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Prévia do material em texto

PDF OAB
Direito do 
Consumidor
Capítulos 1 ao 6
MAT
ERIA
L 
EXE
MPL
AR
PDF OAB
Direito do Consumidor
Capítulo 1
MAT
ERIA
L 
EXE
MPL
AR
 
1 
Olá, aluno! 
Bem-vindo ao estudo para o Exame de Ordem. Preparamos todo esse material para você 
não só com muito carinho, mas também com muita métrica e especificidade, garantindo que 
você terá em mãos um conteúdo direcionado e distribuído de forma inteligente. 
Para isso, estamos constantemente analisando o histórico de provas anteriores com fins 
de entender como a Banca costuma cobrar os assuntos do edital. Afinal, queremos que sua 
atenção esteja focada nos assuntos que lhe trarão maior aproveitamento, pois o tempo é 
escasso e o cronograma é extenso. Conte conosco para otimizar seu estudo sempre! 
Ademais, estamos constantemente perseguindo melhorias para trazer um conteúdo 
completo que facilite a sua vida e potencialize seu aprendizado. Com isso em mente, a 
estrutura do PDF Ad Verum foi feita em capítulos, de modo que você possa consultar 
especificamente os assuntos que estiver estudando no dia ou na semana. Ao final de cada 
capítulo você tem a oportunidade de revisar, praticar, identificar erros e aprofundar o assunto 
com a leitura de jurisprudência selecionada. 
E mesmo você gostando muito de tudo isso, acreditamos que o PDF sempre pode ser 
aperfeiçoado! Portanto pedimos gentilmente que, caso tenha quaisquer sugestões ou 
comentários, entre em contato através do email pdf@cers.com.br. Sua opinião vale ouro para 
a gente! 
Racionalizar a preparação dos nossos alunos é mais que um objetivo para Ad Verum, 
trata-se de uma obsessão. Sem mais delongas, partiremos agora para o estudo da disciplina. 
Faça bom uso do seu PDF Ad Verum! 
Bons estudos  
 
 
 
 
 
 
mailto:pdfadverum@cers.com.br
 
2 
 
 
Abordaremos os assuntos da disciplina de Direito do Consumidor da seguinte forma: 
RECORRÊNCIA 
 Como dito, sabemos que estudar de forma direcionada, com base nos assuntos 
objetivamente mais recorrentes, é essencial. Afinal, uma separação planejada pode fazer toda 
diferença. Pensando nisso, através de estudo realizado pelo nosso setor de inteligência com 
base nas últimas provas, trouxemos os temas mais abordados nessa disciplina! 
Da Defesa do 
Consumidor em Juízo
17%
Dos Direitos do 
Consumidor
49%
Das Práticas 
Comerciais
17%
Contratos de 
Consumo
17%
Da Defesa do Consumidor em Juízo
Dos Direitos do Consumidor
Das Práticas Comerciais
Contratos de Consumo
 
3 
 
 
 
CAPÍTULOS 
Capítulo 1 – Direito do Consumidor e Código de Defesa do Consumidor. 
Capítulo 2 – Princípios do Direito do Consumidor. 
Capítulo 3 – Direitos Básicos do Consumidor e Convenção Coletiva de Consumo. 
Capítulo 4 – Relação Jurídica de Consumo, e Aplicação do Código de Defesa do Consumidor e 
Proteção Contratual do Consumidor. 
Capítulo 5 – Práticas Comerciais, Responsabilidade Civil do Fornecedor e Bancos de Dados. 
Capítulo 6 – Sanções Administrativas nas Relações de Consumo, Direito Penal do Consumidor 
e Defesa do Consumidor em Juízo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
SUMÁRIO 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR, Capítulo 1 .................................................................................................................. 3 
1. Direito do Consumidor e Código de Defesa do Consumidor............................................................... 3 
1.1 Introdução ao Estudo do Direito do Consumidor ............................................................................................. 3 
1.2 Aspectos Introdutórios do Direito do Consumidor ........................................................................................... 4 
1.3 Antecedentes Históricos do Direito do Consumidor ......................................................................................... 5 
1.4 Direito do Consumidor no Brasil ...................................................................................................................... 8 
1.5 Conceito de Direito do Consumidor ............................................................................................................... 10 
1.6 Natureza Jurídica e Finalidade do Direito do Consumidor .............................................................................. 10 
1.7 Fundamento Constitucional do Direito do Consumidor .................................................................................. 11 
1.8 Competência ................................................................................................................................................. 15 
1.9 Código de Defesa do Consumidor .................................................................................................................. 16 
1.9.1 Introdução .................................................................................................................................................... 16 
1.9.2 Posição Hierárquica do Código de Defesa do Consumidor.............................................................................. 18 
1.9.3 Estrutura do Código de Defesa do Consumidor .............................................................................................. 20 
1.9.4 Características do Código de Defesa do Consumidor...................................................................................... 22 
1.9.5 Aplicabilidade ................................................................................................................................................ 26 
1.9.6 Diálogo das Fontes ........................................................................................................................................ 26 
1.9.7 Política Nacional das Relações de Consumo ................................................................................................... 29 
QUADRO SINÓTICO ...................................................................................................................................................... 33 
QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................................................ 34 
GABARITO ........................................................................................................................................................................... 45 
LEGISLAÇÃO COMPILADA............................................................................................................................................ 49 
JURISPRUDÊNCIA ............................................................................................................................................................. 50 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................................. 62 
 
 
5 
 
 
 
Olá, futuro advogado! Tudo bem? 
Antes de começar o estudo, precisamos fazer algumas considerações a respeito da apostila de 
nº 01 do nosso curso, tá? 
Em primeiro turno, a introdução ao Direito do consumidor não costuma ser cobrado no exame 
de ordem! 
- Mas professora, por que incluí-lo nas apostilas, então? 
Bom, como é de conhecimento geral, a banca examinadora tende a ser um pouco imprevisível, 
e o nosso objetivo é deixar você preparado para exatamente qualquer coisa que aparecer na 
prova! 
Então, achamos pertinente abranger o máximo de conteúdo possível! 😊 
Inclusive, ao final desta apostila, você encontrará questões de outras carreiras, para um maior 
aproveitamento e assimilação de conteúdo, portanto, não deixe de respondê-las, tá? 
Vamos juntos! 
 
 
 
3 
 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
Capítulo 1 
1. Direito do Consumidor e Código de Defesa do 
Consumidor 
1.1 Introdução ao Estudo do Direito do Consumidor 
Antes de iniciarmos o estudo de fato da matéria Direito do Consumidor, é importante 
destacarmos alguns pontos importantes para o seuestudo e sua preparação para as provas de 
concursos públicos que trazem em seu conteúdo programático a disciplina do direito 
consumerista. 
Apesar de termos em nosso ordenamento jurídico a Lei 8.078, de 11 de setembro de 
1990, conhecido como o Código de Defesa do Consumidor, e citado em obras jurídicas pela 
sigla CDC, seus preceitos são em sua maioria principiológicos (como veremos no item 1.8 deste 
capítulo). 
A leitura dos artigos do Código de Defesa do Consumidor é essencial para a sua 
aprovação, é fundamental que você conheça todos os artigos, mas é preciso ir além. 
Por ser uma disciplina nova e de conteúdo dinâmico, o estudo da jurisprudência é 
necessário para a sua aprovação e concursos públicos. 
Logo, é preciso estar sempre atento aos informativos de jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça, em especial, bem como às súmulas em matéria consumerista (que serão 
citadas e listadas ao longo dos capítulos). 
 
4 
 
 
E, claro, a resolução de questões da disciplina de Direito do Consumidor é essencial na 
sua rotina de estudos. 
 
O Direito do Consumidor é um direito contratual e obrigacional e, para a sua preparação para 
concursos públicos é preciso ir além do estudo do Código de Defesa do Consumidor, sendo 
necessário o estudo da posição jurisprudencial acerca dos contratos das relações 
consumeristas. 
1.2 Aspectos Introdutórios do Direito do Consumidor 
O Direito do Consumidor é um fenômeno recente em nossa sociedade. Seu nascimento 
como ramo do direito se dá a partir da segunda metade do Século XX, antes disso era colocada 
em dúvida a sua necessidade e a extrema proteção ao hipossuficiente da relação de consumo 
que ele trazia. 
Entretanto, no cenário atual chega a se mostrar insuficiente frente à complexidade da 
sociedade de consumo na atualidade e no dinamismo das relações. 
Apesar de hoje o Direito do Consumidor e suas características serem de fácil identificação 
e conhecimento, apenas a partir da segunda metade do Século XX que se instalou uma 
sociedade de consumo, sociedade está na qual ocorre um desequilíbrio de forças entre os que 
são detentores dos meios de produção (os fornecedores) e os que dependem destes para a 
obtenção e fruição de produtor e serviços (os consumidores). 
Segundo o Dr. Fernando da Costa de Azevedo, “a sociedade (cultura) de consumo surgiu 
na chamada “era moderna”, e foi impulsionada pelas transformações advindas da Revolução 
Industrial, consolidando no Ocidente seu traço caracterizador: a massificação da produção e do 
consumo de bens e serviços. Com efeito, a análise dessas transformações tipicamente 
 
5 
 
 
“modernas” permite constatar que, em essência, as características gerais do atual modelo de 
sociedade de consumo – a sociedade de consumo contemporânea, que tem início a partir da 
segunda metade do século XX e se consolida nas três últimas décadas do século – representa 
um desdobramento da sociedade de consumo moderna, com o incremento de alguns fatores 
que, por suas peculiaridades, parecem exclusivos do tempo presente. A sociedade de consumo 
contemporânea (“pós-moderna”), que apresenta desafios hermenêuticos e de efetividade ao 
sistema jurídico, reúne, em resumo, quatro características básicas: 
a) sociedade massificada; 
b) sociedade moral e juridicamente pluralista; 
c) sociedade da informação e; 
d) sociedade globalizada”. 
1.3 Antecedentes Históricos do Direito do Consumidor 
Humberto Theodoro Júnior cita que já no Código de Hamurabi havia previsão de regras 
de relacionadas ao consumo. Ainda que de forma indireta, algumas previsões do antigo código 
visavam proteger o consumidor. 
A título de exemplo, cita-se a Lei nº 233 que determinada que se um arquiteto construísse 
uma casa cujas paredes mostrassem deficientes teria a obrigação de reconstruí-las ou consolidá-
las às suas próprias expensas. 
Ainda nas citações de Humberto Theodoro Júnior, registra-se que na Grécia, extrai-se da 
Constituição de Atenas, de Aristóteles, a preocupação com a defesa do consumidor: “são 
também designados por sorteio os fiscais de mercado, cinco para o Pireu e cinco para a cidade; 
as leis atribuem-lhes os encargos atinentes às mercadorias em geral, a fim de que os produtos 
vendidos não contenham misturas nem sejam adulterados; são também designados por sorteio 
os fiscais das medidas, cinco para a cidade e cinco para o Pireu; ficam a seu encargo as medidas 
e os pesos em geral, a fim de que os vendedores utilizem os corretos; havia também os 
guardiães do trigo; eles se encarregam, em primeiro lugar, de que o trigo em grão colocado no 
 
6 
 
 
mercado seja vendido honestamente; depois, de que os moleiros vendam a farinha por um 
preço correspondente ao da cevada, e de que os padeiros vendam os pães por um preço 
correspondente ao do trigo e com o seu peso na medida por eles prescrita (com efeito, a lei 
ordena que eles o fixem); são também designados por sorteio dez inspetores do comércio, aos 
quais se atribuem os encargos mercantis, devendo eles obrigar os comerciantes a trazerem para 
a cidade dois terços do trigo transportados para comercialização (...) o juro de uma dracma 
incidente sobre o capital de uma mina implicava uma taxa de 1% ao mês ou 12% ao ano’’. 
Avançando no tempo, chegando à época das revoluções modernas, em razão da 
Revolução Industrial (do aço e do carvão) ocorreu a migração da população residente na área 
rural para os grandes centros urbanos. 
A população dos centros urbanos buscava o consumo de novos produtos e serviços, a 
fim da satisfação das suas necessidades materiais. 
Este novo modelo de sociedade que se formava, produtores, fabricantes e prestadores de 
serviços variados estavam preocupados em atender à nova, e grande, demanda, mas deixavam 
de lado o cuidado com a qualidade dos serviços e produtos. 
A bilateralidade das relações de produção e prestação de serviços, em que as duas partes 
contratantes discutiam e ajustavam as cláusulas do contrato, bem como a matéria privam ser 
utilizada na relação na confecção do produto, passou a ser substituída pela unilateralidade da 
produção em massa, na qual uma das partes – o fornecedor – ditava exclusivamente as regras 
da relação de consumo, sem a participação do consumidor. 
Cabia ao consumidor à época a adesão ao contrato (que era elaborado previamente pelo 
fornecedor, um contrato de adesão). 
Com essa nova prática de mercado começaram a surgir problemas, pois a partir do 
momento em que o fornecedor estava mais preocupado com a quantidade do que com a 
qualidade, o consumidor passou a deparar-se com produtos e serviços viciados ou com defeitos. 
No final do século XIX, o movimento de defesa do consumidor, já sendo tratado com 
essa denominação, ganhou força nos Estados Unidos em virtude do avanço do capitalismo. 
 
7 
 
 
Surgia o mundo industrializado. Como marco inicial da defesa do consumidor tem-se 
resumidamente o resultado da união de reivindicações trabalhistas tendo em vista a exploração 
do trabalho das mulheres e crianças e pela atuação direta frente ao mercado de consumo, 
realizada por meio de boicote a produtos como exigência do reconhecimento de direitos 
enquanto trabalhadores e seres humanos. 
No fim do Século XIX, o movimento de defesa do consumidor ganhou força nos Estados 
Unidos, consequência do avanço do capitalismo. 
A primeira organização de defesa do consumidor surgiu em 1891, liderada por 
Josephine Lowel, a New York Consumers League, era formada por advogados de classe média 
e média-alta, e visava melhorar as condições dos trabalhadores. 
No início da década de 1960 foi criada a “International Organization of Consumers 
Unions”, hoje denominada “Consumers International”, inicialmente composta por Austrália, 
Bélgica, Estados Unidos, Holanda e Reino Unido. 
Em 15 de março de 1962, John F. Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, 
encaminhou Congresso Nacional Americano mensagem emque enumerou os direitos básicos 
do consumidor: direito à segurança, à informação, à escolha e a ser ouvido. Foi a primeira 
referência expressa ao Direito do Consumidor, Kennedy considerou-os o grande desafio do 
mercado. 
Em 1964, nos Estados Unidos, a advogada Esther Peterson foi designada como assistente 
do então Presidente Lyndon B. Johnson para assuntos de consumidores. Na mesma época o 
advogado Ralph Nader iniciou um trabalho que culminou em denúncias que apontavam falhas 
de segurança nos automóveis americanos. Em 1965, Nader publicou um livro sobre o assunto – 
"Unsafe Any Speed". 
Em 1972 realizou-se, em Estocolmo, a Conferência Mundial do Consumidor. 
Em 1973, a Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), 
reconhece formalmente a existência de direitos universais e fundamentais do consumidor. 
 
8 
 
 
Em 1985, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) traçou, na 
Resolução nº 39/248, as Diretrizes do Direito do Consumidor, reconhecendo a necessidade 
de proteção do consumidor (agente econômico vulnerável), em suas relações frente aos 
fornecedores. 
1.4 Direito do Consumidor no Brasil 
No Brasil, algumas legislações anteriores à Constituição Federal de 1988 já contemplavam, 
em normas codificadas ou esparsas, alguns dispositivos de proteção aos Consumidores. 
A exemplo, o Código Comercial de 1840, em seus artigos 629 a 632, estabeleceu direitos 
e obrigações dos passageiros de embarcações. O Código Civil de 1916, em seu artigo 1.245, 
estabelecia critérios de responsabilidade do fornecedor. 
No ano de 1962 a Lei Delegada nº 4, revogada pela Lei nº 13.874 de 2019, tratava sobre 
a intervenção no domínio econômico para assegurar a livre distribuição de produtos necessários 
ao consumo do povo. 
O chamado movimento consumerista brasileiro, surgiu no 1976, quando o então 
governador paulista, Paulo Egydio Martins, designou comissão especialmente para estudar a 
implantação do já aludido “sistema estadual de defesa do consumidor’’, de que resultou a Lei 
nº 1.903/1978, e, concretamente, a instalação do Procon, então chamado de “Grupo Executivo 
de Proteção ao Consumidor’’, hoje Fundação de Proteção ao Consumidor, órgão da Secretaria 
de Estado de Justiça, em princípios de 1979. 
Em 1985, por meio do Decreto nº 91.469, foi criado o Conselho Nacional de Defesa do 
Consumidor, do qual fizeram parte associações de consumidores, Procons Estaduais, a Ordem 
dos Advogados do Brasil, a Confederação da Indústria, Comércio e Agricultura, o Conselho de 
Auto-Regulamentação Publicitária, o Ministério Público e representações do Ministério da 
Justiça, Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde, Ministério da Indústria e do Comércio e 
Ministério da Fazenda, com o escopo de assessorar o Presidente da República na elaboração de 
políticas de defesa do consumidor. 
 
9 
 
 
Em outubro de 1985, no VI Encontro Nacional das Entidades de Defesa do Consumidor, 
realizado no Rio de Janeiro, foram emitidas propostas concretas no sentido de se incluírem, no 
texto constitucional então vigente (Emenda Constitucional nº 1, de 1969), mediante emenda, 
dispositivos claros a respeito da defesa do consumidor, como dever do Estado e direito da 
população. 
A idealização do Código de Defesa do Consumidor teve início antes mesmo da 
promulgação da Constituição Federal de 1988 (como veremos no tópico 1.8), por meio da 
constituição de uma comissão formada no âmbito do Conselho Nacional de Defesa do 
Consumidor, tem como finalidade a elaboração de um Anteprojeto de Código. 
Em 1988, a proteção ao consumidor passou a ter assento constitucional, tendo em 
vista a determinação do artigo 48 do ADCT, sobre a criação do Código de Defesa do 
Consumidor. O Poder Constituinte Originário considerou o direito do consumidor como norma 
de direito fundamental, expressa no artigo 5º, XXXII. O artigo 170 da Constituição Federal de 
1988 expõe que o direito do consumidor é um princípio da ordem econômica, tendo em vista 
que busca harmonizar as relações entre consumidor e fornecedor. 
Após diversos trabalhos, discussões, audiência pública e criação de uma Comissão Mista, 
foi apresentado um novo texto de Projeto de Código, que culminou na promulgação da Lei nº 
8.078, de 11 de setembro de 1990. 
Em 12 de setembro de 1990 foi publicada no Diário Oficial da União a Lei 8.078, conhecida 
como Código de Defesa do Consumidor, sendo o grande marco na evolução da defesa do 
consumidor brasileiro, uma lei de ordem pública e de interesse social com inúmeras inovações 
inclusive de ordem processual. 
 
 
 
10 
 
 
 
Brasil, 1988: a Constituição Federal dá ao Direito do Consumidor o status de norma de direito 
fundamental. 
Brasil, 1990: é sancionado o Código de Defesa do Consumidor. 
1.5 Conceito de Direito do Consumidor 
Para Landolfo Andrade, Direito do Consumidor “é o conjunto de normas e princípios 
que regula a tutela de um sujeito especial de direitos, a saber, o consumidor, como agente 
privado vulnerável, nas suas relações frente a fornecedores”. 
O autor lembra que, no Brasil, adotou-se a terminologia Direito do Consumidor, em vez 
de Direito de Consumo, como foi adotado em países como França e Itália. Isto ocorreu porque, 
seguindo a CF/88 (art. 5º, inciso XXXII), o Código de Defesa do Consumidor é voltado à efetiva 
proteção do consumidor. 
1.6 Natureza Jurídica e Finalidade do Direito do Consumidor 
A criação do Direito do Consumidor como uma disciplina autônoma tornou-se necessária, 
em razão da crescente superioridade do fornecedor frente ao consumidor em suas relações. 
Gustavo Tepedino diz que o Direito do Consumidor é um ramo do direito civil-
constitucional, já para Rizzato Nunes é um ramo autônomo do direito, de natureza mista, pública 
e privada. Por fim, para Cláudia Lima Marques o Direito do Consumidor é um ramo do direito 
privado, ao lado dos direitos civil e empresarial. 
 
11 
 
 
A doutrina majoritária, segundo Landolfo Andrade, entende que o Direito do Consumidor 
é uma disciplina jurídica autônoma, assim sendo por possuir princípios e finalidades específicos, 
que o diferencia das demais disciplinas. 
É pacífico o entendimento de que a finalidade do Direito do Consumidor é conferir 
proteção à classe dos consumidores - agente vulnerável -, reduzindo a desigualdade existente 
entre ela e a dos fornecedores, restabelecendo o equilíbrio na relação de consumo. 
1.7 Fundamento Constitucional do Direito do Consumidor 
A defesa do consumidor no Brasil tem respaldo na Constituição Federal de 1988, que é a 
origem normativa do Direito do Consumidor no país. Pela primeira vez a defesa do consumidor 
aparece entre os Direitos e Garantias Fundamentais (art. 5º, inciso XXXII). 
Quanto à competência para legislar sobre produção e consumo e a responsabilidade por 
danos ao consumidor, são previstas no art. 24, incisos V e VIII da Constituição Federal de 1988. 
No parágrafo 5º do art. 150 há determinação de que a lei deve estabelecer medidas para 
esclarecimento aos consumidores acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e 
produtos; 
Em seguida, no art. 170, a defesa do consumidor foi incluída pelo legislador constituinte 
como princípio geral da ordem econômica1. 
Na sequência, no art. 175, a Constituição trata da proteção do consumidor como usuário 
dos serviços públicos concedidos ou permitidos. 
Por fim, no ADCT, foi fixado prazo para que o Congresso Nacional elaborasse o Código 
de Defesa do Consumidor. 
 
 
 
1 Vide questões 1, 2 e 3 desse material. 
 
12 
 
 
Art. 5º, inciso XXXII 
Apresenta a defesa do consumidor como um direito fundamental; 
Art. 24, incisos V e 
VIII Competência. 
Art. 150, § 5º 
Determina que lei deve estabelecer medidas para esclarecimento aos 
consumidores acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e 
produtos; 
Art. 170, caput e 
incisoV 
Estabelece a defesa do consumidor como um princípio da atividade 
econômica; 
 
Art. 175, inciso II 
Usuário-consumidor de serviço público 
Art. 48 do ADCT 
Determinou a elaboração do Código de Defesa do Consumidor 
Até a edição da Lei nº 12.741, de 8 de dezembro de 2012, que dispôs sobre as medidas 
de esclarecimento ao consumidor, de que trata o § 5º do art. 150 da Constituição Federal de 
1988, bem com alterou o inciso III do art. 6º e o inciso IV do art. 106 da Lei nº 8.078, de 11 de 
setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), somente as empresas concessionárias e 
permissionárias de serviços públicos essenciais – a título de exemplo as que fornecem serviços 
de energia elétrica, gás e telefonia) é que já davam cumprimento a tal exigência constitucional. 
A Lei nº 12.741, é fruto de iniciativa popular, conduzida pela Associação Comercial de São 
Paulo, que instituiu o chamado Impostômetro (um enorme letreiro que exibia o 
acompanhamento digital, em tempo real, de cada centavo cobrado por dia dos consumidores-
contribuintes pelas três órbitas tributárias do país - federais, estaduais e municipais). 
Ao tratar da concessão ou permissão dos serviços públicos, impõe a Constituição Federal 
que a lei disponha expressamente os direitos dos consumidores-usuários dos serviços prestados 
pelas empresas concessionárias ou permissionárias dos que caberiam, primordialmente, ou em 
forma de monopólio, ao Poder Público (art. 175, inciso II da Constituição Federal de 1988). 
 
13 
 
 
 
 
 
 A Proteção do Consumidor Como Direito Fundamental 
A essência do Direito Fundamental é a proteção e a promoção da dignidade da pessoa 
humana, logo ao analisar o direito que o consumidor tem, deve-se levar em conta o Princípio 
da Dignidade da Pessoa Humana, fundamento da República (art. 1º, inciso III, da CF/88). 
Ainda no art. 1º, é relevante citar o fundamento do valor social da livre iniciativa (art. 
1º, inciso IV, da CF/88). 
O STJ decidiu, sobre o tema da Dignidade da Pessoa Humana que “À luz do Princípio da 
Dignidade da Pessoa Humana, valor erigido como um dos fundamentos da República, impõe-
se a concessão dos medicamentos como instrumento de efetividade da regra constitucional que 
consagrada o direito à saúde”. (STJ, REsp. 775.233, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T., p. 01/08/06). 
A previsão da defesa do consumidor, no inciso XXXII, do art. 5º da CF/88, dá a ele o 
status de cláusula pétrea, com base na vedação ao retrocesso, não se admite a edição de 
normas que restrinjam o alcance da proteção ao consumidor. 
Como decorrências desse status, tem-se: a) proteção pelo Estado como parte do núcleo 
imodificável da CF; b) eficácia horizontal dos direitos fundamentais (fornecedor x consumidor: 
direto privado constitucionalizado); c) força normativa da CF (norma executável e exigível). 
Direito do 
Consumidor na CF/88
Direito Fudamental 
(art. 5º)
Princípio da Ordem 
Econômica (art. 170)
 
14 
 
 
Atualmente, os direitos fundamentais incidem nas relações privadas, sendo observados 
os princípios constitucionais nas relações inter partes. É o que a doutrina chama de Teoria da 
Eficácia Horizontal dos Direitos Fundamentais em contraposição à Eficácia Vertical dos Direitos 
Fundamentais, em que se observa o respeito aos direitos fundamentais nas relações entre 
indivíduo e Estado. O princípio constitucional fundamental da Dignidade da Pessoa Humana é 
incompatível com disposições contratuais desiguais, em que não se observe a boa-fé objetiva, 
a transparência e o equilíbrio nas relações contratuais e que coloca o consumidor em posição 
de vulnerabilidade. 
 
Se liga OABeiro! O Direito do Consumidor está inserido na 3ª “geração” ou “dimensão” dos 
direitos fundamentais2. Inclusive, isso já foi objeto de cobrança em alguns concursos públicos, 
como por exemplo as questões 04 e 05 do nosso material! Não deixe de respondê-las! 
Direitos Fundamentais de Terceira Geração tiveram origem no final do Século XX, período 
marcado por profundas mudanças na comunidade internacional e na sociedade (contratação 
em massa, crescente desenvolvimento tecnológico e científico), com a finalidade de tutelar o 
próprio gênero humano, surgiram os direitos considerados transindividuais, direitos de pessoas 
consideradas coletivamente. São os direitos de fraternidade, de solidariedade, como o direito 
ao meio ambiente equilibrado, à proteção dos consumidores etc. 
 A Proteção do Consumidor Como Princípio da Ordem Econômica 
Em seu art. 170, inciso V, a Constituição Federal de 1988 prevê a defesa do consumidor 
como um princípio da ordem econômica, legitimando a adoção de medidas para intervenção 
estatal quando necessárias para assegurar a proteção prevista. 
 
2 Vide questões 4 e 5 desse material. 
 
15 
 
 
Assim, o Estado poderá intervir na atividade econômica sempre que for necessário e tiver 
por finalidade proteger os direitos dos consumidores. 
Em relação a isto, os fornecedores devem exercer suas atividades em conformidade com 
o princípio previsto no inciso V do art. 170 da CF/88, respeitando os direitos dos consumidores 
Sob o aspecto dogmático-filosófico, a proteção do consumidor se funda no Princípio do 
Favor Debilis ou Proteção do Mais Fraco, o que autoriza a intervenção do Estado nas relações 
de consumo, para reequilibrar a relação jurídica, conferindo direitos ao consumidor vulnerável 
e impondo deveres ao fornecedor, detentor do monopólio dos meios de produção (art. 170, 
inciso V, da CF/88). 
A desigualdade entre as partes contratantes nas relações contratuais de consumo, afinal, 
é axioma de todo o sistema jurídico consumerista, que fundamenta o reconhecimento da 
vulnerabilidade do consumidor. 
 A Proteção do Consumidor na Lei Infraconstitucional 
Quando, no inciso XXXII do art. 5º da CF/88, o legislador constituinte dispôs que o Estado 
promoverá a defesa do consumidor na forma da lei, determinava-se ali a elaboração de uma 
lei que trouxesse em seu texto o conteúdo protecionista. 
No art. 48, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), determinou-se 
que o Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias, contados da promulgação da 
Constituição Federal de 1988, deveria elaborar o Código de Defesa do Consumidor. 
Assim, em cumprimento da determinação constitucional foi editada a Lei 8.078, de 1990, 
conhecida como o Código de Defesa do Consumidor, organizando sistematicamente os normas 
de proteção ao sujeito vulnerável da relação, trazendo princípios e regras específicas. 
1.8 Competência 
É prevista, no art. 24, inciso V, da CF/88 a competência concorrente da União, dos 
Estados e do Distrito Federal de legislar sobre produção e consumo, assim como, no inciso 
VIII, sobre responsabilidade por danos ao consumidor. 
 
16 
 
 
Logo, cabe à União a edição de normas gerais, e aos Estados-membros e ao Distrito 
Federal a competência suplementar, para adequar a legislação federal às peculiaridades locais, 
sem prejuízo da competência dos Municípios para legislar sobre assuntos de interesse local (art. 
30, inciso I, da CF/88) - ex.: tempo máximo de espera na fila – STF, RE 432.789. 
 
 
 
1.9 Código de Defesa do Consumidor 
1.9.1 Introdução 
O legislador constitucional ordinário impôs, no art. 48 do ADCT, a necessidade de 
elaboração de um Código de Defesa do Consumidor, no prazo de 120 (cento e vinte) dias, 
contados da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Tal prazo não foi cumprido, porém foi fundamental para que o Congresso Nacional 
editasse a Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990: O Código de Defesa do Consumidor, que 
teve vacatio legis de 180 (cento e oitenta) dias (art. 118, CDC). 
Desta forma, a Lei nº 8.078/1990 está em vigor no Brasil desde 11 de março de 1991 e 
tornou-se um modelo na América Latina, em especial por identificar em seu texto legal o 
consumidorcomo verdadeiro sujeito dos direitos, reconhecendo-o como vulnerável e em 
situação de desigualdade nas relações de consumo. 
Competência 
Legislativa Concorrente
União
Edição de Normas 
Gerais
Estados e Distrito 
Federal
Normas Suplementares
 
17 
 
 
 
O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) estabelece “normas de proteção e 
defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social” nos termos do art. 5º, inciso 
XXXII e art. 170, inciso V da Constituição Federal, sendo a sua elaboração prevista no art. 48 do 
ADCT (CDC, art. 1º). 
Por ser uma norma de ordem pública, com fundamento constitucional, tendo 
hierarquia constitucional e natureza de cláusula pétrea, o Código de Defesa do Consumidor 
deve prevalecer diante de antinomias e traz como consequências: 
A) A possibilidade de o juiz atuar de ofício, decretando a desconsideração da 
personalidade jurídica, a abusividade do foro de eleição e invertendo o ônus da 
prova; 
B) A ausência de preclusão para a alegação de nulidade de pleno direito. 
 
Antinomia: conflito de leis sobre o mesmo caso concreto. 
Para que seja aplicável o Código de Defesa do Consumidor é necessário que existam na 
relação determinados elementos. São alguns deles: que a relação seja entre um consumidor 
(parte vulnerável da relação) e um fornecedor, bem como que haja a disponibilização de um 
produto ou serviço. 
Logo, e aplicável o Código de Defesa do Consumidor em relações jurídicas que consumo 
nas quais podemos identificar a presença de elementos: 
 
18 
 
 
 
 Inspirado em vários modelos de legislações estrangeiras, o Código de Defesa do 
Consumidor recebeu diversas influencias, como a Resolução nº 39/248, de 9 de abril de 1985, 
da Assembleia-Gera da Organização das Nações Unidas (ONU), resolução que fixou uma série 
de normas internações para a proteção do consumidor, objetivando oferecer diretrizes aos 
países a fim de que fossem utilizadas por estes na elaboração ou aperfeiçoamento das 
legislações consumeristas. 
A maior influência, segundo os autores do anteprojeto, veio do Projet de Code de la 
Consommation, redigido sob a presidência do professor Jean Calais-Auloy. Foram também 
importantes no processo de elaboração as leis gerais da Espanha (Ley General para la Defensa 
de los Consumidores y Usuariosy Lei n° 26/1984), de Portugal (Lei n° 29/1981, de 22 de agosto), 
do México (Lei Federal de Protección al Consumidor, de 5 de fevereiro de 1976) e de Quebec 
(Loi sur la Protection du Consommateury, promulgada em 1979). 
1.9.2 Posição Hierárquica do Código de Defesa do Consumidor 
Como exposto anteriormente, o Código de Defesa do Consumidor é um Direito 
Fundamental de Terceira Geração. 
O CDC é tido pela doutrina como uma norma principiológica, em razão da proteção 
constitucional dos consumidores, que consta, especialmente, do art. 5º, XXXII, da Constituição 
Federal de 1988. 
Pode-se dizer, então, que o Código de Defesa do Consumidor tem eficácia supralegal, 
estando entre a Constituição Federal de 1988 e as leis ordinárias. 
Elementos da Relação 
de Consumo
Sujeito
Fornecedor
Consumidor
Objeto
Produto
Serviço
Elemento Finalístico Destinação Final
 
19 
 
 
O professor Flávio Tartuce, posiciona-se no sentido de que o Código de Defesa do 
Consumidor, por ser previsto na Constituição Federal de 1988 (art. 48, ADCT), está em uma zona 
híbrida entre a Constituição Federal e a Legislação Ordinária. 
Veja, na Pirâmide de Kelsen: 
 
No sistema piramidal de Kelsen temos, no topo da pirâmide, a Constituição Federal de 
1988, abaixo dela as normas infraconstitucionais e, por fim, as normas infralegais. O Código de 
Defesa do Consumidor, por ter sua criação determinada no texto do Atos das Disposições 
Constitucionais Transitórias, deve ser localizado entre a Constituição Federal e as Leis 
Infraconstitucionais, sendo uma norma de eficácia supralegal, estando acima das leis ordinárias. 
Pode-se citar o problema relativo à Convenção de Varsóvia e à Convenção de Montreal, 
tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário e que preveem tarifação de indenização 
no transporte aéreo internacional, nos casos de cancelamento e atraso de voos, bem como de 
extravio de bagagem. Tais convenções internacionais colidem com o princípio da reparação 
integral dos danos, previsto no art. 6º, inciso VI, da Lei nº 8.078/1990, que reconhece como 
direito básico do consumidor a efetiva reparação dos danos patrimoniais e morais, individuais, 
coletivos e difusos, afastando qualquer possibilidade de tabelamento ou tarifação de indenização 
em desfavor dos consumidores. Neste caso, em razão da posição supralegal do Código de 
Defesa do Consumidor, a norma consumerista deve prevalecer sobre as citadas fontes 
internacionais. 
É possível que em algum caso concreto de relação consumerista haja a possibilidade de 
aplicação de várias normas, surgindo a figura da antinomia de normas jurídicas. 
Constituição 
Federal
Normas 
Infraconstitucionais
Normas Infralegais
Código de Defesa do Consumidor como norma 
supralegal, abaixo da Constituição e acima da 
legislação ordinária. 
 
20 
 
 
 
 
Se liga, OABeiro! Caso surja um conflito aparente entre o Código de Defesa do Consumidor3 
com o Código Civil, o conflito poderá ser resolvido pelas formas tradicionais de hermenêutica, 
como os critérios do tempo de vigência da norma, da especialidade, da hierarquia, da 
subsidiariedade etc. 
 
1.9.3 Estrutura do Código de Defesa do Consumidor 
Antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, o então presidente do Conselho 
Nacional de Defesa do Consumidor, Dr. Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, constituiu uma 
comissão, no âmbito do Conselho, com intuito de apresentar um anteprojeto de Código de 
Defesa do Consumidor, previsto com essa denominação pela Assembleia Nacional Constituinte. 
A comissão foi composta pelos juristas: Ada Pellegrini Grinover, Daniel Roberto Fink, José 
Geraldo Brito Filomeno, Kazuo Watanabe e Zelmo Denari. A comissão contou com a assessoria 
de Antônio Herman de Vasconcellos e Benjamin, Eliana Cáceres, Marcelo Gomes Sodré, 
Mariângela Sarrubo, Nelson Nery Júnior e Régis Rodrigues Bonvicino. Contribuíram também 
Promotores de Justiça do Estado de São Paulo e a comissão considerou trabalhos anteriores do 
Conselho Nacional de Defesa do Consumidor, que havia contado com a colaboração de Fábio 
Konder Comparato, Waldemar Mariz de Oliveira Júnior e Cândido Dinamarco. 
Apresentado ao Ministro Paulo Brossad, o primeiro anteprojeto foi amplamente divulgado 
e existiram debates em diversas capitais. Após a reformulação do anteprojeto por este trabalho 
 
3 Vide questões 8, 9, 10, 11, 12 e 13 desse material. 
 
21 
 
 
conjunto, foi publicado no Diário Oficial, em 04 de janeiro de 1989, junto com o parecer da 
comissão, justificando o acolhimento ou a rejeição das propostas recebidas. 
Em sua elaboração, a Lei nº 8.078/1990, recebeu contribuição do que havia de mais 
avançado no ordenamento jurídico internacional em relação à matéria de proteção e defesa do 
consumidor. Os legisladores estavam preocupados com que o Código de Defesa do Consumidor 
fosse uma lei permanente, por este motivo seus dispositivos são gerais e com grande carga 
principiológica. 
Houve também a preocupação com a estrutura do Código para que pudesse ser 
facilmente compreendido por todos que ele lesse, em especial o Consumidor. Isto facilitaria a 
aplicação e cumprimento das normas. 
O Código de Defesa do Consumidor é, então, assim estruturado: 
Índice Sistemático do Código de Defesa do Consumidor 
TÍTULO I - DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR (arts. 1º ao 60): 
CAPÍTULO I - Disposições Gerais (arts. 1º ao 3º); 
CAPÍTULO II - Da Política Nacional de Relações de Consumo (arts. 4º e 5º); 
CAPÍTULO III - Dos Direitos Básicos do Consumidor (arts. 6º e 7º); 
CAPÍTULO IV - Da Qualidade de Produtose Serviços, da Prevenção e da Reparação dos Danos 
(arts. 8º ao 28): 
Seção I - Da Proteção à Saúde e Segurança (arts. 8º ao 11); 
Seção II - Da Responsabilidade pelo Fato do Produto e do Serviço (arts. 12 ao 17); 
Seção III - Da Responsabilidade por Vício do Produto e do Serviço (arts. 18 ao 25); 
Seção IV - Da Decadência e da Prescrição (arts. 26 e 27); 
Seção V - Da Desconsideração da Personalidade Jurídica (art. 28) 
CAPÍTULO V - Das Práticas Comerciais (arts. 29-45): 
Seção I - Das Disposições Gerais (art. 29); 
Seção II - Da Oferta (arts. 30 ao 35); 
Seção III - Da Publicidade (arts. 36 ao 38); 
Seção IV - Das Práticas Abusivas (arts. 39 ao 41); 
Seção V - Da Cobrança de Dívidas (art. 42); 
Seção VI - Dos Bancos de Dados e Cadastros de Consumidores (arts. 43 ao 45); 
 
22 
 
 
CAPÍTULO VI - Da Proteção Contratual (arts. 46-54): 
Seção I - Disposições Gerais (arts. 46 ao 50); 
Seção II - Das Cláusulas Abusivas (arts. 51 ao 53); 
Seção III - Dos Contratos de Adesão (art. 54); 
CAPÍTULO VII - Das Sanções Administrativas (arts. 55 ao 60). 
TÍTULO II - DAS INFRAÇÕES PENAIS (arts. 61 ao 80). 
TÍTULO III - DA DEFESA DO CONSUMIDOR EM JUÍZO (arts. 81 ao 104): 
CAPÍTULO I - Disposições Gerais (arts. 81 ao 90); 
CAPÍTULO II - Das Ações Coletivas para a Defesa de Interesses Individuais Homogêneos (arts. 
91 ao 100); 
CAPÍTULO III - Das Ações de Responsabilidade do Fornecedor de Produtos e Serviços (arts. 
101 e 102); 
CAPÍTULO IV - Da Coisa Julgada (arts. 103 e 104). 
TÍTULO IV - DO SISTEMA NACIONAL DE DEFESA DO CONSUMIDOR (arts. 105 e 106). 
TÍTULO V - DA CONVENÇÃO COLETIVA DE CONSUMO (arts. 107 e 108). 
TÍTULO VI - DISPOSIÇÕES FINAIS (arts. 109 ao 119). 
 
1.9.4 Características do Código de Defesa do Consumidor 
O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), possui três características 
principais: 
 É uma lei principiológica; 
 Com normas de ordem pública e de interesse social; 
 Formando um microssistema multidisciplinar. 
 
 O Código de Defesa do Consumidor como Lei Principiológica: 
Por ser principiológico, o Código de Defesa do Consumidor é considerado um código 
de diretriz, por normatizar as regras, não prevendo espécies específicas de contratos. 
 
23 
 
 
Nelson Nery Júnior, que participou da elaboração do anteprojeto o Código de Defesa do 
Consumidor, diz que, por ser uma lei que fixa os princípios fundamentais das relações de 
consumo, o Código de Defesa do Consumidor ocupa uma posição superior dentro do direito 
positivo. 
A eleição de certos princípios pelo legislador ordinário buscou, em última análise, o 
reequilíbrio de uma relação jurídica que é muito desigual. Busca-se, então, a concretização da 
igualdade material. 
O Superior Tribunal de Justiça pacificou posicionamento no sentido de coibir práticas 
abusivas de fornecedores no mercado de consumo quando violadoras de princípios do Código 
de Defesa do Consumidor (REsp 1.073.595/MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJe 29.04.2011). 
 O Código de Defesa do Consumidor como Norma de Ordem Pública e de Interesse 
Social: 
 O fato de o Código de Defesa do Consumidor ser norma de ordem pública e de 
interesse social4 traz consequências jurídicas relevantes. 
 As decisões decorrentes de litígios que envolvem relações de consumo não se 
limitam às partes envolvidas, repercutindo muitas vezes em interesses difusos, 
coletivos ou individuais homogêneos; 
 As partes não poderão derrogar os direitos do consumidor, a autonomia da 
vontade e a pacta sunt servanda foram mitigadas pelo Código de Defesa do 
Consumidor (assim, sendo abusiva a cláusula de um contrato firmado entre o 
consumidor e o fornecedor de um serviço, por exemplo, esta pode ser anulada, 
não cabendo alegação de que o consumidor estava ciente quando da contratação); 
 O juiz pode reconhecer de ofício Direitos do Consumidor, declarar nulidade de 
cláusula abusiva, por exemplo. 
Estas são três as consequências jurídicas relevantes em razão do caráter de norma de 
ordem pública e interesse social do CDC. 
 
4 Vide questões 6 e 7 desse material. 
 
24 
 
 
 
 O Código de Defesa do Consumidor como Microssistema Multidisciplinar: 
Junto com os princípios que lhe são próprios, no âmbito da chamada ciência 
consumerista, o Código de Defesa do Consumidor relaciona-se com outros ramos do Direito, 
ao mesmo tempo em que atualiza e dá nova roupagem a antigos institutos jurídicos. 
O Código de Defesa do Consumidor é considerado um microssistema multidisciplinar 
porque engloba em seu conteúdo as mais diversas disciplinas jurídicas com o objetivo maior de 
tutelar o consumidor. 
Encontraremos no Código de Defesa do Consumidor normas de Direito Constitucional 
(ex.: princípio da dignidade da pessoa humana), normas de Direito Civil (ex.: responsabilidade 
do fornecedor), normas de Direito Processual Civil (ex.: ônus da prova), normas de Direito 
Administrativo (ex.: proteção administrativa do consumidor), normas de Direito Penal (ex.: 
infrações e sanções penais pela violação do CDC) etc. 
Desta forma, a relação do CDC com outras fontes poderá ser exemplificada no seguinte 
quadro (com adaptações), colhido da obra Direito Constitucional Esquematizado de Fabrício 
Bolzan: 
 
Direito 
Constitucional 
 
CDC, Art. 4º. A Política Nacional das Relações de Consumo tem por 
objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à 
sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses 
econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a 
transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os 
seguintes princípios: (...) 
 
 
 
Direito Civil 
 
CDC, Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou 
estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência 
de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por 
defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, 
fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus 
produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre 
sua utilização e riscos. 
 
25 
 
 
 
 
Processo Civil 
 
CDC — Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: 
(...) 
VIII — a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do 
ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for 
verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras 
ordinárias de experiências; 
 
 
 
 
 
Direito 
Administrativo 
 
CDC — Art. 56. As infrações das normas de defesa do consumidor ficam 
sujeitas, conforme o caso, às seguintes sanções administrativas, sem 
prejuízo das de natureza civil, penal e das definidas em normas específicas: 
I — multa; 
II — apreensão do produto; 
III — inutilização do produto; 
IV — cassação do registro do produto junto ao órgão competente; 
V — proibição de fabricação do produto; 
VI — suspensão de fornecimento de produtos ou serviço; 
VII — suspensão temporária de atividade; 
(...) 
Parágrafo único. As sanções previstas neste artigo serão aplicadas pela 
autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser 
aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar, antecedente ou 
incidente de procedimento administrativo. 
 
Direito Penal 
 
CDC — Art. 61. Constituem crimes contra as relações de consumo 
previstas neste código, sem prejuízo do disposto no Código Penal e leis 
especiais, as condutas tipificadas nos artigos seguintes. 
 
