A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
13 pág.
FUNÇÕES SECRETORAS DO TRATO ALIMENTAR capítulo 65 Guyton

Pré-visualização | Página 5 de 8

quantidade de secreção pancreática, às vezes, se acumula nas áreas comprometidas do pâncreas. Nessas 
condições, o efeito do inibidor de tripsina é insuficiente, situação em que as secreções pancreáticas ficam ativas e podem 
digerir todo o pâncreas, em questão de poucas horas, levando à condição denominada pancreatite aguda. Esse distúrbio, 
por vezes, é letal em razão do consequente choque circulatório; se não for letal, em geral, leva à insuficiência pancreática 
crônica subsequente. 
 
SECREÇÃO DE ÍONS BICARBONATO 
 
Embora as enzimas do suco pancreático sejam secretadas em sua totalidade pelos ácinos das glândulas pancreáticas, os 
outros dois componentes importantes do suco pancreático, íons bicarbonato e água, são secretados basicamente pelas 
células epiteliais dos ductos que se originam nos ácinos. Quando o pâncreas é estimulado a secretar quantidade 
abundante de suco pancreático, a concentração dos íons bicarbonato pode atingir 145 mEq/L, valor cinco vezes maior 
que a concentração do íon no plasma. Com essa concentração elevada, provê grande quantidade de álcali no suco 
pancreático, que serve para neutralizar o ácido clorídrico no duodeno, vindo do estômago. 
As etapas básicas do mecanismo celular da secreção da solução de íons bicarbonato nos ductos pancreáticos são os 
seguintes: 
1. O dióxido de carbono se difunde para as células a partir do sangue e, sob a influência da anidrase carbônica, combina-
se com a água para formar ácido carbônico (H2CO3). O ácido carbônico, por sua vez, dissocia-se em íons bicarbonato e 
íons hidrogênio (HCO3− e H+). Os íons bicarbonato adicionais entram na célula através da membrana basolateral 
mediante cotransporte com íons sódio (Na+). Os íons bicarbonato são trocados posteriormente por íons cloreto (Cl−) por 
meio de transporte ativo secundário, através da membrana luminal da 
célula para o lúmen do ducto. O cloreto que penetra na célula é reciclado 
no lúmen, mediante canais de cloreto especiais. 
2. Os íons hidrogênio formados por dissociação do ácido carbônico na 
célula são trocados por íons sódio na membrana basolateral da célula. Os 
íons sódio entram também na célula mediante cotransporte com 
bicarbonato através da membrana basolateral. Os íons sódio são então 
transportados através da borda luminal para dentro do lúmen do ducto 
pancreático. A voltagem negativa do lúmen também impulsiona os íons 
sódio com carga positiva através das uniões estreitas entre as células. 
3. O movimento global de íons sódio e bicarbonato do sangue para o 
lúmen do ducto cria gradiente de pressão osmótica que causa fluxo de 
água também para o ducto pancreático, formando, assim, solução de 
bicarbonato quase isosmótica. 
 
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO PANCREÁTICA 
 
 Estímulos Básicos que Causam Secreção Pancreática: 
Três estímulos básicos são importantes na secreção pancreática: 
1. Acetilcolina, liberada pelas terminações do nervo vago parassimpático e por outros nervos colinérgicos para o sistema 
nervoso entérico. 
2. Colecistocinina, secretada pela mucosa duodenal e do jejuno superior, quando o alimento entra no intestino delgado. 
3. Secretina, também secretada pelas mucosas duodenal e jejunal, quando alimentos muito ácidos entram no intestino 
delgado. 
Os dois primeiros desses estímulos, acetilcolina e colecistocinina, estimulam as células acinares do pâncreas, levando à 
produção de grande quantidade de enzimas digestivas pancreáticas, mas quantidades relativamente pequenas de água e 
eletrólitos vão com as enzimas. Sem a água, a maior parte das enzimas se mantém temporariamente armazenada nos 
ácinos e nos ductos até que uma 
secreção mais fluida apareça para lavá-las dentro do duodeno. A secretina, em contrapartida, estimula a secreção de 
grandes volumes de solução aquosa de bicarbonato de sódio pelo epitélio do ducto pancreático. 
 Efeitos Multiplicativos de Diferentes Estímulos: 
Quando todos os diferentes estímulos da secreção pancreática agem ao mesmo tempo, a secreção total é bem 
maior do que a soma das secreções ocasionadas por cada um deles, separadamente. Por isso, considera-se que os 
diversos estímulos “multiplicam” ou “potencializam” uns aos outros. Desse modo, a secreção pancreática 
normalmente resulta de efeitos combinados de múltiplos estímulos básicos, e não apenas de um só. 
 
