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DISCIPLINA: GESTÃO DE PROJETOS E PROCESSOS AULA 3 Prof. Rodrigo Souza da Costa 2 CONVERSA INICIAL Seja bem-vindo à terceira rota da nossa disciplina de Gestão de Processos e Projetos. É um imenso prazer tê-lo conosco. Agora vamos iniciar a terceira parte da nossa disciplina de Gestão de Processos e Projetos, seja muito bem-vindo. Na rota passada, discutimos sobre as etapas na elaboração de um projeto empresarial, bem como sobre os parâmetros para seleção de projetos e as formas de organizá-lo. Agora, veremos como elaborar um planejamento para execução de um projeto, analisando a estrutura e as etapas que devem ser seguidas. Além disso, veremos como os conflitos surgem durante a realização de projetos e como você, enquanto gestor, terá papel na negociação e solução desses conflitos. Aqui também veremos como se programa o orçamento para a execução do projeto e como estabelecer um cronograma de acordo com as características do projeto. Lembre-se de que, como gestores, devemos estar atentos aos insumos necessários, ao controle e também entender que teremos a influência do ambiente nos projetos. Aqui nós veremos sobre as atividades relacionadas à concepção dos projetos desde a sua etapa de planejamento até a sua conclusão, em alguns de seus mais importantes detalhes. Com relação à concepção de um projeto, as competências trabalhadas aqui estão relacionadas ao desenvolvimento de metodologias, técnicas e todo o conhecimento básico das ferramentas aplicadas à concepção de um projeto. Os conhecimentos aqui lhe possibilitarão saber quais são os procedimentos que um gerente de projeto deve seguir na concepção de um projeto, bem como os elementos que compõem uma solução de banco de dados. Para isso, serão utilizadas as técnicas aplicadas na elaboração de projetos, o que lhe possibilitará o desenvolvimento de suas habilidades. Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de detalhar os insumos e os produtos de projetos, além de controlar, documentar e comunicar os resultados de projetos e também entender a influência do ambiente nos projetos. Vamos lá? 3 CONTEXTUALIZANDO Esta fase de concepção de projetos está relacionada com o planejamento, a programação e o controle das atividades para atingir os objetivos do projeto (Menezes, 2009; Maximiano, 2010). Administrar um projeto é um macroprocesso, formado por cinco grupos de processos principais interligados: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle e encerramento (PMBOK, 2010). Além disso, vocês, enquanto gestores, devem estar atentos à execução do planejamento antes do início e acompanhar o seu desenvolvimento. A preocupação aqui é relacionar os projetos e o planejamento, de modo que aqueles possam maximizar sua participação nos objetivos do plano, e isso requer o conhecimento de relações entre eles, tanto no que se refere às relações institucionais como na redefinição dos valores e dos preços, dos bens e dos recursos, enfocados de um ponto de vista social (Menezes, 2009; Maximiano, 2010; Consalter, 2012). Na concepção do projeto, a fase de planejamento objetiva definir os critérios de avaliação e os parâmetros que conduzam aos objetivos do plano, bem como estabelecer todo o feedback de informações entre planejadores e executores (Consalter, 2012). Aqui entra a importância dos grupos de planejamento, pois consiste nos processos realizados para estabelecer o escopo total do projeto, definir e refinar os objetivos do projeto, além de desenvolver o curso de ação necessário para alcançar esses objetivos (PMBOK, 2010; Trentim, 2012). Por isso a importância dos tópicos que você verá a seguir, pois aqui serão colocadas as questões relacionadas à concepção de projetos dentro das organizações, desde o detalhamento do escopo, passando pela identificação do trabalho a ser desenvolvido e do relacionamento entre as atividades, até a concepção de uma rede de atividades (Menezes, 2009). Temos de estar atentos