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Indaial – 2022
Fitoterapia
Prof. Fellippe Ramos Wolff
1a Edição
Farmacognosia e
Impresso por:
Copyright © UNIASSELVI 2022
Elaboração:
Prof. Fellippe Ramos Wolff
Revisão, Diagramação e Produção:
 Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
 Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
W855f
Wolff, Fellippe Ramos
Farmacognosia e fitoterapia. / Fellippe Ramos Wolff – Indaial: 
UNIASSELVI, 2022.
257 p.; il.
ISBN 978-85-515-0536-6
ISBN Digital 978-85-515-0537-3
1. Farmacognosia. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da 
Vinci.
CDD 615
Caro acadêmico, seja bem-vindo a mais uma disciplina do curso de Farmácia: 
a Farmacognosia e Fitoterapia. A Farmacognosia é o ramo mais antigo das ciências 
farmacêuticas, pois, nela, estudamos a aplicação simultânea de várias disciplinas 
científicas, com o objetivo de conhecer fármacos naturais sob todos os aspectos. É 
considerada uma ciência multidisciplinar, que contempla o estudo das propriedades 
físicas, químicas, bioquímicas e biológicas dos fármacos sintéticos ou de origem natural, 
bem como busca por novos fármacos a partir de fontes naturais.
Devido a seu aspecto  interdisciplinar, fazendo interface com botânica, 
etnobotânica, antropologia médica, microbiologia, fitoquímica, fitoterapia, farmacologia, 
farmácia clínica, agronomia, entre outros, a Farmacognosia é uma área extremamente 
importante para o profissional farmacêutico.
Na Unidade 1, veremos uma introdução ao estudo da Farmacognosia e de sua 
importância na biodiversidade e no uso de plantas tradicionais, assim como temas como 
segurança e toxicidade, legislação em vigor, identificação de componentes anatômicos 
e espécies vegetais, e desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos.
Na Unidade 2, estudaremos os métodos de cultivo, obtenção e preparação 
da droga vegetal, como realizar a extração de substâncias químicas produzidas pelas 
plantas e quais são os tipos de compostos fitoquímicos derivados de seu metabolismo 
primário e secundário, e sua importância clínica.
Para finalizar, a Unidade 3 abordará as ferramentas da qualidade na produção 
de fitomedicamentos, a ação farmacológica e terapêutica de produtos derivados de 
organismos vegetais, e a prática clínica da fitoterapia e da aromaterapia.
Esperamos que as informações apresentadas sejam de grande valia na prática 
da profissão e que permitam atuar em qualquer espaço que contemple os assuntos 
abordados nesta disciplina de forma segura, ética, responsável e competente.
Bons estudos e sucesso!
Prof. Fellippe Ramos Wolff
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a 
você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, a UNIASSELVI disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, um código que permite que você acesse um conteúdo 
interativo relacionado ao tema que está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse 
as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade 
para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Você lembra dos UNIs?
Os UNIs eram blocos com informações adicionais – muitas 
vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico 
como um todo. Agora, você conhecerá a GIO, que ajudará 
você a entender melhor o que são essas informações 
adicionais e por que poderá se beneficiar ao fazer a leitura 
dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará 
informações adicionais e outras fontes de conhecimento que 
complementam o assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os 
acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir 
de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual 
– com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a 
leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que 
você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados 
através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo 
continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada 
com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo 
o espaço da página – o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por 
exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto 
de ações sobre o meio ambiente, apresenta também este 
livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a 
possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, 
tablet ou computador. 
Junto à chegada da GIO, preparamos também um novo 
layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual 
adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de 
relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os 
materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, 
possa continuar os seus estudos com um material atualizado 
e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - PRINCÍPIOS E CONCEITOS DE PRODUTOS NATURAIS .................................. 1
TÓPICO 1 - INTRODUÇÃO À FARMACOGNOSIA ....................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 CONCEITOS E DEFINIÇÕES ...............................................................................................3
3 BIODIVERSIDADE E ECOSSISTEMAS BRASILEIROS ........................................................5
3.1 BIODIVERSIDADE BRASILEIRA .......................................................................................................... 6
3.2 BIOMAS ...................................................................................................................................................8
4 PRODUTOS NATURAIS COMO MATÉRIAS-PRIMAS ...................................................... 20
4.1 CORANTES E TINTURAS ...................................................................................................................20
4.2 ALGAS MARINHAS .............................................................................................................................22
4.3 USO TRADICIONAL DE PRODUTOS VEGETAIS ...........................................................................23
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 25
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 26
TÓPICO 2 - ETNOFARMACOLOGIA ..................................................................................... 29
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 29
2 O USO TRADICIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS .......................................................... 29
3 INTERAÇÕES ENTRE PLANTAS MEDICINAIS, ALIMENTOS E MEDICAMENTOS ...........37
3.1 INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS ...................................................................................................383.1.1 Interações farmacocinéticas ..................................................................................................38
3.1.2 Interações farmacodinâmicas................................................................................................39
3.1.3 Interações de efeito .................................................................................................................39
3.1.4 Interações farmacêuticas .......................................................................................................39
4 TOXICIDADE DE PRODUTOS VEGETAIS ........................................................................ 42
5 LEGISLAÇÃO APLICADA À FITOTERAPIA ...................................................................... 45
5.1 FARMACOPEIA BRASILEIRA ..............................................................................................................45
5.2 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ...............................................................................................................46
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 49
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 50
TÓPICO 3 - FARMACOBOTÂNICA ....................................................................................... 53
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 53
2 TAXONOMIA VEGETAL .................................................................................................... 53
3 NOMENCLATURA E IDENTIFICAÇÃO DE PRODUTOS VEGETAIS .................................. 56
4 MORFOLOGIA VEGETAL .................................................................................................. 58
4.1 MORFOLOGIA BÁSICA EXTERNA DAS RAÍZES ............................................................................58
4.2 MORFOLOGIA BÁSICA EXTERNA DOS CAULES............................................................................61
4.3 MORFOLOGIA BÁSICA EXTERNA DAS FOLHAS .........................................................................62
5 MICROTÉCNICA VEGETAL .............................................................................................. 63
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................ 65
RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................ 68
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 69
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 71
UNIDADE 2 — METABOLISMO VEGETAL E SUBSTÂNCIAS ATIVAS ...................................81
TÓPICO 1 — ESTUDOS FITOQUÍMICOS ............................................................................... 83
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 83
2 CULTIVO, OBTENÇÃO E SEPARAÇÃO DE DROGAS VEGETAIS ..................................... 84
2.1 CULTIVO ................................................................................................................................................86
2.2 ESCOLHA DAS ESPÉCIES A SEREM CULTIVADAS ......................................................................87
2.3 ESCOLHA E PREPARO DA ÁREA PARA CULTIVO ....................................................................... 88
2.4 COLHEITA, SECAGEM E ARMAZENAMENTO ................................................................................ 91
3 MÉTODOS DE EXTRAÇÃO, PURIFICAÇÃO E ISOLAMENTO DE COMPOSTOS ATIVOS .......... 94
3.1 MÉTODOS DE EXTRAÇÃO .................................................................................................................99
3.1.1 Extrações a frio ...........................................................................................................................99
3.1.2 Extrações a quente em sistemas abertos .........................................................................101
3.1.3 Extrações a quente em sistemas fechados ......................................................................101
3.2 OPERAÇÕES DE CONCENTRAÇÃO E DE SECAGEM ..................................................................101
3.3 ANÁLISE FITOQUÍMICA PRELIMINAR ...........................................................................................102
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................108
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................109
TÓPICO 2 - FUNDAMENTOS DO METABOLISMO VEGETAL ..............................................111
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................111
2 METABOLISMO PRIMÁRIO VEGETAL .............................................................................111
2.1 FOTOSSÍNTESE ..................................................................................................................................112
2.2 CARBOIDRATOS ................................................................................................................................115
2.3 LIPÍDIOS ...............................................................................................................................................121
2.4 PROTEÍNAS ....................................................................................................................................... 122
3 METABOLISMO SECUNDÁRIO VEGETAL .......................................................................126
3.1 INTERAÇÃO PLANTA-AMBIENTE ................................................................................................... 126
3.2 BIOSSÍNTESE DE COMPOSTOS .................................................................................................... 127
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................130
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 131
TÓPICO 3 - QUÍMICA DOS PRODUTOS NATURAIS ...........................................................133
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................133
2 COMPOSTOS FENÓLICOS ...............................................................................................133
2.1 ÁCIDOS FENÓLICOS ..........................................................................................................................136
2.2 FLAVONOIDES ..................................................................................................................................138
2.3 TANINOS ...............................................................................................................................................141
2.4 TOCOFERÓIS .....................................................................................................................................143
2.5 POLIFENÓIS ......................................................................................................................................144
3 TERPENOS .......................................................................................................................145
3.1 TERPENOIDES ....................................................................................................................................146
3.2 CAROTENOIDES ................................................................................................................................1503.3 GLICOSÍDEOS ....................................................................................................................................150
4 COMPOSTOS NITROGENADOS.......................................................................................152
4.1 ALCALOIDES ...................................................................................................................................... 153
LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................155
RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................163
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................164
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................165
UNIDADE 3 — FITOTERAPIA ...............................................................................................171
TÓPICO 1 — FITOTERAPIA: O USO DE PLANTAS MEDICINAIS......................................... 173
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 173
2 FITOTERAPIA .................................................................................................................. 173
2.1 PRESCRIÇÃO FITOTERÁPICA .......................................................................................................... 174
2.2 ATENÇÃO FARMACÊUTICA EM FITOTERAPIA ............................................................................ 179
2.3 A RENAME E AS PLANTAS MEDICINAIS ......................................................................................180
3 FITOFARMACOLOGIA E INDICAÇÃO DE FITOTERÁPICOS ...........................................183
3.1 ALCACHOFRA (CYNARA SCOLYMUS L.) .....................................................................................183
3.1.1 Atividades biológicas ..............................................................................................................184
3.2 AROEIRA (SCHINUS TEREBINTHIFOLIA RADDI) ........................................................................185
3.2.1 Atividades biológicas ..............................................................................................................186
3.3 BABOSA (ALOE VERA (L.) BURM. F) ............................................................................................. 187
3.3.1 Atividades biológicas ..............................................................................................................188
3.4 ESPINHEIRA-SANTA (MAYTENUS ILICIFOLIA MART. EX REISSEK) ......................................190
3.5 GARRA DO DIABO (HARPAGOPHYTUM PROCUMBENS DC. EX MEISSN.) ...........................191
3.6 GUACO (MIKANIA GLOMERATA SPRENG.) .................................................................................. 192
3.7 HORTELÃ (MENTHA X PIPERITA L.) .............................................................................................. 193
3.8 ISOFLAVONA DA SOJA (GLYCINE MAX (L.) MERR) ................................................................... 194
3.9 PLANTAGO (PLANTAGO OVATA FORSSK) ................................................................................... 195
3.10 SALGUEIRO (SALIX ALBA L.) ........................................................................................................ 196
3.11 UNHA DE GATO (UNCARIA TOMENTOSA WILLD.) .....................................................................198
RESUMO DO TÓPICO 1 ...................................................................................................... 200
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................201
TÓPICO 2 - ÓLEOS ESSENCIAIS E AROMATERAPIA ....................................................... 203
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 203
2 O USO DE ÓLEOS ESSENCIAIS ...................................................................................... 203
2.1 EFEITOS NO SISTEMA RESPIRATÓRIO ..........................................................................................207
2.2 ATIVIDADE ANTIMICROBIANA, ANTIFÚNGICA E ANTIVIRAL ...................................................211
3 A APLICAÇÃO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS NA AROMATERAPIA .....................................214
3.1 FORMAS DE UTILIZAÇÃO DOS OES .............................................................................................. 216
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................218
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................219
TÓPICO 3 - NATUROPATIA E FITOTERÁPICOS ................................................................221
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................221
2 NATUROPATIA .................................................................................................................221
2.1 FLORAIS ...............................................................................................................................................222
2.2 HOMEOPATIA .................................................................................................................................... 228
2.2.1 Diluição ...................................................................................................................................... 230
2.2.2 A dinamização ........................................................................................................................ 230
3 CHÁS MEDICINAIS .........................................................................................................231
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 235
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 239
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................... 240
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 242
1
UNIDADE 1 - 
PRINCÍPIOS E 
CONCEITOS DE 
PRODUTOS NATURAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender os conceitos que englobam a Farmacognosia;
• entender como são realizados os estudos de propriedades físico-químicas, 
biológicas, bioquímicas e terapêuticas de plantas;
• compreender o uso tradicional de plantas medicinais;
• conhecer as principais legislações que regulamentam o cultivo e o preparo de 
medicamentos fitoterápicos obtidos de plantas medicinais.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO À FARMACOGNOSIA
TÓPICO 2 – FARMACOBOTÂNICA
TÓPICO 3 – ETNOFARMACOGNOSIA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
2
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
Acesse o 
QR Code abaixo:
3
INTRODUÇÃO À FARMACOGNOSIA
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, abordaremos alguns conteúdos fundamentais para o entendimento 
da disciplina, os conceitos mais utilizados, um histórico sobre o uso tradicional das 
plantas e o desenvolvimento da fitoterapia.
Para iniciar os estudos no universo da Farmacognosia, primeiramente, refleti-
remos sobre as riquezas da mãe natureza e sua imensavariedade de espécies de seres 
vivos, sejam eles micro-organismos, animais ou vegetais. Devido a suas características 
diversas, os seres são capazes de metabolizar substâncias para o seu crescimento e 
produção de energia (carboidratos, aminoácidos, lipídios), substâncias essenciais à vida 
do planeta (por exemplo, a produção de oxigênio pelo processo de fotossíntese realiza-
da por espécies vegetais e algas marinhas). Também podemos encontrar outras subs-
tâncias que os seres humanos podem extrair e utilizar de maneira sustentável, como 
o látex, para a fabricação de borracha; as castanhas, para alimento; sementes, para 
produção de corantes biodegradáveis etc.
Desse modo, percebemos que o estudo da biodiversidade das espécies vegetais 
é fundamental para o profissional farmacêutico, seja para uma simples indicação 
terapêutica, seja para a obtenção de compostos fitoquímicos com possível potencial 
terapêutico e que podem ser empregados no desenvolvimento de novos fármacos, 
sendo eles fitoterápicos ou sintéticos. 
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
Acadêmico, é importante lembrar que o seu interesse e a sua dedicação 
são fundamentais para o sucesso da sua carreira; portanto, realize sempre 
as autoatividades propostas no final de cada tópico deste livro e acesse os 
artigos complementares expostos ao longo dos temas abordados.
DICA
2 CONCEITOS E DEFINIÇÕES 
Para facilitar a compreensão dos assuntos a serem vistos a seguir, precisa-
mos rever alguns conceitos que serão aplicados nesta disciplina. Entretanto, antes 
de discutirmos sobre termos mais complexos, é importante entendermos, afinal, o 
que significa a Farmacognosia.
4
Etimologicamente, Farmacognosia significa o conhecimento (gnose) dos 
fármacos ou venenos (pharmacon). Uma definição atualizada também a considera o 
estudo de matérias-primas e substâncias de origem biológica, obtidas de vegetais e 
animais ou por fermentação a partir de micro-organismos, com finalidade terapêutica 
(BUENO, 2016). Ainda envolve o estudo da identificação de drogas vegetais por caracteres 
morfológicos e anatômicos, sua origem e as formas de produção, controle da qualidade, 
composição fitoquímica, elucidação estrutural e conhecimento das propriedades 
físico-químicas das substâncias ativas, bem como o estudo de suas propriedades 
farmacológicas e toxicológicas (SANTOS et al., 2018).
Após entendermos o significado e a abrangência dos temas discutidos na 
disciplina, é preciso elucidar outros termos e definições presentes ao longo das próximas 
unidades, sendo de grande valia observarmos que todas essas definições podem ser 
encontradas nos compêndios oficiais e ainda previstos em legislações específicas para 
a área de concentração do estudo de plantas e produtos derivados farmacêuticos:
• Derivado vegetal: produto da extração da planta medicinal fresca ou da droga vegetal, 
que contenha as substâncias responsáveis pela ação terapêutica, podendo ocorrer na 
forma de extrato, óleo fixo e volátil, cera, exsudato, entre outros (BRASIL, 2014a).
• Droga vegetal: planta medicinal ou suas partes que contenham as substâncias 
ou classes de substâncias, responsáveis pela ação terapêutica, após processos de 
coleta, estabilização, quando aplicável, e secagem, podendo estar na forma íntegra, 
rasurada, triturada ou pulverizada (BRASIL, 2014a).
• Exsicata: fragmento ou exemplar vegetal, dessecado, prensado, fixado em 
mostruário, etiquetado ou rotulado com informações sobre a coleta (nome da 
planta, data e local da coleta etc.) (BRASIL, 2014a).
• Composição fitoquímica: também conhecida como fitocomplexos, é o conjunto 
de todas as substâncias, originadas do metabolismo primário ou secundário, 
responsáveis, em conjunto, pelos efeitos biológicos de uma planta medicinal ou de 
seus derivados (BRASIL, 2014a).
• Flora: é o conjunto de espécies vegetais que compõe a cobertura vegetal de uma 
determinada área. A flora brasileira é reconhecida como uma das mais importantes. 
No Brasil, há milhares de espécies vegetais nativas ainda não estudadas (IBGE, 2021).
• Fitoterápico: produto obtido de matéria-prima ativa vegetal, exceto substâncias 
isoladas, com finalidade profilática, curativa ou paliativa, incluindo medicamento 
fitoterápico e produto tradicional fitoterápico. Pode ser simples, quando o ativo é 
proveniente de uma única espécie vegetal medicinal, ou composto, quando o ativo 
é proveniente de mais de uma espécie vegetal (BRASIL, 2014a).
• Insumo farmacêutico ativo vegetal (IFAV): matéria-prima ativa vegetal, ou seja, 
droga ou derivado vegetal, utilizada no processo de fabricação de um fitoterápico 
(BRASIL, 2014a). 
• Marcador fitoquímico: substância ou classe de substâncias utilizadas como 
referência no controle da qualidade, desde a droga vegetal até o produto formulado 
e, quando pertinente, nos estudos de resíduo, tendo correlação, preferencialmente, 
5
com a atividade biológica. O marcador pode ser do tipo ativo, quando relacionado com 
a atividade biológica do fitocomplexo, ou analítico, quando não demonstrada, até o 
momento, a sua relação com a atividade biológica do fitocomplexo (BRASIL, 2020).
• Matéria-prima vegetal: planta medicinal fresca, droga vegetal ou derivado de 
droga vegetal (BRASIL, 2010a).
• Medicamento: produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com 
finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico (BRASIL, 1973).
• Medicamento fitoterápico (MF): medicamento obtido empregando-se exclusivamen-
te matérias-primas ativas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos 
riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Sua 
eficácia e segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos, de 
utilização, documentações tecnocientíficas ou evidências clínicas. Não se considera me-
dicamento fitoterápico aquele que, na sua composição, inclua substâncias ativas isoladas, 
de qualquer origem, nem as associações destas com extratos vegetais (BRASIL, 2010a).
• Nomenclatura botânica: espécie (gênero + epíteto específico) (BRASIL, 2014a). 
• Perfil cromatográfico: padrão cromatográfico de constituintes característicos do 
fitocomplexo, obtido em condições de reprodutividade previamente definidas, que 
possibilite a identificação da espécie vegetal em estudo e a diferenciação de outras 
espécies (BRASIL, 2014a).
• Planta medicinal: espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com propósitos 
terapêuticos (BRASIL, 2013a; 2013b; 2014a; 2014b).
• Planta medicinal fresca: a planta medicinal usada logo após a coleta sem passar 
por qualquer processo de secagem (BRASIL, 2014a).
• Princípio ativo: também denominado fármaco ou ainda insumo ativo, é o componente 
farmacologicamente ativo destinado ao emprego em medicamento (BRASIL, 2007).
• Produto tradicional fitoterápico (PTF): obtido com emprego exclusivo de matérias-
primas ativas vegetais, cuja segurança seja baseada na tradicionalidade de uso, 
caracterizado pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade (BRASIL, 2013a).
• Pureza: é um dos principais atributos de qualidade de matérias-primas farmacêuti-
cas, já que a identificação e a determinação quantitativa de impurezas podem ajudar a 
controlar/minimizar o risco de efeitos adversos de medicamentos (JUNQUEIRA, 2012).
3 BIODIVERSIDADE E ECOSSISTEMAS BRASILEIROS
Como o próprio nome indica, biodiversidade trata da diversidade de vida em to-
dos os ecossistemas existentes. De acordo com a Convenção sobre Diversidade Biológica 
(BRASIL, 2018, s. p.), a biodiversidade pode ser definida como: “a variabilidade de organis-
mos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, 
marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; 
compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas”.
Com isso, podemos compreender que a biodiversidade é um agregado de ele-
mentos, da qual a vida se faz presente e que é estudada para averiguar os maisvariados 
tipos de animais e plantas que fazem parte desse meio natural – atualmente, de certa 
6
forma, modificado por um ser desse meio natural, o homem –, sendo que alguns se-
res vivos são protegidos e selecionados pelo homem em detrimento dos outros (ROOS, 
2012). O detrimento das espécies implica não somente no empobrecimento genético, 
levando, em última consequência, à extinção de espécies, mas também uma dimensão 
muito maior, afetando direta ou indiretamente a economia, a saúde e o bem-estar do ser 
humano (STEHMANN; SOBRAL, 2017).
Seguindo este aspecto, Ramos observa que:
seja como for, a visão atual de natureza, potencializada pela 
tecnologia, herdou o projeto de dominação assentado no dualismo 
homem-natureza, na qual a última é instrumentalizada em benefício 
do primeiro. Em outras palavras, universalizou-se a postura – que 
se tornou dogma – de transformar o conhecimento da natureza em 
instrumento de domínio da mesma (RAMOS, 2011, p. 83).
Nesse contexto, um marco importante foi a realização da Conferência das 
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em 1992, também conhecida 
como Eco-92, realizada no Rio de Janeiro. No evento, foi aprovada a Convenção sobre a 
Diversidade Biológica (CDB), ratificada por 168 países, propondo regras para assegurar a 
conservação da biodiversidade, seu uso sustentável e a justa repartição dos benefícios 
provenientes do uso econômico dos recursos genéticos, respeitada a soberania de cada 
nação sobre o patrimônio existente em seu território. 
Esse marco foi importante devido à questão da Biodiversidade ter entrado, 
a partir dele, na agenda oficial dos países signatários, responsáveis pela gestão do 
patrimônio natural biológico presente em seus territórios. Metas são propostas a cada 
década na tentativa de assegurar o cumprimento da convenção e avançar efetivamente 
nas estratégias de conservação e uso sustentável da biodiversidade. O inventário das 
espécies existentes no planeta é uma das metas assumidas na década passada e uma 
questão primordial ainda não respondida (STEHMANN; SOBRAL, 2017).
3.1 BIODIVERSIDADE BRASILEIRA 
Estima-se em 264 a 279 mil o número de espécies de plantas conhecidas no mundo, 
ou seja, de espécies formalmente descritas e documentadas em coleções biológicas (por 
espécimes, mas também, algumas vezes, por uma iconografia) (PEIXOTO; MORIM, 2003).
7
Iconografia: forma de linguagem visual, que usa imagens para representar 
algum tema. A iconografia estuda a origem das imagens e como elas são 
expostas e formadas.
Em nosso contexto, podemos observar que, apesar da medicina ocidental 
ter se especializado na criação de fármacos produzidos a partir de processos 
complexos, houve um tempo em que todos os tratamentos eram feitos 
com compostos naturais, especialmente ervas e outros alimentos.
Com a ausência de tecnologia e métodos de captura de imagens, no início da 
Idade Moderna, médicos e boticários, através do estudo da botânica, utilizavam 
ilustrações de plantas para facilitar o acesso e a identificação de espécies 
vegetais com potencial medicinal para tratar seus pacientes (PITA, 2000).
Um dos guias mais antigos manuscritos conhecido sobre essas práticas 
foi disponibilizado na internet pela Biblioteca Britânica (2017), detentora 
da única edição do guia, o qual acredita-se ter sido escrito no século 
XI em idioma anglo-saxão, uma forma primitiva do idioma inglês que 
conhecemos hoje. O livro é repleto de ilustrações das substâncias que, 
segundo os autores, podiam resolver dezenas de problemas. Vale a pena 
conferir essas imagens, então acesse: https://bit.ly/3uye8Gu.
DICA
O Brasil possui um território de 8.514.877 km² (IBGE, 2012) e é considerado o país 
de maior diversidade biológica, destacando-se no ranking mundial e abrigando cerca de 
14% da diversidade de plantas do mundo (STEHMANN; SOBRAL, 2017). 
Estima-se que existam 1,8 milhão de espécies, apenas em torno de 45,3 a 49,5 
mil o número de espécies de plantas descritas. Em relação aos fungos, estima-se que o 
planeta abrigue entre 70,5 e 72 mil espécies, das quais o Brasil detém 12,5 a 13,5 mil. Esse 
alto padrão de diversidade dá ao país extraordinária competitividade diante de demandas 
ambientais e biotecnológicas, nas quais o capital natural gera grandes benefícios econô-
micos, convertendo-se, mesmo, em poder (LEWINSOHN; JORGE; PRADO, 2012).
Diante disso, podemos perceber que o território brasileiro possui uma fábrica 
natural e sofisticada de substâncias de classes diversas e estruturas químicas 
inusitadas que teria, se bem aproveitada, um potencial enorme para inovações radicais 
e incrementais para os setores de fármacos, cosméticos, fragrâncias, agroquímicos e 
suplementos alimentares (BOLZANI, 2016).
Devido a seu tamanho e suas particularidades biogeográficas, apresenta uma 
variedade de climas, relevos, solos e vegetação, e as combinações desses fatores 
produzem diferentes biomas e ecossistemas.
8
3.2 BIOMAS 
Como definição, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 
2021), bioma é um conjunto de vida vegetal e animal, constituído pelo agrupamento de 
tipos de vegetação que são próximos e que podem ser identificados em nível regional, 
com condições de geologia e clima semelhantes e que, historicamente, sofreram os 
mesmos processos de formação da paisagem, resultando em uma diversidade de flora 
e fauna própria (KAUST; ROMAGNOLO, 2019).
Assim, no Brasil, podemos encontrar seis tipos de biomas: Amazônia, Mata 
Atlântica, cerrado, caatinga, Pampa e Pantanal. Esses biomas são importantes 
não somente como recursos naturais para o país, mas também se destacam como 
ambientes de grande riqueza natural para o planeta (IBGE, 2021).
Não podemos deixar de citar individualmente algumas das características mais 
marcantes no que diz respeito à riqueza da variabilidade vegetal desses sistemas. A 
seguir, veremos como estão dispostos em nosso território e quais são os valores de 
cada um desses sistemas, começando pela Figura 1.
FIGURA 1 – BIOMAS BRASILEIROS
FONTE: <https://bit.ly/34kACA9>. Acesso em: 20 ago. 2021.
9
TABELA 1 – ÁREA DOS BIOMAS NO TERRITÓRIO BRASILEIRO
FONTE: Vilela; Callegaro; Fernandes (2019, p. 25)
Identificação Bioma Área (km2) Território brasileiro (%) 
1 Amazônia 4.198.273 49,3
2 Cerrado 2.047.190 24,04
3 Mata Atlântica 1.110.456 13,04
4 Caatinga 829.436 9,74
5 Pampa 178.831 2,10
6 Pantanal 151.581 1,78
TOTAL 8.515.767 100
Atualmente, como resultado da expansão das atividades agropecuárias e da 
urbanização no país, todos os biomas brasileiros correm risco de extinção caso sejam 
mantidos os mesmos padrões de exploração. Dois desses biomas, o cerrado e a Mata 
Atlântica, já se encontram na lista mundial de  hotspots, isto é, áreas com grande 
diversidade que se encontram ameaçadas de extinção (IBGE, 2021).
Conforme mostra a Tabela 2, no total, 900 áreas foram identificadas como 
prioritárias para a conservação da biodiversidade através de quatro critérios para classificar 
a sua importância: extrema importância biológica; muito alta importância biológica; alta 
importância biológica; insuficientemente conhecidas, mas de provável interesse biológico. 
TABELA 2 – GRAU DE IMPORTÂNCIA DAS ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSI-
DADE BRASILEIRA POR BIOMA
Grau de importância Amazônia Caatinga
Cerrado 
Pantanal
M. Atlântica 
C. Sulinos
Z. Costeira 
e Marinha
Total
Extrema importância 
biológica
247 
64%
27 
33%
47 
54%
99 
55%
90 
55%
510 
57%
Muito alta importância 
biológica
107 
28%
12 
15%
16
18%
35 
19%
44
27%
214 
24%
Alta importância 
biológica
8 
2%
18 
22%
12 
14%
26 
14%
13 
8%
77 
8%
Insuficientemente 
conhecidas, mas 
de provável alta 
importância biológica
23 
6%
25 
30%
12
14%
22
12%
17 
10%
99 
11%
TOTAL 385 82 87 182 164 900
FONTE: Garay; Becker (2006, p. 178)
10
Com relação às principais características geográficas, climáticas e, 
principalmente, etnobotânicas desses sistemas, o bioma Amazôniaocupa cerca 
de 49% do território brasileiro. A Amazônia possui a maior floresta tropical do mundo, 
equivalente a 1/3 das reservas de florestas tropicais úmidas, que abrigam a maior 
quantidade de espécies da flora e da fauna. Contém 20% da disponibilidade mundial de 
água e grandes reservas minerais (IBGE, 2021).
Cerca de 1.200 novas espécies de plantas e vertebrados foram descobertas 
no bioma Amazônia apenas entre 1999 e 2009. Um relatório para o período 2010-2013 
revelou que 441 novas espécies de animais e plantas foram descobertas ao longo desses 
quatro anos na Amazônia. Recentes estudos sobre a diversidade da região mostraram 
que, apenas nos anos de 2014 e 2015, 381 novas espécies foram descritas, sendo 216 
plantas, 93 peixes, 32 anfíbios, 19 répteis, uma ave e 20 mamíferos (dois fósseis). Não 
foram contabilizados nesse levantamento os invertebrados. Segundo esses estudos, 
uma nova espécie foi descrita a cada 1,9 dias (WWF-BRASIL, 2017). 
Recentemente, Ter Steege et al. (2015) analisaram a diversidade arbórea da 
Amazônia e encontraram quase 5 mil espécies de árvores e palmeiras, identificadas em 
1.200 parcelas de inventário do Amazon Tree Diversity Network. Com base nesse número, 
os pesquisadores estimaram um total de 16 mil espécies arbóreas. Observaram também 
que a metade dos indivíduos arbóreos na região compõe-se de apenas 227 espécies, a 
que chamaram de hiperdominantes (VILELA; CALLEGARO; FERNANDES, 2019).
Estudos estruturais e florísticos desenvolvidos na Amazônia têm demonstrado 
que os ambientes florestais de terra firme apresentam alta diversidade, representada 
por poucos indivíduos de cada espécie e alta dissimilaridade florística entre parcelas 
adjacentes (SILVA; MATOS; FERREIRA, 2008). Entretanto, podemos afirmar que existe 
uma grande quantidade de árvores, arbustos, ervas e cipós que contribuem, em vários 
aspectos, para o modo de vida das populações. A mesma biodiversidade ameaçada por 
atividades predatórias constitui um acervo que pode potencializar o desenvolvimento 
sustentável da região amazônica (ALMEIDA et al., 2013). 
Na Tabela 3, visualizamos algumas das espécies encontradas na região que são 
utilizadas pela população local para o consumo na forma de chás, óleos, alcoolatura, ou in natura.
TABELA 3 – USO DOS RECURSOS VEGETAIS POR COMUNIDADE DA FLORESTA AMAZÔNICA (SANTO ANTÔNIO, AM)
Nome científico Família Nome regional O H PU FU NI CIE
Protium sp. Burceraceae breu-branco N árv ex fu 10 1,50
Sclerolobium paraensis 
Huber
Caesalpiniaceae tachi N árv ca ch 10 1,50
Spondias sp. Anacardiaceae taperebá N árv fr; ca in; xa 6 1,50
Costus spicatus (Jacq.) Sw Zingiberaceae cana-mansa E herb fo ch 4 1,50
11
Pogostemon heyneanus 
Benth.
Piperaceae oriza N herb fo ch 3 1,50
Achyrocline satureioides 
(Lam.) DC.
Compositae macela E arb fo ch 1 1,50
Kalanchoe brasiliensis 
Camb.
Crassulaceae coramina E arb fo ch 2 1,33
Copaifera multijuga Hayne Fabaceae copaíba N árv ex ól 20 1,33
Simarouba amara Aubl. Simaroubaceae marupá N árv ra ch 11 1,17
Trifolium pratense L. Fabaceae trevo-roxo E arb su 3 1,17
Sesamum indicum L. Pedaliaceae gergelim E herb se pa 1 1,17
Hymenaea parviflora 
Huber
Caesalpiniaceae jutaí N árv ca; re xa 13 1,00
Cedrela odorata L. Meliaceae cedro N árv ca ch 6 1,00
Momordica charantia L Cucurbitaceae
melão-são-
-caetano
N arb fo su 3 1,00
Callophyllum brasilensis 
Cambess
Clusiaceae jacareúba N árv ca ch 2 1,00
Malva L. Malvaceae malva E herb fo ch 1 1,00
O – origem (N – nativa; E – exótica); H – Hábito (árv – árvore; cip – cipó; arb – arbusto; pal – palmeira; herb 
– herbácea; tub – tubérculo); PU – parte da planta utilizada (ca – casca; fo – folha; fr – fruto; ra – raiz; ex – exu-
dato; se – semente; ou – ouriço; ba – batata); FU – forma de utilização (ch – chá; ág – imersão em água; in – 
infusão; xa – xarope; em – emplasto; su – sumo; ma – maceração; al – alcoolatura; in – in natura; ól – óleo); 
NI – número de informantes que citaram a espécie na amostra; CIE – Coeficiente de Importância da Espécie.
FONTE: Almeida et al. (2013, p. 442)
Alcoolatura: são preparações líquidas, obtidas a partir da planta 
fresca ou seca em contato com uma solução de água e álcool em 
diferentes concentrações, à temperatura ambiente. É utilizada ao se 
dissolver gotas da alcoolatura para ingestão em água e externamente 
em compressas e fricções.
NOTA
Várias plantas amazônicas foram domesticadas nesses últimos três séculos, 
destacando-se cacaueiro (1746), cinchona (1859), seringueira (1876) e jambu, guaranazeiro, 
castanheira-do-pará, cupuaçuzeiro – Theobroma grandiflorum  (S.) –, pupunheira, 
açaizeiro, jaborandi, pimenta longa, sobretudo a partir da década de 1970 (HOMMA, 2012). 
Outras plantas que passam por um processo de domesticação são mogno, 
paricá (Schizolobium amazonicum), bacurizeiro, andirobeira, uxizeiro, pau-rosa, entre 
os principais. Outras plantas com potencial de crescimento do mercado são copaibeira 
12
(Copaifera langsdorffii), tucumanzeiro (Astrocaryum aculeatum), fruta muito apreciada 
em Manaus (Astrocaryum vulgare), ainda com potencial para biodiesel, piquiá (Caryocar 
villosum), cumaruzeiro (Coumarouna odorata) e puxuri (Licaria puchury). Podemos citar 
ainda algumas plantas em relação às quais se verifica um conflito entre a oferta extrativa 
e a demanda desses produtos: cacau, açaí, bacuri, castanha-do-pará, seringueira, 
cupuaçu, jaborandi, andiroba, copaíba e guaraná (HOMMA, 2012).
O bioma Mata Atlântica ocupa aproximadamente 13% do território brasileiro 
(IBGE, 2021). É possível notar, então, que, devido aos diferentes ecossistemas que 
compõem a Mata Atlântica, o bioma é extremamente heterogêneo. Sua fisionomia 
perpassa pelas restingas e manguezais, ambos com pouquíssimas espécies, altamente 
adaptadas às condições extremas de salinidade e instabilidade do solo e vitais para a 
vida costeira e marinha; por campos de altitude, típicos de ambientes montano e alto-
montano, contando principalmente com gramíneas e vegetação arbustiva; até florestas 
pluviais, com elevado grau de riqueza e endemismo de espécies, com árvores que 
podem chegar a 40 metros de altura (VELOSO; RANGEL FILHO; LIMA, 1991; IBGE, 2012).
Por se localizar na região litorânea, ocupada por mais de 50% da população 
brasileira, é o bioma mais ameaçado do Brasil. Originalmente, cobria cerca de 1.345.300 
km² em três países (Argentina, Brasil e Paraguai), chegando a cobrir quase 10% de todo o 
território do continente sul-americano (WWF-BRASIL, 2017). Apenas 27% de sua cobertura 
 florestal original ainda está preservada (IBGE, 2021), mas, ainda assim, a Mata Atlântica 
tem a segunda maior biodiversidade das Américas, inferior apenas à da Amazônia. 
A Mata Atlântica é morada para cerca de mais de 2 mil espécies de vertebrados, 
sendo 298 espécies de mamíferos, 1.023 espécies de pássaros, 306 de répteis, 475 
de anfíbios, com 30% de endemismo, o que representa 5% de todas as espécies de 
vertebrados existentes na terra (WWF-BRASIL, 2017).
Contando apenas árvores e arbustos, o bioma abriga mais de 20 mil espécies, 
8 mil delas endêmicas à região. Além disso, há 68 espécies de palmeiras e 925 de 
bromélias na região, com endemismo de 64% e 70%, respectivamente (IBGE, 2021). 
Existem comunidades humanas que, até algumas décadas atrás, tinham como 
base de sua sobrevivência os recursos naturais provenientes da Mata Atlântica, além da 
prática da agricultura em pequena escala. Considerando que as espécies alimentícias 
e cultivadas são utilizadas para o próprio sustento das comunidades e para a economia 
local, as espécies medicinais geralmente fazem parte dos poucos recursos terapêuticos 
disponíveis para o tratamento de doenças mais frequentes (PILLA; AMOROZO, 2009).
Diversas pesquisas etnobotânicas realizadas em áreas de Mata Atlântica 
abordam conhecimentos sobre espécies medicinais e alimentícias. Liporacci (2014) 
observou que uma mesma espécie pode ser utilizada para mais de umafinalidade. A 
Figura 2 apresenta alguns exemplos.
13
FIGURA 2 – ESPÉCIES BOTÂNICAS COM FINALIDADES MEDICINAIS, ALIMENTÍCIAS E RITUALÍSTICAS EN-
CONTRADAS NA MATA ATLÂNTICA
Abelmoschus esculentus (L.) 
(quiabeiro)
Allium sativum (L.)
(alho-comum)
Anacardium occidentale (L.) 
(cajueiro)
Araucaria angustifolia 
(Bertol.) (araucária)
Aloysia gratissima (V.)
(alfazema-do-brasil)
B. dracunculifolia (DC.) 
(alecrim-do-campo)
Calendula officinalis (L.)
(margarida)
Ocimum basilicum (L.)
(manjericão)
Bixa orellana (L.)
(urucum)
FONTE: <https://bit.ly/3J6Nf0n>; <https://glo.bo/3slcju9>; <https://bit.ly/3J68ob0>; <https://bit.ly/3rqpq-
dY>; <https://bit.ly/3opNsnE>; <https://bit.ly/3rq3pvS>; <https://bit.ly/3AWuquf>; <https://bit.ly/3HIKAtT>; 
<https://bit.ly/3gpS20F>. Acesso em: 15 ago. 2020.
Alguns frutos nativos também são considerados como importantes fontes 
secundárias de alimentação, como os das plantas da família Arecaceae: a brejaúva - 
Astrocaryum aculeatissimum (B.), o indaiá - Attalea dubia (B.), e o palmito - Euterpe 
edulis (M.); da família Fabaceae: o ingá-feijão - Inga fagifolia (G.), o ingá-mirim - Inga 
marginata (W.); da familia Myrtaceae: o araçá Psidium cattleyanum (S.); e da família 
Rosaceae: a amorinha - Rubus rosifolius (S.) (PILLA; AMOROZZO, 2009).
O bioma cerrado ocorre principalmente no Planalto Central Brasileiro e ocupa 
cerca 24% do território brasileiro, estendendo-se por grande parte da região Centro-
Oeste, Nordeste e Sudeste do país (IBGE, 2021). É um bioma característico do clima 
tropical continental, que, em razão da ocorrência de duas estações bem definidas – uma 
úmida (verão) e outra seca (inverno) –, possui uma vegetação com árvores e arbustos 
14
de pequeno porte, troncos retorcidos, casca grossa e, geralmente, caducifólia (as 
folhas caem no outono) (IBGE, 2021). A fauna da região é bastante rica, constituída por 
capivaras, lobos-guarás, tamanduás, antas, seriemas etc.
As formações florestais, onde predominam espécies arbóreas (mata ciliar e 
mata de galeria), plantas com características de caducifólia (mata seca) e também uma 
formação arbórea, com árvores bem copadas, dão um aspecto fechado (cerradão).
Nas formações savânicas, encontramos árvores baixas, tortuosas, com 
ramificações irregulares, que evidenciam queimadas (cerrado sentido restrito); árvores 
agrupadas em pequenas elevações do terreno (o parque de cerrado); espécies iguais de 
palmeira (palmeiral); em terrenos úmidos, com a presença de palmeira buriti (vereda).
Nas formações campestres, primeiramente, temos a vegetação herbáceo-
arbustivo, arbustos e subarbustos espaçados (campo sujo), predomínio de gramíneas 
e ervas rasteiras, formando uma cobertura verde contínua (campo limpo) e também a 
presença de árvores pequenas (até 2 m de altura), em afloramentos rochosos (campo 
rupestre), como pode ser observado na Figura 3.
15
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16
O cerrado é um bioma com características próprias e grande diversidade vegetal. 
A região é muito rica em espécies frutíferas nativas e oferece grande quantidade de 
frutos comestíveis para o consumo in natura ou a produção de doces, geleias, sucos 
e licores de excelente qualidade, cujo aproveitamento por populações humanas dá-se 
desde os primórdios da ocupação (GONÇALVES; DUARTE; FILHO, 2015).
Junqueira et al. (2012) afirmam que, entre as frutíferas do cerrado, as espécies 
mais procuradas atualmente, em ordem de importância, são pequi (Caryocar spp.), man-
gaba (Hancornia spp.), araticum (Annona crassiflora), caju do cerrado (Anacardium spp.), 
maracujás nativos, baru (Dipteryx alata) e cagaita (Eugenia dysenterica). Mais recente-
mente, a macaúba voltou a ser procurada para extração de óleos e fabricação de sorvetes. 
Entretanto, apenas o abacaxi, o maracujá-azedo (Passiflora edulis Sims “flavicarpa”) e o 
maracujá-doce (Passiflora alata Curtis) são atualmente cultivados em grande escala.
Muitas espécies do cerrado são potencialmente comestíveis, medicinais, orna-
mentais, fornecedoras de madeira e outras matérias-primas para a indústria. As famílias 
mais representativas são: Fabaceae (com oito espécies); Rubiaceae (com cinco espécies); 
Solanaceae (com quatro espécies); Anacardiaceae, Erythroxylaceae, Euphorbiaceae e Myr-
taceae (com três espécies cada); Annonaceae, Apocynaceae, Asteraceae, Bignoniaceae e 
Primulaceae (com duas espécies cada). Cerca de 27 famílias apresentaram uma espécie 
medicinal cada. As famílias Fabaceae e Asteraceae estão entre as mais representativas na 
maioria dos levantamentos sobre plantas medicinais (SILVA; RABELO; ENOQUE, 2015).
O bioma caatinga ocupa uma área aproximada de 10% do território nacional 
brasileiro. Embora esteja localizado em área de clima semiárido, apresenta grande 
variedade de paisagens, relativa riqueza biológica e espécies que só ocorrem nesse 
bioma. Os tipos de vegetação desse bioma foram bastante alterados, com a substituição 
de espécies vegetais nativas por pastagens e agricultura (IBGE, 2021). A vegetação da 
caatinga, mesmo durante a estiagem, quando está quase completamente sem folhas e 
com o crescimento interrompido, ainda desempenha a importante função de proteger o 
solo contra agentes erosivos (VILELA; CALLEGARO; FERNANDES, 2019).
O desmatamento e as queimadas são práticas comuns no preparo da terra 
para a agropecuária. Da área original ocupada por esse bioma, aproximadamente 36% 
já foi alterada (IBGE, 2021). Essa prática, além de destruir a cobertura vegetal, também 
prejudica a manutenção de animais silvestres, a qualidade da água e o equilíbrio do 
clima e do solo. Como resultado, a degradação ambiental causada pelo desmatamento 
culmina no fenômeno da desertificação, ou seja, a perda da capacidade produtiva da 
área, tanto do ponto de vista ecológico como do econômico (SÁ, 2013). 
Em contrapartida, a fruticultura irrigada é uma prática na região responsável 
por grande desenvolvimento local, devido ao volume e à alta qualidade das frutas, que 
abastecem tanto a demanda doméstica quanto a internacional. Hoje, essa atividade 
é possível graças a investimentos em infraestrutura hídrica, que possibilitaram o 
bombeamento a partir do rio São Francisco.
17
Diversas pesquisas etnobotânicas realizadas em áreas de caatinga abordam 
conhecimentos sobre espécies medicinais e alimentícias. Em sua revisão, Liporacci 
(2014) observou que uma mesma espécie pode ser utilizada para mais de uma finalidade, 
sendo algumas dessas espécies mostradas na Figura 4.
FIGURA 4 – ESPÉCIES BOTÂNICAS COM FINALIDADES MEDICINAIS, ALIMENTÍCIAS E RITUALÍSTICAS EN-
CONTRADAS NA CAATINGA
FONTE: <https://bit.ly/35PoIPk>; <https://bit.ly/3JkqSFd>; <https://bit.ly/3orIsyK>; <https://bit.ly/3G-
mh2AJ>; <https://bit.ly/34C3IL2>; <https://bit.ly/3uv9h99>. Acesso em: 15 ago. 2020.
Ruta graveolens (L.)
(arruda)
Bromelia laciniosa (B.)
(mocambira)
Mentha piperita (L.)
(hortelã-pimenta)
Cereus jamacaru (C.) 
(mandacaru)
Hymenaea courbaril (L.) 
(jatobá)
Ricinus communis (L.) 
(mamona)
Entre as espécies da caatinga que apresentam potencial medicinal e cosmético, 
amplamente utilizadas pela população, podemos destacar: 
• a umburana-de-cheiro – Amburana cearensis (L.); 
• o angico – Anadenanthera colubrina (L.); 
• o pereiro – Aspidosperma pyrifolium (A.); 
• o pau-branco – Auxemma oncocalyx (L.); 
• o mororó – Bauhinia cheilantha (L.); 
• o mandacaru – Cereus jamacaru (C.); 
• o marmeleiro-preto – Croton sonderianus (E.); 
• o mulungu – Erythrina velutina (L.); 
• o alecrim-da-chapada – Lippia microphylla (V.); 
• o alecrim-pimenta – Lippia sidoides (V.); 
• o umbu – Spondias tuberosa (A.); entre outras (SOUZA, 2013).
