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Tecnologias de informação e 
comunicação
APRESENTAÇÃO
As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) transformaram 
as práticas humanas em diversas setores, como o entretenimento, 
a educação e a comunicação. Hoje, graças ao advento da internet, 
dos smartphones e de outros recursos tecnológicos, os processos 
de consumo, troca de informações e comunicação se tornam cada 
vez mais interativos, dinâmicos e personalizados.
As TICs surgiram a partir da revolução digital e começaram a ser implementadas em diferentes 
áreas, entre elas a educacional, a empresarial e a do jornalismo. Essas tecnologias digitais são 
responsáveis por agilizar a produção das fábricas, automatizando algumas das etapas de 
produção. No jornalismo, ferramentas como bases de dados passaram a automatizar os 
processos de busca e coleta de informações, enquanto as redes sociais facilitaram a conexão com 
colaboradores e fontes de informação.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer o contexto de surgimento das TICs e o 
modo como elas foram sendo apropriadas ao nosso cotidiano. Você também vai compreender as 
contribuições das mesmas para a prática jornalística atual.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Contextualizar o surgimento das TICs.•
Identificar os principais usos das TICs.•
Identificar o papel das TICs no jornalismo.•
DESAFIO
A prática jornalística precisou se adaptar ao novo cenário das tecnologias digitais, que 
1
impulsiona uma economia e cultura baseadas na interatividade e na flexibilidade dos fluxos de 
comunicação. 
Os dispositivos móveis, como smartphones e tablets, 
são elementos propulsores de um novo ciclo da tecnologia, denominado comunicação móvel.
Segundo Scolari et al. (2009), esse novo ciclo é caracterizado pela Onipresença (capacidade de 
estar presente em qualquer lugar); convergência de funções e linguagens; integração de 
modelos broadcasting (um-todos), unicasting (um-um) e multicasting (todos-todos); 
bidirecionalidade (o usuário pode consumir e produzir conteúdo ao mesmo tempo) e conteúdos 
e serviços planejados de acordo com a localização.
O consumo de informações em mobilidade também impulsionou 
a criação recursos diferentes. A tactilidade, propriedade de uso do 
tato para manipular telas sensíveis ao toque, é uma característica marcante dos smartphones e 
tablets atuais. Nos smartphones se 
pode explorar uma lógica de consumo baseada no áudio e, no tablet, utilizar conteúdos 
multimídia.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
A partir destas informações, escreva um resumo do seu projeto de aplicativo. O texto deve 
conter:
a) nome do aplicativo e conceito central;
b) tipo de linguagem e formatos usados (áudio, vídeo, etc.);
c) tipo de propriedade explorada (tactilidade, por exemplo);
d) justificativa de consumo (porque esse produto seria inovador).
INFOGRÁFICO
A introdução das TICs nas redações jornalísticas trouxe maior agilidade e flexibilidade para o 
processo de produção de notícias. O computador e as bases de dados funcionam hoje como uma 
espinha dorsal da redação, pois passam a estruturar todas as atividades de produção da matéria 
2
jornalística: pré-produção, produção, disponibilização/circulação, consumo e pós-produção.
Confira no Infográfico a seguir o modo como as TICs podem ser usadas nas diferentes fases de 
produção jornalística.
3
4
CONTEÚDO DO LIVRO
As tecnologias têm amplo impacto nas atividades humanas. De maneira geral, elas são criadas 
pelo ser humano para desempenhar determinadas tarefas. As Tecnologias de Informação e 
Comunicação (TICs), por exemplo, são utilizadas para aprimorar as trocas de informação e as 
práticas comunicativas entre as pessoas.
Desde a década de 1980, várias tecnologias, como computadores, Internet, smartphones, bancos 
de dados, foram apropriadas e passaram a trazer agilidade, flexibilidade e interatividade para 
as nossas trocas de informação e interações cotidianas. Hoje, as TICs podem ser consideradas 
como uma ferramenta essencial para o ser humano.
No capítulo Tecnologias da Informação e Comunicação da obra Jornalismo Digital e 
Cibercultura, você irá entender o contexto de surgimento das TICs, seus usos em diferentes 
setores da sociedade e seu papel no jornalismo.
Boa leitura.
5
Tecnologias de informação 
e comunicação
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Contextualizar o surgimento das TICs.
  Identificar os principais usos das TICs.
  Identificar o papel das TICs no jornalismo.
Introdução
As tecnologias ganham, cada vez mais, um papel de protagonismo no 
processo de comunicação, e se transformam em verdadeiros agentes 
comunicativos. A inserção de tecnologias de informação e comunicação 
como telefones celulares, computadores, redes sem fio, smartphones e 
algoritmos provocaram uma revolução em diversos setores da sociedade. 
Para se inserir no mundo como cidadão e profissional de comunicação, 
o jornalista precisa conhecer o contexto dessas tecnologias, desde o seu 
surgimento até sua apropriação por comunidades diversas. Além disso, é 
interessante que o jornalista tenha noção das potencialidades das novas 
ferramentas tecnológicas no seu cotidiano de trabalho.
Neste capítulo, você vai ver como surgiram as tecnologias de in-
formação e comunicação, quais são seus principais usos na sociedade 
contemporânea e quais papéis elas desempenham no jornalismo. Neste 
último item, você verá como tais tecnologias transformam a produção e 
o consumo de informação jornalística. 
Origem das tecnologias da informação e 
comunicação
Para começar o nosso estudo, vamos conceituar o que entendemos por tecno-
logias da informação e comunicação (TICs). Em sentido amplo, chamamos 
6
de tecnologia qualquer ferramenta apropriada pelo homem para realizar suas 
tarefas específi cas. Para McLuhan, a tecnologia é uma extensão do corpo 
humano, desenvolvida, historicamente, para expandir a sua capacidade de ação. 
Pensando por essa lógica, os óculos, canetas e papel, e até mesmo smartphones, 
que utilizamos no nosso dia-a-dia são artefatos tecnológicos que ampliam 
capacidades humanas como a visão, o tato, a memória e a cognição.
O modo como a tecnologia molda a forma como pensamos e nos comuni-
camos tem sido explorado por vários pesquisadores da área da comunicação e 
informação. Uma das referências mais conhecidas são os estudos de Marshall 
McLuhan (1974), centrados nas tecnologias comunicacionais como agentes 
de transformação das culturas, das relações sociais e dos comportamentos 
humanos. Ele é o responsável por elaborar a tese de que os meios comunicativos 
seriam extensões do homem e provocariam mudanças no seu contexto social. 
Por isso, para McLuhan (1974), o estudo dos suportes de comunicação — o 
rádio, a televisão, a Internet — poderia trazer dados interessantes sobre as 
transformações da nossa sociedade.
Segundo a lógica mcluhiana, falar de meios e tecnologias de comunicação 
significa abordá-los como objetos que constroem uma ambiência em torno 
de si, em vez de serem meros canais de transmissão de informação. Nesse 
universo, a constante interação entre artefatos — redes digitais, eletricidade, 
entre outros — e seres humanos produziria mudanças capazes de afetar as 
estruturas do nosso pensamento e da nossa sociedade. 
Chamamos de TICs os recursos tecnológicos oriundos da Era da Informa-
ção ou Sociedade em Rede (CASTELLS, 1999; 2003), criadas e difundidas 
globalmente a partir da década de 1960. Envolvem tecnologias informacionais, 
que produziram uma Revolução Tecnológica, conectando o mundo através da 
informação (CASTELLS, 1999). Castells (1999) comenta que a difusão global 
de tecnologias como o computador e a Internet se deu de forma rápida, em 
menos de duas décadas, e trouxe modificações substanciais para a cultura e 
economia global.
Lévy (1999) chama as tecnologias surgidas nocenário digital de tecnolo-
gias intelectuais, pois são capazes de expandir e até mesmo simular funções 
cognitivas e mentais humanas. Os computadores e, mais tarde, as nuvens de 
informação na Internet tornam-se espaços de armazenamento de informação 
da cultura humana num volume sem precedentes na história. As redes digitais 
como a Internet também são responsáveis por expandir as formas de comunica-
ção e interação humana, tornando-as globais. As TICs também potencializam 
a produção e o compartilhamento de saberes entre comunidades virtuais. 
 de informação e comunicação Tecnologias
7
Assim, mediante a ação de microatores, que se apropriam de tecnologias 
digitais, forma-se uma ecologia cognitiva (LÉVY, 1999) de saberes coletivos.
À medida que as tecnologias vão evoluindo, os artefatos tecnológicos 
ganham cada vez mais protagonismo. Hoje, tecnologias assumem papeis 
importantes no campo da educação, no meio empresarial e nas empresas de 
comunicação. Aplicativos que ajudam a coletar, armazenar, acumular, mani-
pular e compartilhar dados e informações são a base da era da informação. 
Por isso, conhecer essas possibilidades técnicas torna-se primordial para o 
profissional do futuro em todos os campos, incluindo o jornalismo. 
As fases das tecnologias
A evolução tecnológica da comunicação se confunde com a própria história 
das mídias. Por isso, para entender como surgem as TICs e verifi car como 
elas revolucionam o modo como produzimos, distribuímos e consumimos 
informação, precisamos analisar a linha temporal da comunicação e de suas 
tecnologias. Santaella (2007) nos ajuda nessa empreitada. Para ela, as ino-
vações tecnológicas são elementos utilizados para incrementar o processo 
de produção da linguagem humana. Partindo dessa ideia, ela descreve cinco 
gerações tecnológicas, conforme mostrado no Quadro 1.
 Fonte: Adaptado de Santaella, 2007. 
Geração tecnológica Meios técnicos de comunicação
Tecnologias do Reprodutível Jornal, cinema, fotografia
Tecnologias da Difusão Rádio e televisão
Tecnologias do Disponível TV a cabo, videocassetes, 
Walkman, fotocopiadoras
Tecnologias do Acesso TICs
Tecnologias da Conexão Contínua Dispositivos móveis 
(smartphones e tablets)
 Quadro 1. Gerações tecnológicas 
A Primeira Geração Tecnológica, de Tecnologias do Reprodutível, remete 
à era de surgimento e consolidação do jornal, da fotografia e do cinema como 
tecnologias de comunicação. Apesar de terem naturezas diferentes, esses 
Tecnologias de informação e comunicação
8
três meios têm em comum a propriedade da reprodutibilidade técnica, ou 
seja, de serem e possibilitarem a reprodução de imagens e textos. Santaella 
(2007) localiza a emergência desse tipo de tecnologia no que se convencionou 
chamar de cultura de massa das grandes cidades industriais. A reprodução 
mecânica das mensagens fez com que a comunicação pudesse se transformar 
em produto e acessar públicos mais amplos, ampliando seu poder comunicativo 
(SANTAELLA, 2007). 
Em seguida, no final do século XIX, temos o surgimento das Tecnologias 
de Difusão, consolidadas no rádio e, nos anos 1950, na televisão. Segundo 
Santaella (2007), essas tecnologias são baseadas em seu poder de distribuir 
mensagens para um público espacialmente mais abrangente, se comparadas 
às tecnologias anteriores. Isso foi acentuado ainda mais com a transmissão 
via satélite. 
As tecnologias de difusão foram responsáveis por produzir uma evolução 
no modo como nos relacionamos com o espaço social. Com o telégrafo e o 
telefone, já havíamos conseguido gerar uma comunicação simultânea entre 
dois lugares distantes, mediada por uma tecnologia. Com o rádio e a televisão, 
a comunicação mediada ganha aspecto mais amplo e permite a criação de 
um espaço midiático próprio. Não é à toa que estudiosos da comunicação se 
referem ao rádio e à TV como vetores de coesão social de uma sociedade. 
Como primeiro jornal televisivo transmitido ao vivo em rede nacional, o 
Jornal Nacional, por exemplo, foi o responsável por fortalecer os laços da 
identidade nacional. De norte a sul do Brasil, criou-se a cultura de assistir 
a esse programa, apesar das disparidades regionais, em termos de cultura.
A fase posterior, das Tecnologias do Disponível, é enquadrada por Santaella 
(2007) como uma etapa de predomínio de dispositivos de pequeno porte, como 
videocassetes e fotocopiadoras, Walkmans e também TV a cabo. Essa fase se 
inicia na década de 1980, com a proliferação desses dispositivos, que trazem 
uma maior personalização do consumo de informação pelo indivíduo, em 
contraposição aos modelos massivos anteriores. Videocassetes que gravam a 
programação televisiva, por exemplo, visam atender a demandas segmentadas 
do público e, de certa forma, já preparam o sistema de consumo e produção 
para a próxima fase.
A etapa de Tecnologias do Acesso é caracterizada por Santaella (2007) 
como sendo o contexto de surgimento do computador e das redes telemáticas. 
Inicialmente usado para fins militares, o computador ganha potencial princi-
palmente a partir da década de 1970, quando passa a ser usado para vários tipos 
de serviço, abandonando o status de máquina de calcular (BRIGGS; BURKE, 
 de informação e comunicação Tecnologias
9
2006). O desenvolvimento da Internet, em particular, e sua apropriação comer-
cial, a partir da década de 1990, vai proporcionar a popularização das TICs. 
É interessante notar que as TICs estão intrinsecamente ligadas à linguagem 
digital que surge com a era do computador. O digital, segundo Manovich 
(2001), traria a principal revolução tecnológica da comunicação contemporâ-
nea, que é a unificação dos processos tecnológicos em torno de uma mesma 
linguagem. Assim, passamos a armazenar, tratar e compartilhar informações 
a partir do computador, que se conecta a outros mundos pela Internet e pelos 
seus circuitos digitais.
Lemos (2006) ressalta o processo de conexão generalizado de computa-
dores como uma das características da cibercultura, que nasce a partir do 
fenômeno das tecnologias digitais. Num primeiro momento, essa conexão em 
redes telemáticas transforma o computador individual (PC) em um computa-
dor coletivo (CC), acessado por várias pessoas por meio da Internet. Depois 
disso, ocorre ainda um aprimoramento deste computador, transformado em 
computador móvel (CC móvel), com o surgimento dos celulares e das redes 
Wi-Fi. É aí que chegamos na última fase tecnológica que estamos vivenciando: 
a da tecnologia móvel.
A fase das Tecnologias de Conexão Contínua remete à fase de ubiquidade 
e mobilidade da comunicação, em que as redes de pessoas e de tecnologias 
se desprendem do aparelho fixo de conexão — modem, PCs e similares — e 
passam a ser nômades (SANTAELLA, 2007). Nessa fase, os dispositivos 
móveis (smartphones e tablets) se destacam como agentes comunicativos 
importantes e potencializam ainda mais o uso de TICs. O acesso a serviços de 
podcasting, streaming, Internet e redes sociais se faz, hoje, prioritariamente 
pelo mesmo aparelho (o smartphone) e a partir de qualquer lugar — no trânsito, 
no banheiro, na academia.
O uso das TICs
O uso das TICs revolucionou vários setores de produção na nossa sociedade. 
Podemos categorizar pelo menos três dimensões que progrediram a partir do 
emprego dessas tecnologias:
 o setor da comunicação;
 o setor da informática;
 o setor de controle e automação.
Tecnologias de informação e comunicação
10
O setor da comunicação abrange as telecomunicações e a telemática. As 
telecomunicações envolvem a transmissão de sinais por sistemas eletromag-
néticos, por fio ou fibra ótica. O uso de novas tecnologias permitiu que a 
reprodução de textos, imagens e sons se desse de forma mais rápida e ampla 
por esses canais. A telemática, por outro lado, envolve tecnologias como 
modens, linhas telefônicas e satélites, que permitem uma transmissão dessa 
informação à distância. Em alguns casos, essas tecnologias são usadas na 
mediação de processos de comunicação interpessoal. As redesde satélites 
encurtam distâncias, pois permitem, por exemplo, que um usuário da Internet 
se comunique via vídeo ao vivo com outro usuário de qualquer região do 
mundo. Outras tecnologias, como Wi-Fi e smartphones, vão permitir que o 
consumo de informações se dê em movimento. 
Na comunicação, o uso das TICs está relacionado a um processo de hori-
zontalização e de interatividade crescentes. A digitalização e a comunicação 
em redes permitiu chegarmos a uma comunicação em que todos os usuários 
estão aptos a produzir conteúdo para todos — um modelo que Lévy (1999) 
chama de Todos–Todos. O smartphone personaliza essa dinâmica, reunindo 
em um único aparelho múltiplas funcionalidades. Ele pode ser usado para a 
comunicação interpessoal entre dois usuários, para o consumo de informações 
e de entretenimento ou ainda para a publicação de vídeos e outros conteúdos 
em redes sociais.
As TICs potencializam um tipo de comunicação ágil, interativo e horizontal. As redes 
telemáticas tornam os fluxos de informação intensos e dinâmicos. A interação mediada 
pelo computador tornam-se molas propulsoras desse sistema de comunicação. Por 
outro lado, natureza digital dessas tecnologias abre a possibilidade de uma manipulação 
maior do seu conteúdo pelo usuário, que pode estabelecer processos comunicativos 
mais horizontais. 
Outro setor que tem investido no uso das TICs é o setor da informática. 
Novas tecnologias têm permitido um processamento, armazenamento e tra-
tamento de dados mais eficiente. Bancos de dados remotos ajudam nesse 
processo, assim como a conexão entre redes, que amplificam a circulação 
da informação. 
 de informação e comunicação Tecnologias
11
As tecnologias dos setores de informática e comunicação foram popula-
rizadas e hoje são utilizadas por uma gama enorme de pessoas de diferentes 
segmentos sociais. Produtores rurais utilizam aplicativos informáticos e sis-
temas automatizados para gerenciar seus sistemas de produção agrícola e 
smartphones para se comunicar com outras comunidades. Escolas também 
começam a usar as TICs para aprimorar os seus processos de ensino–apren-
dizagem. Ferramentas como blogs, fóruns de discussão na Internet e outras 
plataformas colaborativas trazem uma dinâmica mais interativa para a sala 
de aula.
Por fim, outro setor que faz uso de TICs são os de controle e automação 
das empresas. Eles inseriram sistemas de gerenciamento de informações nos 
seus processos industriais, o que tem produzido formas mais ágeis e dinâmicas 
de produção e de administração de equipes.
A era da inteligência artificial
As ferramentas baseadas em inteligência artifi cial (IA) ganham grande destaque 
na atualidade, principalmente devido à sua fl exibilidade de aplicação em várias 
áreas. A IA é uma área de estudos das ciências da computação relacionada à 
robótica, desenvolvida a partir de 1950. Grosso modo, ela se aplica ao uso de 
máquinas para desenvolver atividades e capacidades humanas, como apren-
dizagem, raciocínio e tomada de decisão. Seria possível, então, ensinar uma 
máquina a pensar e aprender como um ser humano, desenvolvendo processos 
de decisão embasados em dados. 
Na prática, a IA automatiza os processos de manipulação de dados computacionais. 
Isso otimiza processos de produção, delegando boa parte das funções exercidas por 
pessoas para uma máquina. Muitos setores, como a indústria do entretenimento, 
a medicina e o jornalismo, têm usado a IA. Máquinas ajudam a identificar padrões 
em grandes bancos de dados, melhorando serviços de saúde e de entretenimento, 
por exemplo. Alguns modelos de negócios, como as plataformas Netflix e Spotify, 
funcionam à base de IA, automatizando a seleção de filmes e músicas a partir do 
mapeamento do perfil do usuário. 
Tecnologias de informação e comunicação
12
As TICs no jornalismo
As TICs vêm sendo incorporadas paulatinamente à prática do jornalismo 
nas redações. Suzana Barbosa (2008) nos ajuda a entender o papel que essas 
tecnologias cumprem no jornalismo com base em seu modelo Jornalismo 
Digital em Base de Dados (JDBD). A lógica é que, ao contrário de outras fases, 
a tecnologia digital — e especialmente as bases de dados — estruturam todas 
as fases da atividade jornalística, desde o seu processo de pré-produção, pas-
sando por produção, disponibilização/circulação, consumo até pós-produção.
Desde sua inserção nas redações jornalísticas a partir da década de 1980, 
o computador ganha um protagonismo crescente na execução de práticas jor-
nalísticas. Com a digitalização das redações, a máquina passa a centralizar os 
processos de gestão de informações, ajudando os jornalistas a organizar bancos
de dados e redes internas. Num segundo momento — período que Barbosa
(2008) chama de JDBD — o computador deixa de ser apenas um acessório
na produção jornalística e passa a centralizar todas as tarefas, por meio dos
mecanismos de bases de dados. Em seguida, com o advento da Internet, o
computador se transforma no modo de conexão da redação jornalística com
o mundo externo.
Hoje, as bases de dados cumprem a função de agilizar os processos de
produção jornalística, facilitando a obtenção de informações para a preparação 
de pautas, automatizando o modo como as informações são estruturadas dentro 
das redações e dinamizando a forma de apresentação do conteúdo jornalístico 
para o seu público (BARBOSA, 2008). 
Salaverría e García Avilés (2008) chamam esse modelo de gestão de in-
formações das redações jornalísticas de convergência digital, o que envolve 
uma mudança nas três fases distintas de produção jornalística: de captação de 
informações, de edição/elaboração e de distribuição de conteúdo. Listamos, a 
seguir, alguns usos de TICs nessas fases específicas da produção no jornalismo.
Captação de informações
No jornalismo, a etapa de captação de informações se insere no processo de 
apuração de informações, etapa constitutiva do trabalho jornalístico tradicional. 
A apuração envolve desde a elaboração da pauta e sondagem de fontes (pré-
-produção) até a coleta/checagem de informações relevantes junto a fontes
jornalísticas e documentos. No processo de convergência digital, os sistemas
de apuração se tornam menos hierarquizados, como comenta Barbosa (2008).
Os computadores e, mais tarde, a Internet permitem uma fl exibilização do
 de informação e comunicação Tecnologias
13
acesso a fontes jornalísticas. As redes sociais, o e-mail e os bancos de dados 
se inserem na própria forma do jornalista procurar e acessar fontes. O telefone, 
tradicional amigo do jornalista, passa a ser apenas mais um dentre os vários 
mecanismos para contatar entrevistados. 
O uso de fóruns de discussão, blogs e outros recursos da Internet para 
elaborar pautas jornalísticas também é uma prática de uso de TICs bastante 
comum no jornalismo. Nas redes sociais, os jornalistas podem participar de 
grupos de discussão específicos para troca de pautas e indicação de fontes 
jornalísticas. Essas tecnologias potencializam as formas de trabalho colabo-
rativas entre repórteres.
A inovação tecnológica também vai aparecer na forma de captar as infor-
mações, com o uso de tecnologias digitais para gravação de voz e imagem 
(gravadores, câmeras de vídeo portáteis, etc.). Aplicativos e outras tecno-
logias de transmissão de vídeos e áudios permitem que o jornalista grave 
essas entrevistas e armazene-as direto no computador ou smartphone. Outra 
questão a ressaltar quando falamos de captação de informações é o fato do 
jornalista precisar capturá-las em diferentes formatos — áudio, vídeo, texto 
—, pois provavelmente ele utilizará esse material bruto para produzir peças 
informativas para diferentes plataformas com linguagem textual e audiovi-
sual. Com o advento do smartphone, o jornalista passa a integrar diferentes 
tarefas — captação, edição e distribuição — num mesmo aparelho, processo 
que Salaverría (2003) chama de convergência instrumental.
Nas redações jornalísticas atuais, exige-se uma série de habilidades do jornalista, que 
o transformamem um profissional multimídia. Segundo Salaverría (2003), ele deve:
 dominar técnicas de gravação e edição digital de vídeo, fotografia e publicação
na Web;
 ser proficiente na elaboração de conteúdos em imagem, áudio e infográficos;
 ter facilidade para trabalhar em equipe;
 ser capaz de reagir diante de informações de última hora.
Para Machado (2002), a apuração na Internet permite que os jornalistas 
diversifiquem suas fontes de informação. Na cobertura de eventos institucio-
nais, por exemplo, antes de buscar fatos e declarações oficiais, o jornalista 
pode usar a Internet como uma ferramenta de pesquisa para aprofundar seu 
Tecnologias de informação e comunicação
14
conhecimento sobre temas específicos. Outra questão levantada pelo pesqui-
sador é o fato das mídias sociais ampliarem o leque de potenciais fontes para 
os jornalistas, estendendo-se para qualquer usuário da rede.
A democratização de acesso a dados também se refere a fontes documen-
tais. Na Internet, a disponibilização de bases de dados de domínio público de 
diversos órgãos governamentais permite ao jornalista acessar uma enorme 
quantidade de dados sem precisar sair da frente do seu computador na reda-
ção. Machado (2002) se refere a esse processo como uma transferência das 
fontes oficiais para as fontes de domínio público. Esse acesso facilitado a 
dados diminui os custos de produção da reportagem, pois não envolve mais o 
deslocamento de pessoal para buscar documentos em arquivos físicos. Mesmo 
pequenas redações com poucos recursos financeiros têm a chance de trabalhar 
em grandes furos de reportagem mediante o acesso a esses bancos de dados.
O uso de TICs no processo de captação de informações acabou dando 
origem ao Jornalismo Guiado por Dados, especialidade do jornalismo que 
se utiliza da manipulação de dados para a construção de conteúdo. Essa 
prática jornalística de uso de dados potencializa a capacidade do repórter de 
identificar notícias em um grande volume de dados e coloca-se cada vez mais 
como uma das formas do jornalismo digital produzir reportagens inovadoras.
Edição do conteúdo jornalístico
O uso de TICs faz com que o processo de edição jornalística também se 
transforme em uma fase mais dinâmica e fl exível. A inserção do computador 
nas redações jornalísticas informatizou os sistemas de edição de notícias. 
Nesse sentido, etapas que eram feitas manualmente ou com pouco auxílio do 
computador — como o corte de textos ou a edição de fotografi as — passaram 
a ser centralizadas nessa máquina. Sistemas editoriais modernos e multimídia 
ajudaram a integrar e descentralizar os processos de produção de notícias. 
Aplicativos e tecnologias de edição fotográfi ca e de vídeo ampliaram as pos-
sibilidades de produção de conteúdo de alta qualidade nas redações.
O pesquisador Fernando Firmino Silva (2014) estuda as modificações 
causadas pela inserção do smartphone e outras TICs nos processos de pro-
dução e consumo do jornalismo. Ele cita as seguintes modificações na esfera 
da produção:
 edição remota nos dispositivos móveis (celulares);
 geolocalização contextual da notícia via GPS;
 uso de aplicativos de edição multimídia;
Tecnologias de informação e comunicação
15
 acesso ao gerenciador de conteúdo remoto;
 novas linguagens de narrativa;
 transmissão ao vivo por streaming.
Segundo Silva (2014), a inserção de dispositivos móveis no jornalismo 
produz rupturas com relação aos instrumentos do jornalismo tradicional, 
fazendo com que suas práticas se adaptassem a um cenário de produção 
multiplataforma e em mobilidade. Assim, vemos o surgimento da redação 
móvel, em que os trabalhos do repórter são feitos de forma remota.
Hoje, de fato, os sistemas editoriais multimídia das redações funcionam de 
forma remota. Repórteres e fotógrafos conseguem abastecer o sistema durante 
a cobertura da notícia enviando textos, áudios e vídeos pela Internet. Essa 
forma de atuação só foi possível devido aos avanços tecnológicos, trazendo 
uma agilidade maior para o processo de produção de notícias. Da mesma 
forma, editores conseguem revisar o conteúdo remotamente, de qualquer 
lugar, podendo checar alterações em todas as fases de produção em tempo 
real pelo smartphone e tablet. 
Em relação aos aspectos de produção e edição, também vemos que o cenário 
digital multimídia fornece aos jornalistas as ferramentas para produzir con-
teúdos mais dinâmicos e interconectados. Segundo Barbosa (2008), a inserção 
de bases de dados nos processos de edição e produção jornalística dá origem 
a produtos com densidade informativa e com novos tipos de visualização. 
Tecnologias de informação e comunicação
16
O Nexo Jornal é um bom exemplo de como o jornalismo vem utilizando ferramentas 
tecnológicas para construir e gerar visualizações diferenciadas para seus produtos. A 
seção Gráficos desse jornal digital apresenta matérias informativas na forma de gráficos 
interativos. Na matéria “A expectativa de vida desde 1800 no Brasil e no mundo” (Figura 
1), por exemplo, o usuário pode visualizar dados referentes à expectativa de vida da 
população em diferentes países, no decorrer dos anos (SOUZA; SANLORENSSI, 2019). 
Figura 1. Matéria do Nexo Jornal em forma de gráfico interativo.
Fonte: Souza e Zanlorenssi (2019, documento on-line).
As TICs também dão origem a sistemas de edição jornalística mais hori-
zontais na Web, inserindo o público como produtor ou curador de conteúdo 
jornalístico. Machado (2008a) refere-se a pelo menos a três sistemas de edição 
potencializados pelas ferramentas digitais e pela Internet: o sistema de edição 
compartilhada, o sistema de revisão aberta e o sistema de edição aberta. 
No sistema de edição compartilhada, existem duas fases de edição: a etapa 
inicial, assumida por não jornalistas, que exercem funções preliminares de 
edição de conteúdo, e a segunda etapa, de responsabilidade dos jornalistas. 
Nesse sistema, a publicação de conteúdo ainda está centralizada nas mãos 
dos jornalistas, que dão a palavra final de edição, o que faz com que Ma-
chado (2008a) o vincule aos modelos tradicionais de edição, com estrutura 
verticalizada.
 de informação e comunicação Tecnologias
17
No sistema de revisão aberta, há uma ampliação das etapas de edição em 
que os usuários podem participar, o que traz mais complexidade aos processos 
de edição. A edição é, então, dividida em três etapas: uma de responsabilidade 
do colaborador, uma segunda de participação de todos os membros da rede, 
e uma terceira etapa que é assumida pelos jornalistas. Por fim, o sistema de 
edição aberta seria o sistema mais horizontalizado, pois permitiria a parti-
cipação de todos os membros — jornalistas e não jornalistas — em todas as 
etapas de produção, sem diferenciar funções. 
Distribuição de conteúdo
A inserção de novas tecnologias nas redações também afeta a forma de dis-
tribuição dos conteúdos jornalísticos. As mídias digitais, por exemplo, pro-
porcionam uma ampliação dos espaços de consumo e circulação do discurso 
jornalístico. Se antes tínhamos a distribuição de conteúdo para um veículo de 
comunicação preponderante — como era o caso do rádio e da televisão —, 
hoje a produção jornalística passa a abarcar outras plataformas e dispositivos, 
como dispositivos móveis (tablets e smartphones) e mídias sociais. É isso que 
alguns pesquisadores chamam de distribuição multiplataforma.
As redes sociais digitais tornam o sistema de circulação do jornalismo 
mais flexível, fazendo com que o próprio usuário da rede se transforme em 
propagador de notícias e informações jornalísticas. Assim, a distribuição que 
era feita de forma centralizada, com hierarquia rígida entre os participantes, 
em que o meio de comunicação exercia um papel fundamental de entrega 
de informações para o consumidor, adquire um caráter menos hierárquico e 
descentralizado nas redes (MACHADO, 2008b). Mais uma vez, vemos que 
o protagonismo da produção e distribuição de conteúdo jornalístico começa
a ser assumido também pelo público.Algoritmos e robôs no jornalismo 
Novas tecnologias algorítmicas também têm sido aplicadas ao jornalismo, 
automatizando a produção e consumo de notícias. Antes de descobrir como 
isso funciona nas redações, é interessante explicarmos o que são algoritmos. 
Eles podem ser defi nidos como “[...] um conjunto de operações autossufi cien-
tes a serem desempenhadas passo a passo, como cálculos, processamento 
de dados e raciocínio — um conjunto de regras que defi nem precisamente 
uma sequência de instruções que serão compreendidas por um computador” 
(LINDEN; BATISTA; RICCIULLI, 2018, documento on-line). Assim como 
Tecnologias de informação e comunicação
18
em outras atividades, os algoritmos podem ser adaptados para as rotinas de 
produção jornalísticas, ou seja, pode-se criar um algoritmo jornalístico que 
desempenhe atividades antes desempenhadas por jornalistas.
Magalhães (2017) comenta que os algoritmos cumprem a função de orientar 
jornalistas na filtragem de conteúdo na Internet nos processos de produção 
jornalística, além de ajudar a distribuir esse material de forma personalizada. 
Outro elemento citado pelo mesmo autor se refere à produção de notícias pela 
própria máquina, sem intervenção humana no processo. O chamado jornalismo 
algorítmico (ANDERSON, 2012 apud MAGALHÃES, 2017) começou como 
um experimento em pequena escala, mas já tem sido usado em larga escala 
devido à expansão da big data para a produção de notícias automáticas em 
múltiplas línguas, por exemplo (MAGALHÃES, 2017).
Em um cenário de difusão de informações falsas, ou fake news, o jornalismo 
também tem utilizado robôs para a checagem de fatos — ou fact checking. O 
site jornalístico Aos Fatos, cujo modelo de negócio gira em torno dessa prática 
de fact checking, inaugurou em 2018 a robô Fátima, cuja tarefa principal é 
checar informações em sites de redes sociais. Vemos, então, que a tecnologia 
a serviço do jornalismo ajuda a ampliar os seus ramos de atuação.
No link a seguir, você pode conhecer Fátima, robô de checagem de dados do site 
jornalístico Aos Fatos.
https://qrgo.page.link/KYdds 
 de informação e comunicação Tecnologias
19
BARBOSA, S. Modelo jornalismo digital em base de dados (JDBD) em interação com a 
convergência jornalística. Textual & Visual Media, v. 1, p. 87-106, 2008.
BRIGGS, A.; BURKE, P. Uma história social da mídia: de Gutenberg à internet. Rio de 
Janeiro: Zahar, 2006.
CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, negócios e sociedade. 
Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. 8. ed. São Paulo: Paz & Terra, 1999. v. 1.
LEMOS, A. Les trois lois de la cyberculture. Libération de l’émission, connexion au réseau 
et reconfiguration culturelle. Sociétés, v. 91, n. 1, p. 37-48, 2006.
LÉVY, P. Cibercultura. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 1999.
LINDEN, C. G.; BATISTA, G. M.; RICCIULLI, S. L. S. Algoritmos para o jornalismo: o future 
da produção de notícias. LÍBERO, v. 21, n. 41, p. 5-27, 2018. Disponível em: http://seer.
casperlibero.edu.br/index.php/libero/article/view/973/977. Acesso em: 23 dez. 2019.
MACHADO, E. O ciberespaço como fonte para os jornalistas. Biblioteca online de Ciências 
da Comunicação, 2002 Disponível em: www.bocc.ubi.pt/pag/machado-elias-ciberes-
paco-jornalistas.pdf. Acesso em: 23 dez. 2019.
MACHADO, E. Sistemas de circulação no ciberjornalismo. E-compós, v. 11, n. 2, p. 21-37, 
2008b.
MACHADO, E. Sistemas de edição no jornalismo em base de dados. In: SEMANA DE 
COMUNICAÇÃO, 17., 2008, Florianópolis. Anais [...]. Santa Catarina: UFSC, 2008a.
MAGALHÃES, D. L. Precisão, rapidez e robôs: um panorama atual do jornalismo algo-
rítmico. Temática, v. 13, n. 8, p. 243-258, 2017. Disponível em: http://www.periodicos.
ufpb.br/index.php/tematica/article/download/35755/18165. Acesso em: 23 dez. 2019.
MANOVICH, L. The language of new media. Cambridge: Massachusetts Institute of 
Technology, 2001. 
MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. 1. ed. São Paulo: 
Cultrix, 1974.
SALAVERRÍA, R. Convergencia de lod medios. Chasqui, n. 81, p. 32-39, 2003.
SALAVERRÍA, R.; AVILÉS, J. G. La convergencia tecnologia en los medios de comunica-
ción: retos para el periodismo. Trípodos, n. 23, p. 31-47, 2008.
SANTAELLA, L. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007.
SILVA, F. Smarphones e tablets na produção jornalística. Revista Âncora, v. 1, n. 1, p. 
23-40, 2014.
Tecnologias de informação e comunicação
20
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
SOUZA, C.; ZANLORENSSI, G. A expectativa de vida desde 1800 no Brasil e no mundo. 
Jornal Nexo, 2019. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/grafico/2019/08/28/
A-expectativa-de-vida-desde-1800-no-Brasil-e-no-mundo. Acesso em: 21 dez. 2019.
Leituras recomendadas
CURVELLO, J.; RUSSI, P. 100 anos de McLuhan. Brasília: Casa das Musas, 2012.
LEMOS, A. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Ana-
blume, 2013.
PRIMO, A. Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura, cognição. 
Porto Alegre: Editora Sulina, 2007.
 de informação e comunicação Tecnologias
21
DICA DO PROFESSOR
As TICs são usadas em diversas áreas do conhecimento e são adaptadas conforme a necessidade 
de cada área. Conhecer seus diferentes usos ajuda a refletir sobre suas aplicabilidades no 
jornalismo.
Na Dica do Professor, você vai entender como os professores estão utilizando as TICs em sala 
de aula para aprimorar e facilitar o processo de ensino-aprendizagem.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) Um repórter da editoria de saúde de um jornal digital resolveu elaborar uma matéria
sobre a dengue e seu alastramento na cidade de São Paulo. Para executar essa pauta,
ele deu preferência para o uso de tecnologias digitais na apuração das informações.
Selecione a opção que contém apenas ferramentas e procedimentos digitais que
podem ser utilizados pelo repórter para encontrar entrevistados e levantar
documentos, respectivamente:
A) Comunidades virtuais de redes sociais para encontrar entrevistados; site da Secretaria
Municipal de Saúde para acesso a relatórios e outros documentos oficiais.
B) Localizar entrevistados em pontos de ônibus e locais de transição da população; ida à
prefeitura para ter acesso a relatórios de saúde impressos.
C) Grupos presenciais de pacientes; site da Secretaria Municipal de Saúde para acesso a
relatórios.
