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WBA0789_v1.0 Auditoria em finanças A auditoria e os aspectos conceituais Apresentar os conceitos inicias para execução da auditoria financeira Bloco 1 Rafaela Souza Pereira A história da auditoria Os procedimentos de auditoria e a atividade do auditor são quase tão antigos quanto o estudo da ciência contábil. Durante o governo de Dario I, na antiga Pérsia, ao realizar a reforma político- administrativa, criou-se a função de “olhos e ouvidos do rei”, cujo o objetivo seria fiscalizar o cumprimentos das ordens do rei. Fonte: duncan1890/iStock.com. Figura 1 – História do rei Conceito de auditoria em finanças • Segundo Crepaldi (2019, p. 8) a auditoria pode ser conceituada como: “O procedimento de levantamento, estudo e avaliação sistemática das transações, operações, rotinas e das demonstrações financeiras de uma entidade”. • Por meio desta técnica é possível que o auditor, profissional da área de contábil, possa emitir um relatório expressando sua opinião sobre as demonstrações contábeis. I. Obter segurança razoável de que as demonstrações contábeis como um todo estão livres de distorção relevante, independentemente se causadas por fraude ou erro. II. Expressar sua opinião sobre se as demonstrações contábeis foram elaboradas, em todos os aspectos relevantes, em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável. III. Apresentar relatório sobre as demonstrações contábeis e comunicar-se como exigido pelas NBCs TA em conformidade com as constatações. Os objetivo da auditoria em finanças Etapas da auditoria – Fase de planejamento Figura 2 – Planejamento Fonte: Thank you for your assistant/iStock.com. A auditoria de finanças deve ser iniciada a partir da etapa de planejamento dos trabalhos e deve conter uma estratégia global para ser seguida. Dessa forma, o trabalho poderá evidenciar a natureza , o campo de aplicação, e o alcance da auditoria para possibilitar ao auditor o cumprimento dos objetivos. Etapas da auditoria – Fase da execução A auditoria de finanças também terá a fase de execução dos exames por amostragem, que terá com base a coleta de dados estatísticos (pequenas amostras de dados) que serão de fundamental importância para análise de todas as áreas da empresa e avaliação dos controles internos. Figura 3 – Execução de auditoria Fonte: fizkes/iStock.com. Etapas da auditoria – Fase da execução Na prática, o auditor deverá aplicar as normas visando assegurar a sua opinião sobre as atividades auditadas, entre elas, ele deve estar atento: • Ao teste de observância: para assegurar que os controles internos estejam sendo efetivamente cumpridos. • Ao teste substantivo: que trata de analisar todos os dados empresariais para garantir que são suficientes, exatos e válidos, por meio de revisões analíticas. Principais aspectos normativos da auditoria As Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) estabelecem conceitos doutrinários, regras e procedimentos aplicados da ciência contábil e podem ser classificadas como: • NBC TG – Geral. • Normas Completas. • Normas Simplificadas para PMEs. • Normas Específicas. • NBC TSP – do Setor Público. • NBC TA – de Auditoria Independente de Informação Contábil Histórica. • NBC TASP – de Auditoria de Informação Contábil Histórica Aplicável ao Setor Público. • NBC TR – de Revisão de Informação Contábil Histórica. • NBC TO – de Asseguração de Informação Não Histórica. • NBC TSC – de Serviço Correlato. • NBC TI – de Auditoria Interna. • NBC TP – de Perícia. Órgãos reguladores da auditoria Figura 4 – Órgãos de auditoria Fonte: porcorex/iStock.com. Atualmente existem diversos órgãos que cuidam da regulamentação e dos cumprimentos das normas brasileiras de contabilidade, tais como: • CFC= Conselho Federal de Contabilidade. • SUSEP = Superintendência de Seguros Privados. • BCB = Banco Central do Brasil • CVM= Comissão de Valores Mobiliários. • IBRACON= Instituto dos Auditores Independentes do Brasil. A auditoria e os aspectos conceituais Procedimentos de auditoria Bloco 2 Rafaela Souza Pereira 1ª Etapa – Planejamento da auditoria Para iniciar os trabalhos