18
O bioma Pampa ocupa aproximadamente 2% do território brasileiro. É carac-
terizado por clima chuvoso, sem período seco,mas com temperaturas negativas no 
inverno, que in fluenciam a vegetação (IBGE, 2021).
Em toda a área de abrangência desse bioma, a atividade humana propiciou uma 
uniformização da cobertura vegetal, que, de modo geral, é usada como pastagem natu-
ral ou ocupada com atividades agrícolas, principalmente o cultivo do arroz (IBGE, 2021).
Sua vegetação florestal ocorre ao longo da drenagem e também nas encostas 
voltadas para o quadrante sul, que recebem menor radiação durante o ano e, conse-
quentemente, são mais úmidas, favorecendo o estabelecimento de vegetação arbórea 
(CARLUCCI et al., 2015). A riqueza de plantas campestres do bioma Pampa é notável, 
com cerca de 2.150 espécies (BOLDRINI; OVERBECK; TREVISAN, 2015), sendo boa parte 
pertencente às famílias das gramíneas (Poaceae) e das compostas (Asteraceae). Há 
também uma elevada riqueza de cactáceas (Cactaceae), com 44 espécies (CARNEIRO 
et al., 2016), conferindo importância global a esse bioma (CARNEIRO et al., 2016; GO-
ETTSCH et al., 2015). A maior parte da flora do Pampa tem origem na província fitoge-
ográfica do Chaco, mas elementos da flora amazônica e andino-patagônica também 
estão presentes (VILELA; CALLEGARO; FERNANDES, 2019).
As famílias botânicas com maior representatividade foram Asteraceae (21%) e 
Lamiaceae (16%), seguidas de Myrtaceae (7%) e Apiaceae (6%). Embora ainda sejam 
escassos os estudos com as plantas medicinais no bioma Pampa, alguns relatos 
demonstram espécies exploradas para uso medicinal nas práticas de cuidado em saúde 
em comunidades, podendo ser destacadas: 
• a macela – Achyrocline satureioides; 
• a bananinha-do-mato – Bromelia antiacantha; 
• a carqueja – Baccharis trimera; 
• a espinheira-santa – Maytenus ilicifolia; 
• a erva-de-bugre – Casearia sylvestris; 
• a coronilha – Scutia buxifolia; 
• a insulina-do-mato – Sphagneticola trilobata (CEOLIN et al., 2011).
O bioma Pantanal é o mais preservado e ocupa aproximadamente 2% do 
território nacional brasileiro. Entretanto, é reconhecido como a maior planície de 
inundação contínua do mundo, o que constitui o principal fator para a sua formação e 
diferenciação em relação aos demais biomas, reunindo representantes de quase toda a 
fauna brasileira (IBGE, 2021).
Com relação à constituição vegetal, a paisagem na planície pantaneira é bas-
tante diversificada e composta por um mosaico de formas de vegetação, corixos e va-
zantes, com cursos d’água permanentes e/ou temporários, brejos, lagoas permanentes, 
pequenos lagos temporários (baías), formados por corpos d’água ricos em vegetação 
aquática e salinas (com água salobra). A duração e o nível da inundação são determi-
19
nantes nessas paisagens. Há desde formações florestais (matas e cerradão) e savânicas 
(cerrado típico) nas áreas de cordilheiras (pequenas elevações ou cordões arenosos for-
mados por paleodiques aluviais não sujeitos à inundação) até amplas áreas de campo 
cerrado, campos limpos e campos inundáveis (ricos em gramíneas), incluindo comuni-
dades aquáticas (VILELA; CALLEGARO; FERNANDES, 2019).
A flora do Pantanal é composta por aproximadamente 2 mil espécies, 
provenientes das províncias biogeográficas circundantes, como o cerrado, a floresta 
amazônica, a floresta Atlântica, o Chaco e a floresta Chiquitana, da Bolívia, que formam 
diferentes e características paisagens na planície (POTT et al., 2011).
Em parceria com outras instituições, a Embrapa Pantanal caracterizou e mapeou 
a vegetação de todo o Pantanal. Nesse levantamento, foram catalogadas 1.863 espécies 
de plantas fanerógamas, 1 mil espécies de plantas campestres, 142 aquáticas e em torno 
de 550 lenhosas. Nesse contexto, a flora do Pantanal se desponta pelo imenso potencial 
de recursos naturais presentes (MARTINS, 2014).
Considerando diferentes áreas dos pantanais de Cáceres, Poconé, Barão de 
Melgaço e Santo Antônio de Leverger, observamos a presença de vegetações regionais, 
quase homogêneas, caracterizadas pela presença maciça de uma única espécie, como: 
• o cambarazal – Vochysia divergens (P.);
• o carvoeiral – Callisthene fasciculata (S.); 
• os pequenos paratudais – Tabebuia spp.; 
• o acurizal – Attalea phalerata (M.). 
Sobre a vegetação aquática, encontramos Eichhornia azurea (S.), E. crassipes 
(M.), Echinodorus macrophyllus (K.), intercaladas por pequenas e delicadas plantas 
aquáticas Salvinia auriculata Aubl., Lemna spp., Ricciocarpus natans (L.), Azolla sp., 
que, junto às outras, desempenham seu papel ecológico nessas áreas.
Encontramos centenas de espécies alimentícias nativas que são aproveitadas 
pela fauna silvestre e pelos animais domésticos. Alguns frutos são importantes para 
o consumo das populações humanas locais, como a bocaiuva e o jatobá, mas outros, 
com grande potencial como fonte de vitaminas, fibras e nutrientes calórico-proteicos, 
permanecem fora da lista de espécies comestíveis nutricionalmente recomendadas, 
sendo muitos deles fortemente ameaçados de desaparecimento. 
A riqueza em frutos nativos do Pantanal e do cerrado se destaca pelo elevado 
valor nutricional (minerais, vitaminas, proteínas e fibras), além de atrativos sensoriais 
peculiares e intensos, em geral, consumidos in natura ou na forma de sucos, licores, 
sorvetes, geleias e doces, além da elaboração de farinhas.
20
Sobre as espécies nativas do Pantanal para uso medicinal ou com potencial 
farmacológico, é possível encontrarmos 270 espécies medicinais. No entanto, existem, 
no cerrado mato-grossense, 509 espécies utilizadas na medicina popular, sendo que 
muitas delas também têm ocorrência em áreas pantaneiras. Esses produtos fornecem 
compostos bioativos com ação antioxidante, protegendo o organismo humano do 
estresse oxidativo celular e prevenindo diversas doenças, como câncer do sistema 
digestivo, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (FARIAS et al., 2014).
4 PRODUTOS NATURAIS COMO MATÉRIAS-PRIMAS 
Como sabemos, são inúmeras as aplicações das espécies vegetais para o 
homem, afinal, a importância da flora está no fornecimento de oxigênio e alimento, 
no uso para a construção de moradias, móveis e ferramentas, no artesanato, no uso 
têxtil, medicinal e em ornamentos, na cosmética, na fabricação do papel e de artigos de 
limpeza, na produção de perfumes e inseticidas, entre outros (ZANIRATO, 2010). 
Para entender melhor como podemos utilizar os produtos naturais como 
matéria-prima, analisaremos determinadas características desses produtos: tipo de 
produto, espécie, parte utilizada, quais são as substâncias que lhes conferem tais 
qualidades, entre outras informações. 
4.1 CORANTES E TINTURAS 
Um bom exemplo que podemos citar, referente ao uso de produtos naturais, 
remete a manifestações culturais dos primórdios da civilização: os atos de pintar 
o corpo e tingir o cabelo. Nas sociedades indígenas, até hoje, a pintura corporal tem 
grande importância (Figura 5), com significado muito amplo, desde a simples expressão 
de beleza e erotismo até a indicação de preparação para a guerra ou, até mesmo, 
como uma forma de aplacar a ira dos demônios. Além de protegerem o corpo dos raios 
solares e das picadas de insetos, a ornamentação corporal é como uma segunda pele 
do indivíduo: a social em substituição à biológica (ALMEIDA; MARTINEZ; PINTO, 2017). 
FIGURA 5 – PINTURA CORPORAL INDÍGENA E FRUTO COM AS SEMENTES DE URUCUM
FONTE: <https://bit.ly/3gozkqn>; <https://bit.ly/3LiKaLU>. Acesso em: 19 ago. 2021.
21
Para tingir a pele, os povos indígenas brasileiros utilizavam os frutos da bixácea 
(Bixa orellana), conhecida como urucum (Figura 5B), palavra de origem tupi que signi-
fica vermelho. A tintura era feita com as sementes do fruto dessa planta, cujo principal 
corante é o norcarotenoide bixina (Figura 6). Para o seu preparo, as sementes são rala-
das, passadas por peneiras finas e fervidas em água para formar uma pasta. Com essa 
pasta, são feitas bolas que são envolvidas em folhas e guardadas durante todo o ano 
para as cerimônias de tatuagem. A tinta extraída do urucum também é usada paratingir 
os cabelos e na confecção de máscaras faciais (ALMEIDA; MARTINEZ; PINTO, 2017).
FIGURA 6 – FÓRMULA ESTRUTURAL DA BIXINA
FONTE: O autor
Outro insumo natural utilizado pelos povos indígenas é obtido a partir da Genipa 
americana L., pertence à família Rubiaceae, uma planta originária da Amazônia, ampla-
mente distribuída em todas as áreas tropicais e subtropicais da América Latina, presen-
te em todos os Estados brasileiros e conhecida popularmente como jenipapo. A expo-
sição da polpa do seu fruto verde a torna gradativamente escura, produzindo uma cor 
azul intensa e, portanto, utilizada por índios na pintura do corpo e de cerâmicas. Esse 
pigmento azul é formado a partir da reação entre genipina, um iridoide incolor, e fontes 
de aminas primárias, especificamente aminoácidos e proteínas (SOUZA et al., 2019).
Com relação à categoria dos produtos corantes, podemos citar ainda uma 
substância usada desde o Egito antigo, extraída de Lawsonia inermis L., uma planta 
da família Lythraceae, a hena, que é o corante natural mais usado na cosmética. A 
substância responsável pelo tom avermelhado dos cabelos é a lausona – 2-hidroxi-1,4-
naftoquinona –, que reage com a queratina (OLIVEIRA et al., 2014).
Ainda sobre corantes, vários produtos naturais foram utilizados ao longo dos 
séculos para tinturaria e tecelagem, até o descobrimento da síntese da malveína, pelo 
químico britânico William Henry Perkin (1838-1907). Sua descoberta desbancou o índigo, 
uma tintura vermelha que os índios usavam para tingimento de fibras do algodão, 
extraída de uma árvore chamada Caesalpinia echinata, espécie em extinção, conhecida 
como pau-brasil (ALMEIDA; MARTINEZ; PINTO, 2017).
22
4.2 ALGAS MARINHAS 
As algas marinhas são organismos utilizados como matéria-prima de produtos 
como medicamentos, combustíveis e cosméticos, assim como alimento animal e hu-
mano. São empregadas para branquear papel, na composição do envoltório de cápsulas 
de medicamentos, na fabricação de tintas e de cosméticos e como aditivos na indústria 
alimentícia, usadas em formato de sushis, substâncias espessantes e estabilizantes em 
sorvetes, doces, derivados de carnes, peixes e leite (como goma ágar-ágar e carrage-
nanas, produzidos a partir das algas vermelhas) (TEIXEIRA, 2013).
Goma ágar: a goma ágar-ágar é um hidrocoloide (da família das gomas 
e pectinas), utilizado como agente gelificante devido seu alto poder de 
gelificação e elevada força de gel à baixa concentração. É um produto 
natural rico em iodo, sais minerais e fósforo, tendo alto poder digestivo 
e nutritivo quando ingerido com frequência. Possui um sabor neutro, 
alta transparência, podendo ser adicionado com facilidade a corantes, 
aromas, sucos ou frutas desidratadas. É utilizada em produtos light, 
devido à ausência de calorias, podendo-se substituir o açúcar por 
adoçantes e diminuir ainda mais o seu valor calórico.
NOTA
Diversos estudos já mostraram o potencial osteogênico dos polissacarídeos 
sulfatados (PSs) extraídos de macroalgas marinhas. Entre eles, o fucoidan, isolado da 
alga marrom Fucus vesiculosus, é o mais estudado, já sendo comercializado por algumas 
empresas. As algas verdes também são fonte de PSs, embora sejam ainda pouco 
exploradas para aplicações na regeneração óssea. Em geral, as aplicações clínicas dos 
PSs extraídos de algas ainda são limitadas, devido à escassez de estudos sobre os seus 
efeitos (SOUZA et al., 2017).
FIGURA 7 – ALGAS COMESTÍVEIS USADAS NA CULINÁRIA ORIENTAL
FONTE: <https://bit.ly/34imOX0>; <https://bit.ly/3LaTwtV>. Acesso em: 20 ago. 2021.
23
Dos micro-organismos às algas e aos animais, quase a totalidade dos filos encontra-
se nos oceanos. Esses seres vivos guardam substâncias desconhecidas, que atuam na 
comunicação entre espécimes, na defesa contra herbívoros e predadores, entre espécies 
competidoras, na reprodução ou simplesmente como produtos de reserva ou sobras de seu 
metabolismo. Uma substância que atue como mediador químico para um organismo pode 
ser também a esperança para o tratamento ou a cura de doenças (BRASIL, 2010b).
4.3 USO TRADICIONAL DE PRODUTOS VEGETAIS 
O uso das plantas nativas das Américas, quer como alimento ou remédio, é muito 
antigo. Registros arqueológicos demonstram que os ameríndios já usavam algumas espé-
cies há mais de dez mil anos. Exemplos dessas plantas são o abacate (Persea americana 
Mill.), a batata-doce (Ipomoea batatas (L.) Lam.), o mate (Ilex paraguariensis A. St.-Hil.), 
o cacau (Theobroma cacao L.) e o milho (Zea mays L.). Os espanhóis e os portugueses 
começaram a introduzir as plantas americanas na Europa logo no início da colonização do 
continente, tendo grandes quantidades sido transportadas para lá. As raízes da salsapar-
rilha (Smilax spp.) e do guáiaco (Guaiacum officinale L.), nativas do Caribe, são exemplos, 
pois ganharam grande reputação na época para o tratamento da sífilis.
A canela foi uma das especiarias mais valiosas do mundo, sendo as espécies ve-
getais mais antigas conhecidas pela humanidade. Na Idade Média, seu valor chegou a 
ser 15 vezes maior que o do ouro. Precisamos ressaltar que a espécie mais conhecida de 
canela é a Cinnamomum zeylanicum, nativa do Ceilão, atual Sri Lanka. Entretanto, outras, 
como a Cassia (Cinnamomum cassia), também chamada de falsa canela e conhecida 
como canela da China, têm importância econômica. Essa espécie é uma laurácea arbórea 
muito cultivada nas províncias do sudoeste da China (ALMEIDA; MARTINEZ; PINTO, 2017).
As partes mais úteis das canelas são o córtex dessecado e o óleo, pois, a partir delas, 
obtemos os principais compostos presentes nessa planta. Sobre a composição fitoquímica da 
canela, podemos citar o nitrofeniletano, principal responsável pelo aroma de canela, encontra-
do nas cascas de Aniba canelilla. Além do nitrofeniletano, pesquisadores identificaram também 
os fitocompostos eugenol e metileugenol no mesmo óleo. Por ser o componente majoritário, o 
nitrofeniletano cristaliza no óleo, o qual é obtido através da metodologia de arraste a vapor das 
cascas da árvore. O óleo é extraído das cascas por destilação por arraste com vapor e seu valor 
comercial depende da espécie utilizada (ALMEIDA; MARTINEZ; PINTO, 2017).
Entenderemos mais sobre as metodologias de extração na Unidade 2.
ESTUDOS FUTUROS
24
O cultivo do café foi responsável pelo sexto ciclo econômico, sendo que as pri-
meiras plantações tiveram início logo após a independência do Brasil de Portugal, em 
1822. Por fim, no final do século XIX, a produção da borracha emergiu na Amazônia, dando 
origem ao sétimo ciclo econômico. Após esse ciclo, a economia do país passou ser muito 
diversificada, devido à industrialização, e não há mais como definir ciclos específicos.
Pode-se dizer que a humanidade tem uma dívida com os povos ameríndios pelo 
uso do seu conhecimento etnobotânico, já que as principais fontes de alimentação no 
mundo hoje são espécies domesticadas a partir da sua cultura (STEHMANN; SOBRAL, 2017).
A história do Brasil e da humanidade, em geral, está diretamente ligada ao uso 
de plantas na medicina popular e ao comércio de produtos naturais, como as especiarias 
e os corantes vegetais. Entre os elementos que constituem essa biodiversidade, 
estão as plantas medicinais utilizadas em comunidades tradicionais como remédios 
caseiros, sendo consideradas matérias-primas para fabricação de fitoterápicos e outros 
medicamentos (FIRMO et al. 2012).
Os jesuítas comercializaram, em escala mundial, os medicamentos derivados 
da flora brasileira, que passaram à condição de fármacos mais empregados em todo 
o império português. Entre as espécies vegetais que entraram em sua formulação 
estavam a Abuta rufescens Aubl., Aristolochia sp., Pothomorphe peftara Miq., Solanum 
paniculatum L., Senna occidentalis (L.) Link, Cephaelis ipecacuanha (Brot.) Tussac, 
Angelica archangelica L., Bixa orellana L. e Euphorbia hirta L. (ROCHA et al., 2015).
As propriedades do ópio (Papaver somniferum) como sedativo e calmante, do 
óleo de rícino(Ricinus communis), da alcaravia (Carum carvi) e da hortelã-pimenta 
(Mentha piperita) como digestivo e da cila (Drimia urticaria) como estimulante cardíaco 
já eram conhecidas no Egito há mais de 4 mil anos. Os egípcios sabiam como preparar 
diuréticos, vermífugos, purgantes e antissépticos de origem natural. A Índia também 
teve um importante papel na descrição de plantas medicinais, principalmente devido 
à medicina Ayurvédica (ayur = vida; veda = conhecimento), baseada nos Vedas, o livro 
sagrado Hindu. No século I a. C., os indianos produziram um tratado médico intitulado 
Caraka, com mais de 500 plantas (ALVES, 2013).
A utilização de plantas medicinais como estratégia terapêutica é prática comum 
há muitos anos, segundo Souza et al. (2017), que observaram que a realidade atual não 
diverge do panorama do século passado; estima-se que aproximadamente 30% dos 
medicamentos utilizados nos dias de hoje sejam derivados de produtos naturais. Desse 
modo, a seguir, no Tópico 2, discutiremos o uso medicinal de espécies vegetais. 
25
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A abrangência da disciplina e a importância da disciplina na rotina do profissional 
de saúde.
• Os termos e as definições descritos em compêndios oficiais e na legislação para 
entendimento da disciplina.
• A variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo os ecos-
sistemas terrestres, marinhos, aquáticos e ecológicos que compõe a biodiversidade.
• A composição dos biomas brasileiros, no que se refere a diferentes espécimes.
• O histórico do uso de materiais naturais como matérias-primas.
RESUMO DO TÓPICO 1
26
1 No Brasil, podemos encontrar seis tipos de biomas: Amazônia, Mata Atlântica, 
cerrado, caatinga, Pampa e Pantanal. Sobre as espécies frutíferas e medicinais mais 
predominantes nesses sistemas, associe os itens, utilizando o código a seguir: 
I- Amazônia.
II- Caatinga.
III- Mata Atlântica.
IV- Cerrado.
( ) Pequi, mangaba, araticum, caju, maracujás nativos, baru, cagaita.
( ) Brejaúva, indaiá, palmito, ingá-feijão, ingá-mirim, araçá, amorinha.
( ) Cacau, açaí, bacuri, castanha-do-pará, seringueira, cupuaçu, jaborandi, andiroba, 
copaíba e guaraná.
( ) Mororó, mandacaru, marmeleiro-preto, o mulungu, alecrim-da-chapada, alecrim-
pimenta.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) I – II – IV – III.
b) ( ) IV – III – I – II.
c) ( ) I – III – II – IV.
d) ( ) IV – II – III – I. 
2 As algas marinhas são organismos utilizados como matéria-prima de produtos como 
medicamentos, combustíveis e cosméticos, além de serem alimento para animais 
e humanos. Entre os compostos produzidos pelo metabolismo desses organismos, 
assinale a alternativa CORRETA: 
a) ( ) Polissacarídeos sulfatados.
b) ( ) Glicosídeos.
c) ( ) Aminoglicosídeos.
d) ( ) Pectina.
3 O uso das plantas nativas das Américas, quer como alimento ou remédio, é muito 
antigo. Registros arqueológicos demonstram que os ameríndios já usavam algumas 
espécies há mais de dez mil anos. Sobre os exemplos dessas plantas, assinale a 
alternativa INCORRETA:
AUTOATIVIDADE
27
a) ( ) Abacate (Persea americana Mill.).
b) ( ) Batata-doce (Zea mays L.).
c) ( ) Mate (Ilex paraguariensis A. St.-Hil.).
d) ( ) Cacau (Theobroma cacao L.).
4 A canela foi uma das especiarias mais valiosas do mundo, sendo as espécies vegetais 
mais antigas conhecidas pela humanidade. Quais são as partes da planta utilizadas 
para a extração dos compostos responsáveis por suas propriedades? 
5 Os compostos isolados podem ser utilizados como marcadores para garantir a 
qualidade ou identificar uma espécie vegetal. Diversas legislações brasileiras trazem 
definições acerca do tema. Explique qual a diferença entre um composto fitoquímico 
e um marcador fitoquímico. 
28
29
ETNOFARMACOLOGIA
1 INTRODUÇÃO
Após conhecer um pouco mais sobre a amplitude da biodiversidade do planeta, 
dos ecossistemas brasileiros e, também, o contexto social, econômico e regional do 
uso sustentável de produtos naturais como alimentos e insumos, estudaremos as suas 
propriedades terapêuticas.
Consideramos extremamente importante o uso das plantas na medicina através dos 
séculos, por promover alívio e cura para diversas doenças. Ao estudarmos a história da so-
ciedade, encontramos diversos registros relacionados ao uso de produtos naturais, e esse 
conhecimento é passado de geração para geração até os dias de hoje. Como sabemos, as 
plantas possuem centenas de moléculas em sua composição, produzidas pelo seu próprio 
metabolismo, para que possam se desenvolver e sobreviver, mesmo em condições climáticas 
extremas, sendo muitas dessas moléculas biologicamente ativas para outros organismos. 
A ciência responsável por esse estudo é a Etnofarmacologia, definida 
como “a exploração científica multidisciplinar dos agentes biologicamente ativos, 
tradicionalmente empregados ou observados pelo homem” (ELISABETSKY; SOUZA, 
2017, p. 108). Ela envolve, em suas diversas etapas, diferentes áreas do conhecimento, 
como a Antropologia, a Botânica e a Farmacologia. Nesse sentido, neste tópico, 
entenderemos mais sobre o uso dessas plantas, os riscos de interações com alimentos 
e medicamentos, além de das principais legislações que regulamentam a produção de 
medicamentos produzidos a partir da matéria-prima vegetal.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
2 O USO TRADICIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS 
Desde épocas remotas, as sociedades humanas acumulam informações e experi-
ências sobre o ambiente que as cerca, para interagirem e proverem suas necessidades de 
sobrevivência. Entre tantas práticas difundidas pela cultura popular, as plantas sempre ti-
veram fundamental importância, por inúmeras razões, sendo salientadas as suas potencia-
lidades terapêuticas aplicadas ao longo das gerações (ALMEIDA; MARTINEZ; PINTO, 2017).
O modelo de saúde hegemônico, vigente na sociedade ocidental contemporânea, 
está centrado no cuidado focado na doença, na especialidade de partes do corpo humano e 
no tratamento alopático. Cientificamente legitimado, esse modelo ignora outras dimensões 
de saber em que o cuidado segue a lógica da saúde, não se restringindo ao corpo humano, 
mas à família e à natureza, concretizada pela terra, pelo trabalho, pela seleção e pela produ-
ção de plantas que possuem significado para aquele contexto cultural (CEOLLIN et al., 2011).
30
O registro do conhecimento da população sobre o uso tradicional é indispensável, 
uma vez que informações sobre o uso empírico das plantas encontram-se sob ameaça 
de desaparecimento, além do risco de extinção de espécies utilizadas nas práticas de 
cura. Portanto, esses conhecimentos precisam ser resgatados, valorizados e preservados 
(FREITAS et al., 2017).
Nos últimos anos, tem ocorrido crescente interesse pelo conhecimento, pela 
utilização e pela comercialização de plantas medicinais no Brasil e em todo o mundo, 
o que tem proporcionado uma grande expansão desse mercado (FREITAS et al., 2017). 
Essas plantas são repositórios de insumos químicos para a indústria, como alternativas 
farmacoterapêuticas para o tratamento de diversas enfermidades, uma vez que as 
plantas são praticamente ubíquas em localidades onde a vida humana é possível. Dessa 
forma, as plantas utilizadas medicinalmente representam um recurso mais acessível em 
relação aos medicamentos alopáticos (SOUZA et al., 2017).
Acredita-se que o cuidado por meio das plantas medicinais seja favorável à 
saúde humana, desde que o usuário tenha conhecimento prévio de sua finalidade, seus 
riscos e seus benefícios (BADKE et al., 2011). 
O tratamento convencional de inúmeras patologias, através da alopatia, pode 
levar ao surgimento de uma série de efeitos adversos. Diante disso, surge o advento 
da pesquisa para descoberta de novos medicamentos derivados de produtos naturais, 
sendo esse tratamento realizado a partir de preparos com planta in natura ou com o 
isolamento de seus metabólitos secundários – como veremos na Unidade 2 –, capazesde promover menos condições adversas quando comparados com os medicamentos 
tradicionais. Além disso, outra vantagem inerente a medicamentos derivados de 
plantas medicinais é o baixo custo, justificando o uso em populações de países em 
desenvolvimento (SOUZA et al., 2017). 
O comércio de plantas medicinais em mercados e feiras livres no Brasil é 
favorecido por desemprego e ausência de quaisquer alternativas de renda. Dessa 
maneira, nem sempre aqueles que comercializam as plantas medicinais detêm, de 
fato, o conhecimento sobre suas aplicações, as interações entre espécies distintas e os 
modos corretos de uso. Fatores como manejo das culturas, colheita e, principalmente, 
pós-colheita não são tratados como deveriam e a qualidade do produto é afetada com 
a perda dos princípios ativos ou a diminuição da sua eficácia.
A utilização das plantas medicinais, seja de forma empírica, por indicações/
prescrições de profissionais especializados ou, até mesmo, na pesquisa e no 
desenvolvimento de fitoterápicos, é muito sensível a fatores inerentes à disponibilidade 
das espécies, havendo a necessidade de uma exploração sustentável ou mesmo um 
cultivo planejado, para não comprometer o atendimento às necessidades futuras, visto 
que nada adianta a investigação e/ou a produção de um recurso que poderá não estar 
disponível continuamente para a população (SOUZA et al., 2017).
31
Para mensurar o conhecimento e o uso tradicional de espécies medicinais por 
diferentes populações, levantamentos do uso etnobotânico têm sido realizados por 
diversos pesquisadores nas últimas décadas. Na Tabela 4, podemos conferir algumas 
dessas espécies e quais os tipos de indicações elas possuem.
TABELA 4 – ESPÉCIES MEDICINAIS USADAS PELA POPULAÇÃO BRASILEIRA
Nome científico
Família e espécie
Nome 
popular
Parte 
utilizada
Preparo
Utilização popular
(SEM COMPROVAÇÃO 
CIENTÍFICA)
Acanthaceae
Justicia sp. Anador Fo Decocção Dores em geral, cefaleia
Anacardiaceae 
Echinodorus 
grandiflorus Mitch
Chapéu-de-
-couro
Fo Decocção Dor renal
Anacardium 
occidentale L.
Caju Cc, Ec
Decocção 
ou infusão
Inflamação dos ovários, inflama-
ção em geral, ferimentos
Myracrodruon 
urundeuva Allemão
Aroeira
Fo, Cc
e Ec
Decocção, 
infusão,
tintura
Inflamação, tosse, inflamação gine-
cológica, cicatrizante, queimadura
Schinopsis 
brasiliensis Engl. Var. 
Braúna Fo Decocção
Dores no estômago, dores no 
fígado
Spondias purpurea L. Siriguela Fo Decocção Diarreia, cólicas, gastrite
Spondias tuberosa Arr. Imbu Rat Infusão Corrimento vaginal
Alismataceae
Echinodorus 
grandiflorus Mitch
Chapéu-de-
-couro
Fo Decocção Dor nos rins
Annonaceae
Annona muricata L. Graviola Fo Decocção
Hipertensão (pressão alta), ema-
grecimento, febre
Annona squamosa L. Pinha Fo Decocção Diarreia
Guatteria australis A. 
St.-Hil. 
Imbiriba Fo Decocção
Dor no estômago, cólica geral, 
dores em geral
Apiaceae 
Anethum graveolens L. Endro Se Decocção
Ansiedade, hipertensão; gastura, 
hipertensão, calmante
Coriandrum sativum L. Coentro Se Decocção Diarreia
Pimpinella anisum L. Erva-doce Fo e Se
Decocção, 
torrado 
(em pó) 
com água
Vômito, dor no estômago, gastu-
ra (mal-estar)
Apocynaceae
Catharanthus roseus 
(L.) Don.
Boa-noite Fo Sumo Dor de ouvido
Himatanthus 
drasticus (Mart.) Plumel
Janaguba La
Látex com 
água
Inflamação
32
Arecaceae
Acrocomia aculeata 
(Jacq.) Lodd. ex Mart.
Macaúba Fl Decocção Dor em geral, tosse
Cocos nucifera L. Coco Ec, Fr, Fl Decocção Infecção urinária, dor renal
Asteraceae
Artemisia absinthium L. Losnia Fo Decocção
Cólica em geral, dores em geral, 
cólicas menstruais
Baccharis trimera 
(Less.) DC
Carqueja Fo Decocção Dor no fígado
Bidens pilosa L.
Espinho-de-
-agulha
Ra Decocção Problemas renais
Egletes viscosa 
(L.) Less.
Marcela Fo, Fl
Decocção, 
infusão, 
de molho, 
sumo
Má digestão, dor no fígado, es-
tômago, reumatismo, calmante
Helianthus annuus L. Girassol Fo e Se
Decocção, 
sumo, 
torrado 
(em pó) 
com água
Feridas, AVE, tontura, dor de ca-
beça, trombose, dor em geral, 
dor de barriga, febre, epilepsia
Matricaria chamomilla L. Camomila Fl e Se Decocção Dor de cabeça, ansiedade
Tanacetum vulgare L. Pluma Fo Decocção Cólicas em geral, dores em geral
Bignoniaceae
Handroanthus 
impetiginosus (Mart. 
ex DC.) Mattos
Pau-d’árco-
-roxo
Cc
Decocção, 
de molho
Câncer, dor no estômago, gripe, 
má digestão, inflamação
Bixaceae
Bixa orellana L. Urucum Se Óleo Gripe
Boraginaceae
Cordia trichotoma 
(Vell.) Arrab. ex Steud.
Frei-jorge Cc Decocção
Dor nos rins, inflamação em ge-
ral, bronquite
Heliotropium indicum L. 
Crista de 
galo
Ra De molho Infecção urinária
Brassicaceae
Brassica integrifolia 
(H. West) Rupr.
Mostarda Se
Decocção, 
torrado 
com água, 
de molho
Trombose, tontura, AVE, dor de 
cabeça, gastura
Nasturtium officinale 
W.T. Aiton
Agrião Se Decocção
Rouquidão, cólica de criança, 
dor de ouvido
Bromeliaceae
Ananas comosus 
(L.) Merril
Abacaxi Fr Lambedor Tosse
Verbenaceae
Lippia alba (Mill.) N. E. 
Br. Ex Britton 
& P. Wilson
Erva-
-cidreira
Fo e Se
Decocção 
e infusão
Calmante, hipertensão, falta de 
apetite, ansiedade gripe, enxa-
queca, gastura
33
Burseraceae
Commiphora 
leptophloeos (Mart.)
J.B. Gillett
Imburana Ec, Fl Lambedor
Gripe, asma, inflamação em ge-
ral, coriza, garganta inflamada
Cactaceae
Cereus jamacaru DC. Mandacaru Cc
Decocção 
ou infusão, 
sumo
Dor no intestino, diarreia, 
cólica, disenteria
Opuntia cochenillifera 
(L.) Mill
Palma Cc De molho Disenteria, dor de barriga
Caprifoliaceae 
Sambucus australis 
Cham. & Schlecht
Sabugueiro Fl Decocção Cólicas em geral
Caricaceae
Carica papaya L. Mamão
Fl, Se, Fo 
Br, Fr
Decocção e 
lambedor
Gripe, má digestão, cólicas 
infantil, constipação intestinal
Caryocaraceae
Caryocar coriaceum 
Wittm.
Pequi Fr
Óleo, 
lambedor
Gripe, batidas (pancadas)
Capparaceae
Capparis flexuosa (L.) Feijão-bravo Fo Decocção Febre, depurativo
Convolvulaceae
Ipomoea batatas (L.) 
Lam.
Batata-doce Fo Decocção Dente inflamado
Crassulaceae 
Kalanchoe brasiliensis 
Cambess
Malva-
corona
Fo e Ra
Decocção, 
suco, 
lambedor, 
cataplasma
Ferimentos na pele, inflama-
ção, gripe, úlcera, dores em 
geral, dor na barriga
Sedum praealtum 
A. DC. 
Bálsamo Fo Decocção Gripe, gastrite
Cucurbitaceae
Cucurbita pepo L. Jerimum Se
Pilada para 
decocção
Dor de barriga, gastura
Citrullus vulgaris 
Schrad.
Melancia Se Decocção Dor no estômago
Zingiberaceae
Zingiber officinalis 
Roscoe
Gengibre Ra
Decocção, 
de molho
Dor em geral, cólica, tontura
Euphorbiaceae 
Croton sp. Velame Fo Decocção
Dores em geral, inflamação em 
geral
Croton conduplicatus 
Kunth
Quebra-
faca
Fo e Cc
Decocção, 
cataplasma
Inflamação no nariz, dor de 
cabeça
Croton blanchetianus 
Baill.
Marmeleiro
Fo, Cc
e Ec
Decocção, 
de molho, 
sumo
Hemorragia em geral, fígado, 
dor na barriga, dor de estômago
34
Manihot esculenta 
Crantz
Mandioca Fo e Ra Decocção Diarreia, gastrite
Ricinus communis L. Mamona Fo
De molho, 
sumo
Garganta inflamada, tônico 
capilar
Fabaceae 
Erythrina velutina willd Mulungu Cc
Raspas de 
molho
Dor de dente
Hymenaea courbaril L. Jatobá
Fr, Cc
e Ec
Tintura, de 
molho
Tosse, aumenta o sangue, 
gripe, anemia
Libidibia ferrea (Mart. ex 
Tul.) L.P. Queiroz
Pau-ferro Cc De molho Dor nas pernas
Mimosa tenuiflora 
(Mart.) Benth.
Jurema-
preta
Cc e Ec
Decocção, 
de molho
Inflamação ginecológica, feri-
mentos, dor de dente
Prosopis juliflora (Sw.) 
DC.
Algaroba Fo e Fl Decocção Dor de barriga
Senegalia tenuifolia (L.) 
Britton & Rose
Unha-de-
gato
Fo (broto) Decocção
Dores reumáticas, dor na 
coluna
Stryphnodendron 
coriaceum Benth.
Barbatimão Cc De molho
Inflamação
Lamiaceae
Mentha spicata L. Hortelã Fo
Lambedor e 
decocção
Febre, colesterol alto, fraque-
za, gripe, dor de cabeça, gar-
ganta inflamada, AVC, trom-
bose, calmante, má digestão, 
cólica menstrual
Ocimum basilicum L. Manjericão Fo Sumo
Dor de ouvido, gripe, 
conjuntivite
Ocimum gratissimum L. Alfavaca FoDe molho e 
decocção
Inflamação, coriza
Plectranthus barbatus 
Andrews
Malva sete 
dores
Fo
Decocção, 
infusão
Dor no estômago, má digestão, 
dores em geral, cólica menstrual
Pogostemon cablin 
(Blanco) Benth
Patchuli Se Decocção Doenças do coração
Rosmarinus officinalis L. Alecrim Fo e Ec Decocção
Dor de cabeça, gripe, nervosis-
mo, problemas no coração, do-
res em geral, trombose, cólica de 
criança, febre, dores reumáticas
Lauraceae
Cinnamomum 
zeylanicum Blume
Canela Cc Decocção Calmante, hipertensão
Laurus nobilis L. Louro Fo Decocção Cólica menstrual
Persea americana Mill. Abacate Fo
Decocção e 
sumo
Inflamações na boca, pedras 
nos rins, infecção urinária, dor 
nos rins
Liliaceae
Allium cepa L.
Cebola-
branca
Fo e Fl
Decocção 
ou 
lambedor
Gripe, bronquite, sinusite
35
Allium sativum L. Alho Fr
Decocção, 
lambedor e 
infusão
Gripe e garganta inflamada, hi-
pertensão, cólicas, dor de cabe-
ça, febre, câncer
Aloe vera (L.) Burm. f. Babosa Fo
Sumo, 
lambedor
Inflamação, gripe, tônico capilar, 
câncer, hemorroidas, dores em 
geral
Monimiaceae
Peumus boldus Molina Boldo Fo Decocção
Labirintite, dor no estômago, dor 
em geral, gripe, má digestão, dor 
na barriga, infecção no intestino, 
dor no fígado
Musaceae
Musa paradisiaca L. Banana La
Látex com 
água
Úlcera, dor de dente, verrugas, 
gripe
Myrtaceae
Eucalyptus globulus 
Labill
Eucalipto Fo
Decocção 
ou infusão
Febre, garganta inflamada, 
asma, gripe, congestão nasal
Eugenia caryophyllus 
Spreng.
Cravo-da- 
índia
Fl (botões 
florais)
Decocção Cólica menstrual
Eugenia Malaccensis 
Linn.
Jambo Cc Decocção Dor de dente
Psidium guajava L. Goiaba
Fo (broto)
e Fr
Decocção, 
infusão
Diarreia
Myristicaceae
Myristica fragrans 
Houtt.
Nós-
moscada
Fr
Decocção, 
raspas com 
água, de 
molho
Gastura, dor em geral, dor no es-
tômago, cólica geral, tontura, dor 
de cabeça, cólicas menstruais
Passifloraceae 
Passiflora cincinnata 
Mast.
Maracujá-
do-mato
Fo Decocção
Ansiedade, hipertensão, dor de 
urina
Phyllanthaceae
Phyllanthus amarus 
Schumach.
Quebra-
pedra
Ra e Fl Decocção
Dor nos rins, dor no fígado, 
pedras nos rins
Poaceae
Cymbopogon citratus 
(DC.) Stapf.
Capim-
santo
Fo Decocção
Ansiedade, gripe, hipertensão, 
falta de apetite
Saccharum 
officinarum L.
Cana-de-
açúcar-roxa
Fo Decocção
Hipertensão, problemas 
oftalmológicos
Zea mays L. Milho-roxo Et Decocção Cólica, vômito, má digestão
Punicaceae
Punica granatum L. Romã
Fo, Cf
e Se
Decocção 
ou infusão, 
cataplasma
Gastrite, garganta inflamada, 
tosse
36
Rubiaceae
Coffea arabica L. Café Se
Torrado (em 
pó)
Garganta inflamada
Coutarea hexandra 
(Jacq.) K. Schum. 
Quina-quina
Ra, Cc
e Ec
Decocção 
ou infusão
Febre, inflamação no nariz
Genipa americana L. Genipapo Fr e Cc Decocção Fraturas
Rutaceae 
Citrus aurantifolia 
(Christm.) Swingle
Limão Fr
Decocção, 
lambedor, 
suco, sumo
Gripe, garganta inflamada, febre, 
caspas
Citrus sinensis Osbeck. Laranja
Fo, Cc
e Cf
Decocção, 
infusão, 
de molho, 
sumo da 
casca 
do fruto, 
lambedor
Gripe, garganta inflamada, intes-
tino preso, dor no estômago, cal-
mante, febre, gastura, má digestão
Citrus reticulata B. Tangerina Cf Decocção Colesterol alto, labirintite
Ruta graveolens L. Arruda Fo
Decocção, 
infusão, 
sumo
Cólica menstrual, dor de ouvido, 
dores em geral, cólicas
Solanaceae
Solanum tuberosum L.
Batata-
inglesa
Ra Sumo Gastrite, enxaqueca
Solanum 
paniculatum L.
Jurubeba Fo Decocção Dor no fígado
Solanum melongena L. Berinjela Fo De molho Colesterol alto
Solanum 
lycopersicum 
Tomate Fo Sumo Problemas oftalmológicos
Fo: folhas, Fl: flor, Ra: raiz, Rat: raiz-tubérculo; Se: semente, Cc: casca do caule, Ec: entrecasca do caule; 
Fr: fruto; Cf: casca do fruto; La: látex; Et: estigma; Br: broto.
FONTE: Adaptada de Morais et al. (2005); Almeida (2009); Silva; Andrade; Albuquerque (2006); Albuquer-
que; Oliveira (2007); Cartaxo; Souza; de Albuquerque (2010); Roque; Rocha; Loiola (2010); Oliveira; Oliveira; 
Andrade (2010); Marinho; Silva; Andrade, 2011; Ribeiro et al. (2014)
Como podemos observar na tabela, as famílias apresentam diferentes espécies, 
muito representativas e com indicação para diversos males. Em relação às famílias Lamiaceae 
e Asteraceae, elas são as mais representativas em número de espécies e indicações nos 
levantamentos realizados em todas as regiões brasileiras. Vale ressaltar que a maioria das 
espécies dessas famílias apresenta compostos secundários com ação antimicrobiana e 
anti-inflamatória, entre outras funções, com efeitos comprovados por estudos científicos.
A predominância no hábito herbáceo está associada à facilidade do cultivo dessas 
ervas em quintais, aumentando a acessibilidade e a obtenção desses recursos vegetais 
pelos moradores. Percebemos também que, em todas as regiões, o preparo e o consumo 
das drogas vegetais ocorrem na forma de chás, sendo as folhas as partes mais utilizadas.
37
A prevalência das espécies mais encontradas nos quintais está relacionada com 
a sua utilização, já que essas plantas são usadas na cura das afecções que fazem parte 
da atenção primária à saúde, como gripe, febre, resfriado, dor de garganta, tosse, dor de 
cabeça e doenças do trato digestório em geral (ALBERTASSE; THOMAZ; ANDRADE, 2010). 
O conhecimento da população entre homens e mulheres geralmente pode 
diferir quando se trata de plantas cultivadas e nativas, pois as mulheres, na sua maioria 
destinadas a cuidar de suas casas, têm maior contato com quintais, adquirindo maior 
conhecimento sobre as plantas cultivadas (MIRANDA et al., 2011). 
A riqueza do conhecimento que as comunidades detêm sobre plantas medicinais 
fica evidente na diversidade de espécies citadas, porém o uso indiscriminado dessas 
plantas pode trazer riscos à saúde das pessoas ou, ainda, agravar o estado patológico.
3 INTERAÇÕES ENTRE PLANTAS MEDICINAIS, ALIMENTOS 
E MEDICAMENTOS 
As plantas têm sido usadas terapeuticamente por milhares de anos e continuam 
a ser a principal modalidade de tratamento para uma grande parcela da população 
mundial. Além disso, o uso da fitoterapia tem aumentado nos países ocidentais como 
tratamento complementar e, às vezes, alternativo, em conjunto com a medicina 
convencional. Em todo o mundo, os medicamentos à base de plantas desempenham 
um papel importante nos programas de cuidados de saúde (SOUZA et al., 2017). 
Atualmente, muitas pessoas utilizam plantas associadas ao tratamento de 
medicamentos alopáticos prescritos ou não. Apesar de serem consideradas naturais e 
seguras, muitas dessas plantas podem interagir com outros medicamentos, causando 
efeitos adversos potencialmente perigosos e/ou redução dos benefícios obtidos com o 
tratamento convencional (SOUZA et al., 2017). 
O intenso apelo comercial, advindo do forte movimento cultural dos naturalistas, 
fez aumentar o consumo de plantas medicinais em todo o mundo. A crença popular de 
que drogas vegetais não causam efeitos negativos à saúde precisa ser esclarecida aos 
usuários, sendo necessário melhorar a divulgação sobre a relação custo-benefício de 
seu uso, assim como ocorre com qualquer outro medicamento (NICOLETTI et al., 2010). 
Outro fato preocupante é que a maioria dos consumidores das plantas medi-
cinais não informa o seu uso ao médico, o que pode aumentar os riscos ao paciente, já 
que há várias interações já estudadas entre medicamentos e plantas medicinais, o que 
pode levar a um erro de diagnóstico, decorrente dessas interações. Além disso, estudos 
multidisciplinares, associando fitoquímicos e farmacólogos, tornam-se cada vez mais 
importantes para a definição dos potenciais terapêuticos e tóxicos de extratos vegetais 
(VEIGA JUNIOR; PINTO, 2005). 
38
As interações medicamentosas caracterizam-se como um evento, cujos efeitos de 
um fármaco podem ser alterados pela presença de outro fármaco, alimento ou substâncias 
diversas (por exemplo: tabaco, plantas medicinais, álcool) (BERTOLLO; DEMARTINI, 2013). As 
interações geralmente causammodificações na farmacocinética e/ou na farmacodinâmica 
dos fármacos e ainda aumentam os riscos de toxicidade dos medicamentos.
3.1 INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
Existem quatro classificações para interações medicamentosas: farmacocinéti-
cas, farmacodinâmicas, de efeito e farmacêuticas.
3.1.1 Interações farmacocinéticas 
Podem ocorrer quando um fármaco promove alteração de parâmetros 
farmacocinéticos (absorção, distribuição, biotransformação e excreção) com potencial 
interferência sobre outro fármaco (FUCHS; WANMACHER; FERREIRA, 2004). 
Na absorção, pode interferir na velocidade, levando à mudança na intensidade 
do efeito farmacológico, e ainda pode ocorrer tanto o aumento quanto a redução da 
quantidade de fármaco a ser absorvido. Interações que alteram a metabolização são 
as mais comuns, podendo ocorrer devido a alguns compostos de determinada planta 
que podem levar à indução ou à inibição das enzimas responsáveis pelo metabolismo 
oxidativo, pertencentes ao citocromo p450, sendo o principal responsável por eliminar 
a droga do organismo. Consequentemente, há um aumento dos efeitos farmacológicos, 
ocorrendo efeitos adversos (CARNEIRO; COMARELLA, 2016).
