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PRINCÍPIOS GERAIS DA FUNÇÃO GASTROINTESTINAL MOTILIDADE, CONTROLE NERVOSO E CIRCULAÇÃO - capítulo 63 Guyton

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lateralmente à coluna vertebral, e muitas dessas fibras, então, passam por essas cadeias até os gânglios 
mais distantes, tais como o gânglio celíaco e diversos gânglios mesentéricos. A maior parte dos corpos dos 
neurônios simpáticos pós-ganglionares está nesses gânglios, e as fibras pós-ganglionares se distribuem pelos 
nervos simpáticos pós-ganglionares para todas as partes do intestino. O simpático inerva igualmente todo o trato 
gastrointestinal, sem as maiores extensões na proximidade da cavidade oral e do ânus, como ocorre com o 
parassimpático. Os terminais dos nervos simpáticos secretam principalmente norepinefrina. 
Em termos gerais, a estimulação do sistema nervoso simpático inibe a atividade do trato gastrointestinal, 
ocasionando muitos efeitos opostos aos do sistema parassimpático. O simpático exerce seus efeitos por dois 
modos: (1) um pequeno grau, por efeito direto da norepinefrina secretada, inibindo a musculatura lisa do trato 
intestinal (exceto o músculo mucoso, que é excitado); e (2) em grau maior, por efeito inibidor da norepinefrina 
sobre os neurônios de todo o sistema nervoso entérico. 
A intensa estimulação do sistema nervoso simpático pode inibir os movimentos motores do intestino, de tal 
forma que pode, literalmente, bloquear a movimentação do alimento pelo trato gastrointestinal. 
 
 Fibras Nervosas Sensoriais Aferentes do Intestino 
Muitas fibras nervosas sensoriais aferentes se originam no intestino. Algumas delas têm seus corpos celulares no sistema 
nervoso entérico e algumas nos gânglios da raiz dorsal da medula espinal. Esses nervos sensoriais podem ser estimulados 
por (1) irritação da mucosa intestinal; (2) distensão excessiva do intestino; ou (3) presença de substâncias químicas 
específicas no intestino. Os sinais transmitidos por essas fibras podem, então, causar excitação ou, sob outras condições, 
inibição dos movimentos ou da secreção intestinal. 
Também, outros sinais sensoriais do intestino vão para múltiplas áreas da medula espinal e, até mesmo, do tronco 
cerebral. Por exemplo, 80% das fibras nervosas nos nervos vagos são aferentes, em vez de eferentes. Essas fibras 
aferentes transmitem sinais sensoriais do trato gastrointestinal para o bulbo cerebral que, por sua vez, desencadeia sinais 
vagais reflexos que retornam ao trato gastrointestinal para controlar muitas de suas funções. 
 
 Reflexos Gastrointestinais 
A disposição anatômica do sistema nervoso entérico e suas conexões com os sistemas simpático e parassimpático 
suportam três tipos de reflexos que são essenciais para o controle gastrointestinal: 
1. Reflexos completamente integrados na parede intestinal do sistema nervoso entérico. Esses reflexos incluem os que 
controlam grande parte da secreção gastrointestinal, peristaltismo, contrações de mistura, efeitos inibidores locais etc. 
2. Reflexos do intestino para os gânglios simpáticos pré-vertebrais e que voltam para o trato gastrointestinal. Esses 
reflexos transmitem sinais por longas distâncias, para outras áreas do trato gastrointestinal, tais como sinais do estômago 
que causam a evacuação do cólon (o reflexo gastrocólico), sinais do cólon e do intestino delgado para inibir a motilidade e 
a secreção do estômago (os reflexos enterogástricos) e reflexos do cólon para inibir o esvaziamento de conteúdos do íleo 
para o cólon (o reflexo colonoileal). 
3. Reflexos do intestino para a medula ou para o tronco cerebral e que voltam para o trato gastrointestinal. Esses incluem, 
especialmente, (1) reflexos do estômago e do duodeno para o tronco cerebral, que retornam ao estômago — por meio 
dos nervos vagos — para controlar a atividade motora e secretória gástrica; (2) reflexos de dor que causam inibição geral 
de todo o trato gastrointestinal; e (3) reflexos de defecação que passam desde o cólon e o reto para a medula espinal e, 
então, retornam, produzindo as poderosas contrações colônicas, retais e abdominais, necessárias à defecação (os reflexos 
da defecação). 
 
