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90 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III Unidade III 5 NOÇÕES DE SEQUELAS ASSOCIADAS AO AGENTE AMBIENTAL 5.1 Avaliação por critérios quantitativos dos riscos As intensidades e/ou as concentrações dos agentes nocivos, quando superiores aos limites de tolerância estabelecidos pela legislação, expõem a integridade física e psíquica do trabalhador em suas atividades. Para saber se em um ambiente há ruído suficiente para pôr em risco a integridade do funcionário, não basta que o profissional da segurança do trabalho conheça os critérios qualitativos do risco físico; ele precisa, principalmente, conhecer o critério quantitativo desse risco, aferir com instrumentos específicos o limite de tolerância em decibéis dB (A) e o seu tempo de exposição e, de acordo com a NR 15, deve propor a medida corretiva. Limites de Tolerância (LTs) De forma prática, podemos definir como Limites de Tolerância (LTs) as concentrações ou intensidades de agentes nocivos abaixo das quais a maioria dos expostos não deverá apresentar danos específicos à integridade física ou psíquica do trabalhador durante a jornada de trabalho. A NR 15 do MTE, que regulamenta as atividades e as operações insalubres, define, em seu item 15.1.5, como Limites de Tolerância “[...] a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral” (BRASIL, 2014b). 5.1.1 Instrumentos de tolerância A segurança do trabalho dispõe de diversos instrumentos de medição específicos para cada tipo de atividade. Decibelímetro Trata-se de um dispositivo extremamente versátil para a medição da intensidade do som em qualquer ambiente acústico (ruidoso ou silencioso, agudo, grave ou de faixa ampla, intermitente ou contínuo). Existem diversas marcas e vários modelos que se dividem em analógicos e digitais. A maioria dos profissionais que usa esse equipamento aprende a manuseá-lo logo, com facilidade. 91 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL Figura 6 – Decibelímetro Dosímetro Instrumento de medição portátil utilizado para medir a intensidade sonora na unidade de decibéis (dB) em uma determinada frequência sonora. A medição é realizada por meio de um microfone colocado próximo à zona auditiva do trabalhador, que o transporta durante seu expediente de trabalho, auferindo ao final do dia a dosagem média de ruído que recebeu. É um instrumento muito utilizado nas indústrias para a elaboração do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). A amostragem é feita automaticamente pelo aparelho, por meio do qual é colhido o nível médio de ruído para a apresentação aos órgãos competentes e para a prevenção de riscos ocupacionais. Figura 7 – Dosímetro 92 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III Luxímetro Instrumento utilizado pra medir o nível de iluminação dos ambientes de trabalho. De acordo com a ABNT, cada ambiente tem um nível de iluminação mínimo adequado para a realização das tarefas às quais se destina. A norma que regulamenta a iluminação dos interiores dos estabelecimentos é a NBR 5413. Figura 8 – Luxímetro Explosímetro Instrumento pelo qual se testam, na atmosfera, a concentração e a inflamabilidade que ela contém. Os testes são realizados sugando-se uma amostra da atmosfera a ser testada sobre um filamento aquecido. Os combustíveis contidos na atmosfera são queimados no filamento, que eleva sua temperatura e aumenta sua resistência proporcionalmente à concentração de combustíveis na amostra. O desequilíbrio resultante faz o ponteiro indicador mover-se escala acima. Essa escala é graduada em porcentagem do limite mais baixo da explosão. O aparelho permite medir vapores de combustíveis no ar, mas não é capaz de medir a porcentagem de vapor em fumaça ou atmosfera inerte, em razão da ausência de oxigênio necessário à combustão na unidade detentora do instrumento. Outra limitação diz respeito à toxicidade de certa atmosfera não sujeita a explosões, o que não é identificado pelo explosímetro. 93 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL Figura 9 – Explosímetro Saiba mais O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) possui diversas portarias que regulamentam diretrizes para a manipulação em áreas perigosas. Uma delas é a Portaria nº 280, de 5 de agosto de 2008, que aprova o Regulamento Técnico da Qualidade para Registro de Empresa Inspetora de Contentores Intermediários para Granéis Destinados ao Transporte de Produtos Perigosos. Confira: BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Inmetro. Portaria nº 280, de 5 de agosto de 2008. Disponível em: <www.inmetro. gov.br/rtac/pdf/RTAC001351.pdf>. Acesso em: 10 fev. 2015. Vibrômetro e acelerômetro São instrumentos destinados a medir as vibrações mecânicas do ambiente e também em máquinas e equipamentos nos postos de trabalho. Enquanto o vibrômetro mede as baixas frequências, o acelerômetro é usado para altas frequências. Índice de Bulbo Úmido – Termômetro de Globo (IBUTG) Este é um instrumento de medição que avalia a exposição ocupacional ao calor, de acordo com o Anexo 3 da NR 15. Ele possui três termômetros – de bulbo seco, de bulbo úmido e de globo. 94 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III Combinados adequadamente, esses termômetros fornecem a sobrecarga térmica à qual estão expostos os funcionários durante suas atividades. Figura 10 – Índice de Bulbo Úmido 5.2 Anamnese ocupacional A maioria das doenças relacionadas ao trabalho e ao meio ambiente se manifesta como queixas comuns, sem sinais e sintomas específicos. Assim, a história de exposição a um agente ou uma situação no trabalho capaz de produzir doença é fundamental para o diagnóstico correto e para a adoção dos procedimentos dele decorrentes, como o tratamento, a prevenção e os possíveis encaminhamentos previdenciários. O profissional da segurança e saúde ocupacional tem um papel importante na detecção, no tratamento e na prevenção de doenças decorrentes das exposições tóxicas e/ou de situações particulares de trabalho, que podem ser reconhecidas ou suspeitadas a partir da história do paciente. Na anamnese ocupacional são abordadas questões com a descrição dos trabalhos atual e passado, levantando os riscos aos quais o trabalhador está ou esteve exposto, como o contato com poeiras, fumaças, metais, líquidos e outras substâncias químicas, ou ainda fatores como calor e ruídosexcessivos. Devem ser levantados ainda a jornada de trabalho e o turno (diurno, noturno ou rodízio), além de questionar o trabalhador sobre as suas condições de trabalho. A descrição da atividade realizada, do ritmo e dos turnos de trabalho, além da característica da matéria-prima ou da substância que possa interferir no risco do trabalhador também são informações essenciais a serem colhidas para que seja feita a diferenciação entre as categorias de funcionários com o mesmo cargo, mas alocados em funções diferentes. 95 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL A anamnese ocupacional, durante sua fase de investigação, deve ser dividida em três etapas: qual o perfil ocupacional, qual a exposição ocupacional e qual a contaminação ambiental. 5.2.1 Perfil ocupacional Neste perfil devem estar contidas as atividades atuais e as passadas. Este perfil deve descrever o ritmo de trabalho e das atividades, o conteúdo das tarefas, as matérias-primas utilizadas, o posto de trabalho, os riscos ambientais, as medidas de proteção e os efeitos verificados com a exposição. Devem ser investigados, também, fatores que possam aumentar ou modificar os riscos ocupacionais, ou ainda predispor a estes, como idade, sexo, hábito de fumar ou se alimentar no trabalho, e avaliar se os sintomas são exacerbados ou atenuados pela exposição ao risco ocupacional. Observação Durante a avaliação do perfil ocupacional, é importante analisar a modificação dos riscos aos fins de semana, nas férias, ao final do turno de trabalho ou ainda em que dia da semana ou em que horário do dia os sintomas são mais intensos. 