Alguns exemplos de interações farmacocinéticas são: 
• Alguns medicamentos sintéticos ou semissintéticos têm origem em plantas 
medicinais e são metabolizados nas mesmas substâncias no organismo, como é o 
caso do ácido acetilsalicílico (aspirina) e a salicilina, extraída de Salix alba. Ambos 
são transformados no fígado em ácido salicílico. Logo, extratos dessa planta podem 
apresentar efeitos semelhantes aos da aspirina, aumentando o risco de hemorragia 
nos tratamentos utilizando varfarina.
• A administração de dente-de-leão (Taraxacum officinale) pode potencializar a 
atividade de diuréticos sintéticos, em especial em idosos hipertensos.
• A administração de erva-de-são-joão (Hypericum perforatum), utilizada como 
antidepressivo, causa indução de enzimas hepáticas quando associada à ciclosporina 
(diminuindo os níveis de ciclosporina), a contraceptivos orais (interrompendo 
o sangramento menstrual), à teofilina (diminuindo os níveis plasmáticos de 
teofilina), à varfarina (diminuindo os níveis plasmáticos de varfarina e de seu efeito 
anticoagulante) e à amitriptilina (diminuindo os níveis plasmáticos de amitriptilina).
39
3.1.2 Interações farmacodinâmicas
Podem ocorrer quando dois fármacos competem pela ligação a um determinado 
alvo (receptor, transportador, enzima ou canal iônico) no organismo. 
Os efeitos causados podem ser semelhantes (sinergismo) ou opostos 
(antagonismo) (CARNEIRO; COMARELLA, 2016). São exemplos:
• Qualquer erva com propriedades cardiotônicas ou hipertensivas pode agir 
sinergicamente com fármacos vasodilatadores das coronárias à base de nitratos 
(como o dinitrato de isosorbida) e com bloqueadores dos canais de cálcio (como a 
nifedipina) (VEIGA JUNIOR; PINTO, 2005).
• A administração de erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) causa indução da 
P-glicoproteína intestinal, quando associada à digoxina, reduzindo seus níveis plas-
máticos, bem como o nível plasmático do indinavir (VEIGA JUNIOR; PINTO, 2005).
3.1.3 Interações de efeito 
As interações de efeitos ocorrem quando os fármacos associados, através de 
mecanismos distintos, exercem efeitos similares ou opostos sobre uma mesma função 
do organismo, sem interagir diretamente um sobre o outro. Podem produzir sinergia ou 
antagonismo sem modificar a farmacocinética ou o mecanismo de ação dos fármacos 
envolvidos (FUCHS; WANMACHER; FERREIRA, 2004).
Alguns exemplos podem ser vistos a seguir: 
• Entre os constituintes da papoula (Papaver somniferum), encontramos a morfina, 
que apresenta ação analgésica, e a papaverina, que tem efeito vasodilatador. 
• A varfarina é um dos fármacos mais empregados como anticoagulante. Sua ação 
pode ser antagonizada ou potencializada pelo emprego de um grande número de 
ervas, entre as quais a angélica (Angelica archangelica), que apresentam propriedade 
anticoagulante, e a agrimonia (Agrimonia eupatoria), com propriedades coagulantes. 
• Ervas sedativas que atuam no sistema nervoso central, como o maracujá (Passiflora 
incarnata) e a valeriana (Valeriana officinalis), podem interagir com hipnóticos e 
ansiolíticos, potencializando o efeito sedativo.
3.1.4 Interações farmacêuticas
Também chamadas de incompatibilidade farmacêuticas, ocorrem in vitro, antes 
da administração dos fármacos no organismo. Tais interações se devem a reações físico-
químicas entre os fármacos em mistura, havendo ou não alteração macroscópica (alteração 
de cor, floculação, precipitação) que as identifique (FUCHS; WANMACHER; FERREIRA, 2004).
40
Outras interações em potencial, envolvendo o uso de plantas medicinais e 
fármacos convencionais podem ser vistas na Tabela 5.
TABELA 5 – INTERAÇÕES ENTRE PLANTAS E FÁRMACOS DA MEDICINA CONVENCIONAL
Nome 
(nome científico)
Fármaco 
Problema em potencial da 
interação
Abacate 
(Persea americana)
Varfarina Alteração do tempo de coagulação
Alho
(Allium sativum)
Varfarina; Alteração do tempo de coagulação
Drogas hipoglicemiantes 
(insulina e glipizida)
Potencialização do efeito hipogli-
cemiante
Alcachofra 
(Cynara scolymus)
Diuréticos de alça (furosemida)
Tiazídicos (clortalidona, hidro-
clorotiazida e indapamida)
Hipovolemia
Hipocalemia
Alcaçuz-da-europa
(Glycyrrhiza glabra)
Espironolactonas Antagonismo do efeito diurético
Ananás 
(Ananas comosus)
AINEs; antiagregantes pla-
quetários 
Aumento do risco de sangramentos
Antibióticos 
(amoxicilina, tetraciclina)
Aumento da absorção de 
antibióticos
Anti-hipertensivos 
(captopril, lisinopril)
Hipotensão
Ansiolíticos
Antidepressivos
Potencialização do efeito sedativo
Bradicardia
Artemísia
(Tanacetum 
parthenium)
AINE Inibição do efeito da erva
Digoxina
Interferência na farmacodinâmica 
e no monitoramento do nível da 
droga no organismo
Varfarina Alteração do tempo de coagulação;
Boldo
Boldo-do-chile
(Peumus boldus)
Anticoagulantes/
antiagregantes plaquetários
Alteração do tempo de coagulação, 
Inibição da agregação plaquetária
Camomila
(Matricaria 
recutita)
Varfarina Alteração do tempo de coagulação
Barbitúricos e sedativos
Potencialização da ação depres-
sora do sistema nervoso central
Redução da absorção de ferro
Castanha-da-Índia
(Aesculus 
hippocastanum)
AINEs; anticoagulantes orais
(varfarina, heparina, 
clopidogrel)
Alteração do tempo de 
coagulação, hemorragia
Hipoglicemiantes orais;
insulina
Potencialização da ação hipogli-
cemiante
Cáscara sagrada
(Rhamnus 
purshiana)
Diuréticos tiazídicos Hipocalemia
41
Chá verde 
(Camellia sinensis)
Efedrina
Risco cardiovascular;
Hipertensão
Eucalipto 
(Eucalyptus 
globulus)
Antidepressivos; ansiolíticos
Dificuldade de raciocínio e altera-
ções do sistema nervoso
Hipoglicemiantes orais; 
insulina
Potencialização da ação hipogli-
cemiante
Erva-cidreira
(Melissa officinalis)
Antidepressivos; ansiolíticos
Potencialização da ação depressora 
do sistema nervoso central (SNC)
Levotiroxina
Interação com hormônios tireoi-
dianos
Erva-de-são-joão
(Hypericum 
perforatum)
Inibidores de MAO
Ausência de evidências de segu-
rança de uso concomitante
Inibidores de protease 
(indinavir, nelfinavir, ritonavir)
Diminuição da concentração 
plasmática
Ciclosporina
Diminuição da concentração 
plasmática
Espinheira-santa
(Maytenus ilicifolia)
Esteroides anabólicos; meto-
trexato; amiodarona; 
cetoconazol
Hepatotoxicidade
Imunossupressores Efeitos antagonistas
Garra-do-diabo 
(Harpagophytum 
procumbens)
Antiarrítmicos; glicosídeos car-
díacos; anticoagulantes; anti-
plaquetários, AINEs 
Risco cardiovascular
Alteração do tempo de 
coagulação
Ginkgo biloba
Anticoagulantes (varfarina)
Alteração do tempo de 
coagulação
Anti-hipertensivo
(nifedipino)
Cefaleia, rubor e edema de 
tornozelo;
Estrogênio;
corticosteroides
Efeitos potencializadores da ativi-
dade estrogênica (mastalgia e ex-
cesso de sangramento menstrual)
Insulina; sulfonilureias
Alteração dos níveisde glicose 
sanguínea, hipoglicemia
Digoxina
Interferência na farmacodinâmica 
e no monitoramento do nível da 
droga no organismo
Ginseng 
(Panax ginseng)
Anticoagulantes/
antiagregantes plaquetários 
orais; AINEs
Alteração do tempo de 
coagulação, hemorragia
Hipoglicemiantes orais;
Insulina
Potencialização da ação hipogli-
cemiante
Estrogênio Sensibilidade de mama
Testosterona
Corticosteroides
Falha de períodos menstruais 
Sangramentos vaginais pós-meno-
pausa; ginecomastia masculina; 
perda de libido
42
Guaco 
(Mikania 
glomerata)
Sinergismo in vitro com antibióticos como tetraciclinas, cloranfe-
nicol, gentamicina, vancomicina e penicilina
Kava-kava
(Piper 
methysticum)
Benzodiazepínicos
Potencialização do efeito sedati-
vo; coma
Antidepressivos IMAOs
Irritabilidade
Hiperatividade 
Ansiedade; cansaço; insônia
Valeriana
(Valeriana 
officinalis)
Antidepressivos;
ansiolíticos;
sedativos do SNC
Sedação excessiva
Metronidazol
Dissulfiram
Náusea
Vômito 
FONTE: Adaptada de Veiga Junior; Pinto (2005); Nicoletti et al. (2010); Carneiro; Comarella (2016); Souza et al. (2017)
Embora muitas ervas medicinais, possam interagir de forma positiva, 
aumentando os efeitos metabólicos, podemos perceber que as interações mais 
comuns envolvidas no uso de plantas medicinais estão associadas ao uso de fármacos 
anti-hipertensivos, antiagregantes plaquetários, antidepressivos e ansiolíticos, com 
interações farmacodinâmicas com efeitos sinérgicos, seguidas de interações do tipo 
farmacocinética, por interferência nas enzimas hepáticas (SOUZA et al., 2017).
Logo, profissionais da saúde devem esclarecer a responsabilidade do usuário de 
medicamento (contendo ou não drogas de origem vegetal) no processo de recuperação 
da saúde, envolvendo a conscientização sobre os aspectos legais da comercialização 
de drogas, uma vez que dificilmente o médico é informado, o que pode trazer efeitos 
adversos e intoxicantes, alterando os resultados desejados dos medicamentos conven-
cionais e fitoterápicos (SOUZA et al., 2017). 
4 TOXICIDADE DE PRODUTOS VEGETAIS 
O uso popular ou mesmo o tradicional não são suficientes para validar etica-
mente as plantas medicinais como medicamentos eficazes e seguros, ou seja, as plan-
tas medicinais não se diferenciam de qualquer outro xenobiótico sintético e a sua pre-
conização ou a autorização oficial de seu uso medicamentoso deverá ser fundamentada 
em evidências experimentais comprobatórias de que os riscos a que se expõe àqueles 
que a utilizam são suplantados pelos benefícios que possam advir. O uso deve ser pre-
viamente validado, isto é, ter sua ação comprovada e a sua toxicidade potencial avaliada 
cientificamente na espécie humana, processo pelo qual qualquer medicamento passa 
(NICOLETTI et al., 2010).
43
Comparada com a dos medicamentos usados nos tratamentos convencionais, a 
toxicidade de plantas medicinais e fitoterápicos pode parecer trivial. Entretanto, isso não é 
verdade. A toxicidade de plantas medicinais é um problema sério de saúde pública. Os efei-
tos adversos dos fitomedicamentos, as possíveis adulterações e a toxicidade, bem como a 
ação sinérgica (interação com outras drogas) ocorrem comumente. As pesquisas realizadas 
para avaliação do uso seguro de plantas medicinais e fitoterápicos no Brasil ainda são in-
cipientes, assim como o controle da comercialização pelos órgãos oficiais em feiras livres, 
mercados públicos ou lojas de produtos naturais (VEIGA JUNIOR; PINTO, 2005).
O uso milenar de plantas medicinais mostrou, ao longo dos anos, que 
determinadas plantas apresentam substâncias potencialmente perigosas. Do ponto 
de vista científico, pesquisas mostraram que muitas delas possuem substâncias 
potencialmente agressivas e, por isso, devem ser utilizadas com cuidado, respeitando 
seus riscos toxicológicos (VEIGA JUNIOR; PINTO, 2005). 
Como exemplos de efeitos tóxicos de substâncias presentes em planta – 
tema a ser abordado na Unidade 2 –, podem ser citados os efeitos hepatotóxicos de 
compostos como apiol, safrol, lignanas e alcaloides pirrolizidínicos; a ação tóxica renal 
pode ser causada por espécies vegetais que contêm terpenos e saponinas e alguns 
tipos de dermatites, causadas por espécies ricas em lactonas sesquiterpênicas e 
produtos naturais do tipo furanocumarinas. Componentes tóxicos ou antinutricionais, 
como o ácido oxálico, o nitrato e o ácido erúcico estão presentes em muitas plantas de 
consumo comercial. Diversas substâncias isoladas de vegetais consideradas medicinais 
possuem atividades citotóxica ou genotóxica e mostram relação com a incidência de 
tumores (VEIGA JUNIOR; PINTO, 2005). 
Intoxicações com plantas medicinais são comuns, desencadeiam-se por vários 
motivos, como falta de informações a respeito do cultivo, reações adversas, posologia, duração 
do tratamento, entre outras. Um dos mais importantes e que deve ser discutido é a interação 
com os medicamentos, que pode levar a vários efeitos nocivos (CARNEIRO; COMARELLA, 2016).
A prevalência de notificações por intoxicação de plantas no Brasil é baixa; 
considerando os registros efetuados nos centros de intoxicação, como o Sistema 
Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX, do Instituto de Comunicação 
e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz – ICICT/
FIOCRUZ), apenas 624 casos forma registrados, 1% do total de casos de intoxicação 
para o ano de 2017, como podemos observar na Figura 8. As intoxicações decorrentes da 
ingestão de medicamentos apresentam uma frequência extremamente elevada, sendo 
que os medicamentos se apresentam como principal agente tóxico, respondendo a 27% 
dos casos de intoxicação registrados para o mesmo ano (FIOCRUZ, 2020).
44
FIGURA 8 – CASOS REGISTRADOS DE INTOXICAÇÃO HUMANA POR AGENTE TÓXICO E ZONA DE OCOR-
RÊNCIA NO BRASIL, EM 2017
FONTE: Fiocruz (2020, p. 1)
Entre as plantas utilizadas com propriedades psicoativas utilizadas para fins 
religiosos por grupos indígenas na Amazônia, como sacramento em religiões sincréticas 
brasileiras e em cerimônias de cura e espirituais internacionalmente, podemos citar a 
ayahuasca (KAASIK et al., 2021). Trata-se de uma infusão vegetal preparada a partir 
do cipó de Banisteriopsis caapi, que contém alcaloides, denominados ß-carbolinas, 
que são inibidores de monoamina oxidase, enzima que degrada o neurotransmissor de 
serotonina. Além disso, essa infusão contém folhas de Psychotria viridis, constituída por 
N,N-dimetiltriptamina (DMT), agonista de receptores de serotonina (MOTTA, 2013).
Embora o chá ayahuasca apresente baixa toxicidade aguda em estudos 
realizados em ratas fêmeas e que a dose ritualística, se consumida em doses diárias, 
é segura, quando utilizada de maneira crônica em doses iguais ou superiores a quatro 
vezes da dose de ritual, pode levar à ocorrência de danos no sistema renal e no SNC, 
indicando que o uso recreacional do chá pode representar um risco para a saúde 
humana (NOLLI, 2018).
45
Ainda, estudos de embriofetotoxicidade determinaram a presença de 
alterações no fígado, posicionamento de testículo e ovários, forma irregular do ureter, 
ventrículos laterais cerebrais dilatados e terceiro ventrículo cerebral dilatado nos fetos 
de animais tratados (MOTTA, 2013).
Outras plantas que promovem efeitos tóxicos incluem: jurema (Mimosa hostilis); 
Mescalina (peyote) – Lophophora williamsii; datura (D. metel) e miristicina (Myristica fragrans).
5 LEGISLAÇÃO APLICADA À FITOTERAPIA 
É cada vez mais comum o uso de plantas medicinais no mundo, assim como a 
produção e a comercialização dos fitomedicamentos ou medicamentos fitoterápicos pe-
las indústrias farmacêuticas trouxeram a necessidade de os órgãos governamentais for-
mularem diretrizes para os dossiês, necessários aos pedidos de autorização para a produ-
ção e a comercialização dos medicamentos fitoterápicos (VEIGA JUNIOR; MELLO, 2008).
5.1 FARMACOPEIA BRASILEIRA
No Brasil Colonial, todo o conhecimento sobre o uso das plantas medicinais 
compilado em terras brasileiras,ao chegar à Europa, era ressignificado e apropriado pela 
cultura europeia e, posteriormente, retornava ao Brasil na forma de livros e Farmacopeias 
oficiais. A primeira edição da Farmacopeia brasileira foi aprovada pelo Decreto nº 17.509, 
em 4 de novembro de 1926 (BRASIL, 1926). Após diversas atualizações, a Farmacopeia 
brasileira é utilizada até os dias de hoje e possui vinculação direta com a Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) (SÁ; ELZABETSKY, 2012).
A função de uma farmacopeia é estabelecer os requisitos de qualidade que os 
medicamentos devem obrigatoriamente obedecer, incluindo todos os componentes 
empregados na sua produção. Assim, a Farmacopeia brasileira é o código oficial para 
o país, auxiliando o controle de qualidade de todos os medicamentos, de acordo com o 
Decreto nº 96.607, de 30 de agosto de 1988 (ANVISA, 2020).
Atualmente, a Farmacopeia brasileira conta com 262 textos farmacopeicos, 12 
capítulos e métodos gerais, 247 monografias, sendo 147 monografias de drogas vegetais 
(destas 89 inéditas após a atualização da 5ª edição da Farmacopeia brasileira, de 2017). 
Entre as monografias presentes, várias estão relacionadas a plantas da biodiversidade 
brasileira, como guaraná, barbatimão, marcela ou macela e espinheira-santa, o que não 
acontecia desde a publicação da primeira edição em 1926 (ANVISA, 2019). 
As monografias das drogas vegetais possuem binômio científico, nome 
popular, sinonímia latina e vulgar, caracteres organolépticos, descrição macroscópica 
e microscópica, descrição microscópica do pó, identificação (normalmente um método 
cromatográfico), ensaios de pureza, doseamento, embalagem, armazenamento, e o 
46
diferencial em relação ao conteúdo das demais publicações: pranchas contendo aspecto 
geral da droga vegetal e vários detalhes microscópicos de diversas partes do vegetal, 
auxiliando a perfeita identificação do mesmo. É importante ressaltar que a Farmacopeia 
não apresenta dados complementares como ensaios clínicos, toxicológicos, entre 
outros, um critério adotado pela Comitê Técnico Temático de Plantas Medicinais para 
não incluir drogas vegetais que possuam alguma indicação de toxicidade. Logo, as 
informações bibliográficas existentes são fundamentais para que uma droga vegetal 
possa ser eleita para uma monografia farmacopeica (VEIGA JUNIOR; MELLO, 2008).
Dessa maneira, a Farmacopeia brasileira tem contribuído para a ampliação das 
informações acerca das nossas plantas e, ao mesmo tempo, favorece não somente o 
profissional farmacêutico na elaboração e/ou produção de novos medicamentos, mas 
também em seu controle de qualidade, que, em última análise, tem a população como 
o principal beneficiado.
5.2 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA 
O Brasil tem se preocupado em estabelecer diretrizes que objetivam o emprego 
de plantas medicinais ou de medicamentos fitoterápicos que as contenham dentro dos 
requisitos de segurança, considerando a política de medicamentos estabelecida com o 
uso racional de medicamentos (NICOLETTI et al., 2010).
Desde 1967, o país tem normas específicas para o registro dos medicamentos 
fitoterápicos, as quais foram ajustadas de acordo com o desenvolvimento científico 
tecnológico e que, ao longo dos anos, foram republicadas, promovendo modificações 
na regularização de plantas medicinais e de medicamentos fitoterápicos.
Segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária, fitoterápico, em sua Portaria nº 6, 
de 31 de janeiro de 1995, é: 
todo medicamento tecnicamente obtido e elaborado, empregando-se 
exclusivamente matérias-primas vegetais com finalidade profilática, 
curativa ou para fins de diagnóstico, com benefício para o usuário. É 
caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos do seu uso, 
assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. 
É o produto final acabado, embalado e rotulado. Na sua preparação, 
podem ser utilizados adjuvantes farmacêuticos permitidos na 
legislação vigente. Não podem estar incluídas substâncias ativas de 
outras origens, não sendo considerado produto fitoterápico quaisquer 
substâncias ativas, ainda que de origem vegetal, isoladas ou mesmo 
suas misturas (VEIGA JUNIOR; PINTO, 2005, p. 520).
Contudo, antes da criação dessa portaria, é preciso citar que a incorporação do 
uso de plantas medicinais no Sistema de Saúde Pública brasileiro tem como marco inicial 
o ano de 1988, no qual a Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação 
(CIPLAN), através da Resolução nº 08, disciplinou a introdução da Fitoterapia nos 
serviços de saúde. 
47
Seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que 
orientou aos países-membros a incorporação, em seus respectivos sistemas de saúde 
pública, da fitoterapia, o Brasil, através da Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006 (BRASIL, 
2006a), instituiu a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), 
estimulando a criação de hortos de espécies medicinais, bem como a implantação do 
uso destas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Após a aprovação da PNPIC no SUS, o Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 
2006 (que aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e dá 
outras providências; BRASIL, 2006b), é um marco de extrema importância para o 
estabelecimento do uso racional de medicamentos contendo drogas de origem vegetal 
e/ou de plantas medicinais (NICOLETTI et al., 2010).
O PNPIC é uma estratégia inovadora, uma vez que se propõe a promover a saúde 
da população através do uso terapêutico da flora, dando prioridade à biodiversidade do 
país, atuando como um elemento de resgate de valores culturais, de integração entre 
setores nas ações governamentais e de incentivo à formação de um vínculo efetivo 
entre os profissionais de saúde e as comunidades onde atuam, contribuindo para o 
desenvolvimento local e a participação comunitária (ROCHA et al., 2015).
Após a criação da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicas, o 
Ministério da Saúde divulgou a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao 
SUS (RENISUS), constituída por 71 plantas medicinais, indicadas para o uso terapêutico 
da população como estratégia para priorizar a alocação de recursos e pesquisas em 
uma lista positiva de espécies vegetais medicinais, com vistas ao desenvolvimento 
de fitoterápicos. Desde sua divulgação, 12 das 71 espécies de plantas medicinais que 
compõem a RENISUS foram aprovadas para avançar na cadeia produtiva e derivaram 
fitoterápicos inseridos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (BRASIL, 2013).
Várias normas já foram publicadas ou atualizadas para serem adequadas, 
abrangendo um arcabouço legislativo para regulamentação das classes: plantas medicinais, 
drogas vegetais notificadas, medicamentos fitoterápicos manipulados e industrializados. Há 
ainda plantas medicinais que podem ser regulamentadas na Anvisa em áreas diversas da 
farmacêutica, como na de alimentos e cosméticos (CARVALHO et al., 2013).
Entre as legislações mais importantes, podemos citar a Lei nº 5.991, de 17 
de dezembro de 1973, que dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, 
medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências (BRASIL, 
1973). Estabelece o comércio de plantas medicinais, prevendo sua comercialização em 
farmácias e ervarias (processamento, secagem, embalagem e dispensação), exceto 
em drogarias. Vale salientar que, como esses produtos não possuem regulamentação 
específica, restrição a produtores e controle de qualidade, ainda assim, não podem 
ser considerados medicamentos e, portanto, não pode haver indicação terapêutica, 
posologia e restrições em suas embalagens ou folhetos anexos (BRASIL, 1973).
48
Para o desenvolvimento das ações citadas, a Anvisa elaborou os seguintes 
marcos regulatórios: 
• Resolução RDC nº 48, de 16 de março de 2004, que aprova o Regulamento Técnico, 
visando a atualizar a normatização do registro de medicamentos fitoterápicos.
• Resolução nº 17, de 24 de fevereiro de 2000, que dispõe sobre o registrode 
medicamentos fitoterápicos.
• RDC nº 333, de 19 de novembro de 2003, que dispõe sobre rotulagem de 
medicamentos e dá outras providências.
• Resolução RE nº 90, de 16 de março de 2004, que determina a publicação da “guia 
para a realização de estudos de toxicidade pré-clínica de fitoterápicos”.
• RDC nº 10, de 9 de março de 2010, que dispõe sobre a notificação de drogas vegetais 
junto à Anvisa e dá outras providências.
• RDC nº 14, de 31 de março de 2010, que dispõe sobre registro de medicamentos 
fitoterápicos.
• RDC nº 18, de 3 de abril de 2013, que dispõe sobre as boas práticas de processamento 
e o armazenamento de plantas medicinais, a preparação e a dispensação de 
produtos magistrais e oficinais de plantas medicinais e fitoterápicos em farmácias 
vivas no âmbito do SUS.
• RDC nº 13, de 14 de março de 2013, que dispõe sobre as boas práticas de fabricação 
de produtos tradicionais fitoterápicos.
• RDC nº 26, de 13 de maio de 2014, que dispõe sobre o registro de medicamentos 
fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos tradicionais fitoterápicos.
Através da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 26/2014, que revogou 
RDC nº 14/2010, RDC nº 10/2010, Resolução (RE) nº 90/2004, e da Instrução Normativa 
(IN) nº 5, de 31 de março de 2010, a Anvisa definiu as categorias de medicamentos 
fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos, estabelecendo os requisitos mínimos 
para o registro e renovação de medicamentos fitoterápicos, além de notificação de 
produto tradicional fitoterápico (BRASIL, 2013).
Dentro do aspecto de desenvolvimento de novos produtos farmacêuticos, com 
finalidade terapêutica, a tríade qualidade, segurança e eficácia é imprescindível.
49
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• O estudo da Etnofarmacologia é a exploração científica multidisciplinar dos agentes 
biologicamente ativos, tradicionalmente empregados. Envolve, em suas diversas 
etapas, diferentes áreas do conhecimento, como a Antropologia, a Botânica e a 
Farmacologia. 
• As plantas medicinais contêm substâncias biologicamente ativas, que podem 
ser benéficas ou nocivas à saúde e, dependendo da dose empregada, podem ser 
tóxicas ou, ainda, sofrer interações quando o uso for associado à outra planta ou 
medicamento.
• A Farmacopeia brasileira é o código oficial para o Brasil, tendo como função 
estabelecer os requisitos de qualidade que os medicamentos devem obrigatoriamente 
obedecer, incluindo todos os componentes empregados na sua análise e produção.
• No nosso país, tivemos diversas normas com definições para a dispensação de 
medicamentos e plantas medicinais, sendo a Resolução de Diretoria Colegiada 
(RDC) nº 26, de 14 de maio de 2014, é a atualmente vigente.
50
1 Entre as monografias presentes na 5ª edição da Farmacopeia brasileira, de 2017, 
várias estão relacionadas com plantas da biodiversidade brasileira, como guaraná, 
barbatimão, marcela (ou macela) e espinheira-santa. Sobre os quesitos para a inclusão 
dessas monografias na Farmacopeia brasileira, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Compilar as informações acerca das plantas medicinais brasileiras.
b) ( ) Favorecer o profissional farmacêutico na elaboração e/ou na produção de novos 
medicamentos.
c) ( ) Estabelecer os requisitos mínimos para o registro e a renovação de medicamentos 
fitoterápicos.
d) ( ) Não incluir drogas vegetais que possuam alguma indicação de toxicidade. 
2 O uso milenar de plantas medicinais mostrou, ao longo dos anos, que determinadas 
plantas apresentam substâncias potencialmente perigosas. Sobre os efeitos tóxicos 
promovidos pelo uso de substâncias, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Efeitos hepatotóxicos podem ser causados por compostos como apiol, safrol, 
lignanas e alcaloides pirrolizidínicos.
b) ( ) A ação tóxica renal pode ser causada por espécies vegetais que contêm terpenos 
e saponinas.
c) ( ) Dermatites podem ser causadas por espécies ricas em lactonas sesquiterpênicas 
e produtos naturais do tipo furanocumarinas. 
d) ( ) Substâncias antinutricionais, como o ácido oxálico, o nitrito de amila e o ácido 
erúcico, estão presentes em muitas plantas de consumo comercial.
3 A utilização das plantas medicinais, muitas vezes, é o único recurso terapêutico de 
comunidades que acumulam conhecimento há muitas gerações, apesar de nem 
sempre as espécies vegetais terem seus constituintes químicos conhecidos. De 
acordo com o conhecimento popular, associe os itens das espécies vegetais e dos 
efeitos terapêuticos, utilizando o código a seguir:
I- Goiaba.
II- Canela.
III- Alho.
IV- Abacaxi.
( ) Antidiarreico.
( ) Ansiolítico.
( ) Antigripal, anti-inflamatório.
( ) Expectorante.
AUTOATIVIDADE
51
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) I – II – III – IV.
b) ( ) II – III – IV – I. 
c) ( ) III – IV – I – II.
d) ( ) IV – III – II – I. 
4 Plantas medicinais contêm substâncias biologicamente ativas, que podem ser 
benéficas ou nocivas à saúde, dependendo da dose empregada. Além dos parâmetros 
de toxicidade, diversos compostos possuem a capacidade de sofrer interações 
quando o uso é associado à outra planta ou medicamento. Quais são as classes de 
medicamentos que mais interagem com as plantas medicinais? 
5 As interações medicamentosas caracterizam-se como um evento, cujos efeitos de um 
fármaco podem ser alterados pela presença de outro fármaco, alimento ou substâncias 
diversas. Como pode ocorrer a interação entre medicamentos e plantas medicinais?
52
53
TÓPICO 3 - 
FARMACOBOTÂNICA
1 INTRODUÇÃO
Antes de utilizarmos qualquer droga no preparo de medicamentos, seja na farmácia 
de manipulação e/ou na indústria para o preparo de fitomedicamentos, ou também, muitas 
vezes, para consumo próprio, em casa, devemos ter certeza de que a droga vegetal selecio-
nada se trata exatamente da planta que desejamos, para evitar riscos de toxicidade. 
Devido à variedade de espécies presentes na fauna do nosso país, a maioria de 
origem silvestre, é necessário utilizar de conhecimentos prévios e metodologias analí-
ticas para confirmar a autenticidade da droga vegetal, no caso dos produtores dos am-
bientes profissionais, submetê-la a uma análise rigorosa, bem como à qualificação de 
fornecedores. A identificação e a pureza da droga, e a avaliação de teor dos seus princí-
pios ativos são tarefas indispensáveis àqueles que buscam produtos de boa qualidade.
O analista deve sempre ter em mente que a adulteração e a falsificação 
constituem procedimentos triviais daqueles que, sem pensar no bem público, buscam 
aumentar o lucro. Desde épocas imemoriais, esses tipos anômalos de procedimento 
têm preocupado aqueles que assumem como função preservar a saúde pública. Assim, 
neste tópico, entenderemos quais os procedimentos a serem adotados para garantir a 
correta identificação morfológica das espécies e manter a tríade segurança, qualidade e 
eficácia dos medicamentos preparados a partir de drogas vegetais.
UNIDADE 1
2 TAXONOMIA VEGETAL 
A imensa diversidade de organismos vivos causa dificuldades em reconhecê-los. 
Alguns procedimentos precisam ser utilizados para facilitar a identificação de um organismo 
vivo e sua inclusão em um sistema de classificação. A classificação coloca ou agrupa um 
determinado organismo vivo em uma categoria específica dentro de uma hierarquia, sendo 
feita apenas uma vez para cada ser vivo – ou poucas vezes, quando evidências posteriores 
obrigam sua realocação em outra categoria taxonômica (BORDIGNON; MENTZ, 2017).
Taxon (plural taxa) é um termo estabelecido para designar uma unidade taxonô-
mica de qualquer hierarquia. As unidades taxonômicas podem ser amplas, como famílias 
e tribos, ou mais restritas, como gêneros, seções ou espécies (BORDIGNON; MENTZ, 2017).
54
O estudo da taxonomia, também chamada de sistemática, inclui um estudo deta-
lhado de todas as espécies de seres vivos, reunidas em gêneros, estes em subtribos, tribos, 
subfamílias oufamílias, e as famílias em grupos taxonômicos de maior ordem. Para entender 
o significado de taxonomia, Araújo e Bossolan (2006) demonstram o significado de espécies:
Species em latim significa simplesmente “tipo”. As espécies são, 
no sentido mais simples, os diferentes tipos de organismos. Uma 
definição mais técnica de espécie é: “um grupo de organismos que se 
cruzam entre si, sem normalmente cruzar-se com representantes de 
outros grupos”. Os organismos pertencentes a uma espécie devem 
apresentar semelhanças estruturais e funcionais, similaridades 
bioquímicas e mesmo cariótipo, além da capacidade de reprodução 
entre si (ARAÚJO; BOSSOLAN, 2006, p. 9).
A identificação de um organismo, na maioria das vezes, é realizada até a espécie 
e consiste na comparação com uma espécie já descrita, devendo ser feita cada vez 
que se deseja conhecer o nome científico de um organismo coletado ou encontrado na 
natureza. Portanto, todos os organismos vivos conhecidos possuem nomes científicos, 
aceitos internacionalmente por pesquisadores, estudiosos e pessoas interessadas no 
assunto (BORDIGNON; MENTZ, 2017).
Para realizar a classificação taxonômica dos vegetais, seguimos os princípios 
de Lineu (1700-1778), um personagem bastante conhecido no âmbito da taxonomia, 
que propôs uma sistemática totalmente embasada em observação de características 
anatômicas dos seres e em uma língua comum, o latim. Na sistemática lineniana, pode-
se compreender a que ser vivo ou mineral se refere um nome ou, ao contrário, a partir 
do nome, indica-se a qual ser aquele nome se refere, o que só é possível porque Lineu 
pressupõe que toda a natureza pode ser descrita dentro de uma mesma taxonomia.
O reino é a maior unidade usada em classificação biológica. Entretanto, entre o nível 
do reino e do gênero, Lineu e taxonomistas posteriores adicionaram diversas categorias (ou 
taxa). Temos, então, os gêneros agrupados em famílias, estas em ordens, as quais são divi-
didas em classes e, por fim, estas em filos (ou divisão, para os botânicos), seguindo um pa-
drão hierárquico. Essas categorias podem ser subdivididas ou agregadas em várias outras, 
menos importantes, como os subgêneros e as superfamílias (ARAÚJO; BOSSOLAN, 2006). 
Assim, podemos observar hierarquicamente os grupos como mostra a Figura 9.
55
FIGURA 9 – HIERARQUIA DOS GRUPOS TAXONÔMICOS DE LINEU 
FONTE: Adaptada de Araújo; Bossolan (2006)
No caso da Figura 10, é possível perceber, além da preocupação declarada com 
questões quantitativas, o esforço de Lineu por ilustrações científicas mais icônicas. Ao 
criar sua própria nomenclatura em uma língua morta, Lineu fixa os significados para 
cada nome-signo, que respeitarão aquelas variáveis, sem serem novamente inclusos 
significados considerados inapropriados para a estrutura proposta (FIUZA; GUERRA, 2015).
FIGURA 10 – ILUSTRAÇÃO DE SYSTEMA NATURAE (1735), EXPONDO A CLASSIFICAÇÃO DE ESPÉCIES POR 
MORFOLOGIA DE FOLHAS
FONTE: Fiuza; Guerra (2015, p. 5)
56
A partir da Figura 10, é possível compreender como as folhas são resumidas a 
uma aparência com o mínimo de detalhes, mas com formatos-base que, em conjunto, 
se aplicam a quase qualquer folha encontrada na natureza, independentemente de sua 
cor, textura ou habitat (FIUZA; GUERRA, 2015).
3 NOMENCLATURA E IDENTIFICAÇÃO DE PRODUTOS 
VEGETAIS 
O prestígio ou o desprestígio das plantas medicinais e dos extratos vegetais usados 
na terapêutica depende do material utilizado em sua elaboração. Assim, por exemplo, o 
fabricante de extratos vegetais que utilizar, na fabricação de um fluido de jaborandi, folhas 
de uma espécie de Ottonia, conhecida pelo povo como jaborandi, cometerá um erro. As 
propriedades farmacodinâmicas desse extrato irão diferir muito daquele obtido com as 
folhas de Pilocarpus jaborandi Holmes, que constitui a droga verdadeira (SBFGNOSIA, 2009).
No Brasil, no que tange às drogas naturais, principalmente de origem vegetal, esse 
problema ocorre com frequência. Grande parte das drogas brasileiras origina-se de plantas 
silvestres. Pode-se afirmar, sem sombra de dúvidas, que o cultivo racional de plantas medicinais 
quase inexiste em nosso país. Não bastasse isso, as pessoas que se prestam à coleta de plantas 
nativas, com frequência, são possuidoras de poucos conhecimentos, ocorrendo, portanto, ao 
lado da desonestidade de alguns, a ignorância de outros (SBFGNOSIA, 2009). 
Os nomes regionais de plantas podem se constituir em outro motivo de erro. Esses 
nomes, ou seja, os nomes populares das plantas, variam muito de um lugar para o outro, e é 
comum designar-se plantas diferentes com um mesmo nome, bem como uma planta com 
diversos nomes. Assim, a necessidade de identificação de drogas destinadas ao consumo 
dos laboratórios farmacêuticos pode ser mais bem entendida quando, na prática, se tem a 
incumbência de analisar plantas coletadas por “raizeiros” (SBFGNOSIA, 2009). 
Para evitar problemas e garantir a segurança e qualidade do material utilizado, os 
nomes científicos para algas, fungos (incluindo líquens), plantas avasculares e vasculares 
são regidas pelo Código Internacional de Nomenclatura para algas, fungos e plantas. Para 
os nomes científicos de animais, são observadas as regras descritas no Código Internacional 
de Nomenclatura Zoológica. Para os demais organismos vivos, os procariontes, são 
considerados, atualmente, dois grupos distintos, Bacteria e Archaea. O Comitê Internacional 
de Sistemática de Procariotes, responsável pelo Código Internacional de Nomenclatura de 
Bactérias, indica as regras de nomeação desses organismos, bastantes semelhantes às 
normas do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (BORDIGNON; MENTZ, 2017).
Em 1735, o sueco Carl von Linné, botânico e médico, conhecido simplesmente por 
Lineu, lançou o livro Systema Naturae, considerado o ponto de partida para a validação 
dos nomes científicos para espécies, no qual propôs as primeiras regras para classificar e 
denominar animais e plantas, sendo cada organismo conhecido por dois nomes apenas, 
seguidos e inseparáveis, as quais são ainda hoje utilizadas (FIUZA; GUERRA, 2015).
57
Em 1758, Lineu publicou a décima edição do Systema Naturae, ano considerado 
como inicial na nomenclatura zoológica. Surgiu, assim, a nomenclatura binomial e, 
desde então, todos os nomes de organismos vivos publicados, obedecendo ao formato 
iniciado por Lineu, tornaram-se nomes conhecidos internacionalmente, facilitando a 
comunicação entre os pesquisadores (BORDIGNON; MENTZ, 2017).
Nomes científicos são latinizados, mas podem ser derivados de qualquer outra 
língua ou de nomes de pessoas ou lugares; a maioria dos nomes deriva de palavras 
latinas ou gregas e, geralmente, refere-se a alguma característica do animal ou do 
grupo denominado. Por convenção, os nomes genéricos e específicos são latinizados, 
enquanto o nome das famílias, ordens, classes e outras categorias não o são, embora 
tenham letra inicial maiúscula. As principais regras da nomenclatura científica foram 
descritas por Araújo e Bossolan (2006) e podem ser resumidas conforme a seguir: 
• Todo nome científico deve estar destacado no texto. Pode ser escrito em itálico, se 
for impresso, ou sublinhado se for em trabalhos manuscritos. 
• Cada organismo deve ser reconhecido por uma designação binomial, sendo o primeiro 
termo para designar o seu gênero e o segundo, a sua espécie. Considera-se um erro 
grave usar o nome da espécie isoladamente, sem ser antecedido pelo gênero. 
• O nome relativo ao gênero deve ser um substantivo simples ou composto, escrito 
com inicial maiúscula. 
• O nome relativo à espécie deve ser um adjetivo escrito com inicial minúscula, salvo 
raríssimas exceções: nos casos de denominação específica em homenagem a uma 
pessoa célebre. 
Por exemplo, o Trypanosoma cruzi, em que cruzi é a transliteração latina do 
nome de Oswaldo Cruz, uma homenagem a esse grande sanitarista brasileiro. 
Em trabalhos científicos, após o nome do organismo, é colocado, por extenso ou 
abreviadamente,o nome do autor que primeiro descreveu e denominou, sem qualquer 
pontuação intermediária, seguindo-se depois uma vírgula e data da primeira publicação.
Por exemplo: 
• Cachorro: Canis familiaris Lineu ou L., 1758. 
• Ancilóstoma: Ancylostoma duodenale Creplin ou C., 1845. 
A designação para espécies é binomial, mas para subespécies é trinomial. Por 
exemplo: 
• Mycobacterium tuberculosis hominis (tuberculose humana).
• Mycobacterium tuberculosis bovis (tuberculose bovina).
• Mycobacterium tuberculosis avis (tuberculose aviária).
58
Na Lei da prioridade, se diversos autores denominarem um mesmo organismo 
diferentemente, prevalece sempre aquela mais antiga, ou seja, a primeira denominação. 
4 MORFOLOGIA VEGETAL 
Pode-se dizer que a disciplina Botânica surgiu com o estudo das plantas 
medicinais, pois os primeiros registros sobre plantas estão contidos nos livros dos 
templos egípcios: Livro dos Mortos e Livro dos Vivos.
Uma de suas áreas de conhecimento é a morfoanatomia vegetal, que estuda 
as estruturas externas e internas dos organismos vegetais. Desse modo, a morfologia, 
incluindo a anatomia vegetal, é uma ferramenta de apoio para outras disciplinas da 
botânica básica ou aplicada, assim como para outras áreas do conhecimento.
4.1 MORFOLOGIA BÁSICA EXTERNA DAS RAÍZES 
A raiz é, geralmente, um órgão subterrâneo e tem como funções principais fixar 
o vegetal ao substrato e absorver deste água e nutrientes minerais, além de realizar o 
armazenamento de nutrientes (amido e sais) na forma suberosa (macaxeira, cenoura e 
beterraba) (SILVA et al., 2014).
A maioria das raízes não possui clorofila e gema e apresenta geotropismo 
positivo, o que faz com que seu crescimento se dê em direção ao solo. Diferentemente 
do caule, a raiz não está dividida em nós e entrenós. A raiz se desenvolve a partir da 
radícula do embrião e a primeira raiz a ser formada é chamada de raiz primária. A 
partir da raiz primária, são formadas as raízes secundárias e terciárias (CORTEZ; SILVA; 
CHAVES, 2016). A Figura 11 mostra alguns tipos de padrões de desenvolvimento das 
raízes primárias e secundárias e permite reconhecer alguns sistemas de raízes, divididos 
de acordo com seu habitat, subterrâneos, aéreos ou aquáticos. 
As raízes subterrâneas podem ser do tipo: 
• Axial ou pivotante: raiz principal bem desenvolvida em relação às secundárias.
• Ramificada: raiz principal que, logo, se divide em raízes secundárias, e assim 
sucessivamente.
• Fasciculada: raiz principal que sofre atrofia, formando um feixe de raízes, não sendo 
possível distinguir uma raiz principal.
• Tuberosa: raiz dilatada pelo acúmulo de reserva nutritiva, podendo ser axial tuberosa 
(cenoura, beterraba, nabo e rabanete) ou lateral (dália, batata-doce e macaxeira).
59
As raízes aéreas podem ser do tipo:
• Estranguladoras (cinturas): variação do tipo de raiz escora, crescem envolvendo 
o tronco do hospedeiro e formando uma rede que se espessa, impedindo o 
crescimento em espessura do caule da planta hospedeira, podendo ou não, matar 
a planta hospedeira. 
• Grampiformes (aderentes): surgem em pequenos grupos nos nós e/ou nos entrenós 
em caules rastejantes, nos quais, ao encontrar um suporte, podem escalá-lo. 
• Sugadoras (haustórios): estruturas de contato, apressórios, no interior dos quais 
surgem as raízes finas, haustórios, órgãos que absorvem alimentos, parasitando a 
planta hospedeira. 
o Hemiparasita: água e sais minerais (seiva bruta). 
o Holoparasita: produtos metabolizados na fotossíntese (seiva elaborada).
• Suportes (escoras ou fúlcreas): partem do caule em direção ao solo e auxiliam na 
sustentação do caule, seja pela planta crescer em solo pantanoso ou por possuir 
uma base pequena em relação à sua altura.
• Respiratórias: esponjosas, ricas em aerênquima (parênquima com grandes espaços 
intercelulares cheios de ar). São responsáveis por fornecer oxigênio às regiões 
submersas da planta. Características de plantas do mangue.
• Pneumatóforos: podem ser considerados um tipo de raiz respiratória, mas diferem 
estruturalmente por serem raízes lenhosas que crescem verticalmente para fora do solo 
encharcado em que vive a planta. Ocorrem em espécies dos manguezais e de pântanos.
60
FIGURA 11 – TIPOS DE RAÍZES. 11: EXTREMIDADE MOSTRANDO A COIFA (CF), RAIZ PRINCIPAL (RP), RAIZ 
SECUNDÁRIA (RS); 12: EXTREMIDADE DE RAIZ AQUÁTICA MOSTRANDO A COIFA (CF); 13: PECÍOLOS (P), RAIZ 
PRINCIPAL TUBERIFICADA (RT), RAIZ SECUNDÁRIA (RS); 14: RAIZ PRINCIPAL (RP), RAIZ SECUNDÁRIA (RS); 
15: SISTEMA RADICULAR FASCICULADO (RF); 16: FOLHAS (F), RAIZ PRINCIPAL TUBEROSA (RT), PROLON-
GAMENTO VERTICAL (RP), RAMIFICAÇÕES (RS); 17: RAIZ PRINCIPAL (RP), RAIZ LATERAL SECUNDÁRIA 
TUBEROSA (RLT); 18: RAÍZES RESPIRATÓRIAS (RESP), PNEUMOTÓDIOS (PN); 19: RAÍZES DE ESCORAS (RE), 
CAULE (CA); 20: RAÍZES TABULARES (RT); 21: RAÍZES ADVENTÍCIAS (RAD), NÓ (N), ENTRENÓ (E), BASE DE 
UMA FOLHA (F); 22: RAÍZES AÉREAS (RA), TRONCO HOSPEDEIRO (T), FOLHAS (F), CAULE (CA); 23: RAÍZES 
ESTRANGULADORAS (R. EST), TRONCO HOSPEDEIRO (TH); 24: RAÍZES AQUÁTICAS (RAQ), RAÍZES RESPIRA-
TÓRIAS (RR), FOLHAS (F), CAULE (CA); 25: TRONCO HOSPEDEIRO (TH), APRESSÓRIO (AP), HAUSTÓRIOS (HA)
FONTE: Ferri (1981, p. 48)
• Sapopemas (raízes tabulares): é uma variação de raízes suportes com ramos 
radiculares, originando-se na base do caule, formando estruturas semelhantes a 
tábuas, que além de aumentar a resistência e a sustentação do tronco aumentam 
a superfície para aeração.