nesta etapa, pois, durante o planejamento, há ações que se repetem para que o projeto atenda aos requisitos estabelecidos pelo cliente e aos requisitos técnicos, definidos pelos especialistas (Menezes, 2009; Maximiano, 2010; Consalter, 2012). Antes de iniciarmos a discussão sobre o assunto, para exemplificar a importância da concepção de um projeto, vamos analisar o planejamento do projeto do jato executivo Learjet da empresa canadense Bombardier. Esse produto era o primeiro projeto totalmente novo da Learjet, desde a criação dos 4 seus primeiros produtos comerciais. O Learjet foi o primeiro jato executivo produzido em escala industrial e elevou a Bombardier Aerospace a líder mundial em design e inovação de produtos aeronáuticos e serviços relacionados. Todo o planejamento e a estrutura da empresa estão voltados para a concepção e execução de projetos, sempre relacionados com a pesquisa e o desenvolvimento da família de produtos. Para saber mais, sugiro também a leitura do texto da revista Aeromagazine, disponível em: <http://aeromagazine.uol.com.br/artigo/learjet- sinonimo-de-jato-executivo_814.html>. Por fim, para você ter uma ideia da execução de projetos empresariais dessa magnitude, sugiro que assistam ao documentário Mega Fábricas, sobre a Learjet, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fGbgErkKOxk TEMA 1 – PLANEJAMENTO DE PROJETOS: ESTRUTURA E ETAPAS Todo projeto apresenta início e fim programados. Assim, para analisarmos de forma mais sistematizada, podemos dizer que projetos apresentam um ciclo de vida que atua como um instrumento de integração entre especialistas, o que trará não apenas uma síntese das ideias que serão executadas, mas também as estimativas de recursos que serão utilizados, bem como os prazos e se a sua execução é viável (Menezes, 2009). De acordo com o PMBOK (2010), o ciclo de vida de um projeto trata da divisão em fases da gestão do projeto, do início ao seu término. Essas fases representam um conjunto de atividades, relacionadas de maneira lógica, que culminam na conclusão de uma ou mais entregas. Devemos sempre ter em mente que projetos apresentam ciclo de vida e que todo o planejamento deve ser específico para o acompanhamento desse ciclo. A seguir, vocês podem observar na figura como é esse ciclo de vida do projeto. https://www.youtube.com/watch?v=fGbgErkKOxk 5 Figura 1 – Ciclo de Vida do Projeto Fonte: PMBOK, 2010. Toda a concepção de um projeto envolve uma descrição detalhada do produto e projeções de prazo, custo e outras variáveis do projeto. O plano detalhado é a ferramenta para conduzir e controlar a execução do projeto (Maximiano, 2010). A execução do projeto consiste em realizar o trabalho planejado, o que envolve o dispêndio de energia física, intelectual e social. A natureza das atividades varia muito caso a caso. Aqui devemos sempre lembrar com qual tipo de projeto estamos trabalhando, pois tudo depende do tipo de projeto, de seus objetivos, do ciclo de vida, da competência da equipe, da disponibilidade de recursos e de outros fatores (Maximiano, 2010). A execução do projeto como um todo ou de cada fase pode receber diferentes designações específicas, que refletem a natureza do projeto ou fase (Menezes, 2009; Maximiano, 2010; Consalter, 2012). O processo de controle, também chamado monitoramento, é a contrapartida dos processos de planejamento e execução. Para Maximiano (2010), controlar consiste em acompanhar a execução de alguma ação e compará-la com a intenção ou ação planejada, com a finalidade de: • verificar se a ação planejada está efetivamente sendo executada e se os resultados dessa ação correspondem ao desempenho desejado; • assegurar que os objetivos sejam alcançados; • verificar se é necessário modificar a ação ou o objetivo.6 De acordo com Menezes (2009), o planejamento do projeto consiste na identificação do “como” e “quando” desenvolver as atividades do projeto. Para esse autor, é possível dividir as fases de um projeto que devem ser planejadas em quatro partes, de acordo com o seu ciclo de vida. 1) CONCEITUAÇÃO: esta fase trata da objetivação das necessidades e da definição do problema a ser solucionado. Após isso, são determinados os objetivos, as metas e o escopo. Com isso, temos condições para efetuar a análise do ambiente e das potencialidades e recursos disponíveis, a fim de verificar a viabilidade dos objetivos do projeto. Após isso, são feitas as estimativas de recursos necessários e a elaboração da proposta do projeto, para avaliação e seleção da proposta e uma eventual decisão para sua execução. 