Prévia do material em texto
( A bomba de sódio-potássio transporta íons sódio para fora da célula, mantendo baixa concentração desses íons no lado interno e alta concentração no lado externo e que ao mesmo tempo transporta íons potássio para dentro, mantendo uma alta concentração desse íon no lado interno e uma baixa concentração no lado externo. A diferença de concentração desses íons entre os lados interno e externo da membrana pode ser responsável pela geração da eletricidade na célula. ) ( As células são capazes de gerar eletricidade espontaneamente, fenômeno que é conhecido por bioeletrogênese . Para entender como esse fenômeno acontece, deve-se entender que os íons são substâncias químicas que ganharam ou perderam elétrons e se tornaram eletricamente carregados. Os íons podem ter carga negativa (aníon) ou positiva (cátion). Nas células, os íons responsáveis pela geração da eletricidade são os íons sódio (Na+) e potássio (K+). Extravasamento do potássio e do sódio através da membrana nervosa (biomembranas) O lado direito da figura a seguir mostra uma proteína na membrana de uma célula nervosa que forma um canal proteico, pelo qual íons potássio e sódio podem extravasar, ou seja, difundir de um lado para o outro da membrana, chamado de canal de “extravasamento” de potássio-sódio (Na+ - K+). O mais importante é o extravasamento de íons potássio porque, em média, os canais são, normalmente, cerca de 100 vezes mais permeáveis ao potássio do que aos íons sódio. Esse diferencial na permeabilidade é muito importante para a determinação do nível do potencial de repouso normal da membrana. Características funcionais da bomba de Na+ - K+ (transporte ativo) e os canais de “extravasamento” de K+ - Na+ (transporte passivo). ) ( Bomba de Na+ e -K+ Canais de extravasamento ) ( Fenômenos elétricos nas células ) ( Em A, o estabelecimento do "potencial de difusão” através da membrana da fibra nervosa, causado pela difusão dos íons potássio de dentro da célula para fora, através da membrana que é seletivamente permeável somente ao potássio. Em B, o estabelecimento de “potencial de difusão” quando a membrana da fibra nervosa só é permeável aos íons sódio. Note que o potencial de membrana interno é negativo quando os íons potássio se difundem e positivo quando os íons sódio se difundem, em razão dos gradientes de concentração opostos desses dois íons. Como a concentração dos íons potássio é maior dentro do que fora da célula, esse íon tende a se difundir para fora da célula pelos canais de extravasamento, deixando o interior da célula mais negativo. ) ( Axônio : essa é a parte do neurônio que é chamada de fibra nervosa. Seu comprimento pode variar de alguns milímetros, como acontece com os pequenos neurônios do cérebro, podendo atingir até um metro, como no caso dos axônios (fibras nervosas) que partem da medula espinhal e chagam até os pés. As fibras nervosas transmitem os sinais neurais para o neurônio seguinte no cérebro ou na medula espinhal, ou para os músculos e glândulas nas regiões periféricas do corpo através das sinapses. Se agrupa em feixes; transmitem o impulso elétrico aos terminais do axônio. ) ( Impulso nervoso: a linguagem do cérebro O impulso nervoso é um sinal elétrico gerado pelas células (bioeletrogênese) que é transmitido por fibras nervosas , no cérebro, na medula espinhal ou em nervos periféricos. Absolutamente tudo que sentimos, proveniente tanto do nosso corpo quanto do mundo exterior, são sensações produzidas pelo nosso cérebro. Todos os sentidos que temos e as sensações que vivenciamos, visão, audição, olfato, paladar, tato, calor e frio, entre outras, são frutos de estímulos que foram captados e traduzidos em impulsos nervosos para que o cérebro pudesse processá-los e gerar as sensações da forma que as sentimos . Ou seja, essa linguagem captada é traduzida na linguagem (impulso nervoso) que o nosso cérebro consegue processar. A célula nervosa: neurônio Corpo celular : é a região principal que dá origem a todas as outras partes do neurônio. Essa região também é responsável pela maior parte do metabolismo dessa célula