 
Microssistema Multidisciplinar: o Código de Defesa do Consumidor é considerado um 
microssistema por possuir em seu bojo tanto normas de Direito Material, quanto de Direito 
 
26 
 
 
Processual e Direito Administrativo, assim, contém normas de variadas disciplinas jurídicas 
(multidisciplinar), sendo um microssistema que regula as relações de consumo, dentro do 
macrossistema do Código Civil.Principiológico: o Código de Defesa do Consumidor prevê em seu texto os direitos aos 
Consumidores bem como os deveres aos Fornecedores, sem se ater a espécies específicas de 
contrato, o que permite a sua incidência sobre toda e qualquer relação consumerista. 
1.9.5 Aplicabilidade 
Conforme entendimento firmado pelo STF e pelo STJ, não se aplicam as disposições do 
Código de Defesa do Consumidor às situações ocorridas antes da sua entrada em vigor, exceto 
nas contratações por prazo indeterminado/execução diferida e por prestação periódica (ex.: 
plano de saúde), nas quais se permite a sua incidência quanto às parcelas a serem adimplidas 
a partir do seu advento (março de 1991). 
Não há retroatividade, mas apenas aplicação a relações de trato sucessivo, no tocante às 
operações posteriores à sua vigência. 
1.9.6 Diálogo das Fontes 
Pela Teoria do Diálogo das Fontes, sustenta-se a possibilidade de que várias normas 
protetivas do consumidor sejam aplicadas ao mesmo tempo, ainda que em conflito aparente, 
uma vez que deve haver a ‘conformação das fontes protetivas ao consumidor’ (Erick Jayme e 
Cláudia Lima Marques). 
Claudia Lima Marques traz sua visão sobre os três tipos de diálogos possíveis entre 
Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil: 
A) Na aplicação simultânea das duas leis, uma lei pode servir de base conceitual para a 
outra (diálogo sistemático de coerência), especialmente se uma lei é geral e a outra especial, 
se uma é a lei central do sistema e a outra um microssistema específico, não completo 
materialmente, apenas com completude subjetiva de tutela de um grupo da sociedade; 
 
27 
 
 
B) na aplicação coordenada das duas leis, uma lei pode complementar a aplicação da 
outra, a depender de seu campo de aplicação no caso concreto (diálogo sistemático de 
complementaridade e subsidiariedade em antinomias aparentes ou reais), a indicar a 
aplicação complementar tanto de suas normas, quanto de seus princípios, no que couber, no 
que for necessário ou subsidiariamente; 
C) ainda há o diálogo das influências recíprocas sistemáticas, como no caso de uma 
possível redefinição do campo de aplicação de uma lei (assim, por exemplo, as definições de 
consumidor stricto sensu e de consumidor equiparado podem sofrer influências finalísticas do 
Código Civil, uma vez que esta lei vem justamente para regular as relações entre iguais, dois 
iguais - consumidores ou dois iguais -fornecedores entre si — no caso de dois fornecedores, 
trata-se de relações empresariais típicas, em que o destinatário final fático da coisa ou do fazer 
comercial é um outro empresário ou comerciante —, ou, como no caso da possível transposição 
das conquistas do Richterrecht (direito dos juízes), alçadas de uma lei para a outra. É a influência 
do sistema especial no geral e do geral no especial, um diálogo de double sens (diálogo de 
coordenação e adaptação sistemática)”. 
É necessário destacar que o diálogo das fontes poderá estabelecer-se não apenas entre 
o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor, mas, ainda, entre o Diploma Consumerista 
e outras leis especiais, tais como: 
- CDC e Lei dos planos e seguros de assistência à saúde (Lei nº 9.656/1998); 
- CDC e Lei das mensalidades escolares (Lei nº 9.870/199); 
- CDC e Lei dos consórcios (Lei nº 11.795/2008). 
O diálogo das fontes também vem sendo aplicado expressamente em alguns julgados do 
Superior Tribunal de Justiça, conforme posicionamento insculpido no julgamento do Recurso 
Especial 1.216.673/SP: “Deve ser utilizada a técnica do ‘diálogo das fontes’ para harmonizar a 
aplicação concomitante de dois diplomas legais ao mesmo negócio jurídico; no caso, as normas 
específicas que regulam os títulos de capitalização e o CDC, que assegura aos investidores a 
 
28 
 
 
transparência e as informações necessárias ao perfeito conhecimento do produto” (Rel. Ministro 
João Otávio de Noronha, 4ª T., DJe 09.06.2011). 
A título de aprofundamento, vale mencionar que o diálogo das fontes foi idealizado pelo 
Professor Alemão Erik Jayme, professor da Universidade de Heidelberg, e trazida ao Brasil pela 
notável Claudia Lima Marques, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 
 
Diálogo das Fontes (Cláudia Lima Marques): 
a) diálogo sistemático de coerência: aproveita a base conceitual de uma lei pela outra; 
b) diálogo sistemático de complementariedade e subsidiariedade: adota os princípios e regras 
de um sistema, em caráter complementar, para melhor solução do caso concreto; 
c) diálogo das influências recíprocas sistemáticas: considera que uma norma influencia na 
interpretação de outra; ou seja, na influência do sistema especial no geral e do sistema geral no 
especial. 
O tema é fundamental para a compreensão do campo de incidência do Código de Defesa 
do Consumidor. 
A essência da teoria é de que as normas jurídicas não se excluem, mas se 
complementam. No Brasil, a principal incidência da teoria se dá justamente na interação entre 
o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil de 2002, em matérias como a 
responsabilidade civil e o Direito Contratual. 
Do ponto de vista legal, a tese está baseada no art. 7º do Código de Defesa do 
Consumidor, que adota um modelo aberto de interação legislativa. 
 
29 
 
 
De acordo com tal comando, os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor 
não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja 
signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades 
administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, 
analogia, costumes e equidade. 
Nesse contexto, é possível que a norma mais favorável ao consumidor esteja fora da 
própria Lei Consumerista, podendo o intérprete fazer a opção por esse preceito específico. 
É interessante analisarmos alguns julgados que aplicaram a Teoria do Diálogo das Fontes, 
propondo uma interação entre o Código Civil de 2002 e o Código de Defesa do Consumidor. 
Leia os julgados selecionados ao final deste capítulo. 
1.9.7 Política Nacional das Relações de Consumo 
Implementada pelo Código de Defesa do Consumidor, em seu art. 4º, que dispõe sobre 
os objetivos e princípios que devem nortear o setor, a Política Nacional das Relações de 
Consumo foi criada para proteger o consumidor, agente vulnerável das relações de consumo, 
buscando uma harmonia entre consumidores e fornecedores, equilibrando a balança da relação. 
Assim, se por um lado o Código e Defesa do Consumidor se preocupa com o atendimento 
das necessidades básicas dos consumidores, por outro lado ele busca igualmente pacificar e 
compatibilizar interesses que estejam em conflito. 
Com efeito, o art. 4º do Código de Defesa do Consumidor visa a atender não apenas às 
necessidades dos consumidores e respeito à sua dignidade – de sua saúde e segurança, proteção 
de seus interesses econômicos, melhoria de sua qualidade de vida, como também à 
imprescindível harmonia das relações de consumo. 
O art. 4º é considerado uma norma narrativa (a doutrina também usa a expressão norma-
objeto para designar os dispositivos legais que estabelecem os resultados a serem alcançados, 
isto é, definem os fins almejados), na expressão criada por Erik Jayme. 
 
30 
 
 
Tal artigo, por impor obrigações de resultado, é dotado de eficácia plena, designando 
um programa de ação de interesse público, voltado à consecução de uma finalidade que é a 
defesa do consumidor, imposta na Constituição Federal de 1988 (art. 5º, inciso XXXII). 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das 
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a 
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como 
a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
I - reconhecimento da vulnerabilidade doconsumidor no mercado de consumo; 
II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: 
a) por iniciativa direta; 
b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas; 
c) pela presença do Estado no mercado de consumo; 
d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, 
durabilidade e desempenho. 
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e 
compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento 
econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem 
econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas 
relações entre consumidores e fornecedores; 
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e 
deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo; 
V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e 
segurança de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de 
conflitos de consumo; 
VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo, 
inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das 
marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar prejuízos aos 
consumidores; 
VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos; 
VIII - estudo constante das modificações do mercado de consumo. 
Por vulnerabilidade, há de se entender a fragilidade dos consumidores, em face dos 
fornecedores, quer no que diz respeito ao aspecto econômico e de poder aquisitivo, quer no 
que diz respeito às chamadas informações disponibilizadas pelo próprio fornecedor ou ainda 
 
31 
 
 
técnica. Ora, referidas informações, que podem ser, por exemplo, verdadeiras ou falsas, ou então 
desatenderem às expectativas dos consumidores, mediante oferta, publicidade ou apresentação 
(embalagens, bulas de remédios, manuais de uso, cartazes e outros meios visuais), 
apresentando-se, por conseguinte, na fase chamada pré-contratual. 
A Política Nacional das Relações de Consumo, tem por fim garantir não apenas a defesa 
do consumidor, mas, também, estimular uma relação sadia de consumo. 
Essa Política tem por objetivo respeitar e assegurar aos consumidores: dignidade; saúde 
e segurança; proteção de seus interesses econômicos; melhoria da sua qualidade de vida; 
transparência e harmonia das relações de consumo. 
Além disso, a Política Nacional das Relações de Consumo deve atender aos princípios da 
vulnerabilidade e proteção efetiva do consumidor; harmonização dos interesses dos 
participantes das relações de consumo; compatibilização da proteção do consumidor com a 
necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico; educação e informação dos sujeitos 
das relações de consumo; incentivo à criação de meios eficientes de controle de qualidade e 
segurança dos produtos e serviços; ampliação dos meios de solução alternativa de conflitos de 
consumo; repressão aos abusos praticados no mercado; racionalização e melhoria dos serviços 
públicos; e do estudo constante das modificações do mercado de consumo. 
A execução dessas políticas contará com os seguintes instrumentos previstos na lei: 
Art. 5º Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o poder 
público com os seguintes instrumentos, entre outros: 
I – manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor carente; 
II – instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do 
Ministério Público; 
III – criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de consumidores 
vítimas de infrações penais de consumo; 
 
32 
 
 
IV – criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para a 
solução de litígios de consumo; 
V – concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa do 
Consumidor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
 
Constituição 
Federa
Código de Defesa 
do Consumidor
Leis Ordinárias
Direito do 
Consumidor
•Fenômeno 
recente
•Sociedade de 
Consumo
•Proteção da parte 
vulnerával da 
relação
No Mundo
•Revolução 
Industrial do Aço 
e do Carvão
•New York 
Consumers 
League
•John F. Kennedy 
(12.03.1962)
•ONU, 1985 -
Resol. 39/248 
(Diretrizes do 
Direito do 
Consumidor)
Brasil
•Movimento 
Consumerista 
Brasileiro (1976)
•Conselho 
Nacional de 
Defesa do 
Consumidor 
(1985)
•Constituição 
Federal de 1988
•Lei 8.078/1990 
(Código de Defesa 
do Consumidor)
• Direito do Consumidor como Direito 
Fundamental
CF, 5º, inciso XXXII
• Competência para legislar sobre 
Direito do Consumidor
CF, 24, V e VIII
• Direito do Consumidor como princípio 
da atividade econômica
CF, 170, V
 
 
QUADRO SINÓTICO 
 
Direito do 
Consumidor
Dieito de 3ª 
Geração
Previsão 
Constitucional
Proteção da 
Parte mais 
vulnerável
 
34 
 
 
 
 
QUESTÕES COMENTADAS 
Questão 1 
(CESPE - 2012 - TJ-PA - Juiz) À luz do CDC, julgue a opção seguinte: A defesa do consumidor 
é um princípio fundamental da ordem econômica. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
De acordo com o art. 170, inciso V, da CF/88, a ordem econômica, fundada na valorização 
do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, 
conforme os ditames da justiça social, observados os alguns princípios, dentre eles, a defesa 
do consumidor. 
 
Questão 2 
(CESPE - 2013 – DPE-TO – Defensor Público) “A defesa do consumidor é um direito 
constitucional fundamental e também um dos princípios da atividade econômica”. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
35 
 
 
Comentário: 
A CF/88 traz a proteção ao consumidor como direito fundamental no inciso XXXII do art. 
5º e insere no art. 170, inciso V como um princípio da atividade econômica. 
 
 
Questão 3 
(TC-DF - 2002 – TC-DF – Procurador) “A defesa do consumidor é tratada, na Constituição da 
República de 1988, de duas formas: como direito fundamental e como princípio da ordem 
econômica”. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
A CF/88 traz a proteção ao consumidor como direito fundamental no inciso XXXII do art. 
5º e insere no art. 170, inciso V como um princípio da atividade econômica. 
 
Questão 4 
(CESPE - 2012 – DPE-AC – Defensor Público) “O direito do consumidor está inserido entre os 
direitos fundamentais de segunda geração”. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
36 
 
 
Comentário: 
O Direito do Consumidor, direito fundamental previsto no inciso XXXII, do art. 5º, da CF/88 
é um direito fundamental de terceira geração, sendo obrigação do Estado proteger o 
consumidor. 
 
Questão 5 
(CESPE - 2007 – TJ-PI – Juiz) “A defesa do consumidor não é um princípio da ordem econômica, 
mas, sim, um direito fundamental de terceira geração”. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
A defesa do consumidor, além de ser um princípio da ordem econômica, consagrado no 
art. 170, V da CF/88, também é um direito fundamental de terceira geração que se funda 
na coletividade com ideia de solidariedade e fraternidade. 
 
Questão 6 
(FCC — 2012 — TJ-GO — Juiz) O Código de Defesa do Consumidor: 
a) estabelece normas de defesa e de proteção dos consumidores e fornecedores de produtos e 
serviços, de ordem pública e de interesse social. 
b) estabelece normas de defesa e de proteção do consumidor, de ordem pública e de interesse 
social, regulamentando normas constitucionais a respeito. 
c) prevê normas de interesse geral, dispositivas e de regulamentação constitucional. 
 
37 
 
 
d) prevê normas de defesa e de proteção ao consumidor, dispositivas e de interesse individual, 
sem vinculação constitucional. 
e) estabelece normas de interesse coletivo geral, de ordem pública e interesse social, sem 
vinculação com normas constitucionais. 
 
Comentário: 
O Código de Defesa do Consumidor traz, de acordo com a ConstituiçãoFederal, normas 
atinentes à regulação das relações de consumo, bem como normas-regras e normas-
princípios destinadas à proteção do sujeito mais vulnerável na relação de consumo: o 
consumidor; visando equiparar partes da relação consumerista. 
Assim, o Código de Defesa do Consumidor, em seu art. 1º, traz a sua natureza de norma 
de ordem pública e voltada ao interesse social. Apesar de a alternativa “a” parece 
verdadeira em uma primeira leitura desatenta, esta encontra-se em erro ao afirmar que o 
Código de Defesa do Consumidor visa a proteção dos fornecedores de produtos e serviços, 
contrariando exatamente sua suma ratio e finalidade. 
A alternativa “c” mostra-se em erronia, vez que o Código de Defesa do Consumidor elenca 
normas de ordem pública, devendo tais normas ser seguidas independentemente da 
vontade das partes ou de estipulação expressa. Já a alternativa “d” comete o mesmo erro 
da assertiva “c”, contrariando a normatividade pública do Código de Defesa do 
Consumidor, além de errar ao afirmar que não possui fundamento constitucional tal 
proteção. Por fim, a assertiva “e” contradiz também a existência de fundamentação 
constitucional do Código de Defesa do Consumidor, o que vem expresso em seu art. 1º. 
 
 
 
 
 
38 
 
 
Questão 7 
(CESPE — 2011 — IFB — Professor) Acerca dos princípios e direitos do consumidor, julgue os 
itens seguintes. Doravante, considere que a sigla CDC, sempre que utilizada, refere-se ao Código 
de Defesa do Consumidor. O CDC é uma lei de ordem pública econômica e de interesse social. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
O Código de Defesa do Consumidor é destinado a proteger o consumidor diante das 
inúmeras ofensas a direitos, sofridas nas relações de consumo. Para atingir tal anseio, o 
Código se desdobra como norma de ordem pública e interesse social (art. 1º), vistas a 
amplitude de relações que visa atingir e a necessidade imperiosa de sua aplicação, sendo 
ao mesmo tempo inegável que tais relações não possuam caráter econômico. Ademais, 
vale lembrar que a defesa do consumidor é princípio da ordem econômica. 
 
Questão 8 
(VUNESP — 2008 — TJ - SP — Juiz - Adaptada) O Código de Defesa do Consumidor: c) é lei 
de ordem pública e exclui outros dispositivos legais que tratem de direitos e deveres do 
consumidor. 
 
Comentário: 
A assertiva erra ao dispor que o Código de Defesa do Consumidor afastará outras normas 
sobre direitos e deveres do consumidor, por exemplo os tratados e convenções. 
 
39 
 
 
 
Questão 9 
(CESPE — 2009 — ADAGRI - CE — Agente Estadual Agropecuário). Os direitos previstos no 
CDC excluem expressamente os decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que 
o Brasil seja signatário. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
O Código de Defesa do Consumidor visa dar ao sujeito vulnerável da relação consumerista 
ampla proteção, mesmo que para atingir este fim precípuo necessite aplicar outras normas 
garantidoras de direitos ao consumidor, como os tratados ou convenções internacionais 
do qual seja parte nosso país (art. 7º do Código de Defesa do Consumidor), podendo 
inclusive se valer dos direitos que resultem de princípios gerais do direito, analogia, 
costumes e equidade. 
 
Questão 10 
(CESPE — 2008 — PC-TO — Delegado de Polícia) A defesa do consumidor encontra 
supedâneo na Constituição Federal ao estabelecer que o Estado, na forma da lei, promoverá a 
defesa dos direitos do consumidor. Por sua vez, o Código de Defesa do Consumidor preconiza 
que as normas de proteção e defesa são de ordem pública e interesse social. Sendo assim, as 
referidas normas têm de ser observadas mesmo que contrariem a vontade das partes. 
 
CERTO 
 
40 
 
 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
Encontrada no art. 1º do Código de Defesa do Consumidor a clara fundamentação 
constitucional da proteção especial conferida ao sujeito vulnerável da relação consumerista, 
partindo de seu fundamento constitucional (art. 5º, inciso XXXII e art. 170, inciso V, ambos 
da Constituição Federal de 1988 e art. 48 dos Atos das Disposições Constitucionais 
Transitórias) até alcançar as normas infraconstitucionais protetivas. Assim, além de ter 
fundamento na Constituição Federal, o Código de Defesa do Consumidor derroga a 
vontade das partes toda vez que estas tentarem afastar suas normas, tendo então cunho 
imperativo. 
 
Questão 11 
(CEPERJ — 2012 — PROCON -RJ — Agente de Proteção e Defesa do Consumidor) A defesa 
do consumidor tem base constitucional que indica a necessidade de edição do seguinte Código: 
a) Civil. 
b) de Defesa do Consumidor. 
c) Comercial. 
d) Tributário. 
e) Desportivo. 
 
Comentário: 
A proteção do consumidor, parte vulnerável da relação consumerista, possui fundamento 
constitucional, sendo direito fundamental previsto no art. 5º, inciso XXXII, da Constituição 
Federal de 1988, além de ser ao mesmo tempo um norte a Livre Iniciativa, atuando como 
 
41 
 
 
princípio da Ordem Econômica (art. 170, inciso V, Constituição Federal de 1988), o que 
resultou em especial atenção do Constituinte, estipulando o prazo de 120 (cento e vinte) 
dias ao Congresso Nacional para a elaboração de um Código de Defesa do Consumidor, 
conforme previsão trazida no art. 48 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. 
 
Questão 12 
(FCC - 2013 - TJ-PE – Juiz Substituto – Adaptada) No tocante às relações de consumo, as 
normas consumeristas são de natureza dispositiva e de interesse individual dos consumidores. 
 
CERTO 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
Uma vez estabelecido que as normas inseridas no Código de Defesa do Consumidor são 
de ordem púbica e de interesse social, conforme preleciona do art. 1º do Código de Defesa 
do Consumidor, o diploma consumerista passa a deter natureza de norma cogente, 
provocando sua incidência independentemente da vontade das partes, o que permite sua 
aplicação de ofício pelo juiz, além de impossibilitar, no caso concreto, a alteração das 
situações jurídicas regulada por tal Código. 
 
Questão 13 
(FCC - 2018 - DPE-AM - Defensor Público) Por se tratarem de normas cogentes de ordem 
pública e de inegável interesse social, os contratos firmados sob o pálio do Código de 
Defesa do Consumidor ocasionam a: 
 
42 
 
 
a) impossibilidade de modulação dos efeitos das cláusulas contratuais, na fase de execução 
do contrato, quando verificada a aplicação da teoria da quebra da base objetiva. 
b) inversão do ônus da prova, benefício que não pode ser estendido às pessoas jurídicas 
consumidoras, ainda quando reconhecida sua vulnerabilidade no caso concreto. 
c) possibilidade, pelo julgador, de ofício, em reconhecer a nulidade de cláusulas abusivas, 
com exceção daquelas previstas em contratos bancários. 
d) declaração de nulidade de cláusula compromissória compulsória, salvo quando o 
consumidor pessoa física não for hipossuficiente econômico. 
e) responsabilidade objetiva do fabricante, distribuidor, montador, prestadores de serviços, 
profissionais liberais e demais fornecedores de produto e/ou serviço, no descumprimento 
contratual por vício do produto ou serviço. 
 
Comentário: 
O Art. 6º, inciso V do Código de Defesa do Consumidor não adota a Teoria da Imprevisão, 
mas a Teoria da Base Objetiva do Negócio, o que quer dizer que o negócio deve ser revisto 
se, objetivamente, estiver desequilibrado (ainda que anteriormente fosse previsível ou 
mesmo previsto o desequilíbrio). Pela leitura do art. 6º, inciso V, basta a superveniência de 
fato que determine desequilíbrio na relação contratual diferida ou continuada para que 
seja possível a postulação de sua revisão ou resolução, em virtude da incidência da teoria 
da base objetiva. O requisito de o fato não ser previsível nem extraordinário não é exigido 
para a Teoria da Base Objetiva, mas tão somente a modificação nas circunstâncias 
indispensáveis que existiam no momento da celebração do negócio, ensejando 
onerosidadeou desproporção para uma das partes. 
Com relação à assertiva “c” atente-se à Súmula nº 381 do STJ: Nos contratos bancários, é 
vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas. 
 
43 
 
 
A alternativa “d” está incorreta frente ao art. 51, inciso VII, do Código de Defesa do 
Consumidor, lembrando que temos duas formas de escolher a arbitragem: fazendo uma 
"cláusula compromissória" (art. 4º da Lei de Arbitragem - Lei nº 9.307/1996) ou fazendo 
um "compromisso arbitral" (art. 9º dessa mesma lei especial). 
Já a alternativa “e” encontra-se incorreta por força do art. 14, parágrafo 4º, dó Código de 
Defesa do Consumidor que diz que “A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais 
será apurada mediante a verificação de culpa”. 
 
Questão 14 
(TRF 2 - 2014 - TRF - 2ª Região - Juiz Federal - Adaptada) Foram propostas algumas ações 
em face da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), pleiteando ressarcimento de danos oriundos 
do extravio de grande quantidade de cartas e postagens, efetivamente ocorrida em certa 
comunidade carente. Uma dessas ações é de natureza coletiva. A inversão do ônus da prova 
depende de requerimento da parte, e não pode ser determinada ex officio pelo juiz. 
 
 
Comentário: 
Por ser o Código de Defesa do Consumidor uma norma de ordem pública e de interesse 
social (art. 1º, do Código de Defesa do Consumidor), com previsão constitucional (art. 5º, 
inciso XXXII da Constituição Federal de 1988 e art. 48 dos Atos das Disposições 
Constitucionais Transitórias), a inversão do ônus da prova não depende de requerimento 
da parte, e pode ser determinada ex officio pelo juiz. 
 
 
 
 
44 
 
 
Questão 15 
(CESPE – 2013 – TJBA - Titular de Serviços de Notas e de Registros – Adaptada) Considerando 
a jurisprudência do STJ acerca das relações de consumo e dos direitos do consumidor, assinale 
a opção correta: Por ser absoluta a proteção ao consumidor, a abusividade de cláusula inserida 
em contrato bancário pode ser reconhecida de ofício pelo julgador. 
CERTO 
ERRADO 
 
 
Comentário: 
A assertiva é contrária a entendimento sumulado do STJ (Súmula 381, STJ). 
 
 
 
45 
 
 
 
GABARITO 
 
Questão 1 - Certo 
Questão 2 - Certo 
Questão 3 - Certo 
Questão 4 - Errada 
Questão 5 - Errada 
Questão 6 - B 
Questão 7 - Certo 
Questão 8 - Errada 
Questão 9 - Errada 
Questão 10 - Certo 
Questão 11 - B 
Questão 12 - Errada 
Questão 13 - C 
Questão 14 - Errada 
Questão 15 - Errada 
 
 
46 
 
 
QUESTÃO DESAFIO 
Comente acerca do diálogo das fontes no microssistema do CDC, 
englobando tanto a legislação interna quanto à internacional. 
Responda em até cinco linhas 
 
47 
 
 
GABARITO DA QUESTÃO DESAFIO 
O artigo sétimo do CDC evidencia uma cláusula de abertura deste microssistema (CDC), isto 
é, reconhece a possibilidade de aplicação simultânea de várias fontes legislativas. Assim, no 
campo interno, destaca-se a relação do CDC com o CC. Já, no plano internacional, há a 
Convenção de Varsóvia. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 Aplicação simultânea-múltiplas fontes legislativas 
O diálogo das fontes é uma expressão criada para determinar a aplicação simultânea e coerente 
de múltiplas fontes legislativas. 
O Código de Defesa do Consumidor prevê expressamente a realização desse diálogo das fontes 
ao afirmar em seu artigo sétimo que os direitos previstos no mencionado Código não excluem 
outros decorrentes de Tratados ou Convenções Internacionais de que o Brasil seja signatário, da 
legislação interna ordinária, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, 
analogia, costumes e equidade. 
Assim, o CDC foi expresso ao ressaltar que a legislação apresentada nesse código não é 
“fechada”, de modo que é possível a compatibilização das normas expressas com outras normas 
protetoras. (GARCIA, Leonardo; Direito do Consumidor-Leis Especiais para Concurso; Ed.13; 
Juspodivm). 
 Código Civil (contrato) - três diálogos 
A principal conexão do CDC com a legislação interna ocorre com o Código Civil tendo em vista 
a forte aproximação principiológica que existe entre ambos, sempre visando ampliar os direitos 
e garantir os benefícios aos consumidores. Exemplo disso é a matéria de “contratos”, a qual é 
primordial para definir o encargo contratual atribuído ao consumidor que seja considerado 
abusivo. 
 
 
48 
 
 
Conforme os ensinamentos de Cláudia Lima Marques são três os diálogos possíveis entre o 
Código Civil e o Consumidor: a) aplicação simultânea das duas leis (quando uma lei serve de 
base conceitual para outra), b) aplicação coordenada das duas leis (quando uma lei pode 
complementar a aplicação da outra), c) pelo diálogo das influências recíprocas (diálogo de 
coordenação e adaptação sistemática).(GARCIA, Leonardo; Direito do Consumidor-Leis Especiais 
para Concurso; Ed.13; Juspodivm). 
 Convenção de Varsóvia e Montreal-transporte interno 
No plano internacional, é possível destacar o embate existente entre a Convenção de Varsóvia 
e Montreal e o Código de Defesa do Consumidor na hipótese de ocorrência do extravio de 
bagagem ocorrido em transporte internacional. No caso, o STF apresentou decisão no sentido 
de que na ocorrência desse fato deverá ocorrer a indenização tarifada aplicada pela Convenção 
de Varsóvia e não a reparação integral determinada pelo CDC, com fundamento na previsão 
constitucional (art.178) a qual garante prevalência aos Tratados Internacionais no caso de viagem 
internacional. (GARCIA, Leonardo; Direito do Consumidor-Leis Especiais para Concurso; Ed.13; 
Juspodivm). 
 
49 
 
 
 
 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
 
Tutela Constitucional do Direito do Consumidor: 
 CF/88: Arts. 5º, inciso XXXII, 150 §5º, 170, inciso V, e art. 48; 
 ADCT: Art. 48; 
Direito do Consumidor: 
 CDC: Arts. 1º, 4º, 5º e 7º. 
 
 Súmula 381, STJ 
Nos contratos bancários é vedado ao julgador conhecer de ofício, da abusividade das cláusulas. 
 Súmula 643, STF 
O Ministério Público tem legitimidade para promover ação civil pública cujo fundamento seja a ilegalidade de 
reajuste de mensalidades escolares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
 
 
 
JURISPRUDÊNCIA 
Direito do Consumidor na Constituição Federal 
 STJ: HC 12547, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, DJ 12.02.2001 
Princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Direitos fundamentais de igualdade e liberdade. Cláusula 
geral dos bons costumes e regra de interpretação da lei segundo seus fins sociais. Decreto de prisão civil da 
devedora que deixou de pagar dívida bancária assumida com a compra de um automóvel-táxi, que se elevou, em 
menos de 24 meses, de R$ 18.700,00 para R$ 86.858,24, a exigir que o total da remuneração da devedora, pelo 
resto do tempo provável de vida, seja consumido com o pagamento dos juros. Ofensa ao princípio constitucional 
da dignidade da pessoa humana, aos direitos de liberdade de locomoção e de igualdade contratual e aos 
dispositivos da LICC sobre o fim social da aplicação da lei e obediência aos bons costumes. 
 STF: RE 201.819, Rel. Min. Ellen Gracie, Rel. para acórdão Min. Gilmar Mendes, DJ. 11.10.2005 
SOCIEDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES. EXCLUSÃO DE SÓCIO SEM 
GARANTIA DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES 
PRIVADAS. RECURSO DESPROVIDO. I. EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES PRIVADAS. As 
violações a direitos fundamentais não ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e o Estado, mas 
igualmente nas relações travadas entre pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os direitos fundamentais 
assegurados pela Constituição vinculam diretamente não apenas os poderes públicos, estando direcionados 
também à proteção dos particulares em face dos poderes privados. II. OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS COMO 
LIMITES À AUTONOMIA PRIVADA DAS ASSOCIAÇÕES.A ordem jurídico-constitucional brasileira não conferiu a 
qualquer associação civil a possibilidade de agir à revelia dos princípios inscritos nas leis e, em especial, dos 
postulados que têm por fundamento direto o próprio texto da Constituição da República, notadamente em tema 
de proteção às liberdades e garantias fundamentais. O espaço de autonomia privada garantido pela Constituição 
às associações não está imune à incidência dos princípios constitucionais que asseguram o respeito aos direitos 
fundamentais de seus associados. A autonomia privada, que encontra claras limitações de ordem jurídica, não pode 
ser exercida em detrimento ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros, especialmente aqueles 
positivados em sede constitucional, pois a autonomia da vontade não confere aos particulares, no domínio de sua 
incidência e atuação, o poder de transgredir ou de ignorar as restrições postas e definidas pela própria Constituição, 
cuja eficácia e força normativa também se impõem, aos particulares, no âmbito de suas relações privadas, em tema 
 
51 
 
 
de liberdades fundamentais. III. SOCIEDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. ENTIDADE QUE INTEGRA ESPAÇO 
PÚBLICO, AINDA QUE NÃO-ESTATAL. ATIVIDADE DE CARÁTER PÚBLICO. EXCLUSÃO DE SÓCIO SEM GARANTIA DO 
DEVIDO PROCESSO LEGAL.APLICAÇÃO DIRETA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS À AMPLA DEFESA E AO 
CONTRADITÓRIO. As associações privadas que exercem função predominante em determinado âmbito econômico 
e/ou social, mantendo seus associados em relações de dependência econômica e/ou social, integram o que se 
pode denominar de espaço público, ainda que não-estatal. A União Brasileira de Compositores – UBC, sociedade 
civil sem fins lucrativos, integra a estrutura do ECAD e, portanto, assume posição privilegiada para determinar a 
extensão do gozo e fruição dos direitos autorais de seus associados. A exclusão de sócio do quadro social da UBC, 
sem qualquer garantia de ampla defesa, do contraditório, ou do devido processo constitucional, onera 
consideravelmente o recorrido, o qual fica impossibilitado de perceber os direitos autorais relativos à execução de 
suas obras. A vedação das garantias constitucionais do devido processo legal acaba por restringir a própria 
liberdade de exercício profissional do sócio. O caráter público da atividade exercida pela sociedade e a dependência 
do vínculo associativo para o exercício profissional de seus sócios legitimam, no caso concreto, a aplicação direta 
dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e 
LV, CF/88). IV. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. 
 STJ: REsp. 744.602, Rel. Min. Luiz Fux, j. 01/03/07, DJ 15.03.07. RECURSO ESPECIAL Nº 744.602 - 
RJ (2005/0067467-0) 
ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DE MULTA PECUNIÁRIA POR OFENSA AO CÓDIGO DE DEFESA 
DO CONSUMIDOR. OPERAÇÃO DENOMINADA 'VENDA CASADA' EM CINEMAS. CDC, ART. 39, I. VEDAÇÃO DO 
CONSUMO DE ALIMENTOS ADQUIRIDOS FORA DOS ESTABELECIMENTOS CINEMATOGRÁFICOS. 1. A intervenção 
do Estado na ordem econômica, fundada na livre iniciativa, deve observar os princípios do direito do consumidor, 
objeto de tutela constitucional fundamental especial (CF, arts. 170 e 5º, XXXII). 2. Nesse contexto, consagrou-se ao 
consumidor no seu ordenamento primeiro a saber: o Código de Defesa do Consumidor Brasileiro, dentre os seus 
direitos básicos “a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a 
liberdade de escolha e a igualdade nas contratações” (art. 6º, II, do CDC). 3. A denominada ‘venda casada’, sob 
esse enfoque, tem como ratio essendi da vedação a proibição imposta ao fornecedor de, utilizando de sua 
superioridade econômica ou técnica, opor-se à liberdade de escolha do consumidor entre os produtos e serviços 
de qualidade satisfatório e preços competitivos. 4. Ao fornecedor de produtos ou serviços, consectariamente, não 
é lícito, dentre outras práticas abusivas, condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de 
outro produto ou serviço (art. 39, § 2º, do CDC). 5. A prática abusiva revela-se patente se a empresa cinematográfica 
permite a entrada de produtos adquiridos na suas dependências e interdita o adquirido alhures, engendrando por 
via oblíqua a cognominada 'venda casada', interdição inextensível ao estabelecimento cuja venda de produtos 
alimentícios constituiu a essência da sua atividade comercial como, verbi gratia, os bares e restaurantes. 6. O juiz, 
na aplicação da lei, deve aferir as finalidades da norma, por isso que, in casu, revela-se manifesta a prática abusiva. 
7. A aferição do ferimento à regra do art. 170, da CF é interditada ao STJ, porquanto a sua competência cinge-se 
 
52 
 
 
ao plano infraconstitucional. 8. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora 
sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado 
não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados 
tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial improvido. 
 STF: RE 432.789, Rel. Min. Erus Grau, DJ 07.10.2005 
Recurso Extraordinário. Constitucional. Consumidor. Instituição Bancária. Atendimento ao Público. Fila. Tempo de 
espera. Lei Municipal. Norma de interesse local. Legitimidade. Lei Municipal 4.188/01. Banco. Atendimento ao 
público e tempo máximo de espera na fila. Matéria que não se confunde com a atinente às atividades bancárias. 
Matéria de interesse local e de proteção ao consumidor. Competência legislativa do Município. Recurso 
extraordinário conhecido e provido. 
Código de Defesa do Consumidor 
 STJ: 2ª Turma. REsp 1419557/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 06/05/2014 
PROCESSUAL CIVIL E DIREITO DO CONSUMIDOR. PREÇO DO PRODUTO OU SERVIÇO. INFRAÇÃO AO ART. 31 DO 
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. DOSIMETRIA DA SANÇÃO ADMINISTRATIVA. REEXAME DE PROVAS. 
SÚMULA 7 DO STJ. NORMAS DE ORDEM PÚBLICA E INTERESSE SOCIAL. CONHECIMENTO EX OFFICIO5. 1. Verificar 
se os produtos expostos na loja possuíam preços e se existe comissão permanente para elaboração, revisão e 
atualização das normas infralegais no Estado de São Paulo esbarra em reexame do contexto fático-probatório da 
lide, vedado ao STJ, nos termos de sua Súmula 7. 2. Aplicou-se multa à recorrente com base em dispositivos legais, 
arts. 31, 56, I, e 57 do CDC, conforme se verifica do Auto de Infração em anexo (fl. 22, e-STJ). 3. As normas e 
princípios do CDC são de ordem pública e interesse social, devendo ser aplicados imperativamente, inclusive pelo 
juiz, por serem de conhecimento ex officio. 4. O preço representa elemento informativo essencial sem o qual se 
usurpa do consumidor o mais básico dos seus direitos econômicos - a livre escolha no mercado. Onde falta preço 
correto, claro, preciso, ostensivo e em moeda nacional, inexiste a rigor liberdade plena na relação de consumo, 
pois inviabilizada a comparação com produtos e serviços similares. É grave atentado simultâneo a duas ordens 
jurídicas: ao Direito do Consumidor e ao Direito da Concorrência. 5. Sanções administrativas apresentam, a um só 
tempo, função punitiva (= repressiva) e função inibitória (= dissuasiva ou pedagógica), aquela destinada à 
reprimenda por ato já praticado, esta com a finalidade de desencorajar comportamento ilícito futuro, do próprio 
infrator (= dissuasão especial) ou de terceiros (= dissuasão geral). Haverão de ser fixadas em patamar que, no caso 
concreto, respeite a razoabilidade, de modo a rechaçar ora o caráter exagerado ou confiscatório, ora, no outro 
extremo, a irrisoriedade, que destrói a credibilidade da medida e permite ao infrator computá-la como "custo 
normal e vão do negócio". Daí que no cálculo da multa amiúde se deve levar em conta o faturamento bruto do 
fornecedor, e não o lucro específico com o ato ilícito em questão, poisdo contrário, na prática, se equiparam 
 
5 Vide questões 14 e 15 desse material. 
 
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injustamente, pela via transversa, pequeno e grande empresário. 6. Recurso Especial não provido. (REsp 1419557/SP, 
Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2014, DJe 07/11/2016) 
 STF: Plenário RE 631111/GO, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 06 e 07/08/2014. 
RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL NA DEFESA DE 
INTERESSES DE BENEFICIÁRIOS DO SEGURO DPVAT - SUPERVENIENTE JULGAMENTO DE RECURSO 
EXTRAORDINÁRIO SOB O RITO DO ARTIGO 543-B DO CPC - JUÍZO DE RETRATAÇÃO DO ACÓRDÃO DA SEGUNDA 
SEÇÃO DISSONANTE DA NOVA ORIENTAÇÃO DO STF. Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual 
em defesa de beneficiários do seguro DPVAT. Alegado pagamento a menor das indenizações devidas pela 
seguradora. Acórdão estadual que, reformando a sentença extintiva do feito, reconheceu a legitimidade ativa ad 
causam do Ministério Público. Recurso especial da seguradora anteriormente provido pela Segunda Seção, 
considerada a ilegitimidade do parquet para, em substituição às vítimas de acidentes de trânsito, pleitear o 
pagamento de diferenças atinentes à indenização securitária obrigatória (DPVAT). Interposto recurso extraordinário 
pelo Ministério Público, cujo processamento foi sobrestado em razão da pendência de reclamo submetido ao rito 
do artigo 543-B do CPC. Julgado o mérito, pelo STF, do RE 631.111/GO, os autos retornaram à apreciação da 
Segunda Seção para exercício do juízo de retratação. 1. O Plenário do STF, quando do julgamento de recurso 
extraordinário representativo da controvérsia (RE 631.111/GO, Rel. Ministro Teori Zavascki, julgado em 07.08.2014, 
publicado em 30.10.2014), decidiu que o Ministério Público detém legitimidade para ajuizar ação coletiva em defesa 
dos direitos individuais homogêneos dos beneficiários do seguro DPVAT (seguro obrigatório, por força da Lei 
6.194/74, voltado à proteção das vítimas de acidentes de trânsito), dado o interesse social qualificado presente na 
tutela dos referidos direitos subjetivos. 2. Súmula 470/STJ ("O Ministério Público não tem legitimidade para pleitear, 
em ação civil pública, a indenização decorrente do DPVAT em benefício do segurado."). Exegese superada em razão 
da superveniente jurisprudência do STF firmada sob o rito do artigo 543-B do CPC. 3. Juízo de retratação (artigo 
543-B, § 3º, do CPC). 3.1. Recurso especial da seguradora desprovido, mantido o acórdão estadual que reconhecera 
a legitimidade ativa ad causam do Ministério Público Estadual e determinara o retorno dos autos ao magistrado 
de primeira instância para apreciação da demanda. 3.2. Cancelamento da Súmula 470/STJ (artigos 12, parágrafo 
único, inciso III, e 125, §§ 1º e 3º, do Regimento Interno desta Corte). (REsp 858.056/GO, Rel. Ministro MARCO 
BUZZI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 27/05/2015, DJe 05/06/2015) Ementa: CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL 
CIVIL. AÇÃO CIVIL COLETIVA. DIREITOS TRANSINDIVIDUAIS (DIFUSOS E COLETIVOS) E DIREITOS INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS. DISTINÇÕES. LEGITIMAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. ARTS. 127 E 129, III, DA CF. LESÃO A 
DIREITOS INDIVIDUAIS DE DIMENSÃO AMPLIADA. COMPROMETIMENTO DE INTERESSES SOCIAIS QUALIFICADOS. 
SEGURO DPVAT. AFIRMAÇÃO DA LEGITIMIDADE ATIVA. 1. Os direitos difusos e coletivos são transindividuais, 
indivisíveis e sem titular determinado, sendo, por isso mesmo, tutelados em juízo invariavelmente em regime de 
substituição processual, por iniciativa dos órgãos e entidades indicados pelo sistema normativo, entre os quais o 
Ministério Público, que tem, nessa legitimação ativa, uma de suas relevantes funções institucionais (CF art. 129, III). 
2. Já os direitos individuais homogêneos pertencem à categoria dos direitos subjetivos, são divisíveis, tem titular 
 
54 
 
 
determinado ou determinável e em geral são de natureza disponível. Sua tutela jurisdicional pode se dar (a) por 
iniciativa do próprio titular, em regime processual comum, ou (b) pelo procedimento especial da ação civil coletiva, 
em regime de substituição processual, por iniciativa de qualquer dos órgãos ou entidades para tanto legitimados 
pelo sistema normativo. 3. Segundo o procedimento estabelecido nos artigos 91 a 100 da Lei 8.078/90, aplicável 
subsidiariamente aos direitos individuais homogêneos de um modo geral, a tutela coletiva desses direitos se dá 
em duas distintas fases: uma, a da ação coletiva propriamente dita, destinada a obter sentença genérica a respeito 
dos elementos que compõem o núcleo de homogeneidade dos direitos tutelados (an debeatur, quid debeatur e 
quis debeat); e outra, caso procedente o pedido na primeira fase, a da ação de cumprimento da sentença genérica, 
destinada (a) a complementar a atividade cognitiva mediante juízo específico sobre as situações individuais de cada 
um dos lesados (= a margem de heterogeneidade dos direitos homogêneos, que compreende o cui debeatur e o 
quantum debeatur), bem como (b) a efetivar os correspondentes atos executórios. 4. O art. 127 da Constituição 
Federal atribui ao Ministério Público, entre outras, a incumbência de defender “interesses sociais”. Não se pode 
estabelecer sinonímia entre interesses sociais e interesses de entidades públicas, já que em relação a estes há 
vedação expressa de patrocínio pelos agentes ministeriais (CF, art. 129, IX). Também não se pode estabelecer 
sinonímia entre interesse social e interesse coletivo de particulares, ainda que decorrentes de lesão coletiva de 
direitos homogêneos. Direitos individuais disponíveis, ainda que homogêneos, estão, em princípio, excluídos do 
âmbito da tutela pelo Ministério Público (CF, art. 127). 5. No entanto, há certos interesses individuais que, quando 
visualizados em seu conjunto, em forma coletiva e impessoal, têm a força de transcender a esfera de interesses 
puramente particulares, passando a representar, mais que a soma de interesses dos respectivos titulares, verdadeiros 
interesses da comunidade. Nessa perspectiva, a lesão desses interesses individuais acaba não apenas atingindo a 
esfera jurídica dos titulares do direito individualmente considerados, mas também comprometendo bens, institutos 
ou valores jurídicos superiores, cuja preservação é cara a uma comunidade maior de pessoas. Em casos tais, a tutela 
jurisdicional desses direitos se reveste de interesse social qualificado, o que legitima a propositura da ação pelo 
Ministério Público com base no art. 127 da Constituição Federal. Mesmo nessa hipótese, todavia, a legitimação 
ativa do Ministério Público se limita à ação civil coletiva destinada a obter sentença genérica sobre o núcleo de 
homogeneidade dos direitos individuais homogêneos. 6. Cumpre ao Ministério Público, no exercício de suas funções 
institucionais, identificar situações em que a ofensa a direitos individuais homogêneos compromete também 
interesses sociais qualificados, sem prejuízo do posterior controle jurisdicional a respeito. Cabe ao Judiciário, com 
efeito, a palavra final sobre a adequada legitimação para a causa, sendo que, por se tratar de matéria de ordem 
pública, dela pode o juiz conhecer até mesmo de ofício (CPC, art. 267, VI e § 3.º, e art. 301, VIII e § 4.º). 7. 
Considerada a natureza e a finalidade do seguro obrigatório DPVAT – Danos Pessoais Causados por Veículos 
Automotores de Via Terrestre (Lei 6.194/74, alterada pela Lei 8.441/92, Lei 11.482/07 e Lei 11.945/09) -, há interesse 
social qualificado na tutela coletiva dos direitos individuais homogêneos dos seus titulares, alegadamente lesados 
de forma semelhante pela Seguradora no pagamento das correspondentes indenizações. A hipótese guarda 
semelhança com outros direitos individuais homogêneos em relação aos quais - e não obstante sua natureza de 
direitos divisíveis, disponíveis e com titular determinado ou determinável -, o Supremo TribunalFederal considerou 
 