2) ESTRUTURAÇÃO: aqui é feito o detalhamento das metas e objetivos, bem como toda a programação de atividades (tempo) e determinação de pontos de controle. Além disso, também há uma preocupação com a programação de recursos e a delegação de autoridade e todo o sistema de comunicação entre as partes envolvidas na realização das atividades do projeto. 3) EXECUÇÃO: aqui são executadas todas as etapas previstas, levando em consideração a utilização dos recursos dentro do programado. Lembre-se sempre de que planos e programas são como trilhas, e não leis absolutas. 4) CONCLUSÃO: aqui definimos onde vamos realocar recursos para outras atividades e também controlar as informações sobre o desempenho e fazer o acompanhamento. A figura a seguir apresenta de forma sintética as etapas do planejamento de projetos proposta por Menezes (2009), tendo como base os pressupostos apresentados pelo PMBOK: 7 Figura 2. Planejamento de Projetos: Estrutura e Etapas Fonte: Adaptado de Menezes, 2009. Projetos são, por sua natureza, caóticos. Muitos projetos empresariais envolvem um planejamento de grande escala e isso afetará todos os departamentos da empresa. Dessa forma, o sucesso de um projeto está relacionado ao planejamento e ao gerenciamento de seu escopo. Cada projeto exige um equilíbrio de vários fatores para garantir que todo o esforço gasto nas atividades de planejamento esteja de acordo com o tamanho, a complexidade e a importância do projeto. Durante o processo de planejamento do escopo do projeto, é fundamental que se comece pela definição do que será entregue ao cliente. TEMA 2 – O AMBIENTE DO PROJETO Se existe algo indiscutível sobre o atual ambiente empresarial é que ele está em constante mutação. As organizações passam por uma revolução ambiental na qual se somam fatores de ordem mundial, como a globalização, a revolução tecnológica, a definição de novos ciclos de vida dos produtos (Bulgacov et al, 2008). Temos de lembrar que todo projeto tem vários stakeholders que serão afetados e afetarão a forma como o projeto é executado. Esses atores estão no contexto interno do ambiente operacional da empresa e Fase 4: Conclusão Realocar recursos Memória do projeto Informações sobre o desempenho Acompanhamento Fase 3: Execução Executar as etapas Utilizar os recursos dentro do programado Ativar a comunicação entre os membros Fase 2: Estruturação Programação das atividades Determinar controles Estruturação formal Sistema de comunicação Fase 1: Conceituação Identificar necessidades Objetivos, metas e escopo Análise ambiental e dos recursos Decisão para execução 8 devemos nos preocupar em controlar sua influência no projeto (Menezes, 2009; Maximiano, 2010; Consalter, 2012). A figura a seguir nos mostra uma representação simplificada dos principais elementos que fazem parte do ambiente de projetos. Figura 3 – O Ambiente de Projetos Fonte: adaptado de Bulgacov, 2008. Além disso, temos fatores presentes no ambiente geral da empresa que não podem ser controlados, pois são variáveis macro que fogem ao nosso controle. Esse ambiente é constituído pelas principais forças que moldam oportunidades e apresentam as ameaças (Bulgacov et al, 2008). Essas forças são: Fatores Sociais • Ambiente demográfico: reflete a estrutura etária da população, estrutura familiar, alterações populacionais geográficas e a crescente diversidade étnica e racional. • Ambiente cultural: mostra tendências de longo prazo na direção de uma sociedade centrada no “nós”, diminuição da lealdade da população em relação às diversas organizações, aumento do patriotismo, crescente valorização da natureza e uma busca por valores mais significativos e perenes. Fatores Políticos • Ambiente econômico: mostra mudanças na renda real e nos padrões de gastos dos consumidores. 