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CONCEITO DE POLÍTICA Na conversa diárja, a palavra politica tem diferen. possentidos. A alauem muito intransigente, pede-se que seja "mais poltico" para aprender a negocia qultudes. A referência à "politica" da empresa. lat escola ou da Igreja tem em vista a estrutura de podia interno dessas instituições. Há também o sentido pe- jorativo de politica como *politicagem", o exercicio 'equivocado do poder piblico em que predominan interesses particulares sobre os coletivos. A politica é a ate de governar de gerir o destino da cidade. Ao acompanharmos o movimento da história, consta. tamos que essa definição adquire nuanças as mais diferentes, conforme cada contexto temporal/espa- cial, obedecendo às especificidades de cada época e sociedade, bem como variam as expectativas a respeito da atitude do agente político. PODER E FORÇA A política trata das relações de poder. Poder é a capacidade ou a possibilidade de agir, de produzir efeitos desejados sobre indivíduos ou grupos huma- nos. O poder supõe dois polos: o de quem o exerce e o daquele sobre o qual é exercido. Portanto, o poder é uma relação ou um conjunto de relações pelas quais indivíduos ou grupos interferem na atividade de outros indivíduos ou grupos. Para que alguém exerça poder, é preciso ter força, entendida como instrumento para seu exercício. Quando falamos em força, é comum pensarmos imediatamente em força fisica, coerção ou violência, mas, na verdade, esses são apenas alguns dos tipos de força. Sobre o tema co- menta o filósofo francês Gérard Lebrun (1930-1999). INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PODER DO ESTADO A nova designação indicava uma mudança funda- mental do conceito de política. Na maioria das nações medievais o poder do rei era até certo ponto nominal e simbólico, restrito às terras de sua propriedade. Por sua vez, os senhores feudais dispunham de exército próprio, cunhavam moedas, estabeleciam tributos, decidiam a guerra e a paz, administravam a justiça. Esse tipo de fragmentação do poder feudal (policentrismo) colocava entraves à prosperidade comercial da burguesia nascente, o que explica seus esforços para fortalecer o poder central, con- centrado na figura do rei. Desse modo, a formação de monarquias nacionais representou o surgimento do Estado, entendido como a posse de um territó- rio sobre o qual se está apto a criar e a aplicar leis, recolher impostos e montar um exército nacional. Na transição para o novo Estado moderno ocor- reram lutas religiosas durante os séculos XVI e XVII, que, uma vez superadas, abriram caminho para fundamentar a laicidade do Estado. De acordo com essa concepção, o poder político baseia-se exclu- sivamente nos interesses da ordem e do bem-estar da população, e não na fé. De acordo com a interpretação do filósofo e soció- logo alemão Max Weber (1864-1920), o Estado mo- derno é reconhecido por dois elementos constitutivos: a presença do aparato administrativo para prestação de serviços públicos e o monopólio legítimo da força. Desse modo, retirava-se de indíviduos ou grupos o papel de "fazer justiça com as próprias mãos", o que representou um ganho no processo civilizatório. ESTADO E LEGITIMIDADE DO PODER Embora a força física seja condição necessária e exclusiva do Estado para o funcionamento da or. dem na sociedade, não é condição suficiente para a manutenção do poder. Ele precisa ter legitimidade, ou seja, certo grau de consenso que assegure a obe- diência dos governados e dispense o recurso à força. A legitimação do poder pressupõe, portanto, um fundamento ético, pelo qual seja justificado como justo, o que leva também à justificação jurídica, pela formulação da lei. Ao longo da história humana foram adotados os mais diversos princípios de legitimidade do poder: • nos Estados teocráticos, o poder legítimo deriva da vontade de Deus; nas monarquias hereditárias, é transmitido de ge- ração a geração e mantido pela força da tradição; nos governos aristocráticos, apenas os melhores exercem funções de mando; o que se entende por "melhores" varia conforme o tipo de aristocracia: dos mais ricos, dos mais fortes, de linhagem nobre ou da elite do saber, como Platão desejava; na democracia, nasce da vontade do povo. A discussão a respeito da legitimidade do poder é importante na medida em que a obediência é prestada apenas ao poder consentido, situação na qual é voluntária e, portanto, livre. Caso