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1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REDAÇÃO JURÍDICA PARA 
ADVOGADOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Osvaci Amaro Venâncio Júnior 
 
Outubro/2020 
 
 
 
 
 
2 
 
COERÊNCIA E COESÃO TEXTUAL 
 
Escrever com correção é um procedimento argumentativo, ou seja, o uso de um certo padrão de linguagem concorre 
para aumentar ou diminuir o poder de persuasão daquele que escreve. 
(Platão e Fiorin) 
 
 
O que é coerência? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
 
O que é coesão? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
3 
 
 
ALGUNS ELEMENTOS DE COESÃO 
 
 
realce contradição condição causa 
adição oposição se porque 
além disso mas caso porquanto 
ainda contudo contanto que já que 
ademais entretanto salvo se uma vez que 
também no entanto dado que visto que 
de modo geral ao contrário disso desde que 
inclusive por outro lado a menos que 
até de outra parte a não ser que 
é certo diferente disso finalidade 
outrossim porém para 
em outras palavras consequência a fim de 
além desse fator conclusão 
e/nem retificação destarte concessão 
 explicação por conseguinte embora 
 isto é consequentemente não obstante 
enumeração por exemplo de modo que conquanto 
continuação a saber de forma que mesmo que 
inicialmente de fato de sorte que por mais que 
em primeiro lugar em verdade portanto dado que 
a princípio aliás pois se bem que 
em seguida melhor ainda posto isso posto que 
depois (depois de) ou seja em suma 
finalmente como se viu concluindo anáfora 
em linhas gerais como se observa por fim este/esse/esta/essa 
aqui com efeito por tais razões ele/ela 
neste momento daí diante do exposto aquele/aquela 
desde logo porque por isso que 
de resto assim em razão disso o qual/a qual 
no caso em tela desse modo onde 
por sua vez dessa forma cujo/cuja 
a par disso pois ambos 
nessa esteira no qual/na qual 
no caso presente por meio do(a) qual 
entrementes pelo qual/pela qual 
 o que 
 seu/sua/seus/suas 
 
 
4 
 
⚫ Abaixo há segmentos textuais separados por ponto. Estabeleça entre os 
segmentos o tipo de relação que lhe parecer compatível, usando para isso os 
elementos de coesão adequados e fazendo as adaptações que forem 
necessárias. 
 
1) A vítima, em razão das múltiplas lesões sofridas no acidente automobilístico, 
perdeu sua capacidade laborativa em 80%. Teve que se aposentar por 
incapacidade permanente. 
 
2) Havendo mais de um causador de um mesmo dano ambiental, todos 
respondem solidariamente pela reparação, na forma do art. 942 do Código 
Civil. Se diversos forem os causadores da degradação ocorrida em diferentes 
locais, ainda que contíguos, não há atribuir-lhes a responsabilidade solidária. 
 
3) Os notários e os registradores exercem atividade estatal. Não são titulares 
de cargo público efetivo, tampouco se submetem a regime estatutário. 
 
4) O juiz pode assumir uma posição ativa, que lhe permite, entre outras 
prerrogativas, determinar a produção de provas. O juiz tem de fazer isso de 
forma imparcial. 
 
5) Um dos direitos elementares do consumidor é a facilitação da defesa de 
suas pretensões. Com a inversão do ônus da prova a seu favor. 
 
6) Diante do exposto, o voto é para conhecer do recurso e negar-lhe 
provimento. Manter inalterada a decisão que julgou procedente o pleito 
inaugural para declarar nulas as cláusulas que possibilitam à recorrente resilir 
unilateralmente o contrato de seguro. 
 
7) Alexandre de Melo interpôs recurso de apelação da sentença. O Magistrado 
julgou improcedente seu pedido e o condenou ao pagamento de custas e 
honorários advocatícios. 
 
 
5 
 
8) Os direitos trazidos à baila e que aguardam deste Sodalício a sua efetivação 
são de ordens distintas. Ambos, patrimônio e saúde, são tutelados pela 
Constituição Federal. 
 
9) Trata-se de apelação cível interposta por Sul América Companhia Nacional 
de Seguros S.A. da sentença proferida pelo Juiz de Direito da 2ª Vara Cível da 
Comarca de São José. O juiz resolveu a lide nos seguintes termos: 
 
10) Irresignada, a autora interpôs recurso de apelação. Alegou que os juros de 
mora e a correção monetária devem ter como marco inicial a data dos 
respectivos vencimentos dos títulos, conforme dispõe o art. 12 da Lei n. 
4.591/1994. 
 
11) É certo que a validade da sentença decorre necessariamente do embate de 
todas as questões relevantes suscitadas no curso processual. A omissão na 
análise das teses defensivas derradeiras ou a ausência de fundamentação 
configuram nulidade da sentença. 
 
12) No caso dos autos, é inviável a substituição da pena privativa de liberdade 
por restritiva de direitos. O crime foi cometido com grave ameaça a pessoa. 
 
13) Compulsando o caderno processual, não há dar guarida a nenhum dos 
argumentos esposados pelo apelante. 
 As preliminares de não enfrentamento das teses aduzidas em alegações 
finais, de ausência de fundamentação na sentença e, assim, de nulidade desta 
são descabidas. 
 
14) Não se pode afastar do comprador a legítima propriedade do veículo. Não 
há nos autos prova do registro no órgão de trânsito a respeito da referida 
compra e venda. De acordo com o art. 1.267 do Código Civil, a propriedade de 
coisa móvel se transfere pela tradição. 
 
15) No depoimento dado em Juízo, o médico responsável pelo primeiro 
atendimento à ré afirmou que a “apendicite em si mesma pode provocar 
 
6 
 
diarreia, mas não é um caso comum, por isso o diagnóstico de apendicite é 
difícil” (fl. 484). Enfatizou o depoente que o abdômen da ré estava flácido e 
sem sinais de abdômen agudo cirúrgico. 
 
16) Insurge-se o impetrante contra acórdão proferido pela Segunda Câmara 
Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. A Segunda 
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina não 
conheceu da ordem impetrada. 
 
17) A absolvição pretendida pelo apelante não merece prosperar. Ficaram 
devidamente comprovadas a autoria e a materialidade do crime em questão. 
 
18) A seguradora deve ser condenada em litigância de má-fé. A seguradora 
obsta processualmente o cumprimento da obrigação advinda do contrato de 
seguro com fundamentos esparsos e sem força para derruir o direito do 
segurado. 
 
19) O Juízo a quo determinou a realização de penhora no rosto dos autos n. 
033.02.015018-3 (ação de consignação em pagamento), dentro da conta 
vinculada n. 02.033.0688-0, no montante correspondente ao valor atualizado 
do débito. O montante é de R$ 5.574.557,44. 
 
 
7 
 
O EMPREGO DO GERÚNDIO 
 
• O gerúndio não deve ser usado se corresponder a uma das formas 
abaixo: 
 
de forma que (+ verbo) 
o que (+ verbo) 
e (+ verbo) 
como (+ verbo) 
conforme (+ verbo) 
a fim de que (+ verbo) 
com 
para (+ verbo) 
à medida que (+ verbo) 
pelo que (+ verbo) 
e que (+ verbo) 
que (+ verbo) 
o(a) qual (+ verbo) 
no(a) qual (+ verbo) 
pelo(a) qual (+ verbo) 
assim, (+ verbo) 
desse modo, (+ verbo) 
 
• O gerúndio pode ser usado se corresponder a uma das formas abaixo: 
 
se (+ verbo) 
quando (+ verbo) 
embora (+ verbo) 
conquanto (+ verbo) 
já que (+ verbo) 
uma vez que (+ verbo)porque (+ verbo) 
 
 
8 
 
• O gerúndio pode ser utilizado para expressar o modo como ocorre a 
ação descrita no verbo anterior ou posterior. 
“Irresignado, o réu apelou reiterando as preliminares bem como os 
argumentos relativos ao mérito.” (correto) 
“Irresignado, o réu interpôs apelação, na qual reiterou as preliminares 
bem como os argumentos relativos ao mérito.” (correto) 
“Irresignado, o réu interpôs apelação, reiterando as preliminares bem 
como os argumentos relativos ao mérito.” (correto) 
 
• Muitos gerúndios dentro do parágrafo: 
 
“Citado, o município de Blumenau contestou o feito (fls. 42-51), 
argumentando que o Decreto Legislativo n. 135/1988, que majorou a 
remuneração do Prefeito em exercício, teve vigência temporária, ressaltando 
que, em face do disposto no inciso...” 
Prefira: 
“Citado, o município de Blumenau contestou o feito (fls. 42-51), 
argumentando que o Decreto Legislativo n. 135/1988, que majorou a 
remuneração do Prefeito em exercício, teve vigência temporária. Ressaltou 
que, em face do disposto no inciso...” 
 
• Não use “sendo que” 
Evitem o “sendo que” nas peças. O uso do “sendo que” indica ao leitor 
que o escritor não possui conhecimento suficiente da língua (por exemplo, não 
sabe usar as conjunções) e que, assim, tem de se socorrer à expressão, que 
passa então a servir de verdadeira bengala linguística. Isto é, na pressa e pela 
falta de conhecimento de outros recursos, o redator sai espalhando o “sendo 
que” pelo texto, o que faz com que a peça seja desagradável de ser lida e 
pareça mal-escrita. 
Em 95% dos casos, o “sendo que” pode ser trocado por um simples “e”: 
“Enquanto a boa-fé do segurado se presume, a má-fé deve ser 
cabalmente comprovada, sendo que tal ônus compete à seguradora.” (errado) 
“Enquanto a boa-fé do segurado se presume, a má-fé deve ser 
cabalmente comprovada, e tal ônus compete à seguradora.” (correto) 
 
9 
 
Às vezes o “sendo que” pode, a depender do sentido, ser trocado por “de 
modo que”, “de forma que”, introduzindo uma oração consecutiva: 
“Para a concessão da tutela de urgência é necessária a presença 
cumulativa da fumaça do direito e do perigo da demora, sendo que a ausência 
de quaisquer dos requisitos obsta o deferimento.” (errado) 
“Para a concessão da tutela de urgência é necessária a presença 
cumulativa da fumaça do direito e do perigo da demora, de modo que a 
ausência de quaisquer dos requisitos obsta o deferimento.” (correto) 
 
 
10 
 
⚫ Corrija, se for necessário, as seguintes frases no que tange 
principalmente ao uso do gerúndio: 
 
20) Diante disso, caracterizou-se a sucumbência mínima do apelado, devendo 
a apelante arcar integralmente com as custas processuais e os honorários 
advocatícios, conforme determinado pela instância a quo. 
 
21) A agravante alega que a decisão de primeiro grau não foi devidamente 
fundamentada pelo Magistrado, devendo assim ser declarada nula por este 
egrégio Tribunal. 
 
22) Irresignada, a empresa ré interpôs recurso de apelação (fls. 138-146) 
requerendo a reforma da sentença de primeiro grau, alegando, 
preliminarmente, carência de ação por falta de interesse processual. 
 
23) Alegou o apelante não possuir condições econômicas para ofertar à 
apelada os alimentos fixados na sentença, requerendo a sua exoneração do 
encargo até que consiga se recompor e prestá-los de forma digna. 
 
24) In casu, tanto o defensor quanto o apelante foram intimados em plenário no 
dia 25-10-2010, estando, dessa forma, cientes do teor da sentença proferida. 
 
25) Há de se mencionar que não se trata de decisão definitiva, podendo o 
Magistrado a quo modificar seu entendimento a qualquer tempo se a situação 
fática vier a mudar no decorrer do processo. 
 
26) Ante o exposto, é imperioso dar provimento ao recurso para reformar a 
decisão hostilizada, mantendo a penhora já constituída sobre o imóvel objeto 
da lide. 
 
27) De acordo com o art. 593, caput, do Código de Processo Penal, caberá 
apelação no prazo de 5 (cinco) dias, iniciando a contagem no dia logo após a 
última intimação do réu e do seu defensor. 
 
 
11 
 
28) A prescrição tem por finalidade punir a inércia do titular do direito violado, 
proporcionando segurança às relações jurídicas. 
 
29) O acórdão teve votação unânime, sendo que contra ele foi interposto 
recurso especial. 
 
 
12 
 
O EMPREGO DA VÍRGULA 
 
• Vírgula e o sujeito/predicado 
• Não se deve usar a vírgula entre o sujeito e o predicado. 
“A motivação para o estudo e análise do processo e a produção da 
proposta, foram principalmente...” (Errado) 
“O mesmo decreto que fixou sua remuneração, estabeleceu a política de 
atualização desse valor.” (Errado – note que o sujeito é “O mesmo decreto que 
fixou sua remuneração”) 
“O art. 173, § 2º, da Carta Magna, adverte...” (Errado) 
Observação: Quanto a esse último caso, cuidado: 
“De acordo com o art. 173, § 2º, da Carta Magna, as empresas...” 
(Correto) 
• A simples inversão da colocação do sujeito não acarreta a necessidade 
de uso da vírgula. 
“Funcionou como representante do Ministério Público, o Exmo. Sr....” 
(Errado) 
“Compete a ela, fiscalizar a obra.” (Errado) 
“Compete à Diretoria de Material e Patrimônio e à Diretoria de Orçamento 
e Finanças, elaborar contratos...” (Errado) 
• Não confundir sujeito com expressões que indicam lugar e tempo, as 
quais podem ser seguidas de vírgula. 
“A partir de agora, todos os carros deverão retornar à instituição.” (Correto 
– “A partir de agora”, por indicar tempo, não é sujeito. Por isso a vírgula está 
correta, se bem que facultativa) 
“Na sessão de julgamento, ficou decidida a absolvição do réu (Correto – 
“Na sessão de julgamento” exprime lugar) 
 
• Vírgula entre o verbo e o complemento 
Não se deve usar a vírgula entre o verbo e o seu complemento. 
“Solicito a Vossa Excelência, providências imediatas...” (Errado) 
“Do mencionado voto, colhe-se o seguinte trecho:” (Errado) 
 
13 
 
“Do Superior Tribunal de Justiça, colhe-se:” (Errado) 
 
• Vírgula com elementos normativos 
Forma crescente (alínea => inciso => parágrafo => artigo => lei); nessa 
ordem, não há vírgula: “alínea b do inciso II do § 4º do art. 12 da Constituição 
Federal”. 
Forma decrescente (lei => artigo => parágrafo => inciso => alínea); nesse 
caso, há vírgula: “Constituição Federal, art. 12, § 4º, II, b”. 
Forma híbrida (artigo => inciso => lei); nessa forma, também ocorre a 
vírgula: “art. 5º, II, da Constituição Federal”. 
“Entende a embargante que, para a adequada prestação jurisdicional, 
deve haver a declaração expressa dos seguintes dispositivos: arts. 5o, XXXIV, 
a, LIV e LV, 93, IX, 133, 194 e 195, § 5o, todos da Constituição Federal; arts. 
17, 32, 128, I, II e III, e 352, todos do Código de Processo Civil; arts. 188, I, e 
944 do Código Civil; arts. 3o, caput, I, § 1o, e 5o, § 5o, da Lei n. 6.194/1974.” 
(Correto) 
 
• Vírgula com cargos ou qualificações 
Usa-se entre vírgulas o nome do detentor de um cargo ou a qualificação 
de uma pessoa quando só ela pode ocupar o cargo ou ter determinada 
qualificação. 
“O Presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Desembargador 
Ricardo Roesler, garantiu...” (Correto – só há um presidente do Tribunal de 
Justiça de Santa Catarina) 
“Irresignado com a decisão, o acusado, Cleiton Rocha, apelou.” (Correto – 
neste caso, só há um acusado) 
“Irresignado com a decisão, o acusado Cleiton Rocha apelou.” (Correto – 
neste caso, há mais de um acusado no processo) 
 
• Vírgula e a fluência da oração 
• Usa-se vírgula para separar termos ou orações que interrompem a 
fluência da oração. Todas as frases abaixo estão corretamente virguladas. 
“O criminoso, já condenado, recusava-se a admitir sua culpa.” 
(= “O criminoso recusava-se a admitir sua culpa.”) 
 
