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Ort Unico - Ortopedia Pediatrica

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teorias mais aceitas é a histológica (defeito no plasma
germinativo do osso). Outras associações são feitas com oligoidramnia, bloqueio do desenvolvimento
fetal etc.
DIAGNÓSTICO
FIG. 33
É essencialmente clínico, sendo observadas as deformidades já ao nascimento. Devemos enfatizar a
importância de um exame físico completo quando nos deparamos com um caso de pé torto
congênito, devido à sua associação com outras patologias como disrafismo espinhal, artrogripose,
displasia congênita do quadril etc. Além das alterações já descritas que ocorrem no pé, encontramos
uma perna atrofiada e um pé menor que o normal.
Em relação ao estudo radiológico, é importante considerar que nesta fase (lactentes), não é
importante, uma vez que as estruturas estão em ossificação.
CLASSIFICAÇÃO
Uma classificação simples, e que carrega utilidade prática, é aquela que divide a patologia em pé
torto congênito postural (grau leve, com grande flexibilidade, corrigível com manipulação e poucas
trocas de gesso); pé torto congênito verdadeiro (onde encontramos deformidade mais acentuada,
menos flexível, podendo apresentar pregas cutâneas plantares e/ou dorsais, embora ainda tenham
bom prognóstico com tratamento conservador); e pé torto congênito teratológico (grande rigidez,
associação com outras síndromes, dificuldade de correção e alta taxa de recidivas).
TRATAMENTO
É sempre importante o esclarecimento familiar a respeito da doença, sendo este fator a chave do
sucesso do tratamento. Saber que não é apenas uma alteração da posição do pé, e sim de uma
alteração durante o processo de sua formação. Nesta patologia, por mais sucesso que tenha o
tratamento, o pé com alteração nunca será totalmente igual a um pé normal, embora devamos
esclarecer aos pais ansiosos que os resultados da correção costumam ser satisfatórios e compatíveis
com uma vida normal...
O objetivo do tratamento é conseguir um pé plantígrado (pé que apoia a planta no solo na
deambulação), indolor, flexível, com força preservada e que permita o uso de calçados. Deve ser
iniciado o mais precocemente possível.
O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, sempre dando prioridade ao conservador, com
manipulações e trocas de gesso. Caso não sejam alcançados bons resultados, o cirúrgico é indicado.
Quando indicado o tratamento cirúrgico, este só deve ser executado após os nove meses de idade.
Em relação ao tratamento conservador destacamos a técnica de Ponseti, que pode chegar a 90% de
sucesso. Consiste na manipulação e imobilizações gessadas por 6-10 semanas. Cada vez que o gesso
é trocado (semanalmente), acrescenta-se um maior grau de correção. Após retirar a última
imobilização gessada, a criança é colocada em um aparelho chamado férula de Denis Browne por 2-3
meses e depois o aparelho é colocado apenas durante o sono por mais 2-4 anos. No tratamento
conservador visamos a correção das deformidades anteriormente citadas (cavo, varo, adução e
equino do pé).
A cirurgia é indicada nos casos refratários à terapia conservadora. É feita a liberação de partes moles
(cápsula articular, ligamentos, músculos), levando o pé à sua posição funcional. A amplitude da
liberação depende da gravidade de cada caso, sendo a incisão de Cincinnati utilizada. As principais
complicações da cirurgia são a recidiva, hipercorreção, rigidez e fraqueza muscular.
METATARSO VARO CONGÊNITO
METATARSUS ADDUCTUS
De incidência semelhante à do pé equino-varo, o metatarsus adductus é definido pelo desvio medial
(adução) dos metatarsos (antepé) em relação ao retropé. Pode ser unilateral, bilateral (forma mais
frequente) ou associado ao pé equino-varo do lado oposto.
O tratamento deve ser precoce e conservador, usando-se o mesmo princípio do que foi dito para o pé
torto congênito, iniciando-se com imobilizações gessadas sequenciais e depois um período com a
FIG. 34 A: técnica de Ponseti, B: férula de Denis Browne.
férula de Denis Browne. A cirurgia raramente é necessária, a não ser em crianças mais velhas que não
foram tratadas adequadamente na infância.