e é necessária para que todas as partes do neurônio sobrevivam. Dendritos : são ramificações do corpo celular. Constituem as partes receptoras principais do neurônio. Assim, os sinais que chegam ao neurônio chegam pelos dendritos. Os dendritos de cada neurônio, em geral, se “comunicam” com outros neurônios através de milhares de pontos de contato chamados de sinapses. ) ( Mas por que todo o potássio não se difunde para fora da célula? Porque quando o potássio começa a sair, a célula já fica muito negativa e essa negatividade começa a atrair o potássio, até que esses íons não consigam mais sair, pois cargas opostas se atraem. Como a membrana é muito menos permeável aos íons sódio, esses íons têm um papel muito menor na eletricidade negativa gerada no interior das células pela difusão dos íons potássio. Biomembranas → transporte íons entre meios intra e extracelulares, ficam polarizadas → origina potencial elétrico. Célula excitável recebe estímulo externo → altera fluxo de íons através de sua membrana → muda sua polarização. – ex: célula nervosa ou neurônio; Recebe impulsos elétricos do próprio organismo ou do meio externo, integra essas informações e as retransmite para outros neurônios. ) ( Neurônio sensorial : conduz impulsos nervosos ao SNC; Neurônio motor : conduz impulsos nervosos do SNC para todo corpo. ) ( Terminais axônicos e sinapses : próximo ao seu final, todos os axônios podem gerar milhares de ramificações. Na ponta de cada uma dessas ramificações existe uma terminação neural especializada que, no sistema nervoso central, é chamada de botão sináptico, situado sobre a superfície da membrana de um dendrito ou corpo celular de outro neurônio. Esse ponto de contato entre o botão sináptico e a membrana neural é a sinapse. É através das sinapses que os impulsos nervosos são transmitidos de um neurônio a outro . Quando um impulso nervoso chega ao final do axônio, o botão sináptico libera uma substância transmissora (neurotransmissor), no espaço entre o botão e a membrana do neurônio, podendo gerar um novo impulso nervoso nesse neurônio. ) ( A contração muscular acontece com a chegada dos impulsos nervosos aos músculos através das fibras nervosas. Assim, todos os impulsos nervosos são transmitidos por fibras nervosas, no cérebro, na medula espinhal ou em nervos periféricos. A fibra nervosa é formada de duas partes: uma camada externa isolante chamada de bainha de Schwann ou bainha de mielina , que se estende por todo o axônio, como uma capa isolante que vem desde a medula espinhal até as terminações nervosas finais. Esse axônio é uma longa estrutura tubular, limitada por uma membrana, especializada na transmissão de impulsos nervosos. ) ( Potencial de repouso ) ( Célula em repouso: intracelular (-) e extracelular (+) Célula despolarizada: quando o potencial intracelular se torna positivo, sai do repouso devido a um estímulo. Membrana permeável aos íons K. Hiperpolarização: ocorre aumento do potencial de repouso, que já é negativo. A bomba de sódio e potássio controla o gradiente de concentração desses íons, promovendo a entrada de maior quantidade de potássio e saída de sódio - geração de diferença de potencial - polarização dos meios intra e extracelular - promove o POTENCIAL DE REPOUSO DA CÉLULA. Ocorre o estímulo (saída do potencial de repouso para a despolarização) - atuação da bomba de extravasamento. Canais de extravasamento mediante a difusão dos íons, promove a saída de potássio e a entrada de sódio, deixando a célula positiva em seu interior, causando o potencial de ação e a geração do impulso nervoso. Promove o POTENCIAL DE AÇÃO DA CÉLULA. ) ( Assim, a cada saída de íons potássio, o interior da célula vai ficando muito negativo, devido à falta de cargas positivas e ao excesso de proteínas com cargas negativas. Dessa maneira, o potencial de membrana gerado em uma fibra nervosa comum, nascondições de repouso, é de -90mV. Mas e os íons sódio? Os íons sódio tendem a entrar na célula por difusão através de canais de extravasamento, levando cargas positivas para dentro da célula, anulando o efeito da saída dos íons