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ANÁLISE EPISÓDIA 2- 5ª TEMPORADA SÉRIE SESSÃO DE TERAPIA
ABORDAGEM: PSICOTERAPIA FENOMENOLÓGICA
O episódio 2 da 5ª temporada da série “Sessão de Terapia” relata a primeira sessão presencial de Tony, um motoboy negro que aparenta ser morador da periferia paulistana. Neste episódio descobrimos que o mesmo participava de um projeto social online, sendo esta a sua primeira sessão presencial. O contato inicial de Tony com a clínica é vivenciado com preconceito, pois no momento de sua chegada podemos perceber um tom de desprezo na fala da paciente anterior, que ao sair o questiona se ele é um entregador, uma vez que o mesmo estava usando capacete e uma espécie de mochila onde motoboys acondicionam os produtos a serem entregues. 
Ao entrar no consultório, Tony é recebido de forma acolhedora pelo terapeuta, que observa a forma de adaptação do paciente ao ambiente. 
É possível perceber nas falas de Tony, que ele se sente inferior aos demais à sua volta. O fato de ser negro e motoboy, um emprego tão que passou por um processo de precarização enorme na pandemia, uma vez que foram prestadores de serviço numa espécie de “linha de frente” na pandemia demonstra através das experiências relatadas que ele convive diariamente com o racismo e preconceito por sua profissão, fator este que aparentemente gerou em Tony uma resistência quanto a sua identificação social, que sempre se coloca no lugar de não merecedor, não enxergando nada em si além de um entregador, como se a posição de motoboy falasse sobre a completude de sua existência e colocação no mundo, desconsiderando todos os outros aspectos da sua vida além da profissão que o mesmo exerce, afinal Tony é também um filho de alguém, amigo de outros e talvez até namorado, não limitando-se apenas à posição de motoboy.
Em certo momento da sessão ouve-se o telefone do terapeuta tocar. Do outro lado da linha o porteiro do prédio pergunta algo para o terapeuta que não é ouvido pelos espectadores do episódio, porém pelas respostas do terapeuta entendemos que havia ali um questionamento do porteiro sobre a presença de um entregador no apartamento; momento este em que percebemos mais uma vez a despersonalização do sujeito, uma vez que o porteiro não o enxergou como o paciente do terapeuta, e sim como alguém que estava ali para fazer alguma entrega e demorou mais tempo que o “necessário”. Tony então demonstra mais uma vez um sentimento de inferioridade, como se não fosse merecedor de estar naquela posição de paciente e questiona ao terapeuta sobre o pagamento de outros pacientes, uma vez que suas sessões são gratuitas. Nós, do grupo, entendemos que este poderia ter sido um momento de intervenção do psicólogo diferente do que é mostrado, uma vez que existem aqui diversas questões para debate: o pagamento e a valorização da sessão, o sentimento de inadequação do paciente no ambiente (que o mesmo considera elitizado) e também o preconceito, o racismo sofrido pelo paciente, que inclusive cita que o terapeuta “não sabe como é viver assim”. Questões como a presença e confiança de Tony, a possibilidade de reflexão sobre qual é a consciência que o mesmo possui atualmente do seu trajeto até o momento atual e o que ele pretende fazer com este também são possíveis suscitadoras de debate. 
Sempre situando o paciente no momento presente, sem anular o passado, e trabalhando suas perspectivas de vivência de futuro para que ocorra uma desconstrução dos preconceitos que ele elaborou, pois na Fenomenologia não importa de onde viemos, mas como estamos vivendo, como existência humana singular, sempre em processo de transformação. Através da aliança terapêutica, auxiliar no processo de autoconhecimento do paciente para que ele enxergue sua presença no mundo de maneira mais afirmativa do que ele, de fato, é.

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