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Prévia do material em texto

Aluno : _________________________________________ nº ______ 
Data: ___/___/2013 Série : 8º ano __ 
Profº: Ana Quitéria 
 
Atividade de férias 
Língua Portuguesa 
Orientação – Os exercícios dissertativos devem ser feitos em folha a parte. 
 
As primeiras pinturas 
Wendy Beckett 
 
Nossos ancestrais paleolíticos, que viveram entre 30000 e 8000 a.C., eram pequenos, peludos e 
iletrados, e nem mesmo a arqueologia consegue afirmar muito a respeito deles. Mas uma coisa é 
luminosamente certa: esses habitantes das cavernas da Idade da Pedra eram artistas, e não apenas no 
sentido de serem capazes de descrever em termos visuais os bichos com que tinham contato no dia-a-
dia: uma arte assim talvez não fosse mais que ilustração, e a pintura das cavernas é muito mais que isso. 
É arte em grande estilo, arte grandiosa, evidenciada em obras de uma argúcia e uma pujança que nunca 
foram superadas. 
As pinturas das paredes das cavernas de Altamira 
foram as primeiras a serem descobertas nos tempos 
modernos. As cavernas ficam próximas a Santander, no norte 
da Espanha. A descoberta, ocorrida em 1879, tinha tantas e 
tamanhas implicações para a arqueologia que, de início, foi 
dada como fraude. 
Esse grande bisão (foto ao lado) foi pintado no teto de 
um longo e estreito corredor que sai de uma caverna 
subterrânea em Altamira. O bisão não está sozinho. Toda 
uma manada surge majestosamente no teto, e nela os bichos 
se imbricam — cavalos, javalis, mamutes e outras criaturas, 
as caças desejadas pelo homem da Idade da Pedra. A 
despeito da confusão, afirma-se ali uma poderosa presença animal. [...] 
 
Bisão da caverna de Altamira, c. 1500 – 1200 a.C., 
195 cm (apenas o comprimento do bisão) 
 
 
O significado das pinturas das cavernas 
 
Acredita-se que essas pinturas tivessem profunda importância para a sociedade pré-histórica, O 
bisão, com o tórax maciço, o denso quarto traseiro e as patas curtas e finas, parece quase palpitar com a 
própria pujança. Ele brande um agressivo par de chifres. O bicho terá sido uma figura sagrada, 
necessária a algum ritual? Talvez nunca saibamos o verdadeiro significado das pinturas nas cavernas, 
mas elas quase certamente desempenhavam uma função mágica, até mesmo ritualística. O quanto disso 
correspondia à arte pela arte (coisa que não podemos descartar por completo) continuará a ser mistério. 
O extraordinário naturalismo e a exatidão anatômica com que foram retratados os animais dessas 
pinturas estavam, acredita-se, ligados ao propósito que elas cumpriam. Os artistas eram também 
caçadores, e suas vidas dependiam dos bichos cujas imagens pintavam nas cavernas. Será possível que 
esses artistas-caçadores achassem que, descrevendo acuradamente a pujança e a velocidade dos animais, 
adquiririam poder mágico? 
Com ele, poderiam ser capazes de controlar-lhes 
o espírito e subtrair-lhes a força antes da caçada. Muitas 
das pinturas mostram os animais feridos ou flechados, e 
em alguns casos há até indícios de ataque físico contra a 
imagem pintada. 
 
O naturalismo com o qual os bichos eram 
desenhados e pintados não se aplicava aos retratos de 
humanos — talvez por aquela mesma razão. Raramente 
se representam pessoas, mas, quando isso acontece, 
trata-se da forma humana mais tosca e básica ou, com 
maior freqüência, de formas simbólicas, como podemos 
ver na imagem do homem prostrado nessa surpreendente 
pintura (foto ao lado), realizada entre 15000 e 10000 
a.C. Encontra-se no mais celebrado de todos os sítios 
arqueológicos que contêm esse tipo de pintura: as cavernas de Lascaux, na Dordonha (França). O 
homem, que se assemelha a um graveto, jaz diante de um bisão eriçado e estripado. Abaixo do homem, 
há uma figura que parece ser uma ave ou, possivelmente, um totem ou estandarte que traz a figura de 
uma ave. É uma pintura de espantoso poder; somos forçados a reconhecer que desconhecemos seu 
significado, mas essa ignorância não afeta nossa reação — pelo contrário, só a intensifica. Nisso, a arte 
pré-histórica já é representativa de todas as expressões artísticas posteriores. 
 