22
D) Acesso ao banco de dados da prefeitura; Grupos de família no Whatsapp.
E) Google; visita e entrevista presencial com o Secretário Municipal de Saúde.
2) Criada em 2001 pela Fundação Wikimedia, a Wikipédia é uma plataforma que
trabalha para a disponibilização de informações gratuitas sobre conhecimentos do
mundo. Hoje, ela tem versões em várias línguas e sua versão brasileira conta com
1.016.699 artigos em português e 6.268 usuários ativos. A plataforma funciona a
partir da colaboração de milhares de pessoas, que podem criar páginas sobre
determinado tema ou editar o conteúdo de páginas já existentes. O usuário não
precisa ter seu texto aprovado, ou seja, ele é automaticamente publicado no site. O
único tipo de controle são os históricos de edição das páginas, que ficam registrados.
Esse sistema de edição, que envolve usuários desempenhando as mesmas funções, é o
que Elias Machado chama de:
A) Sistema fechado de edição.
B) Sistema de revisão aberta.
C) Sistema de edição compartilhada.
D) Sistema de edição aberta.
E) Sistema de revisão compartilhada.
Imagine o seguinte cenário: uma repórter de televisão estava envolvida na produção 
de uma reportagem sobresustentabilidade para o telejornal local. Para isso, além de 
entrevistar lojistas e pessoas que trabalham na prefeitura, para ter uma dimensão 
oficial sobre a questão, a repórter também buscou ouvir um grupo de pessoas 
engajadas com o movimento social Lixo Zero e índividuos que resolveram rever as 
suas práticas de consumo e adotar uma abordagem mais consciente. O uso das redes 
sociais foi essencial para localizar essas fontes. Qual o fenômeno proporcionado pela 
3)
23
inserção da Internet nas redações jornalísticas que se relaciona, diretamente, a esse 
relato?
A) Processos de edição mais estáticos.
B) Fluxos de informação hierarquizados.
C) Centralização da apuração nas redações jornalísticas.
D) Verticalização do processo de comunicação.
E) Diversificação das fontes de informação.
4) Uma reportagem produzida pelo Jornal Nacional sobre a Lava Jato ganhou ampla
repercussão nas mídias sociais. Essa dinâmica de circulação de notícias nas redes
sociais, que partem da atuação do usuário, têm as seguintes características:
A) Unidirecional e centralizada.
B) Hierárquico e descentralizado.
C) Flexível e centralizado.
D) Flexível e descentralizado.
E) Hierárquico e centralizado.
5) A popularização das TICs de forma global deu origem à Sociedade da Informação,
ou ao que Castells denomina de Sociedade em rede. Marque a alternativa que
descreve essas tecnologias:
24
A) São tecnologias baseadas na linguagem eletrônica, da televisão e do rádio.
B) São tecnologias baseadas na linguagem digital e na inteligência coletiva em rede.
C) São tecnologias informacionais baseadas na linguagem eletrônica.
D) São tecnologias que não dependem da estrutura de redes e da internet.
E) São tecnologias baseadas na linguagem eletrônica e na inteligência coletiva.
NA PRÁTICA
A Inteligência Artificial (IA) consiste em uma tecnologia aplicada para otimizar processos e 
sistemas que eram antes gerenciados por mãos humanas. Hoje em dia vivemos rodeados de 
robôs que automatizam tarefas em diferentes setores da sociedade.
Neste Na Prática, você vai conhecer alguns exemplos de aplicação da Inteligência Artificial (IA) 
nas áreas de comunicação, controle e automação das indústrias e da informática. Confira!
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Ferramentas multimídia para jornalistas
Dominar ferramentas digitais é uma das exigências para um jornalista. No link a seguir, você 
tem acesso a dicas de recursos multimídias que podem ser usados na rotina jornalística.
25
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O novo Universo do Jornalismo
No texto “O novo universo do jornalismo”, publicado no Observatório da Imprensa, Ethevaldo 
Siqueira, jornalista especializado em Tecnologias Digitais, faz um balanço sobre as mudanças 
do jornalismo trazidas pelas TICs. Confira:
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Inteligência artificial não vai matar nem salvar o jornalismo, mas quanto mais cedo entrar 
na redação, melhor
Que possibilidades a Inteligência Artificial (IA) traz para o jornalismo? O Polis, think tank de 
mídia da London School of Economics, nos convida a refletir sobre essa questão na pesquisa 
global “Novos poderes, novas responsabilidades”. Leia mais no link a seguir:
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26
Transformações tecnológicas e sociedade 
em rede
APRESENTAÇÃO
A pesquisa científica nas principais universidades da Europa e da América do Norte 
transformaram a tecnologia analógica em digital, 
o que modificou as relações pessoais, de trabalho e principalmente a economia.
Dessa maneira, as tecnologias da comunicação e informação foram introduzindo novas maneiras 
de organizar e informar; as dinâmicas sociais começaram a ser observadas por sociólogos como 
sendo tecidas em rede. Manuel Castells (1999, 2001, 2005) observou como 
a internet e as tecnologias a ela ligadas estavam formando redes de criação de conteúdo e 
experimentação do espaço on-line. E, com isso, nos traz a visão de uma vida social que é 
constituída como um tecido, nó por nó.
Nesta Unidade de Aprendizagem iremos reconhecer a atuação 
da tecnologia na sociedade, faremos um sobrevoo para identificar as principais marcas 
tecnológicas do século XX e passaremos brevemente pelas peculiaridades da sociedade em rede.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o papel da tecnologia na sociedade.•
Identificar os principais marcos tecnológicos no século XX.•
Caracterizar a sociedade em rede.•
DESAFIO
Frente às transformações tecnológicas que vêm ocorrendo desde 
o século XX, diversas áreas como a Sociologia, a Antropologia e a Comunicação têm
desenvolvido pesquisas para alcançar teorias
que possam, de alguma maneira, fornecer explicações, fomentar questionamentos e
27
principalmente descrever a contemporaneidade.
De que maneira você proporia essa mudança? Levando em consideração as características da 
sociedade em rede, de que 
maneira o jornal impresso poderia ofertar informação e possibilitar 
a participação de seus públicos de maneira mais ativa?
INFOGRÁFICO
O pesquisador Jorge Souza (2008) nos aponta os principais 
marcos vividos no século XX. As tecnologias da comunicação acompanharam o 
desenvolvimento tecnocientífico e a mediação eletrônica dos indivíduos, mas também esteve 
presente em guerras 
e conflitos internacionais.
Neste Infográfico, você será capaz de identificar as principais transformações ocorridas no 
período entre 1901e 2000. 
28
29
CONTEÚDO DO LIVRO
Tomar o avanço tecnológico como a causa do desenvolvimento social pode ser uma armadilha 
aos países menos desenvolvidos. Isso porque as transformações tecnológicas são sentidas de 
maneiras diferentes em cada região do mundo. Manuel Castells (2005) nos chama atenção para 
o fato de que o objeto tecnológico nem sempre trará efeitos de desenvolvimento ou
transformações reais na vida das pessoas.
Mais do que apenas implementar computadores nas escolas, é necessário investir força no uso 
dos meios, em sua potência de organização social. As tecnologias oferecem espaço livre de 
criação e experimentação; pensemos na internet: ela é atualmente o tecido de nossas vidas.
No capítulo Transformações tecnológicas e sociedade em rede, da obra Jornalismo digital e 
cibercultura, você será capaz de reconhecer como a tecnologia tem proporcionado 
transformações na vida social. Poderá identificar os principais marcos tecnológicos do século 
XX e, com o apoio de autores da área da Comunicação e Informação, perceber as características 
da sociedade em rede.
Boa leitura.
30
Transformações 
tecnológicas e 
sociedade em rede
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Reconhecer o papel da tecnologia na sociedade.
 Identificar os principais marcos tecnológicos no século XX.
 Caracterizar a sociedade em rede.
Introdução
São inegavelmente imensos os efeitos e as atribuições que as tecnologias 
produzem nas sociedades contemporâneas. O papel da organização 
social e a descentralização das relações econômicas e culturais são as 
principais transformações apontadas por teóricos como Manuel Castells. 
Por isso, qualquer exame dessa sociedade em rede requer a observação 
de como as tecnologias da comunicação e informação são usadas na 
organização cotidiana dos usuários.
Neste capítulo, você verá os principais marcos tecnológicos que 
emergiram no século XX dentro da perspectiva da comunicação, em 
que o rádio, a televisão e a Internet são adventos fundamentais. Além 
disso, você poderá aprender mais sobre a noção da sociedade em rede, 
como ela opera, quais transformações ela traz e o que o pensamento 
em rede pode oferecer. 
Sociedade e tecnologia
Ao observarmos a vida cotidiana atual,é perceptível a desintegração dos objetos 
do mundo. A biblioteca física ganha espaço on-line e arquivos digitais ganham 
circulação na Internet. A maneira como adquirimos informações também 
31
adquire maior mobilidade, já que elas podem ser acessadas de qualquer local a 
qualquer momento. É evidente que as tecnologias — e pensemos tecnologias 
aqui a partir de sua etimologia: diversos métodos para aperfeiçoamento de 
técnicas — têm efeito de transformação. Mas exatamente quais transforma-
ções? Como as técnicas em constante aperfeiçoamento têm sido utilizadas? 
Seria possível tomar as tecnologias como sendo organizadoras da vida social?
Caso pensemos nas tecnologias computacionais por sua usabilidade, po-
deríamos cair no engano de que, por exemplo, bastam alguns computadores 
e acesso à Internet em uma escola para transformar a vida de seus alunos, 
facilitar seu cotidiano ou até mesmo levar inovação com giro econômico para 
sua comunidade. Castells (2005) nos chama atenção precisamente para esse 
ponto. Ao observarmos a sociedade e suas tecnologias na tentativa de reco-
nhecer o seu papel em nossas vidas, é preciso ter em mente onde, por quem 
e para quê são usadas tais tecnologias. A partir desse ponto de vista, seria 
mais eficaz fazer uso e se apropriar das máquinas levando em consideração 
a questão da compatibilidade com outros dispositivos digitais, o que permite 
o compartilhamento de informações pela Internet. Entretanto, é importante
frisar que a tecnologia não se resume à Web.
O advento da Internet marcou a história, mas é importante entendê-la em 
perspectiva, como parte de um todo; a Internet nos ajuda a entender o papel 
da tecnologia em uma sociedade em rede. Sob esse modelo de sociedade, cada 
indivíduo compõe um nó de um grande tecido que reveste o campo social. As 
redes se interligam globalmente em um campo de informação cada vez mais 
complexo (CASTELLS, 2001).
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
32
Figura 1. Dentro do pensamento teórico de Manuel Castells, nossa sociedade é composta 
como uma rede. Cada indivíduo compõe um nó de um grande tecido que reveste o campo 
social. As redes se interligam globalmente em um campo de informação cada vez mais 
complexo.
Fonte: NicoElNino/Shutterstock.com.
Nessa linha de raciocínio, a pesquisadora norte-americana Donna Haraway 
(2000) nos ajuda a enfrentar o fascínio que obtemos com aparelhos eletrônicos. 
Em vez de temê-los, é possível tomá-los como um instrumento útil e com 
objetivos nítidos quanto à sua utilização. “A máquina não é uma coisa a ser 
animada, idolatrada e dominada. A máquina coincide conosco, com nossos 
processos; ela é um aspecto de nossa corporificação” (HARAWAY, 2000, p. 97).
Com isso, é possível demarcar alguns aspectos da relação entre tecnologias 
e sociedade contemporânea. Será com o pensamento de Castells (2005) e 
Rüdiger (2011) que exploraremos a seguir as atribuições que as tecnologias da 
comunicação e informação têm trazido ao desenvolvimento das sociedades.
Processos de aprendizagem
Não estamos passando exatamente por uma “sociedade do conhecimento”, já 
que, na verdade, isso sempre esteve presente entre as motivações humanas. 
O que acontece atualmente, na visão de Castells (2005), é o alargamento das 
possibilidades de organização e de acesso a canais de conhecimento. A exi-
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
33
gência é pela capacidade de visualizar a vida em rede e com isso ser capaz de 
conhecer a dinâmica e trazer as tecnologias para transformações sociais locais.
Organização social
As tecnologias da informação e comunicação oferecem ampla criação de 
espaços virtuais. Por isso, é preciso conhecer as possibilidades dessa nova 
estrutura social. A Internet e os produtos que dela se desenvolvem operam 
por experimentação. Por mais que já existam bibliografi as sobre o tema, esse 
é um terreno a ser construído. O que vale é encontrar maneiras de organizar 
a imensa quantidade de informação digital, para que assim se possa usufruir 
dos benefícios desse novo sistema.
Descentralização
Por operar em uma dinâmica em rede, formatos e sistemas verticais perdem 
lugar para uma experiência horizontal. Quando as tecnologias operam a favor 
de seus usuários, ocorre a descentralização de serviços, de trabalho e da vida 
social. O papel das tecnologias na sociedade em rede está relacionado também 
à autonomia dos indivíduos frente às suas demandas. São as chamadas ações 
autoprogramadas. As operações sociais, sejam elas econômicas ou culturais, 
não mais dependem exclusivamente de grandes instituições, havendo a procura 
por atividades criativas e tempo livre no próprio trabalho.
Nesse sentido, a sociedade se modifica a partir dos interesses e dos usos 
feitos das tecnologias, e não necessariamente a partir da tecnologia. As trans-
formações sentidas desde o século XX dentro dessa perspectiva são principal-
mente de cunho sociocultural. Isso porque uma sociedade em rede é feita por 
pontos, ou nós. Esses pontos são os próprios indivíduos a criar, experimentar 
e descobrir usabilidades para os meios digitais. Castells (2005, documento 
on-line, grifo nosso) discorre sobre essa questão no trecho a seguir:
O nosso mundo está em processo de transformação estrutural desde há duas 
décadas. É um processo multidimensional, mas está associado à emergência 
de um novo paradigma tecnológico, baseado nas tecnologias de comunicação 
e informação, que começaram a tomar forma nos anos 60 e que se difundiram 
de forma desigual por todo o mundo. Nós sabemos que a tecnologia não 
determina a sociedade [...]. A sociedade é que dá forma à tecnologia de 
acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam 
as tecnologias. Além disso, as tecnologias de comunicação e informação são 
particularmente sensíveis aos efeitos dos usos sociais da própria tecnologia.
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
34
Se as tecnologias são “particularmente sensíveis” ao seu uso é porque existe 
uma dimensão de experimentação. Pensemos ainda em sua flexibilidade e adap-
tabilidade, reconhecendo que o papel das tecnologias na sociedade é admitir que 
cada indivíduo é responsável e cocriador delas. Os aplicativos e as mídias sociais 
podem ofertar a função de ferramentas em benefício das relações de trabalho e 
afetivas. Entretanto, essas tecnólogas são flexíveis e não determinantes de um 
modo de vida (CASTELLS, 2001). A sociedade em rede requer criatividade, senso 
crítico e olhar micro nas relações sociais, para um fazer tecnológico que é coletivo.
Tecnologias do século XX
As transformações tecnológicas ocorridas durante o século XX (1901–2000) 
são visíveis nos objetos da comunicação. A criação do telégrafo (ainda no fi nal 
do século XIX), as ondas radiofônicas e a expansão da televisão no começo 
do século XX abriram caminhos para o desenvolvimento dos computadores 
individuais e, mais adiante, no fi nal do século, foi possível acompanhar o 
surgimento da Internet (IJUIM; TELLAROLI, 2008). Um dos objetos da 
comunicação que deixaram sua marca no século XX foi a máquina fotográfi ca 
Leica. De acordo com Souza ([2008]) em 1930 o modelo recebeu uma versão 
portátil de menor tamanho, o que trouxe mobilidade ao fotojornalista, além 
de avanços técnicos na revelação dos fi lmes.
A ampliação das pesquisas científicas na área da tecnologia da comunicação, 
em especial nos Estados Unidos e Europa, possibilitou a experimentação e 
criação de diferentes plataformas e canais de comunicação. A partir dos anos 
1970, um ambiente propício uniu diferentes campos do saber. Assim, “[...] na 
segunda metade do século XX, estabeleceram-se condições e o cenário para 
convergência entre a informática, a eletrônica e a comunicação” (IJUIM; 
TELLAROLI, 2008, documento on-line). 
Esse cenário propício ao desenvolvimento tecnológico foi resultado de 
descobertas científicas de séculos anteriores. A invenção da prensa móvel 
por Johannes Gutenberg no século XV (SOUZA, [2008]), quepossibilitou 
agilidade na impressão de textos, foi uma delas. Assim, o que favoreceu o 
desenvolvimento dos meios de comunicação foram “[...] os constantes inventos 
(técnicas de impressão de grandes tiragens) e o crescimento da difusão da 
notícia através do telégrafo (e dos outros meios que surgiram com o uso da 
eletricidade )) rádio, telefone, cinema)” (PATERNOSTRO, 1999, p. 20).
Nesse sentido, no âmbito da comunicação a televisão pode ser considerada 
uma das principais invenções do século XX, pois representa a convergência 
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
35
de áreas do conhecimento como eletrônica, química e física. A Internet tam-
bém é um forte marco deste século, ela que até os anos 1970 esteve presente 
apenas dentro das universidades, como objeto de pesquisa científica. A partir 
de Paternostro (1999) e Cury e Capobianco (2011), elencamos a seguir alguns 
marcos históricos relevantes no campo da comunicação:
 1901 — O princípio do rádio: com a comprovação da existência das
ondas eletromagnéticas, a partir das pesquisas de Heinrich Hertz (1857–
1894), o italiano Guglielmo Marconi construiu o primeiro aparelho
capaz de codificar as ondas e transmitir mensagens sem fio.
 1923 — O princípio da TV: nos Estados Unidos, o pesquisador russo-
-americano Vladimir Zworykin (1888–1982) criou o iconoscópio (tubo 
a vácuo com tela de células fotoeletrônicas), invenção que possibilitou
a transmissão de imagens a longas distâncias.
 1942 — O princípio do computador: na Universidade Estadual de Iowa, 
Estados Unidos, os pesquisadores John Vincent Atanasoff (1903–1995) 
e Clifford Berry (1918–1963) apresentaram em um congresso o “ABC”, 
uma máquina capaz de realizar cálculos matemáticos e ler dados in-
troduzidos por um teclado simples; nascia então (a partir de inúmeras
pesquisas anteriores) o primeiro computador moderno.
 1969 — A criação da Internet: com a função de interligar diferentes
laboratórios de pesquisa nos Estados Unidos, o primeiro uso da Internet 
foi chamado de ARPANET. Mais tarde, em 1987, ela deixou de pertencer 
apenas aos laboratórios acadêmicos e foi comercializada, tendo na
década de 1990 a sua ampliação.
 1976 — O princípio dos computadores pessoais: surgimento das em-
presas Apple e Microsoft; pesquisas na IBM avançam no conhecimento 
técnico-científico. Com investimento na área, foi possível a criação de
sistemas operacionais e desenvolvimento de programas. Nesse período, 
nasce o e-mail e o navegador Internet Explorer.
 1980 — O nascimento das redes: os computadores passam a se co-
municar entre si em diferentes locais. Em 1981, a IBM lança o PC, com 
códigos de comando (DOS), e em 1984 a Apple lança o seu produto Ma-
cintosh, introduzindo a interface gráfica nos computadores individuais. 
 1990 — A ampliação das redes: o cientista da computação Timothy
John Berners-Lee ainda em 1989 lança a proposta inaugural de criação 
do primeiro Servidor Web (World Wide Web), além de desenvolver ao
longo de sua pesquisa a linguagem HTML.
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
36
As pesquisas tecnológicas desenvolvidas no século XX, como se pode 
perceber, acumulou saberes rumo às tecnologias digitais. Foi um período de 
transformação e aprimoramento nos aparatos de informação e comunicação que 
avançariam no século seguinte com produtos cada vez mais individualizados. 
As modificações nessa área aconteceram de maneira desigual nas economias 
globais, o que ao mesmo tempo impulsionou certos países rumo ao crescimento 
econômico e também tornou outros países (emergentes) dependentes desse 
conhecimento (CASTELLS, 2005).
Em parceria com a IBM, o canal do YouTube The Enemy (mantido pelo site informativo e 
cultural Omelete) apresenta uma série de vídeos sobre “tecnologias do futuro”. No vídeo 
disponível no link a seguir, os temas abordados incluem tecnologias de transmissão, 
transmissão de dados e faixas de frequência. Com uma apresentação histórica da 
evolução da Internet móvel, é possível perceber os caminhos futuros desse meio e 
os impactos possíveis sobre a administração e segurança públicas e, principalmente, 
o cotidiano dos usuários.
https://qrgo.page.link/wR3vg
Relações na sociedade em rede
As relações na sociedade atual estão fortemente ligadas às interações tecnoló-
gicas de comunicação e informação. A imagem de uma rede funciona bem para 
visualizarmos a extensa camada de um tecido virtual onde pontos elétricos se 
conectam. A ampliação desse tecido está associado ao desenvolvimento das 
sociedades e para que esse tecido cresça é necessário que haja também a criação 
de conteúdos. Tanto indivíduos quanto grupos e instituições tecem essa rede de 
comunicação, onde cada nó desse tecido representa uma área do conhecimento, 
um novo e pequeno negócio ou a publicação de uma nova imagem.
Dessa maneira, as relações na sociedade em rede (sejam de trabalho ou afe-
tivas) acontecem via aparatos tecnológicos em que “[...] as pessoas integraram 
as tecnologias nas suas vidas, ligando a realidade virtual com a virtualidade 
real, vivendo em várias formas tecnológicas de comunicação, articulando-as 
conforme as suas necessidades” (CASTELLS, 2005, p. 23).
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
37
Nesse sentido, pensando a partir de Castells (2001; 2005), estaríamos 
criando uma sociedade em rede. E justamente por isso, diversas atividades 
econômicas, políticas, sociais e culturais estão passando por transformações. 
Essa mudança ocorre de forma gradual e na maneira como se vive; se “[...] a 
internet é o tecido de nossas vidas”, estar fora das relações comunicativas na 
Web tornou-se umas das maneiras de exclusão social (CASTELLS, 2001, p. 7).
Assim, na sociedade em rede ignorar suas ferramentas e negar os benefícios 
que ela traz poderá gerar isolamento e exclusão. Observa-se, nesse sentido, 
que é necessário adquirir conhecimento sobre as redes, experimentá-las e 
acompanhar as suas mudanças. Para compreendermos melhor algumas carac-
terísticas desse momento histórico, selecionamos a seguir alguns pontos-chave 
do trabalho de Manuel Castells (2001; 2005), pensador referencial nos estudos 
de comunicação e informação e entusiasta da sociedade em rede.
Nova economia
Não que a economia tradicional esteja sendo substituída, mas ocorre sem 
dúvida uma modifi cação e ampliação de suas ferramentas. Na era da nova 
economia, a produção, divulgação, distribuição e comercialização dos produtos 
operam por diferentes lógicas, não mais apenas pela instituição e industria-
lização. Ela é realizada também por pequenos grupos e indivíduos. Assim, 
as tecnologias de comunicação acrescentam novas regras ao jogo econômico 
dentro da sociedade em rede.
Transformações no mercado de trabalho
Por toda parte ocorrem mudanças nos contratos de trabalho e em suas cargas 
horárias, bem como exigência de novas competências além do letramento 
digital. Os indivíduos procuram maior mobilidade e constante aprendizado. 
Assim, o perfi l do trabalhador na sociedade em rede é o “autoprogramado”, 
aquele que encontra em si mesmo a fonte de sua criatividade e capacidade 
de produzir e inovar. 
Mudança na sociabilidade
Própria das redes de comunicação e perfeitamente adaptável às ferramentas 
da Internet é a sociabilidade individualizada. A sociedade em rede está se 
constituindo como uma sociedade em que há uma emergência do individu-
alismo e cada pessoa representa um ponto entre diferentes nós dessa rede. 
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
38
Dos telefones individuais com fi o aos perfi s virtuais das mídias sociais, não 
há exatamente novas relações, o que há são transformações de um modo de 
vida a procura de comunicação.
Transformação da área da comunicação
Informação digital, interatividade, sistema multimídia e audiência segmentada 
são algumas das transformações na sociedade em rede. Com a expansão das 
tecnologias e das mídias individualizadas, a comunicação está ao mesmo tempo 
global e local, ou seja, perpassa grandesmercados e pequenos produtores, 
cria conteúdos informativos desde instituições à indivíduos autônomos. A 
informação é produto maleável e experimentável tanto de grandes empresas 
quanto de indivíduos organizados.
Os mapas on-line, especialmente do Google Maps, podem ser encarados como um 
tecido virtual que reveste cidades e bairros. Por ser uma ferramenta colaborativa, 
é possível acrescentar informações e alimentar o banco de dados da empresa. Para 
inserir informações no mapa da cidade a respeito, por exemplo, de um estabelecimento 
comercial simples, é preciso ter uma conta vinculada ao sistema da Google. 
O serviço não é cobrado, mas os dados coletados serão armazenados e explorados 
pela empresa. O procedimento é relativamente simples: basta fazer o cadastramento do 
local a ser registrado, inserir corretamente a descrição do empreendimento e vincular 
esse “novo local” a um endereço físico. Uma carta será enviada para esse endereço e, 
com o código fornecido nessa correspondência, será possível liberar o acesso.
Nessa lógica, quanto mais indivíduos alimentarem esse sistema, mais detalhado ele 
ficará. Seu desenvolvimento não depende apenas da empresa, mas também de cada 
pessoa interessada em produzir e usufruir desse conteúdo. 
Percebe-se que, sob a ótica da sociedade em rede, cada indivíduo pode experimentar 
os serviços oferecidos pelas empresas de tecnologia, em que a informação é o bem 
mais valioso. Na extensa rede, os usuários são os nós.
Por fim, as possibilidades que as tecnologias trazem ao cotidiano dos 
indivíduos são experienciadas de modos distintos, isso porque seu desenvol-
vimento (em nível de conhecimento) ocorreu de maneira diferente na América 
Latina em comparação com a América do Norte e Europa. Refletindo sobre 
isso, Rüdiger (2011), citando Mark Slouka (1995), nos oferece um pensamento 
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
39
diferente em meio à expansão de comunicação que as novas tecnologias ofe-
recem. Dentro da sociedade em rede, estaríamos recebendo realmente o que 
nos satisfaz? É possível se ter autonomia na criação, produção e divulgação de 
qualquer produto que se queira comercializar, mas qual o real valor que se paga 
por isso? A quantidade de possibilidades e de informação que nos é oferecida, 
na visão dos autores, acaba por “oferecer muito pouco e exigindo demais”. 
CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. 
Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
CASTELLS, M. A sociedade em rede: do conhecimento à política. In: CASTELLS, M.; 
CARDOSO, G. (org.). A sociedade em rede: do conhecimento à ação política: Confe-
rência promovida pelo Presidente da República. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da 
Moeda, 2005. Disponível em: https://egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/a_socie-
dade_em_rede_-_do_conhecimento_a_acao_politica.pdf. Acesso em: 18 dez. 2019.
CURY, L.; CAPOBIANCO, L. Princípio da história das tecnologias da informação e co-
municação: grandes invenções. In: ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 8., 
2011, Guarapuava. Anais [...]. Paraná: Unicentro, 2011.
HARAWAY, D. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo socialista no final do 
século XX. In: SILVA, T. T. (org.). Antropologia do ciborgue. as vertigens do pós-humano. 
Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
IJUIM, J. K.; TELLAROLI, T. Comunicação no mundo globalizado — tendências no século 
XXI. Revista Ciberlegenda. , v. 10, n. 20, 2008. Disponível em: http://periodicos.uff.br/
ciberlegenda/article/view/36666/21246. Acesso em: 26 dez. 2019.
PATERNOSTRO, V. Í. O texto na TV: manual de telejornalismo. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
RÜDIGER, F. A reflexão teórica em cibercultura e a atualidade da polêmica sobre a 
cultura de massas. Matrizes, v. 5, n. 1, p. 45–55, 2011. Disponível em: http://repositorio.
pucrs.br/dspace/handle/10923/9818. Acesso em: 26 dez. 2019.
SOUZA, J. P. Uma história breve do jornalismo no ocidente. Biblioteca On-line de Ciências 
da Comunicação, [2008]. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/sousa-jorge-
-pedro-uma-historia-breve-do-jornalismo-no-ocidente.pdf. Acesso em: 26 dez. 2019.
Leitura recomendada
SLOUKA, M. War of the worlds. Nova York: Basic Books, 1995.
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
40
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Transformações tecnológicas e sociedade em rede
41
DICA DO PROFESSOR
Com a popularização da internet o acesso à comunicação se modificou, isso porque cada 
indivíduo pode ter ao seu alcance ferramentas de divulgação, criação de conteúdo e de vendas 
on-line, por exemplo. 
Com esse cenário social prevalece a descentralização da produção e nesse ambiente de rápida 
mutação será preciso encontrar uma maneira de administrar a complexidade.
Na chamada sociedade em rede, as tecnologias transformam cotidianamente a vida social. 
Nesta Dica do Professor separamos algumas características observadas por Manuel Castells 
(2001) a respeito da sociedade em rede; nela a internet é a base de organização das relações 
sociais, culturais e econômicas.
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EXERCÍCIOS
1) Em relação às transformações ocasionadas pela tecnologia nas sociedades
contemporâneas, podemos afirmar que o modo como se ensina e aprende se
transformou. Assinale a alternativa que explore essa mudança a partir da sociedade
em rede de Manuel Castells (2005).
A) Na sociedade em rede, há um alargamento de possibilidades de organização e de acesso a
canais de conhecimento.
B) Na sociedade em rede, há um encurtamento de possibilidades de organização e de acesso a
canais de conhecimento.
C) Na sociedade em rede, há um alargamento de possibilidades de organização e de acesso a
livros físicos.
Na sociedade em rede, não há um alargamento de possibilidades de organização e deD)
42
acesso a canais de conhecimento.
E) Na sociedade em rede, há um uma desconexão entre usuários e dificuldade de acesso a
canais de conhecimento.
2) As tecnologias da comunicação e da informação na sociedade em rede funcionam
como um campo elétrico que, em redes, se conecta com diferentes pontos. Nessa
perspectiva, o usuário consegue certa mobilidade e autonomia. Os sistemas verticais
de criação de conteúdos são transformados em horizontais. Não apenas as instituições
consolidadas irão ofertar conteúdo informativo, por exemplo. Assinale a alternativa
que contenha a palavra utilizada por Manuel Castells (2005) para conceituar esse
fenômeno.
A) Organizacional.
B) Descentralização.
C) Hierarquização.
D) Horizontalidade.
E) Centralização.
3) Em relação aos marcos tecnológicos do século XX, para se chegar às pesquisas que
transformaram as tecnologias analógicas, qual invento do século anterior possibilitou
a expansão das ferramentas da comunicação, trazendo agilidade à reprodução
textual? Assinale a alternativa correta.
A) A prensa de tipos móveis de Johannes Gutenberg.
B) A tábua de cera de Johannes Gutenberg.
43
C) As ondas eletromagnéticas de Heinrich Hertz.
D) A máquina fotográfica Leica.
E) O iconóspio de Vladimir Zwrykin.
4) Com as inovações tecnológicas, as relações se transformaram, não exatamente em
algo novo, mas o meio no qual elas acontecem tem se modificado. Na sociedade em
rede, conceituada por Manuel Castells, o que faz a mediação nas relações sociais?
Assinale a alternativa correta.
A) A mediação das relações na sociedade em rede se realiza por meio de aparatos
tecnológicos.
B) A mediação das relações na sociedade em rede se realiza em praças e espaços públicos.
C) A mediação das relações na sociedade em rede se realiza na natureza encontrada aindanas
cidades.
D) A mediação das relações na sociedade em rede se dá por meio de viagens multiculturais.
E) A mediação das relações na sociedade em rede se realiza por meio de amizades e
relacionamentos presenciais.
5) Na sociedade em rede, a tecnologia da informação e comunicação medeiam as
relações e oferecem diferentes modos de vida. Seria necessário adquirir conhecimento
sobre as redes on-line, experimentá-las e acompanhar as suas mudanças. Assinale
abaixo a alternativa que descreve as três principais características da sociedade em
rede.
Há uma nova economia, o mercado de trabalho se transforma e a vida social se funde comA)
44
a comunicação.
B) Há uma nova era, o mercado de trabalho se mantém e a vida social se funde com o
entretenimento.
C) Há um novo mercado, o trabalho se consolida instituicionalmente e a vida social se funde
com a comunicação.
D) Há uma nova economia, o mercado de trabalho se transforma e a vida social se limita ao
digital.
E) Há uma nova economia, o mercado de trabalho se mantém e a vida social se transforma
em analógica.
NA PRÁTICA
Observar as transformações tecnológicas na área da Informação e Comunicação são tão 
importantes quanto reconhecer o seu papel no cotidiano das profissões. Em especial, o 
Jornalismo tem passado por modificações em seu sistema de trabalho, já que os conteúdos 
informativos estão cada vez mais digitalizados e disponíveis on-line.
O avanço tecnológico traz transformações no modo como as práticas jornalísticas ocorrem. 
Além da nítida substituição das máquinas de escrever por computadores, os tablets atualmente 
fazem parte da rotina de trabalho da maioria dos jornalistas. Diante das tecnologias da 
comunicação, é fundamental reconhecer que, por si sós, os objetos não trazem avanço ou 
organização do trabalho. Entender a usabilidade dos objetos tecnológicos é reconhecer o papel 
que ocupam na vida social.
Neste Na Prática, você conhecerá o editor chefe Rodrigo Mansil. Com a possibilidade de trazer 
à redação novos objetos tecnológicos, em especial o tablet, Rodrigo se depara com o fato de que 
muitos dos jornalistas de sua equipe nunca haviam utilizado tablets como ferramenta útil de 
organização do trabalho. Quais soluções Rodrigo Mansil vai propor à equipe? Acompanhe aqui.
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45
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Juventude e a autocomunicação
Na sociedade que se desenvolve em rede, se pensa de forma digital. Manuel Castells, neste 
vídeo, faz uma rápida análise das possibilidades de liberdade e existência em sociedade. A 
autoinformação e a cultura global, de acordo com o teórico, são características da sociedade em 
rede.
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Tecnologias e transformações subjetivas
A sociedade em rede está em transformação continuamente; consequentemente, quem vive nela 
também. Por meio do campo da Psicologia, a pesquisadora Ana Maria Nicolaci-da-Costa aponta 
que estamos, como sociedade e indivíduo, passando por transformações internas radicais em 
função de nossa exposição a novas tecnologias.
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The people vs Tech
Nesta publicação na plataforma Observatório da Imprensa (publicado originalmente pela 
Agência Pública, o jornalista Ethel Rudnitzki entrevista o escritor Jamie Bartlet, autor do livro O 
povo vs tecnologia: como a internet está matando a democracia – e como podemos salvá-la. 
Bartlett fala sobre a radicalização promovida pelo ambiente on-line, desinformação, campanhas 
digitais e outros perigos da rede para a democracia.
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46
Globalização e Cibercultura.
APRESENTAÇÃO
Nesta Unidade da Aprendizagem, trabalharemos o conceito de globalização e seus possíveis 
reflexos na construção das relações interpessoais na contemporaneidade. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Construir um conceito de globalização;•
Distinguir os efeitos dessa questão na ideia de humanidade que possuímos hoje;•
Relacionar como a cibercultura está inserida na vida das pessoas nos dias atuais.•
DESAFIO
Neste desafio, propomos a elaboração de um pequeno texto que aborde a questão: "E quem não 
é global?"
Para tal, percorra os seguintes caminhos:
• encontre um conceito de globalização;
• faça a inserção desse conceito no tema para evidenciar possíveis classes que estejam fora do
processo de globalização, apontando vantagens e pontos negativos.
INFOGRÁFICO
Neste infográfico, você poderá observar as conexões permitidas pelo mundo globalizado, que 
discutem um novo conceito do próprio ser humano global, certamente. 
47
CONTEÚDO DO LIVRO
Aprofunde seus conhecimentos a partir da leitura de um trecho Globalização e Cibercultura.
Boa leitura.
48
Globalização e cibercultura
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Construir um conceito de globalização.
 Distinguir os efeitos da globalização na noção contemporânea de
humanidade.
 Relacionar como a cibercultura está inserida na vida das pessoas nos 
dias atuais.
Introdução
Neste capítulo, você vai ver qual conceito de globalização é mais ade-
quado à sociedade contemporânea. Também vai verificar como essa 
configuração do mundo tem impacto na vida cotidiana das pessoas. Em 
seguida, você vai refletir sobre os efeitos da globalização e pensar em 
seus pontos positivos e negativos para o globo terrestre. Nesse sentido, há 
tanto ganhos relacionados à conexão entre diferentes partes do mundo 
quanto consequências negativas em diferentes áreas da sociedade. Por 
fim, você vai ver como relacionar a cibercultura como a globalização 
e refletir sobre suas potencialidades e possibilidades no mundo atual.
Conceito de globalização
O mundo contemporâneo está cada vez mais conectado. Desde as grandes nave-
gações do século XV até os dias de hoje, as distâncias entre os continentes dimi-
nuíram muito. Além disso, têm sido realizadas diversas trocas entre as diferentes 
sociedades que habitam o globo. Assim, diversos produtos são comercializados 
entre os países, a possibilidade de viajar para longas distâncias num curto espaço 
de tempo aumentou e as trocas culturais também se tornaram mais frequentes 
entre sociedades totalmente diferentes. Logo, o mundo de hoje é globalizado.
