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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO Caro(a) aluno(a), A Faculdade Anísio Teixeira (FAT), tem o interesse contínuo em proporcionar um ensino de qualidade, com estratégias de acesso aos saberes que conduzem ao conhecimento. Todos os projetos são fortemente comprometidos com o progresso educacional para o desempenho do aluno-profissional permissivo à busca do crescimento intelectual. Através do conhecimento, homens e mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam opiniões, constroem visão de mundo, produzem cultura, é desejo desta Instituição, garantir a todos os alunos, o direito às informações necessárias para o exercício de suas variadas funções. Expressamos nossa satisfação em apresentar o seu novo material de estudo, totalmente reformulado e empenhado na facilitação de um construtor melhor para os respaldos teóricos e práticos exigidos ao longo do curso. Dispensem tempo específico para a leitura deste material, produzido com muita dedicação pelos Doutores, Mestres e Especialistas que compõem a equipe docente da Faculdade Anísio Teixeira (FAT). Leia com atenção os conteúdos aqui abordados, pois eles nortearão o princípio de suas ideias, que se iniciam com um intenso processo de reflexão, análise e síntese dos saberes. Desejamos sucesso nesta caminhada e esperamos, mais uma vez, alcançar o equilíbrio e contribuição profícua no processo de conhecimento de todos! Atenciosamente, Setor Pedagógico 3 SUMÁRIO METODOLOGIAS DO TRABALHO CIENTÍFICO ........................................................ 5 A CIÊNCIA, SUA EVOLUÇÃO E SUA CLASSIFICAÇÃO ............................................ 5 CONHECIMENTOS: FILOSÓFICO - SENSO COMUM OU EMPÍRICO -..................... 8 RELIGIOSO OU TEOLÓGICO E CIENTÍFICO ............................................................ 8 RESUMIDAMENTE PODEMOS DIZER ................................................................................ 10 CONCEITOS DE TRABALHOS CIENTÍFICOS ......................................................... 15 A PESQUISA ............................................................................................................. 18 METODOLOGIA, MÉTODO E TÉCNICA ............................................................................. 20 TIPOS DE MÉTODO ................................................................................................. 22 PESQUISA CIENTÍFICA .................................................................................................. 27 TIPOS DE PESQUISA CIENTÍFICA .................................................................................... 27 PROJETOS DE PESQUISA, ETAPAS DA PESQUISA E ELABORAÇÃO DA MONOGRAFIA .......................................................................................................... 39 PROJETO DE PESQUISA ......................................................................................... 40 ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA ....................................................................... 41 ESCOLHA DO TEMA ...................................................................................................... 41 REVISÃO DE LITERATURA OU FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................ 42 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................. 43 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ........................................................................................ 44 DETERMINAÇÃO DE OBJETIVOS ..................................................................................... 46 METODOLOGIA............................................................................................................. 47 COLETA DE DADOS ...................................................................................................... 51 TABULAÇÃO DOS DADOS .............................................................................................. 54 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS/RESULTADOS .......................................................... 54 DIVULGAÇÃO ............................................................................................................... 56 EXEMPLO PARA REFLEXÃO ................................................................................... 57 IMPORTANTE ............................................................................................................... 58 NORMAS E ESTRUTURA DE UMA MONOGRAFIA................................................................ 59 ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS ........................................................................................... 61 4 ELEMENTOS TEXTUAIS .................................................................................................. 61 ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS .......................................................................................... 62 NORMAS PARA A REDAÇÃO DE UMA MONOGRAFIA ........................................... 63 NORMAS PARA A APRESENTAÇÃO GRÁFICA .................................................................... 63 FORMATO E MARGENS .................................................................................................. 63 ESPACEJAMENTO ......................................................................................................... 63 NOTAS DE RODAPÉ ...................................................................................................... 63 APRESENTAÇÃO DAS CITAÇÕES .......................................................................... 65 NORMAS PARA NOTAS DE RODAPÉ ................................................................................ 69 NORMAS PARA NOTAS EXPLICATIVAS ............................................................................. 70 ELEMENTOS COMPLEMENTARES .................................................................................... 70 DEZ DICAS RÁPIDAS PARA FAZER UMA BOA MONOGRAFIA CIENTÍFICA ......... 74 CONCLUSÃO ............................................................................................................ 75 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 77 5 METODOLOGIAS DO TRABALHO CIENTÍFICO Nosso objetivo é tratar de aspectos fundamentais acerca das Metodologias do Trabalho Científico. A pretensão em relação à disciplina é de que possamos desmistificar a ideia de que pesquisa científica é coisa destinada aos deuses. Só assim, entenderemos que nós, simples mortais, também podemos fazer pesquisa, desde que consigamos detectar um problema e queiramos de fato pensar sobre o mesmo, no sentido de, após os resultados divulgados, propor interferência em determinada situação que se faça necessária. Acreditamos que assuntos como esses sejam de extrema relevância a todos os cidadãos. Queremos que essa disciplina possa, de fato, aproximá-lo um pouco, ou um pouco mais, do mundo da pesquisa. Estamos abertos a críticas e sugestões, pois temos certeza que é no processo de fazer e refazer que construímos uma educação melhor. Nossa intenção, caro aluno (a), é de que, no decorrer deste material, as respostas ou dúvidas sobre questões relevantes em relação a essa temática possam ser ratificadas ou quem sabe instigá-lo no sentido de quebrar alguns paradigmas e estabelecer outros. A CIÊNCIA, SUA EVOLUÇÃO E SUA CLASSIFICAÇÃO A Ciência hoje tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida intelectual e material. Por outro lado, sabemos não ser o objetivo da ciência responder a todas as questões. Além disso, temos consciência de que são as perguntas que movem o 6 mundo e não as respostas, de modo que para responder a estas perguntas com certo grau de certeza necessitamos do conhecimento científico. As funções principais da Ciência são as novas descobertas, osnovos produtos e a melhoria da qualidade de vida. A ciência tem como princípios básicos: - Um dos princípios marcantes do conhecimento científico é nunca o pensar como absoluto ou final, pois a Ciência pode ser sempre modificada ou substituída. - Temos que considerar que o conhecimento é válido até que novas observações e experimentações o substituam. Costumávamos dizer, até muito pouco tempo atrás, que o conhecimento fornecido pela Ciência é irrefutável, por isso sempre foi colocada em grau de certeza alto. Por meio da Ciência, o Homem fez grandes descobertas. Descobriu a cura e tratamento para muitas doenças; fez hibridações nas plantas, nas frutas... Porém, com a mesma Ciência, o homem criou doenças, vírus, guerra... Acompanhamos uma evolução significativa na Ciência, passamos pela Ciência Antiga que se pautava na autoridade e no uso da lógica. Já a Ciência moderna teve sua base na observação e experimentação: Física, Astronomia, Química. Quando pensamos em Ciência, hoje, visualizamos uma atividade que propõe aquisição sistemática de conhecimentos sobre a natureza biológica, social e tecnológica com a finalidade de melhoria da qualidade de vida intelectual e material. Segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa: “Ciência é o conjunto de conhecimentos relativos a um determinado objeto, especialmente os obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio”. Podemos dizer que a qualidade do conhecimento científico é dependente da forma de aquisição que é utilizada. Utilizam-se três formas no processo de pesquisa: Intuição + empirismo + racionalismo - Intuição: criatividade e ideias sobre um novo produto ou processo. - Experimentação: projetar, experimentar, montar, testar, construir. - Racionalização: descrever matematicamente, explicar porque funciona fisicamente. 7 Segundo Neves (2002), a ciência (física), na visão dos livros didáticos, é considerada cumulativa, linear, desprovida de preconceitos e neutra. Para o autor, a ciência (física) deve ser construída como atividade humana que envolve desafios de natureza prática e intelectual, mas que se encontra presa a uma visão de mundo que caracteriza determinadas épocas da história humana. O mesmo considera que é necessário dessacralizar a ciência, tornando acessível, democrática, tangível. E é justamente nos bancos escolares que os mecanismos da exclusão dos sujeitos, na construção do conhecimento, se multiplicam e se perpetuam, afastando, em muitas das vezes, o sujeito comum do mundo da pesquisa. Na cultura da Grécia Antiga, os primeiros indícios do método científico começam a aparecer. Grande avanço no método foi feito no começo da filosofia islâmica, principalmente, no uso de experimentos para decidir entre duas hipóteses. Os princípios fundamentais do método científico se consolidaram com o surgimento da Física, nos séculos XVII e XVIII. Francis Bacon, em seu trabalho Novum Organum (1620), uma referência ao Organum, de Aristóteles, específica um novo sistema lógico para melhorar o velho processo filosófico do silogismo. De acordo com estatuto da ciência, a metodologia científica tem sua origem no pensamento que foi, posteriormente, desenvolvido empiricamente pelo físico inglês Isaac Newton. Na sequência, René Descartes propôs chegar à verdade por meio da dúvida sistemática e da decomposição do problema em pequenas partes, características que definiram a base da pesquisa científica. É comum considerar alguns dos mais importantes avanços da ciência, tais como as descobertas da radioatividade, por Henri Becquerel ou da penicilina, por Alexander Fleming, como tendo ocorrido por acidente. No entanto, o que é possível afirmar, à luz da observação científica, é que terão sido parcialmente acidentais, uma vez que as pessoas envolvidas haviam aprendido a “pensar cientificamente”, estando, portanto, conscientes de que observavam algo novo e interessante. Os progressos da ciência são acompanhados de muitas horas de trabalho cuidadoso, que segue um caminho mais ou menos sistemático na busca de respostas às questões científicas. É este o caminho denominado Método Científico, que abriu portas à criação de novas ciências. Atualmente, as áreas da Ciência podem ser classificadas de diversas formas. 8 Uma forma usual desta classificação é: - Pura - O desenvolvimento de teorias. - Aplicada - A aplicação de teorias às necessidades humanas. - Natural - O estudo da natureza ou mundo natural, como por exemplo: a Biologia, a Física, a Geologia, a Química etc. - Sociais - O estudo do comportamento humano e da sociedade, como por exemplo: a História, a Sociologia, as Ciências Políticas etc. - Biológicas - Estudo do ser humano e dos fenômenos da natureza, como por exemplo: a Biologia, a Medicina, a Odontologia etc. - Exatas - Têm origem na física, como por exemplo, a Física, a Matemática, a Computação etc. - Humanas - Estudo social e comportamental do ser humano, como por exemplo: o Direito, a Filosofia, as Letras etc. CONHECIMENTOS: FILOSÓFICO - SENSO COMUM OU EMPÍRICO - RELIGIOSO OU TEOLÓGICO E CIENTÍFICO Provavelmente, você já ouviu dizer que “fulano de tal” tem sempre suas colocações fundamentadas no senso comum. Podemos dizer que transitamos com vários tipos de conhecimentos. Entre eles, o que chamamos de senso comum. Quando pensamos em senso comum, imaginamos algo superficial. Nesse sentido, podemos dizer que não há sistematização, muito menos um método estabelecido no sentido de força argumentativa. Importante pensar, que grande parte da nossa organização do conhecimento tem base em questões do senso comum. Mas, na escola, o conhecimento deverá ir além do senso comum. O conhecimento escolar não pode se dar na espontaneidade. A figura apresenta uma forma de classificar o conhecimento. 9 Figura - Conhecimentos Fonte: Metodologia do Trabalho Acadêmico - Cecília M. Villas Boas de Almeida. Segundo Tafner e Silva (2007), o Conhecimento Filosófico, Senso Comum ou Conhecimento Empírico, Conhecimento Religioso ou Teológico e Conhecimento Científico podem ser abordados como: Conhecimento Filosófico, a palavra Filosofia surgiu com Pitágoras através da união dos vocábulos PHILOS (amigo) + SOPHIA (sabedoria) (RUIZ, 1996, p.111). Os primeiros relatos do pensamento filosófico datam do século VI A.C., na Ásia e no Sul da Itália (Grécia Antiga). A filosofia não é uma ciência propriamente dita, mas um tipo de saber que procura desenvolver no indivíduo a capacidade de raciocínio lógico e de reflexão crítica, sem delimitar com exatidão o objeto de estudo. Dessa forma, o conhecimento filosófico não pode ser verificável, o que o torna sob certo ponto de vista, infalível e exato. Apesar da filosofia não ter aplicação direta à realidade, existe uma profunda interdependência entre ela e os demais níveis de conhecimento. Essa relação deriva do fato que o conhecimento filosófico conduz à elaboração de princípios universais, que fundamentam os demais, enquanto se vale das informações empíricas, teológicas ou científicas para prosseguir na sua evolução. O Senso Comum ou conhecimento empírico é também chamado de conhecimento popular ou comum. É aquele obtido no dia a dia, independentemente de estudos ou critérios de análise. Foi o primeiro nível de contato do homem com o mundo, acontecendo por meio de experiências casuais e de erros e acertos. É um conhecimento superficial, 10 segundo o qual o indivíduo, por exemplo, sabe que nuvens escuras é sinal de mau tempo, contudo não tem ideia da dinâmica das massas de ar, da umidade atmosférica ou de qualquer outro princípio da climatologia. Enfim, ele não tem a intenção de ser profundo, mas sim, básico. O Conhecimento teológico ou religioso é o conhecimento relacionadoao misticismo, à fé, ao divino, ou seja, à existência de um Deus, seja ele o Sol, a Lua, Jesus, Maomé, Buda, ou qualquer outro que represente uma autoridade suprema. O Conhecimento teológico, de forma geral, encontra seu ápice respondendo aquilo que a ciência não consegue responder, visto que ele é incontestável, já que se baseia na certeza da existência de um ser supremo (Fé). Os Conhecimentos ou verdades teológicas estão registrados em livros sagrados, que não seguem critérios científicos de verificação e são revelados por seres iluminados como profetas ou santos, que estão acima de qualquer contestação por receberem tais ensinamentos diretamente de um Deus. O Conhecimento científico está relacionado à ciência, pois a ciência é uma necessidade do ser humano que se manifesta desde a infância. É por meio dela que o homem busca o constante aperfeiçoamento e a compreensão do mundo que o rodeia por meio de ações sistemáticas, analíticas e críticas. Ao contrário do empirismo, que fornece um entendimento superficial, o conhecimento científico busca a explicação profunda do fenômeno e suas inter-relações com o meio. Diferentemente do filosófico, o conhecimento científico procura delimitar o objeto alvo, buscando o rigor da exatidão, que pode ser temporária, porém comprovada. Deve ser provado com clareza e precisão, levando à elaboração de leis universalmente válidas para todos os fenômenos da mesma natureza. Ainda assim, ele está sempre sob júdice, podendo ser revisado ou reformulado a qualquer tempo, desde que se possa provar sua ineficácia. Resumidamente podemos dizer Conhecimento Filosófico - podemos dizer que o conhecimento filosófico é fruto do raciocínio e da reflexão humana. Neste sentido, acaba ultrapassando os limites formais da Ciência. 