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Metodologia do Trabalho 
Científico 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“A busca pelo conhecimento é o que nos abre 
para umdiálogo mais próximo e com condições de 
igualdade, se concretizando por meio da 
Educação”. 
1 
 
 
 
 
 
 
 
CONVITE AO ESTUDO 
 
Olá estudante, 
 
O conjunto de capítulos que compõe está apostila foi elaborado por 
profissionais que objetivaram organizar os tópicos mais relevantes sobre a 
temática, apresentando ao estudante um repertório de conteúdos diversos, com 
uma linguagem acessível, ilustrações e tabelas que irão proporcionar a você uma 
experiência de aprendizagem diversificada. 
Os ícones apresentados no decorrer de cada apostila visam proporcionar ao 
estudante exercitar processos de meta-reflexão e autoavaliação, que irão lhe 
auxiliar em suas práticas profissionais, portanto, leia atentamente todo o conteúdo 
e abra todos os links indicados, para que sua experiência seja mais completa. 
Exerça a sua autonomia e complemente sempre seus estudos com fontes 
(confiáveis) de pesquisa diversas, compartilhe suas impressões com seus colegas 
nos fóruns e assista aos vídeos com aulas complementares, assim você estará se 
aprofundando nos estudos e garantindo futuras boas práticas. Elabore um diário 
de bordo com anotações pessoais de cada capítulo e acompanhe à evolução da 
sua aprendizagem no decorrer do curso. 
Desejamos bons estudos e lembre-se que a “persistência é o melhor 
caminho para o êxito!” (Chales Chaplin). 
 
Coordenação Pedagógica. 
2 
 
 
 
 
 
Sumário 
INTRODUÇÃO 3 
A CIÊNCIA 5 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 8 
O MÉTODO E A PESQUISA 16 
O USO DAS TIC NA PESQUISA CIENTÍFICA 27 
O PLÁGIO E COMO EVITÁ-LO 28 
3 
 
 
 
 INTRODUÇÃO 
A disciplina Metodologia científica introduzida em sua grade curricular de 
estudos, faz-se necessária no intuito de atender às exigências legais do MEC para 
elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso de cunho Científico para a 
conclusão de cursos de Pós-graduação Lato sensu. 
Assim sendo, o objetivo desta disciplina é, portanto, oportunizar a você, 
aluno, o desenvolvimento de uma atitude científica desejosa e inerente ao processo 
de construção do conhecimento e do fazer científico e a instrumentalização teórico- 
metodológica da pesquisa, visando a sua introdução na prática dos cursos de 
Especialização através da pesquisa científica. 
Com esse intuito, não pretendemos esgotar o tema acerca da Metodologia 
Científica e, sim, oferecermos subsídios para que você consiga elaborar seu 
trabalho da melhor forma possível. Para tanto, selecionamos algumas questões 
que consideramos relevantes para esse fim e organizamos uma sequência de 
informações úteis para a confecção do seu Trabalho de Conclusão de Curso 
(TCC). 
Objetivando concretizar essa proposta, nos valemos de um precioso elenco 
de autores da área com vasto material bibliográfico relativo ao tema. As normas e 
técnicas contidas nesta obra baseiam-se nas mais recentes normas e padrões da 
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e em bibliografias de 
especialistas na área de Metodologia Científica. 
Inicialmente, trataremos do conceito de Ciência na contemporaneidade e a 
sua flexibilidade em relação a alguns aspectos antes considerados indesejáveis, 
em função do excesso pragmático e do isolamento disciplinar e, nesse sentido, 
faremos uma pequena incursão pelo universo científico, posto que fazer ciência é 
buscar soluções para problemas da sociedade, colocando- se a serviço da 
humanidade. 
Nesse sentido, Demo (2001) afirma que a pesquisa deve ser a razão da 
existência da academia e que, nessa perspectiva, formamos estudantes cidadãos 
e não somente técnicos que “encontram na competência reconstrutiva de 
4 
 
 
 
 
 
conhecimento seu perfil decisivo”, tendo dois desafios, que são: “fazer o 
conhecimento progredir, mas, mormente, de o humanizar”. (p. 02). Contudo, é 
nessa linha traçada por Demo (2001) que confeccionamos este material, partindo 
da busca pela construção do conceito de Ciência, bem como das atitudes 
científicas para fazê-la, sob o olhar de Lakatos e Marconi (2009) quando afirmam 
que “a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade” (p. 
23), corroboradas pela afirmação de Sagan (1996, p. 12), quando diz que: “a 
Ciência está longe de ser um instrumento perfeito de conhecimento. É apenas o 
melhor que temos” (Grifo da autora). Em seguida, faremos uma análise acerca do 
conceito de Metodologia Científica e sua aplicabilidade acadêmica, bem como do 
que vem a ser o Conhecimento e seus variados tipos, ressaltando o Conhecimento 
Científico, posto ser este o conhecimento que deverá ser utilizado para a produção 
e pesquisa acadêmica que você irá empreender neste curso. 
Na sequência, relataremos os métodos científicos existentes e que devem 
ser utilizados para se fazer ciência; a pesquisa e seus conceitos; os tipos de 
pesquisas e como utilizá-las, dando ênfase à pesquisa bibliográfica por 
entendermos ser esta a mais aplicável em uma pós-graduação desse tipo devido 
à escassez de tempo e de condições didáticas e metodológicas para se realizar 
outros tipos de pesquisas. 
Dessa forma, o que se pretende é identificar a coerência do questionamento 
crítico e criativo. Trata-se de conjugar crítica e autocrítica dentro do princípio 
metodológico, isto é, o questionamento sistematizado apresenta a discussão como 
critério principal da cientificidade, pois, segundo Habermas, uma “verdade é uma 
pretensão de validade” (apud DEMO, 1996, p.22) e, sendo assim, “a história das 
ciências revela não um a priori, mas o que foi produzido em determinado momento 
histórico com toda a relatividade do processo de conhecimento” (MINAYO, 1994, 
p. 12). 
Falaremos ainda sobre os métodos de pesquisa e os variados trabalhos 
científicos, dando ênfase ao Artigo Científico, por ser essa a exigência da 
instituição para o seu TCC. Ao final elencamos várias orientações metodológicas 
no que tange a utilização da informática e da Internet na pesquisa cientifica, bem 
como abordaremos a questão de plágio e como evitá-lo. 
5 
 
 
 
 
 
 
 
A CIÊNCIA 
 
Falar da Ciência não é fácil. A questão mais difícil de ser respondida é a que 
se relaciona com a sua definição. Porém, tentaremos defini-la sob a tutela de 
diversos autores e cientistas. Partindo de Freire-Maia (1998), ele afirma que 
raramente os filósofos da ciência se propõem a definir ciência, relacionando três 
motivos para essa recusa, a saber: 
● O primeiro reside no fato de toda definição ser incompleta (sempre há 
algo que foi excluído ou algo que poderia ter sido incluído); 
● O segundo, na própria complexidade do tema; 
● E o terceiro, justamente na falta de acordo entre as definições (FREIRE- 
MAIA, 1998, p. 24). 
Diante desse impasse, o autor sugere colocar “de lado” as fundamentações 
epistemológicas procedendo a uma “tosca” definição de ciência que privilegiaria 
um “conjunto de descrições, interpretações, teorias, leis, modelos etc., visando ao 
conhecimento de uma parcela da realidade”, através de uma “metodologia 
especial”, a saber: a metodologia científica (p. 24). 
Dentre os analistas do tema, Merton (1979) relata a quase unanimidade 
acerca dá ideia de que a ciência “é um vocábulo enganosamente amplo, que 
designa grande diversidade de coisas diversas, embora relacionadas entre si” (p. 
38). Não obstante, Roqueplo (1979) afirma que, “falar do significado da ciência 
levanta imediatamente numerosas questões, umas relativas à palavra ciência e 
outras relativas à palavra significado” (p. 140). 
Já há outros autores, como Morais (1988), que definem a ciência como 
sendo “mais do que uma instituição, é uma atividade. Podemos mesmo dizer que 
a 'ciência' é um conceito abstrato.” E continua dizendo que o que se conhece 
“concretamente” são os cientistas e o resultado de seus trabalhos. “O cientista 
contemporâneosabe bem que nada há de definitivo e indiscutível que tenha sido 
assentado por homens” (p. 24). 
A ciência é extremamente abrangente e complexa, não se reduzindo, 
somente, a experimentos. O experimento científico é fundamental para o 
desenvolvimento das ciências da natureza, especialmente através de seus 
6 
 
