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Prof. José Maria Aula 00 1 de 65| www.direcaoconcursos.com.br DIREÇÃO FINAL – Língua Portuguesa p/ PRF em 2 aulas Aula 01 DIREÇÃO FINAL – LÍNGUA PORTUGUESA P/ PRF Prof. José Maria C. Torres Aula 10 – Coesão e Coerência Língua Portuguesa p/ IBGE Prof. José Maria C. Torres 2 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Olá, meus amigos! É nossa última aula! Vamos aqui tratar de Coesão e Coerência, dois conceitos importantes quando analisamos a sequência lógica de frases e parágrafos. Vamos que vamos! Uma excelente aula a todos! Bom proveito! 3 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Sumário SUMÁRIO ....................................................................................................................................................... 3 DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE COESÃO TEXTUAL. .................................................................................... 4 COESÃO POR REITERAÇÃO ........................................................................................................................................... 5 Repetição ............................................................................................................................................................. 5 COESÃO POR SUBSTITUIÇÃO ........................................................................................................................................ 7 Substituição gramatical ........................................................................................................................................ 7 Substituição lexical ............................................................................................................................................... 9 Elipse .................................................................................................................................................................... 9 COESÃO POR CONEXÃO ............................................................................................................................................. 10 COERÊNCIA ................................................................................................................................................. 14 INCOERÊNCIA EXTERNA ............................................................................................................................................. 14 INCOERÊNCIA INTERNA .............................................................................................................................................. 14 QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................................... 15 LISTA DE QUESTÕES ................................................................................................................................... 43 GABARITO ................................................................................................................................................... 61 RESUMO DIRECIONADO ............................................................................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. 4 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Domínio dos mecanismos de coesão textual. O conceito de COESÃO se refere ao modo como as palavras, frases, parágrafos e ideias, presentes em um texto, estão conectados. Podemos associar esse conceito, portanto, ao de conexão e continuidade em um texto. É importante ressaltar que a continuidade que se instaura pela coesão não é apenas sintática, mas também de sentido, ou seja, é preciso haver no texto uma continuidade semântica, que se expressa, no geral, pelas relações de REITERAÇÃO (COESÃO REFERENCIAL) e CONEXÃO (COESÃO SEQUENCIAL). Essas relações acontecem graças a vários procedimentos que, por sua vez, se desdobram em diferentes recursos. Vejamos, em um quadro a seguir, a distribuição dessas relações, desses procedimentos e desses recursos: Co es ão T ex tu al Relações Textuais Procedimentos Recursos 1. Reiteração 1.1 Repetição 1.1.1 Repetição propriamente dita 1.1.2 Paráfrase 1.1.3 Paralelismo 1.2 Substituição 1.2.1 Substituição Gramatical 1.2.1.1 retomada por pronomes 1.2.1.2 retomada por advérbios 1.2.2 Substituição Lexical 1.2.2.1 retomada por sinônimos 1.2.2.2 retomada por hiperônimos 1.2.3 Elipse 2. Conexão 2.1 Emprego dos Conectivos 2.1.1 preposições 2.1.2 conjunções 2.1.3 advérbios 2.1.4 pronomes relativos 5 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Coesão por reiteração A reiteração, ou coesão referencial, é a relação pela qual os elementos do texto vão de algum modo sendo retomados, criando-se um movimento constante de volta aos segmentos prévios, o que assegura continuidade ao texto. Essa relação pode se estabelecer pela repetição ou substituição, conforme detalharemos a seguir: Repetição Repetição propriamente dita Um dos recursos da coesão referencial é a repetição propriamente dita. Trata-se do último recurso de coesão a ser cogitado. Devemos empregá-la somente quando não há alternativas de substituição ou quando a sua utilização implica um ganho de expressividade não atingido por outro recurso coesivo. Exemplos: O capitalismo, para muitos artistas, funciona assim: o Estado paga tudo. Paga a produção do filme, paga a construção da sala, paga a distribuição da cópia, paga o bilhete do espectador. Note que a repetição da forma verbal “paga” não é à toa. Ela visa a dar destaque e expressividade ao texto. Paráfrase A paráfrase acontece sempre que recorremos ao procedimento de voltar a dizer o que já foi dito, porém com outras palavras, como se quiséssemos traduzir o enunciado, ou explicá-lo melhor. Exemplos: Para uma pessoa obter o título de doutor numa universidade, ela tem de fazer uma grande pesquisa na sua área de conhecimento (...) E essa pesquisa tem de ser inédita, isto é, precisa trazer alguma contribuição nova àquele campo de estudos. O ato de escrever deve ser visto como uma atividade sociocultural. Ou, dito de outra forma, escreveremos para alguém ler. Normalmente, os fragmentos parafrásicos são introduzidos por expressões do tipo em outras palavras, em outros termos, isto é, ou seja, quer dizer, em suma, em síntese, etc. Paralelismo O paralelismo é um recurso ligado à coordenação de segmentos que apresentam valores sintáticos idênticos, valores semânticos semelhantes e estruturas gramaticais similares. Como??? Entendi nada, professor. Vamos explicar por meio de exemplos, que fica mais fácil. Vejam a frase a seguir: A mãe pediu para a menina ir ao supermercado e que, na volta, passasse na farmácia. Se vocês prestaram atenção à frase, perceberam que existe um problema na sua construção. Por quê? Vamos analisá-la. 6 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 A oração para a menina ir ao supermercado é reduzida de infinitivo; a oração que, na volta, passasse na farmácia é uma oração desenvolvida. Tal estrutura apresenta incorreção, pois orações coordenadas entre si devem apresentar a mesma estrutura gramatical, ou seja, deve haver paralelismo. Veja como fica a frase, respeitando-se o paralelismo: CORRECAO: A mãepediu para a menina ir ao supermercado e, na volta, passar na farmácia. ou CORRECAO: A mãe pediu para a menina que fosse ao supermercado e (que), na volta, passasse na farmácia. Uma definição técnica de paralelismo seria: Segundo as regras da norma culta, não se podem coordenar orações que não comportem constituintes do mesmo tipo. A grande vantagem do paralelismo é que ele dá clareza à frase ao apresentar estruturas idênticas. Vejamos mais exemplos: Ricardo estava aborrecido por ter perdido a hora do teste e porque seu pai não o esperou. Correção: Ricardo estava aborrecido por ter perdido a hora do teste e por seu pai não tê-lo esperado. ou Correção: Ricardo estava aborrecido porque perdeu a hora do teste e porque seu pai não o esperou. Manda-me notícias de minha prima Isoldina e se meu pai resolveu aquele problema que o atormentava. Correção: Manda-me notícias de minha prima Isoldina e descobre se meu pai resolveu aquele problema que o atormentava. Pelo aviso, recomendou-se aos ministérios economizar energia e que elaborassem planos de redução de despesas. Correção: Pelo aviso, recomendou-se aos ministérios que economizassem energia e (que) elaborassem planos para a redução de despesas. ou Correção: Pelo aviso, recomendou-se aos ministérios economizar energia e elaborar planos para redução de despesas. 7 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 No discurso de posse, mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter ambição. Correção: No discurso de posse, mostrou determinação, segurança, inteligência e ambição. ou Correção: No discurso de posse, mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e ambição. A quebra de paralelismo também pode ocorrer no nível semântico, podendo ser usada como um recurso literário ou publicitário visando chamar atenção, dar ênfase. Vejamos alguns exemplos: Marcela durante quinze dias e onze contos de reis. (Machado de Assis) Aqui temos uma quebra de paralelismo no nível semântico. “Quinze dias” e “onze contos de réis” não estão na mesma esfera semântica. Um indica tempo, período; o outro, valor, preço. Essa quebra de paralelismo enfatiza uma ironia (Marcela não me amou de fato. Somente esteve comigo por dinheiro). Fiz duas operações: uma em São Paulo e outra no ouvido. (Anuncio publicitário) Aqui temos uma quebra de paralelismo semântico. “Em São Paulo” e “no ouvido” não estão na mesma esfera semântica. Um indica lugar, cidade; o outro, lugar, mas se referindo a uma parte do corpo humano. Essa quebra gera um efeito de humor ao anúncio. Coesão por Substituição Substituição gramatical Consiste em substituir palavras anteriormente citadas ou ainda a ser citadas por pronomes ou advérbios. Vejamos alguns exemplos: Muita e muita gente já a desejou. Alguns a tiveram. Ao longo da década de 80, ela deslumbrou o Brasil desfilando nas passarelas do Rio de Janeiro. Os anônimos que a desejaram, é natural, já a esqueceram. Ela se chama Josette Armênia de Campos Rodrigues. No auge de seu estrelato, chamava-se Josi Campos. Era uma mulher introspectiva, mas batalhadora e guerreira. As convenções gráficas não são muitas e aprendê-las não é difícil. Basta você estar atento a elas e consciente de sua importância para a qualidade dos textos que escreve. Um dos melhores caminhos para isso é observar seu uso nos textos bem escritos. As crianças aceitam bem. O problema maior são os pais e professores, que têm nojo e acabam transmitindo isso para os menores. 8 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 IMPORTANTE Alguns conceitos muito importantes para provas de concurso são os de ANAFÓRICOS, CATAFÓRICOS e DÊITICOS. O que são anafóricos e catafóricos? ANAFÓRICOS são termos (geralmente pronomes ou advérbios) que retomam elementos já citados em um texto. Exemplo: André e Paulo são excelentes amigos. Este (= Paulo) adora futebol; já aquele (= André) e um fanático praticante de basquete. Note que os pronomes “Este” e “aquele” retomam, respectivamente, os termos “André” e “Paulo”. São, portanto, ANAFÓRICOS. Já os CATAFÓRICOS, por sua vez, referem-se a elementos que ainda serão citados no texto. Exemplo: Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão, e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele. O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Note que os pronomes “seu”, “ele” e “dele” antecipam o termo “professor”. São, portanto, CATAFÓRICOS. O que são dêiticos? Os dêiticos fazem menção a elementos extratextuais, ou seja, elementos fora dos limites físicos do texto. Geralmente situam lugar e tempo ou pessoas do discurso, que não podem ser visualizadas no texto, pois não foram nele citados. No entanto, é possível identificar o referente se conhecermos o contexto em que se insere a informação. Como assim? Os Beatles fizeram muito sucesso entre os jovens daquela época. Note que “daquela época” não faz menção a nenhum elemento já citado ou a ser citado no texto. Não se trata, pois, de anafórico ou catafórico. Infere-se, pelo contexto, que estamos falando dos anos 60, período em que os Beatles fizeram sucesso. Trata-se, assim, de um DÊITICO. O exemplo clássico de dêitico é de um bilhete anônimo, sem data, nem local, assim escrito: Aquele encontro por que você tanto esperava será hoje à tarde. Não temos como saber a que “hoje” se refere o texto? Ao “hoje” do emissário, do destinatário? Não sabemos! 9 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Substituição lexical A substituição de uma unidade lexical por outra é, também, um recurso coesivo, pelo qual se promove a ligação entre dois ou mais segmentos textuais. Implica, pois, como o próprio nome indica, o uso de uma palavra no lugar de outra que lhe seja textualmente equivalente. Podemos substituir uma palavra por seu SINÔNIMO: Exemplos: O Governo vem se preocupando com o problema de redução dos gastos do Tesouro, atacando um dos setores mais melindrosos – o das despesas com o funcionalismo. O combate à inflação, a luta pelo equilíbrio orçamentário, (...) a batalha da moralização da coisa pública (...) estão sendo levados a sério. Podemos substituir uma palavra por seu HIPERÔNIMO. Os hiperônimos, como o próprio nome indica, são palavras gerais, nomes genéricos, que englobam um conjunto de seres e coisas, os chamados hipônimos. Por exemplo, quando analisamos gato e animal, temos que gato é hipônimo e animal, hiperônimo. Por quê? Ora, todo gato é um animal. Entre gato e animal, dizemos que há uma relação de hiponímia-hiperonímia. Dessa forma, podemos reunir os hipônimos Brasil, Cuba, Argentina, Chile, França sob o hiperônimo país; podemos reunir os hipônimos lápis, borracha, caderno, lapiseira, apontador sob o hiperônimo material escolar; e assim por diante. Um dos hiperônimos mais famosos é coisa. Afinal, tudo pode ser reunido sob o nome genérico de “coisa”. Note nos exemplos a substituição de hipônimos – em azul – por hiperônimos – em laranja: Graças a Deus eu não experimentei a força e eficiência do air bag, pois nunca fui vítima de um acidente. Mas sou totalmente a favor do equipamento. Jamais soube de casos em que pessoas que dirigiam um carro com esse dispositivo tiveram um ferimento mais grave. (...) Na compra de um automóvel, o brasileiro deve levar em conta os diversos parâmetros de segurança, e não somente a disponibilidade do air bag. Este último item, sozinho, não pode ser considerado o salvador da pátria. É mesmo difícil imaginar qualquer ação humana que não seja precedida por algumtipo de investigação. A simples consulta ao relógio para ver que horas são, ou a espiada para fora da janela para observar o tempo que está fazendo, ou a batidinha na porta do banheiro para saber se tem gente dentro... Todos esses gestos são rudimentos de pesquisa Elipse A elipse consiste na omissão de um termo na frase (sujeito, verbo, complemento, etc.), identificado pelo contexto. Se o termo já foi citado anteriormente, temos um caso particular de elipse: a zeugma. Exemplos: Os recursos muitas vezes são escassos e a distribuição dos valores, heterogênea. (= Os recursos muitas vezes são escassos e a distribuição dos valores é heterogênea.) Um banco tem que ser completo para ajudar sua vida a também ser. 10 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 (= Um banco tem que ser completo para ajudar sua vida a também ser completa) Coesão por conexão Por conexão, queremos nos referir ao uso de conectores (preposições, conjunções, pronomes relativos, advérbios, etc.) na ligação das diferentes porções de texto. Entre as diversas relações de conexão, podemos citar: A RELAÇÃO DE CAUSALIDADE, ou relação de causa e consequência. Essa relação se manifesta pelas expressões porque, uma vez que, visto que, já que, dado que, etc. Exemplos: A atividade humana solicitou tanto da natureza (causa) que não há mais garantias de que os ecossistemas do planeta sustentem as futuras gerações (consequência). Já que o sol não costuma dar trégua (causa), as praias são sempre uma ótima opção (consequência). A RELAÇÃO