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Metodologia do Trabalho Científico “A busca pelo conhecimento é o que nos abre para umdiálogo mais próximo e com condições de igualdade, se concretizando por meio da Educação”. 1 CONVITE AO ESTUDO Olá estudante, O conjunto de capítulos que compõe está apostila foi elaborado por profissionais que objetivaram organizar os tópicos mais relevantes sobre a temática, apresentando ao estudante um repertório de conteúdos diversos, com uma linguagem acessível, ilustrações e tabelas que irão proporcionar a você uma experiência de aprendizagem diversificada. Os ícones apresentados no decorrer de cada apostila visam proporcionar ao estudante exercitar processos de meta-reflexão e autoavaliação, que irão lhe auxiliar em suas práticas profissionais, portanto, leia atentamente todo o conteúdo e abra todos os links indicados, para que sua experiência seja mais completa. Exerça a sua autonomia e complemente sempre seus estudos com fontes (confiáveis) de pesquisa diversas, compartilhe suas impressões com seus colegas nos fóruns e assista aos vídeos com aulas complementares, assim você estará se aprofundando nos estudos e garantindo futuras boas práticas. Elabore um diário de bordo com anotações pessoais de cada capítulo e acompanhe à evolução da sua aprendizagem no decorrer do curso. Desejamos bons estudos e lembre-se que a “persistência é o melhor caminho para o êxito!” (Chales Chaplin). Coordenação Pedagógica. 2 Sumário INTRODUÇÃO 3 A CIÊNCIA 5 METODOLOGIA CIENTÍFICA 8 O MÉTODO E A PESQUISA 16 O USO DAS TIC NA PESQUISA CIENTÍFICA 27 O PLÁGIO E COMO EVITÁ-LO 28 3 INTRODUÇÃO A disciplina Metodologia científica introduzida em sua grade curricular de estudos, faz-se necessária no intuito de atender às exigências legais do MEC para elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso de cunho Científico para a conclusão de cursos de Pós-graduação Lato sensu. Assim sendo, o objetivo desta disciplina é, portanto, oportunizar a você, aluno, o desenvolvimento de uma atitude científica desejosa e inerente ao processo de construção do conhecimento e do fazer científico e a instrumentalização teórico- metodológica da pesquisa, visando a sua introdução na prática dos cursos de Especialização através da pesquisa científica. Com esse intuito, não pretendemos esgotar o tema acerca da Metodologia Científica e, sim, oferecermos subsídios para que você consiga elaborar seu trabalho da melhor forma possível. Para tanto, selecionamos algumas questões que consideramos relevantes para esse fim e organizamos uma sequência de informações úteis para a confecção do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Objetivando concretizar essa proposta, nos valemos de um precioso elenco de autores da área com vasto material bibliográfico relativo ao tema. As normas e técnicas contidas nesta obra baseiam-se nas mais recentes normas e padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e em bibliografias de especialistas na área de Metodologia Científica. Inicialmente, trataremos do conceito de Ciência na contemporaneidade e a sua flexibilidade em relação a alguns aspectos antes considerados indesejáveis, em função do excesso pragmático e do isolamento disciplinar e, nesse sentido, faremos uma pequena incursão pelo universo científico, posto que fazer ciência é buscar soluções para problemas da sociedade, colocando- se a serviço da humanidade. Nesse sentido, Demo (2001) afirma que a pesquisa deve ser a razão da existência da academia e que, nessa perspectiva, formamos estudantes cidadãos e não somente técnicos que “encontram na competência reconstrutiva de 4 conhecimento seu perfil decisivo”, tendo dois desafios, que são: “fazer o conhecimento progredir, mas, mormente, de o humanizar”. (p. 02). Contudo, é nessa linha traçada por Demo (2001) que confeccionamos este material, partindo da busca pela construção do conceito de Ciência, bem como das atitudes científicas para fazê-la, sob o olhar de Lakatos e Marconi (2009) quando afirmam que “a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade” (p. 23), corroboradas pela afirmação de Sagan (1996, p. 12), quando diz que: “a Ciência está longe de ser um instrumento perfeito de conhecimento. É apenas o melhor que temos” (Grifo da autora). Em seguida, faremos uma análise acerca do conceito de Metodologia Científica e sua aplicabilidade acadêmica, bem como do que vem a ser o Conhecimento e seus variados tipos, ressaltando o Conhecimento Científico, posto ser este o conhecimento que deverá ser utilizado para a produção e pesquisa acadêmica que você irá empreender neste curso. Na sequência, relataremos os métodos científicos existentes e que devem ser utilizados para se fazer ciência; a pesquisa e seus conceitos; os tipos de pesquisas e como utilizá-las, dando ênfase à pesquisa bibliográfica por entendermos ser esta a mais aplicável em uma pós-graduação desse tipo devido à escassez de tempo e de condições didáticas e metodológicas para se realizar outros tipos de pesquisas. Dessa forma, o que se pretende é identificar a coerência do questionamento crítico e criativo. Trata-se de conjugar crítica e autocrítica dentro do princípio metodológico, isto é, o questionamento sistematizado apresenta a discussão como critério principal da cientificidade, pois, segundo Habermas, uma “verdade é uma pretensão de validade” (apud DEMO, 1996, p.22) e, sendo assim, “a história das ciências revela não um a priori, mas o que foi produzido em determinado momento histórico com toda a relatividade do processo de conhecimento” (MINAYO, 1994, p. 12). Falaremos ainda sobre os métodos de pesquisa e os variados trabalhos científicos, dando ênfase ao Artigo Científico, por ser essa a exigência da instituição para o seu TCC. Ao final elencamos várias orientações metodológicas no que tange a utilização da informática e da Internet na pesquisa cientifica, bem como abordaremos a questão de plágio e como evitá-lo. 5 A CIÊNCIA Falar da Ciência não é fácil. A questão mais difícil de ser respondida é a que se relaciona com a sua definição. Porém, tentaremos defini-la sob a tutela de diversos autores e cientistas. Partindo de Freire-Maia (1998), ele afirma que raramente os filósofos da ciência se propõem a definir ciência, relacionando três motivos para essa recusa, a saber: ● O primeiro reside no fato de toda definição ser incompleta (sempre há algo que foi excluído ou algo que poderia ter sido incluído); ● O segundo, na própria complexidade do tema; ● E o terceiro, justamente na falta de acordo entre as definições (FREIRE- MAIA, 1998, p. 24). Diante desse impasse, o autor sugere colocar “de lado” as fundamentações epistemológicas procedendo a uma “tosca” definição de ciência que privilegiaria um “conjunto de descrições, interpretações, teorias, leis, modelos etc., visando ao conhecimento de uma parcela da realidade”, através de uma “metodologia especial”, a saber: a metodologia científica (p. 24). Dentre os analistas do tema, Merton (1979) relata a quase unanimidade acerca dá ideia de que a ciência “é um vocábulo enganosamente amplo, que designa grande diversidade de coisas diversas, embora relacionadas entre si” (p. 38). Não obstante, Roqueplo (1979) afirma que, “falar do significado da ciência levanta imediatamente numerosas questões, umas relativas à palavra ciência e outras relativas à palavra significado” (p. 140). Já há outros autores, como Morais (1988), que definem a ciência como sendo “mais do que uma instituição, é uma atividade. Podemos mesmo dizer que a 'ciência' é um conceito abstrato.” E continua dizendo que o que se conhece “concretamente” são os cientistas e o resultado de seus trabalhos. “O cientista contemporâneosabe bem que nada há de definitivo