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Bittencourt SÍFILIS/DST DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS Abordagem sindrômica Ministério da Saúde orienta em todos os casos: • Aconselhamento • Comunicação aos parceiros (até 30 dias) • Oferecer anti-HIV, VDRL (teste não treponêmico), sorologia para Hep B (HbsAg e Anti-Hbs) e C (Anti- HCV) • Agendar o retorno Essa abordagem é realizada em locais sem métodos de diagnósticos específicos. Então, classifica os principais agentes etiológicos segundo as síndromes clínicas por eles causados e indica tratamento para os agentes mais frequentes da síndrome (trata várias doenças para pegar o maior número possível de agentes causar. Sempre inclui o tratamento do parceiro. • Úlceras o Herpes simples o Sífilis (cancro duro) o Cancro mole o Donovanose o Linfogranuloma venéreo • Corrimentos o Gonorreia o Clamídia o Tricominiase o Candidíase (Não é necessariamente uma DST) o Vaginose bacteriana (não é necessariamente uma DST) ÚLCERAS • Menos de 4 semanas de evolução o Vesículas ▪ Sim • Tratar herpes genital ▪ Não • Tratar cancro mole • Tratar sífilis (cancro duro) • Mais de 4 semanas de evolução o Tratar cancro mole; o Sífilis; o Donovanose; o Biopsiar (linfogranuloma venéreo e neoplasias cutâneas) Patógenos principais • Herpes simples (úlcera genital = tipo 2) = Herpes simples vírus • Sífilis = Treponema pallidum • Donovanose = Klebsiella granulomatis • Cancro mole = Haemophilus ducreyi • Linfogranuloma venéreo = Chlamydia trachomatis HERPES SIMPLES GENITAL Úlcera com menos de 4 semanas de evolução, com vesículas agrupadas sobre base eritematosa = lesão herpetiforme. Possui ardor e dor local. O diagnóstico pode ser feito por citodiganóstico de Tzanck (raspagem com visualização das células de Tzanck), mas não é essencial, o diagnóstico pode ser feito só pela clínica. 30% dos casos das úlceras são recidivantes e 15% dos casos a doença é subclínica, mas ainda transmissível. No caso de úlcera genital por herpes: • Herpesvirus hominis, tipo 2 (HSV2): 90% • Herpesvirus hominis tipo 1 (HSV1): 10% Herpes simples labial Panarício herpético = lesões bem dolorosas nos dedos. Vesícula = coleção de líquido < 1cm de tamanho. Se > 1cm = bolha. Em áreas de maceração, o teto da vesícula é arrancado facilmente, então visualizamos apenas a lesão ulcerada e não vemos a formação vesicular. Mas a lesão some e reaparece no mesmo local. Incomum fazer em vários dermátodos. Transmissão do HSV2 • Contato direto • Saliva • Epitélio traumatizado • Outras secreções infectadas Recidivas desencadeadas por: • Leve trauma • Pós-relação sexual • Por determinados processos febris e não febris • Após cirurgia e em algumas mulheres, no período pré-menstrual e após estresse hormonal • Muitos casos, não há razão evidente para a erupção Tratamento • Aciclovir 200mg 4/4h, 5x/dia por 7 dias • Aciclovir 400mg 8/8h por 7 dias • Valaciclovir 1g 12/12h por 7 dias • Famciclovir 250mg 8/8h por 7 dias O tratamento deve ser iniciado ao aparecimento dos primeiros pródromos: sensibilidade, ardor, prurido e dor. Gestante: tratar o primeiro episódio em qualquer trimestre da gestação. O tratamento episódico melhora a lesão, mas não reduz a chance de ter recidivas 2 meses depois. Atualmente existe o tratamento de manutenção para lesões recidivantes e prevenção dessas lesões. SÍFILIS A sífilis é uma infecção de caráter sistêmico, causada pelo Treponema pallidum (T. pallidum), exclusiva do ser humano, e que, quando não tratada precocemente, pode evoluir para uma enfermidade crônica com sequelas irreversíveis em longo prazo. A sífilis é um importante agravo em saúde pública, pois além de ser infectocontagiosa e de poder acometer o organismo de maneira severa quando não tratada, aumenta significativamente o risco de se contrair a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), uma vez que a entrada do vírus é facilitada pela presença das lesões sifilíticas. É um patógeno difícil de ser cultivado, então não fazemos cultura dele. O T. pallidum pode sobreviver por até 10 horas em superfícies úmidas; no entanto, é muito sensível à ação do sabão e de outros desinfetantes. Transmissão: • Transplacentária durante a gestação • Contato sexual • Transfusões (raro atualmente) = “sífilis decapitada” = não tem o cancro duro. Classificação • Primária (penetração do treponema na pele) • Secundária • Terciária OU • Recente: até 1 ano desde a exposição • Tardia: após 1 ano da exposição A lesão surge 10-90 dias (período de incubação) depois do contato → cancro primário → cicatrização espontânea após 3-8 semanas, mesmo sem tratamento → 6 semanas a 6 meses → lesões secundárias duram até 12 semanas→ fase de latência pode durar até 10 anos e só faz diagnóstico pelo método sorológico → lesões terciárias podem aparecer. Sífilis primária ou cancro duro Surge em torno de 2 semanas após a contaminação, mas pode surgir até 3 meses depois. Evidencia a porta de entrada do treponema. É uma lesão autolimitada, então mesmo sem o tratamento ela cicatriza sem deixar marcas. Úlcera de bordas bem delimitadas, endurecidas, fundo limpo e indolor (exceto se tiver infecção secundária) Diagnóstico pode ser feito por pesquisa de campo escuro (visualiza o Treponema = faz uma angulação quase de 90° e faz um movimento de vai e vem). Nos casos em que essa pesquisa não estiver disponível, pode ser feita a biópsia. Se visualizar plasmócitos → VDRL. As sorologias são os métodos mais utilizados e podem ser: • Não treponêmicas (VDRL): menos específicos. É quantitativo (1/80 ou 1/160 etc). Com tratamento adequado, reduz sua titulação e alguns casos pode quase zerar. • Treponêmica (Fta-bs): mais específicos. É qualitativo (positivo ou negativo). É para sempre positivo “cicatriz sorológica”. Tratamento • Penicilina Benzatina o 1.200.000 UI em cada nádega. Dose única A lesão involui com ou sem tratamento. • Sem tto: 3 a 8 semanas • Com tto: 1 a 3 semanas Sífilis secundária Não tem úlcera genital em si, mas é uma lesão “grande imitadora”, ou seja, pode ter lesões de todos os tipos (mácula, pápula, vesícula, pústulas). Corresponde à disseminação sistêmica do treponema pelo organismo e aparece de 4 a 10 semanas após o cancro duro. Quadro clínico • Febre, mal estar, perda de peso • Hepatite subclínica • Uveíte, irite • Artrite • Sinais neurológicos • Glomerulonefrite Pápulas eritematosas difusas no tronco “Roséola sifilítica” DD: pitiríase rósea Acometimento palmo-plantar. DD: eritema polimorfo na reação hansênica tipo 2. Tratamento • Penicilina G benzatina o 2.400.000 UI em cada nádega (dose única) Evolução com ou sem tratamento: desaparecimento da lesão. • Sem tto: 3 a 12 semanas • Com tto: 1 a 4 semanas Sífilis terciária A lesão dermatológica mais típica são as gomas: granulomas destrutivos que vão gerar necrose caseosa central. Não possuem treponema no tecido e causam sequelas muito profundas na pele do paciente. É importante lembrar de dois acometimentos muito comuns da sífilis terciária • Neurosífilis (neurolues) o Sintomas evolutivos o Precoce no paciente com HIV • Cardiolues o 10 a 30 anos o Aortite Tratamento • Penicilina G benzatina o 1.200.000 UI em cada nádega 3x, separados de 7 dias. o Dose total de 7.200.000 UI • Nos casos de neurosífilis: penicilina cristalina o 4.000.000 UI EV 4/4H por 10 a 14 dias. CANCRO MOLE Úlcera genital sem vesícula com menos de 4 semanas de evolução. É uma doença causada pelo Ducrey, um estreptobacilogram negativo. Pode ser chamado de cancroide, cancro benéreo simples e doença de Ducrey. Sua grande característica é a presença de um plastrão (bulbão inguinal), que é unilateral, doloroso, raro na mulher. Ele faz uma supuração por fístula única, diferente do LGV, que tem fistulização múltipla. Sua incidência tem reduzido, ao contrário da sífilis. É um bacilo anti-séptico e sensível a vários tipos de ATB. É muito mais comum em homens do que em mulheres (20:1). O problema das mulheres é que elas são portadoras sadias, então transmitem sem saber. O risco de transmissão durante a relação é de 80%. A lesão é do tipo pápulo pustulosa e depois evolui para uma úlcera em 2 a 4 dias. É autoinoculável (lesão em espelho). O diagnóstico se dá por bacterioscopia e deve-se SEMPRE pesquisar por Treponema juntamente → cancro misto de Rollet. Borda menos infiltrada e delimitada que na sífilis. Localização mais comuns Plastrão inguinal unilateral. Tratamento • 1ª opção o Azitromicina 1g dose única o Ciprofloxacina 500mg 12/12h por 3 dias o Eritromicina (estearato) 500mg 6/6h por 7 dias • 2ª opção o Ceftriaxona 250mg IM dose única • Gestantes o Eritromicina (estearato) 500mg 6/6h por 7 dias o Ceftriaxona 250mg IM dose única DONOVANOSE Úlcera de mais de 4 semanas de evolução, que aparecem em espelho. É uma doença de evolução progressiva e crônica, de localização genital e que pode evoluir com lesões granulomatosas e destrutivas. É diferente de linfogranuloma venéreo. Sinonimia • Granuloma venéreo • Granuloma tropical • Úlcera