14 
 
“Alega que, na data do ajuizamento da presente ação, o prazo 
prescricional ainda não havia sido encerrado.” 
(= “Alega queo prazo prescricional ainda não havia sido encerrado.”) 
“Desse modo, se o acusado, no momento da apresentação de suas 
alegações derradeiras, assim como em suas razões de apelação, aduziu ter 
agido sob o pálio da legítima defesa, a ele compete a prova de tal excludente.” 
(= “...se o acusado aduziu ter agido sob o pálio da legítima defesa.”) 
“Alega, com fulcro no art. 7º, IV, da CF, ser impossível a vinculação da 
indenização ao salário mínimo.” 
(= “Alega ser impossível a vinculação da indenização ao salário mínimo.”) 
• Veja agora este outro caso: 
“Poderia inscrever-se todo funcionário que, na data da respectiva inclusão 
estivesse em plena efetividade e tivesse na ocasião, idade não superior a 40 
anos.” 
(Errado – “Poderia inscrever-se todo funcionário que idade não superior a 
40 anos” não faz sentido.) 
“Poderia inscrever-se todo funcionário que, na data da respectiva 
inclusão, estivesse em plena efetividade e tivesse, na ocasião, idade não 
superior a 40 anos.” 
(Correto – “Poderia inscrever-se todo funcionário que estivesse em plena 
efetividade e tivesse idade não superior a 40 anos”.) 
• O que não se pode, nessas hipóteses, é usar apenas a primeira ou a 
segunda vírgula. Ou se colocam as duas vírgulas, ou não se coloca nenhuma. 
“Poderia inscrever-se todo funcionário que, na data da respectiva inclusão 
estivesse em plena efetividade...” (Errado) 
“Poderia inscrever-se todo funcionário que na data da respectiva inclusão, 
estivesse em plena efetividade...” (Errado) 
“Poderia inscrever-se todo funcionário que, na data da respectiva 
inclusão, estivesse em plena efetividade...” (Correto) 
“Poderia inscrever-se todo funcionário que na data da respectiva inclusão 
estivesse em plena efetividade...” (Correto) 
“Constata-se do inteiro teor do acórdão, que o autor...” (Errado) 
“Constata-se, do inteiro teor do acórdão que o autor...” (Errado) 
“Constata-se do inteiro teor do acórdão que o autor...” (Correto) 
 
15 
 
“Constata-se, do inteiro teor do acórdão, que o autor...” (Correto) 
 
• Vírgula e o “e” 
Ao contrário do que muitos pensam, pode, sim, haver vírgula antes do “e”, 
para separar orações que têm sujeitos diferentes e dar clareza à frase. 
“A redação de seu nome mostra-se errada, e a assinatura contida no 
aceite da mercadoria é muito diferente da apresentada no instrumento de 
procuração.” (Correto) 
(A vírgula está separando orações com sujeito diferente. São eles: “a 
redação de seu nome” e “a assinatura contida no aceite da mercadoria”.) 
“O réu estava arrependido e amedrontado, e a vítima estava em pânico.” 
(Correto) 
(Neste caso, em que há dois “ee” seguidos, note como a vírgula confere 
mais clareza à frase.) 
 
• EXERCÍCIOS VÍRGULA (PARTE 1) 
• Corrija as seguintes frases no que tange principalmente ao uso da 
vírgula: 
30) O Exmo. Sr. Des. Robson Luz Varella, que indeferiu o efeito suspensivo foi 
brilhante no seu voto. 
31) Diante da ausência de intimação do executado e do erro de cálculo judicial 
do débito alimentar, o qual acrescentou valores que deveriam ser descontados, 
impende reconhecer o cerceamento de defesa, e, por consequência, a 
ilegalidade do decreto prisional. 
32) Alegou que na qualidade de vítima de acidente causado por veículo 
automotor, recebeu R$ 3.759,91 (três mil, setecentos e cinquenta e nove reais 
e noventa e um centavos) a título de indenização do seguro obrigatório e o 
Instituto Nacional de Previdência Social lhe concedeu auxílio-doença desde a 
data do acidente até 1°-12-2005. 
33) O capital social constitui-se em um patrimônio societário que a exemplo da 
personalidade jurídica, é distinto do patrimônio dos sócios. 
34) Das declarações prestadas por Adão Fonseca Júnior ao Togado singular, 
 
16 
 
extrai-se: 
35) Discussão acerca de prescrição é de índole infraconstitucional e, 
inexistindo afronta direta à Constituição, não cabe recurso extraordinário ao 
Supremo Tribunal Federal. 
36) Ao analisar o pedido de efeito suspensivo, o Exmo. Sr. Des. Subst. Luiz 
Zanelato também analisou a situação fática de maneira escorreita e, portanto, 
transcrevo trecho de sua decisão, in verbis: 
37) Vale apontar, conforme preceitua o art. 110 do Código de Processo Civil, 
que “ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessão pelo seu 
espólio ou pelos seus sucessores, observado o disposto no art. 313, §§ 1º e 
2º”. 
38) Como é cediço, a prática de quaisquer condutas existentes no art. 33, 
caput, da Lei n. 11.343/2006, é suficiente para a configuração do crime de 
tráfico ilícito de drogas. 
39) No que diz respeito à partilha dos créditos previdenciários, tal questão não 
é pacífica e este Relator se filia ao entendimento segundo o qual as verbas 
trabalhistas e outras rendas semelhantes não possuem natureza salarial. 
40) Ora, se, de fato, a construção do muro causasse falta de habitabilidade nos 
apartamentos afetados com a aludida obra, como quer fazer crer o condomínio 
agravante, com toda certeza, não levaria mais de um ano para propor a ação 
demolitória. 
41) Como se vê, as teses trazidas nas razões dos embargos de declaração 
constituem inovação recursal e, por esse motivo, não pode esta Corte de 
Justiça enfrentar tais matérias, as quais deveriam ser deduzidas no recurso de 
apelação cível. 
42) Ora, a Primeira Câmara de Direito Público já assentou que 
independentemente da previsão dos citados consectários em cláusula 
expressa, não pode a administração pública furtar-se ao pagamento de tais 
verbas, sob pena de enriquecimento ilícito. 
43) À fl. 48, foi excluída da lide a litisconsorte Ana Paula Maia. Dessa decisão, 
os réus interpuseram agravo de instrumento. 
44) Acrescentaram que visando à restituição do bem, notificaram os recorridos 
para que o desocupassem, razão pela qual, não obtido êxito em seu intento, 
ficou caracterizado o esbulho possessório. 
 
17 
 
45) Nesse contexto, pede expressa manifestação sobre os artigos 5°, incisos 
XXXIV, alínea a, LIV e LV, 93 e 133 da Constituição da República Federativa 
do Brasil e sobre os artigos 84, 89, 107, incisos I, II e III e 238 do Código de 
Processo Civil. 
46) O espólio de Cléber Soares e seus herdeiros, Daniela Soares e Luciano 
Soares interpuseram apelação cível, na qual sustentaram que após a notícia do 
falecimento de Cléber Soares, deveria ter sido aberto prazo para que o espólio 
e seus herdeiros viessem aos autos. 
47) O pleito de diminuição da fração aplicada em razão da causa especial de 
aumento prevista no art. 1o, § 4o, II, da Lei n. 9.455/1997 (crime cometido 
contra criança), não merece provimento. 
48) O instrumento de mandato outorgado pelos autores, ora credores, aos seus 
advogados, contém poderes para receber e dar quitação. 
49) Alegou também que haveria contradição interna, omissão e obscuridade no 
acórdão no ponto relativo à lei de regência do seguro obrigatório, uma vez que 
o art. 3°, caput, alínea b da Lei n. 6.194/1974, com alteração dada pela Lei n. 
11.482/2007, conteria a expressão “até” que estaria a indicar possibilidade de 
pagamento da indenização de acordo com o grau de invalidez total ou parcial. 
 
• Vírgula e a omissão de verbos 
Usa-se a vírgula para omitir verbos. Assim: 
“O novo regimento interno está dividido em quatro partes. A parte I trata 
da organização e competência; a parte II, do processo; a parte III, dos serviços 
do Tribunal; e, por fim, a parte IV, das disposições finais.” (Correto) 
(= “A parte I trata da organização e competência; a parte II (trata) do 
processo; a parte III (trata) dos serviços do Tribunal; e, por fim, a parte IV 
(trata) das disposições finais.”) 
 
• Vírgula e oração subordinada 
Sempre haverá vírgula depois da frase que começar com palavras ou 
expressões que denotam: 
• Concessão 
“Embora não tenha havido quórum, os parlamentares tentaram aprovar o 
projeto.” 
 
18 
 
“Por mais que o policial tentasse ajudar, o suicida jogou-se da ponte.” 
Outrasexpressões que denotam concessão: “mesmo que”, “apesar de”, 
“conquanto”. 
• Causa 
“Uma vez que a demanda de trabalho é maior no período vespertino, há 
um número maior de terceirizados que trabalham das 13h às 19h.” 
“Porque é mais vantajoso para as partes, a suspensão do processo é 
medida que se impõe.” 
“Por motivos de força maior, a reunião foi postergada.” 
• Condição 
“Se tivessem chegado mais cedo, a sessão teria começado antes do 
horário.” 
“Na hipótese de vários ofensores, o perdão concedido a um deles 
aproveita a todos.” 
• Tempo 
“Depois desse momento, o perdão perde o poder extintivo da ação penal 
privada.” 
“Logo que a ré saiu da audiência, levou três tiros pelas costas.” 
“Até o trânsito em julgado da sentença condenatória, é possível o 
perdão.” 
Outras expressões que denotam tempo: “quando”, “assim que”, “logo 
que”. 
• Finalidade 
“Para tentar diminuir a violência nos estádios, a Justiça catarinense far-
se-á presente em todos os jogos do campeonato.” 
Outras expressões que denotam finalidade: “para que”, “a fim de que”. 
• Proporção 
“À medida que um grupo saía, outro entrava para assistir à palestra.” 
Outras expressões que denotam proporção: “enquanto”, “ao passo que”. 
• Conformidade 
“Conforme inteligente lição de Nelson Nery Junior, a sentença terminativa 
é aquela que...” 
“De acordo com o sindicato, haveria 8% de aumento.” 
Outras expressões que denotam conformidade: “segundo”, “como”. 
 
19 
 
• Comparação 
“Como um verdadeiro delinquente, o réu foi condenado por vários 
homicídios.” 
 
• Vírgula e formas nominais do verbo 
Haverá vírgula depois da frase que começar com gerúndio, particípio ou 
infinitivo e denotar uma das palavras ou expressões acima. 
“Sabendo que poderia pegar mais de dez anos de prisão, o acusado 
entregou-se à polícia.” (Gerúndio; denota causa = “Uma vez que sabia...”) 
“Assinando o contrato, saiu rapidamente.” (Gerúndio; denota tempo = 
“Quando assinou o contrato,...”) 
“Ao ver seu nome na lista dos aprovados, chorou muito.” (Infinitivo; denota 
tempo = “Quando viu seu nome...”) 
“Mesmo sem ser notificado, o cliente deveria comparecer.” (Infinitivo; 
denota concessão = “Embora não tenha sido notificado,...”) 
“Terminada a sessão, os advogados reuniram-se.” (Particípio; denota 
tempo = “Assim que terminou a sessão,...”) 
“Desesperado, jogou-se na frente de um automóvel.” (Particípio; denota 
causa = “Uma vez que estava desesperado,...”) 
Se as referidas palavras ou expressões não começarem a frase, a vírgula 
é desnecessária, sobretudo se a primeira oração for curta (mais ou menos até 
cinco palavras). 
“Os parlamentares aprovaram o projeto embora não tenha havido 
quórum.” 
Ou: 
“Os parlamentares aprovaram o projeto, embora não tenha havido 
quórum.” 
“A ré levou três tiros pelas costas logo que saiu da audiência.” 
Ou: 
“A ré levou três tiros pelas costas, logo que saiu da audiência.” 
“Chorou muito ao ver seu filho ser levado para a prisão.” 
“Chorou muito, ao ver seu filho ser levado para a prisão.” (Evite) 
 
 
 
20 
 
• Vírgula e o travessão 
Com travessões as vírgulas devem ser usadas normalmente, como se 
eles não existissem. 
“Após ter quitado 24 prestações, de um total de 50 – a última foi de R$ 
580,00 –, o mutuário tentou transferir...” (Correto = “Depois de ter quitado 24 
prestações, de um total de 50, o mutuário tentou transferir...”) 
“Embora ela tenha chegado tarde – quase meia-noite – a festa ainda 
não...” (Errado) 
“Embora ela tenha chegado tarde – quase meia-noite –, a festa ainda 
não...” (Correto = “Embora ela tenha chegado tarde, a festa ainda não...”) 
 
• Vírgula e o “que” 
Há muita dificuldade de virgular frases que apresentam “que”. Seguem 
algumas explicações que podem ajudar. 
• Virá entre vírgulas ou antecedida de vírgula a oração que começa com 
“que”, se esta estiver fazendo algum comentário sobre o antecedente ou se o 
“que” puder ser facilmente substituído por “o qual”, “a qual”, “os quais”, “as 
quais”. 
“Envio a Vossa Senhoria o documento anexo, que traz a relação das 
comarcas que não contam com terceirizados.” (Correto – “... o qual traz...”) 
“O Presidente, que estava na França na semana passada, deve chegar a 
Londres nesta sexta-feira.” (Correto – a oração “que estava na França na 
semana passada” faz comentário sobre o antecedente “Presidente”.) 
“Os prazos no Tribunal de Justiça estão conforme a Lei n. 11.419/2006, 
que dispõe sobre a informatização do processo judicial.” (Correto – “... a qual 
dispõe...”) 
• A oração que se inicia em “que” não será seguida nem antecedida de 
vírgula se houver restrição, isto é, se a oração restringir ou limitar o 
antecedente. Sabe-se que não há vírgula antes do “que” quando na oração 
restritiva (que contém o “que”) estiver subentendida a ideia de “apenas”. 
“Os juízes que estavam de plantão não tiveram muito trabalho.” (Correto) 
(“Apenas os juízes que estavam de plantão não tiveram muito trabalho” = 
“Os outros juízes tiveram muito trabalho”) 
 
21 
 
DICA: Se o “que” não puder ser substituído por “o qual”, “a qual”, não 
haverá vírgula antes dele. 
“O réu afirmou, que não saiu de casa naquela noite.” (Errado) 
“O réu afirmou que não saiu de casa naquela noite.” (Correto) 
“O réu afirmou, ainda, que não saiu de casa naquela noite.” (Correto) 
“É necessário dizer, ainda, que, o recurso é intempestivo.” (Errado) 
“É necessário dizer, ainda, que o recurso é intempestivo.” (Correto – pois 
equivale a dizer: “É necessário dizer que o recurso é intempestivo”.) 
 
• Vírgula e “entretanto” / “porém” / “todavia” 
Não raro as expressões “todavia”, “porém”, “entretanto” são virguladas de 
maneira errada ou ambígua. Veja estes casos: 
“O advogado fez um excelente trabalho, entretanto, não obteve êxito.” 
(Errado, pois não se sabe bem se “entretanto” se refere à oração “O advogado 
fez um excelente trabalho” ou à “não obteve êxito”.) 
“O advogado fez um excelente trabalho, entretanto não obteve êxito.” 
(Correto, pois agora se sabe, claramente, que “entretanto” se refere à oração 
“não obteve êxito”.) 
“O advogado fez um excelente trabalho; entretanto, não obteve êxito.” 
(Correto, note que agora foi usado o ponto e vírgula.) 
“Há muitos estudantes procurando estágio, porém, há poucas vagas.” 
(Errado) 
“Há muitos estudantes procurando estágio, porém há poucas vagas.” 
(Correto) 
“Há muitos estudantes procurando estágio; porém, há poucas vagas.” 
(Correto) 
“Há muitos estudantes procurando estágio; há, porém, poucas vagas.” 
(Correto) 
“Há muitos estudantes procurando estágio; há porém poucas vagas.” 
(Correto – quando a sequência de ideias for clara, não há obrigatoriedade de 
expressões como “porém”, “contudo”, “todavia” virem entre vírgulas.) 
 
• Vírgula e o “mas, sim” 
A expressão “mas, sim” deve vir entre vírgulas. 
 
22 
 
“A decisão não favoreceu os apelantes, mas, sim, os apelados.” 
No entanto, se a expressão utilizada for “e sim”, só caberá vírgula à 
esquerda do “e”. 
“Os velhos funcionários não querem inovação, e sim continuidade.” 
 