e indiscutível que tenha sido assentado por homens” (p. 24). A ciência é extremamente abrangente e complexa, não se reduzindo, somente, a experimentos. O experimento científico é fundamental para o desenvolvimento das ciências da natureza, especialmente através de seus 6 desdobramentos disciplinares nas últimas décadas do século XX. Porém, as chamadas “ciências humanas e sociais” não partilham desse mesmo cientificismo, pois anterior à práxis científica estão a ideia, o pensamento, a filosofia da ciência e o “conhecimento do conhecimento”, que trazem à tona as discussões em torno dos paradigmas, da moral, da epistemologia, da ética, da política, enfim características relacionadas e inter-relacionadas ao desenvolvimento do conhecimento e da pesquisa. Dentro da temática relativa à pesquisa científica, Whitehead (1946) lembra que a filosofia é a mais “eficaz pesquisa intelectual”, afirmando que ela é a responsável pela construção de “catedrais antes que os trabalhadores tenham removido uma pedra, e as destrói antes que os elementos tenham esboroado as suas arcadas”, posto que existe sempre um pensamento que precede a prática. Esse processo não é necessariamente imediato, pois, conforme o mesmo autor, a “filosofia trabalha devagar. Os pensamentos dormem longo tempo; quase imediatamente depois a humanidade sente que se incorporou a si mesma em instituições” (WHITEHEAD, 1946, p. 7-8). Não obstante, Chauí (1996), tenta, pelo determinismo, descrever por completo os “fenômenos naturais e humanos, oferecendo a definição dos seres e as leis necessárias de suas relações” e afirma que “a ciência opera com o provável, isto é, com o possível submetido a cálculos” (p. 22). Nessa mesma linha, Chrétien (1994) destaca a necessidade que a sociedade tem, de acreditar e criar mitos para entender e relacionar-se no cotidiano, isso porque para “fundamentar sua identidade e justificar suas prescrições, valores e relações entre seus membros” (p. 13). Nesse sentido, o mito pode ser entendido e aceito, como necessidade, para a construção no imaginário popular daquilo que não se pode ter e, em sendo, Chrétien (1994) ressalta que: o mito geralmente põe em cena deuses e heróis, demiurgos das origens, que lançam as bases da nova ordem. Ele retraça sua epopéia lendária que fixa, no imaginário coletivo, os signos e modelos que postulam os procedimentos comuns de significado e comunicação. (CHRÉTIEN, 1994, p. 13). Ora, se assim, de acordo com o autor, o mito pode determinar os “ritos, as 7 regras do jogo social e os paradigmas sobre os quais se modulam os comportamentos” (CHRÉTIEN, 1994, p.13), a partir da crise da razão, do século XX, Chauí (1996) afirma que “os humanos reencontraram um meio para repor aquilo que a teoria havia substituído ao nascer: os mitos, os fundamentalismos religiosos. Mitologias e religiões ocupam hoje o lugar vazio deixado pela razão” (p.22). Nesse ínterim, se a ciência resolve modificar esse sistema tentando, de certa forma, assumir seu lugar no imaginário coletivo, pois os “deuses e taumaturgos não mais fazem sucesso na era das ciências e técnicas”, provavelmente, ocorrerão brechas e a “sociedade não pode funcionar se nela ficam vagos os lugares do poder simbólico” (CHRÉTIEN, 1994, p. 13), pensamento corroborado por Morin (1999a), quando este demonstra seu pensamento acerca do mito no século XX. Ele relata que “este tomou a forma da Razão, a ideologia camuflou-se de ciência, a Salvação tomou forma política garantindo-se certificada pelas Leis da História”. Além do mais, é nesse século que o “[...] messianismo e niilismo se combatem, entrechocam-se e produzem- se um ao outro, a crise de um operando a ressurreição do outro. (MORIN, 1999a, p. 15-16). No século XXI, vemos uma tentativa de restauração a partir do próprio pensamento, ao que se chamou de “revoluções científicas” que, para Morin (2002), foram as responsáveis pela preparação da “reforma do pensamento”, e destaca duas: a primeira está relacionada à física quântica, que trouxe o “esboroamento de toda ideia de que haveria uma unidade simples na base do universo”, pôs em dúvida o sentido dogmático em torno do determinismo, introduzindo o conceito de incerteza no meio científico. A segunda revolução está relacionada ao princípio não reducionista para o pensamento científico que, de acordo com o mesmo autor, “há uma ressurreição das entidades globais, como o cosmo, a natureza, o homem”. (MORIN, 2002, p. 89- 90). Contudo, é nessa perspectiva da ciência revolucionária que Lakatos e Marconi (2009) a definem por “um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza” (p. 77). Junior (1988) a conceitua como “um conjunto de proposições (teorias) coerentes, sem contradições internas, 8 com encadeamento racional, despida de valorações e subjetividade” (p. 23). Para Dencker (1998), a ciência “caracteriza-se como uma forma especial de conhecimento da realidade empírica” e mais à frente afirmam ser “um conhecimento racional. Metódico, sistemático, capaz de ser submetido à verificação e que passa por um processo de reflexão” (p. 65). Diante do exposto, caracterizaremos a ciência de acordo com sua finalidade: distinguir características, leis e princípios comuns que controlam os eventos; sua função: aperfeiçoar e ampliar a relação do homem com a realidade através do conhecimento; e seu objeto formal: olhar das diversas ciências sobre um mesmo objeto material: aquilo que se pretende conhecer. Assim, para construir esse conhecimento, vamos à Metodologia Científica. METODOLOGIA CIENTÍFICA Para se fazer Ciência e construir o conhecimento, é preciso Método. Para se aplicar o Método, desenvolveu-se a Metodologia Científica que é o estudo sistemático e lógico dos métodos empregados nas ciências e sua relação com as teorias científicas. Em geral, o método científico compreende um conjunto de dados iniciais e um sistema de operações ordenadas adequado para a formulação de conclusões, de acordo com certos objetivos predeterminados. Ou seja, é um conjunto de regras básicas que a Ciência (em todas as suas formas) desenvolve, a fim de coletar evidências, passíveis de observação e empíricas, de forma racional e lógica, objetivando a obtenção, organização, sistematização, correção e produção do conhecimento. 9 Essa produção do conhecimento é marcada pela busca de evidências que comprovem hipóteses formuladas, como enfrentamento da complexidade do mundo real, visando detectar-lhe as estruturas invisíveis através dos métodos. A Ciência somente progride com os métodos, posto que por eles ela encontra os próprios erros, que não são descobertos ao acaso, mas por meio da busca sistemática de melhores explicações para os fenômenos naturais e sociais. Não obstante, embora os procedimentos variem de uma área da ciência para outra, é possível determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos. Como? De início, os pesquisadores propõem hipóteses para explicar certos fenômenos e, então, desenvolvem pesquisas e experimentos que confirmam ou refutam essas hipóteses. Se confirmadas, as hipóteses podem gerar teorias. Nesse interim, o cientista precisa ser imparcial na interpretação dos resultados, pois o processo precisa ser objetivo. Além disso, o procedimento precisa ser documentado, tanto no que diz respeito aos dados como aos procedimentos, para que outros cientistas possam analisar e reproduzir o procedimento. Essa documentação deve obedecer a uma série de padrões para ser aceito pela comunidade científica. Esses padrões constam nas Normas Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Objetivosda Metodologia Científica A Ciência tem como princípio tornar o homem mais próximo dos fenômenos naturais e humanos através da compreensão e do domínio dos mecanismos que