 (História da pintura. São Paulo, Ática, 1997.) 
 
 
Logo no primeiro parágrafo, a autora defende a idéia de que as primeiras pinturas são 
verdadeiras obras de arte. De que maneira a autora tenta fundamentar tal idéia nos parágrafos seguintes. 
Escreva um pequeno parágrafo justificando sua resposta. 
 
1) 
Leia a referência bibliográfica no final do Texto 11. Essa referência ajuda a determinar a que 
público o texto se destina? Qual seria esse público? Há outros recursos que ajudam a determinar o 
público alvo? 
 
 
TEXTO 2 – Texto Informativo 
 
Pichações: a nova versão 
 
Jovens de São Paulo usam pichações para estampar camiseta e deixam muros em paz. 
 
Um ato de vandalismo está se transformando em ganha-pão. Jovens de São Paulo descobriram 
que as técnicas da pichação podem ser usadas para coisas mais úteis que sujar muros. 
É o caso de Hamilton Ronqui, 24, Miquéias Gomes, 22, e Marcelo Batista, 23, ex-pichadores. Há 
dois anos, começaram a usar o spray em camisetas. Montaram uma grife, que tem o nome da turma: 
“Doido é doido”. 
Da época de pichação ficou também a inspiração, usada agora para criar as estampas. 
Como pichador, cada um usava o tubo de tinta spray cerca de 20 vezes por noite e ganhava fama 
entre os “manos”. Hoje, Hamilton, Miquéias e Marcelo vendem mil peças de roupas por mês e recebem 
aproximadamente R$ 7.000. 
Só que a fama de pichador, tão difícil de ser removida quanto uma pichação de muro, às vezes 
atrapalha o negócio. “Já cheguei a dizer que nunca pichei, só roubei dos pichadores o nome da marca”, 
diz Hamilton. 
Os irmãos Jeferson, 19, e Anderson Ventura, 21, também pararam de pichar, mas continuam 
usando rolinhos de tinta e sprays para trabalhar. Eles fazem grafites (pinturas artísticas em muros ou 
painéis) por R$ 200. 
Para Jeferson, foi uma verdadeira conversão. “Descobri que pichar não me levava a nada. Eu não 
tinha hora nem para comer, era como um viciado em drogas. Se não saísse para pichar, nem conseguia 
dormir direito.” 
Nilton Fábio Mota, 19, outro “convertido”, diz que passou a ser respeitado quando mudou de 
ramo. “Antes, sempre tinha problema com os policiais. Agora, falo que sou grafiteiro, mostro meus 
desenhos e eles me deixam em paz.” 
 
 
O texto 2 apresenta uma diferença crucial entre pichador e grafiteiro. Escreva um pequeno parágrafo 
justificando o que distingue um pichador de um grafiteiro. 
 
2) Segundo o texto 2, há algo de comum entre um pichador e um grafiteiro? Justifique sua resposta. 
 
 
Observe que o Texto 2 trata o grafite como uma arte e a pichação como vandalismo. Levando em 
consideração a afirmação da autora do Texto 1 sobre a pintura rupestre ser também uma arte, escreva 
um pequeno parágrafo fazendo um paralelo entre a arte rupestre e o grafite. 
 