• “Isso porque” 
Não há vírgula depois de “porque” em construções como: 
“Razão não socorre o réu. Isso porque ficou devidamente provado nos 
autos...” (Correto) 
“Não assinou contrato com a fornecedora; até porque não tinha mais 
interesse no produto.” (Correto) 
 
• “Pois bem” 
A expressão “Pois bem” pode vir sozinha na frase, formando, ela só, um 
parágrafo. 
Quanto à pontuação, pode ser seguida tanto do ponto quanto da vírgula 
(nesta última hipótese apenas, claro, se a expressão não vier sozinha). 
Portanto, todas as formas a seguir estão corretas: 
1 “A autora alega que a administradora do cartão possui legitimidade 
passiva para responder à ação. 
⠀Pois bem. É sabido que a legitimidade para responder à presente 
ação...”. 
 
⠀2 “A autora alega que a administradora do cartão possui legitimidade 
passiva para responder à ação. 
⠀Pois bem, é sabido que alegitimidade para responder à presente 
ação...”. 
 
⠀3 “A autora alega que a administradora do cartão possui legitimidade 
passiva para responder à ação. 
⠀Pois bem. 
⠀É sabido que a legitimidade para responder à presente ação...”. 
⠀ 
 
 
23 
 
• ⠀“Se não, vejamos” 
Dúvidas existem sobre o uso dessa expressão, muito comum na redação 
de textos jurídicos. 
Uns não sabem se o “se não” escreve-se separado ou junto (senão); 
outros, se a expressão é antecedida de vírgula, ponto, ou de ponto e vírgula; 
outros, ainda, se a expressão é seguida de dois-pontos ou somente de ponto. 
Também há aqueles que não sabem se o “se não, vejamos” pode vir no início 
do parágrafo, ou se apenas no final. Até a vírgula depois do “se não” é objeto 
de dúvidas. 
A forma correta é “se não, vejamos”, com o “se” separado do “não” 
seguido de vírgula. Devemos entender a expressão mais ou menos como: “se 
não [acredita, leitor], vejamos”. 
A expressão pode ser antecedida de vírgula, de ponto ou de ponto e 
vírgula, depende do tom que se quer imprimir à frase. 
Quanto à posição, o “se não, vejamos” pode vir no início ou no fim do 
parágrafo. A expressão pode até vir sozinha no parágrafo, o que vai depender, 
novamente, do ritmo imprimido à frase. 
Exemplos de como a expressão em tela pode ser usada corretamente: 
 
... de modo que a pretensão está prescrita, se não, vejamos. 
Primeiramente, tem-se que a ação... 
 
... de modo que a pretensão está prescrita. Se não, vejamos. 
Primeiramente, ... 
 
... de modo que a pretensão está prescrita. 
Se não, vejamos. Primeiramente, ... 
 
... de modo que a pretensão está prescrita. 
Se não, vejamos. 
Primeiramente, ... 
 
Use dois-pontos depois de “se não, vejamos” apenas se for introduzir uma 
citação. Observe: 
... tese essa defendida por Nelson Nery Junior. Se não, vejamos: 
 
24 
 
“[transcrição da doutrina]” 
Também está correta a expressão “se não, veja-se”. 
 
 
• EXERCÍCIOS VÍRGULA (PARTE 2) 
50) O dano moral é o efeito não patrimonial da lesão de direito e não a própria 
lesão abstratamente considerada. 
51) Após réplica (fls. 78-86), sobreveio sentença proferida pelo Magistrado 
Lenoar Bendini Madalena que decidiu a lide da seguinte forma: 
52) Isso porque, não se está transmitindo o direito de personalidade, que é 
ínsito à pessoa e intransmissível, mas sim o direito de ação. 
53) Neste ponto, com razão o recorrente. Isso porque, a conduta do réu no 
crime de corrupção de menores, que consistiu em envolver adolescente no 
comércio espúrio de entorpecentes, não pode servir para caracterizar tanto a 
causa especial de aumento prevista no art. 40, VI, da Lei n. 11.343/2006 
quanto o delito específico do art. 244-B da Lei n. 8.069/1990, pois tal situação 
implica bis in idem. 
54) Em suma, sustenta que o referido artigo não pode ser tido como exaustivo 
em suas vedações e sim exemplificativo, pois visa coibir o "argumento de 
autoridade", tanto pela defesa como pela acusação. 
55) Por fim, alegou que os honorários advocatícios não podem ultrapassar o 
percentual de 15% (quinze por cento) por ser o autor beneficiário da gratuidade 
da justiça. 
56) Os mecanismos de que podem se valer as partes para impugnar uma 
decisão judicial são denominados pela doutrina, genericamente, de “remédios 
processuais” que ora consistem em recursos ora em ações impugnativas 
autônomas. 
57) Aduziu que por se tratar o autor de beneficiário da gratuidade da justiça, o 
valor arbitrado a título de honorários advocatícios será de no mínimo 15% do 
valor líquido da execução. 
58) É fato incontroverso nos autos que desde 1986 vigorava entre as partes 
contrato de prestação de serviços advocatícios (fls. 42-44) que, embora tenha 
sido sucedido por várias outras pactuações (fls. 50-53 e 54-55), findou-se em 
 
25 
 
janeiro de 2000 em decorrência dos desajustes quanto à remuneração pelos 
serviços prestados. 
59) Com as contrarrazões (fls. 146-156), Artur Petro interpôs recurso adesivo 
em que pugnou pela majoração da verba honorária. 
60) Ademais, é consabido que o contrato de adesão, celebrado entre os 
litigantes, favorece em suas cláusulas a seguradora, que vem a ser, 
insofismavelmente, a parte economicamente mais forte, de forma que ao 
consumidor resta uma posição de submissão jurídica, fato que obsta 
flagrantemente o seu direito de defesa. 
61) O apelado, Banco do Brasil S.A., argumentou que o contrato firmado é de 
responsabilidade civil facultativa, que exclui expressamente qualquer reparação 
por dano moral, de modo que, possível condenação nesse sentido, deve ser 
suportada exclusivamente pelos apelantes. 
 
 
 
26 
 
PONTO E VÍRGULA 
 
• Use ponto e vírgula para separar orações de curta extensão já divididas 
por vírgulas, omitindo o verbo: 
“De decisões interlocutórias cabe, em regra, agravo de instrumento; de 
sentença, apelação”. 
 
• Empregue também o ponto e vírgula como recurso estilístico, para 
indicar relação estreita entre duas afirmações que trazem principalmente ideia 
de causa e consequência: 
“Vale destacar que em ação possessória somente se examina o fato da 
posse; não se investiga o domínio.” 
 
• O ponto e vírgula deve ser usado para separar enumerações formadas 
por frases de longa extensão: 
“O apelante sustenta a abusividade e ilegalidade na cobrança dos juros 
nas parcelas vencidas no mês de abril e maio; a descaracterização da mora e 
do esbulho, pois adimpliu a maior parte do financiamento do veículo; a 
determinação da imediata devolução do veículo com a transferência da 
propriedade registrada no Detran; e a ocorrência de má-fé da apelada ao não 
possibilitar o pagamento das parcelas vencidas.” 
- Se as frases da enumeração forem de curta extensão, basta a vírgula 
para separá-las: 
“O apelante sustenta a abusividade e ilegalidade na cobrança dos juros, a 
descaracterização da mora e do esbulho, a determinação da imediata 
devolução do veículo e a ocorrência de má-fé da apelada.” 
⠀ 
• Utilize o ponto e vírgula, em vez da vírgula, antes das conjunções 
adversativas (mas, porém, todavia etc.) e das conclusivas (logo, por isso, 
portanto etc.) para reforçar o valor adversativo ou conclusivo dessas 
conjunções. 
Compare estes períodos: 
“Há prova nos autos da realização do tratamento dermatológico, mas não 
da causa dele.” 
 
27 
 
“Há prova nos autos da realização do tratamento dermatológico; mas não 
da causa dele.” 
“A prisão do paciente ocorreu para garantia da ordem pública, portanto 
não há falar em ilegalidade.” 
“A prisão do paciente ocorreu para garantia da ordem pública; portanto, 
não há falar em ilegalidade.” 
⠀ 
• O ponto e vírgula também pode ser um poderoso recurso 
estilístico/argumentativo no lugar dos dois-pontos: 
“A concessão de liminar em habeas corpus é admitida como medida 
excepcional; quando evidente a coação ilegal ou o abuso de poder.” 
 
• Você também usará o ponto e vírgula quando quiser fazer com que o 
leitor perceba que as partes textuais estão intimamente ligadas, o que causa 
um efeito retórico. Assim, se o que você pretende é, pura e simplesmente, 
transmitir uma mensagem, use o ponto; se o que você almeja, além de 
transmitir uma mensagem, é mostrar ao leitor que o raciocínio iniciado na frase 
anterior não terminou, use o ponto e vírgula, exatamente como acabei de fazer. 
Observe, por exemplo, esta frase: 
“Presume-se verídica a declaração de hipossuficiência financeira da 
parte. Contudo, tal presunção é relativa”. 
O ponto depois de “parte” está correto? Está. Todavia, se o objetivo é 
apontar para o leitor que o raciocínio iniciado na frase anterior continua, o 
ponto e vírgula é que deverá ser usado: 
“Presume-se verídica a declaração de hipossuficiência financeira da 
parte; contudo, tal presunção é relativa”. 
⠀Portanto, e isto é extremamente importante, o entendimento de que o 
ponto é usado para marcar o fim de um raciocínio e o ponto e vírgula sua 
continuidadeestá errado. Isso porque o raciocínio sempre continua (o 
pensamento é ilimitado). Independente de você usar ponto ou ponto e vírgula, 
o raciocínio sempre vai continuar. E isso explica o fato de o ponto e vírgula 
raramente ser empregado nos textos em geral; só será usado se vocês 
quiserem evidenciar para o leitor, por uma questão de estratégia textual, que a 
 
28 
 
ideia que estão passando é continuação da anterior. O fundamento para o uso 
do ponto e vírgula, como vimos, possui forte cunho retórico. 
 
 
29 
 
GRAMÁTICA APLICADA À REDAÇÃO JURÍDICA 
 
 
• Art. 1º, I, do CP (padronização) 
“Dispõe o art. 9º, I, do CP que...” (Correto) 
“Dispõe o art. 9º, inc. I, do CP que...” (Correto) 
“Dispõe o art. 9º, I, do Código Penal que...” (Evite) 
“O inciso I do art. 9º do Código Penal dispõe que...” (Correto) 
“Dispõe o art. 9º, inciso I, do CP que...” (Evite) 
 
• Clareza 
Sujeitos diferentes que parecem iguais 
“Ao final, o apelante requer o provimento do recurso para determinar o 
pagamento da indenização pleiteada nos termos da inicial.” 
Corrigir para: 
“Ao final, o apelante requer o provimento do recurso para que seja 
determinado o pagamento da indenização pleiteada nos termos da inicial”. 
 
Paralelismo 
“Citada, a apelada apresentou contestação, na qual arguiu a inexistência 
de contrato firmado entre ela e o autor, que houve a indenização em pecúnia e 
a falta de preenchimento dos requisitos previstos nas diretrizes e nos critérios 
de reassentamento”. 
Corrigir para: 
“Citada, a apelada apresentou contestação, na qual arguiu que inexiste 
contrato firmado entre ela e o autor, que houve a indenização em pecúnia e 
que não foram preenchidos os requisitos previstos nas diretrizes e nos critérios 
de reassentamento”. 
 
“Entretanto, não foi esse o esforço feito pelo agravante, que, em vez de 
provar a validade e eficácia do título protestado, restringiu-se a alegações do 
histórico de inadimplência do agravado”. 
Corrigir para: 
 
30 
 
“Entretanto, não foi esse o esforço feito pelo agravante, que, em vez de 
provar a validade e eficácia do título protestado, restringiu-se a alegar o 
histórico de inadimplência do agravado”. 
 
“Logo, inalterada a sentença, não há falar em modificação dos ônus de 
sucumbência tampouco em afastar a suspensão dos descontos das prestações 
até a apuração do valor devido”. 
Corrigir para: 
“Logo, inalterada a sentença, não há falar em modificação dos ônus de 
sucumbência tampouco em afastamento da suspensão dos descontos das 
prestações até a apuração do valor devido”. 
 
“Comprometeram-se os embargantes a resilir o contrato de compra e 
venda, devolver a quantia recebida (R$ 10.000,00) e mais aquelas 
correspondentes às benfeitorias (R$ 3.676,00)”. 
Corrigir para: 
“Comprometeram-se os embargantes a resilir o contrato de compra e 
venda e a devolver a quantia recebida (R$ 10.000,00), mais aquelas 
correspondentes às benfeitorias (R$ 3.676,00)”. 
 
Construções com “sob o fundamento”, “sob o argumento”, “alegando”, 
“argumentando” 
“Objetiva o impetrado a reforma da sentença que julgou procedente o 
mandamus sob o argumento de que o preenchimento da ficha de conteúdo de 
importação fere o direito da parte impetrante à livre concorrência”. 
Corrigir para: 
“Objetiva o impetrado a reforma da sentença que julgou procedente o 
mandamus. 
Na decisão, assentou o Juízo a quo que o preenchimento da ficha de 
conteúdo de importação fere o direito da parte impetrante à livre concorrência”. 
 
Omissão indevida do verbo de ligação 
“Resolvida a questão suscitada pelo apelante nas suas razões, mas 
mesmo assim interpôs recurso para o STJ”. 
 
31 
 
Corrigir para: 
“Foi resolvida a questão suscitada pelo apelante nas suas razões, mas 
mesmo assim interpôs recurso para o STJ”. 
 
“Inviabilizada a apuração do índice contratado a título de juros 
remuneratórios, aplica-se a taxa média de mercado vigente à data da 
contratação para operações da mesma espécie” (Correto). 
 
• Partícula “se” apassivadora 
Colhe-se ou colhem-se os seguintes julgados? 
A redação correta é: “Colhem-se os seguintes julgados”, que equivale a 
“Os seguintes julgados são colhidos”. 
“Condenam-se os acusados ao pagamento de multa.” 
“Reuniram-se os documentos de fls. 13-61.” 
“Julgou-se o pedido improcedente”. (sujeito no singular) 
“Multiplicam-se os casos de armas em mãos erradas.” 
“Colhe-se da jurisprudência:” 
“Colhem-se da jurisprudência:” 
 
• Partícula “se” índice de indeterminação do sujeito 
“Precisam-se de intérpretes.” (Errado) 
“Precisa-se de intérpretes.” (Correto) 
“Tratam-se de apelações cíveis interpostas...” (Errado) 
“Trata-se de apelações cíveis interpostas...” (Correto) 
“Trata-se o presente caso de ação anulatória...” (Errado) 
“A apelante trata-se de servidora pública...” (Errado) 
“O caso trata-se de crime de homicídio...” (Errado) 
“Trata-se, no presente caso, de ação anulatória...” / “O presente caso trata 
de ação anulatória...” (Correto) 
“A apelante é servidora pública...” (Correto) 
“O caso é de crime de homicídio...” / “Trata-se, no caso, de crime de 
homicídio...” (Correto) 
“Tratam-se os autos de agravo de instrumento da decisão de fls. 12-13, 
que indeferiu a antecipação dos efeitos da tutela ao autor.” (Errado) 
 
32 
 
“Trata-se os autos de agravo de instrumento da decisão de fls. 12-13, que 
indeferiu a antecipação dos efeitos da tutela ao autor.” (Errado) 
“Os autos tratam de agravo de instrumento da decisão de fls. 12-13, que 
indeferiu a antecipação dos efeitos da tutela ao autor.” (Correto) 
“Trata-se, nos autos, de agravo de instrumento da decisão de fls. 12-13, 
que indeferiu a antecipação dos efeitos da tutela ao autor.” (Correto) 
Trata-se de agravo de instrumento da decisão de fls. 12-13, que indeferiu 
a antecipação dos efeitos da tutela ao autor.” (Correto) 
 
• Analisando-se os autos, conclui-se... 
“Analisando o feito, o magistrado concluiu que tanto a taxa de 
administração como o fundo de reserva estabelecidos no contrato são válidos” 
(Correto – sujeito explícito na oração principal). 
“Analisando-se o feito, conclui-se que tanto a taxa de administração como 
o fundo de reserva estabelecidos no contrato são válidos” (Correto – gerúndio 
impessoalizado pela voz passiva; voz passiva – voz passiva). 
“Compulsando-se os autos, verifica-se que assiste razão às 
demandantes” (Correto). 
“Os honorários advocatícios foram arbitrados considerando-se a natureza 
e importância da causa” (Correto). 
“O Juiz a quo arbitrou os honorários considerando a natureza e 
importância da causa” (Correto). 
 