DE CONDICIONALIDADE se estabelece quando um segmento é condição para que outro segmento seja verdadeiro. Essa relação se manifesta pelas expressões se, caso, desde que, contanto que, salvo se, etc. Exemplos: Acho que as escolas terão realizado sua missão se forem capazes de desenvolver nos alunos o prazer da leitura. Caso não houvesse pesquisa, todas as grandes invenções e descobertas científicas não teriam acontecido. A RELAÇÃO DE TEMPORALIDADE expressa o tempo, a partir do qual são localizadas as ações ou os eventos em foco. Essa relação se manifesta pelas expressões quando, enquanto, mal, antes que, etc. Exemplos: Mal cheguei à sala de aula, eles já esbravejavam e faziam bagunça no fundo. Cada vez que um brasileiro sai do campo para a cidade, o Brasil perde alimentos e ganha fome. A RELACÃO DE FINALIDADE se manifesta quando um dos segmentos explicita o propósito, ou o objetivo pretendido e expresso pelo outro. Essa relação se manifesta pelas expressões para que, a fim de que, etc. Exemplos: Estes cartões abrem as portas para você fechar negócios. A matança criminosa de focas é conhecida no mundo inteiro. Atualmente, já existem certas medidas de proteção à fauna, para que tais caçadas não se repitam. A RELAÇÃO DE ALTERNÂNCIA pode ocorrer de duas maneiras: Em primeiro lugar, sendo sinalizada pelo ou exclusivo, implica que os elementos em alternância se excluem mutuamente, como nos exemplos a seguir: Exemplos: Todo escritor é útil ou nocivo, um dos dois. 11 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 De acordo com a utilização, os meios de informação de massa podem promover o desenvolvimento do indivíduo, a coesão e o progresso dos países(...) ou então tornar-se o novo ópio das massas. Em segundo lugar, a alternância pode ser inclusiva, ou seja, os elementos não se excluem; pelo contrário, somam-se. Exemplos: A gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia. Mesmo os animais cuja sobrevivência não pareça tão essencial à humanidade ou à natureza devem ser preservados de extinção. A RELACÃO DE CONFORMIDADE se estabelece quando um segmento expressa que algo foi realizado de acordo com o que foi estabelecido em outro. Essa relação se manifesta pelas expressões conforme, segundo, como, de acordo com, etc. Exemplos: Segundo revelou o INPE, em nenhum lugar do mundo se desmata tanto quanto na Amazônia – o equivalente a um campo de futebol por segundo. O brasileiro – mesmo que lentamente – dá sinais de reação. Cansado e mais alerta, já não engole sapos tão facilmente. Procura se informar e tem ousado contra-atacar, conforme mostram as queixas registradas nos Procons. A RELAÇÃO DE COMPLEMENTAÇÃO ocorre sempre que um segmento funciona como termo complementar de outro. Essa relação se manifesta pelas expressões que, se, como. Exemplos: Inúmeros exemplos comprovam como a extinção indiscriminada das espécies só traz prejuízos ao homem. Depois do longo voo do pontificado, os cardeais do conclave podem concluir que está na hora de o catolicismo sofrer uma revisão. A RELAÇÃO DE DELIMITAÇÃO OU RESTRIÇÃO ocorre quando um termo delimita ou restringe o conteúdo do outro. Exemplos: Aproveite a liberdade que a maturidade te dá. (= nem toda liberdade é dada pela maturidade) O saldo de uma doença que foge ao controle é quase catastrófico. (= nem toda doença foge ao controle) A RELAÇÃO DE ADIÇÃO se estabelece quando mais um item é introduzido no conjunto ou, do ponto de vista argumentativo, quando mais um argumento é acrescentado em favor de uma determinada conclusão. Essa relação se manifesta pelas expressões e, ainda, também, não só... mas também, além de, etc. Exemplos: 12 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 As últimas pesquisas mostram que os homens já estão se equiparando às mulheres na frequência aos supermercados. Revelam ainda que eles vêm mostrando um talento incrível para donas de casa. Resta o desafio de oferecer não apenas um lugar em sala de aula, mas também garantir que as crianças absorvam o que lhes está sendo ensinado. A RELAÇÃO DE OPOSIÇÃO se manifesta em conteúdos que se opõem a algo explicitado anteriormente. Exemplos: A dificuldade para escrever é comum em profissionais de todas as áreas. Muitas vezes, no entanto, ela é agravada por causa de equívocos. As pesquisas com células-tronco embrionárias, ainda que de forma bastante limitada, foram aprovadas. A RELAÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO OU EXPLICAÇÃO ocorre quando um segmento tem a finalidade de explicar, justificar ou esclarecer outro segmento. Exemplos: Não existem animais inúteis. Isto é, todo animal, para sobreviver, alimenta-se necessariamente de outros seres, sejam eles animais ou vegetais. Há muito tempo, a ciência destruiu o mito da raça pura, que é um conceito absurdo. A RELAÇÃO DE CONCLUSÃO se manifesta quando um segmento representa uma conclusão a partir de outro segmento citado anteriormente. Exemplos: Escola pública não tem os mesmos recursos de uma escola privada para se manter. Por isso, se você trabalha em uma escola pública, cuide dela como se fosse sua. NOSSA GRANDE VANTAGEM: todos já sabemos português! Não precisamos, portanto, partir do zero. A RELAÇÃO DE COMPARAÇÃO se dá quando, em segmentos distintos, pomos em confronto dois ou mais elementos com a finalidade de identificar semelhanças ou diferenças entre eles. Exemplos: Um time é maior que a soma de seus jogadores. Achar que a mudança da língua é um perigo é como achar que o bebê está “em perigo” de crescer. Mais uma vez, devemos nos recordar do quadro de conjunções subordinativas e coordenativas, protagonistas no processo de coesão textual: 13 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 C o n ju n çõ e s C o o rd e n a ti v a s Aditivas E, NEM (= E NÃO), TAMPOUCO (= E NÃO), NÃO SÓ... MAS (TAMBÉM), NÃO SÓ... COMO (TAMBÉM), NEM... NEM, TANTO...QUANTO,BEM COMO, OUTROSSIM, ALÉM DE, ADEMAIS, ... Adversativas MAS, PORÉM, CONTUDO, ENTRETANTO, NO ENTANTO, TODAVIA, SENÃO (= MAS SIM), NÃO OBSTANTE, ... Alternativas OU, OU...OU, ORA...ORA, QUER... QUER, SEJA... SEJA, ... Explicativas PORQUE, POIS, JÁ QUE, VISTO QUE, UMA VEZ QUE, DADO QUE, DEVIDO A, COMO, PORQUANTO, NA MEDIDA EM QUE, TENDO EM VISTA QUE, HAJA VISTA... Conclusivas PORTANTO, LOGO, POR ISSO, ENTÃO, ASSIM, POIS, POR CONSEGUINTE, DESTARTE, ... C o n ju n çõ e s S u b o rd in a ti v a s Integrantes QUE, SE Causais PORQUE, POIS, JÁ QUE, VISTO QUE, UMA VEZ QUE, DADO QUE, DEVIDO A, COMO, PORQUANTO, NA MEDIDA EM QUE, TENDO EM VISTA QUE, HAJA VISTA... Consecutivas TÃO... QUE, TANTO... QUE, TAMANHO... QUE, TAL... QUE, DE TAL MANEIRA..., DE MODO QUE, DE SORTE QUE, DE FORMA QUE, ... Comparativas TAL... QUAL, TANTO... QUANTO, TAL ... COMO, QUAL, COMO, ASSIM COMO, COMO SE, MAIS... DO QUE, MENOS... DO QUE, MELHOR... DO QUE, PIOR ... DO QUE Conformativas CONFORME, SEGUNDO, DE ACORDO COM, COMO, CONSOANTE, EM CONSONÂNCIA COM ... Condicionais SE, CASO, DESDE QUE, CONTANTO QUE, SALVO SE, EXCETO SE, UMA VEZ QUE, A NÃO SER QUE, A MENOS QUE, ... Concessivas EMBORA, APESAR DE, MESMO QUE, AINDA QUE, SE BEM QUE, NEM QUE, QUANDO, CONQUANTO, A DESPEITO DE, EM QUE PESE, POR MAIS QUE, POR PIOR QUE, POR MELHOR QUE, POSTO QUE, MALGRADO, ... Temporais QUANDO, LOGO QUE, DESDE QUE, SEMPRE QUE, MAL, BEM, ASSIM QUE, CADA VEZ QUE, ATÉ QUE, DEPOIS QUE, ANTES QUE, ENQUANTO, ... Proporcionais QUANTO MAIS ... MAIS, QUANTO MAIS ... MENOS, À PROPORÇÃO QUE, AO PASSO QUE, ENQUANTO, À MEDIDA QUE Finais PARA QUE, A FIM DE QUE, COM O OBJETIVO DE, COM O INTUITO DE, COM O FITO DE, ... 14 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Coerência Coerência é a relação que se estabelece entre as partes do texto, criando uma unidade de sentido. Significa, pois, conexão, união estreita entre várias partes, relação entre ideias que se harmonizam. Assim, quando se fala em coerência, pensa-se na não-contradição de sentidos entre passagens do texto, na existência de uma continuidade de sentido. (Lições de texto: leitura e redação, Platão e Fiorin, ed. Ártica. (adaptado)) A coerência implica compatibilidade entre todos os significados inscritos no texto e, por consequência, ausência de contradição entre eles. Podemos identificar dois tipos de incoerência: a externa e a interna. Incoerência Externa Ocorre quando há incompatibilidade entre os significados inscritos no texto e os dados de realidade; entre o que diz o texto e o nosso conhecimento de mundo. Exemplo: O Brasil é um país completamente imune a qualquer onda de violência. A solução para o conflito árabe-israelense é simples, basta que haja vontade dos dois lados em ceder aquilo que foi tomado do outro. COMENTÁRIOS: Afirmar que o Brasil é imune à violência e julgar o conflito árabe-israelense como simples de resolver são afirmações incompatíveis com a realidade que vivemos. Incoerência Interna Ocorre quando há incompatibilidade entre os significados inscritos no texto, ou seja, presença de contradição. Exemplo: Pior fez o quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Clube, entrevistado por um repórter da rádio Cidade. O Paraná tinha tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas, alguns dias antes. O repórter queria saber o que tinha acontecido. Edinho não teve dúvidas sobre os motivos: - Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo ataque do Guarani. COMENTÁRIOS: Ora, se já era esperado, como pode ter sido uma surpresa? 15 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Questões Comentadas 1. FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) Guerra civil Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017 O 11º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando o crescimento das mortes violentas no Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram 61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência. Outro dado relevante é o crescimento da violência em alguns estados do Sul e do Sudeste. Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país. Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato. Tem sido assim com o governo federal e boa parte das demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o argumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo em períodos de economia mais forte, pouco se viu da implementação de programas estruturantes com o objetivo de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medidas essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho, deve ser parte de um programa bem articulado, que permita o acompanhamento das ações e que incentive o trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da União e das guardas municipais. O texto apresenta uma série de conectores em suas ligações sintáticas; o conector que tem seu significado corretamente indicado é: a) “...que perderam a vida devido à violência” / causa; b) “Agora, com a crise...” / companhia; c) “...mesmo em períodos de economia mais forte” / concessão; d) “...crescimento da violência em alguns estados” / tempo; e) “...mas é preciso ir muito além” / conclusão. RESOLUÇÃO Letra A – CERTO – De fato! A expressão “devido a” pode ser perfeitamente trocada por “por causa de”. Letra B – ERRADO – No trecho “Agora, com a crise, o argumento é a incapacidade de investimento...”, o termo “com a crise” pode ser reescrito da forma “devido à crise”, evidenciando o sentido de causa. Letra C – ERRADO – O “mesmo” possui valor inclusivo. É possível substituí-lo pela forma “inclusive”. Letra D – ERRADO – O termo “em alguns estados” expressa a ideia de lugar. Letra E – ERRADO – A conjunção “mas”, no contexto, é adversativa. Resposta: A 16 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 2. FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) Violência: O Valor da vida Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412 A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas. Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota, além da agressão física, diversos tipos de imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que um indivíduo impõe a outro. Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em escala inédita no reino animal. Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência e passou a ser um instrumento da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade aparece em condições históricas específicas, constituindo-seem um tipo de violência fundamental para a constituição de civilizações. Entre os conectivos abaixo sublinhados, aquele que tem seu significado corretamente indicado é: a) “Mas violência é uma categoria com amplos significados”. / explicação; b) “Mas violência é uma categoria com amplos significados”. / meio ou instrumento; c) “Hoje, esse termo denota, além da agressão física...” / adição; d) “...para sobreviver em ambientes hostis” / direção; e) “Por outro lado, nas sociedades complexas...” / lugar. RESOLUÇÃO Letra A – ERRADO – A conjunção “mas” possui valor adversativo. Letra B – ERRADO – O termo “com amplos significados” guarda a ideia de característica, atributo, e noçao propriamente uma ideia de meio ou instrumento. Letra C – CERTO – De fato! A expressão “além de” indica inclusão, adição. Letra D – ERRADO – A preposição “para” introduz uma ideia de finalidade, propósito, objetivo. Letra E – ERRADO – A expressão “Por outro lado” tem valor de contraste, marcando um contraponto ao argumento anteriormente citado. Resposta: C 17 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 3. FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) Violência: O Valor da vida Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412 A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas. Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota, além da agressão física, diversos tipos de imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que um indivíduo impõe a outro. Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em escala inédita no reino animal. Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência e passou a ser um instrumento da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade aparece em condições históricas específicas, constituindo-se em um tipo de violência fundamental para a constituição de civilizações. “Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade”. Nesse segmento do texto, o primeiro termo que estabelece coesão com um termo anterior é: a) fenômeno; b) em que; c) essa desigualdade; d) bens e valores; e) população. RESOLUÇÃO Observe o seguinte trecho: Ou seja, foi usada para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam ... Note a presença do pronome anafórico “Essa”, cuja função é retomar um elemento já citado. O termo “Essa desigualdade” faz menção à desigualdade descrita no período anterior. Resposta: C 18 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 4. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Tecnologia da Informação/2018 (e mais 21 concursos) Intercâmbio de alimentos Renato Mocelline/Rosiane de Camargo, História em debate. São Paulo: Editora do Brasil, p. 72. A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias nos hábitos alimentares dos seres humanos. Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos. Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida. Observe os três segmentos abaixo, retirados do texto. “por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal” “Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa...” “Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida”. Nessas ocorrências, os pronomes demonstrativos empregados: a) têm sempre por antecedente uma oração; b) referem-se sempre a termos imediatamente anteriores; c) mostram sempre referências a um de dois termos citados; d) prendem-se sempre a elementos distantes no tempo; e) ligam-se semanticamente a elementos já citados. RESOLUÇÃO Observe os trechos a seguir: 1º trecho: Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Nesse primeiro trecho, o anafórico ISSO retoma o conteúdo da oração anterior – “Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos”. 2º trecho Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos. 19 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa... Nesse segundo trecho, note que a expressão anafórica ESSA TROCA faz menção não a uma oração, mas a todo o conteúdo do parágrafo anterior. Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida. Note que o anafórico ISSO retoma não uma oração, mas todo o período anterior. Dessa forma, a letra A está errada, pois nem todos os termos destacados retomam uma oração; as letras B e C estão erradas, pois os anafóricos não estão se referindo especificamente a um ou mais termos anteriores, e sim a conteúdos; a letra D está errada, pois o emprego dos anafóricos não está relacionado à ideia de tempo. Os anafóricos retomam sim conteúdos já mencionados, o que atesta a validade da letra E. Resposta: E 5. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Tecnologia da Informação/2018 (e mais 21 concursos) A questão baseia no texto apresentado abaixo. Intercâmbio de alimentos Renato Mocelline/Rosiane de Camargo, História em debate. São Paulo: Editora do Brasil, p. 72. A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias nos hábitos alimentares dos seres humanos. Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, porisso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos. Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida. “Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam...”. O termo sublinhado mostra uma oposição entre os seguintes pontos: a) apesar de nos primeiros anos de conquista os espanhóis resistirem aos alimentos americanos, com o passar do tempo passaram a adotá-los; b) apesar de os espanhóis trazerem consigo alimentos de sua terra natal, não deixavam de alimentar-se dos alimentos exóticos da América; c) apesar de os espanhóis não se alimentarem com os produtos nativos, mandavam esses mesmos alimentos para a Europa; 20 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 d) apesar de os nativos oferecerem alimentos americanos aos espanhóis, os conquistadores não os comiam, enviando todos eles para a Europa; e) apesar de os nativos comerem produtos exóticos, os conquistadores europeus não só os comiam como os enviavam também para a Europa. RESOLUÇÃO: O primeiro período deixa explícito que os espanhóis não comeram produtos nativos americanos. Já o segundo período traz a informação de que eles enviavam esses produtos para a Europa. A letra A está falsa, pois afirma erroneamente que os espanhóis passaram a adotar os produtos nativos americanos, o que não é verdade. A letra B também está falsa, pois os espanhóis não se alimentavam dos produtos americanos. A letra D está falsa, pois extrapola o que foi dito no trecho, ao afirmar que os nativos ofereciam alimentos aos espanhóis. A letra E está falsa, pois afirma que os espanhóis comiam os alimentos nativos, o que não é verdade. A letra C é a correta, pois reproduz fielmente os sentidos dos dois períodos. Resposta: C 6. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Taquigrafia/2018 Cada um por si Paula Ferreira, O Globo, 22/11/2017 (adaptado) Ouvir a opinião do outro, trabalhar em equipe e compartilhar conhecimento são habilidades desejadas não só no mercado de trabalho, mas no exercício da cidadania e nas relações interpessoais. Mas valores como este não são bem desenvolvidos nas escolas do Brasil, indica um relatório divulgado ontem com dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Os estudantes brasileiros estão entre os piores, em meio a 52 países ou economias com dados disponíveis, em resolver problemas de maneira colaborativa. De acordo com especialistas, há razões claras para essa posição. Por um lado, o foco em avaliações de larga escala afetou o que é prioridade nas escolas do país. Por outro, o modelo de acesso ao nível superior e a infinidade de provas desestimulam estudantes a trabalhar coletivamente. - Os países com bom desempenho nessa habilidade têm estruturas de aula que promovem maior interação durante o aprendizado das disciplinas comuns. Aulas nas quais há incentivo para a colaboração entre pares têm impactos positivos sobre essa competência – afirmou um dos diretores da Instituição, acrescentando ainda que o Brasil precisa melhorar em áreas essenciais. O segmento sublinhado do texto que tem seu significado explicado pela situação de produção do texto e não pelo contexto linguístico é: a) “Mas valores como este não são bem desenvolvidos nas escolas do Brasil, indica um relatório divulgado ontem com dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA)”; b) “De acordo com especialistas, há razões claras para essa posição”; c) “Por um lado, o foco em avaliações de larga escala afetou o que é prioridade nas escolas do país”; 21 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 d) “Por um lado, o foco em avaliações de larga escala afetou o que é prioridade nas escolas do país”; e) “Os países com bom desempenho nessa habilidade têm estruturas de aula que promovem maior interação durante aprendizado das disciplinas comuns”. RESOLUÇÃO Em outras palavras, a questão nos pede que identifiquemos dêiticos, elementos de coesão extratextuais. Letra B – ERRADA Veja o seguinte trecho: Os estudantes brasileiros estão entre os piores, em meio a 52 países ou economias com dados disponíveis, em resolver problemas de maneira colaborativa. De acordo com especialistas, há razões claras para essa posição. Note que a expressão “essa posição” retoma intratextualmente a informação trazida no período anterior, de que os estudantes brasileiros estão entre os piores. Letra C – ERRADA No trecho “... o foco em avaliações de larga escala afetou o que é prioridade...”, o pronome relativo “que” está retomando intratextualmente o demonstrativo “o”. Note que “o” é demonstrativo, pois é possível substituí- lo por “aquilo” (= ... afetou aquilo que é prioridade.) Letra D – ERRADA – O substantivo “país” retoma intratextualmente “Brasil”. Letra E – ERRADA – O pronome relativo “que” retoma intratextualmente o termo antecedente “estruturas de aula”. Resta-nos a letra A. Veja que o advérbio “ontem” não encontra uma referência intratextual. Trata-se, portanto, de um dêitico, uma referência extratextual. Resposta: A 7. FGV - Analista Judiciário (TJ AL)/Judiciária/2018 (e mais 2 concursos) TEXTO – Sem tolerância com o preconceito Diante do número de casos de preconceito explícito e agressões, somos levados ao questionamento se nossa sociedade corre o risco de estar tornando-se irracionalmente intolerante. Ou, quem sabe, intolerantemente irracional. Intolerância é a palavra do momento. Da religião à orientação sexual, da cor da pele às convicções políticas. O tamanho desse problema rompeu fronteiras e torna-se uma praga mundial. Líderes políticos, em conluio com líderes religiosos, ignoram os conceitos de moral, ética, direitos, deveres e justiça. As redes sociais assumiram um papel cruel nesse sistema. Se deveriam servir para mostrar indignação, mostram, muitas vezes, um preconceito medieval. No campo da religiosidade, o fanatismo se mostra cada dia mais presente no Rio de Janeiro. No último ano, foram registradas dezenas de casos de intolerância religiosa por meio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos. Um número ainda subnotificado, pois, muitas ocorrências que deveriam ser registradas como “intolerância religiosa” são consideradas brigas de vizinhos. 22 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 A subnotificação desses casos é um dos maiores entraves na luta contra a intolerância religiosa. O registro incorreto e a descrença de grande parte da população na punição a esse tipo de crime colaboram para maquiar o retrato dos ataques promovidos pelo fanatismo religioso em nossa sociedade. A perseguição às minorias religiosas está cada vez mais organizada com braços políticos e até de milícias armadas como o tráfico de drogas. No último ano recebemos denúncias de ataques contra religiões de matriz africana praticados pelo tráfico de drogas, que não só destruíam terreiros, como também proibiam a realização de cultos em determinada região, segundo o desejo do chefe da facção local. Não podemos regredir a um estado confessional. A luta de agora pelaliberdade religiosa é um dever de todos para garantir o cumprimento da Constituição Federal. Quando uma pessoa de fé é humilhada, agredida ou discriminada devido à sua crença, ela tem seus direitos humanos e constitucionais violados. Hoje, fala-se muito sobre intolerância religiosa, mas, muito mais do que sermos tolerantes, precisamos aprender a respeitar a individualidade e as crenças de cada um. Até porque, nessa toada, a intolerância irracional ganha terreno, e nós vamos ficando cada vez mais irracionalmente intolerantes com aquilo que não deveríamos ser. Numa sociedade onde o preconceito se mostra cada dia mais presente, a única saída é a incorporação da cultura do respeito. Preconceito não se tolera, se combate. Átila Alexandre Nunes, O Globo, 23/01/2018 (adaptado) A opção em que o conector sublinhado mostra corretamente seu valor semântico é: a) “Diante do número de casos de preconceito explícito” / localização; b) “Um número ainda subnotificado, pois, muitas ocorrências que deveriam ser registradas...” / conclusão; c) “...está cada vez mais organizada com braços políticos e até de milícias armadas...” / companhia; d) “...e até de milícias armadas como o tráfico de drogas” / exemplificação; e) “...somos levados ao questionamento se nossa sociedade corre o risco de estar tornando-se irracionalmente intolerante” / condição. RESOLUÇÃO Letra A – ERRADA – O trecho “Diante do número de casos de preconceito explícito e agressões, somos levados ao questionamento...” pode ser reescrito da seguinte forma: “Devido ao número de casos de preconceito explícito e agressões, somos levados ao questionamento...”. Logo, o conector “Diante de” expressa ideia de causa. Letra B – ERRADA – Existe um erro de pontuação nesse trecho que pode confundir o aluno. O conector “pois” tem valor explicativo. Isso fica evidente, ao substituí-lo pela conjunção “porque”. Isso posto, a vírgula deveria ser empregada apenas antes. No trecho original, não se justifica a vírgula após o “pois” explicativo. Letra C – ERRADA – A preposição “com” introduz uma ideia de modo, e não companhia. Letra D – CERTA 23 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Letra E – ERRADA – O “se” em destaque é conjunção integrante. Note que a oração “se nossa sociedade corre...” é subordinada substantiva (... somos levados ao questionamento se nossa sociedade corre o risco... = somos levados ao questionamento DISTO.). Isso posto, o “se” integrante não possui valor condicional, e sim expressa dúvida, incerteza. Resposta: D 8. FGV - Técnico Judiciário (TJ AL)/Judiciária/2018 Ressentimento e Covardia Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita. No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história. Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório. Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado) O segmento do texto que mostra um problema de coerência é: a) “Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral”; b) “...os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso”; c) “Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas”; d) “Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também”; e) “E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório”. 24 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 RESOLUÇÃO Sutil! Muito sutil! Extremamente sutil! Veja, na letra C, o fragmento “Um jornal ou revista é processado...”. Quando os núcleos de um sujeito composto são conectados pela conjunção OU, temos duas possibilidades: se OU for exclusivo, o verbo é flexionado no singular; se OU não for exclusivo, o verbo é flexionado no plural. Como a forma verbal está no singular, concluímos que existe a ideia de exclusão: ou o jornal é processado ou a revista é processada; não como os dois serem processados. Isso é incoerente! Tanto o jornal como a revista que publicarem trechos não autorizados serão processados. Deveria, portanto, ser empregada a forma plural “são processados”. Resposta: C 9. FGV - Técnico Judiciário (TJ AL)/Judiciária/2018 Ressentimento e Covardia Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita. No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história. Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório. Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado) “Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita”. Nesse segmento do texto, o termo sublinhadoque NÃO estabelece coesão com nenhum termo anterior é: 25 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 a) aqui; b) que; c) importante e eficaz veículo de comunicação; d) abusos; e) a. RESOLUÇÃO: Letra A – CERTA - O advérbio “aqui” é um dêitico, isto é, um elemento de coesão extratextual, que geralmente situa espaço e tempo não mencionados diretamente no corpo do texto. O advérbio “aqui” não encontra referência intratextual alguma. Sua referência é extratextual, captada não pelo texto, mas pelo contexto. Dá-se a entender que “aqui” se refere à coluna escrita periodicamente pelo articulista da Folha de São Paulo. Letra B – ERRADA - O pronome relativo “que” retoma intratextualmente o termo antecedente “internet”. Letra C – ERRADA - A expressão “importante e eficaz veículo de comunicação” retoma intratextualmente “Folha”. Letra D – ERRADA – O substantivo “abusos” é uma referência por repetição do mesmo substantivo já citado anteriormente. Letra E – ERRADA – O demonstrativo “a” substitui o termo já citado “lei”. Resposta: A 10. FGV - Técnico Bancário (BANESTES)/2018 (e mais 3 concursos) Todas as frases abaixo apresentam elementos sublinhados que estabelecem coesão com elementos anteriores (anáfora); a frase em que o elemento sublinhado se refere a um elemento futuro do texto (catáfora.) é: a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais preciosos que a alma humana pode desejar”; b) “Todo o problema da vida é este: como romper a própria solidão”; c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar”; d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas a de uma vela que queima”; e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que produzem menos”. RESOLUÇÃO: Questão relativamente tranquila! Na letra A, o relativo “que” retoma “um dos bens mais preciosos”. Na letra B, o pronome “este” é catafórico, fazendo menção à expressão citada após os dois pontos. É a nossa resposta. Na letra C, o relativo “que” retoma “alguém”. Na letra D, o demonstrativo “a” retoma “companhia”. 26 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Na letra E, o demonstrativo “aquelas” retoma “pessoas”. Resposta: B 11.FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) A questão baseia no texto apresentado abaixo. Guerra civil Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017 O 11º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando o crescimento das mortes violentas no Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram 61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência. Outro dado relevante é o crescimento da violência em alguns estados do Sul e do Sudeste. Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país. Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato. Tem sido assim com o governo federal e boa parte das demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o argumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo em períodos de economia mais forte, pouco se viu da implementação de programas estruturantes com o objetivo de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medidas essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho, deve ser parte de um programa bem articulado, que permita o acompanhamento das ações e que incentive o trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da União e das guardas municipais. “Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país”. O vocábulo “inaceitáveis” equivale ao “que não se aceita”. A equivalência correta abaixo indicada é: a) tinta indelével / que não se apaga; b) ação impossível / que não se possui; c) trabalho inexequível / que não se exemplifica; d) carro invisível / que não tem vistoria; e) voz inaudível / que não possui audiência. RESOLUÇÃO: Trata-se de uma questão que exige conhecimento vocabular. No entanto, é possível resolvê-la por eliminação. Na letra B, a tradução correta de “impossível” não está associada à ideia de posse, mas sim à possibilidade. Na letra C, a tradução correta de “inexequível” não está associada à ideia de exemplo, mas sim à execução. Significa “aquilo que não pode ser executado”. Na letra D, a tradução correta de “invisível” não está associada à ideia de vistoriar, mas sim à visão. Significa “aquilo que não pode ser visto”. Na letra E, a tradução correta de “inexequível” não está associada à ideia de audiência, auditório, mas sim à audição. Significa “aquilo que não pode ser ouvido”. 