regem tais fenômenos. Essa aproximação não exige formulações prévias de nenhum tipo, pois os estímulos externos chegam ao homem por meio dos sentidos e o acúmulo de experiências sensoriais e intelectuais já permite um certo grau de conhecimento empírico em cada homem. Não obstante, a assimilação desordenada de percepções pode gerar lapsos de interpretação e captação errada ou insuficiente das informações recebidas. Por conta disso, a Ciência estabelece regras que auxiliam na classificação, registro e interpretação dos dados percebidos, o que permite e garante temporalmente a economia de tempo e um sistema de transmissão do saber entre as gerações, de 10 forma racional. Nesse sentido, o emprego da Metodologia Científica objetiva, pois, solucionar as questões relativas à classificação de dados, orientando as pesquisas futuras e facilitando o treinamento de Especialistas. Marconi e Lakatos (2004) nos oferecem um exemplo bem prático: saber que uma determinada planta precisa de uma quantidade “X” de água e que, se não a receber de forma natural deve ser irrigada pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável, mas nem por isso científico. Para que esse conhecimento ocorra é necessário ir além: conhecer a natureza dos vegetais, sua composição, seu ciclo de desenvolvimento e as particularidades que distinguem uma espécie da outra. Esse exemplo nos leva a crer que: 1. A ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade; 2. Um objeto ou fenômeno como uma planta ou uma comunidade ou ainda as relações entre chefes e subordinados pode ser matéria de observação tanto para o cientista quanto para o homem comum. O que diferencia é a forma de observação e análise, bem como os métodos utilizados. De modo geral, o método dedutivo parte-se do geral para chegar ao particular. O método indutivo, ao contrário, constrói modelos e leis a partir de casos particulares pelo uso de mecanismos lógicos de generalização. O método analítico decompõe o objeto para formular problemas mais simples, ou seja, parte do complexo e mais geral para chegar ao simples e particular. O método sintético já é oposto a esse: reúne aspectos particulares indo do simples ao complexo. Outros métodos são: a definição rigorosa do objeto de estudo; os sistemas de classificação, com divisões e subdivisões; os instrumentos de medida e os sistemas de unidades; a variabilidade das condições que interferem sobre os fenômenos estudados na construção do conhecimento científico. Porém, como já dissemos, existem variados tipos de conhecimento. Os Tipos de Conhecimento 11 Existem ainda outros dois tipos de conhecimento, além do científico e do popular ou empírico, que são o conhecimento filosófico e religioso, todos eles explicados em detalhes na maioria dos livros que tem como objetivo discorrer sobre a Metodologia Científica (Marconi e Lakatos; Cervo, Bervian e Silva; Mattar e outros) utilizados como referência para esta apostila. Antes de explicarmos cada um deles, o quadro abaixo sistematiza as suas características. As ciências possuem: a) Um objetivo ou finalidade – preocupação em distinguir a característica comum ou as leis gerais que regem determinados eventos. b) Uma função – aperfeiçoamento, por meio do crescente acervo de conhecimentos, da relação do homem com seu mundo. c) Objetos que podem ser material (aquilo que se pretende estudar, analisar, interpretar ou verificar) ou formal (o enfoque especial, em face das diversas ciências que possuem o mesmo objeto material). Devido à complexidade do universo e à diversidade de fenômenos que nele se manifestam, aliadas à necessidade do homem de estudá-los para entendê-los e explicá-los, levaram ao surgimento de diversos ramos de estudo e ciências específicas. A classificação pode ser pela complexidade, conteúdo, objeto ou tema. Marconi e Lakatos (2004) oferecem várias classificações, mas ressaltam ser 12 mais pertinente a classificação de Bunge (1974), o qual divide as ciências em formais e factuais: Interessa-nos discorrer sobre as 17 características do conhecimento científico no âmbito das ciências factuais, a saber: 1. Racional – porque é constituído por conceitos, juízos e raciocínios e não por sensações, imagens, modelos de conduta, etc. Ele permite que as ideias que o compõem possam combinar- se segundo um conjunto de regras lógicas, com a finalidade de produzir novas ideias e essas ideias se organizam em novos sistemas. 2. Objetivo – à medida que procura concordar com seu objeto, isto é, buscar alcançar a verdade factual por intermédio dos meios de observação, investigação e experimentação existentes, e à medida que verifica a adequação das ideias (hipóteses) aos fatos – recorrendo, para tal, à observação e à experimentação, atividades que são controláveis e, até certo ponto, reproduzíveis. 3. Factual – porque parte dos fatos, pode interferir neles, mas sempre volta para eles. Capta ou recolhe os fatos, da mesma forma que se produzem ou se apresentam na natureza ou na sociedade, segundo quadros conceituais ou esquemas de referência. Por fim, utiliza como matéria- prima da ciência os “dados empíricos”, isto é, enunciados factuais confirmados, obtidos com a ajuda de teorias, quadros conceituais e que realimentam a teoria. 4. Transcendente aos fatos – ou seja, descarta fatos, produz novos fatos e os explica – ao contrário do conhecimento vulgar ou popular, que apenas registra a aparência dos fatos e se atém a ela, limitando-se, frequentemente, a um fato isolado sem esforçar-se em correlacioná-lo com outros ou explicá-lo, a investigação científica não se limita aos fatos observados: tem como função explicá-las, descobrir suas relações com outros fatos e expressar essas relações; em outras palavras, trata de conhecer a realidade além de suas aparências. Seleciona os fatos considerados relevantes, controla-os e, sempre que possível, os reproduz – pode, inclusive, criar coisas novas: compostos químicos, 13 novas variedades de Vírus ou bactérias, de vegetais e, inclusive, de animais. O conhecimento científico não se contenta em descrever as experiências, mas sintetiza-as e compara-as com o que já se conhece sobre outros fatos – descobre, assim, suas correlações com outros níveis e estruturas da realidade, tratando de explicá-las por meio de hipóteses. A comprovação da veracidade das hipóteses as transforma em enunciados de leis gerais e sistemas de hipóteses (teoria). Por último leva o conhecimento além dos fatos observados, inferindo o que pode haver por trás deles. 5. Analítico – porque, ao abordar um fato, processo, situação ou fenômeno, decompõe o todo em suas partes componentes (não necessariamente a menor parte que a divisão permite) com o propósito de descobrir os elementos constitutivos da totalidade, assim como as interligações que explicam sua integração em função do contexto global. O procedimento científico de “análise” conduz à “síntese” – se a investigação inicia-se decompondo seus objetos com a finalidade de descobrir o “mecanismo” interno responsável pelos fenômenos observados, segue-se o exame da interdependência das partes e, numa etapa final, a “síntese”, isto é, a reconstrução do todo em termos de suas partes inter-relacionadas. Assim, se o processo de análise leva à decomposição do todo em seus elementos ou componentes, o de síntese procede à recomposição “das consequências aos princípios, do produto ao produtor, dos efeitos às causas ou, ainda, por simples correlacionamento” (TRUJILLO, 1974, p. 15). O processo de análise e a subsequente síntese são “a única maneira conhecidade descobrir, como se constituem, transformam e desaparecem determinados fenômenos, em seu todo” (Bunge, 1974, p. 20). Por esse motivo, a ciência rechaça a síntese obtida sem a prévia realização da análise. 