Prova disso são as músicas dos Estados Unidos que fazem sucesso no 
Brasil, as roupas da moda europeia que são copiadas por jovens de países 
49
distantes, os jogos virtuais que são produzidos na China e jogados por pessoas 
do mundo inteiro. Para entender esse processo e se aproximar do conceito de 
globalização, acompanhe o que diz Santos (2000, p. 12):
A globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do 
mundo capitalista. Para entendê-la, como, de resto, a qualquer fase da história, 
há dois elementos fundamentais a levar em conta: o estado das técnicas e o 
estado da política. [...] As técnicas são oferecidas como um sistema e realizadas 
combinadamente através do trabalho e das formas de escolha dos momentos 
e dos lugares de seu uso. É isso que fez a história. No fim do século XX e 
graças aos avanços da ciência, produziu-se um sistema de técnicas presidido 
pelas técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre 
as demais, unindo-as e assegurando ao novo sistema técnico uma presença 
planetária. Só que a globalização não é apenas a existência desse novo sistema 
de técnicas. Ela é também o resultado das ações que asseguram a emergência 
de um mercado dito global, responsável pelo essencial dos processos políticos 
atualmente eficazes. Os fatores que contribuem para explicar a arquitetura da 
globalização atual são: a unicidade da técnica, a convergência dos momentos, 
a cognoscibilidade do planeta e a existênciade um motor único na história, 
representado pela mais-valia globalizada.
Dessa forma, analisando o desenvolvimento das técnicas e das relações políticas 
de cada país, você pode compreender a complexidade do processo de globalização. 
Por exemplo, você pode considerar o motivo pelo qual o inglês se difundiu como 
uma das línguas mais faladas do mundo. Essa questão certamente perpassa as 
técnicas desenvolvidas e as relações políticas estabelecidas pelos Estados Unidos. 
Ou, ainda, você pode se perguntar por que a China é um dos maiores fabricantes de 
produtos manufaturados. Mais uma vez, a resposta envolve as técnicas e as relações 
políticas que o país desenvolveu e que permitiram a ele chegar nesse patamar.
Assim, os diferentes países estão conectados de alguma forma e desenvol-
vem relações comerciais, políticas e culturais entre si. Alguns trocam mais 
do que outros; outros desenvolvem somente relações comerciais. Além disso, 
dependendo da época, as relações são mais ou menos amistosas. Como você 
pode imaginar, toda essa dinâmica interfere no processo de globalização.
Então, esse processo não é homogêneo nem acontece de modo pacífico. 
Por isso, Santos (2000, p. 10) chama a atenção para o seguinte:
[...] a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades. O 
desemprego crescente torna-se crônico. A pobreza aumenta e as classes mé-
dias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome 
e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. Novas enfermidades 
Globalização e cibercultura
50
como a SIDA [AIDS] se instalam e velhas doenças, supostamente extirpadas, 
fazem seu retorno triunfal. A mortalidade infantil permanece, a despeito dos 
progressos médicos e da informação. A educação de qualidade é cada vez 
mais inacessível. Alastram-se e aprofundam-se males espirituais e morais, 
como os egoísmos, os cinismos, a corrupção. A perversidade sistêmica que 
está na raiz dessa evolução negativa da humanidade tem relação com a adesão 
desenfreada aos comportamentos competitivos que atualmente caracterizam 
as ações hegemônicas. Todas essas mazelas são direta ou indiretamente 
imputáveis ao presente processo de globalização.
Os processos globais não afetam apenas o contexto macro, mas também 
o contexto micro, interferindo no cotidiano dos indivíduos. Giddens (1991, p.
69–70) compreende esse processo de globalização como algo que perpassa a
conjuntura global e também afeta o contexto local:
A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações 
sociais em escala mundial, que ligam localidades distantes de tal maneira que 
acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo a muitas milhas 
de distância e vice-versa. Este é um processo dialético porque tais aconte-
cimentos locais podem se deslocar numa direção inversa às relações muito 
distanciadas que os modelam. A transformação local é tanto uma parte da 
globalização quanto a extensão lateral das conexões sociais através do tempo 
e espaço. Assim, quem quer que estude as cidades hoje em dia, em qualquer 
parte do mundo, está ciente de que o que ocorre numa vizinhança local tende 
a ser influenciado por fatores — tais como dinheiro mundial e mercados de 
bens — operando a uma distância indefinida da vizinhança em questão.
Dessa maneira, a globalização interfere no modo como as sociedades vivem. Por 
um lado, ela pode ser muito positiva. A internet, por exemplo, amplia possibilidades 
e é uma realidade do mundo atual. Por outro lado, a globalização pode intensificar as 
desigualdades: dados divulgados pela União Internacional das Telecomunicações, 
órgão vinculado à Organização das Nações Unidas, indicam que apenas 43% da 
população mundial acessava a internet em 2015 (MUNDO..., 2015).
No artigo A globalização popular e o sistema mundial não hegemônico, de Gustavo 
Lins Ribeiro, você pode aprender mais sobre as formas de globalização com base no 
comércio popular de grandes cidades. Acesse o texto no link a seguir.
https://goo.gl/VP6WUR
Globalização e cibercultura
51
Assim, a globalização também globaliza desigualdade, pobreza e violência. 
Santos analisa essa conjuntura e propõe que se construa uma outra forma de 
globalização:
[...] podemos pensar na construção de um outro mundo, mediante uma globa-
lização mais humana. As bases materiais do período atual são, entre outras, 
a unicidade da técnica, a convergência dos momentos e o conhecimento do 
planeta. É nessas bases técnicas que o grande capital se apoia para construir 
a globalização perversa de que falamos acima. Mas essas mesmas bases téc-
nicas poderão servir a outros objetivos, se forem postas ao serviço de outros 
fundamentos sociais e políticos. Parece que as condições históricas do fim do 
século XX apontavam para esta última possibilidade. Tais novas condições 
tanto se dão no plano empírico quanto no plano teórico.
Refletir sobre essa proposta de uma outra globalização é fundamental no 
mundo atual. Tal reflexão envolve pensar em alternativas para viabilizar mu-
danças. É importante pensar num outro modo de atuar porque a globalização 
faz da sociedade um conjunto. Como afirma Albrow e King (1990, p. 9), a 
“Globalização diz respeito a todos os processos por meio dos quais os povos do 
mundo são incorporados em uma única sociedade mundial, a sociedade global”.
Efeitos da globalização
A chamada sociedade global é uma realidade contemporânea. Quem nasce 
nesse novo mundo já tem uma percepção distinta da de seus ancestrais. É o 
que explicita Ianni (1994, p. 13):
A descoberta de que a Terra se tornou mundo, de que o globo não é mais 
apenas uma figura astronômica, e sim o território no qual todos encontram-se 
relacionados e atrelados, diferenciados e antagônicos — essa descoberta sur-
preende, encanta e atemoriza. Trata-se de uma ruptura drástica nos modos de 
ser, sentir, agir, pensar e fabular. Um evento heurístico de amplas proporções, 
abalando não só as convicções, mas também as visões do mundo.
Essa nova visão de mundo abrange os acontecimentos globais e locais, que são 
impactados pelas consequências da globalização. Entretanto, apesar de o espaço 
se globalizar, Santos (1993, p. 4) lembra que “O espaço se globaliza, mas não é 
mundial como um todo, senão como metáfora. Todos os lugares são mundiais, 
mas não há um espaço mundial. Quem se globaliza, mesmo, são as pessoas e 
Globalização e cibercultura
52
os lugares”. Ou seja, os efeitos da globalização que você vai estudar adiante 
reverberam nas vidas cotidianas das pessoas e nos lugares que se globalizam.
Um dos efeitos da globalização é que a sociedade passa a se articular em 
redes. Desse modo, quem participa da rede acessa determinados fluxos e 
alcança seus objetivos com mais facilidade. O problema é quem nem todos 
participam dessa rede global. A seguir, veja como Castells (1996, p. 469–470) 
define a sociedade em rede:
As redes constituem a nova morfologia das nossas sociedades, e a difusão 
da lógica da rede modifica substancialmente a operação e os produtos nos 
processos de produção, experiência, poder e cultura. Enquanto que a forma 
de rede de organização social existiu noutros tempos e noutros espaços, o 
paradigma da nova tecnologia de informação fornece o material de base 
para sua expansão hegemônica por toda a estrutura social. Mais, defendo 
que esta lógica da rede induz uma determinação social de um nível mais 
elevado do que aquela dos interesses sociais específicos expressos através 
das redes: o poder dos fluxos assume supremacia sobre os fluxos de poder. 
[...] As redes são estruturas abertas, com o potencial de se expandirem 
sem limites, integrando novos nós desde que sejam capazes de comunicar 
dentro da rede, nomeadamente desde que partilhem os mesmos códigos 
de comunicação (por exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma 
estrutura social com base na rede é um sistema altamente dinâmico e aberto, 
suscetível de inovar sem ameaçar o seu próprio equilíbrio.
Nesse sentido, você pode considerar asredes aplicadas aos comércios, às cul-
turas, à internet, à economia, ao turismo, entre outros, de modo que a articulação 
entre pessoas e lugares se dá de forma dinâmica. Ao mesmo tempo, para quem 
não está inserido na rede, a dificuldade é alcançar essa inserção e compreender 
a lógica estabelecida por quem já domina os fluxos. Se o mundo contemporâneo 
é desigual social e economicamente, é necessário compreender que a sociedade 
em rede também acompanha e reproduz essa situação na sua malha de relações.
O outro efeito a ser destacado é que, apesar de a globalização distribuir 
riquezas, ela também distribui pobreza. Ou seja, o que é produzido como 
tecnologia em alguns países não chega a todos países de forma homogênea. 
Nesse sentido, alguns países podem até mesmo ser explorados para que outros 
tornem seus produtos mais acessíveis. Veja:
Mas algumas tragédias são impossíveis de ignorar: em abril de 2013, por 
exemplo, um prédio de oito andares desabou na periferia da capital de Ban-
gladesh, matando 1.133 pessoas. Conhecido como Rana Plaza, o edifício 
Globalização e cibercultura
53
abrigava cinco fábricas de confecção de roupas e empregava mais de 2 mil 
trabalhadores, que produziam itens para empresas como Walmart e Primark 
— o salário mensal era de aproximadamente R$ 360, com jornadas de trabalho 
de 10 horas durante seis dias da semana (TANJI, 2016, documento on-line).
Na Figura 1, a seguir, você pode ver um depósito de lixo. O consumismo que 
caracteriza a globalização contemporânea também prejudica o meio ambiente.
Figura 1. Lixo advindo da produção de plástico.
Fonte: Mohamed Abdulraheem/Shutterstock.com.
Assim, é importante você compreender como a globalização se desenvolve 
para que entenda seus meandros técnicos e políticos. Em conformidade com 
esse pensamento, Ianni (1994, documento on-line) destaca que o processo de 
globalização se dá de maneira heterogênea:
A dinâmica do todo não se distribui similarmente pelas partes. As partes, 
enquanto distintas totalidades também notáveis, consistentes, tanto produzem 
e reproduzem seus próprios dinamismos como assimilam diferencialmente os 
dinamismos provenientes da sociedade global, enquanto totalidade mais abran-
gente. É no nível do desenvolvimento desigual, combinado e contraditório, 
que se expressam diversidades, localismos, singularidades, particularismos 
ou identidades. Às vezes, os localismos, provincianismos ou nacionalismos 
podem exacerbar-se, precisamente devido aos desencontros, às potencialidades 
Globalização e cibercultura
54
e dinâmicas próprias de cada um, cada parte; e também devido às potencia-
ções provenientes da dinâmica da sociedade global, das relações, processos 
e estruturas que movimentam o todo abrangente. […] Também por isto a 
globalização não significa nunca homogeneização, mas diferenciação em 
outros níveis, diversidades com outras potencialidades, desigualdades com 
outras forças. Nesse horizonte, a sociedade global pode ser vista como uma 
totalidade desde o início problemática, no sentido de complexa e contraditória; 
atravessada pelo desenvolvimento desigual, combinado e contraditório, que se 
especifica no âmbito de indivíduos, grupos, classes, tribos, nações, sociedades, 
culturas, religiões, línguas e outras dimensões singulares ou particulares.
Por isso, não se pode somente romantizar a globalização. É necessário 
entender seus pontos positivos juntamente aos seus pontos negativos, a fim de 
compreender a magnitude de sua ação. Se essa é uma ação de consequências 
globais, todos estão implicados.
O documentário Encontro com Milton Santos — O mundo visto do lado de cá, realizado 
por Silvio Tendler em 2006, apresenta uma análise sobre a globalização e também 
explicita a proposta de uma outra globalização possível.
https://goo.gl/5MHYv5
A cibercultura e a vida cotidiana
Como reforça Moraes (2003, p. 44), “[...] a rede mundial de computadores (inter-
net) também se constitui num novo instrumento para a globalização econômica 
e cultural, com consequências positivas e negativas em diversas áreas”. Tendo 
em vista a crescimento das redes sociotécnicas no âmbito global, que tal refl etir 
mais especifi camente sobre a relação entre a cibercultura e a vida cotidiana? 
Hoje em dia, com alguns cliques no celular, você pode fazes contas, tirar 
fotografias, mandar mensagens, fazer ligações, criar listas de supermercado, 
etc. Se o seu celular tem acesso à internet, mais possibilidades são abertas: 
é possível enviar e-mails, responder à demanda do filho enquanto se está 
presente numa reunião de trabalho, marcar o cinema depois da aula quando 
essa aula ainda não acabou, ver a cotação do euro em tempo real, comprar 
Globalização e cibercultura
55
um livro num sebo virtual e inúmeras outras atividades. Considerando tudo 
isso, qual seria a definição adequada de cibercultura? Considere o seguinte:
O ciberespaço (que também chamarei de “rede”) é o novo meio de comunicação 
que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica 
não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o 
universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos 
que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, 
especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de 
atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente 
com o crescimento do ciberespaço (LÉVY, 1999, p.17).
Desse modo, por meio da internet e de tudo o que é possibilitado pela cibercul-
tura, a relação das pessoas com as instituições, com os produtos e mesmo umas com 
as outras se modifica ao longo do tempo. Hoje, é possível falar com o gerente do 
banco a partir do chat de um aplicativo, comprar passagens de avião para o Japão 
comparando preços em outro aplicativo, pedir uma pizza no local mais perto da 
residência em um terceiro aplicativo, etc. Logo, é importante você compreender 
a dimensão dessas relações e analisar também seus impactos no cotidiano.
O artigo Etnografia no ciberespaço como “repovoamento” e explicação, escrito em 2016 
por Theophilos Rifiotis, aborda questões e problemáticas relacionadas ao ciberespaço 
e às suas redes. Você pode acessar o texto no link a seguir.
https://goo.gl/swJqqE
Segundo Santaella (2003), as relações permeadas pelo mundo da ciber-
cultura vão se complexificar mais ainda, já que a cibercultura advém de uma 
prática humana. Entretanto, ela afirma que não há motivos para temer:
A cibercultura, tanto quanto quaisquer outros tipos de cultura, são criaturas 
humanas. Não há uma separação entre uma forma de cultura e o ser humano. 
Nós somos essas culturas. Elas moldam nossa sensibilidade e nossa mente, 
muito especialmente as tecnologias digitais, computacionais, que são tecno-
Globalização e cibercultura
56
logias da inteligência, conforme foi muito bem desenvolvido por Lévy e De 
Kerckhove. Por isso mesmo, são tecnologias autoevolutivas, pois as máquinas 
estão ficando cada vez mais inteligentes. Mas, tanto quanto posso ver, não 
há por que desenvolver medos apocalípticos a respeito disso. As máquinas 
vão ficar cada vez mais parecidas com o ser humano, e não o contrário. É 
nessa direção que caminham as pesquisas atuais em computação. Mas, ao 
mesmo tempo, também não se trata de desenvolver ideologias salvacionistas 
a respeito das tecnologias. Se elas são crias nossas, inevitavelmente carregam 
dentro de si nossas contradições e paradoxos (SANTAELLA, 2003, p. 30).
Você também deve considerar que, por meio da cibercultura, pessoas que 
habitam lugares diferentes estão conectadas e podem trocar ideias, compor 
projetos e construir inovações para a sociedade. Essa afirmação é reforçada 
por Lemos (2004, p. 19):
O que sabemos do mundo (e de nós mesmos) vem daquilo que herdamos dos 
outros, do que lemos, ouvimos, aprendemos, vivenciamos. A liberdade e a 
identidade não devem ser opostas, mas complementares. Nesse sentido, a 
cibercultura está instaurandoum movimento global de trocas, de comparti-
lhamento e de trabalho colaborativo, independente de localidade ou espaço 
físico, independente do lócus cultural e/ou identitário. Trata-se talvez de uma 
das facetas mais interessantes do atual processo de globalização.
Posta essa questão, você deve considerar ainda que a cibercultura é um pro-
cesso da contemporaneidade. É o que afirma Almeida e Rodrigues (2003, p. 11):
O espaço cibernético, ou a cibercultura, é um dos retratos da contempo-
raneidade. A liberdade se faz presente quase sem restrições: liberdade de 
movimento, liberdade de ideias, de sonhos e até mesmo a liberdade de se 
assumir a identidade que se deseja. Um espaço sem regras claras, desregu-
lamentado, muito distante dos ideais modernos. Na Internet, há uma espécie 
de desmaterialização, ou melhor, de uma quase fluidez de seu usuário. É o 
turista de Zigmunt Bauman que tem horror ao repouso. Em O mal estar da 
pós-modernidade, Bauman (1998) fala de duas figuras que habitam a pós-
-modernidade: os turistas e os vagabundos, ambos surgidos nessa época
atravessada por uma sociedade de consumo, onde a velocidade desenfreada
move os desejos e anseios dos homens, sendo a liberdade de escolha o mais
precioso dos bens. Em nossa época, a velocidade condiciona comportamentos 
e expectativas, que se afastam da fixidez característica da modernidade.
Como você pode notar, a cibercultura instaura outro tempo, outro espaço 
de atuação e mesmo outras formas de comunicação entre as pessoas de dife-
rentes locais do mundo. Ainda não é possível prever as consequências desse 
Globalização e cibercultura
57
novo mundo, mas é possível compreender e refletir sobre a sua magnitude 
em ações cotidianas.
Para aprofundar o seu estudo, assista ao filme Banking of Bitcoin, de 2016. Ele apresenta os 
meandros da criação da moeda virtual e suas implicações na sociedade contemporânea.
ALBROW, M.; KING, E. Globalization, knowledge and society. London: Sage Publications, 1990.
ALMEIDA, L. P.; RODRIGUES, J. T. Narrativa e internet: possibilidade e limites do atendi-
mento psicoterápico mediado pelo computador. Psicologia: ciência e profissão, v. 23, n. 
3, p. 10-17, set. 2003. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_ar
ttext&pid=S1414-98932003000300003>. Acesso em: 21 nov. 2018.
CASTELLS, M. The rise of the network society. Cambridge: Blackwell Publishers, 1996.  
GIDDENS, A. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Unesp, 1991.
IANNI, O. Globalização: novo paradigma das ciências sociais. Estudos Avançados, v. 8, 
n. 21, 1994. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi
d=S0103-40141994000200009>. Acesso em: 21 nov. 2018.
LEMOS, A. Cibercultura, cultura e identidade. em direção a uma “cultura copyleft”? Contem-
porânea. Revista de Comunicação e Cultura, v. 2, n. 2, 2004. Disponível em: <https://portalseer.
ufba.br/index.php/contemporaneaposcom/article/view/3416>. Acesso em: 21 nov. 2018.
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
MORAES, D. (Org.). Por uma outra comunicação: mídia, mundialização cultural e poder. 
Rio de Janeiro: Record, 2003.
MUNDO tem 3,2 bilhões de pessoas conectadas à internet, diz UIT. G1, maio 2015. 
Disponível em: <http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2015/05/mundo-tem-32-
-bilhoes-de-pessoas-conectadas-internet-diz-uit.html >. Acesso em: 21 nov. 2018.
SANTAELLA, L. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Revista 
FAMECOS, v. 10, n. 22. dez. 2003. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/
index.php/revistafamecos/article/view/3229>. Acesso em: 21 nov. 2018.
SANTOS, M. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 
Rio de Janeiro: Record, 2000. 
Globalização e cibercultura
58
SANTOS, M. A aceleração contemporânea: tempo mundo e espaço mundo. Bo-
letín Geográfico, n. 19, 1993. Disponível em: <https://dialnet.unirioja.es/servlet/
articulo?codigo=4997807>. Acesso em: 21 nov. 2018.
TANJI, T. Escravos da moda: os bastidores nada bonitos da indústria fashion. Revista Gali-
leu, jun. 2016. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2016/06/
escravos-da-moda-os-bastidores-nada-bonitos-da-industria-fashion.html>. Acesso 
em: 21 nov. 2018.
Leituras recomendadas
BANKING on Bitcoin. Diretor: Christopher Cannucciari. New York: Periscope, 2016.
CRABASTOS. Globalização Milton Santos: o mundo global visto do lado de cá. Youtube, 
jun. 2011. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM>. 
Acesso em: 21 nov. 2018.
CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. v. 1
ECO, U. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 1976.
PIGNATARI, D. Informação, linguagem, comunicação. São Paulo: Cultrix, 1996.
RIBEIRO, G. L. A globalização popular e o sistema mundial não hegemônico. Revista 
Brasileira de Ciências Sociais, v. 25, n. 74, out. 2010. Disponível em: <http://www.scielo.
br/pdf/rbcsoc/v25n74/a02v2574>. Acesso em: 21 nov. 2018.
RIFIOTIS, T. Etnografia no ciberespaço como “repovoamento” e explicação. Revista 
Brasileira de Ciências Sociais, v. 31, n. 90, fev. 2016. Disponível em: <http://www.scielo.
br/pdf/rbcsoc/v31n90/0102-6909-rbcsoc-31-90-0085.pdf>. Acesso em: 21 nov. 2018.
Globalização e cibercultura
59
DICA DO PROFESSOR
Neste vídeo, observe as consequências de uma nova construção de subjetividade dada pelas 
relações ciber e globais para o ser humano.
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EXERCÍCIOS
1) A globalização promove a comunicação intercultural, por meio da mídia, de viagens e
migração que colocam pessoas de diferentes sociedades em contato direto. De acordo
com a obra Um espelho para a humanidade: uma introdução à Antropologia
Cultural, de C. P. Kottak, que serve de texto-base para esta Unidade de
Aprendizagem, marque a alternativa INCORRETA a respeito da globalização.
A) Pode-se conceber a globalização pela via ideológica que está ligada à construção de uma
cultura interligada, sobretudo financeiramente.
B) A globalização, de fato, pode ser pensada como as conexões mundiais que ela proporciona.
C) O conhecimento e a informação se tornaram espécies de importantes mercadorias
globalizadas.
D) A internet lançou a questão da globalização.
E) Apesar de global, o mundo ainda caminha dentro do limite do tempo como antigamente.
A globalização consiste numa série de processos que promovem a transformação em 
um mundo no qual países e pessoas estão cada vez mais interligados e dependentes 
uns dos outros. Suas forças incluem a indústria, o comércio e as finanças 
2)
60
internacionais, viagens e turismo, a migração transnacional, a mídia, a internet e 
outros fluxos de informação de alta tecnologia. A partir disso, assinale a alternativa 
que, de acordo com a obra Um espelho para a humanidade: uma introdução à 
Antropologia Cultural, de C. P. Kottak, que serve de texto-base para esta Unidade de 
Aprendizagem, apresenta uma afirmação INCORRETA.
A) Multinacionais com fins lucrativos transferem produção, vendas e serviços a áreas onde o
trabalho e os materiais são baratos.
B) No início do século XXI, as corporações multinacionais são responsáveis por um terço da
produção global e dois terços do comércio mundial.
C) Os jovens cada vez mais constroem suas identidades e relações em torno do consumo,
sobretudo com relação a produtos de marca.
D) A internet representa hoje o local onde todas as pessoas habitam, sem distinção, pelo
mundo afora. Não há ser humano que viva fora dela atualmente.
E) As empresas multinacionais cada vez mais influenciam a política nacional e tentam forjar
alianças benéficas com políticos e representantes de governos.
3) Outro componente fundamental da globalização é a globalização do risco. Os riscos
ligados à produção industrial ou a um ataque cibernético podem se espalhar
rapidamente para além do seu ponto de origem. Os riscos climáticos também se
globalizaram, e cada consumidor de combustíveis fósseis contribuipara a mudança
climática global. Sobre esse assunto, marque a alternativa que, de acordo com
o texto-base desta Unidade de Aprendizagem, Um espelho para a humanidade: uma
introdução à Antropologia Cultural, de C. P. Kottak, está INCORRETA.
A) As mudanças climáticas não se ligam à nova maneira de o homem habitar a Terra.
B) As causas do aumento climático se referem cada vez mais a questões antropogênicas.
61
C) O efeito estufa é um fenômeno natural que mantém a superfície da Terra aquecida.
D) Entre as alternativas aos combustíveis fósseis estão a energia nuclear e as tecnologias de
energias renováveis, como solar, eólica e geradores que utilizem biomassa como
combustível.
E) A própria condição de vida nos dias atuais nos obriga a repensar o modelo de vida adotado
nos séculos XX e XXI.
4) Os antropólogos costumam testemunhar ameaças às pessoas e a seus ambientes.
Entre essas ameaças, estão a exploração comercial, a poluição industrial e a
imposição de sistemas de gestão externos sobre os ecossistemas locais. Sobre tais
questões e conforme o texto-base desta Unidade de Aprendizagem, Um espelho para
a humanidade: uma introdução à Antropologia Cultural, de C. P. Kottak, marque a
alternativa INCORRETA.
A) Pode ocorrer um choque de culturas relacionado às mudanças ambientais quando o
desenvolvimento ameaça povos indígenas.
B) Um outro choque de culturas relacionado a mudanças ambientais pode acontecer quando a
regulação externa destinada à conservação se depara com povos nativos e suas
etnoecologias.
C) A questão da natureza não está afetada diretamente pelos novos modos de utilização da
tecnologia.
D) O imperialismo cultural é a propagação ou o avanço de uma cultura em detrimento de
outras.
E) O desmatamento é outra expressão da globalização do risco.
5)
62
Os antropólogos têm pesquisado as alterações – em ambos os lados – que surgem do 
contato entre sociedades industriais e não industriais. Os estudos sobre 
“transformação social” e “aculturação” são abundantes. Com base no texto-base 
desta Unidade de Aprendizagem, Um espelho para a humanidade: uma introdução à 
Antropologia Cultural, de C. P. Kottak e nesta afirmação, marque a alternativa 
INCORRETA.
A) A internet pode ser pensada como algo que diminuiu a sensação de isolamento por parte de
alguns povos.
B) Além dos meios eletrônicos, outras forças globais importantes são a produção, o comércio
e as finanças.
C) A globalização e a cibercultura não constroem uma nova concepção de homem.
D) A palavra pós-modernidade descreve o nosso tempo e nossa situação: o mundo de hoje,
em fluxo, essas pessoas em movimento que aprenderam a gerenciar múltiplas identidades
conforme o lugar e o contexto.
E) A pós-modernidade pode ser pensada em termos líquidos, no sentido de uma abertura e
menor condensamento dos conceitos. Pode-se ver isso desde a formação social até as
estruturas arquitetônicas.
NA PRÁTICA
A globalização e a cibercultura são uma realidade. Não iremos retroceder aquém disso. Nesse 
sentido, a reflexão que importa se refere à maneira de nos relacionarmos com a vida globalizada.
63
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Sociedade em rede: perspectivas de poder no espaço virtual
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Um Espelho para a Humanidade: uma introdução à antropologia cultural
64
Cibercultura
APRESENTAÇÃO
A evolução dos campos da microinformática, computadores e tecnologias de transmissão de 
informações revolucionaram o modo de armazenar, processar e transmitir informação. Hoje, 
graças a essas tecnologias, é possível viver num contexto hiperconectado, com práticas 
interativas e colaborativas.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você conhecerá o contexto de avanço da cibernética das 
últimas décadas. Você vai estudar o conceito de ciberespaço e cibercultura surgidos com essas 
tecnologias e também identificará como o surgimento da Internet impactou o campo do 
jornalismo.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever a revolução cibernética das últimas décadas.•
Conceituar ciberespaço.•
Identificar o impacto do surgimento da Internet no jornalismo.•
DESAFIO
A evolução da Web possibilitou o surgimento de práticas colaborativas e em rede. No âmbito do 
jornalismo, existe o Jornalismo Colaborativo, que insere o usuário no processo de produção 
de notícias e nas suas práticas de curadoria colaborativa. 
A inserção do usuário na produção da notícia pode ser feita na fase de apuração jornalística – em 
que ele ajuda a levantar e coletar informações para compor uma reportagem –, ou na fase de 
produção. Na produção de TV, por exemplo, o usuário fica encarregado de gravar os seus vídeos 
e enviar para o telejornal, que vai avaliar a pertinência daquele material e inseri-lo, se for o caso, 
em algum dos blocos do programa.
65
Escreva um parágrafo sobre esse planejamento. Lembre-se de que você pode propor algum tipo 
de interação ou de inserção mais direta do público na produção das reportagens. Você precisa: 
– Explicar o tipo de inserção ou interação com o público;
– A ferramenta que será usada;
– A pauta da reportagem ou matéria que o público poderá participar;
– O objetivo da proposta.
Lista de ferramentas disponíveis: câmeras de vídeo de smartphones, aplicativos de áudio, sites 
de redes sociais.
INFOGRÁFICO
O contexto tecnológico atual é fruto de um processo dinâmico de aperfeiçoamento de 
tecnologias e práticas. Nas últimas duas décadas, houve a criação do primeiro computador e da 
primeira rede de computadores conectados, a ARPANET, e a elaboração de interfaces e 
plataformas mais dinâmicas e participativas. A própria Web, criada em 1990, teve fases 
específicas de desenvolvimento tecnológico.
Confira, no Infográfico, a linha do tempo da revolução cibernética e da Web.
66
67
CONTEÚDO DO LIVRO
Nas últimas duas décadas aconteceu uma revolução tecnológica sem precedentes na história 
humana. Tecnologias computacionais e informacionais moldaram uma sociedade em rede que 
tem na informação sua principal matéria-prima.
A evolução dos computadores, dos microchips e das tecnologias de transmissão de dados 
possibilitaram uma comunicação mais veloz e interconectada a nível mundial. Criou-se uma 
cultura de interação em rede através do espaço virtual e aberto da Web.
Na obra Jornalismo Digital e Cibercultura, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, leia o 
capítulo Cibercultura, onde você irá entender o contexto da revolução cibernética das últimas 
décadas e seu impacto na construção de uma nova cultura: a cibercultura. Você também vai 
descobrir como esse cenário interconectado e participativo afeta o Jornalismo.
Boa leitura. 
68
Cibercultura
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Descrever a revolução cibernética das últimas décadas.
 Conceituar ciberespaço.
 Identificar o impacto do surgimento da Internet no jornalismo.
Introdução
Nas últimas duas décadas, a revolução cibernética transformou radical-
mente a comunicação e a cultura. O desenvolvimento tecnológico no 
campo da microinformática, dos computadores e das telecomunicações 
aumentaram as potencialidades dos sistemas de armazenamento, pro-
cessamento e difusão de informações. Com o surgimento da Internet, 
conseguimos consolidar uma teia de comunicação global cada vez mais 
rápida e participativa. Essas mudanças tecnológicas tiveram grande 
impacto nas formas de sociabilidade entre as pessoas. Nesse âmbito, o 
ciberespaço favorece práticas de participação e compartilhamento de 
conteúdo interessantes e dinâmicas. O jornalista precisa estar atento a 
esse novo cenário, para que possa estabelecer uma relação pertinente 
com o seu público.
Neste capítulo, você vai estudar a cibercultura e entenderá como a 
revolução cibernética ajudou a constituir essetipo específico de cultura. 
Além disso, vai descobrir o que é ciberespaço e como ele funciona. Por 
fim, você vai identificar os impactos que o surgimento da Internet impõe 
ao jornalismo.
A revolução cibernética
Iniciamos este capítulo com o seguinte questionamento: o que é revolução ciber-
nética e como ela afeta a nossa cultura? Para começar, é interessante notarmos 
que a cibernética é uma área de conhecimento interdisciplinar vinculada à teoria 
69
dos sistemas. Como contextualiza Castells (2002), as inovações nessa área 
surgiram a partir de demandas e experiências tecnológicas da Segunda Guerra 
Mundial e possibilitaram o surgimento de um novo paradigma tecnológico.
Em seu livro A sociedade em rede, Castells (2002) traça uma revisão 
histórica dessa revolução tecnológica, pontuando algumas inovações impor-
tantes na área da microeletrônica, dos computadores e das telecomunicações. 
Segundo o teórico, os estágios de inovação desenvolvidos nesses três campos 
são responsáveis por criar essa nova paisagem tecnológica. No campo da mi-
croeletrônica, a criação do primeiro transistor, em 1947, pela Bell Laboratories, 
marca o início desse ciclo de inovação de máquinas capazes de processar 
informações em velocidade rápida de modo binário. Duas décadas depois, 
em 1971, a invenção dos microprocessadores pelo engenheiro Ted Hoff, da 
Intel, fez com que a microeletrônica fosse amplamente difundida. A partir 
de então, esse chip com grande capacidade de processamento passou a ser 
instalado em vários equipamentos (CASTELLS, 2002). 
Segundo lembra Castells (2002), a criação dos computadores também 
está relacionada à Segunda Guerra Mundial e seus avanços tecnológicos. 
Ele também comenta que o primeiro computador, criado em 1946 para usos 
bélicos, pesava 30 toneladas e sua estrutura metálica tinha 2,75 metros de 
altura. Ou seja, a máquina era bem diferente do que conhecemos hoje. A 
microeletrônica — capaz de gerar minúsculas estruturas de processamento de 
informações — foi responsável por revolucionar também o computador. Além 
dessas tecnologias, Castells também comenta que as estruturas de telecomu-
nicações sofreram grandes transformações, com o surgimento de tecnologias 
de transmissão mais velozes e dinâmicas, como fibra ótica, laser e pacotes de 
dados. Essas estruturas forneceram a base física para a criação da Internet.
Castells (2002) nos ajuda a traçar algumas características do paradigma tec-
nológico que vivemos desde então. A matéria-prima desse paradigma consiste 
na informação e as tecnologias são moldadas para agir sobre a informação. 
Nesse sentido, o foco da revolução tecnológica encontra-se no processo e não 
no produto final e nas ferramentas propriamente ditas. As informações e os 
conhecimentos são usados e aplicados “[...] para a geração de conhecimentos 
e de dispositivos de processamento/comunicação da informação em um ciclo 
de realimentação cumulativo entre a inovação e o seu uso” (CASTELLS, 
2002, p. 69).
Como as ações humanas giram em torno da informação, as tecnologias 
acabam penetrando integralmente nas mais variadas atividades cotidianas. 
Outras propriedades do paradigma consistem na flexibilidade e abertura do 
sistema, na adoção da topologia das redes para qualquer estrutura ou processo 
Cibercultura
70
e na integração das tecnologias microeletrônica, de telecomunicações e dos 
computadores (CASTELLS, 2002). A natureza aberta desse paradigma é 
comentada no seguinte trecho: 
O paradigma da tecnologia da informação não evolui para seu fechamento 
como um sistema, mas rumo a abertura como uma rede de acessos múltiplos. 
É forte e impositivo em sua materialidade, mas adaptável e aberto em seu 
desenvolvimento histórico. Abrangência, complexidade e disposição em forma 
de rede são seus principais atributos (CASTELLS, 2002, p. 113).
O surgimento da Internet
Nessa esteira tecnológica, temos a criação da Internet, cuja história merece 
um espaço próprio. A Internet nasceu da cooperação entre militares e univer-
sidades públicas norte-americanas, passando, em seguida, a agregar iniciativas 
tecnológicas e inovações contraculturais. A chamada ARPANET, criada em 
1969 por especialistas da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA) 
do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, tinha o objetivo militar es-
tratégico de ser um sistema de comunicação invulnerável a ataques nucleares 
para troca de pacotes de informação (CASTELLS, 2002). Assim, a rede passou 
a ser utilizada pela comunidade de cientistas para troca de mensagens infor-
mais entre seus colegas. Em um determinado momento, lá por volta de 1995, 
a estrutura da rede foi privatizada. Aos poucos, desenvolvedores começaram 
a criar condições para expandir a rede em nível global, para que abarcasse 
uma conexão entre vários computadores. Para isso, criaram um protocolo de 
comunicação que possibilitou que várias redes já existentes conseguissem se 
conectar à Internet (CASTELLS, 2002).
A partir da década de 1990, outro salto tecnológico sacudiu a Internet. Um 
grupo de cientistas liderados por Tim Berners Lee criou a World Wide Web 
(WWW), a grande teia mundial. A ideia era criar uma interface amigável para 
que os não iniciados em programação ou linguagem computacional pudessem 
navegar de forma mais fácil pela Internet (CASTELLS, 2002). Nesse momento, 
foram criados os buscadores da Internet, a linguagem de hipertexto (HTML) e 
de transferência de arquivos (HTTP) e um formato padronizado de endereços 
(URL), elementos que formatam a Internet tal como a conhecemos.
Cibercultura
71
As fases da Web
 Podemos classifi car o uso da Web em quatro fases: a Web 1.0, a Web 2.0, a Web 
3.0 e a Web 4.0. Essas fases se moldam de acordo com o tipo de tecnologia e 
as possibilidades de consumo ofertadas pelas páginas da Internet. A Web 1.0, 
por exemplo, se origina com a própria tecnologia www, na década de 1990, e 
se caracteriza pelas páginas estáticas, que permitem ao usuário apenas ler, sem 
poder interagir ou modifi car a informação. A linguagem utilizada é a HTML. 
A produção de conteúdo se encontra nas mãos de poucos canais, empresas 
tradicionais de comunicação que estabeleceram sua presença na rede, investindo 
no processo de comunicação de uma via (SCHMITT; OLIVEIRA; FIALHO, 
2008), comum ao processo de editoração do jornal impresso. Grandes portais 
como Aol, Uol e Yahoo! são representantes dessa fase.
