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LIVROS POÉTICOS LIÇÃO 1 O LIVRO DE JÓ Introdução Através da dolorosa experiência de Jó, ricas e profundas lições nos são ensinadas sobre o sofrimento dos justos e seu propósito. Portanto, nesta série de lições extraídas do seu livro, verificaremos que é perfeitamente possível ao crente permanecer adorando ao Senhor, mesmo estando sob o calor das mais duras provações; aliás, quando o verdadeiro crente atravessa o sombrio vale da sombra e da morte, ou enfrenta o calor da fornalha da aflição, para ele, a adoração se torna uma espécie de refúgio através da qual recebe refrigério para a alma. O conteúdo do livro de Jó é realmente de um valor sem igual, a sua importância para a história da literatura, foi abordada com as seguintes expressões: “O livro de Jó é talvez a maior obra-prima do espírito humano” Victor Hugo “Denomino este livro, à parte de todas as teorias a seu respeito, uma das maiores coisas que já se escreveram. É nossa primeira e mais antiga declaração sobre o problema interminável: O destino do homem e a maneira de Deus tratá-lo, aqui na terra. Penso que nada existe escrito de igual valor literário. Seja qual for o juízo dos críticos sobre ele, é uma das mais grandiosas obras que se têm escrito.” Thomas Carlyle “Ergue-se como pirâmide na história da literatura, sem precedente e sem rival” Philip Schaff A importância deste livro se prende ao fato de ser inspirado por Deus, e da discussão filosófica apresentada com uma linguagem altamente poética acerca do sofrimento humano. Um número sem conta de pessoas não conseguem entender como que um Deus de bondade pôde fazer um mundo, onde há tanto sofrimento; onde parece sofrer mais quem menos merece. Embora não temos explicações para muitas coisas que acontecem, de uma coisa não temos dúvidas, que o pecado original é a principal razão para as queixas dos homens, Lm 3.39, além disso, hoje temos uma forte razão para entendermos tudo isso, pois o próprio Deus desceu até nós na Pessoa de Jesus Cristo, e participou de nossos sofrimentos. Portanto Ele não criou os homens para depois simplesmente deixa-los ao sabor dos seus sofrimentos, como ensina o deísmo, (doutrina que, apesar de admitir a existência do Supremo Ser, ensina não estar Ele interessado no curso que a história toma, ou venha a tomar, ou seja, Deus limitou-se tão somente a criar-nos, abandonando-nos a seguir à própria sorte.) Entretanto, o fato de Jesus, o Filho de Deus, ser o maior justo e ao mesmo tempo, o maior sofredor deste mundo, ilustra muito bem como Deus se importa com a sua criação; porquanto, a história de Jesus, remove as dificuldades que o homem tem para entender que através do sofrimento dos justos, Deus tem sempre um propósito bom, ainda que a princípio a mente humana não consiga compreender. Finalmente, ao ressuscitar dos mortos, Jesus nos deu garantia de uma vida futura, onde todos os mistérios serão desvendados e, todas as injustiças serão ajustadas. Glória a Jesus!!! Quem era Jó Jó era um homem abastado; era o maior ou o mais rico do Oriente, Jó 1.3 Era um homem que amava muito os seus filhos, pelos quais buscava ao Senhor, oferecendo holocaustos, Jó 1.5; com certeza absoluta, era um crente fiel e inteiramente devotado a Deus. Jó foi um servo que teve um privilégio singular, pois o próprio Deus deu testemunho da sua fidelidade, Jó 1.8; as Escrituras o consideram como um dos três homens mais piedosos, Ez 14.14, porquanto, era respeitado pelo povo da sua comunidade, como um sábio conselheiro e, como um homem bom e honrado que socorria os pobres, Jó 29.7-25. O seu nome significa “Voltando sempre para Deus”. Embora os teólogos liberais declaram que a sua história não passa de uma ficção literária, Jó era um personagem real, a Bíblia comprova a sua historicidade através do profeta Ezequiel e de Tiago, o meio irmão do Senhor, conforme podemos constatar em Ez 14.20; Tg 5.11. “Sobre a época em que viveu” Seja como for, o livro respira a atmosfera de tempos muito primitivos, e como o livro não faz qualquer menção aos pais da nação israelita e nem à destruição de Sodoma e Gomorra, infere-se que Jó tenha vivido numa época entre o dilúvio e a chamada de Abraão, já que sobre o dilúvio há menção em seu livro, Jó 22.16. Assim sendo, Jó não descende de Abraão, e a relação do seu nome com Jobabe, o segundo rei de Edom não passa de uma hipótese. Alguém tem sugerido que Jó teria aproximadamente 60 anos quando passou pelo fogo da provação. Se ele tinha essa idade na época da provação, deve ter morrido com uns 200 anos. Abraão, seu possível contemporâneo, faleceu com 175 anos. “Sobre a autoria do livro” Sobre a autoria do livro, há opiniões de que tenha sido escrito por Moisés, Esdras, Salomão, Eliú ou o próprio Jó; porém há um consenso geral entre os estudiosos de que o livro tenha sido escrito por Moisés, enquanto esteve no deserto de Midiã, Ex 2.15, pois Midiã servia de limite ao país dos edumeus; e por conseguinte, Moisés deve ter ouvido a história de Jó dos lábios dos seus descendentes imediatos; ou mesmo do próprio Jó, se realmente se confirma a hipótese de que a sua origem tem relação com Edom; neste caso, é bem possível que ainda estivesse vivo em seus dias. A antiga tradição judaica atribui a sua autoria a Moisés. Se de fato Jó era descendente de Abraão, naturalmente Moisés pode reconhecê-lo como estando dentro do círculo da revelação divina. “Sobre a teologia de Jó” O livro de Jó é uma antiga obra doutrinária, divinamente inspirada; fala da doutrina de Deus, do homem, de Satanás, do pecado, da justiça, da disciplina, da fé, da criação e outras. No livro de Jó temos a revelação de fatos divinos e sobrenaturais, pois aborda fatos essenciais sobre Deus e o seu favor para com os seus filhos, e o seu controle sobre Satanás. Neste livro temos a resposta à intricada pergunta: “Por que o justo sofre enquanto os ímpios gozam de saúde e prosperidade?” Porquanto, sua mensagem mostra a recompensa que tem aqueles que perseveram na fidelidade a Deus. O livro pode ser dividido em quatro partes: 1. O problema do sofrimento. 2. As razões falsas apresentadas pelos homens quanto ao sofrimento. 3. As razões incompletas. 4.A explicação da parte de Deus sobre o sofrimento. O patriarca Jó não foi apenas um grande sábio, naturalmente, foi em seus dias, um teólogo de raríssima profundidade; portanto, a sua teologia se reveste de uma importância sem igual para a igreja hodierna. Muito antes da própria era cristã, Jó defendia os pontos fundamentais da fé cristã, como segue: 1. A fé no Único e Verdadeiro Deus, a quem , por 31 vezes, chama de El-Shaday, isto é, o Todo-Poderoso. 2. O reconhecimento da soberania divina, “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.” Jó 42.2. 3. Alimentava a viva esperança da vinda de Cristo: “Porque eu sei que o meu redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” Jó 19.25 4. Cria na justificação pela fé, pois em sua resposta referendando o ensino de Bildade sobre a justiça de Deus, disse: “Na verdade sei que assim é; porque como se justificaria o homem para com Deus? Jó 9.2 A Prosperidade de Jó Devido as imensas possessões e o grande número de pessoas ao seu serviço, Jó foi considerado o maior do Oriente, Jó 1.3, entretanto, não deixou-se levar pela prosperidade financeira, pois a sua confiança estava depositada em Deus, Jó 31.24-28. Tudo indica que Jó deixava a lavoura e os seus animais aos cuidados dos seus muitíssimos servos, e residia na cidade, onde era respeitado pelos anciãos e príncipes, Jó 29.7-9. Portanto, o patriarca desfrutava de um status digno de um rei, Jó 29.25, contudo, conservava a sua integridade moral e espiritual, não deixando que a sua riqueza, sua fama e o seu poder exercessem influência sobre a sua personalidade. Apesar de ser o mais rico do Oriente,e naturalmente, o maior empregador da região, o seu verdadeiro tesouro não estava na terra, e sim, no céu. Jó é um exemplo para os crentes que possuem muitas propriedades, pois sabiamente conciliava a riqueza material com a espiritual, administrava os bens materiais, sem, contudo, sofrer prejuízos na vida moral e espiritual. Apesar da sua muitíssima riqueza, e conseqüentemente da sua muita ocupação, encontrava tempo para adorar a Deus, Jó 1.5; e não somente isto, mas encontrava tempo também para ouvir o clamor do órfão e das viúvas, de forma que era o olho do cego e os pés do coxo, se constituindo o pai dos necessitados, Jó 29.12-16. O Testemunho de Deus a respeito de Jó. Embora Jó fosse imperfeito como todos os demais mortais, o seu caráter sobressaía entre todos os seus contemporâneos. A respeito deste extraordinário homem, o Senhor testemunhou: “Ninguém há na terra semelhante a ele.” Jó 1.8. Interessante que esse incontestável depoimento divino foi dirigido ao acusador, o qual de dia e de noite acusa aos servos de Deus, Ap 12.10. Porquanto, o próprio Deus testemunhou que Jó era um homem sincero, reto, temente a Deus, e desviava do mal, Jó 1.8. Analisemos as virtudes que caracterizava o seu ilibado caráter: “Sincero” – A etimologia da palavra sincero é sem cera, isto é, sem disfarce, sem alteração, sem dissimulação, sem malícia, sem hipocrisia, que diz com franqueza o que sente. Segundo a Bíblia, ser sincero, é o primeiro requisito para quem quer ser verdadeiro cidadão do céu, diz o texto sagrado que habitará no tabernáculo do Senhor e morará no seu santo monte, aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça, e fala verazmente segundo o seu coração, Sl 15.1,2. O termo “sincero” vem da antiga Roma, onde os atores entravam em cena trazendo máscaras de cera, porquanto, o homem sincero é aquele que não esconde atrás de uma falsa aparência; na vida espiritual há muitos que fazem o papel de crente, usando uma máscara representativa, porquanto, a sinceridade se verifica ao tirar a máscara artificial, caindo na realidade. Ser sincero é ser leal, íntegro, puro, etc. Horácio, o poeta latino, disse: “Se o vaso não está limpo, tudo o que nele derramares se azeda.” Ora, se o vaso para o uso comum deve estar limpo a fim de não azedar o que nele se derrama, imagine o quanto deve ser puro o vaso que Deus usa. “Reto” - A qualidade de reto é retidão, significa integridade de caráter, justiça, legalidade, lisura no procedimento. Jó era um homem justo, imparcial, direito. Significa que Jó não era corrupto e nem corruptor, mas justo em seus negócios. Porquanto, era respeitado não somente por causa da sua riqueza material, mas muito mais, devido a sua riqueza moral e espiritual. “Temente a Deus” – O temor a Deus é o princípio da sabedoria, Pv 9.10. Jó acreditava em Deus e o reverenciava. Tremia diante da sua absoluta verdade e da imarcescível santidade. Naturalmente o patriarca tinha consciência de que o Senhor está no seu santo templo; no seu trono nos céus; e que os seus olhos estão