 
TEXTO 3 – Crônica 
Guia básico para o turista ocasional 
Agora, sim, posso dizer que sou um escritor internacional. Estou escrevendo estas mal traçadas 
linhas aqui de Los Angeles, onde fico baseado durante a Copa do Mundo de futebol. Vocês continuam a 
me suportar semanalmente graças ao milagre do fax. Aliás, não sei como é que a gente vivia antes do 
fax. A primeira versão do fax era o “moleque de recados”, um menino que levava bilhetes do seu patrão, 
correndo pela cidade toda. Mas estou falando, falando, aliás, escrevendo, escrevendo, e não entro no 
assunto. Vou entrar: é impressionante o número de brasileiros que vieram aos Estados Unidos para 
assistir à Copa. Muitos, que viajam pela primeira vez, não conhecem o país nem a língua e vão precisar 
de um pequeno guia turístico simplificado, com algumas informações fáceis para conseguir se virar sem 
dar muito vexame. 
Este guia também poderá ser chamado de “pequeno manual de sobrevivência para turistas de 
primeira viagem”. Se você vem, mas ainda não veio, traga. Se vocêtem algum parente que já veio, mas 
não sabe a que veio e está meio perdido, recorte a página e mande para ele pelo fax. 
 
Manual de sobrevivência para turistas de primeira viagem 
No aeroporto: Ao chegar à cidade do seu destino, você deve utilizar um meio de transporte para 
ir até o hotel. Existem vários meios de transporte que podem se adequar à verba que você estipulou: a 
limusine com motorista, o carro alugado (não aconselhável para quem não conhece a língua, nunca 
esteve na cidade ou não possui carteira de motorista), o táxi, o ônibus, ou, se o seu orçamento for 
realmente apertado, o pé. Para sua tranqüilidade, é melhor você economizar em outras áreas e tomar um 
táxi. 
 
Como chamar um táxi no aeroporto: Operação muito simples. Você se dirige para uma placa em que 
está escrito TAXI, assim mesmo, sem acento, levanta o braço e diz: “Táxi!” Não se preocupe com o 
sotaque, o que interessa é a inflexão de autoridade. Passe para o motorista o nome de seu hotel e, se ele 
lhe dirigir a palavra ou lhe perguntar alguma coisa, finja que não ouviu. 
 
Como comer: Lá, como aqui, as pessoas comem da mesma maneira: quando estão com fome. Você só 
deve decorar alguns nomes de comida para saber o que está pedindo. Os nomes básicos são fáceis de 
decorar: 
Bife é “esteiqui”. 
Batata é “poteitu” 
Peixe é “fichi” 
Pão é “bredi” 
E 
Água é “uáter”. 
Se você pedir um sanduíche, o moço sempre vai lhe fazer uma pergunta enorme e bem rápida 
para saber que tipo de pão você prefere. Ignore. Dê de ombros e sorria. Torça para vir um pão que você 
goste. É emocionante. 
Finalmente, caso você se perca, se meta numa briga de bar, pegue uma condução errada, há uma 
frase fundamental que você deve memorizar diariamente antes de sair do hotel e que será extremamente 
útil nessas ocasiões: “Uér Is de Brasilian Consuleite? Pliz? Teiquimi Tu de Brasilian Consuleite, Pliz! 
Náu! Náu!” 
 
Jô Soares, VEJA, 29 de junho/1994 
 
 
O texto 3 pode ser considerado um texto instrucional? JUSTIFIQUE sua resposta. 
 
3) 
 
De acordo com o narrador do texto 3, que tipo de problemas um guia básico ajuda o turista de 
primeira viagem a resolver? O texto 3 cumpre essa função? 
 
TEXTO 4 – Texto Documental 
 
Dos 85 artigos que compõem o estatuto, selecionamos alguns referentes à saúde mental e aos 
direitos da criança e do adolescente. 
Art. 3 — A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa 
humana (.), assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim 
de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual, social, condições de liberdade e de 
dignidade. 
Art. 4 — É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público 
assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à 
educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à 
convivência familiar e a comunitária. 
 
Parágrafo Único - A garantia de prioridade compreende: 
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência do atendimento 
nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas 
sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à 
infância e à juventude. 
Art. 7 — A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação 
de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em 
condições dignas de existência. 
Art. 13 — Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente 
serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de 
outras providências legais. 
Art. 14 — O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e 
odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e 
campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos. 
Parágrafo Único — E obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas 
autoridades sanitárias. 
 
Texto extraído de: BERTOLDI, O. G., VASCONCELLOS, J.R. de Ciência & Sociedade 8. São Paulo: 
Scipione, 2000. P389. 
 