9 • Ambiente político: mostra crescente legislação governamental sobre os negócios e a participação dos grupos de interesse público. Fatores Tecnológicos • Ambiente tecnológico: mostra as rápidas mudanças tecnológicas, oportunidades ilimitadas de inovação, elevados orçamentos em P&D (pesquisa e desenvolvimento), ênfase em melhorias menores ao invés de grandes descobertas tecnológicas, e crescente regulamentação da mudança tecnológica. No ambiente operacional, encontramos aquelas variáveis que afetarão a execução dos projetos, as quais, entretanto, podem ser controladas (Porter, 1986; Bulgacov et al, 2008). Apresentamos, a seguir, os principais fatores a serem observados dentro de cada variável. • Mercado: o crescimento da indústria ou setor, em decorrência da expectativa de rentabilidade, acaba por atrair mais empresas, o que tende a diminuir a área de mercado de cada uma das organizações existentes nesse mercado; a existência de custos fixos distintos entre as empresas, diferenciando os níveis de rentabilidade; diferença entre produtos existentes; identidade de marcas, determinando preferências, diferenciando os níveis de vendas entre as empresas; diversidade de concorrentes; barreiras de saída, ou as dificuldades encontradas pelos empresários para abandonar esse setor, como o montante de investimentos já realizados e talvez de difícil recuperação, em caso de saída. • Fornecedores: diferenciação dos insumos necessários às fabricações específicas; presença de insumos substitutos; concentração de fornecedores; importância de volume para o fornecedor; custo relativo a compras totais no setor; impacto dos insumos sobre custo ou diferenciação; ameaça de integração para frente em relação à ameaça de integração para trás pelas empresas no setor. • Demais empresas: economias de escala já atingidas pelos atuais empresários, em face da curva de aprendizagem e da reduzida rentabilidade inicial de possíveis novos concorrentes; diferenças entre produtos patenteados pelos empresários já estabelecidos; identidade de marcas; custos de mudança, por deixar de atuar em um setor iniciando-se em outro; exigências de capital; 10 acesso à rede de distribuição; acesso a insumos; política governamental; retaliação esperada. Esses devem ser o ponto de partida para a elaboração do projeto, pois qualquer restrição ambiental pode inviabilizar o projeto. A importância da análise do ambiente é crescente, principalmente depois do desenvolvimento dos meios de comunicação e da rápida obsolescência de produtos e processos que fazem com que as organizações tenham de se reinventar em períodos de tempo cada vez mais curtos e com elaboração de projetos cada vez mais necessária. A análise dos fatores ambientais de projetos é útil para o desenvolvimento do projeto, tendo em vista a redução das possibilidades de fracasso de sua execução e futura implementação. Além disso, muitos desses fatores são úteis para a empresa, pois apresentarão informações que possibilitarão as adequações necessárias da realidade empresarial. Por isso, quando uma empresa começa a trabalhar com execução de projetos, deve levarem conta que, ao longo do processo de crescimento de sua empresa, a pressão do ambiente surgirá e tudo que se pode fazer é aprender o máximo com o cenário imposto. Além disso, é importante documentar todos os acontecimentos ao longo dos projetos, pois essas informações poderão ser muito úteis no futuro. TEMA 3 – CONFLITO E NEGOCIAÇÃO Em toda execução de projetos, é inevitável que conflitos surjam ao longo de sua execução. Essa é uma situação que envolve muito “jogo de cintura” de