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Ordem Diptera 
ANA LUISA ARRABAL DE ALMEIDA – VET145
-Grande número de espécies e vários 
insetos com importância 
parasitológica. 
-“Diptera”: possui asas, o que oferece 
grande capacidade de dispersão desses 
insetos, o que dificulta estratégias de 
controle. 
-É umas das maiores ordens da classe 
Insecta. Podem atuar como parasitos 
tanto na fase adulta quanto na fase 
larval (miíase, por exemplo). 
-Ciclo de vida holometabólico (ovo, 
larva, pupa e adulto), com metamorfose 
completa. A fase de pupa tem grande 
importância porque muitos insetos 
permanecem por longos períodos no 
ambiente na fase de pupa. 
Obs.: entomologia forense – estuda a 
sucessão de colonização de cadáveres 
por insetos. 
 
-Moscas se desenvolvem em 
temperatura e umidade mais elevadas. 
-------Gênero Musca----- 
-26 espécies, mas no Brasil a espécie 
mais comum é Musca domestica. 
-Importância: apesar de não ter um 
aparelho bucal adaptado ao consumo 
de sangue, ela é um potencial vetor de 
diversos agentes patogênicos. Ao 
pousar sobre fezes, pode carrear as 
substâncias ao alimento, por exemplo 
(veiculação mecânica – bactérias, 
fungos, vírus e cistos de protozoários). 
 
-Morfologia: possui na região do tórax 
listras longitudinais (4 faixas). Tórax 
com coloração acinzentada e abdômen 
com coloração amarelada. Seu aparelho 
bucal é lambedor e sugador. Palpos são 
mais curtos que o de Haematobia 
irritans. 
 
 
 
 -A asa da Musca domestica tem 
uma curvatura na nervura M1+2. Essa 
característica ajuda na diferenciação 
entre Musca domestica e Stomoxys 
calcitrans. 
 
-Biologia: desenvolvimento da M. 
domestica ocorre em fezes de equinos, 
bovinos, suínos, restos de ação, resíduos 
da avicultura. O ciclo de ovo a adulto 
dura entre 10-14 dias (quanto mais 
quente, mais rápido). Em temperaturas 
mais baixas, pode durar 45 dias ou até 
mais. 
 
---Stomoxys calcitrans--- 
 
 
-Popularmente conhecida como mosca 
do estábulo. 
-Podem veicular mecanicamente os 
agentes causadores da doença: 
tripanossomíase (principalmente em 
bovinos de corte), vírus da AIE (anemia 
infecciosa equina) e anaplasmose. 
-Morfologia: apresentam coloração 
acinzentada com 4 faixas longitudinais 
na parte dorsal do tórax. 
 
-Biologia: 
 -Vinhoto (resíduo da indústria 
sucroalcooleira) é uma ótima fonte de 
alimento para essas moscas – 
relacionado a surtos em várias regiões 
do país. 
 -Silagem misturada com restos de 
ração também funciona como ótimo 
substrato de alimento e ovoposição. 
 -Ciclo biológico de ovo a adulto 
em 30 dias – em baixas temperaturas o 
ciclo se prolonga por meses. 
---Haematobia irritans--- 
 
-Popularmente conhecida como “mosca 
dos chifres”. Possui palpo bem maior 
que as outras duas espécies. As asas 
têm a mesma distribuição da S. 
calcitrans. 
 
-Biologia: 
 -Haematobia irritans coloca ovos 
sobre fezes frescas. 
 -Bovinos defecam e as fêmeas de 
Haematobia irritans voam rapidamente 
e depositam ovos embaixo da borda da 
massa fecal; 
 