 
 
 
 
desdobramentos disciplinares nas últimas décadas do século XX. Porém, as 
chamadas “ciências humanas e sociais” não partilham desse mesmo cientificismo, 
pois anterior à práxis científica estão a ideia, o pensamento, a filosofia da ciência 
e o “conhecimento do conhecimento”, que trazem à tona as discussões em torno 
dos paradigmas, da moral, da epistemologia, da ética, da política, enfim 
características relacionadas e inter-relacionadas ao desenvolvimento do 
conhecimento e da pesquisa. 
Dentro da temática relativa à pesquisa científica, Whitehead (1946) lembra 
que a filosofia é a mais “eficaz pesquisa intelectual”, afirmando que ela é a 
responsável pela construção de “catedrais antes que os trabalhadores tenham 
removido uma pedra, e as destrói antes que os elementos tenham esboroado as 
suas arcadas”, posto que existe sempre um pensamento que precede a prática. 
Esse processo não é necessariamente imediato, pois, conforme o mesmo autor, a 
“filosofia trabalha devagar. Os pensamentos dormem longo tempo; quase 
imediatamente depois a humanidade sente que se incorporou a si mesma em 
instituições” (WHITEHEAD, 1946, p. 7-8). 
Não obstante, Chauí (1996), tenta, pelo determinismo, descrever por 
completo os “fenômenos naturais e humanos, oferecendo a definição dos seres e 
as leis necessárias de suas relações” e afirma que “a ciência opera com o provável, 
isto é, com o possível submetido a cálculos” (p. 22). 
Nessa mesma linha, Chrétien (1994) destaca a necessidade que a 
sociedade tem, de acreditar e criar mitos para entender e relacionar-se no 
cotidiano, isso porque para “fundamentar sua identidade e justificar suas 
prescrições, valores e relações entre seus membros” (p. 13). 
Nesse sentido, o mito pode ser entendido e aceito, como necessidade, para 
a construção no imaginário popular daquilo que não se pode ter e, em sendo, 
Chrétien (1994) ressalta que: o mito geralmente põe em cena deuses e heróis, 
demiurgos das origens, que lançam as bases da nova ordem. Ele retraça sua 
epopéia lendária que fixa, no imaginário coletivo, os signos e modelos que 
postulam os procedimentos comuns de significado e comunicação. (CHRÉTIEN, 
1994, p. 13). 
Ora, se assim, de acordo com o autor, o mito pode determinar os “ritos, as 
7 
 
 
 
 
 
regras do jogo social e os paradigmas sobre os quais se modulam os 
comportamentos” (CHRÉTIEN, 1994, p.13), a partir da crise da razão, do século 
XX, Chauí (1996) afirma que “os humanos reencontraram um meio para repor 
aquilo que a teoria havia substituído ao nascer: os mitos, os fundamentalismos 
religiosos. Mitologias e religiões ocupam hoje o lugar vazio deixado pela razão” 
(p.22). 
Nesse ínterim, se a ciência resolve modificar esse sistema tentando, de 
certa forma, assumir seu lugar no imaginário coletivo, pois os “deuses e 
taumaturgos não mais fazem sucesso na era das ciências e técnicas”, 
provavelmente, ocorrerão brechas e a “sociedade não pode funcionar se nela ficam 
vagos os lugares do poder simbólico” (CHRÉTIEN, 1994, p. 13), pensamento 
corroborado por Morin (1999a), quando este demonstra seu pensamento acerca 
do mito no século XX. Ele relata que “este tomou a forma da Razão, a ideologia 
camuflou-se de ciência, a Salvação tomou forma política garantindo-se certificada 
pelas Leis da História”. Além do mais, é nesse século que o “[...] messianismo e 
niilismo se combatem, entrechocam-se e produzem- se um ao outro, a crise de um 
operando a ressurreição do outro. (MORIN, 1999a, p. 15-16). 
No século XXI, vemos uma tentativa de restauração a partir do próprio 
pensamento, ao que se chamou de “revoluções científicas” que, para Morin (2002), 
foram as responsáveis pela preparação da “reforma do pensamento”, e destaca 
duas: a primeira está relacionada à física quântica, que trouxe o “esboroamento de 
toda ideia de que haveria uma unidade simples na base do universo”, pôs em 
dúvida o sentido dogmático em torno do determinismo, introduzindo o conceito de 
incerteza no meio científico. A segunda revolução está relacionada ao princípio não 
reducionista para o pensamento científico que, de acordo com o mesmo autor, “há 
uma ressurreição das entidades globais, como o cosmo, a natureza, o homem”. 
(MORIN, 2002, p. 89- 90). 
Contudo, é nessa perspectiva da ciência revolucionária que Lakatos e 
Marconi (2009) a definem por “um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou 
prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem 
referência a objetos de uma mesma natureza” (p. 77). Junior (1988) a conceitua 
como “um conjunto de proposições (teorias) coerentes, sem contradições internas, 
8 
 
 
 
 
 
com encadeamento racional, despida de valorações e subjetividade” (p. 23). Para 
Dencker (1998), a ciência “caracteriza-se como uma forma especial de 
conhecimento da realidade empírica” e mais à frente afirmam ser “um 
conhecimento racional. Metódico, sistemático, capaz de ser submetido à 
verificação e que passa por um processo de reflexão” (p. 65). 
Diante do exposto, caracterizaremos a ciência de acordo com sua 
finalidade: distinguir características, leis e princípios comuns que controlam os 
eventos; sua função: aperfeiçoar e ampliar a relação do homem com a realidade 
através do conhecimento; e seu objeto formal: olhar das diversas ciências sobre 
um mesmo objeto material: aquilo que se pretende conhecer. Assim, para 
construir esse conhecimento, vamos à Metodologia Científica. 
 
METODOLOGIA CIENTÍFICA 
 
 
 
Para se fazer Ciência e construir o conhecimento, é preciso Método. Para 
se aplicar o Método, desenvolveu-se a Metodologia Científica que é o estudo 
sistemático e lógico dos métodos empregados nas ciências e sua relação com as 
teorias científicas. Em geral, o método científico compreende um conjunto de dados 
iniciais e um sistema de operações ordenadas adequado para a formulação de 
conclusões, de acordo com certos objetivos predeterminados. Ou seja, é um 
conjunto de regras básicas que a Ciência (em todas as suas formas) desenvolve, 
a fim de coletar evidências, passíveis de observação e empíricas, de forma racional 
e lógica, objetivando a obtenção, organização, sistematização, correção e 
produção do conhecimento. 
9 
 
 
 
 
 
Essa produção do conhecimento é marcada pela busca de evidências que 
comprovem hipóteses formuladas, como enfrentamento da complexidade do 
mundo real, visando detectar-lhe as estruturas invisíveis através dos métodos. A 
Ciência somente progride com os métodos, posto que por eles ela encontra os 
próprios erros, que não são descobertos ao acaso, mas por meio da busca 
sistemática de melhores explicações para os fenômenos naturais e sociais. 
Não obstante, embora os procedimentos variem de uma área da ciência 
para outra, é possível determinar certos elementos que diferenciam o método 
científico de outros métodos. Como? De início, os pesquisadores propõem 
hipóteses para explicar certos fenômenos e, então, desenvolvem pesquisas e 
experimentos que confirmam ou refutam essas hipóteses. Se confirmadas, as 
hipóteses podem gerar teorias. 
Nesse interim, o cientista precisa ser imparcial na interpretação dos 
resultados, pois o processo precisa ser objetivo. Além disso, o procedimento 
precisa ser documentado, tanto no que diz respeito aos dados como aos 
procedimentos, para que outros cientistas possam analisar e reproduzir o 
procedimento. Essa documentação deve obedecer a uma série de padrões para 
ser aceito pela comunidade científica. Esses padrões constam nas Normas 
Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 
 