atentos, e as suas pálpebras provam os filhos dos homens. Ele prova o justo, mas a sua alma aborrece o ímpio e o que ama a violência, Sl 11.4,5. “Que se desvia do mal” – Jó não somente tinha aversão ao pecado, como também fugia dele. Ele fugia da tentação, porque apesar de ser um homem espiritual sentia-se impotente diante do astuto inimigo dos justos. Na verdade, não há ninguém tão espiritual, que não necessite fugir da tentação. Se aquele de quem o próprio Senhor testemunhou dizendo que não havia ninguém semelhante a ele na terra, Jó 1.8, desviava-se do mal, quem ousará enfrentar a tentação? A vitória espiritual somente é possível se o crente saturado da Palavra de Deus, Sl 119.11, sujeitar-se a Deus, Tg 4.7; e fugir do mal, I Co 6.18; 10.18; I Tm 6.11; II Tm 2.23. UM PAI DE FAMÍLIA EXEMPLAR Aprendemos que Jó não era do tipo de pai que se preocupa somente com alimentação, saúde, educação e profissão dos filhos; ele se preocupava também com o bem-estar espiritual dos seus filhos, Jo 1.4,5. Ele tinha consciência de que o pai deve atuar também como sacerdote na sua família. Quando os seus filhos se reuniam para festejarem o aniversário de cada um, convidava as suas três irmãs e faziam grandes banquetes; e como líder espiritual que era, Jó se preocupava pensando na possibilidade dos filhos terem blasfemado do Todo-Poderoso, devido a euforia dos festejos; então o patriarca se levantava de madrugada para oferecer holocaustos e interceder a Deus por eles. Verdadeiramente, para que a família seja bem sucedida, se faz necessário que cada um dos seus membros cumpra os seus deveres. Por se descuidarem do cumprimento dos sagrados deveres da família, muitos pais têm fracassado na edificação do lar. O ilustre pregador Jorge Truett contou que foi convidado, certa vez a realizar uma cerimônia fúnebre. Querendo ele saber algo da vida da jovem que havia falecido com apenas dezesseis anos de idade, a mãe da moça respondeu: Irmão Truett, era ela a única filha. Sim, disse o pregador, mas a irmã não se entristeça como fazem os demais que não têm esperança. Disse a mãe: Mas é justamente isso mesmo que sentimos; não temos mais esperança. Nossa filha não era crente. Ao dizer isso, a mãe, vencida de tristeza, caiu em pranto convulsivo e, chorando amargamente, acrescentou: Apesar de o pai dela e eu sermos membros da igreja desde antes dela nascer, nossa querida que está naquele caixão, nunca ouviu uma oração de nossos lábios. Nunca se converteu, faleceu perdida e seu sangue está sobre nós. Infelizmente há pais que não se preocupam com a vida espiritual dos seus filhos; não ensinam o caminho em que devem andar; não dão exemplo de verdadeiros cristãos para eles; não se preocupam com quem eles andam; com a literatura que lêem; com o filme que assistem; com o lugar que freqüentam; com quem namoram; e porque não se preocupam também não intercedem por eles. Mas todos os pais devem saber que são os representantes de Deus na família. E se Deus lhes perguntasse agora: Onde estão os seus filhos? Qual seria a sua resposta? Não sei? Será que eles não estão prestes a cair no abismo da prostituição, das drogas, do homossexualismo, dos vícios e dos crimes? Creia no poder da oração intercessória, faça como Jó, interceda a Deus por eles. Cuidar espiritualmente dos filhos é um mandamento divino, leia Dt 11.18-21. AS CALAMIDADES DE JÓ Num determinado dia em que os filhos de Jó se encontravam reunidos na casa de seu irmão primogênito, o mundo de Jó desmoronou- se. O texto sagrado relata-nos como o seu céu principiou a turbar-se: “E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito, que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles; e eis que deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e eu somente escapei, para te trazer a nova. Jó 1. 13-15 Os sabeus eram descendentes de Sebá, neto de Cão e bisneto de Noé, Gn 10.7, ou de Sabá, descendente de Sem e neto de Éber, Gn 10.25,28. Era o povo de Sabá. Os sabeus eram notáveis por suas riquezas e suas mercadorias, Is 45.14; Jr 6.20; Ez 27.22. Segundo nos informa Orlando Boyer, os sabeus eram governados por reis sacerdotais, Sl 72.10; as ruínas da sua capital, Marebe, testificam da sua grandeza. A Rainha de Sabá era notável entre seus monarcas, o texto de II Cr 9.1-12, narra a visita que ela fez a Salomão; uma viagem de 2000 km com grande comitiva de camelos carregados de especiarias, de ouro em abundância e pedras preciosas. Cristo se referiu a longa e árdua viagem que a rainha fez para ouvir a sabedoria de Salomão, Mt 12.42. Ao ver as deslumbrantes riquezas do rei dos hebreus, essa rainha acostumada com toda a forma de esplendor, “ficou como fora de si.” Depoisde gozar da sua hospitalidade, voltou para a Arábia. Conforme a tradição, ela depois se tornou uma esposa de Salomão e lhe deu um filho, Meneleque. A família real da Abissínia, afirma que é descendente de Salomão e a Rainha de Sabá. Consta que eram homens de grande estatura; e consta também que de quando em quando invadiam os reinos de Canaã a fim de roubar. Até então, as propriedades de Jó estavam como que cercadas de sebe, Jó 1.10, porém com a permissão do Todo-Poderoso, ficaram como que desprotegidas, e o maligno os incitou para que fizessem uma incursão roubando-lhe os bois e as jumentas, matando ao fio da espada os empregados que cuidavam dos rebanhos, escapando somente o mensageiro que lhe trouxe a notícia. Depois foi a vez dos caldeus se dividirem em três bandos, para roubar os camelos e matar os moços que cuidavam dos mesmos, escapando tão somente o mensageiro, Jó 1.17. Calamidades Sobrenaturais “Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova.” Jó 1.16 Embora a expressão usada pelo mensageiro indicava algo vindo de Deus, sabemos que se tratava de uma operação satânica, levada a efeito devido a permissão divina. A Bíblia diz que com a permissão de Deus o maligno faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens, Ap 13.13,14. O servo de Jó presenciou o fenômeno sobrenatural, e o descreveu como o fogo de Deus que caiu do céu; era uma espécie de raio ou combustão que acabou por destruir o rebanho de ovelha que ainda restava ao patriarca. E além de um número sem conta de animais, Jó perdeu também a maioria absoluta dos empregados encarregados de cuidar e proteger o rebanho; a única exceção foram os pouquíssimos servos que escaparam para lhe trazer a notícia. Calamidades Meteorológicas “Estando ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, pata te trazer a nova.” Jó 1.18,19 Não bastasse os sofrimentos causados pelos prejuízos financeiros, e pela perda dos seus funcionários, o maligno causou- lhe um sofrimento ainda maior, pois desta feita, desferiu um golpe realmente indescritível, pois, matou todos os seus filhos de uma só vez; os filhos que o patriarca tanto amava e pelos quais tanto se preocupava. O tufão que atingiu violentamente a casa do seu filho primogênito, assemelhava aos furacões que no Oriente Médio, nascem no deserto e numa rapidez incrível alcançam as áreas habitadas, deixando com a sua passagem, um rastro de destruição e morte. Segundo a narrativa bíblica, o vento impetuoso atingiu em cheio a casa do seu filho mais velho, onde se encontravam reunidos num banquete, todos os seus demais filhos e filhas; não resistindo a fúria do vento, a casa caiu sobre eles, matando todos eles de uma só vez, e não somente eles, mas também os servos que estavam a serviço deles, escapando tão somente o mensageiro que lhe trouxe a notícia. Sabemos que todas as forças da natureza estão sob o controle de Deus, porém o episódio ocorrido na família do patriarca, não foi um fenômeno natural, e sim, sobrenatural, mas somente subtraiu os seus filhos devido a permissão do Todo- Poderoso. Contudo, é oportuno dizer que o fato de sermos crentes não impede que nos tornemos vítimas de acidentes e desastres naturais. Sabemos que Deus pode nos livrar, mas as vezes permite que servos piedosos sofram em conseqüência de acidentes, de secas, de geadas, de enchentes, de terremotos, etc. Não são poucos os crentes sinceros, que em decorrência de calamidades naturais, perdem grandes colheitas, grandes rebanhos, e até mesmo, a vida de seus queridos, que muitas das vezes são ceifadas em meio às vicissitudes terríveis que ocorrem por permissão de Deus. Porém, mesmo em meio as mais terríveis lutas, o cristão deve ter em mente que Deus está no controle da situação, e não permitirá que nenhum dos seus filhos seja provado acima da sua resistência. Deus deve ser glorificado não somente quando tudo vai bem em nossa vida, mas também quando o nosso mundo desaba, porque quando o crente glorifica ao Senhor em meio as tempestades que subtrai os seus bens e até mesmo pessoas que lhe são queridas, como fez Jó; ele está dizendo que o amor que devota a Deus está acima da estima que tem pelos bens e pelas pessoas que lhe são queridas. Jó provou que os seus bens não era o seu Deus. Calamidades Física e Psicológica Mesmo após sofrer de súbito todos os contundentes golpes em seus negócios, como também na sua família, Jó demonstrou que de fato era um homem íntegro; porque apesar de sofrer ataques que vieram de todas as direções, deixando-o totalmente impotente, ele ainda encontrou forças para plantar no jardim da fé, uma das mais belas lições de submissão à vontade de Deus. A dor pôde modificar o seu semblante, mas não pôde arrancar a sua fé, na hora mais escura da sua vida pôde ainda bendizer a Deus. A Bíblia diz: “Então, Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou, e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” Jó 1.21-23 O que fazer quando nada se pode fazer? Ao prostrar-se diante do Senhor, Jó responde a esta pergunta. Portanto, quando nada podemos fazer devemos em atitude de adoração, nos prostrar diante do Senhor, em cuja mão está o controle de todo o Universo. Ao glorificar a Deus na hora mais escura da sua vida, ele derrotou o maligno, que recusou admitir o seu erro em relação à sua sinceridade, e o maligno não se deu por vencido, alegando que aquela sua atitude de adoração era devido a sua vida saudável, ele deixou claro que se Jó ficasse enfermo certamente blasfemaria de Deus na sua face. A Bíblia diz: “E disse o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, desviando-se do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa. Então, Satanás respondeu ao Senhor e disse: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. Estende, porém, a tua mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema de ti na tua face!” Jó 2.3-5 O maligno insinuou pela segunda vez que Jó era um adorador interesseiro, isto é, que Jó somente adorava a Deus porque isto lhe rendia alguma coisa, materialmente falando; insinuou também que a provação não foi suficientemente forte, radical; e que Jó era um homem insensível que estava pronto a dar a pele dos outros, o gado, a vida dos servos e dos próprios filhos, contanto que não tocassem na dele. Mas para Deus Jó acabava de passar pelo fogo do seu cadinho, e o seu caráter emergia das aflições mais puro que nunca. Portanto, conhecendo a estrutura espiritual do seu servo, o Senhor aceitou pela segunda vez o desafio, desde que não fosse ceifada a sua vida. Diz o texto sagrado que saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de uma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.” Jó 2. 