 -Ovos são colocados na borda 
inferior do bolo fecal. A oviposição é 
mais frequente durante o dia 
(temperatura e umidade mais 
elevadas). 
 -São 3 estágios larvais (L1,L2 e 
L3); 
 -Ciclo completo de ovo a adulto 
dura entre 10-15 dias. 
Obs.: besouro rola bosta africano 
trazido ao Brasil para tentar controlar 
Haematobia irritans – esse besouro 
possui maior capacidade de 
reprodução. 
-Existe frequência maior de moscas nos 
machos adultos por terem mobilidade 
menor e maior concentração de 
testosterona, liberando odores na pele 
que são mais atrativos a moscas. 
Possuem também atração maior por 
animais de pelagem escura, 
dificultando o controle. 
-Fêmeas realizam 40 repastos 
sanguíneos/ dia; enquanto machos 
fazem aproximadamente 25 repastos 
sanguíneos/dia. 
-Uma infestação por 500 moscas leva a 
uma perda de aproximadamente 60 mL 
de sangue por dia. 
--Família Calliphoridae-- 
-Moscas popularmente conhecidas 
como “varejeiras”, com coloração 
azulada, esverdeada e com reflexos 
metálicos. 
-A mosca adulta pode atuar como vetor 
mecânico: 
 
-Miíase – “infestação de vertebrados 
vivos por larvas de dípteros que, pelo 
menos durante certo período, se 
alimentam dos tecidos vivos ou mortos 
do hospedeiro, de suas substâncias 
corporais líquidas ou do alimento por 
ele ingerido.” 
-Infestação de moscas no cadáver não 
a faz atuar como miíase. Pode ser miíase 
obrigatória ou primária, alimentando-
se obrigatoriamente de tecidos vivos. A 
miíase facultativa ou secundária 
atuando como miíase (tecido necrosado 
de animais vivos) ou não (cadáver). 
-Algumas espécies apresentam 
importância forense, auxiliando no 
esclarecimento de crimes. 
-Terapia larval ou bioterapia: larvas de 
miíase secundárias com hábitos 
necrobiontófogos podem ser utilizadas 
para adiantar o processo de 
cicatrização de algumas feridas. Foi 
uma técnica muito utilizada na segunda 
guerra. 
 *Desbridamento de úlceras de 
pressão, úlceras de estase venosa, 
úlceras neuropáticas nos pés, feridas 
traumáticas ou pós cirúrgicos. 
-A área de cirurgia na veterinária é 
afetada pelas miíases, além de que 
essas moscas podem destruir estruturas 
anatômicas importantes em orifícios. As 
larvas conseguem penetrar em 
cavidades do corpo, originando miíases 
cavitárias (nasal, ocular, auricular, 
vaginal, anal etc.). Em bezerros, ocorre 
miíases umbilicais (oviposição ocorre na 
ferida umbilical) e gengival. 
Larvas de Cochliomyia hominivorax. 
 
Cochliomyia hominivorax 
 
-A Cochliomyia hominivorax é uma 
miíase primária. Essas moscas copulam 
somente uma vez na vida. Em 
laboratório, a radiação gama tornava 
os machos estéreis, os quais eram 
liberados na natureza e competiam com 
os machos férteis. Com o tempo, 
soltando os machos estéreis, consegue-
se erradicar a Cochliomyia hominivorax. 
 
 
 
 
 
-Há fases larvais de L2 e L3. Essa última 
fica em forma de pupa, a qual tem uma 
grande resistência no ambiente. 
Dependendo da época do ano e 
temperatura, o ciclo pode durar mais ou 
menos do que 8 dias. 
 
-Cochliomyia macellaria- 
-São invasoras 
secundárias de 
ferimentos e podem 
se desenvolver em 
carnes de açougues 
e matadouros. 
-As hominivorax 
possuem traqueia 
pigmentada até 
metade do terceiro pigmento, enquanto 
a macellaria tem somente uma pequena 
pigmentação da traqueia. 
-----Chrysomyia spp.----- 
 
-Competem com outras causadoras de 
miíase secundária, fazendo outras 
espécies se tornarem menos frequente. 
 
 
 
Larvas espiraladas e possuem 
“espinhos/ projeções” (são necrófagas). 
-Ciclo biológico se dá em um período 
curto, dependendo também da 
temperatura ambiente. 
 
