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• Doença infectocontagiosa de caráter piogranulomatoso, causada pela bactéria Rhodococcus equi; • Caracterizada por pneumonia, enterite, linfadenite e lesões abscedantes em animais e humanos; • Bactéria oportunista, intracelular facultativa (dentro ou fora do hospedeiro); • Cocos ou pequenos bacilos pleomórficos, gram-positivos; • Não esporulados e imóveis; • Fatores de virulência: cápsula (dificulta a fagocitose), parede (evasão do sistema imune), exoenzimas citolíticas e presença de plasmídeos (codificam proteínas associadas à virulência (VAP); - VapA: maior virulência. • Resistência ambiental do agente: elevada resistência à dessecação, exposição à luz solar; estudos comprovaram ser viável 12 meses nas instalações e solo; • Distribuição mundial, predominante em regiões de clima tropical; • O equino é a principal espécie suscetível, mas ocasional em humanos e suínos e incomum nas demais espécies animais; • Maior frequência em potros com idade entre 2 semanas e 6 meses (principalmente entre 45-60 dias de idade); - Declínio da imunidade passiva (colostro) e imaturidade do sistema imune do potro; • Em equinos adultos: indica associação com agentes imunossupressores (ex.: Herpesvírus equino); • Habitat: solo (principalmente porção superficial) e fezes de herbívoros; - Comum em ambiente de criatórios de equinos, bovinos e suínos • Fatores ambientais: umidade, pH próximo ao neutro e temperaturas elevadas favorecem a multiplicação do agente => certa sazonalidade da ocorrência da doença; • Coincide com o período de nascimentos de potros; • Infecção dos potros ocorre no primeiro mês de vida (multiplicação do agente no intestino dos animais até o terceiro mês de idade), após este período, a bactéria reduz sua multiplicação entérica (competição com a microbiota entérica); • A bactéria pode ser isolada de fezes, secreções da traqueia, da laringe nos animais de área endêmica, mesmo quando assintomáticos. • Fontes de infecção: 1. Animais doentes e reservatórios (principalmente potros), que eliminam o agente predominantemente pelas fezes. 2. Secreções respiratórias podem ser formas secundárias de eliminação do agente para o ambiente; 3. Aerossóis são principais meios de transmissão para potros; - Contaminação de água e alimentos ocorre infecção por via oral (hábito de coprofagia dos potros); 4. Deglutição do esputo (catarro) por potros com pneumonia, causa infecção intestinal e dos linfonodos mesentéricos; 5. Via cutânea é rara; • Fatores predisponentes: • Deficiência de manejo • Ingestão tardia ou deficiente de colostro pelos potros • Remoção deficiente de esterco das instalações • Excesso de poeira • Mistura de idades • Alta rotatividade de animais • Superpopulação • Pastos sujos • Clima seco • Altas temperaturas • Morbidade variável, em torno de 30% em áreas endêmicas, e mortalidade elevada em torno de 50% principalmente com diagnostico tardio. • Multiplicação do agente no interior dos fagócitos (impede formação de fagolisossomo); • Imunidade celular é mais efetiva que a humoral, mas quando associadas, evitam a ocorrência do quadro clínico no animal infectado; • Os quadros crônicos formam lesões piogranulomatosas; • Formação de estruturas semelhantes aos granulomas por tuberculose. • Infecção respiratória: - Cepas virulentas: pneumonia piogranulomatosa crônica, microabscessos focais ou abscessos cavitários em toda superfície pulmonar; (dificulta a troca gasosa). - Cepas avirulentas: capacidade limitada de manter-se no interior de fagócitos, faz com que hajam manifestações brandas ou subclínicas nos animais. • Infecção trato entérico: - Grave processo de colite ulcerativa e linfadenite mesentérica (intestino delgado e ceco); síndrome cólica; - Pode ocorrer bacteremia em alguns casos, causando abscessos em rins, fígado, tecido subcutâneo, ossos, articulações e órgãos do trato reprodutivo. • Sinovites e artrites: - Imunomediadas: são mais comuns, com deposição de imunocomplexos nas articulações; - Sépticas: multiplicação do agente nas articulações; • Incubação por várias semanas; • Doença tende à cronicidade, mas o início dos sinais é agudo; • A infecção pode permanecer