sua parte, como gestor. Assim, você terá um papel essencial como solucionador de conflitos (Menezes, 2009; Maximiano, 2010; Consalter, 2012). Os projetos executados não podem dissociar o objetivo do lucro da garantia de bem-estar a seus trabalhadores. Projetos significam mudanças, situações novas para as empresas e interferem na vida das pessoas, por isso devemos ter cuidados especiais com os aspectos humanos desde a elaboração até a implantação (Trentim, 2012). Devemos nos preocupar em propiciar ambiente e planejamento participativos para termos condições de explorar o potencial criativo dos executores, levando em consideração sugestões e opiniões do pessoal envolvido (Maximiano, 2010). Isso envolve uma carga de responsabilidade enorme, pois todo o investimento no projeto pode ser desperdiçado se não 11 conseguirmos solucionar esses conflitos. Mesmo com todo o planejamento e os cuidados necessários antes do início da execução dos projetos, nem tudo pode ser controlado, como vimos quando estudamos o ambiente de projeto (Menezes, 2009; Maximiano, 2010; Consalter, 2012). Sempre teremos eventos inesperados e crises decorrentes de fatores presentes no contexto interno da empresa e nos ambientes operacional e geral. A análise rápida desses eventos e a tomada de decisão do gestor podem ser fatores determinantes na viabilização da execução do projeto dentro do planejado em termos de prazos estabelecidos e custos programados (Consalter, 2012). Assim, é importante que vocês, enquanto gestores, apresentem algumas características para lidar com essas situações que chamaremos aqui de papéis gerenciais. De acordo com Mintzberg (2005), o papel gerencial é um conjunto de atividades específicas devido a sua posição na estrutura da organização. Esses papéis são conduzidos dentro e fora da organização. Mintzberg observou e estudou as atividades de gerentes e identificou dez papéis gerenciais em três grandes grupos, e muitos desses papéis se sobrepõem, conforme a seguir. Papéis interpessoais: São os papéis assumidos pelo gerente para coordenar e interagir com empregados e dar o rumo à organização. Aqui temos: • Papel de cérebro: simboliza a organização e a meta que está tentando alcançar. • Papel de líder: treinar, aconselhar, idealizar e encorajar o alto desempenho dos empregados. • Papel de integrador: interligar e coordenar pessoas dentro e fora da organização, auxiliando-as a atingir as metas. Papéis informacionais: Estão associados com as atividades necessárias para obter e transmitir informações de gerenciamento para a organização. • Papel monitor: analisa o meio de informações internas e externas. • Papel de disseminador: os gerentes transmitem a informação para influenciar atitudes e o comportamento dos empregados. • Papel de comunicador: utiliza a informação para influenciar positivamente o modo que as pessoas têm de reagir a isso. Papéis decisionais: estão associados com os métodos utilizados pelos gerentes para planejar estratégias e utilizar os recursos a fim de atingir as metas. 12 • Papel de empreendedor: decidindo sobre iniciar ou investir em novos projetos ou programas. • Papel de solucionador de conflitos: assumir a responsabilidade de negociar eventos inesperados ou crises. Com essas abordagens em mente, teremos condições de melhor trabalhar os conflitos que surgirão ao longo da atividade de execução de um projeto. Os gerentes de projetos que conseguem administrar os conflitos durante a execução de projetos têm suas competências e as da equipe bem alinhadas e conseguem, a partir da criatividade e da iniciativa, atingir os resultados traçados inicialmente. Conflitos podem ser evitados e, a partir do momento em que os gestores conseguem evitá-los, por administrá-los de maneira assertiva, delegando responsabilidades e efetuando o acompanhamento, independentemente da falta de algum recurso, já se tem uma maior possibilidade de sucesso durante a execução dos projetos. TEMA 4 – COMPOSIÇÃO ORÇAMENTÁRIA E