7,8. Até mesmo para os especialistas tem sido difícil definir a doença que acometeu o homem mais piedoso da terra. Alguns sugerem que Jó foi acometido de uma espécie de furunculose estafilocócica generalizada, uma doença angustiante, exasperante e deprimente. Outros pensam que Jó foi acometido de uma horrível modalidade de lepra, complicada com elefantíase, uma das mais repelentese dolorosas moléstias que se conhecem no Oriente. E há quem sugere que seja a elefantíase, uma hipertrofia da pele e do tecido subcutâneo, isto é, uma doença que provoca um aumento de tamanho da pele e do subcutâneo, chegando a obstruir a circulação linfática devido a forte infecção. Uma enfermidade que evolui de forma crônica, atingindo principalmente as pernas e a genitália externa. Seria uma espécie de lepra em seu mais adiantado estágio, deixando a pele inchada, criando uma crosta supurante, de forma a deixar a pessoa praticamente irreconhecível; tudo isto, sem falar da grande dor e do mal hálito que esta doença causa. No auge da doença, Jó se queixou dizendo: “O meu bafo se fez estranho a minha mulher; e a minha súplica, aos filhos do meu corpo. Até os rapazes me desprezam, e, levantando-me eu, falam contra mim. Todos os homens do meu secreto conselho me abominam, e até os que eu amava se tornaram contra mim. Os meus ossos se apegaram à minha pele e à minha carne, e escapei só com a pele dos meus dentes. Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou.” Jó 19.17-21 A Bíblia afirma que quando os seus três amigos chegaram não o reconheceram; e porque viam que a dor que sentia era muito grande, rasgaram os seus vestidos, e sobre a cabeça lançaram pó ao ar, e assentaram na terra com ele durante sete dias e sete noites, sem lhe dirigir uma palavra sequer, Jó 2. 11-13. A chaga maligna era algo pior do que tudo o que podemos imaginar. Segundo o relato do professor F. Davidson, em sua obra intitulada, “ O Novo Comentário da Bíblia”, a cinza é uma referência ao vazadouro público que se situava fora dos muros da cidade. Aí se queimavam, a intervalos regulares, as imundícies e o lixo da terra. Era o ponto de encontro dos cães e do rapazio sem eira e sem beira; aqueles ávidos dos restos de carne que pudessem ainda encontrar agarrada às carcaças que para ali se atiravam; estes sempre prontos a desenterrar e a aproveitar o que outros haviam lançado fora. Foi aí, nesse lugar de miséria e de refugo, que se sentou aquele que fora o maior de todos do Oriente, Jó 1.3 LIÇÃO 2 O LIVRO DE SALMOS COMPARAÇÃO DOS LIVROS POÉTICOS LIVROS DIDÁTICOS LIVROS PENSAMENTOS CHAVES ASSUNTOS CHAVES PROVÉRBIOS SABEDORIA A SABEDORIA E OS FRUTOS NA VIDA DO JUSTO ECLESIÁSTES FUTILIDADE A BUSCA DOS OBJETIVOS DA VIDA LIVROS DEVOCIONAIS JÓ PROVAÇÕES AS PROVAÇÕES DO JUSTO SALMOS ADORAÇÃO MEDITAÇÕES E LOUVORES DO JUSTO CANTARES AMOR UNIÃO E COMUNHÃO Introdução O livro dos Salmos é o mais extenso das Escrituras e é formado por uma coleção de poemas de louvores ao Senhor. É uma obra literária que tem como alvo principal o engrandecimento do nome do Senhor. Seus cânticos expressam os sentimentos da alma dos seus escritores em reverente culto ao Todo-Poderoso. Os salmos foram escritos há muitos séculos, porém, continuam sendo de grande edificação para a Igreja do Senhor no século XXI. O homem de hoje é basicamente o mesmo dos tempos de Davi e Asafe, ainda que tenha progredido socialmente através dos séculos. Ele continua sendo um ser que sente alegria, tristeza, dor, que se preocupa com as coisas da vida e que sempre precisa de Deus. Os altos e baixos da vida fazem parte dele como faziam em relação a Israel nos dias em que os diversos salmistas compuseram os salmos. Não temos dúvidas de que a adoração a Jeová não porá fim a todos os nossos problemas, mas nos ajudará a suportar e a compreender, em parte, as tentações e perseguições que sofremos. O livro de Salmos talvez seja o mais terapêutico da Bíblia, porque, se aplicado, traz consolação, bênção e paz. Se fizermos do louvor a Deus uma prática constante em nossa vida, a murmuração será substituída pelo canto e a tristeza pela alegria. O CENÁRIO HISTÓRICO DO LIVRO DE SALMOS Título „Salmodiar‟ significa literalmente no grego, cantar com acompanhamento musical. No hebraico o título do livro dos Salmos era “sefer tehillim”, que significa “livros dos louvores”, às vezes somente era chamado “tehillim” ou “louvores”. Na Septuaginta, antiga versão grega, temos a palavra “salmo”, e em certos manuscritos: “saltérion” que significa “poemas ou cânticos acompanhados por instrumentos de corda”. Deste termo veio o vocábulo “saltério” que é um hinário ou uma coleção de hinos ou cânticos. Até hoje, em certas denominações, há hinários, chamados “saltérios”, bastante antigos e geralmente compostos de salmos, com instrumentos musical. DATA Os Salmos foram escritos por vários autores, durante muitos anos. Mais de 1.000 anos desde Moisés (1.500 a.C.) até Esdras (450 a.C.). É geralmente aceito que Esdras, o escriba, reuniu e classificou os Salmos em ordem temática, conforme abordaremos neste estudo. AUTORES Davi ......................................................73 Salmos Asafe ...................................................12 Salmos Os Filhos de Coré ......................... 9 Salmos Salomão ........................................... 2 Salmos Etã.......................................................... 1 Salmo Hemã ................................................... 1 Salmo Moisés ................................................ 1 Salmo e outros de autores desconhecidos. TEMA “Louvor, adoração e exaltação ao Senhor”, enfatizando o Messias, a Lei, a Criação, o Futuro de Israel, etc. O salmista exclama e louva ao Senhor porque ele é digno, é bom, é misericordioso, é justo e porque o tem resgatado das garras dos seus inimigos, da força dos seus adversários, da prisão, da escravidão e do cativeiro. PROPÓSITOS São três os propósitos do Livro de Salmos: 1º) Revelar o espírito de devoção do povo de Deus, através de vários acontecimentos e incidentes ocorridos nas suas vidas. 2º) Divulgar as profecias messiânicas cujo cumprimento os judeus tanto aguardavam. 3º) Convidar outros povos a se unirem aos filhos da promessa a fim de juntos prestarem culto ao Senhor. AS EPÍGRAFES DOS SALMOS Você notará na sua Bíblia que há títulos ou epígrafes que precedem à maioria dos Salmos. Os títulos falam do tema principal do poema e nos dão outras informações, como por exemplo: Instruções musicais, a autoria do cântico, o tipo de salmo, e o acontecimento que levou o autor a escreve-lo. Estes títulos e informações fazem parte do texto sagrado no original hebraico, e nos oferecem certos pormenores úteis que nos ajudam a melhor compreender a razão de cada salmo escrito. Exemplos: 63, 3, etc. O Termo “Selá” Este termo ocorre 71 vezes em 39 salmos. Exemplos na versão ARC. O sentido original de “selá” é desconhecido, mas parece significar “levantar”. Talvez transmitindo a idéia de elevar as vozes durante o canto. Outro sentido discutido é o de “pausa”, ou “silêncio musical”. Outros termos: Tome duas Bíblias, uma da versão ARC e outra da versão ARA e compare as epígrafes ou títulos de alguns dos Salmos: ARC ARA Cantor-Mor Mestre do canto (Sl 4,22,77) Neginote Instrumento de Corda (Sl 4;54,76, etc.) Masquil Salmo didádico (sl 52-55, etc.) Jedutum Jedutum (aparentemente o nome dum dos diretores musicais (Sl 39; 62; 77) Gitite Os lagares (Sl 8;81;84) Nota: É bom observar que acima de alguns Salmos há dois títulos. O de baixo é o mais importante, pois faz parte do texto original hebraico. O de cima, na Bíblia ARC em letras itálicas e na Bíblia ARA com letras em negrito, somente resume o conteúdo do Salmo, mas não faz parte do texto original. O PARALELISMO DA POESIA HEBRAICA A característica mais distinta da poesia hebraica é o paralelismo de idéias. No sentido em que é usado aqui, paralelismo se refere à relação vista entre cada dois ou mais versos da poesia, sem qualquer preocupação com a rima, palavras e sons. Os hebreus ligavam mais para o conteúdo, o âmago, os princípios e conceitos da poesia do que para o seumecanismo literário. Há vários tipos de paralelismo poético bíblico, dentre os quais destacaremos os três seguintes: 1. Sinonímico – O segundo verso repete com sinônimos o pensamento do primeiro, Sl 20,2,3; Pv 24,25. 2. Antitético – O segundo verso é uma antítese do primeiro, Sl 71.7; Pv 12.1,2. 3. Sintético – O segundo verso amplia a mensagem do primeiro, Sl 119.97,103; Pv 23.23 Outros tipos de paralelismo são: analítico, progressivo, introvertido, climático, etc. Exemplo: No segundo versículo do Salmo 1, “antes tem o seu prazer na lei do Senhor e na sua lei medita de dia e de noite”. O fato de ter prazer na lei do Senhor é demonstrado na meditação na lei do Senhor de dia e de noite. SINONÍMICO ANTITÉTICO SINTÉTICO O segundo verso repete o primeiro em outras palavras O segundo verso diz o oposto do primeiro O segundo verso desenvolve o primeiro Um detalhe que ajudará o aluno na identificação do paralelismo, no estudo da poesia hebraica é o seguinte: Em geral os dois versos dos paralelos sinonímicos são ligados pela conjunção “e”; e os dos paralelos antitéticos são ligados pela contração “mas”. No caso do paralelismo sintético não há uma forma específica de distingui-la, apenas existe uma progressão clara quanto à verdade contida no primeiro verso. OS TIPOS DE SALMOS E DIVISÃO DO LIVRO Tipos de Salmos: 1. Salmos didádicos, Sl 1,15,50,94, etc. 2. Salmos de gratidão e louvor, Sl 30,75,105,106,146,150, etc. 3. Salmos históricos, Sl 77,81,114,137, etc. 4. Salmos imprecatórios, Sl 35,58,59,109, etc. 5. Salmos da Lei, Sl 19.7-14, 119. 6. Salmos messiânicos, Sl 2, 22, 24,45,50, 69, 72, 96,98,102,110. 7. Salmos da natureza, Sl 8,29, 104,etc. 8. Salmos penitenciais, Sl 6,38,51,102, etc. 9. Salmos de peregrinação, Sl 120-134. 