6. Claro e preciso – o conhecimento científico, ao contrário do popular, precisa que o cientista se esforce ao máximo para ser exato e claro. O problema deve ser formulado com clareza, a partir de noções simples, que ao longo do estudo complicam, modificam e, se necessário, 14 repelem-se. 7. Comunicável – sua linguagem deve poder informar a todos os seres humanos que tenham sido instruídos para entendê-la; deve ser formulada de tal forma que todos os investigadores possam verificar seus dados e hipóteses e deve ser considerada propriedade de toda humanidade. 8. Verificável – deve ser aceito como válido quando passa pela prova da experiência ou da demonstração. Só após sua comprovação torna-se válido. 9. Dependente de investigação metódica – uma vez que é planejado, ou seja, o cientista não age por acaso, ele planeja seu trabalho, sabe o que procura e como deve proceder para encontrar o que almeja. É evidente que esse planejamento não exclui, totalmente, o imprevisto ou o acaso; entretanto, prevendo sua possibilidade, o cientista trata de aproveitar a interferência do acaso, quando este ocorre ou é deliberadamente provocado com a finalidade de submetê-lo a controle; baseia-se em conhecimento anterior, particularmente em hipóteses já confirmadas, em leis e princípios já estabelecidos – dessa forma, o conhecimento científico não resulta das investigações isoladas de um cientista, mas do trabalho de inúmeros investigadores; obedece a um método preestabelecido, que determina, no processo de investigação, a aplicação de normas e técnicas em etapas claramente definidas – essas normas e técnicas podem ser continuamente aperfeiçoadas. 10. Acumulativo – seu desenvolvimento é uma consequência de um contínuo selecionar de conhecimentos significativos e operacionais. Novos conhecimentos podem substituir os antigos, quando estes se revelam disfuncionais ou ultrapassados. O aparecimento de novos conhecimentos em seu processo de adição aos já existentes pode ter como resultado a criação ou apreensão de novas situações, condições ou realidades. 11. Falível – não é definitivo, absoluto ou final – a própria racionalidade da ciência permite que, além da acumulação gradual de resultados, o 15 progresso científico também se efetue por “revoluções”. 12. Geral – em decorrência de situar os fatos singulares em modelos gerais, os enunciados particulares em esquemas amplos, procurar, na variedade e unicidade, a uniformidade e a generalidade e a descoberta de leis ou princípios gerais, permite a elaboração de modelos ou sistemas mais amplos. 13. Explicativo – em virtude de ter corno finalidade explicar os fatos em termos de leis e as leis em termos de princípios, além de inquirir como são as coisas, intenta responder ao porquê. 14. Preditivo – baseia-se na investigação dos fatos, assim como no acúmulo das experiências, levando a ciência a atuar no plano do previsível. Fundamentando-se em leis já estabelecidas e em informações fidedignas sobre o estado ou o relacionamento das coisas, seres ou fenômenos, pode, pela indução probabilística, prever ocorrências. 15. Aberto – o conhecimento científico não conhece barreiras que, a priori, limitem o conhecimento – a ciência não dispõe de axiomas evidentes: até os princípios mais gerais e seguros constituem postulados que podem ser mudados ou corrigidos; a Ciência não é um sistema dogmático e cerrado, mas controvertido e aberto – isto é, constitui um sistema aberto porque é falível e, em consequência, capaz de progredir. Quando surge uma nova situação, na qual as leis existentes revelam- se inadequadas, a Ciência propõe-se a realizar novas investigações, cujos resultados induzirão à correção ou até à total substituição das leis incompatíveis, dependendo dos instrumentos de investigação disponíveis e dos conhecimentos acumulados. Até certo ponto, está ligado às circunstâncias de sua época. 16. Útil – O conhecimento científico é útil em decorrência de sua objetividade e experimentação que lhe conferem um conhecimento adequado das coisas e em decorrência de manter uma conexão com a tecnologia (MARCONI; LAKATOS, 2004). 17. Sistemático – é constituído por um sistema de ideias, logicamente 16 correlacionadas – o inter-relacionamento das ideias, que compõem o corpo de uma teoria, pode qualificar-se de orgânico. Contém um sistema de referência, que são modelos fundamentais de definições construídas sobre a base de conceitos e que se inter-relacionam de modo ordenado e completo, seguindo uma diretriz lógica; teorias e hipóteses; fontes de informações; quadros que explicam as propriedades relacionais, ou seja, é metódica. Portanto, para estudá-la é necessário: MÉTODO. O MÉTODO E A PESQUISA Vivemos tempos nunca dantes vistos. A realidade transformou-se enormemente, provocando alterações nos mais variados campos da vida humana. Padrões políticos, econômicos, sociais e culturais da sociedade, cunhados ao longo da história da humanidade e vistos como verdades absolutas são agora postos na berlinda da dúvida, o que leva a crer que a humanidade renunciou às certezas garantidas por séculos de tradição, passando a adotar a insegurança das mudanças constantes, com enfoque diferenciado na construção do conhecimento. Esse é o perfil humano da pós-modernidade. Inserida nesse contexto, a ciência e seus conceitos comumente aceitos passaram a examinar as posições das metodologias convencionais, principalmente o papel social dela, vista por muitos como uma forma de intensificar a exploração do capital ou mais um instrumento de manutenção do status quo. Nessa luta incansável pelo método seguro para a investigação científica, observam-se as tensões e contradições do modelo racional adotado pela ciência moderna a partir do século XVI. Daí a questão: como produzir conhecimento através da utilização de um pensamento objetivo e crítico sem o recurso das construções mecânicas, bem amarradas e terrivelmente lógicas, em um tempo de grandes contradições paradigmáticas e de perda da confiança epistemológica nas ciências? Conforme Pooli (1998), “a pesquisa social não é uma “sala confortável”, e é possível trabalhar sem estar em paz com seu objeto de trabalho, e essa deve ser a férrea necessidade das investigações sobre a organização os homens e das mulheres” 17 (p. 99). Porém e apesar dessas questões que nos rodeiam, a feitura da ciência e do conhecimento se faz necessária, tendo em vista os objetivos das Especializações: demonstrar o conhecimento adquirido, mas, também, aquele produzido pelo pretendente ao título. Para tanto, utiliza-se do método. Nesse sentido, o que vem a ser o Método? Método Buscamos a resposta em diversos autores: Souza, Fialho e Otani (2007) o definem como técnicas e instrumentos que determinam o modo sistematizado da forma de proceder num processo de pesquisa. Já para Trujillo (1974), método é a forma de proceder ao longo de um caminho. Em sendo, pode-se concluir que na ciência os métodos constituem os instrumentos básicos de ordenação do processo de pesquisa, ou seja, traçam de modo ordenado a forma de proceder do cientista, ao longo de um percurso, para alcançar um objetivo. É bem verdade que ao longo da história da humanidade esses métodos vêm sofrendo transformações. Na Antiguidade Clássica, período contemporâneo dos grandes filósofos Pitágoras, Sócrates e Platão, bastava a palavra do mestre para que fosse aceito um teorema como verdadeiro. Embora cada um dos pioneiros acima tenha traçado os seus passos, achamos por bem exemplificar com Galileu, posto ser ele o precursor daciência moderna e das técnicas de pesquisa a partir de métodos, ou seja, do uso da Metodologia Científica, no fazer da ciência e na construção do conhecimento. Os seus principais passos foram: 1. Observação