• Escoras: são raízes que aparecem em certas espécies de figueiras (Ficus spp.). Elas 
descem de ramos caulinares laterais, alcançam o solo, ramificam-se e absorvem 
água. Essas raízes crescem em espessura e, com o tempo, tornam-se tão espessas 
que passam a substituir o caule em sua função, pois, além de fixarem a planta no 
solo e absorverem nutrientes, conduzem esses elementos até a copa. Quando já 
existem muitas raízes desenvolvidas, o caule pode desaparecer, ficando a copa 
totalmente escorada em raízes.
61
As raízes aquáticas ocorrem nas plantas que se desenvolvem na água, como 
vitória-régia – Victoria amazonica (Poepp.) e J.C. Sowerby (Nymphaeaceae) – e aguapé 
– Eichhornia azurea (Sw.) Kunth (Pontederiaceae).
4.2 MORFOLOGIA BÁSICA EXTERNA DOS CAULES
O caule é, geralmente, um órgão aéreo e tem como funções principais 
sustentar as folhas e ligá-las à raiz. O caule possui gemas apicais e axilares e está 
subdividido em nós e entrenós. Apresenta fototropismo positivo, o que faz com que 
seu crescimento se dê em direção à luz, e pode ter clorofila, auxiliando no processo 
fotossintético (CORTEZ; SILVA; CHAVES, 2016).
As gemas abrigam o meristema apical caulinar, os tecidos meristemáticos 
primários – protoderme, meristema fundamental e procâmbio – e os primórdios de 
folhas, sendo responsáveis pelo fenômeno da dominância apical. As gemas podem 
formar apenas folhas, quando são vegetativas, ou formar flores e inflorescências, 
quando são reprodutivas (CORTEZ; SILVA; CHAVES, 2016).
O caule desenvolve-se a partir do epicótilo – às vezes, a partir do epicótilo e de parte 
do hipocótilo – do embrião. O padrão de ramificação dos caules permite reconhecer dois 
sistemas de crescimento. O sistema monopodial, em que uma única gema é responsável 
pelo crescimento, originando um eixo principal, geralmente com formato piramidal; e o 
sistema simpodial, em que muitas gemas são responsáveis pelo crescimento, originando 
vários eixos, geralmente com formato difuso (CORTEZ; SILVA; CHAVES, 2016).
Assim como as raízes, os caules podem ser: aéreos, subterrâneos (terrestres) e 
aquáticos, e classificados em vários subtipos, conforme observados a seguir.
Os caules subterrâneos podem ser do tipo: 
• Rizoma: geralmente horizontal e formado por gemas que emitem, de espaço em 
espaço, brotos aéreos foliosos e floríferos. É constituído ainda por nós, entrenós, 
gemas e escamas (folhas), podendo emitir raízes
• Tubérculo: dotado de gemas nas axilas de escamas ou de suas cicatrizes, serve de 
reserva nutritiva.• Bulbo: formado de prato (caule), gema e raízes adventícias, envolto por escamas 
que geralmente acumulam reservas. Pode ser do tipo bulbo sólido, bulbo escamoso, 
bulbo tunicado e bulbo composto.
Os caules aéreos podem ser do tipo: 
• Eretos: 
o tronco: lenhoso, ocorre em árvores e arbustos; 
o haste: herbáceo, presente em ervas e subarbustos; 
62
o estipe: lenhoso, mas não ramificado; 
o colmo: cilíndrico, com nós e entrenós bem evidentes; ocorre em gramíneas, 
podendo ser oco, fistuloso; 
o escapo: não se ramifica e não apresenta folhas.
• Rastejantes: paralelos ao solo, com presença ou não de raízes, com um único ponto de 
fixação. Geralmente, ao encontrar um suporte, sobe por ele, enrola-se ou forma gavinhas.
• Trepadores: necessitam de suporte e se fixam através de estruturas como raízes ad-
ventícias (raízes grampiformes) ou gavinhas; quando não possuem essas estruturas 
fixadoras, são chamados de trepadores volúveis, que se enrolam em um suporte. 
FIGURA 12 – TIPOS DE CAULE: A PONTA DA PLANTA, AO PASSAR POR TRÁS, DIRIGE-SE PARA A DIREITA (34), 
E A PONTA DA PLANTA, AO PASSAR POR TRÁS, DIRIGE-SE PARA A ESQUERDA (35), DESTACANDO-SE CAULE 
VOLÚVEL (C), FOLHAS (F) E BOTÃO GERMINATIVO (B); NO CAULE 36, VÊ-SE CAULE PROSTRADO (C), FOLHAS 
(F) E FLOR (FL); NO CAULE 37, ESTOLHO (E), ESCAMA (ES), FOLHAS (F), RAÍZES (R); NO CAULE 38, TEMOS RI-
ZOMA (RZ), RAÍZES (R), FOLHAS (F), BOTÃO VEGETATIVO (GEMAS – BV); NO CAULE 39, SEMENTE (S), RAÍZES 
(R), CAULE (C), FOLHAS (F), TUBÉRCULOS (T); NO CAULE 40, RAÍZES (R), ESCAMAS (E) E BROTO (B)
FONTE: Ferri (1981, p. 63)
4.3 MORFOLOGIA BÁSICA EXTERNA DAS FOLHAS 
A folha é o órgão especializado na realização da fotossíntese. Assim, os 
tecidos estão organizados de forma a tornarem mais eficiente a aquisição de luz e 
sua transformação em energia química. Para entendermos melhor esse processo, 
estudaremos detalhadamente na Unidade 2. 
A folha é constituída pelos três sistemas de tecidos: revestimento, fundamental 
e vascular, os quais se originam dos meristemas primários protoderme, meristema 
fundamental e procâmbio, respectivamente (CORTEZ; SILVA; CHAVES, 2016).
Morfologicamente, uma folha completa é formada por limbo (lâmina), pecíolo 
e bainha e estípulas. Possui como tecido de revestimento apenas a epiderme, que 
pode apresentar uma ou várias camadas de células. Várias características anatômicas 
63
observadas nas folhas têm relação direta com o ambiente em que as espécies se 
desenvolvem, por isso, as folhas são consideradas órgãos extremamente plásticos 
(CORTEZ; SILVA; CHAVES, 2016).
Apresentam formas bastante diversificadas, as quais são utilizadas nos proces-
sos de identificação sistemática dos vegetais. Por essa razão, as características morfo-
lógicas das folhas são importantes para a identificação botânica, já que, no campo, nem 
sempre as plantas se encontram em estágio reprodutivo (flores e frutos). Assim, são 
utilizados os caracteres vegetativos das folhas, entre os quais forma ápice, base, mar-
gem e pilosidade. Alguns tipos de ápice, base e forma estão representados na Figura 13. 
FIGURA 13 – MORFOLOGIA DE DIFERENTES TIPOS DE FOLHAS. TIPOS DE ÁPICE: ÁPICE CUSPIDADO (A); 
ÁPICE RETUSO (B); ÁPICE AGUDO (C). TIPOS DE BASE: OBLÍQUA (D); CORDADA (E); OBTUSA (F). FORMA DAS 
FOLHAS: OBLONGA (G); CORDADA (H); OVALADA (I); OBOVADA (J).
FONTE: Martins-da-Silva et al. (2014, p. 21)
5 MICROTÉCNICA VEGETAL 
O estudo dos tecidos (histologia) e das células (citologia) vegetais depende da 
observação, em microscópio de luz, de cortes que são aderidos a lâminas de vidro. Ao 
conjunto de conhecimentos e práticas destinadas à preparação de materiais de origem 
vegetal para o estudo microscópico, denominamos microtécnica vegetal (CORTEZ; 
SILVA; CHAVES, 2016).
64
O conhecimento de microtécnica vegetal facilita o estudo das monografias de 
plantas, já constantes da Farmacopeia brasileira, bem como de outras que possam ser 
incluídas futuramente no Formulário Nacional. Para que os materiais sejam observados no 
seu maior detalhamento, alguns procedimentos básicos precisam ser aplicados, como: coleta 
e preparo do material, fixação, desidratação, inclusão em parafina, corte, montagem, remoção 
da parafina e hidratação, desidratação, montagem em bálsamo (SBFGNOSIA, 2009). 
Para facilitar a observação e a identificação de espécies, devemos conhecer as 
estruturas que compõe seus principais tecidos (SBFGNOSIA, 2009):
• Epidermes (cutícula, células epidérmicas, estômatos, tricomas e pelos).
• Mesófilo (hipoderme, parênquima paliçádico e parênquima lacunoso).
• Inclusões (celulares, teciduais, glândulas, canais secretores e células mucilaginosas).
• Estrutura primária (epiderme, hipoderme, parênquima cortical, endoderme, periciclo, 
xilema, floema, medula e inclusões).
• Estrutura secundária (periderme, parênquima cortical, feixes vasculares, raios 
medulares, medula e inclusões).
Várias substâncias são produzidas pelas células vegetais, separadas do 
protoplasto e depositadas em regiões ou estruturas específicas da célula, um fenômeno 
normalmente conhecido como secreção. Uma célula secretora possui, geralmente, 
parede primária fina, núcleo grande e vacúolos pequenos, o que indica uma alta atividade 
metabólica (CORTEZ; SILVA; CHAVES, 2016).
A secreção pode ser originada por células especializadas (células secretoras) ou 
por estruturas celulares complexas (estruturas secretoras). Uma célula secretora típica 
é distinguida das demais por seu conteúdo, sendo caracterizada, geralmente, como um 
idioblasto. Entre as estruturas secretoras mais comuns, destacam-se as cavidades, os 
ductos, as emergências (entre elas, os coléteres), os tricomas e os nectários (CORTEZ; 
SILVA; CHAVES, 2016).
65
FARMACOVIGILÂNCIA DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS NO 
BRASIL: UMA BREVE REVISÃO
Leonardo Ramos Leal
Carla Junqueira Moragas Tellis
Introdução
A prática da utilização das plantas medicinais é milenar e passada de geração em 
geração de acordo com a cultura de cada local. Essa tradicionalidade de uso, por muitas 
vezes, subentende que as drogas de origem vegetal não representam riscos de toxicidade 
(LORENZI; MATOS, 2002). Tal realidade tornou-se um fator de grande preocupação para 
estudiosos e pesquisadores, pois, proporcionalmente ao seu uso, o número de casos de 
reações adversas a plantas medicinais e seus derivados tem aumentado não apenas no 
Brasil, mas em todo o mundo (GALLO et al., 2000). Esse aumento pode ser explicado pelo 
aumento na propaganda e divulgação nos meios de comunicação, pela fraca atuação 
dos organismos estatais de vigilância sanitária e amplo comércio em locais públicos e 
no caso específico do Brasil, pela crise econômica que dificulta o acesso da população 
a assistência médica e farmacêutica e o alto custo dos medicamentos industrializados.
Farmacovigilância, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é definida 
como a ciência que se refere à detecção, avaliação, compreensão e prevenção dos efeitos 
adversos ou quaisquer problemas relacionados a medicamentos. Ela visa a detectar 
precocemente eventos adversos conhecidos ou não, monitorando também possíveis 
aumentos na sua incidência. Um sistema de farmacovigilância deve ter a capacidade de 
avaliar os benefícios e riscos do produto, para assegurar que esse mantenha a qualidade, 
segurança e eficácia compatíveis com seu uso racional (ANVISA, 2009).
Em 2003, a OMS ampliou o conceito de farmacovigilância através da publicação 
de diretrizes de monitorização e farmacovigilância de plantas medicinais. Esse docu-
mento propôs a inclusão de plantas medicinais, medicina tradicional e complementar 
ao Sistema Internacional de Farmacovigilância. Além da identificação e da prevenção 
de eventos adversos às plantas medicinais e quantificação de seus riscos, tais diretrizes 
objetivam a capacitação dos países membros para o fortalecimento da farmacovigilân-
cia; inclusão das plantas no Sistema Internacional de Farmacovigilância; padronização 
dos termos; promoçãoe fortalecimento de trocas de informações seguras e coordena-
das internacionalmente entre os centros e promoção da segurança no uso de plantas 
medicinais (WHO, 2003).
LEITURA
COMPLEMENTAR
66
 Obedecendo as diretrizes traçadas pela OMS, o Ministério da Saúde (MS) vem 
promovendo uma série de mudanças em suas políticas, objetivando ampliar o acesso 
seguro às plantas medicinais e fitoterápicos para a população. Em 2006, com esse 
propósito, publicou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares 
(PNPIC) e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), ambas 
com a finalidade maior de promover o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos 
no Brasil. A PNPMF apresenta diretrizes que regulamentam desde o cultivo das 
plantas medicinais até a produção e comercialização dos fitoterápicos por indústrias 
farmacêuticas nacionais (BRASIL, 2006). 
Em 2009, com a criação do Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância 
Sanitária (NOTIVISA), o Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos (CNMM), que 
existia desde 2001, passou a coletar e armazenar informações de farmacovigilância de 
diversos produtos sob vigilância sanitária, incluindo medicamentos fitoterápicos. O sistema 
NOTIVISA tem a finalidade de receber notificações de eventos adversos (EA) e queixas 
técnicas (QT) de diversos produtos e permite também que cidadãos notifiquem qualquer 
caso de EA e QT, possibilitando um maior fornecimento de dados relacionados à segurança.
Os métodos empregados em farmacovigilância de plantas medicinais e 
fitoterápicos – notificação espontânea de RAM (Reação Adversa a Medicamento), 
monitorização de pacientes e estudos analíticos – são semelhantes ao que se utiliza na 
farmacovigilância de medicamentos convencionais, em que se verifica as relações de 
casualidade e gravidade segundo método estabelecido pela OMS (WHO, 2003).
O presente trabalho tem o objetivo de enfatizar a importância de se intensificar 
os estudos em farmacovigilância de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos 
no Brasil com vistas à diminuição da ameaça que os efeitos adversos e as interações 
medicamentosas exercem sobre a população e ainda contribuir para o uso racional e a 
correta tomada de decisão por parte dos profissionais de saúde que atuam nessa área.
 Resultados e Discussão 
A farmacovigilância de plantas medicinais e fitoterápicos no Brasil encontra-se 
ainda muito incipiente. Essa afirmativa pode ser corroborada por pesquisas recentes 
que mostram uma grande diferença no número de notificação quando comparadas às 
dos medicamentos convencionais. 
Skalli e Soulaymani Bencheikh (2012) informam que o VigiSearch (sistema 
internacional de recebimento de notificações sobre as reações adversas a medicamentos) 
não conta com nenhuma notificação brasileira.
Lima (2013) usou dados do NOTIVISA para mostrar que entre os anos de 
2009 e 2012 foram realizadas 50.824 notificações de EA e QT ligadas à categoria de 
medicamentos. Desse total, o percentual referente a notificações de plantas medicinais 
foi de apenas 0,79%. Esse número evidencia a grande negligência existente por parte 
67
da sociedade usuária e dos profissionais de saúde com o uso e a notificação de EA 
para essa categoria de produtos. Ainda, segundo Lima (2013), as principais reações 
adversas citadas pelos usuários de plantas medicinais foram diarreia, hepatotoxicidade, 
alterações gastrointestinais, inibição da agregação plaquetária, dificuldade visual e 
excitabilidade neuronal. 
O trabalho de Lima (2013) foi ainda importante para identificar que a região 
nordeste foi a que mais apresentou notificações (31%), fato que pode ser explicado pela 
cultura local da fitoterapia e falta de acesso aos medicamentos convencionais (SILVEIRA; 
BANDEIRA; ARRAIS, 2008). Tanto Lima (2003) quanto Balbino e Dias (2010) apontam 
para a importância dos profissionais de saúde, especialmente os farmacêuticos nas 
notificações de EA e QT.
Puppo e Silva (2008) avaliaram o uso concomitante de medicamentos 
fitoterápicos e medicamentos convencionais na Farmácia Escola da Universidade 
Municipal de São Caetano do Sul. Eles constataram que dos 56 pacientes idosos que 
faziam o uso de ácido acetilsalicílico, 18 utilizavam concomitantemente o fitoterápico 
Ginkgo biloba. Tal associação aumenta os riscos da ocorrência de hemorragias. Essa 
situação ilustra a necessidade de uma maior atuação dos profissionais de saúde, a fim 
de evitar possíveis interações medicamentosas, especialmente para a terceira idade, 
quando é comum a ocorrência de polifarmácia.
Conclusões 
Embora tenha conseguido estabelecer um sistema de farmacovigilância condizente 
com o preconizado pela OMS, o Brasil apresenta uma grande dificuldade na obtenção e 
divulgação dos dados referentes a interações entre medicamentos e plantas medicinais 
ou fitoterápicos, o que gera preocupações quanto aos riscos dessas associações. Tal 
dificuldade justifica-se por fatores como a falta de preparo dos profissionais de saúde, 
crença na natureza inócua das plantas medicinais e fitoterápicos e a automedicação.
FONTE: Adaptada de LEAL, L. R.; TELLIS, C. J. M. Farmacovigilância de plantas medicinais e fitoterápicos no 
Brasil: uma breve revisão. Revista Fitos, Rio de Janeiro, v. 9, n. 4, p. 253-303, out./dez. 2015. Disponível em: 
https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/15835/2/8.pdf. Acesso em: 1 out. 2021.
68
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Definir conceitos relevantes à farmacobotânica.
• A imensa diversidade de organismos vivos é responsável pelas dificuldades em 
reconhecê-los. Alguns procedimentos precisam ser utilizados para facilitar a 
identificação de um organismo vivo e sua inclusão em um sistema de classificação.
• A classificação coloca ou agrupa um determinado organismo vivo em uma categoria 
específica dentro de uma hierarquia, sendo feita apenas uma vez para cada ser 
vivo – ou poucas vezes, quando evidências posteriores obrigam sua realocação em 
outra categoria taxonômica. 
• O uso tradicional de espécies medicinais é feito por diferentes populações e os 
levantamentos do uso etnobotânico têm sido realizados por diversos pesquisadores 
nas últimas décadas, além de entender algumas indicações.
• A raiz é, geralmente, um órgão subterrâneo e tem como funções principais fixar o 
vegetal ao substrato e absorver deste água e nutrientes minerais, além de realizar 
o armazenamento de nutrientes (amido e sais) na forma suberosa (macaxeira, 
cenoura e beterraba).
• O caule é, geralmente, um órgão aéreo e tem como funções principais sustentar as 
folhas e ligá-las à raiz. O caule possui gemas apicais e axilares e está subdividido em 
nós e entrenós. Apresenta fototropismo positivo, o que faz com que seu crescimento 
se dê em direção à luz, e pode ter clorofila, auxiliando no processo fotossintético.
• A folha é constituída pelos três sistemas de tecidos: revestimento, fundamental e 
vascular, os quais se originam dos meristemas primários protoderme, meristema 
fundamental e procâmbio, respectivamente, e é o órgão especializado na realização 
da fotossíntese.
• Várias substâncias são produzidas pelas células vegetais, separadas do protoplasto 
e depositadas em regiões ou estruturas específicas da célula, um fenômeno 
normalmente conhecido como secreção. Uma célula secretora possui, geralmente, 
parede primária fina, núcleo grande e vacúolos pequenos, o que indica uma alta 
atividade metabólica.
69
1 Interações medicamentosas podem ocorrer quando um fármaco e/ou planta 
medicinal promove alteração de parâmetros farmacocinéticos (absorção, distribuição, 
biotransformação e excreção) com potencial interferência sobre a ação de outro 
fármaco/planta vegetal. Assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) A administração de dente-de-leão (Taraxacum officinale) pode potencializar a 
atividade de diuréticos sintéticos, em especial em idosos hipertensos.
b) ( ) A administração de erva-de-são-joão (Hypericum perforatum)causa indução da 
P-glicoproteína intestinal, quando associada à digoxina, reduzindo seus níveis 
plasmáticos, bem como o nível plasmático do indinavir.
c) ( ) Ervas sedativas, que atuam no sistema nervoso central, como o maracujá 
(Passiflora incarnata officinalis) e a valeriana (Valeriana officinalis), podem 
interagir com hipnóticos e ansiolíticos, diminuindo o seu o efeito sedativo.
d) ( ) A varfarina é um dos fármacos mais empregados como anticoagulante. Sua ação 
pode ser antagonizada ou potencializada pelo emprego de um grande número de 
ervas, como a angélica (Angelica archangelica), que apresenta propriedade anti-
coagulante, e a agrimonia (Agrimonia eupatoria), com propriedades coagulantes.
2 O uso de plantas pode ser considerado uma das formas mais antigas de práticas terapêuticas. 
Sobre a história das plantas medicinais no Brasil, analise as sentenças a seguir:
I- Os europeus, que chegaram após o descobrimento do Brasil, ignoraram a tradição 
do uso de plantas medicinais dos índios nativos.
II- As substâncias ativas do pau-pereira são utilizadas até hoje em estudos sobre o 
tratamento da doença de Alzheimer.
III- Atualmente, a medicina tradicional é vista como atraso tecnológico, tendo sido 
substituída pelos medicamentos industrializados.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apenas a sentença I está correta.
b) ( ) Apenas a sentença II está correta.
c) ( ) As sentenças I e a III estão corretas.
d) ( ) As sentenças II e a III estão corretas.
3 Diversos autores afirmam que o consumo de fitoterápicos e plantas medicinais tem 
sido estimulado com base no mito “se é natural, não faz mal”. Segundo as definições 
da Anvisa, qual é a diferença entre plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos?
AUTOATIVIDADE
70
4 Os organismos vegetais de gêneros diferentes apresentam o mesmo aspecto 
morfológico, por isso é necessário atentar para todas as características do vegetal, para 
não fazer o uso errôneo dele. Embora as características morfológicas macroscópica 
e microscópica sejam diferentes, as funções de alguns órgãos são iguais para a 
manutenção da vida do vegetal. Assim, descreva quais são as partes de uma planta 
superior e as suas funções básicas.
5 As folhas são estruturas vegetais de crescimento limitado, especializadas, principalmen-
te, na realização da fotossíntese. Entretanto, também atuam na respiração, na transpira-
ção e, até mesmo, defendendo o vegetal contra herbívoros, seja atuando como barreira 
física ou química. Sobre a função da folha, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Órgão vegetal responsável pela fotossíntese, devido à presença de clorofila, que 
confere a cor predominante verde, podendo ser classificada como simples e 
composta.
b) ( ) Órgão vegetal responsável pela fotossíntese, devido à ausência de clorofila, que 
não confere a cor predominante verde, podendo ser classificada como simples e 
composta.
c) ( ) Órgão vegetal responsável atração de polinizadores, podendo ser classificada 
como completa ou incompleta, ou, ainda, simples e composta.
d) ( ) Órgão vegetal responsável pela fotossíntese, devido à presença de clorofila, que 
confere a cor predominante verde, além de ser responsável pela dispersão de 
sementes.
71
REFERÊNCIAS
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comunidade da Barra do Jucu, Vila Velha, ES. Rev. Bras. Pl. Med., v. 12, n. 3, p. 250-260, 2010.
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reduced by the high species richness of medicinal plants? J. Ethnopharmacology, v. 113, 
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medicamentos fitoterápicos à base de ginkgo ou ginseng. Braz. J. of Pharmacognosy, 
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ALMEIDA, C. F. C. B. R. Plantas medicinais da Caatinga e Floresta Atlântica 
Nordestina: Aspectos químicos, ecológicos e culturais. Tese (doutorado). Universidade 
Federal de Pernambuco. Recife, 2009. 163 p.
ALMEIDA, L. S. et al. Uso de Espécies da Flora na Comunidade Rural Santo Antônio, BR-163, 
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ALMEIDA, M. R.; MARTINEZ, S. T.; PINTO, A. C. Química de Produtos Naturais: Plantas que 
Testemunham Histórias Rev. Virtual Quim. v. 9, n. 3, p. 1117-1153, 2017.
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80
81
METABOLISMO VEGETAL E 
SUBSTÂNCIAS ATIVAS
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• reconhecer os diferentes tipos de metabolismo vegetal;
• recordar como ocorre o processo de fotossíntese e a importância dos metabólitos 
formados no processo respiratório das plantas;
• entender o processo de alopatia e a formação de metabólitos secundários, além dos 
seus potenciais terapêuticos;
• entender as principais formas extrativas de compostos provenientes de drogas 
vegetais. 
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – ESTUDOS FITOQUÍMICOS 
TÓPICO 2 – FUNDAMENTOS DO METABOLISMO VEGETAL
TÓPICO 3 – QUÍMICA DOS PRODUTOS NATURAIS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
82
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
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83
TÓPICO 1 — 
ESTUDOS FITOQUÍMICOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
A biodiversidade vegetal constitui-se a principal fonte de biomoléculas para a 
produção industrial de medicamentos e de fitoterápicos. Além disso, muitas pessoas 
encontramnos produtos de origem natural, especialmente as plantas medicinais, a 
principal ou a única fonte de recursos terapêuticos, considerando que a fitoterapia se 
constitui em uma opção terapêutica eficaz, de baixo custo e culturalmente apropriada 
(STEHMANN; SOBRAL, 2017).
Com o intuito de difundir o uso de plantas medicinais no Sistema Único de Saúde 
(SUS), a criação da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema 
Único de Saúde (RENISUS) (BRASIL, 2009), constituída por várias espécies vegetais, 
promovendo segurança, eficácia e qualidade de plantas medicinais, fitoterápicos e 
serviços relacionados à fitoterapia, em vários Estados foram criadas associações, 
sociedades ou comitês de plantas medicinais, visando a envolver os vários setores 
da sociedade ligados ao tema, desde comunidades de agricultores e movimentos 
populares de saúde até pesquisadores, indústrias farmacêuticas e organismos gestores 
de políticas públicas (CORREA et al., 2018).
Com o aumento da demanda pela utilização de plantas medicinais na cura 
ou prevenção de doenças, o cultivo e/ou o extrativismo dessas plantas toma-se uma 
alternativa cada vez mais importante na agricultura nacional. Por outro lado, a qualidade 
das plantas medicinais e dos produtos fitoterápicos comercializados vem sendo afetada 
negativamente pelo aumento da sua demanda. Estudos têm demonstrado que cerca de 
50% dos produtos fitoterápicos disponíveis no comercio brasileiro, apresentam alguma 
irregularidade devido à presença de matéria orgânica estranha, sujidades e insetos, 
problemas de identificação botânica, teores de fitocompostos abaixo do especificado e 
adulteração (MARTINS; GRAF; RODRIGUES, 2016).
Devemos observar que a exploração de plantas de uso medicinal da flora nativa, 
quando realizada através de extração direta nos ecossistemas tropicais (extrativismo), 
tem levado a reduções drásticas das populações naturais dessas espécies, seja pelo 
processo predatório de exploração, seja pelo desconhecimento dos mecanismos de 
sua perpetuação. Assim, a domesticação e o cultivo de espécies medicinais exóticas 
aparecem como opções para obtenção da matéria-prima de interesse farmacêutico e 
redução do extrativismo nas formações florestais (SOUZA; PEREIRA; FONSECA, 2012).
84
Desse modo, a fitoquímica estuda cada uma das estruturas da planta, desde sua 
estrutura química molecular até as propriedades biológicas dos vegetais, objetivando o 
esclarecimento e o registro dos constituintes resultantes do metabolismo secundário dos 
vegetais, através do isolamento e da elucidação de suas estruturas moleculares. Além 
disso, realiza levantamentos e análises dos componentes químicos das plantas, como 
princípios ativos, odores, pigmentos, entre outros (VIZZOTO; KROLOW; WEBER, 2010).
Embora os produtos secundários possuam uma variedade de funções nas 
plantas, é provável que a sua importância ecológica tenha alguma relação com potencial 
efeito medicinal para os seres humanos. Por exemplo, produtos secundários, envolvidos 
na defesa das plantas através de citotoxicidade para patógenos microbianos, podem ser 
úteis como medicamentos antimicrobianos em humanos, se não forem considerados 
tóxicos. Da mesma forma, produtos secundários envolvidos na defesa contra herbívoros 
através de atividade neurotóxica poderia ter efeitos benéficos em seres humanos (ou 
seja, como antidepressivos, sedativos, relaxantes musculares ou anestésicos) através 
de sua ação no sistema nervoso central (SNC). Assim, a determinação e a extração 
desses compostos, que se destacam na área da farmacologia por seus efeitos biológicos 
na espécie humana, são muito importantes, devido ao seu potencial na descoberta de 
novos fármacos (VIZZOTO; KROLOW; WEBER, 2010).
Conforme já visto em outras disciplinas, podemos observar que os métodos 
clássicos são a primeira opção para extração dos compostos bioativos, então, devemos 
reconhecer a capacidade desses métodos de extração em relação ao consumo de 
energia, eficiência de extração, solubilidade, temperatura e tempo de processamento 
para viabilidade econômica do processo.
2 CULTIVO, OBTENÇÃO E SEPARAÇÃO DE DROGAS 
VEGETAIS 
Para entendermos como ocorre a obtenção de uma matéria-prima/droga 
vegetal, seja para a produção de medicamentos fitoterápicos em nossa farmácia de 
manipulação, seja para que a indústria alimentícia, cosmética ou farmacêutica consiga 
produzir determinada essência, fragrância ou isolamento de compostos ativos, devemos 
entender que existem duas estratégias básicas empregadas para a obtenção de 
plantas medicinais: o cultivo e o extrativismo. A primeira estratégia se refere ao cultivo 
propriamente dito e a segunda se constitui na possibilidade de retirada indiscriminada 
de recursos da natureza, sem se preocupar se elas se reconstituirão e, em determinado 
momento, essa riqueza deixará de existir.
O processo de extrativismo predatório ainda perdura e somente a geração e o acesso 
a informações, que permitam a estruturação de tecnologias pertinentes aos ambientes e à 
diversidade existentes, de forma articulada entre pesquisadores, extratores/agricultores e 
comunidade em geral, podem mudar esse quadro (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
85
Assim, visando à sobrevivência das espécies e ao uso consciente dos recursos 
naturais, podemos realizar a domesticação das plantas, que pode ser entendida como 
um processo coevolutivo em que, através da seleção, alguns tipos mais apropriados 
para as necessidades ou os interesses do homem são favorecidos, com o objetivo de 
tornar essas populações mais úteis (BESPALHOK; GUERRA; OLIVEIRA, 2016). 
Paralelamente, com a domesticação de uma determinada espécie, o homem 
produz alterações na paisagem, visando a torná-la mais produtiva ou conveniente para 
sua ação. Essa alteração da paisagem é referenciada como domesticação da paisagem.
Algumas espécies vegetais que se implantam em condições extremas (com 
exposição direta ao sol, áreas descobertas e áreas degradadas) podem ser utilizadas 
para a recuperação de uma área desmatada, em que as espécies se implantam de 
forma sequencial, segundo suas exigências/características ecológicas (processo 
denominado de sucessão secundária). Entre essas espécies Achyrocline satureioides 
(Lam.) DC. (marcela), Bauhinia forficata Link (pata-de-vaca) e espécies dos gêneros 
Baccharis (carqueja), Mikania (guaco) e Croton, permitem o uso de estratégias de cultivo 
como alternativas para obtenção dos seus produtos, sendo facilmente domesticadas e 
empregadas em plantios (ALMEIDA, 2016).
No entanto, verifica-se como dificuldade principal a exploração intensiva das es-
pécies cujas características ecológicas não permitem tanta alteração da paisagem como a 
Ocotea odorífera (Vell.) (canela-sassafrás), Cissampelos pareira L. (cipó-abuta), Copaifera 
langsdorffii Desf. (copaíba). Essas espécies são tipicamente climáxicas (presentes apenas 
nas florestas primárias ou secundárias bem desenvolvidas – “maduras”), o que torna o seu 
cultivo de forma convencional muito difícil, seja pelo seu desenvolvimento característico 
sob a cobertura da floresta, a sombra das demais espécies, seja pelas suas estratégias 
reprodutivas, associadas a fauna. Dessa forma, o seu manejo dentro do ecossistema ou a 
domesticação, sem ou com pouca alteração da paisagem, passam a ser alternativas mais 
razoáveis para obtenção dos seus produtos (CASTRO; LIMA, 2011).
Outrossim, várias espécies de diferentes síndromes adaptativas ocorrem natural-
mente em áreas cujo processo de cultivo agrícola seria inapropriado, seja por condições eda-
foclimáticas inadequadas, seja pelo alto custo que a adaptação do solo para o cultivo propor-
cionaria. Esse é o caso de Maytenus ilicifolia (espinheira-santa), que cresce em afloramentos 
de rochas e solos litólicos, ou ainda de Echinodorus grandiflorus (chapéu-de-couro), que ve-
geta em áreas alagadas e bastante ácidas (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
86
CONDIÇÕES EDAFOCLIMÁTICAS
O zoneamento edafoclimático constitui-seem uma ferramenta de orga-
nização no planejamento da agricultura, tendo por base o levantamento 
dos fatores que definem as aptidões agrícolas baseadas, sobretudo, nos 
atributos de solos, topografia, declives e clima, encontradas em diferen-
tes áreas das regiões estudadas.
NOTA
A preparação dessas áreas para o cultivo de qualquer espécie, se não é im-
possível, envolve elevados custos. Nessas situações, independentemente da síndrome 
adaptativa da espécie, o manejo de suas populações naturais possibilita a obtenção de 
renda a partir de áreas não agricultáveis, diminuindo a pressão sobre as demais áreas.
Assim, é possível perceber que diversas ações no sentido da regulamentação 
nos processos de extração em populações naturais de plantas são imprescindíveis para 
a concretização de uma mudança de postura dos produtores/extratores em relação ao 
extrativismo predatório e à conservação dos ecossistemas. 
2.1 CULTIVO 
O cultivo de plantas medicinais envolve a possibilidade de domesticação da 
espécie a ser utilizada e a necessidade de alteração da paisagem. Tal possibilidade 
implica o domínio de todas as etapas de desenvolvimento da espécie, como a forma de 
propagação e adaptação ao ambiente de cultivo, a forma de crescimento, a senescência 
etc. (CARVALHO; COSTA; CARNELOSSI, 2010).
Um elemento fundamental a ser considerado no cultivo de plantas medicinais é a 
necessidade de associação da produção de biomassa com a qualidade da planta, enquanto 
matéria-prima, para a fabricação de medicamentos fitoterápicos, bem como o teor de 
princípios ativos e demais marcadores fitoquímicos (CARVALHO; COSTA; CARNELOSSI, 2010).
Vários autores têm procurado trazer recomendações gerais e/ou específicas 
sobre o cultivo de plantas medicinais; em linhas gerais, as recomendações seguem 
etapas básicas: escolha e preparo da área para cultivo; sistemas de cultivo e tratos 
culturais; colheita, secagem e beneficiamento (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
A agricultura praticada de forma orgânica deve ser sempre considerada para a 
produção de plantas medicinais, em virtude de vários aspectos, como não utilização de: 
fertilizantes sintéticos, agrotóxicos, sementes modificadas, reguladores de crescimento 
animal e mecanização das atividades, visando à redução dos impactos ambientais, além 
de cultivar produtos alimentícios mais saudáveis (HENZ; ALCÂNTARA; RESENDE, 2007).
87
Além disso, é importante frisar que existe uma clara tendência do mercado no 
sentido da valorização do produto orgânico. Para plantas medicinais, essa tendência 
é ainda mais acentuada, sendo raras as empresas e os laboratórios, que valorizam a 
qualidade de seus produtos fitoterápicos, que não exijam a certificação da produção 
orgânica como pré-requisito para a aquisição de plantas medicinais.
2.2 ESCOLHA DAS ESPÉCIES A SEREM CULTIVADAS
O primeiro passo no cultivo é a escolha das plantas que serão cultivadas, para que sejam 
preparadas as condições necessárias para o seu bom desenvolvimento. O desconhecimento 
dessas questões pode levar ao insucesso na obtenção dos princípios ativos de interesse, pela 
não adaptação da planta ao local de cultivo ou mesmo pela ausência de um órgão, como a flor, 
que, em muitos casos, é a parte da planta utilizada como medicinal.
O cultivo de várias espécies apresenta, também como vantagem, a possibilidade 
de consórcios e rotações, práticas interessantes para a manutenção do equilíbrio 
químico e biótico do solo e para o ótimo desenvolvimento de espécies “companheiras”, 
as quais, quando implantadas próximas umas das outras, se autopromovem, por meio 
de mecanismos alelopáticos (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
A alelopatia é definida como o efeito inibitório ou benéfico, direto 
ou indireto, de uma planta sobre outra, via produção de compostos 
químicos liberados no ambiente. Esse fenômeno ocorre em comunidades 
naturais de plantas e também pode interferir no crescimento das culturas 
agrícolas. Provavelmente, a consequência mais significativa da alelopatia pode 
ser a alteração da densidade populacional e do desenvolvimento das plantas. 
Os vegetais liberam, no ambiente, uma grande variedade de metabólitos 
primários e secundários a partir de folhas, raízes e restos da planta em 
decomposição. Os estudos realizados sobre os efeitos desses compostos 
em plantas próximas constituem o campo da alelopatia.
A alelopatia assume grande importância quando resíduos de vegetais 
são deixados sobre a superfície ou incorporados anualmente ao solo. 
Isso indica que a interferência alelopática é tão importante no plantio 
convencional quanto no plantio direto e nas pastagens.
FONTE: <https://bit.ly/3Gnm0Nn>. Acesso em: 3 nov. 2021.
NOTA
88
A seleção das espécies a serem cultivadas também deve ser fundamentada 
por informações de mercado. É importante identificar quais os compradores potenciais 
para cada espécie, o valor pago, a forma de apresentação da planta proposta por cada 
comprador (somente folhas, parte aérea inteira, flores sem pedúnculos, inflorescências 
etc.), a quantidade comprada e os nichos de mercado. Assim, pode ser interessante a 
promoção de contratos anteriormente ao cultivo.
2.3 ESCOLHA E PREPARO DA ÁREA PARA CULTIVO
O local de cultivo deve guardar semelhança com o local de ocorrência natural 
da espécie, para que a mesma expresse o seu potencial de produção. O processo de 
domesticação de espécies vegetais pode levar um tempo expressivo e, no caso das 
espécies medicinais, além da produção de biomassa, o efeito das técnicas de cultivo 
sobre a produção dos metabolitos secundários deve ser considerado. Por exemplo, 
plantas que se desenvolvem a céu aberto, como o capim-cidró limão [Cymbopogon 
citratus (DC.) Stapf], necessitam, obviamente, de condições diferentes daquelas 
plantas que crescem naturalmente sob o dossel de uma floresta, como a pariparoba 
(Piper cernuum VelL), para que o seu metabolismo funcione normalmente, como visto 
anteriormente (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
Assim, para o cultivo de espécies medicinais, é interessante aproveitar os 
processos de sucessão secundária. A pata-de-vaca (Bauhinia forficata Link), por 
exemplo, pode ser implantada em ruas abertas no interior de capoeiras baixas, 
aproveitando áreas em regeneração natural. A guacatonga (Casearia sylvestris Sw.), 
por sua vez, pode ser implantada em consórcios com o sabugueiro (Sambucus australis 
Cham. et Schltdl.), aproveitando a sombra que esta espécie promove. Já o alecrim 
(Rosmarinus officinalis L.) e a alcachofra (Cynara scolymus L.) devem ser plantados a 
pleno sol (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
Os locais planos ou pouco inclinados são os mais recomendados para o cultivo 
a pleno sol, pois minimizam os problemas com a erosão do solo e facilitam a utilização 
de equipamentos agrícolas, quando necessário. O local de cultivo deve ser isolado de 
áreas que possam contaminar as plantas cultivadas, como fossas, esgotos e trânsito, bem 
como de áreas em que são aplicados adubos químicos e agrotóxicos. No local de cultivo, 
igualmente não devem circular animais. Em alguns casos, o isolamento do local de cultivo 
pode ser implementado a partir do plantio de quebra-ventos e cercas vivas ao seu redor.
O tamanho da área destinada ao cultivo de cada espécie deve ser determinado 
de acordo com os métodos de propagação, espaçamento de plantio e estimativa de 
quantidade a ser produzida, bem como em função das épocas de colheita, para que 
não ocorra acúmulo de material a ser colhido no mesmo período, gerando problemas 
de disponibilidade de mão-de-obra e de superestimação da capacidade de secagem do 
secador adotado (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
89
A análise do solo do local de cultivo, indicando as características químicas e físicas 
do solo, é necessária para que possam ser realizadas práticas de correção e fertilização, 
disponibilizando às plantas as melhores condições de desenvolvimento. A maior parte dos 
solos brasileiros são ácidos, devido ao seu material de origem, sendo necessária, muitasvezes, a correção dessa acidez para que as plantas possam se desenvolver normalmente.
Em geral, a correção da acidez é procedida por meio da aplicação de calcário, 
que corrige o pH, neutraliza o alumínio e o manganês toxico, além de ser um nutriente 
vegetal. Além dessa prática, a adubação orgânica, o estímulo à biocenose do solo e 
à manutenção dos processos de sucessão vegetal, o quanto possível, reduzem 
gradativamente a acidez (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
O preparo convencional, no qual o solo é totalmente revolvido através de arações 
e gradagens ou com o auxílio de microtrator equipado com enxadas rotativas, apesar 
de ser prática constante na agricultura, é extremamente danoso à estrutura do solo em 
regiões tropicais, promovendo, em geral, sua erosão, a elevação do lençol freático e a 
desestruturação dos macros e microporos. 
O cultivo mínimo, em que o solo é revolvido somente na linha de plantio, através 
da abertura de sulcos, ou o plantio direto, no qual o propágulo é depositado diretamente 
no solo não revolvido, são sistemas de preparo do solo mais apropriados 
O plantio direto pode ser efetuado após a roçada ou a picagem da cobertura 
verde, conforme mencionado anteriormente. No entanto, para o cultivo da maioria 
das espécies medicinais, a melhor estratégia é a produção de mudas em viveiro, para 
posterior transplante a campo (FERREIRA et al., 2010). 
Para essas plantas, a abertura de covas para o plantio e a roçada seletiva das 
plantas espontâneas constitui-se na melhor alternativa. Na cova, deve ser misturada 
a terra, a adubação orgânica, constituída por composto ou humus de minhoca, em 
proporções adequadas, de acordo com as exigências de cada espécie e as características 
do solo (HENZ; ALCÂNTARA; RESENDE, 2007).
O método de propagação por sementes pode apresentar algumas desvantagens, 
como a variação genética das plantas originadas das sementes, podendo modificar a 
concentração dos princípios ativos do cultivo, trazendo desdobramentos no padrão de 
qualidade do material (HENZ; ALCÂNTARA; RESENDE, 2007).
Quando se propaga assexuadamente, esse efeito é evitado. Muitas espécies 
medicinais propagam-se por estaqueamento de galhos, como o guaco (Mikania 
glomerata Spreng. e Mikania laevigata Sch. Bip. ex Baker), a erva-cidreira [Lippia alba 
(Mill.) N.E.Br.], o boldo [Plectranthus barbatus (Andr.)], o alecrim (Rosmarinus officinalis 
L.), a alfavaca (espécies de Ocimum), entre outras. A estaquia de raízes é apropriada 
90
para espécies como a hortelã (espécies de Mentha), a mil-folhas (Achillea millefolium L.) 
e a melissa (Melissa officinalis L.). A estaquia de raízes permite a formação de um grande 
número de mudas a partir de uma única planta-mãe (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
A divisão de touceiras é uma prática de propagação que também possibilita a 
formação de muitos indivíduos, podendo ser empregada com sucesso em espécies como 
o capim-limão [Cymbopogon citratus (D.C.)], a carqueja [Baccharis trimera (Less.)] e 
a sálvia (Salvia officinalis L.). A mergulhia e a alporquia também podem ser utilizadas. 
Especialmente para o cultivo de plantas exóticas, cujas sementes alcançam altos preços, 
constitui-se em estratégia interessante a produção de mudas matrizes em viveiro, a 
partir de sementes certificadas, as quais poderão ser plantadas na área do próprio viveiro, 
para o fornecimento de estacas ou touceiras (GUERRA; NODARI, 2017). No Quadro 1, são 
apresentadas as orientações para o plantio de algumas plantas medicinais.
QUADRO 1 – ORIENTAÇÕES PARA O PLANTIO DE ESPÉCIES MEDICINAIS
FONTE: Adaptado de Guerra; Nodari (2017)
Planta Local Observações
Alfavaca Sementeira ou definitivo
Plantio em local definitivo, ralear 2 a 3 
semanas após germinação
Calêndula Definitivo Ralear 15 dias após germinação
Camomila Definitivo Misturar sementes com areia fina
Capim-Iimão Definitivo
Carqueja Definitivo
Confrei Definitivo
Erva-cidreira Sementeira ou estacas
Espinheira-santa
Sementeira; produção de
mudas no viveiro
Crescimento da planta e lento; 25 cm/ano
Guaco Estacas (viveiro)
3 meses para formar muda; necessita 
espaldeira e poda de formação
Malva Sementeira ou estacas 2 a 2,5 meses para formação da muda
Pata-de-vaca Sementeira ou estacas Transplantar mudas com 30 cm
Após o plantio, os tratos culturais serão responsáveis pelo sucesso no 
desenvolvimento das plantas. A água é imprescindível no cultivo das plantas medicinais. 
Visto que a necessidade varia entre as espécies, deve-se irrigá-las sempre que 
necessário, pois um estresse hídrico pode ser irreversível, causando a morte da planta 
(REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
A adubação de cobertura pode ser realizada através da aplicação de adubos 
foliares orgânicos – os biofertilizantes. Existem variadas receitas para a elaboração de 
biofertilizantes. Em geral, esses atuam não apenas no fornecimento de nutrientes a 
91
planta, mas também na promoção do equilíbrio nutricional e da proteossíntese no interior 
das células e na seiva, o que torna a planta menos suscetível à ação de predadores e 
parasitas (REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
Em muitos casos, torna-se necessária a realização do desbaste no plantio, 
como ocorre com o coentro (Coriandrum sativum L.), diminuindo-se a competição 
intraespecífica pela redução da população de plantas que ocupariam o mesmo espaço, 
competindo por água, luz e nutrientes, entre outros recursos.
A poda da planta é outra prática cultural necessária para muitas espécies, tanto 
para a retirada de ramos secos e doentes quanto para uma poda de formação de copa e 
condução dos ramos, como ocorre para a pata-de-vaca (Bauhinia forficata).
O controle de plantas espontâneas deve ser realizado principalmente no início 
da germinação das sementes plantadas, pois, nesse estágio de desenvolvimento, as 
plântulas são mais sensíveis à competição interespecífica. Nem sempre a presença de 
ervas invasoras e prejudicial ou indesejada, muitas vezes serão elas que servirão de 
alimento para predadores, reduzindo os danos provocados pelos insetos. 