55 
 
 
que sua tutela se revestia de interesse social qualificado, autorizando, por isso mesmo, a iniciativa do Ministério 
Público de, com base no art. 127 da Constituição, defendê-los em juízo mediante ação coletiva (RE 163.231/SP, AI 
637.853 AgR/SP, AI 606.235 AgR/DF, RE 475.010 AgR/RS, RE 328.910 AgR/SP e RE 514.023 AgR/RJ). 8. Recurso 
extraordinário a que se dá provimento. (RE 631111, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 
07/08/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-213 DIVULG 29-10-2014 PUBLIC 30-10-
2014) 
 STF: RE 351.750-3/RJ – Rel. Min. Carlos Britto, j. 17.03.2009 – DJe 25.09.2009 
Recurso extraordinário. Danos morais decorrentes de atraso ocorrido em voo internacional. Aplicação do Código 
de Defesa do Consumidor. Matéria infraconstitucional. Não conhecimento. 1. O princípio da defesa do consumidor 
se aplica a todo o capítulo constitucional da atividade econômica. 2. Afastam-se as normas especiais do Código 
Brasileiro da Aeronáutica e da Convenção de Varsóvia quando implicarem retrocesso social ou vilipêndio aos direitos 
assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor. 3. Não cabe discutir, na instância extraordinária, sobre a 
correta aplicação do Código de Defesa do Consumidor ou sobre a incidência, no caso concreto, de específicas 
normas de consumo veiculadas em legislação especial sobre o transporte aéreo internacional. Ofensa indireta à 
Constituição da República. 4. Recurso não conhecido. 
 STJ: REsp 1.073.595/MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi, DJe 29.04.2011 
RECURSO ESPECIAL - NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL - OMISSÃO - NÃO-OCORRÊNCIA - AÇÃO DE 
OBRIGAÇÃO DE FAZER - CONTRATO DE SEGURO DE VIDA - RESILIÇÃO UNILATERAL - IMPOSIÇÃO PARA 
READAPTAÇÃO A NOVAS PROPOSTAS - ABUSIVIDADE DA CLÁUSULA - OCORRÊNCIA, NA ESPÉCIE - PRECEDENTE 
DA SEGUNDA SEÇÃO DO STJ - RECURSO IMPROVIDO. I - Não se verifica a alegada violação do artigo 535 do 
Código de Processo Civil, porquanto a questão relativa à licitude da cláusula contratual que contempla a não 
renovação do contrato de seguro de vida foi apreciada de forma clara e coerente, naquilo que pareceu relevante 
à Turma Julgadora a quo; II - A pretensão da seguradora de modificar abruptamente as condições do seguro, não 
renovando o ajuste anterior sob as mesmas bases, ofende os princípios da boa fé objetiva, da cooperação, da 
confiança e da lealdade que deve orientar a interpretação dos contratos que regulam relações de consumo; III - 
Recurso especial improvido. 
 STJ: AgRg no AgRg nos EDcl no REsp 323.519/MT, Rel. Ministro Raul Araújo, julgado em 
28/08/2012, DJe 18/09/2012 
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. CDC. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. OBRIGAÇÃO DE 
TRATO SUCESSIVO. RENOVAÇÃO DO CONTRATO NA VIGÊNCIA DO CDC. INCIDÊNCIA DA LEGISLAÇÃO 
CONSUMERISTA. 1. O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) não é aplicável aos contratos celebrados 
antes da sua vigência. 2.- Embora o CDC não retroaja para alcançar efeitos presentes e futuros de contratos 
celebrados anteriormente a sua vigência, a legislação consumerista regula os efeitos presentes de contratos de 
trato sucessivo e que, por isso, foram renovados já no período de sua vigência. 3. A discussão posta nos autos, 
 
56 
 
 
incidência do CDC, foi objeto do devido prequestionamento no acórdão recorrido, não havendo óbice a sua 
apreciação nesta Corte. Para se examinar se o caso é, ou não, de aplicação do CDC foi submetida a esta Corte a 
análise das questões pertinentes ao deslinde do incidente, entre as quais a ocorrência de renovação do contrato, 
bem como a existência de obrigação de trato sucessivo, aspectos devidamente suscitados nas contrarrazões ao 
especial. 4. Agravo regimental não provido. 
 STJ: REsp 1.060.515/DF, Rel. Des. Conv. Honildo Amaral de Mello Castro – j. 04.05.2010 – DJe 
24.05.2010 
Ação civil pública. Contrato de arrendamento mercantil – leasing. Cláusula de seguro. Abusividade. Inocorrência. 1. 
Não se pode interpretar o Código de Defesa do Consumidor de modo a tornar qualquer encargo contratual 
atribuído ao consumidor como abusivo, sem observar que as relações contratuais se estabelecem, igualmente, 
através de regras de direito civil. 2. O CDC não exclui a principiologia dos contratos de direito civil. Entre as normas 
consumeristas e as regras gerais dos contratos, insertas no Código Civil e legislação extravagante, deve haver 
complementação e não exclusão. É o que a doutrina chama de Diálogo das Fontes. 3. Ante a natureza do contrato 
de arrendamento mercantil ou leasing, em que pese a empresa arrendante figurar como proprietária do bem, o 
arrendatário possui o dever de conservar o bem arrendado, para que ao final da avença, exercendo o seu direito, 
prorrogue o contrato, compre ou devolva o bem. 4. A cláusula que obriga o arrendatário a contratar seguro em 
nome da arrendante não é abusiva, pois aquele possui dever de conservação do bem, usufruindo da coisa como 
se dono fosse, suportando, em razão disso, riscos e encargos inerentes a sua obrigação. O seguro, nessas 
circunstâncias, é garantia para o cumprimento da avença, protegendo o patrimônio do arrendante, bem como o 
indivíduo de infortúnios. 5. Rejeita-se, contudo, a venda casada, podendo o seguro ser realizado em qualquer 
seguradora de livre escolha do interessado 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido” 
 STJ: REsp 1009591/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 13.04.2010 – DJe 23.08.2010 
Consumidor e civil. Art. 7º do CDC. Aplicação da lei mais favorável. Diálogo de fontes. Relativização do princípio 
da especialidade. Responsabilidade civil. Tabagismo. Relação de consumo. Ação indenizatória. Prescrição. Prazo. O 
mandamento constitucional de proteção do consumidor deve ser cumprido por todo o sistema jurídico, em diálogo 
de fontes, e não somente por intermédio do CDC. Assim, e nos termos do art. 7º do CDC, sempre que uma lei 
garantir algum direito para o consumidor, ela poderá se somar ao microssistema do CDC, incorporando-se na 
tutela especial e tendo a mesma preferência no trato da relação de consumo. Diante disso, conclui-se pela 
inaplicabilidade do prazo prescricional do art. 27 do CDC à hipótese dos autos, devendo incidir a prescrição 
vintenária do art. 177 do CC/1916, por ser mais favorável ao consumidor. Recente decisão da 2ª Seção, porém, 
pacificou o entendimento quanto à incidência na espécie do prazo prescricional de 5 anos previsto no art. 27 do 
CDC, que deve prevalecer, com a ressalva do entendimento pessoal da Relatora. Recursos especiais providos. 
 STJ: REsp 1.321.614-SP, Rel. originário Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Rel. para acórdão Min. 
Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 16/12/2014, DJe 3/3/2015. 
 
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RECURSO ESPECIAL. CIVIL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA. DÓLAR AMERICANO. 
MAXIDESVALORIZAÇÃO DO REAL. AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTO PARA ATIVIDADE PROFISSIONAL. AUSÊNCIA DE 
RELAÇÃO DE CONSUMO. TEORIAS DA IMPREVISÃO. TEORIA DA ONEROSIDADE EXCESSIVA. TEORIA DA BASE 
OBJETIVA. INAPLICABILIDADE. 1. Ação proposta com a finalidade de, após a maxidesvalorização do real em face 
do dólar americano, ocorrida a partir de janeiro de 1999, modificar cláusula de contrato de compra e venda, com 
reserva de domínio, de equipamento médico (ultrassom), utilizado pelo autor no exercício da sua atividade 
profissional de médico, para que, afastada a indexação prevista, fosse observada a moeda nacional. 2. Consumidor 
é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza, como destinatário final, produto ou serviço oriundo de um 
fornecedor. Por sua vez, destinatário final, segundo a teoria subjetiva ou finalista, adotada pela Segunda Seção 
desta Corte Superior, é aquele que ultima a atividade econômica, ou seja, que retira de circulação do mercado o 
bem ou o serviço para consumi-lo, suprindo uma necessidade ou satisfação própria, não havendo, portanto,a 
reutilização ou o reingresso dele no processo produtivo. Logo, a relação de consumo (consumidor final) não pode 
ser confundida com relação de insumo (consumidor intermediário). Inaplicabilidade das regras protetivas do Código 
de Defesa do Consumidor. 3. A intervenção do Poder Judiciário nos contratos, à luz da teoria da imprevisão ou da 
teoria da onerosidade excessiva, exige a demonstração de mudanças supervenientes das circunstâncias iniciais 
vigentes à época da realização do negócio, oriundas de evento imprevisível (teoria da imprevisão) e de evento 
imprevisível e extraordinário (teoria da onerosidade excessiva), que comprometa o valor da prestação, demandando 
tutela jurisdicional específica. 4. O histórico inflacionário e as sucessivas modificações no padrão monetário 
experimentados pelo país desde longa data até julho de 1994, quando sobreveio o Plano Real, seguido de período 
de relativa estabilidade até a maxidesvalorização do real em face do dólar americano, ocorrida a partir de janeiro 
de 1999, não autorizam concluir pela imprevisibilidade desse fato nos contratos firmados com base na cotação da 
moeda norte-americana, em se tratando de relação contratual paritária. 5. A teoria da base objetiva, que teria sido 
introduzida em nosso ordenamento pelo art. 6º, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor - CDC, difere da 
teoria da imprevisão por prescindir da previsibilidade de fato que determine oneração excessiva de um dos 
contratantes. Tem por pressuposto a premissa de que a celebração de um contrato ocorre mediante consideração 
de determinadas circunstâncias, as quais, se modificadas no curso da relação contratual, determinam, por sua vez, 
consequências diversas daquelas inicialmente estabelecidas, com repercussão direta no equilíbrio das obrigações 
pactuadas, atingido por fatos que comprometessem as circunstâncias intrínsecas à formulação do vínculo contratual, 
ou seja, sua base objetiva. 6. Em que pese sua relevante inovação, tal teoria, ao dispensar, em especial, o requisito 
de imprevisibilidade, foi acolhida em nosso ordenamento apenas para as relações de consumo, que demandam 
especial proteção. Não se admite a aplicação da teoria do diálogo das fontes para estender a todo direito das 
obrigações regra incidente apenas no microssistema do direito do consumidor, mormente com a finalidade de 
conferir amparo à revisão de contrato livremente pactuado com observância da cotação de moeda estrangeira. 7. 
Recurso especial não provido. 
 STJ: REsp 1599535, Rel. Ministra Nancy Andrighi, julgado em 14/03/2017 
 
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CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CORRETAGEM DE VALORES E TÍTULOS MOBILIÁRIOS. 
OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. RELAÇÃO DE CONSUMO. INCIDÊNCIA DO CDC. 
- Recurso especial interposto em 16/12/2015 e distribuído a este gabinete em 25/08/2016. - Cinge-se a controvérsia 
à incidência do CDC aos contratos de corretagem de valores e títulos mobiliários. - Na ausência de contradição, 
omissão ou obscuridade, não existe violação ao art. 535, II, do CPC/73. - O valor operação comercial envolvida em 
um determinado contrato é incapaz de retirar do cidadão a natureza de consumidor a ele conferida pela legislação 
consumerista. - É incabível retirar a condição de consumidor de uma determinada pessoa em razão da presunção 
de seu nível de discernimento comparado ao da média dos consumidores. - Impõe-se reconhecer a relação de 
consumo existente entre o contratante que visa a atender necessidades próprias e as sociedades que prestam de 
forma habitual e profissional o serviço de corretagem de valores e títulos mobiliários. - Recurso especial conhecido 
e provido. 
 STF: RE 201819/RJ, Rel. Min. Ellen Gracie, Rel. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, j. 11/10/2005). 
SOCIEDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. UNIÃO BRASILEIRA DE COMPOSITORES. EXCLUSÃO DE SÓCIO SEM 
GARANTIA DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES 
PRIVADAS. RECURSO DESPROVIDO. I. EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES PRIVADAS. As 
violações a direitos fundamentais não ocorrem somente no âmbito das relações entre o cidadão e o Estado, mas 
igualmente nas relações travadas entre pessoas físicas e jurídicas de direito privado. Assim, os direitos fundamentais 
assegurados pela Constituição vinculam diretamente não apenas os poderes públicos, estando direcionados 
também à proteção dos particulares em face dos poderes privados. II. OS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS COMO 
LIMITES À AUTONOMIA PRIVADA DAS ASSOCIAÇÕES. A ordem jurídico-constitucional brasileira não conferiu a 
qualquer associação civil a possibilidade de agir à revelia dos princípios inscritos nas leis e, em especial, dos 
postulados que têm por fundamento direto o próprio texto da Constituição da República, notadamente em tema 
de proteção às liberdades e garantias fundamentais. O espaço de autonomia privada garantido pela Constituição 
às associações não está imune à incidência dos princípios constitucionais que asseguram o respeito aos direitos 
fundamentais de seus associados. A autonomia privada, que encontra claras limitações de ordem jurídica, não pode 
ser exercida em detrimento ou com desrespeito aos direitos e garantias de terceiros, especialmente aqueles 
positivados em sede constitucional, pois a autonomia da vontade não confere aos particulares, no domínio de sua 
incidência e atuação, o poder de transgredir ou de ignorar as restrições postas e definidas pela própria Constituição, 
cuja eficácia e força normativa também se impõem, aos particulares, no âmbito de suas relações privadas, em tema 
de liberdades fundamentais. III. SOCIEDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. ENTIDADE QUE INTEGRA ESPAÇO 
PÚBLICO, AINDA QUE NÃO-ESTATAL. ATIVIDADE DE CARÁTER PÚBLICO. EXCLUSÃO DE SÓCIO SEM GARANTIA DO 
DEVIDO PROCESSO LEGAL.APLICAÇÃO DIRETA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS À AMPLA DEFESA E AO 
CONTRADITÓRIO. As associações privadas que exercem função predominante em determinado âmbito econômico 
e/ou social, mantendo seus associados em relações de dependência econômica e/ou social, integram o que se 
pode denominar de espaço público, ainda que não-estatal. A União Brasileira de Compositores - UBC, sociedade 
 
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civil sem fins lucrativos, integra a estrutura do ECAD e, portanto, assume posição privilegiada para determinar a 
extensão do gozo e fruição dos direitos autorais de seus associados. A exclusão de sócio do quadro social da UBC, 
sem qualquer garantia de ampla defesa, do contraditório, ou do devido processo constitucional, onera 
consideravelmente o recorrido, o qual fica impossibilitado de perceber os direitos autorais relativos à execução de 
suas obras. A vedação das garantias constitucionais do devido processo legal acaba por restringir a própria 
liberdade de exercício profissional do sócio. O caráter público da atividade exercida pela sociedade e a dependência 
do vínculo associativo para o exercício profissional de seus sócios legitimam, no caso concreto, a aplicação direta 
dos direitos fundamentais concernentes ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LIV e 
LV, CF/88). IV. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. 
 STJ: HC nº 12547, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, DJ 12/02/2001 
HABEAS CORPUS. Prisão civil. Alienação fiduciária em garantia. Princípio constitucional da dignidade da pessoa 
humana. Direitos fundamentais de igualdade e liberdade. Cláusula geral dos bons costumes e regra de interpretação 
da lei segundo seus fins sociais. Decreto de prisão civil da devedora que deixou de pagar dívida bancária assumida 
com a compra de um automóvel-táxi, que se elevou, em menos de 24 meses, de R$ 18.700,00 para R$ 80.858,24, 
a exigir que o total da remuneração da devedora, pelo resto do tempo provável de vida, seja consumido com o 
pagamento dos juros. Ofensa ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, aos direitos de liberdade 
de locomoçãoe de igualdade contratual e aos dispositivos da LICC sobre o fim social da aplicação da lei e 
obediência aos bons costumes. Arts. 1º, III, 3º, I, e 5º, caput, da CR. Arts. 5º e 17 da LICC. DL 911/67. Ordem 
deferida. 
 STJ: REsp1307032/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, DJe 01/08/2013 
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. PRESCRIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. FUGA DE PACIENTE 
MENOR DE ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. AGRAVAMENTO DA DOENÇA. MORTE SUBSEQUENTE. NEXO DE 
CAUSALIDADE. CONCORRÊNCIA DE CULPAS. RECONHECIMENTO. REDUÇÃO DA CONDENAÇÃO. RECURSO 
PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Não incidem as normas do Código de Defesa do Consumidor, porquanto o evento 
danoso ocorreu em data anterior à sua vigência. Ficam, assim, afastadas a responsabilidade objetiva (CDC, art. 14) 
e a prescrição quinquenal (CDC, art. 27), devendo ser a controvérsia dirimida à luz do Código Civil de 1916. 2. 
Aplica-se o prazo prescricional de natureza pessoal de que trata o art. 177 do Código Civil de 1916 (vinte anos), 
em harmonia com o disposto no art. 2.028 do Código Civil de 2002, ficando afastada a regra trienal do art. 206, § 
3º, V, do CC/2002. 3. Na aferição do nexo de causalidade, a doutrina majoritária de Direito Civil adota a teoria da 
causalidade adequada ou do dano direto e imediato, de maneira que somente se considera existente o nexo causal 
quando o dano é efeito necessário e adequado de uma causa (ação ou omissão). Essa teoria foi acolhida pelo 
Código Civil de 1916 (art. 1.060) e pelo Código Civil de 2002 (art. 403). 4. As circunstâncias invocadas pelas instâncias 
ordinárias levaram a que concluíssem que a causa direta e determinante do falecimento do menor fora a omissão 
do hospital em impedir a evasão do paciente menor, enquanto se encontrava sob sua guarda para tratamento de 
 
60 
 
 
doença que poderia levar à morte. 5. Contudo, não se pode perder de vista sobretudo a atitude negligente dos 
pais após a fuga do menor, contribuindo como causa direta e também determinante para o trágico evento danoso. 
Está-se, assim, diante da concorrência de causas, atualmente prevista expressamente no art. 945 do Código Civil 
de 2002, mas, há muito, levada em conta pela doutrina e jurisprudência pátrias. 6. A culpa concorrente é fator 
determinante para a redução do valor da indenização, mediante a análise do grau de culpa de cada um dos 
litigantes, e, sobretudo, das colaborações individuais para confirmação do resultado danoso, considerando a 
relevância da conduta de cada qual. O evento danoso resulta da conduta culposa das partes nele envolvidas, 
devendo a indenização medir-se conforme a extensão do dano e o grau de cooperação de cada uma das partes à 
sua eclosão. 7. Recurso especial parcialmente provido. 
 
 
61 
 
 
ESTUDO COMPLEMENTAR 
 
 
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62 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
ANDRADE, Adriano. MASSON, Cleber. ANDRADE, Landolfo. Interesses difusos e coletivos esquematizado. 6. ed. Método: São 
Paulo, 2016. 
BOLZAN, Fabrício. Direito do consumidor esquematizado. 2. ed. Saraiva: São Paulo, 2014. 
CAVALCANTI, Márcio André Lopes. Vade mecum de jurisprudência. Juspodivm: Salvador, 2019. 
FILOMENO, José Geraldo Brito. Direitos do consumidor. 15. ed. Atlas: São Paulo, 2018. 
GARCIA, Leonardo de Medeiros. Código de defesa do consumidor comentado artigo por artigo. 13. ed. Juspodivm: Salvador, 
2016. 
GOMES, Nathália Stivalle. Direito do consumidor. Juspodvum: 2019. 
GOUVEIA, Mila. Informativos em frase. Juspodivm: Salvador, 2017. 
MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. Revista dos Tribunais: São Paulo, 2016. 
NETO, Felipe Peixoto Braga. Manual de direito do consumidor. Juspodvim: Salvador, 2015. 
NUNES, Rizzatto. Curso de direito do consumidor. 12. ed. Saraiva Educação: São Paulo, 2018. 
TARTUCE, Flávio. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito do consumidor: direito material e processual. 7. ed. 
Método: São Paulo, 2018. 
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do consumidor. 9. ed. Forense: Rio de Janeiro, 2017. 
 
 
 
 
 
PDF OAB
Direito do Consumidor
Capítulo 2
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1 
 
SUMÁRIO 
DIREITO DO CONSUMIDOR .......................................................................................................................................... 3 
2. Princípios do Direito do Consumidor ............................................................................................................... 3 
2.1 Os Princípios............................................................................................................................................................ 3 
2.2 Princípio do Protecionismo do Consumidor ............................................................................................. 5 
2.3 Princípio da Vulnerabilidade ............................................................................................................................ 7 
2.4 Princípio da Defesa do Consumidor pelo Estado ................................................................................ 10 
2.5 Princípio da Harmonização ............................................................................................................................ 10 
2.6 Princípio da Boa-fé Objetiva ......................................................................................................................... 11 
2.7 Princípio do Dever de Informar ou da Transparência ....................................................................... 14 
2.8 Princípio da Educação e Informação ......................................................................................................... 15 
2.9 Princípio da Precaução .................................................................................................................................... 16 
2.10 Princípio da Facilitação da Defesa dos Direitos do Consumidor .................................................. 17 
2.11 Princípio do Equilíbrio ...................................................................................................................................... 20 
2.12 Princípio da Confiança (ou da Proteção da Confiança ou da Transparência)......................... 21 
2.13 Princípio do Combate ao Abuso ................................................................................................................. 21 
2.14 Princípio da Modificação e da Revisão Contratual ............................................................................. 22 
2.15 Princípio da Responsabilidade Objetiva ................................................................................................... 23 
2.16 Princípio da Reparação Integral dos Danos ........................................................................................... 23 
2.16.1 Dano Material ...................................................................................................................................................... 24 
2.16.2 Dano Moral ...........................................................................................................................................................25 
2.16.3 Dano Estético ....................................................................................................................................................... 27 
2.16.4 Dano Social ........................................................................................................................................................... 27 
 
 
2 
 
2.16.5 Dano Pela Perda de Uma Chance .............................................................................................................. 28 
2.17 Princípio da Solidariedade ............................................................................................................................. 29 
2.18 Princípio da Interpretação mais favorável ao Consumidor (Artigo 47 do CDC) .................... 30 
2.19 Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade ............................................................................ 30 
2.20 Princípio da Veracidade Publicidade ......................................................................................................... 30 
2.21 Princípio da Não Abusividade da Publicidade ...................................................................................... 31 
2.22 Princípio da Função Social do Contrato .................................................................................................. 31 
QUADRO SINÓTICO ...................................................................................................................................................... 33 
QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................................................ 36 
GABARITO ........................................................................................................................................................................... 44 
QUESTÃO DESAFIO ......................................................................................................................................................... 45 
GABARITO DA QUESTÃO DESAFIO.......................................................................................................................... 46 
LEGISLAÇÃO COMPILADA............................................................................................................................................ 47 
JURISPRUDÊNCIA ............................................................................................................................................................. 48 
ESTUDO COMPLEMENTAR .......................................................................................................................................... 57 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................................. 58 
 
 
 
 
3 
 
 
 
Olá, futuro advogado! Tudo bem? 
Antes de começar o estudo, precisamos fazer algumas considerações a respeito da apostila de 
nº 02 do nosso curso, tá? 
Em primeiro turno, Os princípios gerais do Direito do Consumidor não costumam ser cobrados 
no exame de ordem! 
-Mas professora, por que incluí-lo nas apostilas, então? 
Bom, como é de conhecimento geral, a banca examinadora tende a ser um pouco imprevisível, 
e o nosso objetivo é deixar você preparado para exatamente qualquer coisa que aparecer na 
prova! 
Então, achamos pertinente abranger o máximo de conteúdo possível! 😊 
Inclusive, ao final desta apostila, você encontrará questões de outras carreiras, para um maior 
aproveitamento e assimilação de conteúdo, portanto, não deixe de respondê-las, tá? 
Vamos juntos! 
 
 
 
3 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
Capítulo 2 
2. Princípios do Direito do Consumidor 
2.1 Os Princípios 
Os princípios estão previstos expressamente ou implicitamente no ordenamento jurídico. 
Possuem força valorativa, assim, além de vincular, servem de vetor interpretativo às demais 
normas. 
Segundo Miguel Reale, “princípios são, pois verdades ou juízos fundamentais, que servem 
de alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos, ordenados em um sistema de 
conceitos relativos à dada porção da realidade. Às vezes também se denominam princípios 
certas proposições, que apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são 
assumidas como fundantes da validez de um sistema particular de conhecimentos, como seus 
pressupostos necessários”. 
Nos dizeres de Luís Roberto Barroso, princípios "são o conjunto de normas que espelham 
a ideologia da Constituição, seus postulados básicos e seus fins. Dito de forma sumária, os 
princípios constitucionais são as normas eleitas pelo constituinte como fundamentos ou 
qualificações essenciais da ordem jurídica que institui". 
Os princípios previstos no Código de Defesa do Consumidor incidem não só sobre suas 
próprias regras, mas também sobre aquelas previstas em leis especiais, desde que relativas às 
relações de consumo. 
Cabe aqui diferenciar princípios de cláusulas gerais. Landolfo Andrade explica que as 
cláusulas gerais “são disposições normativas que utilizam, no enunciado, uma linguagem de 
 
 
4 
 
tessitura intencionalmente aberta, fluída e vaga, a ser preenchida pelo magistrado quando da 
análise de um caso concreto”. 
Quanto à distinção entre princípios e normas, Humberto Ávila destaca: 
“As regras são normas imediatamente descritivas, primariamente retrospectivas e com 
pretensão de decidibilidade e abrangência, para cuja aplicação se exige a avaliação da 
correspondência, sempre centrada na finalidade que lhes dá suporte ou nos princípios que lhes 
são axiologicamente sobrejacentes, entre a construção conceitual da descrição e a construção 
conceitual dos fatos. 
Os princípios são normas imediatamente finalísticas, primariamente prospectivas e com 
pretensão de complementariedade e de parcialidade, para cuja aplicação se demanda uma 
avaliação da correlação entre o estado de coisa a ser promovida e os efeitos decorrentes da 
conduta havida como necessária à sua promoção”. 
Pedro Lenza esquematiza as distinções entre regras e princípios desta forma: 
REGRAS PRINCÍPIOS 
Dimensão da validade, especificidade e 
vigência. 
Dimensão da importância, peso e valor. 
Conflito entre regras (uma das regras em 
conflito ou será afastada pelo princípio da 
especialidade, ou será declarada inválida – 
cláusula de exceção, que também pode ser 
entendida como “declaração parcial de 
invalidade”). 
Colisão entre princípios (não haverá 
declaração de invalidade de qualquer dos 
princípios em colisão. Diante das condições 
do caso concreto, um princípio prevalecerá 
sobre o outro. 
“tudo ou nada” Ponderação, balanceamento, sopesamento 
entre princípios colidentes. 
Mandamentos ou mandados de definição. Mandamentos ou mandados de otimização. 
Como visto no capítulo anterior, o Código de Defesa do Consumidor é uma norma 
principiológica, logo o estudo dos princípios é essencial na sua preparação para as provas. Nas 
 
 
5 
 
palavras de Flávio Tartuce, “O estudo dos princípios consagrados pelo Código de Defesa do 
Consumidor é um dos pontos de partida para a compreensão do sistema adotado pela Lei 
Consumerista como norma protetiva dos vulneráveis negociais. Como é notório, a Lei 8.078/1990 
adotou um sistema aberto de proteção, baseado em conceitos legais indeterminados e 
construções vagas, que possibilitam uma melhor adequação dos preceitos às circunstâncias do 
caso concreto”. 
INTEGRAÇÃO DO SISTEMA NORMATIV-JURÍDICO DE PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR 
Nas palavras de Lucas de Souza Lehfeld, o Código de Defesa do Consumidor é “um texto 
aberto, pois determina que os direitos nele previsto “não excluem outros decorrente de tratados 
ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de 
regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que 
derivemdos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade” (artigo 7º)”. 
No artigo 4º do Código de Defesa do Consumidor, que institui a Política Nacional das 
Relações de Consumo, identificamos a preocupação do legislador em orientar os princípios e 
direcionamentos que devem conduzir a relação consumerista. Percebe-se que a preocupação 
com as necessidades dos consumidores, com a sua dignidade, saúde e segurança, bem como a 
melhoria da sua qualidade de vida são o norte que está impregnado no Código de Defesa do 
Consumidor. 
Neste capítulo estudaremos os Princípios do Direito do Consumidor, atentando que a 
nomenclatura utilizada e a quantidade de princípios variam de doutrina para doutrina. 
Abordaremos aqui os princípios mais importantes segundo as doutrinas de Direito do 
Consumidor e os de maior incidência em provas de concursos públicos. 
2.2 Princípio do Protecionismo do Consumidor 
Previsto no artigo 1º, do Código de Defesa do Consumidor e previsto nos artigos 5º, 
inciso XXXII e 170, inciso III, da Constituição Federal de 1988, assim como no artigo 48, do Atos 
das Disposições Constitucionais Transitórias, o Princípio do Protecionismo estabelece que o 
 
 
6 
 
Código de Defesa do Consumidor é uma norma cogente de ordem pública e interesse social 
e que deve ser observada por todos na proteção do consumidor. 
Além disso, um dos fundamentos da ordem econômica brasileira é exatamente a proteção 
ao consumidor. 
Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de 
ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V, da 
Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias. 
Nos ensinamentos de Flávio Tartuce encontramos que o Princípio do Protecionismo do 
Consumidor reune algumas consequências, exemplificando: 
A) As regras do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) não podem ser 
afastadas por convenção entre as partes, sob pena de nulidade absoluta. 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao 
fornecimento de produtos e serviços que: 
 XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor; 
B) Caberá sempre a intervenção do Ministério Público em questões envolvendo demandas 
de relações consumeristas. Assim enuncia a Constituição Federal: 
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: 
III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio 
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; 
C) A proteção constante no Código de Defesa do Consumidor deve ser conhecida de 
ofício pelo juiz, caso da nulidade de eventual cláusula abusiva. 
Flávio Tartuce lembra que, a natureza de norma de ordem pública e interesse social 
justifica plenamente o teor da Lei 12.291/2010, que torna obrigatória a exibição de um exemplar 
do Código de Defesa do Consumidor em todos os estabelecimentos comerciais do País, sob 
pena de imposição de multa. 
 
 
7 
 
2.3 Princípio da Vulnerabilidade 
 É uma norma de caráter material, com presunção absoluta, em consequência do 
desequilíbrio entre as partes da relação consumerista, dando proteção especial ao consumidor, 
visando garantir a igualdade material entre as partes na relação consumerista. 
Landolfo Andrade define este princípio como “o fundamento de existência do direito do 
consumidor, é o ponto de partida da aplicação de todas as suas normas de proteção e esse 
sujeito especial de direitos, vulnerável em suas relações frente aos fornecedores”. 
O Código de Defesa do Consumidor estabelece a presunção absoluta da vulnerabilidade 
do consumidor - pessoa física - no mercado de consumo. Parte da premissa de que o 
consumidor se encontra em posição de desvantagem na relação consumerista e prevê 
medidas para garantir a ele uma igualdade formal e material). 
O reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor pode ser presumido diante do 
fato de ser ele o destinatário final dos produtos e serviços disponibilizados pelo fornecedor no 
mercado de consumo. 
O Princípio da Vulnerabilidade está previsto no art. 4º, inciso I, do Código de Defesa do 
Consumidor: 
 Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das 
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção 
de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a 
transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo; 
O reconhecimento da vulnerabilidade decorre do princípio constitucional da isonomia. 
O Princípio da Isonomia (art. 5º, da Constituição Federal) confere tratamento desigual aos 
desiguais. A intenção é tratar de maneira desigual os sujeitos da relação consumerista pois 
estes, no momento da contratação, estão em situações diferentes (o fornecedor, que possui 
 
 
8 
 
capacidade técnica maior do que o consumidor e o consumidor, sujeito vulnerável da relação), 
com o intuito de equipará-las, equilibrando a relação jurídica. 
A vulnerabilidade do consumidor constitui presunção absoluta (jure et de juris), seja qual 
for a relação de consumo, a situação de vulnerabilidade do consumidor frente ao fornecedor é 
presumida ope legis. 
Atente-se ao fato de que a vulnerabilidade do consumidor pessoa jurídica deve ser 
demonstrada no caso concreto, à luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça1, em 
determinadas hipóteses, a pessoa jurídica adquirente de um produto ou serviço pode ser 
equiparada à condição de consumidora por apresentar frente ao fornecedor alguma 
vulnerabilidade. 
Importante atentar-se ao fato de que a vulnerabilidade não se confunde com a 
hipossuficiência, que é regra de direito processual. A hipossuficiência será aferida pelo juiz e, 
se presente na relação, poderá fundamentar a inversão do ônus da prova2. É regra de 
procedimento, logo deve ser definida até a decisão de saneamento. Todo consumidor é 
vulnerável por força de lei, porém nem todo consumidor é hipossuficiente, pois a 
hipossuficiência é uma noção processual3. 
VULNERABILIDADE HIPOSSUFICIÊNCIA 
Fenômeno do direito material. Fenômeno do direito processual. 
Presunção absoluta. Deve ser analisado segundo a casuística. 
A hipossuficiência é princípio previsto no artigo 6º, inciso VIII, do Código de Defesa do 
Consumidor, que estabelece como instrumento facilitador da defesa do consumidor em juízo a 
inversão do ônus da prova: 
 
 
 
1 Vide Questão 01 e Questão 04. 
2 Vide Questão 03. 
3 Vide Questão 05. 
 
 
9 
 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, 
a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou 
quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências; 
 
Atente-se a esta observação trazida por Flávio Tartuce e que ajuda você a recordar que 
vulnerabilidade e hipossuficiência não são sinônimos: 
“Todo consumidor é vulnerável, mas nem todo consumidor é hipossuficiente”. 
 
A doutrina elenca as espécies de vulnerabilidade, sendo as principais, listadas por 
Landolfo Andrade a vulnerabilidade técnica, a jurídica e a fática (ou econômica): 
 
TÉCNICA 
Ausência de conhecimentos específicos sobre o produto ou 
serviço que o consumidor adquire ou utiliza. Refere-se a 
conhecimentos acerca das características e utilidade do 
produto ou serviço adquirido pelo consumidor. 
 
JURÍDICA 
Falta de conhecimento, pelo consumidor, dos direitos e 
deveres inerentes à relação de consumo. Decorrente da 
inexperiência do consumidor quanto ao mercado e da 
ausência de assessoria jurídica e contábil quanto aos termos 
da contratação. 
 
 
FÁTICA (OU ECONÔMICA)Condição de fragilidade do consumidor frente ao fornecedor 
que, por sua posição de monopólio, fático ou jurídico, por 
seu forte poderio econômico ou em razão da essencialidade 
do serviço que fornece, impõe sua superioridade a todos que 
com ele contratam. Decorrente das circunstâncias de fato que 
 
 
10 
 
levam o fornecedor a ser superior financeira, social e 
culturalmente. 
Cláudia Lima Marques ainda cita a vulnerabilidade informacional: impossibilidade de o 
consumidor acompanhar as inovações tecnológicas. 
2.4 Princípio da Defesa do Consumidor pelo Estado 
Tal princípio está previsto no art. 4º, inciso II, do Código de Defesa do Consumidor: 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento 
das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a 
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como 
a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor: 
a) por iniciativa direta; 
b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas; 
c) pela presença do Estado no mercado de consumo; 
d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, 
segurança, durabilidade e desempenho 
O Estado deve agir efetivamente na defesa dos interesses dos consumidores, adotando 
medidas concretas e determinadas de proteção. 
Consagrada na Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso XXXII, a defesa do 
consumidor é um princípio fundamental, tendo o Estado o dever de defender esse direito, sendo 
este direito uma ação afirmativa (ou positiva) do Estado em favor dos consumidores. 
2.5 Princípio da Harmonização 
Tal princípio está previsto no art. 4º, inciso III, do Código de Defesa do Consumidor: 
 
 
11 
 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento 
das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a 
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como 
a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e 
compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento 
econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem 
econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio 
nas relações entre consumidores e fornecedores; 
Há necessidade de harmonização dos interesses daqueles que participam da relação de 
consumo (consumidor e fornecedor). 
Segundo Landolfo Andrade: “A proteção do consumidor deve ser na exata medida do 
necessário para compatibilizar o desenvolvimento econômico e tecnológico do qual necessita 
toda a sociedade e harmonizar as relações entre consumidores e fornecedores”. 
2.6 Princípio da Boa-fé Objetiva 
Princípio previsto expressamente no art. 4º, inciso III do Código de Defesa do Consumidor: 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento 
das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a 
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como 
a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e 
compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento 
econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem 
econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio 
nas relações entre consumidores e fornecedores; 
 
 
12 
 
Impõe ao fornecedor e ao consumidor a prática dos atos da relação de consumo pautados 
pela boa-fé, de acordo com preceitos éticos e morais. 
Encontra-se consagrado, também, implicitamente, na dignidade da pessoa humana e no 
dever de solidariedade dela decorrente (Constituição Federal, art. 1º, inciso III e art. 3º, inciso I) 
e, explicitamente, no Código Civil, nos artigos 113, 187 e 422). 
Segundo Flávio Tartuce, “nesse contexto, nas relações negociais consumeristas deve estar 
presente o justo equilíbrio, em uma correta harmonia entre as partes, em todos os momentos 
relacionados com a prestação e o fornecimento”. 
Para Landolfo Andrade, o Princípio da Boa-fé objetiva “compreende um modelo de 
comportamento social, verdadeiro standard jurídico ou regra de conduta. Traduz-se no dever 
de agir em conformidade com determinados padrões sociais de ética, honestidade, lealdade e 
correção, de modo a não frustrar as legítimas expectativas da outra parte”. 
Veja a seguir as diferenças entre a boa-fé objetiva (princípio consagrado no Código de 
Defesa do Consumidor) e a boa-fé subjetiva4: 
BOA-FÉ SUBJETIVA BOA-FÉ OBJETIVA 
Plano psicológico dos agentes na relação 
jurídica. 
Plano concreto da atuação humana. 
Restringe-se à intenção do sujeito na relação 
negocial. 
Concretização da vontade dos sujeitos da 
relação no mundo exterior por meio de suas 
condutas. 
Claudia Lima Marques, Herman Benjamin e Bruno Miragem lecionam que a boa-fé 
objetiva tem três funções básicas: função criadora, função limitadora e função interpretativa. 
 
FUNÇÃO CRIADORA 
 
Servir como fonte de novos deveres especiais de conduta 
durante o vínculo contratual, os denominados deveres 
anexos. 
FUNÇÃO LIMITADORA Construir uma causa limitadora do exercício, antes lícito, hoje 
abusivo, dos direitos subjetivos. 
 
4 LEHFED, Lucas de Souza, Revisaço magistratura estadual. 7. ed. Juspodivm: Salvador, 2019. 
 
 
13 
 
 
FUNÇÃO INTEPRETATIVA 
(critério hermenêutico) 
Ser utilizada como concreção e interpretação dos contratos, 
de modo que, ao aplicar o direito do consumidor, deve-se 
optar, entre as diversas interpretações possíveis de um 
contrato, por aquela que tenha maior relação com os critérios 
de lealdade, honestidade e correção das partes. 
Ainda, é necessário estar atento ao fato de que o Código de Defesa do Consumidor 
adotou a concepção ética (objetiva) da boa-fé e não a concepção individual (subjetiva), 
devendo-se analisar a abusividade das condutas dos sujeitos da relação de consumo em 
comparação à sociedade como um todo. 
O dever de boa-fé independe da vontade das partes, assim, ainda que a cláusula abusiva 
tenha sido conscientemente aceita deverá ser afastada. 
A boa-fé é cláusula geral serve como fonte de: 
Interpretação Teleológica/Finalística - teoria da confiança e lealdade nas relações; 
Obrigações e Responsabilidade, pré-negocial e de deveres anexos; 
Controle ou Limitação de Direitos, evitando abusos. 
Portanto, nas relações consumeristas, a boa-fé deve ser analisada no seu aspecto externo, 
conforme as regras de conduta. 
Dessa boa-fé decorrem deveres anexos (também chamados de laterais ou secundários), 
que devem ser observados tanto pelo fornecedor quanto pelo consumidor e cujo 
descumprimento implica ilícito civil: violação positiva do contrato. 
São deveres anexos: 
DEVER DE 
INFORMAÇÃO 
O fornecedor conhece todos os aspectos do produto ou serviço, 
logo, a informação ao consumidor deve ser clara (de fácil 
compreensão) e adequada (deve alcançar a finalidade pretendida), 
bem como as condições, consequências e riscos da contratação. 
DEVER DE 
COOPERAÇÃO 
As partes contratantes devem agir de modo que seja possível o 
cumprimento das obrigações contratadas. 
 
 
14 
 
DEVER DE PROTEÇÃO 
OU DE CUIDADO 
O consumidor deve ser alertado pelo fornecedor sobre qualquer 
nocividade ou lesividade do produto ou serviço. Assim, deve o 
consumidor adotar medidas protetivas, voltadas à prevenção de 
danos patrimoniais e pessoasdo consumidor. 
Com relação à boa-fé objetiva, cabe tratar dos contratos relacionais ou contratos cativos 
de longa duração, que traduzem relações jurídicas complexas, de longa duração, cuja 
caraterística principal é a catividade e a dependência dos consumidores com relação à sua 
manutenção (como por exemplo os planos de saúde). 
Nessa espécie de contratos, com base no princípio da confiança, vedam-se os aumentos 
abruptos de mensalidades, exigindo-se que eventual restabelecimento do equilíbrio da relação 
negocial se dê de forma gradual, após cientificação prévia do consumidor. 
Lucas de Souza Lehfeld destaca que, conforme Enunciado 25 do Conselho da Justiça 
Federal, o Princípio da Boa-fé objetiva poderá ser aplicado pelo julgador nas fases pré-contratual 
e pós-contratual. Tal enunciado reitera que a boa-fé objetiva é exigência de um comportamento 
de lealdade dos sujeitos da relação negocial, em todas as fases. 
2.7 Princípio do Dever de Informar ou da Transparência 
É dever das partes envolvidas em uma relação consumerista de assegurar a transparência 
nas relações de consumo, dando todas as informações essenciais do contrato, com observância 
da boa-fé objetiva. 
Conforme o STJ no REsp acesso à informação 1073595, o aumento abrupto das 
mensalidades do seguro de vida ofende a boa-fé objetiva. 
O princípio da informação tem duas projeções: a primeira diz respeito ao acesso à 
informação e a segunda à compreensão da informação, pois de nada adianta cumprir o 
requisito inicial, se o consumidor não dispõe de conhecimentos técnicos para compreender o 
que buscou esclarecer o fornecedor. 
 
 
15 
 
 
Novidade legislativa de outubro de 2017. Segundo o art. 8º, §1º, do CDC: 
Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe prestar as informações a que se refere este 
artigo, através de impressos apropriados que devam acompanhar o produto. 
Foi acrescentado, ainda, ao mesmo artigo, o §2º, segundo o qual: 
O fornecedor deverá higienizar os equipamentos e utensílios no fornecimento de produtos ou 
serviços, ou colocados à disposição do consumidor, e informar de maneira ostensiva e adequada, 
quando for o caso, sobre o risco de contaminação. 
 
Estabelece, este princípio, então, o dever de o fornecedor informar de modo claro e 
adequado acerca das características, usos, riscos e preço dos produtos e, bem assim de dar 
explicações sobre eles, em todas as fases da relação: pré-contratual, contratual e pós-contratual. 
2.8 Princípio da Educação e Informação 
Princípio previsto expressamente no art. 4º, inciso IV do Código de Defesa do 
Consumidor5: 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento 
das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a 
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como 
a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e 
deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo; 
 
5 Vide Questão 02. 
 
 
16 
 
Impõe o dever de informar fornecedores e consumidores quanto a seus direitos e 
obrigações, com vistas à melhoria do mercado de consumo. 
Abrange tanto a educação formal (em escolas e instituições de ensino), quanto a informal 
(através dos meios de comunicação e dos órgãos de defesa do consumidor, como o MP e os 
PROCONs). 
2.9 Princípio da Precaução 
Segundo Landolfo Andrade, “consiste na orientação de se imprimir um elevado nível de 
proteção à vida e à saúde do consumidor, nas hipóteses em que há incerteza científica sobre 
os reais riscos que determinados bens oferecidos no mercado podem representar à 
incolumidade físico-psíquica dos consumidores”. 
Assim, tal princípio obriga o fornecedor a adotar todas as medidas cabíveis para evitar 
qualquer tipo de dano ao consumidor, seja ele conhecido ou não. 
São decorrências do Princípio da Precaução: 
A) O dever de informação ostensiva dos perigos e forma de uso de produtos (art. 8º e 
art. 9º do Código de Defesa do Consumidor); 
B) Proibição de venda de produto ou serviço que o fornecedor sabe ou deveria saber de 
alto grau de periculosidade ou nocividade – Teoria do Risco do Negócio (art. 10 do 
Código de Defesa do Consumidor); 
C) Dever de comunicar às autoridades competentes e aos consumidores, via anúncios 
publicitários, o perigo ulteriormente conhecido, efetivando-se recall, com recolhimento 
do produto nocivo ou perigosos pra correção do vício que apresenta (art. 10, §1º do 
Código de Defesa do Consumidor). 
Impõe ainda à União, aos Estados, DF e Municípios o dever de informar os consumidores, 
sempre que tiverem conhecimento de produtos ou serviços dotados de periculosidade à saúde 
ou segurança. 
 