dos Fenômenos 2. Análise das Partes, Estabelecendo Relações Quantitativas 3. Indução de Hipóteses 4. Verificação das Hipóteses – Experimento 5. Generalização dos Resultados 6. Confirmação das Hipóteses 7. Estabelecimento de Leis Gerais 18 Método científico é, portanto, o conjunto de processos ou operações mentais que se deve empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo de pesquisa. Conforme Gil (1995), Marconi e Lakatos (2008), os métodos que fornecem as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico. Podem-se classificar os métodos de acordo com diferentes critérios. Historicamente, no entanto, percebem-se duas grandes vertentes, que são respectivamente o método dedutivo e o método indutivo. Outros métodos existentes são o hipotético-dedutivo, o dialético, o fenomenológico e alguns métodos específicos das Ciências Sociais (histórico, comparativo, monográfico, estatístico, tipológico, funcionalista e estruturalista). O Método Dedutivo, proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e Leibniz, pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral para o particular, chega a uma conclusão. Usa o silogismo da construção lógica para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira logicamente decorrente das duas primeiras, denominada de “conclusão” (GIL, 1995; LAKATOS; MARCONI, 1993). O clássico exemplo de raciocínio dedutivo é: O Método Indutivo foi proposto pelos empiristas: Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Consideram que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. As constatações particulares levam à elaboração de generalizações (GIL, 1995; MARCONI; LAKATOS, 2004). Um clássico exemplo de raciocínio indutivo: 19 Por meio de um raciocínio dedutivo, parte-se de premissas que julgamos verdadeiras, sobre as quais aplicamos regras fornecidas por alguma lógica, para concluir ou negar determinada proposição. No raciocínio indutivo, busca-se alguma generalização ou abstração capaz de descrever um conjunto de dados. Pelo raciocínio analógico são estabelecidas relações de correspondência entre elementos de dois sistemas distintos. Os problemas que enfrentamos em nosso dia a dia são resolvidos pela combinação desses diferentes tipos de raciocínio. Raciocinar envolve, tipicamente, considerar evidências relativas a uma hipótese ou conclusão. Simplificando, pode-se dizer que o ato de raciocinar consiste em gerar ou calcular um argumento. A lógica formal distingue dois tipos de argumentos: • Argumentos dedutivos: é necessário, dado que as premissas sejam verdadeiras, que a conclusão seja verdadeira; • Argumentos indutivos: dado que as premissas sejam verdadeiras, é provável que a conclusão também o seja. Método Hipotético-dedutivo: Proposto por Popper, este método consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se consequências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as consequências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la (GIL, 1995, p. 30). 20 Método dialético: Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc. Muito aplicado em pesquisa qualitativa (SOUZA; FIALHO; OTANI, 2007), o método histórico consiste em investigar acontecimentos, processos e instituições do passado para verificar sua influência na sociedade de hoje, pois as instituições alcançaram sua forma atual por meio de alterações de suas partes componentes, ao longo do tempo, influenciadas pelo contexto cultural particular de cada época. O método comparativo empregado por Tylor considera o estudo das semelhanças e diferenças entre diversos tipos de grupos, sociedades ou povos. Contribui na compreensão do comportamento humano. Ele realiza comparações com a finalidade de verificar similitudes e explicar divergências. É usado tanto para comparar grupos no presente como no passado, ou entre os existentes e os do passado, quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento. Esse método permite analisar o dado concreto, deduzindo dele os elementos constantes, abstratos e gerais. Constitui numa verdadeira experimentação direta. Empregado em estudos de largo alcance (desenvolvimento da sociedade capitalista), e de setores concretos (comparação de tipos específicos de eleições), assim como estudos qualitativos (diferentes formas de governo) e quantitativos (taxa de escolarização de países em desenvolvimento e subdesenvolvimento) (MARCONI; LAKATOS, 2004). O método monográfico foi criado por Le Play que o empregou para estudar famílias operárias na Europa. Parte do princípio de que qualquer caso que se estude em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou até de todos os casos semelhantes. Esse método consiste no estudo de determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades com a finalidade de obter generalizações. 21 O método funcionalista utilizado por Malinowski é a rigor mais um método de interpretação do que de investigação. Levando-se em consideração que a sociedade é formada por partes componentes, diferenciadas, inter-relacionadas e interdependentes, satisfazendo cada uma das funções essenciais da vida social, e que as partes são mais bem entendidas compreendendo-se as funções que desempenham no todo, o método funcionalista estuda a sociedade do ponto de vista da função de suas unidades, isto e, como um sistema organizado de atividades (MARCONI; LAKATOS, 2004). Como vimos, a Metodologia Científica trata de método e ciência. A atividade preponderante da metodologia é a pesquisa. O conhecimento humano caracteriza- se pela relação estabelecida entre o sujeito e o objeto, podendo-se dizer que essa é uma relação de apropriação. Desse modo, a metodologia resulta de um conjunto de procedimentos a serem utilizados pelo indivíduo na obtenção do conhecimento. É a aplicação do método, por meio de processos e técnicas, que garante a legitimidade do saber obtido. A busca da necessidade humana de conhecer leva o homem a pesquisar. Uma pesquisa é um processo de construção do conhecimento que tem como meta principal gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum conhecimento preexistente. Basicamente, é um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual está se desenvolve. Lembre-se: Curiosidade intelectual + entusiasmo + independência + capacidade de trabalho e ambição acadêmica ou profissional + paciência e muita determinação são requisitos básicos para se tornar um pesquisador, em tempo integral ou somente para realizaçãode um único projeto. De todo modo, todos os trabalhos científicos podem adotar uma estrutura comum. Apesar de os trabalhos tratarem de temas diferentes e, com distintos propósitos, poderem variar materialmente, é possível a coincidência sequencial comum. Segundo Salvador (1982), a composição de um trabalho científico pode ser expressa da seguinte forma: antecipar o que se vai transmitir; transmitir o que se 22 havia proposto; e declarar o que se transmitiu. Essa sequência compreende a introdução, o desenvolvimento do trabalho e a conclusão. Então, o que vem a ser pesquisa? A pesquisa pode ser então definida como um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo procurar respostas aos problemas propostos. Portanto, a pesquisa científica desenvolve-se mediante utilização dos conhecimentos disponíveis, métodos, técnicas e outros procedimentos científicos, que vão desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados. Santos (2000) classifica as pesquisas em dois níveis: acadêmico e de ponta. O primeiro tipo é de caráter pedagógico, que visa despertar o espírito de busca intelectual autônoma. Realizada no âmbito da academia (universidade, faculdade ou outra instituição de ensino superior), é conduzida por professores universitários, alunos de graduação e pós-graduação. O