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CONCEITO	DE	POLÍTICA	
	
Na	conversa	diárja,	a	palavra	politica	tem	diferen.	
possentidos.	A	alauem	muito	intransigente,	pede-se	
que	seja	"mais	poltico"	para	aprender	a	negocia	
qultudes.	A	referência	à	"politica"	da	empresa.	lat	
escola	ou	da	Igreja	tem	em	vista	a	estrutura	de	podia	
interno	dessas	instituições.	Há	também	o	sentido	pe-	
jorativo	de	politica	como	*politicagem",	o	exercicio	
'equivocado	do	poder	piblico	em	que	predominan	
interesses	particulares	sobre	os	coletivos.	
	
A	politica	é	a	
ate	de	governar	de	gerir	o	destino	da	cidade.	Ao	
acompanharmos	o	movimento	da	história,	consta.	
tamos	que	essa	definição	adquire	nuanças	as	mais	
diferentes,	conforme	cada	contexto	temporal/espa-	
cial,	obedecendo	às	especificidades	de	cada	época	
e	sociedade,	bem	como	variam	as	expectativas	a	
respeito	da	atitude	do	agente	político.	
	
PODER	E	FORÇA		
	
A	política	trata	das	relações	de	poder.	Poder	é	a	
capacidade	ou	a	possibilidade	de	agir,	de	produzir	
efeitos	desejados	sobre	indivíduos	ou	grupos	huma-	
nos.	O	poder	supõe	dois	polos:	o	de	quem	o	exerce	e	
o	daquele	sobre	o	qual	é	exercido.	Portanto,	o	poder	
é	uma	relação	ou	um	conjunto	de	relações	pelas	
quais	indivíduos	ou	grupos	interferem	na	atividade	
de	outros	indivíduos	ou	grupos.	Para	que	alguém	
exerça	poder,	é	preciso	ter	força,	entendida	como	
instrumento	para	seu	exercício.	Quando	falamos	em	
força,	é	comum	pensarmos	imediatamente	em	força	
fisica,	coerção	ou	violência,	mas,	na	verdade,	esses	
são	apenas	alguns	dos	tipos	de	força.	Sobre	o	tema	co-	
menta	o	filósofo	francês	Gérard	Lebrun	(1930-1999).	
INSTITUCIONALIZAÇÃO	DO	PODER	DO	ESTADO		
	
A	nova	designação	indicava	uma	mudança	funda-	
mental	do	conceito	de	política.	Na	maioria	das	nações	
medievais	o	poder	do	rei	era	até	certo	ponto	nominal	e	
simbólico,	restrito	às	terras	de	sua	propriedade.	Por	sua	
vez,	os	senhores	feudais	dispunham	de	exército	próprio,	
cunhavam	moedas,	estabeleciam	tributos,	decidiam	a	
guerra	e	a	paz,	administravam	a	justiça.	
Esse	tipo	de	fragmentação	do	poder	feudal	
(policentrismo)	colocava	entraves	à	prosperidade	
comercial	da	burguesia	nascente,	o	que	explica	
seus	esforços	para	fortalecer	o	poder	central,	con-	
centrado	na	figura	do	rei.	Desse	modo,	a	formação	
de	monarquias	nacionais	representou	o	surgimento	
do	Estado,	entendido	como	a	posse	de	um	territó-	
rio	sobre	o	qual	se	está	apto	a	criar	e	a	aplicar	leis,	
recolher	impostos	e	montar	um	exército	nacional.	
Na	transição	para	o	novo	Estado	moderno	ocor-	
reram	lutas	religiosas	durante	os	séculos	XVI	e	XVII,	
que,	uma	vez	superadas,	abriram	caminho	para	
fundamentar	a	laicidade	do	Estado.	De	acordo	com	
essa	concepção,	o	poder	político	baseia-se	exclu-	
sivamente	nos	interesses	da	ordem	e	do	bem-estar	
da	população,	e	não	na	fé.	
De	acordo	com	a	interpretação	do	filósofo	e	soció-	
logo	alemão	Max	Weber	(1864-1920),	o	Estado	mo-	
derno	é	reconhecido	por	dois	elementos	constitutivos:	
a	presença	do	aparato	administrativo	para	prestação	
de	serviços	públicos	e	o	monopólio	legítimo	da	força.	
Desse	modo,	retirava-se	de	indíviduos	ou	grupos	o	
papel	de	"fazer	justiça	com	as	próprias	mãos",	o	que	
representou	um	ganho	no	processo	civilizatório.	
	