A aplicação de herbicidas para o controle de plantas espontâneas não é 
recomendada, pois a contaminação das plantas medicinais por resíduos tóxicos 
poderá causar outros males em vez de curar as doenças, além de causar diminuição na 
concentração dos princípios ativos. Os métodos mais indicados são a catação manual 
de insetos, a eliminação de plantas ou galhos doentes, a aplicação do macerado de 
fumo, a solução de água e sabão, o uso do extrato de alho e pimenta e biofertilizantes 
(REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
As próprias plantas medicinais podem ser utilizadas para o controle de fungos, 
como o uso das folhas de mentrasto (Ageratum conyzoides L.), extrato de maracujazeiro 
(Passiflora edulis Sims), e até mesmo, suco de flores de camomila [Chamomilla recutita 
(L.)]. A estratégia básica é propiciar às plantas um ambiente equilibrado, no qual não 
sofrerão distúrbios fisiológicos, ficando menos sujeitas ao ataque de pragas e doenças 
(REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004).
2.4 COLHEITA, SECAGEM E ARMAZENAMENTO
Em geral, as espécies apresentam épocas específicas em que contêm maior 
quantidade de princípio ativo no seu tecido, podendo essa variação ocorrer tanto no período 
de um dia como em épocas do ano. No período da manhã, é recomendada a colheita de 
plantas com óleos essenciais e alcaloides, e no período da tarde plantas com glicosídeos. 
Assim, esse critério é importante no que diz respeito à qualidade química do 
produto, pois uma baixa concentração da substância ativa no material pode levar a uma 
desconfiança na pureza do produto.
92
O conhecimento do momento correto de coleta do material desejado leva à 
obtenção de produtos de melhor qualidade (Quadro 2). Geralmente, essa variação 
ocorre em função do estágio em que se encontra a planta, como na plena floração ou 
no período que antecede a floração. Sem o conhecimento de como realizar a colheita 
e de como proceder após, pode-se perder todo o trabalho anteriormentedespendido 
(CARVALHO; COSTA; CARNELOSSI, 2010).
QUADRO 2 – PARTES DAS PLANTAS UTILIZADAS E ÉPOCAS DE COLHEITA
FONTE: Adaptado de Carvalho; Costa; Carnelossi (2010)
Parte utilizada Época de coleta
Folhas e planta inteira Pré-floração
Flores Bem abertas
Sementes Bem desenvolvidas
Frutos Bem maduros
Cascas e raízes Outono e início de inverno
A partir do momento da colheita, inicia-se um processo de degradação 
enzimática na planta, que leva também à degradação dos princípios ativos. O menor 
período entre a colheita e a secagem é crucial para a manutenção da integridade 
máxima dos princípios ativos.
O recipiente de colheita do material não devera danificá-lo, pois o esmagamento 
das plantas acelera a sua degradação. A incidência de raios solares sobre o material 
colhido também acelera a degradação de substâncias das plantas. 
A secagem ao sol, além de promover a degradação de princípios ativos, acaba 
por gerar uma secagem rápida das bordas dos órgãos vegetais e a criação de uma crosta 
relativamente impermeável à água nessas regiões, fazendo com que o material, em 
pouco tempo, se apresente aparentemente seco, porém contendo seu interior úmido 
(REIS; MARIOT; STEENBOCK, 2004). 
A secagem deve, portanto, ser procedida ao abrigo da luz, em secadores que 
promovam ambiente limpo, bem ventilado e protegido do ataque de insetos e outros 
animais. A geração de um aumento artificial de temperatura é de extrema importância. 
Para a secagem de folhas e flores, a temperatura deve estar em tomo de 38 °C. Para 
cascas e raízes, temperaturas de até 60 °C são aceitáveis (NODARI; GUERRA, 2017).
É importante ressaltar que, embora temperaturas acima desses limites acelerem 
o processo de secagem, promovem a degradação de muitos princípios ativos. A elevação 
artificial da temperatura pode ser gerada a partir da energia solar, durante o dia (SIMÕES 
et al., 2017).
93
À noite, entretanto, a temperatura deve ser mantida com o uso de fornalhas 
a lenha ou gás, conversores de energia elétrica em calor (resistências). Caso isso não 
ocorra, a diminuição da temperatura durante a noite pode promover a reabsorção de 
água pelas plantas, retardando o processo de secagem. A secagem das plantas deve 
ser individual, para não haver mistura de elementos voláteis (NODARI; GUERRA, 2017). 
A separação das partes das plantas mais úmidas – como ramos – de partes 
mais secas – como folhas – deve ser feita para que o material esteja pronto no mesmo 
tempo de secagem. Na Tabela 1, são apresentadas informações para colheita e secagem 
de algumas plantas medicinais.
TABELA 1 – ORIENTAÇÕES PARA COLHEITA E SECAGEM DE ESPÉCIES MEDICINAIS
Planta
Colheita
Partes utilizadas Observações
Início Época Hora
Alfavaca 2º ano
Dez./jan. – abr./
maio
Manhã
Ramos após o se-
gundo par de 
folhas
2 colheitas/ano
Bardana 
3º mês 
A cada 3 meses-
folha
Tarde Folhas e raízes
Antes de secar 
separar limbo do 
pecíolo, triturar 
as raízes4º ano Outono (raiz)
Calêndula 3º mês Floração plena Tarde Capítulos florais
Colheita em 
várias passadas
Camomila 5º mês Floração plena Manhã Capítulos florais
Colheita em 
várias passadas
Capim-limão 6º mês
1º início de dez.
2º abr./maio
Manhã Folhas
Picar antes de 
secar
Carqueja 5º mês Início floração Manhã Planta toda
2-3 colheitas/
ano
Confrei 4º mês A cada 2 meses Manhã Folhas
6-8 colheitas/
ano
Erva-cidreira 6º mês Pré-infloração Manhã
Ramos – colher a 
10 cm do solo
Secar no escuro 
para manter cor 
verde
Espinheira-
-santa
6º ano
Primavera/
verão
Ramos (50% da planta)
Funcho 5º mês
Final da 
maturação dos 
frutos
Manhã
Umbelas com 
frutos em ponto 
de colheita
(ponto de colheita: 
frutos cor pardo 
acinzentado)
Bater as umbelas 
sobre tela e 
terminar 
secagem
94
Guaco
8º 
mês
Floração Tarde
Ramos verdes com 
folhas e flores
Colher antes da 
1ª geada
Malva 6º mês Floração Manhã Folhas
Colher planta 
toda e separar as 
partes antes da 
secagem
Marcela 6º mês Floração Manhã
Flores e flores desa-
brochadas (70-80%)
Colheita feita 
uma única vez 
Menta 4º mês Floração Manhã Toda a parte aérea 2 cortes/ano
Mendrasto
(picão-roxo)
3º mês Pré-floração Manhã Planta toda
Pata-de-
-vaca
3º ano Verão Tarde
Podar ramos com 
folhas
Destacar folhas 
após secagem
Pronto-alívio 4°mês Floração plena Manhã
Sumidades 
floridas (cume)
Até duas 
colheitas/ano
Sálvia
5º mês
Dez./jan.- abr./
maio
Manhã
Parte aérea 15 cm 
acima do solo
Separar folhas 
após secar
2º ano
Após 2º ano, 
dois cortes 
anuais
Tanchagem
(7 nervos)
5º mês
Antes da 
emissão do 
pendão floral
Tarde Folhas
Duas a três 
colheitas/ano
FONTE: Nodari; Guerra (2017); Simões et al. (2017)
O período de armazenamento deve ser o menor possível, pois, com o passar do 
tempo, podem ocorrer perdas qualitativas e/ou quantitativas nas substâncias ativas das 
plantas. O local destinado ao armazenamento deve ser seco, escuro, arejado e isolado 
da presença de pragas (SIMÕES et al., 2017).
Assim como na secagem, as plantas também deverão ser armazenadas 
isoladamente, cada espécie numa embalagem, para que não ocorra a mistura. Uma 
opção interessante é a armazenagem das plantas em sacos duplos, um de papelão e 
outro de plástico transparente, a fim de garantir a resistência e o abrigo à luz.
3 MÉTODOS DE EXTRAÇÃO, PURIFICAÇÃO E ISOLAMENTO 
DE COMPOSTOS ATIVOS 
Antes de executar uma extração, devemos considerar uma série de fatores que 
interferem nessa operação, como as características do material vegetal, o seu grau de 
divisão, o meio extrator (solvente) e a metodologia. 
95
É importante observar a existência de matérias estranhas e impurezas que 
prejudicam a qualidade da matéria-prima bem como as questões sanitárias. Durante o 
processo, esses cuidados devem ser mantidos, desde o local de armazenagem, evitando 
e minimizando ao máximo os riscos de contaminação por fungos, ácaros, insetos, 
tóxicos e demais contaminações, até a obtenção do produto final (SIMÕES et al., 2017).
Inicialmente, devemos observar que as estruturas histológicas das diversas 
partes componentes de uma planta são bastante heterogêneas, e existem órgãos, 
como as raízes e os caules, cujos tecidos estão extraordinariamente compactados 
(xilema), ao passo que, em folhas e flores, os tecidos se apresentam com textura mais 
delicada. Como o poder de penetração dos solventes depende, entre outros fatores, da 
consistência dos tecidos que formam o material a extrair, é necessário considerar que, 
quanto mais rígido for o material, menor deve ser sua granulometria.
XILEMA
O xilema, também chamado de lenho, é o principal tecido condutor de água nas plantas 
vasculares. Além de água, esse tecido está envolvido no transporte de nutrientes minerais 
(seiva bruta), sustentação e armazenamento de substâncias. 
Ele pode ter uma origem primária, sendo formado a partir do procâmbio, ou uma origem 
secundária, desenvolvendo-se do câmbio vascular.
NOTA
FIGURA – CORTE TRANSVERSAL DE CAULE DE ABÓBORA. DETALHE: ELEMENTOS DE VASO 
(CORADO EM RÓSEO)
FONTE: <https://bit.ly/3B4Xr71>. Acesso em: 3 nov. 2021.
Esse tecido é formado por três principais tipos de células: células do parênquima, fibras e 
células condutoras.
• As células parenquimáticas do xilema são responsáveis pelo armazenamento de 
substâncias. Podem estar dispostas em fileiras verticais ou horizontais. 
96
• As fibras podem ser células vivas ou mortas, desempenhando tanto a função de 
armazenamento de substâncias como de sustentação.
• As células condutoras, denominadas de elementos traqueais, podem ser de dois tipos: 
as traqueídes (são porosas, permitem a passagem de água e bloqueiam as bolhas 
de ar); e os elementos de vaso (apresentam perfurações, sendo considerados mais 
eficientes no transporte de água, pois a água flui de um modo mais livre).
Ambas as células são alongadas e possuem parede celular secundária. Na maturidade, 
são células mortas que perdem seu protoplasto, o correspondente à parte viva da célula, 
constituído pelo citoplasma, pelo núcleo e pela membrana plasmática.As células do xilema apresentam diversos tipos de espessamentos na parede secundária. 
No período de crescimento da planta, a parede secundária do xilema é depositada na 
forma de anéis ou espirais, possibilitando que esses elementos sejam estendidos após as 
células se diferenciarem. 
Já no xilema formado tardiamente e no xilema secundário, a parede secundária dos 
elementos traqueais recobre praticamente toda a parede primária, com exceção das 
regiões de perfurações e de pontoações, que são interrupções na parede celular 
que permitem a comunicação entre as células. Com isso, os traqueídes e os 
elementos de vaso se tornam rígidos e não podem ser esticados. Após os 
espessamentos na parede secundária, os elementos traqueais sofrem a 
apoptose ou a morte celular programada, que é determinada geneticamente. 
FONTE: APPEZZATO-DA-GLÓRIA, B.; CARMELLO-GUERREIRO, S. M. Anatomia Ve-
getal. 2. ed. Viçosa: Ed. UFV, 2006. 438p.
RAVEN, P.; EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biologia Vegetal. 7. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2007. 830p.
Podemos utilizar diferentes métodos de processamento da droga vegetal, com 
intuito de diminuir o tamanho de partícula, aumentando, assim, a área de superfície de 
contato com os solventes e expondo os compostos para um processo extrativo mais 
eficaz em relação ao tempo, ao rendimento e à qualidade do extrato obtido (OLIVEIRA 
et al., 2016). No Quadro 3, há alguns exemplos de moinhos utilizados na indústria 
farmacêutica e agrícola.
Além do tamanho de partícula, o solvente escolhido deve ser o mais seletivo 
possível. É graças à seletividade que se podem extrair apenas as substâncias desejadas 
ou em maior quantidade. Como a seletividade depende da polaridade, o conhecimento 
do grau de polaridade do grupo de substâncias que se deseja preferencialmente extrair 
determina o solvente ou a mistura de solventes que mais se aproxima do ótimo de 
seletividade para aquela extração (OLIVEIRA et al., 2016). 
É importante observarmos que, em análises fitoquímicas, quando não conhece-
mos previamente o conteúdo do material vegetal a ser analisado, devemos submetê-lo 
a sucessivas extrações, utilizando solventes com polaridade crescente, conseguindo, 
assim, uma extração fracionada, onde as diferentes frações contêm compostos de po-
laridade crescente. 
97
FIGURA 1 – TIPOS DE MOINHOS: MOINHO DE ROLO (A); MOINHO DE DISCO (B); MOINHO DE FACAS (C); 
MOINHOS DE BOLAS (D); MOINHO DE MARTELOS (E)
FONTE: <https://bit.ly/3HAfXqn>; <https://bit.ly/3HAXD07>; <https://bit.ly/3spFdsL>; <https://bit.
ly/3Jf0893>; <https://bit.ly/3JazX32>. Acesso em: 5 nov. 2021.
QUADRO 3 – TIPOS DE MOINHOS UTILIZADOS NO PROCESSAMENTO DE DROGAS VEGETAIS
Moinho de rolo
Utilizando da força de compressão, dois ou mais cilindros giram 
em direção contrária, com velocidades diferentes, em que, ao 
passar a amostra, esta recebe uma força de compressão. Existem 
ainda moinhos de rolo que tem apenas um rolo que comprime o 
material moído contra a parede do moinho.
Moinho de disco
É composto por um ou dois discos giratórios e um disco fixo, os 
discos giratórios comprimem o alimento a ser moído no disco fixo, 
são extremamente utilizados para alimentos fibrosos. Fornece ao 
final da moagem um produto de granulação fina, dependendo do 
tipo de produto, pode ser de disco simples ou disco duplo.
Moinho de facas
O moinho consiste em um equipamento motorizado, cuja força do 
motor é transmitida através de correias a um eixo rotativo dotado 
de facas removíveis, sendo, geralmente, utilizadas três ou quatro 
facas dependendo do tamanho do moinho e da potência do motor.
Moinhos de bolas
O moinho de bolas é basicamente um cilindro regular conten-
do várias bolas, de material pesado e resistente, cuja força e o 
impacto das bolas no material a ser moído serão responsáveis 
pelo processo. Esse moinho é utilizado para um produto final com 
baixa granulometria, mais utilizado para moer polpa de cacau, 
amêndoas, castanhas e amendoins e menos usual na pecuária.
Moinho de 
martelos 
Um rotor de alta velocidade gira no interior de uma capa cilíndrica. 
No exterior do rotor, é acoplada uma série de martelos nos pontos 
de articulação. O material se rompe pelo impacto dos martelos e 
se pulveriza ao passar por uma esteira na abertura entre os
98
martelos e a capa. O tamanho das partículas pode variar entre 
moinhos mesmo comparando peneiras semelhantes, em virtude 
de potência, amperagem, desgaste dos martelos.
FONTE: Adaptado de Fellows (2006)
Nesse momento, precisamos recordar as características de alguns dos solventes 
orgânicos estudadas nas disciplinas de Química Orgânica e Analítica. Podemos observar, 
no Quadro 4, exemplos dos solventes orgânicos mais utilizados, organizados em ordem 
crescente de polaridade, e seus respectivos grupos de metabolitos majoritariamente 
encontrados nas diferentes frações.
QUADRO 4 – SOLVENTES ORGÂNICOS (EM ORDEM CRESCENTE DE POLARIDADE) E OS RESPECTIVOS 
GRUPOS DE METABOLITOS EXTRAÍDOS
Solvente Substâncias extraídas
Éter de petróleo, hexano Lipídios, ceras, pigmentos, furanocumarinas
Tolueno, diclorometano (DCM), clorofórmio
Bases livres de alcaloides, antraquinonas li-
vres, óleos voláteis, glicosídeos cardiotônicos
Acetato de etila, n-butanol Flavonoides, cumarinas simples
Etanol, metanol Heterosídeos em geral
Misturas hidroalcóolicas, água Saponinas, taninos
Água acidificada Alcaloides
Água alcalinizada Saponinas
FONTE: Adaptado de Simões et al. (2017)
A extração de determinadas substâncias ainda pode ser influenciada pelo pH do 
líquido extrator. O exemplo clássico e a extração de alcaloides (substâncias de natureza 
alcalina) com soluções ácidas. Praticamente todos os constituintes de interesse para a aná-
lise fitoquímica apresentam alguma solubilidade em misturas etanólicas ou metanólicas a 
80%, de tal modo que elas costumam ser empregadas com frequência (SIMÕES et al., 2017). 
A escolha de um solvente, além dos fatores relacionados com a eficiência do 
processo extrativo, deve ainda considerar a toxicidade e/ou os riscos que seu manuseio 
representa, a estabilidade das substâncias extraídas, a disponibilidade e o custo do 
solvente (OLIVEIRA; FRUTUOSO, 2009). 
Os fatores relacionados com os métodos de extração dizem respeito à agitação, 
à temperatura e ao tempo necessário para executá-los. A temperatura provoca um 
aumento da solubilidade de qualquer substância, motivo pelo qual os métodos de 
extração a quente são sempre mais rápidos do que aqueles realizados a temperatura 
ambiente. Entretanto, o calor nem sempre pode ser empregado, já que muitas 
substâncias são instáveis em altas temperaturas.
99
3.1 MÉTODOS DE EXTRAÇÃO 
As operações de extração podem ser classificadas como operações de 
extração parcial (extração sem esgotamento) e operações de extração exaustiva, que 
permitem o esgotamento da matéria-prima. A maceração e suas variáveis, assim como 
a turboextração, pertencem ao primeiro grupo, enquanto a percolação, a extração 
contracorrente, a extração em carrossel e a extração com gases supercríticos pertencem 
ao segundo grupo (SONAGLIO et al., 2004).
Devemos observar que fatores como características do material vegetal, o seu 
grau de divisão, o meio extrator (solvente) e a metodologia empregada são capazes 
de influenciar no rendimento total e na qualidade da extração. O grau de divisão do 
material influencia diretamente a eficiência da extração. As raízes e os caules são tecidos 
extraordinariamente compactados (xilema), ao passo que as folhas e flores apresentam 
textura mais delicada. Assim, para haver penetração dos solventes, é necessário 
considerar que, quanto mais rígido for o material, menor deve ser sua granulometria.
Segundo Falkenberg, Santos e Simões (2004), podemos classificar os métodos 
extrativos comumente empregados em drogas vegetais como extrações a frio, extrações 
a quente em sistemas abertos ou, ainda, extrações a quente em sistema fechado. A seguir, 
veremos uma descrição detalhada de cada um dos métodossugeridos pelos autores.
3.1.1 Extrações a frio
A maceração designa a operação na qual a extração da matéria-prima vegetal 
é realizada em recipiente fechado, em diversas temperaturas, durante um período 
prolongado (horas ou dias), sob agitação ocasional e sem renovação do líquido extrator. 
Pela sua natureza, não conduz ao esgotamento da matéria-prima vegetal, seja devido à 
saturação do líquido extrator ou ao estabelecimento de um equilíbrio difusional entre o 
meio extrator e o interior da célula. 
Diversas variações conhecidas dessa operação objetivam, essencialmente, o 
aumento da eficiência de extração, entre elas:
• digestão: consiste na maceração, realizada em sistema aquecido a 40 a 60 °C; 
• maceração dinâmica: maceração feita sob agitação mecânica constante;
• remaceração: quando a operação é repetida utilizando o mesmo material vegetal, 
renovando-se apenas o líquido extrator.
Os principais fatores que influenciam a eficiência de maceração estão vinculados 
ao material vegetal, ao líquido ou às misturas de líquidos extratores e às condições do 
sistema, em conjunto.
100
• fatores vinculados ao material vegetal: quantidade, natureza, teor de umidade, 
tamanho de partícula, capacidade de intumescimento;
• fatores vinculados ao líquido extrator: seletividade e quantidade;
• fatores vinculados ao sistema: proporção droga – líquido extrator, temperatura, 
agitação, pH, tempo de extração.
As drogas vegetais mais indicadas para serem extraídas por maceração 
são aquelas ricas em substâncias ativas que não apresentam uma estrutura celular, 
como gomas, resinas e alginatos. Na preparação de tinturas-mães em homeopatia 
ou de tinturas oficinais, os líquidos extratores preferidos são o etanol e as soluções 
hidroetanólicas. Solventes orgânicos muito voláteis são raramente utilizados, não se 
recomendando, por outro lado, o emprego de água ou de misturas hidroalcóolicas 
com concentrações etanólicas inferiores a 20%, dadas as circunstâncias favoráveis a 
proliferação microbiana.
A percolação abrange um grupo de operações que tem como característica 
comum a extração exaustiva das substâncias ativas. Na percolação, a droga vegetal 
moída é colocada em um recipiente cônico ou cilíndrico (percolador), de vidro ou de 
metal, através do qual passa o líquido extrator.
O procedimento usual de percolação, tal como descrito em diversas 
farmacopeias, caracteriza a percolação simples e a percolação fracionada. O produto 
obtido denomina-se de percolado.
É uma operação dinâmica, indicada na extração de substâncias, farmacologica-
mente, muito ativas, presentes em pequenas quantidades ou pouco solúveis e quando 
o preço da droga é relevante.
Na percolação simples, o procedimento usual inicia-se com o intumescimento 
prévio da droga com o líquido extrator, durante uma a duas horas, fora do percolador, de 
forma que as forças de expansão resultantes não venham afetar a estrutura dele. Após 
o intumescimento, a fase mais crítica é o empacotamento homogêneo e não muito 
compacto do percolador.
A altura do enchimento deve estar na proporção de 5:1 em relação ao diâmetro 
médio do recipiente. Em percoladores oficinais, a velocidade de fluxo pode ser lenta (0,5 
a 1 mL/min/kg), moderada (1 a 2 mL/min/kg) ou rápida (2 a 5 mL/min/kg), considerando 
um tamanho de partícula de 1 a 3 mm. Partículas com diâmetro inferior a 1 mm podem 
produzir uma compactação excessiva, reduzindo a velocidade de fluxo. 
A percolação fracionada implica a separação das duas ou três primeiras frações 
de percolado, que contêm, normalmente, em torno de 75 a 80% das substâncias passíveis 
de extração das frações seguintes, mais diluídas. Estas são destinadas à fase posterior de 
concentração ou de simples ajuste do volume final, como é o caso dos extratos fluidos.
101
Na turbolização ou turboextração, a extração ocorre concomitantemente 
com a redução do tamanho de partícula, resultado da aplicação de elevadas forças de 
cisalhamento. A redução drástica do tamanho de partícula e o consequente rompimento das 
células favorece a rápida dissolução das substâncias, resultando em tempos de extração da 
ordem de minutos e o quase esgotamento da droga. Existem equipamentos próprios para 
o processo de turbolização. Em laboratório, para pequenas quantidades, pode-se realizar o 
processo com um liquidificador, atentando-se para a estabilidade da solução extrativa.
3.1.2 Extrações a quente em sistemas abertos
Na infusão, a extração se dá pela permanência, durante certo tempo, do 
material vegetal em água fervente, num recipiente tapado. A infusão é aplicável a partes 
vegetais de estrutura mole, as quais devem ser contundidas, cortadas ou pulverizadas 
grosseiramente, conforme a sua natureza, a fim de que possam ser mais facilmente 
penetradas e extraídas pela água.
A decocção consiste em manter o material vegetal em contato, durante certo 
tempo, com um solvente (normalmente água) em ebulição. É uma técnica de emprego 
restrito, pois muitas substâncias ativas são alteradas por um aquecimento prolongado e 
costuma-se empregá-la com materiais vegetais duros e de natureza lenhosa.
3.1.3 Extrações a quente em sistemas fechados
A extração sob refluxo consiste em submeter o material vegetal à extração com 
um solvente em ebulição, em um aparelho dotado de um recipiente, no qual será colocado 
o material e o solvente, acoplado a um condensador, de forma que o solvente evaporado 
durante o processo seja recuperado e retorne ao conjunto. As mesmas precauções já men-
cionadas, com relação à termolabilidade de algumas substâncias, devem ser observadas.
A extração em aparelho de Soxhlet é utilizada, sobretudo, para extrair sólidos 
com solventes voláteis, exigindo o emprego do aparelho de Soxhlet. Em cada ciclo da 
operação, o material vegetal entra em contato com o solvente renovado; assim, o pro-
cessamento possibilita uma extração altamente eficiente, empregando uma quantida-
de reduzida de solvente, em comparação com as quantidades necessárias nos outros 
processos extrativos, para se obter os mesmos resultados qualitativos e quantitativos.
3.2 OPERAÇÕES DE CONCENTRAÇÃO E DE SECAGEM
A concentração objetiva a eliminação parcial do líquido extrator ou total de um dos 
seus componentes, caso seja constituído por uma mistura de líquidos. A concentração leva 
à obtenção de um produto intermediário concentrado, com viscosidade e consistência vari-
áveis, que deve atender a exigências técnicas específicas para a finalidade do seu emprego. 
102
A secagem pressupõe a eliminação da fase líquida até valores residuais, com 
uma eficiência que depende das características do líquido extrator tratado, geralmente 
água, do princípio da técnica e do tipo de evaporado. Segundo Falkenberg, Santos e 
Simões (2004), entre as técnicas mais conhecidas, tem-se a evaporação por aspersão, 
por formação de filme, com suas múltiplas derivações, e a evaporação sob vácuo.
3.3 ANÁLISE FITOQUÍMICA PRELIMINAR
Após realizarmos a concentração e a secagem das soluções extrativas, para 
que possamos proceder às técnicas de caracterização de um determinado grupo de 
substâncias presentes em um extrato, devemos solubilizar essas substâncias com um 
solvente adequado.
Ainda segundo Falkenberg, Santos e Simões (2004), os processos de fraciona-
mento de extratos vegetais, com vistas ao isolamento de substâncias ativas, podem ser 
monitorados por ensaios direcionados para avaliação da atividade biológica, monitora-
mento das frações por cromatografia em camada delgada (CCD), cromatografia líquida 
de alta eficiência acoplada a espectrofotômetro de ultravioleta ou espectrômetro de 
massas (CLAE/EM), ressonância magnética nuclear (RMN), entre outros.
Em uma espécie desconhecida, pode-se iniciar o fracionamento do extrato 
vegetal através da partição por solventes orgânicos de polaridade crescente ou através 
da partição ácido-base. 
A partição implica uma dissolução seletiva e distribuição entre as fases de 
dois solventes imiscíveis. Esse fenômeno pode ser aplicadocom vistas à separação de 
componentes de uma mistura. A concentração de cada um dos componentes em cada 
fase está relacionada com o coeficiente de partição ou a distribuição apresentada por cada 
substância. Os menores rendimentos de extração são obtidos quando o volume total de 
solvente a ser utilizado na partição e dividido em alíquotas. Esse fracionamento por partição, 
que é um método de extração líquido/líquido, é realizado em um funil de separação.
Os métodos cromatográficos são os procedimentos de separação e 
isolamento mais amplamente utilizados atualmente. Servem para fins de identificação 
e análise de misturas e de substâncias isoladas; nesse caso, chama-se cromatografia 
analítica, enquanto a cromatografia que visa ao isolamento de compostos é chamada 
de cromatografia preparativa.
A fase estacionária encontra-se empacotada em coluna (aberta ou fechada) ou 
constitui uma superfície plana, como na cromatografia em papel e cromatografia em 
camada delgada. 
Em geral, a técnica cromatográfica envolve as seguintes etapas:
103
• Montagem da coluna ou placa (Figura 2A): disposição adequada da fase estacionária 
ou suporte e preparação da fase móvel.
• Aplicação da amostra (Figura 2C).
• Desenvolvimento: passagem de um solvente escolhido – fase móvel – através da 
fase estacionária.
• Revelação/visualização: localização das diferentes zonas de separação dos 
compostos e/ou extração das substâncias retidas na fase estacionária (Figura 3). 
FIGURA 2 – COLUNAS E PLACAS CROMATOGRÁFICAS: COLUNA DE VIDRO PARA CROMATOGRAFIA (A); 
COLUNA HPLC (B); CROMATOGRAFIA EM CAMADA DELGADA (CCD): PLACA DE ALUMÍNIO DE SILICA GEL 
(EM DETALHE) (C)
FONTE: <https://bit.ly/3gszZHd>; <https://bit.ly/3uwOZfr>; <https://bit.ly/3HxAM5O>. Acesso em: 3 nov. 2021. 
FONTE: O autor
FIGURA 3 – PLACA DE CCD APÓS APLICAÇÃO DE EXTRATO VEGETAL, CORRIDA CROMATOGRÁFICA E REV-
ELAÇÃO EM CÂMARA DE LUZ UV (D)
Para Falkenberg, Santos e Simões (2004), a cromatografia líquida divide-se 
em quatro modalidades, de acordo com o processo no qual se baseia a separação dos 
componentes da mistura a ser analisada:
104
• cromatografia de partição: separação dos componentes de uma mistura 
com base nos seus coeficientes de partição entre dois solventes imiscíveis que 
constituem as fases móvel e estacionária;
• cromatografia de adsorção: baseia-se na adsorção dos componentes de 
uma solução sobre a fase estacionária sólida, constituída por partículas finas de 
adsorventes polares ou apolares – o componente que for mais fortemente atraído 
pelo adsorvente será deslocado pela fase móvel de forma mais lenta;
• cromatografia de troca iônica: aplicada na separação de substâncias contendo 
grupamentos ionizáveis, como aminoácidos e alcaloides, baseia-se no intercâmbio 
de íons entre a fase móvel e as resinas contendo grupos funcionais do tipo ácido 
sulfônico (resina aniônica ou trocadora de cátions) ou amônio quaternário (resina 
catiônica ou trocadora de aníons);
• cromatografia de exclusão ou de filtração molecular: baseia-se no tamanho das 
moléculas do soluto que passam através da fase estacionária, constituída por um gel 
poroso – as moléculas maiores não conseguem penetrar nos poros e são arrastadas 
pela fase móvel, enquanto as moléculas de menor tamanho, capazes de entrar nos 
poros da fase estacionária, são retidas por mais tempo no interior da coluna. 
Nessas categorias, enquadram-se várias técnicas de cromatografia líquida, as 
quais se diferenciam entre si pelos equipamentos e também pelo tipo de material usado 
como fase estacionária, em que:
• A cromatografia gasosa (CG) serve para separar componentes a partir de misturas 
de compostos voláteis. Através de reações químicas com derivados do silano, como 
o trimetilsilano, substâncias não voláteis podem ser transformadas em produtos de 
baixo ponto de ebulição. Nas aplicações analíticas, o acoplamento com um sistema 
de espectrometria de massas (CG/EM) é possível, o que é extremamente útil na 
separação e na identificação de estruturas, como de componentes de óleos voláteis.
• A cromatografia líquida em coluna é uma das técnicas mais utilizadas para a 
separação ou o isolamento de constituintes de extratos vegetais; ela é bastante 
versátil, uma vez que se podem utilizar colunas de diferentes tipos e dimensões, 
bem como diversas combinações de diversas fases móveis e estacionárias. Essa 
técnica pode ser realizada tanto em colunas de vidro, sob pressão atmosférica, 
quanto utilizando equipamentos especiais, que permitem trabalhar com pressões 
maiores, aumentando a velocidade e a eficiência do processo de separação.
• A cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE ou HPLC – High Performance Liquid 
Chromatography) utiliza colunas contendo suporte/fase estacionária, formada por 
partículas extremamente finas (3 a 10 pm), esféricas ou irregulares, homogêneas e 
densamente compactadas, que oferecem grande resistência ao fluxo da fase móvel, 
ou seja, requer uma pressão alta e fluxo livre de pulsação, para que a fase móvel 
flua a uma velocidade razoável através da coluna, o que torna a CLAE uma técnica 
mais cara. É possível trabalhar também com pressões inferiores, em equipamentos 
mais simples, como na cromatografia líquida a vácuo ou ainda com a cromatografia 
líquida de média pressão. 
105
Entre os suportes mais comumente empregados, estão as substâncias inorgâ-
nicas como gel de sílica e óxido de alumínio, geralmente utilizadas para separar com-
postos lipofílicos. Materiais orgânicos como celulose, poliamida e géis de dextrano apli-
cam-se na separação de substâncias hidrofílicas, como aminoácidos e açúcares. 
Outra alternativa utilizada são os materiais modificados quimicamente, como a ce-
lulose acetilada ou o gel de sílica substituído por cadeias orgânicas alifáticas de C8 a C18. 
COLUNAS CROMATOGRÁFICAS
Na década de 1970, quando a CLAE começou a ser desenvolvida, a sílica utilizada 
apresentava forma irregular e tamanho de partícula de 40 µm. Com o passar dos anos, foi 
substituída por partículas menores e de morfologia esférica. Atualmente, já encontramos 
colunas recheadas de materiais poliméricos e partículas porosas de até 1,6 µm. As melhorias 
da pureza e dos métodos de obtenção da sílica, utilizada no suporte cromatográfico, 
permitiram ganhos significativos em eficiência, estabilidade e reprodutibilidade das colunas.
Apesar de ser o melhor suporte cromatográfico para o preparo das fases estacionárias, ela 
apresenta duas grandes limitações: a primeira restringe a sua utilização em uma faixa de pH 
de 2 até 8, para não ocorrer a degradação, e a segunda refere a presença dos grupos silanóis 
residuais, os quais causam a assimetria de pico, quando amostras básicas são analisadas. 
Para evitar esses problemas associados à sílica, alternativamente, podem ser empregados 
os materiais poliméricos no recheio das colunas cromatográficas para CLAE. Existem fases 
do tipo octil (C8), octadecil (C18) e cianopropil (CN) com os grupos volumosos ligados 
diretamente ao átomo de silício, como mostra o exemplo ilustrado na figura a seguir:
NOTA
FIGURA – ESTRUTURA DA FASE ZORBAX SB-C18® DA AGILENT, COM GRUPOS ISOBUTILA LIGADOS 
DIRETAMENTE AO ÁTOMO DE SILÍCIO E UMA CADEIA N-ALQUILA DO TIPO C18
FONTE: Silva et al. (2004)
A tecnologia de inserir esses grupos hidrofóbicos e volumosos, próxi-
mos à superfície da sílica, permite que ela fique mais protegida, prin-
cipalmente em fase móvel com pH abaixo de 3, evitando a quebra das 
ligações do tipo siloxano, responsáveis por manter os grupos orgânicos 
imobilizados na sua superfície.
106
Para entender mais sobre as diversas composições das fases estacionárias cromatográficas, 
leia o artigo Novas fases estacionárias à base de sílica para cromatografia líquida de alta 
eficiência, de Silva et al. (2004), disponível em: https://bit.ly/3gvnqLit. 
Separações cromatográficas em que a fase móvel é apolar e a fase estacionária 
é polar são denominadas de separações em fase normal, enquanto sistemas com fasemóvel polar e fase estacionária apolar constituem as separações em fase reversa (ou RP, 
do inglês reversed phase).
INTERAÇÕES INTERMOLECULARES E POLARIDADE DE MOLÉCULAS
A cromatografia é uma técnica de separação especialmente adequada para ilustrar os 
conceitos de interações intermoleculares, polaridade e propriedades de funções orgânicas, 
com uma abordagem ilustrativa e relevante.
As interações intermoleculares provêm de forças elementares, essencialmente elétricas, 
que atuam entre átomos, moléculas ou íons, quando estes se aproximam uns dos outros, 
não havendo quebra ou formação de novas ligações químicas. Todas essas forças são 
chamadas de forças de van der Waals, exceto as relativas a íons, que são interações 
eletrostáticas do tipo carga-carga, entre cátions e ânions, na ausência de moléculas polares. 
Assim, é preciso observar que existem diferentes tipos de forças de van der Waals, 
denominadas, seguindo a ordem crescente de força: forças de dispersão de London, 
interações dipolo-dipolo e ligação de hidrogênio (ROCHA, 2001).
Devemos entender que a polaridade está associada às eletronegatividades dos átomos 
ligados, cujas ligações covalentes são classificadas em dois grupos: as apolares e as polares.
Uma ligação covalente será polar se os dois átomos que estabelecem essa ligação 
covalente possuírem diferentes eletronegatividades. As ligações apolares são as 
que apresentam diferença de eletronegatividade igual a zero (ou muito próximo 
de zero), enquanto as ligações polares são as que apresentam diferença de 
eletronegatividade diferente de zero (CANTO; PERUZZO, 2005; FELTRE, 2005).
Em modelos clássicos de cromatografia, a fase estacionária é uma fase polar e a 
fase móvel é um solvente orgânico apolar. Os constituintes polares dissolvidos na 
fase móvel tendem a ser atraídos para a fase estacionária polar, enquanto 
os constituintes não polares tendem a ser eluídos junto com o solvente.
Independentemente do mecanismo e do sistema cromatográfico a serem 
escolhidos, as interações entre fase móvel × fase móvel, analito × fase 
móvel, analito × fase estacionária e fase móvel × fase estacionária devem 
ser consideradas (RIBEIRO; NUNES, 2008; TRINDADE, 2021).
NOTA
A cromatografia em camada delgada (CCD) é uma técnica amplamente utilizada 
para fins de análise, tanto de extratos vegetais brutos quanto para avaliar o resultado de um 
processo de separação. Eventualmente, a CCD também é utilizada para fins preparativos, 
usando-se, nesse caso, camadas de suporte de maior espessura, que comportam uma 
quantidade maior de amostra (DA SILVA; MIRANDA; DA CONCEIÇÃO, 2010).
107
Semelhantemente à cromatografia em coluna, pode-se escolher entre dezenas 
de tipos de suportes, tanto de fase normal como reversa, dependendo da polaridade dos 
componentes da amostra a analisar. As placas para CCD podem ser confeccionadas nos 
próprios laboratórios, através de um dispositivo que facilita o espalhamento uniforme, 
sobre as placas de vidro, da suspensão aquosa do suporte. O método de preparação 
manual e bastante econômico, mas requer certa prática; pode ser bastante satisfatório 
em certas análises de rotina, sobretudo naquelas que envolvem os suportes mais 
comuns, como o gel de sílica (SILVEIRA JUNIOR, 2017).
Pode-se encontrar no mercado uma grande variedade de placas cromatográficas 
preparadas industrialmente, em condições de padronização quanto ao tamanho das 
partículas do suporte, à espessura da camada (0,025 cm para fins analíticos e 0,2 cm para 
fins preparativos) e à ativação do suporte, possibilitando resultados mais reprodutíveis 
do que com as placas preparadas manualmente (SANTOS et al., 2007). 
Os suportes podem conter indicadores fluorescentes em 254 nm, com a especifi-
cação F254, geralmente sobre base de vidro, celuloide ou alumínio. As duas últimas, além 
de inquebráveis, possibilitam que se recortem as placas em tamanho menor, se desejado. O 
desenvolvimento da CCD ocorre em uma cuba fechada, previamente saturada com a fase 
móvel. A aplicação das amostras nas cromatoplacas é feita a partir de soluções relativa-
mente concentradas, tendo-se o cuidado de aplicá-las com capilares, a uma distância ade-
quada das bordas laterais e inferior, bem como das demais amostras (SANTOS et al., 2007).
Para finalizar, na CCD preparativa, quando desejamos isolar uma substância de 
uma mistura, podemos utilizar um número maior de placas com a mesma amostra, apli-
cando em linha ou barra. Recentemente, vem-se utilizando CCD também para análise 
quantitativa, através da digitalização da placa e da análise densitométrica das substân-
cias de interesse. Também são disponíveis, atualmente, placas de CCD de alta eficiência 
(High Performance Thin Layer Chromatography – HPTLC), assim como câmaras espe-
ciais para CCD horizontal, que possibilita grande economia de amostra e solvente.
108
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A exploração de plantas de uso medicinal da flora nativa, através da extração 
explorativa predatória, tem levado a reduções drásticas das populações naturais 
dessas espécies, podendo levá-las à extinção.
• A domesticação e o cultivo são opções para obtenção da matéria-prima de inte-
resse farmacêutico e redução do extrativismo nas formações florestal. A agricultura 
praticada de forma orgânica deve ser sempre considerada para a produção de plan-
tas medicinais.
• Em geral, as espécies apresentam épocas específicas em que contêm maior quantidade 
de princípio ativo no seu tecido, podendo essa variação ocorrer tanto no período de um 
dia como em épocas do ano. No período da manhã, é recomendada a colheita de plantas 
com óleos essenciais e alcaloides, e, no período da tarde, plantas com glicosídeos. 
• A secagem deve, portanto, ser procedida ao abrigo da luz, em secadores que promovam 
ambiente limpo, bem ventilado e protegido do ataque de insetos e outros animais.
• Os métodos extrativos comumente empregados em drogas vegetais podem ser 
classificados como extrações a frio, extrações a quente em sistemas abertos, 
extrações a quente em sistema fechado.
• Para proceder à caracterização de um determinado grupo de substâncias presentes 
em um vegetal, devemos extrair essas substâncias com um solvente adequado, 
iniciando o fracionamento através da partição por solventes orgânicos de polaridade 
crescente ou através da partição ácido-base.
• Hoje, os métodos cromatográficos são os procedimentos de separação e isolamento 
mais amplamente utilizados. 
• Métodos cromatográficos servem para fins de identificação e análise de misturas e 
de substâncias isoladas; nesse caso, chama-se cromatografia analítica, enquanto 
a cromatografia que visa ao isolamento de compostos é chamada de cromatografia 
preparativa.
109
RESUMO DO TÓPICO 1
1 A maceração designa a operação na qual a extração da matéria-prima vegetal é 
realizada em recipiente fechado, em diversas temperaturas, durante um período 
prolongado (horas ou dias), sob agitação ocasional e sem renovação do líquido 
extrator. Sobre as diversas variações conhecidas, entre as técnicas que objetivam o 
aumento da eficiência de extração, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Digestão: consiste na maceração, realizada em sistema aquecido a 40 a 60 °C.
b) ( ) Maceração dinâmica: maceração feita sob agitação mecânica constante.
c) ( ) Remaceração: quando a operação é repetida utilizando-se o mesmo material 
vegetal, renovando-se apenas o líquido extrator.
d) ( ) Percolação: extração de componentes solúveis, passando solventes por materiais 
porosos.
2 O conhecimento do momento correto de coleta e secagem do material vegetal leva à 
obtenção de produtos de melhor qualidade. Geralmente, essa variação ocorre tanto em 
função do estágio em que se encontra a planta como na plena floração ou no período que 
antecede a floração. A respeito desses processos, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) A partir do momento da colheita, inicia-se um processo de degradação enzimática 
naplanta, que também leva à degradação dos princípios ativos.
b) ( ) O recipiente de colheita do material não devera danificá-lo, pois o esmagamento 
das plantas acelera a sua degradação.
c) ( ) A secagem ao sol é ideal por gerar uma secagem rápida dos órgãos vegetais, 
fazendo com que o material, em pouco tempo, se apresente aparentemente seco.
d) ( ) A secagem deve ser procedida ao abrigo da luz, em secadores que promovam 
ambiente limpo, bem ventilado e protegido do ataque de insetos e outros animais.
3 Podemos utilizar diferentes métodos de processamento da droga vegetal, com 
intuito de diminuir o tamanho de partícula, aumentando, assim, a área de superfície 
de contato com os solventes e expondo os compostos para um processo extrativo 
mais eficaz em relação ao tempo, ao rendimento e à qualidade do extrato. Entre os 
exemplos de métodos de processamento, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Maceração por turboextração.
b) ( ) Moagem em moinho de facas.
c) ( ) Aparelho de Sohxlet.
d) ( ) Turbolização.
AUTOATIVIDADE
110
4 Extratos vegetais são preparações que podem se apresentar na forma líquida, 
semissólida ou sólida, obtidas por extração seletiva dos princípios ativos de material 
vegetal, por meio do uso de diferentes solventes e meios de extração. Em uma planta 
desconhecida, como é possível selecionar o solvente ideal?
5 Antes de iniciar o processo de extração, quais são os riscos presentes no preparo de 
matérias-primas para fitoterápicos que podem afetar o produto final?
111
FUNDAMENTOS DO METABOLISMO VEGETAL
1 INTRODUÇÃO
O conjunto de reações químicas, que ocorrem continuamente dentro de cada 
unidade celular, denomina-se metabolismo. Como sabemos, o metabolismo fisiológico é 
indispensável para a degradação e a síntese de compostos químicos fundamentais para 
o crescimento e o desenvolvimento do organismo. Para que as reações bioquímicas 
ocorram, a presença de enzimas específicas é indispensável, de forma a garantir o 
seu processo catalítico e as vias metabólicas, constituídas por uma série de reações 
químicas, em que o produto final de uma reação serve de reagente à seguinte.
Assim, percebemos que o metabolismo das plantas não é exceção. No interior da 
planta, ocorrem diferentes processos bioquímicos de extraordinária complexidade. Esses 
processos constituem, em conjunto, o metabolismo vegetal, que inclui tanto reações sim-
ples quanto reações complexas, como a fabricação de alimento mediante a presença da 
luz (fotossíntese). É o metabolismo geral da planta que permite seu crescimento, desen-
volvimento e reprodução, possibilitando, assim, a perpetuação das espécies.
No meio intracelular, encontram-se diversos tipos de enzimas específicas, 
garantindo o funcionamento de diferentes reações, estabelecendo o que chamamos 
de rotas metabólicas. Os compostos químicos formados, degradados ou simplesmente 
transformados são chamados de metabólitos e as reações enzimáticas envolvidas são, 
respectivamente, designadas como anabólicas, catabólicas ou de biotransformação. 
Podemos considerar, então, o metabolismo vegetal como sendo dividido em 
primário e secundário. Como ocorre o desenvolvimento dessas reações para a produção 
de diferentes compostos é o tema a ser abordado neste tópico.
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
2 METABOLISMO PRIMÁRIO VEGETAL 
Caracteriza-se como metabolismo primário ou basal, os processos comuns e 
pouco variáveis à grande parte dos vegetais, visando primariamente ao atendimento das 
exigências fundamentais da célula. Sobre essas necessidades vitais, podemos citar a 
geração de energia (ATP), o poder redutor (NADPH) e a biossíntese das macromoléculas 
celulares (carboidratos, proteínas, lipídios e ácidos nucleicos).
Assim, no metabolismo primário vegetal, além da conhecida via da glicólise, 
estão associados todos os processos fotossintéticos que originam a formação de ácidos 
carboxílicos do ciclo de Krebs, que, além de sintetizar intermediários para outras vias 
metabólicas, geram energia e poder redutor a partir de reações de oxidorredução de 
112
compostos orgânicos, produção de α- aminoácidos, hidratos de carbono, ácido graxos, 
proteínas e ácidos nucleicos, além da obtenção de energia através da β-oxidação de 
ácidos graxos e degradação de produtos que não são essenciais para a planta. Essas 
reações, envolvidas nos processos vitais da planta, compõem a unidade fundamental 
de toda a matéria viva (RYE et al., 2016).