 Fases da Secreção Pancreática 
 Fases Cefálica e Gástrica: 
Durante a fase cefálica da secreção pancreática, os mesmos sinais nervosos do cérebro que causam a secreção do 
estômago também provocam liberação de acetilcolina pelos terminais do nervo vago no pâncreas. Essa 
sinalização faz com que quantidade moderada de enzimas seja secretada nos ácinos pancreáticos, respondendo 
por cerca de 20% da secreção total de enzimas pancreáticas, após refeição. Entretanto, pouco da secreção flui 
imediatamente pelos ductos pancreáticos para o intestino, porque somente quantidade pequena de água e 
eletrólitos é secretada com as enzimas. Durante a fase gástrica, a estimulação nervosa da secreção enzimática 
prossegue, representando outros 5% a 10% das enzimas pancreáticas secretadas após refeição. No entanto, mais 
uma vez, somente pequena quantidade chega ao duodeno devido à falta continuada de secreção significativa de 
líquido. 
 Fase Intestinal: 
Depois que o quimo deixa o estômago e entra no intestino delgado, a secreção pancreática fica abundante, 
basicamente, em resposta ao hormônio secretina. 
 A Secretina Estimula a Secreção Abundante de Íons Bicarbonato, que Neutralizam o Quimo Gástrico Ácido: 
A secretina é um polipeptídeo com 27 aminoácidos. Está presente em forma inativa, pró-secretina, nas chamadas 
células S, na mucosa do duodeno e do jejuno. Quando o quimo ácido com pH menor que 4,5 a 5,0 entra no 
duodeno vindo do estômago, causa ativação e liberação de secretina pela mucosa duodenal para o sangue. O 
único constituinte, verdadeiramente potente do quimo, que ocasiona essa liberação de secretina é o ácido 
clorídrico. A secretina, por sua vez, faz com que o pâncreas secrete grandes quantidades de líquido contendo 
concentração elevada de íons bicarbonato (até 145 mEq/L), mas concentração reduzida de íons cloreto. O 
mecanismo da secretina é importante por duas razões: primeiro, a secretina começa a ser liberada pela mucosa 
do intestino delgado, quando o pH do conteúdo duodenal cai abaixo de 4,5 a 5,0, e sua liberação aumenta 
bastante quando o pH diminui para 3,0. Esse mecanismo prontamente à secreção abundante de suco pancreático 
contém grande quantidade de bicarbonato de sódio. 
 
O ácido carbônico se dissocia imediatamente em dióxido de carbono e água. O dióxido de carbono é transferido 
para o sangue e expirado pelos pulmões, deixando, assim, solução neutra de cloreto de sódio no duodeno. Dessa 
forma, o conteúdo ácido vindo do estômago para o duodeno é neutralizado, de maneira que a atividade digestiva 
peptídica, adicional pelos sucos gástricos no duodeno, é imediatamente bloqueada. Como a mucosa do intestino 
delgado não tem proteção contra a ação do suco gástrico ácido, o mecanismo de neutralização do ácido é 
essencial para evitar o desenvolvimento de úlceras duodenais. A secreção de íons bicarbonato pelo pâncreas 
estabelece o pH apropriado para a ação das enzimas digestivas pancreáticas, que operam em meio ligeiramente 
alcalino ou neutro no pH de 7,0 a 8,0. O pH da secreção de bicarbonato de sódio é, em média, de 8,0. 
 Colecistocinina Contribui para o Controle da Secreção de Enzimas Digestivas pelo Pâncreas: 
A presença de alimento no intestino delgado superior também faz com que um segundo hormônio, a 
colecistocinina (CCK), polipeptídeo contendo 33 aminoácidos, seja liberado por outro grupo de células, as células 
I, da mucosa do duodeno e do jejuno superior. Essa 
liberação de CCK é estimulada pela presença de proteoses 
e peptonas (produtos da digestão parcial de proteínas) e 
ácidos graxos de cadeia longa, no quimo que vem do 
estômago. A CCK, assim como a secretina, chega ao 
pâncreas pela circulação sanguínea, mas,