ESTADO	E	LEGITIMIDADE	DO	PODER		
	
Embora	a	força	física	seja	condição	necessária	
e	exclusiva	do	Estado	para	o	funcionamento	da	or.	
dem	na	sociedade,	não	é	condição	suficiente	para	a	
manutenção	do	poder.	Ele	precisa	ter	legitimidade,	
ou	seja,	certo	grau	de	consenso	que	assegure	a	obe-	
diência	dos	governados	e	dispense	o	recurso	à	força.	
A	legitimação	do	poder	pressupõe,	portanto,	um	
fundamento	ético,	pelo	qual	seja	justificado	como	
justo,	o	que	leva	também	à	justificação	jurídica,	pela	
formulação	da	lei.	
Ao	longo	da	história	humana	foram	adotados	os	
mais	diversos	princípios	de	legitimidade	do	poder:	
•	nos	Estados	teocráticos,	o	poder	legítimo	deriva	
da	vontade	de	Deus;	
nas	monarquias	hereditárias,	é	transmitido	de	ge-	
ração	a	geração	e	mantido	pela	força	da	tradição;	
nos	governos	aristocráticos,	apenas	os	melhores	
exercem	funções	de	mando;	o	que	se	entende	por	
"melhores"	varia	conforme	o	tipo	de	aristocracia:	
dos	mais	ricos,	dos	mais	fortes,	de	linhagem	nobre	
ou	da	elite	do	saber,	como	Platão	desejava;	
na	democracia,	nasce	da	vontade	do	povo.	
A	discussão	a	respeito	da	legitimidade	do	poder	
é	importante	na	medida	em	que	a	obediência	é	
prestada	apenas	ao	poder	consentido,	situação	na	
qual	é	voluntária	e,	portanto,	livre.	Caso	contrário,	
abre-se	a	brecha	do	direito	do	cidadão	à	resistência.	
	
REGIMES	DEMOCRÁTICOS		
	
Na	formação	do	Estado	moderno,	percebe-se	a	
necessidade	de	as	nações	ocidentais	estabelecerem	
relações	livres,	reguladas	pela	lei	e,	portanto,	sem	
o	arbitrio	de	senhores	e	reis.	Evidentemente,	nesse	
processo	transparece	o	interesse	das	novas	forças	
econômicas	que	gestavam	o	capitalismo	e	adquiri-	
ram	o	consenso	com	base	nas	teorias	liberais.	
	
corpo,	ampliando	o	debate	ao	longo	dos	séculos	
seguintes,	ora	com	ênfase	na	liberdade,	ora	na	
aspiração	por	igualdade.	Definiam-se,	desse	modo,	
as	aspirações	políticas	por	regimes	cada	vez	mais	
democráticos.	
	
Ao	longo	da	história,	essa	primeira	expressão	
de	democracia	encontrou	teóricos	e	ativistas	que	
desejaram	revivê-la.	Constituiu-se	de	maneira	lenta	
e	irregular,	ora	acentuando	um	valor,	ora	despre-	
zando	outro,	diante	das	exigências	de	liberdade	
igualdade.	
	