27 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Resta-nos a letra A, em que a palavra “indelével” de fato significa “aquilo que não pode ser apagado”. Resposta: A 12. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Taquigrafia/2018 A relação entre verbo/substantivo representativo de ação que está INADEQUADA é: a) compartilhar / compartilhamento; b) resolver / resolução; c) beatificar / beatitude; d) melhorar / melhora; e) atrapalhar / atrapalhação. RESOLUÇÃO: Note a similaridade das letras A, B, D e E. Na letra A, “compartilhamento” é o ATO de compartilhar. Na letra B, “resolução” é o ATO de resolver. Na letra D, “melhora” é o ATO de melhorar. Na letra E, “atrapalhação” é o ATO de atrapalhar. Por fim, na letra C, “beatitude” não é um ato, e sim um ATRIBUTO de quem é “beato”. O ato de beatificar seria “beatificação”. Resposta: C 13. FGV - Analista Legislativo (ALERO)/Administração/2018 (e mais 22 concursos) “Ela deve deixar de ser passiva para tornar-se ativa”; a relação de oposição entre as duas palavras sublinhadas se repete em a) cuidadosa / displicente. b) demorada / lenta. c) superficial / desimportante. d) afetiva / sentimental. e) produtiva / reprodutiva. 28 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 RESOLUÇÃO Na letra B, há uma convergência de sentidos entre “demorada” e “lenta”. Trata-se de sinônimos. Na letra C, “superficial” e “desimportante” possuem significados distintos, mas não opostos. A primeira se opõe a “detalhado”; já a segunda, a “importante”, “relevante”. Na letra D, há uma convergência de sentidos entre “afetiva” e “sentimental”. Trata-se de sinônimos. Na letra E, “produtiva” e “reprodutiva” possuem significados distintos, mas não opostos. A primeira faz menção a algo que gera produção; a segunda, a algo que se replica, se repete. A letra A traz duas ideias opostas: ser cuidadoso se opõe a ser displicente. Resposta: A 14. Assistente Operacional (SSP AM) / 2015 “Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina. O homem fica indignado e, usando o “Você sabe com quem está falando?”, identifica-se como promotor público, prendendo o guarda”. (DaMatta, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990) “Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina.” Nesse segmento do texto os termos sublinhados NÃO podem ser considerados antônimos; o mesmoocorre na frase abaixo: a) Uma boa fiscalização reprime a má conduta de motoristas. b) Uma má sinalização não indica uma boa administração. c) Uma má conduta é sempre seguida de uma boa repreensão. d) Um bom motorista não dá maus exemplos. e) Um bom automóvel não pode ter maus freios. RESOLUÇÃO Excelente questão de semântica! Vejamos novamente o trecho selecionado: “Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina.” O adjetivo "má", em "má sinalização", está empregado no sentido de "inadequada, inapropriada". Já "boa", em "boa propina", carrega consigo um sentido associado à quantidade. Poderíamos substituir por "grande" ou "vultosa". Ademais, dentro do contexto, esse adjetivo é empregado com tom irônico. 29 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Por isso, não devemos considerar no contexto "má" - associado a inadequação - e "boa" - associado a quantidade - palavras antônimas. É esse mesmo raciocínio que utilizaremos nos itens a seguir: Letra A - Os vocábulos "boa" e "má" podem sim ser considerados antônimos. Note que os seus sentidos são, respectivamente, "adequada" e "inadequada". Pode-se reescrever a frase, mantendo-se o sentido original, da seguinte forma: Uma adequada fiscalização reprime a inadequada conduta de motoristas. Letra B - Os vocábulos "má" e "boa" podem sim ser considerados antônimos. Note que os seus sentidos são, respectivamente, "inadequada" e "adequada". Pode-se reescrever a frase, mantendo-se o sentido original, da seguinte forma: Uma inadequada sinalização não indica uma adequada administração. Letra C - Os vocábulos "má" e "boa" NÃO podem sim ser considerados antônimos. Note que os seus sentidos são, respectivamente, "inadequada" e "forte" (ou "intensa", ou "grande", ou "veemente"). Pode-se reescrever a frase, mantendo-se o sentido original, da seguinte forma: Uma inadequada conduta é sempre seguida de uma forte repreensão. Letra D - Os vocábulos "bom" e "maus" podem sim ser considerados antônimos. Note que os seus sentidos são, respectivamente, "correto" e "incorretos". Pode-se reescrever a frase, mantendo-se o sentido original, da seguinte forma: Um motorista correto não dá exemplos incorretos. Letra E - Os vocábulos "bom" e "maus" podem sim ser considerados antônimos. Note que os seus sentidos são, respectivamente, "adequado" e "inadequados". Pode-se reescrever a frase, mantendo-se o sentido original, da seguinte forma: Um adequado automóvel não pode ter inadequados freios. Resposta: C 15. FGV - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEFAZ RJ) / 2011 Responsabilidade Penal da Pessoa Jurídica No Brasil, embora exista desde 1988 o permissivo constitucional para responsabilização penal das pessoas jurídicas em casos de crimes ambientais (artigo 225, parágrafo 3º), é certo que a adoção, na prática, dessa possibilidade vem se dando de forma bastante tímida, muito em razão das inúmeras deficiências de técnica legislativa encontradas na Lei 9.605, de 1998, que a tornam quase que inaplicável neste âmbito. A partir de uma perspectiva que tem como ponto de partida os debates travados no âmbito doutrinário nacional, insuflados pelos também acalorados debates em plano internacional sobre o tema e pela crescente aceitação da possibilidade da responsabilização penal da pessoa jurídica em legislações de países de importância central na atividade econômica globalizada, é possível vislumbrar que, em breve, discussões sobre a ampliação legal do rol das possibilidades desse tipo de responsabilização penal ganhem cada vez mais espaço no Brasil. É certo que a mudança do enfoque sobre o tema, no âmbito das empresas - principalmente, as transnacionais -, decorrerá também de ajustamentos de postura administrativa decorrentes da adoção de critérios de responsabilização penal da pessoa jurídica em seus países de origem. Tais mudanças, inevitavelmente, terão que abranger as práticas administrativas de suas congêneres espalhadas pelo mundo, a fim de evitar respingos de responsabilização em sua matriz. 30 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Na Espanha, por exemplo, a recentíssima reforma do Código Penal - que atende diretivas da União Europeia sobre o tema - trouxe, no artigo 31 bis, não só a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica (por delitos que sejam cometidos no exercício de suas atividades sociais, ou por conta, nome, ou em proveito delas), mas também estabelece regras de como essa responsabilização será aferida nos casos concretos (ela será aplicável [...], em função da inoperância de controles empresariais, sobre atividades desempenhadas pelas pessoas físicas que as dirigem ou que agem em seu nome). A vigência na nova norma penal já trouxe efeitos práticos no cotidiano acadêmico e empresarial, pois abundam, naquele país, ciclos de debates acerca dos instrumentos de controle da administração empresarial, promovidos por empresas que pretendem implementar, o quanto antes, práticas administrativas voltadas à prevenção de qualquer tipo de responsabilidade penal. Dessa realidade legal e da tendência político-criminal que dela se pode inferir, ganham importância, no espectro de preocupação não só das empresas estrangeiras situadas no Brasil, mas também das próprias empresas nacionais, as práticas de criminal compliance. Tem-se, grosso modo, por compliance a submissão ou a obediência a diversas obrigações impostas às empresas privadas, por meio da implementação de políticas e procedimentos gerenciais adequados, com a finalidade de detectar e gerir os riscos da atividade da empresa. Na atualidade, o direito penal tem assumido uma função muito próxima do direito administrativo, isto é, vêm-se incriminando, cada vez mais, os descumprimentos das normas regulatórias estatais, como forma de reforçar a necessidade de prevenção de riscos a bens juridicamente tutelados. Muitas vezes, o mero descumprimento doloso dessas normas e diretivas administrativas estatais pode conduzir à responsabilização penal de funcionários ou dirigentes da empresa, ou mesmo à própria responsabilização da pessoa jurídica, quando houver previsão legal para tanto. Assim sendo, criminal compliance pode ser compreendido como prática sistemática de controles internos com vistas a dar cumprimento às normas e deveres ínsitos a cada atividade econômica, objetivando prevenir possibilidades de responsabilização penal decorrente da prática dos atos normais de gestão empresarial. No Brasil, por exemplo, existem regras de criminal compliance previstas na Lei dos Crimes de Lavagem de Dinheiro - Lei 9.613, de 3 de março de 1998 - que sujeitam as pessoas físicas e jurídicas que tenham como atividade principal ou acessória a captação, intermediação e aplicação de recursos financeiros, compra e venda de moeda estrangeira ou ouro ou títulos ou valores mobiliários, à obrigação de comunicar aos órgãos oficiais sobre as operações tidas como "suspeitas", sob pena de serem responsabilizadas penal e administrativamente. Porém, sofrendo o Brasil os influxos de modelos legislativos estrangeiros, assim como estando as matrizes das empresas transnacionais que aqui operam sujeitas às normas de seus países de origem, não tardará para que as práticas que envolvem o criminal compliance sejam estendidas a diversos outros segmentos da economia. Trata- se, portanto, de um assunto de relevante interesse para as empresas nacionais e estrangeiras que atuam no Brasil, bem como para os profissionais especializados na área criminal, que atuarão cada vez mais veementemente na prevençãodos riscos da empresa. (...) (Leandro Sarcedo e Jonathan Ariel Raicher. In: Valor Econômico. 29/03/2011 - com adaptações) 31 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Por ínsitos, NÃO se pode entender a) inerentes. b) peculiares. c) típicos. d) adventícios. e) característicos. RESOLUÇÃO Podemos resolver essa questão com um pouco de lógica. Ora, as letras A, B, C e E apresentam sentidos convergentes. Algo característico é algo típico, peculiar, inerente. São, assim, possíveis sinônimos. Resta-nos a alternativa D como resposta. O vocábulo "ínsitos" significa "implantados", "inseridos", "inatos", etc. Já na letra D, o vocábulo "adventício" significa "anormal", "exótico", "estranho", "acidental". Resposta: D 16. FGV - Fiscal da Receita Estadual (AP) / 2010 O jeitinho brasileiro e o homem cordial O jeitinho caracteriza-se como ferramenta típica de indivíduos de pouca influência social. Em nada se relaciona com um sentimento revolucionário, pois aqui não há o ânimo de se mudar o status quo. O que se busca é obter um rápido favor para si, às escondidas e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se "dar bem" em uma situação "apertada". Sérgio Buarque de Holanda, em O Homem Cordial, fala sobre o brasileiro e uma característica presente no seu modo de ser: a cordialidade. Porém, cordial, ao contrário do que muitas pessoas pensam, vem da palavra latina cor, cordis, que significa coração. Portanto, o homem cordial não é uma pessoa gentil, mas aquele que age movido pela emoção no lugar da razão, não vê distinção entre o privado e o público, detesta formalidades, põe de lado a ética e a civilidade. Em termos antropológicos, o jeitinho pode ser atribuído a um suposto caráter emocional do brasileiro, descrito como "o homem cordial" pelo antropólogo. No livro Raízes do Brasil, esse autor afirma que o indivíduo brasileiro teria desenvolvido uma histórica propensão à informalidade. Deve-se isso ao fato de as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral, não havendo diálogo entre governantes e governados, mas apenas a imposição de uma lei e de uma ordem consideradas artificiais, quando não inconvenientes aos interesses das elites políticas e econômicas de então. Daí a grande tendência fratricida observada na época do Brasil Império, que é bem ilustrada pelos episódios conhecidos como Guerra dos Farrapos e Confederação do Equador. Na vida cotidiana, tornava-se comum ignorar as leis em favor das amizades. Desmoralizadas, incapazes de se impor, as leis não tinham tanto valor quanto, por exemplo, a palavra de um "bom" amigo. Além disso, o fato de afastar as leis e seus castigos típicos era uma prova de boa-vontade e um gesto de confiança, o que favorecia boas relações de comércio e tráfico de influência. De acordo com testemunhos de comerciantes holandeses, era 32 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 impossível fazer negócio com um brasileiro antes de fazer amizade com ele. Um adágio da época dizia que "aos inimigos, as leis; aos amigos, tudo". A informalidade era - e ainda é - uma forma de se preservar o indivíduo. Sérgio Buarque avisa, no entanto, que esta "cordialidade" não deve ser entendida como caráter pacífico. O brasileiro é capaz de guerrear e até mesmo destruir; no entanto, suas razões animosas serão sempre cordiais, ou seja, emocionais. (In: www.wikipedia.org - com adaptações.) Deve-se isso ao fato de as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral. Tem significação oposta à do termo sublinhado o vocábulo: a) licenciosa. b) tirana. c) normativa. d) proibitiva. e) repressora. RESOLUÇÃO Mais uma questão possível de ser respondida por meio da lógica. Note que há uma aproximação de sentido entre “tirana” e “repressora”, o que impede as letras B e E de serem respostas. Restam as letras A, C e D. De acordo com o contexto, alega-se que as instituições não dizem respeito à vontade das pessoas. Foram concebidas não por um acordo, mas de forma unilateral, ou seja, imposta, à força. Não se opõe à ideia de imposição os vocábulos “normativa” e “proibitiva”. No entanto, opõe-se a esse sentido “licenciosa”, associada à ideia de "concessão", "liberação". Resposta: A 17. FGV - Auditor da Receita Estadual (AP) / 2010 Corrupção, ética e transformação social Em toda História do Brasil, talvez nunca tenhamos visto um momento em que notícias de corrupção tenham sido tão banais nos meios de comunicação, e tão discutidas por grande parte da população. Em qualquer lugar (mesmo que seja um ônibus, por exemplo), sempre há alguém falando sobre a crise na saúde, a crise na educação e, inclusive, a crise ética na política brasileira. Contudo, é preciso notar também que, muitas vezes, enquanto cidadãos, nós mesmos raramente decidimos fazer alguma coisa pela transformação da realidade - isso, quando fazemos algo. Certo comodismo nos toma de assalto e reveste toda a nossa fala de uma moral vazia, estéril, que se reduz à crítica que não busca alterar a realidade. Afinal de contas, em época de eleições, como a que estamos prestes a vivenciar, nós notamos nas propagandas políticas dos partidos a presença dos mesmos políticos e das mesmas propostas políticas, as mesmas já prometidas nas eleições anteriores, e que jamais foram executadas. Logicamente há as exceções de certos 33 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 governantes que fazem por onde efetivar suas promessas, mas esses, infelizmente, continuam sendo uma minoria em todo o Brasil. Numa outra perspectiva, é interessante perceber também quão contraditória consiste ser a distância entre o que nós criticamos em nossos políticos e as ações que