contrário, abre-se a brecha do direito do cidadão à resistência. REGIMES DEMOCRÁTICOS Na formação do Estado moderno, percebe-se a necessidade de as nações ocidentais estabelecerem relações livres, reguladas pela lei e, portanto, sem o arbitrio de senhores e reis. Evidentemente, nesse processo transparece o interesse das novas forças econômicas que gestavam o capitalismo e adquiri- ram o consenso com base nas teorias liberais. corpo, ampliando o debate ao longo dos séculos seguintes, ora com ênfase na liberdade, ora na aspiração por igualdade. Definiam-se, desse modo, as aspirações políticas por regimes cada vez mais democráticos. Ao longo da história, essa primeira expressão de democracia encontrou teóricos e ativistas que desejaram revivê-la. Constituiu-se de maneira lenta e irregular, ora acentuando um valor, ora despre- zando outro, diante das exigências de liberdade igualdade. O LUGAR DO PODER NA DEMOCRACIA a) Conflito Para muitos, o conflito carrega um sentido pejora- tivo, entendido como algo para se evitar a qualquer custo. Contudo, divergir é inerente à sociedade pluralista: a democracia respeita o pensamento divergente, os discursos plurais, bem como admite a heterogeneidade de interesses. Faz parte da demo- cracia ser ela mesma constantemente questionada. Por não se camuflar, o conflito de poderes em so- cidades democráticas é trabalhado pela discussão, pelo confronto de ideias: por isso a democracia é histórica e está sempre se recriando. b) Abertura Na democracia, a informação circula livremente e a cultura não é privilégio de alguns. A circulação não se reduz ao mero consumo de informação e cultura, mas pressupõe igualmente a produção de informação e cultura, que a enriquece, daí a neces- sidade de não fazer delas privilégio de poucos. Do mesmo modo, produtos culturais mais elaborados e supostamente inacessíveis às camadas mais pobres não devem ser reservados a poucos nem vulgarizados de maneira deformadora. c) Rotatividade Numa sociedade democrática, as funções de decisão e direção não pertencem a um grupo ou uma classe, mas encontram-se disponíveis para que outros setores da sociedade sejam legitimamente representados. Durante o período de eleições apa- rece mais claramente a noção de soberania popular: o lugar do poder apresenta-se desocupado, por não ser propriedade de seus ocupantes anteriores. O filósofo francês Claude Lefort (1924-2010) defendeu que o lugar do poder é o lugar vazio, com o qual ninguém pode identificar-se, por ser exercido transitoriamente. Ao contrário, nos governos não de- mocráticos, a pessoa investida de poder pretende dele se apossar por toda vida, como se fosse seu proprietário. VIVEMOS UMA DEMOCRACIA? Democracia formal consiste no conjunto das insti- tuições características desse regime: voto secreto e universal, autonomia dos três Poderes - Execu- tivo, Legislativo e judiciário -, pluripartidarismo, representatividade, ordem jurídica constituída, liberdade de pensamento e de expressão, pluralis- mo e assim por diante. Trata-se, propriamente, das "regras do jogo" democrático, que estabelecem os meios pelos quais a democracia é exercida. Democracia substancial diz respeito não aos meios, mas aos fins, aos resultados do processo. Entre esses valores, destaca-se a efetiva - e não apenas ideal - igualdade política, social, econômi- ca e jurídica. Portanto, a democracia substancial avalia os conteúdos alcançados: se de fato todos são quais perante as leis e têm moradia, educa-ção, emprego, acesso ao poder e à cultura etc. Ao observar diversos países, constata-se que al- guns apresentam conquistas de democracia formal, embora não tenham estendido a todos as promessas da democracia substancial: é o caso de países libe- rais, incluindo o Brasil. ÁREAS DE EXERCÍCIO DEMOCRÁTICOS Democracia política . Direitos civis: vida, segurança, propriedade, igualdade perante a lei, liberdade de pensamen- to, expressão, religião, opinião e movimento, entre outros. . Direitos sociais: saúde, educação, trabalho, lazer, acesso à cultura, proteção em caso de desempre- go ou doença etc. • Obrigações: pagamento de impostos, responsa- bilidade coletiva, solidariedade e participação efetiva, no sentido de desempenho da cidadania ativa muito além do importante ato de votar. Democracia social Numa democracia social, ninguém pode ser dis- criminado devido à renda, ao gênero, à etnia, à sexua- lidade, à crença ou por ser pessoa com deficiência. Do ponto de vista