O	LUGAR	DO	PODER	NA	DEMOCRACIA		
	
a)	Conflito	
Para	muitos,	o	conflito	carrega	um	sentido	pejora-	
tivo,	entendido	como	algo	para	se	evitar	a	qualquer	
custo.	Contudo,	divergir	é	inerente	à	sociedade	
pluralista:	a	democracia	respeita	o	pensamento	
divergente,	os	discursos	plurais,	bem	como	admite	
a	heterogeneidade	de	interesses.	Faz	parte	da	demo-	
cracia	ser	ela	mesma	constantemente	questionada.	
Por	não	se	camuflar,	o	conflito	de	poderes	em	so-	
cidades	democráticas	é	trabalhado	pela	discussão,	
pelo	confronto	de	ideias:	por	isso	a	democracia	é	
histórica	e	está	sempre	se	recriando.	
b)	Abertura	
Na	democracia,	a	informação	circula	livremente	
e	a	cultura	não	é	privilégio	de	alguns.	A	circulação	
não	se	reduz	ao	mero	consumo	de	informação	e	
cultura,	mas	pressupõe	igualmente	a	produção	de	
informação	e	cultura,	que	a	enriquece,	daí	a	neces-	
sidade	de	não	fazer	delas	privilégio	de	poucos.	Do	
mesmo	modo,	produtos	culturais	mais	elaborados	e	
supostamente	inacessíveis	às	camadas	mais	pobres	
não	devem	ser	reservados	a	poucos	nem	vulgarizados	
de	maneira	deformadora.	
c)	Rotatividade	
Numa	sociedade	democrática,	as	funções	de	
decisão	e	direção	não	pertencem	a	um	grupo	ou	
uma	classe,	mas	encontram-se	disponíveis	para	que	
outros	setores	da	sociedade	sejam	legitimamente	
representados.	Durante	o	período	de	eleições	apa-	
rece	mais	claramente	a	noção	de	soberania	popular:	
o	lugar	do	poder	apresenta-se	desocupado,	por	não	
ser	propriedade	de	seus	ocupantes	anteriores.	
O	filósofo	francês	Claude	Lefort	(1924-2010)	
defendeu	que	o	lugar	do	poder	é	o	lugar	vazio,	com	
o	qual	ninguém	pode	identificar-se,	por	ser	exercido	
transitoriamente.	Ao	contrário,	nos	governos	não	de-	
mocráticos,	a	pessoa	investida	de	poder	pretende	dele	
se	apossar	por	toda	vida,	como	se	fosse	seu	proprietário.	
	
VIVEMOS	UMA	DEMOCRACIA?	
	
Democracia	formal	consiste	no	conjunto	das	insti-	
tuições	características	desse	regime:	voto	secreto	
e	universal,	autonomia	dos	três	Poderes	-	Execu-	
tivo,	Legislativo	e	judiciário	-,	pluripartidarismo,	
representatividade,	ordem	jurídica	constituída,	
liberdade	de	pensamento	e	de	expressão,	pluralis-	
mo	e	assim	por	diante.	Trata-se,	propriamente,	das	
"regras	do	jogo"	democrático,	que	estabelecem	
os	meios	pelos	quais	a	democracia	é	exercida.	
Democracia	substancial	diz	respeito	não	aos	
meios,	mas	aos	fins,	aos	resultados	do	processo.	
Entre	esses	valores,	destaca-se	a	efetiva	-	e	não	
apenas	ideal	-	igualdade	política,	social,	econômi-	
ca	e	jurídica.	Portanto,	a	democracia	substancial	
avalia	os	conteúdos	alcançados:	se	de	fato	todos	
são	quais	perante	as	leis	e	têm	moradia,	educa-ção,	emprego,	acesso	ao	poder	e	à	cultura	etc.	
Ao	observar	diversos	países,	constata-se	que	al-	
guns	apresentam	conquistas	de	democracia	formal,	
embora	não	tenham	estendido	a	todos	as	promessas	
da	democracia	substancial:	é	o	caso	de	países	libe-	
rais,	incluindo	o	Brasil.	
ÁREAS	DE	EXERCÍCIO	DEMOCRÁTICOS		
Democracia	política		
	
.	Direitos	civis:	vida,	segurança,	propriedade,	
igualdade	perante	a	lei,	liberdade	de	pensamen-	
to,	expressão,	religião,	opinião	e	movimento,	
entre	outros.	
.	Direitos	sociais:	saúde,	educação,	trabalho,	lazer,	
acesso	à	cultura,	proteção	em	caso	de	desempre-	
go	ou	doença	etc.	
•	Obrigações:	pagamento	de	impostos,	responsa-	
bilidade	coletiva,	solidariedade	e	participação	
efetiva,	no	sentido	de	desempenho	da	cidadania	
ativa	muito	além	do	importante	ato	de	votar.	
	
