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Infecções Congênitas e Perinatais

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mas a maioria já ocorrem nas primeiras 05 semanas. As lesões são causadas pela inflamação da infecção ativa.
- Lesões cutâneomucosas:
	- Lesões cutâneas: ocorrem em até 70%. São lesões maculopapulares, vermelho-acobreadas e que ficam amarronzadas. São mais comuns em mãos e pés. Costumam ser bolhosas ao nascimento (pênfigo sifilítico).
	- Placas mucosas e condiloma plano: evidenciadas ao redor da cavidade oral e na região genital. 
	- Alterações ectodérmicas: esfoliação das unhas, perda de cabelo e sobrancelhas.
	- Rinite: geralmente é a primeira manifestação. Secreção é mucosa e pode se tornar sanguinolenta. Podem haver também laringite e choro rouco.
	- As secreções dérmicas são ricas em treponemas e altamente infectantes.
- Lesões ósseas:
	- Acometem até 80% das crianças não tratadas. Podem ser múltiplas e simétricas, e resolvem-se espontaneamente após 06 meses. Essas são exclusivas da sífilis congênita, não aparecendo na adquirida.
	- Consistem na periostite (desmineralização da cortical) da diáfise de ossos longos, e na osteocondrite. 
	- Sinal de Wimberger ao Rx, consiste numa rarefação na margem superior da tíbia e indica inflamação da metáfise.
	- Pseudoparalisia de Parrot: recusa do RN a movimentar uma extremidade, pode evidenciar alterações ósseas e fraturas.
- Sistema hematopoiético: presença de anemia, trombocitopenia, leucopenia/leucocitose é comum. A anemia hemolítica com Coombs negativo é típico, sendo indicador de gravidade. A icterícia pode ser às custas de BI (hemólise) ou BD (acometimento hepático).
- Lesões no SNC: neurossífilis pode se desenvolver mesmo na ausência de outras manifestações. Pode ser aguda ou um quadro mais protraído (hidrocefalia, alterações nos NC e lesões vasculares).
- Lesões oculares: coriorretinite é comum na fase aguda, com fundoscopia indicando “sal e pimenta”. 
- Outras alterações:
	- Hepatomegalia: indica IC, infecção hepática e hematopoiese extramedular. Manifesta-se por icterícia, e pode acompanhar esplenomegalia e distúrbios hemorrágicos.
	- Esplenomegalia: geralmente acompanha a hepatomegalia.
	- Lesão renal manifesta como sd. nefrótica ou nefrítica associada a depósito de imunocomplexos no glomérulo. 
	- Linfadenopatia: generalizada.
	- Miocardite, sd. de má-absorção, desnutrição, falta de ganho ponderal.
SÍFILIS CONGÊNITA TARDIA
- Relacionadas à cicatrização das lesões da precoce e às reações a uma inflamação ainda em curso.
- Sequelas da periostite aguda: bossa frontal (fronte olímpica), espessamento da junção esternoclavicular (sinal de Higoumenáki), arqueamento da porção média da tíbia (tíbia em sabre).
- Dentes: dentes de Hutchinson e molares em formato de amora.
- Face: maxilar curto, nariz em sela, rágades.
- Articulação de Clutton: derrame articular estéril nos joelhos.
- Ceratite intersticial, coroidite, renitnite, atrofia óptica.
- Lesão de NC VIII (surdez, vertigem). Tríade de Hutchinson: ceratite, alterações dentárias, surdez.
- Hidrocefalia e deficiência intelectual.
ALTERAÇÕES LABORATORIAIS
- Pesquisa direta do treponema: raramente feita.
	- Microscopia de campo escuro: obtido através de lesões cutâneas ou mucosa nasal.
	- Imuno-histoquímica: ver treponema a partir de Bx.
- Avaliação sorológica: visa demonstrar a presença de anticorpos contra o treponema. 
	- Testes treponêmicos: detectam Acs específicos. São de uso limitado no RN visto que os IgG da mãe atravessam a placenta e são detectados na criança. Se positivo após 18 meses, sugere infecção. Incluem: TPHA, FTA-Abs, ELISA e testes rápidos.
	- Testes não-treponêmicos: detectam Acs não específicos (anticardiolpina) liberados por células danificadas durante infecção. São usados para acompanhar evolução, além do diagnóstico. Só deve ser valorizado em crianças < 18 meses se o título encontrado for maior do que o materno em duas diluições. Incluem o VDRL, RPR e TRUST. 