• Flexão do infinitivo (locução verbal) 
Nas locuções verbais (verbo auxiliar + verbo principal) o verbo principal 
nunca virá flexionado:⠀ 
“Os autores pretendem reformar a sentença” (Correto – e não 
“reformarem”). 
Pelo mesmo motivo está incorreta a seguinte construção:⠀ 
“Na hipótese de interposição de apelação adesiva, devem os recorridos 
serem instados para contrarrazões” (o correto é “devem os recorridos ser 
instados”).⠀ 
 
33 
 
Idêntico problema é encontrado nas locuções verbais em que o verbo 
auxiliar é constituído de gerúndio mal-empregado: 
“A relação processual tem que ser integrada pela Caixa Econômica 
Federal, devendo os autos serem remetidos à Justiça Federal” (Errado – o 
correto seria “devendo os autos ser remetidos à Justiça Federal”). 
 
• Flexão do infinitivo (sujeito oracional) 
“Nesse contexto, competia aos réus provarem que a manobra que 
efetuaram respeitou o tráfego regular dos veículos que seguiam pela direita”. 
“Nesse contexto, competia aos réus provar que a manobra que efetuaram 
respeitou o tráfego regular dos veículos que seguiam pela direita”. 
 
• Flexão do infinitivo pessoal 
Infinitivo impessoal é a forma normal do verbo: ajuizar, perder, falar, 
pleitear, requerer. Nunca é flexionado. 
O infinitivo é pessoal quando flexiona de acordo com a pessoa, com osujeito a que se refere: ajuizar eu, ajuizares tu, ajuizarmos nós, ajuizarem eles. 
Flexiona-se o infinitivo quando possui sujeito próprio, diferente de outro 
sujeito no período: 
“O apelante alega serem os réus os responsáveis pelo acidente.” 
(Correto – o “serem” está flexionado porque o seu sujeito é “réus”, no 
plural, diferente do sujeito “apelante”). 
 
• Flexão do infinitivo pessoal antecedido de “a”, “para”, “de” 
“As partes foram intimadas a se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias”? 
“As partes foram intimadas a se manifestarem no prazo de 15 (quinze) 
dias”? 
Regra a ser aplicada: Se os sujeitos forem idênticos, o infinitivo será 
flexionado apenas se a flexão tornar mais clara a frase: 
“As partes foram intimadas a se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, 
sob pena de extinção do feito.” 
(Correto – não há necessidade de flexão do infinitivo “manifestar” 
(manifestarem), pois se trata de mesmos sujeitos (“partes”) e a flexão não 
tornaria a frase mais clara). 
 
34 
 
Observe o seguinte período: 
“Os desembargadores acordaram prover parcialmente o recurso para, 
considerando as peculiaridades do caso, concederem ao apelado a gratuidade 
da justiça.” 
(Correto – apesar de sujeitos idênticos (desembargadores), o verbo 
“conceder” está distante, de modo que a flexão torna o período mais claro). 
 
• Condenar / condenação 
“Condenou o réu no pagamento das custas processuais.” (Errado) 
“Condenou o réu ao pagamento das custas processuais.” (Correto) 
“Pugnou pela condenação do acusado em dez anos de prisão.” (Errado) 
“Pugnou pela condenação do acusado a dez anos de prisão.” (Correto) 
“Foi condenada em cinco anos de prisão.” (Correto) 
 
• Crase 
“Ele se referiu à carta.” (= ao documento) 
“O juiz fez referência às que saíram.” (= aos que saíram) 
“A testemunha acusou a da direita.” (= o da direita) 
“APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. 
ABORDAGEM ARBITRÁRIA LEVADA A EFEITO POR POLICIAIS CIVIS E 
POSTERIOR PRISÃO ILEGAL POR SUPOSTO DESACATO A 
AUTORIDADE”. 
A sessão pode ser das “2h às 4h” ou de “2 a 4 horas”. 
“Trabalham de segunda a sexta.” (= de...a...) 
“O mutirão vai da próxima segunda à sexta-feira.” (= da...à...) 
“Os assessores escrevem de cinco a dez páginas por dia.” (= de...a...) 
“Os assessores leram da página cinco à dez.” (= da...à...) 
“A nossa disciplina é semelhante à dos militares.” (= é semelhante à 
disciplina dos militares) 
Não há crase antes dos pronomes de tratamento como Sua Excelência e 
Vossa Excelência. 
“Aquela decisão deu azo àquelas discussões.” (a estas discussões) 
“Os réus deram relevância àquele dia.” (a este dia) 
“Eles não deram valor àquilo.” (a isto) 
 
35 
 
“O advogado não leu aquele relatório.” (este) 
 
• Haja vista 
“O parecer foi favorável, haja vista o contentamento da autora.” (Correto) 
“O parecer foi favorável, haja visto o contentamento da autora.” (Errado) 
“O parecer foi favorável, haja vista que a autora ficou contente.” (Errado) 
 
• Onde 
“O relatório, onde está exposta toda a argumentação,...” (Errado) 
“O relatório, em que / no qual está exposta toda a argumentação,...” 
(Correto) 
“A Comarca de Palhoça, onde se intentou a ação,...” (Correto) 
 
• Para o fim de 
“Pugnou pela manifestação expressa de dispositivos legais para o fim de 
prequestionamento.” (Errado) 
“Pugnou pela manifestação expressa de dispositivos legais para 
prequestionamento.” (Correto) 
Também não está correto: “...para fins de prequestionamento”. 
 
⚫ Corrija as seguintes frases: 
62) Não podem os embargos de declaração, portanto, serem manejados com o 
intuito de rediscutir a decisão embargada. 
 
63) Tratam-se de recursos de apelação cível interpostos por Sul América 
Companhia Nacional de Seguros S.A. e Instituto de Resseguros do Brasil – 
IRB. 
 
64) Vale apontar que a matéria dos embargos opostos pela executada 
restringe-se a discussão das cláusulas contratuais, pois sustenta terem sido 
ilegalmente exigidos juros não previstos no contrato e que a confissão de 
dívida não é novação. 
 
 
36 
 
65) Insurge-se a apelante contra a sentença de primeiro grau, que julgou 
improcedente o pedido que deduziu para condenar a apelada no pagamento de 
complementação de indenização de seguro de vida. 
 
66) Sobre o tema, traz-se à colação os seguintes entendimentos: 
 
67) Trata-se o presente de agravo de instrumento, onde o agravante alega a 
impossibilidade de estender aos inativos a vantagem pecuniária denominada 
cesta-alimentação. 
 A agravante alegou, em preliminar, que a decisão de primeiro grau é extra 
petita, que é nula por não estar fundamentada e também a litispendência em 
relação a agravada Mônica Soares. 
 
68) Declarou que seu marido é aposentado e que percebe proventos de 
aproximadamente R$ 6.935,00 (seis mil novecentos e trinta e cinco reais). 
 
69) Isso porque não se aplica ao caso as regras do Código de Defesa do 
Consumidor. 
 
70) Requereu, em caso de condenação, que a verba honorária seja fixada no 
seu mínimo legal e, por fim, a improcedência do pedido inicial. 
 
71) Na réplica, pugna o autor pela aplicação da sanção prevista no art. 359 do 
Código de Processo Civil de 1973, pois, apesar de devidamente intimado, o réu 
deixou de acostar aos autos o contrato de abertura de conta corrente. 
 
72) O apelante sustenta: a) a abusividade e ilegalidade na cobrança dos juros; 
b) que seja descaracterizada a mora e o esbulho; c) que seja determinada a 
imediata devolução do veículo. 
 
73) Pairando dúvidas acerca de como os fatos realmente ocorreram, tem-se 
como preferível manter uma sentença de improcedência, até porque era ônus 
das autoras fazerem prova convincente do ocorrido. 
 
 
37 
 
74) A alegação de autonomia da Convenção Coletiva e que esta não faz 
referência aos inativos não tem relevância, haja vista que tal fato não impede a 
concessão do benefício. 
 
75) Não deve ser admitido incidente de assunção de competência se a questão 
de direito versar sobre interpretação de lei federal e se da sua resolução puder 
resultar afronta a súmula ou a consolidada jurisprudência do Superior Tribunal 
de Justiça. 
 
76) Impõe-se considerar que os demandantes têm uma filha de 8 (oito) anos de 
idade e a natureza previdenciária da causa. 
 
77) Ressalto que a valoração do quantum a ser pago a título de danos morais 
deverá observar os critérios da proporcionalidade e da equidade, buscando-se 
trazer conforto ao ofendido e impedir que novos atos como este venha a 
acontecer novamente. 
 
78) Portanto, a autora cumpriu integralmente com sua obrigação contratual, 
devendo os réus serem compelidos a efetuarem a transferência do imóvel. 
 
79) A constatação dos vícios redibitórios é antecedente lógico daquelas lesões 
materiais acima apontadas. 
 
80) A Constituição da República não reserva à lei complementar matéria 
relacionada a regime jurídico de servidor público. 
 
• Repetição de preposições 
“Foi condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários 
advocatícios” ou “das custas processuais e honorários advocatícios”? 
⠀1ª regra: Quando há mais de um nome mas um só regime, não se 
repete a preposição: 
“João ajuizou ação contra Pedro e Felipe” (João ajuizou uma só ação; 
então se trata de um só regime; não se repete a preposição). 
 
38 
 
“João ajuizou ação contra Pedro e contra Felipe” (João ajuizou duas 
ações; dois regimes; a preposição se repete). 
“Condenou o réu a pagar ao autor e apelante a quantia de...” (autor e 
apelante são a mesma pessoa; um só regime; não se repete a preposição). 
“Condenou o réu a pagar ao autor e ao apelante” (autor e apelante são 
pessoas diferentes; dois regimes; a preposição se repete). 
“Colhe-se lição de Theotônio Negrão e Lúcia Jacinto” (uma só obra). 
“Colhe-se lição de Theotônio Negrão e de Lúcia Jacinto” (duas obras, 
uma de cada autor). 
⠀▪ Seguem a mesma regra: 
“Autor com parcos recursos ehipossuficiência técnica” (e não: “com” 
hipossuficiência...). 
“A decisão afrontou o princípio do contraditório e da ampla defesa”. 
2ª regra: Se os complementos são palavras que têm mais ou menos o 
mesmo sentido, não se repete a preposição: 
“A existência de sistema de monitoramento ou vigilância não impossibilita 
a consumação do crime de furto” (e não: “de” vigilância). 
“Em relação à natureza e importância da causa” (e não: “à” importância). 
⠀3ª regra: Quando a estrutura de dois regimes estiver pluralizada, é 
facultativa a repetição da preposição “de”: 
“A decisão afrontou oS princípioS do contraditório e da ampla defesa” ou 
“oS princípioS do contraditório e ampla defesa” (ambas as formas estão 
corretas). 
Esta regra responde à pergunta inicial. Tanto está correto escrever “foi 
condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários 
advocatícios” quanto “das custas processuais e honorários advocatícios”. 
 
• E se o nome da parte processual for pluralizado? 
O correto é “ação ajuizada pelaS Lojas Americanas S.A.” ou “pela Lojas 
Americanas S.A.”? 
Nos casos em que o nome da parte é pluralizado, a concordância se faz 
sempre no singular. Assim: 
“Ação ajuizada pela Lojas Americanas”. 
 
39 
 
“Inconformada, a Lojas Americanas S.A. interpôs apelação” (não “as” 
lojas, nem “InconformadaS”). 
“Foi apresentada contestação pela Lojas Americanas S.A.” (não “pelas”). 
“O Supermercados Pereira apresentou réplica” (não “Os”). 
Isso é assim porque, a entender que o correto é levar o artigo para o 
plural, acompanhando a “forma” da parte processual, seríamos obrigados a 
também pluralizar em outro lugar do texto uma construção como “Ao final, 
requereram aS autoraS [Lojas Americanas] a procedência do pedido”, o que 
está completamente incorreto, pois se trata de uma autora só (“requereu a 
autora”). 
 
• Mais sobre parte processual (emprego do artigo definido) 
Muitas dúvidas há sobre o uso do artigo definido antes do nome de partes 
processuais. 
Vocês apenas usarão o artigo definido antes do nome da parte processual 
se ela for conhecida em nível nacional. Vejam: 
“Autoposto Goiás Ltda. ajuizou ação revisional contra O Banco Bradesco 
S.A.”. 
O Banco Bradesco é uma instituição conhecida de todos, por isso o “o” 
antes dele na frase acima (e também neste parágrafo). 
Outro exemplo, com inversão dessas partes: 
“O Banco Bradesco S.A. ajuizou ação de busca e apreensão contra 
Autoposto Goiás Ltda.”. 
Não há artigo definido antes de “Autoposto” por não ser esta uma 
empresa conhecida. Reparem que, pelos motivos já expostos, há artigo antes 
de “Banco Bradesco”. 
“Cláudio Silva interpôs agravo de instrumento da decisão proferida nos 
autos da ação monitória proposta contra ele pelO Banco do Brasil S.A.”. 
O Banco do Brasil também é bastante conhecido, por isso deve vir 
antecedido do “o”. Vejam que a mesma regra justifica o não uso do artigo antes 
de “Cláudio Silva”. 
“Cláudio Silva interpôs agravo de instrumento da decisão proferida nos 
autos da ação monitória proposta contra ele POR Micasa Comercial de 
Veículos S.A.”. 
 
40 
 
“Micasa Comercial de Veículos S.A.” não é tão conhecida assim. Daí o 
uso do “por” em vez do “pela”. 
“Fabricio Dutra ajuizou ação de compensação por dano moral contra A 
Lojas Americanas S.A.”. 
A “Lojas Americanas” é conhecida de todos, por isso o artigo definido 
antes dela. 
 
 
41 
 
REDAÇÃO DOS PRINCIPAIS CAMPOS DE PEÇAS 
JURÍDICAS E TÉCNICAS DE ESCRITA DE 
TEXTOS ARGUMENTATIVOS 
 
• Endereçamento da petição inicial 
Com o CPC em vigor, o endereçamento da petição inicial passou a ser 
feito ao Juízo (art. 319, I). E, tecnicamente, isso sempre deveria ser assim 
mesmo. Ao contrário do que facilmente encontramos na internet, 
“Excelentíssimo Senhor” nunca foi a forma correta de endereçamento. Era 
bastante usada e ainda o é até hoje? Sim. Mas daí a dizer que era a forma 
correta e hoje não é mais... 
“Excelentíssimo Senhor” é vocativo apenas para chefes de poder. É 
usado para juízes em geral por associação ao pronome de tratamento “Vossa 
Excelência”, mas está errado. No endereçamento das petições iniciais, 
escrevam sempre “Ao Juízo”, ou, em se tratando de juizados especiais, “Ao 
Juizado”. 
“Ao Juízo da Vara Cível da Comarca de Lages” 
Se se tratar de incidente, não se esqueçam de indicar a vara para a qual 
o processo principal foi distribuído. 
 
• Redigindo corretamente o preâmbulo da peça 
Exemplo correto: 
JOÃO DA SILVA, solteiro em união estável, servidor público estadual, 
inscrito no CPF n. 040. 843456-28, com endereço eletrônico 
j_2030silva@gmail.com, domiciliado e residente na Rua Afonso Chagas, 144, 
ap. 920, Bairro Centro, Florianópolis/SC, CEP 88010-000, vem, por meio do 
seu procurador, com fundamento nos arts. 318 e 319 do Código de Processo 
Civil, ajuizar AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO BANCÁRIO contra o 
BANCO DO BRASIL S.A., sociedade de economia mista inscrita no CNPJ n. 
11.233.999/0001.20, com sede no Setor Bancário Sul, Quadra 4, Bloco C, Lote 
32, Edifício III, Brasília/DF, CEP 78000-300, pelos fatos e fundamentos 
jurídicos a seguir expostos. 
 