formal, a Constituição brasi- leira de 1988 garante direitos essenciais a todos (moradia, alimentação, saúde e educação), mas estamos muito longe de gozá-los na prática em toda sua extensão. As carências da população mais pobre são enfrentadas com dificuldade pelos países emergentes, o que revela o desinteresse de o capi- talismo mundial resolver, por exemplo, o problema fundamental da fome. Ainda há muito o que fazer para que sejam atingi- dos índices satisfatórios - de acordo com os direitos constitucionais - em aspectos fundamentais para uma vida digna, como saneamento básico, atendi- mento médico eficiente e educação de qualidade. Quanto aos bens materiais e culturais, são igual- mente mal distribuídos em países emergentes, ape- sar de melhorias alcançadas nas últimas décadas. No caso do Brasil, a redução da pobreza atribuída a políticas públicas fez crescer a classe C, mas sem que ocorresse distribuição similar de oferta de cultura, entendida como toda produção ligada às diferentes práticas artísticas, sejam populares, sejam eruditas. Democracia econômica A democracia econômica consiste na justa dis- tribuição de renda, oferta de iguais oportunidades de trabalho, contratos livres, sindicatos fortes. Esses aspectos formais podem levar ou não à efetivação da democracia substancial. Sabemos que a relação entre empregados e empregadores sofreu variações ao longo do sistema capitalista. Com a globalização, a economia mun- dializada fortaleceu as grandes empresas, usando de tecnologia cada vez mais refinada, que alcançou também o campo, estimulando o agronegócio, ape- sar de prejudicar pequenos produtores. Ao detalhar esse quadro, percebe-se que a expan- são da economia nem sempre resultou no bem-estar e na liberdade das pessoas. Com o foco na produção de mercadoria, necessita-se de mão de obra qualificada, o que se costuma chamar "investimento no capital humano". Essa curiosa - e indevida - denominação é criticada pelo economista indiano Amartya Sen (1933) ao constatar que, onde o lucro é o principal interesse, prevalecem a competição e a busca da efi- cácia, sobrepondo-se ao ideal de formação humana. Ampliando o desconforto diante da constatação da desigualdade, de acordo com um estudo divul- gado em 2015 pelo Comitê de Oxford de Combate à Fome (Oxfam), a partir de 2016 a fortuna acumulada pela parcela da população mundial composta do 1% mais rico ultrapassará os recursos dos outros 99%. DEMOCRACIA JURÍDICA Democracia jurídica A democracia jurídica é uma das metas de países que defendem a igualdade perante a lei. Trata-se de proces- so relativamente recente na história, motivado pela luta da burguesia do século XVII para derrubar privilégios da nobreza. Participar da elaboração de leis e defender interesses que até então eram desconsiderados foi decisivo para culminar na Revolução Francesa (1789). A democracia jurídica substancial depende do funcionamento efetivo das instituições. São aspectos importantes: elaboração de leis que representem interesses da população; respeito à Constituição; autonomia e agilidade do Poder Judiciário; eficiência da polícia, com estrutura e formação adequadas para coibir o crime sem desrespeitar a dignidade humana. A longa tradição dos porões da ditadura preser- va ainda hoje focos de tortura e maus-tratos nos presídios, conforme denúncias de grupos de defesa dos direitos humanos, incluindo-se aí a Anistia In- ternacional. Além disso, no Brasil, a morosidade e o elevado custo de manutenção do Poder Judiciário prejudicam a plena efetivação da justiça. DESVIOS DO PODER TOTALITARISMO Nazismo, fascismo e stalinismo • Interferência do Estado em todos os setores: na vida familiar, econômica, intelectual, religiosa e no lazer. Para difundir a ideologia oficial, nada restava de privado e autônomo. • Partido único: rigidamente organizado e buro- cratizado, promovia a identificação entre poder e povo, recusando o pluralismo partidário, carac- terística básica da democracia liberal. Organismos de massa sob tutela do Estado: sindi- catos, agrupamentos de auxilio mútuo, associa- ções culturais de trabalhadores, organizações de jovens, crianças e mulheres, circulos de escritores, artistas e cientistas. Mistificação da figura do chefe. Subordinação dos Poderes Legislativo e Judiciário ao Poder Executivo. Concentração pelo Estado de todos os meios de propaganda: veiculação da ideologia oficial às massas para forjar convicções inabaláveis, mani- pulando