serpiginosa • Úlcera venéreo-crônica • Granuloma inguinal Etiologia • Calymatobacterium granulomatis • Donovania granulomatis • Klebisiella granulomatis Tem período de incubação de 3 a 80 dias. Diagnóstico • Método de Giemsa: corpúsculos de Donovan dentro de histiócitos (cocobacilo gram negativo) Clínica • Nódulo único ou múltiplo com erosão e ulceração bem definida • Indolor • Lesões satélites por autoinoculação • Ausência de linfadenopatia • Linfoestase crônica, fístulas em diversos pontos, elefantíase dos genitais externos. Tratamento • Doxiciclina 100mg 12/12h → posologia mais confortável e menos efeitos de TGI que a tetraciclina. • Eritromicina (estearato) 500mg 6/6h • Sulfametazol/trimetropim 800/160mg 12/12h • Tetraciclina 500mg 6/6h Todos esses por 3 semanas de duração até a cura clínica (cicatrização) • Azitromicina 1g dose única, seguido de 500mg por semana durante 3 semanas até a cura clínica. LINFOGRANULOMA VENÉREO Úlceras com mais de 4 semanas de evolução. Também é chamado de linfogranuloma inguinal; doença de Nicolas Favre e mula. Pode acometer qualquer idade e população, mas existe uma tendência em ocorrer em microepidemias: homens homossexuais de 20 a 30 anos. Cursa com linfadenopatia uni ou bilateral, COM ou SEM úlcera. Possui período de incubação de 3 a 30 dias e é causada por um sorotipo específico de Chlamydia Maioria evolui para resolução espontânea, sem sequela, entrando em latência. Clamydia trachomatis Sorotipo Doença A-C Tracoma, conjuntivite, ceratite D-K Uretrite, cervivite, endometrite, prostatite, epididimite, conjuntivite, Sd Reiter, oftalmia e pneumonia L1,L2,L3 Linfogranuloma venéreo TWAR (Chlamydia pneumoniae), pneumonia, exacerbação bronquite crônica Quadro clínico • Estágio primário: o Pápula ou úlcera imperceptível o Cicatriza em poucos dias, sem sequelas o 1 a 3 semanas > sintomas gerais • Estágio secundário: o Enfartamento inguinal (bilateral em 1/3) ▪ “Sinal da caneleta” ou “do sulco”: ligamento de Poupart o Estágio terciário: síndrome anogenital (forma tardia e sequelas) Tratamento • Azitromicina 1g/semana por 2 semanas ou até cura clínica • Eritromicina (estearato\0 500mg, 6/6h, 15 dias ou até cura clínica • Doxiciclina 100mg, 12/12h, 15 dias ou até cura clínica • Tetraciclina 500mg, 6/6h, 15 dias ou até cura clínica • Tianfenicol 500mg 8/8h, 15 dias ou até a cura clínica CORRIMENTO URETRAL Possuímos bacterioscopia para avaliar o agente etiológico desse corrimento? • Sim o Diplococos gram negativos intracelulares presentes (típico de Neisseria)? ▪ Não • Tratar clamídia ▪ Sim • Tratar clamídia e gonorreia • Não o Tratar clamídia e gonorreia URETRITE GONOCÓCICA Corrimento causado por GONORREIA ou BLENORRAGIA. É a DST mais frequente. Acomete principalmente o sexo masculino, sendo que homem assintomático corresponde a 3%, enquanto mulheres 60%. O agente causador é a Neisseria gonorrhoeae (diplococo gram negativo IC obrigatório). Tem incubação de 2 a 5 dias e o corrimento aparece 3 a 10 dias após o contato. O sintoma mais precoce é o PRURIDO e a infecção assintomática no homem pode levar à infertilidade. Todos as parceiras dos homens devem ser tratadas, sintomáticas ou não. Como não se pode descartar a co- infecção por clamídia, deve sempre tratar as duas infecções. Diagnóstico • Suspeita o Pródromo: dor, ardor, prurido na uretra o Secreção purulenta, abundante, principalmente pela manhã o Período de incubação de 1 a 10 dias (2-3 dias) • Bacteriscopoa o Células poliformonucleares com os diplococos gram-negativos intracelulares Se o paciente chegar ao consultório e tiver urinado há pouco tempo, devemos pedir pro paciente fazer a expressão da uretra = apertar o corpo do pênis, desde a base até a cabeça → saída de pus. Colo do útero Tratamento • 1ª opção o Ciprofloxacina 500mg dose única (resistência) o Ceftriaxone 250mg dose única • 2ª opção o Ofloxacina o Ampicilina o Amoxicilina o Tianfenicol Aumento da resistência ao ciprofloxacino. URETRITE NÃO GONOCÓCICA - CLAMÍDIA A principal causa é a CLAMÍDIA. Supera a uretrite gonocócica nos países de primeiro mundo. É causada pelo Chlamydia trachomatis em 50% dos casos. Corrimento “clara de ovo”, “babando na cueca” → mais translúcido. Sua bacterioscopia é negativa. Poliformos sem bactéria intracelular. Tratamento • 1ª opção o Azitromicina 1g dose única o Doxiciclina 100mg, 12/12h por 7 dias • 2ª opção o Tetraciclina 500mg, 6/6h por 7 dias o Eritromicina (estearato) 500mg, 6/6h por 7 dias o Ofloxacina 400mg 12/12h por 7 dias