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FLUXO SANGUÍNEO CEREBRAL, LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO E METABOLISMO CEREBRAL capítulo 62 Guyton

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que a pressão do sangue nos seios venosos. 
Depois, se a pressão liquórica subir ainda mais, as válvulas se abrem mais. Em condições normais, a pressão do 
líquido cefalorraquidiano quase nunca sobe por mais do que alguns milímetros de mercúrio acima da pressão nos 
seios venosos cerebrais. Em algumas situações patológicas, as vilosidades às vezes ficam bloqueadas por material 
particulado grande, por fibrose ou por excessos de células do sangue que vazaram para o líquido 
cefalorraquidiano, em decorrência de doenças cerebrais. 
 Aumento da Pressão do Líquido Cefalorraquidiano em Condições Patológicas do Cérebro: 
Muitas vezes, grande tumor cerebral eleva a pressão do líquido cefalorraquidiano por diminuir sua reabsorção 
deste. Como resultado, a pressão do líquido cefalorraquidiano pode subir até valores de 500 mm de água (37 
mmHg), o que equivale a quatro vezes a normal. A pressão do líquido cefalorraquidiano pode também subir, 
consideravelmente, quando ocorre hemorragia ou infecção intracraniana. Nessas duas condições, grande número 
de hemácias e/ou leucócitos aparece subitamente no líquido cefalorraquidiano e pode causar grave bloqueio dos 
pequenos canais de absorção, que atravessam as vilosidades aracnoides. Isso também às vezes eleva a pressão do 
líquido cefalorraquidiano para 400 a 600 mm de água (cerca de quatro vezes o normal). Algumas crianças nascem 
com hipertensão liquórica o que, muitas vezes, é ocasionada por resistência extraordinariamente alta à 
reabsorção de líquido pelas vilosidades aracnoides, resultado de muito poucas vilosidades aracnoides ou de 
vilosidades com propriedades absortivas anormais. 
 Medidas da Pressão do Líquido Cefalorraquidiano: 
O procedimento normal para medir a pressão do líquido cefalorraquidiano é simples: primeiro, a pessoa deita-se 
de lado, horizontalmente, de forma que a pressão do líquido cefalorraquidiano no canal espinal seja igual à 
pressão intracraniana. Então, uma agulha de punção espinal é inserida no canal espinal lombar, abaixo da parte 
mais inferior da medula espinal, e a agulha é conectada a um tubo de vidro vertical que é aberto ao ar no seu 
topo. Permite-se que o líquido cefalorraquidiano suba por esse tubo. Se subir até nível 136 milímetros acima do 
nível da agulha, diz-se que a pressão é de 136 mm de pressão de água, ou dividindo esse valor por 13,6, que é a 
gravidade específica do mercúrio, pressão de cerca de 10 mmHg. 
 Obstrução do Fluxo do Líquido Cefalorraquidiano Pode Causar Hidrocefalia: 
“Hidrocefalia” significa água em excesso na caixa craniana. Essa condição frequentemente é dividida em 
hidrocefalia comunicante e hidrocefalia não comunicante. Na hidrocefalia comunicante, o líquido se desloca 
facilmente do sistema ventricular para o espaço subaracnoide, enquanto na hidrocefalia não comunicante, o 
efluxo de líquido de um ou mais ventrículos está bloqueado. Em geral, o tipo não comunicante de hidrocefalia é 
causado por bloqueio do aqueduto de Sylvius, resultado de atresia (fechamento) pré-natal em crianças, ou de 
bloqueio por tumor cerebral em qualquer idade. Conforme o líquido é formado pelos plexos coroides nos dois 
ventrículos laterais e no terceiro ventrículo, os volumes desses três ventrículos aumentam muito, o que 
comprime o cérebro contra o crânio. Em neonatos, a pressão aumentada também faz a cabeça toda inchar, 
porque os ossos cranianos ainda não se fusionaram. O tipo comunicante de hidrocefalia é geralmente causado 
pelo bloqueio do fluxo nos espaços subaracnoides, ao redor das regiões basais do encéfalo ou pelo bloqueio das 
vilosidades aracnoides de onde o líquido seria normalmente absorvido pelos seios venosos. Assim, o líquido se 
acumula no lado exterior do cérebro e de forma menos intensa dentro dos ventrículos. Isso também fará a cabeça 
inchar de modo muito intenso se ocorrer na infância, quando o crânio ainda está maleável e pode ser estirado, 
podendo danificar o cérebro em qualquer idade. A colocação cirúrgica de shunt, feito de tubo de silicone, 
conectando um dos ventrículos cerebrais à cavidade peritoneal onde o líquido em excesso pode ser absorvido 
pelo sangue é terapia para muitos tipos de hidrocefalia. 
 Edema Cerebral: 
Uma das complicações mais sérias da dinâmica anormal dos líquidos cerebrais é o desenvolvimento de edema 
cerebral. Como o cérebro fica contido na sólida caixa craniana, o acúmulo de líquido adicional, proveniente do 
edema, comprime os vasos sanguíneos muitas vezes causando fluxo sanguíneo seriamente diminuído e a 
destruição de tecido cerebral. A causa do edema cerebral, em geral, é a pressão capilar muito elevada ou danos à 
parede capilar que fazem com que o líquido vaze pela parede. Causa muito comum é um grave golpe deferido na 
cabeça, levando à concussão cerebral, na qual os tecidos e capilares cerebrais são traumatizados de forma que o 
líquido capilar vaze para os tecidos traumatizados. Uma vez iniciado o edema cerebral, ele muitas vezes dá 
origem a dois processos em ciclos viciosos por causa dos seguintes fatores de feedback positivo: 
1. O edema comprime a vasculatura, o que, por sua vez, diminui o fluxo sanguíneo e provoca isquemia cerebral. A 
isquemia, por sua vez, causa dilatação arteriolar com aumentos ainda maiores da pressão capilar. A pressão 
capilar aumentada leva, então, ao maior extravasamento de líquido para o interstício, fazendo com que o edema 
fique ainda maior. 
2. O fluxo sanguíneo cerebral reduzido também diminui o aporte de oxigênio. Isso aumenta a permeabilidade dos 
capilares, permitindo ainda mais extravasamento de líquido. Além disso, bloqueia o funcionamento da bomba de 
sódio das células do tecido neuronal, dessa forma permitindo que ocorra então aumento da turgescência dessas 
células. 
Uma vez iniciados esses dois ciclos viciosos, medidas heroicas precisam ser implementadas para impedir a 
destruição total do cérebro. Medida desse tipo é a infusão intravenosa de substância osmótica concentrada, por 
exemplo, solução muito concentrada de manitol, o que puxa líquido do tecido cerebral, por osmose, e quebra os 
ciclos viciosos. Outra medida é retirar rapidamente líquido dos ventrículos laterais do cérebro, mediante punções 
ventriculares, aliviando, assim, a pressão intracerebral. 
 