5.2.2 Exposição ocupacional A descrição da exposição de característica específica relata fatores que podem modificar os efeitos das exposições aos riscos ocupacionais, como alergias, patologias no trabalho atual ou no passado, além da predisposição a adquirir determinadas doenças. Também deve citar fatores que possam alterar as respostas aos riscos ocupacionais, quando eles existirem, tais como histórico de doença respiratória ou cardíaca, patologia renal, insuficiência hepática, alterações neurológicas, estado de nutrição, erro metabólico e alterações de vitaminas. Além disso, deve buscar problemas de saúde similares em colegas de trabalho. A adoção de uma rotina na coleta da história ocupacional e a existência de uma rede de referência para as ações no cuidado desempenham um papel importante para detecção, prevenção e tratamento das doenças relacionadas ao trabalho. 5.2.3 Contaminação ambiental Investiga a ocorrência de exposição não profissional a substâncias potencialmente patogênicas – se a casa do trabalhador for próxima a alguma indústria, por exemplo –, a contaminação com substâncias tóxicas ou pesticidas nos momentos de lazer e até mesmo com resíduos tóxicos trazidos do ambiente de trabalho para casa. 96 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III 5.3 Segurança e saúde no ambiente hospitalar A saúde está intimamente relacionada com o desenvolvimento. A pobreza resultante de um desenvolvimento insuficiente e o subconsumo decorrente de um desenvolvimento inadequado, associados à expansão da população mundial, podem causar sérios problemas para a saúde em todos os países, independentemente do seu grau de desenvolvimento (BARBIERI, 1998, p. 95 apud MULATINHO, 2001, p. 37). É importante dar atenção especial aos programas preventivos que não busquem apenas remediar e tratar doenças. O hospital tem como objetivo a prestação de serviços de assistência com qualidade, eficiência e eficácia. Esse patamar não pode ser alcançado sem um efetivo Sistema de Gestão de um programa de prevenção de acidentes que deve dar a oportunidade de criação de condições ambientais seguras para todos os que desenvolvem suas atividades de trabalho. No hospital, deve ser assegurada a redução de riscos e acidentes. Para isso, devem-se promover e reforçar práticas seguras de trabalho e proporcionar ambientes livres de riscos, observando-se as legislações vigentes em âmbitos municipal, estadual e federal. Além das preocupações legais em definir os riscos existentes no ambiente hospitalar, é importante inventariá-los de forma objetiva e racional. O risco aponta uma probabilidade de possíveis danos dentro de um período de tempo, ou ainda pode significar a incerteza quanto à ocorrência de um determinado evento. A palavra risco indica a possibilidade de existência de perigo. O risco, onde quer que se encontre, pode ser analisado, visando à sua eliminação ou ao seu controle. No hospital, encontram-se vários riscos, devendo ser realizada a análise destes em todas as atividades de trabalho. Visando à eliminação e/ou ao controle dos riscos, estes devem ser analisados e fundamentados nos seguintes conceitos: • reconhecer: identificar e caracterizar, ou seja, apontar qual dos agentes de riscos de dano à saúde existem no local de trabalho; • avaliar: verificar, de acordo com técnicas específicas, o grau de intensidade do risco, ou seja, se é grande, médio ou pequeno comparado a padrões previamente estabelecidos; • controlar: adotar medidas técnicas, administrativas, preventivas ou corretivas de diferentes naturezas, que tenham como objetivo eliminar ou atenuar os riscos presentes no ambiente de trabalho. A responsabilidade de cuidar para que o ambiente e os funcionários apresentem condições adequadas de segurança cabe aos administradores e supervisores. Além disso, também cabe a cada um deles adotar, 97 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL como parte rotineira e normal de suas atividades, as práticas de segurança no trabalho e de controle e prevenção das doenças. 5.3.1 Riscos físicos no ambiente hospitalar Encontramos, no ambiente hospitalar, agentes físicos, como calor, ruído, radiações ionizantes e não ionizantes, pressões anormais e umidade. O calor é uma forma de energia determinada pela variação de temperatura do corpo que cedeu ou recebeu calor. A transmissão por radiação é feita por meio de ondas eletromagnéticas que são transmitidas pelo ar e pelo vácuo. No ambiente hospitalar, o calor é muito utilizado nas operações de limpeza, desinfecção e esterilização dos artigos hospitalares, no preparo de alimentação pelos Serviços de Nutrição e Dietética e nos Laboratórios de Análises Clínicas, no preparo de soluções especiais. É empregado com finalidade terapêutica, como nos casos dos berços aquecidos e das incubadoras, e utilizado nos tratamentos de recém-nascidos, nas sofisticadas técnicas cirúrgicas de raios laser ou de unidades eletrocirúrgicas etc. O calor em quantidade elevada pode causar efeitos indesejáveis sobre o corpo humano, tais como: golpes de calor (insolação), cujos sintomas são colapso, convulsão, delírio, alucinações, dentre outros; desidratação ou queda do teor da água, caracterizada pelo aumento da pulsação e da temperatura do corpo; e queda do teor de sal, ocorrendo fadiga, tontura, náuseas, vômitos e cãibras. A umidade excessiva deve ser observada e prontamente corrigida. No hospital, o setor de Lavanderia, em razãodas atividades de higiene e limpeza, e o setor de Nutrição e Dietética são os locais onde se faz mais uso de água. Em outros ambientes, a umidade pode ser detectada por meio de inspeção visual, verificando manchas nas paredes e nos pisos, decorrentes de infiltrações de água, por danos na tubulação, ou mesmo de esgotos. Danos de maiores consequências podem ocorrer, acarretando até a desestruturação do prédio (BRASIL, 1995, p. 32 apud MULATINHO, 2001, p. 40). O controle da umidade deve ser observado desde o projeto inicial de edificação. O uso de placas de advertência é outra medida utilizada para evitar acidentes. As radiações ionizantes no ambiente hospitalar são aquelas presentes nas áreas de radiodiagnóstico e radioterapia ou nas quais são utilizados os equipamentos de diagnóstico, como centros cirúrgicos e Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Embora seus efeitos variem de pessoa para pessoa, a exposição prolongada pode encurtar a expectativa de vida. As radiações não ionizantes apresentam-se nos processos que fazem uso da luz ultravioleta, da luz infravermelha – empregada na fisioterapia – e em procedimentos cirúrgicos na forma de laser. Ambos podem produzir queimaduras. 98 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III A respeito das vibrações, o Anexo 8 da NR 15 da Portaria nº 3.214/78 – Segurança e Medicina do Trabalho – diz que “as atividades e operações que exponham os trabalhadores, sem a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo inteiro, serão caracterizadas como insalubres, através de perícia realizada no local de trabalho” (MT, 2000, p. 193 apud MULATINHO, 2001, p. 40). Os efeitos danosos das vibrações podem acometer as pessoas, as estruturas da edificação e os equipamentos sensíveis, impedindo o seu funcionamento adequado. No corpo humano, causam, dentre outros sintomas, cansaço, dores nos membros, dores na coluna, artrite, problemas digestivos, lesões ósseas, lesões dos tecidos moles e lesões circulatórias. No ruído, a ocorrência de perda auditiva depende da intensidade (nível da pressão sonora), do tipo (contínuo, intermitente ou de impacto), da duração (tempo de exposição a cada tipo de agente) e da qualidade (frequência dos sons que compõem o ruído em análise). No organismo, pode desencadear graves perturbações, afetando o sistema nervoso e os aparelhos digestivo e circulatório, e trazendo desconforto e fadiga, influindo na produtividade profissional. Legalmente, a avaliação do risco deverá ser feita por meio da análise do ambiente de trabalho, visando determinar os períodos de descanso aos quais o trabalhador tem direito, segundo os tipos de trabalho realizado. 