Unidos. Nessa localidade, chamada Hood Canal, a maré vermelha resultou em queda drástica do nível de gás oxigênio dissolvido na água, o que causou a morte de milhares de peixes e outros organismos. Dinoflagelado marinho do gênero Gonyaulax, um dos causadores das marés vermelhas (mede cerca de 10 µm de diâmetro). Carapaças de diato máceas (diâmetro médio de 30 µm). 4.2 Dinoflagelados Esse grupo é formado por algas unicelulares de coloração avermelha- da, por causa da presença de peridi- nina, que é um pigmento vermelho. Possuem também caroteno e cloro- filas a e c. Armazenam óleo e amido como reserva energética. Embora existam dinoflagela- dos de água doce, a maioria é mari- nha, fazendo parte do plâncton. Eles apresentam flagelos e endoesquele- to formado por vesículas achatadas e membranosas associadas à mem- brana plasmática e que podem con- ter celulose. Existem várias espécies de dinofla- gelados tóxicos que, sob determina- das condições, proliferam muito cau- sando um fenômeno chamado maré vermelha. Entretanto, dependendo da espécie, a região afetada pode ter outra cor, como marrom e amarelado. Quando ocorre a maré vermelha, verifica-se alta mortalidade de peixes e outros animais, além da contamina- ção principalmente de moluscos, in- cluindo os utilizados na alimentação humana e que, uma vez ingeridos, provocam graves intoxicações. 4.3 Diatomáceas As diatomáceas podem também ser chamadas bacilariófitas (bacilo = bastonete), nome dado em referên- cia ao formato de diversas espécies quando visualizadas ao microscópio. São algas unicelulares douradas, coloração que lhes é dada pelos pig- mentos fucoxantina e caroteno. As diatomáceas são unicelulares e têm parede celular de sílica, que recebe o nome frústula ou carapaça. Essa cara- paça é formada por duas partes, ou válvulas, que se encaixam. As diato- máceas não apresentam estruturas de locomoção. D on P au ls on /P ur es to ck /G lo w Im ag es Sm ith so ni an In st itu tio n A G E Fo to st oc k/ G ru po K ey st on e 65 capítulo 4 D IV U LG A Ç Ã O P N LD Alga parda do gênero Laminaria, comum no oceano Pacífico (pode chegar a 60 m de comprimento). Algas vermelhas do gênero Porphyra presas às rochas, expostas ao ar durante a maré baixa. Essa alga é utilizada no preparo de sushis, na sua forma desidratada, como você pode ver na foto acima. Alga verde multicelular do gênero Ulva, conhecida por alface-do-mar, muito comum no litoral brasileiro. Tamanho aproximadamente natural. 4.4 Feofíceas As feofíceas são popularmente conhecidas como algas pardas, em virtude de sua coloração marrom, que se deve à presença de pigmento fucoxantina. Elas são multicelulares e em algumas espécies os indivíduos podem atingir grandes dimen- sões, como acontece nos gêneros Laminaria e Macrocystis, comuns no oceano Pacífico, que chegam a medir até 60 metros de comprimento. No litoral brasileiro, as algas pardas são muito comuns, sendo o sargaço (Sargassum) o gênero mais conhecido e abundante. N O A A C or bi s/ La tin st oc k Ra lp h A . C le ve ng er / C or bi s/ La tin st oc k SP L D C /L at in st oc k SP L D C /L at in st oc k 4.5 Rodofíceas 4.6 Clorofíceas As algas verdes, ou clorofíceas, podem ser unicelulares ou multicelulares. Uma alga verde muito comum no litoral brasileiro é a alface-do-mar, pertencente ao gênero Ulva. Alga verde unicelular do gênero Chlamydomonas, que vive em água doce (mede cerca de 10 µm de diâmetro). Entre as algas vermelhas, ou rodofíceas, algumas produzem uma substância gelati- nosa, conhecida como ágar ou ágar-ágar. O ágar é usado industrialmente em gelatinas, dentifrícios e outros produtos gelatinosos. É também adotado em laboratório como