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MANIFESTAÇÕES INVOLUTIVAS E FISIOLÓGICAS: 
- Útero: Após a gravidez retorna ao seu tamanho prévio. O órgão torna-se novamente intrapélvico em torno 
do 10º dia e volta às dimensões pré-gravídicas dentro de quatro semanas. Diminuição de peso. A involução 
uterina é mais rápida nas mulheres que amamentam. A estimulação dos mamilos e da árvore galactófora 
acarreta a produção de ocitocina pela neuro-
hipófise. Este hormônio promove a ejeção do 
leite e desperta as contrações uterinas 
referidas pela paciente como cólicas. Este 
fenômeno descreve o chamado reflexo 
útero-mamário. O colo uterino tende a se 
fechar com as contrações do pós-parto. Após 
dois dias de pósparto, ainda dá passagem a 
um ou dois dedos exploradores. 
Aproximadamente uma semana após o 
parto, já não permite mais a exploração 
digital. A reconstituição do colo uterino é 
relativamente rápida. Em torno de 12 horas após o parto, a cérvice uterina perde o aspecto pregueado que a 
caracteriza no pós-parto imediato. O orifício externo do colo uterino na mulher que já pariu jamais recupera 
a sua conformação original (aspecto puntiforme) e assume um aspecto em fenda transversa. 
Endométrio: Assim, aproximadamente dois dias após o parto são encontradas apenas duas camadas na 
decídua basal remanescente: a camada superficial e a camada basal. 
VAGINA E INTROITO VAGINAL: 
Pequenas equimoses podem ser identificadas na mucosa vaginal traumatizada pela descida da apresentação 
fetal. As pequenas lacerações cicatrizam rapidamente e em cinco ou seis dias já não são visíveis. No puerpério 
imediato, a vagina e o introito vaginal gradativamente reduzem os seus diâmetros. 
FUNÇÃO OVULATÓRIA: 
A função ovulatória retorna em aproximadamente seis a oito semanas, caso a paciente não amamente. 
Entretanto, este período pode ser variável 
MAMAS: 
No final da gravidez, predomina a diferenciação para a atividade secretora, com o aumento da glândula à 
custa de hipertrofia dos vasos sanguíneos, hipertrofia das células mioepiteliais e tecido conjuntivo, depósito 
de gordura e retenção de água e eletrólitos. O colostro já está presente no momento do parto. A descida do 
leite (apojadura) ocorre entre o primeiro e o terceiro dia após o parto (mais comum em torno do terceiro 
dia). É importante destacar que a amamentação deve ser estimulada desde a sala de parto, para que ocorra a 
liberação de prolactina e de ocitocina. 
TRATO URINÁRIO: 
Logo após o parto, a bexiga da mulher ainda apresenta uma distensibilidade aumentada em virtude dos 
estímulos hormonais durante a gravidez. Igualmente, os ureteres se encontram dilatados. a hipotonia e o 
relaxamento das paredes da bexiga e dos ureteres regridem em duas a oito semanas, mas podem persistir por 
três meses. Retenção urinária, aumentam o risco de infecções e contribuem para a diminuição do débito 
urinário. O fluxo plasmático renal, a taxa de filtração glomerular e o clearance de creatinina retornam ao 
normal nos primeiros cinco dias após o parto. 
HEMODINÂMICAS: 
- Débito Cardíaco: O DC aumenta no puerpério imediato em função da saída da placenta e da descompressão 
aortocava. Ele retorna a nível pré-gravídico em duas semanas, segundo a maioria dos autores. 
- Volume plasmático: O volume plasmático aumenta em cerca de 10% no pós-parto imediato, pela 
descompressão aortocava e pela redistribuição dos líquidos corporais, especialmente pela regressão do 
edema gravídico. Ele retorna o nível pré-gravídico em duas semanas, de acordo com a maioria dos livros 
didáticos. 
- Resistência vascular periférica: Há um aumento significativo da RVP (RVP normaliza-se) em virtude da 
eliminação da circulação placentária que funcionava como um shunt arteriovenoso. 
- Pressão venosa nos membros inferiores: A pressão venosa nos membros inferiores retorna ao normal com a 
involução do útero. 
HEMATOLÓGICAS: A concentração de hemoglobina volta a níveis não gravídicos em seis semanas do parto. 
Após o segundo dia após o parto, os fatores de coagulação retornam em níveis próximos da normalidade. 
Episorrafia: Não é necessário o uso de antissépticos e de curativos na região perineal. Imediatamente após o 
parto, é recomendável a aplicação de gelo no períneo para reduzir a dor e o edema locais. As pacientes devem 
ser orientadas a se higienizarem diariamente após as eliminações fisiológicas com água corrente e sabonete. 
A presença de edema e dores importantes na episiorrafia são indícios de hematoma. 
Ferida operatória: Nas cesarianas, é aconselhável descobrir a ferida cirúrgica a partir do segundo dia de pós-
operatório, o que permite sua melhor observação. Deve-se inspecionar a ferida em busca da presença de 
seroma, hematomas ou de infecção. As pacientes devem ser orientadas a higienizarem a ferida apenas com 
água corrente e sabonete. Os cuidados gerais com a ferida devem ser intensificados em pacientes com fatores 
de risco para infecção da ferida, tais como: obesidade, diabetes, imunossupressão, anemia e alterações da 
hemostasia 
Orientações na alta hospitalar: Na maioria das vezes, salvo na presença de intercorrências, a alta hospitalar 
ocorre em até 48h após o parto vaginal ou em até 72h após a cesariana. Normalmente, é agendada consulta 
no sétimo dia pós-parto com o objetivo de avaliar a ferida cirúrgica ou a episiorrafia, avaliar as condições 
clínicas, estimular a manutenção do aleitamento materno e esclarecer sobre dúvidas existentes. A revisão 
puerperal tardia é realizada em torno do 30º dia pós-parto, quando habitualmente é dada alta obstétrica pelo 
desaparecimento quase por completo dos fenômenos envolvidos no ciclo gravídico puerperal. Este é o 
momento ideal para orientação sobre o planejamento familiar, para discutir a liberação para os exercícios 
físicos e para atividade sexual. Atividade sexual poderá ser estabelecida trinta dias após o parto. Exercícios 
físicos podem ser iniciados após o primeiro mês do puerpério.