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Resumo - Clínica Cirúrgica (Sabiston)

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predominando um 
processo infeccioso no hipocôndrio direito. O aparecimento dos sintomas geralmente é 
gradual e progressivo e usualmente os sintomas aparecem em período que varia de 2 a 3 
dias a vários meses. Raramente os sintomas são súbitos, com predomínio de calafrios e 
sudorese. Diarréia precede os sintomas em um terço dos pacientes. 
Comumente as manifestações clínicas incluem febre (69%–87%), dor em hipocôndrio 
direito (54%–67%), perda de peso (45%), náuseas (85%), vômitos e anorexia. A ictéricia é 
incomum (10%) e é sinal de mau prognóstico. Outras manifestações são hepatomegalia 
dolorosa, sinais de consolidação pulmonar (base direita), sinais de pleurisia e derrame 
pleural. 
O paciente portador de abscesso amebiano pode queixar-se de dor discreta à aguda de 
forte intensidade, que piora com a mudança de posição e à noite, em quadrante superior 
direito (típica) ou região epigástrica (em abscessos localizados no lobo esquerdo). Esta dor 
pode também ser referida nos ombros quando o abscesso se localiza próximo ao 
diafragma. Em abscessos localizados na região nua do fígado (sem contato com a serosa) o 
paciente evolui sem dor. 
Os exames laboratoriais revelam leucocitose (12000-20000/mm³) com desvio à esquerda 
em 77% dos pacientes, elevação da fosfatase alcalina de aproximadamente duas vezes o 
valor normal (75% dos casos), das transaminases (2 a 4 vezes o normal) em 50% dos 
casos, da velocidade de hemossedimentação e da proteína C reativa. Anemia normocítica e 
normocrômica está presente nos casos de longa duração. Aumento no nível das 
bilirrubinas é incomum e não ultrapassa 10mg/dL. Eosinofilia não é característica da 
amebíase. Hipoalbuminemia é um achado freqüente. 
Testes sorológicos são positivos em quase todos os pacientes, porém se negativo não exclui 
o diagnóstico. São eles: eletroforese imunológica, hemaglutinação indireta, ensaio 
enzimático ligado a imunossorventes (ELISA), PCR e imunofluorescência indireta. 
 
EXAMES DE IMAGEM 
A radiografia de tórax mostra elevação do hemidiafragma direito, que pode estar imóvel á 
radioscopia. Outros achados são: apagamento dos seios costofrênico e cardiofrênico, 
derrame pleural direito ou pneumonia basal direita. 
A ultrassonografia de abdome pode mostrar lesão hipoecoica, homogênea, oval ou 
redonda localizada próximo à cápsula hepática. 
A tomografia computadorizada fornece as melhores imagens do abscesso, com precisão de 
98%. Ela revela imagem hipodensa, 
arredondada e de aparência bem 
definida. Pode mostrar reforço da 
parede edemaciada ao redor do 
abscesso e septações em seu interior. 
A cintilografia com tecnécio-99 ou 
citrato de gálio deve ser usada para 
mostrar áreas frias ou defeitos de 
enchimento e identificam com precisão 
o número e a localização das lesões 
hepáticas. 
Diante da suspeita de abscesso 
piogênico pode ser realizada aspiração 
percutânea guiada por USG ou TC. O 
pus amebiano geralmente é inodoro, bacteriologicamente estéril, de coloração rósea a 
avermelhada ficando acastanhada quando exposta ao ar e geralmente os trofozoítos não 
são encontrados. Ela é contra-indicada quando não se pode excluir com certeza cistos por 
Echinococcus, os quais quando derramados podem levar á anafilaxia. 
 
Outros exames: Lesões encontradas através de retossigmoidoscopia devem ser biopsiadas 
e o exame parasitológico das fezes revela amebas em menos de 20% dos casos. 
As complicações do abscesso amebiano são: infecção secundária e a extensão ou ruptura 
do abscesso para órgãos adjacentes como pulmão, (levando a fístula hepatobrônquica, 
empiema ou abscesso pulmonar), estômago, pericárdio, cavidade peritoneal, cólon ou veia 
cava. 
 