 
17 
 
2.10 Princípio da Facilitação da Defesa dos Direitos do 
Consumidor 
Este princípio estabelece que normas de direito material e processual devem visar à 
facilitação da defesa dos direitos consumeristas, tendo como consequências práticas: 
A) A manutenção pelo Estado da Assistência Jurídica Gratuita, promotorias, delegacias e 
juizados específicos à defesa do consumidor, conforme o art. 5º do Código de Defesa do 
Consumidor. 
Art. 5° Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o poder 
público com os seguintes instrumentos, entre outros: 
I - manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor carente; 
II - instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do 
Ministério Público; 
III - criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de consumidores 
vítimas de infrações penais de consumo; 
IV - criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para a 
solução de litígios de consumo; 
V - concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa do 
Consumidor. 
§ 1º (Vetado). 
§ 2º (Vetado). 
B) A responsabilidade objetiva do fornecedor, conforme os artigos 12 e 18 do Código de 
Defesa do Consumidor. 
Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador 
respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos 
 
 
18 
 
causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, 
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, 
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. 
§ 1º O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se 
espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: 
I - sua apresentação; 
II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; 
III - a época em que foi colocado em circulação. 
§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter 
sido colocado no mercado. 
§ 3º O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado 
quando provar: 
I - que não colocou o produto no mercado; 
II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; 
III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. 
 
Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem 
solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou 
inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por 
aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da 
embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes 
de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. 
§ 1º Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, 
alternativamente e à sua escolha: 
 
 
19 
 
I - asubstituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de 
uso; 
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de 
eventuais perdas e danos; 
III - o abatimento proporcional do preço. 
§ 2º Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no 
parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. 
Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, 
por meio de manifestação expressa do consumidor. 
§ 3º O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1º deste artigo sempre 
que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer 
a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto 
essencial. 
§ 4º Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1º deste artigo, e não 
sendo possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, 
marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual 
diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1º deste artigo. 
§ 5º No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o 
consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor. 
§ 6º São impróprios ao uso e consumo: 
I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos; 
II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, 
fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as 
normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação; 
III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se 
destinam. 
 
 
20 
 
C) As ações coletivas para a defesa de interesses dos consumidores. 
D) A possibilidade de inversão do ônus da prova. 
2.11 Princípio do Equilíbrio 
A base do Código de Defesa do Consumidor é a proteção do sujeito vulnerável da relação 
de consumo, o objetivo do Direito do Consumidor é proteger esse sujeito, eliminando injustiças 
e desigualdades entre ele e o fornecedor, reestabelecendo o equilíbrio da relação de consumo. 
Logo, deve haver sempre a busca pela relação equilibrada. Para alcançar esse objetivo, 
são vedadas obrigações abusivas. 
Princípio previsto expressamente no art. 4º, inciso III do Código de Defesa do Consumidor: 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento 
das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a 
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como 
a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e 
compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento 
econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem 
econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio 
nas relações entre consumidores e fornecedores; 
Segundo o STJ: “Se a economia globalizada não tem mais fronteiras rígidas e estimula e 
favorece a livre concorrência, imprescindível que as leis de proteção ao consumidor ganhem 
maior expressão em sua exegese, na busca do equilíbrio que deve reger as relações de 
consumo”, REsp. 63.891. 
Impõe um dever de equilíbrio entre fornecedor e consumidor, tanto no plano material 
quanto no plano processual, ou seja, o Código de Defesa do Consumidor visa romper o 
desequilíbrio entre os polos da relação de consumo, limitando direitos e impondo deveres aos 
fornecedores e conferindo prerrogativas aos consumidores. 
 
 
21 
 
De outro lado, busca também uma harmonização, garantindo o livre exercício da atividade 
econômica, sem paternalismos excessivos. 
2.12 Princípio da Confiança (ou da Proteção da Confiança ou 
da Transparência) 
Este princípio não está previsto de maneira expressa no Código de Defesa do Consumidor, 
mas é um princípio implícito, que se desdobra do Princípio da Boa-fé Objetiva (ex.: 
responsabilidade dos estabelecimentos que fornecem estacionamento pela segurança dos 
veículos estacionados por seus clientes). 
Determina tal princípio que o fornecedor deve respeitar as legítimas expectativas que 
o consumidor deposita na relação de consumo. Esse respeito abrange tanto o conteúdo do 
contrato quanto o bem de consumo. 
2.13 Princípio do Combate ao Abuso 
Princípio previsto expressamente no art. 4º, inciso VI do Código de Defesa do Consumidor: 
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento 
das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a 
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como 
a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de 
consumo, inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações 
industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar 
prejuízos aos consumidores; 
Deve-se prevenir e punir qualquer espécie de abuso praticado no mercado de consumo. 
 
 
22 
 
2.14 Princípio da Modificação e da Revisão Contratual 
Consagra o direito de alteração das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações 
desproporcionais, bem como o direito de revisão destas em razão de fatos supervenientes que 
as tornem excessivamente onerosas (art. 6º, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor. 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais 
ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; 
O direito de modificação tem incidências em normas que já nasceram com desproporção 
ou que são abusivas por natureza. Já o direito de revisão incide sobre as normas que eram 
proporcionais em sua essência, mas, ao longo na relação, por fato superveniente tornaram-se 
desproporcionais. 
DIREITO DE MODIFICAÇÃO DIREITO DE REVISÃO 
Incide sobre as cláusulas que já nasceram 
desproporcionais ou abusivas. 
Incide sobre as cláusulas que nasceram 
proporcionais, mas se tornaram 
excessivamente onerosas por fato 
superveniente. 
O direito de revisão do Código de Defesa do Consumidor é mais amplo que o previsto 
no Código Civil, uma vez que dispensa a extraordinariedade e a imprevisibilidade do fato 
superveniente para a alteração contratual. 
DIREITO DE REVISÃO NO 
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 
DIREITO DE REVISÃO NO 
CÓDIGO CIVIL 
Fato superveniente Fato superveniente, extraordinário e 
imprevisível 
E onerosidade excessiva E onerosidade excessiva 
Teoria do rompimento da base objetiva do 
negócio 
Teoria da Imprevisão 
 
 
23 
 
2.15 Princípio da Responsabilidade Objetiva 
Estabelece que o fornecedor responde independentemente de culpa pelos danos 
causados aos consumidores, só se eximindo se provar: 
a) que não colocou o produto no mercado; 
b) que o produto ou serviço não é defeituoso; 
c) a culpa exclusiva da vítima ou de terceiros. 
Consagra a norma a socialização dos danos causados ao consumidor, pois seu custo 
será embutido no preço da mercadoria, partilhando-se entre toda a sociedade. 
Destaque-se, porém, que a responsabilidade pessoal dos profissionais liberais deve ser 
apurada mediante culpa (art. 14, §4º do Código de Defesa do Consumidor), ou seja, é subjetiva. 
2.16 Princípio da Reparação Integral dos Danos 
Conforme disposição do Código Civil, todo aquele que causa um dano é obrigado a 
repará-lo. Causado um dano ao consumidor, a reparação deve englobar todo o prejuízo, 
abrangendo todas as espécies de dano: material, moral, estético, coletivos(em sentido amplo), 
social. 
Impõe a reparação de todos os danos causados ao consumidor, sejam eles patrimoniais 
ou morais, individuais, difusos ou coletivos, conforme art. 6º, inciso VI, do Código de Defesa do 
Consumidor. 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos 
e difusos; 
Vale destacar aqui o Enunciado 456, do Conselho da Justiça Federal: 
 
 
24 
 
Enunciado 456. A expressão "dano" no art. 944 abrange não só os danos individuais, 
materiais ou imateriais, mas também os danos sociais, difusos, coletivos e individuais 
homogêneos a serem reclamados pelos legitimados para propor ações coletivas. 
No âmbito do Direito do Consumidor, é possível a reparação de danos materiais, morais, 
estéticos, coletivos, sociais e ainda danos pela perda de uma chance. 
Não são aceitas nas relações de consumo, cláusulas de irresponsabilidade ou de não 
indenização, nem mesmo as que meramente atenuem a responsabilidade do fornecedor. 
Entretanto, há uma exceção prevista no artigo 51, inciso I, do Código de Defesa do 
Consumidor, quando o consumidor for pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em 
situações justificáveis: 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao 
fornecimento de produtos e serviços que: 
I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de 
qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de 
direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a 
indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis; 
2.16.1 Dano Material 
Abrange os danos emergentes - o que efetivamente se perdeu - e os lucros cessantes 
- o que razoavelmente se deixou de lucrar. 
Atente-se ao texto da Súmula 37 do Superior Tribunal de Justiça: 
SÚMULA 37-STJ. São cumuláveis as indenizações por dano material e moral oriundos do 
mesmo fato. 
A princípio, na fixação do quantum da reparação dos danos materiais, vedava-se qualquer 
forma de tabelamento. Deve-se observar, contudo, que, em recurso sujeito à repercussão geral, 
o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Convenção de Varsóvia prevalece sobre o Código de 
 
 
25 
 
Defesa do Consumidor nos contratos de transporte internacional, por força do art. 178 da 
Constituição Federal de 1988, que prevê que “a lei disporá sobre a ordenação dos transportes 
aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar 
os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade”. 
Isso não se aplica, porém, aos contratos de transporte interno, tampouco à fixação do 
dano moral. Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e os tratados 
internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, 
especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código 
de Defesa do Consumidor (STF, RE 636.331 e ARE 766.618). 
2.16.2 Dano Moral 
São lesões extrapatrimoniais aos direitos da personalidade. Sua compensação não 
significa a determinação de um preço para a dor ou sofrimento, mas configura meio para 
atenuar as consequências de um prejuízo imaterial, o que traz o conceito de lenitivo, derivativo 
ou sucedâneo. 
Atente-se ao Enunciado 445, do Conselho da Justiça Federal: 
Enunciado 445. O dano moral indenizável não pressupõe necessariamente a verificação 
de sentimentos humanos desagradáveis como dor ou sofrimento. 
Por exemplo, há danos morais sofridos pela pessoa jurídica, conforme o texto da Súmula 
227 do STJ: 
SÚMULA 227-STJ. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. 
Por outro lado, o dano moral não se caracteriza quando há mero aborrecimento 
inerente a prejuízo material. 
Veja o Enunciado 159 do Conselho da Justiça Federal: 
Enunciado 159. O dano moral, assim compreendido todo dano extrapatrimonial, não se 
caracteriza quando há mero aborrecimento inerente a prejuízo material. 
 
 
26 
 
A mera quebra ou descumprimento contratual, por exemplo, não gera dano moral (STJ, 
AgRg 303.129), salvo se envolver valor fundamental protegido pela Constituição Federal de 1988, 
como no caso de negativa de pagamento por seguradora e a negativa de custeio de despesas 
por plano de saúde (STJ, REsp 811.617 e REsp 880.035). 
Veja o Enunciado 411, do Conselho da Justiça Federal: 
Enunciado 411. O descumprimento de contrato pode gerar dano moral quando envolver 
valor fundamental protegido pela Constituição Federal de 1988. 
Embora parte da doutrina sustente a sua natureza puramente compensatória ou 
puramente punitiva (punitive damages), prevalece que a indenização por dano moral tem um 
caráter principal compensatório e um caráter disciplinador acessório, voltado à coibição de novas 
condutas lesivas. 
A indenização do dano moral possui, pois, uma dupla função: 
a) punir o ofensor, para que não volte a reincidir (caráter punitivo ou inibitório: exemplary 
ou punitive damages); 
b) reparar o prejuízo causado à vítima (caráter compensatório) (STJ, REsp 715.320 e STF, 
AI 455.846). 
Prevalece no Superior Tribunal de Justiça que a utilização critério bifásico para fixar o 
dano moral (REsp 959.780). 
 Em relação ao dano moral, continua sendo vedado o tabelamento, devendo a 
indenização ser fixada com base no princípio da reparação integral, inclusive tratando-se de 
transporte aéreo internacional. 
DANO MORAL COLETIVO 
Modalidade de dano que atinge, ao mesmo tempo, vários direitos da personalidade, de 
pessoas determinadas ou determináveis (danos morais somados ou acrescidos). Atingem direitos 
individuais homogêneos e coletivos em sentido estrito: 
 
 
27 
 
DIREITO INDIVIDUAIS 
HOMOGÊNEOS 
Decorrentes de origem comum, sendo possível identificar os 
direitos dos prejudicados. 
DIREITOS COLETIVOS EM 
SENTIDO ESTRITO 
Transindividuais e Indivisíveis, de que seja titular grupo, 
categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte 
contrária por uma relação jurídica base. 
O Superior Tribunal de Justiça estabelece dois requisitos para a sua configuração: 
a) razoável significância do fato transgressor; 
b) repulsa social 
O Superior Tribunal de Justiça fixou 11 teses em Repercussão Geral nº 125 sobre o Dano 
Moral. Os entendimentos foram extraídos de julgados publicados até o dia 26/04/2019. 
2.16.3 Dano Estético 
Danos estéticos são considerados uma terceira modalidade de dano extrapatrimonial, 
consistente na lesão à beleza física, à harmonia das formas externas de alguém. 
Não se confunde com o dano moral, pois o primeiro causa “alteração morfológica de 
formação corporal que agride a visão, causando desagrado e repulsa”, enquanto o segundo 
configura “um sofrimento mental – dor da mente psíquica, pertencente ao foro íntimo” (STJ, 
REsp 65.393). 
Sobre o tema, veja a Súmula 387 do Superior Tribunal de Justiça: 
SUMULA 387-STJ. É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. 
2.16.4 Dano Social 
São danos difusos, pois envolvem situações em que as vítimas são indeterminadas ou 
indetermináveis. 
Por serem as vítimas indeterminadas, nessa hipótese, a indenização deve ser destinada a 
um fundo de proteção, de acordo com os direitos atingidos, ou para uma instituição de caridade, 
a critério do juiz. 
 
 
28 
 
Para que haja condenação por dano social, é indispensável que haja pedido expresso, sob 
pena de violar os princípios da demanda, da inércia e, fundamentalmente, da 
adstrição/congruência, o qual exige a correlação entre o pedido e o provimento judicial a ser 
exarado pelo Judiciário (STJ, Rcl 12.062). 
Na visão do Superior Tribunal de Justiça a condenação por danos sociais somente pode 
ocorrer em demandas coletivas e, portanto, apenas os legitimados para a propositura dessas 
ações poderiam pleitear danos sociais. Assim, não é possíveldiscutir danos sociais em ação 
individual. 
DANOS MORAIS COLETIVOS DANOS SOCIAIS 
Vários direitos da personalidade são atingidos Causam rebaixamento no nível de vida da 
coletividade 
Vítimas determinadas ou determináveis Vítimas indeterminadas 
Direitos individuais homogêneos ou coletivos 
em sentido estrito 
Direito difusos 
Indenização destinada às próprias vítimas Indenização destinada ao fundo de defesa do 
consumidor 
2.16.5 Dano Pela Perda de Uma Chance 
A perda de uma chance está caracterizada quando a pessoa vê frustrada uma expectativa, 
uma oportunidade futura que, dentro da lógica do razoável, ocorreria se as coisas seguissem o 
seu curso normal. 
Sobre o tema, veja o Enunciado 444 do Conselho da Justiça Federal: 
Enunciado 444. A responsabilidade civil pela perda de chance não se limita à categoria 
de danos extrapatrimoniais, pois, conforme as circunstâncias do caso concreto, a chance 
perdida pode apresentar também a natureza jurídica de dano patrimonial. A chance deve 
ser séria e real, não ficando adstrita a percentuais apriorísticos. 
 
 
29 
 
2.17 Princípio da Solidariedade 
Estabelece que, tendo mais de um autor a ofensa aos direitos consumeristas, todos 
responderão solidariamente, independentemente da existência de culpa (art. 7º, parágrafo único 
do Código de Defesa do Consumidor). 
Art. 7º Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou 
convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, 
de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como 
dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade. 
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente 
pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. 
Logo, o consumidor pode optar por quem figurará no polo passivo da ação indenizatória, 
ressalvando-se àquele que cumprir a obrigação por inteiro o direito de regresso em face dos 
demais coobrigados. 
Na responsabilidade por fato ou defeito do produto, no entanto, o comerciante não 
responde solidariamente ao fabricante do objeto causador do acidente de consumo. Só será 
responsável, subsidiariamente, se o fabricante não puder ser identificado, se o produto for 
fornecido sem identificação clara do seu fabricante ou se não conservar adequadamente os 
produtos perecíveis. 
A solidariedade também está relacionada à responsabilidade aos danos causados aos 
consumidores. Cabe ao fornecedor responder por quaisquer vícios ou fatos relativos ao produto 
ou serviço. 
 
 
30 
 
2.18 Princípio da Interpretação mais favorável ao Consumidor 
(Artigo 47 do CDC) 
Todos os contratos serão interpretados de maneira mais favorável ao consumidor. No 
mesmo sentido, se houver cláusula ambígua nos contratos de adesão, devem ser interpretadas 
de forma mais favorável ao aderente. 
Tal princípio está previsto no art. 47 do Código de Defesa do Consumidor: 
Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao 
consumidor. 
Vale salientar que este princípio será aplicável não apenas às cláusulas contratuais, mas 
também em relação às leis em geral, ou seja, havendo conflito, aplica-se a lei ou a cláusula que 
melhor atenda aos interesses do consumidor. 
2.19 Princípio da Vinculação Contratual da Publicidade 
A publicidade é uma oferta, assim como a informação. Sendo elas precisas, vinculam o 
fornecedor. Elas integram o contrato de consumo, bastando que o consumidor aceite. 
Este princípio está previsto no art. 30 do Código de Defesa do Consumidor. 
 Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer 
forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou 
apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o 
contrato que vier a ser celebrado. 
2.20 Princípio da Veracidade Publicidade 
É a vedação à publicidade falsa ou enganosa, tendo previsão no art. 37, parágrafo §1º, 
do Código de Defesa do Consumidor. 
 
 
 
31 
 
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. 
§ 1º É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter 
publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por 
omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, 
qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre 
produtos e serviços. 
2.21 Princípio da Não Abusividade da Publicidade 
Tem previsão no art. 37, parágrafo §2º, do Código de Defesa do Consumidor. 
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. 
§ 2º É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que 
incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de 
julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz 
de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou 
segurança. 
Veda a publicidade discriminatória, ou que incite a violência. 
2.22 Princípio da Função Social do Contrato 
O Direito Civil prega a ideia da força obrigatória dos contratos (pacta sunt servanda). 
Porém, no direito do consumidor, há que se analisar a função social do contrato, não podendo 
se aceitar cláusulas draconianas e prejudiciais aos consumidores, naturalmente vulneráveis ante 
os fornecedores. 
Assim, em oposição a esta força obrigatória dos contratos, tem-se a Teoria da 
Imprevisão, consubstanciada na cláusula rebus sic standibus, segundo a qual é possível se 
relativizar a força obrigatória dos contratos na esfera do Direito do Consumidor. 
É um direito básico previsto no artigo 6º, inciso V, do CDC: 
 
 
32 
 
Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: 
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais 
ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
33 
 
 
 
QUADRO SINÓTICO 
Princípio do Protecionismo 
do Consumidor 
Código de Defesa do Consumidor como norma cogente de 
ordem pública e interesse social (art. 1º, do CDC). 
Princípio da Vulnerabilidade Norma de caráter material e presunção absoluta. Igualdade 
material entre as partes na relação consumerista. 
Princípio da Defesa do 
Consumidor pelo Estado 
O Estado deve agir efetivamente na defesa dos interesses dos 
consumidores, adotando medidas concretas e determinadas 
de proteção (art. 4º, inciso II, do CDC). 
Princípio da Harmonização Há necessidade de harmonização dos interesses daqueles que 
participam da relação de consumo (consumidor e fornecedor) 
(art. 4º, inciso III, do CDC). 
 
Princípio da Boa-fé Objetiva 
Impõe ao fornecedor e ao consumidor a prática dos atos da 
relação de consumo pautados pela boa-fé, de acordo com 
preceitos éticos e morais (art. 4º, inciso III, do CDC). 
Princípio do Dever de 
Informar ou da 
Transparência 
O dever de o fornecedor informar de modo claro e adequado 
acerca das características, usos, riscos e preço dos produtos e, 
bem assim de dar explicações sobre eles, em todas as fases 
da relação: pré-contratual, contratual e pós-contratual. 
Princípio da Educação e 
Informação 
Impõe o dever de informar fornecedores e consumidores 
quanto a seus direitos e obrigações, com vistas à melhoria do 
mercado de consumo (art. 4º, inciso IV, do CDC). 
 
 
Princípio da Precaução 
Precaução na orientação de se imprimir um elevado nível de 
proteção à vida e à saúde do consumidor, nas hipóteses em 
que há incerteza científica sobre os reais riscos que 
determinados bens oferecidos no mercado podem representar 
à incolumidade físico-psíquica dos consumidores. 
 
 
34 
 
Princípio da Facilitação da 
Defesa dos Direitos do 
Consumidor 
Este princípio estabeleceque normas de direito material e 
processual devem visar à facilitação da defesa dos direitos 
consumeristas. 
 
Princípio do Equilíbrio 
Impõe um dever de equilíbrio entre fornecedor e consumidor, 
tanto no plano material quanto no plano processual (art. 4º, 
inciso III, do CDC). 
Princípio da Confiança (ou 
da Proteção da Confiança 
ou da Transparência) 
Princípio implícito. O fornecedor deve respeitar as legítimas 
expectativas que o consumidor deposita na relação de 
consumo. 
Princípio do Combate ao 
Abuso 
O fornecedor deve respeitar as legítimas expectativas que o 
consumidor deposita na relação de consumo (art. 4º, inciso VI, 
do CDC). 
Princípio da Modificação e 
da Revisão Contratual 
O direito de alteração das cláusulas contratuais que 
estabeleçam prestações desproporcionais, bem como o direito 
de revisão destas em razão de fatos supervenientes que as 
tornem excessivamente onerosas (art. 6º, inciso V, do CDC). 
Princípio da 
Responsabilidade Objetiva 
Estabelece que o fornecedor responde independentemente de 
culpa pelos danos causados aos consumidores. 
 
Princípio da Reparação 
Integral dos Danos 
Causado um dano ao consumidor, a reparação deve englobar 
todo o prejuízo, abrangendo todas as espécies de dano: 
material, moral, estético, coletivos (em sentido amplo), social 
(art. 6º, inciso VI, do CDC). 
 
Princípio da Solidariedade 
Tendo mais de um autor a ofensa aos direitos consumeristas, 
todos responderão solidariamente, independentemente da 
existência de culpa (art. 7º, parágrafo único, do CDC). 
 
Princípio da Interpretação 
mais favorável ao 
Consumidor 
Todos os contratos serão interpretados de maneira mais 
favorável ao consumidor. No mesmo sentido, se houver 
cláusula ambígua nos contratos de adesão, devem ser 
interpretadas de forma mais favorável ao aderente (art. 47, do 
CDC). 
 
Princípio da Vinculação 
Contratual da Publicidade 
A publicidade é uma oferta, assim como a informação. Sendo 
elas precisas, vinculam o fornecedor. Elas integram o contrato 
de consumo, bastando que o consumidor aceite (art. 30, do 
CDC). 
 
 
35 
 
Princípio da Veracidade 
Publicidade 
É a vedação à publicidade falsa ou enganosa, tendo previsão 
no art. 37, parágrafo §1º, do Código de Defesa do Consumidor. 
Princípio da Não 
Abusividade da Publicidade 
Tem previsão no art. 37, parágrafo §2º, do Código de Defesa 
do Consumidor. Veda a publicidade discriminatória, ou que 
incite a violência. 
Princípio da Função Social 
do Contrato 
É um direito básico previsto no artigo 6º, inciso V, do CDC. É 
possível se relativizar a força obrigatória dos contratos na 
esfera do Direito do Consumidor 
 
 
 
36 
 
 
 
QUESTÕES COMENTADAS 
Questão 1 
(CESPE - 2015 - TJ-PB - Juiz Substituto) A vulnerabilidade, pressuposto de aplicação do CDC, 
é presumida para o consumidor pessoa física, ao passo que, para a pessoa jurídica, tal situação 
deve ser demonstrada e aferida casuisticamente. 
 
Comentário: 
Há entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a 
vulnerabilidade da pessoa jurídica deve ser demonstrada e analisada no caso concreto, 
segundo a casuística (RE 1.010.843/GO), assim, comprovada a vulnerabilidade da pessoa 
jurídica a Teoria Finalista deve ser mitigada, aplicando-se as regras do Código de Defesa 
do Consumidor à pessoa jurídica. 
 
Questão 2 
(VUNESP - 2019 – TJ-AC – Juiz de Direito Substituto) A Política Nacional das Relações 
de Consumo é regida pelo seguinte princípio, dentre outros: 
A) racionalização e melhoria dos serviços públicos e privados. 
B) harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização 
da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento socioeconômico do 
Brasil. 
C) coibição e repressão de abusos praticados no mercado de consumo que possam causar 
prejuízo aos consumidores e fornecedores. 
 
 
37 
 
D) educação e informação de consumidores e fornecedores quanto aos seus direitos e 
deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo. 
 
Comentário: 
O erro da assertiva “A” está na menção a serviços privados, pois não estão previstos no 
art. 4º, inciso VII, do Código de Defesa do Consumidor. 
O erro da assertiva “B” é a previsão de desenvolvimento socioeconômico do Brasil, ao 
passo em que o inciso III do art. 4º do Código de Defesa do Consumidor traz a expressão 
desenvolvimento econômico e tecnológico. 
O erro da assertiva “C” está na previsão que possam causar prejuízos aos consumidores e 
fornecedores, pois o inciso VI do art. 4º do Código de Defesa do Consumidor não traz a 
figura dos fornecedores nesse tocante. 
A alternativa “D” apresenta a literalidade do inciso IV do art. 4º do Código de Defesa do 
Consumidor: “IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos 
seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo”. 
 
Questão 3 
(TRF 3 - 2018 – TRF 3 – Juiz Federal Substituto) Sobre a disciplina da relação de consumo e 
a aplicabilidade de normas e princípios do Código de Defesa do Consumidor, conforme a 
interpretação que vem sendo dada na jurisprudência, assinale a alternativa INCORRETA: 
A) contratos relativos ao Programa de Arrendamento Residencial – PAR, previstos na Lei nº 
10.188/2001, estando voltados ao atendimento de necessidade de moradia de população 
de baixa renda, submetem-se à disciplina do Código de Defesa do Consumidor. 
B) contratos de abertura de crédito para financiamento estudantil (FIES), ao constituírem 
programa de governo em benefício dos estudantes, ficam excluídos da disciplina 
consumerista. 
 
 
38 
 
C) em ocorrendo saques fraudulentos em conta bancária, o correntista não pode ser 
obrigado a provar o fato negativo, ou seja, que não efetuou os referidos saques, razão 
pela qual é cabível a inversão do ônus da prova, nos termos do artigo 6º, VIII, do CDC. 
D) eventual conflito do sistema interno consumerista com a disciplina internacional, em 
particular, as Convenções de Varsóvia e de Montreal, relativo a controvérsias envolvendo 
extravio de bagagens de passageiros em transporte aéreo internacional, deve ser 
solucionado com prevalência aos tratados internacionais. 
 
Comentário: 
A alterativa “A” apresenta erronia e, por tanto, é o gabarito da questão que dá o comando 
para que o avaliado marque a alternativa incorreta. O Código de Defesa do Consumidor 
não encontra aplicação para os contratos de empreitada celebrados entre a Caixa 
Econômica Federal, na condição de operacionalizadora do Programa de Arrendamento 
Residencial-PAR, e a empresa contratada para construir as residências que serão 
posteriormente objeto de contrato de arrendamento entre a mesma instituição financeira 
e as pessoas de baixa renda, para as quais o programa se destina. (STJ, REsp 1073962/2012, 
3ª TURMA). 
Quanto a alternativa “B”, a jurisprudência do STJ está assentada no sentido de que os 
contratos firmados no âmbito do Programa de Financiamento Estudantil (FIES) não se 
submetem às regras encartadas no Código de Defesa do Consumidor. (STJ, REsp 
1155684/2010, 1ª SEÇÃO, Recurso Repetitivo). 
Quanto a alternativa “C”, o ônus de provar a autoria de saque em conta bancária, efetuado 
mediante cartão magnético, quando o correntista, apesar de deter a guarda do cartão, 
nega a autoria dos saques, em observância ao art. 6º, inciso VIII, do Código de Defesa do 
Consumidor, com vistas a garantir o pleno exercício do direito de defesa do consumidor, 
estabelece que a inversão do ônus da prova será deferida quando a alegação por ele 
apresentada seja verossímil ou quando for constatada a sua hipossuficiência. Reconhecida 
a hipossuficiência técnica do consumidor, em ação que versa sobre a realização de saques 
 
 
39 
 
não autorizados em contas bancárias, mostra-se imperiosa a inversão do ônus probatório. 
(STJ, REsp 1155770/2011, 3ª TURMA). 
Por fim, a alternativa“D”, nos termos do art. 178 da Constituição Federal de 1988, as 
normas e os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras 
aéreas de passageiros, especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm 
prevalência em relação ao Código de Defesa do Consumidor. (STF, RE 636331/2017, 
Repercussão Geral). 
 
Questão 4 
(NUCEPE - 2018 – PC-PI – Delegado de Polícia Civil) Segundo o Código de Defesa do 
Consumidor, a Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das 
necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de 
seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e 
harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
A) contraditório, ampla defesa e proteção; 
B) socialidade, equidade e boa-fé; 
C) equidade, racionalização e melhoria dos serviços públicos; 
D) educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e 
deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo e eficácia da prestação de 
serviços públicos em geral; 
E) reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo e estudo 
constante das modificações do mercado de consumo. 
 
Comentário: 
A alternativa “D” estaria correta se não tivesse acrescentado em seu texto a expressão “e 
eficácia da prestação de serviços públicos em geral”. Desta forma, a alternativa a ser 
assinalado pelo examinado seria a alternativa “E”, que traz o texto literal dos incisos I e VIII 
do art. 4º do Código de Defesa do Consumidor. Quanto as demais alternativas, a alternativa 
 
 
40 
 
“A” está incorreta pois contraditório e ampla defesa são princípios processuais; a alternativa 
“B” está incorreta porque apenas o princípio da boa-fé é princípio do direito consumerista 
e a alternativa “C” está incorreta por não apresentar princípios do Direito do Consumidor. 
 
Questão 5 
(FCC - 2015 – TJ-SE – Juiz Substituto) O Código de Defesa do Consumidor se utiliza das 
expressões “vulnerabilidade e “hipossuficiência" nos seus artigos. A respeito deste tema, é 
correto afirmar: 
A) O juiz somente pode inverter o ônus da prova no processo civil quando estiverem 
presentes dois requisitos: hipossuficiência e verossimilhança da alegação do consumidor. 
B) São expressões sinônimas, uma vez que ambas definem a situação de fraqueza do 
consumidor perante o fornecedor. 
C) São sinônimas, mas hipossuficiência é a expressão utilizada quando se trata de aplicar o 
direito processual civil. 
D) A vulnerabilidade deve ser declarada pelo juiz para fins de aplicação das normas mais 
protetivas do consumidor. 
E) A vulnerabilidade é uma condição pressuposta nas relações de consumo e a 
hipossuficiência deve ser constatada no caso concreto. 
 
Comentário: 
As expressões “vulnerabilidade” e “hipossuficiência” não são sinônimas. A vulnerabilidade 
do consumidor é um princípio de direito material (ope legis), com presunção absoluta (jure 
et de juris), enquanto a hipossuficiência é um princípio de ordem processual e deve ser 
analisado de acordo com a casuística. 
 
Questão 6 
 
 
41 
 
(CESPE — 2012 — TJ-PA — Juiz) Com base nos princípios relacionados ao direito do 
consumidor, assinale a opção correta. 
A) A prevenção e a reparação dos danos dizem respeito apenas aos direitos dos 
consumidores individuais, conforme previsão legal. 
B) O CDC autoriza a intervenção direta do Estado no domínio econômico, para garantir a 
proteção efetiva do consumidor. 
C) Apesar de não estar expressamente previsto no CDC, o dever de informação é um 
princípio fundamental nas relações de consumo. 
D) Práticas abusivas que, adotadas pelo fornecedor, atinjam exclusivamente direitos 
subjetivos do consumidor não são consideradas ilícitas pela legislação que regula as 
relações de consumo. 
E) Em razão da natureza jurídica da relação de consumo, a desproporcionalidade entre as 
prestações enseja rescisão do contrato, não sendo possível a revisão de cláusulas 
contratuais. 
 
 
Comentário: 
A questão exige conhecimento sobre os Princípios do Direito do Consumidor, política 
nacional das relações de consumo, práticas abusivas e direitos básicos do consumidor. 
Na alternativa “A” encontramos o erro quando o enunciado traz a palavra restritiva 
“apenas”, visto que, de acordo com o art. 6º, inciso VI do Código de Defesa do Consumidor, 
a prevenção e a reparação dos danos se referem também aos direitos difusos e coletivos. 
Quanto a alternativa “B”, a intervenção direta do Estado está prevista no art. 4º, inciso II, 
do Código de Defesa do Consumidor e visa à proteção efetiva o consumidor, buscando 
assegurar a ele o acesso aos produtos e serviços essenciais e garantir a qualidade e 
adequação dos produtos e serviços. 
No tocando a alternativa “C”, o dever de informação está previsto no Código de Defesa 
do Consumidor no art. 6º inciso II que, com o princípio da transparência, previsto no caput 
do art. 4º do mesmo Código deu nova formatação aos produtos e serviços disponibilizados 
 
 
42 
 
no mercado. Está previsto também, o dever de informação, no art. 31 do Código de Defesa 
do Consumidor. 
As práticas abusivas per si, que trata a alternativa “D” são ilícitas independentemente de 
lesaram o consumidor. 
Por fim, quanto a alternativa “E”, o art. 6º, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor, 
prevê como direito básico “a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam 
prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as 
tornem excessivamente onerosas”. 
 
Questão 7 
(XVI EXAME DE ORDEM – FGV – 2015) A responsabilidade civil dos fornecedores de 
serviços e produtos, estabelecida pelo Código do Consumidor, reconheceu a relação 
jurídica qualificada pela presença de uma parte vulnerável, devendo ser observados os 
princípios da boa-fé, lealdade contratual, dignidade da pessoa humana e equidade. 
A respeito da temática, assinale a afirmativa correta. 
A) A responsabilidade civil subjetiva dos fabricantes impõe ao consumidor a comprovação 
da existência de nexo de causalidade que o vincule ao fornecedor, mediante comprovação 
da culpa, invertendo que tange ao resultado danoso suportado. 
B) A responsabilidade civil do fabricante é subjetiva e subsidiária quando o comerciante é 
identificado e encontrado para responder pelo vício ou fato do produto, cabendo ao 
segundo a responsabilidade civil objetiva. 
C) A responsabilidade civil objetiva do fabricante somente poderá ser imputada se houver 
demostração dos elementos mínimos que comprovem o nexo de causalidade que justifique 
a ação proposta, ônus esse do consumidor. 
 
 
43 
 
D) A inversão do ônus da prova nas relações de consumo é questão de ordem pública e de 
imputação imediata, cabendo ao fabricante a carga probatória frente ao consumidor, em razão 
da responsabilidade civil objetiva 
 
Comentário: 
Como é sabido, nas hipóteses de responsabilidade objetiva cabe à vítima provar o dano e 
o nexo causal. Nesses casos, a defesa limita-se à demonstrar excludentes do nexo de 
causalidade, quais sejam o caso fortuito, a força maior, o fato exclusivo de terceiros e o 
fato exclusivo da vítima. Ressalte-se que, em alguns casos, apenas algumas das excludentes 
podem ser arguidas, como ocorre com o fato exclusivo de animais, casos estes 
considerados pela doutrina como uma responsabilidade objetiva mais grave (art. 936, 
NCC/02. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar 
culpa da vítima ou força maior). 
 
 
 
 
44 
 
 
GABARITO 
 
Questão 1 - Certo 
Questão 2 - D 
Questão 3 - A 
Questão 4 - E 
Questão 5 - E 
Questão 6 - B 
Questão 7 - C 
 
 
 
45 
 
QUESTÃO DESAFIO 
No direito consumerista temos dois conceitos importantes: 
vulnerabilidade e hipossuficiência. Um destes conceitos diz respeito 
ao aspecto material e se tratade uma presunção absoluta. Estamos 
falando de qual conceito? 
Responda em até cinco linhas 
 
 
 
46 
 
GABARITO DA QUESTÃO DESAFIO 
Trata-se do Princípio da Vulnerabilidade. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 Vulnerabilidade 
POLÍTICA NACIONAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO 
I - reconhecimento da vulnerabilidade (e não hipossuficiência) do consumidor no mercado de 
consumo; 
OBS: 
VULNERABILIDADE = Material, Presunção Absoluta. 
HIPOSSUFICIÊNCIA = Processual, Análise Casuística. 
OBS: 
HIPERVULNERABILIDADE – Min. Herman Benjamin – Resp. 931.513/RS – Doença Física ou Mental, 
Gravidez, Turista, Analfabeto, Crianças, Idosos etc = Proteção Social! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
 
 
 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
 
Princípios do Direito do Consumidor: 
 CDC: Art. 4º, Art. 6º. 
 
 Súmula 37-STJ. São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos 
do mesmo fato. 
 Súmula 227-STJ. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral. 
 
 Súmula 387-STJ. É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
 
 
JURISPRUDÊNCIA 
Princípio da Vulnerabilidade 
 TJDFT: Acórdão n. 813514, Relator Des. Alfeu Machado - 1ª Turma Cível, Julgamento: 21/8/2014, 
DJe: 29/8/2014 
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO OBRIGACIONAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ART. 
6°, VIII, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES OU VULNERABILIDADE 
NÃO DEMONSTRADAS PELO AGRAVANTE. AUSÊNCIA DO EFEITO DE OBRIGAR A PARTE CONTRÁRIA A ARCAR 
COM AS CUSTAS DA PROVA REQUERIDA PELO INTERESSADO. CONSEQUÊNCIAS PROCESSUAIS ADVINDAS DE SUA 
NÃO PRODUÇÃO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. DECISÃO 
MANTIDA. 
1. A aplicação da inversão do ônus da prova, nos termos do art. 6°, VIII, do CDC – Lei Nº 8078/90, não é automática, 
cabendo ao magistrado a quo analisar as condições de verossimilhança da alegação e de hipossuficiência, conceitos 
intrinsecamente ligados ao conjunto fático-probatório demonstrado nos autos. 
2. A vulnerabilidade do consumidor pessoa física é presumida pela lei, a da pessoa jurídica deve ser 
demonstrada no caso concreto. 
3. A inversão do ônus da prova não tem o efeito de obrigar a parte contrária a arcar com as custas da prova 
requerida pelo interessado, no entanto sofre as consequências processuais advindas de sua não produção. 
4. Nexo causal é pressuposto indispensável da responsabilização civil, havendo, por outro lado, necessidade de 
apuração de todo o alegado com a produção das provas necessárias na fase processual adequada por especialista. 
5. Nega-se provimento ao agravo de instrumento que se insere no contexto de matéria que está a depender de 
ampla dilação probatória somente possível na ação principal sob o pálio do contraditório e da ampla defesa. 
6.Recurso conhecido e não provido. 
 STJ: EDcl no Ag 1371143/PR, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 07/03/2013, 
DJe 17/04/2013 
 
 
49 
 
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. 
INCIDÊNCIA. TEORIA FINALISTA. DESTINATÁRIO FINAL. NÃO ENQUADRAMENTO. VULNERABILIDADE. AUSÊNCIA. 
REEXAME DE FATOS E PROVAS. RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 7/STJ. 
1. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental em face do nítido caráter infringente das razões 
recursais. Aplicação dos princípios da fungibilidade e da economia processual. 
2. Consoante jurisprudência desta Corte, o Código de Defesa do Consumidor não se aplica no caso em que o 
produto ou serviço é contratado para implementação de atividade econômica, já que não estaria configurado o 
destinatário final da relação de consumo (teoria finalista ou subjetiva). 
3. Esta Corte tem mitigado a aplicação da teoria finalista quando ficar comprovada a condição de hipossuficiência 
técnica, jurídica ou econômica da pessoa jurídica. 
4. Tendo o Tribunal de origem assentado que a parte agravante não é destinatária final do serviço, tampouco 
hipossuficiente, é inviável a pretensão deduzida no apelo especial, uma vez que demanda o reexame do conjunto 
fático-probatório dos autos, o que se sabe vedado em sede de recurso especial, a teor da Súmula 7 desta Corte. 
5. Agravo regimental a que se nega provimento. 
 STJ: RE 1.010.843/GO (2007/0283503-8) – Ral. Min. Nancy Andrighi 
PROCESSO CIVIL E CONSUMIDOR. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE MÁQUINA DE BORDAR. FABRICANTE. 
ADQUIRENTE. VULNERABILIDADE. RELAÇÃO DE CONSUMO. NULIDADE DE CLÁUSULA ELETIVA DE FORO. 
1. A Segunda Seção do STJ, ao julgar o REsp 541.867/BA, Rel. Min. Pádua Ribeiro, Rel. p/ Acórdão o Min. Barros 
Monteiro, DJ de 16/05/2005, optou pela concepção subjetiva ou finalista de consumidor. 
2. Todavia, deve-se abrandar a teoria finalista, admitindo a aplicação das normas do CDC a determinados 
consumidores profissionais, desde que seja demonstrada a vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica. 
3. Nos presentes autos, o que se verifica é o conflito entre uma empresa fabricante de máquinas e fornecedora de 
softwares, suprimentos, peças e acessórios para a atividade confeccionista e uma pessoa física que adquire uma 
máquina de bordar em prol da sua sobrevivência e de sua família, ficando evidenciada a sua vulnerabilidade 
econômica. 
4. Nesta hipótese, está justificada a aplicação das regras de proteção ao consumidor, notadamente a nulidade da 
cláusula eletiva de foro. 
5. Negado provimento ao recurso especial. 
 STJ: REsp 1.324.712-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/9/2013 
 
 
50 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ATENDIMENTO POR PLANO DE SAÚDE. 
COBRANÇA OU ADMISSÃO, POR PARTE DO HOSPITAL, DE QUE SEJA COBRADO POR EMPREGADO E/OU 
PREPOSTO, EM TRATAMENTO MÉDICO-HOSPITALAR COBERTO POR PLANO DE SAÚDE, DE ADICIONAL REFERENTE 
À SUPLEMENTAÇÃO DOS HONORÁRIOS MÉDICOS, RELATIVA À ALEGADA MAJORAÇÃO IMPOSTA PELA 
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM DETERMINADOS HORÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. CUSTO QUE DEVE ESTAR PRESENTE 
NO PREÇO COBRADO, NA AVENÇA MERCANTIL, PELO HOSPITAL DA OPERADORA DO PLANO DE SAÚDE. 
DESCABIMENTO DE SUA IMPOSIÇÃO, EM PREVALECIMENTO SOBRE A FRAGILIDADE DO CONSUMIDOR. EXIGÊNCIA 
DE CAUÇÃO PARA ATENDIMENTOS EMERGENCIAIS. INVIABILIDADE. CONDUTA VEDADA PELOS ARTS. 1º E 2º DA 
LEI N. 12.653/2012. 
1."O ponto de partida do CDC é a afirmação do Princípio da Vulnerabilidade do Consumidor, mecanismo que visa 
a garantir igualdade formal-material aos sujeitos da relação jurídica de consumo, o que não quer dizer compactuar 
com exageros que, sem utilidade real, obstem o progresso tecnológico, a circulação dos bens de consumo e a 
própria lucratividade dos negócios". (REsp 586316/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, 
julgado em 17/04/2007, DJe 19/03/2009) 
2. Independentemente do exame da razoabilidade/possibilidade de cobrança de honorários médicos majorados 
para prestação de serviços fora do horário comercial - desnecessário para a solução da demanda e sequer discutida 
pelas instâncias ordinárias -, salta aos olhos que se trata de custos que incumbem ao hospital. Estes, por 
conseguinte, deveriam cobrar por seus serviços diretamente das operadoras de plano de saúde, e não dos 
particulares/consumidores. 
3. Com efeito, cuida-se de iníqua cobrança, em prevalecimento sobre a fragilidade do consumidor, de custo que 
está ou deveria estar coberto pelo preço cobrado da operadora de saúde - negócio jurídico mercantil do qual não 
faz parte o consumidor usuário do plano de saúde -, caracterizando-se como conduta manifestamente abusiva, em 
violação à boa-fé objetiva e ao dever de probidade do fornecedor, vedada pelos arts. 39, IV, X e 51, III, IV, X, XIII, 
XV, do CDC e 422 do CC/2002. 
4. Na relação mercantil existente entre o hospital e as operadoras de planos saúde, os contratantes são empresários 
- que exercem atividade econômica profissionalmente-, não cabendo ao consumidor arcar com os 
ônus/consequências de eventual equívoco quanto à gestão empresarial. 
5. Antes mesmo da vigência da Lei n. 12.653/2012 - que trouxe ao ordenamento jurídico norma vedando 
expressamente a exigência de caução e de prévio preenchimento de formulário administrativo para a prestação de 
atendimento médico-hospitalar premente -, este Colegiado, por ocasião do julgamento do REsp 1.256.703/SP, havia 
manifestado que, em se tratando de atendimento médico emergencial, é dever do estabelecimento hospitalar, sob 
pena de responsabilização cível e criminal, da sociedade empresária e prepostos, prestar o pronto atendimento 
médico-hospitalar. 
6. Recurso especial provido para restabelecer a sentença. 
 