resultado mais importante não é o conhecimento de respostas salvadoras para a humanidade, mas sim a aquisição do espírito e método para a indagação intencional. As pesquisas de ponta são desenvolvidas por pesquisadores experientes e consiste na pesquisa direcionada a lidar com a problematização, a solução e as necessidades que ainda permanecem, seja porque simplesmente não foram respondidas ou adequadamente trabalhadas. A pesquisa de ponta é tentativa de negação / superação científica e existencial. Existem várias outras classificações para os tipos de pesquisa não havendo um único esquema classificatório. Classificação das pesquisas quanto ao objetivo específico Quanto aos objetivos específicos, as pesquisas científicas podem ser classificadas em três modalidades: exploratória, descritiva e explicativa. Cada uma trata o problema de maneira peculiar. A pesquisa exploratória tem “como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema” (GIL, 1995, p. 45). A descritiva adota “como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno” (GIL, 1995, p. 46). Já a pesquisa explicativa tem “como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para 23 a ocorrência dos fenômenos” (GIL, 1995, p. 46). A pesquisa exploratória foca na maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a facilitar a construção de hipóteses. Esse tipo de pesquisa tem como principal objetivo o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições, novas ideias. A pesquisa exploratória é extremamente flexível, de modo que quaisquer aspectos relativos ao fato estudado têm importância. Grande parte das pesquisas do tipo envolve levantamento bibliográfico, documental e entrevista ou questionário envolvendo pessoas que tiveram alguma experiência com o problema. Geralmente são de natureza qualitativa. A pesquisa descritiva objetiva a descrição de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Esse tipo de estudo tem como característica mais significativa a utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Segundo Malhotra (2001, p. 108), a pesquisa descritiva “tem como principal objetivo a descrição de algo”, um evento, um fenômeno ou um fato. Os termos “descritivos”, “descrição” e “descrever” referem-se ao fato de esse tipo de pesquisa apoiar-se na estatística descritiva para realizar as descrições da população (mediante amostra probabilística) ou do fenômeno, ou relacionar variáveis. Assim, a pesquisa descritiva pura tem natureza quantitativa, mas pode ser quantitativa e qualitativa ao mesmo tempo, se representar descrição de amostra não probabilística. A pesquisa explicativa procura aprofundar o conhecimento da realidade, explicando a razão e o porquê das coisas. Tem como objetivo principal a identificação dos motivos que determinaram a ocorrência de um fenômeno ou contribuíram para tanto. Esse tipo de pesquisa é, na maioria das vezes, uma continuação da pesquisa exploratória ou da pesquisa descritiva. Classificação das pesquisas quanto ao delineamento O delineamento da pesquisa corresponde ao seu planejamento numa dimensão mais ampla, ou seja, nesse momento o investigador estabelece os meios técnicos da investigação. O elemento mais importante para a adequada identificação de um 24 delineamento é o procedimento utilizado na coleta de dados. A classificação das pesquisas quanto ao delineamento pode compreender diversos tipos, sendo os mais conhecidos: a pesquisa documental, a pesquisa bibliográfica, o levantamento, a pesquisa experimental, a pesquisa ex-post-facto, o estudo de caso e a pesquisa- ação. Vale destacar que, na proporção em que a pesquisa científica avança, novas formas de delineamento tendem a surgir. A principal característica da pesquisa documental está relacionada com a sua fonte, a qual restringe-se a documentos escritos ou não escritos, sempre de fontes primárias. Classificação das pesquisas quanto à natureza Quanto à natureza, as pesquisas científicas podem ser classificadas em três modalidades: a qualitativa, a quantitativa e a quanti-quali. A pesquisa qualitativa se dedica à compreensão dos significados dos eventos, sem a necessidade de apoiar-se em informações estatísticas. Desde a década de 1970, a pesquisa qualitativa vem assumindo certo grau de importância no campo das ciências sociais. Esse tipo de pesquisa adota a fenomenologia como base científica para moldar a compreensão da pesquisa, respondendo a questões dos tipos “o quê?”, “por quê?” e “como?”. Geralmente, a pesquisa qualitativa analisa pequenas amostras não necessariamente representativas da população, procurando entender as coisas em vez de mensurá- las. A pesquisa qualitativa é considerada essencialmente de campo, porquanto nas ciências sociais a maioria dos estudos está relacionada a fenômenos de grupos ou sociedades, razão pela qual o investigador deve atuar onde se desenvolve o objeto de estudo. Na pesquisa quantitativa, a base científica vem do Positivismo, que durante muito tempo foi sinônimo de Ciência, considerada como investigação objetiva que se baseava em variáveis mensuráveis e proposições prováveis. A pesquisa quanti-quali compreende a utilização de ambas as naturezas, quantitativa e qualitativa, numa pesquisa científica. Estudos de natureza quanti- quali têm como base tanto o positivismo como a fenomenologia. Técnicas de coleta de dados 25 Toda pesquisa, em especial a pesquisa descritiva, deve ser bem planejada se quiser oferecer resultados úteis e fidedignos. Esse planejamento envolve também a tarefa de coleta de dados, que corresponde a uma fase intermediária da pesquisa descritiva. A coleta de dados ocorre após a escolha e delimitação do tema, a revisão bibliográfica, a definição dos objetivos, a formulação do problema e das hipóteses ou pressupostos e a identificação das variáveis. A coleta de dados, tarefa importante na pesquisa, envolve diversos passos, como a determinação da população a ser estudada, a elaboração do instrumento de coleta, a programação da coleta e também o tipo de dados e de coleta. Há diversas formas de coleta de dados, todas com suas vantagens e desvantagens. Na decisão do uso de uma forma ou de outra, o pesquisador levará em conta a que menos desvantagens oferecer, respeitados os objetivos da pesquisa. Nessafase podem ser empregadas diferentes técnicas, sendo mais utilizados a entrevista, o questionário e a observação, quando aplicadas a pessoas, e a documentação indireta documental e a documentação indireta bibliográfica, quando não aplicadas a indivíduos. Cervo, Bervian e Silva (2007) elencam alguns passos básicos que devem ser observados na elaboração das perguntas: ● Identificar os dados ou as variáveis sobre os quais serão feitas as questões; ● Selecionar o tipo de pergunta a ser utilizado diante das vantagens e desvantagens de cada tipo, com vistas ao tempo a ser consumido para obter os dados e a maneira de tabulá-los e analisá-los; ● Elaborar uma ou mais perguntas referentes a cada dado a ser levantado; ● Analisar as questões elaboradas quanto à clareza da redação, classificação e sua real necessidade; codificar as questões para a posterior tabulação e análise com a inclusão dos códigos no próprio instrumento; ● Elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do 26 instrumento; ● Submeter as questões a outros técnicos para sanar possíveis deficiências; ● Revisar o instrumento para dar ordem e sequência para as questões; ● Submeter o instrumento a um pré-teste para detectar possíveis reformulações ou correções, antes de sua aplicação. Outros instrumentos usados em pesquisas descritivas, como a entrevista e a observação, embora não percorram rigorosamente os passos descritos, devem cercar-se das devidas precauções para evitar prejuízos à pesquisa decorrentes de falhas na coleta de dados. A entrevista não é uma simples conversa. É uma conversa orientada para um objetivo definido: recolher, por meio do interrogatório do informante, dados para a pesquisa. Devem-se adotar os seguintes critérios para o preparo e a realização da entrevista: ● Planejar a entrevista, delineando cuidadosamente o objetivo a ser alcançado; ● Obter, sempre que possível, algum conhecimento prévio acerca do entrevistado; ● Marcar com antecedência o local e o horário da entrevista; qualquer transtorno poderá comprometer os resultados da pesquisa; ● Criar condições, isto é, uma situação discreta, para a entrevista, pois será mais fácil obter informações espontâneas e confidenciais de uma pessoa isolada do que de uma pessoa acompanhada ou em grupo; ● Escolher o entrevistado de acordo com a sua familiaridade ou autoridade em relação ao assunto escolhido; ● Fazer uma lista das questões, destacando as mais importantes; ● Assegurar um número suficiente de entrevistados, o que dependerá da viabilidade da informação a ser obtida. 