Democracia	social		
	
Numa	democracia	social,	ninguém	pode	ser	dis-	
criminado	devido	à	renda,	ao	gênero,	à	etnia,	à	sexua-	
lidade,	à	crença	ou	por	ser	pessoa	com	deficiência.	
Do	ponto	de	vista	formal,	a	Constituição	brasi-	
leira	de	1988	garante	direitos	essenciais	a	todos	
(moradia,	alimentação,	saúde	e	educação),	mas	
estamos	muito	longe	de	gozá-los	na	prática	em	
toda	sua	extensão.	As	carências	da	população	mais	
pobre	são	enfrentadas	com	dificuldade	pelos	países	
emergentes,	o	que	revela	o	desinteresse	de	o	capi-	
talismo	mundial	resolver,	por	exemplo,	o	problema	
fundamental	da	fome.	
	
Ainda	há	muito	o	que	fazer	para	que	sejam	atingi-	
dos	índices	satisfatórios	-	de	acordo	com	os	direitos	
constitucionais	-	em	aspectos	fundamentais	para	
uma	vida	digna,	como	saneamento	básico,	atendi-	
mento	médico	eficiente	e	educação	de	qualidade.	
Quanto	aos	bens	materiais	e	culturais,	são	igual-	
mente	mal	distribuídos	em	países	emergentes,	ape-	
sar	de	melhorias	alcançadas	nas	últimas	décadas.	
No	caso	do	Brasil,	a	redução	da	pobreza	atribuída	a	
políticas	públicas	fez	crescer	a	classe	C,	mas	sem	que	
ocorresse	distribuição	similar	de	oferta	de	cultura,	
entendida	como	toda	produção	ligada	às	diferentes	
práticas	artísticas,	sejam	populares,	sejam	eruditas.	
	
Democracia	econômica		
	
A	democracia	econômica	consiste	na	justa	dis-	
tribuição	de	renda,	oferta	de	iguais	oportunidades	
de	trabalho,	contratos	livres,	sindicatos	fortes.	Esses	
aspectos	formais	podem	levar	ou	não	à	efetivação	
da	democracia	substancial.	
Sabemos	que	a	relação	entre	empregados	e	
empregadores	sofreu	variações	ao	longo	do	sistema	
capitalista.	Com	a	globalização,	a	economia	mun-	
dializada	fortaleceu	as	grandes	empresas,	usando	
de	tecnologia	cada	vez	mais	refinada,	que	alcançou	
também	o	campo,	estimulando	o	agronegócio,	ape-	
sar	de	prejudicar	pequenos	produtores.	
Ao	detalhar	esse	quadro,	percebe-se	que	a	expan-	
são	da	economia	nem	sempre	resultou	no	bem-estar	e	
na	liberdade	das	pessoas.	Com	o	foco	na	produção	de	
mercadoria,	necessita-se	de	mão	de	obra	qualificada,	
o	que	se	costuma	chamar	"investimento	no	capital	
humano".	Essa	curiosa	-	e	indevida	-	denominação	
é	criticada	pelo	economista	indiano	Amartya	Sen	
(1933)	ao	constatar	que,	onde	o	lucro	é	o	principal	
interesse,	prevalecem	a	competição	e	a	busca	da	efi-	
cácia,	sobrepondo-se	ao	ideal	de	formação	humana.	
Ampliando	o	desconforto	diante	da	constatação	
da	desigualdade,	de	acordo	com	um	estudo	divul-	
gado	em	2015	pelo	Comitê	de	Oxford	de	Combate	à	
Fome	(Oxfam),	a	partir	de	2016	a	fortuna	acumulada	
pela	parcela	da	população	mundial	composta	do	1%	
mais	rico	ultrapassará	os	recursos	dos	outros	99%.	
	
