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CLINICA MÉDICA - ENDOCRINOLOGIA

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SEXTO PERÍODO
Clínica Médica II
Endocrinologia
___
Nicolas Martins 2025.1
SUMÁRIO
EXAME CLÍNICO E EXAMES COMPLEMENTARES EM ENDOCRINOLOGIA 3
HIPERTIREOIDISMO 16
RELEMBRANDO FISIOLOGIA TIREOIDIANA 16
CLÍNICA MÉDICA 18
HIPOTIREOIDISMO E TIREOIDITE 26
OBESIDADE 38
DIABETES MELLITUS - DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 43
DIABETES MELLITUS - COMPLICAÇÕES 58
SÍNDROME HIPERANDROGÊNICAS 78
OBS.: Contribuição de Júlia Ulrick em obesidades
EXAME CLÍNICO E EXAMES COMPLEMENTARES EM ENDOCRINOLOGIA
CASO CLÍNICO
01
Paciente ADN, 56 anos, masculino foi ao ambulatório de forma assintomática para a
realização de exames de rotina, os quais revelaram hiperglicemia em Jejum.
HPP: Relata ser hipertenso e que ganhou 10 kg nos últimos 8 meses
HF: + DM + HAS
Peso: 98 Kg Alt: 1.68 IMC:34,72
Exames: Gli 120 mg/dl
Do ponto de vista diagnóstico avaliamos o exame laboratorial de sangue e não pelo
exame de glicemia capilar. A glicemia capilar é para controle do tratamento.
⇒ GLICEMIA PLASMÁTICA ( Jejum )
- < 100 = Normal
- > 100 e < 126 = Tolerância à glicose
- > 126 = Diabetes
Para estabelecermos o diagnóstico de diabetes precisamos dos dois critérios, ou
seja, ter uma glicemia > 125 em jejum em somente uma consulta não é critério
diagnóstico para diabetes precisando 2 ou mais resultados para que se afirme que o
paciente possui a DM. Se o paciente apresentar uma glicemia plasmática a qualquer
horário do dia maior ou igual a 200 mg/dL com sintomas clássicos de DM como poliúria,
polidipsia e polifagia, aí podemos realizar o diagnóstico de DM sem possuir 2 critérios.
O paciente que possui uma glicemia de 100-125 pode possuir uma DM sem que ele
saiba, portanto em casos de glicemia entre 100-125 devemos fazer o teste oral de
tolerância à glicose ( TOTG ) e dosar a Hb glicada. No TOTG o paciente se encaminha ao
laboratório em jejum, colhe o sangue e ingere um líquido rico em dextrosol ( rico em
carboidrato ) e após 2 horas aguardando é feito a colheita de sangue novamente.
⇒ HB GLICADA ( Método HPLC ou validado NGSP)
- < 5,7 = Normal
- 5,7 - 6,4 = Tolerância à glicose
- > 6,4 = Diabetes
⇒ TOTG
- 139 = Normal
- 140 - 199 = Pré-diabetes
- > 200 = Diabetes
Se após esses dois exames -TOTG e HB glicada - o valor da glicose dor igual ou maior a
200 mg/dL o diagnóstico muda de pré-diabetes para diabetes. Desse modo, é necessário
a administração de pelo menos um medicamento
⇒ IMC → PESO (Kg) / QUADRADO DA ALTURA (m)
H.DIAGNÓSTICO: Paciente pré-diabetico (Gli 120 mg/dL ) com índice de massa corporal
de 34.72 sendo classificado então como Obesidade grau I para que possamos confirmar
se o paciente é mesmo pré-diabetico ou ja pode ser classificado como diabetico devemos
realizar o TOTG ou dosar a Hb glicada para ver qual dos critérios ele se encaixa
CONDUTA: A conduta para esse caso é a mudança do estilo de vida devido ao ganho de
peso e histórico familiar, solicitar TOTG 75 g e Hb glicada.
A administração de metformina nesse caso não estaria errado, mas a mudança do estilo
de vida é algo que não podemos abrir mão. A metformina é uma das alternativas
validadas com perspectiva de redução da progressão para a DM.
APÓS A REALIZAÇÃO DO TOTG E HB GLICADA ESSES SÃO OS RESULTADOS
⇒ TOTG → gli 117 ( jejum ) —-- 239 mg/dl ( após refeição )
⇒ HB GLICADA → 7,3%
DIAGNÓSTICO E CONDUTA: Após realização desse s exames podemos fechar o
diagnóstico de Diabetes e progredir nossa conduta para mudança do estilo de vida,
começar a metformina e realizar os exames de fundo de olho e EAS
Na DM a metformina ou outro medicamento com ação hipoglicemiante é OBRIGATÓRIO.
Na pré-diabetes é OPCIONAL.
Como o paciente foi diagnosticado com DMII é obrigatório que ele realize anualmente
exames que pesquisem complicações microvasculares e do diabetes, sendo elas:
retinopatia, nefropatia ( doença renal do diabetes ) e neuropatia.