	- Outros exames: Rx de ossos longos, Rx de tórax, punção lombar (proteinorraquia, densidade celular, VDRL reagente), hemograma, perfil hepático, eletrólitos, avaliação audiológica e oftalmológica.
TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO
TRATAMENTO
- Deve-se inicialmente avaliar o tratamento da gestante. É considerado adequado pelo MS quando:
	- Houve administração de penicilina benzatina.
	- Início do tratamento até 30 dias antes do parto.
	- Esquema terapêutico feito de forma adequada.
	- Avaliação do risco de reinfecção.
	- Documentação da queda dos títulos não-treponêmicos.
- Lembrar que para determinar neurossífilis, basta apenas uma das alterações: aumento da celularidade, proteinorraquia ou VDRL reagente.
- Se alteração do líquor, o uso de penicilina cristalina é justificado já que a penicilina benzatina ou procaína não afeta SNC. 
- Se neurossífilis afastada, é possível fazer uso tanto da cristalina como da procaína, e dá-se preferência à procaína, pois favorece o tratamento fora de ambiente hospitalar.
- Ceftriaxona pode ser usado se não houver nenhuma penicilina.
- Esquemas:
	- Benzilpenicilina cristalina (potássica) 50.000UI/kg, IV, de 12/12h na 1ª semana de vida, de 8/8h após a 1ª semana, por 10 dias.
	- Benzilpenicilina procaína 50.000UI/kg, IM, 1x ao dia, por 10 dias.
	- Benzilpenicilina benzatina 50.000UI/kg, IM, dose única.
ACOMPANHAMENTO
- Todos os RNs tratados devem ser acompanhados para garantir efetividade do tratamento:
	- Avaliações mensais até o 6º mês e bimestrais até o 18º mês.
	- Teste não treponêmico com 1, 3, 6, 12 e 18 meses. Interromper se 02 consecutivos negativos.
	- Monitorizar diminuição da titulação não-treponêmica aos 03 meses e negativação aos 06 meses.
	- Em caso de aumento do título ou não negativação até 18 meses, considerar retratamento ou nova investigação. 
	- Acompanhamento oftalmológico e audiológico semestrel por 02 anos.
	- Se LCR alterado, reavaliar a cada 06 meses até normalização. Caso alterações persistam, indicar reavaliação clínica e retratamento.
	- Se a criança for tratada inadequadamente, reavaliar e reiniciar o tratamento.
RUBÉOLA CONGÊNITA
ASPECTOS GERAIS
- Causa mais malformações quando adquirida no 1º trimestre.
- Síndrome da rubéola congênita: defeitos presentes no RN de mães que tiveram infecção pela rubéola na gestação (deficiência auditiva, catarata, defeitos cardíacos, etc).
- Considerada erradicada hoje no Brasil.
FISIOPATOLOGIA
- A infecção fetal pode resultar em várias malformações dependendo da fase da gestação, sendo raras após o 4º mês. Lembrar que as manifestações podem ser de longo prazo, muito tempo depois do parto.
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
- Mais de 50% são assintomáticos no neonatal. Podem ser manifestações transitórias, permanentes ou de início tardio. As principais manifestações são:
	- Deficiência auditiva: mais comum (80%). Provocada por degeneração da cóclea do órgão neurossensorial. Geralmente bilateral.
	- Restrição ao crescimento intrauterino.
	- Malformações cardíacas: principalmente persistência de canal arterial e estenose de AP.
	- Malformações oculares: geralmente de acuidade e mácula. Catarata bilateral, glaucoma, retinopatia (sal e pimenta) e microftalmia podem estar presentes.
	- Alterações neurológicas: microcefalia, meningoencefalite, tetraplegia espástica, retardo psicomotor.
	- Outras: hepatomegalia, icterícia, esplenomegalia, púrpura trombocitopênica, pneumonite intersticial, lesões ósseas, muffin de blueberry (lesões vermelho-azuladas por eritropoiese dérmica). 
- Também há maior risco de endocrinopatias, principalmente DM1. 
ALTERAÇÕES LABORATORIAIS
- Deve ser feita sempre que houver relato de infecção na gestação ou quando houver sintomas compatíveis.
- Avaliação sorológica: feita logo após nascimento. IgM positivo confirma o caso. Se IgM negativo e IgG positivo, acompanhar os títulos. Nível mais elevado que o materno confirma infecção.
- Identificação viral: visualizar o RNA viral pelo PCR, geralmente com líquidos da orofaringe, urina ou LCR. 
- Outros exames: hemograma, função hepática, Rx de ossos longos, fundoscopia, audiometria, neuroimagem (USG e

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