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AFOGAMENTO CONCEITOS O conceito de afogamento é basicamente a presença de água em via aérea – “aspiração” de líquido não corporal. O paciente pode se afogar por imersão (somente vias aéreas no líquido) ou submersão (todo o corpo dentro da água). Além disso, o afogamento pode ser primário ou secundário (uma causa para o afogamento). OBS: Qual o volume necessário para se afogar/ PCR? 1 a 4 mL por Kg ÁGUA SALGADA X ÁGUA DOCE: Não existe diferença no impacto clínico no afogamento dentro da água do mar ou água do rio. ÁGUA FRIA X ÁGUA QUENTE: A água fria tem a capacidade de diminuir o metabolismo do indivíduo, dessa forma o corpo tolera mais tempo a hipoxemia EPIDEMIOLOGIA • 500 mil mortes por ano • 16 mortes por dia no Brasil • 1 morte a cada 84 min no Brasil • Homens morrem 6x do que mulheres • 49% das mortes < 29 anos de idade • Maior risco em adolescentes • Crianças < 9anos → Piscinas • Risco de mortes por exposição ao afogamento é de 200x que o risco de morte por exposição a acidentes de trânsito FATORES DE RISCO • Inabilidade em nado • Comportamentos de risco • Drogas, álcool • Trauma • AVC e IAM dentro da água • Convulsão • Hipoglicemia • Síncope • Suicídio FISIOPATOLOGIA A lógica fisiopatológica é semelhante à do edema pulmonar, visto que a pressão da água na via área gera uma atelectasia por disfunção do surfactante e consequente colabamento alveolar. Existe também a possibilidade do laringoespasmo reflexo, que nesse caso teremos uma morte por afogamento seco, visto que a obstrução superior não vai dar tempo de a água exercer sua disfunção no surfactante. Dessa forma o paciente vai evoluir com apneia → hipóxia → inconsciência → acidose → disfunção cardiovascular (taquicardia → bradicardia → AESP → Assistolia) → PCR. EVOLUÇÃO DA GRAVIDADE DO AFOGAMENTO • Não ocorre o afogamento = não afogamento/resgate: ausência de água de vias aéreas • Afogamento: 1-6 minutos ou até horas de afogamento • Quais os pacientes mais graves? E qual a conduta? Os pacientes mais graves são aqueles encontrados em parada respiratória ou cardiorrespiratória. Nesses casos nós faremos RCP iniciada com 5 ventilações de resgate Obs.: Diferentemente da reanimação normal, a literatura trás que no afogamento devemos iniciar a reanimação com a ventilação e serão 5 ventilações (o objetivo é fazer pressão positiva suficiência para tentar vencer a presença da água na via aérea). Obs.: em um paciente que não se encontra em parada cardiorrespiratória a conduta é realizar o ABC. GRAUS DE AFOGAMENTO + MANEJO PACIENTE RESGATE • Sobrevida em 100% • Normal, taquipneia • Não afogamento/ resgate • Acolhimento + alta no local • Não precisa de intervenções GRAU 1 • Sobrevida de 100% • Tosse • Avaliar sinais vitais, saturação • Ofertar O2 cânula nasal se saturação abaixo de 92% (objetivo 92 a 96%) • Alta no local se melhora GRAU 2 • Sobrevida de 99% • Tosse, crépitos • Avaliar sinais vitais, saturação • Ofertar O2 cânula nasal se saturação abaixo de 92% (objetivo 92 a 96%) • Observação em emergência (6-8h) – paciente tende a reabsorver a água, mas deve ficar em observação • Avaliar necessidade de exames laboratoriais GRAU 3 • Sobrevida de 95-96% • EAP, normotenso • Avaliar sinais vitais, saturação e PA • Oferta O2 para Sat alvo 92-96% (VNI – pressão positiva) • Avaliar necessidade de tubo orotraqueal e ventilação mecânica • Encaminhar para UTI GRAU 4 • Sobrevida de 78-82% • EAP, hipotenso • Avaliar sinais vitais, saturação, PA • Oferta O2 para Sat alvo 92-96% (VNI – pressão positiva) • Avaliar necessidade de VM/IOT • Iniciar infusão de cristaloide (volume) primeiramente e se não for responsivo podemos iniciar DVA • Monitorar respiração, pois parada respiratória ainda pode ocorrer • Encaminhamento para UTI GRAU 5 • Sobrevida de 56-69% • Parada respiratória • Parada respiratória (se o paciente parou de ventilar eu preciso ventilar para o paciente) → iniciar ventilação artificial assistida (AMBU/Máscara Laríngea/IOT): bom prognóstico, a parada respiratória é frequentemente revertida após poucas ventilações. Após retorno da ventilação espontânea, tratar como Grau 4 • Avaliar sinais vitais, saturação e PA • Oferta O2 para Sat alvo 92-96% (VNI – pressão positiva) • Avaliar necessidade de VM/IOT • Repor volume (cristaloide) primeiramente e se não for responsivo, podemos iniciar DVA • Encaminhamento para UTI GRAU 6 • Sobrevida de 7-12% • PCR • Iniciar RCP (ABC ou CAB – no afogamento se preconiza o ABC), após o retorno da ventilação espontânea, tratar como Grau 4 Obs.: Inicie a RCP A-B-C: Abra vias aéreas, veja, ouça e sinta, se não há respiração inicie 5 ventilações boca-a- boca, não havendo resposta, inicie 30 compressões torácicas em adultos, crianças, e bebês. Se houver 2 socorristas a relação pode ser 2 ventilações para 15 compressões. • Encaminhamento para UTI A diferença de PCR e óbito é o tempo e a presença de sinais de morte (rigor mortiz) . Se tempo de submersão tiver sido maior que 1h ou houver sinais claro de morte = paciente morto (podemos constatar e não declarar morte). Não podemos declarar óbito, pois é uma morte de causa externa, quem dá o atestado é o IML. O paciente do grau 6 (PCR) é o paciente que ainda temos possibilidade de retorno da circulação espontânea.