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SP3: “Chegou a hora” 
1. Compreender os mecanismos de parto e fases clínicas do trabalho de parto (tipos de 
pelve). 
A pelve feminina divide-se 
anatomicamente em: 
órgãos genitais externos (– 
vulva em conjunto com o 
períneo) e órgãos genitais 
internos (– vagina, útero, 
tubas uterinas e ovários). A 
correta avaliação dos 
diâmetros da bacia permite 
calcular a proporcionalidade 
entre o trajeto e o feto, e 
determinar a conduta durante a assistência ao parto. O trajeto ou canal do parto estende-se do útero à fenda 
vulvar. Há nele três estreitamentos anulares: Orifício cervical; Diafragma pélvico (urogenital); Óstio vaginal 
(fenda vulvovaginal). 
As partes moles do canal do parto são sustentadas pela bacia óssea (trajeto duro). O canal do parto tem a 
forma de um J. Este formato possui importância fundamental na mecânica do parto. 
TRAJETO MOLE: 
O trajeto mole é constituído pelo segmento inferior do útero, 
colo do útero, vagina e região vulvoperineal. 
Seguimento inferior, corresponde à parte 
inferior do corpo uterino, que se estende até 
o orifício interno do colo uterino. Colo 
uterino, vagina, região vulvoperineal, vulva, 
períneo, corpo perineal. Anomalias no trajeto 
mole podem dificultar o parto, causando 
distocias. 
TRAJETO DURO: 
 
O trajeto duro apresenta o maior significado na prática obstétrica. A bacia ou pelve é o canal ósseo do parto. 
É constituída pelos dois ossos ilíacos, sacro, cóccix (ou coccige) e pube, com suas respectivas articulações 
(sínfise púbica, sacroilíacas, sacrococcígea). O promontório corresponde ao vértice da articulação entre a 
quinta vértebra lombar e o sacro. 
A pelve pode ser dividida em 
dois grandes espaços: 
grande e pequena bacia, ou 
escavação. A pequena bacia 
é também denominada 
pelve verdadeira ou "bacia 
obstétrica". A grande bacia 
também é chamada de 
pelve falsa. Ela é separada 
da pequena bacia pelo anel 
do estreito superior, região 
que vai do promontório até 
a borda superior da sínfise 
púbica. 
A pequena bacia é a mais 
importante no parto, por constituir o canal 
ósseo por onde o feto passa durante o 
mecanismo de parto. Em outras palavras, os 
seus diâmetros devem ser compatíveis com a 
biometria fetal para que o parto vaginal possa 
ocorrer. É dividida em três estreitos que 
possuem características distintas. Os estreitos 
constituem as regiões mais angustiadas da 
pelve e podem impedir ou dificultar a 
progressão fetal. 
- Estreito superior: O estreito superior é 
delimitado anteriormente pelo pube, 
lateralmente pela linha terminal (ou 
inominada) e, posteriormente, pela saliência do 
promontório e pela asa do sacro. Esse estreito possui três diâmetros importantes: 
Diâmetro anteroposterior: corresponde à menor distância entre o promontório e a sínfise púbica, que mede 
10,5 cm. Este diâmetro nada mais é do que um sinônimo de conjugata vera obstétrica, que será detalhada a 
seguir; 
 Conjugata anatômica ou vera anatômica: formada pela linha que une a borda superior da sínfise 
púbica e o promontório, que representa uma distância de 11 cm; 
 Conjugata obstétrica ou vera obstétrica: corresponde à distância entre o promontório e a face interna 
da sínfise púbica. Representa o espaço real do trajeto da cabeça fetal, que mede cerca de 10,5 cm; 
 Conjugata diagonal ou diagonalis: definida pela linha que une o promontório e a borda inferior do 
osso púbico, que mede 12 cm. Na avaliação pelo toque vaginal, esta é a medida empregada para 
estimativa do diâmetro da conjugata obstétrica (vera obstétrica) na pelvimetria clínica. Em geral, o 
diâmetro da conjugata obstétrica é 1,5 cm menor que a conjugata diagonalis. 
 Como o diâmetro que liga a borda inferior do osso púbico ao cóccix corresponde à saída do canal de 
parto, e saída em inglês é EXIT, o nome desse diâmetro é conjugata exitus. 
Diâmetro oblíquo: começam nas eminências iliopectíneas e terminam na articulação sacroilíaca. Medem 
cerca de 12,5 cm. 