2.1 FOTOSSÍNTESE 
Como sabemos, um constante fornecimento de energia é requerido para a ma-
nutenção da vida. Uma diferença fundamental entre plantas e animais é a forma de ob-
tê-la. Os animais conseguem os compostos orgânicos através da alimentação e a ener-
gia química, através da respiração. As plantas absorvem energia luminosa a partir do sol, 
convertendo-a em energia química no processo chamado fotossíntese (RYE et al., 2016).
De maneira geral, há um balanço entre esses dois processos na biosfera, sendo 
que ambos resultam na energia dos organismos na Terra. Tanto a fotossíntese quanto a 
respiração (R) geram energia química disponível na forma de ATP, cuja síntese é mediada 
por um gradiente de prótons (H+) transmembrana. Na respiração, esse gradiente se deve 
à oxidação de moléculas orgânicas em CO2, com redução do O2 em H2O, e a dissipação de 
energia em forma de calor. Na fotossíntese, o gradiente ocorre através da oxidação da H2O 
em O2, sendo essa fase mediada pela luz (fase luminosa) e através da redução do CO2 em 
moléculas orgânicas, quando o ATP é utilizado (fase de síntese) (BELTRÃO, 2007).
FIGURA 4 – ESTÁGIOS DA FOTOSSÍNTESE: REAÇÕES DEPENDENTES DA LUZ E REAÇÕES INDEPENDENTES 
DA LUZ (CICLO DE CALVIN)
FONTE: Silva et al. (2017)
113
Os cloroplastos são as organelas celulares em que a reação da fotossíntese 
ocorre (Figura4). Os cloroplastos distinguem-se bem das demais organelas, devido a 
sua pigmentação característica e por uma ser uma estrutura laminar (ou discoide), com 
um citoplasma fluído gelatinoso (estroma), no qual há a presença de diversas enzimas, 
RNA, DNA, pequenos ribossomos e amido, conferindo-lhes a capacidade de sintetizar 
proteínas e de multiplicação. São delimitados pela presença de um sistema de membranas 
lipoproteicas, denominadas envelopes, que, em sua porção externa, apresentam aspecto 
liso e, internamente, têm características de rugosidade em direção ao interior citoplasmático, 
formando em suas dobras as estruturas tilacoides e lamelas (SILVA et al., 2017).
CLOROFILA
A clorofila é um pigmento clorínico com quatro anéis pirrol ligados por metinas, e um 
quinto anel ausente, como em outras porfirinas, grupo de compostos ao qual ela pertence 
e que inclui compostos que apresentam um grupo heme (como a hemoglobina no sangue). 
No centro do anel, há um íon de magnésio (Mg2+) coordenado por quatro átomos de azoto. 
Esse composto é denominado feofitina quando não encontramos um átomo de magnésio 
ou outro íon metálico no seu eixo central. As cadeias laterais variam em certo nível entre as 
diferentes formas de clorofila encontradas em diferentes organismos, mas todas possuem 
uma cadeia fitol (um terpeno) ligada por uma ligação éster a uma carboxila do anel IV. As 
isoformas da clorofila a e b são encontradas em plantas verdes (sendo a isoforma mais 
abundante), as isoformas c e d são encontradas especialmente em algas e cianobactérias 
(MAESTRIN et al., 2009; NELSON; COX, 2014).
NOTA
FIGURA – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA MOLECULAR E ESTRUTURAL DAS CLOROFILAS E PORFIRINAS
Isoforma a
C55H72O5N4Mg
P.M.: 893.4890 g/mol
114
Isoforma b
C55H70O6N4Mg
P.M.: 907.4725 g/mol
Feoftina
C55H74O5N4
P.M.: 871.1999 g/mol
Hemoglobina
C34H32O4N4Fe
P.M.: 616.4873 g/mol
FONTE: O autor
115
As membranas tilacoides, que possuem a morfologia de pilhas na forma de 
moedas (granum), podem apresentar-se associadas entre si, denominadas, então, 
de grana lamela ou apenas grana. Quando não estão associadas em forma de pilhas, 
denomina-se estroma lamela. As tilacoides são osítio da reação de luz fotossintética, em 
que encontramos as moléculas de clorofila agrupadas formando estruturas chamadas 
de complexo de antenas (RYE et al., 2016).
Assim, a reação global que sumariza a fotossíntese pode ser representada pela 
equação:
nCO2 + nH2O + energia solar → (CH2O)n + nO2
Devemos observar que o ATP proveniente da fotossíntese é produzido apenas 
em células clorofiladas (fotossintetizantes) e na presença da luz. Durante as horas de 
escuridão e em células não fotossintetizantes (como células de raiz), a energia é suprida 
pela respiração, usando como substratos os compostos de carbono produzidos pelas 
células na fotossíntese. É durante o processo respiratório (principalmente na glicólise 
e ciclo de Krebs) que muitos precursores essenciais para a biossíntese de outros 
compostos importantes, como aminoácidos e hormônios vegetais, são produzidos. 
Dessa forma, as plantas, principalmente as que estão em crescimento, devem ter maior 
atividade fotossintética do que respiratória (KLUGE et al., 2015).
2.2 CARBOIDRATOS 
Nas plantas os carboidratos podem ser encontrados como constituintes 
estruturais (celulose e outros polissacarídeos de parede celular); compostos de reserva 
de energia na forma de polímeros (amido); biossíntese de metabólitos (ácidos nucleicos 
e coenzimas); glicosídeos ou ainda precursores de metabólitos secundários (formados 
a partir da reação da fotossíntese) (SILVA et al., 2017).
Os carboidratos podem ser representados pela fórmula estequiométrica 
(CH2O)n, em que n é o número de carbonos na molécula. Em outras palavras, a proporção 
de carbono para hidrogênio e oxigênio é de 1:2:1 nas moléculas de carboidratos. Essa 
fórmula também explica a origem do termo “carboidrato”: os componentes são carbono 
(“carbo”) e os componentes da água (daí, “hidrato”).
De acordo com Rye et al. (2016), podemos classificá-los como: monossacarídeos, 
oligossacarídeos e polissacarídeos, conforme detalhado na Figura 5.
116
FIGURA 5 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL E MOLECULAR DE SACARÍDEOS 
MONOSSACARÍDEOS
Glicose: C6H12O6 Frutose: C6H12O6 Galactose: C6H12O6
DISSACARÍDEOS
Glicose + Frutose = Sacarose C12H22O11 Galactose + Glicose = Sacarose C12H22O11
POLISSACARÍDEOS
Ácido hialurônico: [C14H21O11]n Celulose: [C12H20O10]n
FONTE: O autor
Os monossacarídeos (mono = um; sacar = doce) são açúcares simples, sendo 
a glicose o mais comum. Em monossacarídeos, o número de carbonos geralmente 
varia de três a sete. A maioria dos nomes de monossacarídeos termina com o sufixo 
“ose”. Se o açúcar tiver um grupo aldeído (o grupo funcional com a estrutura R-CHO), 
ele é conhecido como uma aldose e, se tiver um grupo cetona (o grupo funcional com 
a estrutura RC (= O) R'), ele é conhecido como cetose. Dependendo do número de 
carbonos do açúcar, eles também podem ser conhecidos como trioses (três carbonos), 
pentoses (cinco carbonos) e/ou hexoses (seis carbonos).
117
Glicose, galactose e frutose, representadas na Figura 5, são monossacarídeos 
isoméricos (hexoses), o que significa que elas têm a mesma fórmula química, mas apresentam 
estruturas ligeiramente diferentes. A glicose e a galactose são aldoses e a frutose é uma cetose.
Os dissacarídeos (di = dois) se formam quando dois monossacarídeos sofrem 
uma reação de desidratação (também conhecida como reação de condensação ou síntese 
de desidratação). Durante esse processo, o grupo hidroxila de um monossacarídeo se 
combina com o hidrogênio de outro monossacarídeo, liberando uma molécula de água 
e formando uma ligação covalente. Uma ligação covalente formada entre uma molécula 
de carboidrato e outra molécula (nesse caso, entre dois monossacarídeos) é conhecida 
como ligação glicosídica. As ligações glicosídicas podem ser do tipo alfa ou beta.
Os dissacarídeos comuns incluem maltose, lactose e a sacarose (as duas 
últimas estão representadas na Figura 5). A lactose é um dissacarídeo que consiste 
nos monômeros glicose e galactose. É encontrado naturalmente no leite. A maltose, 
ou açúcar do malte, é um dissacarídeo formado por uma reação de desidratação entre 
duas moléculas de glicose. O dissacarídeo mais comum é a sacarose, ou açúcar de 
mesa, composto pelos monômeros glicose e frutose.
Os polissacarídeos (poli = muitos) são uma longa cadeia de monossacarídeos 
ligados por ligações glicosídicas. A cadeia pode ser ramificada ou não ramificada e pode 
conter diferentes tipos de monossacarídeos. Amido, glicogênio, celulose e quitina são 
exemplos primários de polissacarídeos.
O teor de carboidratos não estruturais nas plantas controla processos como o 
crescimento de folhas, caule e raiz; atividade cambial; desenvolvimento reprodutivo; 
sistema de defesa contra patógenos e herbívoros, além de muitos outros.
Diversas espécies vegetais apresentam diferentes estratégias de adaptação aos 
seus respectivos ambientes, como o acúmulo de certos compostos de reserva em diversos 
tecidos do vegetal, sendo exemplos: gemas, folhas, frutos, ramos, caule, raízes, entre outros.
Entre as substâncias armazenadas pelas plantas atuando como fonte de 
energia, podemos citar os carboidratos, as proteínas e os lipídios, além de compostos 
metabólicos secundários – assunto a ser abordado mais adiante, no Tópico 3 – que 
podem ser utilizados durante o desenvolvimento da planta, principalmente nas fases 
que exigem um rápido crescimento vegetativo e reprodutivo. 
Entre os carboidratos, podemos citar o amido e os frutanos como os de maior 
representação para as espécies, pois possuem as vantagens de serem formados por 
glucose. Assim, açúcares são prontamente utilizados pelo metabolismo de geração de 
energia e também fornecem carbono para a biossíntese da maioria das biomoléculas 
presentes em células vegetais.
118
O amido é a forma armazenada de açúcares nas plantas e é composto por uma 
mistura de amilose e amilopectina (ambos polímeros de glicose). As plantas são capazes 
de sintetizar glicose, e o excesso de glicose, além das necessidades imediatas de energia 
da planta, é armazenado como amido em diferentes partes da planta, incluindo raízes 
e sementes. O amido das sementes fornece alimento para o embrião à medida que ele 
germina e também pode atuar como fonte de alimento para humanos e animais. O amido 
consumido pelos humanos é decomposto por enzimas, como as amilases salivares, em 
moléculas menores, como a maltose e a glicose. As células podem, então, absorver a 
glicose (KLUGE et al., 2015; RYE et al., 2016).
O amido é feito de monômeros de glicose que são unidos por ligações 
glicosídicas α1-4 ou α1-6. Os números 1-4 e 1-6 referem-se ao número de carbono dos 
dois resíduos que se juntaram para formar a ligação. A amilose é um amido formado por 
cadeias não ramificadas de monômeros de glicose (apenas ligações α1-4), enquanto a 
amilopectina é um polissacarídeo ramificado (ligações α1-6 nos pontos de ramificação).
O amido é particularmente bem adaptado à função de reserva, sendo mobilizado 
por hidrólise ou por mecanismos que envolvem a fosforilação direta de resíduos de 
glucose terminais. Esse mecanismo parece ser exclusivo do amido e, até o momento, não 
foi possível demonstrar a presença de um mecanismo de fosforilação para outros tipos 
de polissacarídeos de reserva, como os frutanos e os polissacarídeos de parede celular.
A celulose é o biopolímero natural mais abundante. A parede celular das 
plantas é feita principalmente de celulose, que fornece suporte estrutural para a célula. 
Madeira e papel são principalmente de natureza celulósica. A celulose é composta de 
monômeros de glicose, que estão ligados por ligações glicosídicas β1-4 (RYE et al., 2016).
O Quadro 4 resume as principais características dos três grupos mais importantes 
de polissacarídeos de reserva de plantas. Essas características evidenciam diferentes 
funções desses polímeros, considerando como eles são sintetizados, como eles são 
degradados e seus locais de deposição na célula e na planta.
QUADRO 4 – CARACTERÍSTICAS DOS PRINCIPAISPOLISSACARÍDEOS DE RESERVA EM PLANTAS
Composto de 
reserva
Biossíntese
(a partir de)
Mobilização
Localização 
celular
Localização 
na planta
Amido ADP-glucose
Hidrólise; 
fosforilação
Plastídeos;
citosol (em 
grânulos)
Sementes; caule; 
folhas; frutos;
órgãos 
subterrâneos
Frutanos
Sacarose
(transglicosilação)
Hidrólise Vacúolos
Folhas; raízes;
caules; órgãos 
subterrâneos
119
FONTE: Buckeridge et al. (2000)
Enquanto o amido desempenha a função exclusiva de reserva, os frutanos 
e os polissacarídeos de reserva de parede celular têm outras funções paralelas. Os 
frutanos participam no controle osmótico e os PRPC estão associados à dureza, às 
relações hídricas e ao controle da expansão celular. Essas funções secundárias são 
importantes no mecanismo evolutivo que levou as plantas a utilizarem polissacarídeos 
da parede celular como reserva de carbono, com relevância no amadurecimento de 
frutos, crescimento, desenvolvimento e senescência (BUCKERIDGE et al., 2005).
Os polissacarídeos possuem também uma ampla gama de aplicações, 
especialmente nas áreas, biomédicas, farmacêutica e de cosméticos, em que são 
aplicados em engenharia de tecidos, imobilização de enzimas, biossensores, como 
veículo de liberação de fármaco etc. Na indústria alimentícia, são empregados em 
grandes quantidades devido ao seu potencial de ação estabilizante e espessante e, até 
mesmo, como gelificantes (quando extraídos de algumas espécies de algas). Podemos 
citar também o uso de gomas de sementes e de exsudatos, além de carboximetilcelulose 
(CMC) e metilcelulose, são utilizadas como retentor de umidade (RYE et al., 2016). 
O Quadro 5 apresenta os polissacarídeos mais utilizados na indústria, sua fonte 
de origem e aplicação.
Polissacarídeos 
PRPC
UDP/GDP
(no compl. de Golgi)
Hidrólise;
transglicosilação
Parede 
celular
Sementes; 
órgãos 
subterrâneos
ADP-glicose: adenosina difosfato glicose (açúcar nucleotídeo); UDP-glicose: difosfato 
de uridina glicose (monossacarídeo); GDP-glicose: guanosina difosfato glicose; PRPC: 
polissacarídeos de parede celular.
QUADRO 5 – POLISSACARÍDEOS UTILIZADOS NA INDÚSTRIA – ORIGEM E APLICAÇÃO
POLISSACARÍDEO FONTE DE ORIGEM APLICAÇÃO
Ácido algínico 
Alginato
Algas marinhas pardas 
do Filo Phaeophyta
Estabilizantes; espessantes; gelifica-
ção, aumento da fixação; recipientes 
farmacológicos
Goma carragenana 
carragenina
Algas marinhas 
vermelhas
do Filo Rhodophyta
Agente espessante; agente gelificante; 
agente de suspensão e agente esta-
bilizante tanto em sistemas aquosos 
como em sistemas lácticos
Ágar-ágar
Algas marinhas verme-
lhas do Filo Rhodophy-
ta; Gelidiales
Suporte inerte para meios de cultura 
bacterianos; agente gelificante na área 
alimentar
Fibras dietéticas; regulador intestinal
120
Goma guar
Planta – semente de
feijão guar (Cyamopsis 
psoraloides)
Agente espessante; estabilizante
Emulsificante; agente de corpo
Goma arábica
Plantas – exsudato
(Acacia senegal e seyal)
Agente emulsionante espessante estabi-
lizante na indústria alimentícia e química
Pectina Plantas – frutos cítricos
Ação espessante, estabilizante, fibra 
dietética
Amido
Plantas – sementes, ra-
ízes, tubérculos, bulbos 
e em alguma porcenta-
gem nos caules e nas 
folhas dos vegetais
Espessante; estabilizante; agente gelifi-
cante; veículo, substrato na fermentação 
do álcool etílico, produção de bioplástico; 
excipiente de fármacos. Suas proprieda-
des funcionais dependem do tipo de amido
Celulose
Planta – caule constitui 
as paredes celulares das 
plantas, em combinação 
com a lignina, com he-
micelulose e pectina
Na indústria farmacêutica: excipiente; 
veículo; revestimento de comprimidos 
e cápsulas para medicamentos; curati-
vo de biocelulose
Na indústria alimentícia: emulsifican-
tes, espessantes e estabilizantes
No setor petroquímico, produção de 
bioprodutos e biocombustíveis, inclu-
sive o etanol
Dextrana
Microrganismos da fa-
mília Lactobacillacea
Agentes estabilizantes e espessantes 
de alimentos, expansor do plasma san-
guíneo, película protetora de sementes, 
estruturas cirúrgicas, veículo para me-
dicamentos e peneiras moleculares
Goma xantana
Microrganismos da fa-
mília das Xanthomonas
Agente estabilizante, espessante e 
agente emulsificante
FONTE: Adaptado de Cunha; Paula; Feitosa (2009); Veloso (2008); Pereira (2013)
Além disso, podem-se destacar outros usos importantes de alguns polissacarí-
deos que vêm sendo associados às atividades biológicas, como antivirais, antitumorais, 
antioxidantes, anticoagulantes e antitrombóticas. 
Um bom exemplo é o uso da quitina e da quitosana, moléculas que vêm 
sendo avaliadas para a produção de formulações farmacêuticas de medicamentos 
ou materiais, devido a sua afinidade por pigmentos, íons metálicos, moléculas quirais, 
biomacromoléculas, além de serem adsorventes dessas substâncias.
A heparina é um polissacarídeo polianiônico sulfatado pertencente à família dos 
glicosaminoglicanos. É composta por unidades de dissacarídeos repetidos, compostas 
por ácido urônico e um açúcar aminado. Possui ação farmacológica atuando como 
medicamento anticoagulante. De acordo, diversos outros polissacarídeos sulfatados de 
121
2.3 LIPÍDIOS
Os lipídios incluem um grupo diverso de compostos que são, em grande parte, não 
polares por natureza, porque eles são hidrocarbonetos que incluem principalmente ligações 
não polares de carbono-carbono ou carbono-hidrogênio. As moléculas não polares são 
hidrofóbicas ou insolúveis em água. Os lipídios desempenham muitas funções diferentes 
em uma célula. As células armazenam energia para uso a longo prazo na forma de gorduras. 
Os lipídios também fornecem isolamento do meio ambiente para plantas (RYE et al., 2016). 
Uma molécula de gordura consiste em dois componentes principais – glicerol 
e ácidos graxos. Glicerol é um composto orgânico (álcool) com três carbonos, cinco 
hidrogênios e três grupos hidroxila (OH). Os ácidos graxos têm uma longa cadeia de 
hidrocarbonetos aos quais um grupo carboxila está ligado, daí o nome “ácido graxo”. O 
número de carbonos no ácido graxo pode variar de 4 a 36; mais comuns são aqueles 
que contêm 12 a 18 carbonos. Em uma molécula de gordura, os ácidos graxos estão 
ligados a cada um dos três carbonos da molécula de glicerol com uma ligação éster por 
meio de um átomo de oxigênio (RYE et al., 2016).
Durante a formação da ligação éster, três moléculas de água são liberadas. Os três 
ácidos graxos no triacilglicerol podem ser semelhantes ou diferentes. As gorduras também 
são chamadas de triacilgliceróis ou triglicerídeos por causa de sua estrutura química 
(Figura 6). Alguns ácidos graxos têm nomes comuns que especificam sua origem. Por 
exemplo, o ácido palmítico, um ácido graxo saturado, é derivado da palmeira. O ácido 
araquídico é derivado de Arachis hypogea, o nome científico do amendoim (RYE et al., 2016).
algas e animais invertebrados têm sido investigados como agentes anticoagulantes e 
antitrombóticos, em virtude de suas similaridades estruturais com a heparina (CUNHA; 
PAULA; FEITOSA; 2009).
FIGURA 6 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DE TRACILGLICEROL INSATURADO; EM DESTAQUE: 
GLICEROL; RADICAIS CARBOXÍLICOS: ÁCIDO PALMÍTICO (1); ÁCIDO OLEICO (2); ÁCIDO ALFA-LINOLÊNICO (3)
FONTE: O autor
122
Os ácidos graxos podem ser saturados ou insaturados. Em uma cadeia de ácido graxo, 
se houver apenas ligações simples entre carbonos vizinhos na cadeia de hidrocarbonetos, 
o ácido graxo é considerado saturado. Os ácidos graxos saturados são saturados com 
hidrogênio; em outras palavras, o número de átomos de hidrogênio ligados ao esqueleto de 
carbono é maximizado. O ácido esteárico é um exemplo de ácido graxo saturado.
Quando a cadeia de hidrocarbonetos contém uma ligação dupla, o ácido graxo 
é considerado insaturado. O ácido oleico é um exemplo de ácido graxo insaturado. Nas 
plantas, a gordura ou o óleo são armazenados em muitas sementes, sendo usados 
como fonte de energia durante o desenvolvimento das mudas. As gorduras ouos óleos 
insaturados são geralmente de origem vegetal e contêm ácidos graxos insaturados cis.
A cera cobre as penas de alguns pássaros aquáticos e a superfície das folhas de 
algumas plantas. Devido à natureza hidrofóbica das ceras, elas evitam que a água grude 
na superfície. As ceras são feitas de longas cadeias de ácidos graxos esterificadas em 
álcoois de cadeia longa.
2.4 PROTEÍNAS 
Assim como os carboidratos e lipídios, as proteínas são mobilizadas durante o processo 
de crescimento e desenvolvimento dos vegetais, tendo seus produtos utilizados na produção 
de energia e na produção de matérias-primas, como a construção de células e tecidos.
A parede celular vegetal contém muitas proteínas e glicoconjugados, incluindo 
várias enzimas e proteínas estruturais. Como exemplo, podem ser citadas as arabinoga-
lactana-proteínas, moléculas estruturalmente complexas, encontradas na membrana 
plasmática e na parede celular vegetal, as quais apresentam importantes funções em 
processos de reconhecimento e sinalização celular (PINTO; RIBEIRO; DE OLIVEIRA, 2011).
Sabemos também que a sobrevivência das plantas depende da sua habilidade 
de adaptação ao ambiente e às condições de estresse em que vivem. Sua adaptação 
e resistência traduzem-se por alterações no metabolismo da célula vegetal, como a 
síntese de proteínas de defesa, expressas por genes específicos. Tais proteínas exercem 
vários papéis na resistência e sobrevivência da planta, podendo agir de forma direta, 
combatendo o agente agressor, ou de forma indireta, mantendo a estrutura e as funções 
celulares (PINTO; RIBEIRO; DE OLIVEIRA, 2011).
De maneira sucinta, quando a planta percebe a presença do agente agressor, ela 
transmite sinais que ativam seus mecanismos de defesa. As moléculas indutoras de defesa 
podem apresentar duas origens, endógenas e exógenas. No primeiro caso, são incluídos os 
fragmentos da própria planta, como no caso de oligossacarídeos da parede celular liberados 
pela ação de enzimas originárias de infecção fúngica ou da saliva de insetos mastigadores.
123
Plantas submetidas a estresses bióticos ou abióticos sofrem alterações em seu 
padrão de expressão de proteínas, podendo ocorrer tanto inibição quanto indução da 
síntese de determinados constituintes proteicos (RYE et al., 2016). 
Entre as proteínas de defesa presentes em plantas, destacam-se lectinas, ini-
bidores de proteases serínicas e cisteínicas, polifenoloxidases, peroxidases, fenilalani-
na-amônia-liase, e as proteínas relacionadas com a patogênese, sendo estas mais bem 
descritas quanto as suas propriedades de defesa vegetal.
As lectinas são proteínas capazes de se ligarem aos resíduos de carboidratos de 
macromoléculas, como glicoproteínas e polissacarídeos. O papel das lectinas de leguminosas 
é considerado um modelo para eventos de reconhecimento proteína-glicídio. Isso ocorre 
devido à sua fácil purificação e também a uma ampla especificidade para resíduos de glicídios, 
mesmo mantendo uma grande conservação de sequência. Algumas funções das lectinas 
são bastante conhecidas, como o reconhecimento célula-célula durante a interação entre 
plantas e bactérias em processos simbióticos de desenvolvimento, a ação como proteína 
de armazenamento em sementes, no processo de reconhecimento e compatibilidade do 
pólen durante a fertilização e na defesa de plantas contra patógenos. O efeito tóxico das 
lectinas sobre o desenvolvimento patógenos, como nematoides, afídeos, bruquídeos e 
fungos fitopatogênicos já foi comprovado (PINTO; RIBEIRO; DE OLIVEIRA, 2011).
De modo geral, as proteínas são constituídas por cadeias de aminoácidos unidos 
por ligações peptídicas (ligação amida), constituindo cadeias polipeptídicas que diferem 
umas das outras pelo número e pela sequência dos resíduos de aminoácidos presentes 
na molécula (SIKORSKI, 2001). 
A estrutura das proteínas é considerada em diversos níveis, sendo o primeiro o nível 
de estrutura primária, que corresponde à composição, e a sequência de aminoácidos que 
formam cadeias polipeptídicas, sem considerar o arranjo espacial (GRANDE; CREN, 2016). 
O nível de estrutura secundária está relacionado com o arranjo espacial dos 
átomos da cadeia principal. Esse arranjo provoca a formação de estruturas secundárias, 
como hélices e folhas pregueadas, mas sem ter em conta a conformação das suas cadeias 
laterais ou as suas relações com outros segmentos de proteínas (GRANDE; CREN, 2016).
A conformidade tridimensional das proteínas corresponde, por sua vez, ao arranjo 
espacial dos átomos da molécula proteica ou da subunidade de molécula proteica (cadeia 
polipeptídica). Essa conformidade tridimensional dá, então, origem ao nível de estrutura terciária 
da proteína. A maior parte das proteínas adquirem funcionalidade com esse nível de estrutura, 
como é o caso da maioria das proteínas com atividade enzimática (GRANDE; CREN, 2016).
No caso em que as subunidades proteicas interagem entre si, as proteínas 
adquirem uma estrutura quaternária (nível quaternário de organização). As interações 
que as cadeias peptídicas podem estabelecer entre si são normalmente interações 
124
FIGURA 7 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA MOLECULAR E ESTRUTURAL DOS AMINOÁCIDOS ESSENCIAIS
Isoleucina (C6H13NO2) Leucina (C6H13NO2) Lisina (C6H14N2O2)
Histidina (C6H9N3O2) Metionina (C5H11NO2S) Fenilalanina (C9H11NO2)
Treonina (C4H9NO3) Treonina (C11H12N2O2) Valina (C5H11NO2)
FONTE: O autor
Em contrapartida, muitas espécies vegetais, como as oleaginosas, apresentam 
grande potencial como fonte de proteínas para alimentação, mas podem apresentar 
limitação com relação a alguns tipos de aminoácidos essenciais, além de algumas 
espécies apresentarem, em sua composição, fatores antinutricionais, como ocorre 
com a soja. Entretanto, a soja é a única espécie estudada, cuja qualidade em proteínas 
se aproxima das proteínas animais, por isso, é até hoje a principal fonte de proteínas 
vegetais para alimentação humana e animal. De modo geral, as proteínas vegetais se 
mostram vantajosas por serem mais disponíveis para a população e mais baratas.
eletrostáticas e ligações de enxofre, que permitem a estabilização desse nível de 
estrutura que determina a sua funcionalidade (SIKORSKI, 2001). 
As proteínas são constituídas por aminoácidos que se dividem em essenciais 
e não essenciais. Os aminoácidos essenciais, assim como os não essenciais, são 
indispensáveis para o desenvolvimento saudável do organismo humano, porém, não 
são sintetizados por este e, por isso, devem ser obtidos a partir da alimentação. 
Entre os aminoácidos essenciais (Figura 7), destacam-se histidina, isoleucina, leucina, 
lisina, metionina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina (DESSIMONI-PINTO et al., 2010).
125
ANTINUTRIENTES
Os principais compostos antinutricionais encontrados em oleaginosas são: as saponinas, 
caracterizadas pelo sabor amargo e pela formação de espuma em soluções aquosas, 
sendo responsáveis por modificações na permeabilidade da mucosa intestinal, inibindo 
o transporte de nutrientes para diversos órgãos; as proteínas alergênicas (conglicinina 
e β-conglicinina), que reduzem a absorção de nutrientes, causando efeitos deletérios 
no intestino delgado; os inibidores de proteases, que inibem a atividade da tripsina e 
quimiotripsina, reduzindo o valor nutritivo das proteínas nas leguminosas; e as lectinas, 
que são proteínas que se encontram na maioria das leguminosas e atuam 
combinando-se com células da parede intestinal, causando interferência não 
específica na absorção e na diminuição da digestibilidade dos nutrientes. 
Contudo, esses compostos antinutricionais podem ser eliminados através 
de pré-tratamento, dadas as matérias-primas antes do processo de 
extração dos óleos, sendo realizado um tratamento térmico (cozimento) 
em temperaturas superiores a 100 °C. O tratamento térmico, por outro 
lado, é tido como responsável por provocar perdas nutricionais, assim 
como a desnaturação das proteínas presentes nas oleaginosas, o que 
compromete a funcionalidadeproteica, além da solubilidade, parâmetro 
fundamental no processo de extração de proteínas (GRANDE; CREN; 2016).
NOTA
Em uma célula de planta, a biossíntese de proteína ocorre em três locais 
diferentes: no citosol, no estroma do cloroplasto e na matriz mitocondrial. A síntese 
de proteínas, um processo chamado de tradução, necessita de um intercâmbio 
coordenado com mais de uma centena de macromoléculas. São necessárias moléculas 
de RNA transportador (tRNA), RNA mensageiro (mRNA), enzimas ativadoras, nove 
fatores de iniciação, além dos ribossomos. Uma proteína é sintetizada no sentido 
amino-carboxila pela adição sequencial de aminoácidos à ponta carboxila da cadeia 
polipeptídica em crescimento (3'-5'). A síntese de proteínas ocorre em cinco etapas: 
ativação dos aminoácidos; iniciação; alongamento; terminação da síntese polipeptídica; 
enovelamento e processamento (GRANDE; CREN, 2016).
As proteínas sintetizadas destinadas ao citosol simplesmente permanecem 
onde foram sintetizadas. Proteínas precursoras, destinadas às mitocôndrias ou aos 
cloroplastos, possuem sequências sinalizadoras (pequenas sequências de aminoácidos), 
presentes no amino-terminal de um polipeptídio recém-sintetizado, que são ligados por 
proteínas chaperonas citosólicas. Já a degradação de proteína nos vegetais está ligada 
por diferentes fases do desenvolvimento, como germinação, morfogenia e biogêneses de 
célula, senescência e morte programada da célula. A proteólise também está associada 
ao estresse oxidativo, promovido por espécies reativas de oxigênio (BELTRÃO, 2007).
126
3 METABOLISMO SECUNDÁRIO VEGETAL 
Todos os organismos precisam transformar e interconverter um grande número 
de compostos orgânicos para viver, crescer e se reproduzir. As plantas dependem 
dessas transformações químicas executadas pelo seu metabolismo para garantir sua 
sobrevivência ao ambiente em que estão inseridas. Essas defesas envolvem substâncias 
do metabolismo especial, também chamado de metabolismo secundário.
Os metabólitos secundários são definidos como moléculas orgânicas resultan-
tes de várias reações anabólicas e catabólicas das estruturas celulares no processo do 
metabolismo basal e aparentemente não possuem relação com crescimento e desen-
volvimento da planta. São característicos de um determinado grupo vegetal, enquanto 
os metabólitos primários estão distribuídos por todo o reino vegetal (DA LUZ, 2018).
O termo secundário toma como base o fato de que esses metabólitos são 
produzidos a partir de metabólitos conhecidos e oblíquos do metabolismo basal/
primário. Apesar de ser uma separação didática entre os tipos de metabolismo, devemos 
admitir que separar esses metabolismos em duas vias distintas não tem sentido se 
considerarmos os aspectos fisiológicos e biológicos.
Assim, esses metabólitos secundários têm importantes funções ecológicas nas 
plantas:
• protegem as plantas contra herbívoros e patógenos; 
• servem como atrativos (aroma, cor, sabor) para polinizadores; 
• funcionam como agentes de competição entre plantas e de simbiose entre plantas 
e microrganismos.
3.1 INTERAÇÃO PLANTA-AMBIENTE
De fato, os metabólitos secundários representam uma interface química entre 
as plantas e o ambiente circundante, e a sua síntese, seja a nível de composição ou 
quantidade, frequentemente é afetada de acordo com as condições desse ambiente a 
que o vegetal está exposto (GOBBO-NETO; LOPES, 2007). 
Devemos ressaltar que, variações temporais e espaciais no conteúdo total desses 
produtos, bem como as suas proporções relativas nas plantas ocorrem em diferentes níveis 
(sazonais e diárias; intraplanta, inter e intraespecífica) e, apesar da existência de um controle 
genético, a expressão pode sofrer modificações resultantes da interação de processos bio-
químicos, fisiológicos, ecológicos e evolutivos. Os principais fatores que podem coordenar 
ou alterar a taxa de produção de metabólitos secundários estão expostos na Figura 8.
127
FIGURA 8 – PRINCIPAIS FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR O ACÚMULO DE METABÓLITOS 
SECUNDÁRIOS EM PLANTA
FONTE: Gobbo-Neto; Lopes (2007, p. 380)
É importante perceber que muitos desses estudos sobre a influência dos fatores 
ambientais na produção de metabólitos secundários, em geral, têm se limitado a um gru-
po restrito de espécies, com frequência, ocorrentes em regiões temperadas, com muitas 
espécies comercialmente importantes e que podem ter sofrido fortes pressões seletivas 
antrópicas, visando a certas características desejadas. Seu comportamento, portanto, 
nem sempre é representativo de plantas selvagens ou de outros tipos de habitat.
Algumas outras variações em termos de composição e teor podem ser decorrentes 
do desenvolvimento foliar e/ou surgimento de novos órgãos. Assim, é possível observar 
uma menor concentração de alguns metabólitos por diluição, podendo, porém, resultar 
em maior quantidade total, devido ao aumento de biomassa. Além disso, alguns dos 
fatores discutidos apresentam correlações entre si e não atuam isoladamente, podendo 
influir em conjunto no metabolismo secundário, como desenvolvimento e sazonalidade, 
índice pluviométrico e sazonalidade, temperatura e altitude, entre outros. 
3.2 BIOSSÍNTESE DE COMPOSTOS 
Para explicar como ocorre esse inter-relacionamento entre o metabolismo 
primário e o secundário, podemos citar os fitoesteróis, produtos do metabolismo 
primário e que têm seus derivados apresentando apenas ligeiras modificações em suas 
estruturas e, ainda assim, são classificados como metabólitos secundários (KREIS; 
MUNKERT; PÁDUA, 2017). 
128
A distinção entre os dois tipos de metabolismos, às vezes, pode parecer 
confusa, mas é utilizada de uma maneira didática para facilitar o nosso entendimento. 
Na formação dos metabólitos derivados (Figura 9), observa-se que a biossíntese de 
muitos deles compartilha numerosos intermediários que derivam das mesmas vias 
metabólicas. As principais vias de biossíntese de metabólitos secundários são derivadas 
de metabolismo primário do carbono. Assim, é importante ressaltar que todo o carbono 
obtido pela planta é proveniente da fotossíntese. Nota-se que intermediários do 
processo de respiração (metabólito primário) fornecem os esqueletos de carbono para 
as principais vias do metabolismo secundário.
FIGURA 9 – PRINCIPAIS ROTAS DE BIOSSÍNTESE DE METABÓLITOS SECUNDÁRIOS E SUAS INTER-RELA-
ÇÕES COM O METABOLISMO PRIMÁRIO
FONTE: Adaptada de Taiz; Zeiger (2006)
Levantamentos apontam para uma estimativa de que mais de 200 mil 
compostos identificados a partir de espécies vegetais (FERRO; MOURA; GERON, 2016). 
Apesar da grande diversidade, toda essa gama de substâncias é sintetizada a partir de 
quatro vias metabólicas principais:
• via do acetato-malonato;
• via do acetato-mevalonato;
129
• via do metileritritol fosfato;
• via do ácido chiquímico.
Proveniente dessas vias, temos a produção de diferentes moléculas, que 
podemos dividir em três classes químicas principais, as quais apresentam estruturas 
complexas, baixa massa molecular e distintas atividades biológicas (SIMÕES, 2017):
• os terpenos
• os compostos fenólicos;
• os compostos nitrogenados.
Através da via do ácido mevalônico, via metileritritol (piruvato/3-PGA) são 
produzidas as substâncias definidas como terpenos ou terpenoides, classe em que 
encontramos óleos essenciais, saponinas, carotenoides e a maioria dos fitorreguladores.
Flavonoides, taninos e ligninas fazem parte dos compostos fenólicos, derivados 
das vias do ácido malônico e do ácido chiquímico.
A via do ácido malônico é uma importante fonte de fenóis em fungos e bactérias, mas 
é pouco usada em plantas superiores. A via do ácido chiquímico é responsável pela biossínte-
se da maioria dos compostos fenólicos nas plantas. A partir da eritrose-4-P e do ácido fosfo-
enolpiruvato, começa uma sequência de reações que levam à síntese do ácido chiquímico e 
seus derivados e de aminoácidos aromáticos (fenilalanina, triptofano e tirosina). 
Os alcaloides são provenientes de aminoácidosaromáticos (triptofano, tirosina), 
os quais são derivados do ácido chiquímico e de aminoácidos alifáticos (ornitina, lisina); 
nicotina, cafeína e vincristina são alguns exemplos de alcaloides.
130
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Metabólitos primários: encontram-se em todas as plantas; têm como função 
a nutrição, o crescimento e o desenvolvimento. São exemplos: nucleotídeos, 
aminoácidos, açúcares, ácidos orgânicos etc.
• Metabólitos secundários: são distribuídos diferencialmente entre grupos 
taxonômicos limitados; têm como função influenciar interações ecológicas entre 
a planta e o meio ambiente. São exemplos: terpenos, compostos nitrogenados e 
fenilpropanoides (compostos fenólicos).
• Em ambos os tipos de metabolismos, as rotas de biossíntese não são facilmente 
distinguidas, seja entre o tipo de metabolismo, na base de suas moléculas 
precursoras, estrutura química ou origem biossintética.
131
1 As plantas absorvem energia luminosa a partir do sol, convertendo-a em energia 
química no processo chamado fotossíntese. A energia livre produzida por esse 
processo é armazenada na forma de moléculas ricas em energia, podendo ser 
prontamente utilizadas nos processos celulares vitais e no desenvolvimento da 
planta. Considere as lacunas da sentença a seguir:
“A energia é armazenada a longo prazo nas ligações de ________ e usada a curto 
prazo para realizar o trabalho de uma (n) molécula ________”.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) ATP; de glicose.
b) ( ) Molécula anabólica; catabólica.
c) ( ) Glicose; de ATP.
d) ( ) Molécula catabólica; anabólica.
2 Os polissacarídeos apresentam uma ampla gama de aplicações, especialmente nas 
áreas biomédicas, farmacêutica e de cosméticos, em que são aplicados em engenharia 
de tecidos, imobilização de enzimas, biossensores, como veículo de liberação de 
fármaco etc. Entre as diversas substâncias armazenadas nas paredes celulares dos 
vegetais, pertencentes à classe dos polissacarídeos, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Amido.
b) ( ) Celulose.
c) ( ) Glicogênio.
d) ( ) Lactose.
3 Os ácidos graxos podem ser saturados ou insaturados. Em uma cadeia de ácido 
graxo, se houver apenas ligações simples entre carbonos vizinhos na cadeia de 
hidrocarbonetos, o ácido graxo é considerado saturado. As gorduras saturadas têm 
todas as seguintes características, exceto:
a) ( ) Elas são sólidas à temperatura ambiente.
b) ( ) Elas têm ligações simples dentro da cadeia de carbono.
c) ( ) Geralmente, são obtidas de fontes animais.
d) ( ) Elas tendem a se dissolver na água facilmente.
AUTOATIVIDADE
132
4 No interior da planta, ocorrem diferentes processos bioquímicos de extraordinária 
complexidade, que constituem, em conjunto, o metabolismo vegetal, o qual inclui 
tanto reações simples quanto reações complexas. Acerca do metabolismo vegetal, 
diferencie os tipos de metabólitos produzidos por esses organismos.
5 A fotossíntese é um dos processos mais importantes para a manutenção da vida. 
Através da energia produzida pelo aparelho fotossintético das plantas, temos a 
produção de compostos utilizados no processo respiratório. Quais são os dois 
principais produtos resultantes da fotossíntese?
133
TÓPICO 3 - 
QUÍMICA DOS PRODUTOS NATURAIS
1 INTRODUÇÃO
Como vimos no tópico anterior, o conjunto de reações químicas, que ocorrem em 
um organismo e constituem o metabolismo vegetal, é dividido em metabolismo primário 
(aminoácidos, nucleotídeos, açúcares e lipídios, presentes em todas as plantas e desempe-
nhando as mesmas funções) e metabolismo secundário (variedade de moléculas orgânicas 
que não possuem uma função direta nos processos fotossintéticos e respiratórios, assimi-
lação de nutrientes, transporte de solutos ou síntese de proteínas, carboidratos ou lipídios).
Os metabólitos secundários, sintetizados em pequenas quantidades, e não de 
forma generalizada, com produção restrita a um gênero, uma família ou uma espécie 
do vegetal, têm funções ecológicas específicas, como a pigmentação de flores e frutos, 
que atua como atrativo para insetos polinizadores ou, ainda, compostos que atuam 
como pesticidas naturais, com função protetora contra predadores, conferindo à planta 
sabores amargos, tornando-a indigesta ou venenosa.
A estrutura química entre os compostos produzidos por ambos os metabolismos, 
às vezes, é muito semelhante. Podemos citar como exemplo a prolina, um metabólito 
primário, formado por um anel pirrolidina, enquanto o ácido pipecólico, composto 
formado por um anel piperidina, é um metabólito secundário. 
Alguns produtos secundários exercem suas funções pela semelhança com me-
tabólitos endógenos, receptores, hormônios ou neurotransmissores e, por isso, pos-
suem efeito benéfico nos sistemas fisiológicos humanos. Entre os exemplos que podem 
ser citados, temos os metabólitos secundários envolvidos na defesa contra patógenos 
no vegetal, que também podem apresentar ação antimicrobiana em outros organismos, 
e os metabólitos utilizados na defesa contra herbivoria, que, geralmente, apresentam 
atividade sedativa, relaxante muscular ou anestésica, e assim por diante. Assim, devido 
às diversas atividades biológicas que os produtos naturais exercem, percebemos a im-
portância do estudo das espécies vegetais e da identificação dessas classes metabóli-
cas. Neste tópico, conheceremos como esses compostos são classificados.
UNIDADE 2
2 COMPOSTOS FENÓLICOS
Os compostos fenólicos são caracterizados quimicamente como substâncias 
que possuem pelo menos um anel aromático, no qual ao menos um hidrogênio é 
substituído por um grupamento hidroxila, incluindo seus grupos funcionais. Esses 
compostos são sintetizados a partir de duas rotas metabólicas principais: a via do ácido 
chiquímico e a via do ácido mevalônico (menos significativa).
134
Apresentam-se estruturalmente diversificados, com moléculas simples, como 
os ácidos fenólicos, até polímeros complexos, como os taninos e a lignina. Moléculas 
pertencentes a essas classes são denominadas como antioxidantes naturais, ou seja, 
compostos que são capazes de interagir com radicais livres, espécies reativas de 
oxigênio (EROs) e espécies reativas de nitrogênio (ENOs) (JANIQUES et al., 2013).
Os principais compostos fenólicos são ácidos fenólicos, flavonoides, estirbenos e ta-
ninos (Figura 10), aos quais estão relacionadas atividades biológicas como antimicrobianas, 
anticariogênica, citotóxica, anti-inflamatória, imunomodulatória, antioxidante e antitumoral.
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Além disso, podemos relacionar sua presença ao sabor, ao odor e à coloração em 
diversos vegetais. Devido a essas características organolépticas, os compostos fenólicos 
acabam não sendo apenas atrativos para o homem, mas também para diversos animais 
e insetos, que, ao serem atraídos, promovem a polinização ou a dispersão de sementes. 
Assim como sua importância na reprodução das plantas, percebe-se também que esses 
compostos, muitas vezes, são responsáveis ainda pela proteção dos tecidos da planta 
contra injúria de insetos, ataque de animais, contra fatores ambientais e microbiológicos. 
Compostos dessa classe são responsáveis pela bioatividade contra vários 
microrganismos patogênicos. Sabe-se que a ingestão de alimentos contendo 
compostos fenólicos interfere em diversos processos fisiológicos, pois possuem 
inúmeras propriedades terapêuticas, como anti-inflamatória, cicatrizante, antioxidante, 
antimicrobiana, anestésica, anticancerígena, entre outras, auxiliando na absorção e na 
ação de vitaminas (SOARES et al., 2017).
Várias espécies de fungos, vírus e bactérias tem demonstrado sensibilidade 
frente aos compostos fenólicos, dentre elas podemos citar: Streptococcus mutans,Listeria monocytogenes, Escherichia coli, Helicobacter pylori, Staphylococcus aureus, 
Bacillus cereus, Influenza A, HSV-1 e HSV-2 (herpes), Adenovirus, Candida albicans, 
Trichophyton mentagrophytes (INFANTE, 2013).
Representantes da classe podem ser encontrados em folhas, frutos e sementes 
de diversas espécies nativas brasileiras, como: Eugenia involucrata, Eugenia brasiliensis, 
Eugenia myrcianthes, Garcinia brasiliensis e Eugenia leitonii (INFANTE, 2013).
Entre os alimentos que possuem esses compostos, o mel e o própolis encontram-
se em destaque. As ações bacteriostática e bactericida in vitro dos extratos de própolis 
têm sido testadas em diferentes linhagens de bactérias. Vários trabalhos apontam uma 
acentuada atividade da própolis, principalmente contra bactérias Gram-positivas, e 
ação limitada contra Gram-negativas. A menor sensibilidade das Gram-negativas se 
deve, provavelmente, às diferenças na constituição química da parede celular dessas 
bactérias (SOARES et al., 2017). Quanto à ação fungicida, algumas linhagens de fungos, 
em especial o gênero Candida, revelam-se susceptíveis aos extratos de própolis.
Podemos citar também os compostos fenólicos não flavonoides, como ácido 
gálico, ácido hidroxibenzoico, cafeico, cumárico, ferúlico e elágico, encontrados em 
frutos, como a amora preta (Rubus spp.), e que são potentes compostos antioxidantes.