A segunda fase da Web, a Web 2.0, começa lá por meados dos anos 2000. 
Segundo relatam Schmitt, Oliveira e Fialho (2008), a transição de uma fase para 
a outra é marcada pela falência de muitas empresas tecnológicas que tinham 
ações hipervalorizadas, com a sobrevivência de algumas poucas. Essas poucas 
que sobreviveram compartilhavam algumas características, como a oferta de 
espaços de colaboração para escrita e produção de conteúdo. 
Schmitt, Oliveira e Fialho (2008, p. 8) comentam alguns dos princípios 
compartilhados por essas empresas, citando O’Reilly (2005):
a) utilizar a Web como plataforma; b) aproveitar a inteligência coletiva; c)
gerenciar banco de dados; d) eliminar o ciclo de lançamento de software; e)
apresentar modelos leves de programação; f) não limitar o software a um único 
dispositivo; g) oferecer ao usuário experiências enriquecedoras.
Encarada como plataforma, a Web passa a ser o meio onde acontece a 
troca de informações e conexão entre os usuários de forma mais intensa, por 
meio de sites de colaboração. Sites estáticos cedem lugar para sites dinâmicos, 
mantidos com banco de dados e linguagens de programação mais simples. 
Também vemos que a Web 2.0 segue um modelo aberto de programação, 
permitindo que o próprio usuário colabore com o desenvolvimento de software 
e produtos. Por essa razão, o uso da inteligência coletiva torna-se um dos 
princípios dessa nova geração da Web. 
Para Lévy (2003), a conexão em redes e outras tecnologias colaborativas 
produziu um cenário ideal de aproveitamento e mobilização em tempo real 
das competências e inteligências individuaisdos sujeitos ligados a essas redes. 
Neste sentido, a Internet tem a potencialidade de ser um ambiente criativo e 
Cibercultura
72
múltiplo, capaz de somar conhecimentos individuais, tornando-os coletivos 
e compartilhados entre a humanidade.
A Wikipedia é um bom exemplo de projeto que se alimenta da inteligência coletiva. 
Trata-se de uma enciclopédia on-line escrita pelos usuários e criada pela Fundação 
Wikimedia em meados do ano 2000. Os colaboradores são responsáveis por criar 
páginas sobre temas específicos ou editar páginas já existentes, atualizando ou acres-
centando informações ao conteúdo de terceiros. Atualmente, a Wikipedia tem uma 
vasta quantidade de informações sobre diversos assuntos. Além da Wikipedia, outros 
projetos da Wikimedia vão nessa mesma linha de colaboração: Wikilivros (páginas sobre 
livros), Wikinotícias (páginas sobre notícias) e Wikiversidade (espaço de construção de 
conhecimento e saberes).
O desenvolvimento de interfaces amigáveis, na segunda geração, facilitou a 
apropriação da Web pelos usuários do sistema. Vemos o surgimento, por exem-
plo, dos blogs, plataformas de autopublicação de conteúdo que ganharam grande 
popularidade nas redes. Segundo Blood (2002), o blog é um formato com textos 
de ordem cronológica reversa (chamados de posts), com atualização contínua 
e presença de hiperlinks. Essas características dão a ele um caráter dinâmico, 
calcado na interatividade, distinguindo-se de outros formatos da Web, como 
sites e portais. Lomborg (2009) acrescenta mais algumas propriedades para o 
blog: escrita por um autor individual, estilo informal de escrita; assíncrono e 
persistente, ou seja, seu conteúdo se mantém armazenado na Web, e fácil de 
ser operado, pois não requer habilidades técnicas. Essas características fizeram 
com que essa ferramenta fosse utilizada por pessoas na forma de um diário 
pessoal, sendo posteriormente apropriada por empresas, jornalistas e outros 
usuários para fins jornalísticos, de comunicação empresarial, entre outros.
Na Web 3.0, vemos um aprimoramento das ferramentas colaborativas e 
também uma automatização dos sistemas e mecanismos de busca da Internet. 
Diante de um cenário de caos informativo crescente, surge a Web Semântica, 
cujo princípio basilar consiste na organização das informações e páginas a 
partir da colaboração entre computadores e humanos. Ela funciona segundo 
um mecanismo interpretativo, em que o computador é ensinado a reconhecer 
e conectar significados de palavras. Há uma integração entre linguagens e 
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tecnologias globais que tornam todas as informações compreensíveis para as 
máquinas. Podemos chamar essa fase de Web Inteligente. 
Nessa etapa, a interação entre computador–usuário se torna mais funcional. 
Uma grande quantidade de informações e dados sobre o usuário e seu perfil 
de comportamento on-line abastece os sistemas de inteligência dos sites e 
portais, que, a partir dessa leitura, conseguem predizer hábitos de compra e 
consumo deste sujeito e oferecer serviços mais personalizados e customizados. 
Sites buscadores de conteúdo passam a utilizar técnicas de Search Engine 
Otimization (SEO) para mapear quais são as buscas mais frequentes dos 
seus usuários sobre determinado tema. Essas análises, passam então a ser 
usadas pelo jornalismo e outras esferas de produção de conteúdo para formatar 
conteúdos de interesse do consumidor.
Por fim, a última fase da Web que começa a despontar no horizonte é a 
Web 4.0. Ela tem como elemento central o uso de dispositivos móveis para o 
consumo de informação. As tecnologias dessa fase, como o Wi-Fi, permitem 
um descolamento do lugar físico (modem e computador) para pontos móveis 
de conexão, por onde o usuário transita munido de um smartphone, enquanto 
se desloca pelos espaços físicos da cidade. Essas tecnologias always on fazem 
com que a comunicação seja ubíqua, ou seja, aconteça em todos os lugares. 
A separação entre ambiente on-line e off-line tende a se dissipar, criando um 
contexto de conexão total (SANTAELLA, 2007). O Quadro 1 resume as fases 
da Web e seus principais elementos.
 Fonte: Adaptado de Schmitt, Oliveira e Fialho (2008) e Santaella (2007). 
Fase da Web Tecnologias Característica
Web 1.0 HTML; sites estáticos Estática 
Web 2.0 Sites dinâmicos com interface 
amigável; bancos de dados; 
blogs; wikis; fóruns
Colaboração e 
participação 
(Web Social)
 Web 3.0 Web semântica; técnicas 
de SEO; XML; uso de 
algoritmos, redes sociais.
Automatização
(Web Inteligente)
Web 4.0 Dispositivos móveis 
(smartphones e tablets); Wi-Fi
Ubiquidade e 
mobilidade
 Quadro 1. Fases da Web 
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O que é ciberespaço?
As tecnologias da Internet moldaram um espaço particular, chamado cibe-
respaço. Em termos técnicos, o ciberespaço pode ser defi nido como “[...] o 
espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores 
e das memórias dos computadores” (LÉVY, 2000, p. 92). Ele abrange tanto 
os meios físicos — as redes e terminais de conexão — quanto as informações 
que transitam entre os usuários das redes. 
O termo ciberespaço foi utilizado pela primeira vez no livro de ficção 
científica Neuromancer, de 1984, de autoria de William Gibson, para descrever 
um conjunto de tecnologias engendradas na vida social e capazes de criar uma 
realidade virtual (FRAGOSO, 2000). O termo se popularizou a partir da década 
de 1990 e passou a ser usado para se referir à World Wide Web. No entanto, 
o ciberespaço tem relação com aspectos de representação virtual espacial de
uma realidade que é ligeiramente diferente do que a Internet propõe nos seus
primórdios de navegação. Podemos dizer, porém, que essa potencialidade de
criar uma ambiência será mais bem desenvolvida com o aprimoramento da Web. 
Segundo Lévy (2000), a virtualidade constitui o ciberespaço, tido como 
um lugar não físico e aberto de acúmulo de informações e possibilidades de 
conexão entre agentes. O autor também acentua o fato de que esse ambiente 
virtual comprime a noção de tempo, enquanto expande o espaço. Assim, as 
informações são disponibilizadas na rede em um contínuo “agora”, em um 
espaço ilimitado. Não conseguimos visualizar os limites e as fronteiras do 
espaço cibernético. Ao mesmo tempo, os recursos tecnológicos fazem com 
que seja fácil obter qualquer tipo de informação disponível no ciberespaço, 
independentemente do local onde esteja armazenada. É interessante lembrar 
que essa dinâmica fluida se torna possível por meio da codificação digital das 
informações. Esse processo possibilita um acúmulo de dados no ciberespaço, 
consolidando o que Lévy (2000) já previa no início dos anos 2000: o fato de 
que o ciberespaço se tornaria o principal canal de comunicação e suporte da 
memória coletiva.
A digitalização das informações, ou seja, sua transformação em uma representação 
numérica binária torna-se condição para que elas sejam transportadas pelo ciberespaço.
Cibercultura
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Em seu texto, Lévy (2000) cita três princípios que orientaram a expansão 
do ciberespaço: a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a 
inteligência coletiva. A interconexão se refere à natureza técnica das redes 
cibernéticas e digitais que, pela primeira vez, conseguiram conectar pontos 
distantes do mundo. Hoje, todos estão interligados por meio da Internet e podem 
distribuir informações de forma descentralizada para qualquer ponto da rede. 
A formação de comunidades virtuais que compartilham ideias e formam uma 
inteligência coletiva se deu justamente por essa natureza dialógica das redes. 
Segundo Castells (2002), o termo comunidade virtual foi utilizado por 
Howard Rheingold para se referir a uma nova comunidade criada por meio da 
comunicação mediada por computador. A rede coloca em contato pessoas com 
interesses em comum, que necessariamente não partilham o mesmo território 
físico. Recuero (2001) aponta as seguintes características das comunidades 
virtuais: 
 ocorrência de discussões públicas;
 dinâmica de encontros e desencontrosentre pessoas na rede;
 tempo persistente de interação;
 sentimento de pertencimento.
Recuero (2001) pontua a importância de haver uma recorrência nas intera-
ções on-line entre os indivíduos para que se forme uma comunidade virtual. 
A autora também discorre sobre o pertencimento, sentimento que faz com 
que o indivíduo se reconheça como fazendo parte daquele grupo e, assim, se 
comprometa com ele. A pesquisadora recorre aos escritos de Palácios (1998 
apud RECUERO, 2001) para distinguir entre a sensação de pertencimento 
a uma comunidade virtual e a comunidades tradicionais. Nas comunidades 
virtuais, o pertencimento não vem associado ao território geográfico ou lugar 
dos indivíduos, pois está relacionado com a comunidade em si e os interesses 
compartilhados em comum. Outra questão mencionada é que o indivíduo tem 
poder de escolher se pertence ou não a uma comunidade virtual (PALÁCIOS, 
1998 apud RECUERO, 2001) e, a partir daí, investe seu tempo em interações 
que fortalecem seu vínculo social com aquele grupo escolhido.
A dinâmica de funcionamento das comunidades virtuais — de encontros 
e desencontros na rede — permite-nos mencionar outra característica do 
ciberespaço: o fato dele ter uma arquitetura aberta e descentralizada. Ele está 
em constante transformação e evolução a partir das ações e interações entre 
os usuários. Martino (2014, p. 29) pontua essa dinâmica diferenciada quando 
comenta que esse espaço “[...] é fluido, em constante movimento — dados 
Cibercultura
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são acrescentados e desaparecem, conexões são criadas e desfeitas em um 
fluxo constante”.
As três leis da cibercultura
O ciberespaço faz emergir uma cultura diferenciada, a chamada cibercultura. 
Lemos (2006) a conceitua como uma cultura regida por três fatores: liberação 
do polo de emissão, conexão às redes e reconfi guração cultural. A liberação 
do polo de emissão remete à abertura de espaços de colaboração e participação 
de diversas vozes. Principalmente a partir da Web 2.0, as mídias digitais são 
remodeladas em um modelo todos–todos, baseado na troca de informações 
e interação entre seus usuários (LÉVY, 2000). Esse modelo, ligeiramente 
diferente das mídias tradicionais de broadcasting, abre a possibilidade do 
usuário produzir seus próprios conteúdos e divulgá-los na Internet a partir de 
um computador pessoal com conexão à rede. Arquivos digitais peer-to-peer 
(P2P), blogs e sites de redes sociais funcionam por meio dessa lógica e trazem 
um modo interativo e comunitário de habitar a Web.
As tecnologias cibernéticas fazem com que o usuário da rede se transforme em 
produtor de conteúdo. As fronteiras entre produção e consumo de informação se 
diluem, dando origem ao “prosumer” (producer + consumer, ou produtor + consumidor). 
A segunda lei da cibercultura de Lemos (2006) trata da conectividade das 
redes de comunicação. Segundo ele, o processo de conexão generalizado, 
proporcionado pelo aprimoramento tecnológico dos meios de comunicação, 
transforma o computador individual (PC) em computador coletivo (CC). O 
surgimento de celulares e redes Wi-Fi ilustram essa conectividade generalizada. 
Esse cenário transforma nossas relações com o tempo e o espaço, bem como 
as relações entre as pessoas, que se estabelecem cada vez mais por meio das 
redes. Lemos é categórico quando afirma que nós nos transformamos em 
nômades hi-tech, emissores de informação de qualquer ponto de conexão. 
Por fim, a última lei da cibercultura abrange a reconfiguração cultural 
contemporânea suscitada pela produção de informação em rede. Lemos (2006) 
explica que, antes de ser apenas a remediação de um meio sobre o outro, as 
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tecnologias digitais permitem uma reconfiguração de práticas comunicacio-
nais, das estruturas sociais e dos espaços midiáticos. A utilização de blogs, de 
fóruns e mídias sociais concretiza uma cultura que não é mais formada pelos 
elementos fixos de produção–produto–audiência. Ao contrário, essa cultura se 
define pela transformação, edição e compartilhamento de referências culturais 
diversas, uma cultura do copyleft e do remix (LEMOS, 2006). 
Podemos relacionar a cibercultura ao conceito de cultura da participação. 
Shirky (2011) utiliza esse termo para nomear uma cultura marcada pela inclusão 
do amador nos processos de produção de conteúdo. O baixo custo e facilidade 
de acesso das mídias sociais e tecnologias da Internet favoreceriam uma maior 
participação do usuário, que pode produzir, compartilhar e comentar informa-
ções com seus pares. É curioso notar que essas práticas de participação não 
surgem com a Internet, mas sim são remodeladas, ganhando uma roupagem 
tecnológica e uma escala pública, com acesso global e permanência ilimitada.
A Internet e o jornalismo
A cibercultura e o ciberespaço transformaram substancialmente o jornalismo, 
afetando suas rotinas de produção e consumo. A democratização do acesso 
a tecnologias digitais e a formação da cultura da participação e das comu-
nidades virtuais impulsionaram o jornalismo a criar suas próprias práticas 
de colaboração e a inserir o seu público no processo de produção da notícia.
Segundo Primo e Träsel (2006), o jornalismo colaborativo ou participativo 
despontou como uma alternativa ao webjornalismo devido a três fatores: 
 a ampliação de acesso a Internet, blogs, wikis e outras ferramentas
que favorecem a integração de interagentes no processo de publicação
e cooperação na rede;
 a popularização das máquinas de fotografia digital e celulares, que faci-
litam o registro e disseminação de fatos no momento em que ocorrem; e 
 a circulação de discursos de defesa da livre circulação e compartilha-
mento de informações, oriundos da cultura hacker.
Esta última característica se relaciona à própria cultura da Internet, de 
descentralização e compartilhamento coletivo de dados em rede. Segundo 
Primo (2008, p. 61), essa valorização do trabalho coletivo é típica da visão 
pós-moderna de conhecimento, que se fixa no trabalho em equipe e no processo 
coletivo como “[...] forma de compartilhar informações e resultados”, em 
Cibercultura
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detrimento da geração de conhecimento de forma individual. Vemos, então, 
que essa cultura da rede, de aproveitamento da inteligência coletiva, respinga 
também em novas formas de constituição do jornalismo.
Castilho e Fialho (2009) relacionam a emergência do jornalismo colabora-
tivo contemporâneo ao cenário de crise do jornalismo, agravada a partir dos 
anos 1990, nos Estados Unidos, com a popularização das listas de anúncios 
na Internet. A queda nas tiragens levou a um enxugamento das redações 
jornalísticas e a processos de demissão em massa. Em seguida, os jornais 
passaram a se concentrar na cobertura internacional e nacional, abandonando 
as coberturas do noticiário local. A brecha da cobertura local passou a ser 
ocupada, então, por blogueiros, que se firmam como produtores de informação 
jornalística comunitária.
As primeiras iniciativas de jornalismo participativo na rede surgem como 
formas do cidadão noticiar temas e fatos que não têm espaço nas coberturas 
noticiosas nos canais de mídias tradicionais. Bruns (2011) relata que diversos 
sites e blogs alternativos tiveram protagonismo na cobertura dos ataques 
terroristas de 11 de setembro de 2001, em Nova York. Foi a própria mídia 
mainstream dos Estados Unidos que abriu essa lacuna, pois promoveu uma 
autocensura ao fazer a reportagem dos ataques, com medo de ser estigmatizada 
de antipatriota. Os blogs serviram, então, como espaços de insurgência de 
vozes alternativas silenciadas pela mídia convencional.
O principal impacto da Internet no jornalismo consiste na perda do papel de centra-
lidade da indústria jornalística na cobertura e disseminação de notícias, ao mesmo 
tempo em que as fronteiras entre audiência e jornalista se tornam tênues (BRUNS, 2011).
O jornalismo participativo ou colaborativo surgiu como um movimento 
de fora da indústria jornalística (BRUNS, 2011), sendo, aos poucos, cooptado 
por ela.A inserção do usuário em espaços de colaboração passou a servir 
como uma estratégica mercadológica dos veículos, para se aproximarem a 
um público mais participativo e jovem, acostumado a compartilhar conteúdo 
em rede. A figura do repórter-cidadão surge nesse contexto como uma pessoa 
que colabora com a cobertura noticiosa, enviando conteúdo para os veículos 
de comunicação. 
Cibercultura
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O jornalismo open source
A aproximação da cultura hacker à forma do jornalismo na rede faz com 
que alguns pesquisadores, como Brambilla (2005a; 2005b) adotem o termo 
jornalismo open source para se referir à inclusão do usuário nos processos 
de produção noticiosa em rede. Derivada do termo para códigos abertos em 
software, essa prática jornalística molda diversas etapas, desde a apuração, 
com o uso de fontes open source na Internet para checar fatos, à produção 
em conjunto da notícia entre colaboradores não jornalistas e jornalistas, até a 
distribuição da notícia em rede. Sob esse modelo, a notícia é encarada como 
um produto de domínio público tanto na sua elaboração quanto em sua apro-
priação e fruição (BRAMBILLA, 2005a).
Um novo paradigma de jornalismo?
Antes de serem fenômenos isolados, as práticas de colaboração e participa-
ção do usuário disseminaram-se no jornalismo contemporâneo, produzindo 
mudanças estruturais em suas práticas. Essa é a tese que Axel Bruns (2011) 
sustenta ao analisar a emergência de iniciativas colaborativas e projetos se-
melhantes em agências e organizações noticiosas. Para ele, essas iniciativas 
são um prelúdio da morte de modelos de cobertura jornalística que operam 
de cima para baixo. Há, então, “[...] uma mudança para um relacionamento 
colaborativo mais igual, embora às vezes cauteloso, entre os profi ssionais do 
jornalismo e os usuários de notícias” (BRUNS, 2011, p. 20). Esse processo, 
segundo o pesquisador, faria o jornalismo passar de um modelo de gatekeeping 
para um modelo gatewatching. 
O paradigma do gatekeeping serviu para caracterizar as atividades do 
sistema de produção jornalística na época da mídia de massas. Segundo Bruns 
(2011), modelos em que o jornalista era o responsável por filtrar a notícia se 
consolidaram a partir de uma necessidade prática que os veículos tinham de 
selecionar uma quantidade específica de notícias para serem produzidas em 
um cenário de escassez de canais de comunicação. Os jornalistas e editores 
atuavam como gatekeepers (guardas, sentinelas) que mantinham o controle 
total do que era publicado. Com o advento das mídias sociais digitais, ocorreu 
uma multiplicação de canais de publicação de informação, o que faz com que 
o sistema rígido do gatekeeping se torne desnecessário (BRUNS, 2011). Nesse 
cenário, emergem práticas de curadoria colaborativa de notícias, que propõem 
novos modelos colaborativos entre audiência e jornalistas, e sedimentam-se
no que o pesquisador chama de gatewatching.
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Práticas de gatewatching são esforços de curadoria coletiva e colaborativa realizados 
pelos usuários das mídias sociais, que comentam, compartilham e observam (watch) 
as notícias publicadas pela indústria jornalística. 
Por mais que não sejam práticas de produção jornalística, a curadoria 
coletiva de notícias nas redes sociais produzem impacto na produção de no-
tícias. As listas de assuntos mais comentados nas mídias sociais fornecem 
aos veículos de comunicação e ao jornalista algumas pistas dos temas mais 
populares e podem, assim, ajudá-los a produzir pautas e conteúdos que tenham 
um apelo popular. Essa dinâmica das redes servindo como termômetro para a 
produção de notícias já vem sendo inserida nas rotinas produtivas de jornais. 
É importante frisar que as práticas de curadoria de notícias nas redes sociais 
estudadas por Bruns (2011) não se moldam pela produção de notícias, mas sim 
pela observação, avaliação e organização de notícias já publicadas. Assim, 
firmam-se comunidades de produsage, (production + usage, ou produção + 
uso/consumo) que republicam, divulgam, contextualizam e avaliam materiais 
já existentes. Aqui entra novamente aquela ideia do esforço coletivo e da 
inteligência coletiva:
Realizados em grande escala — por uma comunidade suficientemente grande 
e diversificada de participantes dedicados — estes esforços coletivos podem 
resultar em formas de cobertura noticiosa que são tão abrangentes como 
aquelas conseguidas pela indústria jornalística (BRUNS, 2011, p. 124).
Outra ideia interessante de salientar é que essas práticas colaborativas não 
são esforços planejados e organizados pelas mídias convencionais, como eram 
as práticas de produção de conteúdo do repórter-cidadão. Ao contrário, elas 
são descritas por Bruns (2011) como movimentos produzidos fora da indús-
tria jornalística e que, por envolverem uma escala significativa de usuários, 
geram um impacto substancial na organização das lógicas do jornalismo. O 
que acontece nos sites de redes sociais tem o poder de contaminar e pautar o 
noticiário, fenômeno chamado de contra-agendamento.
Primo e Träsel (2006) mostram-nos que o webjornalismo participativo 
abre novos campos de atuação para o jornalista. Eles frisam o papel de editor 
Cibercultura
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de conteúdo e também de instrutor, ensinando de técnicas jornalísticas para 
cidadãos-repórteres interessados em participar de reportagens colaborativas. 
Percebe-se, nesses dois casos, o reconhecimento do cidadão como produtor de 
informações, acentuando formas de interação com ele. Outra iniciativa que 
pode ser explorada nessa prática, segundo os pesquisadores, é a criação de seus 
próprios weblogs e sites, que funcionam como uma imprensa alternativa e que 
apostam em uma cobertura jornalística independente. Aqui se encaixariam, 
por exemplo, os coletivos jornalísticos, que surgem como práticas alternativas 
de produção de notícias em oposição ao modelo das empresas jornalísticas.
A Mídia Ninja (https://midianinja.org/) é uma iniciativa de mídia independente que 
trabalha com uma lógica de produção colaborativa. Ela ganhou destaque no Brasil 
durante os protestos de junho de 2013, quando fez cobertura em tempo real das 
manifestações, com o uso de câmeras de celulares e uma unidade móvel. A rede 
possui milhares de colaboradores cadastrados em mais de 250 cidades brasileiras, que 
colaboram com a produção de conteúdo do site pelo envio de fotos, textos e vídeos.
Há um consenso entre os pesquisadores de que o cenário de jornalismo 
participativo e colaborativo e as novas práticas de curadoria colaborativa nas 
redes sociais exigem um novo posicionamento do jornalista, mais aberto a 
ouvir a sua audiência, colocada numa posição de coprodutora da informação 
(BRAMBILLA, 2005b; PRIMO; TRÄSEL, 2006; BRUNS, 2011). No entanto, 
os processos de seleção e edição dessas informações ainda precisam ser bali-
zados pelos eixos do jornalismo de qualidade, exigindo do jornalista e editor a 
habilidade crítica de separar quais conteúdos lhes interessam como notícia. O 
desafio que se impõe a esse profissional seria, então, o de fomentar iniciativas 
colaborativas, inserindo-as no sistema de trabalho jornalístico (BRUNS, 2011), 
que preza pelos elementos de credibilidade e veracidade da informação.
Cibercultura
82
BLOOD, R. The weblog handbook: practical advice on creating and maintaining your 
blog. Cambridge: Perseus Books, 2002.
BRAMBILLA, A. A identidade profissional do jornalismo open source. Revista Em Questão, 
v. 11, n. 1, p. 103–119, 2005b.
BRAMBILLA, A. A reconfiguração do jornalismo através do modelo open source. Sessões 
do Imaginário, n. 13, p. 87–94, 2005a.
BRUNS, A. Gatekeeping, gatewatching, realimentação em tempo real: novos desafios 
para o jornalismo. Brazilian Journalism Research, v. 7, n. 2, p. 224–247, 2011.
CASTELLS, M. A sociedade em rede: a era da informação: economia, sociedade e cultura. 
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002. v. 1.
CASTILHO, C.; FIALHO, F. O jornalismo ingressa na era da produção colaborativa de 
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EdiPUC-Rio: Editora Sulina, 2009.
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LEMOS, A. Les trois lois de la cyberculture: libération de l’émission, connexion au réseau 
et reconfiguration culturelle. Sociétés, v. 1, n. 91, p. 37–48, 2006.
LÉVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Edições 
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LOMBORG, S. Navigating the blogosphere: towards a genre-based typology of weblogs. 
First Monday, v. 14, n. 5, 2009. Disponível em: http://firstmonday.org/ojs/index.php/fm/
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MARTINO, L. M. S. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes, redes. 2. ed. Petró-
polis: Editora Vozes, 2014.
PRIMO, A. F. T. Fases do desenvolvimento tecnológico e suas implicações nas formas 
de ser, conhecer, comunicar e produzir em sociedade. In: PRETTO, N. L.; SILVEIRA, S. A. 
(org.). Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do 
poder. Salvador: EDUFBA, 2008.
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Contracampo (UFF), v. 14, p. 37–56, 2006.
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NACIONAL DE COMUNICAÇÃO, 5., 2001, Porto Alegre. Anais [...]. Rio Grande do Sul: 
Cibercultura
83
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
UFRGS, 2001. Disponível em: http://pontomidia.com.br/raquel/teorica.htm. Acesso 
em: 23 dez. 2019.
SANTAELLA, L. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007.
SCHMITT, V.; OLIVEIRA, L. G.; FIALHO, F. A. P. Jornalismo 2.0: a cultura da colaboração 
no jornalismo. E-compós, v. 11, n. 3, 2008.
SHIRKY, C. A cultura da participação: criatividade e generosidade no mundo conectado. 
Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
Leituras recomendadas
MACHADO, E. O ciberespaço como fonte para os jornalistas. Biblioteca online de Ciências 
da Comunicação, 2002 Disponível em: www.bocc.ubi.pt/pag/machado-elias-ciberes-
paco-jornalistas.pdf. Acesso em: 23 dez. 2019.
MANOVICH, L. The language of new media. Cambridge: Massachusetts Institute of 
Technology, 2001.
Cibercultura
84
DICA DO PROFESSOR
A linguagem digital é responsável por possibilitar uma revolução cibernética de impacto. Ela 
permite, por exemplo, que as mídias digitais possam transferir e modificar os objetos digitais 
circulantes em suas redes.
Na Dica do Professor, você vai conhecer os princípios da linguagem digital de Lev Manovich 
(2001), que fazem com que ela seja uma linguagem dinâmica e flexível.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) A cibercultura é caracterizada por produzir uma reconfiguração das práticas
culturais. A liberação do polo de emissão e a conectividade das redes são alguns dos
fatores que possibilitaram o surgimento desta cultura.
Assinale a alternativa que caracteriza a cultura colaborativa do ciberespaço:
A) As empresas jornalísticas são as únicas distribuidoras de notícias e informações.
B) O usuário ganha ferramentas para consumir conteúdo em sites institucionais de empresas.
C) O usuário produz conteúdo e compartilha com seus amigos em plataformas colaborativas.
D) Os jornalistas são os únicos produtores de informação na rede e os usuários consomem
esse conteúdo.
E) O usuário apenas consome conteúdo em sites jornalísticos produzidos por jornalistas.
Um jornalista, ex-repórter da editoria de saúde, resolveu criar um grupo no site de2)
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redes sociais sobre ciências e saúde. Ele pretende selecionar e postar as notícias mais 
interessantes publicadas nos jornais Folha de S. Paulo, O Globo, Estado de S. Paulo e 
outros. A ideia é criar um repositório de informações e notícias sobre a área, para 
que pessoas interessadas possam encontrar esse conteúdo facilmente. Os usuários que 
entrarem no grupo também poderão compartilhar notícias.
Essa prática pode ser conceituada como:
A) Edição de notícias.
B) Curadoria individual de notícias.
C) Produção individual de notícias.
D) Produção colaborativa de notícias.
E) Curadoria colaborativa de notícias.
3) O jornalismo vem passando por grandes mudanças devido ao cenário da cultura
colaborativa. Bruns (2011) utiliza o termo gatewatching para nomear uma série de
práticas que surgem com as redes sociais, em que o usuário assume uma posição de
vigília com relação às notícias publicadas pelo jornal.
Como as redações jornalísticas e o Jornalista se inserem neste novo cenário descrito?
A) Os jornalistas continuam mantendo total controle do que é publicado e consumido.
B) As redes sociais podem ajudar o Jornalista a mensurar quais notícias são mais populares
entre os usuários.
C) Os jornalistas não inserem o usuário como coprodutor de informações.
86
D) O Jornalista é o único agente a definir quais notícias são relevantes.
E) As redes sociais ainda não geram impacto no jornalismo, pois seu conteúdo é disperso e
descentralizado.
4) A revolução cibernética trouxe uma série de mudanças para o modo de armazenar,
processar e consumir informação. Uma delas se refere à criação de um novo espaço
de comunicação e troca de informações: o ciberespaço.
Assinale a alternativa que aponta as principais características deste espaço:
A) Lugar físico aberto ao acúmulo de informações e conexão entre agentes.
B) Ambiente virtual de espaço limitado para armazenamento de informações.
C) Lugar não físico, de espaço ilimitado para armazenamento de informações.
D) Lugar não físico, que propõe conexões hierárquicas entre agentes.
E) Ambiente virtual de armazenamento de informações não digitais.
5) A criação da Internet e sua popularização mundial revolucionaram as formas de
comunicação e troca de informação. A Internet teve uma trajetória longa de
evolução, desde a sua criação como ARPANET e uso para fins militares e acadêmicos
até a criação de uma nova roupagem para ela: a World Wide Web (WWW), por Tim
Berners Lee, na década de 1990. Hoje existe uma rede colaborativa e inteligente cujos
algoritmos podem predizer as preferências de consumo do usuário.
A natureza colaborativa da Web caracteriza:
A) A Segunda Geração da Web, a Web 2.0, que tem sites estáticos, como blogs e wikis.
87
B) A Terceira Geração da Web, a Web 3.0, com sites dinâmicos e algoritmos.
C) A Terceira Geração da Web, a Web Inteligente, com algoritmos e blogs.
D) A Primeira Geração da Web, a Web 1.0, com sites dinâmicos e wikis.
E) A Segunda Geração da Web, a Web 2.0, que tem sites com interface amigável, como blogs
e wikis.
NA PRÁTICA
A internet impactou a forma como se faz jornalismo. A emergência de um usuário mais 
participativo, que transita entre as esferas de produção e de curadoria de conteúdo, faz com que 
as redações jornalísticas tenham que adaptar as suas rotinas de produção a essas novas formas de 
consumo de informação. 
No Na Prática desta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer algumas mudanças nas 
rotinas produtivas das redações de jornais brasileiros trazidas pelas redes sociais. Confira.
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
É impossível controlar os poderosos sozinho
No texto do Observatório da Imprensa, Guilherme Amado, repórter investigativo do jornal O 
Globo, reflete sobre a cultura jornalística brasileira e a lógica da colaboração entre jornalistas.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Precisamos ensinar ética jornalística para não jornalistas?Ética e ensino de mídia sustentam as reflexões do pesquisador Dairan Paul, do objETHOS, neste 
texto para o Observatório de Imprensa.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Jornalismo colaborativo: chaves para o sucesso de projetos transnacionais na América 
Latina, segundo a Connectas
Neste texto, os repórteres Priscila Hernández Flores e Carlos Eduardo Huertas dão dicas de 
como usar a cultura de colaboração da internet em projetos jornalísticos.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
90
91
Ética no mundo digital 
APRESENTAÇÃO
Você já pensou sobre as grandes mudanças na sua vida e na da comunidade mundial a 
partir da utilização das ferramentas digitais? Como seria o relacionamento com sua família, 
seus amigos e seus colegas de trabalho caso não houvesse redes sociais digitais nem os grandes 
experimentos virtuais, como a criação dos correios eletrônicos, exames de imagem 
computadorizados e demais benesses cibernéticas mudando sua vida totalmente? 
Pois é, não temos o hábito de refletir ou debater sobre esses temas: a gente só vai utilizando, 
consumindo e nada mais! Porém, urge pensar sobre o papel dessas redes sociais em nosso 
comportamento e o modo como afetam a ética da sociedade no cotidiano. Para isso, você é 
convidado a fazer uma pequena reflexão acerca desse tema e revisar alguns conceitos sobre sua 
postura ética nesses espaços virtuais. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai contextualizar a sociedade atual, em que a Era do 
Conhecimento é tão explanada e debatida como democrática e inclusiva, e talvez você consiga 
ter novos olhares sobre a temática. Vai refletir sobre o mundo digital, a liberdade de interagir 
virtualmente com os demais cidadãos do planeta e as consequências dos atos a partir de uma 
lógica de causalidade. Também vai repensar seu comportamento ético em espaços de 
comunicação on-line e aplicativos de conexão nos quais sua opinião, cultura e conceitos ou 
pré-conceitos serão testados. Você vai rever a atitude a tomar ou a que, como profissional da 
área social, deverá ter. Além disso, você se aproximará de alguns conhecimentos sobre as 
desigualdades ainda existentes no acesso à informação e seus desafios no ambiente real.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Discutir sobre a ética na sociedade em rede.•
Analisar a questão ética nas redes sociais.•
Identificar o desafio ético relacionado ao acesso desigual à informação.•
92
DESAFIO
Em outubro de 2017, foi feita uma pesquisa sobre o uso do WhatsApp nas escolas, e verificou-
se a assustadora onda de conflitos que lideram ocorrências digitais. Os conflitos, as ofensas e os 
desentendimentos nos grupos do aplicativo WhatsApp são as ocorrências digitais mais comuns 
nas escolas do país, de acordo com a quarta edição da pesquisa Escola Digital Segura, elaborada 
pelo Instituto iStart. O estudo mostra que ao menos 77,7% dos incidentes nas instituições de 
ensino envolvem conflitos nos grupos de WhatsApp, seja entre os alunos, seja entre pais e 
responsáveis. 
Confira os dados abaixo, com mais informações sobre um estudo sobre o uso do celular nas 
escolas. 
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A Dra. Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital e idealizadora do 
Instituto, alerta para o fato de que as outras pessoas presentes em grupos de WhatsApp podem 
reproduzir informações sigilosas ou comprometedoras. Com essa atitude, haveria ainda mais 
constrangimento aos envolvidos nos vazamentos de dados ou de imagens íntimas. 
Em um caso ocorrido no Brasil, o Facebook precisou retirar fotos de uma jovem nua vazadas 
pelo ex-namorado no Whatsapp. No processo, a jovem contou que teve um breve namoro e 
decidiu enviar imagens sem roupa como "prova de amor". Em março de 2014, com o fim do 
relacionamento, percebeu que o ex havia espalhado as fotografias e decidiu entrar com o 
processo.
Vamos fazer de conta que as fotos vazadas tenham sido compartilhadas em sua Instituição de 
Ensino, porque a vítima era uma aluna de lá, e você faz parte do Conselho da Instituição. A 
partir dessa premissa responda os questionamentos:
O que você faria para tentar resolver essa questão?
Que atitude tomaria em relação aos alunos que fizeram o compartilhamento das fotos?
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INFOGRÁFICO
Neste Infográfico, você poderá acompanhar a linha histórica da Ética no ocidente desde os 
primórdios na Grécia até a atualidade, a Bioética, cujo ramo é mais abrangente e construtivo 
acerca do conjunto de normas e regras que a sociedade do momento aceita para a convivência 
com o entorno. 
Na construção desses dados, você conseguirá entender os diversos parâmetros utilizados pelas 
comunidades para se manter viva e civilizada. Será possível também conhecer os atores sociais 
que se aprofundaram na temática e, se sentir necessidade de maior conhecimento, poderá buscá-
lo nas publicações desses filósofos, antropólogos e demais cientistas. 
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CONTEÚDO DO LIVRO
Neste tema da Ética no mundo digital, você vai acompanhar o processo histórico do conceito de 
rede social, bem como compreender o papel das novas ferramentas no mundo em que vivemos e 
onde a ética se intersecciona. Além disso, vai ter uma noção da legislação que ampara o usuário 
de internet, a questão ética do comportamento humano nas redes sociais digitais e a diferença 
entre o virtual e o presencial.