10. Salmos de súplica, Sl 5,17,71,86, etc. DIVISÃO DO LIVRO Os Salmos, conforme se encontram no hebraico, foram divididos em cinco livros, conforme mostramos a seguir: LIVRO I – Salmos 1-41. Quase todos são de autoria de Davi, correspondem ao livro de Gênesis por causa de sua ênfase sobre o pecado do homem e sua necessidade de Deus. O nome “Senhor” Jeová é salientado nestes poemas. LIVRO II – Salmos 42-72. Davi se destaca como o principal escritor destes Salmos. Correspondem ao livro de Êxodo por causa dos seus temas sobre a salvação do homem e libertação de Israel. O nome “Deus Eloim” domina esta divisão. LIVRO III – Salmos 73 -89. O principal autor destes Salmos é Asafe. Correspondem a Levítico e seus temas tratam do Tabernáculo, da liturgia levítica e da santidade de Deus. Os nomes Deus Eloim e Senhor Jeová são enfatizados com freqüência. LIVRO IV – Salmos 90 – 106. É incerta a autoria desses Salmos. Correspondem ao livro de Números, por causa dos seus temas concernentes aos perigos, bem como a proteção durante a peregrinação do povo de Israel no deserto. Vários destes Salmos são proféticos e ressaltam o tempo em que os judeus cessaram suas peregrinações entre as nações gentílicas. O nome “Senhor Jeová” é o mais destacado. LIVRO V – Salmos 107-150. De autoria variada, correspondem ao livro de Deuteronômio, pelo fato de enaltecer a Palavra de Deus, a Lei, e o louvor; o âmago desta última divisão é o Salmo 119. O nome do Senhor Jeová é predominante nestes Salmos. GÊNESIS ÊXODO LEVÍTICO NÚMEROS DEUTERONÔMIO PECADO SALVAÇÃO ADORAÇÃO PEREGRINAÇÃO OBEDIÊNCIA SALMOS 1-41 SALMOS 42-72 SALMOS 73-89 SALMOS 90-106 SALMOS 107-150 A semelhança do conteúdo entre estes cinco livros e o Pentateuco é tão impressionante que certos rabinos dos antigos tempos chamavam os Salmos de “O Pentateuco de Davi” CURIOSIDADES: Há cerca de 186 citações dos Salmos no Novo Testamento, o que ultrapassa qualquer outro livro do Antigo Testamento. É fato claro que Jesus e os escritores do Novo Testamento conheciam muito bem os salmos, e que o Espírito Santo usou muitas passagens do livro nos ensinos de Jesus, bem como o Messias predito: Por exemplo, o breve Salmo 110 com apenas sete versículos é mais citado no Novo Testamento do que qualquer outro capítulo do Antigo Testamento. Ele contém profecias sobre Jesus como Messias, como o Filho de Deus e como sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. Outros salmos messiânicos referentes a Jesus no Novo Testamento são: 2; 8; 16; 22; 40; 41; 45; 68; 69;89;102;109 e 118, referem-se a Jesus como profeta, sacerdote e rei; Sua primeira e sua segunda vinda; Sua qualidade de Filho de Deus e seu caráter; Seu sofrimentos e morte expiatória; Sua ressurreição. Salmos é o maior livro da Bíblia, e contém o capítulo mais extenso, Sl 119.1- 176, o capítulo mais curto, 117.1,2. E o versículo central da Bíblia Sl 118.8. Cerca da metade dos Salmos consiste de orações de fé em tempo de tribulação. Muitos Salmos eram acrósticos (a letra inicial de cada versículo era uma letra do alfabeto, tais como os de números: 9;10;25;34;37;111;112; 119 e 145. LIÇÃO 3 O LIVRO DE PROVÉRBIOS Introdução Apesar do nome, o livro de Provérbios é mais que uma coletânea de provérbios. Os capítulos de 1-9 contêm alguns discursos longos, e o livro termina com um poema de louvor à mulher virtuosa, Pv 31.10-31. Entretanto, grande parte do livro é preenchida por ditados e provérbios pelos quais é mais conhecido. Provérbio é um ditado curto, sentencioso e axiomático, cuja vivacidade está na antítese ou comparação. São inteiramente desconexos. Destinaram-se em primeiro lugar aos jovens. O método oriental de ensino consistia em constante repetição de pensamentos sábios ou práticos, de modo a fixarem-se na mente. ASSUNTOS OU TEMAS Sabedoria; Retidão; Temor a Deus; Entendimento; Moralidade; Castidade; Diligência; Domínio Próprio; Confiança em Deus; Dízimos; O uso próprio das riquezas; Considerações aos pobres; O domínio da língua; A generosidade com os inimigos; A escolha de companheiros; A abstenção de mulheres más; O louvor das boas mulheres; A educação dos filhos; O trabalho; A honestidade; A abstenção da ociosidade; O pecado da preguiça; A justiça; a prestimosidade; O contentamento; A Jovialidade; O respeito; O bom senso. DATA E AUTORIA DE PROVÉRBIOS A autoria é atribuída a Salomão, filho de Davi, Pv 1.1; 25.1. Contudo, há também as palavras de Agur, Pv 30, e palavras do rei Lemuel, Pv 31. Há quem diga que Agur e Lemuel são pseudônimos de pessoas que nos são familiares; mas, o mais provável é que sejam sábios sobre os quais não temos nenhuma informação. Já que não conhecemos a identidade dos demais autores, não temos como saber a data da composição dos mesmos. Entretanto, há outro motivo para datar o livro, pois conhecemos a identidade de Salomão, o seu principal autor, e também de Ezequias, que viveu aproximadamente entre 716-687 a.C. Portanto, entende-se que o livro de Provérbios surgiu entre 970 a 700 a.C. O Principal Autor: Salomão quando moço, teve uma paixão absorvente pela ciência e pela sabedoria, I Rs 3.9-12. Veio a ser o prodígio literário do mundo. Suas realizações intelectuais foram a maravilha da época. Dos confins do mundo, reis foram ouvi-lo. Fazia preleções sobre botânica e zoologia. Além de cientista, governador político e homem de negócios, à frente de vastas empresas, I Rs 9, era também poeta, moralista e pregador. A NATUREZA DA LITERATURA PROVERBIAL Toda cultura possui seus provérbios e sua sabedoria tradicional. Aliás, o estudo da sabedoria e dos provérbios era uma atividade prezada pelos antigos escribas e mestres. Ainda hoje há escritos que preservam essa sabedoria antiga do Egito, da Mesopotâmia e da Grécia. Na antigüidade, coletâneas de sabedoria tradicional serviam de texto para educação de jovens da aristocracia. Os provérbios muitas vezes dão a entender que foram escritos para jovens, tendo em vista objetivos semelhantes. Por exemplo, muitas vezes o leitor é tratado por “meu filho”,Pv 2.1; 3.1,11; 4.1,10; 5.1; 6.1 e é aconselhado a evitar prostitutas, Pv 5.3-6; 6.20-35. Ainda que a leitura de Provérbios seja útil para todos, sua interpretação é facilitada quando temos em mente os primeiros destinatários para os quais foi escrito. Provérbios tem outros aspectos em comum com os escritos de sabedoria de outras nações do antigo Oriente próximo. A exemplo deles, Provérbios é muito prático. O livro trata mais de questões corriqueiras da vida que de grandes conceitos filosóficos. Sua estrutura e organização são também em muitos sentidos semelhantes às de outros escritos de sabedoria, especialmente os do Egito. Mas a sabedoria israelita é diferente da de outras nações por afirmar que Deus é o ponto de partida na busca da verdadeira sabedoria: “O temor do Senhor é o princípio do saber”, Pv 1.7; 9.10; Sl 111.10. Do começo ao fim, Provérbios lida com preocupações práticas do indivíduo que conhece a Deus. O livro ensina o fiel a viver. Nesse sentido, mesmo quando trata de questões humanas comuns, Provérbios jamais é “secular” A ESTRUTURA DE PROVÉRBIOS Provérbios é, na realidade, uma coletânea de vários livros: Provérbios de Salomão (Pv 1-24). Essa obra inclui um título e prólogo, Pv 1.1-7 e um texto principal dividido em discursos, Pv 1.7-9.18, ditados proverbiais, Pv 10.1-22.16, trinta “provérbios dos sábios, Pv 22.17- 24.22 e outros “provérbios dos sábios”, Pv 24.23-34. Provérbios de Salomão transcritos pelos homens de Ezequias (Pv 25-29). Essa coleção não tem prólogo; trata-se simplesmente de um apanhado de vários provérbios. Palavras de Agur (Pv 30). Essa coletânea contém vários ditados numéricos, Pv 30.7- 9, 15a, 15b-16, 18-19, 21-23,24,29-31 e diversos provérbios. Os versículos 2-9 podem ser considerados um prólogo. Palavras do rei Lemuel (Pv 31). Esse livro dividido em duas partes trata das responsabilidades do rei, Pv 31.2-9 e traz um elogio à mulher virtuosa, Pv 31.10-31. A seguir será exibido um alto-relevo de pedra de Susã, na Mesopotâmia, mostra uma mulher com um fuso na mão esquerda e um fio na direita. Provérbios 31.19 retrata a mulher virtuosa como alguém diligente, o que em tempos bíblicos, incluía o trabalho da fiação de lã para confecção de roupas. A TÉCNICA DA ABORDAGEM DOS ASSUNTOS O escopo do livro é inculcar virtudes sobre as quais se insiste em toda a Bíblia. Repetidamente, nas Escrituras, de maneiras multiformes e métodos diversos, Deus forneceu ao homem instrução abundantíssima, linha sobre linha, preceito sobre preceito, um pouco aqui, um pouco ali, quanto ao modo de vida que ele deseja para nós, de sorte que não haja desculpa se errarmos o alvo. Os ensinos deste livro de Provérbios não se exprimem sob a fórmula: “Assim diz o Senhor”, como na Lei de Moisés, onde as mesmas verdades são ensinadas por meio de ordens diretas de Deus; antes são ministrados com base na experiência de um homem que experimentou e provou plenamente quase tudo aquilo a que a humanidade se possa entregar. Moisés dizia: são estes os mandamentos de Deus. Salomão diz aqui, que o que Deus mandou, prova-se, pela experiência, ser melhor coisa para o homem; a essência da sabedoria humana é o temor de Deus e a observância dos seus mandamentos. O livro de Provérbios tem sido chamado de: “A melhor norma que um jovem pode seguir com vistas ao sucesso”. FORMAS DE ENSINO DE SABEDORIA Mesmo uma leitura superficial revela as muitas maneiras criativas pelas quais o livro transmite suas lições. Provérbios não é só interessante como leitura, seus ensinos são também memoráveis. Seguem-se algumas das principais formas de expressão: Provérbio. O provérbio é uma breve observação ética, Pv 13.7, ou um ensinamento cuidadosamente construído. Admoestação. A admoestação é um preceito escrito ou em forma de um provérbio curto, Pv 16.3, ou como parte de um discurso longo, Pv 1.10-19. Ditado Numérico. O modelo numérico relaciona elementos que tem alguma coisa em comum depois de uma introdução como esta: “Há três coisas que... sim, quatro”, Pv 30.24-31. Ditado do tipo “melhor é”. O ditado do tipo “melhor é”segue o padrão “A é melhor que B”, leia Pv 21.19. Pergunta Retórica. A pergunta retórica é uma pergunta com resposta óbvia que, ainda assim, leva o leitor a uma reflexão mais profunda, leia Pv 30.4. Poema de sabedoria. Os poemas ou cânticos de sabedoria ensinam uma série de lições morais, como em Pv 30.10-31. Esses poemas apresentam-se muitas vezes em forma de acróstico. História exemplar. A história exemplar tem por objetivo ensinar uma lição moral, Pv 7.6-27. Capítulo 1 (Objetivo do Livro) Promover sabedoria, ensino, entendimento, retidão, justiça, eqüidade, prudência, conhecimento, discreção, conselhos sãos, Pv 1.2-7. Que esplêndidas palavras! O ponto de partida é o temor a Deus, Pv 1.7. Depois, observância da instrução dos pais, Pv 1.8,9. Segue-se abstenção de más companhias, Pv 1.10-19. A sabedoria, personificando-se, brada suas advertências, Pv 1.20-33. Capítulo 2 A sabedoria alcança-se se for procurada de todo o coração. O lugar onde encontra-la é a Palavra de Deus, Pv 2.6. Vem depois uma advertência contra a mulher estranha, repetida muitas vezes. Capítulo 3 Soberbo e lindo capítulo. Bondade. Verdade. Vida longa. Paz. Confiar em Deus. Honra-lo com os nossos haveres. Prosperidade. Segurança. Felicidade. Bem-aventurança. Capítulo 4 A sabedoria é a