potássio, mas a membrana celular é quase impermeável aos íons sódio e, desse modo, o “peso” desses íons no potencial de membrana das células nervosas em repouso é muito pequeno, cerca de +4mV. ) ( Potenciais de membrana As células são capazes de produzir eletricidade gerando um potencial elétrico através de sua membrana celular, chamado de potencial de membrana. Quando uma célula nervosa não está sofrendo nenhum tipo de estímulo externo, dizemos que a célula está em repouso. Também vimos em bioeletrogênese que esse potencial é negativo no interior da membrana nas condições de repouso. Esse potencial gerado pela célula em repouso é decorrente das diferenças das concentrações iônicas entre o lado interno e externo da célula. A concentração dos íons potássio é muito maior dentro da célula do que fora, enquanto a concentração dos íons sódio é muito maior fora da célula do que dentro. Já vimos como funciona a bomba de sódio-potássio, aquela “porta giratória” que fica bombeando íons potássio para dentro da célula e ao mesmo tempo bombeia íons sódio de dentro para fora. Desenvolvimento do potencial de membrana Como visto em bioeletrogênese, os íons potássio tendem a sair da célula por difusão (de onde tem mais para onde tem menos) através dos canais de extravasamento, mas quando um íon potássio sai da célula, ele leva uma carga elétrica positiva para o lado de fora. No interior das células existem grandes quantidades de proteínas com cargas negativas. ) ( Repolarização da fibra nervosa Quando o interior da fibra nervosa fica positivamente carregado, os canais de sódio dependentes de voltagem se fecham e a membrana fica novamente impermeável aos íons sódio, que então param de entrar na célula. Entretanto, a membrana continua ainda muito permeável aos íons potássio, que agora começam a sair da célula, levando com eles cargas positivas, o que irá deixar o interior da célula nervosa eletricamente negativo novamente, causando a repolarização da célula. Normalmente, a repolarização começa alguns milésimos de segundo após a despolarização, no mesmo ponto da fibra nervosa onde a despolarização começou e se propaga ao longo da fibra. Após ficar repolarizada, a fibra nervosa está novamente apta a conduzir um novo impulso nervoso. ) ( Em certo ponto, canais de sódio que são sensíveis a essa alteração na voltagem no interior da célula se abrem repentinamente, permitindo a entrada de íons sódio no interior da célula, fazendo com que o potencial de membrana inverta a sua polaridade, se tornando positivo. Assim, a entrada de sódio através dos canais dependentes de voltagem causa uma onda de despolarização (impulso nervoso) que se propaga ao longo da fibra nervosa. ) ( Potencial de ação e impulso nervoso Quando uma fibra nervosa transmite um impulso nervoso, o potencial de membrana sofre uma série de variações, que em seu conjunto, são chamadas de potencial de ação. No início, a célula está em repouso e o potencial da membrana nesse estado é cerca de -90mV. Quando a célula sofre um estímulo suficientemente grande, o potencial de ação começa com a despolarização da célula, com o potencial de membrana tornando-se positivo por milésimos de segundo, retornando ao valor inicial em seguida. Essa variação abrupta do potencial de membrana e o seu retorno à normalidade é chamado de potencial de ação ou de impulso nervoso. É através da propagação dessa onda de despolarização e repolarização que as fibras nervosas transmitem as informações pelo organismo. ) ( Potencial de ação ) ( Além de manter as concentrações dos íons sódio e potássio em condições ideais, ela ainda ajuda a gerar parte do potencial de membrana no repouso, colocando para fora da célula uma carga elétrica positiva a mais por ciclo, pois enquanto dois íons potássio são transportados para dentro da célula, trazendo duas cargas positivas, três íons sódio são transportados para fora da célula, levando três cargas positivas para o lado de fora da célula, deixando o interior da célula mais negativo a cada ciclo de trabalho da bomba de sódio-potássio. O impulso nervoso e a contração muscular A