nós reproduzimos em nosso cotidiano. De uma forma ou de outra, reproduzimos a corrupção que nós percebemos na administração pública nacional quando empregamos o chamado jeitinho brasileiro, em que o peso de um sobrenome ou o peso da influência do status social passa a ser um dos elementos determinantes para a obtenção de certos fins. É nesse sentido que podemos apontar aqui um grave problema social brasileiro, uma das principais bases para se buscar o fim da corrupção política no Brasil: a existência de uma ética baseada em uma falta de ética. Como poderemos superar essa incongruência? Com certeza, a Educação pode ser a saída ideal. Mas tem de ser uma Educação voltada para desenvolver nas crianças, nos jovens e até mesmo nos universitários - independentemente de frequentarem instituições públicas ou privadas - uma preocupação para com o bem público, isto é, para com a sociedade. Uma Educação que os leve a superar uma concepção de mundo utilitarista, segundo a qual toda sociedade humana não passa de um somatório de indivíduos e seus interesses pessoais, que tão bem se acomoda ao jeitinho brasileiro, será o primeiro passo para se desenvolver uma sociedade mais justa, uma sociedade em que a preocupação com o público, com o coletivo, será a forma ideal para buscar a felicidade individual, que tanto preocupa certos conservadores. Para tanto, sabemos que é preciso não uma "educação política", mas sim uma educação politizada. Uma educação que reconheça que a solução para a corrupção centra-se em conceber a política não apenas como um instrumento para se alcançar um determinado fim, consolidando-se, portanto, numa mera razão instrumental. Uma educação na qual a própria política, a partir do momento em que buscar ser de fato um meio para se alcançar o bem de todos - como ao que se propõe o nosso modelo democrático -, vaiestruturar uma ética que localizará no comodismo e no jeitinho brasileiro as raízes de nosso analfabetismo político, substituindo-os por outras formas de ação social ao longo da construção de uma cultura cívica diferente. (adaptado de MOREIRA, Moisés S. In www.mundojovem.com.br:) "Como poderemos superar essa incongruência?" Assinale a alternativa que não tem significação semelhante à do termo sublinhado: a) Inconveniência. b) Incompatibilidade. c) Indolência. d) Impropriedade. e) Inadequação. RESOLUÇÃO A palavra "indolência" significa "preguiça", "falta de disposição". Seu significado se distancia, assim, dos demais vocábulos, que apontam no sentido de "erro", "inconsistência". É possível chegar à resposta por eliminação, pois as letras A, B, D e E apresentam vocábulos que se aproximam quanto ao sentido. Resposta: Letra C 34 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 18. INÉDITA A BOA MORTE Aparentemente ninguém deu muita bola para a proposta, feita pela comissão de juristas que revê o Código Penal, de descriminalizar certos tipos de eutanásia. Esse, entretanto, é um assunto importantíssimo e que tende a ficar cada vez mais premente, à medida que a população envelhece e a medicina amplia seu arsenal terapêutico. Desligar as máquinas que mantêm um paciente vivo pode ser descrito como um caso de homicídio, ainda que com o objetivo nobre de evitar sofrimento, ou como uma recusa em prosseguir com tratamento fútil, o que é perfeitamente legal. Como sempre, acho que cabe a cada qual fazer suas próprias escolhas. Mas, já que nem sempre sabemos o que é melhor, convém dar uma espiadela em como pensam aqueles que, de fato, entendem do assunto. Num artigo que está movimentando a blogosfera sanitária e já foi reproduzido no “Wall Street Journal” e no “Guardian”, o doutor Ken Murray sustenta que, embora os médicos apliquem todo tipo de manobra heroica para prolongar a vida de seus pacientes, quando se trata de suas próprias vidas e das de seus entes queridos, eles são bem mais comedidos. Como estão familiarizados com o sofrimento e os desfechos das medidas extremas, querem estar seguros de que, quando a sua hora vier, ninguém vai tentar reanimá-los nem levá-los a uma UTI para entubá-los e espetá-los com cateteres. Murray diz que um de seus colegas chegou a tatuar o termo “no code” (sem ressuscitação) no próprio corpo. A pergunta que fica, então, é: se não são sádicos, por que os médicos fazem aos outros o que não desejam para si mesmos? E a resposta de Murray é que ocorre uma perversa combinação de variáveis emocionais, econômicas, mal-entendidos linguísticos, além, é claro, da própria lógica do sistema. Em geral, para o médico é muito mais fácil e seguro apostar no tratamento, mesmo que ele se estenda para muito além do razoável. “Como estão familiarizados com o sofrimento e os desfechos das medidas extremas, querem estar seguros de que, quando a sua hora vier, ninguém vai tentar reanimá-los nem levá-los a uma UTI para entubá-los e espetá- los com cateteres.”. No período destacado, a primeira oração expressa em relação à seguinte o valor semântico de: a) causa b) consequência c) finalidade d) comparação e) conformidade RESOLUÇÃO: Questão relativamente simples, que trata do valor semântico dos conectores, em particular a conjunção "como". 35 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Para resolver esse tipo de questão, uma habilidade que se exige do aluno é reescrever o texto, identificando as corretas relações lógicas. Vejamos um exemplo: Como estava chovendo, não pude ir ao show. = Não pude ir ao show, porque estava chovendo. Dessa forma, a conjunção "como" assume valor semântico causal. Analisemos o "como" no trecho: Como estão familiarizados com o sofrimento e os desfechos das medidas extremas, querem estar seguros de que, quando a sua hora vier, ninguém vai tentar reanimá-los nem levá-los a uma UTI para entubá-los e espetá-los com cateteres.”. É possível reescrever o trecho acima da seguinte forma: "Devido ao fato de estarem familiarizados com o sofrimento e os desfechos das medidas extremas, querem estar seguros de que, quando a sua hora vier, ninguém vai tentar reanimá-los nem levá-los a uma UTI para entubá-los e espetá-los com cateteres.”. Fica claro, assim, que a conjunção "como" assume valor causal. Resposta: A Texto para as questões 19 a 21 A história da clorpromazina (comercializada como Amplictil no Brasil) e de outras drogas psiquiátricas, incluindo lítio e várias gerações de antidepressivos, é contada de forma apaixonante por Lauren Slater em “Blue Dreams” (sonhos azuis). Slater parte de um ponto de vista privilegiado. Além de escritora, ela é psicóloga e paciente psiquiátrica. Sofre de transtorno bipolar e diz estar convicta de que foi apenas o uso maciço de combinações variadas de antidepressivos e lítio que a manteve por mais de três décadas longe das internações de que precisou na juventude. Ela é uma fã desses fármacos, mas nem por isso deixa de exercer o espírito crítico em relação aos laboratórios. O fato de as drogas funcionarem não significa que seja pelas razões alegadas pela indústria. O modelo da depressão como um desbalanço químico marcado por baixos níveis de serotonina, por exemplo, é mais furado do que um queijo suíço. Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, mas sem esconder os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. Como bônus, ela fala também de fármacos ainda ilegais, mas bastante promissores para uso psiquiátrico, como o MDMA e o LSD. Hélio Schwartsman 36 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 19. INÉDITA Assinale a opção cuja reescrita mantém a correção gramatical e preserva o sentido original do seguinte trecho: Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, mas sem esconder os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. a) Slater não só mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, mas explicita os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. b) Embora Slater não esconda os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação, mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes. c) Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, mesmo não escondendo os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. d) Apesar de mostrar o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, não esconde os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. e) Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, à medida que não esconde os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. RESOLUÇÃO Observemos a conjunção “mas”, cujo sentido é adversativo. Antes de analisarmos as opções, vale a pena ressaltar a diferença entre a oposição adversativa – o principal representante é o “mas” - e a concessiva - o principal representante é o “embora”. Vejamos dois exemplos: João é um bom funcionário, mas chega atrasado todo dia. João é um bom funcionário, embora chegue atrasado todo dia. Na primeira, destaca-se, por meio da conjunção “mas”, o fato de João chegar atrasado todo dia. Já na segunda, a conjunção concessiva “embora”relativiza o fato de João chegar atrasado todo dia. Na primeira, enfatiza-se o defeito; na segunda, a qualidade. Analisemos as opções: Letra A – ERRADA – Cuidado com essa redação. Nela, empregamos o conector “mas”. No entanto, ele não está sozinho. Observemos que temos a presença da expressão “não só... mas (também)”, que tem valor de adição, e não de oposição adversativa. É preciso identificar a palavra “também” subentendida após a conjunção “mas”. Letra B – ERRADA – Na redação original, a conjunção adversativa “mas” enfatiza os graves efeitos secundários e o tamanho da ignorância sobre o tema. Ao mesmo tempo, relativiza-se (atenua-se) o que de bom os medicamentos trazem para os pacientes. Na proposta de reescrita, utiliza-se a conjunção concessiva “embora”. Essa conjunção relativiza os graves efeitos e a ignorância sobre o tema, mudando-se, assim, o sentido original. 37 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Letra C – ERRADA – Ocorre o emprego da conjunção concessiva “mesmo”. Essa conjunção relativiza os graves efeitos e a ignorância sobre o tema, mudando-se, assim, o sentido original. Letra D – CERTA - Ocorre o emprego da locução conjuntiva concessiva “Apesar de”. Essa conjunção relativiza o que de bom os medicamentos trazem para os pacientes e enfatiza os graves efeitos e a ignorância sobre o tema, mantendo-se, assim, o sentido original. Letra E – ERRADA – A locução “à medida que” tem sentido de proporção, bem diferente, portanto, do sentido original de oposição. Resposta: D 20. INÉDITA Slater parte de um ponto de vista privilegiado. Além de escritora, ela é psicóloga e paciente psiquiátrica. É possível identificar entre as duas frases que o compõem uma relação de: a) Adição b) Explicação c) Comparação d) Oposição e) Conclusão RESOLUÇÃO Cuidado com essa questão! O enunciado aqui é decisivo, pois se pede do candidato que ele identifique a relação entre as FRASES. O que pode nos confundir é a presença do conector “Além de”, que dá o sentido de adição. No entanto, essa relação de adição se dá entre os termos da segunda frase, e não entre as frases. Diz-se na segunda frase que ela é escritora, psicóloga E paciente psiquiátrica. Dessa forma, o grande risco é marcarmos a letra A. No entanto, repetindo, não é de adição a relação entre as frases. Agora analisemos a relação entre as frases. É possível explicitá-la, fazendo-se a seguinte reescrita: Slater parte de um ponto de vista privilegiado, POIS, além de escritora, ela é psicóloga e paciente psiquiátrica. A presença da conjunção POIS explicita, portanto, a relação de EXPLICAÇÃO. Resposta: B 38 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 21. INÉDITA Lendo uma notícia de um jornal, nota-se o seguinte trecho: “Muitas são as pessoas que estão se mudando daquela cidade graças à violência que lá tem sido tão frequente.” Um leitor mais atento julgou incorreto o emprego da expressão “graças a”. Assinale a opção que traz uma justificativa coerente para esse julgamento e uma proposta de correção: a) A locução conjuntiva “graças a” não transmite a ideia de causa. Assim, seria interessante substituí-la por “devido a”. b) A locução conjuntiva “graças a” não transmite a ideia de causa. Assim, seria interessante substituí-la por “em virtude de”. c) A locução conjuntiva “graças a”, embora transmita a ideia de causa, tem uso restrito a causas de tom positivo. Assim, seu emprego no texto é inadequado, sendo interessante substituí-la por “devido a”. d) A locução conjuntiva “graças a”, embora transmita a ideia de causa, tem uso restrito a causas de tom positivo. Assim, seu emprego no texto é inadequado, sendo interessante substituí-la por “mesmo com”. e) A locução conjuntiva “graças a” transmite a ideia de consequência exigida na frase. Assim, seu emprego no texto é inadequado, sendo interessante substituí-la por “devido a”. RESOLUÇÃO: A locução “graças a” introduz uma ideia de causa. No entanto, é compatível com causas de carga semântica positiva, pois a expressão está associada ao sentido de “agradecer”. Descartando-se a hipótese de o autor ter se expressado de forma irônica, haja vista se tratar o texto de uma notícia jornalística, vê-se incompatibilidade no emprego da expressão, pois “violência” não tem valor positivo. Letra A – ERRADA – A locução “graças a” transmite sim a ideia de causa. Letra B – ERRADA - A locução “graças a” transmite sim a ideia de causa. Além disso, não seria possível a troca pela também expressão de causa “em virtude de”, devido ao fato de esta também pedir conteúdo de valor semântico positivo. Letra C – CERTA – A troca pela expressão causal neutra “devido a” dá à redação compatibilidade semântica. Letra D – ERRADA – A expressão “mesmo com” não teria valor causal, e sim concessivo, alterando, dessa forma, o conteúdo original. Letra E – ERRADA - A locução “graças a” transmite uma ideia de causa, não de consequência. Resposta: C 39 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Texto para a questão 22 Uma palavra sobre cultura e Constituição Todas as Constituições brasileiras foram lacônicas e genéricas ao tratar das relações entre cultura e Estado. Não creio que se deve propriamente lamentar esse vazio nos textos da Lei Maior. (...) A sociedade brasileira não tem uma “cultura” já determinada. O Brasil é, ao mesmo tempo, um povo mestiço, com raízes indígenas, africanas, europeias e asiáticas, um país onde o ensino médio e universitário tem alcançado, em alguns setores, níveis internacionais de qualidade e um vasto território cruzado por uma rede de comunicações de massa portadora de uma indústria cultural cada vez mais presente. O que se chama, portanto, de “cultura brasileira” nada tem de homogêneo ou de uniforme. A sua forma complexa e mutante resulta de interpenetrações da cultura erudita, da cultura popular e da cultura de massas. Se algum valor deve presidir à ação do Poder Público no trato com a “cultura”, este não será outro que o da liberdade e o do respeito pelas manifestações espirituais as mais diversas que se vêm gestando no cotidiano do nosso povo. Em face dessa corrente de experiências e de significados tão díspares, a nossa Lei Maior deveria abster-se de propor normas incisivas, que soariam estranhas, porque exteriores à dialética das “culturas” brasileiras. Ao contrário, um certo grau de indeterminação no estilo de seus artigos e parágrafos é, aqui, recomendável. (Adaptado de: BOSI, Alfredo. Entre a Literatura e a História. São Paulo: Editora 34, 2013, p. 393-394) Consideradas no contexto, as expressões “lacônicas”, “gestando” e “díspares”, sublinhadas no texto, podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente, por: 22. INÉDITA Consideradas no contexto, as expressões “lacônicas”, “gestando” e “díspares”, sublinhadas no texto, podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente, por: a) breves; produzindo; parecidos. b) prolixas; abolindo; diferentes. c) simples; criando; distintos. d) sucintas; formando; desiguais e) complexas; gerando; dessemelhantes RESOLUÇÃO Inicia-se o texto alegrando que a Constituição tratou de forma indeterminada o termo cultura, sem maiores detalhamentos ou especificações. Isso posto, é possível, não conhecendo previamente o significado do