Em um segundo momento, a reprodução na esfera digital das desigualdades, de que já somos 
sabedores em nossa sociedade, é trazida à discussão sobre o acesso desigual à informação. O 
mundo virtual reflete as mesmas condições de acesso ao conhecimento que já conhecemos em 
nossa pequena Aldeia Global. O problema assume características maiores quando é demonstrada 
a democratização do conhecimento a que essa parcela grande da população não tem acesso, suas 
consequências e seus possíveis reflexos no futuro.
Leia o capítulo Ética no mundo digital, do livro Ética, reflita um pouco sobre o assunto e faça 
boas considerações para sua profissão.
Boa leitura. 
98
Ética no mundo digital
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Discutir sobre a ética na sociedade em rede.
 � Analisar a questão ética nas redes sociais.
 � Identificar o desafio ético relacionado ao acesso desigual à informação.
Introdução
Neste capítulo, você vai estudar a sociedade atual, na qual a famosa Era 
do Conhecimento é tão explanada e debatida como unânime, mas, como 
veremos, talvez não seja exatamente assimna realidade. Para isso, você 
irá refletir sobre o mundo digital, a liberdade de interagir virtualmente 
com os demais cidadãos do planeta e sobre as consequências dos atos, 
ou a ausência delas, a partir de uma lógica de causalidade. Também irá 
repensar seu comportamento ético em espaços de comunicação online, 
vendo aplicativos de conexão a partir dos quais sua opinião, cultura e seus 
conceitos ou “pré-conceitos” serão testados – assim, poderá rever a atitude 
a tomar ou a que, como profissional da área social, deverá ter. Além disso, 
você se aproximará de alguns conhecimentos sobre as desigualdades 
ainda existentes no acesso à informação e seus desafios no ambiente real. 
A ética e o mundo das redes sociais
“Tudo me é lícito (é permitido)”, mas nem tudo convém. “Tudo me é lícito”, 
mas nem tudo edifica (1 Co 10: 23). Esta frase foi tirada da Bíblia, de modo 
que podemos ter uma noção do quão antiga é a ideia sobre como tratar as 
pessoas da comunidade, ou seja, a ética nas civilizações. Porém, mesmo que 
se fale e debata, você acha que já temos um equilibrado convívio com nossos 
iguais ou parece que cada vez mais nos distanciamos do que chamamos de 
civilidade? Qual é a sua opinião sobre o assunto? Se você concorda com 
a segunda alternativa, está pensando como a maioria dos brasileiros, que 
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atestam, em pesquisas de opinião, que estão ocorrendo muitos conflitos entre 
classes sociais diferentes, espaços de relacionamentos virtuais com excessiva 
polarização de opiniões e constantes atritos por dificuldade em perceber as 
diferenças que o outro tem – e até mesmo um despreparo para lidar com as 
subjetividades ou verdades de cada um. Agora, vamos tentar compreender 
a sociedade atual e o que significa o conceito de redes, redes sociais e redes 
sociais digitais, mídias sociais e tudo o que envolve este universo virtual e o 
que ele tem a ver com ética.
O homem é uma ilha?
Desde os primórdios dos tempos, o homem é um ser de relações. Ele se constrói 
a partir do outro: inicialmente, seu quadro é familiar e, à medida que cresce, 
seu círculo vai aumentando. Percebe-se que o outro estabelece nossa identidade 
na relação de troca; por exemplo, nos reconhecemos mais velhos a partir do 
olhar que outra pessoa dá e, assim, identificamos a passagem do tempo quando 
somos chamados pelos apelidos de “Tio/Tia”, “Senhor/Senhora”, “Vó/Vô”, 
e assim por diante. Embora isso já seja senso comum, a consciência dessa 
atitude externa vai transformando nosso comportamento ao longo da vida e 
esses gestos vão formando as interações humanas.
O formato dessas relações tem sofrido transformações em um processo 
dinâmico e evolutivo. Nota-se que não estávamos preparados para experen-
ciar a velocidade das mudanças: parece que entramos num gigante carrossel 
e, sem querer, ele disparou, fazendo com que tenhamos que olhar o mundo 
ao redor muito espaçadamente, de maneira distante e rápida. Há cinquenta 
anos, havia praticamente apenas o relacionamento presencial, as visitas eram 
feitas indo na casa da pessoa amiga, os relacionamentos afetivos aconteciam 
em atividade social ou no ambiente doméstico – tudo era pensado para rela-
cionamentos presenciais ( face to face). Foi inquestionável o papel da família, 
na qual preponderavam os valores e princípios passados de pai para filho, o 
patriarcado não era rebatido e todo o aprendizado vinha de ensinos advindos 
da escola e religião de origem. 
E como é hoje? Muito diferente: a juventude nascida nas décadas de 
1990/2000 já teve acesso à internet e nem questiona se o contato virtual ou 
presencial causa desconforto; para esses jovens, falar via Skype ou pessoal-
mente tem o mesmo valor de comunicação. Provavelmente, eles questionam 
a necessidade de atender o telefonema da mãe ou de parentes mais velhos em 
uma época em que já existem aplicativos de comunicação mais efetivos. Se 
comportamentos simples como o falar ao telefone ou namorar sofreram tantas 
Ética no mundo digital
100
modificações, como é transitar pelas redes sociais digitais para pessoas mais 
velhas e para as mais jovens? Como é conciliar esses pensamentos, valores e 
atitudes num mesmo instrumento de comunicação virtual mundial? 
Vivíamos, nas décadas anteriores, em uma zona de conforto em que as 
verdades não eram tão questionadas nas famílias, as hierarquias eram segui-
das, em sua maioria, por obrigatoriedade parental, e quase não se debatiam 
conceitos ou pensamentos entre os de seu sangue. Já não é o que acontece na 
atualidade. Agora, tudo está quase que completamente mudado, vivemos em 
um mundo em que crianças de quatro/cinco anos já decidem quais produtos 
comercializados consumir pelo excessivo acesso às diversas mídias sociais, 
como TV, propagandas e publicações via internet. É uma realidade à que elas 
têm acesso mesmo sem critérios de compreensão por idade ou outra condição 
de exclusão, situação pouco explanada ou criticada nos grupos familiares. 
Todas essas mudanças ocorridas ao longo dos tempos pela humanidade foram 
sendo estudadas, debatidas e trazidas à luz do conhecimento por filósofos, 
pensadores e pessoas críticas do cotidiano. 
Os gregos foram pioneiros na teorização sobre os costumes e valores da 
civilização ocidental e, por isso, toda a definição foi pedagogicamente classi-
ficada conforme a cultura grega. Constituiu-se a terminologia ética, que faz 
parte de uma das três grandes áreas da filosofia 
Filosofia: do grego: philo+sophia. Philo deriva de philia, que significa amizade, amor 
fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer dizer sabedoria e dela vem a palavra 
sophos, sábio. 
A ética está presente no nosso cotidiano o tempo todo, seja nas decisões 
familiares, políticas, ou no trabalho, por exemplo – é um valor importante na 
formação de caráter do ser humano. A ética é o estudo geral do que é bom ou 
mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado (GLOCK; 
GOLDIM, 2003). É, também, compreendida como um conjunto de valores e 
princípios que norteiam a reflexão e a tomada de decisão sobre a ação.
Mas como saber o que é bom ou mau nesta sociedade em constante modi-
ficação? A que valores, conceitos e princípios estamos sendo expostos todos 
os dias e como julgá-los procedentes para as nossas vidas? Ferreira (2011) traz 
Ética no mundo digital
101
o conceito do sociólogo Zygmunt Bauman (LINS, 2016) de “mundo fluido”,
um mundo atual caracterizado pela complexidade, sem divisões ou fronteiras,
mundo líquido, destituído de formas, sem a certeza, solidez, verdade absoluta
e concretude dos tempos anteriores. Agora, vivemos o
[...] dinamismo da relação entre as partes, sistemas abertos, imprevisibilidade, 
não linearidade, auto-organização, adaptabilidade, criatividade, instabilidade, 
emergência, incerteza, conectividade e fluxo [...] (FERREIRA, 2011, p. 208).
Essas marcas da contemporaneidade fazem sobressair a era da informação 
e do conhecimento, na qual as redes emergem como elementos catalisadores 
da realidade.
Afinal, o que são redes sociais?
A partir desse conceito da não linearidade em que vivemos, parece que a 
definição de rede é algo novo, construído para esses tempos atuais, mas não 
é bem assim. Hipócrates, considerado o pai da medicina, já trazia o conceito 
de rede ao perceber, em seus estudos humanos, como era o circuito das veias e 
artérias, no qual todas criavam emaranhados semelhantes a uma rede de pesca. 
Embora fosse um início de pensamento intracorporal, já trazia o princípio da 
relação da rede. Após isso, matemáticos utilizaram o mesmo processo para 
decodificar problemas práticos de arquitetura nas vilas, assim como engenhei-
ros também criaram conceitos a partir das redes, entre outros. Na sociologia, 
o termo também é trazido e é acrescido da palavra “social” para designar o
humano da relação. A partir dessa noção de rede, foram elaborados diversos
conceitos de redes sociais, um deles como:
[...] uma estrutura social composta por indivíduos, organizações, associa-
ções, empresas ou outrasentidades sociais, designadas por atores, que estão 
conectadas por um ou vários tipos de relações que podem ser de amizade, 
familiares, comerciais, sexuais etc. (FERREIRA, 2011, p. 213).
Com isso, todos que participariam dessa teia desencadeariam movimentos e 
fluxos nos quais partilhariam crenças, poder, conhecimentos, informações, etc.
Embora isso se configure como uma malha de relações sociais, ainda não 
se está falando das redes digitais. Até a concepção da rede mundial de acesso 
digital, no início da década de 1980 nos Estados Unidos e a partir da década 
de 1990 no Brasil, as interações aconteciam de forma diferente da atual, 
Ética no mundo digital
102
mas eram eficazes, ou seja, o objetivo primordial de estabelecer conexões e 
firmar relacionamentos já era feito independentemente da era digital. O que 
se modificou foi a ferramenta de acesso e, com isso, foram abertos novos 
horizontes, o mundo perdeu fronteiras e se tornou fluído, como dizia Bauman 
(LINS, 2016). O planeta virou uma grande aldeia e as conexões não pararam de 
acontecer, desde as relacionais até as mercadológicas, científicas, entre outras. 
O conceito de globalização foi sendo construído e, hoje, é muito praticado no 
modo de produção capitalista. 
A partir do início desse século, a terminologia de redes sociais foi associada 
ao conceito das interações feitas pelas ferramentas da Tecnologia da Informação 
(TI). Os chamados aplicativos de relacionamento (networking social) eram 
instrumentos particulares de alguma rede social ou comunidade mediados 
por computadores (mídia social) e tinham como objetivo criar novas tramas e 
teias independentemente da tecnologia. É claro que a melhoria nos processos 
tecnológicos potencializa e evidencia os relacionamentos, sobretudo nos locais 
em que há certa dificuldade de contato físico ou relação mais próxima, como 
espaços pouco habitados da terra ou aqueles de difícil acesso. Embora o termo 
utilizado seja somente na forma “redes sociais”, sabe-se que estamos falando 
de redes sociais digitais, nas quais o computador e a internet são ferramentas 
de conexão entre comunidades e pessoas.
Para entender melhor sobre rede e as transformações 
sociais, conheça o sociólogo Manuel Castells. Acesse 
o link ou o código a seguir.
https://goo.gl/RLaUfU
A questão ética nas redes sociais
Nosso foco, aqui, será na ética nas redes sociais digitais, pois é essa a que está 
suscitando mais dilemas e questões para debate. As redes sociais presenciais 
têm sido muito utilizadas, o que fez com que surgissem alguns desvios; por isso, 
Ética no mundo digital
103
a legislação existente está tentando dar conta de normatizar as relações virtuais. 
Esse novo universo, chamado também de ciberespaço, apresenta um mundo 
de novidades, em que todos somos parte, influenciadores e influenciados. 
Como o tema é bastante relevante, comecemos por uma pergunta: você já 
pensou sobre o quanto é mais informado do que seus familiares mais velhos? 
Ao mesmo tempo, pode se questionar: a quantidade de informações obtidas 
tão facilmente fez de você um ser mais inteligente ou moralmente melhor?
Nem todos param para pensar sobre o tema e talvez você nem questione a 
dependência e total necessidade com as quais vivemos atualmente em relação 
às Tecnologias da Informação. Deixar um smartphone em casa significa, hoje, 
não ter agenda, e-mail, câmera fotográfica, rádio, filmes e séries, além, é claro, 
do telefone. Toda essa dependência é fruto da modernização das ferramentas 
e, assim, da individualização das informações e dos conhecimentos, pois não 
dependemos mais de nossa família, comunidade escolar e demais pessoas 
para obtermos dados sobre qualquer assunto e em qualquer idioma. Talvez 
para você seja óbvio, mas essa possibilidade é muito recente: pessoas nascidas 
nas décadas de 1960 e 1970 não tiveram os mesmos recursos que existem 
atualmente e a lógica do conhecimento era outra.
Você pode estar se perguntando sobre o que isso tem a ver com a ética, 
sobre como isso impacta a sociedade. Nem sempre temos resposta para tudo, 
mas vamos fazer um giro por esse assunto, a partir do seu princípio. Quando 
falamos em internet, rede social digital, gerações de computadores, ciberes-
paço (MONTEIRO, 2007) devemos lembrar que, antes disso, ocorreu uma 
revolução das novas tecnologias: milhares de pessoas perderam seus postos de 
trabalho quando iniciou a chamada “Terceira Revolução Industrial”, na qual o 
modo de produção foi sendo automatizado e, com isso, as técnicas de trabalho 
foram progredindo. Com esse processo em constante evolução, o advento do 
computador trouxe ainda mais rapidez e, na década de 1990, a internet chegou 
aos lares brasileiros, provocando verdadeiro tumulto no modus operandi dos 
lares tradicionais de então. Essa onda gigantesca de sucessivas conexões só 
aumentou e trouxe ainda mais individualidade, autonomia e facilidade aos 
usuários da rede digital. 
O que parecia uma esperança de um mundo feliz, moralizado e próspero 
com a informação ao toque de dedos não se confirmou, e não é exatamente 
isso que tem ocorrido em nossa sociedade. Temos visto exemplos de quebra de 
privacidade, abuso de autoridade, mercantilismo e exposição dos públicos que 
acessam as redes de comunicação, o que faz com que uma nova dúvida abra 
espaço: a comunidade usuária tem se perguntado sobre a legitimidade das leis 
já existentes e se essas conseguem dar conta das demandas do meio virtual.
Ética no mundo digital
104
Talvez você já tenha ouvido falar de alguém que teve seu cartão de crédito 
clonado, alguma fraude bancária ou então os seus dados privados expostos 
na rede sem sua aprovação. Tudo isso não era visto há 30 anos, quando as 
atividades ilegais dependiam da presença da pessoa para acontecer. A partir 
do momento em que começam a ocorrer ações que fogem à nossa vontade e as 
mesmas são praticadas em ambiente virtual, surgem novas formas de reação, 
e isso tem sido bastante debatido na sociedade do conhecimento.
Chauí (2000) define que duas coisas são indispensáveis na vida ética: 
consciência e responsabilidade. Para ela, ser um sujeito ético depende da 
capacidade de refletir e reconhecer o outro como um ser igual, em que seus 
desejos e impulsos não ultrapassam a sua individualidade, controlando e 
orientando sentimentos, alternativas de vida, escolhas e, assim, admitindo as 
consequências de suas atitudes, tomando as rédeas de sua conduta. 
Essa assertiva parece não fazer eco no ambiente virtual, pois o usuário da 
internet tem dificuldade de compreender que, embora se trate de um lugar 
não presencial, deve sofrer as mesmas regras do presencial. Muitas vezes, 
esse ambiente é tratado como se fosse uma “terra de ninguém”, onde se pode 
fazer o que der vontade, mesmo que conflite com a privacidade e autonomia 
do outro. O indiscriminado fornecimento de dados pessoais para as redes de 
comunicação digital ou para empresas digitais em que o usuário está conec-
tado não tem protegido a privacidade das pessoas, fazendo com que surjam 
diversas questões de natureza ética, o que foge do conceito de harmonia e 
equilíbrio na grande rede mundial de computadores conectados (FUGAZZA; 
SALDANHA, 2017). 
Legislação que ampara o usuário conectado na Web
Os inúmeros conflitos éticos que os comportamentos têm gerado na socie-
dade ocidental provocara debates legislativos e da comunidade virtual. Com 
isso, estão sendo utilizadas as legislações já existentes e têm surgido novas, 
específicas para o tema do uso da informática na internet ou do mau uso dos 
dados privados. 
A mais expressiva garantia da proteção da privacidade dos cidadãos foi 
construída na Declaração Universal dos Direitos das Nações Unidas, espe-
cialmente no artigo 19, que informa que:
[...] toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito 
inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e 
transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de 
fronteiras[...] (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2009).
Ética no mundo digital
105
O brasileiro, nesse sentido, conta com a Constituição de 1988, artigo 5º, 
inciso X, que determina serem “[...] invioláveis a intimidade, a vida privada, 
a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo 
dano material ou moral decorrente de sua violação [...]” (BRASIL, 1988); e, 
no inciso XII do mesmo artigo, que:
[...] é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, 
de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem 
judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação 
criminal ou instrução processual penal [...] (BRASIL, 1988). 
Em abril de 2013, entrou em vigor a primeira lei brasileira específica para 
o ambiente virtual, a Lei nº 12.737/2012, com o apelido de “Lei Carolina
Dieckmann”, que modifica o Código Penal para tipificar como infrações uma
série de condutas no ambiente digital, em especial o vazamento dos dados.
Outra conquista da legislação demarcatória do ambiente virtual no Brasil
foi conquistada em 2014, considerada uma das melhores legislações sobre o
tema da Internet e denominada Marco Civil da Internet, Lei nº 12.965/2014,
que garante, em seu artigo 3º, incisos II e III, respectivamente, a “proteção à
privacidade” e a “proteção aos dados pessoais”.
Assista o vídeo de Leandro Karnal sobre a solidão nas redes sociais no link a seguir.
https://goo.gl/AMh1NN
Além disso, você pode se informar sobre o que são os crimes cibernéticos e como 
se precaver. A reportagem do site Brasil Econômico, disponível no link a seguir, dá 
algumas dicas.
https://goo.gl/fBSnxc
O acesso desigual à informação – desafios éticos
A grande conquista humana da contemporaneidade que é o acesso ao co-
nhecimento e às informações via conexão formada pela rede mundial de 
Ética no mundo digital
106
computadores não é tão democrática nem liberada como alguns representantes 
mundiais querem fazer crer. O fato de algumas regiões do mundo ainda não 
proporcionarem aos seus habitantes o acesso traz à tona o fato de que as 
questões político-econômicas caminham juntas com as sociais, e isso reflete 
na desigualdade aos mecanismos de informação existentes nas comunidades 
mais ricas.
Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou um rela-
tório denominado Revolução de Dados para o Desenvolvimento Sustentável, 
criado por um Grupo Consultivo de Especialistas Independentes, que destacou 
a invisibilidade de alguns temas e a desigualdade do acesso à informação 
como os dois grandes desafios globais. O Grupo destacava propostas para 
tentar erradicar essas lacunas, tais como: incentivo à inovação; a mobilização 
de recursos para superar as desigualdades entre países desenvolvidos/em 
desenvolvimento e entre ricos e pobres; a coordenação necessária para que a 
revolução de dados realize a concretização do desenvolvimento sustentável 
aos povos vulneráveis.
No final de 2017, a ONU, por meio da UNICEF, seu braço para a infância e 
juventude, publica o estudo The State of the World’s Children 2017: Children in 
a digital world, no qual se demonstra como a tecnologia digital está afetando 
a vida das crianças e dos jovens no mundo, identificando as oportunidades de 
vida e os perigos que a rede mundial apresenta. Os benefícios que poderiam 
oferecer às crianças mais vulneráveis, aquelas que crescem na pobreza ou 
são afetadas por emergências humanitárias, seria a possibilidade de melhoria 
do conhecimento, habilidades para o trabalho digital, a sua conexão e a co-
municação de seus pontos de vista. Por outro lado, a realidade é muito cruel, 
pois praticamente um terço da juventude mundial – 346 milhões – não está 
online, exacerbando as desigualdades e reduzindo a capacidade das crianças de 
participar em uma economia cada vez mais digital. Além disso, não é somente 
a impossibilidade de participar que é negativa: percebeu-se a ausência de 
supervisão dos responsáveis, o que torna mais perigosa a participação online. 
Também se viu, por meio do relatório, como o uso da internet amplifica a 
vulnerabilidade de jovens e crianças, que têm perdas em sua privacidade, mau 
uso das informações, recebem informações advindas de conteúdos prejudiciais 
a um crescimento saudável e um exacerbado ciberbullying (que são práticas 
de agressão moral organizadas por grupos, contra uma determinada pessoa, e 
alimentadas via internet) (TODA MATÉRIA, c2018). Se tudo isso já não fosse 
muito ruim para a infância já prejudicada, há redes digitais que exploram e 
abusam, tais como a Dark Web e as criptografias, que possibilitam o tráfico 
e o abuso sexual infantil “feito sob encomenda” (UNICEF, 2017).
Ética no mundo digital
107
A reprodução digital das desigualdades
Uma pesquisa do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia, Projeto do 
Observatório das Metrópoles, analisou, por meio da Pesquisa Nacional por 
Amostras de Domicílio (PNAD) do IBGE (2014), o acesso aos computadores 
e à internet nos anos de 2000 a 2009 nas regiões metropolitanas do Brasil. Na 
análise dos dados, verificou-se a influência das questões de desigualdades de 
renda, de educação dos entrevistados e do espaço de moradia no momento 
da ascensão, ou não, dos resultados. Os grupos menos abastados ainda têm 
grande dificuldade na compra de microcomputadores em domicílio: no período 
estudado, 54% dos domicílios não tinham computadores, ou seja, mais do que 
a conexão na web em si, muitos brasileiros ainda não têm poder de compra 
para a máquina. 
Além disso, verificou-se que o acesso é estratificado, depende da quanti-
dade de anos de estudo, renda, classe e local de moradia. As desigualdades de 
acesso e capacidade de usos das Tecnologias de Informação e Comunicação 
(TICs) reproduzem a problemática socioeconômica em que as desigualdades 
de oportunidades, as condições de moradia, as dificuldades no acesso ao 
mercado de trabalho digno se somam aos dados das dificuldades no uso das 
tecnologias digitais (RIBEIRO, et al., 2011).
De acordo com a 12ª edição da pesquisa TIC Domicílios, divulgada em 
setembro de 2017 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por 
meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade 
da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto 
BR (NIC.br), 36,7 milhões de domicílios, ou seja, 54% do total brasileiro, 
têm acesso à internet. No entanto, essa parcela é desigual, já que depende da 
esfera social à qual o indivíduo pertence. A proporcionalidade dos acessos 
continua estratificada por classe social, área e região em que se vive, isto é, 
pelas condições de vida. Para as classes mais ricas, é uma realidade o acesso 
à internet (a classe A tem 98% dos lares com internet e a B, 91%); na classe C, 
60% dos domicílios têm internet e na D/E, apenas 23%. A alteração:
[...] atinge também as regiões. No Nordeste, 40% dos domicílios (ou 7,2 mi-
lhões) estão conectados, bem abaixo do Sudeste, que segue com a maior pro-
porção (64% ou 18,8 milhões) de lares conectados, seguido do Centro-Oeste 
(56% ou 2,9 milhões) e do Sul (52% ou 5,4 milhões). No Norte, são 46% (ou 
2,4 milhões de domicílios) [...] (PRESCOTT, 2017).
Ética no mundo digital
108
A internet, no Brasil, continua restrita a uma faixa abastada da população 
ou a espaços públicos mantidos por prefeituras ou microempresas, como os 
telecentros e as lan houses, o que continua gerando uma exclusão digital de 
determinados cidadãos de menor renda socioeconômica (Figura 1).
Figura 1. A charge explicita a realidade de muitos brasileiros no que diz respeito à exclusão 
digital.
Fonte: Matiuzzi (2011).
1 CARTA AOS CORÍNTIOS, cap. 10, vers. 23. In: BÍBLIA ONLINE. [S.l.: s.n., 2018]. Disponível 
em: <https://www.bibliaonline.com.br/acf/1co/10/23>. Acesso em: 25 fev. 2018.
BRASIL. Lei nº 12.737, de 30 de novembro de 2012. Dispõe sobre a tipificação criminal 
de delitos informáticos; altera o Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 -Código Penal; e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2012. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12737.
htm>. Acesso em: 25 fev. 2018.
Ética no mundo digital
109
BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos 
e deveres para o uso da Internet no Brasil. Brasília: Presidência da República, 2014. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.
htm>. Acesso em: 25 fev. 2018.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidência da 
República, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicao.htm>. Acesso em: 25 fev. 2018.
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Síntese de indicadores sociais: 
uma análise das condições de vida da população brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2014. 
CASTELLS, M. Redes sociais e transformação da sociedade. [S.l.]: Centro Ruth Cardoso, 
2010. Disponível em: <http://www.centroruthcardoso.org.br/wp-content/uplo-
ads/2014/12/01-2010.pdf>. Acesso em: 25 fev. 2018. 
CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2000. 
FERREIRA, G. C. Redes sociais de informação: uma história e um estudo de caso. Pers-
pectivas em Ciência da Informação, Minas Gerais, v. 16, n. 3, p. 208-231, abr. 2011. Dispo-
nível em: <http://portaldeperiodicos.eci.ufmg.br/index.php/pci/article/view/1149>. 
Acesso em: 12 dez. 2017.
FUGAZZA, G. Q.; SALDANHA, G. S. Privacidade, ética e informação: uma reflexão 
filosófica sobre os dilemas no contexto das redes sociais. Encontros Bibli: Revista 
Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 22, n. 50, p. 
91-101, set. 2017. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/
view/1518-2924.2017v22n50p91>. Acesso em: 15 dez. 2017.
GLOCK, R. S.; GOLDIN J. R. Ética profissional é compromisso social. Mundo Jovem, 
Porto Alegre, v. 335, p. 2-3, 2003.
LINS, M. A fluidez do mundo líquido de Zygmunt Bauman. Programa Milênio, 29 abr. 
2016. Entrevista Programa Milênio/GloboNews. Disponível em: <https://www.fron-
teiras.com/entrevistas/a-fluidez-do-mundo-liquido-de-zygmunt-bauman>. Acesso 
em: 12 dez. 2017.
MATIUZZI, P. [Mundo - desde 2007]. Exclusão Digital. 2011. Disponível em: <http://
paulomatiuzzi.blogspot.com.br/2011/04/exclusao-digital.html>. Acesso em: 29 
mar. 2018.
MONTEIRO, S. D. O ciberespaço: o termo, a definição e o conceito. Pesquisa Brasileira 
em Ciência da Informação e Biblioteconomia, Brasília, v. 2, n. 2, 2007. Disponível em: 
<http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/pbcib/article/view/6989>. Acesso em: 
15 dez. 2017.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Rio 
de Janeiro: ONU, 2009. Disponível em: <http://www.onu.org.br/img/2014/09/DUDH.
pdf>. Acesso em: 25 fev. 2018.
Ética no mundo digital
110
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Desigualdade no acesso à informação continua 
sendo desafio global, alertam especialistas da ONU. [S.l.]: ONU, 2014. Disponível em: 
<https://nacoesunidas.org/desigualdade-no-acesso-a-informacao-continua-sendo- 
desafio-global-alertam-especialistas-da-onu-2>. Acesso em: 15 dez. 2017.
PRESCOTT, R. Preço ainda barra maior inclusão digital e acesso à internet segue de-
sigual. ABRANET, 05 set. 2017. Disponível em: <http://www.abranet.org.br/Noticias/
Preco-ainda-barra-maior-inclusao-digital-e- acesso-a-internet-segue-desigual-1593.
html? UserActiveTemplate=site#.Wjc4SdKnG1s>. Acesso em: 14 dez. 2017.
RIBEIRO, L. C. Q. et al. A reprodução digital das desigualdades: acesso e uso da 
internet, posição de classe e território. In: ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS, 35., 
Caxambu, 2011. Anais... São Paulo: ANPOCS, 2011. Disponível em: <http://www.an-
pocs.org/index.php/papers-35-encontro/gt-29/gt06-13/899-a-reproducao-digital- 
das-desigualdades-acesso-e-uso-da-internet-posicao-de-classe-e-territorio/file>. 
Acesso em: 14 dez. 2017. 
TODA MATÉRIA. Cyberbullying. [S.l.]: Toda Matéria, 2017. Disponível em: <https://www.
todamateria.com.br/cyberbullying>. Acesso em: 27 dez. 2017.
UNICEF. The state of the world’s children 2017: children in a digital world. [S.l.]: UNICEF, 
2017. Disponível em: <https://www.unicef.org/publications/index_101992.html>. 
Acesso em: 16 dez. 2017.
Leitura recomendada
RIBEIRO, L. C. Q. et al. Desigualdades digitais: acesso e uso da internet, posição so-
cioeconómica e segmentação espacial nas metrópoles brasileiras. Análise Social, 
Lisboa, n. 207, p. 288-320, abr. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.mec.pt/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0003-25732013000200002&lng=pt&nrm=iso>. Acesso 
em: 16 dez. 2017. 
Ética no mundo digital
111
DICA DO PROFESSOR
Assista ao vídeo a seguir. Com ele, você poderá refletir sobre a trajetória da formação da 
comunicação digital e perceber a construção histórica a partir dos primórdios das redes 
sociais digitais. Além disso, poderá entender sobre as diversas ferramentas de mídia e fazer uma 
crítica sobre a modificação para a era do conhecimento, a democratização das informações e a 
representatividade atual da internet na vida das pessoas.
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EXERCÍCIOS
1) Marque a alternativa correta em relação ao significado das TICs.
A) São Tecnologias Informáticas Computacionais.
B) São Tecnologias de Internet e Computacionais, o que pode implicar um recurso de pessoas
envolvidas na tecnologia.
C) São Transformações Informacionais e Computacionais: TIC é uma classificação da ABNT
sobre a informática.
D) São as Tecnologias da Informação e Comunicação, um conjunto de recursos tecnológicos,
utilizados de forma integrada, com um objetivo comum.
E) Trata-se dos Trabalhos na Internet e em Computadores: TIC é uma extensão da
Informática.
2) Por que a filósofa Marilena Chauí considera a consciência e a responsabilidade como
indispensáveis na vida ética?
112
A) Porque sentimentos como sensibilidade e respeito fazem a diferença na vida das pessoas.
B) Porque a responsabilidade e o respeito são fundamentais na vida e demonstram os valores
da ética.
C) Porque integridade e amor caminham juntos.
D) Porque, para ela, ser um sujeito ético depende da capacidade de refletir e reconhecer o
outro como um ser igual, cujos desejos e impulsos não ultrapassam a sua individualidade,
controlando e orientando sentimentos, alternativas de vida, escolhas e, assim, admitindo as
consequências de suas atitudes, tomando as rédeas de sua conduta.
E) Porque perdão e consciência são parte da consciência ética do cidadão.
3) Qual sociólogo descreveu o mundo atual como um mundo fluído, sem certezas e
líquido?
A) Charles Bawmann.
B) Stephen King.
C) Ruth Cardoso.
D) Manuel Rosas.
E) Zygmunt Bauman.
4) Quem ouve a expressão "redes sociais" a considera nova na área, porém, na Grécia
Antiga, já se falava sobre isso. De onde saiu a inspiração para Hipócrates, o pai da
Medicina, conceituar rede?
113
A) Da observação do sistema respiratório, da rede de bronquíolos e brônquios dos pulmões.
B) Da verificação do sistema linfático, com as glândulas do corpo formando uma grande teia.
C) Da observação do sistema circulatório, em que as veias e artérias formavam um
emaranhado e se entrelaçavam.
D) Do entendimento da união das veias do sistema digestivo no momento da refeição.
E) Do estudo dos circuitos dos sistemas todos integrados.
5) O que significa o percentual de jovens no mundo que não tem acesso à internet,
conforme dados da UNICEF de 2016?
A) São 367 milhões de jovens no mundo à mercê de piratarias e programas maliciosos.
B) Dois terços da juventude mundial já têm acesso à internet, e grandes progressos estão
sendo criados.
C) São 346 milhões de jovens no mundo - um em cada três utilizadores de internet em todo o
mundo é uma criança -, mas ainda não se conseguiram padrões de segurança para os
pequenos. Há muita exclusão e desconhecimento das regras de segurança para trabalhar
com os infantes.
D) Metadedos jovens indianos não dispõem de acesso à internet, embora já esteja mais
avançado o sistema de informação.
E) Um quinto dos jovens brasileiros encontra-se sem acesso aos meios de informática. Urgem
ações de segurança, principalmente para as crianças, as mais prejudicadas.
114
NA PRÁTICA
Veja o relato de alunos vindos de duas escolas municipais de Porto Alegre. Trata-se de um 
exemplo do que foi abordado no terceiro objetivo desta Unidade de Aprendizagem, "Desafio 
ético relacionado ao acesso desigual à informação". Foi descrito o quanto o fator 
socioeconômico está imbricado à inclusão digital, e se percebe que esse sucesso dos jovens só 
foi possível graças a professores comprometidos, à perseverança e sinergia dos envolvidos.
Esse exemplo é positivo, pois traz a esperança de projetos semelhantes. Repare, porém, que essa 
não é a regra, e sim a exceção: o que vemos em reportagens de periferia são as expressões da 
violência. Esse projeto de sucesso demonstra que as políticas públicas para a inclusão digital 
ainda dependem do recurso humano, da força de grupo e das redes sociais para que as ações 
sejam assertivas, e não apenas reflexos de interesses políticos de grupos específicos da 
sociedade.
Um exemplo de sucesso é o projeto First LEGO League. Confira como funciona esse projeto 
no Brasil.
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Espaço, tempo, mundo virtual | Marilena Chauí
Apresentação da Filosofia por Marilena Chauí 
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Desigualdades digitais: acesso e uso da internet, posição socioeconómica e segmentação 
espacial nas metrópoles brasileiras 
O texto faz um levantamento do acesso à internet e a outras tecnologias nas metrópoles 
115
brasileiras. 
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Industrialização da amizade e a economia do curtir: estratégias de monetização em sites de 
redes sociais 
O texto aborda as funções lucrativas que as redes sociais podem oferecer aos usuários.
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Refletindo sobre as redes sociais digitais
O artigo apresenta os resultados da primeira etapa da investigação realizada pelo grupo de 
pesquisa Ciência, Tecnologia e Sociabilidade do Mestrado em Promoção da Saúde 
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116
Proteção de dados pessoais
APRESENTAÇÃO
Atualmente, vive-se em um mundo cada vez mais conectado; ouve-se, cada dia mais, o termo 
“Internet das coisas” (em inglês, Internet of Things), amplamente conhecido pela sigla IoT, ou, 
então, a famosa “Computação na Nuvem” (em inglês, Cloud Computing). Toda essa tecnologia 
traz diversas complexidades, com o potencial de gerar fissuras que são justamente a 
oportunidade para o uso indevido dos dados do cidadão. Toda a conveniência da tecnologia 
trouxe diversos ganhos de produtividade e conforto. Porém, no contexto da história atual, trata-
se de algo mais que meros dados coletados; identificam-se oportunidades, tendências e, por fim, 
ganhos financeiros. Nunca foi tão fácil saber quais são os gostos de uma pessoa e seus desejos 
de consumo. Muitas vezes, um algoritmo pode identificar uma necessidade que nem mesmo o 
cidadão sabia que tinha.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá como vive a sociedade digital da informação, bem 
como saberá os mecanismos existentes para manter o sigilo e a privacidade dos dados pessoais e 
como o consentimento dos dados por parte do titular possibilita maior protagonismo para ele no 
novo ecossistema tecnológico atual.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Caracterizar a sociedade da informação.•
Identificar os mecanismos de sigilo e privacidade de dados pessoais.•
Analisar o protagonismo do consentimento.•
DESAFIO
O avanço da tecnologia mudou a forma como se realizam transações de compra e venda, 
possibilitando, assim, novas ferramentas, técnicas e demais métodos, que buscam tirar o melhor 
do que se cria diariamente nesse mundo virtual. Ficar atento a todas essas novidades não é algo 
simples, sendo recomendável uma reciclagem de conhecimento de tempos em tempos, 
117
identificando, dessa maneira, como um conceito novo pode ser aplicado em um contexto 
específico, criando a força motriz necessária para a resolução de determinado problema ou 
desafio.
Imagine que você é responsável pela área de marketing da sua organização. Na empresa em que 
você trabalha, o principal produto vendido são cadeiras de escritório extremamente confortáveis, 
de alta qualidade. A empresa já tem muito tempo de mercado para criar confiança e boa 
reputação da marca. No entanto, a estratégia de vendas não está mais dando certo. Todo 
investimento nos meios tradicionais (jornais e revistas impressas) e também no site da empresa 
(que está muito desatualizado, isto é, com cara de anos 2000), ou seja, o formato atual, já não 
está dando o retorno necessário para manter a saúde financeira da empresa. Sua publicidade, até 
então, está alicerçada nas estratégias de contextualização e segmentação.
Dessa forma, com base nos seus estudos, você identifica que é o momento de mudar a estratégia 
e utilizar uma análise mais comportamental do público-alvo.
Sendo assim, explique como essa estratégia deve ser implementada e os benefícios dessa 
mudança.
INFOGRÁFICO
A publicidade foi uma das ciências mercadológicas que mais evoluíram na sociedade da 
informação, buscando tirar o maior proveito das novas ferramentas criadas para o entendimento 
do perfil comportamental do potencial cliente.
No Infográfico a seguir, você vai conhecer os três tipos de publicidade direcionada.