 
 
42 
 
 
• Redação dos pedidos e o paralelismo 
Ao escrevermos “Ante o exposto, requer:”, temos oculto o sujeito da 
oração (o autor, o demandante, o impetrante... requer). O problema de assim 
escrever, todavia, é deixar oculto um sujeito que não se pode inferir 
imediatamente do texto. Leiam a seguinte construção: 
“...Assim, por ter sofrido prejuízo material, a autora almeja a 
respectiva reparação. 
Ante o exposto, requer:” 
Vejam que está claro que o sujeito de “requer” é “a autora”, pois ele 
aparece no parágrafo anterior. Nesse caso, o emprego da forma “Ante o 
exposto, requer:” está correto. 
Quando, porém, a forma vem precedida, como não raro acontece, do 
título “DOS PEDIDOS”, seu uso não é adequado, porque o sujeito de “requer” 
estará distante, ainda que se saiba que obviamente quem requer é a parte polo 
ativo da ação. Reparem: 
“DOS PEDIDOS 
Ante o exposto, requer:” (quem requer?) 
Em “Ante o exposto, requer-SE:”, a oração está na voz passiva, de modo 
que os pedidos que se seguem à forma constituirão o sujeito da oração. Uma 
vez que sempre são feitos no mínimo dois pedidos, o correto será então 
escrever “requerEM-se:”. Regra básica: sujeito no plural, verbo no plural. 
Ficaria assim: 
“Ante o exposto, requerem-se: 
a) a citação… 
b) a condenação… 
c) a produção de...”. 
Como não somos dados a escrever dessa maneira, não a aconselho. 
O “requer-se” no singular estará correto se a forma vier seguida de “que” 
(“Ante o exposto, requer-se QUE:”), mas isso pode ser bastante problemático, 
pois os verbos constantes dos pedidos obrigatoriamente deverão vir no 
subjuntivo (seja citado, seja condenado), e a probabilidade de errarmos no 
emprego desse modo verbal é enorme. 
 
43 
 
Por conta disso tudo é que indico uma terceira forma, que é a de sempre 
trazer expresso o sujeito da oração, na voz ativa: “Ante o exposto, A AUTORA 
requer:”. Fazer assim é mais fácil e a estrutura fica mais coesa e limpa. 
• Agora leiam em voz alta a seguinte construção: 
Ante o exposto, o impetrante requer: 
a) liminarmente, a concessão de ordem que determine a imediata 
restituição da liberdade ao paciente; 
b) a dispensa de requisição de informações à autoridade coatora, 
diante da possibilidade de acesso integral aos autos por meio 
eletrônico; 
c) ao final, seja confirmada a liminar, declarando-se a ilegalidade 
do ato impugnado e relaxando-se definitivamente a prisão ilegal; 
d) caso não conhecido o habeas corpus, sejam apreciadas de 
ofício as ilegalidades relatadas. 
Reparem: o texto começa com “o impetrante requer, a) liminarmente, A 
concessão de ordem...” e “b) A dispensa de requisição...”, mas na sequência 
muda de estilo e passar a dispor “c) ao final, SEJA confirmada a liminar...” e “d) 
... SEJAM apreciadas de ofício...”. Issonão pode! Se começarem a usar “a”, 
“o”, não podem mudar para “seja”, “sejam”. 
Percebam como soa melhor assim: 
Ante o exposto, o impetrante requer: 
a) liminarmente, a concessão de ordem que determine a imediata 
restituição da liberdade ao paciente; 
b) a dispensa de requisição de informações à autoridade coatora, 
diante da possibilidade de acesso integral aos autos por meio 
eletrônico; 
c) ao final, A CONFIRMAÇÃO da liminar, declarando-se a 
ilegalidade do ato impugnado e relaxando-se definitivamente a 
prisão ilegal; 
d) caso não conhecido o habeas corpus, A APRECIAÇÃO de 
ofício das ilegalidades relatadas. 
Sentiram a diferença? Diz-se que a primeira estrutura apresentada não 
contém paralelismo e essa segunda sim. A construção também ficaria paralela 
se em vez de “a concessão”, “a dispensa”, “a confirmação” e “a apreciação” 
 
44 
 
escrevêssemos “seja concedida”, “seja dispensada”, “seja confirmada” e “seja 
apreciada”. O que não pode é misturar as formas. 
 
• “Pugna-se pela produção de todos os meios de prova em direito 
admitida” 
Para além do fato de não ser tecnicamente correto terminar uma petição 
com pedido genérico de produção de provas, quem escreve “Pugna-se pela 
produção de todos os meios de prova em direito admitida” comete erro de 
concordância. 
Isso porque o “admitir” deve concordar com a palavra “meios”, não com 
“prova”. Assim: 
“Pugna-se pela produção de todos os meios de prova em direito 
admitidos.” (correto) 
Veja que o CPC traz adequadamente a concordância do “admitir” em 
construção similar: 
“Art. 357 [...] 
II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade 
probatória, especificando os meios de prova admitidos”. 
 
• “Termos em que pede deferimento” 
É adequado usar esta estrutura, que costuma aparecer no final das peças 
“Termos em que, 
Pede deferimento.”? 
Para começar, gramaticalmente a estrutura está errada. Por um acaso 
escrevemos “perto da rua em que, Ela reside”? Então, o raciocínio é o mesmo. 
Mas vejam que interessante: em correspondências oficiais (ofícios, 
circulares, portarias) é correto começar o documento com um vocativo seguido 
de vírgula e, no parágrafo seguinte, de palavra com inicial maiúscula. Assim: 
“Senhor Ministro, 
Apresento para apreciação de Vossa Excelência projeto...”. 
O hábito de os advogados terminarem as peças usando a estrutura em 
tela vem daí, mas isso não está correto. No vocativo, a vírgula seguida de 
inicial maiúscula é possível; na estrutura, já vimos acima que não. 
 
45 
 
Além de estar gramaticalmente incorreto, escrever “Termos em que, Pede 
deferimento” também pode não ser lá a forma mais técnica de finalizar uma 
peça. A não ser que se esteja tratando de processo de natureza cautelar, o 
correto é usar a palavra “procedência” (para ações em geral) ou “provimento” 
(para recursos), em vez de “deferimento”. Nesse sentido, a estrutura ficaria 
correta assim: 
“Termos em que pede procedência”. 
“Termos em que pede provimento”. 
Está correto tanto escrever “pede” (“autor” como sujeito oculto, por 
exemplo) quanto “em que se pede” (na passiva). 
 
• Endereçamento de peças recursais 
Muitas dúvidas surgem na hora de redigir o endereçamento de peças 
recursais. Deve-se endereçar a peça à câmara, turma, seção, ou ao tribunal 
que elas integram? Está correto escrever “Colenda Câmara”, “Colendo 
Tribunal”? Ou o certo é “Egrégia Câmara”, “Egrégio Tribunal”? 
Tratarei aqui do endereçamento nos recursos de apelação, agravo de 
instrumento e embargos de declaração. Mas a lógica para os demais recursos 
não foge muito do que explicarei, não. 
Importante: “egrégia” e “colenda” são adjetivos que podem ser usados 
para “Câmara”. Para “Tribunal”, a forma admitida é “egrégio”. A fim de não 
errar, dê uma olhada no regimento interno do tribunal em questão. O regimento 
interno do TJSC, por exemplo, dispõe que “egrégio” deve ser usado tanto para 
o tribunal quanto para os seus órgãos julgadores. 
- Tratando-se de apelação, o endereçamento deve ser feito assim: 
 
AO JUÍZO DA ___ VARA _______ DA COMARCA DA(E) _____ 
Exemplo: 
AO JUÍZO DA 2ª VARA DE DIREITO BANCÁRIO DA COMARCA DE 
ITAJAÍ 
 
- Se o recurso é o de agravo de instrumento, você fará assim: 
 
AO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE(A/O) ______ 
 
46 
 
Exemplo: 
AO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA 
 
- Se se tratar de embargos de declaração opostos contra acórdão, você 
deve escrever desta forma (ressalvadas as peculiaridades no nome dos órgãos 
julgadores de cada tribunal): 
 
AO(À) SENHOR(A) DESEMBARGADOR(A) RELATOR(A) INTEGRANTE 
DA EGRÉGIA [ou “colenda”, conforme o regimento interno do tribunal] _____ 
CÂMARA DE DIREITO ______ DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO 
DE(A/O) ______ 
Exemplo: 
AO SENHOR DESEMBARGADOR RELATOR INTEGRANTE DA 
EGRÉGIA PRIMEIRA CÂMARA DE DIREITO CRIMINAL DO TRIBUNAL DE 
JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA 
 
Perceba que não vai ponto final nos endereçamentos e que o emprego de 
vocativos como “Excelentíssimo(s) Senhor(es) Desembargador(es)” é 
inadequado. 
 
• Redação dos títulos da contestação 
Por não ser uma boa estratégia, muito cuidado para não redigirem os 
títulos da sua peça de defesa assim: “DOS DANOS MATERIAIS”, “DOS 
DANOS MORAIS”. Explico. 
Suponhamos que o autor ajuíza ação de indenização por danos materiais 
e de compensação por danos morais, alegando que seu veículo colidiu com o 
do réu por culpa deste, que vinha na contramão de direção. 
Na petição inicial, está correto trazer, nesse caso, os títulos “Dos danos 
materiais”, “Dos danos morais”, “Da culpa do réu pelo acidente”, MAS NA 
CONTESTAÇÃO NÃO!! 
Quando vocês escrevem “Do dano moral” na contestação, parece que de 
fato houve dano moral e que vocês apenas se limitarão a versar sobre ele. A 
preposição “Do” antes de “dano moral” no título pode levar o julgador a ler sua 
peça defensiva partindo já da premissa de que vocês não têm razão. É claro 
 
47 
 
que o juiz não imaginará que vocês, advogados do réu, iriam contra si mesmos, 
mas a preposição pode levá-lo inconscientemente a esse entendimento. 
Isso fica mais claro com o título “Da culpa do réu pelo acidente”. Ponham-
se no lugar do juiz: ao lerem esse título na contestação, o que iriam ser 
levados, pela sua literalidade, imediatamente a pensar? Que de fato o réu teve 
culpa pelo acidente, não é? Pegaram o ponto? 
Vejam que o problema não está nas preposições (“Da”, “Do”, “Dos”) em si. 
Longe disso. Aliás, vocês podem se valer da técnica usada pelo autor, mas 
escreverem os títulos de uma forma que favoreça o seu cliente, assim: “Da total 
inexistência do dano moral”, “Da responsabilidade do autor pelo acidente”. 
Não usem a forma “Dos ALEGADOS danos morais” na contestação. Isso 
porque, apesar da palavra “alegados”, continua-se passando a ideia do 
reconhecimento da existência dos danos. 
 
• “Já devidamente qualificado(a) nos autos em epígrafe” 
Em primeiro lugar, uma curiosidade: as palavras “preâmbulo” (campo da 
peça no qual a estrutura do título está inserida) e “epígrafe” são termos 
oriundos da técnica legislativa. 
Preâmbulo é a parte da lei que traz a instituição competente para a 
prática do ato legal. Por exemplo: “O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço 
saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:”. Daí 
chamarmos de “preâmbulo” a parte inicial da peça em que escrevemos o nome 
das partes, também em caixa-alta: “JOÃO DA SILVA, solteiro, empresário... 
vem, por meio do seu procurador...”. 
A epígrafe representa o número e o ano de promulgação de uma lei. Vem 
escrita desta forma: “LEI N. 9.099, DE 26 DE SETEMBRO DE 1995”. 
Analogicamente, chamamos de “epígrafe” a parte inicial da peça em que 
apomos o número dos autos acompanhado da palavra “autos” e/ou do nome da 
ação ou do recurso. Assim: 
 
“Autos n. 405332-34.2018 [esta linha é a epígrafe] 
Autor: Marcos de Souza 
Réu: Maria da Silva"48 
 
“Apelação Cível n. 494838445.2017” [epígrafe] 
 
A estrutura “já devidamente qualificado nos autos em epígrafe” significa 
que a qualificação da parte está em alguma peça anterior dos mesmos autos 
AOS QUAIS FAZ REFERÊNCIA A EPÍGRAFE DA PEÇA EM QUESTÃO, de 
modo que não há necessidade de trazer a qualificação novamente. Mas, 
cuidado, se se tratar, por exemplo, de contestação, está incorreto escrever 
“autos em epígrafe” se no início da própria peça de defesa não constar o 
número dos autos. E como vejo isso acontecer! escreve-se “autos em epígrafe” 
sem a respectiva peça trazer epígrafe nenhuma. Muitas vezes emprega-se 
“autos em epígrafe” com o sentido de “autos em questão”. Está errado. 
Portanto, sempre que usarem a estrutura “... já devidamente qualificado 
nos autos em epígrafe”, estejam certos de que o número dos autos realmente 
conste no início da peça em que a estrutura está sendo usada. Em outras 
palavras, se, por alguma razão, vocês não colocarem epígrafe na peça, não 
podem nela escrever “autos em epígrafe”. 
Uma dica para nunca errar é escrever “já devidamente qualificado nos 
autos”, sem o “em epígrafe”. 
 
• Coisas que irritam o leitor da sua peça 
1 Parágrafos muito pequenos ou muito grandes 
Não existe regra fixa, mas geralmente bons parágrafos contêm de três a 
seis, sete linhas. 
2 Muitos destaques 
Não faça muitos negritos, sublinhados, itálicos. Isso enfeia demais o texto. 
Apenas destaque o que for importante. E lembre-se: se tudo é importante, nada 
há para ser destacado. 
3 Recuos desproporcionais 
O tamanho normal de recuo da margem esquerda para citações é de 
4 cm. Fazer recuo de 6, 7, 8 cm é abusar da paciência do leitor (ainda mais se 
vier negritado, como é normal acontecer). 
4 Uso de iniciais maiúsculas sem necessidade 
Isso é uma chateação. Retire todas as maiúsculas de “... o Autor interpôs 
Apelação questionando o Laudo Pericial elaborado...”. 
 
49 
 
5 Uso de exclamação 
Polui o texto. Se quiser usar exclamação, use uma apenas. Portanto, se 
for escrever “Isso é um absurdo!”, escreva assim mesmo, e não “ISSO É UM 
ABSURDO!!!!!”. O mesmo raciocínio se aplica ao ponto de interrogação. 
6 Uso exagerado de travessões 
O travessão — que muitos confundem com o traço — e com a vírgula — 
deve ser usado com muita parcimônia. Meu conselho é que — quase nunca — 
seja usado, pois confunde a leitura — e também polui o texto. 
7 Notas de rodapé 
Não use. Deixe as notas de rodapé, com referências doutrinárias e 
jurisprudenciais, para os trabalhos científicos. Em peças jurídicas faça 
referências dentro do próprio texto, entre parênteses. 
 
• Processos sintáticos de coordenação e de subordinação 
O estudo dos períodos compostos não implica em decorar os tipos de 
conjunções nem em saber identificar uma oração subordinada adverbial 
temporal reduzida de gerúndio. Nada disso. Isso ficou lá para trás, no 8º ano do 
ensino fundamental. Os processos de coordenação e subordinação devem ser 
vistos como um meio para a redação de bons textos, e não como um fim em si 
mesmos. Aqui está o ponto. 
Ainda que os períodos compostos por coordenação e subordinação 
devam servir como meio para a construção de bons textos, e não como um fim 
em si mesmos, é impossível explicá-los sem antes passar por alguns conceitos 
básicos, como o de frase, de oração e sua classificação. 
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para estabelecer 
comunicação. A expressão “1 – DOS FATOS” constante na petição inicial é 
uma frase, pois quando o leitor a lê já sabe que na sequência virá uma 
exposição dos fatos que envolvem a lide. Da mesma forma, a estrutura “Dá-se 
à causa o valor de R$ 1.000,00” é uma frase, uma vez que apresenta sentido 
completo. 
Oração é todo enunciado QUE CONTÉM VERBO. Quando uma oração 
encerra um pensamento completo, pode ser chamada de frase. Vejam: 
“O autor recorreu” (oração e frase; oração porque contém verbo, e frase 
porque tem sentido completo). 
 
50 
 
“O demandado alegou que a inicial é inepta” (duas orações, pois contém 
dois verbos, e frase porque apresenta sentido completo). 
Observem: “que a inicial é inepta” é uma oração (pois possui verbo), mas 
não é frase (não tem sentido completo). 
Dá-se o nome de “período” a uma ou mais orações que formam sentido 
completo. No primeiro caso (uma oração), diz-se que o período é simples; no 
segundo (duas ou mais orações), composto. Vejam: 
“O autor recorreu” (período simples; um verbo – uma oração). 
“O demandando alegou que a inicial é inepta” (período composto; dois 
verbos – duas orações). 
 
- Período composto por coordenação 
Na coordenação, as orações se dizem da mesma função e se interligam 
por meio de conectivos chamados CONJUNÇÕES COORDENATIVAS. 
As conjunções coordenativas são (NÃO precisam decorar): 
• aditivas – e, nem 
• adversativas – mas, porém, contudo, todavia 
• alternativas – ou, ou...ou 
• conclusivas – logo, portanto, pois (depois do verbo) 
• explicativas – porque, pois (antes do verbo) 
Vejam a frase: 
“O autor apelou e apresentou contrarrazões”. 
Se vocês estão acompanhando com atenção, já devem saber que o que 
se tem aqui é um período composto, pois a frase apresenta dois verbos 
(“apelou” e “apresentou”). Se há dois verbos, há duas orações; se há duas 
orações, o período é composto (viram? forma-se um ciclo). Bom, o período é 
composto por COORDENAÇÃO porque uma das orações inicia-se com a 
conjunção “e” (“E apresentou contrarrazões”), que é uma conjunção aditiva. 
 