27 Técnicas de análise de dados qualitativa Dentre as técnicas de análise de dados qualitativa, destacam-se a análise de conteúdo e a análise de discurso. A análise de conteúdo é utilizada no tratamento de dados que visa identificar o que vem sendo dito acerca de determinado tema (VERGARA, 2005). Ela compreende um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens. As principais fontes da análise de conteúdo são materiais jornalísticos e documentos institucionais. A análise de discurso é definida por Vergara (2005) como um método que pretende não somente apreender como uma mensagem é transmitida, mas também explorar o seu sentido. A análise de discurso avalia quem enviou a mensagem, quem recebeu a mensagem e qual o contexto em que está inserida. O USO DAS TIC NA PESQUISA CIENTÍFICA Em apenas uma geração a humanidade vive transformações equivalentes a muitos séculos. Pode-se afirmar que vive um momento histórico especial, com uma presença generalizada dos meios eletrônicos de comunicação e informação permitidos pelas novas Tecnologias de Informação e comunicação (TIC): surgimento e evolução da Internet, da TV Interativa, dos computadores de última geração e muito mais velozes, do avanço dos celulares como verdadeiros minicomputadores, fazendo do desenvolvimento dessas tecnologias algo quase que incontrolável. Contemporaneamente, novos valores vão surgindo, colocando a modernidade em seu limite histórico. Uma nova ciência começa a ser criada, baseada em um outro logos não mais operativo, mas que tem na globalidade, na interatividade e na integridade seus focos e vetores mais fundamentais. Entretanto, é nesse contexto que o sistema educacional encontra e tem 28 razão de ser dentro da perspectiva de seus processos metodológicos e se justificativa levando em conta, em seus processos didático-pedagógicos, a natureza e as especificidades desse mundo de comunicação e informação. Atualmente, em meio ao crescimento e desenvolvimento exponencial das TIC e a tentativa de sua absorção pela educação, faz-se necessário o estudo desse fenômeno, suas consequências e sua expansão pelo mundo e, em especial, no Brasil, por ser este um país de dimensões continentais e que convive com uma histórica má distribuição de renda, geradora de desníveis de toda ordem, tornando a Educação de qualidade um artigo de luxo, raro e caro, restrito a um percentual mínimo da população mais abastada, haja vista que as TIC já estão sendo utilizadas por essa parcela da população brasileira. Em sendo, Castells confirma o fato, advertindo que “as elites aprendem fazendo e com isso modificam as aplicações da tecnologia, enquanto a maior parte das pessoas aprende usando e, assim permanecendo dentro dos limites do pacote da tecnologia”. (2007, p. 55). A EAD se expande naquele percentual da população do país excluída do processo educativo tradicional e que, principalmente, reside longe dos grandes centros. Sendo assim, a EAD, apoiada pelas TIC, resulta em um processo de inclusão social de dimensões ainda por desvendar, possibilitando uma revolução na oferta de oportunidades. Nessa perspectiva da EAD, a utilização das TIC perpassa pelo uso, até mesmo, de forma obrigatória (vide normas de formatação e estrutura da ABNT), de todas as ferramentas que elas oferecem, em especial o computador e a Internet. Nesse sentido, autores como José Manoel Moran (2011, in http://www.usp.br) e Eduardo Galhardo (2011, in http://www.assis.unesp.br/egalhard/PesqInt1.htm) oferecem diversas orientações de como utilizar esses mecanismos, principalmente a Internet, para a realização de pesquisas de toda ordem, que, no nosso caso, trata-se especificamente da pesquisa bibliográfica ou revisional. O PLÁGIO E COMO EVITÁ-LO De acordo com o dicionário Aurélio (2008), plágio é “assinar ou apresentar como sua, obra artística ou científica de outrem”. Etimologicamente, a origem da http://www.assis.unesp.br/egalhard/PesqInt1.htm) 29 palavra serve como ilustradora cabal desse conceito que ela carrega, posto que vem do grego (através do latim) “plágios”, cujo significado seria “obliquo”, “trapaceiro”. Não obstante, não é apenas esse conceito que a palavra transporta. Pode- se dizer em uma versão moderna que plagiar é uma atitude de quem não acredita em seu potencial, tampouco pretende contribuir para a sua própria formação acadêmica e profissional, posto que perde a oportunidade de enriquecer seu conhecimento e seu currículo. Isso demonstra a total incompetência e incapacidade de fazer a sua própria obra. Nesse sentido, cabe aqui um acréscimo, haja vista que o plágio revela desonestidade intelectual por ser ilegal, mesmo quando autorizado. Sendo assim, mesmo quando não vai parar nos tribunais, plagiar é uma atitude condenável, mas parece que isso não é evidente para todos, haja vista a sua incidência recorrente. Portanto, podemos considerar que plagiar é: ● Não informar a fonte de uma citação; ● Não colocara citação entre aspas, quando menores que 4 linhas; ● Assinar trabalho de outra pessoa como se fosse seu; ● Não dar crédito a quem de direito ao copiar as palavras ou ideias de alguém; ● Copiar a estrutura da sentença (frase), mudando as palavras, sem dar crédito ao autor original; ● Fazer um ajuntamento de parágrafos de diversas autorias, criando um outro texto e assinando como texto original, tendo créditos ou não; ● Apresentar como seu um trabalho que contém tantas palavras ou ideias de uma fonte que se torne a maior parte desse trabalho, dando crédito ou não. Porém, temos casos clássicos de plágios denominados: ● Plágio direto, quando se cópia de uma fonte integral, palavra por palavra, não indicando que é uma citação e sem fazer nenhumareferência ao autor; ● Empréstimo, quando se toma emprestado o trabalho de outro 30 estudante, sem a devida indicação do verdadeiro autor, tornando-se um plágio direto; ● Mosaico, quando se utiliza um texto do outra autoria, mudando algumas palavras dos parágrafos originais, podendo ser classificados como paráfrases, portanto, sem apontar o autor original e sem dar-lhe os devidos créditos; ● A bricolagem, quando se utiliza de vários trechos de diversos textos de autores diferentes, fazendo-se uma “costura” desses trechos, criando- se assim um outro texto composto de partes destes. EVITANDO O PLÁGIO É possível evitar o plágio, para tanto faça sempre uma síntese do que você leu, conhecida como leitura sintópica, pois sua originalidade resultará dessa síntese da bibliografia consultada. Além disso, quando precisar consultar outras fontes bibliográficas, dê a si próprio tempo suficiente para digerir a pesquisa. Se você está trabalhando diretamente do livro fonte, você pode começar a fazer um plágio mosaico. Se