coisa principal. Portanto, adquire sabedoria. A vereda dos justos vai brilhando mais; o caminho dos ímpios, porém, cada vez mais escurece. Capítulo 5 A alegria e a lealdade conjugais. Advertência contra o amor livre. Salomão teve muitas mulheres, porém, avisou contra isso. Parecia que julgava melhor a monogamia, Pv 5.18,19. Capítulo 6 Adverte contra obrigações comerciais duvidosas; contra a preguiça, a hipocrisia ardilosa, a altivez, a mentira, a provocação de contendas, a desconsideração dos pais e o amor ilegítimo. Provérbios 6.5 aconselha as pessoas a fugirem das dívidas como “a gazela, da mão do caçador”. Acima, temos um alto-relevo bitita da Ásia Menor em que se vê uma gazela fugindo de um caçador, que a persegue sobre uma carruagem. Capítulo 7 Adverte contra a adúltera, cujo marido anda fora de casa. Os caps. 5,6,7 ocupam-se de mulheres levianas. A julgar pelo espaço que Salomão lhes dedica, deve ter havido grande quantidade das mesmas na época, leia também Ec 7.28. Capítulos 8,9. A sabedoria, personificada numa mulher, convida a todos para um banquete seu, onde serve coisas excelentes; em contraste com as mulheres voluptuosas que chamam para a ingenuidade das “doces águas roubadas”, Pv 9.13-18. Capítulo 10 Contrastes breves entre os sábios e os tolos, os retos e os ímpios, os diligentes e os preguiçosos, os ricos e os pobres. Capítulo 11 A balança falsa é abominação para Deus. Como jóia de ouro em focinho de porca, assim é a mulher formosa, porém, indiscreta. A alma liberal prosperará. Aquele que ganha almas é sábio. Capítulo 12 A mulher digna é a glória do seu marido. Os lábios mentirosos são abomináveis a Deus. A fortuna do homem é ser diligente. Na senda do justo não existe morte. Capítulo 13. Quem guarda sua boca, guarda sua vida. A esperança protelada faz enfermo o coração. O caminho do transgressor é duro. Anda com os sábios e serás um deles. Capítulo 14 Quem facilmente se zanga, fará doidices; quem é tardo em irar-se é de grande compreensão. O temor de Deus é uma fonte de vida. A tranqüilidade de coração é a vida da carne. Quem oprime ao pobre insulta aquele que o criou. Capítulo 15. A resposta branda desvia o furor. Os olhos do Senhor estão em todo o lugar. A língua gentil é árvore de vida. A oração do justo é deleitável a Deus. O de coração alegre tem um banquete contínuo. O filho sábio alegra a seu pai. Capítulo 16. O coração do homem planeja como deve agir,mas o Senhor é quem lhe dirige os passos. A soberba precede a ruína. As cãs são coroa de glória, se se acham no caminho da justiça. Capítulo 17 Quem gera um tolo, para sua tristeza o faz. O coração alegre é bom remédio. Até o tolo, quando se cala, é reputado por sábio. Capítulo 18. A boca do tolo é a sua própria destruição. A morte e a vida estão no poder da língua. O que acha uma esposa acha uma coisa boa. Na frente da honra marcha a humildade. Capítulo 19. Uma esposa prudente vem de Deus. Quem se compadece dos pobres empresta ao Senhor, que lhe pagará o benefício. Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do Senhor permanecerá. Capítulo 20. O vinho é escarnecedor. Honroso é para o homem desviar-se de contendas, mas todo tolo se intromete nelas. Os lábios de pessoas entendidas são jóia preciosa. Duas espécies de peso, e balanças enganosas, são abomináveis ao Senhor. Capítulo 21. Melhor é morar num canto do telhado, ou em terra deserta, do que com mulher rixosa numa casa ampla. O que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido. O que guarda a sua língua, guarda das angústias a sua alma. O cavalo prepara- se para a batalha, mas do Senhor vem a vitória. Capítulo 22. Mais digno de ser escolhido é um bom nome do que as muitas riquezas. O rico e o pobre se encontraram; a ambos fez o Senhor. Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele. O generoso será abençoado. Viste a um homem diligente na sua obra? Perante reis será posto. Capítulo 23. Não te canses para enriqueceres. Ouve a teu pai e à tua mãe; regozijem-se eles em ti quando forem velhos. Para quem são os ais? Para os que se demoram perto do vinho. No seu fim morderá como a cobra, e como o basilisco picará. Capítulo 24. Há segurança na multidão de conselheiros. Não te aflijas por causa dos malfeitores. Passei pelo campo do preguiçoso; estava cheio de cardos. Vendo-o, recebi instrução; um pouco de sono, encruzando as mãos outro pouco, para dormir, e assim, e assim sobrevirá a pobreza. Capítulo 25. Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo. Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; e Deus te recompensará, citado em Rm 12.20. Dos capítulos 25 a 29, segundo aqui se diz, foram transcritos pelos homens de Ezequias, que viveu mais de 200 anos depois de Salomão. O manuscrito deve ter ficado gasto pelo uso, ou escondido num canto obscuro do templo. Um dos pontos básicos da reforma de Ezequias foi o renovado interesse pela Palavra de Deus, II Rs 18. Capítulo 26. Tens visto a um homem que é sábio a seus próprios olhos? Maior esperança há no tolo do que nele. Como a porta se revolve nos seus gonzos, assim o preguiçoso na sua cama. A língua mentirosa aborrece aqueles a quem fere. Capítulo 27. Não te glories do dia de amanhã; porque não sabes o que ele trará. Mais provérbios a respeito dos tolos. Capítulo 28,29. Quem desvia seus olhos dos pobres terá muitas maldições. O tolo extravasa toda a sua ira, mas o sábio reprime-a e silencia. Outras dissertações sobre os tolos. Salomão não gostava de tolos, pelo que não se cansava de fustiga-los. Capítulo 30. Provérbios de Agur. Ensinamentos diversos. O ditado numérico em Pv 30.18,19 está ligado ao Pv 30.20. Uma águia no céu, uma serpente sobre a rocha e um navio no mar têm em comum o fato de se moverem sem deixar rastro. Assim também, os que cometem adultério acham que o podem fazer sem deixar nenhum rastro. Capítulo 31. Conselho de uma mãe a um soberano. Ainda que sejam palavras do rei Lemuel, na realidade vem de sua mãe, Pv 31.1. Trata-se, portanto, de uma passagem das Escrituras que podemos atribuir, sem dúvida alguma, a uma mulher. Os que exercem autoridade não devem aproveitar o poder para ser indulgentes consigo mesmos ou permitir a depravação, Pv 31.2-7. Antes, devem dedicar-se a defender os pobres e os fracos, Pv 31.8,9. Provérbios 31.10-31. Esse poema é um acróstico. Embora o objeto de louvor seja a mulher virtuosa, os destinatários da mensagem eram, de novo, os jovens. A pergunta introdutória em Pv 31.10 implica que o leitor devia encontrar tal esposa para si. A mulher é digna de confiança, Pv 31.11, diligente, Pv 31.13-19, inteligente, Pv 31.16,18 é bondosa, Pv 31.20. Ela acrescenta dignidade à família, Pv 31.23,25 e é muito previdente e prudente, Pv 31.21,26. Por tudo isso, é muito amada pela família, sendo o verdadeiro centro do lar, Pv 31.27- 29. Acima de tudo, ela teme a Deus, Pv 31.30. O versículo final é eloqüente ao falar contra a tendência de considerar sua função inferior em importância. LIÇÃO 4 O LIVRO DE ECLESIASTES Introdução A palavra “pregador” usada no primeiro versículo deste livro vem duma raiz hebraica que significa “aquele que chama” ou “aquele que invoca”. A idéia é de um orador ou pregador que reúne o povo a fim de lhe dirigir apalavra ou mensagem. De acordo com a homilética, o livro de Eclasiastes é uma mensagem bem estruturada, com introdução, tese, desenvolvimento da tese, conclusão e aplicação. A BUSCA DOS PROPÓSITOS DA VIDA CAPÍTULO 1 Conhecimento Humano CAPÍTULO 7 Sobre a boa fama e moderação CAPÍTULO 12 A Conclusão Final Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem, Ec 12.13 CAPÍTULO 2 E 3 Prazeres CAPÍTULO 8 Sobre submissão e injustiça CAPÍTULO 4 Competição CAPÍTULO 9 E 10 Sobre a morte e a sabedoria CAPÍTULO 5 E 6 Riquezas CAPÍTULO 11 Sobre generosidade e juventude DATA O livro foi escrito cerca de 935 a.C. e parece ser a biografia de Salomão. Através das suas tentativas de encontrar respostas às perguntas da vida, o sábio rei mostra-nos o descontentamento do homem que vive sem Deus. Mas, ele também mostra a necessidade do homem aprender a se submeter a Deus e a seus decretos. TEMA O tema de Eclesiastes é a vaidade de tudo que há debaixo do sol. A conclusão, porém, é: “Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque é o dever de todo homem”. O termo vaidade no livro de Eclesiastes significa aquilo que é passageiro, vazio, inútil. O livro ensina que as coisas materiais ou terrenas são passageiras, enquanto as espirituais são permanentes. Portanto, o tema deste livro é “vaidade de vaidades; tudo é vaidade”. Encerra também uma tentativa de resposta filosófica à pergunta: “Como viver do melhor modo possível num mundo onde tudo é vaidade?” O livro contém muita coisa de majestosa beleza e de transcendente sabedoria, mas o seu tom predominante é indizivelmente melancólico, muito diferente da alegria vivaz dos Salmos. Davi, pai de Salomão, em sua luta, longa e árdua, por edificar o reino, sempre estava a exclamar: “Regozijai-vos, daí brados de júbilo, cantai, louvai ao Senhor. Salomão, sentado segura e pacificamente no trono que o pai erigira, tendo riquezas, honra, esplendor e poder jamais sonhado, luxo fabuloso, era o único homem no mundo a quem os outros poderiam considerar feliz. Contudo, emprega o incessante estribilho: “Tudo é vaidade”; e o livro, produto que era da velhice de Salomão, deixa-nos a impressão clara de que ele não era um homem feliz. A palavra “vaidade” ocorre 37 vezes. Mas de um modo geral as lições do livro são evidentemente de procedência divina. Deus deu sabedoria a Salomão e inigualável oportunidade de observar e explorar todas as modalidades da vida terrena. E, depois de muito rebuscar e experimentar, Salomão concluiu que, geralmente falando, a humanidade não encontrava na vida uma felicidade muito aceitável; e no seu próprio coração sentia um desejo ardente de algo além de si mesmo. Assim, este livro é como que uma expressão do brado da humanidade por um Salvador. Com a vinda de Cristo, a “vaidade” da vida desapareceu. O brado foi respondido. Já nãoera “vaidade”, senão “gozo”, “paz” e “alegria”. Jesus nunca pronunciou a palavra “vaidade”, mas falou muito de seu “gozo”, mesmo sob a sombra da cruz. “Gozo” é uma das palavras chaves do Novo Testamento. Em Cristo, a humanidade encontrou o desejo dos séculos: Vida plena, abundante, alegre, gloriosa e eterna. AUTOR Embora o seu nome não aparece no livro, como ocorre no livro de Provérbios, Pv 1.1; 10.1; 25.1 e também em Cantares, Ct 1.1; a mensagem do livro não deixa dúvida que a autoria de Salomão é inquestionável. O autor identifica-se como filho de Davi, que reinou em Jerusalém, Ec 1.1,12. Faz alusão a si mesmo como o governante mais sábio do povo de Deus, Ec 1.16. Se diz autor de muitos provérbios, Ec 12.9 Seu reino tornou-se conhecido por causa das riquezas e grandezas, Ec 2.4-9. Sem falar que a tradição