11 O Senso Comum ou Conhecimento Empírico - também chamado de conhecimento popular ou comum. É aquele obtido no dia a dia, independentemente de estudos ou critérios de análise. Conhecimento Teológico ou Religioso - revela-se na fé divina e nas crenças de diferentes credos. Esse tipo de conhecimento depende da formação moral de cada indivíduo. Conhecimento Científico - é um produto resultante da investigação ou da pesquisa científica e surge da necessidade de encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida diária (senso comum) e do desejo de fornecer explicações sistemáticas que possam ser testadas e criticadas por meio de provas empíricas e da discussão intersubjetiva. Faz uso de ferramentas lógicas e metodológicas para que se tornem padronizados e possam ser reproduzidos. Os pressupostos para validade científica são: - Necessidade de um Método Científico. - Clareza da Contribuição Científica. - Importância de um resultado passível de verificação. O que é o senso comum? Na nossa vida cotidiana, necessitamos de um conjunto muito vasto de conhecimentos relacionados com a forma como a realidade em que vivemos funciona: temos que saber como tratar as pessoas com as quais nos relacionamos, temos que saber como devemos nos comportar em cada uma das circunstâncias em que nos situamos no nosso dia a dia: a forma como nos comportamos em nossa casa é diferente da forma como nos comportamos numa repartição pública, numa discoteca, num cinema, na escola etc. Estamos também rodeados de sistemas de transporte, de informação, de aparelhos muito diversos, com os quais temos que saber lidar. De fato, para apanharmos o comboio, por exemplo, temos que saber muitas coisas: o que é um comboio e a sua função, como se entra numa estação, como se compra o bilhete, como devemos esperar o comboio etc. Estes conhecimentos, no seu conjunto, formam um tipo de saber a que se chama senso comum. 12 O senso comum é um saber que nasce da experiência cotidiana, da vida que os homens levam em sociedade. É, assim, um saber acerca dos elementos da realidade em que vivemos; um saber sobre os hábitos, os costumes, as práticas, as tradições, as regras de conduta, enfim, sobre tudo o que necessitamos para podermos nos orientar em nosso dia a dia: como comer à mesa, acender a luz de uma sala, acender a televisão, como fazer uma chamada telefônica, apanhar o carro, o nome das ruas da localidade em que vivemos etc. É, por isso, um saber informal, que se adquire de uma forma natural (espontâneo), através do nosso contato com os outros, com as situações e com os objetos que nos rodeiam. É um saber muito simples e superficial, que não exige grandes esforços, ao contrário dos saberes formais (tais como as ciências) que requerem um longo processo de aprendizagem escolar. O senso comum adquire-se quase sem se dar conta, desde a mais tenra infância e, apesar das suas limitações, é um saber fundamental, sem o qual não conseguiríamos nos orientar em nossa vida cotidiana. Sendo assim, torna-se facilmente compreensível que todos os homens possuam senso comum, mas que este varie de sociedade para sociedade e, mesmo dentro duma mesma sociedade, varia de grupo social para grupo social ou, também, por exemplo, de grupo profissional para grupo profissional. Mas, sendo imprescindível, o senso comum não é sufi ciente para nos compreendermos a nós próprios e ao mundo em que vivemos, pois se na nossa reflexão sobre a nossa situação no mundo, nos ficarmos pelos dados do senso comum, por assim dizer os dados mais básicos da nossa consciência natural, facilmente caímos na ilusão de que as coisas são exatamente aquilo que parecem, nunca chegando a perceber que existe uma radical diferença entre a aparência e a realidade. Somos imperceptivelmente levados a consolidar um conjunto solidário de certezas, das quais, como é óbvio, achamos ser absurdo duvidar (o texto da ficha 3 chama-lhes “crenças silenciosas”): temos a certeza de que existimos, de que as coisas que nos rodeiam existem, que aquilo que nos acontece é irrefutável etc. Contudo, essas certezas são questionáveis, pois se baseiam em aparências. E há muitas aparências que se nos impõem com uma força quase irresistível, por exemplo: aparentemente, o Sol move-se no céu (não é verdade que esta foi uma 13 convicção aceita, durante muitos séculos, pela comunidade científica?). Podemos mesmo aprender a medir o tempo a partir desse movimento aparente. Mas, na realidade, esse movimento aparente do Sol é gerado pelo movimento de rotação da terra. Mas, essa distinção entre aparência e realidade, da qual não nos podemos libertar por causa da nossa natureza (ou melhor, da constituição dos nossos órgãos sensoriais e do nosso sistema nervoso), está dependente da diferença que existe entre o conhecimento sensível e o conhecimento racional. O conhecimento que temos por meio dos sentidos é forçosamente incompleto e filtrado, pois os nossos órgãos receptores só são estimulados por determinados fenômenos físicos, deixando de lado um campo quase infinito de possíveis estímulos (por exemplo, os nossos olhos não captam quer a radiação infravermelha quer a radiação ultravioleta, ao passo que há seres vivos que o podem fazer, o mesmo se passando com os ultrasons). É, portanto, inquestionável que não conhecemos, sensorialmente, a realidade tal como ela é. Sendo assim, os sentidos parecem que nos enganam, pois, os dados que nos fornecem acerca da realidade são insuficientes para alcançarmos um conhecimento verdadeiro, ou objetivo da mesma. Por isso, a Razão permite-nos alcançar conhecimentos que nunca poderíamos alcançar através dos sentidos. As principais características do senso comum Caráter empírico – o senso comum é um saber que deriva diretamente da experiência cotidiana, não necessitando, por isso, de uma elaboração racional dos dados recolhidos através dessa experiência. Caráter acrítico – não necessitando de uma elaboração racional, o senso comum não procede a uma crítica dosseus elementos, é um conhecimento passivo, em que o indivíduo não se interroga sobre os dados da experiência, nem se preocupa com a possibilidade de existirem erros no seu conhecimento da realidade. Caráter assistemático – o senso comum não é estruturado racionalmente, tanto ao nível da sua aquisição, como ao nível da sua construção, não existe um plano ou um projeto racional que lhe dê coerência. 14 Caráter ametódico – o senso comum não tem método, ou seja, é um saber que não segue nenhum conjunto de regras formais. Os indivíduos adquirem-no sem esforço e sem estudo. O senso comum é um saber que nasce da sedimentação casual da experiência captada ao nível da experiência cotidiana (por isso se diz que o senso comum é sincrético). Caráter aparente ou ilusório – como não há a preocupação de procurar erros, o senso comum é um conhecimento que se contenta com as aparências, formando, por isso, uma representação ilusória, deturpada e falsa, da realidade. Caráter coletivo – o senso comum é um saber partilhado pelos membros de uma comunidade, permitindo que os indivíduos possam cooperar nas tarefas essenciais à vida social. Caráter subjetivo – o senso comum é subjetivo, porque não é objetivo: cada indivíduo vê o mundo à sua maneira, formando as suas opiniões, sem a preocupação de testá-las ou de fundamentá-las num exame isento e crítico da realidade. Caráter superficial – o senso comum não aprofunda o seu conhecimento da realidade, fica-se pela superfície, não procurando descobrir as causas dos acontecimentos, ou seja, a sua razão de ser que, por sua vez, permitiria explicá-los racionalmente. Caráter particular – o senso comum não é um saber universal, uma vez que se fica pela aquisição de informações muito incompletas sobre a realidade (por isso, também se diz que ele é fragmentário), não podendo, assim, fazer generalizações fundamentadas. Caráter prático e utilitário – o senso comum nasce da prática cotidiana e está totalmente orientado para o desempenho das tarefas da vida cotidiana, por isso as informações que o compõem são o mais simples e diretas possíveis. Texto complementar O senso comum é um saber que está presente em todas as sociedades e em todos os indivíduos (todos são dotados de senso comum). Mas o senso comum é plural, variando de sociedade para sociedade e modificando-se com o decorrer dos tempos. 15 O senso comum, enquanto princípio de sociabilidade constitui o acordo mínimo exigível para que qualquer sociedade funcione como tal; ele assegura a coesão indispensável para que se possa falar de comunidade e de vida coletiva. Ele é princípio de equilibração, essencial a toda a sociedade, entre a dimensão do indivíduo e a dimensão do coletivo ou, dito de outra forma, da sujeição do indivíduo às normas da vida coletiva. O senso comum é também o senso tradicional. Costumamos dizer: “sempre foi assim” para justificar um procedimento que nos criticam. O senso comum transporta e naturaliza um conjunto de convenções implícitas ou intrínsecas ao agir humano coletivamente dimensionado. Nesse sentido, ele é conducente ou solidário de uma aceitação que assinala uma passividade inerente e indispensável face às exigências práticas e pragmáticas da vida. Como se adquire o senso comum? Ele é fruto da aprendizagem e educação que espontânea e/ou institucionalmente recebemos enquanto membros de uma comunidade. CONCEITOS DE TRABALHOS CIENTÍFICOS Todo Conhecimento Científico novo gerado deve ter como essência que os resultados provenientes das suas pesquisas científicas trarão a melhoria da qualidade de vida intelectual e material da sociedade. A forma usual de encontrarmos os resultados das pesquisas científicas são as publicações dos trabalhos científicos por elas gerados. Portanto, os trabalhos científicos são documentos que expressam o resultado de uma reflexão, agregando valor à área de conhecimento. Os principais tipos de trabalhos científicos são apresentados a seguir. - Relatórios. - Resenhas Bibliográficas. - Trabalhos Didáticos. - Comunicações Científicas. - Artigos Científicos. - Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). - Monografia (especialização / MBA). 16 - Dissertação de mestrado. - Tese de Doutorado. - Livre Docência. É importante salientar que segundo Tafner e Silva (2007), apesar de haver essa classificação, aceita inclusive internacionalmente, é comum encontrar certos equívocos em torno da palavra monografia com respeito a dissertações, teses e trabalhos de fim de curso de graduação. Etimologicamente, monografia é um estudo sobre um único assunto, realizado com profundidade. No entanto, essa nomenclatura, monografia, parece destinada aos Cursos de Especialização, e teria como fim primeiro levar o autor a se debruçar sobre um assunto em profundidade com o intuito de transmiti-lo a outrem ou de aplicá-lo imediatamente. Adiante, veremos outros conceitos acerca da monografia. Estes relatórios científicos possuem características próprias, como a sistemática, a investigação, a fundamentação, a profundidade e a metodologia. E, dependendo do caso, a originalidade e a contribuição da pesquisa para a ciência, como é o caso das teses e dissertações. Em todo o caso, destaca-se que a estrutura dos trabalhos científicos é quase sempre a mesma, compreendendo uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. A introdução dos trabalhos costuma abranger os objetivos da pesquisa, bem como os problemas, as delimitações e a metodologia adotada para a realização do trabalho. O desenvolvimento é mais livre, podendo o pesquisador dissertar sobre o tema propriamente dito sem, contudo, abandonar pontos importantes como a demonstração, a análise e a discussão dos resultados. Por fim, o autor poderá escrever suas conclusões a respeito da discussão realizada ou dos resultados obtidos. É neste ponto que o pesquisador será enfático, ressaltando as posições que deseja defender ou refutar. Analisando mais profundamente a monografia, podemos essencialmente dizer que é um estudo científico detalhado de um só tema, exaustivamente estudado e bem delimitado. Sua forma de representação é um relatório científico baseado numa pesquisa bibliográfica ou num trabalho experimental realizado. 17 Outro conceito de monografia aponta para um trabalho acadêmico que tem por objetivo a reflexão sobre um tema ou problema específico e que resulta de um processo de investigação sistemática. Portanto, as monografias tratam de temas circunscritos, com uma abordagem que implica análise, crítica, reflexão e aprofundamento por parte do autor. Embora a monografia possa ser o relato de uma pesquisa empírica, o mais comum é que resulte num texto, produto de uma revisão de literatura criticamente articulada, que constitua um todo orgânico. A revisão de literatura não tem, portanto, um caráter aditivo e sim de integração de estudos sobre o tema abordado. Bastos (2000, p. 12) conceitua monografias como “realizadas ao final dos cursos de especialização ou mesmo os trabalhos acadêmicos exigidos” para a obtenção de créditos em disciplinas, diferindo das dissertações de mestrado e teses de doutorado quanto ao nível de investigação. Das últimas, é exigido um grau maior de aprofundamento de sua parte teórica, um tratamento metodológico mais rigoroso e um enfoque original do problema, dando ao tema uma nova abordagem e interpretação, tanto no aspecto teórico quanto no metodológico. Nas normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT (ABNT, 2005, p. 2), o conceito de dissertação é entendido como um documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo, de tema único e bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretarinformações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. É feito sob a coordenação de um orientador (Doutor), visando à obtenção do título de mestre. Na mesma ABNT (2005, p. 3), o conceito de tese é entendido como um documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. Deve ser elaborado com base em investigação original, constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. É feito sob a coordenação de um orientador (Doutor) e visa à obtenção do título de doutor, ou similar (PhD, MD etc.). O artigo científico tem como objetivo principal levar ao conhecimento do público interessado alguma ideia nova, ou alguma abordagem diferente dos estudos 18 realizados sobre o tema, como por exemplo: particularidades locais ou regionais em um assunto, a existência de aspectos ainda não explorados em alguma pesquisa, ou a necessidade de esclarecer uma questão ainda não resolvida. A principal característica do artigo científico é que as suas afirmações devem estar baseadas em evidências, sejam estas oriundas de pesquisa de campo ou comprovadas por outros autores em seus trabalhos. Isso não significa que o autor não possa expressar suas opiniões no artigo, mas que deve demonstrar para o leitor qual o processo lógico que o levou a adotar aquela opinião e quais evidências a tornariam mais ou menos provável, formulando hipóteses. A estrutura do artigo científico é: identificação do trabalho (título e subtítulo do artigo, autor, disciplina, professor, curso e instituição), resumo e palavras-chave, introdução, desenvolvimento, conclusão e referências. Finalmente, poderíamos interrogar: por que devemos escrever uma monografia? Certamente, teremos motivos de sobra para esta pergunta e os principais são: - Exigência legal para obtenção do diploma de conclusão de curso (graduação, especialização, mestrado e doutorado); - Aplicar a metodologia científica para garantir confiabilidade do estudo realizado; - Demonstrar uma compreensão aproximativa e pessoal de um determinado assunto; - e contribuir para o avanço científico e tecnológico. A