junção neuromuscular – a placa motora Fibras nervosas que partem do cérebro se conectam a outras fibras através das sinapses e percorrem a nossa medula espinhal até, finalmente, terminar nas fibras musculares esqueléticas comandando a contração dos nossos músculos. Essa junção entre a fibra nervosa e a fibra muscular é chamada de junção neuromuscular e forma uma estrutura conhecida como placa motora. Quando o impulso nervoso chega à junção neuromuscular, acontece a liberação do neurotransmissor acetilcolina pela fibra nervosa no espaço entre a fibra nervosa e a fibra muscular, chamado de fendas subneurais. ) ( O restabelecimento das concentrações iônicas A cada impulso nervoso conduzido por uma fibra nervosa, uma pequena quantidade de íons sódio entra na célula e uma pequena quantidade de íons potássio sai da célula. Assim, a célula teria gradualmente suas concentrações de sódio-potássio alteradas até um ponto em que não seria possível a geração de mais impulsos nervosos se não fosse pela ação da bomba de sódio-potássio . Essa bomba, como já visto, é a responsável pelo restabelecimento das concentrações iônicas nos meios intracelular e extracelular, na medida em que os impulsos nervosos são conduzidos através das fibras nervosas. ) ( O período refratário Uma fibra nervosa não é capaz de conduzir um segundo impulso nervoso até que a membrana fique repolarizada, ou seja, enquanto um impulso está trafegando pela fibra, ela não pode conduzir um novo impulso. Esse período em que a fibra não pode conduzir um novo impulso por ainda não estar repolarizada é chamado de período refratário, que normalmente tem a duração de uma fração de segundo. 1- Despolarização → Canais de sódio se abrem na membrana, gerando fluxo de Na+ para dentro da célula; 2- Repolarização → Canais de entrada de sódio se fecham, canais para saída de potássio se abrem; 3- Hiperpolarização → Canais de saída de potássio se fecham tardiamente. Período refratário na membrana → durante o qual não é possível a formação de outro potencial. ) ( Eletrocardiograma Coração : função de bombeamento sanguíneo para todo o corpo. Formado por fibras musculares (músculo cardíaco ou miocárdio). ) ( Potencial de ação muscular Praticamente tudo que já foi discutido anteriormente, com relação à iniciação e à condução dos potenciais de ação nas fibras nervosas, aplica-se igualmente às fibras musculares esqueléticas, exceto por diferenças quantitativas. Doença neuromuscular: paralisia causada por miastenia grave Eletroencefalograma Eletroencefalograma : exame que capta e analisa a atividade elétrica cerebral espontânea, por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. - Captação do sinal: eletrodos de Ag – AgCl dispostos na área do crânio que sejam de interesse. ) ( O efeito da acetilcolina A membrana das células musculares nas fendas subneurais contém canais proteicos que funcionam como comportas, controlando a entrada dos íons sódio através da ação da acetilcolina. Eles são chamados de canais iônicos controlados pela acetilcolina e permanecem fechados até que a acetilcolina que é liberada nas fendas subneurais se ligue a eles. A ligação da acetilcolina causa uma mudança na forma do canal, provocando a sua abertura, permitindo assim a passagem dos íons sódio para o interior da célula. A musculatura lisa apresenta potenciais de ação com despolarização e repolarização mais lentas do que a musculatura esquelética. ) ( A entrada de muitos íons sódio através desses canais leva para dentro da célula uma grande quantidade de cargas positivas, provocando o chamado potencial da placa motora, que, por sua vez, inicia um potencial de ação que se propaga pela membrana muscular,causando a contração muscular . Caso a acetilcolina secretada pelos terminais neurais permaneça indefinidamente em contato com a membrana da fibra muscular, essa fibra iria transmitir uma sucessão ininterrupta de impulsos. Entretanto, a colinesterase na superfície das pregas da membrana, quebra enzimaticamente a acetilcolina em ácido acético e colina . Assim, quase imediatamente após a acetilcolina ter estimulado a fibra