 
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, desde 1990, é uma lei promulgada. A lei serve para 
regular o comportamento social indicando direito e deveres dos indivíduos. Analise o texto do Estatuto 
da criança e do Adolescente e determine as características de um texto em forma de lei. Escreva um 
pequeno parágrafo com essas características, e não se esqueça de comentar sobre a linguagem utilizada. 
 
 
TEXTO 5 – Texto Publicitário 
 
 
 
Campanha contra incêndio criminoso, promovida pela Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro. 
 
 
 
4) O texto do folheto faz um jogo semântico entre duas palavras homônimas — mata e mata—, ou seja, 
palavras que apresentam identidade de sons ou de forma, mas que possuem diferentes significados. 
 
a) Qual é o significado dessas palavras de acordo com o contexto? 
b) Quem pode, de acordo com o texto, provocar a morte da mata? 
 
5) 
 O folheto tem por interlocutor as pessoas que moram na mata ou próximas a ela, além de viajantes e 
turistas. A palavra “mata”, nesse contexto, pode pertencer a duas classes gramaticais: a de verbo e a de 
substantivo. 
 
a) Considerando-a como forma verbal, em que modo estaria? 
b) O que ela expressa? 
 
 
TEXTO 6 – Texto Publicitário 
 
 
 
 
 
6) 
No texto da parte superior do anúncio há uma ambigüidade intencional. 
 
a) Identifique-a e explique-a. 
b) Reescreva-a de modo a desfazer a ambigüidade. 
7) 
 
O texto escrito na placa é bastante conciso, deixando implícitos sujeitos e complementos. 
 
a) Qual é o sujeito da forma verbal “mandou”? E da forma verbal “chegou”? 
b) Como ficaria a frase da placa se explicitássemos sujeitos e complementos? 
 
TEXTO 7 – Tirinha 
 
Leia esta tira de Dik Browne e responda. 
 
 
 
 
8) 
a) No 1º quadrinho, Eddie Sortudo não completa o predicado da oração “(...) você não pode!”. De 
acordo com o contexto e a intenção dele, como deveria ser completado esse predicado? 
b) Observando o comportamento de Hagar no 2º quadrinho, como ele o completou? 
c) Que palavra do 1º quadrinho provocou ambigüidade? 
 
 
TEXTO 8 – Texto Poético 
 
 
(In: Alda Beraldo. Trabalhando com poesia. São Paulo: Ática, 1990. v. 2, p. 28.) 
 
9) 
 
O poema é construído com uma estrutura paralelística: apresenta pares de versos, todos iniciados e 
finalizados da mesma forma. Considerando que possa haver em cada par de versos um verbo implícito, 
cada par constituiria uma oração. 
 
a) Identifique o sujeito de cada par de versos e indique seu núcleo. 
b) A que classe gramatical pertencem as palavras que acompanham ou modificam o núcleo do sujeito? 
c) Identifique o predicado de cada par de versos. 
 
 
 
TEXTO 9 – Tirinha 
 
 
 
 
10) 
a) No 1º quadrinho, tanto na fala de Mafalda quanto na de Miguelito, que termo da oração aparece 
isolado por vírgula? 
b) No 2° quadrinho, o que o emprego das reticências depois da palavra “Ah” sugere? 
c) Por que foi empregada a vírgula depois da palavra “não”, no 2º quadrinho? 
d) No 3º quadrinho, a palavra “papelzinho” está entre aspas. Por quê? 
e) Justifique o emprego do ponto de exclamação na oração do 4º quadrinho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO 10 – Tirinha 
 
 
 
 
11) 
Frase é uma palavra ou um conjunto organizado de palavras que estabelecem comunicação entre duas 
ou mais pessoas. A frase é marcada, na fala, pela entonação e, na escrita, pela pontuação. 
 
GIACOMOZZI,Gilio. Estudos de Gramática. São Paulo. 2002. 
 
De acordo com a definição de frase dada acima e a leitura da tirinha, responda. 
 
a) Quantas frases há na tirinha. 
b) È possível classificá-las. Por quê? 
c) A retirada da pontuação das falas do personagem Hagar causaria prejuízo semânticoà tirinha? 
 
 
TEXTO 12 – Texto poético 
 
O poema 
 
Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas eIe, aquela noite, não escreveu 
nada. Para quê? Se por ali já havia passado o frêmito e o mistério da vida... 
 