 
51 
 
Princípio da Boa-fé Objetiva 
 STJ: Recurso Especial nº 1.105.483-MG 2008/0255833-4, Rel. Ministro Massami Uyeda 
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. SEGURO DE VIDA EM GRUPO (OURO VIDA - APÓLICE 40). NÃO RENOVAÇÃO PELA 
SEGURADORA. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE. NATUREZA DO CONTRATO (MUTUALISMO E TEMPORARIEDADE). 
EXISTÊNCIA DE CLÁUSULA CONTRATUAL. NOTIFICAÇÃO DO SEGURADO EM PRAZO RAZOÁVEL. 
1. A Segunda Seção deste Tribunal Superior, quando do julgamento do REsp nº 880.605/RN (DJe 17/9/2012), firmou 
o entendimento de não ser abusiva a cláusula contratual que prevê a possibilidade de não renovação automática 
do seguro de vida em grupo por qualquer dos contratantes, desde que haja prévia notificação em prazo razoável. 
Essa hipótese difere da do seguro de vida individual que foi renovado ininterruptamente por longo período, situação 
em que se aplica o entendimento firmado no REsp nº 1.073.595/MG (DJe 29/4/2011). 
2. O exercício do direito de não renovação do seguro de vida em grupo pela seguradora, na hipótese de ocorrência 
de desequilíbrio atuarial, com o oferecimento de proposta de adesão a novo produto, não fere o princípio da boa-
fé objetiva, mesmo porque o mutualismo e a temporariedade são ínsitos a essa espécie de contrato. 
3. Recurso especial da FENABB não conhecido; recurso especial da Companhia de Seguros Aliança do Brasil S.A. 
provido e recurso especial da ABRASCONSEG prejudicado. 
Princípio do Equilíbrio 
 STJ, Recurso Especial nº 63.981-SP (1995/0018349-8) Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, 
Julgamento 11.04.2000. 
DIREITO DO CONSUMIDOR. FILMADORA ADQUIRIDA NO EXTERIOR. DEFEITO DA MERCADORIA. 
RESPONSABILIDADE DA EMPRESA NACIONAL DA MESMA MARCA (“PANASONIC”). ECONOMIA GLOBALIZADA. 
PROPAGANDA. PROTEÇÃO AO CONSUMIDOR. PECULIARIDADES DA ESPÉCIE. SITUAÇÕES A PONDERAR NOS 
CASOS CONCRETOS. NULIDADE DO ACÓRDÃO ESTADUAL REJEITADA, PORQUE SUFICIENTEMENTE 
FUNDAMENTADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO NO MÉRITO, POR MAIORIA. 
I Se a economia globalizada não mais tem fronteiras rígidas e estimula e favorece a livre concorrência, 
imprescindível que as leis de proteção ao consumidor ganhem maior expressão em sua exegese, na busca do 
equilíbrio que deve reger as relações jurídicas, dimensionando se, inclusive, o fator risco, inerente à competitividade 
do comércio e dos negócios mercantis, sobretudo quando em escala internacional, em que presentes empresas 
poderosas, multinacionais, com filiais em vários países, sem falar nas vendas hoje efetuadas pelo processo 
tecnológico da informática e no forte mercado consumidor que representa o nosso País. 
 
 
52 
 
II O mercado consumidor, não há como negar, vê se hoje "bombardeado" diuturnamente por intensa e hábil 
propaganda, a induzir a aquisição de produtos, notadamente os sofisticados de procedência estrangeira, levando 
em linha de conta diversos fatores, dentre os quais, e com relevo, a respeitabilidade da marca. 
III Se empresas nacionais se beneficiam de marcas mundialmente conhecidas, incumbe lhes responder também 
pelas deficiências dos produtos que anunciam e comercializam, não sendo razoável destinar se ao consumidor as 
consequências negativas dos negócios envolvendo objetos defeituosos. 
IV Impõe se, no entanto, nos casos concretos, ponderar as situações existentes. 
V Rejeita se a nulidade arguida quando sem lastro na lei ou nos autos. 
Princípio da Confiança (ou da Proteção da Confiança ou da 
Transparência) 
 STJ: STJ – REsp 1.181.066/RS – Rel. Des. Conv. Vasco Della Giustina – j. 15.03.2011 
CONSUMIDOR. DIREITO À INFORMAÇÃO. A questão posta no REsp cinge-se em saber se, a despeito de existir 
regulamento classificando como ‘sem álcool’ cervejas que possuem teor alcoólico inferior a meio por cento em 
volume, seria dado à sociedade empresária recorrente comercializar seu produto, possuidor de 0,30g/100g e 
0,37g/100g de álcool em sua composição, fazendo constar do seu rótulo a expressão ‘sem álcool’. A Turma negou 
provimento ao recurso, consignando que, independentemente do fato de existir norma regulamentar que classifique 
como sendo ‘sem álcool’ bebidas cujo teor alcoólico seja inferior a 0,5% por volume, não se afigura plausível a 
pretensão da fornecedora de levar ao mercado cerveja rotulada com a expressão ‘sem álcool’, quando essa 
substância encontra-se presente no produto. Ao assim proceder, estaria ela induzindo o consumidor a erro e, 
eventualmente, levando-o ao uso de substância que acreditava inexistente na composição do produto e pode 
revelar-se potencialmente lesiva à sua saúde. Destarte, entendeu-se correto o tribunal a quo, ao decidir que a 
comercialização de cerveja com teor alcoólico, ainda que inferior a 0,5% em cada volume, com informação ao 
consumidor, no rótulo do produto, de que se trata de bebida sem álcool vulnera o disposto nos arts. 6º e 9º do 
CDC ante o risco à saúde de pessoas impedidas do consumo. 
Princípio do Dever de Informar ou da Transparência 
 STJ: REsp: 1073595-MG (2008/0150187-7) - Rel. Min. Nancy Andrighi. Julgamento: 23.03.2011 - 
DJe: 29.04.2011. 
DIREITO DO CONSUMIDOR. CONTRATO DE SEGURO DE VIDA, RENOVADO ININTERRUPTAMENTE POR DIVERSOS 
ANOS. CONSTATAÇÃO DE PREJUÍZOS PELA SEGURADORA, MEDIANTE A ELABORAÇÃO DE NOVO CÁLCULO 
ATUARIAL. NOTIFICAÇÃO, DIRIGIDA AO CONSUMIDOR, DA INTENÇÃO DA SEGURADORA DE NÃO RENOVAR O 
 
 
53 
 
CONTRATO, OFERECENDO-SE A ELE DIVERSAS OPÇÕES DE NOVOS SEGUROS, TODAS MAIS ONEROSAS. 
CONTRATOS RELACIONAIS. DIREITOS E DEVERES ANEXOS. LEALDADE, COOPERAÇÃO, PROTEÇÃO DA SEGURANÇA 
E BOA FÉ OBJETIVA. MANUTENÇÃO DO CONTRATO DE SEGURO NOS TERMOS ORIGINALMENTE PREVISTOS. 
RESSALVA DA POSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DO CONTRATO, PELA SEGURADORA, MEDIANTE A 
APRESENTAÇÃO PRÉVIA DE EXTENSO CRONOGRAMA, NO QUAL OS AUMENTOS SÃO APRESENTADOS DE 
MANEIRA SUAVE E ESCALONADA. 
1. No moderno direito contratual reconhece-se, para além da existência dos contratos descontínuos, a existência 
de contratos relacionais, nos quais as cláusulas estabelecidas no instrumento não esgotam a gama de direitos e 
deveres das partes. 
2. Se o consumidor contratou, ainda jovem, o seguro de vida oferecido pela recorrida e se esse vínculo vem se 
renovando desde então, ano a ano, por mais de trinta anos, a pretensão da seguradora de modificar abrutamente 
as condições do seguro, não renovando o ajuste anterior, ofende os princípios da boa fé objetiva, da cooperação, 
da confiança e da lealdade que deve orientar a interpretação dos contratos que regulam relações de consumo. 
3. Constatado prejuízos pela seguradora e identificada a necessidade de modificação da carteira de seguros em 
decorrência de novo cálculo atuarial, compete a ela ver o consumidor como um colaborador, um parceiro que a 
tem acompanhado ao longo dos anos. Assim, os aumentos necessários para o reequilíbrio da carteira têm de ser 
estabelecidos de maneira suave e gradual, mediante um cronograma extenso, do qual o segurado tem de ser 
cientificado previamente. Com isso, a seguradora colabora com o particular, dando-lhe a oportunidade de se 
preparar para os novos custos que onerarão, ao longo do tempo, o seu seguro de vida, e o particular também 
colabora com a seguradora, aumentando suaparticipação e mitigando os prejuízos constatados. 
4. A intenção de modificar abruptamente a relação jurídica continuada, com simples notificação entregue com 
alguns meses de antecedência, ofende o sistema de proteção ao consumidor e não pode prevalecer. 
5. Recurso especial conhecido e provido. 
Dano Material 
 STFJ: RE 63.331-RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento 25.02.2017 
1. Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Extravio de bagagem. Dano material. Limitação. Antinomia. 
Convenção de Varsóvia. Código de Defesa do Consumidor. 3. Julgamento de mérito. É aplicável o limite 
indenizatório estabelecido na Convenção de Varsóvia e demais acordos internacionais subscritos pelo Brasil, em 
relação às condenações por dano material decorrente de extravio de bagagem, em voos internacionais. 5. 
Repercussão geral. Tema 210. Fixação da tese: "Nos termos do art. 178 da Constituição da República, as normas e 
os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras aéreas de passageiros, 
especialmente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm prevalência em relação ao Código de Defesa do 
 
 
54 
 
Consumidor". 6. Caso concreto. Acórdão que aplicou o Código de Defesa do Consumidor. Indenização superior ao 
limite previsto no art. 22 da Convenção de Varsóvia, com as modificações efetuadas pelos acordos internacionais 
posteriores. Decisão recorrida reformada, para reduzir o valor da condenação por danos materiais, limitando-o ao 
patamar estabelecido na legislação internacional. 7. Recurso a que se dá provimento. 
Dano Moral – Teses de Repercussão Geral 125 STJ 
1) A fixação do valor devido à título de indenização por danos morais deve considerar o método bifásico, que 
conjuga os critérios da valorização das circunstâncias do caso e do interesse jurídico lesado, e minimiza 
eventual arbitrariedade ao se adotar critérios unicamente subjetivos do julgador, além de afastar eventual 
tarifação do dano. Acórdãos relacionados: AgInt no REsp 1533342/PR, Rel. Ministro PAULO DE TARSO 
SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/03/2019, DJe 27/03/2019 AgInt no AREsp 900932/MG, Rel. 
Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/02/2019, DJe 27/02/2019 REsp 1771866/DF, Rel. 
Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/02/2019, DJe 19/02/2019 AgInt no REsp 
1719756/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018 REsp 
1669680/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/06/2017, DJe 22/06/2017 RCDESP 
no REsp 362532/PB, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 07/08/2012, DJe 
20/08/2012 
2) O dano moral coletivo, aferível in re ipsa, é categoria autônoma de dano relacionado à violação injusta e 
intolerável de valores fundamentais da coletividade. Acórdãos relacionados: REsp 1737428/RS, Rel. Ministra 
NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/03/2019, DJe 15/03/2019 REsp 1726270/BA, Rel. Ministra 
NANCY ANDRIGHI, Rel. p/ Acórdão Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 
27/11/2018, DJe 07/02/2019 AgInt no AREsp 100405/GO, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado 
em 16/10/2018, DJe 19/10/2018 AgInt no AREsp 1312148/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA 
TURMA, julgado em 17/09/2018, DJe 20/09/2018 AgInt no AREsp 1113260/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 16/08/2018, DJe 27/08/2018 REsp 1517973/PE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, 
QUARTA TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 01/02/2018. 
3) É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. (Súmula n. 387/STJ). Acórdãos 
relacionados: REsp 1722505/ES, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/03/2018, DJe 
22/11/2018 REsp 1637884/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/02/2018, DJe 
23/02/2018 AgInt no AREsp 958765/RO, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado 
em 21/09/2017, DJe 25/09/2017 AgInt no AREsp 1026481/ES, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA 
TURMA, julgado em 02/05/2017, DJe 08/05/2017 AgInt no AREsp 445267/PR, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA 
TURMA, julgado em 17/11/2016, DJe 07/12/2016 AgRg no AREsp 101930/RJ, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE 
NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/05/2015, DJe 18/05/2015. 
 
 
55 
 
4) A legitimidade para pleitear a reparação por danos morais é, em regra, do próprio ofendido, no entanto, 
em certas situações, são colegitimadas também aquelas pessoas que, sendo muito próximas afetivamente à 
vítima, são atingidas indiretamente pelo evento danoso, reconhecendo-se, em tais casos, o chamado dano 
moral reflexo ou em ricochete. Acórdãos relacionados: AgInt no AREsp 1290597/RJ, Rel. Ministro LÁZARO 
GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), QUARTA TURMA, julgado em 20/09/2018, DJe 
26/09/2018 AgInt no AREsp 1099667/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 
24/04/2018, DJe 02/05/2018 REsp 1119632/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 
15/08/2017, DJe 12/09/2017 AgRg no REsp 1212322/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA 
TURMA, julgado em 03/06/2014, DJe 10/06/2014 AgRg no Ag 1413481/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS 
CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 13/03/2012, DJe 19/03/2012 REsp 1119933/RJ, Rel. Ministra NANCY 
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 21/06/2011 
5) Embora a violação moral atinja apenas os direitos subjetivos do falecido, o espólio e os herdeiros têm 
legitimidade ativa ad causam para pleitear a reparação dos danos morais suportados pelo de cujus. Acórdãos 
relacionados: AgInt no AREsp 85987/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 05/02/2019, DJe 
12/02/2019 AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp 1112079/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, 
julgado em 21/08/2018, DJe 24/08/2018 REsp 1185907/CE, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, 
julgado em 14/02/2017, DJe 21/02/2017 AgRg no AREsp 326485/SP, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, 
julgado em 25/06/2013, DJe 01/08/2013 REsp 1071158/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, 
julgado em 25/10/2011, DJe 07/11/2011 AgRg nos EREsp 978651/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, CORTE ESPECIAL, 
julgado em 15/12/2010, DJe 10/02/2011 
10) A pessoa jurídica pode sofrer dano moral, desde que demonstrada ofensa à sua honra objetiva. Acórdãos 
relacionados: AgRg no AREsp 454848/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado 
em 01/04/2019, DJe 10/04/2019 AgInt no REsp 1742291/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA 
TURMA, julgado em 10/12/2018, DJe 19/12/2018 REsp 1726984/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA 
TURMA, julgado em 08/05/2018, DJe 19/11/2018 AgRg no AREsp 426244/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA 
TURMA, julgado em 04/10/2018, DJe 11/10/2018 AgInt no AREsp 1256777/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, 
TERCEIRA TURMA, julgado em 26/06/2018, DJe 02/08/2018 AgInt no AgInt no REsp 1455454/PR, Rel. Ministro LUIS 
FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 20/04/2018 
11) A pessoa jurídica de direito público não é titular de direito à indenização por dano moral relacionado à 
ofensa de sua honra ou imagem, porquanto, tratando-se de direito fundamental, seu titular imediato é o 
particular e o reconhecimento desse direito ao Estado acarreta a subversão da ordem natural dos direitos 
fundamentais. Acórdãos relacionados: REsp 1731782/MS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 04/12/2018, DJe 11/12/2018 AgInt no REsp 1653783/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 30/10/2017 REsp 1505923/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, 
 
 
56 
 
SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2015, DJe 19/04/2017 REsp 1258389/PB, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, 
QUARTA TURMA, julgado em 17/12/2013, DJe 15/04/201457 
 
ESTUDO COMPLEMENTAR 
 
 
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58 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
ANDRADE, Adriano. MASSON, Cleber. ANDRADE, Landolfo. Interesses difusos e coletivos esquematizado. 6. ed. Método: São 
Paulo, 2016. 
ÁVILA, Humberto. Teoria Geral dos Princípios da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 4. Ed. Malheiros Editores: São 
Paulo, 2004. 
BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional 
transformadora. São Paulo, Saraiva, 1999. 
BOLZAN, Fabrício. Direito do consumidor esquematizado. 2. ed. Saraiva: São Paulo, 2014. 
CAVALCANTI, Márcio André Lopes. Vade mecum de jurisprudência. Juspodivm: Salvador, 2019. 
CUNHA, Rogério Sanches e outros. Revisaço magistratura estadual. 7. ed. Juspodivm: Salvador, 2019. 
FILOMENO, José Geraldo Brito. Direitos do consumidor. 15. ed. Atlas: São Paulo, 2018. 
GARCIA, Leonardo de Medeiros. Código de defesa do consumidor comentado artigo por artigo. 13. ed. Juspodivm: Salvador, 
2016. 
GOMES, Nathália Stivalle. Direito do consumidor. Juspodvum: 2019. 
GOUVEIA, Mila. Informativos em frase. Juspodivm: Salvador, 2017. 
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 21. ed. Saraiva: São Paulo, 2017. 
MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. Revista dos Tribunais: São Paulo, 2016. 
NETO, Felipe Peixoto Braga. Manual de direito do consumidor. Juspodvim: Salvador, 2015. 
NUNES, Rizzatto. Curso de direito do consumidor. 12. ed. Saraiva Educação: São Paulo, 2018. 
REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 1986. 
TARTUCE, Flávio. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito do consumidor: direito material e processual. 7. ed. 
Método: São Paulo, 2018. 
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do consumidor. 9. ed. Forense: Rio de Janeiro, 2017. 
 
 
 
 
PDF OAB
Direito do Consumidor
Capítulo 3
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1 
 
 
SUMÁRIO 
DIREITO DO CONSUMIDOR ................................................................................................................... 3 
3. Direitos Básicos do Consumidor e Convenção Coletiva de Consumo .................................. 3 
3.1 Introdução ...................................................................................................................................................... 3 
3.2 Direito à Proteção da Vida, Saúde e Segurança ................................................................................................ 6 
3.3 Direito à Educação........................................................................................................................................... 8 
3.4 Direito à Informação Adequada e Clara ........................................................................................................... 9 
3.5 Direito à Proteção Contra Práticas Comerciais Abusivas................................................................................... 9 
3.6 Direito à Preservação do Contrato e Revisão das Cláusulas Contratuais ......................................................... 12 
3.7 Direito à Efetiva Prevenção e Reparação de Danos ........................................................................................ 14 
3.8 Direito ao Acesso à Justiça, à Facilitação da Defesa de Direitos e à Inversão do Ônus da Prova ...................... 15 
3.9 Direito ao Recebimento de Serviços Adequados e Eficazes ............................................................................ 19 
3.10 Convenção Coletiva de Consumo ................................................................................................................... 21 
3.10.1 Conceito ........................................................................................................................................................ 21 
3.10.2 Obrigatoriedade ............................................................................................................................................ 22 
QUADRO SINÓTICO .............................................................................................................................. 25 
QUESTÕES COMENTADAS ................................................................................................................... 27 
GABARITO ............................................................................................................................................... 44 
QUESTÃO DESAFIO ................................................................................................................................ 45 
GABARITO DA QUESTÃO DESAFIO .................................................................................................... 46 
LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 48 
JURISPRUDÊNCIA ..................................................................................................................................... 49 
ESTUDO COMPLEMENTAR ................................................................................................................... 82 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 83 
 
 
2 
 
 
 
E ai, OABeiro! Tudo certinho? 
A apostila de número 03 do nosso curso de Direito Do Consumidor tratará sobre Direitos 
Básicos do Consumidor, matéria que já foi objeto de várias questões no Exame de Ordem ao 
decorrer desses anos! De acordo com a nossa equipe de inteligência, esse assunto esteve 
presente apenas 2 VEZES nos últimos 3 anos, sendo considerado um assunto de média 
relevância! 
Aqui, a banca costuma seguir o seu padrão: Apresentar um caso hipotético, pelo qual a 
resposta é respaldada na legislação vigente. Por isso, recomendamos a leitura atenta da letra 
seca da lei e entendimentos jurisprudenciais, e sempre em companhia de alguma doutrina à 
sua escolha. 
Lembre-se: A resolução de questões é a chave para a aprovação! 
Vamos juntos! 
 
 
3 
 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
Capítulo 3 
3. Direitos Básicos do Consumidor e Convenção Coletiva de 
Consumo 
3.1 Introdução 
Os direitos básicos do consumidor que estudaremos neste capítulo estão previstos no 
art. 6º do Código de Defesa do Consumidor. 
Os direitos elencados no art. 6º do Código de Defesa do Consumidor são estabelecidos 
em prol do consumidor, não podendo ser invocados em pelo fornecedor a seu favor. 
DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR (ART. 6º, CDC) 
Proteção da vida, 
saúde e segurança 
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos 
provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços 
considerados perigosos ou nocivos; 
 
Educação 
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos 
produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a 
igualdade nas contratações; 
 
Informação 
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes 
produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, 
características, composição, qualidade, tributos incidentese 
preço, bem como sobre os riscos que apresentem; (Redação dada 
pela Lei nº 12.741, de 2012) 
Proteção contra IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, 
 
4 
 
 
práticas comerciais 
abusivas 
métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra 
práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de 
produtos e serviços; 
Preservação do 
Contrato e Revisão das 
Cláusulas Contratuais 
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam 
prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos 
supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; 
Efetiva Prevenção e 
Reparação de Danos 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e 
morais, individuais, coletivos e difusos; 
 
Acesso à Justiça 
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com 
vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, 
individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, 
administrativa e técnica aos necessitados; 
Facilitação da Defesa 
de Direitos e Inversão 
do Ônus da Prova 
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a 
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, 
quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando 
for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de 
experiências; 
 
Recebimento de 
Serviços Adequados e 
Eficazes 
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em 
geral. 
Importante destacar quanto ao Direito à Informação que, em 2015, o Estatuto da Pessoa 
com Deficiência (Lei 13.146, de 6 de julho de 2015), incluiu no art. 6º o parágrafo único no 
sentido de que a informação “deve ser acessível à pessoa com deficiência”. 
Quando falamos em direitos básicos do consumidor, falamos em valores e preceitos 
fundamentais que devem ser observados em uma relação consumerista. São os direitos 
mínimos que colocam o consumidor em posição de igualdade na relação. 
A Resolução 39/248 da Organização das Nações Unidas (ONU), de 16 de abril de 1985, 
documento que estabeleceu as Diretrizes das Nações Unidas para a Proteção do Consumidor, 
 
5 
 
 
foi a fonte de inspiração dos direitos básicos elencados no art. 6º do Código de Defesa do 
Consumidor. A Resolução de 1985, além dos direitos em si, traz diretrizes para a cooperação 
jurídica internacional em matéria de consumo. 
A Resolução 39/248 da Organização das Nações Unidas (ONU) prevê: 
 (a) a proteção dos consumidores contra os riscos para a sua saúde e segurança; 
(b) a promoção e proteção dos interesses económicos dos consumidores; 
(c) o acesso dos consumidores a informações adequadas que lhes permitam fazer 
escolhas informadas de acordo com os desejos e necessidades individuais; 
(d) a educação do consumidor; 
(e) a disponibilidade de efetivo a reparação dos consumidores; 
(f) a liberdade para formar grupos de consumidores e outros relevantes ou organizações 
e a oportunidade de tais organizações apresentarem as suas observações por processos que 
lhes digam respeito de tomada de decisão. 
Importante destacar, ainda, que o rol do art. 6º é exemplificativo, ou seja, numerus 
apertus, justificado pelo caráter principiológico do Código de Defesa do Consumidor, logo o 
rol não exclui outros direitos básicos decorrentes de tratados ou convenções internacionais, da 
legislação interna ou de atos normativos, também não afastando os direitos básicos que 
derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade, conforme dispõe o 
próprio art. 7º do Código de Defesa do Consumidor. 
Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados 
ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna 
ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, 
bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e 
equidade. 
 
6 
 
 
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente 
pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo. 
 
Como veremos ao longo deste capítulo, cada direito básico do consumidor enumerado 
no art. 6º do Código de Defesa do Consumidor é tratado mais detalhadamente em outros 
dispositivos do Código. Por exemplo, o direito básico à saúde à vida, previsto no art. 6º, inciso 
I, do Código de Defesa do Consumidor é também previsto nos artigos 8º, 9º e 10. 
O artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor é, então, índice do mesmo, sendo que 
todos os demais artigos - sejam dispositivos de natureza material, processual, criminal ou 
administrativa – dele decorrem. 
3.2 Direito à Proteção da Vida, Saúde e Segurança 
O Direito básico de proteção à vida, à saúde e à segurança do consumidor está 
previsto no inciso I, do art. 6º, do Código de Defesa do Consumidor1. 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no 
fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos; 
Vale frisar que a proteção à vida, saúde e segurança são, também, direitos fundamentais 
previstos constitucionalmente. 
É grande a preocupação do Código de Defesa do Consumidor com a vida, a saúde e a 
segurança, assim, o Código possui várias normas de proteção contra os riscos que os 
produtos e serviços perigosos ou nocivos podem provocar ao consumidor. 
O Capítulo IV do Código de Defesa do Consumidor trata “Da Qualidade de Produtos e 
Serviços, da Prevenção e da Reparação dos Danos” e tem uma seção apenas para trazer 
comandos sobre a Proteção à Saúde e Segurança. 
 
1 Vide Questão 3. 
 
7 
 
 
Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão 
riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e 
previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em 
qualquer hipótese, a dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito. 
§ 1º Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe prestar as informações a 
que se refere este artigo, através de impressos apropriados que devam acompanhar o 
produto. (Redação dada pela Lei nº 13.486, de 2017) 
§ 2º O fornecedor deverá higienizar os equipamentos e utensílios utilizados no 
fornecimento de produtos ou serviços, ou colocados à disposição do consumidor, e 
informar, de maneira ostensiva e adequada, quando for o caso, sobre o risco de 
contaminação. (Incluído pela Lei nº 13.486, de 2017) 
Art. 9° O fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à 
saúde ou segurança deverá informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da 
sua nocividade ou periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis 
em cada caso concreto. 
Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço 
que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à 
saúde ou segurança. 
§ 1º O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no 
mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá 
comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores, 
mediante anúncios publicitários. 
§ 2° Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior serão veiculados na 
imprensa, rádio e televisão, às expensas do fornecedor do produto ou serviço. 
§ 3° Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de produtos ou serviços à 
saúde ou segurança dos consumidores, a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios deverão informá-los a respeito. 
 
8 
 
 
Em decorrência desse direito previsto no inciso I do art. 6º do Código de Defesa do 
Consumidor é que o fornecedor deve informar, nas embalagens, rótulos ou publicidade, sobre 
os riscos do produto à saúde do consumidor, por exemplo.Assim, impõe-se ao fornecedor o dever de segurança, de modo que seus produtos e 
serviços somente poderão estar no mercado de consumo se estiverem dentro dos patamares 
da razoabilidade, informado o consumidor de forma ostensiva e adequada. 
E, ao lado do direito do consumidor de proteção de sua integridade física, tem-se o 
correspondente dever imposto aos fornecedores em zelar pela qualidade-segurança dos 
produtos e serviços postos no mercado de consumo. 
3.3 Direito à Educação 
O Direito básico à Educação está previsto no inciso II, do art. 6º, do Código de Defesa 
do Consumidor. 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, 
asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações; 
O consumidor tem o direito de receber orientação sobre o consumo adequado e 
correto dos produtos e serviços, bem como escolher o produto ou serviço que achar melhor. 
A obrigatoriedade da informação e educação dos consumidores de seus direitos, incide, 
inclusive, nos níveis fundamentais de ensino. 
O dever de informação pode afastar a vinculação do consumidor do contrato de 
consumo, se desrespeitado. A violação a esse direito pode gerar dano moral (STJ, REsp 
1.144.840). 
 
9 
 
 
3.4 Direito à Informação Adequada e Clara 
 O Direito básico à informação está previsto no inciso III, do art. 6º, do Código de 
Defesa do Consumidor2. 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com 
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos 
incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; 
 Todo produto deve trazer informações claras sobre sua quantidade, peso, composição, 
preço, riscos que apresenta e sobre o modo de utilizá-lo. 
Antes de contratar um serviço o consumidor tem direito à todas as informações de que 
necessitar. 
Uma aplicação prática do direito à informação é a decisão do STJ (EREsp 1.515.895-MS, 
de 20.09.2017) que decidiu que o fornecedor de alimentos deve complementar a informação-
conteúdo "contém glúten" com a informação-advertência de que o glúten é prejudicial à 
saúde dos consumidores com doença celíaca. 
Atenção a este assunto, OABeiro! O direito à Informação é o queridinho da FGV quando 
se trata dos direitos básicos do consumidor! A título de exemplo, as questões 01 e 02 da 
nossa apostila tratam sobre o referido tema! 
3.5 Direito à Proteção Contra Práticas Comerciais Abusivas 
O Direito básico à proteção contra práticas comerciais abusivas está previsto no inciso 
IV, do art. 6º, do Código de Defesa do Consumidor3. 
 
 
 
2 Vide Questões 01, 02, 06 e 08. 
3 Vide Questão 12. 
 
10 
 
 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais 
coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no 
fornecimento de produtos e serviços; 
O consumidor tem o direito de exigir que tudo o que for anunciado seja cumprido. 
Se o que foi prometido no anúncio não for cumprido, o consumidor tem direito de cancelar o 
contrato e receber a devolução da quantia que havia pago. 
A publicidade enganosa e a abusiva são proibidas pelo Código de Defesa do 
Consumidor e são consideradas por ele crime, conforme previsão do art. 67. 
Art. 67. Fazer ou promover publicidade que sabe ou deveria saber ser enganosa ou 
abusiva: 
Pena - Detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa. 
Parágrafo único. (Vetado). 
A palavra abuso/abusivo/abusiva, muito utilizada pelo Código de Defesa do 
Consumidor, na doutrina e na jurisprudência, diz respeito à característica de quem extrapola o 
exercício de um direito, uma faculdade, ultrapassando os limites da normalidade, do costume 
e do bom senso. 
Tem como consequência do inciso IV do art. 6º do Código de Defesa do Consumidor, a 
possibilidade de revisão contratual diante de práticas abusivas (prestações desproporcionais), 
alterando-se seus termos para garantir a equidade. 
Importante diferenciar publicidade é de propaganda. Propaganda visa à propagação de 
uma mensagem, a difusão de uma ideia ou até mesmo a disseminação de um ideal, podendo 
ser considerada a propaganda como gênero de informação. Já a publicidade visa ao lucro, 
ganhar dinheiro com bem de consumo que está sendo divulgado. Por este fato é que o 
Código de Defesa do Consumidor utiliza o termo “publicidade”. 
 
11 
 
 
A legislação consumerista conferiu ao consumidor o direito básico à proteção contra a 
publicidade enganosa ou abusiva, consolidando, desse modo, o entendimento de que o 
princípio da boa-fé espalha seus efeitos às práticas que antecedem o início de qualquer 
relação jurídica de consumo. 
A publicidade pode ser lícita, quando deriva da engenhosidade humana, quando é 
expressão artística que atrai o consumidor ao produto ou serviço. Mas, a publicidade pode ser 
ilícita quando é enganosa, abusiva ou enganosa por omissão. 
O art. 37 do Código de Defesa do Consumidor delimita o que é publicidade enganosa 
e o que é publicidade abusiva. 
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. 
§ 1º É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter 
publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por 
omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, 
qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre 
produtos e serviços. 
§ 2º É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que 
incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de 
julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz 
de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde 
ou segurança. 
§ 3º Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando 
deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço. 
§ 4º (Vetado). 
Na publicidade enganosa (art. 37, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor), o 
consumidor é induzido a erro. Na publicidade abusiva o medo do consumidor é explorado, 
 
12 
 
 
desrespeitando valores ambientais ou até mesmo faz com que o consumidor venha a se 
comportar de forma prejudicial à sua integridade. 
3.6 Direito à Preservação do Contrato e Revisão das Cláusulas 
Contratuais 
O Direito básico à preservação do contrato e revisão das cláusulas contratuais está 
previsto no inciso V, do art. 6º, do Código de Defesa do Consumidor4. 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações 
desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem 
excessivamente onerosas; 
 
Para Flávio Tartuce “Existem claras diferenças entre essa revisão contratual e a 
consagrada pelo Código Civil de 2002. Isso porque a codificação privada exige o fator 
imprevisibilidade para a revisão contratual por fato superveniente, tendo consagrado, segundo 
o entendimento majoritário, a teoria da imprevisão, com origem na antiga cláusula rebus sic 
standibus”. 
O artigo 317 do Código Civil estabelece que a modificação contratual apenas ocorrerá 
por motivos imprevisíveis: 
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o 
valor da prestação devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a 
pedido da parte, de modo que assegure, quanto possível, o valor real da prestação. 
O Direito Civil aplica a força obrigatória dos contratos (pacta sunt servanda). Porém, no 
Direito do Consumidor, é necessário que analisar a função social do contrato, não podendo se 
 
4 Vide Questão 11.13 
 
 
aceitar cláusulas draconianas e prejudiciais aos consumidores, naturalmente vulneráveis ante 
os fornecedores. 
Assim, adota o Código de Defesa do Consumidor a Teoria da Imprevisão, 
consubstanciada na cláusula rebus sic standibus, segundo a qual é possível se relativizar a 
força obrigatória dos contratos na esfera do Direito do Consumidor. 
É DIREITO DO CONSUMIDOR 
Modificar cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais; 
Rever cláusulas contratuais em razão de fatos supervenientes que as tornaram excessivamente 
onerosas. 
As cláusulas abusivas são aquelas que geram desvantagem ou prejuízo para o 
consumidor, em benefício do fornecedor. Essas cláusulas são nulas, podendo o consumidor 
requerer ao juiz que cancele essas cláusulas do contrato 
O Código de Defesa do Consumidor permite a revisão das cláusulas contratuais em 
razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas, com vistas a 
assegurar o equilíbrio da relação. 
Em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça analisou hipótese onde um 
consumidor pleiteou a revisão do contrato em razão da maxidesvalorização do real. 
O Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1321614/SP, pacificou o entendimento no 
sentido que: 
a) Se a relação é configurada como como consumerista, cabe a revisão do contrato, 
uma vez que se aplica o disposto no artigo 6º, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor; 
b) Se a relação é estritamente civilista, não cabe a alegação da onerosidade excessiva 
superveniente, haja vista as considerações contratuais estipuladas quando da celebração do 
negócio; 
 
14 
 
 
3.7 Direito à Efetiva Prevenção e Reparação de Danos 
O Direito à efetiva prevenção e reparados de danos está previsto no inciso VI, do art. 
6º, do Código de Defesa do Consumidor, concretizando o Princípio da Reparação Integral 
(restitutio ad integrum). 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, 
coletivos e difusos; 
Quando for prejudicado, o consumidor tem o direito de ser indenizado por quem lhe 
vendeu o produto ou lhe prestou o serviço, inclusive por danos morais. 
O direito à indenização é um dos fundamentos da vida em sociedade e assegura a 
todos que o Estado promoverá, na forma da lei, que o causador de um dano o recompense 
obrigatoriamente, caso ele não cumpra sua obrigação espontaneamente. 
O dano passível de ser indenizado pode decorrer do descumprimento de um contrato, 
por exemplo, ou em situação na qual o autor do dano não tenha relação anterior com a 
pessoa atingida, como nos casos de registros irregulares em entidades de proteção ao crédito. 
Os danos mencionados pelo inciso VI do Código de Defesa do Consumidor são 
relacionados ao patrimônio do consumidor (danos materiais) e aos abalos que vier a sofrer 
quando agredido em sua personalidade (danos morais). 
O dano provocado pelo fornecedor pode atingir apenas um consumidor (dano 
individual), vários consumidores determináveis (dano coletivo) ou um número indeterminado 
de consumidores (dano difuso). 
Um mesmo fato pode gerar danos tanto materiais como morais ou apenas um ou 
outro. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento sumulado no sentido que “são 
cumuláveis as indenizações por dano material e moral oriundos do mesmo fato” (Súmula 37-
STJ). 
 
15 
 
 
Para garantir ao consumidor a efetiva prevenção e reparação de danos, o Código de 
Defesa do Consumidor instituiu moderno e avançado sistema de responsabilidade civil, 
estabelecendo a responsabilidade objetiva - independentemente de culpa - para o fornecedor 
de produtos e serviços, trazendo em seu Capítulo IV a Seção II que trata da Responsabilidade 
pelo Fato do Produto e do Serviço (arts. 12 a 17). 
O Princípio da Reparação Integral é excepcionado pelo inciso I do art. 51 do Código 
de Defesa do Consumidor, que permite a limitação da indenização nos casos em que a 
relação de consumo for travada entre fornecedor e consumidor pessoa jurídica, desde que 
haja situação justificável. 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao 
fornecimento de produtos e serviços que: 
I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios 
de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de 
direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a 
indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis; 
Este direito básico decorre do direito de acesso à justiça e da instalação das 
Defensorias Públicas com assistência jurídica gratuita, instrumentos da execução da Política 
Nacional das Relações de Consumo. 
3.8 Direito ao Acesso à Justiça, à Facilitação da Defesa de 
Direitos e à Inversão do Ônus da Prova 
O Direito ao acesso à Justiça, à facilitação da defesa de direitos e à inversão do ônus 
da prova está previsto no inciso VII, do art. 6º, do Código de Defesa do Consumidor. O 
consumidor que tiver os seus direitos violados pode recorrer à Justiça5. 
 
 
5 Vide Questão 05. 
 
16 
 
 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou 
reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada 
a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; 
Prevê o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com vistas à prevenção ou 
reparação de danos, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados. 
O Código de Defesa do Consumidor adotou a Teoria da Distribuição Dinâmica do 
Ônus da Prova que consiste em retirar o peso da carga da prova de quem se encontra em 
evidente debilidade de suportá-lo (consumidor), impondo-o sobre quem se encontra em 
melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio (fornecedor). 
O que significa a inversão do ônus da prova? Em regra, quem alega os fatos tem que 
provar. Em determinada causa judicial, o autor da ação deve provar a existência dos fatos que 
alegou - por documentos, testemunhas, perícias, etc. A inversão do ônus da prova é a 
possibilidade de o magistrado considerar provados os fatos alegados pelo consumidor, desde 
que as afirmações sejam verossímeis ou ficar evidente a dificuldade de produzir determinada 
prova. Caberá ao fornecedor, para não perder a causa, demonstrar o contrário, ou seja, que os 
fatos não ocorreram como alegado pelo consumidor na ação. 
 
A inversão do ônus da prova não é automática (ope legis), pois depende de decisão 
judicial (ope judices) para a sua aplicação, exceto no que concerne à veracidade da 
publicidade, cujo ônus cabe a quem a patrocina. 
Assim, a inversão do ônus da prova no Código de Defesa do Consumidor pode ocorrer 
de forma convencional (art. 51, VI – nesse caso, é nula a cláusula contratual que preveja a 
inversão do ônus da prova em desfavor do consumidor; só se permite a cláusula que, desde 
Inversão do Ônus 
da Prova
Verossimilhança 
das alegações ou
Hipossuficiência
 
17 
 
 
já, estipule a inversão do ônus da prova em favor do consumidor), “legal/ope legis” (art. 12, § 
3º; art. 14, § 3º e art. 38) ou “judicial/ope judicis” (art. 6º, VIII). 
INVERSÃO OPE JUDICES INVERSÃO OPE LEGIS 
É a regra É exceção 
Decretada a critério do juiz Decorre de imposição legal 
Pode ser decretada de ofício É automática, não se sujeita à análise 
subjetiva do juiz 
Critério: verificação de verossimilhança ou 
hipossuficiência 
 
. 
CRITÉRIOS PARA A INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA 
1. A verossimilhança da impossibilidade ou dificuldade de produzir a prova; 
2. A melhor condição do fornecedor de produzi-la; 
3. O fumus boni juris. 
Quanto ao momento da sua realização da inversão do ônus da prova, entende-se que 
deva ocorrer até a fase de saneamentodo processo, por se tratar de regra de instrução 
processual (STJ, REsp 802.832). 
 
É pacífico no STJ o entendimento segundo o qual o Ministério Público, no âmbito de ação 
consumerista, faz jus à inversão do ônus da prova, a considerar que o mecanismo previsto no 
art. 6º, inc. VIII, do CDC busca concretizar a melhor tutela processual possível dos direitos 
difusos, coletivos ou individuais homogêneos e de seus titulares — na espécie, os 
 
18 
 
 
consumidores —, independentemente daqueles que figurem como autores ou réus na ação. 
(STJ. 2ª Turma. REsp 1253672/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2/8/2011)6. 
Quanto à facilitação de acesso ao poder Judiciário, um importante instrumento previsto 
na legislação consiste na possibilidade de o consumidor, querendo, propor uma demanda no 
foro do seu domicílio (art. 101, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor). 
Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e serviços, sem 
prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão observadas as seguintes 
normas: 
I - a ação pode ser proposta no domicílio do autor; 
Assim, ainda que eventual dano ao consumidor ocorra em local ou estado distinto, é 
facultado ao consumidor litigar judicialmente no foro de seu domicílio. 
O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que a norma do Código de Defesa do 
Consumidor que possibilita que o consumidor proponha a ação em seu domicílio foi 
construída em seu favor. 
Isso significa que não se trata de obrigação do consumidor demandar em seu domicílio, 
podendo, caso prefira, optar por ajuizar a ação no domicílio do réu (AgRg no Conflito de 
Competência nº 129.294/DF). 
E quanto à facilitação do acesso aos órgãos da Administração Pública, importante a 
citação do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON), que é órgão do Poder 
Executivo dos Estados, Municípios ou Distrito Federal, destinados à proteção e defesa dos 
direitos e interesses dos consumidores, cumprindo-lhes acompanhar as relações de consumo e 
desempenhar atividades de natureza fiscalizatória, para garantir o respeito e a efetividade das 
normas consumeristas. 
 
6 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Inversão do ônus da prova existe também quando o MP é o autor da ação defendendo os 
consumidores. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/67d16d00201083a2b118dd5128dd6f59>. Acesso em: 
06/02/2020 
 
19 
 
 
 
É importante relembrarmos que hipossuficiência e vulnerabilidade não são sinônimos, sendo 
a primeira uma situação de direito processual e relacional, ou seja, pode ser que não se 
apresente no caso concreto, e a segunda uma situação de fato, na qual todos os 
consumidores se encontram. 
3.9 Direito ao Recebimento de Serviços Adequados e Eficazes 
O direito básico ao recebimento de serviços públicos adequados e eficazes está 
previsto no inciso X, do art. 6º do Código de Defesa do Consumidor7. 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral. 
 São exemplos de serviços públicos os que fornecem água, luz, gás, o transporte 
público, o serviço de tratamento de esgoto etc. 
Este inciso abrange também o bom atendimento do consumidor pelos órgãos públicos 
ou empresas concessionárias desses serviços. 
O art. 6º, X, do Código de Defesa do Consumidor determina que os Serviços Públicos 
sejam prestados de maneira eficaz e de maneira adequada, e quanto aos essenciais serão 
prestados de forma contínua. Este tema é tratado no caput do art. 22, do Código de Defesa 
do Consumidor. 
Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias 
ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços 
adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos. 
 
7 Vide Questões 04, 07 e 09. 
 
20 
 
 
Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações 
referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os 
danos causados, na forma prevista neste código. 
Quanto aos serviços públicos essenciais, remetemos ao art. 10 da Lei da Greve (Lei 
7.783/1989) para poder indicar como norte o que seriam serviços essenciais, considerando 
normalmente água, luz, esgoto. 
Art. 10. São considerados serviços ou atividades essenciais: 
I - tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de energia elétrica, 
gás e combustíveis; 
II - assistência médica e hospitalar; 
III - distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos; 
IV - funerários; 
V - transporte coletivo; 
VI - captação e tratamento de esgoto e lixo; 
VII - telecomunicações; 
VIII - guarda, uso e controle de substâncias radioativas, equipamentos e materiais 
nucleares; 
IX - processamento de dados ligados a serviços essenciais; 
X - controle de tráfego aéreo e navegação aérea; (Redação dada pela Lei nº 13.903, de 
2019) 
XI - compensação bancária. 
XII - atividades médico-periciais relacionadas com o regime geral de previdência social 
e a assistência social; (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019) 
 
21 
 
 
XIII - atividades médico-periciais relacionadas com a caracterização do impedimento 
físico, mental, intelectual ou sensorial da pessoa com deficiência, por meio da 
integração de equipes multiprofissionais e interdisciplinares, para fins de 
reconhecimento de direitos previstos em lei, em especial na Lei nº 13.146, de 6 de julho 
de 2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência); e (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019) 
XIV - outras prestações médico-periciais da carreira de Perito Médico Federal 
indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. (Incluído 
pela Lei nº 13.846, de 2019) 
Destaque-se que não é todo serviço público que se submete ao Código de Defesa 
do Consumidor, apenas os serviços realizados mediante contraprestação ou remuneração 
direta feita pelo consumidor ao fornecedor. 
O serviço custeado com a receita tributária, que é prestado diretamente pelo Estado a 
toda a coletividade não é regido pelo Código de Defesa do Consumidor, pois não há nessa 
relação, propriamente, um consumidor, mas sim um contribuinte. 
Para o Superior Tribunal de Justiça, somente os serviços uti singuli, prestados pelo 
Estado via delegação e remunerados por tarifas ou preço público, são regidos pelo Código de 
Defesa do Consumidor. Os serviços uti universi, próprios, que não custeados pela receita 
tributária são regulados pelo direito administrativo (REsp 793.422). 
3.10 Convenção Coletiva de Consumo 
3.10.1 Conceito 
A convenção coletiva de consumo constitui o instrumento jurídico através do qual os 
entes legitimados, quais sejam as entidades civis de consumidores e as associações de 
fornecedores ou sindicatos que os representam acordam de forma escrita sobre aspectos 
 
22 
 
 
concernentes a produtos e serviços, podendo também pactuar a solução de conflitos 
judicializados ou não8. 
Estão previstas no art. 107 do Código de Defesa do Consumidor: 
Art. 107. As entidades civis de consumidores e as associações de fornecedores ou 
sindicatos de categoria econômica podem regular, por convenção escrita, relações de 
consumo que tenham por objeto estabelecer condições relativas ao preço, à qualidade, 
à quantidade, à garantia e características de produtos e serviços, bem como à 
reclamação e composição do conflito de consumo. 
§ 1º A convenção tornar-se-á obrigatória a partir do registro do instrumento no cartório 
de títulos e documentos. 
§ 2º A convenção somente obrigará os filiados às entidades signatárias. 
§ 3º Não se exime de cumprir a convenção o fornecedor que se desligar da entidade 
em data posterior ao registro do instrumento. 
3.10.2 Obrigatoriedade 
Aconvenção tornar-se-á obrigatória a partir do registro do instrumento no cartório de 
títulos e documentos (art. 107, §1º do Código de Defesa do Consumidor), mas somente aos 
filiados às entidades signatárias. Não se exime de cumpri-la, porém, o fornecedor que se 
desligar da entidade em data posterior ao registro do instrumento. 
 