118
119
CONTEÚDO DO LIVRO
A tecnologia, cada vez mais, faz a mediação das interações, sendo que é comum concordar com 
as políticas de privacidades, as quais são sempre muito extensas e, na maior parte das vezes, não 
são lidas com o devido cuidado, sendo apenas dado o “de acordo” ao final. Entretanto, surge o 
questionamento: as pessoas têm, de fato, o controle sobre seus dados pessoais? É justamente a 
partir dessa indagação que surge a legislação de proteção de dados, que, a cada dia, ganha mais 
protagonismo nos diversos países que, até então, não tinham uma lei com esse viés de 
completude. Mesmo que os artigos variem um pouco de país para país, algumas premissas 
acabam sendo a espinha dorsal desse tipo de legislação, como, por exemplo, o fato de que o 
titular deve fornecer o consentimento dos seus dados, tendo claros a função dos dados 
fornecidos, bem como os limites com que tais informações serão operadas.
No capítulo Proteção de dados pessoais, da obra Ética e legislação, base teórica desta Unidade 
de Aprendizagem, você verá como os dados pessoais são inseridos nessa nova economia, 
evidenciando como os novos modelos de negócio são sustentados pela premissa de se ter acesso 
a essa massa de dados da sociedade da informação. Posteriormente, serão apresentados os 
mecanismos praticados pelo mercado de sigilo e proteção dos dados. Por fim, você saberá como 
ocorre o protagonismo do consentimento no novo modelo de economia digital.
Boa leitura.
120
Proteção de dados pessoais
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Caracterizar a sociedade da informação.
 � Identificar os mecanismos de sigilo e privacidade de dados pessoais.
 � Analisar o protagonismo do consentimento.
Introdução
Antes mesmo do surgimento da internet, já havia um consenso cor-
porativo: a informação poderia maximizar o desenvolvimento de uma 
organização, ampliando os seus resultados econômicos. O taylorismo 
foi uma das teorias da administração que buscou estudar o processo 
de produção e, com isso, identificar de que maneira os operários ou as 
máquinas poderiam ser aindamais produtivos. Isso comprova que a 
informação é considerada estratégica para as organizações ao menos 
desde a sociedade industrial (século XIX).
Por sua vez, o direito do indivíduo é discutido e legislado desde a 
Antiguidade Clássica. Com o passar do tempo, as sociedades foram se 
moldando às necessidades e amadurecendo os seus dispositivos de 
controle. Atualmente, existem algumas legislações relativas à proteção de 
dados. Apesar de recentes, tais legislações já estão sofrendo alterações. 
Isso ocorre porque as leis não conseguem acompanhar a velocidade 
das mudanças tecnológicas e informacionais. Portanto, antes de tudo, 
é necessário estabelecer premissas básicas, como o direito universal do 
indivíduo à sua liberdade. Com base em pilares como esse, é possível 
definir uma legislação adequada.
Neste capítulo, você vai ler sobre a proteção de dados pessoais. 
Primeiramente, você vai estudar algumas características da sociedade 
contemporânea, também chamada de “sociedade da informação”. 
Em seguida, você vai conferir alguns mecanismos de sigilo e privaci-
dade de dados pessoais. Por fim, vai conhecer a legislação a respeito da 
121
proteção dos dados do cidadão, com foco na legislação brasileira, que 
avançou para se adaptar às normas internacionais, mas também para se 
alinhar a questões fundamentalmente nacionais.
1 Características da sociedade da informação
Para tratar das características da sociedade da informação, é necessário voltar 
um pouco no tempo. Como afirma Bioni (2019), a sociedade foi se modifi-
cando ao longo da sua história, e a cada mudança estrutural surgiram certos 
marcos. Considere, por exemplo, a sociedade agrícola: nela, a fonte da riqueza 
era a terra, e as transações entre as pessoas ocorriam com base nos produtos 
cultivados, seja por meio de escambos ou, posteriormente, da utilização da 
moeda em mercados.
Com o passar do tempo, a sociedade se tornou industrial, devido ao surgi-
mento e à utilização em escala da máquina a vapor e da eletricidade. Após a 
Segunda Guerra Mundial, a sociedade passou por um novo remanejo econô-
mico, dando início à fase pós-industrial, com o surgimento das prestações de 
serviços. Assim, além da capacidade industrial de produzir, passou a ganhar 
destaque a forma como serviços (assistência médica, setor bancário, educação, 
etc.) geravam e movimentavam riquezas.
No entanto, a sociedade mais uma vez deu um passo à frente e, a partir da 
evolução da tecnologia, em especial da internet, foram criados mecanismos 
capazes de processar e transmitir dados em quantidade e velocidade nunca 
antes atingidas. A partir daí, as barreiras físicas ficam de lado, e surgem di-
versas formas de transacionar e de interagir, como as populares redes sociais 
(Facebook, Instagram, etc.). Para designar a sociedade configurada a partir 
dessas mudanças, passou-se a utilizar a expressão “sociedade da informação”. 
As principais sociedades que se estabeleceram do século XVIII até o XXI 
(BIONI, 2019) foram:
 � sociedade agrícola (século XVIII);
 � sociedade industrial (século XIX);
 � sociedade pós-industrial (século XX);
 � sociedade da informação (século XXI).
Proteção de dados pessoais
122
A informação, conforme Bioni (2019), tem o mesmo peso que já tiveram o 
uso agrícola da terra, a máquina a vapor, a eletricidade e os serviços. Tenha em 
mente que a importância da informação na sociedade atual não se restringe ao 
ambiente virtual. Hoje, a informação é um recurso que impacta diretamente os 
setores de serviço, comércio e indústria, isto é, a própria economia, transfor-
mando o sistema de produção e gerando, por efeito colateral, diversos impactos 
para o cidadão, sejam eles positivos ou negativos. A ciência jurídica busca 
mapear esses impactos e, partir dessa análise, criar leis para regulamentar as 
formas de transação nesse ambiente cada vez mais complexo marcado pelo 
protagonismo da informação nas relações sociais.
A economia da informação cresceu, ganhou escala e potencial graças aos 
alicerces nos quais ela está ancorada. Afinal, diferentemente de produtos 
agrícolas ou industriais, a informação produzida na contemporaneidade não 
exige meios tangíveis (como terras, estradas ou livros) para ser armazenada 
e transmitida. Boa parte da infraestrutura da economia da informação é 
abstrata ou virtual. Naturalmente, lidar com informações também requer o 
uso de servidores, prédios, etc., porém a proporção de meios físicos exigidos 
é muito menor se você comparar a sociedade da informação com a sociedade 
industrial, por exemplo.
A economia da informação, quando bem estruturada e organizada, oferece 
um tempo de resposta praticamente instantâneo. Por exemplo, se você for pro-
curar um livro em uma estante, apesar de toda a organização das bibliotecas, 
você dispenderá algum tempo. Porém, ao fazer a mesma busca utilizando um 
computador com acesso à internet, você chegará ao mesmo livro em apenas 
alguns segundos. Esse ganho de velocidade exponencial fez com que o po-
tencial humano fosse utilizado como jamais antes na história da humanidade.
Com base na forma como as pessoas criam e utilizam a tecnologia, foi 
possível comprimir a informação de maneira quantitativa e qualitativa. Isso, 
aliado à internet e à virtualização dos dados, provocou a passagem do modelo 
industrial fordista de produção para o modelo atual. A transição dos modelos 
industrial e pós-industrial para a sociedade da informação alterou justamente 
a forma como os dados circulam: se antes eles eram centralizados e verticais, 
no modelo em rede passaram a ser descentralizados e horizontais. Ademais, 
entraram em cena dinâmicas mais colaborativas e sem fronteiras de lidar 
com as informações.
Proteção de dados pessoais
123
Desde 2015, a empresa italiana de moda Benetton processa basicamente um conjunto 
de informações, buscando se antecipar às tendências do mercado consumidor. Com 
base nessa massa de dados, ela envia as diretrizes para as suas fábricas (que estão em 
vários países). Então, as novas coleções são produzidas e posteriormente distribuídas 
para lojas da marca ou de parceiros no mundo todo.
Atualmente, diversas empresas trabalham em um formato de rede. Esse 
formato de trabalho só é possível devido à evolução tecnológica. Por meio 
dela, a sociedade da informação supera em escala, produtividade e ganhos os 
demais tipos de sociedades antes vigentes (BIONI, 2019). Porém, é importante 
você atentar à importância da inteligência dos dados. Isto é, um conjunto de 
dados agrupados não gera resultados por si só; é necessário tratar, processar e 
organizar os dados, buscando transformá-los em informação e, posteriormente, 
em conhecimento. Esse conhecimento, por sua vez, deve ser aplicado, gerando 
o resultado esperado inicialmente.
Por isso, os dados são a matéria-prima da economia da sociedade da in-
formação. Se os dados são tão valiosos, como é possível obtê-los? Isso passa 
obrigatoriamente pela coleta e pelo tratamento dos dados dos cidadãos, ati-
vidades que representam uma nova forma de capital: menos tangível, porém 
com grande potencial de gerar riqueza. Considere o seguinte:
Com a inteligência gerada pela ciência mercadológica, especialmente quanto 
à segmentação dos bens de consumo (marketing) e a sua promoção (publici-
dade), os dados pessoais dos cidadãos converteram-se em um fator vital para 
a engrenagem da economia da informação.
E com a possibilidade de organizar tais dados de maneira mais escalável (e. g. 
Big Data), criou-se um (novo) mercado cuja base de sustentação é a sua extração 
e comodificação. Há uma “economia de vigilância” que tende a posicionar o 
cidadão como um mero espectador das suas informações (BIONI, 2019, p. 9).
Bioni (2019) ainda aponta que a publicidade foi a ciência mercadológica 
que mais evoluiu na sociedade da informação, buscando adaptar as estratégias 
off-line, como a publicidade contextual e segmentada, ao novo mercado que 
surgia. Nesse contexto, a estratégia é mapear o comportamento do usuário a 
partirde uma série de dados, o que é feito a partir de ferramentas de mercado, 
Proteção de dados pessoais
124
por exemplo, o Google Ads e as redes sociais. Estas últimas ganharam ainda 
mais força devido ao tempo de uso dos usuários, que passam diversas horas 
do dia conectados. Durante esse período de conexão, eles fornecem uma 
gama imensa de informações pessoais, que funcionam como uma engrenagem 
extremamente importante desse novo tipo de economia digital.
Porém, vale reforçar que a internet possibilitou muito mais do que o de-
senvolvimento de hábitos de navegação dos usuários. Em paralelo a isso, 
surgiu a tecnologia móvel, a partir dos celulares, o que possibilitou o avanço 
ainda maior das ações publicitárias. O fácil acesso à internet nos dias de hoje 
permitiu um passo além, que é o monitoramento da localização geográfica do 
usuário a partir de satélites por GPS (Global Positioning System — sistema de 
posicionamento global). O monitoramento de navegação, alinhado ao controle 
por geolocalização, elevou a estratégia mercadológica a um patamar inédito.
Esse novo cenário criou um tipo de serviço que por vezes acaba passando despercebido, 
pois parece gratuito, já que não implica desembolso financeiro. Esse tipo de serviço é 
chamado de “freemium”. Basicamente, trata-se de uma relação transacional bilateral: 
para utilizar o serviço, o usuário acaba fornecendo os seus dados, sejam eles pessoais 
ou comportamentais. Um exemplo é o Facebook, que monitora todas as suas curtidas, 
compartilhamentos e comportamentos, seja por status ou emoticons. Posteriormente, 
ele utiliza esses dados para mapear o seu perfil e, com isso, entender qual é o produto 
ou serviço que mais se adapta aos seus desejos.
2 Mecanismos de sigilo e privacidade 
de dados pessoais
Os direitos individuais, conforme Bioni (2019), já constavam nas leis gregas 
e romanas, sendo os pilares que ajudaram a moldar a sociedade até os dias 
de hoje. Tais direitos foram sendo adaptados e aperfeiçoados com o passar 
do tempo. Por exemplo, após a Segunda Guerra Mundial, o princípio da dig-
nidade humana passou a fazer parte de diversas constituições. Além disso, 
nesse período foi elaborada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, 
da Organização das Nações Unidas (ONU).
Proteção de dados pessoais
125
Mais recentemente, a proteção dos dados pessoais passou a ser o novo 
direito da personalidade do cidadão. Nesse contexto, são consideradas duas 
perspectivas:
a) a percepção da personalidade enquanto um atributo, prolongamento ou 
projeção da própria individualidade da pessoa humana;
b) a percepção de que o ser humano é, por excelência, um ser social,
devendo-se assegurar a ele a sua esfera relacional.
Assim, os dados pessoais ganharam uma categoria jurídica. A função 
dos direitos da personalidade é promover e assegurar o valor das pessoas e 
demais cláusulas de proteção. Esse paradigma sofre alterações decorrentes 
dos avanços das novas tecnologias, o que acrescenta novos desafios à questão.
A personalidade consiste em um conjunto de características que diferencia 
uma pessoa da outra. Esse conjunto de características não diz respeito apenas 
ao indivíduo físico, mas engloba seus dados pessoais e de cidadania (nome, 
CPF, RG, endereço, etc.). Isso acaba por justificar esse espectro jurídico que 
se estende para além da pessoa propriamente dita.
Uma das formas de antítese do conceito de dado pessoal seria um dado 
anônimo, ou seja, aquele em que não existe “nome nem rosto”. A anonimização 
envolve diversas técnicas. A seguir, veja as principais.
 � Supressão: por exemplo, a supressão do CPF, que pode ser capaz de
diferenciar até mesmo pessoas homônimas, sendo um identificador
único. Logo, a sua disponibilização, ainda que parcial (cinco primeiros 
dígitos), não seria prudente.
 � Generalização: com a generalização da localização geográfica, por
exemplo, em vez de se disponibilizar o número completo do CEP,
se divulgaria apenas os primeiros dígitos. Assim, haveria uma loca-
lização menos detalhada, a fim de quebrar o vínculo de identificação 
entre a informação e determinado sujeito.
 � Randomização: faz referência a uma “desordem” controlada de infor-
mações. Por exemplo, em uma folha de pagamento, os dados referentes 
ao nome e ao CPF estariam misturados, o que não permitiria a associação 
do salário com o sujeito titular da informação.
 � Pseudonimização: é semelhante à solução randômica, porém estão em 
jogo dados anonimizados com nomes não existentes na base vigente ou 
Proteção de dados pessoais
126
dados em maior aleatoriedade, principalmente em relação ao nome e ao 
sobrenome. Por vezes, a pseudonimização acaba sendo mais trabalhosa, 
devido à maior inteligência necessária para trabalhar com os dados.
Essas técnicas estão sendo cada vez mais utilizadas pelas empresas bra-
sileiras que desejam se adequar à Lei nº. 13.709, de 14 de agosto de 2018 
— Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Elas podem ser usadas 
separadamente, mas também em conjunto. Vale reforçar que a implementação 
dessas engenharias de controle de informação ainda está amadurecendo, ou 
seja, nenhuma das técnicas garante com 100% de certeza que as bases não 
serão estratificadas e que, a partir de uma reengenharia, não será possível 
obter os dados originais.
A própria LGPD, no seu art. 12, apresenta o conceito da razoabilidade no 
tratamento da anonimização dos dados do indivíduo (BRASIL, 2018):
Art. 12. Os dados anonimizados não serão considerados dados pessoais para 
os fins desta Lei, salvo quando o processo de anonimização ao qual foram 
submetidos for revertido, utilizando exclusivamente meios próprios, ou quando, 
com esforços razoáveis, puder ser revertido.
I — A determinação do que seja razoável deve levar em consideração fato-
res objetivos, tais como custo e tempo necessários para reverter o processo 
de anonimização, de acordo com as tecnologias disponíveis, e a utilização 
exclusiva de meios próprios.
II — Poderão ser igualmente considerados como dados pessoais, para os 
fins desta Lei, aqueles utilizados para formação do perfil comportamental 
de determinada pessoa natural, se identificada.
III — A autoridade nacional poderá dispor sobre padrões e técnicas utilizados 
em processos de anonimização e realizar verificações acerca de sua segurança, 
ouvido o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais.
Isso acaba sendo uma estratégia normativa, alinhada à premissa de que todo 
dado é passível de reversão. Assim, há um risco aceitável e tolerável relativo à 
reversibilidade do processo de anonimização, porém isso não justifica a falta 
de cuidado e dos demais tratamentos necessários da informação (BIONI, 2019).
Até aqui, você leu a respeito dos dados pessoais e dos dados anonimiza-
dos. Todavia, existe uma “zona cinza” que consiste justamente na junção das 
duas categorias: o perfil comportamental. É exatamente nessa região que as 
empresas buscam operar dentro dos limites da lei. Para compreender melhor, 
observe a Figura 1, a seguir.
Proteção de dados pessoais
127
Figura 1. Relação entre dado pessoal, perfil comportamental e dado anonimizado.
Fonte: Adaptada de Bioni (2019).
Dado
pessoal
Dado
anonimizado
Per�l
comportamental
Como destaca Bioni (2019), as empresas por vezes controlam o histórico 
de navegação dos usuários, porém não necessariamente conseguem saber se 
determinado usuário é ele mesmo. Isto é: elas monitoram o endereço IP (Inter-
net Protocol — protocolo de internet) do computador. Pelo controle constante 
e repetitivo, essas empresas conseguem identificar o perfil comportamental 
daquele equipamento e, por consequência, têm uma razoável certeza do perfil 
do titular que o utiliza, seja para trabalho, estudo ou interesses pessoais. Logo, 
a publicidade comportamental busca, a partir das características mapeadas 
nessa zona cinza, identificar de forma mais assertiva os desejos do usuário e, 
com isso, apresentar bens e serviços que ele se interesse em consumir e utilizar.
Por sua vez,os dados sensíveis são um subgrupo de dados pessoais. Eles 
compreendem um conteúdo que pode oferecer uma especial vulnerabilidade 
discriminatória. São itens que podem conter informações a respeito da per-
sonalidade sexual, religiosa, política, racial, bem como informações sobre 
estado de saúde e filiação sindical. Assim, a preocupação é que possa haver 
alguma discriminação de uma pessoa justamente devido a aspectos da sua 
personalidade.
Portanto, há cuidados necessários no emprego do big data, que, justamente 
pelo seu potencial de correlacionamento, pode identificar uma série de dados 
que mapeiam comportamentos e acontecimentos. Nesse contexto, a partir de 
dados triviais, é possível chegar a conclusões a respeito dos dados sensíveis 
do cidadão. Decorre disso tudo a importância de haver uma legislação relativa 
Proteção de dados pessoais
128
à proteção de dados que tenha como espinha dorsal a preservação da indivi-
dualidade das pessoas, impedindo ações discriminatórias e apropriação não 
autorizada de dados.
3 Protagonismo do consentimento
Após a Segunda Guerra Mundial, conforme Bioni (2019), a máquina admi-
nistrativa pública passou a identificar o potencial do uso das informações 
pessoais dos seus cidadãos. Afinal, tais dados permitem organizar e planejar 
ações, possibilitando o crescimento sustentável das economias nacionais. 
A tecnologia viabilizou os intuitos do Estado. Isto é, a ciência computacional 
tornou processáveis tais informações quantitativas e qualitativas obtidas a partir 
dos dados pessoais, elevando o nível da tomada de decisão dos governantes.
Em paralelo a isso, surgiu a primeira geração de leis de proteção de dados, 
justamente devido ao cuidado necessário no uso massivo de tais informações. 
Porém, no cenário existente então, o foco acabou recaindo sobre a própria 
tecnologia, que deveria seguir valores democráticos; ou seja, todo e qualquer 
de banco de dados para esse tipo de transação precisaria de uma concessão 
do Estado para funcionar. Portanto, essa primeira geração de leis teve como 
foco o esforço governamental e a viabilidade técnica do controle. A ideia era 
monitorar quando e como seriam criados bancos de dados. No entanto, esse 
cenário rapidamente rompeu a esfera governamental, sendo necessária uma 
nova estrutura normativa.
A segunda geração de leis de proteção de dados pessoais é caracterizada por 
uma mudança mais profunda no entendimento da regulação. Essa geração não 
contempla somente a área pública, mas também a área privada. Isso decorre 
justamente do avanço da área privada no uso da tecnologia, que aconteceu 
mais rapidamente do que o avanço da esfera pública.
Além da iniciativa privada e do Estado, o titular também é responsável 
por proteger os seus dados, não é? Assim, a terceira geração de leis dá mais 
protagonismo ao cidadão na hora de ele consentir com a entrega dos seus 
dados pessoais; a ideia é que o indivíduo saiba como ocorrem a coleta e o 
compartilhamento dos seus dados. Justamente por esse consentimento, o titular 
se tornou o vetor principal das legislações a respeito da proteção de dados. 
Porém, isso gerou diversos complicadores na aplicabilidade dessas premissas, 
de modo que surgiu a quarta geração de leis, que buscou preencher a lacuna 
deixada pelas gerações anteriores.
Proteção de dados pessoais
129
Nessa geração, o protagonismo do consentimento permanece, bem como 
a noção de que os dados registram as características da pessoa. A grande 
mudança é o maior esclarecimento a respeito da aplicabilidade da lei. O Regu-
lamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), da comunidade europeia, 
por exemplo, elencou as premissas e diretivas a serem seguidas pelos Estados-
-membros, bem como as restrições que os demais países deveriam seguir para 
o fechamento de acordos comerciais com a União Europeia.
Considere também a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE), organismo internacional e multilateral criado logo após 
a Segunda Guerra Mundial (1948) e que tem por missão promover o bem-estar 
econômico e social global. A OCDE teve uma participação importante no 
redimensionamento do papel da tecnologia da informação na sociedade como 
um todo. Ela criou diversos guias com padrões normativos para a proteção de 
dados, tendo em vista que o comércio é cada vez mais global e que as fronteiras 
digitais necessitam de maior controle e monitoramento.
No Brasil, a legislação também foi amadurecendo e se adaptando ao novo 
cenário, buscando não somente aderir às boas práticas internacionais, mas 
também aprimorar os relacionamentos comerciais vigentes. Nesse contexto, 
destaca-se, naturalmente, a proteção dos dados individuais, como você vai 
ver a seguir.
Código de Defesa do Consumidor
O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990) 
disciplina, em seu art. 43, os bancos de dados e cadastros de consumidores 
(BRASIL, 1990). Note a amplitude do dispositivo em questão, que alcança 
todo e qualquer dado pessoal do consumidor, indo muito além, portanto, dos 
bancos de dados de informações negativas para fins de concessão de crédito.
A lei buscou alcançar todo e qualquer banco de dados que atinja o livre 
desenvolvimento da personalidade do consumidor. O consumidor deve ser 
notificado a respeito da abertura de um banco de dados pessoais não solicitado 
por ele. Esse dever de comunicação prévia permite que o consumidor acompa-
nhe o fluxo de seus dados pessoais, já que tal atividade deve ser comunicada 
a ele e, em última análise, ser transparente. Isso possibilita ao consumidor 
acompanhar de forma dinâmica a circulação de suas informações pessoais.
Proteção de dados pessoais
130
Lei do Cadastro Positivo
A Lei do Cadastro Positivo (Lei nº. 12.414, de 9 de junho de 2011) disciplina a 
formação de banco de dados sob um conjunto de dados relativos às operações 
financeiras e de adimplemento para fins de concessão de crédito (BRASIL, 
2011). Com isso, a situação econômica do postulante ao crédito não é mais 
somente analisada a partir de dados relativos a dívidas não pagas, mas também 
a partir de outras informações que possam exprimir dados positivos sobre 
a sua capacidade financeira e o seu histórico de adimplemento. Por isso, 
tal legislação foi apelidada de “Cadastro Positivo”, já que a avaliação do 
crédito terá uma amplitude maior do que o exame de informações a respeito 
de dívidas inadimplidas, cuja conotação seria negativa.
LGPD
A LGPD foi debatida por quase 10 anos. É possível coletar registros de debates 
públicos sobre o tema. A parte referente ao consentimento seguiu as premissas 
da legislação europeia e também da quarta geração de leis de proteção dos 
dados pessoais. O consentimento deve ser livre, informado, inequívoco e dizer 
respeito a uma finalidade determinada de forma geral; em alguns casos, deve 
ser ainda específico.
Isso ocorre pois grande parte dos princípios da lei são gravitacionais no 
indivíduo, e devem existir preceitos como a transparência e o propósito na 
forma como o dado será coletado, tratado, armazenado e utilizado. Após o 
titular ter ciência de como os seus dados serão usados, ele pode decidir se dá 
ou não o consentimento. Vale reforçar que esse consentimento precisa seguir 
algumas diretrizes, como as listadas a seguir.
 � O consentimento deve ser extraído por meio de cláusulas contratuais
destacadas.
 � As autorizações genéricas (sem uma finalidade determinada) são nulas.
 � Nas hipóteses em que não há consentimento, deve-se observar os direitos 
e princípios da LGPD, de modo que haja a possibilidade de o titular dos 
dados pessoais se opor ao tratamento de seus dados.
Na LGPD, a palavra “consentimento” aparece um pouco mais do que três 
dezenas de vezes, porém vale reforçar que isso não se trata apenas de uma 
análise quantitativa, mas também qualitativa: o consentimento é a espinha 
dorsal dessa lei.
Proteção de dados pessoais
131
Estava tudo pronto para a LGPD entrar em vigor em agosto de 2020. Enquantose 
esperava a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, foi editado um Projeto 
de Lei para adiar o início da vigência da LGPD e, no fim de abril de 2020, foi publicada 
a Medida Provisória (MP) 959, adiando o início da vigência da LGPD para maio de 2021. 
Isso quer dizer que a LGPD entrará em vigor apenas em maio de 2021? Não! A LGPD 
entrará em vigor em maio de 2021 somente se essa MP for aprovada pela Câmara e 
pelo Senado no prazo de 120 dias. Caso a MP 959 não seja votada e aprovada pelas duas 
casas dentro desse prazo, volta a valer o início da vigência original — agosto de 2020.
BIONI, B. R. Proteção de dados pessoais: a função e os limites do consentimento. 2. ed. 
Rio de Janeiro: Forense, 2019. 328 p.
BRASIL. Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e 
dá outras providências. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 1990. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078.htm. Acesso em: 3 maio 2020.
BRASIL. Lei nº. 12.414, de 9 de junho de 2011. Disciplina a formação e consulta a bancos de 
dados com informações de adimplemento, de pessoas naturais ou de pessoas jurídicas, 
para formação de histórico de crédito. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 
2011. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/
l12414.htm. Acesso em: 3 maio 2020.
BRASIL. Lei nº. 13.709, de 14 de agosto de 2018. Dispõe sobre a proteção de dados pessoais 
e altera a Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014 (Marco Civil da Internet). Brasília: Casa 
Civil da Presidência da República, 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm. Acesso em: 3 maio 2020.
Leituras recomendadas
ALENCAR, O. Projeto de Lei n°. 1027, de 2020. Altera a Lei nº 13.709, de 2018, prorrogando 
a data da entrada em vigor de dispositivos da Lei Geral de Proteção de Dados Pes-
soais - LGPD - para 16 de fevereiro de 2022. Brasília: Senado Federal, 2020. Disponível 
em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/141225. Acesso 
em: 3 maio 2020.
Proteção de dados pessoais
132
BRASIL. Lei nº. 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e 
deveres para o uso da Internet no Brasil. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 
2014. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/
l12965.htm. Acesso em: 3 maio 2020.
BRASIL. Lei nº. 13.853, de 8 de julho de 2019. Altera a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, 
para dispor sobre a proteção de dados pessoais e para criar a Autoridade Nacional 
de Proteção de Dados; e dá outras providências. Brasília: Casa Civil da Presidência 
da República, 2019. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-
2022/2019/Lei/L13853.htm. Acesso em: 3 maio 2020.
BRASIL. Medida Provisória nº. 959, de 29 de abril de 2020. Estabelece a operacionalização 
do pagamento do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda e 
do benefício emergencial mensal de que trata a Medida Provisória nº 936, de 1º de 
abril de 2020, e prorroga a vacatio legis da Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018, 
que estabelece a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais - LGPD. Brasília: Casa Civil 
da Presidência da República, 2019. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/_ato2019-2022/2020/Mpv/mpv959.htm. Acesso em: 3 maio 2020.
O QUE MUDA com a nova lei de dados pessoais. LGPD Brasil, São Paulo, ago. 2018. 
Disponível em https://www.lgpdbrasil.com.br/o-que-muda-com-a-lei. Acesso em: 
3 maio 2020.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Proteção de dados pessoais
133
DICA DO PROFESSOR
Cada vez mais, as organizações se utilizam da Gestão da Informação como uma ferramenta 
estratégica para maximizar seus resultados. A mineração de dados traz novos desafios, sejam 
eles de caráter tecnológico ou ético, moral e legal.
Veja, na Dica do Professor, como são relacionados esses conceitos técnicos e que de que 
maneira eles necessitam estar aderentes à legislação de proteção dados, não deixando de atender 
ao planejamento da organização, que visa a crescer de maneira orgânica e sustentável.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
EXERCÍCIOS
1) A sociedade humana, com o passar dos séculos, foi sendo moldada e definida a partir
de suas invenções, reflexões e demais atitudes que se tornaram grandes milestones da
humanidade. Para cada momento desses, nos últimos séculos, foram atribuídos os
seguintes conceitos: sociedade agrícola, sociedade industrial, sociedade pós-industrial.
Hoje, vive-se, como dizem os estudiosos, a sociedade da informação.
Sendo assim, como pode ser caracterizado o tipo de sociedade dos dias atuais?
A) A sociedade da informação é caraterizada por criar mais burocracia na forma como as
pessoas se relacionam como sociedade, gerando, assim, empecilhos para melhor
modernização das nossas políticas comerciais, que acabam por criar barreiras digitais na
forma como as partes se relacionam.
B) A sociedade da informação é caraterizada por não ter maior penetração na sociedade,
principalmente no interior do País, que requer melhor estrutura de comunicação, o que
acaba por tonar não muito palpáveis os benefícios que a tecnologia possa trazer, por
exemplo, para a agricultura.
A sociedade da informação é caraterizada por uma grande reflexão sobre o real propósitoC)
134
pelo qual a Internet foi criada, justamente devido à característica da escalabilidade que não 
atinge boa parte do globo, não permitindo, assim, maior acréscimo para as economias, 
principalmente a europeia.
D) A sociedade da informação é caraterizada por construir diversos prédios para o
armazenamento de dados das pessoas, o que acaba, por vezes, suprimindo a capacidade
nas áreas agrícolas, mas também industriais, gerando diversos protestos e discussões a
respeito do uso dos dados.
E) A sociedade da informação é caraterizada pela rápida evolução na forma como as pessoas
se relacionam no dia a dia devido aos diversos novos formatos de interação criados e às
formas de processamento, que mudaram nossas economias, como jamais havia acontecido
anteriormente na humanidade.
2) Um grande conjunto de dados não significa muito se não estão devidamente tratados,
processados e organizados, gerando, assim, a predição necessária para a correta
interpretação dos dados correlacionados. Por isso, na economia digital, na qual as
pessoas estão inseridas atualmente, a utilização dos dados das pessoas passa a ser a
nova fonte de riqueza das organizações.
Sendo assim, qual seria a melhor forma de organizar tais dados de forma a gerar
informação e, consequentemente, conhecimento?
A) Nesse contexto, a melhor forma de estruturação é a partir de cookies.
B) Nesse contexto, a melhor forma de estruturação é a partir de clickstream.
C) Nesse contexto, a melhor forma de estruturação é a partir de Big Data.
D) Nesse contexto, a melhor forma de estruturação é a partir de planilhas.
E) Nesse contexto, a melhor forma de estruturação é a partir de papéis.
135
3) A individualidade é um dos pilares do direito universal do ser humano, sendo esse
contexto explorado conforme a sociedade avança na sua forma de se relacionar. Com
isso, os dados pessoais acabam, de acordo com as novas legislações, sendo um
prolongamento do indivíduo, tornando-se, então, algo a ser monitorado e controlado
para que não haja abusos.
Sendo assim, como podem ser contextualizados os dados sensíveis dentro da esfera
jurídica?
A) Os dados sensíveis, dentro do contexto dos dados pessoais, são diferentes; um dificilmente
é associadoao outro devido à baixa capacidade de transformação disso em algum tipo de
dado mensurável, incapaz de interpretação e ações, gerando, assim, uma análise fria.
B) Os dados sensíveis, dentro do contexto dos dados pessoais, são características do cidadão
que se transformam em algum tipo de dado mensurável. No entanto, são colocados como
sensíveis, pois podem ser caracterizados como aspectos da personalidade do cidadão,
gerando um potencial discriminatório seletivo.
C) Os dados sensíveis, dentro do contexto dos dados pessoais, são basicamente as técnicas
capazes de anonimizar determinado registro, seja a partir da supressão, da generalização e
da randomização e, por fim, da pseudonimização, e, com isso, proteger os dados.
D) Os dados sensíveis, dentro do contexto dos dados pessoais, são partes pouco relevantes,
que buscam trazer apenas uma visão superficial da qualidade real da informação e, com
isso, possibilitar pouca inteligência mercadológica, gerando ações menos relevantes.
E) Os dados sensíveis, dentro do contexto dos dados pessoais, são muito subjetivos e, com
isso, o que é dado sensível para uma empresa pode não ser para a outra, impossibilitando,
assim, tomar decisão com registros tão voláteis e triviais, ou seja, de baixo valor.
A legislação não é uma ciência exata e está em constante evolução e amadurecimento, 
buscando entender as necessidades de mercado, porém não deixando o cidadão 
desguarnecido nessa sociedade cada vez mais digital, globalizada e complexa.
4)
136
Após a Segunda Guerra Mundial, até os dias de hoje, existem quatro gerações de leis 
que foram evoluindo e se adaptando com o passar do tempo. Sendo assim, quais são 
os principais marcos dessas gerações?
A) A primeira geração é focada na área pública. Já a segunda contempla também a área
privada e coloca o cidadão como protagonista na concessão dos seus dados. A terceira
geração consolida o cidadão como protagonista no consentimento dos seus dados. Por fim,
a quarta geração busca a aplicabilidade da legislação a respeito da proteção dos dados.
B) A primeira geração é focada na área privada; já a segunda contempla também a área
pública e coloca o cidadão como protagonista na concessão dos seus dados. A terceira
geração consolida o cidadão como protagonista no consentimento dos seus dados. Por fim,
a quarta busca apresentar como será a aplicabilidade da legislação a respeito da proteção
dos dados.
C) A primeira geração é focada na área pública; já a segunda contempla também a área
privada. Somente na terceira geração é efetivamente iniciado o protagonismo do cidadão
de fato dos seus dados, dando a eles o consentimento no uso das suas informações. Por
fim, a quarta geração busca apresentar como será a aplicabilidade da legislação.
D) A primeira geração é focada na área pública; já a segunda contempla também a área
privada e coloca o cidadão como protagonista na concessão dos seus dados. A terceira
geração consolida o cidadão como protagonista no consentimento dos seus dados. Por fim,
a quarta tem o objetivo de tornar a área pública como responsável pelo controle das
informações.
E) A primeira geração é focada na área pública; já a segunda contempla também a área
privada e coloca o cidadão como protagonista na concessão dos seus dados. A terceira
geração consolida o cidadão como protagonista no consentimento dos seus dados. Por fim,
a quarta tem o objetivo de tornar a área privada como responsável pelo controle das
informações.
137
individualidade das pessoas, pois seus dados sensíveis são aspectos da sua 
personalidade, podendo isso ser levado em conta na hora de oferecer algum tipo de 
serviço, tendo o potencial de ser usado de forma discriminatória.
No entanto, existem leis que buscam justamente equacionar um pouco mais essa 
relação bilateral. Sendo assim, qual o paradigma quebrado por meio dessa lei?
A) O paradigma que a Lei do Cadastro Positivo ajudou a quebrar foi de identificar o mau
pagador e, com isso, a partir de uma análise, sugerir um juro mais elevado ao cidadão,
minimizando o risco da concessão do crédito.
B) O paradigma que a Lei do Cadastro Positivo ajudou a quebrar foi de verificar o ultimo
empréstimo do cidadão e sua capacidade de pagamento e, a partir dessa situação, avaliar o
potencial risco do não pagamento do empréstimo.
C) O paradigma que a Lei do Cadastro Positivo ajudou a quebrar foi a possibilidade de ter um
primeiro empréstimo com as taxas mais praticadas pelo mercado, não criando maiores
vantagens.
D) O paradigma que a Lei do Cadastro Positivo ajudou a quebrar foi na utilização dados
sensíveis a favor do usuário, identificando, assim, o potencial bom pagador e, em
contrapartida, um crédito com taxas melhores para o cidadão.
E) O paradigma que a Lei do Cadastro Positivo ajudou a quebrar foi do acesso ao
microcrédito para as pequenas empresas, buscando impulsionar o pequeno empreendedor
e, consequentemente, a economia do País.
NA PRÁTICA
A proteção dos dados surgiu justamente devido ao seu uso indiscriminado por empresas e 
governos, estando, por vezes, o cidadão totalmente passivo na relação entre duas partes ao fazer 
determinada transação, gerando, assim, uma falta de transparência e certa nocividade devido aos 
impactos que tal uso trouxe. Sendo assim, tanto empresas quanto governos precisam não 
5) Um dos maiores objetivos das leis de proteção dos dados é preservar a
138
somente estar alinhados com a legislação, mas principalmente mapear o que, de fato, deve ser 
coletado e como isso pode retornar para a própria sociedade de forma que não viole a sua 
individualidade, porém que também não deixe de gerar as riquezas econômicas da sociedade da 
informação.
Veja, em Na Prática, como um prefeito utilizou a técnica de modelo de negócio chamada 
freemium, em que, a partir da disponibilização de um serviço (nesse caso, a Internet), o usuário 
respondia alguns questionamentos e tais dados serviam para uma análise posterior por parte dos 
vendedores locais, que poderiam, assim, identificar os pontos de melhoria. Em contrapartida, a 
cidade teve uma economia muito mais ativa a partir do uso racional dos dados. Confira.