muscular, essa acetilcolina é destruída. Isso permite que a membrana se repolarize e fique pronta para um novo estímulo. O mecanismo da acetilcolina, na placa motora, representa um sistema de amplificação que permite que um impulso nervoso fraco estimule uma grande fibra muscular. Isto é, a quantidade de corrente elétrica gerada pela fibra nervosa não é suficientemente grande, por si só, para produzir um impulso na fibra muscular, visto que a fibra nervosa tem uma área de contato de apenas um décimo ou menos da fibra muscular. Assim, a acetilcolina secretada faz com que a fibra muscular gere o seu próprio potencial de ação . Cada impulso nervoso, na verdade, para na placa motora e, em seu lugar, começa um novo impulso inteiramente novo no músculo. ) ( Durante a contração de uma fibra muscular cardíaca, o processo de despolarização e repolarização ocorre em quatro fases diferentes. O coração está banhado por líquidos que são meios condutores de eletricidade. Assim, quando o impulso nervoso é gerado, parte dos ventrículos se despolariza e fica eletronegativa em relação ao restante, e a corrente elétrica flui da área despolarizada para a área polarizada, formando grandes curvas. Nos ventrículos normais, a corrente elétrica gerada flui das áreas negativas para as áreas positivas, da base do coração em direção ao ápice, durante quase todo o processo de despolarização. Se conectarmos eletrodos na superfície da pele, o eletrodo mais próximo da base ficará negativo, enquanto o que estiver mais próximo do ápice ficará positivo, e essa variação será registrada pelo aparelho medidor do eletrocardiograma (eletrocardiógrafo). Esse tipo de exame é muito importante para a avaliação da capacidade de transmissão do impulso nervoso pelo coração. ) ( Coração : função de bombeamento sanguíneo para todo o corpo. Formado por fibras musculares (músculo cardíaco ou miocárdio). Para que um músculo se contraia, é necessário um estímulo através de impulsos nervosos, que irão se propagar por meio das fibras musculares, causando sua contração. Quando o impulso nervoso se propaga pelas fibras do músculo cardíaco, ocorre também a propagação de uma corrente elétrica e uma pequena parte dessa corrente elétrica chega até a superfície do corpo, podendo ser registrada. O registro dessa corrente elétrica através de eletrodos colocados sobre a pele, em lados opostos do coração, é chamado de eletrocardiograma. ) ( Eletrocardiograma : registro extracelular das variações do potencial elétrico do músculo cardíaco em atividade; medido por um eletrocardiógrafo → mede a diferença de potencial entre dois pontos com pequenas intensidades de corrente, recolhidas por eletrodos; Captação dos sinais cardíacos: eletrodos colocados no braço e na perna para uma melhor captura dos sinais; Sinais produzidos pelos batimentos cardíacos → se propagam através do corpo → atingem os eletrodos → amplificador → os amplificam e filtram → passam apenas os sinais cardíacos. Interpretação do eletrocardiograma normal Onda P : é causada pela voltagem produzida pela passagem do impulso pelos átrios. Ondas Q, R e S : são causadas pela passagem do impulso pelos ventrículos. Onda T : é produzida pelo retorno do potencial de membrana das fibras musculares ventriculares ao seu valor normal de repouso, ao término da contração. ) ( Cada uma dessas derivações serve para analisar a atividade elétrica do coração de três “pontos de vista” diferentes. A figura anterior também mostra um triângulo, denominado triângulo de Einthoven, que está desenhado ao redor do coração. Ele mostra que os braços e a perna esquerda formam os vértices de um triângulo que circunda o coração. Quando se conhece o potencial elétrico de duas das três derivações, é possível calcular o potencial elétrico da terceira derivação pela simples soma dos dois primeiros. Essa característica é conhecida como Lei de Einthoven . ) ( Derivação I – Nessa derivação, o terminal negativo do eletrocardiógrafo é conectado ao braço direito e o terminal positivo, ao braço esquerdo. Derivação II – No registro da derivação II, o terminal negativo do