DEMOCRACIA	JURÍDICA		
	
Democracia	jurídica	
A	democracia	jurídica	é	uma	das	metas	de	países	que	
defendem	a	igualdade	perante	a	lei.	Trata-se	de	proces-	
so	relativamente	recente	na	história,	motivado	pela	luta	
da	burguesia	do	século	XVII	para	derrubar	privilégios	
da	nobreza.	Participar	da	elaboração	de	leis	e	defender	
interesses	que	até	então	eram	desconsiderados	foi	
decisivo	para	culminar	na	Revolução	Francesa	(1789).	
	
A	democracia	jurídica	substancial	depende	do	
funcionamento	efetivo	das	instituições.	São	aspectos	
importantes:	elaboração	de	leis	que	representem	
interesses	da	população;	respeito	à	Constituição;	
autonomia	e	agilidade	do	Poder	Judiciário;	eficiência	
da	polícia,	com	estrutura	e	formação	adequadas	para	
coibir	o	crime	sem	desrespeitar	a	dignidade	humana.	
	
A	longa	tradição	dos	porões	da	ditadura	preser-	
va	ainda	hoje	focos	de	tortura	e	maus-tratos	nos	
presídios,	conforme	denúncias	de	grupos	de	defesa	
dos	direitos	humanos,	incluindo-se	aí	a	Anistia	In-	
ternacional.	Além	disso,	no	Brasil,	a	morosidade	e	
o	elevado	custo	de	manutenção	do	Poder	Judiciário	
prejudicam	a	plena	efetivação	da	justiça.	
	
DESVIOS	DO	PODER	TOTALITARISMO		
	
Nazismo,	fascismo	e	stalinismo		
	
	
•	Interferência	do	Estado	em	todos	os	setores:	na	
vida	familiar,	econômica,	intelectual,	religiosa	e	
no	lazer.	Para	difundir	a	ideologia	oficial,	nada	
restava	de	privado	e	autônomo.	
•	Partido	único:	rigidamente	organizado	e	buro-	
cratizado,	promovia	a	identificação	entre	poder	
e	povo,	recusando	o	pluralismo	partidário,	carac-	
terística	básica	da	democracia	liberal.	
	
Organismos	de	massa	sob	tutela	do	Estado:	sindi-	
catos,	agrupamentos	de	auxilio	mútuo,	associa-	
ções	culturais	de	trabalhadores,	organizações	de	
jovens,	crianças	e	mulheres,	circulos	de	escritores,	
artistas	e	cientistas.	
Mistificação	da	figura	do	chefe.	
Subordinação	dos	Poderes	Legislativo	e	Judiciário	
ao	Poder	Executivo.	
Concentração	pelo	Estado	de	todos	os	meios	de	
propaganda:	veiculação	da	ideologia	oficial	às	
massas	para	forjar	convicções	inabaláveis,	mani-	
pulando	a	opinião	pública	a	fim	de	garantir	a	base	
de	apoio	popular.	
Polícia	política	para	controlar	o	enorme	aparelho	
repressivo:	Gestapo,	na	Alemanha;	Organização	
para	a	Vigilância	e	a	Repressão	ao	Antifascismo	
(Ovra),	na	Itália;	e	Tcheka,	na	União	Soviética.	
•	Campos	de	concentração	e	de	extermínio	como	
Auschwitz,	na	Polônia,	e	os	de	trabalho	forçado,	
como	os	gulags	soviéticos.	
•	Censura	de	notícias,	de	meios	de	comunicação	e	
da	produção	artística	e	cultural.	
•	Valorização	de	disciplinas	de	moral	e	cívica,	visan-	
do	à	educação	de	crianças	e	jovens:	estímulos	à	
força	de	vontade,	à	disciplina,	ao	amor	à	pátria.	
.	O	nazismo	alemão	teve	forte	conotação	racista,	
fundamentada	em	teorias	supostamente	cien-	
tíficas	para	valorizar	a	"raça"	ariana:	pessoas	
brancas,	altas,	fortes	e	inteligentes	constituiriam	
um	grupo	"mais	puro"	e	superior.	Desse	modo,	
justificaram-se	a	perseguição	e	o	genocídio	de	
judeus	e	ciganos,	considerados	"raças"	infe-	
riores,	e	de	homossexuais,	adjetivados	como	
"degenerados".	
	
