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Resumo - Clínica Cirúrgica (Sabiston)

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gravidez ectópica, abortamento iminente e assim por diante. Esses dados devem ser 
ponderados também no exame radiológico. 
As infecções agudas do intestino, onde também estão presentes as cólicas, não se acompanham 
de intensa distensão abdominal, geralmente com diarréia. Mesmo nas obstruções parciais, 
quando pode haver eliminação de fezes e gases, as alças intestinais estão distendidas muito 
acima do normal pelo acúmulo hidroaéreo. 
Quando a obstrução não é ocasionada por um agente mecânico, como no enfarte da artéria 
mesentérica (artéria que irriga o intestino), apesar da distensão abdominal, no achado clínico, 
não estarão presentes ao exame as cólicas e rolamentos na luz intestinal - é o chamado íleo 
paralítico ou adinâmico. Esta situação faz-se acompanhar de um quadro geral muito grave pelo 
sofrimento vascular. 
Existe uma outra situação de íleo paralítico, raríssima, ocasionada por um distúrbio metabólico 
em conseqüência da falta de potássio. 
Existem situações que fazem parte do diagnóstico diferencial. Por exemplo, o enfarte do 
miocárdio, a pancreatite aguda e o herpes zoster, com fortes dores abdominais e gás nos cólons, 
mas onde não existem os ruídos hidroaéreos característicos da luta intestinal contra o obstáculo. 
Exames, sintomas e sinais fazem o diagnóstico da causa e orientam seu tratamento clínico. 
Quando o quadro obstrutivo mecânico provoca sofrimento vascular, como nos casos de volvulo 
(torção de alça) ou hérnia estrangulada, o estado geral do paciente se agrava rapidamente. 
Na obstrução intestinal existe uma enorme desidratação endógena (interna) pelo acúmulo de 
líquidos no intestino. 
A obstrução intestinal pode acontecer em qualquer sexo e idade. A mortalidade pode variar de 2 
a 25% e se encontra relacionada com a demora na desobstrução. 
 
 
As obstruções parciais nos permitem avaliar com mais tempo a melhor orientação a tomar. Estes 
quadros representam mais de 50% das obstruções e a maioria pode ser resolvida sem 
intervenção cirúrgica. Outros quadros nos permitem colocar o paciente em melhores condições 
clínicas para uma intervenção com menor risco cirúrgico. 
Portanto, um médico com ouvido experiente e exames adequados pode fazer o diagnóstico 
diferencial. 
O exame clínico é imperativo – os exames apenas confirmam o diagnóstico. 
Exames de RAIOS-X 
Estes exames podem ser executados em um hospital apropriado ou mesmo 
em um serviço mais simples, por um técnico treinado, os quais são 
interpretados pelo médico na ausência de um radiologista. 
Foi provado cientificamente que praticamente todo ar no intestino delgado 
é simplesmente ar deglutido. 
A ação de bactérias sobre alimentos não digeridos forma o gás do intestino 
grosso. 
Em poucas horas após uma obstrução, já temos ar (sombra) suficiente para visualizar nos raios-
X. 
O exame que confirma o diagnóstico clínico é os raios-X simples de abdômen, com o paciente 
em posição vertical (em pé). 
Nesta posição, podemos identificar os níveis de líquidos (hidroaéreos), os quais são facilmente 
visualizados, possibilitando identificar a região da obstrução, já que as alças que estiverem 
acima da obstrução estarão dilatadas, cheias de líquidos e gases. As que estiverem abaixo da 
obstrução estarão murchas. 
Como os intestinos, jejuno, íleo e cólons têm suas características morfológicas diferenciadas, o 
médico experiente observa que os gases acumulados desenharam as paredes destes órgãos. Com 
estes sinais, ele pode determinar a provável localização da obstrução, por exemplo, se a oclusão 
é alta ou baixa. Serve também para orientar se a oclusão é total ou parcial. Na obstrução total, 
há ausência de ar no cólon e reto.Níveis líquidos na mesma alça, em alturas diferentes, 
demonstram obstrução mecânica (luta da alça). Quando esses níveis estão na mesma altura, 
indicam adinamia ou seja, íleo paralítico. 
Exames de ultrasom (ecografia) e ressonância magnética devem ser usados nos casos de 
dúvida da interpretação da radiografia simples de abdômen.Igualmente, em anos recentes a 
laparoscopia abdominal tem sido de grande utilidade em mãos de endocopistas experientes. 
Em nossa experiência clinica, tivemos a oportunidade de descrever um sinal de oclusão total, ao 
qual denominamos de “Sinal do Colar”, com a simples verificação de pequenas quantidades de 
gás residual em alças murchas (pós-obstrução), com forma de pérolas. 
Sempre deve ser excluída a possibilidade de gás extra-intestinal por perfuração de víscera oca 
(estômago e intestino). 
Essa exclusão é realizada no exame de raios-X. 
Coloca-se o paciente deitado de lado (decúbito lateral) e faz-se a radiografia simples do 
abdômen com raios horizontais. Se houver, mesmo que seja uma pequena quantidade de gás na 
cavidade abdominal, o gás tenderá a subir e desenhar com uma sombra nítida a parte superior e 
lateral do abdômen, entre a parede abdominal e a membrana que envolve as vísceras (peritônio). 
Isso é ar fora das vísceras e a conclusão lógica é de que existe uma perfuração que pode 
acontecer, por exemplo, com uma úlcera perfurada que resulte em peritonite. 
O uso de contrastes – Bário – além de produzir resultados discutíveis, atrapalha a interpretação 
dos níveis hidroaéreos, sendo que o paciente, principalmente aquele com obstrução alta, vomita 
o conteúdo e, no caso de paciente com obstrução baixa de intestino delgado, o contraste demora 
a chegar ao local. 
O bário terá indicação por via baixa somente em alguns casos de obstrução do cólon e reto. 
Combater a demora é o principal objetivo, portanto, o uso do bário só trouxe dificuldades para o 
diagnóstico emergencial. 
Ao mesmo tempo em que se confirma o diagnóstico, coloca-se o paciente em condições 
clínicas: 
 