de auditoria é necessário a verificação da NBC TA 300 (R1) – planejamento da auditoria de demonstrações contábeis, que descreve o objetivo do planejamento como sendo: “O planejamento da auditoria envolve a definição de estratégia global para o trabalho e o desenvolvimento de plano de auditoria. Um planejamento adequado é benéfico para a auditoria das demonstrações contábeis de várias maneira” (CFC, 2019, p. 2). I. Auxiliar o auditor a dedicar atenção apropriada às áreas importantes da auditoria. II. Auxiliar o auditor a organizar adequadamente o trabalho de auditoria para que seja realizado de forma eficaz e eficiente. III. Auxiliar na seleção dos membros da equipe de trabalho com níveis apropriados de capacidade e competência para responderem aos riscos esperados e na alocação apropriada de tarefas. IV. Facilitar a direção e a supervisão dos membros da equipe de trabalho e a revisão do seu trabalho. 1ª Etapa – Planejamento da auditoria 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Avaliação de risco O auditor deve avaliar: a) Risco de afirmação: sejam elas declarações emitidas pela alta administração da empresa, que podem afetar potencialmente todas as demonstrações contábeis. b) Risco de negócio: seja ele um risco que pode afetar a continuidade da empresa, e consequentemente os acionistas. 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Avaliação de risco a) Risco de controle interno: seja ele um risco referente a não confiabilidade dos relatórios financeiros que serviram de base para análise dos auditores. b) Risco significativo: seja ele um risco relevante que irá afetar total as informações contábeis e financeiras, e que neste caso vai afetar a emissão do relatório do auditor. 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Materialidade A materialidade deve ser considerada como o valor ou os valores fixados pelo profissional de auditoria, inferiores ao considerado relevantes para distorcer as demonstrações contábeis, portanto, seria aceitável encontrá-la, e isso não afetaria a resposta da opinião do auditor. Figura 5 – Valor da materialidade Fonte: echoevg/iStock.com. 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Materialidade O auditor exerce seu julgamento e avaliação sobre as possíveis distorções relevantes, tais julgamentos estão descritos na NBC TA 320 e são: a) A natureza, a época e a extensão dos procedimentos de risco. b) Identificar e avaliar os riscos de distorções. c) Determinar a natureza, a época e a extensão de procedimentos adicionais. 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Testes substantivos Fonte: https://www.questionpro.com/blog/pt-br/amostragem-para-pesquisas-o-que-e-e-sua- importancia/. Acesso em: 29 jul. 2021. Figura 6 – Amostra de auditoria 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Testes substantivos A norma que irá auxiliar o auditor na fase de execução dos testes é a NBC TA 530 – amostragem em auditoria, que traz consigo dois fundamentos importantes, sendo eles: • População: é o conjunto completo de dados sobre o qual a amostra é selecionada e sobre o qual o auditor deseja concluir. • Amostragem: a aplicação de procedimentos de auditoria em um percentual dos itens da população relevante para fins de auditoria, de maneira que todas as unidades de amostragem tenham a mesma chance de serem selecionadas para proporcionar uma base razoável que possibilite o auditor concluir sobre toda a população. 3ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Confirmação externa Normalmente, a confirmação externa ou também conhecida como circularização podem ocorrer das seguintes formas: I. Confirmação de saldos bancários (contas correntes, empréstimos e financiamentos, leasing financeiro, arrendamento mercantil, entre outras). II. Confirmação da posição dos depósitos judiciais. III. Confirmação da posição dospassivos judiciais (processos cíveis, trabalhistas e/ou administrativos). IV. Confirmação de investimentos em empresas. V. Confirmação de partes relacionadas. 4ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Revisão analítica Outra etapa que deverá auxiliar o auditor na verificação dos dados empresarias são os procedimentos de revisão analítica, que visam comparar dois períodos para analisar as suas flutuações. Regidos pela NBC TA 520 – Procedimentos Analíticos, este passo será realizado próximo ao final da auditoria, e poderá auxiliar o auditor a formar uma conclusão geral sobre as demonstrações contábeis. Figura 7 – Revisão da auditoria Fonte: metamorworks/iStock.com. A auditoria e os aspectos conceituais Procedimentos finais e emissão do relatório de auditoria. Bloco 3 Rafaela Souza Pereira Procedimentos adicionais – Responsabilidade do auditor O auditor deve ter como avaliador dos riscos os seguintes itens: a) Identificar e avaliar os riscos de distorção relevante nas demonstrações contábeis decorrente de fraude. b) Obter evidências de auditoria suficientes e apropriadas sobre os riscos identificados de distorção relevante decorrente de fraude, por meio da definição e implantação de respostas apropriadas. c) Responder adequadamente face à fraude ou à suspeita de fraudes identificada durante a auditoria. Procedimentos adicionais – Controle interno A NBC TA 265 – comunicação de deficiências de controle interno traz o conceito de deficiência de controle interno, no qual o auditor deve atuar com: a) Um controle planejado, implementado ou operado de tal forma que não consegue prevenir, ou detectar e corrigir tempestivamente, distorções nas demonstrações contábeis. b) Um controle necessário para prevenir, ou detectar e corrigir tempestivamente, distorções nas demonstrações contábeis. Procedimentos adicionais – Eventos subsequentes Os principais procedimentos de evento subsequente, pode ser descrito como sendo: a) Obter evidência de auditoria apropriada e suficiente sobre se os eventos ocorridos entre a data das demonstrações contábeis e a data do relatório do auditor independente que precisam ser ajustados ou divulgados nas demonstrações contábeis estão adequadamente refletidos nessas demonstrações contábeis. Procedimentos adicionais – Eventos subsequentes Figura 8 – Evento subsequente Fonte: Chalirmpoj Pimpisarn/iStock.com. (b) Responder adequadamente aos fatos que chegaram ao conhecimento do auditor independente após a data de seu relatório, que, se fossem do seu conhecimento naquela data (do relatório), poderiam ter levado o auditor a alterar seu relatório. Relatório de auditoria A norma que irá auxiliar o auditor a emitir o relatório contendo a sua opinião, sendo ela a NBC TA 700 – formação da opinião e emissão do relatório do auditor independente sobre as demonstrações contábeis. Figura 9 – Relatório Fonte: wutwhanfoto/iStock.com. Relatório de auditoria A opinião do auditor no relatório poderá ser: 1) Opinião sem modificação. 2) Opinião com ressalva. 3) Opinião adversa. 4) Abstenção de opinião. Figura 10 – A opinião do auditor Fonte: ridvan_celik/iStock.com. Considerações Finais Todos os procedimentos adotados pelo auditor para executar o trabalho são considerados fundamentais para embasar a sua opinião. O auditor é livre para escolher quais ferramentas irá utilizar, porém, se torna responsável por essa decisão, uma vez que o seu trabalho deverá ser isento, mas deverá oferecer segurança mínima de que procedimentos adequados foram utilizados. Todo o risco do negócio e a sua operação deve estar no radar do auditor, pois isso pode ser uma fator decisivo na escolha dos procedimentos de auditoria. Teoria em Prática Bloco 4 Rafaela Souza Pereira Reflita sobre a seguinte situação Uma empresa de grande porte com ações negociadas na Bolsa de Valores tem por obrigatoriedade a contratação dos auditores independentes para verificar as demonstrações contábeis da matriz e das filiais. Para iniciar o trabalho, o auditor deverá entrevistar a alta administração para buscar por informações de caráter relevante e que possam influenciar o resultado das demonstrações contábeis. Com base nesse contexto, verifique a seguinte indagação: Quais são as informações a serem buscadas e quais tipos de documentos devem ser analisados para que o auditor possa levantar informações para expressar uma opinião segura sobre