 
 
8 Fonte: 
https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:npx1qNFS5mEJ:https://portalseer.ufba.br/index.php/CEPEJ/article/d
ownload/22341/14412+&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Acessado em 06.02.2020. 
https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:npx1qNFS5mEJ:https://portalseer.ufba.br/index.php/CEPEJ/article/download/22341/14412+&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:npx1qNFS5mEJ:https://portalseer.ufba.br/index.php/CEPEJ/article/download/22341/14412+&cd=3&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
 
23 
 
 
 
Este tema foi cobrado no concurso de 2013, em uma prova discursiva para o cargo de Juiz de 
Direito Substituto do TJDFT9. Veja a questão e o padrão resposta: Discorra sobre a convenção 
coletiva de consumo, abordando os seguintes aspectos: i) conceito (0,20); ii) objeto e finalidade 
do instituto (0,25); iii) possibilidade da previsão de restrição pontual de direitos e garantias 
previstos no CDC (0,25); iv) a exigência de forma para a convenção e o início de sua eficácia 
(0,20). *Utilização correta do idioma oficial e capacidade de exposição ‐ item 8.4 do edital 
(0,10). PADRÃO DE RESPOSTA: i) Conceito: a convenção coletiva de consumo é um 
instrumento, previsto no CDC (art. 107), que busca a antecipação de eventuais conflitos nas 
relações de consumo, regulando sua solução e estabelecendo condições para a sua 
composição. Trata-se de um meio de solução de conflitos coletivos, em que fornecedores e 
consumidores, por suas entidades representativas, estabelecem, de forma antecipada, 
condições para certos elementos da relação de consumo, que terão incidência nos contratos 
individuais que serão celebrados (0,20). ii) Segundo dispõe o CDC, a convenção coletiva pode 
ter por objeto o estabelecimento de condições relativas ao preço, à qualidade, à quantidade, 
à garantia e características de produtos e serviços, bem como à reclamação e composição do 
conflito de consumo. A sua finalidade precípua é a de buscar solucionar, de forma antecipada 
e coletiva, eventuais conflitos que possam advir dos contratos futuros, individualmente 
firmados entre os filiados às entidades de representação signatárias da convenção (0,25). iii) 
Os direitos e garantias previstos no CDC constituem normas regidas por princípios de ordem 
pública, de tal forma que não podem ser suprimidos ou restringidos por força de ajuste entre 
as partes signatárias do instrumento coletivo. A convenção coletiva de consumo não pode ter 
por objeto qualquer cláusula que impeça ou importe em restrição, ainda que indireta, aos 
direitos previstos no CDC. Somente pode haver, por meio da convenção, a ampliação das 
 
9 
http://www.cespe.unb.br/concursos/TJDFT_13_JUIZ/arquivos/DIREITO_DO_CONSUMIDOR_PADR__O_DE_RESPOSTAS_DEFINITI
VO.PDF Acesso em 06.02.2020 
http://www.cespe.unb.br/concursos/TJDFT_13_JUIZ/arquivos/DIREITO_DO_CONSUMIDOR_PADR__O_DE_RESPOSTAS_DEFINITIVO.PDF
http://www.cespe.unb.br/concursos/TJDFT_13_JUIZ/arquivos/DIREITO_DO_CONSUMIDOR_PADR__O_DE_RESPOSTAS_DEFINITIVO.PDF
 
24 
 
 
garantias e direitos, nunca a sua diminuição (0,25). iv) Nos termos do que reza o artigo 107, 
caput, do CDC, exige-se que a convenção coletiva observe, para a elaboração do instrumento 
respectivo, a forma escrita. Nos termos do parágrafo primeiro do art. 107, a convenção se 
torna obrigatória, e, portanto, eficaz, a partir do registro do instrumento em cartório de títulos 
e documentos (0,20). 
Autores indicados na fundamentação: GRINOVER, Ada Pellegrini et al. Código brasileiro de 
defesa do consumidor comentado pelos autores do anteprojeto. 6.ed. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2000. RIZZATTO NUNES, Luiz Antônio. Comentários ao código de defesa do 
consumidor. 6.ed. São Paulo: Saraiva, 2011. OLIVEIRA, James Eduardo. Código de defesa do 
consumidor: anotado e comentado: doutrina e jurisprudência. São Paulo: Atlas, 2004. 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
 
 
 
QUADRO SINÓTICO 
DIREITOS BÁSICOS DOS CONSUMIDORES (ART. 6º, CDC) 
Proteção da vida, saúde e 
segurança 
I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos 
provocados por práticas no fornecimento de produtos e 
serviços considerados perigosos ou nocivos; 
Educação 
II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado 
dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha 
e a igualdade nas contratações; 
Informação 
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes 
produtos e serviços, com especificação correta de 
quantidade, características, composição, qualidade, tributos 
incidentes e preço, bem como sobre os riscos que 
apresentem; (Redação dada pela Lei nº 12.741, de 2012) 
Proteção contra práticas 
comerciais abusivas 
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, 
métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como 
contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no 
fornecimento de produtos e serviços; 
Preservação do Contrato e 
Revisão das Cláusulas 
Contratuais 
V - a modificação das cláusulas contratuais que 
estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão 
em razão de fatos supervenientes que as tornem 
excessivamente onerosas; 
Efetiva Prevenção e 
Reparação de Danos 
VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais 
e morais, individuais, coletivos e difusos; 
Acesso à Justiça 
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com 
vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e 
morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a 
proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados; 
 
26 
 
 
Facilitação da Defesa de 
Direitos e Inversão do Ônus 
da Prova 
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com 
a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, 
quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou 
quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias 
de experiências; 
 
Recebimento de Serviços 
Adequados e Eficazes 
X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em 
geral. 
 
CONVENÇÃO COLETIVA DE CONSUMO, segundo a banca CESPE: é um 
instrumento, previsto no art. 107 do Código de Defesa do Consumidor, que 
busca a antecipação de eventuais conflitos nas relações de consumo, 
regulando sua solução e estabelecendo condições para a sua composição. 
Trata-se de um meio de solução de conflitos coletivos, em que fornecedores e 
consumidores, por suas entidades representativas, estabelecem, de forma 
antecipada, condições para certos elementos da relação de consumo, que terão 
incidência nos contratos individuais que serão celebrados. 
 
27 
 
 
 
 
QUESTÕES COMENTADAS 
Questão 1 
(XXIX EXAME DE ORDEM – FGV - 2019) Antônio é deficiente visual e precisa do auxílio de 
amigos ou familiares para compreender diversas questões da vida cotidiana, como as contas 
de despesas da casa e outras questões de rotina. Pensando nessa dificuldade, Antônio procura 
você, como advogado(a), para orientá-lo a respeito dos direitos dos deficientes visuais nas 
relações de consumo. 
Nesse sentido, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O consumidor poderá solicitar às fornecedoras de serviços, em razão de sua deficiência 
visual, o envio das faturas das contas detalhadas em Braille. 
B) As informações sobre os riscos que o produto apresenta, por sua própria natureza, devem 
ser prestadas em formatos acessíveis somente às pessoas que apresentem deficiência visual. 
C) A impossibilidade operacionalimpede que a informação de serviços seja ofertada em 
formatos acessíveis, considerando a diversidade de deficiências, o que justifica a dispensa de 
tal obrigatoriedade por expressa determinação legal. 
D) O consumidor poderá solicitar as faturas em Braille, mas bastará ser indicado o preço, 
dispensando-se outras informações, por expressa disposição legal. 
 
 
Comentário: 
Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às informações 
existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, 
bem como sobre as suas respectivas fontes. 
 
28 
 
 
 § 6 Todas as informações de que trata o caput deste artigo devem ser disponibilizadas 
em formatos acessíveis, inclusive para a pessoa com deficiência, mediante solicitação do 
consumidor. 
 
Questão 2 
(XXII EXAME DE ORDEM – FGV - 2017). Mário firmou contrato de seguro de vida e acidentes 
pessoais, apontando como beneficiários sua esposa e seu filho. O negócio foi feito via 
telemarketing, com áudio gravado, recebendo informações superficiais a respeito da cobertura 
completa a partir do momento da contratação, atendido pequeno prazo de carência em caso 
de morte ou invalidez parcial e total, além do envio de brindes em caso de contratação 
imediata. Mário contratou o serviço na mesma oportunidade por via telefônica, com posterior 
envio de contrato escrito para a residência do segurado. Mário veio a óbito noventa dias após 
a contratação. Os beneficiários de Mário, ao entrarem em contato com a seguradora, foram 
informados de que não poderiam receber a indenização securitária contratada, que ainda 
estaria no período de carência, ainda que a operadora de telemarketing, que vendeu o seguro 
para Mário, garantisse a cobertura. Verificando o contrato, os beneficiários perceberam o 
engano de compreensão da informação, já que estava descrito haver período de carência para 
o evento morte “nos termos da lei civil”. Com base na hipótese apresentada, assinale a 
afirmativa correta. 
A) A informação foi clara por estar escrita, embora mencionada superficialmente pela 
operadora de telemarketing, e o período de carência é lícito, mesmo nas relações de 
consumo. 
B) A fixação do período de carência é lícita, mesmo nas relações de consumo. Todavia, a 
informação prestada quanto ao prazo de carência, embora descrita no contrato, não foi clara 
o suficiente, evidenciando, portanto, a vulnerabilidade do consumidor. 
C) A falta de informação e o equívoco na imposição de prazo de carência não são admitidas 
nas relações de consumo, e sim nas relações genuinamente civilistas. 
 
29 
 
 
D) O dever de informação do consumidor foi respeitado, na medida em que estava descrito 
no contrato, sendo o período de carência instituto ilícito, por se tratar de relação de consumo. 
 
 
Comentário: 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com 
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos 
incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; 
Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por qualquer 
forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou 
apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato 
que vier a ser celebrado. 
Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações 
corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, 
qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre 
outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos 
consumidores. 
Questão 3 
(VUNESP - 2019 – TJ-RO – Juiz de Direito Substituto) No que diz respeito a proteção à 
saúde e segurança do consumidor, relativamente aos produtos e serviços existentes no 
mercado de consumo brasileiro para comercialização, nos termos da Codificação 
Consumerista, assinale a alternativa correta. 
A) Os produtos colocados no mercado de consumo, em hipótese alguma, poderão acarretar 
riscos à saúde ou segurança dos consumidores. 
 
30 
 
 
B) O fornecedor de serviços que, posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, 
tiver conhecimento da periculosidade que apresente, deverá comunicar o fato imediatamente 
aos seus pontos de venda, para eximir-se de responsabilidade. 
C) Sempre que o Estado tiver conhecimento da periculosidade de produtos à saúde dos 
consumidores, deverá, prefacialmente, notificar o fornecedor para informar os adquirentes a 
respeito; e caso haja omissão do fabricante, o órgão público o fará diretamente. 
D) O fornecedor deverá higienizar os equipamentos e utensílios utilizados no fornecimento de 
serviços, e informar, de maneira ostensiva e adequada, quando for o caso, sobre o risco de 
contaminação. 
E) Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe prestar as informações quanto ao 
seu correto manuseio, através de indicação na embalagem, de sítio na rede mundial de 
computadores existente para tanto. 
Sobre a disciplina da relação de consumo e a aplicabilidade de normas e princípios do Código 
de Defesa do Consumidor, conforme a interpretação que vem sendo dada na jurisprudência, 
assinale a alternativa INCORRETA: 
 
Comentário: 
A alternativa “A” apresenta erro na expressão “em hipótese alguma”, pois, segundo o 
caput do art. 8º do Código de Defesa do Consumidor, há produtos e serviços que são 
considerados normas e previsíveis os riscos, em decorrência de sua natureza e fruição, 
porém os fornecedores são obrigados, em qualquer hipótese, a dar as informações 
necessárias e adequadas a seu respeito. 
A alternativa “B” quando afirma que “deverá comunicar o fato imediatamente aos seus 
pontos de venda, para eximir-se de responsabilidade”, pois segundo o §1º do art. 10 do 
Código de Defesa do Consumidor, “o fornecedor de produtos e serviços que, 
posteriormente à sua introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da 
periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato imediatamente às autoridades 
competentes e aos consumidores, mediante anúncios publicitários”, mas este não se 
exime da culpa. 
 
31 
 
 
A alternativa “C” está incorreta. O §3º do art. 10, do Código de Defesa do Consumidor, 
traz que “Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de produtos ou serviços à 
saúde ou segurança dos consumidores, a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios deverão informá-los a respeito”. 
A alternativa “D” está correta, é o comendo do §2º do art. 8º do Código de Defesa do 
Consumidor: “O fornecedor deverá higienizar os equipamentos e utensílios utilizados no 
fornecimento de produtos ou serviços, ou colocados à disposição do consumidor, e 
informar, de maneira ostensiva e adequada, quando for o caso, sobre o risco de 
contaminação”. 
A alternativa “E” está incorreta. O texto do §1º, do art. 8º do Código de Defesa do 
Consumidor é o seguinte: “Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe 
prestar as informações a que se refere este artigo, através de impressos apropriados que 
devam acompanhar o produto”. 
 
Questão 4 
(CESPE - 2019 - TJ-BA - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO) O corte de energia elétrica pela 
administração pública é: 
A) admissível em razão do inadimplemento contemporâneo do consumidor, desde que haja o 
aviso prévio de suspensão e que sejam respeitados o contraditório e a ampla defesa. 
B) admissível em detrimento do novo morador, por débito pretérito pelo qual este não era 
responsável, uma vez que a dívida é propter rem. 
C) admissível sem prévio aviso na hipótese de detecção de fraude no medidor cometida pelo 
consumidor. 
D) admissível em razão de fraude no medidor pelo consumidor, desde que o débito seja 
relativo ao período máximo de sessenta dias anteriores à constataçãoda fraude. 
E) inadmissível caso a dívida derivada de fraude no medidor cometida pelo consumidor seja 
relativa a período anterior a noventa dias precedentes à constatação da fraude. 
 
32 
 
 
 
Comentário: 
A alternativa “A” está incorreta, pois prescinde de ampla defesa e contraditório, assim é 
legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando inadimplente o 
usuário, desde que precedido de notificação. 
Quanto à alternativa “B” esta está incorreta, pois o Superior Tribunal de Justiça pacificou 
entendimento de que "a obrigação de pagar por serviço de natureza essencial, tal como 
água e energia, não é propter rem, mas pessoal, isto é, do usuário que efetivamente se 
utiliza do serviço (AgRg no AREsp 45.073/MG). 
A alternativa “C” está incorreta, pois há necessidade de prévio aviso. 
O erro da alternativa “D” está no prazo, que é de noventa dias e não de sessenta como 
trouxe a alternativa. 
A alternativa “E” é o gabarito da questão. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça 
são requisitos para a suspensão do fornecimento de energia elétrica em caso de fraude 
do medidor praticada pelo consumidor a constatação da fraude e do débito respeitando 
os princípios do contraditório e da ampla defesa, o aviso prévio ao consumidor, a 
existência de débitos no período de até noventa dias anteriores à constatação da fraude 
no medido e a suspensão da energia em até noventa dias do vencimento do débito 
calculado (STJ, REsp 1680318/SP).. 
 
Questão 5 
(IADES - 2019 - AL-GO – PROCURADOR) No que concerne aos direitos básicos dos 
consumidores, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, assinale a alternativa 
correta. 
A) O direito à informação adequada e clara quanto aos diferentes produtos e serviços não 
engloba a especificação correta dos riscos que apresentem. 
 
33 
 
 
B) A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais é apurada mediante a verificação de 
culpa. 
C) O reconhecimento da nulidade de uma cláusula contratual abusiva invalida o contrato. 
D) O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe 
ao consumidor. 
E) A estipulação, em contrato de adesão, de instituição compulsória de arbitragem, é lícita 
desde que a respectiva redação seja clara e de fácil entendimento. Nessas hipóteses, em face 
do brocardo pacta sunt servanda, não será possível discutir a eventual abusividade do 
contrato em juízo. 
 
Comentário: 
A alternativa “A” está incorreta, pois, segundo o inciso III, do art. 6º do Código de Defesa 
do Consumidor, o direito à informação adequada e clara quanto aos diferentes produtos 
e serviços engloba a especificação correta dos riscos que apresentem. 
A alternativa “B” está correta com base no §4º do art. 14 do Código de Defesa do 
Consumidor. 
A alternativa “C” está incorreta, pois segundo o §2º do art. 51, do Código de Defesa do 
Consumidor, a nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, 
exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus 
excessivo a qualquer das partes. 
A alternativa “D” está incorreta. O art. 38 do Código de Defesa do Consumidor, o ônus 
da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe a 
quem as patrocina. 
Por fim, a alternativa “E” está incorreta porque, segundo o art. 51 do Código de Defesa 
do Consumidor, estipular, em contrato de adesão, a instituição compulsória de 
arbitragem, acarreta nulidade: 
 
34 
 
 
Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais 
relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: 
VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem; 
 
Questão 6 
([VUNESP - 2019 - TJ-AC - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO) Almerinda da Silva foi a uma loja 
de eletrodomésticos e comprou um smartphone importado. Ao chegar em casa verificou que 
o manual de instruções estava redigido em inglês e por não conhecer a língua, não conseguiu 
sequer ligar o aparelho. Essa situação indica a violação do seguinte direito básico do 
consumidor, nos termos do CDC: 
A) Educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, assegurando 
liberdade de escolha. 
B) Proteção contra a publicidade enganosa e abusiva no fornecimento de produtos e serviços. 
C) Efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais. 
D) Informação adequada e clara sobre diferentes produtos e serviços. 
 
Comentário: 
No caso da questão não houve um dano e sim uma falta de informação que levou o 
consumidor a não poder usar o produto. Assim, observou-se o não atendimento do 
direito básico de informação, previsto no art. 6º, inciso III, do Código de Defesa do 
Consumidor. Assim, o gabarito da questão é a alternativa “D”. 
 
Questão 7 
(FCC - 2019 - SANASA CAMPINAS - PROCURADOR JURÍDICO) A ideia de que os serviços 
essenciais prestados pelo estado ou por suas concessionárias ou permissionárias devem ser 
 
35 
 
 
fornecidos de forma contínua, como prevê o art. 22 do Código de Defesa do Consumidor, 
gerou muita controvérsia quanto às hipóteses de cabimento do corte em seu fornecimento. 
Nessa linha, a jurisprudência sistematizada do STJ consolidou-se no sentido de que é: 
A) ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando a inadimplência 
do usuário decorrer de débitos pretéritos, uma vez que a interrupção pressupõe o 
inadimplemento de conta regular, relativa ao mês do consumo. 
B) legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais por débitos de usuário 
anterior, em razão da natureza impessoal da dívida. 
C) ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais por razões de ordem 
técnica ou de segurança das instalações, ainda que precedido de notificação. 
D) ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando inadimplente 
pessoa jurídica de direito público. 
E) legítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando o débito decorrer 
de irregularidade no hidrômetro apurada unilateralmente pela concessionária. 
 
Comentário: 
É possível, em regra, que a concessionária de serviço público interrompa a prestação do 
serviço, em caso de inadimplemento do usuário, desde que haja aviso prévio, é o que 
prevê o art. 6º, § 3º, da Lei nº 8.987/1995): 
Art. 6º Toda concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviço 
adequado ao pleno atendimento dos usuários, conforme estabelecido nesta 
Lei, nas normas pertinentes e no respectivo contrato. 
[...] 
§ 3º Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em 
situação de emergência ou após prévio aviso, quando: 
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, 
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade. 
 
36 
 
 
Há, entretanto, situações em que a concessionária de serviço público não poderá 
suspender o fornecimento de água ou energia, mesmo havendo atraso no pagamento. O 
Superior Tribunal de Justiça na Edição nº 1310 de Jurisprudência em Teses, publicado em 
21.04.2014, listou entendimento sobre o “Corte no Fornecimento de Serviços Públicos 
Essenciais” e nesta questão de prova você encontra vários destes entendimentos. Observe 
que este tema é bastante cobrado em provas. 
A alternativa “A” está correta, conforme a Tese nº 6: “6) É ilegítimo o corte no 
fornecimento de serviços públicos essenciais quando a inadimplência do usuário decorrer 
de débitos pretéritos, uma vez que a interrupção pressupõe o inadimplemento de conta 
regular, relativa ao mês do consumo”. Julgado: AgRg no AREsp 484166/RS, Rel. Ministro 
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/04/2014. 
Já a alternativa “B” está incorreta, visto que prevê a Tese nº 7: “É ilegítimo o corte no 
fornecimento de serviços públicos essenciais por débitos de usuário anterior, em razão 
da natureza pessoal da dívida”. Julgado: AgRg no AREsp196374/SP, Rel. Ministro 
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2014. 
Incorreta a alternativa “C” pois, de acordo com a Tese nº 2: “É legítimo o corte no 
fornecimento de serviços públicos essenciais por razões de ordem técnica ou de 
segurança das instalações, desde que precedido de notificação”. Julgado: AgRg no REsp 
1090405/RO, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 
17/04/2012. 
A alternativa “D” está em desacordo com a Tese nº 4: “É legítimo o corte no 
fornecimento de serviços públicos essenciais quando inadimplente pessoa jurídica de 
direito público, desde que precedido de notificação e a interrupção não atinja as 
unidades prestadoras de serviços indispensáveis à população. Julgado: AgRg no AgRg no 
AREsp 152296/AP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, 
julgado em 15/08/2013, DJe 11/12/2013. 
 
10 
http://www.stj.jus.br/internet_docs/jurisprudencia/jurisprudenciaemteses/Jurisprud%C3%AAncia%20em%20Teses%2013%20-
%20Corte%20nos%20servi%C3%A7os.pdf Acessado em: 06.02.2020. 
http://www.stj.jus.br/internet_docs/jurisprudencia/jurisprudenciaemteses/Jurisprud%C3%AAncia%20em%20Teses%2013%20-%20Corte%20nos%20servi%C3%A7os.pdf
http://www.stj.jus.br/internet_docs/jurisprudencia/jurisprudenciaemteses/Jurisprud%C3%AAncia%20em%20Teses%2013%20-%20Corte%20nos%20servi%C3%A7os.pdf
 
37 
 
 
Por fim, está incorreta a alternativa “E” pois está em desacordo com a Tese nº 9: “É 
ilegítimo o corte no fornecimento de serviços públicos essenciais quando o débito 
decorrer de irregularidade no hidrômetro ou no medidor de energia elétrica, apurada 
unilateralmente pela concessionária. Julgado: AgRg no AREsp 346561/PE, Rel. Ministro 
SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/03/2014, DJe 01/04/2014. “D”. 
 
Questão 8 
(FCC - 2019 - MPE-MT - PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) O dever de informação na 
oferta de produtos ou serviços: 
A) não viola o interesse coletivo do grupo de consumidores, caso transgredido. 
B) admite a subinformação. 
C) exige comportamento positivo do fornecedor. 
D) não é assegurado pela Lei n° 8.078/1990. 
E) exige do fornecedor que informe apenas o preço. 
 
Comentário: 
O Superior Tribunal de Justiça decidiu expressamente que "o dever de informação exige 
comportamento positivo e ativo, pois o CDC afasta a regra do caveat emptor e não 
aceita que o silêncio equivalha à informação, caracterizando-o, ao contrário, como 
patologia repreensível, que só é relevante em desfavor do fornecedor, inclusive como 
oferta e publicidade enganosa por omissão, punida civil, administrativa e criminalmente 
no CDC. Comportamento positivo e ativo quer dizer que o microssistema de proteção do 
consumidor não se coaduna com meia-informação, semi-informação, proto-informação 
ou informação parcial, qualquer que seja o termo que se escolha. Informação ou é 
prestada de forma completa, ou não é informação no sentido jurídico (e prático) que lhe 
atribui o CDC" (REsp nº 586.316/MG). Logo, a alternativa correta é a “C”. 
 
 
38 
 
 
Questão 9 
(VUNESP - 2019 - PREFEITURA DE FRANCISCO MORATO/SP – PROCURADOR) A empresa 
concessionária responsável pelo fornecimento de água e tratamento de esgoto que abastece o 
município de Francisco Morato, por falta de manutenção, faz a cidade ficar uma semana sem 
tal serviço, dado o rompimento de uma importante tubulação. Nesse caso, é correto afirmar: 
A) não se aplica a legislação consumerista, tendo em vista se tratar de um serviço de natureza 
universal e não singular. 
B) mesmo se tratando de serviço essencial, a empresa poderia ter suspendido o serviço, pois o 
caso é de força maior. 
C) pode ser promovida ação civil pública para discutir tais prejuízos, pela afronta a um direito 
exclusivamente individual homogêneo. 
D) a legislação consumerista se aplica ao caso pois serviços públicos podem ser objeto da 
relação de consumo. 
E) somente os munícipes diretamente afetados pela falha no sistema de abastecimento de 
água são considerados consumidores, mesmo que tal problema afete municípios vizinhos e 
cidadãos de outras localidades. 
 
Comentário: 
Correta a alternativa “D”. 
O art. 22, do Código de Defesa do Consumidor prevê: 
Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, 
permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são 
obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos 
essenciais, contínuos. 
O Superior Tribunal de Justiça, em 08.02.2017, publicou a Edição nº 74 da Jurisprudência 
em Teses e tratou do assunto na Tese nº 1: “A relação entre concessionária de serviço 
público e o usuário final para o fornecimento de serviços públicos essenciais é 
 
39 
 
 
consumerista, sendo cabível a aplicação do Código de Defesa do Consumidor”. Julgado: 
REsp 1595018/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 
18/08/2016. 
 
Questão 10 
(VUNESP - 2018 - PREFEITURA DE SÃO BERNARDO DO CAMPO/SP - ASSISTENTE 
JURÍDICO) Sob o prisma dos direitos básicos do consumidor, assinale a alternativa que traz 
uma hipótese de ofensa clara à liberdade de escolha. 
A) A consumidora que teve negado um exame de ecocardiografia fetal, mas prova que outra 
pessoa com o mesmo plano se submeteu ao mesmo procedimento na mesma clínica, sendo 
que sem justificativa o plano de saúde recusa atendimento a ela nessa clínica credenciada. 
B) Uma empresa de cosméticos que faz campanha de produto de beleza que induz os 
consumidores a acreditarem que usando um creme facial desaparecerão imediatamente as 
rugas. 
C) Juiz que indefere a inversão do ônus da prova mesmo diante da clara impossibilidade de o 
consumidor realizar a comprovação de fatos que são relevantes para o esclarecimento da 
causa. 
D) Empresa que insere uma cláusula contratual em contrato de adesão que a exonera de 
qualquer ressarcimento de prejuízos que venha causar ao consumidor. 
E) Um banco que só aceita contratar determinado financiamento, no qual estão previstos juros 
mais baixos, se o consumidor se submeter a adquirir também o seguro através da seguradora 
de seu grupo econômico. 
 
Comentário: 
O caso previsto na alternativa “A” representa uma hipótese de ofensa ao princípio da 
igualdade, previsto no inciso II do art. 6º do Código de Defesa do Consumidor 
 
40 
 
 
A hipótese trazida na alternativa “B” tem relação com o direto à proteção contra a 
publicidade enganosa, prevista no inciso IV, do art. 6º do Código de Defesa do 
Consumidor. 
O caso previsto na alternativa “C” é um caso de ofensa ao princípio da hipossuficiência, 
logo ofende o direito básico à facilitação da defesa dos direitos do consumidor, previsto 
no inciso VIII, do art. 6º do Código de Defesa do Consumidor. 
A alternativa “D” relata um caso de ofensa ao inciso IV do art. 6º do Código de Defesa 
do Consumidor. 
Por fim, a alternativa “E”, gabarito da questão, trata do direito básico do consumidor à 
educação e à liberdade de escolha, assegurado no inciso II, do art. 6º do Código de 
Defesa do Consumidor. 
 
Questão 11 
(IF-MT - 2018 - IF-MT – DIREITO) No que diz respeito aos direitos básicos do consumidor, 
analise as proposições abaixo e assinale a alternativa incorreta: 
A) É permitido facilitar a defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a 
seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for 
ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências. 
B) Garantir a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais 
coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no 
fornecimento de produtos e serviços. 
C) É defeso modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações 
desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem 
excessivamente onerosas. 
D) Garantira efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, 
coletivos e difusos. 
 
41 
 
 
E) Ter acesso à informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com 
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes 
e preço, bem como sobre os riscos que apresentem. 
 
Comentário: 
A questão traz os direitos básicos do consumidor, previstos no art. 6º do Código de 
Defesa do Consumidor, e exigia do candidato o conhecimento da literalidade dos incisos 
do artigo. Além disso, preste atenção ao comanda da questão, que pede a marcação da 
alternativa INCORRETA. 
A alternativa “A” apresenta redação correta, de acordo com o inciso VIII, que trata da 
facilitação da defesa dos direitos do consumidor. 
A alternativa “B” trata da proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, prevista no 
inciso IV, portanto esta alternativa também não apresenta erro. 
A alternativa “C” é o gabarito, pois está em desacordo com o inciso V, o que faz a 
redação da alternativa ser incorreta. Veja: 
Art. 6º São direitos básicos do consumidor: 
V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações 
desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as 
tornem excessivamente onerosas; 
A alternativa “D” está de acordo com o inciso VI, que trata da efetiva prevenção e 
reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos. 
Por fim, a alternativa “E” está de acordo com o inciso III, que trata do direito de 
informação. 
 
 
 
42 
 
 
Questão 12 
(FCC - 2018 - CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL - CONSULTOR LEGISLATIVO - 
CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA) Em relação à publicidade no Código de Defesa do Consumidor 
(CDC): 
A) O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação publicitária cabe 
a quem as patrocina. 
B) É abusiva qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, 
inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de 
induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, 
propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. 
C) É enganosa, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à 
violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e 
experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o 
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. 
D) A publicidade enganosa ou abusiva é sempre comissiva, inexistindo as figuras omissivas a 
respeito dos produtos ou serviços. 
E) Nada impede que a publicidade se insira em jornais ou revistas na forma de notícias, não 
havendo necessidade de se esclarecer sua real natureza se destinadas a pessoas maiores e 
capazes e não ao público infanto-juvenil. 
 
Comentário: 
A alternativa “A” é o gabarito da questão, pois está de acordo com o art. 38 do Código 
de Defesa do Consumidor. 
Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou 
comunicação publicitária cabe a quem as patrocina. 
A alternativa “B” está incorreta, pois está em desacordo com o §1º, do art. 37, do Código 
de Defesa do Consumidor, pois, na verdade, diferente do que traz a alternativa, é 
enganosa – e não abusiva - qualquer modalidade de informação ou comunicação de 
 
43 
 
 
caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo 
por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, 
características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros 
dados sobre produtos e serviços. 
Já a alternativa “C” está incorreta pois é abusiva e não enganosa a publicidade 
discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a 
superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, 
desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se 
comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança, conforme §2º do 
art. 37 do Código de Defesa do Consumidor. 
A alternativa “D” está em desacordo com o §3º do art. 37 que foi assim redigido: “§ 3º 
Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando deixar de 
informar sobre dado essencial do produto ou serviço”. 
Por fim, a alternativa “E” está incorreta por ir contra a redação do art. 36 do Código de 
Defesa do Consumidor, visto que é necessário que a publicidade seja de fácil 
entendimento a todos os consumidores. 
Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil 
e imediatamente, a identifique como tal. 
 
 
 
 
44 
 
 
 
GABARITO 
 
Questão 1 - A 
Questão 2 - B 
Questão 3 - D 
Questão 4 - E 
Questão 5 - B 
Questão 6 - D 
Questão 7 - A 
Questão 8 - C 
Questão 9 - D 
Questão 10 - E 
Questão 11 - C 
Questão 12 - A 
 
 
 
45 
 
 
QUESTÃO DESAFIO 
Dentro da temática “direitos básicos do consumidor”, apresente a 
distinção entre “lesão” e a “onerosidade excessiva”, destacando o 
conceito de “Teoria do rompimento da base objetiva do negócio”. 
Responda em até cinco linhas 
 
46 
 
 
GABARITO DA QUESTÃO DESAFIO 
A lesão e a onerosidade excessiva são hipóteses que autorizam a modificação do 
contrato. A primeira ocorre em virtude de prestações desproporcionais impostas, já a 
segunda em decorrência de fatos supervenientes. Fundamenta essa modificação a teoria 
do rompimento objetivo, dispensa imprevisibilidade. 
Você deve ter abordado necessariamente os seguintes itens em sua resposta: 
 Rompimento objetivo: não imprevisível-alter. Contratual 
A teoria adotada para justificar a imposição da revisão contratual em decorrência das 
hipóteses apresentadas no enunciado é a teoria do rompimento objetivo, a qual não exige 
que o evento ocorrido tenha sido imprevisível, o que realmente interessa é se o fato 
superveniente alterou objetivamente as bases pelas quais as partes contrataram. 
Distingue-se, pois, da Teoria da Imprevisão adotada pelo Código Civil para justificar a 
resolução do contrato em decorrência de uma prestação tornar-se excessivamente onerosa, 
com extrema vantagem para a outra parte em virtude de um fato imprevisível. Assim, ao 
contrário da Teoria da Base Objetiva do negócio jurídico, a teoria da imprevisão exige os 
requisitos da imprevisibilidade e da extrema vantagem para o credor. (GARCIA, Leonardo; 
Direito do Consumidor-Leis Especiais para Concurso; Ed.13; Juspodivm. 
 Lesão: prestação desproporcional. OE: Fato superv. 
O artigo sexto do Código de Defesa do Consumidor apresenta o rol exemplificativo dos 
direitos básicos do consumidor, dentre eles, é preciso destacar o previsto no inciso V, o qual 
determina que “a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações 
desproporcionais ou sua revisão em razão de fato supervenientes que as tornem 
excessivamente onerosas”. 
Nesse contexto, surgem duas formas de provocar a modificação ou a extinção do contrato: a 
lesão e a onerosidade excessiva. A lesão promove a modificação das cláusulas contratuais em 
decorrência de prestações desproporcionais que foram impostas. Desse modo, é possível 
 
47 
 
 
afirmar que ocorre a quebra do sinalagma da relação contratual, isto é, a relação de equilíbrio 
entre as partes dispostas no contrato. 
Para a aplicação da lesão e a consequente promoção da modificação contratual não é 
necessário a demonstração da necessidade ou inexperiência do consumidor, é suficiente que 
se demonstre a quebra da comutividade. A onerosidade excessiva, por sua vez, exige a revisão 
contratual em decorrência de fatos supervenientes. 
(GARCIA, Leonardo; Direito do Consumidor-Leis Especiais para Concurso; Ed.13; Juspodivm). 
 
48 
 
 
 
 
 
LEGISLAÇÃO COMPILADA 
 
DireitosBásicos do Consumidor: 
 CDC: Art. 6º, Art. 7º, Art. 8º, Art. 9º, Art. 10, Art. 22, Art. 37, Art. 51, Art. 67, Art. 101. 
Convenção Coletiva de Consumo: 
 CDC: Art. 107. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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JURISPRUDÊNCIA 
Direito à Vida, à Saúde e à Segurança 
 STJ. Corte Especial. EREsp 1515895-MS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/09/2017 
PROCESSO CIVIL. PROCESSO COLETIVO. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO COLETIVA. DIREITO À INFORMAÇÃO. 
DEVER DE INFORMAR. ROTULAGEM DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. PRESENÇA DE GLÚTEN. PREJUÍZOS À SAÚDE 
DOS DOENTES CELÍACOS. INSUFICIÊNCIA DA INFORMAÇÃO-CONTEÚDO "CONTÉM GLÚTEN". NECESSIDADE DE 
COMPLEMENTAÇÃO COM A INFORMAÇÃO-ADVERTÊNCIA SOBRE OS RISCOS DO GLÚTEN À SAÚDE DOS 
DOENTES CELÍACOS. INTEGRAÇÃO ENTRE A LEI DO GLÚTEN (LEI ESPECIAL) E O CÓDIGO DE DEFESA DO 
CONSUMIDOR (LEI GERAL). 
1. Cuida-se de divergência entre dois julgados desta Corte: o acórdão embargado da Terceira Turma que 
entendeu ser suficiente a informação "contém glúten" ou "não contém glúten", para alertar os consumidores 
celíacos afetados pela referida proteína; e o paradigma da Segunda Turma, que entendeu não ser suficiente a 
informação "contém glúten", a qual deve ser complementada com a advertência sobre o prejuízo do glúten à 
saúde dos doentes celíacos. 
2. O CDC traz, entre os direitos básicos do consumidor, a "informação adequada e clara sobre os diferentes 
produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, 
bem como sobre os riscos que apresentam" (art. 6º, inciso III). 
3. Ainda de acordo com o CDC, "a oferta e a apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações 
corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, 
composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que 
apresentam à saúde e segurança dos consumidores" (art. 31). 
4. O art. 1º da Lei 10.674/2003 (Lei do Glúten) estabelece que os alimentos industrializados devem trazer em seu 
rótulo e bula, conforme o caso, a informação "não contém glúten" ou "contém glúten", isso é, apenas a 
informação-conteúdo. Entretanto, a superveniência da Lei 10.674/2003 não esvazia o comando do art. 31, caput, 
do CDC (Lei 8.078/1990), que determina que o fornecedor de produtos ou serviços deve informar "sobre os riscos 
que apresentam à saúde e segurança dos consumidores", ou seja, a informação-advertência. 
 
50 
 
 
5. Para que a informação seja correta, clara e precisa, torna-se necessária a integração entre a Lei do Glúten (lei 
especial) e o CDC (lei geral), pois, no fornecimento de alimentos e medicamentos, ainda mais a consumidores 
hipervulneráveis, não se pode contentar com o standard mínimo, e sim com o standard mais completo possível. 
6. O fornecedor de alimentos deve complementar a informação-conteúdo "contém glúten" com a informação-
advertência de que o glúten é prejudicial à saúde dos consumidores com doença celíaca. 
Embargos de divergência providos para prevalecer a tese do acórdão paradigma no sentido de que a 
informação-conteúdo "contém glúten" é, por si só, insuficiente para informar os consumidores sobre o prejuízo 
que o alimento com glúten acarreta à saúde dos doentes celíacos, tornando-se necessária a integração com a 
informação-advertência correta, clara, precisa, ostensiva e em vernáculo: "CONTÉM GLÚTEN: O GLÚTEN É 
PREJUDICIAL À SAÚDE DOS DOENTES CELÍACOS". 
(EREsp 1515895/MS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, CORTE ESPECIAL, julgado em 20/09/2017, DJe 
27/09/2017) 
Direito à Informação Adequada e Clara 
 STJ. Corte Especial. EREsp 1515895-MS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/09/2017 
PROCESSO CIVIL. PROCESSO COLETIVO. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO COLETIVA. DIREITO À 
INFORMAÇÃO. DEVER DE INFORMAR. ROTULAGEM DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. PRESENÇA DE GLÚTEN. 
PREJUÍZOS À SAÚDE DOS DOENTES CELÍACOS. INSUFICIÊNCIA DA INFORMAÇÃO-CONTEÚDO "CONTÉM 
GLÚTEN". NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO COM A INFORMAÇÃO-ADVERTÊNCIA SOBRE OS RISCOS DO 
GLÚTEN À SAÚDE DOS DOENTES CELÍACOS. INTEGRAÇÃO ENTRE A LEI DO GLÚTEN (LEI ESPECIAL) E O CÓDIGO 
DE DEFESA DO CONSUMIDOR (LEI GERAL). 
1. Cuida-se de divergência entre dois julgados desta Corte: o acórdão embargado da Terceira Turma que 
entendeu ser suficiente a informação "contém glúten" ou "não contém glúten", para alertar os consumidores 
celíacos afetados pela referida proteína; e o paradigma da Segunda Turma, que entendeu não ser suficiente a 
informação "contém glúten", a qual deve ser complementada com a advertência sobre o prejuízo do glúten à 
saúde dos doentes celíacos. 
2. O CDC traz, entre os direitos básicos do consumidor, a "informação adequada e clara sobre os diferentes 
produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, 
bem como sobre os riscos que apresentam" (art. 6º, inciso III). 
3. Ainda de acordo com o CDC, "a oferta e a apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações 
corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, 
composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que 
apresentam à saúde e segurança dos consumidores" (art. 31). 
 