Objetivosda Metodologia Científica 
 
A Ciência tem como princípio tornar o homem mais próximo dos fenômenos 
naturais e humanos através da compreensão e do domínio dos mecanismos que 
regem tais fenômenos. Essa aproximação não exige formulações prévias de 
nenhum tipo, pois os estímulos externos chegam ao homem por meio dos sentidos 
e o acúmulo de experiências sensoriais e intelectuais já permite um certo grau de 
conhecimento empírico em cada homem. 
Não obstante, a assimilação desordenada de percepções pode gerar lapsos 
de interpretação e captação errada ou insuficiente das informações recebidas. Por 
conta disso, a Ciência estabelece regras que auxiliam na classificação, registro e 
interpretação dos dados percebidos, o que permite e garante temporalmente a 
economia de tempo e um sistema de transmissão do saber entre as gerações, de 
10 
 
 
 
 
 
forma racional. 
Nesse sentido, o emprego da Metodologia Científica objetiva, pois, 
solucionar as questões relativas à classificação de dados, orientando as pesquisas 
futuras e facilitando o treinamento de Especialistas. 
Marconi e Lakatos (2004) nos oferecem um exemplo bem prático: saber que 
uma determinada planta precisa de uma quantidade “X” de água e que, se não a 
receber de forma natural deve ser irrigada pode ser um conhecimento verdadeiro 
e comprovável, mas nem por isso científico. Para que esse conhecimento ocorra é 
necessário ir além: conhecer a natureza dos vegetais, sua composição, seu ciclo 
de desenvolvimento e as particularidades que distinguem uma espécie da outra. 
Esse exemplo nos leva a crer que: 
1. A ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à 
verdade; 
2. Um objeto ou fenômeno como uma planta ou uma comunidade ou ainda 
as relações entre chefes e subordinados pode ser matéria de 
observação tanto para o cientista quanto para o homem comum. O que 
diferencia é a forma de observação e análise, bem como os métodos 
utilizados. 
De modo geral, o método dedutivo parte-se do geral para chegar ao 
particular. O método indutivo, ao contrário, constrói modelos e leis a partir de casos 
particulares pelo uso de mecanismos lógicos de generalização. O método analítico 
decompõe o objeto para formular problemas mais simples, ou seja, parte do 
complexo e mais geral para chegar ao simples e particular. 
O método sintético já é oposto a esse: reúne aspectos particulares indo do 
simples ao complexo. 
Outros métodos são: a definição rigorosa do objeto de estudo; os sistemas 
de classificação, com divisões e subdivisões; os instrumentos de medida e os 
sistemas de unidades; a variabilidade das condições que interferem sobre os 
fenômenos estudados na construção do conhecimento científico. Porém, como já 
dissemos, existem variados tipos de conhecimento. 
 
Os Tipos de Conhecimento 
11 
 
 
 
 
 
 
 
Existem ainda outros dois tipos de conhecimento, além do científico e do 
popular ou empírico, que são o conhecimento filosófico e religioso, todos eles 
explicados em detalhes na maioria dos livros que tem como objetivo discorrer sobre 
a Metodologia Científica (Marconi e Lakatos; Cervo, Bervian e Silva; Mattar e 
outros) utilizados como referência para esta apostila. 
Antes de explicarmos cada um deles, o quadro abaixo sistematiza as suas 
características. 
 
 
 
As ciências possuem: 
a) Um objetivo ou finalidade – preocupação em distinguir a 
característica comum ou as leis gerais que regem determinados eventos. 
b) Uma função – aperfeiçoamento, por meio do crescente acervo de 
conhecimentos, da relação do homem com seu mundo. 
c) Objetos que podem ser material (aquilo que se pretende estudar, 
analisar, interpretar ou verificar) ou formal (o enfoque especial, em face das 
diversas ciências que possuem o mesmo objeto material). 
Devido à complexidade do universo e à diversidade de fenômenos que nele 
se manifestam, aliadas à necessidade do homem de estudá-los para entendê-los 
e explicá-los, levaram ao surgimento de diversos ramos de estudo e ciências 
específicas. A classificação pode ser pela complexidade, conteúdo, objeto ou tema. 
 
 
Marconi e Lakatos (2004) oferecem várias classificações, mas ressaltam ser 
12 
 
 
 
 
 
mais pertinente a classificação de Bunge (1974), o qual divide as ciências em 
formais e factuais: 
Interessa-nos discorrer sobre as 17 características do conhecimento 
científico no âmbito das ciências factuais, a saber: 
1. Racional – porque é constituído por conceitos, juízos e raciocínios e não 
por sensações, imagens, modelos de conduta, etc. Ele permite que as 
ideias que o compõem possam combinar- se segundo um conjunto de 
regras lógicas, com a finalidade de produzir novas ideias e essas ideias 
se organizam em novos sistemas. 
2. Objetivo – à medida que procura concordar com seu objeto, isto é, 
buscar alcançar a verdade factual por intermédio dos meios de 
observação, investigação e experimentação existentes, e à medida que 
verifica a adequação das ideias (hipóteses) aos fatos – recorrendo, para 
tal, à observação e à experimentação, atividades que são controláveis 
e, até certo ponto, reproduzíveis. 
3. Factual – porque parte dos fatos, pode interferir neles, mas sempre volta 
para eles. Capta ou recolhe os fatos, da mesma forma que se produzem 
ou se apresentam na natureza ou na sociedade, segundo quadros 
conceituais ou esquemas de referência. Por fim, utiliza como matéria- 
prima da ciência os “dados empíricos”, isto é, enunciados factuais 
confirmados, obtidos com a ajuda de teorias, quadros conceituais e que 
realimentam a teoria. 
4. Transcendente aos fatos – ou seja, descarta fatos, produz novos fatos 
e os explica – ao contrário do conhecimento vulgar ou popular, que 
apenas registra a aparência dos fatos e se atém a ela, limitando-se, 
frequentemente, a um fato isolado sem esforçar-se em correlacioná-lo 
com outros ou explicá-lo, a investigação científica não se limita aos fatos 
observados: tem como função explicá-las, descobrir suas relações com 
outros fatos e expressar essas relações; em outras palavras, trata de 
conhecer a realidade além de suas aparências. Seleciona os fatos 
considerados relevantes, controla-os e, sempre que possível, os 
reproduz – pode, inclusive, criar coisas novas: compostos químicos, 
13 
 
 
 
 
 
novas variedades de Vírus ou bactérias, de vegetais e, inclusive, de 
animais. O conhecimento científico não se contenta em descrever as 
experiências, mas sintetiza-as e compara-as com o que já se conhece 
sobre outros fatos – descobre, assim, suas correlações com outros 
níveis e estruturas da realidade, tratando de explicá-las por meio de 
hipóteses. A comprovação da veracidade das hipóteses as transforma 
em enunciados de leis gerais e sistemas de hipóteses (teoria). Por 
último leva o conhecimento além dos fatos observados, inferindo o que 
pode haver por trás deles. 
5. Analítico – porque, ao abordar um fato, processo, situação ou 
fenômeno, decompõe o todo em suas partes componentes (não 
necessariamente a menor parte que a divisão permite) com o propósito 
de descobrir os elementos constitutivos da totalidade, assim como as 
interligações que explicam sua integração em função do contexto 
global. O procedimento científico de “análise” conduz à “síntese” – se a 
investigação inicia-se decompondo seus objetos com a finalidade de 
descobrir o “mecanismo” interno responsável pelos fenômenos 
observados, segue-se o exame da interdependência das partes e, 
numa etapa final, a “síntese”, isto é, a reconstrução do todo em termos 
de suas partes inter-relacionadas. Assim, se o processo de análise leva 
à decomposição do todo em seus elementos ou componentes, o de 
síntese procede à recomposição “das consequências aos princípios, do 
produto ao produtor, dos efeitos às causas ou, ainda, por simples 
correlacionamento” (TRUJILLO, 1974, p. 15). O processo de análise e 
a subsequente síntese são “a única maneira conhecidade descobrir, 
como se constituem, transformam e desaparecem determinados 
fenômenos, em seu todo” (Bunge, 1974, p. 20). Por esse motivo, a 
ciência rechaça a síntese obtida sem a prévia realização da análise. 
6. Claro e preciso – o conhecimento científico, ao contrário do popular, 
precisa que o cientista se esforce ao máximo para ser exato e claro. O 
problema deve ser formulado com clareza, a partir de noções simples, 
que ao longo do estudo complicam, modificam e, se necessário, 
14 
 
