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Hidratação Perioperatória 1
⛲
Hidratação Perioperatória
Bárbara Aguiar dos Santos 
Medicina UFMG - Turma 158 
Hidratação Perioperatória 
Sempre que há interrupção da dieta por tempo prolongado, contexto comum ao de cirurgias, o paciente deve receber hidratação, 
eletrólitos e glicose; 
A via mais comum de administração destes substratos é endovenosa (sorotepia), a qual pode ser mantida por até sete dias, caso o 
paciente esteja com a nutrição adequada. 
Pacientes desnutridos devem ser mantidos em soroterapia por apenas cinco dias; 
Caso seja necessário nutrir o paciente por tempo superior a cinco-sete dias, deve-se recorrer a alternativos como nutrição enteral ou 
parenteral; 
❗ Fisiologia dos Líquidos Corporais 
Cerca de 50 a 60% do peso corporal de um adulto é composto de água. Destes, 2/3 correspondem ao fluido intracelular e 1/3 ao 
líquido extracelular (LEC). O LEC ainda é formado em 80% por fluido intersticial e em 20% por plasma. 
Distribuição normal de eletrócitos em micromol/L no plasma de uma pessoa saudável: 
Na+ K+ Ureia Cl- Mg2+ Ca2+ HPO42- Creatinina
135 - 145 3.5-5 3.5-10 95-105 0.7-1 1.03-1.23 0.8-1.5 70-110
A ROT provoca perda de líquido intravascular para o espaço intersticial (edema do 3º espaço);
O edema do 3º espaço então consiste no acúmulo de água, eletrólitos e proteínas em locais como peritônio, alças intestinais e cavidade 
pleural. 
Aumenta o risco de hipovolemia. 
O desequilíbrio hidroeletrolítico provocado pelas cirurgias ainda pode contar com os seguintes fatores causais associados: 
Redução da ingestão alimentar (jejum pré-operatório);
Aumento das perdas de acordo com a magnitude da operação; 
Vasodilatação pelo uso de drogas anestésicas; 
Reposição volêmica perioperatória. 
O principal objetivo da hidratação venosa é preservar as funções de órgãos vitais durante a cirurgia por meio da manutenção do volume 
intravascular adequado no perioperatório; 
A administração indiscriminada de líquido no pós-operatório pode causar danos ao paciente, como sobrecarga hídrica, desidratação e 
distúrbios hidroeletrolíticos (DHE); 
A prescrição de hidratação venosa no pós-operatório deve ser individualizada e deve levar em consideração o estado prévio de 
hidratação do indivíduo, o porte da cirurgia, o tipo de anestesia, etc.;
O sinal mais precoce de sobrecarga hídrica é o aumento do peso corporal do paciente, de modo que sempre deve-se pesá-lo antes da 
cirurgia e todos os dias do pós-operatório; 
Espera-se que o paciente perca peso no pós-operatório, devido ao catabolismo, de modo que sempre que houver aumento do peso, 
deve-se suspeitar de edema do 3º espaço. 
A hidratação venosa deve: 
Ser o mais fisiológica possível - sem ser matematicamente exata; 
Respeitar as especificidades do paciente; 
Respeitar as necessidades diárias de água, calorias e eletrólitos; 
Respeitar o balanço hídrico; 
Ser avaliada clinicamente periodicamente; 
Eventualmente derivar de exames laboratoriais. 
Hidratação Perioperatória 2
Prescrição da Hidratação Venosa 
Etapas 
Cálculo das necessidades diárias; 
Cálculo do balanço hídrico (BH);
Redefinição das necessidades diárias; 
Prescrição da HV - esquemas de soro. 
Necessidade Diária de Água 
Varia com o sexo, com o peso corporal atual e na distribuição dos eletrólitos nos diferentes compartimentos; 
Quanto ao peso, são exceções pacientes obesos, gestantes e pacientes com edema significativo. Nestes casos, deve-se usar o peso 
ideal ou o peso ajustado; 
A necessidade de água varia de 30 a 55 mL/Kg de peso; 
Mulheres: 35 mL/Kg; 
Homens: 40 mL/Kg. 