- Período composto por subordinação 
Assim como no período composto por coordenação, no período composto 
por subordinação temos mais de uma oração. Só que aqui uma oração será 
sempre a PRINCIPAL, a qual se ligará uma oração subordinada. Leiam 
 
51 
 
novamente isso que acabei de escrever, pois esse entendimento vocês devem 
levar até o final. 
Nenhuma oração subordinada subsiste por si mesma, sem o apoio da sua 
principal. As conjunções que ligam a oração subordinada à oração principal 
chamam-se CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS. 
Conjunções subordinativas (apenas as adverbiais, que são aquelas que 
nos interessam mais de perto): 
• causais – porque, porquanto, uma vez que, já que 
• concessivas – EMBORA, conquanto, ainda que 
• condicionais – SE, contanto que, a menos que 
• temporais – quando, logo que, depois que, assim que 
Exemplos de período composto por subordinação: 
“O recurso não será conhecido se for intempestivo”. 
▪ Oração principal: O recurso não será conhecido 
▪ Oração subordinada condicional: SE for intempestivo 
“Embora a sentença tenha sido favorável ao autor, ele apelou”. 
▪ Oração principal: ele apelou 
▪ Oração subordinada concessiva: EMBORA a sentença tenha sido 
favorável ao autor 
Observem que a oração subordinada é aquela que se inicia pela 
conjunção. Nas frases acima, as conjunções são “se” e “embora”, 
respectivamente. 
⠀ 
▪ Geralmente, uma mesma ideia pode ser exposta tanto por um período 
composto por coordenação quanto por subordinação. A oposição ou contraste, 
por exemplo, podem ser expressos por uma COORDENADA adversativa ou 
por uma SUBORDINADA concessiva. Vejam: 
“O réu teve a prisão preventiva decretada, MAS os requisitos para a 
medida não foram comprovados”. (coordenação) 
“EMBORA o réu tenha tido a prisão preventiva decretada, os requisitos 
para a medida não foram comprovados”. (subordinação) 
Observem que em ambos os períodos a ideia mais relevante é a não 
comprovação dos requisitos para a medida cautelar. Na coordenação, todavia, 
essa ideia praticamente se nivela à oração anterior (“O réu teve a prisão 
 
52 
 
preventiva decretada”); na subordinação, A IDEIA SE SOBRESSAI. 
Perceberam isso? 
Outro exemplo: 
“O autor se conformou com a sentença e o réu interpôs recurso de 
apelação”. (coordenada aditiva) 
“Enquanto o autor se conformou com a sentença, o réu interpôs recurso 
de apelação”. (subordinada temporal) 
Notem quese o que desejo é enfatizar o fato da interposição do recurso, 
essa ideia fica mais marcada na subordinação. Na coordenação, fica 
apagada.⠀ 
⠀ 
Leiam agora o seguinte período composto por coordenação (sabemos 
que se trata desse período pela conjunção “contudo”, que é adversativa): 
“A Caixa Econômica Federal é parte em ambos os processos citados. 
Contudo, o primeiro tramitou na Justiça Federal e o segundo na Justiça 
Estadual”. 
Supondo que eu queira enfatizar para o meu leitor a ideia constante no 
segundo período (de que o primeiro processo tramitou na Justiça Federal e o 
segundo na Justiça Estadual), reparem como o período composto por 
subordinação é mais apto para tanto: 
“Embora a Caixa Econômica Federal seja parte em ambos os processos 
citados, o primeiro tramitou na Justiça Federal e o segundo na Justiça 
Estadual”. (subordinada concessiva) 
Perceberam? E o legal é que existe uma explicação para o fato de a 
subordinação provocar esse efeito. Lembram que eu disse que era para vocês 
gravarem que no período composto por subordinação há sempre uma 
ORAÇÃO PRINCIPAL à qual se liga uma oração subordinada? Pois é, chegou 
a hora de compreendermos de verdade como isso pode nos ajudar na 
construção de textos argumentativos. 
 
Quando aprendemos na escola que a oração à qual se liga a oração 
subordinada é chamada de “principal”, não nos prendemos muito à 
terminologia; limitamo-nos a decorá-la. Saibam, todavia, que tal oração não é 
 
53 
 
chamada de “principal” à toa. A oração principal é assim denominada porque 
contém o núcleo da informação, A IDEIA MAIS IMPORTANTE DO PERÍODO. 
Analisemos novamente, por exemplo, a seguinte frase: 
“Embora a Caixa Econômica Federal seja parte em ambos os processos 
citados, o primeiro tramitou na Justiça Federal e o segundo na Justiça 
Estadual”. 
Vimos que se trata de um período composto por subordinação: a oração 
“Embora a Caixa Econômica Federal seja parte em ambos os processos 
citados” é subordinada concessiva, e a oração “o primeiro tramitou na Justiça 
Federal e o segundo na Justiça Estadual” é a ORAÇÃO PRINCIPAL. 
Repito: No período composto por subordinação com oração subordinada 
adverbial, como é o caso (adverbial concessiva), a oração principal será 
SEMPRE o núcleo da comunicação; será SEMPRE a informação mais 
importante que se quer transmitir. 
Ocorre que a oração principal tanto pode anteceder quanto suceder a 
oração subordinada. E, a depender da posição da oração principal na frase, 
esta acarreta diferentes impactos no leitor. 
Supondo, por exemplo, que vocês queiram escrever na peça a 
informação de que o autor ganhou a causa mas teve que pagar honorários, e 
almejem reforçar esse último fato (o pagamento dos honorários), como vocês o 
fariam? Aqueles que não estão acompanhando com atenção dirão: “Ué, 
escreveria assim mesmo, Professor, ‘o autor ganhou a causa, mas teve que 
pagar honorários’”. 
Não. Conforme tenho dito aqui, se o que vocês desejam é reforçar um 
fato, o período composto por SUBORDINAÇÃO, quando possível, é mil vezes 
melhor que o período composto por coordenação. Reparem: 
“O autor ganhou a causa, mas teve que pagar honorários” (período 
composto por coordenação). 
“Embora o autor tenha ganhado a causa, teve que pagar honorários” 
(período composto por subordinação). 
Em qual dos dois períodos a ideia do pagamento dos honorários se 
sobressai? Com certeza no segundo. Isso comprova que, nesse tipo de frase, a 
subordinação é mais eficaz que a coordenação. 
 
54 
 
No período em tela, qual é a oração principal? Sabemos que a oração 
subordinada é aquela que traz a conjunção. Então, a oração “Embora o autor 
tenha ganhado a causa” é a oração subordinada (adverbial concessiva), pois 
contém a conjunção “embora”, e “teve que pagar honorários” é, 
consequentemente, a oração principal. 
E por que a oração principal é chamada assim mesmo? Ora, é chamada 
assim porque traz a PRINCIPAL ideia do período. No caso em questão, por 
exemplo, quem escreveu a frase quis destacar que o autor teve que pagar 
honorários, e o fez, portanto, em forma de oração principal. 
Olhem agora que interessante: se quiséssemos destacar não o fato de 
que o autor teve que pagar honorários, mas o de que ele ganhou a causa, 
escreveríamos o período assim: 
“Embora tenha tido que pagar honorários, o autor ganhou a causa”. 
Viram? Para destacar a informação sobre o ganho da causa, transformou-
se em principal a oração que antes era subordinada e vice-versa. 
Podemos ver que na oração principal deve estar a ideia mais relevante do 
período SEGUNDO A INTENÇÃO DO AUTOR, segundo o ponto de vista em 
que ele, e não o leitor, se coloca, o que dependerá sobretudo do contexto da 
peça ou da conclusão a que se queira chegar. 
 
Bom, já vimos que no período composto por subordinação, com oração 
subordinada adverbial, a oração principal traz a informação mais relevante do 
período. Agora veremos que, a depender da POSIÇÃO da oração principal 
no período, seu texto fica com menor ou maior carga argumentativa. 
No período composto por subordinação, com oração adverbial, a oração 
principal deve, a fim de prender a atenção do leitor (coisa que todos nós 
queremos), vir NO FINAL. Para comprovar, comparem os períodos abaixo: 
“O autor ganhou a causa, embora tenha tido que pagar honorários”. 
“Embora tenha tido que pagar honorários, o autor ganhou a causa”. 
Não há dúvidas de que o segundo período, com a oração principal ao 
final, posposta à oração subordinada, prende muito mais a nossa atenção, 
obrigando-nos a ler até o fim. Vale dizer: o segundo período é mais 
argumentativo. 
 
55 
 
Por isso que, sempre que possível, devemos procurar escrever “períodos 
tensos” em nossas peças. Explico. 
Primeiramente, é importante saber dois conceitos: o de “prótase” e o de 
“apódose”. 
“Prótase” tem relação com expectativa, com introdução de uma ideia que 
se completa ao final do período, quando se dá a “apódose”. Vejam, por 
exemplo, a seguinte construção: 
“Conquanto o fato de o paciente possuir bons predicados não represente 
impedimento à manutenção da custódia, eles podem e devem ser 
considerados”. 
Reparem que a oração “Conquanto o fato de o paciente ... à manutenção 
da custódia” é uma prótase, porque com essa oração o leitor fica à espera de 
uma conclusão; fica à espera da oração principal. A oração “eles podem e 
devem ser considerados”, por sua vez, é uma apódose, é a conclusão que o 
leitor esperava. 
Pois bem. Quando um período contém prótase e apódose, nesta ordem, 
diz-se que se trata de um “período tenso”. 
“Conquanto o fato de o paciente possuir bons predicados não represente 
impedimento à manutenção da custódia [PRÓTASE], eles podem e devem ser 
considerados [APÓDOSE]”. (Período tenso) 
O período tenso é o verdadeiro período; é o famoso “ambitus verborum” 
de Cícero, isto é, circuito de palavras encadeadas de tal forma, que o sentido 
só se completa no fim, quando “se fecha” o circuito. 
O período sem prótase constitui período “frouxo”, em que o pensamento 
se completa antes do fim, sem circuito. 
Atenção: Como no período por subordinação, com oração adverbial, a 
ideia mais relevante está na oração principal, esta deve vir depois da 
subordinada para formar período “tenso”, que é, como vimos, o verdadeiro 
período. 
 
Anteriormente foi dito que as principais orações adverbiais, para o fim 
aqui proposto, são as que trazem as conjunções causais, concessivas, 
condicionais ou temporais. Pois é. A prótase ocorre sobretudo nessas orações. 
Exemplos: 
 
56 
 
“Uma vez que o réu não interpôs recurso, a sentença transitou em 
julgado” (causal). 
“Embora a polícia tenha chegado à cena do crime, os vestígios 
desapareceram” (concessiva). 
“Se o contrato continha vícios, deveria ser anulado” (condicional). 
“Quando a vítima estava caminhando, o acusado lhe apontou uma arma” 
(temporal). 
Percebam: em todos esses períodoso autor do texto tem como 
informação mais importante aquela que vem ao final de cada um deles, e 
JUSTAMENTE POR ISSO COLOCOU TAL INFORMAÇÃO NO FIM, EM 
FORMA DE ORAÇÃO PRINCIPAL. As orações subordinadas, no caso, servem 
como prótase, como meio que um suspense para o que vem posteriormente, 
fazendo com que o leitor fique preso ao texto. 
Comparem o primeiro período acima com o abaixo: 
“A sentença transitou em julgado, uma vez que o réu não interpôs 
recurso”. 
Vejam que agora está o contrário: o período começa com a oração 
principal e termina com a subordinada. Pergunto: há alguma coisa errada aqui? 
Claro que não! “Claro que não” se a intenção de quem escreveu o texto não foi 
a de destacar o fato de que a sentença transitou em julgado. Se o foi, deveria 
ter trazido a oração principal ao final, pelos motivos que venho repetidas vezes 
dizendo aqui. O mesmo raciocínio se aplica aos outros períodos. ⠀ 
⠀ 
Mas não é só nas orações adverbiais que a oração principal traz a 
informação mais importante da frase: nas orações subordinadas adjetivas 
EXPLICATIVAS também. 
Resumidamente, as orações subordinadas adjetivas se dividem em dois 
tipos: EXPLICATIVAS e RESTRITIVAS. Nas explicativas, a oração adjetiva 
vem entre vírgulas; nas restritivas, não. Por exemplo: 
“A vítima, QUE FOI AGREDIDA A SOCOS, interpôs apelação” (oração 
subordinada adjetiva explicativa). 
“A vítima QUE FOI AGREDIDA A SOCOS interpôs apelação” (oração 
subordinada adjetiva restritiva). 
 
57 
 
Reparem que o sentido da frase muda ao decidirem construir uma 
explicativa ou uma restritiva. Mas o objetivo aqui é demonstrar que, nas 
explicativas, o redator deve selecionar muito bem a oração principal sob pena 
de sua mensagem ser mal compreendida. 
Analisemos novamente o período que traz a oração adjetiva explicativa 
acima: 
“A vítima, que foi agredida a socos, interpôs apelação”. 
Observem: esse período está correto se quem o redigiu quis dar destaque 
ao fato de que a vítima interpôs apelação. Não por acaso a oração “A vítima 
interpôs apelação” é a principal (“que foi agredida a socos” é a oração adjetiva). 
Caso contrário, isto é, se quem redigiu a frase não quis dar aquele 
destaque, mas, sim, enfatizar o fato de que a vítima foi agredida a socos, 
deveria transformar em principal a respectiva oração. Assim: 
“A vítima, que interpôs apelação, foi agredida a socos”. 
Viram? O principal recado para o leitor é agora a agressão a socos, e não 
a interposição do recurso. 
Então já sabem: tanto nas orações adverbiais quanto nas orações 
adjetivas EXPLICATIVAS a escolha da oração principal não é uma tarefa 
aleatória. Espero que vocês tenham visualizado isso com clareza. 
 
• A importância do ritmo nas frases 
A qualidade do texto das peças de vocês vai depender, sobremaneira, do 
ritmo que impõem a ele.⠀ 
Ao contrário do que se possa imaginar, ritmo não tem a ver com 
uniformidade ou repetição, mas com diversidade: diversidade de sons, de 
tamanho das frases e de arranjo das palavras. Como vocês verão abaixo, a 
uniformidade, a repetição, deixa o texto enfadonho, entediante; por outro lado, 
a diversidade, o ritmo, faz com que o texto fique gostoso de ser lido. Quando 
nossa escrita possui ritmo, o leitor se prende a ela, do início ao fim. 
 Vocês podem começar a estabelecer ritmo no texto evitando nele 
sequências de palavras polissílabas, pois isso reduz a velocidade da leitura, 
deixando-a cansativa. Reparem: 
 
58 
 
“O recorrente argumenta que a probabilidade do provimento do recurso se 
consubstanciaria na indevida exposição de informações sigilosas da sociedade 
empresarial”. 
Notaram? A repetição de polissílabas torna o texto maçante, sem ritmo. 
Outro fator que provoca ausência de ritmo é a repetição de sons 
(ento/ente/ão/ado/ada etc.) no final de palavras próximas umas das outras. 
Percebam como fica ruim: 
“Esta Corte tem o entendimento de que não constitui impedimento ao 
deferimento da tutela o perigo de irreversibilidade da medida”. 
“Não pode haver a transformação da denunciação em instrumento de 
denegação de justiça àquele alheio à relação da garantia”. 
“Intimada, a agravada requereu a manutenção da decisão impugnada”. 
Uma dica para impor ritmo ao texto é começar períodos com o predicado 
quando ele for muito menor que o sujeito. Vejam: 
“Isso porque a sentença prolatada nos autos da mencionada ação 
declaratória de inexistência de consolidação da propriedade com pedido de 
tutela antecipada é nula”. 
Observem como fica melhor assim, com o predicado na frente: 
“Isso porque é nula a sentença prolatada nos autos da mencionada ação 
declaratória de inexistência de consolidação da propriedade com pedido de 
tutela antecipada”. 
Outra dica, decorrente dessa, é deixar os maiores trechos das frases para 
o final. Notem como o segundo período, ao observar isso, apresenta muito 
mais ritmo do que o primeiro: 
“Defendeu a desnecessidade de observância plena do contraditório no 
procedimento levado a termo no Tribunal de Contas do Estado e a validade do 
ato administrativo”. 
“Defendeu a validade do ato administrativo e a desnecessidade de 
observância plena do contraditório no procedimento levado a termo no Tribunal 
de Contas do Estado”. 
Finalmente, uma excelente técnica para impor ritmo ao texto é abrir 
parágrafos com expressões do tipo “Pois bem” seguidas de ponto, ou com 
frases como “É evidente que a pretensão do autor não merece prosperar”/“O 
recurso, adianta-se, deve ser provido” (essas frases proporcionam ainda mais 
 
59 
 
ritmo quando em parágrafo único). Isso porque expressões e frases do gênero 
acarretam quebra no padrão linear da escrita e, consequentemente, dão ritmo 
ao texto. Mas não abusem dessa técnica; utilizem-na somente quando sentirem 
que o texto da peça está meio engessado, seco, precisando de um respiro, se 
é que vocês me entendem. 
Problemas relacionados a ritmo são facilmente constatados quando lemos 
nossas peças em voz alta. Adquiram, portanto, esse hábito! Falando nisso, 
percebam que na oração anterior eu trouxe o "portanto" entre vírgulas. Fiz isso 
propositalmente, pois conjunções como "portanto", "todavia", "porém" e 
"entretanto" têm esse poder de, quando entre vírgulas, também conferir ritmo 
ao texto. 
 