5.3.2 Riscos químicos no ambiente hospitalar Os trabalhadores de saúde estão expostos a uma enorme variedade de substâncias tóxicas. Nos hospitais, os produtos químicos são utilizados em grandes quantidades e com diferentes finalidades: metais (intoxicação por chumbo, mercúrio, manganês, cádmio etc.); gases e vapores (intoxicação por monóxido de carbono, dentre outros); e agentes de limpeza, desinfecção e esterilização, como produtos de manutenção de equipamentos e instalações, largamente utilizados como soluções medicamentosas. A circulação desses produtos no ambiente hospitalar, tanto em embalagem original quanto em preparações para uso, deve ser tal que garanta a proteção de quem os transporta e evite a contaminação do ambiente. Os riscos químicos são encontrados nos processos de esterilização usados abundantemente nos hospitais, podendo-se fazer uso de gases ou líquidos, ambos prejudiciais à saúde. Os produtos quimioterápicos são ministrados nos tratamentos de pacientes com o objetivo de reduzir tumores malignos (células cancerígenas). As drogas bacteriostáticas (que detêm o crescimento dos germes) são denominadas de citostáticos, pois impedem o crescimento das células. No armazenamento, na estocagem, no transporte, na manipulação e na aplicação desses produtos, é importante observar todas as medidas preventivas, assim como o treinamento adequado do pessoal que faz o manuseio. A aplicação inadequada dessas substâncias pode trazer sérias consequências aos pacientes e aos funcionários que executam esse tipo de serviço. Pode significar a diferença entre saúde e doença, e, em casos extremos, entre a vida e a morte. O reconhecimento dos riscos deve ser feito de acordo com a característica de cada instituição hospitalar, que deve possuir a ficha de cada produto que entra no hospital. Desse modo, todos os 99 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL produtos químicos e seus riscos podem ser conhecidos pelos profissionais, permitindo que sejam tomadas medidas de controle, que visam educar e treinar o trabalhador para as atividades necessárias ao serviço. Tais medidas envolvem a proteção do trabalhador por meio do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o controle da saúde por exames médicos periódicos e a limitação do tempo de exposição do trabalhador à fonte de risco. Algumas medidas tomadas em relação ao ambiente de trabalho são: a substituição do produto tóxico ou nocivo; a mudança do processo ou o encerramento da operação; e a manutenção das medidas de controle adotadas. 5.3.3 Riscos biológicos no ambiente hospitalar O risco biológico é intensivamente encontrado no ambiente hospitalar, pois este reúne densa população microbiológica, infecções cruzadas, contato com sangue e outros fluidos corporais, manipulação de amostras patológicas, deficiência de higiene e de limpeza na lavagem das mãos e falha nos processos de desinfecção, esterilização e assepsia. Os riscos biológicos abrangem doenças transmissíveis agudas e crônicas, parasitoses e reações tóxicas e alérgicas a plantas e animais. Esse tipo de risco se apresenta para os trabalhadores de saúde, principalmente, pelas infecções causadas por bactérias, vírus, Rickettsia, clamídia e fungos. Na maioria das vezes, a contaminação acontece pelo contato que os profissionais têm com o paciente infectado: o próprio rosto (conjuntiva ocular e mucosas da boca e do nariz) ao alcance do ar expirado pelo paciente, o contato com os respingos de sangue e outros fluidos corporais, quando de procedimentos invasivos, vômitos, tosses, espirros, dentre outros. As maiores fontes de contaminação são os contatos mão-boca e mão-olho, cortes e feridas superficiais na pele exposta e perfuração cutânea (BRASIL, 1995, p. 42 apud MULATINHO, 2001). Entre as principais infecções que podem afetar os trabalhadores de saúde estão: hepatite B, tuberculose pulmonar, citomegalovírus (CMV), infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e síndrome da imunodeficiência adquirida (Sida). Com efeito, o risco de infecção está condicionado a variáveis epidemiológicas relacionadas como: a) Agente: virulência, toxicidade, dose infecciosa e via de infecção (respiratória, digestiva, cutânea e mucosa, íntegras ou não); b) Hospedeiro: idade, sexo, raça, gravidez, imunidade à instalação de novos agentes; c) Atividade ocupacional: técnicas e métodos, qualidade dos equipamentos e materiais de trabalhos, prática de medidas eficazes de higiene e segurança do trabalho (BULHÕES, 1994, p. 160 apud MULATINHO, 2001, p. 43). Os edifícios hospitalares também estão doentes. É possível encontrar infestação de ratos, baratas, formigas, moscas, pombos e até gatos que se hospedam nasconstruções e transportam germes e doenças. Além disso, há aspiradores, nebulizadores, pias, bicas de torneiras, limpezas malfeitas e vasos de plantas. 100 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III Os profissionais da área devem ter plena consciência da segurança em seu ambiente de trabalho. Normalmente, por não terem sido infectados, alguns profissionais pensam que o seu ambiente de trabalho é inócuo. A implementação de novas técnicas de segurança deverá ser buscada e adotada sempre que as medidas utilizadas na instituição se mostrarem ineficazes. 5.3.4 Riscos ergonômicos no ambiente hospitalar Observam-se as psiconeuroses e outras manifestações de ordem emocional, movimentos repetitivos – tenossinovite – ou na tentativa de posicionar ou mover o paciente, ocasionando graves problemas relativos à coluna vertebral. A Ergonomia visa à adaptação do meio ambiente de trabalho ao homem. Estudos antropométricos e posturais baseiam-se na análise da atividade decorrente das cargas de trabalho física, mental e psíquica, gerada pela excessiva atividade laboral. As condições de trabalho incluem aspectos relacionados com o levantamento, o transporte e a descarga de materiais, o mobiliário, os equipamentos, a própria organização do trabalho, a imposição de ritmos excessivos, as jornadas prolongadas, o trabalho noturno, a monotonia, a repetitividade e outras situações causadoras de estresse físico e/ou psíquico etc. A NR 17, que trata das questões de Ergonomia, deve ser aplicada a todas as atividades profissionais e seus respectivos ambientes de trabalho. Deve-se observar o seguinte: [...] o mobiliário para o trabalho executado seja na posição em pé, seja sentado deve ser planejado e adaptado às posições requeridas; os equipamentos que compõem o posto de trabalho devem estar adequados às características dos trabalhadores e ao trabalho; as condições ambientais devem observar o conforto térmico, o nível de ruído nos seus limites e todos os parâmetros de iluminação e visualização segura e eficiente para as atividades; a organização do trabalho deve levar em consideração: normas de produção, o modo operatório, a exigência do tempo, a determinação do conteúdo de tempo, o ritmo de trabalho e o conteúdo das tarefas. Esses aspectos devem estar adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho executado (SALAROLI, 1999, p. 45-6 apud MULATINHO, 2001, p. 44). 5.3.5 Riscos de acidentes no ambiente hospitalar Os riscos de acidentes ocorrem com funcionários durante o seu trabalho em razão de vibrações, doença arterial periférica, máquinas e equipamentos sem proteção, probabilidade de incêndio e explosão, eletricidade, iluminação inadequada ou toda situação de risco que poderá gerar acidentes. Nos pacientes, verificamos diversas causas, como: escorregões e quedas durante a deambulação, o banho, a movimentação em macas etc. 101 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL Nos EUA, 10% das ações legais que representaram custos para os hospitais, durante um período de três anos (1975 a 1978), envolveram quedas. Outro estudo mostrou que, de 875 reivindicações, 20% foram devidas a quedas e escorregões (BRASIL, 1995, p. 45 apud MULATINHO, 2001). A iluminação adequada propicia índice elevado de produtividade, melhor condução dos processos de trabalho, melhor qualidade do produto final e redução do número de acidentes. No ambiente hospitalar, deve ter como foco as salas de cirurgias e os campos operatórios, contribuindo, assim, para a redução de acidentes. Muito comuns são os acidentes com materiais perfurocortantes ou cortocontusos (contaminados) depositados em recipientes inadequados, assim como a não utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), podendo levar a um risco do tipo biológico. Dessa forma, a coleta de lixo hospitalar deve ser seletiva, definindo-se quais recipientes devem ser utilizados para a coleta dos resíduos. A prevenção desses riscos visa à busca de ambiente físico propício à eficácia, ao conforto, à segurança e à satisfação do trabalhador por meio do uso de regras, normas e regulamentos de um sistema de gestão de segurança e saúde do trabalho. 5.4 Problemas crônicos de origem ocupacional Neste subtópico abordaremos as dermatoses ocupacionais, a surdez ocupacional e as dores na coluna, problemas crônicos decorrentes das atividades desempenhadas pelos trabalhadores. 