as demonstrações contábeis em questão? Norte para a resolução... Os procedimentos a serem executados pelo auditor em finanças são: • Avaliar os controles internos. • Elaboração da matriz de risco. • Elaborar a materialidade dos exames. • Testes de amostragem estatística. • Procedimentos analíticos. • Confirmação de saldo com terceiros. • Eventos subsequentes. • Entrevista com a alta administração. Norte para a resolução... O auditor em finanças necessita atentar aos objetivos, por exemplo: • Executar exames que tragam segurança aos dados. • Atenção para os controles internos. • Garantir o cumprimento dos objetivos dos processos relativos a auditoria. • Reduzir no grau de risco associado. • Garantir a confiabilidade nas demonstrações financeiras. Dica do(a) Professor(a) Bloco 5 Rafaela Souza Pereira Você conhece o compliance? Compliance é um termo em inglês que vem do verbo to comply, que pode ser definido como “estar em conformidade pelas regras e legislação”. Com isso, o ambiente corporativo passa integrar a ferramenta de compliance às práticas internas, conforme a legislação vigente. Compliance Segundo o artigo do IBGC (2019), o compliance é responsável por garantir a transparência, disciplinar relações internas e externas e administrar conflitos de interesses. Em paralelo, a criação de políticas contribui para a formação de bases sólidas para a relação de confiança com o mercado e consolida a credibilidade da organização. Muitas vezes são elas que sustentam a decisão. Referências ALMEIDA, Marcelo C. Auditoria: abordagem moderna e completa. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2019. ATTIE, William. Auditoria: conceitos e aplicações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2018. CFC. Conselho Federal de Contabilidade. NBC TA 320 - Materialidade no planejamento e na execução da auditoria. Altera a NBC TA 320 que dispõe sobre [...]. Brasília: CFC, 2016. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/sisweb/ sre/detalhes_sre.aspx?codigo=2016/NBCTA320(R1). Acesso em: 4 jun. 2021. CFC. Conselho Federal de Contabilidade. NBC TA 520 - Procedimentos analíticos. Aprova a NBC TA 520 - Procedimentos Analíticos. Brasília: CFC, 2009. Disponível em: https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo= 2009/001221. Acesso em: 4 jun. 2021. Referências CFC. Conselho Federal de Contabilidade. NBC TA 530 - Amostragem em auditoria. Aprova a NBC TA 530 - Amostragem em Auditoria. Brasília: CFC, 2016. Disponível em: https://www2.cfc.org.br/sisweb/sre/detalhes_sre.aspx?Codigo= 2009/001222. Acesso em: 4 jun. 2021. Bons estudos! Auditoria em finanças A auditoria e os aspectos conceituais A história da auditoria Conceito de auditoria em finanças Os objetivo da auditoria em finanças Etapas da auditoria – Fase de planejamento Etapas da auditoria – Fase da execução Etapas da auditoria – Fase da execução Principais aspectos normativos da auditoria Órgãos reguladores da auditoria A auditoria e os aspectos conceituais 1ª Etapa – Planejamento da auditoria 1ª Etapa – Planejamento da auditoria 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Avaliação de risco 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Avaliação de risco 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Materialidade 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Materialidade 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Testes substantivos 2ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Testes substantivos 3ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Confirmação externa 4ª Etapa – Procedimentos da auditoria – Revisão analíticaA auditoria e os aspectos conceituais Procedimentos adicionais – Responsabilidade do auditor Procedimentos adicionais – Controle interno Procedimentos adicionais – Eventos subsequentes Procedimentos adicionais – Eventos subsequentes Relatório de auditoria Relatório de auditoria Considerações Finais Teoria em Prática Reflita sobre a seguinte situação Norte para a resolução... Norte para a resolução... Dica do(a) Professor(a) Você conhece o compliance? Compliance Referências Referências Bons estudos!