PESQUISA Importante pensar que em nosso cotidiano, estamos constantemente fazendo pesquisas: pesquisamos sobre assunto de nosso interesse, sobre política, economia, meio ambiente, religião, moda, culinária, educação... Podemos pesquisar de forma aleatória, sem base teórica, científica e, dessa forma, teremos resultados com base no senso comum. Isso certamente não é Ciência. Todavia, queremos nesse trabalho nos atermos à pesquisa de caráter científico. Só assim, a pesquisa é um processo sistemático de construção do 19 conhecimento. O principal motivo para desenvolvermos uma pesquisa é no sentido de produção de novos conhecimentos. É preciso que entendamos que o ato de pesquisar nos possibilita corroborar ou ainda refutar um conhecimento pré-existente. Para termos, de fato, material de pesquisa, as ações precisam ser orientadas e planejadas em busca de um conhecimento. Para Tardif (2004), a pesquisa científica consiste na indagação realizada para alcançar a solução de um problema. Podemos dizer que a realização da pesquisa é denominada método científico. Esse método precisa ser objetivo. Isso implica imparcialidade do pesquisador diante da interpretação dos resultados. É preciso que haja confiabilidade nos resultados da pesquisa, para isso torna-se necessário que o procedimento seja documentado, principalmente em relação à fonte de dados e às regras de análise. Essa ação permite que outros cientistas de diferentes lugares, diferentes países possam reanalisar os dados, os resultados da pesquisa. Outro conceito é dado por Kourganoff (1990), no qual diz que “Pesquisa é o conjunto de investigações, operações e trabalhos intelectuais ou práticos que tenham como objetivo a descoberta de novos conhecimentos, a invenção de novas técnicas e a exploração ou a criação de novas realidades”. Assim, podemos dizer que a pesquisa é utilizada para: - Gerar e adquirir novos conhecimentos sobre si mesmo ou sobre o mundo em que vive. - Obter e/ou sistematizar a realidade empírica (conhecimento empírico). - Responder a questionamentos (explicar e/ou descrever). - Resolver problemas. - Atender às necessidades de mercado. Como vimos e com base nessas contribuições, podemos concluir que pesquisa é indagar sobre a realidade. E o modo como indagamos determina a Abordagem Científica ou também denominada Método Científico. Sendo assim, método é o caminho percorrido para se chegar a um fim. É o pesquisador que determina a opção teórica pelo método X ou Y. Na verdade, o que pretendemos dizer é que em nosso cotidiano vivemos sempre na busca de dar uma explicação para o universo. Posso tentar explicá-lo por 20 meio de crenças; misticismo; superstições ou posso explicá-lo com base na lógica, e, consequentemente, no método, isto é, apoiado em uma investigação científica. Japiassu (1996) salienta que método representa o conjunto de procedimentos, racionais, baseados em regras que visam determinado objetivo. Metodologia, Método e Técnica A metodologia é o estudo dos métodos. Ou então as etapas a seguir num determinado processo. Tem como objetivo captar e analisar as características dos vários métodos disponíveis, avaliar suas capacidades, potencialidades, limitações ou distorções e criticar os pressupostos ou as implicações de sua utilização. Além de ser uma disciplina que estuda os métodos, a metodologia é também considerada uma forma de conduzir a pesquisa ou um conjunto de regras para ensino de ciência e arte. Outro conceito de metodologia é a explicação minuciosa, detalhada, rigorosa e exata de toda ação desenvolvida no método (caminho) do trabalho de pesquisa. É a explicação do tipo de pesquisa, do instrumental utilizado (questionário, entrevista etc.), do tempo previsto, da equipe de pesquisadores e da divisão do trabalho, das formas de tabulação e tratamento dos dados, enfim, de tudo aquilo que se utilizou no trabalho de pesquisa. A Metodologia Científica pode ser entendida como um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados pela ciência para formular e resolver problemas de aquisição objetiva do conhecimento, de uma maneira sistemática. Uma forma é dada pelas etapas: - Introdução ao tema de estudo. - Objetivo do estudo. - Revisão Bibliográfica. - Procedimento Experimental. - Coleta e descrição de Resultados Experimentais. - Discussão de Resultados. - Conclusões. A palavra método tem sua origem no grego: methodos, que significa, literalmente, “caminho para chegar a um fim”. 21 Portanto, a metodologia de estudo é uma forma de organizar como será realizado o tal estudo. Quando realizamos um método, estamos criando uma espécie de modelo organizacional. São exemplos de método: - Método de ligar uma televisão – A pessoa deve ligar a televisão por meio de um controle remoto ou até o botão no painel frontal do aparelho. - Método de levantar da cama – A pessoa deve abrir os olhos, bocejar, espreguiçar, deitar-se de lado (qualquer um dos dois), levantar a parte superior (da cintura para cima) e girar os pés. - Método de comer – Colocar o suficiente, comer devagar, degustar sem ingestão de líquido, caminhar para ajudar a ingestão. Com relação ao conceito de Técnica, podemos entender como um procedimento ou o conjunto de procedimentos que têm como objetivo obter um determinado resultado seja no campo da Ciência, da Tecnologia, das Artes ou em outra atividade. Ou ainda, técnica é um procedimento que está ligado diretamente a atingir uma meta. Ação proveniente do autor (pessoa) em referência á um objetivo.Em outras palavras, o que faremos em prol de alcançar o que queremos? Como por exemplo: Técnica de estudo. Pratique a leitura lendo em voz alta e sonora, sem ser a grito. Todos os dias por 1 hora. Sendo importante ler uma obra literária por vez. Não ler deitado na cama, e sim com postura reta para não comprometer a coluna, a vista e o processo de leitura e compreensão. Atualmente, outro conceito muito importante é o de Método Científico que pode ser entendido como o um conjunto de regras básicas para um cientista desenvolver uma experiência controlada. Representa também a maneira de se fazer uma pesquisa científica, considerando: • A forma de pensar para se chegar à natureza de um determinado problema, quer seja para estudá-lo ou explicá-lo; e; • A ferramenta utilizada na ciência para aquisição e construção do conhecimento. É de fundamental importância, pois permite reproduzir a pesquisa científica e possibilita a validação por meio da observação (essência da Ciência). 22 Então, método científico é o conjunto de processos ou operações mentais que se deve empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa. Os principais métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo e dialético (GIL, 1999). No trabalho de Metodologia da Pesquisa Científica de Tafner e Silva (2007), o qual apresentamos na sequência, podemos melhor entender estes métodos. Para resumir: TIPOS DE MÉTODO Há 3 tipos de métodos: o Método dedutivo, o Método indutivo e o Método hipotético-dedutivo. O Método dedutivo foi proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz, e pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas que, quando verdadeiras, levarão inevitavelmente a conclusões verdadeiras, visto que, por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise 23 do geral para o particular, chega-se a uma conclusão. Ou seja, a resposta já estava dentro da pergunta. Essa forma de raciocínio é chamada silogismo, construção lógica que a partir de duas premissas retira uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras, denominada de conclusão (GIL, 1999; LAKATOS; MARCONI, 1993). Veja um clássico exemplo de raciocínio dedutivo: • Todo homem é mortal. (premissa maior) • Flávio é homem. (premissa menor) • Logo, Flávio é mortal. (conclusão) Logo, podem-se definir duas características básicas do método dedutivo, segundo Salmon (1978, pp. 30-31). - Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é verdadeira. - Toda a informação ou conteúdo da conclusão já estava implicitamente nas premissas. Sobre o Método indutivo, a indução já existia desde Sócrates, entretanto, seus expoentes modernos são os empiristas: Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Consideram que o conhecimento é fundamentado na experiência, não se levando em conta princípios preestabelecidos. Assim, como no método dedutivo, na indução o raciocínio é fundamentado em premissas, contudo, diferentemente do anterior, premissas verdadeiras levam a conclusões provavelmente verdadeiras. No raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. Pode-se, segundo Lakatos e Marconi (2000), determinar três etapas fundamentais para toda a indução (que são as bases do método indutivo): a) observação dos fenômenos; b) descoberta da relação entre eles; c) e generalização da relação. Vejamos um exemplo de raciocínio indutivo. a. Flávio é mortal. b. Remom é mortal. c. Flavio Junior é mortal. 24 ... a) Ampélio é mortal. b) Ora, Flávio, Remom, Flávio Jr. e Ampélio são homens. c) Logo, (todos) os homens são mortais. Define-se assim, duas características básicas do método indutivo, segundo Salmon (1978): - Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira. - A conclusão encerra informações que não estavam nas premissas. O método Hipotético-Dedutivo confronta as duas escolas anteriores, ou seja, racionalismo versus empirismo no que diz respeito à maneira de se obter conhecimento. Ambos buscam o mesmo objetivo, mas enquanto os racionalistas apoiam-se na razão e intuição concebida aos homens, os empiristas partem da experiência dos sentidos, a verdade da natureza. São inúmeras as críticas aos dois métodos, partindo inclusive de seus próprios defensores, contudo, foi a partir de Sir Karl Raymund Popper que foram lançadas as bases do método hipotético-dedutivo. Segundo Popper (1975), o método hipotético-dedutivo é o único realmente científico, por não se basear em especulações, mas sim na tentativa de eliminação de erros. Por outro lado, Luciano (2001, p. 18) afirma que: [...] quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se consequências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as consequências deduzidas das hipóteses. Consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: “[...] em 1937, [...] sugeri que toda discussão científica partisse de um problema (P1), ao qual se oferece uma espécie de solução provisória, uma teoria-tentativa (TT), passando-se depois a 25 criticar a solução, com vista à eliminação do erro (EE) [...]” (POPPER, 1975, p. 140, grifo nosso), gerando desta forma P2. P1 TT EE P2 Lakatos e Marconi (2000, p. 74) expõem o esquema apresentado por Popper da seguinte forma: Conhecimento Prévio Problema Conjecturas Falseamento Desde a Grécia antiga, o conceito de Dialética sofreu muitas alterações, absorvendo as concepções de vários pensadores daquela época. Tem-se o conceito de eterna “mudança” instituído por Heráclito (540480 a.C.) e paralelamente a essência imutável do ser instituído por Parmênides que valoriza a Metafísica em detrimento da Dialética. Posteriormente, Aristóteles reintroduz princípios dialéticos nas explicações dominadas pela Metafísica, porém esta permanece norteando as discussões sobre o conhecimento até o Renascimento. No Renascimento, o pensamento dialético entra em evidência, atingindo seu apogeu com Hegel, que através dos progressos científicos e sociais impulsionados pela Revolução Francesa, compreende que no universo nada está isolado, tudo é movimento e mudança e tudo depende de tudo, retornando assim, às ideias de Heráclito. Hegel por ser um idealista, propõe uma visão particular de movimento e mudança, considerando que as mudanças do espírito é que provocam as da matéria. Segundo Lakatos e Marconi (2000, p. 82) existe primeiramente o espírito que descobre o universo, pois este é a ideia materializada. A atual fase da dialética está apoiada nos ensinamentos de Marx e Engels, denominada dialética materialista que, assim como na fase anterior, considera que o universo e o pensamento estão em eterna mudança, mas é a matéria que modifica as ideias e não o contrário. Assim, pode-se afirmar que a Dialética é um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade da qual se pode extrair quatro regras principais. 26 Portanto, os Métodos Científicos Clássicos podem ser abordados segundo: - Método Indutivo (Galileu e Bacon, séc. XVII). Descoberta de princípios gerais a partir de conhecimentos específicos (particulares). Micro Macro (conceito) - Método Dedutivo (Descartes, séc. XVII). Aplicação de princípios gerais a casos específicos (particulares). Macro Micro (conceito)- Método Hipotético-dedutivo. A partir das hipóteses formuladas, deduz-se a solução do problema. - A atual fase da dialética considera que o universo e o pensamento estão em eterna mudança, mas é a matéria que modifica as ideias e não o contrário. Com base em alguns autores que discutem essa temática, podemos ainda abordar os Métodos Científicos em outros aspectos. - Histórico: esse método científico parte do princípio de que as atuais formas de vida e de agir na vida social, as instituições e os costumes têm sua origem no passado, por isso é importante pesquisar suas raízes para compreender sua natureza e função. - Monográfico: Lakatos e Marconi (2001, p. 151) entendem que, “esse método, estuda um tema específico ou particular de suficiente valor representativo e para isso obedece à rigorosa metodologia. Investiga determinado assunto não só em profundidade, mas em todos os seus ângulos e aspectos, dependendo dos fins a que se destina”. - Comparativo: é o tipo de método que procura investigar coisas ou fatos e explicá-los segundo suas semelhanças e suas diferenças. Podemos dizer que o método comparativo aborda duas séries de natureza análoga tomadas de meios sociais ou de outra área do saber, na tentativa de mostrar o que é comum a ambos. Para Fachin (2001), esse método é de grande importância e sua aplicação se presta nas diversas áreas das ciências, entre elas as ciências sociais. - Etnográfico: estudo e descrição de um povo, sua língua, raça, religião, cultura. - Estatístico: método que implica em números, percentuais, análises estatísticas, probabilidades. Quase sempre associado à pesquisa quantitativa. Para 27 o autor, este método se fundamenta nos conjuntos de procedimentos apoiados na teoria da amostragem, por isso é indispensável no estudo de certos aspectos da realidade social em que se pretenda medir o grau de correlação entre dois ou mais fenômenos. Para a aplicação desse método, o pesquisador deve ter conhecimento das noções básicas de estatística e sua aplicação. Pesquisa Científica A pesquisa cientifica objetiva fundamentalmente contribuir para a evolução do conhecimento humano em todos os setores, sendo sistematicamente planejada e executada segundo rigorosos critérios de processamento das informações. Será chamada pesquisa científica se sua realização for objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas consagradas pela ciência. Alguns pesquisadores conceituam pesquisa da seguinte forma: - Conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos (ANDRADE, 2003, p. 121). - Procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas propostos (GIL, 1987, p. 19); - Atividade voltada para a solução de problemas através do emprego de processos científicos (CERVO;BERVIAN, 1983, p. 50). Tipos de Pesquisa Científica Podemos classificar inicialmente a pesquisa cientifica quanto a sua finalidade ou sua natureza em dois grupos: Pesquisa Básica ou Fundamental e Pesquisa Aplicada ou Tecnológica. Isto pode ser visto na Figuras 02 e 03. A Pesquisa Básica ou Fundamental busca-se o conhecimento novo sobre as leis fundamentais da natureza ou da sociedade. Não há preocupação nem previsão de aplicação. A pesquisa básica constitui local privilegiado para a formação de recursos humanos qualificados e o seu processo exige uma rigorosa aplicação da metodologia científica. Nela, inexiste a preocupação com a manutenção de segredos. 