5.4.1 Dermatoses ocupacionais O problema das dermatoses ocupacionais é amplo e muito complexo, sendo uma das maiores causas de falta ao trabalho em todo o mundo. Mesmo para o médico do trabalho mais experiente, muitas vezes, é difícil lidar com esses pacientes no âmbito da relação com a empresa, pois é frequente a necessidade de orientação segura, no sentido maior de proteção no ambiente profissional, ou até mesmo de mudança no ramo de atividade. No entanto, nem sempre é fácil convencer o paciente e/ou a empresa. A saúde dos trabalhadores e a convivência saudável com seu ambiente de trabalho são de vital importância para a empresa, pois o trabalhador, em suas plenas condições de trabalho e saudável, consegue manter sua produção com maior qualidade e elevada. Portanto, é necessário que alguns cuidados sejam tomados quanto à saúde dos funcionários, quando trabalham direta ou indiretamente com produtos quimicamente perigosos, principalmente, os derivados de óleo mineral, petróleo, detergentes, solventes, plásticos, resinas, borracha natural, tintas, vernizes, corantes e ácidos. Essas substâncias podem provocar, frequentemente, dermatites ou dermatoses nos indivíduos, quando ficam em contato com esses tipos de produtos sem as mínimas condições de segurança e higiene exigidas. As causas das dermatoses ocupacionais podem ser: • mecânicas: em razão de trauma ou fricção; 102 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III • físicas: decorrentes da exposição ao frio, ao calor e a radiações ionizantes; • químicas: pelo contato com compostos orgânicos e inorgânicos; • biológicas: em virtude do contato com plantas, animais e microrganismos. No organismo, as dermatoses podem surgir por meio de dois mecanismos diferentes: o otoérgico e o alérgico. O mecanismo otoérgico, também chamado de não imunológico, corresponde a 75% das dermatoses causadas por irritantes primários, como ácidos fortes, álcalis, solventes e sais de metal. A dermatite de contato por irritante primário, causada pelo contato direto com o composto químico, leva ao aparecimento de irritação local, sem irradiação, e desaparece quando cessa a exposição, voltando a aparecer a cada contato. Essa dermatite vai depender do tempo de exposição e da concentração da substância envolvida. O mecanismo alérgico, por sua vez, ocorre quando uma pessoa já sensibilizada apresenta uma reação tardia a uma substância, de 48 a 72 horas após a exposição, e uma dermatite de contato normalmente aparece cinco dias após a exposição e o contato. O diagnóstico dessa doença é realizado por meio da história ocupacional, das manifestações e da realização de testes dermatológicos.As principais substâncias químicas causadoras de dermatites de contato são os bicarbonatos de cromo, potássio e amônio; os plásticos, como resinas epóxi e catalisadores; aceleradores e antioxidantes de borracha; agentes germicidas usados em sabões e compostos halogenados; aminas aromáticas e seus derivados, como tinturas e anestésicos locais; o mercúrio e seus compostos inorgânicos; o níquel e seus compostos; o cobalto e seus compostos; e algumas ervas venenosas. No ambiente de trabalho, é importante observar as condições de trabalho e as medidas de segurança e de higiene no local, além de pesquisar lesões cutâneas semelhantes em outros profissionais e observar se a reexposição do trabalhador ao alérgeno causará agravamento do quadro. O tratamento profilático desta patologia consiste em proteger os trabalhadores dos agentes alérgenos. 5.4.2 Surdez ocupacional A exposição a ruídos de duração prolongada ou de grande intensidade pode acarretar danos à audição e, consequentemente, levar à surdez profissional. Essa doença é muito comum em caldeireiros, ferreiros, prenseiros, maquinistas, tecelões, dentre outros. O grau da lesão produzida pelo ruído está relacionado com diversos fatores. Um dos principais é a intensidade. Ruídos superiores a 80 dB poderão levar a um trauma auditivo. O tipo de ruído também é importante. O ruído intermitente, ou de impacto, parece produzir danos maiores. O período de exposição 103 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL também deve ser levado em conta, assim como a duração do trabalho, uma vez que seu efeito é acumulativo. Também são fatores importantes a suscetibilidade individual, a idade, as patologias auditivas e outras já existentes, como a hipertensão arterial e o hipertireoidismo. Trauma acústico e surdez por exposição ao ruído são os tipos de transtornos auditivos que podem acometer o profissional. O trauma acústico é uma lesão produzida no ouvido médio ou no interno por impacto sonoro ou ruído intenso. A surdez por exposição ao ruído decorre de exposição crônica, em que traumatismos sucessivos levam a um deslocamento assimétrico da membrana basilar. Os sintomas causados em razão da cronicidade da evolução do quadro, normalmente, são zumbido noturno ou em locais silenciosos. Além da perda auditiva característica, o ruído pode ser o fator causador de outras doenças, que podem afetar psicologicamente o trabalhador, causando depressão, estresse, dentre outras doenças, podendo chegar a gerar danos, inclusive, no sistema cardiovascular, que podem causar hipertensão arterial sistêmica e taquicardia. 5.4.3 Dores na coluna Uma das maiores queixas no mundo moderno é a dor na coluna. Dentro de um ambiente laboral, essa patologia acomete vários trabalhadores, em razão de diversos fatores. Algumas situações e doenças estão relacionadas com as dores na coluna, como osteoporose, hérnias de disco, tumores, postura viciosa, obesidade, fibromialgia, artrose e artrite reumatoide. Alguns fatores de risco podem influenciar o aparecimento do quadro de dor na coluna: obesidade, tensão emocional, esforços excessivos, idade, sexo e atividade profissional. Certas doenças da coluna vertebral podem estar relacionadas ao trabalho. As dores musculares são um exemplo disso, especialmente, as dores da coluna lombar, denominadas lombalgias. Problemas posturais, que podem gerar desvios no eixo ou aumento da curvatura preexistente da coluna vertebral, também podem causar dores comuns na coluna. 5.5 Intoxicação no trabalho O ambiente de trabalho pode apresentar vários fatores de risco ao trabalhador. A emissão de gases por meio de vazamentos de alguns equipamentos é uma das principais causas de intoxicação no trabalho. O próprio trabalhador, por vezes, pode cometer alguns erros que acarretam intoxicação, como: • ausência ou uso inadequado de EPIs; 104 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III • manuseio de produtos tóxicos em locais inadequados, como em ambientes abertos com ação do vento contra o próprio trabalhador; • uso da mesma roupa por vários dias consecutivos, ausência de banho diário e alimentação sem higiene das mãos; • banho com água quente antes do trabalho, o que provoca a dilatação dos poros da pele, facilitando a penetração de toxinas; • aplicação de produtos tóxicos em ambientes com temperaturas elevadas, que pode favorecer a penetração pela pele do trabalhador; • ficar sozinho em seu posto de trabalho, correndo o risco de não receber ajuda imediata em caso de intoxicação. Outros fatores, como o armazenamento inadequado dos produtos tóxicos, também podem causar acidentes. Ainda em relação ao trabalhador, é importante sua avaliação no que diz respeito a sua resistência àquele produto, como também a condição em que este trabalhador pode levar a contaminação para sua casa, como pela lavagem inadequada de suas roupas de trabalho com as pessoais. 5.5.1 Classificação das intoxicações As intoxicações são classificadas de três formas, de acordo com o que segue. • Origem: — acidentais: por medicamentos, alimentos, ambiente ou profissão; — intencionais: homicídios, suicídios ou doping; — genéticas: transmitidas geneticamente; — congênitas: adquiridas pelo feto na gestação; — sociais: dependência química. • Efeitos: — crônicas: de ação lenta e progressiva, com exposição contínua; — agudas: introdução rápida do agente tóxico no organismo, em dose única. 