 
 
 
 
repelem-se. 
7. Comunicável – sua linguagem deve poder informar a todos os seres 
humanos que tenham sido instruídos para entendê-la; deve ser 
formulada de tal forma que todos os investigadores possam verificar 
seus dados e hipóteses e deve ser considerada propriedade de toda 
humanidade. 
8. Verificável – deve ser aceito como válido quando passa pela prova da 
experiência ou da demonstração. Só após sua comprovação torna-se 
válido. 
9. Dependente de investigação metódica – uma vez que é planejado, ou 
seja, o cientista não age por acaso, ele planeja seu trabalho, sabe o que 
procura e como deve proceder para encontrar o que almeja. É evidente 
que esse planejamento não exclui, totalmente, o imprevisto ou o acaso; 
entretanto, prevendo sua possibilidade, o cientista trata de aproveitar a 
interferência do acaso, quando este ocorre ou é deliberadamente 
provocado com a finalidade de submetê-lo a controle; baseia-se em 
conhecimento anterior, particularmente em hipóteses já confirmadas, 
em leis e princípios já estabelecidos – dessa forma, o conhecimento 
científico não resulta das investigações isoladas de um cientista, mas 
do trabalho de inúmeros investigadores; obedece a um método 
preestabelecido, que determina, no processo de investigação, a 
aplicação de normas e técnicas em etapas claramente definidas – 
essas normas e técnicas podem ser continuamente aperfeiçoadas. 
10. Acumulativo – seu desenvolvimento é uma consequência de um 
contínuo selecionar de conhecimentos significativos e operacionais. 
Novos conhecimentos podem substituir os antigos, quando estes se 
revelam disfuncionais ou ultrapassados. O aparecimento de novos 
conhecimentos em seu processo de adição aos já existentes pode ter 
como resultado a criação ou apreensão de novas situações, condições 
ou realidades. 
11. Falível – não é definitivo, absoluto ou final – a própria racionalidade da 
ciência permite que, além da acumulação gradual de resultados, o 
15 
 
 
 
 
 
progresso científico também se efetue por “revoluções”. 
12. Geral – em decorrência de situar os fatos singulares em modelos gerais, 
os enunciados particulares em esquemas amplos, procurar, na 
variedade e unicidade, a uniformidade e a generalidade e a descoberta 
de leis ou princípios gerais, permite a elaboração de modelos ou 
sistemas mais amplos. 
13. Explicativo – em virtude de ter corno finalidade explicar os fatos em 
termos de leis e as leis em termos de princípios, além de inquirir como 
são as coisas, intenta responder ao porquê. 
14. Preditivo – baseia-se na investigação dos fatos, assim como no 
acúmulo das experiências, levando a ciência a atuar no plano do 
previsível. Fundamentando-se em leis já estabelecidas e em 
informações fidedignas sobre o estado ou o relacionamento das coisas, 
seres ou fenômenos, pode, pela indução probabilística, prever 
ocorrências. 
15. Aberto – o conhecimento científico não conhece barreiras que, a priori, 
limitem o conhecimento – a ciência não dispõe de axiomas evidentes: 
até os princípios mais gerais e seguros constituem postulados que 
podem ser mudados ou corrigidos; a Ciência não é um sistema 
dogmático e cerrado, mas controvertido e aberto – isto é, constitui um 
sistema aberto porque é falível e, em consequência, capaz de progredir. 
Quando surge uma nova situação, na qual as leis existentes revelam- 
se inadequadas, a Ciência propõe-se a realizar novas investigações, 
cujos resultados induzirão à correção ou até à total substituição das leis 
incompatíveis, dependendo dos instrumentos de investigação 
disponíveis e dos conhecimentos acumulados. Até certo ponto, está 
ligado às circunstâncias de sua época. 
16. Útil – O conhecimento científico é útil em decorrência de sua 
objetividade e experimentação que lhe conferem um conhecimento 
adequado das coisas e em decorrência de manter uma conexão com a 
tecnologia (MARCONI; LAKATOS, 2004). 
17. Sistemático – é constituído por um sistema de ideias, logicamente 
16 
 
 
 
 
 
correlacionadas – o inter-relacionamento das ideias, que compõem o 
corpo de uma teoria, pode qualificar-se de orgânico. Contém um 
sistema de referência, que são modelos fundamentais de definições 
construídas sobre a base de conceitos e que se inter-relacionam de 
modo ordenado e completo, seguindo uma diretriz lógica; teorias e 
hipóteses; fontes de informações; quadros que explicam as 
propriedades relacionais, ou seja, é metódica. Portanto, para estudá-la 
é necessário: MÉTODO. 
 
O MÉTODO E A PESQUISA 
 
Vivemos tempos nunca dantes vistos. A realidade transformou-se 
enormemente, provocando alterações nos mais variados campos da vida humana. 
Padrões políticos, econômicos, sociais e culturais da sociedade, cunhados ao 
longo da história da humanidade e vistos como verdades absolutas são agora 
postos na berlinda da dúvida, o que leva a crer que a humanidade renunciou às 
certezas garantidas por séculos de tradição, passando a adotar a insegurança das 
mudanças constantes, com enfoque diferenciado na construção do conhecimento. 
Esse é o perfil humano da pós-modernidade. 
Inserida nesse contexto, a ciência e seus conceitos comumente aceitos 
passaram a examinar as posições das metodologias convencionais, principalmente 
o papel social dela, vista por muitos como uma forma de intensificar a exploração 
do capital ou mais um instrumento de manutenção do status quo. 
Nessa luta incansável pelo método seguro para a investigação científica, 
observam-se as tensões e contradições do modelo racional adotado pela ciência 
moderna a partir do século XVI. 
Daí a questão: como produzir conhecimento através da utilização de um 
pensamento objetivo e crítico sem o recurso das construções mecânicas, bem 
amarradas e terrivelmente lógicas, em um tempo de grandes contradições 
paradigmáticas e de perda da confiança epistemológica nas ciências? Conforme 
Pooli (1998), “a pesquisa social não é uma “sala confortável”, e é possível trabalhar 
sem estar em paz com seu objeto de trabalho, e essa deve ser a férrea 
necessidade das investigações sobre a organização os homens e das mulheres” 
17 
 
 
 
 
 
(p. 99). 
Porém e apesar dessas questões que nos rodeiam, a feitura da ciência e do 
conhecimento se faz necessária, tendo em vista os objetivos das Especializações: 
demonstrar o conhecimento adquirido, mas, também, aquele produzido pelo 
pretendente ao título. Para tanto, utiliza-se do método. Nesse sentido, o que vem 
a ser o Método? 
 
Método 
 
Buscamos a resposta em diversos autores: Souza, Fialho e Otani (2007) o 
definem como técnicas e instrumentos que determinam o modo sistematizado da 
forma de proceder num processo de pesquisa. Já para Trujillo (1974), método é a 
forma de proceder ao longo de um caminho. 
Em sendo, pode-se concluir que na ciência os métodos constituem os 
instrumentos básicos de ordenação do processo de pesquisa, ou seja, traçam de 
modo ordenado a forma de proceder do cientista, ao longo de um percurso, para 
alcançar um objetivo. 
É bem verdade que ao longo da história da humanidade esses métodos vêm 
sofrendo transformações. Na Antiguidade Clássica, período contemporâneo dos 
grandes filósofos Pitágoras, Sócrates e Platão, bastava a palavra do mestre para 
que fosse aceito um teorema como verdadeiro. 
Embora cada um dos pioneiros acima tenha traçado os seus passos, 
achamos por bem exemplificar com Galileu, posto ser ele o precursor daciência 
moderna e das técnicas de pesquisa a partir de métodos, ou seja, do uso da 
Metodologia Científica, no fazer da ciência e na construção do conhecimento. Os 
seus principais passos foram: 
1. Observação dos Fenômenos 
2. Análise das Partes, Estabelecendo Relações Quantitativas 
3. Indução de Hipóteses 
4. Verificação das Hipóteses – Experimento 
5. Generalização dos Resultados 
6. Confirmação das Hipóteses 
7. Estabelecimento de Leis Gerais 
18 
 