28 Nessa área, a presença de estagiários, bolsistas e outras pessoas, cujo interesse precípuo é aprender e dominar uma metodologia, não desperta o interesse econômico das empresas. Neste grupo, estão a Matemática, a Física, a Química, a Biologia etc. A Pesquisa Aplicada ou Tecnológica representa a etapa anterior ao desenvolvimento, quando se utiliza o resultado de pesquisa básica para testar uma ideia inovadora que pode resultar num produto; ou seja, sem pesquisa básica não existe pesquisa. Ela se volta para a solução de problemas práticos e, como tal, apresenta sempre a perspectiva próxima da aplicação. Por tratar-se de uma pesquisa que tem a ver diretamente com a inovação tecnológica, é recomendável que seja desenvolvida em parceria com setores produtivos da sociedade. Neste grupo está a Medicina, as Engenharias, a Computação etc. Figura – Classificação das pesquisas quanto à finalidade Fonte: MTC- Diretrizes para elaboração de projetos de pesquisa, monografias, dissertações, teses - Cassandra Ribeiro O. Silva, Dr.Eng. 29 Figura – Classificação das pesquisas quanto à natureza Fonte: MTC- Diretrizes para elaboração de projetos de pesquisa, monografias, dissertações, teses. 30 I - Quanto aos Objetivos - Pesquisa Exploratória: constitui o primeiro passo de todo trabalho científico. Visa, sobretudo quando é bibliográfica, proporcionar maiores informações sobre determinado assunto, facilitar a delimitação de um tema de trabalho, definir objetivos ou formular as hipóteses de uma pesquisa ou descobrir novo tipo de enfoque para o trabalho que se tem em mente. Resumidamente, suas características são: - Primeira aproximação com o tema. - Visa conhecer os fatos e fenômenos relacionados ao tema. - Recuperar as informações disponíveis. - Descobrir os pesquisadores. É feita por meio de: • Levantamentos bibliográficos. • Entrevistas com profissionais da área. • Visitas às instituições, empresas etc. • Web sites etc. Pesquisa Descritiva: os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados sem que o pesquisador interfira neles. Incluem-se aqui a maioria das pesquisas desenvolvidas nas Ciências Humanas e Sociais, as pesquisas de opinião, as mercadológicas, os levantamentos socioeconômicos e psicossociais. Resumidamente, suas características são: - Levantamento das características conhecidas, componentes do fato, e(ou) do fenômeno e(ou) do processo. - É feita na forma de levantamentos ou observações sistemáticas do fato, e(ou) do fenômeno e(ou) do processo escolhido. Pesquisa Explicativa: mais complexa, pois, além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados, procura identificar seus fatores determinantes, ou seja, suas causas. A maioria destas pesquisas utiliza o método experimental, o qual é caracterizado pela manipulação e controle das variáveis, com o objetivo de identificar qual a variável independente que determina a causa da variável dependente ou do fenômeno em estudo. Resumidamente, suas características são: 31 - Visa explicar e criar uma teoria a respeito de um fato / fenômeno / processo. - Propicia aprofundar o conhecimento da realidade. - Ocupa-se com o porquê do fato/fenômeno/processo (identificação dos fatores que determinam a ocorrência) ou a forma que ocorre. II - Quanto aos Procedimentos Refere se principalmente ao ambiente onde são realizadas as seguintes pesquisas que apresentaremos a seguir. Pesquisa Bibliográfica: é aquela que utiliza material escrito/gravado, eletrônico ou virtual. São consideradas fontes bibliográficas os livros (de leitura corrente ou de referência, tais como dicionários, enciclopédias, anuários etc.), as publicações periódicas (jornais, revistas, panfletos etc.), fitas gravadas de áudio e vídeo, páginas de web sites, relatórios de simpósios / seminários, anais de congressos etc. A Pesquisa Bibliográfica pode ser um trabalho independente ou uma etapa inicial de uma pesquisa. “A pesquisa bibliográfica tem como finalidade colocar o pesquisador em contato com o que já se produziu a respeito do seu tema de pesquisa.” ”NÃO REINVENTARA RODA”. Resumidamente, suas características são: - Requer conhecimento de termos técnicos e sinônimos. - Imprescindível para qualquer pesquisa científica. - Registrar e organizar os dados bibliográficos referentes aos documentos obtidos e empregados na pesquisa científica. - Objetivos: desvendar, recolher e analisar as principais contribuições sobre um determinado fato, assunto ou ideia. Ainda podemos dizer que a Pesquisa Bibliográfica, segundo Salomon (1974), pode ser o conjunto de obras derivadas sobre determinado assunto, escritas por vários autores, em épocas diversas, utilizando todas ou parte das fontes. Referência Bibliográfica: é a descrição precisa da fonte de informação, utilizando-se de normas específicas, a exemplo de: - Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT - International Standard Organization – ISO 32 - Vancouver (Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas – requisitos uniformes para originais submetidos às revistas biomédicas) Pesquisa Documental: utiliza fontes de informação que ainda não receberam organização, tratamento analítico e publicação, como tabelas estatísticas, relatórios de empresas, documentos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos, fotografias, epitáfios, obras originais de qualquer natureza, correspondência pessoal ou comercial etc. Documento: “Qualquer suporte que contenha informação registrada, formando uma unidade, que possa servir para consulta, estudo ou prova. Inclui impressos, manuscritos, registros audiovisuais e sonoros, imagens, sem modificações, independentemente do período decorrido desde a primeira publicação” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023, 2000). Ênfase: para fontes de informações ainda não publicadas, que não receberam tratamento analítico ou não foram organizadas: - Relatórios de empresas. - Correspondência pessoal ou comercial. - Registros em igrejas, hospitais etc. - Fotografias. - Obras originais de qualquer natureza. Pesquisa Experimental: quando um fato ou fenômeno da realidade é reproduzido de forma controlada, com o objetivo de descobrir os fatores que o produzem ou que por ele são produzidos. São geralmente feitos por amostragem, onde se considera que os resultados válidos para uma amostra (ou conjunto de amostras) serão, por indução, válidos também para o universo. Resumidamente, suas características são: - Consiste em experimentar, fazer experiência. - Fato (s)/fenômeno(s)/processo(s) da realidade é reproduzido de forma controlada, com objetivo de descobrir os fatores que o produzem ou que por ele sejam produzidos. - Experimentos são geralmente feitos por amostragem – conjunto significativo que compõem a amostra. 33 - Os resultados válidos para uma amostra, por indução, são válidos também para o universo (Estatística). Pesquisa Operacional: investigação sistemática dos processos de produção. Usa ferramentas estatísticas e métodos matemáticos. Visa selecionar os meios para produção, comparando custos, eficiência e valores. Aplicações. - Controle e produção de estoques. - Processos e operações de manufatura. - Projeto e desenvolvimento de produtos. - Engenharia e manutenção de fábricas. - Administração de RH. - Gestão e Vendas. Pesquisa Estudo de Caso: quando se deseja estudar com profundidade os diversos aspectos característicos de um determinado objeto de pesquisa restrito. - Estudo aprofundado e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado. - É adequado para determinadas situações: • Explorar situações da vida real. • Descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação. • Explicar as variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito complexas. Pesquisa-Ação: quando os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de pesquisa de modo participativo ou cooperativo, interagindo em função de um resultado esperado. Pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. (THIOLLENT, 1986, p.14). Resumidamente, suas características são: 34 - Indicada quando há interesse coletivo na resolução de um problema ou suprimento de uma necessidade. - Envolvimento participativo ou cooperativo dos pesquisadores e demais participantes no trabalho de pesquisa. - Utiliza-se de outros procedimentos já descritos, tais como pesquisa bibliográfica, experimentos etc. Pesquisa (observação) participante: ocorre por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para se obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos. Pesquisa Ex-post-facto (a partir de depois do fato): significa literalmente “a partir de depois do fato”. Trata-se de uma pesquisa experimental que, após o fato ou fenômeno ter ocorrido, tenta-se explicá-lo ou entendê-lo. Resumidamente, suas características são: - Investigação sistemática e empírica. - O pesquisador não tem controle direto sobre as variáveis independentes, porque: • Já ocorreram suas manifestações. • São intrinsecamente não manipuláveis. - São feitas inferências sobre as relações entre variáveis em observação direta, a partir da variação concomitante entre as variáveis independentes e dependentes. Ainda, segundo Gil (2002), a pesquisa pode ser classificada sob o ponto de vista do problema, e poderá ser: Pesquisa quantitativa: Esse tipo de pesquisa dá ênfase à representatividade numérica. Considera que tudo pode ser quantificável, o que significa traduzir em números opiniões e informações para classificálos e analisá-los. Requer o uso de recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão etc.). A primeira razão para se conduzir uma Pesquisa Quantitativa é descobrir quantas pessoas de uma determinada população compartilham uma característica ou um grupo de características. Ela é especialmente projetada para gerar medidas precisas e confiáveis que permitam uma análise estatística (SITE ETHOS, 2002). Uma análise 35 quantitativa apresenta os dados em percentuais. As pesquisas quantitativas são bastante utilizadas durante as eleições, onde a partir de uma amostragem da população é possível quantificar as preferências do eleitorado. A Pesquisa Quantitativa é apropriada para medir tanto opiniões, atitudes e preferências como comportamentos. Quando não usar: o site da Ethos apresenta que uma pesquisa quantitativa não é apropriada nem tem custo razoável para compreender “porquês”. As questões devem ser diretas e facilmente quantificáveis e a amostra deve ser grande o suficiente para possibilitar uma análise estatística confiável. Pesquisa qualitativa: esse tipo de pesquisa não dá ênfase à representatividade numérica e sim em buscar explicações para os dados apresentados. Baseados nas considerações retratadas, nós entendemos que fazemos pesquisa quando: realizamos a pesquisa, interpretamos resultados, formulamos perguntas e divulgamos resultados. Portanto, este tipo de pesquisa considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer os usos de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisadoré o instrumento chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem. Quando não usar: não se deve usar pesquisa qualitativa quando o que se espera é saber quantas pessoas irão responder de uma determinada forma ou quantas terão a mesma opinião. A pesquisa qualitativa não é projetada para coletar resultados quantificáveis. Depois de descobrir porque uma pessoa poderia comprar ou responder de determinada forma, é relativamente fácil contar quantas pessoas pensam da mesma forma, através da pesquisa quantitativa. A pesquisa qualitativa costuma ser seguida de um estudo quantitativo. Resumidamente no quadro apresentamos: Quadro – Pesquisa Qualitativa x Pesquisa Quantitativa 36 Há outros tipos de pesquisas que, segundo Santos (2000), leva em consideração o contexto de seus objetivos, fontes de dados e procedimentos de coleta de dados, como nos casos a seguir. Pesquisa de Levantamento (pesquisa de opinião, de motivação etc.): é aquela que busca informação diretamente com um grupo de interesse a respeito dos dados que se deseja obter, utilizando questionários, formulários ou entrevistas. Os dados são tabulados e analisados estatisticamente. Resumidamente, suas características são apresentadas a seguir. - Caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas, cuja opinião se quer conhecer. - Procedimento útil para pesquisas exploratórias e descritivas. - Etapas: • Seleção da amostra. • Aplicação de questionários, formulários ou entrevista. • Tabulação dos dados. • Análise com auxílio de ferramentas estatísticas. - Vantagens: conhecimento direto da realidade; quantificação; economia e rapidez. - Limitações: ênfase nos aspectos perspectivos; pouca profundidade; limitada apreensão do processo de mudança. Pesquisa de Campo: não tem como objetivo produzir ou reproduzir os fenômenos estudados. A coleta de dados é efetuada em campo, no qual ocorrem 37 espontaneamente os fenômenos. É desenvolvida principalmente nas Ciências Sociais (Sociologia, Psicologia, Política, Economia, Antropologia). Resumidamente, suas características são: - É onde acontecem os fatos/fenômenos/processos. - É onde se faz a coleta de dados e as observações do(s) fatos/fenômenos/ processos in natura. - Formas: • Observação direta • Levantamento • Estudo de caso Pesquisa de Laboratório: o pesquisador tem condições de provocar, produzir e reproduzir fenômenos, em condições de controle. Não é sinônimo de pesquisa experimental; nas Ciências Humanas e Sociais também se faz este tipo de pesquisa. Resumidamente, suas características são definidas por: - Interferir artificialmente na produção dos fatos/fenômenos/processos. ou - Artificializar o ambiente ou os mecanismos de percepção para que o(s) fato(s)/fenômeno(s)/processo(s) sejam produzido(s)/percebido(s) adequadamente. Gerando estímulos e cenários. Permite: - Estabelecer padrão desejável de observação. - Captar dados para descrição e análise. - Controlar o fato/fenômeno/processo. Há ainda os Métodos de procedimento, que descrevemos a seguir. Histórico: parte do princípio de que as atuais formas de vida e de agir na vida social, as instituições e os costumes têm origem no passado, por isso é importante pesquisar suas raízes para compreender sua natureza e função. Monográfico: para Lakatos e Marconi (1996, p. 151), é “[...] um estudo sobre um tema específico ou particular de suficiente valor representativo e que obedece a rigorosa metodologia. Investiga determinado assunto não só em profundidade, mas em todos os seus ângulos e aspectos, dependendo dos fins a que se destina”. Comparativo: consiste em investigar coisas ou fatos e explicá-los segundo suas semelhanças e suas diferenças. Geralmente, o método comparativo aborda 38 duas séries de natureza análoga tomadas de meios sociais ou de outra área do saber, a fim de detectar o que é comum a ambos. Este método é de grande valia e sua aplicação se presta nas diversas áreas das ciências, principalmente nas ciências sociais. Esta utilização deve-se pela possibilidade que o estudo oferece de trabalhar com grandes grupamentos humanos em universos populacionais diferentes e até distanciados pelo espaço geográfico (FACHIN, 2001, p.37). Etnográfico: estudo e descrição de um povo, sua língua, raça, religião e cultura. Estatístico: método que implica em números, percentuais, análises estatísticas, probabilidades. Quase sempre associado à pesquisa quantitativa. Para Fachin (2001, p. 46), este método se fundamenta nos conjuntos de procedimentos apoiados na teoria da amostragem e, como tal, é indispensável no estudo de certos aspectos da realidade social em que se pretenda medir o grau de correlação entre dois ou mais fenômenos. Para o emprego desse método, necessariamente o pesquisador deve ter conhecimentos das noções básicas de estatística e saber como aplicá-las. O método estatístico se relaciona com dois termos principais: população e universo. Portanto, como aluno-pesquisador ou professor-pesquisador, você tem livre arbítrio para escolher que tipo de pesquisa pretende desenvolver. No entanto, é preciso conhecê-las para fazer a escolha que melhor lhe pareça. Como exemplo, apresentamos na Figura 04, os tipos de pesquisa que são mais utilizadas na área tecnológica. 