REGIMES	AUTORITÁRIOS		
	
Nos	regimes	autoritários,	porém,	não	há	uma	
ideologia	de	base	que	sirva	"para	a	construção	da	
nova	sociedade"	nem	mobilização	popular	que	lhes	
dê	suporte.	Ao	contrário,	em	vez	de	doutrinação	
política	e	incentivo	ao	engajamento	ativista	(ainda	
que	dirigido),	prevalece	a	despolitização,	que	leva	
à	apatia	política.	Mesmo	assim,	o	clima	de	repres-	
são	violenta	gera	medo	e	desestimula	a	atuação	
política	independente.	Sempre	que	possível,	os	
governos	autoritários	procuram	manter	a	aparência	
de	democracia:	permitem	a	existência	de	partidos	
de	oposição,	embora	atuem	apenas	formalmente,	
enquanto	o	partido	do	governo	figura	como	mero	
apêndice	do	Poder	Executivo.	
	
REGIAO	E	DEMOCRACIA		
	
A	religião	é	uma	dimensão	humana	de	busca	por	
transcendência,	relacionada	a	crenças	em	seres	
sobrenaturais	que	orientam	a	ação	humana	e	ga-	
rantem	a	esperança	de	que	a	vida	não	termine	com	
a	morte,	embora	nem	todas	as	religiões	se	enqua-	
drem	nessa	estreita	definição.	Diante	de	um	leque	
muito	amplo	de	expressões	religiosas,	a	filosofia	
da	religião	trata	do	conceito	de	crença	de	maneira	
tão	isenta	quanto	possível,	porque	a	filosofia	não	
tem	por	objetivo	aderir	a	religiões	nem	justificá-las,	
mas	discutir	esse	conceito,	a	importância	delas	na	
vida	dos	indivíduos	e	suas	implicações.	Enquanto	
as	verdades	religiosas	se	fundamentam	na	fé,	a	ver-	
dade	da	filosofia	depende	de	argumentos	racionaisque	a	justifiquem.	
	
OQUE	E	LAICIDADE?	
	
No	século	XVIII,	período	da	Ilustração,	o	conceito	
de	laicidade	dos	governos	adquiriu	importância	nos	
debates	de	filósofos	e	políticos.	No	entanto,	isso	não	
significa	que	deixaram	de	existir	tentativas	-	muitas	
vezes	efetivadas	-	de	interferência	religiosa	nas	
decisões	políticas.	
Os	confrontos	de	cunho	religioso	realçam	a	im-	
portância	da	laicidade	para	a	democracia	e	adver-	
tem	sobre	os	riscos	da	união	orgânica	entre	Igreja	e	
Estado,	pois	o	prevalecimento	de	uma	só	orientação	
religiosa	em	um	poder	destinado	a	cuidar	de	bens	
coletivos	provoca	distorções	na	sociedade	pluralista.	
	
