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Alterações metabólicas no jejum

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Alterações metabólicas no jejum
Jejum
No dicionário, jejum significa a abstinência de alimentos. No conceito metabólico, é o desencadeamento uma sucessão de reações em diversos órgãos para contornar a ausência de nutrientes e manter o metabolismo basal. O estado de jejum pode ser dividido em duas etapas: estado inicial e estado prolongado. Cada um deles corresponde a uma série de mecanismos para tentar suprir as necessidades do organismo.
Alterações Metabólicas
O Metabolismo é um conjunto de reações imprescindíveis para a manutenção dos processos vitais. Pode ser classificado em Catabolismo e Anabolismo. O Catabolismo consiste em reações de degradação para obtenção de energia. Já o Anabolismo, reações de síntese a partir de pequenas moléculas. As alterações metabólicas são mecanismos que o organismo cria para reverter ações contrárias a homeostase. Elas são consequência da carência nutricional e de fatores externos, como emocionais. Essas alterações são mais perceptíveis em determinados órgãos, os quais realizarão certas reações específicas.
Órgãos Principais
Fígado
Maior glândula do corpo humano com grande capacidade regenerativa. É um dos centros das reações metabólicas, e em situação de jejum realiza majoritariamente a glicogenólise, a gliconeogênese, a oxidação de ácidos graxos e a síntese de corpos cetônicos.
Tecido Adiposo
É responsável pela estocagem e liberação de ácidos graxos. Em caso de necessidade, como no jejum, degrada triacilglicerois em ácidos graxos e glicerol.
Musculo Esquelético
Necessita de muita energia, por isso apresenta um armazenamento próprio de glicogênio. No entanto, esse estoque não o sustenta por muito tempo. Por isso, depois da falta de seu combustível principal, começa a utilizar corpos cetônicos e ácidos graxos 
Cérebro
Os neurônios utilizam predominantemente glicose como fonte energética. Entretanto, não conseguem armazená-la. Por isso, dependem da corrente sanguínea para sua obtenção. Recebem a glicose prioritariamente quando esta está em falta. Depois de algum tempo de jejum, quando não há mais glicose, passam a utilizar corpos cetônicos. A ausência de nutrientes pode causar danos cerebrais irreversíveis.
Regulação hormonal dos processos metabólicos envolvidos com o jejum
A Insulina e o Glucagon são hormônios produzidos nas ilhotas pancreáticas que agem de forma antagônica: o que um estimula, o outro inibe. Isto é facilmente observado nas suas ações no metabolismo. O Glucagon estimula a Glicogenólise, a Gliconeogênese, a formação de Corpos cetônicos, a Lipólise; ou seja, regula positivamente todos os processos que atuam no jejum. Já a Insulina os inibe, estimula processos como a Glicólise, Glicogênese, a síntese de triacilglicerois, e a síntese de proteínas; ou seja, está associada a processos que atuam em indivíduos bem nutridos. Portanto, o glucagon tem efeitos catabólicos, enquanto os da insulina são anabólicos. 
Jejum – Estado Inicial
Nas primeiras horas do jejum, é realizada a glicogenólise, processo que ocorre mediante a quebra do glicogênio. Esse processo pode ocorrer no fígado, nos rins e nos músculos, mas neste seu produto é exclusivo. É regulado por ação do hormônio glucagon de maneira positiva e da insulina de maneira negativa. Após cerca de 4 horas, começa a ser realizada a gliconeogênese, principalmente no fígado. Corresponde a formação de glicose a partir de substâncias não glicídicas, tais como aminoácidos e glicerol; é regulada pela ação da Acetil coA e, novamente, do glucagon. Após cerca de 12 horas, a gliconeogênese se torna predominante, já que o estoque de glicogênio está diminuindo e, dependendo da situação, tende a acabar em menos de um dia. Por isso, após um dia de jejum, a glicogenólise deixa de ocorrer. Ainda no estado inicial, começa a degradação de triacilglicerois, em ácidos graxos e glicerol. Os ácidos graxos passam a ser usados como combustível para os músculos, assim como os corpos cetônicos, devido a preferência que os neurônios e as hemácias tem pela glicose.
Em caso de ingestão de alimentos ainda nesse estado inicial, a glicose será, inicialmente, utilizada para repor o estoque de glicogênio, tanto hepático quanto muscular.
Jejum – estado prolongado
Após alguns dias de inanição, o organismo priorizará o fornecimento de glicose para os neurônios e para as hemácias; os outros tecidos passam a depender de corpos cetônicos, com exceção do fígado, e da gliconeogênese realizada a partir de glicerol e aminoácidos e. No entanto, o glicerol corresponde a uma parcela muito pequena da glicose formada, passando o organismo a depender quase que exclusivamente dos aminoácidos. Devido a necessidade da manutenção das proteínas, o organismo sofre severas adaptações. Uma delas é a mudança da fonte alimentar dos neurônios, que passam a aceitar corpos cetônicos, já que estes são produzidos em excesso devido a grande quantidade de acetil coA presente, considerando a interrupção da glicólise, e sua produção durante a oxidação de ácidos graxos. Uma das grandes desvantagens dos corpos cetônicos são a sua característica ácida, alterando o pH sanguíneo, impossibilitando o funcionamento do tampão do plasma, caracterizando uma cetoacidose. Esse uso dos corpos cetônicos mantém o organismo até quase todo o estoque de triacilglicerois ser consumido, já que a alta concentração de corpos cetônicos reduz a proteólise, que é a degradação de proteínas. Quando o acúmulo de gorduras terminar, a proteólise reiniciará. No momento em que deixar de existir proteínas para este processo, o indivíduo morre. 
 
Referências Bibliográficas
Anita Marzocco
Stryer
Voet
Lehninger
Dangelo e Fattini