com sonda nasogástrica para descompressão da parte alta do tubo digestivo 
com adequada compensação do desequilíbrio hidroeletrolítico. 
 
Pode-se fazer uso de sondas intestinais longas, particularmente nas obstruções jejunais altas, 
quando o duodeno (1a porção do intestino) também sofre dilatação. 
Como o duodeno possui uma irrigação singular na sua parede, essa situação 
provoca sofrimento, agravando o quadro clínico. 
As novas técnicas de enteroscopia ajudam a colocar a sonda longa nas porções 
altas do intestino. 
A seguir, se a obstrução é total, procede-se à cirurgia, seja a tradicional ou por 
laparoscopia. 
Não está bem claro qual o melhor método de intervenção, se laparoscopia ou laparotomia 
(cirurgia tradicional). Após uma triagem adequada e nas mãos de um cirurgião que conheça os 
benefícios e os limites da laparoscopia, esta seria a primeira opção de escolha na maioria das 
obstruções. Entretanto, em muitos casos, esta terá que ser convertida para uma cirurgia 
abdominal tradicional. 
As obstruções acompanhadas de peritonite sempre são tratadas, além da desobstrução, com 
grandes lavagens da cavidade abdominal para limpeza da infecção nesta cavidade. O peritônio 
(membrana que recobre todo o intestino) defende-se melhor quando atua contra o agente 
agressor com toda a sua superfície. 
Sempre tivemos dúvidas em relação ao uso de drenos na cavidade abdominal após a ampla 
lavagem desta, em casos de peritonite. O benefício das drenagens era pequeno comparado com 
o grande risco de levar outra infecção de fora para dentro. Portanto, esta equação risco-benefício 
nos fazia recomendar o não uso de drenos. 
As obstruções intestinais com sofrimento vascular são encaminhadas com urgência urgentíssima 
para ressecção (retirada) intestinal da alça afetada. 
Algumas Particularidades no Quadro de Obstrução Intestinal 
 ÍLEO BILIAR 
O íleo biliar é uma pedra volumosa que provoca uma inflamação na parede da vesícula e atinge 
o órgão vizinho – o intestino. Com a progressão desta inflamação, ocorre a perfuração destas 
vísceras. A pedra ao progredir pela luz

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