 (Mário Quintana. Poesias. Porto Alegre: Globo, 1972. p. 70.) 
 
Vocabulário: 
 
Frêmito: 1. ruído de coisa que treme; 2. estremecimento, agitação, vibração. 
 
12) 
a) Com que intenção o poeta empregou a conjunção “mas” no início da frase “Mas ele, aquela 
noite, não escreveu nada”? 
b) Indique o valor semântico da preposição destacada na expressão “Para quê?”. 
c) Com que valor semântico a conjunção subordinativa se expressa na frase “Se por ali já havia 
passado o frêmito e o mistério da vida...”? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO 13 – Crônica 
 
Leia este fragmento de uma crônica do escritor Walcyr Carrasco e responda. 
 
“Eles” quem? 
 
A culpa dos erros e demoras é sempre de um sujeito indefinido. 
 
Certa vez, recém-contratado, abri uma conta bancária, para receber o salário. No talão de 
cheques, o nome errado: Walmir em vez de Walcyr. Reclamei. O gerente sorriu: 
— Vou pedir para eles corrigirem. O próximo já vem certo. 
Não veio. Minha secretária foi pessoalmente ao banco: 
— O gerente já falou com eles, não há mais problema. 
Havia, e continuou havendo por meses. A beira de um stress, telefonei: 
— Diga apenas quem são eles, que eu mesmo falo. 
— Não é preciso — respondeu o gerente —, eles resolvem. 
Exausto, escrevi uma carta ao diretor máximo do banco. Dias depois, um grupo de gerentes 
aterrissou no meu local de trabalho, desculpando-se. Pediram-me para abrir nova conta. 
— Não adianta falar com eles — explicou-me uma moça. 
Quem serão os tais “eles”, essas figuras indefinidas sempre atrás dos problemas quando temos de 
enfrentar erros, mal-entendidos, demoras em qualquer empresa? 
(...) 
(Veja São Paulo, 30/4/97.) 
 
 
13) 
I. Releia o título e o subtítulo do texto. 
 
a) A quem cabe a culpa dos problemas quando vamos reclamar deles? 
 
b) De acordo com o texto, a quem se refere o pronome “eles”? 
 
II. No subtítulo do texto, o autor se refere a um “sujeito indefinido”. Esse tipo de sujeito não existe entre 
a classificação convencional dos tipos de sujeito conhecidos na língua. 
 
a) Na oração “eles resolvem”, como o sujeito é normalmente classificado? 
 
b) Qual é o tipo de sujeito que semanticamente mais se aproxima do “sujeito indefinido” de que trata o 
narrador? 
 
III. De que forma se poderia tornar vaga e genérica a noção de sujeito no período “Vou pedir para eles 
corrigirem”? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14) Considerando a frase a seguir, de Millôr Fernandes, assinale a alternativa correta. 
 
“Fique certo de uma coisa, meu filho: se você mantiver seus princípios com firmeza, um dia lhe 
oferecerão excelentes oportunidades de abdicar deles.” 
a) A forma deles, que é uma combinação do artigo “de” com o pronome “eles”, exerce a função de 
complemento nominal do adjetivo “princípios”. 
b) O pronome lhe refere-se a “meu filho”, que é objeto direto do verbo “oferecerão”. 
c) Se a forma verbal mantiver for substituída pela por mantivesse, obrigatoriamente a forma verbal 
oferecerão seria substituída por ofereceriam. 
d) O período é composto por três orações. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
O fim do marketing 
 
A empresa vende ao consumidor — com a web não é mais assim. 
 
Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do marketing — produto, praça, preço e 
promoção — não funcionam mais. O paradigma era simples e unidirecional: as empresas vendem aos 
consumidores. Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos 
anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma todas essas atividades. 
(...) 
Os produtos agora são customizados em massa, envolvem serviços e são marcados pelo 
conhecimento e os gostos dos consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores hoje 
participam do desenvolvimento do produto. Produtos estão se tornando experiências. Estão mortas as 
velhas concepções industriais na definição e marketing de produtos. 
(...) 
Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado, os preços fixados pelo fornecedor estão 
sendo cada vez mais desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à medida que os 
consumidores ganham acesso a ferramentas que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os 
consumidores vão oferecer vários preços por um produto, dependendo de condições específicas. 
Compradores e vendedores trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados, e não as 
empresas, decidem sobre os preços de produtos e serviços. 
(...) 
A empresa moderna compete em dois mundos: um físico (a praça, ou marketplace) e um mundo 
digital de informação (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não devem preocupar-se 
com a criação de um web site vistoso, mas sim de uma grande comunidade online e com o capital de 
relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta. Dentro de uma década, a maioria dos produtos 
será vendida no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a marketface — a interface 
entre o marketplace e o marketspace. 
(...) 
Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens” unidirecionais, de um-
para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder. As comunidades 
online perturbam drasticamente esse modelo. Os consumidores com frequência têm acesso a 
informações sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles que controlam as regras do 
mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por 
profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública” online. 
Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom. 
 
(Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo, Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.) 
 
 
 
 
15) Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. 
Nós controlamos a mensagem. 
 
Nas orações que compõem os dois períodos transcritos, os termos destacados exercem a função de 
a) sujeito. 
b) objeto direto. 
c) objeto indireto. 
d) predicativo do sujeito. 
e) predicativo do objeto. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Segurança 
 
O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, 
os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança. 
Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que 
controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e 
visitantes devidamente identificados e crachados. 
Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas. 
Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. 
As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram 
obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão 
sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês. 
Mas os assaltos continuaram. 
Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais 
importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. 
Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar. 
Mas os assaltos continuaram. 
Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos 
muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida 
dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas. 
Mas os assaltos continuaram. 
Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes 
tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário,com um revólver apontado 
para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do 
controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas. Para sair, só com um exame 
demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava 
suborno. 
Mas os assaltos continuaram. 
Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais 
coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada 
uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local 
predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos. 
E ninguém pode sair. 
Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu 
patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e 
talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a 
rua. 
Mas surgiu outro problema. 
As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira 
atingir a liberdade. A guarda tem sido obrigada a agir com energia. 
 
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, 97-99) 
 
 
16) O recurso da indeterminação do sujeito, conforme preconiza a gramática normativa, pode ser 
encontrado em 
a) “Havia as belas casas, os jardins...” 
b) “Só entravam no condomínio os proprietários...” 
c) “Decidiram eletrificar os muros...” 
d) “Quem tocasse no fio de alta tensão...” 
e) “Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio...” 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
O padeiro 
 
Levanto cedo, faço a higiene pessoal, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do 
apartamento − mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma 
coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um 
lockout, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar 
seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo. 
Está bem. Tomo meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café 
vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar pão à porta 
do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando: 
– Não é ninguém, é o padeiro! 
Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? 
Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe 
acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou por uma outra pessoa 
qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera 
dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era 
ninguém... 
Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis detê-lo para 
explicar que estava falando com um colega, ainda menos importante. Naquele tempo eu também, como 
os padeiros, fazia trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação do jornal, quase sempre 
depois de uma passagem pela oficina - e muitas vezes saía já levando na mão um dos exemplares 
rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno. 
Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal 
que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou 
artigo com o meu nome. O jornal e o pão estavam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu 
coração eu recebi uma lição daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o 
padeiro!”. 
E assoviava pelas escadas. 
 
(Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1960. Adaptado) 
 
 
17) Considere o trecho em que a expressão em destaque exerce a função de agente da passiva. 
 
Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou por 
uma outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz... 
 
Assinale a alternativa em que o trecho em destaque exerce a mesma função sintática. 
a) Esta é a avenida por onde passarão as escolas de samba. 
b) Ele fez tudo isso por você, a quem admira muito. 
c) Incomodou-o por semanas um problema que parecia sem solução. 
d) O vestido, que havia sido feito por um renomado estilista, impressionou a todos. 
e) Ela sentiu-se arrependida por ter respondido de forma indelicada ao funcionário. 
 