39 Figura – tipos de pesquisa mais utilizadas na área tecnológica Fonte: MTC- Diretrizes para elaboração de projetos de pesquisa, monografias, dissertações, teses - Cassandra Ribeiro O. Silva, Dr.Eng. PROJETOS DE PESQUISA, ETAPAS DA PESQUISA E ELABORAÇÃO DA MONOGRAFIA O projeto de pesquisa é o planejamento de uma pesquisa, ou seja, a definição dos caminhos para abordar certa realidade ou certo problema. Deve basicamente oferecer respostas do tipo: O que pesquisar? (Tema) Por que pesquisar? (Justificativa) Para que pesquisar? (Objetivos) Como pesquisar? (Metodologia) Quando pesquisar? (Cronograma) Por quem? 40 Para o sucesso de uma pesquisa científica é necessário que ela seja bem planejada. Entretanto, o planejamento não assegurará, por si só, o sucesso da pesquisa, mas, com certeza, é um bom caminho para a busca da resposta do problema colocado em questão. Desta forma, “entende-se por planejamento da pesquisa a previsão racional de um evento, atividade, comportamento ou objeto que se pretende realizar a partir da perspectiva científica do pesquisador. Como previsão, deve ser entendida a explicitação do caráter antecipatório de ações e, como tal, atender a uma racionalidade informada pela perspectiva teóricometodológica da relação entre o sujeito e o objeto da pesquisa. A racionalidade deve se manifestar por meio da vinculação estrutural entre o campo teórico e a realidade a ser pesquisada, além de atender ao critério da coerência interna. Mais ainda, devem prever rotinas de pesquisa que tornem possível atingirem-se os objetivos definidos, de tal forma que se consigam os melhores resultados com menor custo” (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 59). Segundo Minayo (1999), ao elaborar um projeto de pesquisa, o pesquisador estará lidando com, no mínimo, três dimensões: - Técnica - regras científicas para a construção do projeto. - Ideológica - relaciona-se às escolhas do pesquisador, sempre tendo em vista o momento histórico. - Científica - ultrapassa o senso comum através do método científico. PROJETO DE PESQUISA O Projeto de pesquisa caracteriza-se pela investigação em si, com metodologia e duração definidas, fundamentada em objetivos específicos, que visa à obtenção de resultados de causa e efeito, ou colocação de fato novo em evidência. É concretizado por documento que explicite o plano de ações a serem desenvolvidasao longo do período em que a pesquisa científica está sendo realizada. Tem como objetivo traçar um caminho eficaz que o conduza a atingir os objetivos a que se propõe. 41 O primeiro passo na elaboração de um projeto de pesquisa é responder as onze perguntas para definir os onze tópicos básicos do projeto. I. O que fazer – definição do tema ou problema. II. Porque fazer – justificativa da escolha do tema ou problema. III. Para quem fazer – objetivos. METODOLOGIA DE PESQUISA| Educação a Distância IV. Onde fazer – local/campo da pesquisa. V. Como fazer – metodologia. VI. Com que fazer – recursos necessários. VII. Quando fazer – cronograma de execução. VIII. Com quanto fazer – orçamento. IX. Quem vai fazer – equipe. X. Como pagar – verba. XI. Redação e apresentação do trabalho científico - redigir. Esses passos definem na realidade as etapas necessárias para o desenvolvimento de grande parte das pesquisas científicas. ETAPAS DA PESQUISA CIENTÍFICA Escolha do Tema Alguns critérios podem ser utilizados para ajudar na escolha do tema, como originalidade (mesmo que o trabalho não seja original deve apresentar alguma novidade, novo enfoque, novos argumentos ou pontos de vista), relevância (importância ou utilidade), viabilidade (econômica e de tempo), preparo técnico e existência de fontes. Além disto, a escolha de um tema representa uma delimitação de um campo de estudo no interior de uma grande área de conhecimento, sobre o qual se pretende debruçar. É necessário construir um objeto de pesquisa, ou seja, selecionar uma fração da realidade a partir do referencial teórico-metodológico escolhido (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 62). É fundamental que o tema esteja vinculado a uma área de conhecimento com a qual a pessoa já tenha alguma intimidade 42 intelectual, sobre a qual já tenha alguma leitura específica e que, de alguma forma, esteja vinculada à carreira profissional que esteja planejando para um futuro próximo (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 62). O tema de pesquisa é, na verdade, uma área de interesse a ser abordada. É uma primeira delimitação, ainda ampla. Portanto, para a Escolha do Tema, além dos aspectos apresentados, precisamos verificar os seguintes itens: - O que vou pesquisar? - Definir o aspecto ou uma área de interesse de um assunto que se deseja provar ou desenvolver. - Escolher um assunto interessante para o pesquisador. - Originalidade não é pré-requisito. - Fontes de assuntos: vivência diária, questões polêmicas, reflexão, leituras, conversações, debates, discussões. Revisão de Literatura ou Fundamentação Teórica A revisão de literatura é chamada de fundamentação teórica e se caracteriza pela releitura exploratória, com o mérito de aumentar a extensão e a profundidade dos conhecimentos já adquiridos, ajudando a distinguir o secundário do essencial e facilitando a delimitação do conteúdo dos temas a investigar. Embora um dado tema já seja conhecido, esta parte fundamenta a pesquisa: é a base de sustentação teórica. Também pode ser chamada de revisão bibliográfica ou ainda fundamentação teórica, revisão teórica, fundamentação bibliográfica, estado da arte, revisão de literatura e resenha bibliográfica. Para Silva e Menezes (2001, p. 30), nesta fase o pesquisador deverá responder às seguintes questões: “Quem já escreveu e o que já foi publicado sobre o assunto? Que aspectos já foram abordados? Quais as lacunas existentes na literatura? Pode ser uma revisão teórica, empírica ou histórica. ” A fundamentação teórica é importantíssima porque favorecerá a definição de contornos mais precisos da problemática a ser estudada. De acordo com Barreto e Honorato (1998), a revisão de literatura é considerada como básica em um projeto de pesquisa, bem como uma reflexão breve acerca dos fundamentos teóricos do pesquisador e um balanço crítico da bibliografia 43 diretamente relacionada com a pesquisa, compondo aquilo que comumente é chamado de quadro teórico ou balanço atual das artes. Neste item, o pesquisador deve apresentar ao leitor as teorias principais que se relacionam com o tema da pesquisa. Cabe à revisão da literatura: - Definição de termos e de conceitos essenciais para o trabalho. - O levantamento atual do que já existe cientificamente sobre o tema escolhido, quais as lacunas existentes, bem como a contribuição teórica do autor da pesquisa. Para a Revisão de Literatura ou Fundamentação Teórica, precisamos responder às seguintes perguntas e itens. - Quem já pesquisou algo semelhante? - Busca de trabalhos semelhantes ou idênticos. - Pesquisas e publicações na área. Justificativa A justificativa consiste em apresentar bons motivos o bastante para o desenvolvimento da pesquisa. O que se pretende é que o leitor adquira convicção semelhante à do pesquisador, indicando se o tema é relevante e abrangente o bastante para merecer uma investigação científica. Um tema pode ter importância social, científica ou acadêmica. O desenvolvimento dele pode trazer benefício direto para a sociedade em geral, ou para um grupo social específico, ao resolver ou encaminhar a solução para a necessidade ali instalada. Pode também beneficiar de imediato uma ciência contribuindo com informações para o avanço de determinado estudo científico. Pode ainda beneficiar o processo acadêmico, facilitando ou inovando o ensino aprendizado de um assunto. Deve-se primar pela clareza e concisão, redigida em texto, sem tópicos. Delimitação: área específica do conhecimento, espaço geográfico de abrangência da pesquisa, período estabelecido para sua realização. Relevância: contribuição do projeto para subsidiar o conhecimento científico já existente e a sociedade de modo geral ou específico. Viabilidade: financeira, material (recursos) e temporal. 44 A justificativa envolve também aspectos de ordem teórica, para o avanço da ciência, de ordem pessoal/ profissional, de ordem institucional (universidade e empresa) e de ordem social (contribuição para a sociedade). Deve procurar responder: Qual a relevância da pesquisa? Que motivos a justificam? Quais contribuições para a compreensão, intervenção ou solução que a pesquisa apresentará? Silva e Menezes (2001, p. 31) afirmam que “o pesquisador precisa fazer algumas perguntas a si mesmo: o tema é relevante? Por quê? Quais pontos positivos você percebe na abordagem proposta? Que vantagens/ benefícios você pressupõe que sua pesquisa irá proporcionar?” Ventura (2002, p. 75) afirma o seguinte: “o pesquisador deve destacar a relevância do tema para o direito em geral, para a(s) disciplina(s) à(s) qual(is) se filia e para a sociedade. Finalmente, cabe sublinhar a contribuição teórica que adviria da elucidação do tema e a utilidade que a pesquisa, uma vez concluída, pode vir a ter para o curso, para a disciplina ou para o próprio aluno”. Por exemplo, para Barral (2003, pp. 88-89), na área jurídica, alguns itens são considerados importantes que podem fazer parte de uma boa justificativa. São eles: - Atualidade do tema: inserção do tema no contexto atual. - Ineditismo do trabalho: proporcionará mais importância ao assunto. - Interesse do autor: vínculo do autor com o tema. - Relevância do tema: importância social, jurídica, política, etc. - Pertinência do tema: contribuição do tema para o debate jurídico. De um modo geral, para a justificativa, precisamos responder as seguintes perguntas e itens: - Por que estudar esse tema? - Vantagens e benefícios que a pesquisa irá proporcionar. - Importância pessoal ou cultural. - Deve ser convincente. Formulação do Problema A formulação do problema é a interrogação que o pesquisador faz à realidade, fruto de leitura e/ou observação do que deseja pesquisar.45 A Problematização é a transformação de uma necessidade humana em problema. O pesquisador deve ter ideia clara do problema que pretende resolver, da dúvida a ser superada, caso contrário, sua pesquisa correrá o risco da prolixidade, da falta de direção, da ausência de algo para se resolver. Se o problema é estabelecido de forma clara, ele desencadeará a formulação da hipótese geral, que será comprovada no desenvolvimento do texto. Ao optar por uma solução que deseja demonstrar (ou seja, a hipótese, nascida do problema apontado), tem-se uma tese. Neste momento é importante que façamos a seleção/delimitação do assunto e deve-se então escolher o “pedaço” do problema que se quer ou se precisa estudar para estudá-lo em profundidade. Mesmo que todos os aspectos sejam considerados importantes, devem ser tratados um por vez e, ao escolher um deles, abandonamse ou outros. É uma imposição do método. Aqui é fundamental fazermos a construção da (s) hipótese (s), que é uma solução provisória que se propõe para o problema formulado. Sendo uma suposição que necessita de confirmação, pode ser formulada tanto na forma afirmativa quanto na interrogativa. Não há uma norma ou regra fixa para a formulação de hipóteses, mas deve ser baseada no conhecimento do assunto e na literatura específica que foi levantada: lança-se uma afirmação a respeito do desconhecido com base no que se construiu e publicou sobre o tema. A formulação clara das hipóteses orienta o desenvolvimento da pesquisa. As hipóteses devem ser razoáveis e verificáveis. Em pesquisas exploratórias e descritivas, não há necessidade de apresentar as hipóteses. Como a formulação do problema é a continuidade da delimitação da pesquisa, é ainda mais específica: indica exatamente qual a dificuldade que se pretende resolver ou responder. É a apresentação da ideia central do trabalho, tendo-se o cuidado de evitar termos equívocos e inexpressivos. É um desenvolvimento da definição clara e exata do assunto a ser desenvolvido. O pesquisador deve contextualizar de forma sucinta o tema de sua pesquisa. Contextualizar significa abordar o tema de forma a identificar a situação ou o contexto no qual o problema a seguir será inserido. Essa é uma forma de introduzir o leitor no tema em que se encontra o problema, permitindo uma visualização situacional da questão (OLIVEIRA, 2002, p. 169). 46 A Escolha de um Problema, para Rudio (apud MINAYO, 1999), merece indagações. - Trata-se de um problema original e relevante? - Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim? - Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo? - Existem recursos financeiros para o estudo? - Há tempo suficiente para investigar tal questão? O problema, geralmente, é feito sob a forma de pergunta (s). Assim, torna-se fator primordial que haja possibilidade de responder às perguntas ao longo da pesquisa. Da mesma forma, aconselha-se a não fazer muitas perguntas, para não incorrer no erro de não serem apresentadas as devidas respostas. Para a Formulação do Problema, precisamos responder fundamentalmente às seguintes perguntas: - Que respostas estou disposto a responder? - Definir claramente o problema. - Delimitá-lo em termos de tempo e espaço. Determinação de Objetivos A determinação de objetivos é a espinha dorsal do projeto de pesquisa. Não é o que o pesquisador vai fazer (isto se prevê nos procedimentos), mas o que ele pretende conseguir como resultado intelectual final de sua investigação. São eles que delimitam e dirigem os raciocínios a serem desenvolvidos. O objetivo geral será subdividido em tantos objetivos específicos quantos necessários para o estudo e solução satisfatória do problema contido no objetivo geral. Portanto, como se relacionam com a visão global do tema e com os procedimentos práticos, indicam o que se pretende conhecer, ou medir, ou provar no decorrer da pesquisa, ou seja, as metas que se deseja alcançar. Como podem ser gerais e específicos, no primeiro caso, indicam uma ação muito ampla e, no segundo, procuram descrever ações pormenorizadas ou aspectos detalhados. Cada um dos objetivos específicos será uma parte distinta da futura redação (um capítulo, um segmento). Uma ação individual ou coletiva se materializa por meio de um verbo. Logo, o enunciado dos objetivos deve sempre iniciar por um 47 verbo no infinitivo: estudar, analisar, questionar, comparar, introduzir, elucidar, explicar, contrastar, discutir, apresentar etc. Por isso é importante uma grande precisão na escolha do verbo, escolhendo aquele que rigorosamente exprime a ação que o pesquisador pretende executar (BARRETO; HONORATO, 1998). Outro critério fundamental na delimitação dos objetivos da pesquisa é a disponibilidade de recursos financeiros e humanos e de tempo para a execução da pesquisa, de tal modo que não se corra o risco de torná-la inviável. É preferível diminuir o recorte da realidade do que se perder em um mundo de informações impossíveis de serem tratadas (BARRETO; HONORATO, 1998). Objetivo(s) Geral(is): indicação do resultado pretendido. Por exemplo: identificar, levantar, descobrir, caracterizar, descrever, traçar, analisar, explicar etc. Objetivos Específicos: indicação das metas das etapas que levarão à realização dos objetivos gerais. Por exemplo: classificar, aplicar, distinguir, enumerar, exemplificar, selecionar etc. Para a determinação dos objetivos, precisamos responder às seguintes perguntas: - O que pretendo alcançar com a pesquisa? - Objetivo geral – qual o propósito da pesquisa? - Objetivos específicos – abertura do objetivo geral em outros menores (possíveis capítulos). Metodologia Como já vimos a metodologia é o caminho a ser seguido na pesquisa. De acordo com Ruiz (1985, p.131), é “o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação dos fatos ou na procura da verdade”. Em uma pesquisa existem dois métodos: • de abordagem - concepções teóricas usadas pelo pesquisador. Ex.: psicanálise, antropologia, fenomenologia, estruturalista; 48 • de procedimentos - relaciona-se à maneira específica pela qual o objeto será trabalhado durante o processo de pesquisa. São eles: histórico, estatístico, comparativo, observação, monográfico, econométrico e experimental etc. Os métodos de pesquisa e sua definição dependem do objeto e do tipo da pesquisa. Os tipos mais comuns de pesquisas são: de campo, bibliográfica, descritiva, experimental. Os instrumentos mais comuns usados nas pesquisas são questionários, formulários, entrevistas, levantamento documental, observacional (participante ou não participante), estatísticas. Também devem ser indicados na Metodologia: as amostragens (população a ser pesquisada), o local, os elementos relevantes, o planejamento do experimento, os materiais a serem utilizados, a análise dos dados, enfim, tudo aquilo que detalhe o trabalho a ser percorrido para concretizar a pesquisa. Neste momento, a revisão de literatura (bibliográfica) é fundamental, pois ela compreende a análise de obras científicas recentes que tratem do assunto ou que deem embasamento teórico e metodológico para o projeto; explicação dos principais conceitos e termos do projeto. Tudo isso demonstra que o pesquisador está atualizado nas últimas discussões, no campo de conhecimento em investigação. Observar que a redação desse tópico não deve se constituir em simples resumos ou citações