GOVERNOS	TEOCRÁTICOS		
	
guia	de	tranateutminarade	mentalidade	na	icima	
„soderna	que	culminaram	com	o	luminismo	de	
juio	AVI	e	refuntaram.	na	implementação	de	go.	
amos	liberais-democratiços	e	laicos.	Vale	realçar	
pior	se	de	uma	conevista	do	Ocidente,	estendida	as	
úmericas	e	a	outras	regiões	do	mundo	que	sofreram	
essa	influência.	
esa	mudança	de	mentalidade	coexiste	hoje	com	
algumas	culturas	que	mantêm	governos	teocrat)	
nos	de	orientação	predominantemente	islamicano	
piente	Médio,	onde	surgiram	desde	o	século	VI,	
com	Maomê,	antes	de	se	expandirem	para	regiões	
do	continente	africano.	Por	consequência,	são	go-	
hermadas	pelos	mais	altos	dignitários	da	hierarquia	
religiosa,	que	impõem	o	Alcorão	(ou	Corão)	como	sua	
constituição	legal	e	guia	moral	dos	costumes,	assim	
como	fazia	o	Ocidente	cristão	medieval	com	relacao	
¿s	normas	herdadas	da	Biblia.	Em	resumo,	nesses	
casos	não	existe	separação	entre	Estado	e	religião.	
portanto,	não	há	no	realce	dessas	diferenças	
religiosas	uma	crítica	à	diversidade	cultural,	mas	
apenas	a	observação	de	que	a	democracia	ocidental	
resultou	de	uma	revolução	política	que	introduziu	o	
ideal	da	laicidade,	sem	que	isso	signifique	desprezo	
pela	adesão	a	religiões.	Estas	se	preservam	no	Oci-	
dente	como	elemento	constituinte	da	vida	pessoal,	
porém,	não	mais	no	exercício	da	política,	que	visa	a	
interesses	coletivos.	Em	outras	palavras,	concepções	
vinculadas	a	preceitos	religiosos	podem	ser	ouvidas	
entre	outras	laicas	que	delas	divergem,	para	que,	ao	
final,	as	leis	espelhem	a	diversidade	inerente	a	uma	
sociedade	plural.	
	
OQUE	E	FUNDAMENTALISMO		
	
O	fundamentalismo	esteve	presente	na	história	
medieval	entre	cruzados	cristãos	que	combatiam	
"infiéis"	árabes;	eram	fundamentalistas	também	in-	
quisidores	do	clero	católico	que	queimavam	livros	e	
condenavam	à	morte	seus	autores;	do	mesmo	modo,	
são	fundamentalistas	os	atentados	suicidas	e	os	
incendiários	de	mesquitas	hindus,	ambos	exemplos	
de	uma	fé	repleta	de	fanatismo.	
	
Se	o	comportamento	fundamentalista	é	antigo,	o	
termo	recente	teve	origem	nos	Estados	Unidos,	entre	
1910	e	1915,	com	a	publicação	de	vasta	coleção	de	
estudos	religiosos	intitulada	The	fundamentals,	que	
reuniu	textos	sagrados	de	teólogos	cristãos	conserva-	
dores.	Tratava-se	de	religiosos	que	defendiam	a	auto-	
ridade	suprema	da	Biblia	para	questões	de	fé	e	moral,	
mas	de	maneira	literal,	ao	"pé	da	letra",	sem	considerar	
o	sentido	dos	preceitos	na	época	em	que	foram	criados	
e	a	alteração	de	seu	significado	ao	longo	do	tempo.	
	
FUNDAMENTALISMO	ISLÂMICO		
	
Em	resumo,	o	que	se	observa	no	comportament	
de	fundamentalistas,	seja	no	Ocidente,	seja	no	Dies.	
te,	no	passado	ou	no	presente,	e	que	seus	adeptos	
são	invariavelmente	reativos	e	conservadores.	h	
entanto,	a	reação	de	certos	grupos	islâmicos	tene	
mostrado	mais	violenta	quando	seus	adeptos	eco.	
rem	ao	terrorismo.	É	o	que	veremos	na	sequênca	
	