termo “lacônicas”, associá-lo, por coerência, à ideia de brevidade. Já “gestar”, cognato de “gestação”, tem a significação associada à produção. O termo “díspares”, por fim, está associado à desigualdade, diferença. Resposta: C 40 de 65| www.direcaoconcursos.com.brLíngua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 23. INÉDITA O gênero “divina comédia” sugere a ambiguidade do procedimento habitual do dramaturgo, com integração de humorístico e patético, elementos trágicos e cômicos, para chegar a um misto de irrisão e desespero. O achado imprevisto é uma deliciosa intuição do absurdo, estimulando com rara eficácia o espectador. (Nelson Rodrigues – Teatro da Obsessão) No trecho de texto, o termo “irrisão”, contextualmente, assume o significado de: a) pânico b) nervosismo c) inteligência d) menosprezo e) sedução RESOLUÇÃO: A questão trata de significação de palavras. Obviamente, se o aluno souber o significado do vocábulo, a questão é prontamente respondida. Porém, mesmo sem conhecer esse significado, é possível identificar seu sentido pelo contexto em que se insere. Note que Nélson Rodrigues sugere que o gênero “divina comédia” é ambíguo, pois integra o humorístico (engraçado) e o patético (triste, constrangedor); o trágico (dramático) e o cômico (engraçado); o desespero e a irrisão. Daí se conclui que irrisão se contrapõe a desespero, da mesma forma que humorístico a patético e trágico a cômico. Isso já faz com que eliminemos as letras A (pânico) e B (nervosismo). Além disso, é possível identificar uma família de cognatos (mesma raiz, radical) reunindo irrisão, irrisório, risível, riso, etc. Daí é possível associar irrisão a zombaria, alvo de riso, menosprezo. Resposta: D 24. INÉDITA Você sabia que o desperdício de alimentos atinge um terço de toda comida produzida no mundo? Pois é, a produção em excesso e o transporte são fatores significativos para esse problema. Mas além disso, há desperdício de alimentos na cozinha da nossa casa. Vamos dar uma olhada mais profunda nessa questão. De acordo com a FAO (agência das Nações Unidas preocupada em erradicar a fome), 54% do desperdício de alimentos no mundo ocorre na fase inicial da produção, que são a manipulação pós-colheita e a armazenagem. Os outros 46% do desperdício, de acordo com a mesma fonte, ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Quando lembramos que todos os dias 870 milhões de pessoas passam fome, esses dados sobre desperdício se tornam aterrorizantes. https://www.ecycle.com.br/component/content/article/62-alimentos/3007-desperdicio-de-alimentos-quais-sao- as-causas-e-os-prejuizos-economicos-e-ambientais-desse-problema.html 41 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 O prefixo presente na palavra “desperdício” tem o mesmo sentido do prefixo que ocorre em a) impossível. b) discórdia. c) superlotar d) intravenoso e) reavaliar RESOLUÇÃO O prefixo “des-”, em desperdício, indica intensidade, quantidade. Trata-se de uma perda grande, excessiva. Deve-se tomar cuidado para não o associar a negação, ação contrária. Letra A – ERRADO – O prefixo “im-”, em impossível, indica negação. Letra B – ERRADO – O prefixo “dis-”, em discórdia, indica negação, ação contrária. Letra C – CERTO – O prefixo “super-”, em superlotar, indica intensidade, quantidade. Trata-se de uma lotação excessiva. Letra D – ERRADO – O prefixo “intra-”, em intravenoso, está associado a interior, interno. Letra E – ERRADO – O prefixo “re-”, em reavaliar, indica repetição. Resposta: C 25. INÉDITA O mercado não espera Se as universidades públicas e privadas ainda patinam no caminho a ser seguido, as corporativas estão avançando a todo vapor. A fim de capacitar a mão de obra, o Banco do Brasil despendeu 127,1 milhões de reais em 2017 com a universidade corporativa, que ofereceu 8 milhões de horas de treinamento; e apenas 10% deles foram presenciais. “Essa facilidade permite a disseminação do conteúdo para todos os 109 026 funcionários espalhados pelo Brasil”, diz José Caetano, destacando: “Para a geração mais jovem, um vídeo se mostra mais eficaz do que passar horas lendo um conteúdo”. Treinamentos com situações reais, videoaulas e jogos também são comuns. “Procuramos uma metodologia mais efetiva, independentemente da tecnologia escolhida”, afirma Armando Lourenzo, diretor da universidade corporativa da EY. A escola tem indicadores de aplicação que traduzem quanto do ensinado em sala pode ser usado no dia a dia. Analisando os sentidos atribuídos aos elementos linguísticos destacados no texto, é correto afirmar que: a) “Se”, na linha 1, expressa a ideia de condição. b) “apenas”, na linha 4, expressa a ideia de restrição. 42 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 c) “para”, na linha 6, expressa a ideia de finalidade. d) “mais”, na linha 10, expressa a ideia de quantidade e) ”quanto”, na linha 11, expressa a ideia de intensidade. RESOLUÇÃO: Letra A – ERRADO – O “Se” não expressa condição, mas sim enfatiza uma comparação, um contraste. Letra B – CERTO – De fato! O termo “apenas” significa “somente”, indicando que nem todos os cursos se deram no formato presencial. Há, portanto, uma ideia de restrição. Letra C – ERRADO – O “para” não introduz finalidade, e sim destinatário. Letra D – ERRADO – O “mais” modifica “efetiva”, dando uma ideia de intensidade. Letra E – ERRADO – O “quanto” expressa ideia de quantidade, não intensidade. Resposta: B 43 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Lista de Questões 1. FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) Guerra civil Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017 O 11º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando o crescimento das mortes violentas no Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram 61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência. Outro dado relevante é o crescimento da violência em alguns estados do Sul e do Sudeste. Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país. Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato. Tem sido assim com o governo federal e boa parte das demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o argumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo em períodos de economia mais forte, pouco se viu da implementação de programas estruturantes com o objetivo de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medidas essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho, deve ser parte de um programa bem articulado, que permita o acompanhamento das ações e que incentive o trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da União e das guardas municipais. O texto apresenta uma série de conectores em suas ligações sintáticas; o conector que tem seu significado corretamente indicado é: a) “...que perderam a vida devido à violência” / causa; b) “Agora, com a crise...” / companhia; c) “...mesmo em períodos de economia mais forte” / concessão; d) “...crescimento da violência em alguns estados” / tempo; e) “...mas é preciso ir muito além” / conclusão. 2. FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) Violência: O Valor da vida Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412 A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas. Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota,além da agressão física, diversos tipos de imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que um indivíduo impõe a outro. Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em escala inédita no reino animal. Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência e passou a ser um instrumento 44 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade aparece em condições históricas específicas, constituindo-se em um tipo de violência fundamental para a constituição de civilizações. Entre os conectivos abaixo sublinhados, aquele que tem seu significado corretamente indicado é: a) “Mas violência é uma categoria com amplos significados”. / explicação; b) “Mas violência é uma categoria com amplos significados”. / meio ou instrumento; c) “Hoje, esse termo denota, além da agressão física...” / adição; d) “...para sobreviver em ambientes hostis” / direção; e) “Por outro lado, nas sociedades complexas...” / lugar. 3. FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) Violência: O Valor da vida Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412 A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas. Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota, além da agressão física, diversos tipos de imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que um indivíduo impõe a outro. Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em escala inédita no reino animal. Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência e passou a ser um instrumento da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade aparece em condições históricas específicas, constituindo-se em um tipo de violência fundamental para a constituição de civilizações. “Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade”. Nesse segmento do texto, o primeiro termo que estabelece coesão com um termo anterior é: a) fenômeno; b) em que; c) essa desigualdade; 45 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 d) bens e valores; e) população. 4. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Tecnologia da Informação/2018 (e mais 21 concursos) Intercâmbio de alimentos Renato Mocelline/Rosiane de Camargo, História em debate. São Paulo: Editora do Brasil, p. 72. A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias nos hábitos alimentares dos seres humanos. Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos. Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida. Observe os três segmentos abaixo, retirados do texto. “por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal” “Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa...” “Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida”. Nessas ocorrências, os pronomes demonstrativos empregados: a) têm sempre por antecedente uma oração; b) referem-se sempre a termos imediatamente anteriores; c) mostram sempre referências a um de dois termos citados; d) prendem-se sempre a elementos distantes no tempo; e) ligam-se semanticamente a elementos já citados. 5. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Tecnologia da Informação/2018 (e mais 21 concursos) A questão baseia no texto apresentado abaixo. Intercâmbio de alimentos Renato Mocelline/Rosiane de Camargo, História em debate. São Paulo: Editora do Brasil, p. 72. A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias nos hábitos alimentares dos seres humanos. Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os 46 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos. Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida. “Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam...”. O termo sublinhado mostra uma oposição entre os seguintes pontos: a) apesar de nos primeiros anos de conquista os espanhóis resistirem aos alimentos americanos, com o passar do tempo passaram a adotá-los; b) apesar de os espanhóis trazerem consigo alimentos de sua terra natal, não deixavam de alimentar-se dos alimentos exóticos da América; c) apesar de os espanhóis não se alimentarem com os produtos nativos, mandavam esses mesmos alimentos para a Europa; d) apesar de os nativos oferecerem alimentos americanos aos espanhóis, os conquistadores não os comiam, enviando todos eles para a Europa; e) apesar de os nativos comerem produtos exóticos, os conquistadores europeus não só os comiam como os enviavam também para a Europa. 6. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Taquigrafia/2018 Cadaum por si Paula Ferreira, O Globo, 22/11/2017 (adaptado) Ouvir a opinião do outro, trabalhar em equipe e compartilhar conhecimento são habilidades desejadas não só no mercado de trabalho, mas no exercício da cidadania e nas relações interpessoais. Mas valores como este não são bem desenvolvidos nas escolas do Brasil, indica um relatório divulgado ontem com dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Os estudantes brasileiros estão entre os piores, em meio a 52 países ou economias com dados disponíveis, em resolver problemas de maneira colaborativa. De acordo com especialistas, há razões claras para essa posição. Por um lado, o foco em avaliações de larga escala afetou o que é prioridade nas escolas do país. Por outro, o modelo de acesso ao nível superior e a infinidade de provas desestimulam estudantes a trabalhar coletivamente. - Os países com bom desempenho nessa habilidade têm estruturas de aula que promovem maior interação durante o aprendizado das disciplinas comuns. Aulas nas quais há incentivo para a colaboração entre pares têm impactos positivos sobre essa competência – afirmou um dos diretores da Instituição, acrescentando ainda que o Brasil precisa melhorar em áreas essenciais. O segmento sublinhado do texto que tem seu significado explicado pela situação de produção do texto e não pelo contexto linguístico é: 47 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 a) “Mas valores como este não são bem desenvolvidos nas escolas do Brasil, indica um relatório divulgado ontem com dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA)”; b) “De acordo com especialistas, há razões claras para essa posição”; c) “Por um lado, o foco em avaliações de larga escala afetou o que é prioridade nas escolas do país”; d) “Por um lado, o foco em avaliações de larga escala afetou o que é prioridade nas escolas do país”; e) “Os países com bom desempenho nessa habilidade têm estruturas de aula que promovem maior interação durante aprendizado das disciplinas comuns”. 7. FGV - Analista Judiciário (TJ AL)/Judiciária/2018 (e mais 2 concursos) TEXTO – Sem tolerância com o preconceito Diante do número de casos de preconceito explícito e agressões, somos levados ao questionamento se nossa sociedade corre o risco de estar tornando-se irracionalmente intolerante. Ou, quem sabe, intolerantemente irracional. Intolerância é a palavra do momento. Da religião à orientação sexual, da cor da pele às convicções políticas. O tamanho desse problema rompeu fronteiras e torna-se uma praga mundial. Líderes políticos, em conluio com líderes religiosos, ignoram os conceitos de moral, ética, direitos, deveres e justiça. As redes sociais assumiram um papel cruel nesse sistema. Se deveriam servir para mostrar indignação, mostram, muitas vezes, um preconceito medieval. No campo da religiosidade, o fanatismo se mostra cada dia mais presente no Rio de Janeiro. No último ano, foram registradas dezenas de casos de intolerância religiosa por meio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos. Um número ainda subnotificado, pois, muitas ocorrências que deveriam ser registradas como “intolerância religiosa” são consideradas brigas de vizinhos. A subnotificação desses casos é um dos maiores entraves na luta contra a intolerância religiosa. O registro incorreto e a descrença de grande parte da população na punição a esse tipo de crime colaboram para maquiar o retrato dos ataques promovidos pelo fanatismo religioso em nossa sociedade. A perseguição às minorias religiosas está cada vez mais organizada com braços políticos e até de milícias armadas como o tráfico de drogas. No último ano recebemos denúncias de ataques contra religiões de matriz africana praticados pelo tráfico de drogas, que não só destruíam terreiros, como também proibiam a realização de cultos em determinada região, segundo o desejo do chefe da facção local. Não podemos regredir a um estado confessional. A luta de agora pela liberdade religiosa é um dever de todos para garantir o cumprimento da Constituição Federal. Quando uma pessoa de fé é humilhada, agredida ou discriminada devido à sua crença, ela tem seus direitos humanos e constitucionais violados. Hoje, fala-se muito sobre intolerância religiosa, mas, muito mais do que sermos tolerantes, precisamos aprender a respeitar a individualidade e as crenças de cada um. Até porque, nessa toada, a intolerância irracional ganha terreno, e nós vamos ficando cada vez mais irracionalmente intolerantes com aquilo que não deveríamos ser. Numa sociedade onde o preconceito se mostra cada dia mais presente, a única saída é a incorporação da cultura do respeito. Preconceito não se tolera, se combate. 