105 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL • Níveis operacionais: — altas doses: exposição curta; intoxicações agudas e acidentais; — doses médias: exposição por período maior; intoxicação profissional; — pequenas doses: exposição longa, com efeito teratogênico; intoxicação ambiental. Os agentes tóxicos entram no organismo obedecendo a uma sequência de etapas determinadas. • Absorção: é a passagem do agente tóxico do local de exposição para a corrente sanguínea. Ocorre pelas vias de penetração cutânea, digestiva, respiratória, além de outras menos comuns, como ocular, genital e dental. • Distribuição: após a absorção, o agente tóxico se difunde pelos tecidos através do sangue, do líquido intersticial e dos líquidos celulares. No corpo, existem os órgãos considerados de proteção, ou seja, quando armazenado, o agente tóxico dificilmente causa danos ao organismo. Os principais órgãos de proteção são as proteínas plasmáticas, o fígado e os rins. • Metabolismo: são os processos pelos quais o agente tóxico e seus metabólitos se modificam no organismo por reações enzimáticas e não enzimáticas. Algumas dessas transformações podem reduzir ou mesmo impedir seus efeitos, diminuindo a atividade e facilitando a excreção. O principal sítio de desintoxicação é o fígado, por meio de enzimas chamadas de biotransformadoras. • Excreção: são os processos pelos quais os agentes tóxicos são eliminados do organismo. A principal via de eliminação é a urinária, mas também pode haver excreção por via pulmonar, digestiva ou outras secundárias. 6 PROGRAMAS DE PREVENÇÃO O amplo campo de atuação da higiene e dasegurança do trabalho atinge seus objetivos com a aplicação prática e eficaz de seus principais programas de prevenção: o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e o Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT). Os dois primeiros são obrigatórios para todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores regidos pela CLT, e o PCMAT é específico para os da indústria da construção civil. Os responsáveis pela gestão desses programas são os profissionais que compõem o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), que, em conjunto com a Cipa, realizam esforços na prevenção de acidentes e no controle da saúde nas empresas e em campanhas de conscientização para alcançar os objetivos citados. Aos profissionais especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho, é vedado o exercício de outras atividades na empresa durante o horário de sua atuação nos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. 106 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III 6.1 NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) O PPRA é definido e regulamentado pela NR 9, contida na Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego. Essa norma estabelece a obrigatoriedade da elaboração e da implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados. O programa visa à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores e tem como forma de atuação a antecipação, o reconhecimento e a avaliação da situação. Em consequência disso, alcança o controle da ocorrência de riscos ambientais já existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, considerando a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. As ações do PPRA devem ser desenvolvidas no âmbito de cada estabelecimento da empresa, sob a responsabilidade do empregador e com a participação dos trabalhadores, sendo sua abrangência e profundidade dependentes das características dos riscos e das necessidades de controle. Quando não forem identificados riscos ambientais nas fases de antecipação ou reconhecimento, o PPRA poderá resumir-se nas seguintes etapas: • antecipação e reconhecimento dos riscos; • registro e divulgação dos dados. O PPRA é parte integrante do conjunto mais amplo das iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, devendo estar articulado com o disposto nas demais Normas Regulamentadoras, em especial, com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). A NR 9 estabelece parâmetros mínimos e diretrizes gerais a serem observados na execução do PPRA, podendo estes ser ampliados mediante negociação coletiva de trabalho. Conforme determina essa norma, são considerados riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho que, em razão de sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador. O PPRA deverá conter, no mínimo, a seguinte estrutura: • planejamento anual, com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; • estratégia e metodologia de ação; • forma de registro, manutenção e divulgação dos dados; • periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA. Sempre que necessário e pelo menos uma vez ao ano, deve ser efetuada uma análise global do PPRA para avaliação do seu desenvolvimento, realização dos ajustes necessários e estabelecimento de 107 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL novas metas e prioridades. Suas alterações e complementações devem ser apresentadas e discutidas na Cipa, quando existente na empresa, de acordo com a NR 5, sendo sua cópia anexada ao livro de atas dessa comissão. O PPRA deve incluir as seguintes etapas: • antecipação e reconhecimento dos riscos; • estabelecimento de prioridades e metas de avaliação e controle; • avaliação dos riscos e da exposição dos trabalhadores; • implantação de medidas de controle e avaliação de sua eficácia; • monitoramento da exposição aos riscos; • registro e divulgação dos dados. A elaboração, a implementação, o acompanhamento e a avaliação do PPRA poderão ser feitos pelo SESMT ou por pessoa ou equipe de pessoas que, a critério do empregador, sejam capazes de desenvolver o programa. Observação O PPRA tem como obrigatoriedades a avaliação, o controle e o monitoramento dos riscos físicos, químicos e biológicos do ambiente de trabalho; porém, fica a critério do SESMT a inclusão de outros riscos laborais, como o ergonômico e o de acidentes, em seu programa de prevenção, como é feito em algumas empresas, o que, se não é obrigatório pela NR 9, qualifica ainda mais a gestão dos riscos nas organizações. A antecipação deverá envolver a análise de projetos de novas instalações, bem como de novos métodos ou processos de trabalho, ou de modificações dos já existentes, visando identificar os riscos potenciais e introduzir medidas de proteção para sua redução ou eliminação. O reconhecimento dos riscos ambientais deverá conter os seguintes itens, quando aplicáveis: • identificação desses riscos; • determinação e localização das possíveis fontes geradoras; • identificação das possíveis trajetórias e dos meios de propagação dos agentes no ambiente de trabalho; 108 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III • identificação das funções e determinação do número de trabalhadores expostos; • caracterização das atividades e do tipo de exposição; • obtenção de dados existentes na empresa, indicativos de possível comprometimento da saúde decorrente do trabalho; • possíveis danos à saúde relacionados aos riscos identificados; • descrição das medidas de controle já existentes. A avaliação quantitativa deverá ser realizada, sempre que necessário, para: • comprovar o controle da exposição ou a inexistência de riscos identificados na etapa de reconhecimento; • dimensionar a exposição dos trabalhadores; • subsidiar o equacionamento das medidas de controle. Quadro 2 – Modelo de matriz para antecipação e reconhecimento de riscos ambientais Reconhecimento dos riscos ambientais Nome da empresa Funções existentes Técnico de segurança responsável Setor de trabalho Descrição das atividades Agentes Tipo Fonte geradora Gradação Medidas de prevenção Efeitos Exposição EPC EPI Físico Químico Biológico Gradação dos riscos Categoria Gradação de efeitos à saúde Categoria Gradação de exposição 0 Efeitos reversíveis e pequenos 0 Nenhum contato com o agente ou contato desprezível 1 Efeitos reversíveis à saúde, preocupantes 1 Contatos esporádicos com o agente 2 Efeitos severos à saúde, preocupantes 2 Contato frequente com o agente em baixas concentrações 3 Efeitos irreversíveis à saúde, preocupantes 3 Contato frequente com o agente em altas concentrações 4 Ameaça à vida, lesão incapacitanteocupacional 4 Contato frequente em altíssimas concentrações 109 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL 6.2 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) O PCMSO é regulamentado pela NR 7, contida na Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, do MTE, e pode ser definido como um programa que tem como objetivo estabelecer o nexo causal entre a atividade profissional e um determinado risco no ambiente de trabalho. Após a