CONTROLE HORMONAL DA MOTILIDADE GASTROINTESTINAL 
 
Os hormônios gastrointestinais são liberados na circulação porta e exercem as ações fisiológicas em células-alvo, com 
receptores específicos para o hormônio. Os efeitos dos hormônios persistem mesmo depois de todas as conexões 
nervosas entre o local de liberação e o local de ação terem sido interrompidas. 
A gastrina é secretada pelas células “G” do antro do estômago em resposta aos estímulos associados à ingestão de 
refeição, tais como a distensão do estômago, os produtos da digestão das proteínas e o peptídeo liberador de gastrina, 
que é liberado pelos nervos da mucosa gástrica, durante a estimulação vagal. As ações primárias da gastrina são (1) 
estimulação da secreção gástrica de ácido; e (2) estimulação do crescimento da mucosa gástrica. 
A colecistocinina (CCK) é secretada pelas células “I” da mucosa do duodeno e do jejuno, em especial em resposta aos 
produtos da digestão de gordura, ácidos graxos e monoglicerídeos nos conteúdos intestinais. Esse hormônio contrai, 
fortemente, a vesícula biliar, expelindo bile para o intestino delgado, onde a bile tem funções importantes, na 
emulsificação de substâncias lipídicas, permitindo sua digestão e absorção. A CCK também inibe, ainda que 
moderadamente, a contração do estômago. Assim, ao mesmo tempo em que esse hormônio causa o esvaziamento da 
vesícula biliar, retarda a saída do alimento no estômago, assegurando tempo adequado para a digestão de gorduras no 
trato intestinal superior. A CCK também inibe o apetite para evitar excessos durante as refeições, estimulando as fibras 
nervosas sensoriais aferentes no duodeno; essas fibras, por sua vez, mandam sinais por meio do nervo vago para inibir os 
centros de alimentação no cérebro. 
A secretina, o primeiro hormônio gastrointestinal descoberto é secretada pelas células “S” da mucosa do duodeno, em 
resposta ao conteúdo gástrico ácido que é transferido do estômago ao duodeno pelo piloro. A secretina tem pequeno 
efeito na motilidade do trato gastrointestinal e promove a secreção pancreática de bicarbonato que, por sua vez, 
contribui para a neutralização do ácido no intestino delgado. 
O peptídeo insulinotrópico dependente da glicose (também chamado peptídeo inibidor gástrico [GIP]) é secreta do pela 
mucosa do intestino delgado superior, principalmente, em resposta a ácidos graxos e aminoácidos, mas, em menor 
extensão, em resposta aos carboidratos. Exerce efeito moderado na diminuição da atividade motora do estômago e, 
assim, retarda o esvaziamento do conteúdo gástrico no duodeno, quando o intestino delgado superior já está 
sobrecarregado com produtos alimentares. O peptídeo insulinotrópico dependente da glicose, em níveis sanguíneos até 
inferiores aos necessários para inibir a motilidade gástrica, também estimula a secreção de insulina. 
A motilina é secretada pelo estômago e pelo duodeno superior durante o jejum, e sua única função conhecida é a de 
aumentar a motilidade gastrointestinal. A motilina é liberada, ciclicamente, e estimula as ondas da motilidade 
gastrointestinal denominadas complexos mioelétricos interdigestivos que se propagam pelo estômago e pelo intestino 
delgado a cada 90 minutos na pessoa em jejum. 
 
Hormônio Estímulos para secreção Locais de secreção Ação 
Gastrina Proteína 
Distensão 
Nervo 
(Ácido inibe liberação) 
Células G do antro, 
duodeno e jejuno 
Estimula: secreção de ácido gástrico e 
crescimento da mucosa 
Colecistocinina Proteína 
Gordura 
Ácido 
Células I do duodeno, 
jejuno e íleo 
Estimula: 
Secreção de enzima pancreática 
Secreção de bicarbonato pancreático 
Contração da vesícula biliar 
Crescimento do pâncreas exócrino 
Inibe: esvaziamento gástrico 
Secretina Ácido 
Gordura 
Células S do duodeno, 
jejuno e íleo 
Estimula: 
Secreção de pepsina 
Secreção de bicarbonato pancreático 
Secreção de bicarbonato biliar 
Crescimento de pâncreas exócrino 
Inibe: secreção de ácido gástrico 
Peptídeo 
inibidor gástrico 
Proteína 
Gordura 
Carboidrato 
Células K do duodeno