ESTIMATIVA DE CUSTO Caro aluno, esta parte é essencial para o seu trabalho enquanto gestor de projetos, pois trata dos controles de orçamentos envolvidos nos projetos, os quais são essenciais para uma gestão efetiva. Devemos sempre ter atenção a fatores relativos a minimização de erros nas previsões orçamentárias. No entanto, como vimos anteriormente, é quase certo que eventos inesperados ocorrerão e não podemos apenas os ignorar, pois isso afetará todo o planejamento, assim alguma flexibilidade nessa composição orçamentária deve sempre ser levada em consideração. Claro que não devemos simplesmente “deixar acontecer” e apenas “apagar incêndios” no decorrer do projeto, pois ter um plano financeiro aumentará consideravelmente as chances de acerto. Assim, devemos sempre estar atentos aos dispêndios de capital e ao comprometimento dos recursos para execução do projeto. Além disso, saber o tipo de projeto que estamos executando permite uma melhor avaliação em nosso investimento de capital. Ao avaliar um projeto, devemos nos preocupar para que ele atenda aos requisitos necessários, tendo em vista a melhor utilização dos recursos. 13 Dentro de estruturas por projetos, os recursos são alocados em programas com orçamento específico para atender as suas necessidades. Além disso, devemos nos preocupar aqui com a determinação dos orçamentos para os componentes do projeto. A boa gestão dos custos envolvidos na realização do projeto depende de algumas regras: 1) os responsáveis pelas atividades devem controlar o próprio orçamento; 2) todos os desvios devem ser negociados com o gestor; e 3) as alocações devem ser realistas (Menezes, 2009). De acordo com Maximiano (2010), a conclusão do projeto dentro do orçamento, ou, pelo menos, a minimização de erros nas previsões orçamentárias é outro princípio importante da administração de projetos. Para esse autor, alguma flexibilidade é aceitável, pois nenhum projeto trabalha com previsões orçamentárias exatas, mas com estimativas de custos. Assim, a precisão das estimativas depende do tempo investido no planejamento financeiro do projeto. Para aumentar a precisão do orçamento do projeto, é necessário dedicar tempo ao processo de planejamento. Partindo desses pressupostos, outra questão essencial que você deve ter em mente é a relação prazos X custos. Para desenvolver e fornecer o produto do projeto, é preciso realizar atividades que consomem recursos. A definição das atividades é a base para a administração dos prazos – ou do tempo – do projeto. A definição dos recursos é a base para a administração dos custos do projeto. A principal ferramenta para a administração dos prazos é o cronograma. A principal ferramenta para a definição dos custos é o orçamento do projeto (Maximiano, 2010; Consalter, 2012). O gerenciamento de custos dos projetos é algo urgente e não pode ser protelado, pois afetaria diretamente a eficácia de sua execução de acordo com o cenário que se apresenta. Sobretudo em momentos de turbulências e incertezas, planejar todos os custos envolvidos é a melhor alternativa para superar momentos de crise, pois o gestor terá a capacidade de visualizar todo o cenário e, o mais importante, corrigir trajetórias com base em dados. Sempre dizemos, em algum momento, que não gostaríamos de cometer os mesmos erros do passado,no entanto, sem um plano de projeto, um plano de ação e uma estimativa de custos envolvidos na realização de um projeto, os erros do passado tenderão a se repetir. 