detecção, monitora e faz o devido controle para que não venham a ocorrer danos à saúde do trabalhador. Deve ser elaborado e implementado por todos os empregadores e instituições, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto de seus trabalhadores, sendo parte integrante do conjunto mais amplo de iniciativas da empresa no campo da preservação da saúde de seus colaboradores, devendo, ainda, estar articulado com o disposto nas demais normas. Além de ser um programa voltado à saúde do trabalhador, o PCMSO deve: • considerar as questões de incidentes sobre o indivíduo e a coletividade de trabalhadores, privilegiando o instrumental clínico-epidemiológico na abordagem da relação entre sua saúde e o trabalho; • ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive, de natureza subclínica, além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde dos trabalhadores; • ser planejado e implantando com base nos riscos à saúde dos trabalhadores, especialmente, os identificados nas avaliações previstas nas demais Normas Regulamentadoras; • obedecer a um planejamento cujas ações de saúde a serem executadas durante o ano estejam previstas, devendo ser objeto de relatório anual. São responsabilidades do empregador: • garantir a elaboração e a efetiva implementação do PCMSO, bem como zelar pela sua eficácia; • custear todos os procedimentos relacionados ao PCMSO, sem ônus para o empregado; • indicar, dentre os médicos do SESMT da empresa, um coordenador responsável pela execução do PCMSO; • no caso de a empresa estar desobrigada de manter médico do trabalho, de acordo com a NR 4, deverá o empregador indicar médico do trabalho, empregado ou não da empresa, para coordenar o PCMSO; • inexistindo médico do trabalho na localidade, o empregador poderá contratar médico de outra especialidade para coordenar o PCMSO. 110 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III O médico-coordenador deverá realizar os exames médicos previstos na NR 7 ou encarregá-los a profissional médico familiarizado com os princípios da patologia ocupacional e com as suas causas, bem como com o ambiente, as condições de trabalho e os riscos a que está ou será exposto cada trabalhador a ser examinado. O PCMSO deve incluir, no desenvolvimento de suas atividades, a realização obrigatória dos exames médicos descritos a seguir. • Admissional: deve ser realizado antes que o trabalhador assuma suas atividades. • Periódico: é realizado periodicamente e deve considerar os prazos estipulados pelo médico-coordenador, a análise dos riscos por setor e função, assim como a idade do colaborador. • Retorno ao trabalho: realizado obrigatoriamente no primeiro dia da volta ao trabalho do colaborador ausente por período igual ou superior a 30 dias por motivo de doença ou acidente, de natureza ocupacional ou não, ou parto. • Mudança de função: realizado obrigatoriamente antes da data da mudança. Entende-se por mudança de função toda e qualquer alteração de atividade, posto de trabalho ou setor que implique a exposição do trabalhador a risco diferente daquele a que estava exposto antes da mudança. • Demissional: será obrigatoriamente realizado até a data da homologação da dispensa, desde que o último exame médico ocupacional tenha sido realizado há mais de 135 dias, para as empresas de graus de risco 1 e 2, e 90 dias, para as empresas de graus de risco 3 e 4. Os testes que devem compreender esses exames são: avaliação clínica, abrangendo anamnese ocupacional e exames físico e mental; além de exames complementares, realizados de acordo com os termos específicos na NR 7 em seus anexos. Para cada um desses exames realizados, o médico emitirá o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO), em duas vias. A primeira é arquivada no local de trabalho do funcionário, para que fique à disposição da fiscalização do trabalho, e a segunda é obrigatoriamente entregue ao trabalhador, mediante recibo da primeira. Os dados obtidos nos exames médicos, incluindo a avaliação clínica e exames complementares, as conclusões e as medidas aplicadas deverão ser registrados em prontuário clínico individual, que ficará sob responsabilidade do médico-coordenador, e deverão ser mantidos por um período mínimo de vinte anos após o desligamento do trabalhador. 6.3 Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT) O Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT) pode ser definido como um conjunto de ações relativas à segurança e à saúde no trabalho, ordenadamente 111 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL dispostas, visando à preservação da saúde e da integridade física de todos os trabalhadores de canteiro de obras, incluindo-se terceiros e o meio ambiente (MATTOS; MÁSCULO, 2011). De acordo com a NR 18, a elaboração e o cumprimento desse programa são obrigatórios nos estabelecimentos com vinte trabalhadores ou mais, contemplando os aspectos dessa NR e outros dispositivos complementares de segurança. Além de outras exigências, o PCMAT deve: • contemplar as exigências contidas na NR 9; • ser mantido no estabelecimento, à disposição do órgão regional do MTE; • ser elaborado e executado por profissional legalmente habilitado na área de segurança do trabalho. É importante salientar que a implementação do PCMAT nos estabelecimentos é de responsabilidade do empregador ou do condomínio e que o programa não é uma carta de intenções elaborada pela empresa, mas um elenco de providências a serem executadas em virtude do cronograma da obra (MATTOS; MÁSCULO, 2011). Nesse mesmo sentido, a NR 18 relata os documentos que integram esse programa: [...] Documentos que integram o PCMAT: a) Memorial sobre condições e meio ambiente de trabalho nas atividades e operações, levando-se em consideração riscos de acidentes e de doenças do trabalho e suas respectivas medidas preventivas; b) Projeto de execução das proteções coletivas em conformidade com as etapas de execução da obra; c) Especificação técnica das proteções coletivas e individuais a serem utilizadas; d) Cronograma de implantação das medidas preventivas definidas no PCMAT; e) Layout inicial do canteiro de obras, contemplando, inclusive, previsão de dimensionamento das áreas de vivência; f) Programa educativo contemplando a temática de prevenção de acidentes e doenças do trabalho, com sua carga horária (BRASIL, 2013a). 112 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gram aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III 6.3.1 Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) Todas as empresas devem tratar da segurança e da prevenção de acidentes, bem como das condições do ambiente de trabalho, por meio dos instrumentos do SESMT e da Cipa. Estes serão os órgãos, dentro da empresa, responsáveis pela proteção da integridade física do trabalhador e de qualquer condição anormal ao ambiente que possam afetar a saúde do trabalhador. A CLT, em seus artigos 162 a 165, bem como a Portaria nº 3.214/78, do Ministério do Trabalho e Emprego, regulamentam o SESMT e a Cipa, tornando-os obrigatórios em todas as empresas públicas e privadas, de administração direta ou indireta e dos Poderes Legislativo e Judiciário, desde que possuam trabalhadores que tenham vínculo empregatício regido pela CLT. Para sua implantação, deverá ser levado em conta o número de funcionários da empresa, além de quais são os riscos presentes no ambiente de trabalho. O SESMT tem como finalidade principal garantir a integridade física do trabalhador, de maneira que controle os riscos aos quais os profissionais possam estar expostos, avaliando de que maneira podem acontecer melhorias das condições em cada processo de trabalho, dentro da instituição, para que não ocorra aquilo que se busca prevenir: o acidente de trabalho. O SESMT deverá ser composto pelos seguintes profissionais: • engenheiro de segurança do trabalho; • médico do trabalho; • enfermeiro do trabalho; • técnicos de segurança do trabalho; • auxiliares de enfermagem do trabalho. Os profissionais de nível médio, como o técnico de segurança do trabalho e o auxiliar de enfermagem do trabalho, devem dedicar oito horas por dia às atividades do SESMT. Profissionais graduados em nível superior, como o engenheiro de segurança do trabalho, o médico do trabalho e o enfermeiro do trabalho, devem dedicar-se às atividades do SESMT, no mínimo, três horas por dia, em tempo parcial, ou seis horas por dia, em