 
 
 
 
Método científico é, portanto, o conjunto de processos ou operações mentais 
que se deve empregar na investigação. É a linha de raciocínio adotada no processo 
de pesquisa. 
Conforme Gil (1995), Marconi e Lakatos (2008), os métodos que fornecem 
as bases lógicas à investigação são: dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, 
dialético e fenomenológico. 
Podem-se classificar os métodos de acordo com diferentes critérios. 
Historicamente, no entanto, percebem-se duas grandes vertentes, que são 
respectivamente o método dedutivo e o método indutivo. 
Outros métodos existentes são o hipotético-dedutivo, o dialético, o 
fenomenológico e alguns métodos específicos das Ciências Sociais (histórico, 
comparativo, monográfico, estatístico, tipológico, funcionalista e estruturalista). 
O Método Dedutivo, proposto pelos racionalistas Descartes, Spinoza e 
Leibniz, pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro. 
O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas. Por 
intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente, de análise do geral 
para o particular, chega a uma conclusão. Usa o silogismo da construção lógica 
para, a partir de duas premissas, retirar uma terceira logicamente decorrente das 
duas primeiras, denominada de “conclusão” (GIL, 1995; LAKATOS; MARCONI, 
1993). 
O clássico exemplo de raciocínio dedutivo é: 
 
O Método Indutivo foi proposto pelos empiristas: Bacon, Hobbes, Locke e 
Hume. Consideram que o conhecimento é fundamentado na experiência, não 
levando em conta princípios preestabelecidos. No raciocínio indutivo, a 
generalização deriva de observações de casos da realidade concreta. As 
constatações particulares levam à elaboração de generalizações (GIL, 1995; 
MARCONI; LAKATOS, 2004). 
 
Um clássico exemplo de raciocínio indutivo: 
19 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Por meio de um raciocínio dedutivo, parte-se de premissas que julgamos 
verdadeiras, sobre as quais aplicamos regras fornecidas por alguma lógica, para 
concluir ou negar determinada proposição. No raciocínio indutivo, busca-se alguma 
generalização ou abstração capaz de descrever um conjunto de dados. Pelo 
raciocínio analógico são estabelecidas relações de correspondência entre 
elementos de dois sistemas distintos. Os problemas que enfrentamos em nosso 
dia a dia são resolvidos pela combinação desses diferentes tipos de raciocínio. 
Raciocinar envolve, tipicamente, considerar evidências relativas a uma 
hipótese ou conclusão. Simplificando, pode-se dizer que o ato de raciocinar 
consiste em gerar ou calcular um argumento. 
A lógica formal distingue dois tipos de argumentos: 
• Argumentos dedutivos: é necessário, dado que as premissas sejam 
verdadeiras, que a conclusão seja verdadeira; 
• Argumentos indutivos: dado que as premissas sejam verdadeiras, é 
provável que a conclusão também o seja. 
Método Hipotético-dedutivo: Proposto por Popper, este método consiste na 
adoção da seguinte linha de raciocínio: quando os conhecimentos disponíveis 
sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, 
surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são 
formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se 
consequências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar 
falsas as consequências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo 
se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao 
contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la (GIL, 1995, p. 30). 
20 
 
 
 
 
 
Método dialético: Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual 
as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam 
a requerer solução. É um método de interpretação dinâmica e totalizante da 
realidade. 
Considera que os fatos não podem ser considerados fora de um contexto 
social, político, econômico, etc. Muito aplicado em pesquisa qualitativa (SOUZA; 
FIALHO; OTANI, 2007), o método histórico consiste em investigar acontecimentos, 
processos e instituições do passado para verificar sua influência na sociedade de 
hoje, pois as instituições alcançaram sua forma atual por meio de alterações de 
suas partes componentes, ao longo do tempo, influenciadas pelo contexto cultural 
particular de cada época. 
O método comparativo empregado por Tylor considera o estudo das 
semelhanças e diferenças entre diversos tipos de grupos, sociedades ou povos. 
Contribui na compreensão do comportamento humano. Ele realiza comparações 
com a finalidade de verificar similitudes e explicar divergências. É usado tanto para 
comparar grupos no presente como no passado, ou entre os existentes e os do 
passado, quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de 
desenvolvimento. 
Esse método permite analisar o dado concreto, deduzindo dele os 
elementos constantes, abstratos e gerais. Constitui numa verdadeira 
experimentação direta. Empregado em estudos de largo alcance (desenvolvimento 
da sociedade capitalista), e de setores concretos (comparação de tipos específicos 
de eleições), assim como estudos qualitativos (diferentes formas de governo) e 
quantitativos (taxa de escolarização de países em desenvolvimento e 
subdesenvolvimento) (MARCONI; LAKATOS, 2004). 
O método monográfico foi criado por Le Play que o empregou para estudar 
famílias operárias na Europa. Parte do princípio de que qualquer caso que se 
estude em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou 
até de todos os casos semelhantes. Esse método consiste no estudo de 
determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou 
comunidades com a finalidade de obter generalizações. 
21 
 
 
 
 
 
O método funcionalista utilizado por Malinowski é a rigor mais um método 
de interpretação do que de investigação. Levando-se em consideração que a 
sociedade é formada por partes componentes, diferenciadas, inter-relacionadas e 
interdependentes, satisfazendo cada uma das funções essenciais da vida social, e 
que as partes são mais bem entendidas compreendendo-se as funções que 
desempenham no todo, o método funcionalista estuda a sociedade do ponto de 
vista da função de suas unidades, isto e, como um sistema organizado de 
atividades (MARCONI; LAKATOS, 2004). 
Como vimos, a Metodologia Científica trata de método e ciência. A atividade 
preponderante da metodologia é a pesquisa. O conhecimento humano caracteriza- 
se pela relação estabelecida entre o sujeito e o objeto, podendo-se dizer que essa 
é uma relação de apropriação. 
Desse modo, a metodologia resulta de um conjunto de procedimentos a 
serem utilizados pelo indivíduo na obtenção do conhecimento. É a aplicação do 
método, por meio de processos e técnicas, que garante a legitimidade do saber 
obtido. 
A busca da necessidade humana de conhecer leva o homem a pesquisar. 
Uma pesquisa é um processo de construção do conhecimento que tem como meta 
principal gerar novos conhecimentos e/ou corroborar ou refutar algum 
conhecimento preexistente. Basicamente, é um processo de aprendizagem tanto 
do indivíduo que a realiza quanto da sociedade na qual está se desenvolve. 
Lembre-se: 
Curiosidade intelectual + entusiasmo + independência + capacidade de 
trabalho e ambição acadêmica ou profissional + paciência e muita determinação 
são requisitos básicos para se tornar um pesquisador, em tempo integral ou 
somente para realizaçãode um único projeto. 
De todo modo, todos os trabalhos científicos podem adotar uma estrutura 
comum. Apesar de os trabalhos tratarem de temas diferentes e, com distintos 
propósitos, poderem variar materialmente, é possível a coincidência sequencial 
comum. 
Segundo Salvador (1982), a composição de um trabalho científico pode ser 
expressa da seguinte forma: antecipar o que se vai transmitir; transmitir o que se 
22 
 
 
 
 
 
havia proposto; e declarar o que se transmitiu. Essa sequência compreende a 
introdução, o desenvolvimento do trabalho e a conclusão. 
Então, o que vem a ser pesquisa? 
A pesquisa pode ser então definida como um procedimento racional e 
sistemático que tem como objetivo procurar respostas aos problemas propostos. 
Portanto, a pesquisa científica desenvolve-se mediante utilização dos 
conhecimentos disponíveis, métodos, técnicas e outros procedimentos científicos, 
que vão desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação 
dos resultados. 
Santos (2000) classifica as pesquisas em dois níveis: acadêmico e de ponta. 
O primeiro tipo é de caráter pedagógico, que visa despertar o espírito de busca 
intelectual autônoma. Realizada no âmbito da academia (universidade, faculdade 
ou outra instituição de ensino superior), é conduzida por professores universitários, 
alunos de graduação e pós-graduação. O resultado mais importante não é o 
conhecimento de respostas salvadoras para a humanidade, mas sim a aquisição 
do espírito e método para a indagação intencional. As pesquisas de ponta são 
desenvolvidas por pesquisadores experientes e consiste na pesquisa direcionada 
a lidar com a problematização, a solução e as necessidades que ainda 
permanecem, seja porque simplesmente não foram respondidas ou 
adequadamente trabalhadas. A pesquisa de ponta é tentativa de negação / 
superação científica e existencial. 
Existem várias outras classificações para os tipos de pesquisa não havendo 
um único esquema classificatório. 
 