a opinião pública a fim de garantir a base de apoio popular. Polícia política para controlar o enorme aparelho repressivo: Gestapo, na Alemanha; Organização para a Vigilância e a Repressão ao Antifascismo (Ovra), na Itália; e Tcheka, na União Soviética. • Campos de concentração e de extermínio como Auschwitz, na Polônia, e os de trabalho forçado, como os gulags soviéticos. • Censura de notícias, de meios de comunicação e da produção artística e cultural. • Valorização de disciplinas de moral e cívica, visan- do à educação de crianças e jovens: estímulos à força de vontade, à disciplina, ao amor à pátria. . O nazismo alemão teve forte conotação racista, fundamentada em teorias supostamente cien- tíficas para valorizar a "raça" ariana: pessoas brancas, altas, fortes e inteligentes constituiriam um grupo "mais puro" e superior. Desse modo, justificaram-se a perseguição e o genocídio de judeus e ciganos, considerados "raças" infe- riores, e de homossexuais, adjetivados como "degenerados". REGIMES AUTORITÁRIOS Nos regimes autoritários, porém, não há uma ideologia de base que sirva "para a construção da nova sociedade" nem mobilização popular que lhes dê suporte. Ao contrário, em vez de doutrinação política e incentivo ao engajamento ativista (ainda que dirigido), prevalece a despolitização, que leva à apatia política. Mesmo assim, o clima de repres- são violenta gera medo e desestimula a atuação política independente. Sempre que possível, os governos autoritários procuram manter a aparência de democracia: permitem a existência de partidos de oposição, embora atuem apenas formalmente, enquanto o partido do governo figura como mero apêndice do Poder Executivo. REGIAO E DEMOCRACIA A religião é uma dimensão humana de busca por transcendência, relacionada a crenças em seres sobrenaturais que orientam a ação humana e ga- rantem a esperança de que a vida não termine com a morte, embora nem todas as religiões se enqua- drem nessa estreita definição. Diante de um leque muito amplo de expressões religiosas, a filosofia da religião trata do conceito de crença de maneira tão isenta quanto possível, porque a filosofia não tem por objetivo aderir a religiões nem justificá-las, mas discutir esse conceito, a importância delas na vida dos indivíduos e suas implicações. Enquanto as verdades religiosas se fundamentam na fé, a ver- dade da filosofia depende de argumentos racionaisque a justifiquem. OQUE E LAICIDADE? No século XVIII, período da Ilustração, o conceito de laicidade dos governos adquiriu importância nos debates de filósofos e políticos. No entanto, isso não significa que deixaram de existir tentativas - muitas vezes efetivadas - de interferência religiosa nas decisões políticas. Os confrontos de cunho religioso realçam a im- portância da laicidade para a democracia e adver- tem sobre os riscos da união orgânica entre Igreja e Estado, pois o prevalecimento de uma só orientação religiosa em um poder destinado a cuidar de bens coletivos provoca distorções na sociedade pluralista. GOVERNOS TEOCRÁTICOS guia de tranateutminarade mentalidade na icima „soderna que culminaram com o luminismo de juio AVI e refuntaram. na implementação de go. amos liberais-democratiços e laicos. Vale realçar pior se de uma conevista do Ocidente, estendida as úmericas e a outras regiões do mundo que sofreram essa influência. esa mudança de mentalidade coexiste hoje com algumas culturas que mantêm governos teocrat) nos de orientação predominantemente islamicano piente Médio, onde surgiram desde o século VI, com Maomê, antes de se expandirem para regiões do continente africano. Por consequência, são go- hermadas pelos mais altos dignitários da hierarquia religiosa, que impõem o Alcorão (ou Corão) como sua constituição legal e guia moral dos costumes, assim como fazia o Ocidente cristão medieval com relacao ¿s normas herdadas da Biblia. Em resumo, nesses casos não existe separação entre Estado e religião. portanto, não há no realce dessas diferenças religiosas uma crítica à diversidade cultural, mas apenas a observação de que a democracia ocidental resultou de uma revolução política que introduziu o ideal da laicidade, sem que isso signifique desprezo pela adesão a religiões. Estas se preservam no Oci- dente como elemento constituinte da vida pessoal, porém, não mais no exercício da política, que visa a interesses coletivos. Em outras palavras, concepções vinculadas a preceitos religiosos podem ser ouvidas