139
UTILIZANDO o POTENCIAL DOi 
DADOi PARA ALAVANCAR A 
ECONOMIA DE UMA CIDADE 
Pedro Vasconcelos é o prefeito de uma cidade pequena, 
popularmente chamada Chocoland. Se trata de uma cidade 
famosa pela produção de chocolates. Boa parte dos 
moradores produzem os seus próprios chocolates e existem 
diversas lojas na cidade, cujos sabores variam de acordo com 
as suas respectivas preferências, tendo chocolates de 
praticamente todos os sabores. 
Foi, dessa forma, que o pequeno vilarejo ficou tão conhecido 
na região: em razão da alta variedade do produto ofertado. 
No entanto, os visitantes ficavam simplesmente desnorteados 
com o volume de opções, e isso, às vezes, era um problema 
devido à quantidade de visitas e ao baixo consumo, o que, de 
certa forma, não impulsionava o turismo na região, ao menos 
não dentro do potencial esperado. 
Sendo assim, o prefeito acabou estudando a respeito de como 
a Internet e a sua camada de aplicações, principalmente a 
web, com blogs, redes sociais, websites, etc., poderiam auxiliar 
para melhor performance da economia local. Ele teve a ideia 
de criar uma estrutura de Internet pela cidade de forma 
11gratuita'� que poderia ser usada a partir da publicação 
da opinião a respeito das lojas e dos tipos de chocolates 
existentes na cidade. 
,,.. .... ---
Esses comentários passaram a influenciar não só o consumo por 
parte dos novos visitantes da cidade, mas, principalmente, a 
própria fabricação do produto. A sua escala de produção passou 
a ser orientada pelos tipos de chocolates mais bem avaliados. 
A ideia do famoso 1'boca a boca digital" se potencializa na sociedade da 
informação, passando, o consumidor, a atuar como se fosse um assistente de 
vendas sem custos. Além de divulgar o bem de consumo, a informação por ele 
produzida auxilia em seu processode produção. O produto ou serviço tende a 
ser modelado de acordo com os pontos negativos e positivos assinalados por 
esse elo final da cadeia de consumo, que nunca teve tantos mecanismos para 
vocalizar a sua opinião. 
Com isso, o produto da cidade foi melhorando de forma 
colaborativa. Os consumidores compartilham e trocam, 
com mais frequência, em diversos canais e quase em tempo 
real, informações sobre as suas experiências de consumo. 
É com essa voz ativa que a popular lição promocional 
do '1boca a boca" se potencializou na sociedade da 
informação, passando, o consumidor, a atuar como 
se fosse um assistente de vendas sem custos. 
Esse é um dos componentes essenciais para viabilizar 
os chamados sistemas flexíveis de produção, em que 
tais tendências do mercado consumidor orientam 
dinamicamente a concepção de um bem de consumo. 
O consumidor deixa, portanto, de ter uma posição 
meramente passiva no ciclo do consumo. 
Ele passa a ter uma participação ativa, que condiciona a própria confecção, 
a distribuição. Em última análise, o consumidor não apenas consome, mas 
também produz o bem de consumo, maximizando o potencial de venda 
dos produtos e, por conseguinte, melhorando a economia da sua cidade. 
Após 1 ano de instalação da Internet freemium, e graças à colaboração dos 
consumidores e às diretrizes encaminhadas aos fabricantes e lojistas, a cidade teve um 
crescimento econômico de 40% no número de visitas e um acréscimo de 25% na 
captação de novas receitas para o Poder Público e com tendência de alta, conforme 
os gráficos ilustrados: 
45% 
40% 
35% 
30% 
25% 
20% 
15% 
10% 
5% 
0% 
30% 
25% 
20% 
15% 
10% 
5% 
0% 
1 2 3 
1 2 3 
ACRÉSCIMO DE VISITANTES 
40% 
4 5 6 7 8 9 10 11 12 
AUMENTO DE CAPTAÇÃO 
25% 
4 5 6 7 8 9 10 11 12 
140
SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Proteção de dados pessoais
Neste podcast, é feita a entrevista com o Bruno Bioni, uma das principais referências na área de 
proteção de dados.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Uber: uma inovação com potencial infinito para polêmicas
Neste artigo, o autor apresenta um estudo de caso a respeito da criação do Uber e como ela 
impactou nossa sociedade a partir da utilização dos dados dos cidadãos.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Quarta revolução industrial: ameaças ou oportunidades? Como o impacto da utilização do 
Waze e Uber na Cidade de São Paulo - Brasil - explica o fenômeno da quarta revolução 
industrial
Neste artigo, o autor traz alguns aspectos que moldaram a sociedade nos últimos 300 anos, 
dando um foco maior para a quarta revolução industrial e como a informação se tornou um ativo 
de riqueza para a nossa sociedade.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Por onde vamos? O engajamento, a colaboração e o crowdsourcing no aplicativo Waze
Neste artigo, o autor aborda alguns aspectos do novo modelo de produção, alicerçado na 
tecnologia e no protagonismo do indivíduo dentro do novo ecossistema econômico.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
141
Propagação de conteúdos digitais
APRESENTAÇÃO
A adoção de tecnologias digitais tem impulsionado diversas mudanças em setores do mercado 
atual de produtos midiáticos. Com a Internet, a possibilidade de armazenar produtos em 
estoques virtuais com baixo custo alavancou modelos de negócios de empresas baseados na 
venda on-line de produtos digitais. Esse é o caso da Amazon, da Netflix e do Spotify, que 
transformaram a indústria de livros, filmes, séries televisivas e música.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer o conceito de cauda longa, que molda o 
cenário de consumo midiático, e vai descobrir como esse conceito afeta o jornalismo e pode ser 
aplicado a ele. Você também vai estudar os modos de propagação de conteúdos digitais nas 
novas plataformas de consumo de informação.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar o conceito de cauda longa.•
Identificar a aplicação da cauda longa no jornalismo.•
Reconhecer a propagação das notícias nos meios digitais.•
DESAFIO
O conceito de cauda longa ajuda a pensar sobre a natureza de consumo no jornalismo. Hoje, há 
emergência de um mercado de nicho, de audiências seletas interessadas no consumo de 
informações e produtos midiáticos segmentados. Para agradar essa audiência, o jornalista 
precisa conhecer profundamente os hábitos de consumo, os interesses e os gostos pessoais dela. 
Acompanhe o caso a seguir:
142
143
INFOGRÁFICO
A propagação de notícia em meios digitais se dá por meio do uso de duas tecnologias de 
distribuição de conteúdo: o sistema push e o sistema pull. Os mecanismos de busca de 
informações na Internet funcionam segundo o sistema push e moldam um tipo de interação com 
o usuário diferente de outros meios digitais que usam o sistema pull.
No Infográfico a seguir, você confere as diferenças entre esses dois sistemas de distribuição de 
conteúdo e exemplos de plataformas e serviços que fazem uso deles.
144
145
CONTEÚDO DO LIVRO
O mercado de consumo de informação e produtos midiáticos tem passado por transformações 
substanciais nas últimas décadas, principalmente com a emergência da Internet. Empresas como 
a Amazon surgem na esteira dessas inovações, propondo um modelo de negócios baseado na 
oferta de uma grande quantidade de produtos para nichos de consumo.
A lógica principal que sustenta esse modelo de negócios é de que a estrutura digital faz com que 
seja mais barato armazenar produtos em estoques virtuais. A venda de poucas unidades de um 
produto, quando em larga escala, consegue sustentar a empresa. Essa lógica é totalmente 
diferente do mercado de consumo baseado em hits de sucesso, isto é, poucos produtos populares 
vendidos em grandes quantidades.
No capítulo Propagação de conteúdos digitais, da obra Jornalismo digital e cibercultura, 
entenda a lógica da cauda longa, sua aplicação no jornalismo e as formas de propagação de 
conteúdos digitais.
Boa leitura.
146
Propagação de 
conteúdos digitais
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Explicar o conceito de cauda longa.
 Identificar a aplicação da cauda longa no jornalismo.
 Reconhecer a propagação das notícias nos meios digitais.
Introdução
As transformações no mercado de consumo afetam não apenas a economia, 
mas as formas de produção e disponibilização de conteúdo nas redes. No 
contexto contemporâneo, vemos surgir o que se chama de economia da 
cauda longa, marcada pela abundância de oferta de produtos midiáticos. 
Para se inserir no mundo de produção informativa contemporânea, o 
jornalista precisa entender como a cauda longa se aplica ao jornalismo. 
Além disso, esse profissional precisa ter noção dos modos de propagação 
dos conteúdos jornalísticos nos meios digitais, para que possa planejar a 
editoração e circulação de produtos informativos nesses espaços.
Neste capítulo, você vai estudar o conceito de cauda longa, como ele 
ajuda a explicar o contexto de consumo midiático atual e como pode 
ser aplicado ao jornalismo. Você também vai entender as dinâmicas de 
disseminação e propagação de notícias nos meios digitais.
1 O conceito de cauda longa
Para começar os estudos deste capítulo, precisamos entender o que é cauda 
longa. Esse conceito foi popularizado por Chris Anderson (2006) para expli-
car a confi guração atual do mercado de bens de consumo. Para ele, vivemos 
numa economia de abundância de produtos e serviços de diversos setores, 
provocada principalmente pela Internet. O processo de liberação do polo de 
147
emissão, proporcionado por essa tecnologia, faz com que surjam diversos 
produtores de conteúdo. A cultura começa a circular nas redes sem os fi ltros 
impostos pelos veículos de comunicação de massa, predominantes numcenário 
de escassez econômica (ANDERSON, 2006).
Segundo Anderson (2006), o universo da Internet criou um cenário de 
oferta de diversos produtos com baixo volume de venda, se comparados aos 
grandes sucessos das décadas anteriores. Essa dinâmica pode ser observada 
na indústria da música, do cinema, do entretenimento e no mercado editorial. 
Antes da Internet, grandes sucessos de bilheteria e músicos e bandas com 
grandes performances indicavam o tipo de cultura consumida pelas pessoas. 
Hoje, esse universo de poucos hits é substituído por uma ampla variedade de 
filmes e discos dispersos em nichos específicos. 
A cauda longa é um termo cunhado pela estatística e utilizado para explicar, entre 
outras coisas, a rentabilidade de mercados de consumo. O conceito se baseia na dispo-
nibilização de uma diversidade de produtos — que compõem a cauda longa — cuja 
popularidade não é tão alta quanto os hits do cenário anterior. Podemos explicá-lo a 
partir de dois tipos de investimento. No primeiro cenário, 20% dos produtos geram 
80% das receitas e são considerados hits (Figura 1, na parte da Cabeça). No segundo 
cenário, surgido com a Internet, 80% dos produtos geram 20% das receitas (Figura 1, 
na parte da Cauda). Quando considerados em conjunto, esses produtos de nicho têm 
alta rentabilidade para as indústrias (ANDERSON, 2006).
Cabeça
DISTRIBUIÇÃO DE CAUDA LONGA
Po
pu
la
ri
da
de
Cauda longa
Hits Não-Hits
Produtos
Figura 1. Gráfico de quantidade de produtos vendidos (eixo X) × popularidade dos pro-
dutos (eixo Y).
 de conteúdos digitais Propagação
148
Após entender como esse cenário se configura, resta-nos perguntar: como 
chegamos a essa economia da cauda longa? Anderson (2006) nos ajuda com 
essa questão ao mostrar os impactos que a Internet trouxe para o mercado. 
As tecnologias e ferramentas digitais transformaram radicalmente as formas 
de produção, disponibilização e distribuição de produtos. A digitalização 
proporciona formas de armazenamento virtual que reduzem os custos de 
disponibilização de produtos. Lojas passam a ofertar estoques praticamente 
infinitos de produtos que jamais teriam espaço em prateleiras físicas. Esse 
processo faz com que as lojas virtuais possam reduzir o preço de alguns pro-
dutos, o que potencialmente aumenta sua circulação. Plataformas de venda de 
e-books da Amazon, entre outras, compartilham essa lógica de funcionamento, 
disponibilizando um amplo estoque de livros digitais a preços baratos.
Outro mecanismo da Internet e das tecnologias digitais que facilita a 
emergência desse contexto de consumo é a relação mais equilibrada entre 
oferta e demanda de produtos. O fácil acesso a ferramentas de produção, que 
passam a ser apropriadas por qualquer pessoa, proporciona uma ampla oferta 
de produtos. Shirky (2011) acredita que as novas formas de comunicação dão 
origem a uma revolução, com a inclusão dos amadores como produtores de 
conteúdo. Assim, não é preciso mais passar pelo filtro da mídia; cada um 
pode dizer o que quiser, produzir e fazer circular produtos variados (SHIRKY, 
2011). Produções antes tidas como periféricas pela mídia tradicional tornam-se 
visíveis. Grande parte dessa visibilidade se dá por causa dos mecanismos de 
busca, que tornam mais fácil e rápido encontrar qualquer tipo de produto que 
se deseja consumir (ANDERSON, 2006). 
Da mídia de massa para o mercado de nichos
O contexto da cauda longa favorece o mercado de nichos. A mídia começa 
a se adaptar a esse cenário, oferecendo produtos direcionados para públicos 
específi cos. Modelos de negócios são construídos sob essa lógica da seg-
mentação, como é o caso das plataformas Spotify, Netfl ix e YouTube. Seus 
mecanismos de busca dão acesso a conteúdos para públicos variados, como 
comunidades de nerds, interessados em astronomia e documentários de vida 
animal, de veganos, interessados em estilo de vida sustentável e receitas ve-
ganas, de mulheres interessadas em compras e economia, entre outros. Cada 
comunidade tem sua demanda atendida, seja pela produção de amadores ou 
profi ssionais da indústria do entretenimento. 
Propagação de conteúdos digitais
149
As categorias de “massa” e “grande público”, utilizadas para descrever o 
público-alvo dos tradicionais veículos de comunicação de massa, tornam-se 
obsoletas nesse novo sistema. Assim, formular um produto de consumo partindo 
da lógica da cauda longa implica delimitar especificamente o tipo de público 
que se almeja atingir. Essa lógica também nos leva a pensar que todo produto 
produzido por qualquer pessoa vai ter certa quantidade de espectadores, por 
menor que seja. Não é preciso fazer um sucesso estrondoso e ter uma divulgação 
em larga escala para que um produto midiático seja consumido. 
2 A cauda longa e o jornalismo
O efeito cauda longa trouxe impactos signifi cativos para a indústria jornalística 
em termos de produção e disseminação de informações. Podemos falar da 
existência de uma cauda longa da informação na Web, gerada pela demo-
cratização dos canais de publicação e surgimento de blogs e mídias sociais. 
Segundo observam os pesquisadores Schmitt e Fialho (2007), no cenário da 
Web, os veículos jornalísticos passam a competir não apenas entre si, mas 
também com a inteligência coletiva gerada pelas interações na rede. A notícia, 
que num cenário pré-Internet era produzida pelas mãos de poucos jornalistas, 
passa a ser assumida por outros atores, em processos colaborativos.
Inspirados em uma entrevista de Anderson (2006), Schmitt e Fialho (2007) 
citam dois tipos de cauda longa que afetam e transformam o jornalismo: a 
cauda longa do tempo e a cauda longa da abundância, detalhadas a seguir.
A cauda longa do tempo
A cauda longa do tempo refere-se ao fato da notícia poder ser armazenada e 
fi car disponível para o leitor por um período maior. Mecanismos de busca e 
sistemas de recomendação ajudam o usuário a ter acesso a notícias que, apesar 
de antigas, continuam relevantes. O critério de relevância de uma notícia passa 
a ser decidido pelos próprios usuários e não tanto pela hierarquia da home 
page estabelecida pelo jornal (ANDERSON, 2006 apud SCHMITT; FIALHO, 
2007). Como os próprios pesquisadores mencionam, essa cauda longa tem 
poder de afetar os valores-notícia do jornalismo.
As mudanças nos critérios de relevância das notícias são confirmadas 
por Barsotti (2018a), em estudo sobre as rotinas produtivas das redações dos 
jornais O Globo e O Estado de S. Paulo. Um dos elementos levantados pela 
observação da pesquisadora é que o processo de edição do jornal tende a seguir 
 de conteúdos digitais Propagação
150
as reações do público sobre as notícias publicadas, mensuradas por ferramentas 
de monitoramento de redes sociais. Assim, as notícias mais comentadas e 
compartilhadas nas redes sociais pelos usuários são tidas como mais relevantes 
e “vendidas” para os editores para a composição da home page do jornal. 
Eis alguns elementos que definem a cauda longa do tempo no jornalismo (SCHMITT; 
FIALHO, 2007):
 armazenamento e disponibilização de notícias antigas em bancos de dados de sites;
 aumento do tráfego de sites jornalísticos;
 destaque para notícias com relevância duradora em detrimento de notícias
imediatas;
 as reações do público sobre a notícia publicada tornam-se critério escolhido pelos 
jornalistas para editar e hierarquizar notícias no site do jornal.
A longo prazo, Anderson (2006 apud SCHMITT; FIALHO, 2007) acredita 
que as notícias de relevância duradoura depositadas em arquivos digitais ten-
dem a ter mais valor se comparadas às notícias de última hora. A estrutura da 
rede favorecerá a importância de um acontecimento — e o quanto o público 
o julga importante — em detrimento de valores-notícias como atualidade e
imediatismo. Nesse processo, o tráfego nos sites jornalísticos que armazenam
essas notícias tende, então, a aumentar (SCHMITT; FIALHO, 2007).
A cauda longa da abundância
A segunda cauda longa do jornalismo remete à quantidade de conteúdo dis-
ponívelpara o usuário no ciberespaço. Segundo Schmitt e Fialho (2007), 
nesse cenário as pessoas não estão mais limitadas a consumir informações 
divulgadas apenas pela mídia tradicional. Blogs e outras instâncias competem 
com jornalistas na produção informativa. Como relata Bruns (2011), no seus 
primórdios os weblogs independentes faziam uma crítica à mídia, por meio 
da produção de vozes alternativas ao discurso jornalístico hegemônico. 
Aos poucos, a produção de informação vai se depositando em outras ins-
tâncias, como as redes sociais e as plataformas de produção colaborativa de 
conteúdo, como o YouTube. Elas dão vazão a conteúdos que não têm neces-
Propagação de conteúdos digitais
151
sariamente um apelo jornalístico além de servirem como canais de expressão, 
de cobertura alternativa de fatos e críticas às formas de cobertura midiática.
A própria indústria jornalística começa, num segundo momento, a reconhe-
cer essas formas de produção de conteúdo alternativas e incorporá-las na sua 
estrutura (BRUNS, 2011). Nesse sentido, surgem as iniciativas midiáticas que 
exploram a participação na produção de informação. A inserção de quadros de 
repórter-cidadão nos telejornais e o uso de mídias sociais para estreitar o diálogo 
e a colaboração entre jornalistas e audiência são alguns exemplos de como a 
potencialidade da causa longa da informação é apropriada pelo jornalismo.
Vemos surgir também uma série de meios de comunicação independentes 
e nativos da Web, com modelos de negócios inovadores, que diversificam as 
vozes do jornalismo. Exemplos de coletivos jornalísticos emergentes nesse 
contexto são a Agência Pública, focada na produção de reportagens investi-
gativas, a Ponte Jornalismo, focada em temas de direitos humanos, e o Marco 
Zero Conteúdo, focado na cobertura de conflitos urbanos da cidade do Recife.
O panorama de vozes alternativas praticando jornalismo no Brasil está em ascensão 
nos últimos anos. No link a seguir, apresentamos o Mapa do Jornalismo, projeto da 
Agência Pública de mapeamento de iniciativas inovadoras de coletivos jornalísticos.
https://qrgo.page.link/ycgrz
Bruns (2011) acredita que as características tradicionais do jornalista re-
lacionadas à credibilidade e qualidade da informação são acentuadas nesse 
cenário de abundância de informações. Com base nelas, o jornalista consegue 
se diferenciar de outros atores sociais (BRUNS, 2011) que não seguem critérios 
de produção jornalística.
Podemos dizer que o jornalismo sofre um processo de reposicionamento 
diante das dinâmicas de colaboração em rede e produção de conteúdo por 
usuários. Bruns (2011) aborda essa questão ao dizer que a indústria jornalística 
perde a sua centralidade na produção e disseminação da informação e precisa 
adaptar-se a esse cenário. Assim, práticas de cobertura jornalística que operam 
de cima apara baixo são substituídas aos poucos por práticas e relacionamentos 
mais colaborativos entre usuários e jornalistas. 
 de conteúdos digitais Propagação
152
As mudanças no jornalismo trazidas pela cauda longa da informação 
podem ser observadas sob a ótica da teoria do gatekeeping, explicada por 
Bruns (2011). O pesquisador comenta que o paradigma do gatekeeping serviu 
para caracterizar as atividades do sistema de produção jornalística na época 
das mídias de massa, em que o jornalista era responsável por selecionar uma 
quantidade específica de notícias para serem noticiadas em um cenário de 
escassez de canais de comunicação. Com a abundância de informações, a 
lógica se transforma. A seleção das notícias relevantes, ou seja, a curadoria de 
conteúdo, passa a ser feita por vários usuários além dos jornalistas e editores. 
Eis alguns elementos que definem a cauda longa da abundância no jornalismo (SCH-
MITT; FIALHO, 2007):
 competição do jornalismo com outras fontes de informação;
 jornalistas perdem a centralidade na cobertura e disseminação da notícia;
 diversificação das vozes no próprio jornalismo (coletivos jornalísticos independentes);
3 A propagação das notícias nos meios digitais
Os meios digitais trouxeram formas diferenciadas de propagação das notícias, 
fazendo-as ganhar um alcance ampliado. Machado (2008) ajuda-nos a entender 
esse novo contexto de propagação da notícia ao caracterizar os sistemas de 
circulação do ciberespaço como dinâmicos, operados pelos próprios partici-
pantes do sistema, os usuários, em contraposição ao modelo centralizado de 
circulação de informações jornalísticas, a cargo de profi ssionais especializados. 
A dinâmica de propagação de notícias em meios digitais ocorre priorita-
riamente a partir de duas ferramentas: os buscadores da Internet e as mídias 
sociais digitais. Elas funcionam como filtros capazes de organizar e classi-
ficar as informações que circulam na Web e se mostram extremamente úteis 
num cenário de abundância informativa do ciberespaço (FRAGOSO, 2007; 
CANAVILHAS, 2010). A partir delas, o leitor pode ter acesso a uma curadoria 
do conteúdo potencialmente interessante para o seu perfil.
Propagação de conteúdos digitais
153
A evolução dos buscadores da Internet se desenvolveu em paralelo com 
a trajetória da World Wide Web. Fragoso (2007) faz uma breve retrospectiva 
dessas ferramentas, citando desde iniciativas pioneiras, como o primeiro 
indexador, chamado Archie, criado em 1990, num cenário anterior à WWW, 
até iniciativas comerciais, como Yahoo! e Google. A natureza básica desses 
buscadores era permitir que o usuário realizasse buscas em bases remotas de 
dados, listando os resultados da pesquisa. Além do Archie, um sistema de busca 
bastante lembrado quando falamos dos primórdios da internet é o Altavista.
A diferença de um buscador para o outro estava no alcance dos dados ma-
peados. O buscador Archie, por exemplo, dava acesso a pastas e documentos 
de pouco mais de 200 servidores e era configurado para uso departamental 
(FRAGOSO, 2007). Inspirado em indexadores pioneiros, o buscador WAIS, 
formulado pela iniciativa de quatro empresas em 1993, acrescentava a possibi-
lidade do usuário realizar pesquisas em bases de dados remotas e organizava 
os resultados dessas buscas em ordem decrescente de frequência das palavras-
-chave (FRAGOSO, 2007). O volume de dados mapeados atraiu investidores a
partir da década de 1990, que passaram a inserir banners e pequenos anúncios 
nos sistemas de busca. Alguns deles começaram a oferecer outros serviços
para o usuário além da busca, transformando-se em portais (FRAGOSO,
2007). Esse foi o caso do Yahoo!, surgido em 1995, e, mais tarde, do Google.
Fragoso (2007) comenta que o Google destacou-se como sistema de busca 
por investir em resultados orgânicos e não apenas em resultados pagos, como 
outras ferramentas costumavam fazer. Assim, o buscador foi ganhando a con-
fiança do usuário, que entendia que seus resultados eram mais confiáveis. A 
velocidade das buscas e a simplicidade da interface também foram apontadas 
por Fragoso (2007) como diferenciais da plataforma. No ano 2000, o Google 
também passou a inserir resultados pagos na sua página principal, tomando 
o cuidado para distingui-los dos resultados orgânicos (FRAGOSO, 2007).
Assim como outros mecanismos da Internet, os buscadores se baseiam
no modelo de distribuição de informação com tecnologia pull. Trata-se de 
um conteúdo que é solicitado pelo usuário, por livre iniciativa, durante o seu 
exercício de navegação na Web (FIDALGO; CANAVILHAS, 2009). Esse 
modelo é distinto, por exemplo, da tecnologia push, que consiste em empurrar 
os conteúdos para o usuário. No sistema pull, o poder de escolha de fontes de 
informação está nas mãos do usuário, enquanto no sistema push os veículos 
de comunicação ou empresas de tecnologias são responsáveis por selecionar 
e apresentar conteúdo para seu consumidor.
Podemos observar as diferenças entre o sistema push e pull a partir de uma 
análise das tecnologias de distribuição usadas em veículos de comunicação 
 de conteúdos digitais Propagação
154
tradicionais e plataformasde conteúdo dos meios digitais. Enquanto grades 
de programação de televisão e rádio oferecem um conteúdo previamente 
selecionado pela equipe e direção de jornalismo, plataformas como YouTube 
e Globoplay, no caso de vídeo, e Spotify, no caso de áudio, dão ao usuário a 
possibilidade de escolher qual programa ou produto ele quer consumir. 
As características dos sistemas push e pull são resumidas no Quadro 1. 
Observe que os meios digitais mesclam tecnologias das duas naturezas, às 
vezes possibilitando uma escolha mais ativa do usuário e em outros casos 
ofertando conteúdos.
Fonte: Adaptado de Fidalgo e Canavilhas (2009) e Fragoso (2007).
Sistema Push Pull
Definição Usuário consulta 
notícias/informações 
por iniciativa própria.
Usuário recebe informações/
notícia por iniciativa 
alheia (dos veículos de 
comunicação, por exemplo).
Exemplos  Sistemas de busca na 
Internet (Google, Yahoo!)
 Plataformas de consumo 
de conteúdo (Spotify, 
YouTube, Globoplay)
 Sistemas de notificação e 
alarmes de smartphones
 Feed de notícias nas redes 
sociais
 Newsletters enviadas por e-mail
 Grades de programação de TV 
e rádio
 E-mail
Quadro 1. Modelos de distribuição de conteúdo
Das home pages para as mídias sociais
As tecnologias de distribuição de informação fi caram mais complexas ao longo 
do tempo e passaram a não ser mais estritamente vinculadas aos veículos de 
comunicação. Assim, no contexto da Web, as empresas de tecnologia, como 
Google e Facebook, e os próprios usuários do sistema passam a assumir o 
papel de propagadores de conteúdo. Segundo Barsotti e Aguiar (2017), essa 
dinâmica ganha fôlego a partir da mudança nas formas de leitura das notícias, 
que passam a ser acessadas pelas plataformas e sistemas de notifi cação do 
Facebook e Twitter.
Propagação de conteúdos digitais
155
Em 2016, mais de 70% dos brasileiros consumiam notícias por mídias sociais, 
segundo mostra o Digital News Report do Reuters Institute (NEWMAN, 2016). 
Por essa razão, entender as formas de propagação das notícias nesses espaços 
torna-se essencial para planejar como o produto jornalístico vai acessar seus 
públicos. Os pesquisadores Barsotti e Aguiar (2017) notam que a predominância 
dessas plataformas vai modificar as formas de distribuição de notícias no jorna-
lismo. As home pages dos sites jornalísticos, segundo observam, tornaram-se 
invisíveis por causa dos hábitos atuais de consumo de notícias dos usuários. O 
modelo de primeira página do jornal impresso herdado pelos jornais digitais 
torna-se obsoleto no cenário contemporâneo (BARSOTTI; AGUIAR, 2017).
O uso de redes do Facebook, Twitter e blogs no jornalismo aumenta a 
capacidade de propagação da notícia, pois a informação circula entre usuários 
e não mais num fluxo unilateral da organização jornalística para o consumidor 
(MACHADO, 2008). Ao compartilharem notícias nas suas páginas de mídias 
sociais, os usuários cumprem a função de disseminar e fazer circular o produto 
jornalístico por sua rede de contatos. Por essa razão, Recuero (2009) destaca 
o papel dos reverberadores de informação dessas redes.
Recuero (2009) comenta que a propagação de informações nas redes sociais
pelos usuários segue critérios diferentes do jornalismo. Assim, os usuários 
escolhem publicar conteúdos que agreguem credibilidade e valor social ao seu 
perfil sem necessariamente obedecer aos critérios de publicação jornalísticos. 
Os processos de circulação e recirculação da informação nas mídias sociais 
podem ser utilizados pelos veículos jornalísticos para aumentar a sua visibi-
lidade entre círculos e grupos sociais que seriam dificilmente atingíveis por 
meio da circulação da imprensa tradicional pré-Internet (RECUERO, 2009).
As mídias sociais acrescentam uma nova etapa de circulação ao jornalismo, 
chamada por Zago (2013) de recirculação do conteúdo jornalístico. Ao analisar 
o Twitter, a pesquisadora aponta essa fase “[...] como uma subetapa potencial
posterior ao consumo, como um desdobramento da circulação, para quando
o interagente se apropria do conteúdo jornalístico e o faz circular novamente
a partir de suas próprias palavras” (ZAGO, 2013, p. 219). Essa recirculação
se daria por meio do filtro e do comentário. O usuário do Twitter seleciona
as notícias que considera mais importantes, republicando-as e/ou inserindo
algum comentário seu ao conteúdo republicado (ZAGO, 2013).
É interessante observar que a circulação e recirculação de informações 
nas mídias sociais não são etapas estanques. Zago (2013) comenta que con-
versas e comentários sobre algum fato ou notícia publicada por um veículo 
de comunicação no Twitter ou Facebook podem fomentar novas apurações 
jornalísticas e a produção de novas reportagens.
 de conteúdos digitais Propagação
156
Nas mídias sociais, valores editoriais do jornalismo impresso como “hierarquia” das 
matérias jornalísticas, “visão de conjunto”, “construção do todo” e “sequência de leitura” 
cedem espaço para um cenário de hiperfragmentação da leitura. O usuário produz o 
seu jornal a partir de uma leitura individualizada (BARSOTTI; AGUIAR, 2017). 
A dinâmica de circulação das informações nas redes sociais afeta a pro-
dução jornalística. Segundo observam Barsotti e Aguiar (2017), o poder de 
propagação de uma notícia se transforma em um critério de noticiabilidade 
nas redações jornalísticas. Assim, notícias que tenham maior propagabilidade 
e engajamento do público leitor nas mídias sociais são mais cotadas como 
matérias de capa da home page do jornal. As redações inserem o monitora-
mento das mídias sociais e estratégias de disseminação de conteúdo dessas 
plataformas nas suas rotinas de produção. Dentre as estratégias, Barsotti 
(2018a) cita a elaboração de títulos por meio de técnicas de Search Engine 
Optimization, o mapeamento de temas que tenham potencial de engajamento, 
com o uso de uma ferramenta chamada Social Monitor, e o repost, prática 
de republicação de matérias antigas para driblar os algoritmos do Facebook 
e atingir um número maior de leitores.
A quarta tela 
No cenário de convergência tecnológica atual, dispositivos digitais como 
smartphones e tablets passam a se somar na circulação e propagação de 
conteúdo. Barbosa (2013) chega a comentar que essas plataformas dialogam 
com os meios de comunicação tradicionais, como a televisão, o rádio e o 
jornal, formando um continuum de distribuição de informação. Beloquio 
(2013), por outro lado, chama a atenção para o fato de cada plataforma dis-
por de estratégias de comunicação distintas, visando públicos de consumo 
específi cos. 
Fidalgo e Canavilhas (2009) chamam o celular de quarta tela, entendendo-
-o como um dispositivo que disponibiliza amostras de informações perma-
nentes e ubíquas de outras telas. Seu papel consiste em chamar a atenção
do leitor para acessar conteúdos de outras plataformas, mediante pílulas de
informações curtas. Haveria, então, uma propagação de informações entre
plataformas.
Propagação de conteúdos digitais
157
O poder dos algoritmos 
Falar dos processos de propagação de notícias nos meios digitais implica 
também em evidenciarmos o papel dos algoritmos na seleção e defi nição 
do que vai se tornar visível e, consequentemente, propagável na rede. Os 
sistemas de busca de informações e os sites de mídias sociais têm seus pró-
prios algoritmos, responsáveis pelo processo automatizado de curadoria de 
conteúdo de acordo com o perfi l do seu usuário. Fragoso (2007) comenta que 
nem sempre os critérios de hierarquização de informações nos buscadores são 
explicitamente visíveis ao usuário. Muitos, por exemplo, tendem a interpretar 
o conteúdo disponibilizado pelo Google como a Internet em si, sem saber que
existe um processo de fi ltragem e de canalização de tráfego em poucos sites
a partir de objetivos comerciais.
O funcionamento dos algoritmos também nos dá indicações de que existem 
percursos de propagação de informações no ciberespaço predeterminados por 
essas tecnologias. Barsotti (2018b) explica que, nasredes sociais, os regimes 
de visibilidade das notícias são norteados por algoritmos, que “[...] selecio-
nam o que será exibido para cada usuário de acordo com suas preferências 
individuais” (BARSOTTI, 2018b, documento on-line). No Facebook, critérios 
como histórico de navegação e localização geográfica orientam quais notícias 
são ocultadas ou mostradas ao usuário (BARSOTTI, 2018b). A pesquisadora 
preocupa-se com o fato desses percursos de visibilidade da informação estarem 
sob poder das empresas de tecnologia e não seguirem critérios jornalísticos, 
como era o costume na mídia tradicional.
Recuero, Zago e Soares (2017) destacam que a dinâmica de circulação de 
informação nas redes sociais depende da combinação de ações dos usuários e 
de algoritmos, o que pode produzir “[...] uma personalização da experiência de 
consumo de informações” (RECUERO; ZAGO; SOARES, 2017, documento 
on-line). O grande risco desse mecanismos é levar à criação de “filtros-bolha”, 
lugares de circulação de apenas determinado tipo de conteúdo (PARISIER, 
2011 apud RECUERO; ZAGO; SOARES, 2017). Nesse sentido, a longo prazo, 
a variedade de informações que consumimos tende a ser reduzida, o que pode 
diminuir substancialmente a nossa visão de mundo sobre os fatos.
Ao silenciar o contraditório, as redes sociais podem trazer efeitos para a 
política e a democracia. Esse aspecto é apontado por Recuero, Zago e Soares 
(2017) em estudo sobre o mapeamento de conversas sobre política brasileira no 
Twitter. Os resultados dessa pesquisa indicam a formação de bolhas ideológicas 
em torno de determinados posicionamentos políticos no país. Por mais que a 
estrutura da Internet tenha esse potencial democrático (CASTELLS, 1999 apud 
 de conteúdos digitais Propagação
158
RECUERO; ZAGO; SOARES, 2017), o acesso aos discursos circulantes nela 
é feito de forma desigual. A afinidade na escolha dos seguidores do usuário, 
os algoritmos de seleção dos sites e a curadoria/filtragem de conteúdos por 
outros usuários são elementos que limitam a experiência do usuário na rede, 
transformando a mídia social num ambiente polarizado (RECUERO; ZAGO; 
SOARES, 2017). 
A estrutura da mídia social de seleção de percursos de informação baseados 
na ação do usuário e em algoritmos torna-a propícia também à propagação 
de notícias falsas, as chamadas fake news. Elas são criadas com o objetivo de 
espalhar desinformação sobre determinado fato e são compartilhadas pelos 
usuários, cujas visões e percepções de mundo são reiteradas por essas notícias 
(RECUERO; GRUZD, 2019). Combater a propagação de fake news tem sido um 
dos desafios do jornalismo. Algumas iniciativas de checagem de fatos foram 
criadas para esse fim, como a Agência Lupa, o site Aos Fatos, entre outras.
ANDERSON, C. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Rio 
de Janeiro: Campus, 2006.
BARBOSA, S. Jornalismo convergente e continuum multimídia na quinta geração do 
jornalismo nas redes digitais. In: CANAVILHAS, J. Notícias e mobilidade: o jornalismo na 
era dos dispositivos móveis. Covilhã: LabCom, 2013.
BARSOTTI, A. Algoritmos como gatekeepers: os riscos para o jornalismo e para a so-
ciedade. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISADORES EM JORNALISMO, 16., 2018, 
São Paulo Anais [...]. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2018b. Disponível em: http://sbpjor.
org.br/congresso/index.php/sbpjor/sbpjor2018/paper/viewFile/1264/674. Acesso em: 
4 fev. 2020.
BARSOTTI, A. As máquinas não param: o jornalismo em rede na era da convergência 
de redações. Revista Líbero, v. 21, n. 41, p.143–154, 2018a.
BARSOTTI, A.; AGUIAR, L. A invisibilidade da home page e as mudanças nos modos de 
leitura das notícias. In: ENCONTRO ANUAL DA COMPÓS, 26., 2017, São Paulo. Anais [...]. 
São Paulo: Faculdade Cásper Líbero, 2017.
BELOQUIO, V. Convergência em meios digitais em Zero Hora multiplataforma: a amplia-
ção dos contratos de comunicação a partir da variação dos dispositivos jornalísticos. 
In: PRIMO, A. (org.). Interações em rede. Porto Alegre: Editora Sulina, 2013.