14 TEMA 5 – CRONOGRAMA DO PROJETO Caro aluno, o cronograma do projeto é um tema muito sensível na gestão das atividades. A análise do valor agregado é essencial para o desenvolvimento do cronograma dos projetos, pois se trata de uma técnica que interpreta em termos financeiros o trabalho realizado ao longo do cronograma do projeto. Em cada data de controle, determina-se quanto vale o trabalho realizado até aquele momento (Maximiano, 2010). A elaboração do cronograma deve sempre levar em conta a análise da sequência e a duração das atividades, dos recursos requeridos/disponíveis, assim como dos principais marcos no desenvolvimento do projeto (Menezes, 2009). O cronograma do projeto deve estar disponível graficamente de forma que seja entendido para todos os envolvidos. A forma mais utilizada, devido a sua facilidade de elaboração, é o Gráfico de Gantt (Slack et al, 2009; Menezes, 2009; Consalter, 2012). Nesse gráfico, as atividades estão descritas em uma coluna, e utilizando barras horizontais podemos visualizar a duração de cada uma dessas atividades, em que o comprimento das barras é proporcional às durações de cada uma delas. Esse sistema é de fácil aplicação e entendimento, pois facilita visualização da programação do projeto no tempo (Menezes, 2009; Consalter, 2012). Na figura a seguir, temos um exemplo da aplicação dessa técnica. Figura 4 – Gráfico de Gantt Fonte: adaptado de Menezes, 2009. O Gráfico de Gantt é adequado quando temos um número pequeno de atividades e sua duração reduzida. Além disso, permite uma facilidade na visualização de onde serão alocados os recursos (Slack et al, 2009; Consalter, 15 2012). A seguir, apresentamos outras características dessa técnica, de acordo com Menezes (2009). • Adequado para representar pacotes de trabalho. • Precisa ser precedido pelo cálculo da rede PERT/CPM. • Pode ser associado a outras informações (financeiras, emprego de pessoal, material, equipamentos). • Fundamental para alocação e nivelamento de recursos. No entanto, o Gráfico de Gantt não é uma ferramenta perfeita e tem suas limitações, como quando há uma mudança na programação, o que implica o redesenho de todo o cronograma. Além disso, as folgas precisam ser definidas antes. Assim, algumas das desvantagens desse modelo são: • não mostrar a interdependência das atividades com clareza; • a necessidade de as datas notáveis e as folgas serem definidas com antecedência; • o fato de redesenhar o cronograma caso ocorra qualquer mudança na programação; • a dificuldade para representar de forma simples todas as informações das atividades. Para elaboração do cronograma de atividades, temos de levar em consideração todas as informações, de forma que quem o vê pela primeira vez tenha condições de interpretá-las. Assim podemos dividir o gráfico de Gantt em cinco partes. 1) Tempo: em que o eixo horizontal principal representa o tempo do projeto que pode ser dividido de acordo com suas necessidades. 2) Equipes: no lado esquerdo, define-se quem são os responsáveis por etapas do projeto. 3) Barras: distribuídas horizontalmente representando as tarefas, as quais variam de tamanho de acordo com o tempo que vão levar até serem finalizadas. 4) Setas: onde se definem quais tarefas dependem da finalização de outras e quais são diretamente relacionadas. 5) Objetivos e metas: são as marcas no gráfico que definem o final de etapas importantes ou até mesmo o final do projeto. 16 A aplicação do gráfico de Gantt é bem simples, porém, devemos sempre nos atentar para as várias informações necessárias que devem ser consideradas para sua execução. Aqui, enquanto gestores, deve-se ter uma ideia geral de todas as atividades que serão realizadas, o tempo de duração de cada uma dessas atividades, todas as tarefas envolvidas e os responsáveis por cada uma delas. A importância dessa técnica consiste em ela tornar as tarefas mais claras, facilitando não apenas a comunicação entre as partes do projeto, mas também a tarefa de gerenciamento do cronograma das atividades do projeto. Leitura Obrigatória CONSALTER, M. A. Elaboração de projetos: da introdução à conclusão. Curitiba: Intersaberes, 2012. Saiba Mais Para saber mais, leia o artigo: As práticas de body shop em projetos TI no Brasil: estudo sobre a percepção dos profissionais sobre os conflitos gerados e suas influências nos resultados de projetos, escrito pelos autores Guilherme Jacob Rigolon, Marco Antonio Pinheiro da Silveira, Roberto Carlos Bernardes, disponível em: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/ADI-A2116.pdf Curiosidade Vale a leitura da matéria: Tóquio muda planos, mas tem novidade para 2020, que mostra como estão sendo revistos os custos e a alocação de recursos para os Jogos Olímpicos de 2020. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/edgardalves/2016/08/1805623- toquio-muda-planos-mas-tem-novidade-para-2020.shtml TROCANDO IDEIAS É comum depararmos com notícias sobre atrasos de obras (tanto públicas quanto privadas). Projetos de infraestrutura convivem com atrasos em sua execução. No município de Rondonópolis/MT, existem esses problemas na construção de residências populares para baixa renda. http://www.anpad.org.br/admin/pdf/ADI-A2116.pdf http://www1.folha.uol.com.br/colunas/edgardalves/2016/08/1805623-toquio-muda-planos-mas-tem-novidade-para-2020.shtml http://www1.folha.uol.com.br/colunas/edgardalves/2016/08/1805623-toquio-muda-planos-mas-tem-novidade-para-2020.shtml 17 Matéria completa disponível em: http://www.atribunamt.com.br/2016/08/mais-residenciais-tem-atrasos-no- cronograma/ Partindo das informações da matéria, no fórum, discuta com os colegas a importância do planejamento da execução do projeto. NA PRÁTICA Durante o planejamento de um projeto, devido à sua complexidade, a empresa ABC designou você como gerente de projetos. O projeto envolve uma série de fornecedores e etapas, o que leva à necessidade de uma análise detalhada de custos e dessas atividades para determinar a viabilidade dele. Para que sejam obtidos melhores resultados e aumento da competitividade, as empresas possuem como metas atingir a máxima produtividade, minimizar todos os custos e aumentar constantemente a qualidade final dos seus produtos, atendendo às demandas e cumprindo com os prazos de entrega estabelecidos. Várias ferramentas podem ser utilizadas dentro do contexto do planejamento. Com base no que foi estudado nesta rota, quais seriam as primeiras atividades que você deveria tomar? Protocolo de resolução da situação proposta O professor deverá indicar ao aluno uma série de passos para resolver a situação, envolvendo os seguintes. 1 – Leia atentamente sobre a concepção do projeto exposta nesta rota. 2 – Identifique como deve ser executado o planejamento da execução do projeto, tendo como base as técnicas e os pressupostos básicos da gestão de projetos. 3 – Identifique se o nível de comprometimento dos envolvidos no projeto estaria de acordo com as expectativas. 4 – Faça uma reflexão sobre como o gestor resolveria essa questão. http://www.atribunamt.com.br/2016/08/mais-residenciais-tem-atrasos-no-cronograma/ http://www.atribunamt.com.br/2016/08/mais-residenciais-tem-atrasos-no-cronograma/ 18 FINALIZANDO Nesta aula, discutimos os elementos essenciais para a concepção de um projeto. O diagrama a seguir apresenta um quadro resumo desses elementos e da sequência lógica de planejamento. Fase 4: Conclusão Realocar recursos Memória do projeto Informações sobre o desempenho Acompanhamento Fase 3: Execução Executar as etapas Utilizar os recursos dentro doprogramado Ativar a comunicação entre os membros Fase 2: Estruturação Programação das atividades Determinar controles Estruturação formal Sistema de comunicação Fase 1: Conceituação Identificar necessidades Objetivos, metas e escopo Análise ambiental e dos recursos Decisão para execução 19 REFERÊNCIAS CONSALTER, M.A. Elaboração de projetos: da introdução à conclusão. Curitiba: Editora Intersaberes, 2012. MAXIMIANO, A. C. A. Administração de projetos: como transformar ideias em resultados. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MENEZES, L. C. M. Gestão de projetos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. PEINADO, J.; GRAEML, Al. R. Administração da produção: operações industriais e de serviços. Curitiba: UnicenP, 2007. PMBOK. Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (Guia PMBOK). 4. ed. 2010. PRADO, D. S. Gerenciamento de projetos nas organizações. Belo Horizonte: EDG, 2000.