colocadas juntas em sequência, mas deve ser resultado de reflexão do pesquisador sobre as obras relacionadas. Outro elemento importante é o cronograma que é o estabelecimento de datas (dias, meses, anos) para cada uma das etapas do desenvolvimento da pesquisa, no tempo disponível para sua execução. Geralmente, os cronogramas são divididos em meses. O cronogramafica mais fácil de ser visualizado se estiver em uma tabela. O número de etapas do cronograma deve estar de acordo com o que foi proposto no projeto, especialmente, na parte da metodologia. Portanto, a finalidade do cronograma é prever quando se realizará cada etapa da pesquisa. Este item tem muita importância, pois ajuda no cumprimento das tarefas programadas. Quando o projeto é financiado, sobretudo, as instituições financiadoras exigem relatórios periódicos e prestação de contas de acordo com o cronograma da pesquisa. O cronograma também possibilita ao pesquisador ajustar o ritmo da sua 49 ação e mesmo alterar as etapas, se for necessário. Citamos alguns itens, dentre outros, que podem constar no cronograma, como sugerido por Inácio Filho (1994). Finalmente, o orçamento é fundamental para a indicação de materiais ou equipamentos necessários para o desenvolvimento da pesquisa, tais como: despesas de custeio (remuneração de serviços pessoais, materiais de consumo, outros serviços de terceiros e encargos), despesa de capital (equipamentos e material permanente). Os recursos e materiais consistem na descrição quantitativa de tudo aquilo que se pretende utilizar no desenvolvimento do trabalho. Planejar os recursos é assegurar, com o maior detalhamento possível, a suficiência inicial dos itens necessários para a aquisição das informações desejadas. Para melhor entender a metodologia e o envolvimento de materiais e custos, precisamos abordar com profundidade os pontos abaixo e responder algumas perguntas. - Como se procederá a pesquisa? - Caminhos para se chegar aos objetivos propostos. - Qual o tipo de pesquisa? - Qual o universo da pesquisa? - Será utilizada a amostragem? - A pesquisa envolverá seres humanos ou animais? - Quais os instrumentos de coleta de dados? - Como foram construídos os instrumentos de pesquisa? - Qual a forma que será usada para a tabulação de dados? - Como interpretar e analisar os dados e informações? - Explicitar a metodologia de pesquisas de campo ou de laboratório é bastante importante. - Pesquisa bibliográfica – leitura como material primordial. - Qual o cronograma para o desenvolvimento das atividades? - Quais recursos/material serão utilizados no projeto? - Qual o orçamento do Projeto? - Indicar como pretende acessar suas fontes de consulta, fichá-las, lê-las e resumi-las, construir seu texto etc. 50 Iremos agora detalhar aspectos importantes comentados anteriormente neste item, acerca das metodologias e dos métodos de pesquisa. Eles são apresentados por Heerdt (2004), que aponta para a necessidade de levar em conta que tipo de pergunta se faz frente aos procedimentos metodológicos e quais são as respostas: Como? Com quê? Onde? A metodologia da pesquisa num planejamento deve ser entendida como o conjunto detalhado e sequencial de métodos e técnicas científicas a serem executados ao longo da pesquisa, de tal modo que se consiga atingir os objetivos inicialmente propostos e, ao mesmo tempo, atender aos critérios de menor custo, maior rapidez, maior eficácia e mais confiabilidade de informação (BARRETO; HONORATO, 1998). Segundo Ventura (2002, pp.76-77), são incontáveis e absolutamente diversas as classificações da metodologia que se pode encontrar na literatura especializada. Só para relembrar, quanto aos objetivos, a pesquisa por ser classificada como (HEERDT, 2004; GIL, 2002): Pesquisa exploratória, Pesquisa descritiva e Pesquisa explicativa. Ainda, quanto aos seus procedimentos técnicos pode ser classificada da seguinte forma (HEERDT, 2004 e GIL, 2002): Pesquisa bibliográfica, Pesquisa documental, Pesquisa experimental, Levantamento, Estudo de campo, Estudo de caso, Pesquisa-ação. É importante verificar se existe o Envolvimento de Seres Humanos e Animais na Pesquisa, pois as pesquisas que envolvem seres humanos, e também animais, exigem uma atenção especial, porque elas estão geralmente associadas a benefícios e riscos para os sujeitos envolvidos. No Brasil, toda pesquisa com seres humanos deve seguir a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde. Toda pessoa que se submete à pesquisa, deve assinar um termo de consentimento, cujo modelo está disponível em qualquer CEP – Comitê de ética e Pesquisa. Este termo deve ser encaminhado aos Comitês de Ética para análise. O termo de consentimento é um documento legal, assinado pelo participante ou seu representante, cuja finalidade é protegê-lo e também proteger o pesquisador e a Instituição. Neste termo, deve ficar claro para o sujeito da pesquisa todo o processo, 51 os fatos básicos com os quais poderá eventualmente se envolver, para que o seu consentimento seja livre e esclarecido. Vieira e Hossner, em seu livro “Metodologia Científica para a Área de Saúde” (2001), discorrem sobre este tema com clareza e profundidade; assim sugerimos que os alunos que forem trabalhar com seres humanos em seus projetos leiam estes autores. Quando os sujeitos se enquadram na categoria denominada “populações vulneráveis” que envolve crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiências ou minorias, como populações indígenas, por exemplo, os cuidados devem ser redobrados, porque se considera que estes indivíduos podem não ter compreensão de todas as implicações do fato de serem sujeitos de pesquisa. Também existem normas para o uso de animais em pesquisa, portanto o pesquisador deve indicar no formulário este fato para que o projeto seja encaminhado a um Comitê de Ética e Experimentação Animal. Estas questões são importantes porque os interesses da ciência não podem se sobrepor à ética, e os interesses e valores da população e da sociedade devem ser determinantes na colocação dos limites das pesquisas. Coleta de Dados A coleta de dados é uma atividade prática necessária para a aquisição dos dados com os quais serão desenvolvidos os raciocínios (previstos nos objetivos específicos), que resultarão em cada parte do trabalho final. Assim, planeja-se nesta fase, de forma concreta, a coleta de dados, que se iniciará ao final do projeto. A descrição dos procedimentos pode também ser enriquecida por detalhes práticos. Detalha-se o universo, a amostra, o tipo de tratamento que as informações receberão, descreve-se os instrumentos de coleta, a margem de acuidade prevista etc. As técnicas de coleta de dados estão relacionadas à forma de como coletamos os dados. A principal forma de coleta de dados é a leitura (livros, revistas, jornais, sites, CDs etc.), que certamente é utilizada para todos os tipos de pesquisa. Segundo Heerdt (2004), existem, basicamente, dois tipos de dados. • Dados secundários: são os dados que já se encontram disponíveis, pois já foram objeto de estudo e análise (livros, teses, CDs, etc.). 52 • Dados primários: dados que ainda não sofreram estudo e análise. Para coletá-los, pode-se utilizar: questionário fechado, questionário aberto, formulário, entrevista estruturada ou fechada, entrevista semiestruturada, entrevista aberta ou livre, entrevista de grupo, discussão de grupo, observação dirigida ou estruturada, observação livre, brainstorming, brainwriting, etc. Portanto, nesta etapa o pesquisador fará a pesquisa de campo propriamente dita. Para obter êxito neste processo duas qualidades são fundamentais: a paciência e a persistência. A definição do instrumento de coleta de dados dependerá dos objetivos que se pretende alcançar com a pesquisa e do universo a ser investigado. Os instrumentos de coleta de dados tradicionais são: observação, entrevista, questionário e formulário. Observação se utiliza dos sentidos na obtenção de dados de determinados aspectos da realidade. A observação pode ser: - assistemática - não tem planejamento e controle previamente elaborados;- sistemática - tem planejamento, realiza-se em condições controladas para responder aos propósitos pré-estabelecidos; - não participante - o pesquisador presencia o fato, mas não participa; - individual - realizada por um pesquisador; - em equipe - feita por um grupo de pessoas; - na vida real - registro de dados à medida que ocorrem; - em laboratório - onde tudo é controlado; A Entrevista se caracteriza pela obtenção de informações de um entrevistado, sobre determinado assunto ou problema. A entrevista pode ser: - Padronizada ou estruturada - roteiro previamente estabelecido; - Despadronizada ou não estruturada - não existe rigidez de roteiro e pode- se explorar mais amplamente algumas questões. O Questionário é uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito pelo informante. O questionário deve ser objetivo, limitado em extensão e estar acompanhado de instruções. As instruções devem esclarecer o 53 propósito de sua aplicação, ressaltar a importância da colaboração do informante e facilitar o preenchimento. As perguntas do questionário podem ser: - abertas - Qual é a sua opinião?; - fechadas - duas escolhas: sim ou não; - múltiplas escolhas - fechadas com uma série de respostas possíveis. Young e Lundberg (apud PESSOA, 1998) fizeram uma série de recomendações úteis à construção de um questionário. Entre elas destacam-se: - o questionário deverá ser construído em blocos temáticos obedecendo a uma ordem lógica na elaboração das perguntas; - a redação das perguntas deverá ser feita em linguagem compreensível ao informante; - a linguagem deverá ser acessível ao entendimento da média da população estudada; - a formulação das perguntas deverá evitar a possibilidade de interpretação dúbia, sugerir ou induzir a resposta; - cada pergunta deverá focar apenas uma questão para ser analisada pelo informante. O questionário deverá conter apenas as perguntas relacionadas aos objetivos da pesquisa. Devem ser evitadas perguntas que, de antemão, já se sabe que não serão respondidas com honestidade. Formulário é uma coleção de questões perguntadas e anotadas por um entrevistador numa situação face a face com a outra pessoa/o informante. O instrumento de coleta de dados escolhido deverá proporcionar uma interação efetiva entre o pesquisador, o informante e a pesquisa que está sendo realizada. Para facilitar o processo de tabulação de dados, por meio de suportes computacionais, as questões e suas respostas devem ser previamente codificadas. A coleta de dados estará relacionada com o problema, a hipótese ou os pressupostos da pesquisa e objetiva obter elementos para que os objetivos propostos na pesquisa possam ser alcançados. Neste estágio, também são escolhidas as possíveis formas de tabulação e apresentação de dados. Os meios (os métodos estatísticos, os instrumentos manuais 54 ou computacionais) que serão usados para facilitar a interpretação e análise dos dados. Para termos uma melhor confiabilidade na coleta de dados, precisamos responder às perguntas. - Como será o processo de coleta de dados? - Como? - Através de que meios? - Por quem? - Quando? - Onde? - Ter paciência. - Tabulação dos Dados Para termos uma melhor confiabilidade na tabulação de dados, precisamos responder aos itens. - Como organizar os dados obtidos? - Recursos. - Índices. - Cálculos estatísticos. - Tabelas. - Quadros. - Gráficos. Análise e Discussão dos Dados/Resultados Na análise e discussão dos dados/resultados é importante que o foco seja mantido e seja coerente do começo ao fim do trabalho. É fundamental fazer uma discussão generalizada, contextualizando o tema e o problema. Entretanto, os aprofundamentos teóricos e metodológicos devem ser feitos apenas no que está diretamente ligado ao problema. Segundo Rauen (1999, p. 141), “é a parte que apresenta os resultados obtidos na pesquisa e analisa-os sob o crivo dos objetivos e/ou das hipóteses. Assim, a 55 apresentação dos dados é a evidência das conclusões e a interpretação consiste no contrabalanço dos dados com a teoria”. Para Triviños (1996, p.161), “o processo de análise de conteúdo pode ser feito da seguinte forma: pré-análise (organização do material), descrição analítica dos dados (codificação, classificação, categorização), interpretação referencial (tratamento e reflexão)”. O objetivo da análise é sumariar as observações, de forma que estas permitam respostas às perguntas da pesquisa. “O objetivo da interpretação é a procura do sentido mais amplo de tais respostas, por sua ligação com outros conhecimentos já obtidos” (SELLTIZ et al. apud RAUEN, 1999, p. 122). A interpretação também é um processo de analogia com os estudos assemelhados, de forma que os resultados obtidos são comparados com resultados similares para destacar pontos em comum e pontos de discordância. Em síntese, neste tópico pode-se descrever a forma de como serão analisados os dados da pesquisa. Existem duas grandes tendências: - se a pesquisa for qualitativa, as respostas podem ser interpretadas global e individualmente; - se for quantitativa, provavelmente serão utilizadas tabelas e estatística. Finalmente, é necessário colocar: - Como os dados coletados serão analisados? - A confirmação ou refutação da hipótese anunciada. Conclusão Parte final do texto, na qual se apresentam conclusões correspondentes aos objetivos e hipóteses. Em outras palavras, a conclusão é a síntese dos resultados da monografia. Tem por finalidade recapitular sinteticamente os resultados da pesquisa elaborada. O resultado da pesquisa deve retornar ao objetivo e ao problema, confirmando ou não a(s) hipótese(s). Assim, no final da pesquisa, se bem estudada, planejada e executada, você deverá saber responder ao objetivo geral. 56 O autor poderá manifestar seu ponto de vista sobre os resultados obtidos, bem como sobre o seu alcance, sugerindo novas abordagens a serem consideradas em trabalhos semelhantes. Na conclusão, o autor deve apresentar os resultados mais importantes e sua contribuição ao tema, aos objetivos e à hipótese apresentada. A conclusão, ou mais usualmente as Considerações Finais, faz um fecho geral da pesquisa, normalmente de forma sucinta. A partir dos resultados, por exemplo, é possível se estabelecer perspectivas futuras: se a hipótese for comprovada, podem-se sugerir outras recomendações futuras. Aqui, é fundamental lembrar-se dos seguintes quesitos: - Sintetizar os resultados obtidos. - Evidenciar as conquistas alcançadas com o estudo. - Indicar as limitações e as reconsiderações. - Apontar a relação entre fatos verificados e teoria. - Contribuição da pesquisa para o meio acadêmico, empresarial ou desenvolvimento da ciência e tecnologia. Redação e Apresentação de Trabalhos Científicos Seguindo as recomendações da ABNT para a redação de trabalhos científicos, devemos elaborar a monografia referente ao trabalho de pesquisa executado. Azevedo (1992, p.22) argumenta que o texto deverá ser escrito de modo apurado, isto é, “gramaticalmente correto, fraseologicamente claro, terminologicamente preciso e estilisticamente agradável”. Divulgação Devemos publicar os resultados do trabalho de pesquisa: monografias (tese, dissertação, TCC etc.), artigos, relatórios técnicos etc. Devemos também prever resultados práticos esperados com a pesquisa (mais solicitado para projetos com financiamento). Nesse caso, podem ser exigidos: números e características de publicações (artigos, livros etc.), comunicações em eventos, registro de patentes, exposição, criação ou industrialização de produtos. 