Classificação das pesquisas quanto ao objetivo específico 
 
Quanto aos objetivos específicos, as pesquisas científicas podem ser 
classificadas em três modalidades: exploratória, descritiva e explicativa. Cada uma 
trata o problema de maneira peculiar. A pesquisa exploratória tem “como objetivo 
proporcionar maior familiaridade com o problema” (GIL, 1995, p. 45). A descritiva 
adota “como objetivo primordial a descrição das características de determinada 
população ou fenômeno” (GIL, 1995, p. 46). Já a pesquisa explicativa tem “como 
preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para 
23 
 
 
 
 
 
a ocorrência dos fenômenos” (GIL, 1995, p. 46). 
A pesquisa exploratória foca na maior familiaridade com o problema, com 
vistas a torná-lo mais explícito ou a facilitar a construção de hipóteses. Esse tipo 
de pesquisa tem como principal objetivo o aprimoramento de ideias ou a 
descoberta de intuições, novas ideias. A pesquisa exploratória é extremamente 
flexível, de modo que quaisquer aspectos relativos ao fato estudado têm 
importância. Grande parte das pesquisas do tipo envolve levantamento 
bibliográfico, documental e entrevista ou questionário envolvendo pessoas que 
tiveram alguma experiência com o problema. Geralmente são de natureza 
qualitativa. 
A pesquisa descritiva objetiva a descrição de determinada população ou 
fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Esse tipo de estudo 
tem como característica mais significativa a utilização de técnicas padronizadas de 
coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Segundo 
Malhotra (2001, p. 108), a pesquisa descritiva “tem como principal objetivo a 
descrição de algo”, um evento, um fenômeno ou um fato. Os termos “descritivos”, 
“descrição” e “descrever” referem-se ao fato de esse tipo de pesquisa apoiar-se na 
estatística descritiva para realizar as descrições da população (mediante amostra 
probabilística) ou do fenômeno, ou relacionar variáveis. Assim, a pesquisa 
descritiva pura tem natureza quantitativa, mas pode ser quantitativa e qualitativa 
ao mesmo tempo, se representar descrição de amostra não probabilística. 
A pesquisa explicativa procura aprofundar o conhecimento da realidade, 
explicando a razão e o porquê das coisas. Tem como objetivo principal a 
identificação dos motivos que determinaram a ocorrência de um fenômeno ou 
contribuíram para tanto. Esse tipo de pesquisa é, na maioria das vezes, uma 
continuação da pesquisa exploratória ou da pesquisa descritiva. 
 
Classificação das pesquisas quanto ao delineamento 
 
O delineamento da pesquisa corresponde ao seu planejamento numa 
dimensão mais ampla, ou seja, nesse momento o investigador estabelece os meios 
técnicos da investigação. 
O elemento mais importante para a adequada identificação de um 
24 
 
 
 
 
 
delineamento é o procedimento utilizado na coleta de dados. A classificação das 
pesquisas quanto ao delineamento pode compreender diversos tipos, sendo os 
mais conhecidos: a pesquisa documental, a pesquisa bibliográfica, o levantamento, 
a pesquisa experimental, a pesquisa ex-post-facto, o estudo de caso e a pesquisa- 
ação. Vale destacar que, na proporção em que a pesquisa científica avança, novas 
formas de delineamento tendem a surgir. 
A principal característica da pesquisa documental está relacionada com a 
sua fonte, a qual restringe-se a documentos escritos ou não escritos, sempre de 
fontes primárias. 
 
Classificação das pesquisas quanto à natureza 
 
Quanto à natureza, as pesquisas científicas podem ser classificadas em três 
modalidades: a qualitativa, a quantitativa e a quanti-quali. 
A pesquisa qualitativa se dedica à compreensão dos significados dos 
eventos, sem a necessidade de apoiar-se em informações estatísticas. 
Desde a década de 1970, a pesquisa qualitativa vem assumindo certo grau 
de importância no campo das ciências sociais. Esse tipo de pesquisa adota a 
fenomenologia como base científica para moldar a compreensão da pesquisa, 
respondendo a questões dos tipos “o quê?”, “por quê?” e “como?”. Geralmente, a 
pesquisa qualitativa analisa pequenas amostras não necessariamente 
representativas da população, procurando entender as coisas em vez de mensurá- 
las. A pesquisa qualitativa é considerada essencialmente de campo, porquanto nas 
ciências sociais a maioria dos estudos está relacionada a fenômenos de grupos ou 
sociedades, razão pela qual o investigador deve atuar onde se desenvolve o objeto 
de estudo. 
Na pesquisa quantitativa, a base científica vem do Positivismo, que durante 
muito tempo foi sinônimo de Ciência, considerada como investigação objetiva que 
se baseava em variáveis mensuráveis e proposições prováveis. 
A pesquisa quanti-quali compreende a utilização de ambas as naturezas, 
quantitativa e qualitativa, numa pesquisa científica. Estudos de natureza quanti- 
quali têm como base tanto o positivismo como a fenomenologia. 
Técnicas de coleta de dados 
25 
 
 
 
 
 
 
 
Toda pesquisa, em especial a pesquisa descritiva, deve ser bem planejada 
se quiser oferecer resultados úteis e fidedignos. Esse planejamento envolve 
também a tarefa de coleta de dados, que corresponde a uma fase intermediária da 
pesquisa descritiva. 
A coleta de dados ocorre após a escolha e delimitação do tema, a revisão 
bibliográfica, a definição dos objetivos, a formulação do problema e das hipóteses 
ou pressupostos e a identificação das variáveis. 
A coleta de dados, tarefa importante na pesquisa, envolve diversos passos, 
como a determinação da população a ser estudada, a elaboração do instrumento 
de coleta, a programação da coleta e também o tipo de dados e de coleta. Há 
diversas formas de coleta de dados, todas com suas vantagens e desvantagens. 
Na decisão do uso de uma forma ou de outra, o pesquisador levará em conta a que 
menos desvantagens oferecer, respeitados os objetivos da pesquisa. 
Nessafase podem ser empregadas diferentes técnicas, sendo mais 
utilizados a entrevista, o questionário e a observação, quando aplicadas a pessoas, 
e a documentação indireta documental e a documentação indireta bibliográfica, 
quando não aplicadas a indivíduos. 
Cervo, Bervian e Silva (2007) elencam alguns passos básicos que devem 
ser observados na elaboração das perguntas: 
● Identificar os dados ou as variáveis sobre os quais serão feitas as 
questões; 
● Selecionar o tipo de pergunta a ser utilizado diante das vantagens e 
desvantagens de cada tipo, com vistas ao tempo a ser consumido para 
obter os dados e a maneira de tabulá-los e analisá-los; 
● Elaborar uma ou mais perguntas referentes a cada dado a ser 
levantado; 
● Analisar as questões elaboradas quanto à clareza da redação, 
classificação e sua real necessidade; codificar as questões para a 
posterior tabulação e análise com a inclusão dos códigos no próprio 
instrumento; 
● Elaborar instruções claras e precisas para o preenchimento do 
26 
 
 
 