Diâmetro transverso: estende-se da linha inominada (ou terminal) de um lado até o outro lado da pelve. Em 
outras palavras, representa a maior distância entre a linha terminal de cada lado, geralmente a 4 cm do 
promontório. Define uma distância de 13 cm. Este diâmetro faz um ângulo reto com o diâmetro 
anteroposterior. 
- Estreito Médio: O estreito médio é delimitado pela borda inferior do osso púbico e pelas espinhas ciáticas 
(isquiáticas). Os diâmetros deste estreito medem: 
Diâmetro anteroposterior: em nível das espinhas ciáticas, mede 12 cm; 
Diâmetro transverso ou biespinha ciática: é o menor diâmetro da pelve e mede 10 cm. 
Esta região possui grande importância na condução do parto vaginal, pois abriga o plano da menor dimensão 
pélvica (diâmetro transverso ou biespinha ciática). 
- Estreito Inferior: Os pontos de referência 
dessa região são as partes moles. É limitado 
pelos músculos que unem o osso sacro às 
espinhas isquiáticas (músculos sacrociáticos) 
e pelos músculos que unem o ísquio ao 
cóccix (músculo isquiococcígeo). Assim, é 
delimitado anteriormente pela borda 
inferior do osso púbico, lateralmente pelos 
músculos sacroilíacos e posteriormente pelo 
músculo isquiococcígeo. Os diâmetros deste 
estreito medem: 
Diâmetro anteroposterior: liga a borda 
inferior do osso púbico ao cóccix, e mede 9,5 
cm. Entretanto, pelo movimento da cabeça 
fetal durante o desprendimento pode 
alcançar 11 cm pela retropulsão do cóccix. O 
diâmetro anteroposterior do estreito inferior define a chamada conjugata exitus; 
Diâmetro transverso ou bi-isquiático ou intertuberoso: é determinado pelas tuberosidades isquiáticas e 
mede 11 cm. 
 MORFOLOGIA DA PELVE: 
A classificação dos tipos de bacia efetuada por 
Caldwell & Moloy, por meio de estudos 
radiológicos, leva em consideração a 
importância prática das alterações das bacias 
no prognóstico do parto. 
São quatro os tipos fundamentais de bacias: 
1. Bacia ginecoide: constitui a pelve 
feminina típica. Corresponde 
aproximadamente a 50% das bacias 
femininas. O estreito superior tem 
a forma arredondada e a porção 
posterior é bastante espaçosa. As 
paredes pélvicas não são paralelas e 
as espinhas ciáticas não são 
proeminentes. A chanfradura 
ciática e a escavação são amplas e o 
diâmetro bi-isquiático é grande. É a 
bacia que apresenta melhor 
prognóstico para o parto vaginal; 
2. Bacia androide: possui as 
características da bacia masculina 
normal. Representa 
aproximadamente 20% das bacias femininas. Apresenta o estreito superior triangular, com o 
diâmetro transverso máximo deslocado para a região posterior. As paredes pélvicas são 
convergentes, as espinhas ciáticas salientes, o ângulo subpúbico é estreito e o estreito superior 
reduzido. O parto por via baixa não tem bom prognóstico. A bacia androide apresenta um aumento 
da incidência de posteriores (oblíquas e diretas) e distocias crescentes com a progressão da 
apresentação; 
3. Bacia antropoide: é semelhante à bacia dos antropoides superiores (gorilas). Representa 
aproximadamente 25% das bacias femininas. Apresenta o estreito superior elíptico e alongado no 
sentido anteroposterior e o diâmetro transverso diminuído (o diâmetro anteroposterior é maior que 
o transverso). As chanfraduras sacrociáticas são amplas, as paredes laterais convergem 
ocasionalmente e as espinhas ciáticas não são proeminentes. A bacia antropoide apresenta um 
aumento da incidência de posteriores (oblíquas e diretas). No entanto, todas as referências 
concordam que, se não houver distocia no estreito superior, não haverá no resto da bacia e o parto 
possui bom prognóstico; 
4. Bacia platipeloide: é o tipo mais raro de bacia e está presente em aproximadamente 5% dos casos. 
Possui a forma achatada, estreito superior ovalado, pequeno diâmetro anteroposterior e amplo 
diâmetro transverso. A chanfradura sacrociática é angustiada, o sacro é côncavo e largo, o ângulo 
subpúbico

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