subclínica em alguns animais; • Casos hiperagudos são esporádicos, levam rapidamente ao óbito, após febre e sinais respiratórios; • Inicial: sinais são inespecíficos; inapetência, hipertermia, letargia, relutância em mamar e redução do empenho. • A broncopneumonia é o principal sinal clinico em potros na maioria dos casos, perda de peso progressiva, dificuldade respiratória, seguida de infecções entéricas, articulares e na cavidade abdominal; • Manifestação pulmonar: pneumonia, não é comum haver secreções nasais e tosse, mas pode ocorrer, com aspecto mucopurulento taquipneia, formação de linha abdominal de esforço expiratório, decúbito, taquicardia e cianose; • Manifestação entérica: 5% dos potros apresentam estes sinais; em geral, é associado aos sinais respiratórios; - Diarreia (contendo muco e estrias de pus), desidratação, inapetência, cólica, ascite (deposito de imunocomplexos na parede do vaso), perda de condição corporal/atraso no crescimento, enterocolite ulcerativa (cólica), tiflite e linfadenite mesentérica. • Artropatias: 20 a 30% dos casos; geralmente secundarias a infecção respiratória; - Sinovites e artrites imunomediadas: vê-se aumento do volume local, sem dor a palpação e sem quadro de laminite; - Sépticas: decorrente de infecções pulmonares ou umbilicais. Dificuldade de locomoção, dor a palpação, abscedação articular e laminite. • Achados clínico-epidemiológicos associados com exames complementares; • Exames hematológicos: leucocitose por neutrofilia, ocasionalmente monocitose, aumento de fibrinogênio, hiperglobulinemia, exsudatos torácicos/abdominais há aumento de proteínas, neutrófilos e linfócitos. Não é tão indicativo para a doença os resultados. • Exames citológicos: CAAF de abscessos, órgãos de animais necropsiados, lavado transtraqueal, líquido sinovial; - Coloração de Giemsa, Panótico ou Gram; - Diagnóstico presuntivo; precisa de exames mais sensíveis. - Microrganismos pleomórficos no interior de fagócitos; • Exames microbiológicos: - Amostras de lavado traqueobrônquico ou brônquico, abscessos, líquido sinovial, sangue, órgãos afetados (colhidos durante a necropsia, como pulmões e linfonodos) - Líquor, sangue, líquido sinovial e fezes também podem ser colhidos, dependendo da apresentação clínica do animal; - Os materiais devem ser encaminhados refrigerados; - Swabe nasal não é indicado, pois o agente pode ser isolado da cavidade nasal e da traqueia de equinos assintomáticos. - O isolamento não confirma, necessariamente, infecção pulmonar; - Isolamento em ágar sangue, colônias mucoides, brilhantes, não hemolíticas, branco-acinzentadas. - Meios especiais: NANAT, CAZ-NB, TVP, TCP são seletivos para isolamento a partir de amostras contaminadas (solo e fezes); - Não cresce em ágar MacConkey. • Exames sorológicos: IDGA, inibição da hemólise sinérgica, imunodifusão radial e ELISA. (indicado mais para monitoramento da exposição dos criatórios do que para o diagnóstico individual de animais infectados > resultados falso-positivos (Ac maternais) e falso- negativos (início de infecção)); • Exame clínico do sistema respiratório de potros pode ficar comprometido (habilidade dos animais em compensar a perda de função respiratória); - Manobra recomendada: obstruir as aberturas nasais do potro com as mãos por 10 a 15 segundos, induzindo à respiração profunda e facilitando a auscultação de sons anormais após abertura das narinas; • Apesar de R. equi não ser uma bactéria hemolítica no meio de cultura, ela resulta positiva no Camp Test, devido ao efeito de hemólise sinérgica com cepa padrão de S. aureus.