48 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Átila Alexandre Nunes, O Globo, 23/01/2018 (adaptado) A opção em que o conector sublinhado mostra corretamente seu valor semântico é: a) “Diante do número de casos de preconceito explícito” / localização; b) “Um número ainda subnotificado, pois, muitas ocorrências que deveriam ser registradas...” / conclusão; c) “...está cada vez mais organizada com braços políticos e até de milícias armadas...” / companhia; d) “...e até de milícias armadas como o tráfico de drogas” / exemplificação; e) “...somos levados ao questionamento se nossa sociedade corre o risco de estar tornando-se irracionalmente intolerante” / condição. 8. FGV - Técnico Judiciário (TJ AL)/Judiciária/2018 Ressentimento e Covardia Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita. No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história. Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório. Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado) O segmento do texto que mostra um problema de coerência é: a) “Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral”; b) “...os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso”; c) “Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas”; 49 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 d) “Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também”; e) “E em caso de falsear a verdade propositadamente,é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório”. 9. FGV - Técnico Judiciário (TJ AL)/Judiciária/2018 Ressentimento e Covardia Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita. No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-história. Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório. Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado) “Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita”. Nesse segmento do texto, o termo sublinhado que NÃO estabelece coesão com nenhum termo anterior é: a) aqui; b) que; c) importante e eficaz veículo de comunicação; d) abusos; e) a. 50 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 10. FGV - Técnico Bancário (BANESTES)/2018 (e mais 3 concursos) Todas as frases abaixo apresentam elementos sublinhados que estabelecem coesão com elementos anteriores (anáfora); a frase em que o elemento sublinhado se refere a um elemento futuro do texto (catáfora.) é: a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais preciosos que a alma humana pode desejar”; b) “Todo o problema da vida é este: como romper a própria solidão”; c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar”; d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas a de uma vela que queima”; e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que produzem menos”. 11.FGV - Assistente Legislativo Municipal (CM Salvador)/Auxiliar em Saúde Bucal/2018 (e mais 1 concurso) A questão baseia no texto apresentado abaixo. Guerra civil Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017 O 11º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando o crescimento das mortes violentas no Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram 61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência. Outro dado relevante é o crescimento da violência em alguns estados do Sul e do Sudeste. Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país. Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato. Tem sido assim com o governo federal e boa parte das demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o argumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo em períodos de economia mais forte, pouco se viu da implementação de programas estruturantes com o objetivo de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medidas essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho, deve ser parte de um programa bem articulado, que permita o acompanhamento das ações e que incentive o trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da União e das guardas municipais. “Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números da violência no país”. O vocábulo “inaceitáveis” equivale ao “que não se aceita”. A equivalência correta abaixo indicada é: a) tinta indelével / que não se apaga; b) ação impossível / que não se possui; c) trabalho inexequível / que não se exemplifica; d) carro invisível / que não tem vistoria; e) voz inaudível / que não possui audiência. 51 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 12. FGV - Analista Legislativo Municipal (CM Salvador)/Taquigrafia/2018 A relação entre verbo/substantivo representativo de ação que está INADEQUADA é: a) compartilhar / compartilhamento; b) resolver / resolução; c) beatificar / beatitude; d) melhorar / melhora; e) atrapalhar / atrapalhação. 13. FGV - Analista Legislativo (ALERO)/Administração/2018 (e mais 22 concursos) “Ela deve deixar de ser passiva para tornar-se ativa”; a relação de oposição entre as duas palavras sublinhadas se repete em a) cuidadosa / displicente. b) demorada / lenta. c) superficial / desimportante. d) afetiva / sentimental. e) produtiva / reprodutiva. 14. Assistente Operacional (SSP AM) / 2015 “Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina. O homem fica indignado e, usando o “Você sabe com quem está falando?”, identifica-se como promotor público, prendendo o guarda”. (DaMatta, Roberto. Carnavais, malandros e heróis. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1990) “Numa esquina perigosa, conhecida por sua má sinalização e pelas batidas que lá ocorrem, há um acidente de automóvel. Como o motorista de um dos carros está visivelmente errado, o guarda a ele se dirige propondo abertamente esquecer o caso por uma boa propina.” Nesse segmento do texto os termos sublinhados NÃO podem ser considerados antônimos; o mesmo ocorre na frase abaixo: a) Uma boa fiscalização reprime a má conduta de motoristas. b) Uma má sinalização não indica uma boa administração. c) Uma má conduta é sempre seguida de uma boa repreensão. d) Um bom motorista não dá maus exemplos. e) Um bom automóvel não pode ter maus freios. 52 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 15. FGV - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEFAZ RJ) / 2011 Responsabilidade Penal da Pessoa Jurídica No Brasil, embora exista desde 1988 o permissivo constitucional para responsabilização penal das pessoas jurídicas em casos de crimes ambientais (artigo 225, parágrafo 3º), é certo que a adoção, na prática, dessa possibilidade vem se dando de forma bastante tímida, muito em razão das inúmeras deficiências de técnica legislativa encontradas na Lei 9.605, de 1998, que a tornam quase que inaplicável neste âmbito. A partir de uma perspectiva que tem como ponto de partida os debates travados no âmbito doutrinário nacional, insuflados pelos também acalorados debates em plano internacional sobre o tema e pela crescente aceitação da possibilidade da responsabilização penalda pessoa jurídica em legislações de países de importância central na atividade econômica globalizada, é possível vislumbrar que, em breve, discussões sobre a ampliação legal do rol das possibilidades desse tipo de responsabilização penal ganhem cada vez mais espaço no Brasil. É certo que a mudança do enfoque sobre o tema, no âmbito das empresas - principalmente, as transnacionais -, decorrerá também de ajustamentos de postura administrativa decorrentes da adoção de critérios de responsabilização penal da pessoa jurídica em seus países de origem. Tais mudanças, inevitavelmente, terão que abranger as práticas administrativas de suas congêneres espalhadas pelo mundo, a fim de evitar respingos de responsabilização em sua matriz. Na Espanha, por exemplo, a recentíssima reforma do Código Penal - que atende diretivas da União Europeia sobre o tema - trouxe, no artigo 31 bis, não só a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica (por delitos que sejam cometidos no exercício de suas atividades sociais, ou por conta, nome, ou em proveito delas), mas também estabelece regras de como essa responsabilização será aferida nos casos concretos (ela será aplicável [...], em função da inoperância de controles empresariais, sobre atividades desempenhadas pelas pessoas físicas que as dirigem ou que agem em seu nome). A vigência na nova norma penal já trouxe efeitos práticos no cotidiano acadêmico e empresarial, pois abundam, naquele país, ciclos de debates acerca dos instrumentos de controle da administração empresarial, promovidos por empresas que pretendem implementar, o quanto antes, práticas administrativas voltadas à prevenção de qualquer tipo de responsabilidade penal. Dessa realidade legal e da tendência político-criminal que dela se pode inferir, ganham importância, no espectro de preocupação não só das empresas estrangeiras situadas no Brasil, mas também das próprias empresas nacionais, as práticas de criminal compliance. Tem-se, grosso modo, por compliance a submissão ou a obediência a diversas obrigações impostas às empresas privadas, por meio da implementação de políticas e procedimentos gerenciais adequados, com a finalidade de detectar e gerir os riscos da atividade da empresa. Na atualidade, o direito penal tem assumido uma função muito próxima do direito administrativo, isto é, vêm-se incriminando, cada vez mais, os descumprimentos das normas regulatórias estatais, como forma de reforçar a necessidade de prevenção de riscos a bens juridicamente tutelados. Muitas vezes, o mero descumprimento doloso dessas normas e diretivas administrativas estatais pode conduzir à responsabilização penal de funcionários ou dirigentes da empresa, ou mesmo à própria responsabilização da pessoa jurídica, quando houver previsão legal para tanto. 53 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Assim sendo, criminal compliance pode ser compreendido como prática sistemática de controles internos com vistas a dar cumprimento às normas e deveres ínsitos a cada atividade econômica, objetivando prevenir possibilidades de responsabilização penal decorrente da prática dos atos normais de gestão empresarial. No Brasil, por exemplo, existem regras de criminal compliance previstas na Lei dos Crimes de Lavagem de Dinheiro - Lei 9.613, de 3 de março de 1998 - que sujeitam as pessoas físicas e jurídicas que tenham como atividade principal ou acessória a captação, intermediação e aplicação de recursos financeiros, compra e venda de moeda estrangeira ou ouro ou títulos ou valores mobiliários, à obrigação de comunicar aos órgãos oficiais sobre as operações tidas como "suspeitas", sob pena de serem responsabilizadas penal e administrativamente. Porém, sofrendo o Brasil os influxos de modelos legislativos estrangeiros, assim como estando as matrizes das empresas transnacionais que aqui operam sujeitas às normas de seus países de origem, não tardará para que as práticas que envolvem o criminal compliance sejam estendidas a diversos outros segmentos da economia. Trata- se, portanto, de um assunto de relevante interesse para as empresas nacionais e estrangeiras que atuam no Brasil, bem como para os profissionais especializados na área criminal, que atuarão cada vez mais veementemente na prevenção dos riscos da empresa. (...) (Leandro Sarcedo e Jonathan Ariel Raicher. In: Valor Econômico. 29/03/2011 - com adaptações) Por ínsitos, NÃO se pode entender a) inerentes. b) peculiares. c) típicos. d) adventícios. e) característicos. 16. FGV - Fiscal da Receita Estadual (AP) / 2010 O jeitinho brasileiro e o homem cordial O jeitinho caracteriza-se como ferramenta típica de indivíduos de pouca influência social. Em nada se relaciona com um sentimento revolucionário, pois aqui não há o ânimo de se mudar o status quo. O que se busca é obter um rápido favor para si, às escondidas e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se "dar bem" em uma situação "apertada". Sérgio Buarque de Holanda, em O Homem Cordial, fala sobre o brasileiro e uma característica presente no seu modo de ser: a cordialidade. Porém, cordial, ao contrário do que muitas pessoas pensam, vem da palavra latina cor, cordis, que significa coração. Portanto, o homem cordial não é uma pessoa gentil, mas aquele que age movido pela emoção no lugar da razão, não vê distinção entre o privado e o público, detesta formalidades, põe de lado a ética e a civilidade. Em termos antropológicos, o jeitinho pode ser atribuído a um suposto caráter emocional do brasileiro, descrito como "o homem cordial" pelo antropólogo. No livro Raízes do Brasil, esse autor afirma que o indivíduo brasileiro teria desenvolvido uma histórica propensão à informalidade. Deve-se isso ao fato de as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral, não havendo diálogo entre governantes e governados, mas apenas a imposição de uma lei e de uma ordem consideradas artificiais, quando não inconvenientes aos interesses das elites políticas e econômicas de então. Daí a grande tendência fratricida observada na época do Brasil Império, que é bem ilustrada pelos episódios conhecidos como Guerra dos Farrapos e Confederação do Equador. 54 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Na vida cotidiana, tornava-se comum ignorar as leis em favor das amizades. Desmoralizadas, incapazes de se impor, as leis não tinham tanto valor quanto, por exemplo, a palavra de um "bom" amigo. Além disso, o fato de afastar as leis e seus castigos típicos era uma prova de boa-vontade e um gesto de confiança, o que favorecia boas relações de comércio e tráfico de influência. De acordo com testemunhos de comerciantes holandeses, era impossível fazer negócio com um brasileiro antes de fazer amizade com ele. Um adágio da época dizia que "aos inimigos, as leis; aos amigos, tudo". A informalidade era - e ainda é - uma forma de se preservar o indivíduo. Sérgio Buarque avisa, no entanto, que esta "cordialidade" não deve ser entendida como caráter pacífico. O brasileiro é capaz de guerrear e até mesmo destruir; no entanto, suas razões animosas serão sempre cordiais, ou seja, emocionais. (In: www.wikipedia.org - com adaptações.) Deve-se isso ao fato de as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral. Tem significação oposta à do termo sublinhado o vocábulo: a) licenciosa. b) tirana. c) normativa. d) proibitiva. e) repressora. 17. FGV - Auditor da Receita Estadual (AP) / 2010 Corrupção, ética e transformação social Em toda História do Brasil, talvez nunca tenhamos visto um momento em que notícias de corrupção tenham sido tão banais nos meios de comunicação, e tão discutidas por grande parteda população. Em qualquer lugar (mesmo que seja um ônibus, por exemplo), sempre há alguém falando sobre a crise na saúde, a crise na educação e, inclusive, a crise ética na política brasileira. Contudo, é preciso notar também que, muitas vezes, enquanto cidadãos, nós mesmos raramente decidimos fazer alguma coisa pela transformação da realidade - isso, quando fazemos algo. Certo comodismo nos toma de assalto e reveste toda a nossa fala de uma moral vazia, estéril, que se reduz à crítica que não busca alterar a realidade. Afinal de contas, em época de eleições, como a que estamos prestes a vivenciar, nós notamos nas propagandas políticas dos partidos a presença dos mesmos políticos e das mesmas propostas políticas, as mesmas já prometidas nas eleições anteriores, e que jamais foram executadas. Logicamente há as exceções de certos governantes que fazem por onde efetivar suas promessas, mas esses, infelizmente, continuam sendo uma minoria em todo o Brasil. Numa outra perspectiva, é interessante perceber também quão contraditória consiste ser a distância entre o que nós criticamos em nossos políticos e as ações que nós reproduzimos em nosso cotidiano. De uma forma ou de outra, reproduzimos a corrupção que nós percebemos na administração pública nacional quando empregamos o chamado jeitinho brasileiro, em que o peso de um sobrenome ou o peso da influência do status social passa a ser um dos elementos determinantes para a obtenção de certos fins. É nesse sentido que podemos apontar aqui um grave problema social brasileiro, uma das principais bases para se buscar o fim da corrupção política no Brasil: a existência de uma ética baseada em uma falta de ética. Como poderemos superar essa incongruência? 