Os exames de relação urina-creatinina ( RUAC ) na urina e do fundo de olho e
exame físico dos pés à procura de alguma complicação decorrente da DM devem ser
obrigatórios na conduta devido às complicações microvasculares.
No DM I o exame pode ser feito após 5 anos, já que esse paciente é sintomático,
apresentam já complicações e sintomas quando vão ao consultório, portanto a
apresentação dos sintomas pode nos dar um parâmetro de quando a doença se instalou,
diferente do paciente com DM II que é totalmente assintomático..
A monoterapia é indicada somente para pacientes com 7,5% de Hb glicada no máximo
sendo a Hb glicada > 7,5% precisamos iniciar a terapia combinada, ou seja, deixar de
mão a monoterapia.
O perfil lipídico mais comum nos diabéticos é o CT alto, LDL normal com particulas
pequenas e densas, TG alto e HDL baixo
As partículas pequenas e densas possuem grande capacidade de penetração do
endotélio, ou seja, são aterogênicas promovendo muito mais inflamação e instabilidade
da placa de ateroma, desse modo o diabetico infarta mais, mesmo não possuindo o LDL
alto. Logo, é necessario o uso de estatinas, mesmo com o LDL normal uma vez que
não importa o valor do LDL mas a característica da partícula que é muito mais
aterogênica.
⇒ LDL partículas pequenas e densas → mais aterogênico → associa estatina
independente do valor do LDL
CASO CLÍNICO
02
Paciente JMB, 25 anos, feminino com amenorreia a dois messes e mialgia a MMII trouxe
exame: b-HCG ( - ) e PRL 56 ( VN < 20 )
Quais são as principais causas de aumento da prolactina?? Medicamento, doenças
tireoidianas e adenoma hipofisário
⇒A prolactina fisiologicamente pode estar alta, que é o caso da gravidez. Mas a paciente
apresentou um b-HCG negativo podendo descartar gravidez
⇒ Sempre que diante de uma PRL aumentada devemos descartar as doenças
tireoidianas primeiro. Essa glândula quando descompensada, pode causar
hiperprolactinemia secundária
⇒Fármacos, principalmente os de ação central, como anticonvulsivantes,
antidepressivos, antipsicóticos que são as principais causas de hiperprolactinemia, então
é importante perguntar quais medicamentos o paciente está em uso
⇒Muitos tumores podem desencadear o quadro de hiperprolactinemia, como por exemplo
o Prolactinoma ( Tumor hipofisário ) que produz diretamente a PRL ( TUMOR DIRETO ).
Porém, podem existir tumores que não produzem hormônios mas aumentam a PRL (
TUMOR INDIRETO).
A prolactina é predominantemente inibida pela dopamina, ou seja, um tumor que cresce a
ponto de comprimir a haste hipotálamo-hipófise perdemos o estímulo inibitório da
prolactina já que se a dopamina não chega a prolactina acaba aumentando.
A o aumento da macroprolactina - macroprolactinemia é uma proteína com um peso
molecular maior que na análise laboratorial é interpretada de forma errada como uma
grande quantidade de prolactina. Esse paciente não possui nenhum sintoma, mas tem
prolactina aumentada sendo um achado exclusivamente laboratorial
EXAMES SOLICITADOS:
⇒ TSH → 12,3 ( VR = 0,5 - 5,0 )
⇒ T4 livre → 0,5 ( VR = 0,8 - 1,9 )
Paciente com um TSH aumentado e T4 livre aumentado. Para descobrirmos se é hipo ou
hipertireoidismo olhamos para o órgão efetor, nesse caso, a tireoide que vai ser avaliada
pelo T4 livre. Ao analisar o T4 livre que está diminuindo podemos concluir que a paciente
possui um HIPOTIREOIDISMO PRIMÁRIO
1. PRIMÁRIO → Distúrbio da glândula tireóide e faz com que a produção de
hormônio T4 diminua
TSH ALTO T4 BAIXO
2. SECUNDÁRIO → Doença em que a tireoide está sofrendo consequências de
algum distúrbio que está acontecendo em outro órgão ( ex.: Hipotálamo doente
não produz TSH então chega pouco TSH na tireoide, e , por isso, pouco T4 é
produzido )
TSH BAIXO E T4 BAIXO
3. SUBCLÍNICO → Quando a doença começou mas ainda não está plena, ou seja, o
paciente apresenta um T4 livre no limite inferior da normalidade mas ainda com
um TSH elevado compensando então o T4 se encontra normal
TSH ALTO E T4 NORMAL
CONDUTA: Levotiroxina - A RNM de sela turca não é recomendada nesse caso devido a
grande chance desse exame quando feito por um radiologista desavisado ele vai
encontrar a hipófise aumentada e laudar como se fosse um tumor,

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