METABOLISMO CEREBRAL 
 
 Taxa Metabólica Total do Cérebro e a Taxa Metabólica dos Neurônios: 
Em condições de repouso, mas na pessoa acordada, o metabolismo cerebral equivale a cerca de 15% do metabolismo 
total do corpo, embora a massa encefálica seja somente 2% da massa corporal total. Assim, em condições de repouso, o 
metabolismo cerebral por unidade de massa é cerca de 7,5 vezes o metabolismo médio dos tecidos não neurais. 
A grande parte desse metabolismo ocorre nos neurônios, e não nos tecidos gliais de suporte. A maior necessidade 
metabólica dos neurônios tem a finalidade de bombear íons através de suas membranas principalmente para transportar 
íons sódio e íons cálcio para fora da membrana neuronal e íons potássio para o interior. Cada vez que o neurônio conduz 
potencial de ação, esses íons se movem pelas membranas, aumentando a necessidade de transporte adicional pela 
membrana para restaurar as diferenças de concentração iônicas corretas entre os dois lados das membranas neuronais. 
Por isso, durante altos níveis de atividade cerebral, o metabolismo neuronal pode aumentar por até 100% a 150%. 
 
 Requisitos Especiais do Cérebro por Oxigênio — Falta de Metabolismo Anaeróbico Significativo: 
A maioria dos tecidos do corpo pode viver sem oxigênio durante vários minutos e alguns por até 30 minutos. Durante 
esse tempo, as células do tecido obtêm sua energia de processos metabólicos anaeróbicos, que significa a liberação de 
energia pela quebra parcial das moléculas de glicose e glicogênio, mas sem combiná-las com oxigênio. Esse processo 
produz energia somente à custa do consumo de quantidades enormes de glicose e glicogênio. Entretanto, isso permite 
manter os tecidos vivos. 
O cérebro não é capaz de muito metabolismo