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1 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA 2M3 – TRAUMA NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL O trauma cranioencefálico (TCE) é um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, responsável por altas taxas de morbidade incapacitante e mortalidade decorrentes predominantemente de ferimentos por arma de fogo (PAF), quedas e acidentes de trânsito. Por incidir principalmente na população jovem e na faixa etária economicamente ativa do sexo masculino, acentua os problemas socioeconômicos populacionais, especialmente nos países pobres ou em desenvolvimento, onde estes índices são mais elevados. Na avaliação inicial de um paciente vítima de TCE, é imprescindível esclarecer se há lesão traumática intracraniana e qual é a natureza da lesão porventura existente para definir se o tratamento será clínico ou cirúrgico. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é o indicador clínico mais utilizado para se mensurar a gravidade do TCE; entretanto, é um me ́todo inespecífico, uma vez que pacientes igualmente apresentando baixos escores nessa escala podem ter diferentes tipos de lesão traumática intracraniana e, portanto, prognósticos e tratamentos diferentes. Próximo a 8 já intuba o pct. Abaixo de 15 (qualquer alteração) já é indicação de tomografia/exame de imagem pensando em mecanismo de trauma. Radiografia simples do crânio, tomografia computadorizada, ressonância magnética e angiografia digital são os principais métodos por imagem utilizados nesses pacientes. Raio x, escala 15 para observar fratura e edema de partes moles. TC – se tiver alteração na Glasgow RNM – limitações pois é mais caro Angiografia – não utiliza muito na prática RADIOGRAFIA SIMPLES: Não é capaz de excluir lesão intracraniana, tendo índices falso-negativos de até 80%, e também, inversamente, a presença de fratura craniana na radiografia simples não necessariamente indica lesão intracraniana. Portanto, não é um método que deva ser utilizado com a finalidade de selecionar pacientes para a TC. Tem seu valor não como método decisivo, mas como coadjuvante à TC. Escala 14 não adianta raio X. TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA: É o método por imagem mais adequado no atendimento inicial ao paciente vítima de TCE, pois, quando comparada à RM, e ́ mais disponi ́vel, tem menor custo, é mais sensível à caracterização de fraturas cranianas e detecta hemorragias agudas com alta sensibilidade, permitindo rapidamente a identificação de lesões potencialmente fatais que necessitem de tratamento cirúrgico imediato. Mais rápida que a RNM. RESSONÂNCIA MAGNÉTICA: Permite excelente definição das estruturas encefálicas, muito superior em relação à TC, gerando imagens multiplanares, sendo um método mais sensível do que a TC para a detecção de lesões intracranianas, especialmente aquelas não hemorrágicas, hemorrágicas de pequeno volume ou de localização profunda ou infratentorial. Porém, a RM tem algumas restrições que impossibilitam sua larga utilização no atendimento inicial à vítima de TCE; entre elas: alto custo, menor disponibilidade, maior tempo de execução do exame e elevado campo magnético. INDICAÇÕES: Algumas indicações já estão bem estabelecidas, sendo consenso na literatura: perda da consciência ou amnésia, ECG menor que 15, déficit neurológico focal, suspeita de intoxicação, trauma craniano visível, extremos de faixa etária e história de coagulopatias. Extremos de idade mesmo sendo lesões leves. CLASSIFICAÇÃO DO TRAUMA: As lesões causadas por TCE podem ser classificadas de duas formas principais: 2 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA • lesões focais e difusas ou l • esões primárias e secundárias. As lesões traumáticas primárias são originadas diretamente do evento traumático inicial: neste grupo se incluem as lesões do couro cabeludo, as fraturas cranianas e vários tipos de lesões intracranianas. As lesões traumáticas secundárias são danos que ocorrem em consequência das reações fisiológicas regionais ou sistêmicas em resposta ao trauma inicial. Neste grupo se incluem edema, herniação e infarto cerebral, hemorragia secundária. Focais: limitadas a um segmento do tecido. Difusa: acometimento difuso pelo parênquima. Primárias: aparecem segundos ou horas após. Secundárias: pct que sofre uma queda de manhã e até 72h após surge alguma alteração. LESÕES TRAUMÁTICAS PRIMÁRIAS: Fraturas cranianas e lesões superficiais extracranianas: Lesões dos planos superficiais extracranianos estão presentes na grande maioria dos traumatismos cranianos. Na TC, observa-se aumento volumétrico e densificação da gordura do subcutâneo, indicando sinais de contusão dos tecidos superficiais. Esses achados podem ser superponíveis aos de infeções dos tecidos superficiais e a correlação com a história clínica é fundamental. Fratura e conteúdo de ar. Mesmo paciente