A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
7 pág.
FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL, LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO E METABOLISMO CEREBRAL capítulo 62 Guyton

Pré-visualização | Página 1 de 5

FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL, LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO E METABOLISMO CEREBRAL – capítulo 62 Guyton 
 
FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL 
 
O fluxo sanguíneo no cérebro é suprido por quatro grandes artérias 
— duas carótidas e duas artérias vertebrais — que se fundem para 
formar o círculo de Willis na base do cérebro. As artérias, originadas 
do círculo de Willis, percorrem a superfície do cérebro e dão origem 
às artérias piais que se ramificam em vasos menores, chamados 
artérias e arteríolas de penetração. Os vasos penetrantes são 
levemente separados do tecido cerebral pelo extenso espaço 
subaracnoide, denominado espaço de Virchow-Robin. Os vasos 
penetrantes mergulham no tecido cerebral, dando origem às 
arteríolas intracerebrais, que eventualmente se ramificam em 
capilares, onde ocorre a troca de oxigênio, nutrientes, dióxido de 
carbono e metabólitos entre o sangue e os tecidos. 
 
REGULAÇÃO DO FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL 
 
O fluxo normal de sangue pelo cérebro da pessoa adulta é, em média, 
de 50 a 65 mililitros por 100 gramas de tecido encefálico por minuto. 
Para todo o encéfalo, isso equivale a 750 a 900 mL/min. Assim, o 
cérebro constitui apenas cerca de 2% do peso corporal, mas recebe 
15% do débito cardíaco de repouso. Como na maioria dos outros 
tecidos, o fluxo sanguíneo cerebral é muito correlacionado ao metabolismo tecidual. Acredita-se que vários fatores 
metabólicos contribuam para a regulação do fluxo sanguíneo cerebral: (1) concentração de dióxido de carbono; (2) 
concentração de íons hidrogênio; (3) concentração de oxigênio; e (4) substâncias liberadas pelos astrócitos, células 
especializadas não neuronais que parecem acoplar a atividade neuronal à regulação do fluxo sanguíneo local. 
 
 O Excesso de Concentração de Dióxido de Carbono ou de Íons Hidrogênio Aumenta o Fluxo Sanguíneo Cerebral: 
Aumento da concentração de dióxido de carbono, no sangue arterial que perfunde o tecido cerebral aumenta muito o 
fluxo sanguíneo. Acredita-se que o dióxido de carbono aumente o fluxo sanguíneo cerebral, ligando-se primeiro à água 
nos líquidos corporais para formar ácido carbônico que se dissocia para liberar íons hidrogênio. Esses íons hidrogênio 
então provocam a vasodilatação dos vasos cerebrais — sendo essa dilatação quase diretamente proporcional ao aumento 
da concentração de íons hidrogênio, até que o fluxo sanguíneo atinja aproximadamente o dobro do normal. Outras 
substâncias que aumentem a acidez do tecido cerebral e, portanto, a concentração de íons hidrogênio, aumentarão da 
mesma forma o fluxo sanguíneo cerebral. Tais substâncias incluem os ácidos lático e pirúvico e qualquer outra substância 
ácida formada durante o metabolismo tecidual. 
 
 Importância do Controle do Fluxo Sanguíneo Cerebral por Dióxido de Carbono e Íons Hidrogênio: 
Uma concentração de íon hidrogênio aumentada deprime muito a atividade neuronal. Portanto, é extremamente 
adequada que uma elevação na concentração de íons hidrogênio também cause um aumento no fluxo de sangue, que, 
por sua vez, leva os íons hidrogênio, o dióxido de carbono e outras substâncias de caráter ácido para longe dos tecidos 
cerebrais. A perda de dióxido de carbono tira o ácido carbônico dos tecidos; essa ação, juntamente com a retirada de 
outros ácidos, reduz a concentração de íons hidrogênio de volta ao normal. Dessa forma, tal mecanismo ajuda a manter 
uma concentração de íon hidrogênio constante nos líquidos cerebrais e assim auxilia a manter um nível normal e 
constante de atividade neuronal. 
 