tempo integral. Lembrete Aos profissionais especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho, é vedado o exercício de outras atividades na empresa durante 113 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL o horário de sua atuação nos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho. Serão de responsabilidade da equipe as competências expostas a seguir. • Aplicar os conhecimentos de engenharia de segurança e medicina do trabalho a todos os seus componentes, inclusive, como manusear máquinas e equipamentos, de maneira que reduza e, se possível, elimine os riscos ali existentes. • Determinar quando esgotados todos os meios conhecidos para eliminação dos riscos; e, se persistirem, mesmo reduzidos, deverão ser utilizados, pelo trabalhador, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), de acordo com o que determina a NR 6, desde que a concentração, a intensidade ou a característica do agente assim o exija. • Promover a realização das atividades de conscientização, educação e orientação aos trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, tanto por meio de campanhas quanto de programas de educação permanente. • Esclarecer e levar os empregados a conscientizar-se dos acidentes de trabalho e das doenças ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção. • Analisar e registrar os acidentes ocorridos, com ou sem vítimas, e todos os casos de doença ocupacional. • Registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e agentes de insalubridade. • Elaborar plano de controle de efeitos de catástrofes, combate a incêndios, salvamento e pronto-atendimento a vítimas. 6.3.2 Dimensionamento do SESMT O dimensionamento do SESMT deve ser vinculado à graduação do risco da atividade principal e ao número total de empregados da empresa. Para se chegar à composição do SESMT de uma determinada empresa, deve-se conhecer o grau de risco de sua atividade principal, ou seja, conhecer a Classificação Nacional da Atividade Econômica (CNAE) da empresa, para saber o grau de risco estabelecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego. 114 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III Na tabela a seguir, podemos verificar como acontece o dimensionamento de acordo com o Quadro II da NR 4: Tabela 6 – Dimensionamento do SESMT Grau de risco Nº de empregados 50 a 100 101 a 250 251 a 500 501 a 1000 1001 a 2000 2001 a 3500 3501 a 5000 Acima de 5000 Para cada grupo de 4000 ou fração de 2000 **Técnicos 1 Téc. Seg. Trabalho 1 1 1 2 1 Engenheiro Seg. Trab. 1* 1 1* Aux. Enf. Trabalho 1 1 1 Enfermeiro do Trabalho 1* Médico do Trabalho 1* 1* 1 1* 2 Téc. Seg. Trabalho 1 1 2 5 1 Engenheiro Seg. Trab. 1* 1 1 1* Aux. Enf. Trabalho 1 1 1 1 Enfermeiro do Trabalho 1 Médico do Trabalho 1* 1 1 1 3 Téc. Seg. Trabalho 1 2 3 4 6 8 3 Engenheiro Seg. Trab. 1* 1 1 2 1 Aux. Enf. Trabalho 1 2 1 1 Enfermeiro do Trabalho 1 Médico do Trabalho 1* 1 1 2 1 4 Téc. Seg. Trabalho 1 2 3 4 5 8 10 3 Engenheiro Seg. Trab. 1* 1* 1 1 2 3 1 Aux. Enf. Trabalho 1 1 2 1 1 Enfermeiro do Trabalho 1 Médico do Trabalho 1* 1* 1 1 2 3 1 (*) Tempo parcial – mínimo de três horas. (**) O dimensionamento total deverá ser feito levando-se em consideração o dimensionamento de 3501 a 5000 mais o dimensionamento do(s) grupos(s) de 4000 ou fração acima de 2000. Obs.: hospitais, ambulatórios, maternidades, casas de saúde e repouso, clínicas e estabelecimentos similares de saúde e repouso, clínicas e estabelecimentos similares com mais de quinhentos empregados deverão contratar um enfermeiro em tempo integral. Fonte: Brasil (2009a, p. 27). 6.3.3 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) A Cipa foi criada a partir de uma sugestão de trabalhadores de diversos países que, reunidos na OIT, organizaram um comitê para estudos de segurança e higiene do trabalho, bem como de recomendações de medidas preventivas de doenças e acidentes do trabalho, que passariam a ser adotadas pelos países de acordo com o interesse de cada um em promover a melhoria nas condições de trabalho de seu povo. 115 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL Essa comissão tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho e a promoção da saúde do trabalhador de modo que torne compatível o trabalho com a preservação da vida. Atualmente, está regulamentada pelos artigos 162 a 165 da CLT e pela NR 5 do MTE, cujas instruções trazem diversos ensinamentos a todos os envolvidos no quesito segurança do trabalho e prevenção de acidentes. A Cipa será composta por representantes dos empregados e do trabalhador, de empresas privadas e públicas, sociedades de economia mista, órgãos de administração direta e indireta, instituições beneficentes e toda e qualquer instituição que tenha comoregime trabalhista a CLT. A composição de representantes do empregador e dos empregados se dará da seguinte maneira: • representantes dos empregadores, titulares e suplentes, por eles designados; • representantes dos empregados, titulares e suplentes, eleitos em votação secreta da qual participam, independentemente de filiação sindical. O mandato dos membros da Cipa terá duração de um ano, permitida uma reeleição, na qual é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para o cargo, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato. Dentre as atribuições da Cipa estão: • identificar os riscos dos processos de trabalho e elaborar os mapas de riscos; • elaborar plano de trabalho com medidas de prevenção de acidentes; • participar da implementação e do controle de qualidade das medidas de prevenção necessárias; • realizar periodicamente verificações nos ambientes de trabalho, bem como em suas condições; • divulgar aos trabalhadores informações relativas à saúde e à segurança no trabalho; • requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador a paralisação de máquinas ou setor em que considere haver risco grave e iminente à segurança e à saúde dos trabalhadores; • colaborar para o desenvolvimento e a implementação do PCMSO e do PPRA, bem como de outros programas relacionados a segurança e saúde no trabalho; • promover anualmente, em conjunto com o SESMT, quando houver, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat). 116 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III Lembrete É importante a consulta da NR 5, disponível no site do Ministério do Trabalho e Emprego, para conhecer todos os procedimentos do processo eleitoral, assim como a composição e o dimensionamento da Cipa, cujo número de efetivos e suplentes obedecerá aos critérios de número de funcionários e da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). 6.4 A importância da medicina e segurança do trabalho preventiva As mudanças no mundo do trabalho advindas das inovações tecnológicas e organizacionais têm incrementado significativamente a produção nas empresas, eliminando tarefas penosas ou pesadas. Essa relação estabelecida entre o homem e a tecnologia ocasionou novos riscos para a saúde dos trabalhadores nos aspectos físico, mental e social. Tal processo passou a exigir dos trabalhadores uma maior qualificação e uma crescente intervenção nos processos produtivos, o que, consequentemente, tornou-os mais suscetíveis a acidentes de trabalho. Apesar de tantas transformações serem tão evidentes, ainda fica difícil de serem captadas e apreendidas pelos profissionais. Atualmente, ainda nos deparamos com empresas desinformadas, desinteressadas ou até mesmo com dificuldades de solucionar assuntos relacionados a acidentes de trabalho. O Estado, como responsável pela fiscalização das condições de trabalho, bem como por toda a sua regulamentação, precisou adaptar-se para que houvesse uma intervenção adequada no ambiente de trabalho, relacionando-o com as causas das doenças. Dessa forma, houve uma necessidade de agregação da figura do médico do trabalho na condição de poder identificar quais eram as necessidades para ações preventivas dentro da empresa e, assim, diminuir a incidência de agravos à saúde do trabalhador. Com a diversidade de legislação que temos agregada ao nosso Poder Judiciário, as empresas acabam se limitando ao mínimo que a legislação pede, como se o cumprimento apenas de sua leitura fosse suficiente. No entanto, é necessária uma análise detalhada de todos esses documentos com o objetivo de instaurar uma cultura direcionada para a promoção de um ambiente saudável e a prevenção