 
 
18) Assinale a alternativa em que o pronome em destaque está empregado de acordo com a norma 
padrão. 
a) Avisaram-na de que era necessário reconhecer firma dos documentos. 
b) Pediu para mim enviar-lhe as faturas do último mês. 
c) Como gostou da bolsa, comprou ela sem pensar duas vezes. 
d) Eu e minha irmã se encontraremos com amigos no sábado. 
e) Recrutaram-o para realizar tarefas pouco prazerosas. 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Você lerá no texto abaixo um trecho do poema “Morte e vida severina”, de João Cabral de Melo Neto, 
importante poeta pernambucano da Geração de 45 do Modernismo brasileiro. No excerto, um retirante 
chamado Severino, protagonista da obra, encontra dois homens que estão carregando um defunto numa 
rede. 
 
Texto 
 
“— A quem estais carregando, irmãos das almas, embrulhado nessa rede? Dizei que eu saiba. 
— A um defunto de nada, irmão das almas, que há muitas horas viaja à sua morada. 
— E sabeis quem era ele, irmãos das almas, sabeis como ele se chama ou se chamava? 
— Severino Lavrador, irmão das almas, Severino Lavrador, mas já não lavra. 
— E de onde que o estais trazendo, irmãos das almas, onde foi que começou vossa jornada? 
— Onde a Caatinga é mais seca, irmão das almas, onde uma terra que não dá nem planta brava. 
— E foi morrida essa morte, irmãos das almas, essa foi morte morrida ou foi matada? 
(...) 
— E quem foi que o emboscou, irmãos das almas, quem contra ele soltou essa ave-bala? 
— Ali é difícil dizer, irmão das almas, sempre há uma bala voando desocupada. 
— E o que havia ele feito irmãos das almas, e o que havia ele feito contra a tal pássara? 
— Ter um hectare de terra, irmão das almas, de pedra e areia lavada que cultivava. 
— Mas que roças que ele tinha, irmãos das almas que podia ele plantar na pedra avara? 
— Nos magros lábios de areia, irmão das almas, os intervalos das pedras, plantava palha”. 
 
 
19) Em relação à sintaxe dos períodos retirados no texto, é correto afirmar que: 
a) Em “há muitas horas viaja à sua morada”, no segundo verso, o sujeito do verbo haver é “muitas 
horas”. 
b) Em “há uma bala voando desocupada”, o termo destacado funciona como um adjunto adverbial de 
modo. 
c) “um defunto de nada” é sujeito do verbo haver que aparece no mesmo verso. 
d) No quinto verso, o possessivo “vossa” pode estar-se referindo apenas ao “irmão das almas”, condutor 
do defunto, ou a ambos, ou seja, ao condutor e ao defunto. 
e) Na expressão “Ter um hectare de terra”, “de terra” constitui um objeto indireto do verbo “ter”, tendo 
em vista ter sido exigida uma preposição. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
De um jogador brasileiro a um técnico espanhol 
João Cabral de Melo Neto 
 
Não é a bola alguma carta 
que se leva de casa em casa: 
 
é antes telegrama que vai 
de onde o atiram ao onde cai. 
 
Parado, o brasileiro a faz 
ir onde há-de, sem leva e traz; 
 
com aritméticas de circo 
ele a faz ir onde é preciso; 
 
em telegrama, que é sem tempo 
ele a faz ir ao mais extremo. 
 
Não corre: ele sabe que a bola, 
Telegrama, mais que corre voa. 
 
(Disponível em: <http://www.revista.agulha.nom.br/futebol.html#jogador> Acesso em: 12 out. 2011.) 
 
 
20) Quanto aos aspectos morfossintáticos do texto, assinale a alternativa correta. 
a) O sujeito das duas primeirasestrofes é indeterminado, como se verifica pelos verbos “se leva” e 
“atiram”. 
b) O predicado em “Não é a bola alguma carta” e “é antes telegrama...” é verbal, pois os verbos indicam 
o estado da bola. 
c) O sujeito simples “brasileiro” da terceira estrofe é retomado nas demais estrofes pelo pronome “ele”. 
d) O predicado da oração “Ele a faz ir”, na quarta e quinta estrofes, é verbo-nominal, pois indica ação e 
descreve a bola. 
e) O substantivo “telegrama”, no último verso do poema, é um adjunto adnominal de “bola”.

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