meio de cultura para micro-organismos. Uma das rodofíceas mais conhecidas é a pórfira (gênero Porphyra). Certas espécies desse gênero, nativas dos mares asiáticos, são popularmente conhecidas por nori e usa- das no preparo de sushis, prato da culiná- ria japonesa. Photodisc/Arquivo da editora Alga parda do gênero Sargassum, comum no litoral brasileiro (mede cerca de 15 cm de comprimento). As “bolinhas” são vesículas de ar que atuam como flutuadores. vesícula de ar 66 capítulo 4 As algas feofíceas, rodofíceas e clorofíceas também são conhecidas como feófi tas, rodófi tas e clorófi tas, respectivamente. O sufi xo -fícea vem do latim e se refere a algas; o termo fi ta refere-se, etimologicamente, à planta. D IV U LG A Ç Ã O P N LD Todas as algas são autótrofas? Como o termo “alga” não tem valor taxonômico, foi usado neste capítulo para grupos de protistas fotossintetizantes que tradicionalmente sempre fo- ram chamados algas. São fotossintetizantes todas as algas multicelulares, mas, entre os grupos de algas unicelulares, existem representantes heterótrofos. Esse é o caso das euglenófitas e dos dinofla- gelados. Nas euglenófitas existem gêneros como Peranema, em que todas as espécies são formadas por seres heterótrofos, capturando e ingerindo outros protistas, inclusive euglenas. Mesmo indiví- duos do gênero Euglena, que são clorofilados, po- dem perder os cloroplastos se mantidos no escuro e passar a ter alimentação heterótrofa. Voltando a viver em ambiente com luz, os cloroplastos são refeitos e voltam a realizar fotossíntese.Dentre os dinoflagelados, existem repre- sentantes exclusivamente heterótrofos como os do gênero Noctiluca, que capturam suas presas por meio de um longo tentáculo que muitos confundem com o flagelo. A célula das noctilucas é grande, com cerca de 1 mm de diâ- metro. Esses organismos são bioluminescentes e, quando ocorrem em grande número, são os principais responsáveis pela luminosidade observada na superfície da água do mar em noites escuras. Existem também dinoflagelados clorofilados que complementam sua alimentação ingerindo pequenos organismos, como acontece com re- presentantes de um gênero muito comum no plâncton marinho, o Ceratium. Mau ar! O nome de uma doença pode trazer infor- mações interessantes, como o agente etiológi- co (exemplo: leishmaniose) ou a parte do corpo afetada (exemplo: disenteria – enteron significa intestino). E quanto à malária? Você conhece a origem desse nome? As primeiras observações a respeito da malá- ria mostravam que ela acometia, com frequência, pessoas que haviam estado em regiões de águas estagnadas, como brejos e pântanos, que cos- tumam emanar gases com cheiro desagradável. Essa observação levou as pessoas a atribuírem ao “mau ar” dos pântanos a causa da malária. A palavra que designa a doença se origina do italiano mala (má) e aria (ar), assim, etimologica- mente, malária significa “mau ar” ou “ar insalubre”. Qual seria a relação entre regiões pantano- sas e malária? Em áreas alagadas, fêmeas de mos- quitos depositam seus ovos, portanto, são locais com muitos desses insetos, inclusive o anófele, transmissor da malária. A descoberta da verdadeira causa da doença não provocou alteração do nome, já consagrado pelo uso. A malária, no entanto, é conhecida também por outros nomes: maleita, impaludis- mo, febre palustre, febre intermitente, batedei- ra, tremedeira, entre outros. D r. D av id P at te rs on /S PL /L at in st oc k G et ty Im ag es Ro la nd B irk e/ Ph ot ot ak e/ G lo w Im ag es Peranema (cerca de 50 µm de comprimento). Noctiluca (mede cerca de 1 mm de diâmetro). Ceratium (mede cerca de 100 µm de comprimento). 