• Diagnóstico diferencial: arterite viral equina, garrotilho, influenza, mormo e rinopneumonite; • Antimicrobianos, especialmente os lipofílicos, associados a terapia de suporte; • Sensibilidade in vitro à rifampicina, a macrolídeos (azitromicina, eritromicina, claritromicina), aminoglicosídeos (lincomicina, gentamicina) e imipenem. • No entanto, R. equi geralmente é refratário ao tratamento antimicrobiano in vivo; • Tratamento de eleição: rifampicina+eritromicina; efeito sinérgico, com excelente penetração em macrófagos e neutrófilos - Eritromicina pode causar diarreia, inapetência, hipertermia, cólica leve, aumento da frequência respiratória e bruxismo em potros no início do tratamento; caso ocorrer, substituir por azitromicina ou claritromicina. • Rifampicina: 5mg/kg a cada 12h ou 10mg/kg a cada 24h • Eritromicina: 25mg/kg a cada 8h ou 37,5mg/kg a cada 12h - Ambas por via oral (ração ou sonda nasogástrica), com tratamento durante 4-8 semanas (casos complicados: mais de 8 semanas). Fazer monitoramento do animal com exames; • Azitromicina: 10mg/kg, a cada 24h, VO por 5 dias consecutivos, seguida de mais 3 a 5 doses em dias alternados; os potros: 14 dias ou mais; • Claritromicina: 7,5mg/kg, a cada 12h, VO; • Outras opções: Sulfa/trimetoprim | Ceftiofur | Penicilinas | Enrofloxacina | Gentamicina | Premafloxacina. • Falhas: pode ser a resistência de R. equi quando os antimicrobianos são utilizados isoladamente; a cura clínica X cura bacteriológica; instituição tardia da terapia; o uso de fármacos convencionais, de baixa efetividade; a descontinuidade do tratamento; seleção de cepas resistentes ao longo do tratamento; a dificuldade de penetração de certos fármacos no interior de células ou em focos piogranulomatosos. • Tratamento de suporte: - Drenagem cirúrgica de abscessos e debridamento (em caso de lesões cutâneas); - Infusão de antissépticos à base de iodo (2 a 5%) - Reposição do equilíbrio hidroeletrolítico e energético; - Broncodilatadores; - Anti-inflamatórios não hormonais (sinovite/artrite) • Flunixina meglumina 1,1mg/kg IV a cada 24h, por 3 dias. • Medidas gerais: adequação do manejo e das condições do ambiente dos criatórios; • Medidas específicas: diagnóstico precoce, uso de plasma hiperimune e imunoprofilaxia vacinal; • Separação dos animais por idade; • Evitar superlotação; • Evitar acúmulo de dejetos em baias e piquetes, com rodízio de piquetes; • Limpeza e corte das pastagens dos potreiros; • Compor grupos com 10 pares ou menos de potros e éguas; • Fornecimento adequado do colostro; • Priorização da parição de éguas em épocas de temperatura mais amena; • Fazer diagnóstico precoce em potros: • Sorologia (imunodifusão) e diagnóstico por imagem; • Monitoramento mensal da contagem leucocitária total; • Dosagem de fibrinogênio; • Exame clínico do potro duas vezes por semana em regiões endêmicas (auscultação pulmonar após exercício); • Segregação e tratamento de animais infectados. • Plasma hiperimune: objetivo de promover aumento de imunoglobulinas anti-R. equi (especialmente IgG) • Melhor efeito profilático que terapêutico; • 1L de plasma hiperimune ou (20mL de plasma/kg de peso vivo do potro) via IV; • Primeiros 60 dias de idade (primeira dose entre 1-10 dias e reforço entre 50-60 dias); • Pode interferir na imunidade passiva adquirida pela ingestão do colostro. • Vacinação: • Resposta imune em infecções naturais em potros geralmente é duradoura; • Vacinas que induzem resposta imune celular tendem a ser mais eficazes; - Vacinas com peptídios presentes no antígeno VapA => melhor resposta imune em mucosas do trato respiratório - Vacinas DNA com gene VapA mostraram-se experimentalmente imunogênicas para potros; - Vacinas orais atenuadas contendo VapA induziram aumento de Ig anti-VapA e VapC em potros; - Vacinas com cepas avirulentas não são eficazes; • Saúde pública: era considerada zoonose incomum, mas atualmente têm aumentado o número de casos de infecções em humanos (pacientes HIV positivos, transplante de órgãos, imunossupressão, doença ocupacional, consumo de carne crua ou mal cozida de suínos ou bovinos (principalmente de abate clandestinos). • Indivíduos assintomáticos têm sido identificados no RS; - Clínica em humanos: pneumonia cavitária crônica com derrame pleural, febre, tosse, dores no peito, quadros extrapulmonares menos frequentes, (diarreia, caquexia, pleurisia, hepatopatias, nefropatias, peritonite, artrite séptica e abscessos em órgãos). - O tratamento em humanos é realizado com as mesmas drogas recomendadas para animais, com várias semanas de tratamento até remissão dos sinais; - Profilaxia: indivíduos imunossuprimidos devem evitar o contato com animais e ambientes de criatórios, e também evitar consumo de carne de bovinos e suínos abatidos sem fiscalização ou tratamento térmico adequado.