Idosos, desnutridos, superobesos e pacientes com comorbidades: 30 mL/Kg; 
Atletas e indivíduos com grande massa muscular: 45 a 55 mL/Kg. 
Necessidades Diárias de Eletrólitos 
Sódio: 1.0 a 1.5 mEq/Kg de peso. 
Limite inferior: idosos, desnutridos, outras comorbidades. 
Potássio: 1.0 mEq/Kg de peso. 
Cloro: 1.5 a 2.0 mEq/Kg de peso. 
Necessidade Diária de Glicose 
1g de glicose equivale a 3,4 Kcal; 
100g a 200g de glicose é o suficiente para manter a energia do paciente no pós-operatório; 
O esquema é realizado da seguinte forma: 
100g de glicose no pós-operatório imediato; 
150g de glicose no 1º dia pós-operatório; 
200g de glicose no 2º dia pós-operatório. 
Balanço Hídrico 
Diferença entre os ganhos e as perdas de água e eletrólitos em um período de 24 horas; 
Os ganhos de água apresentam as seguintes origens: 
Água oral ou endovenosa; 
O balanço hídrico de um adulto saudável gira em torno de zero. 
Hidratação Perioperatória 3
Água endógena produzida pelo catabolismo de substâncias (aprox. 500 mL). 
As perdas de água decorrem de:
Perspiração: perdas insensíveis pela respiração e pela transpiração (aprox 1000 mL);
Diurese; 
Perdas adicionais (vômitos, diarreias, febre, drenos, ostomias, fístulas entéricas, etc.). 
As perdas insensíveis podem ser superiores às habituais quando a temperatura do paciente encontra-se elevada, quando a temperatura 
ambiente está elevada e se o paciente estiver com taquipneia. 
O líquido perdido para o interstício pode retornar à circulação por volta do terceiro dia de pós-operatório, o que pode provocar uma 
sobrecarga do sistema hídrico. 
Este evento pode ser percebido pelo aumento súbito da diurese, provocando um balanço hídrico negativo. 
A diurese ideal varia de 0.5 a 1.0 mL/Kg/hora (sinal indireto de boa hidratação). 
Caso o balanço hídrico calculado do paciente fique entre -300mL e +300mL, considera-se que o balanço está equilibrado;
Balanço hídrico positivo: 
Geralmente, estas são perdas isentas de eletrólitos. 
Hidratação Perioperatória 4
Administração aumentada de líquido; 
Retenção hídrica; 
Falta de eliminação renal adequada. 
Balanço hídrico negativo: 
Reposição inadequada de líquido;
Retorno do líquido sequestrado; 
Aumento excessivo da diurese. 
Soluções para Soroterapia 
SGI: Soro Glicosado Isotônico; SGH: Soro Glicosado Hipertônico. 
Hidratação Perioperatória 5
Coloides
Exemplos: 
Albumina; 
Gelatinas; 
Dextran. 
São utilizados para reposição volêmica porque são absorvidos e permanecem no meio intravascular. 
Administração da Soroterapia 
Os dois meios de administração mais utilizados são: gotejamento ou bomba de infusão; 
A bomba de fusão permite um controle melhor do volume prescrito, mas é mais utilizada em terapia intensiva, em pacientes graves ou 
na pediatria; 
Cálculo da Velocidade de Infusão 
Pode-se fazer a prescrição em mL/hora (geralmente quando se faz uso da bomba de infusão), ou em gotas/minutos (quando se faz uso do 
método de gotejamento); 
❗ Importante lembrar que 1 mL = 20 gotas. 
Deste modo, quando se calcula a velocidade em mL/hora, basta dividir por 60 para encontrar o valor de mL/minuto e, em seguida, 
realizar uma regra de três para encontrar o número de gotas equivalentes. 
Na prática, deve-se sempre prescrever números múltiplos de quatro. 
V elocidade = V olumetotal/Tempototal