67 VAMOS CRITICAR O QUE ESTUDAMOS? D IV U LG A Ç Ã O P N LD As pirâmides do Egito foram construídas com uso de material proveniente de foraminíferos. DEPOIS DA LEITURA... a. Compare foraminíferos e diatomáceas, listando semelhanças e diferenças entre esses grupos. b. Consultando textos de Geologia, descubra se as rochas citadas no texto são magmáticas, metamórficas ou sedi- mentares. Represente a formação do calcário usado nas pirâmides ou do diatomito em um desenho esquemático. 1 Qual é a relação entre protistas, pirâmides do Egito e cremes dentais? As carapaças dos foraminíferos, de compo- sição calcária, resistem ao passar do tempo, o que explica o fato de esses protozoários serem abundantes no registro fóssil e no fundo de ba- cias marinhas. Na espécie Camerina laevigata, que existiu entre 38 e 7 milhões de anos atrás em mares rasos, os indivíduos eram relativamente grandes, alguns com 10 cm de diâmetro. A partir do acúmulo das carapaças desses foraminíferos, formaram-se depósitos de calcário localizados nas margens do Mar Mediterrâneo. Na Antigui- dade, os egípcios utilizaram esse material calcário na construção das pirâmides. Outro material derivado de protistas e utili- zado pelo ser humano é o diatomito, ou “terra de diatomáceas”. Como possuem carapaça de sílica, as microscópicas diatomáceas formam, ao morrerem, depósitos sedimentares no leito de rios e oceanos. Esse material é leve, poroso, quebradiço e tem propriedades abrasivas, sendo usado na fabricação de filtros, giz, talco, lixas e até cremes dentais. 2 Carlos Chagas Carlos Chagas descobriu a doença que ele chamou de tripanossomíase americana, que ficou mais conhecida pelo nome do cientista. Foi um caso raro em que um único pesquisador desven- dou todos os fatores envolvendo uma doença: o agente causador, o transmissor e a profilaxia. Chagas fez muitas outras contribuições aos estu- dos das doenças tropicais, além de atuar como agente de saúde pública, combatendo focos de epidemia de malária e outras moléstias. Por sua descoberta, Carlos Chagas chegou a ser indicado, por duas vezes, ao Prêmio Nobel de Medicina. Sua descoberta, no entanto, também foi contestada, apesar das fortes evidências. Ele passou boa parte de sua vida defendendo a gra- vidade do mal que descobrira e a importância de políticas públicas de saúde que livrassem a po- pulação da doença. Existia uma ideia preconcei- tuosa, comum entre pensadores daquela época, de que o Brasil tinha uma população preguiçosa, pouco disposta ao trabalho; Chagas opunha-se fortemente a tal opinião, demonstrando por meio de dados científicos que o povo brasilei- ro, especialmente os mais pobres, vivia em péssimas condi- ções de saneamento, moradia e saúde, o que levava à proli- feração de doenças graves que pode- riam ser erradicadas. Fonte: PIZA, D. Carlos Chagas – a ciência nos trópicos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2010. DEPOIS DA LEITURA... Com um colega, busque mais informações a res- peito da vida e dos trabalhos realizados por Cha- gas. Relatem a história desse importante cientista brasileiro de um jeito criativo: em quadrinhos, letra de música, vídeo etc. Carlos Chagas em foto do início do século XX. A G E Fo to st oc k/ G ru po K ey st on e Acervo da Casa de Oswaldo Cruz/Departamento de Arquivo e Documentação 68 LEITURA Veja comentários no Manual. a) Consulte o Manual. b) Consulte o Manual. Para mais informações sobre o diatomito consulte o site do Serviço Geológico do Brasil: <www.cprm.gov.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1296&sid=129>. Acesso em: 01 abr. 2016. D IV U LG A Ç Ã O P N LD f67400bf1384c183d752cb48ebcf84b79e50ca36313eb6b744f6d0270dd4b153.pdf