51 
 
 
4. O art. 1º da Lei 10.674/2003 (Lei do Glúten) estabelece que os alimentos industrializados devem trazer em seu 
rótulo e bula, conforme o caso, a informação "não contém glúten" ou "contém glúten", isso é, apenas a 
informação-conteúdo. Entretanto, a superveniência da Lei 10.674/2003 não esvazia o comando do art. 31, caput, 
do CDC (Lei 8.078/1990), que determina que o fornecedor de produtos ou serviços deve informar "sobre os riscos 
que apresentam à saúde e segurança dos consumidores", ou seja, a informação-advertência. 
5. Para que a informação seja correta, clara e precisa, torna-se necessária a integração entre a Lei do Glúten (lei 
especial) e o CDC (lei geral), pois, no fornecimento de alimentos e medicamentos, ainda mais a consumidores 
hipervulneráveis, não se pode contentar com o standard mínimo, e sim com o standard mais completo possível. 
6. O fornecedor de alimentos deve complementar a informação-conteúdo "contém glúten" com a informação-
advertência de que o glúten é prejudicial à saúde dos consumidores com doença celíaca. 
Embargos de divergência providos para prevalecer a tese do acórdão paradigma no sentido de que a 
informação-conteúdo "contém glúten" é, por si só, insuficiente para informar os consumidores sobre o prejuízo 
que o alimento com glúten acarreta à saúde dos doentes celíacos, tornando-se necessária a integração com a 
informação-advertência correta, clara, precisa, ostensiva e em vernáculo: "CONTÉM GLÚTEN: O GLÚTEN É 
PREJUDICIAL À SAÚDE DOS DOENTES CELÍACOS". 
 STJ: STJ. 3ª Turma. REsp 1315822-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 24/3/2015 
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. AÇÃO DESTINADA A IMPOR À INSTITUIÇÃO FINANCEIRA 
DEMANDADA A OBRIGAÇÃO DE ADOTAR O MÉTODO BRAILLE NOS CONTRATOS BANCÁRIOS DE ADESÃO 
CELEBRADOS COM PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA VISUAL. 1. FORMAÇÃO DE LITISCONSÓRCIO PASSIVO 
NECESSÁRIO. DESCABIMENTO, NA HIPÓTESE. 2. DEVER LEGAL CONSISTENTE NA UTILIZAÇÃO DO MÉTODO 
BRAILLE NAS RELAÇÕES CONTRATUAIS BANCÁRIAS ESTABELECIDAS COM CONSUMIDORES PORTADORES DE 
DEFICIÊNCIA VISUAL. EXISTÊNCIA. NORMATIVIDADE COM ASSENTO CONSTITUCIONAL E LEGAL. OBSERVÂNCIA. 
NECESSIDADE. 3. CONDENAÇÃO POR DANOS EXTRAPATRIMONIAIS COLETIVOS. CABIMENTO. 4. IMPOSIÇÃO DE 
MULTA DIÁRIA PARA O DESCUMPRIMENTO DAS DETERMINAÇÕES JUDICIAIS. REVISÃO DO VALOR FIXADO. 
NECESSIDADE, NA ESPÉCIE. 5. EFEITOS DA SENTENÇA EXARADA NO BOJO DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA DESTINADA 
À TUTELA DE INTERESSES COLETIVOS STRICTO SENSU. DECISÃO QUE PRODUZ EFEITOS EM RELAÇÃO A TODOS 
OS CONSUMIDORES PORTADORES DE DEFICIÊNCIAVISUAL QUE ESTABELECERAM OU VENHAM A FIRMAR 
RELAÇÃO CONTRATUAL COM A INSTITUIÇÃO FINANCEIRA DEMANDADA EM TODO O TERRITÓRIO NACIONAL. 
INDIVISIBILIDADE DO DIREITO TUTELADO. ARTIGO 16 DA LEI N. 7.347/85. INAPLICABILIDADE, NA ESPÉCIE. 
PRECEDENTES. 7. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 
1. A instituição financeira demandada, a qual se imputa o descumprimento de um dever legal, não mantém com 
as demais existentes no país (contra as quais nada se alega) vínculo jurídico unitário e incindível, a exigir a 
conformação de litisconsórcio passivo necessário. A existência, por si, de obrigação legal a todas impostas não as 
une, a ponto de, necessariamente, serem demandadas em conjunto. In casu, está-se, pois, diante da defesa 
 
52 
 
 
coletiva de interesses coletivos stricto sensu, cujos titulares, grupo determinável de pessoas (consumidores 
portadores de deficiência visual), encontram-se ligados com a parte contrária por uma relação jurídica base 
preexistente à lesão ou à ameaça de lesão. E, nesse contexto, os efeitos do provimento judicial pretendido terão 
repercussão na esfera jurídica dos consumidores portadores de deficiência visual que estabeleceram, ou venham 
a firmar relação contratual com a instituição financeira demandada, exclusivamente. 
2. Ainda que não houvesse, como de fato há, um sistema legal protetivo específico das pessoas portadoras de 
deficiência (Leis ns. 4.169/62, 10.048/2000, 10.098/2000 e Decreto n. 6.949/2009), a obrigatoriedade da utilização 
do método braille nas contratações bancárias estabelecidas com pessoas com deficiência visual encontra lastro, 
para além da legislação consumerista in totum aplicável à espécie, no próprio princípio da Dignidade da Pessoa 
Humana. 
2.1 A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência impôs aos Estados signatários a 
obrigação de assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais 
pelas pessoas portadoras de deficiência, conferindo-lhes tratamento materialmente igualitário (diferenciado na 
proporção de sua desigualdade) e, portanto, não discriminatório, acessibilidade física e de comunicação e 
informação, inclusão social, autonomia e independência (na medida do possível, naturalmente), e liberdade para 
fazer suas próprias escolhas, tudo a viabilizar a consecução do princípio maior da Dignidade da Pessoa Humana. 
2.2 Valendo-se das definições trazidas pelo Tratado, pode-se afirmar, com segurança, que a não utilização do 
método braille durante todo o ajuste bancário levado a efeito com pessoa portadora de deficiência visual 
(providência, é certo, que não importa em gravame desproporcional à instituição financeira), impedindo-a de 
exercer, em igualdade de condições com as demais pessoas, seus direitos básicos de consumidor, a acirrar a 
inerente dificuldade de acesso às correlatas informações, consubstancia, a um só tempo, intolerável discriminação 
por deficiência e inobservância da almejada "adaptação razoável". 
2.3 A adoção do método braille nos ajustes bancários com pessoas portadoras de deficiência visual encontra 
lastro, ainda, indiscutivelmente, na legislação consumerista, que preconiza ser direito básico do consumidor o 
fornecimento de informação suficientemente adequada e clara do produto ou serviço oferecido, encargo, é certo, 
a ser observado não apenas por ocasião da celebração do ajuste, mas também durante toda a contratação. No 
caso do consumidor deficiente visual, a consecução deste direito, no bojo de um contrato bancário de adesão, 
somente é alcançada (de modo pleno, ressalta-se), por meio da utilização do método braille, a facilitar, e mesmo 
a viabilizar, a integral compreensão e reflexão acerca das cláusulas contratuais submetidas a sua apreciação, 
especialmente aquelas que impliquem limitações de direito, assim como dos extratos mensais, dando conta dos 
serviços prestados, taxas cobradas, etc. 
2.4 O Termo de Ajustamento de Conduta, caso pudesse ser conhecido, o que se admite apenas para argumentar, 
traz em si providências que, em parte convergem, com as pretensões ora perseguidas, tal como a obrigação de 
 
53 
 
 
envio mensal do extrato em braille, sem prejuízo, é certo, de adoção de outras medidas destinadas a conferir 
absoluto conhecimento das cláusulas contratuais à pessoa portadora de deficiência visual. Aliás, a denotar mais 
uma vez o comportamento contraditório do recorrente, causa espécie a instituição financeira assumir uma série 
de compromissos, sem que houvesse - tal como alega - lei obrigando-a a ajustar seu proceder. 
3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem perfilhado o posicionamento de ser possível, em tese, a 
configuração de dano extrapatrimonial coletivo, sempre que a lesão ou a ameaça de lesão levada a efeito pela 
parte demandada atingir, sobremodo, valores e interesses fundamentais do grupo, afigurando-se, pois, descabido 
negar a essa coletividade o ressarcimento de seu patrimônio imaterial aviltado. 
3.1 No caso, a relutância da instituição financeira demandada em utilizar o método Braille nos contratos 
bancários de adesão estabelecidos com pessoas portadoras de deficiência visual, conferindo-se-lhes tratamento 
manifestamente discriminatório, tem o condão de acirrar sobremaneira as inerentes dificuldades de acesso à 
comunicação e à informações essenciais dos indivíduos nessa peculiar condição, cuja prática, para além de 
consubstanciar significativa abusividade contratual, encerrar verdadeira afronta à dignidade do próprio grupo, 
coletivamente considerado. 
4. Não obstante, consideradas: i) a magnitude dos direitos discutidos na presente ação, que, é certo, restaram, 
reconhecidamente vilipendiados pela instituição financeira recorrente; ii) a reversão da condenação ao Fundo de 
Defesa de Direitos Difusos, a ser aplicado em políticas que fulminem as barreiras de comunicação e informação 
enfrentadas pelas pessoas portadoras de deficiência visual, o que, em última análise, atende ao desiderato de 
reparação do dano; iii) o caráter propedêutico da condenação; e iv) a capacidade econômica da demandada; 
tem-se que o importe da condenação fixado na origem afigura-se exorbitante, a viabilizar a excepcional 
intervenção desta Corte de Justiça. 
5. A fixação a título de astreintes, seja de montante ínfimo ou exorbitante, tal como se dá na hipótese dos autos, 
importa, inarredavelmente, nas mesmas consequências, quais sejam: Prestigiar a conduta de recalcitrância do 
devedor em cumprir as decisões judiciais, além de estimular a utilização da via recursal direcionada a esta Corte 
Superior, justamente para a mensuração do valor adequado. Por tal razão, devem as instâncias ordinárias, com 
vistas ao consequencialismo de suas decisões, bem ponderar quando da definição das astreintes. 
6. A sentença prolatada no bojo da presente ação coletiva destinada a tutelar direitos coletivos stricto sensu - 
considerada a indivisibilidade destes - produz efeitos em relação a todos os consumidores portadores de 
deficiência visual que litigue ou venha a litigar com a instituição financeira demandada, em todo o território 
nacional. Precedente da Turma. 
7. Recurso especial parcialmente provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1582318-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 12/9/2017 
 
54 
 
 
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL EM CONSTRUÇÃO. ATRASO DA OBRA. 
ENTREGA APÓS O PRAZO ESTIMADO. CLÁUSULA DE TOLERÂNCIA. VALIDADE. PREVISÃO LEGAL. 
PECULIARIDADES DA CONSTRUÇÃO CIVIL. ATENUAÇÃO DE RISCOS. BENEFÍCIO AOS CONTRATANTES. CDC. 
APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. OBSERVÂNCIA DO DEVER DE INFORMAR. PRAZO DE PRORROGAÇÃO. RAZOABILIDADE. 
1. Cinge-se a controvérsia a saber se é abusiva a cláusula de tolerância nos contratos de promessa de compra e 
venda de imóvel em construção, a qual permite a prorrogação do prazo inicial para a entrega da obra. 
2. A compra de um imóvel "na planta" com prazo epreço certos possibilita ao adquirente planejar sua vida 
econômica e social, pois é sabido de antemão quando haverá a entrega das chaves, devendo ser observado, 
portanto, pelo incorporador e pelo construtor, com a maior fidelidade possível, o cronograma de execução da 
obra, sob pena de indenizarem os prejuízos causados ao adquirente ou ao compromissário pela não conclusão 
da edificação ou pelo retardo injustificado na conclusão da obra (arts. 43, II, da Lei nº 4.591/1964 e 927 do 
Código Civil). 
3. No contrato de promessa de compra e venda de imóvel em construção, além do período previsto para o 
término do empreendimento, há, comumente, cláusula de prorrogação excepcional do prazo de entrega da 
unidade ou de conclusão da obra, que varia entre 90 (noventa) e 180 (cento e oitenta) dias: a cláusula de 
tolerância. 
4. Aos contratos de incorporação imobiliária, embora regidos pelos princípios e normas que lhes são próprios (Lei 
nº 4.591/1964), também se aplica subsidiariamente a legislação consumerista sempre que a unidade imobiliária 
for destinada a uso próprio do adquirente ou de sua família. 5. Não pode ser reputada abusiva a cláusula de 
tolerância no compromisso de compra e venda de imóvel em construção desde que contratada com prazo 
determinado e razoável, já que possui amparo não só nos usos e costumes do setor, mas também em lei especial 
(art. 48, § 2º, da Lei nº 4.591/1964), constituindo previsão que atenua os fatores de imprevisibilidade que afetam 
negativamente a construção civil, a onerar excessivamente seus atores, tais como intempéries, chuvas, escassez de 
insumos, greves, falta de mão de obra, crise no setor, entre outros contratempos. 
6. A cláusula de tolerância, para fins de mora contratual, não constitui desvantagem exagerada em desfavor do 
consumidor, o que comprometeria o princípio da equivalência das prestações estabelecidas. Tal disposição 
contratual concorre para a diminuição do preço final da unidade habitacional a ser suportada pelo adquirente, 
pois ameniza o risco da atividade advindo da dificuldade de se fixar data certa para o término de obra de grande 
magnitude sujeita a diversos obstáculos e situações imprevisíveis. 
7. Deve ser reputada razoável a cláusula que prevê no máximo o lapso de 180 (cento e oitenta) dias de 
prorrogação, visto que, por analogia, é o prazo de validade do registro da incorporação e da carência para 
desistir do empreendimento (arts. 33 e 34, § 2º, da Lei nº 4.591/1964 e 12 da Lei nº 4.864/1965) e é o prazo 
máximo para que o fornecedor sane vício do produto (art. 18, § 2º, do CDC). 
 
55 
 
 
8. Mesmo sendo válida a cláusula de tolerância para o atraso na entrega da unidade habitacional em construção 
com prazo determinado de até 180 (cento e oitenta) dias, o incorporador deve observar o dever de informar e os 
demais princípios da legislação consumerista, cientificando claramente o adquirente, inclusive em ofertas, 
informes e peças publicitárias, do prazo de prorrogação, cujo descumprimento implicará responsabilidade civil. 
Igualmente, durante a execução do contrato, deverá notificar o consumidor acerca do uso de tal cláusula 
juntamente com a sua justificação, primando pelo direito à informação. 
9. Recurso especial não provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1613644-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 20/9/2016 
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PLANO DE SAÚDE. HOSPITAL CREDENCIADO. ONCOLOGIA. ESPECIALIDADE COBERTA. 
EXECUÇÃO DO SERVIÇO. INSTITUIÇÃO PARCEIRA. FALTA DE CREDENCIAMENTO. IRRELEVÂNCIA. ENTIDADE 
HOSPITALAR CONVENIADA SEM RESSALVAS. DIVULGAÇÃO DO ROL AO CONSUMIDOR. LEGÍTIMA EXPECTATIVA. 
USUÁRIO DE BOA-FÉ. CONTRATO RELACIONAL. PRESERVAÇÃO DA CONFIANÇA. 
1. Cinge-se a controvérsia a saber se determinada especialidade médica, no caso, a de oncologia, disponibilizada 
em hospital credenciado por plano de saúde, mas cujo serviço é prestado por instituição parceira não 
credenciada, está abrangida pela cobertura contratual de assistência à saúde. 
2. Por determinação legal, as operadoras de planos de saúde devem ajustar com as entidades conveniadas, 
contratadas, referenciadas ou credenciadas, mediante instrumentos formais, as condições de prestação de 
serviços de assistência à saúde. Assim, conforme o art. 
17-A da Lei nº 9.656/1998, devem ser estabelecidos com clareza, em tais contratos, os direitos, as obrigações e as 
responsabilidades das partes, bem como todas as condições para a sua execução, incluídos o objeto, a natureza 
do ajuste, o regime de atendimento e a descrição dos serviços contratados. 
3. A operadora, ao divulgar e disponibilizar ao usuário a lista de prestadores conveniados, deve também 
providenciar a descrição dos serviços que cada um está apto a executar - pessoalmente ou por meio de terceiros 
-, segundo o contrato de credenciamento formalizado. 
4. Se a prestação do serviço (hospitalar, ambulatorial, médico-hospitalar, obstétrico e de urgência 24h) não for 
integral, deve ser indicada a restrição e quais especialidades oferecidas pela entidade não estão cobertas, sob 
pena de se considerar todas incluídas no credenciamento, principalmente em se tratando de hospitais, já que são 
estabelecimentos de saúde vocacionados a prestar assistência sanitária em regime de internação e de não 
internação, nas mais diversas especialidades médicas. 
5. O credenciamento, sem restrições, de hospital por operadora abrange, para fins de cobertura de plano de 
assistência à saúde, todas as especialidades médicas oferecidas pela instituição, ainda que prestadas sob o 
sistema de parceria com instituição não credenciada. 
 
56 
 
 
6. Eventual divergência de índole administrativa entre operadora e prestador quanto aos serviços de atenção à 
saúde efetivamente cobertos no instrumento jurídico de credenciamento não pode servir de subterfúgio para 
prejudicar o consumidor de boa-fé, que confiou na rede conveniada e nas informações divulgadas pelo plano de 
saúde. As partes, nas relações contratuais, devem manter posturas de cooperação, transparência e lealdade 
recíprocas, de modo a respeitar as legítimas expectativas geradas no outro, sobretudo em contratos de longa 
duração, em que a confiança é elemento essencial e fonte de responsabilização civil. 
7. Recurso especial não provido. 
 STJ. 2ª Turma. REsp 1364915-MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 14/5/2013 
ADMINISTRATIVO. CONSUMIDOR. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. VÍCIO DE QUANTIDADE. VENDA DE 
REFRIGERANTE EM VOLUME MENOR QUE O HABITUAL. REDUÇÃO DE CONTEÚDO INFORMADA NA PARTE 
INFERIOR DO RÓTULO E EM LETRAS REDUZIDAS. INOBSERVÂNCIA DO DEVER DE INFORMAÇÃO. DEVER 
POSITIVO DO FORNECEDOR DE INFORMAR. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONFIANÇA. PRODUTO ANTIGO NO 
MERCADO. FRUSTRAÇÃO DAS EXPECTATIVAS LEGÍTIMAS DO CONSUMIDOR. MULTA APLICADA PELO PROCON. 
POSSIBILIDADE. ÓRGÃO DETENTOR DE ATIVIDADE ADMINISTRATIVA DE ORDENAÇÃO. PROPORCIONALIDADE 
DA MULTA ADMINISTRATIVA. SÚMULA 7/STJ. ANÁLISE DE LEI LOCAL, PORTARIA E INSTRUÇÃO NORMATIVA. 
AUSÊNCIA DE NATUREZA DE LEI FEDERAL. SÚMULA 280/STF. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. REDUÇÃO DO 
"QUANTUM" FIXADO A TÍTULO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA 7/STJ. 
1. No caso, o Procon estadual instaurou processo administrativo contra a recorrente pela prática da infração às 
relações de consumo conhecida como "maquiagem de produto" e "aumento disfarçado de preços", por alterar 
quantitativamente o conteúdo dos refrigerantes "Coca Cola", "Fanta", "Sprite" e "Kuat" de 600 ml para 500 ml, 
sem informar clara e precisamente aos consumidores, porquanto a informação foi aposta na parte inferior do 
rótulo e em letras reduzidas. Na ação anulatória ajuizada pela recorrente, o Tribunal de origem, em apelação, 
confirmou a improcedência do pedido de afastamento da multa administrativa, atualizada para R$ 459.434,97, e 
majorou os honorários advocatícios para R$ 25.000,00. 
2. Hipótese, no cível, de responsabilidade objetiva em que o fornecedor (lato sensu)responde solidariamente 
pelo vício de quantidade do produto. 
3. O direito à informação, garantia fundamental da pessoa humana expressa no art. 5°, inciso XIV, da Constituição 
Federal, é gênero do qual é espécie também previsto no Código de Defesa do Consumidor. 
4. A Lei n. 8.078/1990 traz, entre os direitos básicos do consumidor, a "informação adequada e clara sobre os 
diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e 
preço, bem como sobre os riscos que apresentam" (art. 6º, inciso III). 
 
57 
 
 
5. Consoante o Código de Defesa do Consumidor, "a oferta e a apresentação de produtos ou serviços devem 
assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas características, 
qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como 
sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores" (art. 31), sendo vedada a publicidade 
enganosa, "inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em 
erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e 
quaisquer outros dados sobre produtos e serviços" (art. 37). 
6. O dever de informação positiva do fornecedor tem importância direta no surgimento e na manutenção da 
confiança por parte do consumidor. A informação deficiente frustra as legítimas expectativas do consumidor, 
maculando sua confiança. 
7. A sanção administrativa aplicada pelo Procon reveste-se de legitimidade, em virtude de seu poder de polícia 
(atividade administrativa de ordenação) para cominar multas relacionadas à transgressão da Lei n. 8.078/1990, 
esbarrando o reexame da proporcionalidade da pena fixada no enunciado da Súmula 7/STJ. 
8. Leis locais, portarias e instruções normativas refogem ao conceito de lei federal, não podendo ser analisadas 
por esta Corte, ante o óbice, por analogia, da Súmula 280/STF. 
9. Os honorários advocatícios fixados pela instância ordinária somente podem ser revistos em recurso especial se 
o "quantum" se revelar exorbitante, em respeito ao disposto na Súmula 7/STJ. 
Recurso especial a que se nega provimento. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1443268-DF, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 3/6/2014 
DIREITO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. VEÍCULO NOVO. VÍCIO DO PRODUTO. 
INCOMPATIBILIDADE ENTRE O DIESEL COMERCIALIZADO NO BRASIL E AS ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS DO 
PROJETO. PANES REITERADAS. DANOS AO MOTOR. PRAZO DE TRINTA DIAS PARA CONSERTO. RESTITUIÇÃO DO 
VALOR PAGO. DANO MORAL. CABIMENTO. 
1.- Configura vício do produto incidente em veículo automotor a incompatibilidade, não informada ao 
consumidor, entre o tipo de combustível necessário ao adequado funcionamento de veículo comercializado no 
mercado nacional e aquele disponibilizado nos postos de gasolina brasileiros. No caso, o automóvel 
comercializado, importado da Alemanha, não estava preparado para funcionar adequadamente com o tipo de 
diesel ofertado no Brasil. 
2.- Não é possível afirmar que o vício do produto tenha sido sanado no prazo de 30 dias, estabelecido pelo 
artigo 18, § 1º, caput, do Código de Defesa do Consumidor, se o automóvel, após retornar da oficina, reincidiu 
no mesmo problema, por diversas vezes. A necessidade de novos e sucessivos reparos é indicativo suficiente de 
 
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que o veículo, embora substituídas as peças danificadas pela utilização do combustível impróprio, não foi posto 
em condições para o uso que dele razoavelmente se esperava. 
3.- A jurisprudência do STJ orienta-se no sentido de ser cabível indenização por dano moral quando o 
consumidor de veículo zero quilômetro necessita retornar à concessionária por diversas vezes, para reparos. 
4.- Recurso Especial provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1330174-MG, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 22/10/2013 
DIREITO DO CONSUMIDOR. "REESTILIZAÇÃO" LÍCITA DE PRODUTO. VEÍCULO 2007 COMERCIALIZADO COMO 
MODELO 2008. LANÇAMENTO NO ANO DE 2008 DE PRODUTO REFORMULADO, COMO SENDO MODELO 2009. 
PRÁTICA COMERCIAL ABUSIVA E PROPAGANDA ENGANOSA NÃO VERIFICADAS. 
1.- Lícito ao fabricante de veículos antecipar o lançamento de um modelo meses antes da virada do ano, prática 
usual no mercado de veículos. 
2.- Não há falar em prática comercial abusiva ou propaganda enganosa quando o consumidor, no ano de 2007, 
adquire veículo modelo 2008 e a reestilização do produto atinge apenas os de modelo 2009, ou seja, não 
realizada no mesmo ano. Situação diversa da ocorrida no julgamento do REsp 1.342.899 - RS (Rel. Ministro 
SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 20/08/2013, DJe 09/09/2013 3.- No caso, a alegação de que o 
consumidor deveria ter sido advertido, no momento da compra, quanto à alteração das características do 
produto em futuro próximo, tendo em vista o direito de ampla informação, não foi enfrentada pelo Tribunal de 
origem. Ausência de prequestionamento. 
4.- Recurso Especial a que se nega provimento. 
Direito à Educação 
 STJ: 3ª Turma. REsp 1144840-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgamento 20.03.2012 
CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. REDE CONVENIADA. ALTERAÇÃO. DEVER DE INFORMAÇÃO ADEQUADA. 
COMUNICAÇÃO INDIVIDUAL DE CADA ASSOCIADO. NECESSIDADE. 
1. Os arts. 6º, III, e 46 do CDC instituem o dever de informação e consagram o princípio da transparência, que 
alcança o negócio em sua essência, na medida em que a informação repassada ao consumidor integra o próprio 
conteúdo do contrato. Trata-se de dever intrínseco ao negócio e que deve estar presente não apenas na 
formação do contrato, mas também durante toda a sua execução. 
2. O direito à informação visa a assegurar ao consumidor uma escolha consciente, permitindo que suas 
expectativas em relação ao produto ou serviço sejam de fato atingidas, manifestando o que vem sendo 
denominado de consentimento informado ou vontade qualificada. Diante disso, o comando do art. 6º, III, do 
 
59 
 
 
CDC, somente estará sendo efetivamente cumprido quando a informação for prestada ao consumidor de forma 
adequada, assim entendida como aquela que se apresenta simultaneamente completa, gratuita e útil, vedada, 
neste último caso, a diluição da comunicação efetivamente relevante pelo uso de informações soltas, redundantes 
ou destituídas de qualquer serventia para o consumidor. 
3. A rede conveniada constitui informação primordial na relação do associado frente à operadora do plano de 
saúde, mostrando-se determinante na decisão quanto à contratação e futura manutenção do vínculo contratual. 
4. Tendo em vista a importância que a rede conveniada assume para a continuidade do contrato, a operadora 
somente cumprirá o dever de informação se comunicar individualmente cada associado sobre o 
descredenciamento de médicos e hospitais. 
5. Recurso especial provido. 
Direito à Proteção Contra Práticas Comerciais Abusivas 
 STJ. 2ª Turma. REsp 1469087-AC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18/8/2016 
CONSUMIDOR. CONCESSÃO DE SERVIÇOS AÉREOS. RELAÇÃO HAVIDA ENTRE CONCESSIONÁRIA E 
CONSUMIDORES. APLICAÇÃO DO CDC. ILEGITIMIDADE DA ANAC. TRANSPORTE AÉREO. SERVIÇO ESSENCIAL. 
EXIGÊNCIA DE CONTINUIDADE. CANCELAMENTO DE VOOS PELA CONCESSIONÁRIA SEM RAZÕES TÉCNICAS OU 
DE SEGURANÇA. PRÁTICA ABUSIVA. DESCUMPRIMENTO DA OFERTA. 
1. A controvérsia diz respeito à prática, no mercado de consumo, de cancelamento de voos por concessionária 
sem comprovação pela empresa de razões técnicas ou de segurança. 
2. Nas ações coletivas ou individuais, a agência reguladora não integra o feito em litisconsórcio passivo quando 
se discute a relação de consumo entre concessionária e consumidores, e não a regulamentação emanada do ente 
regulador. 
3. O transporte aéreo é serviço essencial e, como tal, pressupõe continuidade. Difícil imaginar, atualmente, serviço 
mais "essencial" do que o transporte aéreo, sobretudo em regiões remotasdo Brasil. 
4. Consoante o art. 22, caput e parágrafo único, do CDC, a prestação de serviços públicos, ainda que por pessoa 
jurídica de direito privado, envolve dever de fornecimento de serviços com adequação, eficiência, segurança e, se 
essenciais, continuidade, sob pena de ser o prestador compelido a bem cumpri-lo e a reparar os danos advindos 
do descumprimento total ou parcial. 
5. A partir da interpretação do art. 39 do CDC, considera-se prática abusiva tanto o cancelamento de voos sem 
razões técnicas ou de segurança inequívocas como o descumprimento do dever de informar o consumidor, por 
escrito e justificadamente, quando tais cancelamentos vierem a ocorrer. 
 
60 
 
 
6. A malha aérea concedida pela ANAC é oferta que vincula a concessionária a prestar o serviço nos termos dos 
arts. 30 e 31 do CDC. Independentemente da maior ou menor demanda, a oferta obriga o fornecedor a cumprir 
o que ofereceu, a agir com transparência e a informar adequadamente o consumidor. Descumprida a oferta, a 
concessionária viola os direitos não apenas dos consumidores concretamente lesados, mas de toda a coletividade 
a quem se ofertou o serviço, dando ensejo à reparação de danos materiais e morais (inclusive, coletivos). 
7. Compete ao Poder Judiciário fiscalizar e determinar o cumprimento do contrato de concessão celebrado entre 
poder concedente e concessionária, bem como dos contratos firmados entre concessionária e consumidores 
(individuais e plurais), aos quais é assegurada proteção contra a prática abusiva em caso de cancelamento ou 
interrupção dos voos. 
Recurso especial da GOL parcialmente conhecido e, nesta parte, improvido. 
 STJ. 4ª Turma. REsp 1365609-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/4/2015 
DIREITO DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. VÍCIO DO PRODUTO. AUTOMÓVEIS SEMINOVOS. PUBLICIDADE 
QUE GARANTIA A QUALIDADE DO PRODUTO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. USO DA MARCA. LEGÍTIMA 
EXPECTATIVA DO CONSUMIDOR. MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚM. 7/STJ. 
1. O Código do Consumidor é norteado principalmente pelo reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor e 
pela necessidade de que o Estado atue no mercado para minimizar essa hipossuficiência, garantindo, assim, a 
igualdade material entre as partes. Sendo assim, no tocante à oferta, estabelece serem direitos básicos do 
consumidor o de ter a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços (CDC, art. 6°, III) e o 
de receber proteção contra a publicidade enganosa ou abusiva (CDC, art. 6°, IV). 
2. É bem verdade que, paralelamente ao dever de informação, se tem a faculdade do fornecedor de anunciar seu 
produto ou serviço, sendo certo que, se o fizer, a publicidade deve refletir fielmente a realidade anunciada, em 
observância à principiologia do CDC. Realmente, o princípio da vinculação da oferta reflete a imposição da 
transparência e da boa-fé nos métodos comerciais, na publicidade e nos contratos, de forma que esta exsurge 
como princípio máximo orientador, nos termos do art. 30. 
3. Na hipótese, inequívoco o caráter vinculativo da oferta, integrando o contrato, de modo que o fornecedor de 
produtos ou serviços se responsabiliza também pelas expectativas que a publicidade venha a despertar no 
consumidor, mormente quando veicula informação de produto ou serviço com a chancela de determinada marca, 
sendo a materialização do princípio da boa-fé objetiva, exigindo do anunciante os deveres anexos de lealdade, 
confiança, cooperação, proteção e informação, sob pena de responsabilidade. 
4. A responsabilidade civil da fabricante decorre, no caso concreto, de pelo menos duas circunstâncias: a) da 
premissa fática incontornável adotada pelo acórdão de que os mencionados produtos e serviços ofertados eram 
avalizados pela montadora através da mensagem publicitária veiculada; b) e também, de um modo geral, da 
 
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percepção de benefícios econômicos com as práticas comerciais da concessionária, sobretudo ao permitir a 
utilização consentida de sua marca na oferta de veículos usados e revisados com a excelência da GM. 
5. Recurso especial não provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1331948/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/06/2016. 
RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. DIREITO DO CONSUMIDOR. ART. 39, I, DO CDC. VENDA CASADA. VENDA 
DE ALIMENTOS. ESTABELECIMENTOS CINEMATOGRÁFICOS. LIBERDADE DE ESCOLHA. ART. 6º, II, DO CDC. 
VIOLAÇÃO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS EM OUTRO LOCAL. VEDAÇÃO. TUTELA COLETIVA. ART. 16 DA LEI Nº 
7.347/1985. SENTENÇA CIVIL. DIREITOS INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS. EFICÁCIA ERGA OMNES. LIMITE 
TERRITORIAL. APLICABILIDADE. 
1. A venda casada ocorre em virtude do condicionamento a uma única escolha, a apenas uma alternativa, já que 
não é conferido ao consumidor usufruir de outro produto senão aquele alienado pelo fornecedor. 
2. Ao compelir o consumidor a comprar dentro do próprio cinema todo e qualquer produto alimentício, o 
estabelecimento dissimula uma venda casada (art. 39, I, do CDC), limitando a liberdade de escolha do 
consumidor (art. 6º, II, do CDC), o que revela prática abusiva. 
3. A restrição do alcance subjetivo da eficácia erga omnes da sentença proferida em ação civil pública 
envolvendo direitos individuais homogêneos aos limites da competência territorial do órgão prolator, constante 
do art. 16 da Lei nº 7.347/1985, está plenamente em vigor. 
4. É possível conceber, pelo caráter divisível dos direitos individuais homogêneos, decisões distintas, tendo em 
vista a autonomia de seus titulares. 
5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. 
Direito à Preservação do Contrato e Revisão das Cláusulas 
 STJ. 4ª Turma. REsp 1155395-PR, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 1º/10/2013 
CIVIL E CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PENHOR. JOIAS. FURTO. FORTUITO INTERNO. 
RECONHECIMENTO DE ABUSO DE CLÁUSULA CONTRATUAL QUE LIMITA O VALOR DA INDENIZAÇÃO EM FACE 
DE EXTRAVIO DOS BENS EMPENHADOS. VIOLAÇÃO AO ART. 51, I, DO CDC. OCORRÊNCIA DE DANOS MATERIAIS 
E MORAIS. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 
1. No contrato de penhor é notória a hipossuficiência do consumidor, pois este, necessitando de empréstimo, 
apenas adere a um contrato cujas cláusulas são inegociáveis, submetendo-se à avaliação unilateral realizada pela 
instituição financeira. Nesse contexto, deve-se reconhecer a violação ao art. 51, I, do CDC, pois mostra-se abusiva 
a cláusula contratual que limita, em uma vez e meia o valor da avaliação, a indenização devida no caso de 
extravio, furto ou roubo das joias que deveriam estar sob a segura guarda da recorrida. 
 
62 
 
 
2. O consumidor que opta pelo penhor assim o faz pretendendo receber o bem de volta, e, para tanto, confia 
que o mutuante o guardará pelo prazo ajustado. Se a joia empenhada fosse para o proprietário um bem 
qualquer, sem valor sentimental, provavelmente o consumidor optaria pela venda da joia, pois, certamente, 
obteria um valor maior. 
3. Anulada a cláusula que limita o valor da indenização, o quantum a título de danos materiais e morais deve ser 
estabelecido conforme as peculiaridades do caso, sempre com observância dos princípios da razoabilidade e da 
proporcionalidade. 
4. Recurso especial provido. 
 STJ: REsp 1321614/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Rel. p/ Acórdão Ministro 
RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 03/03/2015 
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA. DÓLAR AMERICANO. 
MAXIDESVALORIZAÇÃO DO REAL. AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTO PARA ATIVIDADE PROFISSIONAL. AUSÊNCIA 
DE RELAÇÃO DE CONSUMO. TEORIAS DA IMPREVISÃO. TEORIA DA ONEROSIDADE EXCESSIVA. TEORIA DA BASE 
OBJETIVA. INAPLICABILIDADE. 
1. Ação proposta com a finalidade de, após a maxidesvalorização do real em face do dólar americano, ocorrida a 
partir de janeiro de 1999, modificar cláusula de contrato de compra e venda, com reserva de domínio, de 
equipamento médico (ultrassom), utilizado pelo autor noexercício da sua atividade profissional de médico, para 
que, afastada a indexação prevista, fosse observada a moeda nacional. 
2. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza, como destinatário final, produto ou serviço 
oriundo de um fornecedor. Por sua vez, destinatário final, segundo a teoria subjetiva ou finalista, adotada pela 
Segunda Seção desta Corte Superior, é aquele que ultima a atividade econômica, ou seja, que retira de circulação 
do mercado o bem ou o serviço para consumi-lo, suprindo uma necessidade ou satisfação própria, não havendo, 
portanto, a reutilização ou o reingresso dele no processo produtivo. Logo, a relação de consumo (consumidor 
final) não pode ser confundida com relação de insumo (consumidor intermediário). Inaplicabilidade das regras 
protetivas do Código de Defesa do Consumidor 
3. A intervenção do Poder Judiciário nos contratos, à luz da teoria da imprevisão ou da teoria da onerosidade 
excessiva, exige a demonstração de mudanças supervenientes das circunstâncias iniciais vigentes à época da 
realização do negócio, oriundas de evento imprevisível (teoria da imprevisão) e de evento imprevisível e 
extraordinário (teoria da onerosidade excessiva), que comprometa o valor da prestação, demandando tutela 
jurisdicional específica. 
4. O histórico inflacionário e as sucessivas modificações no padrão monetário experimentados pelo país desde 
longa data até julho de 1994, quando sobreveio o Plano Real, seguido de período de relativa estabilidade até a 
maxidesvalorização do real em face do dólar americano, ocorrida a partir de janeiro de 1999, não autorizam 
 
63 
 
 
concluir pela imprevisibilidade desse fato nos contratos firmados com base na cotação da moeda norte-
americana, em se tratando de relação contratual paritária. 
5. A teoria da base objetiva, que teria sido introduzida em nosso ordenamento pelo art. 6º, inciso V, do Código 
de Defesa do Consumidor - CDC, difere da teoria da imprevisão por prescindir da previsibilidade de fato que 
determine oneração excessiva de um dos contratantes. Tem por pressuposto a premissa de que a celebração de 
um contrato ocorre mediante consideração de determinadas circunstâncias, as quais, se modificadas no curso da 
relação contratual, determinam, por sua vez, consequências diversas daquelas inicialmente estabelecidas, com 
repercussão direta no equilíbrio das obrigações pactuadas. Nesse contexto, a intervenção judicial se daria nos 
casos em que o contrato fosse atingido por fatos que comprometessem as circunstâncias intrínsecas à 
formulação do vínculo contratual, ou seja, sua base objetiva. 
6. Em que pese sua relevante inovação, tal teoria, ao dispensar, em especial, o requisito de imprevisibilidade, foi 
acolhida em nosso ordenamento apenas para as relações de consumo, que demandam especial proteção. Não se 
admite a aplicação da teoria do diálogo das fontes para estender a todo direito das obrigações regra incidente 
apenas no microssistema do direito do consumidor, mormente com a finalidade de conferir amparo à revisão de 
contrato livremente pactuado com observância da cotação de moeda estrangeira. 
7. Recurso especial não provido. 
 STJ. 2ª Seção. REsp 1578553-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 28/11/2018 
RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. TEMA 958/STJ. DIREITO BANCÁRIO. COBRANÇA POR SERVIÇOS DE TERCEIROS, 
REGISTRO DO CONTRATO E AVALIAÇÃO DO BEM. PREVALÊNCIA DAS NORMAS DO DIREITO DO CONSUMIDOR 
SOBRE A REGULAÇÃO BANCÁRIA. EXISTÊNCIA DE NORMA REGULAMENTAR VEDANDO A COBRANÇA A TÍTULO 
DE COMISSÃO DO CORRESPONDENTE BANCÁRIO. DISTINÇÃO ENTRE O CORRESPONDENTE E O TERCEIRO. 
DESCABIMENTO DA COBRANÇA POR SERVIÇOS NÃO EFETIVAMENTE PRESTADOS. POSSIBILIDADE DE CONTROLE 
DA ABUSIVIDADE DE TARIFAS E DESPESAS EM CADA CASO CONCRETO. 
1. DELIMITAÇÃO DA CONTROVÉRSIA: Contratos bancários celebrados a partir de 30/04/2008, com instituições 
financeiras ou equiparadas, seja diretamente, seja por intermédio de correspondente bancário, no âmbito das 
relações de consumo. 
2. TESES FIXADAS PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC/2015: 
2.1. Abusividade da cláusula que prevê a cobrança de ressarcimento de serviços prestados por terceiros, sem a 
especificação do serviço a ser efetivamente prestado; 
2.2. Abusividade da cláusula que prevê o ressarcimento pelo consumidor da comissão do correspondente 
bancário, em contratos celebrados a partir de 25/02/2011, data de entrada em vigor da Res.-CMN 3.954/2011, 
sendo válida a cláusula no período anterior a essa resolução, ressalvado o controle da onerosidade excessiva; 
 
64 
 
 
2.3. Validade da tarifa de avaliação do bem dado em garantia, bem como da cláusula que prevê o ressarcimento 
de despesa com o registro do contrato, ressalvadas a: 
2.3.1. abusividade da cobrança por serviço não efetivamente prestado; e a 
2.3.2. possibilidade de controle da onerosidade excessiva, em cada caso concreto. 
3. CASO CONCRETO. 
3.1. Aplicação da tese 2.2, declarando-se abusiva, por onerosidade excessiva, a cláusula relativa aos serviços de 
terceiros ("serviços prestados pela revenda"). 
3.2. Aplicação da tese 2.3, mantendo-se hígidas a despesa de registro do contrato e a tarifa de avaliação do bem 
dado em garantia. 
4. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 
Direito à Efetiva Prevenção e Reparação de Danos 
 STJ: 4ª Turma. REsp 606.382-MS, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 04.04.2004 
RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. INTERRUPÇÃO SERVIÇO TELEFÔNICO. MERO 
DISSABOR. O mero dissabor não pode ser alçado ao patamar do dano moral, mas somente aquela agressão que 
exacerba a naturalidade dos fatos da vida, causando fundadas aflições ou angústias no espírito de quem ela se 
dirige. Recurso especial conhecido e provido. 
 STJ: 2ª Turma. REsp 1057274/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJe 26.02.2010 
ADMINISTRATIVO - TRANSPORTE - PASSE LIVRE - IDOSOS - DANO MORAL COLETIVO - DESNECESSIDADE DE 
COMPROVAÇÃO DA DOR E DE SOFRIMENTO - APLICAÇÃO EXCLUSIVA AO DANO MORAL INDIVIDUAL - 
CADASTRAMENTO DE IDOSOS PARA USUFRUTO DE DIREITO - ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA PELA EMPRESA DE 
TRANSPORTE - ART. 39, § 1º DO ESTATUTO DO IDOSO - LEI 10741/2003 VIAÇÃO NÃO PREQUESTIONADO. 
1. O dano moral coletivo, assim entendido o que é transindividual e atinge uma classe específica ou não de 
pessoas, é passível de comprovação pela presença de prejuízo à imagem e à moral coletiva dos indivíduos 
enquanto síntese das individualidades percebidas como segmento, derivado de uma mesma relação jurídica-
base." 
2. O dano extrapatrimonial coletivo prescinde da comprovação de dor, de sofrimento e de abalo psicológico, 
suscetíveis de apreciação na esfera do indivíduo, mas inaplicável aos interesses difusos e coletivos. 
3. Na espécie, o dano coletivo apontado foi a submissão dos idosos a procedimento de cadastramento para o 
gozo do benefício do passe livre, cujo deslocamento foi custeado pelos interessados, quando o Estatuto do 
Idoso, art. 39, § 1º exige apenas a apresentação de documento de identidade. 
 
65 
 
 
4. Conduta da empresa de viação injurídica se considerado o sistema normativo. 
5. Afastada a sanção pecuniária pelo Tribunal que considerou as circunstancias fáticas e probatória e restando 
sem prequestionamento o Estatuto do Idoso, mantém-se a decisão. 
5. Recurso especial parcialmente provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1.656.614-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23.05.2017 
DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E COMPENSAÇÃO POR DANO 
MORAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SEGURANÇA. GRAVES LESÕES. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO 
IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. INTERESSE RECURSAL. QUESTÕES RESOLVIDAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. 
AUSÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. MECANISMO DE SEGURANÇA. RISCO INERENTE. 
PRODUTO DEFEITUOSO. EXCESSO. REVISÃO DO VALOR DA COMPENSAÇÃO. 
1. Ação de indenização por dano material e compensação por danomoral ajuizada em 17.03.2009. Recurso 
especial atribuído ao gabinete em 25.08.2016. Julgamento: CPC/73. 
2. O propósito recursal consiste em afastar a responsabilidade objetiva da Mitsubishi Motors Corporation 
decorrente de alegado dano ocasionado por fato de produto. 
3. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de 
suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. 
4. Ausência de interesse recursal da recorrente em questões já deferidas pelo Tribunal de origem. 
5. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 
6. Considera-se o produto como defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele se espera, 
levando-se em consideração a época e o modo em que foi prestado, e no que mais importa para a espécie, os 
riscos inerentes a sua regular utilização. 
7. O fato da utilização do air bag, como mecanismo de segurança de periculosidade inerente, não autoriza que as 
montadoras de veículos se eximam da responsabilidade em ressarcir danos fora da normalidade do "uso e os 
riscos que razoavelmente dele se esperam" (art. 12, §1º, II do CDC). 
8. É clara a necessidade de se arbitrar valor proporcional e estritamente adequado à compensação do prejuízo 
extrapatrimonial sofrido e ao desestímulo de práticas lesivas. Por outro ângulo, a compensação financeira 
arbitrada não pode representar o enriquecimento sem causa da vítima. 
9. Recurso especial parcialmente conhecido, e nessa parte, parcialmente provido para fixar definitivamente neste 
julgamento o valor da compensação pelo dano moral. 
 
66 
 
 
Direito ao Acesso à Justiça, à Facilitação da Defesa de Direitos e à 
Inversão do Ônus da Prova 
 STJ: 2ª Turma. REsp 1279622-MG, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.08.2015 
ADMINISTRATIVO. CONSUMIDOR. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. PLANO "NET VIRTUA". CLÁUSULAS 
ABUSIVAS. TRANSFERÊNCIA DOS RISCOS DA ATIVIDADE AO CONSUMIDOR. PROCON. ATIVIDADE 
ADMINISTRATIVA DE ORDENAÇÃO. AUTORIZAÇÃO PARA APLICAÇÃO DE SANÇÕES VIOLADORAS DO CDC. 
CONTROLE DE LEGALIDADE E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. ATIVIDADE NÃO EXCLUSIVA DO 
JUDICIÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO SUCINTA. POSSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA INCOGNOSCÍVEL. SÚMULA 83/STJ. 
REDUÇÃO DA PROPORCIONALIDADE DA MULTA ADMINISTRATIVA. SÚMULA 7/STJ. 
1. O Código de Defesa do Consumidor é zeloso quanto à preservação do equilíbrio contratual, da equidade 
contratual e, enfim, da justiça contratual, os quais não coexistem ante a existência de cláusulas abusivas. 
2. O art. 51 do CDC traz um rol meramente exemplificativo de cláusulas abusivas, num conceito aberto que 
permite o enquadramento de outras abusividades que atentem contra o equilíbrio entre as partes no contrato de 
consumo, de modo a preservar a boa-fé e a proteção do consumidor. 
3. O Decreto n. 2.181/1997 dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor - SNDC e 
estabelece as normas gerais de aplicação das sanções administrativas, nos termos do Código de Defesa do 
Consumidor (Lei n. 8.078/1990). 
4. O art. 4º do CDC (norma principiológica que anuncia as diretivas, as bases e as proposições do referido 
diploma) legitima, por seu inciso II, alínea "c", a presença plural do Estado no mercado, tanto por meios de 
órgãos da administração pública voltados à defesa do consumidor (tais como o Departamento de Proteção e 
Defesa do Consumidor, os Procons estaduais e municipais), quanto por meio de órgãos clássicos (Defensorias 
Públicas do Estado e da União, Ministério Público Estadual e Federal, delegacias de polícia especializada, agências 
e autarquias fiscalizadoras, entre outros). 
5. O PROCON, embora não detenha jurisdição, pode interpretar cláusulas contratuais, porquanto a Administração 
Pública, por meio de órgãos de julgamento administrativo, pratica controle de legalidade, o que não se confunde 
com a função jurisdicional propriamente dita, mesmo porque "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário 
lesão ou ameaça a direito" (art. 5º, XXXV, da CF). 
6. A motivação sucinta que permite a exata compreensão do decisum não se confunde com motivação 
inexistente. 
 
67 
 
 
7. A sanção administrativa aplicada pelo PROCON reveste-se de legitimidade, em virtude de seu poder de polícia 
(atividade administrativa de ordenação) para cominar multas relacionadas à transgressão da Lei n. 8.078/1990, 
esbarrando o reexame da proporcionalidade da pena fixada no enunciado da Súmula 7/STJ. 
8. "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo 
sentido da decisão recorrida" (Súmula 83/STJ). 
Recurso especial conhecido em parte e improvido. 
 STJ: REsp: 802.832-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino. DJe: 21.09.2011 
RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR. RESPONSABILIDADE POR VÍCIO NO PRODUTO (ART. 18 DO CDC). ÔNUS DA 
PROVA. INVERSÃO 'OPE JUDICIS' (ART. 6º, VIII, DO CDC). MOMENTO DA INVERSÃO. PREFERENCIALMENTE NA 
FASE DE SANEAMENTO DO PROCESSO. 
I. A inversão do ônus da prova pode decorrer da lei ('ope legis'), como na responsabilidade pelo fato do produto 
ou do serviço (arts. 12 e 14 do CDC), ou por determinação judicial ('ope judicis'), como no caso dos autos, 
versando acerca da responsabilidade por vício no produto (art. 18 do CDC). 
II. Inteligência das regras dos arts. 12, § 3º, II, e 14, § 3º, I, e. 6º, VIII, do CDC. 
III. A distribuição do ônus da prova, além de constituir regra de julgamento dirigida ao juiz (aspecto objetivo), 
apresenta-se também como norma de conduta para as partes, pautando, conforme o ônus atribuído a cada uma 
delas, o seu comportamento processual (aspecto subjetivo). Doutrina. 
IV. Se o modo como distribuído o ônus da prova influi no comportamento processual das partes (aspecto 
subjetivo), não pode a a inversão 'ope judicis' ocorrer quando do julgamento da causa pelo juiz (sentença) ou 
pelo tribunal (acórdão). 
V. Previsão nesse sentido do art. 262, §1º, do Projeto de Código de Processo Civil. 
VI. A inversão 'ope judicis' do ônus probatório deve ocorrer preferencialmente na fase de saneamento do 
processo ou, pelo menos, assegurando-se à parte a quem não incumbia inicialmente o encargo, a reabertura de 
oportunidade para apresentação de provas. 
VII. Divergência jurisprudencial entre a Terceira e a Quarta Turma desta Corte. 
VIII. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO 
 STJ: AgRg no CC 129.294/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, SEGUNDA SEÇÃO, 
julgado em 24/9/2014, DJe 1º/10/2014) 
BANCÁRIO. AÇÃO REVISIONAL PROPOSTA PELO CONSUMIDOR. DOMICÍLIO DO RÉU. POSSIBILIDADE. 
 