de agravos. O setor de Segurança e Saúde adquiriu grande importância e credibilidade, com o objetivo de preservar a saúde e a integridade física e moral dos trabalhadores. Isso aconteceu porque, atualmente, o entendimento de que o ambiente de trabalho é responsável por uma série de doenças ocupacionais aumentou, fazendo os empregadores e as empresas não encararem mais a necessidade de implantação de programas apenas como exigência de lei. 117 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL Assim, a antecipação, tanto pela equipe de segurança e saúde do trabalho quanto pelo trabalhador e pelo empregador, deve ser o grande objetivo da equipe de gestão, identificando quais são os riscos inerentes a cada processo de trabalho, observando as condições para que esse ambiente esteja livre de insalubridade ou para que, ao menos, esta seja a menor possível, garantindo um menor tempo de exposição do trabalhador a ela. Além da antecipação dos possíveis riscos, é importante o treinamento adequado, permanente e constante, para que os trabalhadores compreendam sua responsabilidade no cuidado com o seu EPI, bem como a importância do uso correto deste em todas as ocasiões necessárias de uso. Com um pensamento preventivo, todos na empresa têm a ganhar. É possível melhorar a qualidade de vida no ambiente de trabalho, oferecendo condições de uma participação ativa de todos e, assim, conseguir fazer um levantamento criterioso dos problemas que acometem os trabalhadores e quais as melhores soluções. Saiba mais O Ministério do Trabalho e Emprego publicou, em 2010, pelo Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, um guia de análise no qual é possível ampliar seus conhecimentos sobre a importância da prevenção: BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho. Guia de análise: acidentes de trabalho. Brasília, 2010b. Disponível em: <http://portal. mte.gov.br/data/files/FF8080812D8C0D42012D94E6D33776D7/Guia%20 AT%20pdf%20para%20internet.pdf>. Acesso em: 10 fev. 2015. Resumo Iniciamos nossa discussão sobre como podemos avaliar as sequelas deixadas pelos riscos ambientais, em especial, com o conhecimento sobre os limites de tolerância regulamentados pela NR 15 do Ministério do Trabalho e Emprego. Abordamos quais são os equipamentos utilizados para avaliação e medição da intensidade de cada risco para a determinação da tolerância. Vimos os conceitos de tolerância, bem como a aplicação dos principais instrumentos de medição nas avaliações quantitativas dos riscos, dentre eles: decibelímetro, dosímetro, luxímetro, explosímetro, vibrômetro e acelerômetro. 118 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III Além da avaliação da tolerância de cada risco, discutimos a necessidade de uma avaliação adequada do profissional, chamada de anamnese ocupacional, sendo imprescindível que o trabalhador tenha a avaliação de seu perfil ocupacional, de sua exposição ocupacional e da contaminação ambiental a que ele poderá estar exposto. Vimos que, como necessidade ímpar, o ambiente hospitalar possui todos os riscos presentes, o que exige um aprendizado mais detalhado sobre as atividades nele desenvolvidas. Também abordamos algumas obrigações a serem seguidas pelas empresas. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) é obrigatório para todas asempresas e instituições que admitam trabalhadores, com o objetivo de preservar a saúde e a integridade física dos empregados, identificando riscos ambientais existentes no trabalho (físicos, químicos e biológicos). Para tanto, impõe reconhecimento, avaliação e controle da ocorrência desses riscos ambientais, envolvendo ações, sob responsabilidade do empregador, cuja abrangência depende das características de cada ambiente de trabalho. O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) é um programa técnico-preventivo a ser realizado pela empresa como parte do conjunto mais amplo de iniciativas no campo de proteção à saúde dos empregados. É obrigatório para todas as empresas e tem caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho. O Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) pretende promover a saúde e proteger a integridade do trabalhador no local de trabalho, devendo ser implementado obrigatoriamente em todas as empresas privadas e públicas que possuam empregados regidos pela CLT, conforme o grau de risco da atividade principal e o número de trabalhadores do estabelecimento. A Cipa é um instrumento de que os trabalhadores dispõem para tratar da prevenção de acidentes de trabalho, das condições do ambiente de trabalho e de todos os aspectos que afetam sua saúde e sua segurança. Exercícios Questão 1. (IBFC 2016) Segurança do trabalho, também denominada segurança ocupacional, é um conjunto de ciências e tecnologias que tem o objetivo de promover a segurança do trabalhador no seu local de trabalho. Assinale a alternativa incorreta: 119 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 HIGIENE OCUPACIONAL A) Os principais agentes físicos encontrados no ambiente hospitalar são: calor, ruído, radiações ionizantes, radiações não ionizantes e pressões anormais. B) Os principais agentes químicos encontrados no ambiente hospitalar são: agentes de limpeza, desinfecção e esterilização, drogas quimioterápicas, gases medicinais e produtos para manutenção de equipamentos. C) O risco biológico é menos comum e menos grave no ambiente hospitalar e está relacionado diretamente ao setor, cada setor terá seus riscos biológicos. D) Além dos riscos físicos, químicos e biológicos, também existem no ambiente hospitalar os riscos mecânicos e ergonômicos E) A incidência de acidentes perfurocortantes com material biológico na área da enfermagem é alta, a prevenção e treinamento constante e o uso de dispositivos de proteção é importante para a redução dessa incidência. Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: os principais agentes físicos encontrados no ambiente hospitalar são o calor, ruído, radiações ionizantes, radiações não ionizantes e pressões anormais. Embora os níveis de iluminação sejam relacionados diretamente a problemas de saúde, sua análise é feita por estar relacionada a todas as atividades de trabalho. O calor é uma forma de energia que pode ser transmitida de um corpo para outro, por radiação, condução ou convecção. B) Alternativa incorreta. Justificativa: os produtos químicos são largamente utilizados em hospitais com diversas finalidades, como agentes de limpeza, desinfecção e esterilização (quaternários de amônio, glutaraldeído, óxido de etileno etc.). São empregados também como soluções medicamentosas (drogas quimioterápicas, psicotrópicos, gases medicinais etc.). Podem ser utilizados como produtos de manutenção de equipamentos e instalações (óleo diesel, graxas, óleos lubrificantes, colas, solventes, mercúrio etc.). C) Alternativa correta. Justificativa: o risco biológico é muito comum e mais grave no ambiente hospitalar e está relacionado diretamente ao setor, cada setor terá seus riscos biológicos dependendo da sanitização que se faça no local para evitar crescimento de biofilmes. 120 GS T - Re vi sã o: R os e/ Ju lia na - D ia gr am aç ão : F ab io - 2 4/ 02 /2 01 5 // 2 ª R ev isã o: Ju lia na - C or re çã o: M ár ci o - 11 /0 3/ 20 15 Unidade III D) Alternativa incorreta. Justificativa: os riscos ambientais incluem os agentes físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e acidentais existentes nos ambientes de trabalho e que podem causar danos à saúde do trabalhador. E) Alternativa incorreta. Justificativa: a incidência de acidentes perfurocortantes com material biológico na área da enfermagem é alta, com isso a educação continuada previne as incidências. Questão 2. (INSTITUTO AOCP 2015). O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) é aplicável a: A) Todas as empresas com mais de 10 funcionários, sendo o empregador o responsável pela sua implantação. B) Todas as empresas com mais de 50 funcionários, sendo o empregador o responsável pela sua implantação. C) Todas as empresas com mais de 100 funcionários, sendo o empregador o responsável pela sua implantação. D) Todas as empresas com mais de 500 funcionários, sendo o empregador o responsável pela sua implantação. E) Todas as empresas, independentemente do seu número de funcionários, sendo o empregador o responsável pela sua implantação. Resolução desta questão na plataforma.