TERRORISMO	JIHADISTA	
	
se	antes	se	ouvia	falar	em	Talibà	e	Al-Qaeda	como	
principais	grupos	extremistas,	surgiram	outros	Mo	
Pitimos	anos,	como	o	Boko	Haram,	na	Nigéria.	EI	
1999,	uma	nova	organização	começou	a	expancim.	
se,	até	que	em	2014	se	autodenominou	Estado	
itamico,	reconhecido	pelas	siglas	El	ou	Isis	(Islamie	
state	of	Iraq	and	Syria).	As	ramificações	do	grupo	
estenderam-se	com	atuação	intensa	em	diversos	
paises:	Iraque,	Siria,	Libia	e	lêmen,	obrigando	a	po	
pulação	conquistada	a	se	converter	ao	islamismo.	A	
atuação	bárbara	e	midiática,	com	registros	em	video	
de	prisioneiros	imolados	de	forma	cruel,	impactou	o	
mundo	todo.	Dando	continuidade	à	teatralização	da	
violência,	o	grupo	extremista	assaltou	museus	para	
queimar	livros	e	obras	de	arte	milenares,	além	de	
continuar	treinando	jovens	e	crianças	para	formar	
querrilheiros,	ao	mesmo	tempo	que	recruta	ociden-	
tais	para	suas	fileiras.	
por	sua	vez,	a	Europa	encontrou-se	debilitada	
após	a	crise	financeira	global	de	2008	e	sob	regi-	
me	de	austeridade	econômica	imposto	pela	União	
Europeia,	o	que	provocou	aumento	de	desempre-	
go,	acompanhado	de	descrença	na	democracia.	A	
situação	tornou-se	fértil	para	que	jovens	árabes,	de	
segunda	ou	terceira	geração	de	imigrantes,	portan-	
to	já	com	nacionalidade	de	algum	país	europeu,	se	
unissem	a	extremistas.	
Nesse	contexto,	ocorreram	em	2015	diversos	
atentados	terroristas	na	Europa,	culminando	com	
o	mais	grave,	que	atingiu	três	locais	diferentes	na	
cidade	de	Paris	em	novembro	daquele	ano.	
	
DESFIO	DA	DEMOCRACIA		
	
A	análise	das	características	da	democracia	nos	
deixa	entrever	a	força	e	a	fragilidade	desse	regime	
político.	Força,	porque	é	condição	de	expressões	
humanas	em	plenitude,	devido	ao	caminho	aberto	
pela	liberdade	e	ao	esforço	para	alcançar	a	igualda-	
de.	Fragilidade,	porque,	ao	defender	a	liberdade,	a	
democracia	convive	com	ameaças	destrutivas	que	
surgem	em	seu	interior	e	que	já	conseguiram	se	ex-	
pressar	em	momentos	de	triste	lembrança,	como	nos	
governos	totalitários.	Atualmente,	vê-se	ainda	que	
a	ameaça	do	terrorismo	tem	feito	governos	ferirem	
garantias	de	liberdade	e	privacidade	em	nome	de	
maior	segurança.	Aliado	a	esse	retrocesso,	a	inten-	
sificação	de	bombardeios	em	áreas	dominadas	pelo	
Isis	talvez	seja	indício	de	que	o	ideal	democrático	
tem	ficado	mais	distante.	
Não	há	fórmula	para	explicar	a	derrocada	de	uma	
democracia,	tampouco	quais	seriam	as	condições	
para	mantê-la	atuante.	Entretanto,	vale	refletir	so-	
bre	a	importância	da	educação	universal,	voltada	
para	a	aceitação	da	diversidade	e	a	convivência	
das	culturas	nas	suas	diferenças.	Seria	essa	uma	das	
maneiras	de	garantir	a	civilização	contra	a	barbárie?	
Para	melhor	entender	essa	oposição,	sugerimos	a	
leitura	complementar	do	texto	de	Francis	Wolff,	no	
qual	o	filósofo	francês	nos	mostra	que	a	barbárie	
não	constitui	prerrogativa	de	povos	indevidamen-	
te	considerados	"inferiores"	por	serem	diferentes,	
mas	que	também	os	civilizados	são	capazes	de	atos	
bárbaros	quando	atentam	sem	compaixão	contra	a	
dignidade	humana.

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