você escrever uma primeira versão sem usar o material da fonte, e, então, consultar novamente a fonte e incorporar as citações que você precisa e indicar seus empréstimos, você poderá perceber que produziu um texto mais original. A originalidade resulta da síntese do que você leu. Algumas ferramentas podem ser utilizadas para que não se cometam pequenos plágios não intencionais, tais como: A. Ficha literária: sempre que você ler algum livro, artigo ou quaisquer outros documentos, anote os dados necessários para as devidas referências (Autor. Título. Edição. Local: editora, ano); B. Anotações: tome notas cuidadosamente durante a pesquisa, incluindo referências bibliográficas completas. Isso irá assegurar que você possa facilmente fazer referência à fonte quando estiver preparando a versão final. C. Parênteses: transforme num hábito colocar entre parêntesis referências para todas as fontes de onde você fez empréstimos em cada versão 31 que você escreve. Isso irá lhe poupar tempo porque você não terá que revisitar os textos referidos quando estiver preparando a versão final. D. Tempo: reserve um tempo hábil e necessário para pesquisar, escrever e revisar o seu trabalho. Inicie a pesquisa suficientemente cedo para determinar se seu tópico é trabalhável. Estudantes que apresentam um trabalho sobre um tópico diferente do proposto ou daquele sobre o qual fizeram trabalhos preliminares são frequentemente suspeitos de plágio. Quando você não consegue encontrar o material que precisa e não tem tempo suficiente para começar um novo tópico, plagiar é uma grande tentação. E. Confiança: acredite no seu potencial e trabalhe arduamente. Até mesmo os melhores escritores, às vezes, não têm consciência de suas boas ideias e acham que não têm nada a dizer quando na verdade seus escritos dizem muito. Ideias originais resultam de se trabalhar estreitamente com ideias de outros, não de flashes de inspiração; F. Rotina: não se faz ciência sem uma rotina de trabalho e pesquisa; G. Normas Técnicas: contar sempre com um guia de documentação (manual do TCC) com as regras de como redigir referências bibliográficas; H. Ajuda: no Instituto IBE/FACEL a professora, autora dessa apostila, é a responsável pela Metodologia Científica, mas, também, em auxiliá-lo na feitura do seu trabalho, estando ao seu dispor, diariamente, via e-mail ou telefone. Procure-nos para as devidas orientações sempre que precisar. É necessário que se aprenda a expressar as suas ideias com a devida clareza e honestidade, caso contrário, será preocupante a perspectiva de que a qualidade e idoneidade do seu trabalho possam se limitar à qualidade e idoneidade do que está na Internet. Alguns Conceitos Importantes Bricolagem: Ajuntamento de trechos, frases e parágrafos de diversas autorias, formando um outro texto. Alguns autores consideram que este é um modelo de pesquisa, porém a comunidade científica o refuta e, caso o autor de 32 alguns desses trechos queira, poderá processar o escritor dele por plágio. Paráfrase: O autor do texto reescreve, com suas palavras, algo que sua fonte disse. O objetivo de se parafrasear, ao invés de citar, é escrever ou reescrever o assunto numa linguagem que o público leitor irá compreender ou identificar mais facilmente. Por exemplo: Artigos em revistas populares de ciência, tais como, a Superinteressante, frequentemente parafraseiam artigos de periódicos científicos. Essa é uma atividade intelectual importante, pois demonstra que se compreende aquilo que se leu e se é capaz de trabalhar com aquele material. Conquanto, uma paráfrase deve ser, impreterivelmente, referenciada, posto que, em não sendo, será um caso de plágio tanto quanto uma cópia integral sem referência da fonte. Quando se diz algo com suas próprias palavras não quer dizer que esse algo é seu. Resumo: Parecido com a paráfrase, o resumo de uma fonte é feito com as próprias palavras de outrem, mas é de outra fonte, ou seja, obrigatoriamente deve ser referendado, ou acorrerá em plágio. Referência vaga ou incorreta: Deve-se indicar, claramente, onde um empréstimo começa e termina. Para tanto, utiliza-se as aspas para destacar o que são do autor e o que é da fonte. Algumas vezes, o escritor de um texto faz referência a uma fonte uma vez, e o leitor presume que as sentenças anteriores ou parágrafos tenham sido parafraseados quando na verdade a maior parte do texto é uma paráfrase dessa única fonte. O escritor do texto falhou na indicação clara dos seus empréstimos às suas fontes. Paráfrases e resumos devem ter seus limites indicados por referências (no começo com o nome do autor, no fim com referência entre parêntesis). O escritor deve sempre indicar quando uma paráfrase, resumo ou citação começa, termina ou é interrompida. Citação: Copiar, integralmente, ou seja, palavra por palavra, um texto, frase ou palavra que alguém disse, escreveu ou criou. Em um texto, uma citação deve ser indicada e ressaltada por aspas no início e no fim da citação ou, quando a citação é longa, ela deve ser colocada em um parágrafo separado por dois espaços antes e depois do texto principal, em fonte com tamanho menor e recuado à direita 4,0cm. A fonte da citação (autor, data e página) precisa, ainda, ser 33 referenciada, seja no próprio texto (em chamada anterior ou posterior a ela) ou em nota de rodapé. Referência: Referendar é identificar a fonte de uma citação, paráfrase ou resumo. A prática de referenciar em textos acadêmicos e profissionais requerem o nome do autor, o título do livro ou periódico em que ele apareceu, a data da publicação da obra e o número da página em nota de rodapé. Porém, os textos acadêmicos e profissionais exigem uma referência completa, dentro do texto (autor, data e página) e uma entrada bibliográfica em nota de rodapé ou completa numa lista de Trabalhos Referenciados (Referências). Plágio mosaico: Esse é o tipo de plágio mais comum. O Escritor não faz uma cópia da fonte diretamente, mas muda umas poucas palavras emcada sentença, sem dar crédito ao autor original. Esses parágrafos ou sentenças não são citações, mas estão tão próximas de sê-las que eles deveriam ter sido citados ou, se eles foram modificados o bastante para serem classificados como paráfrases, deveria ter sido feita a referência à fonte. Plágio direto: Copiar, integralmente, uma frase, parágrafo ou mesmo um conceito de uma fonte sem indicar que é uma citação e sem fazer referência ao autor. Tomar emprestado o trabalho de outros estudantes: Este é um plágio direto consentido. Não há nada de errado em se tomar informações ou recorrer a ajuda de terceiros. O que não pode é não se produzir o próprio conhecimento. Plágio integral: Tomar de outro autor um texto completo e assiná-lo como sendo de sua autoria. Plágio parcial: Tomar emprestado de outro autor partes de um texto e incluí-las em um texto seu sem as devidas citações e referências. 34 QUEM SOMOS Temos orgulho em dizer que muito antes de sua fundação a FACIBE já começava a sua história por meio da trajetória dos seus fundadores, Cláudia e Jackson, que uniram a paixão por Educação e inovação para levar cursos de Ensino a Distância (EAD) Brasil afora, inspirando outras pessoas a buscarem o aprendizado ou, até mesmo, levando-as a retomar os estudos. Em 2009 essa experiência nos levou à criação do IBE que se tornou na Faculdade FACIBE, que tem o objetivo de proporcionar e flexibilizar o acesso à educação, promovendo mudanças por meio do Ensino a Distância, atuando como agente do conhecimento e despertando não só o interesse pela educação, mas também pelo desenvolvimento humano. Por meio das nossas opções de cursos, com avaliações excelentes e valores acessíveis, ajudamos a tornar sonhos em realidade e proporcionamos mais oportunidades de