-Principais espécies: 
 
 
 
Características usadas para diferenciar 
entre as moscas de outros gêneros. 
Importante também para a 
entomologia forense. 
-Importância: 
 -As espécies introduzidas no Novo 
Mundo são causadoras de miíases 
secundárias em mamíferos; 
 -Pode carrear agentes 
patogênicos, levando também para o 
alimento. 
 -Possuem alta capacidade 
reprodutiva. 
 -Importante papel ecológico: 
participam do processo de degradação 
de matéria orgânica, eliminando 
carcaças do ambiente. 
 -Entomologia forense 
(investigações médico-criminal). 
---Família Oestridae--- 
Oestrus ovis 
-Causa miíase nasal em ovinos (doença 
chamada de oestrose ou bicho de 
cabeça). 
-Moscas adultas grandes. 
-Adultos não alimentam e depositam 
larvas, ou seja, são moscar larvíparas. 
 
-Pode ocorrer perfuração da cavidade 
craniana, levando o animal a morte. 
Uma irritação grande pode levar a um 
quadro de sinusite. Além disso, algumas 
larvas podem ser aspiradas. 
-Ciclo biológico: 
 
-Processo de diapausa: 
desenvolvimento para em algum 
estágio, geralmente L1. Por causa disso, 
o ciclo pode durar até 9 meses. 
 
-Devido a isso, os animais podem insistirem manter a cabeça levantada, 
evitando a pastagem e podendo perder 
peso. 
-As larvas se alimentam de albumina, 
mucina e colágeno das secreções 
nasais. A um primeiro momento, pode se 
observar uma secreção limpa e depois 
uma secreção mucopurulenta. 
 
Gasterophilus 
-Se desenvolve na cavidade abdominal 
(miíase cavitária: estômago, intestino 
delgado de grosso, dando nome às 
espécies. 
 
-Não são frequentes as infestações por 
essa larva e grande parte dessas 
infestações são descobertas 
ocasionalmente durante uma 
endoscopia. 
-Aspectos biológicos: ovos são 
colocados em pelos próximos a região 
da boca ou nos membros anteriores. 
 
-As fases larvais são mais 
frequentemente vistas. Dependendo da 
infestação, pode haver ruptura da 
mucosa estomacal e o animal 
desenvolve um quadro de peritonite, 
podendo morrer. 
 
 
-Ciclo de vida é bem longo. As larvas 
podem sair até 11 meses após o 
processo de infecção. 
 
-A mosca não completam o 
desenvolvimento no hospedeiro, e sim 
no solo. Dessa forma, a característica 
do solo pode ser um fator limitante de 
desenvolvimento da pupa. Ex.: em 
algumas regiões, bernes não conseguem 
se desenvolver devido às 
características do solo. 
-Patogenia e sintomatologia: gastrite, 
ruptura do estômago, falta de apetite e 
podem também penetrar a pele 
humana. O grau de sintomatologia 
depende do nível de infestação. 
---Dermatobia hominis--- 
-Mosca adulta tem um período de vida 
muito curto, sendo difícil de ser 
visualizada. Ciclo inclui insetos 
foréticos, os quais transportam as 
larvas até o hospedeiro. 
 
 
 
 
 
-Provoca miíase furunculosa em 
bovinos, outros animais domésticos e no 
ser humano. O aspecto dor é forte nesse 
parasito – lesões na pele que levam a 
uma pior qualidade de couro brasileiro. 
-Fase larval é popularmente conhecida 
como “berne”. 
 
Forético com larvas de Dermatobia 
hominis. 
-Mais de 40 espécies de dípteros atuam 
como foréticos, incluindo até 
carrapatos. 
 
 
Lesões de berne. 
 
-Ciclo de vida vai ser definido pelas 
condições do hospedeiro. Ocorre 
captura dos foréticos pela mosca, 
deposição de ovos no abdômen dos 
foréticos, os quais vão pousar sobre os 
bovinos. As larvas descem e penetram 
os folículos pilosos.

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