• “Requerer” ou “realizar requerimento”? 
Por ser forma mais concisa e objetiva, use apenas o verbo quando ele, 
por si só, conseguir expressar a ideia que você quer transmitir. 
Assim, é preferível “requerer”, “pagar”, “nomear” a “efetuar/fazer/realizar 
requerimento”; “efetuar/fazer/realizar pagamento”; “efetuar/fazer/realizar 
nomeação”. 
Por isso, escreva: 
“A parte tem direito à gratuidade da justiça quando não possui condições 
de pagar as despesas processuais sem prejuízo próprio e de sua família”. 
E não: 
“A parte tem direito à gratuidade da justiça quando não possui condições 
de efetuar o pagamento das despesas processuais sem prejuízo próprio e de 
sua família”. 
Seguindo esse raciocínio, prefira as formas verbais às nominais em 
construções como: 
“Cabe ao juiz determinar as provas necessárias à instrução do processo”. 
E não: 
“Cabe ao juiz a determinação das provas necessárias à instrução do 
processo”. 
 
 
 
60 
 
• Pode-se empregar o tempo presente e passado na mesma peça, no 
mesmo parágrafo? 
A fim de responder a essa pergunta, imaginemos que a seguinte 
construção esteja no relatório do acórdão, na contestação ou na apelação: 
“João da Silva ajuizou ação de indenização contra Pedro da Costa 
(autos n. 98.567.777). 
Sustenta que no dia 23-7-2017 transitava pela avenida Getúlio 
Vargas quando a motocicleta conduzida pelo réu colidiu com o seu 
automóvel, causando os danos discriminados às fls. 10-11. 
Assevera que buscou pessoalmente com o réu o ressarcimento 
dos danos, contudo não teve êxito, de forma que outra saída não 
teve a não ser o ajuizamento da presente demanda. 
Requereu, ao final, a condenaçãodo réu ao pagamento da 
quantia de R$ 6.500,00 a título de indenização pelos danos materiais 
sofridos.” 
Veja que no primeiro parágrafo há o verbo “ajuizar” no passado; no 
segundo parágrafo o verbo “sustentar” no presente; no terceiro, “asseverar” no 
presente; e, no último, o verbo “requerer” no passado. 
Essa “mistura” de tempos verbais é possível? 
Sim, é possível e está corretíssima! Apesar de se estar referindo a fatos 
que já aconteceram, o tempo presente no segundo e terceiro parágrafos 
denomina-se “presente histórico”, isto é, a FORMA é de tempo presente mas o 
SENTIDO é de passado. 
É claro que em vez de “sustenta” e “assevera” poder-se-ia escrever 
“sustentou” e “asseverou”. Isso não impede, todavia, a forma no presente 
(presente histórico). 
Interessante que a FORMA verbal no presente pode ser às vezes usada 
até mesmo para indicar ação futura, como se observa na seguinte passagem: 
“Portanto, remetam-se os autos à origem, onde o réu, querendo, PODE (ou 
‘poderá’) arguir a nulidade em tela”. 
 
• Paragrafação. Quando abrir e fechar parágrafos 
Para início de conversa, o entendimento de que todo parágrafo deve 
conter tópico frasal (ideia central a que se juntam outras, secundárias) não 
 
61 
 
necessariamente se aplica à redação de peças jurídicas. Isso porque a 
intenção de quem redige uma petição inicial, uma contestação, uma sentença 
ou um acórdão é sempre a de convencer o leitor, e, para ajudar nessa tarefa, a 
redação dessas peças deve ser clara, agradável e esteticamente limpa. 
Nesse aspecto, o mais eficaz em termos de organização textual é a 
elaboração de “parágrafos fragmentados”, nos quais a ideia central não é 
desenvolvida em um parágrafo, mas em vários pseudoparágrafos (parágrafos 
apenas na forma), como ocorre na seguinte passagem: 
“A pretensão do autor não merece prosperar. 
Isso porque, conforme demonstram as imagens das telas do 
sistema anexadas aos autos, o fornecimento de energia elétrica foi 
efetivamente contratado. 
Saliente-se que, mesmo em se tratando de relação de consumo, 
com a inversão do ônus da prova, é de incumbência da parte autora 
comprovar suas alegações, o que não ocorreu in casu. 
Ademais, se o demandante não reconhece a dívida é porque os 
débitos são provenientes de atuação fraudulenta, de forma que 
também pode incidir na hipótese a excludente de responsabilidade 
por fato exclusivo de terceiro. 
De qualquer sorte, demonstrada a contratação do fornecimento de 
energia elétrica, a inscrição do nome do autor em órgão de proteção 
ao crédito constituiu exercício regular do direito da ré.” 
Notem que pelas regras de paragrafação de textos em geral, esses cinco 
parágrafos deveriam ser reduzidos a apenas um: o primeiro constituiria o tópico 
frasal, e os demais o desenvolvimento dele. 
A passagem acima retrata, todavia, trecho de uma peça jurídica, o que faz 
com que seja inteiramente possível, e até mesmo aconselhável, a divisão 
paragrafal feita, porque torna mais clara e argumentativa a mensagem 
transmitida. 
A noção de parágrafo é, antes de tudo, visual. A forma do parágrafo, com 
recuo maior na primeira linha, por si só já é carregada de significação. Indica 
que o escritor quer, com aquele pedacinho de texto, destacar informação 
importante. Então fazendo vários parágrafos em vez de somente um o escritor 
passa para o leitor a ideia de que todo o texto é relevante. 
 
62 
 
Em matéria de paragrafação, siga estas três dicas: 
▪ Abra parágrafos com frequência, sim, mas não aleatoriamente (não vá 
você, por exemplo, na passagem citada acima, juntar os dois últimos 
parágrafos e deixar separados os primeiros. Ou separa ou junta! Vimos que 
melhor é separar). 
▪ É mito o entendimento de que a existência de mais de um período no 
parágrafo é condição para a abertura de outro. É muito frequente, por exemplo, 
e está correto um parágrafo trazer apenas frases como: “Pois bem.”, “Esse é o 
relatório.”, “O recurso, adianta-se, não merece ser conhecido.” etc. É bem 
verdade que o mais comum é a construção de mais de um período no 
parágrafo, mas isso nem de longe constitui uma regra em se tratando de 
redação de peças jurídicas. 
▪ Elementos de coesão como “portanto”, “em relação a”, “além disso”, 
“outrossim”, “em linhas gerais”, “nesse sentido”, “por tais razões”, “por outro 
lado”, “como visto” e seus sinônimos podem sugerir abertura de parágrafo. ⠀⠀ 
Considerando que há muitos casos (diria que são a maioria) em que você 
já naturalmente abre parágrafos corretamente, espero que com essas dicas a 
questão da paragrafação passe a ser uma pedra a menos na sua escrita. 
 
• Técnicas argumentativas 
- Nominalização 
“Nominalização” é o nome dado ao processo de formação de substantivos 
abstratos a partir de adjetivos e verbos. Exemplos de nominalização a partir de 
adjetivos: literal-literalidade, gratuito-gratuidade, formal-formalidade, rico-
riqueza. Exemplos de nominalização a partir de verbos: doar-doação, cercear-
cerceamento, planejar-planejamento, deferir-deferimento. 
Autores que versam sobre argumentação recomendam o não uso de 
nominalizações em alguns casos sob o fundamento de que dificultam a leitura. 
Ocorre que a técnica da nominalização, especialmente da nominalização 
a partir de verbos, pode ser bastante útil para obscurecer a participação do 
agente na ação verbal. 
Observem a seguinte frase: 
 
63 
 
“O representante do Ministério Público sustenta que o acusado furtou um 
aparelho celular de um transeunte e, após, adentrou no estabelecimento da 
vítima e roubou uma garrafa de uísque”. 
Essa maneira de escrever com o uso de verbos (“furtou”, “adentrou”, 
“roubou”), que cabe muito bem no relatório de uma sentença, pode não ser lá 
muito apropriada em uma peça defensiva, na qual, como advogados, vocês 
devem obscurecer a participação do seu cliente. 
Vejam que, se o objetivo é a defesa do réu, a frase fica bem melhor assim 
(usando a técnica da nominalização): 
“O representante do Ministério Público sustenta que houve um furto de 
aparelho celular de um transeunte e, após, no estabelecimento da vítima, um 
roubo de uma garrafa de uísque”. 
Observem que, estando a frase escrita dessa maneira (com 
nominalização: “furto”, “roubo”), o foco recai mais no fato em si do que no 
agente, que fica, assim, obscurecido, dando-se melhor margem, por exemplo, à 
tese de negativa de autoria do crime. Mas atenção: essa técnica deve ser 
usada com moderação, pois nominalizações em excesso realmente dificultam a 
leitura. 
 
- Deixar para último o que é mais importante 
Para o funcionamento dessa técnica, conectores como “aliás”, “além 
disso”, “não bastasse isso” e “por sinal” são de enorme valia. Vou mostrar 
como ela funciona na prática. 
Vamos supor que vocês tenham de interpor agravo de instrumento contra 
decisão que deferiu, em autos de recuperação judicial, pedido da empresa 
recuperanda de prorrogação do prazo de suspensão de todas as ações e 
execuções contra ela. 
Pois bem. A fim de sustentarem o cabimento do recurso, vocês podem 
começar dizendo que, apesar de nem a Lei de Recuperação Judicial nem o 
CPC trazerem previsão de agravo de instrumento contra tal conteúdo decisório, 
o caso de vocês não pode esperar até o julgamento de possível apelação (e 
expliquem por que não pode esperar). 
No parágrafo seguinte, vocês podem argumentar que recentemente o STJ 
decidiu pela interpretação extensiva do art. 1.015 do CPC para nele incluir 
 
64 
 
hipóteses em que a questão discutida na decisão agravada tenha de ser 
resolvida antes da prolação da sentença. 
E é agora que entra a técnica do “deixar para último o que é mais 
importante”. Iniciando o próximo parágrafo com um “Não bastasse isso”, vocês 
introduzirão aquele que na verdade é o argumento principal: que, em também 
recente decisão (REsp n. 1.722.866), o STJ assentou que, em demandas que 
versam sobre recuperação judicial, é aplicado de forma analógicao parágrafo 
único do art. 1.015 do CPC para permitir a interposição de agravo de 
instrumento também para esses casos. 
Pronto. Quando vocês fazem isso, isto é, quando trazem o argumento 
mais forte de todos no final, precedido de conectores como “Não bastasse 
isso”, o leitor meio que se vê obrigado a acatar a tese que estão sustentando. É 
como se esse argumento derradeiro fechasse um círculo no raciocínio dele, em 
um caminho sem volta. 
 
- Verbo descomprometido 
Essa técnica ocorre quando relatamos alguma coisa que a outra parte 
disse que aconteceu, sem, todavia, reconhecermos que de fato aconteceu. O 
“verbo descomprometido” vem sempre no futuro do pretérito. 
Suponhamos, por exemplo, que a frase abaixo esteja na contestação de 
vocês: 
“O autor alegou que o réu comprou o celular por valor extremamente 
baixo, sem exigir nota fiscal nem o carregador do aparelho”. 
Vocês, como advogados do réu, não podem escrever assim! Vejam como 
a frase “puxa” mais para o lado do seu cliente com o “comprar” no futuro do 
pretérito: 
“O autor alegou que o réu TERIA COMPRADO o celular por valor 
extremamente baixo, ...”. 
Admitamos novamente que vocês são advogados do réu e escrevem a 
seguinte frase na contestação: 
“A autora sustenta que o réu está praticando alienação parental, razão 
pela qual pleiteia a diminuição das visitas para que estas ocorram apenas uma 
vez por mês”. 
 
65 
 
Quando vocês escrevem “ESTÁ praticando alienação parental”, podem 
acabar incutindo na cabecinha do juiz que seu cliente realmente praticou a 
alienação. Esse é o problema, e é aqui que entra a técnica do verbo 
descomprometido. 
Reparem como fica melhor: 
“A autora sustenta que o réu ESTARIA praticando alienação parental, 
razão por que pleiteia ...”. 
 
- “Não-dizer-já-dizendo” 
Por meio desta técnica, dizemos ao leitor que não afirmaremos nada, mas 
já afirmando, dando a ele uma informação em segundo plano de forma 
aparentemente despretensiosa, que justamente por isso ganha importância no 
contexto frasal. 
Vejam, por exemplo, a seguinte construção: 
“O apelante nem precisa mencionar o fato de que, se tivesse agido de 
má-fé, também o teria a apelada, já que esta não propôs o acordo 
contemplando a solução apresentada na contestação”. 
Ao dispor que “o apelante nem precisa mencionar”, o redator já está 
mencionando, e com isso a “informação não mencionada” assume relevância 
dentro do texto. 
Mais exemplos (a técnica do Não-dizer-já-dizendo está entre colchetes): 
“[A ré poderia apontar vários fatores que depõem contra o autor, como 
sua habitual bebedeira, seus frequentes atrasos nas reuniões da empresa ou 
sua péssima administração nos últimos dois anos. Mas não;] prefere se ater 
aos contornos da lide tais como expostos na inicial”. 
“No presente caso, é patente a ausência de perigo de dano processual 
apto à concessão da tutela provisória, [sem dizer que nas razões do agravo os 
recorrentes nem sequer apontaram o fumus boni juris]”. 
Conseguiram perceber? Mas, cuidado: essa técnica, que geralmente vem 
em um único parágrafo, serve apenas como um “plus” persuasório. Portanto, é 
evidente que vocês não devem usá-la quando tiverem de sustentar argumentos 
importantes. Se, por exemplo, forem defender tese única de legítima defesa, 
nada de escreverem “nem é preciso mencionar que o acusado agiu em legítima 
defesa”. Não! Se fizerem isso, é perda de causa na certa! Teses desse tipo não 
 
66 
 
raro exigem páginas e páginas de argumentação, para o que a técnica Não-
dizer-já-dizendo, por conseguinte, não tem nenhuma utilidade. 
 
• O papel do artigo definido na argumentação 
Observem a seguinte frase: 
“A parte apelante sustenta O cerceamento de defesa em razão do 
julgamento antecipado da lide”. 
Vejam que quando usamos o artigo definido passamos meio que uma 
ideia da existência incontroversa do substantivo a que ele se refere. Notem 
como a frase fica melhor sem o artigo: 
“A parte apelante sustenta cerceamento de defesa em razão do 
julgamento antecipado da lide” (a parte apelante sustenta; não quer dizer que 
haja cerceamento, por isso é melhor sem o artigo). 
Seguem esse mesmo raciocínio: 
“Em prequestionamento, a demandada pede que a Câmara se manifeste 
a respeito dA violação aos arts. 757 e 760 do Código Civil”. 
Se escrito assim, com o artigo definido, dá-se mais ou menos a entender 
que houve violação, o que não é o caso. 
Corrigir para: 
“Em prequestionamento, a demandada pede que a Câmara se manifeste 
a respeito de violação aos arts. 757 e 760 do Código Civil” (“de”, sem o artigo). 
“Deve ser afastada, portanto, a preliminar de nulidade da sentença pelO 
vício de citra petita”. 
Se escrevemos “pelO vício”, corremos o risco de passar ao leitor a ideia 
de que o vício existiu; apenas deve ser afastado. 
Corrigir para: 
“Deve ser afastada, portanto, a preliminar de nulidade da sentença por 
vício de citra petita” (“por”, sem o artigo definido). 
Ou, ainda: 
“Deve ser afastada, portanto, a preliminar de nulidade da sentença, pois 
ausente o vício de citra petita”. 
Ainda sobre essa frase, notem que o artigo “a” de “a preliminar” e o “dA” 
de “da sentença” estão bem colocados, pois de fato definem, apontam para 
 
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algo que já vem sendo tratado nos autos (preliminar) ou para algo já conhecido 
do leitor (sentença). 
 