TRATAMENTO 
O tratamento consiste em quimioterapia combinada à aspiração ou drenagem cirúrgica 
em casos selecionados. 
A droga de escolha no tratamento do abscesso amebiano é o metronidazol na dose de 
750mg por via oral, 3 vezes ao dia, durante 10 dias. Tem a vantagem de tratar tanto a 
amebíase intestinal como suas formas extra-intestinais. Nos casos resistentes podem ser 
utilizadas drogas como cloroquina, iodoquinol e paromomicina. A resolução dos casos 
deve ser acompanhada por ultrassonografia seriada. 
A aspiração percutânea (1ª escolha) de um abscesso amebiano está indicada quando a 
cavidade formada pelo mesmo for maior que 5 cm ou de alto risco de ruptura. Também 
são indicações: se houver abscesso no lobo hepático esquerdo (associado a uma 
mortalidade mais elevada e maior freqüência de fuga ou rotura na cavidade peritoneal e 
pericárdio), e se o doente não responder clinicamente ao agente amebicida em 5 a 7 dias. 
Cavidades maiores ou iguais a 6 cm podem ser drenadas ou aspiradas. 
Drenagem percutânea, em oposição à aspiração, está indicado na abcessos do lóbulo 
esquerdo e grandes abscessos devido ao potencial de ruptura na 
cavidade pleural ou pericárdio. A drenagem percutânea raramente é necessária nestes 
pacientes. A drenagem cirúrgica está indicada em abscesso de lobo esquerdoque não 
podem ser acessados percutaneamente. 
 
Referências 
 
1. COELHO, Júlio César Uili. Aparelho digestivo: Clínica e cirurgia. São Paulo: 
Editora Atheneu, 2006, volume II. 
2. KURLAND, Jayde E.; BRANN, Oscar S. Pyogenic and Amebic Liver Abscesses. 
Current Gastroenterology Reports 2004, 6:273–279. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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|ÅÑÉÜàt É ÖâûÉ wxätztÜAÊ (Platão) 
 
 
DOENÇAS CIRÚRGICAS DA TIREÓIDE 
POR: THIARA LESSA 
 
 
 
TIREÓIDE 
 
ANATOMIA 
A tireóide apresenta estrutura bilobar, que se 
localiza nas imediações da cartilagem tireóidea e 
numa posição Antero-lateral à junção da laringe 
com a traquéia. Os dois lobos são unidos pelo 
istmo, que se situa anterior ou logo abaixo da 
cartilagem cricóide. Possui uma cápsula 
firmemente aderida e logo acima desta uma fina 
fáscia. Ambas se unem posterior e lateralmente, 
formando o ligamento de Berry, que se insere na 
cricóide. 
• N laríngeo recorrente: ascendem de cada 
lado da traquéia, lateralmente ao lig de 
Berry quando penetram na traquéia. O n. 
direito origina-se do vago ao nível da art. 
Subclávia, passa pelo sulco 
traqueoesofágico quando ascende para a 
traquéia. O n. esquerdo separa-se do vago no 
arco da aorta e sobe pelo sulco 
traqueoesofágico até o lobo inferior da 
tireóide. O n. é responsável pela abdução das cordas vocais e sua lesão implica na 
paralisia das cordas vocais do lado lesado. A lesão bilateral pode resultar em perda 
da voz e obstrução das vias aéreas, requerendo intubacao e traqueostomia de 
emergência. 
• N. laríngeo superior: separa-se do vago na base do crânio e desde para o pólo superior 
da tireóide ao longo da art. carótida interna. O nervo corre o risco de ser lesionado se os 
vasos do pólo superior forem ligados a grande distancia do pólo sup. A lesão resulta 
em perda de qualidade ou potenia da voz. 
O suprimento arterial depende de quatro art. principais, duas superiores e duas inferiores: 
• Art. Tireoidiana superior: primeiro rama da carótida externa. Desce e penetra no pólo 
superior. Segue medial ao n. laríngeo superior. 
• Art. Tireoidiana inferior: origem no tronco tireocervical. Ascende no pescoço atrás da 
bainha da carótida e penetra na parte posterior da glândula. Adjacente ao n laríngeo 
recorrente, o que faz necessária uma dissecção cuidadosa. Também supre as 
paratireóideas. 
O sistema linfático da tireóide é formado por canais linfáticos que passam imediatamente 
abaixo da cápsula e se comunicam entre os lobos através

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