2.1 ÁCIDOS FENÓLICOS
Os ácidos fenólicos, possuem um anel benzênico, um grupo carboxila e um 
ou mais grupos hidroxila. Essa classe de compostos fenólicos está dividida em três 
subgrupos: os ácidos benzoicos, os ácidos cinâmicos e as cumarinas. Esses compostos 
estão representados na Figura 11. 
137
FIGURA 11 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DAS COMPOSTOS FENÓLICOS
Ácido benzoico Ácido cinâmico Cumarina
FONTE: Adaptada de Cunha; Paula; Feitosa (2009)
O ácido benzoico, também conhecido como ácido benzeno carboxílico (Figura 
11), é considerado o ácido carboxílico aromático mais simples e se apresenta como 
um sólido incolor cristalino. Possui uma estrutura formada por fenilpropanoides que 
perderam um fragmento de dois carbonos da cadeia lateral. Exemplos desses derivados 
são vanilina e ácido salicílico.
Com baixa toxicidade, os benzoatos têm sua aplicação na indústria de 
alimentos como conservante, devido ao seu potencial bacteriostático e fungiostático 
sob condições ácidas, por isso é mais amplamente utilizado em alimentos ácidos, como 
molhos para salada (vinagre), bebidas carbonatadas (refrigerantes), compotas e sucos 
de frutas (ácido cítrico), e condimentos. 
Ainda, têm uso na indústria de cosméticos e fármacos em formulações tópicas 
contendo ácido salicílico, para o tratamento de doenças fúngicas da pele como tinea, 
micoses e pé de atleta. Na indústria de materiais, também participa do processo de 
obtenção do nylon e plastificantes.
O ácido benzoico é encontrado naturalmente em diversos alimentos, sendo um 
dos principais constituintes do extrato de amoras silvestres, alguns tipos de cogumelos 
e tomates frescos. Essa substância também é encontrada naturalmente em maçãs, 
uvas, queijo, bem como em alguns produtos fermentados, como iogurte, cerveja, 
vinhos, entre outros. No caso dos produtos fermentados, o ácido benzoico é formado 
como um subproduto da degradação microbiana do ácido hipúrico e da fenilalanina, e 
uma terceira rota se dá pela oxidação do benzaldeído (OLIVEIRA; REIS, 2017). 
O ácido cinâmico consiste em um ácido aromático pertencente à classe das 
auxinas (hormônios vegetais de regulação do crescimento e diferenciação celular) e é 
facilmente encontrado em frutos, flores de diversas espécies vegetais.
Os ácidos cinâmico e cumárico, assim como seus derivados, são compostos 
fenólicos simples chamados fenilpropanoides, porque contêm um anel benzênico (C6) 
e uma cadeia lateral de três carbonos (C3) (Figura 11).
138
Atividades biológicas importantes têm sido atribuídas a esse composto e aos 
seus derivados, como atividade antifúngica, antibacteriana, citotóxica e antiproliferativa, 
inibindo a síntese de DNA de células em crescimento. 
O ácido cafeico é um derivado do ácido cinâmico, que apresenta atividades 
citotóxica, antioxidante, anti-inflamatória e antitumoral. Está presente em muitos 
alimentos, incluindo o café. Outro derivado importante é o ácido ferúlico, que apresenta 
atividade antioxidante e antibacteriana (RODRIGUES, 2015).
As cumarinas são uma ampla família de lactonas, com mais de 1.500 
identificadas em mais de 800 espécies de plantas, que atuam como agentes 
antimicrobianos e inibidores da germinação. Alguns apresentam fototoxicidade contra 
insetos (no caso do psoraleno) após serem ativados pela luz ultravioleta, ação realizada 
pelo bloqueio da transcrição e do reparo do DNA, causando a morte celular. Sua fórmula 
estrutural pode ser observada na Figura 11.
A cumarina mais simples é aquela encontrada como constituinte do óleo de 
bergamota, um óleo essencial que adiciona aroma ao tabaco para cachimbo, chá e 
outros produtos. As mais tóxicas são produzidas por fungos, como a aflatoxina produzida 
pelo Aspergillus flavus (pode infectar amendoim ou milho), talvez o carcinógeno mais 
potente das toxinas naturais. 
2.2 FLAVONOIDES 
Os flavonoides são substâncias naturais que fazem parte de conjunto de 
estruturas polifenólicas presentes em diversas plantas; sua descoberta ocorreu em 
1930, quando uma nova substância química foi isolada de laranjas, acreditando-se 
tratar de mais um novo membro da família das vitaminas.
Os flavonoides, que constituem a maior classe de fenólicos vegetais, apresentam 
em sua estrutura química ao menos 15 átomos de carbonos organizados em dois anéis 
aromáticos ligados por uma cadeia de três carbonos (Figura 12). Essas moléculas estão 
presentes em frutas, folhas, flores e sementes e em outras partes dos vegetais em 
forma de glicosídeos. São classificados de acordo com o grau de oxidação, tendo como 
principais representantes as antocianinas (pigmentos), flavonas, flavonóis e isoflavonas. 
Sua distribuição nos vegetais depende de diversos fatores, de acordo com 
a fila, a ordem, a família do vegetal, bem como a variação das espécies. Geralmente, 
flavonoides encontrados nas folhas podem ser diferentes daqueles presentes nas 
flores, nos galhos, raízes e frutos. O mesmo composto pode apresentar diferentes 
concentrações, dependendo do órgão vegetal em que se encontra.
139
Suas funções no vegetal estão relacionadas à defesa e à pigmentação. Embora 
os flavonoides sejam quase ausentes em fungos, algas, briófitas e pteridófitas, sua 
importância nas angiospermas é muito grande. Esses compostos estão envolvidos 
principalmente na sinalização entre plantas e outros organismos e na proteção contra 
os raios UV. No que se refere à sinalização entre plantas e outros organismos, pode-se 
incluir a relação entre os vegetais e seus agentes polinizadores, sendo a coloração das 
flores um dos principais atrativos. 
A catequina e a epicatequina, proveniente de extratos do fruto de araçá, 
chás verdes, vinhos tinto e chocolate, são exemplos de flavonoides. Diversos estudos 
relatam também a presença de flavonoides nas folhas de pitangueira (Eugenia ssp.), na 
guabiroba (Campomanesia adamantium); amora-preta (Rubus ssp.), no araçá (Psidium 
cattleianum) e na pitaia de casca vermelha (Hylocereus undatus) e de casca amarela 
(Selenicereus megalanthus), entre outras. 
FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DA CONFORMAÇÃO BÁSICA DOS FLAVONOIDES
FONTE: O autor
Diversas atividades biológicas têm sido relatadas in vitro e in vivo, como as 
atividades antioxidante, antiproliferativa, antimicrobiana e modulação enzimática, anti-
inflamatória (inibição de COX-1 e 2, e leucotrienos) e antitumoral, além da inibição da 
danificação do colágeno. Essas atividades dependem de sua estrutura química, que 
pode variar com substituições, incluindo hidrogenação, hidroxilações, metilações, 
malonilações, sulfatações e glicosilações (SILVA; BIESKI, 2018).
Asflavonas e flavonóis (Figura 13) também são encontrados em flores que 
absorvem comprimentos de onda mais curtos do que as antocianinas e, portanto, não 
são visíveis ao olho humano. No entanto, os insetos que veem na faixa de UV respondem 
às flavonas e aos flavonoides como sinais de atração.
Entre os flavonóis, a quercetina, a miricetina e o kaempferol podem ser encon-
trados em alimentos como maçãs, cebolas, brócolis, alcaparras, vinhos tinto e chás.
As flavonas são encontradas com facilidade em frutas e vegetais, principalmente 
frutas cítricas e cereais, como milho e trigo. Naringenina e hesperetina são exemplos de 
flavonas encontradas em laranjas. 
140
As isoflavonas (Figura 13) têm, entre suas principais moléculas, genisteína, 
daidzeína e gliciteína, que estão presentes em leguminosas como a soja e seus 
derivados. Possuem ainda potente atividade estrogênica, por se comportar de modo 
similar ao estrogênio humano 17-b-estradiol. Estudos demonstram que o consumo de 
alimentos contendo isoflavonas ou sua forma isolada promovem redução no câncer de 
mama, próstata e cólon, além de menor perda óssea em mulheres pós-menopausa. 
FIGURA 13 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DE FLAVONAS E FLAVONÓIS
FONTE: O autor
As antocianinas são flavonoides pigmentados responsáveis pela maioria das 
cores das flores e frutos, importantes na polinização e dispersão de sementes. Eles são 
glicosídeos com um açúcar na posição 3 (Figura 14). Quando as antocianinas têm falta 
de açúcar, são chamadas de antocianidinas. 
A cor das antocianinas depende do pH dos vacúolos nos quais estão armazenados 
e dos substituintes hidroxila e metoxila no anel B. Alguns exemplos são pelargonidina 
(substituinte hidroxila no anel B, localizador 4), conferindo-lhe coloração vermelho-
laranja; cianidina (substituinte hidroxila no anel B, localizador 3 e 4), conferindo-lhe 
coloração roxo-vermelho; delfinidina (substituinte hidroxila no anel B, localizador 3 a 5), 
conferindo-lhe coloração roxo-azul.
Entre diversas espécies vegetais, podemos citar a polpa dos frutos de juçara e de 
amora-preta, ricos em antocianinas, antocianinas e carotenoides, respectivamente, que 
exibem uma potente atividade antioxidante equivalente ao ácido gálico na viabilidade 
celular após indução de estresse oxidativo.
141
FIGURA 14 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DAS ANTOCIANINAS E DAS ISOFLAVONAS
FONTE: O autor
2.3 TANINOS
Os taninos são compostos fenólicos poliméricos que se ligam às proteínas, 
desnaturando-as. O nome tanino vem da prática milenar de usar extratos vegetais para 
converter a pele de animais em couro (no curtimento, eles se ligam ao colágeno, aumentando 
sua resistência ao calor, água e microrganismos). Os taninos estão divididos em duas 
classes: taninos hidrolisáveis e os taninos condensados, representados na Figura 15.
Taninos condensados são polímeros de unidades de flavonoides ligados por 
ligações C-C, que não podem ser hidrolisadas, mas podem ser oxidadas por um ácido 
forte para produzir antocianidinas. 
Taninos hidrolisáveis são polímeros heterogêneos contendo ácidos fenólicos, 
especialmente ácido gálico e açúcares simples; eles são menores do que os condensados 
e hidrolisam mais facilmente. Em geral, são toxinas devido à sua capacidade de se 
ligar a proteínas. Também atuam como repelentes de alimentos para muitos animais 
que evitam, no caso de mamíferos, plantas ou partes de plantas que contenham altas 
concentrações de taninos. Isso ocorre em frutas imaturas, nas quais os taninos estão 
concentrados na casca. No entanto, os taninos do vinho tinto têm um efeito benéfico à 
saúde humana, ao bloquear a formação de endotelina-1, uma molécula sinalizadora que 
causa vasoconstrição (GARCÍA; CARRIL, 2009).
142
FIGURA 15 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DOS TANINOS
Taninos hidrolisáveis
Taninos condensados
FONTE: O autor
Plantas ricas em taninos são empregadas na medicina no tratamento de diversas 
doenças, como diarreias, hipertensão arterial, reumatismo, hemorragias, queimaduras, 
feridas, gastrite, problemas renais e urinários, além de processos inflamatórios em geral. 
Para o tratamento de feridas, queimaduras e inflamações, o poder antisséptico pode 
143
ser explicado devido a sua capacidade de precipitar proteínas das células superficiais 
de mucosas e tecidos (formando um complexo tanino-proteína ou polissacarídeo), 
impedindo o desenvolvimento de microrganismos.
São amplamente utilizados na indústria alimentícia como antioxidantes nos 
sucos de frutas e bebidas e como agente clarificante em vinhos; na indústria têxtil, como 
corantes e produção de borrachas, além de serem agentes floculantes ou coagulantes 
em estações de tratamento de água potável.
Podemos encontrar essa classe em espécies de uso medicinal em: angélica 
(Angelica archangelica), canforeira (Cinnamomum camphora), capim-cidreira 
(Cymbopogon citratus), lavanda (Lavandula dentata), melissa (Lippia alba), alecrim 
(Rosmarinus officinalis) e tomilho (Thymus vulgaris). 
2.4 TOCOFERÓIS 
Os tocoferóis ocorrem naturalmente em frutos, como tomate, physalis, pera, 
pêssego, mirtilo, jambolão, amora, maracujá e araçá, além de vegetais verde-escuros, 
nas sementes oleaginosas, nos óleos vegetais e no gérmen de trigo. A ocorrência 
natural dos diferentes tocoferóis que fazem parte da vitamina E diferenciam-se entre 
os vegetais, mas o α-tocoferol tem ocorrência mais comum.
A vitamina E consiste na denominação genérica de oito compostos lipossolúveis: 
alfa (α), beta (β), gama (γ) e delta (δ) tocoferóis e α, β, γ e δ tocotrienóis, cada um com 
atividades biológicas específicas, porém com especificidades, sendo o α-tocoferol o 
mais potente antioxidante.
Os tocoferóis (Figura 16), outros dos fenólicos, estão presentes em vegetais, 
principalmente em sementes oleaginosas e folhas, que devem ser inseridas na dieta 
por seu alto desempenho no organismo como agentes antioxidantes, envolvidas 
no retardamento do envelhecimento e na proteção contra doenças crônicas não 
transmissíveis, como o mal de Parkinson, o Alzheimer, o câncer e as doenças 
cardiovasculares (BARCIA et al., 2010).
144
FIGURA 16 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DO TOCOFEROL E SEUS SUBSTITUINTES
R1 R2
CH3 CH3 α
CH3 H Β
H CH3 γ
H H δ
FONTE: O autor
2.5 POLIFENÓIS 
Os polifenóis caracterizam-se por apresentar uma estrutura química com 
pelo menos um anel aromático ligado a um ou mais grupos hidroxila. De acordo com 
a estrutura química, os polifenóis podem ser classificados em: flavonoides, ácidos 
fenólicos, lignanas e estilbenos (CROZIER; JAGANATH; CLIFFORD, 2009).
Os compostos polifenóis são amplamente distribuídos na natureza e recebem, 
atualmente, grande atenção em virtude de seus efeitos benéficos à saúde, promovidos 
principalmente por sua capacidade antioxidante. 
São conceituados como um grupo de moléculas que possuem uma pluralidade 
de compostos fenólicos e, quando consumidos na dieta, algumas dessas estruturas 
químicas podem aumentar a lipólise, diminuir a lipogênese e melhorar a resistência ao 
aumento de peso.
A uva é uma das maiores fontes de compostos fenólicos, os quais também 
podem ser encontrados em produtos como sucos e processados, mas também em 
hortaliças, frutas, cereais, chás, café́, cacau, vinho, soja e sucos de frutas como o 
baguaçu, jambolão, amora, uva, açaí, goiaba, morango, acerola, graviola, manga e, em 
menores concentrações, em abacaxi, cupuaçu e maracujá (SOUSA et al., 2020).
Na classe de polifenóis, existem as catequinas, que possuem como 
características principais o gosto amargo, serem incolores e hidrossolúveis. Entre os 
benefícios à saúde humana, destaca-se na redução do surgimento de certos tipos 
de câncer, na redução do colesterol sérico e na estimulação do sistema imunológico 
(PEREIRA; CARDOSO, 2013).
Derivados também do metabolismo secundário, também temos as saponinas, 
que apresentam propriedades detergentes e surfactantes. Seu efeito biológico destaca-
se pela ação antioxidante,em que se ligam a sais biliares e colesterol no tubo digestivo; 
além disso, atuam contra células tumorais (PEREIRA; CARDOSO, 2013).
145
3 TERPENOS
Os terpenos, ou terpenoides, constituem o maior grupo de metabólitos 
secundários com mais de 40 mil moléculas diferentes. Geralmente, são insolúveis em 
água e todos derivam da união de unidades pentacarbonadas (C5H8) em conformação 
de isopreno. A via biossintética desses compostos dá origem a metabólitos primários e 
secundários de grande importância para o crescimento e a sobrevivência das plantas. 
Dessa forma, os terpenos são classificados pelo número de unidades de isopreno 
e sua conformação pode ser observada no Quadro 6.
QUADRO 6 – CLASSIFICAÇÃO DE COMPOSTOS TERPÊNICOS
Classificação Número de átomos de C Número de unidades isopreno
Monoterpenos 10C Duas unidades C5
Sesquiterpenos 15C Três unidades C5
Diterpenos 20C Quatro unidades de C5
Triterpenos 30C Seis unidades de C5
Tetraterpenos 40C Oito unidades
FONTE: O autor
Eles são sintetizados a partir de metabólitos primários por duas rotas: a do ácido 
mevalônico, ativo no citosol, em que três moléculas de acetil-CoA se condensam para 
formar o ácido mevalônico, que reage para formar difosfato de isopentenil (IPP), ou a 
rota do fosfato de metileritritol (MEP), que funciona em cloroplastos e também gera IPP. 
Embora as citocininas e as clorofilas não sejam terpenos, elas contêm em sua estrutura 
uma cadeia lateral que é um terpeno. 
Muitos compostos terpênicos apresentam interesse comercial por suas 
características aromáticas, sendo seu uso empregado como agentes flavorizantes 
em alimentos e cosméticos e também por seu uso em produtos agrícolas como os 
hormônios de desenvolvimento vegetal (giberelinas e ácido abscísico). 
O crescente interesse na aplicação clínica desses compostos é atribuído à 
gama de propriedades biológicas de terpenos, como efeito antitumoral, antimicrobiano, 
antifúngico, antiviral, anti-hiperglicêmico, analgésico, anti-inflamatório, antiparasitário 
e analgésico (OLIVEIRA et al., 2014).
Muitas plantas (limão, menta, eucalipto ou tomilho, andiroba, cajá, copaíba, 
cupuaçu e pau-rosa) produzem misturas de álcoois, aldeídos, cetonas e terpenoides, 
chamados óleos essenciais (Quadro 7), responsáveis pelos odores e sabores caracterís-
ticos dessas plantas, alguns dos quais atuam como repelentes de insetos ou inseticidas. 
146
QUADRO 7 – PRINCIPAIS CONSTITUINTES DE ALGUNS ÓLEOS ESSENCIAIS
Óleo essencial Principais constituintes
“Arnicas-da-Serra”
Sesquiterpenos (AR-diidroturmerona, AR-curcumeno, AR-turme-
rol, bisabolol, cadinol, cariofileno, nerolidol, orto acetoxi bisabolol, 
sesquicineol)
Bergamota
Ésteres de álcoois monoterpênicos (linalil acetato, neril acetato, 
geranil acetato); monoterpenos (limoneno, β-pineno, γ-terpineno); 
monoterpenoides (linalol, geraniol, geranial, neral)
Casca de laranja 
Monoterpenos (limoneno, mirceno); sesquiterpenoides (β-sinensal, 
α-sinensal), sesquiterpeno (valence no); monoterpenoides (decanal, 
linalol, neral, geranial, citronelal), outros compostos (octanal)
Copaíba Sesquiterpeno: β-cariofileno
Cravo 
Sesquiterpenos (α-humuleno, cariofileno); compostos fenólicos 
(eugenol, eugenil acetato)
Folha de curry 
indiano 
Sesquiterpenos (β-cariofileno, β-gurjuneno, α-selineno)
Gengibre 
Sesquiterpenos (zingibereno, AR-curcumeno, β-sesquifelandre-
no, bisaboleno); monoterpenos (canfeno, β-felandreno), monoter-
penoide (1,8-cineol) 
Hortelã-pimenta 
Monoterpenoide (isomentona, (−)-mentol, (−)-mentona, 1,8-ci-
neol, mentofurano); monoterpeno (limone no), álcoois (octan-3-ol, 
oct-1-en-3-ol)
Limão 
Monoterpenos (limoneno, β-pineno, γ-terpineno); monoterpe-
noides (geranial, neral, citronelal, linalol); outros compostos (neril 
acetato, geranil acetato, nonanal)
Pimenta Monoterpeno (sabineno)
Toranja 
Monoterpenos (limoneno, mirceno), monoterpenoide (decanal, 
linalol, citronelol, neral, geranial); sesqui terpenoide (nootkatona, 
β-sinensal); outro composto (octanal)
FONTE: Felipe; Bicas (2017, p. 121)
3.1 TERPENOIDES
Os monoterpenos, devido ao seu baixo peso molecular, costumam ser 
substâncias voláteis sendo, portanto, denominados óleos essenciais ou essências. 
Esses compostos isolados encontram considerável aplicação industrial em sabores 
e perfumes. A função dos óleos essenciais nas plantas pode ser tanto para atrair 
polinizadores quanto para repelir insetos.
A grande maioria dos monoterpenos é volátil e constituinte básico de azeites 
aromáticos (óleos essenciais ou essências), como o linalol e citral, presentes na hortelã 
(Mentha piperita, Lamiaceae), na alfazema (Lavandula angustifolia L., Lamiaceae) e no 
147
capim-limão (Cymbopogon citratus, Poaceae). Alguns são precursores de uma classe 
especial de substâncias, os iridoides e secoiridoides, encontrados, por exemplo, nas 
raízes de valeriana (Valeriana officinalis L., Valerianaceae) ou como unidades presentes 
nas estruturas de alguns tipos de alcaloides complexos (OLIVEIRA et al., 2014).
Os monoterpenos, como o limoneno e o mentol, são constituintes dos óleos de 
limão e hortelã-pimenta, respectivamente (Figura 17).
FIGURA 17 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DE MONOTERPENOS
(R) (S)
Enântiomeros (R)-(S) do limoleno
(R) (S)
Enântiomeros (R)-(S) do mentol
FONTE: O autor
Monoterpenos, como o 1,8-cineol ou o eucaliptol, têm demonstrado de grande 
potencial terapêutico como atividade inibitória dos nociceptores, ação depressora do 
sistema nervoso central, redução da atividade gastrointestinal, anti-hipertensivo, anti-
inflamatório, antiasmático, mucolítico (ALVES; FERREIRA; DE OLIVEIRA FILHO, 2015).
Muitos sesquiterpenoides também são voláteis e, assim como os monoterpe-
nos, estão envolvidos na defesa da planta contra pragas e doenças, atuando como fito-
alexinas, um antibiótico produzido pelas plantas em resposta a infecções microbianas. 
Sendo uma classe de substâncias estruturalmente formadas por três unidades 
de isopreno, podemos citar o álcool sesquiterpênico monocíclico α-bisabolol como 
um importante representante, devido ao seu potencial como agente antimicrobiano, 
gastroprotetor, anti-inflamatório, antineoplásico e antimetastático. Essa molécula tem 
característica lipofílica, volátil e de baixo peso molecular da classe dos bisabolanos, e é obtida 
a partir das flores de camomila (Matricaria chamomilla) e também através da destilação 
direta de outros gêneros vegetais, como Peperomia e Vanillosmopsis (SOUSA et al., 2020).
Alguns sesquiterpenos estão presentes em diversos óleos essenciais, como o 
α-humuleno, β-cariofileno, β-farneseno e α-bisabolol, este último constituinte principal 
da essência de camomila (Matricaria chamomilla) (FERREIRA, 2014).
148
O Acheflan®, considerado o primeiro fitomedicamento genuinamen-
te nacional, é constituído por sesquiterpenos (trans-cariofileno, α-hu-
muleno, allo-aromadendreno) obtidos do óleo essencial da “erva ba-
leeira” (Cordia verbenacea), os quais são detentores de propriedades 
analgésica e anti-inflamatória.
Esse medicamento, lançado pelo grupo Aché Laboratórios Farma-
cêuticos®, em junho de 2005, tem apresentado boa aceitação da 
classe médica e uma quota de mercado superior a 40% desde o final 
de 2007 (OLIVEIRA et al., 2014).
NOTA
Os diterpenos são uma ampla e diversificada classe de produtos naturais, origi-
nados a partir da condensação de quatro unidades de isopreno (C5H8) e biossintetizados 
a partir do ácido mevalônico, através do pirofosfato de 2E, 6E, 10E GGPP. De acordo com o 
número de anéis e o padrão de ciclização de suas estruturas químicas, os diterpenos são 
divididos em acíclicos, bicíclicos, tricíclicos, tetracíclicos, macrocíclicos e mistos.
Como principal representante, encontramos um importante hormônio vegetal, 
as giberelinas, responsáveis por regular vários processos de desenvolvimento, incluindo 
alongamento de caule, germinação, dormência, floração, desenvolvimento de flores e 
senescência de folhas e frutos.
Facilmente encontrados emóleos essenciais, podemos considerá-los impor-
tantes ferramentas farmacológicas, pois apresentam potencial atividade antimicrobia-
na, bactericida e também atividades anti-inflamatórias, relaxante muscular, tripanoci-
da, larvicida contra o Aedes aegypti, entre outras atividades. Ainda podemos citar o 
taxol, um agente antitumoral encontrado em concentrações muito baixas (0,01% do 
peso seco) na casca do teixo (Taxus baccata), e forskolin, um composto utilizado no 
tratamento de glaucoma. 
Os diterpenos, em especial aqueles policíclicos com grupamento carboxila, 
estão presentes em várias resinas, como a de copaíba (Copaifera langsdorffii, Fabaceae) 
e do pinheiro (espécies de Pinus). Outros são tóxicos, como os ésteres de forbol de 
algumas espécies da família Euphorbiaceae, ou importantes para a medicina, como 
os ginkgolidos de Ginkgo biloba. Um diterpeno especial, o esteviosídeo, é isolado de 
espécies de estévia (Stevia rebaudiana, Asteraceae), o que lhe confere o sabor doce. 
Já o paclitaxel, isolado de Taxus brevifolia ou T. baccata (Taxaceae), atualmente, é 
um importante medicamento para o tratamento de câncer de mama e do carcinoma 
metastático de ovário, comercializado como Taxol® (MANTOVANI et al., 2008).
Os triterpenos incluem esteroides e esteróis derivados do esqualeno, uma 
molécula de cadeia linear de 30C, da qual todos os triterpenos cíclicos são derivados. 
149
Os esteroides que contêm como diferencial do colesterol a presença de um 
radical metila ou etila, originando uma ramificação ou um substituinte hidroxila, formando 
os esteroides vegetais, chamados de esteróis. Os mais abundantes nas plantas são o 
estigmasterol e o sitosterol, que só diferem do estigmasterol na ausência da ligação 
dupla entre C22 e C23 (GARCÍA; CARRIL, 2009).
A principal função dos esteróis nas plantas é formar parte das membranas e 
determinar sua viscosidade e estabilidade. Alguns esteróis têm funções protetoras 
contra insetos, como no caso da ecdisona isolada da samambaia comum. Nos animais, 
o esterol mais abundante é o colesterol (Figura 18), precursor de diversos hormônios 
esteroides e que também contém traços presentes nas plantas, razão pela qual os óleos 
vegetais são rotulados como “livres de colesterol”.
FIGURA 18 – FÓRMULA ESTRUTURAL DA MOLÉCULA DE COLESTEROL
FONTE: O autor
Os triterpenos esteroides podem ainda ser encontrados na forma de 
glicosídeos. Esses glicosídeos esteroidais, com funções importantes na medicina e na 
indústria (cardenolipídios e saponinas), são considerados, posteriormente, na seção de 
glicosídeos. Ainda diversos representantes dessa classe de compostos demonstram 
atividades biológicas importantes, como anticarcinogênicas, antiúlcera, antimaláricas, 
antimicrobianas, antifúngica, antioxidante etc.
Alguns fitoesteróis podem ainda originar alcaloides esteroidais, como aqueles 
presentes em espécies do gênero Solanum (Solanaceae), como o tomate e a jurubeba. 
Triterpenos ainda podem originar heterosídeos cardiotônicos, uma classe especial 
de substância empregada na medicina, como a digoxina, utilizada no tratamento de 
insuficiência cardíaca congestiva.
Os tetraterpenos mais famosos são, sem dúvidas, os carotenos e as xantofilas. 
Esses compostos lipossolúveis desempenham um importante papel tanto nas plantas 
quanto nos animais. Esses compostos são pigmentos produzidos por diversas espécies 
vegetais, sendo encontrados em flores e frutos, presentes no mamão, tomate, cenoura 
e laranja, como o licopeno e o α e β-caroteno.
150
Ainda, diversos representantes dessa classe de compostos demonstram 
atividades biológicas importantes, como anticarcinogênicas, antiúlcera, antimaláricas, 
antimicrobianas, antifúngica, antioxidante etc.
Os maiores terpenos são tetraterpenos e os politerpenos, entre os quais estão 
carotenoides (tetraterpenos) e borracha de hidrocarbonetos de alto peso molecular e 
guta-percha (politerpenos ou poli-isoprenoides), e caroteno.
3.2 CAROTENOIDES
Nas plantas, os carotenoides fazem parte das antenas de captação de luz nos fo-
tossistemas e, portanto, sem eles não haveria fotossíntese. Sua propriedade mais importan-
te é seu potencial antioxidantes, dissipadores de radicais livres gerados pela fotossíntese.
Dos carotenoides existentes, os mais prevalentes são: alfacaroteno, betacarote-
no, betacriptoxantina, licopeno, luteína e zeaxantina, que conferem às plantas cores ama-
reladas, alaranjadas e avermelhadas, sendo encontrados em mamão papaia, damasco, 
pitanga, manga, laranja, batata-doce, milho, moranga, cenoura, tomate, salsa e espinafre.
Entre os carotenos, encontramos o elastômero, responsável pela formação da bor-
racha (cis-1,4-poliisopreno), uma estrutura complexa composta por cerca de 1.500 e 60 mil 
resíduos de isopreno, e a guta-percha (guta, a mesma estrutura da borracha, um pouco 
menor em tamanho e com as ligações duplas em uma configuração trans), que se acumu-
lam na forma de partículas no látex, cuja composição é 30-40% de borracha e 50% de água, 
resultando em uma mistura complexa de terpenos, resinas, proteínas e açúcares.
Na maioria das plantas, o látex é produzido no floema e se acumula em vasos lon-
gos e interconectados chamados laticíferos. A excisão do córtex permite a exsudação do 
látex. A principal fonte de borracha para fins comerciais é a Hevea brasiliensis (uma árvore 
nativa da floresta amazônica). A principal fonte de guta é o arbusto do deserto Parthenium 
argentatum, que não armazena látex em laticíferos, mas em vacúolos do caule e das raízes.
3.3 GLICOSÍDEOS
Os glicosídeos são metabólitos vegetais de grande importância. Seu nome se 
refere à ligação glicosídica que se forma quando uma molécula de açúcar se condensa 
com outra que contém um grupo hidroxila. Existem três grupos de glicosídeos de 
interesse particular: saponinas, glicosídeos cardíacos e glicosídeos cianogênicos. Uma 
quarta família, os glucosinolatos, estão incluídos nesse grupo por causa de sua estrutura 
semelhante ao glicosídeo. 
151
As saponinas apresentam-se conjugadas com glicosídeos esteroides, glico-
sídeos esteroides alcaloides ou glicosídeos triterpênicos. Quando encontradas como 
aglicona, um terpeno sem a conjugação com a molécula de açúcar, são chamadas de 
sapogeninas (Figura 19). 
FIGURA 19 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DAS SAPONINAS E SAPOGENINAS
Saponina esteroide conjugada com monossacarídeo glucose
Sapogenina
FONTE: Adaptada de Man et al. (2010)
A adição desse grupo hidrofílico (açúcar) a um de esteroide ou terpenoide 
hidrofóbico dá origem às propriedades tensoativas, reduzindo a tensão superficial 
da água, ou às propriedades detergentes e emulsificantes. Em solução aquosa, 
formam espuma persistente e abundante, possuem elevada solubilidade, agem sobre 
membranas, causando a sua desorganização; complexam-se com esteroides, são 
geralmente esternutatórias e irritantes para as mucosas, têm sabor amargo e ácido.
A principal utilização das saponinas esteroidais é na indústria. Atualmente, a 
maioria dos esteroides utilizados como anticoncepcionais ou em terapêutica (anti-
inflamatório, andrógenos, estrógenos, progestágenos) é obtida por hemissíntese, a partir 
de fontes naturais (saponosídeos, fitosteróis, colesterol, ácidos biliares). Também são 
empregadas como substâncias ativas, adjuvantes em formulações, matérias-primas 
para hemissínteses, adjuvantes para aumentar a absorção de outros medicamentos, 
como detergentes e emulsionantes em suspensões coloidais e emulsões.
152
Suas propriedades farmacológicas demonstram potencial de ação hemolítica, cito-
tóxica e molusquicida, atividade antifúngica e antiviral, atividade espermicida, atividade ex-
pectorante e diurética, atividade anti-inflamatória, atividade imunomoduladora e antitumoral.
Glicosídeos cardíacos ou cardiogênicos são semelhantes às saponinas esteroides, 
também têm propriedades detergentes, mas sua estrutura contém uma lactona na posição 
17 (Figura 20). São encontrados naturalmente na forma de glicosídeos ou agliconas.Talvez, 
a mais conhecida seja a digitoxina, ou seu análogo digoxina, isolada de Digitalis purpurea e 
usada como medicamento no tratamento da insuficiência cardíaca congestiva.
FIGURA 20 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DA DIGOXINA E DIGITOXINA
Digoxina
Digitoxina
FONTE: O autor
4 COMPOSTOS NITROGENADOS
Glicosídeos cianogênicos são compostos nitrogenados, que possuem um papel 
protetor em algumas espécies contra herbívoros, embora não sejam tóxicos, degradam-
se somente quando a planta é esmagada, liberando substâncias voláteis tóxicas, como 
o cianeto de hidrogênio (HCN). 
O HCN é uma toxina de ação rápida que inibe metaloproteínas, como a citocromo 
oxidase, uma enzima-chave na respiração mitocondrial. No entanto, alguns herbívoros 
se adaptaram para poderem se alimentar de plantas cianogênicas e tolerar doses mais 
altas de HCN.
153
Os glicosídeos cianogênicos são encontrados em sementes, como amêndoa, 
damasco, cereja ou pêssego (amigdalina), e em plantas, como alecrim (Holocalyx 
balansae Mich), maniçoba (Manihot glaziovii Muell. Arg.), pessegueiro bravo (Prunus 
sellowii Koehne), samambaia [Pteridium aquilinum (L.) Kuhn.], erva-de-são-joão 
[Sorghum halepense (L.) Pers], entre outras. 
Os digitálicos ou glicosídeos cardíacos são substâncias derivadas de plantas da 
família da dedaleira (Digitalis ssp.), sendo a digoxina o mais conhecido representante 
da classe, atuando na bomba de sódio e potássio (NKA), apresentando alta eficácia no 
tratamento da insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e atividade inotrópica (GARCIA, 2009).
Os tubérculos da mandioca (Manihot esculenta Crantz), muito ricos em 
carboidratos, contêm altos níveis de glicosídeos cianogênicos e fazem parte da 
nossa dieta alimentar, pois o seu processamento tradicional remove grande parte dos 
glicosídeos cianogênicos.
Os glicosinolatos, também chamados de glicosídeos do óleo de mostarda, 
obtidos a partir das sementes de mostarda preta (Brassica nigra), decompõem-se e 
liberam substâncias voláteis responsáveis por aroma, cheiro e sabor de temperos como 
mostarda e em vegetais como repolho, brócolis ou couve-flor.
4.1 ALCALOIDES 
Os alcaloides são compostos orgânicos cíclicos que possuem pelo menos um 
átomo de nitrogênio protonado (par de elétrons não compartilhados) no seu anel, que 
confere o caráter alcalino desses compostos quando em solução. 
São uma grande família de mais de 15 mil metabólitos secundários com atividade 
biológica e, em sua maioria, são estruturalmente classificados como compostos heterocícli-
cos, com alguns representantes alifáticos (não cíclicos), como a mescalina ou a colchicina.
Os alcaloides são sintetizados no retículo endoplasmático, concentrando-se, 
em seguida, nos vacúolos e, dessa forma, não aparecem em células jovens. Essa classe 
de compostos do metabolismo secundário é famosa pela presença de substâncias que 
possuem acentuado efeito no sistema nervoso. 
Em humanos, os alcaloides geram respostas fisiológicas e psicológicas, muitas de-
las consequentes de sua interação com neurotransmissores, sendo essas substâncias lar-
gamente utilizadas como venenos ou alucinógenos. Quando administrados em altas doses, 
quase todos os alcaloides são muito tóxicos, embora, em baixas doses, tenham alto valor 
terapêutico como relaxantes musculares, tranquilizantes, antitussígenos ou analgésicos.
154
O ópio é, talvez, um dos primeiros alcaloides identificados no exsudato (látex) da 
cápsula imatura do Papaver somniferum (papoula). Esse exsudato contém uma mistura 
de mais de 20 alcaloides diferentes, incluindo morfina e codeína. É importante ressaltar 
que o isolamento da morfina, em 1806, pelo farmacêutico alemão Friedrich Sertürner, 
deu origem ao estudo dos alcaloides. 
Alguns alcaloides (Figura 21) não são derivados de aminoácidos, e sim de 
uma base nitrogenada. Esse é o caso da cafeína (1,3,7-trimetilxantina), uma xantina 
produzida a partir de uma purina (composto derivado de aminoácidos como glicina, 
ácido L-aspártico e L-glutamina).
FIGURA 21 – REPRESENTAÇÃO DA FÓRMULA ESTRUTURAL DOS ALCALOIDES
Morfina Ioimbina Estricnina
Atropina Escopolamina Cafeína
FONTE: O autor
Como, nas plantas, o principal papel da cafeína parece ser a defesa contra 
herbivoria, a manipulação de seu conteúdo em plantas transgênicas poderá abrir duas 
vertentes. A primeira seria fazer plantas mais resistentes a pragas e a segunda voltada 
para uma produção agrícola de grãos de café já descafeinados, o que dispensaria os 
processos industriais onerosos (VIZZOTO; KROLOW; WEBER, 2010).
Algumas beladonas (os gêneros Datura, Hyoscyamus e Atropa) contêm 
alcaloides tóxicos, como a escopolamina (Figura 21), presentes em Datura stramonium 
ou a atropina de Hyoscyamus niger.
155
ANÁLISE FORENSE: PESQUISA DE DROGAS VEGETAIS INTERFERENTES DE 
TESTES COLORIMÉTRICOS PARA IDENTIFICAÇÃO DOS CANABINOIDES DA 
MACONHA (CANNABIS SATIVA L.)
Dayanne Cristiane Bordin
Marcos Messias
Rafael Lanaro
Silvia Oliveira Santos Cazenave
José Luiz Costa
INTRODUÇÃO 
O consumo de substâncias psicoativas é uma característica comum à maioria 
das civilizações. De modo geral, essas substâncias foram e ainda são utilizadas em di-
versas épocas e culturas com finalidades terapêuticas, religiosas, lúdicas e para obten-
ção do prazer. A Cannabis sativa L., conhecida popularmente como maconha, é uma 
das plantas mais antigas que o homem tem conhecimento, com relatos de uso há mais 
de 4.000 anos. Originária da Ásia Central, difundiu-se para o Brasil na época das capi-
tanias, no final do século XVIII, destinada à produção de fibras; no entanto, acredita-se 
que a planta fosse conhecida há mais tempo e utilizada como hipnótico pelos escravos.
É uma planta complexa que contém aproximadamente 480 substâncias 
químicas diferentes, distribuídas em 18 classes químicas. Entre essas substâncias, 
destacam-se os óleos essenciais, flavonoides, açúcares, aminoácidos, ácidos graxos, 
compostos nitrogenados e terpenofenóis. 
A atividade farmacológica da planta está associada à classe terpenofenólica, 
composta por mais de 60 canabinoides, os quais não são encontrados em outras 
espécies vegetais. Eles são os responsáveis pelos efeitos da planta e classificados 
em dois grupos: os canabinoides psicoativos [por exemplo, Δ8-tetraidrocanabinol, 
(-)-Δ9-trans-tetraidrocanabinol (Δ9-THC) e o seu produto ativo, o 11-hidroxi-delta-9-
tetraidrocanabinol] e os não psicoativos (por exemplo, canabidiol e canabinol). 
Entre todos os canabinoides contidos na Cannabis sativa L., o Δ9-THC é, 
reconhecidamente, o principal composto químico, devido ao seu pronunciado efeito 
psicoativo. É encontrado na planta madura, em concentração maior nas flores, com 
valores decrescentes nas folhas e somente em traços no caule e ramos; não sendo 
encontrado nas raízes. Sua estrutura química é mostrada na Figura 1.
LEITURA
COMPLEMENTAR
156
Figura 1. Estrutura química do Δ9-THC.
A maconha é a droga ilícita mais cultivada, traficada e consumida mundialmente. 
Dados estatísticos da Polícia Federal dos últimos anos apontam que, no Brasil, a maconha 
é a droga com maior número de apreensões em todas as regiões do país, sendo que a 
principal região é a centro-oeste seguida pelo sul, sudeste, norte e nordeste. Já nas 
estatísticas da Polícia Civil esse quadro de apreensões é equilibrado entre a maconha e 
a cocaína e seus derivados.
De acordo com o relatório anual de 2008 da United Nations Office on Drugs and 
Crime (UNODC), cerca de 165,6 milhões de pessoas consumiram maconha entre 2006-
2007. Estima-se que 10% dos que experimentaram se tornaram usuários diários e 20 a 
30% a consomem semanalmente.
A Lei Federal nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, conhecida como Lei Antidrogas, 
em seu Art. 50 dispõe que: “Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante 
e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação 
da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por 
pessoa idônea”. Assim, o laudopericial é imprescindível para relatar as circunstâncias 
do fato, justificando as razões que levaram à classificação do delito, devendo indicar a 
quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido, o local e as condições 
em que se desenvolveu a ação criminosa.
As análises toxicológicas com finalidade forense podem fornecer evidências precio-
sas para materialização do crime e a base de um diagnóstico confiável é a realização de uma 
análise eficiente, sendo de fundamental importância o conhecimento da abrangência da téc-
nica analítica empregada. Os métodos de triagem são empregados para verificar a presença 
ou ausência de uma determinada classe ou grupo de compostos. A escolha de um método 
de triagem é fundamental, pois define a gama de analitos que serão procurados e detectados.
Os testes químicos mais utilizados para triagem da Cannabis sativa L. são Fast 
Blue B e Duquenóis-Levine. As reações colorimétricas que ocorrem nesses testes são 
atribuídas à natureza fenólica da estrutura química dos canabinoides e, por isso, falta-
lhes especificidade, pois outros compostos análogos presentes nos vegetais podem 
se comportar de maneira semelhante. Assim, o presente trabalho teve como objetivo 
pesquisar se outras drogas vegetais interferem nesses testes químicos, amplamente 
utilizados em laboratórios de química e toxicologia forense.
157
PARTE EXPERIMENTAL 
Reagentes
Reagente para teste de Fast Blue 
Para preparo da solução dissolveram-se 0,025 g do sal Fast Blue B (cloreto de 
di-o-anisidina tetrazolio, Aldrich®) em 10 mL de água destilada. A solução foi preparada 
no momento da análise. 
Reagente para teste de Duquenóis-Levine
Para o teste de Duquenóis-Levine foi preparada a solução etanólica de vanilina 
2%. Pesou-se 1 g de vanilina (Aldrich®), adicionou-se etanol 96°GL (Chemco®) até 
completa dissolução. Transferiu-se a solução para um balão volumétrico de 100 mL, 
foram acrescentados 2 mL de ácido sulfúrico R (Chemco®) e completou-se o volume 
com etanol 96°GL (Chemco®). 
Amostras 
Foram selecionadas para as análises drogas vegetais com características 
macroscópicas semelhantes à Cannabis sativa. Analisaram-se 40 amostras de diferentes 
espécies de plantas disponíveis no estoque do laboratório de farmacognosia da Pontifícia 
Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), constituídas por todas as partes das 
plantas, moídas de forma homogênea, as quais se encontravam dentro do período de 
validade. A Tabela 1 apresenta os nomes popular e científico das drogas vegetais avaliadas 
como possíveis interferentes para o teste de triagem para maconha.
Para controle positivo dos testes colorimétricos, foi utilizada amostra de maconha 
obtida junto ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), encaminhadas 
pelo programa International Collaborative Exercise (ICE) de acreditação de laboratórios de 
toxicologia e química forense. Foram também utilizadas amostras de maconha de várias 
apreensões realizadas pelas forças policiais do Estado de São Paulo e encaminhadas ao 
Núcleo de Perícias Criminalísticas de Campinas – Superintendência da Polícia Técnico 
Científica do Estado e São Paulo para análise. As amostras foram misturadas e submetidas 
à análise por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas para confirmação 
da presença dos principais canabinoides (canabinol, canabidiol, Δ9-THC).
158
Tabela 1. Nome popular e científico das drogas vegetais submetidas aos testes colorimétricos Fast 
Blue B e Duquenóis-Levine
Nome popular Nome científico
Arnica nacional Solidago microgrossa DC
Arnica das montanhas Arnica montana L.
Beladona Atropa belladonna L.
Boldo do Chile Peumus boldus Molina
Calêndula Calendula officinalis L.
Camomila Matricaria chamomilla L.
Carobinha Jacaranda decurrens Cham.
Capim limão Cymbopogon citratus (DC) Stapf.
Cavalinha Equisetum arvense L.
Centella asiática Centella asiática
Chapéu de couro Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltdl.) Micheli.
Dedaleira Digitalis purpurea L.
Embaúba Cecropia hololeuca Miq.
Erva cidreira Melissa officinalis
Erva doce Pimpinella anisum L. 
Erva de Santa Maria Chenopodium ambrosioides L. 
Espirradeira Nerium oleander L.
Eucalipto Eucalyptus globulus Labil. 
Folhas de mandioca Manihot esculenta Crantz
Fucus Fucus vesiculosus L.
Ginseng brasileiro Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen.
Guaco Mikania glomerata Spreng
Guaraná Paulinia cupana Kunth.
Hamamélis Hamamelis virginiana L. 
Hipérico Hypericum perforatum L.
Jaborandi Pilocarpus jaborandi Holmes.
Lobélia Lobelia inflata L. 
Louro Laurus nobilis L.
159
Mamona Ricinus communis L. 
Maracujá Passiflora edulis S. 
Mate verde Ilex paraguariensis St. Hill
Menta Mentha sp.
Orégano Origanum vulgare L. 
Pata de vaca Bauhinia forficata Link. 
Picão preto Bidens pilosa L. 
Poejo Mentha pulegium L. 
Sálvia Salvia officinalis
Sene Cassia angustifolia Vahl. 
Trombeteira Datura suaveolens L.
Métodos analíticos 
Teste Fast Blue B
Para realização do teste de Fast Blue B, uma alíquota de 100 mg de cada amostra 
de maconha ou droga vegetal foi transferida para frasco vidro incolor, com capacidade 
para 10 mL, com tampa própria e submetida à extração com 2 mL de éter de petróleo. 