68 
 
 
1. A jurisprudência sedimentada da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que é 
facultado ao consumidor, quando autor da ação, eleger, dentro das limitações impostas pela lei, a comarca que 
melhor atende seus interesses. 
2. A competência, em casos tais, deve ser tida por relativa, somente podendo ser alterada caso o réu apresente, a 
tempo e modo oportunos, exceção de incompetência, não sendo possível sua declinação de ofício nos moldes da 
Súmula nº 33/STJ. 
3. A norma protetiva, erigida em benefício do consumidor, não o obriga a demandar em seu domicílio, sendo-lhe 
possível renunciar ao direito que possui de ali demandar e ser demandado, optando por ajuizar a ação no foro 
do domicilio do réu, com observância da regra geral de fixação de competência do art. 94 do CPC. 
4. Agravo regimental não provido. 
 STJ. 2ª Turma. REsp 1253672/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2/8/2011 
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. 
ABUSIVIDADE NA COMERCIALIZAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA A FAVOR DO 
MINISTÉRIO PÚBLICO. POSSIBILIDADE. TUTELA DE DIREITOS E DE SEUS TITULARES, E NÃO PROPRIAMENTE DAS 
PARTES DA AÇÃO. 
1. Trata-se, na origem, de ação civil pública movida pelo recorrido em face da recorrente em que se discute 
abusividadena comercialização de combustíveis. Houve, em primeiro grau, inversão do ônus da prova a favor do 
Ministério Público, considerando a natureza consumerista da demanda. Esta conclusão foi mantida no agravo de 
instrumento interposto no Tribunal de Justiça. 
2. Nas razões recursais, sustenta a recorrente ter havido violação aos arts. 535 do Código de Processo Civil (CPC), 
ao argumento de que o acórdão recorrido é omisso, e 6º, inc. VIII, do Código de Defesa do Consumidor (CDC), 
pois o Ministério Público não é hipossuficiente a fim de que lhe se permita a inversão do ônus da prova. Quanto 
a este último ponto, aduz, ainda, haver dissídio jurisprudencial a ser sanado. 
3. Em primeiro lugar, é de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses 
levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida 
e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República 
vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 
Precedentes. 
4. Em segundo lugar, pacífico nesta Corte Superior o entendimento segundo o qual o Ministério Público, no 
âmbito de ação consumerista, faz jus à inversão do ônus da prova, a considerar que o mecanismo previsto no art. 
6º, inc. VIII, do CDC busca concretizar a melhor tutela processual possível dos direitos difusos, coletivos ou 
 
69 
 
 
individuais homogêneos e de seus titulares - na espécie, os consumidores -, independentemente daqueles que 
figurem como autores ou réus na ação. Precedentes. 
5. Recurso especial não provido. 
 STJ. 2ª Seção. EREsp 422778-SP, Rel. para o acórdão Min. Maria Isabel Gallotti (art. 52, IV, b, do 
RISTJ), julgados em 29/2/2012. 
EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. LEI 
8.078/90, ART. 6º, INC. VIII. REGRA DE INSTRUÇÃO. DIVERGÊNCIA CONFIGURADA. 
1. O cabimento dos embargos de divergência pressupõe a existência de divergência de entendimentos entre 
Turmas do STJ a respeito da mesma questão de direito federal. Tratando-se de divergência a propósito de regra 
de direito processual (inversão do ônus da prova) não se exige que os fatos em causa no acórdão recorrido e 
paradigma sejam semelhantes, mas apenas que divirjam as Turmas a propósito da interpretação do dispositivo 
de lei federal controvertido no recurso. 
2. Hipótese em que o acórdão recorrido considera a inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, inciso VIII, do 
CDC regra de julgamento e o acórdão paradigma trata o mesmo dispositivo legal como regra de instrução. 
Divergência configurada. 
3. A regra de imputação do ônus da prova estabelecida no art. 12 do CDC tem por pressuposto a identificação 
do responsável pelo produto defeituoso (fabricante, produtor, construtor e importador), encargo do autor da 
ação, o que não se verificou no caso em exame. 
4. Não podendo ser identificado o fabricante, estende-se a responsabilidade objetiva ao comerciante (CDC, art. 
13). Tendo o consumidor optado por ajuizar a ação contra suposto fabricante, sem comprovar que o réu foi 
realmente o fabricante do produto defeituoso, ou seja, sem prova do próprio nexo causal entre ação ou omissão 
do réu e o dano alegado, a inversão do ônus da prova a respeito da identidade do responsável pelo produto 
pode ocorrer com base no art. 6º, VIII, do CDC, regra de instrução, devendo a decisão judicial que a determinar 
ser proferida "preferencialmente na fase de saneamento do processo ou, pelo menos, assegurando-se à parte a 
quem não incumbia inicialmente o encargo, a reabertura de oportunidade" (RESP 802.832, STJ 2ª Seção, DJ 
21.9.2011). 
5. Embargos de divergência a que se dá provimento. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1510697-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 9/6/2015 
RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. AÇÃO REVISIONAL. VALIDADE DE 
CLÁUSULA CONTRATUAL. REAJUSTE DE MENSALIDADES. USUÁRIO. LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. 
NATUREZA JURÍDICA DA RELAÇÃO CONTRATUAL COM A OPERADORA. ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO. 
 
70 
 
 
INTERESSE JURIDICAMENTE PROTEGIDO. DEMONSTRAÇÃO. DESTINATÁRIO FINAL DOS SERVIÇOS DE 
ASSISTÊNCIA À SAÚDE. 
1. Discute-se a legitimidade ativa ad causam do usuário de plano de saúde coletivo para postular contra a 
operadora a revisão judicial de cláusulas contratuais. 
2. A legitimidade exigida para o exercício do direito de ação depende, em regra, da relação jurídica de direito 
material havida entre as partes; em outras palavras, a ação tem como condição a titularidade de um direito ou 
interesse juridicamente protegido. 
3. O plano de saúde coletivo é aquele contratado por uma empresa ou por pessoas jurídicas de caráter 
profissional, classista ou setorial, como conselhos, sindicatos e associações profissionais, junto à operadora de 
planos de saúde para oferecer assistência médica e/ou odontológica às pessoas vinculadas às mencionadas 
entidades bem como a seus dependentes. 
4. No plano de saúde coletivo, o vínculo jurídico formado entre a operadora e o grupo de usuários caracteriza-se 
como uma estipulação em favor de terceiro. Por seu turno, a relação havida entre a operadora e o estipulante é 
similar a um contrato por conta de terceiro. Já para os usuários, o estipulante é apenas um intermediário, um 
mandatário, não representando a operadora de plano de saúde. 
5. Na estipulação em favor de terceiro, tanto o estipulante (promissário) quanto o beneficiário podem exigir do 
promitente (ou prestador de serviço) o cumprimento da obrigação (art. 436, parágrafo único, do CC). Assim, na 
fase de execução contratual, o terceiro (beneficiário) passa a ser também credor do promitente. 
6. Os princípios gerais do contrato amparam tanto o beneficiário quanto o estipulante, de modo que havendo no 
contrato cláusula abusiva ou ocorrendo fato que o onere excessivamente, não é vedado a nenhum dos 
envolvidos pedir a revisão da avença, mesmo porque as cláusulas contratuais devem obedecer a lei. 
7. O usuário de plano de saúde coletivo tem legitimidade ativa para ajuizar individualmente ação contra a 
operadora pretendendo discutir a validade de cláusulas do contrato, a exemplo do critério de reajuste das 
mensalidades, não sendo empecilho o fato de a contratação ter sido intermediada por estipulante. 
8. Recurso especial provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1133338-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 2/4/2013 
RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. SEGURO DE SAÚDE. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE 
DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE. INCLUSÃO DE DEPENDENTE. INAPLICABILIDADE DO § 5º DO 
ART. 35 DA LEI 9.656/98. OPORTUNIDADE DE ADAPTAÇÃO AO NOVO SISTEMA. NÃO CONCESSÃO. CLÁUSULA 
CONTRATUAL. POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DE QUALQUER PESSOA COMO DEPENDENTE. EXCLUSÃO DE 
COBERTURA DE LESÕES DECORRENTES DE MÁ-FORMAÇÃO CONGÊNITA. EXCEÇÃO. FILHO DE SEGURADA 
 
71 
 
 
NASCIDO NA VIGÊNCIA DO SEGURO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO CONSUMIDOR ADERENTE. 
ABUSIVIDADE DA NEGATIVA DE COBERTURA DE SITUAÇÃO DE URGÊNCIA. 
1. A análise de suposta violação de dispositivo constitucional é vedada nesta instância especial, sob pena de 
usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal. 
2. Inaplicabilidade da regra do § 5º do art. 35 da Lei n. 9.656/98 quando ao consumidor não foi dada a 
oportunidade de optar pela adaptação de seu contrato de seguro de saúde ao novo sistema. 
3. Afastada a restrição legal à inclusão de dependentes, permanece em plena vigência a cláusula contratual que 
prevê a possibilidade de inclusão de qualquer pessoa como dependente em seguro de saúde. 
4. Obrigação contratual da seguradora de oferecer cobertura às lesões decorrentes de má-formação congênita 
aos filhos das seguradas nascidos na vigência do contrato. 
5. Cláusulas contratuais devem ser interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor, mormente quando se 
trata de contratode adesão. Inteligência do art. 47 do CDC. 
6. Cobertura que não poderia, de qualquer forma, ser negada pela seguradora, por se tratar de situação de 
urgência, essencial à manutenção da vida do segurado, sob pena de se configurar abusividade contratual. 
7. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 
Direito ao Recebimento de Serviços Adequados e Eficazes 
 STJ: 2ª Turma. REsp 793.422/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 03/08/2006, p. DJ 17/08/2006 
ADMINISTRATIVO – SERVIÇO PÚBLICO CONCEDIDO – ENERGIA ELÉTRICA – INADIMPLÊNCIA. 
1. Os serviços públicos podem ser próprios e gerais, sem possibilidade de identificação dos destinatários. São 
financiados pelos tributos e prestados pelo próprio Estado, tais como segurança pública, saúde, educação, etc. 
Podem ser também impróprios e individuais, com destinatários determinados ou determináveis. Neste caso, têm 
uso específico e mensurável, tais como os serviços de telefone, água e energia elétrica. 
2. Os serviços públicos impróprios podem ser prestados por órgãos da administração pública indireta ou, 
modernamente, por delegação, como previsto na CF (art. 175). São regulados pela Lei 8.987/95, que dispõe sobre 
a concessão e permissão dos serviços públicos. 
3. Os serviços prestados por concessionárias são remunerados por tarifa, sendo facultativa a sua utilização, que é 
regida pelo CDC, o que a diferencia da taxa, esta, remuneração do serviço público próprio. 
4. Os serviços públicos essenciais, remunerados por tarifa, porque prestados por concessionárias do serviço, 
podem sofrer interrupção quando há inadimplência, como previsto no art. 6º, § 3º, II, da Lei 8.987/95. Exige-se, 
 
72 
 
 
entretanto, que a interrupção seja antecedida por aviso, existindo na Lei 9.427/97, que criou a ANEEL, idêntica 
previsão. 
5. A continuidade do serviço, sem o efetivo pagamento, quebra o princípio da igualdade das partes e ocasiona o 
enriquecimento sem causa, repudiado pelo Direito (arts. 42 e 71 do CDC, em interpretação conjunta). 
6. Hipótese em que não há respaldo legal para a suspensão do serviço, pois tem por objetivo compelir o usuário 
a pagar multa por suposta fraude no medidor e diferença de consumo apurada unilateralmente pela Cia de 
Energia. 
7. Recurso especial improvido. 
 STJ. 3ª Turma. AgRg no Ag 1389181/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 
26/06/2012. 
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL - DANOS 
MORAIS E MATERIAIS. ASSALTO À MÃO ARMADA EM VAGÃO DE TREM. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA 
EMPRESA TRANSPORTADORA. INEXISTÊNCIA. FUNDAMENTOS DO NOVO RECURSO INSUFICIENTES PARA 
REFORMAR A DECISÃO AGRAVADA. 
1. "Constitui causa excludente da responsabilidade da empresa transportadora o fato inteiramente estranho ao 
transporte em si, como é o assalto ocorrido no interior do coletivo. Precedentes." (REsp 435865/RJ, 2º Seção, Rel. 
Min. Barros Monteiro, DJ 12.05.2003). 
2. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 
 STJ. 4ª Turma. REsp 1183121-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 24/2/2015 (Info 
559). 
RESPONSABILIDADE CIVIL. CÓDIGO DO CONSUMIDOR. BANCO POSTAL. SERVIÇO PRESTADO PELA ECT. 
ATIVIDADE DE CORRESPONDENTE BANCÁRIO. INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. 
ATIVIDADE QUE TRAZ, EM SUA ESSÊNCIA RISCO À SEGURANÇA. ASSALTO NO INTERIOR DE AGÊNCIA. FORTUITO 
INTERNO. DANOS MORAIS E MATERIAIS DEVIDOS. 
1. Visando conferir efetividade e socialidade ao Programa Nacional de Desburocratização do Governo Federal, 
ampliando o acesso da população brasileira a alguns serviços prestados por instituições financeiras, foi criada a 
figura do correspondente bancário, cuja atividade é regulamentada por diversas resoluções do Banco Central do 
Brasil. 
2. O objetivo da atividade de correspondente é justamente o de levar os serviços e produtos bancários mais 
elementares à população de localidades desprovidas de referidos benefícios, proporcionando a inclusão social e 
acesso ao sistema financeiro, conferindo maior capilaridade ao atendimento bancário, nada mais sendo do que 
uma longa manus das instituições financeiras que não conseguem atender toda a sua demanda. 
 
73 
 
 
3. Ao realizar a atividade de banco postal, contrato de finalidade creditícia, a ECT buscou, no espectro da 
atividade econômica, aumentar os seus ganhos e proventos, pois, por meio dessa relação, o correspondente tira 
proveito de recursos ociosos, utilizando a marca do banco para atrair clientes, fidelizar consumidores, acessar 
serviços e produtos do sistema financeiro, agregando diferencial competitivo ao negócio. 
4. Nesse ramo, verifica-se serviço cuja natureza traz, em sua essência, risco à segurança, justamente por tratar de 
atividade financeira com guarda de valores e movimentação de numerário, além de diversas outras ações 
tipicamente bancárias, apesar de o correspondente não ser juridicamente uma instituição financeira para fins de 
incidência do art. 1°, § 1°, da Lei n. 7.102/1983, conforme já decidido pelo STJ. 
5. É assente na jurisprudência do STJ que nas discussões a respeito de assaltos dentro de agências bancárias, 
sendo o risco inerente à atividade bancária, é a instituição financeira que deve assumir o ônus desses infortúnios, 
sendo que "roubos em agências bancárias são eventos previsíveis, não caracterizando hipótese de força maior, 
capaz de elidir o nexo de causalidade, requisito indispensável ao dever de indenizar" (REsp 1093617/PE, Rel. 
Ministro João Otávio de Noronha, 4ª Turma, DJe 23/03/2009). 
6. Além de prestar atividades tipicamente bancárias, a ECT oferece publicamente esses serviços (equipamentos, 
logomarca, prestígio etc), de forma que, ao menos de forma aparente, de um banco estamos a tratar; aos olhos 
do usuário, inclusive em razão do nome e da prática comercial, não se pode concluir de outro modo, a não ser 
pelo fato de que o consumidor efetivamente crê que o banco postal (correspondente bancário) nada mais é do 
que um banco com funcionamento dentro de agência dos Correios. 
7. As contratações tanto dos serviços postais como dos serviços de banco postal oferecidos pelos Correios 
revelam a existência de contrato de consumo, desde que o usuário se qualifique como "destinatário final" do 
produto ou serviço. 
8. Na hipótese, o serviço prestado pelos Correios foi inadequado e ineficiente porque descumpriu o dever de 
segurança legitimamente esperado pelo consumidor, não havendo falar em caso fortuito para fins de exclusão da 
responsabilidade com rompimento da relação de causalidade, mas sim fortuito interno, porquanto incide na 
proteção dos riscos esperados da atividade empresarial desenvolvida. 
9. De fato, dentro do seu poder de livremente contratar e oferecer diversos tipos de serviços, ao agregar a 
atividade de correspondente bancário ao seu empreendimento, acabou por criar risco inerente à própria 
atividade das instituições financeiras, devendo por isso responder pelos danos que esta nova atribuição tenha 
gerado aos seus consumidores, uma vez que atraiu para si o ônus de fornecer a segurança legitimamente 
esperada para esse tipo de negócio. 
10. Recurso especial não provido. 
 STJ. 3ª Turma. REsp 1280372-SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 7/10/2014 
(Info 550). 
 
74 
 
 
RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA. COMPANHIA AÉREA. CONTRATO DE 
TRANSPORTE. OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANOS MORAIS. ATRASO DE VOO. 
SUPERIOR A QUATRO HORAS. PASSAGEIRO DESAMPARADO. PERNOITE NO AEROPORTO. ABALO PSÍQUICO. 
CONFIGURAÇÃO. CAOS AÉREO. FORTUITO INTERNO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. 
1. Cuida-se de ação por danos morais proposta por consumidor desamparado pela companhia aérea 
transportadora que, ao atrasar desarrazoadamente o voo, submeteu o passageiro a toda sorte de humilhações e 
angústias em aeroporto, no qual ficou sem assistência ou informação quanto às razões do atraso durante toda a 
noite. 
2. O contrato de transporte consiste em obrigaçãode resultado, configurando o atraso manifesta prestação 
inadequada. 
3. A postergação da viagem superior a quatro horas constitui falha no serviço de transporte aéreo contratado e 
gera o direito à devida assistência material e informacional ao consumidor lesado, independentemente da causa 
originária do atraso. 
4. O dano moral decorrente de atraso de voo prescinde de prova e a responsabilidade de seu causador opera-se 
in re ipsa em virtude do desconforto, da aflição e dos transtornos suportados pelo passageiro. 
5. Em virtude das especificidades fáticas da demanda, afigura-se razoável a fixação da verba indenizatória por 
danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). 
6. Recurso especial provido. 
 STJ. 4ª Turma. REsp 1354369-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 5/5/2015 
RESPONSABILIDADE CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRANSPORTE INTERESTADUAL DE PASSAGEIROS. USUÁRIO 
DEIXADO EM PARADA OBRIGATÓRIA. CULPA EXCLUSIVA DO CONSUMIDOR. 
1. A responsabilidade decorrente do contrato de transporte é objetiva, nos termos do art. 37, § 6º, da 
Constituição da República e dos arts. 14 e 22 do Código de Defesa do Consumidor, sendo atribuído ao 
transportador o dever reparatório quando demonstrado o nexo causal entre o defeito do serviço e o acidente de 
consumo, do qual somente é passível de isenção quando houver culpa exclusiva do consumidor ou uma das 
causas excludentes de responsabilidade genéricas (arts. 734 e 735 do Código Civil). 
2. Deflui do contrato de transporte uma obrigação de resultado que incumbe ao transportador levar o 
transportado incólume ao seu destino (art. 730 do CC), sendo certo que a cláusula de incolumidade se refere à 
garantia de que a concessionária de transporte irá empreender todos os esforços possíveis no sentido de isentar 
o consumidor de perigo e de dano à sua integridade física, mantendo-o em segurança durante todo o trajeto, 
até a chegada ao destino final. 
 
75 
 
 
3. Ademais, ao lado do dever principal de transladar os passageiros e suas bagagens até o local de destino com 
cuidado, exatidão e presteza, há o transportador que observar os deveres secundários de cumprir o itinerário 
ajustado e o horário marcado, sob pena de responsabilização pelo atraso ou pela mudança de trajeto. 
4. Assim, a mera partida do coletivo sem a presença do viajante não pode ser equiparada automaticamente à 
falha na prestação do serviço, decorrente da quebra da cláusula de incolumidade, devendo ser analisadas pelas 
instâncias ordinárias as circunstâncias fáticas que envolveram o evento, tais como, quanto tempo o coletivo 
permaneceu na parada; se ele partiu antes do tempo previsto ou não; qual o tempo de atraso do passageiro; e 
se houve por parte do motorista a chamada dos viajantes para reembarque de forma inequívoca. 
5. O dever de o consumidor cooperar para a normal execução do contrato de transporte é essencial, impondo-
se-lhe, entre outras responsabilidades, que também esteja atento às diretivas do motorista em relação ao tempo 
de parada para descanso, de modo a não prejudicar os demais passageiros (art. 738 do CC). 
6. Recurso especial provido. 
 STJ. 2ª Turma. REsp 1292875-PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15/12/2016 
RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO. PUBLICAÇÃO ANTERIOR À VIGÊNCIA DO CPC/2015. REQUISITOS DE 
ADMISSIBILIDADE. CPC/1973. ART. 535 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE OFENSA ADAPTAÇÃO DO TRANSPORTE 
COLETIVO. 
ACESSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 5º, § 2º, DA LEI 10.048/2000 E 38, §§ 2º, 3º E 5º, DO DECRETO 
5.296/2004. NÃO CONFIGURADA. ART. 16 DA LEI 10.098/2000. 
1. Os Recursos Especiais impugnam acórdão publicado na vigência do CPC de 1973, sendo exigidos, pois, os 
requisitos de admissibilidade na forma prevista naquele código de ritos, com as interpretações dadas, até então, 
pela jurisprudência desta Corte, conforme o Enunciado Administrativo 2, aprovado pelo Plenário do Superior 
Tribunal de Justiça em 9.3.2016. 
2. Trata-se na origem de Ação Civil Pública proposta pelo Instituto Constituição Viva - Conviva visando à 
condenação do recorrente em promover a adaptação dos terminais de acesso e de todos os veículos de 
transporte coletivo intramunicipal de Ponta Grossa às pessoas com deficiência bem como a indenizá-las por 
danos morais sofridos decorrentes do impedimento ou da dificuldade de acesso ao transporte coletivo por falta 
de adaptação técnica. 
3. Em segundo grau a apelação do ora recorrente foi parcialmente provida para dilatar o prazo de adaptação dos 
veículos para as pessoas com deficiência física para um ano ao invés dos seis meses fixados na sentença. 
4. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 
5. Não há ofensa aos arts. 5º, § 2º, da Lei 10.048/2000 e 38, §§ 2º, 3º e 5º, do Decreto 5.296/2004. 
 
76 
 
 
6. Impossível acolher a tese do recorrente de que embora a Lei 10.048/2000 tenha fixado prazo de 180 dias a 
contar de sua regulamentação, apenas em 3.12.2004, data da publicação do Decreto 5.296/2004, é que tal 
regulamentação ocorreu, com a fixação de prazo de 10 anos para efetivação de todas as adaptações do veículos 
de trasnporte coletivo para as pessoas com deficiência. 
7. Admitir esse entendimento significa aceitar que a lei fique subordinada a seu regulamento. Ademais, o 
Decreto, ao prorrogar, por dez anos, a efetividade da garantia de acessibilidade às pessoas com deficiência, 
concebida para produzir efeitos o quanto antes, mostra-se ilegal, já frusta o escopo da norma. 
8. Ademais, embora a Lei 10.048/2000 tenha fixado prazo de 180 dias a contar de sua regulamentação, que que 
se deu com a edição do Decreto 5.296/2004, o fato é que o citado prazo foi modificado com a edição da citada 
Lei 10.098/200. 
9. Com o advento da Lei 10.098/2000, a discussão sobre o prazo para adaptação dos veículos de transporte 
coletivo para pessoas deficientes perdeu a razão de ser, pois a referida norma, publicada em 20.12.200, 
disciplinou a matéria em seu art. 16. 
10. A regulamentação exigida pela Lei 10.048/2000 deixou de ser necessária, pois a Lei 10.098/2000 remeteu tal 
providência para as normas técnicas. Existem diversas normas regulamentares sobre a acessibilidade dos 
transportes coletivos editadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Especificamente acerca do 
transporte rodoviário existe a NBR 14022/1997, posteriormente substitui da pela Portaria 260/2007 do Imetro. 
11. Portanto, desde a edição da Lei nº. 10.098/2000, a adaptação dos veículos de transporte coletivo foi 
suficientemente regulamentada, não havendo razão em se falar em inexistência de mora do recorrente. 
12. Recurso Especial não provido. 
 STJ. 4ª Turma. REsp 1611915-RS, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 06/12/2018 
RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - ACESSIBILIDADE EM TRANSPORTE AÉREO - CADEIRANTE 
SUBMETIDO A TRATAMENTO INDIGNO AO EMBARCAR EM AERONAVE - AUSÊNCIA DOS MEIOS MATERIAIS 
NECESSÁRIOS AO INGRESSO DESEMBARAÇADO NO AVIÃO DO DEPENDENTE DE TRATAMENTO ESPECIAL - 
RESPONSABILIDADE DA PRESTADORA DE SERVIÇOS CONFIGURADA - REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO 
IMPROCEDENTE. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 
Hipótese: Trata-se de ação condenatória cuja pretensão é o reconhecimento da responsabilidade civil da 
companhia aérea por não promover condições dignas de acessibilidade de pessoa cadeirante ao interior da 
aeronave. 1. Recurso sujeito aos requisitos de admissibilidade do Código de Processo Civil de 1973, conforme 
Enunciado Administrativo 2/2016 do STJ. 
 
77 
 
 
2. Não há violação ao art. 535 do CPC/73 quando não indicada a omissão e a demonstrada a importância da 
análise da matéria para a resolução da controvérsia. Na hipótese de fundamentação genérica incide a regra da 
Súmula 284 do STF. 
3. O Brasil assumiu no plano internacional compromissos destinados à concretização do convívio social de forma 
independente da pessoa portadora de deficiência, sobretudo por meioda garantia da acessibilidade, 
imprescindível à autodeterminação do indivíduo com dificuldade de locomoção. 
3.1. A Resolução n. 9/2007 da Agência Nacional de Aviação Civil, cuja vigência perdurou de 14/6/2007 até 
12/1/2014, atribuiu às empresas aéreas a obrigação de assegurar os meios para o acesso desembaraçado da 
pessoa com deficiência no interior da aeronave, aplicando-se, portanto, aos fatos versados na demanda. 
4. Nos termos do art. 14, caput, da Lei n. 8.078/90, o fornecedor de serviços responde, objetivamente, pela 
reparação dos danos causados ao consumidor, em razão da incontroversa má-prestação do serviço por ela 
fornecido, o que ocorreu na hipótese. 
4.1. O fato de terceiro, excludente da responsabilidade do transportador, é aquele imprevisto e que não tem 
relação com a atividade de transporte, não sendo o caso dos autos, uma vez que o constrangimento, previsível 
no deslocamento coletivo de pessoas, decorreu da própria relação contratual entre os envolvidos e, 
preponderantemente, da forma que o serviço foi prestado pela ora recorrente. 
5. A indenização por danos morais fixada em quantia sintonizada aos princípios da razoabilidade e 
proporcionalidade não enseja a interposição do recurso especial, dada a necessidade de exame de elementos de 
ordem fática, cabendo sua revisão apenas em casos de manifesta excessividade ou irrisoriedade do montante 
arbitrado. 
Incidência da Súmula 7 do STJ. Verba indenizatória mantida em R$ 15.000,00 (quinze mil reais). 
6. Recurso parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido. 
 STJ. 1ª Seção. REsp 1412433-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 25/04/2018 
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO 
CPC/1973 (ATUAL 1.036 DO CPC/2015) E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. SERVIÇOS PÚBLICOS. FORNECIMENTO DE 
ENERGIA ELÉTRICA. FRAUDE NO MEDIDOR DE CONSUMO. CORTE ADMINISTRATIVO DO SERVIÇO. DÉBITOS DO 
CONSUMIDOR. CRITÉRIOS. ANÁLISE DA CONTROVÉRSIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 
(ATUAL 1.036 DO CPC/2015) 
1. A concessionária sustenta que qualquer débito, atual ou antigo, dá ensejo ao corte administrativo do 
fornecimento de energia elétrica, o que inclui, além das hipóteses de mora do consumidor, débitos pretéritos 
relativos à recuperação de consumo por fraude do medidor. In casu, pretende cobrar débito oriundo de fraude 
em medidor, fazendo-o retroagir aos cinco anos antecedentes. 
 
78 
 
 
TESE CONTROVERTIDA ADMITIDA 
2. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (atualmente 1036 e seguintes do CPC/2015), admitiu-se a seguinte tese 
controvertida: "a possibilidade de o prestador de serviços públicos suspender o fornecimento de energia elétrica 
em razão de débito pretérito do destinatário final do serviço". 
PANORAMA GERAL DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ SOBRE CORTE DE ENERGIA POR FALTA DE PAGAMENTO 
3. São três os principais cenários de corte administrativo do serviço em decorrência de débitos de consumo de 
energia elétrica por inadimplemento: a) consumo regular (simples mora do consumidor); b) recuperação de 
consumo por responsabilidade atribuível à concessionária; e c) recuperação de consumo por responsabilidade 
atribuível ao consumidor (normalmente, fraude do medidor). 
4. O caso tratado no presente recurso representativo da controvérsia é o do item "c" acima, já que a apuração de 
débitos pretéritos decorreu de fato atribuível ao consumidor: fraude no medidor de consumo. 
5. Não obstante a delimitação supra, é indispensável à resolução da controvérsia fazer um apanhado da 
jurisprudência do STJ sobre a possibilidade de corte administrativo do serviço de energia elétrica. 
6. Com relação a débitos de consumo regular de energia elétrica, em que ocorre simples mora do consumidor, a 
jurisprudência do STJ está sedimentada no sentido de que é lícito o corte administrativo do serviço, se houver 
aviso prévio da suspensão. A propósito: REsp 363.943/MG, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, Primeira 
Seção, DJ 1º.3.2004, p. 119; EREsp 302.620/SP, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Franciulli 
Netto, Primeira Seção, DJ 3.4.2006, p. 207; REsp 772.486/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 
6.3.2006, p. 225; AgRg no Ag 1.320.867/RJ, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 19.6.2017; e 
AgRg no AREsp 817.879/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.2.2016. 
7. Quanto a débitos pretéritos, sem discussão específica ou vinculação exclusiva à responsabilidade atribuível ao 
consumidor pela recuperação de consumo (fraude no medidor), há diversos precedentes no STJ que estipulam a 
tese genérica de impossibilidade de corte do serviço: EREsp 1.069.215/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, 
Primeira Seção, DJe 1º.2.2011; EAg 1.050.470/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 14.9.2010; 
REsp 772.486/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 6.3.2006, p. 225; AgRg nos EDcl no AREsp 
107.900/RS, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 18.3.2013; AgRg no REsp 1.381.468/RN, Rel. Ministro 
Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 14.8.2013; AgRg no REsp 1.536.047/GO, Rel. Ministro Humberto 
Martins, Segunda Turma, DJe 15.9.2015; AgRg no AREsp 273.005/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda 
Turma, DJe 26.3.2013; AgRg no AREsp 257.749/PE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 8.2.2013; 
AgRg no AREsp 462.325/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 15.4.2014; AgRg no AREsp 
569.843/PE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 11.11.2015; AgRg no AREsp 
484.166/RS, Rel. Ministro Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 8.5.2014; EDcl no AgRg no 
AREsp 58.249/PE, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 25.4.2013; AgRg no AREsp 
 
79 
 
 
360.286/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 11.9.2013; AgRg no AREsp 360.181/PE, 
Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 26.9.2013; AgRg no AREsp 331.472/PE, Rel. Ministro 
Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13.9.2013; AgRg no AREsp 300.270/MG, Rel. Ministro Sérgio Kukina, 
Primeira Turma, DJe 24.9.2015; AgRg no REsp 1.261.303/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 
19.8.2013; EDcl no REsp 1.339.514/MG, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 5.3.2013; AgRg no AREsp 
344.523/PE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 14.10.2013; AgRg no AREsp 470/RS, Rel. Ministro 
Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 4.10.2011; e AgRg no Ag 962.237/RS, Rel. Ministro Castro Meira, 
Segunda Turma, DJe 27.3.2008. 
CORTE ADMINISTRATIVO POR FRAUDE NO MEDIDOR 
8. Relativamente aos casos de fraude do medidor pelo consumidor, a jurisprudência do STJ veda o corte quando 
o ilícito for aferido unilateralmente pela concessionária. A contrario sensu, é possível a suspensão do serviço se o 
débito pretérito por fraude do medidor cometida pelo consumidor for apurado de forma a proporcionar o 
contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido: AgRg no AREsp 412.849/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, 
Segunda Turma, DJe 10.12.2013; AgRg no AREsp 370.548/PE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, 
DJe 4.10.2013; AgRg no REsp 1.465.076/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 
9.3.2016; REsp 1.310.260/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 28.9.2017; AgRg no AREsp 
187.037/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8.10.2012; AgRg no AREsp 332.891/PE, 
Relator Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.8.2013; AgRg no AREsp 357.553/PE, Rel. Ministro 
Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 26.11.2014; AgRg no AREsp 551.645/SP, Rel. Ministro Benedito 
Gonçalves, Primeira Turma, DJe 3.10.2014; AgInt no AREsp 967.813/PR, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda 
Turma, DJe 8.3.2017; AgInt no REsp 1.473.448/RS, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 
1º.2.2017; AgRg no AREsp 345.130/PE,Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 10.10.2014; AgRg no 
AREsp 346.561/PE, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 1º.4.2014; AgRg no AREsp 448.913/PE, Rel. 
Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 3.9.2015; AgRg no AREsp 258.350/PE, Rel. Ministro Gurgel de 
Faria, Primeira Turma, DJe 8.6.2016; AgRg no REsp 1.478.948/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, 
DJe 20.3.2015; AgRg no AREsp 159.109/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.4.2013; AgRg no 
AREsp 295.444/RS, Rel. Ministra Marga Tessler (Desembargadora Federal Convocada do TRF/4ª Região), Primeira 
Turma, DJe de 17.4.2015; AgRg no AREsp 322.763/PE, Rel. Ministra Diva Malerbi (Desembargadora Federal 
Convocada do TRF/3ª Região), Segunda Turma, DJe 23.8.2016; e AgRg AREsp 243.389/PE, Rel. Ministro Arnaldo 
Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 4.2.2013. 
RESOLUÇÃO DA CONTROVÉRSIA 
9. Como demonstrado acima, em relação a débitos pretéritos mensurados por fraude do medidor de consumo 
causada pelo consumidor, a jurisprudência do STJ orienta-se no sentido do seu cabimento, desde que verificada 
com observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. 
 
80 
 
 
10. O não pagamento dos débitos por recuperação de efetivo consumo por fraude ao medidor enseja o corte do 
serviço, assim como acontece para o consumidor regular que deixa de pagar a conta mensal (mora), sem deixar 
de ser observada a natureza pessoal (não propter rem) da obrigação, conforme pacífica jurisprudência do STJ. 
11. Todavia, incumbe à concessionária do serviço público observar rigorosamente os direitos ao contraditório e à 
ampla defesa do consumidor na apuração do débito, já que o entendimento do STJ repele a averiguação 
unilateral da dívida. 
12. Além disso, o reconhecimento da possibilidade de corte de energia elétrica deve ter limite temporal de 
apuração retroativa, pois incumbe às concessionárias o dever não só de fornecer o serviço, mas também de 
fiscalizar adequada e periodicamente o sistema de controle de consumo. 
13. Por conseguinte e à luz do princípio da razoabilidade, a suspensão administrativa do fornecimento do serviço 
- como instrumento de coação extrajudicial ao pagamento de parcelas pretéritas relativas à recuperação de 
consumo por fraude do medidor atribuível ao consumidor - deve ser possibilitada quando não forem pagos 
débitos relativos aos últimos 90 (noventa) dias da apuração da fraude, sem prejuízo do uso das vias judiciais 
ordinárias de cobrança. 
14. Da mesma forma, deve ser fixado prazo razoável de, no máximo, 90 (noventa) dias, após o vencimento da 
fatura de recuperação de consumo, para que a concessionária possa suspender o serviço. 
TESE REPETITIVA 
15. Para fins dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015, fica assim resolvida a controvérsia repetitiva: Na hipótese 
de débito estrito de recuperação de consumo efetivo por fraude no aparelho medidor atribuída ao consumidor, 
desde que apurado em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, é possível o corte 
administrativo do fornecimento do serviço de energia elétrica, mediante prévio aviso ao consumidor, pelo 
inadimplemento do consumo recuperado correspondente ao período de 90 (noventa) dias anterior à constatação 
da fraude, contanto que executado o corte em até 90 (noventa) dias após o vencimento do débito, sem prejuízo 
do direito de a concessionária utilizar os meios judiciais ordinários de cobrança da dívida, inclusive antecedente 
aos mencionados 90 (noventa) dias de retroação. 
RESOLUÇÃO DO CASO CONCRETO 
16. Na hipótese dos autos, o Tribunal Estadual declarou a ilegalidade do corte de energia por se lastrear em 
débitos não relacionados ao último mês de consumo. 
17. Os débitos em litígio são concernentes à recuperação de consumo do valor de R$ 9.418,94 (nove mil, 
quatrocentos e dezoito reais e noventa e quatro centavos) por fraude constatada no aparelho medidor no 
período de cinco anos (15.12.2000 a 15.12.2005) anteriores à constatação, não sendo lícita a imposição de corte 
 
81 
 
 
administrativo do serviço pela inadimplência de todo esse período, conforme os parâmetros estipulados no 
presente julgamento. 
18. O pleito recursal relativo ao cálculo da recuperação de consumo não merece conhecimento por aplicação do 
óbice da Súmula 7/STJ. 
19. Recurso Especial não provido. Acórdão submetido ao regime dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015. 
Convenção Coletiva de Consumo 
 STJ: Recurso Especial nº 1.105.483-MG 
 
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. SE 
 
 
 
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83 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
ANDRADE, Adriano. MASSON, Cleber. ANDRADE, Landolfo. Interesses difusos e coletivos esquematizado. 6. ed. Método: São 
Paulo, 2016. 
ÁVILA, Humberto. Teoria Geral dos Princípios da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 4. Ed. Malheiros Editores: São 
Paulo, 2004. 
BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática constitucional 
transformadora. São Paulo, Saraiva, 1999. 
BOLZAN, Fabrício. Direito do consumidor esquematizado. 2. ed. Saraiva: São Paulo, 2014. 
CAVALCANTI, Márcio André Lopes. Vade mecum de jurisprudência. Juspodivm: Salvador, 2019. 
CUNHA, Rogério Sanches e outros. Revisaço magistratura estadual. 7. ed. Juspodivm: Salvador, 2019. 
FILOMENO, José Geraldo Brito. Direitos do consumidor. 15. ed. Atlas: São Paulo, 2018. 
GARCIA, Leonardo de Medeiros. Código de defesa do consumidor comentado artigo por artigo. 13. ed. Juspodivm: Salvador, 
2016. 
GOMES, Nathália Stivalle. Direito do consumidor. Juspodvum: 2019. 
GOUVEIA, Mila. Informativos em frase. Juspodivm: Salvador, 2017. 
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 21. ed. Saraiva: São Paulo, 2017. 
MIRAGEM, Bruno. Curso de direito do consumidor. 6. ed. Revista dos Tribunais: São Paulo, 2016. 
NETO, Felipe Peixoto Braga. Manual de direito do consumidor. Juspodvim: Salvador, 2015. 
NUNES, Rizzatto. Curso de direito do consumidor. 12. ed. Saraiva Educação: São Paulo, 2018. 
REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 1986. 
TARTUCE, Flávio. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito do consumidor: direito material e processual. 7. ed. 
Método: São Paulo, 2018. 
THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direitos do consumidor. 9. ed. Forense: Rio de Janeiro, 2017. 
 
 
 
 
PDF OAB
Direito do Consumidor
Capítulo 4
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1 
 
 
SUMÁRIO 
DIREITO DO CONSUMIDOR, Capítulo 4 ............................................................................................. 3 
1. Relação Jurídica de Consumo, Práticas Comerciais e Aplicação do Código de Defesa do 
Consumidor ............................................................................................................................................... 3 
1.1 Relação Jurídica de Consumo ........................................................................................................................................... 3 
1.2 Elemento Objetivo das Relações Jurídicas de Consumo ......................................................................................4 
1.2.1 Produto ........................................................................................................................................................................................ 4 
1.2.2 Serviço .......................................................................................................................................................................................... 7 
1.3 Elemento Subjetivo das Relações Jurídicas de Consumo ..................................................................................... 8 
1.3.1 Consumidor................................................................................................................................................................................ 9 
1.3.2 Fornecedor ...............................................................................................................................................................................14 
1.4 Aplicação do Código de Defesa do Consumidor ...................................................................................................15 
1.4.1 Serviço Público .......................................................................................................................................................................15 
1.4.2 Outras Situações em que incide o Código de Defesa do Consumidor .......................................................18 
1.5 Práticas Comerciais ...............................................................................................................................................................20 
1.5.1 Oferta ..........................................................................................................................................................................................20 
1.5.2 Publicidade ...............................................................................................................................................................................24 
1.5.3 Práticas Abusivas ...................................................................................................................................................................30 
1.6 Proteção Contratual do Consumidor ...........................................................................................................................31 
1.6.1 Princípios ...................................................................................................................................................................................32 
1.6.2 Revisão Contratual ................................................................................................................................................................33 
1.6.3 Cláusulas Abusivas ................................................................................................................................................................33 
1.6.4 Contratos de Adesão ...........................................................................................................................................................36 
1.6.5 Teoria da base objetiva do negócio jurídico ............................................................................................................38 
1.6.6 Multas Moratórias e Juros ................................................................................................................................................38 
 
2 
 
 
1.6.7 Liquidação Antecipada do Débito .................................................................................................................................39 
QUADRO SINÓTICO ...................................................................................................................................................... 40 
QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................................................ 44 
GABARITO ............................................................................................................................................... 61 
LEGISLAÇÃO COMPILADA .................................................................................................................... 65 
JURISPRUDÊNCIA ..................................................................................................................................... 67 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................................... 77 
 
 
 
3 
 
 
 
E ai, OABeiro! Como vai? 
A apostila de número 04 do nosso curso de Direito do Consumidor trata sobre as Relações 
jurídicas de Consumo, Aplicação do CDC, das Práticas Comerciais e Proteção Contratual do 
consumidor. 
Agora, vamos as nossas considerações: 
1- “Relações jurídicas de Consumo” é um assunto de média relevância no Exame de Ordem, 
tendo a incidência de apenas 3 vezes nos últimos 3 anos! Contudo, como sabemos que a FGV 
costuma ser imprevisível, todo cuidado é pouco, não é mesmo? As questões 01 a 03 da nossa 
apostila tratam sobre esse tema. Não deixe de respondê-las! 
2- “Aplicação do CDC” é considerado um assunto de média recorrência no Exame de Ordem, 
estando presente 3 VEZES nos últimos 3 anos! As questões de 04 a 06 versam sobre o referido 
assunto! 
3- “Práticas Comerciais” é considerado um assunto de alta recorrência no Exame de Ordem, 
estando presente 4 VEZES nos últimos 3 anos! As questões de 07 a 10 versam sobre o referido 
assunto! 
4- Por fim, “Proteção Contratual” é considerado um assunto de média recorrência no Exame 
de Ordem, estando presente 3 VEZES nos últimos 3 anos! As questões de 11 a 13 versam sobre 
o referido assunto! 
Vamos juntos! 
 
3 
 
 
DIREITO DO CONSUMIDOR 
Capítulo 4 
4. Relação Jurídica de Consumo, Práticas Comerciais e 
Aplicação do Código de Defesa do Consumidor 
4.1 Relação Jurídica de Consumo 
Relação jurídica de consumo é a relação formada entre fornecedor e consumidor, tendo 
como objeto a aquisição de um produto ou à contratação de um serviço. 
O Código de Defesa do Consumidor somente é aplicável às hipóteses em que se configure 
a relação de consumo ou naquelas em que o próprio diploma equipare pessoas a consumidores. 
Para que uma relação jurídica seja identificada como de consumo, devem estar presentes 
os três elementos1: 
Elemento Subjetivo A existência de um fornecedor e de um consumidor, isto é, os 
sujeitos da relação de consumo. 
Elemento Objetivo Diz respeito ao objeto sobre o qual recai a relação de consumo, 
isto é, a existência de um produto ou serviço. 
 
Elemento Finalístico 
Refere-se à finalidade com a qual o consumidor adquire um 
produto ou contrata um serviço, ou seja, a aquisição de um 
produto ou serviço como destinatário final. 
Importante destacar que esses elementos são inter-relacionais, logo só há relação de 
consumo se presentes, simultaneamente, consumidor, fornecedor e produto ou serviço. 
 
1 GOMES, Nathália Stivalle. Direito do Consumidor. Juspodvum: Salvador, 2019. 
 
4 
 
 
No Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) os conceitos de consumidor, 
fornecedor, produto e serviço estão interligados, o que significa dizer que, para se identificar 
um consumidor em uma determinada relação, também se faz necessária a identificação do 
fornecedor, bem como do produto ou do serviço2. 
Logo, só existirá um consumidor se também existir, na mesma relação, um fornecedor e 
um produto ou serviço, por isso afirma a doutrina que os conceitos de consumidor, fornecedor, 
produto e serviços são relacionados. 
 
4.2 Elemento Objetivo das Relações Jurídicas de Consumo 
Com relação aos produtos e serviços, o Código de Defesa do Consumidor usou termos 
amplos, para não limitar a incidência da legislação consumerista, deixando a possibilidade de 
interpretação

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