judaica também atribui a Salomão, a autoria de Eclesiastes. O livro de Eclesiastes é um dos cinco rolos da terceira parte da Bíblia Hebraica, os Hagiógrafos (Escritos Sagrados), cada um dos quais era lido em público anualmente numa das festas sagradas judaicas. Portanto, Eclesiastes era lido na festa dos Tabernáculos. CAPÍTULO 1 E 2 – A INUTILIDADE DE TUDO Salomão começa seu livro como um homem natural, completamente desiludido com a vida. Ele reclama que nada é novo sobre a terra. Os dias começam e terminam com o nascer e pôr do sol. O vento continua soprando dum lado para o outro. As águas continuam correndo para o mar. Tudo existe e tem existido da mesma forma desde a criação do mundo. Nossos olhos não enxergam coisas originais, nossos ouvidos não ouvem novos sons. Debaixo do sol, tudo permanece o mesmo. O mundo, a vida em geral, é fútil e vazia, pois vivemos num carrossel gigantesco que passa sempre diante dos mesmos cenários. Assim vê as coisas o homem natural, raciocinando à parte de Deus. Tudo é vaidade. Os alvos e os objetivos são inatingíveis. Este ciclo vicioso a vida torna-se uma aflição. Assim queixou-se Salomão. As palavras proferidas nos primeiros onze versículos do capítulo 1 refletem uma atitude de desânimo e desespero do seu autor. São declarações ao homem natural, derrotado, que perdeu a esperança. Observe no trecho que se segue, nos versículos 12-18, onde ele indica ter investigado o sentido das coisas através da sabedoria. Tem averiguado “tudo quanto sucede debaixo do céu”. Salomão, sendo rei e tendo sido abençoado por Deus com um coração sábio e entendido, I Rs 3.12, teve respostas às perguntas da vida. Ele aplicou o coração a esquadrinhar todas as obras, mas a única coisa que aprendeu, neste caso, foi que “na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta em ciência, aumenta em tristeza”. A conclusão da sua primeira investigação foi que o homem terá aumentado os seus problemas à medida em que multiplicar os seus conhecimentos. Não que a ignorância fosse a solução dos problemas, mas aquele que muito estuda e cresce em conhecimento sem entretanto crescer no temor de Deus, notará logo que a felicidade não consiste nisso. Será uma pessoa intimamente infeliz, descontente, vazia, frustrada. Jesus disse que a vida não consiste nos bens que a pessoa venha a possuir, Lc 12.15. Estas experiências do pregador foram baseadas na sua “busca natural”. Ele alicerça as suas descobertas na sabedoria do homem e não na de Deus. EMPREENDIMENTOS EXPERIMENTAIS, Ec 2.1-11 O escritor, agora, decide provar várias coisas para ver se acha nelas a felicidade. Ele se entrega ao vinho, Ec 2.3, edifica casas, planta vinhas, Ec 2.4, faz jardins e pomares, Ec 2.5, açudes, Ec 2.6, compra servos, servas, bois e aumenta suas riquezas e o número das suas mulheres, Ec 2.8. Observe a repetição da frase “para mim”. Na sua procura de alegria ele se engrandeceu e se tornou o maior entre todos os reis que viveram antes dele em Jerusalém, Ec 2.9. O que ele viu e desejou, adquiriu e fez, Ec 2.10. Em tudo, porém, reteve a sua sabedoria, Ec 2.9, para que pudesse avaliar os resultados das suas investigações. A única coisa gratificante desses experimentos foi o trabalho árduo que ele fez com suas mãos. Note o versículo 10: “... Eu me alegrava com todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas”. Se sentia contente com o trabalho que tinha feito, mas não demorou muito para que ele mesmo considerasse tudo isso mera vaidade. No fim desta experiência, ele percebe que as possessões, prazeres e proezas puramente humanas não produzem real felicidade. Tudo tem o seu fim determinado, Ec 2.12-26 Neste trecho, Salomão amplia a sua consideração acerca da sabedoria. Ele chega à conclusão de que o sábio tem vantagem somente sobre o louco, Ec 2.13, mas conclui ao mesmo tempo que a sabedoria humana não poderá dar vida abundante e eterna ao homem. Todos, quer sejam sábios ou ignorantes, morrerão. O que temos adquirido para nós mesmos, o nosso sucesso na vida, os nossos investimentos, as nossas obras monumentais, não são de valor algum quando a vida terrena chegar ao fim. Deixaremos tudo para outrem até para aqueles que não se esforçam nesta vida, Ec 2.21. Parece injusto, mas faz parte da vaidade deste mundo. O escritor, nos últimos três versículos, porém, começa a ver a “vida abundante” que provém unicamente de Deus. Por instantes ele reflete sobre as bênçãos do altíssimo, para aqueles que o temem e nele confiam. Em seguida ele volta a mergulhar nas suas averiguações sobre o mundo e a vida. Retorna ao caminho da futilidade procurando soluções nos lugares errados. Leia Ec 2.24-26. CAPÍTULOS 3 E 4 – O TEMPO E AS TRIBULAÇÕES Há Tempo Para Todo o Propósito, Ec 3.1-8. Nesta passagem bem conhecida, encontramos um comentário sucinto sobre os ciclos da vida. Para tudo há um tempo determinado. Há 14 frases nestes versículos, que mostram os dois lados extremos dos principais acontecimentos da vida humana. No decorrer de nossa existência, há tempo de plantar e arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, etc. Deus – Autor do Tempo, Ec 3.9-22 Deus estabeleceu o tempo de maneira ordenada, Ec 3.11, a fim de realizar o seu plano neste mundo. O tempo faz parte do plano total de Deus. O homem, porém, não tem condições de enxergar este plano no seu todo. Ele vê só uma parte e isto o frustra. Sendo finito, não pode compreender o infinito. Sendo mundano não entende o celestial. Sendo imperfeito, não interpreta a perfeição. No seu estado natural, como mero descendente de Adão o homem jamais compreenderá os propósitos do Senhor, seja ele o mais sábio dos homens. Outrossim, o verso em apreço, refere- se a eternidade. Palavra que pode sugerir o pensamento chave do livro. Este termo no hebraico, ocorre sete vezes: Ec 1.4,10; 2.16; 3.11,14; 9.6; 12.5, traduzida de vários modos: “Para sempre”, “séculos passados”, “durará eternamente”, “eterna casa”. “Deus pôs a eternidade no coração deles” . No mais profundo de sua natureza, o homem anseia pelo que é eterno, e a esta ansiedade nada da terra pode satisfazer. Mas, naquela época, Deus ainda não revelara muito a respeito de coisas eternas. Cristo é quem trouxe à luz a via e a imortalidade mediante o Evangelho, II Tm 1.10. CAPÍTULO 4 – TRISTEZAS – TOLICES As expressões e injustiças têm assolado o mundo desde o tempo de Caim e Abel, leia Ec 4.1. A terra está cheia de desonestidade. Nos versículos 4 e 6 vemos que o trabalho, muitas vezes provém da inveja, e que a rivalidade ambiciosa sempre causa amargura e ódio. Nos versículos de 1-12, Salomão destaca a importância do companheirismo que deve haver entre os homens, no desempenho dos seus afazeres. Segundo Salomão, a vantagem que duas pessoas têm sobre uma só, é que: Tem melhor paga do seu trabalho, Ec 4.9 Se um cair, o outro levanta, Ec 4.10 Se aquentarão ao dormirem, Ec 4.11 Resistirão ao adversário mais facilmente, Ec 4.12 Sucessoe posição pouco valem para aquele que os alcançou se este não abre a sua mente para as sugestões e os conselhos de outrem. Até o rei insensato poderá perder o seu reino para um jovem pobre e sábio, Ec 4.13-16. Verdadeiramente riquezas, posições, e fama são inúteis se forem adquiridas pela cobiça ou ambição desonesta. Mesmo os bens ganhos legalmente e por nosso esforço, não constituem segurança contra o fracasso. Nossa segurança salarial, nossos negócios que rendem bem, nossa posição, tudo é vaidade, isto é, tudo é passageiro. É como correr atrás do vento, se tornamos tudo isso mais importantes do que o nosso andar com Deus. CAPÍTULOS 5 E 6 – RELIGIÃO E PROSPERIDADE Neste trecho, o escritor ressalta a importância da religião verdadeira, que se alicerça no temor de Deus, Ec 5.7. Somos admoestados a tomar cuidado com a hipocrisia. Devemos conduzir nossa vida na certeza de que um dia daremos contas a Deus. O pregador aborda também sobre qual deve ser o nosso procedimento na casa de Deus, Ec 5.1,2. Diz Salomão que “dos muitos trabalhos vêm os sonhos, e do muito falar, palavras néscias”, Ec 5.3. Sonhar demais, falar demais, envolvimento com muitos trabalhos, produzirá idéias tolas e resultados fúteis. A preocupação demasiada com os nossos objetivos, de modo a impedir ou embaraçar a nossa vida normal com Deus é insensatez desastrosa. Quando o crente serve ao seu Mestre de todo o coração verá que a verdadeira felicidade está em Deus, quando o amamos e o seguimos e o servimos. Não devemos fazer votos impensados ao Senhor. Quando tivermos de fazer um voto perante o Senhor, devemos fazê-lo com discernimento e decididos a cumpri- lo, pois, “melhor é que não votes do que votes e não cumpras”, Ec 5.4,5. Em suma, qualquer religião que não tenha como fundamento o temor de Deus, é espúria e insincera, por isso mesmo indigna do cristão. Opressão aos Humildes, Ec 5.8,9. “Se vires ... Opressão de pobres, não te maravilhes ... Porque o que está no alto tem acima de si outro mais alto que o explora e sobre estes há ainda outros mais elevados que também exploram”, Ec 5.8 Salomão menciona a opressão infligida pelos ricos aos pobres. O autor diz que isto não deve nos espantar. Não deve nos surpreender, porque infelizmente, é uma realidade neste mundo alienado de Deus. Como crentes em Jesus, devemos sentir o sofrimento daqueles que são oprimidos, procurando ajudá-los, mas estes meios devem ser legais e devemos nisso ser guiados pelo Espírito de Deus. Um dia, porém, as injustiças deste mundo serão julgadas e os sistemas opressivos serão abolidos. Um novo sistema será estabelecido, e Cristo reinará sobre tudo e todos. A Maldição das Riquezas, Ec 5.10-6.12. „Quem ama o dinheiro, jamais dele se farta‟, Ec 5.10 Muitas vezes pensamos como seria bom sermos ricos. Muitos de nós sabemos o que é sofrer pobreza, de sorte que tem sido difícil nos convencermos de que até o homem rico tem problemas. Ser rico não é pecado, mas é evidente que o homem que se deixa dominar pela cobiça do dinheiro estará atraindo maldição sobre si. Há um provérbio árabe que diz: “Deus tem castigado a muitos, permitindo que eles adquiram riquezas”. Salomão mesmo fala a respeito das riquezas que seus donos acumulam para o seu próprio dano, Ec 5.13. Se Deus tem te concedido riquezas materiais, goza-as como fruto do teu trabalho; lembrando-te sempre que se nada trouxeste para este mundo ao nascer, nada levarás contigo para a eternidade ao morrer, Ec 5.15,16 Um outro mal que o escritor observa, relaciona-se ao homem que tem tudo, mas não pode comer bem, porque não tem boa saúde, Ec 6.2; pode ter muitos filhos, sem que estes o confortem, Ec 6.3. Isto é futilidade e desespero. CAPÍTULOS 7 E 8 – CARÁTER E CIVISMO “Melhor é o Fim do Que o Princípio das Coisas, Ec 7.1-14. O autor escreve que a morte é melhor do que o nascimento, Ec 7.1. A vida traz tantos dissabores que a morte marca o fim da nossa aflição. A mágoa e a