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Cultura das Mídias – Rafael Data da prova: 05/10/2020 Do texto impresso à hipermídia · A definição comum de “texto” é aquela que o toma como uma cadeia mais longa ou mais breve de signos linguísticos com suas regras combinatórias. A semiótica expandiu enormemente o sentido da palavra “texto” para abranger, além da linguagem verbal, a pintura, peças ou fragmentos musicais, sinais de tráfego, cidades, vestimentas etc. Da soberania do livro à era da imagem · Depois da invenção de Gutenberg, a cultura do livro e do texto impresso reinou soberana, sendo esses produtores e difusores do saber e da cultura, transformando a informação em objeto transportável, rompendo com os mistérios do conhecimento reservado para classes privilegiadas; · McLuhan em Galáxia de Gutenberg: · A democratização crescente dos meios de produção e disseminação de ideias; · O crescimento exponencial de um corpo de conhecimentos científicos e das mais diversas práticas culturais, literárias e artísticas; · A distribuição desse corpo de conhecimentos por vários locais graças à reprodutibilidade do registro escrito, impedindo o controle centralizado sobre ele. · A transmissão de uma notícia de um lugar para outro sofria a limitação do tempo de transporte. Nenhuma informação podia ser fresca depois de algumas semanas. A invenção do telégrafo veio para cobrir essa deficiência, fazendo do jornal uma rede global de correspondentes cujos nós partiam dos jornais metropolitanos; · A invenção da fotografia, com seu poder documental, levou à explosão do jornal, uma explosão que foi exponenciada pela passagem da prensa manual para a prensa mecânica. O jornal começou a adquirir propriedades intersemióticas na diagramação; · O texto foi se tornando semioticamente promíscuo, seus instintos só se consubstanciam na mistura e complementaridade com outros processos sígnicos; · A aparência do texto impresso no livro foi sofrendo modificações sob influência dos espaços de respiração visual que a diagramação jornalística configura, formando-se tópicos, capítulos, subcapítulos, absorvendo a estrutura em mosaico do jornal; · Quando surge um novo meio de comunicação, ele não substitui o anterior ou anteriores, mas provoca uma refuncionalização do papel cultural que era desempenhado pelos meios procedentes; · O que a explosão do jornal germinou foram as sementes da cultura de massas que cresceu ainda mais com o desenvolvimento do cinema, poderosa extensão da fotografia. A força de atração das imagens, intensamente explorada pela publicidade, foi crescentemente povoando as paisagens urbanas com cenas visuais sedutoras nas capas de revistas que alimentam desejos incuravelmente insatisfeitos e prazeres efêmeros em sociedades reguladas pela estetização do cotidiano, espetacularização e lógica do consumo frenético; · Tanto o rádio quanto a televisão trouxeram de volta algo já prenunciado pelo cinema: padrões semióticos da comunicação oral nos diálogos e falas, o que significou forte golpe na já ferida hegemonia da cultura do texto impresso; · O rádio e a televisão subsistem da venda dos intervalos de tempo da programação para a publicidade, o que dilatou sobremaneira a arena para a circulação de imagens por trás das quais se oculta o fetichismo das mercadorias; · O século XX foi o século da coexistência, da convivência e das misturas da escrita com a imagem. A mistura entre mídias e linguagens: · A partir do momento mesmo em que a cultura de massas estava em seu clímax, por volta dos anos 60, começaram gradativamente a aparecer e se multiplicar dispositivos, aparelhos, meios de comunicação propícios à escolha e ao consumo individualizados (controle-remoto), em oposição ao consumo massivo. Ao mesmo tempo foram se intensificando cada vez mais os casamentos e misturas entre linguagens e meios, constitutivos de densas redes de mídias, inaugurando a “cultura das mídias”, cultura da multiplicação midiática que nasce nos híbridos encontráveis, nos suplementos dos jornais, revistas literárias e culturais, no rádio jornal, telejornal; · A multiplicidade e hibridização midiática colocou a cultura em estado de fermentação e inflacionou o espaço por ela ocupado na sociedade. Esse processo deu origem aos debates sobre a pós-modernidade; · O videotexto envolvia a transmissão de informação para a casa dos usuário, que deveriam selecionar o que queriam ver, pagando uma quantia pela informação, essa antecipação também das misturas de linguagens, incluindo nessa mistura de modo privilegiado o texto escrito, o que constitui em uma das marcas registradas da hipermídia. As cartografias líquidas da hipermídia: · A hipermídia pode ser brevemente definida como um sistema alinear, reticular de conexões (links) entre unidades de informação (nós). As conexões não são fixas, mas abertas às marcas pessoais do estilo de iteração que o navegador impõe a elas; · Ao se transformarem em metamídia, as máquinas digitais perdem a conotação de autonomia para se converterem em uma espécie de “linguagem tecnológica universal”. · A linguagem digital realiza a proeza de transcodificar quaisquer códigos, linguagens e sinais, sejam esses textos de qualquer signo; · A capacidade de colocar todas as linguagens dentro de uma raiz comum, a linguagem digital permite que essas linguagens se misturem no ato mesmo de sua formação. Criando sintaxes híbridas miscigenadas; · A hipermídia não incide apenas no modo como se produz e reproduz a escrita. Trata-se de uma nova maneira de se produzir o texto escrito na fusão com outras linguagens, transformando a escrita no seu âmago, colocando em questões a natureza mesma da escrita e dos seus potenciais; · A hipermídia, por sua própria natureza, necessariamente nos desloca da exclusividade do texto verbal linear, assim como, para sua construção, nos obriga a enfrentar questões estéticas, pelo simples fato de que a linguagem digital nos arranca da inércia do repetível. O que será do texto impresso? · Logan diz que a impressão em papel ainda se sustenta e continuará se sustentando se vários fatores não se modificarem daqui pro futuro. A razão disso encontra-se no fato de que ler textos em monitores de vídeo não é uma atividade natural, por causa do modo como o cérebro processa a informação em vídeo. Ler é uma atividade executada pelo lóbulo esquerdo enquanto ver a informação codificada em um vídeo é uma atividade executada pelo lóbulo direito; · O livro em papel é um suporte imprescindível, de modo que a internet não substituirá o livro para a distribuição de material longo, mas será a mídia privilegiada para mensagens curtas em formato multimídia.