eletrocardiógrafo é conectado ao braço direito e o terminal positivo, à perna esquerda. Derivação III – Na derivação III, o terminal negativo do eletrocardiógrafo é conectado ao braço esquerdo e o terminal positivo, à perna esquerda. ) ( Derivações eletrocardiográficas Conectando-se eletricamente os membros do paciente ao eletrocardiógrafo, é possível obter as chamadas derivações bipolares padrão dos membros. Esse termo “bipolar” significa que o eletrocardiograma é registrado por dois eletrodos colocados em lados diferentes do coração. Dessa forma, é possível fazer combinações de dois fios e seus eletrodos, formando um circuito completo entre o corpo e o eletrocardiógrafo. ) ( Fluxo da corrente elétrica que flui pelo tórax ao redor dos ventrículos durante sua despolarização e o seu registro através de eletrodos posicionados sobre a pele (A e B) ) ( Algumas doenças do coração podem causar anomalias que são detectadas por meio de alterações no padrão normal do eletrocardiograma. Em B, vê-se um eletrocardiograma de um coração com a parte do músculo ventricular lesionado. Nesse registro, fica evidente uma depressão entre as ondas S e T, resultando de um fluxo de corrente elétrica anormal, no intervalo entre os batimentos cardíacos. Isso indica uma lesão das fibras musculares, o que normalmente ocorre quando a pessoa sofre um ataque cardíaco agudo. ) ( Interpretações eletrocardiográficas de anormalidades ) ( Fibrilação ventricular Em algumas situações anormais, o impulso cardíaco não chega ao fim e permanece se propagando de maneira circular, repetitivamente, ou começam a se propagar em todas as direções, causando a fibrilação ventricular. Esse tipo de ocorrência faz com que os ventrículos fiquem contraídos, com movimentos fibrilatórios desordenados, impedindo os ventrículos de se contraírem adequadamente e de bombear qualquer quantidade de sangue. Nessa situação, a pessoa fica inconsciente dentro de alguns segundos e morre depois de poucos minutos caso não seja socorrida. O eletrocardiograma durante a fibrilação ventricular é totalmente fora do normal e, geralmente, não mostra qualquer tipo de ritmo. O padrão de ondas do eletrocardiograma nessa situação não fica repetitivo, e os potenciais eletrocardiográficos mudam constantemente devido à corrente elétrica fluir em várias direções. Desfibrilação dos ventrículos por eletrochoque Quando uma corrente elétrica de alta voltagem é aplicada através do tórax por meio de dois eletrodos colocados em dois lados do coração por uma fração de segundos, pode fazer a fibrilação parar, por jogar todo o músculo cardíaco no período refratário ao mesmo tempo. Com isso, param todos os potenciais de ação por 3 a 5 segundos, parando o coração, que volta a se contrair em seguida, geralmente com o seu marca-passo (nó sinusal) controlando o seu ritmo. ) ( Em C, é visto um aumento fora do normal da onda S e uma diminuição da onda R, indicando um fluxo maior de corrente no lado esquerdo do coração, que normalmente acontece quando um dos lados do coração fica mais aumentado do que o outro. Esse aumento do ventrículo esquerdo normalmente ocorre devido a uma carga excessiva sobre o coração decorrente de uma pressão arterial elevada. Quando o impulso nervoso é transmitido diretamente pelas fibras musculares do coração e não pelas fibras de Purkinje, que são fibras de grande velocidade, o eletrocardiograma apresenta o complexo da ondas QRS por um tempo muito maior que o normal, indicando uma anormalidadecardíaca conhecida como bloqueio parcial das fibras de Purkinje (conforme D). Em E, vê-se uma anormalidade na transmissão do impulso no nível do feixe AV, ocasionando um descompasso entre a contração dos átrios e dos ventrículos. Já em F, é mostrado o registro de uma contração prematura do coração (extra-sístole), onde um impulso ocorre logo após o batimento cardíaco anterior, normalmente em decorrência de uma irritação no coração, que pode ser causada por tabagismo excessivo, pela ingestão de muito café ou pela falta de sono. ) ( Efeitos da corrente elétrica no corpo humano - Funções normais do corpo humano → envolvem