com corte mais abaixo. Fratura na colota. Fratura na base da órbita direita. Edema das partes moles. Radiografia tb consegue analisar fraturas. Trauma cranioencefálico penetrante: 3 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Entre os ferimentos cranioencefálicos penetrantes, o mais prevalente é o PAF, sendo uma das mais importantes causas de óbito ou de sequelas permanentes nos pacientes vítimas de TCE. A gravidade desse ferimento depende do tipo de projétil. Edema de partes moles nas duas laterais. Imagem hiperdensa, calota integra. Abaixo um pouco – irregularidade na calota. Solução de continuidade na calota. Projétil. Hemorragias extra-axiais traumáticas: Há quatro tipos básicos de hemorragia extra-axial traumática: • hematoma extradural (Epidural) • hematoma subdural • hemorragia subaracnoide • hemorragia intraventricular. Hematoma extradural/epidural Hematoma extradural (HED) é uma coleção hemorrágica localizada entre a tábua interna da calota craniana e a dura-máter, no espaço extradural. A maioria dos HED (85 a 95%) tem sua origem a partir de uma fratura craniana lacerando ramos arteriais meníngeos ou seios venosos durais. Classicamente, o HED apresenta-se à TC como uma coleção extra-axial que afasta o córtex da tábua interna da calota craniana, tendo formato de uma lente biconvexa homogeneamente hiperatenuante. 4 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Pequena lesão na região direita. Sobe o corte – lesão hiperdensa. Hematoma epidural – visão biconvexa. Tem desvio da linha média. Ventrículomegalia do lado direito, no lado esquerdo o ventrículo está apagado. Ventrículo lateral esquerdo com hemorragia dentro dele. Mesmo pct hemorragia e desvio da linha média. 5 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Lesão biconvexa (limão), hiperatenuante, hiperdensas em relação ao normal. Hematoma subdural: O hematoma subdural (HSD) localiza-se no espaço subdural, em geral ao longo das convexidades corticais, da foice cerebral ou da tenda cerebelar, frequentemente causando acentuados desvios das estruturas encefálicas da linha mediana e herniações cerebrais. O HSD agudo classicamente apresenta-se à TC como uma coleção hiperatenuante de morfologia semelhante a uma lente côncavo-convexa, com sua face côncava amoldando-se geralmente à convexidade cortical. Cerca de 40% dos HSD apresentam valores de atenuação heterogêneos, com áreas hiperatenuantes e hipoatenuantes mescladas, representando sangue não coagulado, diferentes fases do desenvolvimento do coágulo ou liquor proveniente de uma laceração aracnoide. Os HSD isoatenuantes, por terem a mesma atenuação que o parênquima encefálico são de difícil visualização. Os HSD crônicos estáveis classicamente apresentam-secomo uma coleção hipoatenuante homogênea à TC. Coleção hiperatenuante. Côncavo-convexa (lua crescente). Crônico vai ficando hipoatenuante. Edema de partes moles, hematoma subudral lado direito? Desvio da linha média. Ventrículo esquerdo dilatado e direito comprimido. Hematoma, edema e alteração dos ventrículos na linha média. 6 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Hematoma e hemorragia intraparenquimatosa (hipersinal) Lesões hipo e hiper Subagudo hipodensa. 7 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Hemorragia subaracnoide traumática: Hemorragia subaracnoide traumática consiste em extravasamento de sangue ao espaço subaracnoide em decorrência de laceração de artérias ou veias corticais que cursam por este espaço, ou por extensão de hemorragia proveniente de contusões corticais. Está presente na maioria dos casos de TCE moderados ou graves e classicamente localiza-se na cisterna interpeduncular ou silviana, podendo ocorrer em qualquer região do espaço subaracnoide. Na TC é identificada como conteúdo hiperatenuante preenchendo as cisternas e os sulcos corticais. Preenche os sulcos, que ficam mais proeminentes. Sulcos proeminentes, algum grau de comprometimento neurológico. Foice preenchida, hiperdensas e sulcos tb hiperdensos. Em A nota-se hiperdensidade na cisterna suprasselar (seta preta), fissura inter-hemisférica (seta branca maior), cisterna cerebelopontina (cabeça de seta preta) e fissura sylviana (seta branca menor). Observa- se, ainda, hidrocefalia secundária no ventrículo lateral (cabeça de seta branca. Em B visualiza-se hiperdensidade moderada nos espaços suprasselares (seta menor) e cisternas perimesencefálicas (seta maior). Na foice, na cisterna e na artéria cerebelar. Lesão axonal traumática: A lesão axonal traumática (LAT) foi introduzida nos últimos 20 anos como uma entidade clinicopatológica, geralmente associada a trauma grave. Clinicamente, esse tipo de lesão é definido pelo coma pós-traumático que se inicia logo após o trauma e perdura por mais de 6 horas, sem alterações parenquimatosas evidentes demonstráveis pelos métodos de imagem. 