• Deslocando elementos de coesão para tornar a peça mais 
agradável 
Em regra, as conjunções são bastante flexíveis; podem ser deslocadas 
pelo texto com certa facilidade. As conjunções não precisam ficar grudadas no 
início do período. “Não precisam”, não: muitas vezes NÃO DEVEM ficar 
grudadas. 
Vejam, por exemplo, a seguinte construção: 
“É sabido que o habeas corpus também se presta para livrar 
aquele que se encontra em cárcere privado. PORÉM, é igualmente 
sabido que esse instrumento não admite dilação probatória. DESSE 
MODO, incumbe ao impetrante o ônus de demonstrar previamente 
os fatos constitutivos do direito invocado em favor do paciente. 
TODAVIA, no presente caso o impetrante não apresentou prova da 
alegada coação. ASSIM, impõe-se a denegação da ordem.” 
Reparem que as conjunções estão todas no início do período, dando 
assim ao leitor a impressão de que ele está sendo guiado pelo texto como um 
robô, de modo meio forçado. Ninguém gosta de ler um texto assim! 
Observem agora como a simples posposição das conjunções deixa 
a leitura muito mais agradável: 
“É sabido que o habeas corpus também se presta para livrar 
aquele que se encontra em cárcere privado. É igualmente sabido, 
PORÉM, que esse instrumento não admite dilação probatória. 
Incumbe ao impetrante, DESSE MODO, o ônus de demonstrar 
previamente os fatos constitutivos do direito invocado em favor do 
paciente. No presente caso, TODAVIA, o impetrante não apresentou 
prova da alegada coação. Impõe-se, ASSIM, a denegação da 
ordem.” 
Melhorou muito, né? “Brincando” com as conjunções, deslocando-as no 
texto, guiamos o leitor de maneira prazerosa, sem que ele o perceba, 
facilitando até mesmo sua aderência às teses que estamos apresentando. 
 
 
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• O vício do “queísmo” 
Coisa terrível, que realmente incomoda o leitor, é uma peça com frases 
cheias de “quês”, um perto do outro (o chamado “queísmo”). 
Leiam a seguinte frase: 
“A apelante disse que é nula a sentença por falta de fundamentação e 
que a apelada, que foi revel, é responsável pelo vício que está presente no 
acordo que efetuou com o banco”. 
Notaram como a construção está ruim? como o monte de “quês” tornou o 
texto infantilizado? 
▪ A primeira dica para resolver problemas de “queísmo” nas peças é tentar 
substituir o “que” por “o(s) qual(is)”, “a(s) qual(is)”. A substituição é possível 
quando se tratar de oração explicativa. 
▪ A segunda dica é dividir o período, fazendo, se preciso, adaptações no 
texto. Assim, em vez de escreverem “o autor afirma que... e que não há”, vocês 
podem escrever “o autorafirma que... . Sustenta, ainda, a ausência...”. 
▪ A terceira dica é usar verbo no infinitivo ou uma forma adjetivada. Em 
vez de “o autor disse que o réu é”, escrevam “o autor disse ser o réu”; em vez 
de “réu que interpôs apelação”, “réu apelante”. 
Aplicando-se essas dicas naquela frase que apresentei inicialmente, 
vejam como a construção fica bem melhor: 
“A apelante disse ser nula a sentença por falta de fundamentação. 
Afirmou, ainda, que a apelada, a qual foi revel, é responsável pelo vício no 
acordo efetuado com o banco”. 
Percebam que, a rigor, eu nem precisaria substituir o “disse que é nula” 
por “disse ser nula”, pois se mantido aquele “que” ele ficaria distante do outro, 
descaracterizando o “queísmo”. Só fiz a substituição para vocês verem que ela 
é possível. 
 
• Plágio e paráfrase 
Primeiramente, é interessante constatar que existe por parte de alguns a 
mania, quase doentia, de nunca repetir palavras do texto original ao se referir a 
peças jurídicas. 
 
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Ora, o que consta de uma petição inicial, de uma contestação ou de uma 
sentença não é protegido por direitos autorais, de modo que, nesses casos, 
não há falar em plágio. 
Suponhamos que o seguinte texto conste de uma petição inicial: ⠀ 
“O requerido promoveu em desfavor do requerente protesto de 
duas notas promissórias, baseado em dívida quitada, motivo pelo 
qual deve ser condenado a compensar o dano moral sofrido”. 
Se fizermos referência a esse texto em uma contestação, por exemplo, 
podemos, sem cometer plágio, fazer a seguinte construção: 
O autor sustenta que o réu promoveu em seu desfavor protesto 
de duas notas promissórias, baseado em dívida quitada, motivo pelo 
qual deve ser condenado a compensar o dano moral sofrido. 
Isso mesmo. Não há problema algum em repetirmos no nosso texto as 
mesmas palavras do texto a que fazemos referência. Não há nem necessidade 
das aspas! 
Claro que quando transcrevemos, ipsis litteris, um texto mais longo de 
uma peça jurídica, o uso das aspas é de bom tom. Não vamos também fazer 
do nosso texto pura cópia do texto alheio. 
Podemos incorrer em plágio propriamente dito quando transcrevemos 
lições doutrinárias. Estas, sim, protegidas por direitos autorais. Nessas 
hipóteses, siga as seguintes dicas: 
- Se for transcrever literalmente a doutrina no seu texto, comece e termine 
com aspas; caso contrário haverá plágio. Simples assim. 
- Não há plágio se a paráfrase for muito mais curta do que o texto original. 
- Se conseguimos parafrasear sem ter diante de nossos olhos o texto 
original, não há plágio. 
- Configura falsa paráfrase (plágio) a simples troca de palavras do texto 
original por sinônimos. 
- Se você não quiser parafrasear mas ao mesmo tempo quiser fugir do 
plágio, uma opção é fazer paráfrase quase textual, isto é, intercalar texto 
próprio com texto entre aspas. Assim: 
Segundo o doutrinador, “.....”. Isto é, para haver cerceamento de defesa, 
“.....”. Assim, “.....”. 
 
 
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• Evitando repetição de palavras 
O assunto é o problema de repetição de palavras ou expressões no texto, 
umas próximas das outras. 
Leiam a construção abaixo: 
“Preliminarmente, requer a agravante lhe seja concedida a 
gratuidade da justiça. 
Na origem, a gratuidade da justiça lhe foi indeferida e a agravante 
foi intimada para recolher o preparo sob pena de cancelamento da 
distribuição do feito. 
Como é sabido, a gratuidade da justiça se estende às pessoas 
jurídicas com insuficiência de recursos para arcar com as despesas 
processuais. 
Assim, para a concessão da gratuidade da justiça, a pessoa 
jurídica deve juntar aos autos documentos que demonstram a 
necessidade da concessão da gratuidade da justiça.” 
Gratuidade da justiça, gratuidade da justiça, gratuidade da justiça... 
parece texto de criança! 
Problema de repetição de palavras ou expressões é bastante frequente 
em peças jurídicas. A verdade é que é muito fácil incidir nele, pois, quando 
escrevemos, nosso cérebro retém a informação recente, de modo que a 
probabilidade de a utilizarmos novamente no texto é grande. Por isso a 
importância da revisão. Apenas revisando a peça é que constataremos esse 
tipo de problema, que para resolver é simples: basta usar sinônimos, 
pronomes, omitir a palavra ou a expressão repetida, ou rescrever a passagem. 
Notem como fica melhor: 
“Preliminarmente, requer a agravante lhe seja concedida a 
gratuidade da justiça. 
Na origem, O BENEFÍCIO lhe foi indeferido e a agravante foi 
intimada para recolher o preparo sob pena de cancelamento da 
distribuição do feito. 
Como é sabido, a gratuidade da justiça se estende às pessoas 
jurídicas com insuficiência de recursos para arcar com as despesas 
processuais. 
 
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Assim, para SUA concessão, a pessoa jurídica deve juntar aos 
autos documentos que lhe demonstram A HIPOSSUFICIÊNCIA.” 
Criem o hábito de revisar as peças. Evitem fazer textos infantis! 
 
• Nem bajulação, nem arrogância: apenas trate seu leitor com 
respeito 
Há algum tempo deparei-me com dois parágrafos de peças recursais que 
me levaram a fazer a presente observação. 
O primeiro parágrafo é este. Reparem no elogio exagerado ao juiz: 
“Mesmo tendo o autor demonstrado os requisitos para concessão da 
tutela provisória, o ilustre Magistrado a quo, que tanto orgulha a Magistratura 
Catarinense e serve de exemplo de sapiência jurídica à Magistratura Nacional, 
se manifestou nos autos no seguinte sentido:”. 
Que “nhem-nhem-nhem” sem noção! Pra que isso?! E o pior é que o 
advogado não sabe nem elogiar (ou puxar o saco, como queiram), porque o 
elogio, de tão exagerado (“exemplo de sapiência jurídica à Magistratura 
Nacional”?), tomou um sentido irônico, não sei se proposital. 
O segundo parágrafo é este: 
“Ao contrário do que decidido em primeiro grau, não se aplica ao caso o 
art. 507 do CPC, pois, COMO QUALQUER OPERADOR JURÍDICO SABE, 
matéria de ordem pública em fraude à execução não preclui.” 
Para que chamar, por tabela, o juiz de ignorante? Vão me desculpar, mas 
ignorante é o advogado que faz isso. Respeito acima de tudo. Todos os 
sujeitos processuais, incluindo, portanto, o juiz, devem ser tratados com 
urbanidade. Se não for por uma questão de respeito, que seja por estratégia. O 
juiz que agora é chamado de ignorante poderá ser aquele que analisará o 
próximo caso de vocês. Então cuidado com o que escrevem. Ao contrário da 
fala, a escrita fica marcada nos autos para sempre. 
Outra coisa. A seara recursal não é bem o lugar para vocês ficarem 
fazendo ironias ou puxando a orelha do juiz, mas para atacarem, tecnicamente, 
a decisão recorrida. Têm dúvidas sobre a competência intelectual do 
magistrado? Desabafem numa mesa de bar, entre amigos. É mais inteligente e 
mais bonito. 
 
 
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• A polifonia em peças jurídicas e a importância de sua compreensão 
Diz-se que um texto é polifônico quando nele aparecem várias vozes (poli 
= muitas; fonia = voz), e “vozes” no sentido de “textos”. Quando um autor cita 
outro, por exemplo, temos caso de polifonia textual. 
A polifonia ou intertextualidade é uma das características dos textos 
jurídicos, principalmente das peças. Numa sentença, ao narrar no relatório as 
principais ocorrências havidas no processo, o juiz não raro é obrigado a se 
valer da polifonia, consignando os argumentos das partes. Vejam: 
“Na contestação, o réu sustentou que o terreno foi invadido no ano de 
1999...”. 
Reparem que quando o juiz escreve na sentença um argumento da parte, 
ele está trazendo outra voz, outro texto para dentro do seu próprio texto. Na 
frase acima, está trazendo o texto da contestação para dentro do texto da 
sentença. Daí se falar em polifonia. 
Peças elaboradas por advogados geralmente também são textos 
polifônicos. Basta pensar que, ao apresentar uma defesa, o procurador do réu 
obrigatoriamente tem de fazer referência ao que foi dito pelo causídico do autor 
na petição inicial (outro texto).Por exemplo: 
“Falta com a verdade o autor quando alega que não contratou os serviços 
que lhe foram prestados...”. 
Em peças jurídicas, a polifonia ou intertextualidade é representada muito 
mais por paráfrases do que por citações diretas. Assim, o redator tende a fazer 
períodos compostos por subordinação com orações substantivas 
desenvolvidas e, portanto, com a conjunção integrante “que” (alegou QUE, 
disse QUE, sustenta QUE), estrutura a qual, se não for prestada bastante 
atenção, pode acarretar falta de clareza ao texto e, tratando-se de peças de 
advogados, vir até a prejudicar a parte, pois muitas vezes nos esquecemos de 
repetir o “que” ou uma estrutura com ele na continuação da frase, ou repetimos 
a conjunção inadequadamente, deixando o texto obscuro ou com o chamado 
“queísmo”. 
▪ Leiam o seguinte trecho de uma contestação: 
“O autor sustenta que o réu deixou de pagar alimentos em 2017. 
Ademais, o réu é sócio de uma grande empresa de tecnologia, de modo que 
possui, sim, condições de pagar os alimentos no valor que fora fixado.” 
 
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Até “2017” não há nada de errado. Mas na continuação parece que o réu 
está depondo contra si próprio, dizendo que é sócio de uma grande empresa e 
que tem, portanto, condições de pagar os alimentos. Para corrigir, basta fazer 
novamente uma construção com “que”. Assim: “Ademais, alega que o réu é 
sócio...”. 
▪ Semelhante problema ocorre na frase abaixo. Reparem a falta de “que” 
antes de “o INSS”: 
“A ré alegou que recebeu indenização do seguro obrigatório e o INSS lhe 
concedeu auxílio-doença desde a data do acidente até 11-8-2009.” 
▪ Agora leiam esta frase: 
“A ré declarou que seu marido é aposentado e que percebe proventos de 
aproximadamente R$ 3.000,00.” 
O “que” antes de “percebe” está sobrando, pois quem percebe proventos 
não é a ré (a repetição do “que” leva a esse entendimento), mas o seu marido. 
▪ Estruturas polifônicas podem igualmente levar à repetição de “quês”, 
dando azo ao indesejado “queísmo”. 
Notem: 
“O agravante afirmou que apresentou documentação que comprova que é 
agricultor e que não possui bens imóveis em seu nome.” 
Que, que, que, que... Isso irrita o leitor. Para eliminar o queísmo, uma dica 
é transformar em reduzidas de infinitivo as orações substantivas desenvolvidas: 
“O agravante afirmou ter apresentado documentação que comprova ser 
agricultor e não possuir bens imóveis em seu nome.” 
Portanto, atentem-se para as estruturas polifônicas. Revisem as peças! É 
na revisão que conseguirão ver se há “que” sobrando ou faltando. 
 
• Cuidado: ementa não é precedente 
Ementas de acórdãos não são “precedentes”, “jurisprudência” nem 
“julgados”. Por mais que reflitam uma decisão colegiada, ementas são apenas 
um resumo, isto é, não trazem a razão de decidir do julgamento, a qual 
aparece apenas na fundamentação do acórdão, motivo pelo qual elas não 
podem ser confundidas com aqueles termos. 
 
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Portanto, ao transcreverem ementas de acórdãos nas suas peças, 
redijam o parágrafo introdutório assim, por exemplo: 
“Nesse sentido, colhem-se julgados/precedentes do Superior Tribunal de 
Justiça, representados pelas seguintes ementas:” 
Reparem que se não fizerem construções como a que aparece na parte 
final (“representados pelas seguintes ementas”), seu leitor pensará que você 
não sabe a diferença entre ementa e julgado/precedente, pois o texto ficaria 
assim: “Nesse sentido, colhem-se julgados/precedentes do Superior Tribunal 
de Justiça:”, o que, repito, não é correto, porque ementas são apenas resumos; 
não se confundem com “julgados” nem com “precedentes”. 
O parágrafo introdutório pode, claro, ser redigido de outras maneiras: 
“Conforme se infere da ementa do acórdão relativo à Apelação Cível n. ...” 
(em vez de “Conforme se infere do seguinte precedente”). 
“Essa compreensão se coaduna com o entendimento inserto na ementa 
do acórdão a seguir transcrita:” 
E não pensem que se preocupar com isso – em não confundir 
precedente, julgado e jurisprudência com ementa – é preciosismo. Quando 
vocês dão valor a detalhes como esse, suas peças aos poucos vão adquirindo 
credibilidade, e o leitor pode, assim, acabar aderindo mais facilmente às teses 
que defendem. Acreditem, isso pode fazer toda a diferença no final. 
 
 
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