FIG. 35
INTRODUÇÃO ÀS FRATURAS
INCLUINDO FRATURA EXPOSTA E SÍNDROME COMPARTIMENTAL
A tráumato-ortopedia é um mundo à parte... Fraturas, luxações, lesões ligamentares e musculares
estão incluídas neste grande Universo da Medicina. O objetivo deste capítulo é descrever os
conceitos básicos sobre as fraturas que, sem dúvida, estão no topo hierárquico deste mundo. No
capítulo seguinte, descreveremos as fraturas específicas, destacando os pontos mais importantes, e
também comentaremos sobre as luxações, lesões ligamentares e meniscais. Como a razão de ser
deste compêndio é a preparação para concursos médicos das áreas básicas, nos reteremos nas
principais fraturas, introduzindo sempre o tema com explicações anatomofuncionais pertinentes, de
modo a facilitar o entendimento dos aspectos clínicos, radiológicos e terapêuticos.
CONCEITOS GERAIS
TIPOS DE OSSO
Do ponto de vista anatômico, os ossos são classificados em:
1. Ossos Longos: cilíndricos, de comprimento bem superior à espessura (ex.: fêmur, tíbia, fíbula,
úmero, rádio, ulna, clavícula, metacarpos, metatarsos, falanges). Esses ossos possuem um canal
medular e também ganham o nome de ossos tubulares. A sua anatomia é dividida em três porções:
epífise, metáfise e diáfise. A epífise é a extremidade que articula com outro osso, sendo a sua
superfície recoberta pela cartilagem articular; a diáfise é o corpo longo do osso; a metáfise é a
região mais alargada interposta entre a diáfise e a epífise ( );
2. Ossos Curtos: com equivalência nas três dimensões (ex.: ossos do carpo, ossos do tarso);
3. Ossos Chatos, Planos ou Laminares: foliáceos, de comprimento e largura equivalentes (ex.:
escápula, ossos da pelve, ossos do crânio);
4. Ossos Irregulares: de geometria complexa (ex.: vértebras, osso temporal).
Figura 1
Do ponto de vista histológico, existem dois tipos de osso. O osso cortical ou compacto contém
lâminas de tecido ósseo fortemente unidas, formando uma estrutura densa. A diáfise dos ossos
longos é composta de osso cortical, disposto ao redor de sua cavidade medular. O osso esponjoso ou
trabecular possui lâminas de tecido ósseo formando uma rede irregular, deixando espaços lacunares
entre si. As epífises e metáfises são constituídas de osso esponjoso, assim como os ossos curtos e
chatos, embora apresentem uma fina camada de osso cortical na superfície.
Existem diferenças importantes entre os diversos tipos de osso com relação aos tipos de fratura e ao
reparo das mesmas!
TIPOS DE FRATURA
FIG. 1 Osso longo (fêmur) e suas porções (epífises, metáfises e diáfise). Os trocanteres maior e menor também são epífises, chamadas epífises de tração.
Uma fratura é definida como a perda de continuidade do osso. Na maioria das vezes, é causada por
um trauma de alta energia sobre um osso previamente hígido, mas também pode ocorrer com
traumas de baixa energia em ossos doentes, poróticos, ou mesmo por pequenos traumas repetitivos,
como veremos adiante nas chamadas “fraturas por estresse”.
A substância óssea, embora possua certo grau de plasticidade, pode não resistir a forças tensionais
de angulação, torção, tração ou compressão. São estes os mecanismos físicos das fraturas que
podem determinar o tipo de fratura quanto à sua configuração geométrica. Vejamos...
Forças de angulação produzem fraturas transversas ou fraturas oblíquas; forças de torção causam as
fraturas espirais; forças de tração, por intermédio de um tendão inserido no osso, podem ocasionar
as fraturas por avulsão (principais exemplos: patela, maléolos, epicôndilo medial do úmero); e forças
compressivas provocam fraturas de compressão (fraturas impactadas). Este último tipo é
característico do osso esponjoso como, por exemplo, as fraturas compressivas do corpo.
Podem ser classificadas ainda:
● Quanto ao traço: simples, em cunha e complexa;
● Quanto ao acometimento articular: intra ou extra-articular;
● Quanto à lesão de partes moles associada: aberta ou fechada.
As fraturas simples apresentam traço único com apenas