 
 
instrumento; 
● Submeter as questões a outros técnicos para sanar possíveis 
deficiências; 
● Revisar o instrumento para dar ordem e sequência para as questões; 
● Submeter o instrumento a um pré-teste para detectar possíveis 
reformulações ou correções, antes de sua aplicação. 
Outros instrumentos usados em pesquisas descritivas, como a entrevista e 
a observação, embora não percorram rigorosamente os passos descritos, devem 
cercar-se das devidas precauções para evitar prejuízos à pesquisa decorrentes de 
falhas na coleta de dados. 
A entrevista não é uma simples conversa. É uma conversa orientada para 
um objetivo definido: recolher, por meio do interrogatório do informante, dados para 
a pesquisa. 
Devem-se adotar os seguintes critérios para o preparo e a realização da 
entrevista: 
● Planejar a entrevista, delineando cuidadosamente o objetivo a ser 
alcançado; 
● Obter, sempre que possível, algum conhecimento prévio acerca do 
entrevistado; 
● Marcar com antecedência o local e o horário da entrevista; qualquer 
transtorno poderá comprometer os resultados da pesquisa; 
● Criar condições, isto é, uma situação discreta, para a entrevista, pois 
será mais fácil obter informações espontâneas e confidenciais de uma 
pessoa isolada do que de uma pessoa acompanhada ou em grupo; 
● Escolher o entrevistado de acordo com a sua familiaridade ou 
autoridade em relação ao assunto escolhido; 
● Fazer uma lista das questões, destacando as mais importantes; 
● Assegurar um número suficiente de entrevistados, o que dependerá da 
viabilidade da informação a ser obtida. 
27 
 
 
 
 
 
Técnicas de análise de dados qualitativa 
 
Dentre as técnicas de análise de dados qualitativa, destacam-se a análise 
de conteúdo e a análise de discurso. 
A análise de conteúdo é utilizada no tratamento de dados que visa identificar 
o que vem sendo dito acerca de determinado tema (VERGARA, 2005). Ela 
compreende um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando obter, 
por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das 
mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de 
conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) 
dessas mensagens. 
As principais fontes da análise de conteúdo são materiais jornalísticos e 
documentos institucionais. 
A análise de discurso é definida por Vergara (2005) como um método que 
pretende não somente apreender como uma mensagem é transmitida, mas 
também explorar o seu sentido. A análise de discurso avalia quem enviou a 
mensagem, quem recebeu a mensagem e qual o contexto em que está inserida. 
 
O USO DAS TIC NA PESQUISA CIENTÍFICA 
 
Em apenas uma geração a humanidade vive transformações equivalentes a 
muitos séculos. Pode-se afirmar que vive um momento histórico especial, com uma 
presença generalizada dos meios eletrônicos de comunicação e informação 
permitidos pelas novas Tecnologias de Informação e comunicação (TIC): 
surgimento e evolução da Internet, da TV Interativa, dos computadores de última 
geração e muito mais velozes, do avanço dos celulares como verdadeiros 
minicomputadores, fazendo do desenvolvimento dessas tecnologias algo quase 
que incontrolável. 
Contemporaneamente, novos valores vão surgindo, colocando a 
modernidade em seu limite histórico. Uma nova ciência começa a ser criada, 
baseada em um outro logos não mais operativo, mas que tem na globalidade, na 
interatividade e na integridade seus focos e vetores mais fundamentais. 
Entretanto, é nesse contexto que o sistema educacional encontra e tem 
28 
 
 
 
 
 
razão de ser dentro da perspectiva de seus processos metodológicos e se 
justificativa levando em conta, em seus processos didático-pedagógicos, a 
natureza e as especificidades desse mundo de comunicação e informação. 
Atualmente, em meio ao crescimento e desenvolvimento exponencial das 
TIC e a tentativa de sua absorção pela educação, faz-se necessário o estudo desse 
fenômeno, suas consequências e sua expansão pelo mundo e, em especial, no 
Brasil, por ser este um país de dimensões continentais e que convive com uma 
histórica má distribuição de renda, geradora de desníveis de toda ordem, tornando 
a Educação de qualidade um artigo de luxo, raro e caro, restrito a um percentual 
mínimo da população mais abastada, haja vista que as TIC já estão sendo 
utilizadas por essa parcela da população brasileira. Em sendo, Castells confirma o 
fato, advertindo que “as elites aprendem fazendo e com isso modificam as 
aplicações da tecnologia, enquanto a maior parte das pessoas aprende usando e, 
assim permanecendo dentro dos limites do pacote da tecnologia”. (2007, p. 55). 
A EAD se expande naquele percentual da população do país excluída do 
processo educativo tradicional e que, principalmente, reside longe dos grandes 
centros. Sendo assim, a EAD, apoiada pelas TIC, resulta em um processo de 
inclusão social de dimensões ainda por desvendar, possibilitando uma revolução 
na oferta de oportunidades. 
Nessa perspectiva da EAD, a utilização das TIC perpassa pelo uso, até 
mesmo, de forma obrigatória (vide normas de formatação e estrutura da ABNT), de 
todas as ferramentas que elas oferecem, em especial o computador e a Internet. 
Nesse sentido, autores como José Manoel Moran (2011, in 
http://www.usp.br) e Eduardo Galhardo (2011, in 
http://www.assis.unesp.br/egalhard/PesqInt1.htm) oferecem diversas orientações 
de como utilizar esses mecanismos, principalmente a Internet, para a realização 
de pesquisas de toda ordem, que, no nosso caso, trata-se especificamente da 
pesquisa bibliográfica ou revisional. 
 
O PLÁGIO E COMO EVITÁ-LO 
 
De acordo com o dicionário Aurélio (2008), plágio é “assinar ou apresentar 
como sua, obra artística ou científica de outrem”. Etimologicamente, a origem da 
http://www.assis.unesp.br/egalhard/PesqInt1.htm)
29 
 
 
 
 
 
palavra serve como ilustradora cabal desse conceito que ela carrega, posto que 
vem do grego (através do latim) “plágios”, cujo significado seria “obliquo”, 
“trapaceiro”. 
Não obstante, não é apenas esse conceito que a palavra transporta. Pode- 
se dizer em uma versão moderna que plagiar é uma atitude de quem não acredita 
em seu potencial, tampouco pretende contribuir para a sua própria formação 
acadêmica e profissional, posto que perde a oportunidade de enriquecer seu 
conhecimento e seu currículo. Isso demonstra a total incompetência e 
incapacidade de fazer a sua própria obra. Nesse sentido, cabe aqui um acréscimo, 
haja vista que o plágio revela desonestidade intelectual por ser ilegal, mesmo 
quando autorizado. 
Sendo assim, mesmo quando não vai parar nos tribunais, plagiar é uma 
atitude condenável, mas parece que isso não é evidente para todos, haja vista a 
sua incidência recorrente. 
Portanto, podemos considerar que plagiar é: 
● Não informar a fonte de uma citação; 
● Não colocara citação entre aspas, quando menores que 4 linhas; 
● Assinar trabalho de outra pessoa como se fosse seu; 
● Não dar crédito a quem de direito ao copiar as palavras ou ideias de 
alguém; 
● Copiar a estrutura da sentença (frase), mudando as palavras, sem dar 
crédito ao autor original; 
● Fazer um ajuntamento de parágrafos de diversas autorias, criando um 
outro texto e assinando como texto original, tendo créditos ou não; 
● Apresentar como seu um trabalho que contém tantas palavras ou 
ideias de uma fonte que se torne a maior parte desse trabalho, dando 
crédito ou não. 
Porém, temos casos clássicos de plágios denominados: 
● Plágio direto, quando se cópia de uma fonte integral, palavra 
por palavra, não indicando que é uma citação e sem fazer 
nenhumareferência ao autor; 
● Empréstimo, quando se toma emprestado o trabalho de outro 
30 
 
 
 
 
 
estudante, sem a devida indicação do verdadeiro autor, tornando-se 
um plágio direto; 
● Mosaico, quando se utiliza um texto do outra autoria, mudando 
algumas palavras dos parágrafos originais, podendo ser classificados 
como paráfrases, portanto, sem apontar o autor original e sem dar-lhe 
os devidos créditos; 
● A bricolagem, quando se utiliza de vários trechos de diversos textos 
de autores diferentes, fazendo-se uma “costura” desses trechos, 
criando- se assim um outro texto composto de partes destes. 
 