Propagação de conteúdos digitais
159
BRUNS, A. Gatekeeping, gatewatching, realimentação em tempo real: novos desafios 
para o jornalismo. Brazilian Journalism Research, v. 11, n. 2, p. 224-247, 2011.
CANAVILHAS, J. Do gatekeeping ao gatewatcher: o papel das redes sociais no ecossis-
tema mediático. In: CONGRESO INTERNACIONAL COMUNICACIÓN 3.0, 2., 2010, Espanha. 
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butivo da World Wide Web. Revista EPTIC, v. 9, n. 3, 2007.
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NEWMAN, N. Overview and key findings of the 2016 Report. Digital News Report, 2016. 
Disponível em: http://www.digitalnewsreport.org/survey/2016/overview-key-fin-
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para discussão. In: SOSTER, D.; SILVA, F. (org.). Metamorfoses jornalísticas 2: a reconfigu-
ração da forma. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2009.
RECUERO, R.; GRUZD, A. Cascatas de “fake news” políticas: um estudo de caso no 
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RECUERO, R.; ZAGO, G.; SOARES, F. Mídia social e filtros-bolha nas conversações po-
líticas no Twitter. In: ENCONTRO ANNUAL DA COMPÓS, 26., 2017, São Paulo. Anais 
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SCHMITT, V.; FIALHO, F. A cauda longa no jornalismo: como a teoria da cauda longa se 
aplica ao jornalismo. Revista Fronteiras — estudos midiáticos, v. 9, n.3, p. 197–204, 2007.
SHIRKY, C. A cultura da participação: criatividade e generosidade no mundo conectado. 
Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
ZAGO, G. Da circulação à recirculação jornalística: filtro e comentário de notícias por 
interagentes no Twitter. In: PRIMO, A. (org.). Interações em rede. Porto Alegre: Editora 
Sulina, 2013.
Leitura recomendada
JENKINS, H.; FORD, S.; GREEN, J. Cultura da conexão: criando valor e significado por meio 
da mídia propagável. São Paulo: Aleph, 2014.
 de conteúdos digitais Propagação
160
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Propagação de conteúdos digitais
161
DICA DO PROFESSOR
Assim como outros setores, a indústria jornalística teve que se adaptar ao contexto de 
abundância de informação da Internet. Hoje, os jornais não detêm mais o monopólio da 
informação, como era há algumas décadas. Ao contrário, eles compartilham e competem pela 
produção de conteúdo noticioso com amadores.
O tipo de consumo também mudou. O consumo de massa, preponderante no jornalismo 
industrial, dá espaço para um consumo de nicho, em que muitos produtos são consumidos por 
uma audiência seleta. Essas transformações fazem com que a indústria jornalística tenha que se 
reinventar.
Na Dica do Professor, entenda os impactos da cauda longa no modelo de negócios do 
jornalismo.
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EXERCÍCIOS
1) Em 1994, fundada por Jeff Bezos, a Amazon se consolidou como uma empresa
transnacional de tecnologia, com foco em comércio eletrônico. No Brasil, em 2012, foi
inaugurado o site da Amazon com o mesmo padrão da versão dos EUA. Só no setor
de livros, por exemplo,a empresa ampliou muito o seu repertório virtual. Em dois
anos de atuação, a empresa alcançou a marca de 2 milhões de e-books ofertados, em
língua portuguesa e estrangeira.
A Amazon tem um modelo de negócios baseado na cauda longa, que tem como foco:
A) o comércio de poucos produtos com preços mais caros.
B) o comércio de produtos depositados em estoques físicos e prateleiras.
162
C) o compartilhamento de produtos usados, por meio de redes sociais.
D) o comércio de hits de sucesso com preços baratos.
E) o comércio de muitos produtos armazenados em estoques digitais.
2) A cauda longa da economia gera modelos de negócios e transforma a própria cultura
de consumo de produtos midiáticos. Em suas palestras, Chris Anderson acentua o
fato de que essa lógica de funcionamento mostra que há gostos e interesses diferentes
entre as pessoas, como consumidores. A ideia se contrapõe radicalmente ao cenário
de mídias de massa, em que o consumo era padronizado.
Assinale a opção que caracteriza essa nova cultura de mercado.
A) Produtos focam em mercados de nichos específicos.
B) Consumo centralizado em hits do mercado.
C) Somente produtos com ampla divulgação são consumidos.
D) Produtos visam ao grande público, com interesses homogêneos.
E) Produtos de nicho não obtêm visibilidade para serem consumidos.
3) Uma notícia produzida por um jornal pode ser disseminada e circular em redes
digitais, acessando comunidades e públicos diversos.
Assinale a opção correta em relação à propagação de notícia nos meios digitais.
A) A notícia disseminada nas mídias sociais atinge todos os usuários uniformemente.
163
B) A tela do celular não se relaciona com outras plataformas.
C) A circulação da notícia nas mídias sociais depende dos algoritmos e da ação dos usuários.
D) A maioria dos leitores ainda consome notícias pelo acesso à homepage do jornal.
E) Os jornais tendem a ignorar a reação do público em relação às notícias.
4) As tecnologias digitais têm imposto transformações na distribuição de notícias.
Mídias sociais como Facebook, Twitter, Instagram, etc. concentram boa parte dos
acessos dos usuários às notícias. Essas plataformas são regidas por mecanismos
chamados de algoritmos. Sobre a natureza dos algoritmos, é correto afirmar:
A) Os algoritmos das redes sociais são programados segundo critérios jornalísticos.
B) Os diferentes mecanismos de busca são geridos pelos mesmos algoritmos.
C) Os algoritmos não têm poder de determinar regimes de visibilidade para a notícia.
D) Os algoritmos operam curadorias de conteúdo automatizadas.
E) Os jornais têm controle sobre a circulação da informação nas mídias sociais.
5) O fácil acesso às ferramentas de publicação de conteúdo e o barateamento dessas
lógicas de produção vêm transformando o cenário midiático atual. Diversos coletivos
jornalísticos independentes, como a Agência Pública, o Think Olga e outros emergem
devido a essas condições. É possível associá-las ao conceito de cauda longa, na medida
em que essas práticas ampliam o número de produtores de informação.
Dentre os impactos da cauda longa no jornalismo, pode-se apontar:
164
A) Critérios de relevância da notícia se mantêm estanques.
B) Público perde o poder de decidir o que é relevante.
C) Concentração na divulgação de notícias em poucos veículos de mídia.
D) Emergência de coberturas alternativas dos fatos por diversos atores.
E) Notícias imediatas ganham relevância diante de notícias antigas.
NA PRÁTICA
O modelo da cauda longa reconfigurou as indústrias e os modelos de negócios de diferentes 
setores. A indústria editorial, da música e do entretenimento, que costumavam girar em torno da 
venda de hits de sucesso, passam a funcionar segundo a lógica de nicho. Oferta-se todo tipo de 
conteúdo, em bibliotecas digitais imensas, para serem consumidos, em pequena quantidade, por 
públicos específicos. 
Nesta Na Prática, entenda como o efeito da cauda longa é observado nas indústrias da música, 
dos filmes, das séries e dos livros digitais.
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Laboratório de estudos sobre imagem e cibercultura
O Laboratório de Estudos Sobre Imagem e Cibercultura (Labic), do Departamento de 
Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), realiza mapeamentos e 
165
monitoramento da repercussão de notícias em mídias sociais. Confira a seguir.
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A cauda longa da informação e suas implicações no jornalismo: estratégias 
comunicacionais, remediação e des-reterritorialização
Neste texto, a pesquisadora Vivian Belochio reflete sobre as práticas colaborativas apropriadas 
pela indústria jornalística. Leia a seguir.
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TEDx Telefónica São Paulo - A cauda longa no jornalismo brasileiro
Confira, na palestra do TEDx Telefónica São Paulo, as reflexões de Gabriela de Paula sobre as 
mudanças no jornalismo e na comunicação corporativa trazidas pela cauda longa.
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166
O fact-checking no combate às fake news
APRESENTAÇÃO
O primeiro movimento de checagem de fatos pode ser situado na década de 1990, a partir do 
momento em que o jornalista Brooks Jackson, da CNN, passou a verificar informações de 
George Bush e Bill Clinton, então candidatos à presidência dos Estados Unidos. Isso mostra que 
a checagem de informações é um movimento anterior ao fenômeno conhecido como fake news, 
que se popularizou a partir das eleições presidenciais norte-americanas de 2014. As fake news 
ganham uma distinção ao se situarem no ambiente digital, em um contexto no qual novas formas 
de produção de informação se consolidam.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai ver a relação entre fact-checking e fake news a partir 
dos usos das agênicas e jornais, vai entender o conceito de fake news e compreender as 
iniciativas de combate à desinformação por meio da ferramenta de fact-checking.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar os usos do fact-checking por agências e jornais.•
Conceituar fake news.•
Analisar iniciativas de combate às fake news por meio do fact-checking.•
DESAFIO
Um relatório assinado por Wardle e Derakhashan (2017), e mencionado na tese de Taís Seibt 
(2019), oferece um conjunto de 34 sugestões para que se possa enfrentar a onda 
de desinformação na sociedade contemporânea. Uma das sugestões é que sejam desenvolvidas 
ferramentas para a verificação de fatos, outra é que haja investimentos em letrametno digital, 
uma forma de capacitar leitores para o consumo e compartilhamento mais consciente de 
informações nas redes sociais. Além do trabalho de agências especializadas na prática de fact-
checking, veículos de comumicação têm começado a desenlvolver seus próprios projetos, numa 
tentantiva de contribuir para a qualidade das informações e para promover uma valorização do
jornalismo. 
167
Assim, você deve apresentar um projeto que contenha:
a) Período em que será feita a checagem.
b) Critérios para escolha do material a ser checado.
c) Metodologia usada, de preferência com um passo a passo do processo.
d) Sugestão de material que possa ser compartilhado com o público no sentido de ajudar
a identificar fake news.
INFOGRÁFICO
O fact-checking, que ganha destaque em um cenário no qual proliferam notícias falsas, as fake 
news, surge como um novo mecanismo que busca elevar a credibilidade do jornalismo ao 
mesmo tempo que oferece transparência à sociedade no que diz respeito à produção de 
informações que circulam nas mídias sociais. A prática de fact-checking passa a ser vista como 
um novo "viés do jornalismo", como alternativa à fragilidade institucional do jornalismo diante 
das facilidades de produção e circulação de informação no ambientedigital. Surgiram, nas duas 
168
últimas décadas, movimentos de checadores de notícias em todo o mundo que, a partir de 2015, 
se reuniram em torno da rede International Fact-Checking Network (IFCN), vinculada ao centro 
de pesquisa Poynter, baseado na Flórida, com o objetivo de apoiar as iniciativas e contribuir 
para melhores práticas e intercâmbios na área. O fact-checking tem sido usado por veículos de 
comunicação, principalmente em períodos eleitorais, seja por meio de suas próprias estratégias 
de checagem ou por meio de agências de notícia especializadas em fact-checking.
Em 2017, o IFCN criou um código de princípios que devem ser seguidos por agências de fact-
checking que se empenham em combater fake news.
Confira, no Infográfico, quais são esses princípios. 
169
170
CONTEÚDO DO LIVRO
Vive-se em um ambiente comunicacional no qual há uma disputa pela informação e pela 
atenção. Nesse cenário, o jornalismo busca consolidar seus princípios relacionados à 
objetividade e ao compromisso com a verdade diante da proliferaçao de falsas informações, as 
chamadas fake news, que circulam na Internet, especialmente nas redes sociais digitais. O fact-
cheking surge como uma possibilidade no jornalismo, ao atuar na verificação de fatos e 
informações já noticiadas nos veículos de comunicação que viralizaram nas redes sociais e 
aplicativos de mensagens. O trabalho de checagem de fatos supõe que haja total transparência 
em relação às fontes de informção, metodologia e financiamento.
No capítulo O fact-checking no combate às fake news, da obra Jornalismo digital e cibercultura, 
base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você verá fact-checking e seus usos por jornais e 
agências de notícias, aprenderá sobre o conceito de fake news e, ainda, discutirá iniciativas de 
combate às fake news com o uso do fact-checking. 
Boa leitura.
171
O fact-checking no 
combate às fake news
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Identificar os usos do fact-checking por agências e jornais.
 Conceituar fake news.
 Analisar iniciativas de combate às fake news por meio do fact-checking.
Introdução
O fact-checking tem sido percebido como uma vertente do jornalismo 
nesse século XXI em um contexto de crenças seletivas e desinformação. 
A prática, que reúne agências especializadas em checagem de fatos em 
tempo integral e projetos que atuam em períodos pontuais ou sobre 
temas específicos, é um mecanismo de combate às fake news. Acredita-se 
que a prática pode contribuir para elevar a credibilidade do jornalismo, 
além de oferecer informação com mais transparência para a sociedade. 
Apesar de informações falsas não serem uma novidade, elas ganharam 
peso e passaram a fazer parte do imaginário da comunicação a partir 
das eleições presidenciais norte-americanas de 2014. 
Neste capítulo, você vai identificar os usos que agências de notícias 
e veículos de comunicação fazem do fact-checking, vai aprender sobre 
o conceito de fake news e ainda vai conhecer e analisar iniciativas de
fact-checking.
1 O uso do fact-checking por agências e jornais
A palavra crise já se incorporou ao imaginário do jornalismo, principalmente 
a partir de sua digitalização e presença nas mídias sociais. Trata-se de um 
termo que se encontra bastante associado a questões econômicas – tendo 
levado veículos de comunicação a enxugarem seus quadros — e aos novos 
172
modos de produção para multiplataformas. Algumas funções no jornalismo 
desapareceram no rastro desses novos modelos de produção e disseminação 
de informações, advindos da Internet, da cultura da conexão e da formação 
de redes digitais.
Mais recentemente, no entanto, podemos falar em outro tipo de crise. 
Apesar de também estar relacionada a questões econômico-financeiras, esta 
diz respeito à credibilidade do jornalismo como campo que produz informação 
de qualidade, relevante do ponto de vista do interesse público e confiável. 
Essa tentativa de reconquistar credibilidade, sempre em estado de tensão, tem 
sido resgatada a partir do movimento de checagem de fatos ( fact-checking), 
que articula jornalistas e agências de notícias na busca por combater o que se 
considera uma ameaça nos nossos tempos: a desinformação e as fake news.
Um estudo, apontado pela pesquisadora Nayane Silva (2017) em um artigo 
no qual analisa a publicidade em sua relação com o jornalismo e as fake 
news, mostra que pelo menos 42% dos brasileiros já haviam compartilhado 
notícias falsas nas redes sociais. A pesquisadora sugere então que há uma luta 
pela sobrevivência na era da informação e isso “demonstra como os jornais 
estão aproveitando esse momento para reforçar suas qualidades de critério e 
credibilidade, apoiando-se muitas vezes na publicidade e na popularização 
de funcionais ferramentas de checagem” (SILVA, 2017, p. 2).
O fact-checking, nesse contexto de crenças seletivas e desinformação, tem 
sido considerado uma vertente do jornalismo no século XXI como mecanismo 
de combate às fake news. Eis um mecanismo que, acredita-se, contribui para 
elevar a credibilidade do jornalismo e oferecer informação com mais transpa-
rência para a sociedade. Para isso, agências especializadas em fact-checking 
no mundo todo passam a usar como argumento uma das ferramentas mais 
fundamentais na prática do jornalismo: a apuração e checagem dos fatos a 
partir de fontes confiáveis e relatos objetivos e passíveis de serem comprovados. 
Essa prática da apuração e checagem toma rumos diferentes no movimento 
de fact-checking ao serem usadas para verificar informações já publicadas em 
veículos de comunicação, principalmente declarações de fontes oficiais, como 
políticos e ocupantes de cargos públicos. O trabalho nessa prática supõe total 
transparência no processo de verificação e produção das matérias, tornando 
públicos os seus compromissos e o passo a passo usado na checagem, inclusive 
em relação às fontes, o que torna possível ao leitor fazer sua própria verificação.
Convém destacar que a prática de fact-checking é anterior ao fenômeno 
das fake news, que se popularizam a partir de 2016. As pesquisadoras Costa 
e Nóbrega (2019) lembram que os primórdios da prática de checagem de fatos 
podem ser situados ainda nos anos 1990, quando o jornalista Brooks Jackson, 
O fact-checking no combate às fake news
173
da CNN, foi designado para checar as informações apresentadas pelos candi-
datos à presidência dos Estados Unidos George Bush e Bill Clinton durante 
a campanha eleitoral. 
2 O conceito de fake news
As mídias sociais, abrangendo em si as redes sociais digitais, são conside-
radas tanto ferramentas de democratização do acesso à informação quanto 
terreno fértil para a proliferação de fake news, tendo em vista o seu caráter 
comunicacional de todos para todos. Podemos considerar essas mídias como 
alternativas de informação e também como potencializadoras e produtoras 
de novas formas de relacionamento entre produtores de informação — entre 
eles, o jornalismo e as audiências. 
Fake news como a prática de divulgar informações falsas não chega a ser 
uma novidade, mas ganha nova roupagem a partir do modelo de comunica-
ção estabelecido no ciberespaço, em que os lugares do emissor/produtor de 
informação e do receptor não seguem um formato linear. Além disso, há o 
fenômeno da recirculação de informação, principalmente por meio das redes 
sociais digitais. Isso nos leva a pensar que compartilhar notícias falsas não 
é uma novidade, mas o modo como se compartilha atualmente está ligado 
à arquitetura das plataformas de redes sociais e dos aplicativos de troca de 
mensagens e compartilhamento de informações. 
No artigo “Fact-checking: a reinvenção do jornalismo em tempos de fake 
news”, Costa e Nóbrega (2019, p. 3) destacam que as fake news são um “ne-
gócio promissor e rentável” devido aos inúmeros compartilhamentos nas 
redes sociais, o que torna a produção do material um produto capaz de gerar 
engajamentoe servir à publicidade de produtos e serviços. Segundo elas, “essa 
disseminação se transformou em um ciclo que se retroalimenta: quanto mais 
compartilhamentos, mais lucro e geração de mais conteúdos inverídicos”. 
Estudiosos do fenômeno das fake news tentam compreender o que leva 
as pessoas a produzirem e compartilhares conteúdos falsos que alimentam 
a bolha virtual de usuários da Internet. Nesse processo, uma expressão que 
tem sido bastante invocada quando se tenta justificar atitudes de quem produz 
e dissemina conteúdos infundados, caluniosos ou inverídicos é a da “pós-
-verdade”. A expressão não é sinônimo de mentira, que seria um modo simplista 
de conceituar e refletir sobre o fenômeno. Pós-verdade é uma expressão que
sugere que as pessoas estão mais propensas a acreditar naquilo que se alinha
ao seu modo de pensar do que em argumentos que sustentem os fatos. Em
O fact-checking no combate às fake news
174
outras palavras, “pós-verdade expressa a ideia de que um fato concreto tem 
menos significância ou influência do que apelos à emoção e a crenças pessoais” 
(COSTA; NÓBREGA, 2019, p. 3). 
Na perspectiva da pós-verdade, então, a noção de fake news pode ser 
pensada como todo aquele conteúdo jornalístico que vai contra os princípios 
de quem toma conhecimento dele. Isso pode ser observado principalmente 
em relação à polarização política no mundo, em que grupos conservadores e 
progressistas, ao defenderem suas respectivas perspectivas ideológicas, são 
vistos pelos outro lado como produtores de inverdades sobre o tema. 
Contudo, essa definição não seria capaz de dar conta do fenômeno que se 
observa nos nossos dias e que ganhou fôlego sobretudo a partir das eleições 
presidenciais norte-americanas de 2016. Otávio Frias Filho (2018) vê como 
legítimo o direito de pessoas acreditarem nas versões que melhor se alinham às 
suas crenças, pois supõe a liberdade de pensamento, de crença e de imprensa. 
Ele destaca, no entanto, que é preciso distinguir a prática de fake news da 
crença ou de opiniões pessoais sobre um assunto ou fenômeno. 
Para Frias Filho, o termo fake news deve ser compreendido como “toda 
informação que, sendo de modo comprovável falsa, seja capaz de prejudicar 
terceiros e tenha sido forjada e/ou posta em circulação por negligência ou má-
-fé, neste caso, com vistas ao lucro fácil ou à manipulação política” (FRIAS
FILHO, 2018, p. 43). O jornalista destaca três pontos fundamentais que devem 
ser levados em consideração quando o tema for fake news:
1. Deve-se distinguir a prática da mera expressão de pontos de vista
individuais, falsos ou errôneos sobre determinado assunto ou aspecto
da realidade.
2. Deve-se também distinguir a divulgação eventual e esporádica de
notícias falsas (boatos ou declarações infundadas, por exemplo) de sua 
produção e divulgação sistemática.
3. Deve-se ainda atentar para o fato de que duas grandes empresas —
Facebook e Google — recebem a incumbência de selecionar e inibir a
prática de fake news.
Em sua tese de doutorado, na qual discute o fact-checking como um tipo 
ideal, a pesquisadora Taís Seibt (2019) faz uma reflexão sobre o que chama de 
“escalada de desinformação”. Ela destaca o fato de que empresas de plataforma 
de mídia assumiram, nas últimas décadas, as funções de “hospedagem, dis-
tribuição e monetização dos conteúdos”, transformando-se em “agregadores 
O fact-checking no combate às fake news
175
de notícias, informações pessoais e publicidade em texto, foto, áudio e vídeo” 
(SEIBT, 2019, p. 96). 
Mais significativo nesse modelo é que essas plataformas passaram não 
apenas a hospedar e distribuir conteúdos, mas também a ditar formatos e 
conteúdos jornalísticos, tornando-os lucrativos ao gerarem grandes audiências. 
Enquanto no senso comum a expressão “notícias falsas” e sua correspondente 
em inglês “fake news” se popularizaram, do ponto de vista teórico existe 
uma discussão sobre o conceito que extrapola a ideia de que seria apenas 
“uma mentira contada como se fosse uma notícia” (FRANCISCATO, 2017, 
documento on-line). 
Seibt faz uma revisão de algumas reflexões sobre o uso do termo e des-
taca a contradição presente no termo “notícias falsas”, conforme aponta o 
pesquisador Carlos Franciscato, para quem “qualquer ideia sensata sobre o 
que é notícia rejeita, por princípio, essa possibilidade de haver um derivativo 
‘falsa’” (FRANCISCATO, 2017, documento on-line). Já o pesquisador Eugênio 
Bucci (2018), citado por Seibt, sugere que ao tratar de fake news não estamos 
diante de informações equivocadas ou incorretas. Trata-se de uma prática de 
produção de notícias “fraudulentas” com o propósito de “fraudar os processos 
decisórios das democracias” (SEIBT, 2019, p. 99). 
Um elemento que costuma surgir quando se tenta conceituar fake news, 
algo ainda em construção dada a novidade do fenômeno, é a defesa da ideia 
de que o jornalismo trabalha com fatos confiáveis. Seibt (2019) aponta alguns 
tipos de conteúdos que não poderiam ser classificados como fake news por não 
terem a intenção, por parte de quem os produziu, de fraudarem ou enganarem 
as audiências:
 erros não intencionais;
 rumores que se originam de uma matéria em particular;
 teorias conspiratórias;
 sátiras ou peças de humor que possam ser interpretadas como verdadeiras;
 declarações falsas de políticos;
 artigos tendenciosos que expressem o ponto de vista do autor sobre
informações verdadeiras.
O fact-checking no combate às fake news
176
Há vários exemplos de checagem de fake news feitas por agências de notícias ou por 
projetos que têm por objetivo combater a desinformação nas redes sociais. Muitas 
iniciativas se dedicam, em períodos eleitorais, a verificarem declarações de candidatos 
durante campanhas, enquanto outras se empenham em identificar e desmentir boatos 
que viralizam nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. A Figura 1 exibe um 
exemplo desse tipo de atividade, publicado no site do projeto Comprova. 
Figura 1. Captura de tela de fact-checking por parte do projeto Comprova.
Fonte: Projeto Comprova (2018, documento on-line).
A imagem circulou nas redes sociais como se fosse a ativista sueca Greta Thunberg, 
com insinuações sobre o seu envolvimento com armas e violência. Durante a checagem, 
foi verificado que a imagem é de uma engenheira sueca, chamada Emy, que postou a 
foto em sua conta pessoal no Twitter e posteriormente fez uma postagem destacando 
sua semelhança com Greta. Esse é o tipo de informação falsa que tem o objetivo de 
manipular a opinião sobre determinado assunto, neste caso a questão climática e os 
ativismos nesse sentido, apelando para crenças que não têm relação com os fatos.
O fact-checking no combate às fake news
177
3 Iniciativas de combate às fake news por meio 
do fact-checking
Como vimos anteriormente, a prática de checagem de fatos no jornalismo não 
é nova, assim como não são novidades as “notícias falsas” na sociedade. Em 
relação às fake news, o termo ganha força e assume outras motivações, nessa 
última década, sobretudo a partir do seu uso intensivo em disputas políticas 
e eleitorais e sua disseminação nas redes sociais. A prática do fact-checking 
surge, então, com uma característica distinta da simples apuração e checagem 
no jornalismo, que é a verifi cação da veracidade de fatos já noticiados na mídia 
ou de declarações públicas feitas por políticos e autoridades.
Atualmente, são muitas as iniciativas de combate às fake news por meio 
do fact-checking e tem-se situado o início da prática, como já dissemos, 
em 1991, quando o jornalista da CNN Brooks Jackson passou a checar as 
informações apresentadas pelos candidatos à presidência George Bush e Bill 
Clinton durante a campanha eleitoral. Posteriormente, em 2003, esse mesmo 
jornalista fundou o site FactCheck.org, o primeiro no mundo a se dedicar 
exclusivamente à checagem de fatos. 
Costa e Nóbrega (2019) fizeram um apanhado dessas iniciativas em um 
artigo apresentado no XXII Encontro Nacional de História da Mídia, em Natal(RN). Segundo as pesquisadoras, a prática começou a tomar as feições que 
tem hoje a partir da criação do site Politifact.com, do jornal Tampa Bay Times, 
que se destacou na cobertura presidencial de 2008. A pesquisadora Taís Seibt 
(2019) lembra, no entanto, que o lançamento da plataforma foi antecedido por 
outras iniciativas em jornais e canais de televisão, como Washington Post, The 
New York Times, Los Angeles Times e ABC News. Iniciativas de checagem 
de fatos inspiraram a criação de uma rede internacional de colaboração — a 
International Fact-Checking Network (IFCN), ligada ao Poynter Institute, 
sediado Flórida. 
As primeiras iniciativas de checagem de fatos no Brasil surgiram em 2010, 
em contextos de eleições presidenciais, com a criação do Mentirômetro e do 
Prossessômetro, ambos da Folha de S. Paulo, que tinham por objetivo checar 
a veracidade das declarações dos candidatos durante os programas eleitorais. 
Nas eleições de 2014, a jornalista Cristina Tardáguila criou o blog Preto no 
Branco, hospedado no jornal O Globo e que tinha por objetivo classificar as 
declarações dos candidatos. Ainda em 2014, a Agência Pública criou o projeto 
Truco e, no ano seguinte, foram criadas as Agências Aos Fatos e Lupa. 
Em 2018, o portal G1 lançou a seção Fato ou Fake, em que jornalistas 
fazem um monitoramento diário a fim de identificar mensagens suspeitas e 
O fact-checking no combate às fake news
178
compartilhadas nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens. Além da 
equipe do portal G1, a iniciativa envolveu profissionais dos jornais O Globo, 
Extra e Valor, da Rádio CBN, da revista Época e das emissoras Globo News 
e TV Globo. 
Vinte e quatro meios de comunicação no Brasil se uniram no combate às fake news 
durante o período que antecedeu a eleição presidencial de 2018, criando o projeto 
colaborativo Comprova, com o objetivo de verificar boatos e informações falsas que 
circulavam nas redes sociais. Entre os participantes do projeto estão a Agence France-
-Presse no Brasil, BandNews, Canal Futura, Correio do Povo, Folha de S. Paulo, Gazeta 
do Povo, Jornal do Commercio, Metro Brasil, Nexo Jornal, O Estado de S. Paulo, Poder360, 
revista Piauí, Rádio Bandeirantes, SBT, UOL e Veja. (AFP, 2018). O projeto foi lançado
no dia 6 de agosto de 2018, sob coordenação da Associação Brasileira de Jornalismo 
Investigativo (Abraji), com apoio do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo 
(Projor) e suporte técnico e financeiro de Google e Facebook. Passado o período
eleitoral, o Comprova encontra-se em uma segunda fase, realizando a checagem de 
informações que se referem a ações do governo federal (PROJETO COMPROVA, 2018).
AFP. Aliança de 24 veículos de comunicação combaterá 'fake news' no Brasil. Estado de 
Minas, 28 jun. 2018. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/internacio-
nal/2018/06/28/interna_internacional,970081/alianca-de-24-veiculos-de-comunicacao-
-combatera-fake-news-no-brasil.shtml. Acesso em: 05 jan. 2020.
COSTA, L. M.; NÓBREGA, L. B. Fact-checking: a reinvenção do jornalismo em tempos 
de fake News. In: ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 17., 19 A 21 jun. 2019. 
Natal, RN, Alcar, 2019. Disponível em: http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/
encontros-nacionais/12o-encontro-2019/gt-2013-historia-do-jornalismo/fact-checking-
-a-reinvencao-do-jornalismo-em-tempos-de-fake-news/view. Acesso em: 05 jan. 2020.
FRANCISCATO, C. ‘Notícia falsa’ não existe [atualização de Status]. Facebook, 21 fev. 2017. 
Disponível em: https://www.facebook.com/carlos.franciscato/posts/13684363398942
92?pnref=story. Acesso em: 05 jan. 2020.
O fact-checking no combate às fake news
179
FRIAS FILHO, O. O que é falso sobre fake news. Revista USP, São Paulo, n. 116, p. 
39–44, jan./mar. 2018. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/
view/146576/140222. Acesso em: 05 jan. 2020. 
SEIBT, T. Jornalismo de verificação como tipo ideal: a prática de fact-checking no Brasil. Tese 
(Doutorado) — Pós-graduação em Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul, Porto Alegre, 2019. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/han-
dle/10183/193359/001092320.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 05 jan. 2020.
SILVA, N. M. R. Fake News: a revitalização do jornal e os efeitos do Fact-Checking e 
Cross-Checking no noticiário digital. In: INTERCOM — SOCIEDADE BRASILEIRA DE 
ESTUDOS INTERDISCIPLINARES DA COMUNICAÇÃO, CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA 
COMUNICAÇÃO NA REGIÃO NORDESTE, 19., Fortaleza — CE, 29 jun. a 01 jul. 2017. 
Anais [...]. 2019. Disponível em: http://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2017/
resumos/R57-0191-1.pdf. Acesso em: 05 jan. 2020.
PROJETO COMPROVA. 2018. Disponível em: https://projetocomprova.com.br/. Acesso 
em: 05 jan. 2020.
Leituras recomendadas
BORTOLOTTI, P. Eugênio Bucci: “É evidente que caminhamos para um jornalismo me-
lhor”. Entrevista. Jornal O Povo, 7 jan. 2018. Disponível em: https://bit.ly/eugeniobucci. 
Acesso em: 05 jan. 2020.
D’ANCONA, M. Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de fake news. 
Barueri: Faro, 2018. 
PORTAL IMPRENSA. Maio de 2019. 10+ da Comunicação: fact-checking no Brasil. 23 
maio 2019. Disponível em: http://portalimprensa.com.br/imprensa+educa/conteud
o/82115/10++da+comunicacao+fact+checking+no+brasil. Acesso em: 29 dez. 2019.
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
O fact-checking no combate às fake news
180
DICA DO PROFESSOR
O estudo "Desordem informacional", citado por Taís Seibt (2019) em sua tese de doutorado, 
rejeita o uso do termo fake news por considerar o adjetivo falso como incompatível com o 
signficado do substantivo notícia. Naquele relatório, os autores sugerem que se use, no lugar de 
fake news, três tipificações: informação errada, desinformação e informação mal-intencionada. 
A grande questão que se coloca para o jornalismo e para a sociedade é o alcance e as 
consequências que as fake news adquirem ao serem produzidas e circularem nas redes sociais.
Nesse sentido, é importante que se estabeleça uma diferença entre informações equivocadas 
produzidas de forma involuntária e aquelas produzidas intencionalmente para causar algum 
dano ou interferir na opinião pública.
Nesse contexto é que a prática de fact-checking ganha relevância para o jornalismo e para a 
sociedade. Confira mais na Dica do Professor. 
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EXERCÍCIOS
1) O fact-cheking surge em um contexto de crenças seletivas e de desinformação. A
prática tem sido considerada uma vertente do jornalismo no século XXI como
mecanismo de combate às fake news.
A prática do fact-checking usa duas importantes ferramentas na produção da notícia,
que são:
A) Observação e imaginação.
B) Computador e fontes oficiosas.
C) Apuração e checagem dos fatos.
181
D) Edição e redes sociais.
E) Redes sociais e opinião.
2) Estudiosos do fenômeno das fake news tentam compreender o que leva as pessoas a
produzirem e compartilharem conteúdos falsos que alimentam a bolha virtual de
usuários da Internet.
Uma expressão que surge associada à produção de notícias falsas é pós-verdade, que
pode ser definida como:
A) Uma mentira contada diversas vezes até que se incorpore ao imaginário popular e seja
percebida como verdadeira.
B) A ideia de que um fato concreto tem menos significância ou influência do que apelos à
emoção e a crenças pessoais.
C) Tudo aquilo que sucede a verdade contada pelo jornalismo, tendo como principal
característica ir além da verdade.
D) Uma alternativa ao uso da palavra mentira, já que remete a uma expressão mais científica
e que desperta mais atenção.
E) Uma expressãoque qualifica o comportamento de pessoas que assumem publicamente o
compromisso com a verdade.
3) O jornalista Otávio Frias Filho (2018) aborda a questão das fake news e manifesta
sua preocupação com a confusão que possa haver sobre o que seja "notícia falsa" e o
que pode ser simplesmente um equívoco de abordagem ou de apuração cometidos
pelo jornalismo. Em um artigo, ele destaca alguns pontos que devem ser considerados
para se analisar se estamos diante de uma fake news. Um deles seria:
182
A) Saber diferenciar a prática de fake news da mera expressão de pontos de vista individuais
sobre um tema.
B) Entender que só é possível classificar como fake news uma informação produzida por
veículos de comunicação.
C) Fake news só devem ser alvo de preocupação da sociedade e de veículos de comunicação
em períodos eleitorais.
D) Devemos considerar que as fake news não usam imagens, pois elas não irão corresponder
às mentiras contadas.
E) A partir do surgimento das agências de fact-checking, não há mais motivo para
preocupações com fake news.
4) Um elemento comum quando se tenta conceituar fake news, um conceito ainda em
construção do ponto de vista teórico, é a defesa da ideia de que o jornalismo trabalha
com fatos confiáveis e verificáveis. Alguns conteúdos não devem ser classificados
como fake news. Assinale a alternativa que apresenta esse tipo de conteúdo.
A) Notícias com dados de pesquisas inexistentes.
B) Imagens manipuladas.
C) Invenção de fontes de informação.
D) Teorias conspiratórias e erros não intencionais.
E) Alteração de dados de pesquisas.
5)
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Iniciativas de checagem de fatos inspiraram a criação de uma rede internacional de 
colaboração – a International Fact-Checking Network (IFCN), ligada ao Poynter 
Institute, que tem sede na Flórida. As primeiras iniciativas de checagem de fatos no 
Brasil surgiram, em 2010, com a criação de duas ferramentas pelo jornal Folha de S. 
Paulo, que foram:
A) Preto no Branco.
B) Agência Lupa.
C) Agência Aos Fatos.
D) Mentirômetro e Impostômetro.
E) Projeto Truco.
NA PRÁTICA
A expressão fake news tem sido usada para caracterizar um tipo de informação jornalística 
mentirosa, produzida de forma deliberada e com a intenção de causar algum tipo de prejuízo à 
sociedade ou a parte dela. É uma prática que, como aponta Seibt (2019) a partir de uma revisão 
de literatura sobre o tema, não trata apenas de uma mentira contada no formato jornalístico. 
Apesar da circulação de notícias falsas não ser uma novidade, pesquisadores da área apontam 
que há razões para que elas estejam ocupando tanto espaço. Uma dessas razões seria a queda das 
barreiras de entrada para a indústria da mídia, uma vez que criar um site e gerar receita com 
conteúdo é algo relativamente fácil e acessível. O fact-checking, como uma prática 
jornalística focada em verificar a veracidade de informações que circulam nas redes sociais, é 
uma tentativa de minimizar os efeitos causados pelas fake news.
Confira, neste Na Prática, o caso das eleições francesas em 2017, em que 37 veículos de mídia 
se uniram e lançaram o projeto CrossCheck, voltado à investigação e à revelação de informações 
falsas que poderiam exercer algum tipo de influência na eleição francesa.
184
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SAIBA MAIS
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do 
professor:
Como funciona a engrenagem das notícias falsas no Brasil
Leia a reportagem que mostra como funciona a fábrica de títulos sensacionalistas e inverdades 
que se disseminam nas redes sociais. A reportagem nomeia sites de notícias criados para 
produzir falsas informações e informa como elas monetizam esses sites a partir de suas 
audiências.
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Dossiê pós-verdade e jornalismo
Confira esse dossiê que lança luz sobre fake news e pós-verdade, duas expressões que se 
popularizaram e têm desafiado a sociedade tanto no sentido de entender os fenômenos quanto 
para combatê-los.
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Jornalismo, fake news e desinformação: manual para educação e treinamento em 
jornalismo
Confira essa publicação que tem por objetivo contribuir para o fortalecimento do ensino de 
jornalismo. Trata-se de um manual que ajuda professores, estudantes e profissionais a 
navegarem pelos diversos aspectos relacionados à produção e circulação de falsas informações.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
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