57 EXEMPLO PARA REFLEXÃO Exemplo de elaboraçãode uma Pesquisa Científica Darei um exemplo bem simples e resumido para ajudar na compreensão do que é e como se conduz uma pesquisa científica clássica, seguindo as orientações de especialistas na área (e a coerência e bom senso também). Imaginemos que toda vez que chove, cai água dentro da nossa sala de reuniões. Este é realmente um problema. Por que é um problema? Porque indica que há uma imperfeição técnica na construção do edifício, visto que não deve chover dentro da sala, e isto pode se agravar mais ainda. Além do mais, quando cai água, molha a mesa que, além de ser local ao redor do qual nos sentamos para discutir nossos assuntos, é onde ficam temporariamente depositados documentos relativos ao nosso grupo. Estes três pontos, entre outros que podem ser elencados, justificam a realização de uma pesquisa sobre o tema, sendo este, portanto, atual, útil e necessário – não se pode continuar com chuva caindo dentro da sala. Qual é o objetivo da pesquisa, então? Pesquisar por que está chovendo dentro da sala, ou, o que está fazendo com que chova dentro da sala. Com este objetivo bem claro, vou construir o caminho por onde vou percorrer para descobrir o que está provocando esta situação. Após uma leitura inicial (exploratória) sobre os fatores que podem provocar esta situação, eu proponho algumas hipóteses do motivo de estar chovendo dentro: os dados apresentados em outros estudos sugerem que pode ser porque há uma telha quebrada, uma rachadura no teto, infiltração porque as calhas estão entupidas e toda vez que chove forma uma lagoa em cima do teto etc. É possível partir de uma hipótese geral principal (se eu souber o que está provocando o problema, eu posso resolvê-lo) e então propor hipóteses secundárias (a telha, a rachadura, a infiltração). Dependendo da(s) hipótese(s) que eu me propor a seguir, será estabelecida uma sequência de passos para atingir o objetivo, e a isto se chama metodologia. Então, se a hipótese for a da telha quebrada, vou traçar passo a passo o que será feito, incluindo revisões teóricas sobre o assunto. Isto vale para cada hipótese que for investigada. 58 É importante que o foco seja mantido e seja coerente do começo ao fim. Fazer uma discussão generalizada, contextualizando o tema e o problema, é fundamental. Entretanto, os aprofundamentos teóricos e metodológicos devem ser feitos apenas no que está diretamente ligado ao problema. Por exemplo, discutir o tipo de revestimento nas paredes da sala, ou o tipo de iluminação, tem relação com a sala, mas não com o problema da sala que está sendo investigado, portanto não cabem ser aprofundados. Entretanto, se a água estiver entrando pela fiação da luz, a discussão sobre a iluminação pode ser pertinente. Da mesma forma, discutir o tipo de material do qual é feita a mesa pode ser importante se, por exemplo, ajudar a justificar o problema: se é um material não resistente à água, em pouco tempo será estragado, e isto é um bom motivo para se fazer este estudo. O resultado da pesquisa deve retornar ao objetivo e ao problema, confirmando ou não a(s) hipótese(s). Assim, no final da pesquisa, se bem estudada, planejada e executada, eu deverei saber o que está provocando a chuva dentro da sala. Atenção, pois isto não é regra geral: às vezes, por mais bem feitas que tenham sido, as hipóteses não são comprovadas. Se eu seguir a hipótese da telha quebrada unicamente e isto não for comprovado, o que fazer? Paciência! Caberá à minha discussão explicar porque eu segui somente esta hipótese e obtive este resultado. A conclusão faz um fecho geral da pesquisa, normalmente de forma sucinta. A partir dos resultados, por exemplo, é possível se estabelecer perspectivas futuras: se for comprovado que a telha estava quebrada, pode-se sugerir que a partir de agora não se utilize mais este tipo de telhas. Fácil, não? Fonte: FONTE, Nilce Nazareno da. Pesquisa Científica: o que é e como se faz. Importante Falhas que devem ser evitadas: - Objeto de investigação muito amplo e geral, a ponto de tornar-se vago. Para uma pesquisa, os objetivos devem ser realistas e exequíveis. Levantar dados apenas conceituais é inadequado. Desse modo, perde-se especificidade. - Confundir projeto de pesquisa com proposta de intervenção, prestação de serviço, ou puro levantamento de opinião e descrição de práticas. O projeto deve 59 ser de pesquisa. Em outras palavras, tem que ter relevância científica bem explicitada. Deve conter uma pergunta ou questão a ser investigada. Na falta deste procedimento, não há como justificar a relevância científica. - Projeto com múltiplos objetos de investigação. O projeto deve conter apenas um objeto de investigação. - Projeto que ignora e não articula os conhecimentos anteriores já acumulados sobre o objeto de investigação ou o recorte proposto. - Revisão de literatura inadequada ou não ajustada ao objeto de investigação recortado. - Descrição da metodologia e/ou dos procedimentos vaga ou inadequada ao objeto de investigação. Compensa consultar livros de metodologia científica e encontrar a alternativa em que melhor se encaixa a proposta a ser apresentada. Normas e Estrutura de uma Monografia Quanto mais o mundo vem desenvolvendo a ciência e a tecnologia, mais ele necessita de normas. Atualmente, quase todas as organizações possuem normas que regem a produção de material escrito, seja ele publicado na forma impressa ou eletrônica. No meio acadêmico, Instituições de Ensino Superior - IES fixam regras para a elaboração de tese de doutorado, dissertação de mestrado, monografia de conclusão de especialização ou de graduação etc. Por outro lado, sabemos que um projeto de pesquisa tem a função de oferecer um norteamento para o desenvolvimento de uma futura monografia. Como já apresentamos em diversas seções, cada qual com sua função e delimitação específicas, o projeto de pesquisa necessita ser abrangente o suficiente sem perder sua funcionalidade. As normas de formatação de um projeto de pesquisa são relativamente estáveis, ou seja, apesar de cada instituição de ensino ou bibliografia de elaboração de projetos de pesquisa apresentar uma fórmula ou uma diretriz específica, basicamente todos seguem um padrão muito similar, apresentado aqui. Por outro lado, as associações científicas elaboram regras para a submissão de trabalhos às suas revistas e aos seus eventos científicos. Há uma tendência forte das organizações, mesmo das que não lidam de forma direta com ciência e 60 tecnologia de normalizarem o modo como os seus relatórios, memorandos e ofícios devam ser redigidos. A padronização é relevante para que se produza um material uniforme, para facilitar o arquivamento e a disponibilização ao público, seja por meios impressos ou eletrônicos. Embora a arte final dos documentos possa variar de instituição para instituição, a produção técnico-científica possui elementos normativos comuns e que são estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Para o desenvolvimento dos trabalhos científicos usamos a Norma Brasileira Regulamentador (NBR) 14724 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Abaixo você encontrará informações sobre os elementos que compõem a estrutura do trabalho científico, bem como sobre qual a obrigatoriedade de cada um deles e forma de apresentação (formato). As normas usadas são: NBR 6024, NBR 6027, NBR 6028 de (2003); NBR 6029 de (2006); NBR 6034 de (2004); NBR 10520 de (2002) e NBR 14724 de (2005) da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Figura – Estrutura de uma Monografia segundo a ABNT Fonte: (FRANZONI, 2006). Na figura 05, apresentamos a estrutura da Monografia. Inicialmente, discutiremos as opções de estruturas da Monografia, em seguida, os elementos pré- textuais (capa, página derosto, página de aprovação, dedicatória, agradecimentos, sumário, lista de figura, lista de tabelas e resumo) e os elementos pós-textuais (referências bibliográficas e anexos). Deixaremos para o final a apresentação das normas que regulamentam os elementos textuais. 61 Elementos pré-textuais Os elementos que antecedem o texto com informações que ajudam na sua identificação e utilização. Portanto, são todos os elementos que contém informações e ajudam na identificação e na utilização da monografia. Os elementos pré-textuais dividem-se em: capa, lombada, folha de rosto, errata, folha de aprovação, dedicatória (s), agradecimento (s) (opcional), epígrafe (opcional), resumo na língua vernácula, resumo em língua estrangeira, lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas, lista de símbolos e sumário. O Resumo é elemento obrigatório, constituído de uma sequência de frases concisas e objetivas e não de uma simples enumeração de tópicos, não ultrapassando 500 palavras, seguido, logo abaixo, das palavras representativas do conteúdo do trabalho, isto é, palavras-chave e/ou descritores, conforme a NBR 6028. Elementos textuais É a parte principal do trabalho em que é exposta a matéria. Sua organização é determinada pela natureza do trabalho. Os elementos textuais dos trabalhos acadêmicos, das dissertações ou teses, são constituídos, basicamente, de 3 partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. A ABNT (2005, p. 6) conceitua a introdução, o desenvolvimento e a conclusão, respectivamente, como sendo: - A introdução é a parte inicial do texto, onde devem constar a delimitação do assunto tratado, objetivos da pesquisa e outros elementos necessários para situar o tema do trabalho. - O desenvolvimento é a parte principal do texto, que contém a exposição ordenada e pormenorizada do assunto. Divide-se em seções e subseções, que variam em função da abordagem do tema e do método. - A conclusão é a parte final do texto, na qual se apresentam conclusões correspondentes aos objetivos ou hipóteses. Porém, segundo Bastos (2000, p. 8), “o corpo da dissertação [ou tese] dividese em capítulos, cada um com seções e subseções, que variam em função da natureza do problema e da metodologia adotada”. Desta forma, apresentaremos como modelo 62 de desenvolvimento de dissertações e teses, o exemplo descrito por Bastos (2000). Todavia, o autor deixa claro que a sequência de capítulos e seções sugeridos pode variar, pois nem todos são apropriados para qualquer estudo. Contudo, ele relata que esta é a forma mais comum, utilizada como elementos textuais de dissertações e teses. A introdução é a apresentação sucinta e objetiva do trabalho, que fornece informações sobre sua natureza, sua importância e sobre como foi elaborado: objetivo, métodos e procedimentos seguidos. Em outras palavras, é a parte inicial do texto, em que devem constar a delimitação do assunto tratado, objetivos da pesquisa e outros elementos necessários para situar o tema do trabalho. Lendo a introdução, o leitor deve sentir-se esclarecido a respeito do tema do trabalho como do raciocínio a ser desenvolvido. Elementos pós-textuais São os elementos que complementam o trabalho, ou ainda, são os elementos que tem relação com o texto, mas que, para torná-lo menos denso e não o prejudicar, costumam vir apresentados após a parte textual. Dentre os elementos pós-textuais, podemos destacar a (s) Referência(s) e o(s) Anexo(s): - Referências (obrigatório) - conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de documentos, de forma e permitir sua identificação individual. As referências bibliográficas das monografias devem seguir o padrão NBR 6023, que fixa a ordem dos elementos das referências e estabelecem convenções para transcrição e apresentação da informação originada do documento e/ou outras fontes de informação. - Anexo(s) (opcional) - é um texto não elaborado pelo autor, que serve de fundamentação, comprovação e ilustração para a monografia. Em monografias jurídicas, por exemplo, pode-se colocar uma lei de importância fundamental para o entendimento do texto. 63 NORMAS PARA A REDAÇÃO DE UMA MONOGRAFIA Parte dos conteúdos deste tópico foram construídos a partir do site da internet <http://www.monografia. net/abnt/index.htm>, que apresenta de forma clara e acadêmica a utilização das normas da ABNT na redação de monografias. Normas para a Apresentação Gráfica A seguir, está descrito o padrão recomendado pela ABNT (NBR 14724), que foi elaborado para facilitar a apresentação formal dos trabalhos acadêmicos. Formato e margens Os trabalhos devem ser digitados em papel branco A4 (210 mm x 297 mm), digitados em uma só face da folha. De acordo com a NBR 14724, o projeto gráfico é de responsabilidade do autor do trabalho. Recomenda-se, para digitação, a utilização de fonte tamanho 12 para o texto e tamanho menor para citações de mais de três linhas (fonte 11), notas de rodapé, paginação e legendas das ilustrações e tabelas. Com relação às margens, a folha deve apresentar margem de 3 cm à esquerda e na parte superior, e de 2 cm à direita e na parte inferior. Espacejamento Todo o texto deve ser digitado com espaço um e meio, exceto nas citações diretas separadas do texto (quando com mais de três linhas), nas notas de rodapé, nas referências no final do trabalho e na ficha catalográfica. As referências, ao final do trabalho, devem ser separadas entre si por espaço duplo. Os títulos das subseções devem ser separados do texto que os precede ou que os sucede por dois espaços duplos. Notas de rodapé As notas devem ser digitadas dentro das margens, ficando separadas do texto por um espaço simples de entrelinhas e por filete de 3 cm, a partir da margem esquerda. 64 Indicativos de seção O indicativo numérico de uma seção precede seu título, alinhado à esquerda, separado por um espaço de caractere. Numeração Progressiva Para evidenciar a sistematização do conteúdo do trabalho, deve-se adotar a numeração progressiva para as seções do texto. Os títulos das seções primárias, por serem as principais divisões de um texto, devem iniciar em folha distinta. Destacam- se gradativamente os títulos das seções, utilizando-se os recursos de negrito, itálico ou grifo e redondo, caixa alta ou versal, e outro, conforme a NBR 6024, no sumário e de forma idêntica, no texto. Exemplo: 1 SEÇÃO PRIMÁRIA – (TÍTULO 1) 1.1 SEÇÃO SECUNDÁRIA – (TÍTULO 2) 1.1.1 Seção terciária – (Título 3) 1.1.1.1 Seção quartanária – (Título 4) Na numeração das seções de um trabalho, devem ser utilizados algarismos arábicos, sem subdividir demasiadamente as seções, não ultrapassando a subdivisão quaternária. Importante ressaltar, também, que os títulos das seções primárias – por serem as principais seções de um texto, devem iniciar em folha distinta. Os títulos sem indicativo numérico, como agradecimentos, dedicatória, resumo, abstract, referências e outras, devem ser centralizados. Normas para Citações Esta seção aborda o assunto das citações, que se trata da menção, no texto, de uma informação extraída de outra fonte. O autor utiliza-se de um texto original para extrair a citação, podendo reproduzi-lo literalmente (citação direta), interpretá-lo, resumi-lo ou traduzi-lo (citação indireta), ou extrair uma informação de uma fonte intermediária. 65 O item 5.6 da NBR 14724 orienta que “as citações devem ser apresentadas conforme a NBR 10520”. Portanto, as regras referentes a citações, que podem ser diretas ou indiretas, se encontram na NBR 10520 (AGO 2002). No texto, as citações devem ser feitas de modo uniforme, de acordo com o estilo do pesquisador ou critério adotado pela Revista/Instituição em queo trabalho será publicado. Contudo, o sistema escolhido deve estar relacionado com a ordenação das referências. Citação direta - Citação direta é a transcrição literal extraída do texto consultado, respeitando-se redação, ortografia, sinais gráficos e pontuação original. Citação indireta - Transcrição não literal das palavras do autor, mas que reproduz o conteúdo e as ideias do documento original, devendo-se indicar sempre a fonte de onde foi retirada. Neste tipo de citação não são utilizadas aspas. Exemplos: Segundo Köche (1997, p. 145) “a justificativa destaca a importância do tema abordado, tendo em vista o estágio atual da ciência [...] ou a contribuição que pretende proporcionar a pesquisa para o problema abordado”. Ou Luna (2000, p. 33), abordando este assunto, diz que “a realidade não se mostra a quem não pergunta”. Citação de citação - É a citação de parte de um texto encontrado em um determinado autor, referente a outro autor, ao qual não se teve acesso. Utiliza-se apenas quando não houver possibilidade de acesso ao documento original. Indicado pelas expressões apud ou citado por. Exemplo: Young e Lundberg (apud PESSOA, 1998) fizeram uma série de recomendações úteis à construção de um questionário. APRESENTAÇÃO DAS CITAÇÕES As citações não textuais, ou seja, as indiretas são expressas da seguinte forma: a) no parágrafo: Sobrenome dos autores (data) Exemplos: 66 Sugerimos que os alunos que não dominam ainda as técnicas de revisão de bibliografia e de fazer citações, procurem este domínio estudando os livros de metodologia, dentre os quais indicamos Lakatos e Marconi, (1991, p. 224 et segs.), Müller e Cornelsen (2003, p. 31 et segs.), Medeiros (2000, p. 96), Severino (2002, p. 106 et segs.), dentre outros. Assim, sua formulação tem início com um verbo no infinitivo – estudar, questionar, comparar, elucidar, explicar, contrastar, etc. Henriques e Medeiros (1999, p. 62 e segs.) e Medeiros (2000, p. 194) indicam uma série de verbos que podem ser utilizados nesta formulação. b) ao final do parágrafo: (SOBRENOME DO AUTOR, data). Exemplo: Em seguida é necessário colocar o PROBLEMA DA PESQUISA, que significa apresentar sob a forma de “enunciado interrogativo, situando a dúvida no contexto atual da ciência ou perante uma dada situação empírica” (KÖCHE, 1997, p.145). Ressaltamos que da relevância do problema elaborado resulta o valor da sua pesquisa, portanto pode-se dizer que “o cerne do projeto de pesquisa é a determinação do problema a ser estudado” (PESCUMA, 2002, p. 20). As citações textuais, ou seja, as diretas são expressas da seguinte forma: a) no parágrafo: Sobrenome dos autores (Data, v. (número do volume, se for necessário para identificação), p. (número da página)) Exemplo: Segundo Henriques e Medeiros (1999, p. 61), “etimologicamente, o termo vincula-se ao latim intro (dentro) + ducere (levar, conduzir para dentro). O verbo ducere liga-se a dux, o chefe, o organizador, em que se percebe a ideia de levar com continuidade, em oposição, pois, à descontinuidade”. b) no final do parágrafo: (SOBRENOME DO AUTOR, data, v. (número do volume, se for necessário para identificação), p. (número da página)) Exemplo: “[...]para que não tenha lugar a produção de degenerados, quer physicos quer moraes, misérias, verdadeiras ameaças à sociedade” (SOUTO, 1916, p. 46). 