tristeza são melhores do que o riso, Ec 7.3, porque nos ensinam compaixão e firmeza de propósito. É melhor ser paciente do que arrogante, Ec 7.8, pois a paciência acalma e suaviza, mas a arrogância causa desgosto e rixas. No primeiro versículo do capítulo sete, encontramos o tema deste trecho: “Estabelecer e desenvolver um bom nome, ou boa fama”. A maturidade depende da nossa aceitação destes conselhos, lembrando sempre que o Senhor tem designado os passos da nossa vida e que quando nos submetemos a ele, o nosso caráter será sempre melhorado. Moderação, Ec 7.15-21 Seja uma pessoa equilibrada. Não seja demasiadamente justo, isto é, não se deixe influenciar por uma religião artificial e sem genuíno zelo, Ec 7.16, pois tal conduta, geralmente leva à hipocrisia e ao legalismo desvirtuado. Não permita que o pecado e as paixões lhe dominem. Reconheça a sua fraqueza mas não se lance ao pecado, antes faça das suas fraquezas e limitações um constante apelo à operação do poder e das possibilidades de Deus, Ec 7.20. ande nas veredas do Senhor e será uma pessoa moderada, de temperamento estável, Is 30.21. A Sabedoria Está Longe de Todos, Ec 7.23-29 continuando a sua busca dos sentidos da vida, o escritor confessa que a sabedoria estava longe dele, Ec 7.23, e que achou só um sábio entre cada mil homens, mas nenhuma entre mulheres, Ec 7.28. Quanto mais Salomão se aplicava e investigava, mais a triste verdade persistia: Há poucas pessoas justas sobre a terra, porque Deus “fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”,Ec 7.29. Salomão havia experimentado muitas coisas más, pervertendo a sua alma. Agora ele descobre que muitos outros estão palmilhando os mesmos caminhos que ele andara antes, à procura de solução para os seus problemas. Obediência e Submissão, Ec 8.1-9 Somos advertidos, aqui, a obedecer àqueles que foram constituídos autoridades sobre nós. Devemos ser bons cidadãos e nos submetermos a eles. Aquele que obedece aos seus superiores, experimentará o bem e evidenciará sabedoria em cumprir as ordens do rei, Ec 8.4,5. Devemos nos submeter àqueles que têm autoridade sobre nós, reconhecendo a Deus como autoridade final. A Prosperidade dos Ímpios e a Miséria dos justos, Ec 8.14-17. Salomão salienta que os justos sofrem as conseqüências das obras más dos homens corruptos e que os ímpios lucram do trabalho dos retos. Evidentemente, isso é um contra-senso, mas é exatamente assim que acontece neste mundo sem Deus e sem salvação. O rei, ao contemplar as obras de Deus, nota que é inútil tentar descobrir os desígnios do Senhor, Ec 8.17. Melhor então é contentar-se com o que tem e gozar as bênçãos que o Mestre tem concedido aos seus, Ec 8.15. Esta é uma ótima admoestação, pois se nos preocuparmos com aquilo que não temos, ficaremos frustrados e aborrecidos com o muito que outros têm. A nossa vida sofrerá recaídas espirituais e não desfrutaremos daquilo que o Pai nos tem concedido. CAPÍTULOS 9 E 10 – O FINAL DOS VIVENTES E AS VANTAGENS DA SABEDORIA O Destino de Todos, Ec 9.1-12. “Tudo sucede igualmente a todos”, Ec 9.2. O fim chega para todos. A humanidade inteira caminha para a morte, sejam justos ou injustos, puros ou impuros, salvos ou pecadores, Ec 9.2. Enquanto estamos vivos, podemos agir e reagir, mas quando o coração para de bater, todos os nossos sentimentos, todas as emoções, todos os pensamentos cessam, Ec 9.6. O Senhor é soberano em tudo e especialmente nas coisas que concernem à vida e à morte. Dentro dos seus propósitos, nós nascemos, vivemos e morremos. Enquanto estivermos neste mundo, sugere Salomão que devemos nos esforçar para fazer o bem, gozar, comer e beber com alegria, Ec 9.7-10. “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”, Eclesiastes 9.10 Observe nos versículosacima que Salomão está falando da morte física e não da vida espiritual após a morte. A palavra “além” deve ser traduzida “sepultura”, conforme o original. Na sepultura não haverá sabedoria, atividade, nem trabalho algum. No trecho que se segue, versículos 11 e 12, o escritor ressalta que o prêmio não é dos ligeiros, nem a vitória dos valentes, nem o pão dos sábios, nem a riqueza dos prudentes e tão pouco o favor dos entendidos. Isto mostra quão ignorante é o homem quanto aos meios que Deus usa para levar a cabo os seus planos. A Sabedoria é Melhor do que a Força, Ec 9.13-18. O autor mostra nesta passagem, que a sabedoria é melhor do que as armas e a força dos grandes. Conforme ilustram estes versículos, um pobre homem, mas sábio, livrou a sua pequena cidade dum poderoso rei com o seu exército impressionante e armas terríveis. Infelizmente, o pobre não foi honrado e a sua sabedoria logo foi esquecida. Ainda assim notamos que a sabedoria é mais útil e valiosa do que governadores tolos ou armas de guerra. Leia Ec 9.17,18. Estas palavras devem encorajar a todos aqueles cujos conselhos e admoestações não foram atendidos. Quando outros rejeitam a sabedoria e escarnecem do nosso conhecimento espiritual, devemos prosseguir a fazer o trabalho de nosso Deus, porque mesmo assim, a sabedoria é a melhor opção. Um dia, o Mestre honrará a nossa prudência. A Excelência da Sabedoria, Ec 10.1-20. O triste contraste que o pregador faz entre a sabedoria e a tolice, é tipificado com uma mosca morta a estragar o ungüento do perfumador, Ec 10.1. O tolo trilha as suas veredas, causando desgraça e devastação. Ele se inclina para a esquerda, Ec 10.2, e para o mal. Já o sábio, se inclina para a direita e para o bem. Encontramos nestes versículos, exemplos da tolice dos estultos e pensamentos sobre o êxito dos sábios. O que Salomão nos mostra é que o imprudente praticará a loucura e pagará o preço das suas maquinações e maldades. O sábio achará favor e continuará progredindo nos caminhos da ciência. Recapitulação Nos dois capítulos que acabamos de comentar, podemos notar que a vida raramente é aquela “festa” que desejamos celebrar. A vida é dura e a morte uma realidade, mas quando a vivemos no temor do Senhor, gozamos da plenitude da graça e amor de Deus. Seremos pessoas sábias e usufruiremos das vantagens que a sabedoria oferece. CAPÍTULOS 11 E 12 – CONCLUSÃO: TEME A DEUS Encontramos três divisões nestes dois capítulos: 1º) Conselhos gerais, Ec 11.1-8. 2º) Conselhos aos jovens, Ec 11.9-12.8 3º) Conclusão, Ec 12.9-14. Lança o Teu Pão Sobre as Águas, Ec 11.1-8 A idéia chave deste primeiro versículo é que devemos ser bondosos e generosos. Se formos constantes na prática do bem, seremos recompensados. Se formos caridosos, mesmo durante tempos de escassez, usufruiremos das nossas ações nos dias futuros, Ec 11.1,2. O autor nos admoesta a não nos preocuparmos tanto com a chuva, a força da natureza, o vento. Não fiquemos aguardando dias de sol para proceder prudentemente. Façamos o bem agora; não sejamos procrastinadores, Ec 11.3,4. Certos mistérios ficarão em nossa mente por toda a nossa vida, Ec 11.5, mas nem por isso, devemos cessar de trabalhar. Semeemos a boa semente e confiemos que Deus é que fará surgir os frutos. É possível que tenhamos uma colheita farta, Ec 11.6. Aprecie a luz do dia, Ec 11.7, e lembre-se que a eternidade é para sempre, Ec 11.8. A implicação deste trecho é que devemos não só viver uma vida boa e aproveitar das vantagens da nossa existência, mas também, ter em mente a vida do porvir. Regozijemo-nos em todos os nossos anos aqui, tendo sempre em perspectiva o temor de Deus, porque mesmo vivendo uma vida alegre no Senhor neste mundo, tudo é futilidade em comparação com a glória da vida eterna. Alegra-te, Jovem, Ec 11.9,10. Salomão admoesta o jovem a desfrutar a mocidade e aproveitar as atividades da juventude. Agrada o teu coração com as maravilhas criadas por Deus, adverte o pregador; satisfaz a tua alma com deleites sadios. Continuando, diz ele: “Enche os teus olhos com as belezas do universo e elimina o desgosto e a dor que são conseqüências de pecados cometidos”. A verdadeira alegria vem de Deus e de comunhão real e constante com o Senhor. Assim, o jovem que teme ao Senhor e vive somente para ele, terá as bênçãos de Deus na sua vida. A vida sem Deus será inútil e o jovem que viver assim, cedo verá o prejuízo que teve e que nada serviu assim fazer. Lembra-te do Teu Criador Enquanto és Jovem, Ec 12.1-8. Neste capítulo Salomão está falando sobre a velhice, descrevendo as conseqüências desta idade, e advertindo o jovem a buscar a Deus enquanto estiver gozando na primavera da vida. Observe a descrição de uma pessoa velha nos versículos 2-7. O propósito do escritor é chamar os jovens a uma consagração total a Deus antes que cheguem as tribulações e as dores da velhice, leia Ec 12.1. Conclusão, Ec 12.9-14 Depois de ter provado de tudo quanto a vida oferece, Salomão chegou à conclusão que o dever do homem é temer a Deus e entregar-se corpo, alma e espírito a ele. O escritor conclui que a única coisa que não é vaidade neste mundo é o temor a Deus e o guardar dos seus mandamentos. “Demais, filho meu, atenta: Não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”, Eclesiastes 12.12-14. LIÇÃO 5 O LIVRO DE CANTARES DE SALOMÃO Introdução O livro de Cantares tem originado controvérsias, discussões e debates. Alguns mais imprudentes chegam a duvidar da sua canonicidade. Infelizmente muitos por falta de visão espiritual só vêem o lado humano deste livro, não percebendo os ensinos bíblicos profundos através da descrição do amor conjugal de que se ocupa o livro. Espiritualmente o livro prefigura o amor que Deus tem para com Israel ou de Cristo para com a sua Igreja, ou para com cada crente individualmente. Como o título do poema indica, Salomão é o seu autor. Foi escrito mais ou menos por volta do ano 960 a.C. Outro consideração interessante sobre Cantares é que os judeus reverenciavam muito este livro. Eles cantavam porções dele durante as festividades da Páscoa ( a primeira e a mais importante de todas as festas judaicas anuais). Também, comparavam Provérbios ao Pátio do Templo, Eclesiastes ao lugar Santo e Cantares ao lugar Santo dos santos, ou Santíssimo. Há três escolas de interpretação concernente a este livro: 1ª) A Alegórica – Esta escola interpreta tudo simbolicamente, salientando somente a união espiritual entre Deus e Israel, ou Cristo e a sua Igreja. 2ª) A Literal – Esta escola interpreta o livro simplesmente como um história ou descrição de amor matrimonial. 