entre outras laicas que delas divergem, para que, ao final, as leis espelhem a diversidade inerente a uma sociedade plural. OQUE E FUNDAMENTALISMO O fundamentalismo esteve presente na história medieval entre cruzados cristãos que combatiam "infiéis" árabes; eram fundamentalistas também in- quisidores do clero católico que queimavam livros e condenavam à morte seus autores; do mesmo modo, são fundamentalistas os atentados suicidas e os incendiários de mesquitas hindus, ambos exemplos de uma fé repleta de fanatismo. Se o comportamento fundamentalista é antigo, o termo recente teve origem nos Estados Unidos, entre 1910 e 1915, com a publicação de vasta coleção de estudos religiosos intitulada The fundamentals, que reuniu textos sagrados de teólogos cristãos conserva- dores. Tratava-se de religiosos que defendiam a auto- ridade suprema da Biblia para questões de fé e moral, mas de maneira literal, ao "pé da letra", sem considerar o sentido dos preceitos na época em que foram criados e a alteração de seu significado ao longo do tempo. FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO Em resumo, o que se observa no comportament de fundamentalistas, seja no Ocidente, seja no Dies. te, no passado ou no presente, e que seus adeptos são invariavelmente reativos e conservadores. h entanto, a reação de certos grupos islâmicos tene mostrado mais violenta quando seus adeptos eco. rem ao terrorismo. É o que veremos na sequênca TERRORISMO JIHADISTA se antes se ouvia falar em Talibà e Al-Qaeda como principais grupos extremistas, surgiram outros Mo Pitimos anos, como o Boko Haram, na Nigéria. EI 1999, uma nova organização começou a expancim. se, até que em 2014 se autodenominou Estado itamico, reconhecido pelas siglas El ou Isis (Islamie state of Iraq and Syria). As ramificações do grupo estenderam-se com atuação intensa em diversos paises: Iraque, Siria, Libia e lêmen, obrigando a po pulação conquistada a se converter ao islamismo. A atuação bárbara e midiática, com registros em video de prisioneiros imolados de forma cruel, impactou o mundo todo. Dando continuidade à teatralização da violência, o grupo extremista assaltou museus para queimar livros e obras de arte milenares, além de continuar treinando jovens e crianças para formar querrilheiros, ao mesmo tempo que recruta ociden- tais para suas fileiras. por sua vez, a Europa encontrou-se debilitada após a crise financeira global de 2008 e sob regi- me de austeridade econômica imposto pela União Europeia, o que provocou aumento de desempre- go, acompanhado de descrença na democracia. A situação tornou-se fértil para que jovens árabes, de segunda ou terceira geração de imigrantes, portan- to já com nacionalidade de algum país europeu, se unissem a extremistas. Nesse contexto, ocorreram em 2015 diversos atentados terroristas na Europa, culminando com o mais grave, que atingiu três locais diferentes na cidade de Paris em novembro daquele ano. DESFIO DA DEMOCRACIA A análise das características da democracia nos deixa entrever a força e a fragilidade desse regime político. Força, porque é condição de expressões humanas em plenitude, devido ao caminho aberto pela liberdade e ao esforço para alcançar a igualda- de. Fragilidade, porque, ao defender a liberdade, a democracia convive com ameaças destrutivas que surgem em seu interior e que já conseguiram se ex- pressar em momentos de triste lembrança, como nos governos totalitários. Atualmente, vê-se ainda que a ameaça do terrorismo tem feito governos ferirem garantias de liberdade e privacidade em nome de maior segurança. Aliado a esse retrocesso, a inten- sificação de bombardeios em áreas dominadas pelo Isis talvez seja indício de que o ideal democrático tem ficado mais distante. Não há fórmula para explicar a derrocada de uma democracia, tampouco quais seriam as condições para mantê-la atuante. Entretanto, vale refletir so- bre a importância da educação universal, voltada para a aceitação da diversidade e a convivência das culturas nas suas diferenças. Seria essa uma das maneiras de garantir a civilização contra a barbárie? Para melhor entender essa oposição, sugerimos a leitura complementar do texto de Francis Wolff, no qual o filósofo francês nos mostra que a barbárie não constitui prerrogativa de povos indevidamen- te considerados "inferiores" por serem diferentes, mas que também os civilizados são capazes de atos bárbaros quando atentam sem compaixão contra a dignidade humana.