EVITANDO O PLÁGIO 
 
É possível evitar o plágio, para tanto faça sempre uma síntese do que você 
leu, conhecida como leitura sintópica, pois sua originalidade resultará dessa 
síntese da bibliografia consultada. 
Além disso, quando precisar consultar outras fontes bibliográficas, dê a si 
próprio tempo suficiente para digerir a pesquisa. Se você está trabalhando 
diretamente do livro fonte, você pode começar a fazer um plágio mosaico. Se você 
escrever uma primeira versão sem usar o material da fonte, e, então, consultar 
novamente a fonte e incorporar as citações que você precisa e indicar seus 
empréstimos, você poderá perceber que produziu um texto mais original. A 
originalidade resulta da síntese do que você leu. 
Algumas ferramentas podem ser utilizadas para que não se cometam 
pequenos plágios não intencionais, tais como: 
A. Ficha literária: sempre que você ler algum livro, artigo ou quaisquer 
outros documentos, anote os dados necessários para as devidas 
referências (Autor. Título. Edição. Local: editora, ano); 
B. Anotações: tome notas cuidadosamente durante a pesquisa, incluindo 
referências bibliográficas completas. Isso irá assegurar que você possa 
facilmente fazer referência à fonte quando estiver preparando a versão 
final. 
C. Parênteses: transforme num hábito colocar entre parêntesis referências 
para todas as fontes de onde você fez empréstimos em cada versão 
31 
 
 
 
 
 
que você escreve. Isso irá lhe poupar tempo porque você não terá que 
revisitar os textos referidos quando estiver preparando a versão final. 
D. Tempo: reserve um tempo hábil e necessário para pesquisar, escrever 
e revisar o seu trabalho. Inicie a pesquisa suficientemente cedo para 
determinar se seu tópico é trabalhável. Estudantes que apresentam um 
trabalho sobre um tópico diferente do proposto ou daquele sobre o qual 
fizeram trabalhos preliminares são frequentemente suspeitos de plágio. 
Quando você não consegue encontrar o material que precisa e não tem 
tempo suficiente para começar um novo tópico, plagiar é uma grande 
tentação. 
E. Confiança: acredite no seu potencial e trabalhe arduamente. Até 
mesmo os melhores escritores, às vezes, não têm consciência de suas 
boas ideias e acham que não têm nada a dizer quando na verdade seus 
escritos dizem muito. Ideias originais resultam de se trabalhar 
estreitamente com ideias de outros, não de flashes de inspiração; 
F. Rotina: não se faz ciência sem uma rotina de trabalho e pesquisa; 
G. Normas Técnicas: contar sempre com um guia de documentação 
(manual do TCC) com as regras de como redigir referências 
bibliográficas; 
H. Ajuda: no Instituto IBE/FACEL a professora, autora dessa apostila, é a 
responsável pela Metodologia Científica, mas, também, em auxiliá-lo na 
feitura do seu trabalho, estando ao seu dispor, diariamente, via e-mail 
ou telefone. Procure-nos para as devidas orientações sempre que 
precisar. É necessário que se aprenda a expressar as suas ideias com 
a devida clareza e honestidade, caso contrário, será preocupante a 
perspectiva de que a qualidade e idoneidade do seu trabalho possam 
se limitar à qualidade e idoneidade do que está na Internet. 
 
Alguns Conceitos Importantes 
 
Bricolagem: Ajuntamento de trechos, frases e parágrafos de diversas 
autorias, formando um outro texto. Alguns autores consideram que este é um 
modelo de pesquisa, porém a comunidade científica o refuta e, caso o autor de 
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alguns desses trechos queira, poderá processar o escritor dele por plágio. 
Paráfrase: O autor do texto reescreve, com suas palavras, algo que sua 
fonte disse. O objetivo de se parafrasear, ao invés de citar, é escrever ou 
reescrever o assunto numa linguagem que o público leitor irá compreender ou 
identificar mais facilmente. 
Por exemplo: Artigos em revistas populares de ciência, tais como, a 
Superinteressante, frequentemente parafraseiam artigos de periódicos científicos. 
Essa é uma atividade intelectual importante, pois demonstra que se compreende 
aquilo que se leu e se é capaz de trabalhar com aquele material. Conquanto, uma 
paráfrase deve ser, impreterivelmente, referenciada, posto que, em não sendo, 
será um caso de plágio tanto quanto uma cópia integral sem referência da fonte. 
Quando se diz algo com suas próprias palavras não quer dizer que esse algo é 
seu. 
Resumo: Parecido com a paráfrase, o resumo de uma fonte é feito com as 
próprias palavras de outrem, mas é de outra fonte, ou seja, obrigatoriamente deve 
ser referendado, ou acorrerá em plágio. 
Referência vaga ou incorreta: Deve-se indicar, claramente, onde um 
empréstimo começa e termina. Para tanto, utiliza-se as aspas para destacar o que 
são do autor e o que é da fonte. Algumas vezes, o escritor de um texto faz 
referência a uma fonte uma vez, e o leitor presume que as sentenças anteriores ou 
parágrafos tenham sido parafraseados quando na verdade a maior parte do texto 
é uma paráfrase dessa única fonte. O escritor do texto falhou na indicação clara 
dos seus empréstimos às suas fontes. Paráfrases e resumos devem ter seus 
limites indicados por referências (no começo com o nome do autor, no fim com 
referência entre parêntesis). O escritor deve sempre indicar quando uma paráfrase, 
resumo ou citação começa, termina ou é interrompida. 
Citação: Copiar, integralmente, ou seja, palavra por palavra, um texto, 
frase ou palavra que alguém disse, escreveu ou criou. Em um texto, uma citação 
deve ser indicada e ressaltada por aspas no início e no fim da citação ou, quando 
a citação é longa, ela deve ser colocada em um parágrafo separado por dois 
espaços antes e depois do texto principal, em fonte com tamanho menor e recuado 
à direita 4,0cm. A fonte da citação (autor, data e página) precisa, ainda, ser 
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 referenciada, seja no próprio texto (em chamada anterior ou posterior a ela) ou 
em nota de rodapé. 
Referência: Referendar é identificar a fonte de uma citação, paráfrase ou 
resumo. A prática de referenciar em textos acadêmicos e profissionais requerem o 
nome do autor, o título do livro ou periódico em que ele apareceu, a data da 
publicação da obra e o número da página em nota de rodapé. Porém, os textos 
acadêmicos e profissionais exigem uma referência completa, dentro do texto 
(autor, data e página) e uma entrada bibliográfica em nota de rodapé ou completa 
numa lista de Trabalhos Referenciados (Referências). 
Plágio mosaico: Esse é o tipo de plágio mais comum. O Escritor não faz 
uma cópia da fonte diretamente, mas muda umas poucas palavras emcada 
sentença, sem dar crédito ao autor original. Esses parágrafos ou sentenças não 
são citações, mas estão tão próximas de sê-las que eles deveriam ter sido citados 
ou, se eles foram modificados o bastante para serem classificados como 
paráfrases, deveria ter sido feita a referência à fonte. 
Plágio direto: Copiar, integralmente, uma frase, parágrafo ou mesmo um 
conceito de uma fonte sem indicar que é uma citação e sem fazer referência ao 
autor. 
Tomar emprestado o trabalho de outros estudantes: Este é um plágio 
direto consentido. Não há nada de errado em se tomar informações ou recorrer a 
ajuda de terceiros. O que não pode é não se produzir o próprio conhecimento. 
Plágio integral: Tomar de outro autor um texto completo e assiná-lo como 
sendo de sua autoria. 
Plágio parcial: Tomar emprestado de outro autor partes de um texto e 
incluí-las em um texto seu sem as devidas citações e referências. 
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QUEM SOMOS 
Temos orgulho em dizer que muito antes de sua fundação 
a FACIBE já começava a sua história por meio da trajetória 
dos seus fundadores, Cláudia e Jackson, que uniram a 
paixão por Educação e inovação para levar cursos de 
Ensino a Distância (EAD) Brasil afora, inspirando outras 
pessoas a buscarem o aprendizado ou, até mesmo, 
levando-as a retomar os estudos. Em 2009 essa 
experiência nos levou à criação do IBE que se tornou na 
Faculdade FACIBE, que tem o objetivo de proporcionar e 
flexibilizar o acesso à educação, promovendo mudanças 
por meio do Ensino a Distância, atuando como agente do 
conhecimento e despertando não só o interesse pela 
educação, mas também pelo desenvolvimento humano. 
Por meio das nossas opções de cursos, com avaliações 
excelentes e valores acessíveis, ajudamos a tornar sonhos 
em realidade e proporcionamos mais oportunidades de

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