Cinco gotas do extrato etéreo (aproximadamente 250 μL) foram transferidas para papel 
de filtro e, após evaporação do solvente, foram adicionadas 5 gotas da solução do reativo 
de cor (Fast Blue B 0,25%). O desenvolvimento de coloração vermelho-púrpura indica 
resultado positivo para o teste.
Teste Duquenóis-Levine
Para o teste de Duquenóis-Levine, uma alíquota de 100 mg de cada amostra de 
maconha ou droga vegetal foi transferida para um frasco vidro incolor, com capacidade 
para 10 mL, com tampa e submetida à extração com 2 mL da solução de vanilina etanólica 
2%. O extrato foi obtido através de filtração simples direta em tubo de ensaio. Em seguida, 
foram adicionados lentamente pelas paredes do tubo 2 mL de ácido clorídrico concentrado. 
A formação de anel azul-violáceo indica resultado positivo para o teste.
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Para controle de qualidade dos testes, as análises foram realizadas em triplicata. 
Foi utilizado também branco de reagentes, onde os testes foram realizados sem contato 
com nenhuma droga vegetal. 
160
Nos controles positivos, foram utilizadas misturas de amostras de Cannabis, 
obtidas de várias apreensões, com a finalidade de verificar a funcionalidade e a 
capacidade de detecção dos reagentes. A quantidade de substância ativa presente 
no vegetal é um importante interferente nos resultados e, portanto, deve-se levar em 
consideração a concentração mínima de Δ9-THC presente que esses testes sejam 
capazes de detectar. Plantas frescas, jovens, envelhecidas e frutos isolados podem 
gerar resultados duvidosos e até negativos nas análises preliminares.
Além da análise química de triagem, é importante que a identificação da 
Cannabis seja complementada pelo exame dos caracteres macroscópicos da planta e, 
em seguida, seja analisada por exame microscópico. Os tricomas glandulares e tectores 
são os elementos microscópicos mais importantes na identificação da droga, o que 
nem sempre é fácil de visualizar pelo fato da planta se encontrar muito dividida e, por 
vezes, misturada com outros vegetais. Essas dificuldades aumentam quando a análise 
é destinada à identificação de haxixe, mistura resinosa obtida da maconha.
Entre as 40 drogas vegetais analisadas, no teste Fast Blue B foram observadas 
reações positivas, ou seja, o aparecimento instantâneo de uma coloração vermelho-
púrpura semelhantes àquelas apresentadas por Cannabis sativa L., guaraná (Paullinia 
cupana Kunth.) e carobinha (Jacaranda decurrens Cham.). Nesse teste, observou-se 
que a coloração dos extratos das plantas não influenciou os resultados. 
A reação cromática de Fast Blue B foi atribuída à natureza fenólica da molécula 
dos canabinoides, o mecanismo reacional ocorre quando o extrato etéreo dos produtos 
da Cannabis sativa reagecom o Fast Blue B, como mostra a Figura 2, formando um 
produto de cor vermelho-púrpura, que é solúvel na fase orgânica. 
Figura 2. Possível produto de reação formado na reação de sal de Fast Blue.
A coloração formada é resultado da combinação de cores produzidas pela reação 
com diferentes canabinoides (THC = vermelho, canabinol = púrpura, canabidiol = laranja).
Para o teste de Duquenóis-Levine, entre as 40 drogas vegetais analisadas, apresen-
taram resultados positivos as drogas vegetais boldo do Chile (Peumus boldus Molina), calên-
dula (Calendula officinalis L.), chapéu de couro (Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schlt-
dl.) Micheli.), embaúba (Cecropia hololeuca Miq.), erva cidreira (Melissa officinalis), erva doce 
(Pimpinella anisum L.), guaraná (Paulinia cupana Kunth.), jaborandi (Pilocarpus jaborandi 
Holmes.) e louro (Laurus nobilis L.). Os resultados obtidos estão sumarizados na Tabela 2.
161
Tabela 2. Indicação das drogas vegetais que apresentaram resultados positivos no teste Fast Blue B (FB) 
e/ou Duquenóis-Levine (DL)
Droga vegetal FB DL
Boldo do Chile - +
Calêndula - +
Carobinha + -
Chapéu de couro - +
Embaúba - +
Erva cidreira - +
Erva doce - +
Guaraná + +
Jaborandi - +
Louro - +
+ = resultado positivo, - = resultado negativo.
A reação de Duquenóis-Levine é apresentada na Figura 3. Os produtos do teste 
químico resultam na formação de uma cor vermelha, que se transforma em azul-violáceo 
quando se adiciona a amostra. O canabidiol, o Δ9-THC e os ácidos destes compostos 
são responsáveis por essa reação. Com ácido clorídrico concentrado o íon carbânion 
terciário e, mais tarde, o íon carbânion ciclo hexenil são formados pelo deslocamento 
do íon hidreto, ocorrendo em equilíbrio com p-dimetilamino benzaldeído na presença 
de ácido clorídrico concentrado. A mudança de cor deve-se à desprotonação do grupo 
dimetilamino, como mostrado na Figura 3.
Figura 3. Reação de Duquenóis-Levine, entre os constituintes da Cannabis sativa e vanilina em meio ácido.
162
Nesse teste, notou-se que a cor do extrato pode influenciar na interpretação do 
resultado. Foi observado que nos extratos que apresentaram coloração intensa, como 
o jaborandi (verde-escuro) ou o boldo do chile, louro, calêndula e guaraná (coloração de 
vermelho intenso a vinho), a visualização do anel azul-violáceo pode ser dificultada. Deve-
se considerar que a formação do anel azul-violáceo na Cannabis sativa L. é instantânea, 
já, na análise de outras drogas vegetais, o resultado, por vezes, se formava lentamente.
CONCLUSÕES 
A partir dos resultados obtidos, pode-se concluir que, quando comparado ao 
teste de Duquenóis-Levine, o teste Fast Blue B apresenta maior seletividade, uma vez 
que se obteve menor número de resultados falso-positivos para as drogas vegetais 
investigadas. A utilização concomitante dos dois testes preliminares pode aumentar a 
qualidade da análise de triagem. No entanto, é importante ressaltar que ambos devem 
ser realizados por profissionais capacitados e cientes das limitações do método. 
Pelas limitações dos testes colorimétricos, é evidente que os resultados 
positivos obtidos nestes ensaios precisam obrigatoriamente ser confirmados por 
técnicas mais específicas, com princípios físico-químicos distintos do ensaio preliminar 
como, por exemplo, as técnicas cromatográficas e espectrométricas. Assim, a qualidade 
final do laudo é garantida, evitando equívocos analíticos durante os procedimentos de 
instauração do inquérito policial.
FONTE: <https://www.scielo.br/j/qn/a/YqKJmDLr3HPwtrkjdzwbCHH/?lang=pt>. Acesso em: 26 out. 2021.
163
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Os metabólitos secundários podem ser classificados em três grandes grupos: 
compostos fenólicos, terpenos e compostos nitrogenados.
• Os ácidos fenólicos apresentam-se estruturalmente diversificados, com moléculas 
simples como os ácidos fenólicos até polímeros complexos como os taninos e a lig-
nina. Moléculas pertencentes a essas classes são denominadas como antioxidantes 
naturais, ou seja, compostos que são capazes de interagir com radicais livres, espé-
cies reativas de oxigênio (EROs) e espécies reativas de nitrogênio (ENOs).
• Os principais compostos fenólicos são os ácidos fenólicos, flavonoides, estirbenos e ta-
ninos, aos quais estão relacionadas atividades biológicas como antimicrobiana, antica-
riogênica, citotóxica, anti-inflamatória, imunomodulatória, antioxidante e antitumoral.
• Os flavonoides constituem a maior classe de fenólicos vegetais. São classificados 
de acordo com o grau de oxidação, tendo como principais representantes flavonas, 
flavonóis isoflavonas e antocianinas. São os responsáveis pela maioria das cores 
das flores e frutos, importantes na polinização e na dispersão de sementes.
• Os terpenos são geralmente insolúveis em água e todos derivam da união de unidades 
pentacarbonadas (C5H8) em conformação de isopreno, sendo classificados de 
acordo com a quantidade de isoprenos. Quando classificados como monoterpenos, 
apresentam considerável aplicação industrial em sabores e perfumes. Constituem 
os óleos essenciais e sua função nas plantas pode ser tanto para atrair polinizadores 
quanto para repelir insetos.
• Os glicosídeos são metabólitos vegetais de grande importância. Seu nome se refere 
à ligação glicosídica que se forma quando uma molécula de açúcar se condensa 
com outra que contém um grupo hidroxila. Existem três grupos de glicosídeos de 
interesse particular: saponinas, glicosídeos cardíacos e glicosídeos cianogênicos.
• Os alcaloides são compostos orgânicos cíclicos que possuem pelo menos um 
átomo de nitrogênio protonado (par de elétrons não compartilhados) no seu anel, 
conferindo o caráter alcalino desses compostos quando em solução, famosa pela 
presença de substâncias que possuem acentuado efeito no sistema nervoso central.
164
1 Os carbonos obtidos pelas plantas são provenientes do processo de fotossíntese. 
Assim, as principais vias de biossíntese de metabólitos secundários são derivadas de 
metabolismo primário do carbono, pois este fornece os esqueletos de carbono para 
as principais vias do metabolismo secundário. Entre os compostos produzidos pela 
rota do ácido chiquímico, assinale a alternativa INCORRETA:
a) ( ) Lignanas.
b) ( ) Flavonoides.
c) ( ) Alcaloides.
d) ( ) Terpenos.
2 Alguns compostos presentes em plantas como a camomila, a peperomia e o candeeiro 
possuem potencial como agente antimicrobiano, gastroprotetor, anti-inflamatório, 
antineoplásico e antimetastático. Assinale a alternativa que contém a classe de 
produtos secundários a que estão relacionadas essas atividades biológicas:
a) ( ) Taninos.
b) ( ) Terpenos.
c) ( ) Saponinas.
d) ( ) Glicosídeos.
3 Os glicosídeos são metabólitos vegetais de grande importância. Seu nome refere-
se à ligação glicosídica que se forma quando uma molécula de açúcar se condensa 
com outra que contém um grupo hidroxila. Os glicosídeos podem ser encontrados 
na forma de um terpeno sem a conjugação com a molécula de açúcar. Sobre essa 
classe, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Saponinas.
b) ( ) Glicosídeos cardíacos.
c) ( ) Sapogeninas.
d) ( ) Glucosinolatos.
4 Compostos fenólicos são encontrados em diversas espécies vegetais, como a classe 
dos flavonoides, que se apresenta como a mais importante. Quais são as principais 
atividades biológicas relacionadas a essa classe?
5 Compostos terpênicos apresentam grande interesse comercial para a indústria. Por 
que isso ocorre?
AUTOATIVIDADE
165
REFERÊNCIAS
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171
FITOTERAPIA
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• entender as especificações acerca do uso das plantas medicinais e a importância 
do seu conhecimento pela população;
• aprender a realizar a indicação de medicamentos fitoterápicos;
• avaliar riscos e possíveis interações dos produtos fitoterápicos e outros 
medicamentos;
• aprender sobre a utilização de óleos essenciais e terapias aromáticas;
• compreender as técnicas de uso da aromaterapia e de outras terapias alternativas 
visando à promoção da saúde física e mental.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – FITOTERAPIA: O USO DE PLANTAS MEDICINAIS 
TÓPICO 2 – ÓLEOS ESSENCIAIS E AROMATERAPIA 
TÓPICO 3 – NATUROPATIA E FITOTERÁPICOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
172
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A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
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173
TÓPICO 1 — 
FITOTERAPIA: O USO DE PLANTAS 
MEDICINAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico, teremos como tema principal a Fitoterapia, ou seja, das espécies 
de plantas medicinais e os medicamentos fitoterápicos utilizados na terapêutica e em 
outras terapias alternativas, objetivando a compreensão da indicação e do modo de uso 
das principais espécies e fitofármacos prescritos na rotina da farmácia.
Como visto na Unidade 1, os estudos etnobotânicos mostram as várias relações 
socioculturais da população, procurando resgatar e valorizar o conhecimento tradicional 
e a diversidade cultural dessas sociedades, ao estudar a relação entre as plantas e as 
pessoas de uma maneira multidisciplinar (FERNANDES et al., 2019).
A busca por terapias complementares é uma prática comum no Brasil, com 
destaque especial para a fitoterapia. A adoção de políticas públicas e instrumentos 
norteadores da fitoterapia e plantas medicinais no Brasil, com destaque para a Política 
Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) e a Política Nacional de 
Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que contemplam formas no campo da 
prevenção de agravos e doenças, retrata o interesse popular e institucional no emprego 
da fitoterapia na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2006; 2016).
As Práticas Integrativas e Complementares (PICs) contribuem para a superação 
do modelo biomédico de atenção em saúde, centrado na doença e fragmentado em 
especialidades médicas, propondo um cuidado holístico, contínuo e centrado na 
singularidade da pessoa de forma humanizada. Desde a sua criação, foram apresentadas 
novas perspectivas de apoio à fitoterapia e às pesquisas com plantas medicinais, o que 
só tende a crescer, incentivando a produção, a distribuição e o seu uso racional, a fim de 
ampliar o conhecimento e o acesso da população a essa opção terapêutica (SANTOS et 
al., 2018; VALVERDE; SILVA; ALMEIDA, 2018).
2 FITOTERAPIA
As terapias alternativastêm se desenvolvido ao longo nos últimos anos de 
forma bastante ampla em vários países do mundo e, com isso, têm ganhado a confiança 
da população. Entende-se por terapia alternativa o método, produto ou tratamento 
terapêutico, aplicado por profissional qualificado, em detrimento ao método terapêutico 
convencional, utilizado pela medicina tradicional e pela alopatia (CUNHA, 2007).
174
A Fitoterapia, que significa “tratamento através das plantas”, constitui-se de um 
método aplicado desde as mais remotas civilizações até os tempos atuais. Registros 
dos primeiros fitoterápicos são datados na China, em 2838-2698 a.C., feitos pelo, então, 
imperador Shen Nung, que catalogou 365 plantas medicinais (CUNHA, 2007). Na Bíblia, no 
Antigo e no Novo Testamento, há muitas referências a plantas curativas ou seus derivados, 
como o benjoim e a mirra (CUNHA, 2012). Na Grécia e na Roma antigas, a alfazema era uma 
das principais ervas utilizada nos banhos, e também para o preparo das múmias no Egito.
Desde o início da civilização, o alho exerce importante papel, tanto na culinária 
quanto na medicina. Originário, provavelmente, da Sicília ou da Ásia Ocidental, é utilizado 
há mais de 5 mil anos pelos hindus, árabes e egípcios. Na Europa, ervas foram usadas 
por vários séculos, sendo, hoje, a maioria patenteada e prescrita. China e Índia também 
possuem vasta experiência no uso de plantas como remédios e, embora a eficácia 
da maioria delas ainda não tenha sido comprovada farmacologicamente, as plantas 
medicinais são parte importante de seus sistemas milenares de medicina. Atualmente, 
os Estados Unidos mostraram um extenso uso de terapias alternativas, apontando mais 
de um terço da população americana como usuária de ervas para fins de saúde. Na 
América Latina, estudos demonstram o uso de plantas medicinais, até mesmo, nas 
áreas de metrópoles (BRANDÃO et al., 2006).
A transmissão do conhecimento sobre plantas medicinais atravessa séculos e 
passa de geração em geração, por meio da palavra. Parece que o processo de aculturação, 
no qual as novas gerações buscam os meios modernos de comunicação, causa a perda 
dessa tão valiosa transmissão oral. Diversos estudos demonstram que as classes sociais 
mais pobres têm maior interesse nos saberes populares, em um percentual maior de 
mulheres em relação a homens. Nesse meio, também há voluntários que fazem algum 
tipo de trabalho filantrópico em comunidades locais, particularmente em áreas carentes. 
Isso mostra que o conhecimento sobre essas terapias, tanto do paciente como dos 
profissionais, acontece, sobretudo, por meio do senso comum (ARNOUS, 2005).
Percebe-se, então, que a fitoterapia sempre esteve presente em todas as 
antigas e atuais civilizações, e desempenha papel importante na manutenção da saúde 
dos povos não somente como recurso terapêutico, como também por coexistir com 
crenças, valores e necessidades da humanidade (BRASIL, 2012).
2.1 PRESCRIÇÃO FITOTERÁPICA
Para compreendermos algumas particularidades do tema, é importante o 
entendimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no qual o medicamento 
fitoterápico é aquele obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais.
Os fitoterápicos, em geral, são medicamentos classificados como Medicamentos 
Isentos de Prescrição (MIPs) ou, ainda, como medicamentos sem a retenção de receita, 
estando, assim, diretamente ligados à automedicação ou sujeitos à orientação do farmacêutico 
175
no processo de dispensação. É crescente o interesse pelo uso de fitoterápicos e produtos 
naturais como recursos terapêuticos e a procura por drogas vegetais está relacionada a vários 
fatores, como decepção no tratamento com a medicina convencional, efeitos indesejados, 
impossibilidade de cura, entre outros. Suas características apresentam eficácias e riscos, 
assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Notoriamente, a sua eficácia 
e segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos, documentações 
tecnocientíficas ou evidências clínicas (GOES; SILVA; CASTRO, 2019).
 A Resolução nº 546, de 21 de julho de 2011, do Conselho Federal de Farmácia 
(CFF, 2011), publicada no Diário Oficial da União, dispõe sobre a indicação farmacêutica 
de plantas medicinais e fitoterápicos isentos de prescrição e o seu registro. Entretanto, 
é importante ressaltar que o farmacêutico, legalmente, já tinha esse direito e que a 
resolução apenas reforçou essa atribuição.
Art. 1º No âmbito de sua competência, o Conselho Federal de 
Farmácia conceitua a indicação farmacêutica como sendo o ato 
do farmacêutico, praticado em área específica do estabelecimento 
farmacêutico, registrado e documentado, fundamentado na 
informação e educação ao paciente/usuário sobre o uso correto e 
racional de plantas medicinais e fitoterápicos, que possibilite o êxito 
da terapêutica, induza a mudanças nos hábitos de vida e proporcione 
melhores condições de saúde à população. 
Parágrafo único. A indicação farmacêutica, de que trata o caput deste 
artigo, deverá ser feita com base em conhecimentos técnico-científicos, 
em princípios éticos e em consonância com as resoluções profissionais 
e com as do órgão federal responsável pela vigilância sanitária.
Art. 2º Quando o usuário/paciente, por iniciativa própria e devido à 
fácil acessibilidade, solicitar indicação, em face de sinais/sintomas 
apresentados, o farmacêutico poderá encaminhá-lo a outro 
profissional de saúde ou dispensar-lhe uma planta medicinal e/ou 
fitoterápico isento de prescrição (CFF, 2011, p. 2-3).
Ainda, essa resolução especifica os principais objetivos da indicação 
farmacêutica, relativa a plantas medicinais e fitoterápicos: 
I- prevenir potenciais problemas relacionados ao uso, informando 
os benefícios e riscos de sua utilização;
II- comprometer o paciente na adesão ao tratamento, assegurando-
lhe o direito de conhecer a razão do uso;
III- monitorar e avaliar a resposta terapêutica;
IV- aproximar o farmacêutico da comunidade (CFF, 2011, p. 3).
Além disso, define como aspectos fundamentais da indicação farmacêutica 
relativa a plantas medicinais e fitoterápicos: porque foi indicado; modo de ação; como 
deve ser utilizado; duração do tratamento; possíveis reações adversas, contraindicações, 
interações e precauções; condições de conservação e guarda; e educação em saúde.
Assim, se o paciente solicitar uma terapêutica fitoterápica, deve-se considerar 
a responsabilidade técnica dos profissionais envolvidos, optando por uma escolha 
compartilhada. Mas qual prescrição estaria correta? Qual medicamento fitoterápico 
escolher? Como prescrever? Várias questões surgem a partir desse momento.
176
A decisão terapêutica calcada em um diagnóstico o mais apurado possível envolve: 
indicação precisa, critérios científicos de segurança, eficácia terapêutica e reprodutibilidade. 
No entanto, é importante ir além dessas etapas iniciais, caso contrário, a fitoterapia poderia 
não aparecer no rol de opções – e isso não significa, necessariamente, uma vantagem.
Ao optar por prescrever fitoterapia e almeja, de fato, o “equilíbrio natural” da 
saúde da pessoa assistida, ou de sua família, é preciso ter como objetivo enxergar essas 
pessoas, suas vidas, suas ideias e seu adoecimento de maneira mais abrangente, olhando 
para além da doença em si; a começar pela escolha terapêutica de um fitoterápico ou 
de um conjunto de substâncias (fitocomplexo) disponível no extrato de uma planta, em 
detrimento de um fármaco (SLOMP; SACRAMENTO, 2012).
Fitocomplexo é o nome que se costuma dar ao conjunto de substâncias 
ativas, presentes no extrato da planta medicinal, na proporção em que 
são encontradas na natureza, e que atuam farmacologicamente ao 
mesmo tempo, seja por meio de sinergismo, antagonismo, interações 
farmacocinéticas ou outras. Sua ação farmacológica costuma ser analisada 
“em bloco”, como um todo.
NOTA
Um ponto inicial a ser vencido é que, ao se prescrever um medicamento 
baseado em fitocomplexo, várias substânciassão administradas ao mesmo tempo, o 
que dá início a diversos eventos orgânicos. Segundo Fintelmann e Weiss (2010), quanto 
maior o número de substâncias ativas contidas em um extrato vegetal, maior o espectro 
de indicações terapêuticas, o que se multiplica ainda mais no caso de constituintes de 
extratos de mais de uma planta. Tal fato pode ser tanto um problema como, justamente, 
o diferencial desejado, dependendo da situação clínica em questão: um problema, 
por reacender outro preconceito corrente contra a fitoterapia – a de se tratar de uma 
“panaceia” (com seus “remédios que servem para tudo e, na verdade, para nada”); 
um diferencial desejado, quando um caso pode se beneficiar dupla ou triplamente do 
mesmo extrato vegetal ou composição, possibilitando uma orquestração terapêutica 
única para o usuário. Neste caso, teríamos mais um possível critério para escolher a 
fitoterapia (SLOMP; SACRAMENTO, 2012).
Outro aspecto marcante da fitoterapia é o tema da toxicidade, pois as drogas 
vegetais ou medicamentos fitoterápicos não são isentos de toxicidade, assim como 
qualquer outro medicamento alopático. Há evidências bibliográficas de reações adversas, 
precauções necessárias e interações medicamentosas. Ainda assim, a tolerância aos 
fitoterápicos é, em geral, maior se comparada aos fármacos (SCHULZ; HÄNSEL; TYLER, 
2002; FINTELMANN; WEISS, 2010).
177
Adicionalmente, Fintelmann e Weiss (2010) classificam os fitoterápicos que 
estariam disponíveis para uma prescrição em categorias terapêuticas (Quadro 1), 
sendo uma interessante orientação para guiar a decisão clínica e ajudar a esclarecer as 
possibilidades de tratamento fitoterápico exclusivo ou combinado.
QUADRO 1 – CATEGORIAS TERAPÊUTICAS PARA FITOTERÁPICOS
FONTE: Adaptado de Slomp; Sacramento (2012)
Categoria 1
Indicações para as quais os fitoterápicos são a opção terapêutica de 
primeira escolha e, para as quais, como alternativa, não existiriam 
medicamentos sintéticos. Por exemplo: hepatites tóxicas, hiperplasia 
benigna de próstata, entre outros.
Categoria 2
Indicações para as quais os medicamentos sintéticos podem ser 
substituídos por fitoterápicos. Por exemplo: estados leves de ansiedade 
e/ou depressão reativa, dispepsia não ulcerosa neoplásica, infecções 
urinárias inespecíficas, entre outros.
Categoria 3
Indicações nas quais os fitoterápicos podem ser usados como 
coadjuvantes para uma terapia básica. Por exemplo: doenças hepáticas 
e das vias respiratórias, entre outras.
Categoria 4
Indicações nas quais o uso dos fitoterápicos não é adequado, 
caracterizando, até mesmo, erro médico, pela possibilidade de retardar 
ou impedir uma terapia racional com medicamentos sintéticos, mais 
adequados. Por exemplo: tratamento primário do câncer.
Como é possível perceber, e ao contrário do que o senso comum pode afirmar, 
prescrever fitoterapia não é simples. Na realidade, esse campo do conhecimento ainda 
é marginalizado e negligenciado; além de constantes atualizações acerca do tema nas 
bases de dados científicos, o ideal é nos adaptarmos ao arsenal de plantas medicinais e 
fitoterápicos de domínio técnico em nossa rotina de trabalho, o que nos confere maior 
segurança ao propor (ou aceitar) escolhas terapêuticas que incluam fitoterápicos. Outro 
ponto a ser valorizado é na saúde da família, na qual a fitoterapia pode assumir caráter 
preventivo, como intervenção em predisposições familiares e constitucionais, junto às 
condições patológicas ainda em sua fase incipiente (FINTELMANN; WEISS, 2010).
Acadêmico, sugerimos uma webpalestra e uma reportagem sobre a rotina de trabalho de 
farmacêuticos atuando na gestão de Farmácias Vivas:
• Webpalestra: O Programa Farmácia Viva é um dos programas de maior abrangência 
intersetorial dentro da Rede de Atenção Primária à Saúde (APS), que tem conquistado 
espaço e adeptos no país. Devido à descentralização do programa e à necessidade de 
diretrizes norteadoras, experiências exitosas da gestão da “Farmácia Viva” inspiram e 
INTERESSANTE
178
auxiliam os profissionais da rede a realizarem a sua implantação. Essa webpalestra 
tem como objetivo contextualizar a gestão da “Farmácia Viva” na APS, utilizando como 
modelo o programa vigente no município de São Bento do Sul, a sua evolução e os 
aspectos pertinentes à sua gestão. Acesse: https://bit.ly/34DhHAU.
• Medicamentos feitos à base de ervas são aplicados em pacientes de centros de saúde e hospitais 
públicos. O cultivo dessas plantas e a manipulação dos remédios são feitos na Farmácia Viva do 
Riacho Fundo, DF. Assista à reportagem acessando: https://bit.ly/37oH8XW.
• No Rio, o programa de horta comunitária de plantas medicinais em áreas públicas d a 
cidade entrou em vigor no início do ano de 2022. Assista em: https://bit.ly/3pUo36s.
Como vimos, diversos municípios já estão empregando a distribuição de 
produtos naturais em todo o país, e esses são só alguns exemplos.
Acadêmico, na sua comunidade, já existe a prática de dispensação de produtos 
naturais? Se não, o que acha de realizar a implantação de um comunitário? 
Converse com seus vizinhos ou com a associação do seu bairro. Todos nós 
podemos colaborar.
Nesse momento, pode surgir a dúvida: como devemos proceder à escolha da 
terapia a ser empregada? Para essa decisão, precisamos avaliar a necessidade do emprego 
de uma monoterapia ou da associação de diferentes plantas, optar pela melhor forma 
farmacêutica, posologia e seguimento clínico, já que cada medicamento fitoterápico – em 
cada caso singular – demandará observações igualmente singulares (BRASIL, 2012).
Inicialmente, recomenda-se uma monoterapia, porém, caso um único extrato 
não seja suficiente e se opte por associar extratos de plantas, a fim de compor um único 
fitoterápico, deve-se dar preferência às chamadas “associações fixas” ou “formulações 
consagradas” (FINTELMANN; WEISS, 2010). É importante observar a necessidade 
de um profundo conhecimento de cada planta individualmente, tanto nos aspectos 
farmacodinâmicos (efeitos sinérgicos ou antagônicos) como farmacocinéticos (melhor ou 
pior absorção etc.), para projetar uma boa associação, que, por sua vez, gera novos fenômenos 
farmacodinâmicos e farmacocinéticos e que igualmente terão que ser conhecidos.
Para escolher a forma farmacêutica e/ou apresentação, considera-se a planta 
em si e seu extrato, a indicação em questão e, até mesmo, a categoria de insumo 
disponível em cada rede de saúde. São várias as opções possíveis, devendo o prescritor 
se adequar às necessidades do caso e a sua realidade. Infusões, decocções, banhos e 
compressas são obtidos a partir da planta fresca ou droga vegetal. No caso de haver 
uma farmácia de manipulação no serviço ou na rede, é possível dispor também de 
tinturas e extratos em geral, que, por sua vez, poderão ser prescritos puros ou ainda 
compor formulações como xaropes, cremes, géis, pomadas, cápsulas ou comprimidos. 
Os fitoterápicos industrializados fornecem extratos previamente padronizados e 
constância de ativos em suas apresentações (SLOMP; SACRAMENTO, 2012).
179
Quanto à dose ou à posologia, há grande peculiaridade na prescrição fitoterápica, 
uma vez que é irrelevante simplesmente informarmos a massa desejada para as doses 
de extrato (miligramas, milicentigramas etc.). É fundamental que, ao elaborar a receita, 
o prescritor indique: 
• o nome botânico da droga vegetal; 
• o tipo de extrato (seco, fluido etc.), sua padronização e sua forma de apresentação; 
• a dose-posologia; 
• o modo de usar. 
Somente dessa forma será possível garantir boa comunicação entre o médico 
e o farmacêutico que manipulará ou dispensará o produto, poupando, assim, o usuário 
de se expor a produtos de baixa qualidade ou equivocados, como vemos não raramente 
acontecer. Por vezes, faz-se necessário conversar previamente com o profissional 
farmacêutico para saber que produtos estão disponíveis, e decidir em conjunto a 
melhor forma farmacêutica e apresentação para cada caso. Portanto, a quantificação da 
posologia é mais complexana fitoterapia e, mais uma vez, os fitoterápicos industrializados 
trazem alguma vantagem, por anteciparem esse planejamento posológico em seu 
desenvolvimento, embutindo os cálculos já sistematizados na bula, além das outras 
informações obrigatórias referentes à segurança (SLOMP; SACRAMENTO, 2012).
Recomenda-se ainda que a prescrição de plantas medicinais, drogas vegetais, 
medicamento fitoterápico e preparações magistrais (cápsulas, drágeas, pastilhas, 
xarope, spray, extrato, tintura, alcoolatura, óleo) siga as orientações de Formulário 
Fitoterápico Nacional e Seus Suplementos (BRASIL, 2011; 2018), Relação Nacional de 
Medicamentos (BRASIL, 2017) e Memento Terapêutico fitoterápicos (BRASIL, 2016).
O Memento Terapêutico agrupa as plantas medicinais e fitoterápicos por 
indicação clínica mais frequentes na atenção básica, tendo sido aprovado 
pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 84, de 17 de junho de 2016.
Saiba mais acessando o link: https://bit.ly/3hYe0J0.
DICAS
2.2 ATENÇÃO FARMACÊUTICA EM FITOTERAPIA
A atenção farmacêutica em fitoterapia exige um conhecimento científico, popular 
e tradicional do uso de plantas medicinais e fitoterápicos, como também das várias formas 
de uso, de modo a integrar os diferentes saberes, profissionais e usuários, buscando avaliar 
e garantir a segurança, a eficácia e a efetividade do uso desses recursos terapêuticos.
180
Para promover ações junto à equipe multidisciplinar e/ou seus pacientes, o 
profissional farmacêutico, para atuar na assistência farmacêutica em fitoterapia, deve 
conhecer as etapas da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, as quais 
envolvem a regulamentação do setor, as diferentes formas de acesso e o uso de plantas 
medicinais e fitoterápicos.
Embora esses conceitos já tenham sido discutidos anteriormente, vale a pena 
relembrar que, no contexto da assistência farmacêutica, é imprescindível 
conceituar planta medicinal, fitoterápico e medicamento fitoterápico:
• Planta medicinal: espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com 
propósitos terapêuticos (BRASIL, 2009b).
• Fitoterápico: produto obtido a partir da planta medicinal, ou de seus 
derivados, exceto substâncias isoladas, com finalidade profilática, 
curativa, paliativa (BRASIL, 2009b).
• Medicamento fitoterápico: todo o medicamento obtido empregando-
se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais. É caracterizado 
pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como 
pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. A sua eficácia e 
segurança são validadas por meio de levantamentos etnofarmacológicos 
de utilização, documentações tecnocientíficas ou evidências clínicas. 
Não se considera medicamento fitoterápico aquele que, na sua 
composição, inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, 
nem as associações destas com extratos vegetais (BRASIL, 2010).
NOTA
Ainda, vale ressaltar que o farmacêutico pode garantir e contribuir com a população e 
com o SUS para a promoção do uso racional da fitoterapia. As Novas Diretrizes Nacionais (DCNs) 
do curso de farmácia, instituído pela Resolução nº 6, de 19 de outubro de 2017, do Ministério da 
Educação (BRASIL, 2017a), direciona o desenvolvimento de habilidades e competências para 
o cuidado em saúde, visando a formação de farmacêuticos que promovam cuidado direto ao 
paciente e comunidades, de forma multidisciplinar em prol da saúde pública. E nesse novo 
contexto de formação, o farmacêutico poderá contribuir mais efetivamente para a prática do 
cuidado, e consequentemente para a fitoterapia (SOARES et al., 2020).
2.3 A RENAME E AS PLANTAS MEDICINAIS
O conceito de Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) 
compreende a seleção e a padronização de todos os medicamentos indicados para o 
atendimento das doenças e dos agravos no âmbito do SUS. Nesse contexto, a Rename 
apresenta o conjunto dos medicamentos a serem disponibilizados e ofertados aos 
usuários do SUS, visando à garantia da integralidade do tratamento medicamentoso. O 
que isso tem a ver com Farmacognosia?
181
Desde 2012, foram incluídos medicamentos fitoterápicos nessa lista, ampliando 
o arsenal terapêutico e as opções para substituição e/ou associação com os alopáticos 
presentes nas padronizações de medicamentos utilizados pelos prescritores e pelas 
Comissões de Farmácia e Terapêutica de todo o país.
Atualmente, são 12 espécies de plantas medicinais e seus derivados vegetais 
para a manipulação das preparações dos fitoterápicos contempladas pela Rename: 
alcachofra, aroeira, babosa, espinheira-santa, garra do diabo, guaco, hortelã, isoflavona 
da soja, plantago, salgueiro e unha de gato. Assim, é com base nessa relação que 
focaremos nossos estudos neste tópico.
Além da Rename, devemos comentar sucintamente a importância da 
Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de 
Saúde (Renisus), criada com o intuito de difundir o uso de plantas medicinais 
pelos brasileiros no sistema público de saúde, pois a medicina popular tem 
contribuído efetivamente para a Fitoterapia e Farmacologia. Atualmente, a 
lista conta com 71 espécies (Quadro 2). A criação dessa lista, em 2008, e 
divulgada, em 2009, faz parte dos avanços oriundos da PNPIC e PNPMF.
NOTA
QUADRO 2 – RELAÇÃO NACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS DE INTERESSE DO SUS (RENISUS)
Nº Nome científico Nº Nome científico
1 Achillea millefolium 36 Lamium album
2 Allium sativum 37 Lippia sidoides
3 Aloe spp* (A. vera ou A. barbadensis) 38 Malva sylvestris
4
Alpinia spp* (A. zerumbet ou A. 
speciosa)
39
Maytenus spp* (M. aquifolium ou M. 
ilicifolia)
5 Anacardium occidentale 40 Mentha pulegium
6 Ananas comosus 41
Mentha spp* (M. crispa, M. piperita ou 
M. villosa)
7 Apuleia ferrea = Caesalpinia ferrea * 42
Mikania spp* (M. glomerata ou M. 
laevigata)
8 Arrabidaea chica 43 Momordica charantia
9 Artemisia absinthium 44 Morus sp*
10 Baccharis trimera 45 Ocimum gratissimum
11
Bauhinia spp* (B. affinis, B. forficata 
ou B. variegata)
46 Orbignya speciosa
12 Bidens pilosa 47
Passiflora spp* (P. alata, P. edulis ou 
P. incarnata)
182
13 Calendula officinalis 48
Persea spp* (P. gratissima ou P. 
americana)
14 Carapa guianensis 49 Petroselinum sativum
15 Casearia sylvestris 50
Phyllanthus spp* (P. amarus, P. niruri, 
P. tenellus e P. urinaria)
16
Chamomilla recutita = Matricaria 
Chamomilla = Matricaria recutita
51 Plantago major
17 Chenopodium ambrosioides 52
Plectranthus barbatus = Coleus 
barbatus
18 Copaifera spp* 53
Polygonum spp* (P. acre ou P. 
hydropiperoides)
19
Cordia spp* (C. curassavica ou C. 
verbenacea)*
54 Portulaca pilosa
20
Costus spp* (C. scaber ou C. 
spicatus)
55 Psidium guajava
21
Croton spp (C. cajucara ou C. 
zehntneri)
56 Punica granatum
22 Curcuma longa 57 Rhamnus purshiana
23 Cynara scolymus 58 Ruta graveolens
24 Dalbergia subcymosa 59 Salix alba
25 Eleutherine plicata 60
Schinus terebinthifolius = Schinus 
aroeira
26 Equisetum arvense 61 Solanum paniculatum
27 Erythrina mulungu 62 Solidago microglossa
28 Eucalyptus globulus 63
Stryphnodendron adstringens = 
Stryphnodendron barbatimam
29
Eugenia uniflora ou Myrtus 
brasiliana*
64
Syzygium spp* (S. jambolanum ou S. 
cumini)
30 Foeniculum vulgare 65 Tabebuia avellanedeae
31 Glycine max 66 Tagetes minuta
32 Harpagophytum procumbens 67 Trifolium pratense
33 Jatropha gossypiifolia 68 Uncaria tomentosa
34 Justicia pectoralis 69 Vernonia condensata
35
Kalanchoe pinnata = Bryophyllum 
calycinum*
70
Vernonia spp* (V. ruficoma ou V. 
polyanthes)
71 Zingiber officinale
FONTE: Santos et al. (2013, p. 92)
183
3 FITOFARMACOLOGIA E INDICAÇÃO DE FITOTERÁPICOS 
Após vermos as políticas públicas, as diferentes formas de preparo para extração 
dos compostos em drogas vegetais e as plantas medicinais com potencial para sua 
aplicação na prática clínica, precisamos conhecer os efeitos biológicos, as indicações 
terapêuticas e toxicológicas, as principais classes químicas, as contraindicações, os 
efeitos adversos, as interaçõesmedicamentosas de plantas medicinais e fitoterápicos 
mais utilizadas, conforme descrito na lista da Rename.
3.1 ALCACHOFRA (CYNARA SCOLYMUS L.) 
Cultivada e empregada com finalidades terapêuticas pelos antigos egípcios, gre-
gos e romanos, a alcachofra apresenta propriedades colagoga, colerética, antiespasmó-
dica, antidispéptica, hepatoprotetora e antitrombótica bem descritas na literatura. Consi-
derado um vegetal de baixo valor calórico, rico em fibras e ferro, baixo teor de gordura, e 
por conter carboidratos, em sua maioria, formados pela inulina, a alcachofra é indicada em 
dietas de diabéticos e pessoas com constipação intestinal e obesidade. Em razão de sua 
riqueza nutricional, também é recomendada como antianêmico (BOTSARIS; ALVES, 2013).
• Parte da planta utilizada: folhas de Cynara scolymus L. (Asteraceae).
• Principais constituintes fitoquímicos: polifenóis, principalmente os flavonoides. 
Pesquisadores identificaram e quantificaram, por cromatografia líquida de 
alta eficiência (em inglês High Performance Liquid Cromatography – HPLC) e 
espectrometria de massa, 22 metabólitos secundários presentes na alcachofra, 
sendo 11 ácidos cafeolquínicos (um ácido cafeico, quatro ácidos monocafeoilquínicos, 
um ácido dicafeoilquínico e cinco de seus derivados) e oito flavonoides (três derivados 
da luteolina, três da apigenina, um da narigenina e um da nariritina, sendo a apigenina 
7-O-glucoronídeo o principal flavonoide) (SCHULZ; ANTER; KEANEY, 2004).
Substâncias coleréticas são responsáveis por estimular o fígado na 
produção da bile. A bile aumenta a solubilidade do colesterol e da 
gordura, facilitando sua digestão pelo organismo. 
A ação colagoga estimula a contração da vesícula biliar, para promover o 
fluxo da bile para o intestino. Quando chegam ao intestino, as vitaminas 
são absorvidas e colesterol e gordura são digeridos (COSTA, 2009).
NOTA
184
FIGURA 1 – ALCACHOFRA (CYNARA SCOLYMUS L.)
FONTE: <https://bit.ly/34B1PyJ>. Acesso em: 1 dez. 2021.
Em suplementos dietéticos e fitomedicamentos da alcachofra, foi determinada 
quantitativamente a presença majoritária do ácido clorogênico e derivados da apigenina, 
em todas as amostras estudadas (exceto no suco das flores frescas) (SCHÜTZ et al., 2006).
3.1.1 Atividades biológicas 
• Atividade antimicrobiana: os extratos clorofórmico, etanólico, butanólico e de aceta-
to de etila das folhas, da cabeça e do talo dessa planta apresentaram atividade antifún-
gica e antimicrobiana contra as bactérias Candida albicans, Candida lusitaniae, Agro-
bacterium tumefaciens, Micrococcus luteus, Escherichia coli, Salmonella typhimurium, 
Pseudomnonas aeruginosa, Bacilus subtili; e antifúngica contra Staphylococcus au-
reus, Saccharomyces cerevisiae, Saccharomyces carlsbergensis, Aspergillus niger, Pe-
nicillium oxalicum, Mucor mucedo e Cladosporium cucumerinum em diferentes graus 
de inibição, de acordo com o solvente e a parte da planta utilizada. O ácido clorogênico, 
a cinarina, a luteolina-7-rutinosídeo e o cinarosídeo apresentaram as maiores ativida-
des, sendo mais ativas contra os fungos do que contra as bactérias. A concentração 
inibitória mínima ficou entre 50 e 200 μg/mL (ZHU et al., 2004; 2005).
• Atividade gastrointestinal: o uso tradicional do extrato da alcachofra em 
gastroenterologia ocorre por sua ação antidispéptica, mediada pela sua atividade 
colerética. Rodriguez, Gimenéz, Vázquez (2002) verificaram um aumento significativo no 
fluxo da bile, contribuindo, assim, para a redução do colesterol. Emendorfer et al. (2005) 
constataram a atividade antiespasmódica da alcachofra. O seu componente principal, o 
sesquiterpeno cinaropicrina, apresentou uma potência semelhante à da papaverina, um 
antiespasmódico bem conhecido e 14 vezes mais potente que a fração total, com uma 
IC50 de 0,065 mg/mL. Wegener e Fintelmann (1999) identificaram os flavonoides e os 
derivados do ácido cafeoilquínico como sendo os responsáveis pela eficácia do extrato 
da alcachofra no tratamento de complicações digestivas como perda de apetite, náusea 
e dores abdominais. A alcachofra também tem sido utilizada com sucesso por pacientes 
portadores da síndrome do intestino irritado (BUNDY et al., 2004).
185
• Atividade antiviral: a atividade antivírus da imunodeficiência humana (HIV) da alcachofra 
foi avaliada através da inibição da enzima HIV-integrase, o que impede a replicação do 
vírus em células de cultura. A concentração para a inibição da enzima é de 150 a 840 nM 
e entre 2 e 12 μM para a replicação. Os ácidos dicafeoilquínicos (e seus derivados) são 
os responsáveis por essa ação. O composto biscatecol promove a inibição da enzima, 
enquanto pelo menos um grupo carboxila livre para a atividade anti-HIV. A cinarina (ácido 
1,3-cafeoilquínico) foi capaz de inibir a replicação do HIV em células MT-2 (MCDOUGALL et 
al., 1998; ZHU et al., 1999; KING et al., 1999; SLANINA et al., 2001).
• Atividade hepatoprotetora: os compostos cinarina e o ácido cafeico e quínico 
exerceram um efeito protetor contra a toxicidade produzida por CCl4 em hepatócitos 
de ratos (ADZET; CAMARASA; LAGUNA, 1987; WEGENER; FINTELMANN, 1999).
• Atividade antioxidante: os extratos etanólico (50 μg/mL) e aquoso (50 μg/mL) 
das folhas de alcachofra inibem o estresse oxidativo de maneira dose-dependente 
e tempo-dependente. A inibição também depende da velocidade de produção das 
espécies reativas de oxigênio (ERO). O extrato da alcachofra foi capaz de neutralizar 
a produção de ERO. As propriedades observadas podem ser explicadas pela ação 
antioxidante de seus constituintes, como os flavonoides, principalmente luteolina 
e seus derivados, e os ácidos hidroxicinâmicos, que são eficientes doadores de 
hidrogênio (ZAPOLSKA-DOWNAR et al., 2002).
• Dosagem: administrada em forma de cápsulas, solução oral, comprimidos e 
tintura – 24 mg a 48 mg de derivados de ácido cafeoilquínico expressos em ácido 
clorogênico (dose diária) (BRASIL, 2017b).
• Contraindicações: devido ao efeito sobre o trato biliar, não deve ser administrado 
se houver bloqueio do duto biliar. Podem ocorrer cólicas em pacientes que sofrem 
com pedras nos rins. Deve ser evitada durante a lactação (BLUMENTHAL, 2000; 
GARCIA, 2000; ALONSO, 2004).
• Interações: apesar de reações de hipersensibilidade aos alimentos ocorrerem, 
geralmente, após a ingestão, antígenos de alimentos podem provocar sintomas 
alérgicos pela sua manipulação constante. O uso de diuréticos em presença de 
hipertensão ou cardiopatias só deve ser feito sob controle médico, dada a possibilidade 
de aparição de uma descompensação tensional ou, se a eliminação de potássio for 
considerável, uma potenciação do efeito dos cardiotônicos (GARCIA, 2000).
• Reações adversas: a ocorrência de urticária em pessoas que trabalham no 
processamento da alcachofra foi atribuída à presença de lactonas sesquiterpênicas, 
como a cinaropicrina, que é considerada neurotóxica (NOLDIN et al., 2003).
3.2 AROEIRA (SCHINUS TEREBINTHIFOLIA RADDI)
A aroeira, popularmente conhecida como “aroeira da praia” ou “pimenta-do-
reino brasileira”, é utilizada por suas atividades antitérmica, analgésica e depurativa 
e no tratamento de doenças do sistema urogenital, como doenças sexualmente 
transmissíveis, inflamação uterina, infecções do trato urinário, além de úlceras de 
186
pele e mucosas, infecções dos sistemas respiratório e distúrbios gastroduodenais. A 
literatura científica comprova que essa planta apresenta atividade antimicrobiana, anti-
inflamatória e antiulcerogênica (CARVALHO et al., 2013).
• Parte da planta utilizada: OEs extraídos especialmente do fruto (BENDAOUD et al., 2010).
• Principais constituintes fitoquímicos: a análise química do extrato etanólico da casca 
de S. terebinthifolius revelou a presença de fenóis, triterpenos e antraquinonas. A fração 
hexano apresentou flavonas, xantonas, flavonoides, esteroides livres, antraquinonas e 
triterpenos. Os extratos etanólicos das folhas apresentaram fenóis, flavonas, flavonoides, 
xantonas, leucoantocianidinas,

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