correntes elétricas → correto funcionamento do organismo. - Para corrente de fonte externa: partes do corpo humano mais sensíveis: cérebro, músculos do tórax, centros nervosos que controlam a respiração e os músculos do coração. Efeitos biológicos: dependem da intensidade da corrente externa. - até 0,5mA: nenhum efeito importante; - de 0,5mA a 2mA: limiar de sensibilidade - de 2mA a 10mA: dor, contração muscular; - de 10mA a 20mA: aumento dos efeitos musculares; - de 20mA a 100mA: parada respiratória; - de 100mA a 3A: fibrilação ventricular que pode ser fatal; - acima de 3A: parada cardíaca, o coração pode voltar a funcionar se o choque elétrico for muito breve; queimaduras muito sérias. ) ( Receptores sensoriais Todas as informações que podem ser captadas pelo nosso corpo precisam ser traduzidas em impulso nervoso para que possam ser processadas pelo nosso cérebro. Para isso, o nosso corpo é repleto de receptores, que captam estímulos como tato, som, luz, dor, frio e calor, os chamados receptores sensoriais. Esses receptores transformam os estímulos sensoriais em impulsos nervosos que são levados para o sistema nervoso central para serem processados. Os receptores sensoriais são classificados de acordo com o tipo de sensação que eles são capazes de detectar e estão divididos em cinco tipos básicos: Mecanorreceptores : detectam compressão mecânica ou estiramento (estirar = esticar) nos tecidos próximos ao receptor. Termorreceptores : detectam variações de temperatura; alguns detectam frio, outros detectam calor. Nociceptores : são os receptores de dor; detectam danos aos tecidos, sejam eles danos físicos ou químicos. Receptores eletromagnéticos : detectam radiações eletromagnéticas (luz) que incidem na retina dos olhos. Quimiorreceptores : responsáveis pela detecção do gosto na boca, do cheiro no nariz, do nível do gás oxigênio no sangue, da osmolaridade dos líquidos do corpo e outras tantas alterações químicas no corpo. ) ( O nível dessa adaptação pode variar muito de um tipo de sensação para outra. Alguns tipos de receptores se adaptam muito rapidamente, enquanto outros se adaptam muito lentamente ou praticamente não se adaptam. A sensação de dor, por exemplo, é produzida quando está ocorrendo alguma lesão tecidual. Assim, enquanto essa lesão tecidual estiver acontecendo, é importante que a pessoa seja avisada, para que sejam tomadas as providências para a remoção da causa da dor. ) ( O sistema sensorial pode informar ao sistema nervoso central a posição e o movimento das diversas partes do corpo, através de mecanorreceptores das articulações, músculos e tendões, por exemplo. Adaptação dos receptores Chamamos de adaptação dos receptores sensoriais a perda da sensação durante períodos de exposição prolongada dos receptores sensoriais. Quando um estímulo é aplicado a um receptor, ele normalmente responde de modo muito intenso no início, mas depois de algum tempo a intensidade de resposta diminui gradualmente. ) ( Excitação dos receptores sensoriais Cada receptor sensorial funciona como uma espécie de sensor conectado ao cérebro e capta um tipo de estímulo específico. Os receptores de tato, por exemplo, são geralmente estimulados por algum tipo de deformação da fibra nervosa que fica dentro do receptor. Quando ocorre uma compressão nas proximidades desse receptor, a ponta da fibra nervosa em seu interior muda de curvatura ou é estirada (estica), o que faz aumentar momentaneamente a permeabilidade da membrana dessa fibra, permitindo a entrada de íons sódio, causando um fluxo de cargas positivas que irá gerar o potencial gerador, o qual irá causar uma série de potenciais de ação que serão transmitidos ao cérebro. O tipo de sensação percebida, que chamamos de modalidade de sensação, define a qualidade específica da sensação que é percebida, ou seja, se será percebido dor, tato, pressão, posição, visão, audição, equilíbrio, olfato ou paladar. A modalidade da sensação percebida irá depender do ponto do cérebro para onde esse sinal será transmitido. Cada parte do cérebro processa e gera uma determinada modalidade de sensação. )