3ª) A Tipológica – Esta, interpreta o livro como a revelação do amor e da união que devem haver entre Cristo e a sua Igreja. Tomaremos este último ponto de vista, como base de nosso comentário. NAMORO Texto: Cantares 1.1-3.5. O Título, Ct 1.1 Cantares não é somente um cântico, mas o cântico dos cânticos. Conforme I Rs 4.32, Salomão redigiu 1.005 cânticos. Este porém, era o mais sublime de todos. Conforme o Dr. Hass, citado no livro “Através da Bíblia Livro por Livro”, de Myer Pearlman, o rei Salomão foi visitar uma das suas vinhas no Monte Líbano. Lá chegando, se encontra com uma bela jovem sulamita. Ela foge. Disfarçando-se de pastor, o rei vai visitá-la e pede-a em casamento. Regressa para Jerusalém, mas depois volta para buscá-la como sua rainha. Segundo o citado autor, este incidente é que marca o início dos fatos narrados em Cantares. Os principais personagens deste livro são: O rei Salomão, a sulamita e a filhas de Jerusalém possivelmente companheirasou servas da noiva. Rosa de Saron, Ct 1.2-2.1 Encontramos neste trecho, o começo do diálogo amoroso entre Salomão e a sulamita. As descrições são feitas no estilo próprio da linguagem oriental. Os elogios de um para o outro refletem o grande amor que pulsa nos seus corações. Para a sulamita o amor do seu amado é tão forte que ela o declara ser melhor do que o vinho, Ct 1.2. Por ter trabalhado por muito tempo nas vinhas sob o sol abrasador ela chama “morena” a si mesma, Ct 1.5,6. deslumbrado com a beleza de sua amada, o rei diz que ela é a mais formosa entre todas as mulheres. A comparação no versículo 9, para nós hoje, vivendo noutra cultura, parece um galanteio absurdo. Mas para os dias de Salomão, era um elogio do mais alto nível. O escritor compara sua amada a uma bela égua, Ct 1.9,10. Aqui se vê parte de um auto-relevo de Corsabad, da época do rei Sargão II da Assíria, répresentando dois cavalos com “enfeites” (brincos, NVI) presos aos seus freios e incrustados com jóias e pedras preciosas. No início do capítulo 2, a noiva se compara à rosa de de Saron e ao Lírio dos Vales. A formosura dela era comparável a da natureza dos campos floridos. Ela se sentia parte do cenário das colinas, entre os cabritos e as flores. Sua graça e beleza eram acentuadas pelas cores vivas e alegres das rosas e dos lírios. O Estandarte do Amor, Ct 2.2-14a Nos versículos que seguem, Ct 2.3-6, a noiva relata o seu desejo de receber o amor do seu noivo, de se banquetear com ele, Ct 2.4,5 e de ser feliz com ele, Ct 2.6. Contudo, deixa transparecer que o amor conjugal deve ser desfrutado no momento, lugar certo e com a pessoa adequada, leia Ct 2.7;3.5. Na sala do banquete, há um estandarte, Ct 2.4. Esta bandeira ou faixa era um estandarte militar, mostrando que Salomão tinha conquistado o coração da sulamita. O estandarte representava proteção e segurança. Ela compara o seu amado ao gamo e ao filho da gazela que na sua alegria, pula e salta sobre os montes. A felicidade dele é evidenciada pela liberdade que goza, de correr e galgar os morros do Líbano, Ct 2.8,9. A noiva se alegra ao ver que inspira tanta alegria no seu amado. Vem Pomba Minha, Ct 2.10b-14. Nesta passagem, o noivo está ansioso para voltar a Jerusalém, para fazer preparativos do casamento. É possível que ele estivesse aguardando passarem o inverno e as chuvas, Ct 2.11, antes de voltar para Jerusalém. As Raposas, Ct 2.15-17 A preocupação da noiva agora, é a de evitar a ruína das vinhas de Salomão. As raposas eram animais daquela região que costumavam invadir as vinhas e causar destruição. O convite da sulamita, Ct 2.15 é para que ela e o rei, juntos, possam preservar as vinhas. Podemos aplicar uma analogia a este trecho. A jovem noiva não deseja que qualquer coisa interfira com o crescimento do seu amor. Ela anela fazer seja o que for, para que as suas vinhas possam florir e produzir lindos cachos de uvas saborosas e suculentas. Um Sonho, Ct 3.1-5. Enquanto dorme, Ct 3.1, a sulamita sonha que perdeu o seu amado e não o pode achar. Perturbada, ela sai noite adentro procurando por ele. Quando o encontra, agarra-se a ele para não soltá-lo mais. Faz com que o rei entre na casa de sua mãe e apresenta-o como seu amado, provando assim que o amor dos dois era puro. A noiva não se envergonha do seu amado. Contudo o versículo 5, é um apelo da sulamita as filhas de Jerusalém, no sentido de que não acordem ou despertem o amor, até que este o queira. Em outras palavras, seria como se dissesse: “Não apressem ou despertem o amor, para que tudo corra normalmente”. Lembremos que o intercurso sexual somente é puro dentro do casamento; se praticado antes, constitui-se no pecado de fornicação. CASAMENTO Os Preparativos, Ct 3.6-11. Salomão volta a Jerusalém. O coro observa que ele “sobe do deserto, como colunas de fumo, perfumado ... de toda sorte de pós aromáticos”, Ct 3.6. O rei faz uma carruagem para o dia do Seu casamento. Este carro foi ornamentado com madeira de cedro do Líbano, Ct 3.9, com ouro, prata e púrpura, Ct 3.10. A palavra “desposório” do versículo 11, significa núpcias. A mãe do rei o tinha coroado com uma coroa especial. Esta coroa, conforme os historiadores, era uma grinalda feita de ouro e prata. Observe o convite do coro às filhas de Sião para contemplarem o rei. Estão sendo convidadas ao casamento, para celebrarem o “dia de júbilo do seu coração”, isto é, do rei. Elogios Nupciais de Salomão à Sulamita, Ct 4.1-15. As primeiras palavras do rei à sua noiva quando ele a vê no dia do casamento, são: “como és formosa, querida minha, como és formosa”, Ct 4.1. ele continua com um discurso que enaltece a elegância de sua futura esposa. Os olhos dela brilham, os cabelos dela descem ondulados, Ct 4.1. Os lábios são como fio de escarlate; as faces como romãs partidas, Ct 4.3. O pescoço da jovem é comparado a uma torre, toda decorada como broquéis dos valorosos, Ct 4.4. No versículo 7, Salomão prossegue salientando os ungüentos, Ct 4.10, e as especiarias, Ct 4.14 que perfumam o corpo da sua amada. No fim do discurso, o rei a compara com fontes, águas vivas e torrentes, Ct 4.15 aludindo à grande beleza da sua noiva. Salomão deseja que ela se deleite totalmente nele, esquecendo o passado, centralizando a sua vida no relacionamento com o seu amado. Ele declara o seu profundo amor a ela. “Arrebataste-me o coração, noiva minha. Que belo é o teu amor, quanto melhor ... Do que o vinho”, Cantares 4.9,10. O Jardim do Amor, Ct 4.16-5.1 No fim do capítulo 4, a noiva aceita o convite do seu amado. Ela declara ser completamente dele e pede que os ventos espalhem seus aromas e que ele venha ao seu jardim, Ct 4.16. O rei, então, entra no jardim da sua noiva e desfruta do que lá encontra, Ct 5.1. Ele convida os seus amigos a comerem e beberem fartamente. Essa é a festa nupcial, ou seja, a recepção que se segue ao casamento. A alegria do rei é evidente e ele deseja festejar com todos a felicidade da ocasião. Um banquete é preparado e o casamento de Salomão e a jovem sulamita é celebrado. VIDA CONJUGAL Um segundo Sonho, Ct 5.2-7. Neste trecho, a sulamita sonha pela segunda vez. No sonho, ela ouve a voz do seu esposo pedindo para entrar no seu aposento, Ct 5.2; ela, porém, já está deitada, mostrando indisposição de atendê-lo, lhe informa que teria de se vestir e sujar os pés recém-lavados, para abrir-lhe a porta. Quando se decide levantar, ele havia ido embora. Daí, aflita, ela sai à procura dele. Não o acha e é espancada e ferida pelos guardas da cidade. Essa parte deve ser lida de maneira simbólica, não literal. O objetivo principal do texto é mostrar que a mulher experimenta dor e não apenas prazer no amor. É o que representam os guardas que a espancam. Os Elogios da Sulamita a Salomão, Ct 5.8-16 É provável que antes do sonho tenha havido uma pequena contenda entre o rei e sua jovem esposa. Depois de acordar do seu sonho, a Sulamita procura fazer as pazes com o seu marido. Prosseguindo ela descreve poeticamente a formosura do herói do seu coração. Salienta a sua aparência alva e rosada, Ct 5.10, a sua cabeça como ouro puro, Ct 5.11, os seus olhos como os das pombas, Ct 5.12, as suas mãos como cilindros de ouro, Ct 5.14, as suas pernas como colunas de mármore, Ct 5.15, o seu doce falar, Ct 5.16. Ele é totalmente desejável, conclui ela, Ct 5.16. A Sulamita vê o seu amado como o mais excelente entre todos. Não há um que se compare a ele. O Selo do Coração, Ct 6.1-8.14. Resolvido o impasse, o rei retorna ao seu jardim (ou à sua esposa). A sua amada declara: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”, Ct 6.3. Novamente fazem votos de amor, selando o seu relacionamento. Depois de restabelecidos os votos, os dois se unem como nunca, e o amor agora refloresce, mais forte do que antes. Após esse reencontro, o casal continua a palmilhar o caminho da vidaa procura da maturidade nupcial. Agora, disposto a agradar a sua amada, ele a leva para visitar a sua terra. O povo da Sulamita a recebe observando sua chegada no Líbano, Ct 8.5. A idéia inferida no versículo 6 é que o verdadeiro amor é não apenas sentimento mas também ação. O “selo no braço” fala do direito de posse que o esposo tinha sobre sua esposa. O amor dela era exclusivamente dele. Esse selo significava um anel de sinete que era usado na mão ou pendurado ao pescoço dos monarcas, com os quais selavam suas propriedades ou documentos. O verdadeiro amor é forte como a morte, Ct 8.6 e as muitas águas não poderão afogá-lo, Ct 8.7. O livro de Cantares termina com um convite da Sulamita ao seu amado, lembrando os primeiros dias felizes de vida em comum. O amor constante, puro e fiel que une dois corações, finalmente triunfa. APLICAÇÃO ESPIRITUAL Namoro – Apresentação a Cristo A aplicação espiritual de cantares aponta para a profunda comunhão que há entre Cristo e o crente. Todos nós andávamos errantes e longe de Deus, mas quando ouvimos a voz e o convite do amante de nossas almas, nos entregamos ao Senhor Jesus Cristo. O infinito amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo tornou isso possível. O estandarte do amor, Ct 2.4 simboliza a grande compaixão de Deus pelo pecador. O amor de Deus refrigera a alma cansada, faminta e sedenta do pecador. Com grande ternura Deus aponta o caminho da salvação e da vida eterna ao pecador carente. Casamento – União (Salvação) O pecador, ao saber e sentir que Deus o ama, apesar dos seus muitos pecados, é atraído a Cristo e aceita-o como seu Salvador. A decisão do pecador culmina numa entrega total de si a Deus. Ele convida o Senhor a entrar no seu jardim, Ct 4.16, e assim se torna membro da família celestial. Vida Conjugal – Comunhão A comunhão segue-se a união. O pecador, agora resgatado, perdoado e limpo dos seus pecados passa a ter comunhão com Cristo. Mesmo que o amor seja forte como a morte, ele sabe que há certos problemas a superar. Quando vierem as provas e tentações, devemos perguntar como o apóstolo Paulo: “Quem nos separará do amor de Cristo?” Devemos vigiar para que as raposas, o mundanismo, o secularismo não roubem e destruam os frutos da nossa vida com Cristo. É o selo de Cristo que nos leva a uma intimidade profunda com Deus. Fomos selados por seu amor e por isso somos propriedade sua. O selo aplicado era sinal de posse do dono. Podemos, então, terminar este estudo, fazendo nossas, as palavras da sulamita: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu ...”, Ct 6.3