 Deficiência de Oxigênio como Regulador do Fluxo Sanguíneo Cerebral: 
Com exceção de períodos de intensa atividade cerebral, a intensidade/velocidade de utilização de oxigênio pelo tecido 
encefálico permanece dentro de limites estreitos — quase exatamente 3,5 (±0,2) mililitros de oxigênio por 100 gramas de 
tecido cerebral por minuto. Se em algum momento o fluxo sanguíneo para o cérebro fica insuficiente para fornecer essa 
quantidade necessária de oxigênio, o mecanismo de vasodilatação por deficiência de oxigênio entra quase 
imediatamente em ação, deixando o fluxo sanguíneo cerebral e o transporte de oxigênio para os tecidos cerebrais, 
próximos do normal. Portanto, esse mecanismo regulatório do fluxo sanguíneo local é quase exatamente o mesmo no 
cérebro, assim como nos vasos sanguíneos coronários, no músculo esquelético e na maioria das outras áreas vasculares 
do corpo. 
 As Substâncias Liberadas dos Astrócitos Regulam o Fluxo Sanguíneo Cerebral: 
Número cada vez maior de evidências tem sugerido que o acoplamento entre a atividade neuronal e o fluxo 
sanguíneo cerebral é devido, em parte, às substâncias liberadas pelos astrócitos (também chamadas células 
astrogliais) que cercam os vasos sanguíneos no sistema nervoso central. Os astrócitos são células não neuronais 
com formato de estrela que suportam e protegem os neurônios, assim como fornecem nutrientes. Para eles têm 
inúmeras projeções que fazem contato com neurônios e os vasos sanguíneos a seu redor, compondo mecanismo 
potencial para a comunicação neurovascular. Os astrócitos da massa cinzenta (astrócitos protoplasmáticos) 
estendem finos processos que cobrem a maior parte das sinapses e pés gliais que estão intimamente justapostos 
à parede vascular. 
Estudos experimentais têm mostrado que a estimulação elétrica de neurônios excitatórios glutamatérgicos levam 
aos aumentos da concentração de íons cálcio nos pés gliais de astrócitos e à vasodilatação das arteríolas 
adjacentes. Estudos adicionais têm sugerido que essa vasodilatação é mediada por diversos metabólitos 
vasoativos liberados pelos astrócitos. Apesar de os mediadores verdadeiros ainda não serem identificados, o 
óxido nítrico, metabólitos do ácido araquidônico, íons potássio, adenosina, e outras substâncias, geradas pelos 
astrócitos, em resposta à estimulação dos neurônios excitatórios adjacentes, têm sido apontados como 
importantes mediadores da vasodilatação local. 
 Medidas do Fluxo Sanguíneo Cerebral e Efeito da Atividade Cerebral sobre o Fluxo: 
Foi desenvolvido método para medir simultaneamente o fluxo de sangue em até 256 segmentos isolados do 
córtex cerebral humano. Para medir o fluxo sanguíneo nesses segmentos, uma substância radioativa, tal como 
xenônio radioativo, é injetada na artéria carótida; depois de a radioatividade de cada segmento do córtex ser 
registrada enquanto a substância radioativa passa pelo tecido cerebral. Para esse fim, 256 pequenos detectores 
de radioatividade por cintilação são apostos sobre a superfície cortical. A velocidade do aumento e a redução da 
radioatividade em cada segmento tecidual são medidas diretas da intensidade/velocidade do fluxo sanguíneo 
cerebral por esse segmento. Usando-se essa técnica, ficou claro que o fluxo sanguíneo em cada segmento 
individual do córtex muda por até 100% a 150% dentro de segundos, em resposta às variações locais na atividade 
neuronal. Por exemplo, simplesmente o cerrar o punho causa aumento imediato do fluxo sanguíneo do córtex 
motor do lado oposto do cérebro. Ler um livro aumenta o fluxo sanguíneo, especialmente nas áreas visuais do 
córtex occipital e nas áreas de percepção linguística do córtex temporal. Esse procedimento de medida pode 
também ser usado para localizar a origem de ataques epilépticos, pois o fluxo sanguíneo cerebral local aumenta, 
aguda e significativamente, no ponto focal de cada crise. 
O fluxo sanguíneo e a atividade nervosa em diferentes regiões do cérebro podem ser avaliadas, de modo indireto, 
mediante ressonância magnética funcional (RMf). Esse método baseia-se na observação de que a hemoglobina 
rica em oxigênio (oxi-hemoglobina) e a pobre em oxigênio (desoxi-hemoglobina) no sangue se comportam de 
forma diferente na presença de um campo magnético. A desoxi-hemoglobina é uma molécula paramagnética (i. 
e., é atraída por um campo magnético aplicado de forma externa), enquanto a oxi-hemoglobina é diamagnética 
(i. e., é repelida por um campo magnético). A presença de desoxi-hemoglobina num vaso

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.