8 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Embora a TC seja o método de escolha para o diagnóstico da maior parte das lesões traumáticas, no cenário da LAT, a RM apresenta uma sensibilidade muito maior para a detecção das discretas lesões parenquimatosas. As características típicas da LAT são: • São pequenas lesões, ovais ou elípticas. • Medem entre 5 e 15 mm. • Geralmente são hipoatenuantes na TC e/ou com hipersinal em T2 / FLAIR (se não tiverem hemorragia associada). • Podem estar associadas a hemorragia puntiforme, nesses casos variando sua atenuação/seu sinal de acordo com a fase de degradação da hemoglobina e apresentando hipossinal nas sequências de suscetibilidade magnética. • Podem apresentar restrição difusional (se tiverem edema citotóxico associado) localizada mais frequentemente na transição corticossubcortical lobar, no corpo caloso (principalmente no esplênio) e na região dorsolateral do mesencéfalo. • Geralmente são menores nas regiões mais periféricas e maiores nas regiões mais profundas. Sem alteração parenquimatosa evidente em imagens. RNM pode mostrar. Sem hemorragia é hipodensa e com hemorragia é hiperdensa. Várias lesões puntiformes. Hemorragia no 3° ventrículo. Ventrículo lateral direito. 9 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Contusões corticais: São o segundo tipo mais frequente de lesão traumática intra-axial, ocorrendo em até 43% dos traumas cranianos fechados. É uma alteração estrutural caracterizada por ruptura do parênquima e lesões necro-hemorrágicas que acometem a substância cinzenta cortical, podendo ou não se estender à substância branca subjacente, dependendo da intensidade do trauma. É causada predominantemente por forças de aceleração / desaceleração. O aspecto de imagem da contusão varia de acordo com a existência apenas de lesão necrótica, ou a coexistência de lesão necrótica com hemorrágica, esta última podendo variar desde pequenos focos hemorrágicos petequiais até extensas áreas hemorrágicas confluentes. Mostram-se como áreas corticais de limites imprecisos, hipoatenuantes na TC e com hipersinal em T2/ FLAIR, se não estiverem associados a componente não hemorrágico. Na fase aguda, determinam efeito tumefativo, com apagamento dos sulcos regionais. No caso de componente hemorrágico agudo associado, observam-se focos hiperatenuantes na TC de permeio, que podem não se apresentar imediatamente, mas surgir no controle evolutivo. Hipoatenuante. Nos lobos frontais, principalmente à D, áreas de hemorragia (hiperdensas) e edema (hipodensas), correspondendo a contusões. Outro foco hemorrágico no cerebelo, comprometendo o lóbulo semilunar superior E (1º. corte), provavelmente corresponde a lesão de contragolpe. Hipodensa em T1 e dentro hiperdensa hemorragia. Lesão hipodensa é contusão/edema. Hiperdensa é hemorragia. Ponto branco mais occipital é um hematoma. 10 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Edema – janela T1. LESÕES TRAUMÁTICAS SECUNDÁRIAS: As lesões traumáticas secundárias são danos que ocorrem em consequência de reações fisiológicas regionais ou sistêmicas em resposta ao trauma inicial. Nesse grupo se incluem edema, herniação, isquemia e infarto cerebrais, hemorragia secundária, infecção e hidrocefalia. Herniação cerebral: E o deslocamento de uma estrutura encefálica, resultante de um efeito de massa, do seu compartimento original para outro espaço adjacente. Há vários tipos de herniações, a saber: • Subfalcina; • Transtentorial descendente ou uncal; • Transtentorial ascendente; • Transtentorial central ou diencefálica; • Tonsilar; • Transalar ou transesfenoidal; • Herniação extracraniana; Hérnia – contusão de uma estrutura para um local que não é o seu. As herniações mais comuns são a subfalcina e a transtentorial descendente. A herniação subfalcina pode ser anterior ou posterior, sendo caracterizada pelo deslocamento do giro do cíngulo (anterior ou posterior) por baixo da margem livre da foice cerebral. Área de infarto, uma parte do parênquima abaulou de outro lado. 11 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA Imagem nodular, edema adjacente e foice afastando a linha média. Desvio da linha média. 12 Laís Flauzino | DIAGNÓSTICO POR IMAGEM | 5°P MEDICINA A herniação transtentorial descendente, também denominada herniação uncal, é caracterizada pelo deslocamento medial do uncus e do giro para- hipocampal sobre a incisura da tenda cerebelar. Os sinais que podem ser observados na TC e RM são: Desvio medial do corno temporal do ventrículo lateral. • Obliteração da cisterna suprasselar. • Alargamento da cisterna perimesencefálica. • Compressão do pedúnculo cerebral contralateral contra a borda livre do tentório. • Compressão e deslocamento contralateral dos corpos mamilares. Região próxima do cerebelo, apaga ventrículo lateral. Hérnia próxima a pineal. Bibliografia: • Tratado de Radiologia, Volume 1: Neurorradiologia, Cabeça e Pescoço • Giovanni Guido Cerri • Pag: 108 - 145