67 As citações de citações são colocadas da seguinte forma: a) No parágrafo. Exemplos: No modelo serial de Gough (apud NARDI, 1993, p. 25), “[...] o ato de ler envolve um processamento serial que começa com a fixação ocular sobre o texto, prosseguindo da esquerda para a direita de forma linear”. Ou... No modelo serial de Gough, citado por Nardi (1993, p. 25), “[...] o ato de ler envolve um processamento serial que começa com a fixação ocular sobre o texto, prosseguindo da esquerda para a direita de forma linear”. No modelo serial de Gough (citado por NARDI, 1993, p. 25), “[...] o ato de ler envolve um processamento serial que começa com a fixação ocular sobre o texto, prosseguindo da esquerda para a direita de forma linear”. b) No final do parágrafo. Exemplo: “O ato de ler envolve um processamento serial que começa com a fixação ocular sobre o texto, prosseguindo da esquerda para a direita de forma linear” (GOUGH apud NARDI, 1993, p 25). Como fazer a citação de trabalhos de um autor: Estes documentos são indicados pelo sobrenome do autor e o ano de publicação, separados por vírgula. Exemplos: Assim sendo, um elemento imprescindível à alfabetização é o processo de compreensão do funcionamento do sistema da escrita, ou seja, para se apropriar desta linguagem é preciso pensar sobre ela e assim desvelá-la e compreendê-la (CAGLIARI, 1989). Assim sendo, segundo Cagliari (1989), um elemento imprescindível à alfabetização é o processo de compreensão do funcionamento do sistema da escrita, ou seja, para se apropriar desta linguagem é preciso pensar sobre ela e assim desvelá-la e compreendê-la. Como fazer a citação de trabalhos de dois autores: 68 Os sobrenomes dos dois autores devem ser ligados por “e”, seguido do ano da publicação. Exemplo: Ressaltamos que da relevância do problema elaborado resulta o valor da sua pesquisa, portanto pode-se dizer que “o cerne do projeto de pesquisa é a determinação do problema a ser estudado” (PESCUMA; CASTILHO, 2002, p. 20). Como fazer a citação de trabalhos de três ou mais autores: Os sobrenomes dos autores separados por ponto e vírgula, seguido do ano da publicação. Exemplo: Toda restauração terá que ser capaz de resistir às constantes forças oclusais a que está submetida. Isto é de primordial importância em uma ponte fixa, em que as forças que o dente ausente absorveria serão transmitidas aos dentes de apoio através dos elementos protéticos (SHILINGBURG; HOBO; WHISETT, 1983). Quando houver coincidência de sobrenomes de autores, acrescentam-se as iniciais de seus prenomes. No caso de persistência de coincidência colocam-se os prenomes por extenso, até que a coincidência seja desfeita. Observações sobre citações em: livros, artigos em periódicos, capítulo de livro com autoria e sem autoria, teses, dissertações, TCC, acessos online. As normas ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) devem ser utilizadas. 69 Exemplos de referências mais comuns: - Livro SOBRENOME, Nome do Autor, título em itálico, negrito ou sublinhado, subtítulo, número da edição (a partir da 2. ed.), local, editora, ano. - Artigos em periódicos SOBRENOME, Nome do Autor, título do artigo, título do periódico em itálico, negrito ou sublinhado, local de publicação, número do volume (ou ano), número do fascículo, página inicial e página final, do artigo referenciado, data do fascículo. - Capítulo de livro com autoria SOBRENOME, Nome do Autor, título do capítulo, expressão In:, autor da obra, título da obra em itálico, negrito ou sublinhado, local, editora, ano, capítulo, número das páginas em que saiu. - Capítulo de livro sem autoria SOBRENOME, Nome do Autor, título do capítulo, expressão In:, travessão com seis espaços, título da obra em itálico, negrito ou sublinhado, local, editora, ano, capítulo, número das páginas em que saiu. - Teses, dissertações, trabalhos de conclusão SOBRENOME, Nome do Autor, título em itálico, negrito ou sublinhado, ano, número total de páginas seguido de p., a palavra tese, dissertação ou monografia etc., nível e área do curso, nome da instituição, local. - Acessos online SOBRENOME, Nome do Autor, título em itálico, negrito ou sublinhado, subtítulo, número da edição (a partir da 2. ed.), local, editora, ano, número de páginas, expressão disponível em: endereço eletrônico entre os sinais< >,expressão Acesso em:, data do acesso (dia, mês abreviado e ano). Normas para Notas de rodapé No que se refere a notas de rodapé, de acordo com a NBR 10520, deve-se utilizar o sistema autor-data para as citações do texto e o numérico para notas explicativas. As notas de rodapé podem ser conforme as notas de referência e devem ser alinhadas, a partir da segunda linha da mesma nota, abaixo da primeira letra da primeira palavra, de forma a destacar o expoente e sem espaço entre elas e com fonte menor. Exemplos: 70 Normas para Notas explicativas Notas explicativas são as usadas para a apresentação de comentários, esclarecimentos ou considerações complementares que não possam ser incluídas no texto, devendo ser breves, sucintas e claras. Sua numeração é feita em algarismos arábicos, únicos e consecutivos e não se inicia a numeração a cada página. Normas para Referências Elemento obrigatório e imprescindível da monografia, elaborado de acordo com a NBR 6023. Entende-se por referências o conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de documentos, de forma a permitir sua identificação individual. As referências podem ser identificadas por duas categorias de componentes: elementos essenciais e elementos complementares. Elementos essenciais São as informações indispensáveis à identificação do documento. Os elementos essenciais são estritamente vinculados ao suporte documental e variam, portanto, conforme o tipo. Exemplo: STORINO, Sérgio Pimentel. Odontologia preventiva especializada. 1. ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1994. Elementos complementares São as informações que, acrescentadas aos elementos essenciais, permitem melhor caracterizar os documentos. Alguns elementos indicados como complementares podem tornar-se essenciais, desde que sua utilização contribua para a identificação do documento. Exemplo: 71 CRUZ, Anamaria da Costa; CURTY, Marlene Gonçalvez; MENDES, Maria Tereza Reis. Publicações periódicas científicas impressas: NBR 6021 e 6022. Maringá: Dental Press, 2002. NOTA – Os elementos essenciais e complementares são retirados do próprio documento. Quando isso não for possível, utilizam-se outras fontes de informação, indicando-se os dados assim obtidos entre colchetes. Regras Gerais - Os elementos essenciais e complementares da referência devem ser apresentados em sequência padronizada. - As referências são alinhadas somente à margem esquerda do texto e de forma a se identificar individualmente cada documento, em espaço simples e separadas entre si por espaço duplo. - O recurso tipográfico (negrito, grifo ou itálico) utilizado para destacar o elemento título deve ser uniforme em todas as referências de um mesmo documento. Isto não se aplica às obras sem indicação de autoria, ou de responsabilidade, cujo elemento de entrada é o próprio título, já destacado pelo uso de letras maiúsculas na primeira palavra, com exclusão de artigos (definidos e indefinidos) e palavras monossilábicas. - Os modelos de referências estão exemplificados na NBR 6023. A seguir, alguns exemplos de referências usadas mais comumente em nossas monografias. Normas gerais para Referências, Referências bibliográficas, Bibliografia, Apêndices e Anexos. 72 73 Vale lembrar que a referência é a indicação das obras e outras fontes (documentos, arquivos antigos, sites) usadas para a elaboração do projeto e necessárias à pesquisa. Devem ser indicadas em ordem alfabética e de acordo com as normas técnicas (as normas mais aceitas são as estabelecidas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas). Entretanto, há diferenças entre referências, referências bibliográficas e bibliografia. - Referências: indica as obras que foram citadas no trabalho em questão. Pode indicar diferentes tipos de obras, como livros, periódicos ou documentos, sejam manuscritos, impressos ou em meio eletrônico. - Referências bibliográficas: quando o trabalho apresentar somente citações de obras publicadas em papel. - Bibliografia: indica todas as leituras feitas pelo pesquisador durante o processo de pesquisa. - Finalmente, na parte dos elementos pós-textuais, os conceitos de apêndice e anexos são usualmente confundidos. - O Apêndice refere-se a elementos complementares ao projeto que foram elaborados pelo pesquisador. (Ex: questionários, formulários de pesquisa de campo ou fotografias). Devem ser incluídos somente se extremamente necessários. - Já o(s) Anexo(s) deve(m) aparecer nos projetos de pesquisa se forem extremamente necessários. São textos de autoria de outra pessoa e não do pesquisador. Por exemplo: mapas, documentos originais, fotografias tiradas por outra pessoa que não o pesquisador. Como foi dito anteriormente, o do roteiro do conteúdo do item Normas para a Redação de uma Monografia foi construído a partir do apresentado no site <http://www.monografia.net/abnt/index.htm>, que mostra de forma clara e acadêmica a utilização das normas da ABNT na redação de monografia. Para finalizar este trabalho, recomendamos que nossos alunos usem como referência quando da escrita de suas monografias o Livro Normas e Padrões para Teses, Dissertações e Monografias de Mary Stela Müller e Julce Mary Cornelsen, publicado pela EDUEL – Editora da Universidade Estadual de Londrina – 6ª edição revisada de 2009. 74 Diferenças entre Normalizar e Normatizar. AURÉLIO Normalizar [De normal + izar]. V.t.d. 1. tornar normal; fazer voltar à normalidade; regularizar. 2. Submeter a norma ou normas; padronizar. 3. Int. Retornar à ordem. 4. Voltar ao estado normal (Cf. normatização). Normatizar [Do lat. normatus, p.p. de normare + sufixo izar] V.t.d. Estabelecer normas para. Submeter a normas (Cf. normalizar). MICHAELIS Normalizar (normal + izar) vtd. 1. Tornar normal, regularizar. 2. Reentrar na ordem, voltar à normalidade. Normatizar (norma + izar). Estabelecer normas para (cf. normalizar). F. BORBA Normalizar V.[Ação-processo] 1. tornar normal; regularizar; 2. reentrar na normalidade. Normatizar V.[Ação-processo] estabelecer normas para. Vê-se que somente o verbo normatizar tem a acepção explícita de estabelecer normas. Em biblioteconomia, por influência da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), usa-se normalização em lugar de normatização. É preferível, no entanto, empregar o verbo normalizar e seus cognatos somente na acepção tradicional de tornar normal, de voltar à normalidade, e normatizar para expressar a ação de estabelecer normas, regras, regulamentos, rituais etc. DEZ DICAS RÁPIDAS PARA FAZER UMA BOA MONOGRAFIA CIENTÍFICA 1. Na monografia, não escreva períodos muito longos nem muitos curtos. 2. Na monografia, não use expressões como “eu acho”, “eu penso” ou “quem sabe”, que mostram dúvidas em seus argumentos. 3. Uma monografia “brilhante”, mas que fuja totalmente ao tema proposto será anulada. 75 4. É importante que, em uma monografia, sejam apresentados e discutidos fatos, dados e pontos de vista acerca da questão proposta. 5. A postura mais adequada para se dissertar é escrever impessoalmente, ou seja, deve-se evitar a utilização da primeira pessoa do singular. 6. Na narração, uma boa caracterização de personagens não pode levar em consideração apenas aspectos físicos. Elas têm de ser pensadas como representações de pessoas, e por isso sua caracterização é bem mais complexa, devendo levar em conta também aspectos psicológicos de tipos humanos. 7. O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal; a carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada. 8. O que se solicita dos alunos é muito mais uma reflexão sobre umdeterminado tema, apresentada sob forma escrita, do que uma simples redação vista como um episódio circunstancial de escrita. 9. A letra de forma deve ser evitada, pois dificulta a distinção entre maiúsculas e minúsculas. Uma boa grafia e limpeza são fundamentais. 10. Na narração, há a necessidade de caracterizar e desenvolver os seguintes elementos: narrador, personagem, enredo, cenário e tempo. Fonte: <http://falabonito.wordpress.com/2006/12/04/dez-dicasrapidas- parafazer-uma-boa-redacao/>. CONCLUSÃO Ao chegar aqui você já deve ter definido suas respostas para as questões que propusemos. Para você relembrá-las – O que é ciência? Todo o tipo de conhecimento é científico? O que torna um conhecimento científico? De que forma a ciência pode influenciar a vida das pessoas? Qual a sua concepção de pesquisa? – Nossa proposta foi respondê-las ao longo deste material, levando você a construir e até mesmo reconstruir seu conhecimento acerca dos assuntos apresentados. Esperamos que sua concepção de ciência tenha sido ampliada e o mesmo tenha acontecido com sua concepção de pesquisa, pois se essa é uma característica do ensino superior, você, como acadêmico de um curso de especialização, precisa estar apto a pesquisar constantemente e divulgar esses resultados no intuito de 76 contribuir para a sociedade na qual faz parte. Compreende, agora, a dimensão de sua responsabilidade? A pesquisa possibilita a construção e reconstrução do conhecimento, ela coloca em contato e à prova a teoria e a prática e como dissemos em nossa apresentação, ela renova a necessidade do ser humano em encontrar respostas para as coisas do mundo. A pesquisa é ainda fator imprescindível de desenvolvimento individual e social, uma vez que as nações mais abastadas apresentam bons índices de desenvolvimento de pesquisa. Diante dessa amplitude da pesquisa, queremos ressaltar ainda que a ação de pesquisar não se restringe a grandes cientistas tidos como deuses. Você, acadêmico de pós-graduação, está apto a ser um pesquisador e contribuir científica e socialmente com seu país. 77 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2002. ______. NBR 10520: informação e documentação – citações em documentos – apresentação. Rio de janeiro, 2000. ______. NBR 14724: informação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro, 2002. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro, 2005. 9 p. ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2001. BARRAL, Welber. Metodologia da pesquisa jurídica. 2. ed. Florianópolis: Fundação Boitex, 2003. BARRETO, Alcyrus Vieira Pinto; HONORATO, Cezar de Freitas. Manual de sobrevivência na selva acadêmica. Rio de Janeiro: Objeto Direto, 1998. BASTOS, Lília da Rocha et al. Manual para a elaboração de projetos e relatórios de pesquisa, teses, dissertações e monografias. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000. 128 p. CERVO, A.L.; BERVIAN, P.A. Metodologia científica. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983. CHALMERS, A.F. 1976. Qu’est-ce que la science? Editions la Découverte Paris 1987 Le Livre de Poche. CURTY, Marlene Gonçalves; CRUZ, Anamaria da Costa; MENDES, Maria Tereza Reis. Apresentação de trabalhos acadêmicos, dissertações e teses: (NBR 14724/2002). Maringá: Dental Press, 2002. DE LA COTARDIERE. 2004. Histoire des sciences. Editions Tallandier FACHIN, Odília. 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