55 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Com certeza, a Educação pode ser a saída ideal. Mas tem de ser uma Educação voltada para desenvolver nas crianças, nos jovens e até mesmo nos universitários - independentemente de frequentarem instituições públicas ou privadas - uma preocupação para com o bem público, isto é, para com a sociedade. Uma Educação que os leve a superar uma concepção de mundo utilitarista, segundo a qual toda sociedade humana não passa de um somatório de indivíduos e seus interesses pessoais, que tão bem se acomoda ao jeitinho brasileiro, será o primeiro passo para se desenvolver uma sociedade mais justa, uma sociedade em que a preocupação com o público, com o coletivo, será a forma ideal para buscar a felicidade individual, que tanto preocupa certos conservadores. Para tanto, sabemos que é preciso não uma "educação política", mas sim uma educação politizada. Uma educação que reconheça que a solução para a corrupção centra-se em conceber a política não apenas como um instrumento para se alcançar um determinado fim, consolidando-se, portanto, numa mera razão instrumental. Uma educação na qual a própria política, a partir do momento em que buscar ser de fato um meio para se alcançar o bem de todos - como ao que se propõe o nosso modelo democrático -, vai estruturar uma ética que localizará no comodismo e no jeitinho brasileiro as raízes de nosso analfabetismo político, substituindo-os por outras formas de ação social ao longo da construção de uma cultura cívica diferente. (adaptado de MOREIRA, Moisés S. In www.mundojovem.com.br:) "Como poderemos superar essa incongruência?" Assinale a alternativa que não tem significação semelhante à do termo sublinhado: a) Inconveniência. b) Incompatibilidade. c) Indolência. d) Impropriedade. e) Inadequação. 18. INÉDITA A BOA MORTE Aparentemente ninguém deu muita bola para a proposta, feita pela comissão de juristas que revê o Código Penal, de descriminalizar certos tipos de eutanásia. Esse, entretanto, é um assunto importantíssimo e que tende a ficar cada vez mais premente, à medida que a população envelhece e a medicina amplia seu arsenal terapêutico. Desligar as máquinas que mantêm um paciente vivo pode ser descrito como um caso de homicídio, ainda que com o objetivo nobre de evitar sofrimento, ou como uma recusa em prosseguir com tratamento fútil, o que é perfeitamente legal. Como sempre, acho que cabe a cada qual fazer suas próprias escolhas. Mas, já que nem sempre sabemos o que é melhor, convém dar uma espiadela em como pensam aqueles que, de fato, entendem do assunto. Num artigo que está movimentando a blogosfera sanitária e já foi reproduzido no “Wall Street Journal” e no “Guardian”, o doutor Ken Murray sustenta que, embora os médicos apliquem todo tipo de manobra heroica para prolongar a vida de seus pacientes, quando se trata de suas próprias vidas e das de seus entes queridos, eles são bem mais comedidos. Como estão familiarizados com o sofrimento e os desfechos das medidas extremas, querem estar seguros de que, quando a sua hora vier, ninguém vai tentar reanimá-los nem levá-los a uma UTI para entubá-los e espetá-los com 56 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 cateteres. Murray diz que um de seus colegas chegou a tatuar o termo “no code” (sem ressuscitação) no próprio corpo. A pergunta que fica, então, é: se não são sádicos, por que os médicos fazem aos outros o que não desejam para si mesmos? E a resposta de Murray é que ocorre uma perversa combinação de variáveis emocionais, econômicas, mal-entendidos linguísticos, além, é claro, da própria lógica do sistema. Em geral, para o médico é muito mais fácil e seguro apostar no tratamento, mesmo que ele se estenda para muito além do razoável. “Como estão familiarizados com o sofrimento e os desfechos das medidas extremas, querem estar seguros de que, quando a sua hora vier, ninguém vai tentar reanimá-los nem levá-los a uma UTI para entubá-los e espetá- los com cateteres.”. No período destacado, a primeira oração expressa em relação à seguinte o valor semântico de: a) causa b) consequência c) finalidade d) comparação e) conformidade Texto para as questões 19 a 21 A história da clorpromazina (comercializada como Amplictil no Brasil) e de outras drogas psiquiátricas, incluindo lítio e várias gerações de antidepressivos, é contada de forma apaixonante por Lauren Slater em “Blue Dreams” (sonhos azuis). Slater parte de um ponto de vista privilegiado. Além de escritora, ela é psicóloga e paciente psiquiátrica. Sofre de transtorno bipolar e diz estar convicta de que foi apenas o uso maciço de combinações variadas de antidepressivos e lítio que a manteve por mais de três décadas longe das internações de que precisou na juventude. Ela é uma fã desses fármacos, mas nem por isso deixa de exercer o espírito crítico em relação aos laboratórios. O fato de as drogas funcionarem não significa que seja pelas razões alegadas pela indústria. O modelo da depressão como um desbalanço químico marcado por baixos níveis de serotonina, por exemplo, é mais furado do que um queijo suíço. Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, mas sem esconder os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. Como bônus, ela fala também de fármacos ainda ilegais, mas bastante promissores para uso psiquiátrico, como o MDMA e o LSD. Hélio Schwartsman 57 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 19. INÉDITA Assinale a opção cuja reescrita mantém a correção gramatical e preserva o sentido original do seguinte trecho: Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, mas sem esconder os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. a) Slater não só mostra o que de bom essas drogas fizerampelos pacientes, mas explicita os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. b) Embora Slater não esconda os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação, mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes. c) Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, mesmo não escondendo os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. d) Apesar de mostrar o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, não esconde os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. e) Slater mostra o que de bom essas drogas fizeram pelos pacientes, à medida que não esconde os graves efeitos secundários que elas provocam e o tamanho da nossa ignorância em relação a seus mecanismos de ação. 20. INÉDITA Slater parte de um ponto de vista privilegiado. Além de escritora, ela é psicóloga e paciente psiquiátrica. É possível identificar entre as duas frases que o compõem uma relação de: a) Adição b) Explicação c) Comparação d) Oposição e) Conclusão 21. INÉDITA Lendo uma notícia de um jornal, nota-se o seguinte trecho: “Muitas são as pessoas que estão se mudando daquela cidade graças à violência que lá tem sido tão frequente.” Um leitor mais atento julgou incorreto o emprego da expressão “graças a”. Assinale a opção que traz uma justificativa coerente para esse julgamento e uma proposta de correção: a) A locução conjuntiva “graças a” não transmite a ideia de causa. Assim, seria interessante substituí-la por “devido a”. b) A locução conjuntiva “graças a” não transmite a ideia de causa. Assim, seria interessante substituí-la por “em virtude de”. 58 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 c) A locução conjuntiva “graças a”, embora transmita a ideia de causa, tem uso restrito a causas de tom positivo. Assim, seu emprego no texto é inadequado, sendo interessante substituí-la por “devido a”. d) A locução conjuntiva “graças a”, embora transmita a ideia de causa, tem uso restrito a causas de tom positivo. Assim, seu emprego no texto é inadequado, sendo interessante substituí-la por “mesmo com”. e) A locução conjuntiva “graças a” transmite a ideia de consequência exigida na frase. Assim, seu emprego no texto é inadequado, sendo interessante substituí-la por “devido a”. Texto para a questão 22 Uma palavra sobre cultura e Constituição Todas as Constituições brasileiras foram lacônicas e genéricas ao tratar das relações entre cultura e Estado. Não creio que se deve propriamente lamentar esse vazio nos textos da Lei Maior. (...) A sociedade brasileira não tem uma “cultura” já determinada. O Brasil é, ao mesmo tempo, um povo mestiço, com raízes indígenas, africanas, europeias e asiáticas, um país onde o ensino médio e universitário tem alcançado, em alguns setores, níveis internacionais de qualidade e um vasto território cruzado por uma rede de comunicações de massa portadora de uma indústria cultural cada vez mais presente. O que se chama, portanto, de “cultura brasileira” nada tem de homogêneo ou de uniforme. A sua forma complexa e mutante resulta de interpenetrações da cultura erudita, da cultura popular e da cultura de massas. Se algum valor deve presidir à ação do Poder Público no trato com a “cultura”, este não será outro que o da liberdade e o do respeito pelas manifestações espirituais as mais diversas que se vêm gestando no cotidiano do nosso povo. Em face dessa corrente de experiências e de significados tão díspares, a nossa Lei Maior deveria abster-se de propor normas incisivas, que soariam estranhas, porque exteriores à dialética das “culturas” brasileiras. Ao contrário, um certo grau de indeterminação no estilo de seus artigos e parágrafos é, aqui, recomendável. (Adaptado de: BOSI, Alfredo. Entre a Literatura e a História. São Paulo: Editora 34, 2013, p. 393-394) Consideradas no contexto, as expressões “lacônicas”, “gestando” e “díspares”, sublinhadas no texto, podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente, por: 22. INÉDITA Consideradas no contexto, as expressões “lacônicas”, “gestando” e “díspares”, sublinhadas no texto, podem ser substituídas, sem alteração de sentido, respectivamente, por: a) breves; produzindo; parecidos. b) prolixas; abolindo; diferentes. c) simples; criando; distintos. d) sucintas; formando; desiguais e) complexas; gerando; dessemelhantes 59 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 23. INÉDITA O gênero “divina comédia” sugere a ambiguidade do procedimento habitual do dramaturgo, com integração de humorístico e patético, elementos trágicos e cômicos, para chegar a um misto de irrisão e desespero. O achado imprevisto é uma deliciosa intuição do absurdo, estimulando com rara eficácia o espectador. (Nelson Rodrigues – Teatro da Obsessão) No trecho de texto, o termo “irrisão”, contextualmente, assume o significado de: a) pânico b) nervosismo c) inteligência d) menosprezo e) sedução 24. INÉDITA Você sabia que o desperdício de alimentos atinge um terço de toda comida produzida no mundo? Pois é, a produção em excesso e o transporte são fatores significativos para esse problema. Mas além disso, há desperdício de alimentos na cozinha da nossa casa. Vamos dar uma olhada mais profunda nessa questão. De acordo com a FAO (agência das Nações Unidas preocupada em erradicar a fome), 54% do desperdício de alimentos no mundo ocorre na fase inicial da produção, que são a manipulação pós-colheita e a armazenagem. Os outros 46% do desperdício, de acordo com a mesma fonte, ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo. Quando lembramos que todos os dias 870 milhões de pessoas passam fome, esses dados sobre desperdício se tornam aterrorizantes. https://www.ecycle.com.br/component/content/article/62-alimentos/3007-desperdicio-de-alimentos-quais-sao- as-causas-e-os-prejuizos-economicos-e-ambientais-desse-problema.html O prefixo presente na palavra “desperdício” tem o mesmo sentido do prefixo que ocorre em a) impossível. b) discórdia. c) superlotar d) intravenoso e) reavaliar 60 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 25. INÉDITA O mercado não espera Se as universidades públicas e privadas ainda patinam no caminho a ser seguido, as corporativas estão avançando a todo vapor. A fim de capacitar a mão de obra, o Banco do Brasil despendeu 127,1 milhões de reais em 2017 com a universidade corporativa, que ofereceu 8 milhões de horas de treinamento; e apenas 10% deles foram presenciais. “Essa facilidade permite a disseminação do conteúdo para todos os 109 026 funcionários espalhados pelo Brasil”, diz José Caetano, destacando: “Para a geração mais jovem, um vídeo se mostra mais eficaz do que passar horas lendo um conteúdo”. Treinamentos com situações reais, videoaulas e jogos também são comuns. “Procuramos uma metodologia mais efetiva, independentemente da tecnologia escolhida”, afirma Armando Lourenzo, diretor da universidade corporativa da EY. A escola tem indicadores de aplicação que traduzem quanto do ensinado em sala pode ser usado no dia a dia. Analisando os sentidos atribuídos aos elementos linguísticos destacados no texto, é correto afirmar que: a) “Se”, na linha 1, expressa a ideia de condição. b) “apenas”, na linha 4, expressa a ideia de restrição. c) “para”, na linha 6, expressa a ideia de finalidade. d) “mais”, na linha 10, expressa a ideia dequantidade e) ”quanto”, na linha 11, expressa a ideia de intensidade. 61 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Gabarito 01 A 02 C 03 C 04 E 05 C 06 A 07 D 08 C 09 A 10 B 11 A 12 C 13 A 14 C 15 D 16 A 17 C 18 A 19 D 20 B 21 C 22 C 23 D 24 C 25 B 62 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 Resumo Direcionado Co es ão T ex tu al Relações Textuais Procedimentos Recursos 1. Reiteração 1.1 Repetição 1.1.1 Repetição propriamente dita 1.1.2 Paráfrase 1.1.3 Paralelismo 1.2 Substituição 1.2.1 Substituição Gramatical 1.2.1.1 retomada por pronomes 1.2.1.2 retomada por advérbios 1.2.2 Substituição Lexical 1.2.2.1 retomada por sinônimos 1.2.2.2 retomada por hiperônimos 1.2.3 Elipse 2. Conexão 2.1 Emprego dos Conectivos 2.1.1 preposições 2.1.2 conjunções 2.1.3 advérbios 2.1.4 pronomes relativos 63 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 IMPORTANTE Alguns conceitos muito importantes para provas de concurso são os de ANAFÓRICOS, CATAFÓRICOS e DÊITICOS. O que são anafóricos e catafóricos? ANAFÓRICOS são termos (geralmente pronomes ou advérbios) que retomam elementos já citados em um texto. Exemplo: André e Paulo são excelentes amigos. Este (= Paulo) adora futebol; já aquele (= André) e um fanático praticante de basquete. Note que os pronomes “Este” e “aquele” retomam, respectivamente, os termos “André” e “Paulo”. São, portanto, ANAFÓRICOS. Já os CATAFÓRICOS, por sua vez, referem-se a elementos que ainda serão citados no texto. Exemplo: Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão, e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele. O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Note que os pronomes “seu”, “ele” e “dele” antecipam o termo “professor”. São, portanto, CATAFÓRICOS. O que são dêiticos? Os dêiticos fazem menção a elementos extratextuais, ou seja, elementos fora dos limites físicos do texto. Geralmente situam lugar e tempo ou pessoas do discurso, que não podem ser visualizadas no texto, pois não foram nele citados. No entanto, é possível identificar o referente se conhecermos o contexto em que se insere a informação. Como assim? Os Beatles fizeram muito sucesso entre os jovens daquela época. Note que “daquela época” não faz menção a nenhum elemento já citado ou a ser citado no texto. Não se trata, pois, de anafórico ou catafórico. Infere-se, pelo contexto, que estamos falando dos anos 60, período em que os Beatles fizeram sucesso. Trata-se, assim, de um DÊITICO. O exemplo clássico de dêitico é de um bilhete anônimo, sem data, nem local, assim escrito: Aquele encontro por que você tanto esperava será hoje à tarde. Não temos como saber a que “hoje” se refere o texto? Ao “hoje” do emissário, do destinatário? Não sabemos! 64 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10 FIM NÃO DESISTA! CONTINUE NA DIREÇÃO CERTA! 65 de 65| www.direcaoconcursos.com.br Língua Portuguesa para IBGE Prof. José Maria Aula 10